MESA REDONDA

Duração, carga e freqüência na fonoterapia para hipoadução glótica pós-cirúrgica.
Palestrante: Rosiane Kimiko Yamasaki

A paresia ou a paralisia dos músculos laríngeos são causadas por lesões do X par craniano em decorrência de trauma iatrogênico (cirurgia de tireoide, carótida ou coluna cervical), infecção viral ou quadros malignos (tireoide, pulmão). O comprometimento do nervo laringeo superior e do nervo laringeo recorrente podem levar a alterações vocais, respiratórias e de deglutição. A paralisia unilateral frequentemente produz qualidade vocal soprosa. Pode-se observar a presença de bitonalidade e de aspiração. O grau de desvio vocal depende da posição da prega vocal paralisada e da habilidade de compensação da prega contralateral. De um modo geral, quanto maior o comprometimento neural mais afastada da linha mediana a prega vocal se encontra. Nas paralisias unilaterais com envolvimento apenas do nervo laringeo recorrente, a prega paralisada encontra-se em posição mediana ou paramediana. Nas paralisias com envolvimento dos nervos laríngeos superior e inferior, observa-se maior afastamento das pregas vocais da linha mediana, em posição intermediária. A qualidade vocal de pacientes com paralisia bilateral das pregas vocais frequentemente é de qualidade satisfatória. Entretanto, a respiração pode estar comprometida pela posição paramediana das pregas vocais. Em muitos casos, a traqueotomia torna-se necessária. A paresia de prega vocal é consequência da diminuição da mobilidade das pregas. Pode ser decorrente do comprometimento do NLS ou de um comprometimento menor do NLR. Nesses casos, as queixas vocais incluem fadiga vocal, rugosidade, intensidade fraca, dificuldade nos agudos, perda da projeção e soprosidade. Pacientes com paresia do NLS ou do NLR podem desenvolver quadros de disfonia por tensão muscular na tentativa de gerar maior intensidade vocal. A terapia de voz nos quadros de paralisia unilateral tem como objetivos a eliminação da aspiração e a melhora da qualidade vocal. Na ausência de aspiração, a terapia pode ser direcionada para a redução das queixas vocais. A avaliação vocal deve explorar cuidadosamente os possíveis mecanismos compensatórios utilizados pelo paciente na tentativa de compensar dificuldades vocais. A seleção das técnicas vocais depende das caracteísticas vocais e laringológicas e do uso ou não de ajustes hiperfuncionais. Exercícios isotônicos, de resistência (com repetições múltiplas), sons facilitadores e de competência fonatória são preconizados pela literatura. O uso de exercícios de fonação em tubo de vidro ou de silicone tem trazido resultados animadores no tratamento de pacientes com hipoadução das pregas vocais. A duração do tratamento, a carga de exercícios e a frequência das sessões dependem do quadro clínico e da plasticidade vocal do paciente em resposta às técnicas vocais. Esses aspectos serão discutidos na apresentação.


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