SESSÃO DE TEMAS LIVRES


Análise dos tipos de erros ortográficos baseados na semiologia em diferentes provas ortográficas
Autor(es): Andrea Oliveira Batista, Simone Aparecida Capellini


Análise dos tipos de erros ortográficos baseados na semiologia em diferentes provas ortográficas

Andrea Oliveira Batista
Simone Aparecida Capellini
Laboratório de Investigação dos Desvios da Aprendizagem do Departamento de Fonoaudiologia – FFC/UNESP – Marília (SP)

Resumo
Introdução: A análise dos tipos de erros em provas ortográficas de ditado com demandas cognitivo-linguísticas diversas permite a compreensão das diferentes médias de ocorrência destes em cada prova. Objetivos: Analisar a média de ocorrência e os tipos de erros em provas ortográficas. Método: Aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Filosofia e Ciências – FFC/UNESP – Marília, protocolo nº. 1070/2009. Foram aplicadas provas de ditado: palavras (DP), pseudopalavras (DPP), com figuras (DF) e frases (DFR), do Pró-Ortografia – Protocolo de Avaliação da Ortografia. Tipos de erros foram: correspondência fonema-grafema unívoca (CF/G), omissão-adição de segmentos (OAS), alteração na ordem dos segmentos (AOS), separação-junção indevida de palavras (SJIP), correspondência fonema-grafema dependente do contexto fonético/posição (CF/GDC), correspondência fonema-grafema independente de regras (CF/GIR), ausência-presença inadequada da acentuação (APIA) e outros achados (letras com problemas de traçado/espelhamento, escrita de outra palavra e/ou palavra inventada) (OA). Foram avaliados 240 escolares do 2º ao 5º ano, 120 de escolas particulares e 120 de escolas públicas, de Londrina/PR, sendo 60 escolares de cada ano divididos em oito grupos: GI, GII, GIII, GIV (ensino particular) e GV, GVI, GVII e GVIII (ensino público). Resultados analisados estatisticamente. Resultados: As médias de erros de todos os tipos, nas quatro provas, tornaram-se inferiores nos anos subsequentes, para todos os grupos. Prova DP: para o tipo OA, a média apresentada pelo GI só foi superada a partir do GVII, e a média de erro do GII foi igual à média de erro do GVIII, demonstrando que os escolares do ensino público, principalmente os grupos GV e GVI, podem estar demorando mais para adquirir a escrita alfabética. Prova DPP: o tipo CF/GDC apresentou a média de erro mais alta, corroborando o objetivo da prova e evidenciando que os escolares parecem não aplicar as regras ortográficas contextuais explicitamente. Prova DF: o tipo CF/GDC apresentou média superior de erros para o grupo GVI em relação aos outros grupos, apontando que os escolares estavam mais direcionados para o aspecto semântico do que ortográfico. Em comparação com as demais provas, a ocorrência superior do tipo OA no DF sugere que os grupos não souberam ou fizeram confusão entre os nomes dos animais. Prova DFR: as médias de ocorrência dos tipos de erros foram similares as do DP, pela natureza das provas. Houve interferência da memória verificada pela média superior do tipo OA. Discussão: Verificamos que as médias de erros ortográficos tornaram-se inferiores a cada ano subsequente. Os grupos GIV e GVIII apresentaram médias próximas. A ocorrência dos tipos de erros apresentados foi compatível com as demandas peculiares de cada prova de ditado.
Conclusão: Quando provas ortográficas requerem habilidades cognitivo-linguísticas diferentes, trazem um índice de ocorrências de erros também diferentes. Portanto, há necessidade de intervenções clínico-pedagógicas que contemplem todas as demandas cognitivo-linguísticas no aprendizado da ortografia.
Palavras-chave: Avaliação, Aprendizagem, Escrita Manual.

Apoio: Capes, FAPESP


Dados de publicação
Página(s) : p.2629
URL (endereço digital) : http://www.sbfa.org.br/portal/suplementorsbfa