CONSULTA DE TRABALHOS

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GRUPOS DE PESQUISA
2213
A NOSSA VOZ EM PAUTA
Voz (VOZ)


HISTÓRICO DO GRUPO DE PESQUISA

Idealizado e coordenado pela Profª. Drª. Mauriceia Cassol, o grupo A Nossa Voz em Pauta é um espaço de pesquisa voltado para a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Foi criado no ano de 2015 com os principais objetivos de unir conhecimentos científicos de diversas áreas relacionadas à voz, trocar experiências que envolvem pesquisas nas áreas de reabilitação vocal, aprimoramento vocal e envelhecimento da voz, além de estruturar e proporcionar atividades de extensão para a comunidade interna e externa da universidade acerca de assuntos relacionados à área da voz, levando em consideração principalmente à saúde vocal. Desenvolvemos estudos em duas linhas de pesquisas: Fundamentos da Reabilitação Musculoesquelética pertencente ao Programa de Pós-Graduação de Ciências da Reabilitação e Estudos em Fonoaudiologia: Avaliação, Promoção e Reabilitação da Comunicação Humana pertencente ao Departamento de Fonoaudiologia. Os projetos de pesquisa realizados pelo grupo têm interface com as áreas de Fisioterapia, Psicologia e Medicina, além da realização de parcerias com outras áreas da Fonoaudiologia. Nosso grupo é cadastrado no Diretório de Grupos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e é formado por docentes, pós graduandos, graduandos e bolsistas de iniciação científica que produzem pesquisas na área de voz.

PRINCIPAIS PROJETOS DE PESQUISA DESENVOLVIDOS E/OU EM ANDAMENTO
Os projetos de Doutorado em andamento são: “Efeitos de Técnicas de Trato Vocal Semiocluído para a Voz de Coristas Idosos”; “Promoção das Habilidades Vocais e Comunicacionais para Falar em Público em Universitários”; “Efeitos da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea e da Terapia Manual Laríngea na Disfonia Por Tensão Muscular: Ensaio Clínico Randomizado”;” Efeitos do Uso de Incentivadores Respiratórios na Reabilitação de Idosos com Disfonia: Ensaio Clínico Randomizado”; “Programa de Intervenção Musculoesquelética Vocal para Professores Universitários: Ensaio Clínico Controlado Randomizado” . No Mestrado o projeto “Verificação do efeito na ansiedade e no estresse após um programa de aprimoramento de habilidades comunicativas com enfoque para falar em público” está sendo desenvolvido. Os projetos têm parcerias com Iniciação Científica, Graduação – Trabalhos de Conclusão de Curso – e Especialização. Além disso, o Grupo possui um projeto em andamento no Ambulatório de Voz do Serviço de Otorrinolaringologia pertencente ao Complexo Hospitalar da Santa Casa de Porto Alegre, com o título “Dados Epidemiológicos e Clínicos de um Ambulatório de Voz Vinculado ao SUS”.

PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS
Atualmente as parcerias acontecem à nível nacional, como coorientações de projetos de doutorado. Contamos com a colaboração do curso de Psicologia da UFCSPA, com a Dra. Sheila Gonçalves Câmara; com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tendo a participação da Dra. Chenia Caldeira Martinez; com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Dr. Ângelo José Gonçalves Bós; com a Universidade de São Paulo (USP) - Campus Bauru, tendo a Dra. Kelly Cristina Alves Silvério, e com a parceria do Centro de Estudos da Voz sob supervisão da Dra. Mara Behlau.

PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS
As pesquisas do grupo “A Nossa Voz em Pauta” já foram apresentadas em eventos nacionais e internacionais. O Congresso da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) e o da Fundação de Otorrinolaringologia (FORL) são os mais recorrentes no Brasil. As apresentações orais e de pôsteres internacionais têm maior frequência nos Congressos proporcionados pela International Association of Logopedics and Phoniatrics (IALP), na qual os últimos com participações foram em Taiwan (2019) e Dublin (2016). Além disso, foram produzidos 21 artigos desde a criação oficial do grupo, sendo 6 deles no Journal of Voice, uma das mais conceituadas revistas na área de Voz; 4 no periódico Folia Phoniatrica et Logopaedica e outros 3 artigos publicados em revistas internacionais (International Archives of Otorhinolaryngology; Public Health and Preventive Medicine; Pan-American Journal of Aging Research). As revistas nacionais com publicação são: Revista Audiology - Communication Research (ACR) com 2 artigos; 3 artigos na revista CEFAC; 2 artigos na Communication Disorders, Audiology and Swallowing (CoDAS) e contando 1 artigo na revista Estudos de Psicologia. Os artigos envolveram a área de voz, com parceria de pesquisadores das áreas de Neurologia, Otorrinolaringologia, Geriatria, Fisioterapia, e Psicologia.


IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS E PERSPECTIVAS FUTURAS.

Os projetos realizados pelo grupo de pesquisa têm como principal objetivo fomentar a prática clínica de profissionais que atuam na área da voz. Pesquisas que envolvem novos tratamentos, programas terapêuticos e achados clínicos de diversos distúrbios vocais são os principais focos dos projetos desenvolvidos pelo grupo. Estes estudos são amplamente divulgados por meio de publicações em periódicos na área de Voz e da Fonoaudiologia. Nossas pesquisas são desenvolvidas com pacientes do Serviço Único de Saúde (SUS), comunidade docente e discente da universidade, além de sujeitos externos à comunidade acadêmica, o que proporciona benefícios à sociedade de uma forma geral. Também ocorre anualmente o evento do Dia Mundial da Voz, em que o grupo de pesquisa organiza e divulga para a comunidade externa e interna da universidade práticas de saúde vocal, além de proporcionar apresentações envolvendo artistas e grupos locais que neste evento têm a oportunidade de divulgar o seu talento vocal.
O grupo A Nossa Voz Em Pauta vem estudando e dedicando os seus conhecimentos na produção de achados científicos que auxiliem no desenvolvimento e crescimento da prática baseada em evidências na área de voz. Desta forma, desejamos compartilhar os avanços da ciência vocal com a comunidade acadêmica e também beneficiar a comunidade externa na promoção e reabilitação da saúde vocal.




GRUPOS DE PESQUISA
2250
BREVE HISTÓRIA DO GRUPO DE ESTUDOS EM DIVERSIDADE, EDUCAÇÃO, SAÚDE E FONOAUDIOLOGIA
Saúde Coletiva (SC)


HISTÓRICO: Cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde o ano de 2016, o Grupo de Estudos em Diversidade, Educação, Saúde e Fonoaudiologia (GEDESF) foi idealizado por um grupo de docentes da Universidade Federal da Paraíba com o intuito de abranger temas em que a Fonoaudiologia fosse o cerne e permeasse transversalmente. Tem como principais linhas de pesquisa: Distribuição e fatores determinantes da saúde da comunicação humana e Saúde, Educação, Trabalho e Inclusão Social. Atualmente possui três pesquisadoras responsáveis, conta com três técnicos e 11 estudantes que vêm colaborando e fortalecendo os estudos que vêm sendo desenvolvidos. PRINCIPAIS PROJETOS: Os projetos de pesquisa sob a coordenação das docentes pesquisadoras do Grupo que já foram concluídos têm como título Contribuição da Fonoaudiologia e da educação popular na promoção da saúde de grupos minoritários; Atuação fonoaudiológica junto à educação: caminhos percorridos e possibilidades de mudanças; Atuação fonoaudiológica em escolas: diversidade, interdisciplinaridade e inclusão; Riscos ocupacionais da prática fonoaudiológica na Atenção Básica; Riscos ocupacionais na atuação de cabeleireiros e possíveis impactos na saúde vocal; Análise da exposição ocupacional e possíveis impactos na qualidade vocal de Agentes Comunitários de Saúde; No que tange aos projetos em andamento vinculados ao Grupo, esses abrangem as áreas de Cuidados Paliativos, Educação, Saúde do Trabalhador e Saúde Coletiva. Nessa perspectiva, considerando o momento de pandemia, enfatiza-se um que aborda o tema da COVID-19, o qual está em fase de coleta de dados e tem como objetivo geral investigar a prática de fonoaudiólogos em diferentes cenários de atuação durante a pandemia do novo coronavírus na cidade de João Pessoa-PB. Outro projeto em destaque coloca em pauta o conhecimento de profissionais da saúde acerca do trabalho do fonoaudiólogo na equipe de Cuidados Paliativos aos pacientes oncológicos. Ainda no que concerne aos projetos que estão sendo desenvolvidos, salienta-se o intitulado Educação popular em saúde na escola: (re)escrevendo o futuro, que tem como principal objetivo realizar ações que favoreçam o desenvolvimento da aprendizagem em instituições de ensino infantil e fundamental que atendem crianças em situação de vulnerabilidade social na cidade de João Pessoa.-PB. Além disso, duas das pesquisadoras foram contempladas recentemente com bolsa no edital do PIBIC (vigência 2020-2021), sendo acrescido mais dois projetos que tratam sobre os Cuidados Paliativos e a Diversidade na Educação, respectivamente. PRODUTOS OBTIDOS: Desse modo, o grupo vem se consolidando, amadurecendo conhecimentos, realizando parcerias e ampliando a presença dos seus membros em eventos científicos bem como o número de publicações nos últimos quatro anos. Dentre alguns dos trabalhos que se destacaram, pode-se citar: O outro na escola: algumas representações a respeito das diferenças. In: XXIV Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, 2016, São Paulo. (resumo expandido em Anais); Representações dos profissionais da educação para o fonoaudiólogo educacional: reflexões sobre atuação fonoaudiológica em escolas. In: XXIV Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, 2016, São Paulo (resumo expandido em Anais); O protagonismo da Fonoaudiologia na perspectiva da Saúde Coletiva (trabalho premiado/resumo em Anais); A Fonoaudiologia no cuidado à população LGBT: da formação à atuação. In: 12° Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, 2018 (resumo em Anais); O conhecimento do Agente Comunitário de Saúde acerca da atuação fonoaudiológica. In: XXV Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, 2017, Salvador (resumo em Anais); A educação popular como possibilidade de transformação no contexto escola. In: XXIV Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, 2016, São Paulo (resumo em Anais); Educação Popular: construindo outra saúde na escola. In: Pesquisa e Educação Popular: construindo conhecimentos em saúde a partir da extensão. 1°ed. João pessoa: Editora UFPB, 2019, p. 68-93 (capítulo de livro); Variação no limiar auditivo em mulheres durante o ciclo menstrual. International Archives of Otorhinolaryngology (Print), v. 21, p. 108, 2017 (artigo); Acessibilidade a serviços públicos especializados de saúde bucal na perspectiva dos usuários brasileiros. International Journal of Environmental Research and Public Health , v. 13, p. 1026, 2016 (artigo). Representações dos profissionais da educação acerca do fonoaudiólogo educacional. Revista Distúrbios da Comunicação, v. 30, p. 186-193, 2018 (artigo); Estágio em Saúde Coletiva: Formação em Fonoaudiologia. Revista Ciência Plural, v. 3, p. 93-110, 2018 (artigo); Concepções de surdez na voz dos interpretes de libras. Revista educação especial, v. 32, p. 96, 2019 (artigo); Riscos ocupacionais da prática fonoaudiológica na Atenção Básica. Revista Brasileira Ciências da Saúde, v. 23, p. 431-452, 2019 (artigo); Triagem auditiva escolar no Brasil: uma análise espacial. Revista Brasileira Ciências da Saúde, v. 23, p. 73-84, 2019 (artigo); Disfagia em idosos pós acidente vascular cerebral: checklist para rastreamento. Revista Ibero-Americana de saúde e envelhecimento, v. 5, p. 1895-1909, 2019 (artigo); Educação Popular no cuidado integral ao usuário de álcool e outras drogas: um caminho possível. Revista de educação popular, v. Esp, p. 219-232, 2020 (artigo); Instituições educacionais como campo de pesquisas fonoaudiológicas: uma análise das publicações em periódicos brasileiros. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 22, n. 3, e16719, 2020 (artigo); A Fonoaudiologia Educacional nos currículos dos Programas de Fonoaudiologia do Brasil. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 22, n. 3, e1320, 2020 (artigo). IMPACTO SOCIAL: Como impacto social das pesquisas, indubitavelmente, está a reflexão acerca das diversas possibilidades de inserção do profissional fonoaudiólogo em diferentes níveis de atenção à saúde. O Grupo acredita que o cuidado da Fonoaudiologia, pensando-a como ciência da comunicação humana, deve perpassar por diversos âmbitos e abraçar as mais distintas demandas, em todos os ciclos de vida e em qualquer circunstância biopsicossocial. O fonoaudiólogo, como qualquer outro profissional da saúde, não pode ser engessado pelos modelos convencionais de assistência e restringir sua prática ao seu núcleo de saber. Ele deve ir além! Deve recriar, sempre que possível, seus modos de produzir cuidado, considerando o trabalho em equipe e o contexto singular, mas também plural, que envolve a condição humana.



GRUPOS DE PESQUISA
2259
CENTRO DE PESQUISA AUDIOLÓGICA - CPA
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


O Centro de Pesquisas Audiológicas (CPA) sediado no campus da Universidade de São Paulo, município Bauru, foi criado em parceria do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), ambos deste campus, sendo homologado pela Universidade de São Paulo (USP) em 1990, para no mesmo ano, ser registrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico (CNPq). Assim, neste ano de 2020, sob a liderança do Prof. Dr. Orozimbo Alves Costa, o CPA está comemorando 30 anos voltados à Ciência da Audição (1990-2020), o que justifica realizarmos uma reflexão sobre esta trajetória.
No início da década de 90, os Prof. Dr. Orozimbo Alves Costa e Profa. Dra Cecília Bevilacqua cumpriam a dupla missão de integrar os serviços em saúde auditiva existentes no HRAC (LEAL, CEDIL, CEDIAU) e de estruturar o primeiro currículo do Curso de Fonoaudiologia da FOB-USP. Neste contexto, ambos os professores vislumbraram o Campus USP/Bauru como um ambiente que reunia as características apropriadas e integradas nas esferas de ensino, de pesquisa e de extensão para a criação do Centro de Pesquisas Audiológicas constituindo-se no primeiro centro especializado na Ciência da Audição criado no Brasil.
Com sede no campus USP/Bauru, o CPA é constituído por docentes da área de Audiologia do Curso de Fonoaudiologia da FOB, graduação e pós graduação, profissionais não docentes do HRAC e FOB, como também alunos de graduação e pós-graduação. Ressalta-se a participação de pesquisadores de outras universidades e centros de pesquisa nacionais e internacionais, o que têm possibilitado o desenvolvimento de pesquisas multicêntricas, assim como, firmar convênios acadêmicos inter-institucionais. O conhecimento produzido no CPA tem subsidiado ações e políticas públicas em saúde auditiva, assim como, as recomendações voltadas à Telessaúde em Fonoaudiologia. No contexto da Telessáude, os pesquisadores do CPA coordenam projetos na Linha de Pesquisa Telessaúde em Fonoaudiologia, sendo a única inserida em um Programa de Pós-graduação, no caso, o Programa de Pós-graduação em Fonoaudiologia da FOB-USP.
Neste contexto acadêmico, o Centro de Pesquisas Audiológicas da USP/ Bauru é reconhecido no Brasil e exterior, pois muitas das práticas e protocolos utilizados atualmente são baseados em evidências científicas obtidas com as pesquisas que desenvolvemos e continuamos a desenvolver no CPA. Importante destacar também que, pesquisadores do CPA têm assumido papel de liderança frente as sociedades científicas no Brasil e exterior.
A seguir, estão descritas as linhas de pesquisa do CPA, com os seus respectivos objetivos:

Dispositivos eletrônicos de amplificação sonora e equipamentos auxiliares de audição: aparelho de amplificação sonora individual, Sistema FM e aparelhos semi-implantáveis. Objetivos: Aprimorar os processos de seleção, indicação e adaptação dos dispositivos eletrônicos de amplificação sonora e equipamentos auxiliares de audição nas perdas auditivas condutivas, mistas e sensorioneurais; unilaterais ou bilaterais; de graus leves a profundo. Analisar aspectos da verificação da adaptação e a satisfação do usuário, pois o bom êxito neste processo reflete na qualidade de vida do indivíduo. Adicionalmente, investigar o impacto do uso do Sistema FM em ambiente escolar e social.

Habilitação e Reabilitação na deficiência auditiva. Objetivos: Avaliar o processo de (re) habilitação da deficiência auditiva nas diferentes faixas etárias, envolvendo a orientação e aconselhamento do paciente e família. Estudar o desenvolvimento das habilidades auditivas, da percepção auditiva da fala, da aquisição da linguagem oral de crianças com deficiência auditiva usuárias de novas tecnologias, assim como, os protocolos de avaliação e mensuração dos aspectos mencionados.

Políticas Públicas e Saúde Auditiva. Objetivos: Investigar os indicadores de qualidade do processo de diagnóstico; da seleção, indicação e adaptação AASIs e da terapia fonoaudiológica, no que se refere à satisfação e aos benefícios do usuário atendido nos Serviços de Saúde Auditiva de média e de alta complexidade credenciados pelo Ministério da Saúde. Estudar a função auditiva e os seus distúrbios, por meio de ações de saúde e projetos voltados à prevenção, identificação, diagnóstico e tratamento da deficiência auditiva.

Privação sensorial e o implante coclear no tratamento da deficiência auditiva sensorioneural e em casos difÍcIeis. Objetivos: Produzir conhecimento científico voltado ao implante coclear, com a análise do impacto na percepção da fala e habilidades comunicativas do indivíduo com deficiência auditiva neurossensorial severa e profunda, assim como, em casos difíceis, por meio de procedimentos comportamentais, eletroacústicos e eletrofisiológicos. Os resultados obtidos fornecerão subsídios para a definição dos critérios de indicação, procedimentos cirúrgicos e acompanhamento, incluindo o implante coclear bilateral.

Telessaúde em Fonoaudiologia. Objetivos: Avaliar as tecnologias interativas a fim de viabilizar o acesso da população aos serviços especializados, a formação continuada de profissionais da área da saúde e o acesso a centros de referência por meio de novas sistemáticas educacionais de forma presencial ou a distância. Neste contexto, aplicar métodos científicos para desenvolver novas tecnologias duras (ex: equipamentos), leve-duras (ex: saberes estruturados) e leves (ex: relação de trabalho) para o fornecimento de cuidados fonoaudiológicos.

Na apresentação abordaremos um projeto de cada linha de pesquisa que tenham sido fundamentais na produção de evidências científicas para sustentar os serviços de saúde auditiva, nas instituições de origem dos pesquisadores.

Para finalizar, no momento atual, com o olhar mais abrangente para as ações assumidas pelos órgão governamentais voltadas à Ciência e Tecnologia, compreendemos que a estrutura do Centro de Pesquisas Audiológicas que, possibilita a existência de um grupo de pesquisa sedimentado no Diretório do CNPq, formado por pesquisadores de diversas instituições nacionais e internacionais, é um dos caminhos promissores para o crescimento da ciência brasileira.



GRUPOS DE PESQUISA
2246
CONHECENDO AS PESQUISAS DO NÚCLEO DE ESTUDOS EM LINGUAGEM E FUNÇÕES ESTOMATOGNÁTICAS (NELF)
Linguagem (LGG)


O Núcleo de Estudos em Linguagem e Funções Estomatognáticas (NELF) é um grupo cadastrado na plataforma do CNPq, vinculado à Universidade Federal da Paraíba. O mesmo desenvolve pesquisas que alcançam o desenvolvimento típico e atípico e as possíveis intervenções fonoaudiológicas no contexto da linguagem, da aprendizagem e das funções estomatognáticas. Para o congresso fono2020, o nosso grupo apresentará a linha de pesquisa em linguagem oral e escrita, bem como suas respectivas nuances.
Dentre os estudos realizados no núcleo, destaca-se a temática que aborda a Microcefalia relacionada à transmissão vertical pelo Zika vírus. No âmbito da linguagem, está sendo desenvolvida uma pesquisa que objetiva analisar o desempenho das habilidades linguísticas das crianças acometidas com o referido agravo. Para tanto, busca-se caracterizar o desenvolvimento infantil da população estudada, descrever o desempenho das habilidades linguísticas e por fim associar os achados da pesquisa aos exames de imagem. O tipo de estudo será experimental de campo realizado através de três etapas: A primeira será uma entrevista estruturada com os responsáveis da criança como também serão verificados laudos médicos que confirmem a presença da microcefalia pelo Zika vírus. Na segunda etapa serão avaliadas as habilidades linguísticas das crianças através de dois instrumentos: Observação do Comportamento Comunicativo e Teste de Denver II. Para finalizar, as habilidades linguísticas serão associadas aos resultados dos exames de imagem através do preenchimento de um Checklist. Desta forma, acredita-se que a pesquisa proporcionará o conhecimento acerca das habilidades linguísticas desse público bem como novas expectativas com relação à estimulação precoce e melhoria no prognóstico linguístico.
Outras pesquisas estão sendo desenvolvidas no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Por se tratar de um transtorno de amplo espectro, encontramos uma diversidade de características entre os indivíduos e a linguagem merece um destaque importante. Um estudo realizado por nosso grupo de pesquisa descreveu as habilidades linguísticas de crianças com TEA considerando a perspectiva clínica e familiar e foi realizado em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco por meio do projeto de extensão “Fonoaudiologia e Autismo: Conhecer, Intervir e Incluir”. A linguagem das crianças com TEA foi analisada a partir do uso de protocolos aplicados aos pais e aos terapeutas. Os resultados demonstraram que ambos identificaram déficits nos níveis morfológico, semântico, sintático e pragmático, sendo o aspecto semântico registrado com o menor comprometimento. Ainda com relação ao TEA, dois trabalhos estão em andamento em nosso grupo, o primeiro, aborda os aspectos linguísticos e comunicativos de crianças com TEA que fazem uso de um sistema de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) e o segundo tem por objetivo analisar as interações entre criança com TEA e os pais surdos por meio da utilização de um sistema de CAA. Diante da dimensão que o TEA vem sendo apontado na população e por se tratar de um transtorno que pode apresentar grande repercussão na vida do indivíduo e de sua família, toda e qualquer contribuição científica nessa área passa a ser importante para a população estudada.
Além das pesquisas anteriores, desenvolvemos estudos abordando a temática da Síndrome de Down, este ano, mais especificamente, nas perspectivas da Apraxia de Fala na Infância, alteração resultante de um comprometimento central no planejamento e/ou programação de parâmetros espaço-temporais das sequências de movimento, podendo apresentar sua etiologia associada à desordens neurodesenvolvimentais complexas. Neste contexto, a Eletroencefalografia (EEG), por meio do registro de potenciais relacionados à eventos, torna-se uma ferramenta útil por ser um instrumento objetivo que permite analisar o funcionamento do cérebro durante a realização de tarefas específicas de fala. Desse modo, investigamos o perfil do processamento linguístico em crianças com desenvolvimento típico e com síndrome de Down, associada ou não à apraxia de fala, considerando três aspectos fonológicos principais: vozeamento, modo e ponto de articulação. Dois experimentos de EEG são propostos: uma tarefa de repetição de imagem/palavra e uma tarefa de nomeação de imagem. Nossa hipótese é que o grupo com apraxia pode apresentar diferenças de amplitude em uma janela de tempo posterior (450-600ms), refletindo processos específicos no planejamento motor e codificação fonética. Diante disso, o estudo contribuirá para a compreensão do funcionamento cerebral de crianças em circunstâncias típicas e atípicas de produção da fala, bem como para analisar os aspectos clínicos e processamento linguístico por meio dos registros eletroencefalográficos, permitindo uma descrição e fornecendo parâmetros que poderão auxiliar no diagnóstico diferencial e intervenção fonoaudiológica em (re)habilitação da linguagem.
Considerando, por fim, uma outra perspectiva de investigação, no Brasil as taxas de prevalência encontradas de transtorno específico de aprendizagem (DSM-5) foram: 7,6% para comprometimento global, 5,4% para comprometimento na escrita, 6,0% para comprometimento na área da aritmética e 7,5% para comprometimento na leitura. Partindo desses dados e da demanda que vem aumentado no campo fonoaudiológico com relação aos transtornos de aprendizagem, nossos estudos tem se voltado, também, para compreender melhor os critérios diagnósticos na avaliação desses transtornos, além de investigar critérios diagnósticos nos transtornos de atenção, que muitas das vezes também apresentam queixas de aprendizagem associadas. Objetivamos validar o protocolo de avaliação multiprofissional dos transtornos atencionais e de aprendizagem; investigar quais domínios mais afetados em crianças com transtorno de aprendizagem e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, além de analisar a inter-relação de dados da neuropsicologia, psicopedagogia e linguagem. A metodologia do estudo envolve a criação de um protocolo de avaliação de crianças e adolescentes com queixas de aprendizagem escolar e desatenção. Os participantes passam por uma avaliação multiprofissional, dentre elas: neuropsicológica, psicopedagógica e fonoaudiológica. Na avaliação fonoaudiológica são investigadas as habilidades de: vocabulário, fonologia, discurso, nomeação automática rápida, consciência fonológica, memória operacional fonológica, consciência fonoarticulatória, leitura e escrita. Tal estudo se justifica pela necessidade de instrumentos de investigação e diagnóstico multiprofissional, considerando os fundamentos da neuropsicologia, psicologia e fonoaudiologia na avaliação infantil e juvenil.
Por tudo o que foi exposto, este grupo de pesquisa contempla aspectos de investigação fonoaudiológica, buscando compreender os transtornos linguísticos relacionados ao Zika Vírus, à síndrome de Down, assim como ao Transtorno do Espectro Autista e os Transtornos Específicos de Aprendizagem. Esta compreensão auxiliará no direcionamento de procedimentos assertivos voltados à intervenção fonoaudiológica.


GRUPOS DE PESQUISA
2254
FISIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA DA DEGLUTIÇÃO, VOZ E FUNÇÕES CORRELATAS
Outras - Voz e Disfagia


HISTÓRICO: O grupo de Pesquisa (GP) intitulado: Fisiologia e Fisiopatologia da Deglutição, Voz e Funções Correlatas reúne pesquisadores nas áreas de Fonoaudiologia, Fisioterapia, Odontologia e Otorrinolaringologia vinculados à Universidade Federal de Pernambuco. Formado em 2019 pela líder: Adriana de Oliveira Camargo Gomes, professora associada, na área de voz e vice-líder: Coeli Regina Carneiro Ximenes, professora adjunta, na área de disfagia, o GP tem o objetivo de ampliar o conhecimento científico e promover a consolidação da produção científica nas áreas de voz e deglutição, envolvendo docentes e discentes de graduação em Fonoaudiologia e Pós-graduação em Saúde da Comunicação Humana, Gerontologia, Odontologia e Cirurgia. O grupo desenvolve pesquisas científicas nas seguintes linhas: Fisiologia e Fisiopatologia da deglutição e funções correlatas e Fisiologia e Fisiopatologia da voz e funções correlatas. PROJETOS DE PESQUISA: Desenvolvidos no biênio 2019/2020, nas áreas de voz e disfagia: Efeito de técnicas de trato vocal semiocluído nas disfonias e no aprimoramento vocal; Deglutição, fala e voz em indivíduos com e sem alterações craniofaciais; Análise Instrumental da Voz e do Trato Vocal; Deglutição, fala e voz em indivíduos com e sem alterações craniofaciais; A vez da voz na terceira idade; Comunicação: questões de percepção e produção da voz e da fala no âmbito social, clínico e profissional; Queixas vocais e performance comunicativa em estudantes de Comunicação Social; A voz na locução em audiodescrição de entretenimento infantil; Transgênero: Conhecer para cuidar; Características da deglutição e assistência fonoaudiológica ao paciente crítico infectado pelo sars-cov-2; Contribuições da terapia com luz de baixa intensidade para redução da sialorreia em crianças com dano encefálico crônico; Reabilitação Funcional de pacientes maxilectomizados com utilização de prótese obturadora; Qualidade de vida relacionada à disfagia de pacientes assistidos pelo teleatendimento fonoaudiológico durante o período da pandemia do SARS-CoV-2. Na área de laringologia: Condroplastia para ressecção da proeminência laríngea em mulheres transgênero; Feminização da voz de mulheres transgêneras submetidas à Glotoplastia de Wendler; Surgical Interventions for Pediatric Unilateral Vocal Fold Paralysis: A Systematic Review and Meta-Analysis; Voice and Patient-Reported Outcomes of Endoscopic Shortening Glottoplasty in Transgender Women: Systematic Review and Meta-Analysis. E projetos de extensão com enfoque no ensino, pesquisa e atenção à população, nas temáticas: A voz do idoso: diagnóstico e tratamento fonoaudiológico; A voz do Transgênero; Pró-Parkinson voz; Interface da Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia: Integralidade na abordagem ao paciente; Atuação Interdisciplinar no diagnóstico e tratamento das disfagias; Liga Acadêmica de Fononcologia da UFPE. PARCERIAS NACIONAIS: Parceria em Projetos Multicêntricos com o Centro de Estudos da Voz – CEV, coordenadora: Dra Mara Suzana Behlau, título: Risco vocal em futuros Fonoaudiólogos: uma população que precisa ser cuidada desde o ensino da graduação, parceria: Dra Jonia Alves de Lucena – UFPE; e com a Divisão de Fonoaudiologia do HCFMUSP, coordenadora: Dra Cláudia Furquim de Andrade, título: Estudo clinico para avaliar a performance e segurança da deglutição em pacientes críticos com COVID-19, parceria: Dra Coeli Regina Carneiro Ximenes – UFPE. PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS: No biênio 2019/2020 o grupo publicou 11 pesquisas e outras 4 estão aceitas para publicação (In press), além de 4 resenhas críticas. Os produtos, segundo a revista, título e ano de publicação foram: “International Archives of Otorhinolaryngology” - Vocal Fold Polyps: Literature Review, 2019; Laryngeal and Vocal Characterization of Asymptomatic Adults With Sulcus Vocalis, 2019. “Dysphagia” - Comparison of oropharyngeal Dysphagia in Brazilian Children with prenatal exposure to Zika vírus, with and without Microcephaly, 2020. “European Journal of Public Health” - The immediate effect of vocal technique associated with virtual reality game in people with Parkinsons disease, 2020. “Journal of Patient Experience” - Prospective Analysis of Health-Related Quality of Life in Older Adults With Cancer, 2020. “Revista CODAS” - O uso da voz em artistas de rua, 2019; Atividade elétrica dos músculos masseter e supra-hióideo durante a deglutição do paciente com esclerose múltipla, 2019. “Revista CEFAC” - Vocal range profile in elderly women with and without voice symptom, 2019; Speech-language disorders in CADASIL: a case report, 2020; Characterization of care provided at a Speech Therapy School Clinic affiliated with the Brazilian public healthcare system, 2020. “Revista Distúrbios da Comunicação” - Medidas eletromiográficas dos músculos supra-hióideos durante a deglutição de idosos, 2020; Resenhas - Análise morfométrica baseada em tomografia computadorizada da prega vocal de cantores profissionais de ópera, 2019; Efeitos a longo prazo de Lee Silverman Voice Treatment no uso cotidiano da doença de Parkinson, 2019; Reliability of indirect facial measurements obtained by a single three-dimensional digital stereophotograph in relation to standard direct facial measures in children, 2020; Repercussão dos sintomas disfágicos na qualidade de vida em adultos com paralisia cerebral, 2020. “Journal of voice” - (artigos in press): Effect of resonance tube technique on oropharyngeal geometry and voice in individuals with parkinson’s disease; Oropharygeal geometry and the singing voice: Imediate effect of two semi-occluded vocal tract exercices; Imediate effect of the Finger-Kazoo technique associated with glissandos in the voice of individuals with Parkinson’s disease;Parkinson’s disease; Immediate Effect of a Ressonance Tube on the vocal range profile of choristers. IMPACTOS CLÍNICOS E SOCIAIS: Os projetos de extensão citados constituem importantes serviços de referência multidisciplinar na região e preenchem importante lacuna na assistência à população conveniada ao sistema único de saúde - SUS. A prestação de serviço é realizada na Clínica de Fonoaudiologia Professor Fábio Lessa-UFPE, em parceria com a equipe de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da UFPE, núcleo de Assistência ao Idoso-NAI e Projeto Pró-Parkinson-UFPE. PERSPECTIVAS FUTURAS: Ampliação das redes de pesquisa com interface nas áreas de conhecimento em tecnologias e ciências afins; Incremento das publicações científicas na área da Fonoaudiologia e afins; Submissão de projetos em editais de fomento a fim de adquirir equipamentos e softwares para os laboratórios de voz, laringe e disfagia, a fim de favorecer o diagnóstico, tratamento e a produção científica em voz, deglutição e áreas correlatas.


GRUPOS DE PESQUISA
2226
GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM AUDIÇÃO , EQUILÍBRIO E ZUMBIDO-GEPAEZ
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


HISTÓRICO DO GRUPO DE PESQUISA:
O grupo de estudos e pesquisas em audição, equilíbrio e zumbido- GEPAEZ foi criado em 2014 com intuito de ampliar pesquisas na área de Audiologia, incentivando a formação de novos pesquisadores e aumento da produção científica. É coordenado pela Profa. Dra.Marine Rosa e é composto por fonoaudiólogos e profissionais da saúde e áreas afins (Otorrinolaringologia, Fisioterapia, Odontologia, Psicologia, Nutrição, Educação Física e Enfermagem) , como também discentes de iniciação científica, monitoria e pós-graduação (mestrado e doutorado), que compartilham do interesse em pesquisar e expandir o conhecimento sobre audição, equilíbrio, zumbido e suas interlocuções. Desenvolvemos pesquisa científica em torno das linhas: 1. Percepção Auditiva/Processamento Auditivo (Central) e habilidades auditivas; 2. Zumbido e multidisciplinaridade; 3. Questões hormonais, emocionais e audição. Desde o início, temos focado os estudos, as pesquisas e desenvolvimento de produtos voltados, mais especificamente, para o sintoma zumbido, permeando as demais linhas de pesquisa do grupo.

PRINCIPAIS PROJETOS DE PESQUISA:
Os projetos são desenvolvidos por discentes de iniciação científica, mestrado e doutorado. A grande maioria é fruto de trabalhos de iniciação científica, dissertação de mestrado e doutorado do curso de Fonoaudiologia e dos Programas de Pós-Graduação em Fonoaudiologia-PPGFon (UFRN/UFPB/UNCISAL) e em Neurociências e Comportamento-PPGNEC. Alguns em parceria com laboratórios e núcleos da própria Instituição (UFPB) e outros com parcerias nacionais ou internacionais. Por exemplo:
1. Interferência dos hormônios femininos e ansiedade na percepção do zumbido
2. Tradução e adaptação cultural do tinnitus functional índex-TFI para o português brasileiro
3. Efeito neuromodulatório e neuroplástico da estimulação transcraniana por corrente contínua em pacientes com zumbido
4. Avaliação do potencial cortical (p300) em indivíduos com queixa de zumbido
5. Eletroencefalograma para investigar mudanças na atividade cerebral de pacientes com zumbido
6. Associação entre distúrbios do sono e zumbido em adultos
7. Programação neurolinguística associada à terapia sonora no tratamento do zumbido crônico
8. Plasticidade neural x zumbido: utilização do treinamento auditivo como opção terapêutica para adaptação do sintoma zumbido
9. Eletroacupuntura x zumbido: utilização de técnica para tratamento do zumbido
10. Uso da laserterapia em pacientes com zumbido e DTM (em andamento: mestrado, parceria local).
11. Teste de Usabilidade do Aplicativo de Avaliação do Zumbido –Avazum
12. Perfil dos Profissionais Especializados no Atendimento a Pacientes com Zumbido no Brasil
13. Mindfulness e Zumbido
14. Tradução material cuidado centrado na pessoa com zumbido (IDA INSTITUTE)

PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS
O GEPAEZ tem parceria local com professores e pesquisadores/laboratórios da Universidade Federal da Paraíba-UFPB (Laboratório de Ecologia Comportamental e Psicobiologia-Lecopsi; Laboratório de Estudos em Envelhecimento e Neurociências-Laben; NeuroconexõesUFPB; Núcleo de estudos em Linguagem e Funções Estomatognáticas-NELF; Núcleo de Estudos em Saúde Mental-NESMEP; Equipe Literacia de Inovação Tecnológica em Saúde – ELITS; Hospital Universitário Lauro Wanderley-HULW nos setores de Otorrinolaringologia, Neurologia, Acupuntura e Serviço de Controle da Dor Orofacial). Além de parceria com duas empresas privadas de aparelhos auditivos.
As parcerias nacionais são desenvolvidas por meio de colaboração em pequisas, coorientação em projetos, participação em bancas e publicações. E as principais são: em São Paulo (Universidade de São Paulo-UNIFESP: Dr. Ektor Onishi e Dra. Fátima Branco-Barreiro; Faculdade de Medicina de São Paulo-FMUSP: Dra. Eliane Schochat; Hospital das Clínicas FMUSP: Dra. Jeanne Oiticica; Instituto GANZ Sanchez: Dra Tanit Ganz Sanchez), no Paraná (Dra. Luciana Marchiori e Dra. Angela Ribas) e Rio grande do Norte (Dra. Emelie Katarina Svahn Leão).
As parcerias internacionais foram pactuadas por meio de visitas técnicas, contato por e-mail e research fellow entre a líder do GEPAEZ e os pesquisadores da OREGON HEALTH & SCIENCE UNIVERSITY-OSHU: Dr. James Henry; University of Manchester-UoM: Dra. Karolina Kluk de Kort e University of Zurick-UZH: Dr. Tobias Kleinjung; IDA Institute-Dinamarca.

PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS
O grupo tem se dedicado à produção científica e de produtos que auxiliem no diagnóstico, avaliação e manejo de pacientes com zumbido. Para tanto, desenvolvemos:
1. PROGRAMA DE CÁLCULO DO POSICIONAMENTO DE ELETRODOS DO SI 10/20. 2016.
Programa de Computador. Número do registro: BR512016001836-4
Instituição de registro: INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
2. Eletroposition. 2017
Modelo de Utilidade. Número do registro: BR5120170011729
Instituição de registro: INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial
3. AVAZUM. 2020.
Programa de Computador. Número do registro: BR512020001425-9
Instituição de registro: INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS
O GEPEAZ também desenvolve projetos de impacto clínico e social.
1. EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: Atendimento Transdisciplinar de pacientes com queixa de zumbido.
O projeto tem o objetivo de atender pacientes com queixa de zumbido (comunidade, alunos, funcionários, professores, familiares), realizar avaliações, encaminhamentos e oferecer opções de tratamento. O projeto está vinculado ao edital PROBEX da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UFPB. Os pacientes passam por uma bateria de avaliações: anamnese, questionários, exame físico, exames auditivos e avaliação do zumbido. Posteriormente, acontece uma discussão de cada caso com a equipe multidisciplinar e, então, o paciente é encaminhado para as avaliações complementares para identificar-se a provável causa do zumbido. Em seguida, é encaminhado para a opção de tratamento mais adequada. O mesmo permanece em acompanhamento por tempo indeterminado.
2. DIA Z
O DIA Z é um dia em que todos os pacientes e a equipe se reúnem. Os encontros são onde são realizadas atividades e dinâmicas em grupo abordando vários temas voltados para o zumbido e suas possibilidades terapêuticas. Além de abrir espaço para compartilhar saberes, dúvidas e experiências.
3. ENCONTRO MULTIDICISPLINAR SOBRE ZUMBIDO
Evento científico anual em comemoração ao NOVEMBRO LARANJA. O evento aborda, por meio de palestras e casos clínicos uma abordagem multidisciplinar do zumbido. Voltado para estudantes, profissionais e, principalmente, para pessoas que sofrem ou conhecem alguém com o sintoma do zumbido. Este evento faz parte da Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido e tem como intuito popularizar a realidade preocupante do aumento de zumbido no ouvido.
4. GRUPO DE WHATSAPP PARA ACOMPANHAMENTO DOS PACIENTES COM ZUMBIDO.
5.PODCAST: NÃO É CONVERSA PARA BOI ZUNIR
É uma conversa sobre temas relacionados ao zumbido com profissionais com expertise na área.

PERSPECTIVAS FUTURAS
Fortalecer parcerias e criar outras. Além de desenvolver protocolos de avaliação e tratamento/acompanhamento do zumbido.


GRUPOS DE PESQUISA
2206
GRUPO DE ESTUDOS PLENAMENTE - ABORDAGENS EM SAÚDE MENTAL - GEPASM
Saúde Coletiva (SC)


O grupo de estudo e pesquisa intitulado como PlenaMENTE - Abordagens em Saúde Mental - GEPASM é um grupo de pesquisa Multidisciplinar composto por discentes, docentes e profissionais de saúde que tem como objetivo fortalecer a atenção e promover a saúde de forma integral nos diversos ciclos e setores da vida. O grupo desenvolve estudos relativos à saúde mental, suas interfaces e suas implicações nas práticas e no ensino, à qualidade de vida, e à compreensão dos significados do sofrimento psíquico. Realiza propostas de implementação de práticas em saúde mental junto à populações específicas no âmbito da promoção, prevenção, tratamento e reinserção social.
O grupo tem como linhas de pesquisa: Cuidados e atenção à saúde mental das pessoas nos diversos ciclos e setores da vida, cuidados e atenção à saúde mental em pessoas com transtornos mentais, novas tecnologias em saúde, na enfermagem e no ensino em saúde e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Nossas pesquisas encontram-se vinculadas à linha Cuidados e atenção à saúde mental das pessoas nos diversos ciclos e setores da vida e tem como pesquisadores uma docente de Fonoaudiologia (que também é preceptora da Residência Profissional em Saúde Mental) e três discentes do curso de fonoaudiologia, os quais desenvolvem pesquisas sobre fonoaudiologia e saúde mental, saúde mental e surdez, processos psicossociais e audiologia.
Atualmente, esse núcleo de pesquisadores da linha desenvolve duas pesquisas sendo a primeira sobre os Processos Psicossociais relacionados aos distúrbios da Audição do Equilíbrio onde são realizados projetos iniciação à pesquisa e Trabalhos de Conclusão de Curso com pacientes com queixas de Zumbido que possuem ou não quadros associados como deficiência auditiva, ansiedade e depressão, esta pesquisa produziu aplicativos em parceria com o Instituto Federal, trabalhos de Conclusão de Curso, resumos em congressos, Simpósio Virtual e atualmente também é tese de doutorado da orientadora deste núcleo.
Outra pesquisa é uma pesquisa multicêntrica, parte de um projeto internacional em parceria com pesquisadores da Espanha, Austrália, Portugal e Itália, tendo como objetivo avaliar os impactos físicos, psicológicos e cognitivos causados pela pandemia COVID-19, neste caso somos responsáveis pela coleta na população brasileira para organização de um panorama mundial. A pesquisa conta com a participação de três docentes de fonoaudiologia e três discentes do curso de fonoaudiologia, uma docente e um discente do curso de enfermagem e alguns pesquisadores de mais cinco instituições no Brasil. A pesquisa é dividida em módulos temáticos realizado por meio de formulários eletrônicos que coletam informações sociodemográficas e autorreferidas a respeito de reações físicas vivenciadas neste período de isolamento social, como sintomas otoneurológicos, psicológicos e comportamentos sociais (principalmente relacionados à comunicação) considerados como impactos biopsicossociais decorrentes deste panorama, considerando que a tontura e o zumbido, juntamente com a ansiedade e a depressão podem contribuir significamente para o agravamento destes aspectos psicológicos e cognitivos da saúde dos indivíduos.
Outro módulo da mesma pesquisa que encontram-se em andamento é intitulado “Reações psicossociais de pessoas surdas frente a pandemia COVID-19”, tendo em vista a dificuldade de comunicação enfrentada pela comunidade surda e o agravamento desta com uso de máscaras e a escassez de informação nos meios de comunicação adaptados para a Língua Brasileira de Sinais - Libras, há uma grande probabilidade de mudanças comportamentais na comunidade surda causando assim impacto nas reações psicológicas, cognitivas e principalmente a falta de comunicação. Consequentemente, é de grande necessidade a verificação destes comportamentos para que providências e estratégias de enfrentamento possa ser desenvolvidas adequadamente.
O uso das redes sociais como forma de coleta de pesquisa, gerenciamento de informações em saúde e outros também são, indiretamente objeto de nosso estudo e aprendizado. Ressalta-se assim a importância das redes sociais, principalmente em tempos de pandemia, como instrumento de comunicação, relacionando ainda com a fonoaudiologia, a qual cuida de todos os aspectos da comunicação, processo pelo qual nós seres humanos trocamos informações, fazemos questionamentos, expressamos nossos sentimentos e pensamentos.
A compreensão desta realidade proporcionará suportes para a criação de estratégias para melhoramento aos problemas causados pela pandemia, principalmente relacionada a comunicação humana, correlação entre estado de saúde e as consequências decorrentes do período de isolamento social e levantamento dos preditores de saúde mental na população brasileira, como também estratégias de enfrentamento relacionados às questões psicológicas, físicas e cognitivas que podem ainda serem apresentados nas pessoas após a pandemia.
Destacamos que a experiência de pesquisa do grupo PlenaMENTE tem colaborado de forma significativa para ampliação dos horizontes de atuação fonoaudiológica, bem como ressignificando o olhar para as demandas de pesquisa e colaboração na área da Fonoaudiologia nas suas interfaces com a Saúde Mental e, consequentemente, para a formação dos discentes em Fonoaudiologia.


GRUPOS DE PESQUISA
2247
GRUPO DE PESQUISA DO LABORATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO DAS ALTERAÇÕES DO NEURODESENVOLVIMENTO (LIAN)
Linguagem (LGG)


HISTÓRICO DO GRUPO DE PESQUISA: O Grupo de Pesquisa do LIAN é vinculado a um grupo de pesquisa multiárea de uma universidade pública do interior paulista. Iniciou suas atividades com o Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia da FOB-USP na Linha de Pesquisa Processos e Distúrbios da Linguagem. Atualmente é composto por integrantes da graduação e pós-graduação e tem parceria com pesquisadores nacionais e internacionais. O ritmo pulsante de suas atividades científicas vem contribuindo com a formação do pesquisador atuante em Fonoaudiologia e áreas afins, como Psicologia, Pedagogia, Letras, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Enfermagem. O alvo dos estudos deste grupo é a investigação das alterações do neurodesenvolvimento e padrões normativos do desenvolvimento infantil. Citam-se as pesquisas com diferentes quadros clínicos de origem neurológica e/ou genética ou condições de risco, como por exemplo: influências da prematuridade, paralisia cerebral e outras encefalopatias crônicas, Apraxia, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Hipotireoidismo Congênito, PKU (fenilcetonúria), Síndromes (Down, Angelman, Rett, Sequência de Robin, Smith-Magenis, Noonan, Williams, Rubinstein-Taybi, Hipomelanose de Ito, Joubert, Silver-Russel, Síndrome do X-Frágil, dentre outras), bem como nos processos de tradução e adaptação transculturais de instrumentos para avaliação e intervenção na área de linguagem.
PRINCIPAIS PROJETOS DE PESQUISA DESENVOLVIDOS E/OU EM ANDAMENTO: Em toda a sua história, foram produzidas 32 pesquisas em nível de Iniciação Científica, 17 em nível de Mestrado, 5 em nível de Doutorado e 3 em nível de Pós-doutorado, totalizando 57 projetos concluídos ou em andamento. Destas, 75% tiveram suporte financeiro de agências de fomento, recebendo importante validação de mérito científico. Os resultados dos estudos foram e seguem sendo publicados em periódicos nacionais e internacionais da Saúde e da Educação, dando cumprimento à responsabilidade ética de socializar o conhecimento produzido, gerador de novas diretrizes e relevantes soluções técnico-científicas.
PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS: A coordenadora do LIAN manteve diversas parcerias nacionais e internacionais no decorrer de sua história, e algumas serão descritas a seguir. No ano de 2012, dois membros do grupo realizaram visita técnica à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Na ocasião, junto ao Doutor Pedro Lopes-dos-Santos foram iniciadas tratativas para parceria científica. Em 2013, participaram do Summer Course, e tiveram oportunidade de conhecer a Doutora Marina Fuertes, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa, e nesta ocasião delinearam um projeto de parceria técnica para estudos transculturais. O projeto em questão foi contemplado no Edital USP/UP, nº 2013.132012.1.7, da Pró-Reitoria de Pesquisa. Nos anos seguintes 2014, 2015, 2016 foram realizadas missões internacionais (com duração de 1 mês), nas quais os membros das equipes portuguesa e brasileira realizavam uma viagem por ano, com objetivo de analisar os dados recolhidos e trabalhar na execução de novos projetos e artigos. Ressalta-se o envolvimento de discentes, pós-graduandos dos programas portugueses (Porto e Lisboa) e brasileiro, para a coleta e análise de dados dos estudos transculturais. No ano de 2018 iniciou-se a construção de um novo projeto, envolvendo duas dissertações de Mestrado e um estudo de pós-doutoramento. No ano de 2019 realizou-se nova missão, para discussão e análises dos dados referente às pesquisas conjuntas. E, atualmente, em 2020, um novo projeto segue em delineamento com a equipe de pesquisadores portugueses. Os estudos transculturais versam sobre padrões de interação mãe-bebê e o desenvolvimento infantil. Outras ações do grupo estão em andamento. Integrantes do LIAN desenvolvem pesquisas direcionadas à tradução e adaptação transcultural de instrumentos, de avaliação do desenvolvimento infantil e intervenção curricular para indivíduos com TEA, bem como com suas famílias. Para tanto, estabeleceu-se parceria com os autores ou detentores dos direitos autorais do material a ser traduzido e adaptado, que são do Reino Unido, da Association for Research in Infant & Child Development (ARICD) com o estudo: Escala de Desenvolvimento Mental de Griffiths-III - normatização para população brasileira e dos Estados Unidos; da Universidade de Kentucky (Dra Lisa Ruble), com o estudo Collaborative Model for Promoting Competence and Success for students with Autism Spectrum Disorder (COMPASS): Tradução E Adaptação Transcultural. Também em fase de conclusão a dissertação de mestrado que se refere à tradução e adaptação transcultural de protocolo Kaufman Speech Praxis Test for Children (KSPT), numa parceria com a autora Nancy Kauffman (EUA). Os trabalhos na área de adaptação transcultural são desenvolvidos com rigor metodológico e análise psicométrica, que visam, a médio e longo prazo, potencializar a qualidade de investigação na área fonoaudiológica aplicada à população infantil com alteração no neurodesenvolvimento. O projeto “Aplicação do Programa More Than Words® com famílias de crianças com TEA no Brasil” é uma outra iniciativa para estudar novas tecnologias para a prática fonoaudiológica. Dos parceiros nacionais citamos: o Hospital de Anomalias Craniofaciais (HRAC-USP) e o grupo do Laboratório de Estudos em Avaliação e Diagnóstico fonoaudiológico da Unesp de Marília.
PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS: Ao longo desses anos, foram publicados artigos científicos em revistas de impacto nacionais e internacionais, capítulos de livros, além de materiais didáticos e técnicos. As pesquisas são apresentadas em eventos científicos nacionais e internacionais, havendo a preocupação com a formação continuada dos integrantes, alcançada com a participação em cursos como ouvintes e ministrantes.
IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS E PERSPECTIVAS FUTURAS: A relevância social deste grupo de pesquisa tem sido em se apresentar como um polo regional de excelência no atendimento de pessoas de diferentes faixas etárias, preferencialmente de zero a seis anos com alterações do neurodesenvolvimento, bem como nos padrões normativos do desenvolvimento infantil. Os participantes desta linha de pesquisa têm formação abrangente docente/pesquisador com alto nível de competência acadêmica para o ensino superior e para a produção e disseminação de conhecimentos e práticas clínicas avançadas, respeitando o rigor científico e ético. Ao longo dos anos, os produtos deste grupo têm fornecido evidências científicas para o desenvolvimento de ações e implantação de programas inovadores junto aos serviços públicos de saúde e educação. Como perspectivas futuras pretendemos ampliar as parcerias nacionais e internacionais para a realização de estudos conjuntos e a publicação conjunta com os grupos.


GRUPOS DE PESQUISA
2257
GRUPO DE PESQUISA EM MOTRICIDADE OROFACIAL E DISFAGIA OROFARÍNGEA DA FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (MOD-FOB/USP)
Motricidade Orofacial (MO) - Motricidade Orofacial e Disfagia Orofaríngea


Histórico do grupo de pesquisa

O Grupo de Pesquisa em Motricidade Orofacial e Disfagia Orofaríngea (MOD), coordenado pela Profa. Dra. Giédre Berretin-Felix, contempla projetos e atividades desenvolvidos junto a Linha de Pesquisa: Processos e Distúrbios da Voz, Fala e das Funções Orofaciais, do Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), na área de concentração “Processos e Distúrbios da Comunicação”, existente desde 2004.
Tem como objeto de estudo as funções de sucção, respiração, mastigação, deglutição e fala e estabelece importante parceria com a área da Voz. Atualmente, conta com 33 integrantes, sendo 3 docentes, 6 doutores convidados, 4 doutorandos, 5 mestrandos, 11 alunos de graduação, além de outros 4 pesquisadores que aguardam para ingresso na pós-graduação em próximos editais.
Apresenta ativa participação em eventos científicos e promove atividades que possibilitam a ampliação de oportunidades acadêmicas e profissionais, fortalecem o vínculo entre os membros, promovem a valorização da pesquisa aplicadas para a melhoria do ensino na graduação e da prática profissional.


Principais projetos de pesquisa desenvolvidos e/ou em andamento

As pesquisas desenvolvidas pelo grupo MOD estão inseridas em projetos vinculados ao Programa de Pós-graduação em Fonoaudiologia da FOB/USP, sendo: FUNÇÕES OROFACIAIS E VOZ EM CASOS ODONTOLÓGICOS; AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO EM VOZ, FALA E FUNÇÕES OROFACIAIS; VOZ, FALA E DEGLUTIÇÃO NO ENVELHECIMENTO E NO ACOMETIMENTO NEUROLÓGICO. Estão vinculadas, também, a três grupos de pesquisa cadastrados no CNPq: 1- Voz e funções orofaciais (liderado pelas Profas. Dras. Giédre Berretin e Alcione Ghedini Brasolotto), 2 - Tradução e adaptação transcultural de instrumentos na área de saúde (liderado pela Profa. Dra. Giédre Berretin e Prof. Dr. Carlos Ferreira dos Santos), 3 - Telemedicina, Tecnologias Educacionais e eHealth (liderado pelos Profs. Drs. Chao Lung Wen e Raymundo Soares de Azevedo Neto), destacando-se neste último as pesquisas em tecnologias educacionais Interativas para potencialização da Educação em Saúde, recursos para avaliação de rendimento educacional, computação gráfica 3D e uso de impressora 3D (Homem Virtual).
Os temas dos principais projetos de pesquisa desenvolvidos ou em andamento são: I) Desenvolvimento, adaptação e validação de Protocolos de Avaliação em Motricidade Orofacial; II) Manuais de Aplicação de Protocolos de Avaliação; III) Redução de Protocolos/Instrumentos na Área da Saúde; IV) Tradução e adaptação transcultural de instrumentos para a língua portuguesa do Brasil e para a Língua Inglesa; V) Ensire: Simulação e Reflexão no Ensino em Fonoaudiologia; VI) Programas de Terapia voltados aos distúrbios miofuncionais orofaciais; VII) Modalidades coadjuvantes na reabilitação das disfagias orofaríngeas: biofeedback eletromiográfico e eletroestimulação neuromuscular; VIII) Jornada do paciente no processo de diagnóstico e intervenção fonoaudiológica: implicações para a Telefonoaudiologia; IX) Projeto Homem Virtual: Fisiopatologia da Fonação, Sucção e Deglutição em Iconografias 3D.

Parcerias nacionais e internacionais

No ano de 2010, a Profa. Dra. Giédre realizou seu pós-doutorado no Swallowing Research Laboratory, da University of Florida, Estados Unidos da América (EUA). O projeto “Efeito da estimulação elétrica transcutânea na função de deglutição em voluntários adultos e idosos” permitiu a imersão em um importante laboratório de pesquisa, com intenso treinamento teórico e prático voltado aos exames de manometria faríngea, função de língua e respiração, aplicados à deglutição.
Em 2019, o projeto de pesquisa intitulado “Tradução e adaptação transcultural do Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial MBGR com escores para a língua inglesa” contou com duas etapas na University of South Florida-EUA.
Uma nova parceria está sendo estabelecida com o Gastrointestinal Motility Laboratory, Hospital de Mataro, Catalonia, Espanha, por intermédio da Dra. Weslania Viviane do Nascimento e possibilitará implementar projetos voltados a avaliação cortical da faringe, das vias aferentes da deglutição e estimulação transcraniana em indivíduos com disfagia orofaríngea neurogênica.
Os pesquisadores do MOD regularmente tem trabalhos científicos aceitos em congressos internacionais, a exemplo do European Society for Swallowing Disorders Congress e no congresso da Academy of Applied Myofunctional Sciences, tendo a Profª Drª Giédre, no ano de 2020, recebido o prêmio “Madame Marie Curie Award”, em reconhecimento à sua contribuição para o avanço das pesquisas que respaldam a atuação fonoaudiológica.

Produtos obtidos por meio das pesquisas desenvolvidas
Como resultados das pesquisas realizadas, os pesquisadores publicam artigos científicos com frequência em periódicos nacionais e internacionais. A produção cientifica da Profª Drª Giédre pode ser acessada por meio do link: http://lattes.cnpq.br/2975779418096613, sendo a grande maioria das suas produções realizadas em parceria com seus alunos de graduação e pós-graduação.
O grupo tem participação na elaboração dos livros da Associação Brasileira de Motricidade Orofacial (ABRAMO), e nos recentes “Tratado de Motricidade Orofacial”, “Fonoaudiologia: avaliação e diagnóstico”, “Fundamentos das revisões sistemáticas em saúde”, entre outros.

Impacto clínico e/ou social das pesquisas e perspectivas futuras
Dentre as atividades desenvolvidas pelo grupo MOD que tiveram impacto, destacamos o “Teste da Linguinha”. O protocolo de avaliação do frênulo da língua em bebês (Teste da Linguinha) foi desenvolvido e validado durante o mestrado e doutorado da Fonoaudióloga Roberta Lopes de Castro Martinelli na FOB/USP, sob a orientação da Profª Drª Giédre. O Projeto de Lei nº 4.832/12 de autoria do Deputado Federal Onofre Santo Agostini, “obriga a realização do protocolo de avaliação do frênulo da língua em bebês, em todos os hospitais e maternidades do Brasil”, foi sancionado pela Presidência da República e se converteu na Lei nº 13.002, de 20 de junho de 2014.
Atualmente o grupo conta com uma rede social (Instagram @uspmod) na qual são compartilhados trabalhos realizados pelo grupo, divulgados eventos mensais on-line como lives e webinars, onde não só os pesquisadores do grupo, como também, estudantes e profissionais da saúde e áreas afins podem atualizar seus conhecimentos constantemente, de forma gratuita.
Como perspectivas futuras, o grupo pretende consolidar-se como referência no desenvolvimento e validação de instrumentos de diagnóstico e programas de intervenção em motricidade orofacial e disfagia orofaríngea, implementar pesquisas na modalidade de teleconsulta e avançar em relação as parcerias nacionais e internacionais.



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GRUPOS DE PESQUISA
2227
GRUPO DE PESQUISA EM VOZ E ACÚSTICA DA FALA (GP - VOZ)
Voz (VOZ)


O GP-Voz é um grupo de Pesquisa coordenado pela professora doutora Ana Cristina Côrtes Gama e tem como membros discentes da graduação e pós-graduação do curso de fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e estudantes em coorientação situados em outros programas da UFMG.
A história do grupo começa em 2013, momento em que ocorre a abertura do programa de pós-graduação em Ciências Fonoaudiológicas da UFMG. Naquele período, a criação do GP-Voz se fez necessária para criar um espaço colaborativo e de ampliação do conhecimento entre estudantes de graduação, mestrado e doutorado cuja pesquisas estão vinculadas à saúde funcional da produção da voz e no desempenho da comunicação.
Nesse percurso, o grupo se estabeleceu como ponto de contato, troca e acompanhamento das pesquisas em curso, como também espaço para encontros de discussão científica e sobre perspectivas profissionais.
Desde 2013, já passaram pelo grupo: 16 estudantes da graduação em fonoaudiologia, sendo quatro com trabalhos de conclusão de curso e 12 de iniciação científica, além de 17 discentes de programas de pós-graduação, 15 de mestrado e dois de doutorado.
Atualmente o GP-Voz conta com 28 participantes, com sete graduandos, três estudantes de mestrado, sete do doutorado e uma aluna de pós-doutorado, das áreas de fonoaudiologia, otorrinolaringologia e fisioterapia. Os demais componentes do grupo são estudantes que almejam começar projetos de iniciação científica, egressos do curso de fonoaudiologia da UFMG e outros profissionais que pretendem entrar no programa de pós-graduação.
As pesquisas do GP-Voz estão centradas no Observatório de Saúde Funcional em Fonoaudiologia, localizado na Faculdade de Medicina da UFMG. É lá que se encontram os dispositivos tecnológicos que dão suporte aos projetos de pesquisa do GP-Voz, como o Programa de análise acústica da voz e fala CSL - Modelo 4500; Eletroglotógrafo Modelo 6103; Sistema aerodinâmico para CSL – Modelo 6600-1; Sistema de videolaringoscopia de alta velocidade – Modelo 9710; e Dosímetro vocal VoxLog®.
Destacam-se os projetos de pesquisa em andamento no GP-Voz: 1) Análise dos parâmetros acústicos, aerodinâmicos e eletroglotográficos da voz humana, que tem a proposta de avaliar a reciprocidade entre a onda acústica, eletroglotográfica e estrutural na vibração da prega vocal em seu movimento quase periódico e aperiódico. Além disso, esse projeto pretende analisar os parâmetros acústicos, aerodinâmicos, eletroglotográficos, laríngeos e as características da fonte glótica de distintas técnicas vocais; 2) Sítio de treinamento perceptivo-auditivo com vozes sintetizadas e humanas e a análise desse instrumento como programa de treinamento auditivo na concordância dos avaliadores na análise perceptivo-auditiva da voz; 3) Avaliação anatomofuncional das pregas vocais por meio da videolaringoscopia digital de alta velocidade, que investiga o padrão vibratório das pregas vocais nas diferentes faixas etárias e gêneros; 4) Análise das medidas de dose vocal no uso profissional da voz; e 5) Ensaios clínicos randomizados com objetivo de verificar o resultado terapêutico de procedimentos da clínica vocal em pacientes disfônicos.
No âmbito da UFMG destacam-se as parcerias com o Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Estruturas; Programa de Pós-Graduação em Ciência da Saúde, Área de Concentração Saúde da Criança e do Adolescente; e com a Faculdade de Letras.
Como parcerias nacionais a Faculdade de Odontologia de Bauru/USP; Universidade de Fortaleza; e Universidade Federal de São João Del Rey; e parceria internacional com a Universidade de Alberta, no Canadá.
Como fruto das pesquisas realizadas desde 2013, o GP-Voz já publicou 39 artigos científicos em revistas nacionais e internacionais, com cinco aceitos para publicação. Também já levou 39 resumos a congressos científicos da área. Para além do volume de produção científica com contribuição na avaliação e tratamento dos distúrbios da voz no âmbito da conduta terapêutica, destacam-se alguns trabalhos desenvolvidos no GP-Voz: Calibrador de avaliação perceptivo-auditiva da voz; e o Programa de treinamento perceptivo-auditivo, que apresentam impacto clínico e educacional importantes para acelerar a curva de aprendizagem na análise perceptivo-auditiva em estudantes de graduação e profissionais recém-formados.
A inserção de mais alunos do doutorado em Ciências Fonoaudiológicas da UFMG no GP-Voz pode aumentar as parcerias nacionais e internacionais e conseguir maior apoio e investimento para os projetos de pesquisa do grupo. Dessa maneira, ampliar o conhecimento científico, desenvolver maiores resultados de impacto social e fomentar a inovação na área de voz.


GRUPOS DE PESQUISA
2207
GRUPO DE PESQUISA PATOFISIOLOGIA DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO
Motricidade Orofacial (MO)


HISTÓRICO DO GRUPO DE PESQUISA: O grupo de pesquisa Patofisiologia do Sistema Estomatognático – GPPSE registrado desde 2008 no Diretório de Grupos de Pesquisa CNPq tem como líderes os professores Hilton Justino e Daniele Cunha docentes do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Surgiu da necessidade de concentrar um grupo de professores, pesquisadores e discentes interessados na investigação que envolve a anatomofisiologia e as alterações funcionais do Sistema Estomatognático. Durante esses 12 anos de existência o grupo participou na formação de mais de 10 doutores, e um número superior a 30 em cada uma das categorias: mestrado, especialização, iniciação científica e trabalhos de conclusão de graduação. Tem suas linhas de pesquisa direcionadas para avaliação, diagnóstico funcional e tratamento das funções de sucção, respiração, mastigação, deglutição e fala. A fonação e a voz tem parcela importante em nossas investigações sendo representada em uma das linhas de pesquisa. O grupo de pesquisa tem investido durante todos esses anos no uso da tecnologia para a melhor compreensão dos achados clínicos relacionados às funções orofaciais. O uso de diferentes instrumentos para avaliação quantitativa em Motricidade Orofacial passou a ser uma marca do GPPSE. Assim, ao logo desse tempo o GPPSE montou 03 laboratórios de pesquisa localizados no departamento de Fonoaudiologia da UFPE: Laboratório de Motricidade Orofacial/Eletrofisiologia; Laboratório de Motricidade Orofacial/Avaliação Aerodinâmica da Respiração e da Fala e Laboratório de Documentação Fonoaudiológica. Os laboratórios alimentam duas linhas de pesquisa: Motricidade orofacial, Voz e Funções Correlatas do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Comunicação Humana PPGSCH - UFPE e Avaliação Clínica e Laboratorial em Odontologia do Programa de Pós-Graduação em Odontologia-UFPE. PRINCIPAIS PROJETOS DE PESQUISA DESENVOLVIDOS E/OU EM ANDAMENTO: Os primeiros projetos desenvolvidos pelo GPPSE foram relacionados ao estudo das repercussões da respiração oral na aeração nasal e pesquisas envolvendo a avaliação da atividade elétrica dos músculos envolvidos nas funções orofaciais. Desde 2008 o grupo de Pesquisa tem tido interesse nesses temas sendo os primeiros projetos de pesquisa aprovados no CNPq: CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO DE CRIANÇAS ASMÁTICAS E SUAS RELAÇÕES COM O ESTADO NUTRICIONAL (EDITAL UNIVERSAL CNPq 15/2007 PROCESSO n°. 476370/2007-8) e CARACTERÍSTICAS DA MASTIGAÇÃO, DEGLUTIÇÃO E POSTURA CERVICAL E SUAS RELAÇÕES COM FATORES MORFOFUNCIONAIS EM INDIVÍDUOS SUBMETIDOS E NÃO SUBMETIDOS À LARINGECTOMIA TOT)AL (Edital MCT/CNPq 14/2009 - Universal / Edital MCT/CNPq 14/2009 - Universal - Faixa B. O GPPSE tem histórico de aprovação de fomentos para pesquisa em diferentes instituições de apoio à pesquisa tendo sempre como temática o estudo do Sistema Estomatognático. Atualmente encontram-se em andamento dois projetos de pesquisa aprovados no edital universal coordenados por seus líderes: EFEITO DA LASERTERAPIA NA PERFORMANCE DO MÚSCULO MASSETER DURANTE A MASTIGAÇÃO (Chamada MCTIC/CNPq Nº 28/2018 - Universal/Faixa B) e EFEITOS DA TERAPIA COM BIOFEEDBACK ELETROMIOGRÁFICO NA DEGLUTIÇÃO EM IDOSOS MASTIGAÇÃO (Chamada MCTIC/CNPq Universal/Faixa C). As pesquisas atuais contemplam os temas de Permeabilidade Nasal com uso de instrumentos como a rinomanometria; Uso de tecnologia nos efeitos da frenotomia em Anquiloglossia; Elaboração de Protocolos para Bruxismo. Uso da termografia na área de cabeça e pescoço; Uso de tecnologias na avaliação e tratamento da voz; Monitoramento da musculatura mastigatória com o uso de tecnologias vestíveis. PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS, PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS: O GPPSE atualmente tem pesquisas em parceria com diferentes membros de cursos de pós-graduação nacionais: UFPB; UFRGS e TUITI do Paraná). Internacionalmente tem iniciado parceria com universidades que possuem curso de Fonoaudiologia no Chile, na Colômbia e Estados Unidos.IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS E PERSPECTIVAS FUTURAS. A contribuição que trouxe para ciência fonoaudiológica é reconhecida nacionalmente e internacionalmente com premiações em diversas categorias de congressos e eventos. Em especial existe a preocupação em relacionar o uso da alta tecnologia com instrumentos clínicos utilizados pelos fonoaudiólogos que estão na ponta dos serviços de atendimento clínico. Atualmente, o GPPSE continua focado em pesquisas relacionadas ao uso da tecnologia nas funções orofaciais. A aquisição de imagens com o uso da Termografia e Ultrassonografia são exemplos das novas tecnologias adquiridas pelos nossos laboratórios. O uso de tecnologias móveis e vestivéis para o monitoramento das funções estomatognáticas com uso do acelerômetro é também uma perspectiva futura que estão sendo desenvolvidos em 01 pós-doutorado, 05 doutorados 08 mestrados, 04 Iniciações científicas e 02 trabalhos de Conclusão de Curso.


GRUPOS DE PESQUISA
2233
LABORATÓRIO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM SAÚDE (LAIS) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE: IMPACTOS À FONOAUDIOLOGIA
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


“Fazer da ciência um instrumento de amor ao próximo, tendo como objetivo a cidadania, o bem-estar social e o desenvolvimento da área da saúde no Brasil por meio da inovação”. Esta é a missão do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde – LAIS- da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. A ideia nasceu em 2011, da inquietação de pesquisadores que percebiam a potencialidade em combinar os saberes das áreas de Saúde, Engenharia, Tecnologia da Informação e Comunicação. Seu objetivo é desenvolver pesquisas aplicadas à inovação tecnológica em saúde cooperando com a geração de produtos e/ou serviços para a saúde aplicados à formação de profissionais de diferentes áreas. É organizado nas seguintes bases: Acessibilidade e Reabilitação, Audição e Linguagem, Biomateriais e Implantes, Gestão e Informática na Saúde e Informação, Formação e Educação Continuada em Saúde. Por meio de parcerias nacionais e internacionais vem desenvolvendo projetos com a Organização Mundial da Saúde, os Ministérios da Saúde e da Educação, bem como com a FIOCRUZ, Instituições dos Estados Unidos, Portugal, França, Espanha, Itália, África do Sul e Canadá. Neste cenário, a Base de Pesquisa Audição e Linguagem integra docentes e discentes do curso de Graduação em Fonoaudiologia, bem como do Programa Associado de Pós-Graduação em Fonoaudiologia entre UFPB, UFRN e UNCISAL, Pós-Graduação em Saúde Coletiva e Pós-Graduação em Gestão e Inovação em Saúde (UFRN). O objetivo desta base é estudar e desenvolver tecnologias aplicadas à Fonoaudiologia, com ênfase na identificação, diagnóstico e reabilitação dos distúrbios da audição, assim como, identificar e caracterizar o desenvolvimento típico e atípico da audição e linguagem de bebês e crianças. Suas ações estão organizadas em seis projetos a saber: (1) Projeto Bambino: desenvolve ações voltadas a bebês com risco para a audição, contribuindo para identificação e caracterização da prevalência de alterações audiológicas e do desenvolvimentos em bebês prematuros ou com sífilis congênita. Além da definição de marcadores de desenvolvimento do sistema auditivo central em bebês nos dois primeiros anos de vida e na confirmação dos indicadores de risco para a deficiência auditiva em bebês com sífilis congênita. (2) Neuroaudiologia: voltado ao diagnóstico e intervenção de alterações do processamento auditivo central utilizando medidas psicoacústicas e eletrofisiológicas, caracterizado, portanto como uma ação assistencial realizada dentro do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) constituindo o único serviço público que realiza estas avaliações no Estado do RN; (3) Saúde auditiva do escolar: ações que enfocam desenvolver, validar e implementar um programa de saúde auditiva do escolar que englobe a identificação, monitoramento e educação em saúde auditiva de alunos da Rede Pública de Educação visando atuar na promoção e prevenção em diferentes níveis de atenção à saúde. Desde 2011, o grupo vem estudando acurácia e aplicabilidade de diferentes protocolos de rastreio auditivo com equipamentos audiológicos, tecnologias móveis e tecnologias leves (questionários) aplicados a identificacão da deficiência auditiva em escolares, bem como do desenvolvimento de um sistema de monitoramento para a gestão das informacões do programa na escola; (4) Acessibilidade auditiva: desenvolve estudos de validação e aplicabilidade de tecnologias que permitam melhorar o acesso aos sons da fala. Entre 2012 e 2013 os pesquisadores participaram de estudo multicêntrico coordenado pela FOB/USP e UFSCAR e que culminou com a Portaria N.1.234 de concessão do Sistema FM no SUS. Posteriormente, foi desenvolvido o Curso o Uso do Sistema de Frequência Modulada, na modalidade de educação à distância, para professores da Rede Pública com fomento do Ministério da Educação no período de 2015 a 2016 em parceria com outras Instituições como FOB/USP, PUC/SP, UFS, UFRJ e UFPB. Esse curso culminou num e-book lançado em 2019. (5) Tecnologias em audiologia: visa criar tecnologias para identificar, avaliar, diagnosticar e tratar distúrbios da audição. Neste projeto destacam-se estudos de validação de tecnologia móvel (smartphone e Ipad) na identificação da deficiência auditiva e do transtorno do Processamento Auditivo Central. Desde dezembro de 2017, em parceria com as Universidades de Pretoria, da Africa do Sul, a FOB/USP e a UFPB, foi realizada a tradução do teste de dígitos no ruído para o Português Brasileiro e estão sendo conduzidos estudos para validação do mesmo em diferentes faixas-etárias. A perspectiva é que este aplicativo possa vir a ser incorporado a Rede de Saúde para uso por profissionais da atenção básica e pela sociedade em geral, contribuindo para a promoção e prevenção da saúde auditiva. (6) Sintonia: visa empregar a inovação para que crianças com deficiência auditiva possam ouvir e falar. Neste projeto se destacam a validação de protocolos de avaliação e intervenção para famílias e cuidadores, professores e fonoaudiólogos de crianças com deficiência auditiva, bem como intervenções em grupo com estas crianças. A intervenção baseada em videofeedback é um exemplo de desenvolvimento tecnológico e inovação em desenvolvimento atualmente neste projeto. Parte destes projetos estão vinculados ao Programa Telessaúde do RN e ao Projeto Sífilis Não com o Ministério da Saúde. Suas ações sao executadas diretamente em Serviços do SUS: HUOL e Centro SUVAG do RN. Além da produção científica e técnica, destaca-se o desenvolvimento de conteúdos de cursos autoinstrucionais e webpalestras disponibilizados no Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS e no canal do youtube do Núcleo de Telessaúde. Além da realização de teleconsultoria assíncrona à profissionais da atenção básica e teleconsulta síncrona na área da saúde auditiva e reabilitacão auditiva. O LAIS é constituido por um grupo de pesquisa de base multidisciplinar com a inserção efetiva da Fonoaudiologia. A expertise de seus pesquisadores vem contribuindo no desenvolvimento de sistemas e produtos que possam resolve situações reais vivenciadas na Rede de Saúde do SUS gerando impactos científicos, sociais e econômicos, nascidos da união entre a humanização, inovação e tecnologia com a prática baseada em evidências. As perspectivas futuras são pautadas nestes princípios visando ampliar as ações para a validação e análise de custo-efetividade de tecnologias na área da audição, incorporação das mesmas ao SUS e propostas eficazes de programas de intervenção à pessoas com distúrbios da audição.



GRUPOS DE PESQUISA
2248
LABORATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM VOZ LIFVOZ-FMUSP
Voz (VOZ)


HISTÓRICO DO GRUPO DE PESQUISA
O LIFVOZ FMUSP, reestruturado a partir 2007 sob a coordenação da Profa. Dra. Katia Nemr, possui três linhas de pesquisa alinhadas com os comitês do Departamento de Voz da SBFa: Voz Profissional, Voz Clínica e Fononcologia. Em cada uma participam graduandos de Fonoaudiologia (Iniciação Científica e Trabalhos de Conclusão de Curso), residentes em trabalho de conclusão de Programa de Residência Multiprofissional (Saúde e Trabalho), mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos.
Os projetos desenvolvidos são elaborados a partir de questionamentos com vistas ao aprimoramento do ensino, da pesquisa e da extensão.
E nossa missão é devolver à sociedade novos e inovadores conhecimentos e contribuir com o avanço de uma Fonoaudiologia científica, ética e conectada com o atual momento de mudanças e transformações.

PRINCIPAIS PROJETOS DE PESQUISA DESENVOLVIDOS E/OU EM ANDAMENTO
Neste período vários projetos foram desenvolvidos em parceria com agências de fomento.
Merecem destaque os seguintes projetos já concluídos:
CNPQ-Produtividade em Pesquisa:
• Análise inter-observadores de protocolos de avaliação perceptivo-auditiva da voz
• Elaboração,aplicabilidade e validação de protocolo de anamnese fonoaudiológica para a clínica de voz
• Correlação entre protocolos de rastreio de disfonia e qualidade de vida em indivíduos disfônicos
CNPQ-Projeto Universal:
• Efetividade do Programa Vocal Cognitivo (PVC-HO) aplicado a indivíduos com sinais de presbilaringe com ou sem queixa vocal
• Correlação entre índice de severidade de disfonia (DSI) e análise acústica na avaliação vocal
FAPESP-Projeto Regular:
• Eficácia de programa de treinamento vocal por meio de análise perceptivo-auditiva, de videolaringoscopia de alta velocidade e eletroglotografia

Três novos projetos estão em desenvolvimento:
FAPESP: Risco de disfonia em profissionais da voz da Universidade de São Paulo: estudo epidemiológico multiprofissional
CNPQ: Voz e farmacovigilância: medicamentos, sintomas vocais e desvio vocal
USP: Covid-19: Impacto do período de distanciamento social na voz do professor

PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS:
Em andamento:
Universidade de São Paulo-Faculdade de Ciências Farmacêuticas, SP, Brasil, Profa. Dra. Patrícia Melo Aguiar
Universidade Federal Fluminense, RJ, Brasil – Profa. Dra. Flavia Viegas Trinas de Andrade
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, SP, Brasil- Profa. Dra. Zuleica Camargo

Em contato para parcerias:
Universidad Catolica Silva Henríquez, Santiago, Chile- Profa. Maria Celina Malebran Bezerra de Mello
Instituto Politécnico de Setúbal, Setubal, Portugal - Profa. Dra. Sónia Lima
Instituto Politécnico do Porto, Porto, Portugal - Prof. Dr. André Araújo

PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS
Produção do LIFVOZ em números (2007-2020) disponível em http://lattes.cnpq.br/0757480117222839 e http://lattes.cnpq.br/1664439893090550).
Artigos publicados: 48
Artigos aceitos em 2020 (in press): 5
Capítulos de livros: 10
Trabalhos apresentados em congressos: 94
Trabalhos aprovados em congressos em 2020: 9
Orientações/supervisões concluídas: 45 Trabalhos de Conclusão de Curso, 27 Iniciações Científicas, 10 Mestrados, 1 Doutorado, 1 supervisão de Pós-doutorado, 3 supervisões do Programa de Aprimoramento de Ensino-USP.
Orientações em andamento: 2 Trabalhos de Conclusão de Curso, 4 Iniciações Científicas, 3 Mestrados.]

IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS E PERSPECTIVAS FUTURAS.
Na voz profissional artística e não artística as investigações de risco de disfonia e/ou alterações vocais perceptivo-auditivas e acústicas têm contribuído com dados epidemiológicos e aplicação de técnicas vocais visando otimizar a comunicação destes profissionais. O Protocolo de Rastreio de Risco de Disfonia Geral (PRRD-G), desenvolvido no LIFVOZ, tem se mostrado um instrumento relevante para ensino, pesquisa e na clínica de voz. Estão sendo desenvolvidos os específicos para serem aplicados em associação ao Geral como PRRD-professores, PRRD-Atores, PRRD-Idosos. O PRRD-Infantil e o PRRD-Teatro Musical, são exemplos já aceitos para publicação. Os novos conhecimentos têm norteado ações para otimizar a performance vocal e a qualidade de vida destes profissionais. Destacamos a pesquisa com os profissionais da USP que, além de dados epidemiológicos, mostrou resultados positivos com a técnica do humming para os profissionais de comunicação, o que pode impactar beneficamente na atividade profissional.
Nessa mesma linha, a pesquisa que está em desenvolvimento sobre a voz do professor durante o distanciamento social tem tido grande e positiva repercussão. A primeira etapa deste estudo está sendo concluída com dados relevantes sobre as necessidades desses profissionais durante as atividades remotas e um vídeo com orientações sobre a voz do professor neste período de pandemia está em fase final de produção para divulgação entre os participantes da pesquisa.
Na voz clínica, as pesquisas sobre presbifonia têm identificado diferenças entre as faixas etárias de idosos e os respectivos riscos de disfonia, cujos resultados mostram que os idosos devem ser vistos sob diferentes olhares, a partir do novo cenário mundial de longevidade.
Tem sido estudado na voz clínica ainda o uso de medicamentos com efeitos diretos ou indiretos sobre a voz. Este é um dos subitens do PRRD-G e tem possibilitado oferecer à comunidade fonoaudiológica e de áreas afins uma lista de princípios ativos que podem interferir no processo terapêutico de indivíduos com disfonia. O PRDD-G está traduzido para o espanhol e novas pesquisas em parcerias com instituições da América Latina devem ser efetivadas.
Merece destaque aqui também a investigação de questões específicas como medidas de formantes em populações com diferentes classes ortodônticas de Angle. Trata-se de pesquisa que integra voz e motricidade orofacial, apontando aspectos vocais até então pouco explorados nesta população.
Na linha da fononcologia as laringectomias parciais, subtotais e totais têm sido foco de investigação, seja por meio de avaliação de questionários de qualidade de vida, ou sobre efeitos imediatos de técnicas vocais. Programa terapêutico para tratamento cirúrgico por câncer de boca e orofaringe apontou resultados promissores.
Vale ressaltar que os resultados de todas as linhas de pesquisa estão interligados e os conhecimentos gerados por uma linha contribuem com as demais, corroboram achados em diferentes populações ou estimulam novos questionamentos num círculo virtuoso. Enfim, o LIFVOZ tem contribuído com estudos sobre a voz humana de forma que os resultados possam estimular novos pesquisadores a darem um passo além do encontrado, a oferecer ao clínico novas evidências que aprimorem a sua prática e à sociedade o retorno do que investem na universidade pública. Nosso desejo e empenho é para que esses novos conhecimentos gerados possam chegar a impactar positivamente na comunicação das pessoas.
Por fim, uma nova disciplina na pós-graduação, aprovada pela USP, e que será ministrada a partir de 2021 sob a responsabilidade de Profa. Dra. Katia Nemr e Dra. Marcia Simões-Zenari: “Voz e expressividade aplicadas à didática e comunicação”, sela este promissor momento do LIFVOZ FMUSP.


GRUPOS DE PESQUISA
2214
LABORVOX: PESQUISAS E AÇÕES NOS CAMPOS DA SAÚDE E DAS ARTES RELACIONADOS A VOZ, A COMUNICAÇÃO/EXPRESSIVIDADE E A MOTRICIDADE OROFACIAL
Voz (VOZ)


No ano de 1994, com a criação do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Voz da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP, surgia o embrião do Laboratório de Voz (LaborVox), que reúne docentes e discentes do Curso de Fonoaudiologia, do Programa de Estudos Pós-graduados em Fonoaudiologia (PEPG em Fonoaudiologia), e profissionais da DERDIC, instancias essas pertencentes a PUC-SP. Em especial, entre os discentes do PEPG em Fonoaudiologia contamos com a presença não apenas de fonoaudiólogos, mas graduados em áreas como Medicina, Música, Canto, Musicoterapia, Artes Cênicas, Jornalismo, Biologia, Psicologia, entre outras. Pesquisadores de diferentes formações possibilitam discussões e reflexões interdisciplinares entre os participantes da linha, fato que reflete nas atividades profissionais e de pesquisa. As principais pesquisas desenvolvem temáticas relacionadas a: voz do professor com análise de demanda e diagnóstico e proposta de intervenção presencial ou a distância, a partir de parceria estabelecida com a Prefeitura do Município de São Paulo; voz do cantor, sobre ajustes do trato vocal durante determinadas formas de canto; métodos de canto para o canto popular, gospel, além de ensino de canto a distância; sonoridade no canto coral; musicoterapia no ensino do canto, etc. Na direção dos avanços tecnológicos e nos novos meios de comunicação, temos pesquisa sobre a comunicação de Youtubers e Influenciadores Digitais, sobre comunicação não verbal e outros aspectos relacionados a expressividade tanto na voz cantada como falada. Com relação a expressividade temos desenvolvido pesquisas que analisam os efeitos de intervenção com foco na expressividade oral realizada com alunos do ensino fundamental, no intuito de melhorar suas capacidades leitoras. Mais recentemente, com a vinda da Profa. Esther Bianchini, pesquisas relacionadas a questões da motricidade orofacial têm sido desenvolvidas, tanto associando-se as duas áreas - Voz e Motricidade Orofacial - quanto temas específicos abordados em várias faixas etárias desde primeira infância e amamentação, estudos reológicos, análises morfofuncionais dos exercícios orofaríngeos e associações com o sono e seus distúrbios. Essas pesquisas fazem parte da Linha de Pesquisa Voz: avaliação e intervenção fonoaudiológica, que em breve terá como nome Voz e motricidade orofacial: saúde, trabalho e arte. Vale pontuar que nesta reestrutura, além da linha, o Programa também mudará de nome, Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação Humana e Saúde, para melhor adequação para a proposta de renovação, busca de qualidade, ampliação e qualificação das pesquisas e ampliação da internacionalização. A temática central da nova estrutura da linha é estudar as questões da voz, da motricidade orofacial, da comunicação e da expressividade na dimensão da saúde, do trabalho e na sociedade, para além das inter-relações com as expressões artísticas. Os integrantes fazem parte ainda do Diretório de Grupo de Pesquisa (CNPq) denominado Voz: avaliação e intervenção. Os projetos desenvolvidos são: Motricidade orofacial e qualidade de vida: reflexos das funções e disfunções orofaríngeas; Voz: Objetividade e Subjetividade; Voz profissional: clínica, trabalho e arte e Voz: uma dimensão de sua representação no cotidiano (Bolsa Produtividade – CNPq). Dentre as pesquisas desenvolvidas neste momento podemos destacar as que tem como temática a questão da educação à distância, envolvendo ações de telessaúde junto a professores e ensino de canto; análise dos efeitos no dia a dia de professores depois de participarem de grupo terapêutico, desenvolvido no Hospital do Servidor Público Municipal (pesquisa possível de ser realizada pela parceria do LaborVox com a Prefeitura do município de São Paulo); análise dos efeitos de intervenção com foco na expressividade oral realizada com alunos do ensino fundamental; análise da aplicação do instrumento WHOQOL-bref em pacientes oncológicos reabilitados com prótese bucomaxilofacial, tendo esse sido também validado para essa população (essa pesquisa foi possível graças às parcerias do LaborVox com a Fundação Oncocentro), além das pesquisas com a voz cantada que tem como parceiro o Ambulatório de Artes Vocais da Santa Casa de São Paulo. Na área de Motricidade Orofacial destacam-se no momento as pesquisas referentes às análises da deglutição, por meio de estudos com videofluoroscopia, em neonatos e crianças em aleitamento materno e mamadeira; análise reológica de líquidos oferecidos à neonatos e lactentes, sendo esse realizado em parceria com o Instituto Tecnológico de Alimentos (Ital) - Campinas; análise morfo-funcional e efeitos imediatos dos exercícios orofaríngeos aplicados aos distúrbios do sono, em parceria com a equipe de otorrinolaringologia do Sono e nasofaringolaringoscopia do Hospital Samaritano de São Paulo. Mensalmente acontecem reuniões do grupo de forma presencial ou a distância (plataforma Microsoft Teams), com apresentação de convidados que discutem temáticas relacionadas as pesquisas em andamento. Essa atividade é compartilhada com demais pesquisadores por meio de live realizada pelo LaborVox, via Instagram. Dentre esses convidados, a presença de pesquisadores internacionais tem ampliado a discussão e garantido maior integração entre os grupos de pesquisa. Anualmente organiza eventos, e entre esses o Seminário de Voz tem contribuído para discutir temáticas importantes para a área, principalmente sobre as questões do Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho. Dessa forma, muitas das pesquisas desenvolvidas pelo grupo embasaram as discussões que culminaram com a publicação do Protocolo Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho e sua inserção na Lista das Doenças Relacionadas ao Trabalho. Todos os integrantes participam de atividades que envolvem a comunidade em geral por conta da Campanha em comemoração ao Dia Mundial da Voz e do Dia do Professor. A produção e atividades do grupo são divulgadas em seu site (https://www.pucsp.br/laborvox/index.html), no Facebook ( https://www.facebook.com/Laborvox-360508094090174) atualmente com 1753 seguidores e Instagram com 1233 seguidores.



GRUPOS DE PESQUISA
2225
LIEV - LABORATÓRIO INTEGRADO DE ESTUDOS DA VOZ
Voz (VOZ)


O LIEV - Laboratório Integrado de Estudos da Voz foi criado em 2014, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com a visão de fomentar a formação em pesquisa científica de discentes de graduação e pós-graduação e profissionais que tenham interesse pelo estudo da voz humana, com a articulação entre teoria, prática e rigor metodológico. Os valores do LIEV são pautados no desenvolvimento de estudo da voz humana com a integração de diversas ciências, sempre com ética, seriedade, inovação e precisão metodológica.
O objetivo deste laboratório é realizar estudos e pesquisas sobre os processos envolvidos na produção e percepção da voz, abordando aspectos anatômicos, neurológicos, fisiológicos, acústicos, cognitivos e comportamentais em diferentes contextos da comunicação humana, incluindo indivíduos com e sem alteração em tais processos, além de investigar a variabilidade e desenvolvimento da voz ao longo dos ciclos de vida, e o uso em situações de comunicação profissional, seja na modalidade falada ou cantada. O LIEV tem como meta se tornar um grupo de estudos e pesquisas de referência na área da voz humana com impacto no âmbito regional, nacional e internacional, colocando o Nordeste, mais especificamente a Paraíba, em posição de destaque.
Atualmente o LIEV é composto sete pesquisadores, a saber: Dra. Anna Alice Almeida, Dr. Leonardo Lopes (líderes do grupo e Pesquisadores de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq), Dra. Maria Fabiana Bonfim, Dra. Priscila Oliveira, Dra. Mara Behlau, Dra. Vanessa Veis e Dra. Larissa Nadjara Almeida. Os quatro primeiros são lotados na UFPB e as outras três estão vinculadas a outras instituições de ensino superior. O laboratório conta ainda com a participação de 46 discentes de graduação a pós doutorado, que são a força motriz no direcionamento dos trabalhos.
Este laboratório mantém uma ampla rede de colaboração de abrangência regional, nacional e internacional. Regionalmente, conta com o envolvimento de pesquisadores dos Departamentos de Fonoaudiologia, Medicina, Psicologia, Estatística e Ciências da Computação da UFPB, da Engenharia Elétrica do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e Fonoaudiologia do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ). As parcerias nacionais envolvem pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Centro de Estudos da Voz (CEV). Em âmbito internacional, destaca-se a Zürich University e Boston University, além de outras parcerias que estão sendo firmadas no momento.
O Grupo de Pesquisa em questão possui quatro linhas de pesquisa delineadas desde a sua fundação até os dias atuais, a saber: Aspectos neuropsicofisiológicos do comportamento e da voz; Avaliação, diagnóstico e monitoramento multidimensional dos distúrbios de voz; Investigação da variabilidade e dos processos de produção e percepção de voz em diferentes populações; e Recursos tecnológicos aplicados na avaliação dos distúrbios de voz e no reconhecimento de falantes. Dentro das linhas, existem 13 projetos de pesquisa ativos, destes, cinco projetos foram ou são atualmente financiados por órgãos de fomento nacional. O LIEV publicou 75 artigos científicos vinculados à UFPB nesses últimos cinco anos, outros no prelo, em periódicos científicos de impacto no âmbito nacional e internacional, além do desenvolvimento e implementação de nove produtos tecnológicos, sendo oito de tecnologia leve-dura e um de tecnologia dura.
A representação do LIEV deste ano envolverá os resultados e repercussões de um dos cinco projetos de pesquisa que recebeu financiamento do CNPq, “Protocolos de autoavaliação em voz: nova perspectiva com base na teoria de resposta ao item (TRI)”. Este possui como objetivo rever as propriedades psicométricas dos instrumentos de autoavaliação na área de voz, com o propósito de avaliar de forma mais precisa os aspectos na perspectiva do indivíduo. O grupo visa potencializar o debate acerca da temática, com destaque a todas as etapas do desenvolvimento das evidências de validade de testes, culminando na TRI, com destaque para os instrumentos de autoavaliação vocal, e o quanto essa perspectiva traz vantagens para a aplicabilidade clínica na área de Voz.
O grupo de trabalho (GT) que foca nos estudos de validação de testes no LIEV pretende discutir a sua experiência e publicação científica voltada para alguns instrumentos (re)validados dentro dessa perspectiva contemporânea, sendo mais sensíveis e específicos para a avaliação da voz, a saber: Índice de Desvantagem Vocal (IDV), Questionário de Qualidade de Vida em Voz (QVV), Escala de Sintomas Vocais (ESV), Escala de Desconforto do Trato Vocal (EDTV), Protocolo de Estratégias de Enfrentamento na Disfonia (PEED), Escala URICA-VV e a Escala de Controle Percebido no Presente sobre a Voz (CPPV).
De modo geral, essas versões validadas a partir da TRI apresentam modificações estruturais nos itens, fatores e chave de respostas, todas elas mais simplificadas, a fim de uma melhor adequação de seus parâmetros, que permitiu uma nova possibilidade de cálculo dos escores, com maior acurácia, bem como uma aplicação mais rápida e eficaz.
Os estudos desenvolvidos possibilitaram a obtenção de medidas psicométricas mais confiáveis para detecção e discriminação de indivíduos com disfonia, em relação à população em geral, a fim de proporcionar uma melhor interpretação clínica sobre a instalação, manutenção, evolução das alterações vocais e monitoramento terapêutico. A partir disso, a aplicação das versões atuais dos questionários possibilita ao clínico relacionar esses processos entre si e com as questões emocionais reativas à disfonia, com o foco principal em embasar condutas e encaminhamentos.
Os próximos direcionamentos deste GT é testar a aplicabilidade do novo formato dos instrumentos, extrair pontos de corte de acordo com grupos diagnóstico e grau do desvio, verificar a sensibilidade para modificações nos escores pré e pós terapia, bem como o desenvolvimento, já iniciado, de um aplicativo para smartphones que envolve a aplicação e realização dos cálculos, de forma automatizada, dos escores de cada um dos questionários.
Assim, a principal meta deste grupo é que a utilização de instrumentos mais precisos e sensíveis possibilite que a detecção da disfonia seja mais efetiva na população em geral, bem como a identificação dos prejuízos autopercebidos e a tomada de decisão da conduta a ser adotada diante dos casos identificados.


GRUPOS DE PESQUISA
2243
LINCOG UFCSPA: GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA EM LINGUAGEM E COGNIÇÃO DO ADULTO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE
Linguagem (LGG)


Histórico do grupo de pesquisa
O Grupo de Estudos e Pesquisa em Linguagem e Cognição do Adulto da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (LinCog – UFCSPA) surgiu em 2017 a partir do ingresso da docente Bárbara Costa Beber (coordenadora do grupo) no departamento de fonoaudiologia da UFCSPA e a partir das demandas levantadas pelos alunos de graduação sobre a necessidade de estudos na área. O grupo LinCog é um grupo de pesquisa novo e pode ter sua breve história dividida em três importantes momentos: a inauguração do grupo com alunos de graduação para estudo de evidências científicas, o ingresso da coordenadora do grupo no programa de pós-graduação em ciências da reabilitação da UFCSPA, e o desenvolvimento das primeiras pesquisas com colaborações nacionais e internacionais. A coordenadora do grupo é uma Senior Atlantic Fellow for Brain Health (veja mais em: https://www.atlanticfellows.org) e, portanto, as ações do grupo tem forte influência da missão que os Atlantic Fellows possuem com suas com comunidades locais. Atualmente, para ser considerado um integrante do grupo LinCog é necessário estar participando de algum dos projetos do grupo. No entanto, o grupo realiza reuniões semanais que são abertas a qualquer aluno de graduação ou pós-graduação da UFCSPA, de qualquer área, para assistirem a discussões sobre artigos científicos e projetos de pesquisa em planejamento ou execução.

Principais projetos de pesquisa desenvolvidos e/ou em andamento
As pesquisas realizadas pelo grupo atualmente podem ser divididas nos seguintes eixos:
Diagnóstico, prevenção e qualidade de vida: envolvem estudos sobre métodos diagnósticos das afasias clássicas e afasias progressivas primárias, estudos sobre fatores de risco e manifestações iniciais das afasias progressivas primárias, e estudos sobre qualidade de vida nas afasias clássicas.
Reabilitação: atualmente estão sendo conduzidos estudos sobre estratégias de comunicação nas demências e métodos terapêuticos para disfluências.
Estudos e ações da atuação fonoaudiológica nas demências no Brasil: grande projeto com financiamento internacional do Global Brain Health Institute (GBHI) e do Alzheimer’s Association para investigar o preparo dos fonoaudiólogos Brasileiros na atuação junto a pessoas com demência. O projeto também prevê ações para melhorar o treinamento dos profissionais nessa área.
Estudos e ações sobre demência e saúde do cérebro na américa latina: estudos sobre temas diversos através da participação da coordenadora em grupos de pesquisa internacionais.

Parcerias nacionais e internacionais
O grupo é constituído de inúmeras parcerias locais, nacionais e internacionais que perpassam as áreas da fonoaudiologia, psicologia, medicina e outras. As parcerias
internacionais mais importantes são com as comunidades internacionais GBHI, Atlantic Fellows e Latin American and Caribbean Consortium on Dementia (LAC-CD). As parcerias internacionais tem permitido colaborações em pesquisa, extensão e acesso a editais de financiamento.

Produtos obtidos por meio das pesquisas desenvolvidas
Os produtos de pesquisa gerados até o momento foram artigos científicos e apresentações em eventos científicos. Dentre os mais relevantes estão um estudo que apresenta um panorama do ensino da neuropsicologia nos cursos de Fonoaudiologia no Brasil, área de especialidade da Fonoaudiologia e de extrema importância para a atuação fonoaudiológica nos transtornos cognitivos. Recentemente, outros dois artigos científicos originados da colaboração internacional com o LAC-CD foram aceitos para publicação em um dos periódicos de maior relevância na área das demências. Estes artigos abordam, respectivamente, um plano de ação latino-americano para redução do impacto das demências, e o conhecimento sobre demências entre profissionais da saúde da américa latina.
Grande parte dos projetos de pesquisa estão em desenvolvimento no momento e são promissores no sentido de originarem importantes produtos nos próximos anos. Alguns projetos e cursos de extensão tem surgido como resultado da observação das demandas relacionadas aos resultados das pesquisa do grupo.


Impacto clínico e/ou social das pesquisas e perspectivas futuras
Resultados e observações realizadas na execução das pesquisas tem levado o grupo a criar projetos de extensão, cursos de extensão e outras ações para atender as demandas sociais. O projeto de extensão Brincar de Viver é uma parceria entre UFCSPA, UFRGS e UFSC e tem como objetivo oferecer estimulação cognitiva online para pessoas com afasia e demência durante a pandemia de COVID. Este projeto ganhou financiamento internacional para obtenção de tablets e fornecimento de internet aos participantes.
Além disso, como uma ação para atender aos gaps no preparo dos fonoaudiólogos do Brasil no âmbito das demências, o grupo está preparando um curso de extensão no formato de massive online open course (MOOC) para apresentar os aspectos teóricos sobre as atribuições da profissão na assistência a pessoas com demência.


GRUPOS DE PESQUISA
2232
NÚCLEO DE ENSINO, ASSISTÊNCIA E PESQUISA EM ESCRITA E LEITURA (NEAPEL): HABILIDADES, PROCESSOS E COMPETÊNCIAS NA DECODIFICAÇÃO E COMPREENSÃO DE LEITURA
Linguagem (LGG)


HISTÓRICO: O Núcleo de Ensino, Assistência e Pesquisa em Escrita e Leitura (NEAPEL-Dep. Fonoaudiologia/UNIFESP-EPM) conjuga estruturas e conhecimentos de clínica e pesquisa relacionados ao desenvolvimento normal e aos transtornos do neurodesenvolvimento, nas áreas da linguagem, da leitura e da escrita. Iniciou em 1996 com a orientação de ICs e Dissertações do PPG em Distúrbios da Comunicação Humana-Fonoaudiologia/UNIFESP-EPM. Foi cadastrado no CNPq (2002), como Grupo de Pesquisa em Transtornos da Leitura e da Escrita. Desde então, desenvolve estudos para contribuir com o estabelecimento de parâmetros do desenvolvimento típico da comunicação escrita de escolares brasileiros e investigar critérios para avaliar e diagnosticar Transtornos da Leitura e da Escrita. Boa parte dos objetivos voltou-se para construir e testar, psicometricamente, material linguístico e procedimentos para instrumentos de avaliação e validar seus construtos. PROJETOS DE PESQUISA: Um dos principais - “Construção de Bateria para Avaliação da Compreensão de Leitura no Ensino Fundamental I” (FAPESP - 2011/11369-0), buscou estabelecer escores para dois protocolos, complementares, de avaliação. O banco de dados (amostra randomizada e estratificada/n=800), possibilitou desenvolver investigações sobre mecanismos automáticos da leitura/fluência e seus processos (velocidade de processamento) e habilidades de alta ordem cognitiva na compreensão de leitura. Outros projetos: (a) Decodificação de palavras: análise de itens por TRI e normas intra-grupo, com a obtenção de lista de palavras (parceria com a Psicologia/UFMG); (b)Decodificação e acesso fonológico ao léxico como habilidades preditoras da compreensão de leitura: a acurácia, tipo de escola e série escolar puderam predizer a compreensão leitora; (c)Memória fonológica operacional e processos cognitivos da compreensão de leitura, examinou a contribuição da memória operacional para a compreensão leitora, segundo diferentes processos cognitivos e permitiu questionar a forma como a memória fonológica operacional é avaliada; (d)Fluência e compreensão de leitura: evidências de dissociação crescente dessas competências a partir do 2º ano do EF; (e)Construção de prova para avaliação da compreensão leitora no ensino fundamental-estudo piloto: apresentação dos procedimentos psicométricos na construção da prova para crianças; (f) Tese de Doutorado que estudou o Efeito do priming semântico no acesso à informação: crianças com transtorno de leitura apresentaram dificuldade em inibir informações irrelevantes; o bom desenvolvimento das habilidades cognitivo-linguísticas, mostrou-se essencial para o melhor desempenho de acesso e inibição semântica; (g)Monitoramento da compreensão de leitura, segundo procedimentos online e off-line: a detecção de inconsistências de nível estrutural, em texto narrativo, mostrou-se presente em escolares do 5º ano e, com menos frequência, observaram-se estratégias de reparo da quebra de coerência durante a leitura; (h)Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua combinada com estimulação de leitura, na Dislexia do Desenvolvimento: melhoras clínicas nos 4 casos estudados; (i)Avaliação motora/equilíbrio no Transtorno específico de leitura: em andamento; (j)Construção de protocolo de avaliação da competência sintática do 5º ano do EF: em andamento; (k)Avaliação da leitura em escolares bilíngues: em andamento. PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS: O NEAPEL agregou pesquisadores de diferentes áreas (Linguística, Psiquiatria, Psicopedagogia, Oftalmologia, Pediatria, Neuroaudiologia, Diagnóstico por Imagem) da EPM, da UNIFESP e de outras IEs, com as quais construiu avanços no conhecimento e formou pesquisadores na área dos transtornos da aprendizagem. Duas linhas de pesquisa (Diagnóstico, prevenção e reabilitação dos distúrbios de linguagem e fala, e Transtornos da Leitura e da Escrita) abrigam estudos desenvolvidos a partir desses vínculos, organizados segundo projetos pertinentes desenvolvidos em parceria: identificação de risco para transtornos mentais e investigação dos Transtornos dos sons da fala persistentes, associados a prejuízo da leitura/escrita (Departamento de Psiquiatria/UNIFESP-EPM e Matemática-USP); desenvolvimento da linguagem oral e escrita em escolares nascidos Baixo-Peso, em (PPSUS-Departamento de Pediatria da UNIFESP-EPM); estudos psicométricos (com o Departamento de Psiquiatria/EPM-UNIFESP e Psicologia/UEL); investigações na área dos transtornos de leitura com o Laboratório de Investigação dos Distúrbios da Aprendizagem da UNESP-Marília; criação de protocolo de avaliação sintática em parceria com a EFLCH/UNIFESP; acompanhamento dos resultados de leitura avaliada por eye-tracker (Departamento de Oftalmologia EPM-UNIFESP). Avanços na investigação levaram a importantes contatos internacionais, por meio do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior, que possibilitaram convivência e debates com pesquisadores de renomadas instituições e reconhecidos grupos de pesquisa, sobretudo na área da Compreensão de Leitura (University of Sussex com Prof. Jane Oakhill; Universidad de Salamanca com Prof. Emílio Sanches Miguel). Isso permitiu aprimorar técnicas de análise de textos e de construção de protocolos a partir do desenvolvimento de práticas analíticas e postura reflexiva e crítica sobre os conhecimentos em pesquisa e ensino nessa área de conhecimento. O último estudo, concluído em 2020 em parceria com Salamanca caracterizou escolares brasileiros, quanto ao perfil de habilidade cognitivo-linguísticas e o monitoramento da compreensão de leitura, segundo procedimentos online e off-line de avaliação. PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS (que envolvem a produção de protocolos de avaliação e terapia): Lista de palavras: versão reduzida, validada (PLEP - Pinheiro, 1996) para avaliação da leitura de escolares do 2º-5º ano EF (normas em percentis); Lista de sintagmas nominais para ditado; Lista de homônimos com figuras; Prova de Nomeação Automatizada Rápida-objetos (valores de referência do 2º-5º ano); Protocolo de Avaliação da Compreensão de Leitura-PACL (parâmetros para 2º a 5º ano; em fase final de elaboração do Manual de Aplicação); Programa de Estimulação Intensiva da Leitura (novo estudo clínico); Programa computadorizado de leitura de palavras e pseudopalavras segmentadas e inteiras; Teste de Avaliação da Competência Gramatical (em fase de análise exploratória). IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS E PERSPECTIVAS FUTURAS: As pesquisas conduzidas, seus desfechos e protocolos resultantes pretendem colaborar com impactos positivos no aumento da precisão diagnóstica e eficácia terapêutica com estudos sobre dosagem. O projeto que envolveu o uso da ETCC foi longitudinal e mostrou importante efeito na precisão e velocidade de leitura das crianças participantes. Os resultados obtidos, também no processo diagnóstico confirmam a importância das análises psicométricas a que vêm sendo submetidos os instrumentos idealizados e testados. As novas pesquisas estão concentradas na busca de evidências encontradas na prática de ensaios clínicos randomizados com escolares com transtornos de leitura e escrita, diagnosticados com maior precisão e clareza, para maior eficácia terapêutica.


GRUPOS DE PESQUISA
2251
NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM VOZ DA FOB-USP
Voz (VOZ)


O Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia da FOB-USP possui a área de concentração “Processos e Distúrbios da Comunicação”, com quatro linhas de pesquisa que englobam diversos projetos. A Linha de Pesquisa: PROCESSOS E DISTÚRBIOS DA VOZ, FALA E DAS FUNÇÕES OROFACIAIS existe desde 2004 e atualmente engloba cinco grandes projetos de pesquisa nos quais é possível explorar diferentes vertentes na área da voz, da motricidade orofacial e da disfagia orofaríngea. São eles: 1. Avaliação e intervenção em voz, fala e funções orofaciais; 2. Voz, fala e deglutição no envelhecimento e no acometimento neurológico; 3. Funções orofaciais e voz em casos odontológicos; 4. Documentação dos resultados do cuidado interdisciplinar e integrado da saúde fonoaudiológica da pessoa com fissura labiopalatina; 5. Avaliação e tratamento dos distúrbios da comunicação nas fissuras. Os pesquisadores docentes e discentes da referida linha de pesquisa integram o grupo de pesquisa cadastrado no CNPq intitulado Voz e Funções Orofaciais. Especificamente, pretende-se apresentar os dois primeiros projetos da linha de pesquisa, com especificidades que exploram questões mais relacionadas à voz e guardam relação com disfagia em alguns aspectos. O Projeto 1 tem como proposta estudar o desenvolvimento, o padrão de normalidade e os distúrbios da voz e das funções de respiração, mastigação, deglutição e fala, por meio de métodos clínicos e instrumentais, a fim de auxiliar na prevenção, na definição do diagnóstico e no direcionamento da intervenção apropriada, bem como na comprovação da eficácia do tratamento para cada tipo de distúrbio, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos indivíduos. O Projeto 2 estuda as funções de respiração, deglutição, fala e voz em idosos saudáveis e indivíduos acometidos por doenças neurológicas, bem como o impacto de tais condições na qualidade de vida dessa população. A fisiologia da voz, fala e funções orofaciais em idosos apresenta diferenças em relação a jovens e adultos, sendo que disfunções neurológicas podem afetar os mecanismos responsáveis pela fala, voz e deglutição, as chamadas disartrofonias e disfagias neurogênicas. Adicionalmente este projeto tem verificado o efeito de diferentes modalidades de tratamento voltadas aos distúrbios da voz, deglutição e fala nessa população. As coordenadoras de ambos os projetos, Profa Dra Kelly C A Silvério e Profa Dra Alcione Ghedini Brasolotto organizam juntas, o grupo de pesquisa denominado Núcleo de Estudos e Pesquisas em Voz da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, o NEP-VOZ/FOB-USP. O objetivo do grupo é agregar pesquisadores da pós-graduação – discentes de Mestrado e Doutorado, pós-doutorandos, bem como discentes da graduação que estejam ligados a projetos de iniciação científica ou trabalho de conclusão de curso na área de voz. O NEP-VOZ/FOB-USP reúne-se quinzenalmente para discussão das pesquisas em andamento, bem como preparo de apresentação de pôsteres, comunicações orais em eventos científicos, ou apresentação e discussão de artigos científicos em diferentes temas da área. A diversidade de pessoas e de níveis de conhecimento na área de voz permite uma discussão rica, motivadora e inclusiva dos temas explorados. Os temas estudados pelo grupo de pesquisa atualmente envolvem avaliação multidimensional da voz, incluindo análise perceptivo auditiva, acústica, laríngea, aerodinâmica e auto avaliação vocal. Tais estudos abordam indivíduos com e sem alterações da comunicação em várias fases dos ciclos da vida. Os aspectos terapêuticos são investigados em relação aos efeitos imediatos de exercícios vocais em populações com e sem disfonias, ao desenvolvimento de ensaios clínicos e aos aspectos motivacionais para mudanças em reabilitação vocal. Ressaltam-se os estudos sobre avanços tecnológicos como estimulação elétrica, eletroglotografia, além de intervenção com tubos de ressonância e análise de protocolos de autoavaliação, mais especificamente estudados na população com Parkinson, Disfonia por tensão muscular e idosos, atualmente. O grupo também desenvolve pesquisas que interagem com outras áreas da Fonoaudiologia, no intuito de compreender a relação da voz com a disfagia, motricidade orofacial e audição, bem com áreas afins, como neurologia, psicologia e fisioterapia, contribuindo para intervenções mais assertivas. Ainda vale ressaltar o desenvolvimento de pesquisas integradas com outra linha de pesquisa do Programa de Pós-Graduação, a Telessaúde em Fonoaudiologia. Estudos envolvendo saúde conectada na área de voz são desenvolvidas pelos pesquisadores deste grupo junto aos demais integrantes do grupo de pesquisa de Telefonoaudiologia. O grupo também possui integração com outro grupo de pesquisa do CNPq, Tradução e adaptação transcultural de instrumentos na área de saúde, em que são desenvolvidos tanto a tradução e adaptação transcultural de instrumentos estrangeiros para o português brasileiro, como o processo inverso, de instrumentos criados pelos pesquisadores brasileiros para a língua inglesa. O grupo conta com parcerias de pesquisadores de instituições internacionais, que ampliam os avanços científicos e a projeção Internacional do grupo. As parcerias envolvem pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa de países como os Estados Unidos, a França e o Chile. A contribuição deste grupo de pesquisa pode ser reconhecida por suas produções, publicações e participações nacionais e internacionais e também pelos resultados da formação de pesquisadores, evidenciados pela nucleação praticada por seus egressos.


GRUPOS DE PESQUISA
2231
PROCESSOS, POÉTICAS E TÉCNICA VOCAL PARA O ATOR
Voz (VOZ) - artes cenicas


GRUPOS DE PESQUISA
PROCESSOS, POÉTICAS E TÉCNICA VOCAL PARA O ATOR
Líder: Profa. Dra. Suely Master. Fonoaudióloga (UNIFESP-EPM) especialista em Voz.
Vice-líder: Profa. Dra. Wania Mara Agostini Storolli. Artista (ECA-USP) e pesquisadora na área de voz e performance.
Ambas são professoras do Departamento deArtes e professoras do Programa de Pós-Graduação em Artes/ Artes Cênicas do Instituto de Artes da UNESP.

HISTÓRICO DO GRUPO DE PESQUISA
O Grupo de Pesquisa PROCESSOS, POÉTICAS E TÉCNICA VOCAL PARA O ATOR abriga, fundamentalmente, as pesquisas de profissionais e estudantes ligados ao Programa de Pós-graduação em Artes/Artes Cênicas do Instituto de Artes da UNESP – Campus São Paulo. Foi certificado pelo CNPq em 2012.
Tem como objetivo estudar a Voz e a Expressão Vocal e suas interfaces com as Artes Cênicas, Educação e Reeducação. Em Expressão Vocal, pretende-se pesquisar as relações entre corpo e voz; os jogos teatrais e a improvisação; os processos criativos, tendo em vista, as diferentes estéticas e a poética da voz; a preparação vocal em diferentes dramaturgias e, o uso de novas tecnologias visando a pesquisa e o desenvolvimento da técnica vocal. Em Educação, pretende-se focalizar principalmente os aspectos metodológicos envolvidos no ensino da voz enquanto linguagem cênica. Em Reeducação / Arte-terapia, pretende-se explorar as contribuições do fazer teatral para a inclusão social de indivíduos portadores de necessidades especiais.

PRINCIPAIS PROJETOS DE PESQUISA DESENVOLVIDOS
E/OU EM ANDAMENTO.
Dissertações de Mestrado Concluídas
Rosana Figueiredo da Silva. A Voz e os Fatores do Movimento: poética de processo criativo cênico. 2015. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Luana Mota Curti. Voz em ações básicas de esforço: uma busca de repertório vocal para Laban. 2015. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Inst. financiadora: CAPES.

Amanda Moreira. O processo de criação da palavra no espetáculo RECUSA. 2014. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Inst. financiadora: CAPES.

Laura Melamed Barbosa. Relação entre escuta e dizer no processo de criação do ator: a influência da audibilidade na percepção dos recursos comunicativos orais. 2014. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Manuel Fabrício Alves de Andrade. Sonoridades beckettianas: a criação vocal do intérprete. 2014. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Inst. Financiadora: FAPESP.

Helder Carlos de MIranda. Teatralidade em frequência e intensidade: técnicas e poéticas vocais do Grupo Obragem Teatro e Cia. 2014. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Inst. financiadora: FAPESP.

Maria Helena Milanês Adami. Análise acústica da voz antes e após o treinamento vocal e corporal associado ao movimento: o. 2017. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Inst. financiadora: CAPES.

Monica Roberta Antonio. Narradores de passagem em hospitais. 2017. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Teses de Doutorado concluídas.
Manuel Fabrício A. Andrade. Beckett, Craig e Zumthor: apontamentos para uma investigação de processos vocais como uma poética da atuacão. 2017. Tese (Artes) - Inst. financiadora: CAPES.

Dissertações de mestrado em andamento
Marcos Coimbra Machado. Voz em ação: uma experiencia vocal a partir da filosofia dos viewpoints. 2018. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Inst. financiadora: CAPES.

Vera Lucia Ribeiro. Voz-corpo-imaginação: meditação ativa para o ator. 2018. Dissertação (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Teses de doutorado em andamento.
Frederico Cunha Santiago. A Performance da voz na abordagem do texto teatral. 2018. Tese (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Laura Melamend Barbosa. A influência da integração inter-hemisférica dos processamentos verbal e não verbal na percepção auditiva e na produção da oralidade de atrizes e atores em formação. 2017. Tese (Artes) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.


PARCERIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS
Tivemos, enquanto parceiros internacionais, o Prof. Dr. Marco Guzman da Escuela de Fonoaudiologia de la Univer. de Chile, Santiago, Chile.
PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS
Os principais produtos obtidos por meio da pesquisa são nossos artigos publicados em periódicos nacionais na área do Teatro e internacionais na área de voz e fala. Citamos ainda apresentações nos simpósios organizados pela The Voice Foudantion, nos congressos Pan Europeu Voice Conference - PEVOC, e nos congressos da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas – ABRACE.

Master S; Marco Guzman; KELLY, A.
Perceptual and acoustic analysis of braziian actresses’ voices. Rev. digit. EOS Perú. Instituto Psicopedagógico EOS Perú, v.4, p.10 - 20, 2016.

Master, Suely; GUZMAN, MARCO; Azocar MJ; MUNOZ, D.; BORTNEM, C.
How Do Laryngeal and Respiratory Functions Contribute to Differentiate Actors/Actresses and Untrained Voices? JOURNAL OF VOICE, v.29, p.333 - 345, 2015.

FABRICIO, M.; VASCONCELLOS, C. M.; Suely Master
Conversa com o diretor Rubens Rusche sobre a dramaturgia de Samuel Beckett. Questão de Crítica, v. VII, p. março de 2014 - x, 2014.

ALVES DE ANDRADE, MANUEL FABRICIO; DE VASCONCELLOS, CLÁUDIA MARIA; Master, Suely. Sonoridades beckettianas: reflexões sobre a voz e a fala no teatro de Samuel Beckett. Urdimento (UDESC), v.1, p.063 - 076, 2014.

Master, Suely; GUZMAN, MARCO; CARLOS DE MIRANDA, HELDER; LLOYD, ADAM
Electroglottographic Analysis of Actresses and Nonactressesain Voices in Different Levels of Intensity. Journal of Voice, v.27, p.187 - 194, 2013.

Master, Suely; GUZMAN, MARCO; DOWDALL, JAYME
Vocal Economy in Vocally Trained Actresses and Untrained Female Subjects. Journal of Voice, v.27, p.698 - 704, 2013.

Master, S.; Madureira, S; BIASE, Noemi de
What about the actor's formant in actresses voices? Journal of Voice, v.26, p.117 - 122, 2012.


IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS
Acreditamos que nossas pesquisas favoreçam o conhecimento fisiológico, acústico e perceptivo-auditivo da voz cênica, o que pode embasar o treinamento vocal do ator contemporâneo.

PERSPECTIVAS FUTURAS.
Entre outras, nesse momento o grupo pretende continuar a investigar o trabalho de voz do ator contemporâneo baseado em tecnologias e ferramentas mais modernas para a análise e o ensino da técnica vocal.



GRUPOS DE PESQUISA
2220
PROGRAMA SILÊNCIO - EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SAÚDE AUDITIVA
Saúde Coletiva (SC)


APRESENTAÇÃO

Este grupo de trabalho tem por objetivo aprimorar a avaliação, divulgação e expansão do Programa Silêncio, por meio de capacitações, implementação de uma campanha de sensibilização e desenvolvimento de pesquisas para produção de evidências científicas para nortear aprimoramentos e planejamentos de ações futuras, seguindo os princípios da Educação Ambiental estabelecidos pela legislação brasileira e por acordos internacionais que o Brasil é signatário.
A equipe deste Grupo de Trabalho é composta por professores e alunos da Universidade de Brasília – UnB e por servidores do quadro do IBAMA.
Apresenta como objeto a troca de conhecimentos e apoio ao aprimoramento de capacitações voltadas aos servidores do Instituto e discentes da UnB que atuam na área ambiental e de saúde auditiva respectivamente, possibilitando uma melhor avaliação, divulgação e expansão no âmbito do projeto intitulado “Programa Silêncio” do Ibama, o desenvolvimento de pesquisas nesta linha, para produção de evidências científicas para embasar a criação de políticas de saúde pública, bem como a elaboração de novas estratégias de capacitação e sensibilização, seguindo os princípios da Educação Ambiental.

JUSTIFICATIVA

Em atendimento ao disposto na Resolução Conama n° 2/1990, na Lei Complementar n° 140/2011, na Lei 9.795/99 e na Constituição Federal de 1988 no que diz respeito à Educação Ambiental e ao Sistema Brasileiro de Meio Ambiente – SISNAMA, a DIQUA/IBAMA vem implementando, no âmbito de suas atribuições, o “Programa Silêncio”.
No ano de 2016, a Universidade de Brasília apresentou interesse em firmar o presente acordo visando realizar trabalhos em parceria e apresentou como principal demanda para esta atuação em conjunto, o desenvolvimento de ações educativas direcionadas à educação ambiental e a produção de evidências científicas para embasar a criação de políticas públicas de saúde auditiva.
Após reuniões entre o Ibama e a UnB, verificou-se uma necessidade de desenvolvimento de uma estratégia de avaliação, divulgação e expansão do Programa Silêncio, que pudesse atingir o Distrito Federal como projeto-piloto, visando o aprimoramento de seu funcionamento, a maior qualificação dos participantes e a contribuição no que tange à criação e implementação de Políticas Públicas de caráter socioambiental em seus territórios.
Neste contexto, o envolvimento da Academia demonstrou-se adequado no intuito de promover a troca de conhecimentos e a construção conjunta de uma metodologia de trabalho passível de ser testada, analisada e aperfeiçoada por especialistas na área de saúde auditiva, educação ambiental e políticas públicas. Assim, o Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ceilândia – FCE/UnB, por possuir reconhecida atuação nesta área, foi consultado sobre a possibilidade de parceria e sua docente, Prof. Dra.Isabella Monteiro de Castro Silva, uma das responsáveis pela cadeira de Audiologia, apresentou-se prontamente para contribuir com o processo de expansão do programa promovido pelo IBAMA tendo em vista a potencialidade multiplicadora de pesquisas e de extensões universitárias da proposta.
A presente proposta representa assim, uma iniciativa inédita voltada ao fortalecimento e aprimoramento do Programa Silêncio, contando com o envolvimento de órgãos ambientais de meio ambiente de diferentes esferas federativas e uma entidade representante da produção científica e facilitadora do diálogo junto à sociedade civil organizada.

ATIVIDADES REALIZADAS

• Realização de curso com objetivo de alinhar conhecimento dos especialistas em Meio Ambiente e os profissionais, estudantes e professores ligados à saúde auditiva.

• Resumos publicados em congressos:
15º Congresso da Fundação Otorrinolaringologia, 2016, Campos do Jordão. International Archives of Otorrinolaryngology
- National Program of Education and Control of Noise Pollution - SILENCE - Opinion of hearing care professionals.

X Congresso Internacional de Fonoaudiologia, XXVII Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia e III Encontro Mineiro de Fonoaudiologia, 2019, Belo Horizonte. Anais Científicos
- Medição de Ruído em Unidade de Saúde Neonatal.
- Avaliação Acústica em ambientes laborais de cabeleireiros.
- Impacto do aumento de limiares em altas frequências na qualidade de vida de cabeleireiros: estudo piloto.

• Elaboração e produção de material didático para ações de Educação Ambiental e Saúde Auditiva, disponível para todos os Núcleos de Educação Ambiental – NEAs das Superintendências do Ibama nos estados, Universidades e organizações interessadas.

• Elaboração de ações de Educação Ambiental
- Conscientização dos ruídos presentes no ambiente escolar
- Capacitação de profissionais vendedores de eletrodomésticos sobre o ruído, por meio da conscientização do selo ruído, para transmissão de informação ao cliente no ato da escolha do produto
- Você sabe o que é o Selo Ruído?
- Alternativas de minimizar os efeitos dos ruídos sonoros nas escolas urbanas e rurais

• Live informativa disponível no canal YouTube
(https://www.youtube.com/watch?v=8r2bBCox8Ao&t=51s)

• Matéria publicada no canal UnBTV
(https://www.youtube.com/watch?v=Y66vqbVqRYE&feature=youtu.be)

• Projetos de Pesquisa aprovados pelo PIBIC-UnB
- Projeto finalizado: Conhecimento do Programa Silêncio e do Selo Ruído e seu impacto em profissionais de salão de beleza. Planos de Trabalho: Queixas auditivas e não auditivas e avaliação da audição de profissionais de salões de beleza; Conhecimento do Programa Silêncio e do Selo Ruído e avaliação sonora ambiental em salões de beleza
- Projeto em andamento: Saúde auditiva em profissionais expostos ao som do liquidificador. Planos de Trabalho: Queixas auditivas e não auditivas de trabalhadores que utilizam o liquidificador em ambiente de trabalho e sobre o uso dos protetores auriculares; O Selo Ruído e o ruído ambiental em comércios que utilizam o liquidificador; Audição e proteção auditiva em trabalhadores que utilizam o liquidificador.
- Projeto em andamento: Saúde auditiva de trabalhadores que utilizam o aspirador de pó Planos de Trabalho: Análise do risco à saúde auditiva de trabalhadores que utilizam o aspirador de pó; Queixas auditivas e não auditivas de trabalhadores que utilizam o aspirador de pó; Impactos auditivos em trabalhadores que utilizam o aspirador de pó.

METAS

• Realização de curso a fim de capacitar a polícia militar e ambiental na fiscalização de infrações relacionadas à poluição sonora.

• Realizar curso a fim de capacitar vendedores de lojas de eletrodomésticos sobre o selo ruído e sua utilização como diferencial de compra.

• Estruturação da Plataforma Virtual, que apoiará o processo de formação continuada, facilitando a criação de fóruns para troca de informações e debates.

• Planejamento e implementação de Proposta-piloto de capacitação de conselheiros/educadores nas unidades descentralizados do /Ibama nos estados e em Universidades de todas os Estados da Federação.


GRUPOS DE PESQUISA
2229
PROMOÇÃO DA ACESSIBILIDADE E DO LETRAMENTO NO ENSINO SUPERIOR
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


HISTÓRICO DO GRUPO DE PESQUISA
O grupo de pesquisa Promoção da Acessibilidadee do Letramento no Ensino Superior vinculado à Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)iniciou-se em 2014 como um espaço para o desenvolvimento de atividades de pesquisas e extensão em torno de temáticas que envolvam a linguagem oral e escrita e os processos de formação no contexto do ensino superior. Tal grupo está atrelado à Linha de Pesquisa “Promoção da Linguagem nos Contextos da Saúde e da Educação” e ao Grupo de Pesquisa/CNPQ, intitulado, “Núcleo de Pesquisas Fonoaudiológicas em Linguagem”, contando com fomentos de diferentes agências: bolsa Produtividade em Pesquisa CNPQ, bolsas de IC e Mestrado (Capes e CNPq). Fazem parte desse grupo professores e alunos do curso de graduação em Fonoaudiologia e dos Programas de Mestrado e Doutorado em Distúrbios da Comunicação da UTP, e demais pessoas da comunidade acadêmica interessadas. As condições de letramento de alunos do ensino superior, especialmente no que tange as suas relações com os gêneros acadêmicos, bem como, o impacto de tais condições no seu processo formativo são os pilares das discussões produzidas no grupo. O grupo está comprometido com a produção do conhecimento e de ações clínicas e de promoção que contribuam para a superação de uma problemática de abrangência nacional que atinge parcela significativa dos referidos discentes quanto às suas restritas condições de leitura e escrita, as quais limitam as possibilidades de participação crítica e ativa na formação acadêmica e profissional.
Dentre as ações desenvolvidas destaca-se a extensão Oficina:Promoção de Letramento destinada aos alunos do curso de graduação em Fonoaudiologia em andamento desde 2017, cujos objetivos são: - atuar na ressignificação de posições negativas e restritas estabelecidas pelos alunos com a leitura e a escrita; - promover o avanço do domínio e uso da linguagem escrita com enfoque em discursos/textos pertencentes aos gêneros acadêmicos; - sistematizar e implementar ações de promoção do letramento que envolvam a comunidade intra e extra muros da universidade.


PROJETOS DE PESQUISA DESENVOLVIDOS E/OU EM ANDAMENTO e PRODUTOS OBTIDOS POR MEIO DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS
Destaca-se, ainda, o desenvolvimento dos seguintes projetos de pesquisa,realizados em parceria com docentes dos cursos de Fonoaudiologia da UFSC e da Unicentro/ Irati e da Educação da Unesp de Marília envolvendo pesquisadores de diferentes níveis, ou seja, graduação (TCC e IC), mestrado e doutorado:
• Bolsa Produtividade em pesquisa em andamento (1) – Projeto: Condições de letramento e a formação no ensino superior.
• Trabalhos de Conclusão de Cursos: (4) – concluídos (Os gêneros acadêmicos e formação no ensino superior: visão de um grupo de acadêmicos de fonoaudiologia; Visões de alunos de fonoaudiologia e pedagogia a respeito de suas experiências e práticas com a leitura e a escrita; Visões de alunos de pedagogia e fonoaudiologia acerca das práticas de leitura e escrita de textos pertencentes ao gênero acadêmico; Visão de universitários com perda auditiva a respeito de sua trajetória de vida e de seu processo de acessibilidade no ensino superior); (4) em andamento;
• Trabalhos de Iniciação Científica: (6) – concluídos (A acessibilidade da pessoa com deficiência no ensino superior; Acessibilidade no ensino superior: estudo em uma universidade particular de Curitiba; Condições de letramento entre acadêmicos do Ensino Superior;visões de graduandos de pedagogia e fonoaudiologia acerca de suas condições de leitura e escrita e do impacto que as mesmas exercem sob a acessibilidade no ensino superior;visão de universitários deficientes auditivos a respeito de sua trajetória de vida e de seu processo de acessibilidade no ensino superior) ; (3) em andamento;
• Dissertação de Mestrado:(2) concluídos (Acessibilidade e letramento: práticas com alunos na universidade; Abordagem fonoaudiologica voltada às condições de letramento de alunos do ensino superior: um estudo de caso); e (1) em andamento (Leitura e Escrita no Ensino Superior);
• Tese Doutorado: (1) em andamento (Acessibilidade no ensino superior);
Os resultados das pesquisas vem sendo divulgados em produções técnicas e bibliográficas, a partir de trabalhos apresentados em eventos científicos de relevância e em artigos e publicados em periódicos inseridos nos contextos da saúde e da educação. Além disso, ressaltamos a produção de capítulos e de um livro.

IMPACTO CLÍNICO E/OU SOCIAL DAS PESQUISAS E PERSPECTIVAS FUTURAS

O primeiro impacto a ser explicitado refere-se a contribuição com a produção do conhecimento acadêmico, no contexto da Fonoaudiologia Educacional, em torno de uma problemática abordada, recentemente, por um número pequeno de fonoaudiólogos. Se é possível acompanharmos o acúmulo de conhecimentos e ações intersetoriais envolvidos com a linguagem oral e escrita nos contextos da educação infantil e do ensino fundamental, a verticalização de estudos acerca da promoção da linguagem no ensino superior é um desafio a ser, atualmente, enfrentado para que a Fonoaudiologia contribua com o direito a educação em todos os níveis.
Partindo do pressuposto de que as relações estabelecidas com a linguagem oral e escrita (valores, funções, posições e práticas vivenciadas) definem condições de acessibilidade para todos os alunos, em todos os níveis de formação e, em especial, no ES, o grupo vem sistematizando e implementando ações de extensão direcionadas a grupos de acadêmicos que objetivam a promoção do letramento, bem como, ações clínicas destinadas a alunos do ensino superior com queixas de leitura e escrita.



GRUPOS DE PESQUISA
2242
REABILITAÇÃO VESTIBULAR E HABILIDADES COGNITIVAS EM IDOSOS
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Histórico do grupo de pesquisa: este grupo de pesquisa surgiu em 2015 desde minha graduação onde buscamos estudar sobre os novos exames otoneurológicos potencial miogênico evocado vestibular (VEMP) cervical e ocular com o video head impulse test (v-HIT) ou teste do impulso cefálico. Continuamos o projeto no meu mestrado onde avaliamos indivíduos com e sem diabetes mellitus tipo 1 por meio do v-HIT, atualmente estamos desenvolvendo minha pesquisa de doutorado que tem como objetivo avaliar o sistema vestibular e a cognição de idosos submetidos à reabilitação vestibular (RV). Principais projetos de pesquisa: conseguimos com este projeto avaliar o sistema vestibular de forma detalhada de indivíduos com e sem doenças otoneurológicos utilizando os exames VEMP e v-HIT. Confirmando a praticidades destes exames para a prática clínica que são rápidos, objetivos e não causam desconforto ao indivíduo a eles submetidos. Atualmente estamos utilizando estes exames otoneurológicos com a avaliação neuropsicológica de idosos com disfunção vestibular submetidos à reabilitação vestibular. Parcerias nacionais: Hospital São Geraldo HC-UFMG e o Hospital Jenny Faria HC-UFMG. Produtos obtidos por meio da pesquisa: conseguimos publicar três artigos que relatam a importância dos exames otoneurológicos VEMP e v-HIT, o primeiro como auxílio no topodiagnóstico vestibular, o segundo confirmando a redução do ganho do reflexo vestíbulo-ocular (RVO) com o envelhecimento por meio do v-HIT e o terceiro sobre as alterações encontradas em indivíduos com diabetes mellitus tipo 1 submetidos ao v-HIT. Confirmando a importância de um acompanhamento destes indivíduos com alterações metabólicas. Atualmente temos mais três artigos em análise, um sobre os efeitos do envelhecimento sobre a função vestibular por meio do VEMP cervical e ocular, outro sobre a avaliação da simetria de respostas em indivíduos hígidos por meio do VEMP cervical e ocular, um terceiro que se trata de um artigo de revisão sobre a associação entre o sistema vestibular e a cognição com estudos que encontraram esta correlação e aqueles que relataram melhora de habilidades cognitivas após a RV. Recentemente terminamos nosso estudo piloto sobre a reabilitação vestibular e habilidades cognitivas em idosos que encontrou dados importantes mesmo com o número pequeno de idosos que conseguiram terminar o tratamento da RV devido à pandemia do Covid-19. Impacto clínico e social: dentre os impactos sociais estão a divulgação da praticidade destes exames otoneurológicos que não causam desconforto aos indivíduos a eles submetidos e que conseguem avaliar o sistema vestibular de forma detalhada. Mostrando aos serviços de saúde a importância destes exames que conseguem nos fornecer mais informações do que somente a tradicional prova calórica. Revelar a importância do acompanhamento de indivíduos com diabetes mellitus tipos 1, uma vez que alterações metabólicas podem afetar o sistema auditivo e vestibular, comprovado em nossos estudos.Confirmando também os efeitos que o envelhecimento causa no sistema vestibular por meio das respostas encontradas nestes exames otneurológicos. Com nossa pesquisa atual queremos mostrar a sociedade e os serviços de saúde, que idosos com disfunção vestibular podem apresentar alterações de funções cognitivas, hipótese confirmada na literatura e que também apresentou evidencia em nosso estudo piloto. Revelar também que com a RV os indivíduos podem além de relatar diminuição dos impactos da tontura na qualidade de vida, diminuir o sofrimento psicológico e apresentarem melhora de suas habilidades cognitivas, dados também encontrados em nosso estudo piloto. Temos como princípio maior nesta pesquisa divulgar a importância do cuidado integral da pessoa idosa e que a tontura afeta não apenas seu equilíbrio, mas também sua saúde psicológica e o funcionamento adequado de suas habilidades cognitivas. Ampliando nosso olhar do indivíduo com tontura para além do sistema vestibular apenas.


GRUPOS DE PESQUISA
2249
SÍNDROME DA SENSIBILIDADE SELETIVA DO SOM: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: O sistema auditivo é constituído por estruturas sensoriais e conexões centrais responsáveis pela audição. Este sistema pode ser referido em duas porções distintas, inter-relacionadas, definidas como sistema auditivo periférico e sistema auditivo central. Duas vias auditivas estão envolvidas no processamento central da audição: a via auditiva eferente (descendente), onde todas as fibras eferentes originadas dos mais diversos pontos do sistema nervoso central organizam-se no nível do Complexo Olivar Superior (COS). A partir desse ponto, descem em direção à cóclea através de dois tratos distintos, o Trato Olivococlear Medial, que tem como destino final, as células ciliadas externas (CCE) e o Trato Olivococlear Lateral, responsável pela inervação das células ciliadas internas (CCI) e a via auditiva aferente (ascendente), que envia informações dos receptores auditivos, órgão de Corti, ao córtex cerebral e possui representação bilateral com predomínio contralateral no córtex. As quatro principais estações na propagação central da informação auditiva, que leva à percepção consciente são: núcleo coclear, oliva superior, colículo inferior e corpo geniculado medial. O complexo olivar está envolvido no mecanismo de localização sonora de altas e baixas frequências. O aumento da intensidade do estímulo sonoro aumenta a excitação de fibras correspondentes e excita fibras adicionais, necessitando de auxílio para propagação. A palavra diagnóstico é geralmente usada pela área médica para determinar uma doença pelos sintomas que ela apresenta. Um diagnóstico ainda pouco reconhecido no campo da Audiologia é a Síndrome da Sensibilidade Seletiva do Som (SSSS ou 4S). Também conhecida popularmente por misofonia, é um distúrbio que desenvolve intolerância a pequenos sons repetitivos e de baixo volume. Essa desordem neurológica causa ojeriza ao som, desencadeada por uma ou mais experiências negativas a determinados barulhos, como ódio, raiva e medo. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo trazer elucidações acerca do diagnóstico e da terapêutica utilizada no tratamento. MATERIAL E MÉTODOS: Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura, com pesquisa de artigos por meio de base de dados eletrônicas SciELO, PubMed e BVS, pesquisados no período de março de 2019 a outubro de 2019, adotando critérios de inclusão e exclusão e, posteriormente, realizando uma análise crítica das informações. A pesquisa foi realizada de forma avançada em cada base de dados, inserindo os descritores de forma isolada e combinada, correspondentes à classificação dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), em português: “Audição”, “Transtornos da Audição”, “Hiperacusia”, “Sistema Límbico” e “Condicionamento Clássico”. Tendo como critérios de inclusão artigos com idioma em português e inglês, entre os anos de 1985 a 2019, estudos em humanos, relatos de casos, revisões sistemáticas e como critério de exclusão artigos que, mesmo contendo a palavra chave, não contemplavam o assunto abordado. Foram encontrados no total: 1.458 artigos na base de dados PubMEd, 1.133 artigos na base de dados SciELO e 1.280 artigos na base de dados BVS. Desse total, foram eliminados artigos por não apresentarem o título relacionado ao objetivo do trabalho e eliminados através da leitura do resumo. Portanto, foram lidos na íntegra e utilizados para essa pesquisa um total de 29 artigos. Para acrescentar à revisão, foi realizada consulta em referências clássicas da área como teses e livros, além de sites oficiais que abordam o tema em questão. RESULTADO: Poucos estudos podem contribuir para desenvolver um modelo que esclareça a misofonia. Por ser semelhante à hiperacusia, técnicas de condicionamento clássico e farmacologia são aplicadas a fim de minimizar os sintomas. CONCLUSÃO: Otorrinolaringologistas, Fonoaudiólogos, Neurologistas, Psiquiatras e Psicólogos tentam tratar a misofonia em função dos sintomas compatíveis com outros problemas, pois ainda não há um consenso sobre um protocolo específico. Definitivamente, ainda é necessário uma pesquisa cientifica afundo sobre o assunto para que se possa obter um tratamento eficaz, apesar de misofônicos com sintomas psiquiátricos se beneficiarem do uso de agentes psicoativos ou psicoterápicos. Propõe-se estudos mais complexos para elucidar questões pendentes, contribuindo para um diagnóstico e tratamento efetivos.


GRUPOS DE PESQUISA
2245
TRABALHO E SAÚDE DOCENTE (TRASSADO/UFBA)
Voz (VOZ)


Em 2009, o Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) firmou uma parceria com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC-BA), junto ao "Programa de Atenção à Saúde e Valorização do Professor", iniciando a estruturação de uma rede de atenção à saúde docente, a qual incluía ações de promoção à saúde, prevenção da doença e assistência, frente os seus maiores agravos: distúrbio de voz, LER/DORT e transtornos mentais. Composto inicialmente por fonoaudiólogos (preceptores), professores e alunos da UFBA, Universidade Estadual da Bahia (UNEB), União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME) e Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE), o Programa estruturou-se de modo que extensão e pesquisa fossem realizados conjuntamente, oferecendo assistência, formação de recursos humanos e produção de conhecimento científico.

Em 2012, a área de pesquisa ampliou sua inserção, pela articulação com o Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho (PPG-SAT/ /UFBA) e Núcleo de Epidemiologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (NEPI/UEFS). Nesse mesmo ano, iniciamos o projeto “Condições de Trabalho Docente e Saúde: intervenções para a construção de ambientes de trabalho saudáveis” (FAPESB/2012), com o objetivo de compreender as condições de trabalho docente e seus diferentes agravos.

Posteriormente, em 2014, articulou-se ao projeto “Estratégias de proteção de disfonia em professores“ (CNPq/2014), com o intuito de verificar o efeito de estratégias protetoras da voz no contexto docente como: amplificação da voz; nebulização; e exercício do trato vocal semiocluído com canudo comercial, dando seguimento ao aquecimento vocal, estratégia iniciada no doutorado e aprimorada em ensaio clínico randomizado subsequente. Com a finalização da coleta de dados, elaborou-se uma cartilha educativa (PAEXDoc/2018) e criaram-se um blog, site institucional e perfis nas redes sociais (PAEXDoc/2019), de modo a favorecer a difusão do conhecimento e criar um canal de comunicação com o nosso público-alvo. O grupo assumiu um novo nome e identidade visual, sendo intitulado “Trabalho e Saúde Docente” (TRASSADO/UFBA).

A partir de 2015, elaborou-se o projeto “Trabalho docente e saúde na educação infantil: estudo piloto”, a pedido do SINPRO-BA. Em 2016, retomamos as discussões sobre o distúrbio de voz relacionado ao trabalho (DVRT) com o Ministério da Saúde, realizando oficina de revisão do documento (2017), sendo o Protocolo DVRT publicado em 2018. Paralelamente, iniciou-se a internacionalização do grupo, com parceiras com o MGH-Voice Center/Harvard Medical School (HMS-EUA); University College London (UCL-UK) e Universidade de Illinois Urbana-Champaign (UIUC-EUA), nos projetos “Saúde vocal: monitoramento de voz e estratégias protetoras de disfonia” (pós-doutorado, CNPq/2015, HMS-EUA); “Há evidências suficientes para reconhecer o distúrbio de voz como doença relacionada ao trabalho?” (UCL-UK) e “Conforto acústico: saúde vocal docente e inteligibilidade de fala” (UIUC-EUA). Ressalta-se que o revestimento a ser utilizado no projeto "Conforto Acústico" é sustentável, produzido com fibras de canabrava e dendê, por comunidades quilombolas da Bahia. Tais parceiras contribuíram para a ampliação da tecnologia utilizada, como o monitoramento de voz e a criação do “Laboratório de Voz e Conforto Acústico” (FINEP/2018).

Em 2020, com a pandemia do corona vírus, estabelecemos uma nova parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no projeto “Saúde vocal e mental de professores em tempos de pandemia da COVID-19: estudo multicêntrico.”

O TRASSADO, na sua primeira fase, formou aproximadamente 100 alunos de graduação, atendendo a uma média de 2.500 professores. Foram produzidas nove dissertações de mestrado, dez trabalhos de conclusão de curso (TCC) em Fonoaudiologia e uma monografia de residência em Medicina do Trabalho. Cinco projetos de iniciação científica foram contemplados com bolsas PIBIC/IC.

Atualmente, há cinco mestrandas e uma egressa do PPG-SAT, dois bolsistas PIBIC/IC, duas orientandas de TCC e três extensionistas. Foram apresentados 26 trabalhos, publicados 23 em anais de eventos nacionais e nove em eventos internacionais; ministradas 21 conferências; 13 artigos científicos (dois no prelo); dois capítulos de livro (um no prelo) e um documento técnico (Protocolo DVRT).

Como perspectivas futuras, pretende-se: a) desenvolver tecnologias individuais e coletivas, que possibilitem melhores condições de trabalho docente e reduzam os agravos de voz; b) promover o autocuidado vocal; c) incentivar o uso de revestimento sustentável, de baixo custo, visando proteção coletiva para o conforto acústico em salas de aula, além de favorecer a economia solidária de populações vulneráveis; d) compreender a saúde mental e vocal de professores durante o período de isolamento social e no retorno às aulas presenciais; e) difundir as tecnologias investigadas para professores das redes pública e privada de ensino, sindicatos, Secretarias de Educação e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE); f) auxiliar na capacitação da rede de atenção à saúde do trabalhador, quanto ao manejo do Protocolo DVRT.

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HIGHLIGHTS
570
A EFICÁCIA DA INSERÇÃO DA TERAPIA ASSISTIDA COM ANIMAIS, NO PROCESSO TERAPÊUTICO FONOAUDIOLÓGICO: CONSTRUÇÃO DE UM PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO
Linguagem (LGG)


A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma metodologia relativamente nova que utiliza da interação homem animal no processo terapêutico [1]. A ideia surgiu da desmotivação do paciente frente à terapia tradicional e a existência do laço afetivo entre o cão e o ser humano, criando assim uma possibilidade de evolução através da conciliação de terapia com a participação do animal. Nesta perspectiva, o projeto de extensão Convívio Homem Animal e sua Relação com a Saúde, Responsabilidade Social e Ambiental, que acontece em uma universidade de Santa Catarina, desenvolve a Atividade ou Terapia Assistida por Animais (A/TAA) no cuidado integral à pessoa. Neste grupo interdisciplinar, a Fonoaudiologia é mais uma ciência que vê na inserção do animal no processo terapêutico, um recurso que pode ser bastante efetivo no que se refere principalmente à criação de vínculo paciente e animal, o que aumenta a possibilidade de respostas mais significativas. Porém, ainda temos poucos estudos que mostrem efetivamente dados fidedignos relacionados a esta contribuição. Pensando nisso, o grupo de profissionais envolvidos, juntamente com bolsistas e voluntários, viram a necessidade da criação de protocolos de avaliação para serem aplicados antes e depois do período de intervenção com a presença do cão. No que se refere à fonoaudiologia, o protocolo foi direcionado a pacientes com diagnóstico de transtorno do espectro do autismo (TEA), já que se caracterizava como a principal clientela da TAA associada à terapia fonoaudiológica. Com base em um levantamento bibliográfico baseamos nossa proposta em protocolos já existentes na Fonoaudiologia como Protocolo de Avaliação Comportamental (PROC) [2], o protocolo de Avaliação do Desenvolvimento da linguagem (ADL) [3] e literatura específicas sobre TEA [4,5] . O TEA é descrito pelo comprometimento ou atraso em dois domínios inter-relacionados: interações sociais e comunicação. Todas as etapas pré-linguísticas da aquisição da linguagem subjacentes e promovidas na interação social (tais como o desenvolvimento da atenção conjunta quando a criança se orienta para um parceiro social, a coordenação e alternância da atenção entre pessoas e objetos, a partilha e interpretação de afetos ou estados emocionais, o uso de gestos e vocalizações juntamente com o contato físico) são competências indispensáveis para o envio de uma mensagem a um parceiro social [6]. O protocolo, portanto, envolveu a coleta de dados acerca das habilidades comunicativas e de linguagem, desenvolvimento cognitivo, bem como das habilidades de base para socialização; baseados na analise do comportamento. Para o preenchimento, o terapeuta assinalará 0,1,2 ou 3, de acordo com a qualidade e sistematicidade da resposta naquela habilidade. Este é a primeira versão e a proposta é ser aplicada em crianças de 2 a 5 anos , com diagnóstico de TEA em terapia fonoaudiológica ; sendo que será realizada uma entrevista inicial com a família para identificação do perfil da criança , a aplicação do protocolo antes da terapia com a inserção do cão no processo e após 3 meses , aplicação deste mesmo protocolo . Esperamos com isso, ter dados quantitativos que mostrem a eficácia ou não deste recurso dentro da terapia fonoaudiológica, visando trazer novas possibilidades que de alguma forma contribuam para a construção de uma intervenção que leve em conta as singularidades do sujeito e da sua patologia.

[1] Cechetti F, et al. Terapia Assistida por Animais como recurso fisioterapêutico para idosos institucionalizados. Scientia Medica [Internet]. 2016 [acesso 5 de julho de 2020] 26:1-6. DOI 10.15448/1980-6108.2016.3.23686. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scientiamedica/article/view/23686/14871.

[2] Zorzi JL, Hage SRV. Protocolo de observação comportamental: avaliação de linguagem e aspectos cognitivos infantis. 1 ed. São José dos Campos: Pulso Editorial; 2004. 93 p.

[3] Menezes MLN. A construção de um instrumento para avaliação do desenvolvimento da linguagem: idealização, estudo piloto para padronização e validação [Tese]. Rio de Janeiro: Instituto Fernandes Figueira/Fundação Oswaldo Cruz, 2003. Tese de Doutorado em Ciências.

[4] Rogers SL, Dawson G. Intervenção Precoce em Crianças com Autismo. 1 ed. Lisboa: Lidel; 2014. 376p. ISBN: 978-989-752-085-3.

[5] Rogers SL, Dawson G, Vismara LA. Autismo: Compreender e agir em família. 1 ed. Lisboa: Lidel; 2015. 324 p. ISBN: 978-989-752-132-4.

[6] Reis HIS, Pereira APS, Almeida LS. Características e especificidades da comunicação social na perturbação do espectro do autismo. Revista Brasileira de Educação Especial [Internet]. 2016 [acesso em 9 de outubro de 2019 ];22:325-336. DOI 10.1590/S1413-65382216000300002. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1413-65382016000300325&lng=en&nrm=iso&tlng=pt.


HIGHLIGHTS
938
A FONOAUDIOLOGIA E A LOCUÇÃO NA AUDIODESCRIÇÃO
Voz (VOZ)


A Fonoaudiologia e a Locução na Audiodescrição
Parcelas consideráveis da população, como as pessoas com deficiência visual ou auditiva, estão total ou parcialmente excluídas do acesso às manifestações culturais veiculadas por meio de produções audiovisuais na televisão e internet. Essas pessoas, com pouca ou nenhuma acessibilidade a esses conteúdos audiovisuais, ficam à margem de processos informacionais e comunicacionais e, em consequência, da socialização resultante1. Com objetivo de otimizar as condições de acessibilidade, alguns recursos objetivam traduzir as informações audiovisuais de filmes e de outras manifestações culturais em conteúdos verbais, sejam estes de forma falada (audiodescrição), escrita (legendagem) ou gesto-visual (janela de LIBRAS). A legendagem para surdos e ensurdecidos, a janela de libras e a audiodescrição são recursos de tecnologia assistiva voltados para a inclusão e a acessibilidade de pessoas que não conseguem ter acesso às obras audiovisuais em sua totalidade 2. Uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, poderá se beneficiar da audiodescrição (AD) para compreender melhor um produto audiovisual, como cenas de um filme, um jogo de futebol ou uma peça teatral, considerando que aquela constitui um recurso que visa a fornecer a tradução de impressões visuais apresentadas às pessoas com deficiência visual por meio de uma locução adicional, inserida entre os diálogos. A audiodescrição, portanto, traduz imagens - meio visual - em palavras - meio verbal 3. O processo de realização de uma audiodescrição é dividida didaticamente em duas fases: a construção de um roteiro e a gravação da locução. Os audiodescritores buscam traduzir de um modo mais eficaz as cenas para que se reduzam ao máximo as perdas sofridas em relação ao entendimento da obra audiodescrita pela pessoa com deficiência visual. A locução, por sua vez, deve colaborar para a tradução mais efetiva dos sentimentos e estados afetivos das cenas/imagens. Para isso, propõe-se que a locução, a ser realizada na audiodescrição, possa agregar mais recursos vocais interpretativos à obra audiodescrita 4. Porém, atualmente, no Brasil, a locução na audiodescrição ainda é realizada sem critérios técnicos, sem formação profissional, no qual o locutor recebe apenas orientações genéricas sobre como deve ser o uso da voz, como voz “clara”, “agradável”, ou, até mesmo, “neutra”, para que não ocorram interferências da interpretação do locutor nas cenas. Este cenário de pretensa neutralidade modifica-se quando pesquisas demonstram a efetividade de uma locução mais interpretativa 5. Para que o locutor audiodescritor desenvolva sua tarefa de modo eficaz, é importante a colaboração da Fonoaudiologia, considerando o fato de que não há referências sobre como desenvolver a locução na audiodescrição, nem sobre programas de treinamento para a formação de locutores na audiodescrição 6,7. Um programa de aperfeiçoamento da comunicação oral para locutores na audiodescrição está sendo desenvolvido junto a um programa de pós-graduação, com objetivo de adaptar procedimentos fonoaudiológicos para a aplicação na locução na audiodescrição. O programa deve ser aplicado por um fonoaudiólogo, em formato de oficina, com carga horária mínima de 40 horas, com no máximo 20 participantes. Consta de conteúdos teóricos sobre audiodescrição, produção da voz e fala e avaliação perceptivo-auditiva da voz, treinamento auditivo, exercícios para o aperfeiçoamento dos padrões de voz e fala, construção de um modelo de locução informativo-interpretativa, práticas de locução na audiodescrição. A proposta apresentada diferencia-se dos demais programas de locução para rádio e TV, pois propõe um modelo de locução próprio para audiodescrição, composto de especificidades relacionadas à qualidade vocal e aos recursos vocais de expressividade, tais como adaptar a velocidade da fala às dinâmicas das cenas, realizar pausas para imprimir dramaticidade e adicionar modulações discretas da loudness com função interpretativa. É esta modalidade de locução, que não deve se sobrepor às falas das personagem, que aqui é denominado de informativo-interpretativa, pois deve ter o propósito de informar os conteúdos das cenas de modo interpretativo. Em janeiro de 2020, uma oficina piloto, com carga horária de 20 horas, foi realizada para fornecer ajustes na estrutura e funcionamento do programa, com o objetivo de aperfeiçoá-lo. Os resultados demonstraram que todos os aspectos da qualidade vocal e dos recursos vocais de expressividade dos participantes obtiveram crescimento percentual, em especial a velocidade de fala, as variações de pitch, a coordenação pneumofoarticulatória e o uso de pausas, aspectos considerados relevantes para uma locução na audiodescrição eficaz. Portanto, identifica-se neste programa um caráter inovador em relação à formação de locutores na audiodescrição, à desmistificação da locução neutra e à proposição de uma locução interpretativo-informativa, ofertando, ao final, um produto de locução mais eficaz para a acessibilidade. Esta, então, é mais uma tarefa em que a Fonoaudiologia poderá trazer contribuições aos estudos de audiodescrição realizados no Brasil.

1 Costa, LM. Audiodescrição em filmes: história, discussão conceitual e pesquisa de recepção. Rio de Janeiro. Tese [Doutorado em Estudos da Linguagem] - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; 2014.
2 Naves SB, Mauch, C, Alves SF, Araujo VLS. Guia para produções audiovisuais acessíveis. Brasília: Ministério da Cultura; 2016.
3 Araújo VLS. Aspectos teóricos e práticos da audiodescrição. Fortaleza: EDUECE; 2017.

4 Seoane AF, Araújo VLS. Elaboração e análise da audiodescriçãodo filme Corisco e Dadá. Cultura & Tradução. 2011[acesso em 06 jul 2020]; 1(1). Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ct/article/view/13026/7538.
5 Araújo VLS, Carvalho WJA, Praxedes Filho PHL. A Locução na audiodescrição para pessoas com deficiência visual: uma contribuição á formação de audiodescritores. Fortaleza: Universidade Estadual do Ceará; 2013.
6 Carvalho WJA, Magalhães CM. Locução em filmes audiodescritos para pessoas cegas ou com baixa visão: uma contribuição à formação de audiodescritores. In: Araújo, VLS, Aderaldo M.F. Os Novos rumos da pesquisa em audiodescrição no Brasil. Curitiba: Editora CRV; 2013.

7 Carvalho WJA, Leão BA, Palmeira C T. Locução e audiodescrição nos estudos de tradução audiovisual. Trab. Ling. Aplic. 2017 Mai/Ago [acesso em 06 jul 2020]; 56(2). Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tla/v56n2/2175-764X-tla-56-02-00359.pdf.


HIGHLIGHTS
2157
A FONOAUDIOLOGIA PODE TRANSFORMAR-SE EM UM NEGÓCIO NA SUA VIDA?
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


TEMA: A FONOAUDIOLOGIA PODE TRANSFORMAR-SE EM UM NEGÓCIO NA SUA VIDA?

CONTEXTUALIZAÇÃO: O cenário da Fonoaudiologia mudou muito nos últimos anos e atualmente o profissional tem opções no mercado de trabalho que não tinha no passado. A possibilidade de ter um negócio próprio sempre acompanhou a profissão e, apesar de ser uma grande possibilidade para o profissional, muitos fonoaudiólogos não conseguem manter seu próprio negócio e acabam se desiludindo com a profissão e culpando a Fonoaudiologia pelo seu insucesso. SITUAÇÃO-PROBLEMA: Por que isso acontece? Qual será o momento ideal para o profissional ter o seu próprio negócio? Será que ter uma clientela e/ou um espaço físico é suficiente para se arriscar e empreender? O que o profissional deve fazer para garantir que conseguirá não só abrir o seu negócio, mas também, conseguirá sobreviver no mercado e manter as portas abertas? PROPOSTA: Para garantir sucesso nos negócios, o fonoaudiólogo além de se aprimorar tecnicamente, precisa desenvolver outras habilidades e conquistar novos aprendizados. Nesta proposta, serão abordados três conceitos de autores renomados, os quais vão trazer respostas para as perguntas e consequentemente auxiliarão o fonoaudiólogo que deseja empreender a desenvolver-se. O primeiro conceito a ser aprendido está relacionado com a descoberta do propósito. A grande maioria dos profissionais que resolvem ter o próprio negócio, vão em busca de um espaço, compram mobílias, pintam as paredes etc, e abrem as portas, demonstrando inicialmente “o que” é aquele novo empreendimento e quais serviços serão oferecidos. Na sequência pensam e realizam estratégias para atrair clientes, utilizam as redes sociais para divulgação, alguns conseguem organizar as finanças, outros não, contratam colaboradores etc, definindo o “como” tudo acontece. Só depois resolvem parar e pensar, no “porque” abriram um consultório, uma clínica ou uma empresa, ou as vezes nem param pra refletir sobre isso. Fato é que “o que” precisa fazer para abrir seu próprio negócio e o “como” deve fazer para manter as portas abertas são partes importantes e necessárias do processo, porém nem sempre deixa o profissional realizado e, na maioria das vezes, não convence o cliente a escolher por aquela empresa, visto que a diferença tanto para a satisfação pessoal do profissional, bem como para o cliente é entender o “porque” aquela empresa existe. Portanto, antes de pensar o que fazer e como fazer, é primordial que o profissional reflita e tenha uma resposta clara e definida do “porque” quer abrir seu próprio negócio, assim como proposto no Golden Circle, conceito criado pelo especialista em liderança Simon Sinek. Descobrir o “porque” é fundamental para que o “como” e “o que” possam ser pensados e realizados com mais clareza e determinação. O segundo aprendizado dentro dessa proposta é o profissional estar disposto a mudar seu “mindset”, evoluindo do denominado “mindset fixo” para um “mindset de crescimento”, como proposto pela psicóloga Carol Dweck. Com essa evolução, o profissional perceberá que com esforço e dedicação, pode ser capaz de desenvolver novas aptidões e alcançar seus objetivos. É relevante esse aprendizado, pois há muitos fonoaudiólogos e/ou recém formados em fonoaudiologia que, mesmo diante de excelentes oportunidades, carregam crenças, que só profissionais mais privilegiados financeiramente prosperam na carreira, que só um ou outro profissional tem chances de montar o próprio negócio ou que empreender não é para ele. E pensamentos como esses, atrapalham as chances de empreender com sucesso. O profissional com o mindset de crescimento aceita novas propostas, descobre oportunidades e possibilidades dentro da carreira fonoaudiológica e, tem maiores chances de conseguir empreender e ter o próprio negócio. O terceiro aprendizado e não menos importante é fazer uso de alguma ferramenta de gestão pessoal, de preferência, desde o início da carreira e não somente no momento que resolver empreender, pois assim será possível para o profissional visualizar ao longo do tempo, qual é o melhor momento para ter o seu próprio negócio, o que se deve fazer para manter as portas abertas, bem como identificar pontos fortes e fracos, oportunidade de impulsionar sua carreira e alavancar seu negócio. Um dos modelos mais utilizados por empresas atualmente é o Canvas, criado por Alexander Osterwalder. E por se tratar de um modelo de negócios fácil de ser aprendido é altamente indicado para o uso da gestão pessoal. Composto por nove blocos: segmento de clientes, proposta de valor, canais, relacionamento, receitas, custos, parceiros, atividades e recursos; é um modelo de negócios dinâmico e altamente eficaz, se utilizado corretamente.
Sendo assim, a proposta de desenvolver esses conceitos auxiliará o empreendedorismo do profissional fonoaudiólogo, garantindo a ele, oportunidade de entender e planejar sua carreira, maiores chances de empreender com eficiência, se assim for o seu propósito, e de identificar qual será o “melhor momento” para iniciar seu próprio negócio.


1. Clark, T.; Osterwalder A.; Pigneur Y. Business Model You: A One-Page Method For Reinventing Your Career. New Jersey: Published by John Wiley & Sons, Inc., Hoboken, 2012.
2. Dweck, C. S. Mindset : a nova psicologia do sucesso / Carol Dweck ; tradução S. Duarte. – 1a ed. – São Paulo: Objetiva, 2017.
3. Sinek, S. Comece pelo porquê: Como grandes líderes inspiram pessoas e equipes a agir. / Simon Sinek; tradução de Paulo Geiger. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.


HIGHLIGHTS
2170
A MATEMÁTICA NA ALFABETIZAÇÃO: UMA PROPOSTA DIDÁTICA DE ENSINO PARA ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA: No cotidiano escolar vemos a prioridade dos professores voltada para os processos de aquisição da leitura e escrita, ficando a Matemática relegada ao segundo plano, geralmente descontextualizada das demais disciplinas, até mesmo da língua materna. Estudos reconhecem a importância e a correlação da consciência fonológica no processo de alfabetização, sendo esta entendida como a “habilidade de refletir sobre os sons da fala, desde a simples percepção global do tamanho da palavra e semelhanças fonológicas entre elas, até a segmentação e manipulação de sílabas e fonemas” 1. Sendo assim, esta habilidade parece envolver uma relação aritmética na medida em que segmentar, adicionar, subtrair fonemas, sílabas e palavras de frases, dependem, a priori, de um entendimento matemático. Portanto, torna-se condição indispensável e essencial que o aluno adquira uma aprendizagem aritmética, para evoluir na alfabetização. DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA E PROPOSTA DE RESOLUÇÃO: Refletindo sobre estas relações e as especificidades dos alunos com NEE (necessidades educacionais especiais) que frequentam as escolas nos anos iniciais do Ensino Fundamental (EF) bem como sobre a pouca atenção voltada para os materiais produzidos para este público, buscou-se elaborar um livro didático, do aluno, como recurso de ensino estrategicamente organizado quanto ao conteúdo e acessibilidade, para alunos com NEE matriculados no 2º e 3º anos do EF. APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR OU DE MELHORA NA EFETIVIDADE DE ALGUMA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA. Após o levantamento prévio e análise dos materiais didáticos trazidos pelos próprios alunos/paciente de sua instituição de ensino, como livro didático e cadernos, levantou-se o conteúdo que estava sendo oferecido para cada ano escolar (2º e 3º) relativo a disciplina de matemática. Após leitura do Documento Base Nacional Comum Curricular2 (BNCC), etapa EF, área de Matemática, anos iniciais, selecionou-se um conteúdo elementar que considerou-se suficiente e necessária à aprendizagem da alfabetização. Levando-se em conta os registros observados nos cadernos e livros dos alunos/pacientes, bem como o diagnóstico de cada um e especificidades quanto às suas condições cognitivas/intelectuais, psicomotoras, perceptivas (visual e auditiva), competências linguísticas e comunicativas, elaborou-se um livro do aluno, contendo (97) noventa e sete páginas, no formato espiral, com conteúdos ordenados e articulados entre si de modo a atingir uma aprendizagem significativa. Critérios de acessibilidade3 foram estrategicamente pensados e aplicados em todas as páginas do livro como: espaçamento aumentado nas atividades de registro/escrita do aluno, (em consideração as dificuldades de coordenação motora), escolha da fonte e tamanho da letra, espaçamento entre linhas nas atividades envolvendo a leitura, ilustrações coloridas. Dosagem no volume de informação foi oferecida de modo a facilitar a compreensão do aluno, uso de vocabulário e linguagem matemática consideradas de domínio da criança. Materiais complementares são oferecidos aos mesmos como estratégia concreta facilitadora à compreensão e aprendizagem. Portanto, foi possível elaborar um material específico, coerente com os objetivos propostos e de acessibilidade à aprendizagem, considerando as especificidades dos alunos. Observou-se, com a introdução deste recurso uma participação mais ativa com demonstração de interesse pelas atividades matemáticas, fator considerado relevante, uma vez que, o interesse precede a assimilação. O material elaborado foi eficiente e motivador para o processo ensino/aprendizagem da matemática, contemplando os propósitos.

1. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572004000200015
2. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
3. Disponível em: http://www.acessibilidade.net/trabalho/Manual%20Digital/capitulo8.htm


HIGHLIGHTS
2215
A UTILIZAÇÃO DOS JOGOS COMO RECURSOS PARA ESTIMULAÇÃO DAS HABILIDADES COGNITIVO-LINGUÍSTICAS EM CONTEXTO EDUCACIONAL
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


A utilização dos jogos como recursos para a estimulação das habilidades cognitivo-linguísticas em contexto educacional


Contextualização e relevância do tema: Os processos de aquisição da leitura e da escrita implicam na necessidade do desenvolvimento das habilidades cognitivo-linguísticas, consideradas preditoras para a aprendizagem 1. A estimulação destas habilidades em contexto educacional, por meio da atuação orientada pelo Fonoaudiólogo Educacional, se configura no desenvolvimento de estratégias e atividades estruturadas, que conciliem objetivos educacionais direcionados ao bem-estar e ao envolvimento da criança. Definição da situação-problema e da resolução encontrada ou proposta: Diante da carência de elaboração e utilização de jogos estruturados e organizados com objetivo específico de promoção do desenvolvimento das habilidades que ofereçam suporte dirigido à aquisição e domínio do sistema alfabético de escrita, é proposto pelo presente estudo promover reflexão sobre a utilização dos jogos como recurso educacional para estimulação e desenvolvimento das habilidades cognitivo-linguísticas dos escolares, reforçando potencialidades e minimizando possíveis dificuldades no processo de aprendizagem. A atuação do Fonoaudiólogo Educacional com vistas à prevenção de dificuldades no processo de aquisição e desenvolvimento da leitura e escrita, bem como para remediação coletiva diante da presença de riscos à aprendizagem, consiste em desenvolver estratégias tornando favorável o trabalho com as demandas educacionais existentes. A utilização de jogos para fins educacionais apresenta-se eficaz em dois sentidos: para promoção de maior interesse e engajamento, e para a construção e aprimoramento percepto-cognitivo-linguístico 2. Quando utilizados adequadamente, tornam a aprendizagem mais significativa, refletindo no desenvolvimento cognitivo e intelectual dos escolares 3. Para ler e escrever são necessários o envolvimento e a integração entre as habilidades cognitivas e linguísticas 1,4,5. O pleno desenvolvimento destas habilidades tem sido frequente e consistentemente relacionado ao sucesso da aprendizagem da leitura e escrita 1,6,7. Quanto mais adequados os componentes cognitivos (controle da atenção, memória operacional fonológica, acesso ao léxico mental, organização e processamento das informações visuais), e quanto melhores as habilidades linguísticas (para identificar, comparar, refletir, manipular segmentos linguísticos), mais eficientes tornam-se as habilidades de reconhecimento dos elementos necessários para a formação das palavras 1,7. Frente a observação de carências envolvendo as habilidades cognitivo-linguísticas e diante de resultados escolares insuficientes, torna-se necessário determinar os processos já adquiridos e elencar as habilidades em defasagem existentes 2. Nestas situações, os jogos podem ser importantes instrumentos, permitindo o progresso das crianças em seu processo de aprendizagem a partir do desenvolvimento das habilidades requeridas pela leitura, pois mostram-se favoráveis à colocação da criança em contato com os aspectos gráficos e/ou sonoros importantes para esta aquisição 7,8. O ensino explícito sobre as relações entre fonemas e grafemas pode ser administrada de maneira lúdica e significativa através dos jogos 9 como forma de contribuir para a estimulação das habilidades preditoras à leitura e escrita em contexto educacional. São atribuídas aos jogos características de permitir que as habilidades ensinadas por meio deles possam ser generalizadas para situações novas de aprendizagem da criança 10. Os jogos possuem função motivacional e, quando utilizados como estratégias para o ensino das habilidades envolvidas na leitura e escrita (com objetivos didáticos explícitos 2,8,10, com características didático-educacionais, ações orientadas e com foco na aquisição ou treino de habilidades específicas) 10, promovem o arranjo de contingências para a aprendizagem de regras e para a maior participação do aprendiz nas atividades propostas 2,8,10, com alcance a um nível máximo de eficiência da aprendizagem, a partir de maior interação 9. Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica: Os princípios norteadores para a proposição dos jogos e o delineamento dos objetivos são importantes fatores para o alcance à efetividade almejada em contexto educacional. Estudos ressaltam a importância da promoção de materiais dinâmicos e a eficácia da utilização dos jogos com ações orientadas e com foco na aquisição ou treino das habilidades específicas para a promoção de respostas favoráveis, que atendam aos objetivos traçados 4,8. Deve-se, para tanto, como qualquer outro recurso didático, possuir objetivos definidos e coerência nas estratégias utilizadas para o alcance aos objetivos de aprendizagem 10. Torna-se relevante destacar, contudo, a necessidade de planejamento e critério de escolha dos recursos que favoreça a direção dos estímulos às habilidades deficitárias, especificamente quando utilizados em caráter preventivo ou de remediação 1,4,7, com vistas ao desenvolvimento das habilidades cognitivo-linguísticas, tendo como alvo o pleno desenvolvimento da leitura e escrita. Os jogos como elementos inerentes ao universo infantil, podem ser utilizados como ferramentas para estimularem déficits e/ou dificuldades encontradas no âmbito da aprendizagem da leitura e escrita, propondo a intercessão entre os conceitos lúdicos e científicos em busca da contribuição ao processo de aprendizagem.







Referências:

1. Capellini S, Silva C. Correlação entre habilidades cognitivo-linguísticas em escolares com dificuldades de aprendizagem. Rev. Psicopedagogia. 2012; 29(89):183-193.

2. Aguiar FA, Machado AC, Bello SF, Capellini, S. Jogos para intervenção Neuropsicopedagógica. In: Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH): Prática Clínica & Educacional. 2ª Edição. Ribeirão Preto: Book Toy; 2017. 119-138.

3. Mattos RCF , Faria MA. Jogo e Aprendizagem. Rev. Eletr. Saberes da Educ. 2011;vol.2 (1):1-13.

4. Nunes C, Frota S, Mousinho R. Consciência fonológica e o processo de aprendizagem de leitura e escrita: implicações teóricas para o embasamento da prática fonoaudiológica. Rev. CEFAC. Abr-Jun, 2009; 11(2):207-212.

5. Cavalheiro LG, Santos MS, Martinez PC. Influência da consciência fonológica na aquisição de leitura. Rev. CEFAC. 2010.

6. Pestun MSV, Omote LCF, Barreto DCM, Matsuo T. Estimulação da consciência fonológica na educação infantil: prevenção de dificuldades na escrita. Rev. Sem Assoc Bras de Psic Esc e Educ. Janeiro/Junho, 2010; 14(1):95-104.

7. Silva C, Capellini SA. Desempenho cognitivo-linguístico de escolares com distúrbio de aprendizagem. Psic. em Estudo. Janeiro/Março, 2011; v.16 (1): 131-137.

8. Silva TC. Jogos como ferramenta terapêutica. Manual de jogos (Monografia). Brasília (DF): Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento; 2016.

9. Maluf MR, Sargiani RA. Linguagem, Cognição e Educação Infantil: Contribuições da Psicologia Cognitiva e das Neurociências. Psic. Esc. e Educ. Vol. 22, n.3, Setembro/Dezembro, 2018; 477-484.

10. Panosso MG, Souza SR, Haydu, VB. Características atribuídas a jogos educativos: uma interpretação analítico-comportamental. Rev. Quadr. da Assoc. Bras. de Psic. Escolar e Educacional. Maio/Agosto, 2015; 19(2):233-241.


HIGHLIGHTS
908
AÇÕES INOVADORAS DE INCENTIVO À DOAÇÃO DE LEITE MATERNO DURANTE O PERÍODO DA COVID-19.
Saúde Coletiva (SC)


O aleitamento materno é imprescindível para a promoção e proteção da saúde da criança, e tem sido um tema relevante em campanhas, inclusive entre os programas governamentais brasileiros (1,2).
No Brasil cerca de 330 mil crianças nascidas por ano, são prematuras ou têm baixo peso, e precisam da doação de leite materno para sobreviver. O número representa 11% do total de crianças nascidas no país, média de 3 milhões por ano (3). Assim, torna-se indispensável o trabalho do Banco de Leite Humano (BLH) em intensificar as ações de incentivo de doação de leite.
Devido a doença Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) (4), a Rede Brasileira de Banco de Leite Humano observou uma queda importante no número de doações, cenário preocupante, pois muitos recém-nascidos, internados nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, precisam desse alimento para sobreviver.
Com a pandemia, o Ministério da Saúde recomendou o distanciamento social, evitar aglomerações e utilizar medidas de proteção individual (5). Com o afastamento, observou-se diminuição no fluxo de mulheres dirigindo-se ao BLH do Hospital Universitário xxx para realizar a doação de leite materno.
Vale a pena destacar que a doação de leite materno não faz parte do cotidiano da maioria das lactantes brasileiras, e autores relatam que para haver a doação de leite materno, é necessário que as lactantes sejam apoiadas a doar. Isto depende, portanto, da circulação de informações e do vínculo das mães com os profissionais da área da saúde, pois a interação entre desejo, disponibilidade, conhecimento e acesso fundamenta a doação do leite humano (6).
Por meio dessa linha de reflexão, a proposta do Projeto de Extensão da xxx , intitulada “Estratégias de Solidariedade na Doação de Leite Materno nos tempos de COVID-19”, está comprometida com a missão de elaborar estratégias que promovam o acesso da população as informações de forma segura e de qualidade sobre a Doação de Leite Humano, e desenvolver atividades de acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde (7).
Desde março, com o início da pandemia, iniciou-se as atividades para incentivar as mães a doarem leite materno para os bebês que necessitam desse alimento para sobreviver. Inicialmente foi realizado um treinamento por videoconferência de toda a equipe multiprofissional do Hospital Universitário, dos alunos de graduação do Curso de Fonoaudiologia e dos residentes, com o objetivo de esclarecer as dúvidas sobre amamentação e doação de leite materno nos tempos de pandemia da COVID-19.
Nesse período de treinamento, foi desenvolvimento um material informativo, buscando facilitar a identidade da ação e a integração com os profissionais da saúde, família, lactantes e pacientes internados no Hospital Universitário.
Como caráter inovador, foram realizadas quatro ações importantes, para incentivar a doação de leite materno e aumentar o estoque de leite no BLH. Inicialmente destaca-se a entrega de uma “Tag” de orientação sobre “Amamentação, Doação de Leite e COVID-19” para as nutrizes internadas na maternidade do Hospital Universitário. Esta atividade está sendo realizada uma vez por semana, com previsão de término no mês de novembro de 2020.
A segunda ação, de caráter inovador, foi a utilização do Serviço de Telessaúde do hospital. Devido a recomendação da diminuição do número de agendamentos no Setor e, para evitar aglomeração de pessoas (8), foi utilizado a teleconsultoria por videoconferência, em tempo real, com a equipe formada por três enfermeiras, uma fonoaudióloga e uma médica. Esta ação foi uma alternativa para evitar o deslocamento da família até o hospital, e para as sanar dúvidas relacionadas a amamentação e a doação de leite materno.
Atualmente a teleconsultoria conta com uma triagem e agendamento prévio, e acontece duas vezes por semana, com média de 30 atendimentos virtuais/mês, e com a duração de 1 hora. Quando há a necessidade de intervenção especializada, o BLH, disponibiliza a consulta presencial.
A terceira ação que está sendo realizada pelos alunos do Curso de Fonoaudiologia, é o monitoramento via telefone, SMS e WhatsApp das puérperas que receberam alta hospitalar no Hospital Universitário. O monitoramento acontece de 48h/48h, e as mães são questionadas sobre os sintomas da COVID-19 e sobre o processo do aleitamento materno. Caso a mãe apresente alguma dificuldade no manejo da amamentação, elas são encaminhadas para o Serviço de Telessaúde.
A quarta ação foi nomeada como “Doadoras de Leite do Futuro”. Esta atividade está sendo realizada nas Unidades de Saúde e, os alunos do Curso de Fonoaudiologia, monitoram as gestantes uma vez por semana. Como essas mulheres ainda são gestantes, as mães são orientadas sobre o aleitamento materno e a doação de leite materno, incentivando-as a serem futuras doadoras e/ou multiplicadoras dessa ideia.
Como resultados, a Rede Brasileira de Banco de Leite Humano, lançou no mês de junho, o relatório de produção do BLH, de janeiro a maio de 2020. O Sistema de Produção é uma ferramenta de gerenciamento importante para os BLH e para as Coordenações Estaduais e Nacional. Com esses dados, bservou-se que houve aumento nas visitas domiciliares, no número de doadoras e na quantidade de leite humano coletado. Em janeiro foram realizadas 147 visitas domiciliares, e no mês de maio, verificou-se que ocorreram 300 visitas. Quanto ao número de doadoras de leite humano, observou-se que no mês de janeiro, 63 mulheres doaram leite, e no mês de maio, 84 nutrizes procuraram o BLH para realizarem a doação do leite materno. Em relação a quantidade de leite coletado, no mês de janeiro o BLH coletou 95,4 litros, e em maio verificou-se 141,2 litros (9).
Desta forma, foi possível observar que as ações inovadoras de doação de leite humano, no período de pandemia da COVID-19, proporcionou resultados efetivos, e repercutiu positivamente na promoção da saúde materno infantil; aumentou o número de doadoras de leite humano, e consequentemente, houve um aumento no estoque de leite materno no BLH.
Espera-se, que futuramente, estas ações contribuam com a construção de uma cultura sobre a Doação de Leite Materno e seja modelo de novas práticas em saúde.

1. Chaves MMN, Farias FCSA, Apostólico MR, Cubas MR, Egry EY. Amamentação: a prática do enfermeiro na perspectiva da Classificação Internacional de Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva. Rev. esc. enferm. USP  [Internet]. 2011;45(1):199-205. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342011000100028&lng=en.  http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342011000100028.

2. Brasil. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde da criança: nutrição infantil. Aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. Disponível: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf Acesso em: 29 de junho de 2020.

3. Ministério da Saúde. Doação de leite: o que é, aleitamento materno, importância, como doar. Disponível em: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/doacao-de-leite-2019. Acesso em: 07 de maio de 2020.

4. Organização Mundial da Saúde. Relatórios de situação da doença coronavírus 2019 (COVID-2019). Disponível em: [Acesso em 30 de maio 2020]

5. Brasil. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Recomendação Técnica No 03/20.160420. Assunto: Recomendações para Acolhimento e Manejo Clínico em aleitamento materno de gestantes, puérperas e lactantes assintomáticas ou sintomáticas de COVID-19 pelo Banco de Leite Humano. Documento Disponível na internet: https://rblh.fiocruz.br/covid-19-e-amamentacao-recomendacao-n0120170320 [Acesso em 20 de junho de 2020].

6. Miranda DW, Passos MC, Freitas MIF, Bonolo FP. Representations of women milk donors on donations for the human milk bank. Cad Saude Colet. 2016;24(2):139- 44.

7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Nota Técnica Nº 5/2020-COCAM/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS Assunto: Condutas para a doação de leite materno aos Bancos de Leite humano e postos de coleta de leite humano no contexto da infecção pelo Coronavírus (SARS-COV-2). Documento disponível na internet: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/notatecnicaaleitamento30mar2020COVID-19.pdf. Acessado em 21 de junho de 2020.
8. Brasil. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Recomendação Técnica No 03/20.160420. Assunto: Recomendações para Acolhimento e Manejo Clínico em aleitamento materno de gestantes, puérperas e lactantes assintomáticas ou sintomáticas de COVID-19 pelo Banco de Leite Humano. Documento Disponível na internet: https://rblh.fiocruz.br/covid-19-e-amamentacao-recomendacao-n0120170320 Acessado em 20 de junho de 2020.

9. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.https://producao.redeblh.icict.fiocruz.br/Acessado em 26 de junho de 2020.


HIGHLIGHTS
2166
ANÁLISE MORFOSSINTÁTICA DE DISCURSO INFANTIL – FERRAMENTAS PARA O PORTUGUÊS
Linguagem (LGG)


A análise de amostras de discurso espontâneo em contexto clínico tem sido sempre reconhecida como valorosa e imprescindível para uma boa avaliação e monitorização do processo de reabilitação. Contudo, na avaliação e intervenção nas perturbações da linguagem, a avaliação dos domínios morfológico e sintático são muitas vezes negligenciados em detrimento de outros, como o fonológico e lexical (1), por existirem alguns obstáculos à implementação de uma análise de amostras de discurso na prática quotidiana de um terapeuta da fala/fonoaudiólogo, como a escassez de diretrizes para uma análise completa e sistemática e a morosidade que a mesma implica (2,3).
Apresentar-se-á uma breve descrição do LARSP-PE (Language Assessment, Remediation and Screening Procedure – Português Europeu), uma adaptação para o português europeu de um procedimento originalmente construído e validado para o inglês britânico (LARSP), que integra
orientações para a análise do discurso espontâneo do discurso infantil contribuindo para a avaliação da linguagem, a definição do respetivo perfil linguístico e um planeamento mais ajustado da intervenção (1,2,4). O LARSP-PE proporciona a análise sistemática do desenvolvimento morfossintático de crianças de idade pré-escolar nos níveis de palavra, sintagma e oração para o português europeu, com uma descrição das características morfossintáticas do discurso espontâneo infantil, organizadas em sete etapas linguísticas que identificam o perfil linguístico dos 9 meses aos 4 anos e 6 meses (5). No processo de validação, foram analisadas 16 amostras de discurso espontâneo de duas crianças com desenvolvimento da linguagem típico por cada faixa etária, dos 9 meses aos 4 anos e 6 meses. A definição das etapas da escala de desenvolvimento morfossintático envolveu a análise e contagem da frequência da ocorrência de cada estrutura morfossintática e das suas categorias para cada faixa etária nos níveis de análise de palavra (morfologia), sintagma e oração (sintaxe), de acordo com a versão original do LARSP. A grelha de análise está organizada em duas dimensões: horizontalmente, a caracterização detalhada das estruturas do português europeu ao nível da palavra, sintagma e oração; e verticalmente, as sete faixas etárias do desenvolvimento morfossintático, dos 9 meses aos 4 anos e 6 meses.
Associada à grelha de análise, para tomar como referência na identificação do perfil linguístico, foi desenvolvido um protocolo para a análise morfossintática sistemática do discurso espontâneo para crianças de idade pré-escolar falantes de português europeu, que integra ferramentas e orientações que abrangem todas as etapas do processo: elicitação, registo, transcrição, análise e interpretação de dados linguísticos de amostras de discurso infantil em contexto natural.
O LARSP-PE, ao permitir a caracterização de forma sistemática do discurso espontâneo da criança, permite um diagnóstico mais preciso e melhor orientação para a intervenção; pode ser usado como complemento na avaliação da linguagem no domínio morfossintático para crianças de idade pré-escolar e permite orientar a intervenção de forma precisa.
As variedades de português faladas no Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste apresentam diferenças substanciais ao nível fonético, lexical, morfológico e sintático. Por essa razão, a escala de desenvolvimento morfossintático proposta no LARSP-PE não refletirá necessariamente as propriedades de outras variedades de português nestes domínios, em particular no que concerne a flexão verbal e nominal, sistema de pronomes pessoais, determinantes e possessivos, sujeitos nulos e ordem de palavras em geral. Será, assim, desejável e de incentivar um estudo de adaptação dos procedimentos e da escala de desenvolvimento morfossintático para o português brasileiro do LARSP, de modo a que a prática clínica em Fonoaudiologia no Brasil possa beneficiar de procedimentos e ferramentas exequíveis para a análise de amostras de discurso espontâneo.

1. Ball M, Crystal D, Fletcher P. Assessing Grammar: The Languages of LARSP. Multilingual Matters, editor. 2012.
2. Crystal D, Fletcher P, Garman M. The Grammatical Analysis of Language Disability. London: Edward Arnold; 1976.
3. Heilmann JJ. Myths and Realities of Language Sample Analysis. Perspectives on Language Learning and Education. 2010;17(1):4–8.
4. Crystal D, Fletcher P, Garman M. Profile Analysis of Language Disability. London: Cole and Whurr; 1979.
5. Castro A, Marques C, Dôro C. LARSP-PE: A Developmental Language Profile for European Portuguese. Em: Ball M, Crystal D, Fletcher P, editores. Grammatical Profiles; Further Languages of LARSP. United Kingdom: Multilingual Matters; 2019. p. 151–73.



HIGHLIGHTS
1842
APLICAÇÃO INICIAL DE UM ENSAIO CLÍNICO: IMPORTÂNCIA DE UM ESTUDO PILOTO NO PROCESSO DE DETERMINAÇÃO DA EFICÁCIA DE TECNICAS DE ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
Motricidade Orofacial (MO)
71919180


Contextualização e relevância do tema a ser apresentado: O ensaio clínico randomizado (ECR) é um tipo de estudo experimental, que se baseia na comparação entre duas ou mais intervenções, onde os participantes são agrupados de forma aleatória, sendo assim capaz de produzir evidências científicas diretas e com menor probabilidade de erro para esclarecer uma relação causa-efeito entre dois eventos. Antes do desenvolvimento da pesquisa, preconiza-se a elaboração de estudo piloto, que é uma versão resumida de um estudo maior, mas que envolve a realização de todos os procedimentos previstos na metodologia, com o objetivo de se verificar falhas sutis na estruturação do projeto ou na implementação do estudo, que, muitas vezes, não estão aparentes no plano de pesquisa inicial, possibilitando assim alteração/melhora dos instrumentos (Carvalho et al., 2013).
O uso da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) na Fonoaudiologia ainda é limitado e restrito, principalmente, a uma fase preliminar ou inicial à realização da terapia fonoaudiológica, quando se verifica alterações na musculatura facial e/ou cervical. Estudos demonstram a eficiência desse recurso no relaxamento da musculatura laríngea associada a disfonias por tensão muscular e na reabilitação da disfagia orofaríngea (Guirro et al., 2008; Crary e Carnaby, 2014; Silvério et al., 2015; Santos et al., 2016; Conde et al.,2017; Siqueira et al., 2017).
Considerando as informações destacadas acima, esta atividade de apresentação breve busca contribuir com a resolução de problemas identificados em resultados de pesquisas fonoaudiológicas. Com isso, acredita-se que serão fortalecidas as práticas clínicas de atuação da ciência, carente ainda de ECR. Sendo assim, discorreremos sobre a aplicação de um estudo piloto que buscou testar e avaliar o desenho de um ECR sobre o USO DA TENS NO ALÍVIO DA TENSÃO CERVICAL, COM IMPLICAÇÕES NA FONAÇÃO E DEGLUTIÇÃO.

Definição clara da situação-problema e da resolução encontrada ou proposta: o objetivo de nossa atividade é o de descrever a importância de se testar protocolos de pesquisas de ECR. Foi realizado um estudo com o objetivo de testar e avaliar a metodologia, os protocolos de avaliação e aplicação das técnicas de reabilitação, que englobam a terapia manual e a TENS em casos de tensão cervical associada a queixas vocais e de deglutição (o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da XXX (CAEE: 04724918.8.0000.8093). Trata-se de um estudo metodológico que envolveu a participação de quatro mulheres, alocadas em três grupos de pesquisa: GRUPO 1 – TENS; GRUPO 2 – Exercício Fonoaudiológico Tradicional (EF) e GRUPO 3 - TENS combinado ao EF. O estudo foi composto por 14 encontros, dois deles de avaliação (1º e 14º) e os demais de intervenção (2º a 13º). Antes e após execução do programa terapêutico, todos os participantes foram submetidos a avaliação fonoaudiológica, que verificou a presença de tensão cervical, os aspectos vocais, a função de deglutição e o potencial elétrico dos músculos da região facial e cervical. Os métodos de avaliação e intervenção foram determinados com base em evidências. Fizeram parte da implementação do estudo três fonoaudiólogos. Dois foram responsáveis pelos procedimentos de avaliação e análise dos dados, e o outro pela aplicação das intervenções. Este permaneceu cego em relação aos resultados das avaliações e os avaliadores em relação aos grupos de intervenção até a finalização da coleta e análise dos dados. Destaca-se que para garantia da confiabilidade dos resultados, os dados de avaliação foram analisados por dois avaliadores, e houve encontros prévios para preparação da fonoaudióloga responsável pela intervenção. A realização deste estudo permitiu a testagem e análise da metodologia, dos protocolos/instrumentos de avaliação e da aplicação prática das técnicas de reabilitação propostas. Não iremos discutir os dados do desempenho da amostra em seus momentos pré e pós-intervenção, uma vez que o número reduzido de participantes não permite generalização em relação aos seus resultados clínicos. Salientamos também que a identificação de modificações no projeto inicial proposto também nos encoraja a não divulgar os dados preliminares, no intuito de não publicarmos dados que podem apresentar vieses. Nos deteremos a realizar uma análise e reflexão qualitativa dos métodos avaliativos escolhidos e da aplicação das técnicas e instrumentos utilizados. Foi possível testar e avaliar a metodologia, os protocolos de avaliação e a aplicação das técnicas de reabilitação, e identificar possíveis falhas e vieses. Após a realização do estudo foram necessárias adequações em relação ao protocolo de pesquisa do ECR quanto à: amostra; número de momentos de avaliação; formas de coleta e análise dos dados; formas de aplicação da intervenção.

Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica: O protocolo de pesquisa do ECR proposto inicialmente precisou ser revisto após sua aplicação inicial, tendo sido necessárias adequações em relação à amostra (inclusão de grupo controle), aos momentos de avaliação (inclusão de gravação de voz no inicio e final de cada sessão e inclusão de uma avaliação de follow-up), à formas de coleta e análise dos dados (adição de juízes para a realização da análise perceptivo-auditiva; inclusão de mais uma medida de análise acústica – relação ruído/harmônico; e retirada da coleta do potencial elétrico dos músculos escalenos), à formas de aplicação da intervenção (o tempo de tratamento deve ser o mesmo para todos os participantes, as faltas serão consideradas como resultados do estudo – intenção de tratar). Após a revisão do protocolo, acredita-se que tenhamos diminuído os riscos de vieses inerentes a este tipo de estudo, melhorando assim as chances de determinação da eficácia das técnicas.

Carvalho APV, Silva V, Grande AJ. Avaliação do risco de viés de ensaios clínicos randomizados pela ferramenta da colaboração Cochrane. Diagn Tratamento. 2013;18(1):38-44.

Conde MCM, Siqueira LT, Vendramini JE, Bresolotto AG, Guirro RRJ, Silvério KCA. Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation (TENS) and Laryngeal Manual Therapy (LMT): Immediate Effects in Women With Dysphonia. J Voice 2017;32(3):385.e17–385.e25.

Crary MA, Carnaby GD. Adoption into clinical practice of two therapies to manage swalloeing disorders: exercice-based swallowing rehabilitation and electrical stimulation. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2014;22(3):172-80.

Guirro RRJ, Bigaton DR, Silvério KCA, Berni KCS, Distéfano G, Santos FL, Forti F. Transcutaneous electrical nerve stimulation in dysphonic women. Pró-Fono R Atual Cient. 2008;20(3):189-94.

Santos JKO, Silvério KCA, Oliveira NFCD, Gama ACC. Evaluation of electrostimulation effect in women with vocal nodules. J Voice 2016; 30(6):769-e1.

Silvério KCA, Brasolotto AG, Siqueira LTD, Carneiro CG, Fukushiro AP, Guirro RRJ. Effect of Application of Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation and Laryngeal Manual Therapy in Dysphonic Women: Clinical Trial. J Voice 2015;29(2):200-8.

Siqueira LTD, Silvério KCA, Brasolotto AG, Guirro RRJ, Carneiro CG, Behlau M. Effects of laryngeal manual therapy (LMT) and transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) in vocal folds diadochokinesis of dysphonic women: a randomized clinical trial. CoDAS. 2017;29(3):e20160191.


HIGHLIGHTS
1304
APLICATIVO SOFIA FALA: A TECNOLOGIA COMO FERRAMENTA CLÍNICA EM FONOAUDIOLOGIA
Linguagem (LGG)


A tecnologia pode contribuir para o processo de avaliação e intervenção nos Transtornos dos sons da fala e em alguns países existe regulamentação para o uso de software e aplicativos para o acesso remoto ao atendimento fonoaudiológico já há evidência de que esses recursos auxiliam em programas de intervenção. No Brasil, o atendimento remoto não é regulamentado e existem poucas evidências clínicas publicadas sobre o uso de tecnologia de apoio a intervenção fonoaudiológica melhorando o desempenho. Contudo, a procura por softwares e aplicativos específicos para o trabalho em Fonoaudiologia vem crescendo, pois o recurso é inovador e motivador as crianças nascidas na era digital. O aplicativo SofiaFala foi desenvolvido por docentes e profissionais (pesquisadores) das áreas de Fonoaudiologia e Computação com o intuito de fornecer método e ferramenta de suporte ao treino realizado durante a intervenção fonoaudiológica com crianças com transtornos dos sons da fala. Possui duas interfaces a do profissional e a do usuário. Com o app o fonoaudiólogo poderá prescrever treino não-articulatório (protrusão de lábios, protrusão-estiramento, sopro e estalo de língua) e articulatório (palavras com todas os fonemas associadas a figuras). Para cada movimento componente de um treino, o fonoaudiólogo pode determinar, respectivamente, o tipo de movimento, o número de vezes que a criança deve realizar esse movimento em uma sessão de treino, o número de sessões de treino (repetições) e o desempenho mínimo esperado por essa criança. Após validar o treino criado, um resumo desse treino é exibido. Ao clicar no botão enviar o treino corrente é transmitido ao aplicativo que rodará no celular do cuidador da criança. No módulo do usuário após realizar as atividades a criança receberá feedback sobre por meio de recurso de animação enfatizando a qualidade do resultado e motivando-a a continuar. Já o profissional, acompanhará o desempenho por meio de relatórios e gráficos gerados a partir de uma métrica desenvolvida pelos pesquisadores que realiza a análise da produção de sons não articulatórios e de fala através da processamento visual do movimento facial associado ao do som produzido. O processamento computacional da informação foi um desafio para os pesquisadores, pois foi necessário que houvesse a possibilidade de processamento multimídia (visual e sonoro) para o reconhecimento de diferentes tipos de sons não articulatórios e articulatórios com um sinal de fala variando individualmente, e ainda com o reconhecimento de produções típicas e alteradas. Este aspecto foi crucial para a análise, emissão de feedback e relatórios de desempenho. Durante o processo de desenvolvimento e prototipagem o app foi instalado em Smartphone de um grupo de fonoaudiólogos (serviço privado e público) e de usuários (cuidadores/crianças) que se voluntariaram para o estudo das funcionalidades e usabilidade específicas de cada interface. A análise dos resultados indicou a necessidade de ajustes na apresentação gráfica dos relatórios de desempenho e melhoria na usabilidade/funcionalidade função de reaproveitamento dos treinos prescritos, ambos no módulo do profissional. Para garantir o impacto social pretendido com o aplicativo SofiaFala em junho de 2020 a primeira versão validada foi disponibilizada gratuitamente para os fonoaudiólogos de todo o Brasil. Os desafios futuros decorrem da dificuldade em obter financiamento para a continuidade de pesquisas com o uso do app e para a atualização constante.

Souza, CF et al Investigating the Recognition of Non-articulatory Sounds by Using Statistical Tests and Support Vector MachineJanuary 2018 with 104 Reads DOI: 10.1007/978-3-319-77028-4_82 ·In book: Information Technology - New Generations, pp.639-649


HIGHLIGHTS
668
AS FERRAMENTAS DIGITAIS NO AUXÍLIO DO CUIDADO INTEGRADO NA SAÚDE.
Saúde Coletiva (SC)


"A experiência como profissional fonoaudióloga, vivenciando diferentes ambientes de trabalho despertaram o interesse pelo desenvolvimento deste projeto, que visa auxiliar profissionais da área da saúde a aprimorar e facilitar os processos que envolvem sua prática." (Thaisa Leal Andreia)

Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos notavelmente têm alterado o cotidiano da população mundial. Estamos cercados, cada vez mais, por soluções tecnológicas, que por sua vez, possibilitam mudanças drásticas na forma em que vivemos. Quando falamos em tecnologia na área da saúde, temos de um lado um setor carente de inovação e de outro, profissionais com uma necessidade de reinventar e aprimorar sua forma de trabalhar, porém com uma certa resistência a essa mudança para novos hábitos.

A área da saúde, apesar de ter um elevadíssimo conhecimento científico, carece de ferramentas informacionais que auxiliem na organização e rotinas dos serviços de saúde, principalmente para profissionais que trabalham em caráter de atendimento particular.[1]

Quando olhamos para as inovações na área de saúde, podemos notar que, em sua maioria, são voltadas para médicos, planos de saúde e hospitais. Entretanto, existe uma gama de profissionais que atuam diretamente com prevenção de doenças, tratamentos e promoção de uma melhor qualidade de vida a pessoas que precisam de assistência constante. Estamos falando de profissionais que trabalham com terapias reabilitatórias. Percebemos que esse é um nicho ainda não explorado e que está precisando de um olhar mais focado às suas dores e demandas.

Com o intuito de validar as hipóteses do problema em questão, foi realizada uma pesquisa com 27 profissionais, dentre eles fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos e fisioterapeutas. Identificou-se algumas carências existentes, tais como a falta de ferramentas que realizam de forma única a organização das rotinas dos profissionais, assim como informações cadastrais dos pacientes, prontuários, documentos, entre outros.
Registrar os dados de forma organizada, como histórico, queixas, exames, fichas de anamnese, relatórios, orientações, além de encaminhamentos e evolução do paciente é essencial para todo o profissional. A falta de uma ferramenta digital que realize tais tarefas, leva muitos profissionais a efetuar os registros no clássico prontuário físico, o que além de dificultar o compartilhamento destas informações com outros terapeutas que atendem ao mesmo paciente, ainda traz problemas de legibilidade, fragmentação das informações mesclando o uso de papel e informações computacionais e possíveis extravios. [3]

A utilização de uma ferramenta online centralizando essas informações, pode ser vantajosa especialmente quando os profissionais não atuam no mesmo centro de atendimento, o que facilitaria ainda mais a comunicação entre os responsáveis pelos tratamento, possibilitando maior integração entre as especialidades envolvidas na intervenção terapêutica, capaz de proporcionar melhorias nos resultados dos tratamentos, como destacado por Carter et al.[2]. “A interdisciplinaridade é conceituada pelo grau de integração entre as disciplinas e a intensidade de trocas entre os especialistas; desse processo interativo, todas as disciplinas devem sair enriquecidas”. [4]
Segundo dados do censo demográfico de 2010, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi constatado que cerca de 23% da população brasileira têm algum tipo de deficiência que necessita de acompanhamento profissional, e que 13,5 milhões de pessoas, cerca de 7% da população, possui alguma deficiência severa e que provavelmente precisa de um acompanhamento periódico de pelo menos um tipo de profissional.[5]

O objetivo deste projeto é construir uma rede estruturada de acolhimento, onde profissionais e pacientes possam trocar informações, compartilhar conhecimentos e desafios, dividir responsabilidades com objetivo de aumentar a assertividade e adesão das terapias propostas para essa população. A partir do desenvolvimento de uma plataforma online utilizando as mais modernas tecnologias computacionais em nuvem para auxiliar as rotinas dos profissionais terapeutas, como controle dos agendamentos de consulta; realização de um cadastro único do paciente; registro de atendimentos e documentos, onde o terapeuta pode acessar as informações de qualquer lugar, manter os dados seguros de forma a facilitar o cumprimento das regulamentações e exigências legais, além de compartilhar informações com outros profissionais, assim como com o próprio paciente e cuidadores, esclarecendo dúvidas e mantendo tudo registrado com clareza de forma segura, organizada e centralizada.

Com a reformulação desses processos pelos profissionais de saúde, é possível transformar e aprimorar as práticas terapêuticas, onde o paciente está no centro do cuidado e é o protagonista da sua saúde.

[1] Bezerra S M. Prontuário Eletrônico do Paciente: uma ferramenta para aprimorar a qualidade dos serviços de saúde. Revista Meta: Avaliação. 2009 v. 1, n. 1, p. 73-82. ISSN 2175-2753. [Acesso em: 28/Maio/2020]. Disponível em: .

[2] Carter S. Garsid P. Black, A. Multidisciplinary team working, clinical
networks, and chambers; opportunities to work differently in the NHS. BMJ Quality &
Safety, UK, 2003 v. 12 (suppl. 1), i25-i28. ISSN 0963-8172. [acesso em 28 maio 2020]. Disponível em:
<https://qualitysafety.bmj.com/content/12/suppl_1/i25.full>.

[3] Bombarda Tatiana Barbieri. Palhares Marina Silveira. O registro de práticas interventivas da Terapia Ocupacional na educação inclusiva. 2015 s, v. 23, n. 2, p. 285-294. [acesso em 06 julho 2020]. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4322/0104-4931.ctoAO0496

[4] Costa Rosemary Pereira. Interdisciplinaridade e equipes de saúde: concepções. Mental, Barbacena. 2007 v. 5, n. 8, p. 107-124, jun. [acesso em 06 Julho 2020]. Disponível em ;

[5] IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico - 2010:
Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de
Janeiro, 2010. [acesso em 28 maio 2020].
Disponível em:
<https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia
.pdf>


HIGHLIGHTS
2159
AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE VIRTUALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE ENSINO DO CURSO DE FONOAUDIOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA NO PERÍODO DE DISTANCIAMENTO SOCIAL
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


A pandemia do Covid 19 levou as universidades a adotarem o ensino de forma virtual para que os alunos não ficassem prejudicados em suas aprendizagens. A forma remota, com aulas síncronas e assíncronas, foi utilizada pelos professores do curso de Fonoaudiologia da Universidade de Fortaleza, no período de 17 de março a 17 de julho de 2020, já que a forma presencial estava impedida devido ao decreto estadual de isolamento social. As aulas teóricas foram priorizadas com ferramentas virtuais e, as práticas, foram repostas de forma escalonada e, com rigor de biossegurança, a partir do dia 20 de julho na clínica escola do curso de Fonoaudiologia da Universidade de Fortaleza.
Esse novo modelo de ensino provocou questionamentos em relação a aprendizagem e a satisfação dos alunos, haja vista ser uma forma diferente de ensinar e aprender em relação ao que os professores e os alunos estavam habituados.
A Universidade de Fortaleza- UNIFOR realiza semestralmente uma avaliação institucional no intuito de detectar a satisfação do aluno frente ao seu processo de ensino e aprendizagem. Este semestre, 2020.1, em virtude da Pandemia do Covid 19, não foi realizada a avaliação institucional tradicional sendo esta substituída por Avaliação do Processo de Virtualização das Atividades de Ensino no período de distanciamento social. Para tanto considerou-se a análise por escala com pontuação de 1 a 5, em que a nota equivalente a 1 seria considerada a pior nota e 5 a melhor.
Como resultado, no curso de Fonoaudiologia, 30,08% dos alunos matriculados responderam ao questionário. Foi realizada a caracterização da amostra pelo qual observou-se que a maioria dos participantes ingressou na Universidade por meio do vestibular (94,59%) e, dos que responderam, 32,43% estavam matriculados no primeiro semestre, realizando 4 disciplinas em média. Grande parte da população que respondeu ao questionário tem entre 19 a 24 anos de idade (67,57); estudou em escola particular (54,05%) e paga a universidade de forma integral (37,84%) seguido de 18,92% com financiamento (FIES).
Nos questionamentos a respeito da satisfação com a forma remota de ensino 43,7% disseram estar satisfeitos com as ferramentas utilizadas e forma de ensinar dos professores atribuindo nota 5. Consideraram ainda que as ferramentas utilizadas permitiram transmissão interativa e fluida dos conteúdos, porém, observou-se que nem todos estiveram satisfeitos com sua aprendizagem nesse período em que 25 % atribuíram nota 3 a esse questionamento. 32,69% também consideraram nota 3 ao tempo que se dedicaram as atividades propostas pelos professores.
Grande parte da amostra pesquisada (55,56%) utilizou, como forma de conexão com a internet, o sistema banda larga por meio de computador (61,11%). Muitos alunos (44,44%) acessaram as aulas e /ou atividades de ensino diariamente e consideraram a experiência com a virtualização como detrator (47,22).
Podemos considerar que os alunos que responderam ao questionário ficaram satisfeitos com a forma do ensino, todavia, não aprovaram a forma remota visto que muitos acharam uma experiência desfavorável. Supostamente a falta de intimidade com aulas virtuais e a exigência por muitas atividades podem ter levado a esse resultado. Ressalta-se que as ferramentas utilizadas foram consideradas satisfatórias, entretanto, o aluno não gostou da experiência.

Cavalcante, A.S.P. -Educação superior em saúde: a educação a distância em meio à c
rise do novo coronavírus no Brasil. Scholarly Journals,2020
Queiroz,V.G.B. A experiência da aprendizagem remota: quanto tempo demais na tela?.loyola.g12.b,2020
Alves, L. - Educação Remota: entre a ilusão e a realidade.Interfaces Científicas-Educação.periodicos.set.edu.b,2020
Torres, A.C.M.; Alves,L.R.G. Costa, A.C.N. - Educação e Saúde: reflexões sobre o contexto universitário em tempos de Covid-19. preprints.scielo.org, 2020


HIGHLIGHTS
2165
BOMBARDEIO AUDITIVO COMO ESTRATÉGIA DA TERAPIA FONOLÓGICA: PROPOSTA DE APLICATIVO
Linguagem (LGG)


O bombardeio auditivo é uma técnica proposta para a terapia fonológica, preconizada por Hodson & Paden (1983) para a utilização no tratamento pelo Modelo de Ciclos. Esta estratégia também foi utilizada por Bowen & Cupples (2006) com pais e crianças para incrementar a terapia fonológica. Recentemente, McLeod & Baker (2017) indicaram que o bombardeio auditivo é uma das estratégias utilizadas por fonoaudiólogos australianos para a terapia de crianças com transtornos dos sons da fala. Evidenciou-se um estudo em que o bombardeio auditivo foi utilizado como adjunto na terapia de desordens de linguagem desenvolvimental (Plante et al., 2018). Hoje na prática clínica de crianças com Transtornos dos Sons da Fala a inserção de estratégias integrativas é uma tendência, sendo o bombardeio auditivo uma das possibilidades que atenderia este pressuposto. Esta estratégia envolve a habilidade de atenção auditiva sustentada, definida como a habilidade de manter o foco atencional por um período de tempo (Gomes et al., 2000). Considerando também o interesse infantil pela tecnologia e pelos aplicativos disponíveis nos celulares, elaborar um aplicativo para apresentar a lista de palavras com o fonema alvo da terapia pode ser algo bastante estimulante, visual e auditivamente. Além disso, o pais teriam um material contendo o padrão-alvo para utilização controlada em casa, o que poderia favorecer os resultados da intervenção fonoaudiológica. Diante disso, realizou-se pesquisa na literatura sobre o uso do bombardeio auditivo como uma estratégia para o tratamento fonológico de crianças com transtornos dos sons da fala, especificamente o transtorno fonológico, e não foram encontrados trabalhos testando o bombardeio auditivo como estratégia nesta população, somente indicando-o como uma estratégia de percepção auditiva do som-alvo em tratamento para utilizar no início e fim da sessão terapêutica, bem como para atividades em casa. Algumas perguntas norteadoras para a elaboração desta proposta foram "O bombardeio auditivo realizado na terapia fonológica para os transtornos dos sons da fala é utilizado em que propostas terapêuticas? Como é utilizada esta estratégia (bombardeio auditivo) e quais os benefícios no tratamento do transtorno fonológico?" Portanto, diante da necessidade do uso do bombardeio auditivo como estratégia na terapia fonológica, foi criada a proposta de desenvolvimento de um aplicativo para uso nas tecnologias móveis, como smartphone e tablet, facilitando assim o tratamento junto aos pacientes e suas famílias. Assim, a proposta deste highlight é apresentar os resultados da busca na literatura e a proposta do aplicativo, em que foi convidada a Startup Imagu Labs, que é uma empresa de software e edtech, que atua no campo da criação de games e aplicativos para área da saúde e educação. O aplicativo será constituído de um acesso ao profissional fonoaudiólogo que irá cadastrar o sistema fonológico do paciente e selecionar o modelo terapêutico e o som-alvo de terapia, considerando a posição na sílaba e na palavra (Onset Inicial, Onset Medial, Coda Medial ou Coda Final). O aplicativo dispõe de uma lista de palavras-alvo possíveis para o bombardeio auditivo que o fonoaudiólogo selecionará (15 a 20 palavras-alvo). Após esta opção, o aplicativo irá disponibilizar para a criança utilizar na terapia ou em casa primeiro a imagem (figura) e a palavra escrita embaixo; na sequência, o áudio da palavra e a imagem da boca articulando a palavra. O paciente receberá a autorização da fono para usar o aplicativo em casa também, devendo baixar o aplicativo como usuário (nome e senha). No aplicativo haverá um mascote (boneco com fone de ouvido) que vai explicar o que é para fazer (o que é o aplicativo e o que a criança tem que fazer). Ele irá indicar na agenda quando realizou a atividade (dia e horário) e as palavras-alvo serão apresentadas em ordem diferente (aleatório) cada vez que a criança acessar (para não ficar repetitiva a lista). Quando terminar de ouvir a lista, o mascote aparece e agradece que usou a lista – é indicado usar no mínimo 3 vezes ao dia, e quanto mais vezes ele utilizar, ele acumula um “prêmio” (uma estrela), que a Fono vai combinar sobre o desempenho. Esta versão será testada para o uso com palavras e também frases. Posteriormente, será associado a atividades lúdicas na terapia fonológica, para comprovar a eficácia desta estratégia no tratamento fonológico.

Barra, Daniela Couto Carvalho, Paim, Sibele Maria Schuantes, Sasso, Grace Teresinha Marcon Dal, & Colla, Gabriela Winter. (2017). Métodos para desenvolvimento de aplicativos móveis em saúde: revisão integrativa da literatura. Texto & Contexto - Enfermagem, 26(4), e2260017. Epub January 08, 2018.https://dx.doi.org/10.1590/0104-07072017002260017 Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072017000400502&lng=pt&tlng=pt
Bowen C, Cupples, L. PACT: Parents and children together in phonological therapy, Advances in Speech Language Pathology, 8:3, 282-292, 2006. DOI: 10.1080/14417040600826980
Gomes H, Molholm S, Christodoulou C, Ritter W, Cowan N. The development of auditory attention in children. Front Biosci 2000;1(5): 108-20.
Hodson BW, Paden EP. Targeting intelligible speech: a phonological approach to remediation. San Diego: College-Hill Press; 1983
McLeod S, Baker E, McCormac, J, Wren Y, Roulstone S, Crowe K, Masso S, White P, Howland C. Cluster- Randomized Controlled Trial Evaluating the Effectiveness of Computer-Assisted Intervention Delivered by Educators for Children With Speech Sound Disorders. Journal of Speech, Language and Hearing Research, v.60, p 1891-1910, 2017.
Plante E, Tucci A, Nicholas K, Arizmendi GD, Vance R. Effective Use of Auditory Bombardment as a Therapy Adjunct for Children With Developmental Language Disorders. Language, Speech, and Hearing Services in Schools • Vol. 49 • 320–333 • April 2018
Tibes, C. M. D. S., Dias, J. D., & Zem-Mascarenhas, S. H. (2014). Aplicativos móveis desenvolvidos para a área da saúde no Brasil: revisão integrativa da literatura. Revista Mineira de Enfermagem, 18(2), 471-486. Disponível em: http://reme.org.br/artigo/detalhes/940



HIGHLIGHTS
1109
CAPTAÇÃO DE VÍDEO POR SMARTPHONE PARA ATIVIDADES DE ENSINO E PRÁTICAS FONOAUDIOLÓGICAS
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


É considerado um produto audiovisual aquele que agrega imagem e som para propiciar unidade a um determinado conceito. Por utilizar-se de representações dos sentidos visual e auditivo, o produto audiovisual transporta o espectador para um universo imaginário ou para uma representação do real, cumprindo funções sociais, recreativas, comerciais, científicas, dentre outras 1. Filmes, comerciais de TV, games, videoarte, videodança, clipes, instalações imersivas, dentre outros, são exemplos de produtos audiovisuais. Ao categorizá-lo como científico, categoria mais utilizada na Fonoaudiologia, torna-se um instrumento importante para as rotinas fonoaudiológicas, pois, devido à sua possibilidade de captação permanente em um meio audiovisual, permite análises frequentes do material filmado, contribuindo para uma avaliação mais precisa do conteúdo, em especial, para uso em atividades de ensino da Fonoaudiologia, desde a gravação de pacientes ou outros personagens2, videoaulas, vistas técnicas, dentre outras. No ensino em Fonoaudiologia, em suas inúmeras atividades teóricas e práticas, registrar e reproduzir amostras audiovisuais de personagens ilustra casos clínicos nas apresentações científicas e acadêmicas e, junto aos aprendizes, colabora na aferição do diagnóstico e no diagnóstico diferencial, assim como em procedimentos de feedback; facilita na percepção de melhorias no pré e no pós-atendimento fonoaudiológico e contribui para a detecção e a constatação de alterações que não são percebidas sem a possibilidade de repetição ou congelamento de imagens3,4. Precauções e responsabilidades éticas devem permear toda a confecção, armazenamento e possível divulgação do material audiovisual para não incorrer em um processo ético ou, mesmo, judicial 5. Pesquisadores em Fonoaudiologia alertam para que seja dada mais atenção às técnicas e aos equipamentos necessários para produzir gravações com qualidade6. Mencionam, também, que os registros em vídeo, assim como em fotografia, devem manter a padronização do espaço físico, dos equipamentos utilizados, do posicionamento e da indumentária do paciente 4. Entretanto, informações preciosas como a que uma gravação deve ter qualidade para representar o momento captado da personagem, evitando colher material que não o represente, devem ser de conhecimento do fonoaudiólogo. O smartphone é um equipamento multifuncional que permite a captação de vídeo, de forma prática e eficaz, devido ao tamanho portátil, ao valor acessível para a obtenção e à crescente qualidade na fabricação focada nos recursos de filmagem. Portanto, esse foi o equipamento considerado viável para o desenvolvimento de um roteiro para registro em vídeo. A seguir, atentando-se sobre as demandas fonoaudiológicas, serão apresentadas as etapas consideradas imprescindíveis para a captação de vídeo com qualidade, a saber: a) desenvolvimento: é a etapa de planejamento do rol de atividades para a realização da filmagem, como: local, equipamento, pessoas e situações a serem filmadas, tempo de filmagem, necessidade de edição, enquadramentos, linguagem a ser utilizada, vestuário, dentre outras; b) pré-produção: etapa em que devem ser providenciadas as atividades descritas no desenvolvimento, minimizando futuros prejuízos na operacionalização dos registros e buscando soluções para as mudanças no planejamento; c) situações de filmagem: relacionam-se como os registros de fala espontânea, fala profissional, testes clínicos, palestras e outras situações que comporão os vídeos. Para registros clínicos, devem ser evitadas gravações emotivas (servem para emocionar) e apoiar-se em gravações clínicas (servem para discutir, são indicadores); d) equipamentos de gravação e som: o uso de um smartphone com memória RAM e de armazenamento intermediário, com qualidade de vídeo full HD, 2K ou 4K é suficiente para a captação de uma boa imagem. Sugere-se o uso de tripé para evitar instabilidades. O som pode ser captado pelo próprio smartphone ou por um microfone acoplado. A qualidade do som é fundamental para a compreensão das manifestações de natureza fonoaudiológica da personagem filmada; e) enquadramento: modo como a câmera se posiciona diante do objeto filmado. É dividido em plano descritivo/geral, para o espectador compreender como se organiza o espaço; plano narrativo, que se aproximam de duas ou três pessoas para mostrar como se relacionam e plano expressivo, que é mais próximo ainda, e indicam o que as pessoas dizem com seus corpos7. Dependendo da intenção, o enquadramento é fundamental para a captação de imagens em motricidade orofacial, por exemplo; f) mise-en-scène: proveniente do francês, significa "colocar em quadro", se caracteriza pela junção dos elementos visuais que compõem o enquadramento. A locação, os objetos cênicos, as personagens, a iluminação e tudo o que está ao alcance da visão do espectador 8; g) iluminação: deve colaborar para a identificação das características comunicativas do personagem. São necessários três pontos de luz para obter um efeito tridimensional diante do objeto filmado. Porém, para ao captar a imagem de um rosto é possível utilizar apenas a fonte de luz principal que é responsável em ressaltar os detalhes da face. O cuidado com a angulação e altura da fonte de luz é importante para não projetar sombras que possam desconfigurar o objeto8; h) Pós-produção / edição: ocorre a seleção e o tratamento das imagens, valorizando aspectos da filmagem, com uso de grafismos, inserção de imagens, gerador de caracteres, músicas e animações. Os arquivos devem ser armazenados e logados com nome e data numa máquina que possua um programa de edição instalado. Os vídeos devem ser organizados em pastas, bem como os projetos de edição de cada vídeo. Consiste em edição qualquer manipulação dos arquivos originais de imagem e som. Por fim, compreende-se que o registro em vídeo nas rotinas fonoaudiológicas, em especial como recurso de ensino, de aprendizagem e, consequentemente, clínico, busca colaborar para a captação de informações preciosas em todas as áreas da Fonoaudiologia. Esse procedimento poderá ser realizado mesmo que com um instrumento de fácil acesso como um smartphone, desde que sejam seguidas recomendações que facilitem um registro que colabore para o entendimento do fenômeno, da personagem ou da situação vivenciada.

1 Hagemeyer, RR. História & Audiovisual. Belo Horizonte: Autêntica Editora; 2012.
2 Nichols, B.. Introdução ao documentário. Campinas: Papirus; 2005.
3 Giacheti CM, Lindau TA. Diagnóstico diferencial dos transtornos da linguagem infantil. In: Lamônica DAC, Britto DBO, organizadores. Tratado de linguagem: perspectivas contemporâneas. São Paulo: Book Toy; 2016.
4 Frazão YS, Manzi SHB. Atualização em documentação fotográfica e em vídeo na Motricidade Orofacial. In: Silva HJ et al., organizadores. Tratado de Motricidade Orofacial. São Paulo: Pulso editorial; 2019.
5 Conselho Federal de Fonoaudiologia. Código de Ética da Fonoaudiologia. Brasília; 2016 [acesso em 06 jul 2020]. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/index.php/codigo-de-etica/.
6 Colton RH, Casper JK, Leonard R. Compreendendo os problemas da voz: uma perspectiva fisiológica no diagnóstico e tratamento das disfonias. 3. ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2010.
7 Rodrigues C. O Cinema e a produção. Rio de Janeiro: DP&A, FAPERJ; 2002.
8 Hunt RE, Marland J, Rawle S. A Linguagem do cinema. Porto Alegre: Bookman; 2013.


HIGHLIGHTS
1163
COMO APRIMORAR A EXPERIÊNCIA DO FONOAUDIÓLOGO QUE ATENDE CRIANÇAS EM TELECONSULTA NO CONTEXTO DA COVID-19?
Linguagem (LGG)


Neste ano, nos deparamos com desafios e situações adversas impensáveis para o século XXI devido a pandemia do Coronavírus 2019. O distanciamento social foi a principal estratégia para evitar o contágio da doença (Ministério da Saúde1, 2020) e o cuidado com a saúde foi direcionado para atendimentos com menor contato possível, adotando-se a modalidade da telessaúde em Fonoaudiologia.
A telessaúde em Fonoaudiologia, ou a telefonoaudiologia, regulamentada pela resolução nº 427 do Conselho Federal de Fonoaudiologia-CRFa2 (2013), dispõe sobre as diretrizes nacionais desta prática. Segundo esta resolução, o fonoaudiólogo utilizaria a telefonoaudiologia, visando o aumento da qualidade, equidade e de sua eficiência profissional, obedecendo às normas técnicas de guarda, manuseio e transmissão de dados, garantindo privacidade e sigilo profissional. A teleconsulta poderia ser realizada para fins terapêuticos somente na condição envolvendo fonoaudiólogo numa extremidade e o paciente com outro fonoaudiólogo à distância. Porém, mediante ao cenário da pandemia, o CRFa liberou a realização da teleconsulta para garantir a manutenção dos cuidados de saúde urgentes ou essenciais (CFFa3, 2020).
O fonoaudiólogo encontrou novos desafios: Como realizar a terapia à distância, com crianças que apresentam transtornos de linguagem? Qual a gravidade e necessidade real destas crianças em continuar a fonoterapia em meio às limitações impostas pelo distanciamento físico? Quais são as limitações e possibilidades desta nova modalidade terapêutica?
O contexto clínico, parte da premissa que o ambiente e os recursos lúdicos, em maioria de natureza concreta, são instrumentos facilitadores da aprendizagem, compondo o “setting” terapêutico (Migliavacca4, 2008). Os terapeutas ressignificaram seu papel neste processo, repensando suas estratégias para o fortalecimento do vínculo, revendo seus valores quanto à nova forma de trabalho e buscando novos meios de interação.
Nosso objetivo foi identificar ferramentas que permitiriam o aprimoramento da atuação do fonoaudiólogo na terapia de linguagem infantil em teleconsulta.
Este projeto foi desenvolvido com base na abordagem do Design Thinking (Cavalcanti e Filatro5, 2016) para a construção do conhecimento da atuação do fonoaudiólogo em teleconsulta em linguagem infantil, das suas dores, dos pensamentos e oportunidades de melhoria de trabalho em tempos de pandemia.
O Design Thinking revolucionou a maneira de identificar soluções inovadoras, possibilitando soluções criativas baseadas nas necessidades do mercado. Welsh e Dehler6 (2012) o descreveram como uma abordagem usada para a solução de problemas complexos que coloca o ser humano no centro do processo. Estimula a colaboração, a inovação e a busca por soluções frente a observação e a co-criação, a partir do conceito de prototipagem rápida e da análise de diferentes realidades.
O Design Thinking é composto de um processo, métodos e estratégias. A conexão destes aspectos coloca as pessoas e suas necessidades no centro do desenvolvimento, de forma que se use a criatividade para gerar soluções e empreguem a razão para analisá-las e adaptá-las ao contexto real (Cavalcante e Filatro5, 2016).
O projeto foi desenvolvido durante a disciplina de “Seminários Temáticos I” do Mestrado Profissional em Saúde da Comunicação Humana. As etapas foram divididas em cinco fases descritas, a seguir: inicialmente, foi realizada uma entrevista aberta com profissionais da área para conhecer os desafios e dores deste público e, em seguida, realizou-se o escalonamento dos desafios dos profissionais que fazem teleconsulta.
Como não se trata de uma pergunta de pesquisa, mas de uma metodologia que visa propor soluções rápidas e concretas para um problema específico para um grupo de pessoas em determinada situação, não se fez necessário a submissão para Comitê de Ética em Pesquisa.
Posteriormente, aprofundamos os perfis encontrados, através de uma segunda entrevista e levantamos a jornada do usuário em perfis distintos: aqueles que têm menos habilidade de adaptação à teleconsulta (perfil 1) e outros que têm mais facilidade (perfil 2). E, finalmente, passamos à confecção de um infográfico no qual idealizamos passo-a-passo da jornada destes profissionais.
Foram entrevistados 18 fonoaudiólogos e a partir dos relatos, escalonamos informações sobre seus principais desafios. O esgotamento mental e a dificuldade de planejar mais de uma atividade com o mesmo objetivo foram predominantes. A faixa etária prevalente foi de até 25 anos. Metade apresentaram de 4 a 6 anos de formados e nenhum tinha pós-graduação.
Quanto ao domínio tecnológico, 82.2% relataram ter pouco domínio tecnológico (perfil 1), seguido de 16.7% com mais domínio (perfil 2).
Estruturamos as etapas do Mapa da Jornada para a Teleconsulta a partir dos enfoques preconizados no Design Thinking como: os requerimentos ideais para o serviço, escolha das atividades, emoções e pensamentos dos terapeutas e oportunidade de melhorias futuras. Observou-se que cada um dos perfis demonstrou sentimentos e necessidades diferentes. No grupo perfil 2, observou-se pensamentos positivos relacionados à expectativa, confiança, tranquilidade, satisfação, disciplina e motivação no uso da teleconsulta.
O perfil 1 expressou carência de informação tecnológica para o planejamento e execução do atendimento, além da necessidade de mais conhecimento técnico fonoaudiológico para adequar os materiais utilizados em terapia. Contudo, o perfil 2 expôs a dificuldade em tornar o ambiente terapêutico na teleconsulta sempre agradável e motivador para o paciente.
Verificou-se que os profissionais do perfil 2 buscaram a troca de conhecimentos e experiências com outros clínicos, com o objetivo de aprimorar a adaptação em teleconsulta. Identificamos que o perfil 2 trouxe muitas respostas para as dificuldades encontradas no perfil 1, e assim, propusemos algumas oportunidades de melhorias e soluções.
Atualmente, o teleatendimento pelo fonoaudiólogo é uma realidade necessária e merece a devida análise, suporte e divulgação para adequada atuação do profissional. Diversos fatores e ferramentas que influenciaram o atendimento fonoaudiológico foram elencados neste levantamento para melhor caracterização dos problemas e análise de possíveis soluções a partir de cada perfil.
Assim, sugere-se a necessidade de trocas de experiências e capacitações entre os dois perfis a partir de diferentes modalidades de alcance rápido de transmissão de conhecimento e informações, fato que justifica o envio deste trabalho. Tais problemas e suas soluções, necessitam ser discutidos, pesquisados e compartilhados na Fonoaudiologia nacional.

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Doença pelo coronavírus 2019 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2020 (Boletim Epidemiológico; 7) [citado em 2020 Abr 31]. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/06/2020-04-06-BE7-Boletim-Especialdo-COE-Atualizacao-da-Avaliacao-de-Risco.pdf

2. Conselho Federal de Fonoaudiologia. “Dispõe sobre a regulamentação da Telessaúde em Fonoaudiologia e dá outras providências.” Resolução CFFa nº 427, de 1º de março de 2013.

3. Conselho Federal de Fonoaudiologia. “Dispõe sobre o uso da Telefonoaudiologia durante a crise causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2).” Recomendação CFFa nº20 de 23 de abril de 2020.

4. Migliavacca, EM. Breve reflexão sobre o setting na clínica psicanalítica. Boletim de Psicologia, VOL. LVIII, Nº 129: 219-226. 2008.

5. Cavalcanti CC, Filatro A. Design Thinking na educação presencial, a distância e corporativa. São Paulo: Saraiva; 2016. p 20.

6. Welsh, MA, Dehler, GE. Combining critical reflection and design thinking to develop integrative learners. Journal of Management Education. 2012. Dec 10.v. 37. n. 6, p. 771-802.



HIGHLIGHTS
1748
CONSTRUÇÃO DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O MAPEAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DA PARALISIA CEREBRAL
Saúde Coletiva (SC)


Contextualização: Os Registros da Paralisia Cerebral são bancos de dados populacionais provenientes de múltiplas fontes, baseados em uma clara definição da PC e em rigorosos critérios de inclusão e exclusão nos sistemas. Requerem uma combinação de habilidades com a colaboração de obstetras, pediatras, epidemiologistas e profissionais da reabilitação. Somente na Europa existem 18 registros da PC diferentes com coleta de dados populacionais, com esforços de pesquisa de uma rede colaborativa. Os sistemas de informação são relevantes para o monitoramento de tendências e a redução da frequência da PC, bem como para a melhoria da qualidade de vida de crianças acometidas. O Sistema Único de Saúde do Brasil possui um Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica para o monitoramento de doenças e agravos na população. No Brasil, existem numerosas fontes de informação disponíveis pelos sistemas nacionais de informação em saúde existentes, desenvolvidos e operados pelo Ministério da Saúde, embora não integrados e que não abrangem uma série de doenças e incapacidades. Não foram encontrados sistemas de informação que contenham dados da PC no Brasil.
Diante da ausência de sistemas de registro da PC no Brasil, foi levantada a seguinte pergunta: Como sistematizar o conjunto de dados e produzir informações para a paralisia cerebral? Objetivo: Construir um software para armazenar as informações levantadas por um inquérito populacional da PC, bem como propor a transferência tecnológica para o sistema de saúde. Desenvolvimento: O programa foi desenvolvido pelo Departamento de Fonoaudiologia em parceria com o Departamento de Computação da Universidade Federal de Sergipe e obteve registro de patente pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Denominado Sistema de Mapeamento Epidemiológico da PC (SIMPE), o software foi projetado em quatro fases. Durante a primeira fase, foram realizadas reuniões de levantamento de necessidades e requisitos do sistema com o pesquisador principal deste estudo, os colaboradores e os programadores. Também foram discutidos todos os formulários de coleta de dados utilizados para a identificação da população que possui Paralisia Cerebral. Os formulários foram construídos levando-se em consideração as definições e os critérios de outras pesquisas populacionais e de registros internacionais. Ainda nesta fase, foi realizada uma exploração das salas de situação já existentes para outras doenças, com o objetivo de buscar as melhores práticas já utilizadas. A segunda fase, de modelagem do sistema, foi de acordo com a Engenharia de Software, em que foram elaborados os diagramas de caso de uso e foi feita a verificação de adequação às necessidades. A terceira fase foi composta pela codificação do sistema, em que foi utilizada a linguagem de programação Java e, para o manuseio do banco de dados, foi utilizada a Structured Query Language (SQL). A quarta fase foi a de validação da codificação. Nesta fase, foram efetuados rigorosos testes, a fim de garantir que aquilo que foi modelado e implementado correspondesse ao que foi desejado na primeira fase do projeto.
Algumas características foram acordadas como pré-requisitos: Layout simples e de fácil navegação; Segurança da informação; Geração de relatórios e Geração de gráficos.
Produto alcançado: O SIMPE serve como uma forma abrangente de visualizar a situação da PC de uma determinada região. A geração da Dashboard e do mapa oferece aos pesquisadores, aos gestores e aos profissionais de saúde uma visualização clara e facilitada das informações tanto geográficas quanto quantitativas dos pacientes com PC, oferecendo assim um apoio a investigações e uma melhor tomada de decisão em saúde. O perfil público permite ainda que qualquer pessoa tenha acesso aos dados, tornando-se consciente das informações em saúde de sua região. O sistema provê controle de acesso via login e senha e também é possível uma separação de funcionalidades via cadastro de perfis, podendo o usuário ter o perfil comum ou o perfil administrador. É vedada ao perfil administrador a maior parte dos cadastros. Ao utilizar um usuário comum para entrar no sistema, existe uma tela inicial em que é exibido um mapa da cidade de Aracaju, subdividido em bairros. Nessa tela pode-se obter uma série de informações quantitativas referentes aos pacientes que possuem PC, tanto na região da cidade em geral quanto apenas em um bairro quando selecionado, além disso emitir diferentes formatos de relatórios. Conclusão: O sistema é abrangente e inclui a maioria das variáveis utilizadas nos sistemas internacionais de registro da PC, abordando desde a classificação clínica até o uso de serviços de reabilitação e acesso a órteses, próteses, meios auxiliares de locomoção, acesso à educação, e aspectos socioeconômicos. Certamente o sistema é uma importante contribuição para a formulação, planejamento e avaliação de programas de saúde, bem como uma fonte de informações para pesquisas na área.

CANS, C.; SURMAN, G.; MCMANUS, V. et al. Cerebral Palsy Registries. Seminars in Pediatric Neurology, v. 11, n. 1, p. 18–23, 2004.
HURLEY, D. S.; SUKAL-MOULTON, T.; MSALL, M. E. et al. The Cerebral Palsy Research Registry: Development and Progress Toward National Collaboration in the United States. v. 26, n. 12, p. 1534-1541, 2011
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Sala de Situação em Saúde:
compartilhando as experiências do Brasil. Brasília-DF: Ministério da Saúde, 2010.
ROSENBAUM, P.; PANETH, N.; LEVITON, A. et al. A report: The definition and classification of cerebral palsy April 2006. Developmental Medicine and Child Neurology, v. 49, n. SUPPL.109, p. 8-14, 2007.


HIGHLIGHTS
357
CONTO DE CORDEL: PROMOVENDO O CONHECIMENTO DA DOENÇA DE PARKINSON
Voz (VOZ)


O cordel consiste em uma forma de literatura composta por traços regionais, marcados por rimas e uso de linguagem popular, sendo comumente disponibilizado em folhetos. Os assuntos abordados nos cordéis são variados, desde lendas até as críticas sociais, o que contribui para a propagação do conhecimento acerca de temas relevantes para os mais variados públicos de forma simples e acessível, podendo assim, ser utilizado nas ações educativas em saúde. Desse modo, observa-se que a literatura de cordel vem sendo usada como um instrumento de incentivo à alfabetização (1), uma vez que, pela forma lúdica, criativa e didática há incentivo à leitura. A região Nordeste do país, por vezes destaca-se pela quantidade de pessoas carentes que por diversos fatores não tiveram acesso a uma educação de qualidade, levando assim a uma carência no tocante a informações que são de fundamental importância (2). Sendo o cordel uma expressão da cultura popular nordestina, este torna-se um singular meio de disseminar informações sobre doenças que embora comuns na sociedade são pouco conhecidas. É o caso da Doença de Parkinson - DP, a segunda doença neurodegenerativa de caráter progressivo mais comum em pessoas acima dos 60 anos, ficando atrás apenas da Doença de Alzheimer. A DP apresenta manifestações clínicas características, como bradicinesia, tremores em repouso e rigidez muscular. Além disso, ocorre redução de neurônios dopaminérgicos. A Doença de Parkinson, apresenta uma complexidade de transtornos já mencionados, caracterizados por alterações na marcha, voz, articulação da fala, entre outras (3). Com isso, os indivíduos acometidos pela patologia apresentam significativa dificuldade nas atividades de vida diária, logo, com essa multidimensionalidade dos sintomas e debilidades, torna-se fundamental a intervenção de uma equipe multiprofissional, a fim de obter melhora na qualidade de vida dos que convivem com a DP (3, 4). Nessa perspectiva, é recomendado que, principalmente, as atividades de reabilitação sejam realizadas diariamente. Entretanto, devido a diversos fatores limitantes como: 1. sistema público superlotado; 2. deslocamentos diários aos serviços da saúde; 3. custo, torna-se inviável uma assistência profissional diária aos usuários do serviço público. Assim, com finalidade de dar continuidade à rotina de tratamento e ampliar o conhecimento sobre a DP, houve a criação de um Manual para paciente com a Doença de Parkinson (5), em uma Instituição Pública. Tal material contém exercícios terapêuticos, bem como as demonstrações de execução, orientações e informações, no intuito de melhor auxiliar a manutenção de algumas práticas em casa, de modo acessível para os pacientes e cuidadores. Todavia, o Manual deve ser cada vez mais divulgado, para conseguir atingir o maior número de pessoas. Para corroborar no processo de promoção e adesão do conteúdo do manual foi criado o cordel: Do Parkinson ao saber: qualidade de vida em conto de Cordel, que visa fornecer informações de diversas áreas da saúde de forma lúdica e propiciar o conhecimento de orientações práticas, auxiliando assim no tratamento contínuo da doença. Outrossim, através da linguagem popular empregada no Nordeste e seu formato descontraído, ele fomenta a divulgação do Manual.

"São tantas áreas a trabalhar
Que vale a pena ressaltar
Da Neuro, Fisio e Psicologia
A Fono, TO e Odontologia."

O cordel buscou a partir do Manual de orientações sobre a DP criado em um Programa de Extensão, levar ao público informações que pudessem dar um norte àqueles que pouco ou nada sabiam sobre essa doença. Seguindo o modelo de linguagem acessível apresentada no manual, a produção diferenciou-se por, como mencionado, levar a população, de forma dinâmica, noções básicas sobre a DP, adaptando a linguagem e deixando-a mais popular. Dessa forma, paralelamente ao material já existente, o cordel torna-se mais um meio de disseminar o conhecimento sobre a DP.

"Lentidão, tremores e rigidez muscular
São sintomas que irão apresentar
Tremores são agravados por estresse
Fique tranquilo! Sua cuca não avexe!"

A literatura: Do Parkinson ao saber: qualidade e vida em conto de cordel, traz consigo a proposta de possibilitar a divulgação da Doença de Parkinson através de uma linguagem regional. A criação deste trabalho pressupõe um mecanismo inovador na disseminação das informações básicas acerca da DP, por meio desta forma tão própria de comunicação da região Nordeste. Aliado a isso, o material pode vir a ser utilizado como recurso terapêutico, uma vez que, é característico desse estilo literário uma leitura rítmica e prosódica, rica em diferentes entonações. Para além da modulação vocal, pode-se observar a estimulação da musculatura facial, e consequentes expressões faciais, correspondentes com o que está sendo evocado na leitura.

"E ao falar em terapia
Chega logo a Fonoaudiologia
Na fala, voz e deglutição
Ela trabalha a reabilitação

Para comunicação efetiva funcionar
a fono tem que atuar
Sem esquecer da expressão
fazendo exercícios de movimentação

Estica, puxa e faz bico
Faz careta de todo tipo
Assim fica fácil fazer terapia
Arretada é a Fonoaudiologia"

Portanto, devido à rigidez muscular provocada pela degeneração dos neurônios dopaminérgicos na DP, os pacientes necessitam de estímulos contínuos, tanto para a mímica facial como também para a melhoria da prosódia, dado que, a voz destes tende a ser monótona. Com o uso do produto nas terapias, os pacientes, acompanhantes e/ou cuidadores, conseguem obter mais conhecimento sobre a patologia e aprendem como lidar melhor com as mudanças físicas que a DP ocasiona. Outro pressuposto que corrobora a elaboração deste trabalho relaciona-se com a promoção desse saber atrelado à divulgação da arte nordestina ao público, que é tão rica culturalmente.

1. Oliveira PMP. Literatura de cordel como meio de promoção para o aleitamento materno. [monografia]. Fortaleza (CE): Universidade Federal do Ceará, 2007.

2. Pagliuca LMF, Oliveira PMP, Rebouças CBA, Galvão MTG. Literatura de cordel: veículo de comunicação e educação em saúde. Texto contexto-enferm. 2007; 16:662-7.

3. Palermo S, Bastos ICC, Mendes MFX, Tavares EF, Santos DCL, Ribeiro ALFC. Avaliação e intervenção fonoaudiológica na doença de Parkinson. Análise clínica-epidemiológica de 32 pacientes. Revista Brasileira de Neurol. 2009; 45:17-24.

4. Valcarenghi RV, Alvarez AM, Santos SSC, Siewert JS, Nunes SFL, Tomasi AVR. O cotidiano das pessoas com a doença de Parkinson. Revista Brasileira Enferm, 2018; 71:272-279.

5. Asano AG, Asano NMJ, Coriolano MGWS. Manual de Orientações para pessoas com Doença de Parkinson. [livro online]. Recife: Editora UFPE; 2019. [acesso em 23 de jun de 2020]. Disponível em https://drive.google.com/file/d/1XRooHGoOusca1zmJb5f11Y_qrOHqx-lO/view.


HIGHLIGHTS
166
CONTRIBUIÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NA CONSTRUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO GRUPO DINÂMICO DE DELIRIUM:ÂMBITO HOSPITALAR
Linguagem (LGG)


Quando hospitalizado o indivíduo vivencia diversas mudanças em suas vidas tais como: ruptura do cotidiano, mudança de papéis ocupacionais, e diversas situações de estresse, como o afastamento de familiares e amigos, alterações em sua rotina, receios quanto ao diagnóstico e prognóstico e o medo devido à proximidade da morte. Assim, é muito comum haver a ocorrência de apatia e processos depressivos durante o período de internação hospitalar e, em alguns casos, apresentando as manifestações de delirium que podem ser transitórias ou flutuantes, por parte de sinais de confusão mental (desorientação em relação ao tempo e espaço), déficits cognitivos (alterações de memória, atenção e/ou comunicação) e comportamento (agitação e lentidão nas respostas). Essas manifestações são observadas pela equipe multidisciplinar que acompanha o paciente na realização dos programas terapêuticos institucionais, como ainda, sinalizado por queixas pelos acompanhantes que tem propriedade para informar sobre o comportamento cognitivo do paciente antes e durante a internação. Fez-se necessário o desenvolvimento do protocolo de Delirium no Hospital do Coração Hcor, o qual informa as características dos pacientes que estão apresentando manifestações de Delirium. O protocolo é conduzido incialmente pela equipe de enfermagem e em seguida por toda a equipe multiprofissional inserida na condução das ações do protocolo. Desta maneira, foi proposto junto a equipe assistencial e multidisciplinar hospitalar Fonoaudiologia e Fisioterapia, uma medida de tratamento não farmacológico para os casos de Delirium através da construção de intervenção com grupos dinâmicos, ampliando a capacidade de melhora do quadro confusional, por parte dos aspectos cognitivos, motores e sociais. Foi estabelecido a retirada do paciente do leito com o objetivo de melhorar a orientação têmporo-espacial, efetivação do vínculo sócio-afetivo entre paciente-cuidador/familiar e equipe multiprofissional, promovendo o resgate da memória episódica, de trabalho e de curto-prazo, além de comandos e compreensão motora e a abstração linguística. Sendo assim, são organizados grupos, nas salas de esperas das unidades de internação, com no mínimo 2 participantes, com critérios de inclusão como CAM-S (confusion assessment method-severity score) com escore 7, realizado pela equipe de enfermagem, o teste cognitivo Moca abaixo do escore 24 realizado pela equipe de fonoaudiologia, estabilidade hemodinâmica após avaliação da equipe de fisioterapia, como ainda, prescrição médica para os atendimentos. A presença dos acompanhantes ou familiares durante a realização do grupo é fundamental para garantir qualidade e envolvimento no cuidado do doente. Mesmo que o paciente esteja dentro das condições para participação no grupo, há os critérios de exclusão, que impossibilitam a sua participação, como o caso de não ter condições de manter-se sentado em uma cadeira de rodas, ou estar em processo infeccioso por isolamento de contato ou respiratório, ou em uso de medicamento farmacológicos para delirium, ou estar em tratamento dialitico, assim comprometendo o horário da rotina hospitalar. Os paciente com comprometimento cognitivo severo também são excluídos. A duração é de até 60 min sob a realização de exercícios físicos e congitivos-linguísticos associados entre as duas equipes profissionais envolvidas (fisioterapia e Fonoaudiologia), ao final, realizado um questionário de satisfação respondido pelo próprio paciente e/ou acompanhante/familiar. No planejamento terapêutico institucional do paciente a participação do grupo não excluí o atendimento beira-leito, sendo algo complementar ao prognóstico do quadro clínico e obtendo indicadores de qualidade baseados na evolução funcional, através de avaliações quantitativas observadas durante a própria execução das atividades propostas, sendo elas pontuadas de 0-5. Em relação aos aspectos observados durante a realização do grupo dinâmico, as características respostas corretas à tempo/espaço, identificação de imagens e auto-reconhecimento social à cada 3 tentativas tornavam-se presentes, já nos aspectos físicos eram observados as respostas à execução do ato motor por um comando verbal e/ou sensorial através do comando automático, reconhecimento de formato e peso de objetos, solicitação de passagem de objetos, comandos motores livres e encaixe de objetos à cada 3 tentativas. Assim, ao final de cada proposta do grupo é realizado a efetivação terapêutica por base desses indicadores de qualidade quando atingida a pontuação de 0-3 permanece com um comprometimento grave de Delirium, de 4-6 comprometimento moderado, 7-9 comprometimento leve e 10 sem comprometimentos cognitivos referente ao Delirium. No primeiro mês de início das atividades do grupo dinâmico, com sessões terapêuticas realizadas duas vezes por semana, obteve-se resultados: realizados 8 grupos com 11 pacientes distintos com NPS (Nível de satisfação) de 90% e melhora do quadro de Delirium bem como a redução da internação hospitalar contribuindo com a alta; 5 pacientes permaneceram com comprometimento moderado à grave no quadro de Delirium e ainda internados devido a tratamento clínico. Ao final de cada grupo, é realizado as orientações diretivas referente a monitorização das manifestações do Delirium através da entrega de um folheto complementar. A partir das ações desenvolvidas observou-se a efetivação da interação social do paciente com toda a equipe multidisciplinar, favorecendo a adesão aos programas terapêuticos beira-leito, a diminuição dos tratamentos farmacológicos para Delirium e um melhora do bem estar do paciente e acompanhantes durante o período de hospitalização, como ainda, colaborando com a melhora do quadro clínico e privilegiando a previsão de alta breve. Estratégias dinâmicas se mostram como uma excelente alternativa para maximização dos cuidados em saúde e ampliação da qualidade de vida dos pacientes que a recebem.

CARDOSO, A.M. Atuação da Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares: Revisão Integrativa da Literatura. Ribeirão Preto, SP; s.n; 2017.
Durst J, Wilson D. Effects of protocol on prevention of delirium in hospitalized hip fracture patients: A quality improvement project. Int J Orthop Trauma Nurs. 2020.
GUIMARAES, Andréa Carmen et al . Atividades grupais com idosos institucionalizados: exercícios físicos funcionais e lúdicos em ação transdisciplinar. Pesqui. prát. psicossociais, São João del-Rei , v. 11, n. 2, p. 443-452, dez. 2016 .


HIGHLIGHTS
1309
CURADORIA DIGITAL E O COTIDIANO FONOAUDIOLÓGICO: AS REDES SOCIAIS E A CONVERGÊNCIA DE SABERES SOBRE AS ANOMALIAS CRANIOFACIAIS
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


CURADORIA DIGITAL E O COTIDIANO FONOAUDIOLÓGICO: AS REDES SOCIAIS E A CONVERGÊNCIA DE SABERES SOBRE AS ANOMALIAS CRANIOFACIAIS


Introdução:

Imersos na cultura da convergência, em que as mídias se difundem e atravessam as relações sociais1, deparamo-nos com diferentes possibilidades de construir conhecimentos, em espaços públicos e privados, formais e informais. Com a multiplicação das redes de comunicação, surgem diferentes formas de sociabilidade mediadas pelas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC), que são integradas nas vidas das pessoas e misturam a realidade virtual com a virtualidade real conforme suas necessidades2.
O “estar conectado”, alcançou o patamar do “ser conectado”. Hoje somos seres cíbridos, imersos em um novo panorama cultural, uma cultura digital. As implicações culturais oriundas da virtualização das informações, influenciam em diferentes aspectos das nossas vidas. Esta influência acontece devido a sua penetrabilidade em todas as esferas da sociedade humana, como é o caso das redes sociais3.
Entende-se por rede social:
“um grupo de pessoas, compreendido através de uma metáfora de estrutura, a estrutura de rede. Os nós da rede representam cada indivíduo e suas conexões, os laços sociais que compõem os grupos. Esses laços são ampliados, complexificados e modificados a cada nova pessoa que conhecemos e interagimos”.

Todavia, o uso das redes sociais, quando objetivado à promoção de saberes acadêmicos, não pode ser vinculado de maneira indiscriminada. A mesma fluidez que legitima a construção de pontes de saberes, viabiliza a exposição de verdades absolutas diversas, que apresentam-se como acadêmicas mas que não necessariamente se configuraram com viés científico e confiabilidade5.
Incluir o cidadão não apenas como alvo do conteúdo, mas como um interlocutor e coautor de conteúdo é uma prática dialógica que diferencia, as redes sociais dos meios de ensino comum e consequentemente traz diversos benefícios na educação em saúde.

Objetivo:
O objetivo geral desta pesquisa foi descrever as potências das redes sociais como ferramentas mediadoras no processo de convergência, compartilhamento de saberes e criação de inteligência coletiva no suporte a educação em saúde, em especial as Anomalias Craniofaciais.

Metodologia:
Esta pesquisa, está estabelecida no campo das ciências sociais e pode-se classificá-la como bibliográfica e qualiquantitativo, em uma abordagem de pesquisa-ação.

Resultados e Discussão:
Os estudos que foram analisados em sua grande parte revelaram a insipiência que ainda existe na confecção e criação de materiais educativos na área da saúde que façam uso de tecnologias digitais e propiciem a Educação a Distância para profissionais de saúde na temática das Anomalias Craniofaciais, dentro da Educação a Distância, principalmente quando associadas a educação midiática e tecnologias móveis.
Apenas um estudo se propôs confeccionar um curso para a capacitação de fonoaudiólogos quanto às orientações a serem dadas aos pais e familiares em relação ao desenvolvimento da linguagem de crianças portadoras de anomalias craniofaciais. Trabalhos que abordam o uso de mídias eletrônicas com o objetivo de promoção e prevenção de portadores de anomalias craniofaciais são limitados. Na literatura não são encontradas ferramentas preparadas para otimizar a formação continuada e capacitação de fonoaudiólogos assim como de outros profissionais da saúde para orientação e cuidado a portadores de anomalias craniofaciais e seus familiares. Observou-se ainda a ausência de estudos que associam o processo de curadoria a elaboração de espaços porosos e confecção de materiais educativos dispostos em redes sociais na temática das Anomalias Craniofaciais6.

Conclusão:
Ao acessarmos uma rede social, já não acessamos mais um espaço digital, mas vivemos ele, como um todo, pois nos encontramos não em um espaço, mas em um contexto cultural, uma cultura digital, dado que a tecnologia se expande, e nós não estamos mais passivos, recebendo informações, mas fazemos parte disso porquanto também criamos, damos vida. E nossa vida embrenha-se aos contextos e conceitos de redes, que interligam outras vidas e compartilham outras histórias, e experiências. O acesso às redes sociais se tornou natural, acessamos porque gostamos, porque queremos ver o outro, interagir com o outro, compartilhar. A busca por conhecimentos na temática das Anomalias Craniofaciais se favorece com uso das redes sociais.
A realização de uma curadoria digital, não apenas considerará o que será direcionado, mas como. Como potencializar as redes sociais como ferramentas mediadoras? De que maneira serão alcançados seguidores? E como considerar cada indivíduo que acessará sua própria rede social?
O acesso a saúde não pode ser dada por chances, e as redes sociais potencializam essa integralização. O uso das redes sociais potencializam a consciência dos direitos e de toda a caminhada que será vivida e traçada pelo usuário em seu acesso aos serviços de saúde, assim como fortalece o profissional de saúde em seu acesso aos saberes acadêmicos. Por conta disto, a realização da curadoria digital, foi imprescindível, porquanto tentou entender que há diversas verdades que conversam entre si, mas, para que exista uma convergência de ideias, pautada em saberes acadêmicos, é preciso que haja respeito do pesquisador em saber como dispor seu saber científico em um espaço tão poroso como são as redes sociais.



Referências

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2. CASTELLS, Manuel; CARDOSO, Gustavo. A sociedade em rede: do conhecimento à acção Política. 2005. Disponível em: Acesso em: jan. 2013.
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4. RECUERO, Raquel da Cunha. Redes sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
5. KATZ, J.E, RICE, R. R., & ACORD, S. (2004). E-health networks and social transformations: Expectations of centralization, experiences of decentralization. In M. CASTELLS (Ed.), The network society: A cross-cultural perspective (pp. 293-318). London: Edward Elgar.
6. CORRÊA, Ana Paula Carvalho. Desenvolvimento da fala no bebê com fissura labiopalatina: mídia para estudantes de fonoaudiologia. 2016. 174 f. Dissertação (Mestrado em Fissuras Orofaciais) - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Universidade de São Paulo, Bauru, 2016. doi:10.11606/D.61.2016.tde-19102016-172929. Acesso em: 2019-08-26.


HIGHLIGHTS
2168
DESENVOLVIMENTO DE UM WEBSITE COMO APOIO AO TREINAMENTO DAS HABILIDADES AUDITIVAS DE CRIANÇAS: ADESÃO DOS PAIS
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA A SER APRESENTADO: Ao longo dos anos o governo brasileiro tem investido recursos financeiros por meio de leis e regulamentações que possibilitam a realização do diagnóstico audiológico e intervenção precoces em crianças com deficiência auditiva. O direito à terapia fonoaudiológica é garantido pela Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva – PNASA (Portaria nº 587, 2004). Os dispositivos eletrônicos somados à terapia fonoaudiológica aurioral possibilitam o desenvolvimento das habilidades de percepção auditiva da fala com melhor qualidade e em menor intervalo de tempo. Contudo, o funcionamento e o custo-efetividade dos serviços de reabilitação não ocorrem como previsto em lei, resultando em crianças sem acesso à terapia fonoaudiológica em diferentes regiões do País, e com atrasos no desenvolvimento auditivo e de linguagem oral. Neste contexto, programas de treinamento auditivo online têm sido empregados como apoio aos pais e aos fonoaudiólogos visando o desenvolvimento das habilidades auditivas, de modo a minimizar as dificuldades existentes. DEFINIÇÃO CLARA DA SITUAÇÃO-PROBLEMA E DA RESOLUÇÃO ENCONTRADA OU PROPOSTA: O uso de estratégias tecnológicas online favorece a intervenção terapêutica inovadora, o aumento da adesão e a otimização da autonomia, além de contribuir com o empoderamento familiar no processo terapêutico em ambiente domiciliar. Neste formato de intervenção, o custo-benefício também recebe destaque em decorrência da redução dos deslocamentos até os centros especializados e a consequente descentralização das unidades de terapia fonoaudiológica. Em tempos como os vivenciados nos dias atuais, quando a recomendação dos órgãos governamentais de saúde pública é a de permanecer em casa, em isolamento ou distanciamento social, a fim de desacelerar a pandemia provocada pela COVID-19 (SARS-CoV-2), tal realidade se torna ainda mais expressiva e significativa, tanto no que diz respeito às dificuldades de acesso à terapia especializada de forma presencial, quanto à busca contínua dos pais e dos familiares por recursos online capazes de auxiliar a continuação do processo terapêutico. Este cenário trouxe à tona a escassez da literatura quanto à existência de programas, websites ou aplicativos focados nas crianças e seus pais, traduzidos para o idioma português, em formato online e gratuito, que reúnam, em uma só plataforma: exercícios voltados ao desenvolvimento em todos os níveis de habilidades auditivas, programados visando o envolvimento e a participação ativa dos pais nas atividades de treinamento junto às crianças e, também, nas orientações direcionadas às estratégias terapêuticas capazes de serem realizadas em ambiente domiciliar, além do monitoramento sistemático do uso, do aproveitamento do treinamento auditivo e da adesão da família no processo de reabilitação auditiva. Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo desenvolver um website gratuito como recurso de apoio aos pais no treinamento das habilidades auditivas de crianças com deficiência auditiva e, verificar a adesão dos pais por meio da aplicação de questionários contínuos e da participação conjunta com as crianças em atividades organizadas, em formato de dupla, além de fornecer orientações diárias acerca das habilidades treinadas. Paralelamente, será analisado se há algum impacto no treinamento das habilidades auditivas a partir dos resultados nos testes de percepção auditiva da fala das crianças, antes e após o treinamento auditivo. APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR OU DE MELHORA NA EFETIVIDADE DE ALGUMA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: A criação de um website nos formatos metodológicos propostos surge como possibilidade de inovação e de interação na construção de novos e futuros modelos sociais e de reabilitação auditiva aurioral, ajustados ao perfil contemporâneo das crianças que se atualizam tecnologicamente todos os dias, ocasionando de forma rápida e progressiva, o surgimento de gerações altamente motivadas e capacitadas para o uso de tecnologias. O conhecimento e a efetivação prática destas abordagens ampliam as opções e as oportunidades das crianças com deficiência auditiva, além de funcionar como apoio adicional aos pais e a terapia fonoaudiológica aurioral. A regulamentação vigente do Conselho Federal de Fonoaudiologia – (CFFa) nº 427/2013 limita as possibilidades de atuação remota autorizando, neste formato, somente a prestação de serviços de teleconsultoria. No entanto, em função da pandemia, atualmente as atividades de teleconsultas e telemonitoramento na área da reabilitação auditiva, tem se tornado uma prática frequente. Neste cenário, websites de treinamento auditivo para crianças, como o proposto por este projeto, podem ser utilizados pelos fonoaudiólogos reabilitadores como alternativa facilitadora à estimulação auditiva destas crianças e ao uso dos dispositivos eletrônicos, além de uma estratégia norteadora aos pais em continuidade ao trabalho realizado pelos profissionais especializados. As atividades e o monitoramento proposto pelo website de treinamento auditivo permitem ainda que o fonoaudiólogo reabilitador tenha um maior conhecimento acerca das necessidades das crianças e do envolvimento dos pais, agentes fundamentais neste processo, oferecendo-lhes um melhor serviço em terapia aurioral, aliando o tratamento à segurança e ao bem-estar das crianças. Deste modo, é possível vencer barreiras físicas, geográficas, espaciais, socioeconômicas, culturais e de financiamento, reduzindo as dificuldades de acesso aos programas de reabilitação, decorrente das faltas de estrutura e profissionais capacitados e, promovendo a descentralização dos atendimentos com garantia de acesso aos serviços e informações à toda população, independentemente da região. Assim, tal estudo pode ainda ser utilizado como orientação aos órgãos governamentais acerca dos novos caminhos que a telessaúde tem trilhado, por meio da teleaudiologia, no que diz respeito ao planejamento e ao emprego dos futuros investimentos e verbas públicas, principalmente em tempos de atendimentos remotos, tendo em vista a contribuição aos processos de reabilitação, com maior integração, equidade, eficiência de serviços, redução das filas de espera e, aumento da qualidade de vida, satisfação e experiência com o uso dos dispositivos eletrônicos, a partir dos serviços prestados.

Almeida GF, Lima KMN, Santos MBS, Andrade KCL. Benefícios do treinamento auditivo para o desenvolvimento das habilidades auditivas em crianças usuárias de implante coclear. Distúrb Comum. 2017;29(2):392-4.

Beier LO, Pedroso F, Costa-Ferreira MID. Benefícios do treinamento auditivo em usuários de aparelho de amplificação sonora individual - revisão sistemática. Rev CEFAC. 2015;17(4):1327-32.

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Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 2.776, de 18 de dezembro de 2014, que aprova diretrizes gerais, amplia e incorpora procedimentos para a Atenção Especializada às Pessoas com Deficiência Auditiva no Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial União. 2014.

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HIGHLIGHTS
1764
DESENVOLVIMENTO DO MONITVOICE: UMA PLATAFORMA PARA ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM TELEMONITORAMENTO VOCAL
Voz (VOZ)


A rápida disseminação internacional da Covid-19, declarada como Pandemia em março de 2020 pela Organização mundial da Saúde (OMS) e a recomendação do distanciamento social como medida preventiva de contaminação (1) acelerou bruscamente a atividade online nos mais diversos setores da sociedade. Mesmo na área da saúde, procedimentos e consultas considerados não essenciais foram adiados ou reconfigurados para modalidade remota através de teleconsulta (2).
A telefonoaudiologia em voz se tornou mais recorrente desde então, tendo em vista que o tratamento das disfonias e o acompanhamento de profissionais da voz, como professores, cantores e jornalistas, não devem ser interrompidos e medidas para manutenção da qualidade vocal destes, são necessárias.
Para garantir qualitativamente este tipo de atendimento, o desenvolvimento de recursos que o subsidiem, torna-se uma premissa e a inovação tecnológica na área, como propulsor dessa nova realidade da saúde conectada, é marcada pelo caráter preventivo, personalizado, preciso e pervasivo (3).
O uso de plataformas e aplicativos como recursos que subsidiam esta prática são inerentes a este processo de inovação e transformação. Nessa conjectura, a modalidade de acompanhamento vocal remoto já havia sido evidenciada. Diversos aplicativos de gravação em smartphones Android e iOS foram testados e se mostraram adequados para análise de voz, no entanto as pesquisas apresentam limitações metodológicas e os aplicativos mais citados não estão disponíveis nos dois sistemas operacionais disponíveis, causando problemas para a acessibilidade (4). O uso de plataformas gratuitas de vídeochamada não parecem ser adequados para avaliação perceptivo-auditiva, devido a baixa qualidade do som (5).
Assim, este projeto propõe o desenvolvimento de uma plataforma que subsidie qualitativamente a atuação fonoaudiológica em telemonitoramento vocal.
A gravação da voz realizada pelo próprio paciente, utilizando o seu smartphone significa um grande avanço na clínica de voz, traz vários benefícios como, monitoramento do desvio vocal, economia de recursos financeiros e materiais, aumento do engajamento do paciente, acessibilidade e realização de acompanhamento fonoaudiológico com especialistas de outras regiões (6).
No entanto, estudos recentes apontam diversas fragilidades nas gravações em smartphone, tanto para a prática clínica, quanto para realização de pesquisas, desde a qualidade do smartphone, o ruído no ambiente, o padrão de captação do áudio, até disponibilidade de um aplicativo que atenda às exigências técnicas, de segurança, compatibilidade e acessibilidade (4). Logo, o objetivo desse trabalho foi desenvolver uma plataforma chamada Monitvoice, disponível para iOS e Android, para auxiliar o fonoaudiólogo no monitoramento vocal, dispondo de um protocolo de gravação, com a inclusão de protocolo de autoavaliação e tutorial de orientação ao paciente.
A abordagem metodológica utilizada foi a do Design Thinking, respeitando as etapas de definição do problema, ideação, prototipagem para posterior testagem (7). O desenvolvimento foi realizado em equipe interprofissional, composta por fonoaudiólogos, técnicos em informática e design. Seu constructo foi realizado com o ambiente de desenvolvimento Android Studio, utilizando a linguagem de programação Java.
O produto é caracterizado pela possibilidade do paciente gravar sua voz, obedecendo a um protocolo pautado em evidências científicas na área da voz (8) e expertise de especialistas em voz. Contém um infográfico animado para exemplificar a posição do usuário e do seu smartphone durante as seguintes tarefas de gravação: Vogal [E] sustentada em tempo máximo fonatório numa intensidade habitual, contagem de 1 a 10 em uma intensidade habitual e três tarefas com vogal [A], em intensidades fraca, confortável e forte, durante 5 segundos cada. Entre as gravações o usuário poderá referir qual o seu nível de esforço vocal através da escala Borg10(9), atendendo as exigências técnicas de reconhecimento de ruído ambiental para adequada gravação (inferior a 50dB), monitoramento da intensidade vocal com parâmetros visuais que permite o usuário modular sua intensidade conforme a indicação: fraca, confortável e forte, gerando um arquivo de áudio em wav, com taxa de amostragem padrão de 44.100hz em faixa mono, numa interface intuitiva e de fácil utilização. As gravações e relatórios gerados no aplicativo são enviados ao fonoaudiólogo, permitindo a avaliação perceptivo-auditiva e monitoramento do esforço vocal.
A mudança no modo como as pessoas utilizam a tecnologia é irreversível. A utilização de recursos para suporte do fonoaudiólogo para o acompanhamento remoto dos pacientes será cada vez mais frequente, assim percebe-se a importância do desenvolvimento de uma plataforma que permite controle de intensidade para gravação da voz, controle de ruído ambiental (garantindo situação ambiental ideal para gravação da voz), escalas de autoavaliação e interface de comunicação profissional – paciente, contribuindo para que o Fonoaudiólogo construa um raciocínio clínico com parâmetros para tomada de decisão terapêutica fidedigna, mesmo em contexto assíncrono.

1 - Rafael RMR, Neto M, Carvalho MMB, David HMSL, Acioli S, Faria MGA. Epidemiologia, políticas públicas e Covid-19. Rev enferm UERJ. 2020; 28:e49570.
DOI: 10.12957/reuerj.2020.49570

2 - Vogler SA, Lightner AL. Rethinking how we care for our patients in a time
of social distancing. 2020, [revista em Internet] inWiley Online Library (www.bjs.co.uk).
DOI: 10.1002/bjs.11636

3 - Costa LS, Inovação nos serviços de saúde: apontamentos sobre os limites do conhecimento. Cad. Saúde Pública. 2016; 32.
DOI: 10.1590/0102-311X00151915

4 - Munnings AJ. The Current State and Future Possibilities of Mobile Phone “Voice Analyser” Applications, in Relation to Otorhinolaryngology. Journal of Voice. 2019; 34(4):527-532.
DOI: 10.1016/j.jvoice.2018.12.018

5 - Dimer NA, Soares NC, Teixeira LS, Goulart BNG. Pandemia do COVID-19 e implementação de telefonoaudiologia para pacientes em domicílio: relato de experiência. CoDAS. 2020;32(3):e20200144.
DOI: 10.1590/2317-1782/20192020144

6 - Manfredi C, et al. Smartphones Offer New Opportunities in Clinical Voice
Research. Journal of Voice. 2016; 31(1):111.E1-111.E7.
DOI: 10.1016/j.jvoice.2015.12.020

7 - Brown T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier; 2010.

8 – Patel RR, et al. Recommended Protocols for Instrumental Assessment of Voice: American Speech-Language-Hearing Association Expert Panel to Develop a Protocol for Instrumental Assessment of Vocal Function. American Journal of Speech-Language Pathology. 2018; 27:887–905.
DOI: 10.1044/2018_AJSLP-17-0009

9 - Van Leer E, Van Mersbergen M. Using the Borg CR10 Physical Exertion Scale to Measure Patient-perceived Vocal Effort Pre and Post Treatment. Journal of Voice. 2017; 31(3):389.e19-389.e25.
DOI: 10.1016/j.jvoice.2016.09.023


HIGHLIGHTS
2190
DESIGN THINKING COMO ABORDAGEM METODOLÓGICA PARA PRÁTICA DA FONOAUDIOLOGIA
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: O Design Thinking (DT) é uma abordagem metodológica de inovação e tem como motivação a solução de problemas. O DT surgiu originalmente com o intuito de facilitar o processo de inovação tecnológica em processos, produtos e serviços nas áreas do marketing e design, posteriormente difundidos na área da saúde, visto que a sua organização metodológica facilita o processo de trabalho e gestão. Além disso, o DT possibilita o desenvolvimento de cenários de trabalho colaborativos, considerando a pluralidade de saberes para construção de idéias melhores, mais eficazes e eficientes, bem como a entrega de melhores experiências aos usuários. Nele, tradicionalmente, são apresentadas três principais etapas para o desenvolvimento de inovação: inspiração, ideação e implementação¹'². Serviços de saúde ainda apresentam falhas ao lidar com alguns pontos que necessitam de inovação: custos, habilidades de execução, planejamento, gestão, cultura e infra-estrutura herdada. Além disso, falta pensamento unificado e direção estratégica, treinamento ou apoio adequado para implementar ou manter um novo modelo de trabalho, restando ainda ceticismo em relação a novos conceitos, protecionismo e relutância em mudar. Terapias em geral tendem a ser demoradas, o que gera custos sociais e econômicos o que nos leva a necessidade de identificar o tratamento mais eficaz e eficiente. Pensando a prática fonoaudiológica, mas especificamente, o planejamento terapêutico, avaliação e/ou gestão de condutas clínicas e seus objetivos como problemas a serem solucionados, o recurso do Design Thinking pode ser uma resposta para o estabelecimento e direcionamento desses processos, favorecendo a clareza e alcance de soluções pela capacidade organização e reflexão que a abordagem oferece. Para Kolko³ e Giacomini⁴, o Design Thinking baseia-se no uso de técnicas que comunicam, interagem, empatizam e estimulam as pessoas envolvidas, obtendo uma compreensão de suas necessidades, desejos e experiências que muitas vezes transcendem aquilo que as próprias pessoas realmente realizaram, tendo o usuário como foco central da atividade. OBJETIVO: O objetivo dessa proposta foi evidenciar a utilização da abordagem metodológica na prática fonoaudiológica. METODOLOGIA: O projeto propôs a adequação da abordagem metodológica do DT para a prática fonoaudiológica, nas etapas de acordo com Juliani, Cavaglieri e Machado⁵ e Ramírez e Zaninelli⁶ visando melhor organização, como: Imersão, Definição, Ideação, Prototipagem, Teste e Compartilhamento, aplicando em diferentes finalidades na prática Fonoaudiológica, seja definição de idéias, planejamento terapêutico e de avaliação e/ou gestão de condutas clínicas. RESULTADOS: O Design Thinking em Fonoaudiologia pode ser aplicado na etapa inicial de Imersão, onde o fonoaudiólogo observa as queixas, além de toda história clínica e desenvolvimental e dados apresentados pelo paciente na entrevista. Na Definição, o profissional atenta-se para o que a literatura apresenta sobre as patologias congruentes com as queixas apresentadas, correlaciona os aspectos clínicos com os achados fisiopatológicos, busca evidências visando definir o problema central e aspectos relacionados a ele e outros profissionais que precisam estar envolvidos no processo. Partindo para a etapa de Ideação, o profissional, junto com os outros profissionais elencados para o cumprimento dos objetivos, tendo por base as idéias estabelecidas na etapa de definição, visando melhores soluções, estabelece diferentes estratégias e recursos que possam ser utilizados para construção da conduta que melhor se adapta a necessidade do paciente. Ainda nessa etapa, recursos para este fim elaborados (materiais ou não materiais) são definidos, para que as estratégias planejadas sejam realizadas. Com os recursos em mãos, o profissional da poderá iniciar a etapa que equivaleria a Prototipagem. Nesta etapa, são desenvolvidos todos os recursos e estratégias que serão utilizados para o suporte clínico, cabe destacar que durante todo o processo de desenvolvimento o fonoaudiólogo poderá realizar esta etapa em grupo interprofissional, tendo em vista um atendimento interprofissional coeso em seus objetivos e estratégias⁷. A próxima etapa é de Teste, em que todo o planejado irá ser colocado em prova para que o paciente possa experimentar e dar seu feedback em cenário clínico. Durante o teste, informações sobre a experiência do usuário deverão ser coletadas, seja satisfação, alcance de objetivos clínicos, aplicabilidade e replicabilidade da prática. Por fim, acontece o Compartilhamento, partindo de duas hipóteses. Na primeira, se a estratégia desenvolvida foi assertiva para a demanda clínica, poderá ser implementada para novos pacientes, ou, em segunda hipótese, não atendendo às necessidades, o profissional retorna para definição de idéias ou ideação para reformular sua conduta. Na etapa de Compartilhamento o pensamento clínico deve ser atrelado ao julgamento crítico para que a estratégia desenvolvida e colocada em prova seja analisada criteriosamente, garantindo boas práticas clínicas. CONCLUSÃO: A abordagem metodológica do Design Thinking pode ser aplicável a prática fonoaudiológica, seja em planejamento prévio para fins de terapia, ou organização dos serviços no intuito de oferecer a melhor experiência aos pacientes ou usuários dos serviços. Nessa estrutura o Fonoaudiólogo poderá implementar em suas práticas, e experimentar a inovação com foco no usuário no processo de sua atuação.

1- Brown T. Design thinking. Harvard Business Review, 2008; 86(6): 85-92.

2- Brown T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier. 2010.

3- Kolko J. Design Thinking Comes of Age. Harvard Business Review. 2015.

4- Giacomin J. What Is Human Centred Design? The Design Journal. 2014;17(4):606–23.

5- Juliani JP, Cavaglieri M, Machado RB. Design thinking como ferramenta para geração de inovação: um estudo de caso da Biblioteca Universitária da UDESC. Incid: Revista de Ciência da Informação e Documentação. 2015; 6(2): 66-83.

6- Ramírez DMB, Zaninelli TB. O uso do design thinking como ferramenta no
processo de inovação em bibliotecas. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação.2017; 22(49): 59-74.

7- Van de Grift TC, Kroeze R. Design Thinking as a Tool for Interdisciplinary Education in Health Care. Acad Med. 2016; 91(9): 1.


HIGHLIGHTS
2197
DHACA – DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES COMUNICATIVAS NO AUTISMO
Linguagem (LGG)


A alteração nas habilidades comunicativas é uma das principais características no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)1. Para promover o desenvolvimento dessas habilidades, a intervenção fonoaudiológica precoce é fundamental, sendo diversas as abordagens e recursos terapêuticos descritos na literatura, dentre estes a Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA)2. A eficácia da CAA no desenvolvimento da comunicação de crianças com TEA é bem documentada em publicações internacionais, entretanto ainda são escassos os estudos no Brasil. Além disso, há carência de métodos na literatura brasileira que: descrevam como introduzir o uso de uma prancha de comunicação alternativa; que promova o desenvolvimento morfossintático e o uso das funções da linguagem em variados ambientes de comunicação; que a distribuição dos pictogramas seja baseada na proposta do “core words”3; que o sistema de comunicação alternativa utilizado seja de uso mútuo, do usuário e seus interlocutores, sendo estes últimos responsáveis diretos pela modelagem no uso da prancha. Diante disso, a proposta deste trabalho é demonstrar o método Desenvolvimento das Habilidades Comunicacionais em Autismo – DHACA que tem como pressuposto teórico a Teoria Sociopragmática. Segundo Tomasello4, a habilidade de Atenção Compartilhada (AC) é um diferencial do ser humano e, por meio dela, a criança compreende o outro como agente intencional e assim, adquire o código linguístico utilizado em seu ambiente natural. Partindo dessa premissa, acredita-se que para o desenvolvimento da linguagem em crianças com TEA, a AC deve ser estimulada e que o adulto, seu parceiro de comunicação deve “modelar”, isto é, demonstrar continuamente o uso do código linguístico durante a interação com a criança. Entende-se ainda, que estimular a AC por meio de atividades engajadoras com o uso do código linguístico apoiado por estímulos visuais concretos, poderá promover o desenvolvimento da comunicação funcional em crianças com TEA. Outro aspecto relevante, é que deve-se considerar a complexidade desenvolvimental das habilidades morfossintáticas e lexicais no processo terapêutico. Além disso, existe a dificuldades na práxis em muitas crianças com TEA5, que podem ser minimizadas com o uso de estratégias baseadas em intervenção comportamental6, durante a prática com o sistema de comunicação alternativa. Nesse contexto, o método DHACA tem como objetivo desenvolver as habilidades de comunicação com uso de um sistema de CAA robusto, baseado no “Core Words” com o uso de atividades lúdicas planejadas de acordo com as preferências da criança, previamente avaliadas; com uso de algumas estratégias comportamentais, com a participação da família no processo de intervenção, entendendo a importância do outro para o desenvolvimento da comunicação; e o uso no contexto sociocultural da criança. Importante destacar que diante da complexidade das atividades, o método não foi testado com crianças consideradas quadros graves do TEA. O método está sendo proposto para crianças não-verbais ou minimamente verbais que possam desenvolver a AC, a imitação, o contato visual e o brincar funcional, sem comorbidades diagnosticadas. O instrumento de sistema de Comunicação Alternativa utilizado é uma prancha de comunicação de baixa tecnologia, confeccionada em papel A4 e plastificada após impressão, de aproximadamente sessenta pictogramas coloridos, selecionados baseado no vocabulário “Core Words” composto por pronomes pessoais, interrogativos, preposições e advérbios e distribuídos em tabela seguindo a ordenação da estrutura linguística frasal com sujeito + verbo + predicado. Além disso, na parte superior da prancha, são adicionadas outras folhas menores, fixadas à prancha com espiral, com uma linha de pictogramas impressos que representam o “fringe vocabulary” ou vocabulário acessório. Nessas folhas menores há até duas linhas com pictogramas com categorias lexicais distintas (alimentos, formas, cores, números, brinquedos, locais, sentimentos) e que são adicionadas gradativamente, de acordo com o interesse da criança, o desenvolvimento lexical e solicitação da família. O método classifica as habilidades comunicativas a serem desenvolvidas e descreve seus respectivos objetivos para alcançá-las: inicialmente se promove a habilidade CFEQX - Construção de Frases com Eu + Quero + um pictograma- em que a criança solicita algo próximo ao interlocutor apontando para os pictogramas da prancha: EU + QUERO + figura avulsa (que represente o que deseja). A construção da frase ocorre de forma sequenciada apontando para os pictogramas, podendo ser acompanhada da fala. Nesta habilidade, utiliza-se até quatro figuras avulsas à prancha. Para iniciar a aquisição da habilidade seguinte, que é a CFEQXID - Construção de Frases com Eu + Quero + um pictograma na prancha, a criança deve ser capaz de solicitar algo que esteja distante ao interlocutor apontando para as figuras EU + QUERO + um pictograma no vocabulário acessório. A construção da frase ocorre de forma sequenciada apontando para os pictogramas, podendo ser acompanhado da fala. Para dar início a habilidade seguinte, a criança já produz este tipo de frase com vários interlocutores e em contextos diversos. A terceira habilidade é a CFEQXX ID - Construção de Frases com Eu + Quero + duas palavras, quando a criança forma frases com as figuras: EU + QUERO + dois pictogramas (pode ser artigos, adjetivos, numerais). A construção da frase ocorre apontando de forma sequenciada para os pictogramas, podendo ser acompanhado da fala. Ela deve utilizar com interlocutores e em contextos diversos para só então dar início a aquisição da habilidade seguinte que é a CF4OP - Construção de Frases com Quatro ou mais Palavras, quando já é capaz de formar frases com quatro ou mais palavras, fazendo perguntas, comentários, informações ou solicitações. A construção da frase ocorre de forma sequenciada apontando para as figuras, podendo ser acompanhado da fala. Terá que utilizar este tipo de frase com interlocutores e em contextos diversos, para iniciar a aquisição da habilidade seguinte, a CND - Construção de Narrativas. Nesta última etapa, a criança já apresenta as habilidades anteriores e inicia a produção de narrativas, apontando os pictogramas sequencialmente podendo ser acompanhado da fala ou já pode estar produzindo narrativas orais espontaneamente sem o uso da prancha. Terá que se comunicar com interlocutores diferentes e em contextos diversos. É importante destacar que este método está em desenvolvimento. O objetivo de apresenta-lo é promover discussão junto aos pares, compartilhar ideias e disseminar ciência.

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2. Gonçalves CAB; Castro MSJ. Propostas de intervenção fonoaudiológica no autismo infantil: revisão sistemática da literatura. Distúrbios da Comunicação. 2013. 25(1):15-25.


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5. Cattaneo L, Fabbri-Destro M, Boria S, Pieraccini C, Monti A, Cossu G, Rizzolatti G. (2007). Impairment of actions chains in autism and its possible role in intention understanding. Proceedings of the National Academy of Sciences.104(45):17825-17830.

6. Cuvo AJ & Davis PK. Behavior therapy and community living skills. In M. Hersen, R. M. Eisler, & P. M. Miller (Eds.), Progress in behavior modification New York: Academic Press. 1983. pp. 125-172


HIGHLIGHTS
2171
EFEITO DA TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA NA REABILITAÇÃO DA DISFAGIA OROFARÍNGEA EM INDIVÍDUOS COM APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Disfagia (DIS)



Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) caracteriza-se pela interrupção do fluxo respiratório durante o sono devido à obstrução parcial (hipopneia) ou completa (apneia) das vias aéreas superiores (VAS) (1). Indivíduos com AOS e roncadores primários podem apresentar um número aumentado de terminações nervosas anômalas na estrutura faríngea. Estas alterações morfológicas típicas de lesão neural periférica no palato mole e na orofaringe são acarretadas, possivelmente, pelas vibrações de baixa frequência contínuas produzidas pelo ronco e pela hipóxia intermitente relacionada à AOS (2). Somado à dessaturação da oxiemoglobina, decorrente dos episódios de apneia e hipopneia, há um prejuízo na aferência neuromuscular de VAS e integração central entre as funções de deglutição e respiração (3). Deste modo, observa-se disfunção no processo deglutitório, que é depende da coordenação motora e da percepção sensorial em laringe e faringe. Portanto, a disfagia orofaríngea associa-se à AOS, em virtude das estruturas musculoesqueléticas implicadas na fisiopatologia da AOS também participarem da função de deglutição. Apesar disso, a disfagia orofaríngea é um transtorno subdiagnosticado nesses indivíduos (4).
Modificações na atividade muscular da VAS ocorrem no início do sono com diminuição da atividade tônica e fásica dos músculos genioglosso, gênio hioideo, tensor palatino, elevador palatino e palatoglosso (5). A modificação muscular é associada à diminuição transitória da ventilação e ao aumento da resistência de VAS. O comprometimento orofaríngeo traduz-se em déficit do controle sensório-motor oral, evidenciado por escape prematuro do alimento, além de atraso do início da fase faríngea da deglutição, penetração laríngea, resíduo faríngeo após a deglutição, mesmo sem penetração laríngea ou aspiração traqueal (4,6).
A terapia miofuncional orofacial é indicada como possibilidade de tratamento conservador aos pacientes com AOS. A ênfase em exercícios orofaríngeos promove melhora significativa da gravidade da AOS, dos sintomas associados à doença e a adequação de mobilidade, tonicidade e funcionalidade da musculatura envolvida (7). Nota-se gradativo aumento de pesquisas com esse enfoque. Contudo, dificilmente encontra-se estudos cujo objeto de investigação seja o impacto da fonoterapia para o tratamento das disfagias orofaríngeas em indivíduos com AOS. À vista disso, o presente estudo teve por objetivo investigar o efeito da intervenção fonoaudiológica na reabilitação da deglutição em indivíduos com AOS diagnosticados com disfagia orofaríngea por meio da avaliação videoendoscópica da deglutição (VED).
Trata-se de estudo clínico intervencionista e prospectivo, no qual indivíduos diagnosticados com AOS e disfagia orofaríngea foram submetidos à intervenção fonoaudiológica por oito semanas. O programa terapêutico consistiu na realização diária de três técnicas: Masako, flexão cervical com contra resistência e treino muscular expiratório. Estes exercícios foram selecionados de acordo com a anátomo-fisiologia das alterações descritas na literatura e observadas na avaliação videoendoscópica da deglutição. A manobra de Masako promove o aumento da atividade da musculatura supra-hioidea, dos constritores faríngeos e do músculo cricofaríngeo (8). A técnica de flexão cervical com contra resistência fortalece a musculatura supra-hioidea e promove a elevação, anteriorização e estabilização do conjunto hioide-laringe, além de influenciar na redução da pressão do esfíncter esofágico superior (9). O treino muscular expiratório, realizado com o equipamento Respiron, em posição invertida e ajustado na carga 3, promove aumento da atividade de musculatura supra-hioidea e redução do tempo de transição faríngea (10). Todos os participantes receberam orientação e supervisão semanal por profissional especializado. Foram submetidos à aplicação do instrumento de avaliação do risco de disfagia Eating Assessment Tool (EAT-10), de qualidade de vida em deglutição Quality of Life in Swallowing Disorders (Swal-Qol), e à avaliação videoendoscópica, antes e após o programa de reabilitação fonoaudiológica.
Os resultados preliminares correspondem à análise de 12 indivíduos que concluíram todas as etapas do estudo. A análise estatística foi realizada através do programa SPSS 19.0. Os dados foram apresentados em frequência absoluta e relativa ou mediana e intervalo interquartil. Foram utilizados os seguintes testes estatísticos: teste t pareado, Wilcoxon e qui-quadrado de McNemar. A amostra preliminar constituiu-se de 8 (66,7%) participantes do sexo feminino e 4 (33,3%) do sexo masculino, com mediana de idade de 62 (59,25-63,75) anos, índice de massa corporal de 33,26 (26,66-36,03) Kg/m² e índice de apneia-hipopneia de 20,50 (9-37,75). Quanto à classificação da gravidade da AOS, 5 (41,7%) participantes apresentaram grau leve, 2 (16,6%) moderado e 5 (41,7%) grave. Em relação ao grau da disfagia antes do programa de reabilitação, 7 (58,3%) participantes apresentaram disfagia leve e 5 (41,7%) disfagia leve a moderada. Após o programa de reabilitação, 3 (24%) participantes apresentaram deglutição normal, 8 (65%) deglutição funcional e 1 (11%) disfagia leve. Houve diferença estatisticamente significativa, entre os grupos pré e pós o programa de reabilitação, da pontuação do EAT-10 (p=0,035), assim como da presença de atraso do início da fase faríngea, de penetração laríngea e de resíduo faríngeo evidenciados por meio da avaliação videoendoscópica da deglutição (p=0,031). O domínio físico do EAT-10 foi o domínio que exibiu maior redução de pontuação após o programa de reabilitação, com diferença estatisticamente significativa entre os grupos pré e pós fonoterapia (p=0,025).
Apesar do tamanho amostral pequeno, os resultados preliminares mostram melhora significativa da performance deglutitória dos participantes deste estudo que, em sua maioria, alcançam um diagnóstico de deglutição funcional após processo de reabilitação fonoaudiológica. O estudo está em andamento com maior número de participantes que deverão proporcionar resultados mais robustos.

1. Epstein LJ, Kristo D, Strollo PJ, Friedman N, Malhotra A, Patil SP, Ramar K, Rogers R, Schwab RJ, Weaver EM, Weinstein MD. Clinical guideline for the evaluation, management and long-term care of obstructive sleep apnea in adults. J Clin Sleep Med. 2009;5(3):263–276.
2. Balbani APS, Formigoni GGS. Ronco e síndrome da apneia obstrutiva do sono. Rev Ass Med Bras. 1999; 45(3):273-8.
3. Teramoto S, Sudo E, Matsuse T, Ohga E, Ishii T, Ouchi Y, et al. Impaired swallowing reflex in patients with obstructive sleep apnea syndrome. Chest. 1999;116(1):17-21.
4. Schindler A, Mozzanica F, Sonzini G, Plebani D, Urbani E, Pecis M, et al. Oropharyngeal Dysphagia in patients with obstructive sleep apnea syndrome. Dysphagia. 2014;29(1):44-51.
5. Palombini LO. Pathophysiology of sleep-disordered breathing. J Bras Pneumol. 2010; 36:4-9.
6. Valbuza JS, de Oliveira MM, Zancanella E, Conti CF, Prado LB, Carvalho LB, et al. Swallowing dysfunction related to obstructive sleep apnea: a nasal fibroscopy pilot study. Sleep Breath. 2011;15(2):209-13.
7. Guimarães KC, Drager LF, Genta PR, Marcondes BF, Lorenzi-Filho G. Effects of oropharyngeal exercises on patients with moderate obstructive sleep apnea syndrome. Am J Respir Crit Care Med. 2009;179(10):962-6.
8. Hammer MJ, Jones CA, Mielens JD, Kim CH, McCulloch TM. Evaluating the Tongue-Hold Maneuver Using High-Resolution Manometry and Electromyograph. Dysphagia. 2014; 29(5): 564–570.
9. Yoon W L, Khoo JKP. Chin Tuck Against Resistance (CTAR): New Method for Enhancing Suprahyoid Muscle Activity Using a Shaker-type Exercise. Dysphagia. 2014; 29:243–248.
10. Pazzotti AC. Atividade eletromiográfica dos músculos supra-hioideos e orbicular da boca no exercício expiratório com diferentes dispositivos. Dissertação para a obtenção do título de Mestre em Fonoaudiologia. Marília: Universidade Estadual Paulista-UNESP; 2017. 52p.


HIGHLIGHTS
2173
EFEITO DA TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA NA REABILITAÇÃO DA DISFAGIA OROFARÍNGEA EM INDIVÍDUOS COM APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Disfagia (DIS)


Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) caracteriza-se pela interrupção do fluxo respiratório durante o sono devido à obstrução parcial (hipopneia) ou completa (apneia) das vias aéreas superiores (VAS) (1). Indivíduos com AOS e roncadores primários podem apresentar um número aumentado de terminações nervosas anômalas na estrutura faríngea. Estas alterações morfológicas típicas de lesão neural periférica no palato mole e na orofaringe são acarretadas, possivelmente, pelas vibrações de baixa frequência contínuas produzidas pelo ronco e pela hipóxia intermitente relacionada à AOS (2). Somado à dessaturação da oxiemoglobina, decorrente dos episódios de apneia e hipopneia, há um prejuízo na aferência neuromuscular de VAS e integração central entre as funções de deglutição e respiração (3). Deste modo, observa-se disfunção no processo deglutitório, que é depende da coordenação motora e da percepção sensorial em laringe e faringe. Portanto, a disfagia orofaríngea associa-se à AOS, em virtude das estruturas musculoesqueléticas implicadas na fisiopatologia da AOS também participarem da função de deglutição. Apesar disso, a disfagia orofaríngea é um transtorno subdiagnosticado nesses indivíduos (4).
Modificações na atividade muscular da VAS ocorrem no início do sono com diminuição da atividade tônica e fásica dos músculos genioglosso, gênio hioideo, tensor palatino, elevador palatino e palatoglosso (5). A modificação muscular é associada à diminuição transitória da ventilação e ao aumento da resistência de VAS. O comprometimento orofaríngeo traduz-se em déficit do controle sensório-motor oral, evidenciado por escape prematuro do alimento, além de atraso do início da fase faríngea da deglutição, penetração laríngea, resíduo faríngeo após a deglutição, mesmo sem penetração laríngea ou aspiração traqueal (4,6).
A terapia miofuncional orofacial é indicada como possibilidade de tratamento conservador aos pacientes com AOS. A ênfase em exercícios orofaríngeos promove melhora significativa da gravidade da AOS, dos sintomas associados à doença e a adequação de mobilidade, tonicidade e funcionalidade da musculatura envolvida (7). Nota-se gradativo aumento de pesquisas com esse enfoque. Contudo, dificilmente encontra-se estudos cujo objeto de investigação seja o impacto da fonoterapia para o tratamento das disfagias orofaríngeas em indivíduos com AOS. À vista disso, o presente estudo teve por objetivo investigar o efeito da intervenção fonoaudiológica na reabilitação da deglutição em indivíduos com AOS diagnosticados com disfagia orofaríngea por meio da avaliação videoendoscópica da deglutição (VED).
Trata-se de estudo clínico intervencionista e prospectivo, no qual indivíduos diagnosticados com AOS e disfagia orofaríngea foram submetidos à intervenção fonoaudiológica por oito semanas. O programa terapêutico consistiu na realização diária de três técnicas: Masako, flexão cervical com contra resistência e treino muscular expiratório. Estes exercícios foram selecionados de acordo com a anátomo-fisiologia das alterações descritas na literatura e observadas na avaliação videoendoscópica da deglutição. A manobra de Masako promove o aumento da atividade da musculatura supra-hioidea, dos constritores faríngeos e do músculo cricofaríngeo (8). A técnica de flexão cervical com contra resistência fortalece a musculatura supra-hioidea e promove a elevação, anteriorização e estabilização do conjunto hioide-laringe, além de influenciar na redução da pressão do esfíncter esofágico superior (9). O treino muscular expiratório, realizado com o equipamento Respiron, em posição invertida e ajustado na carga 3, promove aumento da atividade de musculatura supra-hioidea e redução do tempo de transição faríngea (10). Todos os participantes receberam orientação e supervisão semanal por profissional especializado. Foram submetidos à aplicação do instrumento de avaliação do risco de disfagia Eating Assessment Tool (EAT-10), de qualidade de vida em deglutição Quality of Life in Swallowing Disorders (Swal-Qol), e à avaliação videoendoscópica, antes e após o programa de reabilitação fonoaudiológica.
Os resultados preliminares correspondem à análise de 12 indivíduos que concluíram todas as etapas do estudo. A análise estatística foi realizada através do programa SPSS 19.0. Os dados foram apresentados em frequência absoluta e relativa ou mediana e intervalo interquartil. Foram utilizados os seguintes testes estatísticos: teste t pareado, Wilcoxon e qui-quadrado de McNemar. A amostra preliminar constituiu-se de 8 (66,7%) participantes do sexo feminino e 4 (33,3%) do sexo masculino, com mediana de idade de 62 (59,25-63,75) anos, índice de massa corporal de 33,26 (26,66-36,03) Kg/m² e índice de apneia-hipopneia de 20,50 (9-37,75). Quanto à classificação da gravidade da AOS, 5 (41,7%) participantes apresentaram grau leve, 2 (16,6%) moderado e 5 (41,7%) grave. Em relação ao grau da disfagia antes do programa de reabilitação, 7 (58,3%) participantes apresentaram disfagia leve e 5 (41,7%) disfagia leve a moderada. Após o programa de reabilitação, 3 (24%) participantes apresentaram deglutição normal, 8 (65%) deglutição funcional e 1 (11%) disfagia leve. Houve diferença estatisticamente significativa, entre os grupos pré e pós o programa de reabilitação, da pontuação do EAT-10 (p=0,035), assim como da presença de atraso do início da fase faríngea, de penetração laríngea e de resíduo faríngeo evidenciados por meio da avaliação videoendoscópica da deglutição (p=0,031). O domínio físico do EAT-10 foi o domínio que exibiu maior redução de pontuação após o programa de reabilitação, com diferença estatisticamente significativa entre os grupos pré e pós fonoterapia (p=0,025).
Apesar do tamanho amostral pequeno, os resultados preliminares mostram melhora significativa da performance deglutitória dos participantes deste estudo que, em sua maioria, alcançam um diagnóstico de deglutição funcional após processo de reabilitação fonoaudiológica. O estudo está em andamento com maior número de participantes que deverão proporcionar resultados mais robustos.


1. Epstein LJ, Kristo D, Strollo PJ, Friedman N, Malhotra A, Patil SP, Ramar K, Rogers R, Schwab RJ, Weaver EM, Weinstein MD. Clinical guideline for the evaluation, management and long-term care of obstructive sleep apnea in adults. J Clin Sleep Med. 2009;5(3):263–276.
2. Balbani APS, Formigoni GGS. Ronco e síndrome da apneia obstrutiva do sono. Rev Ass Med Bras. 1999; 45(3):273-8.
3. Teramoto S, Sudo E, Matsuse T, Ohga E, Ishii T, Ouchi Y, et al. Impaired swallowing reflex in patients with obstructive sleep apnea syndrome. Chest. 1999;116(1):17-21.
4. Schindler A, Mozzanica F, Sonzini G, Plebani D, Urbani E, Pecis M, et al. Oropharyngeal Dysphagia in patients with obstructive sleep apnea syndrome. Dysphagia. 2014;29(1):44-51.
5. Palombini LO. Pathophysiology of sleep-disordered breathing. J Bras Pneumol. 2010; 36:4-9.
6. Valbuza JS, de Oliveira MM, Zancanella E, Conti CF, Prado LB, Carvalho LB, et al. Swallowing dysfunction related to obstructive sleep apnea: a nasal fibroscopy pilot study. Sleep Breath. 2011;15(2):209-13.
7. Guimarães KC, Drager LF, Genta PR, Marcondes BF, Lorenzi-Filho G. Effects of oropharyngeal exercises on patients with moderate obstructive sleep apnea syndrome. Am J Respir Crit Care Med. 2009;179(10):962-6.
8. Hammer MJ, Jones CA, Mielens JD, Kim CH, McCulloch TM. Evaluating the Tongue-Hold Maneuver Using High-Resolution Manometry and Electromyograph. Dysphagia. 2014; 29(5): 564–570.
9. Yoon W L, Khoo JKP. Chin Tuck Against Resistance (CTAR): New Method for Enhancing Suprahyoid Muscle Activity Using a Shaker-type Exercise. Dysphagia. 2014; 29:243–248.
10. Pazzotti AC. Atividade eletromiográfica dos músculos supra-hioideos e orbicular da boca no exercício expiratório com diferentes dispositivos. Dissertação para a obtenção do título de Mestre em Fonoaudiologia. Marília: Universidade Estadual Paulista-UNESP; 2017. 52p.


HIGHLIGHTS
2194
EFETIVIDADE DA ELETROESTIMULÇÃO NEUROMUSCULAR NO ABAIXAMENTO LARÍNGEO: UM ESTUDO DE CASO.
Voz (VOZ)


Introdução: a posição vertical que a laringe ocupa no pescoço possui um forte efeito acústico sobre a voz do falante. A literatura mostra que a laringe mais elevada tem um forte componente de tensão, enquanto que a laringe em posição mais baixa é associada a uma emissão mais suave e confortável[1]. O tratamento convencional vocal consiste em melhorar a produção da voz e reduzir o impacto negativo na qualidade de vida do paciente. Utiliza-se de métodos como: exercícios para a fonte glótica, coordenação pneumofonoarticulatória, ressonância vocal, relação corpo-voz, orientações de higiene ou bem estar vocal, entre outros. Porém, a terapia convencional para ser eficaz, depende muito da colaboração e motivação do paciente em aderir de fato ao tratamento, realizando corretamente os exercícios solicitados ou mudando os hábitos prejudiciais à saúde da voz[2]. Portanto, é importante que Fonoaudiologia possa contar com métodos mais objetivos no tratamentos das disfonias. A eletroterapia se encaixa nesse contexto, pois trata-se de uma modalidade simples e não invasiva, e está sendo utilizada na fonoaudiologia na disfagia, motricidade orofacial, disfunções temporomandibulares e paralisia facial[3]. A eletroestimulação neuromuscular (EENM) é uma modalidade da eletroterapia e um método que atua diretamente na musculatura laríngea, favorecendo a mobilidade e contração dos músculos. Esta técnica muito tem a acrescentar às práticas convencionais fonoaudiológicas, pois estudos demonstram resultados satisfatórios quanto à utilização da eletroestimulação na melhora dos quadros de disfagia; porém a eficácia da eletroestimulação para quadros de disfonias ainda estão sendo avaliados[4]. Objetivos: o objetivo geral desta pesquisa foi descobrir a eficácia da EENM como manobra de abaixamento laríngeo. Os objetivos específicos foram mensurar a postura da laringe antes e após a intervenção, realizar análise acústica antes e após a intervenção e aplicar a ENM na musculatura supra e infra hioidea. Metodologia: a metodologia utilizada foi um estudo de caso, de natureza transversal e quantitativa. A participante selecionada é do gênero feminino, 64 anos, com queixa de rouquidão e diagnosticada com pólipo na prega vocal esquerda. Foi submetida à mensuração da posição vertical da laringe, seguindo os estudos de Brasil, Yamasaki e Leão (2005). Logo após realizou-se uma coleta de amostra vocal para análise acústica, onde a paciente emitiu a vogal “E” sustentadamente em posição sentada, em uma sala silenciosa. Para análise acústica foi utilizado o Software de análise acústica Voxmetria da CTS Informática, e foram analisados os seguintes parâmetros: shimmer, jitter, média da frequência fundamental, moda da frequência fundamental, irregularidade, ruído, proporção GNE, variabilidade da frequência fundamental e semitons. Esses dados foram colhidos pré e pós à eletroestimulação neuromuscular. Em seguida, recebeu a aplicação da eletroestimulação na laringe em três programações: relaxamento dos músculos supra hioideos, aquecimento dos infra hioideos e contrações dos infra hioideos. Resultados: os resultados apontaram que após a sessão de eletroestimulação neuromuscular, houve uma descida da posição vertical da laringe, bem como uma mudança favorável nos parâmetros da análise acústica, revelando uma emissão mais equilibrada e confortável. Conclusão: Foi possível comprovar que a eletroestimulação neuromuscular é uma técnica eficaz como manobra de abaixamento laríngeo, e que esta posição, por sua vez, favorece a emissão vocal da paciente, tornando-a mais equilibrada. Entretanto sugere-se a realização de estudos com um número maior de participantes, a fim de trazer relevância estatística para o tema proposto.

1. BRASIL, O. O. C.; YAMASAKI, R.; LEÃO, S. H. S. Proposta de medição da posição vertical da laringe em repouso. Rev. Bras. Otorrinolaringol.[revista em internet] 2005 maio-junho. [acesso em 04 de abril de 2020]; 71(3). Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992005000300008
2. BEHLAU, M. et al. Apresentação do programa integral de reabilitação vocal para o tratamento das disfonias comportamentais. CoDAS. 2013;25(5):2.
3. RODRIGUES, D.; SIRIANI, A.; BERZIN, F. Effect of conventional TENS on pain and electromyographic activity of masticatory muscles in TMD patients. Braz. res oral. 2004;18(4):290-295.
4. SANTOS, J. et. al.. Uso da eletroestimulação na clínica fonoaudiológica: Uma revisão integrativa da literatura. Rev. CEFAC. 2015;17(5):1-2.


HIGHLIGHTS
2179
ENSINO DE PAIS NOS TRANSTORNOS DOS SONS DA FALA: UMA VISÃO FONOAUDIOLÓGICA
Linguagem (LGG)


Existe uma alta prevalência de crianças que se desenvolvem com problemas de fala, este dado é variável segundo a ASHA (American Speech-Language-Hearing Association) devido a multiplicidade de distúrbios existentes e às diferentes idades em que estes ocorrem.
O termo Transtornos dos sons da fala (TSF) é utilizado para descrever um conjunto de dificuldades na produção de sons na fala de crianças. Esta definição expõe diferentes problemas em produzir fala, que podem apresentar como causa; déficits isolados no processamento perceptivo, no processamento motor da fala e/ou linguístico, bem como podem estar entre si combinados, e ainda apresentar origem biologicamente conhecida ou não. (Namasivayam AK, 2020)
Nesta apresentação, adotamos o termo TSF para referir aqueles distúrbios que apresentam desordens relacionadas a articulação dos sons de fala (articulação/base motora) e aqueles que também apresentam déficits relacionados aos aspectos linguísticos da produção de fala (fonologia/ base fonológica).
Encontrar o tratamento mais efetivo para estas desordens e garantir o aumento da inteligibilidade de fala da criança pode ser um desafio para as famílias visto que uma das recomendações mais comum encontrada em diferentes estudos (Allen 2013; Namasivayan 2019) é o aumento da frequência e da intensidade terapêutica como evidência de melhor prognostico e evolução do TSF.
Neste estudo de Allen (2013) o resultado de uma terapia administrada três vezes por semana durante 8 semanas foi significativamente melhor do que uma terapia administrada uma vez por semana durante 24 semanas.
Na pesquisa de Namasivayam (2019) que objetivou investigar qual a frequência da dose fonoaudiológica necessária para a evolução de crianças com DSF foi possível verificar que nas intervenções de alta intensidade (2x/ semana / 10 semanas) facilitou maiores mudanças nas interações pai-filho do que no tratamento de baixa intensidade (1x / semana/ 10 semanas).
Quando pensamos no cenário brasileiro encontramos a fonoaudiologia com serviços não preparados para este tipo de intervenção cientificamente comprovada (estudos acima citados) e conforme recomendações pelo CFFa (Conselho Federal de Fonoaudiologia) e ASHA.
No Brasil, o serviço tem pouca frequência semanal, baixa fidelidade na intensidade e ausência de capacitação parental. Conforme descrito no estudo de Morelli (2015) em Camboriú - SC, as preconizações do CFFa com relação ao balizador de frequência num setor publico de Fonoaudiologia, com análise de mais de 400 prontuários, os tratamentos encontravam-se 50% inferiores ao recomendado.
Diante de um panorama como este, é preciso analisar como seria possível incorporar maior intensidade e frequência aos tratamentos dos TSF a fim de seguir as recomendações com evidencia científica e aliá-los a prática fonoaudiológica.
Em um estudo na Suécia realizado com uma criança que recebia quantidade limitada de terapia, sem evoluções em uma abordagem puramente fonológica; foi constatado que na troca de abordagem e com maior frequência, a inteligibilidade aumentou. Os autores também concluíram que os exercícios de fala devem ser incorporados pela família e praticados em casa (Hammarström et al, 2019). Pesquisas como esta começam a nos mostrar mais de um caminho a ser questionado, a fim de inovar a prática clínica e neste trabalho vamos destacar a possibilidade de treinarmos os pais e familiares da criança em tratamento a fim de aumentar as oportunidades terapêuticas.
A pobre qualidade de interação entre familiares e terapeutas fica evidente no estudo de Roulstone et al. (2015) realizado no Reino Unido em que se verificou que embora os pais sejam geralmente positivos em relação aos jogos e atividades realizados pelos terapeutas, eles raramente eram informados sobre o objetivo da intervenção.
Esta apresentação tem como objetivo expor a problemática entre o ‘ideal x real’ dentro do tratamento dos TSF e contribuir para a elaboração de uma tese de mestrado que pretende investigar como os fonoaudiólogos brasileiros realizam o treinamento parental nos TSF com comprometimento motor. A tese tem como objetivo final, reunir recomendações dentro de um consenso profissional que podem favorecer o treinamento parental e melhorar os serviços oferecidos. Os resultados desta futura pesquisa, serão discutidos com a literatura disponível. Busca-se por estudos que já envolveram o treino e colaboração de pais, para realizar a revisão e discussão dos dados que serão encontrados, como por exemplo o estudo de Dodd e Baker (1990) em que encontraram melhorias e barreiras nas intervenções aplicadas por pais e professores.
Para autoras como Fish (2019) promover altos níveis de fidelidade ao tratamento, empregando os pais na colaboração de um ‘pratica extra ’pode ter um impacto substancial no sucesso do tratamento de crianças com diagnóstico ou suspeita de Apraxia de Fala na Infância (AFI).
Em uma revisão sistemática realizada por Murray (2014) em mais 50 artigos, em 9 bancos de dados diferentes entre 1970 e 2012, foi encontrado que apenas 40% dos tratamentos em transtornos motores da fala prescreviam algum nível de prática em casa.
Já em outra revisão realizada por Sugden et al. (2016) envolvendo 176 estudos, somente 61 relataram o envolvimento dos pais e/ou tarefas domésticas na intervenção, sem detalhar de forma criteriosa como isso aconteceu. E concluíram que a escassez destas informações podem dificultar a tomada de decisão clínica no momento da intervenção dos DSF.
Contudo, panoramas clínicos em que a recomendação científica esta muito longe da prática clínica, devem ser estudados e passiveis de investigação para gerar possibilidade de solução. Este desequilíbrio entre a evidencia científica e o que é praticado na clínica reforça os longos períodos de intervenção, as filas de espera para tratamento e prejudica equidade nos serviços de saúde.
Dada a necessidade relatada de tratamento de alta frequência de sessões, de emprego comum de prática domiciliar para aumentar a intensidade de tratamento, se faz importante mais conversas e estudos para compreender como os fonoaudiólogos brasileiros estão capacitando os familiares de seus pacientes com TSF.

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HIGHLIGHTS
2178
ENSIRE: SIMULAÇÃO E REFLEXÃO NO ENSINO EM FONOAUDIOLOGIA
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA A SER APRESENTADO
É necessário que as práticas pedagógicas nas Instituições de Ensino Superior (IES) atendam ao desenvolvimento de habilidades e competências para o século 21 como, por exemplo, o empreendedorismo, pensamento crítico-reflexivo e resolução de problemas, letramento em dados e humanização. Deste modo, é imprescindível que os Cursos de Fonoaudiologia repensem suas matrizes curriculares visando o oferecimento de um ensino mais eficiente, com propostas dinâmicas e integradas que não se concentrem apenas na chamada “racionalidade técnica” (1).
Nesse contexto, a prática reflexiva pode beneficiar a formação do fonoaudiólogo dado o seu potencial para promover a geração de conhecimento a partir da prática, facilitar a integração teoria-prática; vincular a prática baseada em evidências à experiência clínica e contribuir para o cultivo da prática ética e humanizada. A prática reflexiva também facilita o desenvolvimento de consciência crítica, a criatividade e espontaneidade na atuação profissional (2-3).

DEFINIÇÃO CLARA DA SITUAÇÃO-PROBLEMA E DA RESOLUÇÃO ENCONTRADA OU PROPOSTA
A prática reflexiva considera a experiência como uma das principais formas de aprendizado e a reflexão como uma estratégia para maximizá-lo. Por isto, o graduando precisa estar em contato com a realidade das práticas o mais precocemente possível em sua formação, não só observando profissionais experientes mas, sobretudo sendo levados a resolver problemas em situações que caracterizam o conceito de “aprender fazendo”.
Embora de fundamental importância na formação profissional, o treinamento com pacientes reais na prática clínica pode apresentar desvantagens do ponto de vista exclusivamente educacional. Uma delas é que, por realizar ações voltadas a um ser humano, os graduandos necessitam evitar ao máximo a ocorrência de erros de conduta. Neste sentido, a simulação representa uma estratégia importante ao processo de ensino-aprendizagem, por substituir o encontro com pacientes reais em troca de modelos artificiais (por exemplo, indivíduos treinados, atores profissionais ou modelos computadorizados), replicando cenários de cuidados ao paciente em um ambiente próximo da realidade, com o objetivo de analisar e refletir as ações realizadas de forma segura. Tais programas oferecem um ambiente exploratório onde o aluno pode tomar decisões e comprovar, em seguida, as consequências (4-6).
Considerando essas questões, este trabalho descreve o projeto “Ensino com Simulação e Reflexão – ENSIRE”, iniciado em 2013, que teve como objetivo a criação, desenvolvimento e implementação de laboratórios com recursos de simulação interativos e educacionais baseados em práticas reflexivas, voltados ao processo de ensino e aprendizagem na graduação em Fonoaudiologia, em uma universidade pública.

APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR OU DE MELHORA NA EFETIVIDADE DE ALGUMA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA.
Ao longo de seis anos, as atividades propostas no projeto ENSIRE permitiram o aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem por meio das seguintes atividades:
• Implantação da infraestrutura dos laboratórios de habilidades de simulação e reflexão:
● Aquisição e instalação dos equipamentos para obtenção e armazenamento em rede de registros em vídeo das atividades de atendimento clínico para posterior análise (reflexão sobre a ação);
● Obtenção de softwares de simulação de habilidade - “Virtual Audiometer”, desenvolvido no Departamento de Distúrbios da Comunicação da Brigham Young University – EUA, e com o objetivo de auxiliar os professores no ensino dos testes audiométricos de maneira mais eficiente.
● Desenvolvimento de atividades de consultas simuladas com atores profissionais
● Implementação dos registros online de reflexão (Diários de Reflexão).
● Desenvolvimento de um ambiente online de apoio à geração colaborativa de conhecimento por meio de ambientes de diálogo, construção de textos-base de sistemas de apoio de grupo, diários, fóruns, bate-papos, construção de wikis, etc. Tais espaços virtuais oferecem situações que permitem o desenvolvimento de estratégias mediadoras no processo de aprendizagem e também possibilitam visualizar as trajetórias pedagógicas dos alunos e dos grupos, constituindo indicadores de avaliação contínua da aprendizagem e, se necessário, reorientação das metodologias empregadas pelo docente
• Aprimoramento do processo de avaliação por meio da adaptação de instrumentos para avaliação diagnóstica e formativa do graduando.
• Criação e oferecimento de disciplinas optativas com abrangência multidisciplinar, incluindo disciplinas que promovem o empreendedorismo e habilidades interculturais (Internacionalização).
● Atividades de capacitação:
● Realização de workshops de capacitação de docentes para estimular a integração de disciplinas, treinar a aplicação das metodologias e avaliações pertinentes e reorganizar a dinâmica dos estágios clínicos a fim de contemplar a aprendizagem significativa para todos os sujeitos envolvidos no processo;
● Workshop de capacitação de discentes para o treino de habilidades de automonitoramento (habilidade metacognitiva e afetivo-relacional pela qual a pessoa observa, descreve, interpreta e regula seus pensamentos, sentimentos e comportamentos nos diferentes ambientes) na pratica clínica; para orientação da confecção de diários de reflexão, cartilhas e checklists que auxiliem na (re)estruturação de planos de atuação.
● Realização de fórum de docentes e discentes para apresentação dos resultados parciais ou totais oportunizados pela experiência.

1. Schön DA. Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000, 256p.
2.Ng SL. Reflection and reflective practice: creating knowledge through experience. Semin Hear 2012;33(02):117-134.
3. Caty MÈ, Kinsella EA, Doyle PC. Reflective practice in speech-language pathology: a scoping review. Int J Speech Lang Pathol. 2015;17(4):411-420.
4.Gaba DM. Do as we say, not as you do: using simulation to investigate clinical behavior in action. Simul Healthc 2009;4(2):67-69.
5.Varga CRR et al. Relato de experiência: o uso de simulações no processo de ensino-aprendizagem em medicina. Rev Bras Educ Med 2009;33(2):291-297.
6.Jucá SCS. A relevância dos softwares educativos na educação profissional. Ciências & Cognição 2006;3(8):22-28.


HIGHLIGHTS
2158
ESPECTRO DA NEUROPATIA AUDITIVA NA CRIANÇA: APRESENTAÇÃO DO PROTOCOLO CLÍNICO NO PROGRAMA O IMPLANTE COCLEAR
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Espectro da Neuropatia Auditiva (ENA) refere-se à uma alteração auditiva passível de ser diagnosticada a partir da década de 90, quando as emissões otoacústicas foram descritas e o procedimento inserido na prática clínica. Desde então, inúmeras pesquisas foram desenvolvidas no sentido de compreender sua fisiopatologia, sendo que atualmente tem se a clareza que as estruturas que podem estar comprometidas: células ciliadas internas, neurotransmissores e/ou nervo auditivo (RANCE, 2005) estão envolvidas com o processo de codificação da energia elétrica para impulsos elétricos que serão transmitidos por toda a via auditiva e compreendidos pelo cérebro. Desta forma, o comprometimento maior está na percepção auditiva sendo que as habilidades auditivas mais alteradas são àquelas relacionadas ao processamento temporal. Na clínica é possível termos um indivíduo que apresenta limiares auditivos normais ou muito próximos do normal, com a queixa “Eu ouço, mas não entendo” no caso da ENA adquirida ou, por exemplo, a família dizendo “Eu acho que meu filho escuta, mas não está aprendendo a falar”, no caso da ENA congênita. O quadro descrito já exemplifica a complexidade no tratamento, pois o foco principal na intervenção não é trazer audibilidade com o uso do dispositivo eletrônico, mas sim resgatar a sincronia neural no sistema auditivo periférico.
Ao considerar especificamente crianças com diagnóstico com ENA, o implante coclear tem sido a conduta mais promissora, mas a variabilidade nos resultados tem sido grande, mesmo frente às condições favoráveis como a idade da criança no diagnóstico e tratamento, indicação correta do dispositivo eletrônico, o uso efetivo e a qualidade da intervenção, incluindo profissionais e envolvimento familiar.
Como consequência, observa-se que o diagnóstico e a intervenção no ENA ainda geram muitos questionamentos, e por vezes, divergências entre os profissionais quanto à conduta a ser assumida. Esta situação torna o processo ainda mais difícil, pois coloca a família em uma situação de insegurança que pode persistir por toda a vida, além de refletir na adesão ao tratamento (Oliveira, 2018).
Deste modo, a atuação conjunta entre os profissionais da equipe interdisciplinar do Serviço de Implante Coclear e os fonoaudiólogos da rede responsáveis pela reabilitação é imprescindível, para haver uma coesão nas orientações dadas à família da criança com ENA, o que auxiliará na compreensão desta alteração auditiva que por si só, já é muito complexa.
Após 30 anos de experiência com implante coclear, nosso serviço desenvolveu um protocolo que tem sido efetivo no atendimento de criança com ENA:
- O processo de diagnóstico audiológico ocorre pelo monitoramento da audição e desenvolvimento da criança, com retornos de três meses para avaliação das habilidades auditivas e de linguagem oral;
- A família é orientada a procurar o fonoaudiólogo para iniciar o processo terapêutico, mesmo sem a indicação do AASI, para estimulação auditiva da criança e apoio à família no período entre os agendamentos;
- As famílias são atendidas pela equipe interdisciplinar, sendo que as orientações recebidas de diferentes profissionais auxiliam a mãe e familiares a compreender a ENA e as incertezas impostas por esta alteração auditiva, desde o processo de diagnóstico à decisão pela intervenção terapêutica, AASI ou IC;
- O AASI é indicado a partir da determinação dos níveis de limiares auditivos por meio da audiometria de reforço visual (VRA), sendo mantido os retornos de monitoramento da audição e desenvolvimento da criança;
- O diagnóstico por imagem por meio da tomografia computadorizada e ressonância magnética é solicitado pelo médico para todas as crianças, a fim de verificar as condições anatômicas da orelha média, orelha interna e do nervo auditivo. O implante coclear é contra-indicado apenas quando constatado agenesia do nervo auditivo, contudo, no caso de hipoplasia de nervo auditivo a família deve ser orientada quanto as expectativas, visto que nestes casos os resultados são limitados (Peng et al., 2017);
- O IC é indicado quando não se observa benefícios do AASI para a percepção da fala e linguagem oral, independente do nível do limiar auditivo amplificado;
- As avaliações complementares são analisadas de acordo com a necessidade em cada caso, incluindo exame genética, e,
- A idade mínima para indicação do IC é de dois anos, com exceção da criança com perda auditiva de grau profundo, por causa genética. Neste caso, a indicação do IC pela equipe interdisciplinar é realizada a partir do momento que os critérios multifatoriais são atendidos

Assim, a recomendação frente a suspeita de um quadro de ENA é que a criança deve ser encaminhada para um Serviço de Implante Coclear credenciado pelo Ministério da Saúde, independente do grau da perda auditiva, pois a atuação efetiva da equipe interdisciplinar em conjunto com os profissionais da saúde e educação inseridos na rede pública, refletirá de forma positiva na vivência da mãe e de toda a família, com maior adesão ao processo de diagnóstico e reabilitação auditiva.

Kevin A. Peng, Edward C. Kuan, Suzannah Hagan, Eric P. Wilkinson, Mia E. Miller, Cochlear Nerve Aplasia and Hypoplasia: Predictors of Cochlear Implant Success. AMO-Head Neck Surg. 2017;157(3): 1-9

Oliveira, D.C. 2018 Vivência de mães no processo de intervenção auditiva de crianças com Desordem do Espectro da Neuropatia Auditiva. Programa de Pós-graduação em Fo-noaudiologia, USP, campus Bauru. Disponível em: tese.usp, acesso em julho 220.

Rance, G. Auditory neuropathy/dys-synchrony and its perceptual consequences. Trends in Amplification.2005; 9: 1–43.


HIGHLIGHTS
1347
ESTAMOS A CAMINHO DA “FONOAUDIOLOGIA HOSPITALAR DE PRECISÃO”?
Disfagia (DIS)


“O mundo mudou.” A frase não é nova, mas não há quem discorde dela. Não conseguimos mensurar a velocidade de tal mudança mas podemos hipotetizar através da quantidade de dados que o mundo produziu na última década: Em 2009 possuíamos 0,8 Zettabytes (ZB) de dados, e num período de 2 anos chegamos a 1,8 ZB, dobrando o quantitativo acumulado até então1. Nesta época, previa-se que em 2020, chegaríamos ao montante de 44 ZB, dado que foi comprovado pela International Data Corporation (IDC), que prevê que tais dados chegarão ao valor de 175 ZB em 20252. Compreender a velocidade com que os dados estão sendo produzidos, e o ritmo com eles são processados pode ajudar a compreender o impacto da mudança que passamos e nos faz pensar na responsabilidade social da Fonoaudiologia diante de tamanha velocidade. De que maneira estamos trabalhando em tal mudança e como estamos inseridos para melhoria do cuidado?
A Fonoaudiologia Hospitalar vem se estabelecendo nos últimos 40 anos, num mundo pós-Guerra Fria, que é descrito por estudiosos como VUCA3: Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo. Tal acrônimo, descrito pelo U.S. Army War College na década de 1990 explica a complexidade e as incertezas da situação geopolítica mundial e é utilizado na esfera de gestão e liderança para compreender contextos mercadológicos e criar estratégias para profissionais e organizações. Por conta da falta de previsibilidade e rápidas mudanças de cenário, profissionais são cada vez mais exigidos sobre posturas dinâmicas, que inspiram adaptação e eficiência. Quanto maior é a capacidade técnica para projetar cenários de longo prazo e agilizar respostas às demandas, mais eficiente é o profissional. O mercado precisa de habilidades como visão, entendimento, clareza e agilidade, para reação eficiente no mundo VUCA3. O Fonoaudiólogo está preparado para responder com eficiência às demandas desta realidade ou ainda repete modelos de trabalho antigos para ter as mesmas respostas? O que fazemos, enquanto ciência, para evoluir, na velocidade do mundo que nos cerca?
Lideranças na área hospitalar já descrevem estratégias de competitividade, mantendo a excelência no cuidado centrado no paciente4. O crescimento é vital para qualquer empresa e a Saúde vêm utilizando cada vez mais a “Quarta Revolução Industrial”5 para agregar valor e se manter no mercado. A Quarta Revolução, ou Revolução 4.0 foi o termo desenvolvido por Schwuab, no Fórum Econômico Mundial (2016) que descreve a transição em direção a novos sistemas, baseada na infraestrutura da eletrônica e das telecomunicações5 e se caracteriza pela velocidade, alcance e impacto que provoca na vida cotidiana. São tecnologias disruptivas4, como Inteligência Artificial (IA), análise de dados em larga escala (Big Data), robótica, realidade aumentada, Internet das Coisas (IoT), aplicações de tecnologia 3D. Todas já estão presente na área da saúde, como por exemplo, em projetos de genômica e bioengenharia onde algoritmos matemáticos permitem a análise de dados através da IA4.
Diante deste mundo transicional, como o fonoaudiólogo hospitalar encara a previsão dos desfechos clínicos e a tomada de decisão pautada em processos analisados por sistemas computacionais com dados de larga escala, e com a ajuda de algoritmos matemáticos realizados por máquinas de alta tecnologia? Para muitos de nós, parece algo saído de filmes de ficção científica, mas a realidade nos dá indícios que a Fonoaudiologia Hospitalar de Precisão é possível e necessária.
Hulsen et al. (2019), descrevem Big Data em Saúde como a capacidade de analisar e interpretar dados, explorando novas ferramentas para promover mudanças reais na prática clínica desde a terapêutica personalizada e o desenho inteligente de medicamentos até a triagem populacional e mineração de registros de saúde6 concluindo que as pesquisas geradoras de hipóteses fundadas em grandes conjuntos de dados se somam, a ciência tradicional orientada por hipóteses. Um alvo mais imediato para o Big Data é a riqueza de dados clínicos já alojados em hospitais que ajudam a responder à pergunta sobre por que eventos específicos estão ocorrendo. Esses dados têm o potencial, se integrados e analisados adequadamente, de dar insights sobre as causas da doença, permitir sua detecção e diagnóstico, orientar terapia e manejo, além do desenvolvimento de futuros medicamentos e intervenções6.
Swetz et al. (2017) usaram o Big Data para analisar a utilização de serviços de saúde e necessidade de vias alternativas de alimentação por 1974 pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica. O que se observou com o estudo é que ao contrário do esperado, e que é preconizado em literatura, o número de pacientes que utilizou a via alternativa de alimentação de forma precoce foi bastante reduzido. Os autores ainda descreveram que a coleta não foi eficiente, pois os dados não foram armazenados de forma adequada nos sistemas de saúde e se perderam ao longo dos anos. Tal informação é valiosa para que se compreenda a necessidade da gestão e governança de dados para que estes sejam realmente eficientes.
O fonoaudiólogo hospitalar lida com prontuários eletrônicos e neles com a possibilidade de coleta e armazenamento de dados precisa e organizada, permitindo que o ao longo dos anos, ele tenha em mãos um rico material para análise de desfechos e tomada de decisão, orientando terapia e manejo, além de produzir extenso material para pesquisa clínica, respeitando todos os preceitos da ética em pesquisa e garantindo a segurança da informação do paciente8.
Neste trabalho pretende-se realizar coleta, armazenamento e análise de banco de dados de prontuário de um serviço de fonoaudiologia com foco no desfecho, e através a utilização das tecnologias de big data e inteligência artificial para reconhecer indicadores de menor hospitalização e morbidades, garantindo a segurança e precisão no processo.
É possível inferir que a Fonoaudiologia Hospitalar caminha para uma integração com a tecnologia e os avanços trazidos pela Revolução 4.0, modificando de forma determinante a sua prática e pesquisa clínica, alcançando o status de precisão. No entanto, cabem aos profissionais da área e às instituições em que estão inseridos, o diálogo sobre a gestão dos dados, permitindo a melhora das condições de trabalho condizentes com seu preparo técnico e acadêmico, além da oportunidade de construção de uma Fonoaudiologia de Valor, onde todas as partes trabalhem de forma conjunta no benefício do paciente.

1. Adshead, A. (2013). Big data storage: Defining big data and the type of storage it needs. ComputerWeekly.com. Acessado em 12/07/2020. Disponível em http://www.computerweekly.com/podcast/Big-data-storage-Defining-big-data-and-the-type-of-storage-it-needs.
2. Patrício, A. IDC: Expect 175 zettabytes of data worldwide by 2025. Networkworld. 2018. Acessado em 12/07/2020. Disponível em https://www.networkworld.com/article/3325397/idc-expect-175-zettabytes-of-data-worldwide-by 2025.html#:~:text=By%202025%2C%20IDC%20says%20worldwide,cloud%20as%20in%20data%20centers.&text=IDC%20has%20released%20a%20report,study%2C%20the%20numbers%20are%20staggering.
3. Bennett, Nathan & Lemoine, G. James. What VUCA really means for you. Harvard business review. 92, 2014.
4. Schwab, K. A quarta revolução industrial. Edipro. 2018.
5. Lottenberg, C.; Silva, P.; Klajner, S. A revolução digital da saúde: como a inteligência artificial e a internet das coisas tornam o cuidado mais humano, eficiente e sustentável. São Paulo. Editora dos editores, 2019.
6 Hulsen, T. el all. From Big Data to Precision Medicine. Frontiers in medicine. vol. 6 34. 1 Mar. 2019, doi:10.3389/fmed.2019.00034
7. Swetz KM, Peterson SM, Sangaralingham LR, et al. Feeding Tubes and Health Care Service Utilization in Amyotrophic Lateral Sclerosis: Benefits and Limits to a Retrospective, Multicenter Study Using Big Data. Inquérit. 2017; 54:46958017732424. doi:10.1177/0046958017732424
8. Lima, T; Sá, M. Electronic health records and protection of sensitive personal data in Brazil. Rev. derecho genoma hum; (51): 61-76, 2019.


HIGHLIGHTS
2212
ESTIMULAÇÃO DA LINGUAGEM ORAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL - IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


No contexto diário da atuação em Fonoaudiologia Educacional Fonoaudiólogos e Professores caminham lado a lado em busca de um objetivo específico que é o de colaborar para o ensino em aprendizagem dos alunos. Este Highlight foi desenvolvido a partir de uma pesquisa de Dissertação de Mestrado em Educação Intitulada Desenvolvimento da Linguagem Oral em Crianças da Educação Infantil: Implicações Pedagógicas.
Dentro das especificidades do ensino na Educação Infantil, o professor que trabalha com crianças pequenas e bem pequenas encontra um grande desafio que é o de colaborar e estimular a linguagem oral das crianças dentro deste ambiente, desafio este que se encontra explícito na BNNC como sendo uma competência necessária a ser trabalhada.
No decorrer da pesquisa foi possível observar que as atividades realizadas pelas professoras com as crianças em sua maioria contribuem para o desenvolvimento da oralidade, porém a forma como são realizadas não estão relacionadas à nenhuma concepção teórica, por muitas vezes as mesmas realizam as atividades de forma aleatória sem foco ou objetivo específico. A pesquisa apontava uma necessidade imediata de se ampliar possibilidades relacionadas a processos de formação dos professores que atuam na educação infantil.
É comum receber no consultório fonoaudiológico crianças para avaliação que já apresentavam manifestações e alterações por volta dos dois a três anos de idade, e que mesmo assim, por falta de suporte e orientação adequados somente chegam para o atendimento especializado por volta dos oito anos de idade, quando as comorbidades já estão em um nível avançado dificultando a aprendizagem deste aluno.
Vygotsky afirma em seus manuscritos que toda interação que a criança faz com o mundo é mediada pela linguagem. Tendo-se a dimensão do por quê se estimular a linguagem oral no ambiente da educação infantil, é necessário, primeiramente, saber “como” as crianças desenvolvem a fala, “como” o educador deve realizar esta estimulação dentro de sua sala de aula e quais as implicações pedagógicas deste processo tão essencial no desenvolvimento infantil. (1)
No campo da Fonoaudiologia, a necessidade de compreensão dos aspectos que se referem ao desenvolvimento da linguagem oral e sua relevância no histórico de vida da criança intensificaram a necessidade de pesquisas sobre o tema.

Durante as situações cotidianas na educação infantil, esta habilidade nem sempre é trabalhada e estimulada de forma intencional, pois existe ainda, de forma bem consistente, a crença de que a fala é algo natural, e que por ser natural não exige do professor nenhuma forma de estímulo (2)

Após realização do estudo, conclui-se que é necessário a implementação de disciplinas nos cursos de formação de professores que tenham foco específico em disciplinas que ensinem efetivamente sobre os fundamentos do desenvolvimento da linguagem inclusive para professores que trabalham com crianças à partir de 4 meses de idade em berçários.
Como Highlight aqui é proposto uma necessidade de melhora na abordagem do Fonoaudiólogo Educacional dentro da Educação Infantil. É importante que na atuação da Fonoaudiologia Educacional neste segmento o Fonoaudiólogo se preocupe em realizar com os professores ações voltadas para a formação de concepções teóricas. Como visto nos resultados da pesquisa, muitas vezes os professores realizam estratégias de estimulação com as crianças, porém estas mesmas estratégias não tem embasamento científico e acabam sendo aplicadas em momentos inadequados, com focos imprecisos ocasionando estimulação incorreta e ineficaz.
A intencionalidade durante o processo educativo demanda planejamento e metodologias de ensino, é preciso que o professor da Educação Infantil considere os níveis de desenvolvimento estudados por Vygotsky para se planejar o trabalho neste segmento educacional, e para que mesmo considere estes níveis de aprendizagem o Fonoaudiólogo deverá provocar reflexões, e trabalhar com caráter de orientação e construção de saberes orientando e auxiliando este professor.(3)

(1)VYGOTSKY, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. (Org.). Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1978.

(2)BORTOLANZA, A. M. E. O papel da linguagem no desenvolvimento infantil: implicações dos estudos de Liev Semiónovitch Vygotski. Revista Eutomia, v. 19, n. 1, p. 100-112, 2017.

(3)VYGOTSKI, L. S. OBRAS ESCOGICAS III – Historia Del Desarollo de las funciones psíquicas superiores. Aprendizage Visor, 1997.



HIGHLIGHTS
1173
FATORES LIMITANTES E PROPOSTAS DE MELHORIA DA COMUNICAÇÃO ENTRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE E PACIENTES DENTRO DE UMA UTI COVID-19 BASEADA NO DESIGN THINKING
Saúde Coletiva (SC)


Contextualização e relevância do tema: A pandemia atual (COVID-19) revelou limitações na capacidade de comunicação dos profissionais de saúde, ampliando desafios já existentes no contexto de uma unidade de terapia intensiva (UTI) com pacientes críticos (1). O uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) obrigatórios dentro da UTI Covid-19, impõe uma barreira física que pode dificultar a identificação do profissional, impactar no acolhimento do paciente e comprometer de forma significativa a comunicação verbal e não verbal. O uso da máscara cirúrgica, por exemplo, atenua de 3 a 4 decibéis (dB) dos sons da fala, e a N95 atenua até 12 dB. Isso significa que há degradação da qualidade da fala levando em consideração o ruído e reverberação do ambiente, somado a ausência de pistas visuais (2). Apesar da identificação precoce das dificuldades de comunicação entre equipes e com pacientes internados, abordado, inclusive na mídia inúmeras vezes, aparentemente as soluções apontadas não contemplavam todas as dificuldades relatadas. Partindo deste contexto, onde o profissional fonoaudiólogo e todos os outros envolvidos na assistência a esse paciente compartilham a mesma dificuldade, foi desenvolvida uma proposta de solução para este problema através da ferramenta do Design Thinking (DT). Esta é uma ferramenta que deriva do processo de criação dos designers e é uma tendência crescente na área da saúde, e configura-se como uma estrutura de pesquisa e inovação aplicada que prioriza a empatia pelos usuários de um serviço ou produto, envolve um projeto altamente diversificado, colaborativo e incentiva uma prototipagem rápida orientada para a ação de insights derivados do usuário, em vez de hipóteses de cima para baixo (3). Esse conceito é baseado em cinco etapas: criar empatia, compreendendo a necessidade das pessoas envolvidas no problema; definir o problema a partir de uma pesquisa com os stakeholders envolvidos; idealizar, que é a fase de brainstorm, em que as ideias devem fluir sem censuras; prototipar e, por fim, testar os protótipos e escolher o que faça mais sentido (4).

Definição clara da situação-problema e da resolução encontrada: Considerando o uso dos EPIs dentro da UTI Covid-19, o desafio é melhorar a comunicação entre os profissionais de saúde e os pacientes neste contexto. De acordo com a metodologia do DT, chegar na resolução envolve etapas para melhor compreender o problema e todas as pessoas envolvidas. Inicialmente foram identificados os serviços existentes (tratamento clínico da patologia, cuidados básicos como banho e medicação, acolhimento ao paciente, reabilitação, entre outros), os stakeholders envolvidos (equipe multidisciplinar e pacientes), os problemas e barreiras supostas (supressão da comunicação verbal e não-verbal, atenuação da intensidade vocal, perda da identidade profissional, dificuldade no acolhimento ao paciente, aspectos emocionais dos profissionais, limitação do uso de pranchas de comunicação alternativa para atividades estáticas, entre outros) e as suposições e dúvidas com base nesses problemas. Para a primeira etapa foi criado um questionário a fim de entender melhor a percepção da dificuldade de comunicação entre profissionais de saúde e pacientes, e também identificar as estratégias utilizadas por eles, tal como os impactos desse processo. Responderam ao questionário 54 profissionais de saúde utilizando a ferramenta google forms, sendo a partir destas respostas, delimitados dois perfis de usuários: os que possuem dificuldades na comunicação e não percebem que possuem, porém utilizam estratégias compensatórias; e os que possuem dificuldade na comunicação, percebem as mesmas, e utilizam estratégias compensatórias. A etapa seguinte consistiu em levantar o comportamento de cada perfil, analisado juntamente às respostas obtidas, a prática diária destes profissionais na UTI, o que mostrou que parte do comportamento frente a comunicação também está relacionada a atividade que cada profissional realizava. Delimitamos assim suas necessidades e oportunidades de melhorias. Somente após essas etapas, foi possível criar a jornada de cada usuário, uma ferramenta que permite a visualização e análise do problema com base no que o usuário pensa, sente e faz no seu pré atendimento, durante e após o atendimento ao paciente internado. E assim, a proposta de estratégias para resolução do desafio/problema inicial: a comunicação nas UTIs durante a pandemia atual.

Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica: O Design Thinking fornece ferramentas empáticas, focadas na dor do sujeito, de forma eficaz e rápida conforme a estruturação definida pela equipe que o realiza. Desta forma, foi possível identificar que a oferta direta de orientação sobre comunicação e saúde vocal para estes perfis, apesar de necessária, não pode ser realizada isoladamente. O aspecto comunicativo neste cenário/jornada está diretamente ligado às questões emocionais e de fadiga sentidas pelo profissionais, que juntamente às necessidades técnicas, moldam a sua ação comunicativa. Desta forma, propomos um fluxo para melhorar a comunicação focada nas necessidades dos 2 perfis traçados, que envolvem, desde o acolhimento ao profissional através de reuniões online, melhorias na identificação de cada profissional, facilitação para momentos de "relaxamento" (como breves momentos com música ambiente) e desenvolvimento de workshops e/ou e- learnings sobre saúde vocal. Bem como estratégias específicas para o perfil que mais faz uso da comunicação, como workshops e/ou e-learnings de estratégias de comunicação alternativa e comunicação verbal/não verbal. Outras estratégias para favorecer a comunicação, acolhimento ao paciente e facilitação de cada área também foram desenvolvidas. Historicamente epidemias trazem aos profissionais de saúde novas barreiras e desafios para realizar suas atividades de forma eficiente, e o impacto na comunicação no momento atual determina a necessidade em repensarmos a forma como nos comunicamos para permitir o melhor cuidado ao paciente e o cuidado com a saúde do profissional envolvido (5). Acreditamos que o fluxo desenvolvido é uma contribuição do profissional fonoaudiólogo para a atuação frente a pandemia atual (5).

(1) Back A, Tulsky JA, Arnold RM. Communication Skills in the Age of COVID-19. Ann Intern Med. 2020 Jun 2; [acesso em 04 de julho de 2020]; 172(11):759-760. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7143152/

(2) Goldin A, Weinstein BE, Shiman N. How do medical masks degrade speech perception? Hearing Review. 2020; [acesso em 04 de julho de 2020]; 27(5):8-9. Disponível em: https://www.hearingreview.com/hearing-loss/health-wellness/how-do-medical- masks-degrade-speech-reception

(3) Estudar na Prática [homepage na internet]. Design Thinking: entenda o que é e como aplicar. [ cesso em 04 de julho de 2020]. Disponível em: https://www.napratica.org.br/design-thinking-o-que-como-funciona/

(4) Roberts JP, Fisher TR, Trowbridge MJ, Bent C. A design thinking framework for healthcare management and innovation. Healthc (Amst). 2016; [acesso em 04 de julho de 2020]; 4(1):11-14. doi:10.1016/j.hjdsi.2015.12.002. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27001093/

(5) Bao Y, Sun Y, Meng S et al. 2019-nCoV epidemic: address mental health care to empower society. [acesso em 04 de julho de 2020]; Lancet 395(10224):e37–e38. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00115-020-00905-0


HIGHLIGHTS
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FERRAMENTA OBJETIVA DE OBSERVAÇÃO DA EXPRESSIVIDADE: UM PROJETO DE CONSTRUÇÃO BASEADA NO ROTEIRO FONOAUDIOLÓGICO DE OBSERVAÇÃO DA EXPRESSIVIDADE – ROFOE
Voz (VOZ)


A expressividade tem estado presente no cotidiano da Fonoaudiologia brasileira há mais de quatro décadas. A publicação de trabalhos que discorrem sobre o gesto e papel do corpo na expressividade surgiu a partir dos anos 2000, um período em que a Fonoaudiologia passa a buscar diferentes referenciais teóricos como ponto de partida1. Os instrumentos para avaliação e reavaliação são tradicionalmente usados na clínica fonoaudiológica, em especial, de reabilitação. Na área de voz, por exemplo, são vários os instrumentos de avaliação e autoavaliação validados para o português e utilizados na clínica de reabilitação. Na falta de instrumentos específicos para a avaliação da expressividade, a Fonoaudiologia, principalmente a que atende as questões dos profissionais da voz, tem tomado emprestado instrumentos primordialmente desenhados para a avaliação dos distúrbios. Em recente tese2 foi desenvolvido e validado o Roteiro Fonoaudiológico de Observação da Expressividade de profissionais da voz – RoFOE. Um roteiro padronizado que promete abranger a observação da expressividade na especificidade de cada profissional da voz entendendo que o trabalho de habilitação da comunicação profissional é complexo e específico. O RoFOE, nesse contexto, surge com potencial, em sua essência, para promover uma observação multidimensional da comunicação do profissional.
Por outro lado, a análise das atividades humanas por meios computacionais é uma das linhas de pesquisa mais intrigantes e em ascensão atualmente. Mais recentemente, a vigilância automatizada das atividades humanas é encarada considerando uma perspectiva multimodal, que traz noções e princípios da literatura social, afetiva e psicológica. Os estudos sobre sistemas de interação multimodal, polinização cruzada de tecnologias de Ciência da Computação e teorias de Sociologia e Psicologia têm oferecido potentes estratégias de investigação de parâmetros comunicativos por meio de análise de vídeos. A capacidade de entender e gerenciar sinais sociais de uma pessoa com quem estamos nos comunicando é o núcleo da inteligência social. Essa é uma faceta da inteligência humana que se argumenta ser indispensável e talvez a mais importante para o sucesso na vida3. Os softwares, por exemplo, têm sido explorados na América do Norte por profissionais de treinamento comunicacional e de oratória, por usarem realidade aumentada e tecnologia de sensores para fins de treinamento. Para os estudiosos da área, bons comunicadores demonstram suas habilidades de apresentação com características verbais e não verbais, como a linguagem corporal, o contato visual com a audiência, ou também pelo espaço que ocupam no espaço3-5. Estudos sobre sistemas interativos têm apostado em ferramentas multimodais para apoiar o desenvolvimento de habilidades comunicativas e análise de prosódia em situações conversacionais com mais de um componente/sujeito, mas ainda não existem estudos que combinem a análise de fala, gestos, expressões faciais, olhar e movimentos para abordar holisticamente as interações social e emocionais humanas. Um promissor sistema interativo, o Processamento de Sinais Sociais (SSP), desenvolvido por pesquisadores do Centre for Social, Cognitive and Affective Neuroscience da Universidade de Glasgow, é um protótipo que promete, por meio de sistema interativo, reconhecer pistas não verbais – a maioria delas fora da consciência – como expressões faciais e olhares, postura e gestos corporais, e também características vocais e distâncias relativas no espaço6,7. No SSP, códigos computacionais são gerados para reconhecer em vídeos comportamentos do tipo: aparência física, altura, atratividade, formato corporal, gesto e postura, gestos com as mãos, caminhada, comportamento do rosto e dos olhos, expressões faciais, comportamento do olhar, foco de atenção, comportamento vocal, prosódia, ataque vocal, turno de comunicação, silêncio, espaço e ambiente, cenário atribuindo-os aos comportamentos de emoção, personalidade, status, dominância, persuasão e rapport6.
As ferramentas de observação objetivas estão tradicionalmente presentes na clínica fonoaudiológica e têm sido exploradas pela área de voz. Na clínica de habilitação, por exemplo, o Expression Evaluator, script desenvolvido em 20098, é utilizado para a análise fonético-acústica da prosódia no discurso por meio de 13 diferentes medidas que compõe o script. A análise perceptivo auditiva é soberana na clínica vocal, contudo, não se pode negar que as ferramentas objetivas têm se consolidado como importante complemento na avaliação multidimensional da voz. Com os avanços no campo tecnológico da observação do comportamento e pela falta de instrumento objetivo de avaliação da expressividade torna-se premente estudar um programa multimodal de processamento de sinais sociais, como o SSP, enquanto ferramenta de observação dos sinais naturais de comunicação, e usá-lo como base para o desenvolvimento de uma versão multimodal de processamento de sinais para observação da expressividade do profissional da voz.
Esse é um projeto que visa comparar os achados do RoFOE sobre a expressividade dos profissionais da voz com os achados de um programa multimodal de processamento de sinais sociais com vistas a propor uma ferramenta objetiva de gerenciamento multimodal de observação da expressividade. O trabalho de habilitação da comunicação tem sido bastante explorado pela Fonoaudiologia nos últimos anos. Trata-se de área que tem sido abraçada, em especial, por fonoaudiólogos especialistas em voz, mas com poucos trabalhos publicados que avaliam a expressividade de forma ampliada, e que considere simultaneamente os aspectos vocais, verbais e não verbais. Mais que isso, até 2019 não havia nenhuma produção que tivesse se debruçado sobre o processo de validação de um instrumento de avaliação da expressividade, o que, de fato, ainda parece ser uma tarefa difícil quando se tem que levar em conta as questões complexas e subjetivas inerentes ao processo comunicativo e à expressividade. O desafio, portanto, está em apresentar ao final desse período de investigação uma ferramenta de observação da expressividade que seja funcional, robusta e que tenha passado por eficiente processo de validação. Transpor essa ferramenta de observação fonoaudiológica de predominância perceptivo auditiva e visual em uma ferramenta computacional objetiva será a meta. Neste caso, o desafio se dará pelo necessário aprofundamento em outra área do conhecimento. Essa é uma proposta de pós doutoramento que conta como parceiros a faculdade ciências da computação da XXXXXX e o renomado laboratório internacional de computação da universidade de XXXXXXX, em XXXXX inteligência artificial.

1. VIOLA IC. Breve histórico dos estudos sobre expressividade e questões terminológicas. XVIII Seminário de Voz da PUC-SP; jun, 2008; São Paulo (SP).
2. SANTOS TD. Observação fonoaudiológica da expressividade do profissional da voz falada: uma proposta de roteiro. [tese]. São Paulo (SP): Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2019.
3. LIMBU, B.H., JARODZKA, H., KLEMKE, R., SPECHT, M., Using sensors and augmented reality to train apprentices using recorded expert performance: A systematic literature review, Educational Research Review (2018), doi: 10.1016/j.edurev.2018.07.001
4. SCHNEIDER J, BÖRNER D, VAN ROSMALEN P, SPECHT M. Presentation trainer: What experts and computers can tell about your nonverbal communication. Journal of Computer Assisted Learning, 33 (2) (2017), pp. 164-177
5. YORK, D. (2013). Investigating a Relationship between Nonverbal Communication and Student Learning. PhD thesis, Lindenwood University.
6. VINCIARELLI A, ESPOSITO A, ANDR E, BONIN F, CHETOUANI M, COHN J, CRISTANI M, FUHRMANN F, GILMARTIN E, HAMMAL Z, HEYLEN D, KAISER R, KOUTSOMBOGERA M, POTAMIANOS A, RENALS S, RICCARDI G, SALAH A. Open challenges in modelling, analysis and synthesis of human behaviour in human–human and human–machine interactions. Cogn Comput. 2015;7(3):1–17.
7. VINCIARELLI, A, PANTIC, M, BOURLARD, H "Social Signal Processing: Survey of an Emerging Domain", Image andVision Computing, vol. 31, no. 1, pp. 1743-1759, 2009.
8. BARBOSA, P. A. (2009). Detecting changes in speech expressiveness in participants of a radio program. Proceedings of Interspeech. Brighton: United Kingdom, p. 2155- 2158.


HIGHLIGHTS
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FLASHCARDS DA FONOAUDIOLOGIA EDUCACIONAL: MATERIAL DE APOIO DO ESPECIALISTA
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Contextualização e relevância do tema: As atribuições do especialista em Fonoaudiologia Educacional são diversas, amplas e complexas, seja quanto às áreas do conhecimento, função, amplitude ou competências 1. Para responder de maneira assertiva às perguntas da área, como as das Faqs - Frequently Asked Questions 2 bem como outras relacionadas3, o especialista se beneficiaria se tivesse em mãos, em seu ambiente de trabalho, um material de apoio. Não há disponível tal ferramenta para o Fonoaudiólogo Educacional brasileiro. Definição da situação-problema e da resolução encontrada ou proposta: Para auxiliá-lo propomos a organização deste material de apoio, em forma de Flashcards 4 da especialidade. Flascards tem a repetição das informações como objetivo em aprendizagem; é uma ferramenta para auxiliar a memorização rápida de alguns assuntos. A organização destes se deu a partir do levantamento de materiais disponíveis na literatura sobre temas relacionados à especialidade e à profissão em geral, incluindo os dos órgãos de classe da Fonoaudiologia e áreas afins, como Pedagogia, Psicopedagogia, Psicologia, Terapia Educacional, Otorrinolaringologia, dentre outros, nacionais e internacionais. Estes abordam os temas da especialidade e de outras áreas afins, cujas solicitações de informações, nas escolas em que atuamos, são recorrentes por parte dos gestores, professores e pais. Os materiais foram organizados em cartões do tamanho A4 (21cm x 29,7 cm), no programa Power Point. Sobre alguns temas foram necessários mais de um cartão. Seguem, em ordem alfabética os organizados, seguindo o título das fontes originais: acessibilidade na escola: visual, auditiva, motora; aleitamento materno e dificuldades; alfabetização e habilidade fonológica; aspecto motor da escrita; como estimular a leitura e a escrita; como identificar o risco para os transtornos específicos de aprendizagem; conceitos em dislexia, dificuldade e transtorno; coordenação motora; correspondências ortográficas; desenvolvimento auditivo; desenvolvimento cognitivo; desenvolvimento da fala; desenvolvimento da linguagem; desenvolvimento motor; dislexia e inclusão escolar; entendendo a gagueira; escala de preensão de lápis e giz de cera; escreva sem pressa; estratégias multissensoriais; estratégias para uma boa leitura; ideias para aluno com autismo; linguagem oral x linguagem escrita; literatura indicada na área; matemática e alfabetização; narrativa e desenvolvimento cognitivo; o cérebro humano (áreas de aprendizagem); o ouvido humano; o sistema fonatório; para escrever é necessário...; perfil dos aprendizes; processamento auditivo; processamento visual; quatro benefícios da nomeação automática rápida; respiração oral e aprendizagem; sala de aula para disléxicos; seja amigo da sua voz; sons e letras. Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica: A organização dos materiais se deu no início do ano de 2020 e auxiliou o trabalho de assessorias nas escolas, tanto no sentido de organização de raciocínio para o fonoaudiólogo quanto para a comunicação clara e pontual aos ouvintes. Inicialmente foi feita cópia impressa com os cartões organizados em pastas plásticas, porém, com a condição imposta pelo Covid-19, o material foi de grande auxílio, pois pode ilustrar as informações, via Power Point em reuniões virtuais, através do compartilhamento de tela. Tal experiência nos levou a planejar a elaboração de um e-book, que só se concretizaria após a troca de experiências junto aos profissionais da área no Fono2020.


Referências:

1- Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 387, de 18 de setembro de 2010. Brasília: CFFa, 2010. Disponível em: https://www.fonoaudiologia. org.br/resolucoes/resolucoes_html/CFFa_N_387_10.htm>. Acesso em 25 jun. 2020.

2- Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. Respostas para perguntas frequentes em fonoaudiologia educacional. São Paulo: SBFa, 2013. Disponível em:
. Acesso em: 20 jun. 2020.

3- sistema de Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia. Contribuições do fonoaudiólogo educacional para seu município e escola – perguntas frequentes de educadores e gestores educacionais. Brasília: CFFa,[2017]. Disponível em: . Acesso em 22 jun. 2020.

4- Santos, G. Saiba o que são flashcards. Solânea/PB: Educa Mais Brasil, 2018. Disponível em: . Acesso em 25 jun. 2020.


HIGHLIGHTS
2156
FONOAUDIOLOGIA DO SONO: O QUE É, DE ONDE VIEMOS, ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS
Motricidade Orofacial (MO)


A Fonoaudiologia do Sono é uma área emergente e abrangente. Visa contribuir para ações de promoção da saúde e prevenção de agravos em interface com aspectos do sono, originando melhor qualidade do sono e de vida da população. Com caráter multidisciplinar envolve estudo, pesquisa, prevenção, avaliação e tratamento dos distúrbios do sono relacionados às áreas de competência da Fonoaudiologia, em qualquer faixa etária.
A atuação com Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS), relaciona-se à especialidade Motricidade Orofacial pois, alterações da musculatura orofaríngea e funções orofaciais são causas frequentes do ronco e apneia obstrutiva do sono (AOS). A avaliação, diagnóstico miofuncional e terapêutica específica para organização e manutenção da integridade muscular, possibilitam a atuação fonoaudiológica isolada ou associada aos outros tratamentos. Assim, torna-se uma alternativa de intervenção pela melhora da qualidade de vida, cognição, sonolência excessiva e consequente redução de risco cardiovascular, como citada no 1º Posicionamento Brasileiro sobre o Impacto dos Distúrbios de Sono nas Doenças Cardiovasculares, da Sociedade Brasileira de Cardiologia1.
Recentemente estimou-se que a prevalência mundial dos DRS atinge quase um bilhão de pessoas, superior a 50% em alguns países2. O Brasil é o terceiro país com maior número de afetados. A alta prevalência, a associação entre AOS e desfechos adversos, definem que os sistemas de saúde em todo mundo devam considerar novas estratégias para conscientização sobre AOS, recomenda diagnóstico e tratamentos para minimizar impactos negativos na população e gastos com saúde2.
A Fonoaudiologia também vem desenvolvendo projetos de promoção de saúde na área, com consciência da responsabilidade para prevenção primária, buscando comportamentos mais favoráveis ao sono de qualidade, envolvendo toda comunidade3.
De onde viemos?
As primeiras investigações fonoaudiológicos relacionados ao DRS são da década de 19904, apresentadas a partir de 2001, em eventos científicos nacionais da Associação Brasileira do Sono(ABS) e internacionais, mostrando estudos concluídos e em desenvolvimento. Seguiu-se publicação de estudo com terapêutica fonoaudiológicas (TF) em estudos de casos5.
Em 2005, foi iniciado o primeiro projeto de doutorado, controlado e randomizado, referente à reabilitação fonoaudiológica para DRS, publicado em 2009 no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, comprovando a eficácia da TF na AOS moderada6.
Seguiram-se estudos brasileiros randomizados em pacientes com ronco primário e AOS leve a moderada, obtendo-se diminuição da intensidade e frequência do ronco7, assim como redução de 50% do índice de apneia e hipopneia(IAH), da sonolência diurna, melhora da qualidade do sono e de vida associando-se TF e aparelho de pressão positiva(PAP)8,9. Esses estudos pioneiros são referenciados em todas as revisões sistemáticas e meta-análises existentes sobre o tema.
Onde estamos?
A ABS, instituição científica originalmente multidisciplinar de estudos do sono congrega médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, biólogos, técnicos em polissonografia e recentemente fonoaudiólogos. Reconhecida mundialmente, promove campanhas de esclarecimentos, reuniões com a sociedade civil e gestores de políticas públicas sobre diversos temas relacionados ao sono.
Em 2014, a ABS formaliza a participação da Fonoaudiologia na Comissão Científica do Congresso do Sono. A partir de então, organiza-se a inserção formal de fonoaudiólogos na ABS, apoiada pela SBFa. A ABS foi a primeira instituição científica do mundo a reconhecer a Fonoaudiologia em seu escopo interdisciplinar, criando o Departamento de Fonoaudiologia. Nesse ano ocorreu o primeiro “Simpósio de Fonoaudiologia aplicada ao Sono”.
Em 2015, o Congresso Brasileiro do Sono teve a primeira mesa redonda exclusivamente de fonoaudiólogos, além de participação nos simpósios interdisciplinares. Também se iniciou a participação da Fonoaudiologia nas campanhas da Semana Mundial do Sono, como nos anos subsequentes.
Em 2016, os departamentos tornaram-se temáticos. O Departamento Respiratório da ABS, contou com: Medicina, Odontologia, Fonoaudiologia e Fisioterapia. Esta interrelação permitiu direcionar a Certificação do Fonoaudiólogo na área do Sono, reconhecendo-se expertise da Fonoaudiologia nesse tema, chancelada por esta instituição científica, apoiada pelo CFFa (OF/CFFa:n.324/2016), SBFa (OF:011/16) e ABRAMO (OF:jun/2016); processo único no mundo.
Essa certificação ocorreu em duas etapas, por edital com critérios definidos para “Notório Saber” a partir de pontuação curricular e comprovada expertise, e critérios para realização de prova específica. Candidatos elegíveis, realizam prova escrita e prática: casos clínicos com arguição de banca composta por fonoaudiólogos certificados.
A primeira Certificação do Fonoaudiólogo foi concluída em dezembro/2016 com 16 fonoaudiólogas certificadas e ocorre anualmente, atualmente com 28 fonoaudiólogas certificadas pelo país.
Na gestão 2018/2019 da ABS, a Fonoaudiologia alcança outro grande passo: uma fonoaudióloga certificada torna-se presidente de uma de suas regionais, sendo essa reeleita para o biênio 2020/2021.
Em 2019 definiu-se Departamento único, Interdisciplinar, com representante da Medicina, Odontologia, Psicologia, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Biologia e técnicos em polissonografia. Nesse ano aconteceu o “II Simpósio de Fonoaudiologia do Sono” com oito mesas, 31 palestrantes, 8 coordenadores, englobando vários campos de atuação além da MO: linguagem oral/escrita, voz, fluência, disfagia e audiologia. Houve grande participação de fonoaudiólogos, considerado o maior número de participantes na ABS de uma só área.
A Fonoaudiologia brasileira foi reconhecida internacionalmente na área do sono, recebendo o prêmio “AAMS Md Marie Curie Award” (Chicago/2015), e tendo convidados para mesas redondas em congressos mundiais, cursos em Universidades na Europa, América Latina e EUA, como Tufts & Harward Universities (Boston/2018), inserção como pesquisador na Sapienza Università di Roma (Itália/2018) e reuniões com grupos de pesquisas na Universidade de Sydney, coordenado por Dr Collin Sullivan(2019). A produção da Fonoaudiologia Brasileira10 e a certificação em Fonoaudiologia do Sono definiram essa internacionalização.
Para onde vamos?
Em 2020 será realizado o quinto concurso de certificação em Fonoaudiologia do Sono. Em 2021, a ABS recebe o World Sleep Congress, contando com a Fonoaudiologia brasileira em sua Comissão Científica.
Considera-se que a divulgação da atuação especializada componha o caminho para ampliação contínua da visibilidade multiprofissional da Fonoaudiologia no Sono, além de estimular crescimento científico para progresso da acurácia da nossa atuação. Novos estudos randomizados são necessários, pois ainda não são claros: os efeitos funcionais e dos exercícios considerando-se a fisiologia do sono, critérios de elegibilidade e como garantir adesão à TF.
Esse percurso demostra importante conquista para a Fonoaudiologia, por definir formalmente a inclusão nesse campo interdisciplinar. A missão é continuar com excelência, bem como com a consolidação do apoio dos nossos órgãos de classe e entidades científicas.

1. Drager LF, Lorenzi-Filho G, Cintra FD, Pedrosa RP, Bittencourt LR, Poyares D. et. al. 1º Posicionamento Brasileiro sobre o Impacto dos Distúrbios de Sono nas Doenças Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):290-341.
2. Benjafield AV, Ayas NT, Eastwood PR, et al. Estimation of the global prevalence and burden of obstructive sleep apnoea: a literature-based analysis. Lancet Respir Med. 2019;7(8):687-698. doi:10.1016/S2213-2600(19)30198-5
3. Corrêa CC, Berretin-Felix G, Blasca WQ. Educational Program Applied to Obstructive Sleep Apnea. J Communicat Disord, Deaf Studies & Hearing Aids. 2016; 4:1-6.
4. Guimarães KCC. Alterações no Tecido Mole de Orofaringe em Portadores de Apnéia de Sono Obstrutiva. Jornal Brasileiro de Fonoaudiologia. 1999;1(1):69-75.
5. Pitta DBS, Pessoa AF, Sampaio ALL, Rodrigues RN, Tavares MG, Tavares P. Terapia miofuncional oral aplicada a dois casos de síndrome da apnéia obstrutiva do sono grave. Arq Int Otorrinolaringol. 2007;11(3):350-354.
6. Guimarães KCC, Drager LF, Genta PR, Marcondes BF, Lorenzi-Filho G. Effects of oropharyngeal exercises on patients with moderate obstructive sleep apnea syndrome. Am J Respir Crit Care Med. 2009;179(10):962–6. doi: 10.1164/rccm.200806-981OC.
7. Ieto V, Kayamori F, Montes MI, Hirata RP, Gregório MG, Alencar AM, et al. Effects of oropharyngeal exercises on snoring: a randomized trial. Chest. 2015;148(3):683-91. doi: 10.1378/chest.14-2953
8. Diaferia G, Badke L, Santos-Silva R, Bommarito S, Tufik S, Bittencourt L. Effect of speech therapy as adjunct treatment to continuous positive airway pressure on the quality of life of patients with obstructive sleep apnea. Sleep Med. 2013;14(7):628-35. doi: 10.1016/j.sleep.2013.03.016.
9. Diaféria G, Santos-Silva R, Truksinas E, Haddad FL, Santos R, Bommarito S, et al. Myofunctional therapy improves adherence to continuous positive airway pressure treatment. Sleep Breath. 2017;21(2):387-395. doi: 10.1007/s11325-016-1429-6.
10. Corrêa CC, Kayamori F, Weber SAT, Bianchini EMG. Scientific production of Brazilian speech language pathologists in sleep medicine. Sleep Science, 2018; (11):183-210.


HIGHLIGHTS
2218
FONOAUDIOLOGIA EDUCACIONAL: DESAFIOS PARA A ATUAÇÃO NÃO MEDICALIZANTE
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


O crescente número de crianças diagnosticadas com alguma “doença do não aprender”1 tem instituído desafios diários aos fonoaudiólogos que se dedicam a atuação educacional. Se por um lado, as próprias instituições de ensino tem demandado cada vez mais a presença desses profissionais de saúde na escola, por outro, as ações propostas tem, muitas vezes, se limitado à identificação de alterações orgânicas no alunado, com posterior encaminhamento para acompanhamento especializado, e, quando muito, atuação com professores também centrada em alterações e patologias, muitas vezes com o objetivo de capacitá-los para a identificação precoce das mesmas. Tal fato pode ser constatado por pesquisas2,3 que demonstram que o principal foco do fonoaudiólogo em instituições de ensino tem sido a realização de ações prevenção de distúrbios com estudantes do ensino fundamental. O resultado de uma atuação nesses moldes é que o fonoaudiólogo tem contribuído com o processo de medicalização da educação, fortemente vivenciado nos dias atuais. Por meio deste processo, há a transferência de questões de cunho educacional para a área da saúde4. E, como consequência, também ao profissional de saúde é delegada a resolução da situação identificada como problema. Um olhar superficial e acrítico pode entender que esta é a atuação que cabe ao fonoaudiólogo educacional, e que este é o objetivo mantenedor de sua atuação em instituições de ensino. No entanto, a partir de uma visão mais ampliada e crítica, é possível entender que uma atuação assim, além de reduzir, limitar e estigmatizar o fonoaudiólogo educacional àquele que lida apenas com alterações – mesmo no campo educacional – marca a vida e a história escolar e social das crianças que tem recebido diagnósticos e rótulos diariamente. Certamente, as ações propostas pelo fonoaudiólogo educacional estão baseadas em uma formação ainda fortemente centrada em um modelo bancário e médico centrado, por mais que o discurso da promoção de saúde tenha ganhado força e até possibilitado reflexões neste campo. Estudos5,6 indicam que menos de 50% das instituições que oferecem o curso de Fonoaudiologia no Brasil, tenham ao menos uma disciplina voltada para a Fonoaudiologia Educacional e que na grande maioria das instituições que o fazem, esta disciplina tem caráter exclusivamente teórico. Tais pesquisas enfatizam a necessidade e importância de vivencias práticas significativas e ampliadas durante a formação do fonoaudiólogo. Nesse sentido, entende-se que a formação do fonoaudiólogo, assim como de outros profissionais da saúde que se propõem a atuar no âmbito educacional, tradicionalmente, não tem fornecido subsídios e experiências formativas que permitam a reflexão crítica acerca do seu fazer. Portanto, questiona-se: Como legitimar a atuação do fonoaudiólogo educacional sem fomentar a medicalização da educação? As propostas para mudanças e ampliação na atuação do fonoaudiólogo educacional se constituem como um desafio para área à medida que se entende que para que as mesmas aconteçam, se faz necessário um processo de ressignificação do fazer bem como a constituição identitária deste profissional. É compreensível que com base em uma formação essencialmente voltada para o fazer clínico, o mesmo tende a transferir o conhecimento e transpor métodos adquiridos para o âmbito educacional. Nesse sentido, a principal proposta é que a formação inicial e continuada do fonoaudiólogo passe a possibilitar a reflexão crítica de seu fazer, oferecendo subsídios para que o mesmo seja capaz de propor ações ampliadas em instituições de ensino. Tais ações devem ter como escopo o processo educacional, e não apenas as alterações que se manifestam nas escolas. Nesse sentido, propõe-se a realização de ações que tenham como base o conceito de parceria colaborativa ativa7, e os princípios propostos pela Educação Popular em Saúde8, entendendo o diálogo e a interação como fios condutores da prática educacional. A partir de uma relação horizontalizada entre saúde e Educação, propõe-se ainda o desvio do foco das ações propostas na escola das alterações que se manifestam na escola para o processo educacional como um todo.

1. GIROTO, C.R.M.; ARAUJO, L.A.; VITTA, F.C.F. Discursivização sobre “doenças do não aprender” no contexto educacional inclusivo: o que dizem os professores de educação infantil?. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, [S.l.], p. 807-825, mai 2019
2. Berberian AP, Ferreira LP, Jacob LC, Azevedo JBM, Mendes JM. A produção de conhecimento em Distúrbios da Comunicação: análise de periódicos (2000-2005). Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(2):153-9.
3. FIGUEIREDO, L. C.; LIMA, I.L.B ; LUCENA, B. T. L. ; NASCIMENTO, B. L. ; FILGUEIRA, L. L. ; MENDES, L. E. C. ; TRIGUEIRO, J. V. S. . Educational institutions as a field for speech-language-hearing research: an analysis of publications in brazilian journals. REVISTA CEFAC (ONLINE), v. 22, p. e16719-e16719, 2020.
4. MOYSÉS, M.A.A. A institucionalização invisível: crianças que não-aprendem-na-escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2001.
5. MOURA, C. S. C. ; MOURA, G. S. ; LIMA, I.L.B ; SANTOS, A. E. ; SOUSA, M. S. ; FIGUEIREDO, L. C. . Educational Speech-Language Pathology in the curricula of Speech-Language Pathology Programs in Brazil. REVISTA CEFAC (ONLINE), v. 22, p. e1320, 2020.
6. Sanabe Junior G, Guarinelo AC, Santana APO, Berberian AP, Massi GA, Bortolozzi KB. Speech language pathology undergraduates’ views about educational speech language pathology from their theoretical and practical experiences. CEFAC. 2016; 18(1):198-208. http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620161816715
7. Bortolozzi KBB. Fonoaudiologia e Educação: a constituição de uma parceria responsiva ativa [Tese]. Curitiba (PR): Universidade Tuiuti do Paraná, Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde; 2013.
8. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Política Nacional de Educação Popular em Saúde. Brasília, DF: CNEPS, 2012.


HIGHLIGHTS
2191
FONOAUDIOLOGIA NO ENSINO DA MEDICINA: AS PRÁTICAS DIALÓGICAS DA COMISSÃO DE APOIO DISCENTE/ DOCENTE
Saúde Coletiva (SC)


A comissão de Apoio Discente Docente tem como proposta o trabalho de acolhimento da comunidade acadêmica e nasceu na formação de um curso de medicina baseado em metodologias ativas. O trabalho é realizado por um grupo de profissionais, dos quais dois são fonoaudiólogos e os outros dois psicólogos. O objetivo do mesmo é oferecer uma escuta qualificada, visando a promoção dos processos de comunicação, ensino aprendizagem e de saúde mental. Sendo o curso na modalidade de metodologias ativas temos diversos profissionais de saúde trabalhando em conjunto nos variados cenários do curso em seus módulos temáticos e longitudinais, isso promove riqueza de relações interpessoais e também conflitos de ordem pessoal, metodológica e ou de ensino aprendizagem. Os estudantes de medicina são alunos de escola pública, com ingresso determinado pelo Sistema de Seleção Unificada, o que promove mudança de Estado para muitos deles, ocasionando dificuldade de adaptações frente a nova realidade, gerando ansiedade com os processos de mudança, bem como, com o enfrentamento de um curso com metodologias ativas que muitas vezes difere do formato de ensino médio, vivenciado pelo acadêmico. Acrescido a isso, ainda temos, o período de transição para a vida adulta, momento de saída em que muitos vão assumir novas responsabilidades e tarefas importantes relacionadas ao cuidar de si e mediar os conflitos para solucionar problemas cotidianos e da academia. Ao identificar problemas seus atores podem desencadear uma busca individual para a resolução destes, gerando a conduta de procura ativa de determinado profissional ou por encaminhamento, tanto de colegas profissionais, como de encaminhamento de estudantes por docente com queixa de aprendizagem e ou problema de ordem emocional, visando diálogo com o CADD. A comunicação não violenta é um instrumento valioso na resolução de conflitos diante das relações interpessoais permitindo observar, identificar os sentimentos e as necessidades e expressar pedidos mediante suas reais necessidades, visando solucionar os conflitos ( Rosenberg, 2006). Para compreender as situações grupais o conceito de campo de forças auxilia a mediar as forças impulsoras e restritivas as quais permeiam os relacionamentos, os indivíduos e o ambiente. (Lewin, 1970). Por sua vez, é considerando a dinâmica do grupo que se percebe as relações estabelecidas entre seus interlocutores, sabendo que as metodologias ativas são instrumentos determinante da formação médica atual, que preconiza o ensino médico em pequenos grupos, e o ingresso no campo de práticas desde o primeiro ano, acabando por exigir do acadêmico conhecimentos, habilidades e atitudes importantes no enfrentamento de ações de promoção e cuidados em saúde (Moscovici, 2015). O papel do professor diante da metodologia ativa ganha novo significado, o mesmo pode ser visto como um designer de caminhos, sendo mais gestor e orientador de caminhos individual e coletivo possibilitando uma construção mais aberta, criativa e empreendedora, deixando de lado a tarefa de transmissão de conhecimento pronto e acabado (Moran, 2018). Diante do desafio para uma educação inovadora o estudante tem o papel de resignificar seu lugar de aluno e promover a dialética de olhares para conseguir aprender o novo e atribuir sentidos a partir do enfrentamento dos saberes constituídos. A CADD visa ampliar o olhar e acolher o docente/ discente fazendo um atendimento individualizado e promovendo mudanças nas dinâmicas das ações, sendo elas: afetivas e psicossociais de um lado, e de carácter psicopedagógico e metodológicas de outro, gerando estratégias de aprendizagem diversas na resolução dos problemas. Dessa foram a escuta é ampliada e embora não seja possível tratar dentro da universidade a mediação assegura ações de promoção de saúde mental, bem como estratégias de comunicação e ensino aprendizagem diversificadas, esquematizando conhecimento efetivo, conceitual, procedural e metacognitivo. Finalmente, o espaço dialógico aberto com a comunidade acadêmica ratifica o compromisso de cuidar de quem cuida, visando assegurar dinâmicas laborais mais saudáveis e identificar ruídos de comunicação, promovendo saúde mental em docentes e discentes. A inovação de tais práticas evidencia o lugar do fonoaudiólogo no cuidar dos processos que envolvem as dificuldades acadêmicas e em dinâmicas de comunicação, pois o processo dialógico tutorial exige que o aluno possa transformar o estudo realizado, em método dialógico, falando dos problemas e de suas respectivas soluções, mediante grupos pequenos com outros estudantes e seu professor tutor, cujo papel é mediar as relações de aprendizagem, visando cumprir com os objetivos educacionais, proposto por determinado problema.


LEWIN, K. Problemas de dinâmica de grupo. São Paulo, Cultrix, 1970.

MORAN, J. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. In: BACICH, L. MORAN.J. (org). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico/ prática / Organizadores, Liliam Bacich e José Moran. Porto Alegre: Penso, 2018.

MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento Interpessoal: treinamento em grupo. 23 ed. Rio de Janeiro: José Olympio 2015.

ROSENBERG, M.B. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Àgora: 2006.



HIGHLIGHTS
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GEVOZ PARA JORNALISTA: NATURALIDADE NA COMUNICAÇÃO
Voz (VOZ)


Contextualização e Relevância do tema:
Há certo tempo tem-se observado modificações na comunicação e expressividade dos telejornalistas que tendem a interpretar seus textos e/ou fala espontânea de maneira mais natural ou neutra, fazendo uso da intenção comunicativa, recursos de ênfases, pronúncia e prosódia que se aproximam, um pouco, da fala mais informal(1). Dessa forma, pode haver maior envolvimento e empatia do telespectador com a reportagem, com o repórter e âncora do telejornal. Contudo, sabe-se que essa linha entre, o que de fato é natural do falante e o que “parece ser natural” na televisão, durante um telejornal, é tênue e precisa de treinamento para aprimorar essas habilidades(4), pois, de qualquer forma, o telespectador pode ainda preferir a não ocorrência dos elementos regionais na fala do jornalista(2,3).

Definição da Situação-Problema e Proposta:
Há três anos desenvolvo um trabalho de voz, comunicação e expressão em uma emissora filiada a Rede Globo e, devido esse vínculo, no consultório houve maior demanda dos repórteres de outras emissoras, inclusive, também do rádio, por uma intervenção fonoaudiológica mais direcionada a essa “nova” possibilidade de comunicação. Contudo, alguns desses repórteres, que se interessavam pelo trabalho, não conseguiam permanecer ou iniciar a intervenção fonoaudiológica por questões financeiras ou incompatibilidade de horários. Por esse motivo, a fim de conseguir atender ao interesse dos jornalistas pelo aperfeiçoamento, de voz, comunicação e expressão, houve planejamento e execução do GEVOZ para Jornalista.
Trata-se de um grupo de estudos em voz (GEVOZ) para Jornalista ou estudantes de Jornalismo, que estejam em estágios e/ou tenham alguma experiência na área, cujo o propósito é deixar a comunicação e expressividade parecendo natural ou própria daquele profissional. Para isso é oferecido três módulos, com temática e abordagens diferentes, a saber: Módulo 01: Narração com Naturalidade – com treino leitura e narração de offs; Módulo 02: Falar com Naturalidade – abordando ao vivo e passagens; e o Módulo 03 – Expressividade no estúdio - do corpo a voz.
Para participar do GEVOZ, os interessados fazem a inscrição e recebem o material com orientações sobre a proposta e cronograma do módulo. O participante pode adquirir os três módulos ou escolher algum, pois são módulos independentes. Os treinamentos são realizados em grupo, máximo de quatro pessoas, com 1h e 30 minutos de duração cada encontro, sendo 8 encontros no mês (duas vezes por semana). Esse mesmo formato é utilizado em cada módulo.
Com essa proposta, pôde-se reduzir o valor cobrado, por se tratar de uma terapia em grupo, sendo mais atraente para aqueles que não querem investir na sessão individual. Além disso, o trabalho em grupo proporciona construção conjunta do conhecimento entre os repórteres, troca de experiências, melhora a autopercepção, proporciona a ressignificação dos processos de comunicação, favorece a adesão, gera afetos e acolhimento(5).
Apresentação de Caráter Inovador:
O GEVOZ para Jornalista iniciou em janeiro de 2020, mas só foi possível realizar o Módulo 01, devido pandemia, pois os encontros eram presenciais. Analisa-se a possibilidade de adaptar as abordagens do treinamento para oferecer esses módulos na modalidade on-line.
Por isso, para deixar mais didático, o quadro abaixo mostra a proposta do treinamento fonoaudiológico do GEVOZ para Jornalistas – Módulo 01- Narração com Naturalidade.

1° Encontro
Abordagem:
• Apresentação dos participantes;
• Produção da voz: por meio de imagens e vídeos há explicação, de forma objetiva e simples, dos aspectos que envolvem a produção da voz, incluindo ressonância e articulação.
• Breve avaliação vocal dos participantes: coleta de amostras vocais (vogal sustentada, contagem de números e narração de um texto de off).
• Orientações de saúde vocal

2° Encontro
Abordagem
• Exercícios de aquecimento vocal: proposto de acordo com o que foi avaliado e/ou foi queixa do participante. Cada um recebe seu exercício. De modo geral, os exercícios vocais têm como objetivo melhorar a qualidade vocal, articulação e ressonância.
• Aspectos verbais e não verbais da Comunicação: por meio de exemplos, no slide e vídeos. Momento de tirar as dúvidas em relação essa temática.
• São orientados a realizar os exercícios vocais durante a semana.

3° Encontro
Abordagem
• Treinar os aspectos verbais e não verbais: executar os recursos de ênfase, velocidade de fala, pausas, curva melódica, expressividade e intenção comunicativa por meio de frases e pequenos textos.

4° Encontro
Abordagem
• Trabalhar com o texto de off do profissional: utiliza os textos dos jornalistas do GEVOZ, analisa-se a escrita “mais informal” e há um treino de narração a partir desses textos. Utiliza-se os recursos discutidos no encontro anterior.

Do 5° ao 8° Encontro
Abordagem
• Narração de textos trazidos pela fonoaudióloga: diferentes textos (factual, política, esporte, cultura/lazer) em cada encontro.
• Cada texto é gravado (pré e pós treinamento fonoaudiológica)
• Ao final do 8° Encontro: Feedback ao grupo, Autoavaliação do trabalho realizado e da evolução pessoal.

Os jornalistas, que participaram desse módulo, relataram que a proposta é interessante, houve mudança e aprendizado importante, tanto no que diz respeito à saúde vocal como nos aspectos de comunicação e expressividade, e que despertaram a atenção para autorregulação, principalmente, na forma de narrar o texto de off. Além disso, a interação do grupo foi excelente, pois essa proposta de trabalho proporciona network e auxilia na evolução uns dos outro.

1. Kraljic T, Brennan SE, Samuel AG. Accommodating variation: dialects, idiolects, and speech processing. Cognition. 2008;107:54-81.
2. Heaton H, Nygaard LC. Charm or harm: effect of passage content on listener attitudes toward American English accents. J Lang Soc Psychol. 2011;30(2):202-11.
3. Lopes LW, Lima ILB, Silva EG, Almeida LNA, Almeida AAF. Sotaque e Telejornalismo: Evidências para a prática fonoaudiológica. Rev CoDAS. 2013;25(5):475-81.
4. Penteado RZ, Pechula MR. Expressividade em Jornalismo: interfaces entre Comunicação, Fonoaudiologia e Educação. INTERCOM. [online]. 2018;41(1):153-166.
5. Ribeiro VV, Panhoca I, Dassie-Leite AP, Bagarollo MF. Grupo Terapêutico em Fonoaudiologia: Revisão de Literatura. Rev CEFAC. [online]. 2012;14(3):544-52.


HIGHLIGHTS
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GRUPO DE INCLUSÃO DA PESSOA SURDA
Saúde Coletiva (SC)


O projeto de extensão Grupo de Inclusão da Pessoa Surda – GIPS surgiu da necessidade de articular profissionais e comunidade para ações de inclusão da pessoa surda usuária da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). O grupo foi criado por uma docente de Fonoaudiologia da Universidade, em parceria com uma docente de Terapia Ocupacional especialista em Libras, e organizado para atender pessoas surdas usuárias da Língua de Sinais dentro do Projeto de Saúde Auditiva implantado por meio de uma cooperação técnica entre a Universidade com a Secretaria Municipal de Saúde
O GIPS está ativo desde agosto de 2018 e teve como objetivo realizar interface entre a comunidade surda e a sociedade auxiliando no atendimento da pessoa surda e língua de sinais por meio de ações de sensibilização com a comunidade local para viabilizar efetivamente a inclusão, buscando diminuir as barreiras físicas, atitudinais e sociais, assim como aumentar a acessibilidade para a população surda, principalmente nos espaços de saúde. São utilizadas estratégias metodológicas de aproximação com conceitos da comunidade e da cultura surda, discussões, vivência e sensibilização em diferentes contextos a partir de encontros semanais em grupo e ações no território. Por meio de palestras, teatro, dinâmicas e ações de sensibilização, surdos e ouvintes buscam chamar a atenção da comunidade para o tema da inclusão e para as necessidades de comunicação em LIBRAS por essa parcela da população. Dentre as ações promovidas pelo grupo pode-se destacar duas linhas de atuação. A primeira a capacitação em LIBRAS para os gerentes, atendentes e marcadores de UBS’s e profissionais de saúde que trabalham no município e a segunda atividades de Educação em Saúde tornando informações de saúde acessíveis na Língua de sinais por meio de encontros temáticos e campanhas de prevenção e promoção em saúde com os participantes do GIPS. É neste ambiente que destacaremos a seguir.
A falta de comunicação, de inclusão e acesso a orientações para a comunidade surda não é tão eficaz como para a comunidade ouvinte, apesar de que em 2002 a Língua Brasileira de Sinais (Libras) tenha sido reconhecida oficialmente como um meio legal de comunicação e expressão, garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e sua difusão, grande parte das pessoas surdas ou com deficiência auditiva do Brasil não têm acesso a informações corretas sobre o novo coronavírus e suas medidas de prevenção.
Por esse motivo, informações básicas como a necessidade de lavar ou higienizar as mãos adequadamente, uso da máscara fácil, cobrir o nariz e boca com o antebraço ao tossir ou espirrar, evitar apertos de mão e abraços, bem manter o distanciamento e isolamento social não chegam até a comunidade surda com a mesma forma de compreensão que chegam na comunidade ouvinte. A impossibilidade ou falta de compreensão da importância de aderir às máscaras acessíveis à leitura orofacial e facilitar a comunicação com os surdos nas redes de atenção à saúde dificultam os usuários a visualizarem a expressão facial do profissional por completa e, para este público, a expressão facial é essencial na comunicação.
Diante do atual cenário mundial, da falta de comunicação, isolamento e distanciamento social causado pela pandemia da COVID-19, bem como da demanda de comunicação em saúde voltada à essa comunidade de forma acessível, realizou-se uma série de videoconferências a fim de proporcionar a sensibilização dos profissionais e da comunidade. Foram propostos diversos temas e dentre estes um encontro especificamente sobre comunicação em saúde e COVID-19 para comunidade surda durante o período de distanciamento social na pandemia. A videoconferência foi mediada por uma docente do curso de Terapia Ocupacional, com a participação de uma fonoaudióloga, também docente e pesquisadora, a qual abordou a temática a cima referida. Dentre os principais pontos abordados, destacam-se os aspectos psicossociais que estão sendo afetados atualmente, tais como medo, ansiedade, impacto, vulnerabilidade, como também a efetividade da transmissão de informações referentes a etiologia, prevenção, promoção, sintomas, tratamento e demais esclarecimentos referentes ao novo coronavírus. Orientações quanto aos cuidados com a higienização de produtos de Tecnologia Assistiva também foram abarcados, como higienização correta dos dispositivos eletrônicos como aparelhos auditivos utilizados pelos mesmos. O feedback dos participantes do encontro, reforçaram a necessidade de ampliar acessibilidade e o trabalho interprofissional para promover inclusão a surdos e deficientes auditivos no país, além de destacar a importância de iniciativas de participação dos discentes em Fonoaudiologia e ampliar as áreas de atuação em audiologia educacional e saúde coletiva como forma de integração e competência profissional muitas vezes subestimada ou pouco valorizada.

1. Brasil. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais Libras – e dá outras providências. [acesso em 9 julh 2020] Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10436.htm
2. Wetterich, C B; Barroso H C S M; Freitas, D A. A COMUNICAÇÃO ENTRE SURDOS E PROFISSIONAIS DA SAÚDE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. Educação Profissional e Tecnológica em Revista. 2020, 4 (1):130-152.
3. Oliveira T D S. SAÚDE MENTAL E PRÁTICAS INCLUSIVAS: A CLÍNICA AMPLIADA COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO DA COMUNIDADED SURDA. 2019 [acesso em 9 julh 2020] Disponível em https://www3.ufrb.edu.br/eventos/iieplis/wp content/uploads/sites/38/2020/03/8-SA%C3%9ADE-MENTAL.pdf


HIGHLIGHTS
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INICIATIVA PIONEIRA DA FONOAUDIOLOGIA PARA A PREVENÇÃO DE ACIDENTES E A PROMOÇÃO DA SAÚDE NO TRÂNSITO
Saúde Coletiva (SC)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA
Em 2017, foram registrados 35.375 óbitos por acidente de trânsito no Brasil1. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem anualmente em função de acidentes de trânsito2. Embora as estatísticas de mortalidade e morbidade em decorrência de acidentes nesse cenário sejam alarmantes, configurando-se como um problema de saúde pública, cuidar das questões do trânsito ainda é algo novo para o setor de saúde, pois as instituições de educação, saúde e trânsito não atuam de maneira intersetorial e essa desarticulação limita o avanço no conhecimento da problemática de saúde e acidentes de trânsito3.
A Fonoaudiologia é uma área que se encontra em ascensão e ampliação do seu espaço profissional no mercado de trabalho. Essa ciência pode trazer subsídios importantes para a prevenção de acidentes, promoção da saúde e intervenção neste âmbito público.
Estudos demonstram grandes contribuições da Fonoaudiologia para a prevenção de acidentes humanos4, em que incluem os de trânsito, que podem acarretar alterações fonoaudiológicas, como traumas de face5, além do impacto do ruído de trânsito na audição dos condutores6, o impacto da deficiência auditiva em condutores de veículos7,8 e a importância da inclusão de surdos no espaço do trânsito9. Dessa forma, considera-se relevante fomentar a relação entre Fonoaudiologia e trânsito em pesquisa, prevenção de acidentes, promoção de saúde e reabilitação em saúde nesse contexto.
Em um estudo com condutores de veículos7, dos quais 75% apresentavam perda auditiva, constatou-se que indivíduos com perda auditiva apresentam maior susceptibilidade a cometer infrações de trânsito e sofrer danos psicológicos, patrimoniais e físicos, a si mesmo e a terceiros.
Percebe-se, portanto, a grande vulnerabilidade de indivíduos com perda auditiva no contexto do trânsito. Portanto, a Fonoaudiologia encontra-se convocada a contribuir com sua expertise no que se refere à minimização do impacto da perda auditiva na dinâmica do trânsito. Encontramo-nos, pois, frente à necessidade de empreender uma avaliação de sensibilidade auditiva que permita a sua identificação, assim como já se procede em relação às alterações visuais, para o processo de obtenção e renovação da carteira nacional de habilitação (CNH).
Um ponto inquietante e que clama a atenção da Fonoaudiologia no contexto atual é a avaliação proposta pela legislação vigente10, suscetível a fatores ambientais, psicodinâmicos e físicos, não padronizada e sem clareza de procedimentos e critérios de “passa” e “falha”, mostrando-se totalmente inadequada.

DEFINIÇÃO CLARA DA SITUAÇÃO-PROBLEMA
A avaliação proposta pela atual legislação de trânsito é denominada “voz coloquial”, em que o avaliador posiciona-se a dois metros de distância do examinado e emite palavras, que deverão ser repetidas pelo sujeito. Não são especificados critérios para reprovação nesse teste, no entanto, se isso acontecer, o candidato deve ser encaminhado para uma audiometria tonal por via aérea, onde uma média tritonal (frequências de 500, 1000 e 2000 Hz) inferior a 40dB o classificaria como apto.
Assim, candidatos com perda auditiva leve seriam considerados aptos e os com perda auditiva moderada ou maior passariam por nova avaliação em campo livre, após adaptação de aparelho de amplificação sonora individual (AASI). Sendo considerado apto nessa avaliação, o uso do AASI deve ser informado na CNH do condutor, assim como acontece em relação ao uso da correção visual (óculos).
Em caso de reprovação, mesmo com uso de AASI, o candidato só obterá autorização para conduzir veículos enquadrados nas categorias A (motos) e B (automóveis com lotação máxima de oito lugares, além do motorista), devendo apresentar avaliação otoneurológica normal e seus veículos deverão ser equipados com os espelhos retrovisores laterais10. Percebe-se, portanto, que mesmo apresentando perda auditiva, o condutor não é impedido de ter CNH, apenas não pode conduzir veículos maiores, como ônibus e caminhão.
No entanto, a avaliação da audição, como já mencionado, é absolutamente subjetiva por depender da voz do examinador, além de não apresentar critérios de “passa” e “falha”, sendo portanto, inadequada para o propósito a que se presta: garantir a saúde e segurança de todos que compõem o trânsito (condutores e pedestres).

PROPOSTA PARA RESOLUÇÃO
Como se pôde perceber ao longo deste documento, a audição é um sentido importante para o ato de conduzir veículos automotores. A sua alteração pode predispor o condutor a danos permanentes, incluindo a possibilidade de óbito dele e de outrem.
Dessa forma, a Fonoaudiologia deve lutar pelo incentivo à realização de avaliação auditiva de forma semelhante à realização de avaliação visual que é um pré-requisito para a obtenção e a renovação da CNH.
Apesar de haver uma proposição de avaliação auditiva pela legislação de trânsito, ela é superficial e ineficaz para identificar perdas auditivas7 e, principalmente, não é realizada no Brasil. Urge mudar a legislação de trânsito10 a fim de implementar a audiometria tonal, o procedimento padrão-ouro de avaliação de audição, portanto, eficiente e eficaz, para identificar os distúrbios auditivos e propor a sua reabilitação, considerando que é imprescindível otimizar a segurança de todos os envolvidos no trânsito.

CÁRATER INOVADOR
A Fonoaudiologia, no contexto do trânsito, deve estar presente nas clínicas de avaliação de habilidades dos candidatos à obtenção e renovação da CNH, compondo a bateria de testes necessários, juntamente com a avaliação da visão e teste psicotécnico. A presença da Fonoaudiologia deve garantir a realização de audiometria tonal em todos os candidatos.
A contribuição da Fonoaudiologia nesse contexto, será imensa para todos os envolvidos no trânsito: para os pedestres, será garantida maior segurança de deslocamento, pois os estímulos sonoros que norteiam o processo de condução veicular serão percebidos e respeitados e, para os condutores, que terão menor probabilidade de se envolver em acidentes que lhes traga prejuízos físicos, psicológicos e financeiros importantes.
A Fonoaudiologia conta, em julho de 2020, segundo dados do Conselho Federal de Fonoaudiologia, com 46.087 profissionais, dos quais 2.582 são especialistas em Audiologia, distribuídos pelo país, ou seja, dispõe de mão de obra qualificada para desenvolver tais avaliações que visarão à saúde e segurança de todos.
Por fim, uma atuação multidisciplinar, promovendo a articulação entre fonoaudiólogos, outros profissionais da saúde e instituições estaduais e federais de trânsito é premente, favorecendo a maior assistência e segurança da população.

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico, 50(31): 1-30, out. 2019.

2. Organização Mundial da Saúde. Global status report on road safety 2018. Genebra, 2018.

3. Souza ER, Ribeiro AP, Sousa CAM, Valadares FC, Silva JG, Njaine K. et al. Vidas preservadas: experiências intersetoriais de prevenção dos acidentes de trânsito. Rio de Janeiro: Fiocruz/Ensp/Claves/Hucitec; 2014.

4. Gimeniz-Paschoal SR. Formação e Atuação Fonoaudiológica em Prevenção de Acidentes Humanos. In: Giacheti CM, Gimeniz-Paschoal SR. Perspectivas Multidisciplinares em Fonoaudiologia: da Avaliação à Intervenção. Marília: Oficina Universitária; 2013.

5. Silva MGP, Silva VL, Nascimento CMB, Vilela MBR, Lima, MLLT. Acesso à reabilitação fonoaudiológica e a continuidade do cuidado pela Atenção Primária em Saúde para vítimas de acidente de motocicleta. CoDAS. 2019; 32(1): e20170097.

6. Pourabdian S, Yazdanirad S, Lotfi S, Golshiri P, Mahaki B. Prevalence hearing loss of truck and bus drivers in a cross-sectional study of 65533 subjects. Environ Health Prev Med. 2019; 24(1): 78.

7. Mascarenhas VD, Antas LOFS, Souza VM, Soares JFR, Andrade WTL. Perda auditiva e trânsito: vulnerabilidade dos condutores e o exame auditivo proposto pela legislação brasileira de trânsito. In: Anais Científicos do 31º Encontro Internacional de Audiologia; 2016 maio 26-28; São Paulo, Brasil.

8. Stefano MD, Stuckey R, Lavender K. Vehicle modifications for drivers with disabilities: developing the evidence base to support prescription guidelines, improve user safety and enhance participation. Victoria: Institute for Safety; 2015.

9. Souza VM, Mascarenhas VD, Antas LOFS, Soares JFR, Andrade WTL. A inclusão de surdos no trânsito. Rev. CEFAC. 2016; 18(3):677-687.

10. Brasil. Resolução nº 425, de 27 de novembro de 2012. Dispõe sobre o exame de aptidão física e mental, a avaliação psicológica e o credenciamento das entidades públicas e privadas de que tratam o art. 147, I e §§ 1º a 4º e o art. 148 do Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em: . Acesso em: 02. abr. 2020.


HIGHLIGHTS
732
INTERFACE AUDIÇÃO E LINGUAGEM
Linguagem (LGG)


O desenvolvimento da fala, da linguagem e da aprendizagem está intrinsecamente relacionado à efetividade do sistema nervoso central em detectar um evento acústico, codificá-lo em um padrão de informação neural e interpretar adequadamente esse estímulo sonoro, por meio das etapas de processamento auditivo: detecção, discriminação, localização, processamento temporal e atenção seletiva (1).
Assim, o processamento auditivo está na base do aprendizado da fala e de leitura. Déficits no processamento auditivo podem interferir tanto na percepção, quanto na produção da fala (2,3). Por sua vez, alterações de fala e linguagem oral impactam diretamente no aprendizado da linguagem escrita (4). Portanto, faz-se importante considerar o treinamento das habilidades auditivas na intervenção em fala e linguagem.
O treinamento das habilidades auditivas é baseado na neuromaturação e neuroplasticidade, que consistem no estabelecimento de mais conexões neuronais e na mielinização dos neurônios. Tanto do ponto de vista teórico, quanto com base na prática clínica, é possível especular que os casos de linguagem se beneficiem do treinamento auditivo. Os resultados dos estudos são consistentes com relação à melhora das habilidades auditivas treinadas, que podem funcionar como um gatilho para que tanto a terapia de linguagem, quanto o aproveitamento escolar, sejam mais efetivos. Contudo, as evidências científicas a respeito dos efeitos funcionais do treinamento auditivo nos quadros de alterações de fala e linguagem ainda não são conclusivas.
O emprego de ferramentas tecnológicas é uma realidade neste contexto terapêutico. Porém, há necessidade de maior sistematização no planejamento terapêutico e na seleção das estratégias de intervenção, de acordo com a neuromaturação e desempenho apresentado pelas crianças. Ademais, na literatura especializada é frequente reportarem pesquisas de intervenção com treinamento auditivo acusticamente controlado separado da intervenção em linguagem, o que na prática clínica muitas vezes é dificultado pelos custos da realização das intervenções de modo separado.
A combinação entre o treinamento auditivo e a terapia de fala e linguagem pode ter um caráter potencializador, ajudando crianças com transtornos do desenvolvimento da fala e da linguagem a relacionar e aplicar as habilidades auditivas treinadas ao aprendizado de padrões fonológicos. Nosso grupo de pesquisa teve interesse em estudar os efeitos desta combinação.
Para isso, dividimos a sessão de terapia fonoaudiológica de 40 minutos em dois momentos de 20 minutos, um com estratégias da terapia de linguagem convencional e outro com treinamento auditivo, com uma amostra de seis crianças de cinco a sete anos de idade com diagnóstico de Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem ou de Transtorno Fonológico.
Cada sujeito participou de duas etapas da pesquisa, com duração de 10 sessões cada. A primeira etapa consistia em manter a terapia individualizada de linguagem com duração de 40 minutos. Esta etapa foi chamada de Terapia L (Terapia de Linguagem) e funcionava como controle individual para a segunda etapa; a segunda etapa, condição experimental, consistia no treinamento auditivo (20 minutos) combinado à terapia de linguagem individualizada (20 minutos). Esta intervenção combinada também tinha duração total de 40 minutos e foi chamada de Terapia PL (Processamento auditivo combinado à Linguagem). Para testar o efeito da condição experimental sobre a controle, cada indivíduo foi submetido a uma bateria de avaliação - fonológica e do processamento auditivo - em três momentos distintos: antes da Terapia L (Avaliação 1), entre as etapas de Terapia L e PL (Avaliação 2) e após a Terapia PL (Avaliação 3). O ganho com a Terapia L (Avaliação 2 – Avaliação 1) foi então comparado com o ganho com a Terapia PL (Avaliação 3 – Avaliação 2).
As sessões do treinamento auditivo foram feitas com estímulos verbais e não verbais e previam a progressão das habilidades auditivas, iniciada pelas etapas de discriminação auditiva verbal e não verbal (Fase 1). Na Fase 2, foram trabalhadas em paralelo as etapas de processamento temporal não verbal (habilidades de ordenação e resolução), processamento temporal verbal (habilidade de ordenação verbal) e atenção seletiva (habilidades de figura-fundo e integração binaural). Em cada fase, foram trabalhadas diferentes etapas em paralelo, com o objetivo de progredirem de forma independente. Cada etapa foi dividida em passos de acordo com o nível de dificuldade, sendo que algumas etapas tinham mais passos e outras menos. A mudança de passos acontecia quando o sujeito acertava mais de 70% da tarefa, destacando a importância de hierarquizar as habilidades auditivas a serem trabalhadas e a necessidade do uso de critério específico para a mudança do nível de desafio de uma atividade.
E assim, com apenas 3 horas e 20 minutos de treinamento auditivo, divididos em 10 sessões, a maioria dos sujeitos apresentou ganhos no processamento temporal e todos os indivíduos apresentaram melhora da atenção seletiva, com melhor evolução desta última na habilidade de fechamento auditivo.
Verificou-se que metade das crianças melhoraram mais em habilidades fonológicas e metafonológicas com o treinamento auditivo incluso na terapia fonoaudiológica, mesmo por um curto período de treinamento. Além disso, a atenção seletiva parece ter se relacionado mais com a fonologia, enquanto o processamento temporal parece ter se relacionado mais com a consciência fonológica. Ressalta-se que este estudo teve um caráter exploratório, e foi realizado com um número limitado de indivíduos, sendo necessários ensaios clínicos randomizados para que possamos obter conclusões mais robustas a respeito do tema.
Entendemos que a proposta desse estudo pode ser um norteador importante no planejamento terapêutico ou atuação escolar, com utilização tanto em intervenções presenciais quanto com a possibilidade de adaptação para a modalidade remota/ virtual, inclusive com a possibilidade de adaptação das estratégias a grupos de crianças.

1. American speech-hearing language association task force on central auditory processing consensus development. Central auditory processing: current status of research and implications for critical practice. Am J Audiol. 1996;5(2):41–52.
2. McArthur GM, Bishop DVM. Which people with specific language impairment have auditory processing deficits? Cogn Neuropsychol. 2004;21(1):79–94.
3. Patterson RD, Johnsrude IS. Functional imaging of the auditory processing applied to speech sounds. Philos Trans R Soc B Biol Sci. 2008;363(1493):1023–35.
4. Pezzini França M, Lehnen Wolff CL, Moojen S, Tellechea Rotta NT. Aquisição da linguagem oral: Relação e risco para a linguagem escrita. Arq Neuropsiquiatr. 2004;62(2 B):469–72.


HIGHLIGHTS
2187
INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA INTENSIVA NA GAGUEIRA
Linguagem (LGG)


A gagueira do desenvolvimento é um distúrbio que causa alterações na fluência da fala, de caráter multifatorial. A gagueira atinge de 4% a 5% das crianças. Contudo, a taxa de remissão da gagueira na infância e juventude é alta, sendo encontrada na idade adulta em torno de 1% da população.

Dentre seus sintomas, destacam-se a ruptura ou disfluência involuntária da fala e velocidade aumentada ou reduzida na hora de falar. Nas disfluências, são comuns bloqueios de fala, repetições de sons e sílabas e prolongamentos de sons. O tratamento fonoaudiológico visa proporcionar ou potencializar as chances de remissão da gagueira. Apesar de ainda não possuir cura, na literatura são encontrados diversos métodos terapêuticos para tratar gagueira, contudo existem poucos estudos que correlacionam a eficácia do tratamento intensivo e a gagueira. Assim, este estudo tem por objetivo avaliar a eficácia do tratamento intensivo de crianças e adolescentes que gaguejam e descrever a evolução dos resultados pré e pós tratamento.

Este trabalho é relevante para expandir os conhecimentos sobre os tratamentos da gagueira do desenvolvimento e para a Fonoaudiologia em geral, uma vez que os estudos da atuação do fonoaudiólogo em terapia intensiva são escassos. Também é importante ressaltar o propósito social e clínico do trabalho. A investigação dos benefícios da terapia intensiva visa melhorar a qualidade de vida do indivíduo diagnosticado com gagueira, proporcionando tratamento rápido e eficaz.

O estudo foi realizado com 8 pacientes do Ambulatório de Fonoaudiologia do Hospital São Geraldo, pertencente ao complexo do Hospital das Clínicas e no Laboratório de Pesquisa em Linguagem, Departamento de Fonoaudiologia, da Faculdade de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Realizou-se a execução de um programa de tratamento fonoaudiológico intensivo individual durante 30 horas, sendo cinco atendimentos por semana com duração de uma hora cada, desenvolvido exclusivamente para o estudo. Os instrumentos utilizados foram história clínica do paciente e questionário sobre a gagueira, Protocolo OASIS-A e Protocolo de avaliação da fluência da fala - coleta de amostra de fala e análise por meio da prova de fluência do Protocolo ABFW. Foram consideradas as seguintes variáveis neste estudo: índice de severidade da gagueira, obtido por meio da análise da amostra de fala, tipologia das rupturas de fala típicas da gagueira e comuns e variáveis independentes como idade, sexo e tempo de que gagueja. Além disso, o programa de terapia intensiva para gagueira de acordo com as demandas de cada participante. A reavaliação da fluência da fala foi realizada por meio dos mesmos procedimentos.

Os resultados obtidos revelam a eficácia da terapia intensiva na gagueira. Apesar dos riscos de casos de cansaço em decorrência do caráter intensivo da intervenção foi observado que os pacientes mantiveram-se motivados durante todo os tratamento. Foi constatado diminuição do número de disfluências gagas e comuns por minuto, em todos os participantes do estudo. Observou-se também melhora nos aspectos corporais associados à gagueira. Quanto os aspectos sociais, analisados por meio do protocolo OASIS, constatou-se melhora na qualidade de vida destes indivíduos. No geral, o tratamento mostrou-se rápido e eficaz.

O caráter inovador da pesquisa dá-se pela constatação da eficácia da intervenção fonoaudiológica intensiva na gagueira em poucas horas.

Terra, M.; Lopes-Herrera, SA. Programa intensivo de intervenção fonoaudiológica para crianças disfluentes e seu pais: descrição comparativa dos resultados. Anais. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016.

Andrade, CRF. Processamento da Fala – Aspectos da Fluência. Pró-Fono Rev Atual Cient. 2000; 12(1): 69-71.

Gonçalves, MF; Gonçalves, BLR.; Marcandal, GG.; Guarnieri, C.; Lopes-Herrera, SA. Intervenção intensiva na área da fluência infantil: os resultados se mantém a longo prazo? Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2016.

Andrade, CRF; Befi-Lopes, DM; Fernandes, FDM; Wertzner, HF. ABFW: teste de linguagem infantil nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. São Paulo: Pró-Fono, 2004.

Andrade CRF. Abordagem neurolinguística e motora da gagueira. In: Ferreira, LP; Befi-Lopes, DM; Limongi, SCO. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca; 2004. p. 1001-16.

Oliveira, CMC; Pereira, LJ. Gagueira desenvolvimental persistente: avaliação da fluência pré e pós-programa terapêutico. Rev. CEFAC, São Paulo, 2012.

Carvalho, S. et al. Tratamento para adolescentes e adultos gagos. Revista extensão universitária da UFS. São Cristóvão, n.2. 2013.

Instituto Brasileiro de Fluência [homepage na internet]. Acesso em 21 de setembro de 2019]. Disponível em: URL: http://www.gagueira.org.br/

Lamônica, Dionísia Aparecida Cusin; Britto, Denise Brandão de Oliveira e. Tratado de linguagem: perspectivas contemporâneas. [S.l: s.n.], 2017.

Bragatto, Eliane Lopes, et al. "Brazilian version of the Overall Assessment of the Speaker's Experience of Stuttering-Adults protocol (OASES-A)." Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia 24.2 (2012): 145-151.


HIGHLIGHTS
2189
INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA INTENSIVA NA GAGUEIRA
Linguagem (LGG)


A gagueira do desenvolvimento é um distúrbio que causa alterações na fluência da fala, de caráter multifatorial. A gagueira atinge de 4% a 5% das crianças. Contudo, a taxa de remissão da gagueira na infância e juventude é alta, sendo encontrada na idade adulta em torno de 1% da população.

Dentre seus sintomas, destacam-se a ruptura ou disfluência involuntária da fala e velocidade aumentada ou reduzida na hora de falar. Nas disfluências, são comuns bloqueios de fala, repetições de sons e sílabas e prolongamentos de sons. O tratamento fonoaudiológico visa proporcionar ou potencializar as chances de remissão da gagueira. Apesar de ainda não possuir cura, na literatura são encontrados diversos métodos terapêuticos para tratar gagueira, contudo existem poucos estudos que correlacionam a eficácia do tratamento intensivo e a gagueira. Assim, este estudo tem por objetivo avaliar a eficácia do tratamento intensivo de crianças e adolescentes que gaguejam e descrever a evolução dos resultados pré e pós tratamento.

Este trabalho é relevante para expandir os conhecimentos sobre os tratamentos da gagueira do desenvolvimento e para a Fonoaudiologia em geral, uma vez que os estudos da atuação do fonoaudiólogo em terapia intensiva são escassos. Também é importante ressaltar o propósito social e clínico do trabalho. A investigação dos benefícios da terapia intensiva visa melhorar a qualidade de vida do indivíduo diagnosticado com gagueira, proporcionando tratamento rápido e eficaz.

O estudo foi realizado no Ambulatório de Fonoaudiologia do Hospital São Geraldo, pertencente ao complexo do Hospital das Clínicas e no Laboratório de Pesquisa em Linguagem, Departamento de Fonoaudiologia, da Faculdade de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Realizou-se a execução de um programa de tratamento fonoaudiológico intensivo individual durante 30 horas, sendo cinco atendimentos por semana com duração de uma hora cada, desenvolvido exclusivamente para o estudo. Os instrumentos utilizados foram: História Clínica, Questionário sobre a gagueira, Protocolo OASIS e Protocolo de avaliação da fluência da fala - coleta de amostra de fala e análise por meio da prova de fluência do Protocolo ABFW. Foram consideradas as seguintes variáveis neste estudo: índice de severidade da gagueira, obtido por meio da análise da amostra de fala, tipologia das rupturas de fala típicas da gagueira e comuns e variáveis independentes como idade, sexo e tempo de que gagueja. Além disso, o programa de terapia intensiva para gagueira de acordo com as demandas de cada participante. A reavaliação da fluência da fala foi realizada por meio dos mesmos procedimentos após 30 horas de terapia.

Os resultados obtidos revelam a eficácia da terapia intensiva na gagueira. Apesar dos riscos de casos de cansaço em decorrência do caráter intensivo da intervenção foi observado que os pacientes mantiveram-se motivados durante todo os tratamento. Foi constatado diminuição do número de disfluências gagas e comuns por minuto, em todos os participantes do estudo. Observou-se também melhora nos aspectos corporais associados à gagueira. Quanto os aspectos sociais, analisados por meio do protocolo OASIS, constatou-se melhora na qualidade de vida destes indivíduos. No geral o tratamento mostrou-se rápido e eficaz.

O caráter inovador da pesquisa dá-se pela constatação da eficácia da intervenção fonoaudiológica intensiva na gagueira em curto período de terapia.

Terra, M.; Lopes-Herrera, SA. Programa intensivo de intervenção fonoaudiológica para crianças disfluentes e seu pais: descrição comparativa dos resultados. Anais. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016.

Andrade, CRF. Processamento da Fala – Aspectos da Fluência. Pró-Fono Rev Atual Cient. 2000; 12(1): 69-71.

Gonçalves, MF; Gonçalves, BLR.; Marcandal, GG.; Guarnieri, C.; Lopes-Herrera, SA. Intervenção intensiva na área da fluência infantil: os resultados se mantém a longo prazo? Anais. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2016.

Andrade, CRF; Befi-Lopes, DM; Fernandes, FDM; Wertzner, HF. ABFW: teste de linguagem infantil nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. São Paulo: Pró-Fono, 2004.

Andrade CRF. Abordagem neurolinguística e motora da gagueira. In: Ferreira, LP; Befi-Lopes, DM; Limongi, SCO. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca; 2004. p. 1001-16.

Oliveira, CMC; Pereira, LJ. Gagueira desenvolvimental persistente: avaliação da fluência pré e pós-programa terapêutico. Rev. CEFAC, São Paulo, 2012.

Carvalho, S. et al. Tratamento para adolescentes e adultos gagos. Revista extensão universitária da UFS. São Cristóvão, n.2. 2013.

Instituto Brasileiro de Fluência [homepage na internet]. Acesso em 21 de setembro de 2019]. Disponível em: URL: http://www.gagueira.org.br/

Lamônica, Dionísia Aparecida Cusin; Britto, Denise Brandão de Oliveira e. Tratado de linguagem: perspectivas contemporâneas. [S.l: s.n.], 2017.

Bragatto, Eliane Lopes, et al. "Brazilian version of the Overall Assessment of the Speaker's Experience of Stuttering-Adults protocol (OASES-A)." Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia 24.2 (2012).


HIGHLIGHTS
2181
INTERVENÇÃO NO MODELO DIR/FLOORTIME EM CRIANÇAS NO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO
Linguagem (LGG)


Esse highlights pretende demonstrar como funciona o modelo DIR/Floortime na intervenção em crianças no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O estudo verificou os resultados de um ano e meio de treinamento com os pais no DIR/ Floortime, assim como a terapia realizada em consultório, como uma forma adicional de incentivar as crianças no TEA a evoluir no desenvolvimento e a declinar nos comportamentos autistas.
Crianças no TEA possuem déficit qualitativo em interação social que pode ser manifestado por duas das seguintes características: a) déficits no uso do comportamento não verbal, como contato visual, expressões faciais, postura corporal e gestos utilizados para regular a interação social; b) inabilidade de desenvolver relacionamentos com os pares adequadamente e compatível com seu nível de desenvolvimento; c) ausência de tendência espontânea para compartilhar emoções, interesses e objetos; d) ausência de reciprocidade social e emocional.

A falta de interação recíproca ocorre de forma acentuada e persistente e pode ser detectada nos primeiros meses de vida, quando a criança com TEA não consegue sorrir em resposta ao sorriso dos pais, não segue os olhos dos pais ou não procura interação. Além disso, como as crianças com TEA têm dificuldade em entender a perspectiva dos outros, é difícil para elas compartilharem, demonstrarem empatia e conforto. O motivo mais comum para os pais procurarem um especialista é o atraso de linguagem observado pelos responsáveis por volta dos 18 meses de idade. Esse quadro vai além de um atraso na fala, pois a criança não mostra intenção ou interesse em se comunicar com os outros, não utiliza também meios de comunicação não verbais, como gestos. Essas características em relação à dificuldade de comunicação podem auxiliar no diagnóstico precoce do TEA. Quanto ao comportamento, eles podem apresentar padrões, interesses e atividades restritos, repetitivos e estereotipados, manifestados por pelo menos uma das seguintes características: a) rotinas não funcionais e inflexíveis específicas, b) preocupação com um determinado padrão estereotipado, c ) maneirismos de motores estereotipados e repetitivos; d) fixação em partes de objetos. As características comportamentais associadas aos distúrbios da comunicação e à interação social das crianças no TEA podem levar ao isolamento contínuo da criança e de sua família.
O DIR/ Floortime é um modelo baseado no Desenvolvimento Funcional da Criança, Diferenças Individuais e Relacionamentos (D para desenvolvimento, I para individualidade ou diferenças individuais e R para relacionamento), com o objetivo de construir as bases para as habilidades sociais, emocionais e intelectuais das crianças, em vez de concentrar-se apenas em comportamentos isolados. O modelo foi desenvolvido por Stanley Greenspan e Serena Wieder nos Estados Unidos. O DIR/ Floortime procura desenvolver ou aumentar a funcionalidade das áreas consideradas mais afetadas no TEA, como necessidades básicas de envolvimento e interação social, bem como o uso de ideias pragmáticas e significativas na linguagem. De acordo com o modelo DIR, o nível de desenvolvimento da criança é influenciado por suas diferenças individuais, padrões familiares e ambientais e pelo tipo de relacionamento que essa criança estabelece com as pessoas que vivem com ela. Esses níveis de desenvolvimento são trabalhados através do Floortime (conhecido como o coração do DIR) em terapia e/ou em casa, e até na escola, durante o período de folga. É brincar com a criança no chão, usando affect (que são os sentimentos e emoções envolvidos em um relacionamento), entrando no mundo da criança, sempre seguindo sua liderança, para que mais tarde ela possa trazê-la ao seu mundo, promovendo a interação e o engajamento, de acordo com o nível de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, é essencial ter em mente que a criança precisa ser desafiada para que ela possa aprender novas habilidades que levarão a outras mais elaboradas. Assim, seguindo sua liderança, a criança precisa se envolver em interação recíproca com seu cuidador, pais ou terapeuta.
A seleção de participantes foi realizada pelas instituições onde as crianças foram tratadas. As crianças cujos diagnósticos foram confirmados por um pediatra do desenvolvimento, neuropediatra ou psiquiatra, e preencheram os critérios clínicos para TEA no Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM) 5 foram convidadas a participar do presente estudo se tivessem entre 18 meses a 7 anos de idade. As crianças foram excluídas se tivessem algum diagnóstico médico adicional.
O acompanhamento das sessões de terapia e avaliação das crianças ocorre em três centros de atendimento privados do Modelo DIR/Floortime no Brasil. Protocolos utilizados para a avaliação: Escala de Avaliação Emocional Funcional - FEAS e Questionário de Desenvolvimento Emocional Funcional - FEDQ, que estão mostrando desta vez como as relações afetivas são importantes para a evolução das capacidades funcionais das crianças no TEA.
Na primeira visita, os pais foram treinados por 1,5 horas. Eles foram treinados para observar as pistas de seus filhos autistas, seguir o exemplo das crianças e implementar as técnicas Floortime apropriadas para o nível atual de desenvolvimento funcional de seus filhos para atingir as metas.
Os participantes foram acompanhados individualmente a cada três meses. Em cada período de acompanhamento, o investigador responde aos pais como eles se relacionam com o filho. As respostas invasivas controladoras foram substituídas por respostas destinadas a facilitar a sinalização e a comunicação emocional bidirecional entre pais e filhos. Modelagem e treinamento foram usados para melhorar seu desempenho. As metas, o método e a técnica do programa em casa foram refinados para sincronizar com o progresso da criança. Os pais das crianças participantes foram solicitados a avaliar sua satisfação através de uma escala Likert de três pontos para avaliar sua satisfação com a eficácia da intervenção de seu filho.
Este estudo discute algumas variáveis que podem afetar o resultado, como a participação dos pais, o grau dos filhos com TEA e o estado basal do desenvolvimento, que podem estar associados a respostas favoráveis ou desfavoráveis às intervenções.

Fernandes FDM. ; Molini-Avejonas DR. ; Sousa-Morato PF. Perfil funcional da comunicação nos distúrbios do espectro autístico. Revista CEFAC (2006), v. 8, p. 20-26.
Greenspan SJ., Degangi G. Research on the FEAS: Test Development, Reliability, and Validity Studies. in S. Greenspan, G DeGangi, S Wieder (Eds.), The Functional emotional assessment scale (FEAS) for infancy and early childhood. clinical and research applications. Interdisciplinary council on developmental and learning disorders (icdl), Bethesda, md, www.icdl.com, (2001) p. 167-247.
Manohar H., Kandasamy P., Chandrasekaran V., Rajkumar RP. Parent-Mediated Intervention for Children with Autism Spectrum Disorder: A Feasibility Study from South India. Journal of Autism Developmental Disorder (2019), V.49, p. 3146–3158.
Pajareya k, kopmaneejumruslers k. A pilot randomized controlled trial of DIR/Floortime parent training intervention for pre-school children with autistic spectrum disorders. Journal of Autism Developmental Disorder (2011). Sep;15(5):563-77.


HIGHLIGHTS
1326
INTERVENÇÃO PARA TRANSTORNOS DE FALA E LINGUAGEM: PROGRAMA PLUSHAND.
Linguagem (LGG)


Contextualização: O desenvolvimento da linguagem requer a associação de diversas áreas cerebrais. A produção da fala envolve um conjunto de ações complexas de organização, planejamento e execução dos movimentos fonoarticulatórios, sendo necessário a integridade dos órgãos envolvidos (mandíbula, lábios, língua, palato mole, laringe) e da complexa habilidade de controle motor oral. Com as experiências da primeira infância, a criança adquire os padrões maturacionais propiciando o refinamento da produção dos fonemas, bem como da coarticulação e do controle motor de fala, chegando ao padrão modelo correto, denominado de praxia. Na ausência de um desenvolvimento adequado, surgem as patologias de fala, dentre elas a Apraxia. Apraxia é um distúrbio motor neurológico da fala resultante de um impedimento no planejamento, programação e execução da sequência de movimentos necessários à fala. Impacta na habilidade da criança em posicionar e temporizar a sequência dos gestos articulatórios para a produção dos sons da fala e consequentemente, inteligibilidade e a prosódia da fala ficam. Nos casos em que esse circuito motor não ocorre pode-se identificar as alterações de fala que comprometem o movimento práxico. Dentre elas, destaca-se: Desvio Fonológico, Desvio Fonético e Apraxia de fala na Infância, sendo este o objetivo de trabalho do Programa Plushand. Relevância: Nestes casos, a intervenção requer o uso de recursos que auxiliem nas manifestações apresentadas (dificuldades no planejamento e na produção de gestos de movimentos e sequencias implícito à produção da fala, que afetam a articulação da fala, coordenação, o tempo, a proporção e a prosódia, dificuldade em mover seus pontos articulatórios de uma postura para outra - coarticulação- e dificuldade com a consciência fonológica e atrasos na leitura) e que utilize o sistema fonético brasileiro. Proposta: O Programa Plushand oferece uma intervenção baseada nas conexões neuronais (planejamento motor, programação motora e sequencialização dos sons da fala). O objetivo deste trabalho é descrever o Programa Plushand, bem como a sua fundamentação teórica. Explanação da literatura científica atual que embasa a construção e efetivação do programa, para posterior apresentação do material e da hierarquia motora envolvida na melhora no desempenho de fala. O levantamento bibliográfico foi feito nas bases de dados Medline, Scielo, Lilacs, durante os últimos dez anos. O programa Plushand será apresentado seguindo a sua hierarquia.: Pesquisa bibliográfica revelou argumentos teóricos importantes para aplicação do programa. Plushand é um programa que utiliza as mãos e os gestos para favorecer a aquisição dos sons na comunicação/fala, consciência fonológica e desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. É uma abordagem multimodal indicada para o tratamento de alterações da comunicação, dentre elas, as alterações motoras de fala. Em sua concepção, realiza o ensino do planejamento e da programação motora-oral do fonema, da sequencialização de uma postura articulatória para outra, promovendo a coarticulação de sílabas e palavras. Abordagem inovadora: Corroborando as pesquisas científicas, o Plushand, que tem base nos gestos do movimento da fala, atua semanticamente e temporalmente ligado ao conteúdo do fluxo de fala em curso, têm funções comunicativas semelhantes à fala e desenvolvem-se estreitamente com aquisição de linguagem em crianças. Resultados preliminares indicam que a utilização do Programa PlusHand com crianças que apresentam Apraxia de Fala na Infância tem apresentado resultados nos aspectos relacionados a transcodificação favorecendo um melhor desempenho da fala e leitura. As crianças que realizaram 2 ou 3 sessões semanais demonstraram aumento de vocábulos e de palavras em frases nos aspectos linguísticos (pragmático, semântico, sintaxe, morfologia e fonologia) e melhora da precisão coarticulatória. Em crianças com apraxia de fala na infância, a intervenção com abordagem multissensorial e com a hierarquia motora de fala, o Plushand pode trazer resultados eficientes em menor tempo de estimulação, porque propõe em sua prática a sequência de pistas cognitivas-linguísticas, hierarquia motora de fala associada as pistas multissensoriais, além do estímulo nas habilidades de leitura e escrita. Conclui-se que a intervenção fonoaudióloga com base na hierarquia motora de fala, no uso de pistas cognitivas e multissensoriais, como apresenta o Programa PlusHand, é eficaz para crianças com apraxia de fala na infância.
Descritores: Apraxia, programa de intervenção, hierarquia motora, pistas multissensoriais e fala.

• Souza, Taísa Gianechinni Gonçalvez de,. Programa de Intervenção Práxico-produtivo para indivíduos com Transtorno Fonológico. 2016 – 121p. Tese (Doutorado em Processos e Distúrbios da Comunicação Humana) – Faculdade de Odontologia de Bauru, Bauru, SP. 2016.
• Site da American Speech-LanguageHearing Association (ASHA). Disponível em: www.asha.com
• Namasivayam, A. K., Huynh, A., Granata, F., Law, V., & van Lieshout, P. (2020). PROMPT intervention for children with severe speech motor delay: a randomized control trial. Pediatric Research, 1-10. https://doi.org/10.1038/s41390-020-0924-4
• Namasivayam AK, Coleman D, O'Dwyer A, van Lieshout P. Speech Sound Disorders in Children: An Articulatory Phonology Perspective. Front Psychol. 2020;10:2998. Published 2020 Jan 28. doi:10.3389/fpsyg.2019.02998
• Shriberg, L. D. & Wren, Y. E. A frequent acoustic sign of speech motor delay (SMD). Clin Linguist Phon. 33(8), 757-771 (2019).
• Namasivayam, A. K., et al. Investigating intervention dose frequency for children with speech sound disorders and motor speech involvement. Int J Lang Commun Disord. 54(4), 673-686 (2019). 20. Osberger.
• Hayden, D., Namasivayam, A. K. & Ward, R. The assessment of fidelity in a motor speech treatment approach. Speech Lang Hear. 18(1), 30-38 (2015).
• Gubiani, Marileda Barichelo, Adaptação e validação de instrumento de avaliação dinâmica das habilidades motoras da fala. 2016 – 146p. Tese (Doutorado em Distúrbios da Comunicação Humana) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2016.
• Lamônica, Dionísia e Britto, Denise, Tratado de Linguagem: perspectivas conteporâneas, editora booktoy, 2017.


HIGHLIGHTS
2192
INTERVENÇÃO RELACIONAL EM FONOAUDIOLOGIA
Linguagem (LGG)


Em quadros clínicos de atraso ou distúrbios de linguagem, o fonoaudiólogo frequentemente observa dinâmicas comunicativas pouco favoráveis, com características como: desequilíbrio na ocupação do espaço comunicativo, estabelecimento de turnos inconsistente, assimetrias linguísticas importantes, falhas na consideração do interlocutor, atitudes omissas, discurso ou manifestações intrusivas, descompassos entre tempo de espera e tempo necessário para a resposta.
Participar de situações comunicativas com interlocutor treinado, preparado, sensível e atento, é um dos fatores que promove a evolução positiva das crianças em tratamento fonoaudiológico. Quanto mais intensa e frequente a possibilidade de vivências favoráveis ao surgimento e aprimoramento das habilidades comunicativas, mais consolidados se tornam tais aprendizados. Assim, é proposto por diversas linhas que os familiares sejam incluídos no tratamento, para favorecer o desenvolvimento da criança.
Com base na Teoria do Apego (1, 2), a Intervenção Relacional é uma proposta de trabalho que visa aguçar a sensibilidade parental às necessidades da criança, aperfeiçoando sua percepção quanto às expressões da criança, valorizando as iniciativas positivas, diminuindo as quebras comunicativas e, assim, favorecendo as trocas comunicativas.
A proposta de Intervenção Relacional pode ser desenvolvida em ambiente clínico ou domiciliar (3). Neste caso, vem sendo praticada por fonoaudióloga e supervisionada por psicóloga, a partir de março de 2019.
A partir da indicação clínica de trabalhar dinâmica a comunicativa familiar, é apresentada a proposta da Intervenção Relacional aos familiares (mãe, pai ou avó, conforme a disponibilidade dos adultos e a rotina da família nos cuidados com a criança). É fundamental que o adulto convidado compreenda a proposta e aceite participar dela.
São realizadas de oito a doze sessões sequenciais, em frequência semanal, compostas por:
- Diálogo inicial com o adulto, no qual são colhidas informações cotidianas sobre o último período (duração aproximada de dez minutos),
- Momento de fonoeducação, no qual são abordados temas pertinentes ao caso (duração aproximada de cinco minutos),
- Trabalho com videofeedback a partir de filmagem da interação da dupla, colhida na sessão anterior, do qual trechos pontuais pré-selecionados, contendo ocorrências relevantes para os aspectos a serem enfocados, são exibidos, assistidos em conjunto, comentados e discutidos (duração aproximada de vinte minutos),
- Fornecimento de consigna (instrução específica para a interação) ao adulto e coleta de nova filmagem de situação lúdica entre familiar e criança, com material determinado pelo fonoaudiólogo, para favorecer vivências pertinentes às temáticas trabalhadas em sessão (duração de até dez minutos).
Durante os momentos em que o familiar e o fonoaudiólogo trabalham juntos, propõe-se à criança que brinque com brinquedo (fornecido pelo fonoaudiólogo ou de escolha da criança), em geral no mesmo ambiente em que estão os adultos, sendo levadas em conta pelo profissional as solicitações da criança e as formas como estas são respondidas pelo familiar, e sendo realizadas intervenções, quando necessário.
Após o conjunto de sessões de Intervenção Relacional, é realizada a reavaliação fonoaudiológica da criança e são determinadas as novas condutas clínicas pertinentes para o momento.
A partir dos meses de prática clínica com esta estratégia, observamos que a vivência de novas possibilidades de interação passa pela quebra de padrões mais ou menos cristalizados nas formas originais de interação. Observar-se em ação possibilita a tomada de consciência sobre gestos e atitudes (comunicativas ou não) e oferece a possibilidade de experimentar novas formas de interagir e de vincular-se.
Muitas vezes, o que gera a dificuldade de compreensão e de adesão dos familiares às orientações fonoaudiológicas não é a falta de conhecimento ou de esclarecimento - e sim a restrição de repertório pessoal ou relacional nos aspectos abordados. O que significa “dar voz à criança”? O que significa “respeitar o tempo dela”? O que significa “responder afetuosamente”? O que significa “construir juntos”?
Na maioria das famílias submetidas à Intervenção Relacional, observa-se o aprimoramento da sensibilidade parental às necessidades da criança, levando a melhorias na efetividade comunicativa dentro da relação específica e dentro da família, como um todo (4).
Quanto ao fortalecimento dos vínculos, temos tido constatações de que, além da aproximação e qualificação familiar-criança / criança-familiar (5), também se reforça o vínculo de confiança entre o familiar participante e a fonoaudióloga, originando bases seguras para acolhimento de sugestões e para encaminhamentos delicados, que provavelmente seriam menos efetivos antes do processo de Intervenção Relacional. Afinal, observando na vida diária os resultados do tratamento, é natural que a família se abra para as indicações do profissional.
Também observamos aprofundamento do vínculo entre a criança e a fonoaudióloga (não como objetivo direto, mas como consequência comum). Uma hipótese para tal passa pela experiência positiva com a presença da profissional sustentando a possibilidade de que a criança vivencie com seu adulto de referência situações protegidas, seguras e prazerosas.
Observamos como resultados de evolução fonoaudiológica nas crianças participantes, já durante o processo de intervenção relacional, alguns elementos não diretamente trabalhados, como: surgimento das verbalizações, ampliação do repertório de aceitação alimentar, redução do comportamento opositor, importante evolução social escolar.
Acreditamos que a abordagem de Intervenção Relacional pode contribuir como uma opção de estratégia clínica no trabalho fonoaudiológico em Linguagem e Comunicação e que pode instrumentalizar famílias como agentes multiplicadores da saúde comunicativa na sociedade.

(1) Bretherton I. The origins of Attachment Theory: John Bowlby and Mary Ainsworth. Developmental Psychology (1992), 28, 759-775.
(2) Dalbem J X, Dell’Aglio D D. Teoria do Apego: bases conceituais e desenvolvimento dos modelos internos de funcionamento. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v.57, n. 1, p. 12-24, 2005.
(3) Moss E, Dubois-Comtois K, Cyr C, Taraboulsy G M, St-Laureant D, Bernier A. Efficacy of a home-visitting intervention aimed at improving maternal sensitivity, child attachment and behavioral outcomes for maltreated children: a randomized control trial. Development and Psychopatology 23 (2011) 195-210.
(4) Bigras M, Machado A L. Apontamentos e Reflexões sobre programas de apoio familiar que favoreçam a competência social da criança. Cienc. saúde coletiva [revista em Internet] 2014 março [acesso 20 de julho de 2020]; 19(3). Disponível em [https://doi.org/10.1590/1413-81232014193.18402013]
(5) Figueiredo M, Mateus V, Osorio A, Martins C. A contribuição da sensibilidade materna e paterna para o desenvolvimento cognitivo de crianças em idade pré-escolar. Aná. Psicológica [revista em Internet] 2014 [acesso 20 de julho de 2020]; 32(2), p.231-242. Disponível em [http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312014000200008&lng=pt&nrm=isso]



HIGHLIGHTS
2199
JOGO PARA TREINAMENTO DE HABILIDADES METALINGUÍSTICAS
Linguagem (LGG)


Contextualização e relevância do tema.

Tratando-se especificamente da linguagem escrita, há uma série de fatores que são pré-requisitos para sua efetividade, necessários para sua aquisição e manutenção. Tais fatores são as chamadas habilidades metalinguísticas, que permitem compreender um código linguístico desde seus componentes mínimos. Mesmo que surjam anteriormente e sejam necessárias para o aprendizado de leitura e escrita, as habilidades metalinguísticas continuam a desenvolver-se, atingindo seu grau mais elevado com o apoio da leitura.
Estas habilidades permitem ao sujeito refletir sobre sua língua nos mais diferentes aspectos. Na literatura, são identificadas como habilidades metalinguísticas as consciências fonológica, sintática, morfológica, semântica, pragmática e metatextual. Todas proporcionam compreender as características da língua e, posteriormente, dominá-las para o seu uso na leitura e na escrita.
Considerando a essencialidade das habilidades metalinguísticas, observa-se que a ocorrência de atraso ou quaisquer alterações em seu desenvolvimento são fatores causais de distúrbios de aprendizagem, afetando a aquisição e desenvolvimento da leitura e da escrita.
Em casos de distúrbios de leitura e escrita, o fonoaudiólogo é um dos profissionais competentes para intervir, atuando tanto no âmbito educacional como em prevenção, avaliação e terapia.
Com a finalidade de acompanhar o desenvolvimento tecnológico na área da saúde, os interesses do público (especialmente se tratando de crianças e adolescentes) e potencializar o processo terapêutico, cada vez mais os fonoaudiólogos têm se dedicado à construção e utilização de softwares/jogos que proporcionem atividades capazes de auxiliar o paciente no desenvolvimento de habilidades variadas, atendendo desde motricidade orofacial até o treinamento auditivo.

Definição da situação-problema e da resolução encontrada/proposta.

No cenário atual, apesar da crescente utilização de recursos tecnológicos lúdicos, em diversas áreas da fonoaudiologia, inclusive linguagem, não são encontrados materiais voltados às habilidades metalinguísticas em sua totalidade, o que representa uma lacuna a ser reparada, considerando a eficácia dos softwares e sua cada vez mais frequente utilização. Analisar, potencializar e desenvolver novos jogos e atividades eletrônicas tornou-se essencial.
Partindo desse pressuposto, a produção deste jogo se justifica no anseio de atender às necessidades do terapeuta que trabalha na área da linguagem, com a produção de jogos que auxiliem o treinamento de habilidades atualmente em defasagem em outros softwares e jogos voltados à terapia fonoaudiológica.
Algumas das habilidades citadas são trabalhadas isoladamente ou com outros tipos de habilidades (principalmente auditivas) em outros materiais, entretanto, nem todas elas são encontradas, seja em jogos gratuitos ou pagos, tampouco trabalhadas em conjunto.

Caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica.

O jogo mostra-se inovador por sua interface de fácil acesso e reprodução, já que pode ser executado em uma ferramenta de apresentação de slides gratuita e de livre acesso (disponível até mesmo offline) ou outras plataformas compatíveis com o tipo de arquivo ou formatos em que ele possa ser convertido; além disso, traz propostas divertidas com diversos elementos convidativos para as crianças, como personagens originais (duas crianças e um gato), reforços positivos, paleta de cores divertida e clipes de áudio interativos (que narram cada uma das tarefas e leem qualquer texto presente na tela após um clique sobre ele).
O jogo criado teve um total de 37 páginas, sendo que nas 4 primeiras são apresentados o jogo e os personagens e, nas demais, diferentes atividade voltadas ao treinamento das habilidades, de acordo com a dificuldade e ordem de aquisição. A primeira das atividades, é a única que não aborda uma habilidade como primária e outras como secundárias, tratando-se de um quadro com o alfabeto em que os sons que cada letra representa são apresentados para os jogadores.

Algumas Referências: 1. RODRIGUES, Marisa Cosenza; SPERB, Tania Mara. Contextos de Desenvolvimento da Linguagem. São Paulo, SP: Vetor, 2010. 184 p. 2. FERNANDES, Fernanda Dreux Miranda; MENDES, Beatriz Castro Andrade; NAVAS, Ana Luiza Pereira Gomes Pinto (Org). Tratado de fonoaudiologia. 2. ed. São Paulo, SP: Roca, 2010. 836 p. 3.Cunha VLO, Capellini SA. Habilidades metalinguísticas no processo de alfabetização de escolares com transtornos de aprendizagem. Rev. Psicopedagogia [Internet]. 2011 [acesso em 2019 Mar 28]; 28(85): 85-96. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-8486201100010000.


HIGHLIGHTS
1943
LEITURA E ESCRITA EM CRIANÇAS COM SURDEZ: ORIENTAÇÕES AOS PAIS EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL
Linguagem (LGG)


O processo de desenvolvimento da leitura e a escrita de pessoas com surdez difere daquele que ocorre em ouvintes, principalmente em decorrência das diferenças na primeira língua adquirida pelo sujeito, já que a língua brasileira de sinais apresenta elementos e estruturação próprias¹. A literatura aponta que há uma relação intrínseca entre o domínio do código oral e o processo de construção da escrita, uma vez que quanto maior for uso auditivo oral, maior será a associação fonema grafema². O papel dos pais para o estabelecimento de hábitos de leitura, bem como para o desenvolvimento de atividades cotidianas que incorporem a escrita nas rotinas diárias é crucial para o sucesso do processo de alfabetização e letramento³,⁴. A pandemia imprimiu a necessidade de encontrarmos estratégias para auxiliar os pais na estimulação de seus filhos, uma vez que os atendimentos presenciais tornaram-se inviáveis. Assim sendo, o objetivo do presente estudo foi elaborar atividades a serem desenvolvidas por pais de crianças surdas para estimular a construção da leitura e escrita em casa. Método: Durante o período de isolamento decorrente da pandemia por COVID-19 foram elaboradas propostas de atividades de estimulação de leitura e escrita por cinco alunas do 4º. ano de fonoaudiologia, uma pedagoga técnica em assuntos educacionais e uma docente fonoaudióloga e pedagoga. O processo de escolha e adequação das atividades difere de uma conjuntura de teleatendimento comum, pois o estado de calamidade pública levou ao decreto do isolamento social, ou seja, escolhemos atividades em que a execução não implicasse em realizá-las fora de casa ou com materiais e recursos incomuns no ambiente cotidiano. Tais atividades foram discutidas e aperfeiçoadas por meio de supervisão à distância e, posteriormente, divulgadas aos pais de nove crianças do Ensino Fundamental, portadoras de perda auditiva neurossensorial bilateral de grau severo a profundo usuárias de prótese auditiva ou implante coclear, que frequentam o ambulatório de atendimento fonoaudiológico de uma instituição de ensino superior da Grande São Paulo. Para o desenvolvimento das atividades, foram considerados os estágios de desenvolvimento de escrita de pessoas surdas propostos por LODI², além da necessidade de adequação da realidade de cada paciente, sendo incluídos nos planejamentos o feedback dos recursos e disponibilidade dos responsáveis pelos mesmos. Resultados: As atividades elaboradas envolveram: jogos e brincadeiras, leitura compartilhada de livros, registro de rotinas e construção de calendários e diários, rotulagem de móveis e utensílios domésticos, propostas de filmes e desenhos com legenda, leitura e execução de receitas e atividades cotidianas que estimulassem a comunicação entre os membros da família. Após a elaboração das atividades, foram gravados áudios ou vídeos e as atividades foram encaminhadas aos pais por WhatsApp. O tempo para feedback das atividades foi flexível, umas vez que o cotidiano de alguns responsáveis foi mais limitante. Conclusão: As atividades propostas cumpriram o papel de permitir que, mesmo na ausência de atendimento fonoaudiológico presencial, os pais possam estimular seus filhos e os alunos do Curso de Fonoaudiologia tenham seu aprendizado oportunizado pelo contato com os pais e supervisores responsáveis para desenvolver formas alternativas para desenvolvimento de seus pacientes que enfrentam o isolamento social e não estão frequentando presencialmente a escola.

1. FERNANDES, Sueli. Letramento na educação bilíngue para surdos. In: BERBERIAN, A. P.; ANGELIS, C. C.M. de; MASSI, G. (orgs.). Letramento: referências em saúde e educação. São Paulo: Plexus, 2006.
2. LODI, Ana Claudia Balieiro. Leitura e escrita em crianças surdas: um estudo das estratégias utilizadas durante o período de aprendizagem [tese] Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo. 1996.
3. QUADROS, Ronice Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: Artmed, 1997.
4. SACALOSKI, Marisa. Inserção do aluno com deficiência no ensino regular: a comparação entre o desempenho dos alunos ouvintes e deficientes auditivos. Tese de doutorado apresentada à UNIFESP. 2001.


HIGHLIGHTS
2216
MATERIAL ENCANTO DAS LETRAS
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Material Encanto das Letras: material de apoio do especialista
Contextualização e relevância do tema: Um dos objetivos do trabalho do especialista em Fonoaudiologia Educacional é garantir o sucesso do processo ensino/aprendizagem, desenvolvendo juntamente aos educadores e seus escolares, atividades que facilitem esse processo diminuindo a incidência das dificuldades no contexto escolar¹. A Alfabetização está intimamente ligada à capacidade de estabelecer a relação entre letras e sons. Nossa escrita apresenta como base o Princípio Alfabético, necessitando assim, que os escolares consigam representar os aspectos sonoros da fala através do uso das letras do alfabeto². Entre as confusões mais comuns durante o processo de estabelecimento destas relações, estão as correspondências entre fonemas surdos e sonoros com seus respectivos grafemas, por apresentarem como única diferença entre si, a presença ou não da vibração das pregas vocais durante sua produção, como é o caso entre os fonemas /f/ e /v/ representados pelas letras F e V. Porém, alguns destes fonemas, além de apresentar similaridade auditiva com o outro, apresentam também, o que chamamos de opacidade ortográfica, onde a relação entre fonema e grafema não é transparente, podendo um único som, ser representado por mais de um grafema, como é o caso dos fonemas /x/ e /j/, onde o escolar além de perceber a diferença sonora entre ambos, precisará escolher qual grafema utilizar de acordo com a palavra a ser escrita. Outro fator relevante para o processo ensino/aprendizagem, é o fato de que nem todos os escolares absorvem o conhecimento da mesma forma, devendo sempre levar-se em consideração que cada indivíduo tem sua maneira de aprender. Há aqueles que aprendem rapidamente, enquanto outros precisam de uma quantidade maior de repetição. E pensando em repetição e formação de memória, sabemos que o aprendizado musical beneficia todos os aspectos cognitivos³. Os processos de fala e escrita envolvem ritmo, sonoridade, organização, coordenação motora, sintaxe, pragmática, melodia, entre outros processos que são parte da música. Sendo assim, quando unimos a informação correta junto à sonoridade musical, temos um conjunto funcional para estimular a aprendizagem. Definição da situação-problema e da resolução encontrada ou proposta: O Material Encanto das letras, apresenta 6 faixas musicais inéditas e 12 cartazes em tamanho A3 (42 x 29,7cm) com letras e figuras. Cada música trata de um dos pares de fonemas surdos e sonoros e para cada uma delas, dois cartazes são direcionados para ilustrar e representar as letras e sons cantadas pela melodia. Tem como objetivo, facilitar o estabelecimento entre as relações de fonemas e grafemas, de forma lúdica e divertida para os escolares, tornando o trabalho da Fonoaudiologia Educacional mais dinâmico e funcional, dentro do ambiente educacional. Vem para preencher uma necessidade que se faz presente na rotina do fonoaudiólogo educacional que atua juntamente ao professor, que é a baixa oferta de materiais que atendem à demanda coletiva nas escolas, onde o objetivo é estimular, prevenir e diminuir a incidência das dificuldades de Aprendizagem, sendo uma ferramenta de apoio ao processo de alfabetização. Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica: A organização deste material teve seu início no ano de 2017, com a produção das músicas em estúdio e vem sendo utilizado como material de apoio aos fonoaudiólogos educacionais nas atividades e propostas dentro da Educação Infantil, com crianças por volta dos 4 anos, até o 3° ano do Ensino Fundamental, demonstrando utilidade e funcionalidade do início ao fim do processo de Alfabetização. Os professores orientados com este material, relatam maior participação, engajamento e interação de seus alunos, além de considerar que o material facilita a compreensão e memorização das crianças com relação ao uso das letras e domínio de questões ortográficas. A exposição dos escolares às imagens das letras, relacionadas aos sons que elas produzem, à forma de produção destes sons e tudo sendo traduzido por letras musicais fáceis de decorar e com melodias animadas, vem transformando a forma de aprender dos alunos e inovando o trabalho dos fonoaudiólogos educacionais.

1. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 309, de 1 de abril de 2005. Brasília: CFFa, 2005. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/resolucoes/resolucoes_html/CFFa_N_309_05.htm. Acesso em 17 agosto 2020.
2. Andrade O.V.C.A., Andrade P.E., Capellini S.A. Modelo de Resposta à Intervenção RTI como identificar e intervir com escolares de risco para os Transtornos de Aprendizagem. São José dos Campos, SP. Pulso Editorial, 2014.
3. GCS Silva, VM Berthon, ACT Maranho, MCD Davoli. A Importância da Música na Aprendizagem. Revistas Científicas Eletrônicas FAIP, 2013. Disponível em: http://www.faip.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/4wmJIYOWqcHqA9T_2020-6-25-17-14-19.pdf Acesso em 17 agosto 2020.




HIGHLIGHTS
2217
MATERIAL ENCANTO DAS LETRAS
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Material Encanto das Letras
Contextualização e relevância do tema: Um dos objetivos do trabalho do especialista em Fonoaudiologia Educacional é garantir o sucesso do processo ensino/aprendizagem, desenvolvendo juntamente aos educadores e seus escolares, atividades que facilitem esse processo diminuindo a incidência das dificuldades no contexto escolar¹. A Alfabetização está intimamente ligada à capacidade de estabelecer a relação entre letras e sons. Nossa escrita apresenta como base o Princípio Alfabético, necessitando assim, que os escolares consigam representar os aspectos sonoros da fala através do uso das letras do alfabeto². Entre as confusões mais comuns durante o processo de estabelecimento destas relações, estão as correspondências entre fonemas surdos e sonoros com seus respectivos grafemas, por apresentarem como única diferença entre si, a presença ou não da vibração das pregas vocais durante sua produção, como é o caso entre os fonemas /f/ e /v/ representados pelas letras F e V. Porém, alguns destes fonemas, além de apresentar similaridade auditiva com o outro, apresentam também, o que chamamos de opacidade ortográfica, onde a relação entre fonema e grafema não é transparente, podendo um único som, ser representado por mais de um grafema, como é o caso dos fonemas /x/ e /j/, onde o escolar além de perceber a diferença sonora entre ambos, precisará escolher qual grafema utilizar de acordo com a palavra a ser escrita. Outro fator relevante para o processo ensino/aprendizagem, é o fato de que nem todos os escolares absorvem o conhecimento da mesma forma, devendo sempre levar-se em consideração que cada indivíduo tem sua maneira de aprender. Há aqueles que aprendem rapidamente, enquanto outros precisam de uma quantidade maior de repetição. E pensando em repetição e formação de memória, sabemos que o aprendizado musical beneficia todos os aspectos cognitivos³. Os processos de fala e escrita envolvem ritmo, sonoridade, organização, coordenação motora, sintaxe, pragmática, melodia, entre outros processos que são parte da música. Sendo assim, quando unimos a informação correta junto à sonoridade musical, temos um conjunto funcional para estimular a aprendizagem. Definição da situação-problema e da resolução encontrada ou proposta: O Material Encanto das letras, apresenta 6 faixas musicais inéditas e 12 cartazes em tamanho A3 (42 x 29,7cm) com letras e figuras. Cada música trata de um dos pares de fonemas surdos e sonoros e para cada uma delas, dois cartazes são direcionados para ilustrar e representar as letras e sons cantadas pela melodia. Tem como objetivo, facilitar o estabelecimento entre as relações de fonemas e grafemas, de forma lúdica e divertida para os escolares, tornando o trabalho da Fonoaudiologia Educacional mais dinâmico e funcional, dentro do ambiente educacional. Vem para preencher uma necessidade que se faz presente na rotina do fonoaudiólogo educacional que atua juntamente ao professor, que é a baixa oferta de materiais que atendem à demanda coletiva nas escolas, onde o objetivo é estimular, prevenir e diminuir a incidência das dificuldades de Aprendizagem, sendo uma ferramenta de apoio ao processo de alfabetização. Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica: A organização deste material teve seu início no ano de 2017, com a produção das músicas em estúdio e vem sendo utilizado como material de apoio aos fonoaudiólogos educacionais nas atividades e propostas dentro da Educação Infantil, com crianças por volta dos 4 anos, até o 3° ano do Ensino Fundamental, demonstrando utilidade e funcionalidade do início ao fim do processo de Alfabetização. Os professores orientados com este material, relatam maior participação, engajamento e interação de seus alunos, além de considerar que o material facilita a compreensão e memorização das crianças com relação ao uso das letras e domínio de questões ortográficas. A exposição dos escolares às imagens das letras, relacionadas aos sons que elas produzem, à forma de produção destes sons e tudo sendo traduzido por letras musicais fáceis de decorar e com melodias animadas, vem transformando a forma de aprender dos alunos e inovando o trabalho dos fonoaudiólogos educacionais.

Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 309, de 1 de abril de 2005. Brasília: CFFa, 2005. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/resolucoes/resolucoes_html/CFFa_N_309_05.htm. Acesso em 17 agosto 2020.
Andrade O.V.C.A., Andrade P.E., Capellini S.A. Modelo de Resposta à Intervenção RTI como identificar e intervir com escolares de risco para os Transtornos de Aprendizagem. São José dos Campos, SP. Pulso Editorial, 2014.
GCS Silva, VM Berthon, ACT Maranho, MCD Davoli. A Importância da Música na Aprendizagem. Revistas Científicas Eletrônicas FAIP, 2013. Disponível em: http://www.faip.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/4wmJIYOWqcHqA9T_2020-6-25-17-14-19.pdf Acesso em 17 agosto 2020.



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1116
MINHA PRIMEIRA TRIAGEM – USO DE FORMULÁRIO GOOGLE FORMS COMO RECURSO DE ENSINO
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


As estratégias de ensino voltadas para metodologias ativas buscam reduzir o distanciamento existente entre o ensino proposto pelas Instituições de Ensino Superior e as necessidades de saúde da população, sendo necessário, para isso, superar o paradigma “conteudista” predominante no ensino tradicional 1. As metodologias ativas de ensino surgiram como uma proposta para estimular o ato reflexivo do aluno, permitindo o pensamento crítico, de interagir com a realidade e se tornar ativo frente às transformações da sociedade, e, à medida que se inserem na teorização, trazem elementos novos, ainda não considerados nas aulas ou na própria perspectiva do professor 2,3. A aplicação de um formulário Google Forms em sala de aula, composto de perguntas sobre o entendimento do aluno quanto aos seus aspectos fonoaudiológicos, por exemplo, pode resultar em envolvimento por parte do educando por utilizarem-se da própria história na busca pelo conhecimento. Nesta perspectiva, com objetivo de realizar um levantamento sobre as características da comunicação e aspectos relacionados às funções orofaciais dos alunos do primeiro semestre de um curso de graduação em Fonoaudiologia, foi desenvolvido um formulário Google Forms denominado “Minha primeira triagem”. Aplicado no primeiro dia de aula dos ingressantes no curso de Fonoaudiologia, após a apresentação da turma, o formulário terá seu link disponibilizado para os alunos e terão seus resultados revelados por estes após a sua finalização. Em seguida, o professor apresentará o conteúdo da aula, o mercado de trabalho e as áreas da Fonoaudiologia, baseado nas respostas e relatos dos alunos. A reflexão crítica a ser realizada e a busca de conhecimento para estabelecer soluções devem partir dos próprios alunos, visto que são os sujeitos das ações. No formulário constam a solicitação do e-mail do aluno, um comando para realizá-lo e de 31 perguntas relacionadas à auto percepção das características da comunicação e dos aspectos relacionados às funções orofaciais. Para cada pergunta o aluno responderá “sim” ou “não”, com exceção da justificativa sobre a necessidade de consultar um fonoaudiólogo. Segue o conteúdo do formulário: a) comando: “Este é seu primeiro exercício como futuro fonoaudiólogo. Trata-se de uma triagem sobre a sua saúde fonoaudiológica. Então, devem ser assinalados os aspectos relacionados à sua comunicação, sua respiração e outros relevantes à Fonoaudiologia. Assinale sim ou não. Vejamos qual será o resultado; b) perguntas: Costuma contar estórias com alguma desorganização dos fatos? Tem problemas de memória? Tem vícios de linguagem (né, então, aí, tipo assim...)? Tem dificuldades para falar em público? Tem problemas na “dicção”? Costuma repetir, prolongar ou bloquear os sons da fala? Tem dificuldade para respirar? Respira com a boca aberta durante o dia ou à noite? Tem problemas na arcada dentária? Tem preferência por um lado para mastigar? Engasga-se com facilidade? Tem tosse com frequência? Modificaria alguma característica no seu rosto? Fala muito alto? Fala muito baixo? Ficou ou fica rouco por falar demais? Já perdeu a voz totalmente? Fuma? É desafinado quando fala? Tem pigarro com frequência? Possui má expressão corporal quando fala? Escuta música com fones de ouvido em volume alto? Utiliza cotonetes para tirar a cera (cerume) da orelha? Tem dificuldades para ouvir as pessoas falarem? Tem dificuldades para ouvir alguns sons do ambiente? Irrita-se com algum som? Fica tonto com frequência? Escuta zumbidos com frequência? Dificuldades para escrever? Dificuldades para ler? Acha que precisa consultar um fonoaudiólogo? Porque? Foi realizado um estudo piloto como 17 alunos ingressantes no curso de Fonoaudiologia. Os resultados colaboraram para orientar os alunos sobre possíveis alterações de natureza fonoaudiológica e ilustrar a apresentação de conteúdos relacionados ao mercado de trabalho e às áreas da Fonoaudiologia durante uma aula presencial. Foram selecionados os achados mais relevantes: a) dos respondentes, 64,7 % (11 alunos) referiram falhas na memória. Os conteúdos sobre cognição e as relações da Neuropsicologia e Fonoaudiologia foram aqui destacadas; b) 64,7 % (11) mencionaram dificuldades para falar em público e 41,2 % (7) referiram ter ficado rouco por falar demais. Este fato colabora para apresentar os benefícios de procedimentos em voz clínica e voz profissional; c) sobre problemas na “dicção”, 35,3%(6) responderam positivamente. Neste momento, a conceituação de linguagem, fala e voz é pertinente; d) 41,2 % (7) mencionaram que respiram pela boca e 76,5 % (13) preferem um dos lados para mastigar. Os aspectos da Motricidade Orofacial , assim como a dimensão interdisciplinar da Fonoaudiologia poderá ser discorrida utilizando-se da otorrinolaringologia e da ortodontia como exemplos; e) 64,7% (11) dos respondentes se irritam com algum som; 58, 8%(10) escutam música com fones de ouvido em volume alto; 47,1%(8) usam cotonetes; 17,6 %(3) referiram ter dificuldades de ouvir pessoas e sons do ambiente. Estes dados são suficientes para embasar o conteúdo de Audiologia utilizando as respostas dos alunos. Ao final, 94,1% relataram que necessitam consultar um fonoaudiólogo, pelos motivos relacionados aos questionamentos do formulário. Ao final, Os alunos foram orientados para realizarem consultas à profissionais para prevenção ou identificação de possíveis alteração na saúde comunicativa. A experiência foi considerada positiva pelos alunos por proporcionar uma reflexão sobre a própria saúde comunicativa e sobre a importância da Fonoaudiologia na sociedade. Sob a ótica do professor, conclui-se, portanto, que o uso de uma ferramenta virtual colabora para o processo de ensino-aprendizagem quando faz o aluno refletir sobre suas práticas, interagir com os conteúdos, utilizar recursos motivadores.


1. Chiesa AM et al. A formação de profissionais da saúde: aprendizagem significativa à luz da promoção da saúde. Cogitare Enfermagem 2007 ABR-jun; 12 (2): 236-240.
2. Martins, MCFN. Formação: saberes e fazeres humanizados. Boletim da saúde 2006 jul-dez; 20(2): 110-117.
3. Berbel, NAN. As metodologias ativas e a promoção da autonomia de estudantes. Semina: Ciências Sociais e Humanas 2011 jan-jul; 32(01): 25-40.


HIGHLIGHTS
2205
O FONOAUDIÓLOGO INFLUENCIADOR DIGITAL: UM NOVO CAMINHO PARA A FONOAUDIOLOGIA
Linguagem (LGG)


Comunicação é um dos campo de estudo da Fonoaudiologia1 e tudo que relaciona-se com tal temática, gera interesse nessa ciência. Nos últimos anos, os meios e formas de comunicação têm evoluído. Anteriormente, era necessário recorrer aos veículos de comunicação em massa para ter um alcance de grande abrangência com o público. As redes sociais têm permitido um alcance semelhante porém com pouco investimento. Por exemplo, o Instagram, revela um potencial para ser um instrumento de comunicação técnica-cientifíca, assim, acessibilizando a ciência e aumentando a popularidade da Fonoaudiologia2. O termo influenciador digital, relativo àquela pessoa que usa as redes sociais para influenciar pessoas acerca de uma determinada temática é novo no Brasil, de ocorrência a partir de 20153. Diferente da Medicina, a Fonoaudiologia necessita de evidências cientificas que norteiem a comunicação fonoaudiológica nas mídias digitais2, e, sobretudo, respeitando o código de ética da categoria que orienta sobre: Questões como: fazer constar seu nome profissional; sua profissão e o número de inscrição no Conselho Regional de sua jurisdição nos anúncios, são pre requisitos para um bom trânsito na rede social2. O Capítulo X, Seções I e II do Código de Ética é destinado a normatizar o comportamento ético de fonoaudiólogos na publicidade, propaganda e nas redes sociais. Assim, a sugestão é que seja feita a leitura atenta dos Artigos 35 ao 40 para a valorização da Fonoaudiologia e das práticas profissionais individuais4. Quanto à situação problema revela-se à indagação: o que seria um fonoaudiólogo influencier na internet? É aquele profissional que divulga a Fonoaudiologia em meios digitais, com conteúdos que envolve a sua prática profissional, dicas, orientações, motivações e tem uma grande números de seguidores, interagindo e recebendo a sua influência com assuntos fonoaudiológicos. O que gera influência na decisão de estudos ou compra de recursos fonoaudiológicos. Geralmente a influência deste fonoaudiólogo envolve suas características individuais, somada à experiência profissional, convertendo informação cientifica para o seu público, dentro dos princípios da ética fonoaudiológica. Assim, a proposta é apontar as redes sociais como mais um recurso oportuno de ampliação de divulgação profissional, das 12 áreas da Fonoaudiologia, e também divulgação técnico-cientifica, visto que o público alvo do fonoaudiólogo sempre foi o seu paciente/cliente, que agora revela-se também na figura de seus pares o que possibilita a divulgação do seu trabalho, fortifica a sua imagem e reputação profissional e ainda lhe abre portas para pensar em qualificação por meio da educação e partilha de práticas aos referidos colegas profissionais. Evidenciou-se que a difusão da Fonoaudiologia em redes sociais tem grande potencial quando a humanidade precisou ficar em distanciamento social, devido a pandemia do COVID-19 (5,6), e os profissionais que tinham maior alcance nas redes sociais aumentaram o contato com o público e tiveram melhor adesão dos pacientes ao teleatendimento e dos alunos no ensino à distância/remoto. Suprindo, assim, a demanda de alguns profissionais que pouca experiência/manuseio no teleserviço, inclusive, aumentando a credibilidade dos cursos online. Uma outra oportunidade, neste período, foi a disponibilidade de transmissões ao vivo sem custo para o ouvinte, sendo, um dos maiores exponentes na área o canal do Youtube da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa). É reconfortante ´ver a evolução da Fonoaudiologia no teleserviço e no ambiente virtual. Recomenda-se pesquisas cientificas que caracterizem o profissional com maior alcance nas redes sociais e o seu impacto na formação e na comunicação técnica-cientifica para leigos e fonoaudiólogos. Estimula-se também o análise minuciosa e o cumprimento das diretrizes disponíveis no código de ética da classe para que as ações em âmbito virtual não inflija a legislação da classe. Assim, findamos este highlight reafirmando a necessidade de avanço de estudos no campo digital, viabilizando quantificar e qualificar as contribuições dos fonoaudiólogos influenciadores digitais dentro da sua própria classe como para com a população em geral.

Referencias:
1. Giroto CRM. Atuação fonoaudiológica na educação inclusiva. In: Marchesan, IQ, Justino H, Tomé MC (Orgs.). Tratado de especialidades em Fonoaudiologia. 1. ed. São Paulo: Guanabara Koogan; 2014.
2. Barros Junior, RA. Médico e influenciador: um estudo sobre a comunicação em saúde no Instagram. Trabalho apresentado na DT 6 – Interfaces Comunicacionais do XXI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Centro-Oeste, 22 - 24 maio 2019, Goiania (GO). Universidade Federal de Goiás, Goiânia; 2019.
3. Karhawi I. Influenciadores digitais: conceitos e práticas em discussão. Revista Communicare, V. 17, Edição especial de 70 anos da Faculdade Cásper Líbero- SP; 2017.
4. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 490, de 18 de fevereiro de 2016. Dispõe sobre a aprovação da reformulação do Código de Ética da Fonoaudiologia e dá outras providências. Diário Oficial da União, 07 mar 2016; Seção 1: 196-198.
5. Werneck, Guilherme Loureiro ; Carvalho, Marília Sá . A pandemia de COVID-19 no Brasil: crônica de uma crise sanitária anunciada. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 36, n. 5, e00068820, Abr. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00068820
6. Ebrahim Shahul H, Ahmed Qanta A, Gozzer Ernesto, Schlagenhauf Patricia, Memish Ziad A. Covid-19 and community mitigation strategies in a pandemic BMJ 2020; 368 :m1066. doi: .




HIGHLIGHTS
2010
O USO DE MONÓLOGOS COMO RECURSO TERAPÊUTICO PARA O PROFISSIONAL DA VOZ FALADA
Voz (VOZ)


Em se tratando de intenções comunicativas estamos nos referindo não somente à mensagem dita, como também às emoções que envolvem essa mensagem. Muitas vezes o profissional da voz falada busca acompanhamento fonoaudiológico para potencializar a sua comunicação, tornando-a mais clara e verdadeira. Mas nem sempre há uma queixa vocal no falante que, por ventura, venha a interferir na qualidade dessa comunicação. O que se busca são competências comunicativas que, na prática clínica, o fonoaudiólogo desfruta de diversos recursos para aprimorar a linguagem do paciente.

O texto de monólogo pode ser um desses recursos. Estudos de revisão teórica sobre monólogos, elucidam que há uma alteridade nessa categoria de textos que traz uma complexidade na fala. Não se trata somente de falar sozinho, mas sim de um trabalho imaginativo de uma relação dialógica. Esse movimento complexo de leitura e fala que o profissional da voz falada tem que desenvolver, traz a ele a oportunidade de perceber emoções dentro de diversos contextos e assim aperfeiçoar as suas intenções comunicativas. (1)

Quando os monólogos são utilizados na prática clínica fonoaudiológica, precisamos trabalhar com o paciente/cliente os recursos verbais e não-verbais para que as intenções comunicativas e emoções dos personagens (o real e o imaginário) venham à tona de forma mais clara. E é justamente a clareza da comunicação uma das competências que os profissionais da comunicação mais buscam. (2)

Uma vez passado pela experiência de imaginar as emoções por trás de um texto escrito por outro e trazer a luz da fala essas emoções utilizando recursos narrativos trabalhados na clínica, o falante não somente transforma a sua comunicação como também reconhece o seu próprio estilo narrativo.

Na prática clínica com repórteres, políticos, palestrantes, e profissionais da voz falada em geral, utilizei monólogos como recurso terapêutico e pude perceber que não bastava apenas trabalhar as habilidades verbais e não-verbais sem um contexto para significá-las. Frequentemente a expressividade era posta de forma artificial sem trazer junto a ela a verdade da comunicação do indivíduo falante. Assim, ao colocar o orador em situações potencialmente reais, ainda que fictícias, geralmente há uma melhor compreensão sobre a diversidade de expressões que somos capazes de trazer à fala. (3)

Este estudo tem por objetivo trazer ao fonoaudiólogo o conhecimento sobre o sucesso que a prática do uso de monólogo como recurso terapêutico tem trazido a clínica fonoaudiológica. O fonoaudiólogo pode melhorar o treino das expressividades, da linguagem verbal e não verbal, tão importantes na eficiência comunicativa do indivíduo. E não somente isso, há ainda uma amostra prática ao fonoaudiólogo sobre a subjetividade do orador, sobre a maneira como ele se apresenta em situações hipotéticas, ampliando assim a preparação desse mesmo orador para, inclusive, situações imprevisíveis.

Tanto os monólogos monofônicos (uma só voz) quanto os polifônicos (várias vozes numa única narrativa) são excelentes estratégias para aperfeiçoar as habilidades comunicativas do orador. Mas os monólogos polifônicos trazem um diálogo com diversas vozes que precisam ser alternadas para que o enunciado seja entendido.

Num olhar mais fonoaudiológico clínico, podemos entender o uso dos monólogos como uma estratégia ampla de diversificação da mensagem, das intenções comunicativas e da expressividade. (4)



1. Grejis, R. A. A alteridade no monólogo. Revista Virtual de Estudos da Linguagem – ReVEL. V. 4, 2 n. 6, março de 2006. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br] Acesso em: 13/06/2020
2. Kyrillos, L.R. (org.). Expressividade. Rio de Janeiro: Revinter, 2004
3. Viola, I.C. Expressividade, estilo e gesto vocal. Lorena: Instituto Santa Teresa, 2008
4. Bakhtin, M. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. 4ªed. São Paulo: Hucitec, 1998.


HIGHLIGHTS
2161
OFICINA MULTIDISCIPLINAR DE PAIS PARA FAVORECER A INSERÇÃO FAMILIAR E SOCIAL DOS USUÁRIOS
Saúde Coletiva (SC)


1-Contextualização e relevância do tema: A Fonoaudiologia tem a possibilidade de atuar mais efetivamente nas Instituições psiquiátricas a partir de 1992, com a implantação da Portaria 224/92 que traz como uma de suas diretrizes a multiprofissionalidade na prestação de serviços às pessoas com Transtorno Mentais 1. O profissional que se dispõe a trabalhar com esta perspectiva de clínica precisa contribuir com outros modos de atuação, buscando espaços terapêuticos em que seja possível cuidar, acolher e escutar as angústias e as experiências de vida, bem como se preocupar com o sujeito em sofrimento mental e não mais com sua doença. É necessário ao profissional adaptar-se e buscar diferentes formas de atuar no campo da Saúde Mental. Esse contexto precisa ser repetidamente discutido na Fonoaudiologia. 2- Definição da situação-problema e resolução : O Centro de Atenção Psicossocial-CAPS é um dispositivo para a construção de um lugar social para os sujeitos com transtorno mentais severos e persistentes em nossa sociedade. Os CAPS são regulamentados pela portaria 336/GM de 19/02/2002 e integra a rede do Sistema Único de Saúde-SUS 3. O CAPS apresentado neste trabalho é Infanto Juvenil III, com atendimento 24 horas por dia, durante sete dias da semana, onde crianças e adolescentes podem permanecer em regime de acolhimento noturno, composto por equipe multiprofissional, da qual fazem parte uma fonoaudióloga, uma assistente social, quatro psicólogos e uma farmacêutica, além dos médicos e da equipe de enfermagem e quatro administrativos. No plantão noturno fica um profissional da equipe multidisciplinar, o médico, equipe de enfermagem e o administrativo. Segundo o Ministério da Saúde4 os CAPS III têm grande importância na rede substitutiva, pois representam mais um recurso terapêutico, evitando internações psiquiátricas; também atendem usuários em situações de grave comprometimento psíquico, como um recurso necessário para atendê-lo em crise de forma que a situação não evolua para a internação. As ferramentas terapêuticas do CAPS são: a) Acolhimento: consiste na escuta qualificada ao usuário, busca a humanização no atendimento e garante o acesso de todas as pessoas ao serviço; b) Projeto Terapêutico Singular (PTS): valoriza o saber e a opinião dos sujeitos atendidos e de seus familiares na construção do projeto terapêutico, personaliza o atendimento tanto no CAPS quanto no território. As atividades são acompanhadas pelo Técnico de Referência; c) Matriciamento: é um recurso de construção de novas práticas em saúde mental junto às comunidades, no território onde as pessoas vivem e circulam, pela sua proposta de encontros produtivos, sistemáticos e interativos entre equipes da Atenção Básica e equipes da saúde mental 5. 3- Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade de alguma abordagem fonoaudiológica: A realização dos atendimentos em grupo com os familiares pode ser considerado como espaço de convivência, de trocas de experiências, de produção de linguagem verbal e não verbal, que iniciam ou ampliam processos de invenção e produção de subjetividade e dão forças a singularidades dos sujeitos atendidos 6. Destaca-se que os atendimentos em grupo de pais foram realizados em equipe interdisciplinar (Fonoaudióloga e Assistente Social). Os pais foram inseridos na Oficina de Pais/Responsáveis, através da linguagem; foi possível lidar com assuntos que favoreçam a inclusão da criança/adolescente na sociedade e a melhora da comunicação entre a família e o sujeito atendido. Foram abordadas também questões relativas ao sofrimento da família: preconceito, dificuldade com regras e limites, compreensão da doença e como lidar com essas situações. Tendo em vista os aspectos abordados, observou-se que a participação da família propiciou sucesso terapêutico. A família ficou mais colaborativa, começou a oferecer a medicação da forma prescrita, passou a se corresponsabilizar pelo tratamento. Durante o regime de acolhimento também são realizadas orientação familiar visando o fortalecimento de vínculo entre os usuários do serviço.


1. Brasil. Portaria SAS/MS nº nº224/92 - diretrizes e normas para os estabelecimentos assistenciais em saúde mental. Brasiília: Ministério da Saúde, 1992. Disponível em: < http://www.saude.mppr.mp.br/pagina-319.html>. Acesso em 22 jun. 2020.
2. Almeida BPB. Fonoaudiologia e saúde mental: atuação dos fonoaudiólogos nos Centros de Atenção Psicossocial do Estado de São Paulo. São Paulo: PUC-SP, 2014. Disponível em: . Acesso em: 22 jun. 2020.
3. Brasil. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: . Acesso em: 22. Jun. 2020.
4. Brasil. Saúde mental no SUS: Os Centros de Atenção Psicossocial. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: pdf>. Acesso em: 22 jun. 2020.
5. Iglesias A, Avellar LZ. Matriciamento em Saúde Mental: práticas e concepções trazidas por equipes de referência, matriciadores e gestores. Revista Ciênc. Saúde Coletiva 2019: 24 (4).Disponível em:< https://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S1413-81232019000401247>. Acesso em 22 jun. 2020.
6. Santos AO, Nechio DEG. A paixão de fazer: saúde mental e dispositivo grupal. Fractal: Rev Psicol, 2010; 22(1). Disponível em:< https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1984-02922010000100010 &script=sci_abstract&tlng=pt.>. Acesso em 23 jun. 2020.


HIGHLIGHTS
2185
PERSONA - UMA PROPOSTA INOVADORA DE AVALIAÇÃO DA INTELIGIBILIDADE DE FALA
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A habilidade de compreensão de fala é fundamental para integração do indivíduo no seu cotidiano. Visando a efetividade da compreensão de fala, habilidades auditivas como atenção, análise, síntese e memória, associadas entre si, se fazem necessárias a fim de viabilizar o reconhecimento auditivo, ou seja, extrair sentido daquilo que se escuta [1] . A capacidade de compreen­der a fala na presença do ruído de fundo é um grande desafio para qualquer ouvinte, principalmente para os deficientes auditivos, sendo extremamente preocupante para usuários de dispositivos auditivos. Fetterman e Domico [2], verificaram em seus estudos, que o desempenho do entendimento da fala nos usuários de implante coclear quando estão em presença de ruído competitivo apresenta queda significativa, sendo a queixa principal queixa dessa população [3].
Desta forma, analisar a capacidade de reconhecimento de fala no ruído se torna cada vez mais importante no processo da avaliação e acompanhamento audiológico, devido a frequente queixa de dificuldade dos indivíduos para reconhecê-la. Assim sendo, nota-se a importância de testes de avaliação da percepção da fala com estímulos utilizando sentenças, porque, além de verificar a real habilidade auditiva do paciente, proporcionam uma aproximação direta com situações de comunicação do dia a dia. Estes testes fornecem informações que irão orientar a conduta mais adequada a ser indicada para o indivíduo com queixa de distúrbios de audição [4].
Apesar da relevância destes aspectos estudos apontam que no Brasil menos da metade dos centros de pesquisa e clínicas audiológicas utilizam ruído competidor ou fontes sonoras espacialmente distribuídas no diagnóstico e/ou reabilitação auditiva - devido à dificuldade de acesso à tecnologias de reprodução sonora espacialmente distribuída de maneira controlada e limitação de verba devido à necessidade de se importar software e eventualmente hardware [5].

Protocolos padronizados utilizados em países como Austrália, Inglaterra, Espanha, EUA, foram estudados de modo a avaliar as similaridades e principais diferenças, a fim de se direcionar o desenvolvimento de uma plataforma computacional livre e de fácil manuseio para realizar exames de inteligibilidade da fala com ruído competidor e fontes sonoras espacialmente distribuídas. Baseado na análise da literatura e de observações da prática clínica desenvolveu-se inicialmente um catálogo de melhorias e a descrição do comportamento desejado para um framework de software que possibilitasse a realização de ensaios da inteligibilidade da fala com ruído competitivo e fontes sonoras espacialmente distribuídas num ambiente clínico, com material de fala e e ruído gravado e de alta qualidade. Voltada a ser uma plataforma que não somente permite a avaliação do teste de reconhecimento da fala, mas sim permitir acompanhar o desenvolvimento das habilidades auditivas do paciente a plataforma foi chamada de perSONA. Desenvolveu-se inicialmente uma versão acadêmica usando a linguagem de programação MATLAB. Posteriormente a versão clínica foi desenvolvida na linguagem de programação C# e framework .NET, trazendo compatibilidade com as versões mais recentes do sistema operacional Windows/64-bit visando maior acessibilidade fora dos centros de pesquisa. O sistema desenvolvido, com os seus módulos implementados, é inovador pois permite a realização de protocolos de avaliação de percepção de fala com ruído competitivo em diferentes configurações de cenas acústicas, ou seja, com diferentes distribuições espaciais estáticas ou dinâmicas de fontes sonoras, objetivando a medição do limiar de reconhecimento de fala (LRF) no ruído tanto no âmbito da pesquisa como no dia-a-dia clínico. Os módulos implementados são: 1) Calibração / teste do sistema, 2) Configuração de ensaios, 3) Edição de base de dados de áudio (sinais de fala e/ou ruído competitivo), 4) Aplicação de ensaios, 5) Gerenciamento de pacientes , 6) Análise inter resultados e 7) Virtualização de fontes sonoras (VA), para produzir cenários acústicos estáticos ou dinâmicos com fontes sonoras distribuídas.
O módulo de calibração permite ao experimentador realizar a calibração e teste do sistema, em particular dos reprodutores sonoras, de forma bastante intuitiva, permitindo o uso de equipamentos à disposição do experimentador. Com a calibração realizada, o módulo gera um relatório de calibração com todas as informações relevantes. A configuração dos ensaios também é realizada de forma muito intuitiva, podendo o experimentador escolher diferentes sistema de reprodução sonora (fones de ouvido, sistema de 2 caixas em cabine, ou sistemas de n alto-falantes), diferentes materiais de fala, diferentes ruídos competitivos e diferentes posições para as fontes sonora de fala e ruído competitivo. Reconhecendo as vantagens de métodos adaptativos, implementou-se a reprodução de sinais com uma razão sinal-ruído (SNR) iterativa com regra de iteração customizável. O módulo de reprodução sonora utiliza técnicas de espacialização e reverberação permitindo a apresentação de cenas sonoras renderizadas em tempo real pelo método crosstalk-cancellation [6] e os reprodutores sonoros escolhidos. A plataforma permite obter o Limiar de reconhecimento da fala (LRF) com a aplicação de ensaios em normouvintes e usuários de ASSI e IC unilateral, bimodal ou bilateral em diferentes condições de reprodução sonora de cenas acústicas complexas. Permite também o uso da interface de pesquisa CCi-Mobile e com o uso de cabo de áudio de IC. A base de dados dos pacientes é completada cada vez que um ensaio for realizado, mas pode ser carregado também com dados de outros ensaios já realizados. Com isso, uma plataforma de gerenciamento clínico de pacientes que cruza informações pessoais, detalhes do tratamento auditivo e histórico de resultados de avaliações realizadas em distintos momentos foi integrada à execução da tarefa de percepção de fala proposta. O perSONA [7] é, portanto, uma plataforma flexível e promissora, voltada para melhorar e padronizar o atendimento de usuários de AASI e ICs ao longo do processo de avaliação e reabilitação.

1.Almeida, GVM , Ribas, A, Calleros, J. Free Field Word recognition test in the presence of noise in normal hearing adults. Brazilian Journal Of Otorhinolaryngology. 2017; 83 (6):.665-669.

2.Fetterman, BL, Domico, E H.Speech Recognition in Background Noise of Cochlear Implant Patients. Otolaryngology–head And Neck Surgery. 2002; 126 (3):.257-263.

3.Danieli, F; Bevilacqua, MC. Reconhecimento de fala em crianças usuárias de implante coclear utilizando dois diferentes processadores de fala. Acr - Audiology Communication Research. 2013;. 18 (1):.17-23.

4.Lessa, A H, Padilha, CB, Santos SN, Costa MJ. Reconhecimento de sentenças no silêncio e no ruído, em campo livre, em indivíduos portadores de perda auditiva de grau moderado. Arquivos Int. Otorrinolaringol. 2012 ; 16( 1 ): 16-25.

5. Faria, LRD. TESTES DE PERCEPÇÃO DE FALA NOS CENTROS DE IMPLANTE
COCLEAR: CONHECENDO A REALIDADE NACIONAL. 2016. Mestrado em Saúde da
Comunicação Humana – Universidade Federal De Pernambuco - PE.

6. Masiero, B, Vorländer, M. A framework for the calculation of dynamic crosstalk
cancellation filters. IEEE/ACM transactions on audio, speech, and language processing,
2014; 22 (9): 1345–1354.

7. Murta, B.H.P. Plataforma para ensaios de percepção sonora com fontes distribuídas
aplicável a dispositivos auditivos: perSONA, 2019, Mestrado em Engenharia Mecânica - Universidade Federal de Santa Catarina


HIGHLIGHTS
112
PLANEJAMENTO EFICIENTE = DEGLUTIÇÃO SEGURA
Disfagia (DIS)
04145011



A estimativa da disfagia dentro do setor hospitalar muitas vezes é subestimada, uma vez que, algumas variáveis interferem diretamente para seu diagnóstico, como a falta de avaliações específicas para identificação, variação no tempo da avaliação da biomecânica da deglutição sendo estimada em 6,7% com um custo anual atribuível de até $547 milhões. A definição de fluxos assistências apresentam como objetivo a construção de planos e processos capazes de manter a prática baseada em evidência bem como promover a melhoria diante da prestação e serviço em Saúde. Partindo do princípio que a assistência a Saúde deverá sempre manter-se em constante transformações, percebeu-se a necessidade realizar a sua aplicação principalmente para construção de uma ferramenta capaz de uniformizar a comunicação e condutas frente ao paciente Disfágico no âmbito hospitalar, desenvolvendo programa terapêutico a partir de escala de gravidade e estratificação do risco garantindo melhor acompanhamento fonoaudiológico e melhores ganhos nos scores funcionais além de reduzir o tempo de tratamento. A necessidade dessa ferramenta veio devido a déficit na condução do planejamento terapêutico dos pacientes Disfágicos; atendimento segmentado na equipe de Fonoaudiologia sem estabelecimento de meta terapêutica; aumento do tempo de tratamento dos pacientes acompanhados; déficit no ganho funcional da habilidade de alimentação e segurança da ingestão via oral e aumento no tempo de permanência de via alternativa de alimentação. Como ferramenta foi utilizado o diagrama de Ishikawa que permite a identificação da Análise da causa através de determinações de pontos críticos nos contextos de mão de obra (buscando as possibilidades de interferências da equipe multiprofissional para condução e parametrização do processo); método (identificação do problema a partir da não padronização de planejamento fonoaudiológico e dificuldade em traçar objetivos específicos para ganho funcional); materiais (falta de construção da ficha de planejamento X estratificação do risco a partir da gravidade do défict); máquinas, meio ambiente e medidas (ausência da meta para ganho funcional da deglutição e planejamento da terapia). A partir dessas pontuações nos campos abordados foi traçado plano de ação determinando as ações necessárias para melhorias de processos como o desenvolvimento Ficha de Planejamento Terapêutico X estratificação do risco; Elaboração do protocolo de metas funcionais; Estruturação do Fluxo para construção e definições dos programas de terapias e treinamento da equipe de Fonoaudiologia e realização do planejamento após realizações de avaliações fonoaudiológica. A partir das ações desenvolvidas observou-se a condução dos programas terapêuticos de acordo com a alteração da biomecânica e gravidade da Deglutição e determinando as diretrizes necessárias para elaboração das estratégias condizentes com as alterações funcionais e os dados coletados a partir de indicadores de processos e resultados com aumento exponencial além da meta de indicador estimada. Não adianta somente a realização da construção da ferramenta mas a auditoria do processo da qualidade técnica é essencial para adesão profissional. A padronização dos processos bem como o desenvolvimento de planejamentos terapêuticos favorecem o desenvolvimento de ações ao paciente com maior efetividade bem como reduz a possibilidade de eventos adversos, como por exemplo a redução da incidência da Pneumonia aspirativa, ampliando a segurança no atendimento prestado e minimização dos custos em Saúde.





Steele CM, Mukherjee R, et al. Development of a Non-invasive Device for Swallow Screening in Patients at Risk of Oropharyngeal Dysphagia: Results from a Prospective Exploratory Study. Dysphagia 2019.
Nascimento Junior, JR. A importância do Fonoaudiólogo no protocolo de prevenção de Pneumonia aspirativa na Unidade de Terapia Intensiva. Projetos Arquivos Fresenius Kabi – Arquivos em Disfagia, 2019.
Hinchey JA, Shephard T, Furie K, Smith D, Wang D, Tonn S; Stroke Practice Improvement Network Investigators. Formal dysphagia screening protocols prevent pneumonia. Stroke 2005; 36(9): 1972-6


HIGHLIGHTS
2198
PRÁTICAS SANITÁRIAS NO ENFRENTAMENTO DA COVID-19
Saúde Coletiva (SC)


Sabe-se que o Coronavírus – SARS-COV-2 – é um tipo de vírus que causa infecções respiratórias que podem variar de um simples resfriado a uma pneumonia severa. Foi descoberto em 31 de dezembro de 2019, na China, onde surgiu o primeiro caso da doença – Covid-19. No Brasil o primeiro caso foi de um paciente em São Paulo, que voltou de viagem à Itália, sendo anunciado pelo Ministério da Saúde em 26 de fevereiro de 2020. A Covid-19 geralmente é uma doença leve a moderada, mas alguns casos podem ficar graves. Os sintomas mais comuns da doença são febre persistente, tosse e dificuldade para respirar. A transmissão pode ocorrer através de gotículas respiratórias (espirro ou tosse), contato direto com secreções (catarro, coriza), contato próximo (menos de 2 metros de distância) com alguém infectado ou por contato com objetos e superfícies contaminados. É de grande relevância a conscientização de toda a população e o treinamento das equipes de saúde, incluindo os fonoaudiólogos para o enfrentamento da Pandemia nos diversos locais de atendimento dos pacientes. O processo deve ser contínuo e dinâmico, a fim de viabilizar o atendimento e a prática profissional. É sabido que as legislações pertinentes guiam os profissionais de saúde e os demais indivíduos sobre as orientações preconizadas de acordo com a complexidade e risco envolvidos. A experiência relatada evidencia que é possível atender as recomendações regulamentares (das três esferas governamentais) com praticidade e simplificação das rotinas de trabalho dos serviços e consultórios de fonoaudiologia. O objetivo é divulgar as ações de prevenção à Covid-19, através de regras simples, intituladas de Regras de Ouro, a fim de nortear outras experiências de retomada do gênero no nosso país. O público alvo são os gestores, empreendedores, profissionais fonoaudiólogos e cidadãos comuns que necessitem de treinamento para lidar com as regras sanitárias. As ações para o desenvolvimento das Regras de Ouro iniciaram-se a partir da necessidade de construção de um documento claro e objetivo de proteção à saúde da população, nos diversos segmentos de atividade desenvolvido nos limites municipal. Através de análises de experiências nacionais e internacionais, artigos científicos, reportagens e legislações vigentes, foi feito um grupo de estudo com profissionais de diversas áreas de atuação, dentre eles: fonoaudiólogo, médico, médico-veterinário, cirurgião-dentista, enfermeiro e farmacêutico. Todas as reuniões foram realizadas por forma digital na plataforma ZOOM, com planejamento prévio. Após o momento de discussão, foram elaborados documentos orientativos, os quais foram publicados no D.O. municipal e encontram-se disponíveis nas plataformas digitais. As Regras de Ouro, surgiram da necessidade de desmistificar as exigências sanitárias, tornando acessível a todas as camadas sociais. São elas: higienizar as mãos antes e depois de cada atividade usando água e sabão líquido ou, quando não for possível, álcool 70% em gel; em áreas de circulação, incluindo banheiros, disponibilizar álcool 70% em gel, dispensadores de sabão líquido e de papel-toalha descartável e lixeiras com tampa, sem acionamento manual; usar obrigatoriamente máscara em todas as áreas comuns, e só retirar durante as refeições; obedecer ao distanciamento de dois metros ou quatro metros quadrados por pessoa, evitando o uso do elevador; manter os ambientes arejados com as janelas e portas abertas e a limpeza dos aparelhos de ar-condicionado em dia; providenciar máscaras, luvas de borracha, toucas e outros equipamentos de proteção individual (EPIs) para as equipes de limpeza e demais funcionários, de acordo com a atividade exercida; reforçar a sensibilização sobre a etiqueta respiratória, a ser adotada em caso de tosse ou espirros: proteger a boca e o nariz com lenço de papel descartável ou o braço, evitando tocar o rosto; encaminhar à assistência médica o funcionário ou colaborador que apresente sintomas da Covid-19; fazer a limpeza concorrente a cada três horas e a limpeza terminal após o expediente, com atenção à necessidade da limpeza imediata e divulgar em pontos estratégicos os materiais educativos e outros meios de informação sobre as medidas de prevenção à Covid-19, como as Regras de Ouro e a Central 1746. As regras sanitárias mais elaboradas possuem como base as Regras de Ouro. O fonoaudiólogo enquanto profissional de saúde deve seguir a norma preconizada, assim como divulgar todos os procedimentos que são oficialmente regularizados. Na prática da fiscalização podemos observar mudanças comportamentais e culturais da segurança do cuidado que apontam para o novo do fazer em saúde. Desta forma, concluímos que é possível colaborar com a mudança cultural através da conscientização de todos, profissionais de saúde ou não, de forma legal e sem risco sanitário para a população assistida.


Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 04/2020. Orientações para serviços de saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo Coronavírus (SARS-CoV-2). Atualizada em 8 de maio de 2020. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/Nota+T%C3%A9cnica+n+04-2020+GVIMS-GGTES-ANVISA/ab598660-3de4-4f14-8e6f-b9341c196b28
Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA nº 07/2020. Orientações para a prevenção da transmissão de covid-19 dentro dos serviços de saúde. (complementar à Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 04/2020). Publicada em 08 de maio de 2020. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/NOTA+T%C3%89CNICA+-GIMS-GGTES-ANVISA+N%C2%BA+07-2020/f487f506-1eba-451f-bccd-06b8f1b0fed6
DECRETO RIO Nº 47.282 DE 21 DE MARÇO DE 2020. Determina a adoção de medidas adicionais, pelo Município, para enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus – COVID - 19, e dá outras providências. Diário Oficial RIO de 21 de março de 2020.
DECRETO RIO Nº 47488 DE 02 DE JUNHO DE 2020. Institui o Comitê Estratégico para desenvolvimento, aprimoramento, e acompanhamento do Plano de Retomada, em decorrência dos impactos da pandemia da COVID-19, e dá outras providências. Diário Oficial RIO de 02 de junho de 2020.
Ministério da Saúde/Gabinete do Ministro. Portaria nº 188/GM/MS, de 04 de fevereiro de 2020. Declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN), em decorrência da Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV). Publicado no Diário Oficial da União em 04 de fevereiro de 2020.


HIGHLIGHTS
2174
PRÓ-MAMÁ OSÓRIO: APLICATIVO DE AMAMENTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO INFANTIL CRIADO PELO NASF EM PARCERIA COM INSTITUTO FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UMA ALTERNATIVA EM ÉPOCA DE COVID-19
Saúde Coletiva (SC)


O NASF - Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica em conjunto com o Setor de Fonoaudiologia criou, em 2016, o PRÓ-MAMÁ - Programa Municipal de Aleitamento Materno que reorganizou o cuidado na Linha Materno-Infantil no Município.
O Programa promove a qualificação do atendimento às gestantes, mães e bebês em relação à amamentação e ao desenvolvimento integral na primeira infância, visando a equidade e a integralidade do cuidado.
O PRÓ-MAMÁ conta com uma equipe gestora multiprofissional formada por duas fonoaudiólogas, uma nutricionista e uma psicóloga. O diferencial do programa é a formação de um profissional de referência em amamentação em cada Unidade de Saúde, no intuito de atuar de forma mais próxima ao território e aos usuários, principalmente nos primeiros dias de vida, através de visita domiciliar e atendimentos nas unidades.
No intuito de ampliar o acesso da população ao PRÓ-MAMÁ, a equipe decidiu criar um aplicativo de amamentação e desenvolvimento infantil, que acompanhasse o crescimento e desenvolvimento da criança desde o nascimento até os 2 anos de vida.
A concretização desta proposta ocorreu através da articulação intersetorial com uma instituição educacional pública do município. O desafio foi desenvolver uma ferramenta inovadora para o SUS, sem fins lucrativos aliando educação e saúde através de duas instituições públicas. Os alunos do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas criaram um aplicativo de amamentação e desenvolvimento infantil interativo em parceria com a equipe gestora do PRÓ-MAMÁ.
O diferencial foi usar a tecnologia associada ao trabalho já existente dos profissionais de referência em amamentação ligados ao PRÓ-MAMÁ, o que em nenhum momento substituiu o atendimento presencial que ocorre em todas as Equipes de Saúde municipais.
O aplicativo tem sido usado como ferramenta complementar do trabalho em saúde desde seu lançamento em agosto de 2018 e tem sido amplamente divulgado através dos atendimentos e da mídia.
Dentre os objetivos, temos o fortalecimento do vínculo entre a população usuária dos serviços e os profissionais de saúde; aproximação dos profissionais de saúde das mães no período da amamentação; ampliação do acesso a informações atualizadas a respeito da amamentação e desenvolvimento infantil; utilização da tecnologia como aliada no processo de prevenção e promoção de saúde; acompanhamento sistemático dos dados de crescimento e desenvolvimento da criança e a prevenção de desfechos desfavoráveis para o desenvolvimento infantil.
Trata-se de uma ferramenta interativa, disponível para Android e IOS, gratuita e funciona baseada na data de nascimento do bebê. Após cadastrar a data de nascimento da criança, a mãe passa a receber notificações com informações de saúde que são relevantes conforme a idade do bebê. Até o 7º dia essas mensagens são diárias, depois semanais e após os 12 meses passam a ser quinzenais. Estas mensagens referem-se à saúde integral da criança e não somente à amamentação. A criança pode ser cadastrada a qualquer momento até o limite de 2 anos.
O aplicativo oportuniza ainda a interação do usuário (por enquanto apenas residentes do município) com os profissionais de saúde através do Fale Conosco, em que é possível fazer perguntas que serão respondidas pela equipe do PRÓ-MAMÁ. Caso seja necessário, o usuário é orientado a procurar o atendimento presencial. Serve também como um recurso dinâmico e atualizado para os profissionais de saúde que podem tê-lo como aliado à rotina diária do trabalho, através das informações de texto e vídeos contidas no aplicativo.

O público-alvo são as mães, famílias, profissionais de saúde e sociedade em geral que possam beneficiar-se de informações para saúde integral da criança. Por se tratar de um aplicativo de domínio público, gratuito e sem restrição de acesso, ele tem abrangência estadual, nacional e mundial configurando-se como uma ferramenta inovadora no cuidado em saúde.

Os principais resultados do aplicativo são a disseminação de informações com base na literatura científica e nas recomendações do Ministério da Saúde, a melhoria do acesso aos serviços sendo uma ferramenta acessível que oportuniza o apoio qualificado às mães no período da amamentação.

Até o momento, foram realizados 908 downloads, com aumento da procura por atendimentos pela equipe do PRÓ-MAMÁ. Como tecnologia social, tem contribuído de forma significativa para a promoção do aleitamento materno e como ferramenta de apoio aos profissionais da saúde.
O aplicativo não substitui a prática diária dos profissionais de saúde no manejo da amamentação, mas constitui-se como uma ferramenta inovadora de promoção e apoio ao aleitamento materno, alimentação complementar e desenvolvimento infantil.
Levando-se em conta o atual momento, em que temos restrições de acesso a serviços devido à Covid-19, este aplicativo reafirma a importância desta forma de ação, uma vez que as informações podem ser acessadas de casa pela mãe / família.


Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da Criança - Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Brasília; 2015 (Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica)
Brasil. Ministério da Saúde Acolhimento nas práticas de produção de saúde. 2° ed. Brasília, 2008.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido. Guia para os profissionais de saúde. Brasília, 2011.
Organização Mundial da Saúde. Evidências científicas dos dez passos para o sucesso no aleitamento materno. Brasília; 2001.


HIGHLIGHTS
2175
PRÓ-MAMÁ OSÓRIO: APLICATIVO DE AMAMENTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO INFANTIL CRIADO PELO NASF EM PARCERIA COM INSTITUTO FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UMA ALTERNATIVA EM ÉPOCA DE COVID-19
Saúde Coletiva (SC)


O NASF - Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica em conjunto com o Setor de Fonoaudiologia criou, em 2016, o PRÓ-MAMÁ - Programa Municipal de Aleitamento Materno que reorganizou o cuidado na Linha Materno-Infantil no Município.
O Programa promove a qualificação do atendimento às gestantes, mães e bebês em relação à amamentação e ao desenvolvimento integral na primeira infância, visando a equidade e a integralidade do cuidado.
O PRÓ-MAMÁ conta com uma equipe gestora multiprofissional formada por duas fonoaudiólogas, uma nutricionista e uma psicóloga. O diferencial do programa é a formação de um profissional de referência em amamentação em cada Unidade de Saúde, no intuito de atuar de forma mais próxima ao território e aos usuários, principalmente nos primeiros dias de vida, através de visita domiciliar e atendimentos nas unidades.
No intuito de ampliar o acesso da população ao PRÓ-MAMÁ, a equipe decidiu criar um aplicativo de amamentação e desenvolvimento infantil, que acompanhasse o crescimento e desenvolvimento da criança desde o nascimento até os 2 anos de vida.
A concretização desta proposta ocorreu através da articulação intersetorial com uma instituição educacional pública do município. O desafio foi desenvolver uma ferramenta inovadora para o SUS, sem fins lucrativos aliando educação e saúde através de duas instituições públicas. Os alunos do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas criaram um aplicativo de amamentação e desenvolvimento infantil interativo em parceria com a equipe gestora do PRÓ-MAMÁ.
O diferencial foi usar a tecnologia associada ao trabalho já existente dos profissionais de referência em amamentação ligados ao PRÓ-MAMÁ, o que em nenhum momento substituiu o atendimento presencial que ocorre em todas as Equipes de Saúde municipais.
O aplicativo tem sido usado como ferramenta complementar do trabalho em saúde desde seu lançamento em agosto de 2018 e tem sido amplamente divulgado através dos atendimentos e da mídia.
Dentre os objetivos, temos o fortalecimento do vínculo entre a população usuária dos serviços e os profissionais de saúde; aproximação dos profissionais de saúde das mães no período da amamentação; ampliação do acesso a informações atualizadas a respeito da amamentação e desenvolvimento infantil; utilização da tecnologia como aliada no processo de prevenção e promoção de saúde; acompanhamento sistemático dos dados de crescimento e desenvolvimento da criança e a prevenção de desfechos desfavoráveis para o desenvolvimento infantil.
Trata-se de uma ferramenta interativa, disponível para Android e IOS, gratuita e funciona baseada na data de nascimento do bebê. Após cadastrar a data de nascimento da criança, a mãe passa a receber notificações com informações de saúde que são relevantes conforme a idade do bebê. Até o 7º dia essas mensagens são diárias, depois semanais e após os 12 meses passam a ser quinzenais. Estas mensagens referem-se à saúde integral da criança e não somente à amamentação. A criança pode ser cadastrada a qualquer momento até o limite de 2 anos.
O aplicativo oportuniza ainda a interação do usuário (por enquanto apenas residentes do município) com os profissionais de saúde através do Fale Conosco, em que é possível fazer perguntas que serão respondidas pela equipe do PRÓ-MAMÁ. Caso seja necessário, o usuário é orientado a procurar o atendimento presencial. Serve também como um recurso dinâmico e atualizado para os profissionais de saúde que podem tê-lo como aliado à rotina diária do trabalho, através das informações de texto e vídeos contidas no aplicativo.

O público-alvo são as mães, famílias, profissionais de saúde e sociedade em geral que possam beneficiar-se de informações para saúde integral da criança. Por se tratar de um aplicativo de domínio público, gratuito e sem restrição de acesso, ele tem abrangência estadual, nacional e mundial configurando-se como uma ferramenta inovadora no cuidado em saúde.

Os principais resultados do aplicativo são a disseminação de informações com base na literatura científica e nas recomendações do Ministério da Saúde, a melhoria do acesso aos serviços sendo uma ferramenta acessível que oportuniza o apoio qualificado às mães no período da amamentação.

Até o momento, foram realizados 908 downloads, com aumento da procura por atendimentos pela equipe do PRÓ-MAMÁ. Como tecnologia social, tem contribuído de forma significativa para a promoção do aleitamento materno e como ferramenta de apoio aos profissionais da saúde.
O aplicativo não substitui a prática diária dos profissionais de saúde no manejo da amamentação, mas constitui-se como uma ferramenta inovadora de promoção e apoio ao aleitamento materno, alimentação complementar e desenvolvimento infantil.
Levando-se em conta o atual momento, em que temos restrições de acesso a serviços devido à Covid-19, este aplicativo reafirma a importância desta forma de ação, uma vez que as informações podem ser acessadas de casa pela mãe / família.


Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da criança - aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília; 2015. (MS. Cadernos de Atenção Básica)
Brasil. Ministério da Saúde. Acolhimento nas práticas de produção de saúde. 2º ed. Brasília; 2008.
Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido. Guia para os profissionais de saúde. Brasília; 2011.
Organização Mundial da Saúde. Evidências científicas dos dez passos para o sucesso no aleitamento materno. Brasília; 2001.


HIGHLIGHTS
1203
PROCESSAMENTO DIGITAL DE SINAL NA PESQUISA CLÍNICA EM AUDIOLOGIA
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Sinais neurofisiológicos são amplamente estudados em pesquisas clínicas, como os potenciais evocados auditivos, visuais e somatossensoriais, que representam uma resposta cerebral a um determinado estímulo. Ferramentas de processamento digital de sinal possibilitam a customização de análises da eletrofisiologia da audição e necessitam habilidades computacionais.

Em geral potenciais evocados auditivos (PEAs) são avaliados subjetivamente de forma qualitativa. Interferências como o ruído ou a qualidade do sinal podem dificultar a avaliação ou até mesmo gerar uma análise equivocada dependendo do nível de treinamento e da experiência clínica. A subjetividade pode gerar dificuldades na comunicação entre laboratórios e clínicas e inclusive comprometer o nível de evidência científica de alguns estudos utilizando potenciais evocados auditivos. A utilização de ferramentas de processamento digital de sinal, como o programa MATLAB (MATrix LABoratory), permite análises quantitativas customizadas além de design de filtro, visualização de espectrogramas, criação de estímulos auditivos e outras funções. O MATLAB é um software interativo que utiliza linguagem de programação para resolução de cálculos numéricos muito utilizado na área das engenharias e tem grande potencial de aplicação na área da audiologia, em especial, no Brasil.

O potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) avalia a integridade da via auditiva pela resposta característica de sete ondas que correspondem aos processos neurofisiológicos do nervo auditivo ao lemnisco lateral. São avaliados os picos, as latências e os intervalos interpicos extraídos das ondas I-III-V, entretanto, a amplitude das ondas ainda é pouco considerada para diagnóstico. Existem evidências de que a redução da amplitude de algumas ondas reflete algum acometimento na via, como visto na perda auditiva oculta, com a redução da amplitude da onda I. Atualmente, já existem sistemas desenvolvidos para detectar e identificar os picos automaticamente, diminuindo o tempo de análise e possíveis erros.

Para potenciais que utilizam sinais complexos, como o Complex auditory brainstem response (cABR) o uso de processamento digital de sinal pode ser aplicado para análises que vão além da marcação comumente utilizada dos picos V-A-C-D-E-F-O. Em virtude da transparência desse potencial, análises no domínio do tempo permitem uma avaliação mais aprofundada sobre o desenvolvimento do pitch, codificação das frequências e informações sobre a qualidade de percepção dos sons, utilizando parâmetros como a correlação-cruzada entre estímulo e resposta, seu atraso, a relação sinal-ruído e força do pitch. Já no domínio da frequência, permite uma avaliação da fase e da amplitude espectral da frequência fundamental e seus harmônicos, através da Transformada Rápida de Fourier (Fast Fourier Transform = FFT).

Para análise dos dados no MATLAB, os sinais deve ser convertidos em formato .ASCII. Vários programas de aquisição, como o SmartEP do Intelligent Hearing System, permitem gravar os dados em formato .ASCII. Após a importação dos dados, o código de análise customizado filtra o sinal (definir as características do filtro: tipo, ordem, fase), exclui trechos de acordo com limiares de qualidade (amplitude ou característica do sinal), apresenta graficamente de forma individual ou total (individual ou com sobreposições), realiza as promediações de acordo com os estímulos (visualiza as médias de acordo com cada estímulo), quantifica amplitude e latências (gera tabelas com as variáveis desejadas), e apresenta graficamente no domínio do tempo e da frequência (espectrograma, espectro de potência), para posterior análise estatística. Outra vantagem do uso do MATLAB, é a disponibilidade de forma gratuita de ferramentas de análise desenvolvidas por outros grupos de pesquisa, um exemplo é o The Brainstem Toolbox desenvolvido pelo laboratório da pesquisadora Nina Kraus.

O software MATLAB também pode ser um aliado na criação de estímulos, sejam eles tom puros ou estímulos complexos. Uma vantagem é a possibilidade de criar estímulos com uma frequência fundamental determinada e simular parâmetros acústicos do sistema fonte-filtro, como a frequência dos formantes e harmônicos. Dessa forma, a utilização do software MATLAB se torna efetivo ao otimizar o tempo de avaliação e análises necessárias para o neurodiagnóstico e pesquisa dos limiares eletrofisiológicos, levando também em consideração diferenças discretas na amplitude, que podem não ser detectadas na avaliação subjetiva visual. Além disso, oferece ao avaliador informações importantes sobre o processamento de sons e a codificação dos aspectos temporais e espectrais da fala, importantes para o diagnóstico precoce de possíveis déficits no processamento auditivo.

Este highlight tem o objetivo de compartilhar experiências da aplicabilidade do software MATLAB na análise de potenciais evocados auditivos, na criação de estímulos auditivos para uso nestes potenciais com ênfase na pesquisa clínica, e trazer contribuições inovadoras que poderão se estender para a prática clínica na área da audiologia e instrumentalização em processamento digital de sinais. A Fonoaudiologia do futuro vislumbra desafios de novas habilidades, conhecimentos e atitudes que devem ser desenvolvidas com ações no presente.

1. van Drongelen W. Signal processing for neuroscientists. Burlington, Mass: Academic Press; 2007.

2. Boutsen F, Dvorak J. MATLAB primer for speech-language pathology and audiology. San Diego, California: Plural Publishing Inc.; 2016.

3. Don M. Quantitative approaches for defining the quality and threshold of auditory brainstem responses. IIEEE Engineering In Medicine & Biology Society. 1989;2:0761–0762.

4. Møller A, Jannetta P, Bennett M, Møller M. Intracranially recorded responses from the human auditory nerve: New insights into the origin of brain stem evoked potentials (BSEPs). Electroencephalography and Clinical Neurophysiology. 1981;52(1):18-27.

5. Schaette R, McAlpine D. Tinnitus with a Normal Audiogram: Physiological Evidence for Hidden Hearing Loss and Computational Model. Journal of Neuroscience. 2011;31(38):13452-13457.

6. Naves K, Pereira A, Andrade A. Decomposição e análise dos potenciais evocados auditivos de tronco encefálico. Revista Brasileira de Engenharia Biomédica. 2013;29(1):15-24.

7. Skoe E, Kraus N. Auditory Brain Stem Response to Complex Sounds: A Tutorial. Ear and Hearing. 2010;31(3):302-324.


HIGHLIGHTS
1319
PROGRAMA DE DIAGNÓSTICO E REABILITAÇÃO EM DISFAGIA OROFARÍNGEA NEUROGÊNICA (PRODIREDON): 20 ANOS DE EXPERIÊNCIA
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia orofaríngea (DO) é sintoma frequente nas doenças neurológicas, com comprometimento do deslocamento do bolo alimentar da boca até o estômago e com possíveis complicações nutricionais, pulmonares e na qualidade de vida (1,2,3). Considerando que há riscos para a saúde do indivíduo disfágico e que o impacto econômico para o sistema de saúde pode ser alto quando essa população não recebe atendimento especializado, há urgente necessidade de programas públicos e/ou privados para o diagnóstico e reabilitação da disfagia orofaríngea.
Objetivo: descrever o protocolo organizacional de um serviço público para o diagnóstico e reabilitação da disfagia orofaríngea neurogênica.
Método: O Programa de Diagnóstico e Reabilitação em Disfagia Orofaríngea Neurogênica (PRODIREDon) foi proposto em 2000 para um Centro Especializado de Reabilitação (CER) de uma Universidade Pública do Estado de São Paulo. Participam do programa dois docentes do Curso de Fonoaudiologia (Fonoaudiólogo e Médico Otorrinolaringologista), alunos de pós-graduação nível mestrado (três Fonoaudiólogos e uma Nutricionista) e doutorado (um Fonoaudiólogo), alunos de iniciação científica (três estudantes de Fonoaudiologia), uma enfermeira e uma assistente social. O número de alunos de graduação e pós-graduação é anualmente dependente da entrada de novos estudantes no Grupo de Pesquisa “Disfagia Orofaríngea”. Desde 2013 esse programa tem a parceria do Programa de Atendimento Interdisciplinar à Criança Portadora de Comprometimento Neurológico de uma Universidade particular local com participação de um Fonoaudiólogo e um Médico Gastropediatra.
Resultados: Anualmente são realizados de 200 a 250 atendimentos de indivíduos com doenças neurológicas ou, mais recentemente, com queixas de dificuldades alimentares sem etiologia definida, rastreados por outros serviços locais e regionais, ou pelo próprio CER, independente do sexo ou faixa etária. O PRODIREDon aplica instrumento de avaliação clínica para disfagia orofaríngea baseado em Logemann et al (1999) (4) e Mann G (2000)(5) com consistências de alimento padronizadas pelos níveis 2, 1 e 0 do International Dysphagia Diet Standardization Initiative (IDDSI)(6,7) desde 2015. Na avaliação clínica para adultos é preenchida também a Functional Oral Intake Scale (FOIS)(8) para uso posterior no controle de eficácia terapêutica. Para a população adulta realiza-se videoendoscopia de deglutição de rotina com as mesmas consistências padronizadas na avaliação clínica, com intervalo de no mínimo 1 hora e máximo sete dias. Para a população infantil, quando o desfecho clínico é disfagia e há indicação de exame instrumental, realiza-se videofluoroscopia de deglutição e avaliações complementares na instituição parceira. Após a devolutiva com a tomada de decisão da equipe, os pacientes locais são incluídos nos programas de reabilitação e os de outras localidades são orientados e encaminhados. Os programas de reabilitação são realizados por tempo determinado, com programa inicial de três semanas, cinco vezes na semana, nas quais o paciente e/ou responsáveis devem assumir três dias de treinamento com relato e/ou gravação das sessões. Para algumas doenças neurodegenerativas o tempo de gerenciamento do programa é distinto. Ao término do programa de reabilitação aplica-se protocolo de controle de eficácia terapêutica mediante novas avaliações clínicas e instrumentais.
Conclusão: Essa experiência permite a prestação de atendimento interdisciplinar à população disfágica e contribui para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação na área de disfagia orofaríngea neurogênica.

1.Takizawa C, Gemmell E, Kenworthy J, Speyer R. A Systematic Review of the Prevalence of Oropharyngeal Dysphagia in Stroke, Parkinson's Disease, Alzheimer's Disease, Head Injury, and Pneumonia. Dysphagia. 2016;31(3): 434-41.

2.Warnecke T, Dziewas R, Wirth R, Bauer JM, Prell T. Dysphagia from a neurogeriatric point of view: Pathogenesis, diagnosis and management. Z Gerontol Geriatr. 2019; 52 (4): 330-335.

3.Umay E, Ozturk E, Gurcay E, Delibes O, Celikel F. et al. Swallowing in Parkinson's Disease: How is it affected?. Clin Neurol Neurosurg. 2019;177:37-41.

4. Logemann JA, Veis S, Colangelo L. A screening procedure for oropharyngeal dysphagia. Dysphagia. 1999; 14(1):44-51.

5.Mann, G.D. MASA: the Mann Assessment of Swallowing Ability. New York: Singular Thomson Learning. 2002.

6. Cichero J, Steele CM, Duivestein J, Clavé P, Chen J, Kayashita J, et al. The need for international terminology and definitions for texture-modified foods and thickened liquids used in dysphagia management: foundations of a global initiative. Curr Phys Med Rehabil Rep. 2013;1(4):280-91.

7.Cichero JA, Lam P, Steele CM, Hanson B, Chen J, Dantas RO, et al. Development of International Terminology and Definitions for Texture-Modified Foods and Thickened Fluids Used in Dysphagia Management: The IDDSI Framework. Dysphagia 2017; 32(2):293-314.

8. Crary MA, Mann GD, Groher ME. Initial psychometric assessment of a functional oral intake scale for dysphagia in stroke patients. Arch Phys Med Rehab. 2005; 86(8):1516-20.


HIGHLIGHTS
2164
PROGRAMA EVOICE: ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE VOCAL AMPARADA POR TECNOLOGIAS EHEALTH
Saúde Coletiva (SC)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA: A voz é uma manifestação psicoacústica individual, correlacionando-se com vias neuronais. Para a sua produção saudável, é necessário que haja equilíbrio orgânico, funcional e emocional, devendo também ser correspondente à estrutura física, sexo e idade do falante1. A literatura destaca que o professor se encontra mais exposto a riscos laborais vocais do que outros profissionais, sendo este alvo de pesquisas no Brasil e no mundo. Isto justifica-se pelo fato do professor apresentar elevada incidência de distúrbios vocais em relação a outras categorias que também utilizam a voz profissionalmente2. Segundo Choi-Cardim, Behlau e Zambon3 e Brasil, Carlos e Vasconcelos Filho4, é consenso que há carência de ações de promoção da saúde vocal voltadas ao professor que tragam resultados efetivos e positivos, atendendo às suas necessidades. Assim, cursos, palestras, oficinas, consultorias e assessorias são estratégias necessárias para a expansão do conhecimento sobre saúde vocal dessa população, como requisito para promoção da saúde. DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA E DA RESOLUÇÃO ENCONTRADA: Ao longo do tempo, as consequências da composição do trabalho, as modificações dos métodos de ensino e o amparo de algumas tecnologias têm provocado transformações no dia a dia do professor, impactando a sua saúde física e mental, o que inclui a voz5,6. Nesse contexto, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) exercem importante papel nos cuidados com a saúde, nas áreas clínica, administrativa, assistencial e de suporte aos profissionais e gestores de saúde, integrando os recursos da saúde móvel (mobile Health ou mHealth), que constitui um eixo da saúde eletrônica (eletronic Health ou eHealth). EHealth corresponde ao uso de tecnologias de computação e comunicação móveis voltadas aos cuidados das pessoas e de saúde pública, tendência esta que se apresenta em contínua expansão7. Considerando os benefícios da tecnologia eHealth para a promoção da saúde e visando oferecer novas as possibilidades de cuidado à saúde do professor, desenvolveu-se o “Programa eVoice”, uma estratégia de promoção da saúde vocal amparada por duas tecnologias eHealth (aplicativo VoiceGuard e curso a distância Saúde Vocal em Foco). Este programa estrutura-se em cinco oficinas (presenciais ou virtuais), com a associação de conteúdos sobre a produção da voz (anatomia vocal, respiração, sinais, sintomas e higiene vocal) e ferramentas tecnológicas que possibilitam o automonitoramento da saúde vocal. As oficinas são facilitadas por fonoaudiólogos e comportam até 25 participantes. CARÁTER INOVADOR: As duas tecnologias que amparam o “Programa eVoice” e lhe conferem caráter inovador foram testadas e validadas com professores, no Brasil e em Portugal, de 2017 a 2019. A efetividade do “eVoice” tem sido verificada com base em outras estratégias de promoção da saúde vocal que serviram de inspiração8,9. Destaca-se que, de agosto de 2018 a julho de 2019, realizou-se um teste piloto do “Programa eVoice” com 30 professores de quatro escolas públicas municipais de Fortaleza, Ceará, mostrando-se bem aceito e eficaz, visto que houve um aumento dos Índices de Qualidade de Vida em Voz (QVV) e uma redução dos Índices de Desvantagem Vocal (IDV) dos professores, quando comparados os valores antes e após a participação no programa. O aplicativo VoiceGuard (2016) e o Curso Saúde Vocal em Foco (2017) foram desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar de uma Universidade Privada do Nordeste brasileiro, constituída por fonoaudiólogos, profissionais da saúde coletiva, designers, engenheiros e cientistas da computação, incluindo professores e alunos de graduação e pós-graduação. O “Programa eVoice” objetiva: promover a saúde vocal de professores e outros profissionais da voz; comparar as percepções dos participantes sobre saúde vocal e seus comportamentos vocais, antes e após a sua realização; avaliar a satisfação dos participantes com a utilização do aplicativo e do curso a distância; e identificar as contribuições das ferramentas eHealth para a promoção da saúde vocal. MELHORA NA EFETIVIDADE DA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: Desde a implementação do “Programa eVoice”, em novembro de 2019, na Rede Municipal de Educação de um município do estado do Ceará, foram conduzidas 12 turmas de oficinas, com a participação total de 158 professores (até julho de 2020). Uma conta no Instagram® denominada @programaevoice foi criada em março de 2020 para a maior divulgação da estratégia, a qual contabiliza 306 seguidores (até julho de 2020). Muitos trabalhos científicos têm sido realizados a partir do “Programa eVoice”, incluindo duas iniciações cieníficas, três dissertações de mestrado e dois editais financiados por órgãos de fomento. Em 2020 e 2021, uma nova dissertação de mestrado está em desenvolvimento com o objetivo de avaliar a eficácia do programa. Para isso, estão sendo comparados os valores do QVV e do IDV, antes a após as oficinas, em todos os professores que participam do programa de fevereiro de 2020 a agosto e 2021. Até o momento, os dados confirmam a eficácia do programa verificada pelo teste piloto. Outrossim, diante da pandemia da COVID-19, o programa foi 100% virtualizado, desde abril de 2020, mantendo a realização das oficinas por meio do Hangouts Meet (Google). Nesse processo, o aplicativo VoiceGuard e o Curso a distância Saúde Vocal em Foco foram essenciais para fidelizar e dar suporte aos participantes nos cuidados com a voz. Novas turmas são ofertadas mensalmente para professores do município onde o programa acontece. Uma equipe composta por três fonoaudiólogos, sendo um mestrando em Saúde Coletiva, e uma graduanda em Fonoaudiologia, bolsista de iniciação científica, são os responsáveis pela condução das oficinas e divulgação do programa, o qual é coordenado por uma fonoaudióloga que atua nas áreas de voz e saúde coletiva. A partir do apoio e do interesse da Secretaria Municipal de Educação do município em questão, a estratégia amplia-se e está em processo de consolidação para tornar-se uma política pública dentro do Programa de Promoção da Saúde Integral do Profissional da Educação. O “Programa eVoice” amplia os horizontes da fonoaudiologia como uma estratégia acessível, validada e eficaz que possibilita a sistematização de estratégias de promoção da saúde vocal com amparo em tecnologias eHealth.


1. Behlau M, Pontes P, Moreti F. Higiene vocal: cuidando da voz. Rio de Janeiro: Editora Revinter; 2017.
2. Servilha EAM, Correia JM. Correlações entre condições do ambiente, organização do trabalho, sintomas vocais autorreferidos por professores universitários e avaliação fonoaudiológica. Distúrb Comum. 2014; 26(3):452-62.
3. Choi-Cardim K, Behlau M, Zambon F. Sintomas vocais e perfil de professores em um programa de saúde vocal. Rev CEFAC. 2010;12(5):811-19.
4. Brasil CCP, Carlos DAO, Vasconcelos JE Filho. Saúde vocal e mhealth: novas alternativas para antigos cenários. Rev Bras Promoç Saúde. 2017;30(1):1-2.
5. Cielo CA, Portalete CR, Ribeiro VV, Bastilha GR. Perfil vocal, ocupacional e de saúde geral de docentes de Santa Maria/RS. Rev CEFAC. 2016; 18(3):635-48.
6. Pascotini FS, Ribeiro VV, Cielo CA. Voz de professoras do ensino fundamental com queixas vocais de diferentes redes de ensino. Distúrb Comum. 2015;27(1):138-50.
7. Pereira RB, Coelho MA, Bachion MM. Tecnologias de informação e registro do processo de enfermagem: estudo de caso em UTI neonatal. Rev Eletrônica Enferm [Internet]. 2016 [citado em 2016 Nov 20];18:1-13. Disponível em: https://www. revistas.ufg.br/fen/article/view/35135
8. López JM, Catena A, Montes A, Castillo ME. Effectiveness of a short voice training program for teachers: a preliminary study. J Voice. 2017 Nov;31(6):697-706.
9. Timmermans B, Coveliers Y, Meeus W, Vandenabeele F, Looy LV, Wuyts F. The effect of a short voice training program in future teachers. J Voice. 2011 Jul;25(4):e191-8.


HIGHLIGHTS
2211
PROGRAMA: “TERAPIA NA ESCOLA” – A INTERVENÇÃO DO TERAPEUTA DA FALA NO CONTEXTO ESCOLAR EM PORTUGAL
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Contextualização e relevância do tema: O processo de desenvolvimento e aquisição da linguagem constitui um marco fundamental para o desenvolvimento da criança na sua dimensão pessoal, social e relacional, sendo definido como “um sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionais, usado em modalidades diversas para [o homem] comunicar e pensar” (Sim-Sim, 1998; Brito; 2012).
De acordo com o Modelo Ecológico de Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner, o desenvolvimento humano ocorre de forma progressiva e mútua entre a criança e os respetivos contextos em que a mesma se encontra inserida (Sim-Sim, 1998; Loureiro, 2015; Tavares, J. & Alarcão, I., 1985). Assente nesta perspetiva sistémica, prevalece uma influência direta do meio em que a criança se insere, pelo que importa atuar nos vários contextos e sistemas subjacentes à mesma Loureiro, 2015; Tavares, J. & Alarcão, I., 1985).
Considerando que o desenvolvimento saudável de qualquer criança ou jovem dependerá essencialmente de uma interação complexa e multifacetada entre fatores familiares, educativos, culturais, sociais e ligados à sua saúde física, emocional e ocupacional, será indubitavelmente relevante que os organismos que atuam sobre estas diversas áreas, nomeadamente os terapeutas da fala, mantenham entre si uma articulação que se quer próxima, aberta, cooperante, flexível, ajustada às circunstâncias e contextos que cada situação apresenta, e em constante melhoria e evolução, de forma a melhor servir as populações ao seu cuidado (CRPG, 2015; Loureiro, 2014).
Situação-problema: Atualmente, estima-se que cerca de 48% das crianças em Portugal, apresentam dificuldades de aprendizagem, associadas ao grupo das Necessidades Educativas Especiais, das quais, diversos estudos apontam para uma prevalência de 5% a 15% de dificuldades específicas da aprendizagem (Loureiro, 2014; Gonçalves, 2015). Dada a relação de intercambio entre as dificuldades de aprendizagem e o desenvolvimento da linguagem e da comunicação, o papel do Terapeuta da Fala torna-se cada vez mais ativo no processo escolar de crianças com estas dificuldades. Neste sentido, uma intervenção terapêutica holística potenciará uma atuação clínica mais rápida e consistente para cada criança se for realizada no seu ambiente escolar, bem como preverá uma atempada identificação de potenciais crianças com dificuldades linguísticas e de aprendizagem.
Solução encontrada: O programa “Terapia na Escola” tem como objetivo dar uma resposta terapêutica eficaz, promovendo o desenvolvimento das competências linguísticas, comunicativas, vocais, alimentares, entre outras, de crianças de idade pré-escolar e escolar no seu contexto educativo. A sinalização da criança, realizada através de ficha de sinalização própria, é efetuada pelos docentes da comunidade educativa e entregue ao Coordenador Pedagógico da escola, o qual entra em contacto com o representante da clínica/instituição a fim de entregar a(s) ficha(s) de sinalização. Posteriormente, os técnicos da clínica/instituição procedem à avaliação da criança em função das especialidades definidas e elaboram o relatório de avaliação e o plano de intervenção terapêutico. O acompanhamento realizado junto das crianças e jovens de cada Agrupamento de Escolas constitui uma resposta terapêutica considerada pertinente para cada situação, na sua maioria através de sessões individuais de apoio direto e indireto aos utentes e às pessoas de referência na sua vida (ex. pais, cuidadores e responsáveis legais, mas também docentes titulares, diretores de turma e outros elementos relevantes na comunidade escolar, conforme as circunstâncias). As sessões de apoio decorreram geralmente com uma periodicidade semanal ou bissemanal (exceto situações de acompanhamento com outra periodicidade, por exemplo quinzenal, devidamente justificadas), em espaço escolar ou nas instalações da clínica, com uma duração variável entre os 40 e 50 minutos. No caso dos acompanhamentos realizados no espaço escolar, o seu local físico foi definido pela Coordenação de cada escola, acautelando-se, sempre que possível, espaços que mantivessem condições de estabilidade, adequabilidade e não-interrupção, além da não-perturbação das atividades escolares em curso. Ao longo do acompanhamento terapêutico, são elaborados documentos de acompanhamento aos apoios clínicos, nomeadamente os planos de intervenção, sínteses intercalares e relatórios finais, que são entregues, em reunião presencial ou por meio digital, aos responsáveis pela criança/jovem e enviados ao docente titular/diretor de turma, mediante consentimento do responsável legal da criança ou jovem.
Apresentação do caráter inovador e de melhoria da atuação do Terapeuta da Fala: O presente programa permite que a intervenção do Terapeuta da Fala seja transversal aos diferentes contextos da criança, bem como potencia uma maior comunicação entre a escola e o terapeuta. Paralelamente, a estreita relação entre o terapeuta e a comunidade educativa permite aumentar a identificação de potenciais dificuldades linguísticas e de aprendizagem, por parte dos professores, a fim de solicitar uma resposta clínica mais eficaz e rápida. Durante o ano letivo 2019/2020 foram assegurados apoios terapêuticos individuais - semanais, bissemanais ou quinzenais - a cerca de 477 crianças e jovens, 354 em Terapia da Fala e 123 em outras especialidades como Psicologia, Psicomotricidade ou Terapia Ocupacional, em contexto escolar e ao abrigo deste programa. Visando, em todo o momento, o profissionalismo das práticas com o objetivo de garantir a resposta terapêutica mais adequada aos utentes, este programa permitiu promover a estabilidade e a consistência da intervenção, facilitando a comunicação e a relação na tríade “técnicos-família-escola”, o que constituiu uma mais valia para o processo terapêutico.

Brito, S. (2012). Instituto Politécnico de Castelo Branco - Escola Superior de Educação. Orientações curriculares: Práticas educativas em crianças com dificuldades de linguagem, no pré-escolar, pp. 1-183.
CRPG, C. d. (2015). Necessidades Especiais de Educação - O Terapeuta da Fala em Contexto Escolar. DGE – Direção-Geral da Educação, 1-12.
Gonçalves, A. (outubro de 2015). Perturbação da Aprendizagem Específica com Défice na Leitura em alunos dos 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico: Pais e Professores de Educação Especial em Colaboração. Viseu: Universidade Católica Portuguesa - Mestrado em Ciências de Educação.
Loureiro, R. (2014). A Eficácia da Terapia da Fala na Promoção do Sucesso Escolar: Estudo de caso num agrupamento TEIP. Porto: Faculdade de Medicina da Universidade do Porto - Mestrado em Educação para a Saúde.
Sim-Sim, I. (1998). Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta.
Tavares, J., & Alarcão, I. (1998). Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Coimbra: Livraria Almedina.


HIGHLIGHTS
2167
PROJETO “MEXA-SE QUE LÁ VEM HISTÓRIA”- RECURSO TERAPÊUTICO PARA TELEATENDIMENTO EM LINGUAGEM INFANTIL
Linguagem (LGG)


O projeto “Mexa-se que lá vem história” foi elaborado durante a pandemia do COVID-19 com objetivo de criar um recurso terapêutico para teleatendimento que permitisse trabalhar, conjuntamente, dois campos que se encontram vulneráveis nesse período de isolamento: o contato social integrado ao movimento corporal.
O isolamento social minimizou a oportunidade de interação espontânea e informal de indivíduos com seus pares, especialmente para as crianças que são dependentes de intermediação de adultos para manterem-se em contato virtual, seja pela não autonomia e disponibilidade de aparatos eletrônicos necessários, seja por imaturidade em desenvoltura social que as habilite para isso. A situação é ainda mais alarmante para crianças que apresentam algum tipo de dificuldade em comunicação e linguagem. O teleatendimento em fonoaudiologia para essas crianças tem sido praticado, porém as opções terapêuticas que envolviam, no atendimento presencial, estratégias em grupo e aquelas que dependiam da interação com seus pares durante as aulas foram interrompidas.
O trabalho terapêutico em habilidades de comunicação e linguagem depende da prática, da intencionalidade e da motivação dos indivíduos para se efetivar com sucesso, por isso tornou-se emergente um modelo de intervenção que contemplasse a comunicação em grupo, com estratégias lúdicas e motivadoras, sem prescindir dos objetivos terapêuticos em questão, e sem romper, obviamente, com o isolamento social.
O contato interpessoal por meio de telas tem como uma de suas principais limitações a participação restrita do corpo durante a interação. O contato corporal fica reduzido à visão (da face e, às vezes, membros superiores) e à audição da voz do interlocutor. Se esta fragmentação compromete a qualidade de comunicação entre adultos, para a criança esta limitação tem um alcance maior e ainda precisa ser melhor estudada 1. A criança compreende o mundo e elabora suas ações sobre ele por experimentação. O corpo participa na conceituação e ordenação de suas vivências, na estruturação de funções mentais (cognitivas e afetivas) e também nas habilidades comunicativas2. A participação integral do corpo e de funções mentais é condição para ocorrência de desenvolvimento saudável, portanto a inclusão de uma prática corporal no trabalho de comunicação vem ao encontro desta ideia integralista de desenvolvimento3 e de prática terapêutica.

O projeto tem como objetivo proporcionar uma ferramenta de trabalho em comunicação e linguagem agregada ao trabalho corporal, que propicie a comunicação de indivíduos em dupla ou grupo e que seja moldável aos objetivos terapêuticos específicos tanto na área de Fonoaudiologia, quanto na de Educação Física.

O projeto foi desenvolvido pelas autoras deste trabalho, uma fonoaudióloga e a outra, educadora física. Foi projetado para ser aplicado principalmente em grupos, em plataforma de vídeo chamadas em grupo, pelas profissionais das duas áreas, contemplando as seguintes etapas de elaboração, que serão aqui apresentadas em seus objetivos, seguidos de algumas estratégias, e exemplificadas como uma possível ilustração prática:
Etapa 1: Constituição dos componentes do grupo, objetivos terapêuticos gerais e duração do projeto
A formação do grupo está diretamente relacionada ao objetivo terapêutico geral. De acordo com o objetivo geral, determina-se o número de indivíduos, e as características de cada um deles para se formar um grupo coeso de trabalho. O objetivo geral do grupo deve abarcar eventuais objetivos específicos individuais que podem ser heterogêneos num grupo.
Exemplo ilustrativo: Grupo de 5 crianças de 7 a 9 anos (três apresentam desenvolvimento típico, uma com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e uma com diagnóstico de Transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH)). Os objetivos gerais são os de promover contato social lúdico, estimular habilidades de comunicação e linguagem oral complementar à terapêutica fonoaudiológica (no caso das crianças que estão nesta modalidade); duração de 6 encontros de 45 minutos (uma vez por semana).
Etapa 2: determinação dos objetivos específicos e confecção do roteiro do projeto
Esta etapa do trabalho permite desenharmos os objetivos acertados para cada participante e, a partir disso, sintetizar os objetivos específicos para cada sessão do projeto.
Exemplo: Objetivos específicos: executar trocas de turno conversacionais entre os participantes, identificar e ampliar comportamentos não-verbais dos participantes e suas respectivas significações na comunicação, produzir discurso narrativo oral compartilhado.
Etapa 3: estratégias para cada área de trabalho, conforme o roteiro.
Elaboração das estratégias terapêuticas, bem como definição dos materiais para execução. Nesta fase planejamos cuidadosamente os recursos e estratégias apropriadas ao grupo, considerando a individualidade dos participantes. Os recursos também são pensados para que os objetivos sejam conquistados com maior êxito. A preparação envolve a participação dos pais para o preparo do ambiente virtual ( o modo de configuração da plataforma, seja o modo de apresentação visual dos participantes, seja o modo do áudio apropriado) e também do ambiente físico, já que as atividades são executadas fisicamente ( desenhos, movimentos, uso de objetos específicos, uso de fantasias ou acessórios de vestuário, a luminosidade do ambiente).
Exemplo ilustrativo: foi proposto ao grupo a criação conjunta de uma história que desenvolveríamos juntos a cada encontro. Inicialmente a crianças discutiram para escolherem o tema que foi o de uma aventura de heróis em busca de um tesouro perdido; na sessão seguinte elaboraram os personagens heróis e vilões. Estas fases de elaboração envolveram muitas habilidades comunicativas para chegarem a um consenso comum. Foram incentivados à vivência concreta e sensorial para criar os personagens (algumas crianças os desenharam e mostraram ao grupo, outros usaram fantasias e se apresentaram). Por fim, desenvolveram os conflitos e soluções da narrativa oral que era vivenciada com produção de movimentos, acompanhados de trilha sonora compatível (a caminhada em terreno irregular dos personagens, o esconder-se encolhido na caverna minúscula, o alcançar, lá no alto, um oponente gigante). Atividades de equilíbrio, ritmo, consciência corporal eram incluídas nestas ocasiões.
Etapa 4: fechamento
Nesta fase analisa-se o processo transcorrido, bem como os resultados alcançados; executa-se a devolutiva aos participantes e/ou responsáveis.

Este projeto vem sendo estruturado (a ser encaminhado ao Conselho de Ética), principalmente com objetivo de se explorar as habilidades de comunicação verbal e não verbal de crianças em ambiente virtual, a fim de respaldar técnicas terapêuticas neste ambiente virtual a que fomos inseridos.

1. Misquiatti Andréa Regina Nunes, Fernandes Fernanda Dreux Miranda. Terapia de linguagem no espectro autístico: a interferência do ambiente terapêutico. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [Internet]. 2011 June [cited 2020 July 20] ; 16( 2 ): 204-209. Available from: http://www.scielo.br/scielo.

2. Tomasello M. The origins of human communication. Cambridge, MA: MIT Press; 2008.

3. Vigotski LS. Pensamento e linguagem, São Paulo: Martins Fontes; 1998.


HIGHLIGHTS
1460
PROMOÇÃO À SAÚDE VOCAL INFANTIL: DESENVOLVIMENTO DE GAME EM REALIDADE VIRTUAL
Voz (VOZ)


Os processos de comunicação interpessoal e educação em saúde, envolvidos nas orientações vocais, são subestimadas quando mencionadas ao público infantil pela desvalorização dos pais acerca da disfonias nas crianças. Porém, é visto que esse público está mais propenso ao desenvolvimento de problemas vocais por possuírem um trato vocal com uma anatomia e fisiologia delicada e imatura (1). Portanto, ações de promoção a saúde são necessárias tanto para os familiares quanto para as crianças, dado que as orientações sobre cuidados da voz podem reduzir as consequências negativas dos maus hábitos por meio de técnicas em educação vocal (2). Nessa proposta de avanço tecnológico, surgiram oportunidades para a aprendizagem através dos dispositivos móveis, comumente chamado de Mobile Learning (m-learning) (3). Nessa conjectura, o âmbito da saúde vem se tornando uma das grandes áreas beneficiadas em Realidade Virtual, além de ser uma das grandes influenciadoras para o desenvolvimento de aplicações utilizando essas tecnologias de ponta. Dessa forma, as alterações de voz na infância interferem negativamente no desempenho social e até mesmo no desenvolvimento afetivo-emocional de qualquer criança. Sendo, as orientações para prevenção e promoção da saúde de suma importância, que atenda a demanda no tocante a adesão, mudanças de comportamento prejudiciais à voz e promovam interatividade, ludicidade e inovação para o público em questão. Com base na realidade apresentada, o presente estudo tem como propósito desenvolver um game em realidade virtual para m-learning visando a promoção da saúde vocal infantil, através da perspectiva educacional em voz, que se faz extremamente necessária, a fim de evitar problemas vocais futuros em que o indivíduo não precise se submeter a procedimentos para além da terapia fonoaudiológica, comprometendo assim a qualidade de vida de maneira geral, e especificamente, a comunicação. Partindo dessa premissa, a conduta fonoaudiológica deve partir da conscientização da natureza do seu problema sendo um grande desafio ao terapeuta a adesão do paciente ao tratamento. No mais, a voz é multidimensional, por essa razão, é válido observar todo o contexto que a criança vive, desde aspectos sociais como físicos e emocionais. A abordagem metodológica utilizada no estudo é Design Thinking estruturado na realização em equipe interprofissional. Esta abordagem foi seguida nas etapas de definição do problema, ideação e prototipagem, para posterior teste de usabilidade. Para o desenvolvimento estrutural do game, seus níveis foram desenhados a partir do Game Design Document (GDD). O game em realidade virtual para promoção de saúde vocal infantil, foi idealizado para plataforma Android e IOS. O jogo consiste em procurar problemas no âmbito da voz e tentar resolvê-los de forma rápida. Desenvolvido em uma visão 3D, o jogo será ambientado no espaço especifico de convivência diária do usuário, onde um avatar terá a missão de descobrir onde há alteração. O jogador assumirá o papel de investigar os distúrbios vocais e realizará orientações, conseguindo assim pontos extras de acordo com seus acertos. Sendo programados 14 níveis, cada nível é abordado uma temática diferente da promoção à saúde vocal utilizando elementos de desafios, conquistas, recompensa e progressão, buscando atender as demandas no tocante a interatividade como a crianças precisam para manter seu nível atencional e as necessidades técnico-científicas essenciais para uma orientação vocal eficiente, o que possibilita grandes benefícios, para a população e para o profissional fonoaudiólogo por ter um recurso que o auxilie a promoção de saúde vocal infantil, acontecendo síncrona ou assincronamente.

1. Souza BO, Nunes RB, Friche AA de L, Gama ACC. Análise da qualidade de vida relacionada à voz na população infantil. CoDAS. 2017; 29(2): e20160009
2. Behlau M, Pontes P, Moreti F. Higiene Vocal: cuidando da voz. 5. ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2017.
3. Roza AP, Gielow I, Vaiano T, Behlau M. Desenvolvimento e aplicação de um game sobre saúde e higiene vocal em adultos. CoDAS. 2019; 31(4): e20180184.


HIGHLIGHTS
939
PROPOSTA DE ESCALA FOTONUMÉRICA PARA A AVALIAÇÃO DOS SINAIS DE ENVELHECIMENTO NA INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM ESTÉTICA DA FACE
Motricidade Orofacial (MO)


A atuação fonoaudiológica em estética facial é voltada à reorganização e reequilíbrio da ação das cadeias musculares orofaciais, buscando atenuar os sinais de envelhecimento. A intervenção fonoaudiológica se inicia por uma avaliação clínica miofuncional orofacial, quando são registradas imagens faciais estáticas e dinâmicas. Essa avaliação é repetida ao final do tratamento, quando são comparadas as imagens iniciais e finais(1).
Na maioria dos estudos fonoaudiológicos direcionados para a estética facial, os pesquisadores apontaram para mudanças estéticas significativas que resultaram em atenuação das rugas e sinais de envelhecimento, porém verificou-se que há uma variedade de abordagens, de instrumentos e recursos utilizados na avaliação e intervenção e, também, uma metodologia pouco precisa para registrar os dados descritos(2).
Existem alguns protocolos de avaliação fonoaudiológica em estética da face, propostos por fonoaudiólogos clínicos, publicados em livros, não sendo nenhum deles validados até o presente momento(3,4). Há outros protocolos que foram elaborados de acordo com o desenho da pesquisa a ser realizada(5). Em todos eles os registros de imagem, por meio de fotografia e filmagem, fazem parte da avaliação inicial e final, sendo que a comparação entre as imagens é realizada de forma subjetiva, exceto nas publicações de Sovinski et al. (2016) e Pierotti (2004).


Sovinski et al. (2016), utilizaram a Escala de Glogau, para a avaliação dos aspectos estéticos da pele e as escalas de Carruthers, para a classificação das linhas de Marionete (sulco labiomentoniano) e “pés-de-galinha” (rugas periorbitárias) respectivamente(5). Pierotti (2004), propôs a classificação das rugas faciais observadas na avaliação fonoaudiológica, por meio da escala de Glogau, que classifica em Tipo I, II, III e IV o foto envelhecimento facial, tendo como comparação a imagem fotográfica de mulheres nas décadas da vida: 20 a 30 anos (tipo I), 30 a 40 (tipo II), 50 a 60 (tipo III), 60 a 70 (tipo IV)(4).
As escalas utilizadas nas publicações de fonoaudiólogos citadas acima não têm se mostrado suficientes para que se efetue uma comparação dos sinais de envelhecimento faciais e cervicais de forma pontual. Em Sovinski (2016), a análise facial contemplou apenas as regiões periorbitárias e o terço inferior; Pierotti (2004), atribuiu um escore para cada uma das regiões faciais, tendo como base o foto envelhecimento facial visualizado em quatro fotografias conforme proposto por Glogau.


Na área da dermatologia existem escalas fotonuméricas, para avaliação de linhas faciais, cervicais, contorno facial e sulcos nasolabial e nasomentoniano, que foram validadas e permitem a comparação pré e pós tratamento dermatológico por meio de escores(6,7,8,9).
As escalas fotonuméricas propostas por Flynn et al.(2012) - Validated Assessment Scales for the Upper Face, Narins et al.(2012) - Validated Assessment Scales for the Lower Face, Carruthers et al.(2016) -Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Facial Fine Lines e Jones et al. (2016) - Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Transverse Neck Lines estabelecem uma progressão do aumento de rugas faciais, visualizada em uma série de fotografias de cada área da face, o que permite uma análise mais especifica e pontual.
Apresentamos a proposta de uma escala fotonumérica, com o objetivo de favorecer uma comparação mais acurada entre as avaliações inicial e final, efetuadas na intervenção fonoaudiológica em estética facial. Essa escala foi elaborada tendo como base as escalas fotonuméricas propostas por Flynn et al.(2012), Narins et al.(2012), Carruthers et al.(2016), Jones et al. (2016), para a avaliação dos terços faciais superior, médio e inferior. Reunimos em um único arquivo as imagens que foram validadas nessas diversas publicações.
As fotografias nas posições frontal, em 45º e perfil foram incluídas para a verificação das rugas estáticas e imagens recortadas de vídeo foram usadas para a avaliação das rugas dinâmicas, correspondendo às imagens propostas por Flynn et al. (2012), Narins et al.(2012), Carruthers et al.(2016), Jones et al. (2016).
De acordo com o preconizado pelos autores(6,7,8,9), foram atribuídos valores às rugas frontais, glabelares, periorbitárias e periorais; aos sulcos nasolabial e lábio mentoniano; às ptoses palpebral, do contorno da mandíbula e submandibular (papada). Assim, o valor zero foi atribuído à ausência de rugas, sulcos e ptose e o valor 4 à presença acentuada desses sinais de envelhecimento. Uma tabela - Análise Estética da face com Escores - foi elaborada para registro dos valores atribuídos a cada área facial.
Para que as imagens estáticas e dinâmicas possam ser devidamente comparadas é necessário que o fonoaudiólogo mantenha, na avaliação inicial e final, a mesma padronização do espaço físico, dos equipamentos utilizados, do posicionamento do paciente, da iluminação da sala, ao realizar a documentação fotográfica e em vídeo(10).

A presente escala fotonumérica será útil como instrumento para uma análise mais acurada dos resultados do processo terapêutico fonoaudiológico direcionados à estética facial, tendo em vista que descreve numericamente as diferenças entre os registros de imagens iniciais e finais, favorecendo uma comparação mais objetiva dos dois momentos terapêuticos.

Referências bibliográficas

1. Frazão Y, Manzi SB. Eficácia da intervenção fonoaudiológica para atenuar o envelhecimento facial. Rev CEFAC. 2012;14(4):755-62.

2. Valente MFL, Ribeiro VV, Stadler ST, Czlusniak GR, Bagarollo MF. Intervenções em Fonoaudiologia estética no Brasil: revisão de literatura. Audiol Commun Res. 2016;21:e1681.

3. Tasca SMT. Programa de aprimoramento muscular em fonoaudiologia estética facial (PAMFEF). Barueri: Pró-fono; 2004.

4. Pierotti SR. Atuação fonoaudiológica na estética facial. In: Comitê de Motricidade Orofacial-SBFa. Motricidade orofacial: como atuam os especialistas. São José dos Campos, SP: Pulso; 2004.

5. Sovinski SRP, Genaro KF, Migliorucci RR, Passos DCBOF, Berretin-Felix G. Avaliação estética da face em indivíduos com deformidades dentofaciais. Rev CEFAC. 2016;18(6):1348-58.

6. Flynn TC, Carruthers A, Carruthers J, Geister TL, Gortelmeyer R, Hardas B, Himmrich S, Kerscher M, de Maio M, Mohrmann C,
Narins RS, Pooth R, Rzany B, Sattler G, Buchner L, Benter U, Fey C, Jones D. Validated Assessment Scales for the Upper Face. Dermatol Surg 2012;38:309–319

7. Narins RS, Carruthers J, Flynn TC, Geister TL, Gortelmeyer R, Hardas B, Himmrich S, Jones D, Kerscher M, de Maio M, Mohrmann C, Pooth R, Rzany B, Sattler G, Buchner L, Benter U, Breitscheidel L, Carruthers A. Validated Assessment Scales for the Lower Face. Dermatol Surg 2012;38:333–342

8. Carruthers J, Donofrio L, Hardas B, Murphy DK, Jones D, Carruthers A, Sykes JM, Creutz L, Marx A, Dill S. Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Facial Fine Lines. Dermatol Surg. 2016;42(Suppl 1):S227–S234.

9. Jones D, Carruthers A, Hardas B, Murphy DK, Sykes JM, Donofrio L, Carruthers J, Creutz L, Marx A, Dill S. Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Transverse Neck Lines. Dermatol Surg 2016;42(Suppl1): S235–S242.

10. Frazão Y, Manzi S. Atualização em Documentação fotográfica e em vídeo na motricidade orofacial. In: Justino H, Tessitore A, Motta AR, Cunha DA, Berretin-Felix G, Marchesan IQ organizadores. Tratado de Motricidade Orofacial. São José dos Campos,SP: Pulso; 2019. p. 243-253.


HIGHLIGHTS
2177
PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO FONOLÓGICA INFANTIL - SOFTWARE DE COLETA E ANÁLISE DE DADOS FONOLÓGICOS
Linguagem (LGG)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA A SER APRESENTADO
Avaliação implica formar juízo acerca de algo1. No campo fonoaudiológico, especificamente na área da linguagem infantil, define o nível e as características do sistema linguístico do paciente, a fim de traçar o planejamento terapêutico; e acompanha sua evolução de acordo com os objetivos traçados2. Por isso, a avaliação da linguagem pressupõe o conhecimento dos padrões típicos e atípicos, além do domínio de uma série de ferramentas que, aliadas à experiência do profissional, ajudarão a realizar esta tarefa1. Diante da complexidade da avaliação da linguagem, muitas propostas acabam por se debruçar sobre algum nível da estrutura linguística, o que não torna o processo mais simples, mas permite seu direcionamento para questões específicas. Neste sentido, esta proposta se insere especificamente no campo da avaliação do sistema fonológico infantil.
A fonologia refere-se ao domínio dos sons da língua, bem como sua distribuição de acordo com regras específicas3. Este é gradual e, no Português Brasileiro, se completa entre 5 e 7 anos de idade4. Defasagens neste domínio podem acarretar uma série de comprometimentos, tanto do ponto de vista linguístico quanto do desenvolvimento global do paciente. A prevalência de distúrbios fonológicos em crianças é muito alta, podendo inclusive comprometer o processo de ensino-aprendizagem5.
Dada sua ocorrência e os impactos consequentes de seu quadro, uma avaliação rápida e eficaz do sistema fonológico é imprescindível para detecção e acompanhamento destas alterações. Para avaliação do sistema fonológico, o terapeuta deve obter uma amostra de fala da criança, a fim de traçar suas peculiaridades6. Os procedimentos para tal são variados, mas o mais comum para testes padronizados é o de nomeação espontânea. Este garante amostra significativa da fala, na qual devem aparecer todos os sons da língua nos diferentes contextos e possibilita ao terapeuta reconhecer a palavra-alvo, mesmo nos casos de inteligibilidade. Por isso, as palavras escolhidas para este tipo de teste, além de pertencerem ao vocabulário infantil, devem ser reconhecidas por meio de figuras7.
Tais procedimentos podem ser atualizados com o uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Os avanços proporcionados com o desenvolvimento destas ferramentas transformaram a sociedade em todas as áreas, inclusive na saúde. Na Fonoaudiologia, a utilização de programas computacionais é cada vez mais frequente, com vistas ao desenvolvimento de uma interação mais próxima e eficaz em relação ao paciente.
Neste contexto, esta proposta refere-se ao desenvolvimento de um software que venha auxiliar o fonoaudiólogo nos procedimentos de avaliação do sistema fonológico infantil, por meio de um instrumento rápido e eficaz, que contemple todas as características necessárias para o delineamento dos objetivos de uma avaliação deste domínio e que, ao mesmo tempo, alinhe esta tarefa às demandas e necessidades atuais, conciliando conhecimento linguístico e tecnologia da informação.

DEFINIÇÃO CLARA DA SITUAÇÃO-PROBLEMA E DA RESOLUÇÃO ENCONTRADA OU PROPOSTA
Atualmente, os vários modelos de avaliação fonológica disponíveis apresentam restrições, seja pela desatualização das figuras, complexidade de análise, tempo despendido para execução, dificuldade de acesso, entre outras. Tampouco estas avaliações estão em consonância com uma demanda de pacientes cada vez maior, resultando, portanto, em tempo mais exíguo. Além disso, não existem propostas consolidadas que se utilizem dos avanços tecnológicos proporcionados pelas TICs. Por este motivo, verifica-se a necessidade de se propor uma avaliação fonológica infantil que seja mais rápida e simples em sua execução e análise, realizada com o auxílio da inovação tecnológica e, ao mesmo tempo, tão eficaz quanto os testes formais já consagrados.
Uma resolução para tal iniciou em 2006, com a confecção de um instrumento denominado Protocolo de Avaliação Fonológica Infantil - PAFI. O PAFI passou por várias versões, sendo suas modificações baseadas em evidências científicas. Sua validação na versão lápis-papel (20178), é resultado de uma série de pilotos que procuraram adequar o instrumento às necessidades da clínica fonoaudiológica, verificando questões referentes ao reconhecimento dos desenhos e das palavras, ao tempo de execução da coleta e análise dos dados e, obviamente, à eficácia em relação aos demais protocolos disponíveis, por meio da análise de medidas psicométricas de validade. Finalizada esta etapa, buscou-se apoio interdisciplinar para construção de um software que fosse capaz de dar conta de todos os requisitos da avaliação em um ambiente virtual e que proporcionasse melhor acesso, agilidade, fidedignidade e aceitação por parte tanto do terapeuta quanto do paciente. O PAFI-virtual é um instrumento composto por 25 figuras que são nomeadas pela criança, cujo objetivo é avaliar a realização de todos os fonemas do Português Brasileiro em todas as posições silábicas possíveis na língua. A construção do software se deu por meio da aplicação de metodologias ágeis.
APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR OU DE MELHORA NA EFETIVIDADE DE ALGUMA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA
O PAFI-virtual será ferramenta importante para o trabalho fonoaudiológico, uma vez que o sucesso da reabilitação das alterações de linguagem infantil depende de correto planejamento, que se dá através de adequada avaliação.
Seu caráter inovador está não só no uso de TICs para execução deste procedimento, mas também na garantia da agilidade e eficácia do instrumento. A eficácia está garantida pela avaliação psicométrica do instrumento por meio da verificação de validade tanto interna quanto externa na sua versão lápis-papel. O protocolo foi capaz de medir as variáveis para a qual foi construído, garantindo similaridade quando comparado com o padrão de referência utilizado (AFC9). A agilidade na coleta de dados também foi garantida na seleção cuidadosa dos alvos e dos desenhos, facilitando o reconhecimento por parte das crianças e possibilitando análise concomitante de segmentos consonantais por meio de um único alvo. Além disso, a versão virtual, garante agilidade na análise, uma vez que o software é capaz de detectar, por meio da transcrição realizada, os processos fonológicos que estão atuando na fala da criança e, por meio da comparação com os padrões típicos da aquisição fonológica do Português Brasileiro, traçar atrasos e alterações descritas em um laudo de avaliação.
Tal inovação, apesar do importante auxílio que traz à avaliação, não exime a necessidade de um profissional capacitado que seja capaz de reunir tais elementos e realizar seu trabalho de forma rápida e precisa.

1- Goulart, B. N. G. D., & Chiari, B. M. (2007). Avaliação clínica fonoaudiológica, integralidade e humanização: perspectivas gerais e contribuições para reflexão. Rev Soc Bras Fonoaudiol, 12(4), 335-40.

2- Silva, R. A. D., Lopes-Herrera, S. A., & De Vitto, L. P. M. (2007). Distúrbio de linguagem como parte de um transtorno global do desenvolvimento: descrição de um processo terapêutico fonoaudiológico. Rev Soc Bras Fonoaudiol, 12(4), 322-8.

3- Bisol, L. (Ed.). (2005). Introdução a estudos de fonologia do português brasileiro. EdiPUCRS.

4- Lier-De Vitto, M. F., & Arantes, L. (2006). Aquisição, patologias e clínica de linguagem. EDUC-Editora da PUC-SP.

5- Ferreira, T. D. L. (2015). Processamento fonológico, leitura e escrita em crianças com dislexia do desenvolvimento e crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.

6- Spíndola, R. D. A., Payão, L. M. D. C., & Bandini, H. H. M. (2007). Abordagem fonoaudiológica em desvios fonológicos fundamentada na hierarquia dos traços distintivos e na consciência fonológica. Revista CEFAC, 9(2), 180-189.

7- Giacchini, V., Mota, H. B., & Mezzomo, C. L. (2011). Diferentes modelos de terapia fonoaudiológica nos casos de simplificação do onset complexo com alongamento compensatório. Revista CEFAC, 13(1).

8- Bonamigo, A. W., Vidor, D. C. G. M., Gurgel, L. (2017). Validação do Protocolo de Avaliação Fonológica Infantil - PAFI. Trabalho de Conclusão de Curso.

9- Yavas, M., Hernandorena, C. L. M., & Lamprecht, R. R. (1992). Avaliação fonológica da criança: reeducação e terapia.



HIGHLIGHTS
1030
PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO MIOFUNCIONAL OROFACIAL COM ESCALAS EXPANDIDO: AMIOFE-E LACTENTES (6-24 MESES)
Motricidade Orofacial (MO)


PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO MIOFUNCIONAL OROFACIAL COM ESCALAS EXPANDIDO: AMIOFE-E LACTENTES (6-24 MESES)

CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA A SER APRESENTADO: A necessidade de avaliar as condições miofuncionais orofaciais de lactentes acometidos pelo surto de microcefalia, que ocorreu a partir de 2015 na região Nordeste do Brasil, levou-nos a constatação da ausência tanto de um protocolo validado na área de motricidade orofacial (MO), como de parâmetros de normalidade para o período de 6 a 24 meses de idade. A estreita relação entre a forma e função das estruturas craniofaciais desde a fase intrauterina(1) torna imprescindível a avaliação miofuncional orofacial a fim de evitar ou minimizar prejuízos durante o desenvolvimento infantil(2).

DEFINIÇÃO CLARA DA SITUAÇÃO-PROBLEMA: Como avaliar os aspectos miofuncionais orofaciais de lactentes de 6 a 24 meses de idade?

RESOLUÇÃO ENCONTRADA OU PROPOSTA: Considerou-se que a opção seria partir de um instrumento validado para crianças de faixa etária superior e adaptá-lo. Por meio da revisão da literatura, o Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores Expandido (AMIOFE-E)(3), validado para crianças de 6 a 12 anos foi selecionado.
A anuência das autoras do protocolo AMIOFE-E foi obtida e o projeto foi aprovado pelo comitê de ética sob nº CAAE: 12529419.6.0000.5546.
O processo teve início com a adaptação da aparência e do conteúdo do AMIOFE-E, o qual serviu de base para o estudo. Para isso, foi considerando a literatura sobre o desenvolvimento motor orofacial nos primeiros 2 anos de vida, a experiência das pesquisadoras na área de MO. Posteriormente, a versão adaptada foi analisada por um comitê de 10 especialistas em MO em duas etapas, até que a versão final atingiu 90-100% de concordância entre avaliadores. O novo instrumento validado foi denominado como Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial com Escalas Expandido: AMIOFE-E LACTENTES (6-24 MESES); considerando a nomenclatura do DeCS - Descritores em Ciências da Saúde, a qual denomina de lactentes a faixa etária da criança entre 1 e 23 meses de idade.
O AMIOFE-E Lactentes é dividido em blocos funcionais de estruturas que se relacionam, fundamentada em padrões de desenvolvimento – habilidades motoras orais e globais - por faixa etária. O protocolo inclui: identificação e dados clínicos; histórico de alimentação (modo de oferta de alimentação: aleitamento e alimentos em geral, textura da dieta, dificuldades e/ou adaptações na oferta da dieta) e hábitos parafuncionais orofaciais; e o exame clínico. Por meio dele é possível avaliar a aparência e condição postural/posição dos seguintes componentes do sistema estomatognático: face, maxila/mandíbula, bochechas, dentes, lábios, língua, palato duro, palato mole/úvula, bem como da mobilidade e funções de respiração, deglutição e mastigação. Um manual operacional orienta o fonoaudiólogo quanto à aplicação do protocolo, aos registros de imagens e à atribuição de escores. Atenção especial às possibilidades inerentes à idade e ao padrão alimentar habitual do lactente é recomendada. Ao final do protocolo é disponibilizada uma tabela com os escores máximos que podem ser obtidos em cada bloco funcional separados nas faixas etárias de 6 aos 11 meses e 29 dias e dos 12 meses aos 24 meses; onde o avaliador deverá transcrever o escore total para cada elemento avaliado.

APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR OU DE MELHORA NA EFETIVIDADE DE ALGUMA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: O protocolo AMIOFE-E Lactentes vem preencher uma lacuna na área de MO e poderá ser um instrumento útil para a definição de parâmetros de normalidade e para a detecção de desvios ou distúrbios na população até 24 meses de vida. Isso, contribuirá para a definição da necessidade ou não de intervenção, do que precisa ser abordado para a promoção da saúde do lactente, dos aspectos a serem trabalhados em terapia e a mensuração dos efeitos. Além disso, poderá ser útil em pesquisas sobre o sistema miofuncional orofacial de crianças entre 6 e 24 meses de idade. Os profissionais da Fonoaudiologia terão acesso amplo ao protocolo assim que publicado na revista CoDAS (no prelo), a qual está na base Scielo, de acesso gratuito. Futuras pesquisas serão desenvolvidas para investigar as propriedades psicométricas do instrumento.

Referências Bibliográficas
1. Hall JG. Importance of Muscle Movement for Normal Craniofacial Development. J Craniofac Surg [Internet]. 2010 Sep;21(5):1336–8. Available from: http://journals.lww.com/00001665-201009000-00007
2. Medeiros AMC, Medeiros M. Avaliação fonoaudiológica. In: Medeiros AMC MM. Motricidade orofacial: inter-relação entre fonoaudiologia e odontologia. Lovise, editor. são Paulo; 2006. 118 p.
3. Felício CM de, Folha GA, Ferreira CLP, Medeiros APM. Expanded protocol of orofacial myofunctional evaluation with scores: Validity and reliability. Int J Pediatr Otorhinolaryngol [Internet]. 2010 Nov;74(11):1230–9. Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0165587610003654



HIGHLIGHTS
2152
PROTOCOLO DE INDICAÇÃO DAS PRÓTESES AUDITIVAS ANCORADAS NO OSSO NOS CASOS DE MALFORMAÇÕES DE ORELHA E OTITE MÉDIA CRÔNICA
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


As próteses auditivas ancoradas no osso (PAAO) são alternativas para o processo de reabilitação do indivíduo com malformações de orelha externa e/ou média, assim como para aqueles que apresentam Otite Média Crônica sem indicação de uso de aparelho de amplificação sonora individual (AASI) convencional. A reabilitação destes indivíduos, anteriormente às PAAO, muitas vezes, cursavam com alta taxa de insucesso justificada pelo arco de metal que auxilia na fixação do vibrador ósseo, pois frequentemente causava luxações ou dor excessiva; por não serem esteticamente bem aceitos pelos usuários, assim como pela impossibilidade de uso de AASI por via aérea no caso de indivíduos com infecções recorrentes.
Com o objetivo de compartilhar nossa experiência no tratamento da deficiência auditiva por meio das PAAO em mais de 120 indivíduos implantados, será descrito o protocolo de indicação das PAAO para candidatos adolescentes e adultos com perda auditiva condutiva ou mista decorrente de malformações de orelha externa e/ou média e Otite Média Crônica, sem indicação de uso de AASI convencional por via aérea.
Este protocolo clínico de indicação de PAAO é baseado nas Diretrizes Gerais para a Atenção Especializada às Pessoas com Deficiência Auditiva no Sistema Único de Saúde, portaria GM/ MS nº 2.776, nas evidências científicas nacionais e internacionais e complementado com a experiência clínica no atendimento dos indivíduos com as referidas patologias.
A avaliação otorrinolaringológica consiste na investigação médica das condições de saúde geral, condições otológicas e anatômicas com avaliação por imagem (tomografia computadorizada), orientação ao paciente sobre os riscos e benefícios da cirurgia, bem como sobre o prognóstico com o uso da PAAO.
A avaliação audiológica realizada por fonoaudiólogo visa caracterizar a perda auditiva quanto ao tipo (Silman e Silverman, 1997) e grau, segundo a classificação da Organização Mundial de Saúde (WHO, 2017). Os limiares tonais são pesquisados nas faixas de frequência por condução aérea de 250 a 8000 Hz e por condução óssea de 250 a 4000 Hz com tom puro modulado (warble). Na audiometria com estímulo de fala é determinado o Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) por condução aérea e óssea e o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) por condução aérea e com intensidade fixa em 50 dBNA por condução óssea.
O levantamento de informações a respeito do histórico audiológico do indivíduo são imprescindíveis para posterior análise dos benefícios e satisfação obtidos com os atuais dispositivos auditivos e quanto às expectativas sobre o uso de PAAO. Dessa maneira, são exploradas questões a respeito do uso prévio de AASI por condução aérea ou por condução óssea, modelo do dispositivo adaptado, tempo de adaptação, local de uso do AASI por condução óssea, assim como as impressões, os benefícios e as dificuldades atuais com o AASI.
A verificação do benefício com o AASI abrange a inspeção visual e acústica do AASI, Audiometria em Campo Livre (estímulo a 0º azimute), Testes de Percepção da Fala sem e com o AASI, no silêncio e no ruído: Reconhecimento de monossílabos no silêncio (estímulo de fala a 0º azimute e nível de apresentação em 60 dBNPS) (Lacerda, 1976) e Limiar de Reconhecimento de Sentenças no Ruído para a pesquisa da relação Sinal/Ruído (estímulo de fala e ruído a 0º azimute com apresentação da fala inicialmente em 65 dBNPS e ruído fixo a 60 dBNPS) – Lista de Sentenças em Português (Costa, 1997), Questionários de Auto-Avaliação em indivíduos acima de 15 anos: APHAB (Abbreviated Profile of Hearing Aid Benefit) (Cox e Alexander, 1995) e HHIA (Hearing Handicap Inventory for Adults) nas situações sem e com o AASI (Newman et. al., 1991), SADL (Satisfaction with Amplification in Daily Life) somente na condição com AASI (Cox e Alexander, 2001) e (Mondelli et al. 2011).
Na etapa de indicação das PAAO e no decorrer de todo o processo, os candidatos passam por avaliação psicológica na qual são abordados os indicadores psicopatológicos, cognitivos e do autoconceito, indicadores de depressão e ansiedade, aspectos comportamentais e afetivo/social e realizada análise da família. A atuação do serviço social, também de grande importância, compreende o estudo socioeconômico do paciente e/ou da família a fim de verificar os recursos disponíveis para seu acesso ao serviço de saúde auditiva e continuidade do acompanhamento audiológico após a realização da cirurgia.
Fundamentada nos dados obtidos neste protocolo clínico, uma discussão em conjunto com a equipe multiprofissional é realizada a fim de definir a respeito da indicação e seleção da PAAO para cada indivíduo.

1. Silman S, Silverman CA. Basic audiologic testing. In: ______. Auditory diagnosis: principles and applications. San Diego: Singular Publishing Group; 1997. p. 44-52.
2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Prevent of blindness and deafness: grades of hearing impairment. c2017. Disponível em: . Acesso em: 13 jul. 2020.
3. Lacerda, AP. In: ________. Audiologia Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1976. 199p.
4. Costa MJ. Desenvolvimento de listas de sentenças em português [tese]. São Paulo: Escola Paulista de Medicina; 1997.
5. Newman, GW, Weinstein, BE, Jacobson, GP & Hug, GA. Test-Retest Reliability of the Hearing Handicap Inventory for Adults. Ear and Hear. 1991; 12(5): 355-357.
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7. Cox RM, Alexander GC. Validation of the SADL questionnaire. Ear Hear. 2001; 222(2): 151-60.
8. Mondelli, MFCG, Magalhães, FF, Lauris, JRP. Cultural adaptation of the SADL (Satisfaction with Amplification in Daily Life) questionnaire for Brazilian Portuguese. Braz J Otorhinolaryngol. 2011; 77(5): 563-72


HIGHLIGHTS
1117
PROTOCOLO MMBGR: INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO MIOFUNCIONAL OROFACIAL PARA LACTENTES E PRÉ-ESCOLARES
Motricidade Orofacial (MO)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA A SER APRESENTADO: A utilização de protocolos padronizados e validados para mensuração da Motricidade Orofacial (MO) é importante, tanto na rotina de atuação prática da clínica fonoaudiológica, quanto em pesquisas da área. Os principais protocolos para a avaliação miofuncional orofacial da população brasileira, o AMIOFE(1,2) e o MBGR(3) são ambos destinados aos indivíduos na faixa etária superior aos 6 anos de vida. Até o presente momento não existiam protocolos validados para avaliação da MO destinados aos lactentes e pré-escolares, faixas etárias de 1 a 24 meses de vida, e entre 2 e 5 anos de idade, respectivamente; conforme descritores de Ciências da Saúde (DeCS). Portanto, o estudo das características da MO em idades precoces pretende contribuir para melhor entendimento do funcionamento normal do sistema estomatognático e suas eventuais alterações.

DEFINIÇÃO CLARA DA SITUAÇÃO-PROBLEMA: Como avaliar aspectos miofuncionais orofaciais, por meio de um protocolo padronizado, considerando a população menor de 6 anos de idade?

RESOLUÇÃO ENCONTRADA OU PROPOSTA: O processo iniciou-se com a adaptação do Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial MBGR(3) seguido do estudo do tipo validação, conforme recomendado na literatura(4). O estudo foi aprovado no comitê de ética sob nº CAAE: 12529419.6.0000.5546. Houve apoio do CNPq. A validação de aparência e conteúdo, e a aplicabilidade, com a validade de critério foram concluídas. O Protocolo passou a ser intitulado MMBGR – Lactentes e pré-escolares e demonstrou ter aplicabilidade e confiabilidade para lactentes e pré-escolares sem queixa de distúrbios miofuncionais, para a maioria dos itens analisados.
O protocolo MMBGR – lactentes e pré-escolares, compõe-se de Instrutivo; História Clínica e Exame Clínico, abrangendo os grupos etários: 6-11 meses; 1; 2; 3 a 5 anos, respectivamente. O instrutivo contempla orientações sobre a utilização do Protocolo MMBGR, tanto em relação à aplicação, como ao registro de História Clínica e Exame Clínico. Esclarece sobre seu objetivo, destinado ao fonoaudiólogo avaliar, diagnosticar e estabelecer prognóstico em MO; orienta sobre o tempo médio dispendido para aplicação e apresenta roteiro de registro de imagens estáticas e dinâmicas colhidas durante o exame.
O Protocolo História Clínica contempla aspectos a serem levantados junto ao responsável pelo lactente/pré-escolar na situação de anamnese/entrevista inicial. Abrange desde a identificação do lactente/pré-escolar, até dados relacionados diretamente à queixa e ao motivo do encaminhamento para Fonoaudiologia. Aspectos sobre desenvolvimento estão organizados conforme ocorrência e período, além de registro das dificuldades encontradas; incluindo cronologia referencial sobre aquisição de cada comportamento. Constam itens de desenvolvimento Motor, da Alimentação (amamentação até uso de utensílios), além daqueles voltados aos problemas de saúde, respiratórios, sono; bem como tratamentos fonoaudiológicos e interdisciplinares; e ocorrência de hábitos deletérios. Dados sobre o padrão atual do lactente/pré-escolar também estão elencados, incluindo aspectos alimentares, da mastigação, da deglutição, da fala, da comunicação oral e da voz.
O protocolo Exame Clínico contém itens relacionados desde a identificação do lactente/pré-escolar até o registro de medidas antropométricas (peso e altura corporal, IMC). Abrange aspectos miofuncionais orofaciais a serem observados na situação da avaliação clínica. A maioria dos itens pode ser registrado em imagem (fotografia e/ou vídeo) e assistido posteriormente para certificação/conferência.
A avaliação das estruturas orofaciais está dividida em Exame Extraoral (face, lábios, mandíbula) e Exame Intraoral (lábios, bochechas, língua, frênulo, palato, tonsilas palatinas, dentes e oclusão). O tônus é avaliado considerando as impressões proprioceptivas do toque adquiridas pelo fonoaudiólogo durante o exame. As funções orofaciais estão organizadas conforme possibilidade de ocorrência em cada faixa etária, exceto para respiração, avaliada em toda população (6 a 71 meses de idade).
Em lactentes amamentados ou que utilizem mamadeira são avaliadas as funções de Sucção/Deglutição, sendo que a partir dos 12 meses de idade já há a avaliação da Mastigação e da Deglutição (com alimentos sólido/semissólido) e da Deglutição de líquido (em copo). A avaliação de Deglutição de pastoso é indicada somente para lactentes. A avaliação da Fala, por intermédio da prova de nomeação, é aplicada a partir dos 12 meses de idade.
Em pré-escolares são avaliadas as funções de Mastigação e Deglutição de sólido; Deglutição de líquido; e Fala: Produção de fones/fonemas, por intermédio de prova de nomeação, e prova fala semi-dirigida. É realizada prova terapêutica para sons alterados. São avaliados os Aspectos Gerais da Fonoarticulação, inclusive como norteador sobre a necessidade de realização de protocolo mais específico (por exemplo, para avaliação de linguagem e/ou voz). Há uma prancha com figuras ilustrativas, elaborada com colaboração de profissional de design gráfico, para uso na prova de nomeação. A partir do estudo sobre a aquisição e ocorrência dos fones da língua portuguesa, por faixa etária, foi elaborado um quadro contendo o cronograma de aquisição dos fonemas que integra o instrumento.
Ao final o protocolo MMBGR apresenta ao final uma tabela, a ser preenchida pelo avaliador, contendo o resumo do Exame Miofuncional Orofacial, com os itens a serem pontuados (em escore), escalonados por faixa etária, com valores que variam de zero (melhor valor possível de ser obtido) até, respectivamente, 114 (6-11 meses), 160 (12-23 meses), 135 (24-35 meses) e 150 (36-71 meses), para escores totais, conforme alterações percebidas. O último campo é destinado para assinatura do exame pelo fonoaudiólogo, com respectivo número de Registro no Conselho Profissional (CRFa).

APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR OU DE MELHORA NA EFETIVIDADE DE ALGUMA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: O protocolo MMBGR – lactentes e pré-escolares é um instrumento inédito e inovador, que preenche uma importante lacuna para a clínica da MO e suas pesquisas, ampliando o conhecimento científico na Fonoaudiologia, junto à população infantil.


1. Felício CM de, Ferreira CLP. Protocol of orofacial myofunctional evaluation with scores. Int J Pediatr Otorhinolaryngol [Internet]. 2008 Mar;72(3):367–75. Available from: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0165587607005721
2. Folha GA. Ampliação das escalas numéricas do Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial (AMIOFE), validação e confiabilidade [Internet]. [Ribeirão Preto]: Universidade de São Paulo; 2010. Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17151/tde-22102013-084025/
3. BERRETIN-FELIX G, Genaro KF, Marchesan IQ. Protocolos de avaliação da motricidade orofacial 1: Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial - MBGR. In: Silva HJ da, Tessitore A, Motta AR, Cunha DA da, Berretin-Felix G, Marchesan IQ, editors. Tratado de Motricidade Orofacial. 1st ed. São José dos Campos; 2019. p. 255–72.
4. Pernambuco L, Espelt A, Junior HVM, Lima KC de. Recommendations for elaboration, transcultural adaptation and validation process of tests in Speech, Hearing and Language Pathology. CoDAS. 2017;29(3).



HIGHLIGHTS
2184
RECURSOS DE ACELEROMETRIA DE ALTA RESOLUÇÃO E DEGLUTIÇÃO: O QUE TEMOS E PARA ONDE IREMOS?
Disfagia (DIS)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA: Embora os padrões de referência para a avaliação e diagnóstico da disfagia orofaríngea sejam a videofluoroscopia da deglutição (VFD) e a videoendoscopia da deglutição (VED), alguns parâmetros complementares podem nortear a identificação de distúrbios da deglutição e fornecer informações como o deslocamento de estruturas, atividade muscular e coordenação entre respiração e deglutição. Existe tendência atual e entusiasmo crescente dos pesquisadores em relação ao uso de abordagens sem radiação e não invasivas, com o uso de tecnologias vestíveis como sensores, por exemplo, para detectar, mensurar ou monitorar eventos e parâmetros relacionados à deglutição. Os sensores de alta resolução (sensores piezoelétricos, microfones e acelerômetros) têm sido investigados nos últimos 30-40 anos e permitem a captação de espectros de sinais vibratórios, acústicos e de deslocamentos que ocorrem na região do pescoço durante a deglutição. DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA: Há uma demanda importante pelo desenvolvimento de algoritmos de processamento de sinais e imagens que auxiliem os profissionais de saúde a aprimorar o rastreamento, avaliação, diagnóstico e monitoramento da disfagia orofaríngea, especialmente em situações reais e não apenas controladas clinicamente. Apesar do crescente interesse dos pesquisadores na relação entre a ciência de dados e deglutição, ainda são necessários investimentos em tecnologias e algoritmos clinicamente relevantes, acessíveis, de fácil utilização e baixo custo. RESOLUÇÃO ENCONTRADA/APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR: Pesquisadores tem buscado alternativas de avaliação com menor custo e que permitam também avaliação em tempo e situações reais por meio de tecnologias vestíveis. Esses recursos tecnológicos apresentam inúmeras vantagens, dentre elas uma mensuração mais objetiva e/ou quantitativa; a possibilidade de investigar a função fora do setting controlado pelo avaliador; a redução do tempo para análise dos dados, considerando que atualmente essa análise depende sobremaneira de estratégias executadas por um avaliador; maior precisão, já que a abordagem convencional é demorada e propensa a erros humanos devido à fadiga visual ou falta de conhecimento clínico/treinamento formal para análise de imagens; e a possibilidade de um recurso mais viável para a rotina clínica no âmbito individual e até mesmo coletivo, sendo mais disponível e acessível financeiramente do que os exames instrumentais tradicionais. O acelerômetro é um tipo de sensor que pode fornecer biofeedback sobre a deglutição e contribuir significativamente para a melhora dos julgamentos sobre a eficácia dos tratamentos pré e pós-terapia, além de ser útil também como ferramenta de triagem ou até mesmo diagnóstica. Consiste ainda em um tipo de tecnologia vestível com viabilidade de baixo e custo e passível de ser utilizado na rotina diária do indivíduo. O processamento de sinais gerado por acelerometria de alta resolução está baseado nas seguintes etapas¹: (1) escolha do sensor; (2) pré-processamento dos dados; (3) extração de recursos das gravações obtidas na deglutição; (4) tomada de decisão clínica em relação ao tipo de análise realizada e técnicas de aprendizado de máquina. Na literatura científica, atualmente, são utilizados os diferentes tipos de sensores para a avaliação da função de deglutição, com diferentes frequências e larguras de banda para análise do sinal. É relatado também o uso de diversas modalidades de sensores de forma simultânea, com os sinais sincronizados pelo uso do mesmo sistema de aquisição de dados. Aparentemente, a utilização de múltiplos sensores melhora a detecção dos eventos e contribui para uma análise mais abrangente da deglutição. O pré-processamento do sinal é uma tarefa imprescindível para uma boa aquisição de dados e envolve técnicas de filtragem e remoção de ruídos, para normalização das gravações obtidas. Nas contribuições, essas técnicas também costumam diferir, o que dificulta a replicação dos métodos propostos em estudos posteriores. A extração dos dados tem como base a análise estatística dos dados extraídos e até o momento diversos algoritmos foram desenvolvidos para auxiliar no processo de tomada de decisão clínica. Estudos mostram que a maioria dos métodos de aprendizado de máquina já foram utilizados, como métodos Bayesianos, máquinas de vetores de suporte e mais recentemente, redes neurais profundas². MELHORA NA EFETIVIDADE DA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: Os estudos que utilizam os sensores de alta resolução e o uso da inteligência artificial para a avaliação de eventos da deglutição apontam a possibilidade do uso dessa ferramenta para o uso adicional nos estudos da deglutição, visto que apresenta correlação com parâmetros temporais³ avaliados por VFD, e já é apontado como um sistema eficaz e promissor como modalidade de biofeedback durante a terapia de deglutição3,4, necessitando de mais estudos para verificação da eficácia clínica para esta finalidade5. Nossos grupos de pesquisa têm investido na identificação de um recurso de acelerometria que atenda essas necessidades e seja viável na realidade brasileira, pois acreditamos que ferramentas vestíveis para a avaliação em tempo integral, dentro e fora da clínica fonoaudiológica são um exemplo de avanço tecnológico e de cuidado em saúde.

REFERÊNCIAS

1. Sejdic E, Malandraki GA, Coyle JL. Computational Deglutition: Signal and image processing methods to understand swallowing and associated disorders. IEEE Signal Process Mag. 2019; 36(1):138-146.

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3. Wang CM, Wang CJ, Shieh WY, Chen YC, Cheng WJ, Chang WH. Correlation of Temporal Parameters of Laryngeal Excursion by Using Force-Sensing Resistor Sensors with Hyoid Motion in Videofluoroscopic Swallowing Study. Dysphagia. 2020; 10.1007/s00455-020-10121-2.


4. Donohue C, Mao S, Sejdic E, Coyle JL. Tracking Hyoid Bone Displacement During Swallowing Without Videofluoroscopy Using Machine Learning of Vibratory Signals. Dysphagia. 2020; 10.1007/s00455-020-10124-z.

5. Li CM, Lee HY, Hsieh SH, Wang TG, Wang HP, Chen JJ. Development of Innovative Feedback Device for Swallowing Therapy. J Med Biol Eng. 2016; 36:357-368.


HIGHLIGHTS
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RECURSOS DE ACELEROMETRIA DE ALTA RESOLUÇÃO E DEGLUTIÇÃO: O QUE TEMOS E PARA ONDE IREMOS?
Disfagia (DIS)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA: Embora os padrões de referência para a avaliação e diagnóstico da disfagia orofaríngea sejam a videofluoroscopia da deglutição (VFD) e a videoendoscopia da deglutição (VED), alguns parâmetros complementares podem nortear a identificação de distúrbios da deglutição e fornecer informações como o deslocamento de estruturas, atividade muscular e coordenação entre respiração e deglutição. Existe tendência atual e entusiasmo crescente dos pesquisadores em relação ao uso de abordagens sem radiação e não invasivas, com o uso de tecnologias vestíveis como sensores, por exemplo, para detectar, mensurar ou monitorar eventos e parâmetros relacionados à deglutição. Os sensores de alta resolução (sensores piezoelétricos, microfones e acelerômetros) têm sido investigados nos últimos 30-40 anos e permitem a captação de espectros de sinais vibratórios, acústicos e de deslocamentos que ocorrem na região do pescoço durante a deglutição. DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA: Há uma demanda importante pelo desenvolvimento de algoritmos de processamento de sinais e imagens que auxiliem os profissionais de saúde a aprimorar o rastreamento, avaliação, diagnóstico e monitoramento da disfagia orofaríngea, especialmente em situações reais e não apenas controladas clinicamente. Apesar do crescente interesse dos pesquisadores na relação entre a ciência de dados e deglutição, ainda são necessários investimentos em tecnologias e algoritmos clinicamente relevantes, acessíveis, de fácil utilização e baixo custo. RESOLUÇÃO ENCONTRADA/APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR: Pesquisadores tem buscado alternativas de avaliação com menor custo e que permitam também avaliação em tempo e situações reais por meio de tecnologias vestíveis. Esses recursos tecnológicos apresentam inúmeras vantagens, dentre elas uma mensuração mais objetiva e/ou quantitativa; a possibilidade de investigar a função fora do setting controlado pelo avaliador; a redução do tempo para análise dos dados, considerando que atualmente essa análise depende sobremaneira de estratégias executadas por um avaliador; maior precisão, já que a abordagem convencional é demorada e propensa a erros humanos devido à fadiga visual ou falta de conhecimento clínico/treinamento formal para análise de imagens; e a possibilidade de um recurso mais viável para a rotina clínica no âmbito individual e até mesmo coletivo, sendo mais disponível e acessível financeiramente do que os exames instrumentais tradicionais. O acelerômetro é um tipo de sensor que pode fornecer biofeedback sobre a deglutição e contribuir significativamente para a melhora dos julgamentos sobre a eficácia dos tratamentos pré e pós-terapia, além de ser útil também como ferramenta de triagem ou até mesmo diagnóstica. Consiste ainda em um tipo de tecnologia vestível com viabilidade de baixo e custo e passível de ser utilizado na rotina diária do indivíduo. O processamento de sinais gerado por acelerometria de alta resolução está baseado nas seguintes etapas¹: (1) escolha do sensor; (2) pré-processamento dos dados; (3) extração de recursos das gravações obtidas na deglutição; (4) tomada de decisão clínica em relação ao tipo de análise realizada e técnicas de aprendizado de máquina. Na literatura científica, atualmente, são utilizados os diferentes tipos de sensores para a avaliação da função de deglutição, com diferentes frequências e larguras de banda para análise do sinal. É relatado também o uso de diversas modalidades de sensores de forma simultânea, com os sinais sincronizados pelo uso do mesmo sistema de aquisição de dados. Aparentemente, a utilização de múltiplos sensores melhora a detecção dos eventos e contribui para uma análise mais abrangente da deglutição. O pré-processamento do sinal é uma tarefa imprescindível para uma boa aquisição de dados e envolve técnicas de filtragem e remoção de ruídos, para normalização das gravações obtidas. Nas contribuições, essas técnicas também costumam diferir, o que dificulta a replicação dos métodos propostos em estudos posteriores. A extração dos dados tem como base a análise estatística dos dados extraídos e até o momento diversos algoritmos foram desenvolvidos para auxiliar no processo de tomada de decisão clínica. Estudos mostram que a maioria dos métodos de aprendizado de máquina já foram utilizados, como métodos Bayesianos, máquinas de vetores de suporte e mais recentemente, redes neurais profundas². MELHORA NA EFETIVIDADE DA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: Os estudos que utilizam os sensores de alta resolução e o uso da inteligência artificial para a avaliação de eventos da deglutição apontam a possibilidade do uso dessa ferramenta para o uso adicional nos estudos da deglutição, visto que apresenta correlação com parâmetros temporais³ avaliados por VFD, e já é apontado como um sistema eficaz e promissor como modalidade de biofeedback durante a terapia de deglutição3,4, necessitando de mais estudos para verificação da eficácia clínica para esta finalidade5. Nossos grupos de pesquisa têm investido na identificação de um recurso de acelerometria que atenda essas necessidades e seja viável na realidade brasileira, pois acreditamos que ferramentas vestíveis para a avaliação em tempo integral, dentro e fora da clínica fonoaudiológica são um exemplo de avanço tecnológico e de cuidado em saúde.

1. Sejdic E, Malandraki GA, Coyle JL. Computational Deglutition: Signal and image processing methods to understand swallowing and associated disorders. IEEE Signal Process Mag. 2019; 36(1):138-146.

2. Dudik JM, Coyle JL, Sejdic E. Dysphagia screening: Contribuitions of cervical auscultation signals and modern signal-processing techniques. IEE Trans Human-Mach Syst. 2015; 45(4):465-477.

3. Wang CM, Wang CJ, Shieh WY, Chen YC, Cheng WJ, Chang WH. Correlation of Temporal Parameters of Laryngeal Excursion by Using Force-Sensing Resistor Sensors with Hyoid Motion in Videofluoroscopic Swallowing Study. Dysphagia. 2020; 10.1007/s00455-020-10121-2.


4. Donohue C, Mao S, Sejdic E, Coyle JL. Tracking Hyoid Bone Displacement During Swallowing Without Videofluoroscopy Using Machine Learning of Vibratory Signals. Dysphagia. 2020; 10.1007/s00455-020-10124-z.

5. Li CM, Lee HY, Hsieh SH, Wang TG, Wang HP, Chen JJ. Development of Innovative Feedback Device for Swallowing Therapy. J Med Biol Eng. 2016; 36:357-368.


HIGHLIGHTS
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REESTRUTURAÇÃO E REINVENÇÃO DA PRÁTICA MULTIDISCIPLINAR NO ATENDIMENTO A PACIENTES COM DISTÚRBIOS DE LINGUAGEM E SENSÓRIO-MOTORES: ESTRATÉGIAS DE TELEMONITORAMENTO DURANTE A PANDEMIA POR COVID-19
Motricidade Orofacial (MO)


1. Contextualização e relevância do tema a ser apresentado
A integralidade do cuidado, premissa fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS), está assentada numa concepção ampliada de saúde e tem sido sustentada pela instituição na qual trabalhamos1. Nesta proposta, o foco está voltado especialmente para a discussão de uma integração muito bem sucedida entre o Setor de Fonoaudiologia (mais especificamente, os Serviços de Patologia da Linguagem e Motricidade Orofacial e Voz), que envolve profissionais e alunos da graduação em Fonoaudiologia, e os docentes e discentes da graduação em Fisioterapia.
A reabilitação caracteriza-se pela ação ou efeito da recuperação, composta por um processo que demanda a atuação de diferentes profissionais. Fonoaudiólogos e fisioterapeutas atuam com objetivos clínicos específicos, mas também com o propósito de reinserção social de seus pacientes. Abordagens multidisciplinares são eficazes na melhora da sua condição biopsicossocial2. Tendo isso em vista, os Serviços antes referidos e o Estágio em Fisioterapia se articularam para realizar encontros semanais em grupos envolvendo 25 participantes (entre eles pacientes, familiares e cuidadores, 7 estagiários, 3 fonoaudiólogos e 1 fisioterapeuta).

2. Definição da situação-problema e da resolução proposta
Os encontros presenciais referidos anteriormente foram interrompidos em função do isolamento social, preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), visando o enfrentamento da pandemia por Covid-19. Uma alternativa virtual para a manutenção de tais encontros foi elaborada em conjunto pelos profissionais e alunos implicados na reabilitação dos pacientes com o objetivo de propor estratégias expressivas, de manutenção de habilidades motoras (fonoaudiológicas e fisioterapêuticas) e de fortalecimento de laços entre pacientes, profissionais e familiares. Também objetivou-se evitar agravos à saúde de forma global, minimizando riscos de pneumonias aspirativas3, o isolamento por efeito dos distúrbios linguísticos4, prolongar o uso equilibrado da voz e articulação 5,6,7 e manter o corpo em atividade.
Profissionais e alunos, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde no Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus (Covid-19) na Atenção Primária à Saúde8, reinventaram suas estratégias de atuação, usando tecnologia de telemonitoramento, ferramentas síncronas e assíncronas no acompanhamento dos pacientes. O material foi cuidadosamente preparado para assegurar que, à distância, os objetivos de tais práticas pudessem ser mantidos no período de isolamento social.

3. Apresentação do caráter inovador ou de melhora na efetividade das abordagens fonoaudiológica e fisioterapêutica
O grupo inicial que participou das atividades presenciais era composto, como já assinalamos, por 25 participantes de ambos os sexos, com idade entre 19 a 84 anos, acometidos por sequelas neurológicas e/ou portadores de dificuldades sensório-motoras, distúrbios linguísticos ou mesmo de ingesta alimentar.
Nas semanas após a paralisação das atividades presencias para cumprimento da quarentena, imposta pela pandemia de COVID-19, definiu-se a elaboração de materiais a serem enviados aos pacientes, familiares e/ou cuidadores: vídeos com orientações e demonstrações de exercícios em atividades fisioterapêuticas e de motricidade orofacial e voz, bem como vídeos, fotos e áudios para realização de atividades artísticas.
Os vídeos tiveram curta duração, as orientações foram escritas de forma objetiva e direta, as demonstrações foram gravadas em ambiente bem iluminado. As atividades foram conduzidas por alunos e profissionais, direcionadas às necessidades dos pacientes, que foram contatados previamente pelo aplicativo WhatsApp e convidados a participar das atividades por acesso remoto. Foram incluídos apenas os que retornaram com um “de acordo”. Formou-se, então, um grupo de WhatsApp com 20 pacientes de ambos os sexos, com idade entre 19 a 84 anos. Os exercícios e orientações propostos utilizaram utensílios domésticos e o espaço interno da casa dos pacientes, garantindo que pudessem ser realizados em segurança, sob a orientação de profissionais e estagiários, bem como supervisionados por familiares e/ou cuidadores. Os materiais foram encaminhados entre abril e junho de 2020, totalizando 11 semanas, sendo que a cada semana foram postados 4 vídeos, 1 áudio e fotos de arte.
Para monitorar o aproveitamento dos pacientes, foi criado um questionário online9 e encaminhado ao grupo. Além dos dados de identificação e data, os pacientes deveriam responder perguntas sobre a clareza das orientações, a impressão sobre as atividades propostas utilizando a escala de Likert, com classificação entre ótimas, boas, ruins ou péssimas; responder sim ou não para a prática das atividades e a frequência em 1, 2, 3 ou 4 vezes por semana, todos os dias, ou não realizava. Também deveria registrar quem havia preenchido o questionário (paciente, cuidador ou familiar, profissional ou estagiário) e, por último, poderia deixar sugestões sobre as atividades.
Foram respondidos 14 questionários entre os meses de maio e junho de 2020. A avaliação da qualidade dos vídeos encaminhados com as orientações foi considerada como ótima ou boa por mais de 70% dos pacientes em todas as atividades propostas. Apenas um vídeo de fisioterapia recebeu uma avaliação negativa e 25% dos participantes não souberam avaliar a qualidade dos vídeos das oficinas de arte (pintura, culinária e literatura).
Com relação à prática dos exercícios enviados, os pacientes tiveram maior adesão às atividades da fonoaudiologia, sendo que 84,7% relataram estar praticando as orientações, enquanto 78% referiram fazer os exercícios de fisioterapia e 35,7% registraram que praticam as atividades das oficinas de arte. Ao avaliar a frequência semanal de prática das atividades, verificou-se que as orientações propostas pela fisioterapia e fonoaudiologia são executadas de formas semelhantes, sendo que 35,7% realizam as atividades duas vezes na semana e menor parcela realiza todos os dias da semana, sendo 7,1% para os exercícios da fisioterapia e 14,3% para os exercícios da fonoaudiologia.

4. Comentários conclusivos
A proposta de intervenção multidisciplinar se mostrou motivadora desde o início do trabalho realizado na instituição. A continuidade das atividades com a utilização de recursos tecnológicos, em tempos de isolamento social, teve excelente adesão por parte dos integrantes, que mantiveram a interação e foram acolhidos pela equipe de profissionais. Além disso, se somou a este momento de reestruturação e reinvenção da prática multidisciplinar, o desafio em manter as atividades acadêmicas por meio de acesso remoto, promovendo com êxito o engajamento dos alunos neste projeto.

1. Ministério da Saúde https://www.saude.gov.br/sistema-unico-de-saude/sistema-unico-de-saude [acesso em 13.07.2020] disponível em www.saude.gov.br
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3. Martino R, Foley N, Bhogal S, Diamant N, Speechley M, Teasell R. Dysphagia after stroke: incidence, diagnosis, and pulmonar complications. Stroke. 2005;36(12):2756-2763. https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/01.str.0000190056.76543.eb
4. Gomes ACS. Oficinas de Arte, em meio a falas sintomáticas, encontros singulares com a velhice. [dissertação]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2018.
5. Fabron EMG, Silvério KCA, Berretin-Felix G, Andrade ED, Salles PF, Moreira PAM, Brasolotto AG. Terapia vocal para idosos com progressão de intensidade, frequência e duração do tempo de fonação: estudo de casos CoDAS 2018;30(6):e20170224. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20182017224
6. Ferreira TS, Mangilli LD, Sassi FC, Fortunato-Tavares T, Limongi SCO, Andrade CRF. Fisiologia do exercício fonoaudiológico: uma revisão crítica da literatura J Soc Bras Fonoaudiol. 2011;23(3):288-96 https://doi.org/10.1590/S2179-64912011000300017
7. Bento FAM, Diaféria GLA, Fonoff ET, Padovani MMP, Behlau M. Efeito da técnica de sobrearticulação na voz e na fala em indivíduos com doença de Parkinson após cirurgia de estimulação cerebral profunda Audiol Commun Res. 2019;24:e2008 https://doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2008
8. Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus (Covid-19) na Atenção Primária à Saúde - Versão 9 https://www.unasus.gov.br/especial/covid19/pdf/37 [acesso em 13.07.2020] disponível em www.unasus.gov.br
9.https://forms.office.com/Pages/AnalysisPage.aspx?id=AZKyjn2iAkOEc8mC61vpNT8p47UpKIhCsXaZIpT7iStUNkMxT1NUOTI1SjZSSDIyMlo4WE9aWDhQSS4u&AnalyzerToken=dUc14TllvY4kPj9mHBk1ug48t3IiIKd6
10 Ministério da Saúde https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_praticas_integrativas_complementares_2ed.pdf Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS
[acesso em 12.07.2020] disponível em https://bvsms.saude.gov.br


HIGHLIGHTS
2200
SINTOMAS INICIAIS DO CÂNCER DE CAVIDADE ORAL AUTORREFERIDOS POR PACIENTES E A BUSCA PELO CUIDADO.
Saúde Coletiva (SC)


Objetivo:Investigar os sintomas iniciais do câncer de cavidade oral autorreferidos pelos pacientes e sua relação com a busca pelo cuidado. Métodos: O estudo foi realizado no Centro Regional Integrado de Oncologia (CRIO). Os critérios de inclusão foram adultos e idosos, ambos os sexos, com câncer de cavidade oral. A coleta de dados foi realizada por uma análise de prontuários arquivados no setor de Fonoaudiologia do CRIO, de pacientes atendidos no período de janeiro de 2018 à junho de 2019. Utilizou-se um protocolo com dados referentes a sexo, idade, escolaridade, naturalidade, diagnóstico médico e fonoaudiológico, queixa inicial, início e final do tratamento e tempo entre o sintoma e cuidado inicial. Resultados: Foram encontrados 76,1% (n=16) indivíduos adultos e 23% (n=5) idosos, 80,9% (n=17) do sexo masculino e 19,1% (n=4) do sexo feminino. Os sintomas iniciais mais referidos foram dor 52,3% (n=11), ferida 38% (n=8) e caroço 28,5% (n=6). Com relação a localização da lesão, constatou-se que 76,1% (n=16) apresentavam lesão na língua, 38% (n=8) na mandíbula, 38% (n=8) no trígono retromolar. Na busca pelo cuidado, 47,6% (n=10) buscaram atendimento odontológico, 19% (n=4) hospitais e emergência. A média do início do sintoma ao diagnóstico médico, foram de 308 dias; da percepção ao início do tratamento foi onde apresentou maior atraso 345 dias (11 meses). Esse fato torna-se grave, haja visto o tratamento do câncer ser de caráter urgente. Em relação ao tempo entre o diagnóstico médico e o início do tratamento foi de 43 dias. Conclusão: Conclui-se que o sintoma mais referido pelos indivíduos foi dor seguido de ferida. Os indivíduos buscaram o diagnóstico tardiamente, ou seja, o tempo que o indivíduo percebeu e buscou atendimento foi o período mais demorado. Contudo, ao receber o diagnóstico, o tratamento inicia-se rapidamente como foi identificado na pesquisa a mediana de 43 dias entre o diagnóstico e o tratamento. A demora por parte do paciente é difícil de ser analisada precisamente tendo em vista que a percepção do mesmo é muito subjetiva podendo estar associada a fatores sociais e culturais que dificultam ainda mais essa intervenção precoce e preventiva.
O interesse em realizar a presente pesquisa surgiu pelo fato de almejar compreender mais sobre a sintomatologia inicial e os fatores associados ao câncer de cavidade oral. Verificar os sintomas iniciais autorreferidos pode fornecer informações subjetivas quanto às características iniciais do câncer de cavidade oral. Isto pode favorecer uma valorização da população em relação a esses sinais e sintomas, proporcionando a procura por assistência médica de forma precoce e a facilitação do diagnóstico. Além disso, este estudo pode alertar diversos profissionais da saúde para a importância da intervenção precoce, tendo em vista que as chances de sobrevida aumentam significativamente para diagnósticos em estágio inicial da doença.
Este trabalho torna-se relevante, pois contribui para um maior conhecimento dos profissionais da saúde e aqueles que buscam saber mais a respeito do assunto. Almeja-se colaborar para que haja efetivamente mais incentivos nos programas de políticas públicas de saúde afim prevenir e fortalecer o diagnóstico precoce de câncer de boca.
Este estudo portanto, visou investigar os sintomas e sinais iniciais relatados por pacientes com diagnóstico de câncer de cavidade oral e a busca pelo autocuidado autoreferenciados pelos pacientes.


21 referências


HIGHLIGHTS
2169
TELEFONOAUDIOLOGIA E EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE AUDITIVA VOLTADA AOS PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Saúde Coletiva (SC)


A deficiência auditiva é considerada um problema de saúde pública devido à sua elevada prevalência e também aos seus impactos. As estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) direcionam para uma projeção de 900 milhões pessoas com perda auditiva incapacitante em 2050, de causas que variam desde à genéticas, complicações ao nascimento, determinadas doenças infecciosas, o uso de drogas ototóxicas, exposição ao ruído e idade.
Especificamente nas crianças, 60% das perdas auditivas poderiam ser evitadas por medidas de prevenção e, quando existentes, ações para identificar e tratar na idade adequada, teriam um impacto importante no custo-benefício das políticas públicas em saúde auditiva.
A triagem auditiva neonatal universal (TANU) tem sido reconhecida nos diferentes países como a primeira ação para viabilizar a identificação, diagnóstico e intervenção precoce da deficiência auditiva, na perspectiva de minimizar os seus impactos. No entanto, apesar da TAN ter sido regulamentada como obrigatória no Brasil em 2010, a cobertura populacional tem ampla variabilidade nas diferentes regiões do país, com cobertura média 31,8%, quando indicador de qualidade é 95%. Somado a esta realidade, a TAN não contribui para ações de prevenção, sendo, portanto, essencial o desenvolvimento de ações complementares.
Embora não atinja 100% de cobertura nas diferentes regiões do país, a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e a Atenção Primária à Saúde (APS) como um todo mostrou evolução contínua ao longo dos anos nas diferentes regiões, estados e municípios do país. De acordo com os painéis indicadores da APS e tendo como referência o mês de abril de 2020, o Brasil conta com uma cobertura populacional média da APS de 76,50%. Ao considerar os diferentes estados o percentual de cobertura variou de 59,7% a 99,64%, o que representa maior possibilidade de alcance populacional quando comparado à TAN. Somado a este dado, a APS tem sido vista de forma consensual em todo o mundo como a principal estratégia para o fortalecimento dos serviços públicos de saúde.
Diante do exposto, tem-se como situação-problema a necessidade de desenvolvimento de ações que favoreçam a prevenção da perda auditiva, a ampliação do acompanhamento para a identificação precoce de perdas auditivas de manifestação tardia ou adquirida, e por conseguinte, maximização do custo-efetividade das políticas públicas em saúde auditiva.
Assim, pretende-se apresentar uma interface da APS na área de saúde auditiva como uma ação potencializadora para resolutividade do problema supracitado.
No ano de 2003 iniciamos projetos, sempre em parceria com os governos municipais ou estaduais, voltados à educação continuada na área de audição de profissionais dos Hospitais Maternidades, no caso os enfermeiros, e da Estratégia da Saúde da família, mais especificamente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A escolha da Estratégica da Saúde Família e Equipe de ACS justificou-se, não apenas por serem programas públicos de saúde e com abrangência nacional, mas também pela proposta, na qual o ACS passa a ser o principal vínculo da família com o profissional da saúde, com visitas domiciliares mensais. Nossa experiência tem mostrado que a atuação do ACS envolve desde aspectos voltados à prevenção e identificação da deficiência auditiva, ao resgatar as famílias que não dão continuidade ao processo de TAN e diagnóstico audiológico, assim como, a identificação de crianças com perdas auditivas adquiridas. Outra ação relevante diz respeito à orientação da família, quanto à existência e a necessidade de continuidade do tratamento, o que auxiliará a garantir a adesão da família a todas etapas do processo.
Neste contexto, houve também a preocupação de criar ferramentas para que esta formação especializada chegasse aos profissionais que atuam em áreas distantes, considerando todas as regiões do país.
Assim, foram desenvolvidas ao longo dos anos diferentes ferramentas para viabilizar uma assimilação eficaz de conhecimento na área, dando suporte à atuação qualificada. A base teórica inicial encontra-se na tradução autorizada do material da Organização Mundial de Saúde, Primary Ear and Hearing Care Training Resource, com posteriores adaptações, atualizações e validações em grupos de pesquisa de diferentes estados: Paraná, São Paulo e Rio Grande do Norte.
Após a capacitação presencial de agentes comunitários de Saúde (ACS), foi inserida a videoconferência como uma ferramenta que poderia ampliar o alcance em localidades em que não há audiologistas para a realização da formação presencial. Posteriormente, com o avanço tecnológico e em parceria com a Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, estruturou-se um curso para apresentação via Cybertutor, disponibilizado no site do Programa Telessaúde Brasil – Núcleo São Paulo.
Ampliando o público alvo para outros profissionais da APS, na sequência foi desenvolvido e validado um Cybertutor voltado aos Enfermeiros de maternidades com Programa de TAN ou com atuação na APS. Apesar do acesso à internet crescente, a fim de propiciar alcance às UBS sem acesso à rede, o curso foi adaptado para o formato de CD-ROM, com eficácia também verificada e comprovada.
Mais recentemente expandiu-se a inserção da temática como um curso autoinstrucional estruturado e disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem do SUS [AVASUS] do Ministério da Saúde. Tal proposta refletiu em ampliação de alcance nas diferentes localidades do país e por profissionais de diversas especialidades.
Diante da evolução dos trabalhos, tem-se uma ampla gama de ferramentas validadas e com perspectiva de uso a depender da infraestrutura disponível na UBS dos diferentes municípios, estados e regiões do país. Assim, tem-se a apresentação de um conjunto de ferramentas para a educação permanente de ACS e demais profissionais da APS para atuarem com eficácia na área de saúde auditiva infantil.
As ferramentas apresentadas servirão de base para que os fonoaudiólogos com atuação na área de saúde auditiva ou direcionada para a APS possam inserir a educação permanente dos profissionais da APS em sua prática como uma primeira etapa para a estruturação de um programa de saúde auditiva. A utilização de ferramentas já validadas e com diferentes características fornecerá aos profissionais o passo inicial para o desenvolvimento de ações em prol do fortalecimento da APS na área de saúde auditiva, com perspectiva de refletir na prevenção de perdas auditivas, maximização da identificação precoce viabilizando o encaminhamento e intervenção imediata e também com possibilidade de minimizar a evasão das diferentes etapas do Programa de Saúde Auditiva.

1. ALVARENGA, Kátia de Freitas. Capacitação dos agentes comunitários de saúde do Programa de Saúde da Família: Uma proposta de educação à distância na área de saúde auditiva. Bauru (SP): Universidade de São Paulo, 2010. Final report: Process CNPq n. 485508/2007–9.

2. ALVARENGA, Kátia Freitas; BEVILACQUA, Maria Cecilia; MARTINEZ, Maria Angelina N. S.; MELO, Tatiana Mendes; BLASCA, Wanderléia Q.; TAGA, Marcel Frederico de Lima. Proposta para capacitação de agentes comunitários de saúde em saúde auditiva. Pró-fono Revista de Atualização Científica, v. 20, n. 3, p. 171-176, set. 2008. http://dx.doi.org/10.1590/ s0104-56872008000300006.

3. ARAÚJO, Eliene Silva; ALVARENGA, Kátia de Freitas; URNAU, Daniele; PAGNOSSIN, Débora Frizzo; WEN, Chao Lung. Community health worker training for infant hearing health: effectiveness of distance learning. International Journal of Audiology, [s.l.], v. 52, n. 9, p. 636-641, 28 maio 2013. http://dx.doi.org/10.3109/14992027.2013.791029.

4. THE WORLD BANK. A fair adjustment : efficiency and equity of public spending in Brazil : Volume I. Disponível em: . Acesso em: 15/7/2020.
5. MELO, Tatiana Mendes de; ALVARENGA, Kátia de Freitas; BLASCA, Wanderléia Quinhoneiro; TAGA, Marcel Frederico de Lima. Capacitação de agentes comunitários de saúde em saúde auditiva: efetividade da videoconferência. Pró-fono Revista de Atualização Científica, v. 22, n. 2, p. 139-144, jun. 2010. http://dx.doi.org/10.1590/s0104-56872010000200012

6. OLIVEIRA, Maria Taiany Duarte. Análise da implementação de um programa de saúde auditiva infantil na atenção primária. [dissertação]. Programa Associado de Pós-graduação em Fonoaudiologia UFRN/UFPB, 2020.
7. Organização Mundial de Saúde (OMS). Primary ear and hearing care training resource: basic, intermediate and advanced levels. 1998. (Acessado em: 17 jun.2020). Disponível em: http://www.who.int/pbd/deafness/activities/hearing_care/en/index.html.

8. PASCHOAL, Monique Ramos; CAVALCANTI, Hannalice Gottschalck; FERREIRA, Maria Ângela Fernandes. Análise espacial e temporal da cobertura da triagem auditiva neonatal no Brasil (2008-2015). Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, p. 3615-3624, 2017.

9. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Ear and hearing care: planning and monitoring of national strategies. World Health Organization, 2019.

10. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Primary Ear and Hearing Care Training Resource. Disponível em https://www.who.int/pbd/deafness/activities/hearing_care/en/, acesso julho de 2020.


HIGHLIGHTS
2193
TERMOGRAFIA E VOZ: AVALIAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO TÉRMICA NA REGIÃO DA MUSCULATURA SUPRA E INFRAHIOIDEA DURANTE A FONAÇÃO
Voz (VOZ)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA: A termografia é uma avaliação que permite a visualização das mudanças de temperatura corporal por meio de imagens das ondas infravermelhas emitidas pelo corpo humano como parte da termorregulação (1). É possível identificar regiões mais quentes e mais frias denominadas de hiperradiantes e hiporradiantes, a temperatura absoluta e a diferença de temperatura (ΔT) ou parâmetro de assimetria em relação ao lado contralateral, medidos em graus Celsius (ºC) (2). O ser humano é capaz de manter a temperatura corporal entre 27,1ºC e 34,5ºC (3) e indivíduos saudáveis exibem um alto grau de simetria térmica entre os lados do corpo (3) e da face (∆T=0.11°C) (4). Quando a termografia foi utilizada para avaliação da musculatura de cabeça e pescoço foi identificada produção de calor relacionada com a contração muscular em condições fisiológicas normais (5) redução da temperatura em pontos de tensão específicos (6) e assimetria térmica após atividade que modifica a postura de cabeça (7). A avaliação térmica da região da musculatura cervical anterior e sua relação com a função de fonação ainda não foi explorada.
DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA: A avaliação da musculatura supra e infrahioidea tem sido abordada na área de voz em indivíduos saudáveis e disfônicos (8,9). Existe uma redução da atividade elétrica da musculatura extrínseca da laringe de disfônicos comparados com não disfônicos (9) e aumento da dor musculoesquelética (8). Entretanto, estas avaliações fornecem dados sobre a condição muscular em um determinado momento, não sendo possível a avaliação em tempo real durante atividades fonatórias extensas.
RESOLUÇÃO ENCONTRADA/APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR: A termografia é um instrumento de avaliação complementar que pode identificar alterações da distribuição térmica relacionadas com o desequilíbrio muscular e possui a vantagem de poder ser utilizada durante a fonação. É portátil, não invasiva, não radioativa, e de fácil utilização podendo contribuir para avaliação e acompanhamento terapêutico dos pacientes na área de voz.
Para a realização do exame é necessário uma câmera termográfica posicionada sobre um tripé, controle da temperatura do ambiente e umidade relativa do ar e controle das variáveis individuais que influenciam na distribuição térmica (3,4). Após o registro em imagem, denominado termograma de repouso, e em vídeo, denominado termograma de fonação, é possível a seleção das áreas de interesse em software específico para determinar a temperatura média e a diferença de temperatura. No termograma de fonação o avaliador pode escolher frames no início, meio e fim da atividade fonatória para análise e comparação dos achados.
MELHORA NA EFETIVIDADE DA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: Nossos grupos de pesquisa estão aprofundando os conhecimentos sobre a avaliação térmica para compreensão do comportamento muscular da região cervical anterior em repouso, emissão de vogal sustentada, fala encadeada e em diferentes atividades que envolvem o uso da voz para enriquecer a avaliação e acompanhamento terapêutico dos pacientes na área da voz. A facilidade na realização da avaliação e a possibilidade de aplicação durante atividades fonatórias é um fator que contribui para o futuro uso desta tecnologia como rotina na pesquisa e na clínica vocal. Investiga-se a possibilidade de utilização futura desta tecnologia como um feedback visual para o desenvolvimento e manutenção de ajustes musculares adequados durante atividades envolvendo o uso da voz, tanto na fala como no canto.

1. Shterenshis M. Challenges to Global Implementation of Infrared Thermography Technology: Current Perspective. Cent Asian J Glob Heal. 2017;6(1).
2. Ammer K. The Glamorgan protocol for recording and evaluation of thermal images of the human body. Thermol Int. 2008;18(4):125–44.
3. Uematsu S, Edwin DH, Jankel WR, Kozikowski J, Trattner M. Quantification of thermal asymmetry. Part 1: Normal values and reproducibility. J Neurosurg. 1988;69(4):552–5.
4. Haddad DS, Brioschi ML, Baladi MG, Arita ES. A new evaluation of heat distribution on facial skin surface by infrared thermography. Dentomaxillofacial Radiol. 2016;45(4):1–10.
5. Mongini F, Caselli C, Macri V, Tetti C. Thermographic Findings in Cranio-Facial Pain. Headache J Head Face Pain. 1990;30(8):497–504.
6. Girasol CE, Dibai-filho AV, Oliveira AK De, Roberto R, Guirro DJ. Correlation Between Skin Temperature Over Myofascial Trigger Points in the Upper Trapezius Muscle and Range of Motion, Electromyographic Activity, and Pain in Chronic Neck Pain Patients. J Manipulative Physiol Ther [Internet]. 2018;41(4):350–7. Available from: https://doi.org/10.1016/j.jmpt.2017.10.009
7. Clemente MP, Mendes J, Vardasca R, Moreira A, Branco CA, Ferreira AP, et al. Infrared thermography of the crânio-cervico-mandibular complex in wind and string instrumentalists. Int Arch Occup Environ Health [Internet]. 2020;93(5):645–58. Available from: https://doi.org/10.1007/s00420-020-01517-6
8. Silverio KCA, Siqueira LTD, Lauris JRP, Brasolotto AG. Muscleskeletal pain in dysphonic women. CoDAS. 2014;26(5):374–81.
9. Balata PMM, Silva HJ, Pernambuco LA, Amorim GO, Braga RSM, Fernandes Da Silva EG, et al. Electrical activity of extrinsic laryngeal muscles in subjects with and without dysphonia. J Voice. 2015;29(1):129.e9-129.e17.



HIGHLIGHTS
2201
TESTE 1
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Este trabalho tematiza a questão do objeto em Fonoaudiologia, discute a pretensa unidade do campo e aponta a inexorabilidade de sua divisão para a concretização de seu estatuto científico. Para fazê-lo assume a linguagem em seus processos patológicos sob a instância da clínica como seu objeto, mas indica a necessidade de se desnaturalizar a linguagem, redefinindo-a como instância simbólica de subjetivação. Isto a afasta definitivamente da Audiologia, aqui entendida como ramificação das ciências ditas biológicas, e do reducionismo a que tem sido submetida ao ser concebida apenas como prática. Por outro lado, instaura o fonoaudiólogo como clínico terapeuta, comprometido com a linguagem de seu paciente e sua cura. Reconhece, ainda, outra paternidade para a Fonoaudiologia, indicando a Lingüística e a Psicanálise - quando adotam as mesmas concepções de sujeito e de linguagem - como lugares de peculiar interesse na constituição do saber fonoaudiológico. Uma vez realocada a Fonoaudiologia terá, diante de sí, a tarefa de reconhecer a clínica como seu espaço privilegiado de problematização de questões, das quais a primeira será o enfrentamento da constituição de seu método clínico. Finalmente, alerta-se o fonoaudiólogo para a ameaça de nova dominação caso não se marque a distinção entre as formas de interpretação que identificam a clínica fonoaudiológica e a particularizam em relação à clínica psicanalítica.

Descritores: Fonoaudiologia;Ciência ; Patologia de Fala e Linguagem; Linguagem

Este trabalho tematiza a questão do objeto em Fonoaudiologia, discute a pretensa unidade do campo e aponta a inexorabilidade de sua divisão para a concretização de seu estatuto científico. Para fazê-lo assume a linguagem em seus processos patológicos sob a instância da clínica como seu objeto, mas indica a necessidade de se desnaturalizar a linguagem, redefinindo-a como instância simbólica de subjetivação. Isto a afasta definitivamente da Audiologia, aqui entendida como ramificação das ciências ditas biológicas, e do reducionismo a que tem sido submetida ao ser concebida apenas como prática. Por outro lado, instaura o fonoaudiólogo como clínico terapeuta, comprometido com a linguagem de seu paciente e sua cura. Reconhece, ainda, outra paternidade para a Fonoaudiologia, indicando a Lingüística e a Psicanálise - quando adotam as mesmas concepções de sujeito e de linguagem - como lugares de peculiar interesse na constituição do saber fonoaudiológico. Uma vez realocada a Fonoaudiologia terá, diante de sí, a tarefa de reconhecer a clínica como seu espaço privilegiado de problematização de questões, das quais a primeira será o enfrentamento da constituição de seu método clínico. Finalmente, alerta-se o fonoaudiólogo para a ameaça de nova dominação caso não se marque a distinção entre as formas de interpretação que identificam a clínica fonoaudiológica e a particularizam em relação à clínica psicanalítica.

Descritores: Fonoaudiologia;Ciência ; Patologia de Fala e Linguagem; Linguagem
Este trabalho tematiza a questão do objeto em Fonoaudiologia, discute a pretensa unidade do campo e aponta a inexorabilidade de sua divisão para a concretização de seu estatuto científico. Para fazê-lo assume a linguagem em seus processos patológicos sob a instância da clínica como seu objeto, mas indica a necessidade de se desnaturalizar a linguagem, redefinindo-a como instância simbólica de subjetivação. Isto a afasta definitivamente da Audiologia, aqui entendida como ramificação das ciências ditas biológicas, e do reducionismo a que tem sido submetida ao ser concebida apenas como prática. Por outro lado, instaura o fonoaudiólogo como clínico terapeuta, comprometido com a linguagem de seu paciente e sua cura. Reconhece, ainda, outra paternidade para a Fonoaudiologia, indicando a Lingüística e a Psicanálise - quando adotam as mesmas concepções de sujeito e de linguagem - como lugares de peculiar interesse na constituição do saber fonoaudiológico. Uma vez realocada a Fonoaudiologia terá, diante de sí, a tarefa de reconhecer a clínica como seu espaço privilegiado de problematização de questões, das quais a primeira será o enfrentamento da constituição de seu método clínico. Finalmente, alerta-se o fonoaudiólogo para a ameaça de nova dominação caso não se marque a distinção entre as formas de interpretação que identificam a clínica fonoaudiológica e a particularizam em relação à clínica psicanalítica.

Descritores: Fonoaudiologia;Ciência ; Patologia de Fala e Linguagem; Linguagem

teste teste


HIGHLIGHTS
817
TESTE SINTÁTICO PARA A LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL: PREENCHENDO UMA LACUNA
Linguagem (LGG)


Contextualizando e apontando a relevância do tema
É notável a escassez de instrumentos sistemáticos e formais na literatura brasileira indicados para avaliação e diagnóstico na área da linguagem, em especial para crianças em idade pré-escolar (1). Enquanto em países como os Estados Unidos, Espanha, França, Argentina ou Chile há um número significativo de testes e protocolos para avaliar a linguagem em diferentes faixas etárias, no Brasil, este número é ainda restrito, mesmo com os progressos na última década. Se o horizonte é limitado quanto à procedimentos de avaliação da linguagem de um modo geral, ele é praticamente inexistente quando a averiguação é sobre a morfossintaxe. Quando nos debruçamos sobre publicações (2-6) que tratam da verificação da morfologia e da sintaxe de crianças brasileiras, fundamentalmente elas utilizam o MLU - Mean Length Utterance (7) - medida de linguagem, cujo objetivo é obter dados sobre o desempenho dos aspectos morfológicos e sintáticos de crianças em fase de aquisição de linguagem. Os estudos morfossintáticos na área da psicolinguística infantil em língua portuguesa não tem sido tão explorados quanto o de outros componentes da linguagem, e isto tem deixado uma lacuna no contexto da avaliação de crianças pré-escolares.

Situação problema
Um dos grandes desafios para os profissionais que trabalham com diagnóstico em linguagem é contar com instrumentos que possam de fato aferir as habilidades auditivas, comunicativas, linguísticas e psicolinguísticas. Sem instrumentos confiáveis com parâmetro de comparação, o fonoaudiólogo tem comprometida sua capacidade de raciocínio e análise sobre as manifestações observadas em seus pacientes. A avaliação morfossintática de crianças com alterações de linguagem tem sido negligenciada justamente porque não é possível aferi-la de forma confiável na língua portuguesa falada no Brasil. Assim, investir nesta área é iminente, e é nessa direção que este trabalho buscou contribuir.

Proposta
A proposta foi adaptar, validar e normatizar TSA - Test de Sintaxis de Aguado (8). O TSA verifica o aspecto sintático da linguagem na vertente receptiva e expressiva, tendo por objetivo identificar alterações e fornecer informações para a intervenção, quando necessário. A faixa de aplicação vai dos 3 aos 7 anos. Os itens do teste permitem explorar a sequência na aquisição dos signos morfossintáticos, como o domínio da diferenciação de artigos (masculino, feminino, singular, plural), morfemas verbais, conjunções, e ainda, a compreensão e expressão de diferentes tipos de orações (afirmativa, negativa, voz passiva, dentre outras).

Resultados da proposta
O TSA foi traduzido e adaptado para o português, seguindo as diretrizes de Beaton et al. (9), utilizando as seguintes etapas: (a) tradução; (b) síntese das traduções; (c) retrotradução; (d) comitê de revisão; (e) pré-teste; (f) submissão da documentação ao autor do instrumento. A adaptação modificou alguns subitens no intuito de contemplar a língua portuguesa falada no Brasil.
Para tornar o instrumento passível de utilização por fonoaudiólogos brasileiros, foi verificado se ele de fato mede o que se propõe a aferir (validação). O TSA foi aplicado em 25 crianças com alteração no desenvolvimento da fala e da linguagem, sendo 10 delas com Transtorno dos Sons da Fala (TSF) e 15 com Atraso ou Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, e mais 25 crianças com desenvolvimento típico de linguagem, pareadas em relação à idade e nível socioeconômico. O resultado desta etapa indicou diferença significante de desempenho entre crianças típicas e àquelas com atraso ou transtorno de linguagem, mas não indicou diferença entre as típicas e as com TSF. Considerando que crianças com alterações dos sons da fala não apresentam alterações no desenvolvimento sintático, o teste parece se mostrar efetivo naquilo que se propõe a avaliar. Por fim, para a normatização, foram avaliadas 400 crianças em escolas de educação infantil e ensino fundamental entre 36 a 84 meses, conforme a faixa etária normatizada pelo TSA na língua espanhola. os resultados obtidos na pesquisa foram submetidos ao estudo estatístico, permitindo obter cálculo por percentis.

O produto e seu caráter inovador
O produto é o TSA – versão brasileira, após três anos de trabalho, poderá em breve ser utilizado pelos fonoaudiólogos brasileiros para verificar o desenvolvimento morfossintático de crianças entre 3,0 e 7,0 anos de forma rápida e segura (em torno de 40 minutos), comparando o desempenho de seus pacientes com o de crianças típicas. Não há no Brasil teste que verifica as habilidades morfossintáticas em ambas as modalidades, expressiva e receptiva, considerando diversas características da gramática da língua portuguesa, e é neste contexto que o TSA – versão brasileira tem seu caráter inovador.



1. Lindau T A, Rossi N F, Giacheti C M. Preschool Language Assessment Instrument, segunda edição, em crianças falantes do Português Brasileiro. CoDAS, 2014; 26(4): 328-30.

2. Fensterselfer A, Ramos A P. Extensão média de enunciados em crianças de 1 a 5 anos. Pró-Fono. 2003; 15 (3): 251-8.

3. Araújo K, Befi-Lopes D M. Extensão Média do Enunciado de crianças entre 2 e 4 anos de idade: diferenças no uso de palavras e morfemas. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2004; 9 (3): 156-63.

4. Santos M E, Lynce S, Carvalho S, Cacela M, Mineiro A. Extensão média do enunciado-palavras em crianças de 4 e 5 anos com desenvolvimento típico da linguagem. Rev. CEFAC. 2015; 17 (4): 1143-51.

5. Marques S F, Limongi S C O. A extensão média do enunciado (EME) como medida de desenvolvimento de linguagem de crianças com síndrome de Down. J. Soc. Bras. Fonoaudiol. 2011; 23 (2): 152-7.

6. Befi-Lopes DM, Nuñes CO, Cáceres AM. Correlação entre vocabulário expressivo e extensão média do enunciado em crianças com alteração específica de linguagem Rev. CEFAC. 2013; 15 (1): 51-7.

7. Brown R A. A First Language. Cambridge: Harvard University Press, 1973.

8. Aguado G. El Desarrollo de la Morfosintaxis en el Niño. Manual de evaluación del TSA. Madrid: CEPE, 1989.

9. Beaton DE, Bombardier C, Guillemin F, Ferraz M B. Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures. Spine. 2000; 25 (24): 3186-91.



HIGHLIGHTS
2183
UMA PLATAFORMA COMPUTACIONAL PARA A AVALIAÇÃO DA INTELIGIBILIDADE DA FALA COM RUÍDO COMPETITIVO
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A habilidade de compreensão de fala é fundamental para integração do indivíduo no seu cotidiano. Visando a efetividade da compreensão de fala, habilidades auditivas como atenção, análise, síntese e memória, associadas entre si, se fazem necessárias a fim de viabilizar o reconhecimento auditivo, ou seja, extrair sentido daquilo que se escuta [1] . A capacidade de compreen­der a fala na presença do ruído de fundo é um grande desafio para qualquer ouvinte, principalmente para os deficientes auditivos, sendo extremamente preocupante para usuários de dispositivos auditivos. Fetterman e Domico [2], verificaram em seus estudos, que o desempenho do entendimento da fala nos usuários de implante coclear quando estão em presença de ruído competitivo apresenta queda significativa, sendo a queixa principal queixa dessa população [3].

Desta forma, analisar a capacidade de reconhecimento de fala no ruído se torna cada vez mais importante no processo da avaliação e acompanhamento audiológico, devido a frequente queixa de dificuldade dos indivíduos para reconhecê-la. Assim sendo, nota-se a importância de testes de avaliação da percepção da fala com estímulos utilizando sentenças, porque, além de verificar a real habilidade auditiva do paciente, proporcionam uma aproximação direta com situações de comunicação do dia a dia. Estes testes fornecem informações que irão orientar a conduta mais adequada a ser indicada para o indivíduo com queixa de distúrbios de audição [4].
Apesar da relevância destes aspectos estudos apontam que no Brasil menos da metade dos centros de pesquisa e clínicas audiológicas utilizam ruído competidor ou fontes sonoras espacialmente distribuídas no diagnóstico e/ou reabilitação auditiva - devido à dificuldade de acesso à tecnologias de reprodução sonora espacialmente distribuída de maneira controlada e limitação de verba devido à necessidade de se importar software e eventualmente hardware [5].

Protocolos padronizados utilizados em países como Austrália, Inglaterra, Espanha, EUA, foram estudados de modo a avaliar as similaridades e principais diferenças, a fim de se direcionar o desenvolvimento de uma plataforma computacional livre e de fácil manuseio para realizar exames de inteligibilidade da fala com ruído competidor e fontes sonoras espacialmente distribuídas. Baseado na análise da literatura e de observações da prática clínica desenvolveu-se inicialmente um catálogo de melhorias e a descrição do comportamento desejado para um framework de software que possibilitasse a realização de ensaios da inteligibilidade da fala com ruído competitivo e fontes sonoras espacialmente distribuídas num ambiente clínico, com material de fala e e ruído gravado e de alta qualidade. Voltada a ser uma plataforma que não somente permite a avaliação do teste de reconhecimento da fala, mas sim permitir acompanhar o desenvolvimento das habilidades auditivas do paciente a plataforma foi chamada de perSONA. Desenvolveu-se inicialmente uma versão acadêmica usando a linguagem de programação MATLAB. Posteriormente a versão clínica foi desenvolvida na linguagem de programação C# e framework .NET, trazendo compatibilidade com as versões mais recentes do sistema operacional Windows/64-bit visando maior acessibilidade fora dos centros de pesquisa. O sistema desenvolvido, com os seus módulos implementados, é inovador pois permite a realização de protocolos de avaliação de percepção de fala com ruído competitivo em diferentes configurações de cenas acústicas, ou seja, com diferentes distribuições espaciais estáticas ou dinâmicas de fontes sonoras, objetivando a medição do limiar de reconhecimento de fala (LRF) no ruído tanto no âmbito da pesquisa como no dia-a-dia clínico. Os módulos implementados são: 1) Calibração / teste do sistema, 2) Configuração de ensaios, 3) Edição de base de dados de áudio (sinais de fala e/ou ruído competitivo), 4) Aplicação de ensaios, 5) Gerenciamento de pacientes , 6) Análise inter resultados e 7) Virtualização de fontes sonoras (VA), para produzir cenários acústicos estáticos ou dinâmicos com fontes sonoras distribuídas.
O módulo de calibração permite ao experimentador realizar a calibração e teste do sistema, em particular dos reprodutores sonoras, de forma bastante intuitiva, permitindo o uso de equipamentos à disposição do experimentador. Com a calibração realizada, o módulo gera um relatório de calibração com todas as informações relevantes. A configuração dos ensaios também é realizada de forma muito intuitiva, podendo o experimentador escolher diferentes sistema de reprodução sonora (fones de ouvido, sistema de 2 caixas em cabine, ou sistemas de n alto-falantes), diferentes materiais de fala, diferentes ruídos competitivos e diferentes posições para as fontes sonora de fala e ruído competitivo. Reconhecendo as vantagens de métodos adaptativos, implementou-se a reprodução de sinais com uma razão sinal-ruído (SNR) iterativa com regra de iteração customizável. O módulo de reprodução sonora utiliza técnicas de espacialização e reverberação permitindo a apresentação de cenas sonoras renderizadas em tempo real pelo método crosstalk-cancellation [6] e os reprodutores sonoros escolhidos. A plataforma permite obter o Limiar de reconhecimento da fala (LRF) com a aplicação de ensaios em normouvintes e usuários de ASSI e IC unilateral, bimodal ou bilateral em diferentes condições de reprodução sonora de cenas acústicas complexas. Permite também o uso da interface de pesquisa CCi-Mobile e com o uso de cabo de áudio de IC. A base de dados dos pacientes é completada cada vez que um ensaio for realizado, mas pode ser carregado também com dados de outros ensaios já realizados. Com isso, uma plataforma de gerenciamento clínico de pacientes que cruza informações pessoais, detalhes do tratamento auditivo e histórico de resultados de avaliações realizadas em distintos momentos foi integrada à execução da tarefa de percepção de fala proposta. O perSONA [7] é, portanto, uma plataforma flexível e promissora, voltada para melhorar e padronizar o atendimento de usuários de AASI e ICs ao longo do processo de avaliação e reabilitação.

1.Almeida, GVM , Ribas, A, Calleros, J. Free Field Word recognition test in the presence of noise in normal hearing adults. Brazilian Journal Of Otorhinolaryngology. 2017; 83 (6):.665-669.

2.Fetterman, BL, Domico, E H.Speech Recognition in Background Noise of Cochlear Implant Patients. Otolaryngology–head And Neck Surgery. 2002; 126 (3):.257-263.

3.Danieli, F; Bevilacqua, MC. Reconhecimento de fala em crianças usuárias de implante coclear utilizando dois diferentes processadores de fala. Acr - Audiology Communication Research. 2013;. 18 (1):.17-23.

4.Lessa, A H, Padilha, CB, Santos SN, Costa MJ. Reconhecimento de sentenças no silêncio e no ruído, em campo livre, em indivíduos portadores de perda auditiva de grau moderado. Arquivos Int. Otorrinolaringol. 2012 ; 16( 1 ): 16-25.

5. Faria, LRD. TESTES DE PERCEPÇÃO DE FALA NOS CENTROS DE IMPLANTE
COCLEAR: CONHECENDO A REALIDADE NACIONAL. 2016. Mestrado em Saúde da
Comunicação Humana – Universidade Federal De Pernambuco - PE.

6. Masiero, B, Vorländer, M. A framework for the calculation of dynamic crosstalk
cancellation filters. IEEE/ACM transactions on audio, speech, and language processing,
2014; 22 (9): 1345–1354.

7. Murta, B.H.P. Plataforma para ensaios de percepção sonora com fontes distribuídas
aplicável a dispositivos auditivos: perSONA, 2019, Mestrado em Engenharia Mecânica - Universidade Federal de Santa Catarina



HIGHLIGHTS
2160
UNILATERAL HEARING LOSS QUESTIONNAIRE PARA A LÍNGUA PORTUGUESA BRASILEIRA.
Audição e Equilíbrio (AUDIO)



INTRODUÇÃO: A perda auditiva unilateral (PAUn) é caracterizada pela diminuição parcial ou total da audição em apenas uma orelha, podendo variar de grau leve a profundo, do tipo sensórioneural e/ou condutiva e pode ser adquirida antes do desenvolvimento da linguagem, ou após, e pode acarretar várias dificuldades no que diz respeito à aquisição de linguagem, fala, percepção auditiva, aspectos acadêmicos, sociais e emocionais. Existem muitas queixas acerca das pessoas com PAUn, dentre elas a dificuldade na localização sonora e queixas recorrentes na dificuldade em compreender a fala em ambientes ruidosos. Essa última situação acontece principalmente em salas de aula onde muitas vezes são acusticamente desfavorecidas, os prejuízos acadêmicos são apontados com maior frequência, as crianças são rotuladas como hiperativas ou com falta de atenção. Um dos recursos para minimizar os prejuízos enfrentados pelos portadores de PAUn é a indicação de dispositivos eletrônicos como o aparelho de amplificação sonora individual (AASI), sistema de frequência modulada (FM) e o implante coclear (IC). No entanto, não há protocolos ou questionários no Brasil que avaliem o benefício e/ou satisfação do uso de auxiliares da audição nas crianças/adolescentes com PAUn nas salas de aula ou no seu dia a dia.
OBJETIVO: Realizar a tradução e adaptação transcultural do Unilateral Hearing Loss Questionnaire para a língua portuguesa brasileira.
MÉTODO: Esse projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa nº do protocolo 003024/2019. A Tradução e adaptação transcultural do Unilateral Hearing Loss Questionnaire para a língua portuguesa brasileira foi autorizado pela autora (Sarah McKay, 2002). A tradução e adaptação transcultural do instrumento seguiu duas etapas: tradução e retrotradução, segundo modelo de Beaton et al. (2000). Em um primeiro momento dois tradutores brasileiros, um que atua na área e outro que não, traduziram o instrumento do inglês para a língua portuguesa brasileira, em seguida comparadas as duas versões gerou-se uma versão única. Essa nova versão foi enviada para um nativo da língua inglesa para que fosse feito a retrotradução do questionário. Novamente realizou-se uma avaliação técnica que resolveu as discrepâncias e assegurou a equivalência de semântica, expressões idiomáticas e conceituais do mesmo.
RESULTADOS: O questionário envolve a participação tanto das crianças/adolescentes quanto da mãe/responsável, ele apresenta 15 perguntas divididas em três blocos (percepção sensorial do som, aceitação do dispositivo e satisfação de uma forma geral). Mãe/responsável e crianças/adolescentes respondem sobre as vantagens e desvantagens do uso dos aparelhos de amplificação sonora. Das 15 perguntas do questionário, apenas duas sofreram adaptação para a língua portuguesa brasileira, bem como apenas duas alternativas das perguntas sofreram a adaptação transcultural após a tradução e retrotradução.
CONCLUSÃO: Seguindo as recomendações do Guidelines de perdas auditivas unilaterais, obter um instrumento que possa avaliar vantagens e desvantagens de aparelhos de amplificação sonora tanto nas salas de aula como no dia a dia das crianças/adolescentes com PAUn, poderá contribuir com pesquisas na área e seguir melhores direcionamentos nos casos. A família tem um papel importante na avaliação comportamental da criança frente ao uso dos dispositivos. E a relevância entre concordância das respostas entre pais e crianças é de sua importância tanto para o aprendizado dos pais frente as atenciosas observações do comportamento das crianças quanto as crianças frente sua auto avaliação.

.American Academy of Audiology Pediatric Amplification (2013) Updated clinical practice guidelines for unilateral hearing loss.
Beaton DE, Bombardier C, Guillemin F, Ferraz MB. Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures. Spine. 2000; 25(24): 3186-91.
Boéchat EM. Perdas auditivas unilaterais. In: Lopes Filho O, editor. Novo tratado de fonoaudiologia. 3ªed. São Paulo: Manole; 2013; p. 437-43.
Fitzpatrick EM, Al-Essa RS, Whittingham J, Fitzpatrick J. Characteristics of children with unilateral hearing loss. International Journal of Audiology. 2017; 56(11):819–28.
McKay S. To aid or not to aid: children with unilateral hearing loss. 2002. [online]. [citado em 16 de maio de 2019]. Disponível em: https://www.audiologyonline.comhttp://galster.net/wp-content/uploads/2013/07/AAA-2013- Pediatric-Amp-Guidelines.pdf
McKay S. Managing children with mild and unilateral hearing loss. Madell JR, Flexer C. In Pediatric audiology. New York: Thieme. 2008; 291


HIGHLIGHTS
584
UPDATE EM ZUMBIDO: PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


O zumbido se configura como a percepção de um som, na ausência de uma fonte sonora externa e tem presença na literatura desde os tempos da Antiguidade, quando há registro das possíveis explicações e opções de tratamento. Nos últimos anos, tem apresentado aumento significativo de sua prevalência, estimando-se que mais de 15% da população adulta tem alguma experiência com o mesmo e que essa incidência, ultrapassa os 30% dentre as pessoas idosas. No contexto da população infantil e adolescente, há dificuldade em se estabelecer uma prevalência, dada a subjetividade da queixa e variação das amostras e metodologias utilizadas nos estudos. Além disso, a literatura e experiência clínica mostram a relação direta com alterações de atenção, concentração e sono, podendo acarretar condições como síndrome do pânico, transtorno de ansiedade e dependência de substâncias1,2,3. Dada a alta prevalência, acometimento em todas as fases da vida e impacto negativo na qualidade de vida, o zumbido é questão relevante de Saúde Pública e no entanto, ainda há a cultura disseminada de que não há nada que possa ser feito em relação a este agravo de saúde4. A abordagem do zumbido tem um histórico médico-centrado e baseada em tratamentos medicamentosos, mas estudos no mundo inteiro, têm mostrado que algumas das técnicas utilizadas não apresentam eficácia ou sua efetividade pode ser aplicada apenas em contextos específicos. Formas de estimulação como estimulação transcraniana, neuromodulação e estimulação invasiva, por exemplo, não têm apresentado resultados benéficos com pacientes com zumbido, e se mostram como técnicas de possível risco. O ajuste de aparelho auditivo e implante coclear podem ter potencialidades, mas as pesquisas não apresentam evidências como sendo fator para a indicação dos dispositivos. Terapia sonora e Terapia de Habituação do Zumbido (Tinnitus Retraining Therapy) apresentam resultados positivos, mas normalmente em contextos específicos. Estudos mostram alta efetividade e segurança das Terapias Cognitivo-Comportamentais sob a premissa de que técnicas que considerem alterações no processamento de informações, reações emocionais e mecanismos de comportamento apresentam eficácia no tratamento de condições que levam ao sofrimento humano, como pode ser o caso do zumbido. Técnicas como acupuntura, por exemplo, ainda não apresentam evidências robustas em relação à aplicação com zumbido4. A tendência mundial em relação ao tratamento do zumbido é a participação ativa do paciente e o cuidado multiprofissional1,2,5. Isso acontece porque a etiologia multifatorial do zumbido implica a singularidade de abordagem para cada pessoa, o que demanda um histórico detalhado, paciência e empatia para propor tratamentos direcionados para a rotina de cada indivíduo. O fonoaudiólogo apresenta papel central nesse contexto, para mensuração do zumbido, seja com a realização da acufenometria, ou aplicação de escalas e questionários; aconselhamento, orientando quanto aos hábitos e mudanças com possível impacto no zumbido; e acompanhamento do paciente junto à equipe multiprofissional. Para isso, é necessário conhecer as atualizações em relação às possibilidades terapêuticas, uma vez que não temos diretrizes nacionais específicas para zumbido. A necessidade da revisão das práticas adotadas se dá pela potência da Fonoaudiologia baseada em evidências e pelo compromisso de ofertar as melhores possibilidades de cuidado para o paciente.

1. Hoare DJ, Hall DA. Clinical guidelines and practice: a commentary on the complexity of tinnitus management. Eval Health Prof. 2011;34(4):413–20.
2. Watts EJ, Fackrell K, Smith S, Sheldrake J, Haider H, Hoare DJ. Why Is Tinnitus a Problem? A Qualitative Analysis of Problems Reported by Tinnitus Patients. Trends Hear. 2018, 22.
3. Sanchez TG. "Epidemia" de zumbido no século XXI: preparando nossos filhos e netos. Braz. j. otorhinolaryngol., 2014, 80(1):3-4.
4. Chamouton CS, Nakamura HY. Zumbido e atenção básica: uma revisão de literatura. Distúrb Comun, São Paulo, 2017, 29(4):720-26.
5. Cima RFF, Mazurek B, Haider H. et al. A multidisciplinary European guideline for tinnitus: diagnostics, assessment, and treatment. HNO, 2019, 67(Suppl 1):10.


HIGHLIGHTS
2180
USO DE SENSORES DE VIBRAÇÃO NA AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE PRODUÇÃO VOCAL
Voz (VOZ)


A comunicação oral é de extrema importância para realização de atividades cotidianas, especialmente para as atividades profissionais [1]. No Brasil, entre os anos de 2002 a 2015, ocorreu um aumento de 34,5% no número de pessoas que utilizam a voz como instrumento de trabalho [2]. Em decorrência deste aumento expressivo da quantidade de pessoas que utilizam a voz nas suas atividades laborais, é esperado o aumento de problemas relacionados à saúde vocal. Dentre os problemas que afetam a produção vocal, é possível destacar a disfonia (dificuldade na emissão da voz) e afonia (perda parcial ou total da voz) e suas prováveis causas são o abuso vocal, o uso de drogas e as patologias na laringe [3]. Profissionais da saúde utilizam meios para avaliar e classificar o estado da alteração vocal, com o uso de métodos como a autoavaliação, análise visual da laringe, avaliação aerodinâmica, análise perceptivo auditiva da voz e análise acústica do sinal de voz [4]. Levando em conta que as causas da alteração vocal podem estar relacionadas com o abuso vocal, são realizados procedimentos como o autorrelato, que é um método subjetivo de baixa confiabilidade, pelo fato de que, pode ocorrer por parte do paciente a omissão ou esquecimento de determinados hábitos relacionados ao uso da voz. Assim sendo, é apresentado o monitoramento móvel das atividades de voz, uma ferramenta para detecção dos problemas gerados pelo abuso vocal, que permite o monitoramento contínuo das atividades de voz do paciente durante suas atividades diárias, identificando, quando ocorre o uso inadequado da voz [5]. Existem inúmeros estudos para desenvolvimento de dispositivos que permitam a avaliação contínua das atividades vocais do paciente, tornando possível o profissional (fonoaudiólogo) identificar as causas dos distúrbios vocais, e as decisões a serem tomadas no tratamento do paciente. As tecnologias existentes (APM, VoxLog, VocaLog e VocaLog2) permitem o biofeedback e monitoramento contínuo das atividades de voz do paciente, mas o custo delas é a principal barreira (R$ 1619,00 e R$ 20.554,00 - preço de cotação do dólar no dia 18/09/2019), dificultando no uso clínico [6]. A vibração da pele do pescoço (VPP) apresenta vantagens em relação aos outros métodos como análise acústica e eletroglotografia, que são: os sensores utilizados (acelerômetro, piezorresistivo e piezoelétrico), possuem menor custo, são imunes a ruídos acústicos, o posicionamento do sensor não necessita de especialista para colocação, o sinal não sofre influência dos filtros orofaciais, o sinal representa a vibração gerada pela parte sonora da voz [7]. Em comparação aos trabalhos existentes, o uso de sensores de vibração para o desenvolvimento de protótipos, como o piezoelétrico e o acelerômetro (MPU-6050), possibilitam uma expressiva redução no custo do produto final. Diante disso, a pesquisa em questão, propõe a utilização dos sensores de vibração mencionados, com a finalidade de desenvolver tecnologias que possibilitem a aquisição dos sinais de vibração da pele do pescoço, durante o processo de fonação. Então, fornecendo a análise de parâmetros que possam auxiliar na determinação do estado de saúde da laringe do indivíduo. Assim, buscando oferecer uma nova alternativa de custo acessível, que auxilie os profissionais da área na tomada de decisão.

[1]. Associação brasileira de otorrinolaringologia e cirurgia cérvico-facial (ABORL-CCF). Consenso Nacional de Voz Profissional. 2004 [Acesso em: 2 maio 2019]. Disponível em: http://www.aborlccf.org.br/secao.asp?id=278&s=51
[2]. Ministério da Saúde. Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho – DVRT. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. 2018 [acesso em: 01 de maio 2019]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/disturbio_voz_relacionado_trabalho_dvrt.pdf
[3]. Descritores em Ciências da Saúde: DeCS [Internet]. ed. 2017. São Paulo (SP): BIREME / OPAS / OMS. 2017 [atualizado 2020 Abr; citado 2020 Abr 20]. Disponível em: http://decs.bvsalud.org
[4]. Casper, Janina K., Rebecca Leonard. Understanding voice problems: A physiological perspective for diagnosis and treatment. Lippincott Williams & Wilkins, 2011.
[5]. Hillman, Robert E., Daryush D. Mehta. Ambulatory monitoring of daily voice use. Perspectives on Voice and Voice Disorders 21.2 (2011): 56-61.
[6]. Van Stan, Jarrad H., Gustafsson J., Schalling E., Hillman R. E. Direct comparison of three commercially available devices for voice ambulatory monitoring and biofeedback. Perspectives on Voice and Voice Disorders 24.2 (2014): 80-86.
[7]. Alzamendi G. A. Modelado Estocástico de la Fonación y Señales Biomédicas Relacionadas: Métodos en Espacio de Estados Aplicados al Análisis Estructural, al Modelado de la Fonación y al Filtrado Inverso. 2016. 214 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica). Universidad Nacional Del Litoral, Santa Fé, Argentina, 2016.


HIGHLIGHTS
2176
USO DO ACELEROMETRO NO MONITORAMENTO DO SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO: TECNOLOGIA VESTÍVEL EM MOTRICIDADE OROFACIAL
Motricidade Orofacial (MO)


CONTEXTUALIZAÇÃO E RELEVÂNCIA DO TEMA: O monitoramento em tempo real de vários sinais fisiológicos impulsionou a pesquisa e o desenvolvimento de diversos sistemas vestíveis e implantáveis. A busca pelos cuidados de saúde estão mais exigentes, desta forma a Connected Health (CH) descreve um novo modelo de tecnologia e gerenciamento de saúde e estilo de vida (1). Os wearables também podem alimentar um sistema mais amplo de "diagnóstico preventivo preditivo". Por exemplo, uma microanálise dos dados de movimento do corpo pode ser usada para detectar sintomas precoces da doença de Parkinson (2). A alternativa da tecnologia vestível pode oferecer aos pacientes o acesso direto a análises pessoais, que podem contribuir para sua saúde, facilitar os cuidados preventivos e ajudar no gerenciamento de doenças em andamento (3). Esse tipo de tecnologia é portátil, e utilizada como um adereço pessoal do usuário, que controla, e possui constância de operação e interação, como exemplos, os relógios inteligentes (smartwatch), as joias inteligentes, as pulseiras inteligentes, entre outros. Os dispositivos móveis criam formatos modulares que facilitam a comunicação entre profissional e paciente, pois conseguem ser ágeis na coleta e na transmissão de dados (4). DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA: A avaliação instrumental da musculatura na Motricidade Orofacial normalmente é realizada através da eletromiografia. Com esse recurso é possível avaliar a atividade elétrica da musculatura. Porém outros recursos também são úteis para avaliação do comportamento dos músculos nas diferentes funções estomatognáticas. A avaliação instrumental do tônus, a avaliação da espessura da musculatura por ultrassonografia e a avaliação indireta por meio da termografia que avalia a temperatura superficial da pele nas regiões desses músculos são métodos quantitativos que fornecem informações importantes. No entanto o alto custo dos equipamentos impedem seu uso rotineiro pelos clínicos e em especial não permitem a avaliação fora do consultório ou laboratório de pesquisa com medições limitadas em um horário e local específicos, sendo inconveniente e gerando informações restrita ao tempo do exame (5), o que torna oneroso este tipo de avaliação. RESOLUÇÃO ENCONTRADA/APRESENTAÇÃO DO CARÁTER INOVADOR: Assim pesquisadores tem buscado alternativas de avaliação com menor custo e que permitam também avaliação em tempo e situações reais por meio de tecnologias vestíveis. O acelerômetro surge como alternativa de baixo custo e de característica de tecnologia vestível que pode acompanhar o paciente no seu ambiente de rotina diária. O acelerômetro é um sensor utilizado para medir aceleração em três planos de movimento; o eixo X (eixo medio-lateral), eixo Y (eixo vertical) e eixo Z (eixo ântero-posterior), comumente usado para avaliação de atividade física, no qual é necessário determinar os pontos de corte específicos para cada função para determinar com precisão o acúmulo de atividade física de várias intensidades(6). A utilização do instrumento é simples que entra em contato com a pele do avaliado e fornece informações de vibração superficial da pele em diferentes situações do uso da musculatura do sistema estomatognático em diferentes funções e em diversas tarefas. Investiga-se por exemplo a possibilidade, com o uso dessa tecnologia vestível, acompanhar as diferenças de vibração da pele nos diferentes eixos do músculo masseter e em diferentes tarefas relacionadas a mastigação: repouso, abertura e fechamento da boca, golpe mastigatório e apertamento dentário (MIC). MELHORA NA EFETIVIDADE DA ABORDAGEM FONOAUDIOLÓGICA: Nossos grupos de pesquisa pretendem que essas informações obtidas com o uso do acelerômetro para investigação do comportamento muscular em diferentes situações das funções estomatognáticas seja uma realidade e facilitem o entendimento da patofisiologia dessas estruturas. Ainda o baixo custo encontrado até agora com a proposta, possibilitará um acesso maior a esse tipo de tecnologia vestível na clínica e na pesquisa em Motricidade Orofacial.

1. Caulfield BM, Donnelly SC. What is connected health and why will it change your practice? Qjm. 2013;106(8):703–7.
2. Arora S, Venkataraman V, Donohue S, Biglan KM, Dorsey ER LM. High accuracy discrimination of Parkinson’s disease participants from healthy controls using smartphones. In: EEE International Conference on Acoustics, Speech and Signal Processing (ICASSP). 2014. p. 3641–3644.
3. Piwek L, Ellis DA, Andrews S, Joinson A. The Rise of Consumer Health Wearables: Promises and Barriers. PLoS Med. 2016;13(2):1–9.
4. S. M. Wearable computing [Internet]. In: The Interacion Design Foudation. In: The encyclopeia of human-computer interaction [Internet]. 2014. Available from: https://www.interaction-design.org/encyclopedia/wearable_computing.html
5. Shieh WY, Wang CM, Chang CS. Development of a portable non-invasive swallowing and respiration assessment device. Sensors (Switzerland). 2015;15(6):12428–53.
6. J L Chandler, K Brazendale, M W Beets BAM. Classification of Physical Activity Intensities Using a Wrist-Worn Accelerometer in 8-12-year-old Children. Pediatr Obes. 2016;11(2):120–7.


HIGHLIGHTS
2195
VOCÊ VAI MASTIGAR O QUÊ? MASTIGAÇÃO E ALIMENTAÇÃO NORDESTINA
Motricidade Orofacial (MO)


Trata-se de uma produção técnica com o desenvolvimento de um material educativo, em forma de livro, sobre mastigação e alimentação nordestina, para facilitar o entendimento de crianças, pais, cuidadores, como para os profissionais fonoaudiólogos, nutricionistas e educadores em seus ambientes de trabalho. Tem o propósito de informar, orientar, educar e incentivar a prática da mastigação e hábitos alimentares infantis eficientes e saudáveis, de forma lúdica, criativa e interativa.
Buscou-se o resgate da cultura nordestina, usando, também, a literatura de cordel como significado de gênero literário, sendo um tipo de poema popular bastante presente na cultura regional, conhecida por “folheto de feira”. Tem como característica uma estrutura particular de versos com forma rimada, cadência melódica e com uma métrica especializada. Com expressões e citações populares, é uma obra literária divertida para as crianças, abordando uma temática tão relevante e presente no desenvolvimento infantil.
Essa metodologia de produção técnica favorece o desenvolvimento de conteúdo e informação, como um novo produto a ser veiculado na sociedade. A criação de livros infantis interativos é uma estratégia eficaz para o ensino com ludicidade. A abordagem por meio de linguagem clara, imagens coloridas e conteúdo significativo, permite aos leitores o entendimento de fácil assimilação da importância da mastigação e alimentação saudável e a valorização dos alimentos da cultura nordestina pelas crianças.
Toda a narrativa do livro educativo é contada por um personagem narrador, de nome Danilo, com 10 anos de idade, cabelos enrolados e bastante sorridente, narrando sua história sobre o desenvolvimento alimentar, desde os primeiros meses de vida. Relata a amamentação exclusiva, com o amadurecimento da função de sucção e aspectos nutricionais, passando pela transição alimentar pastosa, com o desenvolvimento do amassamento e iniciando as diferentes texturas e consistências. Seguiu-se com a alimentação semi sólida, com o esboço da mastigação e, por fim, a alimentação sólida com a função mastigatória eficiente.
Tem uma abordagem participativa em que o narrador interage com o leitor através de jogos e atividades lúdicas. Outros personagens da família do Danilo integram-se na narrativa com exemplos e vivências de hábitos alimentares de suas próprias histórias, passadas por gerações. O consumo desses alimentos regionais consiste em um resgate cultural.
No Nordeste, as refeições são ricas em nutrientes, como fibras, minerais, vitaminas e carboidratos. A disponibilidade, o baixo custo, o fácil acesso e o valor nutricional, fazem parte do cotidiano dos indivíduos que optam pelo consumo de produtos da região. Além de valorizar a cultura, é uma forma eficaz de promover hábitos mais saudáveis na alimentação.
Os pratos típicos e a alimentação regional têm como características a diversidade de sabores, cores e texturas. Dentre esses alimentos encontrados facilmente, é possível observar as variadas opções de frutas, hortaliças, legumes, tubérculos, raízes, cereais, tipos de farinha, e até mesmo de temperos e condimentos que podem ser utilizados na preparação de pratos de consumo diário, como o famoso cuscuz.
A versão atualizada do Guia Alimentar Infantil, lançada pelo Ministério da Saúde, destaca a abordagem que dá centralidade à alimentação como comida de verdade, traz o conceito de comensalidade e a nova classificação de alimentos, segundo seu grau de processamento e não a partir da composição de nutrientes neles contidos. Assume um recorte político-estratégico frente a produtos que integram os maiores fatores de risco à saúde e, também, à indústria de alimentos, que opera no incentivo ao consumo de produtos processados e ultraprocessados.
A proposta em questão, dessa forma, tem o mérito de explicitar uma recomendação comprometida com o interesse público, visto que também aborda os riscos do consumo dos produtos ultraprocessados à saúde.
Além disso, com o intuito de promover a saúde de forma mais eficaz nos diversos campos, tem-se desenvolvido cada vez mais tecnologias educativas para o auxílio da disseminação de conteúdos de extrema importância para a saúde da população. As tecnologias, sejam por meio de aplicativos, cartilhas, livretos, dentre outros, podem ser inseridas no cotidiano da população, como práticas educativas em saúde, viabilizando fácil acesso às informações e melhor compreensão da mensagem que se quer transmitir.
Com caráter inovador o livro educativo apresentado é voltado ao público infantil, onde, por conseguinte, valoriza uma etapa importante do desenvolvimento da criança, envolvendo a mastigação, hábitos alimentares saudáveis, aspectos culturais do Nordeste nas comidas regionais e a literatura de cordel, bem como o caráter interativo com o leitor, sendo estes aspectos marcantes da produção. Inovador, também, por ter sido feito de forma interprofissional, desde a concepção da ideia, à produção final do livro, envolvendo os cursos de Fonoaudiologia, Nutrição e Publicidade. E para dar mais legitimidade ao livro, houve a parceria de um cordelista que, de modo especial, finaliza a narrativa expressa.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde,
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr. –
Brasília : Ministério da Saúde, 2014. 156 p. : il.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Alimentos regionais brasileiros / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à
Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015.

Academia Brasileira de Literatura de Cordel. História do cordel ;. Disponível em:
http://www.ablc.com.br/o- cordel / historia-do-cordel /.

Neves FP. Literatura De Cordel – Origens E Perspectivas Educacionais [Trabalho De
Conclusão De Curso]. Universidade Federal Do Ceará; 2018.





HIGHLIGHTS
963
“CLUBE DA LEITURA”: FERRAMENTA DE INOVAÇÃO NO INCENTIVO À LEITURA INFANTO-JUVENIL
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Há um consenso entre educadores, fonoaudiólogos e psicólogos sobre a relevância da aquisição e do desenvolvimento de linguagem escrita para que a criança se torne um adulto independente e ativo socialmente. A leitura de livros é uma das maneiras de se ter acesso ao mundo da linguagem escrita e é uma atividade incentivada por muitos pais, professores e fonoaudiólogos. No entanto, a característica solitária do ato de ler, que pressupõe que num primeiro momento, durante a leitura o diálogo ocorra apenas entre o leitor e o autor do texto, leva algumas crianças e até mesmo adultos, a desistirem antes de finalizar a leitura.
Além disso, as leituras finalizadas nem sempre são compartilhadas e quando ocorre o compartilhamento, em geral, diz respeito a tarefas a serem entregues ao professor, como cumprimento de dever acadêmico. Agregar à atividade de leitura possibilidades de compartilhamento do texto lido e troca de pensamentos e reflexões advindos dessa leitura, aumenta a chance de que se termine a leitura e que haja motivação para a realização de novas leituras, além de aumentar as chances de que o conteúdo seja relembrado de forma significativa em contextos diversos devido ao debate realizado com outros leitores.
Diante a atual situação de isolamento social, as instituições de ensino básico estão sendo obrigadas a readequar os processos de ensino-aprendizagem e a inovar as estratégias, com a utilização de ferramentas tecnológicas¹. Consequentemente, as tradicionais estratégias de incentivo à leitura do ensino presencial, como as rodas de leitura², também estão sofrendo adaptações. Além das instituições, os fonoaudiólogos educacionais e clínicos estão buscando maneiras de manter o cuidado à distância, de forma que as crianças continuem sendo estimuladas e não percam suas habilidades de linguagem oral e escrita.
As práticas pedagógicas e fonoaudiológicas mediadas por tecnologia já eram tendência antes da pandemia, e já estavam sendo impulsionadas pela ampliação do acesso aos dispositivos móveis, os avanços tecnológicos e a ampla rede de comunicação proporcionada pela internet. Dessa forma, já havia sido notado por Barbosa et al.³ que quanto maior o uso de ferramentas tecnológicas, maior era o envolvimento e engajamento das crianças nas atividades propostas.
Dessa forma, tendo em vista os desafios da educação e atendimento fonoaudiológico remotos, a importância de se manter a estimulação e contato com a linguagem escrita, e as virtudes da utilização de ferramentas tecnológicas no engajamento de crianças e adolescentes, o presente estudo objetivou desenvolver uma rede social virtual infanto-juvenil, nomeada “Clube da Leitura”.
O site foi desenvolvido em versão web, por meio das linguagens de programação Javascript, HTML e CSS, a fim de que os usuários tenham uma plataforma exclusiva para realizar interações com seus pares a respeito de livros lidos por eles.
O usuário poderá se cadastrar na plataforma e criar clubes da leitura, assim como, poderá ser convidado a participar de outros. Os clubes funcionarão como grupos privados, em que só poderão participar dos mesmos, aqueles que forem convidados pelo usuário que os criou.
O funcionamento dos clubes são regidos por um passo a passo estruturado pela própria plataforma, em que o criador pode inserir, no momento da criação, datas a serem cumpridas pelos membros para que as interações de fato aconteçam.
As etapas estruturadas pelo sistema são: apresentação; escolha de um participante; leitura do livro, escrita do resumo e compartilhamento do mesmo; leitura do resumo de outro participante; e envio do vídeo.
Primeiramente, todos os participantes devem publicar no clube uma frase de apresentação, como por exemplo: “Eu sou o João, tenho 9 anos e gosto de ler livros de aventura”.
Realizadas as apresentações, todos os participantes devem escolher um outro participante do clube, do qual deseja receber um resumo do livro lido. Por exemplo: Participante A foi escolhido por B, logo, A deve enviar um resumo do livro lido a B.
Após o envio do resumo, o participante que o recebeu, deve enviar um vídeo agradecendo e comentando sobre a história do colega. Seguindo com o mesmo exemplo: Participante B envia um vídeo ao participante A agradecendo o envio do resumo e comentando sobre o que achou da história.
Para o funcionamento das interações, o sistema não permite que um participante seja escolhido duas vezes nem que dois deles se escolham mutuamente.
Além disso, o criador do clube pode escolher participar ativamente da troca de resumos ou pode ser apenas um observador. Esta opção possibilita que usuários, como por exemplo fonoaudiólogos e professores, apenas criem, organizem e orientem um clube da leitura sem necessariamente participar de forma ativa dele.
Um dos principais propósitos do “Clube da Leitura” é fazer com que a leitura deixe de ser um ato solitário e passe a ser um ato compartilhado, independentemente da impossibilidade de relações sociais presenciais, imposta pela situação de pandemia. A ferramenta desenvolvida é uma solução para fonoaudiólogos e pedagogos que estão buscando maneiras de trabalhar a leitura e a escrita de forma remota, mantendo o interesse e a interação com a criança ou adolescente. Além disso, a rede social também pode ser favorecedora de comportamentos leitores e de compartilhamento de leituras em situação social típica, ou “antigo normal”.
Por meio da plataforma online, a criança/adolescente é incentivada a ler uma história, elaborar um relato sobre ela e a compartilhá-lo. Dessa forma, o paciente ou aluno acaba sendo motivado a realizar atividades de leitura e escrita, pois as mesmas estão sendo direcionadas para uma outra pessoa que possui um real interesse no livro que ele está lendo.
Portanto, muito além do incentivo à leitura, o “Clube da Leitura” propõe também o treino da escrita de resumos, a situação de letramento ao ter contato com o livro e com a plataforma, e o desenvolvimento de uma opinião crítica acerca do livro lido pelo outro.
Atualmente a plataforma está em estado de avaliação do conteúdo e design por profissionais da saúde, educação e tecnologia. A etapa seguinte será a aplicação da mesma com um grupo controle, antes que ela seja disponibilizada para o público.


1. Oliveira ASS, Neto ABA, Oliveira LMS. Processo ensino aprendizagem na educação infantil em tempos de pandemia e isolamento. Revista científica multidisciplinar das faculdades ISEIB. 2020; 1(6)
2. Nunes I, Pereira MP, Santos MSV, Rocha JMF. A importância do incentivo à leitura na visão dos professores da escola walt disney. Revista eletrônica da faculdade de alta floresta. 2012;1(2) Available form: http://refaf.com.br/index.php/refaf/article/view/53/pdf. Acesso em: 20 maio 2019.
3. Barbosa DNF et al. Experiências com o uso de tablets no contexto da educação escolar e não escolar. Revista Prâksis. 2015; 2:67-80. Available form:https://periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistapraksis/article/view/393.


2236
A EXPERIÊNCIA DE UM GRUPO DE IDOSOS VINCULADOS AO SERVIÇO AMBULATORIAL DE SAÚDE AUDITIVA DE UMA UNIVERSIDADE DO SUL DO PAÍS
Ações de promoção e proteção da saúde
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


O atendimento a idosos usuários de AASI demonstra a importância de um processo de acolhimento e aconselhamento que ultrapassa os princípios do acompanhamento em audiologia. Portanto, fundou-se o grupo de idosos no ano 2000, como parte do programa de reabilitação auditiva, que perdura até os dias atuais, sendo composto por idosos usuários de AASI entre 60 e 90 anos, tendo como objetivo principal, promoção à saúde. Atualmente o grupo é coordenado por uma fonoaudióloga e pela psicóloga do serviço. Além disso, conta com voluntariado de acadêmicos do curso de Fonoaudiologia, colaborando com funções organizacionais para desenvolvimento das atividades. Os encontros ocorrem mensalmente abordando temas sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Observa-se que a participação no grupo aproxima os usuários do SASA e profissionais, diminuindo as chances de abandono do uso do AASI. Ao final dos encontros realiza-se um café coletivo, para promover a interação entre os participantes do grupo, profissionais e acadêmicos. Esta relação têm como resultados a adesão ao uso do AASI, aceitação da deficiência auditiva e, consequentemente, melhora da qualidade de vida. Para os participantes, o grupo é um dos maiores apoios que recebem diante de sua dificuldade na audição e, frequentemente, única forma de inclusão social.


2240
HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR: RELATO DE AÇÕES EM MEIO À PANDEMIA DE COVID-19
Ações de promoção e proteção da saúde
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Em preocupação com o cenário instaurado pela pandemia, o HU UFJF-Ebserh estabeleceu medidas de proteção para o enfrentamento da emergência na saúde pública decorrente da COVID-19. Foram adotadas medidas preventivas na organização do hospital, dentre elas: capacitações dos profissionais, adaptações de estruturas físicas com a implementação do isolamento por COVID-19 e, para redução de fluxo nas enfermarias, restrição de visitas e acompanhantes aos pacientes.
Sensibilizadas com a situação, uma Nutricionista e uma Fonoaudióloga da instituição pensaram em amenizar a angústia gerada por tantas mudanças. Para os pacientes, escrever recados nas tampas dos marmitex, através de palavras de otimismo, esperança e fé. Gesto simples, capaz de tornar melhor o dia daqueles que se encontram adoecidos e isolados. Para os colegas remanejados para o setor COVID-19, enviaram lanches, lembrancinhas e mensagens positivas, em forma de agradecimento, fortalecimento e valorização do profissional na linha de frente.
Estas atividades seguem sendo desenvolvidas e a satisfação dos usuários tem rendido matérias no site do HU UFJF-Ebserh, nas redes sociais e na televisão.
Através destas ações acolhedoras, deseja-se contagiar outros trabalhadores, gestores e usuários do SUS com os princípios e as diretrizes da humanização e fortalecer as iniciativas de humanização já existentes na instituição.



2238
IDOSOS EM ISOLAMENTO SOCIAL: AÇÃO INTEGRADA ENTRE ALUNOS DA FONOAUDIOLOGIA E DA MEDICINA EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA
Ações de promoção e proteção da saúde
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Princípios adotados: É necessária a garantia do acolhimento e cuidado humanizados da população idosa nos serviços do SUS; propiciar que a escuta se traduza em resolutividade, o que leva ao acionamento de redes internas, externas e multidisciplinares. Método: Este estudo baseia-se na descrição de uma ação planejada e executada por discentes do curso de Fonoaudiologia e de Medicina de uma instituição de ensino superior do interior do estado de São Paulo, durante estágios curriculares em uma Unidade de Saúde da Família. Resultados: A ação “Revivendo Memórias” promoveu a integração entre os alunos dos cursos de Medicina e de Fonoaudiologia. Os alunos da Fonoaudiologia desenvolveram a atividade “Qual é a música?”, de modo a resgatar a lembrança de músicas antigas. Em seguida, os alunos de Medicina iniciaram uma “Roda de conversa”, com a apresentação de fotos antigas e brinquedos da infância, com a participação de doze idosos. Num segundo encontro, os alunos de Fonoaudiologia realizaram a ação “Show do Milhão” com os mesmos idosos, visando fortalecer o vínculo entre eles. Houve a participação de sete idosos. Foram criados blocos de perguntas, sendo o último composto por temas relacionados à audição. Cada ação teve duração média de uma hora e quinze minutos.


2237
OFICINA DIGITAL DE FORMAÇÃO PARA PROFESSORES DO ENSINO BÁSICO SOBRE SAÚDE VOCAL
Ações de prevenção de doenças
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


A Fonoaudiologia teve o seu surgimento na educação, sendo que inicialmente a atuação no âmbito escolar era exclusivamente voltada à identificação e tratamento de desvios linguísticos. Atualmente a Fonoaudiologia Educacional tem como um de seus principais objetivos a melhora da qualidade do ensino, podendo desenvolver programas de formação docente. Devido a pandemia do COVID-19, o Estágio Supervisionado em Fonoaudiologia Comunitária e Institucional, no primeiro semestre de 2020, reestruturou suas ações presenciais, passando a organizar suas atividades para o meio digital. Assim, ofereceu-se uma oficina online de formação para professores do ensino básico da rede pública de educação sobre saúde vocal, visando a promoção de saúde. Sabe-se que os professores são os profissionais da voz que mais apresentam distúrbios vocais devido ao trabalho, portanto é imprescindível o trabalho fonoaudiológico com essa classe. Nesta oficina foram trabalhados conteúdos referentes a anátomo-fisiologia vocal, Distúrbios de Voz Relacionados ao Trabalho - DVRT, aquecimento e desaquecimento vocal e mitos e verdades sobre a voz. Ao final da oficina aplicou-se um questionário de avaliação com o objetivo de verificar o aprendizado acerca do conteúdo trabalhado. Desta forma, 80% dos participantes avaliaram o aprendizado como ótimo e 20% como bom.


2239
VIVÊNCIA DE ESTAGIÁRIOS DE FONOAUDIOLOGIA EM SALA DE MATERNAL
Ações em equipamentos de educação
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Princípios adotados: A Fonoaudiologia, no âmbito educacional, deve ser
considerada parte da equipe escolar, atuando desde o planejamento de estratégias
para desenvolvimento de habilidades comunicativas até a identificação de possíveis
alterações. Método: Este estudo baseia-se na descrição de ação planejada e
executada por discentes de um curso de Fonoaudiologia do interior do estado de
São Paulo, com supervisão docente, durante um estágio curricular em uma escola
de educação infantil. Resultados: A ação foi desenvolvida em duas etapas: a
primeira, dentro da sala de aula, contou com 16 educandos da turma do maternal, e
consistia em criar um vínculo com as crianças e ampliar o vocabulário das mesmas,
através da música cantada: “cabeça, ombro, joelho e pé” e com uma atividade de
colagem das diferentes partes do rosto. A atividade teve ampla participação das
crianças, boa aceitação e interação dos educadores. A segunda etapa contou com
um grupo de oito escolares, selecionado entre as crianças que participaram da
primeira etapa, com suspeita de alteração no desenvolvimento da comunicação,
segundo percepção do educador e do grupo de estagiários. Esses escolares foram
submetidos à uma triagem individualizada, na própria escola, com apoio de
brinquedos, sendo que três necessitaram de encaminhamento para avaliação
especializada.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2151
+ LINGUAGEM [EDUCACIONAL]: PROGRAMA DE PROMOÇÃO DE COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICAS DE CRIANÇAS DE IDADE PRÉ-ESCOLAR – DADOS DE EFICÁCIA
Práticas fonoaudiológicas
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: Dificuldades no desenvolvimento linguístico precoces estão associadas a dificuldades nas aprendizagens escolares em geral e têm impacto no desenvolvimento global das crianças (Stackhouse, 2014; Law, Charlton & Asmussen, 2017). As competências de comunicação oral e a consciência linguística são vistas como habilidades fundamentais a desenvolver em idade pré-escolar para promover aprendizagens mais efetivas no ensino básico (Orientações Curriculares para o Ensino Pré-Escolar – OCEPE, Portugal).

Objetivo: O programa +Linguagem educacional tem como objetivo promover o desenvolvimento da linguagem de crianças de idade pré-escolar em contexto de jardim de infância, através de uma intervenção indireta do terapeuta da fala (Ebbels et al, 2017); assume uma abordagem universal (é dirigido a todas as crianças), flexível (porque se adapta às necessidades do grupo) e é compatível com a abordagem multinível vigente no contexto atual da Educação em Portugal (pois potencia aprendizagens de qualidade para todos e auxilia na identificação de crianças para as quais medidas mais direcionadas ou individualizadas são necessárias), rentabilizando parcerias multiprofissionais, em particular entre o educador de infância e o terapeuta da fala. Neste estudo apresentam-se resultados da eficácia de um programa de promoção de competências linguísticas em contexto educacional.

Método: Participaram neste estudo crianças de duas salas heterogéneas de jardim de infância dos 4 aos 6 anos, as quais foram sujeitas a uma avaliação pré e pós-intervenção. O programa foi implementado em 8 sessões de capacitação (do educador de infância) e de intervenção (com as crianças em contexto educativo), apenas numa das salas, tendo a segunda sala funcionado como grupo de controle. As atividades de intervenção desenvolvidas foram distintas das de avaliação, tendo sido implementadas semanalmente pelo educador de infância, após as sessões de formação, planeamento e monitorização com o terapeuta da fala.

Resultados: Verificaram-se melhorias nos desempenhos de linguagem do grupo alvo de intervenção, em contraste com o grupo de controle, e feedback positivo do educador de infância relativamente ao impacto nas suas práticas educativas.

Conclusão: A promoção das competências linguísticas de crianças em idade pré-escolar, numa abordagem preventiva, pode passar por práticas de intervenção indireta do terapeuta da fala em contexto educacional em articulação com profissionais de educação.
Palavras-chave: perturbação da linguagem, competências linguísticas, estimulação, intervenção indireta

Law J, Charlton J, Asmussen K. Language as a Child Wellbeing Indicator [Internet]. 2017 [citado 8 de Maio de 2018]. Disponível em: http://www.eif.org.uk/wp-content/uploads/2017/09/language-child-wellbeing-indicator_Sep2017.pdf

Ebbels SH, McCartney E, Slonims V, Dockrell JE, Norbury C. Evidence based pathways to intervention for children with language disorders. PeerJ Preprints [Internet]. 27 de Abril de 2017 [citado 29 de Novembro de 2017]; Disponível em: https://peerj.com/preprints/2951v1/

Stackhouse J. Barriers to literacy development in children with speech and language difficulties. Em: Bishop DVM, Leonard LB, editores. Speech and Language Impairments in children: causes, characteristics, intervention and outcome. London and New York: Psychology Press; 2000.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1630
35º FASC: AÇÕES INTEGRADAS DE SAÚDE E EDUCAÇÃO
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO
O Festival de Artes de São Cristóvão (FASC) é um evento cultural de grande importância para Sergipe. É realizado na cidade de São Cristóvão, a quarta mais antiga do país e primeira capital do estado, e conta com diversas atrações culturais, locais e nacionais, reunindo milhares de pessoas nos quatro dias de programação. Nesse contexto, o evento tem um público muito diversificado o que é um diferencial para a conscientização da saúde e fruto para a educação ambiental, visto que a poluição sonora e o descarte de lixo estão presentes em grandes aglomerações. Assim surgiu a extensão universitária intitulada “PROJETO PSSSSIU! Ambiente e saúde integrados no 35º FASC”, que contou com a participação de 10 discentes e 4 docentes dos cursos de Fonoaudiologia e Engenharia Ambiental.

OBJETIVO
O objetivo da ação foi orientar e conscientizar o público do 35º FASC, realizado em 2018, sobre os aspectos relacionados à saúde auditiva, vocal e ambiental.

MÉTODO
Foram organizadas reuniões técnicas interdisciplinares a fim de desenvolver material sobre temáticas a serem abordadas durante o Festival detalhando as estratégias para conscientizar a população sobre saúde vocal, auditiva e sobre o ambiente. Um stand foi colocado na praça principal do evento no qual foram expostos três banners sobre cada tema.
Em Saúde Vocal, foi adotada dinâmica de mitos e verdades a respeito da voz, conversa interativa sobre o abuso vocal, e expostos; alimentos e utensílios para orientação sobre impactos positivos e/ou negativos. Em Saúde Auditiva, foi explorada a poluição sonora, os perigos da exposição ao ruído intenso e os sintomas da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR). Desta forma, a conscientização de que a longa exposição a sons de forte intensidade pode ocasionar diversos problemas de saúde tais como e cefaleia, zumbido, vertigens, insônia, dificuldade de concentração, perda auditiva entre outros.
Sobre a Saúde Ambiental, os discentes de Engenharia Ambiental, explicaram a importância do consumo consciente na geração de resíduos, através da temática de adoção do próprio copo, e a importância do canudo reutilizável em aço inox ou vidro, para evitar o uso do plástico, foram mostradas imagens do prejuízo ao longo dos anos e seu impacto no ambiente.
Além do local criado para interagir com o público, durante o evento, os discentes percorreram as ruas centenárias da cidade histórica distribuindo folders explicativos, promovendo contato mais direto com o público.

RESULTADOS
A ação de extensão trouxe um impacto positivo, centenas de pessoas foram conscientizadas no evento, e puderam perguntar e compreender mais sobre a importância do uso correto da sua voz, os cuidados com a audição e medidas ecológicas e sustentáveis para o meio ambiente.

CONCLUSÃO
O projeto obteve êxito, com a promoção de medidas de educação em saúde para o público que prestigiou o FASC, desta forma, a equipe pode transmitir orientações técnicas para um público variado e com diversidades culturais e sociais, além disso, a convivência da equipe durante os dias do evento foi gratificante e forneceu ensinamentos para os participantes da ação com um trabalho integrado entre Fonoaudiologia, Engenharia Ambiental e Cultura Sergipana.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1619
A APLICAÇÃO DO PENSAMENTO LEAN NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: De acordo com o consenso mundial, no Sistema Único de Saúde (SUS) Brasileiro, o acesso ao sistema público é obtido por meio da atenção primária, considerada como a principal política pública para confrontar as desigualdades econômicas, políticas e sociais no acesso à saúde (BRASIL, 2015, p. 24; REIS et al., 2018, p. 296; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2018, p. 6). Atualmente, a saúde pública alcança mais de 70% da população brasileira (BRASIL, 2018), sendo esta abrangência variável de acordo com o momento econômico do país. Baseado na percepção do paciente sobre a qualidade do serviço, muitos brasileiros optam por possuir um plano de saúde, entretanto, observa-se uma mudança nesta postura frente as crises económicas. Entretanto, é inegável a existência de sérios problemas na área de saúde do Brasil. Na perspectiva da gestão, o SUS é considerado um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública quando comparado com sistemas semelhantes oferecidos em outros países. Como um movimento mundial, a busca pela qualidade dos serviços de saúde frente a redução de recurso financeiro tem sido tema de discussão em realidades diferentes. Lean Thinking, em Português Pensamento Lean, tem sido amplamente discutido na literatura da área e apresentado como uma das principais estratégias para a busca da qualidade nos processos em saúde com menos recurso financeiro. Lean nos cuidados em saúde, como o próprio nome diz, é quando o pensamento está voltado para identificar e reduzir etapas desnecessárias, como exames, tratamentos e intervenções que não agregam valor ao cliente.
Objetivo: averiguar o conhecimento disponível na literatura científica sobre a implementação do pensamento lean na área da saúde, mais especificamente na Atenção Primária em Saúde.
Estratégia de pesquisa: trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Foram consultadas as bases de dados eletrônicas PubMed/MEDLINE, LILACS, ADOLEC, IBECS, SciELO, Web of Science, Scopus e Embase, utilizando os descritores palavras chaves lean, cuidado primário em saúde, administração, gestão em saúde. Critérios de seleção: foram selecionados estudos publicados em Português, Inglês e Espanhol, até o mês de junho de 2019.
Resultados: Foram encontrados 498 estudos, sendo que 18 artigos contemplaram os critérios pré-estabelecidos.
Conclusão: A revisão de literatura integrativa realizada permitiu concluir que, as experiências prévias com a implementação do lean na Atenção Primária em Saúde não forneceram evidências científicas sobre sua eficácia, impacto na qualidade da assistência em saúde e sustentabilidade, pelo contrário, incitaram a dúvida se o pensamento lean é viável e deve ser considerado para a busca da qualidade da atenção primária em saúde.

BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A atenção primária e as redes de atenção à saúde. Brasília: CONASS, 2015. Disponível em: Acesso em: 15 de jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório de Gestão 2018. 2018. Disponível em: . Acesso em: 15 de jul. 2019.
REIS, C. et al. Saúde: healthcare. In: PUGA, F.; CASTRO, L. B. (Orgs.). Visão 2035: Brasil, país desenvolvido: agendas setoriais para alcance da meta. Rio de Janeiro: BNDES, 2018. p. 589-312. Disponível em: . Acesso em: 15 de jul. 2019.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. A vision for Primary Health Care in The 21st Century. Towards Universal Health Coverage and The Sustainable Development Goals. World Health Organization, 2018. Disponível em: . Acesso em 15 de jul. 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
503
A ASSOCIAÇÃO ENTRE O USO DE DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS E A QUALIDADE DO SONO EM ADOLESCENTES
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O sono na adolescência tem uma duração menor do que o recomendado que é de 8 horas ou mais(1) , essa redução pode estar associada a utilização imoderada de equipamentos eletrônicos, que atualmente se encontram inseridos no cotidiano como instrumentos essenciais tanto para a vida acadêmica, bem como para a vida social. Porém, o uso excessivo dessas tecnologias pode indicar uma baixa qualidade de sono (2,3). E consequentemente implicar em alterações no desempenho escolar, no bom humor e na saúde de modo geral, dessa forma, constituindo prejuízos a longo prazo para estes indivíduos (4,5). Objetivos: Identificar as evidências científicas sobre como a tecnologia pode impactar na qualidade do sono de adolescentes. Métodos: Trata-se de uma revisão de literatura dos últimos cinco anos, na qual foram levantados artigos nas bases de dados PubMed e Scielo, em três idiomas português, inglês e espanhol. Foram utilizados os descritores: higiene do sono, qualidade do sono, tecnologias e adolescentes, bem como seus respectivos correspondentes em inglês. Os critérios de inclusão determinados foram: publicações dos últimos cinco anos, casuística com faixa etária de 11-19 anos, utilização dispositivo eletrônicos como celular ou computador e mensuração da qualidade de sono por meio de algum questionário padronizado. Foram excluídos estudos que incluíam participantes com transtornos psiquiátricos e do desenvolvimento. Resultados: Inicialmente, foram encontrados 603 artigos na PubMed e 4 artigos na Scielo, após a seleção restaram 8 artigos, sendo seis da Pubmed e dois da Scielo. Foi observado que a faixa etária média utilizada nos estudos foram os 15-16 anos(3,6), a prevalência de má qualidade do sono associada ao uso de celular foi maior em meninas (1,3,7), mensurado por meio do Índice de Qualidade do Sono Pittsburgh (PSQI). Porém, quando relacionado à utilização de videogames, os indícios de alterações do sono foram mais relevantes em meninos(3). Além disso, a duração média de sono encontrada em adolescentes foi de 6,9 horas, sendo considerada menor do que o aconselhado para estes indivíduos(1,3). Os estudos selecionados foram capazes de evidenciar que o uso excessivo de equipamentos eletrônicos podem causar maior latência do sono e colaboram para uma preferência circadiana noturna em contraposição aos horários escolares matutinos, causando a redução das horas de sono e consequentemente diminuindo sua eficácia, podendo desencadear uma sonolência diurna, o que pode comprometer o processo de aprendizagem (1,3,6,7,8). Conclusão: Foi possível compreender que o uso excedente das tecnologias possui uma contribuição negativa na qualidade do sono dos adolescentes. Constata-se como uma temática que requer atenção pública devido aos impactos adversos que a falta de um sono reparador pode ter sobre o bem estar integral desses indivíduos. A realização de ações com o intuito de conscientizar a população quanto às medidas de higiene do sono que se caracterizam como uma ferramenta de promoção à saúde relevante.

1- Adelantado-Renau M, Diez-Fernandez A, Beltran-Valls MR, Soriano-Maldonado A, Moliner-Urdiales D. The effect of sleep quality on academic performance is mediated by Internet use time: DADOS study. J. Pediatr. 2019; 95(4): 410-418.

2-Gradisar M, Wolfson AR, Harvey A, Hale L, Rosenberg R, Czeisler CA. The sleep and technology use of Americans:findings from the National Sleep Foundation’s 2011 Sleep in America Poll. J Clin Sleep Med. 2013; 9:1291–9.

3- Amra B, Shahsavari A, Shayan-Moghadam R, Mirheli O, Moradi-Khaniabadi B, Bazukar M, et al. The association of sleep and late-night cell phone use among adolescents. J. Pediatr. 2017; 93(6): 560-567.

4-Bruce ES, Lunt L, McDonagh, JE. Sleep in adolescents and young adults. Clinical Medicine. 2017; 17 (5): 424–428.

5- Dahl RE, Lewin DS. Pathways to adolescent health sleep regulation and behavior. J Adolesc Health. 2002; 31:175–84.

6- Shimura A, Hideo S, Takaesu Y, Nomura R, Komada Y, Inoue T. Comprehensive assessment of the impact of life habits on sleep disturbance, chronotype, and daytime sleepiness among high-school students. Sleep Med. 2018; 44: 12-18.

7- Galland BC, Gray AR, Penno J, Smith C, Lobb C, Taylor RW. Gender differences in sleep hygiene practices and sleep quality in New Zealand adolescents age 15 to 17 years. Sleep Health. 2017; 3 (2): 77-83.

8- Cabré-Riera A, Torrent M, Donaire-Gonzalez D, Vrijheid M, Cardis E, Guxens M. Telecommunication devices use, screen time and sleep in adolescents. Environmental Research. 2019;171:341-347.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
751
A ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NA ATENÇÃO BÁSICA: VIVÊNCIAS PRÁTICAS EM UM MUNICÍPIO DE PERNAMBUCO, 2019
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O fonoaudiólogo pode atuar nos diferentes níveis de atenção á saúde, na atenção primária ele pode identificar e acompanhar patologias, atuar na prevenção, educação e conscientização. Pode ainda, discutir casos com a equipe, atender á demandas para oficinas e terapias grupais. O foco dessa atuação depende de características epidemiológicas e populacionais do território em que esse profissional está inserido. Os avanços do Sistema Único de Saúde e Núcleo Ampliado de Saúde da Famíliaamília na Atenção Básica, contribuiu pra ampliação do acesso aos serviços de Fonoaudiologia no Brasil, porém essa atuação ainda é um desafio Objetivo: Descrever as vivências práticas fonoaudiológicas desenvolvidas em uma unidade básica de saúde. Desenvolvimento: Este estudo está baseado nas vivências práticas realizadas durante a participação do estágio curricular obrigatório no ano de 2019. As atividades eram pautadas nas necessidades da população, sendo adaptada a cada contexto e elaborada a partir de discussões em grupo. Além de outros profissionais compondo a equipe dessa unidade básica de saúde, havia uma fonoaudióloga que atuava através do núcleo ampliado atendendo as necessidades coletivas e individuais da população. A equipe multiprofissional da Estratégia de Saúde da Família elaborava práticas que contribuíam para a saúde dos integral dos usuários. Resultados: Foram realizadas 2 ações fonoaudiológicas, uma com professores abordando a saúde vocal e a outra com alunos do ensino fundamental que abordou vários assuntos da fonoaudiologia, foram feitas 2 rodas de conversas com objetivo de conhecer a população e levar fonoaudiologia até eles, juntamente com enfermeira durante a puericultura foram realizadas orientações as mães sobre amamentação e a realização do teste da linguinha, houve 1 visitas domiciliar, 2 palestras que abordou a saúde da mulher, questões da amamentação e a outra sobre saúde do idoso abordado temas como audição e mastigação e 1 orientação juntamente com o dentista. Conclusão: As práticas fonoaudiológicas executadas evidenciou que a atuação responde aos princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde, trazendo benefícios à população local, cujo contexto, em que maior parte, não conhecia o que é a Fonoaudiologia, como esse profissional atua e qual sua importância. Foi notório também, a satisfação dos outros profissionais pois houve troca de conhecimento sendo uma experiência importante para atendimentos com olhar diferenciado.

LIPAY, M. S.; ALMEDA, E. C. A fonoaudiologia e sua inserção na saúde pública, Rev. Ciênc. Méd., Campinas, 16 (1): 31-41, Jan. / Fev., 2007.

VIÉGAS, L. M. T. et al. Fonoaudiologia na atenção básica no Brasil: Análise da oferta e estimativa do déficit, 2005-2015, Ver. CEFAC. 2018 Maio-Jun; 20 (3): 353-362.

LIMA, T. F. P.; ACIOLI, R. M. L. A prática fonoaudiológica na atenção primária à saúde, Editora. PULSO, 2013. Cap1 – pág 33-38.

SOLEMAN, C.; MARTINS, C. L. O Trabalho do fonoaudiólogo no núcleo de apoio à saúde da família (NASF)- Especificidades do trabalho em equipe na atenção básica, Ver. CEFAC. 2015 Jul-Ago; 17 (4): 1241-1253.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1545
A ATUAÇÃO DO FONOAUDIÓLOGO EM EQUIPE INTERPROFISSIONAL NA ÁREA DA EDUCAÇÃO: DESAFIOS E APRENDIZADOS DE UM TRABALHO REMOTO DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: No campo da saúde, a interprofissionalidade atua como um dos caminhos para que áreas delimitadas e separadas se encontrem e produzam novas possibilidades. Nesta perspectiva, o interprofissionalismo favorece o redimensionamento das relações entre diferentes conteúdos, do ensino e serviço, configurando, assim, trocas de experiências e saberes, em uma postura de respeito à diversidade e cooperação, visando efetivar práticas transformadoras sustentadas no exercício do diálogo permanente. A composição de equipes interprofissionais costuma ser pensada como solução. Entretanto, o objeto de cada profissão de saúde não coincide com os das demais, de modo que a justaposição de todos não parece recompor uma suposta unidade perdida. Como integrar as ações e, mais do que isso, interrogar o modo como identificamos e apreendemos as necessidades de atenção? O fonoaudiólogo atualmente faz parte de diversas equipes interprofissionais, dentre elas, no setor da Educação para o cuidado na promoção e prevenção da saúde integral do servidor público. Objetivo: Expor os desafios e aprendizados encontrados durante o trabalho remoto de um fonoaudiólogo em uma equipe interprofissional. Método: Esta equipe interprofissional, é composta por 3 psicólogas, além de uma fonoaudióloga e realizam diversas ações ligadas diretamente ao servidor público como: acolhimento, acompanhamento, visitas domiciliares, visitas às escolas, articulações intersetoriais, oficinas, reuniões de equipe, etc. Vale ressaltar que não é realizada reabilitação propriamente dita e sim orientações e encaminhamentos. Com a pandemia, a equipe precisou realizar o trabalho remotamente e assim mudar as estratégias de cuidado. Resultados: Foi criada uma página no Instagram onde puderam ser compartilhadas aos servidores diversas orientações de saúde tanto relacionadas à COVID-19 como as repercussões na saúde mental ocasionadas pelo isolamento social e sobre a saúde da voz do servidor. Dentre os principais desafios enfrentados, podemos destacar o domínio de diversos aplicativos, o funcionamento da rede social, a conciliação dos trabalhos domésticos, com os filhos e o trabalho em casa, o acolhimento online dos servidores, mantendo-se mesmo que virtualmente a escuta qualificada e a humanização do cuidado. Além dos limites de trabalho entre a Psicologia e a Fonoaudiologia. No entanto, observou-se um aprendizado constante com superação, reinvenção e criatividade, assim como uma melhor interação virtual entre os servidores e os profissionais da equipe. Conclusão: o trabalho do fonoaudiólogo em uma equipe interprofissional não é fácil, muito menos em formato remoto. Entretanto, é possível apesar de haver desafios e aprendizados constantes durante o caminho, observando que uma atuação integrada em equipe, na qual há colaboração e reconhecimento da interdependência das áreas predominam frente à competição e a fragmentação.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
376
A ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM CASOS DE VIOLÊNCIA FAMILIAR: UM ESTUDO PILOTO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: denomina-se violência intrafamiliar “quaisquer atos ou omissões dos pais, parentes, responsáveis, instituições e, em última instância, da sociedade em geral, que redundam em dano físico, emocional, sexual ou moral às vítimas” 1. São atos que repercutem negativamente na saúde de todos os envolvidos, principalmente, em crianças e adolescentes. Pois, ao experienciarem o agravo, podem assimilar a violência como conduta aceitável, reproduzindo-a na vida adulta2. O contato frequente, o tempo de permanência somente com a criança ou o adolescente, o conhecimento do cotidiano e uma estreita relação com a família, são fatores que permitem ao fonoaudiólogo compreender a dinâmica familiar em que situações de violência podem estar presentes3. Objetivos: a) investigar o que faz o fonoaudiólogo em casos de violência familiar a partir de um questionário, aplicado em âmbito de estudo piloto; b) verificar a eficácia do instrumento e a tangibilidade das questões. Método: foi aplicado um questionário, embasado em pesquisa anterior3, junto a fonoaudiólogos residentes no Estado do Paraná. Os critérios de inclusão consideraram fonoaudiólogos inscritos no CRFa 3ª região, atuantes na área clínica. Foram excluídos profissionais que atendiam somente adultos e idosos. A pesquisa foi aprovada por Comitê de Ética: 88408718.8.0000.8040. Resultados: do total de sete participantes, cinco responderam ao questionário e dois foram excluídos por trabalharem apenas com adultos e idosos. Desse total, dois relataram ter atendido casos de violência e três disseram que não atenderam. Dos dois fonoaudiólogos que atenderam, um assinalou ter acolhido aproximadamente três bebês e três crianças, entre 2 e 11 anos. E o outro profissional assinalou ter atendido uma criança. Os tipos de violência citadas foram físicas e psicológicas, seguidas de violência sexual, negligência ou abandono. A alteração fonoaudiológica encontrada nestes casos foi o atraso no desenvolvimento da linguagem. Com relação a suspeita da violência, um profissional relatou que recebeu os casos encaminhados do lar de adoção, já sabendo do episódio de violência. E o outro referiu que suspeitou devido à agressividade da criança. Sobre a conduta, um profissional relatou que não tomou atitudes específicas e o outro profissional estabeleceu contato com a psicóloga que atendia o caso. Com relação aos órgãos a serem informados em casos suspeitos de violência, os cinco fonoaudiólogos mencionaram o conselho tutelar e a vara infância e da juventude. Conclusão: os participantes ressaltaram a relevância da notificação da violência aos órgãos, mas não fizeram relação entre a situação de violência e os sintomas fonoaudiológicos apresentados pelos usuários. O instrumento usado mostrou-se adequado, indicando a viabilidade da aplicação do questionário para investigar, de forma mais ampla, o conhecimento dos fonoaudiólogos sobre a temática da violência intrafamiliar.

1. Fonseka RW, Minnis AM, Gomez AM. Impact of Adverse Childhood Experiences on Intimate Partner Violence Perpetration among Sri Lankan Men. PLoS One. 2015; 10(8):e0136321.

2. Ministério da Saúde - MS. (2010). Linha de cuidado para a atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências: orientação para gestores e profissionais de saúde. Brasília, DF.

3. Noguchi MS. O dito, o não dito e o mal-dito o fonoaudiólogo diante da violência familiar contra crianças e adolescentes [Tese de doutorado]. Rio de Janeiro: Escola nacional de saúde pública – fundação Oswaldo Cruz. Junho de 2005.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1509
A ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)



INTRODUÇÃO: O fonoaudiólogo se insere na Atenção Primária à Saúde (APS) através do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) e atua nas esferas de prevenção, promoção e vigilância em saúde. Devido a pandemia, foram estabelecidas diretrizes para a orientação do funcionamento das Unidades de Saúde da Família (USF), resultando em mudanças no processo de trabalho das equipes de saúde da família e dos NASF-AB. Assim, atividades consideradas eletivas e grupos foram suspensas, mantendo apenas os atendimentos considerados urgentes e prioritários. OBJETIVO: Relatar a atuação fonoaudiológica no NASF-AB durante a pandemia do COVID-19. MÉTODO: A experiência ocorreu em um NASF-AB da cidade de Jaboatão dos Guararapes - PE. Em caráter de campo foram realizadas atividades de educação em saúde, através de distribuição de máscaras, aferição de temperatura e orientações visando a prevenção da doença causada pelo COVID-19, realizadas por toda a equipe em conjunto com residentes em atenção básica e saúde da família. Em caráter de núcleo os atendimentos têm sido realizados predominantemente remotamente via vídeo-chamada, em casos excepcionais, como um AVC recente, a equipe se desloca à residência do usuário, sempre fazendo o uso de toda a paramentação necessária para evitar o contágio, realiza o acompanhamento que pode ser um teste, uma intervenção ou pequena avaliação e orienta os responsáveis quanto à conduta. RESULTADOS: Ao longo das ações de educação em saúde foram encontradas pessoas sem máscara ou fazendo o uso incorreto da mesma, durante a abordagem a essas pessoas era comum encontrá-las com a máscara no queixo, boa parte dos abordados ajustou a máscara, uma minoria se recusou a fazer o uso, muitas vezes sob a justificativa de não acreditar na doença e afirmar que tudo não passa de um jogo político. Uma das pessoas abordadas fazia o uso correto da máscara mas ao verificar sua temperatura constatou-se febre, a mesma referiu outros sintomas indicativos de COVID-19 e foi orientada de acordo com os protocolos, à retornar ao seu lar e buscar um serviço de saúde caso houvesse uma piora no quadro. As visitas aos usuários tem acontecido em frequência menor e com um intervalo de tempo maior, durante o período sem visita o acompanhamento remoto tem suprido as necessidades. As intervenções presenciais reduziram após o início do isolamento pois os agentes comunitários não conseguem trazer novas demandas sem a ida ao território. CONCLUSÃO: Essas experiências deixam clara a importância da Atenção Primária à Saúde para a produção do cuidado, assim como também esclarece o peso do uso da educação em saúde em situações emergenciais, além de valorizar o trabalho realizado pelas equipes do NASF-AB.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1605
A AUDIÇÃO E O MEATO ACÚSTICO EXTERNO DE CRIANÇAS DE “RISCO” PARA OS PROBLEMAS DE LEITURA
Práticas fonoaudiológicas
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A audição é primordial para o processo de aprendizagem. Ações realizadas na escola que visem a identificação precoce de alterações são essenciais, uma vez que quanto mais cedo as alterações auditivas em crianças forem identificadas, tais crianças serão beneficiadas com a eficiência dos tratamentos de (re)habilitação¹-². OBJETIVO: Identificar possíveis alterações na audição de crianças de risco para problemas de leitura e encaminhá-las para diagnóstico e tratamento. MÉTODO: Foi realizada, pelo Departamento de Orientação e Promoção da Secretaria de Educação da Prefeitura de Mogi das Cruzes do Estado de São Paulo (DOP/Pró-Escolar), uma campanha de prevenção à perda auditiva e promoção à saúde das crianças do segundo ano do Ensino Fundamental de uma Escola do município. Do total de 96 crianças, participaram da campanha 18, que foram consideradas de “risco” para os problemas de leitura a partir da aplicação do Protocolo de Identificação Precoce dos Problemas de Leitura - IPPL³. Em sala de aula vazia e com níveis de pressão sonora máximos de 60dBNA, antes e durante o teste, mensurados por medidor de pressão sonora, foi realizada triagem auditiva por fonoaudióloga especialista em Audiologia. Para isso, foram inspecionados os condutos auditivos externos das crianças por meio de um otoscópio da marca Heine, com o intuito de verificar a ausência ou ocorrência de alterações (rolha de cerume, corpos estranhos, malformação do canal auditivo, entre outras), e no segundo caso, encaminhar a criança para consulta e conduta do médico otorrinolaringologista da rede municipal desta cidade. Foi utilizado o instrumento musical agogô, com a finalidade de detectar a ausência ou presença de reflexo cócleo-palpebral, bem como, o audiômetro pediátrico da marca Interacoustics, modelo PA5, para pesquisa dos limiares auditivos utilizando fone de ouvido, o critério adotado foi “passa” ou “falha”. Os valores dos limiares obtidos deveriam ser iguais ou inferiores ao nível de audição que foi determinado em uma calibração biológica realizada anteriormente (25dBNA). Todas as crianças que falharam na triagem, ou seja, apresentaram resultados alterados em uma ou ambas as orelhas, foram encaminhadas para avaliação audiológica no DOP/Pró-Escolar. RESULTADOS: Das 18 crianças avaliadas, 55% apresentaram acúmulo de cerúmen em uma ou ambas as orelhas, 22,5% falharam na triagem da audição e os demais (22,5%) não apresentaram alterações nos aspectos investigados. Apenas uma criança que falhou na triagem da audição apresentou ausência do reflexo cócleo-palpebral. CONCLUSÃO: A maioria das crianças avaliadas apresentou alteração durante a inspeção do meato acústico externo e na triagem da audição, assim foram encaminhadas para diagnóstico e tratamento. Vale ressaltar que foi triado um número pequeno de crianças, uma vez que foram apenas as que falharam no Rastreio das habilidades de leitura, o que reforça a importância e a necessidade de ações realizadas nas escolas para identificação precoce de alterações auditivas de crianças de “risco” para os problemas de leitura.

1. Sitta EI, Arakawa AM, Oliveira NA, Xavier , Rocha MLM, Carvalho FS et al. Triagem audiológica em pré-escolares com histórico de otite média. Rev. baiana saúde pública, 2010; 34(2): 388-96.
2. Tamanini D, Ramos N, Dutra LV, Bassanesi HJ. Triagem auditiva escolar: identificação de alterações auditivas em crianças do primeiro ano do ensino fundamental. Revista CEFAC. 2015;17(5):1403-14.
3. Capellini SA, César AB, Germano GD. Protocolo de Identificação Precoce dos Problemas de Leitura. Booktoy: Livraria e Editora. 2017.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1543
A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA COMO MEIO PARA O TRABALHO COM A NARRATIVA EM ATENDIMENTO GRUPAL COM CRIANÇAS AUTISTAS.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Na terapia fonoaudiológica de crianças com Transtorno do Espectro Autista que não falam, o recurso da Comunicação Alternativa (CAA) é o meio pelo qual elas têm acesso às estruturas da língua, dando oportunidade de imersão na linguagem, e interação com pares. [1] No processo terapêutico de linguagem com crianças usuárias de CAA, o trabalho com a narrativa é essencial para o desenvolvimento de estruturas linguísticas, pois, é a partir da reprodução de histórias que se tem acesso às estruturas da língua, desde uma frase simples à aspectos mais elaborados como coesão e coerência textual. [2] [3] Esse recorte de pesquisa teve como objetivo principal trabalhar a estrutura sintática e semântica da narrativa a partir do reconto de histórias tendo como instrumento de reprodução os símbolos pictográficos da Comunicação Alternativa. Os sujeitos da pesquisa são dois meninos que possuem diagnóstico de autismo, ambos com onze anos, são atendidos em grupo desde 2015 no grupo de pesquisa GEPELC (UFS/SE). O processo de implementação de CAA teve início em janeiro de 2018, e o trabalho com a narrativa recontando histórias utilizando símbolos pictográficos retirados da plataforma ARASAAC.ORG, teve início em março de 2019. Foram realizados 29 atendimentos sendo utilizadas seis histórias infantis. Primeiro era realizada a narrativa da história pelos terapeutas para depois o reconto ser realizados pelos sujeitos do grupo. As narrativas foram realizadas a partir de estratégias como, teatro de palitos, fantoches, bonecos de papel, dedoches. Para o reconto das histórias os pacientes utilizaram os símbolos pictográficos recortados individualmente para que eles organizassem a frase de acordo com os fatos da história. Ao final desse trabalho com a narrativa e reconto de histórias infantis, houveram muitos avanços no modo como os pacientes se relacionavam com o recurso de CAA para recontar as histórias, eles passaram da formação de frases simples para a elaboração frases coordenadas e subordinadas. Ao final do trabalho terapêutico com essas seis histórias, observa-se a utilização frequente de (6) pronomes, (86) novos verbos, (29) novos adjetivos, (26) novos símbolos pictográficos diversos como preposições, advérbios, conectivos. conectivos e (4) expressões sociais. O trabalho com a narrativa aliado ao recurso da CAA no processo terapêutico da linguagem trouxe para os pacientes mais autonomia na manipulação dos recursos de CAA para recontar as histórias, demonstrando ser uma importante ferramenta para possibilitar e facilitar o entendimento do que está sendo proposto [4] Ao mesmo tempo que demonstraram maior facilidade e familiaridade com os símbolos pictográficos, e com as regras do sistema, as famílias relatam maior frequência da utilização de pranchas de CAA pelos usuários e parceiros de comunicação em casa e na escola.

1. Chun R Y S, Maia A L W. Pesquisas em Fonoaudiologia na Unicamp: a escuta de familiares como parceiros de comunicação de usuários de Comunicação Suplementar e/ou Alternativa. In: Givigi R C N (Org). Pesquisa em Saúde e Educação: atendimento à pessoa com deficiência. 1 ed. Sergipe: Appris, 2019.
2. Perroni M C. Desenvolvimento do discurso narrativo. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
3. Lira, J O, Tamanha A C, Perissinoto J, Osbon E. O reconto de histórias em crianças do espectro autistico: um estudo preliminar. Ver CEFAC, 2009. Jul-set, (11, 93) 417-422. Disponível em: www.lilacs.br. Acesso em 29 abril de 2018
4. Rodrigues V, Borges L, Nascimento M de C, Almeida M A. O uso da comunicação suplementar e alternativa como recurso para a interpretação de livros de literatura infantil. Revista CEFAC, junho de 2016 [acesso 02 de julho de 2020]; 18 (3). Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462016000300695&lng=pt&tlng=pt


TRABALHOS CIENTÍFICOS
141
A COMUNICAÇÃO COMO FERRAMENTA DO CUIDAR EM CONDIÇÕES PALIATIVAS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional traz consigo a necessidade de um olhar ampliado e integral às condições crônicas que acometem os idosos. Ainda que os Cuidados Paliativos (CP) não se restrinjam às doenças crônicas, degenerativas ou ao envelhecimento, são mais prevalentes nesses casos(1,2). A comunicação, é considerada uma ferramenta essencial no cuidado à estes pacientes e familiares. Assim observa-se uma nova possibilidade para a atuação Fonoaudióloga junto à equipe multiprossional de hospitais e núcleos de saúde. OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(3) sobre a importância e a influência da comunicação em pacientes que estão em cuidados paliativos com equipe de saúde e familiares. MÉTODOS: Para a seleção dos estudos foi utilizada a combinação de descritores baseada no Medical Subject Heading Terms (MeSH). Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO e BIREME, sem restrição de período, idioma e localização. RESULTADOS: O processo de formação dos cuidados paliativos surgiu da necessidade de ampliar o olhar biologicista dos profissionais de saúde, limitado à doença, ao diagnóstico e à cura. O cuidado paliativo representa uma construção voltada ao cuidado e ao uso de ferramentas que privilegiem a qualidade de vida do indivíduo. No século XX, emergiram mobilizações para a humanização da Medicina, na tentativa de mudar práticas e condutas, desenvolvendo um olhar ampliado ao indivíduo, reconhecendo-o como um ser biopsicossocial. Acredita-se que o ato de se comunicar nessa fase é muito significativo, considerando que é um fator essencial para que o paciente interaja com o meio e, ainda, possibilita que o mesmo tome decisões sobre seu próprio quadro. Ter uma boa comunicação com os familiares se torna muito importante para manter o bem estar de todos, assim como a comunicação com a equipe é essencial para que se possa confiar na mesma, mantendo uma relação harmônica e tornando essa fase mais aprazível(4,5). CONCLUSÃO: Lidar com a terminalidade é um grande desafio para todos, e a comunicação é um importante recurso para auxiliar nesse processo. Uma boa comunicação entre paciente, família e profissionais interfere no sucesso do tratamento, pois esse vínculo reflete diretamente na adesão do paciente ao recurso terapêutico escolhido. Manter uma relação saudável propicia o estabelecimento de um elo de confiança que quando não estabelecido, gera sofrimento e falta de expectativa. Um bom relacionamento permite uma maior aceitação e entendimento do paciente perante o seu quadro(6,7,8). A fonoaudiólogo poderá contribuir significativamente realizando este elo junto aos familiares e paciente, principalmente no que tange a comunicação com outros profissionais da saúde pertencentes à equipe multiprofissional envolvida.

Lustosa MA, Medeiros LA. A difícil tarefa de falar sobre morte no hospital. Revista SBPH, v. 14, n. 2. Rio de Janeiro, 2011.

Arantes AC. Q. A morte é um dia que vale a pena viver. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.

Moher D, Shamseer G, Clarke M ,Ghersi D, Liberati Um, Petticrew H, Shekelle P, Stewart LA . Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015; 4:1.

Ribeiro JR, Poles K. Cuidados Paliativos: Prática dos Médicos da Estratégia Saúde da Família. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 43, n. 3. Minas Gerais, 2019.

Andrade GB. Palliative Care and the Importance of Communication Between Nurse and Patient, Family and Caregiver, Revista Online de Pesquisa: Cuidado é fundamental, v. 11, n. 3, Rio de Janeiro, 2019.

Ribeiro MS, BORGES MS. Percepções sobre envelhecer e adoecer: um estudo com idosos em cuidados paliativos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 21, n. 6. Rio de Janeiro, 2018.

Suárez NRE, Mar CMZ, Pérez LAM. Conspiración de silencio: una barrera en la comunicación médico, paciente y familia, Revista de Neuropsiquiatría, v. 80, n. 2, 2017.

Zorretti RCS, Manfro PHG, Ramos LA. Processo de perdas e morte em cuidados paliativos: paciente, família e equipe assistente, Acta Médica, v. 39, n. 2, Porto Alegre, 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1457
A COMUNICAÇÃO E O PERFIL DE 42 PROFISSIONAIS DE COACHING
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: o Coaching é um método de trabalho que visa a desenvolver o autoconhecimento, a autoimagem e o autocontrole da comunicação e habilidades sociais para possibilitar resultados positivos e eficazes nos desempenhos pessoais e profissionais. É executado em diferentes nichos, dependendo dos interesses e necessidades em questão. A comunicação é tópico essencial na formação especializada e nos programas desenvolvidos complementarmente à atividade do Coaching. Assim, cabe identificar, na voz dos profissionais, como este conteúdo comparece na sua formação e refletir sobre os achados na perspectiva da fonoaudiologia, que tem a comunicação como objeto privilegiado. Método: estudo transversal descritivo com parecer de Ética e Pesquisa, desenvolvido 1) pela aplicação de um questionário, do tipo enquete, com cinco questões abertas: Como foi sua formação para trabalhar como Coaching?; Em que área você trabalha?; Em que local você trabalha?; Quais os principais conteúdos temáticos abordados em sua formação especializada?; e, Quais os profissionais que ministravam estes conteúdos?; 2) disponibilizada on-line nas redes sociais Facebook e Instagram, durante 30 dias e respondido com assinatura de TCLE. Foi realizada análise estatística descritiva dos dados por frequências absolutas (n) e relativas (%), medidas de tendência central (média e mediana) e dispersão (desvio-padrão, mínimo e máximo). Os dados foram analisados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 23 para Windows. A seleção ocorreu por conveniência. Resultado: foram analisados 42 profissionais. 85.7% com formação acadêmica anterior, seguida de formação especializada no método Coaching, com distribuição entre fonoaudiólogos (42.9%), psicólogos (23.8%), administradores/economistas e publicitários (19.0%) e 14.3% com formação exclusivamente especializada. O Coaching em comunicação (50.0%) e o Personal Coaching (31.0%) são os nichos mais escolhidos, seguidos pelos Coaching de carreira (9.5%) e de relacionamento (9.5%). Os espaços empresariais e de marketing tem atuação de 100.0% dos profissionais, seguidos pelos da área cultural (64.4%) e da saúde (60.7%), sem atuação em um ambiente exclusivo. O conteúdo temático mais abordado na formação especializada é a comunicação (100.0%), depois aspectos comportamentais (90.0%), liderança (80.0%), depois oratória (70.0%), habilidades sociais (60.0% ). Os tutores dos institutos especializados são administradores/economistas (76.1%), psicólogos (16.7%) e fonoaudiólogos (2.4%). Conclusão: por esta amostra, o Coaching é método utilizado por profissionais de diversas áreas, deve- se, assim, pensar sobre o que os reúne. Ele visa ao desenvolvimento de autoconhecimento, autoimagem e autocontrole para o alcance de uma meta concernente à eficácia em suas relações pessoais e/ou profissionais. Trata-se de se preparar alguém para a apresentação e defesa de argumentos visando ao convencimento da outra parte, pessoa, empresa ou instituição. A comunicação é fundamental nesta formação porque é uma ferramenta específica para tal. Contudo, o fonoaudiólogo tem participação mínima como instrutor apesar de deter expertise no campo da comunicação. Deve ter maior presença na formação especializada e preparação e execução de programas complementares.

1. Assessoria de Comunicação Integrada: uma experiência na área da Saúde
D Stasiak, S Coleta, M Costa, K Menezes - 2012 - academia.edu

2. Comunicação, poder e cultura na era da visibilidade mediática: crítica das práticas de assessoria de comunicação e de responsabilidade social
VCR Ferreira - 2006 - tede.pucsp.br

3. Comunicação organizacional: conceitos e dimensões dos estudos e das práticas
MMK KUnSCH - Faces da cultura e da comunicação, 2006 - professor.pucgoias.edu.br

4. Atuação do comunicólogo frente a uma Assessoria de Comunicação
T Ataide - 2020 - repositorioinstitucional.fbnovas.edu …

5. Comunicação não verbal com profissionais da voz: o que se pesquisa na fonoaudiologia
TD Santos, MA Andrada e Silva - Revista CEFAC, 2016 - SciELO Brasil

6. Expressividade oral no cinema: diálogos com a fonoaudiologia
PH de Souza - 2010 - academia.edu

7.Observação fonoaudiológica da expressividade do profissional da voz falada: uma proposta de roteiro
TD dos Santos - 2019

8.Julgamento do efeito de um programa de intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres
LLM Trindade, LP Ferreira - 2008 - let

9.A IMPORTÂNCIA DO FONOAUDIÓLOGO COMO COACH NO AMBIENTE ORGANIZACIONAL
LSF Rangel, FGS de Melo Barreto - Revista Interdisciplinar, 2017 - reinpec.org

10. A Expressividade da Comunicação Oral e sua Influência no Meio Corporativo1
WG FORTES - academia.edu



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1998
A COMUNICAÇÃO EM CRIANÇAS SURDAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA, USUÁRIAS DE IMPLANTE COCLEAR
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido por comprometimentos nas áreas da comunicação, interação social e comportamento¹, podendo estar associado a outras deficiências como a perda auditiva de grau severo/ profundo que possui algumas das características também presentes no TEA². Essa combinação é denominada como múltipla deficiência sensorial, visto que o indivíduo necessita de adaptações para se desenvolver em sua funcionalidade e aprendizado³. Um dos métodos disponível para a habilitação e reabilitação auditiva é o Implante Coclear (IC), que permite uma via sensorial auditiva, fundamental para auxiliar no processo de aquisição de linguagem e na comunicação4.

METODOLOGIA
Fluxograma da pesquisa na literatura

Bases de Dados:
• SCIELO
• LILACS
Descritores de pesquisa e arquivos encontrados:
• “autismo” and “surdez” = 04
• “autismo” and “implante coclear” = 10
• “transtorno autístico” and “perda auditiva” = 05
• “transtorno do espectro autista” and “linguagem” = 18
Total de artigos encontrados de acordo com os critérios de pesquisa = 37
Total de artigos selecionados em português = 05

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Ausência de resposta para estímulos verbais e não verbais, comportamentos desorganizados aos sons, associados à falta da comunicação, levam a primeira suspeita de perda da audição5, enfatizando-se a importância de um diagnóstico diferenciado em que se possa verificar a audição da criança autista.6 Deve-se alertar para a avaliação comportamental complexa, que exige atenção, compreensão e a comunicação, apresentando interferência na resposta ao estímulo sonoro, prejudicando o diagnóstico.7
Contudo, os estudos relatam que a família da criança percebe a melhora no desenvolvimento da linguagem, do comportamento e interação social com o uso de IC. Vale ressaltar que “comportamentos gerais atípicos não são indicadores de que a criança não irá desenvolver as habilidades auditivas com o uso do IC” 8. Torna-se nítido, então, o fato de que os implantes cocleares dão acesso ao som à criança autista surda, proporcionando benefícios como maior interação social, redução da ansiedade, porém irá depender de cada criança devido à classificação do TEA.9

CONCLUSÃO
É possível identificar que o impacto que o IC tem sobre crianças com TEA e Deficiência auditiva é mais fortemente ilustrado com os resultados de cada paciente e com a experiência de sua família. Permite benefícios, ainda que mínimos, mas fundamentais, na aquisição e desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, na comunicação. Há necessidade de mais pesquisas com essa população, para que possamos auxiliar no adequado diagnóstico, tratamento e orientação sobre as expectativas da família, para que estejam cientes que o IC não é a cura do TEA e sim uma possibilidade de ganhos ou não, em relação aos comprometimentos nas bases do TEA.


1. Fleischer S. Autismo: um mundo obscuro e conturbado. Mana[Internet]. abr. 2012 [acesso em 04 Junho 2019]; 18(1): 231-235. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132012000100011&lng=pt&tlng=pt
2. Morais CRL; Prado MCR; Yamada MO. Implante coclear e transtorno do espectro autista: vivência de mães. Psicol. em Estu.[Internet]. dez. 2017 [acesso em 5 Junho 2019]; 22(4): 551-561. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/321941000_IMPLANTE_COCLEAR_E_TRANSTORNO_DO_ESPECTRO_AUTISTA_VIVENCIA_DE_MAES
3. Ana PB. Avaliação da audição na criança. In: LEVY LOPES FILHO, Otacílio. Novo Tratado de fonoaudiologia. –3 ed. –Barueri, SP- Editora Manole; 2013. P. 348-351
4. Neves AJ. Verdu ACMA. MortariMoret AL. Silva LTN. As implicações do implante coclear para desenvolvimento das habilidades de linguagem: uma revisão da literatura. Rev. CEFAC [Internet]. 2015 [acesso em 5 de junho de 2019]; 17(5): 1643-1656. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462015000501643
5. Sousa EC. Lima FTL, Tamanaha AC. Perissinoto J. Azevedo MF. Chiari BM. A associação entre a suspeita inicial de perda auditiva e a ausência de comunicação verbal em crianças com transtornos do espectro autístico. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [Internet]. 2009 [citado em 11 de maio de 2019]: 14( 4 ): 487-490. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342009000400010&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342009000400010.
6. Machado FP, Palladino RRR, Lewis DR, Cunha MC. Surdez e transtornos do espectro do autismo: reflexões sobre a avaliação fonoaudiológica para o diagnóstico diferencial. Distúrbios da Comunicação. [Internet]. mar. 2016. [citado em 11 de maio de 2019]: 28( 1). 2176-2724. Disponível em: . Acesso em: 13 jul. 2020.
7. Romero AC. Gução ACB. Delecrode CR. Cardoso ACV. Misquiatti ARN. Frizzo ACF. Avaliação audiológica comportamental e eletrofisiológica no transtorno do espectro do autismo. Rev. CEFAC [Internet]. 2014 Jun [citado em 11 de maio de 2019]: 16( 3 ): 707-714. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462014000300707&lng=en. https://doi.org/10.1590/1982-021620140313.
8. Porto BL et al. Desempenho auditivo e comportamentos atípicos em crianças usuárias de implante coclear. Distúrbios da Comunicação. [Internet]. mar. 2014. [citado em 12 de maio de 2019]; 26(1): 2176-2724. Disponível em: .
9. Lachowska M, Pastuszka A, Łukaszewicz MZ, Mikołajewska L, Niemczyk K. Implante coclear em crianças autistas com perda auditiva neurossensorial profunda. Braz. j. otorrinolaringo. [Internet]. Jan 2018 [citado em 12 de maio de 2019]; 84( 1 ): 15-19. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-86942018000100015&lng=en. https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.10.012.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1293
A COMUNICAÇÃO HUMANA EM PACIENTES COM TUMORES DE BOCA E OROFARINGE EM CUIDADOS PALIATIVOS: UM OLHAR SOB O CUIDADO, AUTONOMIA E DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O cuidado paliativo consiste de uma abordagem assistencial ao paciente sem possibilidade de cura e a sua família, tem por objetivo proporcionar uma melhor qualidade de vida a partir, essencialmente, de uma boa comunicação. Especificadamente, nos tumores de boca e orofaringe, na maioria das vezes, a comunicação oral encontra-se comprometida, dificultando as medidas de cuidado e interpretação dos sentimentos e vontades diante da terminalidade(1-4). Vale ressaltar, que os dados parciais deste estudo estão sob análise de publicação da Revista Latino Americana de Enfermagem. Objetivo: Compreender a influência dos distúrbios da comunicação em pacientes com câncer de boca e/ou orofaringe em cuidados paliativos sobre o cuidado, autonomia e dignidade humana. Método: Trata-se de um estudo quanti-qualitativo, de caráter descritivo e de corte transversal. Composto por 53 pacientes com câncer de boca e/ou orofaringe em cuidados paliativos e onze cuidadores com idades a partir dos 18 anos. A coleta de dados foi realizada nos serviços de cuidados paliativos, ambulatório e enfermaria, de um hospital de referência em Recife. Aos pacientes foram aplicados três protocolos adaptados ao estudo: Intensive care unit communication screening protocol; Aphasia needs assessment protocol; e Questões relacionadas ao direito à informação. Para os cuidadores foram realizadas entrevistas semiestruturadas, que posteriormente foram transcritas e apresentados em categorias. O projeto foi aprovado pelo Comitê de ética e pesquisa sob nº de parecer: 3.585.386. Resultados: Houve maior prevalência do sexo masculino com média de idade aos 51,7 anos, aproximadamente, 76% utilizaram estratégias comunicativas não-verbais e 73,6% consideraram sua comunicação como ruim. Todos os sujeitos afirmaram que desejavam ser informados sobre sua doença e que não participavam das tomadas de decisões junto a equipe. Nos dados qualitativos, emergiram-se dois eixos temáticos: Distúrbios comunicativos e os impactos sobre a autonomia e tomadas de decisão; e repercussões sociais e de vida em indivíduos com distúrbios comunicativos associados aos tumores de boca e orofaringe. Todos os cuidadores referiram que as estratégias comunicativas não-verbais foram as mais prevalentes, e, associaram que esta limitação se apresentou negativamente sobre autonomia, interações sociais e relação com equipe-cuidadores. Conclusão: Concluiu-se que pacientes com tumores de boca e/ou orofaringe em cuidados paliativos apresentam maiores dificuldades comunicativas que refletem negativamente sobre sua autonomia e expressão de seus sentimentos, com isso, limitam a participação junto a equipe e familiares nas escolhas a serem realizadas antes de sua morte.

1. Bray F, Ferlay J, Soerjomataram I, Siegel RL, Torre LA, Jemal A. Global CancerStatistics 2018: GLOBOCAN. Estimates of Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. CA Cancer Journal Clin. 2018 Nov. 68(6): 394-424. doi: 10.3322/caac.21492
2. INCA. Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. – Rio de Janeiro: INCA, 2019. Avaiable from: https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2020-incidencia-de-cancer-no-brasil
3. Jemal A, Torre L, Soerjomataram I, Bray F (Eds). The Cancer Atlas. Third Ed. Atlanta, GA: American Cancer Society, 2019.
4. Sousa IV, Brasil CCP, Silva RM, Vasconcelos DP, Filho JEV, Finan TJ et al. Coping with problems that impacton the health of a socially vulnerable community from the residents’ perspective. Ciên Saúde Colet. 2019; 24 (5): 1647-56. doi: 10.1590/1413-81232018245.04392019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1655
A COMUNICAÇÃO MEDIADA POR TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO COMO PEÇA FUNDAMENTAL NO TELEMONITORAMENTO DE PACIENTES SINTOMÁTICOS RESPIRATÓRIOS DA COVID-19
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O Programa de Educação pelo Trabalho (PET Saúde Interprofissionalidade) tem como finalidade formar profissionais mais aptos ao trabalho colaborativo em saúde, aplicando bases teóricas e metodológicas da Educação Interprofissional (EIP). Com o atual cenário da COVID 19, o projeto desenvolveu uma ação vinculada à Secretaria de Saúde do município, cujo principal objetivo é acompanhar e orientar os pacientes sintomáticos respiratórios que buscaram atendimento nas unidades de saúde, de forma remota, utilizando tecnologias de informação e comunicação (TICs). O trabalho desenvolvido no telemonitoramento busca não só verificar e acompanhar os sintomas respiratórios, como também, consolidar um vínculo de confiança entre o profissional e o paciente mediado por TICs. Para isso, é de extrema importância que seja estabelecida uma boa comunicação, adequada à tecnologia utilizada, também aliada à escuta, atenção e empatia. Dessa forma, a interação do profissional com os indivíduos deve ser predominantemente simples, com uma linguagem acessível, que possa ser compreendida por todos. A partir da consolidação do vínculo de confiança, o profissional obtém voz para que o paciente o escute quanto às recomendações de isolamento e siga as mesmas, com o objetivo de prevenir que os pacientes se tornem vetores da doença, interrompendo a transmissão.
OBJETIVO: Analisar o impacto e a importância da comunicação no âmbito do telemonitoramento de pacientes com sintomas respiratórios no enfrentamento da pandemia de COVID-19, a partir da vivência no PET- Saúde Interprofissionalidade.
MÉTODO: A atividade fundamenta-se no telemonitoramento dos usuários com sintomas respiratórios que procuraram atendimento nas unidades de saúde do Distrito Docente Assistencial (DDA) de uma Universidade Federal por meio de ligações telefônicas e/ou mensagens por aplicativo durante o período de até 14 dias, em um intervalo de até 48 horas entre as ligações. O tempo de acompanhamento de cada indivíduo leva em consideração o resultado do teste realizado, bem como os sintomas presentes. Quando o resultado é positivo, o paciente é acompanhado durante 14 dias, estando sintomático ou não. Em caso de resultado negativo, o paciente é acompanhado enquanto perdurarem os sintomas respiratórios.
RESULTADOS: Observa-se que estabelecer uma boa comunicação com os pacientes em telemonitoramento pode contribuir com a prevenção de novos casos, visando uma possível redução do contágio. Além disso, pode contribuir para uma melhor qualidade de vida ao paciente durante o isolamento e a identificação precoce de situações que requeiram uma intervenção da unidade de saúde e/ou de outros serviços.
CONCLUSÃO: Verifica-se que a comunicação é peça fundamental para que o telemonitoramento seja efetivo nas questões de verificação e acompanhamento dos sintomas, bem como na prevenção e promoção da saúde em relação a atual pandemia.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
407
A COMUNICAÇÃO NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO: PONTO DE VISTA DOS IDOSOS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)



Introdução: O envelhecimento é definido como um processo natural, progressivo e irreversível, que compreende um conjunto de alterações nos níveis funcionais e estruturais, que podem levar a comprometimento motor e dificuldades psicológicas e sociais. No entanto, há que se reconhecer os aspectos positivos no processo de envelhecimento, como a experiência adquirida, sabedoria, amadurecimento, concretude da vida está ligado ao fato de aceitar o processo de envelhecer e vê-lo como ferramenta para buscar o desenvolvimento, através do aprendizado adquirido ao longo do tempo. No decorrer dos tempos, além do evoluir etário, há uma constante evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação, que vêm consolidando e modificando o perfil da comunicação. Objetivo: Verificar a percepção dos idosos sobre seu processo de comunicação no envelhecimento, utilizando o referencial metodológico de Paulo Freire. Método: Estudo qualitativo, baseado na metodologia de pesquisa-ação-participante, desenvolvido através do Itinerário de pesquisa de Paulo Freire, que consiste em três etapas dialéticas: pesquisa temática; codificação e decodificação e revelação crítica. O estudo foi desenvolvido em quatro Círculos de Cultura, de junho a julho de 2017, incluindo a participação de dez idosos de uma universidade aberta de idosos. Os aspectos éticos que nortearam esta pesquisa seguiram a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde encontrando-se aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição de origem. Resultados: O grupo foi caracterizado por nove mulheres e um homem, com idade entre 60 e 81 anos, média etária de 68,89 anos sendo o grau de escolaridade prevalente referente ao ensino superior completo. A partir do diálogo, foram formuladas questões temáticas que envolviam o desvelamento de tecnologias e seu impacto na comunicação dos idosos. Facilidades e dificuldades quanto à inserção digital foram pontuadas pelos idosos. A fragilidade dos participantes foi destacada em relação aos avanços nas Tecnologias da Informação e Comunicação e a dificuldade apresentada por esse público nos processos interativos, principalmente relacionados à família, decorrentes do uso em larga escala dessas ferramentas. Conclusão: Os participantes não mencionaram aspectos patológicos ou perdas funcionais do processo de envelhecimento, mas o interesse em discutir as tecnologias de comunicação da informação. O estudo representou a percepção dos participantes, evidenciando a relevância de metodologias, como a de Paulo Freire, na discussão de temas que tocam a vida cotidiana, contribuindo para um processo reflexivo que busca melhorar a qualidade de vida.

1. Miranda GMD, Mendes ACG, Silva ALA. Population aging in Brazil: current and future social challenges and consequences. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2016;19(3): 507-19.

2. Batista MPP, Souza FG, Schwartz G, Exner C, Almeida MHM. Utilização no cotidiano de tecnologias da informação e comunicação por idosos participantes da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade de São Paulo. Rev Kairós. 2015;18(4): 405-26.

3. Heidemann ITSB, Dalmolin IS, Rumor PCF, Cypriano CC, Costa MFBNA, Durand MK. Reflexões sobre o itinerário de pesquisa de Paulo Freire: contribuições para a saúde. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2017 [acesso em 2019 nov 18]. ;26(4): e0680017. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/tce/v26n4/0104-0707-tce-26-04-e0680017.pdf.

4. Dourado MB, Oliveira ALB, Oliva TM. A percepção dos graduandos de enfermagem sobre o envelhecimento. Revista Brasileira de Enfermagem. 2015;22(5): 635-80.

5. Massi G, Santos AR, Berberian AP, Ziesemer NB. Impact of dialogic intergenerational activities on the perception of children, adolescents and elderly. Rev CEFAC. 2016;18(2):399-407.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1237
A COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E/OU ALTERNATIVA APLICADA NA CRIANÇA COM TEA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


TÍTULO
A Comunicação Suplementar e/ou Alternativa aplicada na criança com TEA

INTRODUÇÃO
O relato em questão tem como objetivo apresentar a importância dos símbolos de Sistemas Gráficos de Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) como ferramenta para o desenvolvimento da comunicação dos indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e diminuição de padrões alterados em seu comportamento.
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizados por alterações em dois domínios principais:
• Comunicação e interação social
• Padrões restritos e repetitivos de comportamento.
O DSM V (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição), de 2013, explica o TEA em níveis, de acordo com a sua complexidade e características, considerando o desenvolvimento de linguagem, autonomia e independência do indivíduo.

OBJETIVOS
A abordagem tem como objetivo principal favorecer e propiciar a estimulação e o desenvolvimento da comunicação social do indivíduo. Além de:
- estimular a linguagem expressiva e receptiva;
- ampliar o vocabulário;
- ativar canais sensoriais que viabilizem a aprendizagem;
- estimular os precursores de linguagem;
- ampliar recursos comunicativos;
- estimular a oralidade de modo organizado;
- trabalhar aspectos cognitivos;
- diminuir comportamentos disruptivos.

MÉTODO
L., 5 anos, com TEA, iniciou acompanhamento fonoaudiológico pois sua comunicação acontecia por choros, gritos e a palavra "não". Também apresentava comportamentos disruptivos sempre que frustrado ou contrariado, além de dificuldade nos precursores de linguagem, como contato ocular, atenção compartilhada e uso do apontar.
O trabalho fonoaudiológico visou o desenvolvimento dos aspectos pragmáticos e semânticos da linguagem e a utilização da CSA contribuiu para melhores resultados.
Por um ano, a CSA foi trabalhada conforme a necessidade e progresso de L., seguindo as etapas:
1º- objetos concretos e música;
2º- objetos concretos associados a livros com o tema da música - apoio visual e auditivo;
3º- pranchas temáticas com imagens da música - início do uso do apontar com apoio tátil/ sinestésico;
4º- pranchas temáticas com imagens e escrita, com maior independência de L. para apontar e cantar;
5º- expressão oral de L. ao cantar a música sem apoio de pranchas.
Concomitante a este processo, foram utilizadas pranchas de rotina e agendas com fotos, objetos simbólicos e relatos dos pais que viabilizavam o processo de comunicação de L., tornando os atendimentos mais significativos, contextualizados e fazendo com que ele pudesse expressar-se com uma comunicação mais efetiva.

RESULTADOS
L. inicialmente foi resistente as propostas, porém percebeu que a comunicação de modo alternativo lhe trazia maior segurança e resposta positiva do interlocutor. Com o comportamento mais adequado e envolvimento, durante as intervenções, conseguia que atenção compartilhada, contato ocular e outras formas de expressão significativas fossem desenvolvidas.
A expressão através dos comportamentos disruptivos diminuiu abrindo espaço para a expressão verbal de forma organizada, contextualizada e com significado para ele e para o outro, possibilitando-lhe autonomia nas escolhas e expressão dos desejos.

CONCLUSÃO
Concluo que a Comunicação Suplementar e/ou Alternativa utilizando objetos concretos, pranchas musicais, rotinas, agendas e outros materiais, auxiliam positivamente os indivíduos com Transtorno do Espectro Autista a desenvolver aspectos do seu desenvolvimento, favorecendo suas relações e aprendizagens.

BRITES, Luciana, BRITES, Clay. Mentes únicas. São Paulo: Gente, 2019
CONSENZA, R.M. & Guerra, L.B. (2011). Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed
DSM-V: Manual Diagnósico e Estatístico de Transtornos Mentais - American Psychiat ric Association (APA) – Artmed (2013)
HONORA, Márcia; FRIZANCO Mary L. Esclarecendo as deficiências: aspectos teóricos e práticos para contribuir com uma sociedade inclusiva. São Paulo: Ciranda Cultural, 2008. JOHNSON RM - Guia dos símbolos de comunicação pictórica. Tradução de G. MANTOVANI JC
TONOLLI - Revisão técnica Nádia Browning Gill, R. BERSCH. Porto Alegre: Clik, 1980. 64p.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2012
A CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E SUA IMPORTÂNCIA PARA O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O conhecimento alfabético requer uma série de habilidades fonológicas especializadas, relacionadas à Consciência Fonológica, que é a capacidade de detectar sons de fala similares nas palavras e permite às crianças representarem os segmentos de sons na linguagem escrita. Inúmeras são as contribuições da consciência fonológica no processo de alfabetização. A consciência fonológica é uma habilidade importante para que a criança possa desenvolver a capacidade de manipular os sons da linguagem oral. Objetivo: Este estudo tem como objetivo discutir sobre a importância da consciência fonológica para o processo de alfabetização. Método: utilizou-se como referencial teórico, artigos e livros que abordam sobre consciência fonológica e a importância dessa habilidade para o processo de alfabetização. Resultados: A partir do momento em que a criança vai conhecendo e aprendendo sua língua, ela precisa ser orientada pelo adulto para superar as dificuldades quanto ao padrão das normas da língua. A capacidade de ir além da percepção auditiva e alcançar uma habilidade metafonológica são o que se denomina uma atividade de reflexão sobre os aspectos fonológicos da língua. Momentos lúdicos que levem a criança a pensar sobre sua própria língua, através de brincadeiras com rimas, músicas, percepção dos sons das palavras, são muito importantes para o desenvolvimento da criança no processo de alfabetização. É primordial que a estimulação ocorra logo quando a criança começa a falar, para que desde cedo comece a desenvolver as habilidades que serão essenciais para a alfabetização. Ao entrar na escola, a professora irá trabalhar com as crianças, atividades que tem o objetivo de desenvolver várias habilidades que serão importantes para a alfabetização da criança, como: cantigas com rimas, pequenas poesias, movimentos de coordenação motora grossa e fina que são fundamentais para o desenvolvimento da leitura e escrita. Conclusão: Desenvolver a consciência da estrutura sonora das palavras na criança é fundamental para a alfabetização. Vários foram os estudos que enfatizaram os estágios iniciais da Consciência Fonológica, sendo estes contribuintes para o desenvolvimento dos estágios iniciais do processo de leitura e escrita, que por sua vez, contribuem para o desenvolvimento de habilidades de consciência fonológica mais complexa. Portanto, essa habilidade é essencial para o processo de alfabetização.


1- NUNES, Cristiane; FROTA, Silvana; MOUSINHO, Renata. Consciência Fonológica e o processo de aprendizagem de leitura e escrita: implicações teóricas para o embasamento da prática fonoaudiológica. Rev. CEFAC, Brasil, v.11, n.2, p. 207-212, abr-jun, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v11n2/v11n2a05.pdf. Acesso 10-07-2020.

2- PESTUN, Magda Solange Vanzo. Consciência Fonológica no Início da Escolarização e o Desempenho Ulterior em Leitura e Escrita: Estudo Correlacional. Estudos de Psicologia, 10(3), p. 407-412, Brasil, 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v10n3/a09v10n3. Acesso em: 10-07-2020.

3- SPÍNDOLA, Rafaela de Almeida; PAYÃO, Luzia Miscow da Cruz; BANDINI, Heloísa Helena Motta. Abordagem fonoaudiológica em desvios fonológicos fundamentais na hierarquia dos traços distintivos e na consciência fonológica. Rev. CEFAC, São Paulo, v.9, n.2, p.180-189, abr-jun, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v9n2/a06v9n2.pdf. Acesso 11-07-2020.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
774
A CONTRIBUIÇÃO DA MÚSICA NA INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM PACIENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)
54100313


Introdução: O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é entendido como um transtorno neurológico que afeta o desenvolvimento do indivíduo, envolvendo distúrbio na comunicação, interação social e comportamento. Nesse contexto, existe uma relação entre o neurodesenvolvimento e a música, visto que a música estimula a cognição, o comportamento social e o desenvolvimento linguístico. Dessa maneira, é notório que a sua utilização é um dos principais meios alternativos que o sujeito pode realizar com o meio, através das mobilizações dos seus processos cognitivos e emocionais. Nota-se que a presença da música na intervenção fonoaudiológica tem como objetivo de melhorar o desenvolvimento das habilidades do paciente, em relação à comunicação verbal e não verbal, memória, controle das ações motoras e suas relações sociais. Objetivo: Compreender à importância da música na terapia fonoaudiológica em pacientes com Transtorno Espectro Autista, para um melhor desenvolvimento na comunicação e no seu comportamento diante do convívio social. Método: Trata-se de uma revisão de literatura na base de dados do SCIELO, LILACS e revistas científicas, compreendendo o período entre 2015-2018. A busca foi restrita a artigos em português e espanhol, além do mais foram utilizados os seguintes descritores: musicoterapia, efeitos, TEA e interação. Resultado: É a partir da atividade auditiva que a música estimula o indivíduo, essa atividade é complexa e apresenta boas consequências na vida social e emocional do sujeito. A estimulação é causada através da utilização de canções ou na presença de algum instrumento musical. Desse modo, ocorrerá uma ativação nas diversas áreas do cérebro que estão associados com os processos cognitivos e emocionais. Com essa ativação, o paciente irá ter um melhor desenvolvimento das suas habilidades linguísticas, uma diminuição do comportamento repetitivo, aumento da interação social, além de uma importante contribuição na atenção, organização de pensamento e no contato visual. Conclusão: É notório que a utilização da música na intervenção fonoaudiológica é necessária para obter um melhor desenvolvimento do paciente, pois os estímulos causados demostraram eficácia no desenvolvimento infantil, principalmente, na comunicação e na interação social. Além disso, a música ajuda os autistas a manifestarem os seus sentimentos, melhorando o seu convívio social e familiar.

GONÇALVES, Cláudia A B; CASTRO, Mariana S J de. Propostas de intervenção fonoaudiológica no autismo infantil: revisão sistemática da literatura. Revista Distúrbios da Comunicação, [S.l.], v. 25, n. 1, abr. 2013. ISSN 2176-2724. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2020.
SAMPAIO, Renato Tocantins; LOUREIRO, Cybelle Maria; GOMES, Cristiano Mauro. A Musicoterapia e o Transtorno do Espectro do Autismo: uma abordagem informada pelas neurociências para a prática clínica. SCIELO, 2015. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2020.
NASCIMENTO, Paulyane Silva do; ZANON, Regina Basso; BOSA, Cleonice Alves; NOBRE, João Paulo dos Santos; DeFREITAS JÚNIOR, Áureo Déo; SILVA, Simone Souza da Costa. Comportamentos de Crianças do Espectro do Autismo com seus Pares no Contexto de Educação Musical. LILASC, 2015. Disponível em: < https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-748957> Acesso em: 25 de jun. 2020.
MUSZKAT, M. Música e Neurodesenvolvimento: em busca de uma poética musical inclusiva. Literartes, v. 1, n. 10, p. 233-243, 1 nov. 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
219
A DERMATOGLIFIA E A SUA ASSOCIAÇÃO COM SINTOMAS VOCAIS DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS.
Trabalho científico
Voz (VOZ)


A comunicação oral é um dos recursos mais utilizados para o desempenho didático dos docentes e está diretamente ligada à qualidade vocal¹. Em virtude disso, na Fonoaudiologia a produção científica sobre o tema é vasta. Além disso, os docentes apresentam alto risco ² para alterações vocais que podem ser atribuídos às condições de trabalho, comportamentos vocais inadequados e predisposição individual³ . Na literatura os sintomas mais frequentes dessa população são rouquidão e cansaço vocal¹,³; Quanto à predisposição individual, sabe-se que a produção vocal está ligada ao movimento dos músculos laríngeos. Estes têm potenciais musculares que podem ser analisados por meio da Dermatoglifia - o estudo das digitais. Após análise, o perfil dermatoglífico pode ser considerado aeróbico com maior resistência e coordenação motora, anaeróbico com predomínio de força, explosão e velocidade muscular ⁴.
Objetivo: avaliar existência da associação entre perfil dermatoglífico e sintomas vocais autorreferidos de docentes.
Métodos: Participaram do estudo 49 docentes de uma instituição publica do ensino superior. Após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), foram aplicados questionário sociodemográfico e Índice de Triagem para Distúrbios da Voz (ITDV)⁵. As impressões digitais dos docentes foram coletadas por meio do scanner Watson Mini da Integrated Biometric acoplado a um laptop Lenovo BM5K8TM1, com posterior análise utilizando o protocolo de Cummins e Midlo6. O teste Qui-Quadrado foi aplicado para verificação da associação entre sintomas vocais geral, cansaço vocal e rouquidão do ITDV com perfil dermatoglífico. O nível de significância foi de 5%. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer número 3.562.059.
Resultados: A idade média da população foi 44 anos, sendo a maioria do sexo feminino (76%). A carga horária semanal média foi de 40 horas e tempo médio de profissão foi 17 anos. A intensidade de uso da voz foi considerada moderada por 55,1% e excessiva por 22,4% da população. Quanto ao perfil dermatoglífico, 91,8% apresentaram perfil anaeróbico e 8,2% aeróbico. 48,9% anaeróbicos e 25% dos aeróbicos relataram cansaço vocal, enquanto 35,6% dos anaeróbicos e 25% dos aeróbicos referiram rouquidão “às vezes ou sempre”. Referente ao resultado do ITDV geral, os indivíduos aeróbicos não apresentaram preditivos para alteração vocal. Em contrapartida 26,7% dos anaeróbicos tiveram indicativo de alteração vocal. Não foi encontrada associação estatisticamente significante entre as variáveis perfil dermatoglífico e cansaço vocal (p= 0,359); perfil dermatoglífico e rouquidão (p= 0,671); bem como perfil dermatoglífico e ITDV geral (p=0,235).
Conclusão: A maioria dos sujeitos que apresentou o potencial muscular atrelado a menor resistência vocal, ou seja, do perfil anaeróbico, apresentou maior frequência de sintomas vocais. Contudo, não foi possível observar uma associação estatisticamente significante entre estas variáveis. É valido ressaltar que a frequência destes sintomas em ambos os perfis foram baixas. Além disso, existiu a limitação de uma pequena amostra populacional, principalmente do perfil aeróbico. Tais fatores podem ter interferido nos resultados encontrados.

1- Tonon, I. G., Gomes, N. R., Teixeira, L. C., & de Medeiros, A. M. (2020). Self-referred personal behavior profile of university professors: Association with communicative and vocal self-evaluation. Codas, 32(1), 1–7. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20192018141
2- Silva, G. J. da, Almeida, A. A., Lucena, B. T. L. de, & Silva, M. F. B. de L. (2016). Sintomas vocais e causas autorreferidas em professores. Revista CEFAC, 18(1), 158–166. https://doi.org/10.1590/1982-021620161817915
3- Limoeiro, F. M. H., Ferreira, A. E. M., Zambon, F., & Behlau, M. (2019). Comparison of the occurrence of signs and symptoms of vocal and change discomfort in the vocal tract in teachers from different levels of education. Codas, 31(2), 1–8. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20182018115
4- Coelho, CM. Cantores líricos e de musicais: dados dermatoglíficos e acústicos. 2017. 133 f. Tese (Doutorado) - Curso de Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, Fonoaudiologia, Pontifício Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2017
5- Ghirardi ACA, Ferreira LP; Giannini SPP; Latorre MRDO. Screening Index for Voice Disorder (SIVD): Development and Validation. J. Voice. 2013; 27(2): 195-200.
6- Cummins H, Midlo, C. Fingerprints, palms and soles. New Dover ed. Integral e corr. New York: Dover Publ; 1961.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
591
A DIFERENÇA DOS ACHADOS ELETROMIOGRÁFICOS NOS MÚSCULOS DA FACE EM FALANTES FLUENTES E GAGOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O bom funcionamento da musculatura que compõe a face é crucial para a promoção de uma comunicação oral de qualidade, uma vez que este é um dos responsáveis pela articulação dos sons. Os músculos que compõe a movimentação facial possuem padrões de excitabilidade distintos, sendo possível a existência de variações entre estruturas musculares bem próximas no mesmo indivíduo, podendo essas modificações serem explicadas por vários fatores neuroanatômicos. Objetivo: Buscar nas bases de dados online (Scielo, PubMed, Lilacs, Bireme e Google Acadêmico), artigos científicos que mostrassem se há ou não distinção entre a contração muscular e suas implicações nos músculos faciais entre falantes fluentes e gagos, utilizando a eletromiografia de superfície como instrumento de obtenção de dados, construindo uma revisão sistemática da literatura. Método: A consulta às bases de dados foi realizada utilizados os descritores: electromyography AND stuttering AND face, onde, em um período de treze anos, entre dois mil e sete a dois mil e vinte, foram encontrados vinte e seis artigos em português e inglês. A busca ocorreu de forma independente entre os pesquisadores. Foi realizada uma pré-análise para verificar se os artigos encontrados contemplariam o objetivo do estudo, porém, após a leitura do resumo, artigo completo e debate entre os pesquisadores, somente oito atendiam aos critérios de inclusão e exclusão, como, por exemplo, não serem outras revisões sistemáticas, utilizar a eletromiografia em mais de três músculos da face e terem sido realizados em humanos. Resultados: Através da análise, realizada com leitura minuciosa do material e comparação de resultados entre as obras, constatamos diferenças e similaridades trazidas pelos autores em suas pesquisas entre a musculatura facial e até da língua, em alguns casos, de falantes fluentes e disfluentes. Além disso, embora a eletromiografia seja um recurso tecnológico já implementado no mercado e clínica fonoaudiológica há algum tempo, foi perceptível a visualização da escassez de estudos que a relacionasse com a avaliação e tratamento entre os grupos mencionados. Conclusão: Os achados são peças fundamentais para a criação de instrumentos que facilitem a mensuração do quê pode ou não estar alterado, em questão funcional da musculatura facial. Dessa forma, as implicações trazidas nos resultados da presente revisão sistemática, podem de maneira assertiva guiar profissionais e auxiliá-los posteriormente em sua prática clínica, possibilitando um diagnóstico com maiores evidências e a melhoria consciente do processo terapêutico.

Andrade Claudia Regina Furquim de, Sassi Fernanda Chiarion, Juste Fabiola, Mendonça Lucia Iracema Zanotto de. Gagueira desenvolvimental persistente como disfunção cortical-subcortical: evidências da ativação muscular. Arq. Neuro-Psiquiatr. [Internet]. 2008 [citado 2020 em 05 de julho]; 66 (3b): 659-664. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2008000500010&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X2008000500010.
Andrade Claudia Regina Furquim de. Perfil familial da Fluência da Fala - estudo linguistico, acustico e eletromiografico. Pró-Fono Revista de Atualização Científica [Internet]. 2010 Junho 17 [citado 2020 em 05 de Julho];22(3):169-74. DOI https://doi.org/10.1590/S0104-56872010000300003. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-56872010000300003&lng=pt&tlng=pt
Andrade Claudia Regina Furquim de, Sassi Fernanda Chiarion, Juste Fabiola Staróbole, Meira Maria Isis Marinho. Atividades de fala e não-fala em gagueira: estudo preliminar. Pró-Fono Revista de Atualização Científica [Internet]. 2008 Fevereiro 22 [citado 2020 em 05 de Julho]; 20: 67-70. DOI https://doi.org/10.1590/S0104-56872008000100012. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-56872008000100012&script=sci_arttext&tlng=pt
Andrade Claudia Regina Furquim de, Queiróz Danilo Pacheco de, Sassi Fernanda Chiarion. Eletromiografia e diadococinesia - estudo com crianças fluentes e com gagueira. Pró-Fono Revista de Atualização Científica [Internet]. 2010 Abril 22 [citado 2020 em 05 de Julho]; 22:77-82. DOI http://dx.doi.org/10.1590/S0104-56872010000200001.Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-56872010000200002&script=sci_arttext&tlng=pt
Andrade Claudia Regina Furquim de, Sassi Fernanda Chiarion, Juste Fabiola Staróbole, Ercolin Beatriz. Modelamento da fluência com o uso da eletromiografia de superfície: estudo piloto. Pró-Fono Revista de Atualização Científica [Internet]. 2008 Maio 12 [citado 2020 em 05 de Julho];20 DOI https://doi.org/10.1590/S0104-56872008000200010. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-56872008000200010&script=sci_arttext
Bohland Jason W., Bullock Daniel, Guenther Frank H. Neural representations and mechanisms for the performance of simple speech sequences. J Cogn Neurosci [Internet]. 2010 Outubro 01 [citado 2020 em 05 de Julho]; 22:1504–1529. DOI 10.1162/jocn.2009.21306. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2937837/.
Choo Ai Leen, Robb Michael P, Alford John C. Dalrymple, Huckabee Maggie-Lee, O’Beirne Greg A. Different Lip Asymmetry in Adults Who Stutter: Electromyographic Evidence during Speech and Non-Speech. Folia Phoniatr Logop [Internet]. 2010 Apr 29 [citado 2020 em 05 de Julho ];69:143–147. DOI https://doi.org/10.1159/000287213. Disponível em: https://www.karger.com/Article/Abstract/287213


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1930
A EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE E A AÇÃO INTERPROFISSIONAL: REFLEXÕES A PARTIR DA VIVÊNCIA PET EIP
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


A Educação Interprofissional (EIP) é o mais novo desafio a ser superado pelas instituições de ensino superior voltadas à formação do profissional de saúde. Utilizando-se de uma das políticas indutoras de formação, o Ministério da Saúde lançou em 2018 o Edital PET EIP 1, uma proposta de inclusão da EIP na geração de novas concepções para as práticas profissionais.
Em nossa universidade, o projeto é desenvolvido pela parceria de nove cursos (Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Odontologia, Nutrição, Psicologia e Terapia Ocupacional), resultando na criação de cinco grupos tutoriais interprofissionais em cinco unidades básicas de saúde (UBS).
O presente relato de experiência representa as ações desenvolvidas no primeiro ano do projeto por um dos grupos tutoriais.
Uma vez que a EIP se caracteriza como aquela que ocorre quando estudantes de duas ou mais profissões aprendem sobre os outros, com os outros e entre si para possibilitar a colaboração eficaz e melhorar os resultados na saúde 2, as atividades de tutoria partiram de encontros dialogados, onde os estudantes foram incentivados a autonomia e protagonismo.
O diagnóstico territorial e a participação no dia a dia da UBS nos despertaram para a premência do desenvolvimento de ações de promoção à saúde e prevenção de agravos, tanto na sala de espera como em outras instituições do território. Nesse momento, introduzimos o conceito de Educação Popular em Saúde para servir de base teórica de formação
Educação Popular em Saúde é definida como prática voltada para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde a partir do diálogo entre a diversidade de saberes, valorizando os saberes populares, a ancestralidade, a produção de conhecimentos e a inserção destes no SUS3. Portanto, aprender sobre o outro, com o outro e entre si, inclui o usuário numa posição central no processo de aprendizagem em EIP.
Em doze meses de atuação na UBS forma criadas as seguintes ações: Agosto Azul (voltada para a saúde do homem), Dia das Crianças (o brincar como centralidade na infância), Palhaços Petianos (uma ação de acolhimento e humanização), Dia do Beijo (um beijo muda tudo!), Semana da Hipertensão (o sal oculto), Semana da Amamentação e do Bebe (um encontro com mães e gestantes), Caixa de Pandora (saúde do adolescente na escola), Dia da Família na Escola (Palhaços Petianos transformando ambientes).
Conclui-se que a integração do conceito de Educação Popular em Saúde potencializou positivamente as atividades desenvolvidas, ampliando o espectro da Educação Interprofissional, uma vez que ambos conceitos requerem a compreensão de que a prática da saúde é realizada no encontro de subjetividades e no diálogo intercultural.



1. DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO Publicado em: 24/07/2018 | Edição: 141 | Seção: 3 | Página: 78E DITAL Nº 10, 23 DE JULHO 2018 SELEÇÃO PARA O PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PELO TRABALHO PARA A SAÚDE PET-SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE - 2018/2019
2. OPAS/OMS Marco para Ação em Educação Interprofissional e Prática Colaborativa - disponível em http://www.who.int/hrh/nursing_midwifery/en/
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa.
Caderno de educação popular e saúde / Ministério da Saúde, Secretariade Gestão Estratégica e Participativa,Departamento de Apoio à Gestão Participativa. - Brasília: Ministério da Saúde, 2007.160 p. : il . color. - (Série B. Textos Básicos de Saúde)


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1658
A EFETIVIDADE DA INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA GRUPAL NO COMPORTAMENTO COMUNICATIVO DE INDIVÍDUOS COM DIAGNÓSTICO DE ESQUIZOFRENIA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


A efetividade da intervenção fonoaudiológica grupal no comportamento comunicativo de indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia

Introdução: Os transtornos do pensamento, como a esquizofrenia são, em geral, os mais prevalentes em serviços de saúde mental, como os CAPS(1). Pessoas com esquizofrenia podem apresentar déficits em vários domínios, incluindo percepção, atenção, memória, velocidade de processamento, raciocínio, solução de problemas, cognição social e, consequentemente, na comunicação(2). Pensando na comunicação como instrumento de reinserção social de indivíduos com esquizofrenia, a fonoaudiologia surge com a proposta de ultrapassar a barreira dos transtornos do desenvolvimento pela construção de uma clínica psicossocial, com estratégia grupal, fortalecendo a luta pela Reforma Psiquiátrica(3).

Objetivo: Verificar a efetividade da intervenção fonoaudiológica grupal no comportamento comunicativo de indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia.

Método: Trata-se de um estudo quase experimental, quantitativo analítico exploratório. Foram incluídos usuários de um Centro de Atenção Psicossocial III (CAPS III) com diagnóstico de esquizofrenia, divididos em 2 grupos: Grupo Experimental (GE), compondo o Grupo de Intervenção Fonoaudiológica (GIF) e Grupo Controle (GC). O comportamento comunicativo foi avaliado através da Bateria MAC Breve(4), que examina quatro processamentos comunicativos principais: nível da palavra e da sentença (léxico-semântico); prosódia em sentenças e no discurso (prosódico) e nível de sentença e discurso com processamento de inferências (pragmático e discursivo), divididos em 10 subtestes: Consciência das Dificuldades; Discurso Conversacional; Discurso Narrativo; Interpretação de Metáforas; Interpretação de Atos de Fala; Fluência Verbal Livre; Julgamento Semântico; Prosódia Emocional – Produção; Leitura e Escrita. O GIF foi realizado em 2 sessões semanais, totalizando 24 sessões que constavam de atividades de narração de histórias (discurso), jogos de relação semântica e evocação lexical (léxico-semântica), canto e dramatização de cenas (prosódia) e jogos de metáfora e fala indireta (pragmática). Após esse período, os indivíduos foram reavaliados. A análise dos dados ocorreu por meio dos Testes não paramétricos de Mann Whitney e o Teste de Correlação de Pearson.

Resultados: Participaram 19 indivíduos, de ambos os sexos, com idade entre 19 a 59 anos, escolaridade mínima de 5 anos, sendo que 14 participaram do GE e 5 do GC. No GE, foi possível observar que houve melhora no comportamento comunicativo após a intervenção fonoaudiológica em todas as tarefas avaliadas, exceto na tarefa de escrita. Dentre as tarefas avaliadas, o destaque foi para Prosódia Emocional – Produção, o que indica que os participantes passaram a expressar, de maneira mais efetiva, suas emoções por meio de entonações emocionais. Já no GC, não foram observadas alterações significativas comparando a avaliação e a reavaliação após 12 semanas.

Conclusão: A intervenção fonoaudiológica grupal foi efetiva, utilizando a comunicação como instrumento de socialização e contribuindo para a melhoria das condições de vida de indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
907
A EFICÁCIA DE UM PROGRAMA DE ORIENTAÇÕES SOBRE HIGIENE DO SONO PARA O TRATAMENTO DE AOS: SÉRIE DE CASOS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é caracterizada por episódios repetidos de obstrução das vias respiratórias durante o sono(1-3). Estima-se que entre 1 a 6% da população adulta seja acometida(2), tornando este um problema de saúde pública(1,2), muitas vezes negligenciado pela equipe de saúde. O tratamento deve ser multiprofissional, considerando um atendimento individualizado, específico para cada paciente(2,4).
OBJETIVO: Verificar a efetividade de um programa de orientações aos indivíduos apneicos acerca da higiene do sono como intervenção terapêutica.
MÉTODO: Série de casos, desenvolvida no ambulatório de Pneumologia de um hospital filantrópico, aprovada pelo CEP, sob nº 3.300.676. Amostra dada por conveniência. Foram incluídos adultos hígidos, que realizaram o exame de polissonografia entre abril/2018 e setembro/2019 com o resultado de Índice de Apneia e Hipoapneia maior que 5, que concordaram em participar da pesquisa, e compareceram à avaliação presencial. Quando incluídos, os sujeitos passaram por avaliação constituída por: Escala de Epworth(5), Questionário de Pittsburgh(5), Questionário STOP-BANG(6) e Protocolo de Motricidade Orofacial Específico para Apneia(7) adaptado. Após as avaliações, o participante recebeu, presencialmente, orientações a respeito da higiene do sono, com o intuito de conscientizá-lo sobre a importância de uma rotina mais adequada. O acompanhamento foi feito por telefone, semanalmente, durante doze semanas. Os participantes também compareceram a encontros mensais para esclarecimento de dúvidas, acompanhamento das mudanças e retomada das orientações recebidas. No último encontro presencial foram refeitas as avaliações iniciais e os pacientes foram encaminhados para novo exame de polissonografia, buscando verificar mudanças objetivas e suas relações com os protocolos coletados. As variáveis IAH, SO2 mínima, SO2 média e índice de dessaturação foram comparadas pré e pós terapia,através de estatísticas descritas e do teste não-paramétrico de Wilcoxon. Foram consideradas diferenças significativas a um nível máximo de 5%.
RESULTADOS: 165 pacientes realizaram exame de polissonografia, sendo contatados por telefone. 141 não apresentaram interesse ou disponibilidade; dos 24 que agendaram anamnese, 4 não compareceram. Dos 20 sujeitos, 4 foram excluídos por usarem CPAP, sendo 16 incluídos para seguir a terapia. 1 não teve interesse, 7 desistiram e 1 começou a utilizar CPAP. Assim, resultaram 7 participantes (3 homens e 4 mulheres) com idade média de 61 (± 6,08) anos. Através dos resultados do teste não-paramétrico de Wilcoxon verificou-se que apenas a SO2 média apresenta diferença significativa pré e pós intervenção - redução significativa no período pós. Todos os pacientes seguiram o curso progressivo da patologia.
CONCLUSÃO: Para os casos acompanhados observamos que não houve efetividade do programa de orientações proposto, uma vez que não foram registradas mudanças de hábitos nem alterações significativas nos dados objetivos comparados. Acreditamos que outras medidas sejam necessárias para minimizar o quadro. Entendemos que a continuidade da investigação com outras propostas terapêuticas contribuirá para traçar o efetivo papel das orientações em casos de AOS.

1. Veasey SC, Rosen IM. Obstructive Sleep Apnea in Adults. N Engl J Med 380;15 nejm.org April 11, 2019;
2. Miranda VGS, Buffon G, Vidor DCGM. Orofacial myofunctional profile of patients with sleep disorders: relationship with result of polysomnography. CoDAS 2019;31(3):e20180183;
3. Senaratna CV, Perret JL, Lodge CJ, Lowe AJ, Campbell BE, Matheson MC, Hamilton GS, Dharmage SC. Prevalence of obstructive sleep apnea in the general population: A systematic review. Sleep Medicine Reviews (2016), http://dx.doi.org/10.1016/j.smrv.2016.07.002;
4. Correa CC, Kayamori F, Weber SAT, Bianchini EMG. Scientific production of Brazilian speech language pathologists in sleep medicine. Sleep Sci. 2018;11(3):183-210;
5. Bertolazzi AN. Tradução, adaptação cultural e validação de dois instrumentos de avaliação do sono: escala de sonolência de Epworth e índice de qualidade de sono de Pittsburgh [dissertação]. Porto Alegre (RS): Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2008;
6. Duarte RLM, Fonseca LBM, Magalhães-da-Silveira FJ, da Silveira EA, Rabahi MF. Validação do questionário STOP-Bang para a identificação de apneia obstrutiva do sono em adultos no Brasil. J Bras Pneumol. 2017;43(6):456-463;
7. Folha GA, Valera FCP, de Felıcio CM. Validity and reliability of a protocol of orofacial myofunctional evaluation for patients with obstructive sleep apnea. Eur J Oral Sci 2015; 123: 165–172. © 2015 Eur J Oral Sci.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
916
A EFICIÊNCIA DO TREINAMENTO AUDITIVO CENTRAL NA REABILITAÇÃO AUDITIVA EM IDOSOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A EFICIÊNCIA DO TREINAMENTO AUDITIVO CENTRAL NA REABILITAÇÃO AUDITIVA EM IDOSOS
Introdução: Os efeitos da idade no sistema auditivo periférico e sistema auditivo central interagem com mudanças, já que o envelhecimento pode acarretar alterações degenerativas no sistema auditivo. A presbiacusia é, principalmente, um fenômeno coclear. Contudo, degradações relacionadas à idade também são encontradas no tronco encefálico, bem como em estruturas corticais. O treinamento auditivo é uma pratica amplamente utilizada na reabilitação das habilidades auditivas de indivíduos com Transtorno de Processamento Auditivo Central, que visa a estimulação auditiva de modo a maximizar os efeitos da plasticidade do sistema nervoso central. Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo verificar a efetividade de um programa de treinamento auditivo em idosos. Metodologia: trata-se de um estudo de revisão de bibliográfica. A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão de literatura nas bases de dados publicados e indexados na SCIELO, Rev. CEFAC e PubMed. Foram identificados diversos artigos, em português, relacionado com o tema. Dos artigos encontrados, apenas 14 apresentavam informações relacionadas ao objetivo desse estudo. Resultados: Verificou-se que a média da idade dos participantes dos estudos foram de 60 a 90 anos, tendo as pesquisas sido realizadas com ambos os sexos. Quanto ao tipo e grau de perda auditiva, os participantes possuíam perda neurossensorial de grau leve a moderadamente severa bilateral e sem nenhum comprometimento cognitivo. Foram realizadas entre quatro a oito sessões de treinamento do Processamento Auditivo Central, ocorrendo uma vez por semana com duração em média de uma hora. Os estudos relatam que houve avaliações antes do início e após o treinamento auditivo. Todos os trabalhos analisados possuem conclusões convergentes, no sentido de que o treinamento do Processamento Auditivo Central em idosos contribui para a melhora das habilidades auditivas, aprimorando sua percepção e compreensão da fala e identificação dos sons ambientais. Sendo assim, observou-se que o treinamento auditivo interfere diretamente na qualidade de vida do idoso com e sem próteses auditivas, uma vez que o mesmo passará a compreender e se comunicar oralmente melhor. Conclusão: Verificou-se nos trabalhos encontrados concomitância quanto a eficiência do treinamento do Processamento Auditivo Central em idosos, ajudando na minimizar as dificuldades na comunicação e melhora da qualidade de vida.

Palavras-chave: fonoaudiologia; processamento auditivo central; reabilitação auditiva; envelhecimento.

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Bamford J. Auditory train. What is it, what is it supposed to do, and does it do it? Br J Audiol. 1981;15(2):75-8.

Santos SN, Petry T, Costa MJ. Índice percentual de reconhecimento de sentenças no silêncio e no ruído: efeitos da aclimatização no indivíduo avaliado sem as próteses auditivas. Revista Cefac. 2010;12(5):733-40.

Miranda E C de, Gill D , Lório M C M. Treinamento auditivo formal em idosos usuários de próteses auditivas. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. 2008 Nov/Dec;74(6)


TRABALHOS CIENTÍFICOS
787
A ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE (EMGS) VEM SENDO BASTANTE UTILIZADA EM PESQUISAS PARA O ESTUDO DA DEGLUTIÇÃO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: Pesquisadores vem estudando a eletromiografia de supercície (EMGs) durante a deglutição1,2 e na doença de Parkinson (DP) os músculos Supra-hióideos demonstram achados eletromiográficos característicos3,4. Objetivo: identificar a acurácia de parâmetros da EMGs dos músculos supra-hióideos no consumo contínuo de água em sujeitos com doença de Parkinson (DP). Método: Tratou-se de um estudo analítico descritivo do tipo transversal com amostra de conveniência com aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco, sob ofício nº 842/2011. Antes de iniciar o estudo, os sujeitos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Participaram 67 sujeitos, sendo 41 com doença de Parkinson (DP) e 26 sujeitos sem alterações neurológicas e apresentando deglutição normal. Além da Ficha de Registro de Dados e EMGs dos músculos supra-hióideos, os sujeitos com DP foram estadiados pela escala de Hoehn e Yahr5; avaliados a partir do mini exame do estado mental6 e submetidos à Videoendoscopia da deglutição com a aplicação da escala de severidade da disfagia7 Apenas os sujeitos considerados normais responderam ao questionário de qualidade de vida em disfagia (SWAL-QOL)8 e aqueles com escore inferior a 93% foram excluídos do estudo. Após o estabelecimento do diagnóstico de gravidade de disfagia e considerado as exclusões, a amostra foi dividida em dois grupos: grupo 1, formado por 23 sujeitos apresentando deglutição normal e grupo 2, formado por 35 sujeitos com DP apresentando disfagia. Para a EMGs dos músculos supra-hióideos foi realizada a higienização da pele e fixação dos eletrodos na região submentoniana em ventre muscular. O registro foi captado pelo eletromiógrafo da marca EMG System do brasil nas especificações indicadas pelo SENIAM9. As variáveis estudadas foram: duração total da atividade eletromiográfica para o consumo; número de deglutições; duração média dos ciclos de deglutição e o volume médio por gole. O período de coleta foi de sete meses e os dados foram processados pelo BioanalyzerBR versão 2 e a análise estatística foi realizada pelo programa STATISTICA por meio da análise de variância (ANOVA), teste Exato de Fisher e o KAPPA, considerando nível de significância menor que 0,05. Resultados: Para o consumo contínuo de 100 ml de água, o número de deglutições foi maior (p=0,002), duração total mais prolongada (p=0,01) e volume médio por gole menor (p=0,01) no grupo DP disfágico, com significância estatística na comparação com o grupo deglutição normal. O número de deglutições e o volume médio por gole apresentaram especificidade de 88%, valor preditivo positivo de 78% e odds ratio de 8.2 com significância estatística para ambos. Conclusão: O registro eletromiográfico do número de deglutições e volume médio por gole pode ser útil para a triagem e registro da deglutição em pacientes com doença de Parkinson apresentando disfagia. Sendo importante associar seus resultados às informações colhidas na avaliação clínica fonoaudiológica inicial considerada soberana.

Referências:
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1390
A ESCUTA DIALÓGICA NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO: UM ESTUDO DE CASO QUALITATIVO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


A escuta dialógica no processo de envelhecimento: um estudo de caso qualitativo
Autores: Gabriel Lechenakoski, Ana Martha Massucheto, Ana Paula Hey, Giselle Massi
Introdução: na obra “A velhice”, Simone de Beauvoir1 ressalta que, apesar de natural, o processo de envelhecimento apresenta-se multifacetado, ou seja, resultante de fatores sociais, biológicos, psicológicos, políticos e econômicos. As pessoas e as comunidades vivenciam a velhice de maneiras diversas a partir da própria história pessoal e coletiva, as quais são determinadas por diferentes fatores. Com esse entendimento, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa2 enfatiza a importância da criação de ações intersetoriais que, atreladas a setores da educação, da economia, do trabalho possam atender pessoas mais velhas, promovendo seu bem-estar e integração social. Nessa direção, destaca-se a escuta dialógica3, na constituição permanente de sujeitos criativos e autônomos, contribuintes da organização de uma sociedade aberta à intergeracionalidade. Objetivo: refletir sobre a escuta no processo de envelhecimento da pessoa idosa com dificuldade auditiva. Método: trata-se de um estudo de caso qualitativo, que se organizou em função de uma entrevista semiestruturada, cujas resposta foram consideradas com base na Análise Dialógica do Discurso3. A investigação foi aprovada por Comitê de Ética em Pesquisa: 2.393.575. Contou com a participação de uma mulher, reconhecida pelo nome fictício Jodelet. Ela tem mais de setenta anos de idade, apresenta perda auditiva desde a juventude e é acompanhada em uma clínica- escola de Fonoaudiologia, situada no Paraná. Resultados: Jodelet explicitou que perdeu, repentinamente, a audição do ouvido esquerdo com aproximadamente 30 anos de idade e que passou a usar aparelho auditivo há 17 anos. Na ótica dela, a escuta relaciona-se a aspectos biológicos e interacionais. De um ponto de vista biológico, afirmou que se sente entristecida por estar perdendo a audição, por conta da idade, no ouvido direito. Referiu que quando era jovem, levou tempo para se acostumar com o fato de não ouvir de um lado. Também, mencionou que se percebia perdida pela sua falta de audição e que as pessoas reclamavam, dizendo que ela era desatenta. Disse que, de início, foi difícil se adaptar com o aparelho auditivo e que, atualmente, ele lhe faz muito bem. Pois, não escuta os outros sem o aparelho. De um ponto de vista interacional, Jodelet destaca a importância da escuta, reafirmando que é bom quando fala e os outros lhe dão atenção. Na sua perspectiva, escutar o outro, considerando a sua posição, é um trabalho que influencia na qualidade de vida das pessoas. De forma geral, o trabalho de escuta, para Jodelet, deve envolver pessoas de todas as idades, pois os mais velhos têm histórias para contar, que precisam ser consideradas, e os mais jovens têm muito a ensinar sobre as novas tecnologias. Conclusão: a escuta, de uma perspectiva dialógica, pode contribuir com uma atuação fonoaudiológica singularizada e pautada nos preceitos da autonomia. Embora o estudo envolva um único caso, ele indica, que aspectos biológicos da audição ganham novas possibilidades de análise à medida que a escuta dialógica é considerada, pois envolve a interação e promove o envelhecimento ativo.
Palavras-chave: envelhecimento, perda auditiva, relações interpessoais, participação social.

Referências Bibliográficas:
1) Beauvoir, Simone de. A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
2) Brasil. Portaria no 2.528, de 19 de outubro de 2006. Regulamenta Portaria no 1.395/GM de 10 de dezembro de 1999 e aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Brasília, 2006a.
3) Ponzio, A. A revolução bakhtiniana. São Paulo: Contexto, 2008.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1029
A ESPECIFICIDADE DE DOMÍNIO NO DÉFICIT ESPECÍFICO DE LINGUAGEM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução
O Déficit específico de Linguagem (DEL) pode ser entendido como uma deficiência no desempenho linguístico de diferentes manifestações e que ocorrem ao longo do desenvolvimento infantil. Não tem compensação em outros domínios da cognição, tão pouco etiologia identificada, apesar de terem indícios de que alterações genéticas podem levar ao transtorno (1).

Objetivo
Analisar teoricamente a possibilidade de especificidade de domínio do Déficit Específico de Linguagem.


Metodologia
Revisão bibliográfica de 15 textos que fazem parte das referências disponibilizadas na disciplina de psicolinguística aplicada e distúrbios da linguagem no desenvolvimento ministrada em um programa de pós-graduação de uma universidade.

Resultados e discussão
A caracterização do Déficit Específico de Linguagem é comumente feita por critérios de exclusão. As manifestações que encontramos nesses casos são muito heterogêneas no que diz respeito aos sistemas afetados e o que isso acarreta. Apesar disso, é possível identificar alguns grupos homogêneos, contribuindo para um melhor entendimento do DEL (1).
Diante do fato de o diagnóstico do DEL ser feito através do método de exclusão, pesquisadores desenvolveram estudos de modo a identificar a especificidade de domínio do transtorno. Nesse interim, surgiram questionamentos sobre se a mente é modular no sentido de haver um módulo específico dedicado a linguagem (3,4).
A linguagem é composta por diversos itens que juntos formam um sistema complexo. Dentre estes, existem aqueles que são mais compatíveis com a hipótese da modularidade da mente: a sintaxe, a morfologia e a fonologia-gramatical (2). Van der Lely (2008) em seu estudo justifica isso pelo fato desses aspectos fazerem uma computação não encontrada em outros domínios.
Acredita-se que o DEL tem uma questão genética envolvida. Isso ajuda a explicar a especificidade do domínio já que a genética tem papel fundamental em determinar os circuitos neuronais das habilidades cognitivas. Não existe fator ambiental suficiente para gerar uma especialização de sistema (2). A hipótese da dificuldade de o DEL ser um domínio específico se dá pelo fato da maior parte das manifestações se darem no sistema gramatical.
Nesse sentido, os comprometimentos apresentados no DEL sugerem a existência de uma especificidade de domínio, separando o domínio linguístico e cognitivo. Apesar disso, é importante levantar a ideia de que as funções cognitivas superiores podem ser desenvolvidas pelo domínio linguístico (4).
Pensando nessas questões e interrogações sobre o distúrbio, o consenso CATALISE ajudou a pensar em uma melhor forma de caracterização do DEL, contribuindo para um melhor diagnóstico. Nesse consenso, após o debate de profissionais de diferentes áreas, o DEL mudou de nome para Transtorno do Desenvolvimento Linguístico e o seu diagnóstico passou a ser de inclusão. Foi discutido também sobre a possibilidade de comorbidades (3). Essas mudanças tiraram o peso da especificidade do domínio linguístico.


Conclusão
Ao estudar o DEL nos deparamos com uma dificuldade por ainda não haver conclusões seguras sobre o assunto. Atualmente, ainda se faz muito forte a linha de pensamento que o DEL é um distúrbio com especificidade de domínio, mas após o consenso CATALISE, isso está cada dia mais aberto a discussões.

1. Silveira MS. Déficit Especificamente Linguístico (DEL) e uma avaliação preliminar de uma manifestação em crianças falantes do português. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2002. Dissertação de mestrado.
2. Van Der Lely HKJ. Domain-specific cognitive systems: Insight from Grammatical-SLI. Trends Cogn Sci. 2005;9(2):53–9.
3. Bishop DVM, Snowling MJ, Thompson PA, Greenhalgh T, Adams C, Archibald L, et al. CATALISE: A multinational and multidisciplinary Delphi consensus study. Identifying language impairments in children. PLoS One [Internet]. 2016;11(7):1–26. Available from: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0158753
4. Augusto, MRA. Aquisição da linguagem na perspectiva minimalista: especificidade e dissociações entre domínios. Linguagem, Teoria, Análise e Aplicações (3). Rio de Janeiro: Editora Letra Capital, 2007.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
2063
A ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA ENQUANTO ALIADA NA DETECÇÃO DE SINAIS DE RISCO PARA ALTERAÇÃO DE LINGUAGEM: ENCAMINHAMENTO E INTERVENÇÃO PRECOCE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Compreende-se que o fonoaudiólogo está apto a dirigir intervenções fonoaudiológicas e multidisciplinares a pessoas e grupos sociais, de maneira integral e através do desenvolvimento de ações de promoção, prevenção, atenção e educação em saúde, consoantes com o território e indicadores de qualidade de vida e de saúde da população-alvo para a qual é direcionada a proposta de cuidado (Mendes, 2010).
O objetivo deste trabalho é analisar a Estratégia Saúde da Família enquanto aliada na detecção de sinais de risco para alteração de linguagem visando o encaminhamento e intervenção precoce com estas crianças.
Para isso, realizou-se um encontro presencial inicial com o (s) gestor (es) de cada Unidade selecionada para apresentar a proposta de trabalho. Diante do aceite de cada unidade, os gestores enviaram um e-mail para a Secretaria Municipal de saúde deste município que devolveu para a pesquisadora, em forma de aceite para a realização deste estudo.
Tal documento foi encaminhado junto aos termos de consentimento Livre e esclarecidos para o Comitê de Ética e pesquisa e recebeu aprovação sob o número de protocolo 3.631.331.
A partir desse momento, deu-se início ao Período de Educação Permanente e foram realizados três encontros em grupo com cada equipe da saúde família envolvida.
Os encontros abordaram os seguintes temas: (1)“Desenvolvimento global e linguístico das crianças na primeira Infância: O que esperar em cada fase?”; (2)“A linguagem e suas alterações: Principais alterações no desenvolvimento da linguagem e utilização dos protocolos de rastreio: PIFRAL (Silva; Couto; Molini-Avejonas, 2013) e Protocolo de Desenvolvimento de Linguagem (Molini-Avejonas; Fernandes, 2017) e (3) Importância da detecção e encaminhamento precoce nas alterações de linguagem. Estratégias de estimulação da linguagem a serem orientadas aos pais/ responsáveis enquanto medidas protetivas, através de modificações ambientais e atitudes no contexto familiar.
Até o presente momento, capacitou-se quatro unidades de Saúde da Família de diferentes distritos do Município, totalizando nove equipes de Saúde da Família, incluindo agentes comunitários de saúde, assistentes de saúde bucal, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, médicos e dentistas, também participaram como ouvintes cerca de 20 alunos e/ou residentes que estavam pelas unidades. Participaram ao todo 71 sujeitos que serão os multiplicadores do conhecimento desenvolvido até o momento.
Foi aplicada também a pesquisa de satisfação imediata dos profissionais sobre os encontros realizados, que apresentou os resultados parciais de 57 respostas já coletadas, todas com pontuação entre 4-5 estrelas, revelando um bom aproveitamento do programa.
Os próximos passos envolverão a coleta de dados por parte dos profissionais das unidades de saúde da família e a fonoaudióloga estará à disposição, realizando visitas longitudinais para acompanhamento dos casos. Os dados serão tabulados e será realizada uma análise tardia da satisfação dos profissionais de saúde, bem como, do destino dos casos rastreados na rede.
A finalidade do estudo será, portanto, entender a rede fonoaudiológica do município em questão, agilizar encaminhamentos e consequente intervenção precoce, instrumentalizar esquipes de saúde da família e propor políticas públicas que visem a promoção e prevenção de agravos à saúde fonoaudiológica infantil.

MENDES, V. Fonoaudiologia, Atenção Básica e Saúde da Família. In: FERNANDES, F.; MENDES, B.; NAVAS, A. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca, 2010. p. 612-618.

MOLINI-AVEJONAS, D. R.; FERNANDES, F. D. M. Processo de intervenção no distúrbios de linguagem infantil. In: LAMÔNICA, D. A. C.; OLIVEIRA, D. B. D. Tratado de Linguagem: perspectivas contemporâneas. 1º. ed. Ribeirão Preto: Book Toy, 2017. Cap. 20, p. 218.

SILVA, G.M.D.; COUTO, M.I.V.; MOLINI-AVEJONAS, D.R. Identificação dos fatores de risco em crianças com alteração fonoaudiológica: estudo piloto. CoDAS, São Paulo, v. 25, n. 5, p. 456-462, 2013.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
755
A FAMÍLIA E O DIAGNÓSTICO VOLTADO À LINGUAGEM: UMA ATIVIDADE FONOAUDIOLÓGICA GRUPAL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: o momento do diagnóstico é tomado como crítico para a maioria dos familiares/cuidadores, uma vez que receber uma notícia que remete à quebra de uma representação do filho ‘saudável’, geralmente, gera dificuldades, acompanhadas de negação e sentimentos de dúvida(1). Nesse sentido, um olhar ‘patologizante’ pode ser direcionado ao sujeito diagnosticado com distúrbio de linguagem, impondo-lhes limitações, uma vez que são tomados como maus falantes, maus escreventes/leitores(2). A partir da determinação de um diagnóstico, comumente, são destacados sintomas vinculados a aspectos anatomofuncionais, centrados nos sujeitos ou em suas famílias(3). Nesse contexto, um trabalho em grupo com familiares/cuidadores possibilita interações discursivas e expressões de sentidos acerca de tais diagnósticos(4). Objetivo: analisar a visão de familiares/cuidadores acerca do diagnóstico na linguagem em relação a sujeitos em acompanhamento fonoaudiológico. Método: estudo de caráter qualitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Seres Humanos sob parecer Nº 3.030.703 e realizado em uma clínica-escola de Fonoaudiologia. Participaram cinco familiares/cuidadores, quatro mães e um pai, em cinco encontros, organizados em dois grupos, um constituído por dois participantes e outro, por três. A análise qualitativa dos dados foi realizada a partir de Análise de Conteúdo. Resultados: os participantes relataram dificuldades para lidar com o diagnóstico recebido, demonstrando frustação e preocupação. Afirmaram que o momento foi delicado e difícil, uma vez que o filho idealizado acabou sendo substituído pelo filho com problema. Referiram que o diagnóstico associado à linguagem impacta nas relações que estabelecem com os filhos, os quais assumem uma posição de mau falante/escrevente/leitor. Por fim, mencionaram que o trabalho fonoaudiológico grupal proporcionou-lhes um lugar de escuta, o qual influenciou diretamente nas vinculações entre eles - familiares/cuidadores e os filhos atendidos na clínica de fonoaudiologia. Conclusão: a maneira como familiares/cuidadores lidam com o diagnóstico dado aos seus filhos(as) impacta nas relações familiares. Na visão dos participantes, um trabalho fonoaudiológico grupal, capaz de incluir a família de sujeitos em atendimento clínico, pode minimizar efeitos negativos do diagnóstico, uma vez que conseguem falar a respeito de suas dúvidas e negações. Outros estudos devem dar continuidade a trabalhos que envolvam famílias de sujeitos/pacientes atendidos na clínica fonoaudiológica, indicando possibilidades para escutá-las, acolhê-las, e (re)significar suas queixas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. DUNKER, C. I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. 1a ed. São Paulo: Boitempo, 2015.

2. ROSA, M. C. C. A visão de crianças diagnosticadas com distúrbios de leitura e escrita a respeito da queixa. Tese de Mestrado, Universidade Tuiuti do Parána,75 páginas, Curitiba, 2017.

3. ARANTES, L. Diagnóstico e clínica de linguagem. Tese (Doutorado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2011.

4. LOURENÇO, R. C.; MASSI, G. Grupo operativo como espaço para atividades dialógicas junto a idosos. Revista do NESME, v.13, n.2, p.13-23. 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1231
A FONOAUDIOLOGIA A AS ALTERAÇÕES DAS FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS APÓS AVC DE HEMISFÉRIO DIREITO: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A Neuropsicologia é tida como aplicação da Psicologia e da Neurologia, a qual visa explicar a forma como as conexões dos circuitos cerebrais atuam na manifestação de ações mentais complexas1. A Neuropsicologia se relaciona intimamente com a Fonoaudiologia, especialmente tendo em vista a importância da função cognitiva da linguagem2. Alterações neuropsicológicas refletem também na motricidade orofacial e no desempenho funcional especialmente quanto à mastigação, deglutição, fala e no uso da comunicação por expressões faciais2. Por isso, é de fundamental importância o fonoaudiólogo compreender bem esses fatores para auxiliar nas práticas profissionais. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é considerado uma das doenças mais incapacitantes. Caracteriza-se pela lesão nas regiões encefálicas, podendo ser isquêmico ou hemorrágico, acarretando sequelas ao indivíduo vitimado1,3,6. Fala-se mais sobre as alterações após um AVC no hemisfério esquerdo (HE), mas funções neuropsicológicas podem sofrer prejuízos após uma lesão de hemisfério direito (HD), levando consequências negativas ao indivíduo. OBJETIVO: Traçar um panorama das publicações existentes quanto ao estudo da Fonoaudiologia e das alterações das funções neuropsicológicas após lesões vasculares de HD. METODOLOGIA: Para o levantamento das informações foram utilizadas bases eletrônicas de dados de artigos científicos pesquisados nas bases de dados da internet, como Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO) entre os anos 2016 a 2020. RESULTADOS: Estudos encontrados3,4,6 que avaliam as funções neuropsicológicas e as alterações no HD após AVC variam de um para o outro, apresentando convergências e divergências entre os autores nessa relação de área lesionada e função prejudicada. Porém, de forma geral, os autores concordam que os pacientes lesionados no hemisfério direito após AVC apresentam de forma homogênea alterações em diversas funções neuropsicológicas. Segundo os estudos3,4,6, o AVC no HD está relacionado à sequelas visuespaciais, perda de memória e alterações no estilo comportamental, comprometendo o controle do julgamento de distância, tamanho, velocidade e posição, além da tomada de decisão. Anatomicamente, o córtex temporal superior direito é uma das principais regiões cerebrais, que quando lesionada, pode levar ao quadro de heminegligência6. Os estudos3,5 verificaram-se déficits significativos no funcionamento cognitivo dos pacientes que tiveram um AVC, independentemente da localização da lesão. As alterações cognitivas decorrentes de AVC, além do tipo da lesão, estão relacionadas também a fatores individuais como idade, escolaridade, ocupação prévia e condições sócio-econômicas4. CONCLUSÃO: A relação entre Neuropsicologia e Fonoaudiologia é recíproca, os conhecimentos de uma e outra se complementam e podem ser usados para melhor compreender processos e/ou alterações da comunicação humana. O fonoaudiólogo com conhecimentos sobre essas alterações das funções neuropsicológicas estará capacitado para atuar prevenindo, avaliando e tratando distúrbios da comunicação humana que são afetados pelo funcionamento cerebral. Apesar dos elevados estudos acerca do AVC, ainda são poucos os que falam sobre o HD, com isso, é indispensável mais estudos a respeito das alterações das funções neuropsicológicas após AVC nessa área para identificar diferentes perfis clínicos e contribuir para o aumento da eficácia na avaliação e reabilitação.

Descritores: Acidente Vascular Cerebral, Neuropsicologia, Infarto cerebral.

1- SANTOS, M. S. Acidente Vascular Encefálico: Um olhar neuropsicológico. Psicologia.pt ISSN 1646-6977. Documento publicado em 18.02.2019.
2- BRANDÃO, L.; FONSECA, R. P.; ORTIZ, K. Z.; AZAMBUJA, D.; SALLES, J. F.; NAVAS, A. L.; GOULART, M. T. C.; FREITAS, M. I. D.; PAGLIARIN, K. C.; FONTOURA, D. R.; MARIN. S. M. C.; BIANCHINI, E. M. G. B.; ZORZI, J. L.; QUEIROGA, B. A. M.; MOURA, M. C.; MANSUR, L.L ; PARENTE, M. A. M. P. Neuropsicologia como especialidade na Fonoaudiologia: Consenso de Fonoaudiólogos Brasileiros. Distúrbios Comun. São Paulo, 28(2): 378-87, junho, 2016.
3- YOSHIDA, H. M.; LIMA, F. O.; FERNANDES, P. T. Habilidade Motora e Hemisfério Cerebral em Pacientes pós-AVC: Existe Relação? Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria. 2019 Set./Dez;23(3):196-205. http://www.revneuropsiq.com.br.
4- RÊGO, A. F. C. S. Alterações Cognitivas e Repercussões Psicosociais do Acidente Vascular Cerebral. Mestrado em Psicologia Clínica. UNICAP. Recife, 2018.
5- SOUZA, F. AVC: Qualidade de Vida, Alterações Cognitivas e Emocionais. Universidade do Porto - Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Out/2016.
6- VASCONCELOS, L.; CARIA, I. M.; JESUS, P. A.; PINTO, E. B. Perfil dos Indivíduos com Alterações Funcionais Características de Heminegligência após AVC. Revista Pesquisa em Fisioterapia. 2017 Maio;7(2):244-254.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1988
A FONOAUDIOLOGIA E A PRÁTICA NA SAÚDE MENTAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A luta antimanicomial é caracterizada pela luta por direitos de indíviduos com sofrimento mental, incluindo o não isolamento dos mesmos em hospitais psiquiátricos e a construção de um modelo de atenção à saúde que busque integrá-los à comunidade e sua autonomia. Nesse sentido foi criada a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), buscando proporcionar o cuidado extra-muros, e é nessa rede que o fonoaudiólogo se insere junto a outros profissionais da saúde, através de uma prática integrada transversal e multidisciplinar.OBJETIVO: Relatar a experiência de estagiários durante o estágio eletivo de saúde mental em um Centro de Atenção psicossocial (CAPS). MÉTODO: A experiência ocorreu em um CAPS da cidade de Maceió-AL. As práticas aconteciam todas as quintas à tarde, das 13 às 17 horas, durante o período de 7 de Fevereiro de 2019 a 27 de Junho de 2019. Durante o estágio ocorreram atividades de planejamento de atividades, assembleias que envolviam os profissionais de saúde, familiares e usuários do CAPS, confraternizações em datas comemorativas como o carnaval e o São João, reuniões para a criação de PTS e atendimentos individuais. No início do estágio o CAPS havia se deslocado há pouco tempo para as dependências de um hospital escola psiquiátrico, o que dificultou bastante a realização das atividades, pelo espaço restrito e a resistência dos usuários de comparecerem. Muitos usuários do CAPS em algum momento foram internos do hospital psiquiátrico e estar voltando pra lá os lembrava dos momentos ali passados, que em sua maioria foram traumatizantes, o que justifica o receio de se fazerem presentes para as atividades do CAPS. Em uma tarde de atividades os usuários viram um colega, também usuário do CAPS que agora estava interno no hospital, em suas expressões era possível verificar que estavam tristes e com medo de que o mesmo pudesse acontecer com eles. RESULTADOS: As atividades desenvolvidas durante o estágio foram imprescindíveis para a formação profissional dos estagiários, uma vez que possibilitaram a vivência prática multidisciplinar em um dos dispositivos das RAPS, tanto na esfera da gestão como no contato direto com os usuários, proporcionando um maior leque de desenvolvimento profissional. Durante a vivência dos estagiários, constatou-se também a importância de conhecer a atuação fonoaudiológica na Saúde mental, deixando clara que a formação desses profissionais tem sido voltada para a atuação no Sistema Único de Saúde em todos os níveis de atenção. CONCLUSÃO: Essas experiências foram imprescindíveis no processo de ensino-aprendizagem dos estagiários, os preparando para a atuação uni e multiprofissional no mercado de trabalho, além de deixar clara a atuação da fonoaudiologia na saúde mental.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
306
A FONOAUDIOLOGIA E O PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA EM UM MUNICÍPIO DO SUL DO BRASIL – RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


A audição é uma das principais formas de contato do indivíduo com o ambiente, permite monitoramento de eventos ambientais, e processamento das informações, favorecendo a comunicação oral como expressão do pensamento, desempenhando papel importante na integração do sujeito com a sociedade. Uma perda auditiva provoca impacto negativo no desenvolvimento da criança e pode interferir no desenvolvimento da linguagem oral.
O Programa Saúde na Escola (PSE) tem por objetivo contribuir para a formação integral dos estudantes e da comunidade escolar com ações de promoção, prevenção e de atenção à saúde, com vistas ao enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e de jovens da rede pública de ensino. O PSE elenca ações que devem ser desenvolvidas nos municípios junto à comunidade escolar, dentre tais tem-se a ação “promoção da saúde auditiva e identificação de educandos com possíveis sinais de alteração”. O PSE funciona de maneira multiprofissional no município de relato há alguns anos e vem trazendo resultados positivos desde então. No ano de 2019 a equipe de fonoaudiologia do município identificou as crianças com risco de perda auditiva e alterações no desenvolvimento da linguagem em ambiente escolar por meio do PSE. O instrumento utilizado para a pesquisa foi um Instrumento de Triagem Auditiva Infantil desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que abrange a faixa etária de 12 a 48 meses de idade, além disso, foi realizada pesquisa nas Cadernetas de Saúde das crianças menores de 12 meses verificando a realização ou não do Teste da Orelhinha e do Teste da Linguinha, e para as crianças entre 5 a 7 anos foi aplicado um questionário para crianças em fase de alfabetização, e exame de meatoscopia para as turmas de 1º anos.
Os dados apresentados tratam-se de uma das Unidades Básica de Saúde (UBS) do município. As intervenções no território adstrito pela UBS abrangeram dois Centros de Educação Infantil municipais e a Escola de Ensino Básico Estadual. No primeiro momento foi estabelecido contato com os diretores dos estabelecimentos, explicado a respeito do projeto, e realizado levantamento das crianças matriculadas. Na época haviam 243 crianças, desse total, por meio dos instrumentos já citados, identificamos aproximadamente 70 crianças que possuíam indicativo para atraso no desenvolvimento da audição e/ou linguagem.
Em seguida solicitamos a presença dos responsáveis das crianças que apresentaram risco na UBS. No primeiro momento realizamos um acolhimento coletivo em forma de roda de conversa, com explicações sobre desenvolvimento da audição e da linguagem na infância. Em seguida deu-se o atendimento individual, com finalidade de observar o comportamento auditivo e de linguagem por meio de avaliação comportamental e entrevista com os familiares.
Mediante essa intervenção fomos capazes de identificar precocemente crianças com atrasos no desenvolvimento e realizar os devidos encaminhamentos, a dificuldade encontrada foi a baixa adesão dos responsáveis em comparecer à UBS. A proposta para continuidade em 2020 seria a realização de uma oficina para os professores dos CEIs e da Escola, pois notamos que há desconhecimento sobre saúde auditiva nesses ambientes.

não se aplica


TRABALHOS CIENTÍFICOS
967
A FONOAUDIOLOGIA EM CUIDADOS PALIATIVOS - RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: As neoplasias de cabeça e pescoço apresentam grande chance de recidivas, muitas vezes necessitando o acompanhamento multiprofissional da equipe de cuidados paliativos. A atuação dessas equipes visa um cuidado mais holístico e um olhar aberto acerca das dificuldades enfrentadas pelos pacientes oncológicos 1,2,3. Objetivo: Relatar o caso de um paciente acompanhado pela Fonoaudiologia, dentro do serviço de cuidados paliativos, com diferentes enfoques ao longo do seu tratamento. Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética sob o parecer 3.109.023. Trata-se de um relato de caso de um paciente do sexo masculino, 76 anos, com diagnóstico de câncer de hipofaringe e laringe supraglótica, submetido a cirurgia, com necessidade de traqueostomia e tratamento radioterápico. Durante a avaliação fonoaudiológica, apresentou força das estruturas orofaciais e elevação laríngea reduzidas, presença de secreção hialina pela traqueostomia (necessitando de aspirações frequentes de vias aéreas inferiores), qualidade vocal molhada, aspiração de alimento após a deglutição mesmo com uso de manobras protetoras de vias aéreas inferiores. A alimentação por via oral foi suspensa e o paciente foi submetido a uma gastrostomia, ao mesmo tempo em que iniciou fonoterapia. Também foi realizada uma videoendoscopia da deglutição na qual evidenciou-se edema acentuado, estase salivar em cavidade oral e aspiração da mesma, sem possibilidade de decanulação, sendo necessário adaptar uma válvula de fala com o sistema Bias Open; o que reduziu consideravelmente a estase salivar e manteve a qualidade vocal adequada, sem aspecto molhado e diminuindo a necessidade de aspirações traqueais. Este paciente precisou reinternar diversas vezes por disfunção ventilatória, já que sua família optou por permitir que ele se alimentasse por via oral, como medida de conforto, devido à sua idade e patologia. Decorridos seis meses, apresentou uma recidiva que projetou sua língua para fora da cavidade oral, fazendo com que lhe impossibilitasse a oclusão dos lábios e a fala, além da língua se apresentar ressecada e descamando por ficar exposta. Então utilizou-se gaze úmida na língua para proteger o tecido e proporcionar maior conforto. Resultados: Após discussão com a equipe de Cuidados Paliativos, a Fonoaudiologia reavaliou o paciente e objetivou adequar a consistência alimentar, volume e local dentro da cavidade oral para ofertar o alimento e, assim aproveitar a melhor forma, dentro do quadro estabelecido, de ingerir algo como via oral de conforto. Como o lado esquerdo da língua estava menos edemaciado, foi possível introduzir uma seringa com iogurte e sorvete (desejos do paciente), em pequenos volumes a cada oferta, proporcionando assim, satisfação do paciente e família. Após estabilização e adequação da medicação, teve alta hospitalar e acabou indo a óbito em sua residência cercado pelos seus familiares. Conclusão: Foi realizado um cuidado integral e multidisciplinar em todas as internações deste paciente. O trabalho da equipe de Cuidados Paliativos, na qual a fonoaudiologia está incluída, foi fundamental para promover um tratamento que, de fato, resultou em qualidade no período final de sua vida. A família, muito presente, acompanhou todo o processo e mostrou-se satisfeita com a maneira como o tratamento foi conduzido.

1. Rolim FJ, Diógenes MGC, Gonçalves CMS, Fonseca MRS. Importância da multidisciplinaridade em cirurgia de cabeça e pescoço. In: Veloso HHP, Caldas JMP, Soares MSM. Tratamento Multidisciplinar em pacientes oncológicos. João Pessoa: Mídia Gráfica e Editora, 2019. p 245-255.

2. Pollens RD. Integrating speech-language pathology services in palliative end-of-life care. Top Lang Disord. 2012;32(2):137-48.

3. Lóss JCS, Dias VE, Cabral HLTB, Souza CHM. Health knowledge and interdisciplinarity in palliative care. Interdiscip Sci J, May, 2019; 6(5):250.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
309
A FONOAUDIOLOGIA NO CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Voz (VOZ)
40170130


Introdução: O câncer de cabeça e pescoço provoca alterações fonoaudiológicas com impacto na deglutição, voz, articulação e mastigação. Os tipos de cirurgias que podem apresentar tais alterações podem ser as ressecções em cavidade oral e orofaringe e laringe. As possibilidades de preservar a fala, a voz, a mastigação e o mecanismo de deglutição são sempre consideradas pela equipe multidisciplinar que está envolvida com o paciente, e o fonoaudiólogo é o profissional responsável pela reabilitação dessas funções. Objetivo: Elaborar uma revisão de literatura com o intuito de descrever artigos que tenham a atuação fonoaudiológica na reabilitação do câncer de cabeça e pescoço. Método: Uma revisão de literatura foi realizada nas bases de dados PubMed, Web of Science e Lilacs, nos últimos cinco anos (janeiro de 2015 – junho de 2020). A estratégia de busca foi desenvolvida de acordo com a questão de pesquisa e combinação de descritores foi feita através do DeCS, fonoaudiologia AND neoplasias de cabeça e pescoço, em inglês, espanhol e português. A escrita do artigo científico também foi baseada segundo os critérios do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Resultados: Foram selecionados 17 artigos, sendo 12 da PubMed, dois do Web of Science e três do Lilacs. Após leitura de título e resumo, restaram assim três artigos a serem revisados. Em dois artigos foi realizada a reabilitação através da eletroestimulação para diferentes objetivos, como na disfagia e na hipossalivação. Para a reabilitação da disfagia, a eletroestimulação não teve nenhum efeito adicional à terapia tradicional e na hipossalivação, demonstraram um aumento no fluxo da saliva para os pacientes. E o outro artigo abordou a avaliação, diagnóstico funcional e novas adaptações das funções. Houve reabilitação fonoaudiológica tradicional nesses pacientes, sendo na fala, deglutição e mastigação, e obteve sucesso na mesma, ressaltando que o progresso terapêutico dependerá do estádio da neoplasia apresentada pelo paciente. Conclusão: Os artigos atuais abordam a terapia complementar, como a eletroestimulação, ainda não é um consenso na literatura os benefícios dessa terapia, necessitando de mais estudos. Já a reabilitação fonoaudiológica tradicional trouxe mais ganhos para a qualidade de vida do paciente no câncer de cabeça e pescoço.

Figueiredo IC, Vendramini SHF, Lourenção LG, Sasaki NSGMS, Maniglia JV, Padovani JJA et al. Perfil e reabilitação fonoaudiológica de pacientes com câncer de laringe. CoDAS [Internet]. 2019;31(1):e20180060.
Langmore SE, McCulloch TM, Krisciunas GP, Lazarus CL, Van Daele DJ, Pauloski BR, Rybin D, Doros G. Efficacy of Electrical Stimulation and Exercise for Dysphagia in Head and Neck Cancer Patients: A Randomized Clinical Trial. Head Neck. 2016 Apr;38(Suppl 1):E1221–E1231, 2016.
Paim ÉD, Berbert MCB, Zanella VG, Macagnan FE. Estimulação elétrica no tratamento da hipossalivação induzida pela radioterapia. CoDAS [Internet]. 2019;31(4):e20180176.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1334
A FONOAUDIOLOGIA NO CUIDADO A PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL: PERCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DE EQUIPE DE SERVIÇO ESPECIALIZADO EM HABILITAÇÃO E REABILITAÇÃO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: os processos de habilitação e reabilitação são fundamentais para pessoas com deficiência visual (DV), uma vez que lhes conferem uma vida com mais autonomia, independência, qualidade e equidade 1. A legislação brasileira preconiza que esse trabalho habilitativo/reabilitativo seja feito por equipe multiprofissional e interdisciplinar, favorecendo a integralidade no cuidado 2. Um profissional fundamental nessa equipe é o fonoaudiólogo, uma vez que a literatura refere que sujeitos com DV podem apresentar comprometimentos no desenvolvimento linguístico devido às poucas interações com os pais/cuidadores e com o ambiente ao seu redor na infância, e esse profissional possui conhecimentos suficientes para orientar a família sobre a melhor forma de interagir com a criança ou, se necessário, intervir junto a ela no contexto da habilitação 3,4,5. Objetivo: verificar percepções de profissionais de serviço especializado em reabilitação de pessoas com DV a respeito da atuação fonoaudiológica junto a esses indivíduos no contexto habilitativo/reabilitativo. Método: essa pesquisa vincula-se a um projeto maior intitulado “O itinerário da pessoa com deficiência visual nos serviços de saúde e reabilitação em um município da Região Metropolitana de Campinas - São Paulo”, o qual foi aprovado pelo comitê de ética da instituição sede sob nº CAAE 46001215.7.0000.5404. Trata-se de estudo qualitativo, cujos dados foram obtidos de um corpus de entrevistas semiestruturadas realizadas com profissionais de serviço especializado em reabilitação de pessoas com DV e oftalmologia do interior paulista, as quais passaram por estudo exploratório prévio para adequações 6 e foram aplicadas posteriormente, sendo ambos esses procedimentos empreendidos no contexto do referido projeto maior. A análise dos dados utilizados na presente pesquisa se deu pelo método da análise de conteúdo proposto por Bardin 7. Resultados: participaram da pesquisa 11 profissionais, sendo fonoaudiólogo (1), fisioterapeuta (1), terapeuta ocupacional (2), pedagogo especializado em Braille (1), pedagogo especializado em informática (1), professor de orientação e mobilidade (1), psicólogo (2), assistente social (1) e oftalmologista (1). Observou-se que os profissionais consideraram a fonoaudiologia como fundamental para o desenvolvimento de habilidades comunicativas em indivíduos com DV, de modo que foi bastante relatado o trabalho com aspectos fonológicos da linguagem e a estimulação de sentidos remanescentes, bem como as habilidades necessárias ao estabelecimento de interações dialógicas, inclusive as de caráter não-verbal. Foi destacado também a importância da atuação fonoaudiológica nos casos de deficiências múltiplas que apresentem comprometimento visual. Conclusão: a partir da verificação das percepções de profissionais de equipe de reabilitação de pessoas com DV, observou-se que o fonoaudiólogo é um profissional complementar que tem muito a contribuir para o processo habilitativo/reabilitativo de sujeitos com essa deficiência, uma vez que promove o desenvolvimento de habilidades linguísticas caras à participação efetiva do indivíduo na sociedade em que está imerso. Apesar de ter sido trazido nos depoimentos o trabalho fonoaudiológico junto a pessoas com deficiências múltiplas, o qual é tradicionalmente associado a essa profissão, os participantes destacaram a importância do fonoaudiólogo também em casos de DV sem outros comprometimentos, o que permite vislumbrar um campo promissor de conhecimentos e práticas para a área.

1. Silva MR. Avaliação terapêutica ocupacional para adolescentes e adultos com deficiência visual baseada na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) [dissertação] [internet]. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas; 2016. [acesso em 2020 jul. 10]. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/321851
2. BRASIL. Presidência da república, subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº 13.146 de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão de Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) [internet]. [Diário Oficial da República Federativa do Brasil]. 2015 jul. 7 [acesso em 2019 jul. 24]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm
3. Monteiro MMB, Montilha RCI. Intervenção fonoaudiológica e deficiência visual: percepções de profissionais de equipe interdisciplinar. Medicina (Ribeirão Preto) [periódico na internet]. 2010 mar [acesso em 31 mar 2018]; 43(1): [aproximadamente 9 p.]. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/160.
4. Kaodoinski F, Toniazzo FR. Deficiência Visual, Interação e Desenvolvimento da Linguagem. Rev. SCRIPTA [periódico na Internet]. 30 jun. 2017 [acesso em 15 abr. 2020];21(41):185-203. Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/P.2358-3428.2017v21n41p185
5. Fernandes AC, Montilha RCI. The comprehensive evaluation in speech therapy for people with visual impairments: a case report. Rev. CEFAC. [serial on the internet]. 2015 [cited 2018 mar 22]; 17(4): [about 8 p.]. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v17n4/en_1982-0216-rcefac-17-04-01362.pdf
6. Piovesan A, Temporini ER. Pesquisa exploratória: procedimento metodológico para o estudo de fatores humanos no campo da saúde pública. Rev. Saúde Pública. 1995;29(4):318-25.
7. Bardin L. Análise de conteúdo. 4. ed. Lisboa: Editora 70; 2004.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
213
A GAMIFICAÇÃO COMO PROCESSO DE APRENDIZAGEM ATIVA NO ENSINO REMOTO DO CURSO DE FONOAUDIOLOGIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: O modelo de ensino remoto no curso de Fonoaudiologia foi adotado em caráter emergencial devido à pandemia do Covid-19. Dessa forma, foi observada a necessidade de explorar os recursos virtuais para educação mediada por tecnologia. A Gamificação é uma metodologia ativa de ensino-aprendizagem que tem por objetivo a utilização de jogos para resolução de problemas práticos e para aprimorar o conhecimento teórico-prático. Objetivo: Apresentar um relato de experiência sobre a utilização da gamificação em forma de quiz, por meio de uma plataforma virtual no ensino remoto da motricidade orofacial em um curso de graduação em Fonoaudiologia. Métodos: Esse trabalho constituiu de duas etapas, a saber: a elaboração do jogo, por meio de questionários virtuais e a aplicabilidade durante a aula remota síncrona. Participaram da atividade todos os discentes do quinto e sexto períodos do curso de Fonoaudiologia matriculados na disciplina Motricidade Orofacial: Avaliação e Tratamento. A primeira etapa consistiu na preparação de dois quiz online, utilizando a plataforma Poll Everywhere. A plataforma selecionada possui versão gratuita e permite diferentes possibilidades de perguntas e respostas, rankeamento, estatística. Em seguida, cada quiz foi criado com 5 questões objetivas e discursivas sobre o conteúdo ministrado. A construção das questões do quiz seguiu o padrão de complementação simples, resposta única, interpretação, resposta múltipla e asserção/razão. Na elaboração do jogo foi definido o tempo de resposta máximo de 05 minutos por questão. Após a exposição do conteúdo, foram definidas duas datas para realização da atividade com o objetivo de revisão de conteúdo, resolução de dúvidas e discussão de casos-clínicos. Para a ativação do jogo, o criador disponibilizou um link para os participantes acessarem o quis durante a aula remota síncrona. Ao final do tempo de resolução da questão, o professor projetava para todos os alunos a quantidade de jogadores que responderam a questão e as estatísticas da marcação de cada alternativa. Uma intervenção com o levantamento das principais dúvidas, raciocínio de cada questão e possibilidades de instrumentos de avaliação intervenção fonoaudiológica do caso-clínico era realizada após cada questão. Caso a quantidade de erros fosse superior a 50% o conteúdo era retomado em aula posterior. Resultados: A utilização da ferramenta Poll Everywhere permitiu a construção de um jogo personalizado e favoreceu a interação e aumentou o engajamento entre os alunos e o professor durante o processo da aula remota síncrona, além de proporcionar fixação e assimilação do conteúdo ministrado. Tanto o quiz, quanto as respostas ficam armazenadas e podem ser utilizadas posteriormente para revisão e comparação do desempenho dos alunos sobre o conteúdo, o que possibilitou feedbacks positivos e negativos da modalidade da aula remota síncrona implantada de maneira emergencial durante a pandemia do Covid-19. Conclusão: Observou-se que a gamificação como parte das metodologias ativas de ensino-aprendizagem foi um facilitador do desenvolvimento do pensamento crítico por meio da discussão de casos-clínicos, além incentivar a interação entre os alunos durante as aulas remotas síncronas.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
382
A IMPORTÂNCIA DA AMAMENTAÇÃO NO DESEMPENHO DE MASTIGAÇÃO E DEGLUTIÇÃO DE CRIANÇAS EM IDADE ESCOLAR
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A amamentação é a melhor forma de nutrição e hidratação do bebê, além disso tem-se na função de sucção, necessária para sua efetivação, uma das melhores formas de promoção do desenvolvimento das funções motoras orais. Objetivo: Analisar a influência da amamentação em seio materno no desempenho de mastigação e deglutição de crianças em idade escolar. Método: Trata-se de um estudo transversal quantitativo que faz parte de um projeto maior sob acrônimo EPOCA, do qual participaram escolares a partir de sete anos matriculados do 2º ao 9º ano de escolas públicas (municipais e estaduais) de um município do Sul do Brasil. Foram incluídos escolares com, no mínimo, sete anos de idade completos e no máximo 14 anos e 11 meses de idade e excluídos os escolares que apresentaram alguma doença que impedia o registro do consumo alimentar. Um questionário com questões de múltipla escolha sobre aleitamento materno, introdução de alimentos na primeira infância e queixas de mastigação e deglutição foi enviado para os pais das crianças. A análise dos dados foi realizada por meio do Software SPSS para Windows, utilizando-se os testes: Qui-quadrado, Mann-Whitney U, Kruskal Wallis e Correlação de Sperman. Atesta-se a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob o protocolo CAAE 87539718.1.0000.0121. Resultados: 1552 crianças participaram da pesquisa, sendo que 1349 (86,9%) crianças foram amamentadas em seio materno, sendo a maioria entre 13 e 23 meses. Houve associação significativa entre a amamentação em seio materno e a menor percepção de problemas na mastigação das crianças pelos pais (p-valor < 0,001), sendo que 36,9% (48) das crianças que não foram amamentadas mastigavam demasiadamente rápido e 28,6% (5) engoliam sem mastigar, em comparação com 28,7% (387) e 1,4% (19) das crianças amamentadas em seio materno. Não houve associação estatística significativa com relação à amamentação e a frequência de engasgos na alimentação rotineira das crianças, sendo que no total 572 crianças apresentavam engasgos eventualmente observados pelos pais durante a alimentação diária, 35,3% (46) das amamentadas em seio materno e 38,9% (526) das não amamentadas. A amamentação em seio materno também se mostrou protetiva para alterações fonoaudiológicas (p-valor <0,001), uma vez que, das 269 (17,3%) participantes que necessitaram de avaliação fonoaudiológica em algum momento da vida, 27,35% (35) não haviam sido amamentadas em comparação com 17,5% (234) que haviam sido amamentadas em seio materno. O tempo total de amamentação em meses não se mostrou associado com a frequência de engasgos observada pelos pais (p-valor 0,06), com as dificuldades de mastigação (p-valor 0,27) ou com a necessidade de avaliação fonoaudiológica em algum momento da vida (p-valor 0,45). Conclusão: Independentemente do tempo de amamentação em seio materno, essa demonstrou mais uma vez ser promotora do desenvolvimento motor oral, especialmente pela posterior melhor preparação oral dos alimentos, além de ter se mostrado como fator de proteção para alterações fonoaudiológicas, de forma geral.

Ruth Ramalho Ruivo PalladinoI; Maria Claudia CunhaII; Luiz Augusto de Paula Souza. Problemas de linguagem e alimentares em crianças: co-ocorrências ou coincidências? Pró-Fono R Atual Cient. 2007;19(2):205-14.

Silveira LM, PradeI LS, Ruedelll AM, HaeffnerIII LSB, WeinmannIII ARM. Aleitamento materno e sua influência nas habilidades orais de crianças. Rev. Saúde Pública. 2013;47(1):37-43.

Tada A, Miura H. Association of mastication and factors affecting masticatory function with obesity in adults: a systematic review. BMC Oral Health. 2018. 4;18(1):76.

Vieira VCAM, Araujo CMD, Jamelli SR. Desenvolvimento da fala e alimentação infantil: possíveis implicações. Rev. CEFAC [online]. 2016;18(6):1359-69.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
772
A IMPORTÂNCIA DA AMAMENTAÇÃO PARA AS FUNÇÕES ORAIS E PARA O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)
54100313


Introdução: A amamentação é um período importante para o desenvolvimento da criança e deve ocorrer exclusivamente durante os seis meses de vida do indivíduo, visto que o leite materno contém substâncias importantes como: gordura, especificamente o colesterol e os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa. Essas substâncias apresentam funções especificas na formação dos neurônios e no aumento das sinapses nervosas para um melhor desenvolvimento cerebral do bebê(1). Ademais, durante a amamentação é formado o vínculo afetivo entre mãe e filho, além de ocorrer o movimento de sucção. Esse movimento tem como o principal objetivo de fortalecer os músculos orofaciais, a fim de estimular os movimentos de mastigação e deglutição(2). Porém, existem fatores que colaboram para um desmame precoce como: o desconhecimento por parte materna da importância da amamentação, utilização da chupeta, mamadeiras, além do uso do leite industrializado que não apresentam todos os componentes necessários para o desenvolvimento cognitivo da criança(3). Nota-se que todos esses elementos prejudicam e trazem consequências para o desenvolvimento infantil. Objetivo: Compreender a importância da amamentação para o desenvolvimento das funções orais e para o desenvolvimento cognitivo da criança, principalmente, no período inicial de vida, além da conscientização por parte dos profissionais para a divulgação sobre a importância da amamentação e das consequências de um desmame precoce. Método: Trata-se de uma revisão de literatura com bases de dados do SCIELO, LILASC e revista científica, compreendendo o período entre 2007-2018. A busca foi restrita aos artigos em português e foram utilizados os seguintes descritores: desmame precoce, amamentação e cognição. Adotou-se como critério de exclusão artigos que fugiram do tema do período de 2007-2018. Resultado: Constatou-se que as principais consequências do desmame precoce para o desenvolvimento das funções orais da criança está relacionada diretamente com as suas funções de mastigação, deglutição, respiração, alterações na articulação oral e na oclusão dentária(4). Em relação à cognição, causa uma diminuição das sinapses nervosas da criança, afetando o seu neurodesenvolvimento na aprendizagem. Conclusão: Nessa perspectiva, fica evidente que amamentação é importante para o desenvolvimento infantil. Além disso, o desmame precoce traz consequências para as funções orais e cognitivas(5), podendo afetar a aprendizagem e convívio social do indivíduo. Por fim, é importante salientar que a amamentação é a principal prática para a prevenção dessas alterações fonoaudiológicas e cognitivas.

1. EIDELMAN, Arthur I. Amamentação e desenvolvimento cognitivo: existe uma associação?. SCIELO, 2013. Disponível em:< http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572013000400001 >. Acesso em: 14 de jun. 2020.

2. ANTUNES, Leonardo dos Santos. Amamentação natural como fonte de prevenção à saúde. SCIELO, 2008. Disponível em:< http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232008000100015&script=sci_arttext&tlng=pt >. Acesso em: 14 de jun. 2020.

3. Aleitamento materno: causas e consequências do desmame precoce. Revista Unimontes Científica, 2017. Disponível em: . Acesso em: 14 de jun. de 2020.

4. ARAÚJO, Cláudia Maria. Aleitamento materno e o uso da chupeta: repercurssões na alimentação e no desenvolvimento do sistema sensório motor oral. LILACS, 2007. Disponível em: . Acesso em: 15 de jun. de 2020.

5. LIMA, Ariana Passos Cavalcante. A prática do aleitamento materno e os fatores que levam ao desmame preoce: uma revisão intregativa. LILACS, 2018. Disponivel em: . Acesso em: 15 de jun. de 2020.





TRABALHOS CIENTÍFICOS
1360
A IMPORTÂNCIA DA ANAMNESE NA PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA EM UM AMBULATÓRIO DE PREMATUROS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O termo anamnese significa trazer de volta à mente os fatos relacionados à pessoa e suas manifestações de doença¹. A anamnese é imprescindível para a clínica fonoaudiológica e, ao se constituir em uma investigação criteriosa e detalhada para levantamento de pistas que possam ajudar na hipótese diagnóstica², permite o cuidado integral do sujeito, direcionando a avaliação, a seleção dos testes que serão utilizados, o diagnóstico e o planejamento de ações. Dessa forma, a anamnese auxilia o profissional a mapear os aspectos de vida e saúde da criança nascida pré-termo, a identificar as perspectivas de acompanhamento e tratamento, além de direcionar as orientações e a definição do prognóstico³. Objetivo: Caracterizar o preenchimento do protocolo de anamnese fonoaudiológica utilizada em ambulatório follow up de prematuros em um hospital universitário da rede pública da região sudeste. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, com base na análise de dados secundários, prontuários, de um ambulatório de acompanhamento de crianças pré-termo. O ambulatório é vinculado a um projeto de extensão universitária, composto por uma equipe de estudantes da graduação e pós-graduação, e uma docente coordenadora. Foram levantados dados da anamnese fonoaudiológica, no período de 2009 a 2019, composta pelos seguintes eixos: caracterização da criança e sua família, dados sociodemográficos, dados pré, peri e pós natais e histórico clínico assistencial. Foram analisados 749 prontuários e realizada análise descritiva dos dados coletados. Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa sob o número CAAE: 19604819.6.0000.5149 Resultados: Verificou-se que no eixo “caracterização da criança e sua família” houve maior número de preenchimento nos itens “sexo” e “idade cronológica” (100%) e menor número de preenchimento em “idade do pai” (66%). No eixo “dados sociodemográficos”, o item mais preenchido foi o “tipo de moradia” (92,2%) e o menos preenchido “escolaridade do pai” (34,8%). Em relação ao eixo “dados pré, peri e pós natais”, o “tipo de parto” foi o item mais preenchido (96,9%) e “malformação craniofacial” (54,6%) o menos preenchido. Já no eixo “histórico clínico assistencial” o item relativo à “Triagem Neonatal” foi o mais preenchido (91%) e o “Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês” o menos preenchido (10,8%). Conclusão: O trabalho indicou que há informações com falha de preenchimento nos prontuários analisados, destacando os dados referentes ao eixo clínico-assistencial. Vale considerar que a anamnese é fundamental para o acompanhamento fonoaudiológico e que pode contribuir para a qualidade da assistência integral do sujeito. Dessa forma, tal instrumento pode possibilitar a otimização da avaliação, intervenção e acompanhamento mais adequados e eficientes.

1. Balduino PM, Palis FP, Paranaíba VF, Almeida HO, Trindade EMV. A perspectiva do paciente no roteiro de anamnese: o olhar do estudante. Rev bras educ méd. 2012 Set;36(3):335-342.
2. Fridlin SL, Pereira LD, Perez AP. Relação entre dados coletados na anamnese e distúrbio do processamento auditivo. Rev CEFAC. 2014 Abr;16(2):405-412.
3. Santos N, Veiga P, Andrade R. Importância da anamnese e do exame físico para o cuidado do enfermeiro. Rev bras enferm. 2011 Abr;64(2):355-358.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
327
A IMPORTÂNCIA DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA PARA A ALFABETIZAÇÃO DO ALUNADO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: CONCEPÇÕES DAS EDUCADORAS DO AEE DE UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA DE SALVADOR-BAHIA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Pessoas com deficiência intelectual apresentam dificuldades nas áreas sociais e pessoais. No que se refere ao âmbito escolar tem-se profissionais da educação que acolhem e contribuem para o sucesso da alfabetização dos mesmos, muitos destes estão inseridos no Atendimento Educacional Especializado (AEE). A realização de atividades que desenvolvem a consciência fonológica é fundamental para a alfabetização. Desta forma, a atuação do professor é imprescindível, assim como do fonoaudiólogo educacional por contribuir para o processo de alfabetização. O presente estudo propõe investigar as práticas pedagógicas de educadoras do AEE voltadas ao desenvolvimento de consciência fonológica em escolares com deficiência intelectual. Trata-se de um estudo de caráter qualitativo, de natureza exploratória/descritiva e transversal, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) com parecer de número CAAE: 29581819.2.000.5032. Para caracterizar o perfil dos participantes e descrever as práticas pedagógicas foi realizada uma entrevista semi estruturada com as educadoras. A análise do conteúdo temático das narrativas das educadoras resultou no estabelecimento das seguintes categorias de análise: 1) Formação; 2) Atuação; 3) Consciência fonológica. Todas as participantes da pesquisa foram mulheres, estão na faixa etária de 39 a 68 anos de idade, apresentam mais de 15 anos de formada no curso de pedagogia, tendo mais de 8 anos de atuação com o alunado com deficiência intelectual. Pode-se notar que as educadoras buscam formações para um atendimento especializado para os educandos com deficiências. Elas demonstraram ter compreensão sobre a importância de utilizar a consciência fonológica para a alfabetização em beneficio do processo de aquisição e desenvolvimento da leitura e escrita. As participantes relatam que utilizam atividades lúdicas como jogos com músicas, rimas, palavras e poemas para colocar em prática o ensino das habilidades de consciência fonológica. Mesmo com os benefícios do uso de atividades de consciência fonológica, não deixam de citar a dificuldade de se trabalhar com esse público-alvo, como, a dificuldade de concentração, atenção, indisposição, dificuldade na fala, retenção de memória, noção espacial e da memória episódica. A partir das respostas obtidas, foi perceptível que as participantes consideram relevante o uso das habilidades de consciência fonológica, pois contribui de forma significativa para o processo de alfabetização. Diante do exposto, observa-se a necessidade de fortalecer e ampliar a presença do fonoaudiólogo educacional nas instituições de educação para orientar a equipe pedagógica, favorecendo um adequado desenvolvimento da linguagem, principalmente no que se refere a leitura e escrita.

Araújo MAM. Do Sonho à Realidade: Expectativas dos Professores Face a uma Especialização em Educação Especial e o Impacto Dessa Especialização na Actividade Docente. Portugal (Lisboa). Dissertação (Mestrado em Educação Especial) - Escola Superior de Educação Almeida Garrett; 2012. Disponível em:

Bardin L. Análise de Conteúdo. Lisboa, Portugal: Edições 70, LDA; 2009.

Barbosa TA, Souza FM. Alfabetização e deficiência intelectual. In: Vestena CLB, Souza FM(Orgs.). Diversidade e Educação Estudos e desafios. Rio de Janeiro: Oficina da Leitura, 2016. p 85-103.

Camilo CSL, Mota MMPE. Prática Pedagógica e o Desenvolvimento da Consciência Fonológica. Estudos e Pesquisas em Psicologia [online], 2013 [acesso em 20 de março de 2020]; 13(2): 447-459. 2013. Disponível:< http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812013000200004>

Diehl J. A Consciência Fonológica Na Formação De Professores. Trabalho de Conclusão de Curso (licenciatura) - Centro Universitário Univates, Lajeado, 2016. Disponível em:< https://www.univates.br/bdu/handle/10737/1563>

Esperança IPD, Pereira MH. Consciência fonológica: uma perspectica docente. SEDA - Revista de Letras da Rural-RJ [online], 2019, [acesso em 10 de março de 2020];3(9):134-149. Disponível em:

Pereira G, Silva SF, Careli TT. Distúrbios de Aprendizagem e Suas Implicações no Processo Educativo. Trabalho de Conclusão de Curso (licenciatura) -Faculdade De Pindamonhangaba, São Paulo, 2010. Disponível em:< http://www.bibliotecadigital.funvicpinda.org.br:8080/jspui/handle/123456789/128>


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1352
A IMPORTÂNCIA DA DANÇA SÊNIOR NA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional é uma realidade mundial e os dados apontam que mais de uma em cada cinco pessoas têm mais de 60 anos. A longevidade é considerada uma conquista, porém, para que essa se torne efetiva, faz-se necessário que os anos sejam acompanhados da preservação da saúde e da qualidade de vida. Mesmo que a prevalência de problemas de saúde aumente de acordo com a idade, o envelhecimento não é considerado como uma doença. Estudos científicos mostram que, se o envelhecimento vier aliado a estratégias para prevenção de doenças e minimização dos fatores de risco, há o adiamento da fase da vida relacionada com a incapacidade física, diminuindo significativamente problemas relativos a dependência física e perda de autonomia. Nesse sentido, a dança sênior tem se mostrado uma importante ferramenta de atividade física, cognitiva, emocional e motora e são capazes de retardar o declínio da capacidade funcional, proporcionando melhor qualidade de vida para o idoso. OBJETIVO: Retratar a vivência de discentes do curso de fonoaudiologia em uma prática do projeto de extensão intitulada Universidade Aberta à Terceira Idade – UNCISATI. MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência vivenciado por discentes do curso de fonoaudiologia. As atividades foram realizadas no Laboratório de habilidades da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas – UNCISAL. A turma da Dança Sênior é dividida em dois grupos, o primeiro é a turma de iniciantes que começou às 10:00h e terminou as 11:00h e o segundo é a turma avançada que iniciou as 11:00h e terminou as 12:00h. Inicialmente, a turma fica em forma de círculo e a facilitadora conduz e ensina aos idosos os movimentos que irão ser realizados, respeitando os limites de cada um. São realizadas diversas danças que vão de fáceis a intermediárias, fazendo com que os idosos possam se movimentar, ter contato com o colega ao lado, criar novos vínculos e, principalmente, manter uma rotina saudável. RESULTADOS: A ação realizada foi considerada uma experiência positiva, uma vez alcançado o objetivo esperado, que é o envelhecimento ativo. Durante a dança, percebe-se boa interação entre os idosos, monitores e com a facilitadora, proporcionando momentos prazerosos, de tranquilidade e alegria, melhorando as habilidades cognitivas e sócio-afetivas dos idosos. O intuito da dança sênior é mostrar aos idosos que o envelhecimento ativo pode trazer diversos benefícios em todos os âmbitos de suas vidas, mostrando principalmente que os mesmos não são incapazes de ter momentos prazerosos e saudáveis. CONCLUSÃO: De acordo com a experiência vivenciada, pode-se perceber que a Dança Sênior proporcionou diversos benefícios aos idosos presentes, melhorando a qualidade de vida dos mesmos através da dança, da interação social e das atividades desenvolvidas no projeto UNCISATI, melhorando os aspectos cognitivos, mental e físicos.

Silva AFG, Berbel AM. O benefício da dança sênior em relação ao equilíbrio e às atividades de vida diárias no idoso. ABCS Health Sci. 2015; 40(1):16- 21.
Niemann C, Godde B, Voelcker-Rehage C. Senior dance experience, cognitive performance, and brain volume in older women. Neural Plast. 2016; 16(1):1-10.
Vankova H, Holmerova I, Machacova K, Voliver L, Velete P, Martin A. The effect of dance on depressive symptoms in nursing home residents. JAMDA. 2014; 15(8):582-7.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1576
A IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA EXTENSIONISTA PARA A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO FONOAUDIÓLOGO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO
Ao longo de sua história, a universidade tem sido definida como espaço de produção, acumulação e disseminação de conhecimentos. No entanto, nem sempre estas funções estão em consonância com as necessidades da sociedade na qual a instituição está inserida. Para que isso ocorra, é fundamental o desenvolvimento de atividades dentro do tripé universitário, caracterizado pela indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, com especial atenção a esta última. A extensão universitária é o principal instrumento de efetivação do compromisso da Universidade com a comunidade. Possibilita que o conhecimento adquirido dentro da academia seja compartilhado com o público externo, com vistas à transformação da realidade social. Mais do que isso, a vivência em extensão durante a formação repercute na formação profissional do graduando, permitindo a ele a experiência acadêmica de conjugar teoria e prática dentro do contexto de sua realidade social.
OBJETIVO
Refletir sobre a importância da experiência extensionista na formação do profissional fonoaudiólogo por meio de relato de experiência na atuação em um projeto de extensão em Fonoaudiologia Educacional.
METODOLOGIA
A inserção do aluno em extensão se faz pela sua atuação em ações propostas dentro do escopo de programas, projetos e eventos, sob coordenação de um docente. Neste sentido, desde 2017, foi proposto um projeto de extensão que tem por finalidade o aprimoramento da linguagem oral e escrita das crianças por meio da proposição de atividades lúdicas. Além de cumprir seu objetivo junto às necessidades da comunidade na qual atua, a proposição deste projeto também possibilita ao graduando em Fonoaudiologia a experiência em extensão como parte do processo educativo vivenciado na Universidade.
RESULTADOS
A atuação é marcada por uma série de ações que complementam a formação profissional, desenvolvendo e aprimorando habilidades e competências que nem sempre são possíveis de serem trabalhadas em outras áreas. Desta forma, o graduando participa de reuniões de acompanhamento e avaliação das atividades com professores e colegas de diferentes níveis, atua com o público-alvo na escola, acompanha reuniões do projeto com a equipe diretiva e os professores, pesquisa e planeja atividades a serem desenvolvidas com base nos dados coletados e analisados no diagnóstico, apresenta e divulga suas ações em congressos e simpósios, entre outras funções de gestão aliadas ao ensino e à pesquisa.
Esta conjunção entre teoria e prática torna o processo de aprendizagem mais efetivo e gratificante para o graduando, fazendo-o participante ativo de sua formação. Nos três anos de atuação do projeto, participaram mais de 30 alunos do primeiro ao quarto ano do Curso de Fonoaudiologia, e todos são unânimes em afirmar a importância das possibilidades vivenciadas pela sua atuação como um diferencial tanto em sua vida acadêmica como profissional.
CONCLUSÃO
A atuação do aluno em extensão amplia sua visão de mundo e da inserção da Fonoaudiologia dentro do contexto da realidade social na qual está inserido, permitindo uma relação recíproca entre teoria e prática. A experiência da extensão universitária deveria ser obrigatória durante a formação, tendo em vista a ampliação do entendimento de como seu fazer acadêmico e profissional pode contribuir para a melhoria da sociedade.

1- Arruda-Barbosa, L., et al. Extensão Como Ferramenta De Aproximação Da Universidade Com O Ensino Médio. Cad. Pesqui., São Paulo, v. 49, n. 174, p. 316-327, Dec. 2019.

2- Moita, F. M. G. S. C., Andrade FCB. Ensino-pesquisa-extensão: Um Exercício De Indissociabilidade Na Pós-graduação. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v. 14, n. 41, p. 269-280, Aug. 2009.

3- Rodrigues, A. L. L., et al. Contribuições Da Extensão Universitária Na Sociedade. Caderno de Graduação-Ciências Humanas e Sociais-Unit-Sergipe, v. 1, n. 2, p. 141-148, 2013.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1155
A IMPORTÂNCIA DA FONOAUDIOLOGIA NOS CUIDADOS PALIATIVOS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


Introdução: De acordo com a Organização Mundial da Saúde os Cuidados Paliativos consistem na assistência que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares diante de uma doença que ameace a vida. Dentro dessa perspectiva, a equipe multiprofissional busca a identificação precoce, avaliação, prevenção e alívio do sofrimento, tratamento de sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais (1,2). Considerando que quem recebe os cuidados paliativos são principalmente indivíduos com doenças oncológicas, crônicas progressivas e neurodegenerativas, surgem diversos questionamentos sobre a comunicação e deglutição desses pacientes. Dessa maneira, o fonoaudiólogo que atua na equipe busca medidas para manter uma via de alimentação segura e confortável, além de construir alternativas de comunicação, garantindo melhor qualidade de vida para pacientes e seus familiares(3).Objetivos: Descrever a experiência do Fonoaudiólogo na rotina de uma unidade de referência em Cuidados Paliativos Oncológicos. Descrição das ações desenvolvidas: Trata-se de um relato experiência sobre a vivência dos Fonoaudiólogos em um serviço de referência em cuidados paliativos oncológicos para adultos e idosos. A atuação da Fonoaudiologia neste setor acontece de forma diária em conjunto com demais profissionais de saúde. O trabalho da equipe consiste em visitas e triagem com todos os pacientes internados no setor. Nos casos em que existe a identificação de alterações fonoaudiológicas é realizada a avaliação, sendo as mais frequentes da deglutição e da linguagem. As condutas específicas realizadas pela equipe de Fonoaudiologia são os ajustes nas consistências da dieta, indicação de via alternativa quando extremamente necessário, manobras de posturação e proteção de vias áreas, reabilitação em alguns casos específicos, orientações sobre higiene oral e prevenção de broncoaspiração. Além disso, o trabalho junto com a equipe visando o bem estar do paciente a partir de conversas, músicas, poemas, jogos, passeios terapêuticos, entre outras atividades que poderão ser significativas e trazer benefícios para os pacientes e seus familiares. Semanalmente acontecem reuniões sobre os casos da enfermaria, onde todos os profissionais são convidados a participar e dar sua contribuição nas discussões de condutas. Resultados: Os fonoaudiólogos tiveram a oportunidade de participar de reuniões multiprofissionais onde os objetivos eram discutir as melhores condutas em equipe para os pacientes em terminalidade proporcionando o aprendizado na área de Cuidados Paliativos. A atuação em conjunto com outros profissionais permitiu a troca de conhecimento entre as áreas da saúde facilitando o atendimento integral do sujeito de forma transdisciplinar. O trabalho de orientação em saúde com os pacientes e acompanhantes do serviço demonstra a importância da promoção da saúde e prevenção de riscos em Fonoaudiologia. O atendimento aos sujeitos em fim de vida com disfagia e dificuldade de comunicação ressignificou a forma de atuação nessas áreas. Conclusão: A experiência do Fonoaudiólogo no serviço de Cuidados Paliativos ratifica a sua importância dentro das equipes multiprofissionais. Portanto, pode-se afirmar que a participação do Fonoaudiólogo no processo de finitude a partir das condutas em prevenção de agravos, reabilitação e ajustes para manter uma deglutição segura e uma comunicação eficiente contribui na qualidade de vida do paciente e de seus familiares.

1- OMS. Organização Mundial da Saúde. 2002.
2- Matsumoto, D.Y. Cuidados Paliativos: conceito, fundamentos e princípios. In: Carvalho RT, Parsons HA, organizadores. Manual de cuidados paliativos. São Paulo: Academia Nacional de Cuidados Paliativos; 2012.
3- Pinto AC. O papel do fonoaudiólogo na equipe. In: Carvalho RT, Parsons HA, organizadores. Manual de cuidados paliativos. São Paulo: Academia Nacional de Cuidados Paliativos; 2012.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1121
A IMPORTÂNCIA DA INTERAÇÃO SOCIAL NA ESCOLA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: O desenvolvimento infantil é marcado por fatores intrínsecos e extrínsecos. A importância da socialização é um dos aspectos que pode oferecer o contexto básico de interação entre pares, essa relação proporciona a criança competências para um bom relacionamento com ambiente, os professores, colegas e a família. OBJETIVO: Observar o impacto que a socialização entre pares pode influenciar positivamente nas dificuldades de crianças na pré-escola. MÉTODOS: Este estudo é um relato de experiência baseado nas vivências de duas graduandas de uma faculdade de fonoaudiologia, de um estado do nordeste, que participaram das práticas oferecidas pela disciplina de Fonoaudiologia Educacional. As visitas aconteceram em um Centro de Educação Infantil, localizado em uma capital no período de fevereiro a março de 2020. Durante esse período, três práticas foram realizadas com duração de 4 horas e meia em média. As estudantes ficaram responsáveis por escolher uma criança para observar e investigar o seu contexto. Por isso, foi escolhido uma criança de 05 anos, novata na escola, que estudava no período da manhã e matriculada no Pré II. Os momentos para observação foram divididos em, respectivamente: comportamento da criança durante as realizações das atividades proporcionadas pelos professores, dentro da sala de aula e na área externa do centro, em uma horta; comportamento da criança no intervalo das atividades; e uma entrevista com a professora e o auxiliar de sala. RESULTADOS: Observou-se o comportamento da criança escolhida, após, comparamos com os aspectos psicossociais. No primeiro momento a criança não conseguiu realizar as atividades dentro da sala, mesmo com a ajuda da professora, não prestou atenção e se dirigiu ao pátio do colégio. Também, não conseguiu se concentrar em regar as plantações, jogou o regador no chão, mas com insistência da professora ela regou, colheu e depois ficou num canto isolado. No segundo momento, conseguimos perceber um comportamento agressivo no intervalo, além de ser pouco sociável e apresentar caráter agressivo. Analisando o comportamento das atividades com as informações psicossociais que recolhemos com a professora responsável, tais como, ser filho de pais muito jovens, que estão com dificuldade nos cuidados básicos da criança e ser filho único. Observamos um atraso global no desenvolvimento da criança, inclusive na área da pragmática, envolvendo o diálogo, afeto e atenção. A criança buscou incansavelmente uma forma de ser percebida e chamar a atenção dos colegas e das professoras. Essa interação entre os pares foi interrompida com a pandemia. Mas, essa interação auxilia no compartilhar, na rotina e nas incorporação de regras. CONCLUSÃO: As dificuldades nos estímulos no ambiente familiar interferem diretamente no processo de interação social e na aquisição da aprendizagem do pré escolar. Esses estudantes precisam de encaminhamentos para terapia e com a participação da família e escola podem evoluir na interação e aprendizagem.

Cruz O, Lima IA. Qualidade do ambiente familiar preditores e consequências no desenvolvimento das crianças e jovens. AMAzónica 2012; 244-263.
Andrade SA, Santos DN, Bastos AC, Pedromônico MRM, Almeida ND, Barreto ML. Ambiente familiar e desenvolvimento cognitivo infantil: uma abordagem epidemiológica. Revista de saúde Pública 2005; 606-611.
FERREIRA MCT, Marturano EM. Ambiente familiar e os problemas do comportamento apresentados por crianças com baixo desempenho escolar. Psicologia: Reflexão e crítica 2002; 35-44.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
383
A IMPORTÂNCIA DA INTRODUÇÃO ALIMENTAR E O DESEMPENHO DA FUNÇÃO DE DEGLUTIÇÃO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A introdução alimentar do bebê deve ser realizada de forma gradual e devidamente orientada pelos pais e/ou responsáveis, a fim de proporcionar-lhe nutrição adequada e experiência no desempenho das funções de mastigação e deglutição para a promoção de seu desenvolvimento futuro. Objetivo: Analisar a influência do tempo de introdução de alimentos sólidos no desempenho de mastigação e deglutição de crianças em idade escolar. Método: Trata-se de um estudo transversal quantitativo que faz parte de um projeto maior sob acrônimo EPOCA, do qual participaram escolares a partir de sete anos matriculados do 2º ao 9º ano de escolas públicas (municipais e estaduais) de um município do Sul do Brasil. Foram incluídos escolares com, no mínimo, sete anos de idade completos e no máximo 14 anos e 11 meses de idade e excluídos os escolares que apresentaram alguma doença que impedia o registro do consumo alimentar. Um questionário com questões de múltipla escolha sobre aleitamento materno, idade de introdução de alimentos na primeira infância e queixas de mastigação e deglutição foi enviado para os pais das crianças. A análise dos dados foi realizada por meio do Software SPSS para Windows, utilizando-se os testes de correlação de Spearman e Kruskal Wallis. Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob o protocolo CAAE 87539718.1.0000.0121. Resultados: 1552 crianças participaram da pesquisa, sendo que a textura sólida começou a ser introduzida a partir dos 11 meses, para a maioria das crianças (com variação dos 5 meses aos 24 meses entre os participantes). Houve correlação entre o tempo de introdução dos sólidos e o desempenho da função de mastigação das crianças (p-valor 0,02, R=-0,05), posto que os pais observavam mastigação mais eficiente nas crianças que tiveram a introdução de sólidos mais precocemente, havendo menor ocorrência de mastigação demasiadamente rápida ou deglutição sem preparo oral dos alimentos nesses casos. A idade em que os alimentos sólidos começaram a ser introduzidos não foi associada à frequência de engasgos observados pelos pais na alimentação diária da criança (p-valor 0,46). Conclusão: A correta e adequada orientação aos pais quanto ao tempo ideal e a forma de introdução de alimentos sólidos demonstrou o favorecimento ao desenvolvimento e desempenho da função estomatognática de mastigação e preparação dos alimentos. Destaca-se a importância da intervenção fonoaudiológica junto às gestantes, mães e familiares de bebês e crianças a fim de promover o conhecimento quanto a forma e a seriedade da introdução alimentar na primeira infância, para maior desenvolvimento motor oral e menor risco de asfixia.

Ruth Ramalho Ruivo PalladinoI; Maria Claudia CunhaII; Luiz Augusto de Paula Souza. Problemas de linguagem e alimentares em crianças: co-ocorrências ou coincidências? Pró-Fono R Atual Cient. 2007;19(2):205-14.
Tada A, Miura H. Association of mastication and factors affecting masticatory function with obesity in adults: a systematic review. BMC Oral Health. 2018. 4;18(1):76.
Vieira VCAM, Araujo CMD, Jamelli SR. Desenvolvimento da fala e alimentação infantil: possíveis implicações. Rev. CEFAC [online]. 2016;18(6):1359-69.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
258
A IMPORTÂNCIA DA LIBRAS NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE ALUNOS DE FONOAUDIOLOGIA E ODONTOLOGIA
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: Embora o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) seja obrigatório nos cursos de graduação, estudos demonstram que estudantes e profissionais da saúde enfrentam dificuldades no atendimento às pessoas surdas, sendo predominante a barreira linguística. As pessoas surdas precisam levar acompanhantes que possam mediar o atendimento tanto pela inabilidade do profissional com a Libras, como, também, pelo não cumprimento da LEI N.º 535-B, DE 2015, que diz sobre a obrigatoriedade de intérprete de Libras nos espaços públicos, visando melhor atendimento às pessoas com deficiência auditiva. Portanto, faz-se necessário pensar sobre o aprendizado da Libras ainda na graduação associando teoria à prática. Objetivo: Relatar a experiência vivenciada por um grupo de alunos de fonoaudiologia e odontologia, mediado por dois professores fonoaudiólogos fluente em Libras, em um curso intensivo de Libras que abordou teoria e prática baseada em situações clínicas da ambas as profissões. Metodologia: Os docentes elaboraram todo o curso intensivo priorizando teoria e prática da Libras, focando em situações clínicas da fonoaudiologia e da odontologia. Os discentes tiveram a oportunidade de participar ativamente da construção e seleção do acervo de situações clínicas. Posteriormente, todo o conteúdo foi preparado e projetado em slide com diversos vídeos explicativos. No final do curso intensivo que ocorreu ao longo de uma semana, os docentes abordaram atividades teóricas e práticas através de um quiz interativo e simulação de diálogos no atendimento às famílias com pessoas surdas e usuárias de Libras por meio de vídeos. O curso intensivo ocorreu no período de uma semana via Plataforma Zoom, em função da pandemia (Covid-19). Resultados: Verificou-se que o curso intensivo que visou teoria e prática focando em situações clínicas das profissões, tornou o processo ensino e aprendizagem mais atrativo para os discentes e isso foi possível, a partir da experiência de dois professores fonoaudiólogos com a devida formação e aptidão com a Libras. O envolvimento dos docentes com os discentes nas etapas, construção das situações clínicas e a ministração do curso em si por uma semana, promoveu a interdisciplinaridade, ressaltando sobretudo para os alunos, a importância de considerar o conhecimento da Libras para a vida profissional. Conclusão: Pensar o ensino da Libras associando teoria e prática e baseado em situações clínicas das profissões fonoaudiologia e odontologia, favorece o entendimento da importância dessa língua no contexto profissional e sensibiliza os envolvidos a aprenderem de fato a língua, viabilizando todo um atendimento acessível e verdadeiramente inclusivo que irá começar desde o atendimento às famílias com pessoas surdas, nos estágios curriculares das clínicas escola da universidade até o ambiente profissional.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1198
A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA DE TRABALHO EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A adaptação acadêmica é um processo que envolve mudança da rotina diária e o aumento de responsabilidades, o qual pode relacionar-se com o estado de ansiedade e estresse¹. Entretanto também é uma fase de aprendizado e planejamentos, e para isso requer o uso da memória de trabalho (MT), uma das habilidades das Funções Executivas (FE), que tem seu papel exercido através do armazenamento e da manipulação temporária de informações necessárias para o planejamento de comportamentos complexos² ³ ⁴. Objetivo: O presente estudo objetiva indicar possíveis características dos estudantes universitários, por meio da análise de estudos sobre como a memória de trabalho interfere na vida acadêmica desta população. Método: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura a partir da busca de artigos nas bases de dados PubMed, Scholar Google eScientific Eletronic Library Online (Scielo), com base nos descritores: função executiva, memória de trabalho e aprendizagem. Procedeu-se ao cruzamento dos descritores entre si e individuais. Ao término da pesquisa, foram selecionados oito artigos, publicados entre 2010 e 2020, como base para construção do conteúdo deste estudo. Resultados: A abordagem mais avançada sobre a MT se traduz no modelo multicomponente de Baddeley, o qual seria composto por um executivo central e por dois sistemas subordinados, a alça fonológica e o esboço visuoespacial, sendo o primeiro responsável pelo armazenamento temporário de informação verbal e acústica, e o segundo responsável pelo armazenamento temporário de informação visuoespacial⁵ ⁶. Essas habilidades combinadas são determinantes no desenvolvimento de habilidades cognitivas necessárias para o armazenamento e manipulação temporária de informações necessárias para tarefas complexas, como a compreensão, aprendizado, raciocínio e planejamento. Os prejuízos nesse sistema podem provocar déficits de aprendizagem, leitura, compreensão de texto, acarretando no baixo rendimento acadêmico. Além disso, o indivíduo pode tornar-se desatento e apresentar dificuldade para expressar ideias e planos, terminar uma atividade e regular suas emoções, demonstrando irritabilidade e impulsividade. Segundo estudos, quando a adaptação à nova realidade acadêmica não ocorre de forma correta pode haver interferência na qualidade de vida e no funcionamento motor, já que esse exige programação e concentração⁶ ⁷ ⁸. Conclusão: Embora exista um grande número de pesquisas sobre a relação entre as FE e a interferência na aprendizagem durante a infância, poucos estudos examinaram as correlações na adolescência e na vida adulta. Diante disto, percebeu-se a necessidade de estudos específicos com a população acadêmica e como os prejuízos na MT irão interferir neste processo e para além dele na vida profissional, visto a importância da integridade desta função na regulação do comportamento e planejamento humano, bem como no processo de aprendizagem.

Descritores: função executiva; memória de trabalho, aprendizagem;

¹Bouzaboul M, Amri A, Abidli Z, Saidi H, Faiz N, Ziri R, et al. Relationship between executive functions and academic performance among Moroccan middle school students. Dement. neuropsicol. [Internet] abr/jul 2020; [acesso 7 de julho de 2020]; 14(2):194-199 ,São Paulo DOI https://doi.org/10.1590/1980-57642020dn14-020014
²Cardoso CO, Seabra AG, Gomes CMA, Fonseca RP. Program for the Neuropsychological Stimulation of Cognition in Students: Impact, Effectiveness, and Transfer Effects on Student Cognitive Performance. Front Psychol [Internet] Ago 2019; [acesso 7 de julho de 2020]; 10:1784. doi:10.3389/fpsyg.2019.01784
³León CBR, Rodrigues CC, Seabra AG, Dias NM. Funções executivas e desempenho escolar em crianças de 6 a 9 anos de idade. Rev. Psicopedag. [Internet], 2013; [acesso 7 de julho de 2020]; 30 (92): 113-120, São Paulo Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010384862013000200005
⁴Grivol MA, HageI, SRV. Memória de trabalho fonológica: estudo comparativo entre diferentes faixas etárias. J. Soc. Bras. Fonoaudiol. [Internet] jul/set 2011[acesso 7 de julho de 2020]; 23(3):245-251, São Paulo. DOI https://doi.org/10.1590/S2179-64912011000300010.
⁵Galera C, Souza ALP. Memória visuoespacial e cinestésica de curto prazo em crianças de 7 a 10 anos. Estudos de Psicologia [Internet] mai/ago 2010; [acesso 7 de julho de 2020]; 15(2):137-143, São Paulo. Disponível em: http://www.scielo.br/epsic
⁶ Mourão Júnior CA, Melo LBR. Integração de Três Conceitos: Função Executiva, Memória de Trabalho e Aprendizado. Psicologia: Teoria e Pesquisa [Internet]. 2011 jul/set [acesso 7 de julho de 2020];27(3):309-314. DOI https://doi.org/10.1590/S0102-37722011000300006. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp
⁷Gabriel R, Morais J, Kolinsky R. A aprendizagem da leitura e suas implicações sobre a memória e a cognição. J. Ilha do Desterro [Internet] Jan/Abr 2016; [acesso 7 de julho de 2020]; 69(1): 061-078, Florianópolis. DOI https://doi.org/10.5007/2175-8026.2016v69n1p61
⁸Zanella LW, Valentini NC. Memória de Trabalho: influência na aprendizagem e na Desordem Coordenativa Desenvolvimental. Revista Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 2016 [acesso 7 de julho de 2020]; 49(2):160-174. ISSN 2176-7262. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rmrp / http://revista.fmrp.usp.br 161


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1229
A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA DE TRABALHO NOS IDOSOS: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: O envelhecimento é um processo natural múltiplo e gradual, que está acompanhado de declínio em algumas habilidades cognitivas. Uma vez que sua capacidade cognitiva sofrem alterações com a idade, provavelmente relacionadas com diminuições na velocidade de processamento, na capacidade de concentração e na capacidade de utilizar estratégias eficazes de aprendizagem. A memória de trabalho é uma habilidade que permite que o indivíduo possa relacionar ideias, integrar informações presentes com outras armazenadas na memória de longo prazo e lembrar sequências ou ordens de acontecimentos¹. Assim, a memória é uma das primeiras capacidades cognitivas afetadas, tanto em idosos com demências degenerativas como em idosos não-acometidos por doenças. Por isso, uma das maiores preocupações dos idosos em relação ao envelhecimento está relacionada a qualidade de vida, porque eles acreditam que a qualidade de vida está relacionada com poder realizar atividades sem a interferências de outras pessoas. OBJETIVO: O presente estudo objetiva indicar possíveis características de intervenções cognitivas que possam ocasionar um aumento do desempenho e manutenção de habilidades cognitivas em idosos, por meio da análise de estudos sobre o tema. MÉTODO: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura a partir da busca de artigos nas bases de dados PubMed, Scholar Google e Scielo, utilizando os descritores: Função executiva, Memória de Trabalho, Idosos. Procedeu-se ao cruzamento dos descritores entre si e individuais. Selecionou-se 8 artigos publicados entre os anos de 2011 e 2020, pela leitura do título e resumo, dentre esses, 3 foram escolhidos após a leitura na íntegra. RESULTADOS: Com base nos estudos analisados¹²³, observou-se que durante envelhecimento existe a possibilidade de compensação de declínios cognitivos. Pois, os idosos que realizavam os programas de treinos cognitivos apresentaram aumento do desempenho e manutenção de habilidades cognitivas². Os treinos estavam voltados para a memória, atenção e funções executivas. Foram utilizadas a conceituação de memória, esclarecimentos acerca de seu funcionamento, suas peculiaridades no processo de envelhecimento e estratégias propostas para manter ou melhorar o desempenho da memória, os participantes foram estimulados a refletir sobre as possíveis aplicações deste conhecimento na vida cotidiana e a expor seus conhecimentos sobre o assunto. CONCLUSÃO: Portanto, concluímos que quanto mais o idoso é estimulado com treinos de memória eles têm uma melhora significativa de resposta de armazenamento, velocidade de processamento da informação e de qualidade de vida.

¹ Dias Natália, Seabra Alessandra. Funções executivas: desenvolvimento e intervenção. Temas sobre Desenvolvimento [Internet]. 2013 [citado em 8 de Julho 2020]; temas sobre desenvolvimento:206-212. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Natalia_Dias/publication/281177320_funcoes_executivas_desenvolvimento_e_intervencao/links/5604497408ae8e08c089ac7f/funcoes-executivas-desenvolvimento-e-intervencao.pdf

² Irigaray Tatiana, Filho Irenio, Schneider Rodolfo. Efeitos de um treino de atenção, memória e funções executivas na cognição de idosos saudáveis. Psicologia: Reflexão e Crítica [Internet]. 2012 [citado em 9 de Julho 2020];25(1):188-202. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722012000100023

³Junior Carlos, Melo Luciene. Integração de Três Conceitos: Função Executiva, Memória de Trabalho e Aprendizado. Função Executiva e Aprendizado [Internet]. 2011 [citado em 10 de Julho de 2020];27(3):309-314. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-37722011000300006&script=sci_arttext&tlng=pt


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1287
A IMPORTÂNCIA DA TRIAGEM PARA RISCO DE DISFAGIA EM IDOSOS SAUDÁVEIS: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo determinado por vários fatores. Neste processo, é comum a ocorrência de modificações em diferentes estruturas, e estas modificações podem causar alterações da deglutição na população idosa. Apesar da disfagia orofaríngea afetar parte dessa população, muitas vezes ela é subdiagnosticada, principalmente na população idosa saudável, seja pela falta de instrumentos utilizados no rastreio e/ou diagnóstico da disfagia orofaríngea ou pela falta de tais instrumentos inseridos na rotina geriátrica. Considerando o aumento dessa população nos últimos anos, esses instrumentos são extremamente importantes, pois podem contribuir para o diagnóstico precoce, um tratamento mais eficaz, melhor prognóstico e qualidade de vida. Objetivo: Realizar uma revisão bibliográfica sobre a importância da triagem para risco de disfagia em idosos saudáveis. Metodologia: foi realizada uma revisão de literatura sobre o tema; as buscas foram realizadas no mês de fevereiro de 2020. Nas bases BVS, (LILACS, MEDLINE, IBECS, BINACIS, CUMED) e SciELO com os seguintes descritores: “triagem”, “deglutição”, “idoso” e “disfagia” em combinação. Como critérios de inclusão consideramos a faixa etária dos indivíduos pesquisados nos artigos (acima de 65 anos), considerados saudáveis, publicados nos últimos 5 anos (2015-2020), no idioma português. Foram selecionadas linhas de pesquisas que abordassem a importância da triagem e intervenção fonoaudiológica precoce em idosos. Foram excluídos estudos com outros idiomas e que não abordavam o tema e a população escolhida. Resultados: Foram encontrados 3.078 artigos e desse total foram excluídos 2.499 por não tratarem do assunto, 573 por repetição ou por não atenderem os critérios de inclusão. Sendo assim 6 estudos foram lidos integralmente e analisados nesta revisão, onde encontramos os seguintes achados: presença do evento que foi descrito e caracterizado como escape posterior tardio de resíduo alimentar na deglutição, em idosos com ou sem patologias de base de ambos os sexos; dados sobre os protocolos e exames utilizados no rastreio e avaliação da deglutição na população geriátrica, seus norteadores e suas limitações; a importância do rastreio da disfagia e avaliação nutricional em pacientes hospitalizados, e como isso deve ser incorporado na rotina hospitalar; como exercícios orofaríngeos podem melhorar a funcionalidade da deglutição em indivíduos idosos com risco para disfagia; uma correlação entre disfagia e as alterações do sistema estomatognático, com o aumento no tempo mastigatório correlacionado com a disfunção de deglutição, mesmo sem haver alterações estruturais. Conclusão: Com base nos dados apresentados na literatura, pode-se concluir que o próprio envelhecimento já é um grande fator de risco para disfagia, pois pode causar impacto nas estruturas e na funcionalidade da deglutição, estejam os indivíduos institucionalizados ou não. Além disso, são necessários novos estudos e a criação e/ou validação de instrumentos que sejam de fácil acesso, mais completos e objetivos para que possam ser incluídos na prática clínica Fonoaudiológica e na rotina geriátrica, auxiliando os profissionais no diagnóstico e intervenção precoce.

PADOVANI, Aline Rodrigues; MORAES, Danielle Pedroni; MANGLINI,
Laura Davidson; ANDRADE, Claudia Regina Furquim de. Protocolo
Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia

SOARES, LT; VENITE JP; SUZUKI H. Presbifagia, Disfagia, no Idoso e
Disfagia Sarcopênica. Disfagia no Idoso: Guia Prático. Ribeirão Preto, SP: Booktoy;
2018. 1º edição.p.84.

Balbinot et. al. Protocolos de Avaliação de Deglutição: Norteadores e
Limitações. Clin Biomed Res. 2018;38(4):339-347


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1406
A IMPORTÂNCIA DO OLFATO NO PROCESSO DA ALIMENTAÇÃO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA.
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


A importância do olfato no processo da alimentação: uma revisão integrativa da literatura.
Introdução: O olfato é uma importante função no que diz respeito a discriminação dos sabores dos alimentos¹. No processo de mastigação sentimos o gosto e o cheiro concomitantemente, com isso são enviadas tais informações sobre determinada comida ou bebida ao cérebro². A disfunção do olfato é uma condição médica comum e subdiagnosticada que pode ter sérias consequências, inclusive, na gustação³. Objetivo: Analisar os principais aspectos das disfunções olfatórias e como atinge no processo gustativo. Método: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura a partir da busca de artigos nas bases de dados PubMed, Scholar Google e Scientific Eletronic Library Online (Scielo), com base nos descritores: “olfato”, “paladar” e “alteração”. Procedeu-se ao cruzamento dos descritores entre si e individuais. Ao término da pesquisa, foram selecionados, como base para construção do conteúdo deste estudo 30 artigos publicados entre os anos de 2011 e 2020, pela leitura do título e resumo, dentre esses, 10 foram escolhidos após a leitura na íntegra. Resultados: Fundamentado nos artigos escolhidos, foi percebido que a mucosa olfatória tem grande responsabilidade sobre o paladar e que essas alterações no olfato podem afetar diretamente no que se concerne o deleitamento durante o processo da alimentação. Deste modo, podemos classificar essas alterações como: anosmia, hiposmia, cacosmia, parosmia, hiperosmia, fantosmia e agnosia. Porém, as disfunções olfatórias possuem etiologia variada, o prognóstico desta disfunção sujeita-se maiormente da função residual, do sexo, da parosmia, dos hábitos e da idade, enquanto no modelo estatístico, a origem tem um papel secundário, refletido em diferentes graus na perda olfativa inicial. Conclusão: Com isso, o seguinte estudo conclui que os distúrbios do olfato afetam diretamente o paladar, mas a depender da causa os efeitos no paladar são diferentes. E podem chegar a ser frustrantes uma vez que afetam a capacidade do indivíduo de desfrutar de comidas, bebidas e aromas agradáveis. Eles interferem na capacidade do indivíduo em perceber a presença de substâncias químicas e gases potencialmente perigosos, o que pode acarretar graves consequências. Apesar de ser uma função sensorial muito importante, não encontramos muitos trabalhos de reabilitação, sendo o fonoaudiólogo um dos profissionais que poderia intervir nos casos das disfunções, fica como sugestão um maior investimento em pesquisas e publicações nesta área.

Descritores: olfato; paladar, alteração.

Referências:
1. Ulusoya S, Dinc ME, Dalgic A, Topaka M, Dizdar D, Is A. Are people who have a better smell sense, more affected from satiation? Braz. J. Otorhinolaryngol 2017 Nov/Dec 83 (6): 640-645.
2. Morais LH, Santos MG. Revista Insignare Scientia 2019 Set/Dez 2 (4) Sabores e dissabores” de uma horta Escolar: percepções gustativas e vivências de alunos do ensino fundamental.
3. Neto, FXP, Targino MN, Peixoto VS, Alcântara FB, Jesus CC, Araújo DC, Filho EFLM. Anormalidades sensoriais: Olfato e paladar. Arq. Int. Otorrinolaringol 2011;15(3):350-358.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2072
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO COM “RIMA”NA EDUCAÇÃO INFANTIL: REVISÃO INTEGRATIVA
Práticas fonoaudiológicas
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A consciência fonológica é a habilidade de manipular conscientemente os segmentos sonoros das palavras. O desenvolvimento metafonológico é importante para formar bons leitores, sendo necessário que seja estimulado desde a educação infantil, a fim de facilitar a aprendizagem e evitar problemas na aprendizagem da leitura e escrita. A rima é uma das competências que se destaca dentre as habilidades metafonológicas e conceitua-se como a capacidade para detectar sons semelhantes no final das palavras. Esta habilidade precisa ser desenvolvida na educação infantil pois as pesquisas apontam evidências de que as crianças que têm mais facilidade com esta habilidade terão mais sucesso na aprendizagem da leitura e escrita, notadamente na decodificação da leitura. Objetivo: Realizar uma revisão integrativa da literatura buscando as evidências disponíveis sobre a importância da habilidade de rima em escolares na educação infantil. Métodos: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, utilizando os preceitos do Cochrane Handbook, que envolve a formulação da questão a ser investigada, localização, seleção e avaliação critica dos artigos. O estudo utilizou as bases de dados Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (Medline), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (Scielo). Os descritores utilizados foram: “rima”, “leitura”, “consciência fonológica”, “pré-escolar”, “intervenção” e “alfabetização”. Os critérios de inclusão adotados foram os artigos originais, em português, no período entre 2009 e 2019, que investigassem a importância da rima em pré-escolares. Os cruzamentos resultaram no levantamento de 569 artigos e destes apenas sete estavam dentro dos critérios de inclusão. Resultados: Observa-se uma diversidade nos protocolos de avaliações e nas intervenções com a habilidade de rima realizadas com os escolares dentro da sala de aula e seus respectivos professores. Atenta-se a um melhor desempenho em algumas tarefas de habilidades metafonológicas como segmentação silábica, memória fonológica, nomeação rápida, mas por outro lado, nota-se um baixo rendimento dos participantes nas habilidades de rima. Os estudos selecionados demonstraram que esta habilidade encontra-se abaixo do esperado nesse nível de escolaridade, sendo necessárias intervenções para que os escolares avancem no processo de aprendizagem. Conclusão: Conclui-se que a rima é fundamental para o desenvolvimento da leitura e escrita em escolares da educação infantil. Foi possível observar que os escolares possuem dificuldades nesta habilidade, devendo ser estimulada e consolidada quando as crianças ingressarem na alfabetização. Nota-se a importância do investimento em políticas educacionais voltadas à educação infantil, especialmente contendo as habilidades cognitivo-linguísticas que são essenciais para a aprendizagem escolar.

ROSAL, A. G. C.; CORDEIRO, A. A. A.; QUEIROGA, B. A. M. Consciência fonológica e o desenvolvimento do sistema fonológico em crianças de escolas públicas e particulares. Rev. CEFAC. 2013 Jul-Ago; 15(4):837-846

ROSAL, A. G. C.; CORDEIRO, A. A. A.; SILVA, A. C.; SILVA, R. L.; QUEIROGA, B. A. M. Contribuições da consciência fonológica e nomeação seriada rápida para a aprendizagem inicial da escrita. Rev. CEFAC. 2016 Jan-Fev; 18(1):74-85

PESTUN, M. S. V.; OMOTE, L. C. F.; BARRETO, D. C. M.; MATSUO, T. Estimulação da consciência fonológica na educação infantil: prevenção da dificuldade na escrita. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 14, Número 1, Janeiro/Junho de 2010: 95-104.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1320
A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO FAMILIAR NA EVOLUÇÃO TERAPÊUTICA EM TEMPOS DE DISTANCIAMENTO SOCIAL
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: Na perspectiva genética walloniana a evolução da inteligência e da afetividade são interdependentes e co-construídas desde os primeiros dias de vida do bebê, nas relações estabelecidas entre este o seu meio, sendo assim, o vínculo afetivo familiar é fundamental para o processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança1. OBJETIVO: Avaliar a evolução terapêutica após aumento do vínculo familiar. MÉTODO: Foi realizado um estudo transversal observacional de N., sexo masculino, com 2 anos e 7 meses, diagnosticado com transtorno do espectro autista. O menor iniciou as terapias com fonoaudióloga, psicóloga, psicopedagoga e psicomotricista em fevereiro de 2020, duas vezes por semana com cada profissional, as sessões duravam 45 minutos. Com a pandemia instalada, encerraram-se as atividades presenciais no dia 20 de março. Na semana seguinte, iniciou-se um acompanhamento via internet. Nesta fase, o menor foi acompanhado semanalmente apenas pela fonoaudióloga e psicomotricista em encontros de 45 minutos, que aconteceram duas vezes por semana, com cada terapeuta, em formato de vídeo chamadas e consistiram em um processo de orientação a genitora de N. Antes do primeiro encontro da semana eram enviados pela fonoaudióloga atividades por e-mail para que a mãe imprimisse e a psicomotricista encaminhava vídeos com exercícios, ambas encaminhavam também áudios e imagens. Durante a semana, a genitora enviava para as terapeutas áudios e vídeos relatando como tinham ocorrido as atividades. As mesmas respondiam e forneciam outras informações conforme necessidade. Ao todo, em 1 mês e 2 semanas, foram realizados 12 encontros online. Para avaliar a evolução de N., foram identificadas e elencadas as aquisições ao longo do período de acompanhamento terapêutico à distância. RESULTADOS: Durante o período que a mãe era quem realizava as estimulações, seguindo instruções das terapeutas, a criança começou a reconhecer os membros da família, nomear animais, objetos e alimentos, produzir onomatopeias de animais, compreender ordens simples, aceitar novos alimentos, comer sozinho, empilhar legos, imitar gestos de outrem e identificar algumas partes do corpo (pé e nariz), instalou o pedido verbal, diminuiu a sensibilidade tátil à água, aumentou a ocorrência do contato ocular, adquiriu a noção de troca de turno em jogos diversos e a capacidade de correr, pegar objetos ao chão e lançar (bola), despertou interesse por grafismos realizando a pinça com quatro dedos, ampliou o seu repertório de interesses por brinquedos e melhorou o simbolismo. CONCLUSÃO: Como é possível observar no desenvolvimento de N., o fortalecimento dos vínculos afetivos familiares ocasionou muitas aquisições ao longo das semanas que se passaram, pois permitiu a construção de uma sólida base afetiva, que lhe proporcionou a segurança emocional necessária para desenvolver novos recursos psíquicos e ampliar suas competências para lidar com a realidade externa e interna.

Capelasso RRM. Contribuições da Educação e da Psicologia: a importância do vínculo afetivo entre as auxiliares de desenvolvimento infantil e crianças de creche de 0 a 4 anos. São Paulo. Dissertação [Mestrado em Educação] - Universidade do Oeste Paulista; 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1591
A INFLUÊNCIA DE FATORES LINGUÍSTICOS NA HIPOSSEGMENTAÇÃO E HIPERSEGMENTAÇÃO PRESENTE NA ESCRITA DE ESCOLARES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: a aprendizagem da escrita é uma atividade complexa, pois envolve a descoberta da natureza e funcionamento do sistema ortográfico. Partindo da sociolinguística, cujo escopo visa demonstrar a variação linguística como princípio geral e universal de qualquer sistema linguístico, é necessário refletir acerca das segmentações não convencionais encontradas na escrita. A hipossegmentação é caracterizada pela ausência do espaço em branco entre os limites vocabulares e a hipersegmentação é definida pelo espaçamento demarcado através do branco ou hífen de uma palavra, dividindo-a em unidades menores. OBJETIVO: descrever a hipossegmentação e a hipersegmentação encontradas na escrita de crianças correlacionando tais ocorrências a fatores linguísticos. METODOLOGIA: trata-se de uma pesquisa quantitativa, transversal, realizada após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob o número CAAE 08662918.2.0000.5011/ Parecer 3.310.425. Participaram 42 crianças, sendo 38 da escola pública e 4 da escola privada, com idade entre 8 e 12 anos, cursando do 2° ao 5° ano do ensino fundamental. Após esclarecimentos, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado pelos pais/responsáveis dos participantes. Posteriormente, assinou-se o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido pelas crianças. A cada participante foram entregues dois instrumentos de coleta para obtenção das narrativas, que foram realizadas em dias distintos com supervisão das pesquisadoras. Após obtenção das narrativas, os casos de hipossegmentação e hipersegmentação foram tabulados e codificados para análise estatística dos resultados. Para isso, utilizou-se o programa Goldvarb X, visando correlacionar à ocorrência dos fenômenos aos fatores linguísticos: tipo de palavra, estrutura silábica, tonicidade e constituintes prosódicos. RESULTADOS: identificou-se 486 segmentações não convencionais nas amostras coletadas, sendo 279 (57,4%) hipersegmentação e 207 (42,6%) hipossegmentação. Conforme o Goldvarb X, dentre as variáveis, a tonicidade obteve mais relevância para a ocorrência desses fenômenos. Quanto à tonicidade, nas hipossegmentação, as palavras oxítonas apresentaram frequência de 58,8%. Já na hipersegmentação, as paroxítonas foram mais segmentadas, apresentando 99,6%. Referindo-se ao tipo de palavra, verificou-se que a união entre palavra gramatical e fonológica (PG + PF) foi a única predominante nos achados da hipossegmentação, representando 61,5% das ocorrências. Entretanto, nas hipersegmentações, a junção entre palavras fonológicas e gramatical obteve destaque com percentual de 94,7%. Na estrutura silábica, dentre as posições que ocorreram os fenômenos, a disposição CVV + CVC foi a mais significativa em ambos. Outrossim, a estrutura CV foi encontrada em posições relevantes nos dados analisados, enfatizando sua possível interferência na ocorrência dos fenômenos. Quanto aos constituintes prosódicos, a frase fonológica foi a mais determinante nas hipossegmentações, posto ter sido encontrada em 40,58% dos achados. Referindo-se à hipersegmentação, a segmentação de palavra em duas sílabas foi a mais frequente, representando 27,14%. CONCLUSÃO: as hipersegmentações foram as mais prevalentes neste corpus, destacando-se as palavras paroxítonas, com estrutura silábica disposta em CVV + CVC, segmentadas em palavras fonológicas e gramatical (PF + PF + PG) e constituinte prosódico sílaba. Ademais, as hipossegmentação são majoritariamente encontradas em palavras oxítonas, unindo palavra gramatical e fonológica - com estrutura silábica disposta em CVV + CVC e influenciada pelo constituinte prosódico frase fonológica.

LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola, [1972] 2008.

Tenani, L. E., Paranhos, F. C. Análise prosódica de Segmentações não-convencionais de palavras em textos do sexto ano do Ensino Fundamental. Filologia e Linguística Portuguesa 2011 Dez; 13(2): 477-504.

Tenani, L. E. Hipersegmentação de palavras: análise de aspectos prosódicos e discursivos. Linguagem & Ensino 2013 Jul/Dez; 16(2): 305-326.

Da Cunha, A. P. N., Miranda, A. R. M. A hipo e a hipersegmentação nos dados de aquisição de escrita: a influência da prosódia. Alfa: Revista de Linguística 2009; 53(1): 127-148.

Da Cruz, A.L.G. A hipo e a hipersegmentação na escrita de alunos da educação de jovens e adultos: uma reflexão na perspectiva da prosódia [dissertação]. Teresina (PI): Universidade Estadual do Piauí; 2016.

Verçossi, C. E., Gonçalves, G. F. A hipo e a hipersegmentação em dados de escrita de alunos da 8ª série: influência exclusiva dos constituintes prosódicos?. Leitura 2011 Jul/Dez; 2(46): 57-79.

Sankoff, D., Tagliamonte, S., Smith, E. Goldvarb X: a variable rule application for Macintosh and Windows. 2005 Disponível em: http://individual.utoronto.ca/tagliamonte/goldvarb.html . Acesso em: 24 jun. 2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
518
A INFLUÊNCIA DO DIAGNÓSTICO PRÉ-NATAL NA INTERAÇÃO DA DÍADE MÃE-BEBÊ: UM ESTUDO LONGITUDINAL DO PRÉ-NATAL AO PRIMEIRO ANO DE VIDA
Tese
Linguagem (LGG)


Introdução: Ao considerar a importância da interação mãe-bebê na constituição da linguagem constatamos a necessidade de estudos em etapas cada vez mais precoces¹. Destacar e classificar quantitativamente e/ou qualitativamente as habilidades comunicativas é de extrema relevância para compreender os recursos comunicativos usados pelo bebê e sua mãe na complexidade da sincronia das primeiras relações. Objetivo: O objetivo do estudo é investigar as interações entre a mãe e seu bebê. Metodologia: Estudo de abordagem quantitativa, qualitativa, descritiva e longitudinal observacional do acompanhamento do desenvolvimento da interação da díade mãe-bebê desde a fase gestacional até o primeiro ano de vida do bebê. Os participantes foram díades (mãe-bebê) a partir do terceiro trimestre gestacional, um grupo estudo cujos fetos apresentavam alguma alteração estrutural e um grupo controle sem alterações diagnosticadas. O estudo foi dividido em duas etapa: Etapa 1, fase pré-natal e Etapa 2, fase pós-natal. Todas as díades (mãe-bebê) foram acompanhadas em sete encontros agendados (fase gestacional, recém-nascido, dois, quatro, seis, nove e doze meses de idade do bebê). O protocolo de estudo consistiu na análise das situações de interações, ou seja, os sinais comunicativos da díade, na Etapa 1 em um momento interativo da díade (gestante – feto) e na Etapa 2, em três momentos distintos de interação, com a utilização de um brinquedo (objeto), uma cantiga cantada pela mãe (cantiga) e com o discurso materno (livre). As principais ferramentas de análise na Etapa 1 foram: IRMAG², uma entrevista sobre as representações maternas; Escala de Ansiedade de Covi³e Escala de Depressão de Raskim4; Momento Interativo da díade mãe-bebê (gestante-feto) e na Etapa 2 foram: Protocolo Preaut5; Questionário do Comportamento do Bebê – Revisado6; e do “Coding Interactive Behavior”7 – CIB, um sistema de classificação global da interação pais-bebês que contém códigos de nível e escalas de classificação8. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 548.79816.0.0000.5149). Resultados: Na Etapa 1 os grupos, estudo e controle, apresentaram diferença significativa quanto às escalas de ansiedade e de depressão sendo que os escores foram atribuídos ao grupo estudo. Não houve diferença significativa entre os grupos quanto ao tipo de representação materna e momento interativo da díade mãe-bebê (fase pré-natal). Na Etapa 2 houve diferença significativa entre os grupos para a análise da interação a partir do “CIB”, sendo que a maior pontuação dos construtos/Domínios (Envolvimento do Bebê, Reciprocidade da díade e Sensibilidade da mãe) que conferem qualidades positivas a interação foram atribuídas ao grupo estudo e a maior pontuação dos construtos/Domínios (Estados Negativos da díade e Retirada do bebê) que conferem características negativas a qualidade da interação foram atribuídas ao grupo controle. Conclusão: Este estudo destaca o efeito do cuidado parental e transdisciplinar que pode potencializar a capacidade do bebê de adaptar-se e desenvolver-se afetivamente. Ele reconhece a importância do trabalho de equipes que se preocupam em acolher o bebê e seu entorno, valorizando uma escuta individualizada que considera a comunicação multimodal do bebê.


1. Parlato-Oliveira E. Da relação binária ao jogo ternário: uma análise de um bebê e sua mãe. In: Busnel MC, Melgaço RG, organizadores. O bebê e as palavras: uma visão transdisciplinar sobre o bebê. São Paulo: Instituto Langage; 2013. p. 201-208.
2. Ammaniti MCC, Pola M, Tambelli R. Maternité et grossesse, étude desreprésentations maternelles. Paris: Presses Universitaries de France; 1999.
3. Covi L. New Concepts and Treatments for anxiety.Md. Med. J. 1986; 35(10):821.
4. Raskin A, Crook T. Sensitivity of rating scales completed by psychiatrists, nurses and patient to antidepressant drug effects. J. Psychiatr Res. 1976; 13(1):31-41.
5. Olliac B, Crespin G, Lazni MC, Oussama CIEG, Sarradet JL, Colette B et al. Infant and dyadic assessment in early community-based screening for autism spectrum disorder with the PREAUT grid. PLoS ONE. 2017; 12(12):e0188831
6. Klein VC, Putnam SP, Linhares MBM. Assessment of Temperament in Children: Translation of Instruments to Portuguese (Brazil). Intera J Psyc. 2009; 43(3): 552-7.
7. Feldman R. Coding Interactive Behavior Manuel (CIB).Unpublished manuscript, Ramat-Gan, Israel. Society for Infant Studies; 1998.
8. Feldman, R. Parenting behavior as the environment where children grow. In: Lewis M, editor. Cambridge handbooks in psychology. The Cambridge handbook of environment in human development. New York: Cambridge University Press; 2012. p. 535-567.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1220
A INFLUÊNCIA DO TEATRO NO TRATAMENTO A PACIENTES AFÁSICOS: REVISÃO DE LITERATURA SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A junção entre a saúde e a arte é uma possibilidade transformadora e de amplo potencial para o cuidado a pacientes afásicos, visto que retrata a respeito da ligação da arte com as clínicas de linguagem. A tais pacientes, isto significa ir além do que geralmente é encontrado em programas ou técnicas terapêuticas nas policlínicas presas à individualidade da doença. A Fonoaudiologia não se limita a tão somente um conjunto de normas, prescrições médicas e/ou técnicas de ação1. Por isso, a arte pode agregar ou, inclusive, possibilitar a técnica terapêutica de linguagem. Essa condição parte da hipótese de que a trilogia arte-tratamento-afasia demonstra seu vínculo mediante as características da semelhança do sujeito com a linguagem, em seus diversos meios de expressão2. OBJETIVO: Apresentar a partir de uma revisão de literatura, a influência do teatro nos ambientes de cuidado a pacientes afásicos. METODOLOGIA: Revisão de literatura sistemática que utilizou como descritores: Afasia. Reabilitação. Tratamento. Linguagem. Encontraram-se 4 artigos indexados nas bases de dados Google Acadêmico e ScienceDirect, seguindo os critérios de inclusão: publicações entre os anos 2015 a 2020 e àqueles que se encaixariam no tema proposto. RESULTADOS: Entre os estudos analisados, o teatro foi tido como uma opção terapêutica a ser usada com pacientes afásicos com determinados grupos e instituições. No estudo2, participaram dois afásicos crônicos com dificuldades de linguagem predominantemente expressivas e, que, de acordo com o autor3, foi possível notar que além de evoluir a comunicação dos indivíduos com afasia, a técnica teatral caracterizou-se como uma forma a qual pôde beneficiar a autoestima e a execução das atividades diárias dos pacientes em tratamento. Já no estudo1, com um grupo de dez pacientes com afasia, trabalhou-se amplamente as formas expressivas (verbais, gestuais, expressões faciais, emoção), resgate de memória, evocação, abstração e exteriorização de sentimentos. Conforme os autores4, a possibilidade de colocar o corpo e a fala em curso refletiu de maneira positiva nas ações gerais dos sujeitos. Dos gestos às encenações e das mímicas às vozes, cada pessoa com afasia foi designada a tomar posicionamento com sua atual situação de gestualidade e/ou fala. CONCLUSÕES: Com fundamento no que foi versado no presente tema, pôde-se concluir que a trilogia arte-tratamento-afasia foi capaz de agregar o método terapêutico de linguagem de modo bastante positivo. Pois, mesmo respeitando as particularidades de cada afásico e suas maneiras de expressões, observou-se mudanças na comunicação lúdica, motivação para a dicção espontânea dos afásicos, aumento no ânimo/socialização, melhora nos aspectos cognitivos dos sujeitos afásicos e na comunicação como um todo. Sugere-se, portanto, que mais trabalhos nesta área sejam realizados para que a agregação de práticas teatrais no tratamento a pacientes com afasias sejam cada dia mais habitual para que a interação entre eles seja uma maneira a mais de fazer com que o indivíduo afásico venha a se comunicar.
DESCRITORES: Afasia. Reabilitação. Tratamento. Linguagem.

1. DIGNAM, J.; COPLAND, D.; RAWLINGS, A.; O’BRIEN, K.; BURFEIN, P.; RODRIGUEZ, A. D. The relationship between novel word learning and anomia treatment success in adults with chronic aphasia. Neuropsychologia, v. 81, p. 186-197, 2016.

2. KESAV, P; VRINDA, S. L.; SUKUMARAN, S.; SARMA, P. S.; SYLAJA, P. N. Effectiveness of speech language therapy either alone or with add-on computer-based language therapy software (Malayalam version) for early post stroke aphasia: a feasibility study. Journal of the Neurological Sciences, v. 380, p. 137-141, 2017.


3. DUARTE, Jéssica S. Arte clownesca na fonoaudiologia: a reinvenção da comunicação do afásico. 41 f. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fonoaudiologia). Instituto de Psicologia/ Faculdade de Odontologia/ Curso de Fonoaudiologia. RS, Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, 2017.

4. MALACHIAS, A. R.; GUSHIKEN, L. Rediscovering speech: theatrical intervention with aphasic patients attended in the Municipality of São Vicente. 31º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
402
A INFLUÊNCIA DO USO DE SMARTPHONES NA QUALIDADE DE SONO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS.
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Com a evolução das tecnologias de informação, a utilização de smartphones se difundiu amplamente, afetando as rotinas e hábitos diários, favorecendo o uso, tornando-se presente, incluindo na hora de dormir.(1) Além das redes sociais, para estudantes universitários, os smartphones tornaram-se uma ferramenta facilitadora associada ao estudo, favorecendo maior acesso ao conhecimento.(2) Contudo, o uso demasiado de smartphones tem sido relacionado a distúrbios no sono, ou seja, a dependência do celular gera problemas físico-comportamentais que acarretam em má qualidade de sono, podendo afetar o desempenho acadêmico e o nível de concentração.(2,3) Objetivo: Averiguar a relação do uso abundante de smartphone e a baixa qualidade de sono em estudantes universitários. Método: Foi feita uma busca na literatura científica dos últimos 5 anos, nas bases de dados PubMed e BVSalud, com o cruzamento de termos específicos como “qualidade do sono”, “smartphones” e “estudantes universitários”, utilizados os seus correspondentes no idioma inglês. Os critérios de inclusão foram estudos que abordavam o uso exagerado de smartphones por estudantes universitários, detectado através de instrumentos padronizados. Os critérios de exclusão consistiram em trabalhos que abarcavam fatores físicos e psicológicos, sem abranger os aspectos relacionados à qualidade de sono. Resultados: Foram encontrados 1343 artigos na base de dados PubMed, dos quais foram selecionados apenas 14. Na base de dados BVSalud foram encontrados somente 5 artigos, os quais apenas 2 artigos se enquadravam nos critérios de inclusão, no entanto, estes estavam duplicados na PubMed. Todos os artigos de ambas as bases estavam disponíveis no idioma inglês, em que utilizaram questionários como Escala de Dependência de Smartphones (SAS-SV), Teste de Dependência de Internet (IAT), Escala de Uso Excessivo de Telefone Celular (COS), Uso Problemático da Internet (UIP) e outros, relacionados à problemática da má qualidade de sono, avaliada por meio do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). Sendo assim, os principais achados estavam relacionados a estudantes da área da saúde, na faixa etária de 18 a 30 anos, (2,4,5,6), com prevalência de universitários do sexo feminino mais acometidos pela dependência de smartphones, em comparação ao sexo masculino.(4,5,7,8) Entretanto, em ambos os sexos, o uso excessivo de smartphones esteve estreitamente relacionado a transtornos de ansiedade, depressão, distúrbios comportamentais(7) e baixo rendimento acadêmico(9), implicando significativamente em uma má qualidade de sono.(4,6) Assim, de acordo com os dados obtidos com o Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI), verificou-se que universitários que faziam utilização prolongada de smartphones possuíam alterações nos padrões de latência, duração e eficiência do sono.(8) Conclusão: De acordo com a literatura verifica-se, portanto, que o uso excessivo de smartphone pelos estudantes universitários acarreta na baixa qualidade de sono, vinculando a transtornos físico-comportamentais e baixo rendimento acadêmico. São necessárias mais pesquisas sobre a temática abordada, visto que se trata de uma demanda de saúde pública, principalmente com o objetivo de se propor estratégias para uma utilização mais saudável dos smartphones no que se refere ao sono.

1. Jniene A, Errguig L, Hangouche AJE, Rkain H, Aboudrar S, Ftouh ME, et al. Perception of Sleep Disturbances due to Bedtime Use of Blue Light-Emitting Devices and Its Impact on Habits and Sleep Quality among Young Medical Students. Marocco: Academic Editor: Sushil K. Jha, 2019.
2. Ibrahim NK, Baharoon BS, Banjar WF, Jar AA, Ashor RM, Aman AA, et al. Mobile Phone Addiction and Its Relationship to Sleep Quality and Academic Achievement of Medical Students at King Abdulaziz University, Jeddah, Saudi Arabia. Saudi Arabia: Journal of Research in Health Sciences 2018, 18(3): e00420.
3. Mohammadbeigi A, Absari R, Valizadeh F, Saadati M, Sharifimoghadam S, Ahmadi A, et al. Sleep Quality in Medical Students; the Impact of Over-Use of Mobile CellPhone and Social Networks. Irã: Journal of Research in Health Sciences 2016, 16(1):46-50.
4. Demirci K, Akgönüla M, Akpinar A. Relationship of smartphone use severity with sleep quality, depression, and anxiety in university students. Turkey: Journal of Behavioral Addictions 2015, 4(2): p. 85–92.
5. Kumar VA, Chandrasekaran V, Brahadeeswari H. Prevalence of smartphone addiction and its effects on sleep quality: A cross-sectional study among medical students. Ind Psychiatry J. 2019, 28(1): 82–85.
6. Grimaldi-Puyana M, Fernández-Batanero JM, Fennell C, Sañudo B. Associations of Objectively-Assessed Smartphone Use with Physical Activity, Sedentary Behavior, Mood, and Sleep Quality in Young Adults: A Cross-Sectional Study. Rmes. Montevallo: Public Health 2020.
7. Chen B, Liu F, Ding S, Ying X, Wang L, Wen Y. Gender differences in factors associated with smartphone addiction: a cross-sectional study among medical college students. Chen et al. BMC Psychiatry. 2017; 17:34.
8. Lin PH, Lee YC, Chen KL, Hsieh PH, Yang SY, Lin YL. The Relationship Between Sleep Quality and Internet Addiction Among Female College Students. China: Front Neuroscience, 2019, 13: 599.
9. Huang Q, Li Y, Huang S, Qi J, Shao T, Chen X. Smartphone Use and Sleep Quality in Chinese College Students: A Preliminary Study. China: Front Psychiatry, 2020, 11: 352.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1243
A INFLUÊNCIA DO USO DO AASI NA PERCEPÇÃO DO ZUMBIDO EM ADULTOS E IDOSOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O zumbido é um sintoma descrito como uma ilusão auditiva gerada pela porção sensorioneural do sistema auditivo, ou seja, essa sensação endógena não está relacionada à nenhuma fonte externa de estimulação1-2. Sabe-se que o zumbido pode provocar diferentes reações nos sujeitos, inclusive em alguns casos interferir diretamente em suas atividades de vida diária3-4. O zumbido é um sintoma relacionado à várias etiologias, principalmente da perda auditiva e o seu tratamento está relacionado a diversas abordagens, entre elas, indicações como o uso de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) que além de melhorar a audição e estimular o córtex auditivo, contribui com reduções permanentes na atividade neural responsável pela geração e percepção do zumbido1-5-6. Objetivo: Analisar a influência do uso do AASI na percepção do zumbido em adultos e idosos de um Serviço de Atenção à Saúde Auditiva. Métodos: Estudo de caráter qualitativo, realizado mediante aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa, sob parecer nº 3.120.336, por meio da realização de duas entrevistas semiestruturadas, realizadas com 11 adultos e idosos de ambos os gêneros de 24 a 78 anos, com diagnóstico de perda auditiva adquirida neurossensorial e/ou mista, de grau leve a severo, uni ou bilateralmente, sem uso prévio de AASI e que tivessem atribuído nota igual ou maior que quatro (4) à queixa de zumbido em uma escala de zero(0) a dez (10). Em ambas as entrevistas, foi apresentado aos participantes a Escala Visual Analógica, sendo considerado percepção leve, notas de zero (0) a três (3), moderada quatro (4) a sete (7) ou severa oito (8) a dez (10)7. As entrevistas foram realizadas no dia da adaptação do aparelho auditivo e um mês após o seu uso. Para a organização da pesquisa, seguimos o método de análise proposto por Minayo8. Resultados: O uso do AASI influenciou positivamente na melhora da percepção do zumbido para 72% dos participantes. Dentre os 11 participantes, oito (8) perceberam diminuição do zumbido, destes, cinco (5) referiram nota zero (0) na segunda entrevista, sendo que anteriormente apresentaram percepção moderada ou severa do zumbido. Dois (2) sujeitos passaram da percepção severa para a leve e um (1) da percepção severa para moderada e três (3) sujeitos não observaram mudança no grau de percepção do zumbido. Os fatores de ordem emocional também foram relevantes neste estudo, no que se refere a maior ou menor percepção do zumbido. Em relação ao impacto do zumbido na qualidade de vida dos entrevistados, as falas apontam prejuízos na qualidade do sono, no âmbito social, familiar e emocional. Conclusão: O estudo aponta que o uso do AASI contribuiu para a melhora da percepção do zumbido para a maior parte dos participantes entrevistados (72%), melhora esta percebida durante o uso do AASI. Percebe-se também uma relação importante entre o zumbido e a qualidade de vida dos participantes. Os dados sugerem a importância do atendimento integral e interdisciplinar para compreender as implicações desse sintoma na qualidade de vida dessas pessoas, bem como para poder avaliar o benefício com o uso de AASI.

1. Esteves CC, Brandão FN, Siqueira CGA, Carvalho SA da S. Audição, Zumbido e Qualidade de Vida: Um Estudo Piloto. Revista CEFAC. [artigo online]. 2012 [acesso em 01 out 2019]; 14(5): 836-43. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v14n5/25-11.

2. Sanchez TG. Quem disse que zumbido não tem cura?: depoimentos e informações úteis para ajudar milhões de brasileiros. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo. 2019. 96p.

3. Cima RF, Grombez G, Vlaeyen JWS. Catastrophizing and Fear of Tinnitus Predict Quality of Life in Patients With Chronic Tinnitus. Ear & Hearing. 2011; 32(5): 634- 41.

4. Mathias KV, Mezzasalma MA, Nardi AE. Prevalência de transtorno de pânico em sujeitos com zumbidos. Rev Psiq Clín. 2011; 38(4): 139-42.

5. Rocha AV. Diretrizes para Intervenção Fonoaudiológica no Zumbido [Tese de Doutorado). Bauru: Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru; 2018 [acesso em 01 outubro 2019]. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25143/tde-13072018- 093027/publico/AndressaVitalRocha_Rev.pdf.

6. Santos GM dos. A influência do gerador de som associado à amplificação convencional para o controle do zumbido: ensaio clínico cego randomizado [Tese de Doutorado]. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina; 2013 [acesso em 01 out 2019]. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5143/tde-01112013- 141148/publico/GiseleMunhoesdosSantos.pdf

7. Leandro S de F, Mancini PC. Zumbido Crônico em Idosos: Uma proposta de Intervenção. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. [artigo online]. 2016 [acesso em 01 out 2019]; 21(3): 295-308. Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/RevEnvelhecer/article/download/80794/47397.

8. Minayo MCS. O desafio do conhecimento, pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec; 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1371
A INTERDISCIPLINARIDADE DA FONOAUDIOLOGIA E ODONTOLOGIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Na parceria Fonoaudiologia e Odontologia a meta se dar através do sistema estomatognático - SE, campo de estudo que relaciona essas duas áreas e através do conhecimento complementar busca a saúde desse sistema, a reabilitação mais efetiva e melhor qualidade de vida para o paciente1. A atuação fonoaudiológica visa reeducar as funções do SE, por meio da especialidade em Motricidade Orofacial, buscando o equilíbrio do SE, o qual relaciona-se com vários ramos da odontologia2. A atuação multiprofissional amplia o trabalho em equipe, contribui para sociedade e anula o modelo individualista3. Objetivo: Sintetizar e descrever o trabalho em conjunto da fonoaudiologia e odontologia mostrando a importância da interdisciplinaridade nessas duas áreas da saúde. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistematizada da literatura. Foi realizada uma busca no banco de dados Periódicos CAPES; os descritores utilizados foram: fonoaudiologia, odontologia e interdisciplinaridade; para o critério de inclusão os filtros usados foram: artigo, português e foram escolhidos os artigos que estavam de acordo com a temática abordada. Fez parte desse trabalho seis artigos que foram publicados entre os anos 2016 e 2020. Resultados: Ao realizar a busca foram encontrados 553 trabalhos, após a aplicação dos filtros restaram 220 artigos dos quais 6 foram escolhidos e utilizando para elaboração do trabalho a maioria das publicações não estavam de acordo com os critérios de inclusão. Dos artigos escolhidos um é uma revisão de literatura e o outro um relato de caso, os outros foram pesquisa realizada com ajuda de questionário para Odontólogos com objetivo de identificar sobre seus conhecimentos em relação a prática fonoaudiológica e sua relação com a odontologia e um questionário destinado aos Fonoaudiólogos com perguntas sobre a odontologia e seu trabalho em equipe com a fonoaudiologia. Um dos artigos mostra que a maioria dos Ortodontistas fazem encaminhamentos quando há casos relacionados com o SE; muitos Fonoaudiólogos relataram ter um percentual baixo de pacientes encaminhados por Cirurgiões-Dentistas. Nos outros trabalhos foi visto que parte dos dentistas relaciona o trabalho dos fonoaudiólogos apenas a questões de fala e audição, apesar disso, em outro estudo a maioria deles relataram fazer em caminhamento quando há casos de respirador oral. Conclusão: É possível observar a interdisciplinaridade entre essas duas profissões, porém ainda em quantidade pouco expressiva, sendo importante fortalecer ainda mais esta relação, pois são práticas que quanto maior o trabalho realizado em equipe, melhor será o resultado. De acordo com os achados podemos verificar que a fundamental importância da interdisciplinaridade entre as duas profissões.

Descritores: Fonoaudiologia; odontologia, interdisciplinaridade.

1. Rech RS, Brown MA, Cardoso MC, Vidor, Maahs MAP. Interfaces entre fonoaudiologia e odontologia: em que situações essas ciências se encontramn? Universitas: Ciências da Saúde, Brasília, 2015 jul./dez 13 (2), 111-125.

2. Amaral EC, Bacha SMC, Ghersel ELA, Rodrigues MI. Inter-relação entre a odontologia e a fonoaudiologia na motricidade orofacial. Rev. CEFAC, 2006 julio-septiembre, 8 (3), 337-351.

3. Silva TR, Canto GL. Integração odontologia-fonoaudiologia: a importância da formação de equipes interdisciplinares. Rev. CEFAC. 2014 Mar-Abr; 16 (2), 598-603.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
163
A INTERDISCIPLINARIDADE NA ELABORAÇÃO DE UM AUDIOBOOK AUDIODESCRITIVO: A CONEXÃO DAS PROFISSÕES FONOAUDIOLOGIA E ODONTOLOGIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: Estima-se que no mundo existem 36,9 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual e essas pessoas enfrentam diversas dificuldades em seu dia a dia pela falta de acessibilidade. A interdisciplinaridade pode ser uma prática educacional capaz de integrar diferentes conteúdos, pode favorecer o processo ensino e aprendizagem entre os envolvidos e pode beneficiar a comunidade externa à universidade. Objetivo: Relatar a experiência vivenciada durante a adaptação do "Guia de Orientações Odontológicas para Bebês" para o formato audiobook audiodescritivo, destinado a pessoas com deficiência visual, pelo grupo interdisciplinar de pesquisa da Faculdade de Odontologia da UFMG que reúne discentes e docentes de graduação e pós-graduação dos cursos de Fonoaudiologia e Odontologia. Metodologia: A adaptação do material aconteceu no segundo semestre de 2019 envolvendo os passos: gravação da leitura em voz alta e audiodescrição de todo o conteúdo do "Guia de Orientações Odontológicas para Bebês" (material direcionado aos pais e responsáveis por crianças de 0 a 3 anos de idade contemplando orientações como higiene bucal, alimentação saudável, hábitos orais, sono e trauma dentário) em uma cabine audiométrica para evitar ruídos sonoros; edição das gravações em um aplicativo específico para vídeos e disponibilização pública de todo o material via site. Resultados: Percebeu-se que utilizar o espaço educacional para tornar acessível materiais relacionados à saúde da população, fortaleceu as ações e atividades, promoveu um diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e sensibilizou a formação de estudantes da área da saúde. Conclusão: A atividade viabilizou ao grupo interdisciplinar aproveitar um material já elaborado e destinado à população a respeito da saúde bucal e torná-lo acessível às pessoas com deficiência visual. Além do aspecto inclusivo o material elaborado pode ser um recurso mais atrativo para pessoas que não apresentam a deficiência visual, devido ao formato em que foi adaptado que conta com imagens e o áudio. O grupo de pesquisa que reúne a fonoaudiologia e a odontologia, sentiu que sua formação foi enriquecida ao construir e disponibilizar todo o material e, futuramente, pretende-se realizar pesquisas que possam avaliar especificamente o impacto dessa adaptação ao público de pessoas com deficiência visual.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1502
A INTERPROFISSIONALIDADE NO ALEITAMENTO MATERNO DE PREMATUROS: UMA VISÃO DA FONOAUDIOLOGIA E PSICOLOGIA.
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O prematuro necessita de diversas intervenções para conseguir se desenvolver. O aleitamento materno possui um papel importante no desenvolvimento de prematuros, pois colabora nutrindo o corpo, desenvolvendo a musculatura oral e também promove o vínculo entre mãe e bebê[1]. Os prematuros, em sua maioria, necessitam de auxílio para conseguirem mamar, até mesmo em seio materno, papel desenvolvido pelo fonoaudiólogo(a) nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal[2]. No processo inicial da amamentação é fundamental para o prematuro, que sua mãe esteja segura e constitua uma relação afetiva com o bebê, portanto, o papel do psicólogo é realizar acolhimento e dar suporte à esta mãe, trabalhar o fortalecimento da relação mãe-bebê e a construção de vínculos[3]. Desta forma, a inter-relação dos trabalhos desenvolvidos por ambas as áreas profissionais em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIn), são fatores fundamentais e determinantes no processo inicial do aleitamento materno. Objetivo: Relatar a prática do atendimento multiprofissional com a inter-relação da fonoaudiologia e psicologia com o recém-nascido prematuro, internado em uma UTIn, na primeira avaliação em seio materno. Método: Relato de experiência a partir de atendimentos realizados por fonoaudiólogo e psicóloga residentes pertencentes à um Programa de Residência Multiprofissional na área Materno-Infantil/Neonatologia de um hospital filantrópico do Rio Grande do Sul, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa: CAAE 2 31674920.2.0000.5342. Desenvolvimento: A prematuridade é uma condição do bebê que modifica a realidade do puerpério, entre essas alterações, está o aleitamento materno. Na UTIn, os prematuros e suas famílias enfrentam diversas situações, e o início da alimentação é um momento que exige atenção de toda a equipe ao binômio mãe/bebê. O fonoaudiólogo consegue com aptidão realizar essa transição e auxiliar a mãe e o bebê, no processo de aleitamento. Desta forma, a partir de atendimentos realizados pelas áreas de fonoaudiologia e psicologia durante o período de residência multiprofissional no programa materno-infantil/neonatologia, no cenário de uma UTIn, evidenciou-se a necessidade e a contribuição da inter-relação das áreas profissionais no processo de amamentação. O fonoaudiólogo consegue manejar a amamentação cuidando principalmente dos aspectos biológicos envolvidos, e quando atua junto com a psicóloga, ofertar atenção integral diante das demandas observadas no atendimento. Nas intervenções conjuntas, observou-se melhor aceitação e maior segurança das mães que receberam o acompanhamento interprofissional na primeira oferta de seio materno ao prematuro. Elas sentiram-se mais acolhidas, compreenderam o trabalho desenvolvido e conseguiram assimilar melhor o processo a ser construído pela amamentação, entendendo melhor os benefícios e as limitações momentâneas, pois não é todo prematuro que consegue mamar de maneira eficiente na sua primeira vez. Conclusão: O trabalho interprofissional entre as áreas da fonoaudiologia e psicologia, contribui para melhor desempenho do bebê no processo inicial da amamentação, as mães se sentiram mais confiantes e seguras quanto ao processo, portanto, conseguiram interagir com seus filhos, fortalecendo assim, o vínculo e a relação mãe-bebê, fatores estes, que contribuem para que o prematuro tenha bom desenvolvimento no processo da amamentação. Além disso, as mães conseguiram compreender os benefícios e limitações do processo inicial do aleitamento materno.

1- Almeida LIAM. Fatores que influenciam a amamentação à alta em recém-nascidos após o internamento numa unidade de apoio perinatal diferenciado. Viseu. Dissertação [Mestrado em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria] - Istituto Politécnico Viseu; 2017
2- Otto DM, Almeida ST. Desempenho da alimentação oral em recém-nascidos prematuros estimulados pela técnica treino de deglutição. Audiol Commun Res. 2016 nov. 22: e1717.
3- Portella RBC. Prematuridade e hospitalização: atravessamentos na construção da relação mãe-bebê. 2019. Tese (Doutorado). Universidade Católica de Pernambuco. Doutorado em Psicologia Clínica.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1801
A INTERPROFISSIONALIDADE NO TELEMONITORAMENTO DE SINTOMAS RESPIRATÓRIOS EM TEMPOS DE PANDEMIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O Programa de Educação pelo Trabalho PET - Saúde Interprofissionalidade tem a educação interprofissional em saúde como eixo central, visando como principal objetivo a promoção e a qualificação da integração ensino-serviço-comunidade. O programa contempla ações de educação interprofissional que são desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde (APS) e envolvem estudantes de graduação, professores, profissionais da saúde, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Devido à pandemia do COVID-19, o projeto alinhou-se à necessidade de ações relacionadas ao enfrentamento da doença. Desse modo, o telemonitoramento foi incorporado ao programa com o objetivo de monitorar pacientes com sintomas respiratórios que procuraram atendimento em unidades de saúde do município, identificando previamente os casos de agravamento dos sintomas respiratórios e encaminhando para equipe de atenção primária em saúde. Além disso, o acompanhamento desses pacientes visa esclarecer dúvidas em relação às medidas de isolamento social e realizar a orientação sobre a proteção e a prevenção da contaminação por coronavírus. Para isso, é indubitável a interprofissionalidade na ação, uma vez que cada profissional pode contribuir de forma única e qualificada, além de promover, aos futuros profissionais, a experiência do trabalho em equipe, a partir das trocas realizadas durante o telemonitoramento. OBJETIVO: Refletir sobre o efeito da interprofissionalidade e o papel do trabalho colaborativo nas equipes que realizam o telemonitoramento dos pacientes sintomáticos respiratórios da COVID-19. MÉTODO: As equipes são compostas por estudantes de diferentes cursos de graduação, professores e profissionais da saúde (preceptores nas unidades de saúde) também com diferentes formações e cada equipe é responsável por uma ou duas unidade de saúde do Distrito assistencial de uma Universidade Federal. O telemonitoramento acompanha os pacientes com sintomas respiratórios por 14 dias ou até que os mesmos testem negativo para o COVID-19 e não apresentem mais os sintomas respiratórios. Nesse tempo de acompanhamento, os pacientes e familiares trazem questões que vão além dos sintomas respiratórios, e cabe às equipes como um todo discutirem quais orientações podem e devem ser repassadas e qual a melhor forma de atender às demandas individuais de cada usuário/família. As dúvidas trazidas pelos pacientes também são debatidas pela equipe, com o propósito de encontrar as respostas mais assertivas, sendo a comunicação entre os membros da equipe e com os pacientes um tema recorrente nos grupos de trabalho (GT). RESULTADOS: Observa-se que a ação interprofissional no telemonitoramento possibilita uma excelente troca entre os participantes do projeto, tanto nas equipes/GTs das unidades, como entre as diferentes equipes e a gestão do distrito docente, trazendo vivências que contribuem de maneira ímpar para a formação do futuro profissional de saúde, incluindo a Fonoaudiologia, colaborando para o desenvolvimento das habilidades de comunicação, colaboração, cuidado humanizado e atenção centrada no paciente. CONCLUSÃO: A interprofissionalidade proporcionada pela integração dos professores e estudantes com os preceptores nas unidades de saúde e usuários tem se mostrado fundamental para o sucesso do telemonitoramento e para a promoção do cuidado dos usuários com sintomas respiratórios.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1986
A INTERSETORIALIDADE COMO DISPOSITIVO FORMATIVO EM EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE.
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


Introdução:
Tendo a residência multiprofissional em Saúde da Família/Atenção Básica como cenário desta vivência, ampliando noções fundamentais da concepção de saúde, sujeito e vida, este trabalho constitui-se do relato e os desdobramentos de um projeto de intervenção intersetorial, envolvendo a Estratégia de Saúde da Família (ESF), o Núcleo de Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) e um Centro de Educação Infantil (CEI). O projeto de intervenção foi elaborado com base no matriciamento e na educação popular em saúde.

Objetivos:
Organizar e qualificar as demandas fonoaudiológicas proveniente de um CEI;
Instrumentalizar os professores quanto ao desenvolvimento e estimulação da linguagem.

Métodos:
O projeto ocorreu em um bairro que a Atenção Básica (AB) esta presente num município de Santa Catarina e foi realizado entre os meses de setembro à outubro no ano de 2016.dois mil e dezesseis. A organização deste, ocorreu em função de um dos CEI ter solicitado a ESF encaminhamentos para o serviço de Fonoaudiologia, justificando a necessidade de acompanhamento desta especialidade para aproximadamente 25% dos alunos. Perante essa solicitação a ESF, sentiu a necessidade de acionar o NASF-AB na tentativa de solucionar a demanda no território. Os profissionais da AB, agendaram uma reunião entre os setores da saúde e educação, no desejo de compreender melhor esses encaminhamentos. No encontro, pactuou-se que as fonoaudiólogas iriam realizar observação em sala de aula e após isso, realizar uma proposta de trabalho. O projeto proposto foi: oficina com os professores e coordenação sobre desenvolvimento da linguagem e oficinas com as crianças, com a média de seis anos, e as professoras para estimulação da linguagem de forma coletiva.
A oficina com professores e coordenação foi realizada, teve-se como método fundamental a educação popular, onde construiu-se conhecimentos a partir da prática pedagógica dos professores, bem como suas experiências anteriores. Ao final do encontro, apresentou-se a proposta das oficinas com as crianças e também seria realizado encaminhamento para quem precisasse de atendimento.
Foi agendado, uma reunião entre os responsáveis pelo projeto a fim de definir o cronograma. Encontro esse que infelizmente não ocorreu, pois na data marcada, a coordenadora não compareceu e após tentativas em reagendar, a equipe da educação omitiu sua participação.

Resultados:
Infelizmente o projeto não alcançou os objetivos esperados pela equipe, pois os profissionais da saúde não compactuaram com o volume dos encaminhamentos. Já que estes estavam baseados no modelo da patologização e medicalização da infância, infelizmente ainda muito presente no contexto educacional. Os profissionais da educação optaram por desistir do projeto.
Esse projeto para nós, profissionais residentes, oportunizou a aprendizagem em planejar, organizar e executar ações intersetoriais em um território.

Conclusões:
A qualidade do diálogo intersetorial estabelecido, apesar do processo ter sido interrompido evidenciou que fazer na concepção da educação popular em saúde é uma possibilidade do profissional estar comprometido com a vida, com o território e com as pessoas, respeitando o tempo de aprendizagem e as necessidades de cada um.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
750
A LINGUAGEM E SEUS DISTÚRBIOS NA PERSPECTIVA DE FAMILIARES DE SUJEITOS EM ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: diagnósticos de distúrbios, durante o processo de apropriação da linguagem, podem ser limitados, na medida em que desconsideram a participação dos sujeitos/pacientes e de seus familiares/cuidadores nesse processo(1). Um olhar ‘patologizante’ por parte dos familiares/cuidadores aos sujeitos/pacientes com queixa na linguagem, bem como a ausência da escuta e do olhar para suas questões sociais e singulares podem limitar o trabalho clínico terapêutico(2). Uma abordagem que volta a atenção para familiares/cuidadores amplia as possibilidades terapêuticas, pois o envolvimento familiar contribui para que a relação do sujeito/paciente com a linguagem se efetive(3). Nesse sentido, uma proposta de ação em grupo, moderada pelo fonoaudiólogo, em que o diálogo é tomado como possibilidade de intervenção, pode propiciar condições para a percepção de questões vivenciadas por esses familiares/cuidadores, gerando reflexões e ressignificações sobre dificuldades e sintomas(4). Objetivo: analisar visões de familiares/cuidadores acerca do processo de linguagem e seus distúrbios em relação a sujeitos/pacientes em acompanhamento fonoaudiológico, durante trabalho em grupo moderado pelas pesquisadoras. Método: o presente estudo é transversal, qualitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos, sob número 3.030.703. A pesquisa foi realizada em uma clínica-escola de Fonoaudiologia, vinculada a uma instituição de ensino superior privada. Participaram do estudo, cinco familiares/cuidadores, sendo quatro mulheres, mães, e um homem, pai, acima de 18 anos. Todos fizeram parte de cinco encontros, os quais foram gravados, transcritos e analisados, por meio de Análise de Conteúdo. Resultados: inicialmente, verificou-se que os participantes tinham uma concepção de linguagem relacionada ao bem falar, sendo a fala entendida como um ato mecânico e dependente de adequado funcionamento anatomofuncional; os sujeitos/pacientes eram tomados como passivos e colocados em posição de incapacitados, envergonhados e inseguros, à margem da sociedade; e os familiares sentiam-se sozinhos nas situações que vivenciavam com seus filhos(as). Quanto ao trabalho fonoaudiológico em grupo, realizado com eles, afirmaram que passaram a refletir sobre a linguagem, dando outros significados às situações vivenciadas com os filhos(as) e se sentindo menos solitários para compreender tais situações. Conclusão: a prática dialógica em grupo ampliou possibilidades de reflexões sobre processo de linguagem e seus distúrbios. Entende-se que outras pesquisas devem envolver atividades com famílias/cuidadores de pessoas em atendimento clínico fonoaudiológico, dando-lhes espaço para falar sobre dúvidas, receios e anseios, o que pode ser um caminho para que o fonoaudiólogo contribua para transformar sofrimento em potência, em sua atividade clínica.

1. SCHULZ, L., O.; CUSTODIO, M., M. C.; VIAPIANA, A. Concepções de Língua, linguagem, ensino e aprendizagem e suas repercussões na sala de aula de língua estrangeira. PLE, v.1, n.1, 2012.

2. MILANO, L.; RIBEIRO, J. O funcionamento de falas sintomáticas para além da distinção normal/patológico: contribuições Saussurianas, Rev. Let. Hoje, vol.53, Porto Alegre, 2018.

3. LOURENÇO, R. C.; MASSI, G. Grupo operativo como espaço para atividades dialógicas junto a idosos. Rev. do NESME, v.13, n.2, p.13-23, 2016.

4. BERBERIAN, A. P.; SANTANA, A. P. Fonoaudiologia em contextos grupais: Referencias teóricos e práticos. Plexus editora, São Paulo, 2012.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
969
A METODOLOGIA ATIVA NO ENSINO REMOTO DE EMERGÊNCIA EM FONOAUDIOLOGIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: o ensino remoto de emergência é uma mudança transitória utilizado como ensino alternativo em virtude de situações de crise, como a pandemia do Covid-19 (1). Assim, mudanças precisam ser realizadas. Objetivo: Descrever relato de experiência acerca da oferta de módulo optativo sob a forma a distância em tempos de Covid-19 em um curso de graduação em Fonoaudiologia. Método: Foi realizada a oferta totalmente online do módulo optativo Tópicos Especiais em Ética Profissional por duas discentes de um curso de graduação em Fonoaudiologia, aos discentes do respectivo curso, adotando-se o modelo flipped classroom, ou seja, sala de aula invertida (2). A duração do módulo foi de um mês, com carga horária de 60 horas. Foram disponibilizados na plataforma institucional digital (Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas, SIGAA) artigos científicos, resoluções, pareceres e recomendações do Conselho Federal de Fonoaudiologia, bem como o Código de Ética do Profissional Fonoaudiólogo. Foram utilizados aplicativos e serviços de comunicação por vídeo como o Google Meet, o Zoom, o Whatsapp, além do SIGAA (para depósito de materiais, fórum, mural de notícias e chats). Adotaram-se ritmo individual e de classe, com sincronia mista de comunicação online e pedagogia colaborativa com o debate, no decorrer do módulo, de sete situações-problema. Atividades lúdicas foram realizadas nos encontros virtuais síncronos como forma de enfrentamento mental pelos impactos do Covid-19. Resultados: De um total de 172 alunos, 20 efetivaram a matrícula (11,63%), sendo 85% do gênero feminino. A maioria matriculada entre o III (n=8, 40%) e o IV Ciclos do curso (n=7, 35%). As leituras prévias dos assuntos discutidos nas aulas virtuais assíncronas permitiram o conhecimento dos aspectos legais da Fonoaudiologia e os encontros síncronos, a apreensão do conteúdo e a retirada de dúvidas. Não foram encontradas dificuldades, por parte dos discentes, em relação ao método adotado, ao contrário do relatado pela literatura (3), uma vez que o curso que frequentam oferece metodologia de ensino problematizador em sua integralidade. Dificuldades foram encontradas quanto ao acesso às plataformas virtuais (20% da amostra), sendo solucionadas pelo uso combinado de diferentes sistemas de comunicação virtual. Conclusão: A metodologia ativa como proposta pedagógica permite que, em tempos de crise, haja maior adaptação por parte dos estudantes a métodos problematizadores como o flipped classroom; a apreensão de conteúdos considerados imprescindíveis aos futuros fonoaudiólogos, sob a forma virtual; bem como pode ser considerada como uma estratégia de saúde mental para todos os envolvidos no processo de Educação Superior em Fonoaudiologia.

Palavras-chave: Aprendizagem Baseada em Problemas, Fonoaudiologia, Ensino, Educação a Distância.

1. Hodges C, Trust T, Moore S, Bond A, Lockee B. As diferenças entre o aprendizado online e o ensino remoto de emergência. Rev. Esc. prof. educ. tecnol. [periódico na Internet]. 2020 [citado 2020 July 05];2:[cerca de 12p.]. Disponível em: http://escribo.com/revista/index.php/escola/article/view/17.
2. Talbert R. Guia para utilização da aprendizagem invertida no ensino superior. Porto Alegre: Penso; 2019.
3. Lopes SFSF, Gouveia L, Reis P. O Método MaCAIES: uma proposta metodológica para a implementação da sala de aula invertida no ensino superior. RSD [periódico na Internet]. 2020 [citado 2020 July 05];9(2):[cerca de 17p.]. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7342136.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1959
A MONITORIA COMO APOIO AO ENSINO REMOTO EM TEMPOS DE PANDEMIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


O cenário vigente, frente a pandemia de COVID-19, está sendo contemplado por adaptações em diversos setores da sociedade, dentre eles o educacional, que está sendo promovido mediante ensino remoto. Entretanto, há divergências nessa modalidade devido às questões sociais e psicológicas dos discentes, assim, é notável a implantação de métodos que facilitem sua aprendizagem. Dessa forma, a monitoria se apresenta como importante instrumento para consolidação de conteúdo. O objetivo do trabalho consiste em apresentar um relato de experiência das atividades desenvolvidas no formato remoto por discentes do curso de graduação em Fonoaudiologia, no projeto de monitoria, no período de junho e julho de 2020. O presente relato dispensa aprovação do Comitê de Ética e foi realizado mediante análise longitudinal do projeto de monitoria na disciplina Diagnóstico Audiológico, com a participação de uma docente coordenadora e três discentes. As aulas síncronas foram ministradas pela docente na plataforma Google Meet com plantão de dúvidas no Instagram. As atividades assíncronas foram desenvolvidas pelas discentes mediante ferramentas facilitadoras de aprendizagem, contando com redes sociais, como YouTube, Instagram e WhatsApp. Os resultados foram analisados de forma descritiva. Para compor o conteúdo assíncrono, foram elaborados estudos dirigidos que contemplam as aulas síncronas para melhor fixação do conteúdo. A logística do estudo permitia ao aluno escolher 5 de 10 perguntas para serem respondidas, sendo possível analisar a prevalência de questões escolhidas e direcionar as possíveis fragilidades a serem revisadas. Também houve a participação ativa dos discentes com auxílio de enquetes para construção do raciocínio clínico. Posteriormente, as dificuldades encontradas foram retomadas e revisadas em aula. As monitoras elaboraram vídeos interativos como mais uma ferramenta para ampliar as formas de aprendizagem, e assim proporcionar atividades variadas. Com o auxílio de três mestrandas e uma fonoaudióloga foi desenvolvido um grupo de estudos sobre mascaramento, com três encontros na plataforma Google Meet. Durante o planejamento dos encontros, foram elaborados casos clínicos e materiais de apoio para fixação do conteúdo. A proposta acolheu discentes do curso de graduação de fonoaudiologia e público externo. Foi elaborado um formulário online para obter um feedback dos alunos sobre a disciplina e relataram “o instagram serviu perfeitamente para tirar dúvidas do que não entendi ou passou despercebido na aula",“criatividade nas aulas, facilidade de comunicação, aprendizado produtivo.” e “poder assistir às aulas quantas vezes quiser no youtube e conseguir anotar o máximo de detalhes possíveis”. Em relação a percepção das monitoras foi possível identificar que o processo incentivou a criatividade e o aperfeiçoamento tecnológico, ainda relataram “a monitoria nos faz pensar em como gostaríamos que o assunto fosse abordado e sua importância no processo criativo para a aprendizagem”. As redes sociais fazem parte do cotidiano dos discentes, o que facilitou a adesão nessas plataformas. Pode-se observar que ao serem utilizadas a favor da aprendizagem houve uma melhor participação dos alunos. Com isso, conclui-se que as metodologias elaboradas na monitoria contribuíram para a consolidação da aprendizagem no formato remoto. Além disso, o projeto fomenta a formação acadêmica dos discentes e estimula o interesse pela docência.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
903
A MONITORIA COMO PRECURSORA DA METODOLOGIA ATIVA EM UM CURSO DE FONOAUDIOLOGIA TRADICIONAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: A monitoria no ensino superior é um recurso amparado pela Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996, que visa efetivar o aprendizado do estudante neste nível de ensino (1). Objetivo: Descrever relato de experiência acerca da monitoria em Motricidade Orofacial oferecida em um curso de Fonoaudiologia com método tradicional de ensino. Método: Pela oferta de quatro vagas de monitoria para a disciplina Sistema Sensório Motor Oral do primeiro ano do curso de graduação em Fonoaudiologia da Universidade Federal de Sergipe, campus São Cristóvão, quatro discentes passaram e auxiliaram dois docentes na disciplina supracitada. Foram realizados encontros periódicos entre monitores e docentes e semanais entre monitores e discentes matriculados no curso. A monitoria foi estruturada na perspectiva das metodologias ativas de ensino e aprendizagem, com elaboração e discussão de situações-problema, de casos clínicos e debate de textos científicos, a partir do conteúdo programático da disciplina. Resultados: De um total de 52 alunos matriculados na disciplina, 78,85% do gênero feminino, 25,19% participaram dos onze encontros com os monitores (média: 13,1 ± 4,76), em que os três monitores participaram ativamente do processo. Os debates prévios dos temas do conteúdo previamente estabelecido entre os monitores e os discentes permitiram que as aulas da disciplina fossem mais reflexivas, havendo participação ativa dos discentes nesses momentos. Corroborou o que a literatura relata sobre a monitoria ser um instrumento auxiliar no processo de ensino-aprendizagem de fundamental importância para os monitores quanto para os docentes que podem trabalhar melhor os conteúdos em sala de aula (2), além de possibilitar aos participantes um ensino híbrido entre a metodologia tradicional e a ativa de ensino na unidade curricular em estudo (motricidade orofacial) e número reduzido de reprovações na disciplina (n=1; 1,92%), corroborando com achados da literatura (3). Conclusão: A monitoria permitiu aos discentes que a executaram o aprimoramento em motricidade orofacial, a experiência na docência e nas metodologias ativas. Além disso, beneficiou os discentes matriculados na disciplina com um melhor rendimento acadêmico e a possibilidade das docentes responsáveis pela disciplina conhecerem as dificuldades dos estudantes, conseguindo, a tempo, minimizar dúvidas e diminuir reprovações. Conclui-se que a monitoria é um espaço privilegiado de formação e, quando praticada com métodos ativos de ensino e aprendizagem, fomentam maior interesse e participação dos estudantes.

Palavras-chave: Fonoaudiologia, Ensino, Monitoria.

1. Souza Mendes RM, Sobreira MFG, Soares CQG, Fontes LBA, Oliveira Andrade MAC, Segheto W. Monitoria no ensino superior: contribuições em uma faculdade privada de medicina. Rev cient. FAGOC saúde. 2018;3(1):35-40.
2. Diesel S, Carrazoni GS, Rambo LM. Monitoria no ensino superior: uma ferramenta essencial de aprendizagem. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão 2017;9(1):14.
3. Souza PMB, Santos Albuquerque JD, Silva AFM, Sousa EMD, Paiva MDEB. (2020). Metodologias ativas de ensino e aprendizagem no ensino da Anatomia Humana: uma experiência usando massa de modelar e outras ferramentas de comunicação em um projeto de monitoria. Braz. j. dev. 2020;6(6):41834-43.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1261
A MOTIVAÇÃO PARA APRENDER NO ENSINO FUNDAMENTAL E A INFLUÊNCIA DE ASPECTOS INDIVIDUAIS E CONTEXTUAIS
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A motivação para aprender tem despertado o interesse de muitos pesquisadores das áreas da saúde e educação por exercer influência no rendimento escolar e acadêmico, estando relacionada a fatores pessoais e contextuais (1).

OBJETIVO: verificar a associação entre a motivação para aprender e o perfil sociodemográfico, a qualidade de vida, a autopercepção de saúde, os recursos do ambiente familiar, o desempenho escolar e as capacidades e dificuldades de estudantes do ensino fundamental de uma escola de financiamento privado.

MÉTODO: trata-se de estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob parecer de número 2.422.795 com delineamento observacional, analítico e transversal realizado com 124 estudantes do ensino fundamental II de uma escola de financiamento privado. Foram utilizados os instrumentos Caracterização dos Participantes, Escala de Motivação para a Aprendizagem (EMAPRE) (2), Autopercepção de Saúde, Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ-Por) (3), Questionário Pediátrico sobre Qualidade de Vida (PedsQL™) (4) – versão pais e filhos, Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) (5) e o Inventário de Recursos do Ambiente Familiar (RAF) (6). O desempenho escolar foi obtido pela média do aproveitamento das disciplinas no período pesquisado. Foram realizadas análises descritiva, bivariada e multivariada. A análise descritiva considerou a distribuição de frequência absoluta e relativa das categóricas e de síntese numérica das contínuas, por meio do Teste Kolmogorov-Smirnov. A análise inferencial e as análises bivariada e multivariada foram utilizadas para avaliação da associação entre as variáveis resposta e explicativas. Foram utilizados os testes qui-quadrado de Pearson e qui-quadrado de tendência para as variáveis ordinais e para avaliar a associação entre as variáveis em formato contínuo, utilizou-se o teste de Mann-Whitney. A adequação dos modelos de regressão logística múltipla foi avaliada pelo teste de Hosmer e Lemeshow.

RESULTADOS: a maioria dos participantes era do sexo feminino, pertencia à classe econômica A e avaliou sua saúde como boa ou excelente. O domínio Meta Aprender da EMAPRE apresentou a maior média quando comparado aos outros domínios (29,3; DP=4,7; mediana 31). A maioria dos estudantes apresentou desempenho excelente (12%) e muito bom (40%), e 48% avaliaram positivamente as três dimensões da qualidade de vida (física, psicosocial e escolar). As variáveis recursos do ambiente familiar, desempenho escolar e dificuldades dos estudantes não permaneceram associadas aos domínios da EMAPRE na regressão logística múltipla. A variável perfil sociodemográfico não apresentou associação com a motivação para aprender nesta amostra. A motivação para aprender de melhor qualidade (Meta-aprender) mostrou-se associada à maior qualidade de vida, às capacidades dos adolescentes e à autopercepção positiva de saúde.

CONCLUSÃO: Consideradas a fase de transição e desafios inerentes à adolescência e a complexidade do processo de aprendizagem e suas consequências dentro e fora do âmbito educacional, ressalta-se a importância de pais e educadores no estímulo ao autoconhecimento, autocuidado e desenvolvimento de habilidades que despertem o interesse por aprender.

1. Martinelli SC. Um estudo sobre desempenho escolar e motivação de crianças. Educ rev. 2014(53):201-16.

2. Zenorini RDPC, dos Santos AAA. Escala de metas de realização como medida da motivação para aprendizagem. Interamerican Journal of Psychology, 2010;44(2):291-8.

3. Goodman R. The Strengths and Difficulties Questionnaire: a research note. J Child Psychol Psychiatry. 1997;38(5):581-6.

4. Varni JW, Seid M, Kurtin PS. PedsQL 4.0: Reliability and validity of the Pediatric Quality of Life Inventory Version 4.0 generic core scales in healthy and patient populations. Med Care. 2001;39(8):800-12.

5. ABEP: Associação Brasileira de Empresa de Pesquisa [Internet]. São Paulo: Associação Brasileira de Empresa de Pesquisa; 2018. Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB). [cited 2019 Sep 7]. Available from: http://www.abep.org/criterio-brasil.

6. Marturano EM. O inventário de recursos do ambiente familiar. Psicol Reflex Crit. 2006;19(3):498-506.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
291
A MÚSICA COMO ESTRATÉGIA DE INTERAÇÃO E POTENCIALIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução
A música tem sido percebida como uma estratégia facilitadora no processo de ensino e aprendizado. Ela pode ser compreendida como um importante meio de comunicação e expressão do indivíduo, além de ser uma arte de caráter universal, pois rompe as barreiras dos idiomas. Estudos demonstram que as crianças são capazes de reagir a estímulos musicais desde o intraútero, e que respostas comportamentais são evidentes quando essas crianças são expostas às mesmas músicas no pós natal. O fonoaudiólogo que atua no meio educacional precisa estar atento às diversas formas de estimular o desenvolvimento da criança, tendo a música como uma grande aliada.

Objetivo
Relatar um Oficina desenvolvida por alunos de Fonoaudiologia em um Centro de Educação Infantil (CEI) do interior do estado de São Paulo

Método
Este estudo baseia-se em relato de experiência.

Resultados
Para essa atividade, foram confeccionadas “formiguinhas” com papel cartonado preto, olhos móveis de acrílico, cola quente, tintas coloridas e arames flexíveis. Havia dois furos nas extremidades inferiores das formiguinhas onde era possível inserir os dedos indicadores e médios. Cada estagiário tinha um exemplar da formiguinha, que foi utilizado como forma de facilitar a interação entre ele e as crianças do maternal. Um dos estagiários tocou violão enquanto as estagiárias e a professora cantavam e dançavam com as crianças as músicas "Formiguinha / Fui ao mercado comprar (...)" e "Cabeça, ombro joelho e pé". Observou-se nas crianças a coordenação do movimento motor grosso, a capacidade de adaptação, as relações interpessoais, bem como a propriocepção. Essa dinâmica foi realizada dentro das salas de aula, em dois dias distintos, com um intervalo semanal.

Conclusão
Nos contatos iniciais, as crianças se mostraram um pouco inibidas. Com o decorrer das apresentações, elas adquiriram mais confiança e segurança. Os professores, por outro lado, se mostraram bastante receptivos e participativos desde o começo da execução das atividades, convidando-nos a retornar outras vezes, alegando que as crianças geralmente gostam muito desse tipo de atividade lúdica. Com essa dinâmica foi possível também notar um desenvolvimento adequado em relação a idade e escolaridade das crianças observadas, apesar delas apresentarem características diferentes, que tinham associação direta tanto com as capacidades intrínsecas quanto a qualidade dos estímulos recebidos nos diversos ambientes, tais como escolar, familiar, dentre outros.
Os estudantes, por outro lado, puderam compreender melhor as dinâmicas e as possibilidades de atuação de um profissional que está inserido diretamente no contexto educacional.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
475
A MÚSICA COMO FACILITADORA DA COMUNICAÇÃO E EXPRESSIVIDADE DE ADOLESCENTES
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano marcada por várias transformações biológicas, psicológicas e sociais. Sendo primordial a prevenção de agravos, a promoção da saúde e uma assistência adequada aos adolescentes desde a atenção primária. Além disso, compreender os aspectos biopsicossociais e buscar uma relação sólida entre adolescentes e equipes envolvidas na assistência à saúde, facilita o cuidado integral, o acompanhamento e o desenvolvimento dessa população(1,2). Para isso, a música se torna um recurso de aproximação desse público, pois funciona como um mecanismo de socialização entre eles e um canal de expressão para comunicar sentimentos, necessidades e desejos(3,4). Na área da saúde, a música é utilizada na reabilitação através da musicoterapia, ferramenta promotora do bem-estar individual ou de grupos, que está inserida nas Práticas Integrativas e Complementares à Saúde(5). O que a torna um elemento comum à vivência de profissionais da saúde e ao público adolescente. Objetivo: Descrever uma ação de promoção à saúde utilizando a música como facilitadora da comunicação e da expressividade de adolescentes. Método: A Ação foi desenvolvida por uma fonoaudióloga e uma psicóloga em uma escola e teve a participação de 53 adolescentes de ambos os sexos, com idade entre 15 e 17 anos. Os escolares foram divididos em três grupos para facilitação da logística das atividades, que tiveram duração de uma hora. O público foi disposto em uma sala de aula com cadeiras em círculo e a proposta contemplou três atividades musicais: 1) Comunicação por meio do som - os adolescentes deveriam comunicar o que sentiam por meio de batidas com palitos na cadeira, podendo serem feitas de maneira livre, em forte ou fraca intensidade, de maneira rápida ou lenta, desde que representasse a forma deles se comunicarem. 2) Expressividade corporal a partir de estímulo sonoro: Eram apresentados sons instrumentais de diferentes ritmos que eram alternados e os participantes tinham que se expressar com o corpo conforme o estímulo sonoro em questão. 3) Quem canta seus males espanta: Foi disponibilizado instrumentos musicais e microfone acoplado a uma caixa de som para que os adolescentes se expressassem com canções a partir de suas preferências musicais. Ao final da ação, juntou-se os três grupos no pátio da escola para feedback da atividade. Resultados: A partir da observação e relato dos adolescentes, a ação propiciou melhora da interação entre eles, com notório aumento da expressividade, principalmente das emoções, sendo descrita por maioria dos participantes a diminuição do sentimento de vergonha. Nos aspectos comunicacionais, observou-se menor reatividade emocional na fala e no discurso dos adolescentes, assim como, melhora da segurança e propriedade ao comunicar suas experiências após a intervenção. O que pode ser indicativo de possíveis ganhos na função pragmática da linguagem, no que tange ao seu uso social. Conclusão: No âmbito da promoção à saúde, atividades com música melhoram a comunicação e expressividade de adolescentes, sendo facilitadoras desse processo. Podendo ainda, mediar as interações interpessoais e os aspectos socioemocionais dos sujeitos.

Palavras-chave: Música, Adolescente, Saúde do Adolescente, Assistência Integral à Saúde, Comunicação.

1 Gonçalves JBB, Correia EGD, Cardozo LF, de Matos MDLP, Maciel YKQ. VISÃO DOS ADOLESCENTES FRENTE AOS SERVIÇOS DE SAÚDE PRESTADOS EM UM MUNICÍPIO DO INTERIOR PAULISTA. UNIFUNEC CIÊNCIAS DA SAÚDE E BIOLÓGICAS,2019. 3(5).

2 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde integral de adolescentes e jovens: orientações para a organização de serviços de saúde.Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 44 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).

3 Machado MGM, De Vilhena APMP. Juventude e a produção de sentidos: uma análise da recepção de mensagens transmitidas em músicas dos gêneros musicais Rap e Trap, através da teoria das mediações. In: 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 2019. p,1-15.

4 Dreher SC. A canção: um canal de expressão de conteúdos simbólicos e arquetípicos. Psicologia Argumento, 2005. v. 23, n. 42, p. 55-63.

5 Sousa Leandra Andréia de, Barros Nelson Filice de. Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde: avanços e desafios. Rev. Latino-Am. Enfermagem  [Internet]. 2018.  26: e3041.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
417
A MÚSICA É CAPAZ DE MELHORAR OS NÍVEIS DE ATENÇÃO AUDITIVA?
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


TÍTULO: A música é capaz de melhorar os níveis de atenção auditiva? INTRODUÇÃO: Trabalhos mostram que o sistema auditivo central está especialmente ligado ao desenvolvimento das nossas habilidades de linguagem e, consequentemente, as nossas relações sociais e comunicação verbal¹. Os Potencias Evocados Auditivos fornecem informações sobre o sistema auditivo como um todo, desde o sistema auditivo periférico até o sistema auditivo central, como os Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência (PEALL). Os PEALL são realizados para verificar os processos cognitivos da audição e a integridade das vias auditivas centrais, de forma clínica². Uma revisão de literatura realizada sobre artigos publicados que relacionavam a música e cognição, descreve estudos que comprovaram que quando a música está envolvida a facilidade para memorização é maior³. Outro estudo buscou comparar como os diferentes tipos de ritmos musicais influenciam no sistema auditivo. Como resultado, esse estudo mostrou que comparando os diferentes ritmos não houve mudanças significativas, mas quando comparado o grupo de mulheres que recebeu o estímulo da música e o que não recebeu, a música ajudou a manter a atenção das participantes que estava recebendo o estimulo, o mesmo não aconteceu com o grupo controle4. Nesse projeto, levantamos a seguinte questão: A música pode influenciar nos níveis de atenção auditiva? OBJETIVO: Verificar os efeitos da música sobre o processamento auditivo central. MÉTODOS: Foi analisada uma voluntária saudável jovem, com 25 anos de idade. O processamento auditivo central foi analisado por meio do PEALL. Quanto ao parâmetro de análise foi considerado como objeto de estudo o componente P3 (P300). A voluntária foi examinada em dois dias diferentes randomizados. Em um dia, as variáveis foram analisadas antes da exposição à música e imediatamente após a música por meio do fone de ouvido. Em outro dia, os mesmos procedimentos foram realizados, porém, com o fone de ouvido desligado. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética (processo n° 419/2012) e obedeceu à resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/1996. RESULTADOS: Analisando os dados do primeiro dia de coleta, observa- se que o estímulo potencializou a atenção do indivíduo, evidenciado pelo aumento dos valores de amplitude da onda P3. Na orelha esquerda, houve aumento próximo de 50%, ao passo que na orelha direita, o valor aumentou mais que 100%. A coleta referente ao segundo dia não foi possível análise devido aos artefatos excessivos da amostra. A pesquisa está em processo de desenvolvimento, por isso é apenas o resultado parcial. CONCLUSÃO: Nesse primeiro momento, observa- se que a resposta do individuo foi potencializada após a música, o que reforça nossa hipótese inicial de que a música é capaz de melhorar os níveis de atenção auditiva. Precisa-se de maior amostra para confirmar a hipótese.

1- VIVIANE, B. et al. Interaction Between Cortical Auditory Processing and Vagal Regulation of Heart Rate in Language Tasks: A Randomized, Prospective, Observational, Analytical and Cross-Sectional Study. Scientific reports, v. 9, n. 1, p. 4277, 2019.
2- DUARTE, Josilene Luciene et al. Potencial evocado auditivo de longa latência-P300 em indivíduos normais: valor do registro simultâneo em Fz e Cz. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 75, n. 2, p. 231-236, 2009.
3- PEDERIVA, Patrícia Lima Martins; TRISTÃO, Rosana Maria. Música e cognição. Ciências & Cognição, v. 9, 2006..
4- DE SÁ, Cintia Ishii; PEREIRA, Liliane Desguado. Musical rhythms and their influence on P300 velocity in young females. Brazilian journal of otorhinolaryngology, v. 77, n. 2, p. 158-162, 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
480
A MUSICALIZAÇÃO COMO FERRAMENTA NO ESTÍMULO DAS HABILIDADES DE PROCESSAMENTO AUDITIVO
Práticas fonoaudiológicas
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O processo de musicalização visa promover vivências dos elementos básicos da música, objetivando o desenvolvimento musical a partir das propriedades do som: altura (sons graves e agudos); intensidade (sons fortes e fracos); duração (sons curtos e longos) e timbre (identidade do som)(1-3). Nesse sentido, surge a importância da música como instrumento para o desenvolvimento do processamento auditivo, justamente porque as propriedades do som que é a base de todo fazer musical correspondem diretamente com as habilidades auditivas(4). Além disso, a música é um recurso lúdico para qualquer faixa etária que está presente no cotidiano das pessoas e gera efeitos positivos no cérebro, favorecendo o desenvolvimento cognitivo, linguístico e psicomotor(5). Com isso, acredita-se que utilizar o ensino de elementos sonoros musicais para conscientização da função auditiva pode auxiliar na prática fonoaudiológica para estimulação das habilidades auditivas, principalmente em sujeitos com alterações no processamento da audição. Objetivo: Apresentar a musicalização como ferramenta coadjuvante à prática fonoaudiológica para estímulo das habilidades auditivas. Método: Foram elencadas as propriedades sonoras presentes na música que são comurmente utilizadas na pedagogia musical e correlacionadas aos objetivos da terapia do processamento auditivo. A partir do ensino de quatro propriedades básicas, o volume, o timbre, a duração e a altura, torna-se possível desenvolver respectivas metas terapêuticas para cada habilidade relacionada a esses elementos musicais. Dispondo da utilização de instrumentos musicais de fácil manuseio ou adaptados à rotina do profissional, é sucedida a efetividade na demonstração de tais propriedades. O volume desenvolve a capacidade de reconhecer o estímulo sonoro e reproduzi-lo conforme sua intensidade, o elemento timbre serve como identificador da diferença entre dois sons ou instrumentos. Com a duração se trabalha o tamanho do som, desde a distinção de sons curtos e longos até a divisão de sons dentro de uma pulsação em uma unidade de tempo e a altura promove a percepção da frequência de determinado som, o posicionamento das notas numa escala, referindo-se aos sons graves e agudos e toda gama de possibilidades sonoras entre eles(6). Resultados: O ensino das quatro propriedades sonoras citadas nesse trabalho, promove a realização de atividades que influenciam principalmente, no estímulo dos padrões temporais da audição (sequenciamento do som e aspectos suprassegmentais da fala) por meio da pulsação. Estimula ainda, o reconhecimento auditivo (padrões de frequência, intensidade e duração sonora) através dos elementos de altura, volume e duração ou divisão rítmica. Assim como, propicia a estimulação da discriminação auditiva (entre sons verbais e não verbais ou entre sons distintos) valendo-se do elemento timbre(4). Como consequência, reforça as funções de atenção seletiva e memória auditiva. Conclusão: A musicalização torna-se uma ferramenta coadjuvante ao trabalho fonoaudiológico, atuando na conscientização sonora e auxiliando na estimulação das habilidades do processamento auditivo. Esse recurso, pode ser inserido em ações da Fonoaudiologia no contexto educacional em paralelo as práticas pedagógicas musicais e sobretudo na reabilitação clínica audiológica dentre as atividades utilizadas no planejamento terapêutico individual.

Palavras-chave: Música, Audição, Percepção auditiva.

1 Brito Teca. Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical. 2ª edição. São Paulo: Peirópolis, 2011.

2 Mateiro T. Ilari B. (Org). Pedagogias em educação musical. Curitiba: Ibepex, 2011.
3 Jordão C, et al. (Org). A música na escola. São Paulo:Alucci & associados comunicações, 2012.

4 Louro V, Louro F. Avaliação Auditiva de Sequencia Sonoro Musical: um estudo piloto para validação de teste musical para pessoas com TEA. Revista música (Usp)15(1): 103- 125, 2015.

5 Casarotto FD, De Vargas LS, Mello-Carpes PB. Música e seus efeitos sobre o cérebro: uma abordagem da neurociência junto a escolares. Revista ELO–Diálogos em Extensão, v. 6, n. 02, 2017.

6 Louro Viviane. A educação musical unida à psicomotricidade para o neurodesenvolvimento de pessoas com TEA. Tese de Doutorado. Departamento de neurologia/neurociências: Unifesp, 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
980
A OFERTA DO ENSINO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS NOS CURSOS DE FONOAUDIOLOGIA NO BRASIL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: a disciplina Língua Brasileira de Sinais (Libras) deve ser ofertada obrigatoriamente¹ durante a formação do fonoaudiólogo, em Instituições de Ensino Superior (IES) privadas ou públicas. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para as áreas da saúde² definem que a Libras pertence ao conjunto de temas transversais no currículo, na perspectiva de direitos humanos. Entretanto, os documentos oficiais não apresentam sugestões de carga horária (CH) total para o curso de Fonoaudiologia. Dada a relevância do conhecimento da estrutura e funcionamento da Libras aplicada às diversas possibilidades de intervenção, faz-se necessário discutir a sua implementação no curso de Fonoaudiologia. Objetivo: analisar a oferta e carga horária da disciplina Libras nos cursos de graduação em Fonoaudiologia no Brasil. Método: estudo documental do tipo descritivo. Realizou-se uma busca no site e-MEC, plataforma online do Ministério da Educação³, pelas IES que oferecem o curso de Fonoaudiologia no Brasil. Foram realizados acessos aos websites das IES para análise da matriz curricular de ensino dos cursos e seleção de todas as disciplinas que envolviam o ensino de Libras. Foram considerados cursos ativos e presenciais, desconsiderados cursos à distância ou que não estivessem em oferta no website da IES. Por serem dados públicos e extraídos de websites, a submissão ao comitê de ética em pesquisa foi dispensada. Os dados foram tabulados e analisados de forma descritiva, a partir da carga horária total, teórica e prática; semestre de oferta e tipo de IES. Resultados: Foram encontrados 134 cursos de graduação em Fonoaudiologia no Brasil. Após análise e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram considerados 83 cursos. Nove instituições não apresentaram em seus websites a grade curricular do curso. Logo, foram analisadas 74 matrizes curriculares. Dessas, 62 (83,7%) ofertaram disciplinas de Libras no ensino, sendo 40 IES privadas (64,5%) e 22 IES públicas (35,5%). 88% não apresentavam a CH teórica ou prática, apenas a CH total, média de 46 horas semestrais, para IES públicas e privadas. Entretanto, a carga horária total média de Libras durante a graduação é de 58 horas para as instituições privadas, 61 para instituições públicas e 59 em ambas. Cinquenta IES (80,6%) oferecem o ensino de Libras em apenas uma disciplina, nove (14,5%) ofertam em duas disciplinas, e quatro (6,45%) subdividem em três. Para as 13 IES que subdividem a disciplina, as CH mínima e máxima encontradas foram de 30 e 68 horas/semestrais e 60 e 126 horas/curso, respectivamente. A maioria das disciplinas é ofertada ao longo do primeiro ano do curso (n= 30 disciplinas; 27 IES). Para o segundo, terceiro e quarto ano foram encontradas 25, 16 e 7 disciplinas, respectivamente. Conclusão: 6,3% dos cursos de Fonoaudiologia não contemplam a Libras em sua matriz curricular. A CH média proposta é insuficiente para uma apropriação mínima para fins de intervenção em Fonoaudiologia⁴. Inserir esta disciplina somente no primeiro período entende-se como um dificultador para a aplicação do conhecimento, tal como propõe a legislação¹, que é o respeito ao direito a integralidade da atenção à saúde e à educação da pessoa surda.

1. Brasil. Decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005. Brasília, 2005. Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Brasília, 2005.
2. Brasil. Conselho Nacional de Saúde (CNS). Resolução nº 569 de 8 de dezembro de 2017. Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de graduação da área da saúde. Disponível em: Acesso em: 29 jun 2020.
3. Guarinello AC, Berberian AP, Eyng DB, Festa PSV, Marques JM, Bortolozzi KB. A disciplina de Libras no contexto de formação acadêmica em fonoaudiologia. Rev. CEFAC [Internet]. 2013 Apr [cited 2020 June 25]; 15( 2 ): 334-340.
4. Brasil. Ministério da Educação. Portaria nº. 21, de 21 de dezembro de 2017. Dispõe sobre o sistema e-MEC, sistema eletrônico de fluxo de trabalho e gerenciamento de informações relativas aos processos de regulação, avaliação e supervisão da educação superior no sistema federal de educação e o cadastro nacional de cursos e instituições de educação superior cadastro e-MEC. Diário Oficial da União 22 dez 2017; Seção 1.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
491
A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS ACADÊMICO-CIENTÍFICOS E O PROTAGONISMO DISCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: Com o intuito de comemorar os 10 anos do Curso de Graduação em Fonoaudiologia de uma instituição de ensino superior, a I Jornada de Fonoaudiologia foi proposta por iniciativa discente da primeira liga acadêmica formada em 2018. A ação de extensão contou com a participação de todo o corpo docente e discente do curso. O evento foi gratuito e aberto a toda comunidade das instituições de ensino e a profissionais fonoaudiólogos e de áreas afins. A ação teve como objetivo integrar profissionais e acadêmicos, por meio de atividades científicas relacionadas às diversas áreas de atuação fonoaudiológica, com ênfase na interdisciplinaridade, contribuindo para a formação permanente dos profissionais fonoaudiólogos. OBJETIVO: Descrever a experiência oriunda do processo de organização de um evento científico por iniciativa discente. MÉTODO: Este estudo consiste em um relato de experiência do planejamento, organização e execução de um evento científico realizado em 2019. A Jornada foi financiada com contribuições da liga, da venda de camisas do evento, do patrocínio ou apoio de empresas locais. O projeto contemplou sete etapas descritas neste estudo: (1) idealização e planejamento realizado pela liga; (2) convite à docente para colaboração na organização; (3) aprovação da proposta no Departamento de ensino da instituição; (4) composição da equipe ampliada de discentes e docentes ; (5) divisão da equipe organizadora e ampliada em cinco grupos de trabalhos (GTs); (6) organização do evento por meio da divisão de tarefas entre os GTs; (7). execução do evento e avaliação. RESULTADOS: O planejamento e a organização foi realizado pela diretoria da liga e aprimorado com a participação da professora convidada. Após aprovação do projeto pelo Departamento, 7 docentes e 12 discentes foram incluídos na equipe. A equipe foi dividida nos GTs: gerenciamento (do cadastro do evento ao gerenciamento das inscrições e certificações); comunicação (divulgação do evento, produção da identidade visual do evento e de um documentário da história do curso e registro audiovisual); infraestrutura e logística (viabilização do financiamento e infraestrutura necessária); e programação científica (definição da programação e gerenciamento das atividades científicas). Na execução da Jornada a equipe foi reorganizada contemplando todas as demandas desde o credenciamento até a entrega do certificado aos convidados. O evento contou com cerimônia de abertura e encerramento, cinco mesas redondas com os temas: saúde mental, saúde auditiva, atualidades em fonoaudiologia hospitalar, atualidades em terapia fonoaudiológica e egressos do curso, além de uma conferência: fonoaudiologia e bioética. Houve a participação de 6 moderadores e 19 palestrantes e a participação de 92 inscritos. Durante e após o evento, convidados, participantes e membros da equipe expressaram sua avaliação positiva sobre o mesmo. CONCLUSÃO: O evento viabilizou um espaço de troca de experiências e aquisição de novos conhecimentos entre participantes e profissionais, com a discussão de temas pertinentes ao cenário atual da profissão. A experiência vivenciada proporcionou aos discentes o desenvolvimento de novas competências profissionais, como responsabilidade, trabalho em equipe e resolução de problemas. Além disso, abriram-se novas possibilidades de atuação no campo da saúde e da educação para esses futuros profissionais.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
590
A PARTICIPAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA EDUCACIONAL NO INVESTIMENTO DO BRINCAR PARA O DESENVOLVIMENTO GLOBAL DAS CRIANÇAS NO CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Práticas fonoaudiológicas
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A primeira infância é considerada a base para o desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional da criança, pois é o período em que a neuroplasticidade está presente com grande intensidade, por tal motivo a criança deve ser permeada por uma grande variedade de experiências sensoriais, visuais, olfativas, auditivas e gustativas privilegiadas pelo brincar entre pares. A educação infantil tem o objetivo de estimular o desenvolvimento global da criança. O Centro Municipal de Educação Infantil surge como um lugar de inserção da criança em um mundo além de sua casa, iniciando a criança no espaço social e educacional, além disso, surge também como forma de auxiliar as famílias de baixa renda a terem um lugar seguro e confiável para seus filhos enquanto elas trabalham. Objetivo: Relatar a experiência de uma acadêmica de fonoaudiologia na área da fonoaudiologia educacional no investimento do brincar em um Centro Municipal de Educação Infantil. Método: Trata-se de um relato de experiência que aconteceu no período de março de 2020, ocorrido no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI). Onde foi possível observar e participar das atividades que as crianças desenvolveram no período da vivência. Quando chegam ao CMEI, as crianças fazem higienização das mãos com um pequeno auxílio da professora e lancham uma fruta, elas mesmas pegam seu prato e talher e colocam seu lanche, nesse momento é possível observar a estimulação da autonomia e a coordenação óculo-manual, em seguida, as crianças tem uma hora para brincar do que e com o que quiserem (áreas de interesse) deixar a imaginação fluir. Nesse momento é possível observar vários aspectos sendo estimulados, como a motricidade fina, coordenação motora, auto-regulação e socialização. Após esse momento, as crianças fazem novamente a higienização das mãos e começam a atividade dos sons, na qual as crianças tinham que identificar até dois sons em sua respectiva sequência; como por exemplo: batida de pés, de mãos e estalo de língua, essa atividade proporcionou a consciência fonológica, memória de curto prazo e a propriocepção e coordenação de partes do corpo. Em seguida a proposta do tanque de areia, onde as crianças vivenciaram estímulos sensoriais, motores e proprioceptivos. Após esse momento, as crianças voltaram para a sala e é iniciada uma história para estimular a memória de curto e longo prazo, linguagem nos aspectos receptivo e expressivo, porque as crianças escutam a história, participam fazendo perguntas e respondendo as questões que surgem a partir da história . Resultado: Foi possível observar que as crianças se envolviam e estavam familiarizadas com as atividades, também foi visto claramente que as estimulações cognitivas, motoras e socioemocionais na educação infantil surtem um efeito que favorece o desenvolvimento global na infância, enfatizando suas habilidades. Conclusão: As brincadeiras simbólicas se constituem como de grande importância para o desenvolvimento global das crianças, e para a inserção e interação delas para com o ambiente e com o outro.

Mendonça JA, Lemos SMA. Promoção Da Saúde e Ações Fonoaudiológicas em Educacão Infantil. Rev. CEFAC. 2011 Nov-Dez; 13(6):1017-1030.

Alves LM, Castro PFM, Rezende VXM. A contribuição da fonoaudiologia na educação inclusiva em escolas de educação infantil no município de Betim, MG. Rev. Tecer. 2008 Maio; vol. 1, nº 0.

Santos FR et al. Promoção da saúde e contribuições da fonoaudiologia no desenvolvimento psicomotor e linguístico na infância: relato de experiência. Distúrb Comum. 2019 Setembro 31(3): 446-453.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1469
A PARTICIPAÇÃO DO ALUNO NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: a sociedade vive em constantes mudanças, que poderão refletir no contexto educacional e na formação do homem, requerendo diversas posturas e atitudes em relação à forma de aprendizagem, a fim de que se tornem sujeitos atuantes no processo e não apenas reprodutores do conhecimento. Objetivo: relatar o processo de construção de um livro didático, que envolve a participação de estudantes do curso de Fonoaudiologia, juntamente com profissionais em outros níveis de formação. Método: estudo descritivo que relata a participação do discente na elaboração de um material didático. Não foram necessários os processos éticos, uma vez que o estudo não envolve a participação de seres humanos. O livro FONOAUDIOLOGIA NO PRIMEIRO CICLO DE VIDA surgiu da necessidade em formar alunos de graduação, visando uma formação generalista quanto à atuação fonoaudiológica no primeiro ciclo de vida. Levando-se em consideração as premissas atuais sobre a necessidade do envolvimento de discentes no processo de construção de seu conhecimento, o livro, envolveu a participação de graduandos de Fonoaudiologia, pós-graduanda em Ciências da Reabilitação e de docentes dos referidos cursos. As etapas que fizeram parte deste trabalho foram: 1) Revisão da literatura no que se refere ao processo de ensino-aprendizagem; 2) Estruturação e proposição do material didático; 3) Processo de busca por fomentos para a publicação do material; 4) Elaboração de conteúdos teóricos; 5) Acompanhamento do processo de construção, revisão e publicação. Resultados: Revisar a literatura referente ao processo ensino aprendizagem não foi uma tarefa fácil. Foram encontrados poucos estudos que abordassem a temática, a maioria descrevendo a vivência de alunos na formação de uma etapa pratica ou estudos que discorressem sobre relato de especialistas. Após o estudo das referências foi feito um processo de estruturação e proposição do material didático - livro. A próxima etapa foi o processo de busca por fomentos para a publicação e divulgação do material. Havia um edital aberto na universidade para publicação de livros digitais, o qual tínhamos capacidade de concorrer. Na sequência, entramos em contato com professores do curso de Fonoaudiologia e de Ciências da Reabilitação e os convidamos para fazer parte do livro. Iniciou-se a fase de elaboração de conteúdos teóricos - participaram 3 docentes, 1 pós-graduanda e 10 graduandos. Passamos então ao processo de adequação ao edital e às normas de publicação de livros da Editora. Esse trabalho foi realizado pelas organizadoras do livro (1 docente, 1 pós-graduanda e 1 graduanda) e, posteriormente enviado à uma revisora certificada para conferência linguística e normativa. Após a construção e revisão, o material foi enviado para análise de seu mérito, conforme cronograma do edital. Fomos agraciados com a aprovação, e, na sequência, passamos a conversar diretamente com a editora. Conclusão: Ao longo do processo educacional, o aluno vem assumindo diferentes funções na sala de aula, as quais permitem mais autonomia, ação e participação. A participação do aluno no processo de aprendizagem permite ao mesmo desenvolver-se de forma a se tornar um sujeito ativo de sua própria história e jornada acadêmica.

Palavras-chave: Aluno; Conhecimento de resultados; Fonoaudiologia; Aprendizagem; Métodos.


Silva MHFM. A formação e o papel do aluno em sala de aula na atualidade. Londrina, Out, 2011.

Chun RYS, Bahia MM. O uso do portfólio na formação em fonoaudiologia sob o eixo da integralidade. Rev. CEFAC, Out-Dez, 2009.

Baldoino AS, Veras RM. Análise das atividades de integração ensino-serviço desenvolvidas nos cursos de saúde da Universidade Federal da Bahia. Rev Esc Enferm USP, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1800
A PERCEPÇÃO DE HOMENS TRANS SOBRE A INFLUÊNCIA DA VOZ E DA COMUNICAÇÃO EM RELAÇÃO À EXPRESSÃO DE GÊNERO E ÀS INTERAÇÕES SOCIAIS.
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A comunicação, verbal e não verbal, compreende um aspecto importante do comportamento humano e da expressão de gênero. Sendo a voz um fator marcante na percepção de gênero, a não conformidade da voz com a expressão do mesmo, pode gerar sentimentos de inadequação, tendo um potencial impacto psicossocial. Desse modo a não conformidade da voz com a expressão do mesmo, pode gerar sentimentos de inadequação, tendo um potencial impacto psicossocial1-4. Em decorrência disso as pessoas transexuais podem experimentar várias formas de angústia decorrentes de como elas se sentem em relação ao seu gênero, ou como seu gênero é lido socialmente4. Objetivo: Analisar a percepção de homens trans sobre a influencia da voz e da comunicação em relação à expressão de gênero e às interações sociais. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa de base teórico filosófica na hermenêutica dialética, orientada pela noção de performatividade de gênero. Para compreender como se dá a percepção dos homens trans sobre sua voz e comunicação em suas interações sociais, foram realizadas entrevistas abertas semiestruturadas, gravadas e posteriormente transcritas. Além disso, foi desenvolvido um diário de campo contemplando experiências e observações incorporadas às discussões do estudo. Foram entrevistados sete homens trans com idades entre 18 e 42 anos. Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa. Resultados: A análise das entrevistas possibilitou o surgimento das seguintes categorias analíticas: 1. Conforto e segurança quanto à expressão social de gênero; 2. Importância da voz; 3. Voz e Hormonioterapia; 4. Autopercepção vocal x percepção do ouvinte; 5. Relações entre voz, saúde e interações sociais. Conclusão: Compreender a perspectiva dos homens trans sobre voz e comunicação, possibilita o desenvolvimento de abordagens de cuidado culturalmente competentes, evitando padrões normativos de gênero e a reprodução de estigmas, com compreensão e respeito às individualidades e diversidades em torno das masculinidades e das expressões de gênero. Essa reflexão tem potencial contribuição para a saúde coletiva, na busca por equidade e integralidade em saúde, oferecendo subsídios para que a fonoaudiologia possa contribuir para a autoestima, qualidade de vida e acesso à saúde integral para os homens trans no contexto brasileiro.

Referências:
1. Neumann K, Welzel C, Berghaus A. Operative voice pitch raising in male-to-female transsexuals. Eur J Plast Surg. 2002; (25):209-214.


2. Owen K, Hancock AB. The role of self- and listener perceptions of femininity in voice therapy. Int J Transgender. 2010; (12):272-284.


3. Hancock AB, Haskin G. Speech-Language Pathologists’ Knowledge and Attitudes Regarding Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, and Queer (LGBTQ) Populations. American Journal of Speech-Language Pathology 2015 May; 24, 206-221.


4. Azul, D. Transmasculine people's vocal situations: a critical review of gender-related discourses and empirical data. Int J Lang Commun Disord. 2015 Jan; 50(1):31-47.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1282
A PERSONALIDADE COMO UM FATOR ASSOCIADO À DISFONIA COMPORTAMENTAL
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Dentre os vários fatores que influenciam a produção vocal, as emoções vividas pelo indivíduo, e sua personalidade são características marcantes na maneira de comunicar-se1-2. De acordo com os estudos que envolvem comportamento vocal e personalidade, percebe-se que existe uma relação entre ambos os fenômenos, porém pouco se conhece desta relação. Objetivo: Investigar quais os fatores de risco e características de personalidade apresentam maior influência no desenvolvimento de uma disfonia comportamental. Metodologia: Estudo do tipo caso-controle e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição de origem, parecer nº1.084.193/15. A amostra foi composta por 93 participantes com idades entre 18 e 60 anos, de ambos os sexos, divididos em dois grupos. O grupo caso (GCA) foi constituído por 52 participantes com disfonia e o grupo controle (GCO) foi constituído por 41 voluntários sem disfonia. A coleta de dados foi realizada em uma clínica-escola de Fonoaudiologia, no setor de Otorrinolaringologia de um hospital de referência e no ambulatório de Dermatologia e Nefrologia de um hospital universitário. Optou-se por selecionar esses últimos ambientes para coleta de dados, pois se compreende que pacientes atendidos nesses setores apresentam mínimos ou nenhuma relação com problemas vocais. Para coleta de dados, utilizou-se três questionários: o Protocolo de Triagem Vocal (PTV)3 e uma versão reduzida e validada do Inventário dos Cinco Grandes Fatores (ICG – 20)4. Para alocação dos sujeitos nos grupos, utilizou a Escala de Sintomas Vocais (ESV)5 como também foi realizada a gravação vocal e posterior análise perceptivoauditiva por meio da Escala Analógico-Visual (EAV), por juiz especialista em voz. Foi realizada a estatística descritiva e inferencial a partir do teste de Mann-Whitney e análise de Regressão Logística. Resultados: Os fatores de risco mais prevalentes no GCA foram falar muito, repouso inadequado e falar alto. Os mais comuns no GCO foram falar muito, falar alto e falar acima do ruído. Não foi visualizada diferença na comparação das médias dos grupos relacionada às características de personalidade. O modelo de regressão logística ajustado com as variáveis mais significantes resultou em uma estrutura contendo quatro fatores de risco para o desenvolvimento da disfonia, sendo dois vocais: repouso inadequado e cantar fora do tom e dois relativos às características de personalidade: extroversão e neuroticismo. É importante destacar atributos comuns a esses dois fatores que compõem a personalidade. A extroversão consiste em uma característica referente à forma de interação de um indivíduo com outros além disso, exprime a facilidade para se alegrar. Já o neuroticismo diz respeito a forma do indivíduo reagir a situações de sofrimento emocional estando relacionado aqueles sujeitos emotivos, inseguros ou com ideia irrealista6. A literatura2,7 aponta que indivíduos disfônicos, especificamente com nódulos vocais, foram descritos como socialmente dominantes, reativos e estressados, particularidades relacionadas a traços de extroversão e neuroticismo encontradas neste estudo. Conclusão: O modelo estatístico mais ajustado e adequado afirma que quatro fatores são de risco para o desenvolvimento da disfonia, dois relacionados à voz repouso inadequado e cantar fora do tom e os outros dois relativos às características de personalidade extroversão e neuroticismo.


1. Dietrich M, Verdolini ABBOTT K, Gartner-schmidt J, Clark A, Rosen CA, The Frequency of Perceived Stress, Anxiety, and Depression in Patients with Common Pathologies Affecting Voice. J Voice. 2006;22(4): p.472-88.
2. Roy N, Bless DM, Heisey D. Personality and voice disorders: A multitraitmultidisorder analysis. J voice. 2000;14(4):521-48.
3. Almeida AAF, Fernandes LR, Azevedo EHM, Pinheiro RSA, Lopes LW. Características vocais e de personalidade de pacientes com imobilidade de prega vocal. CoDAS. 2015;27(2):178-85.
4. Barbosa AAG. Modelo hierárquico de fobias infanto-juvenis: testagem e relação com os estilos maternos. João Pessoa. Tese [Pós-Graduação em Psicologia Social] - Universidade Federal da Paraíba, 2009.
5. Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. CrossCultural Adaptation, validation, and cutoff values of the Brazilian Version of the Voice Symptom Scale VoiSS. J Voice. 2014;28(4):458-468.
6. Friedman HS, Schustack MW. Teorias da personalidade. Da teoria clássica à pesquisa moderna. 2. ed. São Paulo: Prentice Hall; 2004.
7. Roy N, Bless DM. Personality traits and psychological factors in voice pathology: a foundation for future research. J Speech Lang Hear Res 2000; 43(3):737-48.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
994
A PRANCHA DE COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E /OU ALTERNATIVA (CSA) NO CONTEXTO ESCOLAR: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO:O acesso e a participação significativa, no contexto escolar, de pessoas consideradas deficientes que apresentam oralidade restrita desafia o desenvolvimento de formas alternativas de comunicação, interação e aprendizado Nesse sentido, a utilização de abordagens e estratégias de Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) em especial, da prancha de comunicação alternativa (PCA) pode ser um recurso mediador nas interlocuções estabelecidas por tais pessoas neste contexto e assim, potencializar a apropriação dos conhecimentos escolares(1--3). Destaca-se a necessidade de pesquisas que analisem como a produção de conhecimento nacional aborda tais aspectos OBJETIVO:: Analisar parte da produção do conhecimento científica acerca das concepções, finalidades, modos de construção e de uso da prancha de comunicação alternativa no contexto educacional. MÉTODO:  Trata-se de uma revisão integrativa que buscou identificar e analisar artigos publicados em periódicos indexados em bases de dados nacionais e internacionais. Para o levantamento dos artigos, realizou-se a busca nas bases Lilacs, Scielo, Eric, Pubmed, Scholar cujos descritores utilizados foram combinados tanto na língua portuguesa (Brasil), quanto inglesa. A partir dos critérios de inclusão e exclusão foram selecionados 11 artigos que passaram a compor o corpus de análise. RESULTADOS: Quanto à concepção da PCA os participantes referiram ser instrumento/código de comunicação e expressão (54%) ou recurso linguístico mediador das interações (45%). Acerca das pessoas envolvidas com a construção da mesma foram referidos professores do ensino regular (18%), professores do ensino especial (9%), professores do atendimento educacional especializado AEE (9%), fonoaudiólogos (18%), profissionais da equipe técnica (18%), sem resposta (7%). Dentre as finalidades atribuídas à PCA nota-se atender necessidades básicas da vida diária (36%), promover interação (54%), aprendizagem escolar (54%), facilitar a comunicação (54%) e desenvolver linguagem oral (27%). Conclusão: Pode-se constatar nos artigos analisados o predomínio de uma concepção da PCA como código/instrumento de comunicação e expressão. Destaca-se a necessidade do implemento de novos estudos que abordem tal recurso a partir de um referencial teórico que conceba a PCA como recurso linguístico mediador das interações estabelecidas entre professores e alunos e que ofereça elementos teórico-práticos para que a construção da mesma seja realizada com a participação da pessoa/aluno com restrições de fala e de seus principais interlocutores e que contribua, especialmente, para a promoção dos processos de ensino-aprendizagem.

1. Bueno JGS. Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional e a formação de professores: generalistas ou especialistas? Rev. Bras Educ. Espec. 1999;03(05):07–25.
2. Carnevalle LB, Berberian AP, Moraes PD de, Krüger S. Comunicação alternativa no contexto educacional: Conhecimento de professores. Rev. Bras. Educ. Espec. 2013;19(2):243–56.
3. Krüger SI, Berberian AP, Silva SMOC da, Guarinello AC, Massi GA. Delimitação da área denominada comunicação suplementar e/ou alternativa (CSA). Rev. CEFAC. 2017;19(2):265–76.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2022
A PRÁTICA EXTENSIONISTA NA ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


A PRÁTICA EXTENSIONISTA NA ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA

INTRODUÇÃO: A experiência extensionista visa uma interrelação entre a academia e a sociedade. Por um lado, transfere o conhecimento acumulado em ensino e pesquisa para as necessidades da sociedade e, por outro, prepara o aluno em formação para o desenvolvimento de habilidades e competências profissionais vinculadas à realidade na qual está inserido, contribuindo para ampliação da sua visão acadêmica. Neste sentido, a extensão deve ocorrer pela e na sociedade. No caso específico aqui relatado, de um projeto de extensão em Fonoaudiologia Educacional que atua em uma escola de ensino fundamental com vistas ao aprimoramento das habilidades de linguagem oral e escrita por meio de atividades lúdicas, a atuação do graduando na escola é imprescindível para a execução das ações traçadas. No entanto, com o advento da pandemia de COVID-19, todos os setores tiveram de se reinventar e buscar alternativas para o cumprimento de seus objetivos. Neste sentido, o projeto se adaptou à nova situação e buscou novas formas de interagir com a comunidade escolar.
OBJETIVO: Descrever alternativas de atuação de um projeto de extensão desenvolvido em uma escola de ensino fundamental em tempos de pandemia.

METODOLOGIA: A proposta do projeto de extensão é a atuação junto à comunidade escolar por meio da execução de oficinas lúdicas na área de linguagem. Com a pandemia e o necessário isolamento social, com suspensão das atividades escolares, as ações ficaram estagnadas. Porém, com o tempo e o ajuste das atividades, a escola criou um perfil em uma rede social com a finalidade de congregar a comunidade escolar e estabelecer/manter um vínculo dos alunos com as atividades acadêmicas. Neste contexto, o projeto de extensão começou a desenvolver posts com sugestões de atividades que poderiam ser realizadas em casa, com a família, e cujos objetivos privilegiavam as metas propostas pelo projeto.

RESULTADOS: A aceitação foi imediata e os posts publicados na rede social da escola rende muitos likes tanto de professores como de pais e alunos, inclusive daqueles que comumente não são atendidos pelo projeto. A experiência também possibilitou, além do contato extensionista da academia com a escola, a possibilidade de aprofundamento dos voluntários sobre o tema do projeto, ao pesquisarem brincadeiras que poderiam ser inseridas neste contexto. A adaptação e a flexibilidade vivenciadas, muito embora não se possam comparar as experiências presenciais oportunizadas pelo projeto com as atividades agora executadas, demonstram que é possível fazer extensão mesmo em situações adversas, mantendo o vínculo necessário entre a academia e a sociedade.

CONCLUSÃO: A pandemia de COVID-19 alterou o modus operandi de diversas atividades acadêmicas. A extensão, pelo seu necessário contato com a sociedade, precisou se reinventar, mas a criatividade produziu experiências cujos resultados só poderão ser mensurados em um futuro próximo, mais seguro quanto à possibilidade de execução das ações.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2030
A PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA DESENVOLVIDA NO SASA – JOINVILLE: RELATO DE EXPERIÊNCIA ACADÊMICA
Práticas fonoaudiológicas
Audição e Equilíbrio (AUDIO)
89210300


INTRODUÇÃO: A Formação do fonoaudiólogo é pautada em uma atuação generalista e científica, desta forma, torna-se necessário durante a graduação em fonoaudiologia, o desenvolvimento de habilidades e competências para a compreensão e integração do conhecimento com as vivências práticas. Nesta perspectiva, os estágios curriculares contribuem na aquisição de experiências profissionais variadas e permitem a correlação entre teoria e prática nos atendimentos.

OBJETIVO: Apontar a atuação profissional vivenciada pelos acadêmicos de Fonoaudiologia da Faculdade IELUSC no Serviço Ambulatorial de Saúde Auditiva (SASA) de Joinville, durante o estágio supervisionado de Audiologia II e Audiologia Infantil no período de agosto a dezembro de 2019.

MÉTODO: Este trabalho foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa sob o Parecer de n. 3.769.921. Os dados foram coletados durante o estágio e registrados em planilhas internas do serviço. Foram analisados dados de sexo, idade, diagnóstico audiológico, conforme tipo, grau e lateralidade da perda auditiva, modelo de prótese auditiva utilizada, queixas, procedimentos e condutas realizadas durante o estágio.

RESULTADOS: Dos 81 pacientes atendidos, 52% eram mulheres e 48% homens. Quanto à idade, 7% tinham entre 0 a 20 anos, 41% entre 21 a 60 anos e 52% tinham 61 anos ou mais. Referente às características audiológicas, 58% apresentaram perda auditiva sensorioneural, 27% mista, 14% tipos combinados de perda auditiva, 1% apresentaram audição normal. Quanto ao grau, 3% apresentaram grau leve, 17% grau moderado, 12% moderadamente severo, 16% severo e 4% apresentaram grau profundo; ainda, 15% apresentaram grau moderado em uma orelha e moderadamente severo na outra e outros 33% tinham perdas assimétricas em graus combinados variados. A classificação do grau está baseada em Lloyd e Kaplan (1978). Dos tipos de AASI utilizados pelos pacientes, 67% eram retroauricular, 15% intracanal, 13% adaptação aberta, 4% utilizavam receptor no canal e 1% utilizava intracanal na OD e retroauricular na OE. Quanto a lateralidade dos AASI, 90% utilizavam prótese auditiva bilateral, 6% unilateral na OE e 4% unilateral na OD. Em relação aos procedimentos realizados: 46% foram acompanhamentos de usuários de AASI, 42% foram adaptação de AASI, 7% foram reavaliações para reposição de AASI e 5% foram avaliações com exames eletrofisiológicos (PEATE). Durante os acompanhamentos as queixas apresentadas incluíram falha técnica em 26% dos relatos, amplificação insuficiente em 16%, tubo, gancho ou moldes danificados em 15%, perda do AASI em 13%, microfonias e distorções sonoras em 8% e, queixas variadas em 22%.

CONCLUSÃO: O estágio supervisionado em Audiologia II e Audiologia Infantil vivenciado no serviço público (SUS) de Joinville permitiu ao acadêmico de Fonoaudiologia do IELUSC uma vivência profissional diversificada e enriquecedora. A atuação direta no SASA e o constante contato com a equipe técnica do serviço contribuiu para o aprendizado da Audiologia e áreas correlatas, favorecendo a formação de profissionais com experiência em biossegurança, ética profissional, atuação multidisciplinar e interdisciplinar e humanização, além das práticas e princípios que envolvem o SUS. Desta forma, o campo de estágio em foco é considerado um diferencial na formação fonoaudiológica do IELUSC.

GONÇALVES, Renata da Silva et al. Percepção de alunos de graduação em fonoaudiologia sobre o atendimento fonoaudiológico na área da surdez. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 21, n. 1, 2019. Disponível em: . Acesso em: 28/05/2020.

LIMA, Bárbara Patrícia da Silva; VILELA, Rosana Quintella Brandão. Características e desafios docentes na supervisão de estágio em fonoaudiologia. Rev. CEFAC, São Paulo , v. 16, n. 6, p. 1962-1971, Dec. 2014 . Disponível em: . Acesso em: 28/05/2020.

QUEIROZ, Moisés Andrade dos Santos de et al. Estágio curricular Supervisionado: percepções do aluno-terapeuta em Fonoaudiologia no âmbito hospitalar. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 135-143, Feb. 2013 . Disponível em: . Acesso em 28/05/2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
177
A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA DISCIPLINA FONOAUDIOLOGIA HOSPITALAR EM TEMPOS DE PANDEMIA
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A doença COVID-19, que compromete a função respiratória, surgiu na cidade Wuhan na China. A transmissão acontece, sobretudo, de pessoa a pessoa e tornou-se uma pandemia gerando um alerta em todos os países. A fim de evitar a alta transmissibilidade, pessoas de todo o mundo precisaram passar por diversas adaptações devido ao confinamento e distanciamento social. Dentre elas estão inclusos o estudo e o trabalho remoto. Tais adaptações atingiram, também, os profissionais de fonoaudiologia que atuam na docência do ensino superior. Objetivo: Relatar a experiência vivenciada durante a elaboração de atividades alternativas, em meio à pandemia, referente ao conteúdo da disciplina disfagia, do curso superior em fonoaudiologia de uma instituição privada do município de Belo Horizonte. Metodologia: Para segurança de professores e alunos e atendendo às recomendações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Educação, as aulas passaram a acontecer via plataforma Zoom. Após reuniões, os docentes combinaram que toda a teoria e procedimentos da prática seriam passados de forma diversificada e atrativa aos alunos. Foram abordados conteúdos como adequada assepsia, paramentação, desparamentação, leitura e análise de prontuários, condutas terapêuticas em disfagia e elaboração de espessantes caseiros a partir do documento ESPESSANTES CASEIROS MANUAL DO USUÁRIO/CUIDADOR, disponibilizado pela Prefeitura de Belo Horizonte. As estratégias foram quiz interativo, treinamento utilizando materiais que os estudantes possuíam dentro de suas próprias casas (jaleco, sacolas plásticas, alimentos), apresentação de vídeos de pacientes com sinais e sintomas de disfagia (imagens autorizadas), análise de exames de videofluoroscopia da deglutição e, orientação para construção de vídeos simulando atendimentos que exigem praticar os conteúdos supracitados. O intuito dos docentes ao apresentarem a ideia de utilizar instrumentos de casa para simularem os instrumentos originais no atendimento hospitalar, ocorreu visando evitar a compra desnecessária de Equipamentos de Proteção Individual e a acessibilidade, considerando que a turma reúne discentes de diferentes contextos sociais. Resultados: Verificou-se que a junção de ideias a respeito de atividades alternativas para alunos do curso superior em fonoaudiologia em meio à pandemia, fortaleceu o trabalho em equipe, possibilitando a troca de saberes entre professores, viabilizou uma nova e atrativa ferramenta pedagógica, que é utilizar recursos simples e disponíveis no ambiente domiciliar favorecendo a participação da simulação de atendimento em disfagia e, posteriormente, observou-se a satisfação dos discentes e seus resultados extremamente positivos na avaliação formal da disciplina que ocorre no fim de cada semestre letivo. Conclusão: A elaboração de atividades alternativas em meio à pandemia possibilitou uma troca de saberes entre professores e alunos e a ideia da simulação com recursos que podem ser encontrados dentro de casa, tornou todo o processo verdadeiramente inclusivo. Atividades como estudo e trabalho precisaram passar por readaptações frente ao Covid-19. Mesmo que as atividades presenciais não podem ser definitivamente substituídas pelo método remoto, uma vez articuladas agrupando ideias e mecanismos atrativos, podem se tornar boas ferramentas pedagógicas até que a situação de pandemia seja controlada em todo o mundo promovendo aos discentes uma experiência que os aproximem da realidade clínica.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1454
A PREVISIBILIDADE DAS SENTENÇAS DO PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DA INTELIGIBILIDADE DA FALA NAS DISARTRIAS: CORRELAÇÃO COM O DISCURSO ORAL
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


A PREVISIBILIDADE DAS SENTENÇAS DO PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DA INTELIGIBILIDADE DA FALA NAS DISARTRIAS: CORRELAÇÃO COM O DISCURSO ORAL

INTRODUÇÃO: Medidas de inteligibilidade da fala são utilizadas no âmbito clínico e científico como medidas de resultado, por seu potencial para sinalizar a evolução de determinadas condições neurológicas, a eficácia ou os efeitos adversos de novos tratamentos para essas doenças. No Brasil e internacionalmente, dos poucos instrumentos padronizados para avaliar esse aspecto, ressalta-se o Protocolo de Avaliação da Inteligibilidade da Fala nas Disartrias (PAIF)(1,2). Embora alguns estudos com o PAIF tenham relevado sua validade(3), estudos adicionais ainda são necessários para seu uso na clínica fonoaudiológica. OBJETIVO: Analisar a previsibilidade das sentenças de discursos orais semiespontâneos, e investigar a validade de conteúdo do PAIF analisando a correlação existente entre a previsibilidade dessas sentenças e a lista de sentenças do PAIF. MÉTODO: Realizou-se um estudo descritivo-analítico do tipo transversal. Foram recrutados 96 adultos neurologicamente saudáveis. Todos os participantes passaram por um um screening por meio do Teste Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e o Subteste de compreensão de leitura de sentenças e parágrafos do Teste de Boston para Diagnóstico das Afasias. Cada um deles preencheu graficamente lacunas correspondentes a palavras de classe aberta omitidas de uma lista de sentenças. Ao todo, 80 sentenças distribuídas em doze listas obtidas de um corpus de discurso oral semiespontâneo coletado de falantes nativos do Português Brasileiro foram utilizadas. Os participantes foram aleatoriamente divididos em doze grupos de oito indivíduos cada, e cada um preencheu somente uma lista. Calculou-se a previsibilidade das sentenças pela porcentagem média de acertos de todas as palavras-alvo que compunham cada sentença. Tais sentenças foram classificadas de acordo com o nível de previsibilidade proposto em estudo anterior do PAIF(4). Analisou-se correlação entre o índice de previsibilidade dos dois corpus de sentenças por meio do teste de correlação de Spearman. RESULTADOS: Do total de 80 sentenças analisadas do discurso semiespontâneo, 80% foram classificadas no nível baixa previsibilidade, 7,5%, no nível média previsibilidade, e 12,5%, no nível alta previsibilidade. As sentenças do discurso oral semiespontâneo obtiveram previsibilidade média de 34,0% (DP= 20,6), diferindo em 7,8% da previsibilidade média encontrada do PAIF (41,7%)(4). A maioria das sentenças de ambos os corpus se enquadrou no nível baixa previsibilidade (PAIF= 60%; discurso= 80%). Ao realizar o teste de correlação de Spearman, não foi encontrada correlação do índice de previsibilidade das sentenças nos dois corpus analisados (ρ= 0,136; p= 0,52). Ao comparar os níveis de previsibilidade das sentenças do discurso semiespontâneo com as sentenças do PAIF(4), sentenças de baixa e de alta previsibilidade foram mais frequentes no discurso oral e sentenças de média previsibilidade foram mais frequentes no PAIF. CONCLUSÂO: A previsibilidade de sentenças produzidas em situações de fala semiespontânea por falantes nativos do português brasileiro é reduzida, em comparação com o nível de previsibilidade das sentenças do PAIF. Ajustes nas frases utilizadas no subteste de sentenças são indicados no intuito de ampliar sua validade de conteúdo.

1. Barreto SS. Protocolo de avaliação da inteligibilidade da fala nas disartrias: evidências de fidedignidade e de validade [tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; 2012.
2. Barreto SS. Ortiz KZ. Inteligibilidade: efeitos da análise de transcrição e do estímulo de fala. Pró-Fono R Atual Cient. 2010;22(2):125-30.
3. Urbina S. Fundamentos da testagem psicológica. Traduzido por Cláudia Dornelles. Porto Alegre: Artmed; 2007.
4. Alexandre E, Barreto SS, Ortiz KZ. Preditividade das sentenças do protocolo de avaliação da inteligibilidade da fala nas disartrias. J Soc Bras Fonoaudiol. 2011;23(2):119-23.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
993
A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTONO PROGRAMA DE DISTÚRBIOS DA COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ: ANÁLISE DE DISSERTAÇÕES E TESES (1999-2020)
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: O Programa de Distúrbios da Comunicação da Universidade Tuiuti do Paraná, desde a sua primeira dissertação defendida, em 1999, vem promovendo a formação de pesquisadores de diferentes Estados do país, assumindo um papel relevante na produção de conhecimentos relacionados à Fonoaudiologia e áreas afins. Após duas décadas de existência do Programa, faz-se necessário o implemento de estudos que analisam a produção do conhecimento que permitam apreender um panorama geral dos domínios de investigação priorizados, uma síntese aprofundada em torno dos saberes construídos, bem como a identificação de novos campos de estudo (1-3).. Objetivo: Analisar a produção do conhecimento vinculada ao Programa de Distúrbios da Comunicação da UTP, no período de 1999 até 2020, enfocando a sua distribuição em torno dos seguintes aspectos: nível de formação (mestrado ou doutorado); total geral e por áreas de investigação, bem como, formação acadêmica/profissional básica dos mestres/doutores autores das dissertações e teses. Método: Esse estudo exploratório e longitudinal, de caráter quanti-qualitativo, foi realizado a partir de análise documental. O corpus consiste nas dissertações/teses defendidas no referido Programa nestes 21 anos. Para levantamento do corpus foram consultados os currículos,na Plataforma Lattes/Cnpq, dos orientadores vinculados ao Programa desde 1999, bem como, banco de dados da UTP. Para organização dos resultados foram delimitadas três grandes áreas que contemplam de Concentração e as Linhas de Pesquisa estruturantes do Programa, sendo elas:Linguagem; Audiologia e Voz/Motricidade Oral/Disfagia. Para tanto, foram lidos os títulos e resumos dos trabalhos. Resultados: No período delimitado, foram defendidos 286 trabalhos, 89,1% (255) dissertações de mestrado e 10,8%(31) teses de doutorado. Deste total, 40,5% (116) abordam as áreas de Audiologia; 30,7% (88) Linguagem e 28,6% (82) Voz/Motricidade Oral/Disfagia. A prevalência quanto à formação básica dos mestrandos e doutorandos é a Fonoaudiologia, com 67,8% (194), seguido de Enfermagem, com 9,7% (28); profissionais que atuam na Educação, com 8,7%(25), bem como, outras profissões da saúde 10,1% (29) (Fisioterapia, Psicologia, Odontologia e Medicina) e 3,4% outras área.Conclusão: O estudo apontou uma produção equilibrada entre as áreas e para o fato de que, embora predomine autores da área da Fonoaudiologia, o Programa tem contribuído na formação de pesquisadores inseridos em outros campos da saúde e da Educação contribuindo para a sistematização de abordagens inter e multidisciplinares acerca das temáticas que orientam suas Linhas de Pesquisa. A partir dos resultados obtidos foi possível verificar a necessidade do implemento de novas etapas desse estudo que permitam analisar outros aspectos que caracterizam tal produção. Pode-se ainda, apreender elementos para uma análise criteriosa da Produção do Programa e, assim, para o estabelecimento de metas e prioridades que permitam a ampliação de seus domínios de investigação .

1.DANUELLO, J. . Estudo da produção científica dos docentes de pós graduação em Fonoaudiologia, no Brasil, para uma análise do domínio. 2014. 163 f. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília, 2014.
2.BERBERIAN, A. P. et al. A produção do conhecimento em fonoaudiologia em comunicação suplementar e/ou alternativa: análise de periódicos. Rev. Cefac, São Paulo, v. 11, supl. 2, p. 258-266, 2009.
3.WUO, A. S. Educação de pessoas com transtorno do espectro do autismo: estado do conhecimento em teses e dissertações nas regiões Sul e Sudeste do Brasil (2008-2016). Saúde Soc., São Paulo, v.28, n.3, p.210-223, 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2054
A PROSÓDIA EMOCIONAL NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: RELATO DE CASO
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


Introdução: O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição de saúde caracterizada por déficit na comunicação social e no comportamento¹. Crianças com TEA apresentam habilidades de linguagem verbais e não verbais prejudicadas, além de déficits no reconhecimento de emoções nas modalidades de face, prosódia emocional e comunicação corporal, quando comparados a crianças com desenvolvimento típico². Aos cinco meses de idade, as crianças já são capazes de discriminar prosódia emocional de alegria, tristeza e raiva na voz de sua mãe. Contudo, essa habilidade pode ser prejudicada no TEA, principalmente a dificuldades nas questões pragmáticas da língua³ʾ⁴. Objetivo: Verificar o desempenho de prosódia emocional de um paciente com Transtorno do Espectro Autista. Metodologia: O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética da Instituição de origem, sob o registro 3.520.561. Caracteriza-se como um estudo de caso de natureza descritiva, observacional e qualitativa. Um paciente de 11 anos do sexo masculino com diagnóstico de TEA com grau leve, com queixas da comunicação, principalmente na dimensão pragmática. O paciente foi submetido a uma avaliação da prosódia emocional, por meio do protocolo Bateria Montreal de Avaliação da Comunicação breve (MAC B). Durante a aplicação, o examinador contava situações que necessitaria da produção de três entonações diferentes (alegria, tristeza e raiva) pelo paciente, este era orientado a ler a frase alvo com a entonação que exprimisse o sentimento expresso pela história. Resultados: Em relação aos achados da avaliação foi possível avaliar a produção espontânea de características prosódicas indicativas das emoções raiva, alegria e tristeza; as emissões foram analisadas de acordo com a classificação das curvas prosódicas inapropriadas (0), com pouca entonação, mas com reconhecimento possível do sentimento (1) e normais, com reconhecimento preciso de cada entonação (2). O total de cada classificação também foi obtido (máximo de 6 pontos, 2 pontos para cada situação). Nas três situações (alegria, raiva e tristeza) o paciente obteve 1 ponto em cada item, obtendo o total de 3 pontos,

indicando que o participante avaliado reconheceu o sentimento de cada situação, mas obteve uma curva prosódica com pouca entonação. Conclusão: Desta forma, neste estudo de caso, a criança com TEA tem um desempenho de prosódia emocional inferior aos dos indivíduos com desenvolvimento típico. No caso avaliado, houve o reconhecimento emocional, mas não foram produzidos os ajustes prosódicos necessários para cada situação. Ressalta-se que a gravidade do TEA e os prejuízos linguísticos podem provocar alterações na prosódia emocional, o que evidencia uma variabilidade nesse aspecto no espectro autista. Desse modo, essa habilidade deve ser observada durante a intervenção fonoaudiológica e estimulada para melhorar a capacidade expressiva de pessoas com TEA.

1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed.Artmed, 2014.

2. Klin Ami. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Rev. Bras. Psiquiatr. 2006; 28( Suppl 1 ): s3-s11.

3. Zuanetti Patrícia Aparecida, Silva Kelly da, Pontes-Fernandes Ângela Cristina, Dornelas Rodrigo, Fukuda Marisa Tomoe Hebihara. Características da prosódia emissiva de crianças com transtorno do espectro autista. Rev. CEFAC . 2018; 20 (5).

4. Olivati Ana Gabriela, Assumpção Junior Francisco Baptista, Misquiatti Andréa Regina Nunes. Análise acústica do padrão entoacional da fala de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista. Rev. CoDAS.; 29( 2 ).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1612
A PROSÓDIA NA ORGANIZAÇÃO DISCURSIVA DE CONVERSAÇÕES DE SUJEITOS AFÁSICOS
Tese
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: Este estudo volta-se para a investigação da ênfase, elemento prosodicamente constituído, na organização discursiva em conversações espontâneas. A ênfase investigada neste estudo, na perspectiva da Teoria Interacional da Entoação (TIE)1 e da Análise da Conversação (AC)2, considera que as duas propostas teóricas adotam um estudo da fala que contempla o caráter pragmático-discursivo, sem, contudo, se desvincular das questões gramaticais que acompanham a linguagem oral. Na afasia - alteração que pode prejudicar a compreensão e a produção de linguagem oral e escrita, resultante de lesão neurológica, ocasionada por tumores, acidentes vasculares ou traumas cranioencefálicos3, o falante sente dificuldades em compreender e/ou expressar, pela fala e/ou escrita, o conteúdo pretendido devido à alteração de linguagem. OBJETIVO: Identificar os recursos prosódicos na organização discursiva, com atenção especial dispensada à entonação, em conversações espontâneas dos sujeitos afásicos, o estudo tem como foco analisar a ênfase, sob a ótica da Teoria Interacional da Entoação (TIE)1 e da Análise da Conversação (AC)2. MÉTODO: O estudo foi realizado em um grupo de convivência de afásicos. Participaram quatro sujeitos afásicos (três do sexo masculino e um do sexo feminino). A coleta dos dados ocorreu durante as conversações espontâneas destes participantes com os seus interlocutores durante um período de 8 meses de encontros semanais de cerca de duas horas, cada. Os dados da conversação foram gravados em áudio e/ou vídeo sem tratamento antirruído. As informações prosódicas foram transcritas conforme a AC e a TIE e no contexto da conversação, as palavras psicoacusticamente interpretadas como as portadoras da ênfase foram recortadas e submetidas à análise acústica por meio do software PRAAT. Este estudo recebeu parecer ético de aprovação sob o nº 679.517. RESULTADOS: Os afásicos organizaram suas conversações usando recursos previstos pela Análise da Conversação como tomadas e assaltos de turnos, repetições/retomadas, hesitações, e ainda os elementos prosódicos como pausas, entoação, alongamentos que indicam ênfase. Da Teoria Interacional da Entoação verificaram-se unidades tonais, pausas, proeminências e diferentes tons. A análise acústica do espectrograma gerado no software PRAAT revelou que o contraste entre palavras retomadas no discurso sofreu não somente os alongamentos vocálicos, comprovados pelo aumento na duração da sílaba, mas também a variação no pico da F0 e da intensidade serviram para comprovar a geração de novos significados à mesma palavra repetida. CONCLUSÃO: Os correlatos acústicos (duração, intensidade e F0), os recursos prosódicos sob a ótica da TIE (unidades tonais, pausas, proeminências e tons) e os recursos prosódicos sob a ótica da AC (turnos, pausas, ênfase, entoação, alongamentos, repetições/retomadas, hesitações) somados contribuíram para a conclusão de que a conversação do afásico não deve ser vista como uma atividade monótona ou aprosódica. Além disso, é correto afirmar que a ênfase, na fala dos sujeitos analisados, é um dos recursos norteadores de seu discurso, tanto em termos expressivos quanto compreensivos. Assim, sugere-se que o trabalho com a prosódia seja mais um recurso utilizado no processo de reorganização da linguagem do afásico na prática clínica fonoaudiológica, uma vez que, dentre outros aspectos, uma das maiores demandas desse sujeito é a reinserção social.

1. Brazil D. The communicative value of intonation in English. Birmingham: English Language Research (Discourse Monographs Series, 8); 1985.
2. Marcuschi LA. Análise da Conversação. São Paulo: Ática; 1986.
3. Novaes-Pinto R. Cérebro, linguagem e funcionamento cognitivo na perspectiva sócio-histórico-cultural: inferências a partir do estudo das afasias. Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 47, n. 1, p. 55-64, 2012.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1820
A PROSÓDIA NA RÁDIO UNIVERSITÁRIA CAPIXABA: DESCRIÇÃO DO PERFIL DE QUALIDADE VOCAL DE LOCUTORES
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: No contexto de rádio universitária, ensino, pesquisa e extensão engendram o contexto multiprofissional e neste espaço a fonoaudiologia debruça sobre o profissional da voz1,2. Detalhar o perfil de qualidade vocal dos estudantes de comunicação permite projetarmos perspectivas da variedade de condições vocais empregadas pelo locutor congregados em possíveis efeitos na transmissão da informação3. Destarte, a esta ocasião, evidenciar diferentes condições de ajustes de trato vocal a congregar a esfera laríngea (ajustes fonatórios), supralaríngea (ajustes articulatórios) e de tensão muscular (ajustes de tensão) nesta população alicerça elucubração e balizadores a estratégias de ensino a estudantes de fonoaudiologia conquanto estudantes da área de comunicação nesta universidade4. Objetivos: Investigar a qualidade vocal de locutores de rádio universitária capixaba, a partir de um modelo fonético de análise perceptivo-auditiva de fala. Métodos: Estudo transversal. Análise por meio de julgamento perceptivo-auditivo de arquivos de transmissão da rádio produzidos por acadêmicos da área de comunicação que atuam na rádio universitária. Arquivos audiogravados estão disponíveis em plataforma digital Mixcloud, de livre acesso, cunho jornalístico e informativo. Destarte, a este momento, por tratar-se de arquivos sonoros disponíveis em plataformas de streaming de livre acesso, não demandou submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. O corpus constou de locuções de 34 adultos, estudantes do programa de radialismo, do gênero masculino e feminino, com durações de pelo menos 1 minuto cada trecho. Foram analisadas por meio do instrumento VPAS-PB, planilhadas a detalhar conforme ocorrência de ajuste glótico, supraglótico e de tensão muscular e planilhados4. Perquirição estatística, conforme condições de agrupamento de ajustes de qualidade vocal, permitiram discutir tendências e influências consoantes com pressupostos do modelo fonético adotado, especificamente a conjectura de susceptibilidade e combinabilidade de ajustes. Resultados: Diminuição de extensão de articuladores (lábios, língua e mandíbula) agrupam e influenciam ajustes de elevação de laringe, hipertensão muscular e hiperfunção laríngea em ambos gêneros. Tendências a combinações de ajustes embasarem pressupostos de combinabilidade e susceptibilidade conforme modelo fonético. Conclusão: Detalhar características prosódicas, especificamente nesta ocasião a contemplar a qualidade vocal de locutores de rádio universitária a partir da utilização de modelo fonético possibilitou entendimento e contemplar a plasticidade aparelho fonador em perspectiva de combinação de ajuste fonatório, supraglótico e de tensão muscular geral e, destarte, assertividade em evidências a depreender a qualidade vocal do locutor e adiante acenar sobre expressividade e saúde vocal.

1.Kyrillos LCR, Lourenço IC, Ferreira LM, Toledo FB. Posturas comunicativas de radialistas de AM e FM. Pró-Fono.1995;7:28-31.

2. Lima-Silva MFB, Ghirardi AC, Penha PBC, Medeiros CMA, Ferreira LP. Avaliação e Diagnóstico Fonoaudiológico em Comunicação Profissional.In: Leandro Pernambuco e Ana Manhani. (Org.). A Avaliação e Diagnóstico em Fonoaudiologia. 1ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter. 2020.

3. Medeiros C, Neta L, Penha PBC, Araujo AMG, Lima-Silva, MFB. Aplicação do Vocal Profile Analysis Scheme - VPAS: uma revisão integrativa. Prolíngua. 2019:14:263.

4. Camargo Z, Madureira S. Voice quality analysis from a phonetic perspective: Voice profile analysis scheme (VPAS) profile for Brazilian Portuguese. In: Proc. 4th International Conference of Speech Prosody.2008:57-60.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1853
A QUALIDADE DA PROSÓDIA DE PACIENTES AFÁSICOS QUE ORALIZAM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introducão: Para que a comunicação ocorra de maneira eficiente, são necessários diversos aspectos funcionando em sua plenitude, entre eles a linguagem e a prosódia. A linguagem foi definida por Mousinho et al. (2008) como uma função cerebral, que utiliza elementos sistemáticos para que a comunicação humana seja realizada. Tratando-se da prosódia, Barbosa (2012) a descreve como variações melódicas presentes em enunciados. A ocorrência de lesões neurológicas no adulto pode ocasionar afasia, um distúrbio de linguagem adquirido, conforme Cecatto et al. (2006). Em virtude do prejuízo na linguagem, a prosódia pode ser afetada, repercutindo diretamente na eficiência da comunicação. Objetivo Geral: Analisar a qualidade da prosódia de pacientes com afasia que oralizam. Objetivos Específicos: Verificar a funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios dos pacientes com afasia; Comparar os aspectos prosódicos com a funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios. Método: Após a aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE nº 18758919.4.000.5173), a pesquisa foi realizada com 8 participantes, de ambos os sexos, com idade acima de 18 anos, sem histórico/queixa de deficiência auditiva, de maneira qualitativa e observacional. Efetuou-se a aplicação de um protocolo elaborado pelas pesquisadoras, a partir dos escritos de Cagliari (1992), Fracassi et al. (2010), Marchezan (2009) e Souza e Cardoso (2013). Utilizou-se o protocolo para avaliação dos seguintes aspectos dos relacionados aos órgãos fonoarticulatórios: simetria, tonicidade e mobilidade de lábios, bochechas e língua; aspecto e conservação dentária; articulação e tipo de face. E os seguintes aspectos de prosódia: entonação em vocábulos e em discurso; ritmo; tessitura; pausa e duração. As avaliações ocorreram em 8 sessões, de 20 minutos cada, individualmente. Resultados: Constatou-se que durante toda a análise da seção de motricidade orofacial presente no protocolo, todos os avaliados apresentaram alterações em ao menos um dos itens. Embora alguns participantes possuíssem irregularidades em motricidade orofacial, não apresentaram prejuízos em prosódia, mesmo as alterações músculo-esqueléticas mostrando-se significativas. Apenas um avaliado apresentou mais manifestações em prosódia do que em motricidade, evidenciando o inverso e reforçando os resultados. Também em apenas um participante, as alterações em ambas as seções apresentaram números aproximados. Conclusão: Constatou-se que nem sempre houve relação entre as alterações de motricidade orofacial e prosódia, havendo indivíduos que apresentaram alterações significativas em uma das seções, poucas ou nenhuma na outra e vice-versa. Portanto, as alterações em prosódia podem ocorrer por conta das manifestações provenientes das próprias afasias dos participantes, não necessariamente estando atreladas às alterações de MO. Porém, mesmo com a presença da afasia associada a irregularidades músculo-esqueléticas, as alterações em prosódia podem não ser evidenciadas. Deste modo, conclui-se que a qualidade da prosódia em afásicos nem sempre possui correlação com alterações de motricidade orofacial, assim como com as manifestações deste distúrbio de linguagem.

Barbosa PA. Conhecendo melhor a prosódia: aspectos teóricos e metodológicos daquilo que molda nossa enunciação. Revista de estudos da linguagem [Internet]. 2012 Junho [cited 2019 May 2];20:11-27. Available from: http://periodicos.letras.ufmg.br/index.php/relin/article/view/2571



Cagliari LC. Prosódia: Algumas funções dos supra segmentos. Cadernos de Estudos Linguísticos [Internet]. 1992 Outubro [cited 2019 May 2];23:137-151. Available from: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8636850/4571



Cecatto R, Jucá S, Nacarato M, Maeda F, Prieto F. Alterações de comunicação e linguagem de pacientes portadores de lesão encefálica adquirida: Estudo descritivo retrospectivo. Acta Fisiatr. 2006. p.137.



Fracassi A, Gatto A, Weber S, Spadotto A, Ribeiro P, Schelp A. Adaptação para a língua portuguesa e aplicação de protocolo de avaliação das disartrias de origem central em pacientes com doença de Parkinson. Cefac. 2010;


Marchezan IQ. Avaliando e tratando o sistema estomatognático. In: Campiotto AR, Levy C, Holzhein D, Rabinovich K, Vicente LC, Castiglioni M, Redondo MC, Anelli W, Editores. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Ed. Roca; 1997. 763-80 p.



Mousinho R, Schmid E, Pereira J, Lyra L, Mendes L, Nóbrega V. Aquisição e desenvolvimento da linguagem: dificuldades que podem surgir nesse percurso. Rev. psicopedagogia. 2008. p. 298-299.



Souza RL, Cardoso MC. Fluência e prosódia: aspectos diferenciais frente aos distúrbios. Revista neurociências. 2013;21:468-473.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2153
A RELAÇÃO DA PREMATURIDADE COM AS DIFICULDADES ALIMENTARES NA CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA
Práticas fonoaudiológicas
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Atualmente, muitos bebês que nascem prematuros conseguem sobreviver devido ao contínuo avanço da tecnologia na medicina neonatal. Com isso o acompanhamento interdisciplinar especializado pós-alta hospitalar é feito visando à detecção precoce de complicações crônicas ou temporárias, como alterações no crescimento e no desenvolvimento dos recém-nascidos (RN) de risco.
Um dos fatores que causa maior vulnerabilidade para o RNPT é o baixo peso ao nascimento, o qual é causa de preocupação aos médicos e familiares, por suas consequências em relação à qualidade de vida, ao crescimento somático e ao desenvolvimento neuromotor.
Normalmente, os RNPTs encaminhados para clínica fonoaudiológica pelo pediatra responsável apresentam dificuldades no ganho de peso, queixas de engasgo, lentidão no processo alimentar. Porém, é muito frequente que o encaminhamento ocorra apenas após um ano de vida, em que o RNPT já apresenta importante dificuldade alimentar.
Cerca de 20% a 80% dessas crianças têm problemas de alimentação durante a infância, e aproximadamente 26% dos prematuros apresentam disfagia ou suas sequelas.
De acordo com alguns estudos, observa-se variadas alterações oromiofuncionais nos RNPTs, como alteração do reflexo de procura; dificuldades de pega no seio materno; padrão de sucção ineficiente e irregular; pressão intra-oral diminuída; incoordenação linguopalatal; reflexo de mordida exacerbado; náusea exacerbada; refluxo faringo nasal; aspiração silente; aversão oral; odinofagia; aerofagia; falhas na peristalse esofágica; atraso na deglutição faríngea; ronco laríngeo; estridor laríngeo; tosse; engasgos; entre outros.
Essas disfunções orais podem também comprometer o desenvolvimento alimentar.
Objetivo: caracterizar a população de prematuros com dificuldades alimentares atendida em consultório particular.
Método: Levantamento de dados de pacientes prematuros recebidos em consultório particular com queixa de dificuldades alimentares.
A amostra foi composta por 12 crianças, sendo 10 do gênero masculino e 2 do feminino; todos nascidos de parto cesariana com média da idade gestacional de 33 semanas. Média de idade da amostra: 02 anos e 6 meses (mínima 05 dias e máxima 05 anos). Em relação às queixas de dificuldades alimentares nas avaliações temos: 6 casos com a queixa de engasgos, 3 de tosse; 4 de náuseas; 1 de vômitos frequentes; 5 de dificuldades na amamentação; 7 de dificuldades na introdução alimentar; 5 com queixa de recusa ou seletividade alimentar; 2 dificuldades em ganho de peso. Comorbidades apresentadas: 1 Sindrome de Down; 1 Síndrome de Down associado à Síndrome de West; 1 de AVC intraútero associado à Síndrome de West; 1 tumor de rim tratado e 7 casos com DRGE.
Conclusão: O estudo mostra a estreita relação das dificuldades alimentares com os casos de prematuridade e a grande importância do encaminhamento, avaliação e atendimento precoce desta população para minimização ou eliminação de problemas na alimentação na população infantil, proporcionando uma melhor qualidade de vida. Quando se trata de cuidar de RNPTs, o fonoaudiólogo precisa estar atento às peculiaridades que envolvem a prematuridade, desde o acolhimento humanizado, à compreensão dos mecanismos das disfunções orais, bem como à atuação em parceria com a equipe interdisciplinar envolvida nestes casos.



Morris,S


TRABALHOS CIENTÍFICOS
566
A RELAÇÃO DAS EMISSÕES OTOACÚSTICAS E QUALIDADE VOCAL EM CANTORES CATÓLICOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A qualidade vocal e a percepção da voz dependem de fatores diversos e pode variar devido a aspectos emocionais e físicos. A falta de feedback auditivo pode ser responsável pelas alterações na qualidade vocal gerando prejuízos em suas apresentações e ensaios. A avaliação audiológica periódica dos profissionais da música é de fundamental importância devido à alta probabilidade para desenvolvimento de perdas auditivas de origem ocupacional sendo a audiometria o principal exame para o acompanhamento da saúde auditiva. Objetivo: Correlacionar os achados das emissões otoacústicas e os testes de qualidade vocal de cantores católicos. Método: O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa. A pesquisa contou com 22 cantores católicos entre 18 e 30 anos. Os critério de inclusão utilizados foram: não fazer uso da voz profissionalmente, apresentar limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade na audiometria tonal limiar e timpanometria com curva tipo “A” em ambas as orelhas. Foram realizados os exames emissões otoacústicas transientes e por produto de distorção. Para avaliação vocal, foram utilizados os protocolos IDV (Índice de qualidade vocal), QVV (Qualidade de vida em voz) e escala GRBASI. Resultados: Foram realizadas análises entre os resultados da amplitude e da relação sinal/ruído com os resultados apresentados nos protocolos aplicados, entretanto não foi observada nenhuma correlação estatisticamente significante. Foi então realizada uma análise com os resultados encontrados na audiometria tonal e, desta forma, foi possível identificar uma correlação estatisticamente relevante entre QVV total e físico e os resultados da audiometria na frequência de 8 kHz (relação é inversamente proporcional).
Conclusão: Não foi encontrada uma correlação estatisticamente relevante entre as emissões otoacústicas e a qualidade vocal dos cantores católicos da amostra.


1. Maia AA, Gonçalves DU, de Menezes LN, Barbosa BM, Almeida PS, Resende LM. Análise do perfil audiológico dos músicos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG). Per Musi. 2007;(15):67-71.
2. Prado, AdC. Principais características da produção vocal do deficiente auditivo. Revista CEFAC. 2007;9(3):404-410.
3. BEHLAU, Mara. Avaliação de voz. In: BEHLAU, Mara. VOZ: O livro do especialista. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2004. Cap. 3. p. 85-103.
4. Dejonckere PH, Leback J. Acoustic, perceptual, aerodynamic and anatomical correlations in voice pathology. ORL J Otorhinolaryngol Relat Spec 1996;58:326-32.
5. Behlau M, Oliveira G, Santos LMA, Ricarte A. Validação no Brasil de protocolos de autoavaliação do impacto de uma disfonia. Pró-Fono Revista de Atualização Científica. 2009 outdez;21(4):326-32.
6. LLOYD, L. L.; KAPLAN, H. Audiometric interpretation: a manual of basic audiometry. University Park Press: Baltimore; 1978. p. 16.
7. MUNHOZ, Graziella Simeão. Proposta de programa de prevenção de perdas auditivas para músicos. 2016. 159 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Fonoaudiologia, Faculdade de Odontologia de Bauru. Universidade de São Paulo, Bauru, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1790
A RELAÇÃO ENTRE O ALEITAMENTO MATERNO E ARTIFICIAL COM AS INFECÇÕES DE VIAS AÉREAS SUPERIORES E AUDITIVAS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: As Infecções de Vias Aéreas Superiores e Otites Médias são definidas como todo e qualquer processo infeccioso viral ou bacteriano, que podem interferir no aleitamento materno, por prejudicar a respiração exclusivamente nasal. Estudos confirmam o leite materno como o único alimento capaz de proteger o lactente de diversas doenças no primeiro ano de vida, incluindo as doenças respiratórias e auditivas, pois é rico em compostos nutricionais e imunológicos que conferem essa proteção. Alguns profissionais da saúde orientam as mães para que amamentem seus filhos com a cabeça mais elevada, a fim de evitar a infecção auditiva, via tuba auditiva, no entanto, é questionável se tal orientação cabe aos bebês que são amamentados exclusivamente em seio materno, uma vez que o Ministério da Saúde orienta que durante o aleitamento materno exclusivo, a mãe pode amamentar em qualquer posição inclusive com o bebê deitado, desde que a lactante e o lactente estejam confortáveis sem mencionar riscos ou desvantagens para o bebê. Objetivo: Identificar as práticas maternas com relação ao posicionamento do bebê durante o aleitamento materno exclusivo e/ou oferta do leite artificial e sua relação com as IVAS e Otites Médias. Metodologia: Participaram da pesquisa 50 mães de crianças de zero a dois anos, que frequentavam as UBS e CMEIs de uma cidade no interior do Paraná, entre agosto e setembro de 2019. Foram realizadas entrevistas com as mães, sobre aleitamento materno, posição do lactente durante a amamentação e ocorrência de IVAS e Otites. Resultados: Os resultados mostraram que, a maioria (n=29) das mães amamenta com mamadeira, e uma pequena parcela (n=10) em seio materno exclusivo. Quanto à ocorrência de IVAS e Otite foi relatada em alguns casos (n=14), dos quais, todos eram amamentados com utensílios artificiais. Quando amamentado em seio materno, nenhuma mãe relatou episódios de infecções. Com relação à posição, a maioria relatou amamentar na posição deitada e inclinada. A orientação do MS é sobre o aleitamento materno exclusivo em qualquer posição, inclusive deitada, pois, caso o leite entre em região nasofaringea e orelha média consegue ser absorvido sem causar proliferação de bactérias devido sua composição nutricional, diferente do leite artificial que não dispõe das mesmas propriedades. Conclusão: Esse estudo permitiu inferir que as práticas das mães durante o aleitamento materno exclusivo e a posição da mamada não possuem relação direta com as IVAS e Otites, ao contrário da oferta de leite artificial em outros recipientes, como a mamadeira.

Palavras-chave: Aleitamento Materno; Leite Artificial, Infecções de Vias Aéreas Superiores; Otite média.

ALMIDA, E. O. C.; MELLI R.; MORAES I. F. Orientação fonoaudiológica e psicológica às nutrizes: experiência em contexto hospitalar. Recém-nascido em alojamento conjunto: visão multiprofissional. Pró-Fono; 2002.

ANTUNES, L. S.; ANTUNES, L. A.; CORVINO, M. P.F.; MAIA, L. C. Amamentação natural como fonte de prevenção em saúde. Ciência e Saúde Coletiva, vol. 13, n. 1, p.103-109, 2008.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Promovendo o Aleitamento materno - Álbum seriado. 2ª edição. Brasília: 2007. 18p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar - Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. 112 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 23)
GARCIA, M. V.; AZEVEDO M. F.; TESTA, J.R.G; LAUREANO, L. C. B. Influência do tipo de amamentação nas condições de orelha média de lactentes. Braz. Jor. Otorhinolaryngol. vol.78, n.1. 2012.
MOCELLIN, L. Infecções das vias aéreas superiores. Revista Brasileira de Medicina. 2011; 68(2): 82-7.
NADAL, L. F. Investigação das práticas maternas sobre aleitamento materno e sua relação com a infecção de vias aéreas superiores e otite média. Revista CEFAC. Paraná, 2017 Maio-Jun; 19(3):387-394.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1078
A RELAÇÃO ENTRE VOZ E PROCESSAMENTO AUDITIVO TEMPORAL NO ENVELHECIMENTO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução Alterações de voz e audição são algumas das principais responsáveis pelas dificuldades de comunicação em idosos. Mudanças que afetam a linguagem expressiva e receptiva impactam a vida social e podem gerar um risco particular de consequências negativas para o envelhecimento ativo1. Para uma comunicação oral eficaz é necessária atuação conjunta dos sistemas fonatório e auditivo, pois a fonação envolve uma integração sensoriomotora intrinsecamente relacionada ao monitoramento auditivo2,3. Com o envelhecimento natural, déficits sensoriais e de processamento central ocorrem em ambos os sistemas e podem estar correlacionados3,4. Objetivos Analisar se existe relação entre processamento auditivo temporal e voz de idosos com e sem sintomas vocais. Métodos Estudo transversal, analítico e correlacional; aprovado pelo Comitê de Ética sob o número 148234/2017. Participaram do estudo 40 idosos com idades a partir de 60 anos, subdivididos em dois grupos: com e sem alterações vocais, segundo a Escala de Sintomas Vocais (ESV). Os idosos foram submetidos à avaliação do processamento auditivo temporal e avaliação vocal. Foram analisadas habilidades auditivas de ordenação, resolução e mascaramento temporal, por meio do Teste Padrão de Frequência (TPF), Randon GAP Detection Test (RGDT) e Masking Period Pattern (MPP), respectivamente. Também foi avaliada a ocorrência de queixas de voz e realizada análise acústica e perceptivo-auditiva da voz. A análise descritiva e cálculos estatísticos foram realizados por meio do SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) na versão 19.1. Verificou-se a hipótese de normalidade e igualdade de variâncias. Os grupos foram comparados em relação às variáveis categóricas e numéricas ou a associação entre duas variáveis. Foi verificado ainda o grau da correlação entre variáveis numéricas. Na avaliação perceptivo-auditiva, foi selecionado o juiz que apresentou maior índice na análise de reprodutibilidade através dos valores de coeficiente de Kappa (k). O nível de significância foi de 5% (p≤0,05). Resultados A idade média dos participantes foi de 67,63 anos, com distribuição igual entre os sexos. As queixas de voz mais frequentes foram: pigarro, cansaço vocal e voz fraca. A maioria dos idosos apresentou intensidade da voz diminuída, desempenho normal no TPF, alterado no RGDT e limiares para detecção do sinal alvo aumentados na presença do mascaramento em diferentes posições temporais do sinal alvo. Não houve diferença entre os grupos quanto às habilidades auditivas avaliadas. Na análise perceptivo-auditiva da voz, os idosos apresentaram variabilidade normal da qualidade vocal e apenas o pitch diferiu significativamente entre os grupos. Na análise acústica, houve diferença entres os sexos quanto à frequência, shimmer, severidade global da alteração e rugosidade. Na análise da correlação entre os parâmetros auditivos e vocais, houve correlação entre a habilidade auditiva de resolução temporal, a severidade global da alteração e a rugosidade da voz. Conclusão Há prejuízo no processamento auditivo central com o envelhecimento e está correlacionado a alterações vocais em idosos. Esta correlação pode associar-se a ajustes vocais inadequados e rugosidade da voz nessa população. Abordar o feedback auditivo na avaliação e terapia da voz pode orientar o uso de estratégias compensatórias para a fonação na assistência ao idoso.

1 Palmer AD, Newson JT, Rook K. How does difficulty communicating affect the social relationships of older adults? An exploration using data from a national survey. Journal of Communication Disorders. 2016; 62:131–146.

2 Ishii C, Arashiro PM, Pereira LD. Ordering and temporal resolution in professional singers and in well tuned and out of tune amateur singers. Pró-Fono R Atual Cient. 2006; 18:285–92.

3 Howarth A.; Shone GR. Ageing and the auditory system. Postgrad Med J. 2006; 82:166–171.

4 Dalla Bella S, Tremblay-Champoux A, Berkowska M, Peretz I. Memory disorders and vocal performance. Ann. N.Y. Acad. Sci. 2012, 1252,:338–344.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
914
A RELEVÂNCIA DE ATIVIDADES CLÍNICAS EXTRACURRICULARES NA FORMAÇÃO DO FONOAUDIÓLOGO PARA O SUS.
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: As experiências extracurriculares fazem parte da formação acadêmica, assumindo uma posição notória e essencial na construção e consolidação de conhecimentos técnicos específicos. Sendo assim, a edificação profissional é alicerçada por esses conhecimentos em consonância com a prática clínica. As diversas vivências existentes na sua trajetória agregam valores, autoconfiança e conhecimento único a sua formação que poderão ter grande relevância na atuação de um profissional, quando inserido no mercado de trabalho. Historicamente, a Fonoaudiologia enquanto profissão foi moldada a partir de uma perspectiva biomédica e hegemônica. Com mudanças no contexto histórico, a atividade profissional foi inserida no contexto da Saúde Coletiva utilizando uma perspectiva baseada nos princípios do SUS e suas diretrizes. Objetivo: Descrever a experiência de discentes da graduação de Fonoaudiologia em um Projeto de Extensão supervisionado de Linguagem e Saúde Coletiva de uma Universidade Federal, bem como evidenciar a importância das experiências extracurriculares no SUS. Métodos: Trata-se de um relato de experiência ocorrida ao longo de 2 semestres em 2019, semanalmente, em uma clínica-escola de uma Universidade Federal, no período matutino, dividido entre atendimentos individuais de linguagem, ações em sala de espera, grupo de pais ou atendimento grupal e discussão de casos e artigos científicos, sendo todos os processos supervisionados pela coordenadora do projeto e fonoaudióloga do serviço, o qual possui pactuação com a Rede SUS no âmbito municipal. Cada um dos estagiários é responsável pelo processo terapêutico de 1 ou 2 pacientes. Os atendimentos de linguagem são voltados para o desvio fonológico. Se há outra demanda de cunho fonoaudiológico, caso comportado pela estrutura do serviço também é acolhida pelo projeto. Em alguns casos específicos, é preciso encaminhar o paciente para outro serviço, especialmente quando a demanda não é fonoaudiológica. A sala de espera sempre era elaborada pelos estagiários, com apoio da fonoaudióloga responsável pelo projeto, o que oportuniza maior contato dos graduandos com os usuários do serviço, além dos atendimentos individuais. O grupo de pais é realizado com os acompanhantes dos pacientes acompanhados no projeto e os objetivos são delineados a partir das demandas apresentadas. Resultados: O Projeto oportunizou vivências além do que é ofertado nas atividades curriculares, com os discentes acompanhando o processo terapêutico por um tempo maior do que os estágios obrigatórios. Além disso, por se tratar de um serviço público viabilizou a estruturação de um pensar clínico diferenciado, assim como o aprendizado da rotina e condutas restritas aos espaços desse perfil que em conjunto com as discussões transdisciplinares e a imersão em espaços científicos proporcionaram maior raciocínio nos estagiários. Por conseguinte, é essencial acrescentar que dentro dessas esferas sempre houve uma discussão ampliada sobre a importância de considerar os aspectos biopsicossociais da saúde de cada indivíduo. Conclusão: A imersão no Projeto de Extensão em um serviço público contribuiu para o desenvolvimento de habilidades e competências que certamente transcende questões acadêmicas, mas que é sobre humanização no agir do futuro profissional, como a maior compreensão de vulnerabilidades e individualidades dos usuários em um serviço público.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
961
A REPERCUSSÃO DO RELAXAMENTO DO MÚSCULO MENTUAL NA RESPIRAÇÃO ORONASAL
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


A respiração nasal é essencial para que ocorra o adequado desenvolvimento do complexo craniofacial. Quando ela não ocorre, o organismo pode adotar um padrão de suplência, a respiração oral, proveniente de etiologias orgânicas, ou oronasal, resultante de estado vicioso ou decorrente de uma memória muscular mantida. Diversos comprometimentos podem ser ocasionadas pela respiração oral, desde alterações posturais, distúrbios comportamentais, fisiológicos, distúrbios de aprendizagem, entre outros. A literatura a considera uma síndrome, intitulada “Síndrome do Respirador Oral” (SRO).
Em razão da influência que a musculatura perioral exerce, principalmente para o selamento labial, é importante o apropriado comportamento da musculatura orbicular da boca inferior. Mas, em virtude da ação hipertrófica do músculo mentual e sua inserção no músculo orbicular da boca inferior, nem sempre isso é possível, pois a hipertrofia mentoniana favorece ainda mais a eversão do lábio inferior, dificultando o selamento labial efetivo. Na literatura há uma escassez de trabalhos na área de fonoaudiologia que estudam técnicas como a massoterapia, sobretudo em relação ao músculo mentual, apesar de ser uma intervenção já conhecida e utilizada clinicamente em pacientes respiradores orais.
Objetivo: Investigar se a massoterapia no músculo mentual repercute no músculo orbicular da boca inferior em respiradores oronasais.
Material e método: Estudo experimental e quantitativo sobre o impacto da massoterapia no músculo mentual em relação ao músculo orbicular da boca inferior. Constituído por 19 participantes respiradores oronasais, subdivididos em dois grupos, controle (GC) e experimental (GE), com faixa etária entre 18 e 27 anos, gênero masculino e feminino. O GC não foi submetido à intervenção terapêutica e o experimental realizou massagens no músculo mentual durante 3 meses.
Os participantes receberam demonstrações para a realização da massoterapia no Laboratório de Eletromiografia do CEPRE/FCM/UNICAMP e foram orientados a realizarem técnica de amassamento69. Esta é uma manipulação realizada com as extremidades dos dedos que consiste na apreensão ou compressão do músculo, cujos movimentos de compressão e descompressão são feitos de forma intermitente, através de movimentos circulares, de maneira que a pele e os tecidos subcutâneos sejam movidos sobre as estruturas subjacentes.
Foram realizados registros eletromiográficos antes e após 3 meses nos músculos orbicular da boca inferior e mentual durante atividade de repouso e deglutição, em ambos os grupos.
Resultados: Observou-se resultados significativos da interação entre grupo e fase (p<0,05) das médias de RMS (Root Means Square) no músculo orbicular inferior e mentual no GE nas atividades de repouso e deglutição após as intervenções massoterápicas. Conclusão: na comparação do comportamento dos músculos orbicular da boca inferior e mentual do GE houve diferença significativa indicando que a massoterapia foi eficaz para diminuição de sua atividade elétrica muscular. Ou seja, é possível que o músculo mentual, de fato, interfira no comportamento do músculo orbicular da boca inferior.
Palavras-chave: Respirador bucal – Massoterapia – Eletromiografia de Superfície –Mioterapia – Músculo Mentual.

1. Machado PG, Mezzomo CL, Badaró AFV. A postura corporal e as funções estomatognáticas em crianças respiradoras orais: uma revisão de literatura. Revista CEFAC. 2012. 14(3): 553-565.
2. Ferla A, Silva AMTD, Corrêa ECR. Atividade eletromiográfica dos músculos temporal anterior e masseter em crianças respiradoras bucais e em respiradoras nasais. em Bras Otorrinolaringol. 2008. 74(4): 588-95.
3. Siqueira VCV, Sousa MA, Bérzin F, Casarini CAS. Análise eletromiográfica do músculo orbicular da boca em jovens com Classe II, 1ª divisão, e jovens com oclusão normal. Dental Press J. Orthod. [Internet]. 2011. 16( 5 ): 54-61.
4. Nagae MH, Alves MC, Kinoshita RL, Bittencourt ZZLC, Gagliardo H. Qualidade de vida em sujeitos respiradores orais e oronasais em Rev. CEFAC. 2013. 15(1): 105-110.
5. Menezes VAD, Leal RB., Moura MM, Granville-Garcia AF. Influência de fatores socioeconômicos e demográficos no padrão de respiração: um estudo piemo. Rev Bras Otorrinolaringol. 2007. 73(6): 826-34.
6. Andrade FV, Andrade DV, Araújo AS, Ribeiro ACC, Deccax LDG, Nemr K. Alterações estruturais de órgãos fonoarticulatórios e más oclusões dentárias em respiradores orais de 6 a 10 anos. Revista Cefac. 2005. 7(3): 318-325.
7. Vera, CFD, Conde, GES, Wajnsztej R, Nemr, K. Transtornos de aprendizagem e presença de respiração oral em indivíduos com diagnóstico de transtornos de déficit de atenção/hiperatividadeemDAH). Rev Cefac. 2006. 8(4): 441-55.
8. Cintra, CFSC, Castro FFM, Cintra, PPVC. As alterações orofaciais apresentadas em pacientes respiradores bucais. Rev bras alergia imunopatol. 2000. 23(2): 78-83.
9. Knösel M, Jung K, Kinzinger G, Buss O, Engelke W. A controlled evaluation of oral screen effects on intra-oral pressure curve characteristics. European Journal of Orthodontics. 2010;32(5):535-41
10. Mattos, FMGF, Bérzin, F, & Nagae, M. H. (2017). O impacto da respiração oronasal sobre a musculatura perioral. Revista CEFAC, 19(6), 801-811.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
239
A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL COMO COLABORADORA NO APERFEIÇOAMENTO DA ASSISTÊNCIA FONOAUDIOLÓGICA AO PACIENTE CRÍTICO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


Introdução: O programa de residência multiprofissional em saúde hospitalar é uma iniciativa organizada a partir de políticas públicas que tem como objetivo a integração e inserção de profissionais de saúde de diferentes áreas no contexto hospitalar, com o intuito de combater o modelo tecnoassistêncial do sistema único de saúde (SUS). A promoção do cuidado ao indivíduo internado concentra-se nas unidades de clínica médica até setores mais complexos como a unidade de terapia intensiva (UTI). O residente da equipe multiprofissional, quando inicia sua jornada na prestação da assistência e cuidado ao paciente crítico na UTI, passa a fazer parte da equipe hospitalar. Sendo as condutas ali tomadas tanto para o suporte de vida como atenuadoras do sofrimento. O residente em fonoaudiologia é um dos profissionais que compõe essa equipe sendo ele o responsável por identificar, prevenir, diagnosticar e reabilitar qualquer alteração relacionada à deglutição, fala, voz e linguagem do indivíduo. Como um potencializador na formação do fonoaudiólogo, a residência multiprofissional promove um diferencial na construção do seu perfil profissional, através de ricas experiências com foco principal na área da Disfagia. No atendimento à pacientes fragilizados, potencialmente graves, instáveis quanto ao seu estado clínico, em uso de via alternativa de alimentação, traqueostomia ou que apresentem transtornos da deglutição. OBJETIVO: Identificar aspectos que aprimoram a assistência fonoaudiológica prestadas à pacientes críticos através do programa de residência multiprofissional em saúde hospitalar. MÉTODO: Estudo descritivo, reflexivo, de natureza qualitativa em relato de experiência sobre os fatores contribuintes no aperfeiçoamento da assistência do fonoaudiólogo residente hospitalar a pacientes críticos internados em uma UTI. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O residente de fonoaudiologia que atua na prestação do cuidado a pacientes críticos apresenta durante todo o seu período de atuação, autonomia quanto a tomadas de decisão competentes à sua área de intervenção. Dispondo de alta capacidade profissional na definição de condutas referentes à pacientes que apresentam disfagia e necessitam de assistência fonoaudiológica. Decisões quanto à via alimentar, uso de válvula de fala, processo de decanulação, modificação na consistência alimentar e avaliação da deglutição são exemplos de ações realizadas por esse profissional no seu exercício de sua atuação. Ao concluir sua especialização, o fonoaudiólogo sairá para o mercado de trabalho com expertises adquiridas durante o processo de atuação hospitalar, apresentando domínio e aperfeiçoamento quanto à prestação da assistência fonoaudiológica ao paciente crítico hospitalizado. CONCLUSÃO: A residência multiprofissional hospitalar em saúde possibilita que o Fonoaudiólogo aprimore as técnicas e condutas assistenciais prestadas ao paciente crítico a partir de um olhar não concentrado no fator doença e sim na prestação de um cuidado integral, qualificado e humanizado.

COÊLHO, P.D.L.; BECKER, S.G.; LEOCÁRDIO, M.A.S.C.; OLIVEIRA, M.L.C.; PEREIRA, R.S.F.; LOPES, G.S. Processo SAÚDE-DOENÇA e qualidade de vida do residente multiprofissional. Rev enferm, Recife, 12(12):3492-9, dez., 2018.

MENDES, L.C. et al . Relato de experiência do primeiro ano da residência multiprofissional hospitalar em saúde, pela ótica da Psicologia. Rev. SBPH, Rio de Janeiro , v. 14, n. 1, p. 125-141, jun. 2011 .

SILVA, C.T. da et al .Residência multiprofissional como espaço intercessor para a educação permanente em saúde Texto contexto - enferm., Florianópolis , v. 25, n. 1, e2760014, 2016 .


TRABALHOS CIENTÍFICOS
757
A SAÚDE DO TRABALHADOR E A EXPOSIÇÃO À RISCOS OCUPACIONAIS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A área interdisciplinar que abrange a saúde do trabalhador trata da manutenção dos aspectos que envolvem a saúde nos mais diversos ambientes de trabalho, bem como a redução dos riscos ocupacionais existentes. A saúde do trabalhador é regida pela instituição de normas que tratam da segurança e da saúde dos trabalhadores. Os riscos ocupacionais referem-se aos agentes físicos, químicos, biológicos e ergonômicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. Objetivo: Analisar as variáveis de exposição a riscos ocupacionais e a saúde laboral ao final de um dia de trabalho dos sujeitos que responderam a pesquisa. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva, com análise de variáveis quantitativas e qualitativas. O levantamento dos dados foi realizado por meio de um questionário padronizado, contou com a participação de 74 sujeitos, abordando questões referentes à rotina de trabalho, equipamentos de proteção individual, saúde no geral, saúde auditiva, qualidade de vida e bem-estar. Resultados: Dentre os sujeitos que responderam o questionário, 32 (58,2%) revelaram estar expostos a agentes ergonômicos, 18 (32,7%) a agentes biológicos, 17 (30,9%) a agentes físicos e um (1,8%) a agentes químicos, além disso, 15 (27,3%) responderam não estar expostos a nenhum risco de exposição ocupacional. Em relação à pergunta de múltipla escolha “o que você sente após um dia de trabalho?”, os participantes poderiam marcar mais de uma alternativa se necessário, sendo assim, 41 (74,5%) indivíduos referiram que se sentem cansados, 20 (36,4%) estressados, 18 (32,7%) com ansiedade, 16 (29,1%) com dores de cabeça, dois (3,6%) com nervosismo, dois (3,6%) com sensação de ouvido tampado, um (1,8%) com voz cansada, um (1,8%) com tristeza, raiva ou frustração, um (1,8%) com zumbido e um (1,8%) sente-se tranquilo, apenas oito (14,5%) referiram não sentir nada após a jornada de trabalho. Conclusão: A maior parte dos sujeitos do estudo estão expostos a agentes ocupacionais e sentem prejuízos em sua qualidade de vida e bem-estar após a jornada de trabalho diária. Em vista disso, percebemos a necessidade da disseminação de informação nos diferentes locais de trabalho no que diz respeito a saúde ocupacional e aos efeitos que a exposição a agentes de qualquer natureza podem causar no ser humano. Portanto, tornam-se pertinentes movimentos coletivos em prol da conscientização e da preservação da saúde, como ações e campanhas que reforcem a importância dos horários de descanso e o uso de equipamentos de proteção individual adequados para cada função.

Brasil. Portaria n. 25, de 29 de dezembro de 1994. Norma regulamentadora n. 9. Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Diário Oficial da União. 29 dez 1994;Seção 1.

Lima KM, Canela KGS, Teles RBA, Melo DEB, Belfort LRM, Martins VHS. Gestão na saúde ocupacional: importância da investigação de acidentes e incidentes de trabalho em serviços de saúde. Rev Bras Med Trab. 2017;15(3):276-283.

Souza NVDO, Pires AS, Gonçalves FGA, Cunha LS, Ribeiro LV, Vieira RS. Riscos ocupacionais e agravos à saúde dos trabalhadores em uma unidade ambulatorial especializada. Rev Min Enferm. 2014;18(4):923-930.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
251
A SELEÇÃO DE CATEGORIAS DA CIF PARA O DESENVOLVIMENTO TÍPICO DE FALA E LINGUAGEM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)
04076001


Introdução: as habilidades de linguagem e comunicação se desenvolvem ao longo da vida e são essenciais para a participação plena na vida social, educacional e familiar. As medidas multidimensionais relacionadas à saúde de crianças têm aumentado, incluindo aquelas em que se considera a funcionalidade do indivíduo no meio em que vive, dentre elas, destaca-se a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF – Organização Mundial de Saúde, 2001). Na prática clínica, a CIF mostra-se útil, por conta da linguagem universal e integradora de diferentes dimensões do desenvolvimento, para o processo de avaliação e tomada de decisão, facilitando a comunicação entre profissionais e as famílias. A abrangência da CIF facilita a compreensão ampla e integral na área fonoaudiológica, bem como a gradação da extensão e magnitude da funcionalidade ou da incapacidade. Sua aplicação tem sido facilitada por meio de ferramentas construídas na diversidade de percepções dos usuários e profissionais sobre a funcionalidade humana. Objetivo: criar uma listagem com as categorias da CIF relevantes para o desenvolvimento de fala e linguagem de pré-escolares com desenvolvimento típico, sob o ponto de vista dos pais e fonoaudiólogos. Método: estudo analítico, observacional e transversal, com 218 entrevistados (139 responsáveis de crianças em idade escolar – 90,45% mulheres com média de 35,55 anos e 79 fonoaudiólogos – 96,85% mulheres com média de 39,98 anos). Realizou-se a construção de um questionário a partir das categorias da CIF, selecionadas de acordo com a faixa etária pré-escolar, observou-se a aplicabilidade em estudo piloto e realizou-se a aplicação do instrumento em dois grupos selecionados estatisticamente, formados por pais de crianças em desenvolvimento típico e fonoaudiólogos especialistas em linguagem, para identificar quais categorias da Classificação seriam relevantes na percepção de cada grupo e constituir um checklist final. A escolha de resposta foi fechada e escalonada em três opções: Indispensável – 2 pontos; Importante – 1 ponto e Sem Importância – 0 ponto. Adotou-se identificar as categorias de acordo com duas variáveis: a SOMA dos pontos por categoria e a quantidade de respostas indispensáveis de cada uma delas. Realizou-se a análise estatística (soma, cluster/Método K-means e teste de Mann-Whitney). Resultados: identificou-se uma listagem única com as 72 categorias consideradas de maior influência por ambos os grupos. Essa listagem foi composta por categorias de funções do corpo (30), atividades e participação (35) e fatores ambientais (sete). Comparando-se o padrão de respostas, 42 categorias tiveram resultados estatisticamente significantes entre os grupos: 21 de funções do corpo; 18 de atividades e participação e três de fatores ambientais. Conclusão: nas funções do corpo, categorias relacionadas aos aspectos cognitivos, intelectuais, psicossociais, visuais, auditivos, de respiração e alimentação estão presentes na listagem. Assim como nas atividades e participação, os aspectos de aprendizagem formal/informal, comunicativos e de relações interpessoais. Nos fatores ambientais, ressalta-se a relevância dada ao som e a rede de apoio da criança, incluindo acesso aos serviços de saúde. As categorias de funções do corpo foram mais bem pontuadas pelos fonoaudiólogos, enquanto as de fatores ambientais pelos pais.

1.Grill E, Mansmann U, Cieza A, Stucki G. Assessing observer agreement when describing and classifying functioning with the International Classification of Functioning, Disability and Health. J Rehabil Med. 2007; 39(1): 71-6.
2.Lollar DJ, Simeonsson RJ, Upasana Nanda MPH. Measures of Outcomes for Children and Youth. Arch Phys Med Rehabil. 2000; 81(2): S46-S52.
3.McCormack J, McLeod S, Harrison LJ , McAllister L. The impact of speech impairment in early childhood: Investigating parents’ and speech-language pathologists’ perspectives using the ICF-CY. Journal of Communication Disorders. 2010; 43: 378–396.
4.McDougall J, Wright V, Rosenbaum P. The ICF model of functioning and disability: Incorporating quality of life and human development. Developmental Neurorehabilitation. 2012; 13(3):204-211.
5.McLeod S, Bleile K. The ICF: a framework for setting goals for children with speech impairment. Child Lang Teach Ther. 2004; 20(3):199-219.
6.OMS, Organização Mundial de Saúde. World Health Organization. International
Classification of Functioning, Disability and Health: ICF. Geneva: WHO; 2001.
7.Pinto FCA, Schiefer AM, Perissinoto J. A Anamnese Fonoaudiológica segundo os preceitos da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) Distúrb Comun. 2018; 30(2): 252-265.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
520
A SÍNDROME DE AICARDI-GOUTIÉRRES SOB A PERSPECTIVA FONOAUDIOLÓGICA: REVISÃO CRÍTICA DE LITERATURA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A síndrome de Aicardi-Goutières (AS) é uma encefalopatia progressiva de início precoce com etiologia genética1,2. Manifesta-se majoritariamente em meninas, e alguns estudos entendem que a AS se expressa de forma letal no sexo masculino3. Sua prevalência é incerta no mundo, considerada, portanto uma doença rara4. O diagnóstico é feito a partir de análise genética e dos exames de neuroimagem para verificação do sistema nervoso central e a presença ou não, da tríade clássica5, que inclui espasmos infantis (convulsões infantis – espasmos em flexão), agenesia total ou parcial de corpo caloso e lacunas coriorretinianas, frequentemente associados com coloboma do disco óptico6. OBJETIVO: Descrever os principais achados da AS e interpretá-los sob a perspectiva da fonoaudiologia. MÉTODO: Esta pesquisa qualitativa, com uso de fonte de dados secundários, tem como procedimento metodológico a revisão crítica de literatura. Dos 1800 artigos encontrados, foram utilizados para o presente estudo 12 artigos, a partir dos seguintes critérios: disponíveis na íntegra, publicados de 2008 a 2018, em português, inglês e espanhol, e que fizessem referência à temática da AS, a partir da consulta no PubMed/Medline, Lilacs e SciELO. RESULTADOS: Foi consenso entre os artigos selecionados, quanto à descrição da AS. Observou-se que a maioria dos estudos estão relacionados à neurologia, oftalmologia e genética, notando-se a escassez de bibliografia cite a atuação interdisciplinar ou que relacione a síndrome aos achados fonoaudiológicos, apesar da grande variabilidade da demanda fonoaudiológica em casos de AS como, alterações no desenvolvimento neuropsicomotor e a nível de linguagem, assim como alterações estruturais e funcionais do sistema estomatognático (sucção, mastigação, deglutição e respiração). Tais acometimentos trazem ao indivíduo repercussões motoras, nutricionais e hídricas, de comunicação e principalmente de sobrevida. CONCLUSÃO: Nenhum artigo abordou AS para além do diagnóstico, ou seja, para o período de tratamento, acompanhamento e monitoramento da doença. Além disso, mediante as repercussões fonoaudiológicas encontradas na AS, se faz necessária à atuação desta especialidade de forma precoce, preferencialmente de forma interdisciplinar, objetivando um melhor prognóstico, reduzindo as taxas de mortalidade, e aumentando a qualidade de vida dos agentes envolvidos (paciente e cuidador).

1. JUÁREZ, A. F. et al. Síndrome de Aicardi-Goutières. An Pediatr (Barc). Barcelona, 68 (1): p. 70-82, 2008.
2. MARFIL, M. V. E. Síndrome de aicardi-goutières de presentación neonatal simulando infección congénita. Revista de Dismorfología y Epidemiología. v. V, nº 8, p. 2-8, 2009.
3. PUERTAS-BORDALLO, D. Coriorretinopatía lacunar como presentación de síndrome de aicardi en el lactante. Arch soc esp oftalmol, v. 82, p. 311-314, 2007.
4. Kansky J. Clinical ophthalmology: a systematic approach. 4th.ed. Glasgow: Butterworth-Heinemann Internacional; 1999.
5. ABRAHAM, R. et al. Síndrome de Aicardi: relato de dois casos. Arquivos Neuro-psiquiatria 1986; 44(4); 364-72.
6. DA COSTA, Paula Piccoli. Síndrome de Aicardi-Relato de dois casos. Arq Bras Oftalmol, v. 67, p. 341-3, 2004.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
723
A TAXA DE ELOCUÇÃO DO FALAR SERGIPANO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Toda língua falada é mutável, variável, influenciável por fatores como
o momento histórico, localidade, situações sociais, culturais e pessoais, entre outros.
O português falado no Brasil é fortemente marcado por variações: diferentes sotaques
sob influência da região e/ou condições socioculturais de seus falantes, de tal forma
que certas características desse falar possibilitam a sua identificação. Dentre os
aspectos envolvidos no modo de falar de uma certa região ou localidade, pode-se
considerar a taxa de elocução. Trata-se de uma medida relacionada com a velocidade
da fala, grandeza física que considera unidades linguísticas por unidade de tempo,
como número de sílabas por segundo, sílabas por minuto ou palavras por minuto, em
uma amostra de fala. A taxa de elocução, ou velocidade da fala, é uma medida
imprescindível nas investigações sobre a prosódia. OBJETIVO: Descrever a taxa de
elocução de falantes sergipanos. MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional,
descritivo e analítico, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o no. CAAE
16400119.6.0000.5546/Parecer 3.588.189. Contou com 55 participantes, de ambos
os sexos e idades entre 18 e 53 anos (IM: 21,56 anos; DP: 5,37). Para o alcance dos
objetivos deste estudo, os participantes gravaram a leitura oral de um texto
padronizado para o português brasileiro, contendo 100 palavras. Todas as leituras,
assim coletadas, foram analisadas, por meio do Praat, para determinação do tempo
transcorrido na leitura do texto e efetuados os cálculos de palavras emitidas por
minuto, sílabas emitidas por minuto e por segundo. RESULTADOS: A taxa de
elocução dos falantes nativos de Sergipe resultou nas seguintes médias: 5,41 sílabas
por segundo, 324,91 sílabas por minuto e 148,36 palavras por minuto. Não foram
observadas diferenças significativas nas taxas de elocução entre falantes homens ou
mulheres. Não foram observadas correlações significativas entre a taxa de elocução
e a idade dos participantes. Em pesquisas com falantes de outras línguas de origem
latina, como italiano e francês, foram identificadas médias em torno de cinco sílabas
por segundo, como observado aqui. CONCLUSÃO: A partir dos resultados obtidos,
pode-se concluir que a taxa de elocução não contribui para diferenciar falantes
sergipanos. Destaca-se que as medidas de sílabas por segundo parecem
corresponder a um padrão universal, mais dependente de fatores anatômicos e
funcionais do que culturais.

Bagno M. Português ou brasileiro? um convite a pesquisa. São Paulo: Parábola.
2004.
Meireles AR. Musicalidade na fala: ritmo e taxa de elocução. In: Anais. XVIII
Seminário de Voz da PUC-SP. São Paulo, 2008, p 15 – 24.
Boersma P, Weenink D. Praat: doing phonetics by computer (versão 6.0.21).
Software. Disponível em: http://www.praat.org.
Costa LMO, Martins-Reis VO, Celeste LC. Metodologias de análise da velocidade de
fala: um estudo piloto. CoDAS. 2016; 28(1):41-5
Jakubovicz R. A técnica surdo-sonoro para descondicionar bloqueios. In: Meira I.
(org.) Tratando gagueira: diferentes abordagens. São Paulo: Cortez. 2002.
Teixeira EG. Organização temporal da leitura oral na doença de parkinson.
[dissertação]. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2008.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
899
A TELEFONOAUDIOLOGIA PARA ATENDIMENTOS AMBULATORIAIS EM FONONCOLOGIA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: Os pacientes de Fononcologia comumente necessitam da atuação fonoaudiológica em disfagia, voz e motricidade orofacial – MO pré e pós-tratamento médico, sendo considerados pacientes vulneráveis pela própria doença oncológica, idade, condição clínica, imunossupressão, tratamentos e até mesmo fatores sociais. Com a chegada da pandemia do COVID-19 no Brasil, houve a preocupação para que estes pacientes não ficassem desassistidos em todas as esferas da atuação fonoaudiológica: hospitalar, ambulatorial e até domiciliar, que precisaram se adaptar a esta nova realidade de distanciamento social como parte de estratégias para enfrentar a pandemia do COVID-19(1). A telessaúde ganhou forças neste momento, incluindo a telefonoaudiologia(2), já bastante difundida no serviço privado, porém, pouco utilizada no serviço público, pelas características, estrutura física e precariedade do acesso desta população às tecnologias. Porém, tem se mostrado como grande aliada aos atendimentos fonoaudiológicos ambulatoriais mantendo-se o distanciamento social, sendo realidade para a Fonoaudiologia, inclusive no serviço público(3). OBJETIVO: Relatar a prática exitosa da telefonoaudiologia em ambulatório de Fononcologia de hospital público no SUS durante a pandemia do COVID-19. MÉTODOS: A instituição é 100% mantida pelo SUS, via prefeitura municipal. O Serviço de Fonoaudiologia Ambulatorial em Fononcologia (disfagia, voz e MO) da instituição não possui fila de espera para início da fonoterapia, possui fluxo de cerca de 50 pacientes e mais de 100 atendimentos ambulatoriais mensais. Com o início da pandemia do COVID-19 e possibilidade de suspensão dos atendimentos ambulatoriais presenciais, levando-se em conta a gravidade do paciente de Fononcologia e seu importante risco do não seguimento fonoaudiológico, implementou-se a telefonoaudiologia nos atendimentos ambulatoriais do serviço, realizada por meio de contato prévio via telefone aos pacientes, explicação da situação atual e proposta do teleatendimento para o atendimento ambulatorial utilizando-se a tecnologia de videochamada por telefone, realidade mais próxima do paciente do SUS. RESULTADOS: A telefonoaudiologia foi realizada no período de abril a junho de 2020 à grande maioria dos pacientes ambulatoriais de Fononcologia da instituição, proporcionando maior acolhimento e seguimento da fonoterapia em disfagia, voz e MO, minimizando possíveis riscos de uma desassistência por suspensão repentina do serviço e complicações fonoaudiológicas inerentes ao paciente oncológico sem atendimento, como risco de broncoaspiração, piora da comunicação oral e compensações inadequadas de sistema sensório motor oral, diminuindo ainda o absenteísmo do serviço de cerca de 20% para média de 8,23% nestes meses. No mês de abril, dos 91 atendimentos realizados a 41 pacientes, 78 (85,71%) foram por teleatendimento; no mês de maio, dos 122 atendimentos realizados a 45 pacientes, 103 (84,42%) foram por teleatendimento e no mês de junho, dos 161 atendimentos realizados a 59 pacientes, 122 (75,77%) foram por teleatendimento. CONCLUSÃO: A telefonoaudiologia é uma realidade possível para os atendimentos fonoaudiológicos ambulatoriais em Fononcologia, inclusive para serviços do SUS, possibilitando aos pacientes o seguimento terapêutico e monitoramento durante a pandemia do COVID-19, evitando a paralisação do serviço fonoaudiológico ambulatorial, reduzindo o absenteísmo, minimizando os riscos da desassistência e complicações fonoaudiológicas, estratégia que está sendo utilizada de forma efetiva em conjunto a retomada gradual dos atendimentos presenciais até sua totalidade no serviço.

1- Gupta R, Dhamija RK. Covid-19: social distancing or social isolation? BMJ. 2020;369:m2399.

2- CFFa: Conselho Federal de Fonoaudiologia [Internet]. Recomendação CFFa nº 20, de 23 de abril de 2020. (citado em 8 de julho de 2020]. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/wp-content/uploads/2020/04/Recomendacao_CFFa_20_2020.pdf

3- Dimer NA, Canto-Soares ND, Santos-Teixeira LD, Goulart BNG. The COVID-19 pandemic and the implementation of telehealth in speech-language and hearing therapy for patients at home: an experience report. CoDAS. 2020;32(3):e20200144.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1134
A TELERREABILITAÇÃO EM CRIANÇAS COM TPAC: RESULTADOS PRELIMINARES
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A telerreabilitação é o método pelo qual se utilizam tecnologias de comunicação para prover reabilitação à distância (1), com evidências crescentes de que seus efeitos levam a desfechos clínicos semelhantes ou melhores quando comparados às intervenções convencionais (2). A notória necessidade deste tipo de abordagem no Brasil é atribuída às suas dimensões continentais (8.514.215,3Km²) e distribuição irregular de profissionais fonoaudiólogos, o que acentua a heterogeneidade da qualidade e disponibilidade dos serviços oferecidos (1). Com o avanço da tecnologia de extensa aplicabilidade, a telerreabilitação pode suprir ou minimizar as dificuldades em crianças com Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC).
Neste estudo, abordaremos a telerreabilitação implementada a partir de uma aplicação WEB, para treinamento auditivo síncrono, e as evidências científicas do treinamento auditivo-cognitivo integrado, que asseguram as bases da telerreabilitação proposta pelo sistema. O conteúdo da plataforma mencionada baseia-se na literatura acumulada de neurociência auditiva e cognitiva a qual apoia a programação abrangente, incorporando abordagens de baixo para cima ou “bottom up” (treinamento auditivo) e de cima para baixo ou “top down” (estratégias cognitivas, metacognitivas e de linguagem) (3).
A amostra foi composta por 23 crianças entre 7 e 9 anos de idade, com histórico de dificuldades escolares, sendo 13 do Grupo I, submetidas à telerreabilitação e 10 do Grupo II, submetidas ao treinamento auditivo acusticamente controlado em cabine, com utilização do mesmo material auditivo.
As crianças do grupo I e II realizaram os testes: PSI na condição MCI S/R -15, e DD, nas habilidades de integração e separação binaural. Pais responderam aos questionários QFisher. Numa segunda etapa, as crianças do grupo I foram submetidas ao treinamento auditivo através da telereabilitação, enquanto as crianças do grupo II foram submetidas ao treinamento acusticamente controlado. Foram realizadas 10 sessões para cada criança, com duração de meia hora cada, para ambos os grupos. Na terceira etapa, as crianças dos grupos I e II foram reavaliadas com os mesmos testes iniciai. Pais responderam ao questionários QFisher e pais do Grupo I responderam ao questionário de avaliação do treinamento à distância.
Os testes comportamentais de PAC utilizados neste estudo em cabine audiométrica foram:Testes de Escuta Monótica: Teste Pediatric Speech Intelligibility com mensagem competitiva ipsilateral S/R -15 dB e Teste de Escuta Dicótica: Dicótico de Dígitos na modalidade integração binaural e separação binaural. Os exercícios utilizados foram gravados previamente em faixas de áudio na relação S/R 0, -10, -15, -20 e -25, recurso que permite simular o controle acústico realizado com audiômetro. Serão apresentados os resultados preliminares do estudo, que se revelam pertinentes e muito positivos face a uma intervenção que se revelou eficaz, e atual perante a pandemia resultante do COVID-19. Recomenda-se como objeto de futuras investigações: incorporação da avaliação do professor através do questionário Q.Fisher, e pesquisas que relacionem telerreabilitação e linguagem, para melhor compreensão dos efeitos da abordagem auditiva-cognitiva-linguistica do treinamento auditivo proposto neste estudo.


Referências Bibliográficas

1. Spinardi ACP. Telefonoaudiologia : desenvolvimento e avaliação do CDROM “ Procedimentos Terapêuticos no Transtorno Fonológico .” Faculdade de Odontologia de Bauru; 2009.
2. Kairy D, Lehoux P, Vincent C, Visintin M. A systematic review of clinical outcomes, clinical process, healthcare utilization and costs associated with telerehabilitation. Disabil Rehabil [Internet]. 2009;31(6):427–47. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18720118
3. Chermak GD, Musiek FE. Auditory Training: Principles and Approaches for Remediating and Managing Auditory Processing Disorders. Semin Hear [Internet]. 2002;23(4):297–308. Available from: http://www.thieme-connect.de/DOI/DOI?10.1055/s-2002-35878



TRABALHOS CIENTÍFICOS
509
A TEORIA SOCIOCONSTRUTIVISTA À LUZ DA NEUROCIÊNCIA: APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A teoria socioconstrutivista, elaborada por Lev Semenovitch Vygotsky (1896-1934), influenciada pela metodologia de Jean Piaget (1896-1980), defende que a criança pode desenvolver habilidades sociais, psicomotoras, emocionais, entre outras, quando exposta a um ambiente que proporcione estímulos ao aprendizado1. Para além dessas funções, a professora Emília Ferreiro aplicou as ideias de Piaget e Vygotsky à leitura e escrita. Para ela, as crianças são capazes de aprender a ler e escrever por meio da interação social, desde que o ambiente proporcione o contato com a leitura e escrita, sem necessidade do ensino sistematizado. Nesse contexto, a concepção socioconstrutivista tem sua ênfase no sentido da linguagem e não na estrutura e forma; os professores formados sob essa visão, são condicionados a estimular a prática da leitura e escrita espontâneas a partir de situações de letramento2. OBJETIVO: Analisar a corrente educacional socioconstrutivista a partir de estudos com fundamento neurocientífico. MÉTODO: Leitura de publicações recentes, na área de educação e neurociências, que dissertaram sobre o socioconstrutivismo. RESULTADOS: Estudos na área da neurociência2,3,4,5 têm evidenciado que o ensino explícito e diretivo facilita o aprendizado das crianças. Tais estudos sugerem que a inteligência e as habilidades cognitivas são modificadas por meio do esforço contínuo e consciente. Dessa forma, com a interação social é possível aprender o que compete aos domínios primários, porém, a leitura e a escrita são domínios secundários e exigem o ensino, ou seja: o socioconstrutivismo é útil para que as crianças adquiram as habilidades que naturalmente aprenderiam sem instrução formal. Mas não há possibilidade de aprender a ler sem haver automatizado a leitura de palavras isoladas. As vias neurológicas da leitura seguem o trajeto oposto a ideia socioconstrutivista, que prioriza o nível discursivo. O trajeto da leitura no cérebro se inicia com o reconhecimento visual das letras e palavras; passa pela associação da cadeia de letras com os fonemas correspondentes; segue com o reconhecimento acústico da palavra e, depois disso, há o acesso ao significado. Partindo do princípio alfabético, a decodificação e codificação grafofonêmica, ortografia, grafema, grafema associado ao fonema, unidades, frases, períodos e por último texto. Atualmente, os estudos - na área da neurociência - indicam que o método fônico é o melhor, não apenas porque ajuda as crianças a compreender a lógica da leitura-escrita, como também a desenvolver as habilidades metalinguísticas necessárias para dominar a língua escrita7,8. CONCLUSÃO: Alfabetizar com o método global é fazer o caminho oposto ao que pede a natureza biológica de nosso cérebro, é começar pelo fim: o acesso ao significado das palavras. O socioconstrutivismo pode dificultar o aprendizado da leitura e escrita, repercutindo em maiores danos para crianças com algum tipo de dificuldade cognitiva, as quais seriam beneficiadas com o ensino explícito e diretivo, a exemplo do método fônico.


1. LIMA, A. O. Fazer Escola: A Gestão de uma Escola Piagetiana (construtivista). Vozes, 2003.

2. BENEDETTI, K. S. A falácia socioconstrutivista: por que os alunos brasileiros deixaram de aprender a ler e escrever. Campinas, SP. Kírion, 2020.

3. CAPOVILLA, F. C. (org). Os novos caminhos da alfabetização infantil. 2ª ed. São Paulo, SP: Memnon Edições Científicos, 2005.

4. HAASE, V. G; JÚLIO-COSTA, A; SILVA, J. B. L. Por que o construtivismo não funciona? Evolução, processamento de informação e aprendizagem escolar. Minas Gerais, BH: Psicologia em Pesquisa, UFJF, 2015.


5. DEHAENE, S. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre, RS: Penso, 2012.

6. SEABRA, A.G; CAPOVILLA, F.C. Alfabetização fônica: construindo competência de leitura e escrita. 4 ed. São Paulo: Memnon, 2010.

7. SILVA, A.P.C., CAPELLINI, S.A. Programa de remediação fonológica em escolares com dificuldades de aprendizagem. J Soc Bras Fonoaudiol. 2011;23(1):13-20.


8. SEBRA, A. G; DIAS, N.M. Métodos de alfabetização: delimitação de procedimentos e considerações para uma prática eficaz. Rev. psicopedag. [online], vol.28, n.87 p. 306-320, 2011. Disponível em: . acessos em 05 jul. 2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1031
A TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA INTEGRATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução:
A Terapia Assistida por Animais (TAA) contribui para o desenvolvimento psicomotor, mudanças no humor, socialização, interação social e bem-estar físico.1 Dessa forma, passou a ser utilizada com pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e pesquisas apontaram resultados positivos.2,3,4,5
Estudo retrospectivo com 13 artigos completos entre 1987 e 2017 se propôs a observar as mudanças da TAA com cachorros em crianças com TEA e mostrou que existem poucas publicações sobre o tema. Contudo, todos os artigos referiram eficácia da TAA no tratamento de pessoas com TEA nas suas conclusões.6
Sendo assim, é vista como pertinente uma compilação das pesquisas sobre o tema.
Objetivo: Pesquisar a TAA no tratamento de pacientes com TEA: revisão bibliográfica integrativa
Método:
Foi adotada a revisão bibliográfica integrativa, sumarizando trabalhos concluídos e publicados.
- Casuística: 95 artigos; 3 capítulos de livros. Total: 98 referências.
- Procedimento: pesquisa bibliográfica nas bases de dados Capes, PubMed, Lilacs, Science Direct, Medline e Springer Link. Os descritores utilizados foram “terapia assistida por animais” e “transtorno do espectro autista” bem como seus correspondentes no idioma inglês. Foram considerados artigos e capítulos de livros publicados entre 2010 e 2020, gerando um total de 142 referências.
Os dados obtidos foram anotados em planilha Excel e tabulados de acordo com as variáveis Título do Artigo, Resumo, País de Origem e Ano. As referências duplicadas foram excluídas, resultando numa casuística de 98 referências.
Resultados e Discussão:
Foi realizado um levantamento em bases de dados científica e 6,8% das referências recuperadas foram selecionadas de acordo com a pertinência do presente estudo, isto é, associação do TAA ao TEA.
Ainda, quanto aos países de origem dos estudos, Estados Unidos apresentou a maioria deles (38); seguido da Austrália (13); Reino Unido (10); Portugal (5); Espanha (4); Brasil, Suíça, Irlanda, Itália, e Japão (3); França, Canadá e Polônia (2); e Holanda, Suécia, Noruega, Tailândia e Hungria (1). Duas pesquisas não explicitaram os seus países de origem. No que se refere ao ano de publicação das referências, os resultados mostram que 2017 e 2019 foram os anos com maior número de publicações (14) e os anos de 2013, 2014 e 2015 tiveram 11 publicações no tema. Esses achados vão ao encontro do estudo de revisão sistemática da literatura com 43 referências que evidencia efeitos positivos da TAA3 para pessoas com TEA e revela que, no que se refere às publicações que abordam TAA em pessoas com diferentes diagnósticos, os Estados Unidos publicou 12 trabalhos enquanto Brasil e Itália publicaram 7 estudos entre 2010 e 2018. Por conseguinte, os autores supõem que há um reconhecimento científico internacional da TAA como estratégia de reabilitação, com base no número de publicações internacionais (39 estudos) e fator de impacto das revistas. Já no que se refere ao ano de publicação das referências, o mesmo estudo demonstra número crescente de publicações nos últimos anos (entre 2014 e 2018). Tal evidência comprova a maior procura por conhecimento e práticas terapêuticas como TAA para pessoas com diferentes diagnósticos, incluindo TEA.7

1 Ferreira APS, Gomes JB. Levantamento histórico da terapia assistida por animais. Rev. Multidisciplinar 2017; 3(1):71-92.

2 Wijker C, Leontjevas R, Spek A, Enders-Slegers MJ. Process Evaluation of Animal- Assisted Therapy: Feasibility and Relevance of a Dog-Assisted Therapy Program in Adults with Autism Spectrum Disorder. Animals (Basel) 2019; 9(12):1103.

3 O'Haire ME. Animal-assisted intervention for autism spectrum disorder: a systematic literature review. J Autism Dev Disord. 2013;43(7):1606-1622

4 Gabriels RL, Pan Z, Dechant B., Agnew JA, Brim N., Mesibov G. Randomized controlled rial of therapeutic horseback riding in children and adolescents with autism spectrum disorder. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry 2015; 54(7):541–549.

5 Byström K, Grahn P, Hägerhäll C. Vitality from experiences in nature and contact with animals-A way to develop joint attention and social engagement in children with autism?. Int J Environ Res Public Health 2019;16(23):4673.

6 Hill J., Ziviani J., Driscoll C. et al. Can canine-assisted interventions affect the social behaviours of children on the autism spectrum? A systematic review. Rev J Autism Dev Disord 2019; 6:13–25

7 Mandrá PP, Moretti TCF, Avezum LA, Kuroishi RCS. Terapia assistida por animais: revisão sistemática da literatura. CoDAS 2019; 31(3)


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1737
A TERRITORIALIZAÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL E A CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA EM TEMPOS DE PANDEMIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A inserção da Fonoaudiologia na Saúde Pública tem suas raízes calcadas na reabilitação dos distúrbios da comunicação da infância. Após a inserção do núcleo fonoaudiológico no campo da Saúde Mental Infanto Juvenil, os profissionais fonoaudiólogos passam por uma transformação em seus modos de atuação, ampliando suas ações para além da reabilitação. Apesar de os fonoaudiólogos que atuam no campo da Saúde Mental realizarem ações compartilhadas com os profissionais das demais disciplinas, tais ações não fazem parte da história dessa profissão e a formação ainda não contempla tal prática. Nesse sentido, a atuação do profissional fonoaudiólogo também é pouco discutida em ações territoriais multiprofissionais, e frente ao contexto imposto de pandemia por COVID-19 tal temática torna-se essencial. OBJETIVO: Discutir e explicitar, em tempos de pandemia, as vivências e os desafios da atuação do profissional fonoaudiólogo no cuidado psicossocial voltado à criança e adolescente através de ações no território. MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa descritiva que partiu de relatos de experiência coletados no período entre março e julho de 2020 de 6 profissionais fonoaudiólogos que atuam ou já atuaram junto à Centros de Atenção Psicossocial Infanto Juvenis (CAPS IJ). RESULTADOS: Já se preconizava, dentro da atenção psicossocial, o cuidado em território a partir da compreensão de que os equipamentos de saúde isolados não são suficientes para garantir resolutividade, promoção da autonomia e da cidadania das crianças e dos adolescentes com questões de saúde mental. A partir da imposição da pandemia por COVID-19 tornou-se necessário reorganizar o funcionamento dos CAPS IJ, os processos de trabalho e os fluxos de atendimento em função das necessidades das crianças e dos adolescentes e das novas possibilidades da equipe. Dessa forma, a realização de Visitas Domiciliares (VD) e ações no território se tornou intensa e ganhou protagonismo no cuidado à essa população. O fonoaudiólogo, junto aos demais profissionais da equipe multidisciplinar que compõe um CAPS IJ, vêm participando de tais ações de forma a manter sua responsabilidade sanitária com crítica, ética e afeto no modo de cuidar. Tal estratégia possibilita a manutenção da presença e preservação dos laços afetivos e possibilita a construção de um novo tipo de setting terapêutico. Ainda, a visita dos profissionais na residência dos usuários atendidos possibilita um diagnóstico situacional do cotidiano daqueles indivíduos e familiares, mesmo que as visitas sejam realizadas na área externa da casa a fim de manter o distanciamento preconizado. Não podemos negar que há um processo de mudança de eixo no tratamento à distância em tempos de pandemia tendo em vista que o eixo terapêutico passa a ser integralmente o âmbito familiar. A teorização sobre esse processo ainda não contempla a prática, que vem sendo construída pelos profissionais inseridos nesse contexto. CONCLUSÃO: Faz-se essencial em tempos de pandemia ações que garantam a interdisciplinaridade, o cuidado em território e a integralidade. É preciso, portanto, buscar a integridade da clínica fonoaudiológica juntamente aos profissionais das equipes multiprofissionais dos CAPS IJ em ações no território a fim de promover a ampliação do cuidado em saúde mental para cada sujeito assistido.

ARCE, V. A. R. Fonoaudiologia e Saúde Mental: reorientando o trabalho na perspectiva da atenção psicossocial. Revista CEFAC, 2014; 16(3): 1004-1012.

BRASIL. Rede de Atenção Psicossocial. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017.

MIRANDA, G. M. D.; MENDES, A. C. G.; SILVA, A. L. A.; RODRIGUES, M. Assistência fonoaudiológica no SUS: a ampliação do acesso e o desafio de superação das desigualdades. Revista CEFAC, 2015.

NUNES, C. K.; SILVA, A. B.; KANTORSKI, L. P.; COIMBRA, V. C. C.; OLSCHOWSKY, A. Cuidado intersetorial em saúde mental na infância e adolescência: para além da instituição saúde. Rev Fun Care Online. 2020 Jan/Dez; 12:233-238. DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v12.8277.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1780
A TIMIDEZ INFLUENCIA NA AUTOPERCEPÇÃO DE SINTOMAS VOCAIS, DO FALAR EM PÚBLICO E DAS CARACTERÍSTICAS VOCAIS NA COMUNICAÇÃO DIÁRIA?
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A timidez é uma emoção que está fortemente ligada ao medo frente ao outro, causando desconforto e/ou inibição em situações interpessoais1. A timidez pode ser um traço de personalidade, que é o aspecto principal na autodefinição de alguém, ou pode ser situacional, envolvendo situações específicas de desempenho social1. Pessoas tímidas algumas vezes acreditam não possuir as habilidades de comunicação necessárias para atrair e manter a atenção do ouvinte, por isso, agem com a convicção de que o silêncio e a falta de expressividade possam chamar menos atenção e gerar menos crítica dos interlocutores. Ainda não é clara na literatura a relação da timidez com a sintomatologia vocal, autoavaliação da comunicação e do falar em público, fazendo-se necessário mais estudos para esclarecer esses aspectos. OBJETIVO: Investigar se a timidez influencia na autoavaliação dos aspectos da comunicação, do falar em público e dos sintomas vocais. MÉTODOS: Estudo observacional, analítico e transversal. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer nº 3.282.389/2019. Participaram 264 indivíduos, com média de idade de 21 anos, sem histórico de diagnóstico de alterações laríngeas e (ou) vocais e (ou) outras doenças que pudessem influenciar nas características vocais. Os desfechos analisados foram: Escala de Timidez Revisada de Cheek e Buss2; Escala de Sintomas Vocais (ESV)3; Escala para Autoavaliação ao Falar em Público (SSPS)4; e, autoavaliação da comunicação no dia-a-dia. Os dados foram analisados de forma descritiva e inferencial (Teste de Mann-Whitney e Teste de Correlação de Spearmann). RESULTADOS: 68,56% (n=181) dos participantes foram considerados tímidos. Tímidos apresentaram escores maiores de sintomatologia vocal nos domínios limitação (p<0,001), emocional (p=0,001) e total (p<0,001); maior pontuação nos aspectos negativos (p<0,001) e menor nos aspectos positivos (p=0,019) do falar em público; autopercepção de loudness mais fraca (p=0,008) e de pitch mais agudo (p=0,036) na comunicação diária do que não-tímidos. Houve correlações estatisticamente significantes entre e positivas dos escores de timidez com nos domínios limitação (p<0,001), emocional (p<0,001), físico (p=0,010) e total (p<0,001), aspectos negativos de falar em público (p<0,001), e autopercepção de pitch na comunicação diária (p=0,003); além de correlação negativa com aspectos positivos (p<0,001) e loudness na comunicação diária (p=0,008). CONCLUSÃO: há grande ocorrência de timidez e de sintomas vocais e dificuldade de falar em público na população estudada. Indivíduos tímidos têm maior autoavaliação de aspectos negativos e menor de aspectos positivos do falar em público, maior sintomatologia vocal, autopercepção de loudness mais fraca e de pitch mais agudo na comunicação diária, quando comparados aos não-tímidos. Quanto maior a percepção de timidez, maior a autoavaliação de aspectos negativos do falar público, da autoavaliação da comunicação diária e da sintomatologia vocal.

1. Henderson L, Zimbardo P. Shyness. Encyclopedia of Mental Health. San Diego: Academic Pres CA; 1998.
2. Cheek JM, Buss AH. Shyness and sociability. J Pers Soc Psychol. 1981;41(2):330-339. doi:10.1037/0022-3514.41.2.330
3. Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Cross-Cultural Adaptation, Validation, and Cutoff Values of the Brazilian Version of the Voice Symptom Scale—VoiSS. J Voice. 2014;28(4):458-468. doi:10.1016/j.jvoice.2013.11.009
4. Osório FDL, Crippa JAS, Loureiro SR. Self Statements during Public Speaking Scale (SSPS): cross-cultural adaptation for Brazilian Portuguese and internal consistency. Arch Clin Psychiatry (São Paulo). 2008;35(6):207-211. doi:10.1590/S0101-60832008000600001



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1779
A TRÍADE: FAMÍLIA, CLÍNICA E ESCOLA NA ABORDAGEM BILÍNGUE PARA SURDOS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Resumo: O trabalho com a família na clínica fonoaudiológica tem ganhando cada vez mais atenção, considerando a importância das interações para o uso social da linguagem. As dificuldades dialógicas entre pais ouvintes e filhos surdos intensificam a necessidade de um olhar diferenciado da Fonoaudiologia¹, numa atuação que se torna imprescindível e que precisa ressignificar e transcender o espaço da clínica para sua atuação, pois além do atendimento “propriamente dito” com a criança, exige também entender e intervir nas demandas de ordem linguística de sua família², bem como interpor um constante diálogo para identificação dos benefícios da terapia bilíngue para e com a família, em consonância, também, com a escola, com vistas à consolidação de uma educação bilíngue, colaborando com fortalecimento de sua identidade linguística como garantia de um direito da pessoa surda³ e, por consequência, sua inclusão social. Objetivo: Discutir a prática fonoaudiológica relacionada à família e a forma como essas práticas reverberam na ressignificação do olhar da mesma em relação aos aspectos clínicos e educacionais da criança surda. Método: Trata-se de um estudo de caso de uma criança surda de 12 anos, tomado como posto de observação as narrativas da mãe. Os dados compõem-se de sessões realizadas semanalmente com a mãe, analisados a partir de uma perspectiva discursiva. Resultados: A mãe, numa tentativa de superproteger a criança e sem domínio consistente da língua de sinais para mediar, mantinha práticas comuns à primeira infância como: uso de chupeta, mamadeira, realização das atividades de vida diária pela criança (cuidados de higiene e alimentação), bem como descrédito na sua escolarização e permissividade excessiva para o uso de telas digitais. Assim, o papel da família de possibilitar o desenvolvimento da autonomia e independência da criança, bem como a importância da escola e da língua de sinais foram os pontos centrais dos encontros semanais. A mãe foi ressignificando o seu papel nas relações da criança com a escola, com a clínica e com a própria família. Nesse caso, ressalta-se a importância do fazer fonoaudiológico na mediação da tríade: família, escola e clínica para o desenvolvimento do sujeito como um todo³, respeitando, sobretudo, os limites éticos da profissão e os papéis que cada espaço social e sujeitos outros realizam na vida da pessoa surda. Conclusão: O trabalho com questões de ordem linguística com a criança surda não se limita ao espaço clínico, mas, sobretudo, na ação transcendente com os sujeitos que a criança estabelece suas interações dialógicas mais significativas: família e escola. Assim, atuando na ampliação de ações para o alcance dessas rotinas, o fonoaudiólogo pode promover práticas para o uso da linguagem, que agregam para o sujeito habilidades que modificam os aspectos cognitivos e sociais e, por consequência, sua qualidade de vida. Dessa forma, assume um papel de mediador, modificando comportamentos linguísticos cristalizadas em práticas de super/des/proteção promotoras de isolamento social e educacional da criança surda, para interações linguísticas promotoras de desenvolvimento.



1. Nascimento MV, Moura MC. Habilitação, reabilitação e inclusão: o que os sujeitos surdos pensam do trabalho fonoaudiológico?. Revista de ciências humanas [Internet]. 2018 [acesso em 10 jun 2020] 52(1):1-19. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/21784582.2018.e49807/40082

2. Nascimento GB. Intervenção fonoaudiológica com familiares de crianças surdas [Dissertação na internet]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2015 [acesso em 2020 Jul 10]. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/17542

3. Brasil. Lei nº 10.436, de 24 de Abril de 2002. Dispõe sobre a Lingua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências [Internet]. Diário oficial da união. 25 de set de 2002 [acesso em 2020 Jul 10]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm


TRABALHOS CIENTÍFICOS
476
A USABILIDADE CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA DOS SOFTWARES NA IDENTIFICAÇÃO FACIAL FORENSE POR FONOAUDIÓLOGOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)
84450000


Introdução:
A identificação facial forense, ao decorrer do tempo, no Brasil e em outros países inovou-se e aperfeiçoou-se tecnologicamente, viabilizando a flexibilidade conclusiva do laudo e do parecer técnico dos peritos e assistentes técnicos. Os recursos tecnológicos que permitem efetivar as análises e as mensurações orofaciais fundamentam-se nos softwares antropométricos, estes são sistemas automáticos constituídos por algoritmos de processamento numérico, destinando-se para o tratamento de imagens, análise, sobreposição, mensurações, redimensionamentos e outras particularidades necessárias a cada caso estabelecido. Em sua execução, a respectiva identificação ocorre de modo individual ou multidisciplinar dependendo do caso e da demanda de conhecimentos específicos solicitados, consequentemente, a Resolução do Conselho Federal de Fonoaudiologia CFFa nº 214/1998 possibilitou a atuação do Fonoaudiólogo no contexto judicial e extrajudicial, válido para suas diferentes metodologias atuacionais, entre estas destaca-se a Motricidade Orofacial, segundo a Resolução CFFa nº 320/2006, esta especialidade corresponde às pesquisas e estudos, prevenção e todo o processo clínico de tratamento estrutural e funcional das regiões orofaciais e cervicais, como resultado, suas práticas específicas desempenhadas em prol da identificação facial do suspeito são precisas devido aos seus conhecimentos práticos, técnicos e científicos.1,2,3
Objetivo:
Descrever os softwares antropométricos utilizados por Fonoaudiólogos no âmbito das identificações faciais forenses.
Método:
O projeto desta pesquisa nº 3.974.805 legalizado por intermédio do Comitê de Ética em Pesquisas, corresponde ao resultado parcial do Trabalho de Conclusão de Curso. Inicialmente foram retratados os objetivos e os procedimentos adotados, para as possíveis manifestações participativas, posteriormente todos os participantes assinaram termo de consentimento. Os dados e o questionário foram enviados e coletados através do e-mail e da ferramenta Google Forms, visto que os participantes situavam-se em diferentes Estados.
Foram selecionados 12 Fonoaudiólogos, todavia, um participante foi eliminado da amostra por não corresponder ao segundo critério de inclusão da pesquisa, deste modo, a composição de integrantes correspondeu a 11 especialistas forenses. Os requisitos de elegibilidade para a composição da amostra baseavam-se em:
I. Ter a atuação de no mínimo um ano como perito e/ou assistente técnico no âmbito policial ou judicial;
II. Utilizar o método Foto-antropométrico (comparação/verificação das medidas orofaciais).
Resultados:
Deve-se destacar que os softwares antropométricos mencionados percentualmente a seguir referem-se da reiteração e quantidade proporcionada por cada integrante da amostra.
Softwares Porcentagem
Gimp 25,00%
Adobe Photoshop 21,43%
Sapo 14,29%
Imagej 10,71%
Adobe Creative Suíte 3,57%
Forevid 3,57%
Amped 3,57%
Lince 3,57%
Peritus 3,57%
CorelDRAW 3,57%
FaceGem 3,57%
Radiocef Studio 2 3,57%
Ressalta-se que estes sistemas operacionais devem ser utilizados de forma complementar, devido às limitações apresentadas, nas resoluções das identificações faciais por especialistas. Sintetizando, foi possível verificar que não há um consenso nos sistemas indicados.4
Conclusões:
Com base na análise do questionário, contemplaram-se as preferências do perfil de cada profissional e a relação dos softwares mais utilizados, com efeito, cabe aos especialistas interessados neste âmbito forense verificar os recursos operacionais com as peculiaridades de sua preferência. Sugere-se, ainda, a realização de estudos voltados a experimentos práticos e a comparação das especificidades dos softwares antropométricos.

1 DE AZEVEDO JF, RESENDE RV. Prosopografia: estudo comparativo das medidas antropométricas de imagem padrão e questionada em sujeitos conhecidos. Rev CEFAC. 2014, 16(1): 202-213.
2 FERNANDES JR. Imagens fotográficas forenses. In: FERNANDES, Joel Ribeiro. Perícias em Áudios e Imagens Forenses. São Paulo: Millennium, 2013. P. 141-160.
3 GUIMARÃES RM. Desenvolvimento de um protótipo de software de reconhecimento facial de tempo real para registro eletrônico de ponto em ambientes indoor com utilização do dispositivo kinect [mestrado]. Belo Horizonte: Universidade Fundação Mineira de Educação e Cultura - FUMEC; 2016.
4 REHDER MI, CAZUMBÁ LF, CAZUMBÁ M. Prosopografia: identificação facial. In: DE AZEVEDO JF. Identificação de falantes: uma introdução à fonoaudiologia forense. Rio de Janeiro: Revinter, 2015. P. 225-240.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1816
A UTILIZAÇÃO DE LIBRAS NO AMBIENTE ESCOLAR PARA CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO SURDAS
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: Os déficits relacionados ao Transtorno do espectro do autismo (TEA) e ausência da audição faz com que a situação dessas crianças na escola por vezes se agrave, tornando-a cada vez mais isolada e restrita à um ambiente precário e de segregação, o que ressalta a importância dos professores escolherem ações educativas que requererem conhecimentos específicos e que visem o avanço de suas habilidades. Frente a um cenário brasileiro no qual há escassez de evidências científicas das ações educativas junto a alunos com TEA surdos, é importante verificar quais estratégias de comunicação têm sido utilizadas no ambiente escolar. Objetivo: verificar em um grupo de professores a possibilidade do uso da Libras (Língua Brasileira de Sinais) como estratégia comunicativa de alunos com TEA surdos, bem como identificar suas opiniões sobre qual escola seria mais adequada para o desenvolvimento de suas habilidades. Método: aplicação de um questionário tipo survey exploratório de abordagem quanti-qualitativa acessado na via plataforma digital, após aprovação ética do estudo pela instituição sede da pesquisa. Houve a participação de 38 professores que atuam nas Emebs - Escolas Municipais de Educação Bilíngue para surdos e em escolas regulares polos de atendimento inclusivos e bilíngues para surdos. Foram conduzidas análises descritivas de percentual. Resultados: Os resultados revelaram que a LIBRAS têm sido utilizada como estratégia na comunicação desses alunos em sala de aula (86.8%) e que esses professores combinam diferentes tipos de métodos de comunicação, como por exemplo, a utilização da LIBRAS com o Sistema de comunicação por troca de figuras (Pecs), (55,3%), Gestos (39,5%), Fala Sinalizada (36,8%) e escrita (26,3%). Metade da amostra (50%) considera que os alunos apresentam uma evolução demorada na aquisição dos sinais, mas que a língua é um instrumento eficaz na comunicação (92,1%). Dos 38 professores (47,4%) concordaram que esses alunos se desenvolveriam melhor em escolas de surdos, mas em sala separada, (28,9%) afirmaram que deveriam estudar em sala de aula conjunta com os surdos, no entanto, para (23,7%) esses alunos deveriam ser incluídos em escolas regulares. Conclusão: O estudo possibilitou a partir da opinião dos professores, evidenciar a LIBRAS como uma alternativa de comunicação que pode fazer parte das adaptações curriculares para alunos com TEA surdos.

BRASIL. Decreto 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais-Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 dez. 2005.
CAMARGO, S. P. H.; BOSA, C. A. Competência social, inclusão escolar e autismo: um estudo de caso comparativo.Psicologia: Teoria e Pesquisa, v.28, n.3, p.315-324, 2012.
FARIA, K. T.; TEIXEIRA, M. C. T. V.; CARREIRO, L. R. R.; AMOROSO, V.; PAULA, C. S. Atitudes e práticas pedagógicas de inclusão para o aluno com autismo. Revista Educação Especial | v. 31 | n. 61 | p. 353-370 | abri./jun. Santa Maria, 2018.
FERREIRA, C.; BEVILACQUA, M.; ISHIHARA, M.; FIORI, A.; ARMONIA, A.; PERISSINOTO, J.; TAMANAHA, A. C. Selection of words for implementation of the Picture Exchange Communication System – PECS in non-verbal autistic children. CoDAS;29(1):e20150285 DOI: 10.1590/2317-1782/20172015285, 2017.
LIMA, S. M.; LAPLANE, A. L. F. de. Escolarização de Alunos com Autismo. Revista Educação Especial, v.22, n.2, p.269-284, 2016.
LOPES, R. A; RIBEIRO, A. F.; CELETI, F. R.; ABISSAMRA, R. G. C. ANÁLISE DO PERFIL PROFISSIONAL DE (TILS) TRADUTORES-INTÉRPRETES DE LIBRAS ATUANTES NO ENSINO SUPERIOR. Trilhas Pedagógicas, v. 9, n. 10, Ago. 2019, p. 355-365.
LOPES, R. A; RIBEIRO, O. R.; AMATO, C. A. H. VESTÍGIOS DA AQUISIÇÃO DA LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) POR GRADUANDOS DE PEDAGOGIA. Trilhas Pedagógicas, v. 7, n. 7, Ago. 2017, p. 145-154
LOPES, R.A., MOURA, M. C.; MASINI, E. A. F. S.; TEIXEIRA, M. C. T. V.; RIBEIRO, M. O. O ENSINO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) EM CURSOS DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA: UMA POSSIBILIDADE REAL? Trilhas Pedagógicas, v. 6, n. 6, Ago. 2016, p. 212-228




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1401
A VIABILIDADE DA AMAMENTAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA POR COVID-19
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: a Organização Mundial Saúde, endossada pelo Ministério de Saúde do Brasil, recomenda o aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses de vida do bebê (BRASIL, 2015). Nesse quesito, era inquestionável os benefícios da amamentação e promoção do aleitamento materno, mas no momento da pandemia pelo COVID-19 muitas incertezas foram evidenciadas em relação a continuação ou não do aleitamento materno. Objetivo: investigar a viabilidade do aleitamento materno para os RNs (recém-nascidos) em puérperas (mães) diagnosticadas com COVID-19. Método: foi definido como população alvo, puérperas diagnosticadas com COVID-19 para coleta de amostras de leite materno, sendo excluídos artigos com outras doenças associadas ou que não tratassem do aleitamento materno como forma de transmissão do vírus. A pergunta norteadora trata-se sobre a viabilidade do aleitamento materno de mães diagnósticas com COVID-19. Para a revisão integrativa, a estratégia de busca foi elaborada de acordo com o objetivo da pesquisa nas bases de dados Medline, Pubmed, Science of direct e Web of Science, e a escolha dos descritores foram feitas através do MESH: ((Feeding, Breast) OR BreastFeeding) AND COVID-19. A escolha dos artigos foram realizadas por dois investigadores que participaram do processo de seleção e em caso de discordância um terceiro pesquisador foi recrutado para decisão de inclusão ou exclusão dos estudos. Foram feitas pesquisas adicionais através de buscas manuais, leitura das referências bibliográficas dos artigos incluídos e consulta a um especialista da área. Extraiu-se dos artigos as seguintes informações: autores, ano de publicação, país, título do estudo, amostra, critérios de inclusão, critérios de exclusão, via de oferta do leite materno, presença de transmissão vertical, tipo de testagem e quantos dias foram testados após a confirmação do vírus. Resultados: depois de realizadas as estratégias de busca nos quatro bancos de dados, localizou-se 135 artigos, mas nem todos foram selecionados
para a revisão integrativa, totalizando 13. Nos estudos selecionados, em populações de puérperas em aleitamento materno, até o presente momento, não foram apresentados dados conclusivos para a transmissão vertical pela amamentação, sendo a maioria dos casos relatados por neonatos com COVID-19 mediante a transmissão horizontal de uma mãe infectada ou por profissionais de saúde. Diante dos benefícios que o aleitamento materno oferece a saúde do recém-nascido, associado a incertezas sobre a transmissão do vírus, ainda é recomendado que a amamentação seja mantida. Todos os artigos relatados descreveram apenas a importância do aleitamento materno, mas não foram verificados a via de oferta, como por exemplo mamadeira, copo, ou mesmo o contato direto do seio materno. Conclusão: não se pode definir, por meio dos artigos encontrados, a viabilidade do aleitamento materno para os RNs em puérperas (mães) diagnosticadas com COVID-19, mas de acordo com a Organização Mundial de Saúde, esse ato ainda deve ser mantido, devido as vantagens que o aleitamento materno traz para os recém-nascidos.

1- Chen H, Guo J, Wang C, et al. Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Lancet 2020; 395: 809–15.

2- Center for Disease Control and Prevention (CDC). Interim Considerations for Infection Prevention and Control of Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) in Inpatient Obstetric Healthcare Settings. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/inpatient-obstetric healthcareguidance.html. Acesso em 26 de maio de 2020.

3- Lang, G., Zhao, H. As mulheres infectadas com SARS-CoV-2 podem amamentar após a depuração viral ?. J. Zhejiang Univ. Sci. B 21, 405-407 (2020). https://doi.org/10.1631/jzus.B2000095

4- Piersigilli F; Carkeek K; Hocq C; Grambezen B;V, Hubinont C; Chatzis O; Linden D;V, Danhaive O;. Lancet Child Adolesc Health 2020; Published Online;May 7, 2020;Department of Neonatology;Department of Obstetrics;Pediatric Infectious Diseases;University Hospital, Catholic;University of Louvain, Brussels( COVID-19 in a 26-week preterm neonate)

5- Procianoy S R; Silveira R;C; Manzoni P; Sant’Anna G;(Neonatal COVID-19: little evidence and the need for more information; COVID-19 neonatal: poucas evidências e necessidade de mais informacões); Jornal de Pediatria 2020.

6- Furlow B; (Features US NICUs and donor milk banks brace for COVID-19); Vol 4 2020 May

7- Davanzo R; (Breast Feeding at the Time of COVID-19: Do Not Forget Expressed Mother's Milk, Please);Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2020 Apr 6

8- Brasil – Ministério da Saúde [homepage on the Internet]. Orientações direcionadas ao Centro de Operações de Emergências para o Coronavírus (COE Covid-19) a serem adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a amamentação em eventuais contextos de transmissão de síndromes gripais. Nota Técnica Nº 7/2020-DAPES/SAPS/MS. Acessada em 27/05/2020. Disponivel em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/SEIMS_0014033399_Nota_Tecnica.pdf

9- MINISTÉRIO DA SAÚDE FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ REDE BRASILEIRA DE BANCOS DE LEITE HUMANO RECOMENDAÇÃO TÉCNICA No.01/20.170320 ASSUNTO: Covid-19 e Amamentação. BRASIL, abr 2020

10- Davanzo R; Moro G; Sandri F; Agosti M; Moretti C; Mosca F;(Breastfeeding and Coronavirus disease-2019: Ad Interim Indications of the Italian Society of Neonatology Endorsed by the Union of European Neonatal & Perinatal Societies); 2020 Apr


TRABALHOS CIENTÍFICOS
432
A VOZ DO ATOR PROFISSIONAL – RISCO DE DISFONIA E SITUAÇÃO OCUPACIONAL
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Atores e atrizes de teatro são profissionais da voz com demandas específicas, pois usam sua voz falada e cantada para a arte e atuam em diferentes cenários, além de muitas vezes terem outra ocupação. A falta de cuidados vocais como parte da rotina de sua profissão também merece investigação [1-3]. Entender como a rotina de saúde geral, bem como de formação artística e vida profissional interferem nos possíveis usos e desempenho vocal desses artistas deve ser averiguado e aprofundado [4, 5].
OBJETIVO: Mensurar o risco de disfonia referente às condições artísticas e ocupacionais, para junto a atores e atrizes sem queixa vocal.
MÉTODOS: Tratou-se de estudo transversal observacional. Participaram 39 atores, sendo 20 homens e 19 mulheres. A média de idade foi de 35,1 anos (entre 25 e 53 anos) para atores e 31,5 anos (entre 23 e 40 anos) para atrizes. Atores e atrizes tinham, em média, respectivamente, 8,8 anos e 7,2 anos de experiência profissional. Todos preencheram dois instrumentos: (1) Protocolo de Rastreio de Risco de Disfonia – Geral (PRRD-G), composto por 18 questões sobre a situação de saúde geral e vocal do indivíduo, e ponto de corte para risco de disfonia estabelecido para ambos os sexos(6). (2) Protocolo de Rastreio de Risco de Disfonia – Atores, composto por 24 questões sobre a condição ocupacional do ator ou da atriz, bem como sobre sua formação profissional e demandas artísticas no momento. Foram mensurados o risco de disfonia geral, específico e total (soma do PRRD-G e PRRD-A) para cada indivíduo. Comparações acerca do risco de disfonia foram feitas entre os sexos.
RESULTADOS: Os atores e atrizes desse estudo apresentaram alto risco geral e específico para o desenvolvimento de disfonia, independentemente de sexo, queixa e alteração vocal. Quanto às questões profissionais, foi observada escassa rotina de cuidado e higiene vocal, bem como o relato de que muitos deles têm outras profissões com uso vocal, aumentando ainda mais sua demanda vocal.
CONCLUSÃO: Atores e atrizes sem queixas vocais mostraram compor grupos semelhantes em relação ao alto risco para desenvolver disfonia, independentemente da presença de alteração vocal. Hábitos de cuidados, preservação e promoção da saúde vocal são escassos nessa população e devem ser estimulados, sendo esse um grande campo para a atuação fonoaudiológica. Além disso, a continuidade do estudo deve investigar quais desses fatores de risco são os mais presentes e relevantes no desenvolvimento de disfonia nesta população.

1. Roy N, Ryker KS, Bless DM. Vocal violence in actors: An investigation into its acoustic consequences and the effects of hygienic laryngeal release training. Journal of Voice. 2000;14(2):215-30.

2. Ferrone C, Leung G, Ramig LO. Fragments of a Greek trilogy: Impact on phonation. Journal of Voice. 2004;18(4):488-99.

3. Rangarathnam B, Paramby T, McCullough GH. "Prologues to a Bad Voice": Effect of Vocal Hygiene Knowledge and Training on Voice Quality Following Stage Performance. Journal of Voice. 2018;32(3):300-6.

4. Lerner MZ, Paskhover B, Acton L, Young N. Voice Disorders in Actors. Journal of Voice. 2013;27(6):705-8.

5. Phyland D, Miles A. Occupational voice is a work in progress: active risk management, habilitation and rehabilitation. Current Opinion in Otolaryngology & Head and Neck Surgery. 2019;27(6):439-47.

6. Nemr K, Simoes-Zenari M, Duarte JMD, Lobrigate KE, Bagatini FA. Dysphonia risk screening protocol. Clinics. 2016;71(3):114-27.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
464
A VOZ DOS DISCENTES EM COMUNICAÇÃO SOCIAL: AUTOPERCEPÇÃO, QUEIXAS VOCAIS E PERFORMANCE COMUNICATIVA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Comunicar-se bem é uma necessidade dos futuros profissionais da Comunicação Social, logo, queixas vocais podem interferir de forma negativa em práticas comunicativas que têm como requisito básico a expressividade vocal na transmissão da mensagem verbal1. Sabe-se que a queixa é determinante para adesão a qualquer processo terapêutico e a autopercepção tem se tornado um instrumento de avaliação muito utilizado tanto na clínica como na pesquisa na área da saúde2,3. Objetivo: Investigar a relação entre autopercepção vocal, queixas vocais e performance comunicativa em estudantes de Comunicação Social. Método: O projeto foi aprovado conforme CAAE: 01687218.5.0000.5208. A primeira etapa da coleta foi realizada com 40 estudantes de Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Cinema e Rádio, TV e Internet) dos quais apenas 11 tiveram disponibilidade para realizar a segunda parte da pesquisa. Na fase inicial da coleta, os alunos responderam questionários sobre autopercepção da qualidade vocal e queixa de voz. Posteriormente, foram convidados a participar da etapa final com os registros de gravações feitas em um Laboratório de Voz. Para realizar as gravações das vozes foram utilizados os softwares de análise acústica Voxmetria e Fonoview. Resultados: Participaram 40 estudantes de Comunicação Social dos cursos de Cinema (20%), Jornalismo (40%), Publicidade (7,5%) e Rádio, TV e Internet (32,5%). Em relação ao gênero, 25 são do sexo feminino (62,5%) e 15 do sexo masculino (37,5%), com idades entre 18 e 24 anos, com média de 20,16 anos. Consideraram a autopercepção vocal boa 13 (68,5%), relataram queixa vocal 19 (47,5%). As queixas mais citadas foram falha na voz 7 (17,5%) e rouquidão 3 (7,5%). Os dados acústicos indicaram vozes sem desvios em relação à fonte glótica. Além disso, apenas 2 dos estudantes que participaram da segunda etapa da coleta evidenciaram desvantagem vocal com pior escore de 19 (47%). Na performance da leitura do texto, a maioria atribuiu o bom desempenho devido à expressividade (45,45%). Conclusão: Estudantes de Comunicação Social embora refiram autopercepção da qualidade vocal como boa, também apresentam queixas vocais, como falha na voz e rouquidão. Os parâmetros acústicos investigados indicam que as vozes dos participantes da pesquisa não apresentam desvios relativos à fonte glótica. Na leitura de texto consideram a performance comunicativa boa e afirmam que o desempenho está relacionado à expressividade empregada no exercício da leitura oral. No entanto, o trabalho fonoaudiológico durante a formação poderá aperfeiçoar a comunicação e evitar problemas vocais.


1. Santos AALD, Pereira EC, Marcolino J, Dassiê-Leite AP. Autopercepção e Qualidade vocal de estudantes de jornalismo. Revista CEFAC. 2014;16(4):566–72.

2. Behlau M. Voz: O livro do especialista - Volume 2. 2005. 576 p.

3. Nemr K, Amar A, Abrahã̈o M, Leite GC de A, Köhle J, Santos ADO, et al. Análise comparativa entre avaliação fonoaudiológica perceptivo-auditiva, análise acústica e laringoscopias indiretas para avaliação vocal em população com queixa vocal. Rev Bras Otorrinolaringol. 2005;71(1):13–7.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1989
ABORDAGEM MULTISSENSORIAL PARA A APRAXIA DE FALA INFANTIL: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A apraxia de fala infantil (AFI) é uma desordem neurológica que afeta os sons da fala, onde a precisão e a consistência estão alteradas, na ausência de déficits neuromusculares¹. Os erros nas crianças com AFI são na transcodificação dos sons (entre o planejamento e programação motora) e não na representação fonológica dos mesmos². Existem três principais abordagens para o tratamento da AFI: 1) Abordagens motoras (que são baseadas nos princípios da aprendizagem motora); 2) abordagens linguísticas (baseadas na representação fonológica) e abordagens multimodais (onde são inseridos outros recursos de comunicação para a criança). Ainda não existem estudos no Brasil mostrando a diferenciação de modelos terapêuticos para a AFI.

Objetivo: Apresentar os resultados (recorte terapêutico) de uma criança com AFI tratada por um modelo hibrído de terapia (abordagem motora associado à multimodal) – atravez do método MultiGestos®³.

Metodologia: Menino de 5:6, neurotípico, com diagnóstico prévio de AFI. Antes da terapia apresentava presente no sistema fonológico os sons /p/, /b/, /m/ e /m/. Em instrumento dinâmico para avaliação das habilidades motoras de fala, apresentou trocas inconsistentes, especialmente em palavras com diferentes pontos articulatórios, e maiores (aumento do número de erros conforme a extensão da palavra), alteração em prosódia e em vogais. Ainda, sua fala apresentou coarticulação interrompida.
Após a primeira avaliação traçou-se plano terapêutico, com utilização do método MultiGestos®³, com frequência de duas sessões semanais. A ideia era que na sessão fosse trabalhada a hierarquia motora da fala (produção dos sons menos complexos aos mais complexos) seguindo a ordem de aquisição fonológica.

Resultados: O trabalho foi realizado sempre utilizando a percepção e produção dos sons da fala, por meio de prática massiva (cada alvo era treinado no mínimo cinco vezes). Foram escolhidas entre cinco e dez palavras (com o som-alvo a ser trabalhado, e após 45 sessões de terapia, o menino foi reavaliado. A apresentou presente no sistema fonológico todas as plosivas e as fricativas anteriores (/f/ e /v/). Apresentou parcialmente adquiridos as demais fricativas e as líquidas /l/ e /R/. As líquidas /lh/ e /r/ encontraram-se parcialmente adquiridas. As trocas do menino continuavam inconsistentes em polissílabos, porém apresentou melhora na consistência em monossílabos, dissílabos (com mesma consoante e com consoante difente). Ainda, a prosódia teve melhora significativa, especialmente na realização do acento lexical. Com a evolução do sistema fonológico e da programação motora de fala da criança, apresentou aquisições em vocabulário, melhora em linguagem escrita e também na socialização. A coarticulação também apresentou evolução.

Conclusões: Abordagens hibrídas podem ser de grande valia para crianças com AFI, uma vez que trabalham além da produção motora dos sons, mas podem auxiliar nas diferentes falhas do planejamento/ programação motora da fala. O método MultiGestos®³ mostrou-se eficiente nesse caso, necessitando de mais estudos, com grupos maiores e ainda diferentes patologias de fala para confirmação da comprovação.

1. American Speech-Language-Hearing Association. Childhood Apraxia Of Speech. 2007. Disponível em: www.asha.org/policy.

2. Shriberg LD., Strand EA, Fourakis, M, Jakielski, KJ., Hall, SD, Karlsson, HB., . . . Wilson, DL. 2017. A diagnostic marker to discriminate childhood apraxia of speech from speech delay: III. Theoretical coherence of the pause marker with speech processing deficits in childhood apraxia of speech. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 60(4), S1135–S1152. https://doi.org/10.1044/2016_JSLHR-S-15-0298

3. Azevedo CC, Silva LMP. Curso Educação à distância (EaD) MultiGestos. 2020. TechKnowledge Cursos e treinamentos EaD.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
982
ABORDAGENS EM LINGUAGEM ADOTADAS POR FONOAUDIÓLOGOS NO SISTEMA PÚBLICO DE DOIS MUNCÍPIOS DO INTERIOR DE SÃO PAULO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Em qualquer que seja seu nível de inserção na atenção à saúde o fonoaudiólogo lidará com questões que se relacionam direta ou indiretamente com a linguagem e não apenas com a comunicação. Nosso interesse pelo tema está relacionado ao fato de que as alterações de fala e linguagem constituem a maior demanda fonoaudiológica no SUS e que as investigações em linguagem, principalmente no que concerne à sua aquisição, patologias e terapia, não foram exauridas. Em função das diferentes correntes teóricas que permeiam a Fonoaudiologia, questionamo-nos sobre o que faz o fonoaudiólogo clínico diante das diferentes possibilidades do trabalho com a linguagem e com o sujeito. Objetivo: Por essa razão, este trabalho tem como objetivo investigar, entre os fonoaudiólogos que atuam no setor público da saúde de dois municípios do interior de São Paulo, qual é a abordagem teórica em linguagem com que se identificam e adotam suas práticas. Metodologia: A pesquisa é descritiva, de caráter quanti e qualitativo. Foi aprovada pelo Comitê de Ética sob o número CAAE: 91240718.5.0000.5404. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com cerca de dez fonoaudiólogos que atuam no setor público da saúde com vistas a verificar se tais profissionais identificam bases teóricas para sua atuação em linguagem e se conseguem estabelecer diferenças entre os modos de atuação. As entrevistas, registradas em áudio, foram transcritas e analisadas por meio do estabelecimento de categoriais, aferidas pelos pesquisadores, com base em critérios de repetição e relevância, adotados pela Análise de Conteúdo. Resultados: As profissionais reconheciam bases teóricas para atuação em linguagem, mas demonstravam dificuldades em diferenciar correntes. De modo geral, as profissionais demonstram inclinações ao interacionismo de Vygotsky (3), ao interacionismo de Cláudia Lemos (2), à abordagem pragmática (1) e à neurolinguística discursiva (4). A maior parte das respondentes referiu mesclar as abordagens teóricas na clínica. A mesclagem teórica aponta para a) pouca aproximação da Fonoaudiologia à Linguística e, consequentemente, b) necessidades de fonoaudiólogos aprofundarem os estudos em linguagem e c) distanciamento teórico e clínico na Fonoaudiologia. Conclusão: Os achados reforçam a necessidade de (re)aproximação entre os componentes clínicos e científicos da Fonoaudiologia. As abordagens implicam em diferentes posturas na avaliação e manejo terapêutico, o que nem sempre foi percebido pelos profissionais, que aderem à mesclagem teórica. Além disso, é necessária a realização de novos estudos envolvendo a dimensão terapêutica em Linguagem e Fonoaudiologia.

De lemos CTG. Das Vicissitudes da fala da criança e de sua investigação. Cadernos de Estudos Linguísticos. Campinas. 2002; 42(1): 41-69.
Lier de vitto MF. Patologias da linguagem: sobre as “vicissitudes de falas sintomáticas”. In: Lier de vitto MF, Arante L (orgs). Aquisição, patologias e clínica de linguagem. São Paulo: EDUC; 2006. p. 47-60.
Ramos AP. Reflexão sobre as posições de terapeuta frente às dificuldades de leitura e escrita na clínica fonoaudiológica [[recurso eletrônico]] [DISSERTAÇÃO DIGITAL]. [Campinas, SP]; Mestra em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação; 2018. 1 recurso online (168 p.). [citado 2020 Jul 10]. Disponível em: http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/332345.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1252
AÇÃO DE PROMOÇÃO À SAÚDE VOCAL NO DIA MUNDIAL DA VOZ EM UNIVERSIDADE DO INTERIOR DE SÃO PAULO.
Práticas fonoaudiológicas
Voz (VOZ)


Introdução: A voz é um instrumento poderoso de comunicação social e profissional, expressa sentimentos, tem papel primordial de veículo de transmissão de informações e convencimento do outro. Acompanha os indivíduos durante toda a vida e constitui a identidade pessoal. A perda ou alteração da voz gera impactos negativos na vida de qualquer pessoa, pois afeta a qualidade comunicativa, por isso ações de promoção e prevenção da saúde vocal são primordiais. A fonoaudiologia é responsável por trabalhar com os diferentes aspectos comunicativos, sendo sua função prevenir, promover, avaliar e reabilitar, a fim de eliminar ou minimizar distúrbios da comunicação. A saúde vocal é importante para os profissionais que dependem diretamente desse instrumento para realizar seu trabalho, mas toda população está propícia a desenvolver algum tipo de patologia vocal, por isso o trabalho do fonoaudiólogo inclui também divulgar e promover ações que possam atingir todo tipo de público. O engajamento dos graduandos de fonoaudiologia em ações de promoção da saúde vocal, permite colocar em prática os conhecimentos adquiridos, desenvolver experiências, compartilhar informações e orientações com a população auxiliando na prevenção de agravos vocais. Objetivo: Realizar atividade de educação em saúde, destacando aos cuidados com a voz, direcionado a discentes, docentes e funcionários da instituição. Métodos: As atividades realizadas foram coordenadas por estudantes de fonoaudiologia e se deu em uma universidade privada no interior do estado de São Paulo. Inicialmente os alunos elaboraram um projeto com as atividades propostas para ação de comemoração do dia mundial da voz. O projeto foi aprovado pela instituição e teve seu suporte para disponibilidade do espaço físico, impressão dos folders e equipamento de áudio. A ação se deu pela distribuição de material informativo sobre os cuidados da voz aos alunos, professores e funcionários, concomitante às apresentações do Coral Universitário da instituição, da Bateria da Liga das Atléticas da Saúde (LAS) e de um Coral de Laringectomizados do interior de São Paulo, que aceitaram previamente ao convite de participação. Resultados: A ação proporcionou oportunidade de sensibilização à importância de uma voz saudável e orientou a comunidade acadêmica de outras áreas da saúde, convidados e funcionários da instituição sobre o uso adequado e cuidados com a saúde vocal. O coral dos laringectomizados impactou e comoveu a todos, pela superação e otimismo que encaram a vida após o câncer de laringe, deixando um alerta quanto aos principais fatores de risco da doença. Assim, foi possível divulgar o Dia Mundial da Voz e destacar a intervenção fonoaudiológica junto à saúde vocal e à promoção de saúde. Aos discentes da graduação em fonoaudiologia, a ação permitiu conhecer e experienciar a atuação da profissão na promoção à saúde vocal, visto que integrou os conceitos teóricos e práticos abordados no decorrer do curso. Conclusão: Através da ação de promoção em saúde vocal foi possível destacar a importância da fonoaudiologia na criação de estratégias de orientação e prevenção aos distúrbios vocais, sensibilizando e conscientizando os docentes, discentes e funcionários sobre a importância da voz, que é essencial para a comunicação humana.

1. Dornelas R, Giannini SPP, & Ferreira LP. Campanha da Voz: uma iniciativa para cuidados em saúde. Distúrbios da Comunicação, 2014;26(3); http://200.144.145.24/dic/article/view/18219

2. Behlau M, Pontes P. Higiene Vocal: cuidando da voz. 3a ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2001.

3. Andrada e Silva MA. Saúde Vocal. In: Pinho SMR. Fundamentos em Fonoaudiologia: tratando os distúrbios da voz. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan;1998. pp. 119-125.

4. Pinho, SMR. Manual de Higiene Vocal para Profissionais da Voz. 2a ed. Carapicuiba/SP: Pró-fono, 1999.

5. Oliveira IB. Desempenho vocal do professor: avaliação multidimensional [Tese]. Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas; 1999. http://tede.bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br:8080/jspui/handle/tede/476

6. Santana MDCCPD, Brandão KKCP, Goulart BNGD, & Chiari BM. Fonoaudiologia e saúde do trabalhador: vigilância é informação para a ação!. Revista CEFAC, 11(3), 522-528; 2009. https://doi.org/10.1590/S1516-18462009000300022

7. Ueda KH, dos Santos LZ, & Oliveira IB. 25 anos de cuidados com a voz profissional: avaliando ações. Revista Cefac, 10(4), 557-565; 2008. https://doi.org/10.1590/S1516-18462008000400016


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2018
ACESSIBILIDADE DO MUNDO DIGITAL PARA SURDOS
Relato de experiência
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Titulo: ACESSIBILIDADE DO MUNDO DIGITAL PARA SURDOS

INTRODUÇÃO
Historicamente a população Surda é vista como pessoas com condições de invalidez, ou apenas deficientes auditivos que tem a sua comunicação restrita. Entretanto essa visão vem-se modificando, atualmente é ressaltada, e levantada principalmente as questões de acessibilidade voltada para essa população. Quando temos a acessibilidade e humanização como aspectos primordiais, permitindo que o indivíduo tenha sempre o acesso a todos os serviços disponibilizados para a população ouvinte, mas de forma humanizada, direcionada a sua condição, sempre mantendo um olhar biopsicossocial do indivíduo. Atualmente vemos a importância do meio digital,que é utilizado para tudo. Então nosso grupo observou mediante a fóruns, lives, relatos que ainda sim, a população Surda percebe um déficit, a falta de acessibilidade para esse meio. E com isso notamos que há falta de informações que contenha essa abordagem, que também é considerada educação em saúde.

OBJETIVO
Pensando na falta de acessibilidade do meio digital para a população surda, temos como objetivo a criação de um material informativo sobre a importância da acessibilidade digital para a população Surda.

MÉTODO
Por conta do período de pandemia, foi proposto aos alunos que estão cursando o último ano do curso de Fonoaudiologia, a elaborarem projetos sobre a Audiologia Educacional. Foram feitas reuniões para decidir o tema do projeto, em seguida foi feito um levantamento pelas mídias sociais sobre quais seriam as principais dificuldades que os surdos enfrentam, principalmente durante este período. Após determinar o tema e as dificuldades, foram feitas buscas na literatura e elaborado um roteiro com todas as informações pertinentes ao projeto, como: público alvo; o que seria informado; como seria compartilhado as informações; qual seria a plataforma de divulgação.
A falta de acesso dos Surdos às informações é extremamente grave, e de acordo com o Decreto 10.436, eles têm como direito o acesso completo à todas as informações.
Após todo o levantamento e pesquisa, definimos então que o público alvo será as pessoas que produzem conteúdos na internet independentemente do tema, para que elas se conscientizem e ofereçam acessibilidade aos Surdos quando forem criar seus projetos.
Foi feito um infográfico animado, com os dados epidemiológicos da Surdez no Brasil, com conteúdo sobre a importância da humanização em relação ao Surdo e dicas de como as pessoas podem adaptar seus projetos à comunidade Surda, como por exemplo, utilizar legendas nos vídeos ou a tradução em LIBRAS (intérpretes de LIBRAS).

CONCLUSÃO

Temos a pretensão de distribuir esses materiais educativos informativos nas mídias sociais, haverá uma apresentação de todos os trabalhos de um grupo de estudantes quarto anistas, que prepararam diversos materiais, incluindo este. Docentes, discentes e a comunidade serão convidados a conhecer esses materiais, será feito um encontro online, promovido pelo pelo curso de Fonoaudiologia da instituição Santa Casa, com isso nós pretendemos, que o direito dos surdos, as informações possam ser garantidas como está previsto nos textos legais.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
583
ACESSO A ATENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA: INTERVENÇÕES PARA A MELHORIA DA QUALIDADE
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O interesse pela temática da qualidade é evidente em todas as áreas e sua emergência, em especial no setor da saúde, tem se destacado e afetado todos os implicados no processo: usuários, gestores e profissionais. Diversos estudos definem qualidade em serviços de saúde por meio de dimensões, componentes, fatores ou atributos tirando-a, portanto, do plano da subjetividade. O acesso, ainda que não apareça em todos os esquemas, é uma importante dimensão da qualidade, pois é por meio deste que em grande parte se mede a dimensão social da assistência à saúde, no entanto, ainda são poucos os estudos que fazem referência à temática em Fonoaudiologia. Donabedian ao definir acessibilidade estabeleceu duas dimensões a ela relacionada: a geográfica e a sócio-organizacional, esta última alusiva a oferta de atividades, horários de atendimento, marcação de consultas, tempo de espera para atendimento, critérios para seleção da demanda, adequação aos recursos disponíveis e a existência de mecanismos formais de articulação entre níveis assistenciais. Objetivo: Melhorar a acessibilidade em sua dimensão sócio-organizacional a um Serviço Ambulatorial de Fonoaudiologia no município do Natal - Rio Grande do Norte. Métodos: Estudo de natureza quantitativa do tipo quase experimental de série temporal resultado de um ciclo de melhoria da qualidade. O nível de qualidade foi avaliado por meio de critérios relacionados a taxa de faltas às consultas, aprazamento para triagem e para início da terapia fonoaudiológica. As avaliações aconteceram no período de janeiro de 2017 a agosto de 2018 e a coleta de dados foi realizada por meio de relatórios emitidos pelo programa de agendamento e fila de espera. Os dados foram compilados e subsidiaram o delineamento de gráficos de tendência por meio dos quais verificou-se a presença de padrões indicativos de situações significativamente diferentes da esperada (p<0.01) e o cumprimento dos critérios de qualidade. Resultados: O nível de qualidade estabelecido foi alcançado em alguns períodos, no entanto, não foram observadas mudanças com significância estatística no comportamento do indicador quando relacionado às intervenções. Conclusão: As mudanças na organização do serviço e o acompanhamento de indicadores parecem ter efeito positivo na melhoria no acesso, no entanto, verificou-se instabilidade nos processos avaliados o que evidencia a necessidade de novas intervenções.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1714
ACESSO A ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE E TRANSMASCULINIDADE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (2008) ¹ prevê cuidado integral através da qualificação da atenção primária para que seja porta de entrada e criação do sistema especializado de alta complexidade 2 ,3 ,4. Contudo, a literatura vem apontando que apesar dos avanços, essa população ainda relata dificuldades para acessar o sistema, e aqui destacamos principalmente as situações vivenciadas por homens trans, que frequentemente narram um cenário de negligência e descaso 5, 6. Objetivo: descrever a população transmasculina do estado do Espírito Santo, como tem sido o acesso a saúde e a qualidade do serviço de assistência prestado. Metodologia: A fim de contactar essa população, dialogou-se com o Instituto Brasileiro de Transmasculinidade do Espírito Santo- IBRAT -ES, que atua no cadastro e apoio dessa população no estado. Relatos obtidos durante a organização do estudo revelaram a dificuldade no acesso ao sistema saúde. Participaram 45 homens trans com idades entre 18 e 43 anos, que responderam a um questionário online elaborado para a pesquisa, com perguntas como “onde você reside atualmente?”, “faz acompanhamento frequente (no mínimo 2 vezes por ano) da sua saúde geral?”, “onde faz este acompanhamento?”. Os dados foram submetidos a análise descritiva. CEP 140991. Resultados: Entre os pesquisados, a maior parte reside atualmente na região metropolitana da capital do estado (86,7%) e 20% dos participantes da pesquisa relataram não fazer acompanhamento frequente de sua saúde, sendo que os principais problemas elencados foram evitar constrangimentos (44,4%) e falta de interesse (33,3). Dos que fazem acompanhamento frequente , 61,1% declararam utilizar exclusivamente o Sistema Único de Saúde (SUS), seguidos pelos que são atendidos tanto no sistema privado quanto no público (22,2%) e os que frequentam exclusivamente o sistema privado (16,7%). Outro dado interessante concerne a avaliação desses atendimentos, pois 61,1% dos participantes classificaram a qualidade como ótima, seguidos dos que categorizam o serviço como regular (22,2%) e aqueles que declararam como boa (16,7%). Conclusão: as Políticas Públicas tem colaborado efetivamente na ampliação e consolidação do atendimento à saúde da população transexual masculina do estado, mesmo que ainda existam percalços, pois não foi possível observar um acolhimento na atenção primária. Evidencia-se que o ambulatório especializada localizado na região metropolitana da capital cumpre para além do seu papel, pois muitas vezes desempenha também assistência em atenção primária à saúde dessa população.


1. Brasil. Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT. Brasília: MS; 2008.
2. Brasil. Portaria Nº 2.803, de 19 de novembro de 2013. Redefine e amplia o Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde, 19 nov 2013.
3. Brasil. Portaria Nº 1370, de 21 de junho de 2019. Inclui procedimento na tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 21 de junho de 2019.
4. Brasil. Transexualidade e Travestilidade na Saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa, Departamento de Apoio à Gestão Participativa. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
5. Bezerra DS; Bezerra AK; Souza RCM; Nogueira WBAGN; Bonzi ARB; Costa LMM. Homens transexuais: invisibilidade social e saúde mental. Temas em Saúde. 2018; 18(1), 428-444.
6. Souza, D; Iriart J. “Viver dignamente”: necessidades e demandas de saúde de homens trans em Salvador, Bahia, Brasil. Cad. Saúde Pública. 2018; 34 (10).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1913
ACESSO DO USUÁRIO AO ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO TERAPÊUTICO EM UM MUNICÍPIO DO LITORAL CENTRO-NORTE CATARINENSE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O fonoaudiólogo está inserido em numerosas ações e programas do SUS e há necessidade de rever conceitos e práticas, com o intuito de disponibilizar ao usuário um serviço de qualidade e que venha de encontro com os princípios preconizados. A partir da identificação da necessidade de melhoria do acesso ao serviço fonoaudiológico, na realização desta pesquisa, busca-se propor uma ferramenta de gestão para o acesso no atendimento terapêutico de fonoaudiologia na rede de saúde nos diferentes níveis do sistema em um município de médio porte do Vale do Itajaí, Santa Catarina, focando a continuidade e a coordenação do cuidado ao longo da trajetória daqueles que procuram os serviços de saúde e o auxílio do fonoaudiólogo. Objetivo: Caracterizar o acesso dos usuários no serviço de fonoaudiologia em relação à estrutura, processo e resultado. Métodos: A presente pesquisa trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, onde foi analisada a lista de espera para atendimento fonoaudiológico terapêutico e coletados os seguintes dados: nome, idade, sexo, bairro, motivo do encaminhamento, origem do encaminhamento, profissional que encaminhou e data da entrada. Resultados: O munícipio no qual foi realizada a pesquisa possui 162 usuários aguardando para atendimento fonoaudiológico terapêutico, sendo a maioria na faixa etária entre 06-12 anos e do sexo masculino. Os bairros centrais destacaram-se apresentando uma maior demanda ao serviço, tendo o desvio fonológico como uma das maiores queixas, seguido por atraso na fala e linguagem. Sendo os encaminhamentos originados em sua maioria das UBS seguido pelas Unidades Escolares. A área médica foi responsável pelos maiores números de encaminhamentos, realizado por pediatra e clínico geral, tendo a data de entrada desses encaminhamentos, constando como o primeiro semestre de 2019, entretanto, mesmo que em número menor, mas o município ainda apresenta em sua lista de espera encaminhamentos de 2017. Conclusão: O município conta com 162 usuários aguardando para atendimento fonoaudiológico terapêutico, sendo a grande maioria em idade escolar e do sexo masculino apresentando desvio fonológico, a área médica apresentou um maior número de encaminhamentos, sendo estes originados das UBS, com tempo de espera médio para início do atendimento de 2 anos e meio.Identifica-se como necessidade um processo de educação permanente junto aos profissionais de saúde,qualificando a entrada das informações..

Fonoaudiologia. Gestão. Saúde pública. Acesso aos serviços de saúde.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1562
ACESSO E INIBIÇÃO DO SIGNIFICADO DE PALAVRAS EFEITO DE PRIMING SEMÂNTICO
Tese
Linguagem (LGG)


Introdução: O processamento léxico-semântico está relacionado à amplitude e profundidade do vocabulário (1;2;3) e ao acesso eficiente do significado da palavra, que requer rapidez e acurácia na recuperação e inibição de informações inconsistentes. Experimentos com priming semântico e homônimos propiciam a investigação de processos ligados à precisão e ao tempo despendido no acesso semântico-lexical e às capacidades relacionadas à integração ou à inibição de informações constantes em um texto que deve ser lido e devidamente compreendido (4;5;6;7). Objetivo: Estudar, em escolares com e sem transtorno de leitura, o processamento de linguagem, quanto a suas características de tempo e precisão de acesso e inibição do significado de palavras, e investigar possíveis associações com habilidades cognitivo-linguísticas preditoras da compreensão leitora. Método: Estudo experimental, prospectivo, quantitativo (CEP: 1.867.223). Participaram 82 escolares do 5º ano sem queixa de leitura (46 de escola pública – G1 e 36 de escola particular – G2) e 19 crianças com transtorno específico de leitura (G3). Foram avaliados quanto a habilidades cognitivo-linguísticas de linguagem oral e de leitura. Nomearam figuras de homônimos apresentadas oralmente, isoladamente ou em final de frases, acompanhados, ou não, de distratores linguísticos. O intervalo inter-estímulos adotado: 250ms. Experimento 1: investigou-se a precisão e o tempo de acesso aos homônimos apresentados isoladamente. Calculou-se o efeito de priming pela comparação das condições relacionadas (significados mais e menos recorrentes) com as não relacionadas (distratores). Experimento 2: investigou-se a precisão e o tempo para o acesso semântico dos homônimos apresentados em sentenças. Calculou-se o efeito de priming comparando o desempenho nas frases das condições apropriadas e inapropriadas. Os desempenhos nas tarefas de linguagem, leitura e priming foram comparados entre os grupos e buscaram-se correlações. Os Testes de Kruskal-Wallis, ANOVA, teste Post-hoc de Bonferroni, análise de variância e correlação de Pearson foram aplicados (nível de significância: 0,05). Resultados: Os grupos não se diferenciaram quanto à compreensão oral, memória operacional e fluência verbal. G3 mostrou desempenho semelhante ao G1 em vocabulário receptivo, fluência semântica, memória fonológica de curto prazo, e compreensão de leitura. Experimento 1: O número de acertos na condição de homônimo mais recorrente foi maior que na de menor ocorrência (G1 e G2) e do que na presença de distrator (G1 e G3). Houve efeito de priming, nos três grupos, na condição de homônimo mais recorrente comparado ao distrator (213,7ms) e na comparação de homônimos de maior e menor ocorrência (205,9ms). Experimento 2: Não houve diferenças dos grupos na precisão da nomeação. Houve efeito de priming na análise de tempo nas condições inapropriadas e de menor ocorrência. O desempenho de G1 foi igual a de G2 (59,8ms) e G3 apresentou maior tempo na nomeação que G1 (198,7ms). Conclusões: O priming semântico facilitou o acesso à informação do homônimo, tanto quando foi apresentado isoladamente quanto ao final de frase. Quando relacionado ao alvo, o tempo de nomeação foi menor, facilitando o acesso semântico. Crianças com transtorno de leitura apresentaram dificuldade em inibir informações irrelevantes. As habilidades cognitivo-linguísticas, mostraram-se essenciais para o bom desempenho nos processos de acesso e inibição semântico.

1 - Tannenbaum KR, Torgesen JK e Wagner RK. Relationships between word knowledge and reading comprehension in third-grade children. Scientific Studies of Reading. 2006; 10: 381-398.

2 - Landi N, Perfetti CA. An electrophysiological investigation of semantic and phonological processing in skilled and less-skilled comprehenders. Brain and Language. 2007 Jul;102(1):30-45.

3 - Cain K, Oakhill J. Reading comprehension and vocabulary: Is vocabulary more important for some aspects of comprehension? L’Année Psychologique. 2014; 114: 647-662.

4 - Henderson L, Snowling M, Clarke P. Accessing, integrating, and Inhibiting Word Meaning in Poor Comprehenders. Scientific Studies of Reading.2013;17:177-198.

5 - Rossi SG. Influência do priming semântico no acesso e inibição do significado de homônimos na compreensão leitora. [dissertação]. Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina; 2015.

6- Holderbaum CS, Salles JF. Priming semântico em crianças: efeitos da força de associação semântica e frequência de alvo. Aletheia. 2010. 33:95-108.

7- Salles JF, Machado LL e Janczura GA. Efeitos de priming semântico em tarefa de decisão lexical em crianças de 3ª série. Psicologia: Reflexão e Crítica. 2011; 17(3):792-806.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1957
ACESSO E UTILIZAÇÃO DA REDE DE CUIDADOS À PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM MINAS GERAIS NA PERSPECTIVA DO USUÁRIO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) foi instituída pela Portaria 793/2012(1). Pouco depois, a Deliberação estadual no 1272/2012 instituiu a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no Estado de Minas Gerais(2). Um dos objetivos da implementação das Redes de Cuidados é a descentralização e regionalização da assistência, “visando garantir acesso, resolutividade e qualidade às ações e serviços de saúde”(3). Assim, estudar este acesso é de extrema importância, pois traz uma dimensão significativa da equidade nos sistemas de saúde. Além disso, definir e mensurar este acesso é fundamental para o desenvolvimento de planos e metas sustentáveis no setor da saúde.(4) OBJETIVO: analisar o acesso e a utilização da RCPD em Minas Gerais tendo como referência a perspectiva do usuário do componente especializado e sua associação com fatores sócio demográficos, assistenciais e clínicos. MÉTODOS: estudo observacional analítico transversal, com amostra probabilística estratificada por modalidade de serviço, composta por usuários dos pontos de atenção do componente especializado da RCPD em Minas Gerais. Foram consideradas variáveis respostas, o acesso e a utilização da RCPD, e as variáveis explicativas, os dados sócio demográficos (idade, sexo, escolaridade, renda domiciliar e tipo de deficiência). A amostra foi composta por 871 entrevistados, entre usuários e acompanhantes, de 36 pontos de atenção do componente especializado da RCPD. Os dados foram obtidos por meio de entrevista individual com questionário estruturado. Para análises de associação foram utilizados os testes Kruskal-Wallis e Qui-quadrado de Pearson, sendo consideradas como associações estatisticamente significantes as que apresentaram valor de p ≤ 0,05. Para análise de comparações múltiplas foi utilizado o testeNemenyi. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da instituição de ensino, sob o parecer de número ETIC 913612. Para a entrada, o processamento e análise dos dados foi utilizado o software SPSS, versão 21.0. RESULTADOS: os serviços mais utilizados foram os centros de especialidades, para terapia/ reabilitação. O profissional que mais atendia os usuários era o médico, seguido pelo fisioterapeuta e o fonoaudiólogo. Os atendimentos ocorriam na maioria das vezes em bairros próximos das residências dos usuários. Um número baixo de entrevistados relatou que em algum momento precisou de atendimento na RCPD e ele não ocorreu. Não houve associação entre a falta de atendimento e sexo ou escolaridade, mas quanto menor a idade e a renda, maior a chance de ter o atendimento negado alguma vez, assim como os usuários deficientes auditivos e com múltiplas deficiências. CONCLUSÃO: Entre os usuários entrevistados, o acesso aos serviços de saúde era garantido. Isso sugere que a organização e a regionalização da RCPD em Minas Gerais estavam adequadas no momento do estudo, segundo a percepção dos usuários. Esta pesquisa pode trazer subsídios para a discussão sobre o acesso a RCPD em Minas Gerais pelos gestores e demais envolvidos nas políticas públicas de saúde, auxiliando em suas diretrizes para garantir o acesso aos serviços.
Palavras chave: Acesso a serviços de saúde, utilização de serviços de saúde, Rede de Cuidado à Pessoa com Deficiência, Pessoa com Deficiência, Sistema Único de Saúde

1 - BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE: PORTARIA NO. 793, de 24 de Abril de 2012. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt0793_24_04_2012.html. Acessado em 19/10/2016.
2 - MINAS GERAIS, SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE: DELIBERAÇÃO NO. 1272, de 24 de Outubro de 2012. Disponível em http://saude.mg.gov.br/deficiencia/document/8680. Acessado em 19/10/2016.
3 - Holanda C.M.A. et al. Redes de Apoio e pessoas com deficiência física: inserção social e acesso aos serviços de saúde. Disponível em https://www.redalyc.org/html/630/63033062020/. Acessado em 12/06/2019.
4 - Sanchez RM, Ciconelli RM. Conceitos de acesso à saúde. Rev Panam Salud Publica. 2012;31(3):260–8


TRABALHOS CIENTÍFICOS
602
ACHADOS AUDIOLÓGICOS DE UM PACIENTE PORTADOR DA SÍNDROME DO CROMOSSOMO 4 EM ANEL
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: a síndrome do cromossomo em anel surge após a quebra nas duas extremidades do cromossomo e uma subsequente fusão. Esta fusão pode ocorrer em qualquer cromossomo. Assim, os fenótipos são altamente variáveis. Um achado comum no portador dessa síndrome é a deficiência grave de crescimento. Objetivo: descrever os achados audiológicos de um paciente portador da síndrome do cromossomo 4 em anel. Método: trata-se de um relato de caso de um paciente de 2 anos 4 meses de idade, acompanhado pelo serviço de fonoaudiologia. O paciente apresentou em sua história clínica os seguintes indicadores de risco para a deficiência auditiva: baixo peso ao nascer, permanência em UTI neonatal por um período maior que cinco dias, uso de ventilação assistida e de medicação ototóxica. Deste modo, foram analisados os achados desde a triagem auditiva neonatal até o seu diagnóstico audiológico. Resultados: o paciente realizou a triagem auditiva neonatal aos dois meses de idade, tendo como resultado no primeiro teste e no reteste: emissões otoacústicas evocadas transientes e potencial evocado auditivo de tronco encefálico automático com ausência de resposta em ambas as orelhas. Foi obtido presença de reflexo cócleo-palpebral com a utilização do instrumento agogô. Com a falha na triagem o paciente foi encaminhado ao diagnóstico. No potencial evocado auditivo de tronco encefálico usando o estímulo tone busrt foi possível concluir que em ambas as orelhas os achados foram compatíveis com perda auditiva mista, sendo a perda estimada em 75dBNa em 2000 Hz e em 80 dBNa em 4000 Hz. Não foi possível estimar os limiares de 500 Hz nesse momento da avaliação. Após, o paciente iniciou a reabilitação auditiva e atualmente faz uso de aparelhos auditivos e acompanhamento fonoaudiológico. Conclusão: a partir deste trabalho salientamos que o paciente portador da síndrome do cromossomo 4 em anel teve consequências auditivas detectadas inicialmente na triagem auditiva. Por fim, reiteramos a realização da triagem auditiva neonatal, o mais precocemente possível, a fim de reduzir os impactos no desenvolvimento dos pacientes com deficiência auditiva.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 32 p.

Joint Committee on Infant Hearing. Year 2007 position statement: principles and guidelines for early hearing detection and intervention programs. Pediatrics. 2007; 120 (4): 898-921.

Yip M. Autosomal ring chromosomes in human genetic disorders. Transl Pediatr, 2015; 4(2):164-74.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1222
ACHADOS AUDIOLÓGICOS EM CRIANÇAS COM MICROCEFALIA POR ZIKA VÍRUS CONGÊNITO
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: No Brasil, no ano de 2015, houve um grande aumento inesperado de notificação de Microcefalia coincidindo com um número crescente de casos de infecção por Zika vírus (ZIKV). Foi evidenciado que quando contraído durante a gestação, o vírus pode trazer diversas consequências aos recém-nascidos, como por exemplo malformações congênitas como microcefalia, doenças neurológicas como a Síndrome de Guillain-Barré, afecções nas vias neurais auditivas ou até mesmo malformação do sistema auditivo. A detecção e intervenção precoce dessas alterações, possibilita um melhor prognóstico de desenvolvimento das habilidades de audição, linguagem e comunicação das crianças com microcefalia por ZIKV. Objetivo: Revisar os achados audiológicos em crianças com microcefalia por Zika Vírus congênito. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nos meses de junho a julho de 2020, com a seguinte pergunta condutora: Quais os achados audiológicos mais comuns em crianças com microcefalia por ZIKV congênito? O estudo foi produzido por meio de busca nas principais bases de dados disponíveis, especificamente: Pubmed; Web of science; Science direct; Scielo e Lilacs. Os descritores foram selecionados utilizando a ferramenta de registro MeSH, sendo formada a seguinte estratégia de busca: microcephaly AND newborn OR infant AND Zika vírus OR ZIKV AND hearing test OR test, hearing OR audiometry OR potential evoked, auditory. Foram considerados como critérios de elegibilidade artigos originais, publicados em quaisquer língua e ano, que abordasse a indicação de achados audiológicos em crianças com microcefalia por ZIKV congênito, sendo excluídos estudos de revisão da literatura e capítulos de livros. Para uma seleção mais criteriosa, foi criada uma planilha contemplando os seguintes aspectos: tamanho da amostra, população, objetivos, métodos utilizados, resultados principais e conclusão. Considerando os descritores utilizados e a aderência dos estudos aos critérios de inclusão, foi realizada a leitura do título, resumo e manuscrito completo. Resultados: Foram identificados 236 estudos nas bases de dados, sendo selecionados doze artigos a partir da leitura do título e resumo, dos quais restou um total de sete após a exclusão dos estudos duplicados. Destes, com a leitura completa na íntegra, seis artigos foram incluídos na revisão. Como resultados dos estudos, observou-se que a maioria utilizou para avaliação auditiva o exame de Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico (PEATE) e Emissões Otoacústicas (EOA) nas crianças com microcefalia infectadas por ZIKV congênito sendo a maioria, crianças com idade entre quinze dias e seis anos. A maioria das crianças apresentaram algum tipo de alteração auditiva, sendo comumente observado falha na triagem auditiva neonatal, atraso nas latências do pico absoluto da onda V e intervalo interpicos III-V e presença de perda auditiva sensorioneural (PASN) bilateral. Conclusão: O comprometimento auditivo na microcefalia é um déficit neural comum que pode ser avaliado pelo PEATE. Além disso, a infecção congênita por ZIKV parece estar associada a PASN. Desta forma, bebês microcefálicos infectados por ZIKV congênito devem ser rotineiramente rastreados quanto a possíveis perdas auditivas até os primeiros dois anos para que haja monitoramento adequado do desenvolvimento auditivo e linguístico.

Meneses JA, Ishigami AC, Mello LM, Albuquerque LL, Brito CAA, Cordeiro MT, et al. Lessons learned at the Epicenter of Brazil’s congenital Zika epidemic: evidence from 87 confirmed cases. Clinical Infectious Diseases. 2017; 64: 1302-1308.
Microcephaly Epidemic Research Group. 2016. Microcephaly in infants, Pernambuco State, Brazil, 2015. Emerging Infectious Diseases. 1090-1093.
Barbosa MHM, Robaina JR, Prata-Barbosa A, Lima AMT, Cunha AJLA. Auditory findings associated with Zika virus infection: an integrative review. Brazilian Journal of otorhinolaryngology. 2019; 85: 642-663.

Leal MC, Muniz LF, Tamires AS, Ferreira TS, Santos CM, Almeida LC, et al. Hearing loss in infants with microcephaly and evidence of congenital zika virus infection - Brazil, november 2015-may 2016. MMWR Morb Mortb Wkly Rep. 2016; 65: 917–919.

Fandiño-Cárdenas M, Idrovo AJ, Velandia R, Molina-Franky J, Alvarado-Socarras JL. Zika Virus Infection during Pregnancy and Sensorineural Hearing Loss among Children at 3 and 24 Months Post-Partum. J Trop Pediatr. 2019; 65: 328-335.

Olusanya BO. Risk of sensorineural hearing loss in infants with abnormal head size. Ann Afr Med. 2013; 12: 98-104.

Das P, Bandyopadhyay M, Ghugare BW, Ghate J, Singh R. Auditory evaluation of the microcephalic children with brain stem evoked response audiometry (BERA). Indian J Physiol Pharmacol. 2010; 54: 376-380.

Borja A, Loiola AG, Araújo RPC. Triagem auditiva em crianças expostas ao zika vírus durante a gestação. Rev. Ciênc. Méd. Biol. 2017; set./dez 16: 271-276.

Cortes MS, Rivera AM, Yepez M, Guimarães CV, Yunes ID, Zarutskie A, et al. Clinical assessment and brain findings in a cohort of mothers, fetuses and infants infected with ZIKA virus. Am J Obstet Gynecol. 2018; 218: 440.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2035
ACHADOS FONOAUDIOLÓGICOS E NEUROLÓGICOS EM NEONATOS COM HIDRANENCEFALIA: UM ESTUDO DESCRITIVO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)



Introdução: A Hidranencefalia é considerada uma das patologias mais complexas do sistema nervoso central, é caracterizada principalmente pela ausência total ou parcial dos hemisférios cerebrais, que são substituídos por líquido cefalorraquidiano.¹ Um ponto importante na atuação em neonatos com danos neurológicos como a Hidranencefalia é a alimentação, sendo foco constante em unidade neonatais, visto que com grande frequência estes apresentam alterações nas funções de sucção/deglutição.² Estudos trazem que patologias que preservem o tronco encefálico mostram funções estomatognáticas normais, a menos que haja um componente cortical que não seja identificado ou que não seja bem compreendido.³

Objetivo: Descrever os achados neurológicos (neuroimagem e exame clínico) e as funções de sucção e deglutição, através da avaliação clínica fonoaudiológica, de pacientes diagnosticados com Hidranencefalia.

Método: estudo retrospectivo, de caráter descritivo e quantitativo, baseado na análise de dados secundários, realizado na maternidade de um hospital referência para atendimento de gestações de alto risco no estado de Bahia, os responsáveis pelos menores assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) aprovado pelo Comitê de Ética da instituição (CAAE 17745019.4.0000.5028). A amostra foi constituída por recém-nascidos com diagnóstico de hidranencefalia que foram admitidos pelo Serviço de Fonoaudiologia na Unidade de Cuidados Intermediários Convencional Neonatal – UCINCO. Na estatística descritiva, os dados categóricos foram resumidos por meio de frequência absoluta (n) e relativa (%) em cada variável analisada.

Resultados: Participaram da pesquisa sete bebês, cinco (71,4%) do sexo feminino, dois (28,6%) do sexo masculino. Sobre o procedimento neurocirúrgico, seis (85,7%) foram submetidos inicialmente a Coagulação Endoscópica do Plexo Coróide (CEPC) e um (14,3%) Derivaçao Ventrículo-Peritoneal (DVP). Seis (85,71%) dos pacientes apresentavam crises convulsivas recorrentes. A média da idade dos bebês na avaliação fonoaudiológico foi de 16 dias de vida. Quanto a via de alimentação na admissão fonoaudiológica, seis (85,7%), alimentavam-se via sonda nasogástrica e um (14,3%) sonda orogástrica. O diagnóstico fonoaudiológico que prevaleceu na amostra estudada foi o Distúrbio do Sistema Sensório Motor Oral (DSSMO) sete (100%), em todos os pacientes foi realizada fonoterapia a fim de favorecer uma melhor funcionalidade, parte desses recém nascidos apresentaram também disfagia dois (28,6%). O tempo médio de intervenção fonoaudiológica 40 dias, sendo o tempo mínimo dois dias e o máximo 90 dias. Em relação aos desfechos, um (14,3%) paciente evoluiu para óbito durante a internação e seis (85,7%) receberam alta hospitalar. Sobre a via de alimentação na alta hospitalar, quatro (66,7%), receberam alta em via oral (seio materno e/ou mamadeira) e dois (33,3%) com gastrostomia, com encaminhamento para intervenção fonoaudiológica ambulatorial.

Conclusão: Observa-se que as habilidades de sucção e deglutição nos pacientes com hidranencefalia são variadas, mesmo com o tronco encefálico intacto. A intervenção fonoaudiológica com estes pacientes possibilitou uma maior taxa de alimentação por via oral segura na alta hospitalar.


Descritores: Hidranencefalia, Transtornos de Deglutição, Sucção, Geradores de Padrão Central, Sistema Estomatognático e Derivação Ventriculoperitoneal.

1. Pinho H. Hidranencefalia. Pathol Case Rev. 2011; 16(1);186-8.

2. Radford K, Taylor RC, Hall JG, Gick B. Aerodigestive and communicative behaviors in anencephalic and hydranencephalic infants. Birth Defects Research. 2019. 111;41–52.

3. Keven N, Akins KA. Neonatal imitation in context: Sensorimotor development in the perinatal period. Behavioral and Brain Sciences. 2017. 40.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1239
ACHADOS FONOAUDIOLÓGICOS NOS CASOS DE SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polineurorradiculopatia inflamatória desmielinizante aguda que se desenvolve frequentemente após infecções, principalmente virais1, sendo o Zika Vírus e a Dengue os principais motivos da maior incidência para sua manifestação clínica nos últimos anos2,3. Caracterizada pela ocorrência de ataque auto-imune agudo, com debilidade simétrica progressiva, variável e ascendente, comprometendo membros, tronco, musculatura facial e orofaringe.Os sintomas típicos são: fraqueza muscular ou paralisia diminuição da sensibilidade e dortendinosa1,4, e insuficiência respiratória, tendo a exigência de ventilação mecânica em 25% dos casos4.A doença tem maior incidência em homens, com maior ocorrência em adultos4. O tratamento é realizado com fármacos e reabilitação física, feita por uma equipe multidisciplinar, entre ela está o fonoaudiólogo5.Os sintomas fonoaudiológicos que podem ocorrer são hipotonia e mobilidade reduzida do Complexo Orofacial (COF), paralisia facial periférica, disfagia, disfonia, dificuldades para respirar, hiposensibilidadeextra-oraleparestesia facial, hipersensibilidade intra-oral, mialgia entre outras.Objetivo: Realizar um levantamento na literatura dos artigos recentes sobreachadosrelevantes para a Fonoaudiologia sobre a Síndrome de Guillain-Barré. Metodologia:Revisão literária realizada com critérios de inclusão de publicações entre os anos 2016 a 2020, indexados nas bases de dados SciELO, PubMed, MEDLINE e LILACS.Resultados:Em geral, a recuperação dos pacientes é lenta, necessitam de internação longa, de atenção intensiva e de equipe treinada4. A SGBimpacta diretamente o desempenho ocupacional de indivíduos, afetando suas atividades de vida diárias, atividade laboral e participação social1,5. O paciente acometido pode apresentar variados sintomas fonoaudiológicos, os mais prevalentes são a paralisia facial periférica em primeiro lugar e depois mialgia e disfagia1,2,4. Se trata de uma das principaiscausas da paralisia facial, que ocorre em aproximadamente metade dos casos, devido a paralisias no nervo craniano2. O estudo6 alerta para que sempre que for traçados metas e objetivos terapêuticos, deve-se repensar seus efeitos nas doenças neuromusculares, porque nesses casos, os exercícios podem provocar intolerância, por causa de desequilíbrios metabólicos. O profissional da Fonoaudiologia deve fazer parte da equipe com a assistência o mais precoce possível, com o objetivo de promover a comunicação, motricidade orofacial, buscar o retorno das funções orais. Usando exercícios miofuncionais ativos, estimulação sensório-motora extra e intra-oral, crioterapia, terapias para voz e linguagem quando necessário.A aplicação de estímulos táteis, térmicos e gustativos demonstram resultados positivos nas disfagias neurogênicas, visto que estimulam principalmente a propriocepção das estruturas relacionadas com o processo de deglutição sem promoverem esforço6. Conclusões: É evidente a importância do diagnóstico precoce da SGB para que seja realizado rapidamente o tratamento adequado, buscando-se alcançar a recuperação completa do paciente, com a quantidade mínima de sequelas. A ação da equipe multidisciplinar é essencial visando minimizar as sequelas e promover a independência e autonomia dos pacientes.A Fonoaudiologia tem um papel importante no tratamento já que os sintomas encontrados para essa área são de grande impacto na vida do paciente. Ainda é um assunto que tem poucos artigos na área da Fonoaudiologia, necessitando de mais estudos.

Descritores:Doenças neurodegenerativas, Síndrome de Gillian-Barré, Fonoaudiologia.

[1] SANTOS, S. L. F.; SILVA ALVES, H. H. S.; PRADO, R. M. S.; BARROS, K. B. N. T. Parâmetros Terapêuticos da Síndrome de Guillain-Barré: uma revisão sistemática de estudos de casos. RPBeCS. 2017;4(1):09-17.

[2] FERREIRA, A. O. S.; MORAIS, D.; CARMO, H. O.;SILVA, H. C. C.; OLIVEIRA, C. S.; OLIVEIRA, R. F.; PINTO, E. M. H. Avaliação dos Fatores Etiológicos Associados à Síndrome de Guillain-Barré: uma revisão sistemática. Anais da XVI Mostra Acadêmica do Curso de Fisoterapia da UniEVANGÈLICA, v. 7, n. 1, 2019.

[3] CARVALHO, M. C. A. Infecção por Arboviroses Associada à Aíndrome de Guillain-Barré: revisão sistemática. Universidade Católica do Salvador - Curso de Ciências Biológicas. Salvador, 2019.
[4] ARAUJO, J. L.;NASCIMENTO, K. U. B.; SILVA, M. C.; AOYAMA, E. A. Assistência da Enfermagem em Pacientes com Síndrome de Guillain-Barré. ReBIS [Internet]. 2020; 2(1):100-4.

[5] FERNANDES, G. V. Síndrome de Guillain-Barré: Avaliações, Reabilitações e Principais Impactos no Desempenho Ocupacional de Indivíduos Acometidos. Universidade de Brasília - Faculdade de Ceilândia. Curso de graduação em Terapia Ocupacional. Brasília, 2019.

[6] ORSINI, M.; JR, M. S.; FREITAS, M. R.; TRAJANO, E.; MARQUES, V.; ODA, A. L.; OLIVEIRA, A. B.; TEIXEIRA, S.; BASTOS, V. H.; MEDEIROS, C. L. O quanto podemos exigir das unidades motoras nas doenças neuromusculares? Fisioterapia Brasil 2017;18(4);511-513.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
516
AÇÕES DE COMBATE À COVID-19 NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA POR FONOAUDIÓLOGOS
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a ocorrência da infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 com alta distribuição geográfica mundialmente decretando situação pandêmica e estado de emergência global. Diante do grande número de casos da COVID-19 no Brasil, ações de combate à doença têm sido realizadas tanto a nível hospitalar quanto em nível de Atenção Primária à Saúde (APS), com objetivo de minimizar os impactos no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a APS peça fundamental neste processo. A APS é caracterizada pelo conjunto de ações por uma equipe multiprofissional no âmbito individual e coletivo, sendo as intervenções de promoção, prevenção e proteção que permeiam a temática da ação realizada no enfrentamento contra o COVID-19. Objetivo: Relatar a experiência de profissionais da saúde na atuação de combate ao coronavírus na APS. Método: Este estudo está baseado na vivência de profissionais fonoaudiólogos atuantes nos municípios de Barcelona/RN e Santo Antônio/RN. A atuação de combate à COVID-19 na APS iniciou no mês de abril e tem sido realizada de maneira multiprofissional, sendo o fonoaudiólogo (NASF-AB) um dos profissionais atuantes nessas ações em conjunto com a vigilância sanitária e secretaria municipal de educação dos seus respectivos municípios. Diante da atual pandemia, as atividades do cotidiano dos profissionais, como atividades educativas, atendimentos individuais e em grupos, foram interrompidas temporariamente para serem realizadas ações de combate ao vírus com objetivo de sensibilizar a população quanto cuidados necessários para a prevenção da infecção. Salienta-se que o contexto de vida da população, o reconhecimento do território coberto pelas equipes de saúde da família e as ações de campo é de responsabilidade de todos os profissionais de saúde. Resultados: A prevenção do novo coronavírus através de ações é de extrema importância para a saúde nos municípios. Nessa perspectiva as ações realizadas nas blitz nas entradas das cidades foram: orientações quanto à prevenção da doença, aferição de temperatura, distribuição de máscaras em tecido reutilizável, higienização das mãos com álcool 70%. Estas ações também foram realizadas na entrada de supermercados e bancos, com organização das filas fora dos estabelecimentos, em ambos os municípios. Algumas ações foram realizadas de forma distinta: o município de Santo Antônio/RN realizou entrega de kits de limpeza para os munícipes de baixa renda e entrega de decretos impressos aos comércios locais; enquanto no município de Barcelona/RN foram realizadas fiscalizações nos comércios referente à aglomeração de pessoas e demarcações no chão para o distanciamento nas filas. Alguns desafios foram encontrados durante as ações, como ambiente de intensa exposição à radiação solar e chuva. O baixo nível de escolaridade das comunidades assistidas, também foi um fator que dificultou a difusão de conhecimento. Conclusão: A realização de blitz, distribuição de materiais e disseminação de informações foram das ações comumente realizadas pelos profissionais de saúde, incluindo os fonoaudiólogos nos municípios mencionados. A baixa escolaridade e questões ambientais foram dificultores para realização de um trabalho mais efetivo. Continuar com as ações é imprescindível para sensibilização da população e o combate ao COVID-19.

Referências

Word Health Organization. Coronavirus disease (COVID-19) Situation report - 51. Word Health Organization. 11 mar 2020.

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Farias LABG, Colares MP, Barretoti FKA, Cavalcanti, LP. O papel da atenção primária no combate ao Covid-19: impacto na saúde pública e perspectivas futuras. Rev Bras Med Fam Comunidade. 2020; 15: 2455.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. 2017 set. Seção 1.p 68.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
978
AÇÕES DE EXTENSÃO NO CONTEXTO DE PANDEMIA
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)



INTRODUÇÃO

A amamentação confere benefícios nutricionais, imunológicos, cognitivos, econômicos e sociais para o bebê e para a relação entre mãe e filho. A intervenção dos profissionais da saúde na promoção do aleitamento materno reflete-se nas taxas e tempo de duração da amamentação, aumentando quando a mulher recebe aconselhamento sobre o assunto. Um projeto de extensão atua de forma presencial em ambiente de sala de espera, maternidade e banco de leite realizando orientações. Entretanto, no contexto de pandemia precisou reinventar suas atividades para continuar em ação.

OBJETIVO

Descrever as atividades realizadas por um projeto de extensão durante a pandemia do Coronavírus.

MÉTODO

Trata-se aqui de um relato de experiência de extensionistas que atuam num projeto de extensão que visa promover o aleitamento materno mediante orientações teórico-práticas para gestantes e puérperas usuárias do Sistema Único de Saúde, aproximando os acadêmicos da realidade e da demanda da população atendida e formando multiplicadores da promoção à amamentação. Visto que o contexto pandêmico atual impede o contato presencial com o público alvo, os participantes passaram a explorar outras formas de contato. Criou-se página/perfil em rede social e foram elaborados materiais específicos para mídia digital. Por acreditar na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, neste período foram submetidos artigos científicos para periódicos. Também foi aprofundado o estudo teórico por meio de treinamentos on-line sobre assuntos da amamentação e doação de leite durante o surto de Covid-19.



RESULTADOS

Foram confeccionadas cartilhas com informações de origem de literatura científica e orientações dos órgãos reguladores de saúde. Os temas abordados no material foram: apresentação e atuação do projeto de extensão; a relação da fonoaudiologia com a amamentação; os benefícios do aleitamento materno para a díade mãe-bebê; pega e posicionamento; ordenha manual e armazenamento do leite materno. Dois artigos foram submetidos a periódicos relacionados à atividades de extensão. Foi criado perfil em redes sociais com postagens semanais sobre os temas abordados nas orientações presenciais. Entretanto, enfatizando informações sobre cuidados com a amamentação durante a pandemia, bem como conhecimentos gerais quanto à prevenção do Coronavírus, tudo baseado em pesquisas científicas da área. Também foram postados materiais de motivação à doação de leite materno buscando demandas dos bancos de leite próximos. Dessa forma proporcionou-se aos seguidores das mídias digitais do projeto acesso à informações atualizadas sobre a amamentação, para fomentar o início e a continuidade da prática, uma vez que os benefícios da amamentação superam os possíveis riscos de transmissão do Coronavírus. As extensionistas foram beneficiadas por poderem compartilhar seus aprendizados e treinar o exercício profissional por meio da produção das cartilhas.

CONCLUSÃO

Em tempos de incertezas num contexto de distanciamento social a tecnologia comunicativa tornou-se um poderoso recurso para a comunicação entre os profissionais da saúde, os discentes e a sociedade. Por meio dela, foi possível acessar mais do que as mães, buscou-se sensibilizar a sociedade como uma poderosa rede de apoio. Esta nova forma de atuação do projeto gerou materiais à comunidade geral e científica, promoveu, e apoiou o aleitamento materno sustentável, para um planeta mais saudável.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
881
AÇÕES DE EXTENSÃO NO INCENTIVO E PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO COM PUÉRPERAS.
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O aleitamento materno (AM) resulta em efeitos extremamente benéficos para a sociedade ao reduzir os índices de morbimortalidade neonatal e infantil, garantir um desenvolvimento, e crescimento saudável ao bebê, promover uma recuperação mais rápida da puérpera, além do efeito psicológico positivo para ambos. Essas razões levam as principais organizações em saúde a elencar o AM como padrão ouro em alimentação neonatal, todavia, mesmo sendo gratuito e de excelência comprovada, os índices de desmame precoce ainda se encontram muito acima do esperado. Estando a desinformação, os problemas de pega e fissura e o desencorajamento entre as principais razões descritas na literatura para essas estatísticas, o Projeto de extensão com enfoque em Amamentação foi criado com o intuito de investir na promoção, proteção e apoio a amamentação.
Objetivos: Descrever as ações que o projeto de extensão desenvolve com puérperas em uma maternidade da rede pública de Porto Alegre.
Métodos: Uma parte das ações do projeto de extensão são desenvolvidas semanalmente no alojamento conjunto de um hospital de Porto Alegre, onde as puérperas recebem orientações individualmente a beira do leito pelos acadêmicos integrantes do projeto. Nesse momento, sempre que possível, avalia-se a eficiência da mamada e busca-se estabelecer um diálogo no qual a mulher sinta-se confortável e segura para dividir suas dúvidas, recebendo orientações conforme suas próprias demandas.
Resultados: Em 2019 foram visitadas 126 puérperas com idade entre 19 e 43 anos, das quais 46% afirmaram estar tendo dificuldades no AM e mais da metade afirmaram não terem sido orientadas sobre amamentação no pré-natal. As principais inseguranças relatadas pelas mulheres referiam-se à presença do colostro e sua capacidade de saciar a fome do recém-nascido, duração e frequência das mamadas, fissuras mamilares, problemas de pega e apojadura.
Conclusão: O projeto considera importantes as ações desenvolvidas junto às puérperas, pois, acredita que é uma demanda que nem sempre é solucionada por completa durante o pré-natal. Permanecem as dúvidas, mitos, palpites e influências culturais que desencorajam a mãe durante os desafios fisiológicos e emocionais do puerpério. Cada puérpera visitada é avaliada conforme suas singularidades e recebe informações científicas e atualizadas para resolução dos problemas de forma direcionada. Tal fato proporciona uma experiência prática riquíssima para o extensionista e busca tornar as mulheres protagonistas desse processo para que se sintam tranquilas e seguras, voltando para casa confiantes favorecendo a continuidade do AM.

Não se aplica


TRABALHOS CIENTÍFICOS
435
AÇÕES DE LETRAMENTO FUNCIONAL EM SAÚDE E APRENDIZAGEM EM PERÍODO DE PANDEMIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO
Vivemos um momento diferente do habitual com a COVID-19, doença causada pelo novo Corona vírus. É a primeira pandemia a partir da qual as mídias sociais e tecnologias vem sendo usadas constantemente e para diferentes finalidades, sempre com o objetivo de manter pessoas seguras, conectadas e produtivas enquanto estão separadas fisicamente¹. Neste contexto se insere o projeto de extensão de uma universidade pública, que tem buscado se adaptar ao momento por meio da produção e compartilhamento de conteúdo sobre leitura e escrita em redes sociais. Estimular essas habilidades é importante para a evolução de todas as populações, e esta promoção começa com a conscientização e preparação de todos os envolvidos neste processo.

OBJETIVO
Compartilhar informações e materiais instrutivos cientificamente embasados sobre leitura, aprendizagem e seus transtornos em linguagem clara, por meio de postagens e lives nas redes sociais.

MÉTODOS
Trata-se de um relato de experiência de um projeto de extensão do curso de Fonoaudiologia de uma universidade pública da região sudeste, composto por uma docente coordenadora, uma aluna de pós graduação e oito alunos da graduação em Fonoaudiologia. Os alunos do projeto, durante o período de isolamento social, utilizaram as mídias sociais Facebook, Instagram e Website como divulgação de informações sobre letramento funcional, o processo de aprendizagem e possíveis transtornos. Nas mídias sociais foram realizadas postagens sobre datas comemorativas, dicas de leitura, atualização científica, obras de arte envolvendo leitura, postagens de alerta à população quanto ao Corona vírus, divulgação de guias práticos sobre: “Dislexia”, “Leitura fluente”, “Consciência fonológica”, “A Leitura no dia a dia” e “Transtorno de aprendizagem” que foram disponibilizados nos formatos online e para impressão e realização de lives com momentos de diálogo e orientação entre fonoaudiólogos, pais e educadores sobre leitura, aprendizagem e letramento.

RESULTADOS
Observou-se que o site e as plataformas online foram meios importantes de disseminação de conteúdos informativos de forma interessante e dinâmica, principalmente nesse momento de isolamento social. Como se trata de uma comunicação instantânea, obtivemos feedbacks imediatos das publicações dos internautas. O acesso às páginas do projeto cresceu nesse período, principalmente após as lives e divulgação dos guias práticos onde observou-se aumento do número de seguidores em aproximadamente 64%, com mais ou menos 800 visitas no perfil e 500 visitas no site. Dentre as plataformas, o Instagram foi a mídia social mais usada para divulgação de conteúdos durante o período de pandemia. Foram realizadas 56 postagens, com alcance de 1138 contas, que é o número de contas únicas que viram qualquer uma das publicações ou stories nos últimos sete dias. Obteve 4765 impressões, que é o número total de vezes que todas as suas publicações e stories foram vistos nos últimos sete dias.

CONCLUSÃO
Por meio do uso das mídias sociais como divulgação de conteúdo, profissionais e pais interagiram, comentaram e compartilharam dúvidas, o que nos motiva a sempre postar e aumentar a gama de informações disponíveis. Essa experiência nos permite compartilhar conhecimentos cientificamente embasados com a população e ao mesmo tempo aprender com a vivência na comunidade.


1. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS BRASIL. OMS e UIT trabalham com empresas de telecom para enviar informações de saúde por SMS.[S. l], 24 abr. 2020. Disponível em: https://nacoesunidas.org/oms-e-uit-trabalham-com-empresas-de-telecom-para-enviar-informacoes-de-saude-por-sms/. Acesso em: 29. jun. 2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1232
AÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS EM UMA MATERNIDADE DO INTERIOR DE SERGIPE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O puerpério é uma fase de novas descobertas, neste período, o binômio mãe-bebê conquista juntos um vínculo através da amamentação. A atuação fonoaudiológica dentro das maternidades vem crescendo nos últimos anos, de acordo com a literatura, a amamentação proporciona adequado desenvolvimento das estruturas estomatognáticas, e das suas funções de sucção, deglutição, respiração, mastigação e fala, porém aspectos culturais, alterações anatômicas e dificuldades para realizar a pega correta, podem impedir esta prática tão fundamental e importante para o binômio. A avaliação precoce do aleitamento, das estruturas envolvidas, a comunicação, o aconselhamento e a informação a mãe, são capazes de identificar possíveis alterações e dificuldades que venham impedir e dificultar a mamada.
OBJETIVO: Relatar ações fonoaudiológica realizadas em uma maternidade filantrópica de um município de Sergipe. MÉTODO: As ações ocorreram durante o ano de 2019, em uma maternidade filantrópica de um município de Sergipe. Foram distribuídos panfletos, com o objetivo de aconselhar as puérperas quanto a amamentação durante os dois primeiros anos; realizou-se também orientações referente a pega correta, posições para o aleitamento, e os maus hábitos que afetam os padrões miofuncionais, e futuramente a fala, como chupetas e mamadeiras, além de falar dos exames de supra importância, o teste da linguinha e o teste da orelhinha que já eram utilizados na própria instituição. RESULTADOS: Foram encontradas problemas que envolvessem a dificuldade relatadas pelas mães em amamentar seus filhos, bem como o relato de mães jovens que se sentiam desmotivadas a amamentar, privando-se de todos os ganhos que são proporcionados pela amamentação. A partir desta, as mães foram instruídas pelas turmas de graduação em Fonoaudiologia da Universidade Federal de Sergipe, a realizar a pega correta e a solucionar transtornos gerados pelas alterações anatômicas da mama, como traumas mamilares e consequente sucção ineficiente. Na segunda problemática, a atuação teve seu foco voltado à orientação às jovens mães que se sentiam inseguras quanto ao puerpério , foi salientado os benefícios do aleitamento materno para mãe e o bebê, bem como elucidado a importância do autocuidado para o seu bem-estar e sucesso na amamentação. CONCLUSÃO: Em virtude do desconhecimento das égides do aleitamento materno, tanto para saúde da mãe quanto para o desenvolvimento e saúde do bebê, deve ser proposto nas instituições materno-infantis que toda a equipe de profissionais deve estar capacitada adequadamente no manejo clínico da amamentação e identificar aquelas que necessitam de apoio.

1. Crestani AH, Rosa FF de M, Souza APR de, Pretto JP, Moro MP, Dias L. A experiência da maternidade e a dialogia mãe-filho com distúrbio de linguagem. Rev CEFAC [Internet]. 2012 Oct 8;14(2):350–60. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462012000200020&lng=pt&tlng=pt
2. Sanches MT. Enfoque fonoaudiológico. In: Carvalho MR de. Amamentação: bases científicas. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2014. p. 101-22.
3. Tamarez RN. Atuação da Enfermagem. In: Carvalho MR de. Amamentação: bases científicas. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2014. p. 122-36.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1661
ACOMPANHAMENTO FONOAUDIOLÓGICO DA CRIANÇA DE RISCO – UMA EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: A formação profissional de qualidade é essencial para preparação do indivíduo para o atendimento às demandas da sociedade. No âmbito acadêmico destaca-se como atividade relevante para formação profissional, a Extensão Universitária. As ações de extensão permitem possibilidades variadas para a Universidade e a Comunidade. Estas ações, realizadas pelo grupo acadêmico, visam atender às demandas da população próxima a instituição e também proporciona e otimiza o aprendizado teórico-prático dos discentes. Neste contexto, destaca-se um Projeto de Extensão, de um hospital da rede pública, da região sudeste, que realiza o acompanhamento longitudinal de crianças pré-termo, até os sete anos de idade. Objetivo: Relatar a experiência de discentes do Curso de Fonoaudiologia quanto à participação no projeto de extensão e a relevância para formação profissional. Métodos: Trata-se de um relato de experiência de alunos do quarto, nono e décimo períodos do curso de Fonoaudiologia, no período compreendido entre novembro de 2017 a dezembro de 2018, no ambulatório follow-up de pré-termos. Neste período a equipe de fonoaudiologia do projeto era formada por uma docente coordenadora, duas fonoaudiólogas, sendo uma doutoranda em Neurociências e uma mestranda em Ciências Fonoaudiológicas e 12 graduandos do Curso de Fonoaudiologia. Os atendimentos eram realizados por duplas de alunos do quarto período, sob monitoria das alunas do nono e décimo períodos, e supervisionados por fonoaudiólogas e por uma docente. No primeiro atendimento da Fonoaudiologia, era realizada anamnese; avaliação do desenvolvimento da linguagem, por meio do Protocolo adaptado para avaliação de crianças de dois a 24 meses e do Protocolo de Observação de Comportamentos de Crianças de 0 a 6 anos; avaliação auditiva por meio de meatoscopia e da realização do exame de Emissões Otoacústicas Transientes; orientações aos cuidadores sobre o desenvolvimento da linguagem e audição da criança; realização de encaminhamentos, quando necessário; e agendamento para nova consulta de acordo com os marcos do desenvolvimento. Nos acompanhamentos subsequentes, realizadas avaliações do desenvolvimento da linguagem, conforme idade da criança. Após o término dos atendimentos, era realizada supervisão com os alunos objetivando discussão dos casos atendidos, proporcionando o aprendizado e desenvolvimento do raciocínio clínico. Resultados: Antes de iniciar os atendimentos no ambulatório os alunos passaram por um processo de instrumentalização. Para favorecer o aprendizado, os alunos passaram por um período de observação de outros atendimentos, receberam orientações sobre relações interpessoais, explicações dos materiais e protocolos utilizados no ambulatório, bem como fundamentação teórica. Esse processo se fez essencial para o aprendizado metodológico realizado no projeto. Durante o período de novembro de 2017 a dezembro de 2018, foi realizado um total de 357 atendimentos, decorrentes de encaminhamentos para primeira consulta ou agendamentos para acompanhamento fonoaudiológico. Os atendimentos tiveram duração média de 30 a 40 minutos, conforme as demandas familiares e características da criança na realização das atividades propostas na avaliação. Conclusão: O projeto de extensão proporciona aos alunos o aprendizado ativo com condições únicas para o desenvolvimento e consolidação das competências necessárias para a prática profissional.

Chiari BM, Basílio CM, Nakagwa EA, Cormedi MA, Silva NSM, Cardoso RM, et al. Proposta de sistematização de dados da avaliação fonoaudiológica através da observação de comportamentos de criança de 0 a 6 anos. Pró-fono. 1991; 3, (2), 29-36.

Do Nascimento CR. Instrumentos de avaliação de linguagem para bebês entre 0 a 12 meses e Avaliação de Linguagem em bebês no terceiro bimestre de vida: comparação entre dois instrumentos de avaliação. 2012. Fonoaudiologia. Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Gordo A, Parlato EM, Azevedo MF, Guedes ZCF. Triagem auditiva em bebês de 2 a 12 meses/ Audiological screening in infants from 2 to 12 months. Pró Fono. 1994; 6, (1), 7-13.

Rodrigues ALL, Prata MS, Batalha TBD, Costa CLNA, Neto IFP. Contribuições da extensão universitária na sociedade. Cadernos de Graduação - Ciências Humanas e Sociais, Aracaju, 2013; 1(16), 141-148. Disponível em: Acesso em: 03 dez. 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1879
ACOUSTIC VOICE QUALITY INDEX (AVQI) EM MULHERES COM EDEMA DE REINKE
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO:O Acoustic Voice Quality Index (AVQI) é uma medida multiparamétrica, que quantifica a intensidade do desvio da qualidade vocal, extraída a partir da associação entre amostra sustentada e amostra encadeada de voz (BARTIES, 2015)1, sendo que no Brasil sugere-se que a emissão encadeada contemple a contagem de números (Englert, 2016)2. São combinadas seis medidas acústicas, dentre elas quatro bastante utilizadas de forma isolada na clínica vocal:Smoothed ceptral peak prominence (CPPS);Harmonic-to-noise ratio (HNR); Shimmer % e Shimmer dB. Fornece um único escore de 0 a 10 pontos, sendo que quanto menor o valor, melhor a qualidade vocal (BARSTIES, 2016).
OBJETIVO:Obter dados de AVQI de mulheres com edema de Reinke, comparando-os com os obtidos por mulheres sem queixas vocais, além de analisar correlações entre os resultados do AVQI e dados referentes ao grau do edema e grau geral do desvio vocal.
MÉTODOS:Estudo observacional, analítico, transversal, aprovado pelo CEP sob número 221.401.Participaram 58 mulheres, com idades entre 44 e 77 anos (média de 56,3 anos), que se dividiram em dois grupos: Grupo Pesquisa (GP):29 mulheres com diagnóstico ORL de edema de Reinke; Grupos Controle (GC): 29 mulheres sem queixas vocais. Os grupos foram semelhantes quanto à faixa etária (p = 0,76). Foram gravadas amostras da vogal sustentada /é/ e contagem de números de 1 a 10. A partir delas, foi realizada a extração do AVQI no software PRAAT. Além disso, foi realizada análise perceptivo-auditiva (APA) por uma fonoaudióloga especialista em voz, que analisou o grau geral do desvio vocal em escala numérica de três pontos(0 ausência de desvio;1 desvio discreto; 2 moderado; e 3 intenso).Os dados de AVQI foram correlacionados com dados da APA e dados referentes ao grau do edema (1, 2 ou 3) apresentado pela participante.
RESULTADOS:Os resultados médios do AVQI diferenciaram mulheres do GP (2,09) e do GC (1,01) (p = 0,04), sendo que somente o GP apresentou valores médios fora do padrão de normalidade da medida no PRAAT, que é de 1,5. As medidas isoladas compiladas pelo AVQI também diferenciaram os grupos, exceto a CPPS. Especificamente em relação ao GP, houve correlação positiva moderada entre o AQVI e a variável grau do edema, sendo que quanto maior o grau, maiores os valores de AVQI (r = 0,66; p <0,001). O mesmo ocorreu na correlação entre o AVQI e o grau geral do desvio vocal, tanto para a vogal (r = 0,64; p <0,001) quanto para números (r = 0,54; p = 0,002). Houve, ainda,correlações moderadas entre as medidas isoladas compiladas no AVQI e as variável grau do edema e grau de desvio vocal (negativas para CPPS e HNR e positivas para shimmer, shimmer % e shimmer DB (todos os cruzamentos com p<0,01).
CONCLUSÃO:Mulheres com edema de Reinke apresentam resultados do AVQI fora do padrão de normalidade, diferenciando-as de mulheres sem queixas vocais. Quanto maior o grau do edema e o grau geral do desvio vocal, maiores são os resultados do AVQI em mulheres com Edema de Reinke.O AVQI se mostra útil para acompanhamento terapêutico dessas pacientes na clínica vocal.

1-Barsties B, De Bodt M. Assessment of voice quality: current state-of-theart. Auris Nasus Larynx. 2015
2-Englert et a. Acoustic Voice Quality Index - AVQI para o português brasileiro: análise de diferentes materiais de fala. CoDAS 2019
3-Barsties B, Maryn Y. External Validation of the Acoustic Voice Quality Index version 03.01 with extended representativity. Ann Otol Rhinol Laryngol. 2016


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1446
ACURÁCIA DA AVALIAÇÃO ACÚSTICA DA DEGLUTIÇÃO COMO MÉTODO DIAGNÓSTICO DA DISFAGIA EM INDIVÍDUOS ACOMETIDOS POR ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: ANÁLISE PRELIMINAR
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: Após um Acidente Vascular Encefálico (AVE), mais da metade dos pacientes apresentam algum tipo de incapacidade, sendo a disfagia encontrada com frequência. Diante da diversidade de métodos utilizados na avaliação das alterações da deglutição nesses pacientes, torna-se fundamental que pesquisas sejam desenvolvidas com o intuito de demonstrar a efetividade das ferramentas de apoio utilizadas por esses profissionais. A ausculta cervical pelo Sonar Doppler é uma técnica inovadora com ganho de credibilidade na avaliação clínica da deglutição. Objetivo: Determinar a acurácia diagnóstica do Sonar Doppler e software DeglutiSom® como método auxiliar na avaliação da disfagia orofaríngea em pacientes após AVE. Método: A pesquisa trata-se de um estudo do tipo transversal, não controlado, com amostragem aleatória sistemática, duplo-cego, realizada de forma quantitativa. Foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas sob número 3.066.XXX. Os pacientes foram encaminhados das unidades de internação e dos ambulatórios de um hospital de referência, com unidade de atenção ao AVE e submetidos ao Sonar Doppler/DeglutiSom® e à FEES®, de forma concomitante. Os sons captados pelo Sonar Doppler/DeglutiSom® e suas respectivas análises no programa foram processados de forma aleatória, salvos, numerados e encaminhados para um avaliador que não tinha conhecimento das avaliações prévias ou características clínicas do paciente e com experiência em análise acústica. Foi solicitado que esse avaliador apontasse os áudios que apresentavam características de disfagia, resíduo ou aspiração traqueal. Foram analisados 73 arquivos de áudio coletados dos 26 pacientes, por meio do Sonar Doppler e confrontados com o laudo da FEES®, nas três consistências alimentares oferecidas durante o exame. O tempo de AVE variou de 2 a 76 dias, com uma média de 10,8 dias e desvio padrão de 14,6 dias. Em relação às queixas na deglutição, 80,8% relataram sofrer com esses sintomas e, além disso, 61,5% da amostra estudada apresentava perda de peso importante após o início dos sinais de disfagia. Resultados: O estudo mostrou que o Sonar Doppler identificou corretamente, dentre todos os arquivos analisados, aqueles que realmente apresentaram a aspiração traqueal. Além disso, mostrou-se eficaz em identificar os pacientes que não apresentavam a mesma alteração. O índice de Youden no valor de 0,91 corrobora essas informações, mostrando excelente precisão no diagnóstico de aspiração traqueal na amostra estudada. Conclusão: O estudo demonstra uma excelente acurácia diagnóstica do Sonar Doppler, podendo ser utilizado como uma valiosa ferramenta no diagnóstico da aspiração traqueal, em pacientes após AVE.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Acústica, Confiabilidade dos Dados, Disfagia, Efeito Doppler, Transtornos de Deglutição



1. HEART AND STROKE FOUNDATION. Together against a rising tide: advancing stroke systems of care. Stroke month report. Ottawa: Heart and Stroke Foundation; 2014. p. 2014.

2. WORLD STROKE ORGANIZATION ANNUAL REPORT 2018. Disponível em: https://www.world-stroke.org/assets/downloads/Annual_Report_2018_online_fnal_COMPRESSED.pdf

3. FALCÃO IV, CARVALHO EMF, BARRETO KML, LESSA FJD, LEITE VMM. Acidente vascular cerebral precoce: implicações para adultos em idade produtiva atendidos pelo Sistema Único de Saúde. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. 2004 http://dx.doi.org/10.1590/S1519-38292004000100009 3

4. KWON S-H, SEO HG. Unusual Cause of Dysphagia in a Post-Stroke Patient. Springer Science+Business Media New York, 2017. Dysphagia 32:721–723

5. MARTINO R, FOLEY NC, BHOGAL SK, DIAMANT N, SPEECHLEY MR, TEASELL R. Dysphagia after stroke: incidence, diagnosis, and pulmonary complications. Stroke, 2005 36:2756–63

6. PERNAMBUCO LA, MAGALHÃES JUNIOR HV. Aspectos epidemiológicos da disfagia orofaríngea. In: Marchesan IQ, Silva HJ, Tomé MC. Tratado das especialidades em Fonoaudiologia. São Paulo: Guanabara Koogan; 2014. p. 7-14

7. BRAY BD, SMITH CJ, CLOUD GC, ENDERBY P, JAMES M, PALEY L, TYRRELL PJ, WOLFE CD, RUDD AG, COLLABORATION S. The association between delays in screening for and assessing dysphagia after acute stroke, and the risk of stroke-associated pneumonia. J Neurol Neurosurg Psychiatr. 2016, 88:25

8. KISHORE KA, VAIL A, CHAMORRO A, GARAU J, HOPKINS JS, DI NAPOLI M, ET AL. How is pneumonia diagnosed in clinical stroke research? A systematic review and meta-analysis. Stroke. 2015, 46(5):1202–9. https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.114.007843

9. SABRINA A. ELTRINGHAM, KAREN KILNER, MELANIE GEE, KAREN SAGE, BEN D. BRAY, CRAIG J. SMITH, SUE POWNALL. Factors Associated with Risk of Stroke Associated Pneumonia in Patients with Dysphagia: A Systematic Review. Dysphagia, 2019 doi: 10.1007/s00455-019-10061-6

10. BENFIELD JK, EVERTON LF, BATH PM, ENGLAND TJ. Accuracy and clinical utility of comprehensive dysphagia screening assessments in acute stroke: A systematic review and meta-analysis. J Clin Nurs. 2020, 29:1527–1538


TRABALHOS CIENTÍFICOS
797
ACURÁCIA DA ELETROMIOGRAFIA DE SUPERFÍCIE PARA AVALIAÇÃO DO CONSUMO DE 100 ML DE ÁGUA EM PACIENTES COM DOENÇA DE PARKINSON
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A eletromiografia de Superfície dos músculos supra-hióideos (EMG-MSH) traz informações complementares importantes para a avaliação da deglutição de Pacientes com doença de Parkinson1,2,3. Objetivo: identificar a acurácia de parâmetros da EMGs-MSH no consumo contínuo de 100 ml de água em sujeitos com doença de Parkinson (DP). Método: Tratou-se de um estudo analítico descritivo do tipo transversal com amostra de conveniência com aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco, sob ofício nº 842/2011. Antes de iniciar o estudo, os sujeitos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Participaram 67 sujeitos, sendo 41 com doença de Parkinson (DP) e 26 sujeitos sem alterações neurológicas e apresentando deglutição normal. Além da Ficha de Registro de Dados e EMGs-MSH, os sujeitos com DP foram estadiados pela escala de Hoehn e Yahr4; avaliados a partir do mini exame do estado mental5 e submetidos à Videoendoscopia da deglutição com a aplicação da escala de severidade da disfagia6 Apenas os sujeitos considerados normais responderam ao questionário de qualidade de vida em disfagia (SWAL-QOL)7 e aqueles com escore inferior a 93% foram excluídos do estudo. Após o estabelecimento do diagnóstico de gravidade e consideradas as exclusões, a amostra foi dividida em dois grupos: grupo 1, formado por 23 sujeitos apresentando deglutição normal e grupo 2, formado por 35 sujeitos com DP apresentando disfagia. Para a EMGs-MSH foi realizada a higienização da pele e fixação dos eletrodos na região submentoniana em ventre muscular. O registro foi captado pelo eletromiógrafo da marca EMG System do brasil nas especificações indicadas pelo SENIAM8. As variáveis estudadas foram: duração total da atividade eletromiográfica para o consumo; número de deglutições; duração média dos ciclos de deglutição e o volume médio por gole. O período de coleta foi de sete meses e os dados foram processados pelo BioanalyzerBR versão 2 e a análise estatística foi realizada pelo programa STATISTICA por meio da análise de variância (ANOVA), teste Exato de Fisher e o KAPPA, considerando nível de significância menor que 0,05. Resultados: Para o consumo contínuo de 100 ml de água, o número de deglutições foi maior (p=0,002), duração total mais prolongada (p=0,01) e volume médio por gole menor (p=0,01) no grupo DP disfágico, com significância estatística na comparação com o grupo deglutição normal. O número de deglutições e o volume médio por gole apresentaram especificidade de 88%, valor preditivo positivo de 78% e odds ratio de 8.2 com significância estatística para ambos. Conclusão: O registro eletromiográfico do número de deglutições e volume médio por gole pode ser útil para a triagem e registro da deglutição em pacientes com doença de Parkinson apresentando disfagia. Sendo importante associar seus resultados às informações colhidas na avaliação clínica fonoaudiológica inicial considerada soberana.

1. Ertekin C. Electrophysiological Evaluation of Oropharyngeal Dysphagia in Parkinson‟s Disease. Movements Disorders, v.7, n.2, p.31-56, 2014.
2. Belo L, et al. The relationship between limit of Dysphagia and average volume per swallow in patients with Parkinson's disease. Dysphagia. 2014; 29(4): 419-24.
3. Poorjavad M, Talebian S, Ansari NN, Soleymani Z. Surface Electromyographic Assessment of Swallowing Function. Iran J Med Sci March 2017; 42(2): 194-200.
4. Hoehn MM, Yahr MD. Parkinsonism: onset, progression and mortality. Neurology 1967; 17(5): 427-42.
5. Folstein M, Folstein S, Mchugh, P. Mini-mental state: A practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. Journal of Psychiatric Research. 1975; 12(3):189-198.
6. O’ Neil K, et al. The Dysphagia Outcome and Severity Scale. Dysphagia. 1999; 14:139–145.
7. Mchorney CA, et al. The SWAL-QOL and SWAL-CARE outcomes tool for oropharyngeal dysphagia in adults:III. Documentation of reliability and validity. Dysphagia 2002; 17(2):97-114.
8. Hermens HJ, Hägg G, Freriks B. European Applications of Surface ElectroMyoGraphy Proceedings of second general SENIAM In: second general workshop. 1997 June 13-14, Stockholm, Sweden [Acesso em 03 Jul 2020]. Disponível em: http://www.seniam.org/pdf/contents2.PDF.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1838
ACURÁCIA DA TRIAGEM AUDITIVA COM APLICATIVO PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS UHEAR: DESEMPENHO COM DIFERENTES TIPOS DE FONE DE OUVIDO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A perda auditiva representa a quarta maior causa de incapacidade, afetando cerca de 466 milhões de pessoas no mundo (1). A dificuldade no acesso ao diagnóstico da perda auditiva em países de baixa e média renda ou mesmo em localidades afastadas de grandes centros, pode ser minimizada com o avanço da telemedicina e a disponibilidade de aplicativos para dispositivos móveis para triagem auditiva. Estudos conduzidos com população adulta para investigar a acurácia da triagem auditiva com o aplicativo para dispositivos móveis uHear, em comparação com a audiometria convencional, revelaram expressiva variação das medidas de Sensibilidade e Especificidade, de acordo com o ambiente de teste (2,3), acessórios utilizados (4) e critérios adotados para definição de perda auditiva (5, 6, 7, 8, 9). Objetivo: Investigar a acurácia da triagem auditiva com o aplicativo para dispositivos móveis uHear utilizando diferentes tipos de fones, em comparação com a audiometria convencional. Método: Estudo metodológico de validade realizado em um serviço de Fonoaudiologia de uma instituição pública de ensino. A triagem auditiva foi realizada em uma sala silenciosa, no modo de resposta autoaplicado, com fones de ouvido intra-auriculares e fones circumaurais. Foram pesquisados os limiares auditivos de via aérea de 0,5, 1, 2, 4 e 6 kHz bilateralmente, alternando o primeiro fone de ouvido utilizado para a realização da triagem auditiva para cada participante do estudo. Em seguida, fonoaudiólogos do serviço realizaram a audiometria convencional em cabine acústica, cegos aos resultados da triagem auditiva. Para análise, foram estimadas medidas de acurácia para a triagem auditiva, separadamente para o tipo do fone de ouvido (intra-auricular e circumaural), em comparação com a audiometria convencional (padrão-ouro), segundo dois critérios de perda auditiva (PA): perda auditiva incapacitante e qualquer grau de perda auditiva. Resultados: Realizaram todos os procedimentos do estudo 301 participantes. Entre os adultos (N=512 orelhas), as estimativas de Sensibilidade foram >99%, independentemente do fone utilizado e do critério de PA adotado. As estimativas de Especificidade e Índice de Youden foram mais altas para a triagem com os fones intra-auriculares em comparação com os fones circumaurais, >70% quando adotado o critério de perda auditiva incapacitante e <50% quando adotado o critério qualquer grau de perda auditiva. Entre as crianças (N=90 orelhas), as estimativas de Sensibilidade foram >85%; e as estimativas de Especificidade e Índice de Youden foram também mais altas para a triagem com os fones intra-auriculares em comparação com os fones circumaurais, >70% independentemente do critério de PA adotado. Conclusão: Os resultados sugerem que a triagem auditiva com o uHear apresenta boa acurácia para a identificação de perda auditiva incapacitante em adultos, e qualquer perda auditiva/perda auditiva incapacitante em crianças, com melhor desempenho utilizando-se fones intra-auriculares.

1. World Health Organization et al. Addressing the rising prevalence of hearing loss. 2018.

2. Szudek J, Ostevik A, Dziegieloewski P, Robinson-Anagor J, Gomaa N, Hodgetts B et al. Can Uhear me now? Validation of an iPod-based hearing loss screening test. Journal of Otolaryngology-head and Neck Surgery. 2012;41(1):S78-S84.

3. Peer S, Fagan JJ. Hearing loss in the developing world: evaluating the iPhone mobile device as a screening tool. South African Medical Journal. 2015;105(1):35-9.

4. Barczik J, Serpanos YC. Accuracy of Smartphone Self-Hearing Test Applications Across Frequencies and Earphone Styles in Adults. American Journal of Audiology. 2018;27(4):570-580.

5. Handzel O, Ben-Ari O, Damian D, Priel MM, Cohen J, Himmelfarb M. Smartphone-based hearing test as an aid in the initial evaluation of unilateral sudden sensorineural hearing loss. Audiology and Neurotology. 2013;18(4):201-07.

6. Lycke M, Debruyne PR, Lefebvre T, Martenes E, Ketelaars L, Pottel H et al. The use of uHear™ to screen for hearing loss in older patients with cancer as part of a comprehensive geriatric assessment. Acta Clinica Belgica. 2018;73(2):132-38.

7. Lycke M, Boterberg T, Martens E, Ketelaars L, Pottel H, Lambrecht A et al. Implementation of uHear™-an iOS-based application to screen for hearing loss-in older patients with cancer undergoing a comprehensive geriatric assessment. Journal of Geriatric Oncology. 2016;7(2):126-33.

8. Abu-Ghanem S, Handzel O, Ness L, Bem-Artzi-Blima M, Fait-Ghelbendorf K, Himmelfarb M. Smartphone-based audiometric test for screening hearing loss in the elderly. European Archives of Oto-rhino-laryngology. 2016;273(2):333-39.

9. Livshitz L, Ghanayim R, Kraus C, Farah R, Even-Tov E, Avraham Y, et al. Application-based hearing screening in the elderly population. Ann Otol Rhinol Laryngol. 2017;126:36–41.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1369
ACURÁCIA DE LEITURA, COMPREENSÃO ORAL E COMPREENSÃO DO TEXTO LIDO NO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A leitura competente está condicionada ao reconhecimento automático de palavras e à compreensão auditiva (cf.: Simple View of Reading 1,2). Concepções atuais pressupõem a associação desse modelo a outras habilidades, como a memória operacional 3. No 5º ano do Ensino Fundamental (EF) a leitura com compreensão deve estar desenvolvida para as demandas cognitivas próprias do ciclo seguinte. A busca por melhor entendimento dos processos subjacentes à leitura competente, envolvendo associações entre a acurácia de leitura, a compreensão auditiva e a participação da memória operacional nos desfechos de compreensão de leitura, justificou a realização deste estudo. OBJETIVO: Verificar as associações entre a compreensão de leitura e a acurácia de leitura, a compreensão auditiva e a memória fonológica operacional em escolares do 5º ano do EF com diferentes desempenhos em compreensão de leitura. MÉTODO: Estudo retrospectivo, de corte transversal e análise quantitativa (CEP/Parecer: 3.900.844 - CAAE: 26921619.1.0000.5505). De um banco de dados anonimizado, analisaram-se informações da avaliação da compreensão de leitura (texto narrativo) e da leitura oral de palavras isoladas (taxa e acurácia), da compreensão auditiva (respostas a partir da escuta de texto narrativo) e de memória fonológica operacional (span de dígitos em ordem inversa), de uma amostra randomizada de 188 crianças sem queixas de aprendizado, matriculadas no 5º ano do Ensino Fundamental de escolas privadas e públicas. A partir do desempenho em compreensão de leitura, os escolares foram agrupados: GI (N=109; 66% de acertos ou mais, na tarefa de compreensão de leitura) e GII (N=79, menos de 66% de acertos) . A amostra foi caracterizada quanto aos desempenhos nas variáveis de estudo. Calculou-se o coeficiente de correlação de Pearson (nível de significância adotado em 5%). RESULTADOS: Os grupos não se diferenciaram quanto a memória e compreensão oral. GII apresentou menor valor de acurácia (Média = 48,26p.c.p.m.). Nenhuma correlação foi identificada entre memória fonológica operacional e a compreensão de leitura; GI mostrou correlações positivas, embora fracas, entre acurácia de leitura e compreensão auditiva (p=0,001; r=0,301) e entre compreensão auditiva e compreensão leitora (p=0,002; r=0,300); GII mostrou correlações fracas positivas entre acurácia e compreensão de leitura (p=0,004; r=0,319) e entre compreensão auditiva e memória fonológica operacional (p=0,015; r=0,272). CONCLUSÃO: Diferentes perfis de correlações foram encontrados para cada grupo, evidenciando a ocorrência de processamentos distintos, associados à compreensão de leitura. No grupo com melhor compreensão leitora esta associou-se com a auditiva. No de pior compreensão em leitura, esta associou-se à acurácia, quando o melhor desempenho em compreensão dependeu mais da decodificação. As correlações encontradas confirmaram a importância dos mecanismos de decodificação e do domínio de estruturas cognitivas e linguísticas para a leitura competente.

1. Gough, PB, & Tunmer, WE. Decoding, Reading, and Reading Disability. Remedial and Special Education. 1986; 7(1):6–10.
2. Hoover, WA & Gough, PB. The Simple View of Reading. Reading and Writing: An Interdisciplinary Journal. 1990; (2):127-160.
3. Kim Y-KG. Why the Simple View of Reading is not simplistic: unpacking component skills of reading using a Direct and Indirect Effect Model of Reading (DIER). Scientific Studies of Reading. 2017; 21(4):310-333.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
606
ACURÁCIA DIAGNÓSTICA DOS INSTRUMENTOS PARA IDENTIFICAÇÃO DO RISCO DE DISFAGIA OROFARÍNGEA EM IDOSOS HOSPITALIZADOS POR FRATURAS TRAUMATO-ORTOPÉDICAS
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A disfagia orofaríngea é alvo de preocupação durante o envelhecimento,(1) podendo ser sinalizada a partir de sintomas como desnutrição, desidratação e complicações respiratórias.(2,3) Sua identificação precoce é fundamental em idosos hospitalizados a fim de prevenir complicações, principalmente em casos de internações cirúrgicas.(4) A identificação dos sinais clínicos e a investigação à beira do leito pode ser executada pelas equipes assistenciais, a partir de instrumentos simples, rápidos, de baixo custo(5) e recomendados na literatura,(5,6) indicando a necessidade de avaliação especializada.(6)

OBJETIVO: Avaliar a acurácia diagnóstica de instrumentos para a identificação do risco de disfagia orofaríngea em idosos com fraturas traumato-ortopédicas.

MÉTODO: Os dados foram coletados em um hospital público de trauma (CEP n° 3.125.527) entre fevereiro e outubro de 2019. A amostra constituiu-se por idosos a partir de 65 anos, internados por fratura traumato-ortopédicas. As avaliações foram realizadas por dois avaliadores de forma simultânea, mas independente, cegados quanto às condições clínicas dos indivíduos, coletadas por um terceiro avaliador. Para delimitação dos indivíduos disfágicos com sinais e sintomas clínicos de prejuízo na segurança e na eficácia da deglutição, utilizou-se o protocolo Volume Viscosity Swallow Test (V-VST)(7), considerado padrão ouro neste estudo. Foram coletadas informações do prontuário, consistência da dieta prescrita pela equipe na admissão hospitalar e as queixas de deglutição para alimentos sólidos e líquidos. Para mensuração da acurácia dos instrumentos para identificação do risco de disfagia, utilizou-se os protocolos: Eating Assessment Tool (EAT-10)(8), Mini Avaliação Nutricional (MNA)(9) e Avaliação Miofuncional Orofacial para pessoas idosas (AMIOFE- I)(10). Esse último, para análise da acurácia dos aspectos de estruturas e demais funções do sistema estomatognático, avaliação por vezes incluída na investigação fonoaudiológica inicial.

RESULTADOS: foram avaliados 229 indivíduos com idade média de 77,90 (±8,21) anos, sendo 78,6% do sexo feminino e 21,4% do sexo masculino, predominantemente hospitalizados por fratura de fêmur de forma isolada (55,9%). 64,19% dos participantes apresentaram alterações indicativas de disfagia orofaríngea. Observou-se mais queixas de deglutição entre indivíduos disfágicos (p< 0,05), porém baixa indicação de dieta com restrição de consistências alimentares pelas equipes na admissão hospitalar, apesar de maior indicação neste grupo (p<0,05). O EAT-10, demonstrou sensibilidade de 40,0% e especificidade de 90,0%, o MNA - triagem, sensibilidade de 56,0% e especificidade de 63,0%, e o MNA - Completo, sensibilidade de 79,0% e especificidade de 42,0%. Na análise do AMIOFE-I, a curva ROC demonstrou área sob a curva de 0,67 (0,60 - 0,75), com valores de sensibilidade e especificidade (considerando uma pontuação de 208,5) de 46,3% e 78,9% respectivamente.

CONCLUSÃO: Os instrumentos EAT-10, MNA - Versão triagem e AMIOFE-I não apresentam bom poder diagnóstico se utilizados de forma isolada. O MNA – Completo mostrou-se acurado para identificação de indivíduos em risco de disfagia com a menor ocorrência de valores falsos positivos e falsos negativos. Quanto aos dados obtidos pelo AMIOFE-I, o fonoaudiólogo ao elencar o instrumento para investigação inicial à beira do leito, deve ponderar a contribuição dos resultados obtidos no manejo clínico da disfagia, uma vez que os dados são pouco acurados para orientação diagnóstica da alteração.


1.De Lima Alvarenga EH, Dall’Oglio GP, Murano EZ, Abrahão M. Continuum theory: presbyphagia to dysphagia? Functional assessment of swallowing in the elderly. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology. 2017;275(2):443–449. DOI:10.1007/s00405-017-4801-7
2.Ortega O, Martín A, Clavé P. Diagnosis and Management of Oropharyngeal Dysphagia Among Older Persons, State of the Art. Journal of the American Medical Directors Association. 2017;18(7):576–582. DOI:10.1016/j.jamda.2017.02.015
3.Maciel JRV, Oliveira CJR, Tada C de MP. Associação entre risco de disfagia e risco nutricional em idosos internados em hospital universitário de Brasília. Revista de Nutrição. 2008;21(4):411–421. DOI:10.1590/s1415-52732008000400005
4.Miller, N. Oropharyngeal dysphagia in an elderly post-operative hip fracture population. Age and Ageing. 2013;42(6):679–681. DOI:10.1093/ageing/aft081
5.Azzolino D, Damanti S, Bertagnoli L, Lucchi T, Cesari M. Sarcopenia and swallowing disorders in older people. Aging Clinical and Experimental Research. 2019. DOI:10.1007/s40520-019-01128-3
6.Sherman V, Flowers H, Kapral MK, Nicholson G, Silver F, Martino R. Screening for Dysphagia in Adult Patients with Stroke: Assessing the Accuracy of Informal Detection. Dysphagia. 2018. DOI:10.1007/s00455-018-9885-8
7.Clavé P, Arreola V, Romea M, Medina L, Palomera E, Serra-Prat M. Accuracy of the volume-viscosity swallow test for clinical screening of oropharyngeal dysphagia and aspiration. Clinical Nutrition. 2008;27(6):806–815. DOI:10.1016/j.clnu.2008.06.011
8.Gonçalves MIR, Remaili CB, Behlau M. Cross-cultural adaptation of the Brazilian version of the Eating Assessment Tool - EAT-10. CoDAS. 2013;25(6):601–604. DOI:10.1590/s2317-17822013.05000012
9.Vellas B, Guigoz Y, Garry PJ. The Mini Nutritional Assessment (MNA) and Its use in grading the nutritional state of elderly patients. Nutrition. 1999;15(2):116-122. DOI: 10.1016/s0899-9007(98)00171-3
10.Felício CM de, Lima M do RF, Medeiros APM, Ferreira JTL. Orofacial Myofunctional Evaluation Protocol for older people: validity, psychometric properties, and association with oral health and age. CoDAS, 2017;29(6). DOI:10.1590/2317-1782/20172017042


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1061
ADAPTAÇÃO CULTURAL E LINGUÍSTICA, VALIDAÇÃO E VALORES DE CORTE DA VERSÃO CHILENA DA VOICE SYMPTOM SCALE (VOISS)
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Nas últimas décadas, inúmeros questionários de autoavaliação na área de voz foram desenvolvidos para avaliar como o impacto de um problema vocal afeta a qualidade de vida do sujeito disfônico, como percepção de desvantagem(1), decréscimo de rendimento(2), desconforto(3) e fadiga vocal(4). A Voice Symptom Scale (VoiSS)(5), desenvolvida no Reino Unido como proposta inovadora na época por incluir a percepção de sintomas vocais à autoavaliação de voz, destaca-se como protocolo robusto por seu criterioso desenvolvimento e validação(6), validada em mais de sete idiomas, incluindo o português brasileiro(7). OBJETIVOS: Realizar a adaptação cultural e linguística, validar, apresentar as propriedades psicométricas e obter o valor de corte da versão chilena da VoiSS. MÉTODOS: Estudo aprovado pelo CEP (parecer nº 897.370, de 3/12/2014) e todos os participantes assinaram o TCLE. Casuística: 205 indivíduos (89 com disfonia e 116 vocalmente saudáveis), com semelhante distribuição por média de idade e sexo. A validação cumpriu os critérios do Scientific Advisory Committee of the Medical Outcomes Trust(8): 1- Tradução e adaptação cultural e linguística: realizada por dois fonoaudiólogos bilingues inglês/espanhol chileno, retrotradução realizada por terceiro fonoaudiólogo bilingue nos idiomas, produzindo-se a Escala de Síntomas Vocales (ESV-CL)(9). 2-Validade (validade de conteúdo e validade de construto); 3- Confiabilidade (consistência interna e reprodutibilidade teste-reteste) e 4- Sensibilidade (mudança com tratamento em 12 sujeitos com disfonia submetidos à 8 sessões de fonoterapia). O valor de corte foi determinado por meio da curva ROC (melhor relação de sensibilidade e especificidade). RESULTADOS: 1- Tradução e adaptação cultural e linguística: a versão traduzida e culturalmente adaptada da VoiSS ao espanhol chileno, chamada ESV-CL, foi aplicada em 15 sujeitos com disfonia e necessitou de modificação do vocabulário de uma questão, sendo aplicada em mais três sujeitos disfônicos, sem novas necessidades de ajustes, permanecendo com as 30 questões e três subescalas do instrumento original (limitación: 15 questões, emocional: 8 questões e físico: 7 questões). 2- Validade: a validade de conteúdo foi assegurada pela etapa de tradução e adaptação cultural e a de construto apresentou diferenças significantes no escore total da ESV-CL e autoavaliação vocal (p<0,001). 3- Confiabilidade: alta confiabilidade em todos os domínios e escore total da ESV-CL (Alpha de Cronbach para limitación =0,908; emocional=0,905; físico=0,718; total=0,928; p<0,001) e excelentes valores para o teste-reteste, com valores de p consistentemente maiores que 0,01 (limitación: p=0,022; emocional: p=0,116; físico: p=0,583; total: p=0,024). 4- Sensibilidade: em todos os domínios e escore total houve mudanças significantes com tratamento fonoterápico vocal (limitación: pré=34,5 e pós=11,4, p<0,001; emocional: pré=11,2 e pós=2,7, p=0,003; físico: pré=16,5 e pós=8,7, p=0,004; total: pré=61,2 e pós=22,9, p<0,001), confirmadas pela análise perceptivo-auditiva da voz (pré=2,41 e pós=1,33, p<0,001). A melhor relação sensibilidade e especificidade na curva ROC chegou ao valor de corte de 35,5 pontos para o escore total (sensibilidade=0,899 e especificidade=0,727). CONCLUSÕES: A versão chilena da VoiSS, intitulada Escala de Síntomas Vocales (ESV-CL), atendeu aos critérios psicométricos mostrando-se um instrumento válido, confiável e sensível a indivíduos com disfonia. A nota de corte que discrimina indivíduos disfônicos dos vocalmente saudáveis é de 35,5 pontos.

Referências bibliográficas:

1- Jacobson BH, Johnson A, Grywalski C, Silbergleit A, Jacobson G, Benninger MS, et al. The Voice Handicap Index (VHI): Development and Validation. Am J Speech Lang Pathol. 1997;6(3):66-70.

2- Carding PN, Horsley IA, Docherty GJ. A study of the effectiveness of voice therapy in the treatment of 45 patients with nonorganic dysphonia. J Voice. 1999;13(1):72-104.

3- Mathieson L, Hirani SP, Epstein R, Baken RJ, Wood G, Rubin JS. Laryngeal manual therapy: a preliminary study to examine its treatment effects in the management of muscle tension dysphonia. J Voice. 2009;23(3):353-66.

4- Nanjundeswaran C, Jacobson BH, Gartner-Schmidt J, Verdolini Abbott K. Vocal Fatigue Index (VFI): Development and Validation. J Voice. 2015;29(4):433-40.

5- Deary IJ, Wilson JA, Carding PN, MacKenzie K. VoiSS: a patient-derived Voice Symptom Scale. J Psychosom Res. 2003;54(5):483-9.

6- Branski RC, Cukier-Blaj S, Pusic A, Cano SJ, Klassen A, Mener D, et al. Measuring quality of life in dysphonic patients: a systematic review of content development in patient-reported outcomes measures. J Voice. 2010;24(2):193-8.

7- Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Cross-Cultural Adaptation, Validation, and Cutoff Values of the Brazilian Version of the Voice Symptom Scale - VoiSS. J Voice. 2014;28(4):458-68.

8- Aaronson N, Alonso J, Burnam A, et al. Assessing health status and quality-of-life instruments: attributes and review criteria. Qual Life Res. 2002;11(3):193-205.

9- Ruston FC, Moreti F, Vivero M, Malebran C, Behlau M. Cross-cultural adaptation of the Chilean version of the Voice Symptom Scale - VoiSS. CoDAS. 2016;28(5):625-33.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1625
ADAPTAÇÃO DE CONSISTÊNCIA DA DIETA PARA DISFAGIA OROFARÍNGEA BASEADA NA INTERNATIONAL DYSPHAGIA DIET STANDARDISATION INITIATIVE EM HOSPITAL PÚBLICO DE REFERÊNCIA EM CARDIOLOGIA
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


Introdução: Em 2013 foi proposta a iniciativa internacional de padronização de dietas para disfagia (IDDSI-International Dysphagia Diet Standardisation Initiative) visando padronizar a nomenclatura e características das consistências dos alimentos para pacientes com disfagia orofaríngea em todas as idades e culturas. Em 2016 o IDDSI foi traduzido para o português brasileiro. Com a implantação do Serviço de de Disfagia nessa instituição em 2010 junto a equipe interdisciplinar, houve padronização das consistências do alimento pela National Dysphagia Diet (NDD) em néctar, mel e pudim. Com a padronização internacional observou-se a necessidade de nova adequação para facilitar o diálogo entre a equipe e internacionalizar estudos científicos desenvolvidos com instituições parceiras. Objetivo: Relatar o programa desenvolvido pelo serviço para a implantação de nova nomenclatura de consistências de alimentos para pacientes com disfagia baseada na IDDSI. Método: O programa para adaptação de consistência de alimentos para indivíduos com disfagia orofaríngea foi desenvolvido em um Hospital Público de Cardiologia do Estado de São Paulo. Os fonoaudiólogos da instituição estudaram a padronização proposta pelo IDDSI, realizaram o teste de fluxo para os líquidos e basearam-se na descrição das características e no raciocínio fisiológico da dinâmica da deglutição para a adaptação das consistências de acordo com o proposto pela IDDSI. Após o teste de fluxo e das consistências foi realizado treinamento da equipe de nutrição e dietética (lactaristas, copeiras, nutricionistas e cozinheiros) por meio de aula expositiva com fotos, vídeos e fluxogramas (seguindo números e cores propostos pelo IDDSI). Resultados: Após as definições das características e dos testes propostos para a adaptação das dietas e do espessamento de líquidos foi possível a padronização. O espessante em uso na instituição foi testado em diferentes tipos de líquidos como suco, água e fórmulas lácteas por meio do teste de fluxo proposto pelo IDDSI, padronizando-se assim a quantidade de espessante para cada nível de espessamento conforme proposto (Nível 0- ralo; Nível 1- muito levemente espessado; Nível 2- levemente espessado; Nível 3- moderadamente espessado e Nível 4- extremamente espessado). Para a adaptação da consistência das dietas foi utilizada a nomenclatura nível 4 (pastoso) e nível 5 (moído e úmido) conforme padronização do IDDSI em substituição à antiga utilizada (pastosa 1 e pastosa 2). Junto ao serviço de Nutrição e Dietética também foi realizada adaptação dos alimentos integrantes de cada consistência seguindo assim a descrição das características e raciocínio fisiológico para cada nível conforme o proposto. Para as nomenclaturas propostas pela IDDSI das consistências nível 6 (macio e picado) e nível 7 (normal) a instituição manteve a nomenclatura prévia, utilizando, respectivamente, a nomenclatura branda e geral em consideração à realidade do serviço. Por outro lado, os alimentos que as compõem seguiram a descrição e características propostas pelo IDDSI. Conclusão: O treinamento realizado permitiu a implantação da nova padronização baseada na IDDSI com uniformidade na comunicação entre a equipe de Fonoaudiologia e o serviço de Nutrição e Dietética. Além disso, possibilitará a padronização internacional que contribuirá com uma nomenclatura universal na atuação clínica e no desenvolvimento de pesquisas inter-centros envolvendo a população com disfagia.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1854
ADAPTAÇÃO DE VÁLVULA DE FALA EM UM PACIENTE PEDIÁTRICO CRÔNICO TRAQUEOSTOMIZADO E EM USO DE VENTILAÇÃO MEC NICA - RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A utilização de ventilação mecânica invasiva (VMI) associada a traqueostomia (TQT) possui potencial fator de interferência na fala e na deglutição, com risco de aspiração, bem como em prejuízo na higiene brônquica (1). A válvula de fala (VF) permite que a inspiração ocorra por meio da TQT e o ar expirado seja redirecionado para o trato respiratório superior. (1,2) Esse mecanismo possibilita a fala, restabelece a pressão sub glótica, higienização e umidificação das vias aéreas nos pacientes com TQT. (2,3)
Objetivo: Apresentar por meio de relato de caso o processo de desmame de um paciente traqueostomizado e em uso de VMI até o uso contínuo de VF somente com O2.
Descrição do caso: Projeto aprovado no Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre sob número de registro: 17/0446. O paciente foi traqueostomizado em abril de 2019 por evidência de traqueomalácia obstrutiva distal no exame de fibrobroncoscopia (FBC) (redução em 50% da obstrução do lúmen traqueal e obstrução de 50% do brônquio principal direito e esquerdo). Desde então necessitou de uso de VMI no modo SIMV por alcalose respiratória. Após nova FBC, com evidência de melhora da broncomalácia, realizou-se o teste com a VF, sem evidência de aprisionamento aéreo verificada através do manômetro. A partir disso, iniciou-se o desmame gradual da VMI associado à períodos de uso exclusivo da VF contínua com oxigenoterapia e desmame completo da VMI em junho 2020. O período total do processo de adaptação e desmame durou 2 meses. Durante este período o paciente foi avaliado com Blue Dye Test sem evidências de aspiração e evolui nos atendimentos fonoaudiológicos de terapia indireta para terapia direta.
Resultados: Este estudo de caso foi conduzido de forma compartilhada entre fonoaudiólogas e fisioterapeutas e permitiu o sucesso no desmame da VMI de um paciente traqueostomizado. Através do uso da VF observou-se maior tolerância aos esforços durante as atividades motoras realizadas na fisioterapia, além de redução no volume de secreção e estabilidade do quadro respiratório. Além disso, o uso da VF possibilitou o desenvolvimento da emissão de sons permitindo maior interação do paciente com seus familiares e profissionais, bem como evolução na terapia de deglutição.
Conclusão: O uso criterioso e bem definido da VF facilitou o desmame da VMI, possibilitou a redução dos níveis de oxigenoterapia e progressão na terapia de deglutição.

Hull EM, Dumas HM, Crowley RA, Kharasch VS. Tracheostomy speaking valves for children: tolerance and clinical benefits. Pediatr Rehabil. 2005;8(3):214-219. doi:10.1080/13638490400021503
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Engleman SG, Turnage-Carrier C. Tolerance of the Passy-Muir Speaking Valve in infants and children less than 2 years of age. Pediatr Nurs. 1997;23(6):571-573.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
708
ADAPTAÇÃO E TRADUÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO DE LINGUAGEM PARA CRIANÇAS PRÉ-ESCOLARES E ESCOLARES: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: no Brasil há escassez de procedimentos formais disponíveis que sejam indicados para a avaliação e diagnóstico (1-5), desta forma, a tradução de instrumentos estrangeiros tem sido uma forma de contornar essa carência. Para a realização desta tarefa, é necessário rigor metodológico, com apoio em diretrizes tradutórias bem estabelecidas, garantindo interpretações válidas e confiáveis, uma vez que o processo de tradução e adaptação transcultural de instrumentos é tão importante quanto a criação de um novo. A questão norteadora da revisão foi verificar quantos e quais instrumentos de avaliação da comunicação estão disponíveis na literatura com o rigor metodológico necessário. Objetivo: realizar revisão integrativa de instrumentos avaliativos para crianças até 10 anos, adaptados para a língua portuguesa do Brasil que identifiquem transtorno da linguagem, dos sons da fala e da comunicação, analisando o conteúdo destes procedimentos e as diretrizes utilizadas no processo tradutório. Método: a pesquisa se deu nas bases de dados Scielo, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PUBMED/MEDLINE e Bireme (Lilacs, Ibecs e Adolec), envolvendo as palavras-chave “tradução”, “adaptação”, “adaptação cultural”, “adaptação transcultural”, “linguagem”, Fala” e “comunicação” ou “pragmática”, tanto em português como em inglês. Os critérios de exclusão foram: artigos repetidos; que não tratassem da tradução de instrumentos destinados à avaliação da linguagem, sons da fala e habilidades comunicativas; que não tivessem como público alvo crianças com menos de 10 anos; instrumentos traduzidos para idiomas que não a língua portuguesa do Brasil; e que não descrevessem o processo de tradução realizado. Resultados: ao todo, foram encontrados oito instrumentos traduzidos compatíveis com os critérios de inclusão, os quais citavam nove diretrizes, ao total, sendo que a metade dos artigos utilizou um conjunto de diretrizes, explicando como o processo foi realizado, três utilizaram a combinação de dois conjuntos e um artigo citou seis conjuntos. Conclusão: ainda existem poucos instrumentos traduzidos e adaptados para a língua portuguesa do Brasil, a maioria deles afere a linguagem oral, com base no modelo de Bloom (6), verificando a forma (fonologia, sintaxe e morfologia), conteúdo (semântica) ou uso (pragmática), aplicados diretamente com a criança ou com os pais. A respeito das diretrizes, a grande maioria dos trabalhos realizados entendem a importância do processo de tradução e adaptação transcultural. As diretrizes utilizadas pelos autores são as mais variadas, sendo que as utilizadas com maior frequência foram as de Guillemin, Bombardier & Beaton (7), Beaton, Bombardier, Guillemin & Ferraz (8) e a de Herdman, Fox-Rushby & Badia (9).

1. Giusti E, Befi-Lopes DM. Translation and cross-cultural adaptation of instruments to the Brazilian Portuguese language. Pró-Fono R Atual Cient. 2006; 20 (3): 207-10.
2. Lindau TA, Lucchesi FDM, Rossi NF, Giacheti CM. Systematic and formal instruments for language assessment of preschoolers in Brazil: a literature review. Rev CEFAC. 2015; 17 92): 0-662.
3. Baggio GI, Hage SRV. Translation and cultural adaptation of the Aguado Syntax Test (AST) into Brazilian Portuguese. CoDAS. 2017; 29 (6): e20170052.
4. Silva NR, Felipini LMG. Tradução e adaptação transcultural de instrumentos de avaliação em Fonoaudiologia para o português brasileiro: uma análise das diretrizes. Tradterm. 2018; 32: 32-51.
5. Ferreira-Vasques AT, Santos CF, Lamônica DAC. Transcultural adaptation process of the Griffiths‐III Mental Development Scale. Child Care Health Dev. 2019; 45 (3):403–08.
6. Bloom L. What is language? In: Lahey M (org.). Language disorders and language development. Nova Iorque: Macmillian Publishing Company; 1988. p-1-19.
7. Guillemin F, Bombardier C, Beaton D. Cross-cultural adaptation of health-related quality of life measures: literature review and proposed guidelines. J Clin Epidemiol. 1993; 46 (12): 1417-32.
8. Beaton DE, Bombardier C, Guillemin F, Ferraz M B. Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures. Spine. 2000; 25 (24): 3186-91.
9. Herdman M, Fox-Rushby J, Badia X. A model of equivalence in the cultural adaptation of HRQol Instruments: The universalist approach. Qual Life Res. 1998; 7: 323-35.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
752
ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO DE FÓRMULA PARA NIVELAMENTO DE LIVROS INFANTIS: RESULTADOS PRELIMINARES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: As dificuldades de aprendizagem, em especial da leitura e da escrita, têm sido motivo de preocupação entre diferentes pesquisadores, tanto na área da saúde como da educação. A leitura realizada em livros de nível adequado para leitores iniciantes é um fator importante para desenvolver a leitura com acurácia. A adaptação e validação de uma fórmula para nivelamento de livros infantis já comprovadamente eficaz em outra língua e cultura, representam a possibilidade de expandir horizontes em busca de melhores práticas para o ensino da leitura no Brasil. Objetivo: Adaptar e validar a fórmula de nivelamento de livros infantil elaborada por Peter J. Hatcher, (2000) para uso no Brasil, disponibilizando-a como ferramenta aos profissionais que querem oferecer livros adequados a leitores iniciantes, promovendo o desenvolvimento de habilidades de que visam a acurácia da leitura. Método: A adaptação e a busca de evidências de validade são processos complexos que requerem um alto rigor metodológico. O presente estudo seguirá etapas distintas, previamente preconizadas, tais como: (1) tradução do instrumento do inglês para o português do Brasil; (2) síntese das versões traduzidas; (3) avaliação da síntese por juízes experts; (4) tradução reversa para o inglês; (5) avaliação da fórmula pelos professores; (6) estudo dos aspectos culturais e linguísticos para uso na língua portuguesa; (7) busca de evidências de validade com base no conteúdo e na estrutura interna. Resultados: A adaptação da fórmula de nivelamento de livros infantis para leitores iniciantes e a busca de evidências de validade com base no conteúdo demonstraram robustez da versão adaptada do instrumento. A etapa de busca de evidências de validade com base na estrutura interna ainda está em processo de análise. Conclusão: Concluiu-se que o estudo de adaptação e a busca de evidências de validade com base no conteúdo aplicado à fórmula de Hatcher (2000) legitima seu uso por professores dos primeiros anos de aprendizagem da leitura, considerando o português brasileiro e favorecendo o uso de textos adequados ao nível de leitura de crianças que estão aprendendo a ler.
PALAVRAS-CHAVE: Fórmula de nivelamento; livros infantis; leitura e escrita.

BASSO, Fabiane Puntel; SALLES, Jerusa Fumagalli de. Instrumento de identificação das práticas de ensino da leitura e da escrita. Ciências & Cognição. Rio de Janeiro. Vol. 21, n. 2 (2016), p. 255-273., 2016.
BORSA, Juliane Callegaro; DAMÁSIO, Bruno Figueiredo; BANDEIRA, Denise Ruschel. Adaptação e Validação de Instrumentos Psicológicos entre Culturas: Algumas Considerações1. Paidéia, v. 22, n. 53, p. 423-432, 2012.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: cadernos de formação.
CASSEPP-BORGES, V., BALBINOTTI, M. A. A., & TEODORO, M. L. M. (2010). Tradução e validação de conteúdo: Uma proposta para a adaptação de instrumentos. In L. Pasquali, Instrumentação psicológica: Fundamentos e práticas (pp. 506-520). Porto Alegre: Artmed.
COSTA, Y. A. da. Consciência fonológica: um estudo acerca da formação de professores por meio do pacto nacional pela alfabetização na idade certa (PNAIC). Ministério Da Educação. Fundação Universidade Federal de Rondônia. Departamento de Ciências da Educação – DECED. Campus De Ariquemes. ARIQUEMES, RO. 2019.
HATCHER, P. J.. Predictors of Reading Recovery book levels. Journal of Research in Reading, V. 23, Issue 1, 2000, pp. 67-77. Department of Psychology, University of York, UK.
KLEIN, A. I.; LAMPRECHT, R. R.. A compreensão em leitura e a consciência fonológica em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Signo, v. 37, n. 63, p. 25-54, 2012.
NATIONAL READING RECOVERY PROJECT. Reading Recovery Booklist: suggested levels for books. Wellington, NZ. Department Education. 1995.
NOVAES, C. B.de; MISHIMA, F.; SANTOS, P. L. dos. Treinamento breve de consciência fonológica: impacto sobre a alfabetização. Rev. Psicopedagogia, São Paulo, v. 30, n. 93. 2013.
SIMPSON, M. M.. Suggestions for teaching reading infants classes. Wellington: Department of Education. 1962.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1084
ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO DO CONTEÚDO E DA APARÊNCIA DO PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO MIOFUNCIONAL COM ESCALAS EXPANDIDO - AMIOFE-E LACTENTES (6-24 MESES)
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A área de motricidade orofacial carece de instrumento destinado a avaliação de crianças nos primeiros dois anos de vida, sendo relevante sistematizar registros das estruturas orofaciais e sistema estomatognático em lactentes. Para tanto, a validação de protocolos para clínica fonoaudiológica é necessária(1). Objetivo: adaptar e validar conteúdo e aparência do protocolo de avaliação miofuncional com escores expandido (AMIOFE-E) para lactentes (06-24 meses) e respectivo manual operacional. Método: Estudo tipo validação, descritivo e transversal; aprovado pelo comitê de ética nº CAAE: 2529419.6.0000.5546, com anuência das autoras do protocolo original(2). Conforme estudo do desenvolvimento típico do sistema estomatognático em crianças e pautada na experiência dos autores em motricidade orofacial, foi realizada adaptação inicial do protocolo, a qual foi submetida a um comitê de 10 especialistas(3), distribuídos por todas as regiões do Brasil, que tinham atuação na área de motricidade orofacial com crianças na faixa etária abordada pelo protocolo. Na primeira etapa, os especialistas analisaram o conteúdo através de formulário eletrônico, contendo questões dicóticas (sim/não), com espaço para justificativa. O Índice de Validade de Conteúdo foi calculado, bem como a porcentagem de concordância entre especialistas, estabelecida em >70%. Itens com níveis inferiores foram reformulados, acatando sugestões do comitê, quando apresentadas. Na segunda etapa, os mesmos especialistas analisaram a aparência do instrumento, o manual operacional e os conteúdos reformulados, por meio da escala Likert de 5 pontos. Resultados: Para adequação do AMIOFE-E à faixa etária desejada, sete itens foram modificados, oito excluídos, doze mantidos e dezessete acrescidos. Sobre o conteúdo, na versão final, o novo instrumento denominado “Protocolo de avaliação miofuncional com escalas expandido - AMIOFE-E Lactentes (6-24 meses)” atingiu 100% de concordância sobre os itens de identificação e dados clínicos, além do exame clínico; e 90% sobre histórico de alimentação e hábitos parafuncionais. Quanto à aparência, a concordância atingiu 90%. O AMIOFE-E Lactentes contempla: um manual operacional que orienta sobre a utilização do protocolo; dados preliminares: Identificação e dados clínicos; histórico de alimentação e hábitos parafuncionais orofaciais; e Exame Clínico (aparência e condição postural/posição: face, maxila/mandíbula, bochechas, dentes, lábios, língua, palato duro, palato mole/úvula); mobilidade e funções (respiração, deglutição e mastigação). Na avaliação fonoaudiológica, por faixa etária, são atribuídos escores que variam de 4, ou 3, conforme o item (condição normal) à 1 (com alteração severa). A avaliação da deglutição e da mastigação incluem a descrição de comportamentos sugestivos de alterações, com escalas dicotômicas (presente/ausente). Ao final, os escores máximos são preenchidos numa tabela, permitindo melhor visualização. Conclusão: A validação do AMIOFE-E Lactentes possibilita a avaliação fonoaudiológica em Motricidade Orofacial, de modo sistemático e padronizado, bem como o acompanhamento do desenvolvimento natural ou sob intervenção de lactentes.

1. Andrade CRF. Plano Terapêutico Fonoaudiológico (PTF): Metas, Planejamento e Bases para Aplicação. Plano Terapêutico Fonoaudiológico (PTF). 2015. p. 1–5.
2. Folha GA. Ampliação das escalas numéricas do Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial (AMIOFE), validação e confiabilidade. [Ribeirão Preto]: Universidade de São Paulo; 2010. Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17151/tde-22102013-084025/
3. Pernambuco L, Espelt A, Magalhães Junior HV, Lima KC de. Recomendações para elaboração, tradução, adaptação transcultural e processo de validação de testes em Fonoaudiologia. CoDAS. 2017;29(3):e20160217. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-17822017000300502&lng=pt&tlng=pt



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1089
ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO DO PROTOCOLO MBGR PARA LACTENTES E PRÉ-ESCOLARES
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Considerando a escassez de protocolos da Fonoaudiologia(1) e, em especial da área de Motricidade Orofacial (MO) para avaliar, diagnosticar e estabelecer prognóstico na população infantil, estabeleceu-se a necessidade de propor um instrumento padronizado e validado para ser utilizado em idade precoce. Conforme DeCS - Descritores em Ciências da Saúde, considera-se lactentes a faixas etária de 1 a 24 meses de vida, e pré-escolares, entre 2 e 5 anos de idade. Objetivo: Adaptar e validar o protocolo MBGR(2) para ser utilizado na avaliação miofuncional orofacial de lactentes e pré-escolares (6 a 71 meses). Método: Estudo tipo validação, descritivo e transversal com abordagem qualiquantitativa; aprovado no comitê de ética sob CAAE: 12529419.6.0000.5546. Apoio: CNPq. Foi realizado inicialmente o estudo teórico sobre o desenvolvimento miofuncional orofacial e funções estomatognáticas em idade precoce, e organizado o novo instrumento adaptado do MBGR(2). O protocolo adaptado foi submetido à apreciação dos autores originais, e após terem sido revisadas as sugestões e obtido consenso entre os autores (versões original e atual), foi realizada a análise da aparência e do conteúdo do novo instrumento, por 10 fonoaudiólogos especialistas(3) na área de MO. Utilizou-se formulário eletrônico contendo questões dicóticas (sim/não), com campos para justificar as respostas negativas em duas rodadas de análise. Calculado Índice de Validade de Conteúdo e Teste Binomial Exato. Utilizada escala Likert, com escala de 5 pontos. Feita a análise da aplicabilidade, sendo a totalidade da amostra do estudo composta por 155 participantes distribuídos nas faixas etárias atendidas pelo novo instrumento, e feita a respectiva confiabilidade. Para aplicação do protocolo foi realizada avaliação clínica miofuncional orofacial individual, com registro fotográfico das estruturas orofaciais e filmagem em vídeo da situação de alimentação. O vídeo foi feito em formato MP4, e a fotografia, em formato JPEG. Todos os registros foram assistidos posteriormente, e as imagens analisadas por 7 avaliadores, fonoaudiólogos com formação em MO, após processo de calibração. Foi realizada a validade de critério, obtendo-se a concordância entre e intra examinadores. Resultados: Quanto à adaptação do Protocolo MBGR, o novo instrumento passou a ser denominado MMBGR lactentes e pré-escolares, abrangendo os grupos etários: 6-11 meses; 1; 2; 3 a 5 anos, respectivamente. Compõe-se de História Clínica (anamnese/entrevista) e Exame Miofuncional Orofacial com Escores (avaliação), e respectivo instrutivo. Obteve 64% dos itens da História Clínica, 90,5% de Exame Clínico com concordância; e 100% dos escores adequados por pelo menos 90% dos especialistas. Quanto à aplicabilidade, a maioria dos itens do Exame Extraoral, Exame Intraoral, Mastigação obtiveram concordância classificada como razoável a boa, ou, até mesmo, excelente. Conclusão: O Protocolo MMBGR lactentes e pré-escolares teve validação de aparência, conteúdo e critério concluída, abrindo possibilidades de utilização na clínica e pesquisa em Fonoaudiologia, na população menor de 6 anos de idade.

1. Gurgel LG, Kaiser V, Reppold CT. A busca de evidências de validade no desenvolvimento de instrumentos em Fonoaudiologia: revisão sistemática. Audiol - Commun Res [Internet]. 2015 Dec;20(4):371–83. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-64312015000400371&lng=pt&tlng=pt
2. BERRETIN-FELIX G, Genaro KF, Marchesan IQ. Protocolos de avaliação da motricidade orofacial 1: Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial - MBGR. In: Silva HJ da, Tessitore A, Motta AR, Cunha DA da, Berretin-Felix G, Marchesan IQ, editors. Tratado de Motricidade Orofacial. 1st ed. São José dos Campos; 2019. p. 255–72.
3. Pernambuco L, Espelt A, Junior HVM, Lima KC de. Recommendations for elaboration, transcultural adaptation and validation process of tests in Speech, Hearing and Language Pathology. CoDAS. 2017;29(3).



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1881
ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO TRANSCULTURAL DA ESCALA DE SINTOMAS VOCAIS PARA O AMBIENTE HOSPITALAR (ESV-HOSP)
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Os distúrbios vocais são alterações relativamente comuns que podem afetar negativamente a comunicação, com consequente impacto nos aspectos físicos, sociais e emocionais da qualidade de vida do indivíduo. O uso de questionários de autoavaliação que mensuram a percepção da desvantagem e presença de sintomas vocais mudou a perspectiva de avaliação do paciente na clínica fonoaudiológica e ocupam lugar de destaque na definição das condutas a serem propostas. Apesar disso, não há na literatura nenhum questionário específico que avalie o impacto das alterações vocais na qualidade de vida de pacientes hospitalizados, o que poderia contribuir para uma melhor assistência fonoaudiológica nesta condição.
Objetivo: Este estudo buscou adaptar e validar a Escala de Sintomas Vocais (ESV) para uso em pacientes hospitalizados.
Método: O processo de adaptação ocorreu em 3 etapas: 1. avaliação da equivalência cultural ao ambiente hospitalar, com a análise de cinco juízes quanto a pertinência e a clareza de cada item da ESV, já validada para o Português Brasileiro, utilizando a escala de frequência de ocorrência e definindo as questões que mais se adequavam ao ambiente do paciente hospitalizado; 2. aplicação do protocolo modificado em um grupo de 15 pacientes internados que analisaram o nível de clareza de cada item do questionário; 3. versão adaptada da ESV-Hospitalar, definida após avaliação das respostas dos 15 pacientes e nova análise dos juízes. Para a validação, a versão adaptada da ESV-Hospitalar foi aplicada em um grupo de 122 pacientes internados, com diagnósticos variados, e a partir das respostas, obteve-se a confiabilidade interna e externa do instrumento. Destes pacientes, 88 (72,1%) eram do sexo masculino e 34 (27,9%) do sexo feminino, com média de idade de 69,5 anos.
Resultados: Após as respostas da versão adaptada dos 122 pacientes internados, observou-se que os domínios Limitação (0,91) e Emocional (0,74) da ESV obtiveram altas consistências internas; contudo, o domínio Físico apresentou baixo valor (0,64). Ao se excluírem duas questões do domínio físico, o alfa desse fator passou a ser de 0,74, fazendo com que esse domínio passasse a contribuir positivamente na avaliação dos pacientes hospitalizados. A versão final da ESV-Hospitalar foi composta por 21 itens e demonstrou uma validação concorrente com alta discriminação entre os domínios Limitação e Emocional.
Conclusão: A ESV-Hosp se mostrou um instrumento válido, confiável e responsivo para a autoavaliação dos sintomas vocais e percepção de desvantagem vocal em pacientes hospitalizados. Esse instrumento, de fácil aplicação, permite obter informações importantes para tomadas de decisão da equipe de saúde.

Behlau M, Santos LMA, Oliveira G. Cross-cultural adaptation and validation of the Voice Handicap Index into Brazilian Portuguese. J Voice. 2011;25(3):354-9.

Benninger MS, Holy CE, Bryson PC, Milstein CF. Prevalence and Occupation of Patients Presenting With Dysphonia in the United States. J Voice. 2017 Sep;31(5):594-600.

Branski RC, Cukier-Blaj S, Pusic A, Cano SJ, Klassen A, Mener D, Patel S, Kraus DH. Measuring quality of life in dysphonic patients: a systematic review of content development in patient-reported outcomes measures. J Voice. 2010 Mar;24(2):193-8.

Brodsky MB, Levy MJ, Jedlanek E, Pandian V, Blackford B, Price C, Cole G, Hillel AT, Best SR, Akst LM. Laryngeal Injury and Upper Airway Symptoms After Oral Endotracheal Intubation With Mechanical Ventilation During Critical Care: A Systematic Review. Crit Care Med. 2018 Dec;46(12):2010-2017.

Carding PN, Horsley IA, Docherty GJ. A study of the effectiveness of voice therapy in the treatment of 45 patients with nonorganic dysphonia. J Voice. 1999 Mar;13(1):72-104.

Moreti F, Zambon F, Behlau M. Sintomas vocais e autoavaliação do desvio vocal em diferentes tipos de disfonia. CoDAS. 2014;26:331-333.

Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Cross-cultural adaptation, validation, and cutoff values of the Brazilian version of the Voice Symptom Scale-VoiSS. J Voice. 2014 Jul;28(4):458-68.

Schwartz SR, Cohen SM, Dailey SH, Rosenfeld RM, Deutsch ES, Gillespie MB et al. Clinical practice guideline: hoarseness (dysphonia). Otolaryngol Head Neck Surg. 2009 Sep;141(3)Suppl.2:S1-S31.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1298
ADAPTAÇÃO TRANSCULTURAL PARA O PORTUGUÊS BRASILEIRO DO PARENT REPORT OF CHILDREN’S ABILITIES-REVISED
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A prematuridade tem sido considerada um fator de risco para alterações no desenvolvimento cognitivo e de linguagem. Assim, a avaliação de crianças com tal condição é essencial para identificar alterações precoce e adaptar a melhor intervenção. O uso de questionários validados para pais tem sido considerado um meio potencial de fornecer dados sobre saúde mais econômicos e amplamente utilizados para obter informações a respeito do desenvolvimento cognitivo e de linguagem de crianças, especialmente na população de prematuros. No entanto, no Brasil, o uso do relato dos pais nesta população como ferramenta para tal fim não tem sido amplamente utilizado. Internacionalmente, o Parent Report of Children's Abilities-Revised (PARCA-R) é um instrumento baseado no relato dos pais considerado válido para o desfecho do neurodesenvolvimento de pré-escolares prematuros e tem apresentado boa validade quando comparado à escala de desenvolvimento infantil de Bayley III. Objetivo: realizar a adaptação transcultural do PARCA-R para o Português Brasileiro para pré-escolares nascidos prematuros. Método: Esta pesquisa foi aprovada pelo comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 97759718.4.0000.5292). O processo de adaptação foi realizado em três etapas: primeiro, a autora responsável pelo instrumento original foi contatada e autorizou a tradução do protocolo para o Português Brasileiro. A tradução foi realizada de forma independente por dois pesquisadores distintos e as duas versões independentes foram conciliadas por um terceiro pesquisador. A segunda etapa consistiu na retrotradução para o idioma original e foi conduzida por um quarto pesquisador fonoaudiólogo e que não teve contato anterior com os demais. Na terceira etapa, a versão foi aplicada inicialmente em 23 mães de pré-escolares na faixa etária dos 2 anos de vida para verificar a clareza do instrumento para a população. Após a análise dos dados, foram realizadas adaptações e a segunda versão do instrumento foi aplicada em 20 mães de pré-escolares na mesma faixa etária para adequar a versão final do questionário PARCA-R. Resultados: A versão final da adaptação transcultural do PARCA-R manteve todos os itens 158 itens da versão original, divididos em três subescalas (cognição não verbal, vocabulário e sentenças). Houve necessidade de ajustes por discordância de equivalência semântica em relação ao protocolo original apenas nas subescalas vocabulário e complexidade de sentenças. Considerando os baixos índices de leitura e escolaridade da população em questão isso poderia influenciar na compreensão das perguntas e consequentemente nas respostas dos itens, na aplicação foi necessário realizar algumas adaptações para garantir sua aplicabilidade. Assim, foi dada a opção do responsável ler ou ter o questionário lido pelo aplicador, diminuindo o risco de marcação da opção sem compreensão do item. Conclusão: A tradução e adaptação transcultural do PARCA-R para o Português Brasileiro foram realizadas com adaptações semânticas, conceituais e experimentais. No processo inicial de validação, os resultados sugerem adaptação adequada do relato de pais para ser utilizado em estudos posteriores para verificar sua validade e valores normativos para o Português Brasileiro.

1. Ribeiro C, Lamônica D. Communicative abilities in premature and extreme premature infants. Rev CEFAC [Internet]. 2014;16(2):830–9. Available at: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v16n3/1982-0216-rcefac-16-3-0830.pdf
2. Lee HJ, Park H-K. Neurodevelopmental Outcome of Preterm Infants at Childhood: Cognition and Language. Hanyang Med Rev. 2016;36(1):55.
3. Monnier M, Jaunin L, Bickle Graz M, Borradori Tolsa C, Hüppi P, Sancho Rossignol A, et al. Suivi neurodéveloppemental à 5 ans des extrêmes prématurés et détection des difficultés sur le plan des fonctions exécutives. Arch Pediatr. 2014;21(9):944–52.
4. Borradori Tolsa C, Barisnikov K, Lejeune F, Hüppi P. Développement des fonctions exécutives de l’enfant prématuré. Arch Pediatr. 2014;21(9):1035–40.
5. Schafer G, Genesoni L, Boden G, Doll H, Jones RAK, Gray R, et al. Development and validation of a parent-report measure for detection of cognitive delay in infancy. Dev Med Child Neurol. 2014;56(12):1194–201.
6. Bonamigo I. Instrumentos de avaliação da linguagem falada de pré-escolares nascidos prematuros : uma revisão de literatura Preschool preterm infants ’ oral language assessment instruments : a literature review. 2017;19(1):1–9.
7. Johnson, S., Wolke, D., & Marlow, N., Davidson, L., Marston, L., O’Hare, A., Peacock, J. & Schulte, J. Validation of a parent report measure of cognitive development in very preterm infants, 2004;389–397.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1865
ADESÃO AO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO EM UMA MATERNIDADE PÚBLICA DE PERNAMBUCO
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A importância do aleitamento materno para a Fonoaudiologia reside na promoção das condições ideias para o desenvolvimento neuromuscular das estruturas orofaciais. A anatomia e a funcionalidade das estruturas bucais desenvolvem-se quando exercidas pela amamentação, aprimorando as funções do sistema estomatognático, tais como: respiração, mastigação, deglutição e fala. As estruturas que compõem esse sistema agem de forma conjunta, não individualizada e que, portanto, qualquer alteração numa dessas estruturas orofaciais pode resultar num desequilíbrio generalizado. Fatores como o tempo e a frequência do aleitamento natural, do aleitamento artificial, dos hábitos de sucção não nutritiva podem influenciar o desenvolvimento orofacial, e quando negativos podem provocar instabilidade nas funções orofaciais e má oclusão. O aleitamento materno é ainda mais vantajoso para a criança em razão do esforço realizado para a obtenção do alimento, exercita adequadamente a musculatura orofacial e garante a nutrição ideal. Objetivo: Relatar a adesão ao aleitamento materno exclusivo dos neonatos assistidos em uma maternidade pública de Pernambuco. Metodologia: A experiência foi vivenciada em puérperas de um Centro Integrado de Saúde em Pernambuco, entre os meses de Agosto de 2019 até Março de 2020. Foram aplicados questionários relativos às variáveis de nascimento com as genitoras das quais analisou-se dentre outras questões, a dificuldade ao amamentar, se a puérpera sentia dor ou desconforto durante a amamentação e se a mesma havia recebido qualquer tipo de orientação sobre amamentação durante seu pré-natal. As informações foram coletadas por alunas de graduação de Fonoaudiologia, sob a supervisão da fonoaudióloga do hospital. Resultados: A experiência compõe o projeto de extensão universitária “Implementação do Teste da Linguinha em uma Maternidade Pública de Pernambuco”, com anuência da Universidade de Pernambuco. Observou-se que a maioria das puérperas, cuja as idades variavam de mulheres muito jovens à mais maduras, estavam realizando o aleitamento materno com complementação alimentar utilizando o copinho e a sonda, inibindo umas das principais funções do sistema estomatognático que é a sucção. Grande parte delas alegam sentir dor ou desconforto durante a amamentação, ocasionando numa pega não efetiva à auréola materna. Uma quantidade expressiva também declara não ter nenhuma orientação durante o pré-natal. Percebeu-se que o os neonatos em geral variam de pré-termo à pós-termo e tiveram predominância entre o sexo masculino. Durante a execução da amamentação foram observados os aspectos gerais das funções orofaciais para investigar os movimentos e a posição dos lábios, da língua na cavidade oral e as funções de sucção, deglutição e respiração, se estavam devidamente coordenadas durante a amamentação. Conclusão: Observou-se que as queixas de dificuldade e dor ao amamentar influenciaram na adesão ao aleitamento materno exclusivo, sendo necessário complementar a dieta com o leite artificial. Salienta-se que além de todos os benefícios mencionados do aleitamento materno, observa-se que os neonatos amamentados naturalmente tendem a não desenvolver hábitos bucais deletérios em razão de um intenso trabalho muscular na sucção do leite materno, o que gera uma musculatura perioral exercitada adequadamente, evitando outro tipo de sucção não nutritiva.

¹Bervian J, Fontana M, Caus B. Relação entre amamentação, desenvolvimento motor bucal e hábitos bucais – revisão de literatura. RFO, v. 13, n.2, p. 76-81, maio/agosto 2008. Disponível em: . Acesso em julho de 2020

²Medeiros A P M, Ferreira J T L, Felício CM. Correlação entre métodos de aleitamento, hábitos de sucção de comportamentos orofaciais. Pró-Fono R. Atual. Cient. vol. 21 no. 4 Barueri Oct./Dec. 2009. Disponível em: . Acesso em julho de 2020

³Antunes L S, Antunes L A A, Corvino M P F, Maia L C. Amamentação natural como fontes de prevenção em saúde. Ciênc. saúde coletiva vol.13 no.1 Rio de Janeiro Jan./Feb. 2008. Disponível em: . Acesso em julho de 2020



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1741
ADESÃO TERAPÊUTICA E TRATAMENTO FONOAUDIOLÓGICO NA PARALISIA FACIAL
Práticas fonoaudiológicas
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A paralisia facial é ocasionada por uma lesão no nervo facial (VII par craniano) gerando uma paresia ou paralisia uni ou bilateral dependendo do local da lesão, acometendo a expressão facial e afetando a capacidade de comunicação, o que compromete diretamente a auto estima e consequentemente o convívio social do indivíduo. A paralisia facial limita a função motora normal, prejudica a realização de expressões faciais e atividades diárias como, comer, beber e falar. Entre os métodos terapêuticos para o tratamento da paralisia facial está a terapia fonoaudiológica. A terapia fonoaudiológica na paralisia facial preconiza reabilitar as funções orais tais como a fala, a mastigação, deglutição e a expressividade facial. A intervenção deve ser iniciada precocemente, pois a recuperação das funções depende do tipo de comprometimento do nervo, grau e duração do tempo de reinervação, bem como as suas conexões motoras e sensoriais. Para isso, utiliza-se exercícios miofuncionais orofaciais. A terapia miofuncional orofacial, por sua vez, demanda tempo e dedicação. A frequência às sessões e realização dos procedimentos indicados pelo terapeuta, assim como bons resultados, são conseguidas através de adesão terapêutica adquirida pelo paciente. Objetivo: Descrever a evolução terapêutica no que concerne a adesão à terapia fonoaudiológica na paralisia facial. Método: Participou do processo terapêutico um paciente de 63 anos com paralisia facial. Inicialmente foi realizada anamnese para investigação da história clínica, seguido da avaliação através da aplicação de protocolos. A avaliação das estruturas do sistema estomatognático foi realizada através do protocolo MBGR. O gerenciamento da evolução funcional, durante a reabilitação, baseou-se na melhora do tônus muscular, cuja variação foi aferida mediante modificação no ângulo da comissura labial. O acompanhamento se fez sob imagens da documentação fotográfica em repouso facial e em Vídeo para avaliação dos movimentos faciais pré e pós-tratamento. Foram realizadas 12 sessões fonoaudiológicas, com duração de 30 minutos cada. O plano terapêutico buscou propiciar ao paciente o fortalecimento e tonicidade dos músculos orofaciais. A terapia consistiu em exercícios isométricos, isotônicos e de contra resistência. A adesão ao tratamento foi controlada por meio de uma tabela (tipo checklist). Resultado: Após as sessões terapêuticas foi conseguido aumento da tonicidade muscular orofacial e melhor desenvoltura nas funções orais como a fala, a mastigação, deglutição bem como a expressão facial. Foi notório o comprometimento assumido pelo paciente quanto à execução dos exercícios propostos, o que contribuiu para o favorecimento do sucesso evolutivo decorrente do processo terapêutico. Conclusão: O tratamento fonoaudiológico para a paralisia facial e a adesão terapêutica exercida pelo paciente proporcionou um avanço e melhora significativa no que diz respeito a tonicidade muscular e consequentemente as funções estomatognáticas antes comprometidas.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
556
AGEISMO SOB A ÓTICA DE DUAS MULHERES IDOSAS: UM ESTUDO DE CASO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: a velhice vem sendo vastamente discutida na atualidade, decorrente do aumento acelerado do processo de envelhecimento da população mundial. Nesse processo, chama atenção o ageísmo, também conhecido como idadismo, que é caracterizado por atitudes preconceituosas em relação a idade cronológica¹. Tais atitudes se afirmam pelo amplo uso de termos que tendem a designar, negativamente, pessoas mais velhas. Pofissionais de saúde e o próprio idoso utilizam-se de estereotipias, associando velhice à lentidão, fragilidade, rabugice, estresse². São clichês que reproduzem uma posição hostil com relação à velhice, a qual é, em certa medida, aceita por diversos atores sociais. Na medida em que essa reprodução se efetiva, a sociedade, de forma geral, desvaloriza os mais velhos e, ao mesmo tempo, promove a idealização da eterna juventude³. Objetivo: compreender, de um ponto de vista pessoal e social, a concepção de velhice, na perspectiva de duas mulheres idosas. Metodologia: trata-se de um estudo de caso de cunho qualitativo, ancorado na Analise Dialógica do Discurso, a qual toma a linguagem como diálogo situado em um espaço social, historicamente, delimitado4. Participaram da pesquisa, duas idosas, reconhecidas pelos nomes fictícios: Margarete, que tem 72 anos; e Judite com 87 anos. Ambas, devido à perda auditiva, são atendidas na Clínica de Fonoaudiologia de uma Universidade, situada no Paraná, a qual está vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa foi aprovada por Comitê de Ética: 2.393.575. Resultados: de um ponto de vista pessoal, Margarete atrelou a velhice a uma concepção negativa, explicada pelo uso de temos como perda, fardo, lentidão. Já Judite, relacionou velhice com sabedoria e experiência, mas afirmou não aceitar a sua própria velhice. De um ponto de vista social, para Margarete, a sociedade deixa as pessoas mais velhas à margem. E, na visão de Judite, a sociedade está dividida: uma parcela de atores sociais toma a velhice como sinônimo de peso e de gasto; e outra, atrela a velhice à felicidade. Conclusão: na ótica das participantes, é possível afirmar que a velhice está relacionada a uma noção estereotipada: ora vinculando o processo de envelhecimento a fatores negativos, como lentidão; ora colocando o velho em um pedestal relacionado à sabedoria. Cabe aos profissionais da saúde refletirem sobre esse olhar estereotipado, que muitas vezes é normalizado, interferindo desfavoravelmente nos serviços prestados à população idosa.

1. Cook PS; Vreugdenhil A ; Macnish B; Confronting ageism: The potential of intergenerational contemporary art events to increase understandings of older adults and ageing; Australasian Journal on Ageing, Vol 37 No 3 September 2018, E110–E115.
2. Schroyen S; Adam S; Marquet M; Jerusalem G; Thiel S; Giraudet AL; Missotten P; Communication of healthcare professionals: Is there ageism?; Eur J Cancer Care. 2018; 27:e12780. Doi: 10.1111/ecc.12780.
3. Marques APS; A discriminação na velhice – A infantilização da pessoa idosa; Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias; Instituto de Serviço Social; Lisboa; 2016.
4. RAMOS FM; Análise Dialógica do Discurso de Professoras da Educação de Jovens e Adultos Sobre Leitura e Escrita. Universidade Federal de Campina Grande-UFCG, 2009.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2130
AGULHAMENTO DE PONTOS-GATILHO NO CONTROLE DA DOR MIOFASCIAL: RELATO DE CASO
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução:
A dor miofascial é um processo doloroso que tem origem em pontos dolorosos localizados na musculatura, que devido a fatores locais e sistêmicos causam tanto dor nestes pontos quanto em estruturas distantes deste ponto. O local de sensibilidade do músculo que dispara o processo de dor à distância é denominado de Ponto-Gatilho (PG) e a dor que esses pontos causam em outras regiões é a Dor Referida (DR). O tratamento para inativação do Ponto-Gatilho inclui o agulhamento tanto a seco como com a infiltração de substâncias, tipo anestésico ou toxina botulínica tipo A. Objetivo: Descrever estratégias de atendimento utilizado em paciente com dor miofascial dos músculos mastigatórios. Metodologia: Paciente I.S.B., sexo feminino, 30 anos, procurou o Serviço de Controle da Dor Orofacial – HULW/UFPB queixando-se de dor face e na articulação temporomandibular (ATM), em ambos os lados, e estalidos nas ATMs. No exame físico constatou-se Ponto-Gatilho (PG) e dor à palpação nos músculos da mastigação (M. masseter e M. temporal) de intensidade severa e dor referida na região da ATM, bilateralmente, com maior intensidade à esquerda; e estalidos nas ATM. Foram estabelecidas as seguintes modalidades terapêuticas: protocolo de aconselhamento/orientações, massagem e alongamento da musculatura de região massetérica. Além disso, a dentista prescreveu anti-inflamatório não esteroidais (AINEs) e relaxante muscular; e agulhamento com infiltração com lidocaína 2% sem vasoconstritor e soro fisiológico na proporção de 1:1. Foram realizadas duas sessões de infiltração nas regiões massetérica e temporal, de ambos os lados, com o intervalo de 15 dias entre as sessões. Não foi indicada a confecção do dispositivo interoclusal, pois a paciente encontrava-se em tratamento ortodôntico. Na sequência, houve a manipulação para dissolução do PG. Resultados: A paciente apresentou a remissão total dos sintomas de dor e restabelecimento da abertura oral, dentro dos padrões da normalidade, após a segunda sessão de agulhamento. Conclusão: O agulhamento, com infiltração anestésica associado às manipulações musculares e de dissolução do PG, representa uma possibilidade de tratamento para os casos de dor miofascial. Dessa forma, verifica-se a potencialização da ação das terapias adjuvantes sintomáticas, além de promover a reabilitação da musculatura, resultando no equilíbrio das funções estomatognáticas. Essas respostas de controle da dor auxilia no manejo do estresse e, consequentemente, no restabelecimento da qualidade de vida.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1140
AJUSTES LARÍNGEOS E PARALARÍNGEOS PRODUZIDOS PELAS TÉCNICAS DE SNIFF E DE SOPRO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: As manobras de sniff e de sopro estimulam a abdução máxima das pregas vocais e são utilizadas para mensuração das forças musculares inspiratórias1 e expiratórias,2 respectivamente. No sniff, a abdução das pregas vocais ocorre durante a inspiração, enquanto no sopro na expiração. Estudos mostraram que durante o sniff ocorre importante ativação do músculo cricoaritenoideo posterior (CAP)3 e participação do músculo cricotireoideo (CT).4 Essas manobras podem ser utilizadas como técnicas vocais na prática clínica fonoaudiológica. Entretanto, torna-se necessário conhecer o que cada uma delas produz na configuração laríngea e paralaríngea. Objetivos: Comparar os ajustes laríngeos e paralaríngeos de mulheres vocalmente saudáveis durante a execução das técnicas de sniff e de sopro; e verificar se as técnicas apresentam as mesmas aplicações clínicas na prática fonoaudiológica. Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob número 0743/2019. Participaram da pesquisa 11 mulheres, de 18 a 24 anos, sem queixa vocal autorreferida, pontuação até 7,5 no IDV-10 e exame laringológico normal. Para observação dos ajustes laríngeos e paralaríngeos, foi realizado o exame de videonasofibrolaringoscopia. Após o posicionamento do endoscópio flexível, as participantes foram orientadas a realizar três sniffs e três sopros consecutivamente. Os exames de laringe foram editados e avaliados por três otorrinolaringologistas. Parâmetros da análise visual da laringe: posição vertical da laringe (baixa, neutra ou elevada), posição vertical da comissura anterior da laringe (baixa, neutra ou elevada), postura das pregas vocais (encurtada, neutra ou alongada), espaço do seio piriforme (reduz, sem modificação ou amplia), movimentação das aritenoides (sem movimentação, movimentação na direção lateral ou movimentação na direção medial) e ângulo de abertura das pregas vocais, em graus. Resultados: Foram encontradas diferenças significantes em todas as variáveis, à exceção da comissura anterior da laringe que permaneceu neutra em ambas as técnicas, p>0,999. A posição vertical da laringe mostrou-se neutra durante a execução da técnica de sniff e baixa durante o sopro, p=0,004. A postura das pregas vocais mostrou-se alongada na técnica de sniff e neutra no sopro, p=0,008. O sniff promoveu redução do espaço do seio piriforme, enquanto o sopro produziu ampliação da região, p=0,002. As aritenoides movimentaram-se na direção lateral durante o sniff, aumentando o espaço glótico; no sopro, as aritenoides movimentaram-se na direção medial, p=0,001. A mediana do ângulo de abertura das pregas vocais foi de 57,67 graus no sniff e de 51,12 graus na técnica de sopro, p=0,012. Conclusão: Embora o sniff e o sopro promovam a abdução das pregas vocais e estimulem o trabalho com o fluxo de ar, as técnicas produziram ajustes significantemente diferentes na configuração laríngea e paralaríngea de mulheres vocalmente saudáveis. Os resultados da pesquisa sugerem que as técnicas de sniff e de sopro apresentam aplicações clínicas diferentes. A técnica de sniff pode ser indicada principalmente nos casos em que se procura estimular maior amplitude de abertura das pregas vocais. Já a técnica do sopro pode ser indicada nos casos em que se busca estimular o abaixamento da laringe no pescoço e a ampliação do espaço do seio piriforme.


1. Ichikawa T, Yokoba M, Kimura M, Shibuya M, Easton PA, Katagiri M. Genioglossus muscle activity during sniff and reverse sniff in healthy men. Exp Physiol. 2018;103(12):1656-1665.
2. Park JS, Oh DH, Chang MY, Kim KM. Effects of expiratory muscle strength training on oropharyngeal dysphagia in subacute stroke patients: a randomized controlled trial. J Oral Rehabil. 2016;43(5):364-372.
3. Chhetri DK, Neubauer J, Sofer E. Posterior cricoarytenoid muscle dynamics in canines and humans. Laryngoscope. 2014;124(10):2363-2367.
4. Poletto CJ, Verdun LP, Strominger R, Ludlow CL. Correspondence between laryngeal vocal fold movement and muscle activity during speech and nonspeech gestures. J Appl Physiol (1985). 2004;97(3):858-866.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
237
ALEITAMENTO MATERNO: DESENVOLVIMENTO DE CARTILHA PARA AS PUÉRPERAS INTERNADAS EM UMA MATERNIDADE ESCOLA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e de forma complementar até os dois anos de idade é evidenciada pela OMS. As mães que amamentam necessitam de suporte para prolongamento com êxito desta prática. A evidente falta de conhecimento, as crenças e os significados que as puérperas têm sobre o aleitamento materno contribuem para a sua forma complementar e até para o desmame precoce. Uma forma de estimular as mães a compreender as orientações recebidas é a utilização da educação em saúde, que compõe materiais educativos que funcionam como recurso disponível, para que as mães e seus familiares possam sempre os consultar quando sentirem necessidade e não houver apoio da rede no momento. OBJETIVO: Desenvolver uma cartilha de orientações sobre o aleitamento materno para as puérperas atendidas em uma maternidade escola. MÉTODO: Estudo do tipo transversal desenvolvido com mulheres em situação de pós-parto internadas em uma maternidade escola no estado de Goiás. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa parecer 3.173.501 da CEP/HC/UFG. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário semiestruturado que continha questões para investigar o conhecimento das puérperas sobre amamentação e com esses dados realizar a confecção da cartilha educativa sobre amamentação. RESULTADOS: Responderam ao questionário 20 puérperas, com idade entre 18 e 41 anos. Foi possível observar que as 20 participantes realizaram o pré-natal, no entanto, apenas 10 receberam orientações sobre amamentação e 2 em grupo de gestantes. Os benefícios da amamentação para os RN’s conhecidos pelas puérperas são o fortalecimento do sistema imunológico, hidratação, fortalecimento do sistema respiratório e desenvolvimento facial. Sobre os benefícios para as puérperas, 15 participantes não sabem quais são os benefícios da amamentação. Apenas 9 das participantes sabem posicionar os RN’s e identificar a pega correta. Na questão sobre os mitos da amamentação 10 conhecem algum mito, 5 acreditam neles, sendo os citados: o consumo de canjica e cerveja preta, que se o RN arrotar no seio o leite seca e que amamentação após os 2 anos prejudica o desenvolvimento neuropsicomotor. Sobre a ordenha manual, 10 já ouviram falar sobre o termo, mas, apenas 7 sabem realizar o método. Sobre o uso de bicos artificiais 9 acham ideal o uso desde o nascimento. Os dados obtidos possibilitaram a criação de uma cartilha que englobou as maiores dúvidas das mães, sendo elas os benefícios da amamentação para a mulher, ordenha manual, uso de bicos artificiais e pega adequada. Os resultados demonstraram que a puérpera devem receber mais orientações sobre amamentação, além de ter um apoio no domicílio para facilitar a amamentação e as sanar dúvidas quando não existe a possibilidade de consultar um profissional da saúde no momento. CONCLUSÃO: O material impresso auxilia no desenvolvimento da autonomia, contribui como forma de ajuda em domicílio e possibilita a aquisição de conhecimentos e a troca de experiências, no entanto, existe a necessidade de aplicar e validar a cartilha.

BRASIL, MS. Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS. Guia alimentar para crianças menores de 2 anos. 2002. Disponível em: < http://www.redeblh.fiocruz.br/media/guiaaliment.pdf> Acesso em: 28/09/2018

______ MS. SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE. DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. 2009.

BEZERRA, VM et al. Prevalência e fatores determinantes do uso de chupetas e mamadeiras: um estudo no sudoeste baiano. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 19, n. 2, p. 311-321, 2019. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1519-38292019000200311&lng=pt&nrm=iso >.


DE OLIVEIRA DEMITTO, M et al. Orientações sobre amamentação na assistência pré-natal: uma revisão integrativa. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, v. 11, p. 223-229, 2010. Disponível em: < http://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/12636/1/2010_art_modemitto.pdf >.

MARIO, D N et al. Qualidade do Pré-Natal no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Ciencia & saude coletiva, v. 24, n. 3, p. 1223-1232, 2019. Disponível: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232019000301223&lng=en&nrm=iso&tlng=pt&ORIGINALLANG=pt >


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1076
ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA E AMAMENTAÇÃO: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA INTEGRATIVA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: Alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é definida como uma reação adversa imunológica e reprodutível a uma ou mais proteínas do leite de vaca (LV), envolve a participação de imunoglobulinas do tipo IgE, de células (linfócitos T) ou de ambas¹. É a alergia alimentar mais frequente na primeira infância, afetando cerca de 2 a 5% dos lactentes2,3. Pode causar inúmeras reações e sintomas gastrointestinais, dermatológicos, respiratórios e sistêmicos. A identificação precoce desse tipo de alergia é de suma importância para que a criança possa tolerar o alimento o mais breve possível. OBJETIVO: investigar o que os estudos científicos mais recentes abordam sobre a APLV e se nessa temática o aleitamento materno é considerado. MÉTODO: foi realizada uma revisão bibliográfica integrativa com base no banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) para responder à seguinte pergunta norteadora: “O que os estudos científicos mais recentes estão pesquisando sobre o tema APLV? Nestas investigações a amamentação é considerada?”. Para seleção dos estudos foram definidos os seguintes critérios de inclusão: artigos com resumos disponíveis e publicados nos últimos cinco anos e os seguintes critérios de exclusão: teses e dissertações, produções científicas sem resumo nas bases de dados e artigos repetidos. Foram contemplados artigos publicados no período de 2014 a 2019, em português, espanhol e inglês. Para composição da estratégia de busca foram utilizadas as palavras-chave: “Milk hypersensitivy” or “Hipersensibilidade a leite” e também APLV (alergia a proteína do leite de vaca), que apesar de não ser um termo encontrado no DECs, é amplamente utilizado nas publicações científicas e no meio clínico. Para análise e posterior síntese dos artigos selecionados foi construído um quadro sinóptico, contendo os seguintes aspectos considerados pertinentes: título, ano de publicação, objetivo do estudo, principais resultados e categorização da temática principal abordado na pesquisa. Em seguida foi feita a investigação de quais artigos consideravam a temática amamentação correlacionando-a com a APLV. RESULTADOS: foram encontrados 63 artigos e após leitura dos títulos, resumos e textos foram excluídos 37 artigos por não fazerem referência ao tema proposto e aos critérios de inclusão. Ao todo foram inseridos 26 estudos dos quais a maioria concentrava-se nos anos de 2016 e 2017. A maior parte (77%) dos estudos selecionados não mencionava a amamentação no discurso levantado sobre APLV. CONCLUSÃO: a maioria dos estudos encontrados investigou as consequências que a APLV pode causar nos lactentes. Poucos mencionam a amamentação em suas pesquisas, e estes afirmam que bebês em aleitamento materno exclusivo possuem menor risco de desenvolver APLV.

1. Franco JM, Pinheiro AP, Vieira SC, Barreto ÍD, Gurgel RQ, Cocco RR, et al. Accuracy of serum IgE concentrations and papule diameter in the diagnosis of cow’s milk allergy. J Pediatr (Rio J). 2018;94:279-85.
2. Errázuriz G, Lucero Y, Ceresa S, Gonzalez M, Rossel M, Vives A. Características Clínicas y manejo de lactantes menores de 1 año com sospecha de alergia a proteína de leche de vaca. Rev Chil Pediatria. 2016; 87(6):449-454.
3. Nyankovskyy S. Nutritional status of babies and influence of unmodified cow’s milk on allergic reactions according to the epidemiological study from Ukraine. Pol Pediat Society. 2013;88:138-143.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1067
ALIMENTAÇÃO DE IDOSOS COM CARCINOMA ESOFÁGICO EM CUIDADOS PALIATIVOS: UM OLHAR FONOAUDIOLÓGICO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: os pacientes em cuidados paliativos exclusivos tendem a apresentar redução do apetite, consomem os alimentos em menor quantidade e, muitas vezes, passam a recusar a alimentação em função dos sintomas como dor e vômitos. Além disso, a função deglutição, digestiva, absorção e excreção encontram-se alteradas. Por esses motivos, a família se preocupa, tornando difícil o entendimento de que o doente está morrendo em função da doença de base e não pela falta de alimentação e hidratação¹. Quando a disfagia se intensifica, evidenciando alguns sintomas que tornam a via oral insegura, o suporte nutricional em cuidados paliativos deve promover a qualidade de vida, o alívio do sofrimento e a minimização do estresse, sendo necessário, em alguns casos, estabelecer uma via alternativa de alimentação, mas sempre respeitando a individualidade de cada caso e a fase atual da doença²,3. Objetivo: descrever os aspectos da alimentação de um grupo de idosos em cuidados paliativos no momento do diagnóstico de carcinoma esofágico. Método: Estudo transversal descritivo. Foram incluídos prontuários de idosos acima dos 60 anos, de ambos os sexos, diagnosticados com carcinoma esofágico, atendidos no serviço de oncogeriatria de um hospital de referência oncológica do Sistema Único de Saúde em Recife/PE, entre os meses de janeiro de 2015 a dezembro de 2018. Excluíram-se prontuários com dados insuficientes para análise e pacientes que deram continuidade ao tratamento oncológico em outro hospital. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, sob parecer de nº 2.710.514, com dispensa do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para caracterização da amostra foi utilizado um formulário elaborado pelos pesquisadores contendo o perfil nutricional baseado na Mini Avaliação Nutricional – MAN triagem, presença de disfagia, odinofagia, via de alimentação no momento do diagnóstico e consistência tolerada. Para as variáveis categóricas foi utilizada a distribuição de frequências absoluta e relativa. Os dados foram analisados no Stata 12.0. Resultados: 17 participantes incluídos na amostra, 82% tinham idade maior ou igual a 70 anos, e nove (52,9%) dos 17 eram homens. Observou-se risco de desnutrição, ou mesmo, desnutrição em 82% dos participantes. Grande parte da amostra fez uso de alguma via alternativa de alimentação e via oral mínima para a consistência líquida, os sinais clínicos sugestivos de comprometimento esofágico presente em 82% dos voluntários foram disfagia, ou (dor ao engolir) odinofagia, perda progressiva e involuntária de peso. Conclusão: grande parte da amostra apresentou disfagia e odinofagia, fazia uso de via alternativa de alimentação, tolerava a via oral mínima para os líquidos, tinha risco de desnutrição ou encontrava-se desnutrido no momento do diagnóstico de carcinoma esofágico.

1. Acreman S. Nutrition in palliative care. Br J Community Nurs. 2009;14(10):427-31.
2. Silva PB, Lopes M, Trindade LCT, Yamanouchi CN. Controle dos sintomas e intervenção nutricional: fatores que interferem na qualidade de vida de participantes oncológicos em cuidados paliativos. Rev Dor. 2010;11(4):282-8.
3. Diniz RW, Gonçalves MS, Bensi CG, Campos AS, Giglio A, Garcia JB et al. Awareness of cancer diagnosis does not lead to depression in palliative care patients. Rev Assoc Med Bras 2006;52(5):298-303.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1291
ALTERAÇÃO DE ORELHA MÉDIA E SEU IMPACTO NA AUDIÇÃO E NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A integridade do sistema auditivo periférico e central é considerado um pré-requisito para o desenvolvimento adequado das funções cognitivas e da aquisição e apropriação da linguagem oral (1). Dentre as possíveis alterações na função auditiva, estão as alterações de orelha média (OM), responsáveis pelos comprometimentos auditivos condutivos, muito frequentes na infância (2). Por isso, a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva (PNASA), por meio da Portaria nº 587, recomenda a triagem e monitoramento auditivo de pré-escolares e escolares. Objetivo: Apresentar as evidências quanto a relação das alterações de orelha média e o desenvolvimento da linguagem de pré-escolares. Método: Trata-se de um estudo de caráter observacional, analítico, descritivo, quantitativo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição de origem sob número de CAAE 81117517.0.0000.5346. Participaram dessa pesquisa 115 pré-escolares, com idades entre dois a seis anos, com idade média de 4,26 anos, sendo 52 do sexo feminino e 63 do masculino. Todos os participantes realizaram os procedimentos de: meatoscopia, timpanometria, pesquisa dos limiares auditivos de via aérea nas frequências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 4000Hz, por meio de audiometria lúdica, e avaliação não instrumental da linguagem oral (crianças maiores de quatro anos) ou Protocolo de Observação Comportamental (PROC) (3) (crianças com menos de quatro anos). A coleta dos dados foi realizada em ambiente escolar. Para análise da audiometria tonal, a normalidade foi considerada nos casos em que o pré-escolar apresentasse limiar em 20dBNA em todas as frequências testadas e na timpanometria foi utilizada a classificação clássica (4), consideradas dentro da normalidade as curvas da família A e alteradas as curvas do tipo B e C. Resultados: Observou-se que 31% dos pré-escolares apresentaram alteração de orelha média e que o decréscimo da idade interfere inversamente no percentual dessa alteração (p=0,001*). Os dados demonstraram que houve associação estatisticamente significante entre o aumento nos limiares tonais auditivos e a presença de um comprometimento condutivo (p=0,001*). Em relação à linguagem, houve associação significante entre a audiometria tonal limiar e a avaliação da linguagem (p=0,025*). Conclusão: Foi possível observar que a presença de um comprometimento condutivo resulta em um impacto negativo na audição e na linguagem. Essa pesquisa reforça a relevância das recomendações das Políticas Públicas de Saúde Auditiva e de Atenção Integral à Saúde da Criança e demonstram que a avaliação audiológica na idade pré-escolar é imprescindível.

1. Long P, Wan G, Roberts MT, Corfas G. Myelin development, plasticity, and pathology in the auditory system. Dev Neurobiol. 2018; 78(2):80-92.
2. Torretta S, Pignataro L, Carioli D, Ibba T, Folino F, Rosazza C et al. Phenotype Profiling and Allergy in Otitis-Prone Children. Front Pediatr. 2018; 6:383.
3. Hage SRV, Pereira TC, Zorzi JL. Protocolo de Observação Comportamental-PROC: valores de referência para uma análise quantitativa. Rev CEFAC. 2012; 14(4):677-690.
4. Jerger J. Clinical Experience with Impedance Audiometry. Arch Otolaryngol. 1970; 92(4):311-24.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1251
ALTERAÇÃO DO FRÊNULO LINGUAL EM BEBÊS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O frênulo lingual se apresenta unindo a língua ao assoalho da boca. É esperado que a língua se movimente livremente na cavidade oral(1). A depender de sua fixação, pode ocorrer uma interferência negativa nas funções da língua(2). A anquiloglossia interfere no equilíbrio funcional, e no crescimento e desenvolvimento do sistema estomatognático(3). Diversas funções podem se apresentar alteradas em indivíduos com alteração do frênulo lingual, como fala, mastigação e sucção(1,4,5). É possível observar uma grande discrepância com relação aos valores de prevalência das alterações(6). Diante dessa realidade, foi criada a lei do Teste da Linguinha, que torna obrigatória a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em bebês(7). Portanto, faz-se necessário estudos utilizando o Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em bebês(2) em diferentes serviços, para uma uniformidade dos resultados encontrados. Objetivo: Estimar a frequência de alterações do frênulo lingual em bebês e caracterizar anatomofuncionalmente o frênulo lingual dos bebês atendidos no serviço. Método: A pesquisa trata-se de um estudo seccional – descritivo, transversal, individual e observacional. Foram avaliados 1605 prontuários de pacientes atendidos no setor de triagem neonatal fonoaudiológica de uma maternidade, no período de agosto de 2017 a junho de 2018, considerando as variáveis relacionadas as características biodemográficas, a idade do bebê no dia da avaliação e os resultados da avaliação do frênulo lingual(postura de lábios em repouso, tendência do posicionamento da língua durante o choro, a forma da ponta da língua quando elevada durante o choro, a visualização do frênulo, a espessura do frênulo, a fixação do frênulo na face sublingual da língua e a fixação do frênulo no assoalho da boca), bem como o escore obtido, através do Protocolo de avaliação do frênulo lingual. A análise quantitativa das informações foi realizada envolvendo a aplicação de estatística descritiva e inferencial, a um nível de confiança de 95%. Resultados: A média de idade na primeira avaliação foi de 19,88 (±12,18) dias, 51,6% eram do sexo masculino e 48,4% do sexo feminino. Da amostra total pesquisada, 73 foram diagnosticados com alteração do frênulo lingual na primeira consulta e 29 foram encaminhados para a avaliação funcional. Desses, 6 foram diagnosticados com alteração do frênulo lingual, fazendo um total de 79 (4,9%; IC 95%: 3,9-6,1) crianças com frênulos alterados. Não houve diferença estatisticamente significante quanto ao gênero (p=0,222). Conclusão: A frequência de alteração de frênulo lingual foi de 4,9%. Considerando os bebês avaliados nesse estudo, as características anatomofuncionais foram: lábios fechados em repouso, língua na linha média durante o choro, ponta da língua arredondada, visualização do frênulo da língua, com espessura delgada, fixação na face sublingual no terço médio e fixação no assoalho da boca visível a partir das carúnculas sublinguais.

1. Knox I. Tongue Tie and Frenotomy in the Breastfeeding Newborn. Neoreviews. 2010; 11(9): e513-e519. DOI: https://doi.org/10.1542/neo.11-9-e513

2. Martinelli RLC, Marchesan IQ, Berretin-Felix, G. Protocolo de avaliação do frênulo lingual para bebês: relação entre aspectos anatômicos e funcionais. Rev CEFAC. 2013; 15(3): 599-610. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462013005000032

3. Pompéia LE, Ilinsky RS, Ortolani CLF, Júnior KF. A influência da anquiloglossia no crescimento e desenvolvimento do sistema estomatognático. Rev. Paul. Pediatr. 2017; 35 (2): 216-221. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1984-0462/;2017;35;2;00016.

4. Suzart DD, Carvalho ARR. Alterações de fala relacionadas às alterações do frênulo lingual em escolares. Rev CEFAC. 2016; 18(6): 1332-1339. DOI: 10.1590/1982-0216201618621715

5. Silva MC, Costa MLVCM, Nemr K, Marchesan IQ. Frênulo de língua alterado e interferência na mastigação. Rev CEFAC. 2009; 11(supl3): 363-369.

6. Venancio SI, Toma TS, Buccini GS, Sanches MTC, Araújo CL, Figueiró MF. Anquiloglossia e aleitamento materno: evidências sobre a magnitude do problema, protocolos de avaliação, segurança e eficácia da frenotomia: parecer técnico científico. Set de 2015.

7. Brasil. Lei n. 13.002, de 20 de junho de 2014. Obriga a realização do protocolo do frênulo da língua em bebês. Diário Oficial da União. 20 jun 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
441
ALTERAÇÃO NO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL COMO FATOR DE RISCO PARA O ZUMBIDO EM PROFESSORES
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: Alterações no Índice de massa corporal (IMC) têm sido estudadas em populações com zumbido, embora esse assunto ainda seja controverso na literatura (1,2,3,4). Uma alta prevalência de sobrepeso tem sido observada em professores, provavelmente devido as condições de trabalho que contribuem para o desenvolvimento de alterações relacionadas ao estilo de vida (5). O zumbido também tem se mostrado prevalente na população de professores, provavelmente por fatores ocupacionais e hábitos de vida (6). OBJETIVO: Investigar a associação entre zumbido e IMC em professores. MÉTODOS: Estudo caso-controle, parte de um projeto maior aprovado pelo Comitê de Ética da Instituição com o n° 742.355. Foram considerados “casos” aqueles que referiram zumbido nos últimos 6 meses. Foram considerados “controles” aqueles que não apresentaram esse sintoma. Para cada caso foram incluídos 2 controles. Os casos e controles foram provenientes da mesma população no modelo de vizinhança. Assim, foram incluídos 16 casos e 32 controles, de ambos os sexos, com média de idade de 48.3 ± 10 anos. A presença do zumbido foi avaliada por meio de anamnese. O índice de massa corporal foi verificado por meio de auto relato do peso e altura dos professores, dividindo o peso corporal (em kg) pela altura (em metros) ao quadrado. Aqueles que apresentam IMC < 18.5 foram classificados como baixo peso; de 18.5 a 24.99 como eutróficos; de 25 a 29.99 como sobrepeso; e ≥ 30 foram considerados com obesidade. Para o cálculo de Odds ratio (OR), os dados do IMC foram dicotomizados em dois grupos IMC normal (eutróficos) e IMC acima do normal (sobrepreso e obesidade). RESULTADOS: Dentre os casos (n = 16), 31,2% (n = 5) apresentaram eutrofismo, 56,2 (n = 9) sobrepeso e 12,5% (n = 2) eram obesos. Dentre os controles, 46,9% (n = 15) eram eutróficos, 34,4% (n = 11) tinham sobrepeso e 18,8% (n = 6) eram obesos. O risco de prevalência daqueles que apresentaram IMC acima do normal de apresentar zumbido foi de 39,3%. Foi encontrado um valor de OR 1,94 para aqueles com IMC acima do normal (IC95%: 0,548-6,876) no entanto, não foi significativo. CONCLUSÃO: O risco de prevalência de zumbido em professores com IMC acima do normal é alto, embora o OR não tenha demonstrado significância. Mais estudos são necessários com populações maiores de professores para confirmar esses achados.

1. Stohler NA, Reinau D, Jick SS, Bodmer D, Meier CR. 1 A study on the epidemiology of tinnitus in the United Kingdom Clin Epidemiol. 2019; 13;11:855-871.

2. Kim H-J, Lee H-J, An S-Y, et al. Analysis of the prevalence and associated risk factors of tinnitus in adults. PLoS One. 2015;10(5):e0127578.

3. Cima RFF, Mazurek B, Haider H, et al. A multidisciplinary European guideline for tinnitus: diagnostics, assessment, and treatment. HNO. 2019;67:10–42.

4. McCormack A, Edmondson-Jones M, Mellor D, et al. Association of dietary factors with presence and severity of tinnitus in a middle-aged UK population. PLoS One. 2014;9(12):e0114711.

5. Rocha SV, Cardoso JP, Santos CA, Munaro H LR, Vasconcelos LRC, Petroski EL. Overweight/obesity in teachers: prevalence and associated factors. Rev. bras. cineantropom. desempenho hum. 2015; 17(4): 450-459.

6. Fredriksson S, Kim JL, Torén K, Magnusson L, Kähäri K, Söderberg M, Waye KP. Working in preschool increases the risk of hearing-related symptoms: a cohort study among Swedish women. International archives of occupational and environmental health. 2019; 92(8), 1179–90.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
361
ALTERAÇÃO SENSORIAL E ATRASO DE LINGUAGEM EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO DE LITERATURA.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: Em 1943, Kanner descreveu sob o nome "distúrbios autísticos do contato afetivo" um quadro caracterizado por autismo extremo, obsessividade, estereotipias e ecolalia. Esse conjunto de sinais foi por ele visualizado como uma doença específica relacionada a fenômenos da linha esquizofrênica (1). Alguns comportamentos e rotinas podem estar relacionados a uma aparente hiper ou hiporreatividade a rituais envolvendo gosto, cheiro, textura ou aparência da comida ou excesso de restrições alimentares, podendo constituir a forma de apresentação do transtorno do espectro autista (2). Restrição de interesses e uma disfunção no processamento de informações sensoriais podem estar relacionada ou não a um Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) nessas crianças(3).Compromete ainda o desenvolvimento motor e psiconeurológico dificultando a cognição, a linguagem e a interação social da criança, além de apresentarem o atraso no desenvolvimento da linguagem (4). OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática de literatura de trabalhos que abordassem a relação entre as questões sensoriais e o atraso de linguagem dessa população, propiciando um conhecimento mais amplo com maior possibilidades de intervenções terapêuticas no desenvolvimento dessas crianças. MÉTODO: Para a seleção dos estudos, foi realizado levantamento bibliográfico de textos publicados no período entre 2010 a 2019 em bases de dados eletrônicas LILACS, SciELO, PubMed e Google Scholar. Com base no título foram definidos os descritores para a busca de acordo com o Descritores em Ciências da Saúde – “autismo”, “autism”, “comportamento sensorial”, “sensory behavior”, “linguagem”, “language”, intercalados pelo operador booleano AND em todas as bases de dados. RESULTADOS: Da totalidade dos estudos encontrados foram tabelados (n=7) por meio dos critérios de inclusão e análise prévia do resumo. Com a análise completa dos textos encontrou-se quatro estudos condizentes com a presente pesquisa. Os quatro artigos foram selecionados, as pesquisas apontam que as alterações sensoriais podem afetar negativamente a vida desses indivíduos e de suas famílias. A ausência de respostas ou a dificuldade em regular esses estímulos podem prejudicar o potencial de aprendizado dessas crianças no desenvolvimento da linguagem e na interação com o meio. CONCLUSÃO: Os achados se relacionam na tentativa de entender as associações entre os padrões sensoriais e os principais sintomas do autismo quanto a linguagem. O desenvolvimento da criança compreende diversos fatores e os sentidos moldam as experiências, o que dificulta em um dos aspectos a criança com espectro autista a se desenvolver em sua totalidade. Apesar dos estudos elencados nesta revisão pode-se destacar a escassez de pesquisas que tragam a relação das alterações sensoriais e sua influência no desenvolvimento da linguagem, sendo assim sugere-se mais estudos.

1- KANNER L. Autistic disturbances of affective contact. Nervous Child. Pathology. 1943; 2:217-50.
2- APA - American Psychiatric Association. DSM-V: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (5ª Ed.). Porto Alegre: Artmed Editores.2014
3- LURIA AR. Fundamentos de neuropsicologia. 1.ed. São Paulo: Edusp; 1981.
4- LOPEZ P. J. et al. Our experience with the a etiological diagnosis of global developmental delay and intellectual disability: 2006-2010. Neurologia. 2014; 29(7):402-7.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
169
ALTERAÇÕES AUDIOLÓGICAS EM IDOSOS COM QUEIXA DE MEMÓRIA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)
88020710


Introdução: A cada ano, 650 mil idosos são incorporados à população brasileira(1). Até o momento, existem poucos estudos epidemiológicos que mostrem à prevalência da presbiacusia no Brasil(2). A presbiacusia é a diminuição da acuidade auditiva relacionada ao envelhecimento sem causa reconhecida(3). E isto resulta em dificuldade na comunicação, isolamento social, depressão e a diminuição da qualidade de vida(4).. Objetivo: verificar a prevalência de alterações audiológicas e os fatores associados em idosos com queixa de memória. Métodos: Estudo com aprovação do Comitê de Ética pelo número 3.494.953. O estudo foi conduzido em um Ambulatório de Memória que realiza atendimentos à idosos com queixa de memória no SUS. Assim, os idosos foram contatados e convidados a comparecerem no Ambulatório para realização de uma triagem auditiva. O instrumento usado para triagem foi o aparelho portátil ocupacional PA5 da marca Interacoustics, devidamente calibrado. O exame foi conduzido em sala silenciosa, com realização de meatoscopia e foi calculada a média tritonal dos idosos. Foram levantados dados dos prontuários destes idosos para caracterização sociodemográfica; para avaliar a presença de alterações emocionais, obtidas pela aplicação da Escala de Depressão Geriátrica - GDS(5); para avaliar a independência no desempenho de algumas funções (banho, vestir-se, ir ao banheiro, transferência, continência e alimentação), classificando o idoso em dependente (escore abaixo de 6) ou independente (escore acima de 6); obtida pelo instrumento de avaliação das Atividades de Vida Diária (AVD)(6) e para avaliar a cognição, o Monteal Cognitive Assessment – MoCA(7). Resultados: Foram avaliados 14 idosos, todos do sexo feminino; a maioria (35,7%) casada, seguida por 28,6%, solteira. Quanto à renda familiar, 50% relatou receber de 1 a 3 salários mínimos. Com relação ao estilo de vida, apenas uma idosa referiu ser tabagista e 50% delas não realizam atividade física. Quando questionadas sobre a autopercepção da saúde, a maioria considera como boa (42,9%). Em relação aos testes aplicados, as médias foram 4,64 para o GDS, sugerindo presença de alterações emocionais, 3,28 para as AVD, indicando dependência e 25,71 pontos no MoCA, sugerindo declínio cognitivo. Na triagem auditiva, observou-se que em 92,9% dos idosos, os limiares auditivos encontram-se alterados na orelha direita; e para a esquerda, 78,6%. Conclusão: O aumento da população idosa abre um novo campo de pesquisa aos profissionais comprometidos com a qualidade de vida no envelhecimento (8). É urgente, o estabelecimento de diretrizes para o desenvolvimento de programas de diagnóstico, aquisição de aparelhos de amplificação sonora individual e, principalmente, de um programa específico de reeducação auditiva dos idosos, garantindo participação social e boa qualidade de vida.

Referências:
1. Veras, Renato. Envelhecimento populacional e as informações de saúde do PNAD: demandas e desafios contemporâneos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(10):2463-2466, out, 2007.
2. Sousa et al. Estudo de fatores de risco para presbiacusia em indivíduos de classe sócio-econômica média. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology 75 (4) Julho/Agosto 2009.
3. Lobato J. A classe média no fundo do poço. Ciência hoje on-line de 01/06/04. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/2478
4. Veras R. A longevidade da população: desafios e conquistas. Rev Serv Soc e Sociedade. 2003;75:5-18.
5. Yesavage JA, Brink TL, Rose TL, Lum O, Huang V, Adey MB, et al. Development and validation of a geriatric depression screening scale: a preliminary report. J Psychiat Res. 1983; 17:37-49.
6. Katz S, Ford AB, Moskowitz RW, Jackson N BA, Jaffe MW. Studies of illness in the aged. Journal of the American Medical Society. 1963;185(12):914-21.
7. Nasreddine, Z., Phillips, N. A., Bédirian, V., Charbonneau, S., Whitehead, V., Collin, I., Cummings, J. L., & Chertkow, H. (2005). The Montreal Cognitive Assessment, MoCA: A brief screening tool for Mild Cognitive Impairment. American Geriatrics Society, 53, 695-699.
8. Veras RP, Mattos LC. Audiologia do envelhecimento: revisão da literatura e perspectivas atuais. Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.73 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2007.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
157
ALTERAÇÕES AUDITIVAS E FUNÇÕES COGNITIVAS DE INDIVÍDUOS EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)
88020710


Introdução: Envelhecer é um processo natural e progressivo(1), caracterizado por transformações biológicas, morfológicas, sociais e psicológicas, que ocorrem de forma singular em cada indivíduo(2). Neste contexto, a habilidade para manter autonomia e independência, representa uma peça chave para um envelhecimento ativo e saudável(3). O envelhecimento do sistema auditivo, assim como da função cognitiva podem causar repercussões importantes nas atividades cotidianas dos idosos, interferindo negativamente na comunicação e também no desempenho auditivo, gerando isolamento social(4). Objetivo: A presente pesquisa apresenta como objetivo principal verificar as evidências científicas sobre as alterações auditivas e as funções cognitivas em indivíduos em processo de envelhecimento. Método: Realizou-se uma revisão sistemática. Foram selecionados estudos publicados de janeiro de 2015 a Janeiro de 2020 nas bases de dados MEDLINE (via PubMed), SciELO, Scopus e LILACS. Os termos de busca foram (“envelhecimento”[DeCS] AND “idoso”[DeCS] AND “cognição”[DeCS] AND “saúde do idoso” [DeCS] AND “audição” [DeCS]). Os artigos foram avaliados quanto ao nível de evidência de acordo com “Oxford Centre for Evidence-based Medicine Levels of evidence”(5). Foi verificada a qualidade metodológica dos artigos selecionados e a pontuação da qualidade dos estudos incluídos foi equivalente a 11 pontos no protocolo modificado de Pithon et al, 2015(6), representando os estudo como aceitáveis para a pesquisa. Resultados: Ao total foram identificados 2.802 artigos, sendo todos por busca em bases eletrônicas. Após o processo de exclusão de artigos, foram selecionados 6 artigos para este estudo. A pontuação da qualidade dos estudos incluídos foi equivalente a 11 pontos no protocolo modificado de Pithon et al, 2015(6), com uma média de 11 pontos, sendo categorizados como de alta qualidade o escores entre 13 e 11 pontos, representando os estudo como aceitáveis para a pesquisa. O presente estudo verificou um pior desempenho nos testes cognitivos (MEEM) quanto maior a idade, além de uma correlação com o grau de perda auditiva com a categoria de linguagem do exame, as categorias de registro e memória podem não ser suficientemente sensíveis para detectar qual idoso irá passar ou falhar e o grau de escolaridade mostrou exercer influência no desempenho do exame. Pontuação do MEEM se mostrou diretamente proporcional à relação S/R. Conclusão: Diante do envelhecimento populacional, destaca-se a importância da investigação da condição auditiva e cognitiva dos idosos, priorizando ações que previnam ou reduzam o isolamento social e a depressão.

Referências:
1. Ferreira et al. Envelhecimento ativo e sua relação com a independência funcional .Texto contexto - enferm. vol.21 no.3 Florianópolis July/Sept. 2012.
2. SILVA, Iracema Costa Alves , DE BONIS, Ricardo. A posição no contexto social e o perfil do idoso assistido no cras - centro de referência de assistência social de palmas – to – Brasil.
3. SCHNEIDER, Rodolfo Herberto; IRIGARAY, Tatiana Quarti. O envelhecimento na atualidade: aspectos cronológicos, biológicos, psicológicos e sociais. Estudos de Psicologia I Campinas I 25(4) I 585-593 I outubro - dezembro 2008.
4. Dessen, Maria Auxiliadora; Brito, Angela Maria Waked de. Reflexões sobre a deficiência auditiva e o atendimento institucional de crianças no Brasil. Paidéia (Ribeirão Preto) no.12-13 Ribeirão Preto fev./ago. 1997.
5. Oxford Centre for Evidence-Based Medicine. Levels of evidence [Internet] 2009 [acesso em 18 jun 2020]. Disponível: http://www.cebm.net/oxfordcentre-evidence-based-medicine-levels-evidencemarch-2009/.
6. Pithon MM, Santos;Anna LI, Baião FC, dos Santos RL, Coqueiro Rda S, Maia LC. Assessment of the effectiveness of mouthwashes in reducing cariogenic biofilm in orthodontic patients: A systematic review. J Dent. 2015;43:297-308.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
308
ALTERAÇÕES AUDITIVAS EM INDIVÍDUOS COM MIELOMENINGOCELE: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A mielomeningocele (MMC), caracterizada como uma falha na coluna vertebral, onde uma ou mais vértebras não conseguem se fundir adequadamente, pode levar a protrusão das meninges. Como consequência, podem causar alterações nas funções do indivíduo, a depender do nervo envolvido e do nível da lesão, podendo estar presente em 1/1.000 nascidos vivos no mundo. Com base na qualidade de vida de pacientes com disrafismos espinhais é apontado que os pacientes com MMC apresentam escores significativamente mais baixos de visão, audição, fala, cognição, emoção, dor, deambulação e destreza. O diagnóstico de perdas auditivas e intervenção precoce podem minimizar o impacto no desenvolvimento da audição, uma vez alterações dificultam a percepção da fala e aprendizagem da língua oral. Objetivo: Revisar os achados da literatura sobre as alterações auditivas relacionadas a MMC e a sua melhor forma de diagnóstico. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada no mês de junho de 2020, através da seguinte pergunta norteadora: Quais as alterações auditivas mais comuns em pacientes com MMC e como identificá-las? As base de busca utilizadas foram: Scielo, Lilacs, Medline, Web of Science, Pubmed e Science direct. Os descritores foram selecionados utilizando a ferramenta de registro MeSH, sendo montada a seguinte chave de busca: myelomeningocele OR Myelocele OR Myeloceles AND hearing loss OR hearing OR hearing disease. Como critérios de elegibilidade, foram incluídos artigos que tratassem de mielomeningocele, correlacionando com avaliação auditiva e/ou alterações auditivas, sendo excluídos estudos de revisão, capítulos de livro e artigos com outras doenças associadas relacionadas a alterações auditivas. Resultados: Na busca foram encontrados 632 resultados e após a leitura de títulos e resumos foram selecionados 53 artigos para leitura completa, após exclusão dos estudos duplicados. Por fim, foram incluídos de acordo os critérios preestabelecidos, 4 artigos nesta revisão. Os artigos foram publicados entre 2014 e 2018. As idades da população variaram de recém-nascido até 26 anos. Em recém-nascidos o modo de avaliação auditiva mais comum descrita entre os artigos foi o PEATE, seguido das Emissões Otoacústicas (EOA). No entanto, os autores alegaram que as EOA, por avaliar apenas a resposta coclear, não é suficiente em todos os casos. Já em de a partir de 7 anos, os autores indicam o exame de audiometria como mais apropriado, uma vez que os pacientes podem responder aos estímulos auditivos. Por fim as alterações auditivas mais encontradas nos pacientes com MMC foram: perdas auditivas, alterações centrais e espectro da neuropatia auditiva; esses acometimentos podem prejudicar o desenvolvimento de linguagem desses indivíduos. Conclusão: Diante dos resultados, conclui-se que há uma recomendação para que seja realizado na triagem auditiva neonatal, além da EOA, o exame de PEATE, visto que muitas alterações auditivas desse paciente são de localização central, na qual o exame de EOA é incapaz de identificar. Além disso, foram encontrados poucos de estudos na literatura sobre a integridade das vias auditivas na população com MMC, sendo necessária a realização de pesquisas com esse objetivo.

Rendeli C, Ausili E, Tabacco F, Caliandro P, Aprile I, Tonali P, Padua L. Assessment of health status in children with spina bifida. Spinal Cord. 2005; 43(4): 230–235.

Northrup H, Volcik KA. Spina bifida and other neural tube defects. Current Problems in Pediatrics. 2000; 30(10): 317–332.

Rocque BG, Bishop ER, Scogin MA, Hopson BD, Arynchyna AA, Boddiford CJ, Blount JP. Assessing health-related quality of life in children with spina bifida. Journ of Neurosur: Pediatrics . 2015; 15(2): 144–149.

Worley G, Erwin CW, Schuster JM, Park Y, Boyko OB, Griebel ML, Oakes WJ. BAEPs in infants with myelomeningocele and later development of chiari II malformation-related brainstem dysfunction. Developmental Medicine & Child Neurology. 2008; 36(8): 707–715.

Bevilacqua MC. A criança deficiente auditiva e a escola. São Paulo: CLR Balieiro. 1987

Jesus NO, Maruta ECS, Azevedo MF. Alterações auditivas em recém-nascidos e lactentes com mielomeningocele. Audiology - Communication Research. 2018; 23(0).

Picciotti PM, Battista M, Pandolfini M, Paludetti G, Ausili E, Romagnoli C, Rendeli C Audiological evaluation in children affected by myelomeningocele. Child’s Nervous System. 2015; 31(12): 2321–2324.

Satzer D, Guillaume DJ. Prognostic value of newborn hearing screening in patients with myelomeningocele. Journ of Neurosurg: Pediatrics. 2014; 14(5): 495–500.

Alijani B, Bagheri HR, Chabok SY, Behzadnia H, Dehghani S. Posttraumatic Temporal Bone Meningocele Presenting as a Cystic Mass in the External Auditory Canal. Journ of Craniofa Surg. 2016; 27(5): e481–e484.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1224
ALTERAÇÕES AUDITIVAS EM PACIENTES AFÁSICOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A afasia é uma alteração no conteúdo, na forma e no uso da linguagem, assim como em seus processos cognitivos subjacentes, tais como percepção e memória¹. Ela se dá pela área lesada e seus aspectos morfofuncionais, sendo os principais tipos a afasia de Broca e de Wernicke². As etiologias mais frequentes são: acidentes vasculares encefálicos (AVE), doenças metabólicas, aneurismas, traumatismos cranianos, doenças degenerativas e desmielinizantes, entre outras¹. A audição é considerada um elemento fundamental para a habilidade linguística e, aprofundar o conhecimento de suas relações com a linguagem é relevante para a reabilitação de pacientes com distúrbios de comunicação, em especial as pessoas com afasia². Tendo em consideração o mencionado, é possível que as alterações auditivas repercutem de forma negativa para a inclusão do indivíduo com afasia dentro de uma sociedade que se corrobora cada vez mais nos preceitos de uma comunicação célere e objetiva. OBJETIVO: Analisar, a partir de uma revisão de literatura sistemática, as alterações auditivas em pacientes afásicos. METODOLOGIA: Revisão de literatura sistemática que utilizou como descritores: Afasia. Audição. Alterações. Encontraram-se 3 artigos indexados nas bases de dados Google Acadêmico, BVS e Scielo, seguindo os critérios de inclusão: publicações entre os anos de 2016 a 2020 e àqueles que se encaixaram no tema proposto. RESULTADOS: Entre os estudos analisados¹²³, pôde-se observar a importância da avaliação audiológica no processo de reabilitação de sujeitos com afasia. No estudo 1, a amostra foi composta por 10 indivíduos sem afasia e 10 indivíduos afásicos, no qual foi identificado que os indivíduos afásicos não apresentaram diferenças significantes quanto à supressão das emissões otoacústicas. Quanto ao potencial cognitivo, os indivíduos afásicos apresentaram maior valor de latência em relação aos indivíduos sem afasia¹. No estudo 2, um fator que pode interferir no processo de compreensão da linguagem da pessoa com afasia é a dificuldade auditiva, mas essa dificuldade não é perceptível nos testes usuais de avaliação da linguagem, necessitando que a pessoa com afasia seja submetida a uma bateria de exames audiológicos. As queixas auditivas observadas com maior ocorrência neste estudo foram a dificuldade de compreensão da fala no ruído (50%) e zumbido (37,5%)². Já no estudo 3, percebe-se a extrema importância que a avaliação do processamento auditivo possui nessa população. Avaliar para poder estimular e tratar essas habilidades pode proporcionar mais evolução nos sujeitos com afasia de expressão. Por eles possuírem avaliações comportamentais piores do que as eletrofisiológicas demonstra a necessidade de intervenção terapêutica e treinamento auditivo, pois, com a integridade fisiológica da via, há mais chances de evolução terapêutica e melhoras comportamentais auditivas que podem refletir em benefício para os processos de linguagem³. CONCLUSÃO: Com fundamento no que foi versado no presente tema, pôde-se concluir que a ausência de avaliação audiológica e as alterações auditivas podem influenciar no processo de reabilitação de pacientes com afasia. Justificativa pela qual a audição é um elemento fundamental para o uso eficiente da linguagem.
DESCRITORES: Afasia. Audição. Alterações.

1. BURITI, Ana Karina Lima et al. Avaliação eletroacústica e eletrofisiológica da audição em indivíduos afásicos. Revista CEFAC, v. 22, n. 2, 2020.

2. SCHUELTER, Débora et al. Características audiológicas e habilidades de comunicação de pessoas com afasia. Distúrbios da Comunicação, v. 29, n. 3, p. 448-461, 2017.

3. DA SILVA FOLGEARINI, Jordana et al. Processamento auditivo da informação em sujeitos com afasia. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento, v. 21, n. 3, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
316
ALTERAÇÕES AUDITIVAS PERIFÉRICAS E CENTRAIS EM POLICIAIS MILITARES
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O ruído de impacto produzidos por rápidas expansões de gás, como nas armas de fogo e bombas, pode atingir intensidade ao redor de 140dB nas frequências de 2000 e 3000Hz sendo, então, risco à audição, acarretando mudanças fisiológicas ou anatômicas, temporárias ou permanentes no sistema auditivo1. Essa exposição proveniente de armas de fogo, podem gerar perda de células ciliadas externas e internas (com danos basais na cóclea), além de perda da sensibilidade neural, isto porque os neurônios do gânglio espiral normal são muito bem sintonizados com a frequência característica ou mais sensível2. Estudos eletrofisiológicos e morfológicos mostram que há uma relação direta entre a perda de receptores sensoriais e a sensibilidade neural audtivia diminuída3,4. Objetivo: Analisar a audição periférica e central em policiais expostos ao ruído de impacto produzido por armas de fogo e explosivos. Métodos: Estudo transversal com policiais militares do BOPE da Policia Militar do Paraná. Todos são do gênero masculino e expostos a ruído de impacto, principalmente, nos momentos de treinamento de tiro, porém, todos fazem o uso de protetores auditivos nessas ocasiões. O estudo teve aprovação do CEP n.196954. Foi aplicada uma anamnese audiológica e realizou-se os seguintes exames: audiometria tonal liminar, audiometria de altas frequências, teste de Emissões Otoacústicas Evocadas e Potenciais Evocados de Tronco Encefálico PEATE. Para análise dos dados, foram utilizados procedimentos estatísticos como análises de tendências centrais dos resultados dos exames audiológicos e comparação dos resultados por grupos de trabalhadores com e sem alteração auditiva pela audiometria, através dos testes estatísticos, com nível de significância de 0,05. Resultados: Foram incluídos no estudo 18 policiais (sem alterações de orelha média ou histórico de problemas otológicos não ocupacionais), sendo que a maioria com idade entre 36 a 46 anos, 10 (64,6%) com audição perda auditiva neurossensorial nas frequências de 3000Hz e/ou 4000Hz e/ou 6000Hz. Houve diferenças entre os grupos em relação ao limiar auditivo das Altas Frequências. No teste EOA Produto de Distorção, a relação sinal/ruído menor que 6 dB por frequências foi observada apenas no grupo com alteração auditiva. Observou-se média da latência absoluta da Onda I aumentada no grupo com alteração auditiva e diferença significativa para a Onda V. Na análise das amplitudes das ondas I e V, e da relação I/V, comparando os grupos, observou-se diferenças significativas nas médias da amplitude da onda I entre os grupos na orelha direita, média da relação I/V no grupo com alteração auditiva de 5,00 µV, na orelha direita. Conclusão: Encontrou-se alterações periféricas e centrais na audição dos policiais. Reforçamos a realização do PEATE, EOA e Altas Frequências como diagnostico auxiliar de perda auditiva por ruído intenso.

1. Plontke SKR, Dietz K, Pfeffer C, Zenner HP. The incidence of acoustic trauma due to New Year’s firecrackers. Eur Arch Otorhinlaryngol, 2002; 259(5):247-52.
2. Liberman LD, Suzuki J, Liberman MC. Dynamics of cochlear synaptopathy after acoustic overexposure. J. Assoc. Res. Otolaryngol. 2015; 16:205-19.
3. Lin HW, Furman AC, Kujawa SG, Liberman MC. Primary neural degen-eration in the Guinea pig cochlea after reversible noise-induced threshold shift. JARO. 2011; 12:605-16.
4. Kujawa SG, Liberman MC. Adding insult to injury: cochlear nerve degeneration after "temporary" noise-induced hearing loss. J. Neurosci. 2009; 29(45):14077-14085.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1190
ALTERAÇÕES DA BILIRRUBINA COMO INDICADOR DE RISCO PARA A DEFICIÊNCIA AUDITIVA: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A triagem auditiva neonatal é o procedimento realizado em neonatos para verificar a audição logo ao nascimento e, assim, detectar a população com suspeita da deficiência auditiva, bem como a população de risco para desenvolver a deficiência auditiva, de acordo com os indicadores de risco para a deficiência auditiva (IRDA) do Joint Committee on Infant Hearing (JCIH, 2019). Dentre estes, destaca-se a hiperbilirrubina, que pode desenvolver alterações auditivas, até mesmo de forma tardia. Valores de bilirrubina por volta de 5mg/dL de sangue, já caracteriza icterícia neonatal, sendo que esta passa a ser patológica com valores acima de 18 mg/dL. Ainda não estão bem estabelecidas as dosagens de bilirrubina necessárias para causar alterações no sistema auditivo, o que implica no acompanhamento auditivo de todas as crianças que apresentaram um quadro de hiperbilirrubinemia ao nascimento, com necessidade de exame para a dosagem e acompanhamento médico. OBJETIVO: Investigar por meio de uma revisão de literatura, a relação existente entre alterações nos níveis de bilirrubina e alterações auditivas. MÉTODO: Foi realizada uma revisão de literatura de artigos publicados nos últimos 10 anos nas bases de dados BIREME (Biblioteca Virtual da Saúde) estando nela compreendidas a LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Eletronic Library online-Brasil), e PUBMED. Para a busca destes artigos foram serão utilizadas as palavras-chave icterícia, hiperbirrubinemia e perda auditiva, que foram selecionadas de acordo com o assunto proposto no manual de Descritores em Ciências da Saúde (DECs). Os artigos selecionados foram lidos e realizada a resenha para a confecção do presente estudo. RESULTADOS: A partir da busca nas bases de dados foram encontrados 412 artigos, abrangendo o período do ano de 2009 a 2019. Destes artigos, foram descartados aqueles que não analisaram exclusivamente o fator icterícia/hiperbilirrubinemia isolado ou mesmo associado a outro fator de risco e audição. Ao final, foram selecionados 32 artigos que foram minuciosamente lidos e resenhados. CONCLUSÃO: Após análise dos estudos incluídos nesta revisão, é possível concluir que quanto maior a BTS no plasma sanguíneo maior é o risco de sequelas auditivas. No entanto, mesmo com menores níveis de BTS, os neonatos estão sujeitos a desenvolver alterações auditivas, principalmente quando associado a fatores como prematuridade, baixo peso e aleitamento materno exclusivo. A hiperbilirrubinemia neonatal pode ser a causa de perda auditiva neurossensorial e/ou DENA, dessa forma, é necessário o diagnóstico diferencial para abranger todas as patologias que a toxicidade da bilirrubina pode provocar. Além disso, é importante manter estes neonatos em acompanhamento audiológico, devido à possibilidade de melhora ou piora auditiva a longo prazo.

1. Alaee E, et al. Risk Factors for Sensorineural Hearing Loss Among High-Risk Infants in Golestan Province. Iran Red Crescent Med J 2015; 17(12): 1-6.
2. Can E, et al. Auditory neuropathy in late preterm infants treated with phototherapy for hyperbilirubinemia. Int. J. Audiol 2015; 54:89-5.
3. Corujo-Santana C, et al. The Relationship Between Neonatal Hyperbilirubinemia and Sensorineural Hearing Loss. Acta Otorrinolaringol Esp 2015; 66(6): 326-31.
4. Gökdogan Ç, et al. Auditory evoked potentials in a newborn Wistar rat model of hyperbilirubinemia. Braz J Otorhinolaryngol 2016; 82(2):144-50.
5. Khalid S, Qadir M, Salat MS. Spontaneous improvement in sensorineural hearing loss developed as a complication of neonatal hyperbilirubinemia. J Pak Med Assoc 2015; 65(9): 1018-21.
6. Okhravi T, Eslami S, Ahmadi AH, Nassirian H, Najibpour R. Evaluation of Auditory Brain Stems Evoked Response in Newborns With Pathologic Hyperbilirubinemia in Mashhad. Iran Red Crescent Med J 2015; 17(2): 182-88.
7. Olds C, Oghalai JS. Audiologic impair ment associated with bilirubin-induce d neurologic damage. Semin Fetal Neonat M 2015; 20:42-6.
8. Oliveira CS, et al. Prevalência dos indicadores de risco para perda auditiva nos resultados ‘falha’ da triagem auditiva neonatal. Rev. CEFAC 2015; 17(3):827-35.
9. Olusanya BO, Slucher TM. Infants at risk of signifi cant hyperbilirubinemia in poorlyresourced countries: evidence from a scoping review. World J Pediatr 2015; 11(4):293(99).
10. Unal M, Vayisoglu Y. Auditory Neuropathy/Dyssynchrony: A Retrospective Analysis of 15 Cases. Int Arch Otorhinolaryngol 2015; 19:151-55.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
124
ALTERAÇÕES DA DEGLUTIÇÃO EM PACIENTES COM ASCITE
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A disfagia pode ocorrer devido a alterações mecânicas, neurogênicas ou psicogênicas. Manifesta-se por sinais e sintomas como engasgos e tosse, além do considerável fator de risco para desnutrição, desidratação e pneumonia aspirativa(1,2). A encefalopatia é uma alteração que pode ter como consequência a disfagia, além de estar associada a derrames cavitários como causas e/ou sinais e sintomas. A encefalopatia tem como sinal a disfagia e nos casos de encefalopatia hepática que ocorre devido ao quadro de cirrose, se encontra a ascite e dependendo da gravidade do caso pode gerar um derrame pleural(3,4,5). OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(6) relacionando o impacto que a disfagia causa em pacientes com ascite. MÉTODOS: A busca pelos artigos se deu a partir das bases de dados: PubMed, Science Direct, SciELO, LILACS e SCOPUS. Através do Medical Subject Heading Terms (MeSH) foram determinados os termos de busca: [(Deglutition Disorders) AND (Ascite)]. O período de busca dos artigos compreendeu os últimos 11 anos (2009 a 2020). RESULTADOS: Através da busca foi possível localizar 22 artigos, após a exclusão seguindo os critérios PRISMA(6), atenderam os critérios 2 estudos para a revisão sistemática. Através da busca foi possível encontrar 22 artigos no qual 1 foi descartado após exclusão por repetição, 12 foram excluídos por titulação, por resumo foram 7 excluídos e nenhum artigo excluído por leitura completa. Os 2 estudos(7,8) restantes foram publicados nos anos de 2014 e 2015 e incluíam disfagia e ascite em seu conteúdo. Em relação às características dos estudos encontrados nesta revisão, Moriwaki Y et al.(7) relataram um caso de suporte nutricional bem-sucedido em uma paciente com ascite cirrótica maciça, com um estômago intratorácico e disfagia introduzindo a gastrostomia antes do shunt PV (ventriculoperitoneal). A paciente era uma mulher de 88 anos de idade e apresentou o quadro de cirrose maciça, hérnia esofágica, luxação do estômago, hipertrofia do segmento lateral do fígado, hipoalbuminemia, trombocitopenia leve e desnutrição. Também apresentou perda de apetite e distúrbio da deglutição por 4 meses. Já Cheung VTF et al.(8) descrevem um relato de caso de um homem de 54 anos que apresentou disfagia, perda de peso, dor epigástrica e linfadenopatia cervical. O exame de imagem gastroscopia mostrou uma lesão esofágica menor com as biópsias apresentando displasia de alto grau. A tomografia computadorizada mostrou parede esofágica inferior espessa e linfadenopatia múltipla no tórax/abdome, mas sem metástases hepáticas. Após o diagnóstico o paciente apresentou um grande declínio clínico, vindo a apresentar encefalopatia e com sugestão de insuficiência hepática aguda. Foram refeitas as biópsias e o paciente apresentou adenocarcinoma pouco diferenciado, o paciente veio a óbito antes que uma biópsia hepática planejada fosse realizada. Na autópsia foi observado esofágico disseminado, adenocarcinoma, metástases linfonodais, ascite, metástases hepáticas difusas, substituindo a maioria do parênquima hepático. CONCLUSÃO: Foi possível constatar que os estudos baseados em doenças específicas poderão associar a disfagia e ascite, no entanto podem-se verificar possíveis evidências fisiológicas na relação disfagia e ascite, dado que fortalece a possível associação.

1. Scheeren B, Gomes E, Alves G, Marchiori E, Hochhegger B. Chest CT findings in patients with dysphagia and aspiration: a systematic review. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 04 maio 2017; 43 (04): 313-18.
2. Barroqueiro PC, Lopes MKD, Moraes AMS. Critérios fonoaudiológicos para indicação de via alternativa de alimentação em unidade de terapia intensiva em um hospital universitário. Revista Cefac. 13 mar. 2017; 19 (02): 190-97.
3. Manrique D, Melo ECM, Bühler RB. Alterações nasofibrolaringoscópicas da deglutição na encefalopatia crônica não-progressiva. Jornal de Pediatria. 31 out. 2001; 78 (01): 66-70.
4. Junior MAB, Teodoro V, Lucchesi LM, Ribeiro TCR, Tufik S, Kondo M. Detecção de encefalopatia hepática mínima através de testes neuropsicológicos e neurofisiológicos e o papel da amônia no seu diagnóstico. Arquivos de Gastroenterologia. 24 dez. 2008, 46 (01): 43-49.
5. Rodriguez JFV, Yurgaki JM, Escobar RR. Compromiso pulmonar en la enfermedad hepática: una actualización. Fac. Med, Bogotá. 13 fev. 2017, 25 (01): 102-13.
6. Moher D, Shamseer G, Clarke M ,Ghersi D, Liberati Um, Petticrew H, Shekelle P, Stewart LA . Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015; 4:1.
7. MoriwakI Y, Otani J, Okuda J, Niwano T, Sawada Y, Nitta T et al. Successful nutritional support for a dysphagic patient with massive cirrhotic ascites and intrathoracic stomach using percutaneous endoscopic gastrostomy (PEG). Nutrition. 12 mai. 2014, 30 (11-12): 1456-59.
8. Cheung VTF, Singanayagam J, Molyneux A, Rajoriya N. Dysphagia to liver failure. Bmj Case Reports. 26 nov. 2015, 1-2.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
695
ALTERAÇÕES DA FALA E O DISTÚRBIO DO SONO NA DOENÇA DE PARKINSON: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva do sistema nervoso central sem causa conhecida, que implica em características como: tremor em repouso, rigidez muscular, bradicinesia e instabilidade postural. Como alterações comunicativas observa-se, geralmente, disartria hipocinética. Pode haver também alterações do sono, verificando maior ocorrência do distúrbio idiopático do comportamento do sono REM (RBD).
Objetivo: Verificar a relação das alterações neurodegenerativas de fala e sono na doença de Parkinson.
Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica dos últimos onze anos (2009 a 2020) que relacionou as alterações neurodegenerativas de fala e sono na doença de Parkinson. Para execução deste trabalho foram efetuadas buscas nas bases de dados PubMed/NCBI e BVSalud, com os descritores fala, sono e Parkinson. Foram incluídos estudos na língua portuguesa, espanhola e inglesa. Foram excluídos artigos que não são disponibilizados por completo, revisões bibliográficas, ou que trouxesse a interferência de outro fator externo como a avaliação de um tratamento específico. Para a análise, primeiramente foram lidos os títulos dos trabalhos, para os trabalhos que contemplassem a temática desta pesquisa, foram lidos os resumos, e por fim, lidos na íntegra. Realizou-se a análise dos objetivos, resultados e conclusão de cada artigo incluído, para se entender a relação da temática central do estudo.
Resultados: Foram localizados 81 artigos nas bases de dados, sendo efetivamente incluídos 8. A alteração do sono mais relatada nesta população, foi o RBD, frequentemente associada a uma mutação da DP. A avaliação quantitativa e objetiva na fala da RBD ainda é escassa, salientando-se a falta de padronização. Foi ponderado que há anormalidades semelhantes na fala do indivíduo com DP e indivíduos com RBD e que a mudança da fala e da voz, com maior frequência foi a bradicinesia, sendo um dos primeiros sintomas prodrômicos, revelando-se de 6 a 8 anos antes do diagnóstico clínico. O distúrbio motor da fala é uma manifestação clínica observada com frequência em 70% a 100% nos indivíduos com DP, unido aos distúrbios do sono nota-se uma piora na fonação, articulação e prosódia, como por exemplo vogais e consoantes imprecisas, sonoridade reduzida, monopitch e disfluência.
Conclusão: Essa revisão nos revela que existem poucas evidencias relacionando a fala do paciente com distúrbio do comportamento rápido do sono (REM) e a doença de Parkinson, traz a importância de recursos terapêutico na fala e na linguagem em pacientes que apresentam DP com RBD para avaliação e melhora da comunicação desse indivíduo, assim como atenção no sono do mesmo, do mesmo modo nos com RBD ainda idiopático por um fonoaudiólogo especializado para identificar a doença precocemente, dessa forma, podendo proporcionar melhor qualidade de vida para esse paciente.

1. Hlavnika J, Cmejla R, Tykalová T, Šonka K, Ruzicka E, Rusz J. Automated analysis of connected speech reveals early biomarkers of Parkinson’s disease in patients with rapid eye movement sleep behaviour disorder. Sci Rep. 2017;7:12.
2. Monia Presotto, Maira Rozenfeld Olchik, Artur Francisco Shumacher Shuh and CRMR. Assessment of Nonverbal and Verbal Apraxia in Patients with Parkinson’s Disease. Park Dis. 2015;2015:8.
3. Rusz J, Hlavnička J, Tykalová T, Bušková J, Ulmanová O, Růžička E, et al. Quantitative assessment of motor speech abnormalities in idiopathic rapid eye movement sleep behaviour disorder. Sleep Med. 2016;19:141–7.
4. Cochen De Cock V, Debs R, Oudiette D, Leu S, Radji F, Tiberge M, et al. The improvement of movement and speech during rapid eye movement sleep behaviour disorder in multiple system atrophy. Brain. 2011;134(3):856–62.
5. Rolinski M, Griffanti L, Piccini P, Roussakis AA, Szewczyk-Krolikowski K, Menke RA, et al. Basal ganglia dysfunction in idiopathic REM sleep behaviour disorder parallels that in early Parkinson’s disease. Brain. 2016;139:2224–34.
6. Ortiz KZ, Brabo NC, Minett TSC. Sensorimotor speech disorders in Parkinson’s disease: Programming and execution deficits. SciELO Anal. 2016;10(3):210–6.
7. Postuma RB, Lang AE, Gagnon JF, Pelletier A, Montplaisir JY. How does parkinsonism start? Prodromal parkinsonism motor changes in idiopathic REM sleep behaviour disorder. Brain. 2012;135(3):1860–70.
8. Fereshtehnejad SM, Yao C, Pelletier A, Montplaisir JY, Gagnon JF, Postuma RB. Evolution of prodromal Parkinson’s disease and dementia with Lewy bodies: A prospective study. Brain. 2019;142(7):2051–67.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1459
ALTERAÇÕES DE FALA E LINGUAGEM NA SÍNDROME CORTICOBASAL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A síndrome corticobasal (SCB) é uma doença neurodegenerativa, rara, classificada entre as síndromes parkinsonianas atípicas, com sintomas motores e cognitivos1. A SCB pode ser a manifestação clínica de diversas patologias subjacentes, entre elas a patologia da doença de Alzheimer (DA)2. Diante dessa heterogeneidade clínico-patológica, há um crescente interesse na busca por características que auxiliem no diagnóstico da patologia de base da SCB3. Estudos sobre fala e linguagem na SCB são escassos e utilizam metodologias diversas, o que dificulta o delineamento de um perfil de fala e linguagem4. Além disso, a maioria dos estudos não inclui uma avaliação abrangente desses aspectos. Objetivos: Caracterizar a fala e linguagem de pacientes com SCB; verificar impactos da idade, escolaridade e duração da doença na fala e linguagem; caracterizar um possível padrão de alteração de fala e linguagem sugestivo da SCB decorrente da DA. Métodos: A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética (02874318.9.0000.0068). Foram constituídos dois grupos: pacientes com SCB (GSCB, n=20) e grupo-controle (GC, n=20), pareados em idade e escolaridade. O GSCB foi subdividido em SCB-DA (patologia de base sugestiva de DA, n=7) e SCB-não-DA (patologia de base não sugestiva de DA, n=13), de acordo com a tomografia (PET-FDG), pareados pelas variáveis sociodemográficas e tempo de doença. Os sujeitos realizaram teste de rastreio cognitivo (Exame Cognitivo de Addenbrooke - ACE)5, avaliação abrangente da linguagem (Western Aphasia Battery-Revised - WAB-R)6 e avaliação dos aspectos motores da fala (Protocolo de Avaliação Clínica da Disartria7 e Escala de apraxia de fala8). O GSCB também foi avaliado quanto à gravidade dos sintomas linguísticos por meio de entrevista com os cuidadores (Escala de Gravidade da Afasia Progressiva Primária - PASS)9. As pontuações dos grupos nos testes foram comparadas (testes t de Student e Mann-Whitney) e as correlações entre as habilidades de fala/linguagem, idade, escolaridade e duração da doença foram realizadas por testes de correlação (Pearson e Spearman). O valor de significância estatística foi 5% (p≤0,05). Resultados: Quanto à comparação do GSCB e GC, o GSCB apresentou desempenho significativamente inferior em todas as provas dos testes de cognição, fala e linguagem. Em 57,9% e 21,05% dos pacientes foi diagnosticada apraxia de fala e disartria, respectivamente. Houve correlação positiva entre a duração da doença e a gravidade da apraxia de fala. Na comparação entre os grupos SCB-DA e SCB-não-DA, não houve diferença estatística entre os grupos nas provas do ACE-R e WAB-R. O grupo SCB-DA apresentou pior desempenho no item “Repetição de sequência de monossílabos mais lenta, segmentada e/ou distorcida” na Escala de apraxia de fala (p=0,016) e no item “Recuperação de palavras e expressões”, (p=0,004) na escala PASS. Conclusões: As alterações de linguagem nos pacientes com SCB são heterogêneas e abrangem todos os processamentos linguísticos (fonológico, morfossintático e semântico). As alterações de fala também são heterogêneas e sofrem efeito da duração da doença. Os grupos SCB-DA e SCB-não-DA diferenciaram-se apenas em um aspecto da produção motora da fala e na percepção de dificuldades de acesso lexical pelos cuidadores.

1. Armstrong MJ, Litvan I, Lang AE, Bak TH, Bhatia KP, Borroni B, et al. Criteria for the diagnosis of corticobasal degeneration. Neurology. 2013;80(5): 496-503.
2. Burrell JR, Hodges JR, Rowe JB. Cognition in corticobasal syndrome and progressive supranuclear palsy: a review. Mov Disord. 2014;29(5): 684-93.
3. Parmera JB, Rodriguez JD, Studart Neto A, Nitrini R, Brucki SMD. Corticobasal Syndrome: a diagnostic conundrum. Dement Neuropsychol. 2016;10(4): 267-75.
4. Peterson KA, Patterson K, Rowe JB. Language impairment in progressive supranuclear palsy and corticobasal syndrome. J Neurol [Internet]. 2019; Available from: https://doi.org/10.1007/s00415-019-09463-1.
5. Carvalho VA. Addenbrooke’s Cognitive Examination-Revised (ACE-R): adaptação transcultural, dados normativos de idosos cognitivamente saudáveis e de aplicabilidade como instrumento de avaliação cognitiva breve para pacientes com doença de Alzheimer provável leve [dissertação]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2009.
6. Kertesz A. Western Aphasia Battery – Revised (WAB-R). Indianapolis, United States: Pearson; 2007.
7. Auzou P, Gaillard MJ, Özsancak C, Léonardon S, Jan M, Hannequin D. Batterie d’Evaluation Clinique de la Dysarthrie. Isbergues: Ortho edition; 2006.
8. Strand EA, Duffy JR, Clark H, Josephs KA. The apraxia of speech rating scale: A tool for diagnosis and description of apraxia of speech. J Commun Disord. 2014;51:43-50.
9. Sapolsky D, Domoto-Reilly K, Dickerson BC. Use of the Progressive Aphasia Severity Scale (PASS) in monitoring speech and language status in PPA. Aphasiology. 2014;28(8-9):993-1003.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1960
ALTERAÇÕES ESTOMATOGNÁTICAS PROVENIENTES DA RESPIRAÇÃO ORAL
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: O sistema estomatognático é composto por dentes, tecidos de suporte, maxilares, articulações, músculos, lábios, bochechas, mucosa, glândulas, vasos e nervos, interligados anatômica e funcionalmente, o qual é responsável por importantes atividades fisiológicas do nosso corpo1. Alterações nessas estruturas podem levar a uma desarmonia do sistema como um todo interferindo em suas funções, consequentemente. Uma dessas alterações funcionais é justamente a respiração oral que é caracterizada pelo uso da cavidade oral na respiração e o desuso da cavidade nasal, pode ser classificada em orgânica ou funcional, de acordo com a presença ou não de uma causa obstrutiva que justifique este padrão respiratório23. OBJETIVO: Realizar uma revisão sistemática da literatura sobre alterações estomatognáticas decorrentes da respiração oral. MÉTODOS: Foram feitas pesquisas nas bases de dados PubMed, Scielo e Scholar Google utilizando os descritores: Respiração oral e alterações estomatognáticas. A partir dos resultados encontrados foram escolhidos 7 artigos publicados entre 2017 e 2020 cruzando os descritores entre si e individualmente, além da seleção de artigos que abordavam especificamente algumas das alterações funcionais. RESULTADOS: Dos estudos selecionados foi possível concluir que o hábito da respiração oral influência direta ou indiretamente em algumas formas e funções do Sistema Estomatognático, além de ocasionar uma mudança postural do corpo. Observou-se nos grupos de respiradores orais a presença de uma deglutição atípica devido a interposição da língua entre os dentes durante a ingestão; o predomínio de má oclusão (classe II), possivelmente relacionada à posição inadequada da língua no assoalho da boca como consequência do rebaixamento da mandíbula; hipotonia da musculatura orofacial pelo não selamento labial; palato ogival e atresia maxilar, ocasionados pela pressão medial sobre a maxila, desequilíbrio das forças musculares e a ausência de pressão negativa que estimularia o abaixamento do palato; mordida cruzada devido o estreitamento do palato e o bruxismo que possivelmente está relacionado à péssima qualidade do sono, já que ele tende a ser agitado e fragmentado, além do aumento do tônus das vias aéreas. CONCLUSÃO: Concluiu-se que a respiração oral está diretamente associada a algumas alterações nas funções e na forma de certas estruturas que fazem parte do Sistema Estomatognático. É necessário que haja um acompanhamento fonoaudiólogo para auxiliar na prevenção, habilitação ou reabilitação das funções com o objetivo de proporcionar um melhor equilíbrio miofuncional. Vale ressaltar que a depender do tipo de alteração, também será necessário a intervenção de profissionais de outras áreas, a fim de promoverem em conjunto com a Fonoaudiologia um melhor equilíbrio e estabilidade do sistema, além de uma harmonia facial do ponto de vista da estética.

Pereira OS, Sá TS, Ferreira TM. As dificuldades encontradas pelo respirador oral em seu desenvolvimento escolar. Revista de ciência da saúde. Jun. 2019, 1 (1).

Teixeira ET, Marques R, Antunes L, Antunes L, Antunes LS. Relação entre a síndrome do respirador bucal e más oclusões: revisão de literatura. Rev. Bras. Odontol. 2019, 76 (2), 193.

Silva TR, Canto GL. Integração odontologia-fonoaudiologia: a importância da formação de equipes interdisciplinares. Rev. CEFAC. 2014 Mar-Abr; 16 (2), 598-603.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1240
ALTERAÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS ENCONTRADAS EM PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM COVID-19
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


ALTERAÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS ENCONTRADAS EM PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM COVID-19

Introdução: O COVID-19 está relacionado a uma doença respiratória aguda causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), que surgiu pela primeira vez em Wuhan, na China, em dezembro de 2019 e desde então foi declarada uma pandemia(1). As sequelas clínicas variam de sintomas leves, autolimitados de infecção respiratória superior a dificuldade respiratória grave.(1) Estima-se que aproximadamente 5% dos pacientes tornam-se críticos e, portanto, necessitam de intubação orotraqueal e ventilação invasiva(2). A disfagia orofaríngea pode ocorrer em pacientes na UTI ou pós-UTI que foram submetidos à intubação orotraqueal, que respiram por meio da ventilação mecânica, ou com traqueostomias devido à infecção respiratória aguda ou insuficiência respiratória(3). Situações semelhantes acontecem em pacientes graves com COVID-19. O foco da atuação fonoaudiológica tem relação com a necessidade de manejo da disfagia e redução do risco de broncoaspiração(4), porém alterações em outros aspectos fonoaudiológicos podem ser percebidas em enfermos desde os sintomas iniciais até a fase de sequela, portanto requer uma atenção especializada. Objetivo: O presente estudo objetiva indicar possíveis alterações fonoaudiológicas presentes em pacientes diagnosticados com COVID-19, por meio da análise de estudos sobre o tema. Método: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura a partir da busca de artigos nas bases de dados PubMed, Scholar Google e Scielo, utilizando os descritores: (COVID-19) e (disfagia). Procedeu-se ao cruzamento dos descritores entre si e individuais. Selecionou-se 16 artigos publicados entre os anos de 2019 e 2020, pela leitura do título e resumo. Dentre esses, 10 foram escolhidos após a leitura na íntegra. Resultados: Observou-se que pacientes com COVID-19 geralmente apresentam manifestações neurológicas. Foram descritas manifestações do sistema nervoso periférico (comprometimento do paladar, comprometimento do olfato, comprometimento da visão e dor nervosa) e manifestações de lesão esquelético-muscular. A anosmia, disgeusia e hipogeusia parecem se apresentar precocemente como sintomas do novo coronavírus em pacientes selecionados, que podem ocorrer antes dos sintomas respiratórios, assim como o zumbido, em alguns casos. Aproximadamente 60% dos pacientes experimentam alteração do olfato ou paladar e 10% apresentam sintomas persistentes após 1 mês. Além disso, casos revelaram a ocorrência da síndrome de Guillain-Barré após a infecção por COVID-19, apresentando como uma das alterações, paralisia facial periférica bilateral, decorrente de parestesia ascendente. Em relação aos pacientes que evoluíram nos problemas respiratórios e necessitaram de ventilação mecânica, foi demonstrada que a intubação prolongada altera os mecanorreceptores e quimiorreceptores das mucosas da faringe e da laringe, além de causar atrofia e perda de propriocepção. Dessa forma, com a retirada do tubo orotraqueal (extubação), alguns pacientes podem evoluir para um distúrbio da deglutição.Conclusão: Destarte, O COVID-19 ocasiona diversas complicações nos pacientes que o contraíram, e o número considerável de alterações fonoaudiológicas ressalta a importância da atenção e atuação do profissional fonoaudiólogo nos presentes casos, durante e após a fase de tratamento. À vista de ser uma recente patologia, é imprescindível o desenvolvimento de mais estudos observacionais sobre as alterações específicas que os enfermos venham a apresentar, para que, dessa maneira, seja possível atenuar os impactos causados pela doença.

1- Melley LE, Bress E, Polan E. Hypogeusia as the initial presenting symptom of COVID-19. BMJ Case Reports CP. 2020; 13: e236080.
2- Freitas AS, Zica GM, Albuquerque C L. Pandemia de coronavírus (COVID-19): o que os fonoaudiólogos devem saber. CoDAS. 2020; 32(3): e20200073.
3- Rossi-Barbosa LAR, Pereira SAA, Oliveira GD. Atuação do fonoaudiólogo frente ao paciente com COVID-19 em relação ao distúrbio da deglutição. Bionorte. 2020; 9(1): 1-3.
4- Souza DS, Crispim K, & do Nascimento Melo, C. Doenças Emergentes: Coronavírus (COVID-19). BIUS-Boletim Informativo Unimotrisaúde em Sociogerontologia. 2020; 19(13): 1-1.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
758
ALTERAÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS NA HANSENÍASE: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


ALTERAÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS NA HANSENÍASE: REVISÃO INTEGRATIVA
Daniel Cambraia Gilson, Camila de Castro Corrêa
Centro Universitário Planalto Do Distrito Federal - UNIPLAN
RESUMO
Introdução: A hanseníase, conhecida antigamente como Lepra, tem como agente etiológico o Mycobacterium leprae, é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo território nacional. Atinge principalmente a pele e os nervos periféricos com capacidade de ocasionar lesões neurais, agressivas alterações anatômicas e funcionais podendo comprometer a comunicação e alimentação destes indivíduos. objetivo: Verificar a relação das alterações fisiológicas da hanseníase com os principais distúrbios que envolvem a área da Fonoaudiologia. métodos: A busca da revisão bibliográfica foi realizada nas interfaces Pubmed e BVSalud, nos idiomas português, espanhol e inglês. Consideraram-se os seguintes descritores e cruzamentos: hanseníase AND audição, hanseníase AND linguagem, hanseníase AND fonoaudiologia, hanseníase AND fala, hanseníase AND deglutição, hanseníase AND disfagia. Como critérios de inclusão, consideraram-se os estudos que abordaram as temáticas hanseníase e Fonoaudiologia, sem delimitação temporal, excluindo os estudos que não estiveram disponíveis na íntegra no sistema VPN. RESULTADOS: Foram incluídos 4 estudos, publicados entre os anos de 2005 à 2010 em português. Os artigos apontaram possível relação da hanseníase com algumas alterações fonoaudiológicas. A perturbação da laringe pode se expressar com a rouquidão ou dispneia por edema na epiglote, aritenóides, pregas vestibulares e pregas vocais. Pode haver alterações como a ruptura do septo nasal, desabamento da asa do nariz e transformação do seu estado natural. Dentre as alterações nasais, acontece a hipersecreção nasal, com aparecimento das crostas, úlceras e desidratação da mucosa (1,2). Também houve a descrição de possíveis alterações das funções orofaciais nestes indivíduos (3). Nas alterações audiológicas citou que o distúrbio auditivo, pode ser pela à afecção do nervo vestibulococlear, não apresentando relação com a idade dos pacientes ou persistência da doença. A princípio do patógeno da perca sensorioneural de audição se dá devido a afecção bilateral do nervo vestibulococlear, ausente de lesões detectáveis na orelha interna e média ou em conexões centrais da audição (4). Os estudos ressaltaram que o principal meio de contaminação da doença é pelas vias respiratórias e o contágio acontece pelo contato físico com as lesões acarretadas pela patologia. Os pares cranianos atingidos, ocasionando uma série de disfunções, destacando-se os nervos: olfatório, trigêmeo, facial, vestibulococlear, glossofaríngeo, vago, acessório e hipoglosso, que são de extremo interesse para o fonoaudiólogo. conclusão: Apesar de poucos estudos sobre a temática da fonoaudiologia e hanseníase, foram localizados indícios de relação da voz, funções orofaciais e audição com indivíduos com hanseníase.

1. Quintas VG, Salles PV, Costa VC, Alvarenga EA, Miranda ICC, Attoni TM. Achados fonoaudiológicos na hanseníase: considerações teóricas. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(3):560-4.
2. Palheta Neto FX, Silva Filho M, Pantoja Junior JMS, Teixeira LLC, Miranda RV, Palheta ACP. Principais queixas vocais de pacientes idosos pós-tratamento para hanseníase. Braz J Otorhinolaryngol. 2010;76(2):156-63.
3. Barbosa JC. Manifestações fonoaudiológicas em um grupo de doentes de Hanseníase [dissertação de Mestrado] São Paulo (SP): Pontifícia Universidade Católica - PUC; 2007.
4. Rodrigues RC. Hanseníase: características auditivas e epidemiológicas. Fundação Oswaldo Cruz [dissertação]. 2005.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1724
ALTERAÇÕES MIOFUNCIONAIS OROFACIAIS EM CRIANÇAS COM MICROCEFALIA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)



Introdução: A microcefalia é caracterizada por uma malformação em nível da estrutura óssea do crânio evidenciando o crescimento/desenvolvimento anormal do cérebro, trazendo danos para o processo de maturação do sistema nervoso central (SNC). A formação inadequada do cérebro causa prejuízos que acometem a cognição e o desenvolvimento neurosensóriomotor, ocasionando desta forma, alterações na linguagem e comunicação, além de alterações funcionais e orgânicas no sistema estomatognatico. Objetivo: Verificar as possíveis alterações miofuncionais orofaciais em crianças com microcefalia. Métodos: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o parecer n° 2.493.401. A pesquisa de campo é qualificada como observacional e exploratória, com abordagem quantitativa e transversal, com uma amostra não probabilística por conveniência. Foi realizado com as crianças em atendimento em um programa de atenção integrada para bebês com Microcefalia. Foram utilizados dados primários, através da utilização um formulário de avaliação elaborado pelos pesquisadores, baseado nos protocolos MBGR, PITA e PAD-PED. Foi realizada a análise estatística descritiva dos dados por meio do software IBM SPSS Statistics versão 22. Resultados: A amostra foi composta por 11 crianças com idades entre 1 ano e 11 meses e 3 anos e média de 2 anos e 8 meses, sendo 63,6% (n=7) do sexo masculino e 36,4% (n=4) feminino. Todas as crianças possuem diagnóstico de microcefalia por Zika Vírus ou Chikungunya, no entanto 18,2% (n=2) também apresentam Encefalopatia Crônica Não Progressiva (ECNP), 9,1% (n=1) apresenta hidrocefalia associada e 9,1% (n=1) apresenta fissura lábiopalatina completa associada. Alimentam-se por via oral 81,8% (n=9), enquanto 18,2% (n=2), por Gastrostomia, sendo uma criança traqueostomizada. Foi identificado reflexo de procura em 36,4% (n=4) das crianças e reflexo de mordida exacerbado em 72,7% (n=8). Foi verificado hiposensibilidade extra e intra-oral em 63,6% (n=7) dos casos e hipersensibilidade extra-oral em 27,3% (n=3). Identificou-se diminuição da mobilidade de língua e hipotonia de lábios e bochechas em 90,9% (n=10) e sialorréia em 81,8% (n=9). A dieta atual por via oral das crianças se dá com as consistências líquido e pastoso em 54,5% (n=6), líquido, pastoso e sólido em 18,2% (n=2), apenas líquido em 9,1% (n=1), no entanto 72,7% (n=8) eventualmente engasgam com líquido ou saliva. Conclusão: Observou-se que, as alterações nas estruturas oromiofuncionais resultantes da patologia em palta, como hipotonia de lábios e bochechas, sialorréia, hipossensibilidade extra e intra-oral e diminuição da mobilidade de língua, trazendo consequências significativas para as funções estomatognáticas, no qual se faz necessária intervenção fonoaudiológica concomitantes ao atendimento multidisciplinar com a equipe de fisioterapia, odontologia, enfermagem e psicologia, para proporcionar melhoria na qualidade de vida dessas crianças.

Gondim, K. et al. Participação das mães no tratamento dos filhos com paralisia. In: Harris, SR. Congenital idiopathic microcephaly in an infant: congruence of head ize with developmental motor delay. Dev Neurorehabil, v.6, n.2, p.129-32, 2013.

Melo, ASO. et al. Zikavirusintrauterineinfection causes fetal brainabnormalityand microcephaly: tipoftheiceberg?.Ultrasound in Obstetrics&Gynecology. v. 47, n. 1, p. 6-7, jan. 2016

Val, DC. et al. Sistema estomatognático e postura corporal na criança com alterações sensório-motoras. Pró-Fono Revista de Atualização Científica, Barueri (SP), v. 17, n. 3, p. 345-354, set.-dez. 2005.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1690
ALTERAÇÕES NA DEGLUTIÇÃO EM IDOSOS USUÁRIOS DE PRÓTESES DENTÁRIAS
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: Mesmo com a perspectiva de o Brasil tornar-se o sexto país do mundo em número de idosos em 2025, os habitantes brasileiros ainda possuem uma alta prevalência de perda dos dentes, principalmente no Nordeste, onde se encontra o maior número de idosos edêntulos. Essas perdas podem ser parciais ou totais, e propiciam alterações no sistema estomatognático, tais como mudanças na forma das estruturas ósseas e na relação maxilomandibular, que provocam um desequilíbrio neuromuscular, dificultando as funções desempenhadas pelo referido sistema, apresentando problemas mastigatórios, na fala e dificuldades na deglutição. Problemas de adaptação poderão surgir ao realizar-se um tratamento protético, dentre os quais estão os ferimentos intraorais, fala alterada e dificuldade para mastigar. Objetivo: Descrever as principais alterações na deglutição em idosos usuários de próteses dentárias. Métodos: Estudo de casos, transversal, descritivo e quantitativo. Foi realizado em Clínicas Odontológicas. A amostra foi composta por 27 idosos de ambos os sexos, selecionados por conveniência, mediante adequação aos critérios de inclusão: possuir idade acima de 60 anos, ser usuário de prótese dentária total ou parcial removível e consentir a participação por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Como instrumento de coleta de dados, foi utilizado o Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial para Usuário de Próteses Dentárias Total e Parcial Removível. Os dados foram analisados por meio de estátistica descritiva, no qual foram extraídos resultados quantitativos organizados e estruturados das variáveis. Os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos, sob o CAAE 53941416.4.0000.5176. Resultados: Do total de 27 idosos, 18 (67%) deles eram do sexo feminino e 09 (33%) do sexo masculino. A idade dos sujeitos variou entre 61 a 87 anos, sendo a média de idade de 71 anos. Alguns já fazem uso da prótese há mais de 30 anos (n=9, 33%), porém outros estão usando a menos de 10 anos (n=8, 30%), 5 idosos fazem uso entre 21 e 30 anos (19%) e 4 idosos utilizam a prótese entre 11 a 20 anos (18%). 56% (n=15) referiram ter dificuldades na adaptação da prótese, enquanto 33% (n=9) relataram estar com a prótese instável. A deglutição mostrou-se com apertamento labial em 56% (n=15) dos idosos, 18% (n=5) apresentaram tanto escape de líquido quanto deglutição com ruído e 30% (n=8) movimento de cabeça ao deglutir. Conclusão: Antes o exposto, as principais alterações encontradas foram apertamento labial na deglutição, escape de líquido, deglutição com ruído e movimento de cabeça ao deglutir, com maior prevalência de alterações em indivíduos com prótese mal adaptadas, mostrando a importância do acompanhamento do fonoaudiólogo, juntamente com odontólogos, visando melhor desempenho da função da deglutição.

Brasil. Ministério da Fazenda. Envelhecimento da população e seguridade social. Brasília: MF; SPREV, 2018. 162 p. ilust. (Coleção Previdência Social, Série Estudos; v. 37, 1. Ed.).

Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal: resultados principais. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.

Ayres, A; et al. Alterações Miofuncionais em Adultos e Idosos Usuários de Prótese Dentária. Rev. Fac. Odontol. Porto Alegre, v. 53, n. 3, p. 6-11, set./dez., 2012.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
123
ALTERAÇÕES NO OLFATO E PALADAR EM PACIENTES COM COVID-19
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A expansão da infecção por COVID-19 na Europa destacou uma nova apresentação atípica da doença, onde se observou uma alta prevalência de indivíduos com sintomas referidos de alterações olfativas e gustativas, sendo que inicialmente, tanto a anosmia quanto a ageusia, não eram considerados sintomas da doença COVID-19(1,2). Atualmente, os sintomas de alterações do olfato e do paladarestão sendo constantemente relatados por pacientes com COVID-19, indicando que os tecidos orais e nasais podem conter células hospedeiras do vírus(3,4).OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(5), com o intuito de sistematizar informações sobre as alterações no olfato e paladar de pacientes diagnosticados com COVID-19. MÉTODOS: Para a seleção dos estudos foi utilizada a combinação de descritores baseada no Medical SubjectHeadingTerms (MeSH). Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO e BIREME. O período de busca dos artigos compreendeu de janeiro de 2010 a maio de 2020, sem restrição de idioma e localização. RESULTADOS:Inicialmente foram selecionados 665 artigos, sendo 663 excluídos por repetição ou por não responderem os critérios de inclusão ou após análise do abstract ou, ainda, por não responderem a pergunta norteadora, sendo 2 publicações admitidas para a pesquisa.Os estudos selecionados para esta revisão sistemática foram ambos do tipo estudo de caso controle multicêntrico(6,7), compondo uma amostra total de 464 indivíduos. No primeiro estudo(6) os autores identificaram que aqueles pacientes com COVID-19 e alterações do olfato e/ou paladar de início recente eram significativamente mais jovens do que pacientes com COVID-19 sem as referidas alterações. Entre os pacientes com COVID-19 que apresentaram disfunções de olfato e/ou paladar de início recente, 25 (80,6%) apresentaram alterações no olfato e 28 (90,3%) alterações do paladar. Vinte e dois pacientes (70,9%) tiveram início agudo destas disfunções. Em 11 (35,5%), as referidas alterações foram a manifestação inicial do COVID-19. Quatro pacientes (12,9%) relataram obstrução nasal concomitante e 21 pacientes (67,7%) foram capazes de distinguir doce e amargo, apesar das disfunções. A duração média das alterações do olfato e/ou paladar foi de 7 dias. Dentre os sujeitos do grupo controle, infectados com influenza, todos os que obtiveram alterações do olfato e/ou paladar de início recente descreveram recuperação total ao final da internação (Beltrán-Corbelliniet al., 2020). No segundo estudo(7),desenvolvido com 345 sujeitos com COVID-19 de quatro hospitais italianos, as disfunções quimiossensíveis durante a doença foram autorreferidas por 256 pacientes (74,2%), 79,3% deles relataram distúrbios quimiossensíveis combinados, 8,6% alterações olfativas isoladas e 12,1% alterações do paladar. No momento do teste, a alteração foi autorrelatada como completamente regredida em 31,3% dos pacientes em relação ao olfato e em 50,4% ao paladar. Não foi constatada correlação significativa entre a gravidade do COVID-19 e a presença ou extensão de distúrbios quimiossensíveis, porém foi evidenciada correlação significativa entre a duração dos sintomas olfativos e gustativos e o desenvolvimento de COVID-19 grave. CONCLUSÃO: Os resultados encontrados nesta revisão demonstraram ser plausível que exista associação entre infecção por COVID-19 e distúrbios do olfato e/ou paladar autorreferidos.

1. Lee Y. Prevalenceanddurationofacutelossofsmellortaste in COVID-19 patients.Journalof Korean medical science. 2020; 35:18.
2. Hjelmesæth J, Dagfinn S. Lossofsmellortaste as theonlysymptomof COVID-19. Tidsskrift for Dennorskelegeforening. 2020.
3. Lechien JR. Olfactoryandgustatorydysfunctions as a clinicalpresentationofmild-to-moderateformsofthecoronavirusdisease (COVID-19): a multicenterEuropeanstudy. EuropeanArchivesof Oto-Rhino-Laryngology. 2020: 1-11.
4. Heidari F. Anosmia as a prominentsymptomof COVID-19 infection. Rhinology. 2020; 58(3): 302-303.
5. Moher D, Shamseer G, Clarke M,Ghersi D, Liberati Um, Petticrew H, Shekelle P, Stewart LA .Preferredreportingitems for systematicreviewand meta-analysisprotocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015; 4:1.
6. Beltrán-Corbellini Á. Acute‐onsetsmellandtastedisorders in thecontextof Covid-19: a pilotmulticenter PCR-based case-controlstudy. EuropeanJournalofNeurology. 2020.
7. Vaira A, Ângelo A. Olfactoryandgustatoryfunctionimpairment in COVID-19 patients: Italianobjectivemulticenter-study. Head &Neck. 2020.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
449
ALTERAÇÕES NO PROCESSAMENTO AUDITIVO (CENTRAL) EM CRIANÇAS COM FISSURA LABIOPALATINA: REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A integridade da audição periférica e central é fundamental para o desenvolvimento das habilidades auditivas do Processamento Auditivo (Central) (PAC). Habilidades estas que são imprescindíveis para a aquisição da linguagem oral, compreensão verbal, aprendizado e para um bom desempenho escolar. Perdas auditivas periféricas e complicações otológicas podem contribuir para alterações no PAC (1,2). Crianças com fissura labiopalatina (FLP) tem maior predisposição para otites média em decorrência de malformações anatômicas e/ou funcionais da tuba auditiva e região do esfíncter velofaríngeo (3). O OBJETIVO desse estudo é buscar na literatura a relação entre FLP e alterações no PAC. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, com base na pergunta “crianças com FLP tem alterações no PAC?”. A busca de artigos foi feita nas bases de dados: SciELO, LILACS e PubMed, com a utilização dos descritores: processamento auditivo, audição, fissura labiopalatina, crianças, auditory processing, hearing, cleft lip and palate, children, intercalados pelo operador booleano “AND”. Foram selecionados artigos originais em português e inglês publicados entre 2010 e 2020 que avaliassem o PAC de crianças com FLP ou apenas palatina entre 6 e 15 anos. Foram excluídas teses, e artigos com estudo realizados em indivíduos com perda auditiva neurossensorial, indivíduos neurológicos e sindrômicos. RESULTADOS: Foram encontrados 16 artigos, mas apenas 7 obedeceram aos critérios de inclusão e exclusão (2,3,4,5,6,7,8). Dos estudos selecionados todos tiveram delineamento transversal. Os estudos que avaliaram o PAC usando teste eletrofisiológicos, teste dióticos, monotícos, dicóticos, memoria sequencial verbal e não verbal, localização sonora e teste de fala no ruído mostraram que crianças com FLP tiveram um desempenho inferior quando comparadas com resultados pré-estabelecidos e quando comparadas a um grupo controle. Dois estudos avaliaram o PAC por meio de questionário, sendo um para professores e o outro estudo para cuidadores. A pesquisa feita com os professores, utilizou o questionário Childrens Auditory Processing Performance Scale (CHAPPS) e mostrou que o desempenho de crianças com FLP foi igual ao de crianças craniofaciais normais, já a pesquisa feita com os cuidadores utilizou a Lista de verificação de problemas auditivos de Fisher, que contém 25 perguntas relacionadas a comportamentos ligados ao distúrbio do PAC e mostrou que as crianças com FLP tiveram maiores alterações no PAC do que crianças craniofaciais normais. CONCLUSÃO: esta revisão de literatura mostrou que há uma relação entre FLP e PAC. A partir dos resultados deste trabalho, conclui-se que, as avaliações audiológicas de maneira geral e mais especificamente do PAC, devem fazer parte da rotina destes pacientes com intuito de identificar estas alterações de forma precoce e de diminuir as chances de problemas de fala e aprendizado.

1- Tamanini D, Ramos N, Dutra LV, Bassanesi HJC. Triagem auditiva escolar: identificação de alterações auditivas em crianças do primeiro ano do ensino fundamental. Rev. CEFAC.2015 Oct; 17 (5): 1403-14.

2- Coelho LA, Morais MFB, Rodrigues PAL, DeLuccia GCP, Nardez TMB, Futigami ABV et al. Home auditory training for children with impairment hearing due to cleft lip and palate. Rev. CEFAC. 2018 Apr; 20(2): 154-65.

3-Amaral MIR, Martins J E, Santos M FC. Estudo da audição em crianças com fissura labiopalatina não-sindrômica. Braz. j. otorhinolaryngol. 2010 Apr; 76(2): 164-71.

4-Moraes TFD, Salvador KK, Cruz MS, Campos CF, Feniman MR. Processamento auditivo em crianças com fissura labiopalatina com e sem história de otite. Arquivos Int. Otorrinolaringol. 2011 Dec; 15(4): 431-436.

5-Manoel RR, Feniman MR, Buffa MJMB, Maximino LP, Lauris JRP, Freitas JAS. Escuta de crianças com fissura labiopalatina na escola. Arquivos Int. Otorrinolaringol. 2010 Sep; 14(3): 280-287.

6-Ma X, McPherson B, Ma L. Behavioral assessment of auditory processing disorder in children with non-syndromic cleft lip and/or palate. International Journal of
Pediatric Otorhinolaryngology. 2015 Mar; 79(3):349-355

7-Ma X, McPherson B, Ma L. Behavioral signs of (central) auditory processing dis-
order in children with nonsydromic cleft lip and/or palate: a parental questionnaire
approach. Cleft Palate-Craniofacial Journal. 2016 Mar; 53(2):147-156

8- Ma X, McPherson B, Ma L. Electrophysiological assessment of auditory processing disorder in children with non-syndromic cleft lip and/or palate. Peerj. 2016 Aug; 4:e2383.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1877
ALTERAÇÕES OLFATÓRIAS DE PACIENTES PORTADORES DA COVID-19: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Alterações olfatórias de pacientes portadores da covid-19: uma revisão integrativa da literatura

Introdução: A covid-19 é uma doença causada pelo novo coronavírus (SARS-coV-2) e possui grande variedade de sinais e sintomas pouco entendidos¹. Entre estas manifestações, a anosmia ou a perda parcial do olfato, podendo vir acompanhadas da perda do paladar ou micro sangramento em casos mais graves²,³, é um possível sintoma desta infecção, que interfere diretamente na segurança diária e bem-estar do portador, tendo em vista que a percepção olfativa é um dos mais primitivos sentidos, usado para nos alertar e prevenir possíveis perigos¹. Objetivo: analisar as alterações olfatórias apresentadas por pacientes acometidos pela covid-19 e como afetam sua qualidade de vida. Método: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura a partir da busca de artigos nas bases de dados PubMed, Scholar Google e Scientific Eletronic Library Online (Scielo), com base nos descritores: anosmia, covid-19, cheiro, olfato . Procedeu-se ao cruzamento dos descritores entre si e individuais. Ao término da pesquisa, foram selecionados, como base para construção do conteúdo deste estudo 16 artigos publicados entre os anos de 2019 e 2020, pela leitura do título e resumo, dentre esses, 5 foram escolhidos após a leitura na íntegra. Resultados: Baseando-se na análise comparativa dos artigos escolhidos, notou-se que a anosmia pode ser uma manifestação base para o diagnóstico clínico, e houve um aumento de sua incidência em pacientes infectados pelo SARS-coV-2. Além disso, os estudos mostram que esta perda total ou parcial do olfato pode perdurar pós-infecção devido à profundida da lesão no nervo olfativo causada pelo vírus, interferindo na segurança (reconhecimento de comida estragada, vazamento de gás, etc.) e na qualidade de vida (reconhecimentos de odores memoráveis, cheiro da comida, etc.) do paciente acometido por ela. Conclusão: Este estudo conclui que apesar da alta incidência de anosmia em pacientes portadores da covid-19, este como único sinal, ainda não é suficiente para um diagnóstico concreto devido a pouca quantidade de estudos relacionados à fisiopatologia desta doença. Nos casos de alteração do olfato, o tratamento fonoaudiológico pode auxiliar na recuperação de modo a estimular a região neurossensorial responsável pela percepção de odores, aumentando a possibilidade de recuperação desta função.

Descritores: anosmia, covid-19, cheiro, olfato.

¹ Lechien JR, Chiesa-Estomba CM, Siati DR, Horo M. Bon SDL Rodriguez A, et al. Olfactory and gustatory dysfunctions as a clinical presentation of mild‑to‑moderate forms of the coronavirus disease (COVID‑19): a multicenter European study. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology 2020 277:2251–2261

² Aragão MFVV, Leal MC, Filho OQF, Fonseca TM Valença MM. Anosmia in COVID-19 Associated with Injury to the Olfactory Bulbs Evident on MRI. American Journal of Neuroradiology 2020 June 1.

³ Parra JED, Montoya DD, Paláez FJC. El COVID-19 también Afecta el Sistema Nervioso por uma de sus Compuertas: El îrgano Vascular de la Lámina Terminal y el Nervio Olfatorio. Alerta Neurológica, Prueba de Disosmia o Anosmia Puede Ayudar a Un Diagnóstico Rápido. Int. J. Odontostomat 2020 14(3):285-287.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1860
ALTERAÇÕES VOCAIS E LARÍNGEAS DECORRENTES DA BULIMIA NERVOSA: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A Bulimia Nervosa é um transtorno comportamental caracterizado pela perturbação persistente da alimentação, da distorção da imagem corporal e do seu peso, gerando quadros de ansiedade e desnutrição. Os indivíduos bulímicos ingerem alimentos em excesso e depois utilizam de manobras compensatórias como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes e diuréticos para retirar os alimentos do mecanismo digestivo. Essas manobras aumentam o índice de refluxo gastroesofágico tornando-se um alarmante para as alterações vocais e laríngeas pela relação intimida entre o esofago e a laringe. OBJETIVO: Analisar, com base na literatura, as alterações vocais e laríngeas decorrentes da bulimia nervosa. MÉTODO: Trata-se de uma revisão de literatura integrativa subsidiada a partir da pergunta norteadora: “Quais as alterações vocais e laríngeos decorrentes da Bulimia Nervosa nos distúrbios vocálicos?”. Para obtenção das respostas, a pesquisa foi realizada no período de maio e junho de 2020, nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), National Library of Medicine (PubMed) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Como estratégia de pesquisa foi utilizado o operador booleano AND com os descritores cruzados e aplicados nas línguas inglesa e portuguesa com os seguintes descritores(Descritores em Saúde- DeCs e Medical Subject Headings- MeSH): “Bulimia”, “Fonoaudiologia”, “Distúrbios da Voz” e “Voz” e “Laringe” . Para a seleção dos artigo adotou-se como critérios de exclusão: artigos não condizentes com o objetivo da pesquisa e/ou estudos duplicados. Já os critérios de inclusão estabelecidos foram artigos disponíveis na íntegra, escritos nas línguas inglesa ou portuguesa e publicados no período de 2010 a 2020. Para seleção dos artigos, foi estabelecido título e resumo, respectivamente, como fase de seleção para a leitura na íntegra e análise de preenchimento dos requisitos estabelecidos nos critérios. RESULTADOS: Foram encontrados, na busca inicial nas plataformas e com os descritores pré- estabelecidos, o total de 102 artigos, dos quais: 15 foram da Scielo, mas com 11 artigos duplicados; 55 artigos na PubMed, porém com 27 duplicados e 32 na BVS, mas com 26 artigos duplicados. Ao aplicar os métodos de seleção dos artigos e os critérios, restaram 6 artigos para a análise. CONCLUSÃO: De acordo com a literatura indexada, os indivíduos com bulimia nervosa demonstram maior prevalência de alterações da voz do que a população em geral. Com isso, as alterações vocais encontradas foram representadas por quadros de disfonia leve com tipo de voz rugosa e/ou soprosa. Além disso, o acúmulo de secreção espessa, espessamento de mucosa na região interaritenoidea, lesão polipóide e fenda duplo fuso foram citados, respectivamente, nos estudos como as alterações laríngeas identificadas nos pacientes e que podem gerar, por consequência a rouquidão.

1.Abreu CN, Cangelli FR. Anorexia nervosa e bulimia nervosa: abordagem cognitivo-construtivista de psicoterapia. Rev. psiquiatr. clín. [Internet]. 2004 [cited 2020 July 13] ; 31( 4 ): 177-183.
2. Rothstein SG. Reflux and vocal disorders in singers with bulimia. J Voice. 1998;12(1):89-90.
3. Cielo Carla Aparecida, Didoné Dayane Domeneghini, Torres Enma Mariángel Ortiz, Lima Joziane Padilha de Moraes. Refluxo laringofaríngeo e bulimia nervosa: alterações vocais e larínegas. Rev. CEFAC [Internet]. 2011 Apr [cited 2020 July 13] ; 13( 2 ): 352-361.
4. Ferreira Cynthia P., Gama Ana Cristina Côrtes, Santos Marco Aurélio Rocha, Maia Mariana Oliveira. Avaliação laríngea e vocal de pacientes com bulimia. Braz. j. otorhinolaryngol. (Impr.) [Internet]. 2010 Aug [cited 2020 July 13] ; 76( 4 ): 469-477.
5. Grobetto DA, Trotta MV. Trastornos estomatológicos desencadenados por la bulimia nerviosa: trabajo de investigación UNLP. Rev. Asoc. Argent. Ortop. Funcional Maxilares 2013; 39(1), 45-48.
6. Lawrence T, van Mersbergen M. The Relation Between Eating Disorders and Voice Disorders [published online ahead of print, 2020 Feb 6]. J Voice. 2020;S0892-1997(19)30361-3.
7. Rajiah K, Mathew EM, Veettil SK, Kumar S. Bulimia nervosa and its relation to voice changes in young adults: A simple review of epidemiology, complications, diagnostic criteria and management. J Res Med Sci. 2012;17(7):689-693.
8. Sansone RA, Sansone LA. Hoarseness: a sign of self-induced vomiting?. Innov Clin Neurosci. 2012;9(10):37-41.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1908
ALTERNATIVA DE TRATAMENTO À DISTÂNCIA EM PACIENTE SUBMETIDO À CIRURGIA ORTOGNÁTICA
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução:
A fonoaudiologia tem beneficiado bastante os pacientes que possuem deformidades dentofaciais se submetem à cirurgia ortognática. A terapia fonoaudiológica deve ocorrer em duas fases: pré e pós-operatória. A fase pré-operatória consiste na anamnese, avaliação e orientações acerca do processo cirúrgico. Já a pós-operatória constitui-se em duas etapas: tratamento direcionado às sequelas temporárias pós -cirúrgicas e adaptação funcional à nova condição. A terapia é usualmente presencial, mas existem casos onde não há essa possibilidade por diversos motivos, como a distância do deslocamento para o atendimento, ou uma situação de distanciamento social, decretado por órgãos sanitários e/ou gestores públicos. Desse modo, faz-se necessário que o fonoaudiólogo avalie a possibilidade de outras alternativas terapêuticas para esse contexto. A situação de mudança na dinâmica de atendimentos na área de saúde está sendo bem ilustrada no cenário atual com a pandemia do COVID-19, onde esses, quando possíveis, passaram a ser realizados por teleatendimento. Objetivo: Descrever estratégias de atendimento à distância em paciente que foi submetido à a cirurgia ortognática. Metodologia: Esse trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética sob o número 3.349.187. Paciente de 19 anos, sexo feminino, foi submetida à cirurgia de avanço de maxila e recuo da mandíbula, sendo encaminhada ao atendimento fonoaudiológico no oitavo dia pós-operatório (PO). À avaliação, apresentou edema facial, parestesia na região lábio superior, inferior e mento, hipomimia, inteligibilidade de fala. Alimentação líquida pastosa com adaptações e pouca eficiência. Observou-se o escape de alimentos nas comissuras labiais. Na ocasião da avaliação, apresentava o bloqueio maxilomandibular semi-rígido e, além disso, escape de saliva pelas comissuras labiais. A terapia fonoaudiológica foi direcionada para as sequelas temporárias pós-cirúrgicas. Dentre os procedimentos destacam-se: drenagem linfática manual, alongamento da musculatura mastigatória, treinos do movimento de abertura oral máxima (AOM) com conforto, soltura da musculatura da mímica facial, exercícios isotônicos para o orbicular dos lábios, risório, zigomático menor e maior e bucinadores. Em acréscimo, foram feitas manobras para o auxílio da deglutição e estímulo térmico e tátil na região da parestesia. A paciente morava distante, inviabilizando o tratamento seriado presencial. Por isso, foi desenvolvida uma estratégia para sua continuação e, consequente recuperação. Foram gravados vídeos instrucionais de todas as manobras que deveriam ser reproduzidas em casa. O caso foi bem monitorado com as reavaliações mensais, na ocasião em que a paciente retornava para a consulta com o cirurgião bucomaxilo. Vale ressaltar o tratamento ocorreu antes do período da Pandemia. Resultados: Para essa primeira fase de tratamento a paciente apresentou boas respostas às estratégias, revelando adesão à terapia. Observou-se melhora significativa do edema facial, dos aspectos funcionais (articulação da fala, deglutição, vedamento labial) e parestesia. Verificou-se, ainda, o resgate da biomecânica da articulação temporomandibular por meio do aumento da amplitude dos movimentos mandibulares. Conclusão: Há viabilidade, para alguns casos, da elaboração e aplicação de estratégias terapêuticas à distância e gerenciamento periódico. Embora esse formato exija critérios em sua abordagem, ele permite um maior alcance, oportunizando ao paciente os benefícios da terapia fonoaudiológica.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
439
AMAMENTAÇÃO CONTINUADA: EXPERIÊNCIAS DE MULHERES PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução
A amamentação continuada é a prática de manter a amamentação por dois anos ou mais1. Os conhecimentos científicos e os saberes culturais relacionados a amamentação continuada se contrapõem. Isso porque, ao mesmo tempo em que se destacam os benefícios nutricionais e biológicos do leite materno, por outro lado, a prática da amamentação é associada a crianças pequenas e amamentar crianças mais velhas pode parecer ‘’estranho’’. Por isso, com frequência as mulheres se sentem socialmente pressionadas a realizarem o desmame2.
A motivação em ouvir as vivências maternas parte da vontade de entender os diferentes sentidos e relações para a amamentação continuada. Portanto o objetivo do estudo foi conhecer a vivência das mulheres que experienciaram a amamentação continuada.

Metodologia
O presente trabalho é fruto da dissertação de mestrado Amamentação continuada: significados maternos, da primeira autora, que ouviu mulheres profissionais da saúde que amamentaram por dois anos ou mais, foram entrevistadas sete mães de Curitiba e região metropolitana no período de julho de 2018 à maio de 2019.
A pesquisa aprovada pelo Comitê de ética com número do parecer: 2.440.386. Todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Trabalho de caráter qualitativo em que foram realizadas entrevistas semiestruturadas. A entrevista permite a quem investiga construir informações a partir do diálogo com a entrevistada, permitindo que o próprio sujeito fale sobre sua realidade, apresentando dados que são subjetivos3. As mulheres e filhos receberam pseudônimos para manter sigilo de suas identidades. A leitura foi realizada utilizando o método de análise de narrativas que permite explorar o que é e como são elaborados os relatos, considerando sinais como tom de voz, entonação, pausas, sentimentos, fundamentais para o entendimento do relato4.
Resultados
As entrevistadas são todas profissionais de saúde e três mães mencionam essa relação entre teoria e prática. As decisões dessas mães são perpassadas não só por seus conhecimentos acadêmicos e técnicos, mas também pela subjetividade e experiências socioculturais vivenciadas5,6,. Destacamos que apenas na narrativa de Ágata (2019) identificamos influência dos saberes profissionais nas escolhas e possibilidade de realizar a amamentação continuada. Apesar de Thaila (2018) mencionar que por ela ser da área da saúde conhece a importância da amamentação, isso não significa que há continuidade do processo, haja vista que ela se sentiu ‘’culpada’’ por estar prejudicando o filho com a amamentação continuada. Identificamos no mesmo discurso a consequência da regularização das práticas de amamentação, na medida em que a mesma sociedade que julga mulheres que amamentam por menos de 6 meses também as julga por amamentar continuadamente.
As narrativas destacam ainda outros pontos importantes para reflexão sobre a amamentação continuada como: benefícios para saúde da criança; licença maternidade e retorno ao trabalho; rede de apoio familiar e profissional; participação do pai; críticas e julgamentos.
Conclusão
Mesmo mulheres profissionais de saúde precisam de atenção e apoio para o estabelecimento e a continuidade da amamentação. Isso porque, além de poder vivenciar cobranças no sentido de ser ‘’boa’’ profissional, cumprir as recomendações regularizadas também passa a significar ser boa mãe.


1. SALLA, Cleomara Mocelin. Amamentação prolongada: significados maternos. 2019, p. 106. Dissertação (Mestrado Interdisciplinar em Desenvolvimento Comunitário). Programa de Pós Graduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Comunitário. Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná, Irati, 2019.
2. DOWLING, Sally; BROWN, Amy. An exploration of the experiences of mothers who breastfeed long-term: what are the issues and why does it matter? Breastfeeding Medicine [revista em Internet] fevereiro de 2013; Acesso em 03 de março de 2019;
3. MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 12ª edição. São Paulo: Hucitec, p. 269, 2010.
4. NUNES, Larissa Soares; PAULA, Luciane; BERTALOSSI, Thiago; FARIA NETO, Antonio. A análise da narrativa como instrumento para pesquisas qualitativas. Revista Ciências Exatas [revista em Internet] 2017; Acesso em 08 de janeiro de 2019; Disponível em http://periodicos.unitau.br/ojs/index.php/exatas/article/view/2547
5. BARROS, Camila Silva; QUEIROZ, Patrícia Pereira; JAVORSKI, Marly; VASCONCELOS, Maria Gorete Lucena de; VASCONCELOS, Eliane Maria Ribeiro; PONTES, Cleide Maria. Significados da vivência do amamentar entre as enfermeiras da área materno-infantil. Revista de Enfermagem UFRJ [revista em Internet] dezembro de 2012. Acesso em 07 de janeiro de 2019.
6. CAMINHA, Maria Fatima da Costa; SERVA, Vilneide Braga; ANJOS, Maria Maciel Rocha dos; BRITO, Roberta Barros de Sousa; LINS, Mônica Menezes; BATISTA FILHO, Malaquias. Aleitamento materno exclusivo entre profissionais de um programa de saúde da família. Ciência e Saúde Coletiva UFRJ [revista em Internet] novembro de 2011. Acesso em: 08 de março de 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232011000400023&script=sci_arttext



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1114
ANÁLISE ACÚSTICA DA VOZ DE HOMENS TRANS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: pessoas trans apresentam uma identidade de gênero diferente da que foi atribuída ao nascimento. O homem transexual é aquele que nasceu com as genitais do sexo feminino, mas se identifica e deseja ser reconhecido socialmente com o gênero masculino. [1] Dentre as modificações realizadas no processo de transição de gênero, está a adequação vocal. Sendo a voz um importante identificador de gênero, a fonoterapia deve ser incluída no tratamento interdisciplinar para a pessoa transgênero.[2] Para a adequação vocal, a avaliação torna-se fundamental, para mapear principais demandas vocais e possibilitar a proposição de uma intervenção efetiva. A avaliação acústica realiza mensurações objetivas do sinal sonoro vocal, envolvendo parâmetros diversos, tais como: frequência fundamental, intensidade, jitter, shimmer e GNE.[3] Considerada um importante instrumento, pois possibilita ao fonoaudiólogo compreender a evolução clínica do paciente, além de identificar padrões vocais diversos e seus desvios.[4] Objetivo: analisar parâmetros acústicos na voz de homens transgêneros. Método: estudo de caráter transversal e descritivo. Aprovado pelo Comitê de Ética nº 3.303.803. Realizado com 20 homens transgênero com idade média de 26 anos. Para avaliação acústica da voz, utilizou-se o software VOXMETRIA, com registro da emissão vogal sustentada de /ɛ/ e contagem de números de 1 a 10. Para análise de dados, extraiu-se as medidas de frequência fundamental (f0), intensidade vocal, jitter, shimmer e proporção GNE (glottal noise excitation). Resultados: quanto à frequência fundamental, doze indivíduos apresentaram valores esperados para a faixa masculina, com média de 122,51 Hz - que pode ser considerado um ponto positivo. Mesmo a f0 sendo considerado fator de distinção do gênero masculino e feminino, tal parâmetro nem sempre é principal queixa de pessoas transgênero na busca de uma voz adaptada ao gênero pretendido. Oito participantes apresentaram valores dentro da faixa de frequência feminina, com média de 174,26 Hz. Quanto à intensidade, dezenove participantes estavam abaixo da normalidade, com média de 52,75 dB, e apenas um participante estava dentro da normalidade com 65,59 dB. Importante ressaltar que a intensidade vocal depende de vários fatores, entre eles o estado físico, emocional, ambiental e de situações de vida do indivíduo. Sobre o jitter, cinco participantes obtiveram valores considerados alterados com média de 2,34%. Quinze tiveram escores considerados normais, com média de 0,29%. Quando há uma alteração no jitter, pode-se relacionar com aspereza e falta de controle das pregas vocais. Com relação ao shimmer, doze estavam alterados com média de 10,11% e oito estavam dentro da normalidade com média de 3,11%. Shimmer alterado pode ocorrer já que pessoas em transição de gênero feminino para masculino fazem ajustes em suas vozes, muitas vezes, pelo esforço à emissão. No que diz respeito à proporção sinal glótico/ruído excitado - GNE (Glottal-to-Noise Excitation), apenas dois participantes tiveram os valores alterados - 0,43% e 0,19%. Dezoito estavam dentro da normalidade, com média de 0,75%. Conclusão: identificou-se alguns participantes com frequência fundamental dentro da faixa feminina, alteração do jitter, shimmer e GNE e a maioria com intensidade vocal baixa, o que indica o motivo da procura de homens transgêneros para a terapia fonoaudiológica.

[1] Suess, A. Cuestionamiento de dinámicas de patologización y exclusión discursiva desde perspectivas trans e intersex. Rev Estud Soc. 2014; 9 (49): 128-43.
[2] Santos, H. H. A. N. M. et al. Tradução e avaliação preliminar da versão em Português do Questionário de Autoavaliação Vocal para Transexuais de Homem para Mulher. CoDAS, v.27, n.1, p.89-96, 2015.
[3] Behlau, M.; Madazio, G.; Feijó, D.; Pontes, P. Avaliação de Voz. In: Behlau, M.; Rehder, M.I.; Valente, O. Voz: O livro do especialista. Rio de Janeiro, Revinter, v.1, 2008, p.144-7.
[4] Kelchner, L. N; Brehm, S. B.; Weinrich, B.; Middendorf, J.; Alarcon, A.; Levin, L.; et al. Perceptual evaluation of severe pediatric voice disorders: rater reliability using the consensus auditory perceptual evaluation of voice. J Voice. 2010;24(4):441-9.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1185
ANÁLISE ACÚSTICA NÃO LINEAR NA AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR DA VOZ NA DOENÇA DE PARKINSON
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A Doença de Parkinson (DP) envolve sistemas neurais múltiplos e resulta de mudanças em poucos tipos de células nervosas(1). Os principais sinais da doença são tremores em repouso, bradicinesia, rigidez muscular e alteração postural(2-3) e ainda, intensidade vocal reduzida, astenia, soprosidade, fala monótona, pastosa com imprecisão articulatória(4). A análise acústica não linear, por meio de padrão visual da dinâmica vocal (PDVD), mostrou a possibilidade desta ser uma avaliação complementar na voz(5-6) e, mais especificamente, no indivíduos com doenças neurológicas(7). Objetivo: Descrever a análise acústica não linear em indivíduos com DP. Método: Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos da instituição (número 4.009.750). Participaram 10 indivíduos adultos (8 do sexo masculino e 2 do feminino), média de idade 72,7 anos, com diagnóstico médico de DP, com e sem queixas de voz, com exame laríngeo compatível com a DP, de ambos os sexos, pertencentes a um Centro Especializado em Reabilitação de cidade do interior de São Paulo. Foram realizadas gravações da emissão da vogal sustentada /a/ de cada participante. Pelo programa “Análise de Voz”(8), cedido pelo autor, produziu-se imagens do traçado de onda. Para a extração da imagem, conforme padronizado, descartou-se o primeiro segundo do sinal acústico e selecionou-se o tempo subsequente, 0,5 segundos para homens e 0,25 para mulheres. Foi realizada análise perceptivo-visual por meio do Protocolo CIE - Curva, Irregularidade e Espaçamento(9), sendo que as medidas de curvas podem variar de 0 a 4 ou mais, sendo o melhor resultado, o valor de 4 ou mais voltas. A irregularidade da trajetória da onda, numa escala numérica, pode variar de grau 0 (normal) a 3 (severo). O espaçamento da trajetória de onda é categorizado, em milímetros, como mínimo (grau 0), pequeno (grau 1), médio (grau 2) e grande (grau 3), conforme padronização. O julgamento visual das imagens foi feito por três fonoaudiólogos treinados, entretanto, para confirmar o resultado, quando não houve concordância exata entre eles, houve a participação do quarto avaliador treinado. Resultados: Os principais resultados em relação à quantidade de curvas da trajetória dos gráficos foram, 80% (n=8) dos indivíduos apresentaram trajetórias com mais de 4 curvas, e 20% (n=2) apresentaram com grau 1. Com relação à irregularidade, 40% (n=4) apresentaram o grau 1, e 50% (n=5) o grau 2. Para o e espaçamento, 60% (n=6) deles apresentaram trajetórias de grau 1 e 40% (n=4) de grau 2. Estes dados corroboram os encontrados na literatura, que apontaram elevação no grau de irregularidade em vozes rugosas(6) e piores resultados para irregularidade e espaçamento em vozes de indivíduos com doenças neurológicas(7). Conclusão: A análise acústica não linear da voz de indivíduos com DP mostrou trajetórias com boa qualidade de curvas, entretanto com maior variação de graus nos parâmetros de irregularidade e espaçamento apontando a dificuldade de manutenção da boa qualidade de vibração das pregas vocais. A análise acústica não linear pelo Protocolo CIE pode ser ferramenta que, se associada às outras estratégias de avaliação vocal, favoreça o raciocínio clínico do quadro, entretanto pesquisas robustas devem ser desenvolvidas.

1. Braak H, Del Tredici K, Rüb U, de Vos RA, Jansen Steur EN, Braak E. Staging of brain pathology related to sporadic Parkinson's disease. Neurobiol Aging. 2003;24(2):197-211. doi:10.1016/s0197-4580(02)00065-9;

2. Teive HAG. Doença de Parkinson: um guia prático para pacientes e familiares. 2ª ed. São Paulo: Lemos; 2002;

3. Meneses MS, Teive HAG. Doença de Parkinson. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003, 38-41;

4. Behlau M, Madazio G, Azevedo R, Brasil O, Vilanova LC. Disfonias neurológicas. In: Behlau M, editor. Voz: o livro do especialista. 2a ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2005. p. 111-86;

5. Little MA, McSharry PE, Roberts SJ, Costello DAE, Moroz IM. Exploiting Nonlinear Recurrence and Fractal Scaling Properties for Voice Disorder Detection. BioMedical Engineering OnLine. V.6(23), 2007;

6. Dajer, Maria Eugenia. Análise de sinais de voz por padrões visuais de dinâmica vocal [tese]. São Carlos: , Escola de Engenharia de São Carlos; 2010 [citado 2020-07-11]. doi:10.11606/T.18.2010.tde-15092010-102656;

7. Marrara, Jamille Lays. Padrão visual da dinâmica vocal como instrumento para o diagnóstico da disfagia em pacientes com alterações neurológicas [dissertação]. São Carlos: Universidade de São Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos; 2010 [citado 2020-07-06]. doi:10.11606/D.18.2010.tde-06052010-160149;

8. Montagnoli AN. [Análise de Voz] Sistema de Auxílio à Análise Acústica da Voz. (2019);

9. Galdino DG. Padronização da análise não linear de vozes saudáveis pela reconstrução do espaço de fase (REF). 2019. Tese de Doutorado. São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1564
ANÁLISE ANTROPOMÉTRICA DAS DIMENSÕES CRANIOFACIAIS E VELOFARÍNGEAS DE INDIVÍDUOS ADULTOS COM FISSURAS LABIOPALATINAS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Estudos epidemiológicos revelam que a incidência de fissuras labiopalatinas (FLP) varia de acordo com a raça e o sexo, sendo este defeito congênito mais comum na população asiática e de maior gravidade no sexo masculino. O dimorfismo sexual para as medidas craniofaciais já foi demonstrado em pesquisas realizadas com populações de diferentes raças e sem FLP, que apontaram o fator racial como preditivo da morfologia craniofacial. No Brasil, em função da grande miscigenação, estudos antropométricos realizados em indivíduos sem FLP não apresentaram consenso quanto aos resultados encontrados.

Objetivo: Investigar a influência do sexo e do tipo de fissura sobre as dimensões craniométricas e velofaríngeas em indivíduos brasileiros adultos com FLP.

Método: Treze medidas craniofaciais e cinco medidas velofaríngeas foram realizadas por meio da análise de imagens provenientes de tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFC) de 54 indivíduos brasileiros com FLP reparada, com idade entre 18 e 37 (24,1 ± 4,5) anos, sendo 38 com fissura de lábio e palato unilateral (FLPU), 10 com fissura de lábio e palato bilateral (FLPB) e 6 com fissura de palato isolada (FP), dos quais 31 eram do sexo masculino e 23 do sexo feminino. As imagens de TCFC foram analisadas e as medidas realizadas pelo mesmo avaliador utilizando-se o programa Amira 6.1.0 Visualization and Analysis. Para determinar as variações do sexo e do tipo de fissura, bem como o efeito das suas interações sobre as medidas craniométricas e velofaríngeas realizou-se uma análise de covariância bidirecional (ANCOVA) utilizando-se um modelo linear geral (p≤0,05). A concordância intra-avaliador foi verificada por meio do coeficiente de correlação intraclasse (CCI). Parecer do CEP: 1.210.288.

Resultados: A correlação intra-avaliador apresentou-se entre boa e excelente (0,79 a 0,99). Os diâmetros cranianos, as medidas lineares da base do crânio, a altura e a largura da face, a largura do palato, a profundidade faríngea, a espessura do véu palatino e o comprimento nasofaríngeo apresentaram diferença significativa quando relacionados ao sexo, sendo valores maiores observados para o sexo masculino (p<0,05). O grupo de pacientes com FLPB apresentou maior diferença nas medidas craniofaciais entres os sexos, enquanto o grupo com FLPU apresentou maiores alterações quanto às medidas do palato. Já, no grupo com FP maiores alterações das medidas velofaríngeas quando comparado aos demais tipos de fissura foram observadas. Entretando, diferenças significativas entre os tipos de fissura e as dimensões craniofaciais e velofaríngeas não foram encontradas (p>0,05).

Conclusão: Os resultados do presente estudo sugerem que indivíduos adultos brasileiros, com diferentes tipos de FLP apresentam dimensões craniofaciais e velofaríngeas semelhantes. As diferenças entre as medidas estiveram relacionadas apenas ao sexo, de maneira semelhante aos estudos internacionais realizados com a população sem FLP. Para nosso conhecimento, estes dados representam o primeiro estudo que correlaciona o sexo e tipo de fissura às variáveis craniométricas e velofaríngeas para adultos brasileiros com FLP. Uma limitação deste estudo diz respeito à dificuldade de realizar comparações com a população brasileira sem fissura em função da grande miscigenação racial existente no país. Futuras investigações, considerando indivíduos de uma mesma região demográfica devem ser consideradas.

Chung C, Kau M. Racial differences in cephalometric measurements and incidence of cleft lip with or without cleft palate. J Craniofac Genet Dev Biol 1985;5:341-49.

McNamara Jr JA. A method of cephalometric evaluation. Am J Orthod 1984;86:449-69.

Perry JL, Kuehn DP, Sutton BP, Gamage JK, Fang X. Anthropometric Analysis of the Velopharynx and Related Craniometric Dimensions in Three Adult Populations Using MRI. Cleft Palate Craniofac J 2016; 53:e1-e13.

Santos RMG, De Martino JM, Haiter Neto F, Passeri LA. Cone beam computed tomography-based cephalometric norms for Brazilian adults. Int J Oral Maxillofac Surg 2018;47:64-71.

Vasconcelos MB, Pinzan-Vercelino CRM, Gurgel JA, Bramante FS. Cephalometric characteristics of Class III malocclusion in Brazilian individuals. Braz J Oral Sci 2014;13:314-18.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1125
ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA LITERATURA SOBRE O BILINGUISMO NO DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES DE CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A consciência fonológica é uma habilidade importante no desenvolvimento da leitura e escrita. Estudos em populações bilíngues revelam que esta habilidade tem sido crucial para o processo de aprendizagem em uma segunda língua. OBJETIVO: analisar o perfil da produção científica na literatura nacional e internacional sobre o bilinguismo em diferentes línguas no desenvolvimento da consciência fonológica.
MÉTODO: Trata-se de uma revisão bibliométrica sobre o desenvolvimento das habilidades de consciência fonológica em indivíduos bilíngues. Realizou-se uma busca de artigos nos últimos dez anos, em periódicos nacionais e internacionais indexados nas bases de dados eletrônicas Pubmed, Lilacs, Medline, Periódico CAPES e Scielo. Além disso, foram realizadas buscas manuais nas referências dos artigos encontrados na pesquisa inicial e no Google Acadêmico a fim de identificar o maior número de artigos possíveis. Foram utilizados os seguintes descritores (em inglês e português), sobre o tema em evidência, utilizando os seguintes termos livres em português: bilinguismo AND consciência fonológica, bilinguismo AND habilidades fonológicas, bilinguismo AND fonologia. E em inglês: bilingualism AND phonology, bilingualism AND phonological awareness e bilingualism AND phonological skills. Os critérios de elegibilidade para seleção da amostra foram: a) artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais com texto completo, gratuito e disponível na base de dados; b) em inglês e português; c) que abordassem a temática nos últimos dez anos; d) excluídos artigos sobre bilinguismo para surdos. Foram considerados a leitura pelo título, seguida pelo resumo/abstract e, finalmente, dos artigos completos, potencialmente relevantes para a revisão. A análise foi realizada por meio de uma planilha do Excel, com a tabulação do ano de publicação, título do periódico, país de publicação, delineamento da pesquisa, palavras chaves. Para análise, foram realizados testes de tendência central, como média e mediana, e frequência.
RESULTADOS: No período entre 2011 e abril de 2020, foram encontrados 43.424 artigos. Destes, 43.404 foram excluídos por não cumprirem os critérios de elegibilidade. Enquanto 20 foram selecionados via Pubmed, Medline, Google Scholar e CAPES. No que se refere ao ano das publicações, em 2011 foi encontrado um artigo que propôs investigar a aquisição de habilidades fonológicas de leitura em crianças monolíngues e bilíngues zulu-inglês; entre 2012-2014 foram encontrados 10 artigos e, entre 2015-2016, não houve estudos publicados. O ano de 2019 concentrou o maior número de estudos publicados, 25% (5 artigos). Em relação ao número de publicações por país, os EUA concentram 25% dos estudos neste período, enquanto 15% no Brasil, 10% em Cingapura, China e África do Sul cada. O tipo de abordagem dos estudos mais recorrente foi a quantitativa (95%). Predominam os artigos do tipo transversal (17 artigos, 85%) e de corte prospectivo (16 artigos, 80%). A maioria foram publicados em inglês, 15% (3 artigos) em português. Ademais, a revista Reading and Writing obteve mais estudos publicados no período.
CONCLUSÃO: Diante dos achados, foi possível observar aumento nas publicações sobre bilinguismo e consciência fonológica nos últimos três anos, comparado com anos anteriores, porém com pouca variedade nos aspectos metodológicos.

Flores BTM. Bilinguismo. Textura. 2005;7(12):79-89

Almeida L, Flores C. Bilinguismo In: Freitas MJ, Santos AL. Aquisição de língua materna e não materna: questões gerais e dados do português. Berlin: Language Science Press. 1933;p. 275-304.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1132
ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE QUEIXAS DE ZUMBIDO EM ESCOLARES
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: O zumbido é um sintoma comum e pode ser definido como a presença de um ou mais sons nos ouvidos ou na cabeça, sem que exista um correspondente externo que possa estar provocando esse estímulo acústico. Em crianças, esse sintoma pode causar sérios danos, como prejuízos emocionais, sociais e de aprendizagem.
OBJETIVO: Analisar o perfil da produção científica sobre queixas de zumbido em crianças nos periódicos nacionais e internacionais.
MÉTODO: Trata-se de uma revisão bibliométrica sobre a prevalência das queixas de zumbido em crianças. Foi realizada uma busca de artigos publicados entre 2011 e junho de 2020, nas bases de dados nacionais e internacionais: Pubmed, Lilacs, Medline, IBECS, ERIC e Scielo. Foram utilizados os seguintes descritores, em português e inglês, sobre o tema em evidência: zumbido AND criança AND epidemiologia, zumbido AND criança AND prevalência, e zumbido AND criança AND aprendizagem. E em inglês: tinnitus AND child AND epidemiology, tinnitus AND child AND prevalence, e tinnitus AND child AND learning. Os critérios de elegibilidade para inclusão dos artigos foram: a) artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais com texto completo e gratuito; b) em inglês e português; c) que abordassem o tema nos últimos 10 anos. Para seleção da amostra foi considerada a leitura do título, seguida pela leitura do resumo e, por fim, a leitura do artigo completo. Os artigos duplicados foram excluídos e a análise ocorreu através de uma planilha do Excel que apresentava os principais dados dos artigos selecionados.
RESULTADOS: Foram identificados 737 artigos, dos quais 732 foram excluídos por não cumprirem os critérios de inclusão. Dessa forma, foram selecionados 5 artigos para leitura completa e análise bibliométrica. Não foram incluídos artigo das bases de dados Lilacs, Eric, IBECS e Scielo, visto que não se enquadraram nos critérios de inclusão deste estudo. O tipo de estudo mais encontrado foi a revisão sistemática, e, com relação ao ano de publicação, observou-se que a maioria das publicações ocorreu no ano de 2016. Quanto ao local, a Inglaterra foi o país com maior número de publicações.
CONCLUSÃO: Diante do exposto, foi possível observar que as publicações acerca deste tema ainda são escassas, bem como há necessidade de mais estudos que investiguem as questões do zumbido em crianças, uma vez que o número de artigos encontrados foi pequeno.

1- Rosa MRD, Almeida AAF, Pimenta F, Silva CG, Lima MAR, Diniz MFFM. Zumbido e ansiedade: uma revisão de literatura. Rev CEFAC. 2012;14(4):742-754

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3- Coelho CCB. Estudo da prevalência da hiperacusia e do zumbido em crianças [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2006.

4- Xu, Y., Yao, J., Zhang, Z., & Wang, W. (2016). Association between sleep quality and psychiatric disorders in patients with subjective tinnitus in China. Eur Arch Otorhinolaryngol.

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6- Nemholt, S. S., Schmidt, J. H., Wedderkopp, N., & Bagule, D. M. (2015). Prevalence of tinnitus and/or hyperacusis in children and adolescents: study protocol for a systematic review. BMJ Open.

7- Rosing, S. N., Schmidt, J. H., Wedderkopp, N., & Baguley, D. M. (2016). Prevalence of tinnitus and hyperacusis in children and adolescents: a systematic review. BMJ open.

8- Smith, H., Fackrell, K., Kennedy, V., Barry, J., Partridge, L., & J.Hoareab, D. (2019). A Scoping Review to Catalogue Tinnitus Problems in Children. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, 141-151.





TRABALHOS CIENTÍFICOS
1595
ANÁLISE CEPSTRAL DE ADULTOS E IDOSOS SEM QUEIXAS VOCAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: O envelhecimento provoca modificações laríngeas(1,2), as quais podem impactar a qualidade vocal. Tais alterações vocais podem ser detectadas pela análise acústica, sendo um dos parâmetros disponíveis, a proeminência do pico cepstral suavizada (PPCs), que reflete a organização dos harmônicos no sinal vocal(3). Vozes sem desvios apresentam maior periodicidade e configuração harmônica bem definida, resultando em maiores valores de PPCs(4). Esta medida, mais confiável que as de perturbação e ruído(5), é considerada mais adequada na análise de vozes desviadas(4). Os estudos relacionados à PPCs, comumente comparam disfônicos com não-disfônicos e apontam valores inferiores para vozes alteradas(4,6); há poucos estudos que incluem idosos(7,8) e em sua maioria, jovens e idosos são agrupados em amplas faixas etárias para comparação. Agrupar esses indivíduos por décadas etárias pode ajudar na compreensão do período de surgimento dos sinais de envelhecimento vocal. Objetivo: Analisar a PPCs da voz de indivíduos de ambos os sexos, vocalmente saudáveis, agrupados por décadas etárias, a fim de verificar a partir de quais faixas etárias a voz sofre modificações detectáveis por esse parâmetro. Métodos: Este estudo observacional, transversal, prospectivo, comparativo e analítico é parte de um estudo aprovado por comitê de ética, protocolo 098/2010. Participaram 265 indivíduos, de 30 a 79 anos de idade, 125 homens e 140 mulheres, saudáveis, não-tabagistas e sem queixas vocais, alocados em grupos por década etária. Extraiu-se a PPCs da vogal /a/ sustentada pelo software PRAAT 6.1.11, conforme roteiro estabelecido na literatura(10) e aplicou-se os testes ANOVA e Tukey (p<5%).
Resultados: A comparação entre os sexos indicou diferença apenas na 3ª década de vida, em que os homens apresentaram PPCS mais elevada do que mulheres (16,42dB e 15,03dB, respectivamente, p=0,018). A comparação entre décadas indicou diferença apenas para as mulheres (p=0,006), sendo que as da 3ª e 4ª décadas apresentaram médias inferiores (respectivamente 15,03dB e 15,14dB) às da 7ª década (17,21dB). Pode-se acreditar que mulheres da 7ª década de vida realizam alguma compensação frente às modificações estruturais do sistema fonatório(1,2), com consequente tensão à fonação, justificando o aumento da PPCs. Outra hipótese está relacionada ao grupo mais jovem de mulheres, as quais também apresentaram valores inferiores aos dos homens da mesma idade: a presença da típica fenda glótica triangular posterior dessas mulheres pode ser a responsável pela pior estrutura harmônica, refletida em menores valores(7), enquanto parte das mulheres idosas poderiam apresentar o aumento de volume de pregas vocais, que reduz a ocorrência de fenda(2). Ao comparar idosos com e sem queixas vocais, foi encontrado nestes últimos, valores maiores,(8) portanto, a compreensão sobre esta medida acústica no envelhecimento deve considerar modificações vocais que não se referem à presença de disfonia. Conclusão: A análise da PPCs da vogal de indivíduos sem queixas vocais, agrupados por década etária, mostrou que os homens mais jovens apresentaram médias superiores às das mulheres da mesma faixa etária e que foi possível identificar a 7ª década etária como o período em que ocorre o surgimento das modificações vocais em mulheres, considerando os aspectos do PPCs, o qual é mais elevado nesta idade.

1. Rapoport SK, Menier J, Grant N. Voice Changes in the Elderly. Otolaryngol Clin North Am. 2018 Aug;51(4):759-768. doi: 10.1016/j.otc.2018.03.012. Epub 2018 Jun 8.
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3. Maryn Y, Weenink D. Objective dysphonia measures in the program Praat: smoothed cepstral peak prominence and acoustic voice quality index. J Voice. 2015 Jan;29(1):35-43. doi: 10.1016/j.jvoice.2014.06.015. Epub 2014 Dec 9.
4. Lopes LW, Sousa ESS, Silva ACF, et al. Cepstral measures in the assessment of severity of voice disorders. CoDAS 2019;31(4):e20180175 DOI: 10.1590/2317-1782/20182018175
5. Balasubramanium RK, Bhat JS, Fahim III S, Raju III R. Cepstral analysis of voice in unilateral adductor vocal fold palsy. J Voice. 2011 May;25(3):326-9. doi: 10.1016/j.jvoice.2009.12.010.
6. Hasanvand A, Salehi A, Ebrahimipour M. A Cepstral Analysis of Normal and Pathologic Voice Qualities in Iranian Adults: A Comparative Study. J Voice. 2017 Jul;31(4):508.e17-508.e23. doi: 10.1016/j.jvoice.2016.10.017. Epub 2016 Dec 16
7. Monnappa D, Balasubramanium R. Cepstral analysis of voice in healthy aged individuals. J Laryngol and Voice 2015;5(2):
8. Samlan RA, Kunduk M, Ikuma T et al. Vocal Fold Vibration in Older Adults With and Without Age-Related Dysphonia. American Journal of Speech-Language Pathology 2018 (27): 1039–50
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1731
ANÁLISE COMPARATIVA DA QUALIDADE VOCAL DE MULHERES RELACIONADA AO USO DE CONTRACEPTIVOS ORAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz do ser humano é influenciada por diversos fatores, sejam extrínsecos ou intrínsecos. Dentre estes fatores encontramos os endócrinos. A influência hormonal sobre a voz têm sido relatada em diversos estudos. Objetivo: Comparar a qualidade vocal de mulheres que fazem uso contínuo, com mulheres que nunca fizeram uso e mulheres que já fizeram uso de contraceptivos orais, mas pararam. Metodologia: Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob protocolo 13098519.0.0000.5515. Participaram 35 mulheres, com idades variando de 19 a 38 anos, sendo 15 que faziam uso contínuo pelo menos há três meses, 12 que não faziam mais uso há pelo menos três meses e 08 que nunca fizeram uso de contraceptivos orais. Como critério de exclusão: não apresentar relatos antecedentes vocais, hormonais e profissões de risco para o desenvolvimento de patologias vocais. Foi realizada avaliação perceptivo-auditiva pelo protocolo GRBAS e avaliação acústica, pelo programa Vox Metria. As participantes responderam ao questionário IDV-10 e questionário próprio. Na comparação estatística dos valores obtidos foi utilizado o teste T. de Student com nível de significância de 0,05. Resultados: Na análise perceptivo auditiva, o grupo que nunca usou contraceptivos apresentou maioria com grau 0 em grau geral 50%, astenia (100%) e tensão (75%); grau 1 em rugosidade (62,5%). Soprosidade foi encontrado 50% em grau 0 e 1. No grupo que usou e parou a maioria apresentou grau 0 em astenia (100% e tensão (94%) e grau 1 em grau geral (67%), rugosidade (80%) e soprosidade (73%). O grupo que faz uso contínuo apresentou maioria em grau 0 nos parâmetros astenia (100%) e tensão (92%) e grau 1 em gau geral (67%), rugosidade (75%) e soprosidade (67%). Na confiabilidade intra-juiz do GRBAS foi utilizado o coeficiente de correlação de Spearman, para tanto foram repetidos 20% da amostra. Os resultados demonstraram coeficiente de correlação muito forte para grau geral e rugosidade e moderado para soprosidade e tensão. Em relação à análise acústica, todas as participantes da pesquisa possuíam medidas dentro dos padrões de normalidade, segundo o programa Vox Metria. Na comparação entre os grupos revelou que não há diferenças significativas nos parâmetros entre os grupos de mulheres que usam contraceptivos orais e o grupo que usou e parou (p>0,05). Quando comparados os grupos que nunca usou com os grupos que já usaram e grupo que ainda usa continuamente contraceptivos orais, foram encontrados valores menores em Jitter e ruído com diferenças significativas (p<0,05). Os resultados obtidos pelo questionário próprio mostram que a maior parte das participantes tem hábitos vocais saudáveis e que a maioria também não nota as mudanças na voz durante a menstruação. O IDV-10 foi baixo para todas as participantes e não apontou diferenças significativas quanto à desvantagem vocal dos três grupos. Conclusão: O grupo que nunca fez uso de contraceptivos orais possui melhores resultados na analise perceptivo auditiva, além de parâmetros acústicos de jitter e ruído e mais baixos quando comparados ao grupo que faz uso contínuo de contraceptivos e grupo que fez uso, mas não faz mais.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
859
ANÁLISE COMPARATIVA DA VOZ DE MULHERES ADULTAS ANTES E DEPOIS DA PROVA DE FALA CONTÍNUA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


TÍTULO

Análise comparativa da voz de mulheres adultas antes e depois da prova de fala contínua


INTRODUÇÃO

Ainda não é conhecido a resistência vocal para o uso prolongado da voz. Muitas profissões utilizam a voz como ferramenta de trabalho. Conhecer a resistência vocal de mulheres adultas pode favorecer orientações de saúde vocal e do tempo de repouso para evitar a fadiga da musculatura das pregas vocais. Acredita-se que a fadiga vocal seja uma adaptação vocal negativa decorrente do uso prolongado da voz. No entanto, seu mecanismo é desconhecido, sendo os sintomas descritos na literatura especializada.


OBJETIVO

Análise comparativa da voz antes e depois da prova de fala contínua e resistência vocal em mulheres adultas.


MÉTODO

Participarão do estudo 30 participantes do sexo feminino, com idade entre 20 e 59 anos, adultas, sem história de disfonia, sem alteração vocal e laríngea e que não façam uso profissional da voz. Serão aplicados questionários do bem estar vocal, de impacto vocal na qualidade de vida e autoavaliação da percepção auditiva, tátil e cinestésica da voz antes e depois da prova de fala. Para a análise serão também analisadas as medidas acústicas, eficiência vocal, capacidade vital e tempo máximo de fonação. A prova de fala contínua terá duração de 60 minutos com um texto padrão. A sala de realização da prova será monitorada por um termohigrômetro digital (umidade relativa do ar e temperatura) e terá controle de ruído, para que não haja interferência nos resultados.


RESULTADOS PARCIAIS

Foram coletadas 13 amostras de participantes do sexo feminino, na média de idade 24,9 anos. Na análise acústica constou aumento das medidas de frequência F0, Fhi e Flo e da amplitude de frequência do tremor Fatr, devido ao tensionamento vocal. Porém, redução da amplitude da taxa de tremor ATRI, sugerindo estabilidade vocal, na situação pós prova. Na análise aerodinâmica houve a diminuição da Duração do fluxo de ar expiratório e Volume expiratório, devido à perda de capacidade pulmonar. O Máximo e Mínimo de pressão sonora fonatória revelaram-se aumentados, devido à maior necessidade de energia para regular forças aerodinâmicas e mioelásticas. O tempo de fonação apareceu reduzido na maioria dos casos. O Pico de PAe e FaExp aparecerem aumentados e reduzidos pós prova, respectivamente. A extensão dinâmica vocal revelou aumento de intensidade na maioria dos casos após a leitura, associada à elevação do pitch, podendo sugerir resposta à fadiga. Na autoavaliação perceptiva, os critérios foram potencialmente elevados após leitura, dando ênfase em: esforço, rouquidão, garganta seca e cansaço para falar. A Escala de Sintomas Vocais mostrou ausência de limitação e alteração emocional devido aos problemas de voz, porém o aspecto físico apareceu alterado em relação a infecções de garganta e nariz entupido. O Índice de Fadiga Vocal foi caracterizado por alterações principalmente de desconforto físico associado a voz como: dor no pescoço e na garganta ao final do dia. Já os aspectos de fadiga e restrição vocal e recuperação com repouso vocal aparecerem normais.


CONCLUSÃO

As melhoras podem ser resultado de aquecimento vocal, porém o esforço fonatório aumenta as chances de estresse mecânico, levando à fadiga vocal.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1871
ANÁLISE COMPARATIVA DO PERFIL DA FLUÊNCIA DE ADOLESCENTES E ADULTOS COM GAGUEIRA.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Gagueira é considerada o principal e mais prevalente distúrbio do neurodesenvolvimento (Onslow, O´brian, 2013; Whitifield, Delong, Goberman, Blomgren, 2018). É descrita como complexa, multidimensional, e intermitente, o que favorece o acometimento de outras dimensões, como cognitiva, afetiva e social. Os adolescentes e adultos que gaguejam conviveram durante anos com as disfluências, e por isso podem ter desenvolvido mecanismos compensatórios, no sentido de evitar a gagueira. Neste sentido, caracterizar o perfil da fluência de adolescentes e adultos que gaguejam é de suma relevância para o aprimorar os processos diagnóstico e terapêutico desta população. Objetivo: Avaliar e comparar o perfil fluência de adolescentes e adultos com gagueira, caracterizando a tipologia e a porcentagem de disfluências, a velocidade de fala e a gravidade do distúrbio. Metodologia: Pesquisa de caráter experimental e transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição (Parecer N°4.009.752). Participaram 30 indivíduos com gagueira do neurodesenvolvimento persistente, de ambos os sexos, de 12 à 59 anos e 11 meses, divididos: Grupo Pesquisa I (GPI) composto por 15 adolescentes com gagueira, na faixa etária de 12 a 18 anos e 11 meses; e Grupo Pesquisa II (GPII) composto por 15 adultos com gagueira, na faixa etária de 19 anos e 59 anos e 11 meses. Todos apresentaram no mínimo 3% de disfluências típicas da gagueira e mínimo de 11 pontos no Instrumento de Gravidade da Gagueira (Stuttering Severity Instrument - SSI-4, Riley, 2009), o que equivale a uma gagueira de grau leve. Os procedimentos utilizados foram: avaliação da fluência e classificação da gravidade da gagueira. Foi realizada a análise estatística dos dados com o teste de “Mann-Whitney” para análise intergrupos. O nível de significância adotado para a aplicação dos testes estatísticos foi de 0,05. A análise dos dados foi realizada utilizando software STATISTICA versão 7.0. Resultados: As frequências de disfluências típicas da gagueira, outras disfluências e total das disfluências, assim como a velocidade de fala (fluxos de sílabas e de palavras por minuto) foram semelhantes entre os grupos. A única tipologia de disfluência típica da gagueira que apresentou diferença estatisticamente significante foi a repetição de parte de palavra (p=0,020), com maior ocorrência nos adultos em relação aos adolescentes. A repetição de segmento foi a única disfluência classificada com outra disfluência que ocorreu mais frequentemente nos adultos (p=0,022). Os escores do Instrumento de Gravidade da Gagueira mostraram semelhança entre os grupos. O subtipo de gagueira leve foi predominante em ambos os grupos (60% dos adolescentes e 73,3% dos adultos). Conclusão: A análise comparativa do perfil da fluência de adolescentes e adultos com gagueira mostrou que os grupos foram semelhantes quanto as variáveis de frequência de disfluências e velocidade de fala. A gravidade da gagueira também foi similar entre os grupos analisados. Neste sentido, acredita-se que, semelhantemente aos indivíduos com desenvolvimento típico, a maturação do sistema neurolinguístico para a fluência de indivíduos com gagueira também se estabelece na infância. Acredita-se que estes resultados propiciarão melhor preparo do fonoaudiólogo para oferecer um diagnóstico e uma terapia mais especializada a esta população.

Onslow M, O´brian, S. Management of childhood stuttering. J Paediatr Child Health.2013;49( 2):112-5. doi: 10.1111/jpc.12034.

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Riley GD. Stuttering Severity Instrument – SSI-4. 4.ed. Austin: Pro-Ed, 2009.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1448
ANÁLISE DA ATIVIDADE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS MASSETERES E CICLOS MASTIGATÓRIOS EM CRIANÇAS COM MORDIDA ABERTA ANTERIOR: SÉRIE DE CASOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A mastigação é uma função aprendida que tem início a partir do momento em que surgem os primeiros dentes decíduos superiores e inferiores1. Diante de alterações estruturais, como na mordida aberta anterior, a dificuldade de máxima intercuspidação associada ao movimento mandibular utilizado na mastigação pode direcionar adaptações funcionais como a mastigação unilateral, visando auxiliar o processo mastigatório2,3. A avaliação concomitante do padrão mastigatório e da atividade eletromiográfica dos músculos da mastigação fornece informações importantes sobre o padrão e a ativação muscular durante a função mastigatória4. Objetivo: Descrever a atividade elétrica dos músculos masseteres anteriores direito e esquerdo, durante o repouso, máxima intercuspidação e a mastigação habitual em crianças com mordida aberta anterior. E como objetivo secundário, comparar as variáveis acima descritas com o número de ciclos mastigatórios do lado direito e esquerdo destas crianças. Método: Este estudo teve a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, sob nº 2.421.119. Trata-se de uma série de casos, em que participaram crianças entre três e cinco anos com mordida aberta anterior. Um odontopediatra avaliou o aspecto dentário das crianças e verificou a presença da mordida aberta anterior. Para a avaliação eletromiográfica da mastigação foram realizadas as provas de repouso durante 10 segundos; apertamento dentário em máxima intercuspidação por cinco segundos e mastigação habitual de bolacha do tipo Bono da Nestlé®. Para a análise estatística foram utilizados o teste t de Student e o teste da Correlação de Pearson, com nível de significância 5%. Resultados: Participaram do estudo oito crianças com idade média de 4,1+0,6 anos, cinco (62,5%) do sexo masculino. A associação das médias da porcentagem atividade elétrica muscular dos músculos masseteres direito e esquerdo na realização das diferentes provas não foi significativa. Não foi observada correlação da porcentagem de atividade elétrica da mastigação habitual com as provas de repouso e máxima intercuspidação (p>0,05). Da mesma forma, a correlação do número de ciclos mastigatórios do lado direito e esquerdo com a porcentagem de atividade elétrica durante as provas não foi significativa (p>0,05). Conclusão: Nesta série de casos, a porcentagem de atividade elétrica dos masseteres, assim como o número de ciclos mastigatórios e a mastigação habitual não apresentaram correlação com as provas de repouso e máxima intercuspidação.

1. Tagliaro ML, Calvi CL, Chiappetta ALML. A fase de incisão no processo da mastigação: Enfoque clínico. Rev CEFAC. 2004;6(1):24-8.
2. Cattoni DM. Alterações da mastigação e deglutição. Tratado de fonoaudiologia, São Paulo: Roca, 2004.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1144
ANÁLISE DA ESCRITA DE ALUNOS DE 1° E 2° ANOS: COMPARAÇÃO DE DOIS MODELOS DE CLASSIFICAÇÃO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A invenção dos sistemas de escrita passou pelas fases pictórica, ideográfica e alfabética. Esta última tem em sua base as relações entre letras (grafemas) e sons (fonemas). A aprendizagem desse sistema passa por diferentes estágios de desenvolvimento. A análise deste desenvolvimento em crianças em fase de alfabetização costuma ser realizada utilizando-se a classificação proposta por Ferreiro e Teberosky (1985). Entretanto, percebe-se que esta classificação apresenta limitações quanto à compreensão da criança sobre o sistema alfabético e o processo de escrita, que já estariam atentas a associações fonemas-grafemas. A teoria de Ehri (1997, 2005) parece melhor adequar-se para analisar a escrita sob este paradigma, permitindo verificar como a criança percebe o valor sonoro das letras e o princípio do sistema alfabético desde o início de suas hipóteses. Objetivo: Verificar a escrita de crianças de 1º e 2º anos de acordo com os dois modelos de análise. Destacar as principais diferenças entre as teorias e possíveis perspectivas que o avaliador, tanto professor quanto fonoaudiólogo, pode ter diante de tais classificações, as quais podem ser definidoras de possíveis intervenções pedagógicas ou fonoaudiológica. Método: Foram utilizadas amostras de escrita da pesquisa “A construção da escrita no nível da frase nos anos iniciais do ensino fundamental” por meio do ditado “4 palavras e 1 frase”, de acordo com tema proposto. As amostras de escrita foram analisadas conforme os dois modelos, com os resultados organizados em quadro comparativo e discutidos conforme literatura. Resultados: As amostras foram classificadas conforme os níveis pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético; e as fases pré-alfabética, parcialmente alfabética, plenamente alfabética e alfabética consolidada. Observa-se que as escritas de crianças classificadas como pré-silábicas ou silábicas demarcam grafemas principalmente os fonemas iniciais e vocálicos, com letras fonologicamente apropriadas. Estes são os fonemas que elas conseguem identificar na fala, visto que geralmente aprendem o nome das letras e não seus fonemas correspondentes. Escritas silábico-alfabéticas e alfabéticas não apresentam domínio total do sistema alfabético, embora este seja o nível final de evolução da teoria. Já na fase final do paradigma fonológico de leitura e escrita proposto por Ehri, há também a consciência sobre outras possibilidades de representação gráfica para cada fonema, para além de relações únicas entre fonemas e grafemas, com a presença do domínio das convenções ortográficas. Conclusão: Não há correspondência direta entre os níveis e fases das teorias, pois ambas apresentam diferentes perspectivas de análise. Conclui-se que a proposta de Ehri é mais adequada para se observar o processo de apropriação do sistema alfabético durante o processo de alfabetização. Escritas pré-silábicas podem ser classificadas como parcialmente alfabéticas se já apresentam alguma relação grafêmica; a existência do nível silábico proposto por Ferreiro e Teberosky passa a ser questionada e a diferenciação entre o nível alfabético e a fase alfabética consolidada torna-se importante na análise para o avanço das habilidades de leitura e de escrita da criança, interferindo em fases linguísticas posteriores, como a escrita de frases e textos.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE ALFABETIZAÇÃO. PNA Política Nacional de Alfabetização/Secretaria de Alfabetização. Brasília: MEC, SEALF, 2019. 54 p.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
267
ANÁLISE DA ESCRITA MANUAL DE ESCOLARES DO ENSINO FUNDAMENTAL: ELABORAÇÃO DE UM TESTE DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL
Tese
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Este estudo teve como objetivo principal elaborar um Teste de Proficiência da Escrita Manual (TPEM) para escolares do ensino fundamental, com idade entre 9 a 14 anos, que avalia três áreas: legibilidade e velocidade da escrita manual, função motora fina e habilidade percepto-viso-motora. Para tanto, apresentou-se na forma de dois estudos, ambos com parecer aprovado pelo Comitê de ética em Pesquisa (Número 1.503.512). O Estudo 1 teve como objetivo a elaboração do teste. Como método foi feito levantamento bibliográfico para verificar como são feitas atualmente a avaliação da escrita manual, das habilidades percepto-viso-motoras e da função motora fina. A partir de então, foi elaborado o procedimento e realizado o estudo piloto. Como resultado do estudo 01 apresentou-se 13 tarefas divididas em três baterias, sendo cinco tarefas que envolveram a avaliação da legibilidade e velocidade da escrita manual para a bateria da avaliação da escrita manual (BAT-EM), cinco tarefas para a bateria de função motora fina (BAT-FMF) e três tarefas para a bateria percepto-viso-motora (BAT-PVM). O estudo piloto mostrou-se de fácil aplicabilidade e boa compreensão por parte dos escolares, gerando pequenas modificações para a versão final. Após a conclusão da elaboração do teste, deu-se início ao estudo 02, o qual teve como objetivo caracterizar o perfil e comparar o desempenho dos escolares do ensino fundamental I e II no TPEM e, ainda, verificar se há relação entre as três baterias do TPEM. Participaram do estudo 02, 210 escolares, matriculados do 3º ao 9º ano do Ensino Fundamental, com faixa etária entre 09 anos a 14 anos e 11 meses, de ambos os gêneros, os quais foram divididos em 6 grupos por idade (38 escolares de 9 anos, 44 escolares de 10 anos, 40 escolares de 11 anos, 39 escolares de 12 anos, 24 escolares de 13 anos e 25 escolares de 14 anos). A aplicação do TPEM se deu em grupo para a BAT-EM (exceto a tarefa 01, pois foi coletada individualmente) e para a BAT-PVM, utilizando 50 minutos para cada uma das baterias, já a BAT-FMF foi realizada individualmente, não ultrapassando o total de 15 minutos, totalizando 115 minutos para aplicação total do teste. As amostras de escritas foram analisadas quanto a legibilidade e a velocidade de escrita e o desempenho das tarefas da BAT-PVM e da BAT-FVM foram analisados, em sua grande maioria, por escalas likert. Os resultados foram analisados estatisticamente e evidenciado diferença entre os escolares de 9 e 10 anos de idade quando comparados com os demais grupos, em quase todas as análises realizadas. Foi possível ainda encontrar relações entre a BAT-PVM e a BAT-FMF e as tarefas de escritas. Os resultados apontam que o teste elaborado pode ser eficaz para avaliar e caracterizar escrita manual, a habilidade percepto-viso-motora e a função motora fina dos escolares deste estudo, indicando que o mesmo possa vir a ser um instrumento de auxílio tanto para professores quanto para profissionais clínicos que atuem na área da educação.
Palavras-chaves: Avaliação. Escrita Manual. Fonoaudiologia.
Apoio financeiro: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1715
ANÁLISE DA ESCRITA ORTOGRÁFICA DE CRIANÇAS COM DEA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO
Recentemente, os pesquisadores Cidrim e Madeiro demonstraram que o conhecimento do processamento ortográfico se refere à compreensão de como as letras se combinam para formar palavras. A exposição repetida, a aquisição da consciência fonológica e o conhecimento das regras ortográficas são essenciais para a aquisição desse conhecimento. A literatura descreve que, à medida que as crianças entendem mais profundamente as características do sistema ortográfico, elas superam progressivamente os erros. A persistência de erros pode ser indicador de distúrbios de aprendizagem ou de alguma comorbidade. É comum o relato de crianças com Distúrbios do Espectro do Autismo (DEA) com habilidades de alfabetização precoce. As habilidades de decodificação e a fluência da leitura podem estar nos níveis previstos para a idade ou acima deles, enquanto a leitura e a escrita com compreensão são significativamente atrasadas.

OBJETIVO
O objetivo do presente estudo foi analisar a progressão do desenvolvimento do processamento ortográfico em crianças com DEA.

MÉTODO
A amostra do estudo foi composta por 12 crianças diagnosticadas com DEA e que receberam terapia fonoaudiológica semanalmente em um serviço especializado. Dentre os pacientes deste serviço, foram incluídos como sujeitos da pesquisa aqueles que frequentavam o primeiro ou o segundo grau do ensino fundamental, possuíam o diagnóstico fechado nos DEA e realizavam terapia fonoaudiológica no serviço que foi realizada a pesquisa.
Foi aplicado o Teste de Desempenho Escolar (TDE), instrumento que avalia as habilidades fundamentais para o desempenho escolar direcionadas às 1ª a 6ª séries do Ensino Fundamental I e II, nos sujeitos incluídos na pesquisa. A coleta de dados foi realizada individualmente em uma sala silenciosa. A criança foi instruída a escrever em um papel os 34 estímulos ditados pelo examinador. O número de respostas corretas e o número de erros foram considerados para a análise de dados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Vale e Sousa argumentam que o desenvolvimento da escrita depende da fonologia, morfossintaxe e semântica. O fato de crianças com DEA frequentemente apresentarem tais habilidades alteradas, pode ser um elemento importante para entender a instabilidade da formação do processador fonológico nessa população.
Justi e Justi relataram que, as crianças do 1º ao 4º ano apresentaram mais erros em palavras com sílabas iniciais do tipo CV do que naquelas com sílabas iniciais do tipo CVC. Neste estudo, os resultados encontrados foram diferentes, uma vez que os estímulos com maior taxa de acertos foram os que se apresentaram estrutura CV.
Também foi observado que, para todos os participantes, foram encontrados erros de acentuação. No estudo de Cidrim e Madeiro, com crianças com dislexia, também foram encontrados os mesmos erros. Isso sugere que a dificuldade em se apropriar do sistema de acentuação do português brasileiro não é exclusiva das crianças com DEA.

CONCLUSÃO
Os dados encontrados sugerem que os erros ortográficos não são progressivamente superados de acordo com a aprovação escolar para crianças com DEA. Não foi possível encontrar uma correlação entre as variáveis: idade e desempenho na TDE ou desempenho escolar na TDE.





Cidrim, L.; Madeiro, F.. (2019). Studies on spelling in the context of dyslexia: a literature review. Rev. CEFAC. 2017 Nov-Dez; 19(6):842-854.

Vale, A. P.; Sousa, O. CONHECIMENTO ORTOGRÁFICO E ESCRITA. Invest. Práticas, Lisboa , v. 7, n. 3, p. 3-8, set. 2017 .

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1464
ANÁLISE DA EXPECTATIVA DOS PAIS DE CRIANÇAS USUÁRIAS DE IMPLANTE COCLEAR DE UM SERVIÇO PÚBLICO: IMPACTO NA REABILITAÇÃO.
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


ANÁLISE DA EXPECTATIVA DOS PAIS DE CRIANÇAS USUÁRIAS DE IMPLANTE COCLEAR DE UM SERVIÇO PÚBLICO: IMPACTO NA REABILITAÇÃO.


Introdução

Segundo a Organização Mundial de Saúde nos últimos anos a incidência de deficiências auditivas na população tem aumentado significativamente e, a população infantil é uma delas(1). Considerando a existência de Políticas Públicas para a Saúde Auditiva e a Rede de cuidados à pessoa com deficiência auditiva, a avaliação e monitoramento do processo de intervenção nesse segmento populacional torna-se essencial, com objetivo de atender por meio de um planejamento terapêutico adequado e assertivo necessidades do paciente, ajustando o planejamento durante o processo de reabilitação bem como as expectativas da família e do próprio paciente(2). Recentemente, nota-se a influência de outros fatores neste processo de reabilitação, tais como a aderência no processo terapêutico, nível sócio cultural dos responsáveis e a expectativa dos mesmos em relação à intervenção(3). Nesta perspectiva, este estudo teve como objetivo analisar, por meio das respostas dos pais e/ou responsáveis, a um questionário denominado “Crianças com Implante Coclear: perspectiva dos pais”(4), a visão dos mesmos em relação às suas experiências e opiniões sobre diversos aspectos da qualidade de vida da criança e sua família após o implante coclear. Tem-se como hipótese de que pais com expectativas mais reais tenham ações mais efetivas no processo de reabilitação de seus filhos, contribuindo para o sucesso no processo de intervenção da criança.

Objetivo

Analisar as expectativas dos pais de crianças usuárias de Implante Coclear por meio do questionário “Crianças com implante coclear: perspectivas dos pais” e, verificar as variáveis que podem colaborar com o sucesso da intervenção.

Métodos

Projeto aprovado pelo comitê de ética, no CAAE 14791519.3.0000.5440. Trata-se de um estudo observacional em corte transversal, totalizando 20 pais ou responsáveis de crianças usuárias de implante coclear há no mínimo 1 ano.
Após aceite, foi encaminhado por e-mail o questionário “Crianças com implante coclear: perspectivas dos pais”, traduzido e adaptado para o Português Brasileiro, editado em Formulário Google. Esta forma de aplicação foi adaptada devido a pandemia do Covid-19.
Este instrumento é composto por 74 questões e permite a quantificação da perspectiva dos pais em subescalas (Comunicação, Funcionalidade, Autonomia, Bem-estar, Social, Educação, Efeitos do implante coclear e Suporte), que procura retratar a situação da criança e da família. Cada pergunta apresenta cinco opções de respostas pontuadas de um a cinco.

Resultados parciais

Até o momento, 12 dos 20 participantes responderam ao questionário. Em relação às respostas, a subescala Funcionalidade foi a que apresentou maior média de pontuação, seguidas das Suporte, Social, Educação e Efeitos do IC e a pior foi Autonomia.
Ao final da coleta, será realizado por meio de estudo estatístico, a correlação entre as subescalas de comunicação com todas as demais.

Conclusão Parcial

Até o momento, observa-se uma tendência que os pais ou responsáveis apresentam boas expectativas em relação à funcionalidade, independência e participação social da criança após a cirurgia de IC, sendo este questionário uma ferramenta útil para a equipe do programa de saúde auditiva e para o uso na prática clínica.

Referências

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1683
ANÁLISE DA FLUÊNCIA VERBAL LIVRE NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma alteração do neurodesenvolvimento que acarreta prejuízos nas habilidades comunicativas, na interação social e no comportamento1. Indivíduos com TEA podem apresentar alterações específicas nas funções executivas, responsável por diversos processos como controle inibitório, planejamento, flexibilidade cognitiva, memória de trabalho e fluência verbal2. A fluência verbal (FV) consiste na capacidade de gerar um maior número de palavras possíveis em um tempo determinado4. Testes de FV avaliam como esses sujeitos organizam os pensamentos e se relaciona com o acesso e velocidade de produção lexical3. Objetivo: Analisar o desempenho da fluência verbal de dois pacientes com Transtorno do Espectro Autista. Metodologia: O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética da Instituição de origem, sob o registro 3.520.561. Caracteriza-se como um estudo de caso, de natureza descritiva, observacional e qualitativa. Os pacientes eram do sexo masculino, em que o paciente “A1” tinha 11 anos e TEA de nível 1, com queixa de interação social sem prejuízo linguístico. Já o paciente “A2” tinha 13 anos, com TEA de nível 2 e com prejuízos morfossintáticos e na interação social. Os pacientes foram submetidos a avaliação das dimensões da linguagem e, para este estudo, foi realizado o teste de fluência verbal livre. Nesse teste, os participantes foram instruídos a falar palavras, por dois minutos e meio, sem dizer nomes próprios e nem números. Posteriormente foi avaliada a quantidade de palavras ditas nos seguintes intervalos de tempo: de 0-30 segundos, 30-60 segundos, 60-90 segundos, 90-120 segundos e 120-150 segundos. Resultados: No que se refere aos achados da FV dos dois participantes, observou- se que o paciente “A1” evocou durante 30 segundos 17 palavras, de 30-60 segundos lembrou-se de 11 palavras, 60-90 segundos disse o nome de 6 palavras, de 90-120 segundos evocou 15 palavras e de 120-150 segundos foram faladas 5 palavras, totalizando 54 palavras evocadas no total. Foi possível observar que depois dos primeiros 30 segundos o participante começou a diminuir o número de evocação de palavras, também foi possível analisar que ele evocava as palavras por categoria semântica, como se uma palavra o fizesse lembrar de outras que deveriam ser evocadas. Já o paciente “A2”, durante 30 segundos evocou 6 palavras, de 30-60 segundos lembrou-se de 5 palavras, 60-90 segundos disse o nome de 6 palavras, de 90-120 segundos evocou 4 palavras e de 120-150 segundos foram faladas 5 palavras, totalizando 26 palavras evocadas no total. Foi possível analisar uma constância de quantidade de palavras faladas durante o intervalo de tempo, além disso, numa análise qualitativa foi possível observar que o paciente “A2” obteve alguns erros, falando frases ao invés de evocar palavras e obteve uma velocidade de evocação lenta, pois a cada 30 segundos o mesmo só evocava no máximo 6 a 5 palavras. Conclusão: A avaliação da FV no TEA é pertinente devido a capacidade de análise do armazenamento e recuperação da informação guardadas no léxico. Verificou-se que há impactos da gravidade do TEA e do prejuízo linguístico na habilidade de evocação lexical.


1. APA: American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders fifth edition (DSM-V). Arlington: American Psychiatric Association; 2013.
2. Czermainksi FR, Bosa CA, Salles JF. Funções Executivas em Crianças e Adolescentes com Transtorno do Espectro Autismo: Uma Revisão. Psico. 2013 dez; 44(4):518-525
3. Moura O, Mário RS, Pereira M. Fluência verbal semântica e fonêmica em crianças: funções cognitivas e análise temporal. Avali. Psi. 2013; 12(2):167-177.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2049
ANÁLISE DA LEGIBILIDADE DO MATERIAL INSTRUTIVO DE UM WEBSITE DE TREINAMENTO DAS HABILIDADES AUDITIVAS DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A qualidade dos textos utilizados em websites tem sido estudada tendo em vista a capacidade e a velocidade de alcance das informações online à uma variedade de público com diferentes idades, níveis socioeconômicos e escolaridade. A compreensão adequada das informações/orientações presentes em websites da área da saúde envolvem a seleção e o emprego adequado de palavras, expressões técnicas e seus significados. Ademais, a estruturação dos textos, favorece o acompanhamento da leitura e a internalização dos conteúdos. A mensuração dos índices de legibilidade são utilizadas para avaliar o nível de escolaridade compatível com as estruturas dos textos e identificar o público alvo alcançado. Objetivo: Analisar o grau de legibilidade do material instrutivo de um website de treinamento das habilidades auditivas de crianças com deficiência auditiva. Método: Trata-se de um recorte da tese de doutorado sobre o desenvolvimento de um website como ferramenta de apoio aos pais no treinamento das habilidades auditivas de crianças com deficiência auditiva, CAAE: 02778818.9.0000.5417. O material selecionado para a análise corresponde as seções da interface externa do website divididas em: Página Inicial, Treinamento auditivo, Quem somos, Fale conosco, Cadastrar e Treinar, além do conteúdo de acesso restrito: Instruções e Dúvidas frequentes. Os textos das referidas seções foram inseridos na ferramenta de verificação de ortografia e gramática do Microsoft Office Word e submetidos à análise de legibilidade por meio do Teste de Facilidade de Leitura Flesch, em dois momentos, antes e após a readequação vocabular. Este teste avalia o grau de facilidade de leitura de textos em uma escala percentual de 0 a 100, sendo 0 considerado uma leitura muito difícil e 100 muito fácil. O teste indica que para arquivos com nível de leitura padrão a pontuação esteja entre 60 e 70 pontos. A fórmula relativa ao cálculo inclui o tamanho das sentenças e o número de sílabas. Resultados: Os resultados encontrados na primeira análise textual identificaram um grau de legibilidade com média do índice Flesh de 46% representando um grau de legibilidade “difícil”, compatível à níveis de escolaridade aproximada à médio superior. Após a readequação vocabular a média verificada foi de 52%, classificando o texto como razoavelmente difícil, nível de leitura próximo à habilidades de leitores do ensino médio. Conclusão: Após a readequação vocabular houve melhora significativa nos níveis de legibilidade, contudo, não foi possível atingir a média padrão esperada para o teste. Tal resultado pode ser justificado pela utilização indispensável de alguns termos técnicos da área saúde, bem como, a estruturação do website em formato de tópicos e seções. Isso demonstra que, principalmente em avaliações de websites, os dados de legibilidade obtidos por meio da média Flesh devem ser analisados com cautela, e em conjunto com outras ferramentas de avaliação, uma vez que o referido teste considera somente o cálculo de sentenças e palavras de forma isolada, e dissociadas de seu conteúdo. Em casos onde a readequação vocabular não é possível, recursos e estratégias textuais e visuais podem ser incorporadas a fim de garantir o entendimento e a compreensão do público alvo.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1662
ANÁLISE DA MORFOSSINTAXE NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma alteração do neurodesenvolvimento que pode provocar prejuízos na interação, linguagem e comportamento1. Na linguagem dessa população, há evidências de atrasos na aquisição das primeiras palavras, alteração nas habilidades comunicativas, ecolalia, prosódia anormal, rigidez de significados, entre outros2. As pesquisas da área de linguagem costumam investigar a pragmática, fonologia e semântica3-4. Enquanto poucos estudos buscam verificar as alterações morfossintáticas da pessoa com TEA. Objetivo: Verificar a morfossintaxe de uma criança com Transtorno do Espectro Autista. Metodologia: O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética da Instituição em que foi desenvolvido, sob o registro 3.520.561. Caracteriza-se como um estudo de caso de natureza descritiva, observacional e qualitativa. Um paciente de 11 anos do sexo masculino com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista de nível 1, em que o pai apresentou como queixa a dificuldade em se comunicar, relatando que a criança raramente iniciava diálogos. Para avaliação da morfossintaxe oral foi utilizado o livro “Frog where are you?” e a criança foi instruída a criar uma história de acordo com as imagens que eram expostas no livro. Foi realizada a gravação de todo o momento para posterior análise do desempenho da morfossintaxe, através da averiguação da organização temporal e da presença de elementos que contribuem para a coesão e coerência do discurso. Resultados: A partir da análise da produção do que foi proposto, a criança elaborou um discurso descritivo, com enunciados curtos e pouca estruturação sintática (uso reduzido de pronomes e preposições), utilizando corretamente o tempo verbal, sem organização temporal. Além disso, apresentou pouca coesão referencial, ou seja, não utilizando recursos para referenciar algo que já foi dito ou que ainda seria expresso no seu discurso. Também apresentou elementos conectivos em que apenas unia elementos de uma frase, mas não os utilizava para formar períodos compostos, como também, ao criar a história a criança não aplicou os princípios de coesão e coerência. Conclusão: Sendo assim, a partir da avaliação desse nível da linguagem, foram identificadas alterações morfossintáticas no discurso da criança com TEA e isso influencia em suas relações sociais, escolares, familiares e, consequentemente, em sua qualidade de vida. Sendo válido ressaltar que tal achado não é regra, pois o desempenho pode variar de acordo o grau do TEA, idade da criança e estimulação familiar e fonoaudiológica ao longo da vida. Desse modo, a atuação fonoaudiológica é importante no processo terapêutico das pessoas com TEA, pois o fonoaudiólogo irá atuar em todos os níveis linguísticos que apresentarem alterações, inclusive na morfossintaxe, proporcionando uma melhor experiência comunicativa para esses sujeitos. Além disso, é interessante que sejam realizados mais estudos que investiguem a morfossintaxe da pessoa com TEA.

1. APA: American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders fifth edition (DSM-V). Arlington: American Psychiatric Association; 2013.
2. Gadia A, Tuchman R, Rotta NT. Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. J. Pediatr. Rio de Janeiro. 2004 Abr; 80(2): 83-94.
3. Rescorla L, Safyer P. Lexical composition in children with autism spectrum disorder (ASD). Journal of Child Language. 2013; 40(1): 47–68.
4. Adams C, Baxendale B, Lloyd J, Aldred C. Pragmatic language impairment: case studies of social and pragmatic language therapy. Child Lang Teach Ther. 2005;21(3):227-50.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
875
ANÁLISE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE ADESÃO AO TRATAMENTO VOCAL: UMA REVISÃO BIBLIOMÉTRICA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A adesão é um processo dinâmico, influenciado por uma série de fatores que predispõem ou não à continuidade do tratamento¹. A produção científica sobre o processo de adesão à terapia vocal tomou uma maior proporção ao longo do tempo, pois deve ser uma das estratégias a serem trabalhadas em terapia na área de voz²-³. Assim, a revisão bibliométrica apresenta-se como uma relevante alternativa de estudo para a obtenção de indicadores de avaliação da produção científica que possam revelar um panorama da pesquisa atual. Objetivo: Analisar o perfil da produção científica sobre a adesão à terapia vocal. Método: Trata-se de uma pesquisa de análise bibliométrica, de tipo descritiva, a partir dos periódicos nacionais e internacionais, sem filtro de período de tempo, indexados nas bases de dados LILACS; SciELO e PubMed. Foram coletadas as seguintes variáveis para categorização geral da produção científica: (a) identificação da publicação (b) identificação do periódico (c) autoria (d) ano de publicação, (e) tipo de estudo e (f) características bibliométricas: abordagem, desenho de estudo, número da amostra total de cada estudo, tipos de análise, testes estatísticos e software utilizados. verificou-se também o método estatístico utilizado (descritivo, inferencial, testes realizados e software estatístico). Os dados foram analisados sob a ótima de comparação entre periódicos nacionais e internacionais de acordo com sua distribuição absoluta e relativa. Resultados: Foram identificados 13.555 artigos nas bases de dados, desses, 13.508 foram excluídos a partir da leitura de títulos e resumos por não cumprirem os critérios de elegibilidade. Ao final foram selecionados 22 artigos para leitura final do texto completo e análise bibliométrica. Os estudos foram encontrados predominantemente em periódicos internacionais, compreendidos entre os anos de 2008 a 2018. Os Estados Unidos se destacaram com o maior número de manuscritos e em relação ao Brasil, o Sudeste liderou em número de publicações neste país. Os estudos coorte e de abordagem quantitativa foram mais frequentes sobre o tema, além da maioria apresentar amostra com mais de 120 participante. As análises foram majoritariamente descritiva e inferencial, com uso predominante de mais de um teste estatístico e o software estatístico com maior utilização entre os estudos foi o SPSS. Conclusão: As publicações sobre adesão na terapia vocal têm crescido principalmente na última década. A maior parte dos estudos foi encontrada em periódicos internacionais, tipo de estudo predominante foi o coorte e de abordagem predominantemente quantitativa. A produção científica sobre o tema revela maior produção de manuscritos na área da Fonoaudiologia.

1. Silveira, L.M.C.; Ribeiro, V.M.B. Grupo de adesão ao tratamento: espaço de “ensinagem” para profissionais de saúde e pacientes. Interface – Comunic., Saúde, Educ., v. 9, n. 16, p. 91-104, 2004.

2. Portone, C.; Johns, M. M.; Hapner, E. R. A review of patient adherence to the recommendation for voice therapy. J Voice, v. 22, n. 2, p. 192-6, 2008.

3. Almeida, L. D.; Santos, L. R.; Bassi, I. B.; Teixeira, L. C.; Gama, A. C. C. Relationship between adherence to speech therapy in patients with dysphonia and quality of life. J Voice, v. 27, n. 5, p 617-621, 2013.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2036
ANÁLISE DA QUALIDADE DE VIDA DE ADULTOS DEFICIENTES AUDITIVOS PÓS-LINGUAIS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou em 2012 um estudo que estima que cerca de 350 milhões de pessoas no mundo apresentam perda auditiva. Ainda de acordo com os estudos, o déficit sensorial é o mais frequente na população 1.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2 aponta que do ano de 2000, cerca de 3.37% da população brasileira já apresentavam algum grau de perda auditiva. Entre os brasileiros na faixa etária de 15 e 64 anos, 3.240.263 (2,95%) apresentavam deficiência auditiva, enquanto que aqueles com mais de 65 anos totalizavam 2.088.247 (21%) 2. A perda auditiva pode acometer o indivíduo ainda durante a vida adulta, por meio de inflamações (virais, bacterianas, autoimune e alérgicas), fatores vasculares, afecções neurológicas degenerativas, ototoxidade, tumores e traumas10. Em pesquisas mais recentes dados do censo de 2010 aponta que 9.8 milhões de pessoas no Brasil possuem deficiência auditiva, o que representa cerca de 5,1% da população de 190.732.694 brasileiros. De acordo com a literatura a deficiência auditiva afeta diretamente a rotina dos indivíduos podendo causar prejuízos na qualidade de vida. De acordo com OMS a qualidade de vida e a forma com que o indivíduo se percebe dentro do contexto em que vive, apresentando alterações referentes ao seu propósito de vida. Sendo um tema que abrange diferentes domínios podendo ter como consequência diferentes reveses, despertou o interesse por estuda-lo nesta amostra. Diante do exposto, este estudo buscou investigar as confluências da perda auditiva e a qualidade de vida destes indivíduos, além de caracterizar e compreender os aspectos e domínios mais afetados.
Objetivo: Caracterizar o perfil audiológico e a relação deste com a qualidade de vida dos indivíduos adultos deficientes auditivos pós lingual. Métodos: Para identificação das perdas auditivas foi utilizado um questionário elaborado pelos pesquisadores e para a caracterização da qualidade de vida foi utilizado o Protocolo Whoqol-Bref Versão em português. Para as análises estatísticas foram aplicados os testes t, ANOVA, Whittney e Kruskal-Wallis e Shapiro-Wilk a um nível de significância de 5%. Resultados: Participaram desta pesquisa 30 indivíduos. Destes 18 (60%) apresentam perda auditiva do tipo leve/moderado, 07 (23,3%) apresentaram perda auditiva do tipo moderado/severo e 05 (16,7%) severo/profundo. As análises estatísticas apontaram que houve diferença estatisticamente significantes no cruzamento do domínio “Relações Sociais” do Whoqol com o “Grau da perda auditiva na Orelha Esquerda”. Indicando que o grupo de indivíduos com “Grau Leve/Moderado” são os que obtiveram menores valores no Domínio Relações Sociais. Não foram encontradas diferenças estatísticas entre as outras variáveis. Conclusão: Conclui-se que a perda auditiva pós lingual impacta negativamente a qualidade de vida do indivíduo, tendo este o domínio de relação social prejudicado pela condição auditiva.

1. Levy CCA da C. Manual de audiologia pediátrica. 2015. 15–28 p.
2. Cardoso DO,Yudi Ikino CM, Philippi Junior A, Cardoso DS, Susane Birck M, Fontoura Freitas P, et al. Perfil dos Pacientes do Programa de Saúde Auditiva do Estado de Santa Catarina Atendidos no HU-UFSC Profile of Patients of the Auditory Health of the State of Santa Catarina Served at HU-UFSC. Arch Otorhinolaryngol. 2011;15(1):59–66.
3. Lacerda ABM, Bevilacqual MC, Martinez MAN de S, Balen SA, Pupo AC. Tratado e audiologia. 2011. 552 p. Cap. 33.
4. Silman S. Próteses auditivas: um estudo sobre seu benefício na qualidade de vida de indivíduos portadores de perda auditiva neurossensorial. Distúrbios da Comun ISSN 2176-2724. 2004;16(2):153–65.
5. Fiho OL, Campiotto AR, Levy CCA da C, Redondo M do C. Novo tratado de fonoaudiologia. 2013. 456 p.
6. Oliveira PS, Penna LM, Lemos SMA. Desenvolvimento da linguagem e deficiência auditiva: revisão de literatura TT - Language development and hearing impairment: literature review. Rev CEFAC [Internet]. 2015;17(6):2044–55. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462015000802044
7. Chiari BM. Distúrbios de linguagem associados à surdez. 2013;23(1):41–5.
8. Andriguetto C, Moretti M, Ribas A. Desenvolvimento de linguagem e sua relação com a perda auditiva.
9. Albernaz PLM. Evolução de um sistema sensorial. In: Revinter, editor. Otologia e Audiologia em Pediatria. Rio de Janeiro; 1999. p. 160–2.
10. Francelin MS, Motti TFG, Morita I. As implicações sociais da deficiência auditiva adquirida em adultos. 2010;19:1.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2050
ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE OS CICLOS MASTIGATÓRIOS E A SACIEDADE ALIMENTAR
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A mastigação corresponde a uma das principais funções estomatognáticas e tem como objetivo preparar o alimento para deglutição e digestão. O sistema mastigatório é formado por músculos, dentes, ossos (maxila e mandíbula), articulação temporomandibular, glândulas salivares, vascularização e inervação destes elementos1,2. O processo da mastigação pode ser dividido em quatro etapas: a incisão, a fase de preparação, a fase de trituração e a fase de pulverização. Nesta última fase, o alimento é transformado em partículas ainda menores e encaminhado para deglutição. É importante salientar que a saliva é secretada em todas essas fases tendo papel direto na formação do bolo alimentar3. A literatura também classifica o padrão mastigatório quanto a lateralidade, apontando a possibilidade desta ser unilateral, bilateral simultânea ou bilateral alternada. Esta última é considerada a mais adequada, pois neste padrão há distribuição uniforme dos alimentos na cavidade oral garantindo a harmonia das estruturas envolvidas4-6. Diante da complexidade e importância dessa função estomatognática, observa-se na literatura protocolos que contemplam a sua avaliação na clínica fonoaudiológica. A relação entre o número de ciclos mastigatório e a saciedade ainda é pouco estudada1. Objetivo: Analisar a relação entre os ciclos mastigatórios e a sensação de saciedade em indivíduos com Índice de Massa Corporal (IMC) normal e com sobrepeso. Métodos: Para este estudo foram recrutados dois grupos, o grupo 1 composto de 15 indivíduos de ambos os sexos, cujo IMC é classificado como obesidade grau I e o grupo 2 composto também por 15 indivíduos cujo IMC é classificado como normal, totalizando 30 indivíduos. Cada grupo foi avaliado quanto aos ciclos mastigatórios. Para avaliação foi utilizado anamnese e Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial (MBGR) seção de mastigação e dor à palpação, a amostra foi abordada na Clínica de Nutrição e na Clínica de Fonoaudiologia da XX. Os participantes receberam um pão de sal e foram orientados a comê-lo e quando se sentissem saciados que informassem o pesquisador. O tempo entre a incisão e o informe da saciedade foi medido por um cronômetro. Os dados coletados foram analisados pelos testes MANOVA, ANOVA, Tukey, Bartlett e Shapiro-Wilk, com nível de significância de 5%.
Resultados: O grupo 1 apresentou maior média de número de ciclos mastigatórios do que o grupo 2, assim como a média de tempo de saciedade para a velocidade diminuída foi maior do que da velocidade adequada/aumentada. Conclusão: O número de ciclos mastigatórios associados a velocidade mastigatória diminuída favorece a sensação de saciedade.

1. Apolinario R, Moares R, Motta A. Mastigação e dietas alimentares para redução de peso. CEFAC. 2008;10(2):191-199.
2. Monteiro PM, Carneiro FP, Felipe NAP, Motta AR. Mastigação e dispepsia funcional: um novo campo de atuação. CEFAC. 2005;7(3):340-347.
3. Whitaker M. Função mastigatória: Proposta de protocolo de avaliação clínica da função mastigatória. CEFAC. 2009;11(3):311-323.
4. Oncins M, Freire R, Marchesan I. Mastigação: análise pela eletromiografia e eletrognatografia. Seu uso na clínica fonoaudiológica. Distúrbios da Comunicação. 2012;18(2):155-165.
5. Pizzol KEDC. Influência da mastigação unilateral no desenvolvimento da assimetria facial. Rev. Brasileira Multidisciplinar. 2004;8(2).
6. Neto GP, Bérzin F, Rontani RMP. Identificação do lado de preferência mastigatória através de exame eletromiográfico comparado ao visual. Rev. Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial. 2004;9(4): 77-85.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
921
ANÁLISE DA TENDÊNCIA TEMPORAL DE PREVALÊNCIA DA PAIR EM TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA METALÚRGICA (2003 - 2018)
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Considerando a magnitude da perda auditiva induzida por ruído (PAIR)¹ no meio industrial e a carência de estudos longitudinais², emerge a necessidade de avaliar ao longo do tempo a prevalência de casos sugestivos de PAIR em empresa com Programa de Conservação Auditiva (PCA). Objetivo: Analisar a tendência temporal de prevalência de casos sugestivos de PAIR em uma indústria metalúrgica. Método: Trata-se de um estudo de série temporal³. A pesquisa foi desenvolvida numa metalúrgica do estado de Pernambuco, cujo período de referência para análise foi de 2003 a 2018. A população estudada foi de 152 trabalhadores inseridos no PCA da empresa, sendo incluídos trabalhadores com tempo de admissão mínimo de 15 anos e com registro de audiometria no último ano da série temporal. Foram excluídos trabalhadores com um número de registros de audiometrias inferior a oito e trabalhadores com história de exposição laboral a produtos químicos ototóxicos e/ou vibração de corpo inteiro em algum momento do período estudado, independentemente de o nível de exposição estar ou não acima do limite de tolerância regulamentar. A coleta foi realizada a partir da base de dados eletrônica do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho da empresa, com dados extraídos por matrícula, garantindo o anonimato do trabalhador. Foram avaliados 2.350 registros audiométricos. Para avaliação dos registros audiométricos foram adotados os critérios de interpretação e classificação da Portaria 19/1998 (NR7)¹ e de Leite (1996)⁴. A análise das tendências temporais foi realizada através do modelo de regressão Joinpoint ⁵. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer número 3.824.458. Resultados: No período estudado, a prevalência de exposição a níveis de ruído iguais ou maiores a 85dB (A) apresentou uma tendência decrescente discreta, com average annual percent change (AAPC) de -1,7% (com significância). A prevalência de casos sugestivos de PAIR foi de 11,8% no início da série e de 18,4% no final, e apresentou tendência temporal crescente, com AAPC de 3,5% (com significância). Todos os casos sugestivos de PAIR se mantiveram em grau I. Conclusão: Os resultados sugerem um ambiente laboral com risco de PAIR minimizado, com controle da evolução natural da PAIR no período estudado.

1. Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (Brasil). Portaria nº 19, de 09 de abril de 1998. Estabelece as diretrizes e parâmetros mínimos para avaliação e acompanhamento da audição em trabalhadores expostos a níveis de pressão sonora elevados. Diário Oficial da União 22 abr 1998; Seção 1.
2. Lie A, Skogstad M, Johannessen HA, Tynes T, Mehlum IS, Nordby K-C, et al. Occupational noise exposure and hearing: a systematic review. Int Arch of Occup and Environ Health. 2016; 89(3): 351–72. DOI: 10.1007/s00420-015-1083-5
3. Rouquayrol MZ, Almeida Filho N. Epidemiologia & Saúde. 3. ed. Rio de Janeiro: E. Medsi; 2003.
4. Leite JCB. Classificação em graus das lesões auditivas por exposição a nível de pressão sonora elevada. In: Souto DF, Leite JCB, Ferreira NS. Surdez Ocupacional: Critérios para avaliação pericial das perdas auditivas por exposição a nível de pressão sonora elevada do ruído. [Evento promovido pela Associação Brasileira de Medicina do Trabalho; 1996 ago; Rio de Janeiro, Brasil].
5. Pereira TM, Silva LMS, Dias MSA, Monteiro LD, Silva MRF, Alencar OM. Temporal trend of leprosy in a region of high endemicity in the Brasilian Northeast. Rev Bras Enferm. 2019; 72(5):1356-62. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0682


TRABALHOS CIENTÍFICOS
953
ANÁLISE DA VOCALIZAÇÃO NO PARADIGMA EXPERIMENTAL FACE-TO-FACE STILL-FACE
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A interação mãe-bebê é responsável por promover o desenvolvimento infantil, e é por meio dessas interações, que ocorrem desde os primeiros dias de vida, que o bebê se comunica e percebe o estado das outras pessoas(1-3). As formas de comunicação/vocalizações verbais ou não verbais também são interpretadas pela mãe como um sinal de que o bebê deseja comunicar algo(4). As vocalizações, por mais rudimentares que sejam, transmitem alguma necessidade ou estado emocional do bebê, e são interpretadas pelas mães(3-5). A qualidade da interação mãe-bebê é considerada um importante mediador para o desenvolvimento infantil, particularmente no que se referem à comunicação, socialização e cognição(4,5). Objetivo: Analisar os padrões de vocalização, por meio da análise microanalítica obtidas pela aplicação do paradigma experimental Face-to-Face Still-Face, com díades mãe-bebê aos três meses de vida. Metodologia: Cumpriram-se os princípios éticos (CAAE 10285819.9.0000.5417). Estudo retrospectivo de corte transversal. Foram analisadas de 27 filmagens de díades mãe-bebê, durante o paradigma experimental Face-to-Face Still-Face(6). Câmeras foram posicionadas e focavam as faces da mãe e do bebê. As imagens obtidas foram sincronizadas e editadas no programa Adobe Premiere ProCS(6). O paradigma inclui três episódios sucessivos de três minutos, divididos da seguinte forma: Ep.1º Play/Jogo: interação na qual a mãe é convidada a brincar normalmente com o bebê; Ep.2º Face estática: a mãe é instruída a manter o rosto parado, olhar para a criança, mas não sorrir, não falar e não tocar na criança; Ep.3º Reunião: a mãe retoma sua interação, no mesmo padrão do 10 episódio. As filmagens foram analisadas pelo Infant Regulatory Scoring System (IRSS)(7). Foram analisados os seguintes parâmetros: olhar, vocalização, gestos, autoconforto, comportamentos de distanciamento e indicadores autonômicos, com foco nas vocalizações: V1: vocalização positiva; V2: vocalização neutra; V3: vocalização negativa ou protesto; V4: choro. Aplicou-se o Coeficiente de Correlação de Pearson, com significância em p>0,005. Resultados: No Ep.1 e Ep.2 houve predomínio de vocalizações neutras, enquanto que no Ep.3 o choro foi predominante. Diversas correlações foram encontradas, destaca-se as correlações positivas e significantes entre a V1 nos 3 episódios. As vocalizações do tipo V3 e V4 apresentaram correlações positivas e significantes apenas entre si, e correlação negativa significante com V2. Era esperado que no Ep.2o os padrões do tipo V3 e V4 fossem predominantes, no entanto, o fato da mãe permanecer com a face imóvel, não causou mudança significativa nos padrões de vocalização dos bebês que mantiveram V1 e V2 ao longo dos três episódios, apesar da diminuição destes comportamentos. Os bebês que apresentaram predominância na vocalização do tipo V3 e V4, já no Ep.1o, mantiveram esse padrão ao longo dos episódios, sem alteração na interação/vocalização.
Conclusão: A sinalização de estado pelo bebê (choro, sorriso, vocalização) promove elos na cadeira interativa quando a mãe se prontifica a atendê-los. Aos três meses os bebês usam a vocalização para restaurar a interação e iniciam a aprendizagem de regras de comunicação. Deste modo, mesmo em episódios de estresse (Ep.2º), os bebês com elos de ligação em desenvolvimento, conseguem se autorregular e voltar ao padrão de interação inicial.

1. Barbosa M, Beeghly M, Moreira J, Tronick E, Fuertes M. Robust stability and physiological correlates of infants' patterns of regulatory behavior in the Still-Face Paradigm at 3 and 9 months. Dev Psychol. 2018;54(11):2032-2042.
2. Fuertes M, Ribeiro CC, Gonçalves J, Rodrigues C, Beeghly M, Lopes-dos-Santos P, et al. Maternal perinatal representations and their associations with mother–infant interaction and attachment: A longitudinal comparison of Portuguese and Brazilian dyads. International Journal of Psychology, 2019.
3. Weisman O, Chetouani M, Saint-Georges C, Bourvis N, Zagoory-Sharon O, Delaherche E., Cohen D, Feldman R. Dynamics of Non-Verbal Vocalizations and Hormones during Father-Infant Interaction. IEEE Transactions on Affective. 2016;7(4): 337-45.
4. Bourvis N, Singer M, Saint Georges C, Chetouani M, Cohen D, Feldman R. Pre-linguistic infants employ complex communicative loops to engage mothers in social exchanges and repair interaction ruptures. R Soc Open Sci. 2018. 24;5(1):170274.
5. Jaffe J, Beebe B, Feldstein S, Coroa CL, Dr. Jasnow. Rhythms of dialogue in infancy: coordinated timing in development. Monogr. Soc. Res. Child Dev. 2001;66(2):i-viii, 1-132.
6. Tronick EZ, Als H, Adamson L, Wise S, Brazelton TB. The infants’ response to entrapment between contradictory messages in face-to-face interaction. American Academy of Child Psychiatry. 1978;1:1-13.
7. Tronick EZ, Weinberg MK. The Infant Regulatory Scoring System (IRSS). (Unpublished manuscript). Childrens Hospital & Harvard Medical School: Boston;1990


TRABALHOS CIENTÍFICOS
623
ANÁLISE DAS MEDIDAS CEPSTRAIS EM CANTORES VOCALMENTE SAUDÁVEIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: as medidas cepstrais analisam a periodicidade e a estrutura harmônica em relação ao ruído da emissão vocal sem comparar os ciclos vocais individualmente (1,2). O Cepstral Peak Prominence (CPP) e o Cepstral Peak Prominence-Smoothed (CPPS) são medidas cepstrais descritas na literatura, e foram definidas para populações vocalmente saudáveis (1), professoras (3), e para indivíduos disfônicos e sem alteração vocal falantes do português brasileiro (4). Os cantores apresentam particularidades vocais relacionadas às características funcionais e respiratórias da voz cantada, neste sentido, é importante analisar se o desempenho vocal desta população está relacionado com maiores valores das medidas cepstrais. Objetivo: avaliar as medidas de CPP e CPPS em cantores vocalmente saudáveis de ambos os sexos e comparar os dados entre os grupos a fim de averiguar se o sexo interfere nos valores das medidas analisadas. Método: estudo observacional transversal com amostra de conveniência, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 48085815.2.0000.5149). Participaram 60 cantores amadores e profissionais, sendo 30 homens (média de 28,6 anos) e 30 mulheres (média de 26,1 anos). Foram critérios de inclusão não apresentar queixas e/ou alterações vocais; presença de laringe normal; e faixa etária de 18 a 55 anos, por ser o período de maior estabilidade vocal. Foram excluídos os participantes fumantes, mulheres grávidas ou no período menstrual. Para avaliação laríngea, foi realizado exame de videolaringoscopia de alta velocidade, por um único médico Otorrinolaringologista. Foram consideradas laringes normais aquelas cujos exames apresentaram fechamento glótico completo e ausência de lesões em ambas as pregas vocais. Para avaliação da queixa vocal e da qualidade da voz, os participantes foram avaliados por uma fonoaudióloga especialista em voz com mais de cinco anos de experiência. Foram elegíveis os participantes sem queixa vocal e com qualidade vocal neutra. Para determinação dos valores dos parâmetros de CPP e CPPS os participantes foram orientados a emitir de forma habitual e sustentada a vogal /a/ e as emissões foram gravadas em um computador com placa de som profissional e microfone unidirecional, condensador. Para extração das medidas cepstrais utilizou-se o programa PRAAT versão 6.1.16. A análise estatística foi realizada no programa MINITAB 17. Realizou-se análise descritiva dos dados com medidas de tendência central e dispersão. Para comparação das medidas cepstrais entre os grupos utilizou-se o Teste t, com nível de significância de 5%. Resultados: A média dos valores de CPP e CPPS encontrados para homens foi de 28,46 dB (DP=2,67) e 16,68 dB (DP=2,16), respectivamente. Para as mulheres os valores médios foram 24,59 dB (DP=2,24) para CPP e 14,04 dB (DP=1,97) para o CPPS. Os valores de CPP e CPPS de ambos os sexos estão próximos dos valores encontrados na literatura para professores (3) e para a população geral sem queixas vocais (4). Na comparação entre os grupos, observou-se que o sexo interfere nos valores de CPP (p=0,000) e CPPS (p=0,000). Conclusão: os valores de CPP e CPPS em cantores estão próximos dos valores encontrados na população vocalmente saudável. O sexo interfere nas medidas cepstrais, e os homens apresentam maiores valores destes parâmetros acústicos.

1. Madill C, Nguyen DD, Eastwood C, Heard R, Warhurst S. Comparison of Cepstral Peak Prominence Measures Using the ADSV, SpeechTool, and VoiceSauce Acoustic Analysis Programs in Vocally Healthy Female Speakers. Acoust Aust [Internet]. 2018;46(2):215–26. Available from: https://doi.org/10.1007/s40857-018-0139-6
2. Awan SN, Awan JA. A Two-Stage Cepstral Analysis Procedure for the Classification of Rough Voices. J Voice. 2020;34(1):9–19.
3. Phadke KV, Laukkanen AM, Ilomäki I, Kankare E, Geneid A, Švec JG. Cepstral and Perceptual Investigations in Female Teachers With Functionally Healthy Voice. J Voice. 2018;
4. Lopes LW, Sousa ES da S, da Silva ACF, da Silva IM, de Paiva MAA, Vieira VJD, et al. Cepstral measures in the assessment of severity of voice disorders. Codas. 2019;31(4):1–8.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1774
ANÁLISE DAS MEDIDAS DE AUTOAVALIAÇÃO VOCAL EM PACIENTES DISFÔNICOS E VOCALMENTE SAUDÁVEIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Os distúrbios vocais são agravos que além de afetar a saúde física, também são capazes de provocar impactos importantes na dimensão socioemocional e na qualidade de vida dos indivíduos acometidos(1). Dessa forma, a intensidade de um distúrbio vocal deve ser analisada não apenas pelo clínico, mas também pelo próprio paciente, pois a percepção sobre a sua voz e sobre o impacto da disfonia na sua qualidade de vida complementa a percepção do clínico quanto ao grau geral da alteração(2). Instrumentos específicos de autoavaliação vocal ganharam bastante popularidade nos meios clínico e científico nas últimas décadas, apresentando pontos de corte voltados à discriminação de indivíduos com ou sem problema de voz, estabelecidos com base nos critérios de sensibilidade e especificidade estatística(3). No entanto, algumas fragilidades na estrutura psicométrica desses instrumentos(4-5) ressaltam a necessidade da aplicação de métodos mais contemporâneos nos seus procedimentos de validação, de modo a reforçar sua validade e confiabilidade(1). Tais reflexões têm evidenciado a necessidade de mais estudos que investiguem os resultados apresentados pelos questionários de autoavaliação vocal em diversas aplicações, assim como seu potencial discriminativo na identificação de indivíduos com disfonia. Objetivo: Analisar o comportamento das medidas de autoavaliação vocal em pacientes disfônicos e vocalmente saudáveis e sua relação com a classificação da disfonia. Métodos: Participaram do estudo 139 indivíduos, com média de idade de 37,4 anos, alocados em dois grupos de acordo com o diagnóstico médico e fonoaudiológico: Grupo com disfonia (GCD) e Grupo Vocalmente Saudável (GVS). Foram aplicados o Questionário de Qualidade de Vida em Voz (QVV), o Índice de Desvantagem Vocal (IDV) e Escala de Sintomas Vocais (ESV) em todos os participantes. A análise dos dados foi realizada para verificar a relação entre a presença da disfonia e o comportamento das medidas de autoavaliação vocal utilizando os testes estatísticos Qui-quadrado e Mann-Whitney. Resultados: Observou-se que os escores dos questionários IDV e ESV apresentaram maiores médias no GCD, suficientes para diferenciá-los do GVS. Para ambos os questionários, apenas o domínio “emocional” não exibiu essa diferença. Não houve diferença entre os dois grupos quanto aos escores do QVV, o que sugere fragilidade do instrumento para classificar a presença da disfonia. Conclusão: Os questionários IDV e ESV apresentam escores mais elevados em disfônicos, capazes de diferenciá-los de indivíduos vocalmente saudáveis. A média do escore total dos três questionários investigados apresentou-se acima dos pontos de corte estabelecidos pela literatura para classificar a disfonia. A análise desses questionários por meio de métodos psicométricos mais contemporâneos deve ser incentivada, de forma a aumentar sua eficiência e potencializar o seu poder discriminatório.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
228
ANÁLISE DAS NARRATIVAS DE EVENTOS PESSOAIS DE CRIANÇAS BRASILEIRAS EM DESENVOLVIMENTO TÍPICO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO
As narrativas de eventos pessoais são histórias construídas a partir da memória sobre uma experiência prévia, estando diretamente associadas ao estado sócio emocional da criança e ao desenvolvimento de sua identidade. A análise das narrativas de eventos pessoais contribui para determinar se as funções discursivas da criança estão se desenvolvendo de forma adequada, e indicam os pontos fortes e fracos da linguagem oral, bem como as demandas semânticas, sintáticas e morfológicas.
Crianças de todas as culturas narram suas experiências pessoais, porém, os tipos de narrativas produzidas e os motivos pelos quais são contadas podem variar dentro de cada cultura.

OBJETIVO
Analisar as semelhanças entre as narrativas de eventos pessoais produzidas por crianças brasileiras de 10 anos, com relação ao tema das narrativas e a estrutura do discurso.

MÉTODO
Participaram da pesquisa 15 crianças entre 10 anos e 10 anos e 11 meses, provenientes de diferentes cidades, sendo 6 meninos e 9 meninas.
Foi utilizado o protocolo de Elicitação de Narrativas Pessoais da IALP Child Language Commitee para a coleta das narrativas. As crianças deveriam contar sobre dias em que ficaram felizes, preocupadas, orgulhosas, tiveram que resolver um problema ou uma coisa muito importante aconteceu. As respostas foram gravadas e posteriormente transcritas. Para analisar o tema das narrativas foram elaborados gráficos de nuvens de palavras.
O protocolo Monitoring Indicators of Scholarly Language (MILS) foi utilizado para a análise da estrutura do discurso, levando em consideração os seguintes elementos: personagens, configuração, problema inicial, resposta interna, plano, ação, consequência e conclusão.

RESULTADOS
Observou-se uma tendência das crianças de elaborar narrativas mais estruturadas e detalhadas quando contaram sobre dias em que ficaram irritadas, preocupadas ou tiveram um problema. De maneira geral, as narrativas possuíam elementos básicos como personagens, problema inicial e conclusão. No entanto, as crianças raramente elaboravam planos dentro de seus relatos e as ações realizadas pelos personagens frequentemente não levavam a consequências.
Com relação aos temas das narrativas, ao contar sobre um dia em que ficaram felizes as crianças referiram-se a festas de aniversários, presentes e momentos com a família. Sobre dias em que ficaram orgulhosas, mencionaram aprovações na escola e prêmios que receberam. Sobre um acontecimento importante, as crianças relataram o nascimento de um familiar ou um dia em que tiveram notas boas na escola. As histórias sobre quando se sentiram irritadas envolviam brigas com irmãos, primos e colegas. Quando questionadas sobre um dia em que tiveram um problema, as crianças relataram momentos em que tiveram dificuldades na escola ou sobre quando ajudaram outra pessoa que estava passando por um problema. As crianças também contaram sobre momentos em que ficaram preocupadas com seus familiares ou com a escola.

CONCLUSÃO
Os resultados aqui apresentados demostram que as crianças tendem a elaborar narrativas mais estruturadas e detalhadas quando falam sobre momentos em que se encontravam em uma situação problema. Foi possível observar que as crianças, mesmo provenientes de cidades e estados diferentes, muitas vezes abordaram temas semelhantes em suas narrativas.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
452
ANÁLISE DAS RESPOSTAS DO VEMP CERVICAL E OCULAR EM INDIVÍDUOS HÍGIDOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: Os potenciais evocados miogênicos vestibulares (VEMP) são respostas eletrofisiológicas que conseguem fornecer informações dos órgãos otolíticos sáculo (cVEMP), utrículo (oVEMP) e do nervo vestibular1,2. A literatura apresenta poucos estudos que relacionam os achados do VEMP em indivíduos sem alterações otoneurológicas, em muitos estudos avaliam um tipo de VEMP apenas ou não apresentam valores de limiar de respostas, necessitando de estudos que analisem todos os parâmetros encontrados no VEMP em indivíduos hígidos2,4,5. Espera-se encontrar simetria de respostas em indivíduos sem doenças otoneurológicas, uma vez que, as assimetrias acontecem quando existem lesões vestibulares unilaterais4,5,6,7,8. Objetivo: Analisar e caracterizar as respostas de indivíduos hígidos por meio do exame VEMP. Métodos: estudo transversal, observacional e analítico. Os procedimentos desta pesquisa foram aprovados pelo Comitê de Ética sob o nº 56877316.1.0000. 5149. A casuística foi composta por 53 indivíduos com faixa etária entre 20 e 59 anos, de ambos os sexos, sem história pregressa ou atual de tontura e alterações auditivas por meio do questionário aplicado na pesquisa. Foram incluídos na pesquisa indivíduos maiores de 18 anos e menores de 60 anos que concordaram, voluntariamente, em participar do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os idosos não foram incluídos nesta pesquisa, pois poderiam apresentar um viés na análise dos dados, devido à possibilidade de não apresentarem integridade do sistema vestibular causada pelo envelhecimento4,6. Realizou-se meatoscopia Mikatos® e timpanometria Otoflex 100 Otometrics®. A pele do participante foi preparada com gel para reduzir impedância elétrica antes da colocação de eletrodos e para a realização do VEMP cervical e ocular utilizou-se o equipamento de potenciais evocados auditivos da marca Otometrics®, modelo ICS Chartr EP 200, fones de inserção e eletrodos de superfície e autoadesivos. Os estímulos foram apresentados por meio de fones de inserção modelo ER 3A, com olivas de espuma descartáveis. Foram aceitas respostas obtidas com intensidade de contração muscular entre 50 e 200 µV. Foram aceitos valores de impedância abaixo de 5kOms e utilizado estímulo auditivo tone burst com intensidade inicialmente testada foi 95 dBNAn na frequência de 500Hz, monoaural. O participante foi submetido a, no mínimo, duas estimulações de cada lado, para verificar a replicação do potencial, depois iniciou-se a pesquisa do limiar, considerado pela menor intensidade onde foi encontrada resposta e esta replicou-se. A análise estatística foi realizada por meio do programa Statistical Package for Social Scienses (SPSS) versão 20.0, sendo adotado o nível de significância de 5% (p< 0,05), em todas as análises. Resultados: Encontrou-se simetria de respostas nas latências, amplitudes e limiares de respostas do exame cVEMP. Entretanto, verificou-se diferença entre orelhas na latência P15 do exame oVEMP sendo maior à direita em ambos os gêneros, mas esta diferença pode ter ocorrido ao caso e deve ser considerada com cautela, visto a proximidade das medianas desta variável. Conclusão: Nestes estudo encontrou-se simetria nas respostas de todos os parâmetros avaliados do cVEMP. Encontrou-se assimetria apenas na latência P15 do oVEMP em ambos os gêneros que deve ser observada com cautela.

1. Colebach JG, Halmagyi GM, Skuse NF. Myogenic potentials generated by a click-evoked vestibulocollic reflex. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1994;57:190-7.
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5. Tateyama T. Potenciais evocados miogênicos vestibulares respostas em indivíduos normais de acordo com a idade (dissertação). São Paulo (SP): Universidade Anhanguera de São Paulo; 2015.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
812
ANÁLISE DAS TÉCNICAS UTILIZADAS POR DELEGADOS DE POLÍCIA PARA A DETECÇÃO DA MENTIRA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: Mentir é uma declaração falsa realizada intencionalmente com a finalidade de enganar (1). Como detectamos a mentira e se é possível detectá-la são temas que carecem de pesquisas no cenário brasileiro. Tendo em vista a introdução da perícia na Fonoaudiologia (2), vê-se a necessidade de que os fonoaudiólogos sejam qualificados para tal atividade. OBJETIVO: Descrever as técnicas utilizadas por delegados de polícia para a detecção da mentira. MÉTODO: Pesquisa transversal, exploratória e qualitativa, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAEE 81343717.5.0000.5546). Foram realizadas entrevistas orais, que foram gravadas e aplicadas individualmente e posteriormente, os dados foram transcritos e interpretados. A amostra foi constituída por cinco delegados de polícia, com idades entre 35 e 50 anos (média: 45 anos), sendo três do gênero feminino e dois do masculino. O tempo de profissão variou entre dez e vinte anos. RESULTADOS: A mentira pode surgir por várias razões (3), como pelo receio das consequências (S2 e S3); pela insegurança ou baixa de autoestima (S4); por razões externas (S2 e S4); por ganhos e regalias (S4) ou por hábitos disfuncionais, como a mitomania (4), não mencionada pelos entrevistados. Apenas dois participantes tiveram formação sobre o assunto, um por quatro meses (S2) e o outro por curso de curta duração de 4h (S4). Quanto à habilidade para detectar a mentira, S1 mencionou que em uma investigação policial a desconfiança dos depoimentos sempre existe; S2 e S3 mencionaram que os cursos realizados e a experiência profissional auxiliam e aprimoram a detecção; S4 destacou não se sentir habilitado para tal tarefa e S5 mencionou que apesar de não ter cursos na área sente-se habilitado pela prática profissional. As técnicas utilizadas citadas foram: a averiguação dos depoimentos com as provas obtidas (S1, S2, S3 e S5); o auxílio de outros profissionais (S1), a análise dos movimentos do corpo ou como o depoente se expressa (S2 e S5); pela direção do olhar (S2) ou seu desvio (S3); o uso de recursos linguísticos, como a técnica de perguntar sobre um mesmo assunto de diferentes formas (S3); a associação com outras pistas (face, corpo e/ou escrita), relatadas por S4 e S5 e a comparação com o base line (S4). A identificação da mentira pode ser realizada pela face (5), sendo que o uso de diferentes pistas foram citadas pela literatura(1). A prática aprimora a detecção da mentira, e traz mais segurança nesta tarefa, principalmente para os profissionais mais jovens (6), ratificando os depoimentos (S1, S2 e S3) de que a falta de treinamento pode dificultar o desfecho de um caso. CONCLUSÃO: As técnicas mais utilizadas para a detecção da mentira pelos participantes foram a averiguação dos depoimentos com as provas obtidas e a análise dos comportamentos verbal e não verbal, com a constatação desde a descrença em técnicas para tal intento até crenças infundadas, como a direção do olhar. A detecção da mentira foi apreendida, na maioria dos casos, pela prática profissional, justificando a necessidade de maior investimento em capacitação profissional.
Palavras-chave: Detecção, Detecção de Mentiras; Comportamento.

1. Cardona PA. A compendium of pattern recognition techniques in face, speech and lie detection. Int. j. res. rev appl. Sci. 2015;24(3):108-15, 2015.
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3. Lobo M. Por que as pessoas mentem? São Paulo: Arte Editorial; 2010.
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5. Freitas-Magalhães A. A face humana: paradigmas e implicações. Alfragide: Leya; 2017.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1111
ANÁLISE DE ASPECTOS PSICOEMOCIONAIS, RELACIONAIS E AFETIVOS EM HOMENS E MULHERES TRANSGÊNEROS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A população LGBTI+ é uma realidade presente em nossa sociedade, com demandas de saúde, educação e inserção social. Dentre essa comunidade, as pessoas transgênero, transexuais e travestis vivem ainda mais à margem da sociedade. O padrão heteronormativo carrega muitas vezes atitudes preconceituosas que reforçam a transfobia.[1] Esse é o principal fator que interfere na qualidade de vida das pessoas transgêneros, com impacto na sua saúde mental. O acesso aos serviços de saúde, educação, trabalho e segurança pública são difíceis, o que acarreta em sensação de exclusão e não pertencimento à sociedade, trazendo a sensação de inferioridade e quadros de sofrimento.[2] A população trans apresenta alto risco de desenvolver ansiedade e depressão[³], podendo levar ao comprometimento da saúde emocional e impactar na sua qualidade de vida e comunicação[4]. Tal impacto pode justificar a procura dessa população pela terapia fonoaudiológica, considerando que a comunicação oral por meio da voz ajustada pode ser um fator de melhora da passabilidade e consequentemente melhor inserção social e diminuição do sofrimento emocional dessa população. Objetivo: identificar aspectos psicoemocionais, relacionais e afetivos em homens e mulheres transgêneros. Método: estudo quantitativo, de caráter transversal e analítico. Aprovado pelo Comitê de Ética nº 3.303.803. Realizado com 24 homens trans e 16 mulheres trans com idade média de 26 anos, que responderam a um questionário fechado com oito questões de natureza biopsicossocial. Para essa análise, foram utilizadas as questões referentes aos aspectos psicoemocionais, relacionais e afetivos, ou seja, as relações familiares, de amizade e sociais, que revelassem seus sentimentos. Resultado: com relação aos sentimentos experimentados pelos participantes a maioria das mulheres trans (9) e dos homens trans (15) sentem-se cansados, sendo essa a alternativa mais referida. Também foram relatados sentimentos de angústia, agitação, irritação e tristeza. A maioria dos participantes, 21 homens trans e 13 mulheres trans, acreditam que as relações familiares são um importante apoio para a vida em sociedade, no entanto a maior parte dos dois grupos não está satisfeita com o relacionamento que têm com as suas famílias. Em contrapartida, no que diz respeito às amizades, a maioria dos homens trans (18) e das mulheres trans (11) mostraram-se satisfeitos. Quanto ao sentimento de confiança em relação às pessoas, identifica-se que tanto os homens trans (19) como as mulheres trans (11) sentem dificuldade em contar seus problemas a terceiros. Da mesma forma, o sentimento de solidão e a falta de apoio estiveram presentes em 13 mulheres e 16 homens. Conclusão: os sentimentos de cansaço, angústia, agitação, irritação e tristeza estão presentes de maneira generalizada nas pessoas trans. Isso é reflexo das dificuldades encontradas na família, na sensação de solidão no mundo e na dificuldade em expor sentimentos que os participantes relataram. Enfatiza-se a necessidade da assistência integral à saúde da pessoa trans, principalmente no que diz respeito à saúde emocional durante o processo de transição de gênero.

[1] Benevides B, Simpson K. Mapa dos assassinatos de travestis e transexuais no Brasil em 2017. Associação Nacional de Travestis e Transexuais–ANTRA, jan, 2018.

[2] Costa MB, Cândido JP, Bizerra PL. Acolhimento no âmbito da saúde pública sob a ética de transexuais. Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia. 2017;4(8).

[3] Peng K, Zhu X, Gillespie A, et al. Self-reported Rates of Abuse, Neglect, and Bullying Experienced by Transgender and Gender-Nonbinary Adolescents in China. JAMA Netw Open. 2019;2(9):e1911058. Published 2019 Sep 4. doi:10.1001/jamanetworkopen.2019.11058

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
276
ANÁLISE DE ERROS ORTOGRÁFICOS NA PRODUÇÃO DE ESCRITA MANUAL
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A grafia pode ser entendida como o processo de registro da linguagem escrita, por meio de um código que representa os símbolos de uma determinada língua(1). No entanto, o processo de escrita pode sofrer alterações, que interferem na codificação, dentro do esperado pela produção do ato motor, assim como de fatores cognitivos, relacionados a escolha das letras para a representação sequencial de uma palavra. Para que o processo da escrita possa ser concluído com sucesso, tona-se necessário a associação da produção do ato motor associada entre o princípio da escrita alfabética com base em sua relação letra/som, somado às representações arbitrárias da língua, codificadas no ato motor, como resultado final(2). No entanto podem ocorrer falhas no decorrer desse processo que podem resultar a erros na produção escrita de palavras, frases e textos. OBJETIVO: Analisar os erros de ortografia cometidos na produção escrita de escolares do 3º ao 5º ano do ensino fundamental I e verificar a incidência da disgrafia. MÉTODO: Trata-se de um estudo quantitativo, de campo exploratório e experimental. Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa e aprovado sob o protocolo número 2.956.909. Participaram deste estudo 100 escolares de 3°, 4º e 5° ano do ensino fundamental, de ambos os gêneros, com idade entre 9 e 12 anos, distribuídos em: Grupo I (GI): composto por 33 escolares do 3° ano; Grupo II (GII): composto por 34 escolares do 4° ano; Grupo III (GIII): composto por 33 escolares do 5° ano. Para a avaliação todos os participantes deste estudo foram submetidos a aplicação da Escala de Avaliação do traçado da Escrita(3) e Prova de Escrita sob Ditado de Palavras(4). A análise dos erros ortográficos foi feita de acordo com a análise de classificação semiológica dos erros, seguindo critério na literatura nacional(5), sendo classificados em Erros de ortografia natural (Correspondência unívoca fonema-grafema; omissão e adição de segmentos; alteração na ordem dos segmentos; junção ou separação indevida de palavras) e Erros de ortografia arbitrária (Correspondência fonema-grafema dependentes de regra; correspondência fonema-grafema independentes de regra; ausência ou presença inadequada de acentuação; outros achados). RESULTADO: Com base nos dados obtidos observou-se ocorrências frequente de erros de ortografia natural e arbitrárias nos alunos de 3° ano, com maior incidência em erros de ortografia arbitrária nos alunos do 4° ano e menor ocorrência dos dois tipos de erros para os alunos do 5° ano. Enquanto na análise da produção do traçado foi possível identificar que o maior índice de classificação para a disgrafia foi recorrente nos alunos do 5º ano. CONCLUSÃO: conclui-se que os escolares do 3º ao 5º ano apresentam erros ortográficos de classificação natural e arbitrária, ocorrendo a diminuição dessa incidência para o 5º ano, possivelmente devido ao maior contato com o aprendizado das regras. Em relação a disgrafia a escala aplicada possibilitou identificar maior índice no 5º ano quando comparado aos demais, refletindo o aumento da demanda da escrita em atividades.

1.Martins MRI. Rastreio de disgrafia motora em escolares da rede pública de ensino. Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), São Paulo, 2013.

2.Fonseca V. Neuropsicomotricidade. Ensaio sobre as relações entre corpo, motricidade, cérebro e mente. Rio de Janeiro: Editora Wak, 1° ed., 2018.

3.Lorenzini MV. Uma escala para detectar a disgrafia baseada na escala de Ajuriaguerra. Dissertação (Mestrado em Fisioterapia), Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia, Universidade Federal de São Carlos, São Paulo, 1993.

4.Pinheiro AMV. Avaliação cognitiva das capacidades de leitura e de escrita de crianças nas séries iniciais do ensino fundamental- AVACLE: Relatório Final Global e Integrado de atividades desenvolvidas, submetido ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Psicologia, 2003.

5.Batista AO, Cevera-Mérida JF, Ygual-Fernández A, Capellini SA. Pro-ortografia: Protocolo de avaliação da Ortografia para escolares do 2° ao 5° ano do Ensino Fundamental. São Paulo: Editora Pró-fono, 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1867
ANÁLISE DERMATOGLÍFICA DE INDIVÍDUOS BRAQUICEFÁLICOS E DOLICOCEFÁLICOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Título: Análise dermatoglífica de indivíduos braquicefálicos e dolicocefálicos.

Introdução: A tipologia facial é a variação do esqueleto craniofacial, sua fisiologia se dá pelo crescimento e a forma das estruturas ósseas e musculares orofaciais nos sentidos verticais, horizontais e sagital anteroposterior. De acordo com as medidas antropométricas dos terços faciais temos três tipos de face; braquicefálico, dolicocefálico e mesocefálico. O crescimento craniofacial normal contínuo inicia no período pré-natal e continua no pós-natal, podendo ser afetado pela genética e meio ambiente. Entender que papel os fatores genéticos e embrionários exercem no crescimento facial, é necessário; uma vez que más formações do crânio, face, dos ossos maxilares e dentes têm tido sua etiologia ligada, de alguma maneira, a fatores genéticos.Como marcador genético, a impressão digital tornou-se uma ferramenta para identificação de diferentes padrões dérmicos na saúde. A dermatoglifia, método de interpretação da impressão digital, se mostra como recurso para o diagnóstico diferencial nos casos em que os distúrbios de linguagem, de voz e de motricidade orofacial se fazem presentes.

Objetivo: Caracterizar as impressões digitais de indivíduos com tendência de crescimento craniofacial braquicefálico e dolicocefálico, em uma Clínica de Ortodontia de Belo Horizonte, MG, por meio da análise dermatoglífica.

Métodos: O estudo foi transversal observacional, com 10 indivíduos brasileiros, saudáveis, de faixa etária de 8 a 40 anos, sendo 4 braquicefálicos e 6 dolicocefálicos. Foram avaliadas as variáveis tipo facial, predomínio do desenho, quantidade de deltas - D10, somatório da quantidade total de linhas – SQTL, classificação de SQTL e perfil dermatoglífico. O protocolo que foi utilizado para a análise foi Protocolo do Método Dermatoglífico. Foram implementadas técnicas de estatísticas descritivas.

Resultados: Houve presença do desenho presilha em maior incidência nos dois grupos pesquisados. De forma secundária, o desenho verticilo foi o mais incidente e o desenho arco foi, consequentemente, o que teve menor índice também nos dois grupos. O D10, a SQTL e o perfil dermatoglífico não apresentaram diferenças nos dois grupos estudados. Houve associação apenas entre o tipo facial e a classificação de SQTL, indicando que indivíduos dolicocefálicos possuem mais resistência e coordenação motora que indivíduos braquicefálicos.

Conclusão: Não houve relação das características dermatoglíficas com a tipologia facial. Acredita-se que esse estudo contribuiu para ampliar o conhecimento acerca das qualidades físicas básicas relacionadas aos indivíduos braquicefálicos e dolicocefálicos, mesmo que ainda não se tenha evidenciado diferenças relevantes entre os dois grupos.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1534
ANÁLISE DO DESEMPENHO DE PACIENTES COM AFASIA NO TESTE PSI COM MENSAGEM COMPETITIVA IPSILATERAL E CONTRALATERAL PELA PERSPECTIVA DE REDES NEURAIS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO Alterações na audição interferem na compreensão verbal e consequentemente, na expressão linguística do indivíduo com afasia, afetando a comunicação verbal como um todo1. Mecanismos do processamento visual foram detalhados através do estudo de vias neurais, áreas do córtex occipitotemporal (rede occipital – temporal - temporal, a rede O – T – T) estão implicadas na identificação de faces e objetos2, habilidades requisitadas no teste de processamento auditivo Pediatric Speech Inteligibility (PSI). OBJETIVO Avaliar as habilidades auditivas de figura-fundo e atenção seletiva em pacientes com afasia, analisando o desempenho dos indivíduos pela perspectiva das redes neurais. MÉTODOS A população do estudo consistiu em 32 sujeitos, 16 participantes com afasia e 16 participantes do grupo controle. No grupo afasia foram incluídos sujeitos com lesão no hemisfério cerebral esquerdo, decorrente de acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico ou hemorrágico, com perfil audiológico normal ou limiares áereos tonais e/ou menores que 40 dBNA nas frequências de 500, 1000 e 2000 Hz3. Foi aplicado o teste PSI em ambos os grupos, o PSI é composto por 10 frases para identificação de figuras na presença de mensagem competitiva ipsilateral (MCI) e de mensagem competitiva contralateral (MCC), sendo avaliadas as habilidades auditivas de figura-fundo e atenção seletiva. A realização desta pesquisa foi liberada e aprovada pelo protocolo CAEE: 0418.0.172.000-10 RESULTADOS O grupo afasia apresentou uma média de 62.5% de acertos no teste PSI, em orelha esquerda na situação de MCC e 41.2% de acertos na presença de MCI. Já na orelha direita, o grupo afasia apresentou uma média de 55.6% acertos na situação de MCC e 35% na situação de MCI. O valor de referência de normalidade para o teste PSI é de 90% de acertos ou mais na relação -40 dBNA em MCC e 80% de acertos ou mais na relação fala/competição de 0 dBNA em MCI3. CONCLUSÕES A neurofisiologia da via ventral de processamento visual (via what) compreende áreas do córtex occipitotemporal (rede O – T – T) o que evidencia a importância da conectividade funcional entre as áreas occipital e temporal para um bom desempenho de atividades sensoriais4. Na reabilitação das habilidades auditivas de figura-fundo e atenção seletiva (avaliadas pelo teste PSI) o fonoaudiólogo deve considerar uma estimulação integrada entre estímulos visuais e auditivos, visto que o processo sensorial da audição e visão é integrado em rede, na área occcipitotemporal.
Palavras-chave: Afasia; Processamento auditivo; Redes Neurais

1.Marshall RS, Garcia-Barrera M, Yanosky D. An exploratory study of auditory extinction in ageing: Now your hear it, now you don’t. Aphasiology. 2008; 23 (1).

2. Ungerleider LG, Haxby JV. ‘What’ and ‘where’ in the human brain. Current Opinion in Neurobiology. 1994; 4

3. Pereira LD, Schochat E. Processamento auditivo central: manual de avaliação. São Paulo: Lovise; 1997. p. 100-149

4. Pereira JR, Reis AM, Magalhães Z. Neuroanatomia Funcional – Anatomia das áreas activáveis nos usuais paradigmas em ressonância magnética funcional. Acta Médica Portuguesa 2003; 16


TRABALHOS CIENTÍFICOS
528
ANÁLISE DO ENGAJAMENTO FAMILIAR NA IMPLEMENTAÇÃO DO PICTURE EXCHANGE COMMUNICATION SYSTEM – PECS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Título: Análise do engajamento familiar na implementação do Picture Exchange Communication System – PECS

Introdução: O Picture Exchange Communication System - PECS é um dos sistemas de comunicação alternativa mais utilizado mundialmente para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não verbais ou com verbalização mínima1-3. O sistema contém seis fases e é composto por figuras e fotografias selecionadas de acordo com o repertório lexical de cada sujeito4. Para garantir a apropriação do PECS por crianças autistas é fundamental o treinamento e o envolvimento parental, uma vez que os pais são os principais parceiros de comunicação 1-4. O objetivo deste estudo foi analisar o engajamento familiar na implementação do PECS em crianças com Transtorno do Espectro Autista. Método: Trata-se de um estudo longitudinal (CEP1284/2017). A amostra foi constituída por 22 mães de crianças com TEA não-verbais ou com verbalização mínima; com média de idade de 41 anos. 59% delas tinha nível de escolaridade superior completo e 41%, ensino médio. 60% pertenciam às classes socioeconômica A/B e 40% às classes C/D. O engajamento das mães foi mensurado por meio de seu desempenho como executor do sistema de comunicação e de sua frequência às sessões. A implementação do PECS ocorreu durante um programa de 24 sessões de terapia fonoaudiológica individual com a presença das mães e seguiu as seis fases propostas pelo Manual de Treinamento.2 Todos os fonoaudiólogos envolvidos eram profissionais treinados e certificados no PECS. Resultados: Na análise quantitativa criada exclusivamente para este estudo, pudemos verificar que as mães tiveram altos índices de desempenho em todas as fases, o que contribuiu certamente para o avanço das crianças no programa, a saber: 95% na fase 1, 93% fase 2, 91,6% fase, 87% na fase 4, 89,3% na fase 5 e 76% na fase 6. Houve tendência de correlação direta entre as habilidades do executor e o número de sessões realizadas em todas as fases do PECS, sendo que obtivemos significância estatística nas quatro fases iniciais (p=0,031; p=0,028, p=0,029 e p=0,022, respectivamente). A adesão média ao programa, mensurada pela frequência às sessões, foi de 96%. Conclusão: Pudemos analisar o desempenho das mães ao longo do programa e verificar que seu engajamento influenciou positivamente a apropriação do Picture Exchange Communication System – PECS.

1. Tamanaha AC, Bevilacqua M, Perissinoto J. O uso da comunicação alternativa no autismo In Nunes et al. Compartilhando experiências. Marilia, Apbee, 2011: pp 175- 82.30.

2. Tamanaha AC; Perissinoto J. Transtorno do Espectro do Autismo: implementando estratégias para comunicação. Ribeirão Preto, BookToy, 2019

3. Doherty A, Bracken M, Gormley L. Teaching children with autism to initiate and respond to peer mands using Picture Exchange Communication System. Behav Anal Pract. 2018, 30, 11 (4): 279-88.

4. Bondy A, Frost L. Manual de Treinamento do Sistema de Comunicação por Troca de Figuras. Newark: Pyramid, 2009.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
816
ANÁLISE DO FREQUENCY FOLLOWING RESPONSE NA APRAXIA DE FALA INFANTIL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A apraxia de fala infantil é uma alteração que interfere no planejamento e na programação motora da fala e possui três características, geralmente analisadas como marcadores diagnóstico: erros inconsistentes em consoantes e vogais em produções repetidas de sílabas e palavras; dificuldade em co-articular os sons e prosódia inadequada. Pode também estar associada a dificuldades de audição como a percepção de fala e som, discriminação de sequência de som e identificação de vogais. Neste contexto, o exame do Frequency Following Response é uma maneira de avaliar e examinar mecanismos neurais associados à percepção e processamento do som e da fala. Objetivo: Analisar os registros do exame de Frequency Following Response em indivíduos com apraxia de fala infantil e crianças em desenvolvimento típico. Métodos: Trata-se de um estudo analítico observacional transversal e está vinculado a um projeto de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética sob parecer número 2.419.014. Foram avaliadas 30 crianças (média de 5,7 anos ± 2,28), sendo 22 do sexo masculino e oito do sexo feminino, pareadas por idade e sexo, sem alterações auditivas, neurológicas e/ou síndrome associadas, divididas em 15 crianças no grupo estudo e 15 no grupo controle. Inicialmente, as crianças foram submetidas a uma avaliação prévia com fonoaudióloga especialista na área, a fim de confirmar o diagnóstico de apraxia de fala infantil no grupo estudo e descartar alterações de fala e linguagem no grupo controle, por meio do Instrumento de Avaliação Dinâmica das Habilidades Motoras da Fala, para avaliar os distúrbios dos sons da fala, e o Teste de Vocabulário Auditivo abreviado para avaliar o desenvolvimento do vocabulário receptivo. Foram realizados o exame do potencial evocado auditivo de tronco encefálico com estímulo clique e o Frequency Following Response, em que foi utilizado o estímulo de fala /da/, com 40 ms, apresentado com intensidade de 80 dB NPS e velocidade de apresentação de 10,9 estímulos/seg. A janela de gravação foi definida em 74,67 ms, com filtros entre 100 - 2000 Hz. Foram promediados 2000 sweeps, em duas varreduras independentes e somadas ao final. Foram identificadas e analisadas as ondas V, A, C, D, E, F e O. Resultados: Não houve diferença estatística para o exame do potencial evocado auditivo de tronco encefálico com o clique, indicando que os dois grupos processaram de maneira semelhante este estímulo. Porém, quando realizado o exame do Frequency Following Response, as ondas V, A e C apresentaram latências aumentadas para os exames das crianças com apraxia de fala infantil, sugerindo haver comprometimento do funcionamento das estruturas responsáveis pela geração desses componentes, correspondentes à percepção dos sons de curta duração. Conclusão: A codificação neural dos sons da fala está prejudicada para crianças com apraxia de fala infantil. Esta conclusão é apoiada pelo aumento da latência nas respostas do exame do Frequency Following Response nestas crianças, especificamente nos componentes V, A e C e ausência de diferenças significativas no exame do potencial evocado auditivo de tronco encefálico com estímulo clique, o que pode sugerir que este transtorno não seria puramente motor.

American Speech-Language-Hearing Association. Childhood Apraxia of Speech. 2007. .

Froud K, Khamis-Dakwar R. Mismatch Negativity Responses in Children With a Diagnosis of Childhood Apraxia of Speech (CAS). Am J Speech Lang Pathol. 2012; 21:302–13.

Maassen B, Groenen P, Crul T. Auditory and phonetic perception of vowels in children with apraxic speech disorders. Clin Linguist Phon. 2003; 6:447–67.

Skoe E, Kraus N. Auditory brainstem reponse to complex sounds : a tutorial. Ear Hear. 2010; 31:302–24.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
183
ANÁLISE DO PERFIL FONOAUDIOLÓGICO DOS PACIENTES SUBMETIDOS À EQUOTERAPIA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


ANÁLISE DO PERFIL FONOAUDIOLÓGICO DOS PACIENTES SUBMETIDOS À
EQUOTERAPIA
Introdução: A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar. Objetivos: Caracterizar o perfil fonoaudiológico dos praticantes e verificar a opinião dos profissionais sobre a Fonoaudiologia na equoterapia. Matodologia: O
estudo foi realizado em APAE’s de três cidades diferentes de Minas Gerais. Foi utilizado um questionário para os profissionais e uma triagem fonoaudiológica. Resultados: Em relação a linguagem mostraram que a compreensão estava adequada em 62,96% dos praticantese a comunicação
oral predominou 81,48%, houve maior frequência na presença de alteração da articulação da fala em 55,56% e menor frequência de apraxia de fala em 37,04%. Quanto a motricidade orofacial, 77,78% apresentaram adequada mobilidade, presença de vedamento labial em
66,67% e maior incidência em respiração oronasal com 44,44% e respiração nasal em 37,04% e ausência de sialorreia em 85,19%. Quanto à mastigação 55,56% apresentaram adequada mastigação. Predominou a voz sem desvio entre os praticantes (74,07%).Os profissionais que
mais predominaram na equipe de equoterapia respectivamente foram psicólogos, fisioterapeutas
e fonoaudiólogos. A maioria dos profissionais, 73,33% não trabalham com fonoaudiólogo. A maioria dos profissionais trabalham na equoterapia a comunicação, postura de lábios e
respiração dos praticantes. Conclusão:A maior parte dos praticantes não demonstra alteração
de mastigação, voz, tonicidade e mobilidade dos OFA’s perceptível por meio da triagem.
Quanto à respiração e vedamento labial, estes apresentam alteração na maioria dos sujeitos. A maioria da equipe é composta por fisioterapeuta e psicólogo. A maioria não trabalha com fonoaudiólogo, porém conhecem o trabalho e todos acham necessário seu trabalho.

ANDE BRASIL. Apostila de equoterapia. Brasília, Curso Básico de Equoterapia,
Coordenação de Ensino Pesquisa e Extensão – COEPE, 2008. 221 p.
ANDRADE, D. B. Abordagem fonoaudiológica na equoterapia no atendimento de crianças com distúrbio de linguagem oral: estudo de casos clínicos. 2010. 80 f. Dissertação
(Mestrado em Fonoaudiologia) – Pontífica Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP,
São Paulo.
FERLINI, G. M. S. e CAVALARI, N. Os benefícios da equoterapia no desenvolvimento da criança com deficiência física. Caderno multidisciplinar de pós-graduação da UCP,
Pitanga, v. 1, n. 4, p. 1-14, abr. 2010.
FERRARI, J. P. A prática do psicólogo na equoterapia. 2003. 73 f. Monografia
(Especialização em Psicologia) Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.
GUEDES, M. H. R. S. Fonoaudiologia e equoterapia: o que os pais sabem sobre essa interface? 2016. 7 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fonoaudiologia) – UNICESUMAR – Centro Universitário de Maringá – Paraná – Brasil.
NAVARRO, P. R. Fonoaudiologia no contexto da Equoterapia com crianças autistas: uma reinterpretação a partir da Neurolinguística Discursiva. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, v. 60, n. 2, p. 489-506, mai-ago, 2018.
PAIVA, M. A. M. et al. O cavalo como recurso terapêutico. Naturale, Itajubá, ago-set. 2011. ed. 9. Disponível em: . Acesso em: 13 de out. 2018.
VALLE, L. M. O. et al.Atuação fonoaudiológica na equoterapia. CEFAC, São Paulo, mar-abr. 2014. Disponível em: Acesso
em: 15 de maio de 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2013
ANÁLISE DO PLANO ESTADUAL DE SAÚDE E A OFERTA DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


RESUMO
Introdução: “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial” (Brasil, 2012). O direito das pessoas com deficiência é garantido através do Plano Viver Sem Limites que é regido pelo decreto n°7.612/11 que amplia o acesso e qualifica o atendimento às pessoas com deficiência (temporária ou permanente; progressiva, regressiva ou estável; intermitente ou contínua) no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na organização de rede e na atenção integral à saúde. Objetivo: Analisar o Plano Estadual de Saúde e a oferta dos serviços especializados para pessoas com deficiência no estado do Espírito Santo. Metodologia: Será realizada uma análise documental a partir do Plano Estadual de Saúde, das Legislações Estaduais que envolvam as pessoas com deficiência, com inferências em dados populacionais específicos acerca da disponibilidade e oferta de serviços de saúde especializado para atender essa população. Resultados: O último Plano Estadual de Saúde encontrado é o referente ao quadriênio de 2016 à 2019 e constitui-se como o instrumento central de planejamento e orientação para implementação das iniciativas de gestão no Sistema Único de Saúde (SUS), além de refletir, a partir da análise situacional, as necessidades de saúde da população e a capacidade assistencial para o seu atendimento. De acordo com o Censo de 2010, nosso estado possui, aproximadamente 800 mil pessoas com deficiência., sendo 18,03% da população geral do estado deficiente visual, 7,13% deficiente físico, 4,81% deficiente auditivo e, por fim, 1,34% é deficiente mental/intelectual. A população total estimada para o nosso estado em 2019 é de mais de 4 milhões de habitantes segundo o IBGE. Discussão: A busca pelo Plano Estadual de Saúde permitiu a constatação da não existência de um plano atualizado, portanto recorreu-se à análise do plano anterior e constatou-se a habilitação de quatro Centros Especializados em Reabilitação, sendo eles três CER II nas regiões Norte, Metropolitana e Sul e um CER III na região Central, a época, e a iniciativa de implantação da Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência no Estado. Conclusão: Constata-se uma oferta de serviço aquém da necessidade em saúde na pessoa com deficiência, demonstrando um problema de regulação e gestão. Em um cenário de subfinanciamento que ameaça a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde, observa-se uma demanda inadequada de serviços acarretando na escassa oferta de atenção integral à saúde da pessoa com deficiência no estado.
Palavras-Chaves: Plano Estadual de Saúde (PES); Atenção em Saúde; Deficiências; Centro Especializado em Reabilitação (CER).

BRASIL, Lei nº 13.146, de 6 de Julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). art 2. Brasília, DF, julho, 2015.
IBGE-INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico. Espírito Santo, 2010.
BRASIL, decreto n° 7.612, de 17 de Novembro de 2011. Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Plano Viver sem Limite. Brasília, DF, novembro, 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
171
ANÁLISE DO SOFTWARE PERSONA PARA AVALIAÇÃO DA INTELIGIBILIDADE DA FALA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: Avaliações de inteligibilidade da fala são de extrema relevância na prática audiológica (1,3), contudo carecem de tecnologias que facilitam e padronizam sua realização(4,5). Para atender a estas demandas foi desenvolvido o software perSONA(2), no qual foi submetido à avaliação em relação à facilidade de instalação e uso pelos indivíduos. OBJETIVO: Avaliar a satisfação dos estudantes de uma instituição pública federal em relação ao software perSONA. MÉTODOS: Foi realizado um estudo observacional analítico transversal, com aprovação pelo comitê de ética em pesquisa (parecer nº 3.296.532 / CAAE 56838816.7.0000.0121). A avaliação foi dividida em duas etapas. Inicialmente realizou-se a avaliação da instalação do software. Estudantes de uma instituição pública federal receberam um link para baixar o instalador do software com a solicitação de instalar o mesmo em seus computadores e posteriormente avaliar o mesmo através de um questionário eletrônico. Posteriormente, a segunda etapa foi realizada na clínica de uma instituição pública federal, no qual o perSONA foi disponibilizado em um computador acoplado a um audiômetro. Realizou-se atendimentos com a finalidade de que os estudantes avaliassem o perSONA por meio de um novo questionário. A parte da pesquisa referente à instalação do perSONA foi preenchida por 11 participantes. RESULTADOS: Foi constatado que maioria dos participantes não olharam as instruções para instalação. Verificou-se que 8 de 11 indivíduos utilizaram o sistema operacional Windows 10 e não encontraram problemas durante a instalação. Problemas que afetaram parte dos participantes (3 de 11) estão relacionados ao sistema operacional e não ao perSONA. O questionário de pesquisa de satisfação com o perSONA, em relação ao manuseio, foi preenchido por 14 sujeitos. Para o manuseio do software o ruído mascarador escolhido foi o talker babble e as configurações avaliadas variaram entre fala à esquerda/ruído à frente (35,7%), fala à frente/ruído à frente (28,6%) e fala à direita/ruído à direita (35,7%). Quanto à organização da tela a maioria das pessoas respondeu que é apropriada. Não foram constatados problemas durante o manuseio. A maioria das pessoas respondeu que os campos solicitados para preencher contidos no software sobre os dados do paciente são necessárias e duas pessoas enfatizaram a relevância de incluir um campo sobre ruído, uso de medicação e drogas ilícitas. CONCLUSÃO: Demonstrou-se que a instalação e o manuseio do software do perSONA ocorreram de forma positiva, o que designa que o software está hábil para ser utilizado nas práticas clínicas. Agradecimentos: Os autores agradecem à FAPESC pelo financiamento no âmbito do Edital FAPESC/MS-DECIT/CNPq/SES-SC Nº 10/2015 - APOIO A PROGRAMA DE PESQUISA PARA O SUS (PPSUS).


1. Miranda-Gonsalez EC, Almeida K. Incapacidade auditiva medida por meio do questionário Speech, Spatial and Qualities of Hearing Scale (SSQ): estudo piloto da versão reduzida em Português Brasileiro. Audiology - Communication Research. 2017; 22: 1-9
2. Murta B. Plataforma para ensaios de percepção sonora com fontes distribuídas aplicável a dispositivos auditivos: perSONA.2019.
3. Barreto SS, Ortiz KZ. Medidas de inteligibilidade nos distúrbios da fala: revisão crítica da literatura. Pró-fono Revista de Atualização Científica. 2008; 20(3): 201-6.
4. Calarga KS. Tradução e adaptação de um software de treinamento da escuta no ruído para o português brasileiro. Audiology - Communication Research. 2018; 23: 1-8.
5. Santos KW. Utilização de Softwares por Fonoaudiólogos no Rio Grande do Sul. Journal of Health Informatics. 2015; 7(2).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1481
ANÁLISE DO TEMPO DE DECANULAÇÃO E LIBERAÇÃO DE DIETA POR VIA ORAL EM PACIENTES TRAQUEOSTOMIZADOS EM UM HOSPITAL PÚBLICO DE MINAS GERAIS.
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


TÍTULO: Análise do tempo de decanulação e liberação de dieta por via oral em pacientes traqueostomizados em um hospital público de Minas Gerais.


INTRODUÇÃO: A traqueostomia (TQT) está entre os procedimentos cirúrgicos mais comumente realizados em pacientes que necessitam de suporte ventilatório prolongado (1). A TQT traz impactos nas habilidades fonatórias, respiratórias e alimentares, com disfagia entre 50% e 83% dos pacientes traqueostomizados (2). As alterações na biomecânica da deglutição associadas ao uso da traqueostomia incluem: redução na elevação laríngea, pressão externa do cuff no esôfago, ocasionando dificuldade à passagem do bolo alimentar, menos pressão subglótica, aumentando a ocorrência de estase em região supraglótica e redução do reflexo de tosse (3). O processo para retirada da cânula de traqueostomia é conhecido como decanulação e diversos estudos referem a importância da participação do fonoaudiólogo neste processo, garantindo, assim, o uso de procedimentos mais seguros e eficazes (4). O tratamento dos distúrbios da deglutição e desmame de TQT são fundamentais para prevenção de complicações pulmonares e nutricionais graves (5,6).

OBJETIVO: Avaliar o tempo médio de decanulação e de liberação de via oral em pacientes traqueostomizados internados em um hospital público.

MÉTODOS: Foram incluídos neste estudo pacientes hemodinamicamente estáveis, com nível de consciência adequado e que estavam há no mínimo 48 horas em desmame da ventilação mecânica. Foram excluídos pacientes com diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço e/ou sem condições clínicas de decanulação. Todos os pacientes foram submetidos a um programa de reabilitação da deglutição.

RESULTADOS: Foram reabilitados 19 pacientes, com média de idade de 57 anos. A complicação de foco pulmonar foi o diagnóstico mais comum (68%) que levou à necessidade de realização de traqueostomia e de suspensão da dieta por via oral seguida de sepse, insuficiência respiratória aguda e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). O tempo médio de traqueostomia foi de 18,52 dias. Com o inicio do programa de reabilitação da deglutição o tempo médio de liberação de via oral foi de 6,64 dias e de decanulação 6,7 dias.

CONCLUSÃO: A reabilitação da deglutição nos pacientes traqueostomizados desse estudo foi primordial para o processo de decanulação e liberação de dieta por via oral.

REFERÊNCIAS

1) PerfeitoI JAJ, Matall CAS, Fortel V, CarnaghiIII NT, Villaca E. Traqueostomia na UTI: vale a pena realizá-la? J. Bras Pneumol.2007;33(6).

2) Garuti G, Reverberi C, Briganti A, Massobrio M, Lombardi F, Lusuardi M. Swallowing disorders in tracheostomised patients: a multidisciplinary/multiprofessional approach in decannulation protocols. Multidiscip Respir Med. 2014; 9(1): 36.

3) Corbin-Lewis KLJ, Sciortino KL. Anatomia clínica e fisiologia do mecanismo de deglutição. São Paulo: Cengage Learning; 2009. [ Links ]


4)Mah JW, Staff II, Fisher SR, Butler KL. Improving decannulation and swallowing function: a comprehensive, multidisciplinary approach to post-tracheostomy care. Respir Care. 2017;62(2):137-43. http://dx.doi.org/10.4187/respcare.04878. PMid:28108683. [ Links ]

5) Mendes TAB, Cavalheiro LV, Arevalo RT, Sonegth R. A intervenção fonoaudiológica na disfagia orofaríngea prevê que a seleção das técnicas a serem utilizadas no programa de reabilitação seja realizada mediante a interpretação da fisiopatologia da deglutição em cada indivíduo. Einstein. 2008; 6(1):1-6.

6) Frank U, Mäder M, Sticher H. Dysphagic patients with tracheotomies: a multidisciplinary approach to treatment and decannulation management. Dysphagia. 2007;22(1):20–29.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
323
ANÁLISE DO VIDEODEGLUTOGRAMA – FASES ORAL E FARÍNGEA DA DEGLUTIÇÃO EM PACIENTES APÓS AVEI
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: O Acidente Vascular Cerebral, que pode ser relatado como, Acidente Vascular Encefálico Isquêmico (AVEI), é consequência de restrição sanguínea ao cérebro por estreitamento de algum vaso sanguíneo, que pode impactar no correto desempenho de várias funções do corpo humano, causando transtornos na deglutição, e caracterizando a Disfagia. A Disfagia pode trazer graves consequências ao indivíduo, tais como desnutrição, desidratação, aspirações, comprometendo a qualidade de vida do mesmo. Pessoas acometidas por AVE podem, serem submetidas a avaliação da deglutição, a fim de identificar algum tipo de alteração, por meio do exame padrão, o Videodeglutograma. Objetivo: Analisar as alterações encontradas nas fases oral e faríngea em pacientes após AVE isquêmico por meio do Videodeglutograma. Métodos: O estudo obteve aprovação no Comitê De Ética do Centro Universitário, instituição de Ensino Superior da Paraíba, o Unipê, sob protocolo de N° 3.638.671/2019. Foi realizado no Hospital do Coração, localizado em São Paulo – SP, a amostra foi composta por dezoito laudos do videodeglutograma, de caráter documental, retrospectivo, descritivo e quantitativo, de pacientes com idade mínima de sessenta anos, ambos os sexos e exames concluídos entre os meses de janeiro a abril de 2019. A coleta dos dados, deu-se via e-mail, e foram tabulados, de acordo com a presença ou ausência da alteração, e as etapas das duas fases da deglutição, para posterior análise, por estatísticas descritiva e inferencial, mediante a utilização de um roteiro baseado na Mascara/Laudo VSF (Videofluoroscopia). Resultados: Os dados permitiram analisar e comprovar que os indivíduos após AVEI que realizaram o exame, apresentaram alterações na fase oral e fase faríngea da deglutição. Na fase oral os mais frequentes como alteração, a redução da funcionalidade de língua em 61,1% dos casos, aumento do trânsito oral em 72,2% e estase alimenta nesta fase em 72,2%. Na fase faríngea os mais recorrente foram, ausência da abertura laringo-esofágica com 77,8% e penetração em 61,1% dos laudos. O local de predominância acometido pelo AVEI, foi a ACM (Artéria Cerebral Média) com presença em 33,4% dos achados, caracterizando as alterações encontradas. Conclusão: Conclui-se que os achados tiveram ocorrência de alterações nas duas fases da deglutição na população estudada.

1- Goulart, BNG, Almeida, CPB, Silva, MW, Oenning, NSX, Lagni, VB. Caracterização de acidente vascular cerebral com enfoque em distúrbios da comunicação oral em pacientes de um hospital regional. Audiol., Commun. Res., São Paulo , v. 21, e1603, 2016.
2- Pinto RASR. Neurologia da deglutição. In: Furkim AM, Santini CRQS. Disfagias orofaríngeas. Barueri: Pró Fono; 2008. p. 1-14.
3- Silva, RG. A eficácia da reabilitação em disfagia orofaríngea. Pró-Fono R. Atual. Cient., Barueri , v. 19, n. 1, p. 123-130, Apr. 2007.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1008
ANÁLISE DOS ASPECTOS PERCEPTIVOS DA EXPRESSIVIDADE DE FALA DE TELEOPERADORES DE EMERGÊNCIA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Na área do teleatendimento assistencial encontram-se os teleoperadores de atendimento a ligações de emergências: bombeiros, policiais civis e militares, em sua maioria, homens de média idade, próximos ao final do período de eficiência vocal1. Estes profissionais passam por situações de irritação, estresse e ansiedade, requerendo dos mesmos um autocontrole emocional, para conseguir lidar com demandas pessoais muitas vezes difíceis2, 3, 4. Sendo assim, é relevante analisar a expressividade de fala, a qual demanda interação entre elementos segmentais (vogais e consoantes), prosódicos (ritmo, entonação, qualidade de voz, taxa de elocução, pausas e padrões de acento) e entre o som e sentido5. Para avaliação desses aspectos, tem-se o roteiro Voice Profile Analysis Scheme6, utilizado nesta pesquisa em sua versão adaptada para o português brasileiro, VPAS-PB7. Com seu desenvolvimento a partir do Modelo Fonético para análise da qualidade e dinâmica vocal, o VPAS-PB contribui com a avaliação da expressividade de fala, a qual é importante constituinte do exercício profissional do teleoperador de emergência e por isso, deve ser analisada em seus aspectos perceptivos.
OBJETIVO: Analisar aspectos perceptivos da expressividade de fala de teleoperadores de uma central de atendimentos a emergência.
MÉTODO: Estudo do tipo observacional, transversal, descritivo e de caráter quantitativo e qualitativo. O mesmo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição de origem, sob processo de número 0532/14 (CAAE:36516514.0.0000.5188). Foram selecionadas 9 amostras vocais de teleoperadores de uma central de emergência seguindo os critérios: tempo de atuação na área acima de três meses; não estar em licença ou afastados da função e/ou em atendimento fonoaudiológico na área de voz; a chamada ter pelo menos 20 segundos de fala direta só do teleoperador sem sobreposição de outra voz. Posteriormente, as amostras foram enviadas, a uma juíza experiente no roteiro VPAS-PB. Em seguida todos os dados foram submetidos a análise estatística.
RESULTADOS: Houve uma predominância de ajustes de qualidade vocal, tais como: lábios extensão diminuída, mandíbula fechada, corpo de língua abaixado, corpo de língua diminuído, laringe abaixada, voz modal. Quanto aos aspectos de dinâmica vocal: variabilidade de pitch diminuído e taxa de elocução rápida. O Teleoperador 4 (T4) apresentou os ajustes de lábios extensão diminuída (grau 5), mandíbula fechada (grau 5), variabilidade de pitch e de loudness aumentado (grau 4) e taxa de elocução rápida (grau 5). T8 tem ajuste de mandíbula fechada (grau 5), corpo de língua extensão diminuída (grau 5) e taxa de elocução rápida (grau 5). T1, T2, T3, T5 e T9 apresentaram a maioria dos ajustes em grau moderado, de 1 a 3. T6 apresentou ajuste de mandíbula fechada (grau 5) e T7: laringe abaixada (grau 5) e Pitch habitual abaixado (grau 5).
CONCLUSÃO: Foram detectados por meio do VPAS-PB ajustes de expressividade da fala (da qualidade e da dinâmica vocal) que podem estar comprometendo a intenção e sentido da mensagem transmitida pelos teleoperadores e também a qualidade do serviço prestado por eles. Verificou-se que a maioria dos ajustes identificados podem favorecer ao desenvolvimento de distúrbios de voz.

1. Santos CT dos, Santos C, Lopes LW, Silva POC, Lima-Silva MFB de. Relação entre as condições de trabalho e de voz autorreferidas por teleoperadores de uma central de emergência. In: CoDAS. SciELO Brasil; 2016. p. 583–594.

2. Christmann MK, Scherer TM, Cielo CA, Brum DM. Características de trabalho e de hábitos e queixas vocais de operadores de telemarketing. 247 Assistência de enfermagem a gestantes no HRAC/USP. 2010;215.

3. Amorim GO de, Bommarito S, Kanashiro CA, Chiari BM. Comportamento vocal de teleoperadores pré e pós-jornada de trabalho. Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. 2011;23(2):170–176.

4. Amorim GO de. Avaliação dos parâmetros perceptivo-auditivos e acústicos da voz de teleoperadores. [Dissertação]. Cidade: Universidade Federal de São Paulo. 2010

5. Marquezin DMSS, Viola I, Ghirardi AC de AM, Madureira S, Ferreira LP. Expressividade da fala de executivos: análise de aspectos perceptivos e acústicos da dinâmica vocal. In: CoDAS. SciELO Brasil; 2015. p. 160–169.

6. Laver J. The phonetic description of voice quality. Cambridge Studies in Linguistics London. 1980;31:1–186.

7. Camargo Z, Madureira S. Voice quality analysis from a phonetic perspective: Voice profile analysis scheme (VPAS) profile for Brazilian Portuguese. In: Proc 4th International Conference of Speech Prosody, Campinas, Brazil. 2008. p. 57–60.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2053
ANÁLISE DOS ATOS COMUNICATIVOS EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA APÓS INTERVENÇÃO EM EQUOTERAPIA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A relação entre homem e cavalo pode favorecer a intenção da criança em expressar-se1, sendo o cavalo considerado um facilitador no aparecimento de comportamentos sociais, como contato ocular1 e fala1,2. Há algumas explicações para o sucesso terapêutico na equoterapia: a experiência sensorial incorporada na equitação, os movimentos, ritmos específicos e a personalidade do cavalo1. Indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) inseridos na equoterapia podem obter melhora da socialização, através da interação com o cavalo, com a equipe e com outros praticantes3. A ausência de turnos comunicativos pode aparecer rebaixada, tanto para iniciativa quanto para responsividade4, isso demonstra dificuldades em se conectar com o outro e manter uma comunicação funcional5. O ato comunicativo é a unidade mínima de análise para entender esse processo, o qual se inicia na interação entre adultos-criança, criança-adulto ou até mesmo criança-objeto6, no caso da equoterapia, estendendo-se para o animal. OBJETIVO: Verificar a evolução dos atos comunicativos da criança antes e após processo de intervenção fonoaudiológica em equoterapia. MÉTODOS: Foram selecionadas 3 crianças de 5, 7 e 6 anos que aguardavam na lista de espera do centro de equoterapia, de grau leve, moderado e severo respectivamente, mensurados por meio da Childhood Autism Rating Scale- (CARS)7. Foi necessário o consentimento por escrito dos pais a partir dos termos de autorização para participação. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética de número 14946819.8.0000.8093. Para a avaliação fonoaudiológica foi utilizado o Teste de Avaliação Infantil ABFW – parte D6, realizado por avaliadores cegos. A intervenção ocorreu em 10 sessões de equoterapia com duração de 30 minutos, 1 vez na semana. Foram analisadas as seguintes variáveis: total de atos comunicativos voltados ao avaliador, divididos em iniciativa e resposta. RESULTADOS: A criança de grau leve, apresentou aumento de 18 para 30 atos comunicativos, 5 para 10 iniciativas, de 12 para 20 respostas e de 3,6 para 6 atos por minuto. A criança de grau moderado apresentou aumento de 24 para 48 atos comunicativos, de 11 para 24 iniciativas, de 13 para 24 respostas e de 4,8 para 9,8 atos comunicativos por minuto. A criança de grau severo, apresentou aumento de 2 para 9 atos comunicativos, de 1 para 5 iniciativas, de 1 para 4 respostas e de 0,4 para 1,8 atos por minuto. CONCLUSÃO: As crianças apresentaram melhora na produção de atos comunicativos após as sessões de equoterapia, tanto em iniciativa quanto em responsividade, caracterizando evolução na troca de turno. São necessários estudos futuros para generalização dos resultados.

1. Malcolm R, Ecks S, Pickersgill M. ‘It just opens up their world’: autism, empathy, and the therapeutic effects of equine interactions. Anthropology & medicine. 2018; 25(2): 220-234.

2. Gabriels RL, Agnew JA, Holt KD, Shoffner A, Zhaoxing P, Ruzzano S, et al. Pilot study measuring the effects of therapeutic horseback riding on school-age children and adolescent with autism spectrum disorders. Research in Autism Spectrum Disorders. 2012; 6(2): 578-588.

3. Montenegro, SB, Duarte, E. Contribuições da equoterapia para o desenvolvimento integral da criança autista. [monografia]. Pernambuco; Universidade Federal de Pernambuco; 2014.

4. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5a ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. p.50-59.

5. Fiore-Correa, O; Lampreia, C. A conexão afetiva nas intervenções desenvolvimentistas para crianças autistas. Psicol. cienc. prof. 2012; 32(4): 926-941.

6. Fernandes FDM. Pragmática. In: Andrade CRF, Befi-Lopes DM. Fernandes FDM, Wertzner HF. ABFW: teste de linguagem infantil nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. 2a ed. Barueri: Pró-Fono; 2016. p.83-97.

7. Schopler E, Reichler RJ, DeVellis RF, Daly K. Toward objective classification of childhood autism: Childhood Autism Rating Scale (CARS). J Autism Dev Disord. 1980; v.10: p. 91-103.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1993
ANÁLISE DOS NÍVEIS DE CORTISOL SALIVAR E ESFORÇO AUDITIVO EM CRIANÇAS EM IDADE ESCOLAR COM PERDA AUDITIVA UNILATERAL: INVESTIGANDO O IMPACTO DO USO DE APARELHOS AUDITIVOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A perda auditiva unilateral (PAU) é definida como déficit auditivo em uma orelha, com uma variedade de tipos, graus e configuração. O esforço auditivo pode ser descrito como a quantidade de recursos perceptivos do processo (cognitivos e atencionais) alocados a uma tarefa auditiva. O esforço auditivo também é um problema que muitos pacientes com PAU podem enfrentar. O objetivo deste estudo clínico foi avaliar o esforço auditivo de crianças em idade escolar com coleta de cortisol salivar e uma avaliação comportamental de dupla tarefa, com e sem o uso de aparelhos auditivos. Métodos: Foi realizado um ensaio clínico não randomizado, com aprovação do Comitê de Ética, sob o número 2.332.836 / 2017. O responsável pelas crianças e os próprios participantes responderam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Doze participantes, oito pacientes do sexo masculino e quatro participantes do sexo feminino, foram incluídos no estudo. A coleta de cortisol salivar foi realizada com Salivette® (SARSTEDT) e a análise dos níveis de cortisol foi realizada com o auxílio do kit ELISA da Salimetrics. A coleta salivar foi realizada duas vezes, em seis intervalos diferentes, durante um dia típico do participante. A avaliação do esforço de escuta foi realizada usando uma tarefa dupla, que uma tarefa primária foi associada a uma tarefa secundária. Para avaliar a tarefa de escuta (primária), o participante deve repetir as frases ouvidas na Lista de Frases em Português. A tarefa visual (secundária) foi realizada com o PALETA, uma plataforma desenvolvida para uso com testes de dupla tarefa. Os aparelhos auditivos retroauriculares foram adaptados com um molde de silicone. O aparelho auditivo foi ajustado ao participante usando o método prescritivo de Desired Sensation Level (DSL) e as medidas em orelha real foram realizadas. Os dados coletados foram analisados estatisticamente. Resultados: Não foram encontrados resultados significativos na tarefa de reconhecimento de fala, na análise da tarefa secundária e no tempo de resposta na condição única. Os resultados do reconhecimento de fala na condição de tarefa dupla não foram diferentes dos resultados encontrados na condição de tarefa única. Embora tenham sido observados melhores resultados de reconhecimento de fala em crianças equipadas com aparelho auditivo, não foram encontrados resultados estatisticamente significantes (p = 0,148). Os resultados do reconhecimento de fala na condição de tarefa dupla não foram diferentes dos resultados encontrados na condição de tarefa única. Apenas o quarto tubo salivar apresentou resultados estatisticamente significantes, sendo observado maior nível de cortisol após a adaptação do aparelho auditivo. Conclusão: Crianças com aparelho auditivo tiveram melhores resultados na condição de dupla tarefa do que crianças sem aparelho auditivo. A maioria dos participantes apresentou uma melhor taxa de resposta na tarefa secundária, principalmente no que diz respeito ao número de respostas corretas e a um melhor tempo de resposta. No geral, foi encontrada uma diminuição do esforço de escuta na condição de dupla tarefa. As medidas salivares de cortisol do esforço auditivo com nossos participantes não mostraram achados estatisticamente significativos após o uso de aparelho auditivo.

1- - Bess, F. H., Gustafson, S. J., Corbett, B. A., Lambert, E. W., Camarata, S. M., Hornsby, B. W. Y. (2016) Salivary cortisol profiles of children with hearing loss. Ear Hear. 37(3):334-44. https://doi.org/10.1097/AUD.0000000000000256
2- Dillon, H. (2001) Hearing aids. 2nd ed. New York: Thieme
3- Mondelli, M. F. C. G., Dos Santos, M. M., Feniman, M. R. (2020) Unilateral hearing loss: benefit of amplification in sound localization, temporal ordering and resolution. CoDAS. 32(1): e20180202. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20192018202


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2042
ANÁLISE DOS PROCESSOS DE ESCRITA CENTRAL E PERIFÉRICA DE ESCOLARES COM DISLEXIA E DISGRAFIA.
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A dislexia é definida como um distúrbio de aprendizagem específico, com prejuízo na leitura e na escrita (1). Em relação à causa da dislexia, existem diferentes teorias que justificam as dificuldades de leitura, relacionando-as a falhas nos processos fonológicos, visuais e cognitivos (2). Dessa forma, sugeriu-se que a dislexia possa incluir alterações nas funções espaciais visuais, de atenção e executivas (3-4). Tais causas são justificadas pelo fato de que aprender a ler e escrever não é uma tarefa simples. Aprender a escrever é considerado uma habilidade linguística que envolve aspectos motores e ortográficos (5-6). Assim, os processos central e periférico interagem durante a produção da escrita (5,7). Uma medida a ser utilizada como um indicador para verificar essa interação entre os módulos ortográfico e motor refere-se à latência, pois permite observar como ocorre a produção da escrita a partir do acesso lexical à recuperação de programas motores e à preparação do movimento. Dessa forma, é importante a utilização de instrumentos sensíveis à avaliação desse parâmetro, com base no uso de softwares e tablets gráficos específicos (6). No Brasil, há uma escassez de procedimentos para avaliar a caligrafia, permitindo observar parâmetros de interação entre processos centrais e periféricos. Objetivo: Caracterizar e comparar as medidas de latência das palavras escritas de alta frequência e desempenho da função motora fina em escolares com dislexia com bom desempenho acadêmico. Método: Participaram do estudo uma amostra de conveniência de 20 escolares, divididos em grupos (GI, composto por 10 escolares com diagnóstico interdisciplinar de dislexia) e (GII, composto por 10 escolares com bom desempenho acadêmico, emparelhados com o GI em relação ao sexo e idade cronológica Os escolares foram avaliados individualmente nas tarefas de Escala de Disgrafia (8), Controle Manual Fino, Precisão Motora Fina e Integração Motora Fina (9) e avaliação computadorizada da escrita de palavras de alta frequência (5-6, 10). Resultados: Os escolares com dislexia apresentaram desempenho inferior para precisão motora fina e na escala de disgrafia erros como: linhas descendentes, movimentos bruscos, irregularidade de dimensões e má formas. Esses achados sugerem que os alunos disléxicos têm dificuldades para manter o traço em linha reta, para executar o espaço correto entre as letras dentro de uma palavra e entre as palavras. Em relação à latência, os resultados indicaram que os escolares com dislexia tiveram dificuldades em escrever palavras, independentemente da regra de codificação, indicando lentidão no acesso à ortografia léxico e, consequentemente, lentidão para acessar o programa motor correspondente a palavra. Esses achados permitem indicar que há uma falha na interação entre o processo central e periférico, sendo verificado pelo aumento das medidas de latência (central) e falhas na função motora fina, caracterizando disgrafia. Conclusão: Este estudo permite observar que a disgrafia observada em escolares com dislexia começa com habilidades de alto nível, terminando com o próprio ato motor. Implicações práticas e clínicas também são abordadas, enfatizando a necessidade de um ensino sistemático e explícito de atividades da função motora fina para a população escolar.

1 Association AP. Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-5®). Washington: American Psychiatric Publishing.; 2013.
2 Reid G. Dyslexia: A practitioner's handbook. Nova Jersey: John Wiley & Sons; 2016.
3 Menghini D, Finzi A, Benassi M, Bolzani R, Facoetti A, Giovagnoli S, et al. Different underlying neurocognitive deficits in developmental dyslexia: a comparative study. Neuropsychologia 2010 Mar; 48(4):863-72.
4 Stoodley C J, Stein J F. Cerebellar Function in Developmental Dyslexia. Cerebellum 2012 August; 12(2): 267-76.
5 Kandel S, Perret C. How do movements to produce letters become automatic during writing acquisition? Investigating the development of motor anticipation. Int. J. Behav 2015 Oct; 39 (2): 113–20.
6 Germano G D, Capellini S A. Use of technological tools to evaluate handwriting production of the alphabet and pseudocharacters by Brazilian students. Clinics 2019 Mar; 74.
7 Van Galen, G P. Handwriting: Issues for a psychomotor theory. Hum Movement Sci. 1991 Mai; 10(2-3): 165-91.
8 Lorenzini MV. Uma escala para detectar a disgrafia baseada na escala de Ajuriaguerra. [Dissertação]. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR); 2003.
9 Bruininks RH, Bruininks BD. Bruininks-Oseretsky Test of Motor Proficiency [with Student Booklet]. Pearson, Incorporated. Second edition (BOT-2). Minnesota: Pearson, 2005.
10 Guinet, E., Kandel S. . Ductus: A software package for the study of handwriting production. Behav. Res. Methods 2010; 42(1), 326-32.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
490
ANÁLISE DOS RESUMOS PUBLICADOS NOS ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE FONOAUDIOLOGIA NA ÁREA TEMÁTICA DA FONOAUDIOLOGIA EDUCACIONAL.
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: Há uma aproximação histórica entre a Fonoaudiologia e a Educação, no entanto, essa cooperação tinha o pressuposto dentro de uma perspectiva biomédica e patologizante. Por conseguinte, com as mudanças no contexto nacional, o olhar do fonoaudiólogo no âmbito educacional sofreu ajustes e atualmente é entendido como o profissional que busca orientar/auxiliar o processo de ensino aprendizagem, realizar ações de promoção de saúde, contribuir na inclusão escolar, adaptação curricular, apoiar docentes e participar da elaboração de projetos em todos as esferas educacionais. É importante acrescentar que tais práticas estão atreladas a Fonoaudiologia Educacional que foi regulamentada como especialidade apenas em 2010, conforme resolução 387/2010 no CFFa. Outro importante marco histórico é a criação do Departamento de Fonoaudiologia Educacional da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia em 2012. Por ser uma especialidade relativamente recente, as práticas têm sido delineadas a partir de estudos e pesquisas na área. Objetivo: analisar os resumos aprovados para publicação desde a criação do departamento de Fonoaudiologia Educacional. Método: os dados foram coletados por meio do acesso online aos anais dos congressos, do período de 2013 a 2019. Foram considerados os trabalhos publicados em todas as categorias. O critério de seleção estabelecido foi estudo publicado nas últimas sete edições na área FONOEDUC e, de exclusão, trabalhos publicados parcialmente ou duplicados. Os dados foram extraídos utilizando-se tabela de contingência. As variáveis analisadas foram: ano, região geográfica, tipo de estudo, objetivo e população estudada. As variáveis não claramente explícitas no resumo foram excluídas. Os dados foram analisados de forma descritiva. Resultados: dentre o período selecionado, foram publicados 356 resumos, com média de 50,8 por ano. Houve comportamento oscilante de crescimento e queda entre os anos (55, 66, 37, 48, 46, 56 e 48, respectivamente), impossibilitando indicar um crescimento contínuo de 2013 a 2019. Destaca-se que 2014 foi a edição com o maior número de publicações (66), porém em 2015, houve uma queda de 44%, sendo o ano com o menor número de resumos publicados (37). A região Sudeste foi responsável pelo maior número de publicações (59%), seguida da região Sul (17%), Nordeste (16,9%), Centro-Oeste (5,3%) e Norte (0,8%). Com relação ao tipo de estudo, a maior demanda foi de trabalhos originais (68,5%), seguido de relato de experiência (10,6%) e o mesmo índice (9,8%) para revisão de literatura e relato de caso. O objetivo de cada resumo foi analisado qualitativamente e categorizados em estudos direcionados para avaliação ou intervenção. Nesta amostra, 69,9% correspondia a resumos que buscaram avaliar habilidades, competências e/ou percepções, utilizando instrumentos específicos ou questionários. Já 28,9% abordaram algum tipo de programa de intervenção ou ações interventivas. Dentre a população estudada, 67,1% teve seu foco para escolares, 21% professores, 7,3% fonoaudiólogos, 2,8% pais e/ou responsáveis e 1,6% comunidade surda. Conclusão: a produção científica analisada não indicou crescimento contínuo, predominou estudos originais, maioria realizada na região Sudeste, com foco maior em avaliação e para escolares. Este estudo possibilitou visualizar o perfil da produção científica, bem como identificar as potencialidades e fragilidades, visando contribuir para o crescimento científico da Fonoaudiologia Educacional.


1. Berberian AP. Fonoaudiologia e Educação - um Encontro Histórico. 2. ed. São Paulo: Summus; 2000.

2. Conselho Federal de Fonoaudiologia. Resolução CFFa nº 387/2010. Dispõe sobre as atribuições e competências do profissional especialista em Fonoaudiologia Educacional reconhecido pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, alterar a redação do artigo 1º da Resolução CFFa nº 382/2010. Diário Oficial da União.14 out 2010.

3. Anais do 21. Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 22-25 set 2013; Porto de Galinhas (PE). Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia; 2013.

4. Anais do 22. Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 8-11 out 2014; Joinville (SC). Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2014.

5. Anais do 23. Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 14-16 out 2015; Salvador (BA). Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2015.

6. Anais do 24. Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 20-22 out 2016; São Paulo (SP). Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2016.

7. Anais do 25. Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 12-15 set 2017; Salvador (BA). Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2017.

8. Anais do 26. Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 10-13 out 2018; Curitiba (PR). Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2018.

9. Anais do 27. Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia; 9-12 out 2019; Belo Horizonte (MG). Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
176
ANÁLISE DOS SUBSISTEMAS DA LINGUAGEM ORAL NA EPILEPSIA PEDIÁTRICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A infância é uma janela crítica para o desenvolvimento das vias da linguagem, e a atividade elétrica anormal durante esse período pode interferir no desenvolvimento típico. A etiologia das alterações de linguagem envolve aspectos orgânicos, cognitivos e sociais, ocorrendo, na maioria das vezes, uma interrelação entre todos esses fatores. A epilepsia cursa com diversas comorbidades, sendo uma desordem neurológica crônica caracterizada pela presença de crises epilépticas recorrentes, gerando consequências terapêuticas, cognitivas, psicológicas e sociais aos acometidos. Tem prevalência de 3,6 à 44/1.000 nascidos nos países em desenvolvimento, principalmente em crianças e adolescentes até 16 anos.
Objetivo: Demonstrar o impacto da epilepsia no desenvolvimento da linguagem em seus diferentes subsistemas na população pediátrica.
Método: A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma revisão de literatura com estratégia PECOS que utilizou como fonte de busca a biblioteca virtual PubMed e a BVSalud, usando-se nas buscas o cruzamento entre as palavras chaves: “Language Disorder” AND “Epilepsy”, e, “Transtorno de linguagem” AND “epilepsia". Em relação aos critérios de inclusão, consideraram-se trabalhos em português, inglês ou espanhol, sem delimitação temporal, que relacionassem o transtorno de linguagem com a epilepsia em crianças com faixa etária abaixo de 15 anos, sendo excluídos os trabalhos que admitiram outras comorbidades, como transtornos de humor e distúrbios sistêmicos.
Resultados: A busca na BVSalud resultou na localização de 19 trabalhos e na Pubmed 2.536 artigos. Após aplicação dos critérios de inclusão, seguindo a PECOS foram incluídos 22 artigos. A epilepsia infantil afeta o desenvolvimento típico da linguagem em vários subsistemas, sendo o distúrbio de linguagem o transtorno mais comum. Constatou-se que a alteração de linguagem mais freqüente está centrada no aspecto semântico, seguida de prejuízo no aspecto sintático e fonético-fonológico. Sobre o subsistema pragmático da linguagem e a compreensão da linguagem, alterações também se encontram presentes, porém em uma frequência bem menor. Além disso, encontra-se nítida correlação entre o número de descargas epilépticas e déficit de linguagem, embora, após a normalização do EEG e o desaparecimento das crises, as alterações cognitivas persistiram ou não desapareceram completamente.
Conclusão: Ressaltou-se no presente estudo a defasagem da linguagem oral receptiva e expressiva, principalmente no subsistema semântico. Desta forma, a linguagem deve ser avaliada e monitorada periodicamente, bem como tratada, em crianças com epilepsia, pois este aspecto pode agravar o desempenho acadêmico e problemas sociais, profissionais e psicológicos a longo prazo.

Croft LJ, Baldeweg T, Sepeta L, Zimmaro L, Berl MM, Gaillard WD. Vulnerability of the ventral language network in children with focal epilepsy. Brain. 2014 Aug;137(Pt 8):2245-57.

Baumer FM, Cardon AL, Porter BE. Language Dysfunction in Pediatric Epilepsy. J Pediatr. 2018 03;194:13-21.

Melo Patrícia Danielle Falcão, Melo Áurea Nogueira de, Maia Eulália Maria Chaves. Transtornos de linguagem oral em crianças pré-escolares com epilepsia: screening fonoaudiológico. Pró-Fono R. Atual. Cient. [Internet]. 2010 Mar [cited 2020 June 29] ; 22( 1 ): 55-60. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-56872010000100011&lng=en. https://doi.org/10.1590/S0104-56872010000100011.

Oliveira Ecila Paula dos Mesquita de, Neri Marina Liberalesso, Medeiros Lívia Lucena de, Guimarães Catarina Abraão, Guerreiro Marilisa Mantovani. Avaliação do desempenho escolar e praxias em crianças com Epilepsia Rolândica. Pró-Fono R. Atual. Cient. [Internet]. 2010 Sep [cited 2020 June 29] ; 22( 3 ): 209-214. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-56872010000300009&lng=en. https://doi.org/10.1590/S0104-56872010000300009.

Sepeta LN, Croft LJ, Zimmaro LA, Duke ES, Terwilliger VK, Yerys BE, et al. Reduced language connectivity in pediatric epilepsy. Epilepsia. 2015 Feb;56(2):273-82.

Steinberg ME, Ratner NB, Gaillard W, Berl M. Fluency patterns in narratives from children with localization related epilepsy. J Fluency Disord. 2013 Jun;38(2):193-205.



The epidemiology of seizure disorders in infancy and childhood: definitions and classifications.
Handb Clin Neurol. 2013; 111: 391-398





TRABALHOS CIENTÍFICOS
1701
ANÁLISE ESPACIAL DA MICROCEFALIA E ASSOCIAÇÃO COM A VULNERABILIDADE SOCIAL EM ARACAJU
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Título: Análise Espacial da Microcefalia e Associação com a Vulnerabilidade Social em Aracaju
Introdução: Após o surto de casos de microcefalia em 2015 vários estudos foram realizados analisando diferentes áreas de impacto. Isso em decorrência da presença da doença em 18 estados da federação, principalmente no Nordeste, e com o número expressivo no primeiro semestre de 2016 em 25 estados da federação e 79% dos casos no Nordeste. Objetivos: Analisar a associação entre a distribuição espacial da microcefalia e a vulnerabilidade social em Aracaju. Método: Foi realizado um estudo epidemiológico do tipo ecológico a partir de dados coletados em um inquérito populacional mais amplo que outras encefalopatias crônicas não progressivas. O Índice de Vulnerabilidade em Saúde construído para o município de Aracaju foi utilizado como variável de associação. Foram utilizadas técnicas de geoprocessamento, de modo que os dados de endereço foram geocodificados e comparados com as áreas de vulnerabilidade mediante análise exploratória de dados espaciais. Resultados: Das 27 responsáveis de indivíduos com microcefalia foram entrevistadas, 12 são trabalhadoras do lar (44,44%), 10 encontram-se desempregadas (37,04%), 20 apresentam renda familiar de 1 salário mínimo (74,07%) e em 22 casos ocorre que apenas 1 morador contribui com a renda familiar (81,48%). Com relação a moradia, 10 residem em imóveis alugados (37,04%) e 8 em imóveis cedidos (29,63%). Da população entrevistada, 16 receberam o Benefício de Prestação Continuada (59,26%) e 23 não possuem plano de saúde (85,19%). A população estudada apresentava raça/cor pretas e pardas em 22 indivíduos (81,48%); 1 indivíduo apresentava deficiência auditiva (3,70%), 8 indivíduos apresentaram deficiência visual (29,63%) e 9 indivíduos apresentavam epilepsia (33,33%). É comum que indivíduos com microcefalia desenvolvam alguma dessas doenças. Com causa possível da microcefalia, 21 indivíduos foram por doenças hereditária/congênita (77,78%) com momento presumido no pré-natal em 25 indivíduos (92,59%), sendo 15 mães não primíparas com tempo de gestação à termo em 19 dos casos (70,37%) e sem internação em 16 indivíduos após o parto (59,26%). Foi observado maior concentração dos casos de microcefalia em áreas de média e alta vulnerabilidade, e nas áreas de baixa vulnerabilidade não houveram casos. Conclusão: Os achados no presente estudo foram pioneiros não somente em Sergipe, mas no Brasil, na análise da relação existente entre a distribuição espacial da microcefalia e as populações que se encontram em situação de vulnerabilidade social. O estudo apresenta uma contribuição à área da saúde coletiva, na medida em que busca a apreensão das associações com determinantes sociais, e não somente biológicos, da microcefalia.

[1] Ferreira Rosiane Araújo, Ferriani Maria das Graças Carvalho, Mello Débora Falleiros de, Carvalho Ione Pinto de, Cano Maria Aparecida, Oliveira Luiz Antônio de. Análise espacial da vulnerabilidade social da gravidez na adolescência. Cad. Saúde Pública [Internet]. 2012 Feb [cited 2020 July 13] ; 28( 2 ): 313-323. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2012000200010&lng=en. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2012000200010.
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[3] Nunes Magda Lahorgue, Carlini Celia Regina, Marinowic Daniel, Kalil Neto Felipe, Fiori Humberto Holmer, Scotta Marcelo Comerlato et al . Microcephaly and Zika virus: a clinical and epidemiological analysis of the current outbreak in Brazil,. J. Pediatr. (Rio J.) [Internet]. 2016 June [cited 2020 July 13] ; 92( 3 ): 230-240. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572016000300230&lng=en. http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.02.009.
[4] Possas Cristina, Brasil Patricia, Marzochi Mauro CA, Tanuri Amilcar, Martins Reinaldo M, Marques Ernesto TA et al . Zika puzzle in Brazil: peculiar conditions of viral introduction and dissemination - A Review. Mem. Inst. Oswaldo Cruz [Internet]. 2017 May [cited 2020 July 13] ; 112( 5 ): 319-327. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0074-02762017000500319&lng=en. Epub Apr 06, 2017. http://dx.doi.org/10.1590/0074-02760160510.
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[6] Teixeira Nathalia, Samico Shirley de Lima, Silva Joelson REIS. Microcefalia e o acesso a políticas sociais: um estudo sobre o processo de requisições do BPC em Pernambuco. 2016. Disponível em https://www.sigas.pe.gov.br/files/10042016085716-microcefalia.e.o.acesso.a.politicas.sociais.cbas.pdf.
[7] PEIXOTO, M.V.S.; BONAMIGO, A.W.; MACHADO, M.A.M.P. Planejamento e gestão – interfaces das micro e macropolíticas de saúde. In. MARCHESAN, I.Q.; SILVA, H.J.; TOMÉ, M.C. (orgs). TRATADO DAS ESPECIALIDADES EM FONOALDIOLOGIA. São Paulo: Roca, 2014, p. 737-743.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2102
ANÁLISE FUNCIONAL DE INDIVÍDUOS COM TUMORES AVANÇADOS APÓS LARINGECTOMIA SUPRACRICÓIDE.
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A laringectomia total é o principal tratamento cirúrgico para o tratamento de tumores avançados de laringe e consiste na retirada do órgão, desassociando a via respiratória da via digestiva, consequentemente perda da voz laríngea e um traqueostoma permanente.1 Com o avanço das técnicas cirúrgicas, a laringectomia supracricóide veio como uma opção no tratamento de tumores moderadamente avançados,2,3 com a vantagem da permanência da voz laríngea, assim como a preservação da anatomia respiratória e exclusão da necessidade de um traqueostoma permanente.4 Já é consenso que na avaliação pós cirúrgica dos aspectos funcionais, os melhores resultados são esperados para os tumores de menor estadiamento, tendo em vista a menor ressecção e a menor utilização de terapias adjuvantes. O estudo dos resultados funcionais do grupo com tumores mais avançados é assim foco de atenção para que a técnica mantenha o sucesso terapêutico e funcional esperado que justifique a sua substituição por uma laringectomia total. 4 5 OBJETIVO: O objetivo deste estudo, foi verificar o desfecho funcional da alimentação e a produção da voz laríngea dos indivíduos com tumores avançados de laringe (T3 e T4), que passaram pela laringectomia supracricóide como tratamento cirúrgico em um hospital de referência no Rio de Janeiro. MÉTODO: Estudo retrospectivo e transversal, aprovado pelo CEP: 2.760.520. Amostra de 103 indivíduos, entre os anos de 1996 a 2019, que apresentaram câncer de laringe de estádio avançado, cT3 e cT4, elegíveis para tratamento cirúrgico por Laringectomia supracricóide com reconstrução por Cricohioidoepiglotopexia (CHEP) e Cricohioidopexia (CHP). Os dados foram coletados através de busca ativa em prontuário físico e sistema de armazenamento de dados da instituição. RESULTADOS: Foram coletados ao todo dados de 103 prontuários, com média de idade de 61 anos, a amostra é formada por 93,2% (n=96) homens, 6,8% (n=7) mulheres. A porcentagem de fumantes ao diagnóstico foi de 66,02% (n=68) e de etilistas ao diagnóstico 61,17% (n=63). O estadiamento cT3 foi de 95,15% (n=98) e cT4 representou 4,85% (n=5) da população. Reconstrução por CHEP 95,15% (n=98) e CHP 4,85% (n=5), e 69,9% (n=72) foram preservadas as duas aritenóides, enquanto 28,16% (n=29) uma aritenóide e 1,94% (n=2) não foi informado. A população estudada voltou a se alimentar através da via oral, sem associação a alguma via alternativa, em 89,32% (n=92) assim como a voz laríngea, sem a presença de cânula de traqueostomia, 82,52% (n=85). CONCLUSÃO: A laringectomia supracricóide é alternativa adequada para o tratamento de tumores avançados de laringe. Com a retirada de parte do órgão e não sua totalidade, há a vantagem da não permanência de um traqueostoma e a manutenção da voz laríngea. Este estudo mostra que, mesmo na população com estadiamento mais avançado, esta técnica mantém os resultados funcionais e oncológicos que justifiquem sua realização nesta população.

1. NORONHA, M. J. R de; DIAS, F. L. . Cirurgias Subtotais. In: NORONHA, Mario Jorge R de; DIAS, Fernando Luiz. Câncer da Laringe: Uma abordagem multidisciplinar. Primeira edição. ed. Rio de Janeiro: RevinteR, 1997. cap. 21, p. 173-180. ISBN 85-7309-142-8.


2. Mercante, G., Grammatica, A., Battaglia, P., Cristalli, G., Pellini, R., & Spriano, G. (2013). Supracricoid Partial Laryngectomy in the Management of T3 Laryngeal Cancer. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 149(5), 714–720.


3. Succo G, Crosetti E. Limitations and Opportunities in Open Laryngeal Organ Preservation Surgery: Current Role of OPHLs. Front Oncol. 2019;9:408. Published 2019 May 22.


4. Laccourreye H, Laccourreye O, Weinstein G, Menard M, Brasnu D. Supracricoid laryngectomy with cricohyoidoepiglottopexy: a partial laryngeal procedure for glottic carcinoma. Ann Otol Rhinol Laryngol. 1990 Jun;99(6 Pt 1):421-6.


5. Yang H, Han D, Ren X, Luo H, Li X. Investigation of swallowing function and swallowing-related quality of life after partial laryngectomy in Chinese patients with laryngeal carcinoma. Health Qual Life Outcomes. 2019 Jul 26;17(1):132. doi: 10.1186/s12955-019-1199-5.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1614
ANÁLISE NÃO LINEAR DE VOZES DE IDOSOS DO SEXO FEMININO E MASCULINO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz do idoso sofre mudanças na qualidade vocal que são refletidas na análise acústica1-3. Além disso, medidas acústicas tradicionais como F0 (Frequência Fundamental), jitter, shimmer e NHR (Noise-to-Harmonic Ratio) diferem entre sexos nos idosos e, tal informação deve ser levada em conta na avaliação e terapia vocal1-3. Além da análise acústica tradicional, a análise acústica não linear tem se mostrado útil na avaliação vocal de diferentes faixas etárias. Objetivo: Comparar os resultados da análise acústica não linear por meio da Reconstrução de Espaço de Fase (REF) de vozes de idosos do sexo masculino e feminino, falantes do português brasileiro. Metodologia: Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos da instituição (nº1.054.283/2015). Foram utilizadas as gravações da emissão da vogal /a/ sustentada de 14 homens (média de 73,9 anos) e 15 mulheres (média de 77,13 anos). Na avaliação perceptivo-auditiva, as vozes foram julgadas consensualmente como vocalmente saudáveis por três fonoaudiólogas treinadas. A análise acústica não linear foi realizada pela análise da REF utilizando o programa "Análise de Voz"4. Conforme padronização4., as gravações foram editadas no próprio programa com o descarte do primeiro segundo do sinal acústico utilizando o tempo subsequente de 0,5 segundos para homens e 0,25 para mulheres. Foi realizada análise perceptivo-visual do gráfico gerado por meio do Protocolo CIE4 (Curva, Irregularidade e Espaçamento). Neste protocolo, as medidas de curvas podem variar de 0 a 4 ou mais, sendo o melhor resultado, o valor de 4 ou mais voltas. A irregularidade da trajetória da onda, numa escala numérica, pode variar de grau 0 (normal) a 3 (severo). O espaçamento da trajetória de onda é mensurado pelo software de análise e categorizado em milímetros em uma escala de 0 (normal) a 3 (severo), conforme padronização. O julgamento visual das imagens foi feito inicialmente por três fonoaudiólogos treinados e, quando não houve concordância exata entre eles, houve a participação de um quarto avaliador treinado. O teste não paramétrico Mann-Whitney foi utilizado para a comparação das vozes entre sexo, nível de significância p<0,05. Resultados: Foi observado diferença significativa no parâmetro irregularidade (p=0,001) e espaçamento (p=0,005), com resultados piores para o grupo masculino. Enquanto 93% das vozes masculinas apresentou graus 2 ou 3 de irregularidade, estes graus foram observados em 53% das vozes femininas. Em 78,6% das vozes masculinas foi observado espaçamento de médio a grande, fato observado somente em 26,7% das mulheres. Ambas, vozes masculinas e femininas apresentaram o melhor número de curvas (quatro ou mais). Estudo prévio com a utilização do CIE em vozes de indivíduos adultos também apontou diferenças entre os sexos no parâmetro espaçamento5. Conclusão: Houve diferença entre os sexos nos achados vocais de idosos pelo protocolo CIE com a REF, apontado piores resultados na irregularidade e espaçamento na população masculina, o que sugere maior aperiodicidade vocal em homens idosos.

1- Spazzapan, E. A., Cardoso, V. M., Fabron, E. M. G., Berti, L. C., Brasolotto, A. G., Marino, V. C. C.. Características acústicas da voz de falantes do português brasileiro nos diferentes ciclos da vida. CoDAS. 2018; 30(5):e20170225
2- Mezzedimi C; Di Francesco M; Livi W; Spinosi M; De Felice C. Objective Evaluation of Presbyphonia: Spectroacoustic study on 142 patients with Praat. J Voice. 2017; 31 (2): 257.e25-257.e32
3- Spazzapan EA, Marino VCC, Cardoso VM, Berti LC, Fabron EMG. Características Acústicas da Voz nos Diferentes Ciclos da Vida: Revisão Integrativa da Literatura. Rev. CEFAC. 2019; 21(3):e15018.
4- Montagnoli, AN. [Análise de Voz] Sistema de Auxílio à Análise Acústica da Voz. (2019).
5- Galdino, DB. Padronização da análise não linear de vozes saudáveis pela reconstrução do espaço de fase (REF). [Tese] São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1415
ANÁLISE NÃO LINEAR DE VOZES SAUDÁVEIS DE IDOSOS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Estudos recentes sobre análise não linear da voz contribuíram no processo de análise da qualidade vocal, permitindo ao fonoaudiólogo a realização de uma avaliação vocal por meio de padrões visuais(1-4).. Com a padronização do Protocolo da análise não linear pela Reconstrução do Espaço de Fase (REF)(5) e do Protocolo de Curva, Irregularidade e Espaçamento (CIE) (4) é possível compreender um pouco mais sobre a qualidade vocal de um sujeito, sob o ponto de vista da análise acústica não linear. OBJETIVO: Investigar características da produção vocal de vozes masculinas de idosos falantes do português brasileiro (PB), a partir de análise não linear do sinal acústico. MÉTODO: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (no1.054.283/2015). Foram utilizadas gravações contendo a emissão sustentada da vogal /a/ de vozes pertencentes a 14 homens (70 a 93 anos), sem queixas vocais. Foi realizada inicialmente avaliação perceptivoauditiva das vozes que foram julgadas consensualmente como vocalmente saudáveis por três fonoaudiólogas treinadas. Para realização da análise não linear foi seguido o Protocolo padronizado da análise não linear pela REFcom o uso do Protocolo CIE(5), com avaliação de três parâmetros:Curva, no qual observa-se a quantidade de curvas presente no gráfico, podendo classificá-la entre uma a quatro ou mais curvas¬, sendo a melhor situação, o maior número; Irregularidade, relacionada a aperiodicidade vocal e Espaçamento, automáticamente definido pelo programa pela espessura do traçado, ambos parâmetros são analisados em escala numérica de 0 a 3 pontos, da melhor para pior configuração. Para obter a análise da REF utilizou-se o Programa Análise da Voz(6). Após a seleção de 0,5 segundos do trecho mais estável da gravação, o programa gera um gráfico bidimensional com a REF. Foi realizado análise perceptiva-visual em consenso por três fonoaudiólogas previamente treinadas a fim de analisar os parâmetros de curva, irregularidade e espaçamento dos gráficos gerados. ESULTADOS: Em relação à quantidade de curvas da trajetória dos gráficos da REF , 100% dos homens apresentaram trajetórias com mais de quatro curvas. Relativo ao parâmetro irregularidade da REF, 50% dos homens idosos tiveram a classificação do grau 3 (Severa = severa completa ou esporádica). O Espaçamento da REF foi classificado com grau 3 (grande=maior ou igual a 14mm da trajetória) em 50% das vozes dos idosos saudáveis. CONCLUSÃO: Concluiu-se que as gravações de vozes de homens idosos saudáveis analisadas pelo protocolo CIE apresentaram mais de 4 curvas na trajetória, irregularidade com grau 3 e espaçamento de grau 3. A Análise não linear realizada trouxe informações acústicas adicionais que favorecem a compreensão dos aspectos vocais de homens saudáveis.

1- Dajer M. Análise de sinais de voz por padrões visuais de dinâmica vocal. [Tese]. São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2010.
2- Dajer M. Padrões Visuais de sinais de voz através de técnica de análise não linear. [Dissertação]. São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2006.
3- Marrara J. Padrão Visual da dinâmica vocal como instrumento para o diagnóstico da disfagia em pacientes com alterações neurológicas. [Dissertação]. São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo,2010.
4- Galdino D. Análise acústica não linear dos Padrões Visuais de dinâmica Vocal (PVDV) de homens adultos. [Dissertação]. São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2012.
5- Galdino D. Padronização da análise não linear de vozes saudáveis pela reconstrução do espaço de fase (REF). [Tese]. São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2019.
6- Montagnoli A. [Análise de Voz] Sistema de Auxílio à Análise Acústica da Voz. 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1504
ANÁLISE NÃO LINEAR DE VOZES SAUDÁVEIS DE MULHERES IDOSAS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Título: Análise não linear de vozes saudáveis de mulheres idosas
Introdução: Dentre os vários métodos relatados sobre dinâmica não linear, destaca-se a Reconstrução de Espaço de Fase (REF), que mostra a dinâmica da vibração das pregas vocais em função do tempo(1). Em casos de múltiplas variáveis difíceis de serem avaliadas, como o caso da voz humana, a análise pela REF tem se mostrado útil, pois traça uma série temporal simples, o que facilita a avaliação da dinâmica vocal. Tal traçado, ou também denominada trajetória, representa toda a dinâmica de um sistema, onde sistemas periódicos são representados por trajetórias fechadas e sistemas aperiódicos por trajetórias irregulares(2,3). Representando a dinâmica vibratória da voz e sua configuração, o gráfico final elaborado a partir da REF traz aos profissionais maiores informações sobre a qualidade vocal, por representar traçados firmes, regulares congruentes e quantidades elevadas de curvas, que indicam maior periodicidade da voz, ou seja, melhor qualidade vocal(1-4). Objetivo: Verificar o padrão de vozes saudáveis de mulheres idosas falantes do português Brasileiro pela análise não linear. Método: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (nº 1.054.283/2015). Foram utilizadas 15 gravações da vogal /a/ sustentada de vozes de mulheres idosas, com média 77,13 anos, sem queixas vocais, julgadas como vocalmente saudáveis por meio de avaliação perceptivo-auditiva, por duas fonoaudiólogas experientes. Foram extraídas das gravações as imagens das trajetórias das vozes de cada participante, conforme padronizado anteriormente(3) pelo Programa Análise de Voz(5). Para análise foi utilizado o protocolo CIE (Curvas, Irregularidade e Espaçamento)(3). As curvas foram medidas pela quantidade de seu aparecimento em que o valor de 4 ou mais curvas representa o melhor resultado para a qualidade vocal; a irregularidade foi analisada por escala numérica de quatro pontos, em que 0 significa normal e 3 desvio severo; e, o espaçamento do traçado foi mensurado por meio do software com resultados categorizados em graus de 0 (mínimo) a 3 (grande). Resultado: Em relação à quantidade de curvas da trajetória dos gráficos da REF do trecho da vogal /a/, 100% das mulheres apresentaram trajetórias com mais de 4 curvas, indicando padrões de vozes saudáveis. Em relação ao grau de irregularidade os principais resultados mostraram que 33,3% (n=5) das vozes apresentaram irregularidade de grau 1 e, 40% (n=6) de grau 2. Em relação ao grau de espaçamento, 20% (n=3) das mulheres apresentaram trajetórias de grau 0, 53,3% (n=8) de grau 1 e, 20% (n=3) de grau 2. Estudo reportado na literatura descreveu a avaliação de vozes de mulheres adultas pelo CIE(3) apontando diferenças dos resultados encontrados, no estudo ora reportado, das vozes de idosas referentes ao grau de irregularidade e espaçamento. Conclusão: Pelo protocolo CIE foi possível verificar que a maioria das vozes de idosas mostrou quantidade de curvas e grau de espaçamento representativo de boa qualidade vocal e com grau de irregularidade e de espaçamento apontando falta de equilíbrio na manutenção da emissão. Novos estudos são necessários para compreensão das mudanças vocais em outras populações.

1- Galdino, DG. Análise acústica não linear dos padrões visuais de dinâmica vocal (PVDV) de homens adultos. [Dissertação] Universidade de São Paulo, 2012.

2- Jiang, JJ.; Zhang, Y.; Mcgilligan, C. Chaos in voice, from modeling to measurement. J Voice, 2006.v. 20, p. 2-17.

3- Galdino, DB. Padronização da análise não linear de vozes saudáveis pela reconstrução do espaço de fase (REF). [Tese] São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2019.

4- Dajer, ME. Análise de sinais de voz por padrões visuais de dinâmica vocal. [Tese] São Carlos (SP): Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 2010.

5- Montagnoli, AN. [Análise de Voz] Sistema de Auxílio à Análise Acústica da Voz. (2019).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2019
ANALISE NÃO LINEAR PELA RECONSTRUÇÃO DO ESPAÇO DE FASE EM LESÕES BENIGNAS DA LARINGE
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A Análise Não Linear (ANL) pela Reconstrução do Espaço de Fase (REF) tem sido uma importante ferramenta de análise vocal em todos os tipos de sinais de voz, pois considera os elementos caóticos da voz humana. Porém, ainda são poucos os estudos que investigaram a REF em vozes disfônicas decorrentes de lesões laríngeas. Objetivo: Descrever a reconstrução do espaço de fase (REF) nos sinais de voz com nódulos, cisto e sulco vocal. Método: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa número 2.332.833. Foram analisados 106 sinais voz de pacientes obtidas em banco de dados e uma clínica escola entre os anos de 2010 e 2019, divididos em 3 grupos: Grupo Nódulos (GN) com 43 sinais de voz (41 de mulheres e 2 de homens, com idades de 18 a 50 anos, média 32 ± 8 anos); Grupo Cisto (GC) com 40 sinais de voz (39 de mulheres e 1 de homem, idades de 18 a 47 anos, média 31 ± 8 anos) e Grupo Sulco (GS) com 23 sinais de voz (13 de mulheres e 10 de homens idades de 22 a 48 anos, média 34 ± 9 anos). Todos dos sinais de voz foram classificados quanto ao Tipo de voz, por meio do espectrograma (análise do traçado e presença de ruído) e da avaliação perceptivo-auditiva. A REF foi analisada pelo gráfico bidimensional gerado pelo Voice Analysis Program inicialmente pelo formato, se aberto fechado ou caótico e os traçados dos gráficos pela escala C-IE: Curvas (1=1 curva, 2=2 curvas, 3=3 curvas e 4=4 curvas ou mais e NA=não avaliável); Irregularidade (0=ausente, 1=leve, 2=moderado e 3=severo e NA=não avaliável) e Espaçamento (0=mínimo - de 0 a 5,9mm; 1=pequeno - de 6 a 8,9mm; 2=médio - de 9 a 13,9mm e 3=grande ≥14mm) NA=não avaliável). Análise estatística realizada pelo Teste de Mann-Withney com significância de 5%. Resultados: A classificação quanto aos Tipos de voz indicou predomínio do Tipo I no GN e GC e predomínio do Tipo II no GS. Na análise da REF, todos os grupos apresentaram gráficos com trajetória, em sua maioria, aberta (GN=65%, GC=61% e GN=65%). Na escala C-IE houve predomínio para todos os grupos de gráficos com 4 curvas (GN=63%, GC=60% e GS=56%) e grau 1 para a irregularidade dos traçados (GN=42%, GC=43% e GN=52%). O espaçamento predominante dos traçados foi grau 1 para GN e GC (46% e 48% respectivamente) e grau 2 para GS (52%). Não houve diferença significante (p>0,05) entre os grupos para nenhum dos parâmetros avaliados na REF. Conclusão: A REF nos sinais de voz de pacientes com nódulo, cisto e sulco vocal apresentaram traçados com predomínios de trajetórias abertas, 4 curvas e irregularidade leve. Para nódulos e cisto o espaçamento dos traçados foi predominante pequeno e para sulco médio.

GIOVANNI A, OUAKNINE M, GUELFUCCI R, YU T, ZANARET M, TRIGLIA JM. Nonlinear Behavior of Vocal Fold Vibration: The Role of Coupling Between the Vocal Folds. J Voice, 1999 Dec;13(4):465-76.

HENRIQUÉZ P, ALONSO JB, FERRER MA, TRAVIESO CM, GODINO-LLIORENTE JI, DÍAZ-DE-MARÍA F. Characterization of healthy and pathological voice through measures based on nonlinear dynamics. IEEE Transactions on Audio, Speech, and Language Processing, 2009 Aug; 17(6): 1186- 1195.

DAJER ME. Análise de sinais de voz por padrões visuais de dinâmica vocal. São Carlos. Tese [Doutorado em Ciências] Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo; 2010.

CHOI SH, ZHANG Y, JIANG JJ, BLESS DM, WELHAM NV. Nonlinear dynamic-based analysis of severe dysphonia in patients with vocal fold scar and sulcus vocalis. J Voice 2012 Sep;26(5):566-76.

LOPES L, DAJER ME, CAMARGO Z. Análise acústica na clínica vocal. In: LOPES L, MORETI F, RIBEIRO LL, PEREIRA EC. Fundamentos e atualidades em voz clínica. Rio de Janeiro: Revinter; 2019.

GALDINO DG. Padronização da análise não linear de vozes saudáveis pela Reconstrução do Espaço de Fase (REF). Tese [Doutorado em Ciências] Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo; 2019.

GONÇALVES MF. Análise acústica não linear pela Reconstrução do Espaço de Fase em sinais de voz com lesões benignas da laringe. Dissertação [Mestrado em Ciências] Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo; 2019.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
500
ANÁLISE PERCEPTIVO-AUDITIVA DA VOZ DE PACIENTES COM ALTERAÇÕES ORGANOFUNCIONAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A disfonia é um distúrbio na comunicação que impede a produção natural da voz, impactando a qualidade de vida do indivíduo. Dentre as diversas origens e classificações das disfonias estão as organofuncionais que correspondem às alterações vocais de base funcional com lesões secundárias resultantes de um comportamento vocal inadequado, sendo as mais comuns os pólipos, nódulos e edemas de Reinke.[1-7] Objetivo: Caracterizar a população com disfonia organofuncional do Ambulatório de Laringe de um hospital público, quanto às lesões laríngeas, queixas, qualidade vocal pré e pós tratamento, e tratamento indicado. Métodos: Este estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa sob parecer Nº1.619.520. Caracteriza-se por um estudo transversal cuja população estudada foi composta pelos pacientes do ambulatório de laringe de um hospital público, por meio dos registros presentes no banco de dados do projeto de extensão do curso de Fonoaudiologia da Universidade vinculada ao hospital. Dos 1465 registros, 242 foram identificados com lesões organofuncionais. Para caracterização da voz dos pacientes pré e pós tratamento, utilizou-se os parâmetros grau geral (G), rugosidade (R) e soprosidade (B) da escala GRBASI. Foram observados, também, as queixas e os encaminhamentos para os devidos tratamentos, segundo a lesão encontrada. Resultados: Dos 242 pacientes diagnosticados com alterações organofuncionais, 171 foram do sexo feminino com idade média de 46,57 (±13,93) anos. Os pólipos foram as lesões mais encontradas, com 40,08% do total, seguidos dos nódulos com 30,99%. Com relação às queixas, a mais referida foi a de rouquidão em todos os subtipos de lesões. Quanto ao grau de alteração dos parâmetros G e R da GRBASI, no momento pré-tratamento, a maior ocorrência foi de grau moderado e leve, nos casos de pólipos e nódulos, respectivamente. Observou-se, ainda, quantitativo reduzido de indivíduos com disfonia em grau extremo. O parâmetro B (soprosidade), mostrou-se raramente alterado em todas as afecções. Quanto ao tratamento, a fonoterapia foi a mais indicada em, pelo menos, 80% das vezes nos casos de nódulos e 20% das vezes nas demais lesões. A cirurgia foi a mais indicada para tratamento dos pólipos. Do total, 66 pacientes contavam com registro pós tratamento. Foi possível observar melhora, principalmente no caso dos pólipos, onde a disfonia passou de moderada para ausente. Conclusão: A população com disfonia organofuncional atendida na Instituição estudada foi, em sua maioria, do sexo feminino, com idade média de 46,57 (±13,93) anos. A lesão organofuncional mais ocorrente foram os pólipos, seguidos dos nódulos e edemas de Reinke. A principal queixa apresentada pelos pacientes foi a de rouquidão. A lesão que apresentou maior ocorrência de grau de disfonia moderada foram os pólipos e a maior ocorrência de grau geral leve foram associadas aos nódulos. No que diz respeito ao tratamento, as condutas mais indicadas foram a fonoterapia, no caso dos nódulos, e a cirurgia nos pólipos. Após o tratamento, o grau de disfonia permaneceu em grau leve nos nódulos e passou a ser de grau ausente nos casos de pólipos.

1. Behlau M. Voz: o livro do especialista. 2 ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2008. 349 p.
2. Lobo BPL, Madazio GMV, Badaró FAR, Behlau M. Risco vocal em pastores: quantidade de fala, intensidade vocal e conhecimentos sobre saúde e higiene vocal. CoDAS.2018; 30 (2): e20170089.
3. Roy N, Merrill RM, Gray SD, Smith EM. Voice disorders in the general population: prevalence, risk factors, and occupational impact. Laryngoscope. 2005; 115:1988-95.
4. Amorim GO, Balata PMM, Vieira LG et al. Biofeedback in dysphonia – progress and challenges. Braz J Otorhinolaryngol. 2018; 84 (2): 240-8.
5. Sapienza CM, Ruddy BH, Baker S. Laryngeal structure and function in the pediatric larynx: clinical applications. Lang Speech Hear Serv Schools. 2004; 35 (4): 299-307.
6. Aronson AE, Bless DM. Clinical voice disorders, 4th ed. New York: Thieme, 2009, 301p.
7. Neves BM, Neto JG, Pontes P. Diferenciação histopatológica e imunoistoquímica das alterações epiteliais no nódulo vocal em relação aos pólipos e ao edema de laringe. Rev Bras Otorrinolaringol. 2004; 70 (4): 439-48.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1007
ANÁLISE PERCEPTIVO-AUDITIVA E ACÚSTICA EM CRIANÇAS SEM QUEIXAS VOCAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz infantil apresenta-se com características distintas da voz do adulto, devido à morfologia das estruturais laríngeas, sua posição relativa no pescoço, instabilidades resultantes do processo de crescimento e desenvolvimento e padrões comportamentais(1-6). Portanto, muitas vezes os pais acreditam que as alterações vocais infantis são passageiras e não causam impacto em suas relações sociais, não buscando o tratamento necessário(3,7). Objetivo: Verificar a ocorrência de alterações vocais em crianças sem queixas e suas respectivas características. Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme resolução CNS/MS No 466/12, sob parecer 1.668.792. Foram avaliados os registros vocais de 36 crianças sem queixas, matriculadas em um Centro de Educação Infantil, com idade entre seis e oito anos, sendo 17 do sexo feminino e 19 do sexo masculino. A pesquisa foi embasada em dados secundários, já registrados em bancos de dados com gravações de emissões de vogais sustentadas /a/, /ε/, seis frases padronizadas e fala espontânea, em softwares de análise acústica. Os resultados da análise perceptivo-auditiva foram obtidos por meio das pontuações do protocolo Consensus Auditory-Perceptual Evaluation of Voice (CAPE-V) aplicado por três juízas, com expertise em análise vocal, a partir de um arquivo contendo todas as amostras de vozes, acrescidas de 10% de repetição aleatória para análise de confiabilidade intra avaliador. A avaliação da concordância intra e inter-juízes das variáveis da análise perceptivo-auditiva foi realizada por meio do coeficiente de correlação intraclasse (ICC), equivalente à estatística Kappa para variáveis contínuas. O valor obtido para cada criança, em cada um dos parâmetros analisados, foi calculado pela média dos valores expressos pelas juízas. A análise acústica foi realizada por meio do programa VoxMetria e os parâmetros analisados foram: frequência fundamental média, jitter, shimmer e a do glottal to noise excitation ratio (GNE). Resultados: Observou-se que a ocorrência de alterações foi de 33,89% nos meninos e 24,49% nas meninas, sendo 13,89% em grau de alteração discreto, com maior ocorrência para soprosidade. Também foram encontradas alterações de jitter (em 41,67% das crianças), de shimmer (em 19,45%), GNE (80,56%) e valores de frequência fundamental fora dos padrões de normalidade para a faixa etária estudada, em 86,11% das crianças. Conclusão: A ocorrência de alterações vocais em crianças sem queixa vocal foi maior nos meninos do que nas meninas, em todos os parâmetros estudados. As alterações vocais foram caracterizadas por rugosidade e soprosidade, com maior ocorrência para a soprosidade. O parâmetro acústico alterado mais ocorrente foi o GNE e os parâmetros com maior nível de alteração foram o jitter e o shimmer, em ambos os sexos. Com base nos achados deste estudo, sugere-se que haja maior investigação referente à voz infantil, na população que frequenta centros de educação e reforça a necessidade de orientação familiar e a professores, sobre saúde vocal das crianças.

Descritores
Criança; Disfonia; Distúrbios da voz; Qualidade da Voz;

1. Aronson AE, Bless DM. Clinical voice disorders. 4ed. New York: Thieme, 2009. 301p.
2. Gomes AOC, Queiroga BAM, Cunha DA, Pinto DG, Silva HJ, Muniz, LF. O desenvolvimento da comunicação na segunda infância e adolescência. In: Queiroga BAM, Gomes AOC.; Silva HJ. Desenvolvimento da comunicação humana nos diferentes ciclos de vida. Barueri: Pró-Fono, 2015, p.121-146.
3. Paixao CLB, Siqueira LTD, Coelho AC, Brasolotto AG, Silverio KCA. Há concordância entra pais e filhos quanto a seus comportamentos vocais? Revista Distúrbios da Comunicação. São Paulo, 2015; 27(4): 750-759.
4. Maia AA, Gama ACC, Kümmer AM. Características comportamentais de crianças disfônicas: revisão integrativa da literatura. CoDAS, 2014;26(2):159-63.
5. Tavares ELM, Labio RB, Martins RHG. Estudo normativo dos parâmetros acústicos vocais de crianças de 4 a 12 anos de idade sem sintomas vocais: estudo piloto. Brasilian Journal of Otorhinolaryngology, 2010; 76(4).
6. Lopes LW, Lima ILB, Almeida LNA, Cavalcante DP, Almeida AAF. Severity of voice disorders in children: correlations between perceptual and acoustic data. J Voice. 2012;26:819.e7- e12
7. Ribeiro VV, Leite APD, Filho LL, Cielo CA, Bagarollo MF. Percepção dos pais sobre a qualidade de vida em voz e evolução clínica de crianças disfônicas pré e pós-terapia fonoaudiológica em grupo. Revista Distúrbios da Comunicação. São Paulo, 2013; 25(1): 81-90.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1778
ANÁLISE PSICOMÉTRICA DA VERSÃO BRASILEIRA DO QUESTIONÁRIO DE QUALIDADE DE VIDA EM VOZ (QVV)
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: O Questionário de Qualidade de Vida em Voz (QVV)(1) é utilizado na avaliação da voz para avaliação do impacto da alteração vocal na qualidade de vida dos indivíduos. Esse instrumento foi validado para o português brasileiro, a partir do Voice-Related Quality of Life – V-RQOL(2), desenvolvido em inglês americano, e considera seus itens e estrutura fatorial, com os domínios funcionamento-físico e socioemocional. Apesar disso, sabe-se que a população testada, a cultura e língua podem influenciar diretamente na análise psicométrica desses instrumentos. Por isso é recomendada a extração de medidas de confiabilidade, realização da Análise Fatorial Exploratória (AFE) e Confirmatória (AFC), e estimação dos parâmetros item-a-item, em cada processo de validação(3-5). A aplicação dessa análise no QVV possibilita, além da estrutura fatorial adequada e da quantificação da qualidade de vida, o entendimento de novos raciocínios e conceitos sobre qualidade de vida em voz, refletindo na otimização da avaliação, intervenção e monitoramento da disfonia. OBJETIVO: Investigar as medidas psicométricas do QVV brasileiro. MÉTODOS: Participaram do estudo 561 indivíduos brasileiros, disfônicos (n=366; 65,24%) e vocalmente saudáveis (n=195; 34,76%), com idade média de 37,48 (±15,08) anos, sendo 66,84% (n=375) do sexo feminino. Para a construção do banco de dados, foram extraídos dos prontuários dos pacientes os dados pessoais, diagnóstico laríngeo e item a item do QVV. Os dados foram analisados estatisticamente de forma descritiva e inferencial, por meio dos testes Alfa de Cronbach, correlação item-total, AFE e AFC, além da aplicação da Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo de Lord-Birbaum. Questões éticas foram consideradas (protocolo nº 85.774/2015). RESULTADOS: Foi observado índice alfa de Cronbach de 0,916, demonstrando uma boa consistência interna para o QVV. O coeficiente de correlação item-total (CIT) informou que os itens têm boa correlação entre si e com o construto. A AFE foi realizada com base no índice Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e Teste de Esfericidade de Bartlett, que indicaram a adequação da amostra testada. Todos os itens apresentaram comunalidade e cargas fatoriais satisfatórias, que fatoraram em um único fator. A estrutura unifatorial do QVV foi confirmada na AFC. Dessa forma, a estrutura fatorial da versão brasileira do QVV demonstrou que todos os itens estão relacionados à qualidade de vida em voz de forma geral, diferentemente da original em inglês, que apresenta dois domínios(1). Na TRI, as curvas características dos itens sugeriram dicotimização das respostas. Além disso, observou-se que todos os itens apresentaram bom nível de discriminação entre disfônicos e vocalmente saudáveis, sendo aqueles relacionados com questões físicas os mais discriminativos, como o item 9 (tenho que repetir o que falo para ser compreendido) que apresentou maior poder de discriminação. Observou-se ainda que os itens relacionados às questões socioemocionais requerem maior nível de comprometimento para serem assinaladas.CONCLUSÃO: O QVV apresentou boa consistência interna, todos os seus itens foram mantidos, foi adotado o fator único, que engloba todos os itens do QVV e a resposta aos itens tornou-se dicotômica. O comprometimento no funcionamento físico é o principal para diferenciar indivíduos disfônicos, sendo que os mais comprometidos tendem a referir questões socioemocionais.

1. GASPARINI, G.; BEHLAU, M. Quality of life: validation of the Brazilian version of the voice-related quality of life (V-RQOL) measure. Journal of Voice. 2009; 23:76–81.
2. HOGIKYAN ND, SETHURAMAN G. Validation of an instrument to measure voice-related quality of life (V-RQOL). J Voice. 1999;13(4):557-69.
3. BRANSKI, R.C. et al. Measuring quality of life in dysphonic patients: a systematic review of content development in patient-reported outcomes measures. Journal of Voice. 2010;24(2):193-8.
4. AGUIAR, A.C.; ALMEIDA L.N.A.; PERNAMBUCO, L.A.; PALHANO, D.B., ANDRADE, J.M.; BEHLAU, M.; ALMEIDA, A.A.F. Stages of Readiness in Patients With Dysphonia: A Proposal Based on Factor Analysis Using the URICA-V Scale . Journal of Voice. 2018.
5. PASQUALI, L. Análise fatorial para pesquisadores. Brasília (DF): LabPAM/UnB, 2012.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2024
ANÁLISE QUANTITATIVA DOS PROCEDIMENTOS FONOAUDIOLÓGICOS NA REGIÃO SUDESTE DO BRASIL
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Os fatores sociais, econômicos e políticos tem uma relação direta com as práticas do profissional, pois interferem sobre as condições de saúde daquele grupo populacional (WHITHEAD, 2006). Sendo assim, deve-se ter atenção sobre as necessidades e problemas que estão interferindo as práticas sociais dos indivíduos para ofertar atendimentos em redes públicas de atuação (DA SILVA, 2014). Desse modo, tornam-se viáveis: o acompanhamento das ações desenvolvidas e a proposição de novas estratégias de enfrentamento às demandas da rede (DA SILVA, 2014). Não existem informações sobre essas análises. Por isso é necessário avaliar o comportamento da população sobre os procedimentos fonoaudiológicos que o ambiente ambulatorial no SUS oferta, para assim, tirar conclusões de como estes interferem no âmbito social dessas populações. Por isso, foi necessária uma pesquisa exploratória no DATASUS para, dessa forma, conseguir averiguar quais são os procedimentos fonoaudiológicos que o sistema oferta nessa área da saúde. Objetivo: Investigar as ações e procedimentos desenvolvidos por fonoaudiólogos da rede pública da região sudeste do Brasil e analisar criticamente a sua abrangência. Metodologia: Este trabalho foi realizado pesquisando dados públicos, disponibilizados no DATASUS. A pesquisa seguiu o seguinte critério de busca: Produção Ambulatorial (SIA/SUS), investigação por local de atendimento; Abrangência Geográfica – Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro; No campo Linha, foi selecionado o descritor Procedimento; No campo “Coluna” – foi selecionado “Macrorregião de Saúde”; e no campo Conteúdo – foi selecionada “Quantidade apresentada”; Períodos Disponíveis – Jan/2015 a Dez/2019. Resultados: Foram analisados 27 Procedimentos divididos nas 4 grandes áreas da Fonoaudiologia entre os 4 estados da região sudeste do Brasil. A análise descritiva apontou o seguinte quantitativo de procedimentos por estado: Espírito Santo (393.667 procedimentos). Neste estado a Audiologia corresponde 83,1%; Voz correspondeu a 0,9%; Linguagem, 10,7%; Motricidade Orofacial, 5,2%; Em Minas Gerais foram 2.459.017 procedimentos, sendo a Audiologia 91,8%; Voz 1,3%; Linguagem 3,5%; Motricidade Orofacial 3,1%; No Rio de Janeiro observou-se um total de 2.092.580 procedimentos. Destes em Audiologia correspondeu a 71,7%; em Voz 4,2%; Linguagem 15,5%; Motricidade Orofacial 8,4%. Conclusão: Em todos os estados da região sudeste observa-se a predominância de procedimentos na área de Audiologia. É possível que esse número esteja relacionado à política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva. Contudo, é importante destacar que as demais áreas apresentam interface com outros problemas de saúde, tais como câncer de cabeça e pescoço, AVE, dificuldade/transtorno de aprendizagem que merecem atenção, tendo em vista as taxas de morbidade e mortalidade. Diante dos dados podemos concluir a necessidade do incentivo a inclusão dos demais procedimentos fonoaudiológicos no rol de procedimentos do SUS, a fim de se obter um panorama da atuação fonoaudiológica total.

IBGE. Cidades e Estados. Espírito Santo. Disponível em: . Acesso em 27/06/2020.
DATASUS ES. TABNET. Disponível em: . Assistência à saúde. Produção Ambulatorial. Disponível em: . Por local de atendimento desde 2008. Disponível em: . Acesso em 23/06/2020.
CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Fonoaudiólogos. Disponível em: < https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/wp-content/uploads/2020/04/CFFa_Quantitativo_Fonoaudiologos_no_Brasil.png>. Acesso em 26/06/2020.
DATASUS MG. TABNET. Disponível em: . Assistência à saúde. Produção Ambulatorial. Disponível em: . Por local de atendimento desde 2008. Disponível em: . Acesso em 23/06/2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1946
ANÁLISE SOBRE INTERVENÇÕES DE VOZ EM MULHERES TRANS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz constitui um papel essencial na comunicação e nas relações humanas. Na vida das pessoas trans representa um importante papel quanto à expressão social de gênero (¹). Desse modo, as mulheres trans podem buscar a terapia vocal e de comunicação com a finalidade de apoiar sua transição de gênero, assim como, alcançar o nível de conforto desejado com a voz que as representa (²). A fonoaudiologia tem grande potencial de contribuir para a saúde e qualidade de vida dessas mulheres com a abordagens para treinamento da voz e da comunicação. Desse modo conforme a base de conhecimentos sobre o processo de transição no tocante à voz vem aumentando, há uma necessidade crescente de examinar e analisar práticas de intervenção baseadas em evidências (3,4). Objetivo: Analisar quais são os procedimentos descritos na literatura direcionados para feminilização da voz em mulheres transexuais. Método: Trata-se de uma revisão integrativa, realizada em 2020, nas bases de dados PubMed e Portal Regional BVS, sem limitação de tempo e língua. Neste estudo foi utilizada a combinação dos descritores: Voice e Transgender. Foram encontrados 213 estudos, dos quais 49 eram duplicatas, resultando em 164 artigos para leitura de título e resumo, sendo incluídos ao final 41 estudos. A triagem inicial foi produzida seguindo os seguintes critérios de inclusão: abordar os tipos e as características de intervenção para voz e comunicação em mulheres transsexuais. Resultados: As intervenções para feminilização da voz de mulheres trans, descritas na literatura avaliada no presente trabalho, consistem basicamente em estudos que realizaram avaliação e/ou intervenção fonoaudiológica e em estudos que descrevem diferentes tipos de cirurgias de laringe. Um total de 19 artigos abordaram procedimentos cirúrgicos, descrevendo 07 tipos diferentes de procedimentos.
Quanto à atuação fonoaudiológica os estudos descrevem aplicação de diferentes tipos de questionários de auto-avaliação vocal, realização de avaliação perceptivo auditiva da voz, avaliação acústica da voz e diferentes abordagens de intervenção terapêutica para voz. Conclusão: A partir de dados coletados dos estudos incluídos na revisão, foi observada uma maior frequência de realização da cirurgia Glotoplastia de Wendler. Já nos parâmetros de avaliação, houve maior referência aos questionários de auto-avaliação, além da realização de terapia vocal. Os resultados demonstram ser muito variáveis de acordo com o tipo ou a combinação dos procedimentos utilizados, além disso ressalta-se a importância da autoavaliação vocal e a consideração do impacto da voz em aspectos emocionais e sociais que contemplam a expressão de gênero e a qualidade de vida das mulheres transexuais.



1- Hancock AB, Garabedian LM. Transgender voice and communication treatment: a retrospective chart review of 25 cases. Int J Lang Commun Disord [Internet]. 2013 Jan;48(1):54–65.

2- Houle N, Levi S V. Effect of Phonation on Perception of Femininity/Masculinity in Transgender and Cisgender Speakers. J Voice [Internet]. 2019 Dec;

3-Dahl KL, Mahler LA. Acoustic Features of Transfeminine Voices and Perceptions of Voice Femininity. J Voice [Internet]. 2019

4- Hardy TLD, Rieger JM, Wells K, Boliek CA. Acoustic Predictors of Gender Attribution, Masculinity–Femininity, and Vocal Naturalness Ratings Amongst Transgender and Cisgender Speakers. J Voice [Internet]. 2020 Mar;34(2):300.e11-300.e26


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2027
ANÁLISE SOBRE INTERVENÇÕES DE VOZ EM MULHERES TRANS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz constitui um papel essencial na comunicação e nas relações humanas. Na vida das pessoas trans representa um importante papel quanto à expressão social de gênero (¹). Desse modo, as mulheres trans podem buscar a terapia vocal e de comunicação com a finalidade de apoiar sua transição de gênero, assim como, alcançar o nível de conforto desejado com a voz que as representa (²). A fonoaudiologia tem grande potencial de contribuir para a saúde e qualidade de vida dessas mulheres com a abordagens para treinamento da voz e da comunicação. Desse modo conforme a base de conhecimentos sobre o processo de transição no tocante à voz vem aumentando, há uma necessidade crescente de examinar e analisar práticas de intervenção baseadas em evidências (3,4). Objetivo: Analisar quais são os procedimentos descritos na literatura direcionados para feminilização da voz em mulheres transexuais. Método: Trata-se de uma revisão integrativa, realizada em 2020, nas bases de dados PubMed e Portal Regional BVS, sem limitação de tempo e língua. Neste estudo foi utilizada a combinação dos descritores: Voice e Transgender. Foram encontrados 213 estudos, dos quais 49 eram duplicatas, resultando em 164 artigos para leitura de título e resumo, sendo incluídos ao final 41 estudos. A triagem inicial foi produzida seguindo os seguintes critérios de inclusão: abordar os tipos e as características de intervenção para voz e comunicação em mulheres transsexuais. Resultados: As intervenções para feminilização da voz de mulheres trans, descritas na literatura avaliada no presente trabalho, consistem basicamente em estudos que realizaram avaliação e/ou intervenção fonoaudiológica e em estudos que descrevem diferentes tipos de cirurgias de laringe. Um total de 19 artigos abordaram procedimentos cirúrgicos, descrevendo 07 tipos diferentes de procedimentos.
Quanto à atuação fonoaudiológica os estudos descrevem aplicação de diferentes tipos de questionários de auto-avaliação vocal, realização de avaliação perceptivo auditiva da voz, avaliação acústica da voz e diferentes abordagens de intervenção terapêutica para voz. Conclusão: A partir de dados coletados dos estudos incluídos na revisão, foi observada uma maior frequência de realização da cirurgia Glotoplastia de Wendler. Já nos parâmetros de avaliação, houve maior referência aos questionários de auto-avaliação, além da realização de terapia vocal. Os resultados demonstram ser muito variáveis de acordo com o tipo ou a combinação dos procedimentos utilizados, além disso ressalta-se a importância da autoavaliação vocal e a consideração do impacto da voz em aspectos emocionais e sociais que contemplam a expressão de gênero e a qualidade de vida das mulheres transexuais.

1- Hancock AB, Garabedian LM. Transgender voice and communication treatment: a retrospective chart review of 25 cases. Int J Lang Commun Disord [Internet]. 2013 Jan;48(1):54–65.

2- Houle N, Levi S V. Effect of Phonation on Perception of Femininity/Masculinity in Transgender and Cisgender Speakers. J Voice [Internet]. 2019 Dec;

3-Dahl KL, Mahler LA. Acoustic Features of Transfeminine Voices and Perceptions of Voice Femininity. J Voice [Internet]. 2019

4- Hardy TLD, Rieger JM, Wells K, Boliek CA. Acoustic Predictors of Gender Attribution, Masculinity–Femininity, and Vocal Naturalness Ratings Amongst Transgender and Cisgender Speakers. J Voice [Internet]. 2020 Mar;34(2):300.e11-300.e26




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1666
ANÁLISE ULTRASSONOGRÁFICA DO DESLOCAMENTO DO OSSO HIÓIDE EM INDIVÍDUOS COM DISFAGIA OROFARÍNGEA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: O ultrassom é um instrumento viável para avaliar alguns aspectos da deglutição orofaríngea, além de permitir medidas altamente consistentes e aplicáveis para o diagnóstico dos distúrbios da deglutição orofaríngea1-8. Um desses parâmetros é o deslocamento do osso hióide, o qual é facilmente visualizado no exame ultrassonográfico9. OBJETIVO: comparar a medida ultrassonográfica de distância do deslocamento máximo do osso hióide durante o pico da deglutição entre indivíduos saudáveis e disfágicos. MÉTODO: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o protocolo nº 19946119.8.0000.5406. Foram realizadas avaliações ultrassonográficas da deglutição orofaríngea de 10 indivíduos adultos com diagnóstico de disfagia orofaríngea denominado grupo 1 (G1) e 10 indivíduos adultos saudáveis denominado grupo controle (GC), pareados por sexo e faixa etária. Estudo clínico transversal controlado. Foi utilizado ultrassom portátil modelo Micro ultrasound system com transdutor microconvex 5-10 MHz, 10mm radius, 150 degree max field of view acoplado a um computador, além do estabilizador de cabeça. As imagens ultrassonográficas referentes a cada uma das deglutições foram gravadas pelo software AAA (Articulate Assistant Advanced) em uma taxa de 120 frames/segundo, o transdutor micro-convexo foi acoplado na região submandibular dos pacientes propiciando a formação da imagem do osso hióide no plano sagital. Foram utilizadas as consistências de alimentos nível 0 (volume livre e 5ml) e nível 4 (5ml) conforme o IDSSI10. O parâmetro ultrassonográfico utilizado para a análise quantitativa foi a distância do deslocamento máximo do osso hióide durante o pico da deglutição, ou seja, a mensuração da distância entre a parte inferior do osso hióide e a inserção do músculo milo-hióide. Uma vez que a medida da distância do deslocamento máximo do osso hióide é inversamente proporcional à elevação laríngea, espera-se que indivíduos disfágicos apresentem maiores valores de distância indicando uma menor elevação laríngea. Para a análise descritiva foi utilizado o cálculo da média e o desvio padrão, enquanto para análise inferencial foi utilizado o teste ANOVA de medidas repetidas. RESULTADO: Verificou-se efeito significante entre os grupos disfágicos e saudáveis (F (1, 18) = 6,08, P=0,02, p<0,05) independentemente das consistências de alimento F (2, 36) = 2,45, P= 0,09, p>0,05) e da interação entre as variáveis grupo e consistências (F (2, 36) = 0,15, P= 0,8, p>0,05) os quais não foram estatisticamente significantes. Os indivíduos disfágicos apresentaram maior distância do deslocamento do osso hióide no momento do pico máximo da deglutição (3,3) quando comparados aos indivíduos saudáveis (2,81) e essa medida ultrassonográfica significa menor elevação laríngea. CONCLUSÃO: A medida ultrassonográfica de distância do deslocamento máximo do osso hióide mostrou diferença na elevação laríngea entre indivíduos disfágicos e não disfágicos.

1. Sonies BC. Ultrasound imaging and swallowing. In: Jones B, Donner M (eds). Normal and Abnormal Swallowing: Imaging in Diagnosis and Therapy.Springer-Verlag, New York, p. 109–117, 1991.
2. Chi-Fishman G, Sonies BC. Effects of Systematic Bolus Viscosity and Volume Changes on Hyoid Movement Kinematics. Dysphagia, Springer-Verlag New York Inc. 10.1007/s00455-002-0070-3, 2002.
3. Huang YL, Hsieh SF, Chang YC, Hsiang CC, Wang TG. Ultrasonographic Evaluation Of Hyoid–Larynx Approximation In Dysphagic Stroke Patients. Ultrasound in Med. & Biol., Vol. 35, No. 7, pp. 1103–1108, 2009.
4. Hsiao MY, Chang YC, Chen WS, Chang HY, Wang TG. Application Of Ultrasonography In Assessing Oropharyngeal Dysphagia In Stroke Patients. Ultrasound in Med. & Biol., Vol. 38, No. 9, pp. 1522–1528, 2012.
5. Lee YS, Lee KE, Kang Y, Yi TI, Kim JS. Usefulness of Submental Ultrasonographic Evaluation for Dysphagia Patients. Ann Rehabil Med 40(2):197-205, 2016.
6. Chen YC, Hsiao MY, Wang YC, Fu CP, Wang TG. Reliability of Ultrasonography in Evaluating Hyoid Bone Movement. Journal of Medical Ultrasound vol. 25, pp. 90-95, 2017.
7. Rocha SG, Silva RG, Berti LC. Análise ultrassonográfica qualitativa e quantitativa da deglutição orofaríngea. CoDAS 27(5):437-45, 2015.
8. Sonies BC, Wang C, Sapper DJ. Evaluation of normal and abnormal hyoid bone movement during swallowing by use of ultrasound duplex-doppler imaging. Ultrasound in Med. & Bml., Vol. 22. No. 9. pp. 1169- 1175, 1996.
9. Ishida R, Palmer JB, Hiiemae KM. Hyoid motion during swallowing: factors affecting forward and upward displacement. Dysphagia. 10.1007/s00455-002-0064-5, 2002.
10. Steele CM, Namasivayam-Mcdonald AM, Guida BT, Cichero JA, Fuivestein J, Hanson B. Creation and initial validation of the International Dysphagia Diet Standardisation Initiative functional diet scale. Arch Phys Med Rehabil. 2018; (in press).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1929
ANÁLISE ULTRASSONOGRÁFICA QUALITATIVA E QUANTITATIVA DAS PRODUÇÕES DAS LÍQUIDAS ALVEOLARES DE CRIANÇAS FALANTES DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Nos mais diversos idiomas, as consoantes líquidas vêm sendo descritas como segmentos complexos, estando comumente envolvidas nos processos fonológicos de simplificação(1,2,3,4). Entretanto, há controvérsias que contestem a complexidade(5), salientando, então, uma falta de consenso na literatura. Objetivo: descrever qualitativamente e quantitativamente a produção típica, o processo de substituição da líquida não lateral por uma lateral e o processo de semivocalização da líquida não lateral, em crianças de 4 a 9 anos falantes do português brasileiro, a partir da análise ultrassonográfica, a fim de confirmar (ou não) a complexidade das líquidas. Método: Selecionou-se de um banco de dados 60 produções (imagens US e áudios) advindas de 10 crianças com produções típicas e de 20 crianças com distúrbios dos sons da fala (DSF) envolvendo os processos anteriormente mencionados. Solicitou-se a nomeação das figuras de “lata” e “barata” do instrumento IAFAC(6). A partir do software Sound Forge Pro 10, selecionou-se das imagens ultrassonográficas o frame relativo ao ponto máximo de constrição da língua de [l] e [ɾ] (alvo e simplificado). Os pares de imagens US foram julgados por 20 juízes que julgaram se as imagens eram iguais ou diferentes, e quando diferentes, caracterizaram a diferença, adotando-se o Coeficiente Kappa de Fleiss na análise da concordância. Na análise quantitativa, utilizou-se os parâmetros articulatórios: altura média da porção anterior (PA) da língua, altura média da porção posterior (PP) da língua, razão entre PA e PP e razão normalizada entre PA e PP da língua(7). Foi realizado o Test T de Student a fim de verificar se há diferença estatística significativa a partir dos valores analisados (α< 0,05). Resultados: Na comparação das imagens ultrassonográficas de [l] e [ɾ], o Coeficiente de Kappa de Fleiss foi alto (0,94) indicando que as imagens são diferentes; na categorização das diferenças, o Kappa foi aceitável (0,63) indicando que a diferença residia tanto na ponta quanto no dorso. As produções típicas apresentaram duplos gestos (ponta e dorso) para ambos os sons, com ponta mais elevada e dorso mais anteriorizado para [ɾ], e ponta menos elevada e dorso mais posteriorizado para [l]. Nas substituições de /ɾ/ por [l], verificou-se um padrão muito próximo das produções típicas, com diferenças sutis de magnitude na elevação da ponta. Nas semivocalizações, observou-se apenas uma elevação da porção medial da língua (fusão gestual). Na análise quantitativa, o Test T indicou que as produções típicas se diferem pelo parâmetro de razão entre PA e PP (p = 0,02); as produções com semivocalização se diferem pela altura da PP (p=0,01), razão entre PA e PP (p=0,00) e razão normalizada entre PA e PP (p=0,00); as produções com substituição de /ɾ/ por [l] não apresentaram significância. Conclusão: As consoantes líquidas alveolares do PB são segmentos complexos, sendo observado dois gestos simultâneos, e o gesto posterior de língua esteve presente em diferentes configurações. A ultrassonografia de língua possibilitou caracterizar as diferenças qualitativamente (para todas as produções) e quantitativamente (para as produções típicas e com semivocalização).

1 - Gick B, Bacsfalvi P, Bernhardt B, Oh S, Stolar S, Wilson I. A Motor Differentiation Model for Liquid Substitutions in Children's Speech. Proceedings of Meetings on Acoustics 153ASA, 2007 [acesso em 13de julho de 2020];1(1):[p. 060003]. Disponível em: https://asa.scitation.org/doi/pdf/10.1121/1.2951481

2 - Proctor M. Towards a Gestural Characterization of Liquids: Evidence from Spanish and Russian. Laboratory Phonology, 2011 [acesso em 13 de julho de 2020];2(2) [p. 451-485]. Disponível em: https://www.degruyter.com/view/journals/labphon/2/2/article-p451.xml

3 - Barberena LS, Keske-Soares M, Berti LC. Descrição dos gestos articulatórios envolvidos na produção dos sons/r/ e /l/. Audiology Communication Research, 2014 [acesso em 13 de julho de 2020]; 19(4):[p.338-344]. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S2317-6431201400040000135

4 - Lima FLCN, Silva CEE, Silva LM, Vassoler AMO, Fabbron EMG, Berti LC. Análise ultrassonográfica das líquidas alveolares e fricativas coronais: julgamento de juízes experientes e não experientes. Revista CEFAC, 2018 [acesso em 13 de julho de 2020];20(4)[p. 422-431]. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v20n4/pt_1982-0216-rcefac-20-04-422.pdf

5 - Recasens, D. What is and What is ot an Articulatory Gesture in Speech Production: The case of Lateral, Rhotic and (alveolo) Palatal Consonants. Gradus Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório, 2016 [acesso em 13 de julho de 2020]; 1(1)[p. 23-42]. Disponível em: https://gradusjournal.com/index.php/gradus/article/view/101/108

6 - Berti LC, Pagliuso A, Lacava F. Instrumento de avaliação de fala para análise acústica (IAFAC) baseado em critérios linguísticos. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2009 [acesso em 13 de julho de 2020]; 14(3)[p. 305-314]. Disponível em:https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151680342009000300005&lng=pt&tlng=pt

7 – Oliveira AM, Berti LC. Aquisição fonológica típica e atípica do padrão silábico CCV: dados acústicos e articulatórios. Alfa: Revista de Linguística (São José do Rio Preto), 2018 [acesso em 13 de julho de 2020]; 62(3)[p. 591-612]. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/alfa/v62n3/1981-5794-alfa-62-3-0591.pdf


TRABALHOS CIENTÍFICOS
724
ANSIEDADE AO FALAR EM PÚBLICO: A EFETIVIDADE DE UMA INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA MELHORA DE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E DE AUTOPERCEPÇÃO
Tese
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Falar em público é uma situação estressora, muitas vezes considerada como um dos maiores medos de pessoas no mundo[1]. O estresse decorre de uma elevada apreensão social, atenção autofocada[2,3] e antecipação de avaliações negativas[4]. Esse tipo de evento estressor desencadeia respostas fisiológicas associadas ao eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal, como a excreção de cortisol na corrente sanguínea, por exemplo[5,6]. O Sistema Nervoso Simpático, em reação à atuação do cortisol, prepara o sistema cardíaco para responder ao agente estressor, aumentando a ativação cardiovascular no coração e vasos sanguíneos[7]. A literatura descreve amplamente intervenções psicológicas no enfrentamento à ansiedade ao falar em público. Porém há carência de estudos que abordem a terapia fonoaudiológica nessa problemática. Achados apontam que uma boa autopercepção vocal auxilia para a captação e manutenção da atenção do público, e, assim influenciar o ouvinte durante uma performance[8].

OBJETIVO: Verificar a efetividade de uma intervenção fonoaudiológica em parâmetros fisiológicos e de autopercepção ao falar em público em estudantes universitários.

MÉTODO: Tratou-se de um ensaio clínico randomizado cego, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição de origem sob número 2.729.273. Recrutou-se alunos de graduação, idades entre 18 e 30 anos, que concordassem em participar do estudo, que não exerciam atividade regular que envolvesse falar em público, sem treinamentos prévios de oratória, sem diagnóstico médico/psicológico de transtorno/fobia social, e sem flutuações hormonais acentuadas. Os participantes foram separados em dois grupos: o grupo intervenção (G1 - Terapia fonoaudiológica) participou de workshops durante seis semanas sobre respiração, articulação, coordenação pneumofonoarticulatória, ritmo, expressividade e linguagem corporal; o grupo controle (G2) recebeu orientações de saúde vocal em um encontro. Os participantes realizaram duas apresentações em público em momentos distintos, no qual sorteavam um questionamento cotidiano a ser respondido em frente a uma plateia: a primeira antes do início das intervenções e a segunda após o período de intervenções. Foram coletados durante as apresentações: amostras de saliva para mensurar níveis de cortisol; frequência cardíaca (valor médio de batimentos por minuto); aplicação da Escala para Autoavaliação ao Falar em Público (SSPS); e a atribuição de nota para as performances, realizadas por fonoaudiólogas cegadas para a intervenção, pelo próprio participante e por seus pares. Para comparar médias, foi utilizado o teste t de Student para amostras independentes. Adotado valor de p≤0,05 como estatisticamente significativo. As análises foram realizadas no SPSS, versão 25.0.

RESULTADOS: 39 indivíduos (G1 n=22) completaram todos os requisitos do estudo. Não houve diferença estatística intergrupos nas variáveis de caracterização de amostra (sexo, idade, anos de graduação). No G1 houve redução acentuada nos níveis de cortisol salivar (p<0,001) e frequência cardíaca média (p=0,023), assim como aumento nos escores do SSPS (p<0,001) e nas notas dadas pelas fonoaudiólogas (p<0,001) e por seus pares (p<0,001) após as intervenções em relação ao G2.

CONCLUSÃO: A intervenção fonoaudiológica se mostrou eficaz na melhora da performance ao falar em público, observada tanto em avaliações fisiológicas objetivas, quanto em avaliações de autopercepção. Corroborando a teoria de autoeficácia[9], os participantes, ao perceberem a fala como eficiente, sentiram menos ansiedade, desencadeando sintomas fisiológicos mais brandos, interferindo menos nas performances.

1. Dwyer, KK. Davidson, MM. Is Public Speaking Really More Feared Than Death? Communication Research Reports. 2012; 29(2):99-107.
2. Clark DM, McManus F. Information Processing in Social Phobia. Biological Psychology. 2002; 51:92–100.
3. Woody SR. Effects of Focus of Attention on Anxiety Levels and Social Performance of Individuals with Social Phobia. Journal of Abnormal Psychology. 1996; 105:61–69.
4. Pereira SM, Lourenço LM. O Estudo Bibliométrico do Transtorno de Ansiedade Social em Universitários. Arq. bras. psicol. 2012; 64 (1):47-62.
5. Auer BJ, Calvo JL, Jordan NM, Schrader D, Byrd-Craven J. Communication and Social Interaction Anxiety Enhance Interleukin-1 Beta and Cortisol Reactivity during High-Stakes Public Speaking. Psychoneuroendocrinology. 2018; 94:83-90.
6. Garcia-Leal C, Parente ACBV, Del-Bem CM, Guimarães FS, Moreira AC, Elias LLK, Graeff FG. Anxiety and Salivary Cortisol in Symptomatic and Nonsymptomatic Panic Patients and Healthy Volunteers Performing Simulated Public Speaking. Psychiatry Research. 2005; 133:239-252.
7. Schomig A, Luth B, Dietz R, Gross F. Changes in Vascular Smooth Muscle Sensitivity to Vasoconstrictor Agents Induced by Corticosteroids, Adrenalectomy, and Differing Salt Intake in Rats. Clinical Science and Molecular Medicine. 1976; 51:51-63.
8. Marinho ACF, Medeiros AM, Lima EP, Pantuza JJ, Teixeira LC. Prevalence and factors associated with fear of public speaking. CoDAS. 2019; 31(6): e20180266.
9. Bandura A. Self-efficacy: Toward a unifying theory of behavioral change. Psychological Review. 1977; 84(2):191–215.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
497
APERFEIÇOAMENTO DAS HABILIDADES COMUNICATIVAS EM APRESENTAÇÕES ORAIS: TREINAMENTO DE COMUNICAÇÃO PARA UNIVERSITÁRIOS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Atualmente as comunicações orais em sala de aula contemplam conteúdos, além disso, os eventos técnico-científicos, nos quais se assume a posição de expositor de trabalhos, fazem parte do cotidiano dos universitários. Quando falamos de uma apresentação em público e da transmissão de um conteúdo, estamos falando que não é apenas necessário transmitir conhecimento, mas também comunicar emoções e características pessoais. Por isso, a competência de falar em público torna-se um dos determinantes do sucesso profissional. Porém, grande parte das pessoas tem dificuldades de se expor nessas apresentações. A exposição oral é um gênero que deve pressupor um planejamento prévio, no qual se deve demonstrar a capacidade de elaboração de um texto oral relacionado com o tema e o conteúdo de determinada pesquisa, além das habilidades comunicativas para transmitir um conteúdo. A Programação Neurolinguística propõe a possibilidade de programar comportamentos por meio do uso da linguagem, já que a mesma advoga puramente a pragmática, importando-se, primariamente, com a obtenção de resultados, junto com o treino das habilidades comunicativas, envolvendo treinamento vocal que é válido para a melhoria da comunicação em exposição oral. Objetivo: O objetivo foi propor e realizar um programa de treinamento de alta performance em comunicação para desenvolver as habilidades comunicativas em apresentações orais em universitário, e comparar os resultados pré e pós-intervenção para testar a aplicabilidade do material desenvolvido e a efetividade do treinamento na população estudada. Método: Participaram do estudo, 38 estudantes de Ensino Superior do 1º Ano de Graduação dos Cursos de Fonoaudiologia, Medicina e Odontologia da Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo (FOB-USP). Após assinar o termo de consentimento livre e esclarecido, foram submetidos a um treinamento na própria universidade, com metodologias ativas de aprendizagem, intercalando parte teórica e treino prático elaborado pela pesquisadora, no total de oito encontros, com duração de duas horas cada. Na pré-intervenção e na pós-intervenção, os participantes realizaram uma apresentação para os demais participantes e para uma banca avaliadora formada por três juízes, dois fonoaudiólogos e um psicólogo, momento em que foi avaliado o desempenho nas apresentações orais. Além de realizarem uma autoavaliação nos dois momentos. Resultados: Observou-se melhora estatisticamente significativa (<0,05) na pós-intervenção em todas as variáveis analisadas, tanto na avaliação realizada pelos juízes, como na autoavaliação. Conclusão: Conclui-se, portanto, que o programa de treinamento apresentado, juntamente com o material elaborado, a apostila “Alta Performance em Comunicação” é efetivo à medida que os universitários, participantes desta pesquisa, melhoraram seu desempenho nas apresentações orais.

1.AMIRHOSSEINI, M. H.; KAZEMIAN, H. Automating the process of identifying the preferred representational system in Neuro Linguistic Programming using Natural Language Processing. 2019 May;20(2):175-193. Disponível em: doi: 10.1007/s10339-019-00912-3.
2.ALMEIDA, A. A. F. et. al. Comunicação em público. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;(1).
3.BAUTH, M. F. et. al. Avaliação das habilidades sociais de universitários ingressantes e concluintes. Contextos Clínicos – Vol. 12, n. 1 abr. 2019.
4.CELESTE, L. C. et al. Treinamento da performance comunicativa em universitários da área da saúde. Audiol., Commun. Res. vol.23 São Paulo 2018. .
5.HILDENBRAND, L.; PEREIRA, S. E. M. Falar em público. Unig, 2005. Disponível em: .
6.YOON, S.; SON, G.; KWON, S. Fear emotion classification in speech by acoustic and behavioral cues. Multimed Tools Appl. 2019;78(2).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
935
APLICABILIDADE DO VIDEO HEAD IMPULSE TEST EM DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


O Video Head Impulse Test (vHIT) tem sido utilizado no diagnóstico diferencial entre disfunções vestibulares periféricas e centrais, decorrentes de doenças do sistema nervoso central (SNC).1 Por vezes, pacientes com doenças centrais apresentam sintomas otoneurológicos sutis2 ou, até mesmo, ausentes.3 Porém, o vHIT ainda não é indicado, rotineiramente, na avaliação desta população. Como o funcionamento do reflexo vestíbulo-ocular (RVO) está relacionado tanto à neurofisiologia dos canais semicirculares como do SNC, a análise deste reflexo destaca-se como importante por trazer informações relevantes, mesmo diante da ausência de queixas ou sintomatologia otoneurológica.4 Dessa forma, o objetivo desse estudo foi revisar a literatura científica sobre a aplicabilidade do vHIT em doenças do SNC, bem como os resultados encontrados e as doenças relatadas. Foi realizada uma busca em nove bases de dados eletrônicas (PubMed/MEDLINE, SciELO, Scopus, LILACS, Web of Science, Livivo, OpenGrey, ProQuest e Google Acadêmico), utilizando a palavra-chave “Video Head Impulse Test”. A análise das publicações foi realizada em duas etapas. A amostra final desta revisão compreendeu 18 estudos, publicados entre os anos de 2014 e 2019. Quanto ao tipo de delineamento, houve predomínio de relato de caso e caso-controle. As doenças descritas foram: derrame cerebelar, Esclerose Múltipla, Ataxia cerebelar com neuropatia e síndrome da arreflexia vestibular bilateral, Siderose Superficial do Sistema Nervoso Central, glioma no pedúnculo cerebelar inferior esquerdo, Paralisia supranuclear progressiva, Miopatia mitocondrial, encefalopatia, acidose láctica e acidente vascular cerebral, Doença de Parkinson e, por fim, Ataxias espinocerebelares tipo 1, 2 e 3 e Ataxia de Friedreich. Conforme demonstrado pela literatura amostral, o vHIT tem sido aplicado em doenças do SNC, sobretudo, com três finalidades: investigar a função vestibular, uma vez que a maior parte dos indivíduos nos estudos manifestou sintomas otoneurológicos; considerar a avaliação do RVO em alta frequência como uma medida complementar para auxiliar na identificação e caracterização da doença base, pois exames neurológicos são dispendiosos e demorados em comparação ao vHIT; e, por fim, monitorar a evolução clínica e o tratamento, principalmente na realização pré e pós-intervenção. Referente aos resultados encontrados no vHIT, o ganho do RVO esteve diminuído na maior parte dos estudos. Observou-se, ainda, a ocorrência de sacadas de refixação encobertas e evidentes, presença de nistagmo espontâneo e semiespontâneo e, em poucos artigos, alterações no RVO com e sem captação visual e nos testes de desvio de inclinação e de perseguição sacádica. Foi verificado baixo nível de evidência na maior parte dos estudos, devido os delineamentos mais frequentes terem sido relato de caso e caso-controle e estes apresentarem baixo grau de recomendação por estarem mais suscetíveis a vieses.5 Entretanto, considera-se o fato de que parte das doenças descritas são de menor acometimento em relação à outras. Verificou-se, por fim, resultados dos parâmetros do vHIT alterados nos indivíduos com doenças do SNC. Estes achados evidenciam que este exame pode ser utilizado como uma ferramenta importante na avaliação do RVO desta população, uma vez que trouxe evidências sobre a função vestibular e integridade neurológica a nível de vias vestibulares centrais.

1. Halmagyi GM, Chen L, McDougall HG, Weber KP, McGarvie LA, Curthoys S. The video head impulse test. Front Neurol. 2017;8(258):1-23.

2. Mantokoudis G, Tehrani ASS, Wozniak A, Eibenberger K, Kattah JC, Guede CI, Zee DS, Newman-Toer DE. VOR gain by head impulse video-oculography differentiates acute vestibular neuritis from stroke. Otol Neurotol. 2014;36:457-65.

3. Lv W, Guan Q, Hu X, Chen J, Jiang H, Zhang L, Fan W. Vestibulo-ocular reflex abnormality in parkinson’s disease detected by video head impulse test. Neurosci Lett. 2017; 657: 211-4.

4. Choi JY, Kim HJ, Kim JS. Recent advances in head impulse test findings in central vestibular disorders. 2018;0:1-11.

5. Cox RM. Waiting for evidence-based practice for your hearing aid fittings? It’s here! Hear J. 2004;57(8):10-7.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
318
APLICABILIDADES DA FOTOBIOMODULAÇÃO NO ALEITAMENTO MATERNO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Objetivos: analisar os estudos que abordam os efeitos da terapia com luz de baixa intensidade nos traumas mamilares. Estratégia de pesquisa: foi realizada a busca de artigos nas plataformas PubMed, Scielo e BVS. Critérios de seleção: foram selecionados artigos originais, com resumo disponível, publicados em português, inglês ou espanhol que avaliassem o efeito da luz de baixa intensidade no aleitamento materno. Análise de dados: os dados foram analisados qualitativamente de acordo com o autor e ano de publicação; objetivos e amostra; tipo de dispositivo; comprimento de onda utilizado; dose, número de pontos, local e dose total; forma de aplicação e resultados. Resultados: a amostra final deste estudo consistiu de quatro artigos publicados entre os anos de 2012 e 2019 e a maioria estava indexado na PubMed em língua inglesa. Os trabalhos tiveram como objetivos específicos o tratamento das lesões mamilares e/ou a redução da dor. O dispositivo utilizado em três estudos foi o LASER de baixa intensidade e um utilizou o LED com emissão pulsada. O tamanho das amostras nos estudos variou de duas a 80 mulheres, com faixas etárias entre 18 e 40 anos. Observou-se maior uso do comprimento de onda vermelho, com aplicações na região do mamilo. Em relação à dose, houve variação de 0,2 J a 4 J por ponto. O número de pontos esteve entre um e três pontos. A dose total esteve entre 0,6 J e 4 J. Em relação à frequência de aplicação, o estudo realizado com LED citou que a irradiação foi realizada no mamilo duas vezes por semana, durante um período de quatro semanas. Em outro trabalho, verificou-se a aplicação de 0,6J , no momento da primeira avaliação, 24 horas e 48 horas após o diagnóstico de fissura mamilar. Já no artigo que abordou dois estudos de caso, as pacientes receberam 10 minutos de irradiação em cada mamilo, antes e depois da mamada. Todos os trabalhos encontraram respostas positivas para as variáveis pesquisadas, com melhora na fissura mamilar e diminuição da dor na amamentação. Conclusão: Não foi possível correlacionar os resultados obtidos com a dose empregada, porém observou-se pelos resultados encontrados que o LASER de baixa intensidade se apresenta como um potencial recurso para promover a regeneração tecidual e redução da dor relacionada ao trauma mamilar.
Descritores: terapia com luz de baixa Intensidade, laserterapia, aleitamento materno, amamentação e Fissura mamilar.

OMS. Aleitamento materno nos primeiros anos de vida salvaria mais de 820 mil crianças menores de cinco anos em todo o mundo. Brasília: 2018. Disponível em> https://www.paho.org/bra/ < Acesso em: 14 de out. 2018

UNICEF. Amamentação: problemas mais frequentes. Brasília: UNICEF, 2018. Disponível em> https://www.unicef.org/brazil/pt< Acesso em: 01 de . 2018

Araújo AR, Nascimento ALV, Camargos JM. Fotobiomodulação como uma nova abordagem para o tratamento de traumas mamilares: um estudo piloto, randomizado e controlado. Fisioterapia Brasil. 2013; 14(1): 20-26.

Coca KP, Marcacine KO, Gamba MA, Corrêa L, Aranha ACC, Abrao ACF de V. Efficacy of low-level laser therapy in relieving nipple pain in breastfeeding women: a triple-blind, randomized, controlled trial. Pain Management Nursing. 2016 ;( Ju)
HENRIQUES ÁCG, CAZAL C, CASTRO JFL. Low intensity laser therapy effects on cell proliferation and differentiation. Review of the literature. Rev. Col. Bras. Cir. 2010; 37(4): 295-302
Whitney M. Waite and James A.
Taylor.Phototherapy for the Treatment of Neonatal Jaundice and Breastfeeding Duration and Exclusivity. Breastfeeding Medicine. 2016; 11 (4)
Dennis CL, Jackson K, Watson J.Interventions for treating painful nipples among breastfeeding women. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2014;(12):CD007366.

Chaves MEA, Araújo AR, Santos SF, Pinotti M, Oliveira LS. LED phototherapy improves healing of nipple trauma: a pilot study. Photomed Laser Surg. 2012 Mar; 30 (3): 172-8.

Buck ML, Amir LH, G Eckereder. Low level laser therapy for breastfeeding problems. Breastfeeding Review. 2016; 24(2): 27–31

Camargo, B. T. S., Coca, K. P., Amir, L. H., Corrêa, L., Aranha, A. C. C., Marcacine, K. O., ... & de Vilhena Abrão, A. C. F. (2019). The effect of a single irradiation of low-level laser on nipple pain in breastfeeding women: a randomized controlled trial. Lasers in medical science, 1-7


TRABALHOS CIENTÍFICOS
653
APLICAÇÃO DE CRITÉRIOS CATEGÓRICOS PARA A IDENTIFICAÇÃO DE TEA SINDRÔMICO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)
17120001


Introdução: O desenvolvimento de novas tecnologias na genética epidemiológica, molecular e clínica melhorou o conhecimento das síndromes genéticas associadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA)1. Há uma diversidade de distúrbios genéticos associados ao TEA. O conceito de "autismo sindrômico" qualifica indivíduos com características dismórficas/malformações ou deficiência intelectual grave, que se opõe ao conceito de "autismo não sindrômico” com indivíduos sem/com deficiência intelectual, e sem outros sinais ou sintomas associados2. Organizar e sistematizar manifestações fenotípicas pode gerar conhecimentos relevantes e favorecer a elucidação dos processos subjacentes ao desenvolvimento, cujos mecanismos ainda são desconhecidos, por meio do monitoramento de fenótipos e comorbidades associadas3. Desenvolver estratégias para o reconhecimento de sinais clínicos pode auxiliar na identificação de formas sindrômicas de TEA, possibilitando a associação entre fenótipos e características genéticas específicas1-5. Objetivo: Aplicar critérios categóricos em uma amostra de conveniência de indivíduos com características dismórficas/malformações com sinais de TEA para a identificação de síndromes genéticas (autismo sindrômico). Métodos: Projeto aprovado (CAAE: 42356815.1.0000.5417). O processo envolveu aplicação de critérios categóricos1,2 para a identificação de autismo sindrômico por meio de: anamnese (histórico familial, trajetória de desenvolvimento, padrão alimentar e do sono, epilepsias/convulsões, disfunção sensorial, desenvolvimento da linguagem, sinais comportamentais precoces do TEA e outros comportamentos atípicos); avaliação do neurodesenvolvimento, da linguagem e neuropsicológica; levantamento de sinais fenotípicos e características dismórficas (análise de fotos da criança no decorrer da vida); avaliação neurológica e genética (exames clínicos e laboratoriais). Foram analisados 120 casos diagnosticados com TEA e aplicados os critérios categóricos, em crianças na faixa etária de 28 a 70 meses. Resultados: Quarenta crianças foram identificadas com características dismórficas, mas somente 25 realizaram avaliação genética, passando por todos os critérios categóricos. Várias síndromes (gene-localização) foram identificadas nesta amostra: casos únicos: Angelman (UBE3A-15q11); Rett (MECP2-Xq28); Smith-Magenis (RAI1-17p11.2); Esclerose Tuberosa (TSC1-9q34); Sotos (NSD1-5q35); Velocardiofacial (TBX1-22q11.21); Hipomelanose de Ito (9q33); Prader-Willi (UBE3A-15q11-q13); Goldenhar (NKD2-5q15); Timothy (CACNA1C-12p13); Cohen (COH1-8q22); Cornélia de Lange (SCdL-3q26.3) e Joubert (NPHP1,2q13) e dois casos de X-Frágil (FRM1Xq22-23). Conclusão: Uma lista refinada e atualizada dos genes de risco para TEA está disponível no Sfari Gene6. Ressalta-se, entretanto, que estas alterações genéticas representam individualmente mais de 1% de todos os casos de TEA2. Para a maioria dos casos de TEA, não existem sinais clínicos que indiquem uma alteração genética específica, dada a complexidade etiológica destes quadros3,5. No entanto, o TEA pode fazer parte da sintomatologia de alguns transtornos monogênicos, cromossômicos, metabólicos, dentre outros que estão classificados como “autismo sindrômico”2. Infelizmente, o diagnóstico genético nestes casos ainda é pouco frequente, principalmente em razão dos custos financeiros. A identificação de desordens genéticas associadas ao TEA tem implicações práticas para estratégias de diagnóstico, detecção precoce, prevenção de comorbidades, tratamentos e acompanhamentos específicos e aconselhamento genético. O Fonoaudiólogo, membro da equipe de diagnóstico, tem muito a contribuir nesta área. O conhecimento dos fenótipos e características principais das síndromes genéticas que cursam com TEA favorece a compreensão e melhor manejo terapêutico, o que implica na redução dos efeitos deletérios destes quadros clínicos e contribui para a qualidade de vida destes indivíduos e suas famílias.

1. Robert C, Pasquier L, Cohen D, Fradin M, Canitano R, Damaj L, Odent S, Tordjman S. Role of Genetics in the Etiology of Autistic Spectrum Disorder: Towards a Hierarchical Diagnostic Strategy. Int J Mol Sci. 2017;18(3): 618.

2. Cohen D., Pichard N., Tordjman S., Baumann C., Burglen L., Excoffier E., Lazar G., Mazet P., Pinquier C., Verloes A., et al. Specific genetic disorders and autism: Clinical contribution towards their identification. J. Autism Dev. Disord. 2005;35:103–116.

3. Mugzach O, Peleg M, Bagley SC, Guter, SJ, Cook EH, Altman RB. An ontology for Autism Spectrum Disorder (ASD) to infer ASD phenotypes from Autism Diagnostic Interview–Revised data. J Biomed Inform. 2015; 56: 333–347

4. DeThorne LS, Ceman S. Genetic Testing and Autism: Tutorial for Communication Sciences and Disorders. J Commun Disord. 2018; 74: 61–73.

5. Lin YC, Frei JA, Kilander MBC, Shen W, Blatt GJ. A Subset of Autism-Associated Genes Regulate the Structural Stability of Neurons. Front Cell Neurosci.2016; 10: 263.

6. Sfari Gene. https://gene.sfari.org/


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1719
APLICAÇÃO DE LASER DE BAIXA INTENSIDADE (LBI) COMO RECURSO TERAPÊUTICO DURANTE COMPLICAÇÕES NA AMAMENTAÇÃO: UMA REVISÃO DA LITERATURA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


O aleitamento materno, ou natural, é de suma importância para além da nutrição do bebê, fortalecer o seu sistema imunológico, fortificar o vínculo mãe-bebê, permitir um bom desenvolvimento craniofacial e motor-oral, dentre outros. Todavia, o aleitamento materno exclusivo encontra alguns obstáculos que dificultam sua continuidade, entre eles: problemas mamilares na nutriz (fissuras mamilares, dor mamilar, mastite, etc.) e disfunções orais no lactente (alterações na cavidade oral, músculos e/ou estruturas do sistema estomatognático, como alteração de língua, lábios, ausência ou deficiência do reflexo de procura etc.). Por sua vez, o uso do laser de baixa intensidade (LBI) como recurso terapêutico vem ganhando notoriedade na Fonoaudiologia onde é possível encontrá-lo em campos de atuação como motricidade orofacial, voz e disfagia, tornando-se conhecido pelos seus efeitos terapêuticos: anti-inflamatório, analgésico e modulador da atividade celular, e sendo em março de 2019 aprovada a resolução n⁰ 541 que dispõe sobre o uso do recurso de LBI por fonoaudiólogos. Este estudo, através de uma revisão de literatura integrativa, buscou analisar os efeitos e aplicabilidade da laserterapia na nutriz e lactente, concomitante à investigação das principais complicações apresentadas durante a amamentação com possibilidades do uso do LBI além de averiguar como ele pode beneficiar a terapia fonoaudiológica frente à outros recursos existentes. Foram coletados dados de estudos indexados nas bases de dados: LILACS, MEDLINE, SciELO e CAPES no período de 2009 a 2019. Na pesquisa inicial foram encontrados 51 artigos, ao serem avaliados 44 foram excluídos e 7 foram selecionados por atenderem aos critérios de inclusão propostos, constituindo-se na amostra deste estudo. Obtendo como predomínio pesquisas relacionadas à traumas mamilares, e pesquisas com resultados positivos apresentando o LBI como um recurso eficaz no controle da dor e no processo da cicatrização de feridas. Dentre os trabalhos selecionados apenas um era direcionado a aplicação de LBI em neonato, e em sua maioria de autoria de enfermeiros. O laser se mostra como uma opção de recurso terapêutico interessante devido aplicabilidade, conforto, baixo custo, não ser invasivo e de rápida resposta clínica, o que o diferencia dos tratamentos convencionais, contundo, apesar da relevância, ainda são poucas as publicações acerca do assunto, principalmente realizadas pelo profissional Fonoaudiólogo, sugerindo-se que mais pesquisas sejam feitas a fim de ampliar o uso e conhecimento em prática clínica, para benefício dos pacientes.

GOMES, C; SCHAPOCHNIK, A. O uso terapêutico do LASER de Baixa Intensidade (LBI) em algumas patologias e sua relação com a atuação na Fonoaudiologia. Distúrb Comun, São Paulo, 29(3): 570-578, setembro, 2017.

LINS, R. et al. Aplicação do laser de baixa potência na cicatrização de feridas. Odontol. Clín.-Cient., p. 511-516, 2011.

GUILHERME, J; NASCIMENTO, M. O leite humano – Anatomia e fisiologia da lactação. In: Santiago LB, organizador. Manual de Aleitamento Materno. Barueri: Manole; p. 1-19, 2013.

MATOS, A. et al. Laserterapia aplicada à motricidade orofacial: percepção dos membros da Associação Brasileira de Motricidade Orofacial – Abramo. Rev CEFAC, São Paulo, Jan-fev. 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
596
APLICAÇÃO DE UM INDICADOR ASSISTENCIAL NO MONITORAMENTO DO PROCESSO DE TRABALHO DA FONOAUDIOLOGIA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


Introdução: O uso de indicadores em serviços de saúde tem sido incitado como uma forma de promover maior qualidade dos cuidados prestados, bem como uma maneira de avaliar o efeito das intervenções e os resultados atingidos. No contexto hospitalar em que o fonoaudiólogo é o protagonista na detecção e intervenção nos distúrbios de deglutição, a construção de indicadores pode propiciar uma prática baseada em evidências e de maior efetividade, buscando reduzir complicações como a broncoaspiração e viabilizar a alta mais precoce. Pode, ainda, fortalecer o serviço e evidenciar demandas de melhorias internas ou que devam ser sanadas a nível institucional. A definição do indicador a ser utilizado necessita partir da análise dos processos de trabalho desenvolvidos pela equipe, adequando a realidade do serviço, para alcance de maior excelência. Objetivo: Descrever o uso do indicador “Porcentagem de solicitações de avaliação de pacientes adultos atendidos pela equipe de Fonoaudiologia em até 24 horas” em um hospital universitário de referência no estado de Minas Gerais. Métodos: O indicador supracitado foi selecionado após estudo da realidade do serviço e das demandas, uma vez que as solicitações de avaliação são frequentes e é por meio delas que se inicia o processo de acompanhamento dos casos no âmbito da internação hospitalar, com definição de conduta e instituição do plano de cuidados para cada paciente. Foi estabelecida a meta de 100% de atendimentos em até 24 horas, considerando o período do plantão da equipe no hospital. O indicador foi contratualizado e pactuado entre a equipe de Fonoaudiologia e a instituição em março de 2019. A partir de então, as profissionais da equipe passaram a registrar manualmente, em planilha desenvolvida para tanto, datas e horários tanto da solicitação quanto do atendimento à demanda, a fim de se verificar o alcance ou não da meta. Esses registros foram compilados mensalmente, sendo sua análise realizada pela equipe em conjunto com gestor administrativo Resultados: De março de 2019 até junho de 2020, 800 pedidos de avaliação foram solicitados à equipe, sendo priorizado seu atendimento no prazo estabelecido em detrimento de outras demandas. Neste período, apenas em setembro de 2019 e abril de 2020, a meta não foi atingida devido ao número reduzido de profissionais no serviço, a mudanças na escala de trabalho e a um caso em que a instabilidade clínica do paciente inviabilizava a avaliação. Em uma análise qualitativa, foi verificado que houve solicitações não condizentes com os protocolos estabelecidos na instituição ou de procedimentos não realizados pela equipe de internação, como exames auditivos. Conclusão: Os indicadores, base da gestão hospitalar, tem o objetivo de mensurar a qualidade dos serviços hospitalares como um todo. O indicador supracitado foi assertivo na função de mensurar o tempo e a prontidão de resposta da equipe de Fonoaudiologia às solicitações de avaliação, auxiliando o serviço na definição de prioridades de atendimento e demonstrando os acertos e os pontos que demandavam retificação na assistência e na divulgação dos serviços prestados para as demais equipes, visando uma maior resolutividade das demandas.





TRABALHOS CIENTÍFICOS
2140
APLICAÇÃO DO INSTRUMENTO WHOQOL-BREF EM PACIENTES ONCOLÓGICOS REABILITADOS COM PRÓTESE BUCOMAXILOFACIAL
Tese
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: a incidência do câncer de cavidade oral no Brasil é considerada uma das mais altas do mundo. Nos tratamentos cirúrgicos, em que há a remoção de parte da maxila, mandíbula e língua, tem-se como tratamento reabilitador a prótese bucomaxilofacial. Considera-se que pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico de cabeça e pescoço, quando protetizados, venham apresentar melhora na qualidade de vida. Objetivo: relacionar o perfil demográfico, de estilo de vida e aspectos clínicos aos domínios físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente do instrumento de qualidade de vida WHOQOL- bref.
Método: trata-se de um estudo retrospectivo observacional, composto por prontuários de 189 pacientes diagnosticados com câncer de cabeça e pescoço, com idade superior a 18 anos, de ambos os sexos, reabilitados com próteses bucomaxilofaciais. Os dados dos prontuários foram registrados em planilha Excel e consideradas as variáveis: demográficas (sexo, idade), tipo de prótese, estilo de vida (tabagismo e etilismo) e aspectos clínicos (sinais e sintomas de comorbidades, consumo de medicamentos) e as respostas ao instrumento de qualidade de vida WHOQOL- bref. Resultados: a maioria dos pacientes recebeu prótese maxilar, juntamente com a mandibular (70,4%). Houve diferença estatística significativa, com registro de qualidade de vida inferior, na relação entre ter menos de 60 anos e o escore geral do WHOQOL- Bref. Na análise por domínios foi registrada diferença estatística significativa na relação entre sexo feminino e os domínios psicológico (p=0,028) e ambiente (p=0,047); ter menos de 60 anos e o domínio ambiente (p=0,003); consumir medicamentos e o domínio físico (p=0,029); apresentar quatro ou mais sinais e sintomas clínicos e o domínio físico (p=0,003); e transtornos mentais e o domínio psicológico (p=0,017). Não foi registrada nenhuma diferença estatística significativa entre as variáveis analisadas e o domínio de relações sociais.  Conclusão: sujeitos com menos de 60 anos fazem referência a pior qualidade de vida no geral, e quanto aos domínios, o físico mostra-se mais comprometido para aqueles que fazem uso de medicação e fazem referência a presença de quatro ou mais sintomas; o psicológico, para as mulheres, e quanto ao meio ambiente, mulheres e sujeitos com menos de 60 anos.

Andrade JOM, Santos CAST, Oliveira MC. Fatores associados ao câncer de boca: um estudo de caso-controle em uma população do Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de epidemiologia. 2015;18 (4): 894-905.
Andrade SA, Pratavieira S, Paes JF, Ribeiro MM, Bagnato VS, Varotti FP. Papiloma escamoso oral: uma visão sob aspectos clínicos, de fluorescência e histopatológicos. São Paulo.2019;17(2): eRC4624.
Aquino RCA, Lima MLLT, Menezes CRCX, Rodrigues M. Aspectos epidemiológicos da mortalidade por câncer de boca: conhecendo os riscos para possibilitar a detecção precoce das alterações na comunicação. Rev. CEFAC [Internet]. 2015 Aug [cited 2020 Feb 29] ; 17( 4 ): 1254-1261.
Aquino, Rodrigo Cesar Abreu de, Lima, Maria Luiza Lopes Timóteo de, Silva, Vanessa de Lima, Alencar, Fábio Lima de, & Rodrigues, Mirella. (2018). Acesso e itinerário terapêutico aos serviços de saúde nos casos de óbitos por câncer de boca. Revista CEFAC, 20(5), 595-603. https://doi.org/10.1590/1982-0216201820515017
Araújo SSC, Padilha DMP, Baldisserotto J. Avaliação da condição de saúde bucal e da qualidade de vida de pacientes com câncer de cabeça e pescoço atendidos em um hospital de Porto Alegre. Rev. Bras. de Cancerologia. 2009; 55(2): 129-138.
Avelar JMDP, Nicolussi AC, Toneti BF, Sonobe HM, Sawada NO. Fadiga em pacientes com câncer de cabeça e pescoço em tratamento radioterápico: estudo prospectivo. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2019; 27.
Balasubramaniam MK, Chidambaranathan AS, Shanmugam G, Tah R. Rehabilitation of Glossectomy Cases with Tongue Prosthesis : A Literature Review.2016;JCDR 10(2),ZE01 https://doi.org/10.7860/JCDR/2016/15868.7184
Carvalho LGA, Santiago CPL, Andrade ACM, Valença AMG, Ribeiro ILA, de Castro RD. El câncer de cabeza y cuello en Brasil: un análisis de 15 años. Rev Cubana Estomatol. 2018; 55(3): 22-28.
Castelli J, Simon A, Lafond C, Perichon N, Rigaud B, Chajon E. Adaptive radiotherapy for head and neck cancer. Acta Oncol (Madr) [Internet]. 2018;57(10):1284–92. Available at: https://doi.org/10.1080/0284186X.2018.1505053
Chen C, Ren W, Gao L, Cheng Z, Zhang L, Li S et al.. Function of obturator prosthesis after maxillectomy and prosthetic obturator rehabilitation. Braz J Otorhinolaryngol. 2016; 82(2):177-83.
Chen C, Ren WH, Huang RZ, Gao L, Hu ZP, Zhang LM, Zhi KQ. Quality of Life in Patients After Maxillectomy and Placement of Prosthetic Obturator. The International journal of prosthodontics. 2016; 29(4): 363-368.
Chi WJ, Hanasono MM, Hofstede TM, Aponte-Wesson RA. Prosthodontic treatment of a patient with Ewing sarcoma of the left maxillary sinus : A clinical report. The Journal of Prosthetic Dentistry. 2018; 1–5. https://doi.org/10.1016/j.prosdent.2018.06.012
Chigurupati R, Aloor N, Salas R. Quality of Life After Maxillectomy and Prosthetic Obturator Rehabilitation. Journal of Oral Maxillofacial Surgery. 2013; 71(8): 1471–1478. https://doi.org/10.1016/j.joms.2013.02.002
Coaracy AEV, Lopes FF, Cruz MCFN, Bastos, EG. Correlação entre os dados clínicos e histopatológicos dos casos de carcinoma espinocelular oral do Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Bello. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial. 2008; 44(1):31-35.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2136
APLICAÇÃO DO MODELO TRANSTEÓRICO EM VOZ: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Voz (VOZ)


Introdução: O Modelo Transteórico (MTT) busca explicar como as pessoas mudam o comportamento e quais são as etapas que elas atravessam nesse processo. O modelo foi desenvolvido a partir da reunião de constructos de diversas abordagens e teorias, sistematizadas por Prochaska(1), formando um modelo complexo para a compreensão e investigação acerca da motivação para mudança de comportamento, tema este essencial na área de saúde(2). Na área da Fonoaudiologia, o modelo vem sendo aplicado com bons resultados(3), uma vez que, muitas vezes, o modelo afeta diretamente o comportamento de adesão ao cuidado e tratamento(4). Especificamente na reabilitação vocal em adultos, Van Leer, Hapner e Connor(5) forneceram uma estrutura organizacional para a compreensão da mudança de comportamento na terapia de voz, mas pouco tem sido apresentado sobre os resultados da aplicação clínica do MTT na área de voz. Objetivo: Desta maneira, o objetivo desta apresentação é descrever a experiência de adaptação das estratégias propostas pelo MTT ao contexto da reabilitação vocal. Método: Trata-se de descrição da experiência em uma disciplina prática de um curso de Fonoaudiologia que atende pacientes com disfonias, a partir de adaptações de estratégias propostas pelo MTT ao contexto da reabilitação vocal. Resultados: O MTT postula que a mudança de comportamento atravessa três dimensões principais: Estágios, Processos e Níveis de Mudança(7). Os estágios demonstram que a mudança se dá ao longo do tempo, segundo os padrões de respostas distintos; os mesmos foram denominados como pré-contemplação, contemplação, preparação, ação, manutenção(2,6). Atualmente, por meio da escala URICA-Voz, é possível identificar em qual dos estágios o paciente se encontra(4). Cada estágio representa uma série de obstáculos a serem vencidos por uma pessoa e, a partir deles, o terapeuta pode desenvolver estratégias de enfrentamento focadas, de acordo com o momento e as vivências de cada paciente. Este processo não acontece de forma linear, mas é cíclico e os avanços de um estágio para o outro vão depender da singularidade do paciente(1). A outra dimensão do modelo refere-se a descrição dos “Processos” de mudança que permitem entender como ocorreu esta mudança(1,6). São estratégias de autorregularão que os pacientes usam para passar de estágio a estágio que podem ser aplicadas em intervenções terapêuticas. São divididos em processos cognitivos (conscientização, alívio dramático, autorreavaliação, liberação social e reavaliação socioambiental) e comportamentais (gerenciamento de reforço, contracondicionamento, controle de estímulos, relações de ajuda e autoliberação)(1,6). A partir da experiência de outras áreas da Fonoaudiologia(10), foram descritas as situações relacionadas aos processos cognitivos e comportamentais adaptadas para a área de voz. Conclusão: Espera-se que o produto resultante desta experiência possa ser utilizado como um recurso de apoio didático-pedagógico, para que o profissional da área possa identificar mais facilmente as características de cada um dos processos para melhor manejá-los, conforme preconizado pela abordagem motivacional, contribuindo assim, para a evolução terapêutica.


(1) Prochaska J.O.; Diclemente C.C.; Norcross J.C. In Search of How People Change: Applications to Addictive Behaviors. American Psychologist, 1992 V. 47 (9): 1102-11014. Disponivel: https://pdfs.semanticscholar.org/cfa6/4338705a4903b3d38ae98901dc21183bf86c.pdf
(2) Yoshida, E.M. Escala de estágios de mudança: uso clínico e em pesquisa. Psico-USF, São Paulo,V. 7 (1) P. 59-66. 2002. Disponivel: https://www.researchgate.net/publication/239931948
(3) Kuchar J. Escala de estágios de mudança de comportamento em candidatos e usuários de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI). 2017. 168 f. (Tese de Doutorado em ciências da saúde). Bauru (SP): Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. 2017.
(4) Van Leer E.; Hapner E.R.; Connor N.P. Transtheoretical Model of Health Behavior Change Applied to Voice Therapy. Journal of Voice, Philadelphia, V. 22 (6) P. 688-698. 2008. Disponivel: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2904548/
(5) Diclemente C.C.; Schlundt D.; Gemmell L. Readiness and Stages of Change in Addiction Treatment. The American Journal on Addictions, Warszawa, V.13. (2), P. 103-119, (2004). Disponivel: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1080/10550490490435777
(6) Teixeira L.C. et al. Escala URICA-VOZ para identificação de estágios de adesão ao tratamento de voz. CoDas, São Paulo, V. 25 (1) P 8-15. 2013. Disponivel: http://www.scielo.br/pdf/codas/v25n1/v25n1a03.pdf
(7) Aguiar A.C. et al. Stages of Readiness in Patients With Dysphonia: A Proposal Based on Factor Analysis Using the URICA-V Scale. Journal of Voice, Philadelphia, P. 1-12, (2018). Disponivel:https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0892199718303308?via%3Dihub
(8) Silva A.C. Estágio de Prontidão em Pacientes com disfonia: Nova Perspectiva com Base na Teoria de Resposta ao Item na Escala URICA-V. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa– UFPB e Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, 2020.
(9) Lopes L.W.; Vilela E.G.; Autoavaliação e prontidão para mudança em pacientes disfônicos. CoDAS, São Paulo, V. 28 (3) P.295-301. 2016. Disponivel: https://www.researchgate.net/publication/304743975_Autoavaliacao_e_prontidao_para_mudanca_em_pacientes_disfonicos
(10) Babeu, L.; Kricos P; Lesner S. Acknowledgement of and adjustment to hearing loss: Applications of the transtheoretical Stages-of-Change Model. American Speech-Language-Hearing Association, Rockville, V. 8 (1) P. 13-15. 2003. Disponivel: https://pubs.asha.org/doi/pdf/10.1044/gero8.1.13


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2093
APLICATIVO JAMBOARD COMO FERRAMENTA PARA O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DURANTE A PANDEMIA POR SARS-COV-2: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: O Jamboard é um aplicativo apresentado na forma de um quadro branco digital colaborativo, recentemente lançado pelo GOOGLE, com objetivo de tornar aulas, reuniões e discussões mais interativas e intuitivas. Ele permite que diversas pessoas, em diferentes locais, possam construir e estruturar ideias, além de salvá-las no Google drive 1. Mediante o atual cenário pandêmico do SARS-CoV-2, com necessidade de isolamento social, o Jamboard torna-se um aplicativo aliado no processo de aprendizagem à distância, visto que pode ser acessado em qualquer lugar e em tempo real 2. OBJETIVO: Relatar a experiência de um grupo de discentes com o uso do aplicativo Jamboard para um processo de aprendizagem virtual mediante a pandemia do SARS-CoV-2. MÉTODO: O uso do Jamboard foi escolhido para promover o aprimoramento dos estudos realizados em um projeto de extensão e pesquisa em uma universidade pública, com uma equipe formada por nove alunos, um docente e um fonoaudiólogo técnico do curso de Fonoaudiologia. O projeto realizou orientações fonoaudiológicas por meio do telemonitoramento assíncrono às famílias de crianças do espectro autista, frente à suspensão das atividades acadêmicas presenciais devido ao atual cenário pandêmico do SARS-CoV-2. As reuniões da equipe ocorreram por meio de videoconferência pela plataforma GOOGLE MEET, com atividades de supervisão, discussão de casos e estudos de artigos científicos. O Jamboard foi utilizado após leitura e discussão coletiva do artigo científico “Parent and Family Impact of Autism Spectrum Disorders: A Review and Proposed Model for Intervention Evaluation" 3, que relata os impactos causados pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA) no cotidiano dos responsáveis, com um olhar ampliado para a família. Após leitura e discussão, cada aluno criou frases com as principais ideias do estudo de acordo com subtópicos selecionados previamente. A partir da coleta dessas informações, foi construído no quadro do Jamboard um resumo com as frases-chaves, utilizando as notas adesivas virtuais do quadro, a fim de sintetizar o conteúdo de forma visual e auxiliar no processo de aprendizagem. RESULTADO: O grupo mostrou autonomia ao dar continuidade aos estudos teóricos relacionados ao projeto, exercitou habilidades de trabalho individual e coletivo ao formular frases-chaves; e ao escolher, organizar e construir o conteúdo visual na procura de uma estética agradável que colaborasse com apropriação dos conhecimentos por meio do Jamboard. Os participantes relataram extrema satisfação acadêmica e pessoal em realizar tal atividade inovadora devido ao conhecimento adquirido, de uma forma simples e objetiva, sobre o conteúdo estudado. Afirmaram que o uso desta tecnologia em ambiente virtual de formação, possibilitou a efetivação do seu processo de aprendizagem, mesmo diante do cenário pandêmico decorrente o SARS-CoV-2. Além disso, expressaram que irão utilizar o Jamboard em seu processo de aprendizagem individual na construção de resumos. CONCLUSÃO: Observa-se que a experiência de uso de aplicativos que promovem o uso para comunidades virtuais, enquanto contexto de construção do conhecimento, apresenta potencialidade para a promoção de uma ação dialógica que fomente os processos de aprendizagem para os participantes, abrangendo possibilidades de participação tanto de forma conjunta quanto individual para a construção do aprendizado.

1. Qi Network. Jamboard: o quadro branco digital para colaboração na nuvem – Acesso em 3 de julho de 2020. Disponível em: https://www.qinetwork.com.br/jamboard-o-quadro-branco-digital-para-colaboracao-na-nuvem;
2. Google For Education. Dê vida a aprendizagem com o Jamboard – acesso em 3 de julho de 2020. Disponível em: https://edu.google.com/intl/pt-BR/products/jamboard/?modal_active=none;
3. KARST, J. S.; HECKE, A. V. V. Parent and Family Impact of Autism Spectrum Disorders: A Review and Proposed Model for Intervention Evaluation. Rev. ResearchGate. 2012; 15; 247–277.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1924
APLICATIVOS PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS EM SAÚDE DA COMUNICAÇÃO HUMANA: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: A popularização dos celulares inteligentes, também conhecidos como smartphones, tem sido considerada por muitos, a revolução tecnológica de maior impacto nos últimos tempos 1,2. Devido a sua versatilidade e possibilidade de acesso a milhões de aplicativos, os smartphones podem auxiliar seus usuários 24 horas por dia em qualquer lugar e nos mais diversos contextos. Essa qualidade é fundamental também na assistência em saúde, onde pacientes e profissionais podem usufruir das potencialidades dos dispositivos, para promoção da saúde. Nesse contexto, a fonoaudiologia enquanto ciência também tem passado por transformações consideráveis e aprimoramentos que incluem uma maior aproximação quanto ao uso das tecnologias nos últimos anos, nesse sentido torna-se importante identificar algumas das ferramentas digitais criadas e disponibilizadas para a fonoaudiologia.
OBJETIVO: Identificar através de revisão de literatura quais seriam os aplicativos para smartphones criados para área da fonoaudiologia e saúde da comunicação humana.
MÉTODO: Foi conduzida uma revisão de literatura do tipo integrativa nas bases de dados PubMed e BVS. As estratégias de busca, seleção e análise dos artigos seguiram os padrões dos itens de relatórios preferenciais para revisões sistemáticas - PRISMA. A criação da estratégia de busca foi baseada de acordo com a pergunta condutora: “Quais os aplicativos disponíveis para uso na área da fonoaudiologia e saúde da comunicação humana?”, conduzida pela estratégia PICo, cujo acrônimo representa: Paciente (P), Intervenção (I), Contexto (Co), útil em revisões não clínicas, cujo foco é o fornecimento de informações significativas sobre determinado tema. Foram considerados os descritores: “Tecnologia e Aplicativos de Software”, “Software”, “Aplicativos Móveis”, e “fonoaudiologia”. combinados entre si por meio do operador booleano “AND”. Foram incluídos artigos publicados nos últimos quinze anos, cujo foco fosse a descrição do processo de criação de um aplicativo voltado a fonoaudiologia e/ou saúde da comunicação humana, e que os estudos tivessem sido conduzidos no Brasil. Foram excluídos estudos revisões narrativas, sistemáticas, cartas; editoriais; comentários e relatos de casos.
RESULTADOS: Dos onze artigos localizados, apenas dois preencheram todos os critérios de inclusão. Ambos eram aplicativos eram destinados a área de linguagem. Um dos aplicativos tinha como foco o auxílio a reabilitação de crianças com dislexias e espelhamento e o outro era direcionado a melhoria do padrão de fala em pacientes com fissura labiopalatina. Ambos se apresentam disponíveis no sistema operacional Android.
CONCLUSÃO: Apesar do reduzido número de trabalhos desenvolvidos no Brasil, vê-se uma expectativa de crescimento contínuo ao longo dos próximos anos, uma vez que as tecnologias da informação e comunicação já constituem uma realidade no campo da Fonoaudiologia. Por fim, evidencia-se a necessidade iminente em estudos futuros, principalmente aplicativos destinados aos pacientes nas mais diversas áreas de especialidades da fonoaudiologia voltados ao autocuidado durante o curso de seu tratamento e/ou promoção da saúde da comunicação humana.

Carlos, DAO, et al. Concepção e avaliação de tecnologia mHealth para promoção da saúde vocal. RISTI-Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação. 2016, n. 19, p. 46-60.

Fonteles, RC, et al. Experiências de professores com o uso do aplicativo VoiceGuard: reflexões e mudanças de comportamento vocal. CIAIQ. 2019, v. 2, p. 768-777.

Souza, M, et al. Dizziness App: um Aplicativo para o Tratamento Optocinético de Pacientes com Tontura. Anais do XVIII Escola Regional de Computação Bahia, Alagoas e Sergipe. SBC, 2018. p. 72-77.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
247
APLICATIVOS PARA DISPOSITIVOS MÓVEIS: UMA NOVA IMAGEM PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


O mercado tecnológico vem investindo em opções de Comunicação Alternativa (CA) com o objetivo de ampliar as possibilidades de comunicação e interação de pessoas que não possuem fala articulada funcional, proporcionando mais autonomia, autoria, confiança e independência (1-2). Pensando nisso, realizou-se uma pesquisa exploratória na base de dados do Google Play Store no período entre agosto de 2018 a novembro de 2018, com o objetivo de verificar quais aplicativos de CA para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estavam disponíveis na plataforma. Foram inventariados 53 aplicativos localizados com o uso do descritor “Autismo”. Destes foram identificados quinze softwares de CA, que se encaixavam nos seguintes critérios: ser um aplicativo desenvolvido para pessoas com deficiência e/ou TEA e possuir versão em português. Concomitantemente foi realizada uma pesquisa bibliográfica, com objetivo de confirmar as hipóteses levantadas durante a pesquisa (3-4). Em junho de 2020 foi realizada uma nova verificação utilizando a mesma metodologia utilizada por Reis (2), a finalidade era verificar se ocorreram alterações nos resultados anteriores, atualizando o status da pesquisa. Constatou-se que de dezembro de 2019 a junho de 2020 surgiram dez novos aplicativos de CA. Desses apenas cinco respeitavam os critérios citados acima. São eles: Talk Up! Pictogramas Comunicator, Falaê, Nikki Talk, Fale em imagens X – Uma voz AAC para o Autismo 2019 e ChatTEA. Destes, apenas o Talk Up! Pictogramas Communicator possui taxa de utilização em algum momento. Em relação aos 15 aplicativos estudados em 2018 cinco não estavam disponíveis para download em junho de 2020 (Aboard-CAA(AAC), Auta, Card Talk, E-Pecs , Fala Fácil Autismo DiegoDiz Pro). Não foi possível constatar os motivos para a retirada dos aplicativos da base de dados do Google Play Store. Na pesquisa realizada no ano de 2018 foram observados três pontos fundamentais no decorrer do trabalho. O primeiro, refere-se ao fato de que 86,5% dos Apps não apresentavam classificação correta por parte dos desenvolvedores. O segundo ponto, foi o fator de customização, 53% dos aplicativos catalogados possuem essa função. O terceiro tema apontado diz respeito à metodologia utilizada, 12% indicam em sua descrição uma base teórica para seu desenvolvimento. Os resultados da verificação realizada em 2019-2020, revelou resultados distintos. Os aplicativos catalogados somaram um total de quinze, 80% dos aplicativos encontrados nessa nova fase da pesquisa não apresentavam classificação correta por parte dos desenvolvedores. Acerca da customização verificou-se que 66,6% apresentavam a possibilidade de customização. Quanto ao tema da metodologia utilizada, 20% mostram que seu desenvolvimento baseou-se em uma metodologia comprovada cientificamente. As conclusões teóricas das pesquisas apontam que é preciso considerar que o foco para a utilização das tecnologias móveis como CA não pode estar nas tecnologias, mas em atender as necessidades dos indivíduos. É necessário que os aplicativos se adaptem às pessoas e não o inverso (5-6). Sugere-se a ampliação das pesquisas sobre aplicativos para pessoas com TEA. E que esses estudos apontem não só a existência dos aplicativos para pessoas com TEA, mas também a sua eficiência nos diversos contextos incluindo o da escola.

1. Light J, McNaughton D. The Changing Face of Augmentative and Alternative Communication: past, present and future challenges. Argumentative and Alternative Communication. 2012; 28(4):197-204.
2. Petroni NN, Boueri IZ, Lourenço GF. Introdução ao uso do Tablet para Comunicação Alternativa por uma Jovem com Paralisia Cerebral. Revista Brasileira de Educação Especial. 2018; 24(3), 327-342.
3.Reis JT. Tecnologia Assistiva: aplicativos para dispositivos móveis, uma contribuição tecnológica para aprendizagem de crianças autistas. [monografia] Rio de Janeiro: Faculdade de Educação Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 2018.
4. Reis JT, Schirmer CR. Aplicativos de Comunicação Alternativa para pessoas com Transtorno do Espectro Autista: uma pesquisa exploratória. Anais do VIII Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa Isaac-Brasil: parceiros em diálogo na diversidade. 2019; Campinas (SP).

5. Light J, McNaughton D. Putting People First: re-thinking the role of technology in augmentative and alternative communication intervention. Argumentative and Alternative Communication. 2013; 29(4): 299-309.

6. Schirmer CR. Pesquisas em recursos de alta tecnologia para comunicação e transtorno do espectro autista. ETD - Educação Temática Digital. 2020; 22(1): 68-85.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
459
APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO E SUA RELAÇÃO COM O PROCESSAMENTO AUDITIVO: REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é caracterizada por episódios de colapso completo das vias aéreas ou colapso parcial com uma diminuição associada na saturação de oxigênio ou excitação do sono [1]. Ela pode acarretar prejuízos em crianças e adultos alterações nas habilidades auditivas de localização e lateralização do som, memorização, discriminação e identificação das informações acústicas do processamento auditivo [2,3]. OBJETIVO: Analisar a influência da SAOS no processamento auditivo. MÉTODO: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura com levantamento bibliográfico de textos publicados no período 2015 a 2020 em bases de dados eletrônicas LILACS, SciELO e PubMed, com os seguintes descritores para a busca: apnea, auditory processing, apneia e processamento auditivo, intercalados pelo operador booleano “AND”. A combinação das palavras utilizadas para a busca foram as seguintes: apneia AND processamento auditivo; apnea AND auditory processing. RESULTADOS: Três estudos foram revisados na íntegra, sendo todos de delineamento transversal. A amostra de pacientes variou de trinta e um pacientes adultos com SAOS no primeiro estudo [4], trinta e sete crianças de 6 a 12 anos no segundo estudo [5] e trinta e um pacientes também com SAOS no terceiro estudo [6]. As metodologias utilizadas para verificar a relação da alteração do processamento auditivo associado a SAOS foram, no primeiro trabalho, exames otológicos, audiometria tonal limiar, emissões otoacústicas por produto de distorção e resposta auditiva do tronco cerebral evocada por clique e por fala, no segundo estudo foram realizadas anamnese do sono e polissonografia noturna em laboratório, teste Gaps-in-Noise (GIN) com respostas dos pais ao questionário Scale of Auditory Behaviors (SAB) e no terceiro estudo foi realizado exame otorrinolaringológico, audiometria tonal limiar, teste padrão de frequência (TPF) e teste padrão de duração (DPT). No primeiro estudo os achados indicam que algumas disfunções auditivas podem estar presentes em pacientes com SAOS leve e moderada, e os danos foram agravados com a gravidade da SAOS, no segundo, sugerem que a respiração com distúrbios do sono pode levar ao comprometimento do comportamento auditivo e no terceiro que, episódios de hipóxia repetidos na SAOS resultaram em prejuízos estatisticamente significativos nas vias auditivas centrais, mesmo com limiar auditivo dentro dos limites normais. CONCLUSÃO: A partir dos resultados, verificou-se que a SAOS pode influenciar no processamento auditivo tanto de adultos como de crianças, com as alterações variando conforme a gravidade da SAOS, porém a literatura mostra poucos estudos a respeito do tema proposto. Diante disso, sugerem-se novos estudos sobre a influência da SAOS no processamento auditivo e com populações maiores e com delineamentos mais robustos, no intuito de comprovar a necessidade de avaliações e intervenções para minimizar os efeitos da SAOS nas habilidades do processamento auditivo.

[1] Slowik JM, Collen JF. Obstructive Sleep Apnea. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020.
[2] Melo A, Mezzomo CL, Garcia MV, Biaggio EPV. Efeitos do treinamento auditivo computadorizado em crianças com distúrbio do processamento auditivo e sistema fonológico típico e atípico. Audiol., Commun. Res. 2016; 21: e1683.
[3] İriz A, Düzlü M, Köktürk O, et al. The effect of obstructive sleep apnea syndrome on the central auditory system. Turk J Med Sci. 2018;48(1):5-9.
[4] Fu Q, Wang T, Liang Y, et al. Auditory Deficits in Patients With Mild and Moderate Obstructive Sleep Apnea Syndrome: A Speech Syllable Evoked Auditory Brainstem Response Study. Clin Exp Otorhinolaryngol. 2019;12(1):58-65.
[5] Leite Filho CA, Silva FFD, Pradella-Hallinan M, Xavier SD, Miranda MC, Pereira LD. Auditory behavior and auditory temporal resolution in children with sleep-disordered breathing. Sleep Med. 2017; 34:90-95.
[6] İriz A, Düzlü M, Köktürk O, et al. The effect of obstructive sleep apnea syndrome on the central auditory system. Turk J Med Sci. 2018;48(1):5-9.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1850
APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO, ASPECTOS OROMIOFUNCIONAIS E BIOQUÍMICOS NA OBESIDADE
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A colapsabilidade faríngea e/ou alterações neuromusculares frequentemente ligadas à quadros de obesidade podem levar à Apneia Obstrutiva do (AOS)1. Diversas são as consequências da AOS, dentre as quais destacamos problemas cardiovasculares, quadros depressivos, disfunções metabólicas2,3,4. Na obesidade, além da AOS outros fatores poderiam alterar a qualidade de sono com consequências na saúde geral do indivíduo, como a diminuição no conteúdo do hormônio melatonina. Uma possível causa para essa diminuição em obesos poderia ser altos índices de citocinas inflamatórias que conhecidamente reduzem a produção de melatonina5,6,7. A caracterização do padrão de sono e o entendimento sobre os mecanismos envolvidos nos distúrbios de sono, incluindo a AOS são essenciais para se estabelecer planos de prevenção e tratamento destes quadros. Objetivo: Caracterizar a presença de transtornos de sono, incluindo a AOS, e sua relação com a presença de ronco, a condição miofuncional orofacial, o conteúdo salivar de melatonina e de TNF em indivíduos obesos e/ou com sobrepeso. Método: Participaram deste estudo, aprovado pelo CEP (parecer nº 1.685.005), 102 indivíduos com idade entre 20 e 65 anos, sendo 29 indivíduos obesos, 21 com sobrepeso (grupo pesquisa) e 52 eutróficos (grupo controle), de ambos os sexos. Para avaliação do sono e da AOS foram aplicados a polissonografia e questionários sobre qualidade de sono e presença de ronco. Para associação com os parâmetros destas avaliações foram realizadas avaliações miofuncionais orofaciais (OFSOSA), otorrinolaringológicas, antropométricas e análises do conteúdo salivar de melatonina e da citocina TNF. Resultados: Os indivíduos do grupo pesquisa apresentaram pior qualidade de sono, sendo que quanto maior o índice de massa corporal, pior a qualidade do sono. A avaliação polissonográfica mostrou presença de ronco em 80% dos indivíduos do grupo pesquisa. Destes, 25% apresentaram AOS de grau leve, 17% grau moderado e 58% grau grave. A avaliação miofuncional orofacial mostrou que 100% dos indivíduos do grupo pesquisa apresentaram alterações oromiofuncionais. A avaliação nasofibroscópica mostrou que 47,6% dos indivíduos do grupo pesquisa apresentaram obstrução maior do que 75% de vias aéreas superiores. Quanto à análise do conteúdo salivar de melatonina, o grupo controle apresentou ritmo normal com pico de produção à noite, ao contrário do grupo pesquisa que não apresentou o pico noturno nesse conteúdo. Na análise de citocinas inflamatórias, os indivíduos do grupo pesquisa apresentaram maior conteúdo de TNF do que o grupo controle. Conclusão: Quanto maior o IMC, pior a qualidade do sono, maior a incidência de AOS e mais graves as características miofuncionais orofaciais. Estes dados ressaltam a relevância da intervenção fonoaudiológica nos tratamentos multidisciplinares para a obesidade. Os baixos conteúdos de melatonina noturno e os altos níveis de TNF podem agravar ainda mais a qualidade do sono de as condições de saúde dos indivíduos obesos e com sobrepeso.

1. SCHWARTZ, Alan R. et al. Obesity and obstructive sleep apnea: pathogenic mechanisms and therapeutic approaches. Proceedings of the American Thoracic Society, 2008; 5(2):185-192.
2. LEDERER, Jean. Enciclopédia moderna de higiene alimentar. 2. ed. São Paulo: Manole; 1991.
3. OHAYON, Maurice M. Epidemiology of depression and its treatment in the general population. Journal of psychiatric research. 2007; 41(3):207-213.
4. CRUJEIRAS, Ana B.; CASANUEVA, Felipe F. Obesity and the reproductive system disorders: epigenetics as a potential bridge. Human reproduction update. 2014;21(2):249-261.
5. MARKUS, Regina P. et al. The immune-pineal axis: a shuttle between endocrine and paracrine melatonin sources. Neuroimmunomodulation.2007;14(3-4):126-133.
6. PINATO, Luciana et al. Selective protection of the cerebellum against intracerebroventricular LPS is mediated by local melatonin synthesis. Brain Structure and Function. 2015;220(2):827-840.
7. PINTO, Aline Rodrigues; da SILVA, Nathani Cristina; PINATO, Luciana. Analyses of melatonin, cytokines, and sleep in chronic renal failure. Sleep and Breathing. 2016;20(1):339-344.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1302
APOIO MATRICIAL EM SAÚDE DO TRABALHADOR NA ATENÇÃO BÁSICA: EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO DE REFERÊNCIA
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)



Introdução: A Saúde do Trabalhador é caracterizada como campo de práticas e conhecimentos que buscam conhecer e intervir nas relações de trabalho e saúde-doença. O cuidado qualificado à saúde dos trabalhadores pelas equipes da Atenção Básica (AB) do Sistema Único de Saúde (SUS), incorporando sua inserção nos processos produtivos, tem sido considerado estratégico para a ampliação das ações neste âmbito, sendo o apoio matricial uma importante ferramenta para esta viabilização. Os profissionais da AB atuam com o contexto da vida das pessoas sob sua responsabilidade e no dia a dia deparam-se com formas de adoecimento, por vezes sem definição, para as quais a contribuição do trabalho ou mesmo a ausência dele desempenha papel importante.Objetivo: Relatar a experiência de um Centro de Referência no apoio matricial em saúde do trabalhador na AB. Métodos: Trata-se de um relato de experiência descritivo, realizado por uma equipe multiprofissional de um Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador – Cerest de Alagoas. Foram realizadas 72 capacitações nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Maceió, visando sensibilizar as equipes da AB na consideração das relações entre o trabalho e as condições de saúde e doença dos seus usuários trabalhadores há alguns anos. Nestes momentos, foram realizadas exposições dialogadas com treinamento do preenchimento das fichas de notificação a 03 profissionais (médico, enfermeiro e agente comunitário de saúde) de cada unidade e estes, posteriormente, atuariam como multiplicadores desta informação aos demais servidores de sua UBS. Após estes momentos, obtivemos pouco resultado na prática de uma maior integração entre a AB e o Cerest, percebendo a necessidade de reformulação desta atuação. Diante disto, em 2020 iniciaram as discussões de caso na AB, em que por meio de reuniões com a equipe se discutem casos de atendimentos realizados pela unidade e seu nexo causal com o trabalho. Além disto, foi elaborado uma cartilha contendo as principais dúvidas que surgem nas discussões de caso da atuação do Cerest junto a AB para serem distribuídas em todas unidades. Resultados: Durante as discussões de casos, percebeu-se que apesar da Política Nacional de Saúde do Trabalhador (a) ter sido criada desde 2012, ainda há um grande desconhecimento pelos profissionais de saúde da mesma, bem como da obrigatoriedade da notificação compulsória dos agravos relacionados ao trabalho. Transformar as capacitações tradicionais em discussões de caso nos momentos de educação permanente, promoveu maior articulação entre os profissionais da AB com os do Cerest, bem como uma maior compreensão da importância do papel do trabalho no modo de cuidar e produzir saúde. Apesar disto, ainda há um grande desafio na realização do matriciamento junto a AB e na perspectiva de pensar em ações que vão além da assistência e de entenderem como atribuições a mais do que lhe competem. Conclusão: O apoio matricial por meio de discussões de caso é uma estratégia potente proporcionando a incorporação de conceitos e práticas da Saúde do trabalhador no âmbito da AB.

Não se aplica


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1999
APRAXIA DE FALA NA INF NCIA ASSOCIADA À QUADROS SINDRÔMICOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O quadro da Apraxia de Fala na Infância (AFI) é caracterizado como um distúrbio motor neurológico, no qual que se manifesta pela incapacidade de planejar, programar e/ou executar os gestos articulatórios que compõe a produção da fala. Dentre as causas, a AFI pode ser congênito ou adquirido durante o desenvolvimento da fala. O AFI congênito podem ocorrer por distúrbios complexos neurológicos, que podem ser os distúrbios genéticos, metabólicos ou mitocondriais. Objetivo: A presente revisão objetiva a verificação sistemática na literatura das principais características AFI associadas aos quadros sindrômicos. Método: Estratégia de pesquisa: Estudo de revisão sistemática da literatura nas bases de dados MEDLINE (acessado via PubMed), LILACS, Scopus e SciELO com os descritores (Syndrome) e (Childhood apraxia of speech and Apraxias and Dyspraxia) e (Speech). Critérios de seleção: A busca por artigos científicos nas bases de dados foi conduzida por três pesquisadores independentes. Foram incluídos todos aqueles estudos com crianças com diagnóstico de AFI associada às síndromes cujos participantes tinham até 12 anos de idade. Análise dos dados: Os revisores realizaram a coleta de dados no que diz respeito às características metodológicas, intervenções e desfechos dos estudos utilizando formulários padronizados. O dado principal coletado foi correlacionar as manifestações de fala (segmentas e/ou suprassegmentais) da AFI com a síndrome associada. Resultados: Os sete estudos selecionados apresentavam as seguintes síndromes: Síndrome de Down (n=1), Síndrome de Algelman (n=1), Síndrome Velocardiofacial (n=1), Síndrome Cri du Chat (n=1), Síndrome Fleefstra (n=1), Microdelação de 12p13.33 (n=1) e Microdeleção de BCL11A (n=1). Os sujeitos incluídos nos integrantes variaram de 34 meses a 11 anos de idade, de ambos os sexos, sendo observado que as manifestações clínicas envolvidas com a AFI são heterogêneas. Conclusão: Embora as manifestações clínicas de fala (segmentais e suprassegmentais, especialmente) vinculadas à AFI variam a depender da síndrome, os estudos apontam para erros de produção de fala persistentes, o que acarreta prejuízos severos na comunicação e na qualidade de vida dos sujeitos. Sugere-se estudos que detalham a produção de fala, tanto durante a avaliação, quanto durante o processo terapêutico, vislumbrando melhor detalhamento dos gestos articulatórios, e como se dá a coordenação dos mesmos nos diferentes quadros sindrômicos.

Palavras-chave:: Linguagem Infantil. Linguagem. Aquisição da linguagem. Apraxias. Criança.

NAVARRO, Paloma Rocha; SILVA, Priscila Mara Ventura Amorim; BORDIN, Sonia Maria Sellin. Apraxia de fala na infância: para além das questões fonéticas e fonológicas. : para além das questões fonéticas e fonológicas. Distúrbios da Comunicação, [s.l.], v. 30, n. 3, p. 475, 24 set. 2018. Portal de Revistas PUC SP. http://dx.doi.org/10.23925/2176-2724.2018v30i3p-475-489.
GUBIANI, Marileda Barichello; PAGLIARIN, Karina Carlesso; KESKE-SOARES, Marcia. Instrumentos para avaliação de apraxia de fala infantil. Codas, [s.l.], v. 27, n. 6, p. 610-615, dez. 2015. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20152014152.
ODELL, Katharine H.; SHR, Lawrence D.. Prosody-voice characteristics of children and adults with apraxia of speech. Clinical Linguistics & Phonetics, [s.l.], v. 15, n. 4, p. 275-307, jan. 2001. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/02699200010021800.
SOUZA, Thaís Nobre Uchôa; PAYÃO, Luzia Miscow da Cruz. Apraxia da fala adquirida e desenvolvimental: semelhanças e diferenças. : semelhanças e diferenças. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, [s.l.], v. 13, n. 2, p. 193-202, jun. 2008. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1516-80342008000200015.
CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Apraxia de Fala na Infância. Disponível em: https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/index.php/2017/10/apraxia-de-fala-na-infancia/. Acesso em: 19 out. 2017.
BASHINA, V. M.; SIMASHKOVA, N. V.; GRACHEV, V. V.; GORBACHEVSKAYA, N. L.. Speech and motor disturbances in Rett syndrome. Neuroscience And Behavioral Physiology, [s.l.], v. 32, n. 4, p. 323-327, 2002. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1023/a:1015886123480.
SCHANEN, Carolyn et al. Phenotypic manifestations ofMECP2 mutations in classical and atypical rett syndrome. American Journal Of Medical Genetics, [s.l.], v. 126, n. 2, p. 129-140, 2004. Wiley. http://dx.doi.org/10.1002/ajmg.a.20571.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
681
APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA: MÉTODOS DE AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


TÍTULO: Apraxia de Fala na Infância: métodos de avaliação fonoaudiológica

INTRODUÇÃO: A Apraxia de Fala Infantil (AFI) é um distúrbio de origem neurobiológica que afeta a expressão da linguagem em sua modalidade oral. Caracteriza-se pela presença de déficits na precisão e na consistência dos movimentos articulatórios, bem como pela prosódia inapropriada, principalmente no que diz respeito ao acento lexical e frasal. São observadas dificuldades para planejar, de maneira eficaz, a sequência de atos motores necessários para a fala, uma vez que tal tarefa exige movimentos orofaciais rápidos e precisos. No que se refere à avaliação da AFI, verifica-se que os parâmetros ainda são subjetivos e o diagnóstico, por vezes, dá-se pela exclusão de outros comprometimentos.

OBJETIVO: Analisar sistematicamente na literatura os principais métodos avaliativos utilizados na identificação de indivíduos com AFI, especificamente a aplicação desses em âmbito nacional.

MÉTODO: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados eletrônicas MEDLINE (acessado via PubMed), LILACS, Scopus e SciELO com os descritores Apraxias, Childhood apraxia of speech, Evaluation, Assessment, Validation Studies, Evaluation Studies, Language Therapy, Rehabilitation of Speech and Language Disorders, Child e Child, Preschool, e seus correspondentes em espanhol e português brasileiro. Foram incluídos todos os estudos que avaliavam, de forma consistente, sujeitos de 0 a 12 anos com suspeita ou diagnóstico de AFI. Após a seleção dos artigos, dois avaliadores independentes procederam à análise e extração das informações, as quais foram armazenadas em planilhas previamente formatadas para este objetivo. O dado principal coletado foi quanto aos procedimentos de avaliação da AFI para crianças.

RESULTADOS: A maior parte dos estudos (14 dos 21 incluídos) realizou a associação entre a avaliação de habilidades motoras/articulatórias e segmentais. Cinco realizaram avaliação dos três aspectos elencados: motor/articulatório, segmental e suprassegmental; e dois realizaram apenas avaliação motora/articulatória. Apenas um estudo brasileiro foi incluído na amostra da presente revisão. Os instrumentos mais frequentemente utilizados pelos estudos selecionados foram: Goldman-Fristoe Test of Articulation (Second Edition) e Diagnostic Evaluation of Articulation and Phonology – DEAP. Quanto aos protocolos específicos para avaliação da AFI, destacaram-se: Dynamic Evaluation Motor of Speech Skills – DEMSS e Verbal Motor Production Assessment for Children – VMPAC. A idade dos sujeitos do presente estudo variou de 3 a 12 anos.

CONCLUSÃO: A avaliação da AFI, em geral, envolve a associação entre a avaliação de habilidades motoras/articulatórias e segmentais. Poucos são os estudos que incluem a avaliação de aspectos suprassegmentais da fala, fato que pode comprometer o diagnóstico do transtorno. Em âmbito nacional, há uma significativa falta de instrumentos com evidências psicométricas para avaliar a AFI. Sugere-se que mais estudos sejam realizados, a fim de buscar evidências de validade para avaliação da Apraxia de Fala Infantil.


ASHA: American Speech and Hearing Association. Childhood apraxia of speech. 2007. [cited 2019 ago 27]. Disponível em: http://www.asha.org/policy/PS2007-00277.htm.

Gubiani MB, Pagliarin KC, Keske-Soares M. Instrumentos para avaliação de apraxia de fala infantil. Codas. 2015; 27(6):610-15.

Morgan AT, Murray E, Liégeois FJ. Interventions for childhood apraxia of speech. Cochrane Database Syst Rev. 2018; 30(5)

Shriberg LD, Fourakis M, Hall S, Karlsson H, Lohmeier HL, McSweeny JL et al. Extensions to the Speech Disorders Classification System (SDCS). Clin Linguist Phon. 2010; 24(10): 795-824.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1572
APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA: UMA QUESTÃO DE LINGUAGEM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Este estudo propõe a análise e a discussão com base na Neurolinguística Discursiva dos aspectos neurofisiológicos, psíquicos, cognitivos, linguísticos e sociais pertinentes ao processo de aquisição de linguagem de uma criança ouvinte com “Apraxia de Fala na Infância” (AFI). Para esse fim serão apresentadas a revisão de literatura da área, a perspectiva teórica da Neurolinguística Discursiva e a análise qualitativa do acompanhamento fonoaudiológico longitudinal (período de 15 meses) de um menino com AFI a partir de 5 anos e 3 meses de idade. Objetivo: Identificar na criança questões pertinentes ao seu período de balbucio, a conformação neurofuncional da memória dos gestos articulatórios, os processos constitutivos do diálogo enquanto matriz de significação e, por fim, a relação entre o desempenho motor fino da mão e os gestos articulatórios. Método: A análise longitudinal qualitativa recuperou informações fonoaudiológicas do prontuário do paciente, da entrevista inicial, da avaliação, dos relatórios, dos registros diários de terapia (escritos, gravações de voz e imagem), da audiometria e do relatório pedagógico. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 018/2017. Resultados: Não parece ser possível que a Apraxia de Fala na Infância se limite aos aspectos motores da fala, conforme literatura predominante, mas consequência de um processo proprioceptivo neurofisiológico que parece recobrir o balbucio, a prosódia, a articulação, os processamentos e discriminações (auditivo, visual, táctil-cinestésico, olfatório, vestibular) que se dá no corpo da criança durante todo o primeiro e segundo anos de vida, em meio a interações. Além disso, a dificuldade de coarticulação dos sons no tempo e no espaço parece incidir no processo neurofisiológico da memória dos movimentos de fala que não se estabilizam. Destaca-se também a importância de a criança ser vista em seu processo de subjetivação na linguagem/fala/língua e não exclusivamente pela qualidade/quantidade de sua produção fonoarticulatória. Conclusão: A análise do acompanhamento longitudinal nos possibilitou observar que a apraxia não é apenas uma patologia de fala, mas interfere na constituição da criança como sujeito de linguagem à medida que repercute em suas possibilidades de interação e, como consequência, também nos níveis linguístico, cognitivo e psíquico.

American Speech-Language-Hearing Association. Childhood apraxia of speech. [acesso em: fev. 2016]. Disponível em: https://www.asha.org/public/speech/disorders/ ChildhoodApraxia/#about.
Bordin SMS, Freire FMP. Neurolinguística discursiva: contribuições para uma fonoaudiologia na área da linguagem. Cadernos de Estudos Linguísticos. 2018;60(2):7-22.
Coudry MIH, Bordin SS. Afasia e infância: registro do (in) esquecível. Cadernos de Estudos Linguísticos. 2012; 54(1): 135-54. 11.
De Lemos CTG. Interacionismo e aquisição de linguagem. D.E.L.T.A. 1986; 2(2): 231-48
Gubiani MB, Pagliarin KC, Keske-Soares M. Instrumentos para avaliação de apraxia de fala infantil. Codas. 2015; 27(6): 610-5.
Luria AR. Fundamentos de Neuropsicologia. São Paulo: EdUSP; 1981.
Navarro PR, Silva PMVA, Bordin SMS. Apraxia de fala na infância: para além das questões fonéticas e fonológicas. Distúrbios da Comunicação. 2018;30(3):475-89.
Silva PMVA. Deficiência visual e sistema estomatognático: uma relação de importância para a fonoaudiologia [tese]. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas; 2018.
Strand EA; McCauley RJ, Weigand SD, Stoeckel RE, Baas BS. A motor speech assessment for children with severe speech disorders: reliability and validity evidence. J Speech Lang Hear Res. 2013; 56(2): 505-20.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
338
APRAXIA DE FALA NO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)
58045070


INTRODUÇÃO: O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por prejuízos na comunicação e interação social1, muitos estudos apontam a comorbidade de transtornos de fala no TEA. Dentre estes, podemos citar a Apraxia de Fala na Infância (AFI) que é definida como um distúrbio do som da fala de origem neurológica que ocorre na infância, no qual a precisão e a consistência dos movimentos subjacentes à fala são prejudicados na ausência de déficits neuromusculares2. OBJETIVO: Investigar a presença e as características da apraxia de fala nos indivíduos com TEA. MÉTODO: Trata-se de uma revisão da literatura realizada através de consulta a artigos científicos na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). RESULTADOS: Os resultados demonstraram as possíveis associações entre AFI e TEA. Um estudo apontou que as crianças com TEA não possuem as principais características de AFI descritas em pesquisas, incluindo aumento dos erros de vogais espaço-temporais, aumento das distorções incomuns dos fonemas e velocidade de fala lenta, sendo as alterações de fala encontradas no TEA definidas como comprometimentos motores diferentes dos que definem a AFI, não existindo forte relação para a coexistência do TEA e AFI 3. Outro estudo realizou estimativas da prevalência de distúrbios motores e da fala no TEA, 85,7% dos indivíduos não apresentaram desordens motoras da fala, 14,3% apresentaram atraso motor da fala e nenhum indivíduo apresentou apraxia, disartria ou os dois transtornos associados 4. Outras pesquisas apontam a dificuldade de se avaliar sinais de apraxia em crianças com TEA. Apesar disto, e embora os estudos ainda sejam muito recentes e escassos, já é possível observar no mundo acadêmico pesquisas que preconizam uma conexão possível entre AFI e TEA. Podemos citar uma pesquisa realizada em uma população de 30 crianças que apresentavam queixas de linguagem e sinais de AFI e/ou TEA. Os autores verificaram a possibilidade da co-ocorrência de AFI e TEA onde foi observado nesta população que 63,3 % das crianças com diagnóstico de TEA também apresentavam AFI, demonstrando que o TEA e a AFI podem ser altamente comórbidos5. A comorbidade de TEA e AFI foi investigada em uma família nuclear com dois filhos duplamente afetados e um não afetado. Utilizando um teste genético, observou-se que os irmãos afetados, mas não o irmão não afetado, compartilharam uma rara mutação heterozigótica deletéria no WWOX, implicada tanto no TEA quanto no controle motor. Os resultados sugerem heterozigosidade do composto como causa de TEA e AFI, efeitos gênicos pleiotrópicos e efeitos genéticos complexos potencialmente adicionais 6. CONCLUSÃO: Os resultados são conflitantes, apontam para uma co-ocorrência dos dois transtornos, associados ou não a predisposições genéticas e a existência de comprometimentos motores diferentes dos que definem a AFI. Diante das especificidades dos indivíduos com TEA e da escassez de estudos que correlacionem os dois transtornos, AFI e TEA, sugere-se a realização de novas pesquisas para garantir um maior nível de precisão diagnóstica e uma consequente efetividade na condução do processo terapêutico a partir de um diagnóstico diferencial.

1- Associação Americana de Psiquiatria, APA. DSM V – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed; 2014.

2- American Speech-Language-Hearing Association, ASHA. Childhood Apraxia of Speech; 2007.

3- Shriberg L, Paul R, Black L, Van Santen J . The hypothesis of apraxia of speech in children with autism spectrum disorder. J. Aut. Dev. Disord. 2011; 41: 405–426. DOI: 10.1007 / s10803-010-1117-5

4- Shriberg L, Strand E, Jakielski K, Mabie H. Estimates of the prevalence of speech and motor speech disorders in persons with complex neurodevelopmental disorders. Clin Linguist Phon. 2019; 33(8): 707-736.DOI: 10.1080 / 02699206.2019.1595732

5- Tierney C, Mayes S, Lohs S, Black A, Gisin E, Veglia M. How Valid Is the Checklist for Autism Spectrum Disorder When a Child Has Apraxia of Speech?. Journal of developmental and behavioral pediatrics. 2015; 36(8): 569–574. DOI: https://doi.org/10.1097/DBP.0000000000000189

6- Peter B, Dinu V, Liu L, Huentelman M, Naymik M, Lancaster H, Vose C, Schrauwen I. Exome Sequencing of Two Siblings with Sporadic Autism Spectrum Disorder and Severe Speech Sound Disorder Suggests Pleiotropic and Complex Efects. Behav Genet. 2019; 49 (4): 399-414. DOI: 10.1007 / s10519-019-09957-8





TRABALHOS CIENTÍFICOS
634
APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS: UMA EXPERIÊNCIA EXITOSA NO ENSINO DE ANATOMIA HUMANA APLICADA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Com o passar dos anos a forma de ensinar tem evoluído bastante, com diferentes maneiras de expor e fixar o assunto na mente dos estudantes. Isso se encaixa perfeitamente também no ensino superior com um jeito mais flexível de expor o aprendizado, principalmente quando o desfecho principal é a formação do estudante em saúde com o substrato proposto pela teoria construtivista da aprendizagem (conceitual + atitudinal + procedimental). Considera-se conteúdo procedimental a ações aprendidas pelo fazer. Esta inter-relação entre os conteúdos busca integrar ao paradigma conceitual (aulas expositivas dialogadas, por exemplo) um processo de oportunidades de construção de novos conhecimentos. O objetivo deste trabalho é compartilhar a experiência exitosa no ensino de anatomia humana pertencente à grade curricular do curso de graduação em Fonoaudiologia; além de analisar as potencialidades do processo ensino-aprendizagem em metodologias ativas. Com base nisto, viemos apresentar a experiência dos discentes do primeiro ano, abordado sob a perspectiva do estudante. A disciplina de Anatomofisiologia da Audição e da Fonação visa o estudo descritivo, teórico-prático e o estabelecimento de correlativo dos dispositivos constitucionais da fonação e da audição no desenvolvimento de competências e habilidades necessárias para identificar as estruturas e as funções estomatognáticas. A atividade proposta foi a confecção de paródias cujo os temas pertinentes foram à unidade do assunto Sistema Sensorial Especial aplicado à Fonoaudiologia (somatossensorial), sorteados por grupos segmentados por afinidade dos discentes. A escolha da música/ melodia também foi livre. No início houve dificuldade em associar o conteúdo à atividade proposta e, por conseguinte compor a paródia de acordo com o assunto, porém com o passar dos dias e com o auxílio devido cada grupo surpreendeu-se com os resultados obtidos. Um dos grupos (olfação), parafraseou a música “romance com safadeza” do cantor Weslley safadão. No enredo, descreve como funciona o sentido olfato, que ocorre quando moléculas presentes no ar atingem o epitélio olfatório, localizado no teto da cavidade nasal. O sabor que sentimos dos alimentos é uma associação dos sentidos do olfato e do paladar (que foi abordado pelo grupo que apresentou sobre o paladar de forma correlata). Também houve a confecção de camisas, desodorizadores e folhetos para apresentação. Assim, com o desenvolver do trabalho viu se a necessidade de união e compartilhamento de músicas que agradassem a todos, além de terem que estudar e resumir os fatos mais importantes do assunto além de encaixá-lo na letra e ritmo. Mais que ajudar os alunos aprender de forma diferente e divertida, foi notório a união, cooperação e respeito à opinião do próximo que esse trabalho em equipe proporcionou. Pois, apesar de não ser exigido a princípio, as equipes inovaram na apresentação de diferentes maneiras, já a criatividade estimulada para a confecção das paródias não foi exclusiva para a música, mas também, na forma de como exposta ao público. Ao final da atividade foi observado avanço nos três pilares da aprendizagem supracitados.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1861
APRENDIZAGEM EM TEMPOS DE COVID-19: PERCEPÇÕES DOS ESTUDANTES DE FONOAUDIOLOGIA SOBRE AS FERRAMENTAS, RECURSOS E ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: O enfrentamento da COVID-19 trouxe desafios à educação, como a oferta de ensino superior remoto. As instituições que acataram tal recomendação tiveram de se adequar velozmente ao novo cenário de educação reformulando a distribuição da carga horária mínima prevista na legislação visando garantir a realização das atividades e objetivando a aprendizagem conforme os currículos da educação básica e ensino superior, além de criar novas estratégias eficazes para o ensino remoto 1,2,3.
OBJETIVO: apresentar as percepções dos estudantes de saúde sobre as ferramentas, recursos e estratégias educacionais utilizadas durante o período de isolamento social, sendo este o objetivo do presente artigo.
MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo, realizado em um Centro Universitário privado, no estado de Pernambuco, devidamente aprovado em Comitê de Ética em pesquisa com Seres Humanos (parecer nº 4.076.216). A amostra do estudo incluiu um total de 66 alunos estudantes do curso de fonoaudiologia. Os critérios para inclusão dos estudantes foram: estar devidamente matriculados no primeiro ou último ano de Ensino e em pelo menos 50% das disciplinas obrigatórias do curso. Foram excluídos os estudantes que apresentassem frequência inferior a 25% nas aulas.Os estudantes foram contactados através de convite eletrônico (por e-mail) a partir da obtenção das listas de contatos, via secretaria acadêmica do curso. O processo de coleta de dados ocorreu de forma remota. Foi construído um questionário online contendo as questões de pesquisa. Posteriormente ao processo de coleta, o banco de dados foi e as informações colhidas foram analisadas segundo técnicas estatística descritiva.
RESULTADOS: A idade média dos estudantes foi de 22,5 anos. Houve predomínio do gênero feminino entre os estudantes 67%. Com relação ao acesso e conectividade para as atividades educacionais, pouco mais da metade dos entrevistados destacou estar satisfeito com a qualidade do acesso a sua internet. Sobre a disponibilidade de tecnologias, a grande maioria relatou ter disponível computador e/ou notebook para realização das atividades da faculdade. Com relação ao amparo legal para realização das aulas de forma remota e/ou online, 70% dos estudantes relatou estar de acordo com a normativa instituída em âmbito nacional. Sobre a preferência das modalidades educativas, pouco mais da metade dos estudantes entrevistados, relatou que prefere as aulas mediante acesso a salas de aula virtuais, ou seja, preferem acessar as aulas de forma assíncrona em detrimento das atividades em tempo real. Por fim, os estudantes foram indagados sobre as estratégias de avaliação utilizadas pelos docentes nas disciplinas e pouco mais da metade relatou preferir produzir textos a construir vídeos sobre os conteúdos abordados.
CONCLUSÃO: As percepções dos discentes revelam de certa forma uma insatisfação com as mudanças repentinas em seu cotidiano e isso faz com que novamente as questões educacionais voltem ao foco das atenções. Por fim, diante dos resultados, considera-se que docentes e gestores devem estar atentos aos desafios da transição de modalidades educacionais, na tentativa de garantir uma aprendizagem efetiva e significativa para todos.

1. Couto ES et al., # FIQUEEMCASA: educação na pandemia da covid- 19. Interfaces Científicas-Educação, 2020;8(3):200-17.

2. Palácio M et al., Em tempos de pandemia pela COVID-19: o desafio para a educação em saúde, Revista Visa em Debate, 2020;8(2):10-5.

3. Santos V et al., Educação e COVID-19: As tecnologias digitais mediando a aprendizagem em tempos de pandemia”, Revista Encantar - Educação, Cultura e Sociedade - Bom Jesus da Lapa, 2020;2:01-5.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1821
AQUISIÇÃO DO ONSET COMPLEXO EM CRIANÇAS COM DESENVOLVIMENTO FONOLÓGICO TÍPICO E ATÍPICO DE MACEIÓ-AL
Tese
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: durante o percurso de aquisição fonológica, a última estrutura silábica a alcançar estabilidade dentro do sistema fonológico da criança no Português Brasileiro (PB) é a constituída pelo onset complexo, por volta dos 5 anos de idade (MOTA, 1996; PAYÃO, 2004; RIBAS, 2006; CASTRO, 2015; CERON et al., 2017). Nessa trajetória de aquisição, a criança realiza processos fonológicos, a fim de atingir palavras-alvo do adulto, tanto no desenvolvimento fonológico típico como atípico. Porém, no desenvolvimento atípico é constatado um atraso na estabilidade dos elementos do sistema fonológico e a persistência dos processos fonológicos. OBJETIVO: este estudo tem como objetivo a descrição e a análise da aquisição do onset complexo por crianças com desenvolvimento fonológico típico entre 3;0 e 8;11 anos de idade e desenvolvimento fonológico atípico entre 5;0 e 8;11 anos, residentes em Maceió-AL. MÉTODO: essa pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa, tendo sido aprovada sob o CAAE nº 86003017.5.0000.5013. Foram analisados os ambientes influenciadores e os processos fonológicos realizados por 36 crianças com desenvolvimento fonológico típico e 26 crianças com desenvolvimento atípico que evidenciavam a realização de processos fonológicos envolvendo a estrutura silábica CCV. Todas as crianças eram estudantes de escolas municipais públicas, sem comprometimentos auditivos, motores, miofuncionais orais que afetassem a produção dos sons da fala. A coleta dos dados de fala das crianças foi realizada por meio das avaliações com o Teste de Linguagem Infantil – ABFW (WERTZNER, 2004) e o Instrumento de Avaliação Fonológica - INFONO (CERON, 2015). Em seguida, os dados foram analisados por meio de análise descritiva, fundamentada na teoria da Geometria de Traços de Clements e Hume (1995), Clements (2005) e na Teoria da Sílaba (SELKIRK, 1984). RESULTADOS: Foi observada, no desenvolvimento fonológico típico, uma maior quantidade de produções-alvo nas faixas etárias maiores; ao contrário das crianças com desenvolvimento fonológico atípico, cujos percentuais permaneceram baixos nas crianças nessas mesmas faixas etárias. Observou-se que alguns contextos como tipo da líquida, o modo e ponto da obstruinte e a vogal pertencente à estrutura silábica CCV influenciam diretamente na aquisição do onset complexo pelas crianças típicas e atípicas. A influência desses ambientes fonológicos fornece indícios relevantes de que a aquisição desta estrutura silábica é guiada pelo segmento – aquisição bottom-up. Também foi observada uma influência da sílaba tônica, sendo favorável à aquisição do onset complexo. Em relação aos processos fonológicos, constatou-se, principalmente nas crianças atípicas, uma maior ocorrência do processo fonológico de simplificação para C1V, e a presença significativa, dos processos de substituição da líquida e metátese. CONCLUSÃO: o presente estudo traz importantes contribuições para o entendimento da aquisição da estrutura silábica mais complexa e de aquisição tardia no PB. Os dois instrumentos de avaliação utilizados possibilitaram análises complementares e refinadas quanto à aquisição do onset complexo, subsidiando, assim, a abordagem fonoaudiológica para a seleção de palavras-alvos na avaliação e também no tratamento das alterações de fala de natureza fonológica.

MOTA HB. Aquisição segmental do português: um modelo implicacional de complexidade de traços. Porto Alegre. Tese [Doutorado] - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; 1996.

PAYÃO LMC. Desvios Fonológicos em Crianças da Educação Infantil: uma análise a partir da Hierarquia dos Traços Distintivos. Maceió. Dissertação [Mestrado em Linguística] - Universidade Federal de Alagoas; 2004.

RIBAS LP. Onset complexo nos desvios fonológicos: descrição, implicações para a teoria, contribuições para terapia. Porto Alegre. Tese [Doutorado] - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; 2006.

CASTRO ME. Aquisição do onset complexo no desenvolvimento fonológico típico em crianças entre 2;6 e 5;11 de idade, estudantes de uma creche-escola municipal de Maceió-AL. Maceió. Dissertação [Mestrado em Linguística] - Universidade Federal de Alagoas; 2015.

CERON MI, GUBIANI MB, OLIVEIRA CR, GUBIANI MB, KESKE-SOARES M. Prevalence of phonological disorders and phonological processes in typical and atypical phonological development. CoDAS. 2017;29(3):e20150306.

WERTZNER HF. Fonologia. In: ANDRADE CRF, BEFI-LOPES DM, FERNANDES FDM, WERTZNER HF. ABFW – Teste de linguagem infantil nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. 2.ed. Barueri: Pró-Fono Departamento Editorial; 2004. p. 33-49.

CERON MI. Instrumento de avaliação fonológica (INFONO): desenvolvimento e estudos psicométricos. 2015. 148 f. Santa Maria. Tese (Doutorado em Distúrbios da Comunicação Humana) - Universidade Federal de Santa Maria; 2015.

CLEMENTS GN, HUME E. The internal organization of speech sounds. In: GOLDSMITH J (Ed.). The Handbook of Phonological Theory. Cambridge: Blackwell; 1995.

CLEMENTS GN. The Role of Features in Phonological Inventories. Paris: Laboratoire de Phonétique et Phonologie - CNRS / Sorbonne-Nouvelle; 2005.

SELKIRK EO. On the major class features and the syllable theory. In: ARANOFF M, OEHRLE R (Eds.). Language Sound Structure. Cambridge: MIT Press; 1984.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
535
AQUISIÇÃO FONÊMICA E SILÁBICA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO POR CRIANÇAS TÍPICAS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução:
A aquisição fonológica do Português Brasileiro (PB) é um tema relevante a ser pesquisado e discutido, pois há divergências no estabelecimento das idades e na ordem de aquisição dos fonemas tanto na estrutura de onset simples e coda, quanto na de onset complexo (encontro consonantal). Estudos (1,2) sobre aquisição da fonologia, reforçam o entendimento de como ocorre esse processo. Isso é importante porque possibilita dar o feedback para os familiares, para outros profissionais de saúde e educadores que atuam com essa população (1). Neste caso, aquisição "típica" refere-se às crianças que organizam sem complicações significativas (2) o sistema fonológico de acordo com o padrão adulto.

Objetivo:
Analisar a curva de aquisição dos fonemas em onset simples, coda e onset complexo (encontros consonantais) do Português Brasileiro por crianças típicas.

Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob nº 23081.005433/2011-65. Participaram 857 crianças com desenvolvimento típico, sendo 399 (46,6%) meninos e 458 (53,40%) meninas, com idades entre 3:0 e 8:1, divididas em faixas de idade de 6 em 6 meses. Os participantes foram avaliados individualmente pelo software Instrumento de Avaliação Fonológica – INFONO (3). Utilizou-se o software SPSS na análise estatística. Para cada fonema e encontro consonantal do PB foi calculado a média da produção correta por faixa etária proposta no estudo, sendo este resultado utilizado para a elaboração de um gráfico no formato de uma curva de aquisição fonológica. Realizou-se uma comparação da produção nas diferentes faixas etárias usando a prova ANOVA One Way e uma análise de comparações múltiplas pelo teste Post-Hoc Games-Howel. Os resultados foram considerados significantes quando p ≤ 0,05.

Resultados:
Em Onset Simples verificou-se que os fonemas /p, b, t, d, k, g, m, n, ɲ, f, v, s, z/ foram adquiridos antes dos 3:0 anos de idade. O domínio desses fonemas também foi antes dos 3:0 anos de idade. A idade de aquisição dos outros fonemas no PB foram: /ʃ/ e /l/ aos 3:0, /ʒ/ e /χ/ aos 3:6, /ʎ/ aos 4:0, /r/ aos 4:6. Porém, o domínio desses fonemas foram /ʃ/ e /ʒ/ aos 4:0, /l/ e /χ/ aos 3:6, /r/ aos 4:6 e /ʎ/ somente aos 6:0. Em relação aos fricativos /ʃ/ e /ʒ/, observou-se que esses foram os últimos fonemas a serem adquiridos dentro desta classe, provavelmente por serem mais complexos. Em relação a Coda, os fonemas /N/ e /L/ foram adquiridos e dominadas antes dos 3:0, /S/ aos 3:6 e /r/ aos 4:6. Em onset complexo (encontro consonantal), as estruturas compostas por Fricativa+/r/ e Plosiva+/r/ foram adquiridas aos 5:0 e o domínio aos 6:0, a Plosiva+/l/ foi adquirida aos 5:6 e o domínio aos 6:6 e a Fricativa+/l/ foi adquirida aos 6:0 e o domínio aos 6:6.

Conclusão:
Analisar a curva de aquisição é fundamental, pois fornece referência sobre a idade de aquisição de fonemas, contribuindo, assim, para a identificação precoce de atrasos no processo de aquisição fonológica e, com isso, um encaminhamento oportuno para avaliação e diagnóstico de crianças com suspeitas de transtornos dos sons da fala.

McIntosh B, Dodd BJ. Two-year-olds' phonological acquisition: Normative data. Int J Speech-Lang Pathol. 2008;10(6):460-469.

Stoel-Gammon C. Relationships between lexical and phonological development in young children. J Child Lang. 2011;38(01):1-34.

Ceron MI. Instrumento de Avaliação Fonológica (INFONO): desenvolvimento e estudos psicométricos. 2015. 148 f. Tese (Doutorado em Distúrbios da Comunicação Humana). Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria 2015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1184
AQUISIÇÃO FONOLÓGICA: IDADES DE PRODUÇÃO HABITUAL, AQUISIÇÃO E DOMÍNIO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução:

O conhecimento sobre a aquisição e desenvolvimento fonológico típico são importantes para determinar em que momento a criança é capaz de organizar os sons da fala, produzi-los corretamente e alcançar a estabilidade no sistema fonológico, considerando o mesmo como típico. Esse conhecimento também é importante para o feedback aos familiares, profissionais de saúde e educadores que trabalham com essa população(1). Da mesma forma que é fundamental para a avaliação fonoaudiológica, diagnóstico e gerenciamento de casos com suspeita de aquisição fonológica atípica(2,3).

Objetivo:

Analisar o desenvolvimento fonológico típico do Português Brasileiro, no formato de curva de aquisição, considerando as idades de produção habitual, aquisição e domínio dos fonemas.

Método:

Estudo do tipo quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob nº 23081.005433/2011-65. Participaram 857 crianças com desenvolvimento fonológico típico, com idades entre 3:0 e 8:1. Os participantes foram avaliados individualmente pelo software Instrumento de Avaliação Fonológica – INFONO(4). Os fonemas foram considerados adquiridos quando produzidos corretamente acima de 80%. Foi realizada a curva de aquisição de fonemas considerando três medidas: idade de produção habitual, definida como a idade em que o fonema foi produzido corretamente em pelo menos duas posições por pelo menos 50% das crianças; idade de aquisição, idade em que o som foi produzido corretamente por pelo menos 75% das crianças; e idade de domínio, definida como a idade em que o som é produzido corretamente em todas as posições por pelo menos 90% das crianças. Critérios utilizados em outros estudos de aquisição fonológica(5,6). Utilizou-se o software SPSS na análise estatística. A análise estatística realizada foi feita pelo teste One Way ANOVA e pela análise pós-hoc Games-Howel. Os resultados foram considerados significantes quando p ≤ 0,05.

Resultados:

Na posição de onset, observou que a idade de domínio de alguns fonemas plosivos, nasais e alguns fricativos (/f, v, s, z/) foram antes dos 3:0 anos. A idade de aquisição dos fricativos /ʃ, Ʒ/ foi 3:6, e de domínio aos 4:0. Em relação à aquisição das líquidas, os fonemas /l, χ/ foram adquiridos aos 3:0 e o domínio aos 3:6. A idade de aquisição de /ʎ/ foi aos 7:0 e, finalmente, o domínio aos 8:6. O fonema /r/ foi adquirido entre as idades de 4:0 e 4:6 e a idade de domínio aos 4:6. Na posição de coda, /N, L/ foram adquiridos primeiros, aos 3:0; /s/ aos 3:6 e /r/ entre 4:0 e 4:6. A idade de domínio /N, L/ foi antes dos 3:0, /s/ aos 4:6 e /r/ entre 4:6 a 5:0. A aquisição encontro consonantal foi mais tardia. Os encontros consonantais com /r/ foram adquiridos anteriormente, entre 5:0 e 5:6 e o domínio entre 6:0 e 6:6. Os encontros consonantais com /l/ foram adquiridos entre 5:6 e 6:0 e o domínio foi entre 6:6 e 7:6.

Conclusão:

Os achados de aquisição fonológica típica têm implicações significativas para a comparação de resultados de avaliações em crianças com suspeitas de desvios nesse desenvolvimento. Dados confiáveis e representativos sobre o desenvolvimento da linguagem normativa são cruciais para a tomada de decisões clínicas.

1. McIntosh B, Dodd BJ. Two-year-olds' phonological acquisition: Normative data. Int J Speech-Lang Pathol. 2008;10(6):460-469.

2. Scopel RR, Souza VC, Lemos SMA. Family and school environment influences on language acquisition and development: literature review. Rev Cefac. 2012;14(4):732-41.

3. Lousada M, Mendes AP, Valente AR, Hall A. Standardization of a phonetic-phonological test for European-Portuguese children. Folia Phoniatr Logop. 2012;64:151-156.

4. Ceron MI. Instrumento de Avaliação Fonológica (INFONO): desenvolvimento e estudos psicométricos. 2015. 148 f. Tese (Doutorado em Distúrbios da Comunicação Humana). Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria 2015.

5. Dodd B, Holm A, Hua Z, Crosbie S. Phonological development: a normative study of British English-speaking children. Clin Ling Phon. 2003;17(8):617-643.

6. To CKS, Cheung PS, McLeod S. A population study of children's acquisition of Hong Kong Cantonese consonants, vowels, and tones. J Speech Lang Hear Res. 2013;56(1):103-122.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1127
ARQUITETURA CEREBRAL DA DISFLUÊNCIA POR NEUROIMAGEM: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A gagueira é um distúrbio que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e traz inúmeras repercussões a qualidade de vida do indivíduo.1 Particularmente, nas duas últimas décadas evidencia-se um incremento importante de pesquisas relacionadas ao tema, principalmente no que diz respeito aos estudos cujo foco concentram-se na identificação e análise das diferenças estruturais e funcionais no cérebro daqueles que gaguejam através da análise por técnicas de neuroimagem, permitindo assim a elucidação das bases neurais do distúrbio.2 OBJETIVO: Descrever a partir de uma revisão da literatura integrativa, quais as bases neurais corticais e subcorticais envolvidas na gagueira do desenvolvimento tendo como base estudos de neuroimagem e neuroimagem funcional. METODOLOGIA: Optou-se por realizar uma revisão do tipo integrativa e a estratégia de busca,onde a seleção e análise dos artigos foram conduzidas de acordo com as diretrizes do PRISMA. A estratégia PICo foi considerada para elaboração da pergunta condutora em estudos não clínicos: quais as bases neurais corticais e subcorticais envolvidas na gagueira do desenvolvimento a partir de estudos de neuroimagem e neuroimagem funcional? A pesquisa dos artigos foi realizada em duas bases de dados, a saber: PubMed e BVS. Foram combinados os descritores cadastrados no Mesh: Neuroimagem, Neuroimagem Funcional, Gagueira, Neuroimage, Stuttering. a partir do operador booleano “AND”. A literatura cinza não foi considerada nesta revisão. Os critérios de inclusão para a leitura dos resumos e artigos completos: 1) estudos originais de pesquisa; 2) estudos realizados com pacientes em qualquer faixa etária; 3) que mencionassem pelo menos o envolvimento de uma estrutura cortical e/ou subcortical; 4) estudos cuja metodologia de avaliação cerebral envolvesse a neuroimagem e/ou neuroimagem funcional; 5) artigos publicados nos últimos 20 anos. Foram excluídos da análise, estudos revisões narrativas, sistemáticas e reanálises; dissertações ou teses; cartas; editoriais; comentários e relatos de casos e pesquisas cujo o paciente com gagueira apresentasse outras patologias (comorbidades). RESULTADOS: Dos 40 artigos analisados, 26 foram incluídos na revisão. Houve predomínio de estudos observacionais e estudos comparativos. Quanto ao perfil da amostra, a maioria das publicações incluíram pacientes adultos. Para avaliação da disfluência, houve predomínio de instrumentos padronizados.3 As técnicas de neuroimagem e neuroimagem funcional foram utilizadas em sua maioria para comparação entre grupos de fluentes e disfluentes. Sobre as bases neurais, verificou-se que dentre as áreas corticais existem diferenças no trato das vias fronto-temporal e fronto-parietal dorsal bilaterais, e nas vias calosais em indivíduos que gaguejam, além de uma ativação reduzida do córtex pré-frontal dorsolateral. Já das estruturas subcorticais, os estudos revelam alterações estruturais e funcionais, principalmente nas vias motoras e nas conexões dos gânglios da base entre aqueles que gaguejam. CONCLUSÃO: A gagueira é um distúrbio associado a carga psicológica significativa e estigma social, e o trabalho para alcançar terapias bem-sucedidas pode ser potencializado a partir da compreensão de suas bases neurais. Nessa perspectiva, os estudos analisados fornecem evidências de uma arquitetura cerebral disfuncional na gagueira, porém mais pesquisas são necessárias para elucidar completamente a fisiopatologia da disfluência.

1 Etchell AC et al., A Systematic Literature Review of Neuroimaging Research on Developmental Stuttering Between 1995 and 2016. J Fluency Disord. 2018; 55:6-45.

2 Craig-McQuaide A, et al., A Review of Brain Circuitries Involved in Stuttering. Front Hum Neurosci. 2014; 8:884.

3 den Ouden DB et al., Simulating the neural correlates of stuttering. Speech, Language and Hearing. 2014; 20:4, 434-445


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1452
ARTE SURDA, PROTAGONISMO SURDO: DIÁLOGOS COM A FONOAUDIOLOGIA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: O movimento arte surda vem ganhando maior visibilidade no Brasil na última década, como forma de expressão política de narrativas semióticas pelas comunidades surdas, diante das experiências opressivas vividas historicamente. O lugar de fala se mostra através das cores, traços, retóricas de identidade do ser surdo(a). A arte surda esteve presente em uma extensão universitária em um curso de Fonoaudiologia como uma estratégia de letramento visual para pessoas surdas, buscando contribuir com o dimensionamento da linguagem artística para fins de aprimoramento da escrita de uma segunda língua, o Português, protagonizada por uma artista plástica surda. OBJETIVO: Relatar as contribuições da vivência de uma oficina de arte surda, protagonizado por uma artista surda, voltada aos participantes surdos sinalizadores e acadêmicos de Fonoaudiologia, em uma extensão universitária para aprimoramento do Português como segunda língua. MÉTODO: Estudo do tipo relato de experiência. Extensão aprovada por edital de uma universidade pública, realizada em uma clínica-escola de Fonoaudiologia, ocorrida em 2018, tendo por objetivo o ensino de estratégias para aprimoramento do Português como segunda língua para aprendizes surdos, mediada pela Libras, para os acadêmicos de Fonoaudiologia da instituição. Os registros foram feitos em diários de bordo. Uma das atividades foi a oficina de Arte Surda, ministrada por uma artista plástica, com o intuito de fomentar o protagonismo surdo e o fortalecimento da identidade surda, potencializando a expressão comunicativa. Contou-se com participantes do Letras-Libras e da Educação, além dos jovens surdos, público-alvo da extensão. A primeira parte foi teórico-reflexiva, com apresentação das obras expostas em slides. Houve a interpretação em Libras, mediante a complexidade linguística. Em seguida, solicitou aos participantes produções utilizando materiais de diferentes texturas, cores e composição, dialogando com os conceitos apresentados. RESULTADOS: As produções individuais foram apresentadas em Libras, trazendo novas experiências linguísticas no uso natural da língua. A percepção dos acadêmicos de Fonoaudiologia é que a atividade proporcionou, já no momento da apresentação, um novo lugar de entendimento sobre suas próprias percepções acerca da comunicação, linguagem, arte, identidade e representatividade surda. Os relatos das mães dos jovens surdos, assim como as observações em outros encontros, corroboraram com a observação de maior disponibilidade para a comunicação. A adequação postural de cabeça e tronco de um participante surdo foi notada, assim como houve ampliação do tempo de contato visual. Na atividade sequencial de visita a um museu, observou-se que a interação com as narrativas imagéticas foi potencializada e as produções escritas mais produtivas. CONCLUSÃO: Os acadêmicos de Fonoaudiologia experienciaram novas possibilidades de intervenção, no qual a arte surda ampliou a compreensão do surdo como sujeito da linguagem em sua concepção biopsicossocial. O letramento visual possui papel de destaque para a ampliação da leitura de mundo e, consequentemente, ampliar a compreensão das narrativas apresentadas nas diferentes modalidades linguísticas. A parceria com a representatividade da narrativa surda em interação com a artista plástica, proporcionou um crescimento pessoal e trouxe uma bagagem para um fazer profissional mais humanizado e consciente sobre a importância dos protagonistas surdos andarem lado a lado com a Fonoaudiologia.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
554
AS SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS DA APRAXIA DE FALA E PRAXIA NÃO-VERBAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A fala é uma tarefa neuromotora, produto de uma programação do sistema nervoso central, envolvendo a linguagem e suas funções cognitivas e o funcionamento dos órgãos fonoarticulatórios para ser executada motoramente, necessitando da integridade desses aspectos para a produção dos sons. A praxia verbal é conhecida como a habilidade de sequenciar os sons das palavras e coordenar os movimentos específicos para produção da fala, tornando-se, participante na aprendizagem do indivíduo. Entretanto, a praxia não-verbal consiste em alterações no componente práxico, resultando em dificuldades na expressão devido à incoordenação dos movimentos das estruturas do sistema estomatoglossonático, como mandíbula, lábios e língua. Alterações práxicas podem interferir na sequência dos movimentos necessários para a articulação dos fonemas e dos movimentos não-verbais. A apraxia de fala é a incapacidade de organização e precisão do controle motor da fala. Isso ocorre devido a uma possível lesão cerebral que atinge a área da fala, dificultando a comunicação oral do sujeito. E essa imprecisão articulatória resulta em um discurso oral alterado quanto ao ritmo, entonação e melodia, sendo necessária a intervenção terapêutica para auxiliar numa melhor inteligibilidade da comunicação. Desta forma, o fonoaudiólogo é o profissional habilitado para acompanhar e reabilitar pacientes apráxicos e com praxia não-verbal. Assim, a terapia fonoaudiológica deve ter uma abordagem predominantemente motora, para crianças e adultos, com enfoque a ajudá-los no controle motor voluntário durante a programação das posições corretas dos órgãos fonoarticulatórios, além de aprimoramento das estruturas orofaciais. A evolução no tratamento é lenta, requerendo dedicação tanto dos profissionais envolvidos quanto dos pacientes dispostos a realizarem exercícios de repetição, diariamente. OBJETIVO: Qual a diferença entre apraxia de fala e praxia não-verbal. MÉTODO: A partir do questionamento “O que difere a apraxia de fala da praxia não-verbal?” realizou-se um levantamento bibliográfico nas plataformas Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) Pubmed e LILACS. Foram selecionados estudos originais nos idiomas inglês e português, por meio da correlação dos descritores “apraxia AND fonoaudiologia AND fala”, “transtornos da articulação AND sistema estomatognático”, “transtornos da articulação AND crianças” e “apraxias AND fala AND fonética”, utilizou-se o operador booleano “AND". Nas plataformas de buscas foram encontrados 114 artigos, sendo destes, 103 excluídos por não responderem a pergunta norteadora ou por estarem em duplicidade. Assim, foram incluídos nesta pesquisa a análise de 11 artigos. RESULTADOS: observou-se que, indivíduos com praxia não-verbal tem prejuízos estruturais e motores dos órgãos fonoarticulatórios, sucedendo em omissões, substituições fonêmicas, trocas e distorções, sejam por ausência dentária, projeção lingual, ou ponto articulatório incorreto. Enquanto na apraxia da fala, apresentam alterações dos movimentos musculares finos, na qual há distorções, omissões, repetições, inversões e prolongamento dos fonemas. Entretanto, a apraxia possui características que se diferem de outros distúrbios da articulação, como a discrepância entre a fala automática e deficiência na voluntária.
Os erros variam de paciente para paciente, e múltiplas tentativas com a mesma palavra viabiliza erros diferentes. CONCLUSÃO: Os distúrbios da fala têm inúmeras etiologias, que resultam em diferentes prejuízos, como lentidão fonêmica, omissões, prosódia alterada, erros múltiplos na produção dos sons e ininteligibilidade de fala.

Farias Samira Raquel de, Ávila Clara Regina Brandão de, Vieira Marilena Manno. Relação entre fala, tônus e praxia não-verbal do sistema estomatognático em pré-escolares. Pró-Fono R. Atual. Cient. [Internet]. 2006 Dez [citado 2020 Jul 03]; 18( 3 ): 267-276.

Navarro Paloma Rocha Silva, Priscila Mara Ventura Amorim Bordin, Sonia Maria Sellin.Apraxia de fala na infância: para além das questões fonéticas e fonológicas.Distúrbios da Comunicação.[Internet].2018 Set [citado 2020 Jul 03] ; 30(3): 475-489.


Souza Thaís Nobre Uchôa, Payão Luzia Miscow da Cruz. Apraxia da fala adquirida e desenvolvimental: semelhanças e diferenças. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [Internet]. 2008 Jun [citado 2020 Jul 03] ; 13( 2 ): 193-202.


Cera Maysa Luchesi, Minett Thaís Soares Cianciarullo, Ortiz Karin Zazo. Analysis of error type and frequency in apraxia of speech among Portuguese speakers. Dement. neuropsychol. [Internet]. 2010 June [cited 2020 July 03] ; 4( 2 ): 98-103.

Costa Patricia Pereira, Mezzomo Carolina Lisbôa, Soares Márcia Keske. Verificação da eficiência da abordagem terapêutica miofuncional em casos de desvio fonológico, fonético e fonético-fonológico. Rev. CEFAC [Internet]. 2013 Dez [citado 2020 Jul 03] ; 15( 6 ): 1703-1711.

Gubiani Marileda Barichello, Carli Caroline Marini de, Keske-Soares Márcia. Desvio fonológico e alterações práxicas orofaciais e do sistema estomatognático. Rev. CEFAC [Internet]. 2015 Fev [citado 2020 Jul 03] ; 17( 1 ): 134-142.

Keske-Soares Marcia, Uberti Letícia Bitencourt, Gubiani Marieli Barichello, Gubiani Marileda Barichello, Ceron Marizete Ilha, Pagliarin Karina Carlesso. Desempenho de crianças com distúrbios dos sons da fala no instrumento "Avaliação dinâmica das habilidades motoras da fala". CoDAS [Internet]. 2018 May [citado 2020 Jul 03] ; 30( 2):
1-7.

Cera Maysa Luchesi, Ortiz Karin Zazo. Phonological analysis of substitution errors of patients with apraxia of speech. Dement. neuropsychol. [Internet]. 2010 Mar [cited 2020 July 03] ; 4( 1 ): 58-62.

Bertagnolli Ana Paula Coitino, Gubiani Marileda Barichello, Ceron Marizete, Keske-Soares Márcia. Orofacial Praxis Abilities in Children with Speech Disorders. Int. Arch. Otorhinolaryngol. [Internet]. 2015 Dec [cited 2020 July 03] ; 19( 4 ): 286-292.


Morgan Angela T., Murray Elizabeth, Liégeois Frederique J.Interventions for childhood apraxia of speech.Cochrane Database of Systematic Reviews [Internet]. 2018 May [cited 2020 July 03] ; 5(5): CD006278.

Galluzzi Claudia, Bureca Ivana, Guariglia Cecilia, Romani Cristina. Phonological simplifications, apraxia of speech and the interaction between phonological and phonetic processing. Neuropsychologia [Internet]. 2015 May [cited 2020 July 03]; 1(71): 64-83.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1740
AS VOZES DOS ESTUDANTES DE ARTES: AUTOPERCEPÇÃO VOCAL E QUALIDADE DE VIDA DURANTE A GRADUAÇÃO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O ambiente universitário exige do estudante um comportamento ativo frente os docentes e os colegas para garantir um processo de aprendizagem efetivo e o estabelecimento de relações pessoais estáveis. A voz é uma ferramenta imprescindível para garantir a eficácia da comunicação nesse contexto, ao passo que os problemas vocais podem comprometer o equilíbrio do indivíduo e prejudicar sua qualidade de vida (1).
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo comparar a autopercepção que os estudantes de Artes dos cursos de Bacharelado em Música Popular, Licenciatura em Música e Bacharelado de Musicoterapia, do Centro de Música e Musicoterapia (CMM); e os estudantes dos cursos de Licenciatura em Artes Visuais, Licenciatura em Teatro, Bacharelado e Licenciatura em Dança e Bacharelado em Artes Cênicas, do Centro de Artes (CA), de uma universidade pública estadual, tem em relação à voz e à qualidade de vida.
Método: Trata-se de um estudo transversal, de caráter exploratório, aprovado pelo comitê de ética conforme parecer consubstanciado 2.550.674, e desenvolvido com 226 estudantes regularmente matriculados nos cursos de Artes. Todos os estudantes que concordaram em participar, e assinaram o TCLE, responderam o protocolo de Qualidade de vida e Voz (QVV) (2,3).O protocolo é autoaplicável e consiste em dez perguntas relacionadas ao aspecto sócio emocional (SE), funcionamento físico da voz (FF) e total (T), para as quais os estudantes escolheram dentre cinco alternativas, considerando tanto a gravidade do problema como sua frequência de aparecimento.
Resultados: Os resultados dos escores do QVV foram tabulados e tratados no programa Statistica, versão13.3. e indicaram variância nos três escores pesquisados para os estudantes dos dois Centros de Área, com os índices mais significativos no escore FF e resultados mais comprometidos observados no CA. O teste de Mann-Whitney, utilizado para a comparação entre os escores SE, FF e T dos Centros, permitiu concluir que não houve diferença para o domínio SE e confirmou significância para o domínio FF, assim como para o escore T.
Conclusão: Há diferença na percepção da voz em relação à qualidade de vida dos estudantes dos dois Centros, que tem em comum rotinas vocais exaustivas em aulas práticas, ensaios ou estágios, tanto nos cursos de licenciatura quanto nos de bacharelado (4,5). Os resultados superiores nos escores FF do CMM sugerem melhor conhecimento do aparelho fonador entre os estudantes da área da Música, que podem ter incorporado o conceito da voz como um instrumento de estudo e de trabalho. Além disso, o foco nas disciplinas de práticas corporais, em detrimento das práticas vocais, pode desfavorecer a consciência de hábitos relacionados à percepção e preservação da voz nos estudantes que frequentam os cursos do Centro de Artes.
Palavras-chave: voz; qualidade de vida; graduação; artes.

1. Bastilha Gabriele Rodrigues, Lima Joziane Padilha de Moraes, Cielo Carla Aparecida. Influência do sexo, idade, profissão e diagnóstico fonoaudiológico na qualidade de vida em voz. Rev. CEFAC. 2014 Dec; 16(6): 1900-1908.
2. Behlau M, Oliveira G, Santos LMA, Ricarte A. Validação no Brasil de protocolos de auto-avaliação do impacto de uma disfonia. Pró-Fono R. Atual. Cient. 2009 Dec; 21(4): 326-332.
3. Gasparini G, Behlau M. Quality of life: validation of the Brazilian version of the voice-related quality of life (V-RQOL) measure. J Voice. 2009 Jan;23(1):76-81.
4. Pereira EF, Teixeira CS, Kothe F, Merino EAD, Daronco LSE. Percepção de qualidade do sono e da qualidade de vida de músicos de orquestra. Rev. psiquiatr. Clín. 2010; 37(2): 48-51.
5. Vilanova JR, Marques JM, Ribeiro VV, Oliveira AG, Teles L, Silverio KCA. Atores profissionais e estudantes de teatro: aspectos vocais relacionados à prática. Rev. CEFAC. 2016 Aug; 18(4): 897-907.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
699
ASMR: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O Autonomous Sensory Meridian Response (ASMR) é um fenômeno recentemente descrito na literatura científica especializada em neurologia e neurociências, que ganhou notoriedade em plataformas de vídeo, como o YouTube. O fenômeno tem sido caracterizado como uma ferramenta que pode auxiliar em quadros de insônia, ansiedade e depressão (1). O ASMR é desencadeado por estímulos auditivos e visuais específicos, e consiste em arrepios, formigamentos e intensa sensação de relaxamento e prazer (1). Os estudos sobre o tema ainda são escassos. Não existem dados sobre a prevalência na população e sua base fisiológica não é bem esclarecida.
Objetivo: Compilar os resultados encontrados em estudos que envolvem o fenômeno “ASMR”, a fim de compreendê-lo do ponto de vista fisiológico e emocional.

Métodos: Revisão integrativa de literatura realizada a partir do método Strobe, através de consulta às bases “BVS - LILACS”, “SciELO” e “MEDLINE - PubMed”, utilizando o descritor “Autonomous Sensory Meridian Response”. Os critérios de inclusão foram: ser artigo publicado em qualquer idioma e data, e abordar aspectos fisiológicos e emocionais do ASMR. Foram excluídos artigos sem versão completa disponível e revisões de literatura. Dos 23 resultados encontrados, 10 foram selecionados para o estudo.

Resultados: Os dados analisados sugerem que existem bases neurofisiológicas que justificam o ASMR. Em um estudo de neuroimagem que comparou o cérebro de indivíduos que sentem ASMR ao de um grupo controle, em repouso, foi observado que o grupo que sente ASMR possui redes neuronais menos distintas(2). Durante a ocorrência do fenômeno, foi observada intensa ativação dos córtices auditivo e visual, liberação de hormônios associados ao prazer, ativação de áreas cerebrais associadas à empatia (3), aumento do diâmetro da pupila (4), redução da frequência cardíaca e aumento da condutância na pele (5). Quando comparado ao grupo controle, ao assistir vídeos de ASMR, os resultados da ressonância magnética dos indivíduos que relataram sensibilidade ao fenômeno evidenciaram um aumento da atividade cortical em regiões responsáveis pela atenção, audição, emoção e movimento; houve maior atividade nas regiões do tálamo, córtex-cingulado anterior, precuneos e sensório-motor medial, o que não foi observado no grupo controle(6). Alguns autores também apontaram o caráter subjetivo dessa sensação, demonstrando que indivíduos que sentem ASMR têm uma maior tendência à experimentação de sensações ilusórias (7), altos scores em escalas que avaliam componentes atencionais e de autopercepção (8), além de maiores índices de misofonia (9) e sinestesia (1). Durante os episódios de ASMR, os indivíduos experimentam sensações de excitação e calma, além de redução nos níveis de tristeza e estresse (5). Também foram encontradas diferenças entre os traços de personalidade desses dois grupos, sendo que indivíduos que sentem ASMR apresentaram maiores níveis de abertura à experiência e neuroticismo, e menores níveis de extroversão, concordância e consciência(10).

Conclusão: Os resultados sugerem que o ASMR é um fenômeno complexo, que envolve mecanismos fisiológicos associados a aspectos sensoriais, motores, atencionais e emocionais. No entanto, são necessários mais estudos para a compreensão do fenômeno e de como este pode contribuir para a Fonoaudiologia.


1- BARRAT EL, DAVIS NJ - Autonomous Sensory Meridian Response (ASMR): a flow-like mental state. PeeJ, 2015. Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25834771

2- SMITH SD, FREDBORG BK, KORNELSEN J - Atypical Functional Connectivity Associated with Autonomous Sensory Meridian Response: An Examination of Five Resting-State Networks. Brain Connectivity, 2019. Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30931592

3- LOTCHE BC, GUILLORY SA, RICHARD CAH, KELLEY WM - An fMRI investigation of the neural correlates underlying the autonomous sensory meridian response (ASMR). Bioimpacts, 2018. Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30397584

4- VALTAKARI, NV. An eye-tracking approach to Autonomous sensory meridian response (ASMR): The physiology and nature of tingles in relation to the pupil. PLosOne, 2019. Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6932793/

5- POERIO GL, BLAKEY E, HOSTLER TJ, VELTRI T. More than a feeling: Autonomous sensory meridian response (ASMR) is characterized by reliable changes in affect and physiology. PLosOne, 2018. Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29924796

6- SMITH SD, FREDBORG BK, KORNELSEN J - A Functional Magnetic Resonance Imaging Investigation of the Autonomous Sensory Meridian Response. PeerJ, 2019. Link para acesso: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31275748/

7- KEIZER A et. Al. Individuals Who Experience Autonomous Sensory Meridian Response Have Higher Levels of Sensory Suggestibility. Percepcion, 2020. Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/31805807

8- FREDBORG BK, CLARK JM, SMITH SD. Mindfulness and autonomous sensory meridian response (ASMR). PeerJ, 2018 Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30123716

9- MCEARLEAN ABJ, BANISSY MJ. Increased misophonia in self-reported Autonomous Sensory Meridian Response. PeerJ, 2018. Acesso disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30123700

10- FREDBORG B, CLARK JM, SMITH SD. An examination of personality traits associated with autonomous sensory meridian response (ASMR). Front Psychol. 2017. Acesso disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2017.00247/full



TRABALHOS CIENTÍFICOS
741
ASPECTOS CLÍNICOS DA POPULAÇÃO DIAGNOSTICADA COM BRONCOASPIRAÇÃO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A broncoaspiração constitui um fator adverso ao qual indivíduos internos em hospitais, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTI), estão expostos. O aumento do risco de aspiração e a pneumonia aspirativa podem ocorrer em consequência da disfagia1. A implantação de um protocolo de prevenção de broncoaspiração visa reduzir a ocorrência de alterações respiratórias, o tempo de internação e também custos hospitalares. Para tal, se faz necessário conhecer a raiz desse problema através do registro das ocorrências, realização de triagem dos casos, para, posteriormente implantar ações que previnam esse evento adverso2. A disfagia pode ser neglicenciada na UTI e isto eleva o risco de broncoaspiração pela população assistida nesse ambiente3. O objetivo desse estudo é investigar aspectos clínicos relacionados ao diagnóstico médico de broncoaspiração em pacientes internos na UTI com diagnóstico médico de broncoaspiração. Método: Esse estudo foi aprovado no comitê de ética e pesquisa. Os dados foram coletados a partir do registro em prontuário da broncoaspiração realizado na própria UTI Geral de um hospital universitário, entre dezembro de 2019 e março de 2020. Os dados analisados foram: idade, ventilação, fatores de risco, a repercussão pulmonar da broncoaspiração, local de ocorrência e as vias de alimentação dessa população. Foi realizada uma análise descritiva. Resultado: 12 registros foram analisados. A idade média dos participantes foi 72,83 anos, sendo 39 anos a menor idade e 93 a maior. A ventilação mais frequente foi a invasiva com 5 sujeitos, a ventilação não invasiva esteve presente em 4, a ventilação espontânea em 2 e o cateter de O2 em 1. Com relação aos fatores de risco, observa-se que todos sujeitos apresentaram pelo menos três deles, os mais frequentes são: doença neurológica, desnutrição e disfagia prévia. Oito indivíduos deram entrada na UTI, provenientes de outra unidade hospitalar e 4 de setores diversos do hospital. Cerca de 9 evoluíram com pneumonia, 2 com dispneia e 1 com pneumonite. Conclusão: os pacientes idosos com fatores de risco associados, são os mais susceptíveis a broncoaspiração, sendo imprescindíveis o conhecimento dos cuidadores e demais profissionais da saúde sobre ações que previnam esse evento adverso. Além disso, o acompanhamento e tratamento fonoaudiológico a pacientes disfágicos, pode reduzir o risco de broncoaspiração, com consequente manutenção da qualidade de vida dos pacientes acometidos.



1 Medeiros GC, Sassi FC, Zambom LS, Andrade CR. Correlation between the severity of critically ill patients and clinical predictors of bronchial aspiration. J Bras Pneumol. 2016;42(2):114–120. doi: 10.1590/S1806-37562015000000192. [PMC free article] [PubMed] [CrossRef] [Google Scholar]

2. Cocho D, Sagales M, Cobo M, Homs I, Serra J, Pou M et al. Lowering Bronchoaspiration Rate in an Acute Stroke Unit by Means of a 2 volume/3 Texture Dysphagia Screening Test With Pulsioximetry. Neurologia. 2017 Jan-Feb;32(1):22-28. doi: 10.1016/j.nrl.2014.12.005. Epub 2015 Feb 7.PMID: 25660184.

3. Zuercher, P, Moret, CS, Dziewas, R, Schefold, JC. Dysphagia in the intensive care unit: epidemiology, mechanisms, and clinical management. Critical care. 2019 [London, England]; 23(1):103. https://doi.org/10.1186/s13054-019-2400-2.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1277
ASPECTOS COMPORTAMENTAIS E MOTIVAÇÃO PARA APRENDER: UM ESTUDO COM ADOLESCENTES DO ENSINO FUNDAMENTAL
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO. O processo da aprendizagem é multifatorial e envolve tanto fatores intrínsecos, como extrínsecos (1). Dentre tais fatores deve ser destacada, a motivação do indivíduo, ou seja, o porquê do estudante se engajar em alguma tarefa que lhe é proposta (2).
OBJETIVO: analisar a associação entre aspectos comportamentais e motivação para aprender segundo idade, sexo e ano escolar em estudantes do Ensino Fundamental II.
MÉTODO. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer de número 2.422.795 com delineamento observacional analítico transversal que inclui 124 adolescentes de 11 a 14 anos matriculados no Ensino Fundamental em uma instituição de financiamento privado. Os instrumentos utilizados foram um questionário de caracterização dos participantes, o Questionário de Capacidades e Dificuldades – SDQ-Por - Strengths and Difficulties Questionnaire – SDQ (3), validado para o português brasileiro, e a Escala de Avaliação da Motivação para a Aprendizagem- EMAPRE (4).
Foram realizadas análises estatísticas descritiva e bivariada. A análise descritiva constou da distribuição de frequência das variáveis categóricas e das medidas de tendência central e de dispersão das variáveis contínuas. Para as análises de associação foram utilizados os testes Qui-quadrado de Pearson, Kruskal-Wallis e Mann-Whitney sendo consideradas como significantes as que apresentaram valor de p ≤ 0,05.
RESULTADOS. Dos 124 participantes, a maioria pertencia ao gênero feminino (54,0%), a maior parte possuía 11 anos de idade (27,4%) e cursava o 6º ano escolar (32,2%). A análise de associação das escalas do comportamento pró-social e escore total do questionário SDQ com os dados demográficos demonstrou que não houve resultado com significância estatística na amostra investigada. Porém, notou-se maior prevalência de sintomas emocionais e problemas relacionais demonstrados pelo questionário SDQ no gênero feminino se comparado ao masculino. Sendo que, dentre os adolescentes que obtiveram pontuações que apontaram para alguma anormalidade comportamental, 66,7% eram meninas para 33,3% dos meninos, nos critérios de sintomas emocionais. Nos problemas relacionais, dentro do grupo que pontuou para anormalidade, 61,5% eram meninas e 38,5% eram meninos. Na amostra pesquisada, a motivação para aprender não variou de acordo com os fatores de idade e ano escolar. Os adolescentes, apresentaram maior tendência à Meta Aprender, com a maior média (29,28%) se comparada à Meta Performance Aproximação (média= 15,30%) e Meta Performance Evitação (média= 9,40%). Na análise dos fatores comportamentais do SDQ e a motivação para aprender da EMAPRE, verificou-se associação com significância estatística entre “Classificação total” com “Meta Aprender” (p=0,025), com maior média e mediana para o resultado normal e com “Meta Performance Evitação” (p=0,012), com maior média e mediana para o resultado anormal.
CONCLUSÃO. Estudar as questões motivacionais do adolescente permite um olhar mais crítico e sensível aos comportamentos externalizados no percurso escolar, possibilitando melhor manejo dos profissionais que lidam diretamente com o público em questão.


1. Rotta NT, Ohlweiler L, dos Santos Riesgo R. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed Editora; 2006; p.117.
2. Bzuneck JA, Boruchovitch E. Motivação e autorregulação da motivação no contexto educativo. Psicologia Ensino & Formação. 2016;7(2):73-84.
3. Goodman, R. The Strengths and Difficulties Questionnaire: A research note. Child Psychology & Psychiatry & Allied Disciplines – 1997. Vol. 38 (5), 581–586.
4. Zenorini, R. P. C; dos Santos, A. A. A. Escala de Metas de Realização como Medida da Motivação para Aprendizagem. Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of Psychology – 2010. Vol. 44, Num. 2, pp. 291-298.
5. Rezende BA, Lemos SM, Medeiros AM. Quality of life of children with poor school performance: association with hearing abilities and behavioral issues. Arquivos de neuro-psiquiatria. 2019 Mar;77(3):147-54.
6. Zenorini RD, dos Santos AA. Escala de metas de realização como medida da motivação para aprendizagem. Interamerican Journal of Psychology. 2010;44(2):291-8.
7. Saud LF, Tonelotto JM. Comportamento social na escola: diferenças entre gêneros e séries. Psicologia Escolar e Educacional. 2005 Jun;9(1):47-57.
8. Rufini SÉ, Bzuneck JA, Oliveira KL. A qualidade da motivação em estudantes do ensino fundamental. Paidéia (Ribeirão Preto). 2012 Apr;22(51):53-62.
9. Stivanin L, Scheuer CI, Assumpção Jr FB. SDQ (Strengths and Difficulties Questionnaire): identification of children readers behavioral characteristics. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 2008 Dec;24(4):407-13.
10. D'Abreu LC, Marturano EM. Associação entre comportamentos externalizantes e baixo desempenho escolar: uma revisão de estudos prospectivos e longitudinais. Estudos de Psicologia (Natal). 2010 Apr;15(1):43-51.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
339
ASPECTOS DA LEITURA E ESCRITA EM ASSOCIAÇÃO COM A PREMATURIDADE: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A prematuridade consiste no nascimento precoce e os avanços da medicina têm possibilitado maior sobrevida das crianças prematuras e minimizado sequelas. No entanto, em alguns casos, os agravos não conseguem ser evitados e podem repercutir no desenvolvimento global infantil, incluindo linguagem oral e escrita. OBJETIVO: Identificar e analisar os artigos que correlacionam leitura, escrita e prematuridade. MÉTODO: Iniciamos a pesquisa pela pergunta: Quais as alterações de leitura e escrita em crianças prematuras? Para responder foi realizado um levantamento dos dados por meio de consulta ao Portal da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) incluindo as bases de dados MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e INDEX Psicologia Periódicos Técnico- Científico, limitando-se às publicações do intervalo temporal dos últimos dez anos. A busca do material considerou os seguintes descritores: Leitura, Escrita e Prematuro. Os critérios de inclusão foram: textos no formato de artigos, que abordassem a temática no idioma português, inglês ou espanhol, publicados no período estabelecido. Na BVS, utilizando busca integrada, apareceram 14 textos, sendo utilizado o marcador booleano “and” e os descritores acima. Porém, após a filtragem mediante os critérios de inclusão, foram obtidos 10 textos. Após a leitura dos títulos e resumos, foi suprimida toda publicação que não correspondia a proposta da pesquisa e as duplicadas, restando 07 textos. RESULTADOS: O resultado da referida revisão integrativa mostrou o desempenho da leitura e escrita do público estudado bem como as estruturas neurológicas envolvidas nesse processo de aprendizagem. Um estudo com crianças prematuras entre 6 e 10 anos comparado com crianças termo mostrou comprometimento na capacidade de discriminação e consciência fonológica, dificuldade de leitura de palavras com fonemas semelhantes, alteração de leitura e pronúncia de palavras de uso pouco frequente, além de unir e pronunciar fonemas de palavras que não existem. Na escrita não foi observado comprometimento nos que nasceram prematuros nos aspectos da transcrição e do ditado1. Uma outra pesquisa analisou a influência da prematuridade e do baixo peso ao nascer sobre indicadores de desenvolvimento e as crianças prematuras apresentaram pior desempenho nos testes motor visual e motor fino2. Portanto, as habilidades de maior complexidade exigidas durante a escolaridade para leitura e escrita podem ser influenciadas pelas dificuldades motora visual, perceptivas e motoras finas. As crianças prematuras podem apresentar déficits de linguagem e leitura e ainda apresentar lesão na substância branca do cérebro3. Os referidos autores concluíram que a linguagem e leitura estão associadas a substância branca em crianças prematuras, as habilidades de decodificação foram associadas ao corpo caloso e o QI verbal e compreensão sintática foram mais fortemente associados à via central direita. CONCLUSÃO: O público estudado apresentou menor desempenho da leitura e da escrita quando comparado com as crianças que nasceram no período esperado. As bases neurológicas evolvidas no processo de leitura e escrita foram substância branca do cérebro e corpo caloso. Sugere-se mais pesquisas que abordem o processo de escrita visto que a maioria dos estudos abordam apenas a leitura.


1. Rios-Flórez JA, Cardona- Agudelo V. Processos de aprendizagem em crianças de 6 a 10 anos com histórico de parto prematuro. Rev.latinoam.cienc.soc.niñez. 2016; 14(2). Doi: http://dx.doi.org/10.11600/1692715x.14213241115.
2. Pinheiro RC, Martinez CMS, Fontaine AMGV. Integração motora visual e desenvolvimento geral de crianças prematuras e a termo no início da escolaridade. Rev. bras. crescimento desenvolvedores. 2014; 24(2): 181-187. Doi: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S010412822014000200010&lng=pt&nrm=iso.
3. Feldman HM, Lee ES, Yeatman JD, Yeom, KW. As habilidades de linguagem e leitura em crianças em idade escolar e adolescentes nascidos prematuros estão associadas às propriedades da substância branca na imagem por tensores de difusão. Neuropsychologia. 2012; 50(14): 3348-3362. Doi: https://doi.org/10.1016/j.neuropsychologia.2012.10.014



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2141
ASPECTOS DA LINGUAGEM E DO COMPORTAMENTO DE CRIANÇAS SEM MICROCEFALIA EXPOSTOS AO ZIKA VÍRUS NA GESTAÇÃO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


ASPECTOS DA LINGUAGEM E DO COMPORTAMENTO DE CRIANÇAS SEM MICROCEFALIA EXPOSTOS AO ZIKA VÍRUS NA GESTAÇÃO


Bianca Bortolai Sicchieri, Patrícia Pupin Mandrá, Adriana Ribeiro Tavares Anastasio, Marisa Mussi Pinhata, Natalia Freitas Rossi;


O fenótipo neurodesenvolvimental com prognóstico mais grave decorrente da infecção congênita pelo ZIKV tem sido atribuído à presença de microcefalia. Esses casos frequentemente apresentam tensão excessiva da musculatura, irritabilidade, reação exacerbada de reflexos comuns no recém-nascido (hiperexcitabilidade), choro excessivo, disfagia (dificuldade de deglutição), crises convulsivas com aumento da frequência a partir dos três meses de vida, prejuízos auditivos e visuais[1], alterações em domínios desenvolvimentais (motor e comunicação)[2] e prejuízos significativos dos aspectos do sono[2,3]. O surto epidemiológico do Zika vírus no país é ainda muito recente, o que limita o conhecimento sobre os reais efeitos deste vírus nas diferentes fases de desenvolvimento da vida daqueles que foram infectados, incluindo o desenvolvimento da linguagem e comportamento dessas crianças. Objetivo: Investigar aspectos da linguagem e do comportamento de crianças expostas ao vírus Zika (ZIKV) na gestação sem microcefalia. Métodos: O estudo tem aprovação do Comitê de Ética (no.790.305). Participaram quatro casos, três do sexo masculino e um feminino, idade entre 2a.8 meses a 2a.11 meses. Dos quatro casos, três apresentaram queixa fonoaudiológica de problemas na fala, sendo eles, ininteligibilidade e trocas nos sons da fala. Foi realizado avaliação da fonologia com a prova de imitação e nomeação do Teste de Linguagem Infantil ABFW[4] vocabulário, com o Teste de Vocabulário por Imagens PEABODY[5] e os aspectos comportamentais verificados por meio do Child Behavior Checklist (CBCL 1 ½ a 5 anos)[6]. Resultados: Na análise da fonologia três crianças apresentaram processos fonológicos não mais esperados para a idade. Uma criança apresentou vocabulário receptivo auditivo inferior ao esperado para a idade. Referente aos aspectos comportamentais, as 4 apresentaram frequência aumentada de problemas externalizantes, principalmente relacionados a prejuízo de atenção e agitação, segundo o relato dos pais e parâmetros esperados para a idade. Conclusão: Ao investigar aspectos da linguagem e do comportamento de crianças expostas ao vírus Zika (ZIKV) na gestação verificamos prejuízos no desenvolvimento da linguagem, bem como problemas comportamentais podem estar presentes. Os achados dever ser analisados com cautela, uma vez que a confirmação desses achados como parte do fenótipo Zika requer estudos com maior tamanho amostral e controlados.

1. Eickmann, S. H, et al. Síndrome da infecção congênita pelo vírus Zika Zika virus congenital syndrome Síndrome de la infección congénita del virus Zika. Cad. Saúde Pública, v. 32, n. 7, p. e00047716, 2016.

2. Wheeler, A. C., Ventura, C. V., Ridenour, T., Toth, D., Nobrega, L. L., de Souza Dantas, L. C. S., ... & Ventura, L. O. (2018). Skills attained by infants with congenital Zika syndrome: Pilot data from Brazil. PloS one, 13(7), e0201495.

3. Pinato, L., Ribeiro, E. M., Leite, R. F., Lopes, T. F., Pessoa, A. L., Guissoni Campos, L. M., ... & Giacheti, C. M. (2018). Sleep findings in Brazilian children with congenital Zika syndrome. Sleep, 41(3), zsy009.

4. Andrade, C. R. F.; et. al. ABFW: Teste de linguagem infantil nas áreas de Fonologia, Vocabulário, Fluência e Pragmática. Carapicuiba (SP): Pró–Fono, 2000. 90 p.

5. Dunn, L. M., & Dunn, L. M. (1981). Peabody Picture Vocabulary Test - Revised. Circle Pines, MN: American Guidance Service.

6. Bordin, I. A. S, Mari, J. J., & Caeiro, M. F. (1995). Validação da versão brasileira do "Child Behavior Checklist" (CBCL) (Inventário de Comportamentos da Infância e adolescência): dados preliminares. Revista ABP- APAL, 17(2),55-66.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1945
ASPECTOS E FATORES RELEVANTES DO TELEATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO EM CASOS DE LINGUAGEM
Práticas fonoaudiológicas
Linguagem (LGG)


O teleatendimento fonoaudiológico, nas modalidades de teleconsulta e telemonitoramento, teve suas condições e limites revisados recentemente em função das restrições de atendimento presencial impostas pela pandemia do novo coronavírus. Os fonoaudiólogos buscaram ajustar suas práticas, incorporando uso de novos procedimentos e tecnologias de interação à distância, com o principal intento de sustentar benefícios do acompanhamento terapêutico estabelecidos com seus assistidos, bem como atender a novas solicitações de suporte técnico fonoaudiológico, tanto na área da saúde como educação. O objetivo deste trabalho é descrever práticas fonoaudiológicas em teleatendimento de quatro profissionais atuantes na área da Linguagem, considerando aspectos e fatores relevantes neste processo. Tais experiências se referem ao acompanhamento de 39 crianças, com idades entre um ano e sete meses a nove anos e 11 meses, com diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (n=31), Apraxia de Fala da Infância (n=2), Transtorno de Linguagem associado à Deficiência Intelectual (n=2), Transtorno Específico de Linguagem (n=2), Síndromes Genéticas (n=2). 15 clientes estavam em acompanhamento fonoaudiológico presencial (particular) há menos de 1 ano, 10 entre 1-2 anos, 7 entre 2-3 anos, 7 entre 3-5 anos ou mais. Quanto ao nível de formação das profissionais, uma é mestranda, duas são pós-doutorandas e uma tem pós-doutorado concluído. Os procedimentos fonoaudiológicos foram ajustados para intervenção indireta, na forma de treino parental, em 18 casos, para o atendimento direto com 9 clientes, e feito de forma associada entre eles em 12 casos. Nas interações síncronas foram utilizadas as plataformas digitais: Zoom, HiTalk, Skype e Google Meet. Após a suspensão dos atendimentos presenciais, o Teleatendimento foi iniciado e, aos poucos, foram incorporadas estratégias de preparação do atendimento (EPA), para estimular o engajamento durante a interação síncrona (EEE), e de monitoramento de atividades terapêuticas entre sessões (EMA). Exemplos de EPA: estruturação dos objetivos terapêuticos, avaliação de conveniência de horários e conhecimento de outros aspectos da dinâmica familiar, checagem do domínio tecnológico dos familiares, disponibilização antecipada de material para impressão e/ou para uso durante a interação, fornecimento de vídeos para exemplificar a realização das atividades propostas, orientação sobre organização da rotina, ambiente e materiais para o Teleatendimento, adequação entre horário e nível atencional da criança, geração de links de acesso ao Teleatendimento, antecipadamente; EEE: seleção de materiais (fantoches, brinquedos de interesse da criança) e avaliação de interesses, realização do atendimento em conjunto com o familiar para ensino de estratégias específicas, uso de slides com conteúdo, compartilhamento de tela de documentos, atividades, sites de jogos e aplicativos, registro de impressões clínicas durante o Teleatendimento; e EMA: análise de vídeos de situações de treino ou atividades recomendadas, envio periódico de formulário de satisfação, envio de lembretes e mensagens curtas de incentivo à realização das atividades e orientações via WhatsApp. Considerando o novo panorama mundial e a necessidade de se incorporar os avanços tecnológicos nas ações fonoaudiológicas, estabelece-se a relevância de se realizar estudos que apliquem análise de correlação entre as diferentes variáveis inerentes ao teleatendimento, com o fim de traçar diretrizes de boas práticas desta modalidade de atuação fonoaudiológica.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1961
ASPECTOS E FUNÇÕES OROFACIAIS NAS POPULAÇÕES PEDIÁTRICA E HEBIÁTRICA COM DISTÚRBIOS RESPIRATÓRIOS OBSTRUTIVOS DO SONO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Os distúrbios respiratórios obstrutivos do sono (DROS) são frequentes em crianças e adolescentes, comprometendo a respiração e a ventilação durante o sono (1), além de consequências mais globais como alterações do crescimento ponderoestatural, sistema cardiovascular, alterações metabólicas, do aprendizado, memória, atenção e humor. A principal causa é a hipertrofia de tonsilas palatinas e faríngea, entretanto atualmente se discute a influência de outros fatores como por exemplo as alterações miofuncionais orofaciais, que podem comprometer o desenvolvimento craniofacial de crianças e adolescentes com DROS, e justificar recidivas posteriores à adenotonsilectomia (2). Objetivo: Investigar as principais características e funções orofaciais em crianças e adolescentes com distúrbios respiratórios obstrutivos do sono (DROS). Métodos: Foi realizada uma busca literária científica nas bases de dados BVS e PubMed, nos idiomas português, inglês e espanhol. Por meio do cruzamento de descritores específicos: distúrbios respiratórios obstrutivos do sono, avaliação miofuncional orofacial, sistema estomatognático, funções orofaciais e crianças. Os critérios utilizados para a seleção dos artigos foram: crianças na faixa-etária de 6-18 anos e a utilização dos instrumentos Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores (AMIOFE) e o The Nordic Orofacial Test-Screening (NOT-S). Os critérios de exclusão consistiram em artigos com a casuística com associação de síndromes craniofaciais ou outras síndromes que interferisse nesse complexo do sistema estomatognático. Resultados: Foram localizados quarenta e oito artigos, sendo selecionados apenas três, publicados entre os anos de 2016 e 2018, dois artigos localizados da Pubmed e um da BVS, todos na língua inglesa. Portanto, a idade média de crianças participantes dos estudos foi de 8-10 anos (3,4,5). Um estudo utilizou o AMIOFE e nos outros dois o NOT-S. Ademais, os achados mais relevantes encontradas foram presença de hábitos orais deletérios, musculatura facial flácida, assimetria facial, vedamento labial inadequado ou com contração excessiva dos músculos periorais, aumento nas dimensões dos tecidos linfóides faríngeos, presença de más oclusões, volume e postura de língua alterados; acarretando prejuízos nas funções estomatognáticas, como respiração oral, mastigação unilateral, deglutição atípica (3,4,5). Conclusão: Portanto, a literatura demonstrou que frequentemente crianças e adolescentes com DROS apresentam alterações estruturais, da musculatura orofacial e das funções estomatognáticas, dentre elas a alteração de postura no repouso de lábios e língua, respiração oral, mastigação unilateral e deglutição atípica. Por isso, estes casos exigem uma avaliação minuciosa, por meio de todos os aspectos e funções orofaciais, com intuito de auxiliar no estabelecimento do melhor planejamento terapêutico fonoaudiológico e também a necessidade de encaminhamentos adicionais, para se estabelecer melhores resultados à longo prazo.

1.Halal CS, Nunes ML. Distúrbios do sono na infância. Resid. Pediatr. 2018;8(1): 86-92.

2.Pacheco A, Bolzan G.P, Blanco-Dutra AP, Silva AMT. Contribuições da cefalometria para o diagnóstico fonoaudiológico. Distúrb. Comun, São Paulo. 2012; 24(1): 5-10.

3.Felício CM, Silva FV, Folha GA, Almeida LA, Freitas, JS, Anselmo-Lima W.T, et al. Orofacial motor functions in pediatric obstructive sleep apnea and implications for myofunctional therapy. Int. J. of Pediatr. Otorhinolaryngol. 2016; 90: 5-11.

4. Weyrich CC, Santos, AHL, Carvalho SS, Hapner AVP, Stechman-Neto J, Cavalcante-Leão BL. Evaluation of sleep quality and relationship with orofacial dysfunction in children. OHDM. 2018; 17(4): 1-5.

5.Cheng S.Y, Kwong S.H.W, Pang W.M, Wan L.Y. Effects of an oropharyngeal motor training programme on children with obstructive sleep apnea syndrome in Hong Kong: A retrospective pilot study. Hong Kong J. Occup. Ther. 2017; 30: 1-5.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1322
ASPECTOS FONOAUDIOLÓGICOS EM CRIANÇAS COM RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO EM PROGRAMAS DE FOLLOW-UP: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Os fatores de risco para o desenvolvimento podem comprometer diversas áreas motoras e cognitivas do recém-nascido, incluindo funções orofaciais, auditivas e de linguagem, propriamente da comunicação (1). A inserção da fonoaudiologia em programas de follow-up proporciona complementar a equipe multidisciplinar, atuando em intervenções precoces de crianças com risco para o desenvolvimento (2). Objetivo: O presente estudo teve como objetivo apresentar uma revisão da literatura, em busca de evidências sobre a atuação fonoaudiológica em crianças com risco para o desenvolvimento em programas de follow-up. Método: A metodologia utilizada envolve a identificação do tema, elaboração da hipótese, revisão da literatura, coleta de dados, análise crítica, quantitativa e qualitativa dos estudos incluídos, discussão e interpretação dos resultados. Para o levantamento das publicações foram utilizadas as bases de dados LILACS e SciELO, com filtros de período dos anos de 2005 a 2020. Foram utilizados os descritores de forma pareada no idioma português e os dados foram apresentados de forma descritiva. Resultados: A partir dos termos selecionados e da busca realizada foram identificados 50 artigos e após aplicação de critérios de inclusão e exclusão foram analisados 04 trabalhos. Verificou-se que os estudos relacionados a esse tema são escassos, os artigos verificados se tratavam de uma revisão integrativa da literatura, um capítulo de livro, um relato de experiência e um estudo multiprofissional. Dois artigos e o capítulo do livro (2,3,4) descreveram que crianças com risco para o desenvolvimento atendidas em programas de follow-up podem apresentar alterações no desenvolvimento auditivo no que se refere a perda auditiva, bem como alterações neuromotoras que afetam o equilíbrio e a coordenação (2,3,4). Da mesma forma, retrataram alterações na anatomia facial, tônus e postura da língua, alterações de padrão motor oral com episódios de incoordenação entre a sucção, respiração e deglutição, assim como disfagia, refluxo gastroesofágico e dificuldades alimentares, desde a amamentação a transição alimentar, com presença de regurgitação e aspiração, enfatizando a recusa alimentar (2,3,4); e um artigo relatou atrasos no desenvolvimento da linguagem e desvios transitórios no desenvolvimento da linguagem oral, bem como atrasos em idade escolar (1). Conclusão: Ressalta-se a necessidade do acompanhamento fonoaudiológico de crianças com risco para o desenvolvimento por meio de programas de follow-up, para promover a detecção e intervenção precoce de alterações fonoaudiológicas, evitando e/ou minimizando o impacto de problemas no desenvolvimento global destas crianças. Observa-se a escassez de pesquisas com essa temática, demonstrando a necessidade de novos estudos abordando os aspectos fonoaudiológicos envolvidos.

(1) CARNIEL, Z. C. et al. Influência de fatores de risco sobre o desenvolvimento da linguagem e contribuições da estimulação precoce: revisão integrativa da literatura. Rev. CEFAC. 19(1): p.109-118. Jan-Fev; 2017

(2) FERRAZ, S. T. et al. Programa de follow-up de recém-nascidos de alto risco: relato da experiência de uma equipe multidisciplinar. Revista Aps, Juiz de Fora. v. 1, n. 13, p.133-139, Jan, 2010.

(3) FREITAS, M. et al. Acompanhamento de crianças prematuras com alto risco para alterações do crescimento e desenvolvimento: uma abordagem multiprofissional. Rev. einstein. 8(2 Pt 1): p. 180-186. 2010.

(4) MELLO, R. R.; MEIO, M. D. B. B. Follow-up de recém-nascidos de risco. In: MOREIRA, M. E. L.; LOPES, J. M. A.; CARVALHO, M., orgs. Quando a vida começa diferente: o bebê e sua família na UTI neonatal [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2003. Criança, Mulher e Saúde collection, pp. 179-184. ISBN 978-85-7541-357-9. Disponível em: Acesso em: 07/07/2020 ás 13h00.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1124
ASPECTOS MORFOFUNCIONAIS OROFACIAIS EM SUJEITOS COM MICROCEFALIA: ESTUDO DE CASO CONTROLE
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A partir da epidemia de vírus Zika, que afetou gravemente o nordeste do Brasil no ano de 2015, foi observada forte associação de malformações congênitas e condições neurológicas com a infecção pelo vírus Zika durante a gestação(1). Têm sido descritos prejuízos na coordenação entre funções sucção, deglutição e respiração, sucção ineficiente, movimentos incoordenados de língua e mandíbula, regurgitação e/ou aspiração laringotraqueal na população acometida(2). Portanto, considera-se necessário entender os aspectos inerentes ao sistema miofuncional orofacial dessa população. Objetivo: Reconhecer os aspectos morfofuncionais orofaciais em sujeitos com microcefalia, comparando-os àqueles sem acometimento. Método: Estudo tipo caso controle; descritivo e transversal; qualiquantitativo; aprovado pelo comitê de ética em pesquisa sob nºCAAE:12529419.6.0000.5546. Apoio: CNPq. Utilizou-se protocolo AMIOFE-A(3) previamente adaptado para lactentes(4) com 48 sujeitos, entre 7 e 32 meses de idade, e aferidas medidas antropométricas orofaciais em 36 destes. Os participantes foram divididos em grupos, com microcefalia (GE) e sem morbidade (GC), respeitando-se pareamento sócio demográfico por faixa etária, sexo e região de nascimento. Para aplicação do AMIOFE-A adaptado(4) foi realizada avaliação miofuncional orofacial, com registros fotográficos das estruturas orofaciais e filmagens da situação de alimentação. Foram analisados: Face (simetria, proporção entre terços da face e sulco nasolabial); bochechas; lábios, músculo mentual (contração); língua; palato duro; Respiração (modo); Oferta de alimento (utensílio); Deglutição: lábios (vedamento, contração e interposição), língua (contenção) e sinais de alteração e eficiência; Mordida: modo de incisão, dentes, ausência; Mastigação: lado preferencial, ausência. Para medidas antropométricas foram aferidas: terços da face: superior (tr-g), médio (g-sn), inferior (sn-gn); distância entre canto externo do olho e cheilion (ex-ch) direito e esquerdo; alturas de filtro (sn-ls), lábios superior (sn-sto) e inferior (sto-gn)(5,6). Utilizado teste exato de Fisher e Mann-Whitney. Resultados: Encontrou-se no GE alterações na face, bochechas, dificuldades de vedamento labial, com respiração oral; ausência de mastigação e deglutição ineficiente, com diferenças (p<0,001) entre GE e GC para maioria dos escores miofuncionais orofaciais. Nas medidas antropométricas orofaciais houve diferenças significativas para: Terço Superior da Face (GEGC). Conclusão: Considerando as diferenças nas medidas antropométricas orofaciais, aferidas em idades precoces, e respectivo padrão miofuncional orofacial, pondera-se sobre o risco de alterações futuras nas estruturas orofaciais, visto que dificuldades de deglutição e mastigação evidenciadas no GE, poderiam, a médio e longo prazos, influenciar desfavoravelmente no crescimento harmônico dos órgãos fonoarticulatórios. O reconhecimento das dificuldades fonoaudiológicas nos lactentes com microcefalia, aponta para a necessidade de propostas terapêuticas contínuas e acompanhamento longitudinal.

1. Ministério da Saúde (BR). Orientações integradas de vigilância e atenção à saúde no âmbito da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional [Internet]. Ministério da Saúde. 2017. 99 p. Available from: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_integradas_vigilancia_atencao_emergencia_saude_publica.pdf
2. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Diretrizes de estimulação precoce Crianças de zero a 3 anos com Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor Decorrente de Microcefalia [Internet]. Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2016. p. 123. Available from: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_estimulacao_criancas_0a3anos_neuropsicomotor.pdf
3. Folha GA. Ampliação das escalas numéricas do Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial (AMIOFE), validação e confiabilidade [Internet]. [Ribeirão Preto]: Universidade de São Paulo; 2010. Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17151/tde-22102013-084025/
4. Nobre GRD. Motricidade Orofacial e habilidades alimentares de lactentes com microcefalia: Protocolo AMIOFE-A adaptado para lactentes [undergraduate thesis]. [Aracaju]: Universidade Federal de Sergipe; 2018.
5. Medeiros AMC, Santos KCF, Santi V do N, Santos FB, Sereno BR de S, Santana ARS de, et al. Medidas antropométricas orofaciais em recém-nascidos a termo. CoDAS [Internet]. 2019;31(6):4–10. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-17822019000600303&tlng=pt
6. Cattoni DM. O uso do paquímetro na Motricidade Orofacial: procedimentos de avaliação. 1. ed. Barueri: Pró-Fono; 2006. 44 p.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
419
ASPECTOS MOTORES DA FUNÇÃO DE FALA NA CRIANÇA COM APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO: ESTUDO PILOTO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A apneia obstrutiva do sono (AOS) na população pediátrica, está associada à hipertrofia das tonsilas palatinas e faríngea, com repercussões neurocomportamentais, cardiovasculares e comprometimento ponderoestatural, além da respiração oral de suplência. Hipotetizamos que crianças com AOS apresentem alterações na fala não só pelos distúrbios neurocognitivos, mas também por aspectos motores orofaciais.

Objetivo: Analisar a fala na perspectiva dos aspectos motores da função da fala de crianças com apneia obstrutiva do sono.

Método: O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos da instituição envolvida. Para avaliar o desempenho dos aspectos motores da fala de crianças com AOS, selecionou-se avaliações diretas de fala devidamente gravadas. A casuística foi composta por cinco crianças, de 4 a 6 anos, sendo três do sexo masculino, com diagnóstico polissonográfico (tipo 3) de AOS com IAH médio de 12,52±3,76 eventos/hora. Foram registradas a fala espontânea e direcionada (por um livro somente com imagens). Três juízes atribuíram independentemente os escores a cada aspecto da fala avaliado. Foi realizada a média e desvio padrão para cada aspecto. O primeiro protocolo foi a parte de fala da Avaliação miofuncional orofacial (MBGR), com análise de abertura da boca, posição da língua, movimento labial, movimento mandibular e imprecisão articulatória. O segundo protocolo foi adaptado da avaliação das disartrias, utilizando a pontuação de 0,1,2,3,4,5 e 6 (sendo 0 excelente e 6 pior) para os aspectos de fonação, respiração, ressonância, articulação e prosódia.

Resultados: Nas avaliações feitas com o protocolo MBGR, observou-se poucas alterações bom desempenho para: saliva (0,07±0,14), abertura de boca (0,13±0,3), posição da língua (0±0). Os aspectos da fala com pior desempenho foram: aspecto geral (3,67±1,55) e ressonância (1,27±0,37), os meninos obtendo scores piores. O segundo protocolo mostrou que as crianças apresentaram com maior frequência alteração de ressonância - hiponasalidade (3,2±1,30) e para respiração (1,8±0,84), apresentando melhor desempenho na prosódia (1±0,71).

Conclusão: Apesar de uma pesquisa inicial, com apenas cinco pacientes, os achados demonstraram alterações na fala em geral, enfatizando para aspectos da ressonância de fala e para a influência da respiração nesta fala, apontando para a importância da melhor compreensão do impacto dos aspectos motores na fala de crianças com AOS. Ressalta-se ainda a dificuldade de protocolos disponíveis voltados para a avaliação específica da função de fala de ordem motora para a população pediátrica.

Xu Z, Wu Y, Tai J, Feng G, Ge W, Zheng L, Zhou Z, Ni X. Risk factors of obstructive sleep apnea syndrome in children. J Otolaryngol Head Neck Surg. 2020 Mar 4;49(1):11. doi: 10.1186/s40463-020-0404-1. PMID: 32131901; PMCID: PMC7057627.

Genaro KF, Berretin-Felix G, Rehder MIBC, Marchesan IQ. Orofacial myofunctional evaluation – MBGR Protocol. Rev. CEFAC. 2009 Abr-Jun; 11(2):237-255

Fracassi AS, Gatto AR, Weber S, Spadotto AA, Ribeiro PW, Schelp AO. Adjustment to the Portuguese and application to patients with Parkinson’s disease of protocol within central origin dysarthrias’ assessment. Rev. CEFAC, São Paulo





TRABALHOS CIENTÍFICOS
879
ASPECTOS MULTIMODAIS RELACIONADOS À POSIÇÃO DO FONOAUDIÓLOGO NA TERAPIA DE FALA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Espera-se que até os 5 anos de idade, as crianças consigam produzir todos os fonemas de sua língua materna. Quando isso não ocorre, elas precisarão da ajuda de um fonoaudiólogo. Sabe-se que, o caráter multimodal da comunicação oral faz parte do diálogo entre interlocutores. Quando falamos, usamos não só a voz, mas também o corpo, pois fazemos gestos, maneios de cabeça, entoações para nos expressarmos. Tais manifestações constituem informações importantes para o fonoaudiólogo na terapia de fala/linguagem, pois podem elucidar modulações específicas na realização de determinado fonema pelo paciente. Assim, amplia-se o leque de informações sobre como está sendo realizada a fala da criança durante o processo terapêutico. A perspectiva teórica interacionista é a que comporta a análise das instâncias multimodais. Objetivo: Identificar as instâncias multimodais relacionadas à posição da terapeuta durante as terapias fonoaudiológicas e refletir sobre suas contribuições para a evolução dos pacientes. Método: A pesquisa, de cunho quanti e qualitativo foi aprovada pelo Comitê de Ética nº CAAE: 15400119.9.0000.5404. Foram filmadas e transcritas 16 sessões de terapia fonoaudiológica de quatro crianças, de cinco a sete anos de idade, atendidas em ambulatório de uma clínica escola de universidade do interior paulista. Os dados foram agrupados em torno de quatro categorias: expressões faciais, gestos, qualidade vocal e deslocamento e analisados à luz da multimodalidade. Resultados: Foi possível observar 657 manifestações dessas instâncias multimodais. Houve prevalência de algumas instâncias multimodais sobre outras, na seguinte ordem: expressões faciais, gestos, qualidade vocal e deslocamento. Os dados mostraram que há predomínio da tendência pedagógica (quando a terapeuta solicita a correção do erro na fala da criança em treino articulatório) sobre a tradução compreensiva (quando a terapeuta retoma a fala da criança reformulando-a) para todos os participantes da pesquisa. Isso auxiliou os pacientes a monitorar as suas próprias falas, levando-os a ocupar uma posição no diálogo favorável para a escuta delas e realizar autocorreções. O direcionamento do olhar para a terapeuta serviu como “guia” para a escuta do erro na fala das crianças, e as variações prosódicas na fala da terapeuta reverberam na fala das crianças. O gesto mais frequente foi o da terapeuta apontando para sua boca, informando sobre a articulação do fonema. Sobre a qualidade vocal, verificou-se durante o treino articulatório, que houve predomínio da alteração de tom (do basal para o agudo) e intensidade aumentada na fala da terapeuta. Já o elogio da terapeuta, acompanhado pela modulação de sua voz, despertou a atenção e o olhar da criança. Com isso, verificou-se que quando o paciente mantém mais o contato visual, ele apresenta mais chances de êxito na produção do fonema trabalhado. Houve poucos descolamentos das crianças e terapeuta, pois estavam sentados à mesa. Conclusão: Observou-se que gesto, qualidade vocal, expressões faciais e deslocamentos acontecem simultaneamente na interação de forma indissociável. Esses aspectos multimodais trouxeram informações importantes sobre o desempenho terapêutico das crianças e a posição do fonoaudiólogo. Logo, devem figurar entre as preocupações dos fonoaudiólogos nas terapias.

Cunha ER, Maldonade IR. Multimodalidade e intervenção fonoaudiológica: revisão de literatura. Int. J. Dev. Res. 2019; 9: 32524-28.

Da Fonte RFL, Cavalcante MBC. Abordagem Multimodal da Linguagem: Contribuições à Clínica Fonoaudiológica. In: Montenegro ACA, Barros IBR, De Azevedo NPSG, organizadores. Fonoaudiologia e Linguística: teoria e prática. 1. ed. Curitiba: Appris; 2016. p. 205-25.

Pereira KGL, Maldonade IR. Aspectos multimodais relacionados à posição do fonoaudiólogo no processo terapêutico. Int. J. Dev. Res. 2020; 10: 34292-99.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
709
ASPECTOS NEUROPSICOLÓGICOS DA LINGUAGEM E FUNÇÕES EXECUTIVAS RELACIONADOS AO CONTEXTO SOCIOECONÔMICO EM IDOSOS COM PERDA AUDITIVA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O envelhecer é inevitável e conforme o tempo passa as mudanças biopsicossociais tendem a acontecer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (1) em 2014 a população idosa mundial era de aproximadamente 841 milhões de idosos, esse número tende a aumentar consideravelmente até 2050, sendo que as estimativas apontam que o número de idosos irá ultrapassar o número de crianças com idade de até cinco anos (2). A partir desse aumento populacional há um crescimento também das preocupações em torno da qualidade de vida e participação social dessas pessoas. Alguns fatores que podem afetar a qualidade de vida dessa população são alterações cognitivas e de linguagem e as perdas auditivas relacionadas a idade, em vista disso, é fundamental desenvolver junto a idosos ações que viabilizem um envelhecimento saudável (3,4). Objetivo: analisar os aspectos neuropsicológicos da linguagem e funções executivas em idosos com perda auditiva. Método: Esta pesquisa realizada em uma Clínica de Fonoaudiologia credenciada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) localizada no sul no Brasil, foi aprovada pelo comitê de ética e pesquisa com o CAAE:90111318.4.0000.8040. Trata-se de uma pesquisa transversal, quanti-qualitativa, analítica. Para a coleta de dados foram aplicados dois instrumentos em dois grupos de idosos (Grupo 1 – 30 idosos com perda auditiva usuários de AASI; Grupo 2 - 30 idosos com perda auditiva não usuários de AASI). O primeiro instrumento era um o questionário socioeconômico, o segundo um instrumento de avaliação cognitiva (MOCA). Resultados: Observou-se diferença estatisticamente significativa entre os resultados da avaliação cognitiva de idosos com perda auditiva com escolaridade de mais de quatro anos de estudo, sendo: Funções Executivas (U = 345; p < 0,001), Fluência verbal (U = 99,0; p < 0,001), Cálculo (U = 36,0; p < 0,001) e Linguagem (U = 171, 0; p < 0,001). Os resultados indicam que os idosos com maior escolaridade responderam melhor ao teste de avaliação cognitiva. Conclusão: Por meio do presente estudo foi possível considerar a importância das condições de letramento de idosos com perda auditiva para o processo do envelhecimento, ou seja, os resultados indicam que os idosos mais letrados apresentam melhores resultados cognitivos e melhor qualidade de vida.


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2. ALVES, JED. Transição demográfica, transição da estrutura etária e envelhecimento. Revista Longeviver, 40, 2014.
3. LESSA, AH; COSTA, MJ. Influência da cognição em habilidades auditivas de idosos pré e pós-adaptação de próteses auditivas. Audiology-Communication Research, 21, 2016.
4. CHAVES, HV. O desempenho cognitivo de surdos em situação de jogos de aprendizagem. Ciências & Cognição, 19(2), 2014.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1447
ASPECTOS OROMIOFUNCIONAIS E DO SONO NA SEQUÊNCIA DE ROBIN: RELATO DE CASO PRÉ E PÓS-CIRURGIA ORTOGNÁTICA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A Sequência de Robin (SR) é descrita como uma anomalia congênita, caracterizada pela tríade: micrognatia, glossoptose e fissura de palato¹. No recém-nascido, pode ser caracterizada pela obstrução das vias aéreas e dificuldades alimentares. A manifestação clínica é variável e o tratamento começa nos primeiros meses de vida e exige uma equipe multiprofissional². Considerando a deformidade dentofacial provocada pela micrognatia e consequente alterações nas funções orofaciais, a cirurgia ortognática (CO) para avanço mandibular é considerada nos casos mais graves. OBJETIVO: Descrever aspectos oromiofuncionais e de questionários de sono de um indivíduo adulto, com SR e deformidade dentofacial, submetido à cirurgia ortognática. MÉTODO: Paciente do sexo feminino, 21 anos, com diagnóstico de SR e fissura pós forame incisivo reparada, micrognatismo acentuado, com indicação para osteotomia maxilar com avanço mandibular. Os aspectos oromiofuncionais foram avaliados, antes e 3 meses após a cirurgia, por meio do protocolo MBGR³. Para os sintomas relacionados ao sono, aplicou-se o Questionário de Berlim e Escala de Sonolência de Epworth. RESULTADOS: Previamente à cirurgia, a paciente apresentava alterações oclusais, de postura de cabeça e de padrão facial, com adaptações funcionais envolvendo respiração, mastigação, deglutição e fala. Adicionalmente, apresentava disfluência e sintomas ativos e passivos da disfunção velofaríngea. Quanto aos aspectos psicossociais, relatava constrangimento ao falar em público, isolamento para fazer as refeições e pouco apetite. No que se refere à respiração, relatou respiração oronasal diurna e noturna com presença de sono agitado e ronco. Verificou-se alto risco para apneia obstrutiva do sono, por meio dos questionários validados. Na reavaliação após 3 meses, observou-se melhora quanto aos aspectos oromiofuncionais e do sono. A avaliação demonstrou melhora na postura habitual de lábios, favorecida pela oclusão com boa relação entre os arcos. As funções orofaciais apresentaram leve melhora, porém necessitando de intervenção. Observou-se melhora da intenção de comunicação; paciente relatou que deixou de se isolar para fazer as refeições, apresentou melhora do apetite, porém, ainda é resistente para realizar refeições em público, segundo familiares. Paciente foi encaminhada para fonoterapia com enfoque nas funções orofaciais e outros aspectos de fala. Para a disfunção velofaríngea foi indicado o uso de prótese de palato. Atualmente (1 ano após cirurgia), a paciente encontra-se em terapia fonoaudiológica com resultados muito satisfatórios quanto a comunicação, mastigação e aspectos sociais. CONCLUSÃO: A SR é uma anormalidade complexa que deve ser tratada desde os primeiros meses de vida até a fase adulta, por equipe interdisciplinar. A cirurgia ortognática é uma opção a ser considerada, visando benefícios estéticos e funcionais que interferem diretamente na qualidade de vida do indivíduo. Conforme demonstrado pelo caso relatado, o tratamento fonoaudiológico se faz necessário desde o diagnóstico da anomalia, a fim de se orientar, prevenir e intervir nas alterações respiratórias e das demais funções orofaciais.

Elliott MA, Studen-Pavlovich DA, Ranalli DN. Prevalence of selected pediatric conditions in children with Pierre Robin sequence. Pediatr Dent 1995 Mar-Abr;17(2):106-11.

Marques IL, de Sousa TV, Carneiro AF, Peres SP, Barbieri MA, Bettiol, H. Seqüência de Robin – protocolo único de tratamento. J Pediatr 2005 Mar;81(1):14-22.

Graziani AF, Fukushiro AP, Marchesan IQ, Berretin-Félix G, Genaro KF. Ampliação e validação do protocolo de avaliação miofuncional orofacial para indivíduos com fissura labiopalatina. CoDAS 2019 Mar;31(1): e20180109.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1968
ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS DAS FAMÍLIAS COM NASCIDOS VIVOS COM SÍNDROME CONGÊNITA ASSOCIADA AO ZIKA VÍRUS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Aspectos socioeconômicos das famílias com nascidos vivos com síndrome congênita associada ao Zika vírus
Introdução: A microcefalia é uma má formação congênita que ocasiona comprometimentos neurológicos estruturais e/ou funcionais, diagnosticada através de exames pré-natais como a ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética ou medidas do perímetro cefálico no nascimento. A comprovação da relação entre a microcefalia e o vírus Zika, no ano de 2015 afetou principalmente a região Nordeste do país. Ainda é preciso um esforço do campo científico para analisar as associações desta epidemia aos determinantes sociais da saúde. Objetivos: Descrever os aspectos socioeconômicos das famílias com nascidos vivos com síndrome congênita da microcefalia associada à infecção pelo vírus Zika. Métodos: Estudo epidemiológico do tipo transversal com casos de microcefalia residentes na cidade de Aracaju. Os dados foram coletados em um inquérito populacional de encefalopatias crônicas não progressivas realizadas entre 2015 e 2017; foram analisados aspectos socioeconômicos: raça/cor, renda familiar, escolaridade do responsável, benefício assistencial. Resultados: 44,44% das mães ocupam-se de afazes domésticos, apresentam renda familiar de até um salário mínimo (74,07%) no qual apenas um morador contribui com as despesas mensais (81,48%), 37,04% dos pesquisados relatam que residem em imóveis alugados, cujo 59,26% recebem benefícios assistenciais e 85,19% não possuem plano de saúde. Com relação as características de raça/cor dessa população: 66,67% relatam raça/cor parda; os pesquisados apresentam comorbidades como deficiência auditiva (11,11%) ou visual (33,33%) e 37,04% tem epilepsia. Diante dos acontecimentos e condições do nascimento: 92,59% das mães realizaram pré-natal e 77,78% destacam as doenças hereditárias/ congênita como possível causa da microcefalia. Conclusão: O estudo evidencia a associação da síndrome congênita do zika vírus com famílias em condições sociais e econômicas vulneráveis. Estas famílias demandam de maior proteção social do Estado compreendendo o impacto da condição saúde em outras dimensões da vida.

ALBUQUERQUE, Maria de Fatima Pessoa Militão de et al . Epidemia de microcefalia e vírus Zika: a construção do conhecimento em epidemiologia. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 34, n. 10, e00069018, 2018 . Available from . Acesso em: 18 set. 2019. Epub Oct 11, 2018. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00069018.

CABRAL, Cibelle Mendes et al . Descrição clínico-epidemiológica dos nascidos vivos com microcefalia no estado de Sergipe, 2015. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília , v. 26, n. 2, p. 245-254, June 2017 . Available from . Acesso em: 26 set. 2019. http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742017000200002.

DUARTE, Jhullyany dos Santos et al. Necessidades de crianças com síndrome congênita pelo Zika vírus no contexto domiciliar. Cad. saúde colet., Rio de Janeiro , v. 27, n. 3, p. 249-256, Sept. 2019 . Available from . Acesso em: 19 out. 2019. Epub Oct 03, 2019. http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201900030237.

FRANCA, Giovanny Vinícius Araújo de et al . Síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika em nascidos vivos no Brasil: descrição da distribuição dos casos notificados e confirmados em 2015-2016. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília , v. 27, n. 2, e2017473, 2018 . Available from . Acesso em: 24 set. 2019. Epub July 02, 2018. http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742018000200014

FREITAS, Paula et al. Síndrome congênita do vírus Zika: perfil sociodemográfico das mães. Disponível em: Acesso em: 8 out. 2019.

Future Implications International Journal of Environmental Research and Public Health Disponível em:< https://www.mdpi.com/1660-4601/15/1/96> Acesso em: 26 dez. 2019

HENRIQUES, Cláudio Maierovitch Pessanha; DUARTE, Elisete; GARCIA, Leila Posenato. Desafios para enfrentar a epidemia de microcefalia. Epidemiol. Serv. Saúde , Brasília, v. 25, n. 1, p. 7-10, março de 2016. Disponível em . Acesso em: 8 out. 2019. http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742016000100001.

LEITE, Rebeka Ferreira Pequeno et al . Triagem auditiva de crianças com síndrome congênita pelo vírus Zika atendidas em Fortaleza, Ceará, 2016. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília , v. 27, n. 4, e2017553, 2018 . Available from . Acesso em: 18 set. 2019. Epub Nov 08, 2018. http://dx.doi.org/10.5123/s1679-49742018000400002.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1197
ASPECTOS VOCAIS E FISIOLÓGICOS QUE INFLUENCIAM NA ANSIEDADE
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A ansiedade é uma ação inata do ser humano percebida durante uma situação que confere perigo, a qual desencadeia sensações fisiológicas, psíquicas e comportamentais podendo refletir na voz humana¹,². A interação da ansiedade e voz tem sido evidenciada em estudos que objetiva esclarecer a interferência comportamental sobre a qualidade vocal³-6. Objetivo: Analisar quais os aspectos vocais e fisiológicos influenciam na ansiedade, bem como discriminar características vocais de um grupo com baixa e alta ansiedade. Métodos: A aprovação no Comitê de Ética e Pesquisa tem número 1.084.193/15. Participaram 38 indivíduos de ambos os sexos classificados, pelo nível da ansiedade-traço, em grupo Alta Ansiedade (AA), composto por 29 voluntários com idade média de 21,41 (±2,68) anos, e em Baixa Ansiedade (BA) por 09 indivíduos com 21,0 (±2,00) anos. Para a coleta dos dados de autoavaliação utilizou-se o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE)7 e a Escala de Sintomas Vocais (ESV)8. Coletou-se vogal sustentada /ℇ/ e contagem de 1 a 10 para avaliação perceptivoauditiva, realizada por juízes especialistas em voz por meio da Escala Analógico-Visual (EAV), além de análise acústica. Utilizou-se o software Voxmetria® para a extração das medidas acústicas: frequência fundamental (F0), Jitter, shimmer, GNE, irregularidade vibratória e ruído. Foram coletados dados fisiológicos da condutância elétrica da pele (CEP), eletromiografia (EMG) supra e infrahióidea e temperatura de extremidades (TE) por meio de um fisiógrafo e a frequência cardíaca (FC) e a oxigenação no sangue (SPO²). Os dados foram analisados no software R por meio de estatística descritiva e inferencial utilizando teste de Mann-Whitney e o weight of evidence (WoE)9, um método estatístico de classificação binária que considera as variáveis a partir do poder de evidência sobre a variável desfecho. Resultados: O AA apresentou maior valor no domínio emocional da ESV comparado ao grupo BA. O escore total da ESV e os domínios limitação e emocional da ESV mostraram-se muito forte na influência sobre a ansiedade. Dos parâmetros da EAV, a rugosidade mostrou-se como o parâmetro que apresenta maior força na influência na ansiedade. Em relação aos dados acústicos, a F0 foi o aspecto mais influente. Por ser um parâmetro relacionado às características vocais influenciadas pelo sexo, optou-se por separar os gráficos do WoE por sexo para esses parâmetros. Para o sexo masculino, o jitter foi a medida acústica com maior força de influência. Todas as medidas acústicas promovem influência na ansiedade do sexo feminino com GNE e ruído com maior força A EMG em momento de repouso e em atividade de fala, ambas da musculatura suprahióidea, foram as medidas fisiológicas com maior força de influência para a ansiedade. Conclusão: O AA apresenta mais sintomas vocais relacionados ao domínio emocional da ESV. Todos os domínios da ESV demonstram influência sobre os níveis de ansiedade e a rugosidade é o parâmetro perceptual mais influente. As medidas acústicas que influenciam na ansiedade diferem no sexo feminino, em que GNE apresenta maior força de influência, e o jitter para o sexo masculino. A musculatura suprahióidea tem maior força de influência na ansiedade.


1. OMS- Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à saúde- CID 10. 10ª revisão. Versão 2008.
2. Rosa MRD et al. Zumbido e ansiedade: uma revisão da literatura. Revista CEFAC 2012, v. 14, n. 4, p. 742-754.
3. Trajano FMP, Almeida LNA, Araújo RA, Crisóstomo FLS, Almeida AAF. Níveis de ansiedade e impactos na voz: uma revisão da literatura. Distúrbios da Comunicação 2016, v. 28, n. 3, p. 423-33.
4. Gomes VEFI, Batista, DC, Araújo RA, Lopes, LW, Almeida, AAF. Symptoms and Vocal Risk Factors in Individuals with High and Low Anxiety. Folia Phoniatrica 2019 , 71:7-15.
5. Rocha LM et al. Risk Factors for the Incidence of Perceived Voice Disorders in Elementary and Middle School Teachers. Journal of voice 2016.
6. Sundberg J. A ciência da voz. Editora da Universidade de São Paulo, 2015.
7. Biaggio AMB, Natalício L, Spielberger CD. Desenvolvimento da forma experimental em português do inventário de ansiedade traço-estado (IDATE) de Spielberger. Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada 1977, v. 29, p. 31-44.
8. Moreti F et al. Cross-Cultural Adaptation, Validation, and Cutoff Values of the Brazilian Version of the Voice Symptom Scale – VoiSS. Journal of Voice 2014, v.28, n.4, p. 458-68.
9. Crawley MJ. The R book. John Wiley & Sons, Ltd. 2 ed. United Kingdom, 2013.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2119
ASSISTÊNCIA FONOAUDIOLÓGICA AO PACIENTE ADULTO TRAQUEOSTOMIZADO COM COVID-19: RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


Introdução: A COVID 19, doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, apresenta um quadro clínico que varia de infecções assintomáticas a quadros respiratórios graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave. Nesses casos, a intubação orotraqueal prolongada e o uso da traqueostomia são frequentes, o que favorece a ocorrência de alterações de deglutição. Objetivo: Apresentar a rotina de atendimento ao paciente adulto traqueostomizado com COVID- 19 internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um Hospital Universitário e contribuir para a definição de fluxos e condutas voltadas para esses pacientes. Método: Trata-se de um relato de experiência sobre a intervenção fonoaudiológica para tratamento dos pacientes com Covid-19 internados em UTI. Resultados: A assistência a pacientes com Covid-19 teve como objetivos: desmame de via alternativa, auxílio no processo de decanulação e viabilização da comunicação verbal efetiva com familiares durante a visita virtual por meio da oclusão total ou parcial da cânula de TQT. A intervenção ocorreu com (1) avaliação preliminar; (2) avaliação estrutural de OFAS; (3) treino ativo de deglutição de saliva associado a estimulação gustativa em pacientes capazes de atender a comandos ou passivo em pacientes com pouca ou nenhuma capacidade de atender comandos; (4) deflação do cuff; (5) aspiração endotraqueal; (6) oclusão do traqueóstomo; (7) treino de coordenação deglutição/respiração e fonação. O Blue Dye Test (BDT) foi utilizado como recurso auxiliar na avaliação quando era constatada capacidade de deglutição de saliva, definindo-se como marcador para a equipe e para o paciente e não para determinação de condutas. Havendo capacidade de manter deflação de cuff com ou sem oclusão, era realizada a (8) avaliação funcional da deglutição e iniciada a (8) fonoterapia direta/ indireta ou (9) treino de via oral para progressão de desmame de via alternativa. A intervenção fonoaudiológica definiu o início do desmame da TQT, a partir do parecer favorável para manter deflação de cuff, o treino de oclusão ocorreu em conjunto com a Fisioterapia. Paralelo a isso, articulou-se com a Psicologia para que o paciente participasse da visita virtual com oclusão total. A intervenção ocorreu ao longo de 2 meses durante os quais foram atendidos 21 pacientes traqueostomizados, 9 sob Ventilação Mecânica, no modo Pressão de Suporte, e 12 em ar ambiente com ou sem suporte de O2. Os objetivos fonoaudiológicos foram alcançados em 18 dos 21 pacientes, em uma média de 10 atendimentos, 2 vezes ao dia. Os 3 pacientes cujos objetivos não foram alcançados na UTI possuíam sequela neurológica. Conclusão: A intervenção fonoaudiológica apresentou bons resultados na prática clínica junto a pacientes com COVID 19 e isso pode estar relacionado ao atendimento planejado e sistemático de 2 vezes ao dia, ao atendimento precoce de deflação e oclusão de TQT, bem como à interação efetiva com as outras equipes do cuidado. As dificuldades ou impossibilidades de progressão dos pacientes ocorreram quando o comprometimento pulmonar esteve associado a comorbidades como alterações neurológicas e obesidade. Desse modo, é importante considerar as especificidades desses grupos nos protocolos direcionados a pacientes com Covid-19.

- FRAJKOVA, Zofia; TEDLA, Mirosla; TEDLOVA, Eva; Suchankova, Magda; GENEID, Ahmed. Postintubation dysphagia during COVID-19 outbreak-contemporary review. Dysphagia, 28 maio 2020. DOI: https://doi.org/10.1007/s00455-020-10139-6. Disponível em https://link.springer.com/article/10.1007/s00455-020-10139-6#auth-4. Acesso em: 07 Jul. 2020.

- LIMA, Maíra Santilli de; SASSI, Fernanda Chiarion; MEDEIROS, Gisele C.; RITTO, Ana Paula; ANDRADE, Claudia Regina Furquim de. Preliminary results of a clinical study to evaluate the performance and safety of swallowing in critical patients with COVID-19. Clinics, São Paulo, v. 75, 12 jun. 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.6061/clinics/2020/e2021. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1807-59322020000100511&script=sci_arttext&tlng=en. Acesso em: 05 Jul 2020.

- WU, Zunyou; MCGOOGAN, Jennifer M. Characteristics of and important lessons from the coronavirus disease 2019 (COVID-19) outbreak in China: summary of a report of 72 314 cases from the chinese center for disease control and prevention. Jama, v. 323, n. 13, 7 abr. 2020. Opinion, p.1239-1242. DOI:10.1001/jama.2020.2648. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2762130. Acesso em: 07 Jul. 2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
609
ASSOCIAÇÃO ENTRE INTENSIDADE DE RONCO E O CASA ESCORE EM SUJEITOS ADULTOS E IDOSOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: Ronco é um dos distúrbios respiratório do sono mais recorrentes1. Ele se manifesta no indivíduo como um fenômeno independente, conhecida como ronco primário, ou associado a outros sintomas ou doenças de base2. Ocorre involuntariamente durante as noites de sono3 quando há o estreitamento da região orofaríngea favorecendo a vibração do palato mole, úvula e base de língua, produzindo um ruído denominado ronco4. Evento de ronco é quando o ruído aparece em uma única respiração, enquanto um período de ronco contínuo é conhecido como "episódio de ronco"3. O diagnóstico padrão dos distúrbios de sono é realizado pela polissonografia e as triagens, como avaliação dos índices antropométricos e avaliação das regiões orofaríngeas para auxiliar no encaminhamento ao diagnóstico àqueles indivíduos com maior predisposição aos distúrbios do sono4,5. O CASA escore foi desenvolvido como triagem para sujeitos com queixas de sono por meio da observação da aparência das bochechas. OBJETIVO: Estabelecer a correlação entre a intensidade do ronco e o CASA escore em sujeitos adultos e idosos. MÉTODO: Estudo transversal aprovado pelo Comitê de Ética sob o número CAAE 87986218.2.0000.532. Sujeitos adultos e idosos foram submetidos à polissonografia para investigar queixas de sono em uma clínica do sono vinculada a um hospital universitário no qual este estudo foi aprovado. A intensidade de ronco por meio de polissonografias realizadas esteve em uma escala de pontos entre 0 e 10 e para as análises os pontos de corte utilizados foram: 0-3 (ronco baixo), 4-7 (ronco médio) e 8-10 (ronco alto). Todos os sujeitos passaram também pela triagem do CASA escore que consiste observação da aparência das bochechas determinando tipo de bochechas em normal, volumosa, flácida ou volumosa+flácida e intensidade em leve, moderada ou severa. RESULTADOS: 248 sujeitos entre 18 e 86 anos com média de idade de 45,9±14,9, sendo 146 (59%) homens. O CASA escore traz resultados de tipo e intensidade das bochechas. Dos 69 sujeitos com ronco baixo, 48 (70%) apresentaram alteração no tipo e 50 (72%) na intensidade; dos 159 sujeitos com ronco médio, 150 (94%) apresentaram alteração no tipo e 151 (95%) na intensidade; e dos 20 sujeitos com ronco alto, 19 (95%) apresentaram alteração no tipo e na intensidade. Houve correlação tanto na relação do tipo quanto na intensidade da alteração das bochechas com a intensidade de ronco (p<0,001). CONCLUSÃO: Este estudo indica que sujeitos que apresentam ronco, independente da intensidade, estão mais propensos a ter CASA escore alterado.

Referências
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1710
ASSOCIAÇÃO ENTRE O ÂNIMO E AS QUEIXAS DE MEMÓRIAS EM UNIVERSITÁRIOS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O ânimo é um estado emocional que influencia na disposição para execução de tarefas físicas e mentais, uma delas é o acesso às informações da memória1. Isto ocorre porque diferentes estados de ânimo provocam distintos fenômenos hormonais e neuro-hormonais que podem interferir positivamente ou negativamente nos diferentes processos de memória2. Esses efeitos negativos podem ocasionar lapsos mnemônicos e prejudicar o gerenciamento e realização de atividades diária. Um grupo susceptível a variações no ânimo são os estudantes universitários, pois eles enfrentam diariamente uma cobrança social e emocional em seu ambiente acadêmico e esses fatores acabam acarretando um aumento no nível de estresse e modulando, muitas vezes, negativamente o estado de ânimo do discente3. Desse modo, essas mudanças no entusiasmo podem favorecer falhas na aquisição e evocação das memórias dos universitários. Sendo assim, é fundamental a investigação da relação do ânimo com as queixas de memória nesse grupo. Objetivo: Verificar a associação entre as queixas de memória e o ânimo dos estudantes universitários para a realização de atividades habituais. Métodos: O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética da Instituição de origem, sob o registro 3.918.533. Caracteriza-se como um estudo de campo transversal, de caráter analítico, com abordagem quantitativa. A população do estudo foi composta por uma amostra de 519 estudantes matriculados regularmente em instituições de ensino superior, com a idade média de 22,9 anos (±5,5) em que a maioria era do sexo feminino (n=408, 78,6%), estudam no turno da noite (n=205, 39,5%) e trabalham durante o dia (n=226, 43,5%). A coleta dos dados foi realizada por meio de dois instrumentos: o questionário de Memória Prospectiva e Retrospectiva4, para avaliação das queixas de memória dos universitários; e o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburg (PSQI)5. Para este estudo foi utilizada uma pergunta do PSQI para analisar o ânimo “Durante o último mês, quão problemático foi pra você manter o entusiasmo (ânimo) para fazer as coisas (suas atividades habituais)?”. Esses dados foram analisados quantitativamente de forma descritiva e inferencial com uso do teste Qui-Quadrado e teste de comparação entre proporções, considerando o valor de significância de 5%. Resultados: Verificou-se que os estudantes que apresentam um grande problema para manter o entusiasmo para fazer suas atividades habituais sinalizaram maior frequência de queixas memória, sejam elas prospectiva de curto e longo prazo ou retrospectiva de curto e longo prazo. Dos 16 itens de queixas de memória, obteve-se diferença estatística em 15 itens associados ao ânimo dos discentes. Por exemplo, os universitários com problemas em manter o entusiasmo no último mês: esquecem com frequência de executar alguma ação, após decidir fazê-la (p<0,001); falham em lembrar de eventos que aconteceram nos últimos dias (p<0,001); esquecem algo que lhes foi dito alguns minutos antes (p<0,001); e esquecem compromissos se não forem lembrados (p<0,001). Conclusão: Há associação entre problemas no ânimo para executar atividades habituais e queixas de memória nos universitários. Discentes com dificuldades em manter o entusiasmo apresentam falhas autorrelatadas na memória de curto e longo prazo, e prospectiva e retrospectiva.

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4. Buysse DJ, Reynolds CF III, Monk TH, Berman SR, Kupfer DJ. The Pittsburgh Sleep Quality Index: a new instrument for psychiatric practice and research. Psychiatry Res. 1989; 28(2): 193–213.
5. Benites D, Gomes WB. Tradução, adaptação e validação preliminar do Prospective and Retrospective Memory Questionnaire (PRMQ). Psico-USF. 2007; 12(1): 45-54.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1926
ASSOCIAÇÃO ENTRE O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E O TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS DE MÃO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: a quantidade de informações linguísticas recebidas nos primeiros anos de vida da criança é primordial para a aquisição e o desenvolvimento da linguagem. Isso é determinado por um ambiente que proporcione trocas linguísticas em quantidade e qualidade (1). Tem sido cada vez mais frequente crianças com menos de três anos usarem dispositivos eletrônicos e por tempo prolongado, o que pode levá-las a ter maior risco de atraso de linguagem (2,3). Pesquisas sugerem que o aumento do tempo de tela em crianças pequenas está relacionado a resultados negativos de saúde, incluindo diminuição do desenvolvimento cognitivo e linguístico (4) . Objetivo: investigar a influência do uso de dispositivos eletrônicos na aquisição e desenvolvimento de linguagem nos anos iniciais. Método: o trabalho foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa – CAAE 79155817.6.0000.5417. 56 pais e/ou responsáveis de crianças entre 18 e 30 meses responderam à chamada por meio de veículos de comunicação para participação na pesquisa. Eles foram submetidos à entrevista inicial por meio da qual foram excluídas crianças que apresentaram sinais de alterações neurológicas, auditivas ou foram expostas a mais de um idioma, assim, a amostra foi constituída por 48 crianças. Os pais e/ou responsáveis preencheram questionário sobre o uso de equipamentos eletrônicos - “tablets” e “smartphones” que verificaram o tempo de uso de telas de mão, o envolvimento dos pais nas atividades e a utilização das telas em diferentes circunstâncias como hora da alimentação e meios de transporte. Já as crianças foram avaliadas quanto à linguagem por meio de protocolo de observação comportamental (5), Teste de vocabulário auditivo e expressivo (6) e escala de desenvolvimento da linguagem ‘Early Language Milestone Scale’ (7). A amostra foi estratificada considerando o tempo de uso e aplicado teste de correlação linear. Resultados: houve associação entre o tempo de exposição às telas portáteis e o desempenho comunicativo e linguístico. Conclusões: crianças com maior tempo de uso tiveram desempenho mais rebaixados nos testes de linguagem e de habilidades comunicativas. Embora a amostra seja restrita, os achados corroboram os trabalhos que apontam associação entre tempo de tela e desenvolvimento da linguagem. O uso de novas mídias não deixa de ter seus benefícios, mas esses benefícios dependem da idade e do estágio de desenvolvimento da criança.

1. Rowe ML. A longitudinal investigation of the role of quantity and quality of child-directed speech in vocabulary development. Child Dev. 2012; 83 (5): 1762-74.
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7. Copplan J. Early language Milestone Scale. 2nd ed. Austin (Texas): ProEd; 1993.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2023
ASSOCIAÇÃO ENTRE SINTOMAS AUDITIVOS E USO DE FONES DE OUVIDO EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A perda auditiva induzida por ruído ocupa o segundo lugar como alteração auditiva mais comum, ficando atrás apenas da presbiacusia. A popularização dos equipamentos eletrônicos e, consequentemente, a intensificação no uso de fones de ouvido, de vários tipos e tamanhos, pode levar os usuários a exposição ao ruído de forma indiscriminada, por longos períodos e com intensidade elevada. Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que 1,1 bilhão de pessoas jovens, em todo o mundo, podem estar em risco de perda de audição devido à exposição demasiada de ruídos de alta intensidade. As alterações auditivas podem interferir de forma considerável na qualidade de vida dos indivíduos, causando intolerância a sons intensos, tonturas, otalgia e principalmente, o zumbido e a perda auditiva. O objetivo desse estudo foi verificar a presença de sintomas auditivos em estudantes universitários que fazem o uso de fones de ouvidos. Metodologia: Pesquisa de campo, do tipo exploratório, de cunho descritivo e observacional, delineado a partir de uma análise de corte transversal e com abordagem quantitativa que utilizou como instrumento de coleta de dados o recorte de um questionário estruturado com perguntas fechadas quanto à duração, frequência e intensidade do uso desses equipamentos, o nível de entendimento sobre os possíveis riscos que o uso dos fones de ouvidos podem causar à audição, além da identificação de sintomas auditivos e extra auditivos. Foi realizada a análise estatística inferencial dos dados por meio do software IBM SPSS Statistics versão 22, com a finalidade de extrair os valores da frequência absoluta, porcentagem e associações. As associações de todas as variáveis foram realizadas utilizando-se o Teste Qui-quadrado de Pearson. O nível de significância estatística adotado foi de p<0,05 para todos os testes. Resultados: A amostra constituiu-se de 63 alunos do curso Sistemas para Internet de uma instituição de ensino superior. No presente estudo, evidenciou-se a presença de sintomas auditivos em estudantes universitários que fazem o uso de fones de ouvidos, com destaque para prurido e dor de cabeça/ouvido, a prevalência dos fones de ouvido tipo concha, com indivíduos que utilizam os fones de ouvido por mais de 4 horas por dia, sete vezes por semana, em volume moderado a elevado. Conclusão: Diante do exposto, o presente estudo evidenciou a presença de sintomas auditivos em estudantes universitários que fazem o uso de fones de ouvidos. As associações realizadas não foram estatisticamente significantes. Vale ressaltar que esta pesquisa cientifica não garante que somente a utilização dos fones de ouvido causará uma perda auditiva, porém, ela sugere que o hábito exagerado do uso dos fones de ouvido, pode acarretar efeitos nocivos ao sistema auditivo. Pretende-se, com este trabalho, ampliar e diversificar o conjunto dos poucos trabalhos existentes no assunto e colaborar para o avanço de estudos nas áreas da Fonoaudiologia e Audiologia.

1. Arakawa, AM et al. Análise de diferentes estudos epidemiológicos em audiologia realizados no Brasil. Rev. CEFAC. v. 13 n. 1. p. 152-158. Jan./fev. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S151618462011000100018&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 21 de março de 18.

2. Santos, TMM. dos, Russo, ICP. A prática da audiologia clínica. 8. ed. Cortez, 2011. 375 p. ISBN 978-85-249-1125-5

3. Oliveira, M. de FF. de et al. Fones de ouvido supra-aurais e intra-aurais: um estudo das saídas de intensidade e da audição de seus usuários. Audiol Commun Res. v. 22, e1783. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S2317-64312017000100324&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 21 de março de 18.

4. Gonçalves, CL, Dias, FAM. Achados audiológicos em jovens usuários de fones de ouvido. Rev. CEFAC. Vol. 16. n. 4. Pag. 1097-1108. Jul/ago. 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v16n4/1982-0216-rcefac-16-4-1097.pdf Acesso em: 22 de março de 18.

5. Marques, APC, Filho, ALM, Monteiro, G. T. R. Prevalência de perda auditiva em adolescentes e adultos jovens decorrentes de exposição a ruído social: meta-análise. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 17, n. 6, p. 2056-2064, nov./dez. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v17n6/1982-0216-rcefac-17-06-02056.pdf Acesso em: 24 de março de 18.

6. Lacerda, ABM. et al. Hábitos auditivos e comportamento de adolescentes diante das atividades de lazer ruidosas. Rev. CEFAC. São Paulo, Mar-Abr; v. 13. n. 2. Pag. 322-329. 2011. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=169318771016. Acesso em: 21 de março de 18.

7. Swensson, JRP, Swensson, RP, Swensson, R.C. Ipod®, mp3 players e a audição. Rev. Fac. Ciênc. Méd. Sorocaba. v. 11. n. 2. p. 4 – 5. 2009. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/view/1952 Acesso em: 28 de abr. de 18.


8. Organização das Nações Unidas. OMS: 1,1 bilhão de pessoas podem ter perdas auditivas porque escutam música alta. Brasília, 2017.

9. Valle, B. de M. Tecnologia da informação no contexto organizacional. Ciência da Informação, v. 25, n. 1, 1996. Disponível em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/669/678 Acesso em: 24 de maio de 18.

10. BRASIL. Norma Regulamentadora NR-15 do Ministério do Trabalho. Manuais de Legislação. Atlas Segurança e Medicina do Trabalho. 39ª. ed. São Paulo: Atlas, 1998.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
105
ASSOCIAÇÃO ENTRE TEA E DPAC EM CRIANÇAS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)
88115160


INTRODUÇÃO: Acredita-se que o Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) pode estar relacionado às alterações neuropsiquiátricas, como no Transtorno do Espectro Autista (TEA), pois a função auditiva possui semelhanças clínicas e neurofisiológicas com esse transtorno(1). Anormalidades estruturais e funcionais que contribuem para o comprometimento do processamento auditivo são descritos em indivíduos com TEA(2). OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(3) sobre a associação do TEA com o DPAC. MÉTODO: Para a seleção dos estudos foi utilizada a combinação baseada no Medical Subject Heading Terms (MeSH): [(auditory processing) and (children) and (autism) and (neurological disorders)]. Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO e LILACS. O período de busca dos artigos compreendeu últimos 10 anos (2010 a 2020). RESULTADOS: Foram recuperados 126 artigos, após a fase de exclusão, 17 artigos atenderam aos critérios de inclusão. No final, dois trabalhos(4,5) responderam a pergunta norteadora, sendo ambos do tipo descritivo. Esses estudos obtiveram pontuação 11 no protocolo modificado de Pithon et al.(6). O estudo realizado por Azouz et al.(4) , desenvolvido com 30 crianças diagnosticadas com TEA, com idades entre 3 e 7 anos, constatou que a latência absoluta da onda V da orelha direita e da onda I da orelha esquerda, bem como as latências interpicos I-V e III-V de ambas as orelhas encontravam-se significativamente aumentadas nas crianças com TEA. Ademais, ao comparar a latência da onda N1c das crianças com TEA com dados normativos obtidos em 15 crianças de 2 a 7 anos, os pesquisadores averiguaram latência absoluta da onda N1c significativamente prolongada no grupo autista, em ambas as orelhas, bem como amplitude desta onda maior no lado direito. Já o estudo desenvolvido por Kozou et al(5), também realizado com 30 crianças diagnosticadas com TEA, com idades entre 7 e 12 anos, teve como intuito avaliar várias habilidades do PAC, além de verificar a eficácia do treinamento auditivo nestas crianças. Os autores utilizaram o Teste Dicótico de Dígitos (TDD) para avaliar as habilidades auditivas que correspondem ao teste e evidenciaram que 14 crianças com TEA (46,7%) obtiveram escores normais em comparação aos dados normativos de crianças com desenvolvimento típico, duas crianças (6,7%) apresentaram desempenho ruim em ambas as orelhas, oito crianças (26,7%) apresentaram maior vantagem na orelha direita, juntamente com déficits na orelha esquerda e seis crianças (20%) mostraram déficits na orelha direita, juntamente com uma reversão da vantagem na orelha e essas seis crianças eram canhota. CONCLUSÃO: Evidenciou-se que pacientes diagnosticados com TEA podem apresentar DPAC, visto que foram constatadas alterações tanto nas latências absolutas quanto nas latências interpicos no Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, bem como na latência e lateralidade da amplitude da onda N1c e alterações na avaliação comportamental do processamento auditivo. Sendo assim, o DPAC é frequente em crianças com TEA.

1. Kwon S, Kim J, Choe BH, Ko C, Park S. Electrophysiologic assessment of central auditory processing by auditory brainstem responses in children with autism spectrum disorders. J Korean Med Sci. 2007;22(4):656-9.
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4. Azouz HG, Kozou H, Khalil M, Abdou RM, Sakr M. The correlation between central auditory processing in autistic children and their language processing abilities. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2014;78:2297-300.
5. Kozou H, Azouz HG, Abdou RM, Shaltout A. Evaluation and remediation of central auditory processing disorders in children with autism spectrum disorders. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2018;104:36-42.
6. Pithon MM, Sant'anna LIDA, Baião FCS, Santos RL, Coqueiro RS, Maia LC. Assessment of the effectiveness of mouthwashes in reducing cariogenic biofilm in orthodontic patients: a systematic review. 2015; 43:297–308.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
988
ASSOCIAÇÃO ENTRE ZUMBIDO E HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS)
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O zumbido influencia em falhas no raciocínio, memória e concentração, prejudicando a rotina e atividades diárias. Prevalente em 22% da população do Estado de São Paulo, é considerado cada vez mais recorrente e caracterizado como um problema de Saúde Pública. Por outro lado, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) afeta no mínimo 18 milhões de brasileiros, e destes, 50% ignoram o fato de serem portadores da doença. O zumbido pode estar associado à esta patologia juntamente a dores de cabeça, tontura, dor no peito e fraqueza, julgando-se sinais de alerta. Em torno disto, apresentam-se os zumbidos de origem vascular. Do ponto de vista fisiológico, todas as células vivas precisam de fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes para manterem suas funções, e tal fornecimento depende da integridade funcional e estrutural do coração e dos vasos sanguíneos. Dessa forma, o comprometimento do aparelho circulatório pode prejudicar o funcionamento da orelha interna sendo que, dos mecanismos fisiopatológicos descritos, é o aumento da viscosidade sanguínea que acarreta a diminuição do fluxo sanguíneo capilar e o transporte de oxigênio, tal prejuízo à orelha interna compromete uma série de habilidades do sistema auditivo. Objetivo: Analisar a associação entre zumbido e hipertensão arterial sistêmica. Métodos: Realizada a coleta de dados de prontuários dos pacientes que passaram pela Clínica de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, entre os anos 2008 e 2018, acima de 18 anos, apresentando resultado da avaliação da Audiometria Tonal Liminar dentro dos padrões de normalidade ou perda auditiva sensorioneural bilateral simétrica, sem alterações de orelha média, verificada pela Imitanciometria e com queixa de zumbido. Os dados coletados foram transferidos para uma planilha Excel e analisados de forma quantitativa e qualitativa. Resultados: Foram analisados e inclusos os prontuários de 57 pacientes. Por meio dos dados compilados, observou-se que 43,1 % era do sexo masculino e 57,8% do sexo feminino. Além disto, verificou-se que 75,4% da amostra foi diagnosticada com perda auditiva, e 40,3% do total da amostra apresentava zumbido associado a HAS. Conclusão: Foi observado neste estudo que 40,3% dos pacientes com zumbido também possuem HAS, ou seja, menos da metade dos indivíduos apresentou associação positiva entre os dois acometimentos estudados.

Thirunavukkarasu, K.,Geetha, C. (2013). One-year prevalence and risk factors of tinnitus in older individuals with otological problems. The international tinnitus journal, 18(2), 175-181.
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ASHA (American Speech- Language- Hearing Association). Disponível em www.asha.org.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1826
ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE NO ENFRENTAMENTO À COVID-19: PERSPECTIVAS, DESAFIOS E A EXPERIÊNCIA DE UM PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DA FAMÍLIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


O advento da pandemia de COVID-19 reforçou mais do que nunca a importância do Sistema Único de Saúde. O sistema, apesar de sofrer com seu subfinanciamento crônico e todas as suas limitações de gestão, demonstra ser capaz de oferecer uma ampla rede de serviços e contar com sistemas de informação e vigilância epidemiológica consolidados, oferecendo melhor capacidade de resposta e um conjunto de possibilidades para minimizar os impactos da COVID-19.
Este ensaio objetivou levantar algumas perspectivas e desafios para a atenção básica à saúde no enfrentamento à COVID-19, revelando ainda algumas experiências do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família. Características importantes da atenção básica devem ser ressaltadas como de alto potencial para o sucesso no enfrentamento da COVID-19, como a cobertura territorial, o vínculo dos profissionais de saúde no acompanhamento longitudinal das famílias, a complexidade do cuidado multifacetado próprio da atenção básica, envolvendo os determinantes sociais da saúde, a vigilância em saúde da área de abrangência, a identificação de usuários e áreas vulneráveis, o acompanhamento de pacientes idosos e com doenças crônicas. A precarização do setor saúde no Brasil tem gerado efeitos importantes na organização do trabalho na Atenção Básica. Condições inadequadas de trabalho, incluindo a falta de profissionais e a falta de equipamentos, comprometem a resolutividade dos problemas de saúde. A união entre ensino e serviço, firmada pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Universidade Federal de Sergipe e todas suas experimentações revelam como o somatório de olhares entre academia e gestão da saúde pode ajudar na superação de adversidades para o enfrentamento da COVID-19. Atividades em saúde como consultas multiprofissionais de pré-natal, puericultura, atividades educativas sobre o coronavirus, planejamento local em saúde, produção de informes epidemiológicos, formulação de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), capacitação de Agentes Comunitários de Saúde, atividades corporais para os trabalhadores, vacinação contra influenza e visitas domiciliares para pacientes de grupos de risco tem sido a composição do conjunto de ações da residência. São ações que partem de processos de experimentação, adaptações e reinvenções, ao exemplo das visitas domiciliares em que a comunicação em certas circunstâncias ocorre pela porta das casas para produzir um vínculo que favoreça posteriores contatos por telefone. Experiências como estas mostram que, com os investimentos adequados, com menor grau de improvisação e maior planejamento, o potencial da atenção básica é muito alto para a contenção da pandemia.
A residência vem cumprindo o papel de equipes multiprofissionais como as dos NASFs que, neste mesmo ano de 2020, foi asfixiado pelo governo federal sem a previsão de incentivos financeiros. Hoje, esses profissionais assumem quase que intuitivamente uma frente de trabalho de forma incansável para resguardar a saúde das pessoas. O SUS vem passando por sucessivos processos de depreciação nos últimos quatro anos nos âmbitos político, financeiro e de gestão. No entanto, não fosse ele, estaríamos fazendo do Brasil uma das maiores tragédias humanitárias do mundo. Assim, devemos ter memória, aprender com os fatos e de uma vez por todas tomar o SUS como patrimônio de todos brasileiros e brasileiras.

Barreto, M. L., Barros, A. J. D. de, Carvalho, M. S., Codeço, C. T., Hallal, P. R. C., Medronho, R. de A., … Werneck, G. L. (2020). O que é urgente e necessário para subsidiar as políticas de enfrentamento da pandemia de COVID-19 no Brasil? Revista Brasileira de Epidemiologia, 23. https://doi.org/10.1590/1980-549720200032
Sarti, T. D., Lazarini, W. S., Fontenelle, L. F., & Almeida, A. P. S. C. (2020). Qual o papel da Atenção Primária à Saúde diante da pandemia provocada pela COVID-19? Epidemiologia e Servicos de Saude : Revista Do Sistema Unico de Saude Do Brasil, 29(2), e2020166. https://doi.org/10.5123/s1679-49742020000200024
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1037
ATENÇÃO HOSPITALAR AOS TRANSTORNOS FONOAUDIOLÓGICOS NEUROGÊNICOS ADQUIRIDOS APÓS ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL: UM ESTUDO DE CASO EM GUARULHOS/SP
Tese
Saúde Coletiva (SC)



O acidente vascular cerebral (AVC) afeta um grande número de pessoas no Brasil e no mundo anualmente, e resulta em mortes ou sequelas que provocam dependência com impacto negativo à qualidade de vida. Entre elas, são frequentes os transtornos fonoaudiológicos neurogênicos adquiridos (TFNA) que afetam a comunicação e a alimentação. Estima-se aumento da prevalência de AVC nos próximos anos, com impacto importante na demanda por cuidado longo ou permanente. Embora haja no Brasil políticas de saúde voltadas à prevenção das doenças não transmissíveis (DCNT), ao cuidado do AVC e à pessoa com deficiência, o cuidado aos TFNA não estão assegurados.

Este estudo teve como objetivos estimar a incidência e co-ocorrência de TFNA após o primeiro AVC e descrever a fase hospitalar da linha de cuidado a esses transtornos. A amostra foi obtida em dois hospitais da rede pública do município de Guarulhos por doze meses consecutivos. Foram incluídos adultos de ambos os sexos, residentes no município e identificados, durante internação hospitalar, com TFNA em consequência do primeiro AVC. Foram excluídos aqueles com doença neurológica prévia ou demência. Foi desenvolvido um instrumento padronizado para a caracterização sociodemográfica e clínica dos pacientes que incluiu o índice de comorbidade de Charlson (ICC). Para classificação dos TFNA, foram utilizados: Functional Oral Intake Scale para disfagia; Bedside Evaluation Screening Test for Aphasia 2a versão, traduzido para o português brasileiro para afasia; e Protocolo de Avaliação das Disartrias de Origem Central, adaptado ao português brasileiro por Fracassi et al. (2011) para disartrofonia. O acompanhamento fonoaudiológico durante a hospitalização foi caracterizado por meio de instrumento padronizado desenvolvido para coletar informações sobre encaminhamentos e procedimentos realizados.

Foram identificadas 407 internações por AVC, das quais 217 pelo primeiro episódio, sendo que 90 atenderam aos critérios de inclusão. A incidência de TFNA após o primeiro AVC foi de 86,7% (IC95%: 77,9% a 92,9%). A afasia ocorreu em 36,7% (IC95%: 26,7% a 47,5%); a disfagia em 50% (IC95%: 39,2% a 60,7%); e a disartrofonia em 70% (IC95%: 59,4% a 79,2%). A co-ocorrência de TFNA também foi alta, sendo mais frequente para disartrofonia associada a disfagia. Na fase inicial da linha cuidado houve 51,3% (IC95%: 39,7 a 62,8%) de pacientes com TFNA não identificados pelas equipes hospitalares e que ficaram sem acompanhamento especializado. Os encaminhamentos para avaliação e conduta fonoaudiológica ocorreram em número reduzido e houve predomínio do cuidado dirigido às disfagias em detrimento dos transtornos da comunicação.

Considerando a incidência de TFNA após AVC, o risco associado a eles e as consequências para a qualidade de vida dos sujeitos afetados, é imprescindível que os serviços hospitalares contemplem a identificação e o manejo destes transtornos, com definição de protocolos de fluxos de atendimento, escolha de instrumentos para triagem, critérios de manejo e reabilitação, com vistas à redução do tempo de internação, prognóstico favorável e alta qualificada.

É importante estabelecer o dimensionamento do número de fonoaudiólogos para o cuidado hospitalar, sem perder de vista a atuação integrada da equipe multidisciplinar; e garantir o início da reabilitação da comunicação ainda na fase aguda do AVC.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1899
ATENÇÃO PRIMÁRIA E FONOAUDIOLOGIA: DIALOGANDO POR MEIO DE UM OLHAR AMPLIADO DA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DA FAMÍLIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A Residência Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF) é um Programa de especialização de integração entre ensino-serviço-comunidade, com o foco da atuação na Atenção Primária à Saúde (APS) e objetiva desenvolver habilidades assistenciais para profissionais de diferentes áreas, no intuito de formar um perfil profissional pautado na humanização, atuação interdisciplinar e multiprofissional. A inserção do fonoaudiologia na Residências em saúde, possibilita práticas sanitaristas e preventivas nos ciclos de vida, por meio da educação em saúde afim de estimular a autonomia e empoderamento dos aspectos fonoaudiológicos da população, além de contribuir para a qualificação da formação profissional no âmbito da saúde coletiva. OBJETIVO: Abordar sobre a atuação fonoaudiológica na Atenção Primária por meio da residência multiprofissional em saúde da família METODOLOGIA: O relato de experiência refere-se à vivência no período de dois anos como fonoaudióloga residente no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família. As atividades foram desenvolvidas junto a equipe de saúde da unidade de básica, território e equipamentos sociais da comunidade localizado na zona norte de Aracaju.Durante o primeiro ano as atividades foram voltadas para o processo de territorialização, planejamento em saúde e promoção a saúde, acrescentando-se ao segundo ano, a vivência na rede de atenção à saúde do município.RESULTADOS: Entre as práticas individuais foram realizados acolhimentos, reabilitação fonoaudiológica, visitas domiciliares, atividades de educação em saúde com foco em atividades multiprofissionais. Foram realizados 55 acolhimentos fonoaudiológicos, atendimento de auriculoterapia para trabalhadores de saúde onde 100% relataram melhora referentes a saúde após as aplicações. As atividades coletivas realizadas abrangeram rodas de conversas, oficinas, ações em saúde na comunidade, escolas, educação permanente para ESF, atividades mensais com grupos já existentes de pescadores, idosas, gestantes, hiperdia abrangendo temáticas multiprofissionais e fonoaudiológicas. Em relação a atuação multiprofissional, a convivência com outras profissões possibilitou a clínica ampliada pautada nas necessidades de saúde e evidenciou a importância do trabalho em equipe para tal cuidado. Os projetos de intervenções semanais (Tenda do conto e Coral Alvorecer) possibilitaram uma maior proximidade com a comunidade, por meio do vínculo e construção de laços, onde se propôs espaços humanizados que promoveram a autonomia, empoderamento e valorização da vida entre os participantes. A Tenda do conto teve duração de 4 meses, 13 encontros com duração média de 2 horas e participaram ao total 109 participantes, onde 90 destes eram usuários da comunidade e 19 eram profissionais de saúde. Participaram da prática do coral 18 idosas do grupo de convivência Alvorecer, onde a atividade foi realizada do período de agosto de 2018 a dezembro de 2019 e teve 56 encontros semanais com duração média de uma hora, com 18 apresentações em eventos, Unidades de saúde e equipamentos sociais e eventos na comunidade. CONCLUSÃO: As experiências vivenciadas na RMSF permitem ao fonoaudiólogo possibilidades de atuação no SUS de forma ampliada e holística, no intuito de romper paradigmas assistências centrado na doença e desenvolver um olhar ampliado para o cuidado focado na promoção de saúde dos indivíduos no território.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
889
ATENDIMENTO CONJUNTO DE MUSICOTERAPIA E FONOAUDIOLOGIA UTILIZANDO COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Práticas fonoaudiológicas
Linguagem (LGG)


Introdução: Os Transtornos do Neurodesenvolvimento são um grupo de condições com início no período do desenvolvimento infantil. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um deles e caracteriza-se pela manifestação precoce de déficits na comunicação e interação social em conjunto com a manifestação de padrões restritos e repetitivos de comportamento e atividades. O Musicoterapeuta é o profissional cuja formação o permite compreender que estruturas neurológicas estão sendo estimuladas com diferentes instrumentos e repertórios. Já o Fonoaudiólogo, é o profissional capacitado para estimular a comunicação como um todo, utilizando-se de recursos de Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA) que colaboram para o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem, desenvolvendo a competência comunicativa. Por este motivo, criou-se o atendimento em conjunto das duas áreas em modelo de grupo.

Objetivos: Os objetivos deste modelo de atendimento são desenvolver habilidades de comunicação social, utilizando da música como sua principal ferramenta associado ao uso da CAA, promovendo interações musicais como facilitadoras do processo de comunicação. São trabalhadas todas as etapas da comunicação, desde o contato visual, intenção e iniciativa comunicativa, vocabulários verbais e gestuais, sempre auxiliando a criança a construir recursos comunicativos que possibilitem trocas com pares que estão em um mesmo nível comunicativo, assim como em níveis inferiores e superiores, buscando formas de acessar os pares.

Método: O Grupo de Fonoaudiologia e Musicoterapia é um atendimento acompanhado por uma fonoaudióloga e uma musicoterapeuta, do qual participam no mínimo duas e no máximo quatro crianças da mesma faixa etária com diagnóstico de TEA. O grupo é indicado para crianças que precisam desenvolver habilidades sociais e comunicativas. A estrutura do grupo é formada por atividades fixas, assim como por momentos de quebra de rotina, contemplando datas comemorativas ou temáticas especiais. A base das interações é o material musical associado ao uso de recursos de CAA. São utilizados cartões de comunicação para trabalhar o sequenciamento e antecipação das músicas, bem como aplicativos de comunicação em tablet ou pastas do método PECS (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras) – dependendo dos pacientes do grupo - para estimular as diversas funções comunicativas, como fazer comentários e pedidos de músicas.

Resultados: O atendimento em grupo permite que ocorram diversas trocas comunicativas com diferentes parceiros de comunicação, mediados pelos terapeutas. Os materiais de apoio visual utilizados mostram-se essenciais na estimulação da linguagem compreensiva, na memorização da narrativa musical, assim como na produção verbal. Observa-se, fazendo uso da CAA, aumento do tempo de atenção dos pacientes às atividades, maior participação e interação com os demais colegas, reduzido assim os comportamentos inadequados.

Conclusão: As duas áreas terapêuticas apresentam grande aproximação na prática clínica, pois ambas estimulam a fala e a linguagem. As possibilidades de trabalho são inúmeras e variadas quando há o encontro e, sobretudo o diálogo das duas áreas. O Musicoterapeuta oferece um material musical improvisado, recriado ou reproduzido, o fonoaudiólogo faz uso deste material musical associado aos sistemas de comunicação alternativa para estimular o desenvolvimento da linguagem, da competência comunicativa e das interações sociais.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
534
ATENDIMENTO EM SETOR DE DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS: PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


As doenças infectocontagiosas são patologias causadas por microrganismos, e ocorrem quando um organismo hospedeiro fica exposto ao agente infeccioso, através do contato direto ou indireto. Doença parasitária ou parasitose é uma doença infecciosa causada por um parasito protozoário ou metazoário. Dentre as principais patologias com alta incidência no país estão a tuberculose, a Aids/HIV, a sífilis e as hepatites virais, que se evidenciam mais complexas a cada ano. Atualmente no Brasil, estas doenças são responsáveis por mais de 340.000 internações/ano e estão entre as principais causas de morbimortalidade¹. Entre os diversos sintomas apresentados por pacientes com doenças infectocontagiosas e parasitárias encontra-se a disfagia, que se caracteriza por um transtorno de deglutição que pode acometer qualquer parte do trato digestório, desde a boca até o estomago, decorrente de causas neurológicas e/ou estruturais e que pode gerar graves complicações, como desnutrição, desidratação, pneumonia aspirativa, podendo levar à morte². O fonoaudiólogo é o profissional indicado para a avaliação e tratamento das disfagias, estabilizando assim o aspecto nutricional e eliminando os riscos de aspiração laringotraqueal e consequentes complicações associadas³. O presente estudo objetiva demonstrar a prática fonoaudiológica de uma profissional integrante do setor de Doenças Infectocontagiosas e Parasitárias em um Hospital Universitário da cidade de João Pessoa/PB. Desde o mês de junho de 2015 até os dias atuais, são realizadas triagens com busca ativa, avaliações, exames complementares, gerenciamento da alimentação e reabilitações, quando necessário, em pacientes de todas as idades e ambos os sexos do setor com as mais diversas patologias infectocontagiosas e parasitárias que apresentem alterações na deglutição, fala, linguagem e demais aspectos relacionados à Fonoaudiologia. Observou-se a necessidade do acompanhamento fonoaudiológico periódico no setor, uma vez que patologias como tétano, meningite, tuberculose e atualmente COVID-19, dentre outras, podem apresentar alterações principalmente na deglutição, e a detecção precoce e reabilitação destas promove a retirada de sonda mais rapidamente com consequente início da alimentação por via oral, com redução no tempo de internação, bem como de custas hospitalares, além da melhoria na qualidade de vida dos pacientes acometidos. Desta forma, a Fonoaudiologia faz parte da equipe multidisciplinar do serviço, contribuindo assim para o enriquecimento no atendimento integral ao paciente com doenças infectocontagiosas e parasitárias.





¹Santos EL, Ely KZ, Valim ARM, Dreyer YC, Koep J, Possuelo LG. Levantamento de pré-requisitos de qualidade para a elaboração de um aplicativo de doenças infectocontagiosas. Salão de ensino e de Extensão. 2019.Brasil [acesso em 03 jul 2020] Disponível em: .

²Favero SR, Sceeren B, Barbosa L, Hoher JÁ, Cardoso ACAF. Complicações Clínicas da disfagia em pacientes internados em uma UTI. Distúrb Comum. 2017 Dez;29(4): 654-62.

³Silva RG. A eficácia da reabilitação em disfagia orofaríngea. Pró-Fono R. Atual. Cient. 2007 Jan-Abr; 19 (1): 123-30.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1272
ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO A CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO: UM ESTUDO LONGITUDINAL
Tese
Linguagem (LGG)


O autismo é um distúrbio que acomete quase 2% da população mundial e o número de estudos longitudinais envolvendo esse tema é baixo. Esta tese é formada por dois estudos envolvendo análises longitudinais de dados sobre um serviço especializado no atendimento fonoaudiológico a crianças com Trastorno do Espectro do Autismo (TEA).
O primeiro estudo contém uma descrição da história do serviço, além de um levantamento do número de pacientes atendidos, seus dados sociodemográficos, tempo médio de atendimento, idade de início do tratamento e sua evolução, com base nos dados encontrados nos prontuários do arquivo morto. Nesse primeiro estudo não foi possível verificar que a idade de início do atendimento fonoaudiológico diminuiu com o passar dos anos, sendo de 6 anos a média de idade no início da avaliação; com manutenção média de 3 anos e meio de terapia. Na tabulação de dados foi observado que o índice de abandono do tratamento é alto. Dentre os 340 pacientes analisados, 24% realizaram um ano ou menos de terapia. Concluiu-se que o número de indivíduos que desistem ou abandonam o atendimento é considerável e a idade de início da terapia não está relacionada à maior manutenção do tratamento. Este estudo permitiu também reforçar a necessidade da informatização dos dados, facilitando o acesso e a realização de pesquisas baseadas em evidência, melhorando o armazenamento e diminuindo a perda de dados com o passar os anos.
No segundo estudo foi realizado um recorte nos dados levantados no Estudo 1, no qual foi analisado somente os dados digitalizados, garantindo assim melhor consistência. Os dados utilizados foram referentes aos pacientes que frequentaram o serviço entre os anos de 2011 e 2017. Analisando os dados do Perfil Funcional da Comunicação (PFC) e do Desempenho Sócio Cognitivo (DSC) de forma longitudinal e comparando-os em seis momentos diferentes, foi possível observar que há evolução com relação à funcionalidade da comunicação e ao DSC ao longo do tratamento; alguns dos parâmetros da prova do PFC são preditivos do DSC, confirmando que o desempenho sócio cognitivo e os aspectos funcionais da linguagem estão interligados. Os resultados também mostraram que as funções comunicativas mais frequentes foram o Jogo Compartilhado, Performativo e Exploratório, com uma média de nove funções em cada PFC analisado. Há correlação negativa entre a idade de início e o número de atos comunicativos e correlação positiva entre o número de respostas apresentados no PFC, o escore do DSC e os atos comunicativos com funções mais interativas. Conclui-se que é possível observar evolução clínica a partir da análise destes dois protocolos em períodos de três anos de intervenção e que a idade no início da terapia fonoaudiológica está relacionada à maior evolução clínica. Sabe-se que a alta fonoaudiológica para crianças com TEA, independente do grau de severidade, quando considerados todos os aspectos a serem trabalhados, pode demorar anos. Contudo, com estes estudos, foi possível observar a necessidade do acompanhamento evolutivo daqueles pacientes com longos anos de terapia para a identificação de platôs do desenvolvimento e a realização do encaminhamento mais adequado.


Alves DA, Kuroishi RCS, Mandrá PP. Prontuário eletrônico em cenário de prática: percepção dos graduandos e profissionais de fonoaudiologia. Revista CEFAC. 2016;18(2):385–91. https://doi.org/10.1590/1982-0216201618217915

Amato CAH. Questões funcionais e sócio-cognitivas no desenvolvimento da linguagem em crianças normais e autistas. [Tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2006

Baio J, Wiggins L, Christensen DL, Maenner MJ, Daniels J, Warren Z, et al. Prevalence of autism spectrum disorder among children aged 8 years: Autism and developmental disabilities monitoring network, 11 sites, United States, 2014. MMWR Surveill Summ. 2018;67(6):1-23. http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.ss6706a1. PMid:29701730.

Gillon G, Hyter Y, Fernandes FD, Ferman S, Hus Y, Petinou K, et al. International survey of speech-language pathologists’ practices in working with children with autism spectrum disorder. Folia Phoniatr Logop. 2017;69(1-2):8-19. http://dx.doi.org/10.1159/000479063. PMid:29248908.

Molini DR, Fernandes FDM. Intenção Comunicativa e Uso de Instrumento em Crianças com Distúrbios Psiquiátricos. Pró-Fono Revista de Atualização Científica. Barueri (SP) 2003;15(20):149-158.

Will MN, Currans K, Smith J, Weber S, Duncan A, Burton J, et al. Evidenced-based interventions for children with autism spectrum disorder. Curr Probl Pediatr Adolesc Health Care. 2018;48(10):234- 49. http://dx.doi.org/10.1016/j.cppeds.2018.08.014. PMid:30337149.

Zablotsky B, Black LI, Maenner MJ, Schieve LA, Blumberg SJ. Estimated prevalence of autism and other developmental disabilities following questionnaire changes in the 2014 National Health Interview Survey. Natl Health Stat Rep. 2015;87(87):1-21. PMid:26632847.

Zablotsky B, Black LI, Blumberg SJ. Estimated prevalence of children with diagnosed developmental disabilities in the United States, 2014- 2016. NCHS Data Brief. 2017;291(291):1-8. http://dx.doi.org/10.1002/aur.1873. PMid:29235982.

Zanon RB, Backes B, Bosa CA. Diagnóstico do autismo: relação entre fatores contextuais, familiares e da criança. Psicol Teor Prat. 2017;19(1):152-63. http://dx.doi.org/10.5935/1980-6906/psicologia.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1984
ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO NAS ATIPIAS DA LÍNGUA DE SINAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Relato de experiência
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: Língua de sinais atípica ocorre como uma disfunção de ordem linguística, tanto na compreensão quanto na expressão da linguagem, que podem afetar um ou vários níveis do processamento de linguagem da pessoa Surda (Barbosa, 2016). A aquisição da língua ocorre de forma saudável quando o contato frequente com alguém fluente na língua acontece em período adequado, porém, de acordo com Woll (1998) e Quadros (1997), 95% das crianças surdas nascem em lares ouvintes e isto pode representar grande dificuldade para que a aquisição de linguagem aconteça da forma esperada. Além de situações que podem afetar a saúde (desenvolvimentais ou adquiridas), desencadeando quadros em que os distúrbios de linguagem se manifestam, as atipias podem ser reforçadas devido ao despreparo, desconhecimento ou preconceito relacionado à língua de sinais, tanto pela família quanto pela escola e profissionais da saúde. A problemática envolvendo a falta de base linguística reflete também no processo de escolarização dos Surdos. Moura (2016) chama a atenção para a necessidade de uma política linguística que possa garantir o contato com a língua de sinais, para Surdos e suas famílias, o mais precocemente possível - o que poderia contribuir para o desenvolvimento adequado da linguagem evitando, inclusive, alguns quadros atípicos observados, bem como favorecer a aprendizagem do Português futuramente. Objetivo: contribuir com a comunidade científica, em especial no campo da Fonoaudiologia, com um relato de experiência inédito no atendimento das atipias da língua de sinais para pacientes surdos atendidos, exclusivamente em Libras, realizado em 2019, no Laboratório de Estudos Fonoaudiológicos em Atipias da Língua de Sinais - LEFALS, vinculado ao Estágio Supervisionado em Fonoaudiologia II, do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Método: Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, do tipo relato de experiência, realizado por meio de análise documental. O presente relato também cumpre um papel histórico ao descrever os primórdios da proposta de intervenção fonoaudiológica nas atipias da língua de sinais no âmbito da graduação em Fonoaudiologia, registrando o trabalho desenvolvido por seus idealizadores ao longo de mais de uma década. Resultados: O relato permitiu traçar o histórico do estágio, descrever a estrutura e funcionamento do serviço e apresentar os documentos e protocolos utilizados, inclusive, registrando a anamnese criada (em fase de preparação para publicação), especificamente, para a população Surda. Foi possível observar a importância deste serviço, único em âmbito institucional, para a saúde da comunicação da população Surda. Conclusão: O Fonoaudiólogo é o profissional responsável pelo diagnóstico e tratamento das atipias da língua de Sinais e esta experiência na formação é importante para instrumentalizar os futuros fonoaudiólogos que atenderão surdos, cumprindo o que define nosso código de ética e a legislação relacionada aos direitos da pessoa Surda.

Barbosa F. V. A Clínica Fonoaudiológica Bilíngue e a Escola de Surdos na Identificação da Língua de Sinais Atípica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 41, n. 3, p. 731-754, jul./set. 2016.
Quadros R.M. Educação de surdos: a aquisição de linguagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
Moura M. G. Atendimento educacional especializado para alunos surdos: concepções e práticas docentes no município de São Paulo. São Paulo, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1062
ATITUDES, PRÁTICAS E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA POR COVID-19 ENTRE ESTUDANTES DO CURSO DE FONOAUDIOLOGIA
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: No atual contexto pandêmico, foram interrompidas atividades presenciais em diversos setores da sociedade1,2, entre eles o educacional. Em portaria, o Ministério da Educação anuiu a ministração de aulas online por plataformas digitais no intuito de evitar o contato social em massa, prezando pela saúde dos estudantes3. Nas faculdades, os discentes aderiram às medidas, mas se faz necessário saber quais cuidados os mesmos estão tendo de forma individual e como se comportam frente às recomendações dadas por órgãos de saúde.
OBJETIVO: Descrever as principais medidas de enfrentamento da pandemia realizadas por estudantes da área de saúde.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo de caráter descritivo de corte transversal, realizado em uma faculdade particular pernambucana. O estudo recebeu aprovação do comitê de ética em pesquisa com seres humanos (parecer nº 4.076.216). Através de pesquisa remota, 77 estudantes responderam a um questionário eletrônico com perguntas de múltipla escolha, desenvolvido em plataforma digital (Google Formulário). O conteúdo das perguntas incluiu o perfil socioeconômico, a prevalência de estudantes em situação de risco e quais seriam as ações preventivas adotadas pelos alunos para o enfrentamento da COVID-19. O banco de dados da pesquisa foi analisado descritivamente a partir da distribuição percentual das respostas.
RESULTADOS: Dos 77 estudantes entrevistados, a maioria eram do 5º período da graduação, a idade média da amostra foi de 23,4 anos e 15,6% pertencem ao grupo de risco que, segundo o Ministério da Saúde (2020), engloba indivíduos portadores de diabetes, cardiopatias e/ou pneumopatias graves. Estes possuem imunidade baixa, sendo passíveis a contrair o vírus que pode gerar a insuficiência respiratória. Os indivíduos da amostra aceitam o isolamento pois acreditam que a situação é grave, visto que se trata de um novo vírus e toda a população é suscetível à infecção. Cerca de 78% dos alunos evidenciam medo de contrair o vírus, pois não existe uma vacina contra o COVID-19. Diante disso, percebe-se um aumento de notícias falsas relacionadas ao tema, 73% dos estudantes receberam estas, por isso 81% apuram informações em fontes de dados oficiais. A respeito de medidas de prevenção, observou-se que a maioria tem seguido as diretrizes da Organização Mundial de Saúde e as principais práticas adotadas pelos discentes são o uso do álcool em gel e a lavagem das mãos, medidas consideradas eficazes para prevenção do COVID-19.
CONCLUSÃO: Diante dos resultados, pode-se considerar que apesar das incertezas quanto a duração da pandemia e dos efeitos deletérios do isolamento social à saúde mental, os estudantes têm conseguido manter uma rotina segura de prevenção corroborando ao movimento mundial de enfrentamento com vistas a redução expressiva do quantitativo de casos e óbitos em todo mundo.

1Croda JHR, Garcia, LP. Resposta imediata da Vigilância em Saúde à epidemia da COVID-19. Epidemiol. serv. saúde. 2020 mar; 29(1): e2020002.

2Brasil. Ministério da Saúde. Portaria MS/GM nº 188, de 3 de fevereiro de 2020. Declara Emergência em Saúde Pública de importância Nacional (ESPIN) em decorrência da Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV). Diário Oficial da União, Brasília (DF), 4 fev 2020; Seção Extra:1. Disponível em: http://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-188-de-3-de-fevereiro-de-2020-241408388.

3Brasil. Portaria Nº 343, de 17 de março de 2020. Dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus - COVID-19. D.O.U. Diário Oficial da União. 18 mar 2020; Seção:1.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
392
ATIVIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL COMO INSTRUMENTO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DA GRADUAÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: O Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Aprendizagem Profissional (PRODAP) tem como finalidade inserir o aluno em atividades que proporcionem o desenvolvimento de habilidades que irão auxiliar na formação profissional. Dessa forma, o PRODAP busca criar oportunidades de associar a teoria com a prática, possibilitando ao discente uma aproximação com o mundo real da profissão, bem como o contato com o trabalho interdisciplinar e a promoção de experiências, práticas e saberes. OBJETIVO: Refletir sobre a contribuição das atividades de complementação para o desenvolvimento de formação profissional na formação do aluno. MÉTODO: Trata-se de um relato de experiência de um discente do segundo ano do curso de Fonoaudiologia, bolsista do PRODAP. O plano de trabalho foi voltado para a área hospitalar, com atividades configuradas como estágio extracurricular e carga horária de 20h semanais, sob supervisão de preceptor da área. O período do mesmo foi de junho de 2019 a junho de 2020. O projeto foi composto por outras áreas além da fonoaudiologia, e teve como principal objetivo a inserção no ambiente hospitalar, propiciando aprendizados específicos na área e interdisciplinaridade, bem como educação em saúde. RESULTADOS: Sobre as atividades desenvolvidas, inicialmente priorizou-se a adaptação ao ambiente e às rotinas desenvolvidas, como fluxo pacientes, sistema eletrônico de documentação, referência e contra referência, linhas de cuidados do SUS. Foi o primeiro contato como graduando em uma unidade hospitalar terciária. Em um segundo momento as práticas passaram a ser mais voltadas para a área, com acompanhamento dos atendimentos fonoaudiológicos à beira do leito, prática supervisionada com triagens e avaliações, participação nas discussões multidisciplinares, participação nas supervisões curriculares com discentes do último ano além de oportunidade em participar de outros projetos de pesquisa. Foi perceptível o quanto o PRODAP contribuiu para o desenvolvimento intelectual, crítico/reflexivo e científico. A participação nas diversas atividades hospitalares possibilitou adquirir novos conhecimentos, além de aplicar técnicas e procedimentos (no ambiente hospitalar) difíceis de serem realizados na universidade devido a quantidade massiva de conteúdos e uma grade curricular apertada. Outrossim, poder trabalhar lado a lado com a equipe multidisciplinar, otimizando o processo saúde-doença do paciente trouxe para a prática, conteúdos que até o momento só havia sido visto na teoria. O projeto permitiu também ampliar habilidades comunicativas através das discussões com profissionais e discentes de anos posteriores, antecipar a busca de conteúdos que ainda serão dados na grade curricular, despertando maior interesse e aprofundamento em alguns temas. Dentre outros benefícios, acentua-se o desenvolvimento da maturidade emocional frente ao contato com a morte e com o sofrimento do paciente e dos seus familiares. CONCLUSÃO: A participação no programa de atividades de complementação de formação profissional foi bastante relevante, porque possibilitou o surgimento de novos saberes, favorecendo a troca de experiências e aprendizagem na prática. Além disso, a vivência estimulou a proatividade, autonomia e responsabilidade do aspirante a fonoaudiólogo. As habilidades adquiridas contribuirão no desempenho de futuras atividades curriculares e serão oportunas para o mercado de trabalho.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1247
ATIVIDADE DOCENTE REMOTA EM TEMPOS DE PANDEMIA POR COVID19: DISCUTINDO O TREINAMENTO AUDITIVO COMPUTADORIZADO
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: O Treinamento Auditivo (TA) é essencial em indivíduos com condições, como deficiência auditiva: usuários de AASI (Aparelho de Amplificação Sonora Individual) [1,2,3], Implante Coclear[4,5], Sistema Baha e com o Transtorno do Processamento Auditivo – TPAC[6,7]. Os princípios do Treinamento Auditivo (TA) baseiam-se na Neurociência Cognitiva e na plasticidade do Sistema Nervoso Central (SNC) e apresentam como objetivo desenvolver as habilidades auditivas[8,9]. Com o advento da Tecnologia, várias áreas foram influenciadas, ocorrendo uma mudança em seus paradigmas e práticas. Atualmente existem recursos tecnológicos à disposição do Fonoaudiólogo nas mais distintas áreas. No Treinamento Auditivo, tanto formal, quanto informal, cada vez mais tem sido empregada a utilização de Programas Computadorizados. Objetivo: Discutir as repercussões de um curso livre em Treinamento Auditivo Computadorizado (TAC), realizado junto à discentes em Fonoaudiologia, a partir do sexto período de uma universidade federal. Método: O curso livre intitulado “A utilização de programas computadorizados no treinamento auditivo”, integrou o calendário suplementar, do período 2020.3, instituído por uma universidade pública, em virtude da Pandemia por Covid19. A atividade foi realizada em 10 semanas, perfazendo uma carga horária semanal de 3h e total de 30h, sendo composto por atividades síncronas e assíncronas. Inicialmente foram selecionados vinte artigos, através das bases de dados Google Acadêmico, Scielo, Bireme, Medline, Lilacs e Periódicos CAPES. As publicações foram subdivididas em: revisão integrativa acerca da temática proposta, TAC junto à crianças, adolescentes, adultos e idosos, com distintos quadros como deficiência auditiva: utilizando AASI e/ou Implante Coclear e TPAC. Em seguida, foi estabelecido o Plano de Aula. A atividade era realizada nas segundas-feiras. Previamente os alunos recebiam materiais assíncronos expostos na Plataforma Google Classroom (artigos científicos e materiais audiovisuais). Os vídeos disponibilizados aos discentes, abarcavam discussões para embasamento teórico do curso e tutoriais de utilização dos programas computadorizados. A atividade síncrona era realizada de forma expositiva e dialogada, por meio da plataforma Google Meet e os discentes apresentavam um espaço compartilhado com a docente para esclarecimento de dúvidas, bem como sugestões e discussões acerca da temática. Foram abordados 24 programas em versões Web (04), Desktop (14) e Android (06). Resultados: Participaram do curso, inicialmente 19 alunos, 03 destes não deram continuidade e por fim 16 permaneceram até o encerramento. O curso possibilitou a discussão de conteúdos não apenas teóricos, mas práticos, visto que os discentes obtiveram tutoriais de funcionamento dos Softwares, relacionando com a prática clínica. Conclusão: Constatou-se que foi viabilizado o conhecimento de recursos para aplicabilidade, tanto no Estágio Supervisionado em Audiologia Educacional, quanto na atuação profissional de futuros fonoaudiólogos. Os discentes concluintes do curso, em unanimidade, demonstraram interesse pelos programas abordados e suas possibilidades para estimulação e aperfeiçoamento de habilidades auditivas, bem como mencionaram a intenção de empregar recursos enfatizados para a construção de planejamentos terapêuticos e intervenções no Treinamento Auditivo.

1- Beier LO, Pedroso F, Costa-Ferreira M.I.D. Benefícios do treinamento auditivo em usuários de aparelho de amplificação sonora individual - revisão sistemática. Rev. CEFAC [Internet]. 2015; 17(4): 1327-1332.

2- Teixeira TS, Costa-Ferreira MID. Treinamento auditivo computadorizado em idosos protetizados pelo Sistema Único de Saúde. Audiol., Commun. Res. [Internet]. 2018; 23: e1786.

3- Sales CB, Resende LM, Amaral CFS. Reabilitação auditiva em adultos: resultados de um programa de treinamento. Rev. CEFAC [Internet]. 2019; 21(5): e10318.

4- Scaranello, CA. Reabilitação auditiva pós implante coclear. Medicina (Ribeirao Preto Online) [Internet]. 2005. 8 (3/4):273-278.

5- Roman S, Rochette F, Triglia JM, Schön D, Bigand E. Auditory training improves auditory performance in cochlear implanted children. Hear Res. 2016; 337:89-95.


6- Kozlowski L, Wiemes GMR., Magni C, Silva ALG. A efetividade do treinamento auditivo na desordem do processamento auditivo central: estudo de caso. Rev. Bras. Otorrinolaringol. [Internet]. 2004; 70 (3): 427-432.


7- Samelli AG, Mecca FFDN. Treinamento auditivo para transtorno do processamento auditivo: uma proposta de intervenção terapêutica. Rev. CEFAC [Internet]. 2010;12(2): 235-241.

8- Gazzaniga S, Ivry RB, Mangun GR. Neurociência cognitiva: a biologia da mente. 2ª ed. Porto Alegre: ArtMed; 2006.

9- Silva TR, Dias FAM. Efetividade do treinamento auditivo na plasticidade do sistema auditivo central: relato de caso. Rev. CEFAC [Internet]. 2014; 16 (4): 1361-1369.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
409
ATIVIDADES DIGITAIS PARA O ENSINO DA VOZ EM FONOAUDIOLOGIA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: No âmbito da saúde, os avanços científicos e tecnológicos ampliam o cenário e agregam o uso das tecnologias à prática clínica e ao ensino(1-2). Na perspectiva educacional, destacam-se os ambientes virtuais de ensino-aprendizagem que tem como objetivo promover conhecimento e complementar o aprendizado dos universitários em saúde(3). Neste estudo, duas atividades digitais de uma plataforma e-learning e e-heath para a área da voz de uma universidade brasileira foram testadas. Objetivo: descrever a satisfação com a usabilidade e a aceitabilidade de atividades digitais para o ensino da voz em Fonoaudiologia. Método: estudo descritivo, no qual participaram 122 graduandos, do 4º ao 10º período de um curso de Fonoaudiologia, maiores de 18 anos, de ambos os sexos, convidados a utilizar duas atividades digitais de ensino em voz. Após a utilização das atividades, os graduandos responderam a um questionário on-line em formato Google Docs dividido em informações pessoais, sexo, idade, período na graduação, questionário de usabilidade System Usability Scale (SUS) e avaliação da aceitabilidade das atividades. Os dados descritivos foram analisados por meio da distribuição de frequência das variáveis categóricas e análise das medidas de tendência central e de dispersão das variáveis. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição de origem, parecer nº 1.939.737. Os graduandos em Fonoaudiologia concordaram em participar da pesquisa assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados: a média de idade dos participantes foi de 23,26 anos e a média da pontuação do SUS foi de 86,35. Houve predomínio do sexo feminino (82%) entre as respostas. A maior parte dos participantes concordou totalmente que utilizaria o produto apresentado com frequência (41,8%) e a maioria concordou totalmente que era de fácil utilização (62,3%), com a funcionalidade bem integrada (52,5%), tiveram rapidez para aprender a jogar (66,4%) e confiança para usar o material (58,3%). A maioria discordou totalmente que o produto apresentado fosse complexo, que precisasse de algum técnico para utilizá-lo, que tivesse inconsistências, fosse complicado de usar ou precisassem aprender muito para utilizá-lo (63,1%, 81,1%, 68%, 76,2% e 72%, respectivamente) e a maioria avaliou o produto como tendo boa usabilidade (88,5%). Para uma das atividades digitais avaliadas, verificou-se que a maioria concorda que o layout da atividade foi interessante (88,6%), contribuiu para o aprendizado em voz (95,1%), gostou de utilizar (97,5%) e achou as instruções claras e de fácil entendimento (97,5%). A maioria também concorda com esses quesitos para a outra atividade (55,7%, 82,8%, 76,2%, 86,9% respectivamente). A maioria dos participantes concordou que a qualidade das imagens apresentadas é boa, que há revisão de conteúdo e também aquisição de informações importantes com o uso do material (90,2%, 96,7% e 95,1% respectivamente). Conclusão: As duas atividades digitais apresentam boas características de usabilidade e aceitabilidade pela avaliação de graduandos de Fonoaudiologia. As atividades digitais para o ensino da voz são ferramentas que motivam e reforçam o aprendizado dos alunos de Fonoaudiologia no ensino superior.

1- Oliveira RJF, Silva AXG, Brigido ARD, Mafaldo RS, Paula VT, Diniz Júnior J, Diniz RVZ. Ferramentas de e-learning para melhoria do aprendizado em medicina. Rev RBits. 2013, 3(3).
2- Santos MJ, Jurberg. Aspectos da educação a distância em saúde no brasil: uma análise das publicações (2007 a 2014). Rev Ciências & Ideias. 2017,8(2): 205-16.
3- Teixeira LC, Aragão NA, Carvalho CA, Emiliano GF, Rausse NCB, Lopes TFR. Tecnologias e_learning e m_health na extensão universitária para a área da voz. In: anais do X Congresso Internacional de Fonoaudiologia; 09-12 out 2019; Belo Horizonte(MG): UFMG;2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
854
ATIVIDADES TEATRAIS COMO PROPULSORAS DO DESENVOLVIMENTO PRAGMÁTICO DA LINGUAGEM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


RESUMO

Considerando atividades teatrais ricas em estímulos sociais, afetivos, sensoriais e cognitivos, em contrapartida à escassez na literatura vigente da sua influência no desenvolvimento linguístico, a presente pesquisa objetivou investigar as contribuições do teatro no desenvolvimento pragmático da linguagem. A população do estudo, aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa (nº 88964318.9.0000.0121), foi composta por dez escolares, com idades entre cinco e sete anos, matriculados em uma instituição de ensino privada, dispostos em grupo pesquisa (GP) e grupo comparativo (GC), ambos constituídos por cinco sujeitos. A pesquisa deu-se em três fases: avaliação, intervenção e reavaliação, respectivamente. Na primeira fase, início do ano letivo, ambos os grupos foram submetidos à avaliação pragmática por meio do Teste de Linguagem Infantil (ABFW) - parte D. A fase de intervenção, período no qual o GP participou das aulas de teatro, deu-se durante o transcorrer do mesmo ano. Ao final do período letivo, na terceira fase da pesquisa, ambos os grupos foram reavaliados seguindo o mesmo rigor metodológico utilizado na primeira etapa. Após as etapas supracitadas, fez-se a análise descritiva dos dados por meio da obtenção da média e desvio padrão das variáveis categóricas. Para análise estatística, fez-se uso do Software ESTATÍSTICA 7, teste de Kruskal-Wallis, a fim de investigar o desempenho intergrupo, comparando os resultados do GP com o GC, e intragrupo, ao analisar os resultados obtidos em cada grupo, comparando-o com o desempenho das crianças do mesmo grupo, nos períodos pré e pós-intervenção. Verificou-se, então, que o GP exibiu melhor desempenho na competência linguística estudada no período pós-intervenção, quando comparado ao GC. A análise apresentou relevância estatística para as seguintes variáveis: Atos Comunicativos na análise intragrupo do GP, o qual apresentou aumento dos atos comunicativos, não ocorrendo o mesmo no GC; Meios Comunicativos na análise intergrupo e intragrupo do GP. O GP diminuiu o uso do meio comunicativo verbal e aumentou o uso dos meios verbal e gestual associados, ao passo que o mesmo comportamento não ocorreu no GC; Função Comunicativa Narrativa, nas análises inter e intragrupo do GP. O GP apresentou aumento da função comunicativa, o mesmo não foi identificado no GC. Diante dos resultados observados, concluiu-se que o teatro é um potencial estimulador das habilidades pragmáticas e da linguagem infantil.

DESCRITORES: Fonoaudiologia. Linguagem. Teatro. Desenvolvimento da linguagem. Pragmática.

1. Puglisi ML, Befi-Lopes DM. Impact of specific language impairment and type of school on different language subsystems. Rev CoDAS. 2016; 28(4):388-394. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20162015242.
2. Fattore IM, Uhde RM, Oliveira LD, Roth AM, Souza APR. Comparative analysis of initial vocalizations of preterm and full-term infants with and without risk for development. Ver CoDAS. 2017; 29(4):e20160075. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20172016075.
3. Alves JMM, Carvalho AJA, Pereira SCG, Escarce AG, Goulart LMHF, Lemos SMA. Association between language development and school environment in children of early childhood education. Distúrbios da Comunicação. 2017; 29(2): 342-353. https://doi.org/10.23925/2176-2724.2017v29i2p342-353
4. Panes ACS, Corrêa CC, Weber AT, Maximino LP. Risk factors for language development: attitudes of health and education professionals. J Health NPEPS.2018; 3(1):185-197. http://dx.doi.org/10.30681/252610102738.
5. Dias NM, Bueno JOS, Pontes JM, Mecca TP. Oral and written language in Infant Education: relation with environmental Variables. Psicologia Escolar e Educacional.2019;v.23:e178467.http://dx.doi.org/10.1590/217535392019018467.
6. Carvalo AJA, Lemos SMA, Goulart LMHF. Language development and its relation to social behavior and family and school environments: a systematic review. Rev CoDAS 2016; 28(4):470-479. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20162015193.
7. Stuchi RF, Nascimento LT, Bevilacqua MC, Neto RVB. Oral language in children with a five years of use coclhear implant. Rev Pró Fono. 2007; 19 (2): 167-176. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-56872007000200005.
8. Duarte CP, Veloso RL. Linguagem e comunicação de pessoas com deficiência intelectual e suas contribuições para a construção da autonomia. Rev Inclusão Social. 2017; 10 (2): 88-96.
9. Balestro JI, Fernandes FDM. Caregivers’ perception of children with Autism Spectrum Disorder regarding to the communicative profile of their children after a communicative orientation program. CoDAS 2019;31(1):e20170222. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20182018222.
10. Wiethan FM, Mota HB, Moraes AB. Correlations between vocabulary and phonological acquisition: number of words. Rev CoDAS. 2015; 379–387. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20162015108.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
565
ATRASO MOTOR DE FALA NÃO ESPECIFICADO: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A aquisição da fala ocorre tipicamente, de acordo com a comunidade onde a criança está inserida, bem como seus pares de mesma idade e sexo. Para que a fala aconteça de maneira adequada, é necessária a integridade cognitiva, condições estruturais, organização fonológica, planejamento e programação de fala suficientes.

Até a década de 90 pensava-se que esses transtornos podiam ter duas amplas classificações – sendo transtornos de ordem articulatória ou fonológica.

Mais recentemente, com a publicação de estudos que enfatizam uma abordagem clínica, passou-se a falar em transtornos além dos já referidos. Shriberg et al. (2017) propôs uma atualização do modelo de classificação, e sugeriu em sua pesquisa as desordens motoras da fala, que se subdivide em três níveis, em ordem crescente de gravidade: desordem motora não especificada, disartria e apraxia de fala infantil. Antes disso, o modelo clínico de classificação dividia essas desordens em apenas dois subgrupos: disartria e apraxia de fala, estando as desordens menos severas atreladas a estes dois termos. A partir deste modelo, realizou um estudo de marcadores conclusivos para auxiliar no diagnóstico da apraxia. Uma vez que, crianças com significativo atraso do desenvolvimento da fala vêm sendo diagnosticadas erroneamente, ocorrendo uma super generalização do diagnóstico de apraxia de fala infantil (AFI).

Objetivo: realizar uma revisão bibliográfica sobre o atraso motor de fala não especificado, como ele é avaliado e ainda como se se diferencia de outras desordens motoras da fala.

Estratégia de pesquisa: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Realizou-se a busca nas bases SciELO, PubMed, Medine e Scopus no período de novembro de 2019. Para as quatro bases foram utilizados os seguintes construtos e descritores: “motor speech disorders” OR “childhood apraxia of speech” OR “childhood apraxia of speech cas” OR “developmental dyspraxia” OR “speech sound disorder” AND “speech motor control”, além da utilização de dois filtros: sujeitos até 18 anos e humanos.

Critérios de seleção: artigos publicados em português, inglês ou espanhol foram incluídos, sendo ou não de periódicos de acesso livre. Foram excluídos artigos que não estavam relacionados ao atraso motor de fala não especificado e estudos de revisão de literatura.

Resultados: Foram encontrados 56 artigos nas bases de dados, sendo 33 da base Scopus, 19 da PubMed, 3 da SciElo e 1 da Medline. Após análise e seleção pelos critérios de inclusão, foram selecionados 14 estudos. Posteriormente a leitura integral dos artigos, 8 estudos foram excluídos, pois não respondiam as perguntas norteadoras da pesquisa.

Conclusão: O termo atraso motor de fala não especificado (DSM-NOS) vem sendo estudado desde 2017 para designar crianças com atraso significativo na fala, que não se encaixam nas características de AFI ou disartria. Dessa forma, ocorria uma supergeneralização nos diagnósticos de AFI, enquanto que muitas crianças apresentam evolução terapêutica desproporcional ao quadro grave de AFI.

Fox, A., & Dodd, B. (2001). Phonologically disordered German-speaking children. American Journal of Speech Language Pathology, 10(3), 291-307.

Crosbie, S., Holm, A., & Dood, B. (2005). Intervention for children with severe speech disorder: A comparison of two approaches. International Journal of Language & Comunication Disordes, 40(4), 467-491.

Shriberg, L. D., Strand, E. A., Fourakis, M., Jakielski, K. J., Hall, S. D., Karlsson, H. B., Mabie, H. L., McSweeny, J. L., Tilkens, C. M., & Wilson, D. L. (2017). A diagnostic marker to discriminate childhood apraxia of speech from speech delay: III. Theoretical coherence of the pause marker with speech processing deficits in childhood apraxia of speech. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 60(4), S1135-S1152.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2104
ATUAÇÃO CONJUNTA DA FONOAUDIOLOGIA E ODONTOLOGIA: O PAPEL DA INTERDISCIPLINARIDADE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: Os saberes da Odontologia e da Fonoaudiologia complementam-se, sendo a interdisciplinaridade fundamental para a prática profissional de ambos os serviços. O Sistema Estomatognático (SE) é uma área comum de trabalho, sendo necessário limitar o que cabe a cada profissional. No entanto, muitos profissionais de ambos os cursos desconhecem as áreas em que pode existir a atuação conjunta e, principalmente, os benefícios que esta ação pode trazer ao tratamento e ao paciente. OBJETIVO: O objetivo desta revisão de literatura é descrever as áreas de interação desses cursos e os seus respectivos tratamentos. MÉTODO: Revisão crítica da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO, LILACS e Google Acadêmico. A busca e seleção dos artigos ocorreu nos meses de junho e agosto de 2019, utilizando a combinação dos descritores: Odontologia; Fonoaudiologia; Práticas Interdisciplinares; Pesquisa Interdisciplinar. Os critérios de inclusão contemplaram os artigos científicos nos idiomas português, inglês e espanhol e sem período de tempo definido. RESULTADOS: Foram encontradas sete áreas onde a atuação conjunta se mostra de grande importância. Dor orofacial (Disfunções Temporomandibulares): A Fonoaudiologia atua na orientação ao paciente, realiza a termoterapia, massagem e relaxamento dos músculos da mastigação e musculatura cervical, terapia miofuncional orofacial e bandagem. Em conjunto, a Odontologia irá confeccionar as placas oclusais, trabalhara com o agulhamento seco ou úmido, infiltrações articulares, entre outros. Ortodontia: A atuação conjunta dos profissionais busca o equilíbrio miofuncional através da prevenção e habilitação das funções estomatognáticas e busca evitar recidivas oclusais após a retirada do aparelho ortodôntico. Cirurgias Ortognáticas: A avaliação fonoaudiológica acontece no pré e pós-operatório para identificação das alterações miofasciais, orientação quanto à alimentação, relaxamento da musculatura e postura de lábios e língua. Enquanto o cirurgião dentista atua na cirurgia ortognática em si. Odontopediatria (Amamentação): O trabalho fonoaudiológico visa o contato mãe-bebê, vedamento labial e coordenação entre sucção/respiração/deglutição. O dentista orientará sobre a importância da amamentação e da remoção de hábitos deletérios. Tratamentos de Cânceres e Tumores de Cabeça e Pescoço: O trabalho multidisciplinar abrange a adaptação do meio oral, medidas de higiene oral e orienta o paciente sobre as possíveis complicações. No pós-cirúrgico o fonoaudiólogo visa a recuperação das funções estomatognáticas. Apneia Obstrutiva do Sono e Ronco primário: A atuação da Odontologia e Fonoaudiologia beneficiará o paciente com o aumento do fluxo aéreo provocado pelo avanço mandibular, acompanhado da tonificação da massa lingual, além do fortalecimento dos músculos faríngeos. Fissuras labiais, nasopalatinas e palatina: O dentista visa um programa permanente de saúde bucal, com prevenção e reabilitação bucal. O fonoaudiólogo busca o correto funcionamento do esfíncter velofaríngeo, ressonância e articulação. Próteses (bucomaxilofaciais, dentais e de obturação das fissuras): A Odontologia Protética analisa o estado de saúde bucal e atende a queixa. A avaliação fonoaudiológica determina se os fatores que dificultam a adaptação estão relacionados à prótese ou aos distúrbios miofuncionais. CONCLUSÃO: É possível inferir que ao esclarecer o papel de cada profissional no tratamento do paciente em diferentes áreas o resultado de uma terapia será mais bem-sucedida e melhor realizada.

SILVA, Hilton Justino da et al. Tratado de Motricidade Orofacial. São José dos Campos: Pulso, 2019. 840 p.

MOTTA, Andréa Rodrigues et al. Motricidade Orofacial: A Atuação nos Diferentes Níveis de Atenção à Saúde. São José dos Campos: Pulso, 2017.

SHELLENBERGER, Thomas D.; WEBER, Randal S.. Multidisciplinary Team Planning for Patients with Head and Neck Cancer. Oral And Maxillofacial Surgery Clinics Of North America, [s.l.], v. 30, n. 4, p.435-444, nov. 2018. Elsevier BV.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1033
ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA HOSPITALAR QUANTO A VIA ALTERNATIVA DE ALIMENTAÇÃO EM IDOSOS: OPINIÃO MÉDICA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: Atualmente a atuação da fonoaudiologia hospitalar destaca-se nas unidades de terapia intensiva e nas enfermarias, quanto ao trabalho de identificação e reabilitação precoce dos distúrbios de deglutição1 e/ou de linguagem2. No entanto, o reconhecimento dessa atividade profissional ainda é negligenciada por alguns profissionais. A via alternativa de alimentação (VAA), trata-se de uma abordagem terapêutica multiprofissional3, no entanto, é responsabilidade do fonoaudiólogo alertar a equipe quanto aos distúrbios de deglutição ou ao retorno seguro para via oral4. Um dos principais públicos usuários dessa VAA são os idosos, seja pelo rebaixamento do nível de consciência5, alterações neurológicas6 e/ou respiratórias7, ou pelas alterações decorrentes do envelhecimento como desnutrição, sarcopenia e fragilidade8. Logo, é de suma importância, entender como os médicos, que são os profissionais responsáveis pelo paciente, compreendem a importância da atuação fonoaudiológica para a indicação e a retirada da via alternativa de alimentação em idosos. Objetivo: Compreender a visão médica sobre a atuação fonoaudiológica para indicação e retirada da via alternativa de alimentação em idosos. Métodos: Estudo transversal e analítico, aprovado pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos de um hospital público sob número do CAEE 90792828.5.0000.5201. A pesquisa foi realizada com a equipe médica de um hospital público através da aplicação de um questionário fechado elaborado pelas autoras. A análise de dados foi utilizada no software STATA/SE 12.0 e no Excel 2010. Os testes foram aplicados com 95% de confiança. Os resultados das variáveis categóricas foram apresentados em forma de tabelas com suas respectivas frequências absolutas e relativas. Resultados: A solicitação médica para avaliação fonoaudiológica visando indicação de VAA é frequente, segundo os participantes. Os critérios médicos relevantes para solicitar o acompanhamento fonoaudiólogico foram: avaliação do desmame da VAA, presença de queixas disfágicas e presença de risco de broncoaspiração. As atitudes médicas, como a leituras dos prontuários e discussão com o fonoaudiólogo, foram informadas como constantes (59,3%) e eventuais (40,7%), respectivamente. Sobre a análise médica quanto a importância da fonoaudiologia para a retirada da VAA, foram atribuídos como extremamente importante (71,2%), muito importante (23,7 %) e moderadamente importante (5,1%). Conclusão: Na visão médica, observa-se que a conduta fonoaudiológica é importante na condução dos casos disfágicos, principalmente no que se refere a indicação e retirada da VAA em idosos.

1 Coelho BRPIB, Coelho LPI, Sousa EZT, Costa AVSM, Souza ATS, Mendes CF. Analysis of the speech therapy needs in a referral hospital in cardiopneumology. SANARE, Sobral. 2019 jan/jun; 18(1):12-21.
2 Breitenstein C, Grewe T, Flöel A, et al. Intensive speech and language therapy in patients with chronic aphasia after stroke: a randomised, open-label, blinded-endpoint, controlled trial in a health-care setting . Lancet. 2017;389(10078):1528-1538.

3 Shin BC, Chun IA, Ryu SY, Oh JE, Choi PK, Kang HG. Association between indication for therapy by nutrition support team and nutritional status. Medicine (Baltimore). 2018;97(52):e13932. doi:10.1097/MD.0000000000013932
4Conselho Federal de Fonoaudiologia. RESOLUÇÃO CFFa nº 492, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre a regulamentação da atuação do profissional fonoaudiólogo em disfagia e dá outras providências. 7 apr 2016.
5 Volkert D, Beck AM, Cederholm T, et al. ESPEN guideline on clinical nutrition and hydration in geriatrics. Clin Nutr. 2019;38(1):10-47. doi:10.1016/j.clnu.2018.05.024
6 Crenitte MRF, Avelino-Silva TJ, Apolinario D, Curiati JAE, Campora F, Jacob-Filho W. Predictors of Enteral Tube Feeding in Hospitalized Older Adults. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2017;41(8):1423-1425. doi:10.1177/0148607116683142
7 Zhu, Y., Yin, H., Zhang, R., Ye, X., & Wei, J. Gastric versus postpyloric enteral nutrition in elderly patients (age ≥ 75 years) on mechanical ventilation: a single-center randomized trial. Critic care. 2018; 22(1): 170. https://doi.org/10.1186/s13054-018-2092-z
8 Mundi MS, Patel J, McClave SA, Hurt RT. Perspectiva atual da alimentação por sonda em idosos: da identificação da desnutrição ao fornecimento de nutrição enteral. Clin Interv Aging. 1 de agosto de 2018; 13: 1353-1364.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
2138
ATUAÇÃO DA LINGUAGEM HOSPITALAR BEIRA LEITO: VIVÊNCIA PRÁTICA
Práticas fonoaudiológicas
Linguagem (LGG)


O período de hospitalização pode gerar declínios funcionais cognitivos por diversos fatores, sejam pelos efeitos medicamentosos, complicações cirúrgicas, delirium e/ou alguma síndrome demencial já diagnosticada, como até mesmo pelo sentimento depressivo da internação e preocupação do seu quadro clinico, que consequentemente impactam em maiores custos, longas permanências e na qualidade de vida do paciente. É comum os pacientes hospitalizados apresentarem, também, alterações comunicativas devido à um AVC, ou TCE, ou ressecção de tumor cerebral, ou ainda, encontrarem-se em vulnerabilidade comunicativa por longos períodos de intubação ou em uso de traqueotomia. Estudos já comprovam 90% dos pacientes com distúrbios da deglutição apresentam associado distúrbios da comunicação. OBJETIVO: Evidenciar o crescimento do atendimento na área da linguagem hospitalar e elencar as hipóteses diagnósticas funcionais, a partir da construção do processo assistencial multiprofissional com foco no atendimento da comunicação MÉTODO: Através da utilização das ferramentas Brainstorm e ficha de verificação, realizado a construção do processo assistencial multidisciplinar para identificação das alterações cognitivas linguísticas e encaminhamento para o programa terapêutico fonoaudiológico. Desenvolvido um fluxograma e estabelecida as seguintes etapas. Etapa 1 – Estabelecimento para melhor Identificação dos pacientes pela equipe multiprofissional incluindo critérios; Etapa 2 – Elaboração do protocolo de triagem fonoaudiológica especifica da área da linguagem; Etapa 3- Estruturação do Fluxo de identificação para pacientes internados que apresentem risco; Etapa 4- Discussão da nova rotina de assistência com equipe de enfermagem inseridas nos protocolos clínicos (Idoso, AVC e Delirium); Etapa 5 - Treinamento do protocolo e Apresentação para a equipe assistencial; Etapa 6 - Busca ativa e gerenciamento do protocolo pela equipe de Fonoaudiologia e Etapa 7 - Contato e discussão com equipe médica para possibilidade de encaminhamento para avaliação fonoaudiológica e acompanhamento do caso (Avaliação e Programa terapêutico – com base no grau de severidade de alteração funcional). RESULTADOS: Pré construção dos processos assistências, a média de encaminhamento mês era de 26%. Iniciado protocolo clínico em agosto de 2019. Observado no período após inserção das novas rotinas assistenciais (agosto de 2019 a maio de 2020), a realização de 592 triagens de linguagem, destes, 82% de média de paciente encaminhados e avaliados bem como inseridos em programas terapêuticos. Em relação a Hipótese diagnóstica funcional, foram encontrados em maior número o Comprometimento Cognitivo Linguístico (51%); Disartria (19%) e Afasia (15%). CONCLUSÃO: Vemos o quanto eficaz e essencial a construção de ferramentas que favoreçam a ampliação da assistência fonoaudiológicas nas alterações da comunicação e cognitivas, proporcionando maiores e melhores condições no cuidado ao paciente, contribuindo para melhor adesão tratamento e minimizando o tempo de internação hospitalar.
PALAVRAS CHAVES: Estudos de Linguagem; Serviços Técnicos Hospitalares; Protocolos clínicos.

BILHERI, D. F. D.; DAMES, J. S.; FACIN, J.; PEREIRA, T. S.; ALMEIDA, S. T. Atuação fonoaudiológica nos distúrbios de linguagem com
pacientes à beira do leito: construção de conhecimentos a partir da
vivência prática. XII Salão de Iniciação Científica – PUCRS, 03 a 07 de outubro de 2011.
Andrade JS, Souza WWOJ, Paranhos LR, Domenis DR, César CPHAR. [Effects of Speech Therapy in Hospitalized Patients with Post-Stroke Dysphagia: A Systematic Review of Observational Studies]. Acta Med Port. 2017 Dec 29;30:870-881.
Fogg C, Griffiths P, Meredith P, Bridges J. Hospital outcomes of older people with cognitive impairment: An integrative review. Int J Geriatr Psychiatry. 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1727
ATUAÇÃO DO FONOAUDIÓLOGO NA ATENÇÃO BÁSICA: ESPECIFICIDADES DA SAÚDE DO TRABALHADOR EM FOCO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: Com o intuito de apoiar as ações desenvolvidas pela Atenção Básica (AB) na rede de serviços de saúde, foi criado, em 2008, o Núcleo de Apoio a Saúde Família (NASF)¹. Dentre os profissionais que podem compor a equipe desse Núcleo estão os fonoaudiólogos. Responsável pela promoção, prevenção e reabilitação relacionadas à comunicação e funções estomatognáticas, compartilham com os demais integrantes as responsabilidades de promover saúde, prevenir agravos, diagnosticar alterações, realizar definição de condutas terapêuticas e promover recuperação e reabilitação ao maior número possível de situações que sejam da abrangência da AB²,³. OBJETIVO: Descrever as ações realizadas pelos fonoaudiólogos dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF-AB), correlacionando-as com a saúde do trabalhador. MÉTODOS: Estudo do tipo exploratório-descritivo com abordagem qualitativa realizado nos Núcleos Ampliados de Saúde da Família do município de João Pessoa- PB durante o ano de 2019. A amostra foram 13 fonoaudiólogos que responderam a um roteiro de entrevista semiestruturado. Para analisar o material empírico empregou-se a Análise de Conteúdo, na modalidade temática de Bardin. O projeto foi aprovado sob o nº de parecer 3.431.914. RESULTADOS: Os sujeitos entrevistados referiram possuir carga horária semanal de quarenta horas e relatam desempenhar atividades no âmbito da promoção à saúde, prevenção de agravos e educação em saúde. Dentre as citadas destaca-se a realização de práticas de acolhimento, avaliação, interconsulta, visitas domiciliares e matriciamento. Ademais, alguns mencionaram exercer atividades gerenciais, nas Unidades de Saúde da Família bem como em Distritos Sanitários. Assim, na perspectiva da saúde do trabalhador e ainda baseando-se nos discursos analisados constatou-se a intensificação do ritmo laboral, longas jornadas de trabalho, repetitividade e monotonia de tarefas, conflitos de papéis e interpessoais, isolamento social e falta de autonomia como questões que comprometem o processo de trabalho realizado pelos fonoaudiólogos. Nesse contexto, as mudanças introduzidas pela nova Política Nacional de Atenção Básica4 preocupam, uma vez que impactam e fragilizam o trabalho desenvolvido pela equipe do NASF-AB. Os relatos dos profissionais corroboram a importância da atuação fonoaudiológica no fortalecimento da AB por meio dos NASF’s e na composição da equipe multidisciplinar. No entanto, as condições laborais precisam ser mais bem definidas a fim de não comprometer a saúde, tanto física quanto mental, desses trabalhadores. CONCLUSÃO: Torna-se imperativo ampliar as discussões acerca das condições de trabalho dos fonoaudiólogos atuantes na AB com o escopo de proporcionar melhorias, embora o cenário atual não esteja favorável mediante as modificações do financiamento do SUS.

Souza RPF, Andrade DCD, Silva HJ. Fonoaudiologia: a inserção da área de linguagem no sistema único de saúde (SUS). Rev CEFAC. 2005; 7(4):426-32.
Gonçalves CGO, et al. Demanda pelos serviços de fonoaudiologia no município de Piracicaba: estudo comparativo entre a clínica-escola e o atendimento na Prefeitura Municipal. Sociedade Brasileira Fonoaudiologia. 2000; 12, (2): 61-6.
Soleman C; Martins CL. O trabalho do fonoaudiólogo no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) – especificidades do trabalho em equipe na Atenção Básica. Rev. CEFAC. 2015; 17 (4): 1241-1253, Jul/Ago.

Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 2.979, DE 12 DE NOVEMBRO DE 2019. Institui o Programa Previne Brasil, que estabelece novo modelo de financiamento de custeio da Atenção Primária à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde. Disponível em: http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-2.979-de-12-de-novembro-de-2019-227652180. Acesso em 13 jul. 2020.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1280
ATUAÇÃO DO FONOAUDIÓLOGO NA SAÚDE PÚBLICA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O reconhecimento de que a fonoaudiologia abrange desde a atenção básica até́ a especializada, na média e alta complexidade, tem sido conquistada com a ampliação do seu espaço de atuação adquirindo mais visibilidade nas equipes de saúde e nas diferentes áreas da saúde coletiva. A abrangência do profissional fonoaudiólogo na saúde coletiva é vasta e seu atendimento pode ser dirigido a diferentes e heterogêneos grupos, como gestantes, bebês, se estendendo até idosos. Seu campo de atuação envolve o processo de amamentação, respiração, deglutição, voz, audição e linguagem oral e escrita (1,2,4). Objetivo: Discutir sobre a formação dos fonoaudiólogos e sua atuação no sistema público de saúde, bem como descrever a inserção na atenção básica, especializada e hospitalar. Método: Para o estudo do tema, foi realizado uma revisão de literatura nas bases de dados nacionais sobre a temática apresentada. Foram selecionados e analisados os estudos cujos conteúdos dos resumos relacionavam-se com o objetivo do presente estudo e referenciavam sobre a formação do fonoaudiólogo para atuação no Sistema Único de Saúde - SUS. Resultados: A atuação do fonoaudiólogo na Saúde Pública está crescendo. Alguns autores sugerem a necessidade de realizar um levantamento do que está sendo efetuado em termos de prevenção e tratamento dos distúrbios da comunicação além da necessidade de ações para suprir a alta demanda e adequar os serviços à realidade atual. Para isso, se faz necessário ampliar o número de fonoaudiólogos atuando na Saúde Pública e preparar para esta área de atuação. Nos artigos estudados, observa-se referências aos avanços da assistência fonoaudiológica no SUS, havendo crescimento significativo dos procedimentos registrados e dos profissionais vinculados ao Sistema Único de Saúde entre os anos de 2000 e 2010(3), resultando em um aumento da assistência fonoaudiológica em todos os níveis de atenção à saúde. Entretanto, é necessário destacar que apesar destes avanços, os serviços são distribuídos de forma desproporcional entre as regiões e portes populacionais dos municípios no país. Conclusão: O fonoaudiólogo, enquanto profissional, é um ator indispensável para promover a efetivação de saúde e na construção de políticas públicas em saúde que atendam as reais necessidades da população. Com a inserção do fonoaudiólogo dentro dos serviços de saúde, suas atuações passaram a abranger a promoção, proteção e reabilitação da saúde em diversas áreas relacionadas a comunicação humana, porém ressaltamos a necessidade de maior visibilidade e sugere-se ampliar as reflexões sobre o sistema público de saúde no Brasil juntamente com profissionais fonoaudiólogos que atuam na rede pública de saúde.

1.CFFa.Cartilha de contribuição do sistema federal e regionais de Fonoaudiologia, 2016.

2. KELLY, K. F. et al. A fonoaudiologia na Saúde Pública -Atenção Básica. In: ANAIS, 2017. XV Jornada Científica dos Campos Gerais. Ponta Grossa, 2017.

3. MIRANDA, G.M.D. et al. Assistência fonoaudiológica no sus: a ampliação do acesso e o desafio de superação das desigualdades. Revista CEFAC, v. 17, p. 71-79, Jan-Fev, 2015.

4. MATTA, G.C.; PONTES, A. L. Políticas de Saúde: organização e operacionalização do sistema único de saúde. Rio de Janeiro: EPSJV / Fiocruz, 2007.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
794
ATUAÇÃO DO RESIDENTE EM SAÚDE COLETIVA EM UMA COORDENADORIA DA ATENÇÃO PRIMÁRIA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução

O município do Rio de Janeiro (MRJ) é dividido em dez Áreas Programáticas (AP). Cada AP possui uma Coordenadoria da Atenção Primária (CAP) responsável pela gestão da Atenção Primária à Saúde (APS) naquele território, sendo um espaço importante na construção de ações e programas em saúde e no planejamento da Saúde Pública no MRJ. Devido a estas características, a CAP compõe também um lugar de ensino e aprendizado para residentes em saúde coletiva. A Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva tem objetivo de capacitar profissionais para o trabalho na vigilância em saúde, gestão e planejamento. Na CAP, há possibilidade de inserção nos setores de Vigilância em Saúde, Ações e Programas de Saúde ou no setor de Informação e Avaliação. A gestão do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) é um possível campo prático para residentes na CAP, no qual realiza-se coordenação e apoio das equipes NASF-AB do território.

Objetivos

Relatar a atuação de uma fonoaudióloga residente em saúde coletiva na gestão do NASF-AB de uma Coordenadoria da Atenção Primária (CAP) do município do Rio de Janeiro.

Metodologia

A atuação da residente na CAP ocorreu na Divisão de Ações e Programas em Saúde (DAPS), que ofereceu possibilidade de trabalhar em Linhas de Cuidado (LC) ou Eixos Estratégicos (EE) que gerenciam o cuidado no território da AP. A inserção da residente foi na gestão local do NASF-AB durante seis meses por meio de participação em Supervisões de Território com equipes dos diferentes níveis de complexidade; organização e participação em reuniões de equipe NASF-AB do território; produção e análise de indicadores das equipes NASF-AB articulando avaliação e planejamento em saúde; criação de um mapeamento para ampliação do cuidado de forma intersetorial; e participação em eventos sobre APS. A residente foi acompanhada por uma preceptora, apoiadora do NASF-AB da CAP.

Resultados

A inserção na gestão do NASF-AB em uma CAP possibilitou a experiência com equipes multiprofissionais dos diferentes níveis de complexidade da atenção, permitindo uma visão global da produção e integralidade do cuidado, a partir das discussões de caso e das ações coletivas das equipes. O trabalho no NASF-AB também proporcionou vivências na gestão e planejamento em saúde com a construção e análise de indicadores de avaliação. A experiência em uma CAP localizada em um território socioeconomicamente vulnerável do MRJ ajudou na compreensão da importância de ações interdisciplinares e intersetoriais na atenção à saúde, ampliando a noção de cuidado em saúde no território.

Considerações finais

A atuação na gestão é imprescindível para a formação do sanitarista e a inserção do fonoaudiólogo nesses espaços é um passo importante para uma prática interdisciplinar nas instâncias de gestão em saúde. A presença do fonoaudiólogo na gestão da APS potencializa o trabalho realizado, a partir da sua expertise em audiologia, linguagem, voz, disfagia e demais áreas, que são questões presentes no cotidiano da atenção primária, e estão ligadas às Linhas de Cuidado de saúde da criança, saúde do adolescente, saúde do idoso e doenças crônicas não transmissíveis.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
540
ATUAÇÃO DO RESIDENTE FONOAUDIÓLOGO NO ATENDIMENTO AO PACIENTE COM CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: O câncer de cabeça e pescoço é uma patologia que acomete milhares de brasileiros anualmente, comprometendo sua saúde. O tratamento é múltiplo e pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, podendo ser combinados. As alterações provocadas pelo tumor, assim como pelos tratamentos realizados nesta região, podem provocar alterações na execução de funções básicas como comunicação, respiração e alimentação. Podem alterar a funcionalidade de múltiplas estruturas do sistema estomatognático, impactando negativamente nos aspectos sociais e na qualidade de vida. O fonoaudiólogo ao atender esta população tem por objetivo auxiliar com os sintomas, proporcionar conforto alimentar, otimizar o uso de estruturas, readequar a comunicação e proporcionar melhora da qualidade de vida e reinserção social dessa população. OBJETIVO: O objetivo deste trabalho é relatar a atuação profissional do residente de fonoaudiologia inserido no programa de residência multiprofissional com ênfase em oncohematologia na região sul do Brasil. METODOLOGIA: Trata-se de um relato de experiência. Anualmente são admitidas duas fonoaudiólogas residentes aprovadas em processo seletivo unificado para ingresso na residência multiprofissional e o tempo de duração é de dois anos. A equipe de fonoaudiologia deste hospital é composta por uma fonoaudióloga preceptora e quatro fonoaudiólogas residentes. As residentes fonoaudiólogas do primeiro ano atuam majoritariamente no atendimento ambulatorial e no atendimento à beira do leito na unidade de internação cirúrgica e clínica e acompanham a realização dos exames de nasofibrolaringoscopia realizados pela equipe de cirurgia de cabeça e pescoço. E as residentes do segundo ano atuam no atendimento do paciente em unidade de tratamento intensivo (UTI), ambulatório de radioterapia e também junto a equipe de cuidados paliativos. Todas as profissionais participam de rounds multiprofissionais com discussão de casos e acompanham os encontros semanais do grupo de apoio ao laringectomizado total. Além disso, durante os dois anos de residência são realizadas semanalmente tutorias e disciplinas teóricas. RESULTADOS: O fonoaudiólogo residente atua em 80% da carga horária em atividades práticas em ambiente hospitalar e 20% de atividades teóricas ou teórico-práticas totalizando 60 horas semanais. A atuação junto ao paciente oncológico é fundamental durante todo o processo de tratamento, uma vez que seu conhecimento específico sobre anatomia das estruturas de cabeça e pescoço e funcionalidade do sistema estomatognático contribuem valiosamente no processo de recuperação. A imersão junto à esta população torna através de sua formação um profissional capacitado para um atendimento individualizado e personalizado voltado ao sistema único de saúde. O residente fonoaudiólogo se relaciona continuamente com toda a equipe multiprofissional, com o objetivo formativo e assistencial, buscando se capacitar cada dia mais no campo de atuação e objetivando um cuidado direcionado ao quadro clínico oncológico. CONCLUSÃO: O fonoaudiólogo é um profissional essencial dentro das equipes multiprofissionais de saúde que atuam com o câncer de cabeça e pescoço. A formação específica do residente dentro desta área de atuação solidifica os conhecimentos teóricos aprendidos ao articulá-los com a prática clínica, contribuindo para a formação profissional de excelência e além disso, oferece atendimento personalizado para os indivíduos que necessitam.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
656
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA COM O PACIENTE SURDO: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A necessidade do ser humano de se comunicar é algo que sempre existiu, desde os tempos antigos; é um desejo inato1. Quando se trata de estabelecer contato com outra pessoa, alguns aspectos devem ser levados em consideração como a cultura do indivíduo, aspectos cognitivos e limitações2. A habilidade auditiva contribui de forma eficaz para o desenvolvimento da linguagem oral3. Qualquer deficiência no sistema auditivo durante o crescimento da criança pode trazer consequências para o desenvolvimento linguístico4. O fonoaudiólogo é um dos profissionais capacitados para melhorar a comunicação do indivíduo surdo5. Objetivo: Realizar uma revisão integrativa da literatura sobre as estratégias de intervenção fonoaudiológica com o paciente surdo. Método: O presente artigo tratou-se de um estudo do tipo qualitativo, de caráter subjetivo do que se pesquisa e refere-se a uma revisão integrativa da literatura, método de análise de estudos em que pesquisas são conduzidas com o intuito de compreender um tema específico6,7, realizado nas seguintes etapas: a) identificação do tema; b) busca dos descritores “Fonoaudiologia”, “surdez”, “intervenção” e “atuação” nas bases de dados; c) estabelecimento dos critérios de inclusão que foram artigos que estivessem completos, dissertações e teses publicados entre 2010 a 2020, escritos em Português e que evidenciassem as estratégias de intervenção fonoaudiológica com o paciente surdo e foram excluídos os artigos que tratavam de revisão bibliográfica, publicações com acesso restrito e estudos publicados que não se encaixaram nos critérios de inclusão d) categorização dos estudos encontrados; e) tratamento dos dados; f) interpretação dos resultados e síntese do conhecimento evidenciado nos artigos analisados. Resultados: As pesquisas selecionadas para essa revisão apresentaram metodologia diversificada. Os estudos encontrados e descritos foram obtidos por meio de três (23,08%) pesquisas descritivas, cinco (38,46%) pesquisas de campo e cinco (38,46%) estudos de caso. Tais pesquisas tratavam-se de artigos de revista e uma tese de doutorado, divulgados em diferentes meios de publicação (revistas, jornal, e biblioteca digital) entre 2010 e 2017. Os resultados evidenciaram que, dos estudos mencionados, três (23%) abordaram o uso da LIBRAS como estratégia fonoaudiológica de intervenção com o paciente surdo; três (23%) utilizaram a escrita como objetivo para a aquisição de uma segunda língua; outros três (23%) relataram estimular a oralidade em sua pesquisa e quatro (31%) demonstraram a orientação aos pais como parte do planejamento terapêutico a fim de contribuir para a comunicação dos sujeitos surdos. Conclusão: As estratégias terapêuticas utilizadas com o surdo dependem diretamente do objetivo do fonoaudiólogo e das demandas e expectativas do paciente e de sua família ao procurar tratamento. Notou-se que há vários recursos que podem ser utilizados como estratégias para alcançar um mesmo objetivo. Os resultados evidenciaram que os procedimentos terapêuticos utilizados contribuem para melhorar a comunicação com o paciente surdo. Além disso, é um tema pouco estudado e por isso, novos estudos podem ser desenvolvidos.

Palavras-chave: Fonoaudiologia. Surdez. Intervenção. Atuação.

1 Rebouças CBM. Construção e validação de um modelo de comunicação não-verbal para o atendimento de enfermagem a pacientes cegos. Fortaleza. Tese [Doutorado em Enfermagem] - Universidade Federal do Ceará; [publicação online]. 2008 [acesso em 4 set 2020]. Disponível em http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/2066/1/2008_tese_cbareboucas.pdf.
2 Silveira JRC. A imagem: interpretação e comunicação. Rev LemD [publicação online]. 2005 [acesso em 04 set. 2019]; 5(n.º esp.):113-28. Disponível em: http://linguagem.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/linguagem-em-discurso/0503/050305.pdf.
2 Santos MFC, Lima MCMP, Rossi TRF. Surdez: detecção e diagnóstico. In: Silva IR, Kauchakje S, Gesueli ZM. Cidadania, surdez e linguagem: desafios e realidades [publicação online]. São Paulo: Plexus; 2003 [acesso em 4 set 2019]: 17-54. Disponível em https://books.google.com.br/books?id=aW1eGAAlDM0C&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false.
4 Rovere NC, Lima MCMP, Silva IR. A comunicação entre sujeitos surdos com diagnóstico precoce e com diagnóstico tardio e seus pares. Rev Distúrb Comun [publicação online]. 2018 mar [acesso em 20 de março de 2020]; 30(1):90-102. Disponível em https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/34397.
5 Magrini AM, Santos TMM. Comunicação entre funcionários de uma unidade de saúde e pacientes surdos: um problema?. Rev Distúrb Comun [publicação online]. 2014 set [acesso em 28 ago 2019]; 26(3):550-58. Disponível em https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/14880/15215.
6 Rodrigues WC. Metodologia científica. Paracambi [publicação online]. 2007 [acesso em 06 set 2019]. Disponível em https://www.hugoribeiro.com.br/biblioteca-digital/Rodrigues_metodologia_cientifica.pdf.

7 Mendes KDS, Silveira RCCP, Galvão CM. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto - enferm. [publicação online]. 2008 dez [acesso em 18 de março de 2020]; 17(4):758-64. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072008000400018&lng=en.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
531
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA COM PREMATUROS BRONCODISPLÁSICOS: UMA VIVÊNCIA DE RESIDENTES DE FONOAUDIOLOGIA
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A Broncodisplasia é uma alteração no parênquima pulmonar, geralmente desenvolvida por uso prolongado de ventilação mecânica e toxicidade das altas concentrações de oxigênio por longo período 1. Sua etiologia ainda não está totalmente elucidada, mas parece ter relação com a imaturidade pulmonar, presente em prematuros, especialmente os que têm baixo peso 2,3. Considera-se uma das principais causas de problemas respiratórios crônicos na infância, interferindo na alimentação, nutrição e desenvolvimento neuropsicomotor 4. Estudos correlacionam a dificuldade alimentar com a broncodisplasia, principalmente para introdução de via oral 4,5. OBJETIVO: Descrever as práticas vivenciadas por residentes de fonoaudiologia para introdução de via oral de prematuros broncodisplásicos. MÉTODO: A vivência ocorreu entre os meses de março a junho de 2020, em um hospital público, na cidade de Salvador-BA. Os pacientes eram prematuros, diagnóstico médico de Broncodisplasia, admitidos na enfermaria pediátrica, oriundos das Unidades de Terapia Intensiva ou Semi-Intensiva, com histórico de longo internamento, difícil extubação, dependentes de cateter de oxigênio e presença de estridor laríngeo. Na maioria dos casos, não houve acompanhamento fonoaudiológico prévio, e os pacientes estavam com via alimentar alternativa exclusiva em tempo prolongado. Parâmetros clínicos instáveis atrasaram a avaliação funcional da deglutição em alguns casos, sendo necessário, por vezes, uso de medicação xerostômica com indicação médica e definição de parâmetros clínicos específicos entre equipe. Inicialmente, os pacientes apresentavam sucção débil e frequência diminuída de deglutição, demandando estímulo sensório motor oral e estímulo a sucção não nutritiva, bem como estímulo tátil térmico gustativo para melhora desses aspectos. A avaliação funcional da deglutição, seguido de estímulos a sucção nutritiva e o início do treino de via oral eram realizados conforme parâmetros vitais do paciente e melhor organização oral. Devido ausência ou baixa produção láctea das genitoras, optou-se pela introdução de mamadeira com bico que melhor se adaptasse em avaliação prévia. RESULTADOS: A via oral foi estabelecida em todos os pacientes brondisplásicos admitidos durante o período de experiência das residentes. O tempo de intervenção fonoaudiológica foi de 7 a 45 dias para transição da dieta enteral para via oral plena. Neste período, considerou-se os dias em que o paciente não foi atendido devido logística do serviço e/ou ausência de critérios clínicos. O treino de mamadeira ocorreu entre 3 a 15 dias após início da terapia, em que pacientes apresentaram estabilização do quadro clínico geral, e melhora da organização e coordenação das funções de sucção, respiração e deglutição. Ressalta-se ainda que havia ansiedade por parte dos cuidadores para início e finalização da intervenção fonoaudiológica, justificada pelo longo período de hospitalização, implicando na necessidade de momentos de escuta e acolhimento destes. CONCLUSÃO: A atuação fonoaudiológica possibilitou o estabelecimento da via oral nos pacientes broncodisplásicos. Além do trabalho técnico, o acolhimento e escuta aos cuidadores influenciaram no êxito do tratamento, tornando-os agentes do processo. Esta experiência foi enriquecedora no processo de formação das residentes, que puderam participar de todo o percurso de evolução dos pacientes, associando estudos teóricos à prática clínica hospitalar.

1 - LIMA, M. R.O. et al. Influência de fatores maternos e neonatais no desenvolvimento da displasia broncopulmonar. Rev Assoc Med Bras, v. 5, n. 4, p: 398-403, 2011; 2- FRIEDERICH, L, CORSO, A.L, JONES, M.H, Prognóstico pulmonar em prematuros. J.Pediatr. V81,p.79-88, 2005; 3- STEIDL, E.M.S, Repercussão da displasia broncopulmonar sobre a prontidão e performance alimentar de recém-nascidos pré-termo, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2014; 4 - EVANGELISTA, D, OLIVEIRA, A, Transição alimentar em recém-nascidos com displasia broncopulmonar. Rev. CEFAC.Jan-Mar; 11(1):102-109, 2009; 5 - MONTE LF, SILVA, LV, MIYOSHI MH, ROZOV T, Displasia broncopulmonar. J Pediatr; 81(2):99-110, 2005.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
951
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM FÍSTULA FARINGOCUTÂNEA: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A fístula faringocutânea é uma complicação cirúrgica comum no indivíduo submetido a laringectomia total. A deglutição de saliva ou líquidos pode produzir pressão elevada na região das suturas operatórias, contribuindo para o surgimento da fístula. O processo prolongado de recuperação nestes casos aumenta o tempo de hospitalização, necessidade potencial de reoperações, acrescenta morbidade, aumenta despesas, pode atrasar a reintrodução da alimentação por via oral e o início do tratamento adjuvante1 quando necessário. A incidência da fístula faringocutânea varia de 3 a 65% dos casos2,3. OBJETIVO: Relatar o caso de um paciente submetido a laringectomia total e que apresentou fístula faringocutânea pós cirurgia. MÉTODO: Estudo aprovado pelo comitê de ética e pesquisa sob parecer 3.109.023. Trata-se de um paciente do sexo masculino, 75 anos, com diagnóstico de carcinoma espinocelular supraglótico, submetido a laringectomia total e esvaziamento cervical do nível II ao IV bilateralmente. Iniciou acompanhamento fonoaudiológico na unidade de internação seis dias após a realização do procedimento cirúrgico. No primeiro atendimento comunicava-se apenas por escrita e utilizava sonda nasoenteral (SNE) exclusiva para alimentação. Orientou-se deglutição de saliva e sobrearticulação. No oitavo dia de internação observou-se o surgimento de fístula faringocutânea à esquerda com drenagem de saliva. Vinte dias após abertura da fístula, optou-se pela realização de gastrostomia (GTT), devido a necessidade de permanecer sem alimentação via oral por tempo prolongado, para adequada nutrição e cicatrização da fístula. Após alta hospitalar foi encaminhado para atendimento ambulatorial. Paciente ainda com cânula de traqueostomia e gastrostomia exclusiva para alimentação. Na avaliação miofuncional orofacial apresentou força e mobilidade de órgãos fonoarticulatórios reduzida, fístula faringocutânea drenando mínima quantidade de secreção, o que inviabilizou a avaliação clínica da deglutição com alimento. Na segunda consulta, a fístula estava completamente fechada possibilitando a realização da avaliação clínica da deglutição com Blue Dye Test modificado, nas consistências pastosa liquidificada, líquido espessado e líquido ralo. Não houve saída de conteúdo corado com todas as consistências testadas nem pela fístula faringocutânea, nem pela traqueostomia. A partir destes achados foi possível liberar dieta via oral na consistência pastosa, complementar a GTT. RESULTADOS: Após três atendimentos ambulatoriais o paciente iniciou com alimentação por via oral exclusiva em todas as consistências, com adequado volume de ingestão diária, sem evidências de surgimento de nova fístula. Ainda permanece com GTT aguardando consulta com médico gastroenterologista para avaliar a retirada. Segue em acompanhamento fonoaudiológico para reabilitação da comunicação através da voz esofágica. CONCLUSÃO: A ocorrência de fístula faringocutânea pode atrasar o processo de reabilitação dos laringectomizados totais. Entretanto, após resolução desta complicação, é possível adequada reabilitação da deglutição, proporcionando segurança alimentar e qualidade de vida para o paciente.

1. Cavalot AL, Gervasio CF, Nazionale G, Albera R, Bussi M, Staffieri A, et al. Pharyngocutaneous fistula as a complication of total laryngectomy: review of the literature and analysis of case records. Otolaryngol Head Neck Surg. 2000;123(5):587-92.

2. Dedivitis RA, Ribeiro KCB, Castro MAF, Nascimento PC. Pharyngocutaneous fistula following total laryngectomy. Acta Otorhinolaryngol Ital. 2007;27:2-5.

3. Saki N, Nikakhlagh S, Kazemi M. Pharyngocutaneous fistula after laryngectomy: incidence, predisposing factors, and outcome. Arch Iran Med. 2008;11:314-317.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1880
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM CASOS DE CIRURGIA BARIÁTRICA: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


A obesidade é uma doença considerada crônica pela Organização Mundial de Saúde. É um fenômeno multifatorial que envolve componentes genéticos, comportamentais, psicológicos, sociais, metabólicos e endócrinos, com impactos diretos no desempenho de funções como mastigação, deglutição, respiração e fonação. OBJETIVO: Analisar produção bibliográfica a cerca da intervenção fonoaudiológica indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica. O trabalho do fonoaudiólogo como membro de uma equipe bariátrica ainda é pouco explorado, apesar de evidências de impactos na execução das funções estomatognáticas dos pacientes no momento pós-cirurgia bariátrica. METODOLOGIA: A busca foi efetivada no período entre junho e dezembro de 2019, a partir do cruzamento entre os descritores eleitos. Realizada busca de artigos nas bases de dados eletrônicos Scielo, BVS, Pubmed, Medline e literatura cinzenta através do Google Scholar, sem restrições quanto ao ano de publicação, língua e tipo de estudo. Utilizaram-se os descritores Cirurgia Bariátrica, Bariatric Surgery, Gastroplastia, Gastroplasty, Fonoaudiologia, Speech, Language and Hearing Sciences, Speech Therapy e Speech Pathology, respeitando as particularidades de cada base de dados. Os critérios de inclusão estudos que relacionassem a fonoaudiologia à cirurgia bariátrica, não houve restrição de ano ou idioma. RESULTADOS: Foram encontrados duzentos e trinta e quatro documentos, incluindo artigos, resumos, teses e dissertações. Ao final, treze artigos foram incluídos. Dos estudos eleitos, dois eram relatos de casos, seis estudos transversais, três estudos longitudinais, uma revisão da literatura e um ensaio clínico randomizado. Três estudos são da área de voz, um estudo analisou a respiração, nenhum estudo analisou a atuação fonoaudiológica no sono dessa população, os demais abordaram deglutição e mastigação. O fonoaudiólogo pode atuar no pré-operatório, na avaliação e orientação, assim como no pós-operatório, realizando terapia fonoaudiológica nos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Os achados apontam para necessidade da atuação fonoaudiológica na equipe multidisciplinar, devido às alterações estruturais e funcionais que tanto a obesidade, quanto a cirurgia bariátrica causam nos indivíduos, relacionadas principalmente à mastigação, deglutição, voz, respiração e sono. CONCLUSÃO: A atuação fonoaudiológica é indicada nos momentos pré e pós cirúrgicos, o fonoaudiólogo pode contribuir para minimizar as alterações estruturais e funcionais presentes na obesidade, promovendo melhor qualidade de vida para esta população. Percebe-se a necessidade de publicações com população mais robusta, bem como estudos de melhor evidência científica.

BARROS, L. B. et al. Avaliação dos resultados da cirurgia bariátrica. Rev. Gaúcha Enferm. v.36, 2015.
ROSSI, D. C. et al. Improvement in Food Intolerance Resulting from Roux-En-Y Gastric Bypass after Speech Therapy Intervention in Chewing. Rev. Springer Science, 11 mai, 2019.
SILVA, A. S. G.; TANIGUTE, C. C.; TESSITORE, A. A necessidade da avaliação fonoaudiológica no protocolo de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica. Rev. CEFAC vol.16 nº.5 São Paulo set./out. 2014.
MACHADO, C, C.; CESA, C, C.; SANTOS A, C. O conhecimento dos médicos sobre a atuação fonoaudiológica pré e pós-operatória de gastroplastia em um município do Rio Grande do Sul. Rev. Bras. Pesq. Saúde: 46-55, 2017.
SANTOS A. C.; SILVA C. A. B. Eletromiografia de superfície de músculos masséteres e temporais com percentual de uso durante a mastigação em candidatos à gastroplastia. ABCD Arq Bras Cir Dig. Vol. 29: 48-52, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2117
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM CRIANÇAS COM MICROCEFALIA ASSOCIADA AO ZIKA VÍRUS - RELATO DE EXPERIÊNCIA EM UM PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO E REABILITAÇÃO
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Em virtude do comprometimento neurológico ocasionado pelas alterações estruturais e funcionais no cérebro de crianças com microcefalia decorrente da infecção gestacional pelo Zika Vírus, esses indivíduos podem apresentar distúrbios globais do desenvolvimento com grande impacto no dinamismo das funções orofaciais, bem como no processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem e da audição. Devido a essas condições e cientes da necessidade da intervenção fonoaudiológica, foi acordado a participação de estagiários do último ano do curso de Fonoaudiologia no Programa de Atenção Integrada à Bebês e Crianças com Microcefalia por Zika Vírus. Objetivo: Descrever a atuação fonoaudiológica em crianças acometidas com microcefalia associada ao Zika Vírus no programa de extensão de um centro universitário na cidade de João Pessoa. Métodos: Relato de experiência descritivo sobre as atividades desempenhadas pelos estagiários de Fonoaudiologia no programa de extensão. Resultado: No total, 10 crianças com diagnóstico médico de microcefalia associada ao Zika Vírus foram submetidas a triagem auditiva, avaliação, estimulação e reabilitação da linguagem e das funções orofaciais (sucção, mastigação e deglutição) entre 2017 e 2018. A triagem auditiva foi realizada através do registro passa-falha das Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes, já a avaliação das funções orofaciais deu-se através da aplicação parcial do Exame Miofuncional Orofacial MBGR e do Protocolo de Avaliação da Disfagia Pediátrica (PAD-PED) e, por conseguinte, a avaliação da linguagem foi realizada através do Protocolo de Observação Comportamental (PROC). Mediante aos achados clínicos, alteração do tônus, mobilidade e postura das estruturas oromiofuncionais, hipersensibilidade, reflexo de mordida exacerbado e atraso de linguagem, foram iniciadas a intervenção e através da aplicação de exercícios miofuncionais, crioterapia, termoterapia, manobras de deglutição, aplicação de métodos da Motricidade Orofacial e da Linguagem específicos como bandagem elástica terapêutica e método das boquinhas, estimulação das funções comunicativas e linguagem oral, perdas auditivas, orientações aos pais e acompanhantes, assim como os devidos encaminhamentos. Conclusão: Conclui-se que, a inserção e atuação do acadêmico de Fonoaudiologia na intervenção direta e indireta de crianças com microcefalia em projetos multiprofissionais é de fundamental importância para o desenvolvimento e adaptação das funções orofaciais, para estimulação das habilidades de linguagem e para o encaminhamento das crianças com perdas auditivas.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
943
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM GRUPOS DE PROMOÇÃO DE SAÚDE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: As ações de promoção de saúde na atenção primária em saúde podem ser realizadas de forma individual e em grupo. Essas ações são mediados por diversos profissionais da área da saúde, sendo fundamental a participação multiprofissional. Um dos profissionais que pode estar presente nessa equipe é o fonoaudiólogo. Sendo assim, as ações em grupos realizadas na atenção primária em saúde com o apoio do profissional de fonoaudiologia, podem envolver o público de todas as idades e gêneros, abordando assuntos de promoção e prevenção à saúde, considerando a necessidade da população. Objetivo: Verificar a possibilidade da atuação fonoaudiológica em grupos de promoção da saúde na atenção primária em saúde, a partir da percepção dos profissionais que compõem o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Metodologia: Estudo do tipo qualitativo, realizado com profissionais que pertenciam a equipe NASF de uma município do Sul do país. No momento em que os questionários foram aplicados, o município estava dividido em cinco distritos sanitários sendo, portanto, contatadas as equipes NASF de cada distrito sanitário. A coleta de dados foi realizada nas reuniões das equipes. A coleta de dados aconteceu por meio de um questionário semiestruturado, após o consentimento em participar da pesquisa. A análise foi realizada por meio da análise de conteúdo, em sua modalidade temática. O projeto seguiu os preceitos éticos vigentes e encontra-se aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição de origem por meio do protocolo 57795116.1.0000.0121. Resultados: Esta pesquisa contou com a participação de 39 profissionais, com média etária de 31,41 anos (dp=15,05), variando entre 23 e 54 anos de idade. Após análise das respostas apresentadas pelos profissionais, constatou-se que a contribuição do fonoaudiólogo pode acontecer em diversas ações de promoção de saúde realizadas na atenção primária em saúde, como por exemplo em ações realizadas em grupos abrangendo todos os ciclos de vida, do nascimento até a senescência. Entre todos os grupos mencionados pelos entrevistados, os mais citados foram: atividade física referido por 28,23%, antitabagismo e grupo de hábitos saudáveis citados por 9,68% dos profissionais, respectivamente, e grupo de diabéticos, citado por 8,87%. Os grupos menos citados foram de fisioterapia e vacinação. O fonoaudiológico poderia estar presente em todas os grupos de promoção de saúde supracitados, porém, no momentos da pesquisa o profissional fonoaudiólogo não compõe o quadro de profissionais da equipe NASF. Conclusão: A partir dos dados coletados neste estudo, observa-se a necessidade da inclusão de discussões sobre o dimensionamento da contribuição do profissional de fonoaudiologia nas ações realizadas em grupo pelos profissionais da atenção primária em saúde. Essas discussões devem ser aprofundadas a fim de sensibilizar sobre a atenção às necessidades da população, visto que existem diversas ações de promoção de saúde que podem ser realizadas com a contribuição do profissional de fonoaudiologia junto às demais equipes e profissionais pertencentes à rede.

Referências:
1 - Menezes KKP, Avelino PR. Grupos operativos na Atenção primária à Saúde como prática de discussão e educação: uma revisão. Cad. Saúde Colet, 2016;24(1):124-30
2 - Nascimento CL, Nakamura HY. Fonoaudiologia no Sistema Único de Saúde do Estado de São Paulo. Rev Distúrb Comum. 2018; 30(1): 179-85.
3 - Viégas LHT, et al. Fonoaudiologia na Atenção Básica no Brasil: análise da oferta e estimativa do déficit, 2005-2015, Revista CEFAC, v.20, n.3, p.353-362, 2018


TRABALHOS CIENTÍFICOS
145
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM PACIENTES COM ENCEFALOPATIA CRÔNICA DA INFÂNCIA NÃO PROGRESSIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)
54100313


Introdução: A Encefalopatia Crônica da Infância Não Progressiva (ECINP) é um termo utilizado quando ocorre uma lesão não progressiva no cérebro quando ainda está em desenvolvimento no período pré-natal ou pós-natal, podendo ocorrer aproximadamente até os dois anos de idade e é causada por diferentes fatores como mal formações congênitas, infecções ou doenças. A ECINP causa no indivíduo disfunções motoras e sensoriais em relação à postura, tônus muscular e no movimento, podendo afetar a comunicação da criança. Desse modo, percebe-se a importância da atuação fonoaudiológica, visto que a comunicação é um dos principais meio de interação em que o indivíduo pode realizar com o meio. Objetivo: Compreender a importância do fonoaudiólogo numa equipe multiprofissional para uma melhor qualidade de vida ao paciente com ECINP. Ademais, obter conhecimento dessa área no ramo científico, a fim de informar aos demais profissionais a contribuição da fonoaudiologia nos primeiros anos de vida dos pacientes com ECINP, em relação à expressão da linguagem e as habilidades de interação do indivíduo. Método: Trata-se de uma revisão de literatura com bases de dados do google acadêmico, revistas científicas e livros acadêmicos, compreendendo o período entre 1997-2020. A busca foi restrita no idioma português e foram utilizados os seguintes descritores: linguagem, intervenção, encefalopatia e fonoaudiologia. Resultados: Em primeiro lugar, os seres humanos adquirem a linguagem na primeira infância, visto que a neuroplasticidade nessa fase tem um papel fundamental, pois as conexões neurais formadas afetam positivamente o desenvolvimento sensorial, cognitivo e motor, com o objetivo de facilitar o aprendizado e as habilidades de interação do indivíduo. Entretanto, nos pacientes com ECINP, a aquisição da linguagem é prejudicada, principalmente, na capacidade de expressão da linguagem, articulação e fonação. Por isso, a atuação fonoaudiológica é essencial para o desenvolvimento da linguagem da criança, além de ser uma intervenção precoce e interdisciplinar. Conclusão: O fonoaudiólogo precisa visar à postura corporal do paciente e o comportamento motor, pois influencia diretamente na linguagem. Ademais, as terapias fonoaudiológicas precisam estar voltadas para as habilidades cognitivas e sociais do sujeito, através de atividades lúdicas, com o objetivo de estimular novas experiências, melhorando as interações do paciente e a sua capacidade motora e sensitiva.

PEREIRA DE SÁ, Florele Maria. Distúrbios de linguagem em pacientes com encefalopatia crônica não progressiva. GOOGLE ACADÊMICO, 2006. Disponível em: Acesso em: 17 de jun. de 2020.

CASAES, Cristina Souza; LIMA, Izabella Palhete; GOUVÊA. Encefalopatia crônica da infância. Vol.5. ed. Rio de Janeiro: Ciência Atual, 2015.

César CPHAR, Guedes-Granzotti RB, Silva K, Dornelas R, Pellicani A, Sordi C, Domenis DR. Atuação fonoaudiológica na Paralisia Cerebral. In: Sordi C, Nahsan FPS, Paranhos LR. Coletâneas em saúde. São José dos Pinhais: Editora Plena; 2015. 2v. p. 47-64.

OLIVEIRA, Gisele Aparecida. ENCEFALOPATIA CRÔNICA DA INFÂNCIA: buscando linguagem até vinte quatro meses. GOOGLE ACADÊMICO, 2018. Disponível em: < http://www.uniflu.edu.br/arquivos/encefalopatia.pdf >. Acesso em: 17 de jun. 2020.

DENUCCI, Moniki Aguiar; SOUZA, Carlos Henrique. A linguagem na criança com encefalopatia crônica na infância. Revista Philologus, n. 75. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2019.

KANDEL E.R, SCHWARTZ J.H, JESSEL T.M. Fundamentos da neurociência e do comportamento. Rio de Janeiro, Guanabara; 1997. p. 63-69.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
773
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM PACIENTES COM ENCEFALOPATIA CRÔNICA DA INFÂNCIA NÃO PROGRESSIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)
54100313


Introdução: A Encefalopatia Crônica da Infância Não Progressiva (ECINP) é um termo utilizado quando ocorre uma lesão não progressiva no cérebro quando ainda está em desenvolvimento no período pré-natal ou pós-natal, podendo ocorrer aproximadamente até os dois anos de idade, causada por diferentes fatores como mal formações congênitas, infecções ou doenças(1). A ECINP causa no indivíduo disfunções motoras e sensoriais em relação à postura, tônus muscular e no movimento, podendo afetar a comunicação da criança(2). Desse modo, percebe-se a importância da atuação fonoaudiológica, visto que a comunicação é um dos principais meio de interação em que o indivíduo pode realizar com o meio. Objetivo: Compreender a importância do fonoaudiólogo numa equipe multiprofissional para uma melhor qualidade de vida ao paciente com ECINP. Ademais, obter conhecimento dessa área no ramo científico, a fim de informar aos demais profissionais a contribuição da fonoaudiologia nos primeiros anos de vida dos pacientes, em relação à expressão da linguagem e as habilidades de interação do indivíduo. Método: Trata-se de uma revisão de literatura com bases de dados do google acadêmico, revistas científicas e livros acadêmicos, compreendendo o período entre 1997-2020. A busca foi restrita no idioma português e foram utilizados os seguintes descritores: linguagem, intervenção, encefalopatia e fonoaudiologia. Resultados: Em primeiro lugar, os seres humanos adquirem a linguagem na primeira infância, visto que a neuroplasticidade nessa fase tem um papel fundamental, pois as conexões neurais formadas afetam positivamente o desenvolvimento sensorial, cognitivo e motor, facilitando o aprendizado e as habilidades de interação do indivíduo(3,6). Entretanto, nos pacientes com ECINP, a aquisição da linguagem é prejudicada, principalmente, na capacidade de expressão da linguagem, articulação e fonação(4). Por isso, a atuação fonoaudiológica é essencial para o desenvolvimento da linguagem da criança e deve ser uma intervenção precoce e interdisciplinar(5). Conclusão: O fonoaudiólogo precisa visar à postura corporal do paciente e o comportamento motor, pois influencia diretamente na linguagem. Ademais, as terapias precisam estar voltadas para as habilidades cognitivas e sociais, através de atividades lúdicas, com o objetivo de estimular novas experiências, melhorando as interações do paciente e a sua capacidade motora e sensitiva.

1. PEREIRA DE SÁ, Florele Maria. Distúrbios de linguagem em pacientes com encefalopatia crônica não progressiva. GOOGLE ACADÊMICO, 2006. Disponível em: Acesso em: 17 de jun. de 2020.
2. CASAES, Cristina Souza; LIMA, Izabella Palhete; GOUVÊA. Encefalopatia crônica da infância. Vol.5. ed. Rio de Janeiro: Ciência Atual, 2015.
3. César CPHAR, Guedes-Granzotti RB, Silva K, Dornelas R, Pellicani A, Sordi C, Domenis DR. Atuação fonoaudiológica na Paralisia Cerebral. In: Sordi C, Nahsan FPS, Paranhos LR. Coletâneas em saúde. São José dos Pinhais: Editora Plena; 2015. 2v. p. 47-64.
4. OLIVEIRA, Gisele Aparecida. ENCEFALOPATIA CRÔNICA DA INFÂNCIA: buscando linguagem até vinte quatro meses. GOOGLE ACADÊMICO, 2018. Disponível em: < http://www.uniflu.edu.br/arquivos/encefalopatia.pdf >. Acesso em: 17 de jun. 2020.
5. DENUCCI, Moniki Aguiar; SOUZA, Carlos Henrique. A linguagem na criança com encefalopatia crônica na infância. Revista Philologus, n. 75. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2019.
6. KANDEL E.R, SCHWARTZ J.H, JESSEL T.M. Fundamentos da neurociência e do comportamento. Rio de Janeiro, Guanabara; 1997. p. 63-69.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
266
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS
Práticas fonoaudiológicas
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: O professor, dentre os profissionais da voz, é o mais pesquisado na Fonoaudiologia, com registro de estudos, que vão desde a avaliação da voz, ao estabelecer prevalência de distúrbios vocais nessa classe profissional, até as relações entre voz do professor e trabalho docente. Tais distúrbios são decorrentes de uma demanda vocal intensa, em condições adversas, ruídos, poeira, entre outros. Vários estudos demonstram que os professores utilizam a voz de forma incorreta, fato que explica a ocorrência de alterações vocais nos professores, na maioria das vezes, o uso excessivo e com intensidade elevada para sobrepor os ruídos do ambiente, oriundos de dentro ou de fora da sala de aula. OBJETIVO: Elaborar um projeto voltado a prevenção e promoção de saúde vocal do profissional professor, através de práticas fonoaudiológicas. MÉTODOS: Foi proposta a realização de entrevistas iniciais para verificação de possíveis queixas relacionadas a voz do profissional do professor. Em seguida foi realizado um estudo para orientações sobre cuidados com a voz, a higiene vocal, palestras motivacionais, trabalhos de triagens fonoaudiológica envolvendo outras queixas que poderiam ser relatadas diante do público alvo, os professores. No final foram escolhidos exercícios vocais, fonoarticulatório, exercícios de respiração e relaxamento cervical com o intuito de promover melhores cuidados em relação a prevenção da saúde da vocal. RESULTADOS: Foi realizado um projeto de prevenção e promoção de saúde diante das principais queixas dos professores de uma instituição particular. A conscientização será embasada nos cuidados necessários e observados pelo grupo de profissionais qualificados. Com esse modelo de projeto prevê-se a melhora na dicção e qualidade na voz do professor bem como o controle da emissão vocal de igualdade tímbrica, de dicção, de fraseado e apoio a função de sustentação da voz. Através de orientações podemos possibilitar a promoção da saúde, com intuito de prevenir problemas futuros com a saúde da voz desses professores. Além disso, é de suma importância que faça parte desse programa as atividades e palestras com esclarecimentos sobre os cuidados com a saúde da voz. CONCLUSÃO: Conclui-se que com o projeto podemos realizar de forma adequada a prevenção e a promoção de saúde vocal desses profissionais diante dos devidos cuidados, principalmente no sentido de que instrumento de trabalho do professor a voz e conscientização é de suma importância.

1. Dragone MLS, Ferreira LP, Giannini SPP, Simões-Zenari M, Vieira VP, Behlau M. Voz do professor: uma revisão de 15 anos de contribuição fonoaudiológica. RevSocBrasFonoaudiol. 2010; 15(2): 289-96.
2. Simões-Zenari M., Bitar ML, Nemr NK. Efeito do ruído na voz de educadoras de instituições de educação infantil. Rev Saúde Pública. 2012; 46(4): 657-64.
3. Giannini SPP, Ferreira LP. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle. Cad. Saúde Pública. 2012; 28(11): 2115-24
4. Bezerra MP, Giannini SPP, Batarelli R, Ferreira LP. Voz e trabalho: estudo dos condicionantes das mudanças a partir do discurso de docentes. Saúde e Sociedade. 2014; 23(3): 966-78.
5. Pizolato RA, Rehder MIBC, Dias CTS, Maneghim MC, Ambrosano GMBA, Mialhe FL. EvaluationoftheEffectivenessof a Voice Training Program for teachers. J Voice. 2013; 25(5): 603-10.
6. Pizolato RA, Rehder MIBC, Dias CTS, Maneghim MC, Ambrosano GMBA, Mialhe FL. Impactonqualityoflife in teachersaftereducationalactions for preventionof voice disorders: a longitudinal study. Health Qual Life Outcomes. 2013; 11: 28.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1289
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM SAÚDE COLETIVA: REFLEXÕES A PARTIR DA FORMAÇÃO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A formação em saúde no Brasil tem sido alvo de discussões e problematizações há algum tempo. Na Fonoaudiologia, especificamente, é possível observar a mesma realidade. A formação tradicionalmente baseada em práticas individuais e com caráter curativo, parece não estar sendo suficiente para dar conta das reais necessidades da população e do sistema de saúde brasileiro, e por isso, dificultando a inserção, permanência e reconhecimento do fonoaudiólogo em cenários de pratica que exigem, por suas especificidades, uma atuação mais abrangente e contextualizada, como é o caso da saúde coletiva(1,2,3). Objetivo: discutir a formação do fonoaudiólogo para atuação na atenção primária à saúde. Metodologia: Pesquisa documental realizada a partir da análise das matrizes curriculares dos cursos de Fonoaudiologia de Instituições de Ensino Superior da 4ª região do Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia (CFFa). Foi realizada uma análise descritiva da quantidade de disciplinas e carga horaria dedicada às mesmas, bem como suas ementas. Resultados: Verificou-se que na área de abrangência da 4ª Região do CFFA – n4ª região existem 14 instituições de ensino superior que oferecem graduação em Fonoaudiologia, sendo que 1 delas não está em funcionamento. Portanto, os dados aqui apresentados dizem respeito a 13 IES situadas na área mencionada. Dessas, cinco instituições não apresentam em seus sites a matriz curricular do curso de Fonoaudiologia disponível para consulta. Foi constatado que em 10 IES (76,92%), a carga horaria destinada às disciplinas de Saúde Coletiva representavam menos de 10% da carga horaria total do curso de Fonoaudiologia. Em nove instituições (69,23%) predominam disciplinas teóricas. A Atenção Primária à Saúde é o cenário exclusivo da maioria das vivências práticas em disciplinas (66%) e estágios supervisionados (52,6%) realizados durante a formação. Conclusão: As informações encontradas na mesma direção outros estudos da área, apontando para a necessidade aumento quantitativo e qualitativo das vivências relacionadas à Saúde Coletiva na formação em Fonoaudiologia, entendendo que as mesmas podem significar possibilidades de mudanças nas praticas profissionais(4). Nesse sentido, entende-se que na formação inicial do Fonoaudiólogo, o SUS não deve ser reduzido apenas aos seus aspectos teóricos e legais, e sim abordado e vivenciado de forma significativa durante sua graduação(5). Portanto, julga-se necessário também rever e ressignificar as práticas e formação em Fonoaudiologia, partindo de mudanças nas diretrizes curriculares da graduação, passando pela reformulação das competências e habilidades dos estudantes a fim de que a saúde seja entendida e vivenciada, desde a formação, de maneira mais abrangente e eficaz.

1. Limeira RRT, Silva SM, Figueiredo SC, Castro RD, Oliveira LF, Oliveira MIF. Estágio em Saúde Coletiva: Formação em Fonoaudiologia. Rev Ciência Plural. 2018; 3(3):93-110.

2. Costa LS, Gadelha CAG, Borges TR, Burd P, Maldonado J, Vargas M. A dinâmica inovativa para a reestruturação dos serviços de saúde. Rev de Saúde Pública. 2012; 46(Supl):76-82.

3. Costa LS, Alcântara LM, Alves RS, Lopes AMC, Silva AO, Sá LD. A prática do fonoaudiólogo nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família em municípios paraibanos. CoDAS. 2013; 25(4):381-7.

4. Moreira MD, Mota HB. Os caminhos da Fonoaudiologia no Sistema Único de Saúde – SUS. Rev. CEFAC. 2009; 11(3):516-521.

5. Barreto SS, Castro L. Formação e práticas em saúde de fonoaudiólogos inseridos em serviços públicos de saúde. ciência & saúde coletiva. 2011; 16 (1): 201-210.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1179
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM SELETIVIDADE ALIMENTAR NO TRANSTORNO DE ESPECTO AUTISTA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Indivíduos com transtorno do espectro do autismo (TEA) podem apresentar ingestão restrita relacionada a seletividade alimentar (SA). O Fonoaudiólogo pode contribuir na reabilitação de alterações dos órgãos e funções do sistema estomatognático. Objetivo: Analisar e sintetizar as evidências sobre as características da SA em indivíduos com TEA e a atuação Fonoaudiológica. Método: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida em nove bases de dados (PubMed Central, PubMed, Lilacs, SciELO, ScienceDirect, Web of Science, Scopus, Embase e speechBITE). A estratégia de busca foi adaptada para cada base de dados, incluindo descritores e palavras-chave que descrevem o TEA, SA e Fonoaudiologia. A seleção e extração de dados foi realizada de forma pareada e independente, por meio da leitura do título/resumo e posterior leitura na íntegra, seguindo os critérios de elegibilidade: incluídos estudos que relataram a SA em indivíduos com TEA, de ambos os sexos e sem restrição de idade, bem como a participação ou não da atuação fonoaudiológica. Não houve restrição de período de publicação e idioma. Revisões de literatura, dissertações, capítulos de livros e editoriais foram excluídos. Os Níveis de Evidência de Oxford foram utilizados para classificar a o rigor metodológico dos estudos (Howick, 2009). Foram coletadas as seguintes informações: identificação, delineamento, amostra, características sobre a SA e possível atuação fonoaudiológica. Os dados foram sintetizados utilizando medidas descritivas e quantitativas. Resultados: No total, 23 estudos, de nível de evidência predominante 2B (45%) foram incluídos, em maior parte publicados nos anos de 2015 e 2018. Os Estados Unidos produziram 61% dos estudos achados. Os delineamentos foram variados, com maior ocorrência de estudos transversais (39%) e relato de caso (35%). As idades da amostra variaram entre 2 a 28 anos, prevalecendo crianças do sexo masculino. Quanto as características da SA no TEA encontrou-se dificuldades relacionadas a motricidade oral e processamento sensorial. Em relação a motricidade oral, dificuldades na mastigação foi mais relatada (34,7%), seguido de lateralização da língua (4,37%), atraso motor oral (4,37%) e alteração motora fina e grossa (4,37%). Em relação ao processamento sensorial, a textura foi predominante (73,9%), seguido de cheiro (26,0%), temperatura (21,7%), sabor (17,3%), marca (13,0%), forma (8,69%), cor (8,69%) tipo de alimento (8,69) hipersensibilidade oral (8,69%), mistura (4,34%), necessidade de utensílios (4,34%), quantidade (4,34%) e som (4,34%). Outras dificuldades também foram relatadas, tais como: disfagia (17,3%), neofobia (13,0%), recusa (13,0%) comportamentos problemáticos (13,0%), embalar alimentos (8,69%), vômito (4,34%), distúrbios nutricionais (4,34%), rigidez cognitiva (4,34%) e baixa ingestão de frutas e vegetais (4,34%). Evidenciou-se que a maioria dos estudos (61%) não relataram a participação do Fonoaudiólogo. Contudo, nos demais ela ocorreu na forma de intervenção (26%), avaliação (9%) e diagnóstico (4%). Apenas 22% dos estudos mencionaram a importância da atuação fonoaudiológica. CONCLUSÃO: As características da SA em indivíduos com TEA se concentram em dificuldades relacionadas a motricidade oral e processamento sensorial. Embora, a atuação do Fonoaudiólogo tenha sido restrita e poucos estudos mencionem sua importância, esses achados apontam para necessidade de maior apropriação profissional nesse campo.


OLIVEIRA, Pâmela Lima de et al. Processamento sensorial e alimentação em crianças com desenvolvimento típico e com transtorno do espectro autista. 2019.

MELCHIOR, Amanda Francesquet et al. Análise comparativa das funções de deglutição e mastigação em crianças de 3 a 9 anos com autismo e com desenvolvimento típico. Distúrbios da Comunicação, v. 31, n. 4, p. 585-596, 2019.

POSTORINO, Valentina et al. Clinical differences in children with autism spectrum disorder with and without food selectivity. Appetite, v. 92, p. 126-132, 2015.

KUSCHNER, Emily S. et al. A preliminary study of self-reported food selectivity in adolescents and young adults with autism spectrum disorder. Research in autism spectrum disorders, v. 15, p. 53-59, 2015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1392
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM UM CASO RARO DE ESTESIONEUROBLASTOMA ASSOCIADO À SÍNDROME DE CUSHING: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: O estesioneuroblastoma é um tumor neuroectodérmico raro que manifesta-se na porção superior da cavidade nasal, compreendendo cerca de 2% de todos os tumores do trato sinonasal. Já a síndrome de Cushing é uma manifestação paraneoplásica, que desenvolve-se devido à exposição crônica à níveis elevados de cortisol, geralmente, em virtude dos tumores produtores do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Ambas as condições clínicas e seus tratamentos podem acarretar em alterações fonoaudiológicas, que incluem disfagia orofaríngea, alterações vocais, distúrbio adquirido de linguagem e hipoacusia. Objetivo: Relatar as alterações e contribuições fonoaudiológicas em um caso raro de Estesioneuroblastoma associado à complicações da Síndrome de Cushing. Apresentação do caso: Este estudo está sob aprovação do comitê de ética e pesquisa 08967118.0.0000.5342. Paciente sexo masculino, 30 anos. Histórico de internação prolongada com múltiplas comorbidades devido ao diagnóstico de estesioneuroblastoma e síndrome paraneoplásica associada. Após apresentar rebaixamento do sensório, manteve alimentação exclusiva por gastrostomia devido obstrução nasal por massa tumoral e necessidade de traqueostomia devido impossibilidade de intubação orotraqueal decorrente do trismo durante a terapia intensiva. Na avaliação fonoaudiológica os achados evidenciaram redução de força e mobilidade das estruturas orofaríngeas, trismo acentuado, incoordenação pneumofonoarticulatória, emissão vocal presente à oclusão digital de traqueostomia com característica predominantemente rouco-soprosa e de baixa intensidade, dificuldades na comunicação devido ao distúrbio de linguagem adquirido e diminuição da acuidade auditiva por fatores condutivos e cocleares. Após avaliação, iniciou-se o processo de fonoterapia que visou reabilitação das funções do sistema estomatognático, linguagem e audição. A frequência dos atendimentos foram conforme disposição do paciente e rotina hospitalar. Em terapia, foram propostos exercícios mioterápicos para restabelecer a mobilidade e motricidade das estruturas, objetivando adequar funções orofaciais. Na reabilitação da disfagia, além da terapia miofuncional, foi reintroduzida a dieta por via oral com volumes progressivos de alimentos associados à manobras facilitadoras. A terapia vocal envolveu técnicas com sons facilitadores e coaptação glótica, oclusão gradual da traqueostomia, favorecendo o processo de decanulação e coordenação pneumofonoarticulatória. Com intuito de favorecer à comunicação, estratégias alternativas e orientações foram instituídas ao paciente, familiares e equipe de saúde. Atualmente, paciente encontra-se em alta hospitalar, porém aguarda estabilidade clínica para iniciar tratamento oncológico. Portanto, será necessário manter monitoramento fonoaudiológico pois com a terapia antineoplásica poderão surgir novas alterações nas funções estomatognáticas. Conclusão: As contribuições fonoaudiológicas em tumores como estesioneuroblastomas associados à síndrome de cushing ainda não foram descritas pela literatura. Entretanto, neste caso foi possível promover uma reabilitação segura e precoce das funções estomatognáticas que favoreceu a comunicação com familiares e equipe de saúde, contribuindo para seu autocuidado e qualidade de vida durante o exaustivo processo de tratamento.


1. Fiani, B, Quadri, SA, Cathel, A, Farooqui M, R, Ramachandran, A, Siddiqi, I, et al. . Estesioneuroblastoma : uma revisão abrangente do diagnóstico, tratamento e opções de tratamento atuais. Word Neurosurgery. [Online] 2019 ; 126 (1016) : 194-211.
2. Abdelmeguid, AS. Neuroblastoma olfativo. Curr Oncol Rep. [Online] 2018 ; 20 (7) : 1-7.
3. Castro, MA, Garcia, NP, Pardo, JA, Alvarez, CI, Grao, LA, García JE. Síndrome ectópica de Cushing: relato de 9 casos. Endocrinología, Diabetes y Nutrición. [Online] 2018; 65 (5): 255-264.
4. Vargas, M.L, Costa, C.V. Prevalencia, etiología y cuadro clínico del síndrome de Cushing. Endocrinología y Nutrición. [Online] 2009;56(1): 32-39.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
957
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM UMA EQUIPE DE CUIDADOS PALIATIVOS DE UM COMPLEXO HOSPITALAR DO SUL DO PAÍS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: Os cuidados paliativos buscam garantir uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e de seus familiares, na presença de problemas associados a doenças que ameaçam a vida. Este trabalho é realizado mediante prevenção e alívio de sofrimento através de detecção precoce e tratamento de dor ou outros problemas físicos, psicológicos, sociais e espirituais, estendendo-se inclusive à fase de luto. O ideal é que o serviço de assistência da equipe de cuidados paliativos seja oferecido o mais cedo possível no curso de qualquer doença crônica ameaçadora da vida. Visando uma condução terapêutica adequada é fundamental o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, na qual a fonoaudiologia se enquadra. OBJETIVO: Relatar a experiência da atuação fonoaudiológica junto a equipe de cuidados paliativos em um complexo hospitalar do sul do país. MÉTODO: A Equipe de Cuidados Paliativos tem um caráter multiprofissional, contando com a participação de médicos, assistente social, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, e assistente espiritual para realizar seus atendimentos. Cada especialidade soma aos atendimentos contribuindo com seu conhecimento específico. O fonoaudiólogo atua, principalmente, com enfoque em avaliações, reabilitações e/ou adaptações de estruturas e funções do sistema estomatognático, relacionadas, sobretudo, a comunicação e a alimentação, baseando-se sempre no quadro clínico do paciente. Por vezes, a conduta fonoaudiológica visa auxiliar na adequação da dieta via oral para conforto e na manutenção da comunicação entre o paciente, sua equipe e seus familiares. As consultas são realizadas em conjunto com as demais especialidades da equipe, tanto a beira do leito quanto em atendimentos ambulatoriais. O fonoaudiólogo acompanha o paciente e sua família desde o acolhimento (processo de diagnóstico, prognóstico, formação de plano terapêutico) e durante todo o período de atendimento pela equipe e/ou ao processo de luto da família, no caso de óbito do paciente. Ademais, o fonoaudiólogo participa ainda, de formações complementares, como aulas de abordagens paliativistas e oficina de comunicação de más notícias. RESULTADOS: A inserção do fonoaudiólogo em uma equipe de cuidados paliativos oportuniza a ampliação do olhar terapêutico no atendimento ao paciente, por meio de uma conduta empática, acolhendo a ele e a família em todos os momentos deste processo. Ademais, uma das condições para o êxito do cuidado paliativista é a comunicação efetiva e eficaz entre essa equipe multidisciplinar, pacientes e seus cuidadores, atentando para os desafios demandados por cada caso. CONCLUSÃO: Através desta vivência, o profissional fonoaudiólogo amplia seus horizontes passando a acolher de maneira mais afetuosa e solidária os seus pacientes. Além disso, a troca de conhecimentos com os demais membros da equipe torna os atendimentos melhores e mais integrados, concretiza os conhecimentos adquiridos e contribui para a formação profissional de excelência.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
626
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM UMA EQUIPE DE CUIDADOS PALIATIVOS: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: De acordo com a Organização Mundial da Saúde, Cuidados Paliativos são um conjunto de abordagens com o intuito de manter qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a vida, através de prevenção e alívio do sofrimento1. A equipe de cuidados paliativos (ECP) deve ser multidisciplinar, sendo o fonoaudiólogo necessário principalmente por abordar questões de comunicação e segurança na alimentação 2,3. Objetivo: Descrever a atuação fonoaudiológica em uma equipe de cuidados paliativos junto a um paciente hospitalizado. Método: Estudo do tipo relato de caso descritivo, de caráter narrativo e reflexivo, aprovado pelo Comitê de Ética da instituição com parecer 3752395. Os dados foram obtidos no decorrer dos atendimentos e prontuário da instituição. Resultados: Paciente sexo masculino, 55 anos, etilista e usuário de drogas ilícitas de longa data em crise de abstinência teve queda da própria altura evoluindo com convulsões sendo esse o motivo da internação. Durante internação além do diagnóstico de atrofia cerebral difusa evoluiu com Acidente Vascular Encefálico (AVC) e Parada Cardiorrespiratória (PCR), intubação prolongada com posterior realização de traqueostomia. Pouco responsivo, encaminhado para avaliação da ECP após mais de três meses de internação e poucas respostas aos tratamentos propostos. Seguiu protocolo da ECP com avaliação pela médica paliativista com posterior avaliação integrada multidisciplinar sendo elegível para acompanhamento. Foi realizada conferência familiar com o objetivo de aproximar a família da equipe, eleger o “familiar referência” e discutir juntos um planejamento terapêutico visando alta hospitalar para acompanhamento domiciliar, mesmo com dispositivos como traqueostomia e sonda nasoentérica (SNE) que no momento era o que “segurava” a alta dele segundo equipe da enfermaria. Sobre a atuação fonoaudiológica, realizada avaliação clínica da deglutição, com avaliação das estruturas orofaciais e realização de “Blue Dye Test” com presença de saliva corada, dificuldade no gerenciamento de saliva e secreções e quanto a linguagem, paciente com alterações importantes na compreensão verbal e pouca intenção comunicativa com alguns gestos. As condutas discutidas foram: autorização para que o familiar permanecesse como acompanhante, para aprendizagem do manejo, medidas de gerenciamento de saliva e secreções como forma de evitar broncoaspiração, questionamento quanto a via alternativa atual ou de longa permanência já que outras medidas invasivas seriam evitadas e introdução de comunicação alternativa. Após 128 dias de internação, finalizado último ciclo de antibioticoterapia paciente teve alta, sendo a mesma discutida entre ECP e Equipe Melhor Em Casa (EMC), a qual assumiria o paciente. Paciente ainda traqueostomizado, alterações cognitivas, porém com melhora da intenção comunicativa, e desejo de se alimentar. Questionamentos a serem melhor discutidos pela nova equipe foram: progressão com alguma dieta de conforto e evolução para gastrostomia, não realizada no Hospital Universitário. Conclusão: A equipe de cuidados paliativos se faz cada vez mais necessária na instituição hospitalar, tendo o fonoaudiólogo um papel importante principalmente no que diz respeito a avaliar a segurança quanto a alimentação via oral, cabendo a equipe discutir aspectos que envolvem via de alimentação segura, qualidade de vida e desejo do paciente e familiares.

1- WHO: World Health Organization. WHO definition of palliative care [Internet]. Genebra: WHO; 2019. Disponível em https://www.who.int/cancer/palliative/definition/en/
2- Cardoso DH, Muniz RM, Schwartz E, Arrieira ICO. Cuidados paliativos na assistência hospitalar: a vivência de uma equipe multiprofissional. Texto Contexto Enferm. 2013;22(4):1134-41.
3- Calheiros AS, Albuquerque CL. A vivência da fonoaudiologia na equipe de cuidados paliativos de um Hospital Universitário do Rio de Janeiro. Rev Hosp Univ Pedro Ernesto. 2012;11(2):94-8.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
633
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM UMA UNIDADE DE REFERÊNCIA PARA SÍNDROMES GRIPAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O cenário de pandemia encontrado na sociedade, atualmente, transforma o trabalho em saúde pois exige novos procedimentos e rotina. Várias limitações foram impostas e estas demandam um profissional com um diferencial para continuar o cuidado em saúde de maneira eficaz. Para o fonoaudiólogo, inserido na atenção básica, houve mudanças no seu local de trabalho, cancelamento dos atendimentos presenciais e alteração no gerenciamento das demandas fonoaudiológicas. OBJETIVO: Descrever a atuação do fonoaudiólogo dentro de uma unidade básica de saúde (UBS) referência para síndromes gripais. MÉTODO: Trata-se de um relato de experiência de natureza qualitativa. Para descrição das atividades, estas foram classificadas como: de atuação específica ou de atuação comum a todos profissionais de saúde. RESULTADOS: Foi elaborado um fluxograma visando a organização da demanda fonoaudiológica durante a pandemia direcionado, principalmente, aos Agentes Comunitários em Saúde (ACS), pois por meio deles é possível estabelecer uma comunicação entre o território e o profissional. Todos os ACS’s receberam capacitação sobre o fluxograma/gerenciamento do serviço fonoaudiológico. Foi proposto que ao surgimento de algum caso, seria realizada uma triagem por meio de um formulário online ou visita domiciliar adaptada. A partir da triagem ou visita, propõe-se a seleção da ferramenta a ser utilizada para prestar um serviço de orientação o mais efetivo possível como: o uso de aplicativos de comunicação, vídeos, chamadas virtuais, tabelas, figuras, entre outros, e seguir com os possíveis encaminhamentos. Na atuação multiprofissional, comum a todos os profissionais da UBS, foram organizadas capacitações para a apresentação de normativas e POP’s (Protocolo Operacional Padrão) para orientar a paramentação e desparamentação, descarte de equipamentos de proteção individual e higienização correta das mãos, visto que esses procedimentos auxiliam na diminuição do risco de contaminação. Dentro desse mesmo âmbito, o trabalho do fonoaudiólogo também aconteceu por meio do apoio nas campanhas de vacinação contra a influenza, realização de testes rápidos, orientações no território sobre as modificações no serviço público de saúde e sobre os hábitos diários de prevenção, auxílio na gestão local criando estratégias para os ACS’s suprirem a meta de cadastro para cada equipe de saúde da família, como elaboração de formulário eletrônico contendo os dados necessários para o cadastro, evitando assim o contato físico. CONCLUSÃO: Com a análise da atuação do fonoaudiólogo dentro da atenção básica em um cenário de pandemia, percebe-se que a situação exige que o profissional tenha conhecimentos científicos e técnicos básicos comuns para todas as áreas da saúde e que esteja disponível para reinventar-se dentro das circunstâncias encontradas no trabalho. Reforça-se ainda mais a necessidade de os cursos de graduação adequarem suas grades curriculares para que tenham mais espaço para o aluno desenvolver competências gerais, contribuindo assim para o serviço amplo e generalista que o sistema único de saúde exige.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1056
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia neonatal é definida como um padrão de deglutição prejudicado, o desenvolvimento das habilidades para sucção nutritiva dependem da organização do sistema estomatognático que pode estar alterado em bebês que tiveram nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, anomalias congênitas, asfixia perinatal, categorias pós-cirúrgicas dentre outras, e que por consequência são internados em Unidade de Terapia intensiva (UTI). Assim, o manejo de estratégias de reabilitação são de suma importância para garantir a efetividade alimentar bem como a diminuição de hospitalização destes RNs. Objetivo: Buscar na literatura artigos que relatam sobre o manejo do profissional fonoaudiólogo no tratamento da disfagia em unidades de terapia intensiva neonatal. Métodos: Este estudo é uma revisão integrativa que usou os descritores dysphagia AND newborn AND neonatal intensive care unit AND speech therapy AND dysphagia nas bases de dados: Pubmed, Lilacs e Medline, nos últimos 10 anos (2010 - 2020). Dois investigadores participaram do processo de seleção dos artigos. Foram selecionados quatro artigos da base de dados Pubmed, um do Lilacs e zero no Medline, foram excluídos resumos, apresentação de pôsteres, apresentação oral e anais. Resultados: Todos os 5 artigos encontrados relatavam sobre diferentes olhares ao neonato disfágico, mas nem todos contemplaram o objetivo de nosso estudo, relatamos aqui os pontos importantes que levam a discussões sobre o tema e a participação do profissional fonoaudiológico. Encontrou-se uma revisão completa e bem colocada sobre o tema, que de forma geral apontou quesitos importantes do cuidado do bebê de alto risco, outro artigo falava sobre a evolução alimentar em bebês prematuros, o terceiro artigo focou na atuação do terapeuta ocupacional na identificação de bebês que aspiravam, mas também abriu espaço para discussão sobre atuação multidisciplinar, e os dois últimos artigos contemplaram abordagens terapêuticas que estão relacionadas ao trabalho fonoaudiológico da avaliação á identificação de sintomas e sinais como atraso na sucção, ausência de ritmo e movimento lingual, extração insuficiente de bolo, regurgitação nasofaríngea, início tardio da deglutição faríngea, aspiração silenciosa, engasgos, irritabilidade dentre outros. Os sintomas e sinais observados servem de marcadores para a intervenção, entre os manejos para a reabilitação de neonatos disfágicos, foi citado sucção não nutritiva afim de promover a estabilidade fisiológica, estímulo da função oral sensório-motora, estimulação e alternância rítmica da sucção dentre outros citados também afim de contemplar a atuação de outros profissionais. Assim, a promoção ao desenvolvimento da deglutição funcional e efetiva, depende de diversas abordagens que juntas modificam os padrões ora prejudicadas. Conclusão: É visível a escassez de artigos que contemplem fielmente a prática do fonoaudiólogo frente ao manejo destes pacientes, os artigos encontrados relataram práticas multidisciplinares e quando citadas a função do fonoaudiólogo era conjunta aos demais. É importante salientar que o profissional fonoaudiólogo é o principal agente para manutenção das funções da deglutição e que a publicação de artigos que demonstrem essa atuação, é necessária para o ganho de espaço nessa área.


Botelho M, Silva A. The functional evaluation of dysphagia in the neonatal intensive care unit. Rev. Assoc. Med. Bras. 1992; 49(3): 278-285, jul.-set. 2003.

Lau C. To Individualize the Management Care of High-Risk Infants With Oral Feeding Challenges: What Do We Know? What Can We Do? Front Pediatr. 2020 Jun 9;8:296. doi: 10.3389/fped.2020.00296. PMID: 32582596; PMCID: PMC7297031.

Park J, Knafl G., Thoyre S, & Brandon D. Factors associated with feeding progression in extremely preterm infants. Nursing research, 2015, 64(3), 159.

Bowman O, Hagan J, Toruno R, & Wiggin M. Identifying aspiration among infants in neonatal intensive care units through occupational therapy feeding evaluations. American Journal of Occupational Therapy, 2020, 74(1), 7401205080p1-7401205080p9.

Jadcherla S. Dysphagia in the high-risk infant: potential factors and mechanisms–. The American journal of clinical nutrition. 2016, 103(2):622S-628S.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
256
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA JUNTO A EQUIPE INTERDISCIPLINAR EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS) PELO PET-SAÚDE INTERPROFISSIONALIDADE.
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: O PET-SAÚDE é um Programa do Ministério da Saúde que busca o aperfeiçoamento e a especialização em serviço tanto de estudantes da área de saúde como de profissionais já atuantes no serviço. Esse projeto proporcionou vivencias em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A UBS é preferencialmente o primeiro local de acesso a saúde do Sistema Único de Saúde. O propósito da UBS é atender a maioria dos problemas de saúde da população sem que o indivíduo precise recorrer aos níveis secundário e terciário de saúde, porém caso o problema do indivíduo não possa ser resolvido na atenção primária ele é redirecionado aos outros níveis do serviço de saúde, prevenindo assim, que o mesmo fique sem atendimento adequado. Logo, percebe-se que a atuação da fonoaudiologia possui um papel primordial de prevenção e promoção a saúde na atenção primária, pois essa área de atuação atinge todos os ciclos de vida desde a criança ao idoso. Com isso, se ganha agilidade no diagnóstico e no tratamento de possíveis alterações nas quais a fonoaudiologia atua. OBJETIVO: Apresentar um relato de experiência referente a atuação fonoaudiológica em equipe interdisciplinar em uma unidade básica de saúde. MÉTODO: As vivências foram selecionadas de acordo com o calendário do Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), e com os atendimentos agendados para as consultas fonoaudiológica do serviço de saúde. Nos atendimentos fonoaudiológicos conforme a demanda e queixa dos pacientes que chegavam selecionava-se o protocolo de avaliação ou o proceder necessário para cada caso. As reuniões em equipe do NASF eram muito importantes para discussão de casos, nela eles eram apresentados e discutidos. O referido relato retrata atividades vivenciadas no contexto de saúde pública em uma equipe do NASF. As vivências tinham duração de cerca de 12 horas e aconteciam pelo menos duas vezes por semana. Foram observadas a atuação fonoaudiológica referentes a perda auditiva, alteração de linguagem e dificuldade de amamentação. RESULTADOS: A atuação fonoaudiológica proporcionou novas práticas de saúde que puderam ser incorporadas a atuação de outros profissionais na UBS. Integrantes da equipe do NASF relataram o quanto a equipe e a população ganharam no que se diz respeito a prevenção e a promoção em saúde na atenção primária. CONCLUSÃO: Através de atividades observadas em um contexto de atuação multiprofissional, percebeu-se a importância do contato interdisciplinar entre os profissionais da área da saúde. Sendo assim, a disseminação de saberes da atuação fonoaudiológica promove um novo olhar a prática de outros profissionais o que proporciona um cuidado mais integral das necessidades dos indivíduos que recorrem ao Sistema Único de Saúde. Esse programa do Ministério da Saúde demostra o quanto o contato interprofissional amplia as práticas de saúde fonoaudiológicas e o quanto a fonoaudiologia pode contribuir no contexto de atenção primária.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
687
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA JUNTO À EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE TERAPIA NUTRICIONAL: PROPOSTA DE FLUXOGRAMA EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO.
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


Introdução: Vários são os processos de trabalhos desenvolvidos no âmbito hospitalar que envolve atuação multidisciplinar, dentre os diversos grupos e equipes de trabalho tem-se a Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN), composta obrigatoriamente por médico, enfermeiro, nutricionista e farmacêutico, não fazendo parte da obrigatoriedade o fonoaudiólogo. Dentre as diversas intervenções que envolvem essa equipe a indicação de via alternativa de alimentação (VAA) é uma delas. Em nosso hospital, o fonoaudiólogo passou a fazer parte da equipe recentemente, sendo necessário o alinhamento das atuações e criação de fluxos que envolvessem sua participação. A criação de um fluxo incluindo o fonoaudiólogo, permitiria atuação de forma harmônica desde a avaliação e condutas envolvendo via segura de alimentação, bem como prescrição adequada por parte da equipe do melhor tipo de VAA, quando necessária, podendo garantir assim adequada evolução do paciente. Objetivo: Relatar a construção de um fluxograma de atuação fonoaudiológica no processo de indicação de VAA junto a EMTN. Método: Trata-se de um relato de prática fonoaudiológica em um Hospital Universitário (HU). A construção do fluxograma foi baseada na prática clínica dos profissionais do Setor de Fonoaudiologia do HU em conjunto com equipe da Universidade (docente, alunos e residentes); para isso foram consideradas as demandas do hospital e o que a literatura tem trazido como evidência na área. Resultados: O fluxograma depois de elaborado foi transformado em formatado de figura com símbolos interligados e futuramente comporá o protocolo operacional padrão da equipe estando disponibilizado fisicamente nas enfermarias para consulta, até que se torne rotina. Com a impossibilidade de apresentação da figura no resumo, os resultados aqui serão descritos em itens e contemplam os procedimentos que compõem o fluxograma: a) identificação do risco para disfagia, sendo essa uma triagem proposta pela fonoaudiologia e aplicada por profissional da equipe treinado, não necessariamente o fonoaudiólogo; a triagem fará parte da rotina de todo paciente que entra para internação e para aqueles com risco para disfagia, independente de presença de queixa, será realizada avaliação fonoaudiológica; b) avaliação clínica da deglutição, seguindo protocolo também preestabelecido pelo setor, chegando-se ao diagnóstico de disfagia ou não e o seu grau; c) reunião da EMTN e outros profissionais envolvidos no caso para definição das condutas, sendo utilizado dentre outros parâmetros escala funcional de ingestão oral; d) condutas, sendo essas divididas em cinco possíveis situações diferentes que vão desde a indicação de via alternativa exclusiva e reabilitação fonoaudiológica, até liberação ou reintrodução de dieta via oral com protocolo de desmame da VAA nos casos em que ela estiver presente. Conclusão: A participação do fonoaudiólogo na Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) ou outras equipes multidisciplinares que envolvam discussão de via de alimentação e indicação de via alternativa é de extrema importância, pois permite que condutas sejam tomadas conjuntamente. A criação de protocolos e fluxos possibilita melhor qualidade e segurança na assistência, trazendo benefícios para o paciente e também à gestão hospitalar.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1318
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA ATENÇÃO BÁSICA NO CONTEXTO DA COVID-19: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A Organização Mundial da Saúde (OMS) postulou, em 30 de janeiro de 2020, que o surto da doença causada pelo novo coronavírus (COVID-19) iniciava uma emergência de Saúde Pública a nível internacional. Esta situação trouxe à tona uma série de demandas novas e outras já bem conhecidas nossas. É nesse contexto onde a Atenção Primária à Saúde (APS) mostra, mais uma vez, sua importância. Diante da nova situação de saúde trazida pelo SARS-CoV-2, demandas fonoaudiológicas diferentes também surgiram. OBJETIVO: Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivenciada por fonoaudiólogas residentes do Programa de Saúde da Família de Aracaju-Sergipe da Universidade Federal de Sergipe em três cenários de práticas distintos durante a pandemia causada pelo novo coronavírus. MÉTODO: Foram realizadas atividades em três Unidades de Saúde da Família (USF) distintas, com características singulares. As atividades envolveram: saúde do trabalhador, abordando a área de voz; educação em saúde sobre amamentação, desenvolvimento da linguagem, audição e motricidade orofacial e ações de monitoramento remoto e esclarecimento de dúvidas sobre aspectos fonoaudiológicos. No que tange à saúde do trabalhador, foram realizadas orientações quanto ao impacto do uso de máscara na saúde vocal, importância da hidratação e cuidados com a intensidade da voz. No que se refere às ações de educação em saúde, se insere a produção de material sobre sugestões de brincadeiras em casa; cuidados na higienização dos brinquedos; dicas para leitura em casa e estimulação de linguagem. A comunidade teve acesso a esses materiais através da divulgação feita pelos Agentes Comunitários de Saúde. Estes materiais também foram disponibilizados na recepção da USF. Ressalta-se que para a manipulação dos impressos na recepção, realizava-se a higienização das mãos (álcool a 70%). Destaca-se também o fortalecimento das salas de espera direcionadas a grupos específicos, como as gestantes. Quanto aos monitoramentos remotos, buscou-se na tecnologia as melhores formas de acolhimento e escuta, sempre orientados pela viabilidade e especificidades de cada usuário. RESULTADOS: Houve alta adesão a todas as atividades supracitadas. Notamos maior reconhecimento ao trabalho da Fonoaudiologia dentro da USF, tanto por parte dos usuários, como dos trabalhadores. Observou-se ainda, o fortalecimento dos profissionais fonoaudiólogos enquanto classe e possibilidades de atuação no atual cenário de pandemia. CONCLUSÃO: Cabe ao fonoaudiólogo se reinventar em seu fazer, considerando, sobretudo, seu importante papel de profissional de saúde engajado no processo do cuidado. Surge então, um novo olhar direcionado não só aos usuários do serviço de saúde, mas também para os profissionais que prestam o próprio cuidado. A pandemia da COVID-19 vem acompanhada de muitos desafios, diariamente. No entanto, percebe-se o quanto a união e o processo de se reinventar podem fazer diferença.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
891
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA ATENÇÃO ESPECIALIZADA: RELATO DE VIVÊNCIA NO SERVIÇO PÚBLICO DE ATENDIMENTO DOMICILIAR NUMA CAPITAL DA REGIÃO NORDESTE
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


A Portaria MS nº 2.527, de 27 de outubro de 2011, institui a Atenção Domiciliar (AD), que tem como objetivo reorganizar o processo de trabalho das equipes que prestam cuidado domiciliar na atenção básica, ambulatorial e hospitalar1. É um projeto com apenas 8 anos de atuação no Município de João Pessoa, porém, desde de abril do ano de 2016, foi iniciado o trabalho com Paliação. A Fonoaudiologia insere-se na AD por meio da EMAP (Equipe Multiprofissional de Apoio), de acordo com a Portaria Nº 825/20162. Os atendimentos são restritos ao leito ou ao lar de maneira temporária ou definitiva. Com o surgimento de queixas voltadas a dificuldades de deglutição, voz e fala, sendo queixas constantes de alterações alimentares nos idosos, comprometendo assim a qualidade de vida desses indivíduos, a equipe foi contemplada com fonoaudiólogos para reduzir a demanda por atendimento hospitalar e a permanência por internação3. Necessariamente, são fatores que contribuem para um melhor direcionamento da aplicação de recursos públicos e qualidade de vida do usuário. O objetivo de atuação do fonoaudiólogo no processo de reabilitação da deglutição, por exemplo, minimiza o risco de pneumonia aspirativa, desidratação, des¬nutrição e a utilização da via alternativa de alimentação, participando ainda nas decisões clínicas e orientações ao paciente e seus familiares, a fim de desenvolver suas potencialidades de uma maneira humanizada e eficaz, respeitando suas expectativas e os limites de uma doença avançada4. De acordo com pesquisa realizada por alguns autores, a faixa etária dos pacientes atendidos pelo SAD de João Pessoa (PB) são idosos (a partir de 60 anos) de ambos os sexos, restritos ao leito e dependentes, com prevalência a portadores de doenças crônico-degenerativas, pacientes oncológicos, acometidos por Acidente Vascular Encefálico (AVE)5. A equipe realiza visitas semanais e o cuidado acontece de forma compartilhada entre terapeuta/cuidador/familiares, como também de forma integrada entre os profissionais envolvidos. A Atenção Domiciliar caracteriza-se por um conjunto de ações de promoções a saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação prestadas em domicilio, com garantia de continuidade de cuidados e integrada as redes de atenção à saúde. Portanto, o ambiente domiciliar e as relações familiares aí instituídas têm como finalidade humanizar o cuidado, instituindo o usuário como o sujeito do processo e muito pouco como objeto de intervenção do atendimento proposto. É de extrema importância a participação efetiva da família no processo do cuidado, seguindo todas as orientações deixadas pela Equipe Multidisciplinar. Observa-se assim a diminuição dos episódios de internação hospitalar, quadros infecciosos e de pneumonias por broncoaspiração. Conclui-se que a quantidade de Fonoaudiólogos nesse serviço é inferior ao necessário para uma cobertura mais eficaz no território de João pessoa, onde podemos dizer que se houvesse um maior quantitativo de profissionais, o fonoaudiólogo poderia estar mais próximo aos pacientes mais graves que necessitam de uma assistência diária. Mas, podemos também afirmar que a representatividade da inserção da Fonoaudiologia na AD é bastante valiosa e reconhecida pela equipe e pelos familiares dos pacientes atendidos no serviço.

1. ______. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.527, de 27 de outubro de 2011. Redefine a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: . Acesso em: 05 jul. 2020.
2. Brasil. Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016. Redefine a Atenção Domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial [da] União. 26 abr. 2016; Seção 1:33
3. Calheiros AS, Albuquerque CL. A vivência da fonoaudiologia na equipe de cuidados paliativos de um Hospital Universitário do Rio de Janeiro. Revista Hupe. [periódico na internet]. 2012 [acesso em julho 2016]; 11(2):94-8. Disponível em: http://www.revista.hupe.uerj.br. [ Links ]
4 CRFa. Cartilha de contribuição do sistema federal e regionais de Fonoaudiologia. 2016. Disponível em: Acesso em: 05 jul 2020
5 FIGUEIREDO, Suelene Castro de et al. Perfil dos usuários atendidos pela fonoaudiologia do serviço de atenção domiciliar. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 20, n. 5, p. 613-620, Oct. 2018.
Available from . access on 08 July 2020.

6 LIMA, Fabiana Silva de et al. Análise de gestão do sistema do sistema de atenção domiciliar de João Pessoa-PB: um estudo retrospectivo. 2016.







TRABALHOS CIENTÍFICOS
910
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: RELATO DE VIVÊNCIA NO NÚCLEO AMPLIADO DE SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO BÁSICA (NASF-AB) EM UMA CAPITAL DA REGIÃO NORDESTE
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


A Atenção Primária à Saúde representa o primeiro contato na rede assistencial dentro do sistema de saúde. Conceitua-se por meio do exercício de práticas de cuidado e gestão, democráticas e participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios definidos. O NASF-AB, criado em 2008, com o objetivo de qualificar e tornar mais resolutiva a atuação da AB, apresenta uma equipe multiprofissional deve atuar em ação interdisciplinar e intersetorial, educação permanente em saúde dos profissionais e da população, desenvolvimento da noção de território, integralidade, participação social, educação popular, promoção da saúde e humanização.(1,2) Na cidade de João pessoa, o NASF-AB foi implantado com base na estratégia de arranjo matricial, onde trabalham com as equipes de referência (ESF), dando suporte técnico para ampliar a resolubilidade das ações na APS (3). Entretanto, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica que acaba com a obrigatoriedade de as equipes multidisciplinares estarem vinculadas ao modelo do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB).(4). O objetivo deste trabalho é relatar as vivências na APS no âmbito fonoaudiológico no município de João Pessoa-PB. A ideia é que o processo de trabalho dos fonoaudiólogos, assim como demais profissionais, priorize atividades compartilhadas e interdisciplinares, que hoje se contextualizam em atividades de promoção da saúde, prevenção, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação e reabilitação) e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas miofuncional, orofacial, cervical e de deglutição. Na vivência fonoaudiológica deste Município, encontram-se atividades que acontecem em 3 academias de saúde do Município de João Pessoa com atividades coletivas, interconsultas e orientações individuais. Também fazem parte dessa dinâmica a prática das visitas domiciliares e institucionais, a promoção de saúde dentro do Projeto de saúde na escola (PSE) e nas próprias salas de espera de atendimento nas Unidades de saúde da família (orientações fonoaudiológicas), participação do fonoaudiólogo e outros profissionais nas puericulturas coletivas organizadas pela ESF, assim como nos grupos de convivência de idosos nas comunidades. Por essa vivência, é possível dizer que para realizar um bom trabalho na APS é fundamental ter claro que o tipo de serviço a ser desenvolvido não deve ser clínico (tradicional). É preciso pensar e agir em favor de uma concepção de clínica ampliada. É necessário ainda se apropriar de um lugar na equipe, pois o NASF-AB prevê que o fonoaudiólogo realize projetos, construindo uma prática específica e ao mesmo tempo plural, em benefício das comunidades (5). Assim, a análise das experiências de atuação da Fonoaudiologia e demais profissões junto à Saúde da Família merecem ser acompanhada e avaliada de perto, por ser uma promissora proposta de ampliação do acesso da população à Atenção Integral à Saúde. É inegável que o fonoaudiólogo tem muito a fazer pela saúde das pessoas junto à equipe na APS.

1. Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Cadernos de Atenção Básica, n27. Diretrizes do NASF – Núcleo de Apoio a Saúde da Família. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 160p.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Série E. Legislação em Saúde)
3. Bezerra RSS, Carvalho MFS, Silva TPB, Silva FO, Nascimento CMB, Mendonça SS, et al. Arranjo matricial e o desafio da interdisciplinaridade na atenção básica: a experiência do NASF em Camaragibe/PE. Divulgação em Saúde para Debate, Rio de Janeiro, 2010;(46):51-9.
4. Ministério da Saúde (2020). Nota Técnica n º 3/2020-DESF/SAPS/MS – Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) e Programa Previne Brasil.
5. Molini-Avejonas Daniela Regina, Mendes Vera Lúcia Ferreira, Amato Cibelle Albuquerque de la Higuera. Fonoaudiologia e Núcleos de Apoio à Saúde da Família: conceitos e referências. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [Internet]. 2010 [cited 2020 July 01]; 15( 3 ): 465-474. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342010000300024&lng=en. https://doi.org/10.1590/S1516-80342010000300024


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1200
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA DEFICIÊNCIA VISUAL: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: O fonoaudiólogo, profissional da comunicação humana, volta seu trabalho para favorecer, em diferentes ciclos de vida, a interação entre sujeitos. No cenário de atendimento à pessoa com deficiência visual, ainda pouco explorado pela Fonoaudiologia, temos o espectro de atuação que via desde o paciente com baixa visão até a cegueira, em suas diferentes causas e manifestações, esses sujeitos, muitas vezes, precisam do acompanhamento do profissional da comunicação por apresentarem dificuldades no desenvolvimento da comunicação, principalmente no que se refere aos aspectos da linguagem¹. OBJETIVO: Apontar a atuação fonoaudiológica junto a pessoas com deficiência visual através de uma revisão integrativa. MÉTODO: a fim de atingir os objetivos, foi realizada uma revisão de literatura, de forma integrativa, com buscas nas seguintes bases de dados: BVS, SciELO e Google Acadêmico, sem intervalo de tempo específico. Foram encontrados o total de 24 estudos através do cruzamento dos seguintes descritores: Fonoaudiologia, deficiência visual e cegueira. Desses, após a leitura do título, foram eliminados 14 e após a leitura do resumo, outros 4 estudos. Sendo assim, após a leitura integral dos textos foram escolhidos 6 estudos para compor a pesquisa. RESULTADOS: Dos 6 estudos selecionados, todos relatam a atuação fonoaudiológica, seja por meio de triagens, exames audiológicos ou terapia, com pessoas dentro do espectro da baixa visão. A maioria deles aborda o trabalho junto a crianças, apenas um relata a atuação em outra faixa etária, nesse caso, adolescentes¹. Apenas um estudo realizou a associação da deficiência visual com alguma patologia congênita². De acordo com a análise dos estudos realizada, a atuação fonoaudiológica pode acontecer em uma equipe multiprofissional nos casos de atendimento da pessoa com deficiência visual e a importância da participação da família no processo terapêutico³. Além disso, é comum o uso de estratégias ligadas à música ou instrumentos musicais pelo fonoaudiólogo no trabalho junto ao paciente com essa deficiência sensorial¹. Os estudos⁴ que contemplaram a área de linguagem apresentam o desenvolvimento de estratégias para a atuação junto a escrita e leitura, utilizando também tecnologias assistivas como instâncias para esse processo, e identificam que o desenvolvimento dos aspectos fonológicos se faz de maneira tardia, em comparação com crianças videntes⁵. O único estudo⁶ que aborda questões audiológicas, apresenta resultados de avaliações de pacientes com baixa visão em relação à lateralização da percepção sonora com melhor desempenho do que o grupo de pessoas sem deficiência visual. CONCLUSÃO: é possível perceber a oportunidade do trabalho fonoaudiológico com os pacientes com deficiência visual, além de sua importância no desenvolvimento principalmente nos aspectos relacionados a linguagem, com a intervenção fonoaudiológica focando na interação, expressão e valorização da comunicação.
Descritores: Fonoaudiologia, deficiência visual e cegueira.




[1] Gasparetto MERF, Gouvea C, Bittencourt ZZLC, Montilha RCL. Perspectivas da Atuação da Fonoaudiologia com Adolescentes com Baixa Visão por Meio da Terapia Musical. In: Anais do Congresso Internacional de Humanidades & Humanização em Saúde. 2014, p. 305.
[2] Alpes MF, Valério NG, Santos CMP, Mandrá PP. Intervenção fonoaudiológica na deficiência visual associada à paralisia cerebral: relato de um caso. Arch. Health Sci. 2018; 25(3): 10-14.
[3] Fernandes AC, Montilha RCL. A atuação fonoaudiológica no acompanhamento integral da pessoa com deficiência visual: um relato de caso. Rev. CEFAC. 2015, 17(4): 1362-1369.
[4] Monteiro MMB, Montilha RCLI, Gasparetto, MERF. A atenção fonoaudiólogica e a linguagem escrita de pessoas com baixa visão: estudo exploratório. Rev. bras. educ. espec. 2011, (17): 121 – 136.
[5] LIMA AL, NUNES RTD. Perfil fonológico de crianças com baixa visão de 6 a 9 anos de idade em uma instituição para cegos na cidade de Salvador – BA. Rev. CEFAC. 2015; 17(5):1490-1498.
[6] DIAS, TLLD, PEREIRA, LD. Habilidade de localização e lateralização sonora em deficientes visuais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(4):352-356.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
278
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA DISFLUÊNCIA: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A disfluência é um distúrbio caracterizado por interrupções no fluxo da fala do indivíduo que impossibilita, em alguns momentos, a produção da fala contínua, suave e sem esforço. Essa desordem apresenta maior prevalência durante a infância. Fatores biológicos, psicológicos e sociais interagem de forma complexa nesse distúrbio.Podendo iniciar na fase pré-escolar e persistir até a fase adulta.A desordem da fluência e tem como principal manifestação o aumento na quantidade de disfluências que o indivíduo faz durante o discurso.Outras manifestações podem ocorrer, como concomitantes físicos, sentimentos e atitudes negativas relacionadas à fala ou comportamentos compensatórios que agravam o quadro clínico.A disfluência pode ter um grande impacto na qualidade de vida do falante. Sabe-se que a etiologia do distúrbio, em grande parte dos casos.A terapia fonoaudiológica para o tratamento da disfluência consiste na utilização de exercícios com o objetivo de ensinar um novo modelo de produção de fala e favorecer a fluência. As habilidades de fala, entretanto, só adquirem sentido quando inseridas em situações dialógicas mais próximas do real, nas quais os interlocutores transformam-se mutuamente. Objetivo: Investigar a atuação fonoaudiológica na disfluência descrita na literatura. Metodologia: realizou-se levantamento bibliográfico de artigos científicos nacionais e internacionais indexados nos bancos de dados Bireme, Medline, Scielo e Lilacs publicados entre os anos de 2014 a 2019, e que descreve atuação fonoaudiológica na disfluência, bem como tratamento, aquisição da linguagem e comunicação. Resultados: Nesta pesquisa, encontrou-se 500 artigos. Dentre estes, 440 foram excluídos por seguirem os critérios de exclusão: estar fora do período pré-estabelecido e estudos que relatavam a atuação de outra especialidade que não o fonoaudiólogo e os demais estudos que não se adequassem aos objetivos propostos, restando 60 artigos. Destes, 10 abordam o conceito e tratamento da disfluência, 15 correspondem à aquisição da linguagem, 07 relatam conceitos e dificuldades de comunicação e 18 caracterizam a disfluência. Conclusão: o presente estudo abordou a importância do conhecimento e tratamento da disfluência, além de ressaltar a necessidade da atuação fonoaudiológica. O trabalho relata os principais conceitos de disfluência e comunicação, tratamento e comportamento de interlocutores da criança com disfluência, assim como novas perspectivas e orientação a família de indivíduos com disfluência.

AZEVEDO, N.P.G.; FREIRE, R.M.(2015). Trajetórias de silenciamento e aprisionamento na língua: o sujeito, a gagueira e o outro. In: Friedman, S.; Cunha, M.C.(org.) Gagueira e Subjetividade: Possibilidades de Tratamento. São Paulo: Artmed Editora.

CERQUEIRA. Perfil das habilidades auditivas de indivíduos com gagueira. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista, 2018.


FABUS, Naomi Eichorn Renee. Assessment of fluency disorders. Key words - department of speech communication , Brooklyn, v. 13, n. 20, p. 347-398, abril. 2018.

FRIEDMAN, S. (2014). Gagueira: origem e tratamento. 4ª ed. São Paulo: Plexus Editora. _____. (2009) Fluência de fala: um acontecimento complexo.

IRWIN, A. (2017). Gagueira: uma ajuda prática em qualquer idade. Trad.: de Lacerda, H. R. C. São Paulo: Martins Fontes.

LIEVEN, E. V. M. (2015). Crosslinguistic and crosscultural aspects of language addressed to children. Em C. Gallaway & B. J. Richards (Orgs.), Input and interaction in language acquisition (pp. 56-73). London: Cambridge University Press.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

PALHARINI et al. Perfil da fluência de pré-escolares e escolares com gagueira. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista, 2018.


VAN RIPER, C. (1982) The nature of stuttering. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice-Hall, Inc.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
310
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)
40170130


Introdução: A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa que cursa com depleção dos neurônios motores superiores e inferiores, com tempo médio de sobrevivência compreendido entre três a cinco anos após o início dos primeiros sintomas. A fraqueza muscular é um dos sintomas que aparecem no início da doença, juntamente com atrofia, fasciculações, hipotonia e câimbras musculares. A doença eventualmente afeta a fala, a deglutição, a mastigação e a respiração. O objetivo do tratamento fonoaudiológico é para manter pelo maior tempo possível estas habilidades e quando a comunicação oral não for efetiva, criar condições para a comunicação alternativa desse paciente. Objetivo: Elaborar uma revisão de literatura com o intuito de descrever artigos que tenham a abordagem fonoaudiológica na esclerose lateral amiotrófica. Método: Uma revisão de literatura foi realizada nas bases de dados PubMed, Web of Science e Lilacs com base no PRISMA, nos últimos 10 anos (janeiro de 2010 - junho de 2020). A estratégia de busca foi desenvolvida de acordo com a questão de pesquisa e combinação de descritores foi feita através do DeCS, como fonoaudiologia AND doença do neurônio motor, em inglês e português, extraindo dos artigos as informações como: autores, ano de publicação, título do estudo, amostra, critérios de inclusão, critérios de exclusão, avaliação fonoaudiológica e atuação fonoaudiológica. Resultados: Foram selecionados cinco artigos, sendo três da PubMed, dois do Lilacs e não foi encontrado artigos no Web of Science. Após leitura de título e resumo, restou apenas dois artigos a serem revisados, pois dois desses artigos eram revisões de literatura e um não possuía o artigo na íntegra. Segundo um dos artigos consultado, o Voice Onset Time associado à diadococinesia possibilita uma avaliação qualitativa da produção do sujeito além de tornar a avaliação mais precisa para a Fonoaudiologia, não foi mencionado no texto a abordagem terapêutica fonoaudiológica, somente a avaliação desse paciente e em um outro estudo, apresentou o sinal clínico de disfagia em todos os pacientes submetidos à videofluoroscopia da deglutição, sendo a amostra de 20 pacientes. Conclusão: Foi constatada a escassez de artigos que tratam o tema, e os poucos que existem não abrangem todos os critérios selecionados para a revisão de literatura, como o tratamento fonoaudiológico nesses pacientes. Faz-se necessário de maiores pesquisas sobre a esclerose lateral amiotrófica e a Fonoaudiologia.

Constantini AC, Rocha CB, Mourão LF. Uso do Voice Onset Time associado à diadococinesia oral e laríngea na avaliação da disartria na Esclerose lateral amiotrófica. Rev. Distúrbios da Comunicação. 2013;25(2).
Paim ÉD, Jarces M, Zart P, Varela DL. Deglutição de sujeitos portadores de esclerose lateral amiotrófica. Acta Fisiátr. 2016;23(3):120-124.
Pontes RT, Orsini M, Freitas MRG, Antonioli RS, Nascimento OJM. Alterações da fonação e deglutição na esclerose lateral amiotrófica: revisão de literatura. Rev Neurocienc. 2010;18(1):69-73.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1660
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA PANDEMIA DO COVID-19 NO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia é um sintoma frequente em pacientes hospitalizados e com comorbidades prévias associadas. É crescente o número de pacientes com necessidade de internação hospitalar devido a doença do Coronavírus 2019 (COVID-19). No Rio Grande do Sul, a notificação dos primeiros casos ocorreu no mês de março de 2020, sendo o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) referência para atendimento de casos graves com a doença de COVID-19. Em torno de 15% dos casos de COVID-19 evoluem com quadros de infecção respiratória grave e necessitam de terapêuticas invasivas, como a ventilação mecânica, aumentando os riscos de disfagia, implicando na necessidade da atuação fonoaudiológica hospitalar(1).
Objetivo: Descrever o fluxo de solicitações de consultorias para avaliação fonoaudiológica de pacientes com COVID-19 no HCPA.
Método: Realizada a caracterização das solicitações de consultoria para avaliação fonoaudiológica no período de 25 de março a 10 de julho de 2020. Atualmente o centro de tratamento intensivo conta com 75 leitos, com a meta de ampliação para 105 leitos em função da pandemia. O primeiro caso confirmado com COVID-19 no HCPA foi no dia 16 de março e até dia 10 de julho, 411 pacientes foram confirmados com a doença.
Resultados: Foram solicitadas 41 consultorias para avaliação fonoaudiológica, sendo 32 oriundas do centro de tratamento intensivo adulto, 11 da unidade de internação adulto, duas da internação pediátrica e uma da emergência adulto. A maioria das solicitações realizadas (90%) foram para avaliar a possibilidade de liberação da via oral e, as demais (10%) para início da reabilitação de pacientes traqueostomizados. O fator de risco para disfagia mais frequente foi a intubação orotraqueal prolongada (73%), seguida de doenças neurológicas (17%) e uso de traqueostomia (10%). Há um aumento crescente no número de consultorias para atendimento fonoaudiológico em consonância com o aumento de número de casos confirmados de COVID-19. Em relação a via de alimentação após a primeira avaliação, a via oral como via exclusiva foi indicada em apenas 17% dos pacientes, em 32% dos casos foi contraindicada e no restante dos casos houve indicação de via mista de alimentação. Quanto às condutas relacionadas à liberação de via oral, em 36% foi indicada mínima oferta via oral, em 36% via oral de única consistência e em 28% foi possível a indicação de via oral com múltiplas consistências.
Conclusão: O aumento de solicitações de atendimentos fonoaudiológicos vem crescendo de acordo com o avanço da pandemia de COVID-19. É possível observar maior número de pedidos de consultoria no centro de tratamento intensivo adulto, principalmente após a extubação. Na prática clínica, verifica-se que muitos pacientes apresentam indicação de via alternativa de alimentação, sendo com frequência realizada a indicação fonoaudiológica de mínima via oral ou via oral de uma única consistência, gerando a necessidade de seguimento do acompanhamento fonoaudiológico ao longo da internação e reforçando a importância da atuação na área da disfagia no enfrentamento da COVID-19.


1. Yang W, Cao Q, Qin L, Wang X, Cheng Z, Pan A, et al. Clinical characteristics and imaging manifestations of the 2019 novel coronavirus disease (COVID-19): a multi-center study in Wenzhou city, Zhejiang, China. J Infect. 2020;80(4):388-93.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1207
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA SURDOCEGUEIRA: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A Fonoaudiologia pode intervir no desenvolvimento da comunicação do sujeito surdocego, considerando-se as características individuais dessa condição, e contribuindo para a inclusão social desses indivíduos. A surdocegueira, muitas vezes apresentada como deficiência sensorial múltipla, abrange a perda auditiva juntamente com a perda da visão, suas causas podem ser devido à infecção intrauterina, como a rubéola congênita, às infecções neonatais, à traumatismos e às síndromes, sendo a de Usher a mais comum, que, em síntese, causa perda auditiva neurossensorial, retinose pigmentar e alterações vestibulares¹. OBJETIVO: Apontar a atuação fonoaudiológica junto a pessoas com surdocegueira através de uma revisão integrativa. MÉTODO: a fim de atingir os objetivos, foi realizada uma revisão de literatura, de forma integrativa, com buscas nas seguintes bases de dados: BVS, SciELO e Google Acadêmico, sem intervalo de tempo específico. Foram encontrados o total de 10 estudos através do cruzamento dos seguintes descritores: Fonoaudiologia, comunicação e surdocegueira. Desses, após a leitura do título, foram eliminados 2 e após a leitura do resumo, outros 2 estudos. Sendo assim, após a leitura integral dos textos foram escolhidos 6 estudos para compor a pesquisa. RESULTADOS: Dos 6 estudos selecionados, todos relatam a atuação fonoaudiológica, seja por meio de triagens, avaliações de linguagem ou intervenção com sujeitos dentro do espectro da surdocegueira. Dois desses estudos abordam a atuação da fonoaudiologia junto ao quadro sindrômico, sendo um a Síndrome de Usher¹ e o outro a Síndrome de Cogan². De acordo com a análise dos estudos realizada, a comunicação no geral é abordada de forma intensa, em diferentes olhares, e a importância da intervenção no tempo adequado, com ênfase no período pré-linguístico³ ou no uso de diferentes formas alternativas de comunicação¹,⁴,⁵ quando a comunicação oral não é possível. Além disso, é comum o uso de estratégias ligadas à música ou ritmo musical no trabalho junto ao paciente com essa deficiência sensorial, além do olhar e movimentos corporais⁴. No entanto, os estudos apresentam o uso da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS – como recurso que pode ser utilizado pelo interlocutor em sua comunicação ou intervenção⁴,⁵. É comum que os estudos apresentem o conceito e a classificação da surdocegueira no entendimento que muitas vezes o fonoaudiólogo não possui esse conhecimento para realizar sua atuação¹,⁶. Por isso, em relação à atuação desse profissional, os estudos apontam para a habilitação do profissional, principalmente conhecendo a Libras⁴,⁵; as formas de avaliação da linguagem do surdocego, com um olhar para a intenção comunicativa, estrutura do discurso e a indicação do Implante Coclear, com a terapia pré e pós esse procedimento². CONCLUSÃO: é possível perceber que trabalho fonoaudiológico com os pacientes com deficiência sensorial múltipla, é relevante no desenvolvimento da comunicação principalmente nos aspectos relacionados a linguagem, através de comunicação alternativa e o uso da LIBRAS, com a intervenção fonoaudiológica focando na comunicação mais eficaz e inclusão social.
Descritores: Fonoaudiologia, Comunicação e Surdocegueira.


[1] Figueiredo MZA, Chiari BM, Goulart BNG. Comunicação em adultos surdocegos com síndrome de Usher: estudo observacional retrospectivo. CoDAS 2013;25(4):319-24.
[2] Chiari BM, Bragatto EL, Nishihata R, Carvalho CAF. Perspectivas da atuação fonoaudiológica diante do diagnóstico e prognóstico da surdocegueira. Distúrb. Comun. 2006; 18(3): 371-382.
[3] Guilam JSM, Ribeiro LD, Esteves CO. A intervenção fonoaudiológica na surdocegueira: estudo de caso. Benjamim Constant. 2020; 61 (1): 70 - 86.
[4] Villas Boas DC, Ferreira LP, Moura MC, Maia SR, Amaral I. Análise dos processos de atenção e interação em criança com deficiência múltipla sensorial Audiol Commun Res. 2017; 22: e1718.
[5] Martins EF, Ivanov N. Identificação das formas de comunicação em portadores de surdocegueira para planejamento da intervenção terapêutica. Acta Fisiátr. 2009;16(1):10-13.
[6] Villas Boas DC, Ferreira LP, Moura MC, Maia SR. A comunicação de pessoas com surdocegueira e a atuação fonoaudiológica. Distúrb. Comun. 2012; 24(3): 407-414.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1512
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NO 15º MUTIRÃO DO DIAGNÓSTICO PRECOCE DE ALZHEIMER DE UMA INSTITUIÇÃO DE SAÚDE EM SALVADOR: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Nas últimas décadas, o envelhecimento populacional vem sendo evidente no Brasil¹, consequentemente as doenças neurodegenerativas estão tornando-se mais frequentes. A Doença de Alzheimer (D.A) caracteriza-se por ser uma patologia neurodegenerativa progressiva que causa alterações das funções intelectuais superiores e perda de memória². A progressão desta, causa repercussões nas habilidades de linguagem e de deglutição, sendo indispensável a intervenção fonoaudiológica para fomentar as potencialidades dos sujeitos e diminuir os danos causados, visto que, muitos tornam-se dependentes nas suas atividades de vida diária³. O Mutirão do Diagnóstico precoce de Alzheimer é realizado anualmente pela Fundação de Neurologia e Neurocirurgia, na cidade de Salvador- Ba e conta com a participação de uma equipe multidisciplinar (enfermagem, neurologia, fonoaudiologia, psicologia e serviço social), cujo objetivo é identificar os sinais precoces da D.A. Objetivo: Descrever a atuação fonoaudiológica no 15º Mutirão do Diagnóstico de Alzheimer da Fundação de Neurologia e Neurocirurgia em Salvador-BA. Método: Inicialmente o participante é encaminhado à equipe de enfermagem, que realiza o acolhimento e triagem clínica e logo após, dirige-se à equipe de neurologia, a qual realiza uma breve avaliação e testes cognitivos. A fonoaudiologia integra a terceira etapa do processo: os idosos que obtêm um determinado score nos testes realizados pelos neurologistas são encaminhados para triagem fonoaudiológica e demais especialidades. Participaram desta etapa 119 participantes a partir de 60 anos de idade, de ambos os sexos. Antes de iniciar os testes é realizada uma escuta das demandas e consequente orientação acerca destes. Em seguida, são aplicados os seguintes testes para avaliação de Linguagem: Teste de Nomeação de Boston e Teste de Fluência Verbal e o EAT 10 - Eat Assessment Tool - para identificar sinais sugestivos de disfagia. Após a realização dos testes, os idosos que não atingiram a pontuação mínima exigida por cada teste são acolhidos e referenciados para o serviço de fonoaudiologia da instituição em busca de uma melhor investigação e conduta referente às habilidades de linguagem e deglutição. Resultados: Dos 119 participantes da triagem fonoaudiológica, 47 participantes foram referenciados para os serviços de fonoaudiologia por apresentarem alteração dos aspectos de linguagem e quatro por apresentarem sinais sugestivos de disfagia. A partir desta triagem foi possível verificar a percepção do conhecimento cognitivo nas representações já existentes e reconhecimento de representações fonético/fonológicas e semânticas, bem como promover um acolhimento à percepção dos próprios sujeitos sobre a sua deglutição. Não obstante, é válido salientar que por estar em situação de teste, os fatores ambientais e emocionais representam um viés, podendo mascarar ou distorcer o real resultado.Conclusão: O mutirão proporciona aos seus participantes o acesso a uma investigação de diagnóstico precoce da D.A, pois, por ser uma patologia de longo curso, dificilmente é percebida nos sintomas iniciais. Desta forma, a detecção inicial da doença possibilita uma intervenção terapêutica precoce da equipe multiprofissional, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos sujeitos acometidos, assim como o planejamento e acolhimento dos cuidadores.

1.VERAS, Renato. Envelhecimento populacional contemporâneo: Demandas. Desafios e inovações. 2012
2. TAVARES, Thaíza Estrela; CARVALHO, Cecília Maria Resende Gonçalves de. Características de mastigação e deglutição na doença de Alzheimer. Revista CEFAC, v. 14, n. 1, p. 122-137, 2012.
3. MARQUEZ, Christiana Turner et al. Alterações de linguagem e deglutição na doença de Alzheimer. Distúrbios da Comunicação, v. 13, n. 2, 2002.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1522
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NO 15º MUTIRÃO DO DIAGNÓSTICO PRECOCE DE ALZHEIMER DE UMA INSTITUIÇÃO DE SAÚDE EM SALVADOR: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Nas últimas décadas, o envelhecimento populacional vem sendo evidente no Brasil¹, consequentemente as doenças neurodegenerativas estão tornando-se mais frequentes. A Doença de Alzheimer (D.A) caracteriza-se por ser uma patologia neurodegenerativa progressiva que causa alterações das funções intelectuais superiores e perda de memória². A progressão desta, causa repercussões nas habilidades de linguagem e de deglutição, sendo indispensável a intervenção fonoaudiológica para fomentar as potencialidades dos sujeitos e diminuir os danos causados, visto que, muitos tornam-se dependentes nas suas atividades de vida diária³. O Mutirão do Diagnóstico precoce de Alzheimer é realizado anualmente pela Fundação de Neurologia e Neurocirurgia, na cidade de Salvador- Ba e conta com a participação de uma equipe multidisciplinar (enfermagem, neurologia, fonoaudiologia, psicologia e serviço social), cujo objetivo é identificar os sinais precoces da D.A. Objetivo: Descrever a atuação fonoaudiológica no 15º Mutirão do Diagnóstico de Alzheimer da Fundação de Neurologia e Neurocirurgia em Salvador-BA. Método: Inicialmente o participante é encaminhado à equipe de enfermagem, que realiza o acolhimento e triagem clínica e logo após, dirige-se à equipe de neurologia, a qual realiza uma breve avaliação e testes cognitivos. A fonoaudiologia integra a terceira etapa do processo: os idosos que obtêm um determinado score nos testes realizados pelos neurologistas são encaminhados para triagem fonoaudiológica e demais especialidades. Participaram desta etapa 119 participantes a partir de 60 anos de idade, de ambos os sexos. Antes de iniciar os testes é realizada uma escuta das demandas e consequente orientação acerca destes. Em seguida, são aplicados os seguintes testes para avaliação de Linguagem: Teste de Nomeação de Boston e Teste de Fluência Verbal e o EAT 10 - Eat Assessment Tool - para identificar sinais sugestivos de disfagia. Após a realização dos testes, os idosos que não atingiram a pontuação mínima exigida por cada teste são acolhidos e referenciados para o serviço de fonoaudiologia da instituição em busca de uma melhor investigação e conduta referente às habilidades de linguagem e deglutição. Resultados: Dos 119 participantes da triagem fonoaudiológica, 47 participantes foram referenciados para os serviços de fonoaudiologia por apresentarem alteração dos aspectos de linguagem e quatro por apresentarem sinais sugestivos de disfagia. A partir desta triagem foi possível verificar a percepção do conhecimento cognitivo nas representações já existentes e reconhecimento de representações fonético/fonológicas e semânticas, bem como promover um acolhimento à percepção dos próprios sujeitos sobre a sua deglutição. Não obstante, é válido salientar que por estar em situação de teste, os fatores ambientais e emocionais representam um viés, podendo mascarar ou distorcer o real resultado. Conclusão: O mutirão proporciona aos seus participantes o acesso a uma investigação de diagnóstico precoce da D.A, pois, por ser uma patologia de longo curso, dificilmente é percebida nos sintomas iniciais. Desta forma, a detecção inicial da doença possibilita uma intervenção terapêutica precoce da equipe multiprofissional, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos sujeitos acometidos, assim como o planejamento e acolhimento dos cuidadores.

1.VERAS, Renato. Envelhecimento populacional contemporâneo: Demandas. Desafios e inovações. 2012
2. TAVARES, Thaíza Estrela; CARVALHO, Cecília Maria Resende Gonçalves de. Características de mastigação e deglutição na doença de Alzheimer. Revista CEFAC, v. 14, n. 1, p. 122-137, 2012.
3. MARQUEZ, Christiana Turner et al. Alterações de linguagem e deglutição na doença de Alzheimer. Distúrbios da Comunicação, v. 13, n. 2, 2002.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
397
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NO ATENDENTE DE CALL CENTER.
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: No cenário atual, grande parte das empresas utilizam da voz como principal forma de trabalho para atendimento ao cliente. Os trabalhadores de Call Centers dependem diretamente da voz adjunta da audição para exercer suas funções, que além de ser uma das áreas mais valorizadas no que diz respeito a mão de obra barata, flexibilidade e produção acelerada proporciona uma relação positiva entre a empresa e o cliente. A voz é um grande instrumento de persuasão para o tele serviço, bem como a capacidade auditiva que quando trabalhadas em conjunto relaciona o desejo e entendimento através da conexão entre o receptor e o emissor. No entanto, o cuidado vocal e auditivo é essencial e o profissional fonoaudiólogo é capacitado para fazer o acompanhamento desses funcionários, visando preservar sempre o bem estar do mesmo. Objetivo: Criar um projeto de prevenção e promoção da saúde vocal e auditiva visando a qualidade de vida e de trabalho dos profissionais que atendem em Call Center. Métodos: Foi realizado estudos prévios com profissionais da área de fonoaudiologia em relação aos tele operadores de uma Central de Atendimento ao Estudante (CAE) de uma universidade particular. No decorrer foi observado a necessidade da elaboração de um programa de capacitação, e/ou orientação vocal e auditiva. Resultado: Foi realizado um programa de promoção e prevenção vocal e auditiva direcionado a esses profissionais onde a meta é combater possíveis ou já existentes distúrbios provocados pelo mal uso da voz e da audição, bem como o desempenho inadequado do uso dos headset, por exemplo. Em seguida foi produzido um cronograma com ações de técnicas de respiração, exercícios vocais, orientações sobre higiene vocal e auditiva. Será disponibilizado um guia autoexplicativo de bolso, com orientações e dicas de saúde vocal e auditiva. Será proposto também palestras com ginastica laboral e marketing pessoal a todos funcionários. CONCLUSÃO: Conclui-se que a fonoaudiologia tem o papel importante de auxiliar na prevenção e promoção de saúde vocal e auditiva, através de práticas de exercícios que contribuem para uma qualidade de atendimento e bem estar de todos os tele operadores, fornecendo assim melhores condições de trabalho e qualidade de vida.

CONSTANCIO, Sophia et al . Dores corporais em teleoperadores e sua relação com o uso a voz em atividades laborais. Rev. soc. bras. fonoaudiol., São Paulo , v. 17, n. 4, p. 377-384, Dec. 2012 . Available from. access on 12 May 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342012000400003.

DIOGO, José Rômulo Machado; FERREIRA, Rosana Iorio. A fonoaudiologia auditiva e vocal como fator gerador de bem estar no ambiente de trabalho: Fortaleza: 2018. Acesso em: 2020-05-12.

FERREIRA, Léslie Piccolotto et al . Condições de produção vocal de teleoperadores: correlação entre questões de saúde, hábitos e sintomas vocais. Rev. soc. bras. fonoaudiol., São Paulo , v. 13, n. 4, p. 307-315, 2008 . Available from . access on 12 May 2020. https://doi.org/10.1590/S1516-80342008000400003.

FONSECA, Vitor da. Dificuldade de aprendizagem: abordagem neuropsicopedagógica. 5. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2016. 540 p. Prefácio de Maria Irene Maluf.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2032
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NO CUIDADO MATERNO-INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A atuação fonoaudiológica nos serviços públicos se fortaleceu em 2008 a partir da criação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)1 em que este profissional, o fonoaudiólogo, consolida sua inserção neste campo através das práticas de promoção e prevenção a saúde. No entanto, é evidente a falta de conhecimento da população acerca da Fonoaudiologia e suas áreas de atuação2. Não sendo diferente com as gestantes, as quais demonstram pouco conhecimento a respeito dos assuntos fonoaudiológicos para com o desenvolvimento do bebê3. Tendo em vista essa realidade é importante que sejam realizadas ações com intuito de esclarecer tais assuntos, prevenindo, assim, possíveis agravos fonoaudiológicos na criança. OBJETIVO: Relatar uma ação fonoaudiológica realizada com gestantes usuárias de uma Unidade de Saúde. MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência da prática de estágio de Saúde Pública que ocorreu durante 6º período da graduação, no período de fevereiro até junho em uma Unidade de Saúde do município de João Pessoa. Sendo planejada e executada pelos estagiários juntamente com a supervisora. Para realização, foi necessária a ajuda das enfermeiras da unidade, que acompanhavam as gestantes no pré-natal, para que elas entregassem o convite que continha informações acerca da data, horário, local e tema da ação, para o público-alvo. RESULTADOS: A ação ocorreu através de uma roda de conversa, fizeram-se presentes cinco gestantes, em que foi abordado os assuntos fonoaudiológicos quanto ao aleitamento materno, teste da linguinha, teste da orelhinha, desenvolvimento da linguagem e retirada de dúvidas gerais, com intuito de que tais gestantes saíssem orientadas prevenindo, assim, possíveis agravos fonoaudiológicos. Toda conversa foi conduzida por meio da atividade de mitos e verdades no intuito de tornar dinâmica a comunicação dos estagiários com as gestantes. Diante da atividade, percebeu-se um maior conhecimento das gestantes referente as práticas que estimulam o desenvolvimento da linguagem e um menor conhecimento acerca da realização, prazo para ser feito e implicações do teste da linguinha. Ao término da ação, as participantes relataram o quanto foi positiva e proveitosa a conversa, e dentre elas tinha-se duas gestantes que iriam ser mãe pela primeira vez que estavam tomadas por medo e insegurança e o diálogo proporcionou a essas uma maior tranquilidade e autoconfiança. CONCLUSÃO: Com essa ação, os estagiários vivenciaram uma valiosa experiência na promoção de saúde as gestantes, sanando dúvidas e, consequentemente, divulgando o trabalho fonoaudiológico . Além disso, está atividade proporcionou as mães maior conhecimento acerca da atuação e possíveis alterações fonoaudiológicas.

1. Brasil, Ministério da Saúde (BR). Portaria GM No154 de 24 de janeiro de 2008.Cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família-NASF. Diário Oficial da União; 2008.
2. Santo CE. Conhecimento sobre a atuação fonoaudiológica em um município da região Amazônica. Distúrbios da Comunicação, 2016; 28(1): 142-50.
3. Medeiros AMC, Batista BG, Barreto IDC. Aleitamento materno e aspectos fonoaudiológicos: conhecimento e aceitação de mães de uma maternidade. Audiology - Communication Research, 2015; 20(3): 183-90


TRABALHOS CIENTÍFICOS
362
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DE DISLEXIA: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A dislexia ou transtorno especifico de leitura é complexa e de difícil diagnostico1-2, que só poder ser fechado de forma conclusiva aos nove anos de idade3, isso se da pelo fato de que os sinais de alerta que este transtorno apresenta já no inicio da infância, pois quanto mais cedo o diagnóstico ou hipótese diagnostica for estabelecido melhor é o desenvolvimento acadêmico, emocional e psicológico da criança, pois a partir do momento que o diagnostico se torna algo provável a intervenção faz toda a diferença4. E é devido à complexidade diagnóstica e a importância da intervenção precoce que as crianças que apresentam o risco para dislexia devem ser observadas por especialistas do transtorno de linguagem e aprendizagem, que são os fonoaudiólogos, desde o inicio de sua carreira escolar, para que assim a detecção de qualquer sinal de dificuldade e/ou atraso seja descoberta e avaliada em sua extensão para que assim ocorra o estabelecimento da intervenção precoce5-6. OBJETIVO: O objetivo deste trabalho é fazer a revisão sistemática da literatura e estabelecer a importância da atuação do profissional de fonoaudiologia na detecção e intervenção precoce de escolares do ensino fundamental com risco para dislexia. METODOLOGIA: Esse trabalho se trata de uma revisão sistemática de literatura que foi realizada por meio de pesquisa de artigos originas nos bancos de dados online da SciELO, LILACS e Google Scholar os descritores “dislexia”, “avaliação” e “pré-escolares”, pesquisados tanto em português quanto em inglês. O período de publicação determinado para pesquisa de tais artigos foi de 10 anos, ou seja, artigos publicados de 2010 até 2020. RESULTADOS: Dos trabalhos encontrados por meio da pesquisa o total de estudos tabelados foi de (n=17), sendo estes então analisados para verificar se se enquadravam nos critérios de inclusão. Após analise dos estudos tabelados foi estabelecido um total de cinco artigos que atendiam a todos os critérios de inclusão. Todos os cinco artigos apresentam uma amostra composta por escolares do ensino fundamental com idade entre 5 e 7 anos com e sem risco para dislexia, desta forma os estudos apresentaram uma comparação entre os avanços nas habilidades necessárias para alfabetização em ambos os grupos, após estes passearem por intervenção fonoaudiológica, destacando que as habilidades trabalhadas apresentaram melhora após intervenção, em ambos os grupos, porem que as crianças sem o risco pra dislexia evoluíram com mais rapidez e facilidade, mostrando assim a necessidade e eficácia do uso dos métodos fonoaudiológicos para identificação e auxilio das crianças com risco para dislexia. CONCLUSÃO: Este estudo de revisão permitiu que os pesquisadores chegassem à conclusão de que a atuação fonoaudiológica em âmbito escolar é não somente eficaz, mas extremamente necessária, pois a atuação desse profissional traz benefícios não só as crianças que apresentam risco para dislexia, que são detectadas com maior facilidade através da atuação do fonoaudiólogo, mas também para todas as crianças, que apresentam melhorias nos aspectos de alfabetização quando são estimuladas suas habilidades de nível de linguagem.

1. Rotta NT, Ohlweiler L, Riesgo RS. Transtornos da aprendizagem : abordagem neurobiológica e multidisciplinar. 2ºed. Porto Alegre, Grupo A, 2016.
2. Rotta NT, Bridi Filho CA, Bridi FRS. Neurologia e aprendizagem. 1º ed. Porto Alegre, Grupo A, 2016.
3. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ºed. Porto Alegre, Grupo A, 2014.
4. Pinheiro L, Correa J, Mousinho R. A eficácia de estratégias de remediação fonoaudiológica na avaliação das dificuldades de aprendizagem. Ver. Psicopedagogia. [Internet]. 2012 Aug. [cited 2020 July 02]; 29 (89): 215-225.
5. Fadini CC, Capellini SA. Eficácia do treinamento de habilidades fonológicas em crianças de risco para dislexia. Rev. CEFAC [Internet]. 2011 Oct [cited 2020 July 02]; 13(5): 856-865.
6. Fukuda MTM, Capellini SA. Treinamento de habilidades fonológicas e correspondência grafema-fonema em crianças de risco para dislexia. Rev. CEFAC [Internet]. 2011 Apr [cited 2020 July 02]; 13(2): 227-235.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2154
ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NO SEGUIMENTO MULTIPROFISSIONAL DE CRIANÇAS NASCIDAS PREMATURAS COM MUITO BAIXO PESO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O Brasil enquadra-se entre os dez países com maior número de nascimentos prematuros, configurando um problema de saúde pública devido às possíveis consequências no desenvolvimento infantil. A prematuridade e o baixo peso são considerados como fator de risco para o desenvolvimento motor, cognitivo e de linguagem, demandando monitoramento e intervenção em equipe multiprofissional. Entretanto, no Brasil ainda não há políticas públicas que garantam a atuação do fonoaudiólogo nesta área, especialmente no que se refere ao desenvolvimento da comunicação. OBJETIVO: Apresentar um relato de experiência das atividades desenvolvidas por graduandas em Fonoaudiologia, entre março e dezembro de 2019, no projeto de extensão “Desenvolvimento motor oral e de linguagem em crianças nascidas prematuras e com muito baixo peso”. MÉTODO: Este projeto foi coordenado por duas docentes fonoaudiólogas uma com atuação voltada para a área de disfagia infantil e a outra para linguagem. O projeto ocorreu integrado ao ambulatório multiprofissional de seguimento do prematuro do Departamento de Pediatria e contou com a participação de dez estudantes do quarto ao oitavo período do curso. Estes participavam da consulta compartilhada com os residentes de Medicina e demais profissionais do ambulatório. A população atendida era composta por crianças nascidas com idade gestacional abaixo de 37 semanas e com peso inferior a 1500 gramas, de ambos os sexos, com idade gestacional até 24 meses. As atividades envolviam acompanhamento das questões alimentares, utilizando o protocolo Schedule for Oral Motor Assessment – SOMA, e das habilidades comunicativas, sendo monitoradas em cada consulta com o Protocolo de rastreio do desenvolvimento da produção e compreensão de linguagem de acordo com a percepção dos cuidadores e pelo teste de triagem do desenvolvimento Denver II. Além disso, foram realizadas atividades de educação em saúde, como oficinas na sala de espera abordando temas gerais sobre desenvolvimento infantil e prematuridade, em que os pais e cuidadores eram estimulados a discutir mitos e verdades interagindo com os estudantes e profissionais de Fonoaudiologia. RESULTADOS: No eixo ensino, o projeto permitiu aos discentes vivenciar situações clínicas e interagir com outros profissionais que geralmente não são contempladas na grade curricular do curso, o que foi apontado como um de seus pontos cruciais, pois gerou uma visão global das necessidades dos pacientes e promoveu uma prática mais diversa durante a formação acadêmica. No eixo extensão, ele permitiu que a população atendida tivesse acesso a um monitoramento diferenciado e construísse conhecimento baseado na educação em saúde. Além disso, houve contribuição no eixo da pesquisa ao gerar dados sobre prematuros nascidos na região, estimulando pesquisas de iniciação científica e mestrado. Consequentemente, a visão dos profissionais e dos estudantes toma uma abordagem interdisciplinar, gerando uma melhor qualidade de vida aos pacientes e familiares. CONCLUSÃO: Sendo assim, pode-se concluir que o projeto reflete a necessidade de um acompanhamento interprofissional em crianças nascidas prematuras com muito baixo peso e favorece maiores aprendizados em relação às questões motoras e de linguagem desse público. Além disso, proporciona aos estudantes a vivência com outras áreas da saúde e população, o que enriquece a formação acadêmica e profissional.

Reilly S, Skuse D, Mathisen B, Wolke D. The Objective Rating of Oral-Motor Functions During Feeding. Dysphagia. 1995; 10: 177-91
Fernandes FDM, Molini-Avejonas D. Processos de intervenção nos distúrbios de linguagem infantil. In: Lamônica DAC BD, editor. Tratado de Linguagem: perspectivas contemporâneas. 1st ed. Ribeirão Preto, SP; 2017. p. 215–22
William F, Josiarh D, et al. Denver II: Teste de Triagem do Desenvolvimento. 1st ed. São Paulo SP: Hogrefe; 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1697
ATUAÇÃO MULTIDISCIPLINAR NA DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR SOB A ÓTICA DOS ESTUDANTES DE FONOAUDIOLOGIA E ODONTOLOGIA.
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A disfunção temporomandibular (DTM), compreende queixas clínicas envolvendo os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular (ATM) e demais estruturas associadas, ou ambas, sendo de causa multifatorial. A fonoaudiologia e a odontologia estão entre as áreas envolvidas no diagnóstico e tratamento dos transtornos da articulação temporomandibular, a relação multidisciplinar entre elas é fundamental para o sucesso terapêutico aos pacientes com DTM, essa relação deve ser iniciada desde a graduação. Objetivo: Descrever o conhecimento dos estudantes de fonoaudiologia e odontologia de uma Universidade privada, acerca do trabalho multidisciplinar na DTM. Método: Estudo qualitativo e quantitativo de caráter transversal descritivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob número 2.524.505. A amostra do estudo foi de 70 acadêmicos de ambos os gêneros e sem limite de idade, dos cursos de fonoaudiologia e odontologia de uma Universidade privada da cidade de São Luís-MA. Foi utilizado um questionário adaptado de um estudo, contendo seis questões, uma subjetiva e as outras objetivas. As respostas foram analisadas no programa Excel 2010 e expostas em forma de gráficos em porcentagem. Resultados: Observou-se que 100% dos graduandos de fonoaudiologia e 100% dos alunos de odontologia entrevistados, tem conhecimento sobre o que é uma disfunção temporomandibular. Todos os alunos de fonoaudiologia e odontologia julgam ser importante o trabalho multidisciplinar na DTM, sobre essa questão o entrevistado f1 disse: “pois cada profissional possui uma visão sobre o caso, e a troca de experiências entre as mesmas irá contribuir significativamente na melhora do paciente”. As especialidades da odontologia que para os acadêmicos de fonoaudiologia podem intervir na DTM mais assinaladas foram, respectivamente, especialista em dor orofacial 37%, cirurgia buco-maxilo-facial 23% e ortodontia 22%. Para os alunos de odontologia as especialidades fonoaudiológicas que tratam a DTM mais assinaladas foram respectivamente: motricidade orofacial 33%, linguagem 24% e audição 24%. 63% dos acadêmicos de fonoaudiologia sempre são orientados a encaminhar paciente com DTM para clínica odontológica, e 37% dos alunos de odontologia entrevistados afirmaram que às vezes são orientados a encaminhar os pacientes com DTM para o atendimento fonoaudiológico. Conclusão: Os graduandos entrevistados nesta pesquisa, do curso de fonoaudiologia e odontologia possuem conhecimento sobre a disfunção temporomandibular, bem como da importância que cada ciência oferece ao tratamento da DTM. Entretanto, este estudo constatou que os discentes do curso de fonoaudiologia, recebem mais orientações durante a graduação para encaminhar pacientes com DTM para clínica odontológica do que os graduandos do curso de odontologia.

1. Bianchini EMG. Articulação temporomandibular: implicações, limites e possibilidades fonoaudiológicas. v. 1, Carapicuíba, SP: Pró-fono; 2000. p.12-13.
2. Baldrighi SEZM. Perfil miofuncional orofacial de crianças atendidas no ambulatório odontopediátrico do Hospital Universitário de Aracaju/SE. Distúrbios comun. São Paulo, 27:(1), p. 85-96, mar, 2015.
3. Rech RS, Brown RMA, Cardoso MC, Vidor DCGM, Maahs MAP. Interfaces entre fonoaudiologia e odontologia: em que situações essas ciências se encontram?. Universitas: ciências da saúde. Brasília, 13:(2), p. 111-25, jul./dez, 2015.
4. Silva TR. Integração odontologia-fonoaudiologia: a importância da formação de equipes interdisciplinares [trabalho de conclusão de curso]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.
5. Amaral EC, Bacha SMC, Ghersel EwL. A, Rodrigues PMI. Inter-relação entre a odontologia e a fonoaudiologia na motricidade orofacial. Revista CEFAC. São Paulo, 8(3) p. 337-351, jul./sep, 2006.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
962
ATUAÇÃO MULTIPROFISSIONAL EM UM CASO DE OSTEOSSARCOMA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: O tratamento do câncer de cabeça e pescoço deve envolver uma a atuação conjunta e integrada de uma equipe multidisciplinar com conhecimentos relevantes1,2,3 para prestar o melhor atendimento possível aos pacientes. OBJETIVO: Relatar o caso de um paciente com diagnóstico de osteossarcoma submetido a cirurgia de maxila e a adaptação de prótese obturadora de palato. MÉTODO: Estudo aprovado pelo Cômite de Ética sob o parecer 3.109.023. Paciente do sexo masculino, 35 anos, com histórico de quatro ressecções de tórus palatino realizados por odontólogo desde o ano de 2016. Em agosto de 2019, veio ao serviço de cabeça e pescoço referindo o surgimento de grande lesão no palato com dor local. Foi então realizada biópsia, a qual evidenciou osteossarcoma, cujo tratamento cirúrgico proposto foi uma ressecção parcial da maxila esquerda. No intraoperatório foi adaptada, pela equipe da cirurgia bucomaxilofacial, uma prótese obturadora de palato provisória e então, este paciente foi encaminhado para a equipe de fonoaudiologia, com vistas a avaliação da deglutição. Em avaliação, ainda durante a internação, a beira do leito, observou-se boa adaptação à prótese, ressonância levemente hipernasal, e ausência de sinais clínicos de penetração/aspiração laringotraqueal em todas as consistências de alimento testadas (líquida, pastosa liquidificada e sólidos macios). Após a alta hospitalar o paciente foi encaminhado para seguimento ambulatorial. Na reavaliação, percebeu-se redução da abertura da boca (25mm), dificuldade na manipulação do bolo alimentar em cavidade oral decorrente do processo cirúrgico e da falta de dentes na arcada dentária superior. Também apresentou assimetria e redução da sensibilidade facial do lado esquerdo e qualidade vocal ainda com certa hipernasalidade. Como proposta terapêutica foram realizados exercícios miofuncionais visando a maximização da musculatura com o objetivo de minimizar sequelas e contribuir para o reestabelecimento e funcionalidade orofacial. RESULTADOS: Após oito sessões, o paciente apresentou melhora da mímica facial, vedamento labial, aumento da abertura da boca (35mm), qualidade vocal com ressonância adequada e boa adaptação da prótese obturadora de palato. CONCLUSÃO: Os resultados demonstram que a atuação conjunta das especialidades de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Cirurgia Bucomaxilofacial e Fonoaudiologia proporcionaram a possibilidade de manter uma alimentação adequada, de consistência normal, melhora expressiva na qualidade vocal, ou seja, uma boa comunicação, resultando na satisfação do paciente e seus familiares.

1. Lo Nigro C, Denaro N, Merlotti A, Merlano M. Head and neck cancer: improving outcomes with a multidisciplinary approach. Cancer Manag Res. 2017;9:363-371.

2. Rosseto MAAM. Qualidade de vida em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Piracicaba. Tese [mestrado profissional] - Universidade Estadual de Campinas; 2018.

3. Furia CLB, Mikami DLY, Toledo IP. Câncer de Cabeça e Pescoço. In: Santos M, Corrêa TS, Faria LDBB, Siqueira GSM, Reis PED, Pinheiro RN. Diretrizes Oncológicas 2. São Paulo: Doctor Press Ed. Científica, 2019. Pag. 54.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1785
ATUAÇÃO PROFISSIONAL ENTRE FONOAUDIOLOGIA E NUTRIÇÃO NA ROTINA DE UMA UNIDADE SEMI-INTENSIVA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) presta assistência a pacientes graves que requerem atenção especializada de forma contínua, não sendo possível a permanência de acompanhantes junto ao leito. Ao apresentarem estabilidade clínica, porém necessidade de manter os cuidados intensivos, estes pacientes podem ser assistidos na Unidade Semi-Intensiva (USI). Na Instituição Hospitalar em que o estudo foi desenvolvido, a filosofia de funcionamento da USI permite o internamento em apartamentos individuais e a presença de acompanhantes em tempo integral. Em ambas as unidades (UTI e USI), a assistência integral é garantida por equipe multiprofissional. Dentre os profissionais que compõem a equipe, encontram-se fonoaudiólogos e nutricionistas, especialidades indicadas pelo Ministério da Saúde para compor as equipes de UTI. OBJETIVO: Descrever o impacto da atuação integrada do Nutricionista e do Fonoaudiólogo da USI de um Hospital da rede privada da cidade do Recife. MÉTODO: A USI em questão dispõe de 18 apartamentos individuais onde os pacientes admitidos são avaliados diariamente pela equipe multiprofissional, incluindo profissionais residentes. O nutricionista atua no rastreamento do risco de desnutrição, no ajuste e adaptação do cardápio conforme indicação fonoaudiológica, calculando, assim, as necessidades nutricionais específicas dos pacientes. Já o fonoaudiólogo atua conforme necessidade de início ou continuidade de acompanhamento previamente iniciado em UTI tradicional, ou após o acionamento médico, indicando a via de alimentação e as consistências alimentares mais seguras para cada paciente, reabilitando a função de deglutição, prevenindo quadros de penetração laríngea e/ou broncoaspiração, realizando orientações de cuidado quanto à ingesta alimentar e, ainda, atuando no processo de decanulação dos pacientes traqueostomizados. Na rotina hospitalar, as duas especialidades atuam de maneira íntima, realizando visitas para avaliação nos leitos, discutindo casos e definindo condutas individuais, respeitando o quadro clínico, a necessidade nutricional e as indicações de consistências, texturas, temperaturas e sabores indicados pelo fonoaudiólogo. RESULTADOS: A atuação integrada dessas especialidades tem resultado num atendimento mais preciso e, portanto, na definição de condutas terapêuticas assertivas, contribuindo para o sucesso da reabilitação, para a prevenção de complicações durante o internamento e redução do tempo de internação, além de contribuir para a efetividade da comunicação entre os profissionais (Meta 2 Internacional de Segurança do Paciente). CONCLUSÃO: O modelo de atuação entre os profissionais das áreas de Nutrição e Fonoaudiologia utilizado na Instituição tem demonstrado impacto positivo sobre a saúde dos pacientes internados na USI deste Hospital e reforça a importância da atuação da equipe multidisciplinar de maneira integrada para oferecer melhor qualidade de vida e, consequentemente, acelerar o processo de reabilitação dessa população.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2015
AUDIÇÃO E EQUILÍBRIO: ANÁLISE DE TESES DEFENDIDAS POR FONOAUDIÓLOGOS DOUTORES BRASILEIROS.
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


TÍTULO: Audição e equilíbrio: análise de teses defendidas por fonoaudiólogos doutores brasileiros.
RESUMO
Introdução: levantamentos e análises correlatas sobre fonoaudiólogos brasileiros titulados doutores realizados permitiram conhecer o perfil dos profissionais e as áreas estudadas, constituindo-se como indicador importante para análise do amadurecimento da profissão, subsidiando a construção de políticas públicas. Objetivo: analisar o perfil das teses defendidas por fonoaudiólogos brasileiros titulados doutores, relacionadas à temática de audição e equilíbrio Método: trata-se de um estudo exploratório que contou com banco de dados coletado para o artigo elaborado por Ferreira et al. (2019). Nesse artigo investigou-se as variáveis sexo, ano de defesa da tese, tipo e localização da instituição de ensino, inserção do programa em que a tese foi desenvolvida e temática da mesma. Os dados foram levantados por meio de consulta à Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 1976 (primeiro registro) e 03 de abril de 2018, totalizando 1.125 teses. Os critérios de inclusão foram: ter formação em Fonoaudiologia, ser brasileiro e ter se titulado doutor. Em especial na área de Audição e Equilíbrio, foram registradas 293 (26,0%) e para este estudo essas foram categorizadas e analisadas em duas fases: 1ª. Fase – análise das variáveis referentes aos autores (sexo e total de artigos publicados nos últimos 10 anos) e à tese (tipo de instituição de ensino; região geográfica da instituição; área de conhecimento do CNPq; ano de defesa); 2ª. Fase - análise das temáticas abordadas (considerou-se para tal as categorias propostas pela Academia Brasileira de Audiologia - ABA, para a seleção de trabalhos apresentados no Encontro Internacional de Audiologia – EIA, a saber: Diagnóstico Audiológico; Políticas Públicas em Saúde Auditiva; Avaliação e Reabilitação Vestibular; (Re) Habilitação Auditiva; Seleção e adaptação de dispositivos eletrônicos (Aparelhos Auditivos e Implante Coclear) e Telessaúde ) e faixa etária estudada (0 a 19 anos - crianças e adolescentes; 20 a 59 anos – adulto; ≥ 60 – idoso). Os dados referentes as variáveis foram submetidos a análise estatística descritiva, numérica e percentual. Resultados: a primeira defesa na área ocorreu em 1985. Quanto a variável sexo dos pesquisadores, a quase totalidade é do sexo feminino (288-98%), com registro de produção, em 10 anos, de 3.695 artigos em periódicos (média 12,78 artigos/autor). Quanto a tese, a maioria foi defendida em instituições públicas (259-88%), na região Sudeste (217-74%), na área de Ciências da Saúde (273-93,1%). Na análise das temáticas, as registradas em maior número foram relacionadas ao Diagnóstico Audiológico (137-47%); Políticas Públicas em Saúde Auditiva (45-15%) e Seleção e adaptação de dispositivos eletrônicos (33-11%). Quanto a faixa etária, metade das teses está voltada para questões referentes a faixa etária de 0 a 19 anos (150-51%).O número de teses na área de Audiologia apresentou crescimento mais significativo após o ano 2000, não constituindo padrão de previsibilidade Conclusão: A subárea/ faixa etária de maior destaque foi a de diagnóstico infantil suscitando a necessidade de pesquisas em outras subáreas e faixas etárias.

Descritores: Fonoaudiologia, Indicadores de Produção Científica; Audição.


Fernandes, F. R., & Silva, H. D. F. N. (2018b). Análise da produção científica dos programas de pósgraduação e seu alinhamento com as diretrizes do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação: um estudo cientométrico. AtoZ: Novas Práticas Em Informação e Conhecimento, 7(2), 22. https://doi.org/10.5380/atoz.v7i2.67241

[5:43 PM] Mariene Terumi Umeoka Hidaka


Catani, Afrânio Mendes; Oliveira, João Ferreira de; Michelotto, R. M. (2011). As políticas de expansão da educação superior no Brasil e a produção do conhecimento Policies for expansion of higher education in Brazil. 267–281.

[5:44 PM] Mariene Terumi Umeoka Hidaka


Faria, L. I. L. de, Gregolin, J. A. R., Quoniam, L., & Hoffmann, W. A. M. (2010). Análise da produção científica a partir de publicações em periódicos especializados. Retrieved from Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2010 website: http://fapesp.br/indicadores/2010/volume1/cap4.pdf

Ferreira, L. P., Ferraz, P. R. R., Garcia, A. C. O., Falcão, A. R. G., Ragusa-Mouradian, C. A., Herrero, E., … Fichino, S. N. (2019). Speech-language therapists with Ph.D. in Brazil: Profile from 1976 to 2017. Codas, 31(5), 1–8. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20192018299


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2142
AUTISMO E VULNERABILIDADE SOCIAL NA CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A exclusão social, preconceito e estigma, corroboram para levar as pessoas com deficiência à maior risco de vulneração, necessitando de auxílios físicos e sociais. Segundo o SUAS (2012) para uma família ou população ser considerada vulnerável são considerados condições de moradia, aspectos sanitários, de trabalho, renda, educação. OBJETIVO: Descrever aspectos da vulnerabilidade social que interferem na terapia fonoaudiológica em sujeitos com autismo. MÉTODOS: A experiência aconteceu mediante vivência em estágios na clínica-escola de Fonoaudiologia em Universidade Federal. São relatados dois sujeitos com diagnóstico de autismo não verbal grave: G1, 5 anos, residia com a família em uma zona periférica da cidade. Mora com sua mãe, que é dona de casa e o pai não teve sua ocupação informada. Frequentava a escola (jardim I). G2, 8 anos, residia com a família na zona rural, frequentava escola especial. A família possuía um sítio, do qual utilizavam como parte da renda familiar. Ambas famílias possuem baixa renda e baixo nível de instrução educacional. Todas as crianças eram atendidas uma vez por semana, por cerca de 40 minutos. Os dados descritos perfazem o período de janeiro a dezembro de 2019. RESULTADOS: G1: por residir num bairro distante da universidade, havia um longo deslocamento para chegar à terapia, o que desestabilizava mãe e criança. A mãe de G1 o levava sozinha e mostrava-se abalada com a condição do filho, tornando o espaço da terapia como um momento de desabafo. Além disso, G1 utilizava medicação para atenuar problemas comportamentais, e esta estava desatualizada, devido prejuízo no acesso aos sistemas de saúde. O trajeto, as condições e acesso ao transporte e saúde pública, a situação de ser mãe solo, interferiam no desenvolvimento de G1, sendo um agravante na sua condição de saúde. Já G2 era criado no ambiente rural, sempre permanecia ao ar livre, e não sabia usar banheiro, e manusear objetos. Para G2, a sala de espera até o setting terapêutico, tornavam-se ambientes alheios à sua realidade, que o deixava desorganizado. No sítio, no qual convivia de maneira mais livre e solto, fazia uma aparente oposição à esse ambiente controlado e fechado que a terapia o oferecia. Com a baixa instrução dos pais, o reforço verbal com as orientações para adequar a rotina de G2 e fazê-lo organizar-se para transitar em espaços como a casa, clínica, escola, pareciam antagônicos a realidade dessa família, devido suas condições de moradia e educação. Com ambos os sujeitos, os padrões repetitivos e restritos de comportamento se agravavam devido as condições socais de suas famílias, o que interferia numa relação direta no desenvolvimento das habilidades da comunicação verbal e não verbal. CONCLUSÃO: A vulnerabilidade social das famílias impactam o desempenho da linguagem e comportamento das crianças com autismo. Devido à dificuldade inerente em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais, déficits graves de interação social, adesão inflexível a rotinas, ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal, os sujeitos com autismo sofrem maior impacto da vulnerabilidade social em seu desenvolvimento.

BRASIL. SUAS, Sistema Único de Assistência Social. Norma Operacional Básica NOB/SUAS. Brasília, 2012. Disponível em: >http://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/assistencia_social/nob_suas.pdf< Acesso em: 20 set. 2017.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2014.

GIVIGI, R.C.N; SOUZA, T.A.; SILVA, R.S.;
DOURADO, S.S.F.; ALCÂNTARA, J.N.; LIMA,
M.V.A. Implicações de um diagnóstico: o que sentem as famílias dos
sujeitos com deficiência? Distúrbios Comun. São Paulo, 27(3):449-457, setembro, 2015.

Barbosa, Caroline Lopes et al. Speech-language-hearing therapy and clinical listening in a mental health team: perception of parents of children with autism spectrum disorder. Rev. CEFAC, 2020, vol.22, no.1. ISSN 1516-1846


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1621
AUTISMO NA PANDEMIA: ELABORAÇÃO DE MATERIAL DE ESTIMULAÇÃO E ORIENTAÇÃO POR ALUNOS DA GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO
Na atual conjuntura do país, após 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a doença causada pelo novo coronavírus uma pandemia, a população brasileira como um todo têm vivenciado as dificuldades impostas por este cenário. O ensino, em todos os seus níveis, também foi afetado, com isso, o estágio dos alunos de graduação e pós graduação em fonoaudiologia necessitou de adaptação para garantir uma continuidade no ensino, pesquisa e prática como um todo, sendo que a maior mudança foi a suspensão dos atendimentos presenciais e o início dos teleatendimentos.
Atendendo a necessidade do momento e assim como foi constatado em uma revisão de literatura realizada em 2015, a qual mostrou que a maioria dos estudos concluiu que a telessaúde possui vantagens, mas que dificuldades com tecnologia e treinamento ainda são barreiras que precisam ser vencidas.
Sendo assim, seguindo a linha do que é proposto e idealizado dentro desta instituição, os alunos d desenvolveram materiais bem elaborados para terapia e orientações familiares, seguindo principalmente os ideais das práticas baseadas em evidências

OBJETIVO
Criação de um material no formato de e-Book (livro virtual) contendo orientações gerais para contribuir com o processo de estimulação de pais e responsáveis, fornecendo dicas de atividades que estimulam a linguagem, cognição e suas variáveis.

MÉTODO
Nos últimos 4 meses os alunos de graduação e pós graduação realizaram teleatendimento com pacientes pertencentes ao espectro do autismo, juntamente com orientação à pais e responsáveis de crianças com autismo. As atividades realizadas neste período envolveram principalmente a estimulação da linguagem em ambiente residencial, com materiais de fácil acesso. Após 4 meses de trabalho, compilou-se em um e-Book alguns dos materiais a fim de propagar este conhecimento para que outras pessoas possam se beneficiar com ele.
O e-Book foi elaborado da seguinte maneira: primeiro os alunos organizaram as ideias que poderiam ser utilizadas, após isso, o trabalho foi dividido em introdução, conceito do Distúrbio do Espectro do Autismo (DEA), orientações gerais, orientações sobre funções executivas e sobre habilidades comunicativas e por fim um compilado de atividades que podem ser executadas em casa.
O material elaborado foi disponibilizado no formato de e-Book através de redes sociais do Laboratório e das pessoas envolvidas em sua elaboração.

RESULTADOS
Como resultado, obtivemos o próprio e-Book pronto para ser lançado e divulgado nas mídias sociais. Contando com introdução, definição de DEA, orientações gerais para o cotidiano familiar, orientações sobre funções pragmáticas da comunicação, orientações sobre funções executivas e estratégias para estimulação que podem ser realizadas por profissionais, pais e outros cuidadores .

CONCLUSÃO
Pode-se afirmar que a experiência de construir o e-Book de orientações contribuiu para a formação dos alunos de graduação e pós graduação deste serviço, além de oferecer às famílias informações acessíveis e baseadas em evidências científicas, favorecendo a estimulação de crianças com DEA durante esse período de isolamento social.

Molini-Avejonas, Daniela R; Rondon-Melo, Silmara; Amato, Cibelle A; Sameli, Alessandra G. A systematic review of the use of telehealth in speech, language and hearing services. J. Telemed Telecare, 2015 21(7):367-376.
Fernandes, F. D. M. Orientações Para Famílias de Crianças no Espectro do Autismo: Fonoaudiologia Baseada em Evidências. Editora pró-fono. Janeiro de 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2046
AUTO-PERCEPÇÃO DE ESFORÇO VOCAL EM CANTORES APÓS TÉCNICA COM TUBOS DE RESSONÂNCIA E VOCALIZES
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Para melhora do rendimento vocal, cantores realizam exercícios de aquecimento, condicionamento e aperfeiçoamento (1). No entanto, o princípio da individualidade biológica afirma os indivíduos apresentam necessidades e habilidades musculares específicas (2). Diante disso, a avaliação da auto-percepção é considerada fator importante pois dificilmente um indivíduo adere a uma técnica que lhe cause desconforto. A sensação de esforço é individual e pode ser percebida de forma diferente entre os cantores (3). A percepção da voz desempenha papel importante na vida do cantor, pois essa população é propensa a notar mudanças sutis em suas vozes. Diante disso, avaliações externas refletem menos na qualidade de vida e na adesão de técnicas em comparação a autoavalição vocal (4-6). Objetivo: verificar a auto-percepção de esforço vocal em cantores, após técnica com tubo de ressonância e vocalizes. Método: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos, com número do parecer de aprovação 3.197.980. Participaram da pesquisa 30 cantores adultos, na faixa etária de 18 a 45 anos (média de 25,87±5,64) sem alteração laríngea avaliados por videoestroboscopia. Foi solicitado que o cantor escolhesse uma canção do seu repertório que, para ele, apresentasse algum grau de dificuldade e cantá-la durante um minuto. O grau de dificuldade ficou a critério da escolha do cantor (como sustentação de notas, emissão de agudos, graves, controle respiratório). Após a execução do canto, os participantes realizaram a técnica com o tubo de ressonância associado a vocalizes e a técnica dos vocalizes de forma isolada, no tempo de três minutos, em dias diferentes, para evitar interferência de efeito entre os exercícios. Para a execução da técnica com o tubo de ressonância, optou-se em utilizar o princípio da sobrecarga. O cantor emitiu um sopro sonorizado com a vogal /u/ em vocalizes ascendentes e descendentes no tubo com a extremidade distal imersa profundamente em uma garrafa de plástico de 500ml com 2/3 de água. Na técnica dos vocalizes, o cantor emitiu a vogal /u / em sequência melódica pré-estabelecida. Após a execução da técnica, os indivíduos responderam o questionário da Escala Borg CR 10-BR – adaptada para esforço vocal (7), para que fosse possível avaliar a auto-percepção diante dos exercícios realizados. Resultados: A normalidade dos grupos foi analisada pelo teste de Shapiro-Wilk, rejeitando-se a hipótese de distribuição normal quando p<0,05. Para a comparação dos valores antes e após aplicação da técnica e entre modos de execução da técnica (com e sem tubo), foi aplicado o teste Wilcoxon com nível de significância a 5%. Os cantores referiram menor sensação de esforço após a execução de ambas as técnicas, mas a fonação em tubos proporcionou menor sensação de esforço (0,80) em detrimento dos vocalizes (1,25). Conclusão: A fonação em tubos associada aos vocalizes otimizou os resultados em pouco tempo de execução. Pode-se inferir que os exercícios com os vocalizes podem ser capazes de promover uma produção de voz eficiente, mas não necessariamente uma economia vocal e que necessitam de tempo maior que 3 minutos para que haja resultado satisfatório.

1. Titze I. Voice Research: The Five Best Vocal Warm-Up Exercises. J Sing - Off J Natl Assoc Teach Sing. 2001; 57:51-52.

2. Lussac RMP. Principles of Sports Training: Concepts, Definitions, Possible Applications and a Possible New Look. Rev Digit EFDesportes. 2008; 13:121.

3. Camargo MRMC, Zambon F, Moreti F, Behlau M. Translation and cross-cultural adaptation of the Brazilian version of the Adapted Borg CR10 for Vocal Effort Ratings. CoDAS. 2019; 31(5). doi:10.1590/2317-1782/20192018112

4. Manternach, J.N; Daugherty J.F. Effects of a Straw Phonation Protocol on Acoustic and Perceptual Measures of an SATB Chorus. J Voice.2017b

5. Kirsh, et al. Factors associated with singer’s perception of choral singing well-being. Journal of voice, 27 (6),786 e, 25-32. 2013

6. Gish, A, et al (2012). Vocal Warm-Up Practices and Perceptions in Vocalists: A Pilot Survey. Journal of Voice, 26(1), e1–e10. doi:10.1016/j.jvoice.2010.10.005

7. Camargo MRMC, Zambon F, Moreti F, Behlau M. Translation and cross-cultural adaptation of the Brazilian version of the Adapted Borg CR10 for Vocal Effort Ratings. CoDAS. 2019; 31(5). doi:10.1590/2317-1782/20192018112


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1049
AUTOAVALIAÇÃO DE PROFESSORAS COM LARINGE NORMAL E QUEIXAS VOCAIS: RESULTADOS PRELIMINARES
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Professores são os profissionais com maior prevalência de sintomas e alterações vocais1-3. OBJETIVO: Verificar os resultados da autoavaliação de professoras com laringe normal e queixas vocais. MÉTODO: Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (n 2.433.975). Participaram 57 professoras entre 21 e 60 anos de idade (média de 40,14 anos). Foram realizados anamnese, exame otorrinolaringológico, triagem auditiva e preenchimento dos seguintes protocolos de autoavaliação vocal: Perfil de Participação em Atividade Vocais (ponto de corte total=14,6; ponto de corte limitação de atividades=1,65; ponto de corte restrição de participação=1,35), Qualidade de Vida em Voz (ponto de corte total=91,25), Índice de Desvantagem Vocal (ponto de corte domínio funcional=7,5; ponto de corte domínio orgânico=10,5; ponto de corte domínio emocional=3; ponto de corte total=19), Escala de Sintomas Vocais (ponto de corte total=16), Escala de Desconforto do Trato Vocal (ponto de corte frequência=1,188; ponto de corte severidade=1,190), University of Rhode Island Change Assessment-Voz (ponto de corte pré-contemplação=8 ou inferior; ponto de corte contemplação=8 a 11; ponto de corte ação=11 a 14). Análise descritiva. RESULTADOS: No Perfil de Participação em Atividade Vocais, das 57 professoras, 43 (75,4%) ficaram acima do ponto de corte total (média 66,6); 55 (96,5%) acima do ponto de corte em limitação das atividades (média 24,7); e 47 (82,4%) acima do ponto de corte em restrição de participação (média 20,6). No Qualidade de Vida em Voz, 17 (29,8%) professoras ficaram acima do ponto de corte total (média 76,0); 30 (52,6%) no domínio socioemocional (média 73,5); e 10 (17,5%) no domínio físico (média 70,3). No Índice de Desvantagem Vocal, das 57 professoras, 22 (38,6%) ficaram acima do ponto de corte no domínio funcional (média 6,6); 28 (49,1%) no domínio físico (média 11,7); e 22 (38,6%) no domínio emocional (média 3,8). Na Escala de Sintomas Vocais, 53 professoras (93,0%) ficaram acima do ponto de corte total (média 39,8). Na Escala de Desconforto do Trato Vocal, 54 professoras (94,7%) ficaram acima do ponto de corte da frequência dos sintomas (média 2,31) e 54 (94,7%) acima do ponto de corte da sua intensidade (média 2,39). Na University of Rhode Island Change Assessment-Voz, 29 (50,9%) professoras concentraram-se no estágio de pré-contemplação; 28 (49,1%) em contemplação. Nenhuma das professoras estava nos estágios de ação e manutenção. CONCLUSÃO: A maioria das professoras avaliadas apresentou resultados de autoavaliação vocal indicativos de que podem estar realizando usos vocais incorretos que impactam negativamente a sua qualidade de vida e funcionalidade no trabalho.

1 Behlau M, Zambon F, Guerrieri AC, Roy N. Epidemiology of voice disorders in teachers and nonteachers in Brazil: prevalence and adverse effects. J Voice 2012; 26(5): 665.E9-665.E18.
2 Lee YR, Kim HR, Lee S. Effect of teacher's working conditions on voice disorder in Korea: a nationwide survey. Ann Occup Environ Med 2018; 30(43): 1-10.
3 Masson MLV, Ferrite S, Pereira LM, Ferreira LP, Araújo TM. Seeking the recognition of voice disorder as work-related disease: historical-political movement. Ciênc. saúde coletiva 2019; 24(3): 805-816.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2062
AUTOAVALIAÇÃO DO RISCO PARA DISFAGIA EM IDOSOS COM E SEM HISTÓRICO DE HANSENÍASE
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: O envelhecimento ocasiona diversas mudanças fisiológicas e cognitivas, que afetam diretamente a segurança e capacidade funcional do sistema sensório miofuncional orofacial(1) O idoso, mesmo que saudável, está propenso a apresentar presbifagia, entretanto, o quadro disfágico também pode estar associado a doenças crônicas, dentre as quais destaca-se a hanseníase(2). Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), em 2015, foram detectados 28761 novos casos de hanseníase no Brasil, sendo 1135 em Minas Gerais(3). Acredita-se que a lesão no sistema nervoso periférico dos idosos com hanseníase, pode levar a alterações na funcionalidade das estruturas oromiofaciais em vários níveis, uma vez que pode afetar os nervos que fazem parte do complexo sistema estomatognático(4). A relação dentária também é um importante fator na segurança da alimentação do idoso. Estudos apontam que muitos se encontram em um quadro de saúde bucal precária, com alta prevalência de perdas dentárias ou edentulismo e próteses mal adaptadas ou com péssima conservação(5). Embora sua relevância na saúde pública seja notória, são escassos os trabalhos associando a hanseníase com a Fonoaudiologia.
Objetivo: Verificar associação entre o risco para disfagia e as características sociodemográficas e da dentição de idosos com e sem histórico de hanseníase.
Método: Estudo do tipo observacional transversal analítico realizado com dois grupos de idosos. O primeiro grupo, composto por 117 idosos com histórico de hanseníase. O segundo grupo, formado por 254 idosos ativos que frequentam academias públicas municipais. Foram analisados os seguintes dados presentes no questionário estruturado: sexo, idade, grau de escolaridade e aspectos da dentição (presença de dentes naturais e adaptação da prótese dentária). Também foi realizado o rastreio em disfagia, por meio da escala EAT 10 - Eating Assessment Too(6). Foi considerado como risco para disfagia a presença de três ou mais marcações afirmativas pelos idosos, de acordo com o critério de referência do teste. Foi realizada análise descritiva e as associações bivariadas pelo teste Qui-quadrado de Pearson. O nível de significância adotado foi de 5%. Todos os fatores associados ao risco para disfagia ao nível p≤0,20 na análise bivariada foram incluídos no modelo multivariado por meio da regressão logística múltipla. As magnitudes de associação foram estimadas usando-se o odds ratio, com intervalo de confiança de 95%. Este projeto foi aprovado pelo comitê de ética da UFMG pelo parecer nº2.313.952. Todos os participantes concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes de responder os questionários.
Resultados: Os idosos com histórico de hanseníase apresentaram maior prevalência de risco para disfagia segundo o protocolo EAT-10 (18,8%) em comparação com os idosos sem histórico de hanseníase (5,9%). A análise multivariada mostrou que a ausência de prótese aumenta a chance de risco para disfagia nos dois grupos de idosos.
Conclusão: A proporção de risco para disfagia em idosos com histórico de hanseníase é maior do que em idosos sem histórico de tal morbidade. O uso de prótese mal adaptada aumentou o risco para disfagia em ambos os grupos de idosos.


1- Tanure CMC, Barbosa JP, Amaral JP, Motta AR. A deglutição no processo normal de envelhecimento.Rev CEFAC. 2005;7(2):171-77
2- Acosta N et al. Presbifagia:estado da arte da deglutição do idoso. RBCEH.2013 mar ;9(1):143-54
3- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global leprosy update, 2014: need for early case detection. Weekly Epidemiological Record, Geneva, v. 90, n. 36, p. 461-476, 2015a
4- Ghosh S, Gadda RB, Vengal M, Pai KM, Balachandran C, Rao R, et al. Oro-facial aspects of leprosy: report of two cases with literature review. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2010;15(3):459-62
5- Catão MHCV, Xavier AFC, Pinto TCA. O impacto das alterações do sistema estomatognático na nutrição do idoso. Rev Bras Ciênc Saúde. 2011;9(29):73-8.
6- Gonçalves MIR, Remaili CB, Behlau M. Equivalência cultural da versão brasileira do Eating Assessment Tool ‐ EAT‐10. CoDAS. 2013; 25: 601‐ 604.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1674
AUTOAVALIAÇÃO DOS SINTOMAS VOCAIS E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO NA DISFONIA: NOVA PERSPECTIVA COM BASE NA TEORIA DE RESPOSTA AO ITEM
Tese
Voz (VOZ)


Introdução: Há necessidade de aplicação de métodos contemporâneos para validação e avaliação dos instrumentos de autoavaliação vocal, pois permitirão a extração de informações mais precisas, auxiliarão na tomada de decisão quanto ao diagnóstico e monitoramento da disfonia(1,2,3). Objetivo: Obter evidências de validade de construto e aplicar a Teoria de Resposta ao Item (TRI) na Escala de Sintomas Vocais (ESV) e Protocolo de Estratégias de Enfrentamento na Disfonia (PEED), validados para o português brasileiro. Método: Participaram deste estudo documental 495 indivíduos brasileiros, 60,60% (n=300) disfônicos (GD) e 39,40% (n=195) vocalmente saudáveis (GVS), com idade média de 37,58 (±15,69) anos, sendo 67,07% (n=332) mulheres. Para construção do banco de dados, foram extraídos dos prontuários dos pacientes: dados pessoais, profissionais e diagnóstico laríngeo, além de item a item da ESV(4) e do PEED(5). Realizou-se análise estatística descritiva e inferencial por meio dos testes: Alfa de Cronbach, Análise Fatorial Exploratória (AFE) e Confirmatória (AFC), aplicação da Teoria de Resposta ao Item (TRI), utilizando-se os modelos de Resposta Gradual-Samejima e Lord-Birbaum, além da análise da curva ROC, com obtenção do ponto de corte para cada um dos questionários. As questões éticas foram consideradas (protocolo nº 85.774/2015). Resultados: O estudo procedeu em dois momentos: 1) Respostas politômicas/ordinais aos itens da ESV e do PEED: observou-se boa consistência interna para ambos instrumentos, porém a AFE e AFC demonstraram estrutura unifatorial para ESV e PEED. Com a aplicação da TRI, foi sugerida a dicotomização das respostas para ambos instrumentos. 2) Respostas dicotômicas e agrupamento dos itens em um fator único geral para os dois instrumentos: realizou-se nova aplicação da TRI, que possibilitou a observação dos itens de melhor valor nos parâmetros dificuldade e discriminação, que contribuíram com o cálculo do escore/teta de cada sujeito, valor utilizado para análise da curva ROC, que possibilitou o estabelecimento de um ponto de corte para cada protocolo, sendo: -0,276 para a ESV e -0,174 para o PEED. Na ESV, observou-se que os aspectos que melhor discriminaram o GD e o GVS foram relacionados a limitações em atividades cotidianas e impactos emocionais causados pela disfonia. Além disso, observou-se que os primeiros sintomas percebidos por indivíduos disfônicos são os relacionados a questões físicas/orgânicas, e que apenas quando o paciente apresentou maior comprometimento foram relatados os sintomas os emocionais, ou seja, o comprometimento emocional foi reativo à disfonia. Em relação ao PEED, foi observado que todas as afirmações apresentaram discriminação muito boa e que indivíduos com maior escore relataram impactos sociais, relacionados às relações interpessoais e preocupação com a impressão social passada. Ao final, apresentou-se uma nova metodologia de cálculo do escore total dos questionários. Conclusão: Foi necessária a modificação na estrutura da ESV e PEED: tornaram-se instrumentos unifatoriais, com a mesma quantidade de itens dos originais e respostas dicotômicas. Apresentam um novo cálculo e ponto de corte para escore total. Tornaram-se instrumentos com maior acurácia, com possibilidade de indicação de disfonia e a tentativa de maior compreensão nos seus processos, seja vinculado aos aspectos fisiopatológicos e/ou cognitivos.

1. BRANSKI, R.C.; CUKIER-BLAJ,S.; PUSIC, A.; CANO, S.; KLASSEN, A.; MENER, D.; PATEL, S.; KRAUS, D.H. Measuring quality of life in dysphonic patients: a systematic review of content development in patient-reported outcomes measures. J Voice. 2010;24(2):193-8.
2. ALENCAR, S. A. L; SANTOS, J.; ALMEIDA, L.N.; NASCIMENTO, J.A.; LOPES, L.W.; ALMEIDA, A.A. Factorial Analysis of the Brazilian Version of the Vocal Tract Discomfort Scale in patients with dysphonia. Journal of Voice. 2020
3. NANJUNDESWARAN, C.; VAN MERSBERGEN, M.; MORGAN, K. Restructuring the Vocal Fatigue Index Using Mokken Scaling: Insights Into the Complex Nature of Vocal Fatigue. J Voice. 2017.
4. MORETI F, ZAMBON F, OLIVEIRA G, BEHLAU M. Cross-Cultural Adaptation, validation, and cutoff values of the Brazilian Version of the Voice Symptom Scale VoiSS. J Voice. 2014; 28:458-68.
5. OLIVEIRA, G. et al. Coping Strategies in Voice Disorders of a Brazilian Population. J Voice. 2012; 26(2):205-213.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
138
AUTOCONSCIÊNCIA DO IMPACTO DA TONTURA EM PACIENTES SUBMETIDOS AO TESTE VESTIBULAR EM UM HOSPITAL PÚBLICO
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O objetivo dos testes vestibulares é determinar em quais condições se encontra o órgão vestibular. Além disso, esses testes são utilizados para determinar se a tontura é proveniente de origem central ou periférica. O Dizziness Handicap Inventory (DHI brasileiro é um instrumento que avalia a autopercepção de indivíduos com tonturas e seu impacto na qualidade de vida.
Objetivos: Avaliar o impacto da tontura na qualidade de vida de pacientes submetidos aos testes vestibulares e relacionar esses achados com os resultados obtidos.
Métodos: Trata-se de um estudo analítico transversal de 235 pacientes encaminhados para teste vestibular em dois hospitais. O estudo foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética da instituição sob protocolo número 0551/11. Foi realizada a aplicação do DHI brasileiro, anamnese, a avaliação do equilíbrio estático, dinâmico e provas cerebelares, além da pesquisa do nistagmo de posição e posicionamento, provas oculomotoras e prova calórica. Os participantes foram divididos em três grupos, de acordo com o resultado da prova calórica: normal (N), Predomínio Labiríntico alterado (PL) e Preponderância Direcional alterada (PD). Foram realizadas estatísticas descritivas e comparações entre os grupos, considerando um nível de significância de 5% em todas as análises.
Resultados: A amostra contou com 49 homens (20,9%) e 186 mulheres (79,1%). A média de idade dos participantes foi de 54,8 anos (variando de 18 a 93 anos). O teste apresentou-se normal para 169 participantes, 31 tiveram PL alterada e 35 apresentaram PD alterada. A média da pontuação obtida ao DHI Brasileiro foi de 46,1 pontos para o grupo N, 48,6 para o grupo PL e 45,6 para o grupo PD. Foi observada uma maior média de pontuação para o aspecto funcional nos três grupos. Não houve diferença significativa entre os sexos ou grupos para a pontuação obtida no DHI brasileiro.
Conclusão: Indivíduos com teste vestibular normal ou alterado apresentam impacto da tontura na qualidade de vida. Sugere-se a aplicação do DHI brasileiro como ferramenta adicional para avaliar o impacto da tontura na qualidade de vida de todos os pacientes submetidos aos testes vestibulares com a finalidade de fornecer ao otorrinolaringologista mais informações para subsidiá-lo a escolha de uma proposta terapêutica para o paciente com tonturas.

Flores FT, Rossi AG, Schmidt PS. Avaliação do equilíbrio corporal na doença de Parkinson. Int Arch Otorhinolaryngol 2011;15(2): 142–150

SBFa. Guia prático de procedimentos fonoaudiológicos na avaliação vestibular. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia; 2011:11–21

Takano NA, Cavalli SS, Ganança MM, et al. Quality of life in elderly with dizziness. Braz J Otorhinolaryngol 2010;76(6):769–775

Gurgel LG, Dourado MR, Moreira TC, et al. Correlation between vestibular test results and selfreported psychological complaints of patients with vestibular symptoms. Braz J Otorhinolaryngol 2012;78(1):62–67


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1303
AUTOCUIDADO, ESTIMULAÇÃO DE LINGUAGEM E RESGATE DA AUTOESTIMA EM MULHERES AFÁSICAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


Introdução: As afasias são descritas como distúrbios de linguagem provocados por lesões cerebrais adquiridas, com repercussões significativas na funcionalidade da comunicação e na qualidade de vida. No Acidente Vascular Cerebral (AVC), entre 15% a 42% podem apresentar estas alterações ainda na fase aguda, e de 25% a 50% necessitam de reabilitação. Apesar de ser mais frequentes em homens, os sintomas apresentam-se mais graves na maioria das mulheres. A reabilitação de pacientes afásicos pós AVC é um processo dinâmico e deve promover não só as habilidades cognitivo linguísticas, mas também a melhora do autocuidado a partir da compreensão do potencial individual, com a finalidade de reduzir os impactos na funcionalidade e promover o retorno dos indivíduos a seu ambiente familiar e social.
Objetivo: Apresentar por meio de relato de experiência as habilidades desenvolvidas durante uma atividade de automaquiagem em mulheres afásicas atendidas no Ambulatório de Reabilitação dos Distúrbios de Linguagem do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu.
Metodologia: Foi organizada uma atividade de vivência de automaquiagem promovida em parceria dos serviços de Fonoaudiologia, Assistência Social, Psicologia e Unidade de AVC do Hospital das Clínicas de Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), com apoio de profissionais de um salão de beleza e doações de produtos de autocuidado e maquiagem do comércio da cidade. Esta atividade fez parte da campanha do dia mundial do AVC. Participaram seis mulheres entre 36 e 65 anos com dificuldades de comunicação e linguagem, atendidas no Ambulatório de Reabilitação dos Distúrbios de Linguagem instituição, sendo que três apresentavam dificuldades motoras. Foram ensinadas técnicas de automaquiagem para o dia-a-dia adaptadas para as características individuais, enquanto cada uma buscava realizar a técnica nela mesma. Foram ofertadas adaptações motoras e estratégias comunicativas para interação, inclusive material de Comunicação Alternativa Suplementar.
Resultados: Ao entrar na sala muitas apresentaram dificuldades em se olhar no espelho ou interagir em grupo o que mudou no decorrer da atividade. Foi possível observar que todas participantes demonstraram iniciativa comunicativa, manutenção dos diálogos, da motivação e da atenção sustentada para realizar a atividade até o final. A maioria apresentou compreensão verbal das instruções preservadas e as que apresentaram dificuldades fizeram uso das estratégias trabalhadas nos atendimentos individuais. Mesmo com limitações motoras, todas realizaram os movimentos e aplicação dos produtos com independência. Houve boa interação entre o grupo, sendo que elas buscaram conhecer umas às outras. Com a maquiagem mostraram-se mais à vontade com o uso da comunicação e expressaram que iriam enviar fotos a seus familiares através das redes sociais.
Conclusão: A atividade proporcionou o treino do uso de estratégias trabalhadas em sessões individuais para situações de comunicação social. Foram estimuladas as habilidades de linguagem oral e o autocuidado. Considerou-se importante demonstrar a autonomia e independência para as diferentes atividades de vida diária.

MASIERO, Maíra. Pacientes pós-AVC participam de atividade de automaquiagem no HCFMB. Núcleo de Comunicação, Imprensa e Marketing HC | FMB, Botucatu, 30 de out. de 2019. Disponível em: < http://www.hcfmb.unesp.br/pacientes-pos-avc-participam-de-atividade-de-automaquiagem-no-hcfmb/ >. Acesso em: 07 de jun. de 2020.
POMMEREHN, Jodeli; DELBONI, Miriam Cabrera Corvelo; FEDOSSE, Elenir. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e afasia: um estudo da participação social. CoDAS, São Paulo , v. 28, n. 2, p. 132-140, Apr. 2016 . Available from . access on 07 July 2020. https://doi.org/10.1590/2317-1782/201620150102.
DO CARMO NOVAES-PINTO, Rosana. Cérebro, linguagem e funcionamento cognitivo na perspectiva sócio-histórico-cultural: inferências a partir do estudo das afasias. Letras de Hoje, v. 47, n. 1, p. 55-64, 2012.
FLOWERS, Heather L. et al. Poststroke aphasia frequency, recovery, and outcomes: a systematic review and meta-analysis. Archives of physical medicine and rehabilitation, v. 97, n. 12, p. 2188-2201. e8, 2016.
WALLENTIN, Mikkel. Sex differences in post-stroke aphasia rates are caused by age. A meta-analysis and database query. PloS one, v. 13, n. 12, p. e0209571, 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
324
AUTOPERCEPÇÃO AUDITIVA DE INDIVÍDUOS ENCAMINHADOS AO SERVIÇO DE ATENÇÃO À SAÚDE AUDITIVA DE JOINVILLE – SC
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A perda auditiva é uma das alterações fisiológicas mais recorrentes ao processo de envelhecimento do ser humano. As dificuldades auditivas podem interferir na comunicação, no convívio social dos idosos e na qualidade de vida. Objetivo: Verificar a autopercepção em relação à desvantagem auditiva decorrente da perda auditiva ocasionada pela idade nos indivíduos encaminhados ao Serviço Ambulatorial de Saúde Auditiva (SASA) de Joinville – SC para a avaliação auditiva, indicação e adaptação do aparelho de amplificação sonora individual (AASI). Método: O presente estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer número 3.330.921 CAAE 11331419.4.0000.5365. O estudo teve caráter quantitativo, descritivo e transversal e utilizou o protocolo The Hearing Handicap Inventory For Adults (HHIA), traduzido para o português por Almeida (1998). Aplicou-se o protocolo HHIA em 30 indivíduos que realizavam a primeira consulta no SASA para a avaliação da audição e, possível adaptação do AASI. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e a aplicação do teste de correlação r de Pearson a fim de correlacionar a idade dos participantes deste estudo com o escore apresentado. Resultado: A média de idade dos 30 idosos que responderam ao protocolo HHIA foi de 76,8 anos, sendo 40% do gênero masculino e 60% do gênero feminino. Em relação ao escore do questionário, 23,3% tiveram uma somatória de zero a 16 pontos revelando que não tinham percepção de desvantagem auditiva; 36,7% apresentaram o escore de 18 a 42 pontos apontando para uma desvantagem auditiva percebida como leve a moderada e, 40% dos participantes tiveram o escore de 42 a 100 pontos, mostrando uma percepção severa/significativa de desvantagem auditiva.
Foram aplicados testes de amostra emparelhadas com relação significativa, ou seja, o valor de T reportado como t=8,414 e p=0,00 para a relação da idade e o escore foi significativo. Sendo assim, houve uma correção moderada entre idade e escore, apontando que quanto mais jovem o entrevistado, menor a percepção do handicap vivenciado em função da perda auditiva. Conclusão: O estudo identificou que a grande maioria dos idosos encaminhados ao SASA de Joinville (76,7%) percebem-se em desvantagem auditiva em função da presbiacusia. Ainda, os testes estatísticos mostram que, quanto mais idoso for o indivíduo, maior sua desvantagem auditiva o que repercute em sua qualidade de vida. Tais resultados corroboram os achados da literatura. Acredita-se que, tais indivíduos sejam beneficiados com o uso de próteses auditivas a fim de minimizar o impacto da surdez em situações de vida diária.

Xavier IL. Triagem auditiva e percepção da restrição de participação social em idosos. Audiol., Commun. Res. 2018;23(e1867).
Guarisco LPC. Percepção da perda auditiva: utilização da escala subjetiva de faces para triagem auditiva em idosos. Ciência saúde coletiva. 2017;22(11).
Aiello CP, Lima II, Ferrari DV. Validade e confiabilidade do questionário de handicap auditivo para adultos. Brazilian journal of otorhinolaryngology. 2011;77(4):432-4.
Picinini, TA, Weigert LL, Neves CZ, Teixeira AR. Restrição de participação social e satisfação com o uso de aparelho de amplificação sonora individual - um estudo pós-adaptação. Audiol., Commun. Res. 2017;22(e1830).
Camargo, C, Lacerda ABM, Sampaio J, Luders D, Massi G, Marques JM. Percepção de idosos sobre a restrição da participação relacionada à perda auditiva. Distúrbios da Comunicação. 2018;30(4):736-747.
Coelho GR, Souza CV, Lemos MAS. Restrição à participação auditiva: análise dos aspectos sociodemográficos e clínicos. Distúrb Comun,. 2017;29(3):428-437.
Luz VB, Ghiringhelli R, Iório MCM. Restrições de participação e estado mental: estudo em novos usuários de próteses auditivas. Audiol., Commun. Res. 2018;23(e1884).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
878
AUTOPERCEPÇÃO DA FUNÇÃO MASTIGATÓRIA DE IDOSOS SAUDÁVEIS E ADULTOS JOVENS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Idosos tendem a apresentar autoavaliação negativa da função mastigatória1,2 devido fatores como ausências dentárias, redução de força muscular e má adaptação de próteses dentárias3,4. Objetivo: Verificar se conforme o envelhecimento saudável os idosos percebem redução do desempenho da função mastigatória e comparar esta função entre um grupo de idosos (GI) e um grupo de adultos jovens (GC). Métodos: O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme parecer número 2.380.411. Foram selecionados 60 indivíduos, sendo 30 pertencentes ao GI, com média de idade de 67 anos, e 30 ao GC, com média de idade de 22 anos. Cada participante foi instruído a classificar a própria função mastigatória em uma escala de 1 a 10 pontos, considerando que quanto maior a nota atribuída, melhor a classificação. Os participantes também foram questionados quanto a autopercepção de maior tempo de mastigação em relação aos anos anteriores. A avaliação da função mastigatória foi realizada por meio de protocolos padronizados: para o GI foi aplicado o Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores para Idosos e para o GC foi utilizado o Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores Expandido. Conforme os protocolos utilizados, o escore máximo que o GI poderia alcançar era 18 pontos e o GC 20 pontos, sendo que quanto maior a pontuação, melhor o desempenho mastigatório. Dessa forma, foi realizada comparação das médias da porcentagem do escore máximo da função mastigatória obtido em cada grupo, considerando o escore máximo como 100%. Também foi realizada a contagem do tempo total de mastigação em segundos, por meio de um cronômetro digital, sendo considerado o tempo entre o momento em que o alimento era colocado na boca até a última deglutição. Para análise estatística, a comparação da autoavaliação da função mastigatória, da autopercepção de aumento de tempo mastigatório, da média da porcentagem do escore mastigatório e da média do tempo mastigatório entre ambos os grupos foi utilizado o teste não paramétrico Mann-Whitney, considerando o nível de significância de 5%, sendo que cada variável foi analisada separadamente. Resultados: A média da autoavaliação da função mastigatória obtida no GI foi 7,13 pontos, enquanto que no GC foi 8,21, sendo encontrada diferença significativa entre ambos os grupos (p=0,016). Também foi observada diferença significativa quanto a autopercepção de aumento de tempo mastigatório (p=0,05), sendo que 43,3% do GI referiram demorar mais tempo para mastigar, enquanto no GC apenas 6,7% observaram esse aspecto. Quanto ao escore máximo da função mastigatória, foi encontrada diferença significativa (p<0,01), sendo que a média do escore mastigatório alcançada pelo o GI foi 15,13 e pelo GC foi 18,57. Também houve diferença significativa entre o tempo total mastigatório de ambos os grupos (p<0,01), sendo que o GI apresentou média de 63,3 segundos e o GC 34,9 segundos. Conclusão: Idosos apresentam pior média de autoavaliação da função mastigatória e menor escore mastigatório quando comparados a adultos jovens, demonstrando que a autopercepção de redução de desempenho mastigatório pode ser comprovada pela avaliação clínica.

1. Cusson V, Caron C, Gaudreau P, Morais J A, Shatenstein B, Payette H. Assessing older adults’ masticatory efficiency. Journal of the American Geriatrics Society. 2015;63(6):1192-1196.
2. Feizi A, Keshteli A H, Khazaei S, Adibi P. A new insight into masticatory function and its determinants: a latent class analysis. Community dentistry and oral epidemiology. 2016;44(1):46-52.
3. Morita K et al. Factors related to masticatory performance in healthy elderly individuals. Journal of prosthodontic research. 2018;62(4):432-435.
4. Sagawa K et al. Tongue function is important for masticatory performance in the healthy elderly: a cross-sectional survey of community-dwelling elderly. Journal of prosthodontic research. 2019;63(1):31-34.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
381
AUTOPERCEPÇÃO DA MASTIGAÇÃO E DEGLUTIÇÃO EM ADULTOS OBESOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A obesidade pode ser definida, de forma simplificada, como doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e é caracterizada pelo índice de massa corporal acima de 30 kg/m². A obesidade é considerada uma doença integrante do grupo de doenças crônicas não transmissíveis e que aumenta o risco de doenças mortais, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, câncer osteoartrite e apneia do sono. As dificuldades na mastigação e deglutição, como não triturar o alimento de forma eficiente e mastigar com rapidez, ocasionam o insucesso do estímulo de receptores da via digestória, que encaminham uma mensagem errada para o cérebro, e a falha em exibir saciedade faz com que o indivíduo degluta maior quantidade de alimento e aumente de forma exagerada a quantidade deste que será armazenada, agravando ainda mais a obesidade. Um dos profissionais aptos a realizar as orientações sobre a mastigação e deglutição é o fonoaudiólogo que atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológica sendo a motricidade orofacial uma de suas áreas de atuação com pacientes obesos. Objetivo: Descrever a autopercepção das dificuldades relacionadas entre a mastigação, deglutição e a obesidade. Métodos: O presente estudo tem caráter transversal e quantitativo, e foi feita triagem sobre mastigação e deglutição com 27 indivíduos adultos obesos. Foi aplicado um questionário de história clínica do MBGR adaptado. Os indivíduos preencheram os dados de identificação, como: nome, data de nascimento, idade, sexo, peso, altura e telefone. Os entrevistados foram submetidos a responder as perguntas referente a mastigação e deglutição. Em sequência foi realizada análise estatística conforme a classificação do graus de obesidade conforme o IMC de cada indivíduo e separados em grupos, a fim de compreender as dificuldades de mastigação e deglutição autor referidas pelos participantes. O Termo de consentimento esclarecido e questionário foram inseridos no Google Forms e repassados aos indivíduos por redes sociais e WhatsApp. Dessa forma, a amostragem foi realizada por conveniência conforme o preenchimento do questionário. Resultados: Participaram do estudo 27 indivíduos com média de idade de 34,70 anos, a maioria era do sexo feminino (74,07%), peso médio de 94Kg e o IMC médio foi de 35,27. Em relação aos graus de obesidade, 63,96% eram do Grau I. 66,67% mastiga pouco os alimentos, 66,66% tem mastigação unilateral, 62,96% se alimentam fazendo outras atividades, 33,33% realizam mastigação rápida se comparada aos familiares, 29,63% tem mastigação ruidosa e 29,63% ingestão de líquidos durante as refeições e sobre grau de satisfação com relação a mastigação, 74,07% referiram ser ótima ou boa. Em relação a deglutição, a maioria não apresentou queixa. Conclusão: A partir dos resultados deste estudo observou-se que uma parcela considerável dos obesos tiveram autopercepção positiva da mastigação, apesar de relatarem compensações durante o processo alimentar como: ingestão de líquidos e mastigação unilateral, além de mastigar poucos os alimentos, se alimentar fazendo outras atividades e apresentar uma mastigação ruidosa. Acredita-se que fatores objetivos, subjetivos, ambientais e pessoais possam estar associados a autopercepção, sendo necessárias informações a este público sobre a mastigação e deglutição afim de prevenir a obesidade.

APOLINÁRIO, R. M. C. et al. Mastigação e dietas alimentares para redução de peso. Rev. CEFAC Vol. 10 no.2 São Paulo 2008.
BATISTA M. T. e LIMA M. L. Comer O Quê Com Quem? Influência Social Indirecta no Comportamento Alimentar Ambivalente. Psicologia: Reflexão e Crítica, 26(1), 113-121. Nov. 2011.
BINOTTO V., Capacidade Mastigatória, Qualidade Da Dieta E Estado Nutricional Em Longevos. Dissert. apresentada ao Programa de Pós Graduação em Gerontologia Biomédica da PUCRS, como requisito ao grau de Mestre em Gerontologia Biomédica. Porto Alegre 2018. BRAGA, A. P. G. Autopercepção da mastigação e fatores associados em adultos brasileiros. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 28(5):889-904, mai, 2012.
CHIODELLI, L. et al. Influência Da Hipermobilidade Articular Generalizada Sobre A Articulação Teoromandibular, Mastigação E Deglutição: Estudo Transversal. Rev. CEFAC.; 17(3):890-898, Maio-Jun 2015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
670
AUTOPERCEPÇÃO DE INSÔNIA, QUALIDADE DO SONO E DOR MUSCULOESQUELÉTICA EM MULHERES DISFÔNICAS: ESTUDO PRELIMINAR
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: O sono proporciona homeostase corporal, porém quando o indivíduo não consegue relaxar as tensões existentes devido ao estilo de vida moderno, o organismo não consegue entrar em equilíbrio e assim, novos ajustes de tensão muscular podem ser ativadas1. Portanto, uma privação de sono pode causar deterioração vocal, como voz mais rouca, cansada e sem brilho, com possibilidade de presença de fadiga vocal. Essas modificações na qualidade vocal, muitas vezes podem ocasionar afastamento de trabalho, principalmente em profissionais da voz2. A literatura já relata que existe relação entre qualidade vocal e o sono3, em que a percepção de pobre qualidade do sono está relacionada a uma pior percepção da qualidade vocal; e que mulheres apresentam maior percepção da relação sono-voz quando comparadas aos homens, bem como mulheres disfônicas em relação às não disfônicas4. Mulheres disfônicas apresentam maior frequência e intensidade de dor musculoesqueléticas quando comparadas as mulheres vocalmente saudáveis5. Assim, infere-se que mulheres disfônicas que apresentem sintomas álgicos associados, possam ter pior qualidade de sono, ou vice-versa, e acabem realizando ajuste tenso no trato vocal e muscular, o que pode acarretar no aparecimento de fonotraumas e impacto na qualidade de vida. Objetivo: comparar a autopercepção de dores musculoesqueléticas, qualidade do sono e insônia em mulheres disfônicas com mulheres vocalmente saudáveis e associar tais variáveis. Métodos: A pesquisa foi aprovada pelo CEP da instituição sob o número 3.089.557. Participaram 30 mulheres com idades de 20 a 50 anos divididas em: grupo disfônico (GD) - 15 mulheres com diagnóstico de disfonia comportamental; e grupo controle (GC) com 15 mulheres vocalmente saudáveis. Todas responderam aos questionários de Índice da Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI)6, Índice de Gravidade de Insônia7 e Questionário de Investigação de Dor Musculoesqueléticas5. Foram aplicados testes estatísticos para comparar os grupos e relacionar as variáveis de desfecho, com significância de 5% (p<0,05). Resultados: Mulheres disfônicas apresentam maior frequência de dor musculoesquelética nas regiões posterior do pescoço (p=0,011), inferior das costas (p=0,002), masseter (p=0,007), submandibular (p=0,0037) e laringe (p=0,002) quando comparadas às vocalmente saudáveis. Não houve diferença estatisticamente significante para as outras variáveis comparadas. Quanto a relação entre dor e sono, observou-se que houve associação entre dor em algumas regiões de cabeça e pescoço e a qualidade do sono e evidência de insônia, tanto no GD quanto no GC. Conclusão: Mulheres disfônicas tem maior percepção de frequência de dor em regiões de cabeça e pescoço quando comparadas às mulheres vocalmente saudáveis. Existe associação entre qualidade do sono, insônia e dor musculoesquelética, independente da presença de alteração vocal e laríngea.

1. Behlau MS. Voz: o livro do especialista. Rio de Janeiro: Revinter. 2001; 1: 348.
2. Bagnall AD, Dorrian J, Fletcher A. Some vocal consequences of sleep deprivation and the possibility of "fatigue proofing" the voice with Voicecraft voice training. J Voice. 2011; 25(4): 447-61.
3. Rocha BR, Behlau M. The influence of sleep disorders on voice quality. J Voice. 2017; 32: 1-13.
4. Guimarães MASV, Silva MAA. Relação entre sono e voz: percepção de indivíduos adultos disfônicos e não disfônicos. Distúrbio da Comunicação. 2007; 19(1): 93-102.
5. Silverio KCA, Siqueira LTD, Lauris JRP, Brasolotto AG. Muscleskeletal pain in dysphonic women. CODAS; 2014; 5(26): 374-381.
6. Bertolazi AN, Fagondes SC, Hoff LS, Dartora EG, Miozzo ICS, Barba MEF, Barreto SSM. Validation of the Brazilian Portuguese version of the Pittsburgh Sleep Quality Index. Sleep Medicine. 2011;(12): 70–75.
7. Bastien CH, Vallières A, Morin CM. Validation of the Insomnia Severity Index as an outcome measure for insomnia research. Sleep Med. 2001; 2:297-307.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1131
AUTOPERCEPÇÃO DE SINTOMAS VOCAIS E CONHECIMENTO EM SAÚDE E HIGIENE VOCAL EM CANTORES POPULARES E ERUDITOS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Cantores profissionais dominam a técnica de canto, mas isso não significa que eles compreendam a anatomofisiologia do trato vocal para cada ajuste e a falta de compreensão sobre as mudanças ocorridas na laringe e nas cavidades de ressonância durante o canto pode trazer consequências negativas para a voz do cantor, como o desenvolvimento de alterações na qualidade vocal(1-3). Para o cantor profissional, essas alterações podem causar impacto na sua qualidade de vida, pois a voz é o seu instrumento de trabalho(4). Ter conhecimento sobre saúde e higiene vocal poderá prevenir alterações vocais, permitir uma maior longevidade vocal para o cantor(5). Sendo assim, estudos acerca da percepção dos sintomas de voz e dos conhecimentos a respeito de saúde e higiene vocal em cantores, bem como se há associação entre eles, e se isso está relacionado ao estilo de canto ou ao sexo do cantor podem fornecer evidências científicas relevantes para a prática tanto dos próprios cantores como dos profissionais que trabalham com esse público. OBJETIVO: Analisar e relacionar a percepção dos sintomas vocais e o conhecimento de saúde e higiene vocal em cantores populares e eruditos. MÉTODOS: Trata-se de estudo transversal e analítico, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (parecer nº 2.217.614, de 14/8/2017). Participaram da pesquisa 186 cantores de ambos os sexos, na faixa etária de 17 a 60 anos, divididos em: Grupo Cantores Populares (GCP) com 104 cantores populares e Grupo Cantores Eruditos (GCE) com 82 cantores eruditos. Todos os participantes responderam a três instrumentos: autoavaliação vocal, a Escala de Sintomas Vocais (ESV)(6) e o Questionário de Saúde e Higiene Vocal (QSHV)(7). RESULTADOS: O maior número de participantes foi do sexo feminino, sendo no GCE 64,6% (n=53) e GCP 61,5% (n=64), sendo que cantores do sexo feminino apresentaram escores significativamente maiores no domínio emocional da ESV (mulheres = 11,38) que os do sexo masculino (homens = 1,94) (p=0,042). GCE apresentou maior tempo de aula de canto (média 9,37 anos) comparado ao GCP (5,06 anos), com diferença significante (p<0,001). Horas de shows de 1-2 horas foi maior em número de sujeitos respondentes para os dois grupos de cantores, com diferença estatisticamente significante (p=0,005). Na ESV, GCE apresentou maior percepção de sintomas vocais (escores total = 23,49 e emocional 4,09) quando comparado ao GCP (escores total = 18,92 e emocional 2,36), com resultado significante (escore total p=0,035 e emocional p=0,026). GCP e GCE não apresentaram diferenças no conhecimento em saúde e higiene vocal, com média de valores acima da nota de corte de 23 pontos do QSHV (GCP=28,80 e GCE=26,94, p=0,444). Não houve correlação entre o conhecimento em saúde e higiene vocal (QSHV) e os sintomas vocais (ESV) em cantores (p=0,300). CONCLUSÃO: Cantores eruditos são mais afetados por alterações vocais, principalmente as mulheres no aspecto emocional. Os cantores obtiveram um bom grau de conhecimento em higiene vocal, não diferindo em função dos estilos. A percepção de alteração vocal em cantores populares e eruditos parece não ter relação com o grau de conhecimento de saúde e higiene vocal.

1- Behlau M, Rehder MI. Higiene vocal para o canto coral. Rio de Janeiro: Revinter; 2009. 44p.

2- Barreto TMM, Amorim GO, Trindade Filho EM, Kanashiro CA. Vocal Health Profile of Amateur Singers from an Evangelical Church. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(2):140-5.

3- Neto L, Meyer D. A Joyful Noise: The Vocal Health of Worship Leaders and Contemporary Christian Singers. J Voice. 2017;31(2):250.e17-250.e21.

4- Zimmer V, Cielo CA, Ferreira FM. Vocal behavior of popular singers. Rev CEFAC. 2012;14(2):298-307.

5- Cohen SM, Jacobson BH, Garrett CG, Noordzij JP, Stewart MG, Attia A et al. Creation and validation of the Singing Voice Handicap Index. Ann Oto Rhino Laryngol. 2007;116(6):402-6.

6- Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Cross-cultural adaptation, validation, and cutoff values of the Brazilian version of the Voice Symptom Scale-VoiSS. J Voice. 2014;28(4):458-68.

7- Moreti F, Behlau M. Questionário de Saúde e Higiene Vocal - QSHV: desenvolvimento, validação e valor de corte. [Apresentado no XXIV Congresso Brasileiro; 2016 Out 20-22; São Paulo, SP].


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2107
AUTOPERCEPÇÃO E DESEMPENHO DA FALA NO RUÍDO: ESTUDO EM ADULTOS NORMO-OUVINTES EM DIFERENTES FAIXAS ETÁRIAS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O relato de dificuldade de compreensão de fala em ambiente ruidoso é uma manifestação comum, incluso em indivíduos normo-ouvintes1,2. Comumente avalia-se a sensibilidade auditiva por meio da audiometria tonal limiar, assinalada como teste padrão ouro3. Entretanto esta pode não refletir em seus resultados a real condição de escuta do indivíduo. Há muito que se entender quanto as possíveis causas desta manisfestação, estas podem compreender a alterações e/ou prejuízos cocleares e neurais, incluindo as porções extra e intra-axial1. Entende-se que esta população deve ter atenção pelo fonoaudiólogo e um importante passo é a elucidação de como o autorrelato relaciona-se com a tarefa de reconhecimento de fala. Objetivo: Investigar a ocorrência da queixa de dificuldade de inteligibilidade de fala no ruído em adultos normo-ouvintes e comparar ao desempenho da respectiva função. Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob processo nº 2.816.793/2018. Constituiu-se a casuística com 39 indivíduos, de ambos os sexos, com idades de 18 a 59 anos. Estes foram divididos em quatro grupos em função da faixa etária: G18= 18 a 29 anos; G30= 30 a 39 anos. G40= 40 a 49 anos; G50= 50 a 59 anos. Todos os 39 indivíduos possuíam resultados considerados como adequados para as seguintes avaliações: limiar tonal, timpanometria, triagem do estado de consciência mental, e nos testes Dicótico de Dígitos e Padrão de Frequência, realizadas por ocasião do presente estudo. Além de ausência de doenças sugestivas de comprometimento do Sistema Nervoso Central (e.g enxaqueca, convulsão e migrânea) e diabetes. Como procedimento de pesquisa realizou-se a mensuração do autorrelato com o Amsterdan Inventory Auditory Disability and Handicap in Brasilian Portuguese (Pt-AIADH) e o Teste Lista de Sentenças em Português. Resultados: Em todas as faixas etárias houve queixa de inteligibilidade no ruído, sendo este o domínio com diferenças estatísticas significantes entre os grupos, o handicap auditivo foi superior para os grupos com maior idade. As diferenças ocorreram entre G18 vs. G40 (p=0,0099*; IC= -4,330 a -0,470), G18 vs. G50 (p=0,0036*; IC= -4,727 a -0,760) e G30 vs. G50 (p=0,0412*; IC= -4,020 a -0,060). Para a percepção de fala no ruído também houve diferença estatisticamente significante entre os grupos (p=0,0002*̸ F(3,35)=8,69), sendo entre o G18 vs G30 (p=0,0007*/-8,81 a -2,14), G18 vs G40 (p=0,0002*-8,39 a -1,53) e G18 vs G50 (p=0,0010*/-9,01 a -1,96), com maiores valores de relação Sinal/Ruído. Houve correlação moderada (r=0,4359) e significante (p=0,0310; IC=0,03 – 0,59) para as variáveis de inteligibilidade no ruído e a relação Sinal/Ruído do Teste Lista de Sentenças em Português. Conclusão: Adultos normo-ouvintes de todas as faixas etárias estudadas apresentaram queixas quanto à inteligibilidade no ruído. Quanto maior a pontuação em função da queixa, pior o desempenho no teste de fala com ruído. O autorrelato auditivo é uma medida subjetiva capaz de inferir e direcionar quanto às avaliações suplementares necessárias nesta população.


1. Musiek FE, Shinn J, Chermak GD, Bamiou D. Perspectives on the Pure-Tone Audiogram. J Am Acad Audiol. 2017;28(7)655–71. https://doi.org/10.3766/jaaa.16061. PMID: 28722648.

2. Hind SE, Haines-Bazrafshan R, Benton CL, Brassington W, Towle B, Moore DR. Prevalence of clinical referrals having hearing thresholds within normal limits. Int J Audiol. 2011;50:708-16. https://doi.org/10.3109/14992027.2011.582049. PMid: 21714709.

3. Beck RMO, Ramos BF, Grasel SS, Ramos HF, Moraes MFBB, Almeida ER, et al. Estudo comparativo entre audiometria tonal limiar e resposta auditiva de estado estável em normouvintes. Braz. j. otorhinolaryngol. 2014, 80( 1 ): 35-40. https://doi.org/10.5935/1808-8694.20140009.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1297
AUTOPERCEPÇÃO VOCAL DE MULHERES TRANSGÊNERO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz é uma característica marcante na diferenciação entre gêneros e a não identificação deste por meio da voz pode trazer grande impacto na vida de indivíduos transgênero1, aumentando o estigma social vivenciado por esta população em diversos contextos. Objetivo: Identificar a autopercepção e o impacto da voz na vida de mulheres transgênero. Métodos: Este é um estudo transversal observacional, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição em que foi realizado (parecer: 2.731.466). Todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido. Participaram 13 mulheres transgênero que buscavam atendimento fonoaudiológico para adequação vocal. Os critérios de inclusão foram nunca ter realizado terapia fonoaudiológica para adequação vocal, não ter passado por cirurgia laríngea e ser maior de 18 anos. Foi aplicado o questionário de autoavaliação “Transsexual Voice Questionnaire Male-to-Female” (TQVMtF)2 traduzido para o português brasileiro3. O questionário é composto por 30 questões em que as participantes devem responder com base em sua experiência em viver como mulher, dentro de uma escala de um a quatro, em que um corresponde a “nunca ou raramente; dois corresponde a “algumas vezes”; três corresponde a “frequentemente”; e quatro corresponde a “usualmente ou sempre”. A pontuação do questionário varia de 30 a 120, de maneira que quanto maior a pontuação, maior é a percepção de que a voz interfere negativamente na vida da participante. Foram aplicadas também as duas questões adicionais do TQVMtF em que a participante é solicitada a realizar uma avaliação global da sua voz, indicar como esta é atualmente, e como ela deveria ser. As respostas para as duas questões adicionais podem ser: “muito feminina”; “um pouco feminina”; “neutra”; “um pouco masculina”; ou “muito masculina”. Para análise de dados foi realizada estatística descritiva das respostas do questionário com extração dos valores de mediana, mínimo e máximo e porcentagem das respostas para cada questão adicional. Resultados: Os valores de resposta ao TQVMtF variaram de 46 a 107 pontos, com mediana de 79 e desvio padrão de 18,01. Em relação às questões adicionais 23,08% das participantes disseram que sua voz é muito masculina; 30,77% acham sua voz um pouco masculina; 30,77% consideram sua voz neutra; e 15,38% reconhecem sua voz como um pouco feminina. Quando questionadas como sua voz ideal deveria soar 61,54% das participantes respondeu que a voz ideal deveria ser muito feminina, enquanto 38,46% indicou que sua voz ideal poderia ser um pouco feminina. Conclusão: Mulheres transgênero sofrem impacto negativo da voz na sua vida diária e, apesar de não considerarem sua voz como muito feminina, acreditam que esta é a forma como a voz ideal deveria soar. Tais dados devem ser considerados na orientação destas pacientes diante da escolha de tratamento para adequação vocal, uma vez que muitas podem considerar que apenas uma voz com pitch agudo poderia ser identificada como muito feminina. Cabe ao fonoaudiólogo ou profissional da saúde a orientação de que outras características de fala contribuem para a identificação de gênero por meio da voz, ainda que o pitch vocal seja grave.

1- King JB, Lindstedt E, Jensen M, Law M. Transgendered voice: considerations in case history management. Log Phon Vocol. 1999;24:14-18.
2- Dacakis G, Davies S, Oates JM, Douglas JM, Johnston JR. Development and preliminary evaluation of the transsexual voice questionnaire for male-to-female transsexuals. J Voice. 2013;27(3):312-20.
3- Santos HHANM, Aguiar AGO, Baeck HE, Borsel JV. Tradução e avaliação preliminar da versão em Português do Questionário de Autoavaliação Vocal para Transexuais de Homem para Mulher. CoDAS 2015;27(1):89-96


TRABALHOS CIENTÍFICOS
355
AUTOPERCEPÇÃO VOCAL DE PESSOAS COM DP NA PANDEMIA DE COVID-19
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A Doença de Parkinson é uma patologia neurodegenerativa que afeta a produção da dopamina, neurotransmissor produzido na substância negra do mesencéfalo (1). Devido aos processos neurobiológicos do envelhecimento e neurodegenerativo da doença, os pacientes podem ter alterações auditivas. No entanto, somente prejuízos na habilidade de ordenação temporal estão associados com a doença, potencializando, assim, redução da sensitividade auditiva na percepção da fala e monitoramento vocal( 2). Por isso, um dos objetivos da terapia fonoaudiológica é promover melhora da autopercepção vocal dos pacientes (3). Porém, devido a recomendação da Organização Mundial da Saúde, acerca do isolamento social devido a pandemia causada pela Covid-19, pacientes diagnosticados com a DP não puderam dar continuidade ao tratamento adequado presencialmente. À vista disso, nota-se a importância de verificar se houve alteração na percepção vocal durante esse período. Objetivo: Investigar a autopercepção vocal de pacientes com Parkinson na pandemia de Covid-19. Método: Este estudo caracteriza-se como um estudo observacional, descritivo, de abordagem quantitativa. O mesmo faz parte de um estudo maior aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa da instituição de origem, recebendo número do parecer: 1.147.584. Nesta pesquisa participaram voluntariamente 30 pacientes com Doença de Parkinson, de ambos os gêneros, e de qualquer faixa etária. Os participantes responderam um questionário para levantamento de dados sobre a autopercepção vocal durante a pandemia de Covid-19. O questionário foi aplicado com todos os pacientes por meio do Google Forms. Resultados: Quando questionados em como se sentem quanto ao bem estar desde o início da pandemia de Covid-19, 46.7% dos participantes referiu se sentir regular e 26.7% disse se sentir bem. Em relação a voz, a maioria (53.3%) disse que o isolamento social não lhe causou impacto negativo. Ainda sobre a voz, 50% disse que ela não mudou durante a quarentena, 40% assinalou que houve piora, enquanto 10% afirmou que a voz melhorou. 66.6% dos pacientes disseram ter sintomas vocais, os mais dominantes foram voz baixa/fraca e falhas na emissão vocal. 70% dos participantes afirmaram que as pessoas de seu convívio sempre se queixavam de sua fala, alegando principalmente não compreender o que era dito. A realização de exercícios vocais, repetição de fala e emissão forte e pausada foram as respostas mais prevalentes quando indagados sobre qual era a postura frente às queixas. Conclusão: Com base no dados obtidos é possível perceber que a maior parte dos participantes da pesquisa não relacionam sua qualidade vocal ao isolamento social. Além disso, apesar das diferenças entre as porcentagens serem sutis, observa-se que a percepção em relação a qualidade vocal das pessoas que convivem com o Parkinsoniano é pior que a do próprio paciente. Logo, há indícios que o déficit sensorial auditivo destes, pode afetar seu monitoramento vocal, comprometendo, assim, sua comunicação.


1. Radhakrishnan D, Goyal V. Parkinson's disease: A review. Neurology India, 2018 [acesso 01 de julho de 2020]; 66: 26-35. Disponível em: http://www.neurologyindia.com/article.asp?issn=0028-3886;year=2018;volume=66;issue=7;spage=26;epage=35;aulast=Radhakrishnan
2. Lopes M, Melo A, Corona A, Nóbrega A. Existe comprometimento do sistema auditivo na doença de Parkinson?. Revista Cefac, 2018 [acesso 01 de julho de 2020]; 20(5): 573-582. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/2153/efc59825881128efd18447b3b25ed0648b6f.pdf?_ga=2.137221427.2014973336.1593636102-133638273.1593636102
3. Almeida A, Telles M. Autopercepção como facilitadora de terapia vocal em grupo. Distúrbios da Comunicação, 2009 [acesso 01 de julho de 2020]; 21(3): 373-383. Disponível em: http://ken.pucsp.br/dic/article/view/6901


TRABALHOS CIENTÍFICOS
700
AUTOPERCEPÇÃO VOCAL DE TRABALHADORES NA MODALIDADE HOME OFFICE DURANTE PANDEMIA POR COVID-19
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A pandemia por Covid-19 modificou de forma repentina o estilo, o lazer, a rotina de vida e principalmente de trabalho das pessoas em todo o mundo. A OMS1 recomendou o distanciamento social durante a pandemia, o que fez com que muitos trabalhadores necessitassem sair do local habitual de trabalho nas empresas e se adaptassem para desempenhar suas funções na modalidade home office2, como forma de manter as atividades de trabalho. Com o avanço da tecnologia, essa modalidade de trabalho tem sido colocada como tendência a se manter após o término da pandemia. Dessa forma, é necessário conhecer o novo perfil de uso vocal na modalidade remota, e obter evidências acerca dos possíveis sintomas de fadiga vocal e dor musculoesquelética relacionada a produção vocal antes e durante a pandemia, a fim de compreender se há risco para a saúde vocal desses trabalhadores na modalidade de trabalho home office. Objetivo: Investigar a autopercepção de sintomas de fadiga vocal e dor musculoesquelética relacionada a voz em trabalhadores da modalidade home office antes e durante a pandemia de Covid-19. Materiais e métodos: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (parecer número 4.071.175) e todos os participantes assinaram o TCLE. Trata-se de um estudo com delineamento transversal, observacional e descritivo. Participaram da pesquisa 425 indivíduos, divididos entre: Grupo Experimental - 235 indivíduos que estão trabalhando na modalidade home office durante a pandemia de COVID-19; Grupo Controle - 189 indivíduos que continuam trabalhando presencialmente durante a pandemia por COVID-19. Todos responderam o Índice de Fadiga Vocal (IFV)4 e o Questionário de Investigação de Dor Musculoesquelética5. Os dados foram analisados de forma descritiva e inferencial. Resultados: O GE referiu mais sintomas de fadiga vocal e de dor musculoesquelética quando comparado ao GC, antes da pandemia. Entretanto, durante a pandemia, o GE apresentou maior frequência de dor nas regiões posterior do pescoço, ombros, superior das costas, temporal e masseter, enquanto o GC apresentou maior frequência de dor na laringe. Quanto à fadiga vocal, durante a pandemia, o GE apresentou aumento dos escores em relação aos fatores fadiga e limitação vocal, restrição vocal e total. Não houve diferença para o GC. Conclusão: Indivíduos que passaram a desempenhar seu trabalho na modalidade home office durante a pandemia de COVID-19 apresentaram aumento dos sintomas de fadiga vocal e dor musculoesquelética na região cervical durante a pandemia, enquanto indivíduos que continuam trabalhando em seu local habitual apresentaram aumento da dor na região de laringe durante a pandemia. Trabalhadores que migraram para a modalidade home office durante a pandemia COVID-19 apresentam risco para desenvolver alteração vocal.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
317
AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA DE AGRICULTORES DE UM ASSENTAMENTO RURAL NO PARANÁ
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A perda auditiva é comumente associada a idade, a exposição a altos níveis de ruído, traumas acústicos ou cranianos, mas também pode ser advinda de uma exposição a agentes ototóxicos e neurotóxicos, se tratando de perda auditiva ocupacional, geralmente há a associação da perda devido a exposição a ruído, porém a exposição a agrotóxicos também pode ser um agente de risco que pode acometer a saúde auditiva, e se combinado com a exposição ao ruído, pode potencializar o efeito e ser ainda mais danosa a audição1. Estudos evidenciaram que a exposição ao agrotóxico, induz a danos no sistema nervoso periférico, sistema nervoso central da audição e a alterações cognitivas, à estudos, que também avaliam concomitantemente o ruído ao agrotóxico, evidenciando, que ruído é um agente potencializador dos efeitos dos agrotóxicos no sistema auditivo2. Para nortear a avaliação de trabalhadores expostos a agrotóxicos, o Estado do Paraná, através da Secretaria de Saúde – SESA elaborou o Protocolo de avaliação das intoxicações crônicas por agrotóxicos através da resolução SESA nº 094/20133.Objetivo: avaliar a audição periférica e central de agricultores de um assentamento rural no Paraná. Métodos: O estudo do tipo transversal, teve aprovação do CEP n. 4.069.536. Foram avaliados 16 trabalhadores, de ambos os sexos, com faixa etária entre 40 e 70 anos, todos agricultores de um assentamento rural expostos a agrotóxicos (organofosforados) e ruído de motores. Foi aplicado um questionário para informações sobre a atividade, seus riscos e sobre morbidades. Realizou-se audiometria tonal liminar convencional, teste de imitância acústica, teste de emissões otoacústicas evocadas produto de distorção e o exame do potencial evocado auditivo de tronco encefálico. Os dados foram analisados por procedimentos estatísticos com significância de 0,05. Resultados: predominou o sexo masculino (56,20%), a faixa etária com mais de 61 anos (43,20%) e tempo de serviço como agricultor maior que 40 anos (37,50%); fazem uso de medicamentos (68,70%) e apresentam hipertensão arterial (56,20%); estão expostos a organofosforado (36,80) e expostos ao ruído (93,70%). As principais queixas/sintomas foram: zumbido (93,70%), dificuldade para escutar (81,20%) e ouvido tapado, cefaleia, irritabilidade e problemas estomacais (75%). Na audiometria tonal limiar, as médias dos limiares demonstram perda auditiva neurossensorial com configuração em entalhe acústico (3000, 4000 e/ou 6000Hz), curvas timpanométricas Tipo “A” na orelha direita 100% e na esquerda 75%. As médias por frequências da relação sinal/ruído indicaram ausência de EOA produto de distorção, em todas as frequências na orelha direita e a partir de 3.000Hz na esquerda. As médias das latências absolutas e intervalos interpicos do PEATE estão dentro do padrão esperado, indicando alterações cocleares. Conclusão: As alterações auditivas encontradas no grupo estudado foram predominantemente cocleares, não foram observadas alterações nas vias auditivas.


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3. Paraná. RESOLUÇÃO SESA nº 094/2013 anexo I. Protocolo de avaliação de intoxicações crônicas. Diário Oficial do Estado nº 8897, de 14/02/13


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1382
AVALIAÇÃO CLÍNICA DA DEGLUTIÇÃO EM PACIENTES SUBMETIDOS AO TRATAMENTO QUIMIOTERÁPICO EXCLUSIVO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: O câncer é uma neoplasia maligna e o seu tratamento pode ser feito através de quimioterapia, radioterapia, cirurgia, entre outros. A quimioterapia é o tratamento com um ou mais medicamentos para destruir células cancerosas e as reações adversas podem atingir a região orofacial e cervical alterando o processo de deglutição, que tem por finalidade o transporte de líquidos e alimentos da cavidade oral até o estômago, mantendo o estado nutricional e protegendo a via aérea. A disfagia é o prejuízo no funcionamento em qualquer parte desse processo, tendo como possíveis complicações, desnutrição, desidratação ou pneumonia. OBJETIVO: Avaliar a deglutição em pacientes submetidos ao tratamento quimioterápico exclusivo, para cânceres que não afetem cabeça e pescoço. MÉTODOS: Estudo de campo, quantitativo, descritivo, de corte transversal. Foram utilizados dados secundários através de análise de prontuários, e primários, por meio de avaliação clínica fonoaudiológica da deglutição a partir de um protocolo desenvolvido pelos pesquisadores. A pesquisa foi realizada em uma unidade hospitalar de oncologia, durante o período julho e agosto de 2018. Foram incluídos, pacientes adultos que se alimentam por via oral e submetidos à quimioterapia isolada para tratamento de câncer, a partir do segundo ciclo. Foram excludentes, pessoas com traqueostomia e comorbidades associadas como Diabetes e Hipertensão Arterial Sistêmica. Foi realizada a análise estatística inferencial dos dados por meio do software IBM-SPSS Statistics versão 22, adotando a significância estatística de p<0,05 para todos os testes. Os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos. RESULTADOS: A amostra foi composta por 26 indivíduos, com faixa etária entre 26 e 58 anos, sendo identificados os seguintes tipos de câncer: Mama, Linfoma, Cólon, Ovário, Gástrico, Colo Do Útero, Sarcoma de Ewing, Duodeno, Próstata, Intestino e Pulmão. Os fármacos utilizados com maior frequência foram Doxorrubicina, Ciclofosfamida, Fluoracil, Oxaliplatina e Docetaxel. As principais alterações encontradas no momento da avaliação foram: xerostomia (50% n=13), hipotonia (57,7% n=15) e diminuição de mobilidade em músculos orofaciais (53,8% n=14). Enquanto na avaliação da deglutição, na oferta de sólido, verificou-se: presença de resíduo de alimento sólido na cavidade oral após a deglutição (11,5% n=3); sensação de estase alimentar em região faríngea (23,1% n=6), pigarro após deglutição necessidade de limpeza laríngea sob comando (19,2 n=5, cada), estando este último associado à xerostomia em sua totalidade, com valor significativo estatisticamente (p=0.013) no teste Qui-quadrado de Pearson. Durante oferta de líquido, foi verificada, também, voz molhada (30,8% n=8). Não houve alterações no processo de deglutição durante oferta de alimento pastoso. CONCLUSÃO: Pacientes submetidos ao tratamento quimioterápico para o câncer apresentam transtornos de deglutição, seja no tocante às estruturas envolvidas ou no processo fisiológico, com destaque para a presença de xerostomia em 50% dos pacientes avaliados, sendo 54,5% dos usuários de ciclofosfamida. Podendo-se inferir que a avaliação clínica fonoaudiológica da deglutição se mostra como uma importante opção no gerenciamento do tratamento quimioterápico e pode indicar a conduta mais adequada para recuperação do paciente e continuidade do tratamento antineoplásico.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1699
AVALIAÇÃO COMPORTAMENTAL E ELETROFISIOLÓGICA EM CRIANÇAS ACOMETIDAS POR FISSURA PALATINA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O processamento auditivo central (PAC) refere-se à eficácia e efetividade com que o sistema nervoso central (SNC) utiliza a informação auditiva e pode encontrar-se alterado levando a possíveis dificuldades no processamento perceptivo dessas informações no SNC em uma ou mais habilidades, dando origem a um transtorno do processamento auditivo¹. O PAC pode ser avaliado por meio de medidas eletrofisiológicas e comportamentais. A combinação dessas medidas pode elucidar questões relacionadas à integridade da via auditiva e o funcionamento das habilidades auditivas². O Mismatch Negativity (MMN), é um Potencial Evocado Auditivo de Longa Latência que representa respostas cerebrais relacionadas às habilidades de atenção involuntária, discriminação, processamento e memória auditiva³-⁴. Crianças acometidas por fissura labiopalatina (FLP) apresentam como alteração auditiva mais frequente a otite média, a presença de fluido constantemente na orelha média resulta em uma barreira na condução do som podendo afetar a detecção sonora do indivíduo⁵-⁶.

Objetivo: Analisar os achados das avaliações eletrofisiológicas e comportamentais do PAC em crianças com fissura palatina completa e comparar com grupo controle.

Métodos: Estudo do tipo transversal e comparativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob número 25000.089325/2006-58. A casuística foi composta por 48 crianças de 7 a 9 anos divididas em grupo estudo (GE), composto por 16 crianças acometidas por fissura palatina completa, e grupo controle (GC), composto de 32 crianças sem FLP, pareado por idade e sexo. Foram realizadas anamnese, avaliação audiológica periférica básica (audiometria tonal liminar, audiometria vocal e medidas de imitância acústica), avaliação comportamental do PAC (testes Dicótico de Dígitos -DD, Dicótico Consoante Vogal – DCV, Pediatric Speech Intelligibility – PSI, Gaps in noise – GIN e Pitch Pattern Sequence – PPS) e avaliação eletrofisiológica (Mismatch Negativity). Todas realizaram PEATE click para verificar integridade neural.

Resultados: Todas as crianças apresentavam limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade, confirmados pela avaliação audiológica periférica básica. As crianças com fissura palatina apresentaram 4 ou mais episódios de otite média por ano, por mais de dois anos consecutivos. Na comparação entre grupos, foi observado pior desempenho para o GE nos testes comportamentais e eletrofisiológico. Os achados foram significativos (p<0,001) para os testes PSI, GIN e PPS, indicando um prejuízo nas habilidades de figura-fundo, resolução e ordenação temporal. Com relação a avaliação eletrofisiológica (MMN), verificou-se diferença significativa nos valores de latência na comparação entre os grupos controle e estudo (p≤0,001). Os valores de latência do MMN foram aumentados no grupo estudo de crianças com fissura palatina. Foram observadas associações entre os achados comportamentais e eletrofisiológicos analisados.

Conclusão: Na amostra estudada as crianças com fissura palatina apresentam pior desempenho nas avaliações eletrofisiológicas e comportamental do PAC quando comparadas a um grupo controle. Acreditamos que tal resultado seja reflexo dos frequentes quadros de otite média. Foram observadas alterações que poderiam resultar em dificuldades para identificar pequenas variações acústicas da fala e dificuldade em produzir os sons de forma correta ou em interpretar a mensagem ouvida.

1. ASHA – American Speech-Language-Hearing Association. (Central) Auditory Processing Disorders [Technical Report]. 2005. Disponível em: https://www.asha.org/policy/TR2005-00043/. Acesso em: 10/07/2020
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
210
AVALIAÇÃO DA AUTOPERCEPÇÃO VOCAL PRÉ E PÓS INTERVENÇÃO EM PROFESSORES DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE PORTO ALEGRE
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Resumo:
Introdução: Os educadores fazem parte de uma das profissões com maior número de distúrbios na voz, muitas vezes ocasionado pelas condições desfavoráveis de trabalho, como exigência e intensidade vocal excessivas. Objetivo: Avaliar a autopercepção vocal em um grupo de professores de uma escola pública da cidade de Porto Alegre. O estudo buscou conhecer a visão dos educadores sobre sua voz, considerando os aspectos individuais, ambientais e organizacionais e desenvolver oficinas teórico-práticas sobre saúde vocal. Método: Estudo transversal, comparativo, no qual foram analisadas as respostas aos
questionários pré e pós intervenção, a fim de analisar se ocorreram mudanças no conhecimento e hábitos vocais, sobretudo ligados ao ambiente de trabalho dos professores. Resultados: O tempo médio de atuação dos professores foi de 16,65
anos. Os itens de percepção vocal autorreferidos mais prevalentes entre os professores foram voz rouca, voz alterada, voz fraca, voz muito grave, com 10% cada, e voz com falhas (5%). Na comparação de presença de dificuldades na
produção da voz no trabalho em relação a outras atividades, 11 (55%) professores responderam que há diferença. Verificou-se em 100% da amostra como fatores associados a essa dificuldade o alto nível de competição sonora e ambiente de trabalho causador de estresse, tensão e/ou ansiedade. Conclusão: Apesar de haver um número significativo de trabalhos científicos já publicados sobre o tema, salientase a importância de ações e programas voltados à saúde vocal, sobretudo estudos que oportunizem ações diretas com os docentes, resultando na melhora do processo ensino-aprendizagem e qualidade de vida destes trabalhadores.

Palavras-chave: Fonoaudiologia; Saúde do Trabalhador; Disfonia.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1974
AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE DISCRIMINATÓRIA DE TRÊS INSTRUMENTOS DE AUTOAVALIAÇÃO VOCAL: QVV, IDV E ESV NA CLASSIFICAÇÃO DE INDIVÍDUOS COM E SEM DISTÚRBIO DE VOZ
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A produção vocal consiste em um fenômeno complexo e que depende da interação e do bom funcionamento do grupo neuromuscular, integridade dos tecidos do aparelho fonador, saúde mental e física; aspectos de personalidade, idade e gênero do indivíduo. Quando não ocorre a harmonia entre esses aspectos, a emissão vocal torna-se prejudicada, caracterizando a presença de um possível distúrbio vocal. Logo, os pacientes que apresentam algum sinal desse distúrbio devem passar por uma avaliação multidimensional ampla e complexa, podendo não ser viável para situações em que se necessita de uma identificação rápida. A autoavaliação, por outro lado, é um dos métodos da avaliação em que utiliza questionários de autoavaliação vocal e oferece valiosos resultados em relação ao impacto do distúrbio vocal de acordo com a percepção do próprio sujeito. Assim, diversos instrumentos de autoavaliação estão disponíveis para prática clínica, sendo que alguns destacam-se por serem mais difundidos e utilizados mundialmente. Entre eles, citam-se o Questionário de Qualidade de Vida em Voz (QVV); o Índice de Desvantagem Vocal (IDV); e a Escala de Sintomas Vocais (ESV).
OBJETIVO: Avaliar a efetividade de três instrumentos de autoavaliação vocal na classificação de pacientes com distúrbios vocais diversos.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, explicativo e documental. Participaram dessa pesquisa 143 indivíduos com distúrbios vocais variados, de acordo com exame laríngeo a avaliação fonoaudiológica. A maior parte da amostra foi constituída por mulheres (75,5%), de faixa etária adulta (86,7%), não profissionais da voz (64,3%) e com distúrbio vocal de severidade leve (49,0%). A coleta de dados dessa pesquisa seguiu as seguintes etapas: acesso ao banco de dados, aplicação dos critérios de elegibilidade e seleção das variáveis de interesse para caracterização da amostra, além da coleta dos itens dos três protocolos de autoavaliação selecionados para esse estudo: o protocolo de Qualidade de Vida em Voz – QVV, o Índice de Desvantagem Vocal – IDV e a Escala de Sintomas Vocais – ESV. Em seguida, os dados passaram por análise estatística descritiva e inferencial.
RESULTADOS: A ESV apresenta o melhor índice de assertividade, identificando 133 (93,0%) indivíduos com distúrbio vocal, seguido pelo protocolo IDV, que detectou 117 (81,8%) indivíduos. O QVV obteve o pior índice de assertividade, identificando 13,3% dos indivíduos com distúrbio vocal (n=19), no entanto, percebe-se que o mesmo pode variar de acordo com o diagnóstico laríngeo observando-se melhores resultados na identificação dos indivíduos com distúrbio vocal de origem orgânica. O IDV e a ESV, por sua vez, identificaram 81,8% dos casos (n=117) e 93,0% (n=133), respectivamente, apresentando assim, elevados índices de assertividade, independentemente do tipo de distúrbio vocal apresentado.
CONCLUSÃO: A Escala de Sintomas Vocais apresenta um elevado índice de assertividade para identificar indivíduos com distúrbio vocal, devendo ser considerada com maior relevância durante o processo de avaliação vocal.

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10. JACOBSON, B.H., et al. The voice handicap index (VHI): development and validation. Am J Speech Lang Pathol. 1997;6:66–70.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
315
AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DE PROGRAMAS DE PRESERVAÇÃO AUDITIVA NA PREVENÇÃO AUDITIVA DE TRABALHADORES EXPOSTOS AO RUÍDO EM EMPRESAS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A exposição excessiva ao ruído intenso, como nas atividades profissionais, pode trazer danos a saúde geral, a qualidade de vida e a audição dos trabalhadores, como a perda auditiva induzida por ruído (PAIR)1,2. Apesar da disseminação da implementação de Programas de Preservação Auditiva (PPA) nos locais de trabalho nas últimas décadas, a PAIR continua ocorrendo em trabalhadores expostos ao ruído, sendo considerada uma das 10 doenças ocupacionais mais recorrentes3. Assim, o PPA é obrigatório em todos os locais de trabalho onde os níveis de pressão sonora excedam os limites de tolerância previstos pela NR-15. À medida que o PPA é implantado, busca-se preservar a audição por meio da identificação de riscos e implantação de medidas de controle dos agentes otoagressivos, gerenciamento auditivo e desenvolvimento de ações educativas4. Considera-se que se em 5 anos os limiares auditivos dos trabalhadores devem permanecer estáveis para o PPA ser considerado eficaz. Objetivo: analisar a efetividade da implantação de PPA em empresas, a partir do monitoramento auditivo dos trabalhadores. Métodos: estudo de coorte retrospectivo, aprovado pelo CEP n.2.368.105. Participaram do estudo 5 empresas com PPA implantados há no mínimo 5 anos, do Sul do país. Foram analisados os dois audiogramas de cada trabalhador (exames de referência e sequencial), com intervalos de 5 anos, num total de 250 trabalhadores e analisada a estabilidade auditiva ou o deslocamento no limiar padrão (NR 7). Identificou-se o nível de ruído na empresa, idade, sexo e tempo de serviço. Aplicou-se um questionário fechado sobre os componentes do PPA aos responsáveis pela Saúde e Segurança no Trabalho e fonoaudiólogo das empresas. Os dados foram analisados por procedimentos estatísticos, considerando-se o nível de significância de 0,05. Resultados: os responsáveis pelas empresas (3-60%) relataram que as ações do PPA desenvolvidas em suas empresas são boas mas não o suficientes; os fonoaudiólogos não realizaram a avaliação do PPA e a maioria das ações se concentra no gerenciamento auditivo e orientações/treinamentos anuais sobre uso adequado de protetores auditivos. A maioria dos trabalhadores tinha entre 30-39 anos de idade (35,6%), estavam nas empresas a menos de 10 anos (50,4%), 47,6% expostos entre 85 e 90 dBA(Leq) e apresentaram no audiograma de referência limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade (orelha direita 74,4% e orelha esquerda 76,4%); no período de 5 anos, 15(6%) trabalhadores apresentaram deslocamento nos limiares padrões compatíveis com PAIR, sendo que 3 empresas não tiveram nenhum caso no período. Na empresa A (produção de maquinários têxteis) houve maior número de casos (9 – 60%) com significância estatística em relação às demais; em relação ao sexo, nível de ruído, idade e tempo de serviço na empresa não existe relação dessas variáveis com os grupos com deslocamento no limiar padrão e limiares estáveis (p=0,0001). Conclusão: nem todos os PPA instalados nas empresas estudadas podem ser considerados eficazes, uma vez que não conseguiram prevenir o desenvolvimento da PAIR ou seu agravamento. O cuidado no desenvolvimento do PPA em todos os seus aspectos deve ser melhor considerado pelos fonoaudiólogos nas empresas, possibilitando a prevenção da PAIR.


1. Lie A, Skogstad M, Johannessem H, Tynes E, Mchlum I, Nordby K, Engdahl B, Tambs K. Int Arch Occup Environ Health. 2016; 89:351-72.
2. Lacerda A, Bramati L, Silveira F, Macedo R, Gonçalves C, Marques J. Eventuais consequências Sociais e Emocionais, com Implicações Laborais, secundárias à Perda Auditiva induzida pelo Ruído. Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional. 2019; 8: 1-15. DOI 10.31252/RPSO.07.09.2019
3. NIOSH, 1998. Criteria for a Recommended Standard [Online]. https://www.cdc.gov/ niosh/docs/98-126/pdfs/98-126.pdf.
4. Gonçalves CGO. Saúde do trabalhador: da estruturação à avaliação de programas de preservação auditiva. São Paulo: Roca, 2009.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1931
AVALIAÇÃO DA IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DE TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL EM UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O Programa de Triagem Auditiva Neonatal (PTAN) tem por finalidade identificar de forma precoce os recém-nascidos com deficiência auditiva e intervir em tempo hábil para que a alteração não dificulte ou impeça a aquisição e o desenvolvimento da linguagem. Conhecer os resultados desses programas pode fornecer informações aos gestores quanto à ocorrência da perda auditiva neonatal e suas possíveis causas; a identificação dos pontos de estreitamento e das ações necessárias para garantir efetivamente o recém-nascido o acesso ao programa e o tratamento precoce; além da elaboração de estratégias para a prevenção da perda auditiva. Um estudo de avaliação pode orientar sobre modificação ou continuação do PTAN, além de apontar os fatores favoráveis e desfavoráveis envolvidos. Objetivo: Avaliar a implantação do Programa de Triagem Auditiva Neonatal em um centro de referência estadual. Método: Trata-se de um estudo avaliativo, de análise de implantação do tipo b1, com abordagem quantitativa e qualitativa, desenvolvido por meio de estudo de caso único. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos sob o parecer nº 3.487.887, realizado no período de agosto a outubro de 2019, do qual participaram os dois únicos fonoaudiólogos que atuam na triagem auditiva neonatal e o gestor responsável pela coordenação do PTAN do centro de referência. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista com informantes-chave e observação direta. Foram estudados indicadores relacionados à estrutura e processo do PTAN, para avaliação do grau de implantação (GI), e variáveis relacionadas ao seu contexto estrutural e político, para análise do contexto de implantação deste programa. Na análise dos dados foi empregada a estatística descritiva e a análise de conteúdo de Bardin. Resultados: Os resultados apontam que o Grau de Implantação do Programa de Triagem Auditiva Neonatal foi considerado parcialmente implantando (71,6%), com contexto político favorável (75,0%) e contexto estrutural desfavorável (28,5%), de modo que a classificação final do contexto foi considerada desfavorável (50,0%). O número de categorias temáticas desfavoráveis foi superior no contexto estrutural, o que influenciou de forma negativa esse resultado. Os aspectos do contexto apontados como desfavoráveis foram: acompanhamento e monitoramento das metas correspondentes ao PTAN; acompanhamento dos resultados e rastreio dos casos; quantitativo de profissionais; e planejamento para melhoria da implantação do PTAN. Já os aspectos apontados como favoráveis foram: Investimentos para a implantação do PTAN; conhecimento sobre o PTAN; priorização da implantação do PTAN no hospital; e qualificação profissional da equipe/gestor do PTAN. Conclusão: O Programa de Triagem Auditiva Neonatal do centro de referência em estudo encontra-se parcialmente implantado, com contexto político favorável e o estrutural desfavorável, os quais contribuíram na integração contextual para o resultado dessa implantação.



Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas e Departamento de Atenção Especializada. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
The Joint Committee on Infant Hearing. Year 2019 Position Statement: Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs. 2019;4(2):1-44.
Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1891
AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DE FALA E PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE LEITURA E ESCRITA – RESULTADOS PRELIMINARES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Déficits na percepção da fala têm sido apontados em crianças com Transtorno específico da leitura (Dislexia do desenvolvimento), cuja principal característica está no prejuízo em reconhecer palavras escritas, com impacto direto na fluência leitora(1). Não raramente, são associados a déficits do processamento auditivo(2,3). Objetivo: Investigar e caracterizar o perfil de correlações entre processamento auditivo, percepção de fala e parâmetros da fluência em leitura de escolares com Transtorno específico da leitura (F81.0) e da escrita (F81.1) - TLE. Método: Estudo retrospectivo, de corte transversal e análise quantitativa, aprovado pelo CEP (CAAE: 47313115.5.0000.5505, Parecer: 1415919). Participaram 20 meninos e meninas com diagnóstico de TLE (N=10 - Grupo Pesquisa/GP) e com desenvolvimento típico (N=10 - Grupo Controle/GC). Os participantes passaram pela Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo Central – ASPAC(4), avaliação psicolinguística da percepção da fala(5), e avaliação dos parâmetros de velocidade (palavras lidas por minuto) e acurácia (palavras lidas, corretamente, por minuto) em prova de leitura oral de 48 palavras isoladas. Para o tratamento estatístico utilizou-se Correlação de Spearman (nível de significância estatística < 0,05). Resultados: Conforme esperado, o GP mostrou mais baixos valores de velocidade (GP=29,16 palavras/minuto; GC=56,57 palavras/minuto) e acurácia (GP=19,74 palavras corretas/minuto; GC=47,87 palavras corretas/minuto) ao lerem palavras isoladas. Os grupos foram semelhantes quanto ao desempenho em percepção de fala e processamento auditivo. O GP mostrou correlações positivas fortes e muito forte entre os parâmetros de fluência de leitura e as habilidades de processamento auditivo e entre esses parâmetros e a percepção de fala (velocidade: r=0,78 e p=0,01; acurácia: r=0,83 e p=0,00). O GC mostrou correlação positiva moderada entre os parâmetros de leitura e as habilidades de processamento auditivo e entre acurácia e percepção de fala. Entretanto, a velocidade de leitura não se correlacionou com a percepção de fala (r=0,40 e p=0,26) nessa amostra de crianças de desenvolvimento típico de aprendizado. Conclusão: A esperada correlação entre parâmetros de fluência da leitura, deficitárias em crianças com TLE, foi observada na amostra avaliada. A ausência dessa correlação no GC corrobora esse resultado.


1. Messaoud-Galusi S, Hazan V, Rosen S. Investigating Speech Perception in Children With Dyslexia: Is There Evidence of a Consistent Deficit in Individuals?. Journal of Speech, Language, and Hearing Research. 2011;54(6):1682-1701.
2. Tallal P. Auditory temporal perception, phonics, and reading disabilities in children. Brain and Language. 1980;9(2):182-198.
3. Ziegler J, Pech-Georgel C, George F, Lorenzi C. Speech-perception-in-noise deficits in dyslexia. Developmental Science. 2009;12(5):732-745.
4. Pereira LD, Schochat E. Processamento auditivo central: manual de avaliação. 1ª ed. São Paulo: Lovise; 1997.
5. Appezzato M, Hackerott M, Avila C. Tarefa de discriminação de fala com pseudopalavras. CoDAS. 2018;30(2).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2058
AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO DE FALA EM INDIVÍDUOS COM FISSURA LABIOPALATINA: ESTUDO DE CASO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Indivíduos com fissura labiopalatina podem apresentar diversas alterações na comunicação verbal, incluindo alterações na produção e percepção da fala. A alteração na percepção dos sons da fala, particularmente, pode dificultar o processo de correção da fala por meio da fonoterapia.
Objetivo: Descrever o desempenho de percepção de fala durante tarefa de identificação de contrastes fonológicos em um falante com fissura labiopalatina (FLP) utilizando o PERCEFAL.
Método: O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa CAAE: 23753219.4.0000.5441. O PERCEFAL (instrumento) é um instrumento elaborado para avaliar a habilidade de identificação de contrastes fonológicos em 72 pares mínimos: vogais (n = 21), soantes (n = 21), oclusivas (n = 15) e fricativas (n = 15). Cada par é ilustrado com uma imagem para cada palavra e exibido em um monitor de computador, juntamente com uma gravação de áudio, a qual solicita que o falante selecione a imagem que corresponde ao estímulo falado por um adulto com discurso típico. O diferencial nesta proposta é a possibilidade do paciente também avaliar a percepção de sua própria fala, desde que esta seja gravada durante produção dos 72 estímulos. O desempenho perceptivo auditivo do falante é realizado com base no seguinte critério: acurácia.
Resultados: O caso apresentado foi submetido à avaliação da percepção de fala usando-se o PERCEFAL. A avaliação foi aplicada em uma sala sem ruído e os dados coletados foram computados automaticamente pelo PERCEVAL (software). O participante foi estudado aos 6 anos de idade, é sexo masculino e apresentou fístula de palato e disfunção velofaríngea após correção de fissura transforame incisivo unilateral. No momento das avaliações o paciente participava de um programa de fonoterapia para corrigir o uso consistente de ponto articulatório pós-uvular em substituição ao ponto oral de consonantes de alta pressão intraoral. A avaliação da habilidade de identificação de contrastes fonológicos foi realizada tanto com o estímulo falado pelo adulto com discurso típico quanto usando-se a fala pré-gravada do próprio paciente, sendo esta marcada pelo uso consistente de ponto-articulatório atípico pós-uvular. O participante apresentou 41/42 (97,6%) acertos e 1/42 (2,3%) erro na percepção de um adulto com o discurso típico. Já na percepção da sua própria fala apresentou 23/42 (54,7%) acertos; 16/42 (38%) erros; 3/42 (7,14%) não-respostas. Ou seja, ao ouvir sua própria fala, marcada pelo uso de ponto-articulatório atípico pós-uvular, a porcentagem de identificação correta de contrastes fonológicos foi reduzida quase pela metade.
Conclusão: Apesar da história da disfunção tubária combinada às dificuldades de produção de fala da criança, seu desempenho perceptual se diferenciou em função da natureza do estímulo (adulto típico vs sua própria fala). Isso significa dizer que estratégias terapêuticas envolvendo a percepção da fala do próprio paciente devem ser incorporadas na fonoterapia.


1. Berti L. PERCEFAL : instrumento de avaliação da identificação de contrastes fonológicos PERCEFAL : an instrument to assess identification of phonological contrasts in Brazilian Portuguese. Audiol Commun Res. 2017;1–9.
2. Scarmagnani RH, Barbosa DA, Fukushiro AP, Salgado MH, Trindade IEK, Yamashita RP. Relationship between velopharyngeal closure, hypernasality, nasal air emission and nasal rustle in subjects with repaired cleft palate. Codas. 2015;27(3):267–72.
3. Trindade IEK, Genaro KF, Yamashita RP, Miguel HC, Fukushiro AP. Proposal for velopharyngeal function rating in a speech perceptual assessment1. Trindade IEK, Genaro KF, Yamashita RP, Miguel HC, Fukushiro AP. Proposal for velopharyngeal function rating in a speech perceptual assessment. Pro Fono. 2006;17(2):259-262. Pro Fono. 2006;17(2):259–62.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
430
AVALIAÇÃO DA PERFORMANCE VOCAL DE ATORES POR DIFERENTES PROFISSIONAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A produção vocal dos atores é complexa e pode ser avaliada por diferentes profissionais diretamente envolvidos com este trabalho(1, 2). Essa interação entre diferentes olhares sobre uma mesma voz pode proporcionar uma perspectiva mais ampliada sobre performance desses artistas.
OBJETIVO: Mensurar, com dois protocolos distintos, a Performance Vocal Global em atores sem alteração vocal autorreferida e investigar possíveis correlações entre as duas analises.
MÉTODOS: 39 atores participaram, sendo 20 homens e 19 mulheres. A média de idade foi de 33,3 anos (variando de 18 a 53 anos) e com o tempo médio de experiência profissional de oito anos. Os atores tiveram que gravar as tarefas pré-definidas do CAPE-V(3, 4), bem como a leitura de uma poesia em loudness habitual. Uma fonoaudióloga especialista em voz avaliou o Grau Geral de desvio vocal (GG) a partir do protocolo CAPE-V usando a classificação proposta por Yamasaki et al. (5), em que pontuações até 35,5mm representam vozes normais, entre 35,6 e 50,5mm desvio leve, entre 50,6 e 90,5mm indicou desvio moderado e entre 90,6 e 100mm desvio severo. Um diretor teatral e uma fonoaudióloga que trabalha com atores classificaram o Grau Geral de Qualidade Vocal (GGQV) dos atores a partir da escuta da gravação da poesia usando uma escala analógica-visual de 200mm proposta por Bele(6). Foi feita análise da confiabilidade inter-avaliadores. A partir das médias das avaliações dos dois juízes foi possível o cálculo de tercis, que permitiu a divisão dos participantes em três grupos de Performance Vocal Global (PVG): Grupo de Pontuação Inferior (GPI), Grupo de Pontuação Mediana (GPM) e Grupo de Pontuação Superior (GPS). A análise estatística possibilitou a comparação entre os três grupos em relação ao GG e ao GGQV, bem como a análise da correlação entre as escalas para a amostra total.
RESULTADOS: Houve diferença entre os três grupos e desvio vocal leve foi observado em GPI. Não foram observados desvios vocais nos outros dois grupos (GPM e GPS). Além disso, correlação inversamente proporcional foi observada entre as duas escalas, ou seja, quanto maior o desvio vocal (GG), menor o grau geral de qualidade vocal (GGQV).
CONCLUSÃO: Atores sem alteração vocal autorreferida apresentaram diferenças acerca da Performance Vocal Global. Desvio vocal, embora leve, foi maior em atores com menores pontuações na Performance Vocal Global, com correlação negativa entre esses dois parâmetros. Os achados da presente pesquisa nos mostram o papel da qualidade vocal na performance vocal de atores e evidenciam a necessidade de funcionalidade vocal para o incremento das habilidades artísticas desses profissionais.

1. Ferrone C, Leung G, Ramig LO. Fragments of a Greek trilogy: Impact on phonation. Journal of Voice. 2004;18(4):488-99.

2. Stambusky A. Speech in the Theater - The Importance of Voice Science to Director and Actor. Speech Teacher. 1963;12(4):289-98.

3. ASHA. Consensus Auditory-Perceptual Evaluation of Voice (CAPE-V) Special Interest Division 3, Voice and Voice Disorders. 2003.

4. Behlau, M. Consensus Auditory – Perceptual Evaluation of Voice (CAPE-V), ASHA 2003. Rev Soc Bras Fon; 2004. p. 187-9.

5. Yamasaki R, Madazio G, Leao SHS, Padovani M, Azevedo R, Behlau M. Auditory-perceptual Evaluation of Normal and Dysphonic Voices Using the Voice Deviation Scale. Journal of Voice. 2017;31(1):67-71.

6. Bele IV. Reliability in perceptual analysis of voice quality. Journal of Voice. 2005;19(4):555-73.

7. Sofranko JL, Prosek RA. The Effect of Experience on Classification of Voice Quality. Journal of Voice. 2012;26(3):299-303.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1757
AVALIAÇÃO DA PRAGMÁTICA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA COM META-ANÁLISE.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO:O transtorno do espectro autista (TEA) é caracterizado por déficits significativos na comunicação social e interação social, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos1.As alterações na comunicação apresentam uma grande variabilidade, mesmo as crianças com boa fluência na comunicação verbal apresentam prejuízos no aspecto pragmático, sendo esta uma manifestação constante nos TEA2,3,4.Os instrumentos de avaliação da linguagem focam na estrutura lingüística e seu significado e não no uso funcional da linguagem5,6,7; e, além disso, o aspecto pragmático é de difícil avaliação, pois é um comportamento dependente do contexto2,8. No Brasil, há poucos instrumentos de avaliação da linguagem oral disponíveis comercialmente que avaliam o aspecto pragmático9,10.
OBJETIVO:Apresentar uma revisão sistemática da literatura com meta-análise sobre os instrumentos de avaliação do aspecto pragmático da linguagem oral de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista.
MÉTODO:Realizado levantamento de artigos científicos indexados nas seguintes bases de dados: Web ofscience, PubMed, PsycINFO, Scopus, LILACS e Scielo. Utilizando-se, nesta ordem,das seguintes palavras chaves: “pragmaticskills”, “autism” and “assessment”, no período de 2006 a 2016. Os critérios de exclusão estabelecidos foram: 1) instrumentos de avaliação utilizados em crianças sem TEA, 2) instrumentos de avaliação de outras habilidades linguísticas que não a pragmática, 3) instrumentos utilizados em programas de intervenção, 4) artigos repetidos.Foram selecionados 15 artigos, os quais foram aplicados a escala Newcastle-Otawa para verificação da qualidade destes artigos. Foram elencados os instrumentos de avaliação da pragmática utilizados nestes artigos.
RESULTADOS:Foram levantados 138 artigos distribuídos nas seguintes bases de dados: Web of Science 48, PubMed 20, PsycINFO 3, Scopus 49, LILACS 12 e na Scielo 6. Destes, 120 foram excluídos por não preencherem os critérios de inclusão, restando 18 artigos para leitura. Após leitura, ainda foram excluídos 3artigos. O estudo foi realizado com 15 artigos, mostrando que 70% dos artigos analisados receberam pontuação acima de seis na escala Newcastle-Otawa. O estudo mostra que são utilizados instrumentos variados na avaliação da pragmática. Os instrumentosmais utilizados foram do tipo rastreio (questionário aplicado aos pais e/ou professores). O CCC-2 (Children’sCommunicativeChecklist – secondedition) foi utilizado em 40% dos artigos analisados e o VABS (VinelandAdaptativeBehaviorScale) foi utilizado em 20%. Em seguida vêm os testes:TOPL (Test OfPragmaticLanguage), CASL (ComprehemsiveAssessmentofSpokenLanguage) que foram utilizados em três artigos. O Perfil funcional da comunicação que é um protocolo de observação comportamental aparece em dois artigos. Outros testes utilizados em apenas um artigo: PLS-4 (PreschoolLanguageScale – fourthedition), BAT (BehavioralAssessmentTask) e SSIS (Social SkillsImprovement System). Todos estes instrumentos foram utilizados tanto como única forma de avaliação do aspecto pragmático, como também associados a outros testes de avaliação da linguagem oral.
CONCLUSÃO: Conclui-se que há poucos testes utilizados para a avaliação do aspecto pragmático da linguagem em crianças e adolescentes com TEA, não há um consenso na utilização destes, pois são usados tanto de forma isolada ou em conjunto com outrostestes e não há referência de um teste considerado padrão ouro.

1. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5ª Ed.) Porto Alegre: Artmed, 2014.
2. Bishop DVM. Development of the Children’s Communication Checklist (CCC): A method for assessing qualitative aspects of communicative impairment in children. Journalchildpsychologyandpsychiatry. 1998;39(6):879-89.
3. Perissinoto J. Diagnóstico de linguagem em crianças com transtorno do espectro autista. In: Tratado de fonoaudiologia. Org Ferreira LP; Beffi-Lopes DM; LimongiSCO. Ed. Rocca, 2005; 74:933-40.
4. VolkmarF; Siegel M; Woodbury-Smith M; King B; Maccraken J; State M.Pratice parameter for the assessment and treatment of children and adolescent with autism spectrum disorder. Journal of the American academy of child and adolescent psychistry. 2014; 53(2):237-57.
5. Bishop DVM; Baird G. Parent and teacher report of pragmatic aspects of communication of Children’s communication checklist in a clinical setting. Developmental Medicine and Child neurology. 2001; 43:809-818.
6. Norbury CF; Nash M; Baird G; Bishop DVM. Using a parental checklist to identify diagnostic groups in children with communication impairment: a validation of the Children’s Communication Checklist-2. Journal of language and communication disorders. 2004; 39(3): 345-364.
7. Volden J; Phillips L. Measuring pragmatic language in speakers with autism spectrum disorders: comparing the children’s communication checklist – 2 and the test of pragmatic language. American Journal of speech-language pathology. 2010; 19: 204-212.
8. Adams C. Practitioner review: The assessment of language of pragmatics. Journal of Child Psychology and Psychiatry. 2002; 43: 973-987.
9. Velloso RL; Vinic AA; Duarte CP; Dantino MEF, BrunoniD;Schwartzman JS. Protocolo de avaliação diagnóstica multidisciplinar da equipe de transtornos globais do desenvolvimento vinculado à pós-graduação em distúrbios do desenvolvimento de Universidade Presbiteriana Mackenzie. Cadernos de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento. 2011; 11(1): 9-22.
10. Lindau TA; Lucchesi FDM; Rossi NF; Giacheti CM. Instrumentos sistemáticos e formais de avaliação da linguagem de pré-escolares no Brasil: uma revisão de literatura. Rev. CEFAC. 2015; 17(2): 656-662.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
895
AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE FALA DE SONS FRICATIVOS EM SUJEITOS SUBMETIDOS À REABILITAÇÃO ORAL PROTÉTICA: ESTUDO PILOTO
Tese
Motricidade Orofacial (MO)


Objetivo: Descrever, por meio da avaliação perceptivo-auditiva, a produção de fala dos sons fricativos /f/, /v/, /s/, /z/, /∫/ e /Ʒ/ em indivíduos com diminuição da dimensão vertical de oclusão, submetidos à reabilitação oral total sobre dentes ou sobre implantes. Método: Participaram nove adultos (dois homens e sete mulheres), idade média de 55 anos de idade. Os critérios de inclusão foram sujeitos de ambos os sexos, com perda da dimensão vertical de oclusão, com ou sem tratamento oral protético anterior e com indicação para reabilitação oral protética total sobre dentes ou sobre implantes. Foram excluídos da amostra sujeitos com distúrbio de fala, voz ou linguagem (deformidades músculo esqueletais severas e deficiência auditiva); desdentados totais superiores e/ou inferiores; usuários de prótese total superior/inferior. Uma triagem fonoaudiológica da motricidade orofacial foi elaborada, baseada no protocolo MBGR e aplicada previamente para a certificação dos critérios de inclusão. Foi realizada uma inspeção miofuncional orofacial prévia para avaliação das estruturas quanto à forma, mobilidade e tonicidade muscular, assim como uma inspeção da fala. A amostra de fala coletada para o presente estudo foi padronizada e constituída pela emissão oral de 18 frases veículo: “Diga (palavra alvo) baixinho”, utilizadas para aproximar a produção ao padrão da fala encadeada. As palavras alvo selecionadas foram: faca/vaca; saca/zaca; chaca/jaca. Foi realizada a gravação da produção de fala das consoantes fricativas em todas as fases consecutivas da reabilitação oral protética, desde a fase inicial (TO) à fase final (T5), respeitando o fluxograma odontológico. A fase inicial (tomada T0) correspondeu a coleta inicial e análise dos dados; a fase previsibilidade estética (Tomada 1) correspondeu a testagem de parâmetros estéticos para a análise das futuras dimensões dentárias; a fase execução (Tomada T2) correspondeu a instalação dos provisórios fresados, restabelecendo-se a dimensão vertical de oclusão; a fase reavaliação pós-acomodação (Tomada T3) correspondeu a reavaliação final, um preditor da morfologia final para a instalação da cerâmica; a fase finalização (Tomada 4) - correspondeu a resolução final, com a substituição dos provisórios fresados por próteses de cerâmicas e a fase proservação (Tomada T5) correspondeu a fase final para averiguação a acomodação muscular frente às novas próteses. Para a avaliação perceptivo auditiva das palavras coletadas nas seis diferentes fases de reabilitação oral, foi aplicado o Roteiro de Avaliação Fonética para Reabilitação Oral (RAFRO), inspirado e idealizado a partir do protocolo Voice Profile Analysis Scheme (VPAS) de Laver. Resultados: O fonema /s/ apresentou desvios na produção dos gestos articulatórios nas tomadas zero, dois, três e cinco; o fonema /z/ na tomada quatro; o fonema /f/ nas tomadas um e quatro; o fonema /∫/ na tomada zero. A mudança no grau de tensão muscular, postura da mandíbula e língua foram às ocorrências mais significativas. Conclusão: Aparentemente há uma associação entre a diminuição vertical de oclusão e os fonemas fricativos; o fonema /s/ é o som mais alterado no processo de reabilitação oral, seguidos pelos fonemas /f/ e /z/.

1. Barbosa PA, Madureira S. Manual de fonética acústica experimental: aplicações a dados do português. São Paulo: Cortez; 2015.

2. Jacobs R, Manders E, Van Looy C, Lembrechts D, Naert I, van Steenberghe D. Evaluation of speech in patients rehabilitation with various oral implant-supported prostheses. Clin Oral Impl Res. 2001;12(2):167-73.

3. Rodrigues LCB, Pegoraro LF, Brasolotto AG, Berretin- Felix G, Genaro KF. A fala nas diferentes modalidades de reabilitação oral protética em idosos. Pro Fono. 2010;22(2):151-56.

4. Dallazen E, Bueno ALN, Araujo FO, Milani PAP, Pupo YM. Alternativas de tratamento para reabilitação bucal estética e funcional. Rev Dental Press Estet. 2015;12(2):51-61.

5. Hassel AJ, Holste T. Improving the speech function of maxillary complete dentures: a pilot study. Int J Prosthodont. 2006;19(5):499-503.

6. Heydecke G, McFarland DH, Feine JS, Lund JP. Speech with maxillary implant prostheses: ratings of articulation. J Dent Res. 2004;83(3):236-40.

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8. Miyashita E, Teixeira ML, Otávio R. Princípios de oclusão. In: Barbosa J. Ortodontia com excelência: na busca da perfeição clínica. Nova Odessa: Napoleão; 2013. p. 276-313.

9. Sakar O, Bural C, Sülün T, Öztas E, Marsan G. Evaluation of the closest speaking space in different dental and skeletal occlusions. J Prosthet Dent. 2013;109(4):222-6.

10. Felício CM, Cunha CC. Relações entre condições miofuncionais orais e adaptação de próteses totais. PCL. 2005;7(36):195-202.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1868
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO CAMPO DA SAÚDE: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A Convenção internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência(1) provocou mudança radical de base conceitual e social sobre a Pessoa com Deficiência (PcD) e seus direitos, destacando entre outros os seguintes aspectos: dignidade, independência, iniciativa, autonomia, participação, inclusão, equiparação de oportunidades, acessibilidade. Esses aspectos estão relacionados ao conceito de Qualidade de Vida (QV), que cada vez mais tem se tornado referência central para o cuidado integral em saúde da PcD. QV substitui com vantagens o conceito de normalidade em que se pauta o modelo médico de reabilitação, pois fundamenta-se na perspectiva da diversidade humana e na singularidade dos processos de desenvolvimento. A avaliação da QV da PcD fornece indicadores para o estabelecimento de prioridades e projeção, implementação, monitoramento e avaliação da efetividade de programas e projetos de prevenção, atenção e reabilitação, bem como para as políticas públicas(2). Diversos instrumentos para avaliar a QV, genéricos e específicos, têm sido desenvolvidos. A revisão de literatura sobre instrumentos utilizados para a avaliação da QV de PcD pode auxiliar não só a escolha de instrumentos, mas orientar a elaboração de projetos terapêuticos individuais ou coletivos que atendam as necessidades gerais e especificas de saúde dessa população. Objetivo: Realizar a revisão sistemática da produção científica sobre QV de PcD, no período de 2009 a 2019, em inglês e português. Método: Identificação de artigos mediante buscas simples e booleana pelos descritores - Deficiência/Pessoa com Deficiência/Disabled Persons /Persons with disabilities; avaliação/assessment; Qualidade de vida/ Quality of Life/avaliação da Qualidade de vida/assessment of Quality of Life, nas bases LILACS, SciELO, Cochrane Library, PubMed/MEDLINE, Periódico CAPES e Google Acadêmico. Resultados: Atenderam aos critérios de seleção e foram submetidos à análise de conteúdo 19 estudos, dos 7461 inicialmente selecionados e em sua maioria concentrados na base de dados Lilacs e no Google Acadêmico. Desses, 13 utilizaram os instrumentos criados pela OMS(3): dois WHOQOL-100(3) e sete sua versão abreviada o WHOQOL-bref(3); um WHOQOL-OLD(3) – módulo complementar para avaliação de pessoas idosas; um a versão Stroke Specific Quality of Life Scale – SSQOL(4) – específica para pessoas com Acidente Vascular Cerebral; um o WHOQOL-DIS(3) – específico para PcD motora e intelectual e um estudo o WHODAS 2.0(3). Entre os 6 restantes: dois estudos usaram o SF-365; um Kidscreen(6); um GENCAT(7); um QoL- Q (QQV em português) (8) e um PedsQL versão 4(9). Conclusão: Os instrumentos genéricos são os mais utilizados. Eles permitem comparações da QV da PcD com outras populações, mas não permitem a observação mais aprofundada de suas especificidades. Se o objetivo da pesquisa sobre QV for obter informações sobre dimensões a serem preconizadas no cuidado em saúde da PcD é recomendável que sejam utilizados instrumentos específicos, que destacam as dimensões física, psicológica/emocional, relações sociais e meio ambiente, além dos aspectos autonomia, autodeterminação, inclusão, direitos da PcD.

1. Brasil.Ministério da Saúde. Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Decreto nº6.949,de 25 de agosto de 2009. Available from: https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cpd/documentos/cinthia-ministerio-da
2. Schalock R, Verdugo MEL. Concepto de Calidad de Vida en Los Servicios y Apoyos para Personas con Discapacidad Intelectual. Revista Espanhola sobre Discapacidad Intelectual, (2007). 38 (4) Num. 224, pp. 21-36.
3. Fleck MPA. O instrumento de avaliação de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde (WHOQOL-100): características e perspectivas. Ciênc. & Saúde Coletiva, v.5, n.1, 2000 p. 33-38.
4. Williams LS, Wienberger M, Harris LE, Clark DO, Biller J. Development of a Stroke-Specific Quality of Life Scale Originally. Jul1999https://doi.org/10.1161/01.STR.30.7.1362Stroke. 1999; 30:1362–1369
5. Ware JE, Gandek B. e o IQOLA PROJECT GROUP. - The SF-36 health survey: development and use in mental health research and the IQOLA Project. Int. J. Ment. Health.,23:49-73,1994.
6. Benard, B. Fostering resilience in children. 1995. [versão electrónica]. Retirada 14-12-2010 de www.ed.gov/databases/ERIC _Digests /ed 386327.htlm.
7. Schalock R, Verdugo MEL. Concepto de Calidad de Vida en Los Servicios y Apoyos para Personas con Discapacidad Intelectual. Revista Espanhola sobre Discapacidad Intelectual, (2007). 38 (4) Num. 224, pp. 21-36.
8. Shalock RL, Keith KD. Quality of Life Questionnaire Mannual. 1993. IDS Publishing Corporation.
9. Varni JW, Seid M, Kurtin. PedsQLTM 4.0: Reliability and validity of the Pediatric Quality of Life InventoryTM Version 4.0 Generic Core Scales in healthy and patient populations.2001 Medical Care, 39(8), 800–812. https://doi.org/10.1097/00005650-200108000-00006.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1636
AVALIAÇÃO DAS VIAS AUDITIVAS CENTRAIS.
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A audição humana possui um dos mais complexos sistemas do organismo, capaz de detectar sinais sonoros que vão de sons de frequências baixas (20 Hz) a altas (20000 Hz). Há evidências que os neurônios cocleares são alvos diretos da exposição ao ruído, e estudos como o mostram que devido a exposição excessiva ao neurotransmissor (glutamato) há um inchaço na área da CCI, onde se dá à comunicação do NGE.¹ Com esta alteração na estrutura da cóclea há uma diminuição de 40 à 50% das sinapses entre as CCI e fibra do nervo auditivo (FAN). Para identificar estes danos em região de CCI e NGE é indicado que uma bateria de testes incluindo eletrofisiológicos e comportamentais devem ser combinados para o diagnóstico de perda auditiva oculta.² Em relação a PAIR, recentes estudos mostram que a perda sináptica entre as CCI (células ciliadas internas) e os NGE (neurônios de gânglio espiral) é a patologia primária. E esta alteração independe da perda auditiva. ² Objetivo: Analisar as vias auditivas periféricas e centrais de trabalhadores com PAIR e sem PAIR utilizando-se do PEATE por LS – Chirp e Clique. Métodos: fizeram parte desta pesquisa, trabalhadores, de sexo masculino de uma empresa da região sul do país. Os critérios de inclusão no estudo foram: trabalhadores expostos a NPS superior a 80 dBNA, que utilizem equipamento de proteção auditiva (EPA) continuamente, com mais de 10 anos de exposição para o primeiro grupo e idade até 40 anos para os demais, e como critérios de exclusão: ter algum comprometimento auditivo não ocupacional e apresentar doença que possa ter a surdez como uma das características. Os sujeitos foram assim divididos: Grupo 1: trabalhadores expostos ao ruído acima do nível de ação (80 dB NA por 8 horas/dia) com audiometria dentro da normalidade; Grupo 2: trabalhadores com audiograma característico de PAIR (segundo a NR 7) e Grupo 3: trabalhadores não exposto a ruído e sem alterações auditivas. Resultados: Foram realizados 100 exames dividido entre os grupos, gerando uma idade média de 35,68 anos para os normais com exposição e sem alteração auditiva, 34,7 anos para os expostos e com alterações auditivas características de PAIR e 26,7 anos para os não expostos e sem alterações auditivas. Tendo como idade máxima 40 anos e mínimo de 18. No exame eletrofisiológico obtivemos uma amplitude média da onda I no PEATE Clique de 0,218 (uV) para os expostos sem alteração, já nos expostos com PAIR obtivemos uma amplitude de 0,245 (uV) e nós não expostos e sem alteração esta amplitude 0,293 (uV).
Conclusão: Podemos observar sim uma maior amplitude da onda I nos não expostos sem compararmos com os que possuem PAIR e os que não tem alteração porem estão expostos.

1) LIBERMAN, Charles; KUJAWA, Sharon G. Sinaptopatia coclear na perda auditiva neurossensorial adquirida: manifestações e mecanismos. Elsevier Pesquisa Auditiva, v. 349, p. 138-47, jun. 2017. Disponível em: . Acesso em: 10 de jun. 2020

2) KUJAWA, Sharon G.; LIBERMAN, Charles. Sinaptopatia na cóclea exposta ao ruído e envelhecimento: degeneração neural primária na perda auditiva sensorial adquirida. Elsevier, v. 330, p. B, p. 191-9, dez. 2015. Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2019. DOI: https://doi.org/10.1016/j.heares.2015.02.009.


3) BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim da vigilância dos agravos à saúde relacionados ao trabalho. Edição n. 7, a. III, novembro, 2013. Disponível em: . Acesso em: 7 mar. 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
833
AVALIAÇÃO DE AMPLITUDE MANDIBULAR IMEDIATA APÓS USO DE NEUROFEEDBACK EM INDIVÍDUO BRUXÔMANO NOTURNO
Tese
Motricidade Orofacial (MO)


O biofeedback é o processo de usar os próprios sinais biológicos para alcançar uma mudança no funcionamento fisiológico (JOKUBAUSKAS; BALTRUŠAITYTĖ, 2018). Quando a atividade fisiológica é neurofisiológica, o biofeedback é chamado neurofeedback (MICOULAUD-FRANCHI; BATAIL; FOVET; PHILIP et al., 2019), sendo este um método que permite uma rápida medida da atividade cerebral enquanto fornece um neurofeedback (baseado em estímulos visuais ou auditivos simples ou ambientes virtuais complexos) para ajudar o usuário a modular sua atividade cerebral (GORINI; MARZORATI; CASIRAGHI; SPAGGIARI et al., 2015).
Atualmente, acredita-se que a ativação do sistema nervoso central/autônomo pode ser o principal fator envolvido na gênese do bruxismo do sono (BS) (MELO; DUARTE; PAULETTO; PORPORATTI et al., 2019). Dessa forma, o neurofeedback poderia permitir ao bruxômano noturno modular voluntariamente suas atividades neurofisiológicas relacionadas, na suposição de que ele possa “desaprender” seu comportamento quando um estímulo o torna consciente de sua excessiva atividade, a exemplo da contração dos músculos mastigatórios, como os masseteres.
Assim, o presente estudo teve por objetivo o de apresentar o caso clínico de um paciente com bruxismo do sono, que consiste em uma atividade dos músculos da mastigação durante o sono, com o qual foi realizada uma sessão de treinamento com neurofeedback (TNF) utilizando medidas de mobilidade mandibular como método de avaliação da amplitude de movimento.
Trata-se de um estudo descritivo elaborado a partir de um relato de caso de um paciente do sexo masculino, 42 anos, que compareceu ao Laboratório de Motricidade Orofacial do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Pernambuco com queixa de sensação de fadiga e alguns quadros de sintomatologia dolorosa à musculatura massetérica bilateral, em especial ao lado esquerdo.
Após diagnóstico provável de bruxismo do sono, foi realizada avaliação da mobilidade mandibular para abertura bucal máxima, lateralização da mandíbula para a esquerda e direita e registro da onda cerebral predominante antes do início do treinamento. Após o TNF, foi realizado novo bloco de avaliação acerca da mobilidade mandibular e registro da onda cerebral predominante.
O treinamento com neurofeedback obteve resultados positivos para o estado de relaxamento do indivíduo o que, consequentemente, pode ter auxiliado na diminuição da excitabilidade motora da musculatura massetérica, com ganho de amplitude nos movimentos mandibulares de abertura máxima e excursão para a direita e esquerda.

GORINI, A.; MARZORATI, C.; CASIRAGHI, M.; SPAGGIARI, L. et al. A neurofeedback-based intervention to reduce post-operative pain in lung cancer patients: study protocol for a randomized controlled trial. JMIR research protocols, v. 4, n. 2, p. e52-e52, 2015.

JOKUBAUSKAS, L.; BALTRUŠAITYTĖ, A. Efficacy of biofeedback therapy on sleep bruxism: A systematic review and meta-analysis. J Oral Rehabil, v. 45, n. 6, p. 485-495, Jun 2018.

MELO, G.; DUARTE, J.; PAULETTO, P.; PORPORATTI, A. L. et al. Bruxism: An umbrella review of systematic reviews. J Oral Rehabil, v. 46, n. 7, p. 666-690, Jul 2019.

MICOULAUD-FRANCHI, J. A.; BATAIL, J. M.; FOVET, T.; PHILIP, P. et al. Towards a Pragmatic Approach to a Psychophysiological Unit of Analysis for Mental and Brain Disorders: An EEG-Copeia for Neurofeedback. Appl Psychophysiol Biofeedback, v. 44, n. 3, p. 151-172, 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1716
AVALIAÇÃO DE APLICATIVOS PARA CELULAR EM TEMÁTICAS FONOAUDIOLÓGICAS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: As tecnologias de informação e comunicação estão presentes nos aparelhos móveis, como celulares e tablets, e vem trazendo para a população os aplicativos que são usados tanto para entretenimento como para suporte de tarefas cotidianas como os cuidados à saúde 1,2. Objetivo: Avaliar aplicativos existentes e disponíveis para download nas plataformas voltadas às temáticas fonoaudiológicas. Métodos: Utilizou-se a literatura científica do conteúdo sobre aplicativos, por meio do acesso às plataformas. Para isto, foi acessada a Play store (sistema operado pela empresa Google Inc.), App store (sistema operado pela empresa Apple Inc.) e Microsoft Store (sistema operado pela Microsoft Inc.). As buscas foram respaldadas nas seguintes palavras: fonoaudiologia, linguagem, disfagia, audiologia e respiração. Os critérios de inclusão foram: aplicativos na língua portuguesa do Brasil e que apresentem aspectos relacionados à fonoaudiologia. Os critérios de exclusão foram: aplicativos com temáticas de meditação ou outros aspectos que não fonoaudiológicos. A avaliação de cada aplicativo considerado consistiu na análise por dois juízes sobre seis aspectos: quantidade de recursos, disponibilidade para download nas diversas plataformas, valor, qualidade do layout, uso de linguagem clara e abrangência do público-alvo. Consideraram-se os aplicativos como: valor baixo (gratuito), valor médio (entre R$ 0,99 até R$100,00) e valor alto (acima de R$100,00). No item linguagem clara algumas perguntas foram feitas baseada no questionário Emory-Formulário de Avaliação de websites relacionados à Saúde3 (clareza da finalidade do app, detalhamento das informações). Resultados: Foram incluídos no presente estudo 11 aplicativos com a temática da fonoaudiologia: Amigo Fono (A), Fono Speak (B), Swallow ID (C), Swallowing Residue (D), Swallow Prompt (E), Myobrace Activities (F), Terapia para Gagueira (G), Falar e brincar (H), Fono ASFE (I), Game-Fono Fonoterapia (J) e Matraquinha (K). Em relação à quantidade de recursos, foi verificado que 8 aplicativos (72,7%) apresentaram 2 ou mais recursos (vídeos, quiz, jogo, lembretes). Para download, somente 1 (9,1%) esteve disponível nos três sistemas (android, ios e Microsoft), 10 apps (90,91%) apresentaram valor entre baixo/médio e 9 (81,82%) eram de fácil compreensão. O último aspecto avaliado foi o layout sendo que 8 aplicativos (72,7%) tiveram layout personalizado com mascotes, cores ou websites explicativos. Em relação às áreas da fonoaudiologia, 1 era de gagueira (9,1%), 5 de linguagem (45,5%), 3 de Disfagia (27,2%) e 2 de Motricidade Orofacial (18,2%). Desses, seis (54,5%) eram para o público infantil, quatro (36,4%) para o público adulto (C,D,E,G) e um para ambos (9,1%). Conclusão: Localizaram-se poucos aplicativos, específicos para Linguagem e Motricidade Orofacial. Ponderando-se a qualidade, ressalta-se que o aplicativo “Myobrace Activities” teve melhor avaliação, e em segundo lugar empataram os apps: “Amigo Fono”, “Game-Fono Fonoterapia” e “Matraquinha”. Necessita-se de novas pesquisas em avaliações e elaborações de aplicativos para na Fonoaudiologia, considerando-se o intenso uso de telefones móveis por toda a população.

1-Arrais R. Crotti P. Revisão: aplicativos para dispositivos móveis (“Apps”) na automonitorização em pacientes diabéticos. J Health Inform. 2015; 7(4):127-33.

2-Anais do XV Congresso Brasileiro de Informática em Saúde; 27-30 de nov 2016; Goiânia (GO). Tendências de estudo sobre aplicativos móveis para saúde: revisão integrativa.

3-Emory University Rollins School of Public Health. Health-Related Web Site Evaluation Form. 1998. Disponível em: http://www.sph.emory.edu/WELLNESS/instrument.html.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1717
AVALIAÇÃO DE APLICATIVOS PARA CELULAR EM TEMÁTICAS FONOAUDIOLÓGICAS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: As tecnologias de informação e comunicação estão presentes nos aparelhos móveis, como celulares e tablets, e vem trazendo para a população os aplicativos que são usados tanto para entretenimento como para suporte de tarefas cotidianas como os cuidados à saúde 1,2. Objetivo: Avaliar aplicativos existentes e disponíveis para download nas plataformas voltadas às temáticas fonoaudiológicas. Métodos: Utilizou-se a literatura científica do conteúdo sobre aplicativos, por meio do acesso às plataformas. Para isto, foi acessada a Play store (sistema operado pela empresa Google Inc.), App store (sistema operado pela empresa Apple Inc.) e Microsoft Store (sistema operado pela Microsoft Inc.). As buscas foram respaldadas nas seguintes palavras: fonoaudiologia, linguagem, disfagia, audiologia e respiração. Os critérios de inclusão foram: aplicativos na língua portuguesa do Brasil e que apresentem aspectos relacionados à fonoaudiologia. Os critérios de exclusão foram: aplicativos com temáticas de meditação ou outros aspectos que não fonoaudiológicos. A avaliação de cada aplicativo considerado consistiu na análise por dois juízes sobre seis aspectos: quantidade de recursos, disponibilidade para download nas diversas plataformas, valor, qualidade do layout, uso de linguagem clara e abrangência do público-alvo. Consideraram-se os aplicativos como: valor baixo (gratuito), valor médio (entre R$ 0,99 até R$100,00) e valor alto (acima de R$100,00). No item linguagem clara algumas perguntas foram feitas baseada no questionário Emory-Formulário de Avaliação de websites relacionados à Saúde3 (clareza da finalidade do app, detalhamento das informações). Resultados: Foram incluídos no presente estudo 11 aplicativos com a temática da fonoaudiologia: Amigo Fono (A), Fono Speak (B), Swallow ID (C), Swallowing Residue (D), Swallow Prompt (E), Myobrace Activities (F), Terapia para Gagueira (G), Falar e brincar (H), Fono ASFE (I), Game-Fono Fonoterapia (J) e Matraquinha (K). Em relação à quantidade de recursos, foi verificado que 8 aplicativos (72,7%) apresentaram 2 ou mais recursos (vídeos, quiz, jogo, lembretes). Para download, somente 1 (9,1%) esteve disponível nos três sistemas (android, ios e Microsoft), 10 apps (90,91%) apresentaram valor entre baixo/médio e 9 (81,82%) eram de fácil compreensão. O último aspecto avaliado foi o layout sendo que 8 aplicativos (72,7%) tiveram layout personalizado com mascotes, cores ou websites explicativos. Em relação às áreas da fonoaudiologia, 1 era de gagueira (9,1%), 5 de linguagem (45,5%), 3 de Disfagia (27,2%) e 2 de Motricidade Orofacial (18,2%). Desses, seis (54,5%) eram para o público infantil, quatro (36,4%) para o público adulto (C,D,E,G) e um para ambos (9,1%). Conclusão: Localizaram-se poucos aplicativos, específicos para Linguagem e Motricidade Orofacial. Ponderando-se a qualidade, ressalta-se que o aplicativo “Myobrace Activities” teve melhor avaliação, e em segundo lugar empataram os apps: “Amigo Fono”, “Game-Fono Fonoterapia” e “Matraquinha”. Necessita-se de novas pesquisas em avaliações e elaborações de aplicativos para na Fonoaudiologia, considerando-se o intenso uso de telefones móveis por toda a população.

1-Arrais R. Crotti P. Revisão: aplicativos para dispositivos móveis (“Apps”) na automonitorização em pacientes diabéticos. J Health Inform. 2015; 7(4):127-33.

2-Anais do XV Congresso Brasileiro de Informática em Saúde; 27-30 de nov 2016; Goiânia (GO). Tendências de estudo sobre aplicativos móveis para saúde: revisão integrativa.

3-Emory University Rollins School of Public Health. Health-Related Web Site Evaluation Form. 1998. Disponível em: http://www.sph.emory.edu/WELLNESS/instrument.html.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
867
AVALIAÇÃO DE CRIANÇAS COM ALTERAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Diagnóstico assertivo de alterações do desenvolvimento infantil, realizado com associação da avaliação clínica e instrumental é fundamental para potencializar a evolução da criança, reduzindo tempo de intervenção e minimizando sequelas1,2. A Escala de Desenvolvimento Mental Griffiths III (EDMG-III) avalia as áreas: fundamentos da aprendizagem; linguagem e comunicação; coordenação olho-mão; pessoal-social-emocional; motora grossa, envolvendo a faixa etária de zero aos seis anos, contribuindo para a compreensão de escores normativos e para auxiliar no diagnóstico de alterações em áreas específicas ou em quadros de Transtornos do Neurodesenvolvimento (TND)3, Síndromes Genéticas (SG) ou Metabólicas4,5, Prematuridade6,7, Transtorno do Espectro Autista (TEA)8, dentre outros. Objetivo: comparar o desempenho, global e por área, de crianças com alterações no desenvolvimento infantil, por dois instrumentos distintos. Metodologia: cumpriu-se aspectos éticos (CAEE: 84323718.3.0000.5417). Participaram 25 crianças, de 16 a 77 meses, com diagnóstico de TND, TEA ou SG. Após entrevista com responsáveis, foi aplicada o Teste de Screening de Desenvolvimento Denver II9 e a EDMG-III10. Os resultados foram analisados por estatística descritiva e aplicação de testes paramétricos (“t” pareado e correlação de Pearson) utilizando o Bioestat 5.0. Resultados: Participaram 20 meninos e 5 meninas, com idade média de 42 meses, com desvio padrão de 16 meses. Ao comparar a idade cronológica com a idade de desempenho na EDMG-III, considerando a média nas cinco áreas avaliadas, verificou-se diferença estatisticamente significante entre os desempenhos, bem como correlação estatisticamente significante direta entre as idades. O mesmo ocorreu ao comparar a idade cronológica com a idade de desempenho no Denver-II, bem como ao comparar a idade de desempenho entre os instrumentos (EDMG-III e Denver-II). Foi verificada relação e comparação entre os desempenhos por área, nos dois instrumentos de avaliação. Apenas na área de linguagem não foi verificada relação estatisticamente significante entre desempenho na EDMG-III e Denver-II (teste “t” pareado). Independente desta análise verificou-se correlação estatisticamente significante em todas as áreas do desenvolvimento ao comparar o desempenho da amostra nos dois instrumentos (coeficiente de correlação de Pearson). Conclusão: os instrumentos de avaliação aplicados apresentam resultados que direcionam para as alterações do desenvolvimento infantil. A EDMG-III apresenta mais itens a serem aplicados, com intuito diagnóstico. Desta forma, os resultados da EDMG-III analisados de maneira qualitativa, colaboram sobremaneira no planejamento terapêutico, uma vez que contemplam diversos aspectos e marcos do desenvolvimento em cada uma das cinco áreas avaliadas. A área de linguagem apresenta análise do aspecto receptivo na EDMG-III o qual não é contemplado com o mesmo teor no Denver-II. É necessário reforçar a importância da utilização de diferentes instrumentos de avaliação associados à avaliação clínica, com anamnese detalhada, para realização de diagnóstico fonoaudiológico assertivo em casos de alterações do neurodesenvolvimento. Escalas com evidências de validade e precisão são importantes para avaliação do desenvolvimento infantil. A EDMG-III foi adaptada transculturalmente para o Brasil e a avaliação de suas propriedades psicométricas, bem como normatização, com aplicação para a obtenção de escores normativos para crianças brasileiras estão em andamento para que futuramente os profissionais do Brasil possam fazer uso deste instrumento em suas práticas clínica e científicas.

1. Ferreira-Vasques AT, Lamônica DAC. Avaliação instrumentalizada do desenvolvimento infantil: nova realidade brasileira. CoDAS. 2018;30(6):e20180056.


2. Ferreira-Vasques AT. Escala de Desenvolvimento Mental de Griffiths para crianças de 0 a 2 anos – adaptação para a população brasileira [tese doutorado]. Bauru: Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo; 2017.

3. Milne SL, McDonald JL, Kayrouz N. Determinants of developmental progress in pre-schoolers referred for neuro-developmental diagnosis. J of Pediatrics and Child Health. 2016;52(11):1004-1011.

4. Peroni E, Vigone MC, Mora S, Bassi LA, Pozzi C, Passoni A, et al. Congenital hypothyroidism treatment in infants: a comparative study between liquid and tablet formulations of levothyroxine. Horm Res in Pediatr. 2014.81(1): 50-54.

5. Roozen S, Olivier L, Niemczyk J, Von Gontard A, Peters GY, Kok G et al. Nocturnal incontinence in children with fetal alcohol spectrum disorders (FASD) in a South African cohort. J Pediatr Urol. 2017;13(5):496-502.

6. Keunen K, Isgum I, Van Kooji BJM, Anbeek P, Van Haastert IC, Koopman-Esseboom C, et al. Brain volumes at term-equivalent age in preterm infants: imaging biomarkers for neurodevelopmental outcome through early school age. The J of Pediatr. 2016.172: 88-95.

7. Wong HS, Santhakumaran S, Cowan FM, Modi N. Developmental Assessments in preterm children: a meta-analysis. Pediatrics. 2016;138(2):1-14.

8. Ekstrom AB, Hakenas-Palte L, Samuelsson L, Tulinius M, Wentz E. Autism spectrum conditions in myotonic dystrophy type 1: study on 57 individuals with congenital and childhood forms. Am J of Med Gen. 2008;147B(6):918-926.

9. Frankenburg WK. et al. Denver II Training Manual. Denver: Denver Developmental Materials; 1992.

10. Stroud L, Foxcroft C, Green E, Bloomfield S, Cronje J, Hurter K, et al. Manual Griffiths III – Part I: Overview, Development and Psychometric Properties. Griffiths Scales of Child Development. 3rd Ed. Oxford: Hogrefe; 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2086
AVALIAÇÃO DE LINGUAGEM DE UM GRUPO DE PRÉ-ESCOLARES NA FAIXA ETÁRIA DE DOIS A CINCO ANOS DE IDADE
Tese
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A linguagem possibilita ao homem expressar seus sentimentos, ideias e pensamentos, a linguagem receptiva está associada a compreensão enquanto que a expressiva se refere a capacidade em responder verbalmente frente aquilo que foi recebido. Desta forma, a avaliação em pré-escolares possibilita a detecção de atrasos de linguagem, permitindo a orientação e encaminhamento para a intervenção precoce por profissionais habilitados. Além disso, identificando a área em defasagem é possível desenvolver ações dentro do ambiente escolar a fim de favorecer e auxiliar a criança neste processo. Objetivo: avaliar o desenvolvimento de linguagem oral de um grupo de pré-escolares por meio de uma escala. Metodologia: pesquisa transversal com análise quantitativa aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa-CEP de uma universidade pública do interior do estado de São Paulo, sob o parecer de número 1887842 em 10 de janeiro de 2017. A amostra caracterizou-se como não probabilística por conveniência. Como critério de inclusão determinou-se a participação voluntária das crianças na faixa etária de dois a cinco anos de idade, por meio do aceite e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido-TCLE por parte dos pais e/ou responsáveis. Como critério de exclusão foram consideradas as crianças menores do que 24 meses, aquelas com diagnóstico de síndromes neurológicas, deficiência sensorial, autismo, em uso de medicação psicotrópica, e/ou em processo de investigação diagnóstica, bem como aquelas cujos pais não assinaram o TCLE. Para avaliação dos pré-escolares foi utilizada a escala de Avaliação do Desenvolvimento de Linguagem- ADL, que é um instrumento clínico, padronizado e validado, eficiente para avaliar a aquisição e o desenvolvimento da linguagem em crianças falantes do Português na faixa etária de um a seis anos e onze meses. Resultados: Houve predomínio de alterações de linguagem nas crianças de sexo masculino. Foi observado maior número de alterações de grau leve nas crianças de três a quatro anos e de grau severo nas de quatro a cinco anos. Houve mais alterações na área expressiva. Na área receptiva, as crianças apresentaram maior dificuldade nas tarefas envolvendo a voz passiva, conceitos de quantidade, compreensão do pronome pessoal e de nomes com mais de dois adjetivos. Na área expressiva, as dificuldades foram em tarefas envolvendo aquisição do plural regular, memória para sentenças, utilização do pronome interrogativo “quando” e elaboração de história por meio de gravuras. Conclusão: A avaliação realizada com o grupo de pré-escolares por meio de uma escala padronizada se mostrou eficaz na identificação de alterações de linguagem, bem como na orientação de educadores sobre a realização de estratégias de promoção de saúde em ambiente escolar.
Palavras-chave: Desenvolvimento da linguagem; Avaliação; Educação Infantil


1. Araújo AS, Rocha J e Manso MC. (2010). Avaliação de linguagem em pré-escolares: A perspectiva do terapeuta da fala e do educador de infância. Revista da Faculdade de Ciências da Saúde. 1(7):342-352. Recuperado em 02 Agosto 2019 de: https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/3006/3/342-352.pdf
2. Araújo MVM, Marteleto MR, Shoen-Ferreira TH. (2010) Avaliação do vocabulário receptivo de crianças pré-escolares. Estudos de Psicologia Campinas. 27(2): 169-176.
3. Basílio CS, Puccini RF, Silva EMK, Pedromônico MRM. (2005). Living conditions and receptive vocabulary of children aged two to five years. Rev. Saúde Pública.39(5);725-730.
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6. Lindau TA, Lucchesi FDM, Rossi NF, Giacheti CM. (2015). Instrumentos sistemáticos e formais de avaliação da linguagem de pré-escolares no brasil: uma revisão de literatura. Revista CEFAC. 17(2);656-662. Recuperado em 10 de outubro de 2019 de: http://portal.amelica.org/ameli/jatsRepo/169338410035
7. Cachapuz RF, Halpern R. (2006). A influência das variáveis ambientais no desenvolvimento da linguagem em uma amostra de crianças. Revista da AMRIGS50(4): 292-301.
8. Dias NM, Bueno JOS, Pontes JM e Mecca TP. (2019). Linguagem oral e escrita na educação infantil: relação com variáveis ambientais. Psicologia Escolar e Educacional. 23, e178467. Recuperado em 10 de Outubro de 2019 de: http://dx.doi.org/10.1590/2175-35392019018467
9. Lei n 9.394,1996 estabelece como dever do Estado a expansão da obrigatoriedade do Ensino Médio. Recuperado de: http://portal.mec.gov.br/busca-geral/195-secretarias-112877938/seb-educacao-basica-2007048997/13559-ensino-medio-introducao
10. Alves JMM, Carvalho AJAC, Pereira SCG, Escarce AG, Goulart LMHF, Lemos SMA. (2017). Associação entre desenvolvimento de linguagem e ambiente escolar em crianças da educação infantil. Distúrb Comum. 29(2); 342-353. Recuperado em 06 de Junho 2019 de: https://doi.org/10.23925/2176-2724.2017v29i2p342-353


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1423
AVALIAÇÃO DE MEDIDAS ACÚSTICAS PARA DISCRIMINAÇÃO DE DESVIOS VOCAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO:A avaliação acústica vocal é uma ferramenta de apoio ao pesquisador ou especialista em voz que auxilia a caracterizar e quantificar de forma objetiva a qualidade vocal. As medidas acústicas correlacionam-se com características perceptuais, fisiológicas e aerodinâmicas, possibilitando uma relação de inferência multidimensional sobre os distúrbios vocais. Identificar esses distúrbios é uma tarefa difícil em determinados casos, pois aparecem frequentemente, de forma conjunta no mesmo paciente. A literatura pesquisada apresenta um grande número de medidas acústicas para avaliar o sinal vocal e a escolha acertada do método ou medidas acústicas adequadas para identificar o grau/intensidade dos desvios ou a presença de patologias laríngeas. OBJETIVO:Verificar o desempenho de um conjunto de medidas acústicas na discriminação entre vozes saudáveis, rugosas, soprosas e tensas. METODOLOGIA:Trata-se de uma pesquisa descritiva, avaliada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição de origem, com o parecer 52492/12. Utilizou-se amostras vocais da vogal “é” sustentada de 251 indivíduos atendidos em um ambulatório de voz, sendo 157 mulheres e 94 homens. Três fonoaudiólogos realizaram o julgamento perceptivo-auditivo da intensidade do desvio vocal de modo independente, utilizando uma escala analógico-visual de 0 a 100 mm, assim como a identificação da qualidade vocal predominante nas vozes desviadas (rugosa, soprosa ou tensa). No final da sessão de avaliação perceptiva, 20% das amostras foram repetidas aleatoriamente, para a análise da confiabilidade da avaliação intrajuízes pelo coeficiente kappa, escolhendo-se o juiz com maior coeficiente (0,89). Pelo ponto de corte da escala utilizada, 51 vozes foram classificadas como saudáveis e 200 como desviadas, incluindo 80 vozes classificadas como rugosas, 63 como soprosas e 57 vozes como tensas. Extraiu-se 22 medidas acústicas, dentre elas:HNR, RPK, AVI, SFR, GNE, CPP, CPPs, SNL etc., posteriormente realizou-se uma seleção de atributos aplicando o algoritmo Information-Gain Attribute Ranking, a fim de encontrar um subconjunto ótimo de medidas acústicas. À classificação dos sinais em função da qualidade vocal, foi aplicada uma Rede Neural Feedforward com o algoritmo de aprendizado Levenberg-Marquardt, validação cruzada estratificada com 10 folds, sendo estes 10% para teste e 90% para treino. Para avaliar o desempenho do classificador utilizou-se a matriz de confusão, índice de concordância kappa, acurácia global e acurácia marginal. RESULTADOS:Nenhuma medida classificada individualmente obteve concordância aceitável. Quando combinadas, um conjunto com seis medidas acústicas:HNR,CPP,CPPs,SNL entre 100-3000 Hz,RPK e SFR, atingiram uma classificação com kappa de (0,77), taxa de acurácia global (83,23%), taxa de acerto dos sinais vocais saudáveis (74,51%), vozes rugosas (83,75%), vozes soprosas (90,48%) e vozes tensas foi de 82,46%. CONCLUSÃO: Nenhuma medida acústica isolada é capaz de discriminar entre diferentes tipos de qualidade vocal predominante. A combinação de seis medidas acústicas (HNR,CPP,CPPs,SNL entre 100-3000 Hz,RPK e SFR) apresenta excelente desempenho para identificar vozes soprosas, bom desempenho para identificar vozes rugosas, tensas e saudáveis. O modelo de decisão adotado neste estudo pode ser inserido em algoritmos automáticos de extração no software livre Praat, contribuindo para avaliação e monitoramento da qualidade vocal na rotina clínica de atendimento a indivíduos com distúrbios da voz, assim como para o treinamento perceptivo-auditivo de novos juízes.

ANAND, S. et al. Objective indices of perceived vocal strain. Journal of Voice, Elsevier, v. 33, n. 6, p.
838–845, 2019.

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BARSTIES, B.; BODT, M. D. Assessment of voice quality: current state-of-the-art. Auris Nasus
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GODINO-LLORENTE, J. I. et al. The effectiveness of the glottal to noise excitation ratio for the
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
457
AVALIAÇÃO DE UM GRUPO DE CONVIVÊNCIA EM AFASIA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: PERSPECTIVA DOS PACIENTES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A afasia é uma perturbação adquirida da linguagem secundária a uma lesão cerebral, que pode ser ocasionada por Acidente Vascular Encefálico (AVE), tumores, Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) ou doenças degenerativas que afetam o hemisfério cerebral esquerdo, responsável pela linguagem(¹). As alterações de linguagem, podem afetar o bem-estar biopsicossocial de tais indivíduos, que pela ausência de uma comunicação efetiva podem se sentir desconfortáveis em situações sociais(²). A terapia de grupo tem sido cada vez mais utilizada na reabilitação de pacientes com afasia e pode contribuir, além da melhoria no funcionamento comunicativo, para a melhoria da qualidade de vida. Esse benefício pode ser encontrado mesmo para aqueles na fase crônica de recuperação(³). Nessa perspectiva, o Grupo de Convivência em Afasia, um programa de extensão de uma universidade pública do país, visa além da reabilitação dos pacientes a possibilidade de reintegrá-los à comunicação social, com atividades propostas que auxiliam na expressão comunicacional de maneira mais clara e singular entre os seus pares. Objetivos: O estudo teve como objetivo explicitar a opinião dos pacientes acerca do Grupo de Convivência em Afasia, através de um questionário simplificado elaborado para a melhor compreensão e expressão dos participantes. Método: Essa pesquisa faz parte de um estudo mais amplo aprovado pelo comitê de ética de uma universidade pública. CAAE: 64312017.0.0000.5208. Estudo qualitativo com onze pacientes do grupo feito através de um questionário baseado em três perguntas, substituídas por expressões que facilitaram a compreensão dos afásicos, a serem respondidas, respeitando as limitações dos pacientes: "Que bom!", onde os pacientes descreveram os pontos positivos do grupo; "Que pena!", onde descreveram o que encontravam de negativo; "Que tal?", onde eles podiam sugerir melhorias para o grupo. Resultados: Dos 11 participantes apenas 9 responderam de forma concisa o que foi pedido. Os pacientes que conseguiram responder utilizaram como recursos a escrita, desenhos e/ou verbalizaram durante a socialização das respostas no grupo de convivência. Nas respostas para a expressão “Que bom!”, prevaleceu a interação com outras pessoas do grupo que inclui professora, extensionistas, pacientes e cuidadores. Outra resposta preponderante nesse quesito foi a presença de atividades com música no grupo. Já na questão “Que pena!”, dois pacientes responderam sobre a estrutura onde os encontros acontecem, pois a sala está ficando pequena com a entrada de novos integrantes. Os outros pacientes deixaram em branco. Por último, no quesito “Que tal?”, foram feitas sugestões para melhora do grupo em algum aspecto. As respostas variaram, porém as que apareceram em maior número foram a realização de passeios, atividades de contagem numérica e lanches. Conclusão: A percepção dos pacientes sobre o Grupo de Convivência em Afasia em sua maioria foi positiva, visto que o projeto tem contribuído para a reabilitação e interação deles dentro e fora do grupo. Outrossim, houve algumas sugestões visando o crescimento do grupo e poucas críticas voltadas a fatores externos, como a estrutura.

1. Fontanesi RO, Schmidt A. Intervenções em afasia: uma revisão integrativa. Rev. CEFAC, 2016 Jan-Fev; 18 (1): 252-262.
2. Lima RR. Intervenção fonoaudiológica grupal e seu impacto na qualidade de vida de pessoas com afasia. Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná, 2019.
3. Attard MC, Loupis, Y, Togher L, Rose ML. The efficacy of an inter-disciplinary community aphasia group for living well with aphasia. APHASIOLOGY 2018; 32:105–138.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1374
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO AUDITIVO DE PACIENTES DEFICIENTES AUDITIVOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A integridade do sistema auditivo é de fundamental importância na comunicação humana, sendo essencial para o desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem oral. Qualquer alteração nesse sistema pode afetar de forma significativa o desenvolvimento infantil. Com o objetivo de reduzir os prejuízos causados por uma perda auditiva e possibilitar a estimulação auditiva e reabilitação oral desses pacientes, estão disponíveis dispositivos eletrônicos de auxílio à audição. Além disso, outros fatores como a metodologia adotada na reabilitação, a participação da família no processo e o monitoramento sistemático do processo terapêutico através de protocolos de avaliação são considerados importantes a fim de garantir a sucesso terapêutico. Sem dúvida, o conhecimento desses fatores pode contribuir para o sucesso do processo terapêutico, fornecendo subsídios para elaboração de metodologias com foco no desenvolvimento auditivo e da comunicação oral.
Objetivo: Analisar o perfil auditivo de crianças deficientes auditivas atendidas numa Clínica-Escola de Fonoaudiologia a fim de fornecer aos reabilitadores e às famílias subsídios para elaboração de propostas individualizadas e centradas no desenvolvimento auditivo.
Metodologia: Participaram do estudo sete crianças de ambos os sexos, usuárias de dispositivos eletrônicos (AASI e/ou IC), que foram avaliadas utilizando-se protocolos específicos de avaliação de percepção auditiva da fala e seus desempenhos categorizados de acordo com as categorias de audição. Além disso, foi realizada análise de prontuários com o objetivo de correlacionar o desempenho auditivo obtido com informações audiológicas, com dados intervenção fonoaudiológica e com o nível de adesão e envolvimento familiar de seus pais à proposta de reabilitação oferecida. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial por meio da Correlação de Spearman, com nível de significância estabelecido em 0,05 (5%).
Resultados: De acordo com os dados analisados a grande maioria dos participantes se dividiram entre as categorias 1 e 6, sendo (n=3) em ambas. Apenas uma criança encontrava-se na categoria 2. Houve correlação positiva forte entre desempenho de linguagem, desempenho auditivo e tempo de reabilitação e correlação positiva moderada entre idade e escore de linguagem expressiva (0,743).
Conclusão: Conforme os resultados obtidos, foi possível observar uma melhora no desempenho auditivo proporcional ao tempo de reabilitação, de forma que as crianças que estavam há maior tempo em reabilitação apresentaram melhor desempenho auditivo. Por conta do pequeno número de crianças avaliadas não houve dados de significância nas correlações entre outras variáveis.

COMERLATTO, MPS. Habilidade auditivas e de linguagem de crianças usuárias de implante coclear: análise dos marcadores clínicos de desenvolvimento. 2015. 124 f. Tese (Doutorado) - Curso de Fonoaudiologia, USP, São Paulo, 2015.
GEERS, AE. Techniques for assessing auditory speech perception and lipreading enhancement in Young deaf children. The Volta Review. 1994;96(5):85-96.
NOVAES, BCAC; VERSOLATTO-CAVANAUGH, MC; FIGUEIREDO, RSL; MENDES, BCA. Fatores determinantes no desenvolvimento de habilidades comunicativas em crianças com deficiência auditiva. Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, [s.l.], v. 24, n. 4, p.335-341, 2012.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1340
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA LINGUAGEM EXPRESSIVA DE PACIENTES DEFICIENTES AUDITIVOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Nos indivíduos com deficiência auditiva a privação sensorial pode alterar o desempenho e desenvolvimento de algumas habilidades acarretando alterações metalinguísticas, lexicais e de consciência fonológica que são de grande relevância no desempenho comunicativo e na inclusão social deles. O constante acompanhamento do desempenho auditivo e de linguagem por meio de avaliações periódicas, bem como o monitoramento da participação da família podem contribuir para melhor compreensão do processo terapêutico, da evolução do indivíduo e da análise da eficácia da intervenção fonoaudiológica. O objetivo do estudo foi analisar o perfil de linguagem expressiva verbal de crianças deficientes auditivas atendidas numa Clínica-Escola de Fonoaudiologia a fim de fornecer aos reabilitadores e às famílias subsídios para elaboração de propostas terapêuticas individualizadas e centradas no desenvolvimento de linguagem. Participaram do estudo sete crianças de ambos os sexos, usuárias de dispositivos eletrônicos, que foram avaliadas utilizando-se protocolos de avaliação de linguagem específicos e seus desempenhos categorizados de acordo com as Categorias de Linguagem propostas na literatura. Além disso, foi realizada análise de prontuários com o objetivo de correlacionar o desempenho de linguagem obtido com informações auditivas, dados intervenção fonoaudiológica e nível de adesão e envolvimento familiar dos pais à proposta de reabilitação oferecida. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial por meio da Correlação de Spearman, com nível de significância estabelecido em 0,05 (5%). De acordo com os dados analisados foi possível observar que 42,86% (n=3) dos participantes foi avaliado como estando na categoria 1, 14,28% (n=1) na categoria 2, e 42,46% (n=3) na categoria 5. Houve correlação positiva forte entre desempenho de linguagem, desempenho auditivo e tempo de reabilitação e correlação positiva moderada entre idade e escore de linguagem expressiva (0,743). O estudo apontou a influência do envolvimento familiar, do tempo de reabilitação, do tempo de uso do aparelho auditivo e tempo de adaptação do dispositivo, pois os sujeitos que tiveram melhores resultados nessas questões apresentaram melhores resultados no desempenho de linguagem. A partir desses achados, acredita-se no estabelecimento de propostas terapêuticas de intervenção mais efetivas.

FERNANDES, N.F; YAMAGUTI, E.H; MORETTIN, M; COSTA, O.A. Percepção de fala em deficientes auditivos pré-linguais com desordem do espectro da neuropatia auditiva usuários de aparelho auditivo de amplificação sonora. CoDAS, Bauru, v.28, n.1, p.22-26. 2016.
MIGUEL, J.H.S.; NOVAES, B.C.A.C. Reabilitação auditiva na criança: adesão ao tratamento e ao uso do aparelho de amplificação sonora individual. Audiology Communication Research, Mandaqui, v.18, n.3, p.171-178. 2013.
OLIVEIRA, P.S.; PENNA, L.M.; LEMOS, S.M.A. Desenvolvimento da linguagem e deficiência auditiva: Revisão de literatura. CEFAC, Belo Horizonte, v.17, n.6, p.2044-2055, nov./dez. 2015.
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SOBREIRA, A.C.O; CAPO, B.M; SANTOS, T.S; GIL, D. Desenvolvimento de fala e linguagem na deficiência auditiva: relato de dois casos. Revista Cefac, [s.l.], v. 17, n. 1, p.308-317, fev. 2015.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1846
AVALIAÇÃO DO EFEITO DA IDADE SOBRE OS RESULTADOS DO VIDEO HEAD IMPULSE TEST E DYNAMIC GAIT INDEX EM PACIENTES COM QUEIXA OTONEUROLÓGICA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução. Os distúrbios vestibulares afetam diretamente o equilíbrio corporal e podem aumentar o risco de quedas, sendo a população idosa a mais afetada(1). A avaliação otoneurológica, seja ela instrumental, clínica ou funcional, fornece informações sobre o equilíbrio corporal(2). Com o avanço da tecnologia, outras provas para avaliação otoneurológica surgiram, dentre elas, destaca-se o Video Head Impulse Test (vHIT), como um exame que permite avaliar, bilateralmente, todos os canais semicirculares (CSCs), em alta frequência, por meio de movimentos cefálicos. Este exame fornece ainda informações acerca do ganho do reflexo vestíbulo-ocular (RVO) e assimetria dos CSCs, além de identificar a presença de sacadas corretivas(3,4). Objetivo. Verificar se existe correlação entre a idade, o risco de queda com os valores de ganho do RVO e assimetria dos CSCs, obtidos por meio do vHIT, em pacientes com disfunção vestibular periférica. Método: O estudo foi caracterizado como transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição envolvida, sob o número de parecer: 2.809.558. A pesquisa contou 12 participantes de ambos os sexos, com diagnóstico médico de disfunção vestibular periférica, encaminhados pelo ambulatório de Otorrinolaringologia de um serviço público, que apresentassem queixas de sintomas otoneurológicos. Os participantes foram submetidos à aplicação do teste Dynamic Gait Index (DGI) e ao teste do impulso cefálico, por meio do equipamento vHIT, modelo ICS Impulse, software OTOsuite Vestibular, da marca Otometrics(5). A análise dos dados foi realizada de forma descritiva e também utilizou-se o Coeficiente de correlação de Spearman (rho), adotando-se um nível de significância de 5%. Resultados: A amostra foi caracterizada pelo predomínio do sexo feminino (75%), com média de idade de 59,8 anos. O diagnóstico otorrinolaringológico e comorbidade associada, de maior ocorrência, foram a Doença de Ménière (41,6%) e a hipertensão arterial sistêmica (HAS) (83,3%), seguidos da tontura postural perceptual persistente (TPPP) (25%) e da comorbidade diabetes mellitus (DM) (33,3%), respectivamente. No teste DGI foi encontrada média de 19,8 pontos. No vHIT, verificou-se média dos valores de ganho do RVO reduzidos para os CSCs posterior direito e anterior esquerdo, bem como da assimetria dos CSCs anteriores e posteriores. Na análise estatística, constatou-se correlação de grau moderado (r=0,41) entre os resultados do DGI com o ganho do CSC anterior esquerdo, correlação negativa de grau moderado (r=-0,55) entre a simetria do canal semicircular lateral e o teste DGI e também, correlação negativa, de grau moderado (r =-0.51), entre a idade e a pontuação final do DGI. Conclusão. Constatou-se correlações, de grau moderado, entre o maior risco de quedas em pacientes com hipofunção vestibular no canal semicircular anterior esquerdo, menor risco de queda nos pacientes com uma menor índice de assimetria dos canais laterais e, maior risco de queda com a progressão da idade nos indivíduos avaliados.

1. Ferreira LMBM, Ribeiro KMOBF, Pestana ALS, Lima KC. Prevalência de tontura na terceira idade. Rev CEFAC. 2014 Jun;16(3):739-746.

2. Castro SM, Perracini MR, Ganança FF. Versão brasileira do Dynamic Gait Index. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006 May 15;72(6):817-825.

3. MacDougall HG, McGarvie LA, Halmagyi GM, Curthoys IS, Weber KP. The video head impulse test: Diagnostic accuracy in peripheral vestibulopathy. Neurology. 2009 Oct 06;73:1134-1141.

4. MacDougall HG, McGarvie LA, Halmagyi GM, Curthoys IS, Weber KP. The Video Head Impulse Test (vHIT) Detects Vertical Semicircular Canal Dysfunction. PLoS ONE. 2013 Apr 22;8(4):1-10.

5. Otometrics: ICS Impulse USB - Reference Manual. Natus Medical Denmark ApS. 2015, 2019: 8-43.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2061
AVALIAÇÃO DO MODO RESPIRATÓRIO NOS DIFERENTES CICLOS DA VIDA: REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: o processo de avaliação e diagnóstico do modo respiratório pode ser realizado de maneira objetiva ou subjetiva (1-3). Uma vez que o fonoaudiólogo atua na prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento de alterações do modo respiratório (4), é importante que estes profissionais tenham conhecimento sobre os métodos disponíveis para avaliação da função, tanto para a prática clínica quanto para a elaboração de metodologias de pesquisa. Objetivo: verificar os métodos de avaliação do modo respiratório nasal em crianças, adultos e idosos saudáveis. Método: realizada revisão integrativa de literatura nas bases de dados Pubmed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) por meio da estratégia de busca: ("nasal breathing" OR "RESPIRATORY TYPE") AND (age OR aging OR elderly OR child OR children OR adult OR adults OR infant OR infants). Foram incluídos artigos publicados nos últimos 10 anos, disponíveis na integra em português, inglês ou espanhol e que incluíam na casuística pacientes saudáveis com modo respiratório nasal. Foram excluídos trabalhos que não se encaixavam no tema, que abordavam apenas patologias e efeitos de pós-tratamento cirúrgico, ortodôntico ou medicamentoso. Resultados: foram localizados, no total, 864 trabalhos na Pubmed e 98 na BVS e, após a aplicação dos critérios de inclusão/exclusão e eliminação de estudos duplicados, foram selecionados 40 artigos. O maior público alvo dos estudos foram crianças (n=26), seguido por adultos (n=9), adolescentes (n=1), bebês (n=1) e diferentes faixas etárias (n=3), não sendo localizados artigos com idosos. Em relação aos métodos utilizados para determinar a presença de respiração nasal, a maioria baseou-se em dados de história clínica fornecidos pelos pacientes/familiares e prontuários (n=24), além de avaliações para identificação de sinais clínicos (n=17), sendo que desses apenas quatro utilizaram protocolos padronizados e disponíveis em literatura (5-6), exames otorrinolaringológicos para identificar obstruções (n=15); e oito estudos utilizaram métodos pouco convencionais ou não descreveram o processo de avaliação dos respiradores nasais. Para alcançar os objetivos propostos nos estudos, outras avaliações foram realizadas, tais como medidas de cefalometria (n=16), testes relacionados a padrões respiratórios (n=9), dimensões de palato e maxilares por modelos de gesso e computadorizados (n=6) e testes para analisar patência nasal (n=4). Em relação as profissões dos autores, a maioria dos estudos foi realizado por meio de equipe multidisciplinar (n=14), tendo também trabalhos realizados na área da odontologia (n=13), otorrinolaringologia (n=6), fonoaudiologia (n=4) e fisioterapia (n=3). Por fim, apenas três artigos tinham como casuística principal os respiradores nasais, sendo que a grande maioria (n=37), abordava os respiradores nasais apenas em grupos controle. Conclusão: os estudos em respiradores nasais abordam, principalmente, as crianças, utilizam métodos objetivos e subjetivos para avaliação e são realizados por equipes multidisciplinares compostas, principalmente, por otorrinolaringologistas e dentistas. Ressalta-se a escassez de trabalhos publicados por fonoaudiólogos, o que dificulta a análise funcional da respiração. Além disso, nota-se uma falta de padronização para avaliação do modo respiratório, sendo que a maioria dos artigos seleciona os participantes do grupo controle por meio de história clínica e ausência de fatores obstrutivos, o que pode ocasionar vieses nos resultados pela ausência de parâmetros mais objetivos.

1. Roithmann R. Testes específicos da permeabilidade nasal. Braz J Otorhinolaryngol. 2007;73(1):2.
2. Brecvovici S, Roithmann R. A reprodutibilidade do espelho de glatzel modificado na aferição da permeabilidade nasal. Braz J Otorhinolaryngol. 2008;74(2):215-222.
3. Melo ACC, Gomes AOC, Cavalcanti AS, Silva HJ. O uso da rinometria acústica em respiração oral: revisão sistemática. Braz J otorhinolaryngol. 2015;81(2):212-218.
4. Cunha DA, Krakauer L, Manzi SHMB, Frazão YS. Respiração Oral: avaliação e tratamento fonoaudiológico. In: Justino H,Tessitore A, Motta AR, Cunha DA, Berretin-Felix G, Marchesan IQ organizadores. Tratado de Motricidade Orofacial.São José dos Campos, SP:Pulso; 2019. p. 487-497
5. Genaro KF, Berretin-Felix G, Rehder MIBC, Marchesan IQ. Avaliação miofuncional orofacial: protocolo MBGR. Rev. CEFAC. 2009;11(2):237-255.
6. Wieler WJ, Barros AM, Barros LA. Tanaka OM. A combined protocol to aid diagnosis of breathing mode. Rev Clín Pesq. Odontology. 2007;3:101–114.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1375
AVALIAÇÃO DO NEURODESENVOLVIMENTO EM UM CASO CLÍNICO DE ASSOCIAÇÃO DE VACTERL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Associação de VACTERL é uma condição rara que compreende malformações congênitas multissistêmicas. Embora os defeitos congênitos estejam ligados, ainda é desconhecido o gene ou o grupo de genes que causam essas malformações, razão para se chamar essa desordem, preferencialmente, de "associação", ao invés de "síndrome"¹, por ter uma associação não-aleatória de defeitos congênitos. VACTERL é um acrônimo das características componentes e, para o diagnóstico, pelo menos três características são necessárias (porcentagens de ocorrência): V: anomalias vertebrais (60-95%); A: atresia anal/ânus imperfurado (55-90%); C: malformações cardíacas (40-80%); TE: fístula traqueo-esofágica (50-80%); R: (50-80%); anomalias renais (50-80%) e L: anomalia dos membros (40-50%)1-6. Outras manifestações menos frequentes são: deficiência de crescimento pré-natal e pós-natal, estenose da laringe, anomalia da orelha, fontanelas grandes, anomalias nas costelas, defeitos genitais externos, dentre outros2. Embora os critérios de diagnóstico variem, a incidência é estimada em aproximadamente 1/10.000 a 1/40.000 bebês nascidos vivos1-3. Os déficits congênitos impactam a família, pois a criança terá que passar por muitos procedimentos cirúrgicos ao longo da vida5. Objetivo: Descrever habilidades do desenvolvimento de um menino na faixa etária de 8 meses com diagnóstico da associação VACTERL. Métodos: Cumpriram-se princípios éticos (CAE: 42356815.1.0000.5417). A avaliação constou de sessão de anamnese com responsável e aplicação de: Observação o Comportamento Comunicativo (OCC), Early Language Milestone Scale (ELM)6 e Teste de Screening de Desenvolvimento Denver-II (TSDD-II)7. Resultados: Anamnese: Filho de pais não consanguíneos; gravidez sem intercorrência; nascimento por cesariana na 39ª semana gestacional; peso 2740 gramas, estatura 41,5cm; perímetro cefálico de 37,5cm. Foram observadas as seguintes malformações: ânus imperfurado, sinostose no braço direito, escoliose, hérnia inguinal, malformação cardíaca. Realizou cirurgia para correção do ânus 24 horas após o nascimento e ficou na UTI por 12 dias. O RX da coluna evidenciou vértebras em bloco: T9-T10; T11-T12; L1-L2, hemivértebra em T7. Ossos da bacia mal evidenciados. Falhou na triagem auditiva. Apresentava refluxo e cólicas após alimentação. Quanto ao neurodesenvolvimento apresentou equilíbrio cervical aos 4 meses e sentar com apoio aos 6 meses. OCC: verificou-se interação com avaliadora, contato visual, intenção comunicativa, interesse por brinquedos e produção de sons isolados e protesto (choro). ELM: Nas áreas auditiva receptiva, auditiva expressiva e visual obteve escores compatível com 5 meses para todas as habilidades. TSDD-II: Em todas as áreas - motora grossa, motora fina-adaptativa, linguagem e pessoal-social obteve escores compatível com cinco meses, embora na área motora fina-adaptativa tenha sido observado somente o uso da mão esquerda (sinostose do braço direito). Conclusão: pacientes com associação VACTERL são de risco para alterações do desenvolvimento motor e podem apresentar comprometimento neurocognitivo1,3. Estudos identificaram dificuldades de atenção que podem refletir em problemas de aprendizagem no futuro3,4. Não foi identificada na literatura nenhum estudo que aborde aquisição da linguagem. Como passam por vários processos cirúrgicos para a correção das malformações congênitas a família deve ser orientada para questões de superproteção, que também trazem interferência na maturação da criança. Assim, o processo terapêutico deve envolver a família para que consigam adaptações necessárias em cada etapa do desenvolvimento dos seus filhos.

1. Solomon, B.D. VACTERL/VATER Association. Orphanet J Rare Dist. 2011;6: 56

2. Chen Y, Liu Z, Chen J, Zuo Y, Liu S, Chen W, Liu G et al., The genetic landscape and clinical implications of vertebral anomalies in VACTERL association.J Med Genet. 2016 Jul; 53(7): 431–437.

3 Yang L, Li S, Zhong L, Qiu L, Xie L, Chen L. VACTERL association complicated with multiple airway abnormalities: A case report. Medicine (Baltimore) 2019 Oct; 98(42): e17413.

4. Kassa AM, Dahl M, Strinnholm M, Lilja HE. Attention difficulties and physical dysfunction common in children with complex congenital malformations: a study of preschool children with VACTERL association. Acta Paediatr.2020;109(4): 783–789.

5. Kassa AM Lilja HE, Engvall G. From crisis to self-confidence and adaptation; Experiences of being a parent of a child with VACTERL association– A complex congenital malformation. PLoS One.2019;14(4): e0215751.

6. Coplan J. The early language milestone scale. Austin: Pro-Ed, 1983.

7. Frankenburg, WK. et al. Denver-II training manual. Denver: Denver Developmental Materials; 1992.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2126
AVALIAÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL E ELETROFISIOLÓGICA DE CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE LEITURA E ESCRITA
Tese
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O grande número de queixas auditivas que não são justificadas pela avaliação do sistema auditivo periférico levou estudiosos a buscarem explicações através de procedimentos que avaliassem a via auditiva central. Com isso, essas queixas passaram a ser atribuídas aos transtornos de processamento auditivo central (TPAC). Estudos na área mostraram que outros transtornos, como as dificuldades relacionadas à leitura e escrita, frequentemente podem aparecer associados aos TPAC. Além disso, o diagnóstico dos TPAC tem sido motivo de grandes discussões recentes, devido à grande participação de processos cognitivos na bateria de testes da avaliação comportamental.
Objetivo: Analisar e comparar o desempenho auditivo de crianças com nível de inteligência preservada, mas com dificuldade em leitura e escrita, em testes periféricos e centrais.
Metodologia: Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição. Foram incluídos 54 escolares da rede pública de ensino com faixa etária entre 8 e 12 anos de idade, divididas em dois grupos de acordo com a performance no Teste de Desempenho Escolar. Aquelas que apresentaram desempenho inferior no subteste de leitura e escrita foram incluídas no grupo estudo e, aquelas com desempenho médio ou superior foram incluídas no grupo controle. Todas as crianças passaram por avaliação do nível de inteligência, avaliação audiológica básica e de altas frequências, testes comportamentais do processamento auditivo, testes eletroacústicos e eletrofisiológicos.
Resultados: A análise dos testes não demonstrou diferenças estatisticamente significantes na comparação dos grupos para a avaliação audiológica básica e de altas frequências, emissões otoacústicas transientes e produto de distorção e o potencial evocado auditivo de tronco encefálico. Foram observadas diferenças estatisticamente significantes para o Teste Dicótico de Dígitos, Teste de Sentenças Sintéticas, Teste Padrão de Frequência e o Teste Gaps in Noise, além do teste eletrofisiológico P300.

Conclusão: Os dados do presente estudo evidenciaram que as crianças com dificuldades de leitura e escrita, com nível de inteligência preservado apresentaram integridade do sistema auditivo periférico e alterações nos testes comportamentais e eletrofisiológicos quando comparadas com crianças sem dificuldades de leitura e escrita. Acredita-se que, a avaliação do processamento auditivo, que vai além dos estágios iniciais da amplificação da cóclea e a transmissão do nervo auditivo (periférico), possibilita a compreensão dos mecanismos que vão impactar na percepção auditiva da fala e consequentemente o processo de aprendizado. Desse modo, avaliar ambos, audibilidade e a percepção dos sons torna-se fundamental, pois fornecerão mais dados do real desempenho auditivo de escolares e poderá contribuir para o processo de reabilitação minimizando as dificuldades no processo de aprendizagem.

nenhuma


TRABALHOS CIENTÍFICOS
809
AVALIAÇÃO DO RECONHECIMENTO E NOMEAÇÃO DAS EXPRESSÕES FACIAIS EMOCIONAIS POR ESCOLARES
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


A compreensão das emoções permite aos sujeitos a adaptação a circunstâncias, o desenvolvimento de habilidades psicoafetivas e da inteligência emocional (1), sendo de importância para tal aquisição as expressões faciais emocionais. Objetivo: avaliar o reconhecimento e a nomeação das expressões faciais emocionais por escolares. Método: Pesquisa-ação envolvendo 34 escolares de instituição privada de Vitória da Conquista, Bahia, entre sete e dez anos, subdivididos em dois grupos (um de escolares com idades entre sete e oito anos e outro com idades entre nove e dez anos), com 16 participantes no grupo de sete a oito anos e 18 participantes no grupo de nove a dez. Foram oferecidas figuras contendo sete expressões faciais emocionais (alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa, aversão e ironia) para que as reconhecessem e as nomeassem, além de ser avaliada a facilidade do teste. Para tanto, seus responsáveis e a instituição de ensino consentiram na participação da pesquisa e receberam devolutivas dos resultados obtidos. O projeto guarda-chuva foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe (CAAE 87760618.2.0000.5546). Os resultados foram submetidos a análise estatística descritiva. Resultados: Todas as expressões faciais emocionais testadas foram reconhecidas e nomeadas com facilidade, sendo que para o reconhecimento o percentual de acertos foi: alegria (100%), raiva e surpresa (97,06% cada), medo (91,18%), aversão (82,35%) e tristeza (64,7%), enquanto que para a nomeação: alegria e raiva (100%), surpresa (85,3%), tristeza (82,36%), aversão (76,48%) e medo (67,65%), sendo que o reconhecimento obteve percentuais ligeiramente maiores de acertos do que a nomeação, ratificando o exposto pela literatura (2). Cabe uma exceção em relação à ironia, em que 47,06% reconheceram e 17,64% nomearam, evidenciando maior dificuldade na identificação dessa emoção, embora todos tenham julgado corretamente os motivos do uso da ironia. A ironia é aprendida dentro do contexto familiar e depoimentos dos participantes ratificam o exposto pela literatura (3). Quanto à facilidade de realização do teste, a maioria dos participantes considerou que o teste foi fácil. Conclusão: Escolares entre sete e dez anos reconhecem e nomeiam as expressões faciais emocionais básicas, apresentando maior dificuldade em relação à ironia, sendo sugerido que sua nomeação ocorra após os dez anos de idade.
Palavras-chave: 1. Expressão Facial, 2. Emoção, 3. Escolar; 4. Fonoaudiologia.

1. Saarni C. Emotional development in childhood. Encyclopedia on early childhood development; 2011. p. 1-7.
2. Harrigan J. The effects of task order on children's identification of facial expressions. Motivation and emotion. 1984; 8:157-69.
3. Recchia HE, Howe N, Ross HS, Alexander S. Children's understanding and production of verbal irony in family conversations. British Journal of Developmental Psychology 2010;28(2):255-74.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1235
AVALIAÇÃO DO SISTEMA AUDITIVO EM ESTUDANTES COM MÁ QUALIDADE DO SONO
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: O sono é essencial para a vida dos seres humanos, principalmente pela capacidade de manutenção da energia corporal e uma boa Qualidade de Vida (QV) diária. Episódios de privação de sono podem acabar comprometendo o metabolismo celular em diferentes níveis, inclusive no sistema auditivo. Além disso, estados de sonolência durante as atividades diárias pode comprometer o estado de vigília interferindo assim, nos processos de aprendizado que envolve diretamente a atenção e memória. OBJETIVO: Este trabalho tem como finalidade avaliar o sistema auditivo de indivíduos com alteração na qualidade do sono, decorrentes de alteração respiratória. MÉTODO: Participaram deste estudo 10 indivíduos de ambos os gêneros com queixa de alterações no sono e idade variando de 20 a 36 anos (média de 23 anos). Os procedimentos de avaliação foram: questionário PSQI para verificar a qualidade do sono e o questionário WHOQOL-bref para verificar a QV desses indivíduos, anamnese fonoaudiológica, Audiometria Tonal Liminar (ATL), Imitânciometria, Emissões Otoacústicas Evocadas por estímulo Transientes (EOAet), Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico (PEATE) e Potenciais Evocados Auditivos Corticais / Potencial Cognitivo P300. RESULTADOS: Os resultados demonstraram no teste PSQI score total de 8,9 sugerindo alterações do sono nesses participantes; o questionário WHOQOL-bref demonstrou QV regular para os domínios físico, psicológico e meio ambiente. Na ATL todos indivíduos apresentaram audição normal (média 0,5K, 1K, 2K e 4K <25dBNA). Não foi verificado alteração no nível de sensação do reflexo acústico e nas EOE-t todos os indivíduos apresentaram relação sinal/ruído superior a 3dBNPS. A análise do PEATE demonstrou integridade de vias da porção distal do nervo auditivo a região de colículo inferior. A média geral dos componentes N2 e P3 demonstrou um discreto aumento em relação aos achados da literatura. Houve correlação negativa entre o questionário de QV e a amplitude do N2, assim como o questionário de QV e o P300. CONCLUSÃO: A qualidade do sono não foi um fator determinante para causar alterações auditivas tanto na porção periférica quanto na porção central. Entretanto, indivíduos que apresentaram má qualidade de vida podem apresentar alterações no processamento da informação sonora em níveis mais centrais, evidenciado pelos achados do Potencial Cognitivo P300.

1. Müller MR, Guimarães SS. Impacto dos transtornos do sono sobre o funcionamento diário e a qualidade de vida. Estud Psicol. 2007;24(4):519–28.
2. Lopes HS, , Denise Andrade Pereira Meier RR. Qualidade do sono entre estudantes de enfermagem e fatores associados. Ciências Biológicas E Da Saúde. 2018;129–36.
3. Franklin AM, Giacheti CM, Cristina N, Maria L, Campos G. Correlação entre o perfil do sono e o comportamento em indivíduos com transtorno específico da aprendizagem. CoDAS. 2018;1782(3):1–8.
4. Martins CH, de Castro N, Filho OAC, Neto OM de S. Obstructive sleep apnea and P300 evoked auditory potential. Braz J Otorhinolaryngol. 2011;77(6):700–5.
5. Santos DFS. ALTERAÇÕES AUDITIVAS EM INDIVÍDUOS COM DISTÚRBIOS DO SONO: REVISÃO DE LITERATURA. Monogr TCC - Univ Fed Sergipe. 2019.
6. Didoné DD, Garcia MV, Oppitz SJ, Silva TFF da, Santos SN Dos, Bruno RS, et al. Auditory evoked potential P300 in adults: reference values. Einstein (Sao Paulo). 2016;14(2):208–12.
7. Duarte JL, Alvarenga K de F, Banhara MR, Melo ADP de, Sás RM, Costa Filho OA. Potencial evocado auditivo de longa latência-P300 em indivíduos normais: valor do registro simultâneo em Fz e Cz. Rev Bras Otorrinolaringol. 2009;75(2):231–6.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1563
AVALIAÇÃO DOS PADRÕES DE LEITURA EM IDOSAS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução:
A leitura tem sido estudada em diversos contextos, como por exemplo, o processo de alfabetização e a aprendizagem nas faixas etárias da infância e adolescência, além de quadros patológicos que interferem no processo de leitura. A compreensão leitora e os distintos níveis de processamento do texto durante a leitura encontram-se associados à integração de diferentes habilidades linguístico-cognitivas, muitas delas relacionadas ao reconhecimento da palavra e ao seu significado (1-3). Estudos que abordem temas como a compreensão leitora em idosos são escassos na literatura específica.
Objetivo:
Analisar como os aspectos de leitura e compreensão de texto se modificam em idosos segundo o tempo de escolaridade. Métodos:
Estudo transversal observacional com 14 idosas entre 60 e 75 anos. Os indivíduos foram divididos em dois grupos: G1 com ensino fundamental e G2 com ensino médio. Para coleta dos dados foram utilizados os testes “Mini Mental” (4), “Teste do relógio” (4), os dados sociodemográficos, um questionário sobre hábitos de leitura, a leitura oral do texto “Otzi, o homem do gelo”, e interpretação deste mesmo texto por meio de atividades dissertativas de compreensão. Analisou-se a organização temporal do discurso pelo software Lepic®. Foram feitas análises descritivas e associativas, por meio dos testes de Exato de Fisher, Qui-quadrado de Pearson e Mann-Whitney, com significância de 5%.
Resultados:
A maior parte da amostra consistiu em idosas aposentadas (64,3%) e sem queixa cognitiva (78,6%). Em relação as queixas sensoriais, a maioria relatou possuir queixa relacionada à visão. No que diz respeito aos hábitos de leitura, todas as participantes relataram ter o hábito de ler. Além disso a maioria gosta de ler e mantém o hábito de leitura em sua rotina. Na análise das medidas de fluência em leitura constatou-se associação com significância estatística com maior mediana e média para o G2 entre palavras corretas no primeiro minuto, palavras corretas por minuto, palavras lidas no primeiro minuto e palavras lidas por minuto. Em relação à organização temporal do discurso, G1 apresentou maior tempo de leitura em minutos. Os resultados do presente estudo nos indicam que G2 mostrou maior tendência de acerto para questões que exigem as habilidades de construção de inferência, integração e interpretação.
Conclusão:
Idosas com maior nível de escolaridade apresentam melhor organização temporal do discurso, tendo menor tempo total de leitura e melhores medidas de fluência. Indivíduos com ensino fundamental apresentam desempenho inferior nas atividades de compreensão de leitura, quando comparados aos indivíduos com ensino médio. Evidenciou-se que o grau de instrução do indivíduo tem maior influência sobre as habilidades de leitura e compreensão de textos que somente os hábitos de leitura.

1- ELLIS, A. Leitura, Escrita e Dislexia: Uma Análise Cognitiva. 2ª Ed. Artes Médicas, Porto Alegre,1995.
2- HOOVER, Wesley A.; Gough, Philip B. The simple view of reading. Reading and Writing: An Interdisciplinary Journal, 2, 127–160, 1990.
3- PERFETTI, C. A.; MARRON, M. A.; FOLTZ, P. W. (1996). Sources of comprehension failure: Theoretical perspective and case studies. In C. Cornoldi & J. Oakhill (Eds.), Reading diffi cul- ties: Processes and intervention (pp. 137-165).
4- Bertolucci PHF. et al. O mini-exame do estado mental em uma população geral: impacto da escolaridade. Arq. Neuro-psiquiat.1994; 52:1-7.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
760
AVALIAÇÃO DOS REFLEXOS VESTIBULOCERVICAL E VESTIBULO-OCULAR EM MUSICISTAS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O Potencial Evocado Miogênico Vestibular (VEMP) é um potencial miogênico de curta a média latência desencadeado por fortes intensidades sonoras, que examina o funcionamento das porções do nervo vestibular e dos órgãos otolíticos – sáculo e utrículo. No VEMP obtem-se o registro cervical (cVEMP), que avalia a via vestibular descendente através do reflexo vestibulocervical (RVC) e o registro ocular (oVEMP) que avalia a via vestibular ascendente por meio do reflexo vestibulo-ocular (RVO)¹. Musicitas profissionais e entusiastas estão constantemente expostos à música e, quando os níveis de pressão sonora são elevados, podem desencadear uma alteração da função coclear, além de outros sintomas. No entanto, a exposição prolongada à música proporciona um aperfeiçoamento das habilidades auditivas, dessa forma promove aspectos positivos à audição. Objetivo: Analisar os reflexos vestíbulo-ocular e vestibulocervical em musicistas e comparar seus resultados a um grupo controle. Métodos: Estudo transversal, observacional, descritivo, de método quantitativo, desenvolvido por um Ambulatório de Otoneurologia Setor de Equilíbrio de um Hospital Universitário, entre julho e dezembro de 2019. Foram submetidos às avaliações 56 indivíduos sendo estes um grupo estudo (GE) com 28 instrumentistas e um grupo controle (GC) com 28 indivíduos; com a faixa etária de 18 a 45 anos e de ambos os sexos. Os participantes de ambos grupos foram submetidos à anamnese, inspeção do meato acústico externo, avaliação audiológica básica, com o audiômetro AD629 Interacoustics e fone concha modelo TDH-39P: audiometria tonal liminar, avaliação do limiar de reconhecimento de fala e do índice percentual de reconhecimento da fala, Medidas de Imitância Acústica. Por fim, foram avaliados com o cVEMP e oVEMP2,3, com o equipamento MASB ATC Plus – Contronic, com fones concha modelo TDH-39P, estímulo toneburst na intensidade de 118 dB NA e frequência de 500 Hz, 200 estímulos (5,1 estímulos por segundo), com filtro passa-banda de 10 a 1.500 Hz. Resultados: Constituíram a amostra 17 musicistas profissionais e 11 músicos entusiastas, com média de idade de 25,07 anos. No VEMP, 92,86% das ondas estiveram presentes e 7,14% ausentes, houve diferença significativa nas latências das ondas P13 e N23 do cVEMP em ambas as orelhas e na latência da onda P15 do lado esquerdo do oVEMP do GE em comparação ao GC, sendo as médias dos musicistas menores bilateralmente. Não houve significância nas médias das amplitudes e inter-amplitudes, no cVEMP o GE apresentou médias maiores do que as do GC, exceto na amplitude da onda N23 do lado esquerdo, e no oVEMP mostrou-se menor na orelha direita e maior na orelha esquerda. Conclusão: Os resultados dos musicistas, em média, mostraram-se melhores no cVEMP e na latência do oVEMP à esquerda, sugerindo que provavelmente a atividade musical favoreça a velocidade dos reflexos, uma vez que a latência representa a velocidade de condução do mesmo.

1. SILVA TR, RESENDE LM, SANTOS MAR. Potencial evocado miogênico vestibular ocular e cervical simultâneo em indivíduos normais. CoDAS. 2016;28(1):34-40.

2. ROSENGREN SM, COLEBATCH JG, YOUNG AS, GOVENDER S, WELGAMPOLA MS. Vestibular evoked myogenic potentials in practice: Methods, pitfalls and clinical applications. Clinical Neurophysiology Practice. 2019;4:47–68.

3. SILVA BMP, DIDONÉ DD, SLEIFER P. Potencial evocado miogênico vestibular cervical em crianças e adolescentes sem queixas vestibulares. Audiology-Communication Research. 2017:22:1-7.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1604
AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS DA APLICAÇÃO DE UM PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO DE CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL SOBRE A APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Avaliação dos resultados da aplicação de um Programa de Estimulação de Consciência Fonológica no 1º ano do Ensino Fundamental sobre a aprendizagem da leitura e escrita.

Introdução :

A consciência fonológica é a habilidade de identificação e manipulação mental dos segmentos sonoros da língua, subdividindo-se em consciência fonêmica, que se refere a identificação e segmentação de fonemas, e a consciência silábica, sendo essa a reflexão ao nível da sílaba 1 . Estudos demonstram a importância da consciência fonológica para o desenvolvimento de suas sub-habilidades e para a leitura e escrita 2,3.

Objetivo :

Avaliar o efeito de um programa de estimulação de consciência fonológica aplicado no 1º ano do ensino fundamental, sobre o desempenho em leitura e escrita ao final do 2º ano.

Método :

Este é um estudo longitudinal, com delineamento quase experimental, com abordagem quantitativa dos dados. A amostra foi composta por 60 alunos do 2º ano do ensino fundamental de duas escolas públicas, divididos em grupo experimental (que receberam o treinamento de consciência fonológica) e grupo controle. Foi aplicado o instrumento CONFIAS 4 no início do 1º e ao final do 1º e 2º anos e o Teste de Desempenho Escolar (TDE) 5 no final do 1º e 2º anos. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética, C.A.A.E. 23260813.6.0000.5440 (processo nº 3316/2015).

Resultados :

Ao final do 2º ano, 80% das crianças apresentaram desempenho esperado em consciência silábica e 55% em consciência fonêmica sendo que os resultados do grupo experimental foram melhores do que o grupo controle. Quanto à hipótese de escrita, 81,8% do grupo experimental alcançaram o nível alfabético. Em relação à leitura e escrita foi também observada melhora das classificações com 39,4% de grupo experimental na classificação superior. Houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos ao final do 2º ano quanto a consciência silábica, consciência fonêmica , consciência fonológica e leitura.

Conclusão :

Os resultados preliminares sugerem que o treinamento aplicado teve um efeito positivo sobre a leitura e escrita. De forma semelhante outros estudos já apontaram que programas voltados ao desenvolvimento de consciência fonológica têm um efeito positivo frente a alfabetização 3. Este trabalho aponta que o efeito dos programas pode estender-se ao longo do ciclo inicial do Ensino Fundamental, uma vez que as crianças que receberam o mesmo mantiveram resultados melhores que seus pares ainda ao final do 2º ano, fortalecendo a importância de se dar devida atenção a esta habilidade principalmente nos anos iniciais para alfabetização.

1 - Barrera SD, Maluf MR. Consciência metalinguística e alfabetização: um
estudo com crianças da primeira série do ensino fundamental. Psico. Reflex. Crit., 2003, 14(3):491-052.

2 - Santos AAA, Ferraz AS, Lima TH, Cunha NB, Suehiro ACB, Oliveira KL et al. Habilidades linguísticas: a relação entre a consciência fonológica e a escrita. Estud. pesqui. psicol., 2017, 17(2):575-594.

3 - Santos MJ, Barrera SD. Impacto do treino em habilidades de
consciência fonológica na escrita de pré-escolares. Psicologia Escolar e
Educacional, 2017, 21(1):93-102.

4 - Moojen S, Lamprecht R, Santos RM, Freitas GM, Brodacz R, Siqueira M, et al. CONFIAS Consciência Fonológica: Instrumento de Avaliação Seqüencial. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2003.

5 - Knijnik LF, Giacomoni C, Stein LM. Teste de desempenho escolar: um estudo de levantamento. Psico-USF , 2013, 18 (3):407-416.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1266
AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA DA MOTRICIDADE OROFACIAL DE BEBÊS DE TRÊS MESES A DOIS ANOS DE IDADE: REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA.
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: No primeiro ano de vida, o controle motor orofacial do bebê evolui de movimentos instáveis, voluntários e indiferenciados para um padrão de equilíbrio. As alterações em qualquer parte do sistema estomatognático levam a um desequilíbrio do sistema, comprometendo o desenvolvimento correto das habilidades funcionais. A avaliação fonoaudiológica dos bebês acima de três meses é fundamental para verificação do funcionamento do sistema estomatognático (1).
OBJETIVO: Descrever os achados da literatura referente à parâmetros de avaliação de motricidade orofacial de bebês de três meses a dois anos de idade.
MÉTODO: Para a revisão integrativa foi estabelecida a seguinte pergunta norteadora: "Quais são os parâmetros de avaliação fonoaudiológica da motricidade orofacial e suas funções para bebês de três meses a dois anos de idade?". A busca na literatura ocorreu, a partir da consulta à base de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). As buscas foram feitas de janeiro a maio de 2020. Os descritores, escolhidos a partir da questão norteadora e, de acordo com o vocabulário dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), foram: “Fonoaudiologia”, “Lactente”, “Aleitamento Materno”, “Comportamento Alimentar” e “Protocolo”. Os termos foram pesquisados de forma combinada, usando sempre dois termos, nos idiomas português, inglês e espanhol. Como critérios de inclusão foram considerados artigos escritos em português, inglês ou espanhol, publicados nos últimos 10 anos disponíveis gratuitamente na íntegra, e que abordassem apenas a espécie humana no estudo. Foi realizada de forma descritiva a síntese dos dados extraídos dos artigos observando, descrevendo e classificando os dados encontrados, para reunir o máximo de conhecimento sobre o tema pesquisado.
RESULTADOS: A busca inicial indicou 12.645 artigos. Após a leitura dos títulos e resumos dos artigos selecionados, 12.634 foram excluídos. Desse modo, os 11 artigos remanescentes foram selecionados para a leitura na íntegra. Após, foram excluídos 5 artigos, por não se enquadrarem nos critérios de inclusão. Assim, 6 estudos foram selecionados para compor a amostra.
Os artigos selecionados abordavam avaliação de lactentes e puérperas. Mas de forma segregada, sendo que nenhum respondeu de maneira efetiva e completa a questão norteadora, apenas parcialmente. Cada protocolo foi analisado individualmente e aborda um tópico de avaliação: sucção do recém-nascido, aleitamento materno, hábitos orais e habilidades motoras no desenvolvimento das estruturas do lactente (2,3,4,5,6,7).
CONCLUSÃO: Apesar da ampla atuação fonoaudiológica com puérperas e recém-nascidos, é escassa verificação da continuidade desse acompanhamento/avaliação ao longo dos meses em relação aos aspectos que permeiam a motricidade orofacial do bebê, de forma que não foram encontrados até o momento, protocolos validados para respaldar a avaliação fonoaudiológica da motricidade orofacial de bebês. O mesmo poderia ser de grande valia seja no atendimento privado ou público, em hospitais infantis ou consultórios, facilitando os diagnósticos fonoaudiológicos e a tomada de decisão referente às condutas. Além disso, a revisão integrativa pode fornecer evidência sobre o uso de protocolos que promovam a padronização da avaliação dos sujeitos, favorecendo a comparação de resultados, gerando maior produtividade nos atendimentos e centrando as informações coletadas independentemente do local de coleta.

1. Castelli CTR Almeida ST. Avaliação das características orofaciais e da amamentação de recém-nascidos prematuros antes da alta hospitalar. Rev CEFAC. 2015 17(6): 1900-08.

2. Medeiros AMC. Análise do conteúdo e aparência do protocolo de acompanhamento fonoaudiológico - aleitamento materno. Audiol Commun Res. 2018;23:-e1921.

3. Mosele PG, et al. Instrumento de avaliação da sucção do recém-nascido com vistas a alimentação ao seio materno. Rev. CEFAC. 2014; 16(5):1548-57:

4. Moura LTL, et al. Atuação fonoaudiológica na estimulação precoce da sucção não-nutritiva em recém-nascidos pré-termo. Rev. CEFAC. 2009 ;11(3):448-56.

5. Silveira LS. Habilidades orais em crianças: validação de instrumento e influência de hábitos orais e do aleitamento materno [Dissertação]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2011. Mestrado em Distúrbios da Comunicação.

6. Pagliaro CL. Desenvolvimento das habilidades motoras orais de alimentação em lactentes prematuros durante o primeiro ano de vida [Dissertação]. São Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2015. Mestrado em Ciências.

7. Medeiros AMC, Bernardi AT. Alimentação do recém-nascido pré-termo: aleitamento materno, copo e mamadeira. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011; 16(1):73-9.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1404
AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM UMA PERSPECTIVA MULTIDISCIPLINAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


Introdução: A avaliação multidisciplinar traz grandes contribuições ao diagnóstico de diversas alterações, entre elas as relacionadas à aprendizagem. Em se tratando de crianças e adolescentes, a literatura aborda a eficácia desse diálogo entre as profissões, considerando que esse público geralmente apresenta alterações em várias áreas do desenvolvimento¹. Diante dessa importância, o projeto de extensão que originou este relato tem como objetivo promover um trabalho integrado de avaliações em crianças e adolescentes. Métodos: O projeto de extensão está vinculado a uma Instituição de Ensino Superior e funciona dentro do Hospital Universitário associado à Instituição, sendo composto por uma equipe de dezesseis integrantes das seguintes áreas: neuropediatria, psiquiatria infantil, enfermagem, psicologia, fonoaudiologia e psicopedagogia. As crianças e adolescentes são atendidas no setor ambulatorial de neuropediatria ou psiquiatria infantil, e aquelas que apresentam queixas de desatenção e/ou dificuldades de aprendizagem são encaminhadas para ingressarem no projeto. Inicialmente, passam por uma triagem e anamnese completa com o responsável e, em seguida, o participante é direcionado à avaliação pela equipe multidisciplinar, a qual é realizada por um estagiário ou profissional formado das seguintes áreas: psicologia, psicopedagogia e fonoaudiologia. Cada avaliação é realizada através de três ou quatro encontros, que são marcados previamente com a família. Ao final da avaliação de todas as áreas, é realizada uma reunião de equipe para discussão do caso e, em seguida, é feita a devolutiva da equipe com a família. Resultados: Durante a avaliação fonoaudiológica a criança é atendida por um estagiário ou fonoaudiólogo, sendo avaliadas as seguintes habilidades: vocabulário expressivo e compreensivo, fonologia, narrativa, consciência fonológica, consciência fonoarticulatória, nomeação automática rápida, leitura de palavras e pseudopalavras, compreensão leitora, escrita espontânea e ortografia. Cada habilidade é avaliada por meio de um teste específico. A avaliação baseada em testes é importante para que se obtenham dados que confrontem com o que é esperado ou não em determinada faixa etária. Além de testes, é necessário estar atento ao comportamento da criança nos diferentes contextos e ambientes, desta forma, é imprescindível uma boa comunicação com a família, a qual fornece informações valiosas que colaboram no processo avaliativo. Ao final da avaliação fonoaudiológica, os resultados e impressões encontrados são discutidos com a psicopedagogia e psicologia, onde se busca compreender como tais resultados se complementam. Esse processo de discussão de casos permite alcançar um diagnóstico considerando as diversas áreas e habilidades da criança, diminuindo as chances de um direcionamento equivocado. Além disso, a avaliação multidisciplinar consegue direcionar caminhos de modo amplo, através das orientações e encaminhamentos baseados num olhar global do paciente. Conclusão: A prática da extensão permite aos estudantes e fonoaudiólogos ir além dos conhecimentos da sua área, possibilitando-os identificar e compreender outros fatores que podem estar envolvidos no diagnóstico do seu paciente, além de permitir uma investigação completa da criança ou adolescente. O olhar multidisciplinar é necessário para explicar determinados aspectos que um profissional sozinho não seria capaz de enxergar e/ou compreender, e produz uma rica troca de conhecimentos, aspecto este contemplado na presente extensão universitária.

1. Guimarães AA, Mezzomo CL, Bertoldo JV. Contribuições interdisciplinares de psicopedagogia e fonoaudiologia na potencialização de funções executivas superiores em crianças com transtornos de aprendizagem. Revista Educação e Linguagens. 2020;9(16):462-48.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
712
AVALIAÇÃO GERAL DOS DADOS PRÉ E PÓS INTERVENÇÃO DO PROGRAMA AUDIOLOGIA NA ESCOLA - EDUCAÇÃO CONTINUADA E SAÚDE AUDITIVA
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O processamento auditivo foi definido como mecanismos e processos do sistema nervoso auditivo (ASHA, 1995), onde se capacitam a decodificação e o entendimento da fala, principalmente em situações adversas, como na presença de ruído de fundo ou fala competitiva (Jerger e Musiek, 2000). Envolve habilidades auditivas como: a identificação sonora, localização sonora, atenção auditiva sustentada, figura fundo, discriminação e fechamento auditivo, elementos abordados na estimulação auditiva. Habilidades essenciais para o desenvolvimento global da criança. Assim uma intervenção rápida por meio de programas de treinamento auditivo e estimulação é indispensável. Outra vertente abordada e a avaliação do ruído nos ambientes escolares onde nota-se efeitos prejudiciais do excesso de ruído para os alunos e professores, percebe-se a importância de níveis sonoros adequados no ambiente escolar. De acordo com o estudo de Hans (2003) os ruídos encontram-se acima dos valores do recomendado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), assim tornando muito importante à verificação a fim de buscar meios de intervenção. Objetivo: O programa Audiologia na Escola tem como finalidade desenvolver ações de educação em saúde auditiva para pré escolares (estimulação), alunos do Ensino médio (conscientização) e professores das escolas do Distrito Federal. Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Brasília, conforme os pareceres de número 2.406.617 e 2.109.866. O estudo consiste em uma análise dos dados de avaliação pré e pós intervenção de estimulação do processamento auditivo, realizada pelo Programa Audiologia na Escola - Educação continuada e saúde auditiva da Universidade de Brasília. Foram coletados dados em escolas públicas de ensino fundamental I e de uma instituição da Organização da Sociedade Civil (OSC) do Distrito Federal, através da avaliação inicial e final por meio dos testes de Emissões Otoacústicas por Produto de Distorção (EOADP), Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo (ASPA), Teste de Habilidade de Atenção Auditiva Sustentada (THAAS) e a medição do nível de ruído em diversos momentos do período de aula. Resultados: Das escolas participantes desta pesquisa, houve uma predominância de indivíduos do sexo masculino, com idades entre 6 e 7 anos. A análise ANOVA comparando as medidas médias com as variáveis sexo, idade e orelha do teste de EOADP, mostrou diferença estatisticamente significante para 2KHz (p<0,05). Apenas duas crianças falharam. Quanto ao teste de amostras pareadas comparando a avaliação inicial e final, após sessões de estimulação coletiva, foi verificada associação significativa entre os resultados da ASPA e do THAAS, na qual os dados mostraram uma diferença estatisticamente significante menor que 0,05 (p<0,05). Além disso, a análise dos dados de medição de ruído mostrou que os níveis em ambas as escolas foram mais altos durante o recreio. Conclusão: A eficácia da estimulação precoce das habilidades auditivas já tem sido relatada na literatura de forma positiva, tornando essa ação realizada nas escolas um grande auxílio para aprendizagem das crianças. A medição de ruído age com caráter educativo.

Neves, I. F, Schochat, E. Maturação do processamento auditivo em crianças com e sem dificuldades escolares. Rev Pró- fono de atualização científica. 2005;v.17, n. (3), p. 311-320.
Hans, R. F. Avaliação de ruído em escolas. Rev de Tecnologia e Tendências. 2003;v. 2, n. (2), p. 9-20.
Tofolli MB. O papel da estimulação das habilidades auditivo-verbais na consciência fonológica de crianças do primeiro ano do ensino fundamental. Rio Grande do Sul: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2008. Dissertação de Mestrado.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2029
AVALIAÇÃO MORFOMÉTRICA DO NERVO LARÍNGEO RECORRENTE DE RATOS WISTAR EXPOSTOS A AGROTÓXICOS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Indivíduos expostos pela via inalatória a compostos químicos podem apresentar sintomas respiratórios, disfagia, e alterações vocais que podem se manifestar conforme o tipo, concentração e o tempo de exposição ao agente tóxico. Nesse cenário, a maior parte dos estudos existentes são relatos de caso com exposições acidentais ou por tentativas de suicídio, não havendo detalhamento da clínica fonoaudiológica dos pacientes expostos a esses agentes. Nesse escopo, os agrotóxicos cipermetrina e diclorvós são pesticidas amplamente utilizados na agricultura, em campanhas de saúde pública, na medicina veterinária e em ambientes domésticos sendo utilizados em baixas concentrações e por longos períodos de exposição, em especial no uso ocupacional. Todavia, não há estudos que avaliem os efeitos tóxicos desses pesticidas na morfologia das estruturas responsáveis pela mobilidade vocal, especialmente o Nervo Laríngeo Recorrente (NLR), simulando uma exposição ocupacional.

Objetivos: Considerando que as alterações vocais em humanos podem estar relacionadas às alterações na morfometria do NLR, o objetivo deste estudo é avaliar as possíveis alterações na microestrutura do NLR secundárias à exposição inalatória subcrônica aos agrotóxicos diclorvós (organofosforado) e cipermetrina (piretroide) em ratos Wistar.

Método: O protocolo experimental (CEUA: 321/15 e 323/15) foi constituído por 15 ratos Wistar machos, alocados em 3 grupos: controle (n=5, expostos à água, veículo de diluição da formulação), cipermetrina (n=5, expostos à cipermetrina – 1/10 da Concentração Letal Mediana Inalatória [CLMI] - 0.25mg/L) e diclorvós (n=5, expostos ao diclorvós – 1/10 da CLMI - 1.5mg/L). A exposição inalatória ocorreu durante 4h diárias, 5 vezes por semana, por 6 semanas. Os nervos foram coletados e analisados utilizando parâmetros histomorfométricos (densidade das fibras mielinizadas, área intraperineural, número total de fibras mielinizadas, área das fibras mielinizadas, área do âxonio, diâmetro das fibras mielinizadas, diâmetro axonal das fibras mielinizadas, espessura da bainha de mielina, grau de mielinização [g-ratio], porcentagem da área total ocupada pelas fibras mielinizadas, porcentagem da área total ocupada pelo tecido conjuntivo endoneural), mensurados por meio do software ZEN 2.6 (Zeiss – Alemanha). Os resultados foram representados por média e desvio padrão, e comparados por meio do Teste ANOVA de uma via seguido do Teste Bonferroni post hoc, considerando um intervalo de confiança de 95%.

Resultados: Os achados morfométricos do NLR dos grupos cipermetrina e diclorvós evidenciaram alterações significativas (p<0.001, ANOVA) no g-ratio e na espessura da bainha de mielina quando comparados ao controle, embora nenhum dos demais parâmetros avaliados demonstrou diferenças estatisticamente significativas. Estes achados indicam que a exposição inalatória repetida a produtos comerciais de cipermetrina e diclorvós é capaz de alterar a estrutura do NLR e, possivelmente, gerar alterações vocais e/ou disfagia.

Conclusão: A exposição subcrônica inalatória de 1/10 da CLMI da cipermetrina e do diclorvós reduziu significativamente a espessura da bainha de mielina em comparação a avaliação do NLR do grupo controle em modelo animal. Os resultados aqui encontrados são pioneiros e pertinentes para prática clínica fonoaudiológica, visto que tornam relevante a investigação da exposição inalatória a pesticidas na entrevista inicial fonoaudiológica, almejando a orientação sobre uso correto de EPIs ou quanto ao manejo adequado desses produtos.

Allan PF, Abouchahine S, Harvis L, Morris MJ. Progressive vocal cord dysfunction subsequent to a chlorine gas exposure. J Voice 2006;20(2):291-296.

Bae JS. Acute vocal fold palsy after acute disulfiram intoxication. J Voice 2009;23(1):125-127.

Carder M, Seed MJ, Money A, Agius RM, van Tongeren M. Occupational and work-related respiratory disease attributed to cleaning products. Occup Environ Med 2019;76(8):530-536.

de Araújo AJ, de Lima JS, Moreira JC, Jacob S, Soares M, Monteiro MC et al. Multiple exposure to pesticides and impacts on health: a cross-section study of 102 rural workers, Nova Friburgo, Rio de Janeiro State, Brazil. Cien Saude Colet 2007;12(1):115-130.

de Campos D, Heck L, Jotz GP, Xavier LL. Degree of myelination (g-ratio) of the human recurrent laryngeal nerve. Eur Arch Otorhinolaryngol 2014;271(5):1277-1281.

De Matteis S, Heederik D, Burdorf A, Colosio C, Cullinan P, Henneberger PK et al. Current and new challenges in occupational lung diseases. Eur Respir Rev 2017;26(146):170080.

Dixon D, Herbert RA, Kissling GE, Brix AE, Miller RA, Maronpot RR. Summary of chemically induced pulmonary lesions in the National Toxicology Program (NTP) toxicology and carcinogenesis studies. Toxicol Pathol 2008;36(3):428-439.

Erdogan S, Zeren EH, Emre M, Aydin O, Gumurdulu D. Pulmonary effects of deltamethrin inhalation: an experimental study in rats. Ecotoxicol Environ Saf 2006;63(2):318-323.

Hogg G, Goswamy J, Khwaja S, Khwaja N. Laryngeal Trauma Following an Inhalation Injury: A Review and Case Report. J Voice 2017;31(3):388.e27-388.e31.

Indudharan R, Win MN, Noor AR. Laryngeal paralysis in organophosphorous poisoning. J Laryngol Otol 1998;112(1):81-82.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1579
AVALIAÇÃO MULTIPROFISSIONAL NOS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM: APRESENTAÇÃO DE SERVIÇO EM CLÍNICA PARTICULAR ESPECIALIZADA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A avaliação multiprofissional trata de uma análise criteriosa do perfil cognitivo e clínico do paciente a fim de elucidar possíveis causas das dificuldades apresentadas no contexto da aprendizagem. No contexto das dificuldades de aprendizagem, a avaliação da cognição é fundamental. Por isso, a importância da realização da avaliação neuropsicológica, que visa investigar o perfil cognitivo do escolar, observando a relação entre sua funcionalidade cerebral e os comportamentos apresentados. A avaliação fonoaudiológica investiga a audição, a linguagem oral, a fala, a leitura e a escrita. Dentro do processo se dá a avaliação de habilidades auditivas e linguísticas, uma vez que tais habilidades fazem parte do processo de aquisição da leitura e da escrita. A avaliação fonoaudiológica pode ser complementada com a avaliação do processamento auditivo central quando necessário. De acordo com as três áreas trabalhadas na psicopedagogia, temos os aspectos psicomotor, cognitivo/pedagógico e afetivo-social observados dentro da perspectiva da aprendizagem e das habilidades escolares. Há ainda, em alguns casos, a necessidade de outras avaliações pertinentes ao diagnóstico, como nutricionista, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta. Desta forma, a avaliação interdisciplinar do indivíduo proporciona uma investigação em áreas especificas e complementares que favorecem um diagnóstico diferencial, mais preciso e com menor probabilidade de ocorrer erros. Objetivo: Apresentar um método utilizado para investigação do perfil cognitivo e comportamental do menor visando compreender possíveis causas das queixas de baixo rendimento escolar. Método: Após a entrevista inicial realizada por um dos profissionais da equipe: neuropsicóloga, fonoaudióloga ou pedagoga, as informações coletadas são discutidas na equipe e a ordem em que as avaliações ocorrerão é estabelecida. Após o menor passar por avaliação nas três áreas, os achados são discutidos em equipe e elabora-se relatório conjunto com os resultados das avaliações. Ao final, o objetivo é chegar a hipótese diagnóstica e sugerir encaminhamentos e orientações à escola e à família e dar início à reabilitação. Resultados: A integração dessas avaliações pode contribuir para uma visão mais ampla do perfil cognitivo e comportamental do escolar auxiliando não só na precisão diagnóstica, mas também em um prognóstico que resulte em melhora de sua qualidade de vida. Conclusão: os transtornos de aprendizagem devem ser abordados sob enfoque interdisciplinar.

MALLOY-DINIZ, L. F., MATTOS, P., ABREU, N., & FUENTES, D. Neuropsicologia: aplicações clínicas. Artmed Editora; 2015.
PAIN, S. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas; 1885.
CHAMAT, L. S. J. Técnicas de Diagnóstico Psicopedagógico – O diagnóstico clínico na abordagem interacionista. São Paulo: Vetor; 2004.
QUEIROGA, B. A. M. DE, ZORZI, J. L., GARCIA, V. L. (org.) Fonoaudiologia Educacional: reflexões e relatos experiência. Brasília: Editora Kiron; 2015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1066
AVALIAÇÃO NEUROFUNCIONAL E DESENVOLVIMENTO DE HARDWARE PARA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) é uma das áreas da Tecnologia Assistiva (TA), e tem como objetivo ampliar ou proporcionar habilidades comunicativas de pessoas com necessidades complexas de comunicação. O trabalho envolvendo a CAA pode ser utilizado de diversas maneiras, podendo ser de alta ou baixa tecnologia, de acordo com as limitações do sujeito em questão (SANTOS et. al., 2017). O processo de avaliação para seleção dos recursos da Comunicação Alternativa deve ser feito de forma cuidadosa, para que seja feita a escolha do recurso mais eficiente. Alguns instrumentos de avaliação contribuem para a definição do sistema de CAA, como exemplo, o Protocolo de Avaliação Neurofuncional (GOES et. al., 2017), e uso de equipamentos como o eletromiógrafo, utilizado para confirmar esses achados (MENEZES et. al., 2018). Objetivo: Descrever o processo de avaliação, seleção e testagem de hardware para acesso ao sistema de Comunicação Alternativa em um sujeito com Encefalopatia Crônica não progressiva. Método: Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética, com número 15822613.7.0000.5546, 28/12/2013. Para a seleção do sujeito utilizou-se como critérios de inclusão ter entre 3-20 anos e ausência de alterações cognitivas e com dificuldades de comunicação. O paciente foi selecionado no Centro Especializado em Reabilitação (CER), através da entrevista familiar. O sujeito selecionado possuía 12 anos, sexo masculino, alteração motora grave e dificuldades de comunicação. Em seguida, foram realizadas 5 sessões para avaliação neurofuncional e avaliação eletromiográfica, com objetivo de identificar qual grupo muscular do sujeito apresentava um movimento voluntário de suas ações. Com os dados obtidos em avaliação foram feitos atendimentos ao paciente com a participação do fonoaudiólogo e pesquisadores das Ciências da Computação para a construção e adaptação do acionador. Resultados: No período inicial da avaliação, notou-se que o sujeito se comunicava com o sorriso, expressões faciais, algumas vocalizações e não possuía alterações cognitivas. Na etapa seguinte, pesquisadores da Fonoaudiologia e Ciências da Computação fizeram a definição do hardware a partir do grupo muscular selecionado: orbicular do olho, resultado obtido por intermédio do protocolo de Avaliação Neurofuncional. A partir do recrutamento, foi realizada a análise do grupo muscular, utilizando o eletromiógrafo observando os seguintes quesitos: movimento, força e estabilidade, afim de confirmar os achados. Logo após, o hardware foi construído e testado com o paciente e com a colaboração da família. Foi desenvolvido um acionador de baixo custo utilizando óculos, sem lentes e com feixe de luz infravermelho, acionado pelo movimento de piscar de olhos. Posteriormente, com a realização das testagens, foram adicionados botões de controle no hardware, aprimorando as questões de sensibilidade e repetição, facilitando a comunicação do sujeito beneficiado de forma significativa. Conclusão: O processo de avaliação neurofuncional e eletromiografia foi eficaz para a seleção e desenvolvimento do recurso da CAA, evidenciando a melhoria nos aspectos de qualidade de vida e de comunicação do sujeito. A articulação de saberes, e multidisciplinaridade abre um leque de possibilidades comunicativas que se adequa à demanda do sujeito, com um objetivo comum de acesso as diversas formas de se expressar.

Santos R, Sampaio P, Sampaio R, Gutierrez G, Almeida M. Tecnologia assistiva e suas relações com a qualidade de vida de pessoas com deficiência. Revista de terapia ocupacional da universidade de São Paulo [revista online]. 2017 jun. 28(1):54-2. [acesso 11 jul.2020]; Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/107567

Góes U, Menezes E, Givigi R. Protocolo de avaliação neurofuncional como norteador da seleção de ferramentas de CAA em sujeitos com paralisia cerebral. Revista Distúrbios da Comunicação [revista online]. 2017 mar. 29(1):133-143. [acesso 11 jul.2020]; Disponível em: https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/32312

Menezes E, Ralin V, Givigi R. Sinais eletromiográficos como ferramenta de avaliação e hardware para comunicação alternativa. Revista Distúrbios da Comunicação [revista online]. 2018 abr. 30(1): 72-79. [acesso 11 jul 2020]; Disponível em: https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/34382


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1561
AVALIAÇÃO PERCEPTIVO-AUDITIVA DE VOZES INFANTIS: A TAREFA DE FALA PODE DIFERENCIAR CRIANÇAS COM E SEM LESÃO LARÍNGEA?
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz é multifatorial e, por isso, em qualquer período da vida sua avaliação deve ser multidimensional. Há uma grande complexidade na avaliação das vozes infantis, principalmente pelo fato de que as crianças apresentam características anatomofisiológicas muito diferentes das dos adultos1,2,3. Tais aspectos podem gerar desvios vocais considerados comuns às crianças, ou seja, que não indicam a presença de um distúrbio propriamente dito4. Estima-se, por exemplo, que algum grau de soprosidade e/ou rugosidade pode ser considerado esperado nas vozes infantis, fator que está relacionado à fase de desenvolvimento corporal e laríngeo 4,5.Objetivo: identificar se uma tarefa de fala específica, vogal sustentada ou fala encadeada, pode contribuir na suspeita da presença de lesão laríngea em crianças. Método: Estudo observacional, analítico, transversal aprovado pelo comitê de ética da instituição, sob o número 2.440.456. Participaram 44 crianças de um Serviço de Otorrinolaringologia, com idades entre 4 e 11 anos, pré-púberes, que se dividiram nos grupos: Grupo sem lesão laríngea (GSLL): 33 crianças (18 meninos e 15 meninas, média de idade 7,07 anos) com laringe normal; e Grupo com lesão laríngea (GCLL):11 crianças (5 meninos e 6 meninas, média de idade de 7,09 anos) com lesão em pregas vocais de origem comportamental (nódulos, cisto ou edema). Foram gravadas amostras de emissão sustentada (vogal é) e encadeada (e contagem de números de 1 a 10) e realizada avaliação perceptivo-auditiva por uma fonoaudióloga especialista em voz, que analisou as amostras separadamente (inicialmente todas as emissões sustentadas e, após, todas as emissões encadeadas). A juíza considerou o grau geral de desvio vocal (G) por meio de escala numérica de três pontos (0 ausência de desvio; 1 desvio discreto; 2 moderado; e 3 intenso) e, além disso, assinalou se, diante de uma situação de triagem, a criança passaria ou falharia segundo o material de fala apresentado (vogal ou números). Resultados: Houve diferença entre os grupos quanto ao grau geral do desvio vocal apenas para tarefa de emissão de números, com predomínio de desvios discretos no GSLL e moderados no GCLL. Quanto ao resultado da triagem, houve diferença entre os grupos para a tarefa de contagem, com mais falhas no GCLL. Os grupos foram semelhantes na tarefa de vogal, tanto no que se refere à intensidade do desvio quanto ao resultado da triagem. A maior parte das crianças do GCLL falhou em ambas as tarefas na situação de triagem vocal, com diferença em relação às crianças do GSLL que, em geral, falharam em apenas uma tarefa. Conclusão: A tarefa de contagem de números contribui para a diferenciação auditiva de crianças com e sem lesão laríngea, por identificar desvios de maior intensidade em crianças com lesão. Já a emissão sustentada de vogais se apresenta de forma semelhante entre esses dois grupos, com predomínio de desvios discretos e (ou) moderados em ambos e, portanto, não se mostra válida para diferenciá-los. Em situação de triagem vocal, crianças com lesão laríngea falham tanto na emissão sustentada quanto encadeada, diferentemente das crianças sem lesão, que comumente falham em apenas uma das tarefas.

1.Stathopoulos ET, Sapienza C. Respiratory and laryngeal measures of children during vocal intensity variation. J Acoust Soc Am. 1993; 94 (5): 2531–43.
2.Lopes LW, Lima ILB, Almeida LNA, Cavalcante DP, Almeida AAF. Severity of voice disorders in children: correlations between perceptual and acoustic data. J Voice. 2012; 26(6): 819.e7- e12.
3.Mcallister A, Sjolander P. Children's voice and voice disorders. Semin Speech Lang. 2013; 34(2): 71-9.
4.Lopes LW, Lima ILB, Almeida LNA, Azevedo, EHM, Silva MFBL, Silva POC. Análise acústica de vozes infantis: contribuições do diagrama de desvio fonatório. Rev. CEFAC.2015; 17(4): 1173-83.
5.Tavares EM, Brasolotto A, Santana MF, Padovan CA, Martins RHG. Epidemiological study of dysphonia in 4-12 year-old children. Braz J Otorhinolaryngol. 2011; 77(6): 736-46.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
843
AVALIAÇÃO SUBJETIVA DE INSÔNIA E SONOLÊNCIA DIURNA EXCESSIVA EM ADULTOS: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS QUESTIONÁRIOS NA LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Apesar da competência da polissonografia, se faz necessária também a utilização de meios subjetivos de avaliação, como questionários para mensuração dos sintomas e triagem de alterações do sono. Isto porque, o acesso para realização da polissonografia nem sempre é possível, de modo que os questionários podem ser úteis para identificar alterações do sono. Objetivo: Investigar questionários que avaliam insônia e sonolência diurna excessiva que estão disponíveis no português do Brasil. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática nas interfaces BVSalud e Google Acadêmico, com os cruzamentos de “Inquéritos e Questionários/Surveys and Questionnaires” com as palavras-chave “insônia”, “sonolência” e “distúrbios do sono por sonolência excessiva”. A revisão sistemática foi registrada no PROSPERO sob o número do protocolo CRD177161. Os critérios de inclusão foram artigos que publicaram questionários na íntegra visando a mensuração de algum parâmetro subjetivo de insônia e sonolência diurna excessiva. Foram excluídos os artigos que não estiveram disponíveis na íntegra pelo sistema VPN e que eram do tipo de revisão de literatura. Resultados: Para a presente pesquisa foram incluídos 10 artigos, publicados entre 2006 e 2019, que abrangeram quatro questionários que mensuram de forma subjetiva da sonolência e insônia em adultos. Desses questionários, o mais utilizado foi a Escala de Sonolência de Epworth, descrito em 8 artigos, e os menos utilizados foram o Índice de Gravidade de Insônia (IGI), a Escala de Sonolência de Stanford e o Inventário de Atividade Sono-Vigília. Cada um desses questionários foram utilizados em apenas 1 pesquisa. A Escala de Sonolência de Epworth é utilizada para a avaliação subjetiva da sonolência diurna e é capaz de diferenciar indivíduos sem sonolência daqueles com sonolência excessiva. Consiste em um questionário que avalia a probabilidade de o entrevistado cochilar em oito situações habituais. O Índice de Gravidade de Insônia avalia especificamente os sintomas subjetivos da insônia, bem como o grau de preocupação e as dificuldades geradas pelo sono. A Escala de Sonolência de Stanford é constituída de um único item no qual o entrevistado seleciona uma das sete melhores situações que representa sua percepção do nível de sonolência. Verifica sete diferentes estados de sonolência em cerca de 1 a 2 minutos. O Inventário de Atividade Sono-Vigília é um questionário multidimensional subjetivo, concebido para mensurar a sonolência. Consiste em 59 itens que fornecem seis subescalas: sonolência excessiva diurna, sono noturno, capacidade de relaxar, nível de energia, desejabilidade social e sofrimento psíquico. Conclusão: Foram localizados quatro questionários utilizados no português do Brasil, sendo três específicos para mensurar a sonolência diurna excessiva e um específico para a insônia. Este tipo de padronização de questionário se faz importante para a utilização na clínica dos profissionais certificados em sono, além da utilização em pesquisas científicas para comparação entre diversas populações, considerando o Brasil, um país com dimensões continentais.

Narciso FV, Teixeira CW, Silva LO. et al. Maquinistas ferroviários: trabalho em turnos e repercussões na saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. 2014; 39(130): 198-209.
Pissulin FDM, Pacagnelli FL, Aldá MA, Beneti R, Barros JL, Minamoto ST. et al. Tríade síndrome da apneia obstrutiva do sono, DPOC e obesidade: sensibilidade de escalas de sono e de questionários respiratórios. J Bras Pneumol. 2018;44(3):202 206.
Silva CICF. A sonolência diurna excessiva em estudantes do 1º ano do ensino superior. 2013 Dissertação (Mestrado em Psicologia) Universidade Fernando Pessoa. Porto, 2013.
Silveira JA , Oliveira KT, Batista RA, Ferreira LS, Couto HA. Impacto da sonolência excessiva na qualidade de vida e a influência do regime de turno de trabalho. Rev Med Minas Gerais 2010; 20(2): 203-211.
Silva JFC, Marques EM, Nobre TTX, Bezerra INM, Lima JCS. Doenças crônicas e sonolência diurna excessiva em pessoas idosas. Rev Bras Promoç Saúde. 2018; 31(3): 1-10.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
739
AVALIAÇÃO SUBJETIVA DE QUALIDADE DO SONO EM ADULTOS: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS QUESTIONÁRIOS NA LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O exame de polissonografia é considerado padrão ouro para o diagnóstico de distúrbios do sono, e pode ser complementado com as informações de questionários de avaliação subjetiva do sono. Objetivo: investigar quais questionários estão disponíveis no português do Brasil para avaliar parâmetros subjetivos relacionados à qualidade do sono em adultos. Métodos: A revisão sistemática foi realizada nas interfaces BVSalud e Google Acadêmico, com os cruzamentos de “Inquéritos e Questionários/Surveys and Questionnaires” com as palavras-chave “qualidade de vida e sono”. A revisão sistemática foi registrada no PROSPERO sob o número CRD177161. Os critérios de inclusão foram artigos que publicaram na integra questionários que mensuram tais parâmetros subjetivos de qualidade e distúrbios do sono. Foram excluídos os artigos que não estiveram disponíveis na íntegra pelo sistema VPN e que eram do tipo de revisão de literatura. Resultados: Para a presente pesquisa foram incluídos 35 artigos, publicados entre 2006 e 2020, que incluíram cinco questionários que mensuram de forma subjetiva a qualidade do sono. O questionário mais utilizado foi o Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh em 35 artigos. Esse questionário é utilizado para fornecer informações quanto à gravidade e natureza do transtorno, ou seja, informações quantitativas e qualitativas sobre o sono, e avalia a qualidade do sono nos últimos 30 dias, sendo composto por 19 perguntas autoavaliadas e cinco direcionadas aos cônjuges ou parceiros de quarto. O menos utilizado foi Questionário de Cronotipo, apenas em 1 artigo. É utilizado nos estudos do ciclo vigília-sono, sendo composto pelos seguintes critérios: horários preferenciais de acordar e dormir; horários de maior disposição para atividades físicas e intelectuais; grau de dificuldade com que a pessoa executa determinadas tarefas em determinados horários e a autoclassificação da pessoa em um dos cinco tipos de cronotipo (matutino, moderadamente matutino, indiferente, moderadamente vespertino e vespertino). O Protocolo Pós-Sono, foi utilizado por 2 artigos na pesquisa. Avalia três categorias: pré-sono, durante o sono e pós-sono, Todas as questões são ancoradas nos extremos com afirmações opostas de mau e bom sono, com escala de 1 a 13. O Questionário de Avaliação do Sono, foi utilizado por 2 artigos incluídos nessa pesquisa. Tem o objetivo de determinar as desordens de sono primárias e anormalidades do sono em estudos epidemiológicos, Os quatro fatores que são identificados no SAQ são os seguintes: (i) sono não restaurador, (ii) distúrbio do sono, (iii) apneia do sono, e (iv) hipersonolência. O Mini Sleep Questionnaire, foi utilizado por 2 artigos incluídos nessa pesquisa. Esse questionário foi padronizado e utilizado no Brasil e é realizado quando há suspeita de consequências do comprometimento do sono e das perturbações oriundas das doenças de Alzheimer, pode ocorrer um prejuízo na qualidade de vida dos pacientes. Conclusão: Foram localizados cinco questionários com o intuito de avaliar a qualidade de sono: Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh, Questionário de Cronotipo, Protocolo Pós-Sono, Questionário de Avaliação do Sono e Mini Sleep Questionnaire.

1. Silva NKC, Oliveira MLC. Fatores que interferem no sono dos alunos idosos da Universidade da Maturidade (UMA), na cidade de Palmas (TO). Revista Kairós Gerontologia, 2015; 18(1):129-150.
2. Stuginski-Barbosa J, Porporatti AL, Costa YM, Svensson P, Conti PCR. Agreement of the International Classification of Sleep Disorders Criteria with polysomnography for sleep bruxism diagnosis: A preliminary study. The Journal of Prosthetic Dentistry. 2017; 117(1): 61-66.
3. Tessaro M, Navarro-Peternella FM. Repercussões da qualidade do sono na vida de mulheres com insônia. Fisioter Mov. 2015 Oct/Dec;28(4):693-700.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
999
AVALIAÇÃO SUBJETIVA DO RISCO PARA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS QUESTIONÁRIOS NA LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


AVALIAÇÃO SUBJETIVA DO RISCO PARA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS QUESTIONÁRIOS NA LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL

Aline Sousa e Silva, Eliziane Maria de Jesus, Jéssica Faustino Aires, Leticia Dominguez Campos, Camila de Castro Corrêa

Introdução: O sono é uma necessidade fisiológica do organismo humano, viabilizando a manutenção de energia. A monitorização da qualidade de sono e alguns sintomas relacionados à possíveis alterações se faz importante, para direcionar os pacientes ao profissional apto a realizar o diagnóstico dos distúrbios do sono. Objetivo: investigar questionários que avaliam o risco para apneia obstrutiva do sono (AOS), disponíveis no português do Brasil. Métodos: A revisão sistemática foi realizada nas interfaces BVSalud e Google Acadêmico, com os cruzamentos de “Inquéritos e Questionários/Surveys and Questionnaires” e “apneia obstrutiva do sono/Sleep Apnea, Obstructive”. Esta revisão sistemática foi registrada no PROSPERO, sob o número de protocolo CRD177161. Os critérios de inclusão para esta pesquisa foram artigos que publicaram questionários na íntegra visando a mensuração de algum parâmetro subjetivo da Apneia Obstrutiva do Sono em adultos. Foram excluídos os artigos do tipo revisão literária e que não estavam disponíveis na íntegra pelo sistema VPN. Resultados: Foram incluídos 8 artigos na presente pesquisa, publicados entre 2013 e 2018, que mensuram de forma subjetiva o risco para AOS em adultos, por meio de 2 diferentes questionários. O mais utilizado foi o de Berlim, em 5 artigos. O Questionário de Berlim é composto por três categorias de perguntas que investigam ronco, cansaço, fadiga, presença de hipertensão arterial sistêmica ou obesidade e estima a chance de desenvolver AOS. São considerados de alto risco para AOS indivíduos que preencham os critérios de duas das três categorias analisadas. Trata-se de um questionário de grande utilidade para triagem nas redes primarias de saúde. O segundo questionário localizado foi o STOP-BANG, utilizado em 4 artigos. O questionário atua como uma triagem simples e autoaplicável, para pacientes com possível diagnóstico de AOS. Avalia a presença ou ausência de sintomas, como: cansaço, sonolência, fadiga, ronco, apneias observadas, hipertensão, bem como a idade, índice de massa corporal, circunferência do pescoço e o fato de ser do sexo masculino. O questionário apresenta 8 itens com respostas do tipo sim/não, com um escore total que varia de 0 a 8. Uma pontuação maior ou igual a 3 está relacionada a alta sensibilidade para detecção de apneia obstrutiva do sono e uma pontuação entre 5 a 8 se associa a alta probabilidade de AOS moderada a grave. Conclusão: Desta forma, foram localizados os questionários Berlim e STOP-BANG que apresentam o objetivo de mensurar o risco para AOS em adultos, aplicados no português do Brasil. Este perfil de questionário tem relevância no que se refere, por exemplo, na otimização de filas de espera para realização do exame padrão ouro de diagnóstico, a polissonografia, no Sistema Único de Saúde.

REFERÊNCIAS
1. Duarte RLM, Fonseca LBM, Magalhães-da-Silveira FJ, Silveira EA, Rabahi MF. Validação do questionário STOP-Bang para a identificação de apneia obstrutiva do sono em adultos no Brasil. J Bras Pneumol. 2017;43(6):456-463.
2. Gonçalves G.K. Comparação entre a estratificação de risco da presença da apneia obstrutiva do sono em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca por diferentes instrumentos de avaliação.TCC(Fisioterapia) Universidade Santa Crus do Sul. Santa Crus do Sul, 2018.
3. Miranda ACB, Negri FEFO. Síndrome da Apneia do Sono em Pacientes do Ambulatório de Cardiologia de um Hospital Universitário. Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba [monografia]. 2016.
4. Oliveira GP, Vago ERL, Prado GF, Coelho FMS. A influência crítica das queixas respiratórias noturnas na qualidade final do sono após acidente vascular cerebral: índice de qualidade de sono de Pittsburgh e STOP-BANG. Arq Neuropsiquiatr 2017; 75(11):785-8.
5. Pissulin FDM, Pacagnelli FL, Aldá MA, Beneti R, Barros JL, Minamoto ST. et al. Tríade síndrome da apneia obstrutiva do sono, DPOC e obesidade: sensibilidade de escalas de sono e de questionários respiratórios. J Bras Pneumol. 2018;44(3):202-206.
6. Silva A, Pereira H, Xará D, Mendonça J, Cunha I, Santos A. et al. Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono e complicações respiratórias pós-operatórias. Rev Soc Port Anestesiol. 2013; 22(3): 66-73.
7. Silva KV, Rosa MLG, Jorge AJL, Leite AR, Correia DMS, Silva DS. et al. Prevalência de Risco para Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono e Associação com Fatores de Risco na Atenção Primária. Arq Bras Cardiol. 2016; 106(6):474-480.
8. Xavier SD, Moraes JP, Eckley CA. Prevalência de sintomas e sinais de refluxo laringofaríngeo em pacientes roncadores com suspeita de síndrome da apneia obstrutiva do sono. Braz J Otorhinolaryngol. 2013; 79(5):589-93.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
2092
AVALIAÇÃO VOCAL MULTIDIMENSIONAL DA TERAPIA ETVSO E TREINAMENTO DO CORAL EM INDIVÍDUOS ANÕES COM DEFICIÊNCIA ISOLADA DO HORMÔNIO DO CRESCIMENTO (DIGH)
Tese
Voz (VOZ)


Introdução: a voz é uma das características mais marcantes da identidade de cada pessoa. No nordeste do Brasil, há uma coorte de indivíduos anões com deficiência congênita e isolada do hormônio do crescimento (DIGH), caracterizada por baixa estatura proporcionada, massa muscular reduzida, eixo gonadal normal1; constrição laríngea, sinais de refluxo laringofaríngeo2, voz aguda, valores elevados da frequência fundamental (f0)3 , e de formantes (F)4 relacionados mais às medidas cefalométricas de maxila e mandíbula5 do que à largura das vias aéreas da faringe, que não é reduzida na DIGH6. Apesar da qualidade de vida geral satisfatória7, os escores de qualidade de vida e voz (QVV) são reduzidos8, sugerindo que esses indivíduos com DIGH lidam melhor com a baixa estatura do que com a voz. Um estudo piloto de quatro sessões semanais durante 30 dias, efeito pré e pós exercício de trato vocal semiocluído (ETVSO) evidenciou o aumento de F2 e combinada ao treinamento de coral aumento de F1, redução do valor de shimmer. No presente estudo investiga-se o efeito dessa abordagem em 13 sessões durante 90 dias. Objetivo: Avaliar o efeito da intervenção prolongada com terapia ETVSO e treinamento de coral na voz de 17 indivíduos adultos com DIGH. Método: Estudo clínico prospectivo, aprovado Comitê de Ética em Pesquisa (número CAAE: 74171317.8.00000.5546). A intervenção inclui Terapia vocal ETVSO fonação em tubo de silicone com resistência na água (35 cm de comprimento e 0,9 cm de diâmetro)9 e treinamento de coral. A avaliação vocal multidimensional abrange: análise acústica (PRAAT), análise perceptivo-auditiva (escala GRBAS), protocolo QVV e autoavaliação da voz. Tarefas fonatórias de emissão sustentada da vogal [Ԑ] e fala encadeada contagem 1 a 10. Comparação de dados pré e pós-intervenção mediante teste T e de Wilcoxon para distribuição normal e não normal respectivamente, coeficiente alfa de Cronbach (0,70 a 0,90) teste de confiabilidade GRBAS, teste de McNemar, p < 0,05 e poder de 0,8 autoavaliação vocal. Resultados: A intervenção vocal reduziu significativamente o F2 (p= 0,046) e o jitter (p= 0,048). A escala GRBAS evidenciou redução no grau geral de desvio vocal (p= 0,0001), rouquidão/aspereza (p= 0,0001), soprosidade (p= 0,0001) e tensão (p= 0,0001). Aumento dos escores QVV total (p= 0,0001), físico (p = 0,0002) e socioemocional (p= 0,0001) e da autoavaliação vocal boa a excelente a (p= 0,004). Conclusão: Na voz de indivíduos com DIGH a intervenção vocal prolongada proporcionou redução de F2 e sugere possíveis ajustes na cavidade oral anterior, e deslocamento horizontal da língua, redução de jitter, na GRBAS ausência e redução do grau geral do desvio vocal, rouquidão/aspereza e tensão, impacto vocal positivo no escore de qualidade de vida ,autoavaliação vocal boa a excelente. f0 de 188 (33Hz) próximo a adultos sem DIGH10 a manutenção de valores elevados de F1 e F3 provavelmente reflete mais aos tecidos duros, F4 ao tubo laríngeo menos responsivo a esse protocolo. Essa intervenção foi capaz de alterar um achado físico de um traço genético, a voz, sem o uso de de terapia de reposição de GH.

1. Aguiar-Oliveira MH, Souza AHO, Oliveira CRP, Campos VC, Oliveira-Neto LA, Salvatori R. The multiple facets of GHRH/GH/IGF-I axis: lessons from lifetime, untreated, isolated GH deficiency due to a GHRH receptor gene mutation. Eur J Endocrinol. 2017; 177 (2):85–97.
2. Barreto VMP, D’avila JS, Sales NJ, Gonçalves MIR, Seabra JD, Salvatori R, Aguiar-Oliveira MH. Laryngeal and vocal evaluation in untreated growth hormone deficient adults. Otolaryngol Head Neck Surg. 2009; 140:37-42.
3. Valença EH, Souza AH, Oliveira AH, Valença SL, Salvatori R, Gonçalves MI, Oliveira-Neto LA, Barros AD, Nascimento UN, Oliveira CR, Cardoso DF, Melo VA, Aguiar-Oliveira MH. Voice quality in short stature with and without GH deficiency. J Voice. 2012;26(5):673.e13–673.e19.
4. Valença EHO, Salvatori R, Souza AHO, Oliveira-Neto LA, Oliveira AHA, Gonçalves MIR, Oliveira CRP, D’avila JS, Melo VA, Carvalho S, Andrade BMR, Nascimento LS, Rocha SBV, Ribeiro TR, Prado-Barreto VM, Melo EV, Aguiar-Oliveira MH. Voice Formants in Individuals with Congenital, Isolated, Lifetime Growth Hormone Deficiency. J Voice. 2016; 30(3):281-6.
5. Oliveira-Neto LA, Melo MFB, Franco AA, Oliveira AH, Souza AHO, Valenca EH, Britto IM, Salvatori R, Aguiar-Oliveira MH. Cephalometric features in isolated growth hormone deficiency. Angle Orthod.2011;81(4):578–583.
6. Reinheimer DM, Andrade BMR, Nascimento JKF, Fonte JBM, Araújo IMP, Martins-Filho PRS, Salvatori R, Valença EH, Oliveira AHA, Aguiar-Oliveira MH, Oliveira-Neto LA. Formant Frequencies, Cephalometric Measures, and Pharyngeal Airway Width in Adults with Congenital, Isolated, and Untreated Growth Hormone Deficiency. J Voice. 2019. doi: 10.1016/j.jvoice.2019.04.014.
7. Barbosa JA, Salvatori R, Oliveira CR, Pereira RM, Farias CT, Britto AV, Farias NT, Blackford A, Aguiar-Oliveira MH. Quality of life in congenital, untreated, lifetime isolated growth hormone deficiency. Psychoneuroendocrinology.2009;34(6): 894–900.
8. De Andrade BMR, Valença EHO, Salvatori R, Souza AHO, Oliveira-Neto LA, Oliveira AHA, Melo EV, Andrade MS, Freitas CA, Santos M, Custódio FA, Monteiro GC, Carvalho S, Aguiar-Oliveira MH. Effects of Therapy with Semi-occluded Vocal Tract and Choir Training on Voice in Adult Individuals with Congenital, Isolated, Untreated Growth Hormone Deficiency. J Voice. 2019;(33) 5: 808.e1-808.e5.
9. Sihvo M. Lax Vox tube. In: 7th Pan European Voice Conference – PEVOC; 2007 Aug 29-Spt 1; Groningen. Proceedings. Groningen: Pan European Voice Conferences; 2007. [acesso em 2016 jun 8]. Disponível em: http://www.pevoc.org/pevoc07/index.htm.
10. Viegas F, Viegas D, Guimarães GS, Souza MMG, Luiz RR, Simões-Zenari M, Nemr K. Comparison of fundamental frequency and formants frequency measurements in two speech tasks. Rev. CEFAC. 2019;21(6):e12819.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1679
AVALIAÇÕES DA FALA POR MEIO DA TELESSAÚDE: RESULTADOS PRELIMINARES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: No ano de 2020, o Conselho Federal de Fonoaudiologia recomendou a atuação profissional por meio de teleconsulta e telemonitoramento, em condições emergências, como em casos de pandemia, fazendo uso da tecnologia como forma de atendimento1. Sendo assim, fonoaudiólogos do país puderam realizar Teleconsulta e Telemonitoramento em Fonoaudiologia viabilizando a manutenção dos serviços fonoaudiológicos para a população. A recomendação inclui a possibilidade de realização da avaliação clínica, inclusive a de fala. Sabe-se que a avaliação é essencial para a reabilitação fonoaudiológica adequada dos pacientes e pode reduzir os impactos negativos gerados 2-3. Objetivo: Verificar se os fonoaudiólogos clínicos do país estão realizando avaliações de fala por meio da Telessaúde e como estão fazendo. Método: Essa pesquisa foi avaliada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob número 3.912.480. Fonoaudiólogos atuando na clínica responderam a um questionário online elaborado na plataforma Google Forms®. Esse questionário foi encaminhado para todos os contatos das autoras durante o mês de julho/2020. Foi questionado se o fonoaudiólogo estava realizando atendimento de forma presencial e se realizou/realiza atendimento por meio da Telessaúde. Caso tenha realizado, se realizou alguma avaliação de fala por meio de teleatendimento e, novamente, caso positivo, como realizou a avaliação, o que utilizou para avaliar e qual foi seu público-alvo. Para finalizar, foi questionado qual a opinião do profissional sobre a viabilidade da realização e sobre a efetividade da avaliação por meio da Telessaúde, quando comparada à avaliação presencial. A análise das respostas foi realizada pela própria plataforma onde o questionário estava hospedado. Resultados: Os resultados preliminares indicaram que 174 fonoaudiólogos responderam ao questionário. Deste número, 35,2% respondeu que não continua atendendo presencialmente. A partir desta porcentagem, 73,3% referiu que realiza/realizou atendimento por Telessaúde e 21,2% realizou a avaliação de fala por esse meio. A maioria dos fonoaudiólogos relatou que realizou a avaliação por meio da gravação de vídeo e áudio do paciente e pelo compartilhamento de tela com figuras para nomeação e 88,6% realizou avaliação com crianças. Por fim, 62,4% respondeu que é viável realizar a avaliação da fala online e a maioria referiu que a avaliação da fala realizada por meio da Telessaúde não tem a mesma efetividade que a avaliação presencial. Conclusão: Por meio dos resultados preliminares, pode-se concluir que poucos fonoaudiólogos realizaram atendimento por meio da Telessaúde e uma minoria realizou avaliação da fala por esse meio. Os que realizaram avaliação referiram que a fizeram por meio da gravação em vídeo ou áudio do paciente, em meio espontâneo ou condicionado para nomeação de figuras. Além disso, os fonoaudiólogos opinaram que é viável realizar avaliação de fala online, porém, dependendo do caso, não tem a mesma efetividade que a avaliação realizada presencialmente. Cabe ressaltar que os instrumentos de avaliação formais não são adequados para telessaúde, sendo necessário que o fonoaudiólogo realize uma adaptação para aplicar o teste.

1 Recomendação Conselho Federal de Fonoaudiologia nº 18-B, de 17 de março de 2020.
2 Abou-Elsaad T, Baz H, El-Banna M. Developing an articulation test for Arabic-speaking school-age children. Folia Phoniatr Logop. 2009, 61(5):275-82.
3 McLeod S, Verdon S. A review of 30 speech assessments in 19 languages other than English. Am J Speech Lang Pathol. 2014;23(4):708-23.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1365
AVALIAÇÃO DA COGNIÇÃO EM INDIVÍDUOS COM APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é um distúrbio caracterizado por episódios de obstrução parcial ou completa da via aérea durante o sono, causando redução e/ou interrupção da passagem de ar para os pulmões1,2.Consequências relevantes para o indivíduo apneico são as alterações respiratórias e metabólicas3,4, as alterações miofuncionais orofaciais5 e o maior risco de ocorrer complicações cardiovasculares3,4, as quais podem gerar um comprometimento cognitivo1,3. O sono é imprescindível para o bom funcionamento dos processos cognitivos6. Estudos mostram que diferentes estágios do sono, como o REM (Rapid Eye Moviment) e o NREM 3 (Not Rapid Eye Moviment) são fundamentais para as habilidades cognitivas e que indivíduos com alterações na microestrutura do sono podem possuir disfunções cognitivas7,8. Sendo assim, indivíduos com AOS podem possuir déficits cognitivos em decorrência da diminuição da oxigenação dos tecidos1. Objetivo: Avaliar aspectos cognitivos de indivíduos com AOS. Metodologia: Estudo transversal do tipo descritivo, aprovado pelo CEP da instituição de origem, sob o nº 3300676. A amostra desta pesquisa foi composta por indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 18 e 80 anos, com queixa de ronco e que tivessem realizado o exame de polissonografia, num hospital público, no período de abril de 2018 a abril de 2019, tendo obtido o diagnóstico de AOS . Os sujeitos foram contatados por telefone e convidados para participarem da pesquisa, na qual foi aplicado o teste Montreal Cognitive Assessment – versão brasileira (MoCA)9 . O teste MoCA é composto por uma única página e suas tarefas abrangem diversos domínios cognitivos, levando em torno de 10 minutos para ser aplicado. Cada teste possui uma pontuação específica, sendo 30 pontos o escore máximo do protocolo. Uma pontuação igual ou superior a 26 é considerada normal. Resultados: Foram avaliados 20 pacientes, com média de 60,15 anos, variando entre 39 e 71 anos. 55% da amostra tinha mais de 60 anos. Houve equiparidade entre os sexos. A respeito da escolaridade medida em anos de estudo, 25% dos participantes tinham entre 1 a 8 anos; 50% tinham entre 8 a 11 anos e 25% tinham acima de 11 anos de estudo; Em relação ao grau de AOS, 35% dos pacientes apresentaram grau leve, 45% grau moderado e 20% grau grave. Foi observado que os indivíduos com AOS apresentaram mais dificuldade na realização de tarefas que envolvam as funções cognitivas de função executiva, habilidades visuoespaciais, memória e linguagem, corroborando com estudos que apresentam esses domínios dentre os afetados pela população apnéica2,10. Conclusão: O estudo evidenciou que os indivíduos apnéicos possuem dificuldade de execução nas tarefas propostas nos testes. Apesar da pertinência desses resultados encontrados e de sua relação com a literatura, a amostra restrita deste estudo é uma limitação para a generalização dos achados, sendo sugerido aumento do número amostral para estudos futuros. Entretanto, para os fonoaudiólogos que atuam na reabilitação de indivíduos com apneia, esse estudo se mostra relevante, pois agrega conhecimento sobre as características cognitivas desse transtorno respiratório que podem ser trabalhadas durante a terapia.

1. Olaithe, M., Bucks, R. S., Hillman, D. R., & Eastwood, P. R. Cognitive deficits in obstructive sleep apnea: Insights from a meta-review and comparison with deficits observed in COPD, insomnia, and sleep deprivation. Sleep Medicine Reviews. 2018; 38, 39–49.

2. Gagnon K, Baril AA, Gagnon JF, Fortin M, Décary A, Lafond C. Cognitive impairment in obstructive sleep apnea. Pathol Biol (Paris). 2014; 62(5): 233–240.

3. Lévy P, Kohler M, McNicholas WT, et al. Obstructive sleep apnoea syndrome. Nature Reviews Disease Primers. 2015; 15015.

4. Kapur, V. K., Auckley, D. H., Chowdhuri, S., Kuhlmann, D. C., Mehra, R., Ramar, K, et al. Clinical practice guideline for diagnostic testing for adult obstructive sleep apnea: an american academy of sleep medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine. 2017; 13(03), 479–504.

5. Miranda, V. S. G., Buffon, G., & Vidor, D. C. G. M. Perfil miofuncional orofacial de pacientes com distúrbios do sono: relação com resultado da polissonografia. CoDAS. 2019.

6. Zerouali, Y., Jemel, B., & Godbout, R. The effects of early and late night partial sleep deprivation on automatic and selective attention: An ERP study. Brain Research. 2010; 1308, 87–99;

7. Poe, G. R., Walsh, C. M., & Bjorness, T. E. Cognitive neuroscience of sleep. Progress in Brain Research. 2010; 1–19.

8. Li, N., Wang, J., Wang, D., Wang, Q., Han, F., Jyothi, K., & Chen, R. Correlation of sleep microstructure with daytime sleepiness and cognitive function in young and middle-aged adults with obstructive sleep apnea syndrome. European Archives of Oto-Rhino-Laryngology. 2019.

9. Sarmento, A. L. R. Apresentação e aplicabilidade da versão brasileira da MoCA (Montreal Cognitive Assessment) para rastreio de Comprometimento Cognitivo Leve. Dissertação (Mestrado). 2009; Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo.

10. Daurat, A., Sarhane, M., & Tiberge, M. Syndrome d’apnées obstructives du sommeil et cognition : une revue. Neurophysiologie Clinique/Clinical Neurophysiology. 2016; 46(3), 201–215


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1073
BANCO DE LEITE HUMANO E A FONOAUDIOLOGIA: POSSIBILIDADES DE ATUAÇÃO NA SAÚDE MATERNO-INFANTIL
Práticas fonoaudiológicas
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: o Banco de Leite Humano é vinculado a um hospital materno infantil, contendo um centro especializado no processo de coleta, seleção, classificação, processamento e distribuição do leite. Atualmente, há no Brasil 223 bancos de leite humano e 208 postos de coletas. Nesse contexto, a Fonoaudiologia pode contribuir no suporte às mães, especialmente durante o estabelecimento da amamentação exclusiva. Por se tratar de um espaço de atuação multidisciplinar para incentivar o aleitamento materno, os bancos de leite compõem a rede de apoio estratégico de promoção, prevenção e apoio à amamentação. Objetivo: relatar as possibilidades de atuação fonoaudiológica em um banco de leite humano. Metodologia: estudo qualitativo do tipo relato de experiência. A vivência ocorreu em março de 2020, em um Banco de Leite Humano de uma maternidade pública de Pernambuco, certificado pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança. As práticas no banco de leite fazem parte do Programa de Pós-Graduação da Residência Multiprofissional em Neonatologia. A experiência compreendeu dois segmentos: atuação técnica e atuação assistencial. Resultados: o espaço de atuação da Fonoaudiologia em um banco de leite pode ser diversificado, podendo abranger a atuação técnica e assistencial, desde o recebimento do leite humano doado até a assistência à puérpera e ao recém-nascido. A equipe instituída pelo banco de leite é composta por médica pediatra, enfermeiros e técnicos em enfermagem, logo a atuação do fonoaudiólogo foi por meio do rodízio do programa de residência. O profissional inserido na equipe técnica pode receber capacitação por meio de cursos em modalidade a distância, oferecidos pelo serviço em parceria com o Ministério da Saúde e o Instituto Fernandes Figueira/Fundação Oswaldo Cruz. Capacitado e inserido no corpo técnico de um banco de leite, o fonoaudiólogo pode assumir o processo de controle e qualidade do leite humano, que inicia desde o recebimento do leite até a pasteurização e distribuição na unidade neonatal. Acompanhou-se, nessa vivência, o processo de controle de qualidade do Leite Humano Ordenhado, recebendo a descrição do fluxo, antes do início do processo da pasteurização. Além do processo de pasteurização, o fonoaudiólogo, enquanto integrante da equipe multidisciplinar, pode monitorar o armazenamento do Leite Humano Pasteurizado e gerenciar o estoque. A prática assistencial do fonoaudiólogo é direcionada ao binômio mãe/bebê por meio de consultoria de aleitamento materno, teste da linguinha e avaliação do sistema sensório motor oral. Atividades de educação em saúde também fazem parte do trabalho do profissional do banco de leite uma vez que traz discussões relacionadas ao estabelecimento do aleitamento materno, disfunções orais, alterações orofaciais, importância do teste da linguinha e o olhar para o desenvolvimento neuropsicomotor do recém-nascido evidenciado na caderneta de saúde da criança. Conclusão: através da experiência foi possível identificar o papel do fonoaudiólogo em um banco de leite humano, bem como compreender a necessidade da sua inserção nessas equipes multiprofissionais no âmbito hospitalar. Contudo, não é comum a atuação do fonoaudiólogo como parte da equipe integrante de um banco de leite humano, constituindo assim um espaço a ser conquistado por esse profissional.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
290
BATE PAPO SOBRE AS EMOÇÕES E DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA TERCEIRA IDADE
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução
O aumento da expectativa de vida é um fenômeno que envolve diversos fatores, tais como educação, saúde, assistência social, saneamento básico, segurança no trabalho, índices de violência, ausência ou presença de guerras e de conflitos internos. Conforme observado em dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019, a expectativa de vida dos brasileiros está subindo; hoje é de 80 anos para mulheres e 73 para homens. Com o envelhecimento, há a diminuição da capacidade de mitose de algumas células do organismo, gerando um acúmulo de pigmentos intracelulares e alterações no fluido intercelular. Tais alterações podem levar à degeneração de células ciliadas do órgão de Corti; essa degeneração leva à morte celular e resulta em perdas auditivas. Em idosos há, frequentemente, a perda das frequências mais agudas, levando, assim, ao que chamamos de presbiacusia. Com a perda auditiva, é comum que muitas pessoas se isolem do convívio social pela incapacidade de comunicação. Esse isolamento, por sua vez, pode levar a quadros de depressão e irritabilidade.


Objetivo
Relatar uma experiência dos estagiários de Fonoaudiologia em sala de espera em uma Unidade de Saúde da Família do interior de São Paulo.

Método
Este estudo baseia-se em relato de experiência.

Resultados
Inicialmente, os usuários foram abordados pelos estagiários na sala de espera da unidade de saúde; foi solicitado que eles refletissem sobre suas emoções, e escolhessem um mini-cartão que traduzisse o seu estado emocional nas últimas três semanas [havia um total de 66 cartões incluindo 11 emoções distintas, sendo elas: (sentindo-se) cansado, triste, esperançoso, ansioso, desanimado, animado, preocupado, feliz, irritado, com medo, com dor, e vazio]. Após a escolha dos cartões, os estagiários discorreram sobre o tema "emoções" de uma forma bem geral. Em seguida, os estagiários chamaram a atenção para a depressão, principalmente na terceira idade, tecendo comentários sobre os possíveis sinais e sintomas, esclarecendo possíveis dúvidas. Como forma de interação entre os estagiários e os usuários, foi desenvolvido de forma conjunta um cartaz com os dizeres “o que ajuda” e “o que não ajuda” (um indivíduo que sofre depressão); abaixo de tais dizeres havia uma lista dos itens citados pelos usuários (o cartaz ficou anexado em uma parede na sala de recepção por alguns dias). Por fim, foi abordada a importância dos cuidados auditivos e da atenção à pessoa idosa.

Conclusão
A experiência foi extremamente enriquecedora, pois todos os ouvintes se mostraram atentos e participaram ativamente dando bons feedbacks. Uma pessoa que estava na recepção trouxe um autorrelato sobre depressão; ela falou sobre a importância do autocuidado, da autoaceitação e de não sentir vergonha de ter a doença.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
850
BENEFÍCIO DA DESLOCAÇÃO DO MASCARAMENTO EM JOVENS COM AUDIÇÃO NORMAL
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)
50120010


Nas situações cotidianas de comunicação, o ser humano geralmente precisa reconhecer a fala de seu interlocutor (fala alvo) em presença de ruído de fundo, ou mensagens acústicas competitivas, que vem de diferentes fontes sonoras (1). Sabe-se que quando a fonte sonora do som competitivo está posicionada próxima à fonte sonora da fala alvo, o reconhecimento da fala alvo é uma tarefa mais difícil. Ao contrário, o deslocamento das fontes sonoras referentes à mensagem competitiva favorece essa habilidade. Esse fenômeno é conhecido como Spatial Release from Masking (SRM) (2), traduzido aqui como Benefício de Deslocação do Mascaramento (BDM), e ainda pouco explorado em estudos no Brasil. Objetivo do estudo: Analisar o benefício de deslocação do mascaramento (BDM) no reconhecimento da fala em jovens com audição normal. Método: O estudo é descritivo analítico, de corte transversal e de caráter quantitativo. Dez jovens foram selecionados de forma aleatória por conveniência, e submetidos à avaliação audiológica básica para atingir aos critérios de inclusão. Posteriormente, participaram de um teste de reconhecimento de sentenças em Português (Hearing In Noise Test – HINT, na versão brasileira) na presença de mensagem competitiva. O teste foi composto por duas condições: 1) fala alvo e mensagem competitiva apresentados a 0º azimute do indivíduo (posição compartilhada), e 2) fala alvo apresentada a 0º azimute do indivíduo e mensagem competitiva apresentada a 45º azimute do indivíduo (posição separada), ao lado direito e esquerdo. A mensagem competitiva foi apresentada em intensidade constante: 65 dB, e para cada participante, foram determinados três limiares de reconhecimento das sentenças do HINT nas duas condições de teste. Os valores de BDM foram calculados através da diferença entre os limiares obtidos entre a condição compartilhada e a condição separada. Resultados: O BDM foi encontrado em todos os participantes. Em outras palavras, todos apresentaram melhores limiares na condição separada. O valor médio de BDM encontrado foi de 5 dB, variando entre 2,8 e 7,5 dB. Esses resultados demonstram o benefício existente no reconhecimento da fala alvo em quando a fonte de mascaramento é deslocada lateralmente (3). Conclusão: O BDM foi identificado em adultos de audição normal. O estudo sobre esse fenômeno em diferentes faixas etárias e/ou diferentes populações irá contribuir para a compreensão sobre a habilidade de reconhecimento da fala em presença de sons competitivos.

1. Advíncula K, Menezes D, Pacífico F, Griz M. Percepção da fala em presença de ruído competitivo: o efeito da taxa de modulação do ruído mascarante. Audiology - Communication Research 2014, 18(4). 238–44.

2. Ching T, Van Wanrooy E, Dillon H, Carter l. Spatial release from masking in normal-hearing children and children who use hearing aids. The Journal of the Acoustical Society of America, 2011. 129(1): 368–75.

3. Glyde H, Buchholz J. Effect of audibility on spatial release from speech-on-speech masking. The Journal of Acoustical Society of America 2015. 138(5). 3311–9.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1236
BENEFÍCIOS DA TERAPIA DE ENTONAÇÃO MELÓDICA (TEM) EM PACIENTES AFÁSICOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução:A afasia é um distúrbio de linguagem adquirido após lesão cerebral, que afeta algumas ou todas as modalidades de linguagem: expressão e compreensão da fala, leitura e escrita1. A musicoterapia pode contribuir tanto na reabilitação das habilidades linguísticas dos sujeitos afásicos, facilitando a comunicação verbal e não verbal e fortalecendo as funções neuropsicológicas, quanto na modulação das emoções, melhorando o estado de humor e qualidade de vida2,3. A Terapia da Entonação Melódica (TEM) foi introduzida por Albert e Helm em 1973 com a tentativa de estimular a linguagem expressiva de sujeitos afásicos graves. Entre os fundamentos teóricos dessa terapia, considera-se que as funções intactas do hemisfério direito podem contribuir para a reabilitação dos transtornos de linguagem dos pacientes com lesão no hemisfério esquerdo2.Objetivo: Verificar na literatura especializada por meio de artigos científicos selecionados a aplicabilidade e eficácia daTEM com o apoio da músicaem pacientes com Afasias.Metodologia: Foi realizada ampla pesquisa e selecionados artigos publicados entre 2017 e 2020, indexados nas bases de dados SCIELO, MEDLINE e LILACS. Foram selecionados os seguintes descritores: Afasia, Musicoterapia, Estudos de linguagem.Resultados:A TEM utiliza-se dos aspectos supra-segmentares da fala, ou seja, de elementos prosódicos. Nos casos de afasias expressivas a função do canto é preservada, pois ativa o hemisfério cerebral direito que é o lado contrário a lesão presente em indivíduos afásicos.A música, além de ser agradável para a maioria dos indivíduos, ajuda a estruturar as atividades e os exercícios, dando-lhes significado e criando objetivos concretos e recompensas imediatas3.Os estudos1,2apontam melhora da emissão oral dos indivíduos com afasia, tanto na emissão de frases treinadas quanto não treinadas, bem como na emissão de frases do cotidiano. Quanto aos aspectos linguístico-cognitivo, a compreensão, como também a capacidade de nomear, repetir e sustentar a atenção no discurso melhoraram1,2. Ajudando a aumentar a confiança e motivação, reduzindo os sentimentosnegativos, com melhora de humor. A ativação do sistema dos neurônios espelho explica, também, os resultados positivos obtidos pela musicoterapia na reabilitação3.Esse resultado pode estar associado ao maior número de sessões realizadas, evidenciando a importância da repetição para o tratamento das afasias2. Conclusão:Osestudos desenvolvidos até o momento mostram os benefícios das intervenções com música, particularmente na reabilitação motora de pessoas após acidente vascular cerebral. OTEM demonstrou excelentes resultados para uma nova estruturaçãoda linguagem de pacientes afásicos não fluentes e fluentes, favorecendo a comunicação inclusive de casos crônicos que já passaram pela terapia tradicional,contribuindo também na reinserção social desses indivíduos e melhorando sua qualidade de vida. Foram encontrados poucos artigos brasileirosque abordassem essa temática, necessitando de mais estudos que associem o TEM com a afasia.

Descritores: Afasia, Musicoterapia, Estudos de linguagem

1- ALTMANN, R. F. A., SILVEIRA, A. B., PAGLIARIN, K. C. Intervenção fonoaudiológica na afasia expressiva: Revisão integrativa. AudiolCommun Res. 2019;24:e2100. https://doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2100.
2- LIMA, G. B. S. Terapia Melódica para Reabilitação da Comunicação na Afasia. Universidade de Brasília – UNB; Faculdade de Ceilândia – FCE - Curso de Fonoaudiologia .Brasília – DF, 2018.
3- OLIVEIRA, A. L. R. A aplicação da musicoterapia na reabilitação neurológica do idoso institucionalizado. Universidade Lusíada de Lisboa; Faculdade de Ciências Humanas e Sociais; Instituto de Psicologia e Ciências da Educação - Mestrado em Musicoterapia. Lisboa, 2017.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1386
BIOFEEDBACK ULTRASSONOGRÁFICO DE LÍNGUA: TERAPIA DE FALA ASSOCIADO AO USO DE PRÓTESE BUCOMAXILOFACIAL DEVIDO A SEQUELA DE CÂNCER ORAL
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O câncer de boca pode acarretar inúmeras sequelas no sistema estomatognático do sujeito a depender da intervenção cirúrgica e de tratamentos adjacentes escolhidos pelo médico (1). As próteses bucomaxilofaciais (PBMF) por sua vez, possibilita a reabilitação desses indivíduos com mutilação facial após tratamento cirúrgico de câncer oral, melhorando a inteligibilidade de fala do sujeito, devido a modificação palatal (2). Somado a este aparato, a terapia de fala associado ao biofeedback por meio da ultrassonografia de língua permite que o sujeito concentre sua atenção nos movimentos da língua para um aprendizado conciso dos ajustes necessários para a melhora da precisão de sua articulação (3). Objetivo: O presente estudo caracterizou a produção de fala de um paciente com histórico de glossectomia total com auxílio de um dispositivo individualizado de acrílico, confeccionado por especialista em PBMF, submetido à intervenção utilizando o biofeedback visual com ultrassonografia. Método: Homem, 45 anos, professor aposentado com diagnóstico de neoplasia de língua do tipo Carcinoma de Células Escamosas. Realizou diversos procedimentos cirúrgicos incluindo glossectomia total, com radioterapia adjuvante, que logo, teve um impacto severo nas funções de deglutição e fala. Durante o atendimento odontológico em conjunto ao fonoaudiológico, o paciente foi encaminhado para especialista em PBMF para confecção de um dispositivo de fala em acrílico. Com a PBMF adaptada, iniciou-se a terapia fonoaudiológica associada ao biofeedback por meio da ultrassonografia de língua, com o intuito de promover o refinamento da produção de fala dos fones fricativos [s] e [∫]. O paciente foi submetido a 10 sessões de terapia associado ao biofeedback visual a partir da ultrassonografia de língua. Para a terapia foram utilizados um aparelho de ultrassom portátil (Mindray M5); computador; sincronizador; caixa de som; e estabilizador de cabeça (Articulate Instruments Ltd). A terapia associada ao biofeedback ultrassonográfico consistiu na estimulação dos segmentos [s] e [ʃ], abordando o contorno da neo-língua relativo ao som alvo isolado, tanto no terapeuta, como no paciente. Foi possível possibilitar ao paciente a visualização o contorno da neo-língua durante a produção de fala a partir do monitor de ultrassom em tempo real. A fim de quantificar melhora do paciente foi usado a avaliação da Porcentagem de Consoantes Corretas e de Inteligibilidade de fala. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos – CEPSH com a aprovação de número 3.686.654 e CAAE: 63084016.8.0000.0121. Resultado: Ao comparar a avaliação de pré e pós tratamento, foi possível identificar melhora significativa quanto ao índice de Porcentagem de Consoantes Corretas, que evoluiu de moderadamente-severo para levemente-moderado, assim como a Inteligibilidade de Fala, que progrediu de insuficiente para regular. Conclusão: Após a confecção do dispositivo de acrílico houve melhora da inteligibilidade de fala do referido paciente da pesquisa. Desta forma, conclui-se que a intervenção tradicional somada ao biofeedback visual, por meio do ultrassom, contribuíram de forma qualitativa o refinamento e o controle neuromotor da nova estrutura da língua após diversas intervenções cirúrgicas.

1. Aquino, RCA., et al. Alterações Fonoaudiológicas E Acesso Ao Fonoaudiólogo Nos Casos De Óbito Por Câncer De Lábio, Cavidade Oral E Orofaringe: Um Estudo Retrospectivo. Rev. Cefac. 2016; 3(18): 737-745.
2. Depprich, R., Naujoks, C., Lind, D., Ommerborn, M., Meyer, U., Kübler, N. R., & Handschel, J. Evaluation of the quality of life of patients with maxillofacial defects after prosthodontic therapy with obturator prostheses. International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery. 2011; 40(1), 71–79. doi:10.1016/j.ijom.2010.09.019
3. Blyth, KM., Mccabe, P., Madill, C., & Ballard, KJ. Ultrasound visual feedback in articulation therapy following partial glossectomy. Journal of Communication Disorders. 2016; 61(1), 1–15. doi:10.1016/j.jcomdis.2016.02.004



TRABALHOS CIENTÍFICOS
111
BIOSEGURANÇA APLICADA À FONOAUDIOLOGIA: UMA QUESTÃO DE RESPEITO E SEGURANÇA
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)
68230000


INTRODUÇÃO: Na assistência, internados em instituições hospitalares é comum a demanda de pacientes com distúrbios de deglutição, sendo este, o foco principal da atuação fonoaudiológica à beira do leito. Muitos pacientes internados também são elegíveis às medidas de precaução de contato por estarem com bactérias de fácil contaminação e propagação. Diante disso, faz-se necessário que a abordagem do profissional fonoaudiólogo também contemple a prática de medidas preventivas, mas sem prejudicar sua conduta profissional. OBJETIVO: Apresentar o perfil de pacientes com demanda para o serviço de Fonoaudiologia e que estejam inseridos no grupo de medidas de precaução em um hospital privado na cidade de Belém-PA. METODOLOGIA: trata-se de uma pesquisa documental de caráter transversal do tipo quantitativa com dados coletados em prontuários de pacientes internados em um hospital particular e que recebiam assistência fonoaudiológica. RESULTADOS: No mês de setembro de 2018 o serviço de Fonoaudiologia atendeu por dia em média 30 pacientes com liberação da equipe médica, sendo destes 12 pacientes elegíveis às medidas de precaução. A idade média dos pacientes com precaução foi de 74 anos (mín.:46; máx.: 93), contemplando 50% do sexo masculino (n=6) e 50% do sexo feminino (n=6). Quanto ao diagnóstico, os mais comuns foram AVEH (41,66%) e pneumonia (25%). Os tipos de bactérias encontrados foram Acinetobacter Baumannii (41,66%), Pseudomonas Aeruginosa (33,33%), Klebsiella Pneumoniae (16,66%) e Enterococcus Faecium (8,33%). Ao correlacionar as variáveis de Data de Internação e Dia de Confirmação de Precaução, identificou-se grande discrepância de tempo, sendo o tempo mínimo de 1 dia e o tempo máximo de 141 dias, não sendo observado uma relação estatisticamente significativa entre ambas as variáveis. Sobre o tipo de precaução, 100% da amostra possuía medidas de precaução de contato, sendo apenas 1 paciente também com medida de precaução respiratória. 33,33% pacientes faziam uso de Polimixina (n=7), 19,04% utilizaram Vancomicina (n=4) e 14,28% Cipro (n=3), além de outros antibióticos como Meronem, Sulfametoxapol e Trimetroprima. Também se pesquisou o diagnóstico fonoaudiológico que estes pacientes apresentaram no dia da avaliação, e pode-se constatar que o mais comum foi de Disfagia Orofaríngea Neurogênica Severa com 75% dos casos (n=9) e Deglutição funcional em 25% dos casos (n=3). CONCLUSÃO: Assim, a demanda de pacientes em serviços de Fonoaudiologia mostrou-se alta em comparação com ao tempo de atendimento que a fonoterapia requer, sendo os pacientes elegíveis às medidas especiais de precaução de contato quase a metade dos pacientes atendidos. Ainda, houve uma pequena relação entre os pacientes com pior prognóstico fonoaudiológico e a incidência dos pacientes com precaução, relação esta que não pode ser clara em virtude no número da amostra, o que justifica a necessidade de mais estudo na área da Fonoaudiologia correlacionados à Biossegurança.


N/A


TRABALHOS CIENTÍFICOS
350
BLOG DE UM GRUPO DE CONVIVÊNCIA EM AFASIA: ANÁLISE DOS 3 MESES INICIAIS NA PANDEMIA DE COVID-19
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A pandemia de Covid-19 trouxe impactos e a consequente implantação de medidas de prevenção(1). Sendo o distanciamento social a mais extrema(1,2). Assim, alguns serviços precisaram reinventar suas abordagens, a fim de alcançar seu público remotamente. Com um Grupo de Convivência em Afasia (GCA), programa de extensão de uma universidade pública do país, não foi diferente. A criação de um blog foi uma das propostas da equipe, onde foram publicadas atividades para serem realizadas de forma assíncrona.(3, 4) Objetivo: Verificar a repercussão do blog criado para um Grupo de Convivência em Afasia durante o período de pandemia de Covid-19, por meio dos dados do tráfego e visualizações nos 3 meses iniciais. Método: Pesquisa quantitativa, descritiva e transversal, que pauta-se na análise de um blog que foi produzido em uma página na web através da plataforma de criação de sites Wix com o intuito de auxiliar os pacientes participantes de um GCA, que, por conta da pandemia, não poderiam se reunir para realizar as atividades presencialmente, como ocorria semanalmente no período anterior a pandemia. Sendo assim, foram elaboradas atividades para serem feitas individualmente por cada integrante. Os links de acesso para a página do site que possui as atividades foram compartilhados através de um grupo no WhatsApp e na página do Instagram pertencentes ao GCA. Através dos dados fornecidos pela ferramenta de estatística do blog foram coletados o número geral de acessos, origem geográfica dos visitantes e do tráfego, além das publicações com maior impacto. Resultados: Por intermédio da análise dos dados, foi possível verificar o número total de visitas, origem do tráfego, origem geográfica dos visitantes e as publicações com maior número de visitas. O número total de visitas no período entre 17 de março de 2020 até 17 de junho de 2020 foi de 402. A maior parte dos acessos ocorreu nos primeiros 45 dias de funcionamento do blog, coincidindo com o período inicial de isolamento social. Com relação a origem do tráfego, foi verificado que grande parte das visitas se deu por meio da inserção direta do link no navegador, seguido pelos acessos provenientes do Instagram. O que mostrou a importância do compartilhamento nas redes sociais do próprio grupo. Sobre a origem geográfica dos visitantes, constata-se que o blog não está limitado a apenas uma cidade ou região, alcançando as regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, além de abranger outro país, a Espanha. Por fim, as publicações que obtiveram maior repercussão foram realizadas nos meses de março e abril, novamente correspondendo ao início da pandemia. Conclusão: O blog do GCA ressaltou o impacto positivo das plataformas digitais como forma de intervenção durante a pandemia. Ademais, o blog tornou as propostas, que antes eram limitadas ao ambiente físico, mais acessíveis rompendo as fronteiras territoriais.





1. Bezerra A, Silva CEM, Soares FRG, Silva JAM. Fatores associados ao comportamento da população durante o isolamento social na pandemia de COVID-19. Ciênc. Saúde Coletiva, 2020; 25 (supl. 1):2411-2421.

2. Aquino EML, Silveira IH, Pescarini JM, Aquino R, Souza-Filho JA, Rocha AS et al . Medidas de distanciamento social no controle da pandemia de COVID-19: potenciais impactos e desafios no Brasil. Ciênc. Saúde Coletiva. 2020; 25 (Supl. 1): 2423-2446.

3. Almeida BLOS, Christovam BP, Correia DMS. El uso de blog como estrategia de formación continua en enfermería: una revisión integradora de la literatura. Enfermería Global. 2018; 17(49): 500-528.

4. Anais do XII Salão de Iniciação Científica PUCRS; 03-07 out 2011; Porto Alegre (RS): PUC Rio Grande do Sul; 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
209
BRINQUEDOS ELETRÔNICOS E TRADICIONAIS PODEM INFLUENCIAR AS TROCAS COMUNICATIVAS DAS CRIANÇAS?
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: nos primeiros anos de vida a brincadeira das crianças evolui de ações sensório-motoras à simbólicas, e concomitantemente, se desenvolve a linguagem (1), posto isto, brinquedos oferecidos à criança podem contribuir tanto para o desenvolvimento do simbolismo como para o aumento das trocas comunicativas (2). É frequente a dúvida dos pais na hora da escolha de brinquedos para seus filhos e o quanto eles podem estimular seu desenvolvimento. O tipo de brinquedo oferecido à criança pode facilitar as trocas comunicativas e nas últimas décadas, as atividades lúdicas têm sido modificadas em virtude da influência do avanço tecnológico que possibilitou o aparecimento de inúmeros brinquedos eletrônicos e digitais (3). O novo contexto lúdico trouxe a discussão sobre o quanto estes brinquedos, podem afetar o desenvolvimento da criança. Embora existam pesquisas na área (4,5), a relação entre o uso de brinquedos eletrônicos, telas portáteis e o desenvolvimento da linguagem merece atenção. Objetivo: analisar se o tipo de brinquedo utilizado durante o brincar interfere na qualidade e quantidade de interações comunicativas entre criança e cuidador. Método: o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa - CAAE: 79155817.6.0000.5417. Foram analisadas as interações de 10 crianças entre 18 e 36 meses com seu cuidador (mãe e/ou responsável) por meio da exploração de brinquedos tradicionais (miniaturas de utensílios domésticos, cômodos da casa, ferramentas, bonecos) e eletrônicos (“baby laptop”, “dancing robot toy”, piano musical). Cada tipo de interação foi registrado em vídeo por 20 minutos em momentos lúdicos distintos. As gravações foram transcritas e analisadas. A apreciação foi feita por meio de ficha de registro que continha informações sobre a díade e contabilizava o número de atos comunicativos intencionais de ambos os interlocutores nas duas situações lúdicas. Também foi verificado o número de vezes em que a criança e seu parceiro iniciaram e responderam à interlocução. Para a análise da relação tipo de brinquedo x interação foi aplicada análise descritiva. A comparação entre os dois de interações foi feita pelo teste t pareado. Foi adotado nível de significância de 5% (p<0,05). Resultados: a média obtida para o número de atos comunicativos intencionais e o número de vezes que a criança ou o adulto iniciou ou respondeu ao ato comunicativo foi maior com brinquedos tradicionais. O teste de amostras pareadas indicou diferença estatisticamente significante quanto ao número de atos comunicativos da criança, número de vezes que a criança respondeu ao ato comunicativo, número de atos comunicativos intencionais do adulto e número de vezes que o adulto respondeu ao ato comunicativo. Conclusão: a quantidade e qualidade das interações comunicativas entre criança e cuidador estão associadas ao tipo de brinquedo utilizado. Os brinquedos tradicionais proporcionaram maior número de interações, sugerindo o benefício desse tipo de brinquedo para o desenvolvimento das habilidades comunicativas da criança. Estudos sobre esta temática são essenciais no intuito de orientar profissionais e cuidadores sobre o tipo de brinquedo que mais pode favorecer o desenvolvimento da linguagem, em especial as habilidades pragmáticas.

1. Zorzi JL, Hage SRV. PROC – Protocolo de observação comportamental: avaliação de linguagem e aspectos cognitivos infantis. 1a ed. São José dos Campos (SP): Pulso Editorial; 2004.
2. Pinto MB, Jales RD, Andrade LDF, Santos NCCB. Brinquedo e brincadeira: infância e mudanças relacionadas na modernidade líquida. Rev. Enferm. UFPE on line. 2016; 10 (9): 3183-89.
3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Saúde de crianças e adolescentes na era digital. São Paulo: Sociedade Brasileira de Pediatria; 2016. Disponível em: http://www.sbp.com.br/src/ uploads/2016/11/19166d-MOrient-Saude-Crian-e-Adolesc.pdf
4. Sosa AV. Association of the type of toy used during play with the quantity and quality of parent-infant communication. JAMA Pediatrics. 2016; 170 (2): 132-7.
5. Verdine BN, Zimmermann L, Foster L, Marzouk MA, Golinkoff RM, Hirsh-Pasek K, Newcombe N. Effects of geometric toy design on parent–child interactions and spatial language. Early Child Res. Q. 2019; 46: 126-41.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
330
BRONCOASPIRAÇÃO: UNIDOS PARA PREVENÇÃO CAMPANHA AMIB EM ANTEÇÃO AO DIA NACIONAL DE ATENÇÃO À DISFAGIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)
04145011


A disfagia é o resultado de uma variedade de doenças de base incluindo o Acidente vascular Cerebral (AVC), Traumatismo cranioencefálico (TCE), Doenças neuromusculares, Câncer de cabeça e pescoço dentre outras e pode levar a várias complicações em pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (gravemente doentes) incluindo desidratação/desnutrição, necessidade de introdução de via alternativa de alimentação (nutrição enteral), aumento da incidência de pneumonia aspirativa, redução da proteção das vias aéreas, ventilação mecânica prolongada, aumento do uso de recursos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), impacto na sobrevida, tempo de internação prolongado em UTI e hospitalar. Para evitar resultados adversos na saúde, a detecção precoce da disfagia se faz necessária e de grande importância principalmente para minimização das sequelas, redução do risco de pneumonias aspirativas, diminuição do tempo de internação nas unidades, bem como no tempo de internação hospitalar, garantir boas práticas de segurança ao paciente permitindo assim melhores condições de desfecho clínico e qualidade de vida. O protocolo Multidisciplinar ainda não é uma realidade em todos os serviços públicos e privados. OBJETIVO: estimular a construção de protocolo de broncoaspiração nas unidades de assistência hospitalar além de sugerir medidas preventivas para evitar a broncoaspiração em pacientes críticos. MÉTODO: No dia 20/03/2019 foi iniciada a campanha do Departamento de Fonoaudiologia da Associação de Medicina intensiva Brasileira -AMIB a fim de contribuir com ações referente a importância do protocolo de Broncoaspiração nas unidades Hospitalares. O Departamento de Fonoaudiologia da AMIB elaborou uma página na Web dedicada a campanha contendo conteúdo referente as principais orientações para construção do protocolo, detecção precoce do risco associado aos fatores de risco e ações de prevenção, além de disponibilizar aos profissionais conteúdo informativo através de Download sobre “A importância do fonoaudiólogo no protocolo de prevenção de pneumonia aspirativa na Unidade de Terapia Intensiva”. A campanha foi aberta para qualquer serviço em saúde que atende a população com essa característica funcional. Os participantes cadastrados na campanha fizeram parte da elaboração de um Consenso Nacional, mediado pelo Departamento de Fonoaudiologia da AMIB. A Campanha contou com o Patrocínio da Neslté Health Science e da Fresenius Kabi Brasil e com o apoio e realização da AMIB. Resultados: 35 Instituições Públicas e privadas se inscreveram na campanha para terem acesso ao conteúdo bem como ser um canal de ligação entre a instituição e o departamento de fonoaudiologia da AMIB servindo como canal de apoio para o profissional que estava desenvolvendo as ações em suas instituições. Ocorreram entrevistas em mídias digitais e de acesso livre para todo o nosso País além de contar com a confecção de Peças e Slogan informativos veiculados nas mídias sociais da AMIB e de outras entidades científicas. Conclusão: A campanha proporcionou levar informações para a equipe multiprofissional referente ao risco com o intuito de gerar melhores ações para medidas preventivas e garantir melhor desfecho clínico e qualidade de vida aos pacientes além de oferecer aos fonoaudiólogos de todo o país que discutam fatores de risco e ações de prevenção para a Broncoaspiração com suas equipes.


O’Horo JC, Rogus-Pulia N, Garcia-Arguello L, Robbins J, Safdar N. Bedside diagnosis of dysphagia: a systematic review.
J Hosp Med. 2015; 10(4):256-65.

Perren A, Zürcher P, Schefold JC. Clinical Approaches to Assess Post-extubation Dysphagia (PED) in the Critically Ill.
Dysphagia 2019; https://doi.org/10.1007/s00455-019-09977-w.

Hinchey JA, Shephard T, Furie K, Smith D, Wang D, Tonn S; Stroke Practice Improvement Network Investigators. Formal
dysphagia screening protocols prevent pneumonia. Stroke 2005; 36(9): 1972-6.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1847
BRUXISMO EM CRIANÇAS USUÁRIAS DE IMPLANTE COCLEAR: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A perda auditiva de grau profundo pode causar impactos como o isolamento social, exclusão, podendo também prejudicar a saúde mental do indivíduo. Um dos tratamentos para a perda auditiva de grau profundo é o uso do implante coclear, que pode ser indicado para crianças a partir de 06 meses de idade1. Uma das principais dificuldades encontradas por essa população é a comunicação oral, o que normalmente resulta na ineficiência da expressão de sentimentos/vontades/opiniões, podendo acarretar em algum tipo de ansiedade ou estresse2. O bruxismo pode ser decorrente de fatores psicológicos, como estresse e ansiedade3. Na prática clínica, tem-se observado a queixa, por parte dos pais, de bruxismo em crianças usuárias de implante coclear. Objetivo: Verificar a ocorrência do bruxismo em crianças usuárias de implante coclear. Métodos: Realizou-se revisão de literatura com busca nas bases de dados Lilacs, Scielo, Pubmed e na ferramenta de buscas Google Acadêmico. Foram utilizados descritores em português e inglês selecionados no Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e no Medical Subject Headings (MeSH), que foram combinados da seguinte forma: bruxismo/bruxism AND crianças/children AND perda auditiva/hearing loss (combinação 1); bruxismo/bruxism AND crianças/children AND implante coclear/ cochlear implant (combinação 2). Adotou-se como critérios de inclusão: estudos que investigassem o bruxismo em crianças usuárias de implante coclear, sem delimitação temporal, nos idiomas português, espanhol ou inglês. Optou-se em excluir estudos de revisão de literatura. Resultados: Com a primeira combinação, obteve-se um total de 824 estudos, sendo 03 na Pubmed, 01 na BVSalud e 819 no Google Acadêmico. Com a segunda combinação, obteve-se um total de 24 estudos, todos no Google Acadêmico. Primeiramente, foram selecionados 11 estudos pelo título (2 do Pubmed, 1 da BVSalud e 8 do Google Acadêmico). Desses, 06 estudos traziam informações relacionando alterações auditivas ao bruxismo. No entanto, um deles foi excluído por ter sua casuística composta por adultos e outro por tratar-se de uma revisão de literatura. Dos 04 estudos restantes, um associou queixa dos pais quanto a otalgia nas crianças com bruxismo4, outro estudo associou perdas auditivas em frequências médias (1000Hz e 2000Hz) ao bruxismo5 e o terceiro relatou associação entre alterações de orelha média (ocorrência de curva timapanométrica Ad, B e C) e bruxismo6. No entanto, aplicando-se os critérios de inclusão, nenhum estudo foi selecionado para esta revisão. Conclusão: Não há relatos na literatura que investiguem a ocorrência do bruxismo em crianças usuárias de implante coclear. Entretanto, os indícios compilados no presente estudo, demonstram a convergência da temática bruxismo e audição, especificamente constatando-se otalgia, perda auditiva e alteração de orelha média em crianças com bruxismo. Com isso, fortalece a necessidade de se caracterizar a população pediátrica usuária de implante coclear, com o enfoque no bruxismo.

1. Brasil. Portaria MS/GM Nº 2.776, de 18 de dezembro de 2014. Aprova diretrizes gerais, amplia e incorpora procedimentos para a Atenção Especializada às Pessoas com Deficiência Auditiva no Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União; Poder Executivo, Brasília, DF, 19 dez. 2014.
2. Santos F, Silva JP. Ansiedade entre as pessoas surdas: um estudo teórico. Arquivos Brasileiros de Psicologia. 2019;71(1):143-57.
3. Canongia, M B. Hábitos vícios. Jornal Brasileiro Ortodontia e Ortopedia Maxilar. 1996;(2):35-40.
4. Alencar NA, Fernandes ABN, Souza MMG, Luiz RR, Fonseca-Gonçalves A, Maia LC. Lifestyle and oral facial disorders associated with sleep bruxism in children. Cranio. 2017; 35(3):168-74.
5. Baldursson G, Blackmer ER. Temporomandibular joint symptoms in patients with midfrequency sensorioneural hearing loss. Ear Hear. 1987;8(2):63-7.
6. Flores DM. Bruxismo e alteração de orelha média: estudo em escolares da região oeste de Santa Maria. Santa Maria, RS. Dissertação [Mestrado em Distúrbios da Comunicação Humana] - Universidade Federal de Santa Maria, 2006.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1548
CADEIA PRODUTIVA DA ROCHA ORNAMENTAL NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO E NOTIFICAÇÃO DE PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO OCUPACIONAL.
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A exploração de rochas ornamentais vem evoluindo com passar dos anos, mas ainda é considerada um ramo industrial bem rudimentar devido os seus processos. No estado do Espírito Santo esta atividade teve início nos anos 50. Atualmente, o estado figura entre os principais produtores mundiais, fornecendo tanto para o mercado interno como externo. Se por um lado, essa atividade proporciona a geração de empregos e movimenta a economia nacional, por outro lado, esta é uma atividade laboral nociva para saúde, tornando cada vez mais expressivo o número de acidentes de trabalho2. Dentre estes agravos relacionados ao trabalho, destaca-se a perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados (PAINPSE), agravo que ocasiona perda auditiva irreversível. Objetivo: o objetivo deste estudo foi descrever a cadeia produtiva de rochas ornamentais no estado do Espírito Santo, avaliando seu impacto na saúde auditiva do trabalhador dessa produção. Metodologia: Trata-se de uma revisão de literatura e análise de dados secundários. O estudo foi dividido em três grandes momentos: i) inicialmente, a questão norteadora conduziu uma revisão bibliográfica nas principais bases de dados da área de saúde; ii) posteriormente, foi realizada a identificação da notificação de perda auditiva induzida por ruído ocupacional de todas as atividade laborais utilizando dados secundários do sistema de agravos de dados de notificação (SINAN)5 através da sala de apoio à gestão estratégicas do Ministério da saúde (SAGESUS)6; iii) por fim, foi realizado a correlação dos dados secundários com as evidências científicas. Resultado: Inicialmente foram encontrados 6.200 artigos. Contudo, apenas 602 foram relevantes para leitura de títulos. Após a leitura de título, resumo e dos artigos na íntegra apenas 10 atenderam aos critérios de inclusão sendo três estudos exploratórios, três estudos transversais, um estudo descritivo, um estudo qualitativo, e duas revisões sistemáticas. A cadeia produtiva do mármore e granito é dividida em dois locais. Na lavra ocorre a extração do bloco maciço.O método utilizado depende das características geológicas da região e tipo de bloco extraído. Posteriormente este bloco é transportado para etapa do beneficiamento onde será serrado, polido e após processos indústriais, ganhará forma para o consumidor. Imputa sobre toda essa escala produtiva a exposição ao ruído e vibração, gerando riscos à saúde auditiva dos trabalhadores envolvidos4. Em relação aos números de casos de PAIR registrados em todas as atividades laborais do estado do Espírito Santo, observa-se um total de apenas 22 casos para o recorte temporal de 2009 a 2019. Conclusão: diante das evidências científicas e dos dados da pesquisa é notável a subnotificação de PAIR no estado do Espírito Santo sendo impossível estimar a número de trabalhadores do setor de rochas ornamentais acometidos pela PAIR. Evidencia-se uma grande barreira tanto para a Fonoaudiologia, como para os setores envolvidos na discussão de políticas voltadas a saúde do trabalhador, uma vez que a ausência de dados implica diretamente na exiguidade de espaços de discussões que se utilizem das ferramentas da epidemiologia.

1- Stellin AJ, Caranassios A. Extração de rochas ornamentais. Brasil Mineral. 1991 ;9 ( ju 1991): 30-4.
2- CAVALCANTI HA. ANÁLISE DA SEGURANÇA NO TRABALHO NO SETOR DE MÁRMORE E GRANITO DO ESPÍRITO SANTO: PROPOSIÇÃO DE AÇÕES PARA REDUÇÃO DO ÍNDICE DE ACIDENTES [Dissertação]. VITÓRIA: Escola Brasileira de Administração Pública.; 2001. 107 p.
3- HANGER MRHC; BARBOSA-BRANCO, A. Efeitos auditivos decorrentes da exposição ocupacional ao ruído em trabalhadores de marmorarias no Distrito Federal. Revista Assoc. Méd. Brasileira. 2004, 50(4):396-9.
4- MOYA MM. A INDÚSTRIA DE ROCHAS ORNAMENTAIS: ESTUDO DE CASO NA REGIÃO DE BRAGANÇA PAULISTA, SP [Dissertação]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas; 1994. 140 p. Mestre.
5- Brasil. Ministério da saúde [homepage na internet]. Sistemas de Informação de Agravos de Notificação [acesso em 30 abr 2020]. Disponível em: http://portalsinan.saude.gov.br/dados-epidemiologicos-sinan
6- Brasil. Ministério da Saúde [homepage na internet]. Sala de Apoio à Gestão Estratégica [acesso em 31 abr 2020]. Disponível em: https://sage.saude.gov.br/#


TRABALHOS CIENTÍFICOS
675
CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO PARA PREVENÇÃO DO RISCO DE BRONCOASPIRAÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


Introdução: A broncoaspiração ocorre pela infiltração de partículas alimentares, fluidos da orofaringe ou conteúdos gástricos em vias aéreas inferiores, podendo desencadear pneumonia infecciosa, pneumonite química e síndrome da angústia respiratória. Sendo ela um dos principais indicadores de disfagia e o mais preocupante, assim como a maior causa de morte por infecção associada a assistência à saúde, identificamos a necessidade de esclarecer e orientar os profissionais dos mais diversos níveis de assistência ao paciente, de forma direta ou indireta, sobre sua participação no controle e identificação de situações que possam levar ao risco de broncoaspiração. Objetivo: Descrever a realização de uma campanha de conscientização para prevenção do risco de broncoaspiração. Métodos:A campanha foi realizada em um hospital privado de grande porte como ferramenta para alavancar a adesão dos colaboradores ao Protocolo Preventivo de Broncoaspiração da Instituição. Foi organizada e estruturada pela equipe de Fonoaudiologia, Nutrição, Qualidade, Gerenciamento de Risco e Enfermagem direcionada à todos os envolvidos no cuidado com o paciente (profissionais operacionais, assistenciais, familiares e cuidadores). Com o slogan “Broncoaspiração: condutas simples salvam vidas” foram confeccionados materiais educativos como adesivos para carrinhos da nutrição, porta-talheres e papel na bandeja dos pacientes, banners, displays flutuantes distribuídos pelo hospital, camisetas para as organizadoras, exercícios interativos e vídeo para sensibilização da equipe. As ações se deram através de: Oficina para apresentação do protocolo preventivo de broncoaspiração e discussão multidisciplinar sobre o tema da campanha, bem como atividades in loco nos setores assistenciais (adultos e pediátrica) e no serviço de nutrição (copeiras) e orientações aos acompanhantes e pacientes com entrega de folders e dinâmica com arte educador. Resultados:O primeiro grande resultado foi a colaboração de profissionais de diversas áreas unidos em prol de um grande objetivo, trazendo o entendimento sobre a importância da multidisciplinaridade para a segurança do paciente. A partir daí, foi possível mostrar o valor de cada indivíduo em contato com os pacientes e sua responsabilidade durante o internamento, sejam profissionais de saúde, copeiras ou acompanhantes; houve melhor disseminação da existência e funcionamento do Protocolo, possibilitou discussões sobre ações necessárias para prevenção do risco, melhoria de rotinas e ampliação do protocolo para áreas que não haviam sido contempladas anteriormente (emergências, hemodiálise, berçário e imagem). Conclusão: Possuir um protocolo bem definido ou formulário a ser preenchido para acompanhar sua conformidade é apenas cumprimento de burocracia, não impacta na assistência ao paciente. Realizar a campanha, envolvendo a todos, trazendo histórias reais e entendendo a responsabilidade frente à evolução do paciente, proporcionou uma mudança de paradigma importantíssimo. Prevenir a broncoaspiração se tornou responsabilidade de todos, cada um em sua função e contribuindo no trabalho do colega. O legado veio através da comunicação efetiva da equipe interdisciplinar, abertura do protocolo em tempo hábil, realização de condutas preventivas e valorização crescente da presença da fonoaudiologia, tanto na Unidade de Terapia Intensiva, como em ações para todo complexo hospitalar.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
940
CAMPANHA DE ORIENTAÇÃO E CAPACITAÇÃO A EQUIPE DE ENFERMAGEM QUANTO A OFERTA SEGURA POR VIA ORAL AO PACIENTE CRÍTICO.
Relato de experiência
Disfagia (DIS)



INTRODUÇÃO: A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é composta por equipe multiprofissional com o objetivo de oferecer tratamento especializado e intensivo para o paciente crítico. Nesse ambiente, cabe ao fonoaudiólogo a reabilitação dos distúrbios de deglutição responsáveis pelo aumento do risco de broncoaspiração e consequente aumento no número de casos de pneumonias, dificultando a nutrição adequada por via oral e colaborando para maior mortalidade nessa população. Nesse contexto, capacitar a equipe que oferta dieta por via oral torna-se de extrema relevância e cabe ao fonoaudiólogo essa tarefa. Pensando nisso, foi desenvolvida uma campanha de orientação e capacitação aos técnicos de enfermagem da UTI, à respeito dos sinais de risco de broncoaspiração, cuidados de higiene oral e oferta segura de alimentos e medicamentos. OBJETIVO: Relatar a experiência de uma campanha de orientação e capacitação a equipe de enfermagem quanto a oferta segura por via oral ao paciente crítico. MÉTODOS: A campanha foi realizada em um complexo hospitalar de autarquia mista – privado/beneficente, constituída de pré e pós teste, com as mesmas questões, abordando perguntas quanto ao posicionamento do paciente no leito, consistência do alimento e forma de oferta para avaliar a eficácia da capacitação. Após o pré-teste foi ministrada palestra expositiva sobre disfagia, sinais de risco de broncoaspiração, cuidados na oferta de dieta e de medicamento, mapa de ingesta oral utilizado na instituição, administração de espessante alimentar e higienização da cavidade oral. A palestra foi seguida de simulação, trazendo para os participantes uma vivência prática dos cuidados mencionados, a dinâmica foi realizada em dupla (onde os procedimentos foram realizados um ao outro). Finalizamos com o pós teste e entrega do panfleto intitulado “Como posso contribuir para minimizar o risco de broncoaspiração, ofertando dieta e medicamento por via oral com excelência?” RESULTADOS: Quando comparados os dois testes (pré e pós), foi observada melhora significativa nas respostas. A vivência, segundo os participantes, foi enriquecedora para ampliar a percepção da importância dos cuidados durante oferta de dieta, principalmente em relação ao estado de alerta e posicionamento do paciente, velocidade de ingesta, volume e consistência da dieta, bem como os sinais para interromper a oferta. Além disso, foi observada maior vigilância e comunicação da equipe em relação a alimentação do paciente. CONCLUSÃO: A importância da continuidade do cuidado ao paciente faz-se necessário na elaboração de estratégias eficazes para capacitação do profissional que mais está em contato com o paciente crítico. “A segurança do paciente é dever de todos. Vamos identificar os riscos e prevenir a broncoaspiração.”*


TRABALHOS CIENTÍFICOS
295
CAMPANHA DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO NO CENÁRIO DE PANDEMIA DA COVID-19.
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: O dia 27 de julho é o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço, entretanto durante todo o mês, organizações de ensino e saúde realizam práticas de conscientização para a sociedade sobre cuidados, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação desta doença. Entre elas, está a Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) que promove a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço - Julho Verde. Durante dois anos consecutivos, a liga acadêmica de fononcologia contribuiu com o Julho Verde através de atividades para a população. Contudo, diante do cenário atual de pandemia da COVID-19 e a necessidade do afastamento social, não foi possível a ação presencial com a comunidade. Sendo assim, no mês de julho, a liga acadêmica irá promover ações nas mídias sociais para alcançar tanto o meio acadêmico-científico quanto a população em geral. OBJETIVO: Apresentar o projeto do III Julho Verde - Campanha de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço. MÉTODO: A campanha do III Julho Verde foi organizada pela liga acadêmica de fononcologia durante o mês de junho através de reuniões online. Para alcançarmos o público acadêmico-científico, elaboramos o evento online Julho Verde Interprofissional. Entramos em contato com os palestrantes e a partir das confirmações, elaboramos imagens para divulgação do evento nas redes sociais. A inscrição será feita pela plataforma Sympla e será liberada na semana anterior de cada palestra. O evento acontecerá pela plataforma Google Meet® e será realizado um treinamento anterior com os palestrantes para a organização da apresentação. Além disso, haverá a elaboração de um vídeo e postagens com orientações que terão o objetivo de alcançar uma parte da população em geral. Ademais, serão articuladas matérias para serem publicadas no jornal e canal de TV local com instruções sobre prevenção, sinais e sintomas do Câncer de Cabeça e Pescoço. RESULTADOS PRELIMINARES: O evento contará com a participação de onze palestrantes que abrangem as áreas da fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutrição, odontologia e um relato de experiência de um paciente laringectomizado total. Além disso, a primeira palestra do evento, que aconteceu no dia 02 de julho, contou com 145 participantes. Após a divulgação da programação do evento Julho Verde Interprofissional houve um aumento de 300 seguidores nas redes sociais da liga acadêmica de fononcologia, até o momento. CONCLUSÃO: Almeja-se que os ligantes, a partir das práticas que serão realizadas, desenvolvam habilidades como autonomia, trabalho em equipe, resolução de conflitos, senso de responsabilidade social e integração com a comunidade. Através dessas ações promovidas, espera-se que, apesar do distanciamento social, consigamos informar e auxiliar a população sobre a prevenção do câncer de cabeça e pescoço. No meio acadêmico-científico, pretende-se informar e atualizar os estudantes e profissionais que irão participar do Julho Verde Interprofissional. Além disso, espera-se que a importância das relações interprofissionais sejam fortalecidas durante o tratamento desse paciente oncológico, possibilitando através das palestras que profissionais da saúde de diferentes áreas contribuam com suas experiências.
Palavras-chave: Câncer de Cabeça e Pescoço, Promoção da Saúde, Educação Interprofissional.

Não se aplica.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
952
CAMPANHA EM COMEMORAÇÃO AO DIA INTERNACIONAL DO IDOSO: CUIDANDO COM AMOR DE QUEM SEMPRE CUIDOU.
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: É considerado idoso, pela Organização Mundial e Saúde (OMS), todo indivíduo com 60 anos ou mais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa é composta por, aproximadamente, 30 milhões de habitantes, totalizando 14,3% da população do país. Além dos sinais mais visíveis do envelhecimento, os idosos tendem à diminuição dos reflexos, da capacidade visual e auditiva, alteração na deglutição, voz e fala; além de perda de habilidades e funções neurológicas, como raciocínio e memória. Ademais, podem desenvolver doenças, que necessitam de demandas específicas e cuidado intensivo com a saúde. Portanto, os fonoaudiólogos devem estar preparados para receber essa população, com um olhar diferenciado para identificar as comorbidades e trabalhar na minimização ou eliminação das mesmas, colaborando assim, para a melhora na qualidade de vida do indivíduo. OBJETIVO: Relatar a vivência de uma campanha em comemoração ao dia internacional do idoso. MÉTODOS: A campanha se deu no ambulatório de beneficência de um complexo hospitalar de autarquia privada/beneficente, oferecida para a população idosa atendida neste local. Foi realizada uma palestra dinâmica que abordava aspectos fonoaudiológicos característicos à senescência, como presbifagia, presbifonia e presbiacusia, bem como esclarecimentos e orientações a respeito dessas modificações. Logo após, foi aberto espaço para diálogos e troca de conhecimentos, diante de aspectos relacionados à senilidade, sendo realizados encaminhamentos aos serviços de geriatria, otorrinolaringologia, odontologia, entre outros, quando necessário. Também fizeram parte do evento, distribuição de panfletos informativos com linguagem clara e simples, contendo ilustrações autoexplicativas, coffee break e a participação do coral da instituição proporcionando um ambiente mais descontraído e maior adesão da população. RESULTADOS: Através da ação educativa, verificou-se a existência de dúvidas inerentes ao processo de envelhecimento, principalmente, em relação às modificações senescentes da deglutição. Fato que pode repercutir na qualidade de vida do idoso, pois compromete sua autonomia e independência. O grupo envolvido na campanha entendeu a importância do cuidado pessoal, tendo suas dúvidas esclarecidas e se sentindo acolhido com toda atenção recebida. Um dia comum, foi transformado numa manhã agradável, de muita informação e interação. Observado também, a importância de manter o indivíduo, já considerado idoso, em atividades que o façam sentir-se útil e produtivo, inclusive, aos olhos do grupo social no qual está inserido, auxiliando na aceitação das transformações e suas limitações, assim como na autoestima. CONCLUSÃO: A campanha promoveu o interesse da população idosa em construir novos aprendizados e pôde ser observado, que o uso de metodologias ativas com esse grupo oportunizou troca de experiências e fomento ao autocuidado e ao exercício da autonomia. Momentos como esse, são importantes para construir uma atenção diferenciada aos idosos, e introduzir o profissional de saúde que se encontra num nível de atenção especializada, num cenário educativo focado na promoção e prevenção da saúde.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1497
CAMPANHA SEMANA DA DISLEXIA - DISLEXIA: DA IDENTIFICAÇÃO PRECOCE AOS IMPACTOS NA VIDA ESCOLAR E SOCIAL
Relato de experiência
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A aprendizagem da leitura e escrita para algumas crianças pode ser custosa e esbarrar em muitos entraves, como o desconhecimento do manejo dos transtornos de aprendizagem por profissionais da educação. A American Psychiatric Association – Apa caracteriza o transtorno específico de leitura como dificuldade na fluência de leitura, dificuldade na habilidade de decodificação e soletração e compreensão leitora. A Dislexia tem se tornando mais conhecida no meio acadêmico, mas a limitação de conhecimento e práticas pouco assertivas ainda impedem um bom desenvolvimento do aluno disléxico na rotina acadêmica. Por vezes as famílias são negligenciadas de informações acerca de direitos dos filhos e das possibilidades de uma melhor qualidade de vida.
Objetivo: Fornecer informações ao público alvo sobre a identificação precoce da Dislexia e sobre a importância de programas de respostas à intervenção, adequações metodológicas em sala de aula, manejo das crianças disléxicas e legislação a nível estadual e nacional. Além disso, explanar sobre os impactos emocionais e como mediar conflitos. Possibilitar maiores informações para melhora da qualidade de vida destes alunos.
Método: Durante a semana, pequenos textos foram compartilhados em grupos de WhatsApp da rede municipal de ensino, além de textos informativos nas redes sociais oficiais da Prefeitura Municipal. Uma reportagem foi vinculada no jornal impresso local falando sobre as características da dislexia, possibilidades de intervenção e as adequações necessárias em sala de aula. O evento de maior notoriedade, com 120 pessoas inscritas, foi realizado em formato de mesa redonda para professores da rede pública, pais e demais interessados no tema, com a participação de um fonoaudiólogo educacional, uma psicóloga escolar e uma psicopedagoga, integrantes da Secretária Municipal de Educação. No encontro os profissionais abordaram a importância da identificação precoce para intervenções mais assertivas, além da necessidade de adaptações em sala de aula para que todos os alunos tenham as mesmas oportunidades de ensino. A psicóloga abordou os impactos emocionais que são evidenciados pelas crianças que não aprendem no mesmo ritmo das demais e como isto pode ser limitante durante a vida acadêmica. Ao final, o público presente pode fazer perguntas aos profissionais presentes.
Resultados: Os resultados da campanha foram maior conhecimento sobre o tema e o alerta da necessidade de intervenção precoce mesmo sem o diagnóstico fechado do transtorno. As questões legais também foram levantadas pelos familiares, as quais eram desconhecidas por muitos. Nas semanas e meses seguintes à ação, professores referiram a importância da campanha, agregando conhecimento a sua prática de trabalho.
Conclusão: Pode-se concluir que o tema abordado ainda é desconhecido por muitos educadores. Alguns têm conhecimento básico sobre o tema, mas apresentam limitação para o trabalho em sala de aula. É importante que campanhas sejam realizadas não apenas com cunho informativo, mas também de capacitação para profissionais da saúde e educação.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1202
CAMPANHA “JULHO VERDE” PARA PREVENÇÃO DO CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO NO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Mundialmente são realizadas ações educativas para a prevenção do câncer de cabeça e pescoço (boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe, esôfago cervical, tireoide e seios paranasais). Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço são tabagismo, consumo de álcool e infecções por HPV. Os tumores de cabeça e pescoço podem ser assintomáticos no princípio da doença e o diagnóstico das lesões iniciais é fundamental para garantir prognóstico favorável. O rastreamento dos sinais e sintomas é importante para o diagnóstico precoce. A presença de manchas brancas na boca, dor local, lesões com sangramento ou cicatrização demorada, nódulos no pescoço, mudança na voz/rouquidão e dificuldade para engolir devem ser identificados pelo indivíduo e pelos profissionais da saúde. Em 2019 a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) e a Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG Brasil) propuseram a Campanha Nacional “Julho Verde” e o dia 27 de julho como Dia Nacional de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, visando promover à saúde sobre prevenção do câncer de cabeça e seus riscos para comunidade. Objetivo: Relatar a experiência e os resultados da Campanha “Julho Verde” de 2019 em uma cidade do interior do Estado de São Paulo. Método: Alunos de Pós-Graduação, graduação e docentes de um Curso de Fonoaudiologia em uma instituição Pública, apoiados por seus Laboratórios de Pesquisa nas áreas de Voz e Disfagia orofaríngea, elaboraram e executaram a campanha local após contato com a SBCCP. Resultados: Foram realizadas ações de prevenção ao Câncer de Cabeça e Pescoço para a comunidade local em diferentes espaços, com realização de atividades de conscientização dos fatores de riscos por meio de panfletagem com orientações e palestras. Num Centro Especializado em Reabilitação II foram abordados mais de 50 pacientes adultos atendidos no local em diferentes áreas da reabilitação, seus respectivos acompanhantes e 26 servidores técnico-administrativos que receberam orientações e tiveram dúvidas sanadas. Além disso, foram realizadas atividades na Unidade de Saúde da Família (USF) desta mesma cidade, desenvolvidas pela integração entre duas disciplinas teóricas do Curso de Graduação em Fonoaudiologia desta instituição, uma voltada para área de Voz e outra para área de Fonoaudiologia Comunitária, atingindo um grande número de pessoas. Entre as ações, foi possível orientar e entregar material informativo para cerca de 1000 pessoas e 30 cartazes foram expostos. Essas ações, além de beneficiarem a população, proporcionaram aos alunos da instituição, experiência no desenvolvimento de ações na atenção básica e contribuíram para a formação profissional dos mesmos, em consonância com os pilares das instituições públicas de ensino superior: Ensino, Pesquisa e Extensão. Conclusão: Essa campanha de prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço promoveu conscientização da população local sobre os fatores de risco e potencializou a aprendizagem sobre o tema aos alunos em formação.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1901
CARACTERÍSTICAS ACÚSTICAS DO BANCO DE VOZES EM DIFERENTES ESTADOS EMOCIONAIS “GERMAN EMOTIONAL SPEECH”
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A voz é um importante indicador do estado emocional: reflete personalidade e emoções do indivíduo1,2,3, sendo possível, assim, adaptar o discurso às diferentes situações vivenciadas4,5. OBJETIVO: Analisar parâmetros acústicos tradicionais de um banco de vozes com variações emocionais. MÉTODO: Estudo descritivo quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição de origem, sob número 3304419. Analisou-se 14 sinais: vozes masculinas e femininas representando as seis emoções básicas (alegria, tristeza, medo, raiva, tédio e nojo) e emissão neutra, consistindo da mesma frase em alemão "Em sete horas estará na hora.", provenientes do banco de vozes “German Emotional Speech”6. Utilizou-se o software PRAAT, versão 6.1.14, para extração dos parâmetros acústicos: cesptral peak prominence smoothed (CPPS) em dB; média, desvio, mínimo e máximo da frequência fundamental (F0) em Hz; jitter (%); shimmer (dB); proporção harmônico-ruído (PHR) em dB; intensidade (dB); média e máximo de extracion glotal noise (GNE) em Hz. RESULTADOS: O maior valor de CPPS é na raiva, com emissão masculina; enquanto o menor é na tristeza, com emissão feminina. A maior média da F0 foi encontrada na alegria, com a emissão feminina; já a menor média da F0 foi na tristeza, com emissão masculina. O maior valor de desvio da F0 foi encontrado na alegria, com emissão feminina; já o menor foi na tristeza, na emissão masculina. A maior média da F0 mínima foi encontrado na alegria, com emissão feminina; já o menor foi em tédio, com emissão masculina. O maior valor da frequência fundamental máxima foi na alegria, com emissão feminina; já o menor foi em tristeza, com emissão masculina. A maior média de jitter é na emissão neutra masculina, enquanto o menor é na alegria, com emissão feminina. A maior média de shimmer é na emissão neutra masculina, já a menor é em nojo, na emissão feminina. O maior valor encontrado para HNR é em nojo, com emissão feminina, já o menor é em medo, com emissão masculina. A maior média da intensidade é na emissão neutra feminina; e a menor é na alegria, com emissão também feminina. O valor máximo do GNE é na raiva, com emissão feminina, a menor média é no medo, com emissão masculina. Assim, percebeu-se que para todas as medidas relacionadas à F0 (média, desvio padrão, mínima e máxima), a alegria sempre obteve o maior valor e em mulher, já os menores valores foram atribuídos à tristeza em voz masculina, exceto na F0 mínima que foi o tédio. A prevalência de maior valor é nas vozes femininas na maioria das medidas, apenas no CPPS, jitter e shimmer obteve o maior valor nas vozes masculinas. A intensidade é a única em que seu maior e menor valor são nas vozes femininas. CONCLUSÃO: As características acústicas apresentam variações importantes que ocorrem na expressão das emoções, que podem contribuir para o reconhecimento de padrões, aplicação do conhecimento para melhor competência comunicativa e inovação tecnológica em diversos tipos de mercado.

PALAVRAS-CHAVE: Fonoaudiologia, Comunicação, Acústica, Voz, Emoções.

1. Costa CB, Lopes LW, Silva EG, Cunha GMS, Almeida LNA, Almeida AAF. Fatores de risco e emocionais na voz de professores com e sem queixas vocais. Rev. CEFAC [Internet]. 2013 Aug;15(4):1001-1010.
2. Almeida AAF, Behlau M, Leite JR. Correlação entre ansiedade e performance comunicativa. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, v. 16, n.4, p.384-386, 2011.
3. Seifert E, Kollbrunner J. Stress and distress in non-organic voice disorder. Swiss Med Wkly. 2005 Jul 9;135(27-28):387-97.
4. Sundberg J. A ciência da voz. Editora da Universidade de São Paulo, 2015.
5. Behlau M. Voz: O livro do especialista. Vol. I. Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2008.
6. Burkhardt F, Paeschke A, Rolfes M, Sendlmeier W, Weiss B. A Database of German Emotional Speech, in Proc. INTERSPEECH. 2005. pp. 1517–1520.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
716
CARACTERÍSTICAS ACÚSTICAS E PROSÓDICAS DO FALAR SERGIPANO: MEDIDAS DE FREQUÊNCIA FUNDAMENTAL E INTENSIDADE
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Falantes de diferentes regiões brasileiras possuem um modo de falar próprio, com determinadas características que possibilitam a sua identificação. O avanço tecnológico da análise acústica da fala proporciona a realização de investigações mais refinadas dos parâmetros acústicos. A segmentação de formas significativas na língua envolve a percepção de sons e, portanto, também envolve a análise de seus aspectos físicos como frequência e intensidade. A frequência fundamental (F0) é caracterizada pelo número de ciclos que as pregas vocais realizam em um segundo; no tocante a intensidade, esta é uma característica relacionada à amplitude da onda sonora; é a sua pressão efetiva e sua energia transportada. As duas medidas – frequência fundamental e intensidade – são fundamentais na prosódia da fala. OBJETIVO: Descrever as variações de frequência fundamental e intensidade na fala de sergipanos. MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional, descritivo e analítico, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o no. CAAE 16400119.6.0000.5546/Parecer 3.588.189. Contou com 55 participantes (34 mulheres e 21 homens), adultos, voluntários, falantes nativos de Sergipe e com idades variando entre 18 e 53 anos (IM: 21,56 anos; DP: 5,37). Todos foram convidados a emitir três frases-veículo que foram gravadas e analisadas por meio do Praat. A extração das medidas de intensidade (em dB) e frequência fundamental (em Hz) foi realizada automaticamente pelo software. Foi usada estatística, tanto descritiva quanto analítica, no tratamento dos dados. RESULTADOS: No que concerne às medidas de frequência referente à cada uma das três frases-veículo, contemplando as vogais /a/, /i/ e /u/, foram obtidos os seguintes resultados, respectivamente: 125 Hz, 125 Hz e 122 Hz para o sexo masculino, enquanto para o sexo feminino: 215 Hz, 215 Hz e 211Hz. Para as medidas de intensidade os resultados foram 80,2 dB, 80,1 dB e 80,3 dB para o sexo masculino e 76,1 dB, 76,2 dB e 76,2 dB para o feminino. Quando comparados os valores de frequência e intensidade entre homens e mulheres, em cada frase-veículo examinada, observam-se diferenças significativas para todas as medidas. No grupo investigado, não foram encontradas correlações significativas entre as medidas acústicas e a idade dos participantes. CONCLUSÃO: Os resultados obtidos permitem depreender-se que as medidas de intensidade podem contribuir na diferenciação entre os sexos, além da frequência fundamental. As duas medidas – frequência fundamental e intensidade - são elementos fundamentais na prosódia. Logo, conclui-se que, no falar sergipano, a prosódia da fala é um aspecto que distingue homens e mulheres.

Freitag RMK. Sociolinguística no/do Brasil. Cad. Estud. Linguíst. 2016; 58(3): 445-60.
Barbosa PA, Madureira S. Manual de fonética acústica experimental: aplicações a dados do português. São Paulo: Cortez. 2015.
Kent RD, Read C. Análise acústica da fala. São Paulo: Cortez. 2015.
Boersma P, Weenink D. Praat: doing phonetics by computer (versão 6.0.21). Software. Disponível em: http://www.praat.org.
Miranda IN, Meireles A. Descrição acústica das vogais tônicas da fala capixaba. Letras de hoje. 2012; 47(3): 325-32.
Silva Costa MS, Rilliard A, Cruz, RCF. Caracterização prosódica do português falado na Amazônia: variedade linguística de Mocajuba (PA). Nova Revista Amazônica. 2018; 6(2), 43-58.
Santos Cardoso BC, Cruz RCF, Santos Brito CR. Análise prosódica do português falado em Belém (PA) com dados AMPER. Nova Revista Amazônica. 2017; 5(1), 39-54.
Constantini AC. Caracterização prosódica de sujeitos de diferentes variedades do português brasileiro em diferentes relações sinal-ruído. [tese]. Campinas: Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
502
CARACTERÍSTICAS DA APRAXIA DE FALA NA SÍNDROME DE DOWN: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A Apraxia de Fala na Infância (AFI) é um distúrbio da fala de origem neurológica que compromete o planejamento e/ou a programação motora, apresentando três características segmentais e suprassegmentais com validade diagnóstica reconhecida: erros inconsistentes na pronúncia de consoantes e vogais e nas produções repetidas de sílabas ou palavras; transições co-articulatórias prolongadas e interrompidas entre sons e sílabas; e prosódia inadequada1. A síndrome de Down (SD) é uma cromossomopatia que se caracteriza como uma desordem neurodesenvolvimental complexa e acarreta em diversos prejuízos linguístico-comunicativos, repercutindo na produção de fala. OBJETIVO: Investigar na literatura as associações existentes entre síndrome de Down e apraxia de fala. MÉTODO: A revisão integrativa foi conduzida a partir da pergunta: “Qual a prevalência e as principais características da AFI identificadas na SD?”. Foram consultadas as bases EMBASE, PUBMED, LILACS e COCHRANE, utilizando-se a estratégia de busca: “Down syndrome” AND “Apraxia” AND “Speech”. Os critérios de elegibilidade foram responder à pergunta de pesquisa e disponibilizar o texto completo, sem restrição de período de tempo e idioma. Dez artigos foram encontrados, dos quais sete foram incluídos. RESULTADOS: Dois estudos consideraram a percepção dos pais de crianças com SD a partir de um questionário de avaliação, sendo encontrado um resultado de aproximadamente 15% em um estudo2 e apenas 5,6% no outro estudo de pais que relataram a presença de apraxia3. Utilizando métodos e medidas perceptivas e acústicas, um estudo apontou que 97,8% dos adolescentes com SD atenderam aos critérios para distúrbios motores da fala, incluindo disartria infantil e apraxia de fala na infância em associação (22,2%), e apraxia de fala na infância isoladamente (11,1%)4. Quando comparadas a crianças com idade mental pareada, com retardo mental sem SD e crianças típicas mais jovens, as crianças com SD apresentaram maior porcentagem de ocorrência de padrões fonotáticos mais simples do que as formas complexas, com erros quando os alvos eram complexos5. Crianças com SD comparadas com crianças típicas mais jovens apresentaram: menor porcentagem de palavras diferentes e quantidade de palavras inteligíveis produzidas; menores pontuações na precisão e na suavidade de movimentos isolados de fala assim como na produção de movimentos em sequência; maior lentidão, menor precisão e consistência nas tarefas de diadococinesia6. Adolescentes com SD apresentaram distúrbios da fala caracterizados por erros atípicos juntamente com erros do desenvolvimento, além de um alto nível de inconsistência na produção de palavras e dificuldades nas habilidades de planejamento oromotor7. Ainda, a baixa inteligibilidade foi significativamente associada a reduções gerais na precisão fonêmica e fonética, assim como inadequações de prosódia e voz em indivíduos com SD. E mais participantes com disartria ou apraxia apresentaram inteligibilidade reduzida significativa8. CONCLUSÃO: Identificou-se um número reduzido de estudos que abordam a AFI na SD, sendo necessárias mais investigações na área considerando a expressiva prevalência da patologia e a relevância do diagnóstico diferencial para uma adequada conduta terapêutica e progresso clínico. Os resultados apontam que as alterações encontradas na SD também envolvem déficits na implementação dos programas motores de fala, sendo relevante a observação das características clínicas da AFI nesses indivíduos.

1. American Speech-Language-Hearing Association. Childhood Apraxia of Speech. 2007.
2. Kumin L. Speech intelligibility and childhood verbal apraxia in children with Down syndrome. Downs Syndr Res Pract. 2006;10(1):10-22.
3. Togram B. How Do Families of Children with Down Syndrome Perceive Speech Intelligibility in Turkey? BioMed Research International. 2015;2015:707134.
4. Wilson EM, Abbeduto L, Camarata SM, Shriberg LD. Estimates of the prevalence of speech and motor speech disorders in adolescents with Down syndrome, Clinical Linguistics & Phonetics, 2019;33(8):772-789.
5. Rupela V, Manjula R. Phonotactic patterns in the speech of children with Down syndrome. Clinical Linguistics & Phonetics, August 2007; 21(8): 605–622.
6. Rupela V, Velleman SL, Andrianopoulos MV. Motor speech skills in children with Down syndrome: A descriptive study. International Journal of Speech-Language Pathology, Int J Speech Lang Pathol. 2016 Oct;18(5):483-92.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1515
CARACTERÍSTICAS DO MODO DE INCISÃO, CICLOS MASTIGATÓRIOS E ASSIMETRIA FACIAL EM CRIANÇAS COM MORDIDA ABERTA ANTERIOR: SÉRIE DE CASOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: É descrito na literatura que na mordida aberta anterior a preensão dos alimentos durante a mastigação pode ocorrer nos dentes posteriores como forma adaptativa do sistema estomatognático. Ademais, a dificuldade de máxima intercuspidação relacionado ao movimento mandibular utilizado pode direcionar adaptações como a mastigação unilateral, a fim de facilitar a mastigação1,2. A mastigação unilateral estimula inadequadamente o crescimento e equilíbrio das estruturais orofaciais, promovendo uma excitação neural, que pode ter como resposta um maior desenvolvimento da maxila do lado do trabalho e maior desenvolvimento da mandíbula do lado do balanceio3. Objetivo: Caracterizar o modo de incisão do alimento, os ciclos mastigatórios do lado direito e esquerdo e a assimetria facial em crianças entre três e cinco anos com mordida aberta anterior. Método: Este estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa, nº 2.421.119. Trata-se de uma série de casos em que participaram oito crianças com mordida aberta anterior, de ambos os sexos, na dentição decídua completa. As crianças foram avaliadas por um odontopediatra para avaliação da oclusão dentária. Uma fonoaudióloga realizou a medição da mordida aberta anterior com paquímetro digital. A mastigação foi avaliada com bolacha do tipo Bono da Nestlé®. A avaliação foi registrada por meio da filmagem com uma câmera digital para análise posterior dos aspectos: modo de incisão (central, direita ou esquerda) e número de ciclos mastigatórios (lado direito e lado esquerdo). A avaliação da assimetria facial foi realizada por meio da inspeção visual, com base no item Aparência da Face do protocolo AMIOFE4. Os dados foram analisados descritivamente através de distribuições percentuais. Resultados: As crianças apresentaram idade média de 4,1+0,6 anos, cinco (62,5%) eram do sexo masculino. Na avaliação da amplitude da mordida aberta anterior foi observada média de 4,1+1,3 milímetros. Em relação à avaliação clínica da mastigação foi verificada média de 10,6+5,8 ciclos mastigatórios realizados do lado direito e média de 13,4+4,8 ciclos do lado esquerdo. A mastigação foi considerada simétrica em 6 (75%) crianças. A incisão do alimento foi realizada no lado direito por cinco (62,5%) crianças. A assimetria facial foi observada em uma (12,5%) criança, a única que apresentou com mastigação assimétrica crônica do lado esquerdo. Conclusão: A maioria das crianças realizaram a incisão do alimento no lado direito, apresentaram simetria durante a mastigação e simetria de face.

1. Cattoni DM. Alterações da mastigação e deglutição. In: Ferreira LP, Befi-Lopes DM, Limongi SCO, organizador. Tratado de fonoaudiologia. São Paulo: Roca; 2004. p.277-91.
2. Pereira JBA, Bianchini EMG. Caracterização das funções estomatognáticas e disfunções temporomandibulares pré e pós cirurgia ortognática e reabilitação fonoaudiológica da deformidade dentofacial classe II esquelética. Rev CEFAC 2011; 3(6):1086-94.
3. Planas P. Reabilitação neuro-oclusal. Rio de Janeiro: Médici; 1997.
4. Felício CM, Ferreira CLP. Protocol of orofacial myofunctional evaluation with scores. Inter J Ped Otorhinolaryngol 2008; 72:367-75.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
790
CARACTERÍSTICAS ELETROMIOGRÁFICAS DA DEGLUTIÇÃO EM PACIENTES COM CÂNCER NA CAVIDADE ORAL APÓS CIRURGIA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: O câncer oral é classificado de acordo com sua origem, aspecto e comportamento biológico. O Carcinoma Espinocelular (CEC) acomete cerca de 90 a 95% dos cânceres orais (1). A intervenção cirúrgica, para o tratamento do tumor pode acarretar alteração da mastigação, bem como a deglutição, devido a mutilação na cavidade oral, levando ao paciente a um quadro de disfagia (2). Como avaliação instrumental da deglutição a eletromiografia (EMG), além de ser um procedimento alternativo interessante para captar informações sobre a atividade de músculos alvos, é um exame utilizado para fornecer informações precisas sobre o mecanismo fisiológico da deglutição patológica e normal, é um método de registro dos potenciais elétricos gerados nas fibras musculares em ação (3,4). Objetivo: este estudo avaliou as características eletromiográficas da deglutição em indivíduos com câncer na cavidade oral após tratamento do câncer mediante a intervenção cirúrgica. Método: Trata-se de um estudo com oito indivíduos que apresentaram como doença de base câncer de cavidade oral, com média de idade de 51,5 anos, sendo duas mulheres e seis homens, que realizaram glossectomia com quimio/radioterapia adjacente para tratamento do tumor. Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos – CEPSH com a aprovação de número 3.037.265. Os pacientes foram submetidos a Functional Oral Intake Scale (FOIS) e a eletromiografia de superfície da musculatura suprahioidea direita (SD) e esquerda (SE) durante a deglutição das consistências líquidas e pudim. Resultado: Foi observado que a média da atividade elétrica da musculatura suprahioidea durante a deglutição de líquido e pudim foi elevada, sendo SD: 64,72 µV e SE: 60,86 µV e, SD: 68,07 µV e SE: 77,25 µV respectivamente. Conclusão: A partir deste trabalho, determinou-se médias da atividade elétrica da musculatura suprahioidea durante a deglutição de líquido e pudim em indivíduos com câncer oral submetidos à cirurgia para remoção do tumor. A atividade eletromiográfica da musculatura suprahioidea durante a deglutição foi elevada, quando comparada com os estudos da literatura de indivíduos saudáveis e indivíduos com CCP associado a doenças neurológicas, porém mostrou-se semelhante a um estudo de caso de uma paciente com CCP pós-terapia fonoaudiológica.

1. INCA: Instituto Nacional do Câncer. Ministério da Saúde. Câncer de boca - Versão para Profissionais de Saúde. 2018. Disponível em: . Acesso em: 30 ago. 2019
2. Galbiatti, ALS, Padovani JA Jr, Maníglia JV, Rodrigues CDS, Pavarino EC, Bertollo EMG. Head and Neck Cancer: Causes, Prevention and Treatment. Brazilian Journal Of Otorhinolaryngology. 2013; 79(2):239-247. http://dx.doi.org/10.5935/1808-8694.20130041.
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4. Crary, MA, Carnaby GD, Groher, ME. Biomechanical Correlates of Surface Electromyography Signals Obtained During Swallowing by Healthy Adults. Journal of Speech, Language, and Hearing Research. 2006; 49(1): 186-193. http://dx.doi.org/10.1044/1092-4388(2006/015).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
537
CARACTERÍSTICAS FONÉTICO-FONOLÓGICAS DA FALA E CARACTERÍSTICAS ORTOGRÁFICAS DA ESCRITA EM CRIANÇAS COM ALTERAÇÕES FONOLÓGICAS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: Dadas divergências na literatura[1,2,3,4,5], a proposta da presente pesquisa foi investigar possível correlação entre características fonético-fonológicas da fala e características ortográficas da escrita em crianças com alterações fonológicas. Duas perguntas de pesquisa motivaram a investigação: (1) existiria relação de dependência entre erros de fala e erros de escrita em seu plano ortográfico?; e (2) se essa relação existir, qual seria sua natureza? As seguintes hipóteses orientaram a busca de respostas: (i) crianças com alterações fonológicas apresentariam também alterações ortográficas e, ainda, seus possíveis erros de fala apresentariam correlação positiva com seus erros de ortografia. Porém, como há subtipos de alterações fonológicas, esperava-se que (ii) essa diferenciação se mostrasse nas características segmentais da fala e nas características ortográficas em função desses diferentes subtipos, especialmente no que diz respeito às classes fonológicas. Para tanto, assumiu-se que crianças com alterações fonológicas teriam problemas em sua representação fonológica; consequentemente, como a ortografia do Português Brasileiro se sustenta (também) em princípios fonológicos, esse aspecto de sua escrita estaria comprometido. OBJETIVOS: (1) comparar e correlacionar achados fonético-fonológicos da fala e achados ortográficos em crianças com alterações fonológicas; e (2) explorar a natureza dos erros de fala e de ortografia em relação à classe fonológica e ao subtipo de alteração fonológica. MÉTODO: Foram selecionadas 10 crianças com diagnóstico de “transtorno fonológico”[6], sendo 5 com atraso fonológico e 5 com distúrbio fonológico consistente atípico. Foram realizadas (1) avaliação de aspectos fonético-fonológicos da fala e (2) avaliação do desempenho ortográfico – ambas com uso do instrumento PERCEFAL[7] – nas classes consonantais oclusivas, fricativas, nasais e líquidas. Os aspectos da fala foram analisados pelo levantamento de: (1) inventário fonético; (2) sistema fonológico; e (3) cálculo da Porcentagem de Consoantes Corretas – Revisado (PCC-R), que indica o grau de gravidade do “transtorno fonológico”[8]. Os aspectos ortográficos foram analisados pela: (1) caracterização dos erros ortográficos[9]; e (2) cálculo da Porcentagem de Grafemas Corretos Consonantais (PGCC). Por fim, foi realizada análise estatística descritiva e inferencial dos dados, por meio de testes pertinentes, para comparar e correlacionar índices relativos à produção de fala (PCC-R) e à do desempenho ortográfico (PGCC). RESULTADOS: quanto ao primeiro objetivo, a fala apresentou maior porcentagem de acertos do que a ortografia. Não foi verificada correlação entre características fonético-fonológicas da fala e características ortográficas da escrita. Quanto ao segundo objetivo, em ambas as tarefas, os erros que mais ocorreram foram substituições fonológicas. No entanto, seu ranqueamento foi diferente em relação às tarefas: oclusivas, líquidas, fricativas e nasais (na fala); fricativas, líquidas, oclusivas e nasais (na ortografia). Por fim, os subtipos de alteração fonológica não se diferenciaram estatisticamente. CONCLUSÃO: embora tenha havido relações entre erros de fala e erros de ortografia, os resultados sugerem cautela quando se trata do diagnóstico e da terapia de crianças com alterações fonológicas da fala que iniciam seu processo de escolarização, no sentido de não se estabelecerem relações diretas entre características de (sua) fala e características de (sua) escrita.

[1] Bishop, Dorothy; Clarkson, Barbara. Written Language as a Window in to Residual Language Deficits: A Study of Children With Persistent and Residual Speech and Language Impairments. Cortex. 2003;39(2):.215-237.
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[5] Salgado, Cíntia; Capellini, Simone Aparecida. Desempenho em leitura e escrita de escolares com alterações fonológicas na fala. Revista Psicologia Escolar e Educacional. 2004;8(2):179-188.
[6] Dodd, Barbara. Differential Diagnosis of Pediatric Speech Sound Disorder. Current Developmental Disordorders Reports. 2014; 3(1):189-196.
[7] Berti, Larissa Cristina. PERCEFAL: instrumento de avaliação da identificação de contrastes fonológicos. Audiology - Communication Research. 2017;22(1):1-9.
[8] Wertzner, Haydée Fiszbein; Amaro, Luciana; Teramoto, Suzana Sumie. Gravidade do distúrbio fonológico: julgamento perceptivo e porcentagem de consoantes corretas. Pró-Fono Revista de Atualização Científica. 2005;17(2):185-194.
[9] Chacon, Lourenço; Pezarini, Isabela de Oliveira. Gradiência na correspondência fonema/grafema: uma proposta de caracterização do desempenho ortográfico infantil. 2018. Manuscrito.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1070
CARACTERÍSTICAS LARÍNGEAS, SEGURANÇA E EFICIÊNCIA DA DEGLUTIÇÃO EM IDOSOS PÓS-ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Características laríngeas, segurança e eficiência da deglutição em idosos pós-acidente vascular cerebral
Introdução
O acidente vascular cerebral (AVC) cursa com sequelas motoras, de comunicação e alimentação, como disfagia, disartria e disfonia, as quais podem acontecer associadas ou isoladamente.1,2 Tais alterações também podem estar associadas ao envelhecimento,3,4,5 e ambos fatores (AVC e envelhecimento) podem influenciar no comportamento das funções e morfologia laríngea, como também na segurança e eficiência da deglutição.6,7 Na literatura não existe suficiente evidência que permita compreender tais características e as possíveis relações entre elas, sendo necessário gerar novos conceitos que permitam avaliação e tratamento mais eficiente nos idosos acometidos pelo AVC, principalmente no estágio crônico.
Objetivo
Verificar as relações entre as características laríngeas (morfológicas e funcionais fonatória) e de deglutição (segurança e eficiência) em idosos pós-acidente vascular cerebral.
Metodologia
Estudo retrospectivo aprovado pelo comitê de ética protocolo nº 2.976.893 em que foram analisados dados de 24 prontuários de pacientes: gravações dos exames de videoendoscopia da fonação e deglutição realizados previamente à intervenção fonoaudiológica. Foram considerados critérios de inclusão ter 60 anos de idade ou mais, diagnóstico médico de AVC tardio com tempo de acometimento de mínimo 6 meses e excluídos pacientes com histórico de doenças oncológicas. Foi analisada a presença de assimetria laríngea, arqueamento da porção membranosa das pregas vocais, aumento de volume das pregas vestibulares, e classificação do fechamento glótico, além de presença de constrição supraglótica considerando deslocamento de pregas vestibulares (constrição mediana) e de aritenoides e epiglote (constrição anteroposterior) durante a fonação. Para avaliar a segurança da deglutição foi utilizada a escala de penetração e aspiração8, enquanto as escalas de resíduos em faringe,9 valéculas e seios piriformes10 foram aplicadas para avaliar a eficiência da deglutição. Os dados foram analisados
por meio dos testes Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, considerando nível de significância de 5%.
Resultados
Na análise da videoendoscopia da fonação 91,7% dos pacientes apresentaram arqueamento da porção membranosa das pregas vocais e aumento do volume das pregas vestibulares, 87,5% constrição anteroposterior das aritenoides, 62,5% constrição mediana, 29, 2% assimetria laríngea e 16,7% fechamento glótico incompleto. Na análise da deglutição 12,5% dos casos apresentaram penetração e8,3% aspiração; em 33,3% houve presença de resíduos em seios piriformes com consistência líquida, 58,8% pontuou no nível “um” na escala de valéculas para a consistência solida e 80% pontou nos níveis dois ou três, na escala de faringe para sólido. Verificou-se relação estatisticamente significante entre a escala penetração/aspiração e constrição anteroposterior de aritenoides (p=0,047); da escala de resíduos em valéculas com assimetria das pregas vocais (p=0,009), aumento das pregas vestibulares (p=0,040) e cobertura das pregas vocais pela epiglote (p=0,017); da escala de resíduos em faringe com assimetria das pregas vocais (p=0,048), aumento das pregas vestibulares (p=0,020) e constrição anteroposterior de aritenoides (p=0,020).
Conclusão
Concluiu-se que a característica laríngea de constrição anteroposterior durante a fonação apresentou relação com aspectos de segurança e eficiência da deglutição, enquanto os aspectos assimetria de pregas vocais, cobertura das pregas vocais pela epiglote, e aumento de volume das pregas vestibulares durante a respiração mostraram relação com a eficiência da deglutição em idosos, pós acidente vascular cerebral.


1. Rodrigues T, Jacuviske M, Zazo K. Perfil populacional de pacientes com distúrbios da comunicação humana decorrentes de lesão cerebral, assistidos em hospital terciário. Rev. Cefac. 2010; 13(2).
2. Suárez J, Restrepo S, Ramírez E, Bedoya l, Jiménez I. Descripción clínica, social, laboral y de lapercepción funcional individual en pacientes con ataque cerebrovascular. acta neurolcolomb. 2011; 27(2).
3. Pontes P, Brassolotto A, Behlau M. Glottic characteristics and voice com complaint in the elderly. Jvoice. 2005; 19(1): 84-94.
4. Yamauchi A, Imagawa H, Yokonishi H, Nito T, Yamasoba T, Goto T, et al. Evaluation of vocal fold vibration with an assessment form for high-speed digital imaging: comparative study between healthy young and elderly subjects. japan. journal of voice. 212; 26(6).
5. Shaker R, Ren J, Bardan E, Easterling C, Dua K, Xie P. Pharyngoglottal closure reflex: characterization in healthy young, elderly and dysphagic patients with predeglutitive aspiration. gerontology. 2003; 49:12-20.
6. Bovolin, Paula de Campos. Deglutição e voz em idosos com sequelas de acidente vascular encefálico [dissertação]. Bauru: Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru; 2013 [citado 2020-07-05]. doi:10.11606/D.25.2013.tde-23042014-092326.
7. Freixo, Leticia de Lemos. Características supraglóticas de idosos: relações com a função de deglutição [dissertação]. Bauru: Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru; 2017 [citado 2020-07-05]. doi:10.11606/D.25.2018.tde-23052018-192730.
8. Rosenbek J, Robbins J, Roecker E, Coyle J, Wood J. A penetration-aspiration scale. disphagia. 1996:11(2):93-b.
9. Kelly A, Leslie P, Beale T, Payten C, Drinnan M. Fibreoptic endoscopic evaluation of swalliwing and videofluoroscopy: does examination type influence perception of pharyngeal residue severity. Clin Otolaryngol. 2006; 31(5):425-32.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
231
CARACTERÍSTICAS MORFOSSINTÁTICAS DE CRIANÇAS COM DESENVOLVIMENTO TÍPICO DE LINGUAGEM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: a sintaxe é um dos aspectos da linguagem e é consideravelmente afetada nos Transtornos de Linguagem na infância (1). Para a identificação de alterações morfossintáticas em crianças com este perfil, é condição que dados sobre o desenvolvimento típico sejam pesquisados considerando a língua que a criança está adquirindo. Pesquisadores como Brown (2) e Crystal (3) construíram taxinomias sobre os padrões evolutivos do desenvolvimento morfossintático em língua inglesa, todavia, não há corpora sobre estes padrões no português brasileiro, apenas estudos que investigam pontualmente determinados aspectos sintáticos como a aquisição de orações relativas (4) e identificação de gênero (5,6). Objetivo: descrever as características morfossintáticas de crianças brasileiras em processo de aquisição de linguagem por meio de protocolo construído e validado para a língua portuguesa do Brasil. Método: o estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa - CAAE: 68562317.4.0000.5417. Foram analisadas amostras de fala espontânea de 25 crianças com Desenvolvimento Típico de Linguagem entre 30 e 60 meses, agrupadas em 5 faixas etárias (faixa 1 – 30 a 36 meses; faixa 2 – 37 a 42 meses; faixa 3 – 43 a 48 meses; faixa 4 – 49 a 54 meses; faixa 5 – 55 a 60 meses). Para serem incluídas na amostra, as crianças foram submetidas à checklist com perguntas sobre o desenvolvimento da linguagem e roteiro breve de análise de amostra de fala. A quantidade de crianças na amostra utilizada pôde ser válida pela equação de Weyne (7). Com base na estrutura gramatical da língua portuguesa e nas características mais recorrentes da construção morfossintática de crianças com alteração de linguagem, o protocolo de avaliação morfossintática abarcou oito critérios de análise verificados sobre a transcrição ortográfica de conversação entre criança e interlocutor adulto por 20 minutos: quantidade de enunciados produzidos, de frases agramaticais, de frases telegráficas, de frases nominais, de períodos simples, de períodos compostos, de erros de concordância nominal e de concordância verbal. Foi realizada análise descritiva sobre cada um dos critérios nas diferentes faixas etárias, sendo analisado mais de 2200 frases. Resultados: somente as crianças da faixa etária 2 atingiram mais de 100 enunciados, todas as outras faixas, mesmo as mais altas, tiveram média que variou de 91,6 a 64,8. Não foram encontradas frases telegráficas em nenhuma das faixas etárias, e apenas duas ocorrências de frases agramaticais, o que coincide com a taxinomia de Brown (2) e Crystal (3). As frases nominais são mais frequentes nas três primeiras faixas etárias e parecem diminuir após esta idade. Os períodos simples são bem mais observados nas três faixas etárias iniciais, mas sua produção diminui nas duas últimas faixas, em contrapartida, aumenta o número de períodos compostos. Erros de concordância nominal e verbal foram raros, com média inferior a 1 erro nas diferentes faixas etárias. O critério que evidenciou evolução entre as faixas etárias foi o ‘período composto’. Conclusão: as análises possibilitaram a obtenção do perfil morfossintático nas diferentes faixas etárias, o que pode oferecer parâmetros para distinguir características morfossintáticas típicas e não típicas de crianças em aquisição de linguagem.



1. Hsu HJ, Bishop DVM. Grammatical Difficulties in Children with Specific Language Impairment: Is Learning Deficient? Human Development. 2010; 53:264–77.
2. Brown R. A First Language. Cambridge: Harvard University Press; 1973.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1848
CARACTERÍSTICAS PERCEPTIVAS E ACÚSTICAS DE FONTE-FILTRO EM MULHERES COM NÓDULOS VOCAIS E SEM LESÃO LARÍNGEA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Considerada um fenômeno essencialmente multidimensional, a voz envolve aspectos fisiológicos, perceptivos, aerodinâmicos, acústicos e emocionais. A integração desses parâmetros são primordiais na avaliação fonoaudiológica, para o alcance de uma visão global da disfonia1,2. A análise acústica emerge trazendo dados quantitativos acerca dos ajustes glóticos e supraglóticos durante a emissão sonora. Embora indivíduos que apresentam nódulos vocais possuam irregularidades a nível de fonte3-5, como por exemplo: fechamento glótico incompleto, irregularidade vibratória das pregas vocais, será que pode haver ajustes compensatórios à nível de trato vocal6, perceptivel pelas medidas acústicas de filtro? Quais as diferenças das medidas perceptivas e acústicas de fonte glótica e filtro (trato vocal) em mulheres com nódulos vocais e sem lesão laríngea? Objetivo: Investigar medidas perceptivas e acústicas relacionadas à fonte e filtro em mulheres com nódulos vocais e mulheres sem lesão laríngea. Método: Após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa de uma Instituição de Ensino Superior, processo nº 2.158.960, participaram do estudo 24 mulheres com idade entre 18 e 65 anos, distribuídas em 2 grupos: 12 mulheres com nódulos vocais (grupo experimental - GE) e 12 mulheres sem lesão laríngea (grupo controle - GC). Foram submetidas a gravação da vogal /a/ sustentada e das três frases-veículo7: “Digo papa baixinho”, “Digo pipa baixinho” e “Digo pupa baixinho”. Para análise acústica, foram utilizadas medidas que avaliam fonte glótica (extração da vogal /a/ sustentada) tais como: média da frequência fundamental (f0), desvio padrão de f0 (DP f0), jitter, shimmer, glottal-to-noise excitation (GNE) e cepstral peak prominence Smoothed8 (CPPS); e medidas de filtro: medidas espectrais das diferenças dos harmônicos H1-H29 (dB) com extração da vogal /a/ sustentada, e primeiro (F1) e segundo formante (F2) das vogais /a/ /i/ e /u/. Para análise perceptiva utilizou-se a escala analógico-visual (EAV) de 0 a 100 mm10. Por meio desta avaliou-se os parâmetros de grau geral do desvio vocal (GG) e os graus de rugosidade (GR), de soprosidade (GS) e de tensão (GT) na emissão da vogal sustentada /a/. Para análise dos dados utilizou-se nível de significância de 5% (teste T de Student /Wilcoxon). Resultados: Verificou-se que mulheres com nódulos vocais apresentam comportamento de fonte glótica e de filtro (trato vocal) diferente de mulheres sem lesão laríngea. Mulheres com nódulos vocais, apresentaram maiores valores de shimmer (p=0,0449), e dos parâmetros de grau geral (p=0,0020), rugosidade (p=0,0105) e soprosidade (p=0,0059) na avaliação perceptiva; Apresentam menor valor dos formantes com relação ao primeiro formante da vogal /a/ (p=0,0145) e /u/ (0,0007), assim como ao segundo formante da vogal /a/ (p=0,0284). Conclusão: Mulheres com nódulos vocais apresentam vozes mais desviadas com predominância de qualidade vocal soprosa e redução na amplitude do movimento dos articuladores na produção som.

Palavras-chave: Voz, Disfonia, Acústica da fala, Parâmetros acústicos, interação fonte-filtro.

1. Lopes LW et al. Acurácia das medidas acústicas tradicionais e formânticas na avaliação da qualidade vocal. Codas. 2018;30(5) e20170282.

2. Lopes LW, Cavalcante DP, Costa PO. Severity of voice disorders: integration of perceptual and acoustic data in dysphonic patients. CoDAS. 2014;26(5):382-8.

3. Gama ACC, Behlau M. Estudo da constância de medidas acústicas em mulheres sem queixa de voz e em mulheres com disfonia. Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol. 2009; 14(1):8-14.

4. Gama ACC. Análise acústica de voz: estudo comparativo entre mulheres sem queixa vocal e com disfonia.[Dissertação]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP,1997

5. Dias B. Análise Acústica de vozes com alteração organofuncional do tipo nódulos. [Monografia]. Florianópolis: Universidade Federal de SantaCatarina – UFSC; 2014.

6. França F P, Almeida A A, Lopes L W. Configuração acústico-articulatória das vogais de mulheres com nódulos vocais e vocalmente saudáveis. CoDAS 2019;31(6):e20180241.


7. Barbosa PA, Madureira S. Manual de fonética acústica experimental: aplicações a dados do português. Cortez editora. 2015. 591p.



8. Awan SN, Roy N, Zhang D, Cohen SM. Validation of the Cepstral Spectral Index of Dysphonia (CSID) as a Screening Tool for Voice Disorders: development of Clinical Cutoff Scores. J Voice, 2015; Vol.30, No. 2, pp. 1-15.

9. Cordeiro GF, Cunha MGB, Menezes MHM, Ubrig-Zancanella MT, Nemr K. Discriminação entre vozes adaptadas, levemente soprosas e tensas: diferenças 104 entre os dois primeiros harmônicos. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(2):238- 42.

10. Yamasaki R, Madazio G, Leão SHS, Padovani M, Azevedo R, Behlau M. Auditory-perceptual evaluation of normal and dysphonic voices using the voice deviation scale. J Voice. 2017;31(1):67-71. http://dx.doi.org/10.1016/j. jvoice.2016.01.004. PMid:26873420.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1991
CARACTERÍSTICAS VOCAIS DE CRIANÇAS COM BAIXA ESTATURA PRÉ E PÓS TRATAMENTO COM HORMÔNIO DO CRESCIMENTO
Tese
Voz (VOZ)


Introdução. O Hormônio do Crescimento (GH) é fundamental no processo de crescimento e de desenvolvimento corporal na infância e adolescência1. Crianças com baixa estatura (BE), após serem submetidas à investigação clínica e laboratorial, podem ser tratadas com GH para promover seu crescimento e desenvolvimento corporal2,3. Quanto à voz de crianças com baixa estatura, embora o pitch agudo seja a principal característica reportada pela literatura4-6, não se conhece ao certo o efeito do tratamento com GH nas características vocais dessa população.
Objetivo. Avaliar as características vocais de crianças com BE pré e pós 12 meses de tratamento com hormônio do crescimento.
Material e Métodos. Trata-se de um estudo observacional, analítico de coorte. Participaram desse estudo 23 crianças pré-púberes, com idades entre 5 e 11 anos, com diagnóstico de BE (Grupo Pesquisa - GP), pareadas por idade e sexo com crianças com crescimento normal (Grupo Controle - GC). Os participantes foram submetidos a duas avaliações com intervalo de um ano (pré tratamento com GH e após 1 ano de tratamento). As avaliações compreenderam: a) avaliação vocal - anamnese fonoaudiológica, autoavaliação vocal (Qualidade de Vida em Voz Pediátrico), avaliação perceptivo-auditiva e avaliação acústica (frequência fundamental, frequência de fala, medidas de Jitter, shimmer, proporção GNE e Formantes); b) antropometria; c) avaliação da idade óssea; e d) análise laboratorial dos níveis de IGF-1. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética sob o número 1.480.309/2016-03, em 06/04/2016.
Resultados. O GP apresentou mais queixas vocais (p=0,026) que o GC na avaliação Pré, e os grupos foram semelhantes quanto à autoavaliação vocal e à avaliação perceptivo-auditiva (p>0,05). Na avaliação acústica, os grupos foram semelhantes entre si para as medidas de frequência fundamental (F0) (p = 0,087) e medidas de ruído (p>0,05); quanto à comparação entre os momentos da avaliação, tanto a F0, quanto a frequência de fala sofreram decréscimo significativo após um ano, em ambos os grupos; F1 foi maior na avaliação Pós do GC e F2 foi significativamente maior na avaliação Pré nos meninos do GP. Quanto às medidas antropométricas, apesar do GP ter obtido maior incremento de estatura dentro do período de um ano (p<0,001), ele obteve menores valores de estatura nas duas avaliações (p<0,001). Houve correlação positiva entre F1 e idade cronológica para o GP, bem como correlação negativa entre F2 e estatura para o GP.
Conclusão. Crianças com BE possuem características vocais semelhantes às crianças com crescimento normal, antes e após o tratamento com GH.

1. THORNER, M.O. et al. The anterior pituitary. In: WILSON, J.D. et al.(orgs). Williams textbook of endocrinology. 9th ed. Philadelphia: WB Saunders Company, 1998. p. 249-341.

2. FRINDIK, P. J.; BAPTISTA, J. Adult Height in Growth Hormone Deficiency: Historical Perspective and Examples from the National Cooperative Growth Study. Pediatrics, Evanston, v.104, n.4, p.1000-1003, oct. 1999.

3. BOGUSZEWSKI, M. C. S.;BOGUSZEWSKI, C. L. Tratamento com hormônio de crescimento em crianças combaixa estatura nascidas pequenas para a idade gestacional. Arq Bras EndrocrinolMetab, v. 52, n. 5, p. 792-799, 2008.

4. VALENCA E.H.O. et. al. Voice Formants in Individuals with Congenital, Isolated, Lifetime Growth Hormone Deficiency. Journal of Voice, v. 30, n. 3, p. 281-286, may 2016.

5. MOORE, C. et al. Voice Abnormality in Adults with Congenital and Adult-Acquired Growth Hormone Deficiency, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 90, n. 7, p. 4128-4132, jul.2005.
6. SIZONENKO, P. C. et al. Diagnosis and management of growth hormone deficiency in childhood and adolescence. Part 1: diagnosis of growth hormone deficiency. Growth Horm IGF Res, London, v.11, n.3, p.137-165, jun. 2001



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2008
CARACTERÍSTICAS VOCAIS DO PROFISSIONAL DE TELEMARKETING: UMA REVISÃO DA LITERATURA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: O Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho (DVRT) trata-se de qualquer desvio vocal que tenha relação com a demanda profissional e pode comprometer ou até mesmo impedir a atuação do trabalhador. Entre esses trabalhadores estão os Teleoperadores, que atuam em empresas habilitadas para prestar serviços de comunicação entre uma empresa privada ou pública e seus clientes. Neste ambiente de trabalho há muitos jovens sem experiência ou instrução para exercer suas funções, e muitas vezes não tem auxílio das empresas para se qualificar e nem para cuidar do seu instrumento de trabalho: a voz. Esses profissionais podem então apresentar alterações vocais, que estão ligadas a diversos fatores, de forma isolada ou em conjunto, diretamente ou indiretamente, como as questões pessoais, emocionais, além das emocionais.(8,9,10)

OBJETIVO: Descrever as características vocais de Teleoperadores, a partir.

MÉTODO: Foi realizada uma pesquisa na literatura, com os descritores em saúde (DECS): Voz e Teleoperadores, utilizando-se o operador booleano AND, nas bases de dados SCIELO e LILACS. A busca selecionou artigos publicados nos últimos 10 anos, nos idiomas português, inglês, e espanhol, que detalhassem a atuação do fonoaudiólogo na população alvo.

RESULTADOS: Após a busca inicial foram identificados 19 estudos, dentre os quais, 19 atenderam aos critérios de elegibilidade e foram considerados relevantes para a amostra do trabalho. Os artigos duplicados foram contabilizados oito vezes. Foram selecionados um total de 12 artigos. Os artigos, em sua totalidade foram publicados em português, sendo 9 em português e 2 em espanhol. A maioria dos estudos foram realizados com jovens adultos e indivíduos do sexo feminino. De acordo com os estudos, os principais sintomas vocais que relatados pela população de Teleoperadores foram respectivamente: dores cervicais, rouquidão, fadiga vocal, falhas na voz, variação na intensidade vocal no ambiente extra laboral e laboral, queixas auditivas e psicológicas(1,2,3,4,5,6,7,8,9,10). Os estudos sugerem que há influência laboral nesses sintomas. Em maioria das pesquisas, não foi citado questionário estruturado específico e nem validado para investigação dos sintomas vocais. Além disso, também não foi relatado em nenhum dos artigos selecionados a realização de exame laríngeo(1,2,3,4,5,6,7,8,9,10).

CONCLUSÃO: Com base na pesquisa, foi possível observar os sintomas vocais do profissional de telemarketing que são em maioria sinestésicos, relacionados à questões musculares cervicais e fadiga vocal, e auditivos, como alterações na qualidade vocal, geralmente associados ao exercício profissional. Dessa formaressalta-se a atuação fonoaudiológica com esta população, atuando com ações indiretas de prevenção de hábitos vocais inadequados e direta, tendo em vista a grande demanda vocal.

1-Puhl, Andreia Estér; Bittencour, Maria Fernanda Prado; Ferreira, Léslie Piccolotto; Silva, Marta Assumpção de Andrada e. Tabagismo e ingestão alcoólica: prevalência em professores, cantores, teleoperadores e atores. Rev PUC [Internet] 2017 Dez.[citado 2020 Jul 11] 29(4): 683-691.Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/dic/article/view/30831/24532
2- Santos Claudionaria Torres dos, Santos Ciro, Lopes Leonardo Wanderley, Silva Priscila Oliveira Costa, Lima-Silva Maria Fabiana Bonfim de. Relação entre as condições de trabalho e de voz autorreferidas por teleoperadores de uma central de emergência. CoDAS [Internet]. 2016 Out [citado 2020 Jul 11] ; 28(5): 583-594. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-17822016000500583&lng=en.
3- Pascual Albarrán, Alberto; Serrano Estrada, Carmen; González García, Eva; Farjemutiloa, Teresa. Abordage de la vigilangia de la salud en trabajadores con uso profesional de la voz, Rev. asoc.esp.espec.med.trab[Internet]. Dec 2014[citado 2020 Jul 11]. 23(4): 422-431. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/ibc-131503?lang=pt
4- Araújo, Marcos Vinícius Ribeiro de.. Adoecimento no trabalho: o discurso dos teleoperadores acerca dos disturbios da voz. Distúrb. comun [Internet]. 2013 abr[citado 2020 Jul 11].. 25(1): 91-101. Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/dic/article/view/14928/11136
5-Constancio Sophia, Moreti Felipe, Guerrieri Ana Cláudia, Behlau Mara. Dores corporais em teleoperadores e sua relação com o uso da voz em atividades laborais. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [Internet]. 2012 Dez [cited 2020 Jul 11] ; 17( 4 ): 377-384. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400003&lng=en.
6-Padilha Maíra do Patrocínio, Moreti Felipe, Raize Thais, Sauda Camila, Lourenço Luciana, Oliveira Gisele et al . Grau de quantidade de fala e intensidade vocal de teleoperadores em ambiente laboral e extralaboral. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [Internet]. 2012 Dez [citado 2020 Jul 11] ; 17( 4 ): 385-390.Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-80342012000400004&lng=en
7- Paoletti, Oscar A; Fraire, María E; Sanchez-Vallecillo, María V; Zernotti, Mauro; Olmos, Manuel E; Zernotti, Mario E. Utilidad de fibrolaringoscopía en la disfonía por tension muscular en teleoperadores, Rev. act otorrinolaringol.esp, Argentina [Internet]. maio/jun.2012[citado 2020 Jul 11] ; 63(3): 200-5. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/mdl-22436600
8- Cielo, Carla A; Beber, Barbara C. Saúde vocal do teleoperador. Rev.PUC, [Internet]. abril.2012[citado 2020 Jul 11]. 24(1): 109-116. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/psi-51953
9 -Rechenberg Leila, Goulart Bárbara Niegia Garcia de, Roithmann Renato. Impacto da atividade laboral de teleatendimento em sintomas e queixas vocais: estudo analítico. J. Soc. Bras. Fonoaudiol. [Internet]. 2011 Dez [citado 2020 Jul 11] ; 23( 4 ): 301-307.: Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2179-64912011000400003&lng=en.
10- Amorim Geová Oliveira de, Bommarito Silvana, Kanashiro Célia Akemi, Chiari Brasilia Maria. Comportamento vocal de teleoperadores pré e pós-jornada de trabalho. J. Soc. Bras. Fonoaudiol. [Internet]. 2011 [citado 2020 Jul 11] ; 23( 2 ): 170-176. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2179-64912011000200015&lng=en.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1629
CARACTERÍSTICAS VOCAIS DOS USUÁRIOS DE IMPLANTE COCLEAR E DOS USUÁRIOS DE APARELHO DE AMPLIFICAÇÃO SONORA INDIVIDUAL: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A audição é a forma mais eficiente de proporcionar um retorno apropriado para o controle vocal. A pessoa com deficiência auditiva tende a se desviar dos padrões de normalidade e isso está diretamente relacionado ao grau e tipo de perda auditiva. Assim, a deficiência auditiva pode levar o indivíduo a uma falta de monitoramento auditivo da própria voz e incapacidade de controlar seu desempenho vocal. Por isso é necessário o processo de recomendação e adaptação do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) ou Implante Coclear (IC) e terapia fonoaudiológica. O objetivo do estudo foi analisar e comparar a diferença vocal de indivíduos usuários de IC dos usuários de AASI. Trata-se de uma revisão integrativa, norteada pelo seguinte questionamento: “Existem diferenças vocais entre indivíduos usuários de implante coclear e usuários de aparelho de amplificação sonora individual?”, sendo analisados estudos publicados nos últimos 20 anos nas bases de dados LILACS, MEDLINE E SCIELO, utilizando como estratégia de busca a combinação “auxiliares de audição AND implante coclear AND voz”. Foram incluídos artigos publicados em português e inglês que abordassem a voz da pessoa com deficiência auditiva usuárias de AASI ou IC. Foram excluídos artigos relacionados à perda auditiva nos idosos, aspectos exclusivamente de fala e perda auditiva associada a síndromes. Inicialmente foi realizada a busca de publicações nas bases de dados selecionadas, sendo feita a filtragem por título, posteriormente a seleção por meio da leitura dos resumos e finalmente a leitura na íntegra dos periódicos que atenderam todos os critérios de seleção. Foram encontrados 127 artigos. Desses, foram analisados 13 artigos que responderam à pergunta norteadora, com maior número de publicação na LILACS e SCIELO, ambas com seis artigos. Houve um predomínio de estudos sobre a qualidade vocal de usuários de IC quando comparado com os estudos sobre AASI. Quando confrontados os parâmetros vocais, a frequência fundamental da voz de usuários de AASI ou IC e dos indivíduos com audição normal, foi observado que os usuários de IC demonstram valores acústicos quase iguais a audição normal e mais adequados do que os demonstrados pelos usuários de AASI. Foi possível observar ainda que aspectos como idade precoce do diagnóstico, início da perda de audição (pré ou pós-lingual), processo de reabilitação auditiva, auxiliar auditivo utilizado, idade da intervenção e o tempo de duração de reabilitação podem afetar a qualidade da voz da pessoa com deficiência auditiva, pois todos esses fatores são essenciais para o desenvolvimento do feedback acústico necessário para o monitoramento da voz. A presente revisão possibilitou observar que, embora na pesquisa o maior número de artigos seja relacionado ao IC, a questão sobre a qualidade vocal de indivíduos com deficiência auditiva que são usuários de IC tem sido estudada em pequena escala. Constatou-se ainda que os indivíduos usuários de IC apresentam melhores habilidades de percepção de fala e produção vocal que os usuários de AASI. É importante que sejam realizados outros estudos sobre qualidade vocal dessa população, visando otimizar as evidências científicas.

1. Prado AC. Principais características da produção vocal do deficiente auditivo. Rev CEFAC 2007 Set; 9 (3): 404-410.
2. Santos ARS, Batista NGL, Silva DB, Sampaio ALL, Medved, DMS, Coelho AC. Voice symptoms and handicap in adults with cochlear implants. Rev CEFAC 2019 Abr; 21 (2): 1-8.
3. Coelho ACC, Bevilacqua MC, Oliveira G, Behlau M. Relação entre voz e percepção de fala em crianças com implante coclear. Pró-Fono Rev Atual Cient 2009 Mar; 21 (1): 7-12.
4. Coelho AC, Brasolotto AG, Bevilacqua MC, Moret ALM, Junior FB. Hearing performance and voice acoustics of cochlear implanted children. Braz. j. otorhinolaryngol 2016 Feb; 82 (1): 70-75.
5. Correia RO, Pinheiro CCD, Paiva FCG, Neto SG, Rodrigues TP, Mendonça ATB, et al. Reabilitação auditiva por aparelhos de amplificação sono individual (AASI): Perfil epidemiológico de pacientes adaptados em um hospital terciário em 5 anos. Rev Med UFC 2017 mai-ago; 57(2): 26-30.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1112
CARACTERÍSTICAS VOCAIS EM HOMENS E MULHERES TRANSGÊNEROS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: no Brasil, os estudos referentes à população transgênero são escassos, sendo fundamental seu desenvolvimento para o mapeamento, análise e entendimento das principais demandas dessa população no país.[1] Internacionalmente, observa-se um número limitado de produções científicas acerca da voz dos homens trans.[2] Tanto para os homens quanto para as mulheres trans, a voz é um fator importante para a efetiva transição de gênero,[3] o que justifica o estudo dessa população pela Fonoaudiologia. Dentre os aspectos da comunicação de pessoas trans, estão incluídas as buscas por ajustes no timbre, entonação, intensidade vocal, ressonância, qualidade vocal, articulação, velocidade de fala, linguagem e comunicação não verbal,[4] sendo necessário conhecer aspectos de autopercepção vocal e uso da voz em situações diversas. Objetivo: caracterizar a voz de homens e mulheres transgêneros em um serviço de Fonoaudiologia. Método: estudo do tipo qualitativo. Aprovado pelo Comitê de Ética nº 3.303.803. Realizado com 24 homens trans e 16 mulheres trans, com idade média de 26 anos. Os dois grupos responderam a um questionário sobre características da comunicação oral, envolvendo a autopercepção vocal e uso da voz. Resultados: quando questionados se percebem em si algum problema vocal, a opção mais referida pelos homens trans foi “falhas na voz”, por 15 participantes, seguida pela opção “voz fina” por 10 participantes. Já para as mulheres trans, a opção mais relatada foi “voz grossa”, assinalada por 11 participantes, seguida de “falhas na voz”, por 8 participantes. Também foram referidas as características “voz rouca” e “cansaço”. A maioria dos homens e mulheres trans acha que sua voz não é percebida como sendo de homem e de mulher respectivamente, pelas outras pessoas. Da mesma maneira, a maioria dos participantes sente que sua voz não representa sua identidade de gênero (14 mulheres trans e 18 homens trans). Os participantes informaram ainda sentir “falta de confiança em relação à voz”, “medo de falar” e “medo de não serem aceitos”. Quanto ao uso de estratégias para modificar a voz, os homens trans (19) foram os que mais utilizam esse recurso para adequar a voz à identidade de gênero, sendo a estratégia mais comum “falar com muita força no pescoço”. Das mulheres trans, 9 modificam a voz, sendo o recurso mais comum “falar baixo ou sussurrando”. Em relação aos hábitos vocais, para os homens trans a opção mais marcada foi “falar rápido” (15 participantes), seguida de “falar muito” e “cantar”, por 12 e 10 participantes respectivamente. Para as mulheres trans, o hábito mais comum foi “falar muito”, por 9 participantes, seguido de “falar rápido” e “cantar”, por 7 participantes em cada. Para os homens trans o uso do binder se apresentou como um fator comprometedor para a voz, pois dos 16 participantes que utilizam o binder, 14 perceberam alguma interferência na voz, principalmente “dificuldade na respiração” e “tensão muscular”. Conclusão: a população trans autorrefere características de falhas na voz, alteração de pitch (voz grossa ou fina), falta de confiança em relação à voz, falar rápido e falar muito, além de estratégias como falar com muita força ou sussurrando.

[1] Lanz L. O corpo da roupa: a pessoa transgênera entre a transgressão e a conformidade com as normas de gênero. Uma introdução aos estudos transgêneros. Curitiba: Transgente, 2015.
[2] Azul D. Transmasculine people's vocal situations: a critical review of gender‐related discourses and empirical data. International Journal of Language & Communication Disorders, v. 50, n. 1, p. 31-47, 2015.
[3] Schmidt JG. O desafio da voz na mulher transgênero: autopercepção de desvantagem vocal em mulheres trans em comparação à percepção de gênero por ouvintes leigos. Revista CEFAC, v. 20, n. 1, p.79-86, 2018.
[4] Dornelas R, Granzotti RBG, Leite, AFDS, Silva Kl. A redesignação vocal em pessoas trans. In: CoDAS. Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
912
CARACTERIZAÇÃO ACÚSTICA DA QUALIDADE VOCAL EM LOCUTORES DE RÁDIO E FALANTES SEM USO PROFISSIONAL DA VOZ
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Este trabalho está centrado na descrição acústica das frequências formânticas das vogais orais do português brasileiro e contextualizado dentro da Sociofonética, pois procede a uma análise acústica sistemática para elucidar processos de variação nos grupos de falantes estudados (radialistas e não radialistas). Os estudos que estão inseridos na corrente linguística da Sociofonética reportam à importância dos fatores sociais na percepção da fala, colocando em evidência uma variável social do falante1. O grupo social estudado apresenta características específicas como impostação de voz e articulação diferenciada e dependem apenas da sua voz como veículo da informação. O contexto, os gestos e as expressões visuais não auxiliam na significação das mensagens verbais, o que reverte em maior responsabilidade ao locutor, na transmissão informativa e emotiva2. Nesta perspectiva, as variáveis sociais podem determinar as características do sistema vocálico do indivíduo. O locutor adapta seu padrão vocal de acordo com as diferentes situações de comunicação. Esse profissional necessita buscar recursos que o levem ao aprimoramento da sua locução, reestruturando constantemente a sua fala3-5. Objetivo: Verificar se existem diferenças nas medidas formânticas e frequência fundamental (F0) em falantes pessoenses com e sem uso profissional da voz (locutores de rádio). Tal pesquisa está pautada na caracterização do padrão de formantes das vogais orais do Português Brasileiro (PB) por meio dos dados acústicos extraídos desses grupos de falantes. Métodos: Participaram desta pesquisa um total de 47 falantes, sendo 25 locutores de rádio e 22 falantes que não fazem uso profissional da voz. Todos os participantes preencheram uma ficha de identificação e foram submetidos a uma sessão de gravação de amostras de fala, por meio de emissão das sentenças-veículo. As vozes foram editadas e submetidas à análise acústica com a utilização do software Praat para extração das medidas de F0 e da frequência dos formantes (F1, F2 e F3) das sete vogais orais do PB. Resultados: No sexo feminino, houve diferença entre os grupos de PV e NPV no primeiro formante da vogal [u] e no terceiro formante da vogal [i]. Esses valores foram superiores nos radialistas para ambos os formantes. No sexo masculino, houve diferença entre os grupos de profissionais da voz (PV) e não profissionais da voz (NPV) no primeiro formante da vogal [i] e no terceiro formante da vogal [Ɔ]. Esses valores foram superiores nos homens que não são profissionais da voz. Conclusão: Diante dos achados, os ajustes realizados não são tão diferentes como esperado, pois, nos dias de hoje, busca-se um padrão de fala mais coloquial, o que permite uma maior aproximação do padrão de fala do radialista com o padrão de fala de uma pessoa que não usa a voz profissionalmente. As mulheres apresentaram a estratégia de baixar a mandíbula e os homens de ampliar a faringe.

1 LOPES, L.W. Preferências e atitudes dos ouvintes em relação ao sotaque regional no telejornalismo. Tese de doutorado. Universidade Federal da Paraíba, 2012.
2 KYRILLOS LC, LOURENÇO, IC, FERREIRA LM, TOLEDO FB. Posturas comunicativas de radialista de AM e FM. Pró-Fono. 1995; 7(edição especial): 28-31
3TORRES M.L; BEHLAU, M.; OLIVEIRA, C, A. Estudo da intenção comunicativa do repórter de TV na transmissão de textos noticiosos com dois conteúdos diferentes. Fono Atual. 2004; 7(27):65-77.
4GUSTAFSON, K. The prosody of Norwegian news broadcasts. In: ENGSTRAND, O.; KYLANDER, C.; DUFBERG, M., editors. Papers from the Fifth National Phonetics Conference; 1991 May 29-31; Stockholm, Sweden. Stockholm: University of Stockholm; 1991. p. 49-52
5KYRILLOS, L.C; COTES, C.; FEIJÓ D. Voz e corpo na TV. São Paulo: Globo; 2003.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1177
CARACTERIZAÇÃO DA FREQUÊNCIA FUNDAMENTAL EM MULHERES NATURAIS DO RIO DE JANEIRO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz é um fenômeno cativante da realidade humana e tem importância fundamental na formação do sentido e do afeto, conduzindo a comunicação: As palavras são tomadas de um sentido encantatório verdadeiramente mágico por sua forma e suas emanações sensíveis. Graças à sua voz, o indivíduo é presença física e, ao mesmo tempo, portador de um sistema de signos linguísticos. Abitbol sugere que a voz humana é uma alquimia entre o corpo e o pensamento - um invólucro corporal perfeitamente concebido e resultado de 4,5 milhares de anos de evolução. Segundo o autor, a linguagem se viabiliza pela coordenação entre a atividade motora e a atividade intelectual, de modo que a história da evolução da audição se harmoniza com a evolução da laringe. O estudo da voz tem como base a anatomia e fisiologia da laringe, mas o recente avanço da tecnologia possibilitou quantificar dados acústicos para melhor comparar as informações sonoras através de programas acústicos especializados para a análise da voz humana. A análise acústica vem sendo usada no Brasil há aproximadamente duas décadas e tem se revelado como um robusto instrumento de avaliação. A frequência fundamental é um importante parâmetro de avaliação da voz, tendo correspondência direta com a anatomia e fisiologia laríngea. Existem valores aproximados de F0 para idade e gênero que são diretamente influenciados nos casos de eventuais patologias. Método: Participaram do estudo 200 mulheres com idade entre 18 e 45 anos, sem queixas vocais, sendo utilizada a vogal [ ε ] na análise acústica para extração de F0. Resultados e discussão: Foi encontrada uma F0 média de 209,33 Hz, podendo-se observar menores valores de médias da frequência fundamental de acordo com o incremento da idade das mulheres (maior faixa etária tem a menor média e mediana). Processos culturais e geográficos também podem ser fatores que influenciem de alguma forma neste dado acústico; para tal se mostram necessários estudos utilizando análise acústica para determinar padrões. Conclusão: Os achados deste estudo vão diretamente ao encontro das demais médias encontradas na literatura para a frequência fundamental da voz feminina, encontrando-se um pouco elevada em relação à média encontrada em São Paulo, este dado sugere que mais pesquisas sejam realizadas em torno das variáveis culturais e geográficas para que possamos então traçar uma possível relação das variações de F0 nas diferentes localidades, sugerindo uma possível relação entre geografia, cultura e voz.

1- PAVIS,PATRICE. Dicionário de Teatro, São Paulo: Perspectiva,2ed,1996.
2- ABITBOL, JEAN. L’odysée de la voix. Paris: Robert Laffont, 2005; P.19-20.
3- SUNDBERG, JOHAN. Ciência da Voz. Fatos sobre a voz na fala e no canto. São Paulo,EDUSP,2015.
4- GAMA ACC, BEHLAU M. Estudo da constância de medidas acústicas de vogais prolongadas e consecutivas em mulheres sem queixa de voz e em mulheres com disfonia. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(1):8-14
5- Felippe ACN, Grillo MHMM, Grechi TH. Normatização de medidas acústicas para vozes normais; Rev. Bras.Otorrinolaringol. vol.72 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2006
6- CIELO CA, FINGER LS, ROSA JC, BRANCALIONI AR.. Lesões Organofuncionais do tipo Nódulos, Pólipos e Edema de Reinke. Rev. CEFAC. 2011 Jul-Ago; 13(4):735-748
7- TITZE IR. Toward standards in acoustic analysis of voice. J. Voic, 1994;8(1):1-7.
8- BEHLAU M, Determinação da Frequência Fundamental e suas Variações em altura (“Jitter”) e intensidade (“Shimmer”), para falantes do português brasileiro. Acta AWHO;4(1) 5-10, 1985. tab.
9- FINGER LS, CIELO CA, SHAWARZ K. Medidas vocais acústicas de mulheres sem queixas de voz e com laringe normal. Braz J Otorhinolaryngol.2009;75(3):432-40.
10- LEITE, Yvonne; CALLOU,Dinah. Como falam os brasileiros. Rio de Janeiro: Zahar Editores,2002.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
299
CARACTERIZAÇÃO DA FUNÇÃO MASTIGATÓRIA EM IDOSOS SAUDÁVEIS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O desempenho da função mastigatória em idosos tende a ser reduzido devido ausências dentárias1,2, redução do tônus e força muscular3 e má adaptação de próteses dentárias1,2,4. Objetivo: Caracterizar a função mastigatória de idosos e realizar a comparação entre quantidade total de tempo, golpes mastigatórios e escore total da mastigação entre os idosos, grupo experimental (GI), e adultos jovens, grupo controle (GC). Métodos: Trata-se de um estudo observacional, transversal, analítico, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer número 2.380.411. Participaram 50 indivíduos, sendo 25 pertencentes ao GI (idade média de 66 anos) e 25 ao GC (idade média de 22 anos). A avaliação da mastigação foi realizada por meio da filmagem padronizada da mastigação habitual de um biscoito maisena. Foram utilizados o Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores para Idosos (AMIOFE–I) para o GI e para o GC foi utilizado o Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores Expandido (AMIOFE-E). Foi verificado e comparado entre GC e GI o tipo mastigatório, o escore mastigatório, o total do tempo mastigatório e o número total de golpes mastigatórios. Para a análise estatística foi utilizado o modelo de regressão linear múltiplo para verificar a influência do gênero, idade, uso de prótese, tempo e número de golpes mastigatórios no escore total da mastigação do GI e o teste não paramétrico Mann-Whitney para comparar o total do tempo, golpes mastigatórios e escore total mastigatório entre GI e GC. Foi utilizado o programa SAS 9.2 para a análise dos dados, sendo considerado o nível de significância de 5%. Resultados: O padrão mastigatório predominante no GC foi a mastigação bilateral alternada (52%), enquanto que no GI predominou a mastigação bilateral simultânea (48%). Apenas o uso de prótese dentária no GI apresentou influência significativa no escore total da mastigação (p≤0.05). O GI apresentou maior tempo mastigatório e maior quantidade de golpes mastigatórios, contudo, o escore total da mastigação foi menor, sendo encontrada diferença significativa (p≤0.05). Conclusão: O uso de prótese dentária apresenta influência significativa na função mastigatória. Quando comparados aos jovens, idosos apresentam maior quantidade de tempo e golpes mastigatórios e menor escore total da mastigação.

1. Cusson V, Caron C, Gaudreau P, Morais J A, Shatenstein B, Payette H. Assessing older adults’ masticatory efficiency. Journal of the American Geriatrics Society. 2015;63(6):1192-1196.
2. Feizi A, Keshteli A H, Khazaei S, Adibi P. A new insight into masticatory function and its determinants: a latent class analysis. Community dentistry and oral epidemiology. 2016;44(1):46-52.
3. Frontera W R, Hughes V A, Fielding R A, Fiatarone M A, Evans W J, Roubenoff R. Aging of skeletal muscle: a 12-yr longitudinal study. Journal of applied physiology. 2000;88(4):1321-1326.
4. Baumgarten A, Schmidt J G, Rech R S, Hilgert J B, Goulart B N G D. Dental status, oral prosthesis and chewing ability in an adult and elderly population in southern Brazil. Clinics. 2017;72(11):681-685.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1068
CARACTERIZAÇÃO DA MASTIGAÇÃO DO IDOSO BRASILEIRO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O processo de envelhecimento pode afetar o sistema estomatognático, devido a diminuição do tônus muscular e do volume salivar, perda dentária, interferência nos movimentos articulares, presença ou extensão de doenças bucais, uso de medicamentos, entre outros(1). Dessa forma, é importante analisar a caracterização da mastigação dos idosos para buscar resoluções e identificar padrões predominantes, com o propósito de encontrar meios que promovam uma melhor qualidade de vida a esse público. Objetivo: Verificar e descrever a mastigação dos idosos, mediante análise de estudos nacionais publicados nos últimos 10 anos. Método: Revisão integrativa, do tipo descritiva, que proporciona uma síntese do conhecimento e incorporação da aplicabilidade de resultados significativos à prática. O levantamento bibliográfico foi realizado, no período de maio à junho de 2020, por meio da busca de artigos científicos nas bases de dados MEDLINE e LILACS, e na SCIELO. A busca foi realizada a partir do cruzamento dos descritores: mastigação AND idoso OR envelhecimento. Os critérios de inclusão utilizados foram: estudos publicados no período de 2010 a 2020, nacionais, voltados ao público com 60 anos ou mais e que caracterizassem a mastigação do idoso. Foram excluídos estudos secundários, teses de dissertação e estudos que abordassem idosos com alguma comorbidade. Resultados: Na busca identificou-se 230 estudos, onde os critérios de exclusão e inclusão foram aplicados, chegando ao total de 4 artigos que abordavam a caracterização da mastigação(2-5). Nos estudos selecionados a mastigação foi caracterizada em relação à tipo mastigatório, tempo, ritmo e formação do bolo alimentar. Todos os artigos abordaram o tipo mastigatório, em 75%(2,3,5) prevaleceu o tipo mastigatório bilateral alternado ou simultâneo e 25%(4) o tipo mastigatório unilateral. O tempo mastigatório foi abordado em 75%(2-4), obteve-se tempo médio de 32,45s(2) e 34,29s(3) em estudos compostos por idosos com diferentes tipos de reabilitação oral protética sem descrição do alimento utilizado, outro estudo(4) avaliou a mastigação com pão francês e os idosos foram divididos em três grupos de acordo com sua situação dentária, verificou-se tempo médio de 23,2s no grupo controle (sem falhas dentárias), 26,3s no grupo prótese total e 23,7s no grupo prótese parcial removível. O ritmo foi contemplado em 25%(5) e a formação do bolo alimentar em 50%(2,3) dos estudos, sendo classificados como adequados. Conclusão: Diante do estudo realizado, a mastigação do idoso é caracterizada com predominância do tipo mastigatório bilateral alternado ou simultâneo, com ritmo e formação do bolo adequados e tempo médio mastigatório indefinido. Em suma, é nítido a escassez de pesquisas caracterizando a mastigação de idosos saudáveis. Com o passar dos anos, as estruturas do sistema estomatognático e suas funções acabam sofrendo modificações, as quais fazem parte do processo natural de envelhecimento, assim, é necessário que o idoso se adapte diante de suas condições morfofuncionais, tornando-se fundamental conhecer o perfil e as demandas dessa população, com o intuito de auxiliar no planejamento das ações fonoaudiológicas e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

1. Cardos MCAF, Bujes RV. A Saúde bucal e as funções do sistema estomatognático em idosos usuários de prótese dentária. Estud interdiscipl envelhec. 2010; 1(1):53-67.
2. Yoshida FS, Mituuti CT, Totta T, Berretin-Felix G. A influência da função mastigatória na deglutição orofaríngea em idosos saudáveis. Audiol Commun Res. 2015; 20(2):161-166.
3. Costa DR, Totta T, Silva-Arone MMA, Brasolotto AG, Berretin-Felix G. Diadococinesia oral e função mastigatória em idosos saudáveis. Audiol Commun Res. 2015; 20(3):191-197.
4. Ayres A, Teixeira AR, Martins MD, Gonçalvez AK, Olchik MR. Análise das funções do sistema estomatognático em idosos usuários de prótese dentária. R bras ci Saúde. 2016; 20 (2):99-106.
5. Oliveira BS, Delgado SE, Brescovici SM. Alterações das funções de mastigação e deglutição no processo de alimentação de idosos institucionalizados. Rev Bras de Geriatr e Gerontol. 2014; 17(3):575-587.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2113
CARACTERIZAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE CUIDADORES DE FAMILIARES COM AFASIA DE UM CENTRO DE REABILITAÇÃO INTENSIVA FONOAUDIOLÓGICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução:
A experiência subjetiva de sobreviver a um Acidente Vascular Cerebral (AVC) é caracterizada por uma mudança radical na vida dos pacientes e de suas famílias, impactando as experiências físicas, psicológicas, sociais, relacionais, emocionais e espirituais, situações cotidianas que foram realizadas com normalidade antes do AVC tornam-se agora um verdadeiro desafio para os membros da família. As principais manifestações pós-AVC são: déficits motores, incapacidades funcionais e distúrbios de linguagem, como a afasia, que apresenta alterações dos processos linguísticos de significação de origem articulatória e discursiva. Os parentes próximos passam a ser responsáveis por cuidar do dependente, e mesmo sendo cuidados dispostos à alguém que se estima, pode ser estressante e levar à diminuição da qualidade de vida (QV), o que coloca a família na posição de necessitar de cuidados e atenção. A QV pode ser definida como a percepção que o indivíduo tem sobre diversos aspectos de sua saúde física, estado psicológico e suas relações sociais no contexto da cultura e do sistema de valores no qual faz parte.
Objetivo:
Caracterizar a qualidade de vida de cuidadores e familiares de indivíduos com afasia atendidos num centro de reabilitação.
Método:
A pesquisa foi realizada com cuidadores e familiares que frequentam o centro de reabilitação intensiva fonoaudiológica “Casa da Afasia” em uma Universidade pública no interior do estado de São Paulo. Foi aplicado o Instrumento Abreviado de Avaliação de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL-Bref), de forma individual em sala reservada, sendo a média de duração de 10 minutos, variando a depender da necessidade dos participantes.
Resultados:
Participaram do estudo 11 cuidadores/familiares de indivíduos com diagnóstico de afasia pós AVC. A maioria era do sexo feminino (77%), quanto ao grau de parentesco (66%) dos cuidadores referiram ser cônjuges. Os dados foram analisados de acordo com as instruções do questionário, calculando a média, o desvio padrão e o coeficiente de variação por domínio. A auto avaliação da QV apresentou (M=12,73; DP= 3,13; CV= 24,62). Foram caracterizados os dados separadamente pelos quatros domínios físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. O domínio físico vinculado a questões referente a saúde em geral apresentou (M=13,45; DP= 2,13; CV= 15,82), o domínio psicológico caracterizando pela presença de questões alusivas à sentimentos positivos e negativos, autoestima apontou (M=12,06; DP= 1,41; CV= 11,71), no domínio ligado a relações sociais, suporte social e atividade sexual exibiu (M=12,00; DP= 3,68; CV= 30,63), no domínio meio-ambiente, referente a recursos financeiros, ambiente do lar, lazer, transporte entre outros obteve (M=14,05; DP= 1,68; CV=11,96). O domínio menos afetado foi Meio Ambiente e como domínio mais afetado Relações Sociais, que engloba as facetas: relações pessoais (M=2,91; DP= 1,04), suporte (apoio) social (M= 2,91; DP= 1,38) e atividade sexual (M=3,18; DP= 0,98).
Conclusão:
O impacto das sequelas decorrente do AVC pode acentuar a auto percepção do cuidador quanto a baixa de sua qualidade de vida, corroborando com achados de estudos referente a sobrecarga do cuidador familiar, indicando carência de apoio social e instrumental para o cuidado, alterando a dinâmica de relações pessoais e também atividade sexual.

1. TOMOMITSU M. R. S. V., Perracini M. R., & Neri, A. L. (2014). Fatores associados à satisfação com a vida em idosos cuidadores e não cuidadores. Ciência & Saúde Coletiva, 19(8), pp. 3429-3440. doi: 10.1590/1413-81232014198.13952013

2. PANHOCA, Ivone  and  RODRIGUES, Aline Nascimento. Avaliação da qualidade de vida de cuidadores de afásicos. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [online]. 2009, vol.14, n.3, pp.394-401. ISSN 1982-0232.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342009000300017


3. PERSSON J, Holmegaard L, Karlberg I, Redfors P, Jood K, Jern C, et al. Spouses of Stroke Survivors Report Reduced Health-Related Quality of Life Even in Long-Term Follow-Up: Results From Sahlgrenska Academy Study on Ischemic Stroke. Stroke. 2015;46(9):2584–90. doi: 10.1161/STROKEAHA.115.009791[PubMed]


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1506
CARACTERIZAÇÃO DAS AÇÕES EM SAÚDE DA COMUNICAÇÃO HUMANA NA PLATAFORMA ARES-UNASUS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O Acervo de Recursos Educacionais em Saúde- ARES- foi criado em
2013 pelo Ministério da Saúde, sob a coordenação da UNA-SUS. A plataforma
ARES apresenta objetos de aprendizagem com várias temáticas na área da saúde,
sendo disponibilizadas pelas Instituições da Rede UNA- SUS, Fiocruz e pelos
Núcleos de Telessaúde. Os Recursos Educacionais são apresentados em diversos
formatos, apoiando o acesso ao conhecimento em saúde dos usuários que
acessam a plataforma digital. Na área da Fonoaudiologia, as temáticas educativas
podem ampliar/ garantir a aprendizagem dos alunos e qualificar a prática
profissional. 1,2,3 Objetivo: Caracterizar os Recursos Educacionais Digitais em Saúde
disponibilizados na (Plataforma ARES), relacionados à Saúde da Comunicação
Humana. Metodologia: Trata-se de um estudo realizado em uma base de dados
secundária - plataforma ARES -UNASUS entre o período de agosto de 2019 à
janeiro de 2020. Os recursos educacionais disponibilizados no acervo foram
caracterizados segundo: tipo de núcleo, ano de publicação, tipo de recurso,
categoria profissional, eixos temáticos, áreas estratégicas da saúde e grandes áreas
da Fonoaudiologia. Foram incluídos os RES de autoria dos Núcleos de Telessaúde
e com temáticas relacionadas à Saúde da Comunicação Humana. Foram excluídos
os RES duplicados na plataforma ARES. Resultados: Foram analisados 26
Núcleos de Telessaúde, totalizando 2.706 recursos, desses 98 com temáticas
relacionadas a Saúde da Comunicação Humana. A maior parte dos objetos de
aprendizagem voltados a Saúde da Comunicação humana foram produzidos pelos
Núcleos de Telessaúde do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, ambos com 38
Recursos, totalizando 76 temáticas educacionais. Na variável “ano de publicação",
houve uma maior disponibilidade de RES no ano de 2017.38,77% dos recursos
foram disponibilizados em forma de TCC. Na categoria “Eixo temático”, 41,85% dos
temas não possuía um eixo temático específico, seguido por Promoção da saúde
com 33,67%. Nas áreas estratégicas preponderou a Saúde da família, com 40,81%
das intervenções realizadas, 45,91% dos temas não apresentaram categoria
profissional específica, seguida pela categoria profissional médico, com 24,50% das
apresentações destinados à sua formação. Nas grandes áreas da Fonoaudiologia,
61 temas foram relacionados a área da Motricidade Orofacial, com recursos
direcionados a amamentação (pega-correta, ordenha e dentre outros). Conclusão:
Analisar os RES contribuíram para inferir sobre as ações de Telessaúde na área da
Fonoaudiologia, destacando os pontos abordados e os que necessitam de uma
maior explanação, possibilitando o subsídio e fortalecimento das ações educativas
através da educação permanente para esses profissionais.

1- UNA-SUS. Política de Acesso Aberto da Universidade Aberta do Sus. [publicação online]; 2016 [acesso em 12 jul 2020]. Disponível em https://www.unasus.gov.br/uploads/pagina/ACESSO_ABERTO/politica_de_acesso_aberto_UNASUS.pdf
2- UNA-SUS. Política do Acervo de Recursos Educacionais em Saúde- ARES. [ publicação online]; 2013 [ acesso em 12 jul 2020]. Disponível em https://www.unasus.gov.br/uploads/pagina/ACESSO_ABERTO/politica_de_acesso_aberto_UNASUS.pdf
3- Oliveira Jacqueline Pawlowski e Corrêa Edison J. Recursos Educacionais em Saúde: produção do Núcleo de Educação em Saúde Coletiva/ UFMG e o compartilhamento no ARES/ UNASUS. [ Revista em Internet] 2013 [ acesso em 12 de jul 2020]; v.4, n.1 Disponível em https://www.aunirede.org.br/revista/index.php/emrede/article/view/216


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1648
CARACTERIZAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS SOCIAIS DE ADULTOS COM GAGUEIRA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Caracterização das Competências Sociais de Adultos Com Gagueira

INTRODUÇÃO: Gagueira é compreendida como um distúrbio do neurodesenvolvimento, complexo de natureza multidimensional1. Os aspectos motores da fala dos indivíduos que gaguejam são amplamente investigados, no entanto, as competências sociais têm merecido destaque nas investigações nos últimos anos2. As dificuldades na comunicação de indivíduos com gagueira podem levar a autoestima rebaixada em relação aos seus pares com desenvolvimento típico3. Adultos com gagueira mostraram alto nível de ansiedade e com potencial de impactar negativamente na qualidade de vida destes indivíduos4. Essa visão mais contextualizada e abrangente do indivíduo adulto que gagueja possibilita um diagnóstico e uma terapia mais adequada às reais necessidades do falante. Além do mais, permite identificar os reais impactos do distúrbio na qualidade de vida do indivíduo que gagueja. OBJETIVO: investigar as competências sociais por meio da opinião dos familiares de adultos com gagueira e comparar com adultos fluentes. MÉTODO: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob número 677022117.0.0000.5406. Participaram 20 adultos, na faixa etária de 18 a 59 anos, divididos em: Grupo Pesquisa (GP), composto por 10 familiares de indivíduos com gagueira do neurodesenvolvimento persistente e Grupo Comparativo (GC), constituído por 10 familiares de indivíduos fluentes, comparados por sexo e idade ao GP. Os adultos do GP apresentaram diagnóstico de gagueira, com no mínimo 3% de disfluências típicas da gagueira na amostra de fala espontânea, e também; no mínimo gagueira leve, de acordo com a classificação do Instrumento de Gravidade da Gagueira (Stuttering Severity Instrument, SSI-4)5. Os adultos do GC não tinham diagnóstico de gagueira atual ou pregressa e manifestaram menos de 3% de disfluências típicas da gagueira na amostra de fala espontânea. Foi aplicado o inventário comportamental “Adult Behavior Checklist” (ABCL)6. O inventário investiga oito itens da competência social referentes as relações de adultos no cotidiano. As questões se referem as dificuldades, responsabilidades, comportamentos, preocupações e qualidades do indivíduo. RESULTADOS: A comparação intergrupos mostrou diferença no perfil social no que tange ao escore total do inventário ABCL e à escala de atividades. Na opinião dos familiares, os adultos com gagueira apresentaram competências sociais particulares, com maior tendência a manifestar alterações nas tarefas sociais, quando comparado com fluentes. As características mais frequentes dos adultos que gaguejam foram medo, nervosismo/tensão, culpa, ansiedade, perfeccionismo e preocupação além dos prejuízos sociais nas situações comunicacionais rotineiras. CONCLUSÃO: Conclui-se que a caracterização de competências sociais é peculiar para cada adulto com gagueira. O estudo apresenta implicação científica relevante, no sentido de que as pesquisas necessitam considerar a dimensão social e o impacto do transtorno de comunicação nesta população. Novos estudos deveriam caracterizar as competências sociais de indivíduos com gagueira considerando os grupos etários e a gravidade do distúrbio. Os dados sugerem a relevância de utilizar protocolos que considerem tanto a opinião dos familiares, como o levantamento de questões sociais nesta população. A intervenção fonoaudiológica na gagueira, deve englobar como objetivos não só a redução das manifestações e sua gravidade, mas também do impacto do distúrbio nas habilidades sociais.

Referências
1. Shields L. What Constitutes a Multidimensional Treatment Approach for School-Age Children Who Stutter?. Semin Speech Lang.2018 setembro. [acesso em 13 de julho de 2020]; 39(4). Disponivel em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30142644/
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Giorgetti M, Oliveira C, Giacheti C. Behavioral and social competency profiles of stutterers. Codas. 2015 janeiro – fevereiro. [acesso em 13 de Julho de 2020]; 27(1).Disponivel:https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S231717822015000100044&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

3. Fariba Y. Evaluating and comparing social skills and personality characteristics in elementary school children with stuttering and their normal peers. Journal of Research in rehabilitation sciences. [ revista em internet] 2011 Fevereiro- Março. [acesso 13 de julho de 2020];7(4);533-539.] Disponivel em : https://www.sid.ir/en/journal/ViewPaper.aspx?ID=256053

4. Sikandar M, Tahir N, Shah S. Self-Esteem and Anxiety among Young Adult Male Stutterers of Central Punjab.Biomédica. [revista em internet] 2019 Janeiro – Março. [acesso 13 de julho de 2020];35(1). Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Syed_Imran_Ali_Shah/publication/335684464_Selfesteem_and_anxiety_among_young_adult_male_stutterers_of_Central_Punjab/links/5d748baf4585151ee4a6333e/Self-esteem-and-anxiety-among-young-adult-male stutterers-of-Central-Punjab.pdf

5. Riley G, Bakker K. SSI-4: Stuttering severity instrument. PRO-ED, an International Publisher. 2009. [acesso em 13 de julho de 2020]. Disponível em: https://www.wpspublish.com/ssi-4-stuttering-severity-instrument-fourth-edition

6. Thomas M, Achenbach, Dumenci L, Rescorla L. Ratings of relations between DSM-IV diagnostic categories and items of the Adult Self-Report (ASR) and Adult Behavior Checklist (ABCL). Research Center for Children, Youth and Families [revista em internet] 2003 Fevereiro. [acesso em 10 de julho de 2020]. Disponivel em: https://aseba.org/wpcontent/uploads/2019/02/dsmadultratings.pdf


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1547
CARACTERIZAÇÃO DAS DISFAGIAS NAS DOENÇAS CARDÍACAS
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia se caracteriza pela dificuldade em deglutir alimentos. Já as doenças cardíacas representam os maiores índices de mortalidade no contexto das doenças crônicas1,2 A presença de fatores de risco e alteração na biomecânica sucção/deglutição/respiração têm sido aspectos abordados em pesquisas recentes e relacionados ao surgimento da disfagia em cardiopatas3. Objetivo: Caracterizar a ocorrência das disfagias nos cardiopatas. Metodologia: Revisão integrativa subsidiada pela seguinte questão: “Como se caracterizam os transtornos da deglutição nas doenças cardíacas?” A pesquisa foi realizada nas bases de dados Scientific Eletronic Library Online, Biblioteca Virtual em Saúde e Public Medicine Library, utilizando os descritores: Transtornos da deglutição, cardiopatia e fonoaudiologia. Os descritores foram correlacionados por meio do operador booleano “AND”. Os critérios de inclusão foram artigos publicados nos últimos 10 anos, nas línguas inglesa, portuguesa e espanhola que respondessem a pergunta norteadora. Foram excluídos estudos em duplicidade e revisões de literatura. As variáveis analisadas foram: classificação quanto a fase da deglutição alterada, grau da disfagia, instrumentos avaliativos utilizados, procedimento cirúrgico cardíaco, ocorrência e duração da intubação orotraqueal e tipo de intervenção fonoaudiológica. Resultados: Foram encontrados 236 estudos, sendo 124 na Public Medicine Library; 21 na Scientific Eletronic Library Online; 91 na Biblioteca Virtual em Saúde. Após aplicação dos critérios foram considerados 13 artigos. Destes, 154 excluídos por não responderem a pergunta norteadora; 30 por duplicidade; 02 por serem estudos de revisão de literatura e 37 por não integrarem período de análise. Com relação a fase alterada prevaleceu a disfagia orofaríngea em grau leve a moderado. A maioria dos artigos não descreveu os instrumentos avaliativos4-7, porém dois mencionaram a Escala Funcional de Ingestão por Via Oral1,2, um a Avaliação da Prontidão do Prematuro para Início da Alimentação Oral8, um a a Avaliação da Prontidão do Prematuro para Início da Alimentação Oral juntamente com o Protocolo de Avaliação de Disfagia Pediátrica3. Em relação ao procedimento cirúrgico cardíaco executado e a intubação orotraqueal, a maioria dos artigos não descreveu sobre estas variáveis. Apenas um artigo relatou a técnica NORWOOD ou cirurgia/procedimento híbrido9 e outro sobre a substituição da válvula aórtica transcateter7 (Transcatheter Aortic Valve Replacement – TAVR). Três artigos evidenciaram a ocorrência da intubação orotraqueal7-9, um com variação de 06 a 26 horas7 e outro de 03 a 90 dias8. O terceiro não retratou o período de intubação9. As intervenções fonoaudiológicas ocorreram somente no pós cirúrgico1,3,7,10, utilizando-se a estimulação oral com intervenção motora2 e volume controlado de alimentação8. Conclusão: Evidencia-se a ocorrência de disfagia orofaríngea em cardiopatas, de grau leve a moderado e os instrumentos utilizados para classificar as fases e graus dos transtornos de deglutição nos cardiopatas adultos tem sido a Escala Funcional de Ingestão por Via Oral e em crianças a Avaliação da Prontidão do Prematuro para Início da Alimentação Oral e o Protocolo de Avaliação de Disfagia Pediátrica. Por falta de informações nos artigos não foi possível definir se a disfagia mecânica ocorreu preponderantemente pela incoordenação sucção/respiração/deglutição ou pela ocorrência e duração da intubação orotraqueal.


Yokota J, Ogawa Y, Takahashi Y, Yamaguchi N, Onoue N, Shinozaki T, Kohzuki M. Dysphagia Hinders Hospitalized Patients with Heart Failure from Being Discharged to Home. The Tohoku Journal of Experimental Medicine 2019 Nov 249(3): 163-171.

Yokota J, Ogawa Y, Yamanaka S, Takahashi Y, Fujita H , Yamaguchi N, Onoue N, Ishizuka T , Shinozaki T, Kohzuki M. Cognitive Dysfunction and Malnutrition Are Independent Predictor of Dysphagia in Patients With Acute Exacerbation of Congestive Heart Failure. PLoS One. 2016 Nov 29;11(11):e0167326.

Miranda VSG, Souza PC, Etges CL, Barbosa LR. Parâmetros cardiorrespiratórios em bebês cardiopatas: variações durante a alimentação. CoDAS 2019 July 31( 2 ).

Malkar MB, Jadcherla S. Neuromotor mechanisms of pharyngoesophageal motility in dysphagic infants with congenital heart disease. Pediatric Research 2014; 76; 190-196.

Arifputera A, Loo G, Chang P, Kojodjojo. An Unusual Case of Dysphonia and Dysphagia. Singapore Med J 2014; 55(2): e31-e33.

Gajanana D, Morris DL, Janzer SF., George JC, Figueredo VM. Giant Left Atrium Causing Dysphagia. Tex Heart Inst J. 2016 Oct; 43(5): 469–471.

Mukdad L, Kashani R, Mantha A, Sareh S , Mendelsohn A, Benharash P. The Incidence of Dysphagia Among Patients Undergoing TAVR With Either General Anesthesia or Moderate Sedation. J Cardiothorac Vasc Anesth 2019 Jan; 33(1):45-50.

Fraga DFB, Pereira KR, Dornelles S, Olchik MR, Levy DS. Avaliação da deglutição em lactentes com cardiopatia congênita e síndrome de Down: estudo de casos. Rev. CEFAC 2015 Feb; 17(1): 277-285.

Lundine JP, Dempster R, Carpenito K, Miller-Tate H, Burdo-Hartman, Halpin E. Incidence of aspiration in infants with single‐ventricle physiology following hybrid procedure. Congenital Heart Disease. 2018;1–7.

Karsch, E, Irving SY, Aylward BS, Mahle WT. The prevalence and effects of aspiration among neonates at the time of discharge. Cardiology in the Young 2017; 27; 1241–1247.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
753
CARACTERIZAÇÃO DAS HABILIDADES PSICOMOTORAS EM CRIANÇAS COM DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Título: Caracterização das Habilidades Psicomotoras em Crianças com Dificuldade de Aprendizagem
Introdução: A estimulação psicomotora é indispensável para a criança que irá ingressar na escola,
tornando-se pré-requisito, visto que a escola é fundamental para o desenvolvimento psicomotor,
por meio de brincadeiras lúdicas, atividades físicas e jogos. O brincar é o meio mais natural que
a criança explora os conceitos psicomotores, pois a brincadeira proporciona movimentação
física, envolvimento emocional e mental. Para (Kamilla, 2010, 34), abordando a citação de
Paulo Freire, é mais preocupante crianças da primeira infância que não sabem brincar, do que
as que não sabem ler e escrever.Dificuldades na leitura, na matemática, na escrita e/ou na coordenação motora, podem
ser características da dificuldade de aprendizagem, que podem aparecer separadamente ou em
agrupamento. Segundo o autor, as dificuldades de aprendizagem caracterizam-se por situações
onde o rendimento nas provas habituais de leitura, escrita e matemática são consideravelmente
inferiores ao esperado para a idade ou para o nível escolar, prejudicando claramente na vida
escolar, no cotidiano e seus prejuízos podem permanecer na idade adulta. (RAFHAEL, 2015,
18).
Objetivo: Caracterizar às habilidades psicomotoras em crianças do 2º ao 4º ano do ensino fundamental l, com dificuldade de aprendizagem
Metódo: Trata-se de uma pesquisa quantitativa, transversal, observacional, descritiva e
individual. A pesquisa obedece a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL,
2012), que regulamenta os aspectos éticos. E obteve aprovação do comitê de ética com o
número 3.768.219.
A amostra constou do universo de 110 crianças, em média, do 2º ao 4º ano do ensino
fundamental I que estudam no turno da tarde, na Escola de Aplicação Yolanda Queiroz da
Universidade de Fortaleza –Unifor. A realização da coleta de dados ocorreu no período de
fevereiro a março de 2020. Os alunos foram indicados pela a professora, por meio de um
checklist, em que havia aspectos em relação às dificuldades de aprendizagem na leitura, escrita
e cálculo. Esse checklist foi apresentado para as professoras do 2º ao 4º ano, duas de cada turma,
pela pesquisadora e orientadora, em uma reunião marcada junto à diretora da escola com
duração de 1 hora. A Escola de Aplicação Yolanda Queiroz oferece educação de qualidade para
as crianças das comunidades vizinhas. São anualmente vagas para cerca de 540 crianças da
educação infantil, a partir, do Infantil 4 até a 5º do ensino fundamental I e alunos recebem
gratuitamente material escolar, refeições e fardamento.
Resultado: Foram selecionadas 20 crianças da Escola de Aplicação Yolanda Queiroz na
Universidade de fortaleza – Unifor, que inicialmente enquadraram-se nos critérios da pesquisa.
Dessas 20 crianças, 2 foram excluídas pelos os critérios do protocolo aplicado, constituindo-se,
assim, a amostra da pesquisa com 18 crianças.
Conclusão: As crianças apresentaram alterações em ambos os aspectos da aprendizagem, bem
como nas habilidades psicomotoras. No entanto, não houve uma relação entre esses aspectos em decorrência do
número pequeno de crianças avaliadas, contudo, comprovou-se que, as crianças com
dificuldade de aprendizagem também apresentaram alterações nas habilidades psicomotoras.

FONSECA, Vítor da. Manual de Observação Psicomotora. 4. ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1995. 371 p.
KAMILA, Ana Paula Folador Kamila et al. A estimulação psicomotora na aprendizagem
infantil. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, [s.l.], v. 1, p. 11, 2010.
Disponível em: http://repositorio.faema.edu.br:8000/jspui/handle/123456789/1656 Acesso em:
31 out. 2019.
PEÑEÑORY, Victor Manuel. et al. Review of systems to train psychomotor skills in hearing
impaired children. In: WORKSHOP ON ICTS FOR IMPROVING PATIENTS
REHABILITATION RESEARCH TECHNIQUES, 4., 2016, Lisboa. Proceedings [...]. New
York: ACM, 2016. p. 81-84.

RAPHAEL, Angelita da Silva Rego. Psicomotricidade e os distúrbios de leitura e escrita: Aspectos psicomotores que influenciam no aprendizado da leitura e escrita. Orientador: Me Denise Rocha Pereira e Me Marcos José Ardenghi. 2015. 62 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Psicomotricidade) - Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, São Paulo, 2015. Disponível em: http://www.unisalesiano.edu.br/biblioteca/monografias/58553.pdf. Acesso em: 31 out. 2019.
ROSA, Milena Groetares. Dificuldades de aprendizagem na alfabetização. Revista Praxis Pedagógica, Rio de Janeiro, v. 2, p. 1-14, 2019. Disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rM5IPSpPJGgJ:www.periodicos.unir.br/index.php/praxis/article/download/135/pdf+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 31 out. 2019.
SILVA, Samara Lilian Zulian Ruas da et al. Desempenho percepto-motor, psicomotor e intelectual de escolares com queixa de dificuldade de aprendizagem. Desempenho de escolares com dificuldades de aprendizagem, [s.l.], ano 103, v. 34, p. 1-14, 2017. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862017000100004. Acesso em 31 out. 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
896
CARACTERIZAÇÃO DAS HABILIDADES SOCIAIS E DE COMPORTAMENTO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DE LINGUAGEM E DE FALA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)
18650000


INTRODUÇÃO: os transtornos da comunicação incluem o Transtorno da Linguagem e o Transtorno da Fala, e em ambos os quadros há dificuldade persistente na aquisição da linguagem ou dos sons da fala, levando a limitações numa comunicação eficaz, o que interfere na participação social e no sucesso acadêmico (1). O Transtorno Específico de Aprendizagem é uma outra condição de alteração do neurodesenvolvimento e frequentemente está associado aos transtornos da comunicação (1). Crianças que são competentes no uso da linguagem são mais eficazes socialmente, indicando que existe uma relação bidirecional entre linguagem e aspectos emocionais e sociais (2). Crianças e adolescentes com Transtorno da Linguagem são, em geral, vulneráveis a dificuldades de ajustamento e nas relações entre pares (3,4). OBJETIVO: caracterizar as habilidades sociais e problemas de comportamento de crianças com Transtorno de Linguagem e de Fala. METODOLOGIA: o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – CAEE 99729418.4.0000.5417. Participaram 24 crianças entre 6 e 11 anos com Transtorno de Linguagem ou de Fala, diagnosticadas por equipe multidisciplinar, selecionadas em Clínica-escola para compor a amostra. Oito delas tinham Transtorno dos Sons da Fala de grau moderado a severo, oito tinham Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem e outras oito tinham diagnóstico de Transtorno de Específico de Aprendizagem associado a Transtorno de Linguagem com comprometimento em pelo menos dois subsistemas linguísticos (fonologia, sintaxe ou vocabulário). Desta forma, todas as crianças tinham dificuldades para se comunicar verbalmente. Foi aplicado o Inventário de Habilidades Sociais, Problemas de Comportamento para Crianças (5), com a colaboração de seus pais. A análise interpretativa protocolar foi utilizada para identificar e caracterizar o perfil dos resultados. RESULTADOS: 77% dos participantes apresentaram percentil global entre 1-25, indicando repertório “abaixo da média inferior” em habilidades sociais, classificação crítica para empatia/afetividade, responsabilidade, autocontrole/civilidade, assertividade e desenvoltura social, habilidades que exigem demonstração de interesse em relação ao sentimento e ponto de vista dos outros, expressão de sentimentos positivos, compromisso com tarefas e regras preestabelecidas para atividades acadêmicas e de convívio social, frente às reações indesejáveis do outro. Para problemas de comportamento, 45% apresentaram repertório de habilidades sociais “acima da média superior”, apontando a existência de condutas assertivas limitadas, como atitudes de agressão física ou verbal, baixo controle de humor, inquietação, impulsividade, tristeza, solidão, o que pode favorecer manifestações de ansiedade e construção de baixa autoestima. CONCLUSÃO: os resultados do estudo indicaram que as habilidades sociais positivas, relacionadas às demandas interpessoais de afetividade/cooperação e responsabilidade, foram restritas a um contingente da amostra, sugestivo da necessidade de uma atenção maior aos repertórios de socialização, que regulam o funcionamento e ajustamento da vida social e acadêmica da criança com transtorno de fala e linguagem, como também, da avaliação cuidadosa a partir da investigação da queixa clínica e evidências psicométricas.

1. American Psychiatnc Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais 5 - DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.

2. Beck L, Kumschick I R, Eid M & Klann-Delius G. Relationship between language competence and emotional competence in middle childhood. Emotion. 2012; 12(3): 503–514.

3. Durkin K, Conti-Ramsden G. Young people with specific language impairment: a review of social and emotional functioning in adolescence. Child Lang Teach Ther. 2010; 26(2):105–121.

4. Conti-Ramsden G, Moki P, Durkin K, Pickles A, Toseeb U, Botting N. Do emotional difficulties and peer problems occur together from childhood to adolescence? The case of children with a history of developmental language disorder. European Child & Adolescent Psychiatry. 2019; 28:993–1004.

5. Gresham F M, Elliotta S N. Adaptação e padronização brasileira: Del Prette ZAP, Freitas, LC, Bandeira M & Del Prette A. Inventário de Habilidades Sociais, Problemas de Comportamento e Competência Acadêmica para Crianças (SSRS). São Paulo: Editora Pearson, 1ª Ed. 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1378
CARACTERIZAÇÃO DAS PUBLICAÇÕES DOS DOCENTES FONOAUDIÓLOGOS DE SAÚDE COLETIVA DAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR PÚBLICAS (IES) DO NORDESTE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: É necessário conhecer a formação acadêmico-profissional do corpo docente com o intuito a se refletir sobre os projetos pedagógicos e o perfil docente destes profissionais, tendo em vista que, estes estão envolvidos na formação das próximas gerações. Desde o final do século passado, o governo brasileiro vem presumindo que o preparo pedagógico do docente da área da saúde tem relação direta com a formação de profissionais. Além disso, é essencial conhecer sobre a direção da produção científica para melhorar a qualidade da pesquisa, o progresso científico e diagnosticar principalmente o impacto dessa produção para a finalidade social que ela cria. Isso permite destacar as realizações e apontar as lacunas, atraindo também a atenção para novas alternativas de pesquisa. Diante do exposto, o presente estudo tem por objetivo identificar o perfil das publicações dos docentes fonoaudiólogos responsáveis pela oferta dos componentes curriculares de saúde coletiva nos cursos de fonoaudiologia das IES públicas do Nordeste. Métodos: Este estudo parte de uma análise documental, que teve como fonte de dados os currículos da Plataforma Lattes dos docentes fonoaudiólogos das IES públicas brasileiras. Os dados coletados e organizados na matriz de análise, foram tratados estatisticamente, formando um banco de dados, através do software IBM SPSS versão 20. Esse banco de dados foi construído considerando os artigos publicados entre 2015 a maio de 2020, excluindo-se resenhas, cartas ao editor e comentários. Os artigos coletados foram classificados e ordenados em variáveis. Resultados: Foram identificados 122 publicações e 19 docentes efetivos das IES públicas do Nordeste que são responsáveis pela área de saúde coletiva dos seus cursos. Dos artigos publicados, a maior prevalência foi daqueles que abordavam a temática concernente a estudos sobre populações específicas (16,4%). A variável com menor predomínio foi em estudos sobre políticas/programas de saúde (3,3%). Com relação aos artigos da área de saúde pública/saúde coletiva que tiveram maior ocorrências abordava o tema de política, planejamento, gestão e avaliação em saúde (54,9%), seguido por epidemiologia (27%) e que não estavam relacionados à área de saúde pública/saúde coletiva (15,6%) e, por último, a variável de ciências sociais e humanas em saúde (2,5%). Referente às características das revistas em que os artigos foram publicados, foi possível identificar que a maioria se concentrou nos periódicos que tinham como escopo as áreas de conhecimento da fonoaudiologia (45,1%). Já em revista de escopo na área da saúde coletiva/pública e outros, corresponderam respectivamente à 24,6% e 30,3%. Destes periódicos, 36,1% possuem a classificação qualis B1 e 23% em B4 para área da saúde coletiva. Quanto à classificação da revista segundo o qualis para a área de educação física, a maioria correspondeu ao B1 (39,3%) e em B2 (19,7%). Conclusão: Com base nos achados concluímos que, embora o campo da saúde coletiva seja muito vasto, ainda existe uma limitação em relação ao número publicações deste campo na fonoaudiologia. Outrossim, percebe-se que a maioria dos docentes da saúde coletiva tem publicado artigos nesta área, o que demonstra uma dedicação ao desenvolvimento da mesma na fonoaudiologia.

Palavras-chave: fonoaudiologia, ensino superior, saúde pública

Nardi V. de, Cardoso Carla, Araujo RPC de. FORMAÇÃO ACADÊMICO-PROFISSIONAL DOS DOCENTES FONOAUDIÓLOGOS DO ESTADO DA BAHIA. CEFAC. 2012;14:1122-1138.

Paz-Oliveira A, Carmo M.C do, Ferreira L. P. FONOAUDIÓLOGOS BRASILEIROS INTITULADOS DOUTORES NO PERÍODO DE 2009 A 2013: PERFIL DE FORMAÇÃO. CEFAC. 2015;:586-594.

Damiance Patrícia Ribeiro Mattar, Tonete Vera Lúcia Pamplona, Daibem Ana Maria Lombardi, Ferreira Maria de Lourdes da Silva Marques, Bastos José Roberto de Magalhães. FORMAÇÃO PARA O SUS: UMA ANÁLISE SOBRE AS CONCEPÇÕES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM SAÚDE COLETIVA. Revista trabalho educação e saúde. 2016;14:699-721.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
530
CARACTERIZAÇÃO DE ERROS ORTOGRÁFICOS DE CRIANÇAS ATENDIDAS EM UM LABORATÓRIO DE PESQUISA EM LINGUAGEM ESCRITA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A aquisição das habilidades básicas para a escrita é um processo muito importante, principalmente nos anos iniciais da alfabetização. Um dos aspectos mais relevantes para a escrita é a ortografia, ou seja, o entendimento das regras de como as palavras de uma língua devem ser grafadas. Para escrever corretamente, são necessários conhecimentos específicos sobre o funcionamento do sistema ortográfico do português, e este pode ser um fator desafiador para muitas crianças, em especial, para aquelas que apresentam dificuldades de aprendizagem. Objetivo: descrever os erros ortográficos de crianças atendidas em um laboratório de pesquisa de linguagem escrita. Método: Trata-se de um estudo descritivo, transversal, retrospectivo e documental, realizado a partir da análise de prontuários de um Laboratório de pesquisa e extensão sobre linguagem escrita. Participaram do estudo 38 crianças, sendo 65,7% do sexo masculino e 34,3% do feminino; com idades entre 7 e 16 anos e escolaridade do 1° ao 9° ano do Ensino Fundamental I e II de escolas públicas e privadas. Todos os escolares da amostra apresentaram queixa de dificuldades em leitura e escrita. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição de origem sob o número 1.012.635. Foi realizado um ditado de palavras e pseudopalavras do protocolo “Avaliação de Leitura de Palavras e Pseudopalavras isoladas - LPI”, que é utilizado na análise de leitura. O teste possui 59 estímulos e a média da quantidade total de palavras escritas pelas crianças foi de 43,16 (DP=16,46). Os erros ortográficos foram analisados mediante a classificação de Zorzi (2008), por ser a mais utilizada no Brasil. Resultados: As crianças foram distribuídas em dois grupos: crianças com idades entre 7-10 anos (57,9%) e crianças com 11-16 anos (42,1%), em função do início da alfabetização e consolidação da mesma, respectivamente. Ao analisar as médias de ocorrência dos erros ortográficos nas crianças, observou-se que os erros mais comumente encontrados na amostra foram: Omissão de Letras (M=13,00; dP=10,26), Outros (M=11,21; dP=11,49), Representações Múltiplas (M=6,76; dP=5,46), Acréscimo de letras (M=5,13; dP=7,99), Apoio na oralidade (M=4,24; dP=5,18), Trocas Surdo/sonoro (M=4,19; dP=5,19); Letras parecidas (M=1,74; dP=2,22), Inversões (M=1,34; dP=2,17), Junção/separação (M=0,47; dP=1,40), generalização (M=0,05; dP=0,22). Conclusão: Os dados obtidos evidenciaram maior frequência dos erros gerados pela “omissão de letras” e uma das hipóteses que justifica essa ocorrência é a imprecisão na apropriação das representações fonológicas relacionadas ao sistema ortográfico, visto que no português brasileiro as crianças não aprendem pela relação grafema-fonema. Ademais, os resultados evidenciam a importância da descrição dos erros ortográficos de crianças com dificuldades de leitura e escrita, para melhor delineamento da intervenção necessária aos casos atendidos em um laboratório de pesquisa que atende este público.

1- Vale AP, Sousa J. Tipo de erros e dificuldade na escrita de palavras de crianças portuguesas com dislexia. Invest Práticas 2017;7(3):61-83.

2- Zorzi JL, Ciasca SM. Caracterização dos erros ortográficos em crianças com transtorno de aprendizagem. Rev CEFAC 2008;10(3):321-331.

3- Capellini SA, Butarelli APKJ, Germano GD. Dificuldade de aprendizado da escrita em escolares de 1º a 4º séries do ensino público. Rev Educ em Questão 2010;37(23):146-164.

4- Sampaio MN, Capellini SA. Intervenção ortográfica em escolares com e sem dificuldades de escrita. Psicol Esc Educ 2015;19(1):105-115.

5- Machado THS. Aquisição da escrita e o processo de alfabetização e letramento nos estudos linguísticos e educacionais. Akrópolis 2015;23(1):3-14.

6- Piccolo LR, Miná CS, Salles JF. ANELE 1 - Avaliação de Leitura de Palavras e Pseudopalavras Isoladas - LPI. São Paulo: Vetor Editora, 2013.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
813
CARACTERIZAÇÃO DE PACIENTES COM FISSURA LABIOPALATINA ATENDIDOS EM UM HOSPITAL PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A fissura labiopalatina é uma das deformidades craniofaciais mais frequentes, afetando 1 a cada 700 nascidos vivos¹. De acordo com dados levantados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o maior número de nascidos acometidos por fissura labial, associada ou não a fissura de palato, se concentram no Japão, com 172 casos entre 113.702 nascidos (15.1 de 10.000)². No Brasil, dentro do período de 2007 a 2017, foram documentados 16.465 casos de fissura labial e palatina dentro de um total de 32.070.843 nascidos vivos³. Já no Distrito Federal, dentro do mesmo período, foram documentados 227 casos de fissura labial e palatina dentro de um total de 618.853 nascidos vivos. Objetivo: O estudo objetivou caracterizar a população acometida com fissura labiopalatina que realiza tratamento ou acompanhamento em um hospital de referência e verificar se o tipo de fissura pode estar associada à amamentação, dificuldades alimentares e presença de articulações compensatórias. Metodologia: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética, número do parecer: 3.067.263. Foi desenvolvido um estudo observacional, transversal, descritivo, analítico, a partir da aplicação de um questionário semiestruturado, com base em um estudo já publicado⁴, direcionado para os responsáveis pelos pacientes. Para realizar a análise estatística, foi utilizado o programa SPSS e aplicado Teste Exato de Fisher (nível de significância 5%). Resultados: Participaram do estudo 103 crianças, com faixa etária entre 0 e 14 anos, o sexo masculino foi mais acometido (67%), a fissura transforame incisivo prevaleceu em 61,2% dos casos, 15,5% afirmaram haver associação da fissura labiopalatina com outras síndromes, 30,1% possuem histórico familiar de fissura labiopalatina. Houve diferença significativa entre as fissuras pré-forame incisivo e pós-forame incisivo e entre a pré-forame incisivo e transforame incisivo em relação aos quesitos amamentação, dificuldade de sugar, engasgos, refluxo nasal e a presença de articulações compensatórias. Conclusão: A maioria dos casos participantes do estudo possuíam fissura transforame incisivo e eram do sexo masculino. Menos da metade da amostra tinham histórico de fissura labiopalatina ou associação com outras síndromes. A análise comparativa mostrou que os participantes com fissura pós-forame incisivo e transforame incisivo não foram amamentados em seio materno e tiveram queixas de dificuldades em sugar, engasgos, refluxo nasal e articulações compensatórias.


1 - Kummet CM, Moreno LM, Wilcox AJ, Romitti PA, DeRoo LA, Munger RG, Lie RT, Wehby GL. Passive smoke exposure as a risk factor for oral clefts—a large international population- based study. American journal of epidemiology. 2016 Apr 3;183(9):834-41.

2 - Shaw W. Global strategies to reduce the health care burden of craniofacial anomalies: report of WHO meetings on international collaborative research on craniofacial anomalies. The Cleft palate-craniofacial journal. 2004 May;41(3):238-43.

3 - BRASIL, Ministério da Saúde - SINASC. Nascidos vivos - Brasil. 2019.

4 - Campillay PL, Delgado SE, Brescovici SM. Avaliação da alimentação em crianças com fissura de lábio e/ou palato atendidas em um hospital de Porto Alegre. Revista CEFAC. 2010 Mar 1;12(2).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1910
CARACTERIZAÇÃO DE PROFESSORES COM DISTÚRBIO DE VOZ PARTICIPANTES DE UM PROGRAMA TERAPÊUTICO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: o hospital onde a pesquisa foi realizada é uma instituição que oferece atendimento a funcionários do município de XXXXX e a seus dependentes. Devido a isso, há uma grande demanda de professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental dessa rede municipal. O Setor de Voz desse hospital recebe um número aproximado de 30 pessoas por mês com relato de alterações vocais e essa procura, que acontece há mais de 20 anos, resultou na elaboração de um programa terapêutico, denominado Programa de Voz, onde são realizados 15 encontros semanais. Objetivo: caracterizar os professores da rede municipal que procuram o Programa de Voz. Método: trata-se de pesquisa de natureza transversal que contou os participantes de um grupo terapêutico do Programa de Voz do referido hospital. Inicialmente foram aplicados os instrumentos Índice de Triagem de Distúrbio de Voz (ITDV) e Índice de Desvantagem Vocal (IDV). No primeiro encontro do grupo, os participantes responderam ainda as seguintes perguntas de percepção vocal: (1) Para que serve a voz? (2) O que você acha da sua voz? (3) O que as pessoas acham da sua voz? (4) O que falta na sua voz? Os dados foram submetidos a análise estatística descritiva (numérica e percentual). Resultados: foram analisadas 42 professoras com média de idade de 41.8 anos e média de horas de 7.9h/dia. A média do ITDV foi de 8.5 (mediana de 9, mínimo de 1 e 12 pontos), sendo a menção de ≥ 5 pontos verificado em 38 (90.5%) das professoras analisadas. Os sinais e sintomas da voz mais registrados foram rouquidão (40-95.2%), falha na voz (35-83.3%) e cansaço vocal (35-83.3%). Quanto ao IDV, a média do escore foi de 17.9 (mediana de 17, variando entre 1 e 40 pontos). Quanto as questões referentes a voz, 40 (95.2%) professoras mencionaram o ato de comunicar para a questão “Para que serve a voz”, e 15 (35.7%) consideram a voz rouca quando questionadas sobre “O que você acha da sua voz” e “O que as pessoas acham da sua voz?” (17-40.5%). Necessidade de potência na voz foi a característica mais registrada para a questão “O que falta na sua voz?” (22-52.4%). Conclusão: as professoras estão conscientes de seus problemas vocais, embora esses pareçam ainda não impactar no seu dia a dia. Destaca-se que a maioria das professoras 90.5% (n=38) apresentaram índices do ITDV que indica distúrbio de voz. A equipe responsável pelo Programa de Voz está atenta às essas questões, que também merecem ser pesquisadas em estudos futuros.

Dragone MLOS. Programa de saúde vocal para educadores: ações e resultados. Rev. Cefac. 2011;13(6):1133-1143.

Ferreira LP, Giannini SPP, Figueira S, Silva EE, Karmann DF, Tomé-de-Sousa TM. Condições de produção vocal de professores da rede do Município de São Paulo. Distúrb Comunic. 2003;14(2):275-308.

Ferreira LP, de Souza TMT, Zambon F, Barreto RKA, Maciel MCBT. Voz do professor: gerenciamento de grupos. Distúrb Comun. 2010;22(3): 251-258.

Vilela FCA, Ferreira LP. Voz na clínica fonoaudiológica: grupo terapêutico como possibilidade. Disturb da Comun. 2006; 18(2):235-243.

Ghirardi ACAM, Ferreira LP, Giannini SSP, Latorre MRDO. Screening Index for Voice Disorder (SIVD): Development and Validation. J. Voice. 2013; 27(2):195-200.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2081
CARACTERIZAÇÃO DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR EM CRIANÇAS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: As dificuldades alimentares são um problema mundial. Atualmente é um assunto preocupante relacionado ao desenvolvimento infantil, estudado por profissionais de diferentes áreas. É sabido que deficiências nutricionais prejudicam todo o processo de crescimento da criança em diversos aspectos. Ocorre tanto em crianças saudáveis quanto naquelas com necessidades especiais (crianças com problemas neurológicos, prematuras, dentre outros) e independe de fatores socioeconômicos, culturais e étnicos. Vinte a trinta por cento das crianças saudáveis e oitenta por cento com desenvolvimento atípico, têm algum transtorno no comportamento alimentar. A dificuldade alimentar tem sido tema de interesse da fonoaudiologia, percebendo a necessidade de intervenções para além das funções orofaciais. Objetivo: caracterizar o comportamento alimentar em crianças de três a cinco anos de idade, sob a perspectiva dos pais. Método: estudo de caráter observacional quantitativo e descritivo de referência temporal transversal. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética, sob parecer nº 3.773.641. Foram entrevistados 44 pais que acompanhavam as crianças no momento dos atendimentos odontológicos, realizados na clínica escola do curso de Odontologia, e no programa de extensão Mamãe-Bebê, de uma universidade particular. Esse programa oferece atendimento para promoção de saúde, prevenção e tratamento curativo às crianças de zero a quatro anos de idade. A coleta de dados abordou o perfil sociodemográfico do paciente quanto a idade, sexo, nível de escolaridade da criança e dos pais e a renda familiar. Em seguida, foi aplicado o questionário MCH-Feeding Scale, traduzido, adaptado e validado em 2015, para a língua portuguesa europeia, composto de sete domínios relacionados às dificuldades alimentares das crianças. Sendo eles referente ao funcionamento do sistema sensório motor oral, sensorial oral, sobre o apetite, preocupações dos cuidadores em relação à refeição da criança; o comportamento da criança à hora da refeição, as estratégias compensatórias utilizadas pelos cuidadores durante a refeição da criança e por último a reação dos cuidadores. Resultados: Amostra do estudo foi composta por 44 pais das crianças atendidas. Cinquenta e cinco por cento (24) foram do sexo masculino, 57% (25) na faixa etária de cinco anos, 95% (42) frequentavam a escola. Referente ao perfil dos pais, 45% (20) com ensino médio completo e na sua totalidade possuíam baixa renda familiar, menor que dois salários mínimos. Quanto às dificuldades alimentares das crianças, os domínios de maior destaque foram estratégias dos cuidadores, em que 47,7% dos pais tinham maior dificuldade em utilizar estratégias assertivas durante as refeições; o domínio sensoriomotor oral, com 43,2% das crianças retinham comida na boca sem a engolir; e preocupação dos cuidadores, sendo 63,6% dos pais se declararam como muito preocupados com a alimentação das crianças.
Conclusão: Crianças em desenvolvimento típico podem ter dificuldades alimentares. As alterações encontradas indicam a existência de uma maior dificuldade em estratégias utilizadas pelos pais durante as refeições, além de crianças inapetentes que recusam o alimento no início da refeição, influenciando as relações familiares, o que reforça a necessidade de promoção de saúde a essa população.


Junqueira, P. Por que meu filho não quer comer? 1ª ed. São Paulo: Idea, 2017

Morris, S. E.; Junqueira, P. A criança que não quer comer- compreenda as interconexões do seu universo para melhor ajudá-la. 1ª ed. Bauru, SP: Idea editora, 2019. p. 31 a 56.

Goday, P. S., Huh, S. Y., Silverman, A., Lukens, C. T., Dodrill, P., Cohen, S. S., et al. Pediatric Feeding Disorder: Consensus Definition and Conceptual Framework. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2019 Jan [acesso 19 de novembro de 2019]; 68(1):124-129. Disponivel em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6314510

Lopes, Ana Cláudia; Guimarães, Isabel.; Afonso, Catarina. Montreal Children's Hospital Feeding Scale: Tradução e contribuição para a validação em português europeu. Revista Portuguesa de Terapia da Fala, 2015 [acesso em 2 de setembro de 2019]; v.3, ano III, p.5-15.
Disponível em: https://docplayer.com.br/49496556-Montreal-children-s-hospital-feeding-scale-traducao-e-contribuicao-para-a-validacao-em-portugues-europeu.html


TRABALHOS CIENTÍFICOS
588
CARACTERIZAÇÃO DO DESEMPENHO DE INDIVÍDUOS GAGOS NO TESTE DICÓTICO DE DÍGITOS.
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A gagueira é um transtorno multifatorial de base neurológica, que apresenta como manifestação rupturas no fluxo da fala podendo ser explicada por falhas na interação dos aspectos acústicos. A avaliação do processamento dicótico tem por objetivo avaliar a habilidade de figura-fundo para sons verbais e a interação binaural sendo um importante componente na bateria de testes comportamentais do processamento auditivo central, devido a sensibilidade destas medidas para disfunções do sistema nervoso auditivo central e, por fornecer informações que auxiliam na compreensão das dificuldades auditivas apresentadas por crianças com transtorno do neurodesenvolvimento. Objetivo: Investigar a habilidade auditiva de figura-fundo para sons verbais por meio do teste Dicótico de Dígitos (TDD) em escolares com diagnóstico de gagueira. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 71371017.0.0000.5406). Participaram 46 escolares com o diagnóstico de gagueira, de ambos os sexos e com idade variando de 7 a 12 anos e 11 meses de idade. Para a participação da pesquisa, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: idade entre 7 a 12 anos e 11 meses; diagnóstico de gagueira por profissional especialista da área; mínimo de 3% de Disfluências Típicas da Gagueira (DTG); e pelo menos, 11 pontos no Instrumento de Gravidade da Gagueira (Stuttering Severity Instrument, SSI-4, Riley, 2009), o que equivale a uma gagueira leve. Os procedimentos da pesquisa foram: (1) avaliação da fluência; (2) avaliação audiológica básica e, (3) avaliação da habilidade auditiva de figura-fundo para sons linguísticos por meio do teste dicótico de dígitos (TDD), etapa de integração binaural. Os resultados da avaliação foram analisados de forma inferencial. Resultados: A análise dos dados mostrou que 28 (60,8%) escolares apresentaram alteração no teste dicótico de dígitos (TDD). Constatou-se também que escolares na faixa etária de 7 anos apresentaram um maior índice de alteração (78,9%) e, os escolares de 12 anos não apresentaram alteração nesta habilidade. Conclusão: Nesta população observou-se que a maioria dos indivíduos avaliados apresentou alteração na habilidade auditiva de figura-fundo para sons linguísticos, evidenciando o envolvimento das bases neurológicas neste transtorno. Além disso, verificou-se um maior índice de alteração nos escolares mais jovens.

Riley, G. The stuttering severity instrument for adults and children (SSI-4) (4th ed.). Austin, TX: PRO-ED, 2009.

Pereira, L.D. Sistema auditivo e desenvolvimento das habilidades auditivas. In: LÉSLIE, P.F.; BEFI-LOPES, D.M; LIMONGI, S.C.O. (Org.). Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Editora Roca, 2004. p. 547-52.

Bellis, T.J. Assessment and management of central auditory processing disorders in the educational setting: from science to pratice. San Diego: Singular Publishing Group, 2003.

Musiek, F.E.; CHERMAK, D.D. Handbook of (central) auditory processing disorders: auditory neuroscience and clinical diagnosis. San Diego, USA: Plural Publishing; 2007.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1559
CARACTERIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR E MIO-OROFUNCIONAL DE CRIANÇAS NEUROTÍPICAS DE 0 A 12 MESES
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Durante os primeiros 18 meses de vida ocorrem as maiores e mais rápidas aquisições, sendo o período no qual os marcos fundamentais são atingidos, como a maturação dos reflexos sub-corticais em habilidades voluntárias. Porém, mesmo algumas respostas estando presentes desde o nascimento, nem todos os indivíduos adquirem as mesmas habilidades motoras
durante a mesma idade cronológica, já que pode haver alterações e influências quanto a fatores genéticos e ambientais. O desenvolvimento infantil é um processo dinâmico e contínuo no qual mudanças físicas, sociais, emocionais e mentais ocorrem em sequência1. No desenvolvimento motor ocorre a eclosão gradual das habilidades latentes de uma criança. Já no desenvolvimento mio-orofuncional ocorre a formação das estruturas correspondentes às funções estomatognáticas2,3. Desde o nascimento o neonato passa por modificações nas estruturas orofaciais, bem como, o desenvolvimento de funções estomatognáticas com padrões primários para padrões amadurecidos Objetivo: caracterizar o desenvolvimento motor e mio-orofuncional de crianças neurotípicas de 0 a 12 meses. Metodologia: pesquisa quantitativa, transversal, exploratória aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob registro 3.129.048. Composta por 21 crianças neurotípicas de zero a 12 meses de idade atendidas pelo Ambulatório de Pediatria da Univali. Foram coletados dados sobre os períodos pré, peri e pós-natal de cada sujeito através de entrevista estruturada dirigida aos responsáveis, juntamente com informações sobre o desenvolvimento de habilidades motora-fina adaptativa, motor grosseiro, linguagem e psicossocial através do teste Denver II, bem como, funções estomatognáticas através da aplicação do protocolo de Motricidade Orofacial Adaptado. Resultados: foram avaliadas 21 crianças de ambos os sexos, sendo as idades categorizadas por trimestre. Observou-se que a maioria dos sujeitos estudados apresentaram desenvolvimento motor alterado, desenvolvimento cognitivo e funções estomatognáticas adequadas. Conclusão: Pode-se observar que a maioria dos sujeitos pesquisados apresentaram desenvolvimento motor alterado, desenvolvimento cognitivo adequado e funções estomatognáticas adequadas para suas respectivas faixas etárias. A partir desses dados, conclui-se que não há relação direta entre o desenvolvimento motor e as funções do sistema estomatognáticos, já que o desenvolvimento de ambos os sistemas depende de estímulos externos e internos diferentes, como o aleitamento materno. Sendo assim, sugere-se realização de novas pesquisas relacionadas a fatores extrínsecos que possam interferir no desenvolvimento típico dos sistemas motor e mio-orofuncional.


1. Oliveira TSR et al. Associations between breastfeeding, nourishing introduction and neuropsychomotor development in the first six months of life. Rev. Distúrbios da Comunicação. 2017; 29(2): 262-72.
2. Araújo LB et al. Caracterização do desenvolvimento neuropsicomotor de crianças até três anos de: o modelo da CIF no contexto NASF. Cad. Bras. Ter. Ocup. 2018; 26(3):538-57.
3. Paula S, Griebeler KC. Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor de crianças na primeira infância em uma escola de Educação Infantil do Vale dos Sinos – RS. Rev. Aten. Saúde. 2017; 15(54):49-54.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1020
CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL AUDIOLÓGICO DE ADULTOS E IDOSOS ATENDIDOS EM UMA CLÍNICA ESCOLA DE INSTITUIÇÃO UMA DE ENSINO SUPERIOR
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: Em 2018 foram estimadas cerca de 466 milhões de pessoas vivendo com algum tipo de alteração auditiva, sendo que 93% são adultos, destes 56% são homens e 44% mulheres. Cerca de 30% da população idosa no mundo é acometida por perda auditiva incapacitante. Estima-se ainda que até 2050 haja 933 milhões de pessoas com algum grau de perda auditiva. Objetivos: Analisar o perfil audiológico dos pacientes adultos e idosos atendidos em uma clínica escola de uma instituição de ensino superior, realizar hipóteses diagnósticas, assim como analisar a quantidade de atendimentos realizados anualmente e suas características. Metodologia: Estudo de caráter retrospectivo, transversal, observacional e quantitativo, aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (1.344.555). Foram coletados dados dos prontuários dos pacientes com idade igual ou superior a 18 anos atendidos em uma clínica escola de uma instituição de ensino superior, entre agosto de 2014 e dezembro de 2018. Idade, sexo, queixa principal, diagnóstico audiológico, bem como a procedência e encaminhamentos foram os itens coletados. Foram excluídos da amostra os prontuários com exames audiológicos incompletos e os que foram atendidos em outro período que não o designado. Resultados: Foram analisados 592 prontuários, sendo a amostra dividida por grupos de faixas etárias sendo G1 jovens adultos (18 a 40 anos), G2 adultos (41 a 59 anos) e G3 idosos (igual ou maior de 60 anos). Houve um predomínio da população feminina em todos os grupos. A faixa etária predominante foi a do grupo G2. As queixas mais frequentes foram de dificuldade auditiva, zumbido e tontura. Quanto ao diagnóstico audiológico a maioria apresentou-se com audição normal, seguido da perda auditiva do tipo sensorioneural de grau moderado. Quanto à procedência e aos encaminhamentos, a maioria foi feita por e para os otorrinolaringologistas. Houve um aumento dos atendimentos ao longo dos anos e uma quantidade maior no segundo semestre dos anos letivos. Conclusão: Os pacientes deste estudo constituem-se por uma maioria de adultos do sexo feminino com audição normal, porém na população idosa a perda auditiva do tipo sensorioneural de grau moderado foi a prevalente. Notou-se um aumento dos atendimentos ao longo dos anos. As hipóteses diagnósticas levantadas foram presbiacusia e otoesclerose.

1. WHO: World Health Organization. WHO global estimates on prevalence of hearing loss. Geneva: World Health Organization; 2018.
2. Mondelli MFCG, Souza PJS. Quality of life in elderly adults before and after hearing aid fitting. Braz. J. otorhinolaryngol; 2012
3. Oliveira IS, Etcheverria AK, Olchik MR, Gonçalves AK, Seimetz BM, Flores LS, et al. Hearing in middle aged adults and elderly: association with gender, age and cognitive performance. Rev. CEFAC; 2014; 16(5): 1463-1470.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1650
CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DOS RECÉM- NASCIDOS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução:Caracterizar o perfil do recém-nascido é de extrema importância, uma vez que a partir dessas informações, ações de prevenção e promoção da saúde podem ser desenvolvidas com o objetivo de diminuir o índice de recém-nascidos pré-termos e com baixo peso, atenuando transtornos e impactos no desenvolvimento neuropsicomotor. Objetivo: caracterizar o perfil dos recém-nascidos de Pernambuco em 2018. Método: trata-se de um estudo descritivo, quantitativo e ecológico, utilizando dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde gerido pelo Ministério da Saúde, através da análise dos dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, referente ao ano mais atual disponível (2018) do estado de Pernambuco. As buscas foram realizadas em junho de 2020. As variáveis utilizadas foram: duração da gestação (pré-termo, termo e pós-termo), peso (baixo peso, adequado e macrossômico) e Apgar (1º e 5º minuto), analisadas segundo o sexo (masculino e feminino). Utilizou-se a análise descritiva, com teste do qui-quadrado considerando significância de p<0.005. Resultados: de acordo com a duração da gestação 11,1% dos recém-nascidos do sexo masculino nasceram prematuros, 85,4% nasceram a termo e 3,5% pós-termo. Em relação ao sexo feminino 10,4% nasceram pré-termos, 85,9% a termo e 3,7% pós-termo. Quanto ao peso, o baixo peso teve prevalência no sexo feminino com 8,3% (p< 0.0001) e 7,1% para o masculino. O peso adequado foi prevalente em 87,2% dos recém-nascidos do sexo feminino e 85,1% para o sexo masculino, com a diferença significante (p< 0.0001). A macrossomia fetal pôde ser observada em 7,8% dos recém-nascidos do sexo masculino e em 4,6% no sexo feminino. Quanto ao tipo de parto observou-se prevalência do parto cesariano no sexo masculino (51,6%, p< 0.0001), enquanto no sexo feminino a predominância foi de partos vaginais (50,2%). Em relação aos índices de Apgar no 1º minuto, não houve diferença nas pontuações de 0-2 (0,6%, asfixia grave) em relação aos sexos, embora o feminino tenha apresentado um discreto percentual superior nas pontuações de 8-10 (89,7%) quando comparado ao sexo masculino (88%). Quanto aos índices de Apgar no 5º minuto, houve uma redução do percentual nos índices de 0-5 para ambos os sexos, observando-se assim uma redução para o risco de asfixia perinatal, embora o sexo feminino (98,2%) sobressaiu de maneira discreta o masculino (97,9%) com prevalência nas pontuações de 8-10. Conclusão: apesar do número de nascidos vivos do sexo masculino ter sido superior, houve prevalência do sexo feminino no número de recém-nascidos a termos, peso adequado, parto vaginal e índices de Apgar entre 8-10. O sexo masculino demonstrou-se mais exposto aos riscos perinatais, podendo desenvolver atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor e linguístico, sendo necessário um olhar mais direcionado para esses recém-nascidos ainda durante o período hospitalar.

Gonzaga ICA, Santos SLD, Silva ARV, Campelo V. Atenção pré-natal e fatores de risco associados à prematuridade e baixo peso ao nascer em capital do nordeste brasileiro. Ciênc. saúde coletiva. 2016. 

Verreschi MQ, Cáceres-Assenço AM, Krebs VLJ, Carvalho WB, Befi-Lopes D M. Pré-escolares nascidos prematuros apresentam desempenho adequado em vocabulário expressivo e memória de curto prazo verbal?. CoDAS. 2020 

Balbi B, Carvalhaes MABL, Parada CMGL. Tendência temporal do nascimento pré-termo e de seus determinantes em uma década. Ciênc. saúde coletiva. 2016 

SINASC- Sistema de Informações de Nascidos Vivos [http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0203] [acesso em 12 julho 2020]. Disponível em https://datasus.saude.gov.br/



TRABALHOS CIENTÍFICOS
505
CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL LINGUÍSTICO DE CRIANÇAS COM SEQUÊNCIA DE ROBIN ISOLADA
Tese
Linguagem (LGG)


Introdução: A Sequência de Robin (SR) pode ser caracterizada por micrognatia, glossoptose com, ou sem, fissura de palato, de forma isolada ou em associação a outras anomalias congênitas ou síndromes genéticas. Quando ocorre isoladamente é denominada Sequência de Robin isolada (SRI). Objetivo: O objetivo desse estudo é caracterizar as habilidades de linguagem nas modalidades oral e escrita, em crianças com SRI. Método: Participaram 38 crianças com diagnóstico genético-clínico de SRI. A amostra foi dividida em 15 crianças de 3 a 6 anos (Grupo 1) e 23 crianças de 7 a 12 anos (Grupo 2) com SRI. Os grupos foram submetidos a diferentes protocolos de avaliação, baseados nos marcos de desenvolvimento, composto por Teste de Screnning de Desenvolvimento de Denver II (TSDDII), Teste de Vocabulário por Imagens Peabody (TVIP), Inventário MacArthur de Desenvolvimento Comunicativo (CDI), Teste de Linguagem Infantil (ABFW) - item fonologia, Teste de Desempenho Escolar (TED), Teste Token e Childhood Autism Rating Scale (CARS) – Versão padronizada para o Brasil. Resultados: No Grupo 1, 60% das crianças apresentaram risco para atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, sendo a linguagem a habilidade mais prejudicada no TSDDII; no aspecto lexical, todas as crianças obtiveram desempenho adequado no TVIP e no CDI, a média de palavras no vocabulário receptivo (compreende) foi de 377,87 e no expressivo (compreende e fala) foi de 352,53. No ABFW-Fonologia foram observados 14 processos produtivos no Grupo 1, sendo a simplificação de encontro consonantal a mais frequente; o grau de inteligibilidade de fala da maioria das crianças foi classificado como leve. Não houve relação entre a gravidade de glossoptose e as habilidades investigadas. Houve correlação entre a idade em que foi realizada a palatoplastia primária e o desempenho no TVIP (p=0,006) e no CDI (p=0,045). No Grupo 2, 82,6% das crianças apresentaram desempenho adequado na compreensão verbal e 86,95% no vocabulário receptivo; com o ABFW-Fonologia foram observados 10 processos produtivos sendo a simplificação de encontro consonantal a mais frequente; o grau de inteligibilidade de fala a maioria das crianças foi classificado como leve. Quanto ao desempenho escolar, 69,56% das crianças apresentaram desempenho dentro do esperado para sua idade escolar, sendo a média de pontos na escrita de 18,47, na leitura de 46,43, na aritmética 14,86 e no global 81,08. Nenhuma criança pontuou indicando risco para TEA. Houve correlação entre o desempenho escolar e a gravidade da glossoptose (p=0,042). Observou-se diferença estatisticamente significante na comparação do desempenho das crianças no TVIP com a gravidade da glossoptose (p=0,026). Observada diferença estatisticamente significante na comparação entre o desempenho escolar e a idade da realização da palatoplastia primária (p=0,027). Conclusão: A maioria das crianças com SRI demonstraram desempenho adequado nas provas que exigiam domínio da linguagem receptiva, já quanto a linguagem expressiva o aspecto fonológico foi o mais prejudicado em ambos os grupos. A gravidade da glossoptose e idade da realização da palatoplastia primária podem influenciar o desenvolvimento de linguagem e desempenho escolar.

1) Andrade CRF, Béfi-Lopes DM, Fernandes FDM, Wertzner WH. ABFW: Teste de linguagem infantil nas áreas de Fonologia, Vocabulário, Fluência e Pragmática. Carapicuiba (SP): Pró-Fono; 2000.
2) Capovilla FC, Capovilla AG, Nunes LR, Araújo I, Nunes DR, Nogueira D, et al. Versão brasileira do Teste de Vocabulário por Imagens Peabody. Distúrb Comun. 1997;8(2):151-62.
3) Drescher FD, Jotzo M, Goelz R, Meyer TD, Bacher M, Poets CF. Cognitive and psychosocial development of children with Pierre Robin sequence. Acta Paediatr. 2008;97(5):653-6.
4) Fenson L, Dale PS, Reznick JS, Thal D, Bates E, Hartung JP, et al. MacArthur communicative development Inventories: user’s guide and technical manual. San Diego: Singular Publishing; 1993
5) Frankenburg WK, Dodds J, Breswck B, Archer D, Marchka P, Edelman N, et al. Denver II: training manual. Denver (USA): Denver Developmental Materials; 1992.
6) Gorlin RJ, Cohen MM Jr, Hennekam RCM. Robin sequence. In: Gorlin RJ, Cohen MM Jr, Hennekam RCM. Syndromes of the head and neck. 4th ed. New York: Oxford University Press; 2001. p. 860-6.
7) Moreira L, Texeira M, Paiva A, Cazita VM, Salgado JV, Malloy-Diniz LF. Token Test. In: Malloy-Diniz LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N, organizadores. Avaliação neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed; 2010
8) Pereira A, Riesgo RS, Wagner MB. Autismo infantil: tradução e validação da Childhood Autism Rating Scale para uso no Brasil. J Pediatr (Rio J.) 2008;84(6):487-94.
9) Stein LM. TDE - Teste de Desempenho Escolar: manual para aplicação e interpretação. São Paulo (SP): Casa do Psicólogo; 1994.
10) Wertzner HF, Amaro L, Teramoto SS. Gravidade do distúrbio fonológico: julgamento perceptivo e porcentagem de consoantes corretas. Pró-Fono R. Atual. Cient. 2005;17(2):185-94.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1772
CARACTERIZAÇÃO DO POTENCIAL EVOCADO AUDITIVO CORTICAL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução:O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio caracterizado por padrões de comportamentos repetitivos, déficit na comunicação e interação, alteração da percepção e sensibilidade sensorial, sendo as alterações sensoriais aparentes na população autista, em 60 a 90% dos casos.1,2,3,4 A hiporesponsividade e/ou a hiperresponsividade sensorial pode surgir no início do desenvolvimento da criança, e esta resposta alterada a estímulos ambientais desempenha um papel fundamental no atraso do desenvolvimento e aprendizagem.5 Dentre estas alterações sensoriais, incluem-se as auditivas, e o processamento cortical de estímulos auditivos requer codificação de características sonoras, discriminação e atenção ao estímulo apresentado. A maturação neurológica típica é alterada em indivíduos desta população, podendo levar a déficits de processamento auditivo a longo prazo, afetando nos indivíduos com TEA tanto o processamento dos sons básicos quanto os da fala.6 Além disso, evidências crescentes relatam que os indivíduos com TEA têm dificuldade particular com aspectos temporais do processamento auditivo, que incluem a detecção de aspectos da duração, início e mudanças rápidas sonoras. A avaliação objetiva do processamento auditivo por meio dos Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência, ou Potenciais Evocados Auditivos Corticais, é muito aplicável nesta população. E os potenciais corticais referem mudanças elétricas no sistema auditivo central em resposta a um estímulo acústico, avaliando o processamento da audição em nível cortical.7,8,9 Objetivo: Analisar as respostas dos potenciais corticais em crianças e adolescentes com TEA e comparar os resultados com um grupo controle. Métodos:É um estudo transversal e observacional, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob número 77900517.2. A amostra foi composta de 57 crianças e adolescentes. 19 indivíduos no grupo estudo (GE), com diagnóstico de TEA, e 38 indivíduos no grupo controle (GC), com desenvolvimento típico, limiares auditivos normais e sem queixas auditivas. O GC foi duplamente pareado por idade e sexo.Os participantes realizaram avaliação auditiva periférica e dos potenciais auditivos corticais. Eletrodos foram fixados nas posições Fz (eletrodo ativo), M1 e M2 (eletrodos de referência) e na fronte (eletrodo Terra). Os estímulos auditivos utilizados foram apresentados em ambas orelhas simultaneamente, com intensidade de 80 dBNA. O Estímulo frequente foi de 1.000 Hz e estímulo raro de 2.000 Hz. Resultados: Encontrou-se valores de latência aumentados nas ondas P2 e N2 do Potencial Evocado Auditivo Cortical do grupo de crianças e adolescentes com TEA, havendo diferença estatisticamente significante (p=0,027) na comparação com o GC. Além disso, verificou-se morfologia das ondas alteradas em relação ao GC. Não houve diferença significante na análise comparativa entre orelhas direita e esquerda tanto no GE como no GC. Conclusão: Verificou-se que crianças e adolescentes com TEA apresentaram aumento nos valores de latência das ondas na avaliação do Potencial Evocado Auditivo Cortical em comparação ao grupo controle.

1 American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 5a ed. Arlington: American Psychiatric Publication; 2013.
2.Klintwall L, Holm A, Eriksson M, Carlsson LH, Olsson MB, Hedvall. Sensory abnormalities in autism. Res Dev Disabil. 2011;32(2):795-800.
3.Leekam SR, Nieto C, Libby SJ, Wing L, Gould J. Describing the sensory abnormalities of children and adults with autism.J Autism Dev Disord . 2007;37(5):894-910.
4.Rogers SJ, Hepburn S, Wehner E. Parents report sensory symptoms in children with autism and in those with other developmental disorders. J Autism Dev Disord. 2003;33(6):631-42.
5.Simon DM, Damiano CR, Woynaroski TG, Ibañez LV, Murias M, Stone WL, Wallace MT, Cascio CJ.Neural Correlates of Sensory Hyporesponsiveness in Toddlers at High Risk for Autism Spectrum Disorder.J Autism Dev Disord. 2017 ; 47(9): 2710–2722.
6.Jeste SS, Nelson CA. Event related potentials in the understanding of autism spectrum disorders: an analytical review. J Autism Dev Disord. 2009; 39(3): 495–510.
7. Scott KE, Schormans AL, Pacoli KY, De Oliveira C, Allman BL, Schmid S.Altered Auditory Processing, Filtering, and Reactivity in the Cntnap2 Knock-Out Rat Model for Neurodevelopmental Disorders.J Neurosci. 2018; 38(40): 8588–8604.
8. Foss-Feig JH, Stavropoulos KKM, McPartland JC, Wallace MT, Stone WL, Key AP.Electrophysiological response during auditory gap detection: Biomarker for sensory and communication alterations in autism spectrum disorder?Dev Neuropsychol. 2018; 43(2): 109–122.
9. Magliaro FCL, Scheuer CI,Júnior FBA,Matas CG.Estudo dos potenciais evocados auditivos em autismo. Pró-Fono R Atual Cient. 2010; 22; 31-36.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
801
CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO TEMPORAL DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – NIVEL I
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O processamento auditivo temporal pode ser definido como a percepção do som dentro de um período restrito e pré-determinado de tempo. Refere-se à habilidade de perceber, diferenciar e nomear estímulos que são apresentados em rápida sucessão. Esta habilidade auditiva é essencial para a compreensão da fala humana bem como percepção das características prosódicas do discurso, constituindo-se num pré-requisito para as habilidades linguísticas. Crianças com Transtorno do Espectro Autista apresentam alterações de linguagem principalmente relacionadas a compreensão de informações inferenciais transmitidas pelas características prosódicas do discurso, desta forma faz-se necessário investigar a relação entre essas dificuldades e o processamento auditivo temporal. Objetivo: caracterizar as habilidades de ordenação temporal e resolução temporal de um grupo de crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. Método: este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de uma Instituição de Ensino Superior (parecer nº3.411.157). Participaram 25 crianças com Diagnóstico de TEA-Nível I, do sexo masculino, na faixa etária de 8 anos a 14 anos, que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: quociente intelectual maior ou igual a 80, ausência de outras condições e comorbidades psiquiátricas e limiares audiométricos dentro dos padrões de normalidade (iguais ou inferiores a 25dBNS). Todos os participantes realizaram os seguintes procedimentos: avaliação da inteligência por meio da escala WASI (Escala Wechsler Abreviada de Inteligência) ou WISC (Escala Wechsler de Inteligência para Crianças) aplicada por uma psicóloga; avaliação audiológica básica e do processamento auditivo temporal, por meio dos testes de Padrão de Frequência (TPF) e Randon Gap Detection Test (RGDT) da AUDITEC® (1997). No teste de Padrão de Frequência solicitou-se dois tipos de resposta, o murmúrio e a nomeação, e o desempenho da criança foi classificado de acordo com o padrão de referência estabelecido para a faixa etária. Com relação ao RGDT, a resposta solicitada foi erguer o dedo para indicar se havia escutado um ou dois sons, ao final considerou-se o limiar médio das respostas para as quatro frequências testadas (500Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 4.000Hz) e, se estabeleceu como padrão de normalidade limiares médios iguais ou inferiores a 10 milissegundos (ms). O desempenho das crianças foi analisado de forma descritiva. Resultados: A análise do desempenho das crianças no teste de Padrão de Frequência demonstrou que quando as crianças responderam por meio de “murmúrio” o índice de alteração foi de 48% e, quando a resposta foi de nomeação este índice foi de 84%. Com relação ao RGDT, observou-se que todos os participantes apresentaram desempenho dentro dos padrões de normalidade, sendo que o limiar médio obtido variou de 2 a 7,25 ms, com valor médio de 4,94 ms. Conclusão: Neste estudo, a maioria da população avaliada apresentou alteração na habilidade de ordenação temporal, no entanto a habilidade de resolução temporal encontra-se dentro dos padrões de normalidade.


DUNN, W.; MYLES, B. S.; ORR, S. Sensory processing issues associated with Asperger syndrome: a preliminary investigation. Am J OccupTher.,v. 56, n. 1, p. 97-102, 2002.

FOMBONNE, E. Epidemiology of autistic disorder and other pervasive developmental disorders.J Clin Psychiatry,n. 66, Suppl. 10, p. 3-8, 2005.

BOATMAN, D.; ALIDOOST, M.; GORDON, B.; LIPSKY, F.; ZIMMERMAN, A.W. Tests ofauditory processing differentiate Asperger´s syndrome from high-functioning autism [abstract]. Presented at 30th Annual meeting of the Child Neurology Society. October 17-20, 2001. Victoria, British Columbia, Canada. Ann Neurol., v.50, n.3, Suppl 1, p.95, 2001.

YATES, D. B et al. Apresentação da Escala de Inteligência Wechsler Abreviada (WASI).
Avaliação Psicológica, v.5, n.2, p.227-233, 2006.

Samelli, A.G.; Schochat, E. Processamento auditivo, resolução temporal e teste de detecção de gap: revisão da literatura. Rev CEFAC, São Paulo, v.10, n.3, 369-377, jul-set, 2008


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2145
CARACTERIZAÇÃO DO PROGRAMA DE TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL EM UM INSTITUTO DE SAÚDE DE REFERÊNCIA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A identificação da deficiência auditiva em crianças é um tema que preocupa os profissionais de diversas áreas, em especial o fonoaudiólogo. Este fato se deve às necessidades de intervenção precoce da perda auditiva em recém-nascidos, para que a deficiência auditiva não interfira de forma negativa no desenvolvimento da criança e posteriormente na sua qualidade de vida. Nesse aspecto, os programas de triagem auditiva neonatal (PTAN) são importantes pois visam a detecção precoce de deficiência auditiva. Todavia, ainda que não haja alteração auditiva no momento da triagem, esses neonatos podem desenvolver de forma tardia e /ou progressiva, ficando a cargo do serviço de saúde o conhecimento e acompanhamento dos indicadores de risco para desenvolver perda auditiva, assim como, o planejamento adequado de programas de prevenção, visto que as condições sócioeconômicas e demográficas também podem influenciar na condição de saúde. Portanto, o objetivo do estudo foi Caracterizar o Programa de Triagem Auditiva Neonatal (PTAN) de um instituto de saúde de referência. A pesquisa caracteriza-se por um estudo retrospectivo, observacional e descritivo realizado no período de setembro de 2018 a janeiro de 2019, totalizando uma amostra de 652 prontuários de bebês triados no referido programa. Desses 652 bebês submetidos ao PTAN, 619 (94,9%) bebês passaram no momento inicial da avaliação, 33 (5,1%) bebês falharam e foram orientados a retornarem após 30 dias para realizar reteste. Desses 33 retornos, 3 (9,1%) faltaram e 30 bebês compareceram ao reteste, onde 26 (78,2%) bebês passaram na reavaliação e 4 (12,1%) mantiveram o resultado de falha e foram encaminhados para diagnóstico. No que diz respeito a condição socioeconômica das mães dos bebês triados, 67,6% possuem renda familiar até um salário mínimo, 19,1 % recebem mais de um salário mínimo e 13% não informou sua renda. Para o quesito estado civil, 89,2% das genitoras vivem com os cônjuges e 9,8% não vivem com os cônjuges. Sobre a escolaridade das genitoras, 43,3% não atingiram o ensino médio e 56,4% concluíram essa etapa. Em relação aos fatores de risco, foram pontuados os itens: consanguinidade representando (3,0%) da população estudada, histórico familiar de deficiência auditiva (5,1%), permanência em UTI por mais de 5 dias (3,4%), fototerapia (5,1%), uso de ototóxicos por mais de 5 dias (4,9%) e permanência em ventilação mecânica por mais 48h (2%). Não houve nenhum caso de CMV (citomegalovírus) ou toxoplasmose. A idade mínima, ao realizar a TAN, foi de 24 horas de vida e a máxima, de 3 meses. Não houve relação estatisticamente significativa entre outros fatores pesquisados. A partir do trabalho realizado, foi possível caracterizar o programa de triagem auditiva neonatal do instituto de saúde referido, bem como, as limitações do serviço no que diz respeito ao controle de agendamento de testes e retestes, assim como no acompanhamento dos casos em seguimento, impactando diretamente na cobertura do programa de triagem auditiva neonatal.

1. Joint Committee on Infant Hearing. Year 2019 Position Statement: Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs. The Journal of Early Hearing Detection and Intervention. 2019; 4(2): 1–44.

2.Grindle CR. Pediatrics in Review an Official Journal of teh American Academy of Pediatrics, 2014; 35; 456.

3. Malheiros MASF, Cavalcanti HG. Caracterização dos programas de triagem auditiva neonatal das maternidades localizadas no município de João Pessoa – PB. Rev. CEFAC, 2015;17(2): 454-460.

4. Lewis DR, Marone SAM, Mendes BCA, Cruz OLM, Nóbrega M. Comitê Multiprofissional em saúde auditiva COMUSA. Rev Bras Otorrinolaringol (Engl Ed). 2010; 76(1): 121-8.

5. Lima PT, Goldbach MG, Monteiro MC, Ribeiro MG. A triagem auditiva neonatal na Rede Municipal do Rio de Janeiro, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva 2015, 20(1):57-63.

6. Paschoal MR, Cavalcanti HG, Ferreira MAF. Análise espacial e temporal da cobertura da triagem auditiva neonatal no Brasil (2008-2015). Ciência & Saúde Coletiva 2017, 22(11):3615-3624.

7. Northen JL, Downs MP. Hearing in children. Baltimore: Wilkins e Williams; 1991. p. 3- 209.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
2034
CARACTERIZAÇÃO DOS DISTÚRBIOS RESPIRATÓRIOS DO SONO EM CRIANÇAS.
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Título: Caracterização dos distúrbios respiratórios do sono em crianças. Introdução: O sono exerce um papel importante no desenvolvimento da criança, sendo fundamental para a saúde mental e física. Comprometimentos respiratórios interferem no sono, causando prejuízos em vários aspectos na vida da criança. Objetivo: Caracterizar os distúrbios respiratórios do sono em crianças de 4 a 10 anos de idade, na perspectiva dos pais. Método: Tratou-se de uma pesquisa observacional transversal e descritiva de natureza quantitativa. Participaram deste estudo 34 pais e/ou cuidadores de crianças que são atendidas na clínica escola do curso de Odontologia de uma universidade particular, que também são assistidas no Programa de Extensão com integração entre Fonoaudiologia e Odontologia. Foi realizada entrevista com os pais, através do questionário Pesquisa de Qualidade de Vida– OSA-18, dividido em cinco domínios, e levantamento dos dados demográficos da criança quanto à idade, sexo e escolaridade dos pais e da criança. A presente pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética sob o parecer n° 3.773.735. Resultados: Sessenta e quatro vírgula sete por cento foram do sexo feminino com predomínio de 50% na faixa etária entre 6 a 7 anos e 50% no 1° e 2° ano do ensino fundamental. Quanto aos questionamentos relacionados ao sono, no domínio “perturbação do sono”, os pais referiram que 41,2% das crianças apresentavam todas às vezes sono agitado e o despertar durante à noite. Para o domínio “sintomas físicos”, 38,3% respiravam pela boca, por obstrução nasal. No domínio “sofrimento emocional”, as respostas dos pais sobre seus filhos foram mudança de humor ou acesso a raiva todas às vezes, em 32,4%; comportamento agressivo e hiperativo, todas às vezes, em 35,3%. Referente ao domínio “sintomas diurnos”, os pais mencionaram a dificuldade diária das crianças para acordarem pela manhã, em 58,8%. Conclusão: Durante o desenvolvimento do presente estudo, possibilitou-se um novo olhar sobre a importância do sono na saúde das crianças, tanto para a população alcançada como para a Fonoaudiologia. Constata-se que o questionário OSA-18 pode ser utilizado, também, para caracterizar os distúrbios respiratórios do sono em crianças. Nas crianças estudadas, encontramos um elevado índice de dificuldades emocionais, comportamentais e em alguns sintomas diurnos, problemas esses que podem ser influenciados pelo sono.

1. Valera Fabiana C. P., Demarco Ricardo C., Anselmo-Lima Wilma T. Síndrome da Apnéia e da Hipopnéia Obstrutivas do Sono (SAHOS) em crianças. Rev. Bras. Otorrinolaringol. [Internet]. 2004 [acesso 2020 Maio 18]; 70(2): 232-237. Availablefrom: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992004000200014&lng=en. https://doi.org/10.1590/S0034-72992004000200014.
2. Belém AS, Louzada FM., Azevedo CVM. Influência de fatores sociais no ciclo sono-vigília em crianças. Sleep Sci.2010; 3 (2):122-126.
3. Silva FG., Silva CR, Braga LB, Neto AS. Hábitos e problemas do sono dos dois aos dez anos: estudo populacional. Acta Pediatr[Internet]2013. [Acesso 2020 Maio20]. 44 (5);196-202. Disponível em:
https://pdfs.semanticscholar.org/8c46/499c6533de1c0d8910684c852cf5568f94d8.pdf
4.Halal CSE, Nunes ML. Distúrbios do sono na infância. ResidPediatr.[Internet] 2018.[Acesso 2020 Maio 20]8(1):86-92. Disponível em: http://residenciapediatrica.com.br/detalhes/347/disturbios%20do%20sono%20na%20infancia
5. Gomes AM, Santos OM, Pimentel K, Marambaia PP, Gomes LM, Pradella-Hallinan M et al. Qualidade de vida em crianças com distúrbios respiratórios do sono. Braz. j. otorhinolaryngol. [Internet]. 2012 Oct[ 2020 Maio 18]; 78(5): 12-21. Availablefrom: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-86942012000500003&lng=en. http://dx.doi.org/10.5935/1808-8694.20120003.
6. Ieto, V,Kayamori F, Montes ML, et al. EffectsofOropharyngealExercisesonSnoring. Chest (American CollegeofChestPhysicians).[Internet]. 2015. [Acessoem 2020 Maio 20]; 148: 683-691.Disponível em: http://www.snoozeal.com/wp-content/uploads/2019/03/Effects-of-Oropharyngeal-Exercises-on-Snoring.pdf
7. Fernandes FMVS, Teles RCVV. Questionário da Síndrome da Apneia Obstrutiva na Criança-18: versão portuguesa. Braz. j. otorhinolaryngol. [Internet]. 2013 Dec [acesso 2020 Maio 18] ; 79( 6 ): 720-726. Availablefrom: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-86942013000600720&lng=en. https://doi.org/10.5935/1808-8694.20130132.
8. Fagondes SC, Moreira GA. Apneia obstrutiva do sono em crianças. J. bras. pneumol. [Internet]. 2010 junho [citado 2020 maio 18]; 36 (Supl 2): 57-61. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132010001400015&lng=en. https://doi.org/10.1590/S1806-37132010001400015 .



TRABALHOS CIENTÍFICOS
548
CARACTERIZAÇÃO DOS PACIENTES ATENDIDOS PELO SERVIÇO DE FONOAUDIOLOGIA DE UM HOSPITAL ESPECIALIZADO EM ONCOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: Estima-se que o Brasil apresente no ano de 2020, 625.370 novos casos de neoplasias malignas, dos quais 114.570 na região sul do país.¹ Entre os da região sul, 8.090 são neoplasias de cabeça e pescoço, subdivididas em: tireoide, com 270 novos casos para o sexo masculino e 930 para o sexo feminino; cavidade oral, com 1990 novos casos masculinos e 630 femininos; laringe, com 1210 casos novos para o sexo masculino e 210 caso para o sexo feminino; e, esôfago, com 2160 novos casos masculinos e 690 casos femininos.¹ O tratamento dessas patologias pode ser cirúrgico, radioterápico e/ou quimioterápico e podem ocasionar dificuldades, em maior ou menor grau em relação à alimentação via oral, fonoarticulação e inteligibilidade de fala.² Para minimizar as sequelas resultantes do tratamento, o fonoaudiólogo atua em uma equipe multiprofissional desde o diagnóstico, no período pré, durante e após o tratamento cirúrgico e/ou clínico, visando reabilitar as funções estomatognáticas comprometidas³. OBJETIVO: Caracterizar os pacientes atendidos em ambulatório pela equipe de fonoaudiologia, no primeiro semestre de 2020, de um hospital oncológico. MÉTODO: Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o Parecer 3.109.023. Foram coletados dados de prontuários eletrônicos de pacientes que iniciaram atendimento ambulatorial com a equipe de Fonoaudiologia, no período de janeiro a junho de 2020. As variáveis observadas foram: sexo, idade, patologia e tratamento. RESULTADOS: Foram atendidos 63 pacientes, dos quais 73% do sexo masculino, com média de idade de 61,4 anos, variando de ENTRE 41 E 77 anos, cujas patologias mais recorrentes foram: CEC de cavidade oral (34,7%), CEC de laringe (28,2%), CEC de orofaringe (15,2%), CEC de hipofaringe (6,5%) e, outros (15,4%). O tratamento realizado foi, predominantemente cirúrgico (54,3%), sendo as pelveglossotomias (25,9%) e as laringectomias totais (22,2%) as mais prevalentes. Do total de pacientes do sexo masculino 10,8% foram considerados inoperáveis devido a extensão e gravidade da doença. Em relação ao sexo feminino, equivalente a 27% dos pacientes, a média de idade foi de 64,6 anos, variando entre 48 e 77 anos, com as seguintes patologias: patologias de tireóide (29,4%), CEC de cavidade oral (17,6%), CEC de orofaringe (5,8%), CEC de hipofaringe (5,8%), CEC de esôfago (5,8%) e, outros (35,6%). Destas, 64,7% realizaram cirurgias como tratamento principal, sendo a tireoidectomia total a mais realizada (35,7%), e 5,8% recusou o tratamento cirúrgico indicado. CONCLUSÃO: É importante salientar, que devido à pandemia pelo COVID-19, os atendimentos mantiveram-se reduzidos durante o decorrer do primeiro semestre de 2020. Nesta amostra observou-se maior prevalência de pacientes idosos, do sexo masculino, grande parte acometidos por tumores de laringe, submetidos a tratamento cirúrgico.

1. Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. – Rio de Janeiro: INCA, 2019.

2. Figueiredo Isabel Cristina, Vendramini Silvia Helena Figueiredo, Lourenção Luciano Garcia, Sasaki Natália Sperli Geraldes Marin dos Santos, Maniglia José Vitor, Padovani Junior João Armando et al. Perfil e reabilitação fonoaudiológica de pacientes com câncer de laringe. CoDAS [Internet]. 2019 [consultado em5 de julho de 2020]; 31(1): e20180060. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-17822019000100313&lng=en.

3. Furia CLB, Mikami DLY, Toledo IP. Intervenção fonoaudiológica ao paciente oncológico. In: Santos M, Corrêa TS, Faria LDBB, Siqueira GSM, Reis PED, Pinheiro RN. Diretrizes Oncológicas 2. São Paulo: Doctor Press Ed. Científica, 2019. Pag. 711.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
252
CARACTERIZAÇÃO MIOFUNCIONAL OROFACIAL DE PACIENTES COM FRATURA MANDIBULAR COM E SEM O ENVOLVIMENTO CONDILAR
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: O côndilo mandibular é essencial para a realização dos movimentos mastigatórios. Alterações em sua morfologia podem levar à redução da força de mordida e desconforto durante a mastigação1. Fraturas de côndilo podem causar disfunção temporomandibular, dor orofacial, desvio de disco articular, maloclusão, assimetrias faciais, reabsorção condilar, alteração no crescimento mandibular, anquilose temporomandibular2 e alterações na lubrificação articular3. A reabilitação muscular normalmente é citada quando se aborda a fratura de côndilo. Independentemente do tipo de tratamento, sabe-se que a reabilitação muscular é necessária para melhorar e potencializar a funcionalidade da musculatura mandibular pós-fratura4. OBJETIVO: O objetivo desse estudo foi realizar a caracterização do desempenho motor orofacial de indivíduos adultos com fratura mandibulares com e sem fraturas em região côndilar. METODOS: Os participantes foram encaminhados pela equipe médica para o ambulatório de fonoaudiologia, de dezembro de 2015 a dezembro de 2018. Os 65 participantes deste estudo foram divididos em dois grupos: participantes que sofreram fraturas mandibulares não envolvendo o côndilo foram classificados como Grupo 1 (35 participantes, 53,8% da amostra); e participantes que sofreram fraturas mandibulares com o envoldimento do côndilo foram classificados como Grupo 2 (30 participantes, 46,2% da amostra). Todos os participantes foram submetidos à avaliação constituída pela aplicação de um protocolo clínico para a avaliação da motricidade orofacial (AMIOFE-E)5, que avalia condição postural, mobilidade e funções da musculatura orofacial, avaliação da mobilidade mandibular (abertura oral, lateralidade e protrusão mandibular)6 e aplicação de protocolo de autopercepção dos sinais e sintomas de DTM7. RESULTADOS: O grupo com fraturas condilares foram encaminhados mais precocemente e realizaram maior número de procedimentos cirúrgicos. Quanto ao desempenho miofuncional a diferença encontrada entre os grupos foi quanto a realização das funções de mastigação e deglutição, com pior desempenho para o grupo com fraturas condilares. Esse grupo também apresentou pior desempenho quanto a lateralização mandibular. Para os demais itens não houve diferença, indicando que mesmo fraturas não relacionadas com côndilo também levam a alterações no sistema miofuncional orofacial. CONCLUSÃO: Independentemente da localização da fratura, o desempenho motor oral e a amplitude dos movimentos mandibulares são prejudicados após fraturas faciais, sendo que fraturas condilares levam a pior desempenho em mobilidade mandibular e realização de funções orofaciais.

1. Jensen T, Jensen J, Norholt E, Dahl M, Lenk-Hansen L, Svensson P. Open reduction and rigid internal fixation of mandibular condylar fractures by an intraoral approach: a long-term follow-upstudy of 15 patients. J Oral Maxillofac Surg. 2006;64(12):1771-9. PMid:17113444. http://dx.doi. org/10.1016/j.joms.2005.12.069.
2. Choi BH, Yi CK, Yoo JH. MRI examination of the TMJ after surgical treatment of condylar fractures. Int J Oral Maxillofac Surg. 2001;30(4):296- 9. PMid:11518351. http://dx.doi.org/10.1054/ijom.2001.0054.
3. Hattori IK, Watari I, Takei M, Ishida Y, Yonemitsu I, Ono T. Effect of functional shift of the mandible on lubrication of the temporomandibular joint. Arch Oral Biol. 2012;57(7):987-94. PMid:22325029. http://dx.doi. org/10.1016/j.archoralbio.2012.01.006.
4. Kang DH. Surgical management of a mandible subcondylar fracture. Arch Plast Surg. 2012;39(4):284-90. PMid:22872829. http://dx.doi.org/10.5999/ aps.2012.39.4.284.
5. Felício CM, Folha GA, Ferreira CLP, Medeiros APM. Expanded protocol of orofacial myofunctional evaluation with scores: validity and reliability. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2010;74(11):1230-9.
6.Silva AP, Sassi FC, Bastos E, Alonso N, de Andrade CRF. Oral motor and electromyographic characterization of adults with facial fractures: a comparison between different fracture severities. Clinics. 2017;72(5):276-83.
7. Felício CM, et al. Otologic symptoms of temporomandibular disorder and effect of orofacial myofunctional therapy. J Oral Maxillofac Pract. 2008;26(2):118-25.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1405
CARACTERIZAÇÃO POR PARÂMETROS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DA VOZ DE UMA MULHER TRANSEXUAL: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A voz faz parte da nossa vida e através dela expressamos nossa história, nossas emoções e nossa cultura, constituindo-se em umas das experiências mais fortes da personalidade humana[1]. Por ser um fator importante na percepção de gênero, a voz pode ser um obstáculo na busca da adequação entre expressão e identidade de gênero. A relevância da autopercepção vocal é importante dentro da comunidade transexual, já que esta é colocada em primeiro plano quando há incongruência entre identidade de gênero e sua expressão, sobretudo, quando uma mulher transexual é identificada como homem, devido à sua voz. Assim, compreender as queixas de pessoas transexuais, para além dos seus comportamentos sociais relacionados à voz, é relevante para o planejamento de ações de prevenção e promoção da saúde vocal[2,3]. OBJETIVO: Caracterizar a voz de uma mulher transexual, por meio da satisfação vocal, análise acústica, e comparação entre a sua autopercepção e a percepção vocal de gênero por ouvintes leigos. MÉTODO: Este estudo foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética da instituição de origem sobre o número 29861620.0.0000.5665. Participaram deste estudo uma mulher transexual, denominada CA, 41 anos de idade, com 25 anos de vivência no gênero feminino, e quatro estudantes do ensino superior, que compuseram uma banca de ouvintes leigos, para a análise perceptivo-auditiva vocal. A coleta de dados ocorreu em 3 etapas: aplicação do Questionário de Voz para Transexuais de Homem para Mulher (TVQMtF)[4]; gravação da voz de CA para análise acústica vocal; e análise da banca avaliadora, quanto ao gênero. Para a análise da autopercepção vocal por meio do TVQMtF, foram considerados dois fatores: Funcionamento vocal e Participação Social[5]. A análise acústica foi realizada através do PRAAT e a análise perceptivo-auditiva foi realizada individualmente em ambiente silencioso. RESULTADOS: A pontuação do Funcionamento vocal (35 pontos) foi maior que de Participação social (24 pontos), demonstrando que CA tem consciência de como as suas características vocais são interpretadas pelo interlocutor, porém, relata gostar da própria voz quando diz: “é a voz que eu tenho”, “é uma voz imponente e forte”. A banca de ouvintes identificou a voz de CA como do gênero masculino, compatível com a sua frequência fundamental, de 105Hz. CONCLUSÃO: A voz da mulher transexual pode ser analisada de acordo com a própria perspectiva e com a de ouvintes leigos, especialmente aqueles que não possuem nenhum conhecimento prévio de que a voz ouvida é de origem trans, com a finalidade de obter uma identificação de gênero de acordo com os padrões tradicionais da sociedade. Além disso, a avaliação das vozes trans por ouvintes leigos torna-se um parâmetro simples e barato de avaliação para auxiliar na adequação de gênero desta população. Porém, é importante considerar a satisfação vocal pelo indivíduo transexual, uma vez que se trata de um aspecto de identidade que deve ser respeitado. O TVQMtF demonstrou forte potencial para fornecer dados valiosos, sendo uma importante ferramenta de autoavaliação para identificar as necessidades vocais da mulher transexual.

1. Behlau M. Voz: O livro do especialista. Rio De Janeiro: Revinter, 2008.

2. Coleman E, et al. Standards of Care for the Health of Transsexual, Transgender, and Gender-Nonconforming People, 7. ed. Int J Transgenderism, 2012, p.165-232.

3. Borsel JV, et al. Translation and preliminary evaluation of the Brazilian Portuguese version of the Transgender Voice Questionnaire for male-to-female transsexuals. In: CoDAS. Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2015. p. 89-96.

4. Santos HHANM, Aguiar AGO, Baeck HE, Van Borsel J. Translation and preliminary evaluation of the Brazilian Portuguese version of the Transgender Voice Questionnaire for male-to-female transsexuals. CoDAS. 2015;27(1):89-96.

5. Dacakis, G, Oates, JM, et Douglas JM (2016b). Further evidence of the construct validity of the Transsexual Voice Questionnaire (TVQMtF) using principal componentes analysis. Journal of Voice: Official Journal of the Voice Foundation.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1747
CASA DA AFASIA: RELAÇÃO ENTRE OS RESULTADOS DA TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA INTENSIVA E DADOS DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA FUNCIONAL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Dependendo da localização e gravidade da lesão cerebral, o AVC pode
causar danos temporários ou irreversíveis. A afasia é caracterizada por
comprometimento nas áreas responsáveis pela linguagem, incluindo sua produção,
compreensão e outras habilidades, como leitura e escrita, asssim, indivíduos afásicos
necessitam de terapia fonoaudiológica. O exame de neuroimagem é necessário para
descartar a presença de lesões cerebrais não vasculares diagnosticadas como tumores e
abscessos e, na presença de lesões cerebrais de causa vascular, permitir a diferenciação
entre quadros isquêmicos e hemorrágicos, assim como, local e extensão da lesão.
Objetivo: O objetivo do presente estudo foi caracterizar os achados de ressonância
magnética com os ganhos de comunicação após a terapia fonoaudiológica. Método: A
amostra foi composta por 13 participantes selecionados na Casa da Afasia, um Centro
de Reabilitação Intensivo de Fonoaudiologia de uma universidade pública do interior de
São Paulo, que atendeu aos critérios de inclusão deste estudo: adultos e idosos com
diagnóstico médico de acidente vascular cerebral isquêmico e com afasias motoras, em
que o tempo da lesão havia sido entre 0 e 24 meses. A idade média dos participantes foi
de 49,8 anos, a mínima com 36 e a máxima com 72 anos, sendo seis homens e sete
mulheres. Os sujeitos foram submetidos à ressonância magnética de alta resolução em
um hospital de referência do interior de São Paulo, utilizando o modelo de pré-
intervenção 3 Teslas da Siemens Tesla Magneton Verio®, e a investigação da
comunicação foi realizada na língua Montreal-Toulouse bateria de avaliação - MTL-
Brasil antes e após a intervenção. Resultados: Observou-se no exame de imagem que
seis sujeitos apresentaram lesões em três lobos diferentes, sendo, frontal, parietal e
temporal; quatro sujeitos apresentaram lesões no lobo frontal e três apresentaram apenas
um lobo lesionado. Os resultados das avaliações do MTL-Brasil após a intervenção
terapêutica intensiva foram melhores quando comparados com os resultados pré terapia
fonoaudiológica, variando os scores entre o mínimo 6 e o máximo 210, quanto à
comunicação oral e escrita Verificou-se que o sujeito com melhor desenvolvimento das
habilidades de linguagem no processo terapêutico apresentou o menor número de lobos
lesados detectados na ressonância. Conclusões: com esta análise pôde-se concluir que
os achados da ressonância magnética confirmam os escores obtidos na evolução da
linguagem pós-terapia intensiva realizada. Assim, o processo terapêutico demonstrou
melhorar a comunicação oral dos sujeitos afásicos.

1. World Health Organization (WHO). Cerebrovascular disorders. Geneva: WHO; 1978.

2. Vega, J. Broca's, Wernicke's, and Other Types of Aphasia (Homepage internet). Disponível em:
<http://stroke.about.com/od/unwantedeffectsofstroke/a/Aphasia.htm>. Acessado em: Mar.
2009.

3. Girardon-Perlini, NMOG. et al. Lidando com perdas: percepção das pessoas incapacitadas por
AVC.Rev Min Enferm. 2007; 11(2):149-154.

4. Parente MAMP, Fonseca RP, Pagliarin KC, Barreto SS, Soares-Ishigaki ECS, Hübner LC et al.
MTL-Brasil – Bateria Montreal-Toulouse de Avaliação de Linguagem. Editora Vetor. 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
288
CHECKLIST PARA PROCESSO DE DECANULAÇÃO DE PACIENTES TRAQUEOSTOMIZADOS
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


Introdução: A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na abertura da traqueia para o meio externo, possibilitando a ventilação pulmonar por meio dessa via e também, facilitando a remoção de secreções traqueobrônquicas em excesso. Essa passagem de ar só ocorre a partir de uma prótese ventilatória chamada cânula. Durante o processo de decanulação em pacientes traqueostomizados é imprescindível o trabalho do fonoaudiólogo para realizar a avaliação e o treino da deglutição, participar ativamente no processo da decanulação, avaliar a capacidade do paciente de tolerar a válvula de fala e realizar recomendações a respeito do uso da mesma. A traqueostomia necessita de técnica e cuidados apropriados, pois, apesar de não serem frequentes, as complicações podem levar ao óbito. A maior causa de insucesso na decanulação é a retenção de secreção, deslocamento da parede anterior da traqueia, edema de mucosa e entre outras complicações que podem dificultar a retirada da cânula. Sendo assim, como recomendado na literatura e por profissionais que atuam na área hospitalar, a padronização dos critérios é necessária para um processo de decanulação eficaz em conjunto com uma equipe multiprofissional. Objetivo: Produzir um checklist de decanulação multidisciplinar, que poderá ficar anexado ao prontuário, onde cada profissional irá preencher de acordo com o que avaliou e toda a equipe terá acesso. Este documento irá dispor de aspectos necessários a serem avaliados no paciente em questão para garantir o sucesso da decanulação e que possa potencializar a análise e discussão da equipe responsável pelo caso. Métodos: Foram realizadas entrevistas com fonoaudiólogas da área hospitalar durante as aulas ao vivo na plataforma Hangouts Meet, o qual norteou a escolha do tema do presente projeto. Logo em seguida, foi produzido o Diagnóstico Técnico Científico no qual foi abordado o conceito, a importância e o objetivo do estabelecimento de critérios para o processo de decanulação. Posteriormente, foram elaborados o Canvas e o Plano de Ação, este tem o intuito de descrever como colocar em prática as táticas determinadas previamente no Canvas. Após todos esses processos, foi feito o modelo do checklist de decanulação para a equipe multidisciplinar. Resultados: No Check-list foram determinados critérios para o sucesso de decanulação, como a escala de coma de Glasgow com no mínimo de 8 pontos, estabilidade clínica e hemodinâmica, dependência de ventilação mecânica e outras características. No Check list o profissional da saúde deve marcar sim ou não para os critérios avaliados, colocar as observações se necessário, assinar e carimbar o procedimento realizado. Complementarmente ao Check lista foi adicionado um fluxograma de atendimento, facilitando o olhar da equipe multiprofissional no momento da decanulação. Conclusão: Conclui-se que a atuação da equipe multidisciplinar aumenta as chances de uma decanulação mais rápida, livre de complicações e mais segura para o paciente. E com isso difundir a atuação multidisciplinar no processo de decanulação visa uma deglutição eficaz e segura, reduzindo complicações causadas pela TQT.

COSTA, C.C. et al. Decanulação: atuação fonoaudiológica e fisioterapêutica. Distúrbios Comun. São Paulo, v. 28, n. 1, março, 2016. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/22714. Acesso em: 01/06/2020.
GARCIA, Tauana Finotti. Influência da válvula de fala no desmame da ventilação mecânica e no tempo de traqueostomia: uma revisão da literatura. 1-31. 31f: Monografia (Programa de aprimoramento) USP/ Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. São Paulo, 2017. Disponível em: https://ses.sp.bvs.br/wp-content/uploads/2017/06/PAP_Tauana-Finotti-Garcia_2017.pdf. Acesso em 01/06/2020.
MEDEIROS et al. Critérios para decanulação da traqueostomia: revisão de literatura. CoDAS, São Paulo, v. 31, n. 6, p. 1-9, fev. 2019). Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S2317-17822019000600601&script=sci_arttext. Acesso em: 30/06/2020.
Zanata, I.L; Santos, R.S; Hirata, G.C; Tracheal decannulation protocol in patients affected by traumatic brain injury. Int. Arch. Otorhinolaryngol; v.18, n. 2, p. 108-14,
jan/2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25992074/. Acesso 01/06/2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
641
CINCO ANOS DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM DISFAGIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


Introdução: A Disfagia Orofaríngea é um distúrbio da deglutição que pode envolver desde o trajeto inicial na boca até a transição do esôfago para o estômago e se não for tratada da maneira adequada, pode causar intercorrências nutricionais, pulmonares, sociais e até óbito aos pacientes. Considerando a formação de futuros fonoaudiólogos, a prevalência da disfagia orofaríngea e a necessidade de mais profissionais atuando nessa área, foi criado no ano de 2015 o projeto de extensão “Disfagia Orofaríngea: eu sei o que é e posso ajudar”, tendo como objetivo proporcionar ao estudante uma formação global, interação e compartilhamento de conhecimentos, aproximando-o da realidade da área da saúde vivida nos hospitais. Objetivo: Relatar as experiências e atividades desenvolvidas pelo projeto de extensão “Disfagia Orofaríngea: Eu sei o que é e posso ajudar”. Métodos: Através do objetivo do projeto de conscientizar e informar, foram construídos e organizados materiais explicativos, publicações em redes sociais, eventos e orientações para o público leigo e profissionais da saúde acerca da disfagia orofaríngea; semanalmente foi realizado ações de orientação a pacientes familiares e equipe multiprofissional em um hospital de Porto Alegre. Resultados: Durante os anos de 2015-2020 foram orientados cerca de 131 pacientes e seus familiares. Observou-se que a orientação modificou a atenção em relação ao processo de alimentação do paciente. Visando alcançar a comunidade externa e interna da Universidade, foram desenvolvidas diversas ações como a criação de redes sociais do projeto e publicações virtuais na área; ações em um parque de Porto Alegre com entrega de folders e esclarecimentos das dúvidas tanto para a população em geral quanto para a comunidade da universidade; eventos científicos anuais em alusão ao Dia de atenção à disfagia com média de 80 participantes por evento; oficinas teórico-práticas em eventos da universidade como também a realização de eventos científicos com instituições parceiras. Conclusão: O projeto de extensão trouxe maior visibilidade para a disfagia orofaríngea com as atividades realizadas, conscientizando e informando a respeito da disfagia, das suas consequências e dos profissionais envolvidos no tratamento. Além disso, para os discentes envolvidos, a experiência aproximou-os da ação do fonoaudiólogo na comunidade, na equipe multiprofissional e expandiu seu conhecimento científico.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1795
CIRURGIA PLÁSTICA E FONOAUDIOLOGIA: RELEVÂNCIA DA INTERFACE NA ATUAÇÃO COM FISSURA LÁBIO/PALATINA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: as fissuras de lábio e/ou palato (FL/P) são malformações de face consideradas as mais frequentes anomalias orofaciais congênitas, com acentuada incidência, responsável por 25% de todos os defeitos congênitos(1) e estabelecidas precocemente na vida intrauterina. Seus tratamentos devem visar, especialmente, aspectos quanto aparência/física/estética, fala/voz e oclusão dentária. Assim, devem ser instituídos logo após o nascimento, visando reabilitação morfológica, funcional e psicossocial dos sujeitos(2). Diante disso, destaca-se a importância de atuação interdisciplinar nos casos de FL/P e se aponta para a relevância do trabalho em equipe, compartilhando planejamento e cooperando para que o conjunto possibilite adequado tratamento dos casos de FL/P(3, 4). Neste trabalho, especialmente, ressalta-se a integração entre as áreas de Cirurgia Plástica e Fonoaudiologia e, dessa maneira, questiona-se sobre o conhecimento do cirurgião plástico e do residente em cirurgia plástica sobre a atuação do fonoaudiólogo nos trabalhos voltados às fissuras. Objetivo: analisar o conhecimento de médicos e residentes da área de Cirurgia Plástica sobre atuação da Fonoaudiologia com sujeitos com FL/P numa equipe interdisciplinar. Método: trata-se de um estudo de caráter quantitativo e transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob n° 1.741.241. A partir da autorização por parte da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Seção Paraná, questionários elaborados através da plataforma Google docs foram enviados via on-line para seus membros. O conteúdo das questões desses questionários contou com a apreciação de quatro especialistas na área de FL/P, sendo três médicos e um fonoaudiólogo, constando temáticas em torno da atuação do fonoaudiólogo nos quadros de FL/P, quanto: disfunção velofaríngea, alimentação de bebês, alterações nos padrões de fala/voz, enfoque e período do tratamento. Responderam aos questionários 58 inscritos na referida Sociedade, sendo 40 médicos (69%) e 18 residentes (31%) da área de Cirurgia Plástica. Os dados foram tabulados em planilha excel e analisados com auxílio do software SPSS 20.0 IBM Statistics®, sendo realizadas análises de frequência e distribuição das variáveis. A variável dependente (você atua ou atuou com profissional fonoaudiólogo) foi relacionada às variáveis independentes (questões do questionário proposto) pelo teste qui-quadrado. O nível de significância adotado foi de 5%. Resultado: verificou-se que os médicos cirurgiões-plásticos e residentes da área de Cirurgia Plástica que atuam e atuaram com profissional fonoaudiólogo, apresentam maior conhecimento da atuação da área fonoaudiológica nos quadros de FL/P em várias questões relacionadas a atuação e importância da Fonoaudiologia no atendimento com sujeitos com fissura. Conclusão: este estudo salientou acerca da interdisciplinaridade no tratamento da FL/P(5), o que possibilita que uma área, como a Cirurgia Plástica, tenha mais apropriação sobre atuação clínica de outra, como a Fonoaudiologia. Esta pesquisa aponta para a necessidade de continuidade de estudos sobre ação interdisciplinar entre essas determinadas áreas, visto que atuam direto e conjuntamente para a efetiva reabilitação de sujeitos com FL/P.


1. TONOCCHI, R.; NISHIDA, G.; SILVA, A.H.P.; FREITAS, R.S.; VIEIRA, C.H. Outra abordagem para dados de fala de um indivíduo com fissura palatina. Rev Bras Cir Craniomaxilofac. 13(1):31-5, 2010.

2. D’AGOSTINO, L.; ROCHA, I.S.A.; CERRUTI, V.Q. A Fonoaudiologia nos pacientes portadores de fissuras labiopalatinas. In: MÉLEGA, J.M.; VITERBO, F.; MENDES, F.H. Cirurgia plástica: os princípios e a atualidade. São Paulo: Guanabara Koogan, p. 343-345, 2011.

3. CINTRA, H.; ARNAUT JUNIOR, M.; DIAS, B.; SCELZA, L.; FURTADO, L.; GUIMARÃES, B. Disfunção Velofaríngea: abordagem multidisciplinar. In: CARREIRÃO, S. (editor). Cirurgia Plástica para a formação do especialista. 2. ed., Rio de Janeiro: Atheneu, parte 4: Cirurgia Plástica Pediátrica, cap. 24, p. 275-289, 2018.

4. COSTA, R.P. Interdisciplinaridade e equipes de saúde: concepções. Mental. Ano V - n. 8 - Barbacena, p. 107-124, jun, 2007.

5. BRODER, H.L.; SMITH, F.B.; STRAUSS, R.P. Habilitation of patients with clefts: parent and child ratings of satisfaction with appearance and speech. The Cleft Palate-Craniofacial Journal. 29(3): 262-267, 1992.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
795
CLASSIFICAÇÃO DA HIPERNASALIDADE DE FALA ANTES E DEPOIS DE TREINAMENTO DE PROFISSIONAIS SEM EXPERIÊNCIA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A hipernasalidade é o principal sintoma da disfunção velofaríngea e sua identificação é feita pela avaliação perceptivo-auditiva, considerada padrão-ouro. Devido sua natureza subjetiva, estratégias como treinamento e/ou uso de amostras de referência são recomendadas. Porém, não é claro se estas estratégias influenciam a classificação da hipernasalidade por fonoaudiólogos sem experiência. Objetivo: Investigar a classificação da hipernasalidade de fala antes e depois de treinamento de profissionais sem experiência na avaliação da hipernasalidade de indivíduos com fissura labiopalatina. Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética (CAE 05508918.5.0000.5441). Três fonoaudiólogas sem experiência classificaram individualmente 24 amostras de fala de indivíduos com fissura labiopalatina, antes e após treinamento, utilizando escala de quatro pontos (1=ausente, 2=leve, 3=moderada, 4=grave). Inicialmente, as fonoaudiólogas classificaram as 24 amostras baseando-se nos próprios critérios. Após uma semana, receberam treinamento inicial, que continha 8 amostras de referência (quatro graus de hipernasalidade, dois sexos) e 8 amostras de treinamento (quatro graus de hipernasalidade, dois sexos), apresentadas pela sequência de 4 amostras de referência, seguida de uma amostra de treinamento. As amostras (referência e treinamento) eram pareadas pelo mesmo sexo. Uma semana após o treinamento inicial, realizou-se retreinamento utilizando as mesmas amostras de referência e 8 novas amostras para retreinamento. Em ambos os treinamentos (inicial e retreinamento) foi dado feedback de resposta correta. Uma semana após retreinamento, as fonoaudiólogas classificaram novamente as 24 amostras de fala seguindo os mesmos procedimentos realizados antes do treinamento perceptivo-auditivo. Os dados foram analisados descritivamente (porcentagem de acertos vs avaliação padrão-ouro) e pelos testes estatísticos (Wilcoxon, Qui-quadrado, V de Cramer e Kappa), com nível de significância de 5%. Resultados: Em geral, não houve melhora na classificação da hipernasalidade pelas avaliadoras após treinamento (antes 65,3%, após 62,5%; p<0,972, Wilcoxon). A análise da associação das respostas de cada avaliador vs avaliação padrão-ouro antes do treinamento mostrou associação significativa (X2 p<0,001) e forte (V de Cramer) para todas as avaliadoras, porém sem concordância significativa para uma delas. Após treinamento, esta avaliadora classificou consistentemente a ausência de hipernasalidade e melhorou sua classificação do grau leve, o que resultou em associação significativa (X2 p<0,001) e forte, além de concordância (Kappa) significativa de todas as avaliadoras. A análise dicotômica (presença e ausência de hipernasalidade) dos dados mostrou associação significativa e forte, com concordância significativa em relação à avaliação padrão-ouro, após treinamento, para todas as avaliadoras, diferindo dos achados antes do treinamento, em que houve associação significativa (X2 p=0,047), porém moderada (V Cramer p=0,415) para uma das avaliadoras. Antes do treinamento, a análise de concordância entre as avaliadoras (sem considerar graus da hipernasalidade) foi regular (índice Kappa de 0,284). Após treinamento, a concordância entre as avaliadoras aumentou (índice Kappa de 0,413), porém ao analisar o intervalo de confiança de 95% não foi observado efeito significativo. Conclusão: Não houve melhora na classificação geral do grau da hipernasalidade pelas avaliadoras após treinamento. No entanto, este treinamento beneficiou uma das avaliadoras que classificou consistentemente a ausência da hipernasalidade após treinamento. Sugere-se ampliar o treinamento perceptivo-auditivo para classificação da hipernasalidade em estudos futuros, oferecendo treinamentos mais longos.

LEE, A.; WHITEHILL, T. L.; CIOCCA, V. Effect of listener training on perceptual judgement of hypernasality. Clinical Linguistics & Phonetics, [s.l.], v. 23, n. 5, p.319-334, 2009.

OLIVEIRA, A.C.A.S.F. et al. Influência do treinamento dos avaliadores no julgamento perceptivo da hipernasalidade. Codas, v. 28, n. 2, p.141-148, 2016.

GUERRA, T.A. Treinamento de avaliadores para identificação da hipernasalidade. [dissertação]. Bauru (SP): Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, Universidade de São Paulo; 2019.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
220
CLASSIFICAÇÃO EM LEITURA DE ESCOLARES DO ENSINO FUNDAMENTAL PÚBLICO E PRIVADO
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: Ler é uma tarefa complexa com envolvimento de aspectos cognitivos como o processamento visual e auditivo, além da associação com aspectos linguísticos como o conhecimento e o domínio fonológico, sintático, semântico-lexical e morfológico(1,2). A leitura consiste na decodificação de palavras, entretanto, para que um leitor seja considerado eficiente, é necessário decodificar grafemas em fonemas, que possua velocidade de leitura com fluidez e precisão, além de compreensão do material lido(3). A partir do 3º ano do ensino fundamental I o foco deixa de ser a apropriação do mecanismo de conversão grafema/fonema e os escolares passam a ser mais exigidos em termos de conteúdo, tendo a leitura como um importante recurso para a aprendizagem de diversas disciplinas pertencentes ao currículo escolar(4). Objetivo: Traçar o perfil de leitura de escolares do 3º ao 5º do ensino público e privado. Método: Anterior a sua realização este estudo foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa e aprovado sob o protocolo número 1.870.336/2017. Participaram deste estudo 120 escolares, de ambos os gêneros, com idade entre 8 e 11 anos, pertencentes a uma escola pública e uma privada, pareados por gênero e ano escolar. Os escolares foram distribuídos em grupos: Grupo I (GI: 20 escolares do 3° ano do ensino fundamental público); Grupo II (GII: 20 escolares do 3° ano do ensino fundamental privado); Grupo III (GIII: 20 escolares do 4° ano do ensino fundamental público); Grupo IV (GIV: 20 escolares do 4° ano do ensino fundamental privado); Grupo V (GV: 20 escolares do 5° ano do ensino fundamental público); Grupo VI (GVI: 20 escolares do 5° ano do ensino fundamental privado). Para a avaliação da leitura foi utilizado o texto narrativo pertencente ao Protocolo de Avaliação da Compreensão de Leitura – PROCOMLE(5). A análise da leitura foi realizada pelo tempo total de leitura (TTL), velocidade de leitura (VL), registro manual das palavras lidas incorretamente (PLI) e pela compreensão de leitura por meio das questões propostas no instrumento. Resultados: Na comparação entre os grupos houve diferença para todas as varáveis analisadas no ensino público, o mesmo ocorreu para o ensino privado exceto para a velocidade de leitura. Em relação as médias de desempenho houve variação de crescimento entre as variáveis para os grupos estudados, obtendo aumento de médias por seriação para compreensão de leitura e diminuição para tempo de leitura, velocidade e palavras lidas de forma incorreta. Conclusão: Os escolares do ensino público atingiram médias muito discrepantes quando comparados aos escolares do ensino privado, para as variáveis tempo total de leitura, velocidade de leitura e compreensão de leitura, com proximidade de médias no desempenho entre palavras lidas incorretamente. O que sugere maior enfoque em atividade que envolvam decodificação, velocidade e compreensão dentro do ensino público.

Palavras-Chave: Leitura; Aprendizagem; Ensino; Compreensão; Criança; Desenvolvimento infantil

1. Colombo RC, Cárnio MS. Compreensão de leitura e vocabulário receptivo em escolares típicos do ensino fundamental I. CoDAS. 2018; 30(4): e201700145. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20182017145
2. Schiff R, Ben-Shushan YN, Ben-Artzi E. Metacognitive strategies: a foundation for early word spelling and reading in kindergartners with SLI. J Learn Disabil. 2017; 50(2):143-57. https://doi.org/10.1177/0022219415589847
3. Martins MA, Capellini SA. Relação entre fluência de leitura oral e compreensão de leitura. CoDAS. 2019; 31(1): e20170244. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20182018244
4. Cunha VLO, Capellini SA. Caracterização do desempenho de escolares do 3º ao 5º ano do ensino fundamental em compreensão de leitura. Rev. Cefac. 2016; 18(4): 941-951. http://dx.doi.org/10.1590/1982-0216201618421215
5. Cunha VO, Capellini SA. PROCOMLE - Protocolo de Avaliação da Compreensão de Leitura Para Escolares do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental. 1ª edição. Ribeirão Preto: Booktoy, 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1665
CLASSIFICAÇÃO ESPECTROGRÁFICA DO SINAL VOCAL: RELAÇÃO COM O DIAGNÓSTICO LARÍNGEO E A ANÁLISE PERCEPTIVO-AUDITIVA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A produção da voz é multidimensional e envolve a compreensão de aspectos fisiológicos e biomecânicos desde a produção vocal até o impacto ocasionado no interlocutor. A análise perceptivo-auditiva e a avaliação acústica são os principais métodos para caracterizar a qualidade vocal e monitorá-la ao longo do tratamento oferecido. A avaliação acústica pode envolver a análise descritiva de padrões visuais, como o espectrograma de faixa estreita, que possibilita a avaliação qualitativa do sinal, independente do grau de aperiodicidade e ruído presente na emissão. Há duas descrições disponíveis na literatura para classificação do sinal vocal, baseadas no traçado espectrográfico de faixa estreita: Yanagihara classifica os sinais em Tipo I, II, III e IV, utilizando, como critérios, a regularidade dos harmônicos, a presença de ruído em diferentes faixas de frequência e a relação entre a estrutura harmônica e o ruído presente no traçado; Titze baseia-se no modelo de dinâmica não linear da produção vocal e categoriza os sinais em Tipo I, II e III, considerando, como principal critério, a presença de bifurcação (sub-harmônicos), no domínio do tempo, e de ruído no domínio das frequências, ambos advindos da mudança no padrão vibratório das pregas vocais, no entanto, não havendo correspondência entre a tipologia do sinal no traçado espectrográfico e o desvio da qualidade vocal percebido auditivamente, assim como entre o tipo de sinal e a presença de alteração estrutural ou funcional na laringe. Objetivo: Verificar se existe associação entre a presença de alteração laríngea, a análise perceptivo-auditiva da qualidade vocal e a classificação espectrográfica do sinal vocal em indivíduos com distúrbio de voz. Métodos: Participaram 478 pacientes com distúrbios de voz. Foi realizada gravação da vogal /Ɛ/ sustentada e o exame médico para estabelecimento de diagnóstico laríngeo. Os espectrogramas da vogal foram utilizados para classificação dos sinais em Tipo I, II, III e IV. Resultados: Vozes de indivíduos sem alteração laríngea foram classificadas, predominantemente, como Tipo I e Tipo II, enquanto sinais de indivíduos com alteração laríngea foram classificados nos Tipos III e IV. Vozes não desviadas foram classificadas, predominantemente, como Tipo II, enquanto os sinais de pacientes com desvio vocal foram categorizados, predominantemente, como Tipos II e III. Apenas os sinais de indivíduos com desvio vocal foram classificados como Tipo IV. Sinais Tipo III e IV apresentaram valores mais elevados no grau geral do desvio e nos graus de rugosidade e soprosidade, em relação aos sinais Tipo I e Tipo II. Os sinais Tipo IV apresentaram maior grau geral e graus de rugosidade e soprosidade, em comparação aos sinais Tipo III. Apenas os sinais Tipo IV apresentaram valores mais elevados no grau de tensão, em relação aos sinais Tipo I, II e III. Conclusão: Há associação entre a presença de alteração laríngea, a análise perceptivo-auditiva e a classificação espectrográfica do sinal vocal em indivíduos com distúrbio de voz.

Palavras-chave: Acústica; Voz; Distúrbios da voz; Espectrografia do som; Fonoaudiologia

Lopes LW, Alves GAS, Melo ML. Content evidence of a spectrographic
analysis protocol. Rev CEFAC. 2017;19(4):510-28. http://dx.doi.
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Beber BC, Cielo CA. Features of wide and narrow band spectrography
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Yamasaki R, Madazio G, Leão SHS, Padovani M, Azevedo R, Behlau
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Pontes PAL, Vieira VP, Gonçalves MIR, Pontes AAL. Características
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
280
CLOZE: ADAPTAÇÃO DE UM INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A Técnica de Cloze é uma ferramenta de avaliação, principalmente de aspectos de compreensão, que também pode ser utilizada para intervenção, direcionada a prática de treino de leitura e compreensão textual. Baseia-se na apresentação de um texto na íntegra para a leitura, com posterior releitura do escolar e uma reapresentação do texto, desta vez lacunado para o preenchimento com a palavra retirada, composto por diferentes graus de dificuldade(1,2). A avaliação com o Cloze se propõe a identificar quais processos de leitura estão alterados, entre ele podemos citar, fluência, exatidão, acurácia e tempo de leitura. Quanto a compreensão objetiva mensurar habilidades específicas, por meio da compreensão da microestrutura textual necessária para o preenchimento das lacunas em cada frase, por meio da busca de palavras que se encaixem, completando com significado coeso cada frase e de sua reflexão na macroestrutura textual(3,4). Objetivo: Adaptação de um instrumento de avaliação por meio da Técnica de Cloze. Método: Este estudo foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa e aprovado sob o protocolo número 3.939.907/2020. Participaram 21 escolares de 3° ano do ensino fundamental, de ambos os gêneros, com idade entre 8 e 10 anos, pertencentes ao ensino público. A etapa inicial se propos a realizar a adaptação de dois textos do segundo caderno do Cloze: Intervenção em Compreensão de Leitura(5), o texto Minha Irmã Zizi” foi adaptado com a retirada de sete palavras e além da lacuna para o preenchimento foram adicionadas duas figuras para a marcação, uma com a representação da resposta e outras representando uma palavras semanticamente direferente, deveria ser escolhida a que melhor representasse o sentido da frase no texto. O texto “A Lenda da Vitória Régia” foi adaptado com a retirada de nove palavras e sua substituição foi feita com a colocação da lacuna e abaixo dela a resposta escrita e uma palavra semanticamente diferente, sendo que o escolar deveria escolher a que melhor completasse o sentido da frase. A aplicação foi realizada em duas sessões individiais de 20 a 35 minutos cada. Resultados: Os escolares não apresentaram erros na marcação das figuras do texto “Minha Irmã Zizi”. Já na reescrita das palavras retiradas dos textos os escolares cometeram mais erros no texto “Minha Irmã Zizi”, sendo esses em sua maioria trocas por sinônimos ou palavras que encaixassem contextualmente na frase. Em termos de erros ortográficos os escolares também apresentaram mais erros no Texto “Minha Irmã Zizi”, pois no texto “A Lenda da Vitória Régia” contavam com o apoio das opções de respostas escritas logo abaixo da lacuna. Conclusão: Os escolares apresentaram desempenho geral inferior no texto “Minha Irmã Zizi” em comparação ao texto “A Lenda da Vitória Régia”, porém os erros cometidos neste texto permitem uma avaliação qualitativa mais rica de dados de compreensão avaliados e quanto a aquisição ortográfica.

1. Santos AAA, Monteiro RM. Validade do cloze enquanto técnica de avaliação da compreensão de leitura. Estudos Interdisciplinares em Psicologia. 2016; 7(2): 86-100.

2. Machado AC, Capellini SA. Dados preliminares de um programa de intervenção para compreensão leitora por meio da técnica de Cloze. Rev. Psicopedagogia. 2016; 33(101):144-53.

3. Oliveira KL, Trassi AP, Santos AAA, Cunha NB. Teste de cloze no ensino fundamental: evidências de validade de critério. Psic. da Ed. 2017; 45: 35-44.

4. Cunha NB, Santos AAA, Oliveira KL. Evidências de validade por processo de resposta no Cloze. Fractal: Rev Psicol. 2018; 30(3): 330-7.

5. Mauro AMSA, Bitar ML. Cloze II Intervenção em Compreensão de Leitura. Editora GEARTE, 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1844
COGNIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE INDIVÍDUOS COM DEMÊNCIA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A alimentação é uma das funções que são afetadas pela demência. O processo de envelhecimento intrinsecamente pode reduzir o consumo dos alimentos e quando correlacionado aos sintomas das doenças neurológicas, como os distúrbios comportamentais da demência, podem interferir, também, na capacidade de se alimentar de forma independente. Além da interferência dos aspectos comportamentais durante a alimentação, os pacientes, também, podem apresentar disfagia orofaríngea. Objetivos: Analisar a relação entre os aspectos cognitivo-comportamentais e a alimentação e deglutição dos indivíduos com demência. Método: Estudo transversal realizado em um ambulatório de Neuropsiquiatria Geriátrica de um hospital universitário. Trinta e seis pacientes com demência e seus cuidadores participaram deste estudo. Os instrumentos utilizados foram a Avaliação Clínica da Demência, Mini-Exame do Estado Mental, Questionário de Habilidade de Alimentação e Deglutição na Demência, Avaliação de Segurança da Deglutição e Escala Funcional de Ingestão por Via Oral. Dividiu-se a amostra em dois grupos de acordo com o estadiamento da demência para analisar aspectos relacionados entre alimentação, deglutição e fatores cognitivos e comportamentais. Os dados coletados foram analisados estatisticamente por meio do software RStudio versão 1.1.456 (15). Foram utilizados testes estatísticos não paramétricos, teste de U de Mann-Whitney e correlação de Spearman, sendo considerado um valor de significância de 5 % (p<0,05). Resultados: A maioria dos participantes eram do sexo masculino, a demência prevalente foi a Doença de Alzheimer em estágio grave. Questões relacionadas à alimentação e deglutição foram relevantes quando associadas ao estado cognitivo, comportamental e estadiamento da doença. Indivíduos com demência avançada apresentaram dificuldades com mais frequência durante alimentação e deglutição. Na avaliação funcional da deglutição identificaram-se dificuldades para as texturas alimentares sólida e líquida em todos os estágios da demência, porém, sem resultado estatisticamente significativo. Prevaleceu o nível cinco da Escala Funcional de Ingestão por Via Oral. Conclusão: As características cognitivo-comportamentais dos indivíduos com demência se correlacionaram com o processo de alimentação e deglutição. A progressão da doença pode potencializar os comprometimentos e aumentar a necessidade de auxílio durante o processo de alimentação, tornando essencial a orientação aos familiares e cuidadores para a manutenção da qualidade de vida e prevenção de disfagia orofaríngea e desnutrição destes pacientes.

1)Ardenghi LG, Signorini AV, Battezini AC, Dornelles S, Rieder CRM. Functional magnetic resonance imaging and swallowing: systematic review. Audiol Commun Res. 2015;20(2):167-74.
2)Birch D, Stokoe D. Caring for people with end-stage dementia. Nurs Older People. 2010. 22(2):31-6.
3)Correia SM, Morillo LS, Jacob Filho W, Mansur LL. Swallowing in moderate and severe phases of Alzheimer's disease. Arq Neuropsiquiatr. 2010; 68(6): 855-61.
4)Humbert IA, McLaren DG, Kosmatka K, et al. Early deficits in cortical control of swallowing in Alzheimer’s disease. J Alzheimers Dis. 2010; 19(4):1185-97.
5)Perdigão LMNB, Almeida SC, Assis MG. Strategies used by informal caregivers to face neuropsychiatric symptoms in elderly people with dementia. Rev Ter Ocup Univ São Paulo. 2017;28(2):156-62.
6)Ramos-Perez ICS, Ramos ACR, Okubo PCMI, Takayanagui MO. Perception of Caregivers about Swallowing Disorders Caused by Dementia. Revista Brasileira de Ciências da Saúde. 2016; 20(2):127-132.
7)Tavares TE, Carvalho CMRG. Characteristics of mastication and swallowing in Alzheimer's disease. Rev. CEFAC. 2012; 14 (1):122-137.
8)Wirth R, Dziewas R, Beck AM, Clavé P, Hamdy S, Heppner HJ et al. Oropharyngeal dysphagia in older persons – from pathophysiology to adequate intervention: a review and summary of an international expert meeting. Clinical Interventions in Aging. 2016; 23(11): 189–208.
9)White HK, McConnell ES, Bales CW, Kuchibhatla M. A 6-month observational study of the relationship between weight loss and behavioral symptoms in institutionalized Alzheimer’s disease subjects. J Am Med Dir Assoc. 2004;5(2):89-97.
10)WHO: World Health Organization [internet]. Draft global action plan on the public health response to dementia: World Health Organization; 2017. Document A70/28. Disponível em: http://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA70/A70_28-en.pdf?ua=1&ua=1.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
887
COGNIÇÃO E DISFAGIA NO COMPROMETIMENTO COGNITIVO MAIOR
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


A demência ou Comprometimento Cognitivo Maior, conforme o Manual Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), é um problema frequente e cada vez mais prevalente na população idosa. A maioria dos pacientes com demência desenvolve disfagia e têm alto risco de morte por pneumonia aspirativa. Inúmeras são as discussões a respeito da funcionalidade dos idosos com quadros demenciais, todavia, a deglutição não faz parte das tradicionais escalas de funcionalidade.
Objetivos: Traçar o perfil de deglutição em pacientes com comprometimento cognitivo maior em fase avançada.
Métodos: Foram coletados dados de 107 pacientes do Ambulatório de Comprometimento Cognitivo Avançado do serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Os dados foram processados no software Stata 13.0 e adotou-se o nível de significância p<5% em todas as análises. O exame das variáveis categóricas qualitativas foi realizado por meio de estatística descritiva dos perfis de funcionalidade da deglutição dos sujeitos. Para a investigação das variáveis quantitativas, foram aplicados os testes paramétricos de regressão de Poisson e modelagem múltipla com seleção hierárquica. Resultados: 67% era do sexo feminino e 33% do sexo masculino, idade média de 83 anos, 76% era analfabeta ou com até 4 anos de instrução formal. Quanto ao diagnóstico médico, 34% apresentava doença de Alzheimer (DA), 32% demência mista, 21,5% DV e 13% demências menos frequentes como degeneração lobar fronto-temporal (DLFT), demência na doença de Parkinson (DP), demência por corpus de Levy (DCL) e Hidrocefalia de pressão normal idiopática (HPNi). Quanto ao estadiamento da demência, a pontuação média foi de 3 pontos na Clinical Dementia Rating Scale (CDR) e 7 pontos na Functional Assessment Staging (FASTmod), configurando o perfil da gravidade do comprometimento cognitivo da população estudada. A amostra apresentou entre duas ou mais alterações estruturais como redução da força e/ou mobilidade dos órgãos fonoarticulatórios (OFAs), redução da elevação laríngea, higiene oral inadequada, ausência de dentição ou próteses dentárias, próteses mal adaptadas e/ou falhas dentárias e/ou alteração dos aspectos salivares, com impacto na contenção oral dos sujeitos e implicação na proteção das vias aéreas superiores em 74% da amostra, de modo que a avaliação da deglutição se mostrou imprescindível nesta população. Observou-se maior prevalência de alterações nas fases antecipatória, preparatória oral e oral dos sujeitos, visto que estas fases, são voluntárias e altamente dependentes da cognição.
Discussão: A classificação da disfagia nessa população, se mostra complexa, visto que as tradicionais escalas de classificação da disfagia, desconsideram a fase antecipatória e preparatória oral da deglutição, fases essas, gravemente alteradas no comprometimento cognitivo avançado, dado seu caráter volitivo e dependente da cognição.
Conclusão: O presente estudo contribuiu com o delineamento do perfil de funcionalidade da deglutição de idosos com comprometimento cognitivo maior, evidenciando a influência da cognição nas fases voluntárias da deglutição, dos riscos envolvidos, da impropriedade das escalas conhecidas de classificação da disfagia para esta população e da ausência do quesito deglutição, nas tradicionais escalas de funcionalidade. Avaliar a funcionalidade da deglutição de sujeitos com comprometimento cognitivo maior é essencial na busca de um atendimento integral, ecológico e humanizado.

1.Silagi ML, Morillo LS. Nutrição e hidratação em demência avançada: aspectos clínicos e éticos in Brucki SMD, Morillo LS, Ferretti CEL, Nitrini R. Manejo da doença de Alzheimer moderada e grave. 1ª ed. São Paulo: Editora e eventos Omnifarma, 2015; 8: 53-62.
3. Morillo LS. Avaliação geriátrica ampla Conceitos, princípios e objetivos in Bruck, SMD, Morillo LS, Ferretti CEL, Nitrini R. Manejo da doença de Alzheimer moderada e grave. 1a ed. São Paulo: Omnifarma. 2015; 2: 13-19.
4. Gómez-Busto F, Andia V, de Alegria LR, Francés I. Abordaje de la disfagia en la demencia avanzada. Revista Española de Geriatría y Gerontología. 2009; 44, 29-36.
5. Humbert IA, Robbins J. Dysphagia in the elderly. Physical medicine and rehabilitation clinics of North America. 2008; 19(4), 853-866.
6. Rösler A, Pfeil S, Lessmann H, Höder J, Befahr A, von Renteln-Kruse W. Dysphagia in dementia: influence of dementia severity and food texture on the prevalence of aspiration and latency to swallow in hospitalized geriatric patients. Journal of the American Medical Directors Association. 2015; 16(8), 697-701.
7. Ortega O, Espinosa MC. Oropharyngeal Dysphagia and Dementia. 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1355
COMBINAÇÃO DE TÉCNICAS TRADICIONAIS E LASERTERAPIA NA REABILITAÇÃO PÓS AVE: UMA PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é definido como uma alteração de cunho neurológico e com surgimento súbito oriundo de um dano cerebral. Sua duração é variável e a gravidade se dá de acordo com o local e a intensidade da lesão. Esta alteração é um problema de saúde comum e incapacitante, desta forma, a reabilitação é uma parte importante no atendimento ao paciente. As dificuldades da função de deglutição pode estar presente em 50% dos casos atendidos por consequências do AVE e podem gerar consequências graves ao indivíduo1. Dentre as estratégias de reabilitação, a literatura é vasta a partir da estimulação térmica e gustativa, manobras posturais, gerenciamento de volumes e consistências e exercícios miofuncionais2, mas carece de evidências acerca da utilização de ferramentas tecnológicas para a intervenção e melhor qualidade de vida do paciente. OBJETIVO: Descrever a utilização de técnicas tradicionais aliadas à laserterapia na reabilitação fonoaudiológica pós AVE. METODOLOGIA: No serviço são realizadas avaliações dos aspectos relacionados à mobilidade, tônus e postura dos músculos intrínsecos da língua, bucinador e orbicular da boca, com o manejo de alimentos para melhor observação da função de deglutição dos indivíduos. A aplicação do laser visou a biomodulação da musculatura afetada, com a utilização da luz vermelha para a estimulação de estruturas superficiais (M. Orbicular da boca), infravermelha para estruturas mais profundas (M. Bucinador), além da aplicação simultânea das luzes vermelha e infravermelha para atingir camadas superficiais e profundas (Mm. intrínseca da língua). Para este efeito biomodulador, são preconizadas doses intermediárias (de 4 a 6 J), com aplicação pontual de contato3,4. RESULTADOS: Constatou-se que a utilização dos exercícios mioterápicos de língua (tocar de forma alternada a superfície interna das bochechas, tocar nos quatro cantos da boca, varredura do palato, varredura do palato + estalo de língua); lábios (protrusão labial em isometria isoladamente e associada ao estalo) e bochechas (inflar as bochechas bilateralmente de forma isolada e em associação ao bico-sorriso fechado)5, aliada ao uso da laserterapia, promoveu melhora no padrão postural e funcional da musculatura orofacial e cervical, redução de estase salivar e otimização do processo de deglutição. CONCLUSÃO: Os exercícios tradicionais aliados ao uso do laser, são ferramentas da prática fonoaudiológica que podem ser utilizadas na reabilitação pós AVE.

1. Silvério CC, Hernandez AM, Gonçalves MI. Ingesta oral do paciente hospitalizado com disfagia orofaríngea neurogênica. Rev CEFAC. 2010;12 (16): 964-70.

2. Furkim AM, Sacco AB. Eficácia da fonoterapia em disfagia neurogênica usando a escala funcional de ingestão por via oral (FOIS) como marcador. Rev CEFAC. 2008; 10 (17) : 503-12.

3.MATOS, A.S.; BERRETÍN-FELIX, G.; BANDEIRA, R.N.; LIMA, J. A. S.; ALMEIDA, L. N. A.; ALVES, G. A. S. Laserterapia aplicada à motricidade orofacial: percepção dos membros da Associação Brasileira de Motricidade Orofacial – Abramo. Rev. CEFAC. v.20, n. 1, p. 61-68, Jan. – Fev, 2018.

4.Gendron J, Michael R. Applications of Photobiomodulation Therapy to Musculoskeletal Disorders and Osteoarthritis with Particular Relevance to Canada.

5. Rahal A. Bases da Terapia Miofuncional. In: Tessitore A, Marchesan IQ, Silva HJ da, Berretin-Felix G. Práticas clínicas em motricidade orofacial. Fortaleza: Melo; 2014. p. 147-152.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
776
COMO A VOZ ESPELHA EMOÇÕES: UMA INTERPRETAÇÃO NEUROFISIOLÓGICA DE DADOS DE EXPRESSÃO VOCAL
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A comunicação de emoções é crucial para a manutenção das relações sociais. Em seres humanos, a voz constitui um dos meios mais importantes de expressão e percepção de emoções, sendo, por isso mesmo, comumente chamada de “espelho da alma”. Mas como de fato a voz espelha emoções? Modelos teóricos de base neurofisiológica, como o proposto por Klaus Scherer, sugerem que a expressão vocal de emoções constitua uma espécie de espelho dos mecanismos neurofisiológicos associados aos diferentes estados emocionais; sob tal perspectiva, características do som vocal estabeleceriam uma relação direta com gestos vocais expressivos, de natureza semelhante à de outros gestos corporais expressivos. Ainda que este modelo realize predições bastante claras a respeito do impacto, sobre a voz, de diferentes ajustes respiratórios e fonatórios associados a diferentes emoções (por exemplo, relativos à pressão subglótica ou à força do movimento de adução das pregas vocais em diferentes emoções), estudos experimentais que testem as hipóteses por ele propostas são ainda bastante raros. Os objetivos deste estudo foram: a) Investigar o efeito de diferentes emoções sobre ajustes fonatórios e formas de onda do fluxo de ar que atravessa a glote (i.e., a fonte glótica) em cantores líricos profissionais; b) Averiguar se os resultados encontrados confirmam as predições do modelo teórico proposto por Klaus Scherer. Método: cantores líricos profissionais de renome cantaram escalas em frases compostas por pseudopalavras balanceadas foneticamente, expressando diferentes emoções. Ouvintes com ou sem formação musical foram solicitados a indicar a emoção que cada uma destas emissões veiculava por meio de uma avaliação perceptivo-auditiva; os resultados desta avaliação confirmaram que as amostras de canto coletadas eram de fato representativas das emoções expressas. Sinais acústicos do som irradiado pela boca, sincronizados a sinais de eletroglotografia, foram analisados por meio de filtragem inversa. A forma da onda glótica, o correspondente espectro acústico da fonte glótica e as características dos ajustes fonatórios associados ao sinal acústico estimado foram analisados utilizando diversos parâmetros, de tempo e de amplitude. Os efeitos das diferentes emoções sobre os ajustes fonatórios e sobre o som da fonte glótica foram investigados usando matriz de correlação, ANOVA e comparações post hoc. A análise dos resultados mostrou relações sistemáticas entre as diferentes emoções e as características dos ajustes fonatórios e da fonte glótica. Raiva e tristeza situaram-se em posições diametralmente opostas num continuum que incluiu dimensões acústicas, relativas às características da fonte glótica, e fisiológicas, relativas às características dos ajustes fonatórios. Emoções caracterizadas pelo aumento de atividade motora e do nível de tensão muscular, como, por exemplo, a raiva, estiveram associadas à maior velocidade da passagem do ar através da glote, maior força de adução das pregas vocais e espectros acústicos com parciais altos mais intensos. Conclusões: a) Diferentes emoções produziram efeitos distintos sobre os ajustes fonatórios e sobre o som da fonte glótica, e de acordo com as intenções expressivas dos cantores; b) Nossos resultados confirmaram as predições do modelo teórico proposto por Klaus Scherer, que sugere que a expressão vocal de emoções espelha mecanismos neurofisiológicos associados à própria emoção expressa.

1. Alku P, Vilkman E. Amplitude domain quotient for characterization of the glottal volume velocity waveform estimated by inverse filtering. Speech Communication. 1996;18(2): 131-138.
2. Patel S, Scherer KR, Björkner E, Sundberg J. Mapping emotions into acoustic space: The role of voice production, Biological psychology 2011;87(1):93-8.
3. Salomão GL. Expressão Vocal de Emoções: Metáforas Sonoras, Fala e Canto. In:Sandra Madureira (Organizadora). Sonoridades. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2016.p.31-43
4. Bänziger T, Hosoya G, Scherer KR. Path Models of Vocal Emotion Communication. PLOS ONE. 2015 [acesso em 06 julho 2020]; Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0136675
5. Scherer KR, Sundberg J, Fantini B, Trznadel S, Eyben F. The expression of emotion in the singing voice: acoustic patterns in vocal performance.J Acoust Soc Am. 2017;142:1805–1815.
6. Sundberg J, Salomão GL, Scherer KR. Analyzing Emotion Expression in Singing via Flow Glottograms, Long-Term-Average Spectra, and Expert Listener Evaluation. J Voice 2019; in press


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1796
COMO LIDAR COM UM PACIENTE DE CÂNCER ORAL EM TRATAMENTO PALIATIVO? - RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: No Brasil, em 2018, foi contabilizada 4.974 mortes devido ao Câncer de Cavidade Oral nos homens e a sua incidência ocupa a 5º posição. A intervenção fonoaudiológica visa trabalhar com as estruturas remanescentes após ressecção para desenvolver compensações. O trabalho pode ser melhor desenvolvido através da adesão do indivíduo ao estabelecer vínculo entre a equipe de saúde e o paciente. O Cuidado Paliativo tem o intuito de prevenir e aliviar o sofrimento do paciente e seus familiares que passam por doenças que acometem a vida, buscando a melhorara da qualidade de vida. OBJETIVO: Descrever a intervenção fonoaudiológica no cuidado de um paciente oncológico paliativo, visando apresentar técnicas pontuais vinculadas a função e o cuidado com o paciente e seus familiares para que haja melhor adesão ao tratamento. MÉTODO: Submetido ao CEP 3033682. Paciente de sexo masculino, 61 anos, trabalhador rural, etilista há 50 anos, encontrava-se com lesão leucoplásica em região lateral esquerda da língua e linfonodomegalia cervical, os exames revelaram tratar de um carcinoma espinocelular de cavidade oral (trígono retromolar) T2N3M0 localmente avançado com fistulização cervical, realizou 35 sessões de radioterapia, uma hemiglossectomia à esquerda que deixou tumor residual e recebeu alta hospitalar com uso de sonda nasoenteral. A intervenção Fonoaudiológica Pré Operatória teve o intuito de estabelecer vínculos, realizar avaliação dos Órgãos Fonoarticulatórios (OFAs) para obter dados comparativos, orientar a respeito das possíveis sequelas cirúrgicas, sendo informado que para minimizá-las seria necessárias sessões de terapia fonoaudiológica. No pós imediato, as estruturas remanescentes foram avaliadas e a orientação sobre higiene oral foi feita. O pós tardio, consistiu em terapias semanais de 45 minutos aproximadamente por 8 semanas, com o objetivo principal de favorecer a alimentação por via oral para retirada de via alternativa. Como objetivo secundário, restabelecer aspectos relacionados à fala. Por isso, foi trabalhado o treino de manobras para deglutição, realização de exercícios isotônicos e isométricos para língua e bucinador e treino articulatório. Sendo importante ressaltar o vínculo criado entre o paciente e os familiares com os profissionais de saúde que foi essencial na completa adesão ao tratamento, além da intervenção da equipe fonoaudiológica com os demais profissionais da saúde para intermediar e facilitar o contato entre a equipe e da equipe com o paciente. RESULTADOS: A preocupação com o tratamento do paciente em cuidados paliativos foi direcionada a tratar sua maior queixa que era relacionada a alimentação o quanto antes. Após 8 semanas de fonoterapia, paciente apresentou significativa melhora na mobilidade de língua e em tônus de bucinador, concomitantemente, obteve-se melhora no processo de deglutição, em consistência pastosa, desenvolveu controle do bolo oral e conseguiu a limpeza total de estase em cavidade oral, sendo possível a retirada de sonda e passagem para via oral exclusiva na consistência pastosa. CONCLUSÃO: O relato mostra a importância da adesão do paciente no sucesso do tratamento. Obtendo o resultado esperado com a melhora das questões relacionadas a deglutição, a fonação e consequentemente, qualidade de vida.

(1) Instituto Nacional Do Câncer - INCA. Estatística de Câncer [acesso em 11 julho 2020]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer
(2) Mendes RF. Análise do impacto na comunicação oral de indivíduos tratados cirurgicamente do câncer na cavidade oral. Belo Horizonte; 2007. [acesso em 11 julho 2020]. Disponível em: http://ftp.medicina.ufmg.br/fono/monografias/2007/robertaferreira_analisedoimpacto_2007-1.pdf
(3) Paro CA, Vianna NG, Lima MCMP. Investigando a adesão ao atendimento fonoaudiológico no contexto da atenção básica. São Paulo: Revista CEFAC; 2013. [acesso em 12 julho 2020]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462013000500029&lng=en
(4) World Health Organization. (n.d.). Who definition of palliative care. [acesso em 12 julho 2020]. Disponível em: http://www.who.int/cancer/palliative/definition/en/


TRABALHOS CIENTÍFICOS
858
COMORBIDADES RELACIONADAS À APRAXIA DE FALA INFANTIL: RESULTADOS PRELIMINARES DE UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Apraxia de fala na Infância (AFI), no desenvolvimento infantil, identifica-se como prejuízo da execução da etapa de planejamento e programação motora, na ausência de comprometimentos neuromusculares. Este distúrbio pode resultar de comprometimentos neurológicos, estar associado a distúrbios neuro-comportamentais complexos ou ter entidade nosológica desconhecida. Além disso, pode ocorrer juntamente com outros diagnósticos. Atualmente, observa-se lacunas importantes relacionadas aos critérios diagnósticos e suas comorbidades, dificultando a investigação fonoaudiológica. Objetivo: A presente revisão objetiva a verificação sistemática na literatura das principais comorbidades associadas à Apraxia de Fala Infantil, explorando suas definições e manifestações, de forma a favorecer a tomada de decisões diagnósticas. Método: A presente revisão sistemática foi conduzida conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). A busca por artigos científicos foi realizada na base de dados Pubmed. Os termos de busca utilizados foram: Comorbidity, Apraxias, Childhood apraxia of speech, Dyspraxia, Speech, e seus entretermos, em inglês. Os critérios de exclusão foram: apresentação de uma definição não confiável do que foi considerado Apraxia de Fala Infantil ou diagnóstico da comorbidade considerada. Foram incluídos todos os estudos cujos sujeitos apresentavam alguma síndrome diagnosticada e apraxia de fala. Os títulos e resumos de todos os artigos foram avaliados pelos investigadores. No estágio do texto integral, três revisores independentes avaliaram os artigos completos e realizaram suas seleções de acordo com os critérios de elegibilidade. Foram utilizados formulários padronizados para coleta dos dados principais de cada estudo. Em todas as etapas, as discordâncias foram resolvidas por consenso. O dado principal coletado foi quanto à ocorrência de comorbidades em sujeitos com AFI. Resultados: A base de dados pesquisada gerou um total de 111 artigos. Após a análise dos títulos e resumos, 12 artigos foram para a etapa de leitura integral do texto. Destes, 8 estudos foram incluídos na presente revisão, dos quais foram extraídos os dados principais para análise e composição dos resultados do presente estudo. Foram encontradas, dentre as comorbidades mais presentes associadas à Apraxia de Fala Infantil, transtornos como Transtorno do Espectro Autista (3 estudos), Epilepsia Rolândica (2 estudos), Síndrome de Landau-Kleffner (1 estudo), Síndrome de Down (1 estudo). As causas genéticas vêm como preditoras da associação entre Apraxia de Fala Infantil e estas comorbidades. Conclusão: Como a Apraxia de Fala Infantil é um distúrbio de manifestação heterogênea, pode se apresentar em comorbidades com distúrbios variados e, muitas vezes, de difícil detecção. As síndromes genéticas são as que mais aparecem associadas à Apraxia de Fala Infantil. Conforme observado nos resultados, faz-se necessário a realização de mais estudos relacionados ao tema, a fim de esclarecer tais aspectos associados à AFI, identificando as características das manifestações clínicas em cada comorbidade correlacionada.

PALAVRAS-CHAVE: Apraxia de Fala Infantil; Comorbidades; Fala e Linguagem.


BALLABAN-GIL K, TUCHMAN R. Epilepsy and epileptiform EEG: association with autism and language disorders. Ment Retard Dev Disabil Res Rev. 2000;6(4):300‐308. doi:10.1002/1098-2779(2000)6:4<300::AID-MRDD9>3.0.CO;2-R.
CHERYL TIERNEY, SUSAN MAYES, SALLY R LOHS, AMANDA BLACK, EUGENIA GISIN, MEGAN VEGLIA. Qual a validade da lista de verificação para transtorno do espectro do autismo quando uma criança apresenta apraxia da fala? J Dev Behav Pediatr. Out 2015; 36 (8): 569-74. PMID: 26114615 DOI: 10.1097 / DBP.0000000000000189.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1622
COMPARAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À VOZ DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS E DA EDUCAÇÃO INFANTIL MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DO PROTOCOLO DE QUALIDADE DE VIDA E VOZ - QVV
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: O professor faz parte dos profissionais que utilizam a voz como principal instrumento de trabalho, por esta razão apresentam maior suscetibilidade de desenvolver distúrbios vocais e consequentemente impactos na qualidade de vida. Há aspectos particulares e demandas que caracterizam e distinguem a docência no Ensino Básico e no Superior, apresentando, por exemplo, diferentes graus de cansaço físico, diversidade de tarefas extraclasse ou número de alunos em sala de aula. A Qualidade de vida relacionada à voz pode ser mensurada pelo protocolo de qualidade de vida e voz (QVV), segundo a literatura 1-4. Objetivo: Comparar a qualidade de vida relacionada à voz de professores universitários e da educação infantil através de uma revisão de literatura. Metodologia: Foram utilizadas para a pesquisa as bases de dados Lilacs e Scielo, utilizando os descritores “Voz”, “Qualidade de Vida”, “Docentes”.
Os artigos pré-selecionados passaram por uma análise de seus títulos, resumos e descritores para verificação da adequação ao tema, foram selecionados apenas artigos que analisaram a qualidade de vida relacionada à voz de docentes que lecionam a educação infantil e ensino superior mediante a utilização do protocolo de qualidade de vida e voz (QVV). Resultados: Dos artigos encontrados nas bases de dados, dois deles analisaram a qualidade de vida relacionada voz de docentes do ensino fundamental 1,4 e dois analisaram a qualidade de vida relacionada à voz em docentes que lecionam ao ensino superior 2,3, todos os artigos analisados aplicaram em seus participantes o protocolo de qualidade de vida e voz (QVV). Não foram encontrados artigos que abordassem tal aspecto em professores de educação infantil. De modo geral os estudos evidenciaram maior comprometimento do aspecto físico do protocolo de Qualidade de vida e voz, sendo que a maioria dos docentes avaliou sua voz como boa, apesar de apresentarem dificuldades nos processos de produção vocal bem como falar forte em ambientes ruidosos, incoordenação pneumofônica e dificuldade em desenvolver a profissão por não ser compreendido. Conclusão: A maioria dos docentes avaliou sua voz positivamente apesar de apresentarem sintomas vocais, sendo evidente a dificuldades em perceber e identificar alterações da voz. Faz-se necessário maior número de estudos abordando docentes de diferentes níveis de ensino, para que se possa compreender melhor as peculiaridades e demandas de cada público.

1. Jardim. R, Barreto SM, assunção AA. Condições de trabalho, qualidade de vida e disfonia entre docentes. Cad. Saúde Pública. 2007;23(10):2439-61.

2. Servilha EAM, Roccon PF. Relação entre voz e qualidade de vida em professores universitários. Rev CEFAC. 2009;11(3):440-48.

3. Fabrício MZ, Kasama ST, Martinez EZ. Qualidade de vida relacionada à voz de professores universitários. Rev. CEFAC. 2009;12(2):280-287

4. Ribas TM, Penteado RZ, García-Zapata, MTA. Qualidade de vida relacionada à voz: impacto de uma ação fonoaudiológica com professores. Rev. CEFAC, 2014;16(2):554-65.






TRABALHOS CIENTÍFICOS
1565
COMPARAÇÃO DE MEDIDAS DE FREQUÊNCIA FUNDAMENTAL EM MULHERES COM MÁS OCLUSÕES CLASSES I E II DE ANGLE (DIVISÃO 1)
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A má oclusão Classe II de Angle (Divisão 1) com aumento do overjet influencia a conformação do esqueleto craniofacial e pode ocasionar reflexos na fala e voz. Ajustes na posição da língua durante a produção das vogais podem modificar o controle da frequência vocal, tendo em vista a relação que existe entre articulação e fonação. A análise de medidas de frequência fundamental (F0) de diferentes vogais na Classe II de Angle (Divisão 1) e a comparação com um grupo com má oclusão Classe I com perfil facial harmônico pode trazer informações sobre a relação entre articulação e fonação neste tipo de desproporção maxilo-mandibular.
OBJETIVO: Comparar medidas de frequência fundamental das sete vogais orais do Português Brasileiro de mulheres com má oclusão Classes I e II (Divisão 1) de Angle.
MÉTODO: Participaram do estudo 60 mulheres entre 18 e 40 anos, divididas em dois grupos de acordo com as seguintes más oclusões segundo a Classificação de Angle: Classe I (n=40) e Classe II, Divisão 1 (n=20). As participantes com Classe I apresentaram relação maxilo-mandibular equilibrada nas três dimensões do espaço, perfil harmônico e pequenas alterações de posicionamento dentário e as com Classe II (Divisão 1) apresentaram overjet entre 4 e 7 milímetros, com média de 5 milímetros. As amostras de fala foram obtidas a partir das gravações de sentenças-veículo: (“Fale____ para mim”), preenchidas com os vocábulos “pápa”, “pépe”, “pêpe”, “pípi”, “pópo”, “pôpo” e “púpu”. Foram extraídos os 10 milissegundos da porção intermediária de cada vogal para estimação da frequência fundamental. O software Praat foi utilizado para gravar, recortar e processar os sinais. Os valores finais contemplaram a média de duas emissões de cada sentença. A análise estatística foi realizada por meio do teste T de Student e o nível de significância adotado foi igual ou menor que 0,05 (5%).
RESULTADOS: Foram observados valores mais graves de F0 na má oclusão Classe II (Divisão 1) nas vogais anteriores [Ԑ] e [e] em relação à má oclusão Classe I.
CONCLUSÃO: Valores de frequência fundamental mais graves nas vogais [Ԑ] e [e] na Classe II Divisão 1 foram atribuídos a uma adaptação na produção destas vogais anteriores realizada pelas mulheres com má oclusão Classe II (Divisão 1). Esses dados podem ser justificados pela redução do espaço anteroposterior inferior da cavidade oral e pelo aumento do overjet apresentado neste tipo de desproporção maxilomandibular, o que pode ter ocasionado ajustes na produção destes sons e contribuído para uma posição de laringe mais baixa e com menor velocidade de vibração das pregas vocais quando comparadas às mulheres com perfil facial harmônico.

1. Nájera SL, Rodríguez FJM, Ledesma AF, Grajeda DI, Jiménez JC, Ruidíaz VC. Pronunciation of phonemes in relation to the degree of malocclusion and position of the incisal edges-lip vermilion border. Rev Mex Ortod.2016;4(4):e217–224.
2.Honda K. Relationship between pitch control and vowel articulation. Haskins Labor Status Report Speech Research. 1983;73:269–282.
3.Shaw JA, Chen W, Proctor MI, Derrick D. Influences of tone on vowel articulation in mandarin Chinese. JSLHR. 2016;59(6):S1566-1574.
4.Sundberg J. Ciência da Voz: Fatos Sobre a Voz na Fala e no Canto. 2a. ed. São Paulo: EdUSP; 2018.
5. Barbosa PA, Madureira S. Manual de Fonética Acústica Experimental. São Paulo: Cortez; 2015.
6. Villanueva P, Morán D, Lizana ML, Palomino HM. Articulación de fones em indivíduos classe esqueletal I, II y III. Ver CEFAC.2009;11(3):423–430.
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8. Johnson NCL, Sandy JR. Tooth position and speech - Is there a relationship? Angle Orthodontist. 1999; 69: 306–310.
9. Viegas F, Viegas D, Serra GS, Ritto F, Simões-Zenari M, Nemr K. Acoustic analysis of fundamental frequency in men with skeletal Class II malocclusion. Int Arch Otorhinolaryngol.2019. 18th Congress of Otorhinolaryngology Foundation, August 29–31, 2019. 9532; p.S161.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2067
COMPARAÇÃO DO ASPECTO SEMÂNTICO EM IDOSOS SAUDÁVEIS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O envelhecimento saudável está relacionado ao baixo risco de doenças e de incapacidades funcionais, bem como um adequado funcionamento da mente e do corpo(1). O aspecto semântico encontra-se prejudicado na linguagem dos indivíduos com patologias neurodegenerativas, por exemplo, a doença de Alzheimer(2), a doença de Parkinson(3) e a Esclerose Lateral Amiotrófica(4). O conhecimento das alterações e modificações no discurso de indivíduos que envelheceram de forma saudável pode ser um passo fundamental para entender os processos neurodegenerativos.
Objetivos: Comparar alterações no aspecto semântico do discurso de idosos saudáveis, ao compreender as alterações das unidades de informação entre as variáveis de idade, sexo e escolaridade.
Métodos: Esta pesquisa transversal, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob protocolo n° 410/2016, foi feita com uma amostra de indivíduos idosos de ambos os sexos, independente da escolaridade e selecionados de um centro de saúde escola. Os sujeitos foram submetidos aos testes de inclusão para serem qualificados a prosseguir na pesquisa, sendo utilizados o Mini Exame do Estado Mental (MEEM)(5), o Teste do Desenho do Relógio(6), o Teste de Fluência Verbal Semântica(7) e o Questionário de Atividades Funcionais de Pffefer(8). Caso não apresentassem comprometimento cognitivo por meio dos testes, solicitou-se aos idosos a descrever oralmente a figura do Roubo de Biscoitos do Boston Diagnostic Aphasia Examination, da segunda edição da versão espanhola(9). A análise das produções emitidas pelos indivíduos foi concretizada com as unidades de informação do aspecto semântico da linguagem(10). Para a comparação, a Análise de Variância com o Teste do Qui-quadrado com nível de significância de 0,05 foi utilizada ao considerar a idade, o sexo e a escolaridade. Além da análise estatística, uma análise qualitativa foi realizada com cada unidade de informação isolada para verificar a influência das variáveis em cada uma das emissões dos sujeitos.
Resultados: O estudo foi realizado com 34 indivíduos, sendo 11 do sexo masculino e 23 do sexo feminino, com a idade variando de 60 a 83 anos e com até 11 anos de escolaridade. Quanto a esta última variável, um participante não cursou ensino regular, 13 participantes cursaram até o ensino fundamental e dez participantes cursaram até o ensino superior. A análise estatística realizada para todas as variáveis e para todos os testes não apresentaram diferença significativa, com exceção do MEEM. No teste MEEM em questão, o sexo feminino apresentou um resultado mais satisfatório do que o sexo masculino, quando ambos apresentaram menor tempo de escolaridade. O sexo masculino se equipara ao sexo feminino quando possuem maior escolaridade. Sobre a análise qualitativa, diferenças entre as unidades de informação foram observadas em todas as variáveis.
Conclusão: Os valores das médias de cada domínio (protagonista, lugar, objeto e ação) não tiveram diferença significativa em relação à idade, ao sexo e à escolaridade. Entretanto, uma análise qualitativa mostrou que há discrepância em relação a emissão das unidades de informação entre essas variáveis. Devido à escassez da literatura nacional encontrada, outras pesquisas devem ser elaboradas para que os resultados possam ser comparados.

(1) Cupertino APFB, Rosa FHM, Ribeiro PCC. Definição de envelhecimento Saudável na Perspectiva de Indivíduos Idosos. Psicol. Refl. Crít. [Internet]. 2007;20(1):81-86. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=18820111.
(2) Giles E, Patterson K, Hodges JR. Performance on the Boston Cookie Theft picture description task in patients with early dementia of the Alzheimer’s type: missing information. Aphasiology [Internet].1996; 10:395-408. DOI:10.1080/02687039608248419.
(3) de Souza R, Cardoso MC. Perfil da fluência verbal em indivíduos com a Doença de Parkinson. RBCEH [Internet]. 1jul.2014;11(1). Disponível em: http://www.seer.upf.br/index.php/rbceh/article/view/3237
(4) Schlindwein-Zanini R, Queiroz L, Claudino L, Claudino R. Aspectos Neuropsicológicos da Esclerose Lateral Amiotrófica: Relato de Caso. Arq Catar de Med [Internet]. 2016 Ago 23; 44(1): 62-70. Disponível em: http://www.acm.org.br/acm/seer/index.php/arquivos/article/view/11.
(5) Brucki SM, Nitrini R, Caramelli P, Bertolucci PHF, Okamato IH. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. Arq. Neuro-Psiquiatr. [Internet]. 2003 Sep; 61( 3B ): 777-781. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2003000500014&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X2003000500014.
(6) Shulman KI, Shedletsky R, Silver IL. The chalenge of time: clock-drawing and cognitive function in the elderly. Int J Geriatr Psychiatry. 1986;1(2):135-40. DOI: 10.1002/gps.930010209
(7) Bertolucci PHF, Okamoto IH, Neto JT, Ramos LR, Brucki SMD. Desempenho da populacao brasileira na bateria neurpsicologica do Consortium to Establish a Tegistry for Alzheimer`s Disease (CERAD). Rev. Psiq. Clin 1998; 25(2): 80-83.
(8) Pfeffer RI, Kurosaki TT, Harrah CH Jr, Chance JM, Filos S. Measurement of functional activities in older adults in the community. J Gerontol. 1982 May;37(3):323-9. doi: 10.1093/geronj/37.3.323. PMID: 7069156.
(9) Croisile B, Ska B, Brabant MJ, Duchene A, Lepage Y, Aimard G, et al. Comparative study of oral and written picture description in patients with Alzheimer's disease. Brain Lang. 1996 Apr;53(1):1-19. doi: 10.1006/brln.1996.0033. PMID: 8722896.
(10) Goodglass H, Kaplan E. Evaluacion de la afasia y de transtornos relacionados. Madrid: Panamericana; 1996; 190 p.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
883
COMPARAÇÃO DO CASA ESCORE EM RELAÇÃO AO STOP-BANG COMO PREDITOR PARA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Tese
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: a aparência das bochechas foi identificada como possível preditor para apneia obstrutiva do sono (AOS) no primeiro estudo1 da área utilizando o protocolo de avaliação miofuncional AMIOFE. Com base nesse estudo preliminar o aspecto da aparência das bochechas foi isolado para ser utilizado como triagem em pacientes com queixas de sono e, posteriormente, validado pelo CASA escore. Os preditores tradicionais para AOS são índice de massa corpórea (IMC)2, circunferência do pescoço3, sexo masculino4, idade adulto e, principalmente, idoso5 . O STOP-BANG6 é um questionário e avaliação antropométrica que incluí todos os preditores citados e demais questões objetivas, considerado um dos melhores preditores mundiais para AOS, com fácil e rápida aplicabilidade.
Objetivo: comparar o desempenho do CASA escore em relação ao STOP-BANG como preditor para apneia obstrutiva do sono.
Método: estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o número CAAE 87986218.2.0000.5327. Os sujeitos deste estudo realizaram polissonografia para investigar queixas de sono em uma clínica de sono afiliada ao hospital universitário no qual o presente estudo foi aprovado. Todos os sujeitos que realizaram polissonografia foram triados pelo CASA escore e pelo STOP-BANG. O protocolo CASA escore foi realizado in loco e, posteriormente, analisado por três avaliadores cegados e independentes. O CASA escore avalia tipo e intensidade das bochechas e está sendo validado para sujeitos com AOS. Ao final, os dados de CASA escore e STOP-BANG foram comparados.
Resultados: foram incluídos no estudo 248 sujeitos, com idade entre 18 e 86 anos e média de idade de 45,9±14,9, sendo 146 (59%) homens. Os resultados do STOP-BANG apresentaram predição para índice de apneia-hipopneia por hora de sono (IAH)>5 de sensibilidade de 86%, especificidade de 59%, valor preditivo positivo de 81%, valor preditivo negativo de 67%, acurácia de 77% e curva ROC>0,81. A validação do CASA escore para IAH>5 demonstrou sensibilidade de 88%, especificidade de 47% valor preditivo positivo de 80%, valor preditivo negativo de 61%, acurácia de 76% e curva ROC>0,79. Todos os parâmetros de predição do CASA escore se assemelham aos parâmetros de predição do STOP-BANG.
Conclusão: O CASA escore apresentou bom desempenho como triagem para sujeitos com queixas de sono quando comparado ao STOP-BANG, já estabelecido como excelente preditor. Futuros estudos são necessários para comprovação dos dados.

Referências:
1.Prikladnicki A, Martinez D, Brunetto MG, Fiori CZ, Lenz MDCS, Gomes E. Diagnostic performance of cheeks appearance in sleep apnea. Cranio. 2018;36(4):214–221.
2. van der Spuy I, Zhao G, Karunanayake C, Pahwa P. Predictors of Sleep Apnea in the Canadian Population. Can Respir J. 2018;2018:6349790
3. Friedman M, Tanyeri H, La Rosa M, et al. Clinical predictors of obstructive sleep apnea. Laryngoscope. 1999;109(12):1901-1907
4. Earl DE, Lakhani SS, Loriaux DB, Spector AR. Predictors of moderate to severe obstructive sleep apnea: identification of sex differences. Sleep Breath. 2019;23(4):1151-1158.
5. Hoffstein V, Szalai JP. Predictive value of clinical features in diagnosing obstructive sleep apnea. Sleep. 1993;16(2):118-22.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
761
COMPARAÇÃO DO DESEMPENHO EM VOCABULÁRIO DE ESCOLARES NA ALFABETIZAÇÃO
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Comparação do desempenho em vocabulário de escolares na alfabetização

1Patrícia do Valle Alves, 2Cláudia Silva
¹Discente da Universidade Federal Fluminense – UFF/Nova Friburgo-RJ
²Docente da Universidade Federal Fluminense – UFF/Nova Friburgo-RJ

Introdução: Dentro do desenvolvimento infantil, em especial no período escolar é esperado que as crianças desenvolvam e ampliem seu vocabulário(1). O vocabulário é o marco inicial da aquisição da linguagem oral e por consequência dificuldade na sua aquisição pode ser um fator determinante para o diagnóstico fonoaudiológico de atraso de linguagem(2). O conhecimento de palavras implica não só em saber o seu significado, mas também na forma de usa-la dentro de uma frase. Dessa forma, para a análise em provas de vocabulário não basta a criança apenas nomear é necessário que ela atribua significado aquilo que é apresentada. Assim, a influência cognitiva associada ao desenvolvimento infantil participa ativamente desse processo(3,4). Objetivo: comparar o desempenho em vocabulário para verificar a competência lexical de escolares com e sem dificuldades na alfabetização. Método: Este estudo possui Comitê de Ética em Pesquisa aprovado sob o protocolo 1.800.368/2016. Como amostra participaram desse estudo 92 escolares pertencentes ao 1º ano do ensino fundamental de uma escola pública, com idades entre 5 anos e 9 meses e 6 anos e 5 meses, divididos em GI (50 escolares sem dificuldades na alfabetização) e GII (42 escolares com dificuldades na alfabetização). Como instrumento de avaliação foi realizado a aplicação do Teste de Linguagem Infantil – ABFW(5), com enfoque na área de vocabulário, para a verificação da competência lexical dos escolares. A avaliação foi composta por nove campos conceituais, apresentados sequencialmente: vestuário (1), animais (2), alimentos (3), meios de transporte (4), móveis e utensílios (5), profissões (6), locais (7), formas e cores (8), brinquedos e instrumentos musicais (9). O teste foi aplicado na escola, de forma individual, em uma sessão com duração média de 30 a 40 minutos. A verificação do vocabulário foi analisada, em relação ao desenvolvimento normal da linguagem, para os aspectos de designação por vocábulo usual (DVU) quando a resposta produzida foi correta, não designação (ND) quando não foi nomeada, e processo de substituição (PS) quando a resposta não foi exata. As análises foram realizadas para a caracterização dos recursos de significação utilizados pela criança quando expostas a uma figura-alvo e solicitada a nomeá-la de forma imediata. Resultados: houve desempenhos estatisticamente significantes na comparação entre GI e GII para todos os campos conceituais com exceção para alimentos, móveis e utensílios, locais e profissões em não designação do vocábulo (ND), para meios de transporte em processos de substituição (PS), e para brinquedos e instrumentos musicais em ND e PS. Conclusão: Conclui-se que houve aproximação entre as médias de desempenho para ambos os grupos em relação a todos os campos conceituais analisados para designação usual do vocabulário (DVU), havendo discrepância em desempenho de GII em relação a GI quanto a não designação do vocábulo (ND) e para os processos de substituições, identificados como processos mais usuais para os escolares com dificuldades na alfabetização.
Palavras-Chave: Vocabulário; Aprendizagem; Linguagem; Desenvolvimento infantil; Fonoaudiologia

1. Barbosa VM, Silva C. Correlation between receptive vocabulary skill, syntactic awareness, and word writing. Rev Cefac. 2020; 22(3): e2420. https://doi.org/10.1590/1982-0216/20202232420
2. Shriberg LD, Kwiatkowski J. Phonological disorders: I: A diagnostic classification system. J Speech Lang Hear Res. 1982; 47(3): 226-41. http://dx.doi.org/10.1044/jshd.4703.226
3. Neefa NE, Müller B, Liebig J, Schaadt G, Grigutsch M, Gunter TC, Wilcke A, Kirsten H, Skeide MA, Kraft I, Kraus N, Emmrich F, Brauer J, Boltze J, Friederici AD. Dyslexia risk gene relates to representation of sound in the auditory brainstem. Dev Cogn Neurosci. 2017, 24:63–71. http://dx.doi.org/10.1016/j.dcn.2017.01.008
4. Monteiro SM, Soares M. Processos cognitivos na leitura inicial: relação entre estratégias de reconhecimento de palavras e alfabetização. Educação e Pesquisa. 2014; 40(2): 449-66. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022014005000006
5. Andrade CRF, Befi-Lopes DM, Fernandes FDM, Wertzner HF. Teste de linguagem infantil nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática – ABFW. Carapicuiba: Editora Pró- Fono; 2002.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1480
COMPARATIVO ENTRE AS EVIDÊNCIAS DE VALIDADE DA ANÁLISE ACÚSTICA NA RELAÇÃO DO SONAR DOPPLER E ACELERÔMETRO DE CONTATO COMO INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO DA DEGLUTIÇÃO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A avaliação constante da disfagia e as medidas terapêuticas resultantes de seu diagnóstico precoce mostram-se efetivas ao reduzir as taxas de complicações clínicas relacionadas à disfunção. Atualmente, com a grande diversidade de métodos auxiliares na avaliação dessas alterações a decisão pela melhor escolha torna-se uma questão conflitante. Diante desse paradigma surge a necessidade de incorporação de métodos com eficácia comprovada cientificamente, que alie alto índice de sensibilidade e especifidade, como forma de unir praticidade, economia e agilidade nesse diagnóstico, proporcionando saúde, bem-estar e qualidade de vida aos pacientes que necessitam de auxílio terapêutico nessa área. A análise acústica da deglutição vem se destacando dentre os métodos auxiliares na identificação da disfagia. Objetivos: Comparar os indicativos de validade diagnóstica da avaliação acústica da deglutição usando dois métodos de captura - ultrassom de efeito Doppler e acelerômetro de contato com análises pelo software DeglutiSom® - como métodos auxiliares na avaliação da disfagia orofaríngea em pacientes neurológicos. Método: Trata-se de um estudo do tipo transversal, não controlado, com amostragem aleatória sistemática, duplo-cego. Foi realizado de forma quantitativa e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas sob número 3.066.XXX. Os pacientes foram encaminhados das unidades de internação e dos ambulatórios de um hospital universitário. Os participantes foram submetidos, concomitantemente, à avaliação com os dois métodos acústicos, o Sonar Doppler e o Acelerômetro de Contato. Além do exame de referência para avaliação da deglutição, a FEES®. Não houve interferência entre os sinais obtidos pelo acelerômetro e pelo dispositivo de ultrassom, visto que operam em faixas de frequências bastante distintas. Foram analisados 116 arquivos, gerados a partir das três consistências oferecidas aos 22 pacientes, que depois de alinhados, recortados e aleatorizados, receberam a avaliação de um profissional com experiência em análise acústica da deglutição. Em relação as queixas na deglutição, 77,3% dos pacientes já relatavam essas alterações e desses, 59,1% mostravam redução no peso corporal desde o início dos sintomas de disfagia. Resultados: O Sonar Doppler evidenciou uma maior discriminação dos pacientes que apresentavam aspiração traqueal, ou seja, diagnosticou corretamente os que apresentavam o sintoma. Porém, quando era necessário diagnosticar corretamente os pacientes sem alterações, o Acelerômetro de Contato mostrou-se mais efetivo. Conclusão: O estudo demonstrou que apesar dos métodos de transdução mostrarem semelhanças, fornecem informações diferenciadas e complementares das alterações da deglutição.

Palavras-chave: Acústica, Disfagia, Efeito Doppler, Estudos de Validação, Transtornos de Deglutição





1. PERNAMBUCO LA, MAGALHÃES JUNIOR HV. Aspectos epidemiológicos da disfagia orofaríngea. In: Marchesan IQ, Silva HJ, Tomé MC. Tratado das especialidades em Fonoaudiologia. São Paulo: Guanabara Koogan; 2014. p. 7-14

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3. PERRY L. Screening swallowing function of patients with acute stroke: detailed evaluation of the tool used by nurses. J Clin Nurs. 2001, 10(4): 474-81

4. BORR C, FASTABEND MH, LÜCKING A. Rehability and validity of cervical auscultation. Dysphagia. 2007, 22(3): 225-34

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8. SORIA FS, SILVA RGD, FURKIM AM. Acoustic analysis of oropharyngeal swallowing using Sonar Doppler. Braz J Otorhinolaryngol. 2016, 82(1): 39-46

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1324
COMPLICAÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS DA TRAQUEOSTOMIA PÓS-TRATAMENTO QUIMIORADIOTERÁPICO PARA CÂNCER DE LARINGE: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: O câncer de cabeça e pescoço pode acometer qualquer estrutura do trato aerodigestivo superior, sendo eles, cavidade nasal, rinofaringe, cavidade oral, orofaringe, hipofaringe e laringe. O tratamento pode ocorrer por meio de cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou pela combinação das mesmas a depender do estadiamento e localização do tumor. Na radioterapia para tumores de laringe, uma sequela comum é o edema persistente após três meses, podendo ser necessária a realização de traqueostomia de urgência. A radioterapia, o edema e a traqueostomia causam alterações importantes na fisiologia da deglutição e produção vocal(1-6). Objetivo: Descrever as complicações da traqueostomia, através um caso clínico, para as funções fonoaudiológicas de deglutição e voz, após tratamento radioterápico para câncer de laringe. Método e resultados: o presente estudo teve seu projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com parecer de número 3.643.971 e o participante assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Paciente do sexo masculino, 49 anos, diagnosticado com câncer de laringe do tipo carcinoma espinocelular, estadiamento T4N0M0. Realizou tratamento de radioterapia. Em seu primeiro atendimento fonoaudiológico, o paciente apresentou queixas de engasgos, odinofagia e consequente perda de peso. Na avaliação da deglutição com líquido pastoso (consistência mel) foi observada elevação laríngea adequada, sem tosse e/ou engasgos, ausculta cervical final limpa, porém referindo dor intensa. Apresentava qualidade vocal rouco-soprosa de grau leve, G1R1B1A0S0I0. Como conduta fonoaudiológica foram realizadas orientações para deglutição, exercícios e manobras para melhora do desconforto ao deglutir. Na avaliação fonoaudiológica após traqueostomia de urgência, o paciente referiu saída de alimento pela traqueostomia em todas as consistências e permaneceu com queixa de odinofagia.. Apresentava qualidade vocal rouco-soprosa de grau moderada, G1R2B2A0S1I0. Na avaliação direta da deglutição com líquido e líquido espessado na consistência pudim, corados com anilina alimentícia azul, para líquidos espessados o paciente apresentou deglutição funcional, com ausência de sinais ou sintomas sugestivos de penetração/aspiração laríngea. Para a consistência líquida, mesmo com manobras facilitadoras de deglutição, controle de volume e velocidade da oferta, apresentou escape pela traqueostomia minutos após. O paciente foi orientado a deixar a dieta por via oral nas consistências líquida-pastosa (pudim) e líquidos espessados (néctar) e quanto a cuidados de postura, controle de volume e velocidade com a oferta da dieta. Conclusão: a realização da traqueostomia após o tratamento de quimioradioterapia aumentou os riscos de disfagia e disfonia, impactando diretamente na qualidade de vida do paciente, fazendo-se necessário o acompanhamento fonoaudiológico e da equipe multiprofissional.

1. GALBIATTI, A. L. S. et al. Câncer de cabeça e pescoço: causas, prevenção e tratamento. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, São Paulo, vol. 79, n.2, mar/abr, 2013.
2. ROLIM, A.E.H.; COSTA, L.J.; RAMALHO, L.M.P. Repercussões da radioterapia na região orofacial e seu tratamento. Radiologia Brasileira, São Paulo, vol.44, n.6, nov./dec., 2011.
3. GIOTAKIS, A. I.; POTOTSCHNIG, C.Use of erbium laser in the treatment of persistent post-radiotherapy laryngeal edema: a case report and review of the literature. World jornal of surgical oncology, v. 16, n. 1, p. 176, 2018.
4. RANCATI, T.,et al. Radiation dose–volume effects in the larynx and pharynx.International Journal of Radiation Oncology* Biology* Physics, v. 76, n. 3, p. S64-S69, 2010.
5. PATTERSON, J. M; HILDRETH, A., WILSON, J. A Measuring edema in irradiated head and neck cancer patients. Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, v. 116, n. 8, p. 559-564, 2007.
6. COSTA, C. et al. R. Decanulação: Atuação Fonoaudiológica e Fisioterapêutica. Distúrbios da Comunicação, v. 28, n. 1, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2091
COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS INDIVÍDUOS COM OBESIDADE CANDIDATOS À CIRURGIA BARIÁTRICA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS INDIVÍDUOS COM OBESIDADE CANDIDATOS À CIRURGIA BARIÁTRICA
Introdução: Segundo os dados do Ministério da Saúde o número de pessoas com obesidade aumentou mais de 67,8% desde 2006 a 2018 gerando impacto tanto na qualidade de vida como nos gastos da saúde pública. O padrão de consumo alimentar vem sendo influenciado pela vida acelerada da sociedade moderna, por isso as grandes indústrias de alimentos produzem quantidade de calorias exageradas e pouco nutritivas em seus produtos, facilitando a ingestão deles, visto que as pessoas podem consumir de forma fácil e rápida o alimento. As principais alterações que podem ser encontradas em pacientes com obesidade são ritmo mastigatório rápido ou até mesmo a escassez da mastigação e grande quantidade de comida na cavidade oral. Deste modo, reconhecendo o aumento considerável de indivíduos que se submetem à cirurgia bariátrica e a relevância que o fonoaudiólogo tem na mudança funcional da mastigação e nos hábitos alimentares, surgiu o interesse em realizar essa pesquisa, buscando compreender e caracterizar o comportamento alimentar de pacientes que irão se submeter a cirurgia bariátrica Objetivo: Caracterizar o comportamento alimentar dos indivíduos com obesidade candidatos à cirurgia bariátrica. Métodos: Estudo realizado no Núcleo do Obeso do Ceará, com pacientes candidatos à gastroplastia, com IMC acima de 30kg/m2 e que aceitaram participar da pesquisa. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário publicado contendo dez perguntas sendo objetivas e discursivas sobre o comportamento alimentar obtendo autorização nº 3.849.101 do Comitê de ética da UNIFOR. Resultado: A amostra constou-se de 37 pacientes. 62,2% dos pesquisados mostraram ter obesidade grau II e a procura em realizar a cirurgia bariátrica foi maior na população feminina, 67,6%. Foi evidenciado no comportamento alimentar da maioria desses indivíduos (58,8%) o consumo predominante de alimentos ricos em carboidratos (massas do tipo pizza, lasanha e macarrão e doces). As refeições principais duram menos de 10 minutos, em 56,7%, com o intervalo entre elas de 03 horas ou mais, em 91,8%. Dos entrevistados, 59,4% afirmaram que quase não mastigam e logo engolem e ao se depararem com emoções fortes, tendem a comer, em 78,3% deles. Conclusão: No que diz respeito às preferencias alimentares dos indivíduos pesquisados resultou, em sua maioria, por alimentos de consistência pastosa ou macia ao saber disso evidenciou a resposta do mesmo sobre percepção mastigatória em sua maioria destacaram que só engolem o alimento corroborando com a descrição em literatura sobre algumas características de desordem mastigatória.

1. Ministério da Saúde [Saúde.gov.br]. Brasileiros atingem maior índice de obesidade nos últimos treze anos. [acesso em 06 out 2019]. Disponível em: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45612-brasileiros-atingem-maior-indice-de-obesidade-nos-ultimos-treze-a

2. Mancini MC. Tratado de Obesidade: Efeitos da Obesidade em Órgãos e Sistemas. Ed 2. Rio de Janeiro: Grupo Editorial Nacional; 2015.

3. Ministério da Saúde [Saúde.gov.br]. IMC em adultos. [acesso em 19 out 2019]. Disponível em: http://www.saude.gov.br/component/content/article/804-imc/40509-imc-em-adultos.

4. Cambraia Rosana Passos Beinner. Aspectos psicobiológicos do comportamento alimentar. Rev. Nutr. [Internet]. 2004 junho [citado 2019 em 10 de outubro]; 17 (2): 217-225. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732004000200008&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732004000200008.

5. Fonseca Alexandre Brasil, Souza Thaís Salema Nogueira de, Frozi Daniela Sanches, Pereira Rosangela Alves. Modernidade alimentar e consumo de alimentos: contribuições sócio-antropológicas para a pesquisa em nutrição. Ciênc. saúde coletiva [Internet]. 2011 Setembro [citado 2019 Out 12; 16( 9 ): 3853-3862. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232011001000021&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011001000021.

6. Stefanutti P, Klauck S, Gregory V. Reflexões para uma abordagem alimentar: sociedade, cultura e fronteiras. Paraná: DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde; 2018.

7. Santos AC. Comportamento Mastigatório na Obesidade e após Cirurgia Bariátrica: Avaliação, diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro: Thieme Revinter; 2018.

8. Hall JE, Guyton AC. Guyton & Hall Tratado de fisiologia médica. Ed 13. Rio de Janeiro: Elsevier; 2017.

9. Canterji MB. Fonoaudiologia e Cirurgia Bariátrica. São Paulo: Editorial Pulso; 2012.

10. Duarte LIN, Whitaker ME. Tratado das Especialidades em Fonoaudiologia. São Paulo: Editora Roca; 2014.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
666
COMPORTAMENTO AUDITIVO DE CRIANÇAS COM INFECÇÃO CONGÊNITA PELO ZIKA VÍRUS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A exposição pré-natal ao Zika vírus pode comprometer o neurodesenvolvimento e trazer riscos de déficits no adequado curso da maturação auditiva periférica e central. Nesse contexto, o uso de questionários e checklists auditivos auxiliam no monitoramento e rastreio de alterações no desenvolvimento da função auditiva e, em especial, das habilidades auditivas em crianças pequenas. Objetivo: Analisar o comportamento auditivo, por meio da observação parental, de crianças com infecção congênita pelo Zika vírus, com e sem microcefalia, e comparar com crianças sem evidências de exposição à infecção da mesma faixa etária e com os valores de referência para crianças normo-ouvintes. Método: Estudo do tipo transversal com grupo controle. Participaram 30 crianças, de ambos os sexos, idade entre 33 e 55 meses e sem evidências de perda auditiva periférica (imitanciometria e PEATE-clique dentro da normalidade), sendo: 10 crianças com infecção congênita pelo Zika vírus e microcefalia; 10 crianças com infecção congênita pelo Zika vírus normocefálicas; 10 crianças sem evidências de exposição à infecção e com desenvolvimento típico. Os responsáveis pelas crianças responderam às 35 questões do questionário LittlEars® através do método entrevista. Foram calculados os scores finais e por categoria de resposta. As médias do score final foram comparadas com os valores de referência para crianças normo-ouvintes. Para verificar a presença de diferenças estatísticas entre os grupos nas medidas do questionário foi utilizado o Teste de Kruskal-Wallis e o nível de significância adotado foi de 5%. Resultados: Nenhuma criança do grupo com microcefalia (100%) atingiu o score final mínimo recomendado pelo questionário para crianças normo-ouvintes. Apenas cinco das crianças com infecção congênita pelo Zika vírus e normocefálicas (50%) alcançaram os valores esperados. Todas as crianças do grupo sem evidências de exposição à infecção (100%) atingiram a pontuação máxima do questionário. Os grupos de crianças com infecção congênita pelo Zika vírus, com e sem microcefalia, obtiveram média de score final inferior aos valores de referência, sugerindo que a infecção pelo Zika vírus pode interferir no desenvolvimento auditivo. Na comparação dos scores entre os grupos foi observada diferença significativa para as médias de score final, score semântico e score expressivo das crianças com microcefalia em relação ao grupo de crianças com infecção congênita pelo Zika vírus normocefálicas e o grupo sem evidências de exposição à infecção, o que sugere que o grupo com microcefalia apresenta desempenho significativamente inferior em comportamentos auditivos associados à interpretação e compreensão do evento sonoro e as respostas de competência linguísticas. Conclusão: De acordo com o questionário, as crianças com infecção congênita pelo Zika vírus, com e sem microcefalia, apresentaram sinais de imaturidade no comportamento auditivo sugestivos de atraso no desenvolvimento auditivo e na aquisição de habilidades auditivas e linguísticas.

Leal M de C, Ramos DS, Caldas Neto SS. Hearing Loss From Congenital Zika Virus Infection. Top Magn Reson Imaging. 2019;28(1):19–22.


Souza IMP de, Carvalho NG de, Plotegher SDCB, Colella-Santos MF, Amaral MIR do. Triagem do processamento auditivo central: contribuições do uso combinado de questionário e tarefas auditivas. Audiol - Commun Res. 2018;23:1–8.


Coninx F, Weichbold V, Tsiakpini L, Autrique E, Bescond G, Tamas L, et al. Validation of the LittlEARS® Auditory Questionnaire in children with normal hearing. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2009;73(12):1761–8.


Liu H, Jin X, Li J, Liu L, Zhou Y, Zhang J, et al. Early auditory preverbal skills development in Mandarin speaking children with cochlear implants. Int J Pediatr Otorhinolaryngol [Internet]. 2015;79(1):71–5.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1744
COMPORTAMENTO DAS MEDIDAS DE AUTOAVALIAÇÃO VOCAL E SEUS ASPECTOS ASSOCIADOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Os instrumentos de autoavaliação são ferramentas comuns para a mensuração do impacto de um distúrbio vocal na perspectiva do próprio paciente(1). No entanto, diversos estudos apontam que os resultados clínicos de uma avaliação vocal, por vezes, podem não ser compatíveis com as informações referidas pelo próprio paciente acerca da sua voz(2-7). Essa discordância entre a percepção do clínico e do paciente indica que a severidade de um distúrbio vocal, avaliada de forma fisiológica ou perceptiva, não é suficiente para determinar o quão impactante será esse distúrbio para a vida do paciente, já que esta avaliação pode estar relacionada a vários outros fatores inerentes à dinâmica de vida do próprio sujeito(3;8-9). Conhecer, portanto, os aspectos associados ao melhor ou pior resultado de uma autoavaliação vocal é importante para compreender de forma mais abrangente a relação entre a autoavaliação e as demais dimensões da avaliação vocal. Objetivo: Investigar os aspectos associados aos melhores e piores resultados das medidas de autoavaliação vocal nas intervenções fonoaudiológicas, em estudos da literatura científica. Métodos: Foi realizada uma revisão integrativa dos artigos que utilizaram instrumentos de autoavaliação vocal nas bases de dados Scielo, Pubmed e Lilacs a partir dos termos: Voz, Disfonia, Distúrbios da Voz, Questionários, Autoavaliação, Protocolos clínicos, Qualidade de vida, Psicometria, Estudos de validação, Avaliação de resultados e seus correspondentes em inglês. Foram selecionados artigos científicos originais incluindo participantes acima de 18 anos, publicados até o ano de 2016, que utilizaram pelo menos um dos questionários de autoavaliação vocal: Questionário de Qualidade de Vida em Voz (QVV), Índice de Desvantagem Vocal (IDV) e Escala de Sintomas Vocais (ESV). Os estudos foram analisados segundo ano, periódico, delineamento, questionário utilizado, método de análise estatística empregado, principais achados. Os aspectos associados às medidas de autoavaliação foram agrupados em categorias para análise quantitativa. Resultados: Foram encontrados 2228 artigos e 159 foram selecionados. Foram analisados estudos de intervenção, como ensaios clínicos randomizados ou não randomizados, e observacionais, como estudo caso-controle, coorte, transversal e séries de casos. Os resultados sugerem que os piores resultados das medidas de autoavaliação vocal estão associados a dados específicos de saúde geral, como câncer de laringe e perda auditiva, e ao uso profissional da voz. Já os melhores resultados associam-se à terapia vocal em suas diversas modalidades e a intervenções médicas variadas, como microcirurgias de laringe, radioterapia e quimioterapia. Conclusão: Terapia vocal, intervenções médicas variadas, dados de saúde geral e o uso profissional da voz são os fatores mais frequentemente associados às mudanças nos resultados das medidas de autoavaliação vocal. A sistematização dessas informações deve contribuir para uma melhor compreensão acerca da percepção da voz e seus impactos, favorecendo a melhor utilização dos questionários de autoavaliação na avaliação do paciente no contexto clínico e epidemiológico.

1. Behlau M, Oliveira G, Ricarte A. Validação no Brasil de protocolos de auto-avaliação do impacto de uma disfonia. Pró-Fono Revista de Atualização Científica. 2009; 21(4): 326–32.
2. Schindler A, Favero E, Nudo S, Spadola-Bisetti M, Ottaviani F, Schindler O. Voice after supracricoid laryngectomy: Subjective, objective and self-assessment data. Logopedics Phoniatrics Vocolog. 2005; 30(4): 114-119.
3. Karnell MP, Melton SD, Childes JM, Coleman TC, Dailey SA, Hoffman HT. Reliability of Clinician-Based (GRBAS and CAPE-V) and Patient-Based (V-RQOL and IPVI) Documentation of Voice Disorders. J Voice. 2007; 21(5): 576–90.
4. Mirasola KL, Braun N, Blumin JH, Kerschner JE, Merati AL. Self-reported voice-related quality of life in adolescents with paradoxical vocal fold dysfunction. Journal of Voice; 2008; 22(3): 373-378.
5. Hummel C, Scharf M, Schuetzenberger A, Graessel E, Rosanowski F. Objective voice parameters and self-perceived handicap in dysphonia Folia Phoniatrica et Logopaedica. 2010; 62(6): 303-307.
6. Schneider S, Plank C, Eysholdt U, Schützenberger A, Rosanowski F. Voice function and voice-related quality of life in the elderly. Gerontology. 2011; 57(2): 109-114.
7. Castelblanco L, et al. Singing Voice Handicap and Videostrobolaryngoscopy in Healthy Professional Singers. Journal of Voice. 2014; 28(5): 608-13.
8. Ugulino AC, Oliveira G, Behlau M. Disfonia na percepção do clínico e do paciente. J Soc Bras Fonoaudiol. 2012; 24(2): 113–118.
9. Dassie-Leite AP, Carnevale LB, Lacerda Filho L. Relação entre autoavaliação vocal e dados e dados da avaliação clínica em indivíduos disfônicos. Rev. CEFAC. 2015; 17(1): 44–51.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1349
COMPORTAMENTO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO ALCOÓLICO FETAL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) pode ser definido por um conjunto de manifestações que inclui déficit no crescimento, dismorfismos faciais, alterações estruturais do sistema nervoso central e transtorno do neurodesenvolvimento. Ocorre pelo consumo materno de álcool durante a gravidez1. O TEAF engloba diferentes subgrupos clínicos, sendo a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), a forma mais grave desta condição. A SAF (ORPHA # 1915)2 foi descrita pela primeira vez em 1973, por Jones e Smith3. As características são heterogêneas, pois são decorrentes da variabilidade de fatores como, a quantidade e o padrão de consumo do álcool por gestantes e o período de desenvolvimento fetal em que o feto é exposto ao álcool. Podem apresentar também alterações comportamentais variáveis, como transtorno do déficit de atenção / hiperatividade e de conduta,4. Objetivo: Investigar o comportamento, de crianças e adolescentes com transtorno do espectro alcoólico fetal, segundo a opinião dos pais. Método: Pesquisa submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer nº 3.032.124. Participaram deste estudo 25 crianças e adolescentes (12 meninos e 13 meninas) de 4 a 17 anos com TEAF, de diferentes graus de comprometimento. Foi aplicado o Inventário Child Behavior Checklist for ages 6-18 (CBCL)5, para investigar o comportamento dos participantes, segundo a opinião dos pais. O CBCL contém 118 itens agrupados em comportamentos internalizantes (ansiedade/depressão, isolamento/depressão e queixas somáticas), externalizantes (quebra de regras e agressividade) e totais (ansiedade/depressão, isolamento/depressão, queixas somáticas, quebra de regras, agressividade, problemas sociais, problemas de pensamento e de atenção). Os pais ou responsáveis pelos participantes classificaram a presença ou ausência do comportamento dos seus filhos como “ausente”, “às vezes presente” e “frequentemente presente”. Foi utilizado o software ASEBA-PC, o qual classificou o perfil comportamental de cada participante como não clínico (normal), limítrofe (situação intermediária) ou clínico (maiores alterações comportamentais). Foram realizadas análises descritivas para a análise dos resultados. Resultados: Do total dos participantes, 60% foi analisado na categoria clínica para problemas internalizantes, 24% externalizantes e 36% totais. Além disso, as médias para os problemas de ansiedade/depressão no sexo feminino foi 69 (clínico) enquanto que isolamento/depressão e problemas sociais foram respectivamente 66,85 e 65,92 (ambos limítrofe). Por meio das porcentagens obtidas foi possível perceber que as meninas apresentaram mais problemas comportamentais internalizantes (92,30%), externalizantes (30,76%) e totais (36,15%) do que os meninos (respectivamente 25%, 16,66% e 25%). No sexo feminino as médias para problemas internalizantes e totais foi considerado categoria clínica (respectivamente 69,31 e 65,77), enquanto que os problemas externalizantes foram classificados como não clínico (58,46). Em relação aos meninos as médias para os comportamentos estiveram na categoria não clínica, sendo respectivamente 57,83 para os problemas internalizantes, 57,25 externalizantes e 57,08 totais. Conclusão: De modo geral crianças e adolescentes com transtorno do espectro alcoólico fetal apresentaram alterações comportamentais, segundo opinião dos pais, com mais internalizantes, como a ansiedade e depressão e com maior frequência nas meninas. Os achados comprovaram a presença de alteração de comportamento, segundo a opinião dos pais, em crianças que pertencem ao espectro alcoólico fetal confirmado o fenótipo nesta condição.

1. Riley EP, Infante MA, Warren KR. Fetal Alcohol Spectrum Disorders: An Overview. Neuropsychol Rev. 2011; 21(2):73-80.

2. Orphanet: uma base de dados on-line de doenças raras e medicamentos órfãos. Copyright, INSERM 1999. Disponível em https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/OC_Exp.php?lng=pt&Expert=1915. [Acessado em 05/07/2020].

3. Jones KL, Smith DW. Recognition of the fetal alcohol syndrome in early infancy. The Lancet. 1973; 302(7836):999-1001.

4. MATTSON, S. N. et al. Further development of a neurobehavioral profile of Fetal Alcohol Spectrum Disorders. Alcoholism: Clinical and Experimental Research, New York, v. 37, n. 3, p. 517-528, 2012.

5. Bordin IA, Rocha MM, Paula CS, Teixeira MCTV, Achenbach TM, Rescorla L, et al. Child Behavior Checklist (CBCL), Youth Self-Report (YSR) and Teacher's Report Form (TRF): an overview of the development of the original and Brazilian versions. Cad Saúde Pública. 2013;29(1):13-28.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
305
COMPOSIÇÃO DE CONTOS INFANTIS PARA A PRÉ-ESCOLA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A leitura é uma habilidade essencial para a convivência em sociedade, pois proporciona diversas possibilidades para o contato com novos conhecimentos, além de ser uma habilidade extremamente necessária para os processos de aprendizagem durante toda a vida do indivíduo. Aprender a ler não é um processo simples ou inato aos seres humanos e demanda, na maioria das vezes, de ensino formal para que seja adquirida(1). A aquisição da aprendizagem da leitura não acontece da mesma forma para todas as crianças, esse é um processo longo que tem como base o desenvolvimento de aspectos cognitivos e da linguagem oral. No entanto, habilidades de base podem ser estimuladas e adquiridas anteriormente ao aprendizado da leitura, como a consciência fonológica, que depois servirá como apoio para o desenvolvimento da leitura e da escrita(2,3). De acordo com a literatura, as bases preditoras para o aprendizado da leitura podem ser estimuladas e, portanto, adquiridas desde a pré-escola, com enfoque nos aspectos cognitivos referentes a atenção, processamento de informações visuais e auditivas e a memória. Assim como, aspectos linguísticos também podem ser estimulados enquanto base para a aprendizagem, entre eles, a consciência fonológica, sintática, semântica, pragmática e fonologia(2,4). Objetivo: Elaborar contos infantis para a pré-escola para o desenvolvimento das bases de leitura, mais especificamente da consciência fonológica. Método: Os contos infantis foram elaborados pela pesquisadora, compondo uma coletânea de 24 histórias que abordavam diferentes temáticas, como exemplo, ’O Elefante no Escorregador’. Cada conto teve como enfoque um fonema específico da língua portuguesa e os fonemas-alvo abordados foram /a/, /b/, /k/, /d/, /e/, /f/, /g/, /i/, /ʒ/, /l/, /m/, /n/, /o/, /p/, /r/, /ɾ/, /s/, /t/, /u/, /v/, /ʃ/, /z/, /ɲ/ e, por fim, /ʎ/. As histórias foram construídas com uma média de 95 palavras, classificadas como histórias curtas, compostas por palavras de alta e média frequência em sua maioria e com estruturação silábica simples. A análise das palavras foi realizada por meio da criação de um banco de palavras. Após a elaboração dos contos o material será encaminhado para três juízes para análise de confiabilidade em relação aos aspectos elencados: aplicabilidades para a pré-escola e estrutura textual (gênero textual, seleção das palavras e extensão). Resultados: Até o presente momento foi realizada a primeira e segunda etapas do estudo, em que na primeira foram elaborados os contos infantis como enfoque nos fonemas-alvos mencionado. A segunda etapa concluída foi a elaboração do banco de palavras para a classificação e quantificação das palavras utilizadas nos contos, classificadas por frequência e estruturação silábica. Sendo que a terceira etapa encontra-se em andamento, referente a elaboração do questionário para análise dos juízes. Conclusão: com base no exposto, conclui-se que foi possível elaborar contos infantis com enfoque linguístico em aspectos associados a relação grafema/fonema com fonemas-alvo específicos. No entanto, os mesmos ainda serão analisados para verificar a viabilidade de aplicação no ano escolar selecionado e pretende-se em uma próxima etapa realizar a aplicação com escolares pertencentes a pré-escola.

1. Silva C, Capellini SA. Comparison of performance in metalinguistic tasks among students with and without risk of dyslexia. J. Hum. Growth Dev. 2017; 27(2):198-205. http://dx.doi.org/10.7322/jhgd.118823.
2. Novaes CB, Mishima F, Santos PL. Treinamento breve de consciência fonológica: impacto sobre a alfabetização. Rev. Psicopedagogia. 2013;30(93):189-200.
3. Furnes B, Samuelsson S. Phonological awareness and rapid automatized naming predicting early development in reading and spelling: Results from a cross-linguistic longitudinal study. Learn Individ Differ. 2011;21(1):85–95. http://dx.doi.org/10.1016/j.lindif.2010.10.005.
4. Santos MJ, Barrera SD. Impacto do treino em habilidades de consciência fonológica na escrita de pré-escolares. Psicologia Escolar e Educacional. 2017;21(1):93-102. http://dx.doi.org/10.1590/2175-3539/2017/02111080.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
448
COMUNICAÇÃO E NEURODESENVOLVIMENTO NA SÍNDROME DE SILVER-RUSSELL: RELATO DE CASOS
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


Comunicação e neurodesenvolvimento na Síndrome de Silver-Russell: Relato
de casos
Introdução: A Síndrome de Silver-Russell é uma condição geneticamente
heterogênea que afeta 1 em cada 30.000 a 100.000 crianças 1 . O fenótipo clássico
inclui retardo no crescimento intrauterino e pós-natal, hemihipertrofia, perímetro
cefálico aumentado em relação ao corpo ao nascimento, assimetria de membros,
clinodactilia do quinto dedo, desproporção craniofacial, face triangular, dificuldades
alimentares e baixo índice de massa corporal (IMC) 1-3 . Geralmente apresentam
inteligência em padrão normativo e as dificuldades concentram-se na área motora
global e fala. O diagnóstico clínico é realizado por meio de classificação composta
por pelo menos quatro das seguintes características: peso ao nascer ≤-2Desvio
Padrão, restrição de crescimento pós-natal, macrocefalia relativa, características
faciais, assimetria corporal e dificuldades alimentares 4 . O diagnóstico clínico é
confirmado por meio de testes genético-moleculares.
Objetivo: Apresentar características de comunicação e neurodesenvolvimento de
três participantes do sexo masculino, com diagnóstico da Síndrome de Silver-
Russell.
Métodos: Cumpriram-se princípios éticos (CAE: 42356815.1.0000.5417). A
avaliação constou de sessão de anamnese com responsável e aplicação de:
Observação o Comportamento Comunicativo (OCC), Early Language Milestone
Scale (ELM) e Teste de Screening de Desenvolvimento Denver-II (TSDD-II). A idade
dos participantes variou de 16 a 44 meses (P1 na faixa etária de 16 meses, P2 18
meses e P3 44 meses).
Resultados: A história clínica indicou as principais características necessárias para
o diagnóstico clínico da Síndrome de Silver-Russell, que posteriormente foi
confirmado por geneticista. Na OCC, todos os participantes apresentaram: boa
interação com avaliador; intenção comunicativa, interesse por brinquedos; acataram
ordens simples em contextos imediatos e concretos. P1: Fez uso de gestos não

simbólicos convencionais. Apresentou vocalizações não articuladas. P2: Fez uso de
gestos não simbólicos convencionais, falou apenas mamãe e produziu sons de
protesto (choro e gritos). P3: Apresentou vocalizações não articuladas e articuladas
com entonação da língua (jargão). Poucas palavras isoladas. Apresentou gestos não
simbólicos convencionais; tempo de atenção reduzido. Na ELM, na função auditiva
receptiva apresentaram desempenho compatível com 16, 18 e 28 meses,
respectivamente; na expressiva e 10, 10 e 15 meses. No TSDD-II, verificou-se
desempenho abaixo do esperado para as áreas pessoal-social, motor fino-
adaptativo, motor grosso e linguagem. As habilidades receptivas estão melhores que
a expressiva para todos os participantes.
Conclusão: A Síndrome de Silver-Russell envolve uma ampla variedade de
fenótipos e comorbidades 1-4 . Do ponto de vista do neurodesenvolvimento o atraso
motor é previsto e geralmente está relacionado com a redução da massa muscular e
imaturidades neurofisiológicas cerebrais 2-3 . Também está previsto atraso de fala e
com possibilidade de apraxia de fala e alterações da coordenação motora global 2 .
Neste estudo, os participantes apresentaram alterações do neurodesenvolvimento e
atraso nas habilidades comunicativas, com linguagem receptiva melhor que a
expressiva. Esta síndrome genética é pouco reconhecida e merece ser apresentada
para o reconhecimento da comunidade científica. O acompanhamento terapêutico
destas crianças deve ser realizado por equipe de diferentes especialidades e as
intervenções devem iniciar o mais precocemente possível, com o intuito de reduzir
os efeitos deletérios da síndrome e otimizar o potencial destes indivíduos.

Referências:

1. Miho Ishida New developments in Silver–Russell syndrome and implications
for clinical practice. Epigenomics. 2016 Apr; 8(4): 563–580. Published online
2016 Apr 12.

2. Lai KY, Skuse D, Stanhope R, Hindmarsh P. Cognitive abilities associated
with the Silver-Russell syndrome. Arch Dis Child. 1994 Dec; 71(6): 490–496.

3. Takanobu Inoue, Akie Nakamura, Megumi Iwahashi-Odano, Kanako Tanase-
Nakao, Keiko Matsubara, Junko Nishioka, Yoshihiro Maruo, et al. Contribution
of gene mutations to Silver-Russell syndrome phenotype: multigene
sequencing analysis in 92 etiology-unknown patients Clin Epigenetics. 2020;
Published online 2020 Jun 16.

4. IDEAS PRINCIPALES y RESUMEN del “Diagnóstico y Manejo del síndrome
de Silver–Russell: Primer Consenso Internacional” Para Pacientes, Familiares
y Cuidadores. Resumido por Jennifer B. Salem, Emma L. Wakeling, Deborah
J.G. Mackay, Thomas Eggermann e Irѐne Netchine Traducido por Guiomar
Perez de Nanclares e Isabel Iglesias-Platas
https://silverrussellsyndrome.org/wp-content/uploads/2018/03/MASTER-
SPAIN-Family-Consensus-2-28-18.pdf


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1827
COMUNICAÇÃO E SAÚDE MENTAL DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM TEMPOS DE PANDEMIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O trabalho em equipe multiprofissional e interdisciplinar é uma ação primordial dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Esta atuação tem como um dos seus objetivos ampliar o cuidado aos usuários com ênfase na integralidade e em contrapartida ao modelo médico centrado. Com a crise de saúde global causada pelo novo coronavírus (COVID-19) fez-se necessário que a população em geral, e não só os profissionais de saúde, seguissem critérios de controle estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde como, o isolamento social. Com a implementação da quarentena e a extensão do seu prazo, houveram impactos nas interações sociais tanto para a população como para os profissionais de saúde afetando diretamente a forma como se comunicam. A experiência de um fonoaudiólogo em serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em plena pandemia pode trazer inúmeros questionamentos e desdobramentos. Ainda mais quando sua inserção no serviço se dá logo após o primeiro decreto de quarentena emitido pelo Estado, como no caso dos Residentes Profissionais em Saúde. Considerando este o profissional em que a comunicação humana é um dos seus objetos de estudo e atuação, é essencial que se aproprie dos novos arranjos de funcionamento excepcional do serviço em meio a quarentena. Contribuindo com um olhar diferenciado sobre os impactos causados na comunicação interpessoal. Objetivo: Apresentar, através de um relato de experiência, o impacto da pandemia na comunicação, socialização e relação interpessoal de equipes multiprofissionais da RAPS de uma região metropolitana do Estado de São Paulo. Metodologia: Para o embasamento teórico deste trabalho, foi realizado um levantamento bibliográfico não sistemático nas bases de dados BVS e Google Acadêmico. Os descritores utilizados foram: “saúde mental”, “equipe multiprofissional”, “comunicação”, “interação”, “CAPS” e “isolamento social”. Resultados: Durante as reuniões de equipe, é possível observar que nas equipes em que há entrosamento e um bom nível de resolutividade, a comunicação é clara, possibilitando uma gestão coordenada mesmo nas constantes mudanças protocolares. Como também possibilita elaboração de estratégias para a manutenção do bem estar e saúde mental dos profissionais. Já nos serviços em que os profissionais estão em constante nível de alerta, não há clareza na comunicação das necessidades e as estratégias são elaboradas com menor fluidez nas relações. Conclusão: O isolamento social traz impactos diretos na comunicação humana, já que o ser humano é intrinsecamente social (Marx, 1845). O aumento do prazo de isolamento também traz prejuízos para a saúde mental da população em geral. Portanto se faz necessária a criação de arranjos para a manutenção da saúde mental das equipes e melhora da sua comunicação para além de contextos de crise.

PIRES, S. R. de A. Marx e o indivíduo. Serviço social em rev. Londrina, v. 3, n. 1, p.27-37, jul./dez. 2000.

GARRIDO, R. G., RODRIGUES, R. C. Restrição de contato social e saúde mental na pandemia: possíveis impactos das condicionantes sociais. J. Health Biol Sci. v. 8, n. 1, p. 1-9, 2020.

ABUHAB D. Et al. O trabalho em equipe multiprofissional no CAPS III: um desafio. Rev Gaúcha Enferm. Porto Alegre, v. 26, n. 3, p. 369-80, 2005.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1485
COMUNICAÇÃO VERBAL E NÃO VERBAL NO TELEJORNALISMO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: O profissional que utiliza sua voz como ferramenta de trabalho precisa de alguns ajustes que podem envolver a adequação à própria atuação e a conscientização dos recursos que podem ser utilizados para melhorar a efetividade na transmissão da mensagem. A boa utilização dos recursos disponíveis, adequados às exigências específicas de cada situação de comunicação, resulta na expressividade com a qual uma mensagem é transmitido 1. Nos últimos anos houve grande mudança no formato dos telejornais, e aquele padrão mais estereotipado de apresentador, com voz impostada e certo distanciamento, foi sendo substituído pela necessidade de um profissional que utilizasse a comunicação de maneira natural, marcando um estilo próprio de atuação. Passou-se a valorizar mais a característica pessoal do profissional, e com isso houve a exigência de que, além de tudo, o apresentador e o repórter fossem bons comunicadores 2-4. Neste cenário, a atuação fonoaudiológica demonstra ser essencial a essa categoria, com foco na promoção da saúde e bem-estar vocal e no desenvolvimento da expressividade vocal e corporal, considerada indispensável na formação do jornalista 5.
OBJETIVOS: Descrever as características da expressividade vocal e corporal no telejornalismo; Destacar a importância da atuação fonoaudiológica junto aos repórteres de TV. METODOLOGIA: esta revisão de literatura foi desenvolvida a partir de material já elaborado e constituídos de artigos científicos, monografias e teses contidos nos bancos de dados: Bireme, Scielo, Lilacs, Google Sholar. Incluindo materiais publicados entre os anos de 2005 a 2019. Foram excluídos artigos escritos em língua estrangeira e aqueles fora do recorte temporal da pesquisa. Os seguintes descritores foram utilizados: voz, fonoaudiologia, comunicação, jornalismo e televisão. RESULTADOS: Foram selecionados 45 estudos, incluindo artigos, dissertações e teses, contudo foram incluídos apenas 15 pela relevância apresentada. Os autores preconizam a interação entre recursos vocais e expressividade corporal e a importância do trabalho fonoaudiológico junto aos jornalistas. CONCLUSÃO: evidencia-se que a expressividade do repórter/telejornalista está pautada na utilização dos recursos vocais e não verbais adequados ao relato de notícia. Tais profissionais precisam se ajustar ao novo padrão televisivo, que é tecnológico, interativo e ao mesmo tempo descontraído. Desse modo, atuação fonoaudiológica precisa priorizar a expressividade do repórter como um todo e harmonizar o verbal e o não verbal, buscando com isso, adequar o profissional às novas tendências do telejornalismo.

1. Panico ACB. Expressividade na fala construída. In: Kyrillos LR. Expressividade: da teoria à prática. Rio de Janeiro: Revinter; 2005. p. 43-56.
2. Kyrillos LCR, Cotes C, Feijó D. Voz e corpo na TV: a fonoaudiologia a serviço da comunicação. Ed. Globo. São Paulo, 2003.
3. Penteado RZ, Gastaldello LM, Silva EC. Mudanças no telejornalismo esportivo e os efeitos na expressividade: estudo dos recursos vocais e não verbais dos apresentadores no programa Globo Esporte. Rev Dist Comun. 2014;26(3):482-92
4. Santos AAL, Pereira EC, Marcolino J, Dassiê-Leite AP. Autopercepção e qualidade vocal de estudantes de jornalismo. Rev CEFAC. 2014;16(2):566-72. 2.
5. Azevedo JBM, Ferreira LP, Kyrillos L. Julgamento de telespectadores a partir de uma proposta de intervenção fonoaudiológica com telejornalistas. Rev CEFAC. 2009;11(2):281-9.
6. Neiva TMA, Gama ACC, Teixeira LC. Expressividade vocal e corporal para falar bem no telejornalismo: resultados de treinamento. Revista CEFAC. 2016, 18(2), 498-507
7. Dias TEC, Martins PC, Teixeira LC, Gama ACC. Análise da variação prosódica em diferentes estilos de reportagens telejornalísticas. Audiol Commun Res.2015; 20(3): 210-4
8. Santos TD, Ferreira Léslie P, Silva MAA. A fonoaudiologia na formação do jornalista: resultados de uma proposta de atuação. Audiol., Commun. Res.2019. 24: e2235.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
996
CONCEPÇÕES ACERCA DA PRANCHA DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA: VISÃO DE UM GRUPO DE FONOAUDIÓLOGOS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A oralidade é a modalidade de linguagem priorizada na maioria dos contextos e das relações sociais. Contudo, quando a produção da fala se apresenta, significativamente, limitada ou inviabilizada outras modalidades de linguagem e recursos passam a ser fundamentais para o estabelecimento das relações sociais e, portanto, para a constituição e o desenvolvimento do sujeito (1,2). Dentre os recursos, estratégias e técnicas sistematizados para contribuir com as interações estabelecidas com e por tais pessoas, interessa destacar as denominadas pranchas de comunicação alternativa, uma vez que são as de maior acesso da população e utilizadas com maior recorrência nos diversos contextos sociais. OBJETIVO: Analisar a visão de um grupo de fonoaudiólogos acerca do modo de conceber as pranchas de CA. MÉTODO: Estudo de caráter qualitativo (3)., orientado a partir de uma perspectiva social e histórica da linguagem, foi aprovado pelo Comitê de Ética sob o parecer de número 498.215/2013. Após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, foi aplicado e respondido por escrito um questionário semi-estruturado por 11 fonoaudiólogos que atuam com sujeitos com restrições significativas de linguagem oral abordando as concepções acerca da prancha de comunicação alternativa. RESULTADOS: Pode-se apreender duas grandes perspectivas norteadoras das concepções dos fonoaudiólogos acerca das referidas prancha. Prevalece uma visão de tal recurso como instrumento de comunicação e expressão de necessidades, em especial, utilizado para atender as demandas de vida diárias. Consta-se, ainda, com menor recorrência, o entendimento das pranchas como recurso lingüístico mediador das relações sociais, do desenvolvimento / apropriação da linguagem e dos processos de ensino-aprendizagem. CONCLUSÃO: Os resultados apontam que as visões acerca da prancha, respectivamente apresentadas, estão assentadas em concepções de linguagem como código / instrumento e como prática social simbólica e constitutiva das relações sociais e dos sujeitos. Fica evidente a necessidade do implemento de estudos que, com base numa perspectiva teórica sócio-histórica, ofereçam elementos para o desenvolvimento de abordagens teórico-práticas, circunscritas ao contexto fonoaudiológico clínico e/ou educacional, que contribuam para o uso mais efetivo da prancha de comunicação alternativa e para que sujeitos com significativos comprometimentos de fala consigam assumir uma posição de autoria nas interações sociais que estabelecem.

1.BERBERIAN. A. P.; KRÜGER S.; GUARINELLO A. C.; MASSI G. A. A. A produção do conhecimento em fonoaudiologia em comunicação suplementar e/ou alternativa: análise de periódicos. Rev. CEFAC, v.11, Supl2, 258-266, 2009.
2.BERBERIAN, A. P.; CALHETA, P. P. Fonoaudiologia e Educação: práticas voltadas à formação de professores. In: DREUX, FDM et al. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca, p. 682-91, 2009.
3. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1998


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1253
CONCORDÂNCIA NA APLICAÇÃO DE INSTRUMENTO DE RASTREAMENTO PARA DISFAGIA OROFARÍNGEA NO ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia orofaríngea (DO) é condição frequente no Acidente Vascular Encefálico (AVE) e pode trazer complicações à saúde com riscos de aspiração laringotraqueal, desidratação, desnutrição, impactando negativamente a qualidade de vida. A DO pode prorrogar o tempo de internação hospitalar e está associada ao aumento de comorbidades, sendo considerada preditor independente para prognósticos desfavoráveis nessa população. Assim, o rastreamento da DO após AVE é essencial e deve ser realizado por meio de instrumentos com evidências de validade e executado por profissionais de saúde treinados(1-5). Objetivo: este estudo teve por objetivo analisar a concordância entre profissionais da área da saúde na aplicação de um instrumento de rastreamento para DO no AVE. Método: Estudo clínico transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa-0877/2013. Participaram como aplicadores do instrumento de rastreamento para DO cinco enfermeiros de um Centro Cardiológico terciário, treinados durante duas horas por um fonoaudiólogo com ampla experiência na área de DO e no referido instrumento. Foi aplicada a versão preliminar do Rastreamento para Disfagia Orofaríngea em Acidente Vascular Encefálico (RADAVE) (6). Esse instrumento possui evidências de validade baseadas no conteúdo e nos processos de resposta e cujo processo de validação segue em andamento. A versão aplicada possui 18 questões divididas em duas etapas. A etapa I está relacionada à observação de fatores preditivos de risco para DO como nível de alerta, histórico de intubação orotraqueal e traqueostomia, desconforto respiratório, histórico de dificuldade de deglutição, questões relacionadas a linguagem, fala, voz, mobilidade de face, lábios e língua bem como deglutição de saliva. A etapa II consta da observação de sinais clínicos indicativos de DO com observação do processo de deglutição. O instrumento foi aplicado em 11 indivíduos adultos cardiopatas com diagnóstico de AVE confirmado por exame de neuroimagem, tomografia ou ressonância magnética. Após intervalo máximo de duas horas, três fonoaudiólogos cegos para os resultados da equipe de Enfermagem aplicaram o mesmo instrumento de rastreamento. Para verificar a concordância entre enfermeiros e fonoaudiólogos foi utilizado o teste de concordância Kappa. Resultados: Em 14 (77,7%) questões houve excelente concordância (Kappa: 0,84 a 1,0), em três questões a concordância foi substancial (Kappa: 0,62 a 0,79) e em uma questão referente a dificuldades de fala e linguagem a concordância foi moderada (Kappa: 0,40). Conclusão: A concordância entre enfermeiros e fonoaudiólogos envolvidos na aplicação da versão preliminar do RADAVE variou de moderada a excelente, sendo excelente na maioria das questões.

1-Smith EE, Kent DM, Bulsara KR, Leung LY, Lichtman JH, Reeves MJ, Towfighi A, Whiteley WN, Zahuranec DB. Effect of Dysphagia Screening Strategies on Clinical Outcomes After Stroke: A Systematic Review for the 2018 Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. American Heart Association Stroke Council. Stroke.2018; 49(3): e123-e128.
2-Martino R et al. The Toronto Bedside Swallowing Screening Test (TOR-BSST): development and validation of a dysphagia screening tool for patients with stroke. Stroke. 2009; 40(2): 555-61.
3- Magalhães Junior HV, Pernambuco LA, Lima KC, Ferreira MAF. Screening for oropharyngeal dysphagia in older adults: A systematic review of self-reported questionnaires. Gerodontology. 2018;35:162-9
4- Speyer R. Oropharyngeal dysphagia screening and assessment. Otolaryngol Clin North Am. 2013;46(6):989-1008.
5- Magalhães Junior HV, Pernambuco LA. Screening for oropharyngeal dysphagia. CoDAS. 2015. Mar-Apr; 27(2): 111-2.
6-Almeida TM, Cola PC, Pernambuco LA, Junior HVM, Magnoni CD, Silva RG. Instrumento de rastreio para disfagia orofaríngea no Acidente Vascular Encefálico - Parte I: evidências de validade baseadas no conteúdo e nos processos de resposta. CoDAS. 2017;29(4):01-09.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1732
CONDICIONAMENTO VOCAL E RESPIRATÓRIO: EFEITOS DE INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA E FISIOTERAPÊUTICA EM PROFISSIONAIS DA VOZ
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: programas de treinamento muscular vocal e respiratório têm mostrado efeitos positivos na intervenção junto ao profissional da voz1. Este tipo de proposta envolve exercícios e estratégias das áreas da Fonoaudiologia e da Fisioterapia que, ao serem apresentados de maneira integrada, promovem aumento da resistência vocal e respiratória, e melhora no desempenho técnico do profissional da voz. Objetivo: analisar os efeitos de um programa de condicionamento vocal e respiratório baseado em proposta de treinamento muscular no desempenho de profissionais da voz. Método: a pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e aprovada sob o número CAAE: 11109419.9.0000.5482. Todos os participantes leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Trata-se de estudo de intervenção, com participação de três profissionais da voz do sexo masculino (ator, cantor, professor/locutor), com média de idade de 40,3 anos. Dados referentes a aspectos sociodemográficos, respiratórios e otorrinolaringológicos foram coletados. Antes e após a realização do programa denominado Condicionamento Vocal e Respiratório (CVR), os participantes preencheram protocolos de autoavaliação que investigaram a presença de desvantagem vocal (IDV-10)2, fadiga vocal (IFV)3, e sintomas após realização de suas apresentações (EASE-BR)4. Foram gravadas amostras de fala para análise perceptivo-auditiva de parâmetros de qualidade vocal, tempo máximo fonatório, pitch, loudness, ressonância, ataque vocal, coordenação pneumofonoarticulatória, velocidade de fala, modulação e articulação. Em avaliação fisioterapêutica, foram coletados dados quantitativos sobre a força muscular respiratória dos indivíduos com a extração das pressões respiratórias máximas (PImáx e PEmáx), por meio do manovacuômetro, e sobre a resistência muscular respiratória, com a medida da ventilação voluntária máxima (VVM), por meio do espirômetro5. Foram realizados oito encontros semanais, com a execução de exercícios de trato vocal semiocluído (ETVSO)6 e respiratórios com uso do Respiron®3,7. Os exercícios também foram realizados em casa, duas vezes ao dia, com registro sobre conforto vocal e respiratório (nota de 0 a 10) nos momentos pré e pós-realização dos exercícios. Os dados foram analisados de forma descritiva e submetidos a testes estatísticos. Resultados: os escores referentes aos instrumentos IDV-10, IFV e EASE-BR foram menores ao final do programa, evidenciando menor desvantagem e fadiga vocal. As notas dadas ao conforto vocal e respiratório mostraram-se progressivamente melhores no decorrer do programa, com registro de diferença significativa na comparação dos dois momentos (p<0,001)8. Na avaliação de voz, foram percebidos aumento dos tempos máximos fonatórios e manutenção de alguns parâmetros da qualidade vocal. Foi observada melhora na resistência muscular respiratória de forma significativa (p<0,03)9. Houve aumento da força muscular inspiratória (p=0,05) e da força muscular expiratória (p < 0,00), revelando a melhora da dinâmica respiratória na ativação dos músculos para o trabalho vocal10. No relato dos participantes há registro de melhora quanto às condições físicas. Conclusão: o programa CVR registrou melhora global no condicionamento vocal e respiratório, com repercussão positiva no desempenho dos profissionais da voz.

1. Vaiano T, Badaró F. Fisiologia do exercício na clínica vocal. In: Lopes L, Moreti F, Ribeiro LL, Pereira EC, organizadores. Fundamentos e Atualidades em Voz Clínica. Rio de Janeiro: Thieme Revinter; 2019.p.71-79
2. Costa T, Oliveira G. Behlau M. Validação do índice de desvantagem vocal: 10 (IDV-10) para o Português brasileiro. CoDAS. 2013;25(5):482-485.
3. Abou-Rafée M, Zambon F, Badaró F, Behlau M. Fadiga vocal em professores disfônicos que procuram atendimento fonoaudiológico. CoDAS. 2019;31(3): e20180120. DOI: 10.1590/2317-1782/20182018120
4. Rocha BR, Moreti F, Amin E, Madazio G, Behlau M. Equivalência cultural da versão brasileira do protocolo Evaluation of the Ability to Sing Easily. CoDAS. 2014;26(6):535-9.
5. Ruben DR, Richard W, Leo W, and Michael T. Incentive Spirometry. Respir Care. 2011;56(10):1600-160.
6. Antonetti AES, Ribeiro VV, Brasolotto AG, Silverio KCA. Effects of Performance Time of the Voiced High-Frequency Oscillation and Lax Vox Technique in Vocally Healthy Subjects. J Voice. 2020 (in press) .https://doi.org/10.1016/j.jvoice.2020.04.008
7. Lee HY, Cha YJ, Kim K. The effect of feedback respiratory training on pulmonary function of children with cerebral palsy: a randomized controlled preliminary report. Clin Rehabil. 2014;28:965-971.
8. Paes SM, Behlau M. Efeito do tempo de realização do exercício de canudo de alta resistência em mulheres disfônicas e não disfônicas. CoDAS. 2017;29(1):e20160048. DOI: 10.1590/2317-1782/20172016048
9. Andriollo DB, Bresolin FA, Frigo LF, Cielo CA. Treinamento fisioterapêutico intensivo do centro de força corporal: estudo de uma profissional da voz. Research, Society and Development. 2020;9(3): e146932550. DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v9i3.2550
10. Ray C, Trudeau MD, McCoy S. Effects of respiratory muscle strength training in classically trained singers. J Voice.2018;32(5): 644.e25-644.e34. https://doi.org/10.1016/j.jvoice.2017.08.005


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2033
CONDIÇÕES ACÚSTICAS DE UMA SALA DE AULA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ANÁLISES PRELIMINARES
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: a elevada prevalência de alteração vocal em professores no exercício docente sinaliza um adoecimento coletivo, sendo o ruído um dos principais fatores associados ao desenvolvimento de um distúrbio de voz relacionado ao trabalho (DVRT)1. Estudos anteriores, em sua maioria, baseiam-se em autorrelatos dos professores sobre as condições de trabalho, fazendo-se necessário definir medidas objetivas de ruído e acústica na presença de sintomas vocais2. Além disso, uma percepção auditiva confortável e clara de uma sala de aula livre de ruído não só melhora a comunicação, como também promove a eficiência do aprendizado3. A norma técnica NBR no. 10.152 (2017)4 estabelece valores recomendados para o nível de ruído residual em salas de aula (35dB para LAeq e 40dB para LASmax). Quanto ao tempo de reverberação (TR) e índice de transmissão de fala (STI) consideram-se, respectivamente, as normas do ANSI/ASA S12.60 (2010)5, o qual sugere até 0,9s na frequência de 125Hz; 0,7s para 250Hz; 0,6s em 500, 1.000 e 2.000 Hz; e 0,5s para 4.000 e 8.000Hz, bem como da IEC 60268-16 (2011)6, que estabelece como boa qualidade de inteligibilidade os valores de 0,6 até 0,75s; sendo qualidade ótima, > 0,75s. Objetivo: investigar as condições sonoras ambientais de uma sala de aula de uma universidade pública. Método: trata-se de estudo exploratório, de caráter qualitativo e descritivo, na qual foi selecionada uma classe de uma universidade pública para investigação das condições acústicas. Consideram-se os indicadores de nível de pressão sonora residual, TR e STI. Realizou-se, incialmente, as medições devidas das dimensões do local e elaboração de sua planta baixa. As aferições do TR e STI foram efetuadas utilizando o software para cálculos de condicionamento EASE. Já os níveis de pressão sonora foram mensurados com o equipamento medidor integrador de pressão sonora, modelo LxT2, fabricante Larson Davis, nas seguintes condições: “ar condicionado ligado com janelas fechadas” (AC) e “ar condicionado desligado com janelas abertas” (JA). Essa pesquisa faz parte de um projeto maior, aprovada pelo Comitê de Ética da instituição de origem sob o número 3.665.180. Resultado: a sala investigada apresentou dimensões de 9,74m x 9,72m x 2,56m. Verificaram-se elevados níveis de pressão sonora, sendo Lmin=50,3dB(A); Leq=50,7dB(A); e Lmax=60,0dB(A), na condição JA; Lmin=56,3dB(A); Leq=57,3dB(A); Lmax=60,4dB(A) para a condição AC. A reverberação, na condição AC, temperatura de 20°C e umidade de 60% foi de 3,24s para a frequência de 250HZ; 2,67s para 500Hz e 2,21s para 2.000Hz. Para o STI, foram encontrados os índices com variação entre 0,31 e 0,38. Conclusão: as condições acústicas da classe em questão estão inadequadas segundo os critérios estabelecidos pelas normas técnicas, especialmente na condição AC. A exposição de professores a ambientes ruidosos e com acústica desfavorável pode resultar em maior esforço e fadiga vocal, favorecendo desenvolvimento de um DVRT, além de ocasionar dificuldades no aprendizado de alunos.

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho – DVRT/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. – Brasília: Ministério da Saúde, 2018.



2. Cutiva L C C, Burdorf A. Effects of noise and acoustics in schools on vocal health in teachers. Noise & Health, 17(74), 17–22, 2015.



3. Barrett P, Zhang Y. Optimal Learning Spaces Design Implications for Primary Schools. Relatório do Centro de Pesquisa Salford - Centro para pesquisa e Inovação (SCRI), report n.2 , p.8, outubro de 2009.



4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152: Níveis de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro, 2017.



5. AMERICAN NATIONAL STANDARDS INSTITUTE, (ANSI). Acoustical Performance Criteria, Design Requirements, and Guidelines for Schools - Part 1: Permanent Schools. United States, 2010.



6. INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMISSION (IEC). IEC 60268-16. International Standard: Sound system equipment – Part 16: Objective rating of speech intelligibility by speech transmission index. Switzerland, 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1896
CONFIABILIDADE DO PROTOCOLO DE ANÁLISE ACÚSTICA DA DEGLUTIÇÃO (PAAD) EM PACIENTES COM DOENÇA NEUROLÓGICA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia orofaríngea é um sintoma altamente prevalente entre as doenças neurológicas e pode ocasionar complicações como pneumonias aspirativas, desidratação, desnutrição e até óbito. Para avaliação destes pacientes, torna-se essencial à elaboração de protocolos validados, que minimizem os riscos, definam condutas e favoreçam a reabilitação. Toda a proposta de um novo protocolo deve assegurar que seus dados sejam precisos para medir o construto almejado, além de confiáveis quanto à consistência dos itens no tempo e no espaço, com manutenção ou não de reprodutibilidade. Objetivo: Verificar a confiabilidade do Protocolo de Avaliação Acústica dos Sons da Deglutição (PAAD) por meio do método de teste e de reteste e concordância interobservadores, em pacientes com diagnóstico médico de doença neurológica. Métodos: Estudo do tipo transversal, com amostragem aleatória simples, quantitativo e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas sob o nº 2.927.XXX. Foi composto por duas fases: a fase de teste e a fase de reteste, que desenvolveram-se mediante a utilização do PAAD em sua terceira e atual versão. Na fase de teste foram realizadas 24 aplicações do PAAD, por 8 fonoaudiólogos avaliadores na ocasião da avaliação acústica da deglutição. A fase de reteste compreendeu uma nova aplicação do PAAD, a partir de informações armazenadas pelo Software DeglutiSom®, 30 dias após a fase de teste, por 2 fonoaudiólogos avaliadores que fizeram parte da fase de teste, porém, não tiveram acesso às respostas da primeira aplicação que realizaram, para evitar-se qualquer tipo de interferência. Fizeram parte da amostra de avaliados, 24 pacientes de um hospital público, encaminhados das unidades de internação e dos ambulatórios, com diagnóstico médico de doença neurológica, ambos os gêneros, idade igual ou superior a 18 anos, estáveis hemodinamicamente e responsivos para avaliação acústica da deglutição. Destes, 54,2% eram do sexo feminino e 45,8% eram do sexo masculino. A média de idades foi de 64,0 anos e desvio padrão de 17,5. O tempo médio de doença foi de 48,7 dias e desvio padrão de 139,3. Elegeu-se prioritariamente para análise estatística, os seguintes critérios do PAAD: a presença ou não de resíduos e a presença ou não de sinais sugestivos de aspiração laringotraqueal. Resultados: A análise estatística do teste e do reteste por meio do Coeficiente Kappa foi considerado fraco e moderado para os critérios de resíduos e sinais sugestivos de aspiração laringotraqueal respectivamente. Na análise que verificou os critérios por consistência alimentar, o melhor resultado para resíduos foi na consistência “Levemente espessado” com Coeficiente Kappa considerável e para sinais sugestivos de aspiração laringotraqueal foi na consistência “Líquido Ralo”, indicando-o como moderado. Conclusão: A confiabilidade para o critério resíduos na análise estatística geral revelou Coeficiente de Kappa descrito como fraco, porém alcançou valor considerado considerável quando verificado isoladamente por consistência alimentar, indicando melhor confiabilidade.Para o critério sinais sugestivos de aspiração laringotraqueal o Coeficiente de Kappa foi considerado moderado nas duas análises, sugerindo que mais pesquisas qualitativas para este critério são necessárias a fim de indicar quais foram os processos adotados pelos avaliadores.

Palavras chave: Disfagia; Efeito doppler; Estudos de validação.

1) Souza GAD, Silva RG, Cola PC, Onofri SMM. Resíduos faríngeos nas disfagias orofaríngeas neurogênicas. CoDAS, São Paulo. 2019, v. 31, n. 6, e20180160.

2) Padovani AR, Moraes DP, Mangili LD, Andrade CF. Protocolo Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia (PARD). Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2007;12 (3):199-205.

3) Martins, MMB. Proposta de validação de forma e constructo de um Protocolo de Avaliação Acústica da Deglutição. Curitiba, 2017, p. 38 ,40, 41, 42, 49, (Dissertação de mestrado - Universidade Tuiuti do Paraná).

4) Vaz ARC. Protocolo de análise acústica da deglutição, etapa 2: evidência de validade baseada nos processos de resposta, 2020. (Artigo apresentado a banca de dissertação de mestrado - Universidade Tuiuti do Paraná)

5) Pernambuco LA. Prevalência e fatores associados à alteração vocal em idosos institucionalizados com capacidade cognitiva preservada. Natal, 2015, p.75, 80, 85,108,134, (Tese de doutorado - Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

6) Pernambuco LA, Espelt A, Magalhaes Junior HV, Lima KC. Recomendações para elaboração, tradução, adaptação transcultural e processo de validação de testes em Fonoaudiologia. CoDAS, São Paulo. 2017, v. 29, n. 3, e20160217.

7) Magalhães Junior, HV. Evidências de validade do Questionário autorreferido para rastreamento de disfagia orofaríngea em idosos – RaDI. Natal, 2018, p. 21, 31, 32, 115, (Tese de doutorado - Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

8) Cunha MC, Almeida OP, Stackfleth R. Principais métodos de avaliação psicométrica da confiabilidade de instrumentos de medida. Rev. Aten. Saúde, São Caetano do Sul. 2016, v. 14, n. 49, p. 98-103.

9) Idssi - International Dysphagia Diet Standardisation Initiative. Complete IDDSI Framework Detailed definitions 2.0. Disponível em: https://iddsi.org/, July 2019.

10) Landis JR, Kock GG. The measurement of observer agreement for categorical data. Biometrics. 1977;33 (1):159-74.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1373
CONFIABILIDADE ENTRE AVALIADORES NA ANÁLISE QUANTITATIVA TEMPORAL DA DEGLUTIÇÃO COM UM SOFTWARE ESPECÍFICO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A avaliação da disfagia orofaríngea inclui procedimentos com análise qualitativa e quantitativa da deglutição orofaríngea. A análise quantitativa temporal da deglutição é considerada método robusto para mensurar diferentes parâmetros da fisiologia da deglutição e tem sido aplicada por vários grupos de pesquisa ao longo de pelo menos três décadas. Por outro lado, alguns marcadores para determinados parâmetros da fisiologia da deglutição ainda não são consensuais, há ampla diversidade no uso de softwares e de metodologias de mensuração[1,2]. Objetivo: Este estudo teve por objetivo analisar a confiabilidade entre juízes para medir alguns parâmetros temporais da deglutição usando software específico. Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob protocolo 2.671.11/2018. Foram analisados seis bancos de dados sobre análise quantitativa temporal da deglutição orofaríngea e os resultados do teste de confiabilidade aplicado em seis estudos publicados pelo mesmo grupo de pesquisa, separados por consistência de alimento pastosa (nível 2) e consistência líquida (nível 0) conforme preconiza o International Dysphagia Diet Standartisation Initiative (IDDSI), utilizando o mesmo método de mensuração dos tempos da deglutição em cada parâmetro analisado. Para este estudo, a análise quantitativa temporal do tempo de trânsito oral total (TTOT)[3,4], tempo de início de resposta faríngea (IRF)[3] e tempo de trânsito faríngeo (TTF)[5,6] foi mensurada usando o mesmo software, pelo mesmo juiz considerado padrão ouro em todos os estudos e um novo juiz para cada novo estudo. Foi utilizado coeficiente de correlação intra-classe (ICC) com um intervalo de confiança de 95%. Resultados: Foram analisadas 244 imagens de videofluoroscopia de deglutição. Em todas as análises, os ICC foram> 0,75, mostrando excelente concordância. O TTOT para a consistência pastosa mostrou ICC de 0,936 a 1.000 e ICC para a consistência líquida de 0,997 a 1.000. O IRF mostrou para a consistência pastosa ICC de 0,995 a 1.000 e para a consistência líquida ICC de 0,978 a 1.000. O TTF mostrou para a consistência pastosa o ICC de 0,848 a 1.000 e para a consistência líquida ICC de 0,984 a 1.000. Conclusão: A confiabilidade do tempo total de trânsito oral, tempo de resposta faríngea e tempo de trânsito faríngeo utilizando este software específico apresentou excelente concordância entre os juízes.

[1] Molfenter SM, Steele CM. Temporal variability in the deglutition literature. Dysphagia. 2012;27(2):162-177. https://doi.org/10.1007/s00455-012-9397-x

[2] Furkim AM, Silva RG, Vanin G, Martino R. The association between temporal measures of swallowing with penetration and aspiration in patients with dysphagia: A meta-analysis. NeuroRehabilitation. 2019; 44(1):111-129. https://doi.org/10.3233/NRE-182553

[3] Logemann JA, Pauloski BR, Colangelo L, Lazarus C, Fujiu M, Kahrilas PJ. Effects of a sour bolus on oropharyngeal swallowing measures in patients with neurogenic dysphagia. J. Speech. Lang. Hear. Res. 1995; 38(3):556-63. https://doi.org/10.1044/jshr.3803.556

[4] Gatto AR, Cola PC, Silva RG, Spadotto AA, Ribeiro PW, Schelp AO et al. Sour taste and cold temperature in the oral phase of swallowing in patients after stroke. CoDAS. 2013; 25(2):163-7. https://doi.org/10.1590/s2317-17822013000200012

[5] Kendall KA, Leonard RJ. Bolus transit and airway protection coordination in older dysphagic patients. Laryngoscope. 2001;111 (11): 2017-2021. https://doi.org/10.1097/00005537-200111000-00028

[6] Kendall KA, Mckenzie S, Leonard RJ, Gonçalves MI, Walker A. Timing of events in normal swallowing: a videofluoroscopic study. Dysphagia. 2000; 15: 74-83. https://doi.org/10.1007/s004550010004


TRABALHOS CIENTÍFICOS
206
CONHECIMENTO DAS MÃES SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE LINGUAGEM EM CRIANÇAS NASCIDAS PREMATURAS DE MUITO BAIXO PESO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O nascer prematuro trás consigo incertezas sobre o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, visto que essa população apresenta maior índice de morbidades à curto e longo prazo no desenvolvimento infantil. Portanto, o conhecimento materno a respeito do desenvolvimento do bebê prematuro na primeira infância é de extrema importância, visto que as mães são os principais agentes de estimulação de seus bebês e o seu conhecimento permitirá uma detecção precoce dos distúrbios de desenvolvimento. Objetivo: Analisar o conhecimento materno sobre o desenvolvimento de linguagem de seus filhos prematuros e de muito baixo peso. Método: Trata-se de um estudo analítico do tipo prospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer 2.680.272. O estudo foi realizado em uma maternidade referência na assistência à mulher de alto risco gestacional e bebês de alto risco. A amostra foi constituída por 22 díades mãe-bebê, cujos neonatos nasceram na instituição com idade gestacional entre 28 e 31 semanas e com muito baixo peso no período de abril a novembro de 2018, que aceitaram participar do estudo por meio da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. A pesquisa foi realizada por meio de um questionário estruturado com doze perguntas fechadas direcionadas à mãe sobre o desenvolvimento das habilidades comunicativas e auditivas de seus filhos prematuros. Os dados foram analisados de forma quantitativa por meio do programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20.0, sendo utilizadas medidas estatísticas descritivas de média e desvio padrão. Resultados: Foi possível observar que a amostra caracterizou-se por mães jovens, onde seis (27,27%) pertenciam a faixa etária de 15 à 19 anos de idade e seis (27,27%) possuíam idade entre 20 e 24 anos. Quanto ao grau de instrução, 13 mães (59,09%) não possuíam ensino médio completo. 18 mães (86,36%) quando questionadas sobre conhecimento prévio a respeito do desenvolvimento de fala e audição na infância afirmaram que nunca ouviram falar sobre o assunto. Em uma pergunta sobre o desenvolvimento comunicativo: “Você acha que seu filho vai aprender a falar sozinho (sem estímulos)?”, 10 (45,46%) das mães apresentaram resposta positiva, e na pergunta: “Quando você acha que pode conversar com seu filho?” 16 mães responderam “A partir de um ano de idade”, equivalendo a um elevado percentual de 72,72%. Quanto ao desenvolvimento auditivo, para a pergunta “Você acha importante saber se seu filho está ouvindo?”, todas as mães responderam “Sim”, porém 5 (22,73%) afirmaram não saber reconhecer se seu filho ouve ou não. Conclusão: Diante dos resultados, pôde-se observar a necessidade em ampliar o acesso à informação das mães e de toda família, enfatizando o acolhimento e a orientação permanente quanto à atenção sobre o desenvolvimento das habilidades comunicativas e auditivas dessas crianças de risco. À medida que tais informações sobre esse desenvolvimento fazem parte do conhecimento materno e da família desse bebê, ocorre uma facilitação na identificação de possíveis alterações no curso de sua evolução e na procura pelos serviços de saúde, contribuindo para uma intervenção precoce.

Silva, CAD, Brusamarello S, Cardoso FGC, Adamczyk, NF, Rosa Neto, F. Desenvolvimento de prematuros com baixo peso ao nascer nos primeiros dois anos de vida. Rev. Paul. Pediatr. 2011; 29: 328-35.

da Rocha Neves K, de Souza Morais RL, Teixeira RA, Pinto PAF. Growth and development and their environmental and biological determinants. J Pediatr [Internet]. 2016; 92: 241-50.

de Oliveira Melo MR, de Andrade ISN. Desenvolvimento infantil e prematuridade: uma reflexão sobre o conhecimento e as expectativas maternas. Rev. bras. promoç. Saúde. 2014; 26: 548-53.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2003
CONHECIMENTO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM INFANTIL
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A atuação do Fonoaudiólogo Educacional é extensa e contempla tanto os professores, quanto os escolares. Aos primeiros, é possível propor ações desde a verificação dos seus conhecimentos sobre linguagem oral e escrita, por exemplo, até a sua assessoria (ELOI, SANTOS E MARTINS-REIS, 2017). São inúmeras as contribuições do profissional da saúde em âmbito escolar, incluindo encaminhamentos aos serviços especializados, atenção básica, atividades de educação e promoção de saúde, bem como prevenção (KELLY, et.al., 2017). Objetivo: Investigar o conhecimento de um grupo de professores da pré-escola sobre o desenvolvimento da linguagem infantil, pré e pós-orientações fonoaudiológicas. Método: Trata-se de um estudo experimental, quantitativo, de intervenção, avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Fátima (95654518.7.0000.5523). Participaram 20 professoras da rede municipal de uma cidade da Serra Gaúcha/RS, atuantes na educação infantil. Todas elas concordaram em participar do estudo, por meio do termo de consentimento livre e esclarecido. A coleta de dados foi realizada em três fases: 1°) aplicação de um questionário; 2°) orientações fonoaudiológicas e 3°) aplicação do mesmo questionário da primeira fase, pós-orientações. O questionário aplicado foi elaborado pelas autoras deste estudo, baseado em Eloi, Santos e Martins-Reis (2017), com dez questões sobre o desenvolvimento da linguagem infantil. Na segunda fase, foram abordados, por meio de uma palestra, temas ligados ao questionário, tais como desenvolvimento típico da fala, da linguagem e da audição na fase pré-escolar. Os dados obtidos foram tabulados no Excel e submetidos à análise estatística. Foi utilizado o teste de McNemar para amostras relacionadas. O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 5% (p<0.05). Resultados: A análise do desempenho do grupo de professoras mostrou que apenas duas questões apresentaram escores de acertos significantemente melhores, pós-orientações. Os temas abordados por essas questões foram fala e linguagem. Outras três questões melhoraram ligeiramente seus escores e as demais diminuíram ou mantiveram seus escores obtidos antes das orientações. Quando observado o desempenho individual das participantes, observou-se que a maioria delas melhorou seus escores de acertos pós-orientações fonoaudiológicas. Conclusão: De modo geral, as orientações fonoaudiológicas contribuíram com o conhecimento dos professores sobre o desenvolvimento da linguagem infantil, evidenciando a importância da Fonoaudiologia Educacional. Além disso, reforça a necessidade de um trabalho contínuo no âmbito escolar, incluindo assessoria e consultoria à coordenação pedagógica para a elaboração e inclusão no currículo escolar de práticas voltadas ao desenvolvimento social e à promoção de atenção e cuidado integral dos indivíduos inseridos no contexto educacional (LIMA, et.al., 2015).

ELOI A; SANTOS N; REIS M. Programa fonoaudiológico e formação de professores: avaliação da efetividade. Distúrbios da Comunicação. v.29, n.4, p.759-771, 2017.

KELLY K; CARDOSO, K; FLORES C, MACHADO L. A fonoaudiologia na saúde pública – atenção básica. XV Jornada Científica dos Campos Gerais. Ponta Grossa, 2017.

LIMA B; DELGADO C; LUCENA L; FIGUEIREDO C. Contribuições da realização do diagnóstico institucional para a atuação fonoaudiológica em escolas. Distúrbios da Comunicação. v.27, n.2, p.213-224, 2015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
526
CONHECIMENTO DE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO SOBRE PERDA AUDITIVA E PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: Sabe-se que os limiares auditivos e o processamento auditivo central podem influenciar na aprendizagem, visto que o ensino é majoritariamente ofertado na modalidade expositiva. Os professores nem sempre estão atentos ou sabem identificar os sinais indicativos de que um aluno tem uma perda auditiva (especialmente as unilaterais e de menor grau) ou transtorno do processamento auditivo. Objetivo: relatar a experiência obtida por meio da aplicação de um questionário sobre perda auditiva e Processamento Auditivo Central (PAC), dentro de um projeto de extensão, com professores da educação básica de escolas públicas e privadas com o intuito de avaliar seus conhecimentos e nortear a elaboração de uma cartilha instrucional direcionada a este público. Método: trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência. A amostra, de conveniência, foi composta por 120 professores da rede pública e/ou privada de ensino. Os professores foram convidados via redes sociais a responderem um questionário elaborado no Google Forms. Os dados analisados pelo questionário foram: rede de ensino e etapa na qual lecionam; presença de fonoaudiólogo na equipe escolar; ruídos presentes na sala de aula; contato com aluno que fez ou faz acompanhamento fonoaudiológico; contato com aluno que teve ou tem dificuldade auditiva; identificação de aluno com perda auditiva e seus possíveis comportamentos; conhecimento sobre o PAC; já teve ou tem algum aluno diagnosticado com distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC); dificuldades dos alunos com DPAC e conhecimento acerca da existência de estratégias facilitadoras. Resultado: Os dados apontaram que a maior parte dos professores trabalham na rede pública (67,5%) e lecionam para o fundamental l (50,8%) e não possuem fonoaudiólogo na equipe escolar (95,8 %). Dos professores que responderam ao questionário, 88,3% apontaram a conversa entre alunos como o ruído mais prevalente em sala. Mais da metade relatou ter alunos que fizeram acompanhamento com fonoaudiólogo e que tiveram dificuldade auditiva (65% e 59,2% respectivamente). Desses, 50,8% souberam identificar a necessidade de uma avaliação auditiva. Quanto ao PAC, 51,7% possuíam conhecimento primário sobre o assunto. Apesar de que 42,5% não detectaram sintomas do DPAC em seus alunos, os professores relataram desatenção e/ou agitação, dificuldades de aprendizagem e dificuldade para seguir ordens verbais como possíveis sintomas (68.3%, 90,8% e 98.3% respectivamente). 92,5% consideram a existência de estratégias facilitadoras e mencionaram o apoio visual e a presença de um professor auxiliar como ações benéficas. Conclusão: Tendo por base as respostas ao questionário, foi possível observar que há necessidade de maior divulgação de informações sobre a relação entre o Distúrbio do Processamento Auditivo e a aprendizagem na Educação Básica, assim como a necessidade do fonoaudiólogo na equipe escolar. Ademais, foi verificado grande interesse por parte dos professores em saber mais sobre o PAC (98,3%). Portanto, a elaboração de um material sobre o tema é essencial para sanar as dúvidas dos professores, além de dar suporte para identificação de casos para que sejam feitos encaminhamentos para detecção e, consequentemente, intervenção precoce.

1. Ribeiro RR, Bastos HA. Processamento Auditivo na Escola: como trabalhar pedagogicamente o aluno. 2009;(8):191–5.

2. dos Reis TG, Dias RF, Boscolo CC. Conhecimento de professores sobre processamento auditivo central pré e pós-oficina fonoaudiológica. Rev Psicopedag [Internet]. 2018;35(107):129–41.

3. Abreu, MJS. O processo de inclusão escolar de alunos com Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) em escolas públicas de Brasília. Brasília. Dissertação (Programa Strictu Sensu em Psicologia) - Universidade Católica de Brasília; 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1706
CONHECIMENTO SOBRE GAGUEIRA ENTRE ESTUDANTES DA SAÚDE
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: A gagueira é um distúrbio da comunicação humana complexo e de difícil descrição, caracterizada por interrupções involuntárias na fala. A identificação de pessoas com gagueira, bem como o conhecimento adequado sobre os principais aspectos desse transtorno durante a formação em saúde são importantes para que as práticas multi e interdisciplinares voltadas à esta população sejam mais eficazes. Objetivo: Verificar o conhecimento sobre gagueira entre estudantes da área da saúde em uma universidade federal brasileira especializada em saúde, além disso, buscou-se identificar diferenças estatisticamente significativas do conhecimento entre os parâmetros "curso de graduação" e "etapa da formação superior" dos respondentes. Método: Trata-se de um estudo transversal descritivo com estudantes regularmente matriculados em curso de graduação na área da saúde, exceto graduandos em Fonoaudiologia, menores de 18 anos e autodeclarados pessoas com gagueira. O instrumento utilizado foi o questionário de “Atenção à Gagueira”, devidamente adaptado e validado no Brasil. Resultados: Dos 108 respondentes, distribuídos em 13 cursos de graduação e estando a maioria cursando entre o terceiro e quarto ano de graduação, 84% afirmaram ter visto ou conhecer pessoas que gaguejam, a resposta mediana dos respondentes foi uma prevalência de gagueira na população ao redor de 10%, enquanto a resposta mediana a respeito do início de aparecimento da gagueira foi ao redor de 4 anos de idade; 63% estimou maior prevalência de gagueira em meninos, porém mais de 80% não apontou maior prevalência em lateralidades, etnias e inteligências (QI); 30,6% acreditam que a causa da gagueira seja orgânica, apesar de 69,4% não relacionarem gagueira com hereditariedade; 59,2% consideraram o uso de aparelho auditivo mais desvantajoso que a gagueira, 93,5% reconhecem a possibilidade de tratamento, sendo que 89,8% consultariam um fonoaudiólogo frente à uma criança de 4 anos de idade que gaguejasse. Não houve diferenças significativas e relevantes entre os parâmetros de curso de graduação e de etapa da formação superior dos estudantes. Conclusão: O conhecimento sobre gagueira entre os futuros profissionais da saúde mostrou-se limitado nos aspectos de prevalência, causa e hereditariedade, além de refletir um conhecimento similar ao leigo e escolarizado, conforme apontado na literatura, reforçando a importância do desenvolvimento de ações de ensino voltadas à temática da gagueira durante a graduação em saúde, bem como de novas pesquisas na área.

1. Jacubovicz R, Gagueira. 6th ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2009.

2. Mawson A, Radford N, Jacob B. Toward a theory of stuttering. Eur Neurol. 2016;
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3. Fonseca NTM, Nunes RTD. Conhecimento sobre a gagueira na cidade de
Salvador. Rev CEFAC. Aug. 2013; 15(4):884-894.

4. Pereira MMB, Rossi JP, Van Borsel J. Public awareness and knowledge of
stuttering in Rio de Janeiro. J Fluency Disord. 2008; 33:24-31.

5. Ming J X, Jing Z, Yi Wen Z,Van Borsel. Public awareness of stuttering in
Shangai, China. Log Phon Vocol. 2001; 26:145-50.

6. Limura D, Yada Y, Imaizumi K, Takeuchi T, Miyawaki M, Van Borsel J, Public
awareness and knowledge of stuttering in Japan. J Commun Disord. 2018; 72:
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7. Van Borsel J, Verniers I, Bouvry S. Public awareness of stuttering.
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8. Silva LK, Martins-Reis VO, Maciel TM, Ribeiro JKBC, Souza MA, Chaves FG.
Gagueira na escola: efeito de um programa de formação docente em gagueira.
CoDAS. June 2016; 28 (3):261-268.

9. Ferraz AP, Belhot R. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das
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10. Rossi JP. Conhecimento da população da cidade do Rio de Janeiro sobre a
Gagueira [ dissertation ]. Rio de Janeiro (RJ): Universidade Veiga de Almeida; 2008.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1739
CONHECIMENTO SOBRE SAÚDE E HIGIENE VOCAL DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS COM E SEM AUTORREFERÊNCIA DE SINTOMAS VOCAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: O conhecimento sobre saúde e higiene vocal é essencial aos professores universitários1 e, portanto, estudos na área da Fonoaudiologia apontam que estes profissionais aparentam ter maiores conhecimentos sobre a saúde da voz¹. Entretanto, há poucas evidências sobre a voz de docentes do ensino superior²,³, o que dificulta a análise de fatores de risco que podem influenciar na voz desta população. Objetivo: Comparar o conhecimento sobre saúde e higiene vocal de professores universitários com e sem autorreferência de sintomas vocais. Método: Estudo observacional, analítico e transversal com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer n. 1.708.786. Participaram 102 professores universitários, 46 homens e 56 mulheres, com média de idade de 35,12±4,87 anos que responderam à Escala de Sintomas Vocais (ESV)4 e ao Questionário de Saúde e Higiene Vocal (QSHV)5. Os professores foram divididos em dois grupos de acordo com a nota de corte da ESV: um grupo vocalmente saudável com pontuação total de 15 pontos ou menos (G1) e um grupo de sintomas vocais com 16 pontos ou mais (G2). O G1 foi formado por 23 professores (9 mulheres e 14 homens) e o G2 por 79 (47 mulheres e 32 homens). A ESV é composta por 30 itens e o respondente deveria assinalar de zero (nunca) a quatro (sempre) a frequência de ocorrência dos sintomas vocais. Os escores das subescalas e do total foi feito por somatória simples e a nota de corte do protocolo é 16 pontos4. O QSHV possui 31 itens sobre hábitos vocais e seu escore varia de 0 a 31. Os indivíduos deveriam assinalar se consideravam a ação como “positiva”, “negativa” ou “neutra” para a voz. Cada resposta correta equivale a um ponto, e o total foi realizado a partir de somatória simples. Quanto mais próximo a 31 pontos, maior é o conhecimento do indivíduo sobre saúde e higiene vocal, sendo a nota de corte 23 pontos5. Os grupos foram comparados utilizando-se o teste de Mann-Whitney no Statistical Package for the Social Sciences, versão 25.0. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05). Resultados: As médias dos domínios da ESV do G1 foram 4,56 (dp±2,87) para limitação, 0,21 (dp±0,59) para emocional, 4,26 (dp±2,56) para físico e 9,04 (dp±3,30) para a pontuação total, e as médias do G2 foram 19,54 (dp±8,24), 2,68 (dp±3,50), 8,35 (dp±3,59) e 30,58 (dp±12,06) para as pontuações dos domínios limitação, emocional, físico e total, respectivamente. A média do QSHV no G1 foi 25,13 (dp±7,44) e no G2 26,03 (dp±5,68). O G2 apresentou percepção de sintomas vocais, para todos os domínios da ESV, significativamente maior que o G1 (p=0,001) e não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos em relação ao conhecimento sobre saúde e higiene vocal (p=0,621). Conclusão: Professores universitários, independentemente de referirem ou não sintomas vocais, demonstram conhecimento sobre saúde e higiene vocal.

1. Servilha E, Costa A. Knowledge about voice and the importance of voice as an educational resource in the perspective of university professors. Rev CEFAC. 2015;17(1):13-26.
2. Korn GP, Pontes AAL, Abranches D, Pontes PAL. Hoarseness and risk factors in university teachers. J Voice. 2015;29(4):518-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.09.008.
3. Paula A L, Cercal GCS, Novis JMM, Czlusniak GR, Ribeiro VV, Leite APD. Perception of fatigue in professors according to the level of knowledge of vocal health and hygiene. Audiol. Commun. Res. 2019;24: e2163. https://doi.org/10.1590/2317-6431-2019-2163.
4. Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Cross-cultural Adaptation, Validation, and Cutoff Values of the Brazilian Version of the Voice Symptom Scale-VoiSS. J Voice. 2014; 28(4):458-68. https://doi.org/10.1016/j.jvoice.2013.11.009.
5. Moreti, FTG. Questionário de Saúde e Higiene Vocal – QSHV: desenvolvimento, validação e valor de corte. [tese doutorado]. São Paulo: UNIFESP, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1540
CONHECIMENTO, ACESSO E ACEITAÇÃO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS COMPLEMENTARES EM SAÚDE COMO RECURSO TERAPÊUTICO DE AUTOCUIDADO PARA UM GRUPO FAMÍLIA VIRTUAL DE UM CAPSI
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A Organização Mundial de Saúde (OMS), através do Programa de Medicina Tradicional vem estimulando há vários anos o uso das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) por seus países membros. As ações da OMS culminaram na elaboração de um documento normativo visando a fortalecer políticas para o uso racional e integrado das terapias não ortodoxas nos sistemas nacionais de atenção à saúde, bem como ao desenvolvimento de estudos para verificar eficácia, segurança e qualidade das PICS em saúde. Devido à pandemia da COVID-19 o CAPSi, através do Grupo Família Virtual, tentou levar o acesso das PICS como estratégia de autocuidado e intervenção centrada na família a fim de diminuir o estresse, medo e ansiedade causados pelo isolamento social. Objetivo: Avaliar o conhecimento, acesso e aceitação das PICS como recurso terapêutico de autocuidado para um Grupo Família Virtual de um CAPSi. Método: Devido à pandemia, foi criado um Grupo Família virtual onde ocorreu a coleta de respostas de um mini questionário através do Google Forms com perguntas para 7 participantes do sexo feminino com perguntas sobre as PICS. Após o questionário encontros semanais online foram realizados com duração de 1 hora via videochamada através de aplicativo de uso frequente e de fácil utilização pelas famílias. Nestes encontros era proposto um momento de aprendizado de uma determinada PICS. O grupo era estimulado a realizar diariamente e anotar as percepções antes e após fazer a prática orientada pelas profissionais. Duas fonoaudiólogas eram responsáveis pela coordenação do grupo e ensino de algumas PICS. Outras vezes, outros profissionais eram convidados para repassar a prática proposta para o dia. Resultados: 85,7% das mães que participaram do Grupo não conheciam as PICS. Nenhuma delas chegou a utilizar as PICS no seu dia a dia. No entanto, todas demonstraram interesse em aprender e realizar este recurso. Conclusão: As PICS podem ser recursos importantes e poderosos para o autocuidado da família de crianças e adolescentes com algum transtorno psicossocial grave sendo uma estratégia para diminuição do estresse e ansiedade causados pela pandemia. O desconhecimento das PICS e a falta de acesso dos familiares e usuários a estas práticas são os principais entraves observados.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
453
CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E FUNÇÕES EXECUTIVAS EM ESCOLARES DO 2°ANO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: As funções executivas (FE) são definidas como um conjunto de funções que demandam controle da atenção, planejamento de metas e um comportamento intencional direcionados à realização de objetivos. A relevância das funções executivas justifica a ênfase que os pesquisadores vêm realizando no desenvolvimento de intervenções que melhoram essas habilidades durante a infância, em casa e na escola. A tarefa de consciência fonológica (CF) é condição essencial para que a criança compreenda o sistema alfabético. Por ser uma característica individual associada à capacidade para agir de forma adaptativa, o funcionamento executivo de cada criança pode ser generalizado e observado em diferentes contextos. Assim, nos resultados de processos de avaliação neuropsicológica, as FE e as habilidades metalinguísticas são as mais associadas à dificuldade de aprendizagem.

OBJETIVOS: analisar a influência do gênero nas habilidades de CF e FE em escolares.

MÉTODO: Trata-se de um estudo é quantitativo com coletas de dados transversal. Todos os responsáveis pelos sujeitos assinaram o TCLE e as crianças o TA. A amostra da pesquisa contemplou 18 crianças, com idade de sete anos, estudantes do segundo ano de escolas municipais de ensino fundamental. Foram realizadas entrevistas com os responsáveis, posteriormente as crianças fizeram a triagem fonoaudiológica, composta pelos testes de Exame articulatório, Exame miofuncional orofacial com escores e triagem auditiva. Após a triagem, foram realizados testes com os protocolos de prova de consciência fonológica por escolha de figuras (PCFF) (CAPOVILLA, SEABRA, 2012) e Teste de Hayling infantil (THI) (adaptação para população infantil brasileira por SIQUEIRA, GONÇALVES, HÜBNER E FONSECA, 2016). Como critérios de inclusão, utilizou-se os seguintes critérios: sujeitos devidamente matriculados no 2º ano das escolas pesquisadas, ser membro de uma família monolíngue falante do PB1; crianças de ambos os gêneros; apresentar linguagem compreensiva adequada à idade. As crianças que apresentassem perda auditiva, comprometimento neurológico, emocional e/ou cognitivo, detectável por meio de observação; presença de alterações motoras ou orgânicas orais, ou crianças que tivessem realizado ou estivessem realizando fonoterapia, foram excluídas da pesquisa. Os escolares foram avaliados individualmente, em turno contrário a aula. Utilizou-se o teste de t – Student para comparação das habilidades de consciência fonológica e FE entre os gêneros. O nível de significância adotado foi de 5% (p < 0,05).

RESULTADOS: Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre os gêneros na análise da Consciência Fonológica (p-valor=0,496) e Funções Executiva (p-valor=0958).

CONCLUSÃO: A variável gênero não se relacionou com FE, corroborando estudo nacional (FERREIRA, ZANINI, SEABRA, 2015), como também não se relacionou com as habilidades de consciência fonológica, concordando com outros estudos (ANDREAZZA-BALESTRIN, CIELO, LAZZAROTTO, 2008; SOUZA et al, 2009; MOURA, CIELO, MEZZOMO, 2009; ROSAL; CORDEIRO; QUEIROGA, 2013), nos quais não foram encontradas distinções no desempenho das habilidades.

Andreazza-Balestrin, C., Cielo, C.A., Lazzarotto, C. (2008) Relação entre desempenho em consciência fonológica e a variável sexo: um estudo com crianças pré-escolares. Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol, 13(2),154-60.

Capovilla, FC, Seabra, AG. (2012) Prova de consciência fonológica por escolha de figuras. AG. Seabra e NM Dias (orgs.) Avaliação neuropsicológica cognitiva: linguagem oral. Vol.2. São Paulo: Memnon.

Felício, C.M.D., Folha, G.A., Gaido, A.S., Dantas, M.D.M.M., Azevedo-Marques P D. (2014). Protocolo de avaliação miofuncional orofacial com escores informatizado: usabilidade e validade. Revista Codas, 26(4), 322-7.

Ferreira, L. O., Zanini, D. S., Seabra, A. G. (2015). Executive Functions, Sex, Age and Intelligence. Paidéia, 25(62), 383-391.


Moura, S.R.S., Cielo, C.A., Mezzomo, C.L.(2009) Consciência fonêmica em meninos e meninas. Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol,14(2), 205-11.
Rosal Angélica Galindo Carneiro, Cordeiro Ana Augusta de Andrade, Queiroga Bianca Arruda Manchester de. Consciência fonológica e o desenvolvimento do sistema fonológico em crianças de escolas públicas e particulares. Rev. CEFAC [Internet]. 2013 Aug [cited 2020 June 29]; 15(4), 837-846.

Siqueira, L. D. S., Gonçalves, H. A., Hübner, L. C., & Fonseca, R. P. (2016). Development of the Brazilian version of the Child Hayling Test. Trends in psychiatry and psychotherapy, 38(3),164-174.


Souza, A.P.R., Pagliarin, K.C., Ceron, M.I., Deuschle, V.P., Keske-Soares, M. (2009) desempenho por tarefa em consciência fonológica: gênero, idade e gravidade do desvio fonológico. Rev. CEFAC. 2009; 11(4),571-78.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1126
CONSCIÊNCIA SINTÁTICA E NÍVEL DE LEITURA EM ESCOLARES MONOLÍNGUES E BILÍNGUES COM DISLEXIA DO DESENVOLVIMENTO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: O bilinguismo é atualmente um tema globalizado, considerando a demanda mundial de crianças expostas a diferentes culturas. Há o bilinguismo simultâneo - duas línguas adquiridas ao mesmo tempo, e o sequencial - a aquisição da segunda língua se inicia quando a primeira já foi completamente adquirida. A consciência sintática pode estar melhor desenvolvida em crianças bilíngues, visto a maior exigência da compreensão da estrutura linguística da sintaxe em duas línguas. No entanto, a inserção em um ambiente bilíngue dentro da própria escola, naquelas crianças que apresentam dislexia, pode ser cercada por desafios, visto não apenas a necessidade do domínio de duas línguas, mas as limitações do seu neurodesenvolvimento.
OBJETIVO: comparar a consciência sintática e leitura em crianças bilíngues e monolíngues com dislexia do desenvolvimento.
MÉTODO: Estudo de caso, aprovado pelo CEP sob número 1.012.635. Participaram duas crianças bilíngues (S1 e S2) e duas monolíngues (S3 e S4), de mesmo nível socioeconômico, com queixas persistentes de dificuldades em leitura, apesar de intervenção sistemática destes aspectos desde o início da alfabetização. Assim, todos tiveram diagnóstico interdisciplinar de dislexia do desenvolvimento, conforme critérios do DSM-5. Participante 1 (S1): sexo feminino , 9 anos e 5 meses de idade, 3º ano do ensino fundamental (EF). Nasceu na França, porém seus pais são brasileiros e, por esta razão, esteve inserida em um ambiente bilíngue simultâneo desde muito cedo. Aos 3 anos de idade passou a estudar em uma escola francesa bilíngue no Brasil. Participante 2 (S2): sexo masculino, 8 anos e 8 meses de idade, 3º ano do EF, estuda em uma escola bilíngue (inglês – português) desde os cinco anos de idade e está inserido em um contexto bilíngue desde então, tendo, hoje, o inglês como a sua segunda língua. As crianças monolíngues do sexo feminino (S3) e a do sexo masculino (S4) tem o português como língua materna, e não possuem uma segunda língua. O indivíduo S3 encontra-se no 3º ano do ensino fundamental e o S4 no 4º ano do ensino fundamental. Realizou-se avaliação das habilidades de consciência sintática por meio do protocolo de Prova de Consciência Sintática e nível e compreensão de leitura pela Avaliação da Compreensão Leitora de Textos Expositivos.
RESULTADOS: Na prova de Consciência Sintática, de um total de 55 pontos, S1 obteve 51 pontos; S2 obteve 54; S3 obteve 51 e; S4, 35 pontos. Assim, uma criança bilíngue (S2) apresentou melhor desempenho que as monolíngues, outra bilíngue (S1) o mesmo desempenho que uma monolíngue (S3) e melhor que a outra (S4). Com relação ao nível de leitura, observou-se que os monolíngues não realizaram a tarefa devido a grande dificuldade que possuíam para reconhecer letras. Já os bilíngues, encontram-se nos níveis ortográfico (S1) e alfabético da leitura (S2), respectivamente.
CONCLUSÃO: Apesar de o resultado apresentar vantagens das crianças com dislexia do desenvolvimento bilíngues, por esta pesquisa se tratar de um estudo de caso, ainda não se pode generalizar que tenham melhor desempenho para a leitura. Assim, sugere-se que novas pesquisas acerca desta temática sejam realizadas.

Foursha-Stevenson C, Nicoladis E. Early emergence of syntactic awareness and cross-linguistic influence in bilingual children’s judgments. International Journal of Bilingualism 2011;15(4):521-534

Megale AH. Bilinguismo e educação bilíngue – discutindo conceitos. ReVEL. 08,2005; 5(3).

Fávaro FM. A educação infantil bilíngue (português/inglês) na cidade de São Paulo e a formação dos profissionais da área: um estudo de caso. 2009. 199 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.

Butler YG, Hakuta K. Bilingualism and Second language Acquisition. In: Bhatia TK.; Ritchie W.C. The Handbook of Bilingualism. United Kingdom: Blackwell Publishing, 2004.

Jasińska KK, Petitto LA. Age of Bilingual Exposure Is Related to the Contribution of Phonological and Semantic Knowledge to Successful Reading Development. Child Dev. 2018; 89(1):310-331.

Hickmann G, Guimarães S, Hickmann A. Aprendizado bilíngue e linguagem escrita: desenvolvimento de habilidades metalinguísticas. Cad. Pes., 2017; 24(2):156-69.

Ciasca SM, Lima RF. Neuropsicologia da dislexia do desenvolvimento. In: Ciasca SM, Rodrigues SD, Azoni CAS, Lima RF. Transtorno de aprendizagem: neurociência e interdisciplinaridade. Ribeirão Preto: Book Toy; 2015. p. 215-236.

Capellini AS, Salgado CA. Avaliação fonoaudiológica do distúrbio específico de leitura e distúrbio de aprendizagem: critérios diagnósticos, diagnóstico diferencial e manifestações clínicas. In: Ciasca SM. Distúrbio de aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

Capovilla FC, Capovilla AGS. Prova de Consciência Sintática (PCS). São Paulo: Memnon, 2009.

Saraiva RA, Moojen SMP, Munarski R. Avaliação da Compreensão Leitora de Textos Expositivos. São Paulo: Pearson, 2015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
313
CONSEQUÊNCIAS DO FRÊNULO LINGUAL ALTERADO EM CRIANÇAS: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A língua é um órgão que participa de importantes funções na cavidade oral, como a sucção, a deglutição, a mastigação e a fala. Durante o desenvolvimento embrionário células do freio lingual sofrem apoptose fazendo-o com que se retrai para longe de seu ápice, formando uma prega fibromucosa, chamada frênulo, quando não ocorre a apoptose completa do frênulo, o tecido residual pode comprometer a mobilidade lingual e, consequentemente, as funções orais, podendo levar à anquiloglossia, vulgarmente conhecida como língua-presa, é uma anomalia congênita incomum, mas não rara caracterizada por um freio lingual curto e grosso, resultando em limitações nos movimentos da língua. Objetivo: Apontar as consequências do frênulo lingual alterado em crianças. Metodologia: Trata-se de uma revisão da literatura, realizada no mês de janeiro de 2020, através da seguinte pergunta norteadora: Quais as alterações podem ser encontradas em indivíduos com anquiloglossia? A busca eletrônica ocorreu nas bases MEDLINE/PubMed, BVS, LILACS e SciELO com os descritores, “crianças”, “anquiloglossia” e “fonoaudiologia” e seus equivalentes em inglês e espanhol. Foram adotados como critérios de exclusão: relato de caso, revisão sistemática ou integrativa de literatura, avaliações de protocolo. E como critérios de inclusão artigos que relacionassem a alteração a anquiloglossia e não a outro fator, doença ou disfunção. Resultados: Resultou inicialmente em 30 resultados de trabalhos publicados entre janeiro de 2000 e julho de 2019. Após consultados os critérios restaram 5 artigos publicados entre setembro de 2009 e fevereiro de 2017, dentre eles estão estudos longitudinais e transversais selecionados para a leitura completa. Neles constavam como consequências do frênulo lingual alterado: as alterações de mobilidade da língua, tônus de língua diminuído, língua baixa na cavidade oral durante a produção articulatória, problemas de articulação, alterações fonéticas da fala, como distorção e articulação trancada, maior dificuldade nos movimentos realizados com a língua; modificações no modo de trituração dos alimentos e mais atipias da musculatura perioral durante a mastigação, sucção alterada. Conclusão: Foi verificado que crianças que apresentam a anquiloglossia podem desenvolver diversas consequências que influenciam significativamente no seu desenvolvimento. A privação da movimentação lingual pode comprometer as funções de sucção, mastigação, deglutição, fala e levar ao desmame precoce, o que justifica a realização da avaliação do frênulo no sentido da intervenção precoce favorecendo a amamentação e o desenvolvimento da fala. Dentre os artigos revisados, foi observado que nenhum buscar analisar o paciente em todos esses aspectos citados anteriormente, ou seja, falta na literatura, pesquisas que observam o desenvolvimento do paciente integrando essas consequências.

Suzart DD, Carvalho ARR. Alterações de fala relacionadas às alterações do frênulo lingual em escolares. Rev CEFAC. 2016; 18(6): 1332–1339.
Marcione ESS, Coelho FG, Souza CB, França ECL. Classificação anatômica do frênulo lingual de bebês. RevCEFAC. 2016; 18(5): 1042–1049.
Silva MC, Costa MLVCM, Nemr K, Marchesan, IQ. Frênulo de língua alterado e interferência na mastigação. Rev CEFAC. 2009; 11(suppl 3): 363–369.
Fujinaga CI, Chaves JC, Karkow IK, Klossowski DG, Silva FR, Rodrigues AH. Frênulo lingual e aleitamento materno: estudo descritivo. Aud – Communic Res. 2017; 22(0).
Braga LAS, Silva J, Pantuzzo CL, Motta AR. Prevalência de alteração no frênulo lingual e suas implicações na fala de escolares. Rev CEFAC. 2009; 11(suppl 3): 378–390.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1188
CONSEQUÊNCIAS NEFASTAS DO USO DO TABACO NA GESTAÇÃO: DELINEAMENTO DE ASSOCIAÇÕES
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução:
O tabagismo é uma grande ameaça à saúde pública1, sendo uma das maiores causas de doenças e óbitos no mundo. Quando consumido durante a gestação, o cigarro desencadeia prejuízos que vão além da saúde materna2, podendo trazer consequências para o bebê, seja no período pré, peri ou pós-natal. Mesmo que a mãe não fume ou cesse o hábito durante este período, o fumo passivo, por meio da convivência contínua com outros fumantes, pode causar os mesmos prejuízos3,4. As principais alterações verificadas nos bebês de mães fumantes são prematuridade e baixo peso ao nascer1,5. Tais características, comprovadamente advindas do poder tóxico das substâncias contidas no cigarro, também podem ser fatores agravantes para outras comorbidades6. Do ponto de vista fonoaudiológico, bebês de mães fumantes estão mais propensos a desenvolverem fissura lábio-palatina7,8, dificuldade no aleitamento materno9, perdas auditivas1 e alterações funcionais respiratórias10.

Objetivo:
Verificar a prevalência do uso de tabaco tanto de forma ativa como passiva em gestantes e sua associação com intercorrências pré, peri e pós relatadas pelas informantes.

Metodologia:
Pesquisa transversal com coleta de dados em sala de espera de uma Unidade Básica de Saúde, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição de origem sob número 4.030.937. A obtenção dos dados se deu por meio da realização de um questionário que tinha por objetivo traçar o perfil tabágico da população atendida no local, como diagnóstico para realização de ações de extensão junto à comunidade. Dentre as perguntas dirigidas às usuárias, encontravam-se as de cunho gestacional, que abordavam informações sobre quantidade de gestações, dados antropométricos e de saúde do bebê ao nascimento, intercorrências pré, peri e pós natais e a ocorrência de fumo ativo/passivo durante a gestação e/ou a amamentação.

Resultados:
Foram entrevistadas 35 mulheres, sendo que 14 (40%) declararam fumar no momento da entrevista, 5 (14%) já fumaram e 7 (20%) eram fumantes passivas. 32 (91%) mulheres disseram já ter engravidado, sendo 19 (59%) delas fumantes ativas e/ou passivas. Destas, 13 (68%) declararam estar em uma destas condições durante o período gestacional. Quanto às intercorrências pré, peri e pós-natais, das mulheres que declararam ser fumantes ativas e/ou passivas durante a gestação, 3 relataram intercorrências gestacionais (baixa de plaquetas, diabetes gestacional e dor); 3 relataram prematuridade; 2 relataram baixo peso do bebê ao nascer; e 3 relataram intercorrências da criança ao nascimento. Observou-se alta prevalência de fumo ativo/passivo nas mulheres entrevistadas. Já nas gestantes, verificou-se associação (46%) entre intercorrências pré, peri e pós-natais e a exposição ao fumo no período gestacional.

Conclusão:
É de vital importância a prevenção do fumo ativo/passivo, principalmente por gestantes, a fim de minimizar problemas de saúde nesta população e em seus bebês. Para que isto ocorra, é necessário que os profissionais de saúde mantenham-se treinados em relação ao combate do tabagismo, promovendo, dessa forma, a cessação de maneira espontânea e consciente.

1. Dos Reis, Marcela Aparecida, Pamela Rodrigues da Cunha, and Tainine Ferreira Garcia. "Consequências patológicas para os recém-nascidos advindos de gestantes tabagistas." Enfermagem Brasil 15.5 (2016): 267-272.

2. Leopércio Waldir, Gigliotti Analice. Tabagismo e suas peculiaridades durante a gestação: uma revisão crítica. J. bras. pneumol. [Internet]. 2004 Apr [cited 2020 July 04] ; 30( 2 ): 176-185. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132004000200016&lng=en. https://doi.org/10.1590/S1806-37132004000200016.

3. Kalayasiri R, Supcharoen W, Ouiyanukoon P. Association between secondhand smoke exposure and quality of life in pregnant women and postpartum women and the consequences on the newborns. Qual Life Res. 2018 Apr;27(4):905-912. doi: 10.1007/s11136-018-1783-x. Epub 2018 Jan 11. PMID: 29327094; PMCID: PMC5876127.

4. Bertani André Luís, Garcia Thais, Tanni Suzana Erico, Godoy Irma. Preventing smoking during pregnancy: the importance of maternal knowledge of the health hazards and of the treatment options available. J. bras. pneumol. [Internet]. 2015 Apr [cited 2020 July 10] ; 41( 2 ): 175-181. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132015000200175&lng=en. https://doi.org/10.1590/S1806-37132015000004482.

5. Lucchese Roselma, Paranhos David Lemos, Netto Natália Santana, Vera Ivânia, Silva Graciele Cristina. Fatores associados ao uso nocivo do tabaco durante a gestação. Acta paul. enferm. [Internet]. 2016 June [cited 2020 July 09] ; 29( 3 ): 325-331. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002016000300325&lng=en. https://doi.org/10.1590/1982-0194201600045.

6. Wilcox AJ. Birth weight and perinatal mortality: the effect of maternal smoking. Am J Epidemiol. 1993 May 15;137(10):1098-104. doi: 10.1093/oxfordjournals.aje.a116613. PMID: 8317439.

7. Martelli Daniella Reis Barbosa, Coletta Ricardo D., Oliveira Eduardo A., Swerts Mário Sérgio Oliveira, Rodrigues Laíse A. Mendes, Oliveira Maria Christina et al . Associação entre tabagismo materno, gênero e fendas labiopalatinas. Braz. j. otorhinolaryngol. [Internet]. 2015 Oct [cited 2020 July 09] ; 81( 5 ): 514-519. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-86942015000500514&lng=en. http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2015.07.011.

8. Loffredo, L. D. C. M., Souza, J. M. P. D., Freitas, J. A. D. S., & Simões, M. J. S. (2013). Fissura oral e tabagismo. Revista de Odontologia da UNESP, 23(2), 333-337.

9. Machado, J. B., and Maria Helena Itaqui Lopes. "Abordagem do tabagismo na gestação." Sci Med 19.2 (2009): 75-80.

10. Stevani, E. S., Schuertz, K. F., Paim, M. B., Zahra, N. M., & Vaz, R. S. GESTANTES: AS CONSEQUÊNCIAS DO USO DO TABACO PARA O FETO.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1927
CONSTRUÇÃO DA LISTA DE PALAVRAS PARA CRIAÇÃO DE PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DA ESCRITA DE APRENDIZES SURDOS
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO. Para a construção de instrumentos voltados à avaliação de palavras pode-se recorrer a bancos de palavras já validadas ou criar uma lista, considerando como variáveis psicolinguísticas a frequência e extensão. A regularidade da palavra e o público alvo também devem compor as variáveis. Na teoria do processamento da dupla rota, a via fonológica parte da premissa de sujeitos que dominam a língua oral. Para fins deste estudo, a extensão será o critério analisado. Entende-se por extensão da palavra a quantidade de segmentos linguísticos orais (fonemas) ou escritos (grafemas) de uma dada língua. O modelo mais adotado de análise da extensão das palavras nas línguas alfabéticas é o da segmentação silábica. A literatura classifica como curta extensão, as palavras com até duas sílabas e, de longa extensão, palavras com três ou mais sílabas. Contudo, para as pessoas surdas usuárias da língua de sinais, a referência da segmentação sonora, torna-se um elemento de conflito na construção de um banco de palavras, dada a sua rota de processamento ser realizada visualmente.
OBJETIVO. Descrever um modelo de análise de extensão de palavras para fins de elaboração de banco de dados para pessoas surdas usuárias da Língua Brasileira de Sinais.
MÉTODO. Estudo do tipo validação de instrumento, aprovado pelo CEP Nº 294/09. Para construção e validação de um instrumento de avaliação do português escrito percorreram-se diferentes etapas. Como recorte metodológico, será abordado a variável extensão. Assim, a quantidade de letras foi um dos critérios adotados para a análise das 64 palavras do estudo e comparando-as à extensão silábica. Considerando a extensão das palavras mais frequentes no português brasileiro, elaborou-se o seguinte critério: de 1 a 4 letras (pequena=P); de 5 a 7 letras (média=M); igual ou maior que 8 letras (grande=G). Na etapa de validação do construto, restaram 32 itens lexicais, analisados quanto a extensão e frequência. Para tanto, foram aplicadas as estatísticas descritivas para verificação da média, desvio padrão e alfa de Cronbach.
RESULTADO. Todas as monossílabas foram classificadas como pequena extensão silábica. As palavras PÃO/OVO (monossílaba/dissílaba) são classificadas como pequenas. Já AÇÚCAR/MACARRÃO (trissílabas), classificam-se como média e grande extensão. Em OVO/FRALDA (monossílaba/dissílaba), o processamento por rota visual é bem distinto, quando há três letras, classificam-se como pequena e média extensão. Verificou-se que, no conjunto dos itens classificados por quartis, as palavras de pequena extensão (terceiro e quarto quartis) pertenciam aos grupos de menor grau de dificuldade. O alfa global de Cronbach para análise da consistência interna dos dados da amostra foi considerado satisfatório (α=0, 943).
CONCLUSÃO. Em um estudo com pessoas surdas, no qual se adote como referência a quantidade de sílabas, o grau de complexidade estará relacionado ao aspecto sonoro das palavras investigadas. Ao passo que, ao se considerar a extensão em quantidade de letras das palavras, o grau de complexidade irá variar pela ordem da visualidade, ou seja, menos letras, mais fácil o processamento visual. Contudo, não se descarta as exceções, considerando a frequência das palavras.

RAPCSAK, Steven Z.; HENRY, Maya L.; TEAGUE, Sommer L.; CARNAHAN, Susan
D.; BEESON, Pélagie M. Do Dual-Route Models Accurately Predict Reading and
Spelling Performance in Individuals with Acquired Alexia and Agraphia?
Neuropsychologia. June 18; 45(11): 2007, p. 2519–2524.
RAYMUNDO, Valéria P. Construção e validação de instrumentos: um desafio para a
psicolinguística. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 44, n. 3, p. 86-93, jul./set. 2009
SIM-SIM, Inês; VIANA, Fernanda L. Para a Avaliação do Desempenho da Leitura.
Lisboa - PT: Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE), 2007.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
842
CONSTRUÇÃO DE ATIVIDADES DIGITAIS PARA EXTENSÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DISCENTE
Relato de experiência
Voz (VOZ)


Introdução: o advento da tecnologia influencia o modo de vida dos indivíduos, reflexo dessa realidade, são os atuais adultos jovens, chamados de geração Y ou geração polegar1. O uso contínuo dos aparelhos móveis instigou pesquisadores a vincularem a tecnologia ao ensino, de maneira a estimular a aprendizagem dessa geração e torná-la cada vez mais atrativa2. Neste sentido, foi criado um projeto de extensão cujo objetivo é elaborar atividades digitais interativas em voz, voltadas para o ensino de graduação em Fonoaudiologia e para orientação vocal da população geral. Objetivo: relatar a experiência de discentes de Fonoaudiologia na elaboração de atividades digitais para a área da voz. Método: o projeto de extensão é composto por 2 bolsistas e 3 voluntários. As ações do projeto são desenvolvidas de forma presencial e remota. Nas reuniões são debatidos temas da área de voz e como transformá-los em atividades e informações atrativas, que possam complementar e trazer conhecimento e_learning e m_health para a área. Os discentes utilizam softwares variados para criação dos materiais. Os produtos são voltados para alunos de graduação em Fonoaudiologia, pacientes em fonoterapia, profissionais da voz e comunidade em geral. Resultados: as ferramentas criadas em 2020 foram incorporadas ao site oficial do projeto de extensão e estão disponíveis gratuitamente. Os discentes desenvolveram, até o momento, um quiz sobre a saúde vocal com 3 níveis de dificuldade e destinado à população geral, no site GoConqr. Elaboraram um jogo sobre as lesões organofuncionais, programado utilizando as linguagens HTML, CSS e JavaScript e um jogo de Caça-palavras sobre disfonias organofuncionais, no Microsoft PowerPoint. Atualmente os discentes estão organizando um banco de questões em forma de quiz com todas as questões de Fonoaudiologia da área de voz presentes nas provas do ENADE de 2004 à 2019. Conclusão: o projeto estimula os alunos no processo de aprendizagem, estimula habilidades criativas, senso estético, análise crítica, autonomia e melhor assimilação do conteúdo da voz. Os temas abordados complementam o ensino da voz e divulgam a promoção da saúde vocal para a sociedade em geral, por meio de uma linguagem acessível e com ferramentas interativas. Os discentes do projeto são motivados para uma prática fonoaudiológica abrangente e preocupada com a disseminação de informações confiáveis para a população, efetivando seu compromisso social com o ensino e a saúde da voz.

1.Fonseca de Oliveira AR, De Menezes Alencar MS. O uso de aplicativos de saúde para dispositivos móveis como fontes de informação e educação em saúde. RDBCI Rev Digit Bibliotecon e Ciência da Informação. 2017;15(1):234.
2.Vignoli RG, Bortolin S. A biblioteca escolar e as mediações com a geração polegar. Bibl Esc em R. 2014;2(2):45–59.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1350
CONSTRUÇÃO DE UMA CARTILHA INFANTIL PARA OS ATENDIMENTOS FONOAUDIOLÓGICOS E ODONTOLÓGICOS EM TEMPOS DE COVID-19
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Com a chegada do coronavírus ao país, a rotina de todos foi modificada. No cenário atual, com a suspensão de aulas presenciais e a adoção de medidas de isolamento social, pode-se gerar insegurança e ansiedade nas crianças por medo do desconhecido. Além disso, a nova paramentação necessária para os atendimentos Fonoaudiológicos e Odontológicos distância esses profissionais do público infantil, já que a face do profissional fica praticamente coberta. Dessa forma, percebeu-se a necessidade de elaboração de um material que auxilie os responsáveis a esclarecer esse retorno aos atendimentos às crianças, no formato de uma cartilha digital lúdica e informativa. Objetivo: Elaborar uma cartilha digital voltada ao público infanto-juvenil, apresentando os novos Equipamentos de proteção individual (EPIs) dos profissionais da saúde, a fim de reduzir o medo do desconhecido, e explicando o porquê dessa necessidade de maior proteção através de uma leitura lúdica e sensível a esse momento de pandemia. Método: Entre maio e julho de 2020, os componentes de um programa de extensão que conta com alunos de graduação e professores vinculados aos cursos de Desenho Industrial, Fonoaudiologia e Odontologia da instituição, realizaram encontros semanais de forma online para o desenvolvimento da cartilha, tanto o roteiro como a parte gráfica. Sua elaboração conta com duas versões da mesma história, uma com o enredo do personagem principal indo ao consultório Fonoaudiológico e outro com mesmo indo ao consultório Odontológico. Sua distribuição foi pensada para as mídias digitais no momento de marcação da consulta, para possibilitar esse primeiro contato com a nova paramentação, deixando de ser totalmente desconhecida e pensando nas questões de biossegurança necessárias. Resultados: Com linguagem acessível, às crianças e seus responsáveis acompanharão a história de Miguel, um menino de seis anos, que está inseguro para ir ao atendimento Fonoaudiológico e Odontológico devido o cenário atual. No decorrer dessa história, é apresentado ao leitor os novos EPIs destes profissionais, tanto para a sua própria segurança como com a dos pacientes, fazendo com que Miguel imagine ele como um astronauta coberto dos pés a cabeça. O material contém também orientações aos responsáveis de como proceder antes, durante e após o atendimento para minimizar a possibilidade de contaminação pelo novo coronavírus. Conclusão: Com isso, espera-se que a cartilha auxilie a desmistificar e sanar possíveis dúvidas quanto ao retorno destes atendimentos às crianças e seus responsáveis. Já que orientações adequadas sobre o novo coronavírus são essenciais para proteger toda a população.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
354
CONTO DE CORDEL: PROMOVENDO O CONHECIMENTO DA DOENÇA DE PARKINSON
Relato de experiência
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A Doença de Parkinson (DP), é uma doença neurodegenerativa que atinge os neurônios dopaminérgicos. A diminuição do neurotransmissor dopamina, afeta o movimento, ocasionando tremores, desequilíbrio, rigidez muscular e lentidão dos movimentos, além de comprometimentos cognitivos e emocionais. É uma patologia que requer atuação multiprofissional no seu tratamento, sendo necessária a disseminação de informações para os que convivem com a doença, seus cuidadores e os profissionais da saúde envolvidos na reabilitação. Para tornar o conhecimento sobre essa doença mais acessível foi confeccionado um manual de orientações, publicado em formato de e-book por um programa de extensão. Este foi elaborado com ilustrações e textos sucintos, favorecendo, assim, seu uso no cotidiano. OBJETIVO: Descrever o processo de criação de um cordel na temática da Doença de Parkinson pelos discentes e docentes da graduação em Fonoaudiologia. MÉTODO: Trata-se de um estudo qualitativo do tipo relato de experiência, desenvolvido por extensionistas e docentes do curso de Fonoaudiologia. A criação do material passou pelas seguintes etapas: 1. análise das informações contidas no Manual de orientações; 2. coleta de material teórico complementar das outras áreas da saúde; 3. seleção das informações básicas e primordiais de cada área; 4. construção do texto escrito; 5. adequação para a linguagem de cordel. O vocabulário regional e ilustrações características foram escolhidos para estruturar o corpo do trabalho, formando assim o material: Do Parkinson ao saber: qualidade de vida em conto de Cordel, no formato de literatura popular. RESULTADO: Finalizado o material, o cordel sugere ainda uma maior divulgação do Manual do programa de extensão. Bem como, à posteriori, uma avaliação do produto pelo público alvo, isto é, pessoas com DP, familiares e/ou acompanhantes, para validar a efetividade do formato como meio de divulgação e conhecimento. CONCLUSÃO: A elaboração do produto proporcionou aos estudantes uma ampliação do conhecimento sobre a Doença de Parkinson, tendo em vista a contribuição das outras áreas da saúde. Ao mesmo tempo que aumentou o arcabouço de recursos para conscientização e instrução dos pacientes, por meio da literatura de cordel como ferramenta socioeducativa. Dessa forma, o conteúdo proposto pretende atingir, não apenas os pacientes e cuidadores, mas profissionais de saúde em suas práticas clínicas, além da população em geral, que podem ter acesso a um conteúdo prático sobre a doença.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
968
CONTRIBUIÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NO PET INTERPROFISSIONALIDADE - CRIAÇÃO DE GRUPOS NA UBS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: O projeto PET Saúde Interprofissionalidade que é desenvolvido na universidade conta com nove cursos: Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicologia, Nutrição, Odontologia, Fisioterapia e Medicina. E ações em cinco Unidade Básica de Saúde (UBS) resultando em cinco grupos tutoriais. Em nosso grupo tutorial as estudantes propuseram a criação de um Grupo de Prevenção e Promoção à Saúde. Após realização de diagnóstico territorial, reuniões de tutoria com preceptores e tutores. Os encontros versavam sobre os conceitos de: Educação Popular em Saúde; Promoção à Saúde; Interprofissionalidade; Apoio Matricial; Práticas Integrativas e Complementares. Objetivo: 1) ampliar as possibilidades e ferramentas de cuidado às pessoas com diabetes e hipertensão; 2) possibilitar a criação de vínculos entre os usuários, bem como entre usuários, estudantes e profissionais de saúde da UBS; 3) promover um cuidado que dialogue com a realidade do usuário; 4) intervir a partir de uma abordagem multifocal e interprofissional, por meio de um grupo de construção compartilhada e, 5) criar uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica. Método: Trata-se de um Relato de Experiência sobre a realização do Grupo de Prevenção e Promoção à Saúde onde foram convidados cerca de 10 usuários, seguindo os critérios de inclusão de terem diabetes e/ou hipertensão, idade mínima de 40 anos; disponibilidade para ir à UBS às sextas das 14h às 16h. Os convites aos usuários foram feitos a partir de ligações telefônicas, realizadas pelas estudantes do PET-EIP. Cada um dos encontros foi coordenado por uma estudante diferente, mas co-coordenado por todas. Ao final de cada encontro eram realizadas reuniões de avaliação para discutir as principais questões e demandas do grupo. Resultados: Foram realizados seis encontros, de uma à duas vezes ao mês, com as seguintes temáticas: apresentação do grupo; rotina alimentar; organização dos medicamentos; práticas de atividades físicas; alimentação saudável - construção de mini horta em conjunto a produção de temperos - confecção de sal aromático. Em todos os encontros houve intensa troca de conhecimento entre as estudantes e os usuários, que juntos conseguiram propor cuidados condizentes com os contextos dos envolvidos, articulando os diversos saberes presentes. Neste processo de compartilhamento, as acadêmicas de Fonoaudiologia puderam contribuir com suas visões objetivas sobre: comunicação, memória, comportamento, fala, voz, respiração, deglutição e saúde oral dos participantes, em direção a integralidade da atenção à saúde. As estudantes de Fonoaudiologia puderam vivenciar a ação de uma equipe interprofissional. Vale destacar que a presença dos usuários variou levando a equipe a reorganizar as atividades. No entanto, percebeu-se que estava sendo criada uma identidade grupal, que infelizmente, foi interrompida pela pandemia. Conclusão: Verificou-se que, a partir de práticas interprofissionais, pautadas numa lógica colaborativa, dialógica e centrada no sujeito, foi possível romper com a fragmentação do processo de trabalho em saúde e, consequentemente, ampliar a promoção à saúde e diminuir a exposição dos usuários a intervenções com baixa capacidade resolutiva, que pouco consideram o contexto de vida e as complexas necessidades de saúde do sujeito.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. II Caderno de educação popular em saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Gestão Estratégica e Parti- cipativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014​

BRASIL. Ministério da Saúde, 2019. Praticas integrativas e Complementares. Disponível em: . Acesso 15 de Jan. de 2020. ​

CZERESNIA, Dina. The concept of health and the difference between prevention and promotion. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 15, n. 4, p. 701-709, Oct. 1999 . Available from . access on 07 Feb. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1999000400004.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
941
CONTRIBUIÇÃO DOS BIOMARCADORES QUANTO À AVALIAÇÃO DA SAÚDE AUDITIVA BASEADA EM EVIDÊNCIAS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: O biomarcador é uma base estimável da presença e/ou relevância de algumas condições e/ou alterações do estado de saúde, e caracterizam-se por moléculas, enzimas, proteínas, células típicas, tecidos, genes e/ou hormônios, dentre outros. E, classificam-se em: fisiológicos; físicos; histológicos; anatómicos e bioquímicos1,2. No campo da fonoaudiologia e mais especificamente na área de audiologia, o estudo de medidas de controle, diagnóstico e prognóstico das perdas auditivas tem despontado como um importante campo de estudo, onde a inserção de novas modalidades diagnósticas como a análise de biomarcadores pode configurar como um importante parâmetro para identificação precoce e/ou manejo das patologias, corroborando consequentemente para promoção da saúde auditiva3-5.
OBJETIVO: Sistematizar através da revisão de literatura a existência e utilização, aplicabilidades e contribuição dos biomarcadores na saúde auditiva.
MÉTODO: A pesquisa foi conduzida em três bases de dados eletrônicas (PubMed, ScienceDirect e Periódicos CAPES). A estratégia de busca, seleção e avaliação dos artigos foi conduzida de acordo com as diretrizes do PRISMA e utilizada a seguinte pergunta condutora de acordo com a estratégia PICo para pesquisas não clínicas: Quais são os biomarcadores relacionados a audiologia e perda auditiva? Foram considerados descritores os termos:
“Biomarcadores”, “perda auditiva”, “Fonoaudiologia” e “Surdez”, combinados entre si por meio do operador booleano “AND”. Foram incluídos artigos publicados nos últimos dez anos, incluindo estudos observacionais, coorte e caso controle, transversais, assim como ensaios clínicos que descrevessem o uso e/ou aplicações dos biomarcadores para diagnóstico e/ou análise da cronificação/estadiamento das patologias auditivas. Foram excluídos estudos revisões narrativas, sistemáticas, cartas; editoriais; comentários e relatos de casos.
RESULTADOS: Dos 15 artigos localizados e incluídos inicialmente na fase de análise do título e resumo, dez foram incialmente incluídos para análise do texto completo. Destes apenas três preencheram todos os critérios de inclusão. Dos resultados foi possível verificar todos eram estudos observacionais. Quanto ao objeto de estudo observou-se que os estudos envolviam a avaliação de biomarcadores para perda auditiva, surdez e zumbido. Quanto a classificação do biomarcador, houve predomínio de biomarcadores anatômicos. Quanto a utilização dos biomarcadores, verificou-se em todos os estudos que estes foram utilizados para avaliar sua aplicabilidade como parâmetro voltado ao diagnóstico precoce ou fator de risco a saúde auditiva.
CONCLUSÕES: Com base no que foi abordado a respeito da contribuição dos biomarcadores quanto à avaliação da saúde auditiva, pôde-se demonstrar a abrangência dos tipos de biomarcadores associados às respectivas especificações. Entretanto, nem todas as descrições estudadas, nos trabalhos desenvolvidos, apresentaram favorecimento significativo à área auditiva, como foram os casos da Aldosterona, IGF1 e BDNF. Por fim verificou-se que os biomarcadores analisados constituíram um importante parâmetro para proteção e/ou redução do risco de perda auditiva, porém pesquisas futuras ainda são extremamente necessárias, com vistas ao estabelecimento das principais aplicabilidades dos biomarcadores na saúde auditiva.




1. Califf RM. Biomarker definitions and their applications. Experimental Biology and Medicine,2018;243(3):213-21.

2. Düzenli U, et al., A retrospective analysis of haemotologic parameters in patients with bilateral tinnitus. Eastern Journal of Medicine,2018;23(4):264-68.

3. Miranda VS et al., Evidence-based speech therapy: the role of systematic revisions. Revista CoDAS, 2019;31(2)1-2.

4. Paluch P et al., Early general development and central auditory system maturation in children with cochlear implants-a case series. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology,2019;126:1-12.

5. Paulsen AJ et al., Neuroprotective factors and incident hearing impairment in the epidemiology of hearing loss study. The Laryngoscope,2019;129(9):2178-83.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
303
CONTRIBUIÇÕES DA FONOAUDIOLOGIA NA INTERDISCIPLINARIDADE DO ATENDIMENTO DOMICILIAR AO IDOSO DURANTE A COVID-19 NO MUNICÍPIO DE MACAÉ
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


1. INTRODUÇÃO
O Brasil possui mais de 28 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando 13% da população, sendo considerados idosos de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Segundo dados publicados pelo IBGE em 2018, esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas. Considerando tal perfil demográfico, faz-se necessário olhar atento para a saúde do idoso, proporcionando melhor qualidade de vida e assistência as necessidades nessa fase da vida. O atendimento domiciliar por equipes multidisciplinares tem o objetivo de oferecer cuidados a saúde do paciente na residência e destina-se ao suporte terapêutico. O fonoaudiólogo é integrante da equipe e contribuinte para melhorar o amplo espectro de distúrbios de comunicação e deglutição. Durante a pandemia da COVID-19 fez-se necessário adaptações para a continuidade dos atendimentos fonoaudiológicos domiciliares, priorizando bem estar com segurança para os pacientes e familiares, principalmente com os pacientes disfágicos devido ao risco de internação.
2. OBJETIVO
Relatar a atuação de uma fonoaudióloga em equipe multidisciplinar no atendimento do idoso durante a pandemia da COVID-19 no município de Macaé no Estado do Rio de Janeiro.
3. MÉTODO
Fundamenta-se em um relato de experiência de uma fonoaudióloga atuante no serviço de assistência domiciliar privado no município de Macaé no estado do Rio de Janeiro. O serviço de assistência domiciliar consiste em consultas presenciais de diferentes profissionais de saúde. A equipe é composta por fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e médicos. Os pacientes assistidos são avaliados individualmente por cada profissional e recebem os serviços conforme suas manifestações patológicas e comorbidades. A regularidade escolhida para as visitas ocorre conforme as avaliações realizadas por cada profissional, incluindo o serviço de fonoaudiologia, sendo realizado o Plano Terapêutico Singular (PTS) para cada paciente.
4. RESULTADOS
Com o novo cenário de fundamentais restrições e isolamento social, foi possível vivenciar mudanças durante os atendimentos domiciliares aos idosos, desde o manejo dos pacientes até a biossegurança dos profissionais. Para a fonoaudióloga atuante fez-se necessário, junto aos familiares e demais profissionais, adaptações quanto a quantidade de visitas semanais a residência, revisada no PTS, com a finalidade da continuidade dos atendimentos. A profissional realizou orientações aos familiares quanto a pandemia, esclarecendo dúvidas e concedendo informações sobre o novo Coronavírus SARS-CoV-2. Durante as visitas iniciais foi realizada a apresentação dos equipamentos de biossegurança utilizados pela profissional, bem como as mudanças no manejo dos pacientes e materiais utilizados como estetoscópio e oxímetro. Durante todo período a qualidade dos atendimentos e humanização com segurança foram priorizados.
5. CONCLUSÃO
O fonoaudiólogo vem contribuindo intimamente com a equipe multidisciplinar, a fim de aumentar a qualidade de vida dos idosos. Com a adoção de medidas preventivas adotadas para o atendimento domiciliar, foi possível manter o cuidado dos pacientes, evitando possíveis internações dos idosos no futuro em razão de agravamento do estado de saúde.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1100
CONTRIBUIÇÕES DA TELEFONOAUDIOLOGIA NO PROCESSO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE DE FONOAUDIÓLOGOS DA REDE PÚBLICA HOSPITALAR EM PERNAMBUCO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A educação permanente em saúde desponta na atualidade com objetivo disseminar as melhores práticas e com isto corroborar no processo de atenção e cuidado integral1,2.Na Fonoaudiologia o aprimoramento profissional constitui uma prática recente, sobretudo em seguimentos onde as ações do fonoaudiólogo demandam maiores esforços, como no atendimento em âmbito hospitalar3. Da mesma forma o uso das tecnologias da informação e comunicação pelos profissionais da saúde da comunicação humana ainda precisa ser ampliado principalmente no tocante ao uso de dispositivos tecnológicos que possam subsidiar o processo de aperfeiçoamento do profissional em serviço.
OBJETIVO: descrever as principais contribuições das ações educativas de Telefonoaudiologia para o processo de educação permanente dos fonoaudiólogos que atuam na rede Hospitalar do Estado de Pernambuco.
MÉTODO Trata-se de um estudo descritivo, desenvolvido em parceria com um Núcleo Telessaúde. O projeto recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 113359/2015). As ações educativas foram realizadas por docentes e profissionais da fonoaudiologia especialistas nas áreas de motricidade orofacial e disfagia. As sessões educativas foram produzidas e ofertadas ao público através de sessões de videoconferência e posteriormente disponibilizadas (em formato de vídeo) no ambiente virtual de aprendizagem do núcleo de telessaúde. A avaliação sobre as contribuições das ações no processo de educação permanente foi realizada mediante resposta a um questionário online respondido pelo profissional ao final do acesso a ação educativa. Os resultados foram analisados de forma descritiva a partir da análise das frequências percentuais e absolutas.
RESULTADOS: Nas quatro sessões realizadas com temas relacionados a disfagia em crianças e adultos e a deficiência auditiva, houve a participação de 23 fonoaudiólogos, com idade média de 40,9 anos e tempo de formação médio de 17 anos, todos atuavam em hospitais da rede pública estadual há pelo menos dois anos. Dos participantes, 50%, referiram que o projeto é uma ação extremamente relevante a sua formação profissional, o mesmo quantitativo, citou que os temas abordados nas sessões, são frequentemente encontrados em sua prática hospitalar. Do total, 75% referiram que os aprendizados foram muito importantes para sua dinâmica de trabalho. Cerca de 68,6% relataram sentir-se seguros para disseminar as práticas aprendidas. Por fim 100% referiram que a iniciativa e formato do projeto constitui uma importante estratégia para o processo de educação permanente e que o projeto deve continuar ou ser expandido englobando outros temas e áreas da fonoaudiologia hospitalar.
CONCLUSÃO: O fato de todos os participantes evidenciarem a relevância do projeto e expressarem a necessidade de sua continuidade, implica no entendimento de que o uso de tecnologias no processo de educação permanente, além de favorecer o diálogo entre profissionais à busca de novos conhecimentos, possibilita a construção de um espaço para integração dos hospitais na rede de atenção à saúde, pautados na articulação dos saberes das diversas realidades enfrentadas. Assim pode-se concluir que o projeto trouxe contribuições importantes no processo de educação permanente em saúde dos fonoaudiólogos contribuindo para disseminação das práticas relevantes ao trabalho em saúde da comunicação humana no âmbito hospitalar.

1 Carneiro E et al., Telessaúde: dispositivo de educação permanente em saúde. Rev Eletrônica Gestão e Saúde, 2013; 4(2):2365-87.
2 Diniz PRB et al.,Providing telehealth services to a public primary care network: the experience of RedeNUTES in Pernambuco, Brazil. Telemedicine and e-Health,2016;22(8):694-98.
3 Nascimento CMB, et al. Telefonoaudiologia como estratégia de educação permanente na atenção primária à saúde no Estado de Pernambuco. Rev. CEFAC [online],2017;19(3):371-380.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
973
CONTRIBUIÇÕES DO ESTÁGIO EM DOCÊNCIA EM AUDIOLOGIA NA FORMAÇÃO DO MESTRE EM SAÚDE DA COMUNICAÇÃO HUMANA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: O estágio em docência constitui-se uma prática importante no processo de formação do mestre, pois além de preparar e capacitar professores para atenderem as demandas do ensino superior, aprimorando metodologias e práticas em sala de aula e consequentemente a qualidade do ensino oferecido nas universidades desde a pós-graduação. Nesse sentido, o estágio de docência possibilita ao futuro profissional vivenciar os desafios da docência, constituindo-se de experiência relevante na construção da profissão. A Fonoaudiologia pode agregar para que tanto docente como discente, sejam ativos e críticos no processo de ensino-aprendizagem, refletindo no âmbito profissional, científico e social que são indissociáveis.

Objetivo: Descrever a experiência de um estágio docência, descrevendo as vivências nas atividades propostas para o exercício docente na Formação do Mestre em Saúde da Comunicação Humana da UFPE, caracterizando vivências nas atividades propostas para o exercício docente na graduação em Fonoaudiologia no componente curricular de Audiologia.

Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, exploratória do tipo relato de experiência, realizado por um mestrando vinculado ao Programa de Pós-graduação em Saúde da Comunicação Humana durante a disciplina em Audiologia III, ministrada para Graduação em Fonoaudiologia da Universidade Federal de Pernambuco, no período de agosto a novembro de 2019. Os dados foram recuperados a partir da análise de um diário de campo, elaborado durante o desenvolvimento do estágio que teve duração de 15 aulas sendo três hora/aula, distribuídos em 30 e 15 horas teórica e práticas, para trazer a discussão sobre as limitações e potencialidade da experiência.

Descrição das ações desenvolvidas: As atividades de docência incluíram intervenções didáticas com estratégias metodológicas ativas, envolvendo dinâmicas, checklists/fichas resumos, exercícios apoio/fixação de conteúdo, leitura crítica, roda de conversa, resolução de perguntas-problemas sobre casos clínicos fictícios, estudos exploratório técnico, estudo de caso e dirigido, aula prática por meios informatizados, apresentações grupais, construção de planos de aula, participação em aulas teóricas, práticas e atividades avaliativas. Em todas as ações, o mestrando interviu de forma processual, sendo ainda responsável por ministrar uma aula expositiva e dialogada sob supervisão.

Resultados: Percebeu-se que o estágio em docência além de permitir melhor apropriação e associação entre teoria e prática audiológica, favoreceu a troca de experiências e conhecimentos entre alunos, professores e mestrando a respeito da Fonoaudiologia como um todo. No âmbito da formação de mestre, contribuiu para conhecer e praticar novas estratégias de ensino, bem como realizar diferentes reflexões sobre a prática docente-pedagógica na Fonoaudiologia, além de prover o olhar diferenciado e integrador sobre as práticas do ensino e possibilidades inserção fonoaudiológica.

Conclusão: O estágio em docência, a despeito da disciplina ministrada, contribui na formação do Mestre em Saúde da Comunicação Humana, visto que se consistiu uma experiência empírica enriquecedora que contribui na formação profissional docente, à medida que possibilitou: aperfeiçoamento profissional, apropriação de estratégias pedagógicas, consolidação de conceitos e vivência aos desafios inerentes à carreira docente.


ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos; ALVES, Leonir Pessate. Estratégias de ensinagem. In: ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos; ALVES, Leonir Pessate. (Orgs.). Processos de ensinagem na universidade. Pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. 3. ed. Joinville: Univille, 2007

CHAMLIAN, H. C. Docência na universidade: professores inovadores na USP. Cadernos de pesquisa, n. 118, p. 41-64, 2003.

COSTA-FERREIRA et al. Reabilitação Auditiva: fundamentos e proposições para atuação no SUS. 1ed. Ribeirão Preto: Book Toy, 2017.

ROCHA-DE-OLIVEIRA, Sidinei; DELUCA, Gabriela. Aprender e ensinar: o dueto do estágio docente. Cadernos EBAPE. BR, v. 15, n. 4, p. 974-989, 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1776
CONTRIBUIÇÕES DO PET SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE NA FORMAÇÃO DISCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A Educação Interprofissional é considerada uma estratégia potente para promover transformações na formação dos profissionais da saúde visando o trabalho colaborativo. Tal estratégia se opõe ao modelo educacional vigente na maiorias das instituições de educação assim como do modelo biomédico hegemônico fortemente presente nos serviços de saúde, em que ambos apresentam limitações para a garantia do cuidado integral ao ser humano a partir de um trabalho colaborativo entre os agentes cuidadores. Foi diante dessa problemática que surge o projeto PET SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE, visando a promoção de mudanças no ensino e uma maior integração ensino-serviço-comunidade numa perspectiva de favorecer a educação e o trabalho interprofissional. OBJETIVO: Descrever a experiência vivenciada por uma estudante integrante do projeto PET SAÚDE/INTERPROFISSIONALIDADE do sétimo período do curso de fonoaudiologia. METODOLOGIA: O projeto é composto por profissionais de saúde que fazem parte da rede municipal de saúde da cidade de Natal, docentes e discentes dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Saúde Coletiva e Serviço Social divididos em 5 grupos tutoriais compostos por equipes interprofissionais. O projeto tem se realizado considerando os níveis da aprendizagem interprofissional e o primeiro ano do mesmo se concentrou nos níveis de aproximação e imersão dos petianos junto a temática da inteprofissionalidade. Para tanto foram realizados diversos eventos, como encontros, oficinais, reuniões por GTs com a finalidade de discutir aspectos teóricos conceituais e metodológicos da EIP, assim como as competências específicas dos profissionais, competências comuns e colaborativas. Foram utilizadas metodologias ativas para promover maior participação dos envolvidos através de estudos de caso, troca de experiências e construções de planos terapêuticos interprofissionais. RESULTADOS: O projeto proporcionou vivências e experiências interprofissionais que ainda não são contempladas nos componentes curriculares de todos os cursos de graduação, como na fonoaudiologia, que ainda possui um perfil fragmentado por especialidades, voltado para a atuação em clínicas. Ter conhecimento dos benefícios que a educação e atuação interprofissional proporciona para a formação, usuários e serviços de saúde, despertou o desejo de ser mais ativa e contribuir para reformulação e inserção de componentes curriculares de cunho interprofissional no meu curso. Atualmente a representação estudantil no colegiado do curso e no centro acadêmico, despontou como resultado do estímulo e reflexões advindas do projeto. Compreender e viver a interprofissionalidade na prática tem sido uma rica contribuição para o meu perfil profissional que ainda está em processo de construção. CONCLUSÃO: Por fim, pode-se afirmar que a inclusão de componentes curriculares obrigatórios, optativos e a inserção de discentes e docentes em projetos com práticas e discussões interprofissionais contribuem diretamente para formação e reformulação de um novo modelo de assistência e educação em saúde, proporcionando para os futuros gestores e profissionais da saúde a oportunidade de desenvolverem um perfil de atuação com base nas reais necessidades da população, humanizados e aptos para o trabalho colaborativo.

1.BATISTA NA. Educação interprofissional em Saúde: concepções e práticas. Caderno FNEPAS. 2012; 2(2): 25-8.

2.FERTONANI HP, PIRES DEP, BIFF D, SCHERER MDA. Modelo assistencial em saúde: conceitos e desafios para a atenção básica brasileira. Rev. Ciência & Saúde Coletiva, 2015; 20(6): 1869-1878.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1609
CONVERSANDO VIRTUALMENTE SOBRE AQUISIÇÃO DE LINGUAGEM: ATENÇÃO E CUIDADO AO SURDO E SEUS FAMILIARES
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


Introdução: A aquisição de linguagem da criança surda é motivo de grande inquietação e aflição por parte dos pais. O medo de que o filho não consiga se comunicar é um dos primeiros pensamentos que surgem a partir do diagnóstico e muitas vezes esse sentimento é oriundo da compreensão da surdez como falta. Informar sobre as diferentes possibilidades de ver o surdo contribui para escolhas conscientes por parte da família e para minimizar prejuízos pela privação de interação linguística que pode haver. Nesse sentido a atenção prestada a todos os envolvidos é muito importante para que seja possível sanar dúvidas quanto aos aspectos relacionados à este novo universo como também esclarecer sobre habilitação/reabilitação auditiva e diferentes possibilidades na aquisição de linguagem do filho surdo permitindo entendimento mais completo sobre a situação. O presente projeto de extensão atua no acolhimento e informação a familiares de crianças surdas e busca estar próximo a estas de forma a oferecer escuta atenta às dúvidas, angústias e anseios de cada pessoa, acreditando que o acesso a informação é a principal chave para o cuidado em saúde. Objetivo: Refletir sobre possibilidades de acompanhamento virtual no processo de aquisição de linguagem de crianças surdas acolhidas em projeto de extensão. Método: O projeto tem inúmeras frentes de ação e o acolhimento é feito de forma presencial e, também, virtualmente. Em face à pandemia enfrentada no ano de 2020 o contato, neste caso específico, vem acontecendo por vídeo-chamada, gravações de áudio, conversas com a família realizando esclarecimento sobre cursos de Libras, sugestão de brincadeiras, além do envio de vídeos com os sinais do cotidiano e orientações gerais. O canal de diálogo é aberto para sanar as questões que os familiares possam ter, bem como para ouvir seus medos, preocupações e desejos. Desse modo, apresentamos o relato de experiência de aluna extensionista no apoio à família de criança surda acolhida no projeto através de comunicação virtual sobre aquisição de linguagem. Resultados: Observamos que os pais se sentem mais seguros pelo fato de poder compartilhar suas questões baseadas na rotina da educação do filho oportunizado pela interação com a estudante extensionista. Identificamos que mesmo neste momento de distanciamento social e que as pessoas estão impossibilitadas de recorrerem presencialmente aos serviços, o contato virtual vem contribuir de forma significativa para evitar o silenciamento da família com o filho surdo mantendo a interação e promovendo espaço linguístico e lúdico facilitado para a criança. Dentre os aspectos que surgem no diálogo estão, desde dúvidas específicas sobre alguns sinais até como brincar com a criança em face a esta nova rotina e principalmente, na dificuldade em obter atendimentos específicos. Conclusão: O oferecimento de cuidado contínuo e acompanhamento do dia a dia das famílias ouvintes com filhos surdos realizado pelo projeto é importante para que possam ter um maior acesso à informação sobre este novo universo e, principalmente, sobre a aquisição de linguagem da criança surda rompendo muitas vezes a barreira provocada pelo medo do desconhecido devido a circunstância dada pelo diagnóstico.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
707
CORRELAÇÃO DE ACHADOS AUDIOLÓGICOS EM IDOSOS SAUDÁVEIS COM IDOSOS EM TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: O envelhecimento caracteriza-se por um declínio funcional de órgãos e tecidos, sendo que as alterações fisiológicas podem potencializar o aparecimento das neoplasias, assim como de alterações no sistema auditivo (1). Diante deste acúmulo de fatores o sistema auditivo destes indivíduos torna-se mais vulnerável aos efeitos colaterais do tratamento antineoplásico (2). As substâncias utilizadas nos tratamentos podem afetar a audição de forma permanente causando a perda auditiva devido a ototoxicidade, que se caracteriza por uma alteração bilateral e simétrica acometendo inicialmente as frequências agudas e posteriormente as frequências graves (3). O cuidado da saúde auditiva e atuação do fonoaudiólogo no setor oncológico junto a equipe multiprofissional permite o rastreio precoce e prevenção em saúde por meio do monitoramento auditivo destes pacientes. OBJETIVO: Comparar os achados audiológicos dos idosos saudáveis e idosos em tratamento oncológico METODOLOGIA: O estudo foi aprovado pelo CEP nº 55351715.9.0000.5546. Participaram da pesquisa 74 indivíduos idosos divididos em dois grupos (G1 e G2). O grupo G1 foi composto por idosos saudáveis e o grupo G2 formado por idosos com diagnóstico de neoplasia em tratamento quimioterápico. Ambos realizaram anamnese, meatoscopia, audiometria tonal e vocal RESULTADOS: Na comparação dos grupos avaliados foi observado a presença de perda auditiva, assim como limiares auditivos dentro da normalidade sendo que foi possível observar porcentagem mais elevada de perda auditiva para o grupo em tratamento oncológico. Os achados elucidaram presença de perda auditiva nos dois grupos do tipo neurossensorial a partir da frequência de 3kHz, com quadro audiológico caraterístico de presbiacusia. Porém, na comparação dos grupos, verificou-se maior porcentagem 75,70% de perda auditiva para o G2, enquanto que G1 apresentou 67,60%, sendo que na comparação das frequências sob teste as de 1 e 6kHz apresentaram diferença estatisticamente significativa. Com relação aos sujeitos que apresentaram limiares auditivos normais nos dois grupos verificou-se limiares mais rebaixados para o G2, caracterizado por uma piora do limiar na frequência de 6kHz. CONCLUSÃO: Os idosos apresentam perda auditiva, sendo caracterizada por alteração neurossensorial, com piora dos achados audiológicos nas frequências de 1 e 6kHz na população oncológica. Desta forma, o monitoramento audiológico na população idosa com neoplasia é uma ferramenta que contribui para o diagnóstico precoce das alterações auditivas, possibilitando a estes um cuidado assistencial integral.

1- Diederichs C, Berger K, Bartels DB. The Measurement of Multiple Chronic Diseases--A Systematic Review on Existing Multimorbidity Indices. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2011;66:301-311.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1709
CORRELAÇÃO ENTRE O TEMPO DE FONAÇÃO E FREQUÊNCIA FUNDAMENTAL EM PROFESSOR UNIVERSITÁRIO: RESULTADOS PRELIMINARES DE MONITORAMENTO DE VOZ.
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: a voz é elemento indispensável na prática docente¹. Porém, condições precárias do ambiente e da organização do trabalho estão associadas a alterações vocais em professores², sendo uma ocupação de alto risco para o desenvolvimento de distúrbios da voz³. O desgaste da voz sob condições precárias ocupacionais corrobora para um adoecimento coletivo nessa categoria profissional4, também conhecido como distúrbio de voz relacionado ao trabalho (DVRT)5. Há pouca informação na literatura sobre o uso real da voz ao longo do dia. A partir dessa lacuna, foram desenvolvidos dispositivos denominados dosímetros ou monitores de fonação, com a função de registrar a voz durante o seu uso, o que torna possível a mensuração objetiva da carga vocal6. Objetivo: verificar a correlação entre o tempo de fonação e a frequência fundamental da voz em professor universitário. Método: trata-se de um estudo de caso exploratório, de caráter quantitativo, observacional, do tipo longitudinal, com duração de duas semanas, tendo inicialmente cinco professores de ensino superior de uma universidade pública como objeto de investigação. A pesquisa ocorreu em cinco etapas: assinatura do TCLE; aplicação de questionário; gravação da voz pré-aula; monitoramento vocal durante a aula; gravação de voz pós- aula, sendo a voz monitorada por duas semanas no período matutino por meio do Monitor Portátil de Análise de Fonação, modelo APM 3200, marca KayPentax (USA). Para esta investigação foi considerado o monitoramento da voz, sendo analisado de maneira detalhada o professor com o maior número de horas-aula monitoradas. Utilizaram-se variáveis sociodemográficas, funcionais (carga horária, disciplina, dia da semana que aula era ministrada) e dose de voz. Os dados foram apresentados individualmente por professor, inicialmente de maneira descritiva, sendo expressos em termos de média e desvio-padrão, para as variáveis numéricas e frequência, para as variáveis categóricas. Na sequência, foram correlacionados os dados de dose de voz entre si, sendo aplicado o teste de aleatorização (correlação linear de Spearman) para o professor com maior número de eventos, com a hipótese alternativa sendo a existência de correlação linear positiva entre tempo de fonação e frequência fundamental da voz. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição de origem, sob o número 3.665.180. Resultados: o professor com o maior número de eventos tem 30 anos, é do sexo masculino, ministra a disciplina Filosofia, às segundas e quartas-feiras. Foi encontrada correlação linear positiva (p-valor= 0,043 para o teste de aleatorização) entre as variáveis tempo de fonação (01h22min54s; 01h:40min:55s; 01h:33min:36s; 01h:46min:03s) e média da frequência fundamental (f0=142,3Hz variando entre 130,9 e 149,9Hz). Não houve correlação linear entre os indicadores de dose voz dos cinco professores analisados conjuntamente (p-valor=0,7235). Conclusão: conforme se aumenta o tempo de fonação, eleva-se a f0, ambos indicadores de sobrecarga vocal, um dos fatores de exposição mais consistentes para DVRT. São necessários novos estudos, utilizando-se instrumentos objetivos com uma amostra maior, condições heterogêneas de salas e turnos de aula, a fim de confirmar os resultados desse trabalho.


1. Servilha EAM, Costa ATF. Conhecimento vocal e a importância da voz como recurso pedagógico na perspectiva de professores universitários. Rev. CEFAC. 2015; 17(1): 13-26.
2. Martins RHG, Pereira ERBN, Hidalgo CB, Tavares ELM. Voice Disorders in Teachers. A Review. Journal of Voice. 2014; 28(6): 716-724.
3. Behlau M, Zambon F, Guerrieri AC, Roy N. Epidemiology of voice disorders in teachers and nonteachers in Brazil: prevalence and adverse effects. Journal of Voice. 2012; 26 (5): 9-18.
4. Masson MLV, Ferrite S, Pereira LMA, Ferreira LP, Araujo TM. Em Busca do Reconhecimento do Distúrbio de Voz como Doença Relacionada ao Trabalho: Movimento histórico-político. Ciência e Saúde Coletiva. 2019; 24 (3): 805-816.
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho – DVRT / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. – Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
6. Nacci A, Fattori B, Mancini V, et al. O uso e o papel do Monitor de Fonação Ambulatorial (APM) na avaliação da voz. ACTA Otorhinolaryngologica Italica. 2013; 33 (1): 49-55.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1079
CORRELAÇÃO ENTRE OS PAR METROS PERCEPTIVOS AUDITIVOS, ACÚSTICOS E A AUTOAVALIAÇÃO VOCAL EM IDOSOS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz do idoso pode se apresentar instável, trêmula, hesitante, rouca e fatigável1-3. Essas mudanças podem dificultar a comunicação, levando o indivíduo a se sentir menos capaz e evitar o convívio social, o que pode diminuir sua qualidade de vida4,5. Para nortear o tratamento de alterações vocais nessa população, torna-se relevante uma avaliação vocal efetiva, considerando-se a multidimensionalidade no processo avaliativo1,6,7. Nesta perspectiva, ressalte-se a necessidade de investigar a relação entre os parâmetros perceptivos auditivos, acústicos e autoavaliação vocal em idosos com queixas de voz, considerando-se, inclusive, aspectos como o sexo. Objetivo: Verificar se existe correlação entre os parâmetros perceptivos auditivos, acústicos e de autoavaliação da voz em idosos de diferentes sexos com queixas de voz. Método: Estudo do tipo transversal, analítico e correlacional. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o protocolo nº 148234/2017. Realizado em uma instituição que realiza atendimento multiprofissional a idosos, vinculada a uma universidade pública de ensino. Participaram da pesquisa 40 idosos com queixas de voz, com registro no banco de dados de um projeto de extensão voltado para o atendimento ao idoso, no período de 2017 a 2019. Entre as variáveis, foram extraídas do banco de dados medidas perceptivo-auditivas, medidas acústicas da voz, escores de autoavaliação vocal, bem como o sexo dos participantes. O registro dos dados acústicos foram obtidos segundo utilização do software Voxmetria. Para julgamento perceptivo-auditivo, foi utilizado o software Fonoview e as vozes foram julgadas por juízes especialistas em voz. A autoavaliação vocal foi realizada segundo a Escala de Sintomas Vocais. Para análise, foi utilizado o programa SPSS 19.0 para análise descritiva e inferencial das variáveis, além dos testes de correlação de Spearman e o teste de U-Mann-Whitney. Resultados: Em idosos com queixas de voz, parâmetros perceptivo-auditivos e acústicos nem sempre encontram-se alterados, mas é comum o rebaixamento de frequência em mulheres. Em homens, o grau geral de alteração de voz e a rugosidade apresentaram valores mais elevados em relação às mulheres, sendo registradas diferenças. O shimmer também aparece como desviado neste grupo de homens idosos. Há prejuízos na qualidade de vida em voz nessa população, e tem relação com parâmetros perceptivo-auditivos e acústicos. O shimmer foi um parâmetro que se destacou em relação a sua associação com outros parâmetros perceptivo-auditivos, apontando para a falta de controle vibratório de prega vocal nessa população. Conclusão: Parâmetros perceptivo-auditivos, acústicos e de qualidade de vida podem estão alterados em indivíduos com 60 anos ou mais, chamando-se a atenção para o grupo dos homens. A loudness é um parâmetros que tende a ser reduzido com o passar dos anos nessa população. Além disso, idosos com vozes alteradas têm comprometimento na qualidade de vida. Reforça-se a necessidade de investir em políticas públicas que priorizem a saúde da comunicação de idosos, almejando-se um impacto positivo em seu bem estar e qualidade de vida.

1 Aquino FS, Silva MAA, Teles LCS, Ferreira LP. Características da voz falada de idosas com prática de canto coral. CoDAS. 2016; 28(4): 446-453.
2 Rosow DE, Pan DR. Presbyphonia and Minimal Glottic Insufficiency. Otolaryngol Clin North Am. 2019;52(4):617-625.
3 Rapoport SK, Meiner J, Grant N. Voice changes in the elderly. Otolaryngol Clin North Am. 2018; 51(4):759-768.
4 Chiossi JSC, Roque FP, Goulart BNG, Chiari BM. Impacto das mudanças vocais e auditivas na qualidade de vida de idosos ativos. Ciênc Saúde Coletiva. 2014; 19(8): 3335-3342.
5 Wong HY.-K, Ma EP-M.Self-Perceived Voice Problems in a Nontreatment Seeking Older Population in Hong Kong.J Voice. 2020 Jan 3;S0892-1997(19)30594-6.
6 Spazzapan EA, Cardoso VM, Fabron EMG, Berti LC, Brasolotto AG, Marino VCC. Características acústicas de vozes saudáveis de adultos da idade jovem a meia idade. CODAS.2018; 30 (5): 2317-1782.
7 Speyer R, Kim JH, Doma K, CHEN YW, Denman D, Phyland D, et al. Measurement properties of self-report questionnaires on health-related quality of life and functional health status in dysphonia: a systematic review using the COSMIN taxonomy. Qual Life Res. 2019;28(2):283-296. doi:10.1007/s11136-018-2001-6


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1260
CORRELAÇÃO ENTRE RASTREAMENTO DA DISFAGIA OROFARÍNGEA E DO RISCO NUTRICIONAL EM IDOSOS HOSPITALIZADOS
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: Nos idosos, a redução da capacidade funcional, o processo de envelhecimento e a carga de afecções crônicas resultam em maior necessidade de serviços hospitalares. A hospitalização é um evento complexo e peculiar, além de ser um fator de risco para o declínio funcional das pessoas idosas, sendo vários os fatores que podem influenciar esse resultado, dentro desses, o estado nutricional. A disfagia orofaríngea pode estar associada ao estado nutricional, causando ou agravando a desnutrição. Do ponto de vista teórico e biológico acredita-se que estado nutricional e disfagia orofaríngea são eventos associados. Dessa forma, é importante detectar precocemente idosos hospitalizados em risco nutricional e de disfagia orofaríngea e compreender se existe correlação entre os instrumentos de rastreamento dessas duas condições clínicas. Objetivo: Analisar se existe e qual a magnitude da correlação entre os escores de instrumentos de rastreamento da disfagia orofaríngea e risco nutricional em idosos hospitalizados. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com indivíduos de idade igual ou acima de 60 anos internados em um hospital universitário. Foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisas em Seres Humanos conforme parecer 2.008.092/17 e CAAE 65872617.0.0000.5183. As características demográficas, socioeconômicas e clínicas foram obtidas por meio de entrevista. Para o rastreamento da disfagia orofaríngea e do risco nutricional foram administrados uma versão preliminar com 11 questões do questionário Rastreamento de Disfagia em Idosos (RaDI) e a Miniavaliação Nutricional (MAN), respectivamente. A análise da correlação entre os instrumentos foi realizada por meio do teste de correlação de Spearman, e para análise de distribuição de médias utilizou-se o teste de Mann-Whitney. O intervalo de confiança foi de 95%. Resultados: A amostra foi composta por 28 idosos com média de 72,18 ± 5,92 anos de idade, sendo 15 (53,6%) do sexo masculino. Metade da amostra referiu, no mínimo, um sintoma de disfagia orofaríngea, sendo que o mais frequente foi engasgo (32,1%). A mediana do escore da MAN (19,75; distância interquartílica = 15,87 - 21,87) indicou que os idosos se encontravam em risco nutricional. Não houve correlação significativa entre RaDI e MAN (p = 0,57), mas o escore da MAN foi significativamente mais baixo nos idosos com queixa de engasgo (p<0,05). Conclusão: Em idosos hospitalizados, não há correlação significativa entre RaDI e MAN. Contudo, o estado nutricional é pior naqueles com queixa de engasgo.

Descritores: Transtornos de deglutição; Deglutição; Idosos; Envelhecimento; Hospital; Triagem; Desnutrição.

Andrade PA, Santos CA, Firmino HH, Rosa COB.The importance of dysphagia screening and nutritional assessment in hospitalized patients. Einstein (São Paulo). 2018; 16(2): eAO4189.

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Miranda AP, Nascimento APR, Nunes SCR. The elderly in the hospital environment, their comorbidities and change in routine during the internment in an emergency. Revista Nursing. 2018; 246 (21): p.2471- 2475.

Rech RS, Goulart BNG, Baumgarten A, Hilgert JB. Swallowing in aging and dentistry. Revista da Faculdade de Odontologia. 2018; 23 (1): p. 77-83.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1416
CORRELAÇÃO ENTRE SINTOMAS INDICATIVOS DE DISFAGIA E O IMPACTO DA DOENÇA NO ESTADO DE SAÚDE GERAL EM INDIVÍDUOS COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) considerada progressiva e irreversível, causa frequente de morbidade e mortalidade, é caracterizada por limitações ao fluxo aéreo e tosses hipersecretora, apresentando importantes efeitos sistêmicos. O acometimento pela doença causa alterações na fisiologia respiratória, sendo capaz de gerar alterações na biomecânica da deglutição, na capacidade funcional, e interferindo diretamente na qualidade de diferentes aspectos do estado de saúde do indivíduo.
Objetivo: Correlacionar sinais indicativos de disfagia e o impacto da doença no estado de saúde em indivíduos com DPOC.
Métodos: Estudo de caráter transversal, quantitativo e descritivo, aprovado pelo comitê de ética sob o número 1.967.549. No estudo foram incluídos indivíduos com DPOC, de ambos os sexos, atendidos em um programa de reabilitação pulmonar, avaliados de novembro a dezembro de 2019. O impacto da doença no estado de saúde foi verificado através do questionário COPD Assessment Test (CAT). Sua pontuação varia de zero a cinco em cada um dos oito itens, com total de 40 pontos, pontuações menores representam baixo impacto da doença no estado de saúde. As classificações dos resultados variam de acordo com a faixa dos escores obtidos, sendo CAT 1 (leve), CAT 2 (moderado), CAT 3 (grave) e CAT 4 (muito grave). As questões referentes à disfagia foram verificadas a partir do questionário de sintomas indicativos de disfagia - Questionnaire For Dysphagia Screening (QDS). Composto por 15 questões, tendo cada uma, três opções de respostas que categorizam os sintomas em ausentes, leve (as vezes) e moderados (muitas vezes). Foram adotadas duas formas de análise deste questionário, uma delas considerando a pontuação geral e a outra considerando a presença de pelo menos um sintoma grave para disfagia. Análise estatística baseou-se na descrição das variáveis e na correlação entre os valores absolutos e em escala dos instrumentos pelo Teste Spearmann, através do Software Statistica 7.0. Para a análise por escalas, foram agrupados CAT 1 e 2, bem como CAT 3 e 4.
Resultados: Foram analisados os dados de 37 indivíduos, sendo 21 homens e 16 mulheres, com média de idade de 63,7 anos. Do total dos indivíduos, a mediana de pontos alcançados em resposta ao CAT foi de 20. Destes, cinco (13,5%) apresentaram CAT 1 (leve), 15 (40,5%) apresentaram CAT 2 (moderado), 14 (37,9%) apresentaram CAT 3 (grave) e três (8,1%) apresentaram CAT 4 (muito grave). Com base na análise do QDS, a mediana de pontos alcançada foi de 7. Analisando como sintoma positiva a existência de pelo menos uma resposta grave dos sintomas, 31 (83,7%) dos indivíduos foram selecionados como pacientes com risco para disfagia. A partir da análise de correlação pode-se verificar correlação positiva e moderada entre os valores absolutos/escala CAT e do QDS (p<0,05 e r= 0,45).
Conclusão: A partir das análises feitas, observou-se que quanto pior o relato do indivíduo sobre a sua deglutição, pior o impacto da doença na qualidade de saúde no geral. Tais queixas são crescentes na proporção do agravo da doença, circunstância essa que destaca a relevância da intervenção multidisciplinar entre a Fonoaudiologia e Fisioterapia.

Rodrigues HR, Silva NFA, Melo HCS, Ribeiro MF, Andrade CCF. Capacidade funcional em indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica em uma cidade do alto Paranaíba-MG. Psicologia e Saúde em debate, v. 5, n. 2, p. 68-81, 26 dez. 2019.


Barbosa ATF, Carneiro JA, Ramos GCF, Leite, MT, Caldeira, AP. Fatores associados à doença pulmonar obstrutiva crônica em idosos. Ciência & Saúde Coletiva, 22(1):63-73, 2017. doi: 10.1590/1413-81232017221.13042016.


Chaves RD, Carvalho CRF, Cukier A, Stelmach R, Andrade CRF. Symptoms of dysphagia in patients with COPD. J Bras Pneumol, v. 37, n. 2, p. 176-183, 2011.


Bastos KKRT, Oliveira RCA, Lima WAM, Badaró RR, Costa KIDB, Couto PLS. Correlation between functional capacity and lung capacity in patients with Chronic Obstrutive Pulmonary Disease. J. Health Biol Sci. 2018; 6(4):371-376 doi:10.12662/2317-3076jhbs.v6i4. 1786.p371-376.2018


Freitas A, Chaves J, Krummenauer M, Tomilin B, Ourique F, Fuhr L, et al. Prevalence of COPD diagnosis in patients with ischemic heart disease hospitalized in a university hospital in the countryside of Rio Grande do Sul R Epidemiol Control Infec, Santa Cruz do Sul, 7(1):14-19, 2017. [ISSN 2238-3360]


CAT – COPD Assessment Test [homepage on the Internet]. Middlesex: GlaxoSmithKline Services Unlimited; 2009. Available from: www.catestonline.org


Silva GPF, Morano MTAP, Viana MS, Magalhães CBA, Pereira EDB. Portuguese-language version of the COPD Assessment Test: validation for use in Brazil. J Bras Pneumol. 2013;39(4):402-408


TRABALHOS CIENTÍFICOS
576
CORRELAÇÃO NA PERMEABILIDADE NASAL, PICO DO FLUXO MÁXIMO INSPIRATORIO, FLUXO E RESISTÊNCIA AÉREA NASAL EM CRIANÇAS RESPIRADORAS ORAIS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: Vários estudos mostram a importância da avaliação quantitativa na permeabilidade nasal e do estado funcional das vias aéreas superiores para fornecer informações clinicas e diagnosticas em respiradores orais, as quais são de grande interesse para a fonoaudiologia. A comparação entre as medidas dos instrumentos permite quantificar o fluxo aéreo nasal, o fluxo máximo inspiratório e a visibilização e análise da cavidade nasal. Porém, as medidas quantitativas contribuem para o conhecimento da função nasal e da resposta dos efeitos do tratamento abordado. OBJETIVO: Analisar a correlação entre as medidas da aeração nasal, fluxo máximo inspiratório fluxo nasal e resistência aérea nasal, antes e depois da limpeza nasal em crianças com respiração oral. MÉTODO: O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética (parecer nº 3550527). Trata-se de um estudo descritivo analítico, de corte transversal e de caráter quantitativo, com 8 pacientes respiradores orais, de 7 a 10 anos, com avaliação otorrinolaringológica concluída e diagnostico clinico. Os pacientes foram submetidos a avaliação na permeabilidade nasal pela aeração nasal, por meio do espelho milimetrado de Altmann; o pico do fluxo inspiratório nasal pelo Peak Flow e pela Rinomanometria anterior ativa, antes e depois da limpeza nasal foram aplicados novamente os mesmos exames. As correlações foram analisadas usando-se o coeficiente de correlação de Pearson (p<0,05). RESULTADOS: Foram encontradas correlações significativas entre aeração nasal e as variáveis da rinomanometria anterior ativa; fluxo nasal total e resistência nasal total e das cavidades nasais, narina direita (ND) e narina esquerda (NE) antes e depois da limpeza nasal. Correlações significantes no pico do fluxo máximo inspiratório e as variáveis da Rinomanometria anterior ativa; fluxo nasal total e resistência nasal total e das cavidades nasais, narina direita (ND) e narina esquerda (NE) antes e depois da limpeza nasal. Houve correlação significante entre as medidas quantitativas em relação á antes e depois da limpeza nasal de acordo com os exames aplicados da aeração nasal, pico do fluxo inspiratório nasal e rinomanometria anterior ativa. CONCLUSÃO: Crianças respiradoras orais apresentam correlações entre aeração nasal, fluxos máximos inspiratórios e a função respiratória nasal, antes e depois das manobras de massagem e limpeza nasal, corroborando a melhora do uso da técnica de limpeza e massagem nasal e o uso do instrumento das técnicas do espelho milimetrado de Altmann, peak flow inspiratório e a Rinomanometria anterior ativa na avaliação da permeabilidade nasal.



1. Moraes B, Bezerra T. Obstrução Nasal e Síndrome do Respirador Oral. In: Pulso Editorial, editor. Tratado de Motricidade Orofacial. 1a. 2019. p. 483–9.
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3. Motta AR, Bommarito S, Chiari BM. myology ? Peak nasal inspiratory flow : uma possível ferramenta para a motricidade orofacial ? 2010;15(7):609–14.
4. Melo F, Cunha DA De, Justino H. AVALIAÇÃO DA AERAÇÃO NASAL PRÉ E PÓS A REALIZAÇÃO DE MANOBRAS DE MASSAGEM E LIMPEZA NASAL Evaluation of nasal aeration before and after the accomplishment of massage and nasal cleanness. 2007;375–82.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1898
CORRELAÇÃO PERCEPTIVO AUDITIVA E ACÚSTICA DE VOGAL SUSTENTADA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Título
Correlação perceptivo auditiva e acústica de vogal sustentada.

Introdução
A disfonia é definida como um distúrbio caracterizado pela qualidade da voz alterada, frequência, intensidade ou esforço vocal que prejudica a comunicação ou reduz a qualidade de vida relacionada à voz (SCHWARTZ, et al. 2009).
Quanto às avaliações fonoaudiológicas da voz, fazem parte a avaliação perceptivo auditiva e a análise acústica computadorizada (NEMR et al, 2005).
Apesar da utilização a análise acústica para a avaliação, a análise perceptivo auditiva ainda é considerada soberana na avaliação da qualidade vocal, embora muita crítica seja feita à sua subjetividade e imprecisão terminológica (GAMA e BEHLAU, 2009).

Objetivo
Verificar se existe correlação entre análises perceptivo auditiva e acústica de vogal sustentada.

Métodos
Esse projeto de pesquisa foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética, com parecer número 2.974.491.
Foram selecionados 100 arquivos de vogal sustentada /Ɛ/ do protocolo do serviço, sendo 50 masculinas e 50 femininas, de indivíduos de 18 a 60 anos.
Os arquivos foram submetidos à análise perceptivo auditiva por três fonoaudiólogos especialistas em voz, que fizeram a análise do grau geral de alteração utilizando o protocolo CAPE-V (Consensus Auditory-Perceptual Evaluation of Voice - American Speech-Language-Hearing Association - ASHA, 2002), considerando a escala proposta por Yamasaki et al 2016, com normalidade até 35,5.
As vozes foram duplicadas aleatoriamente em 30% para verificar a confiabilidade interna de julgamento dos juízes. A análise acústica foi realizada utilizando o programa Vox Metria®, considerando parâmetros vocais que foram avaliados no diagrama do desvio fonatório apresentado pelo mesmo programa. Os mesmos 130 arquivos de vozes foram avaliados. Os dados foram tabulados e correlacionados.
O juíz com maior confiabilidade interna analisou os áudios classificados como alterados por ambas as análises, segundo os protocolos de avaliação vocal CAPE-V e GRBASI (Dejonckere, Remacle & Fresnel-Elbaz et al., 1996).

Resultados
Em relação ao julgamento dos fonoaudiólogos, a confiabilidade externa não foi significante (48,46%) e optou-se por utilizar neste estudo apenas a análise do juiz com maior confiabilidade interna (100%).
De 100 vozes, a análise perceptivo auditiva classificou 117 como alteradas e 13 como normais (90% de disfonia na amostra) e a análise acústica classificou 13 como alteradas e 87 normais (13% de disfonia na amostra). A concordância entre as análises foi de 23%, com valor p <0.0001, segundo o Teste de McNemar's, e Coeficiente Kappa de 0.0327.
As 13 vozes que foram classificadas como alteradas por ambas as análises, foram submetidas novamente à análise perceptivo auditiva pelo juiz mais confiável, segundo os protocolos de avaliação vocal CAPE-V e GRBASI. Os resultados mostram que as duas escalas funcionam em paralelo, com valores convergentes, havendo similaridade e concordância entre os parâmetros avaliados.

Conclusão
Não houve concordância entre análise acústica e análise perceptivo auditiva. Em relação à análise computadorizada, pode-se afirmar que a análise perceptivo auditiva é mais sensível para detecção de alterações vocais. Houve concordância entre os protocolos GRBASI e CAPE-V, de forma que, independente do protocolo de avaliação utilizado, o diagnóstico clínico é o mesmo.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
853
CORRELAÇÕES ENTRE A FLUÊNCIA VERBAL E RASTREIO COGNITIVO EM PESSOAS COM ESCLEROSE MÚLTIPLA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica inflamatória crônica, desmielinizante, autoimune, que provoca alterações no funcionamento do sistema nervoso central, acometendo as funções motoras e cognitivas nos indivíduos1. Uma das estratégias de avaliação da cognição é a realização de testes de fluência verbal, que fornece informações acerca da capacidade de armazenamento do sistema de memória semântica, da habilidade de recuperar a informação guardada na memória e do processamento das funções executivas2. Um desses testes é a fluência verbal semântica, referente à evocação rápida de itens de uma mesma categoria semântica3. Objetivo: Correlacionar o desempenho da fluência verbal semântica com o rastreio cognitivo de pessoas com EM. Métodos: É uma pesquisa descritiva, observacional, transversal e quantitativa, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o protocolo nº 3.790.065. Foi realizada com 27 indivíduos com diagnóstico médico de EM, 21 mulheres, seis homens, com idades entre 20 e 29 anos, com média de 39,59 anos (±12,46). Os critérios de exclusão foram: pacientes com outras comorbidades, como Acidente vascular cerebral, epilepsia e demência; pacientes com alterações auditivas; pacientes que não completem todas as etapas da coleta dos dados; surto nos últimos três meses; quadro infeccioso ou internação hospitalar nos últimos três meses. A coleta dos dados foi realizada por meio de três instrumentos: protocolo de identificação pessoal, a Bateria breve de rastreio cognitivo (BBRC) e o Montreal Cognitive Assessment (MOCA). A análise dos dados foi realizada de forma quantitativa, descritiva e inferencial, aplicou-se o teste de correlação de Spearman, com diferença estatística de p<0,05. Resultados: Os participantes apresentaram média de diagnóstico médico de 5,3 anos (±4,49). 17 pessoas (63%) relataram queixas de memória. Os participantes tiveram um escore médio na fluência verbal semântica de 15,33 (±3,80). Constatou-se correlação moderada entre o escore da fluência verbal semântica e: 1) na BBRC – a memória incidental (p=0,039), a memória imediata (p=0,001), o aprendizado (p=0,036), a memória tardia (p=0,001) e o reconhecimento (p=0,019); 2) no MOCA – a linguagem (p=0,025), a fluência verbal fonêmica (p=0,017) e a abstração (p=0,003). Conclusão: A fluência verbal possui correlações com o desempenho de pessoas com EM em outros domínios cognitivos. Quanto maior o valor de fluência verbal semântica, melhor o desempenho em rastreios de memória e linguagem na EM.

Descritores: Fonoaudiologia, Esclerose Múltipla, Cognição, Memória, Linguagem


1. Noseworthy JH, Lucchinetti C, Rodriguez M, Weinshenker BG. Multiple sclerosis. N Engl J Med. 2000; 343(13):938-52.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1288
CORRELAÇÕES ENTRE DISTÚRBIOS DO ESPECTRO DO AUTISMO E APRAXIA DE FALA NA INFÂNCIA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO

O Distúrbio do Espectro do Autismo (DEA), segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5, é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por inabilidades na comunicação e interação social. As características envolvem atraso no desenvolvimento da linguagem e padrões incomuns de comunicação. (1) A Apraxia de fala na infância (AFI) é um distúrbio de origem neurológica no qual a consistência e a precisão dos movimentos da fala encontram-se prejudicados, na ausência de déficits neuromusculares. Caracteriza-se por erros inconsistentes de consoantes e vogais nas produções repetitivas de sílabas e palavras, co-articulação inadequada na transição de sons entre sons e sílabas e prosódia inapropriada.(2) Crianças com transtornos neurocomportamentais e genéticos complexos, dentre eles o autismo, foram relatados como apresentando AFI.(2) Sugere-se(3) que a dispraxia, déficit generalizado de praxia, pode ser uma característica central do autismo, ou um marcador dos déficits neurológicos subjacentes ao distúrbio.

OBJETIVO

Verificar a ocorrência de Apraxia de Fala da Infância em crianças com DEA.

MÉTODO

Participaram da pesquisa 20 crianças com diagnóstico de DEA com idades entre 4 e 8 anos e 11 meses, que estavam em terapia fonoaudiológica em um serviço de saúde e suas terapeutas, sob aprovação do comitê de ética com o parecer número 3.210.548. Foi aplicado pelas terapeutas o teste Differential Assessment of Autism and Other Developmental Disorders (DAADD)(4), dividido em seis áreas do desenvolvimento: linguagem, pragmática, sensorial, motora, física e comportamental para diferenciação e diagnóstico dos distúrbios de origem neurológica.

RESULTADOS

Dentre as 20 crianças participantes da pesquisa, 18 não pontuaram o item apraxia.
Em relação à linguagem, apenas 2 crianças foram referidas com apraxia e 11 apresentaram linguagem receptiva e habilidades pré acadêmicas proporcionais para a idade. De 20 participantes, 8 apresentaram pouca habilidade de imitação verbal, apenas 3 eram excessivamente animadas para produções verbais e 11 apresentaram declínio abrupto no uso das palavras entre 15 e 24 meses.
Quanto ao aspecto pragmático social, 15 apresentaram falta de brincadeira funcional, 14 com pouca atenção compartilhada e padrão de brincadeira repetitiva, 13 apresentaram contato ocular insuficiente, e 11 brincaram de maneira isolada, 9 manifestaram baixa responsividade para ordens, 8 apresentavam mínima expressão facial. Das 20 crianças, 18 apresentaram dificuldade para prestar atenção e 19 eram afetuosas com os parentes e irmãos.
Na área sensorial, 8 crianças expressaram hipersensibilidade auditiva, 5 tato sensíveis, 6 exibiam interesse em estimulação oral, 10 demostraram resposta mínima a dor, 9 escolhiam padrões alimentares e 6 necessitavam experiências sensoriais sem interrupções.
Os aspectos motores grosso e fino foram caracterizados por 9 crianças com desenvolvimento motor fino inconsistente e 5 expressaram habilidades motoras perceptivas prejudicadas.
O comportamento foi caracterizado por 14 crianças que realizavam explosões verbais, 18 apresentavam resistência para mudanças, 14 transpareciam transições pobres, 10 demonstraram interesse tangencial e 15 apresentam rotina limitada. Dos 20 sujeitos, 4 apresentaram fascinação por funções mecânicas, 18 por vídeo ou televisão e 15 exploravam o ambiente.


CONCLUSÃO

As análises descritas permitem dizer que a ocorrência de AFI no DEA é baixa e subjacente ao transtorno.

1. APA: American Psychiatry Association. DSM -5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.

2. American Speech-Language-Hearing Association. Childhood apraxia of speech. 2007. Disponível em: http://www.asha.org/ policy/PS2007-00277.htm

3. Dziuk M, Larson J, Apostu A, Mahone E, Denckla, Mostofsky H. Dyspraxia in autism: association with motor, social, and communicative deficits. Developmental Medicine & Child Neurology 2007, 49: 734–739.

4. Gail J, Lynn K. Differential Assessment of Autism and Other Developmental Disorders (DAADD). East Moline, IL: LinguiSystems; 2003.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
618
CORRELATOS ACÚSTICOS DA PROEMINÊNCIA DO PICO CEPSTRAL-SUAVIZADA E MEDIDAS DE ESPECTRO MÉDIO DE LONGO TERMO COM A AVALIAÇÃO PERCEPTIVO-AUDITIVA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A proeminência do pico cepstral-suavizada (PPCs) e medidas de espectro médio de longo termo (EMLT) são uma boa opção para mensurar o sinal acústico em vozes com maior desvio (sinais tipo II e III)1, sendo a primeira (PPCs) uma medida de fonte2,3 e a segunda (EMLT), de fonte-filtro4,5. Ademais, essas medidas permitem a avaliação na fala encadeada, representando melhor o uso vocal cotidiano6,7. Observa-se que até o presente momento, pouco se sabe sobre como essas medidas representam a qualidade vocal. Além disso, métodos mais robustos de mensuração podem fornecer importantes dados para complementar a avaliação vocal.
Objetivo: Verificar se há correlação entre a PPCs, relação alfa e L1-L0 com os parâmetros grau geral, rugosidade, soprosidade e tensão e, determinar qual medida melhor representa a qualidade vocal de indivíduos vocalmente saudáveis e com disfonia comportamental8.
Método: Estudo observacional, transversal e retrospectivo (aprovação ética: 3.284.883). Foram selecionadas de um banco de dados 53 vozes de voluntários vocalmente saudáveis (25 mulheres; 28 homens) e sem queixas vocais (grupo vocalmente saudável–GVS) e 49 vozes de voluntários (29 mulheres; 20 homens) diagnosticados com disfonia comportamental (grupo disfônico–GD), com idades entre 18-50 anos. Vozes de voluntários fumantes, com alterações hormonais, cardíacas, vasculares ou pulmonares foram excluídas. A partir da vogal /a/ sustentada e fala encadeada (contagem 1-10), gravadas em ambiente acusticamente tratado, foram mensuradas a PPCs, relação alfa e L1-L0 com uso do software Praat (versão 6.0.43). Três avaliadores realizaram a avaliação perceptivo-auditiva (grau geral, rugosidade, soprosidade e tensão) com uso de escala visual analógica – análise realizada com a média dos avaliadores. Coeficiente de Correlação de Pearson (p<0,05).
Resultados: No GVS, a análise da vogal revelou: correlação moderada negativa para PPCs x grau geral (p<0,001) e forte negativa para PPCs x soprosidade (p<0,001); e correlação moderada negativa para L1-L0 x soprosidade (p<0,001). As demais correlações observadas relação alfa x tensão (p=0,019), positiva, e L1-L0 x grau geral (p=0,004), negativa, foram fracas. GD: correlação moderada negativa para PPCs x grau geral (p<0,001), forte negativa para PPCs x soprosidade (p<0,001) e moderada negativa para PPCs x tensão (p=0,003); e correlação moderada negativa para L1-L0 x soprosidade (p<0,001). Na contagem, GVS: correlação moderada negativa para PPCs x rugosidade (p=0,001); as correlações negativas PPCs x grau geral (p=0,007), relação alfa x soprosidade (p=0,050) foram fracas. GD: as correlações negativas alfa x rugosidade (p=0,013); L1-L0 x grau geral (p=0,039) e L1-L0 x rugosidade (p=0,049) foram fracas.
Conclusão: A PPCs aparenta ser o melhor preditor de alterações vocais em ambas as populações estudadas, pois foi observada correlação negativa de graus forte e moderado entre os parâmetros grau geral, soprosidade, rugosidade e tensão. No que diz respeito a medida L1-L0, está melhor relacionada ao parâmetro soprosidade por apresentar correlações moderadas, indicando escape de ar na fonação, podendo auxiliar na análise da eficiência fonatória. Considerando os resultados que envolvem a correlação alfa, por apresentar correlações fracas em sua maioria, aconselhamos que essa medida não deve ser analisada isoladamente, sendo necessárias outras avaliações, como a PPCs e a L1-L0, para complementá-la e melhorar sua interpretação.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
959
COVID-19, FONOAUDIOLOGIA E SAÚDE MENTAL: A EXPERIÊNCIA DO GRUPO DE TRABALHO EM SAÚDE MENTAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA.
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


A COVID-19, doença causada pela cepa viral Coronaviridae (SARS-CoV-2), teve seus primeiros registros no final de 2019 em uma província da China, Hubei. Trata-se de uma doença de alto potencial de disseminação e de produção de mortes. Em 11 de marco de 2020 a COVID-19 como considerada um pandemia e iniciou-se o processo de recomendações de medidas para seu enfrentamento.A situação de incertezas e estudos estão em desenvolvimento, com a perspectiva de conhecer os mecanismos fisiopatológicos que causam o padrão de transmissão, infectividade e morbimartalidade. O distanciamento social foi a principal medida sanitária adotada para a redução da curva de contágio e assistência hospitalar assumiu a linha de frente no cuidado dos pacientes graves por COVID-19.O funcionamento de locais de considerado de riscos, foi suspenso(4). Isso representou a ampliação do Homeoffce para a maioria das categorias profissionais. Para os trabalhadores (as) da saúde, restou a linha de frente, fazendo rigoroso uso de equipamentos de proteção individual e de rotinas biossegurança e quarentena por quatorze dias no caso de contágio pelo SARS-CoV-2.Nesse contexto, a saúde mental tornou-se importante debate sobre as condições necessárias para o estado psíquico que favoreça ao indivíduo ser capaz de desenvolver suas habilidades, mesmo em situações de estresse, sendo produtivo para sua comunidade. Neste artigo é apresentado um relato de experiência de um grupo de trabalho da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia que, no contexto da pandemia de COVID-19, desenvolveu uma série de ações de comunicação e de educação permanente sobre Fonoaudiologia e Saúde Mental. Uma série de Lives sobre COVID-19, Fonoaudiologia e Saúde mental foram realizadas no mês de comemoração da Luta Antimanicomial. Foram encontos, redas de diálogo com especialistas no campo da saúde mental, fonoaudiólogos (as) que atuam da linha de frente da pandemia e pesquisadores da saúde coletiva. O grupo alinha-se como as práticas de saúde mental vinculadas a garantia dos Direitos Humanos e do direito à saúde. Valoriza os princípios e diretrizes do cuidado em redes de atenção à saúde e de base comunitária. No mês de maio de 2020, foram realizadas quatro lives, transmitidas pelas plataformas digitais Instragram e YouTube, tratando de temas relevantes para o período de isolamentos social, como a prazer e sofrimento no cuidado; a saúde mental do fonoaudiólogo(a) na linha de frente da pandemia; a saúde mental dos professores, a ressignificação do trabalho em saúde mental no contexto da COVID-19. Grupo de trabalho mantém sua agenda de ações para o 28 Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia com um fórum de Fonoaudiologia e Saúde Mental e a atividade avanços em saúde coletiva. O presente relato de experiência, contribui para a relevância do trabalho da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, no que se refere à sensibilização para a atuação profissional nas políticas de saúde no Brasil.


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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1171
CRIANÇAS COM AUTISMO: PRÁTICAS COMUNICATIVAS, COMPREENSÃO E DESEMPENHO DIANTE DAS ESTRATÉGIAS DE COMBATE À PANDEMIA CAUSADA PELA COVID-19.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: Estratégias como a quarentena e o distanciamento social estão sendo usadas para barrar a transmissão da COVID-19 (1,2). Essas medidas são desafiadoras para as famílias de crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que são afetadas não apenas pelo fechamento das escolas e pelo isolamento social, mas também pela ausência das intervenções de reabilitação e pela implementação das medidas de prevenção sugeridas pela Organização Mundial da Saúde (3,4,5,6,7). OBJETIVO: O presente estudo buscou verificar a associação entre os diferentes graus de comprometimento de crianças com TEA com o nível de práticas comunicativas, compreensão e desempenho em relação às medidas de prevenção contra a pandemia, sob a perspectiva dos cuidadores. MÉTODOS: Trata-se de uma pesquisa descritiva e quantitativa com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CAAE: 31095520.7.0000.8093). Foram abordadas famílias, de diferentes Estados Brasileiros, que possuíam crianças diagnosticadas com TEA e que estavam cumprindo o isolamento social. Os voluntários responderam um questionário online dividido em cinco domínios: Dados gerais; Entendimento sobre a COVID-19; Rotina familiar; Comunicação; e Atendimentos terapêuticos. Para a análise descritiva foram apresentados frequência e porcentagem e as associações entre as variáveis foram investigadas por meio do teste Mann-Whitney. RESULTADOS: A amostra foi composta por 51 respondentes, sendo que 42 tinham crianças do sexo masculino. 58,8% das crianças foram classificadas com TEA de grau leve (GL) e 41,2% com grau moderado/severo (GMS). Segundo os responsáveis, as crianças de GL tendem a compreender melhor as restrições de não sair de casa (p < 0,001) e as de GMS têm maior propensão a pedir insistentemente para sair (= 0,027). Não foram observadas diferenças em relação a gostar de ficar em casa (= 0,107) e expressarem sofrimento por não poderem sair (= 0,123). As crianças de GL receberam maiores explicações que as de GMS sobre as medidas de lavar as mãos frequentemente (< 0,001), higienizar as mãos com álcool em gel (< 0,001), cobrir o nariz ao espirrar (= 0,020), evitar contato próximo com as pessoas (< 0,001), ficar em casa (< 0,001), não tocar os olhos (= 0,040) e fazer uso de máscara (= 0,001). Ainda, as crianças com GL tendem a compreender melhor todas essas medidas (< 0,001), incluindo ainda a de se isolar de pessoas doentes (< 0,003). Por fim, quanto à prática dessas estratégias, ambos os grupos tendem a aceitar lavar as mãos, usar álcool em gel e se isolar das pessoas doentes em níveis semelhantes, porém encontrou-se diferença em cobrir o nariz (= 0,047), evitar contato próximo (= 0,003), ficar em casa (< 0,041), não tocar os olhos (= 0,019) e fazer uso de máscara (= 0,008), com melhor desempenho das crianças com GL. CONCLUSÃO: Crianças com TEA leve tendem a receber maiores explicações e apresentar melhor compreensão quanto às estratégias de combate à COVID-19. Crianças com TEA moderado/severo apresentam maior dificuldade para realizar as medidas de prevenção. Esses achados dão visibilidade aos desafios encontrados pelas famílias de crianças com TEA em cumprir adequadamente as medidas de proteção sanitária.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1465
CRIANÇAS COM IMPLANTE COCLEAR: ESTRESSORES E COPING DE SEUS CUIDADORES
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A reabilitação por meio do Implante Coclear (IC) pode trazer benefícios para as crianças e suas famílias em diferentes aspectos. A despeito disso, trata-se de um processo desafiador, devido a fatores como: preocupação com o pós-operatório, queda na qualidade de vida no início dos atendimentos, impacto no bem-estar emocional quando as respostas ao uso do IC ainda não são consistentes, dificuldades comportamentais da criança. Os cuidadores precisam lidar com esses estressores, o que tem sido compreendido como coping e/ou enfrentamento ao estresse. Em uma abordagem motivacional e desenvolvimentista, o coping é compreendido como a forma com que as pessoas mobilizam, modulam, gerenciam e coordenam seus comportamentos, emoções e atenção, ou não o fazem sob estresse. OBJETIVO: Descrever como os cuidadores de crianças usuárias de IC lidam com os estressores relacionados ao processo de reabilitação pela utilização de IC. MÉTODO: Estudo transversal, descritivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com parecer nº 849.834. Foi composta uma amostra de conveniência de cinco cuidadores de crianças com IC em terapia para reabilitação auditiva em um Hospital Universitário, com tempo de ativação do IC maior que seis meses. Os cuidadores eram mães (n=4) e um pai, com média de idade igual a 35,2 (DP=±6,05). As crianças (3 meninos) tinham média de idade igual a 8,2 (DP=±1,93), usuárias de IC unilateral (n=2) e bilateral (n=3). Após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, os cuidadores responderam aos instrumentos: Entrevista semi-estruturada para avaliação de estressores, expectativas e motivação em relação à reabilitação pelo IC, e Escala de Coping, para a avaliação do enfrentamento ao estresse. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e análise de conteúdo. RESULTADOS: Os cuidadores apresentaram estressores diversos, especialmente aqueles relacionados à escola (pouca informação sobre manuseio e funcionamento do IC e ambiente ruidoso). Também referiram preocupação com o não entendimento dos interlocutores e preconceito das pessoas. Diante desses estressores, as reações emocionais mais referidas foram tristeza (M=2,0; DP=±0,89) e medo (M=2,0; DP=±1,78). Apesar dessas reações, sentem-se apoiados, competentes e no controle da situação, com respostas aos respectivos itens concentradas em “bastante” e “muito”. As estratégias de enfrentamento ao estresse mais referidas pelos cuidadores foram as adaptativas, com maiores médias de aceitação (M=4,6; DP=±0,89), negociação (M=4,6; DP=±0,54) e busca de informação (M=4,2; DP=±0,89). Quando se analisam as estratégias de enfrentamento ao estresse mal adaptativas, a maior média foi de oposição (M=3,8; DP=1,30). Todos os cuidadores referiram alta motivação (M=10; DP=±0) com a reabilitação auditiva e IC. Somente uma mãe referiu baixa satisfação, gerando uma pontuação média de 8,4 (DP=±3,57). A ampliação da equipe multidisciplinar e a oferta de grupo de pais foram referidos como fatores que podem aumentar a motivação e a satisfação dos cuidadores. CONCLUSÃO: Embora o processo de reabilitação auditiva e IC apresente desafios, os cuidadores têm conseguido regular seu comportamento e emoção, usando estratégias de enfrentamento adaptativas. Esse desfecho adaptativo poderá repercutir positivamente sobre a criança e equipe multidisciplinar, constituindo fator de proteção durante o processo de reabilitação auditiva e uso do IC.

Burger T, Löhle E, Richter B, Bengel J, Laszig R, Spahn C. "Your child is hard of hearing": A longitudinal study of parental distress. Laryngo-rhino-otologie 2008; 87(8): 552-559.

Huber M, Burger T, Illg A, Kunze S, Giourgas A, Braun L, et al. Mental health problems in adolescents with cochlear implants: peer problems persist after controlling for additional handicaps. Frontiers in Psychology 2015; 6: 953.

Jackson CW, Wegner JR, Turnbull AP. Family quality of life following early identification of deafness. Language, Speech, and Hearing Services in Schools 2010; 41:194-205.

Miguel JHS, Novaes BCAC. Reabilitação auditiva na criança: adesão ao tratamento e ao uso do aparelho de amplificação sonora individual. Audiology - Communication Research 2013; 18(3): 171-178.

Ramos FP, Enumo SRF, de Paula KMP. Teoria Motivacional do Coping: Uma proposta desenvolvimentista de análise do enfrentamento do estresse. Estudos de Psicologia 2015; 32(2): 269-279.

Wiefferink CH, Rieffe C, Ketelaar L, Frijns JH. Predicting social functioning in children with a cochlear implant and in normal-hearing children: The role of emotion regulation. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology 2012; 76(6): 883-889.

Yamada MO, Bevilacqua MC. O papel do psicólogo no programa de implante coclear do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais. Estudos de Psicologia 2005; 22(3): 255-262.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1106
CUIDADORES DE CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL E DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: RELAÇÃO DA SOBRECARGA E HABILIDADES DE ALIMENTAÇÃO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


CUIDADORES DE CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL E DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: RELAÇÃO DA SOBRECARGA E HABILIDADES DE ALIMENTAÇÃO

Introdução: A figura dos cuidadores é de grande importância na atenção à saúde de pessoas com limitações físicas ou cognitivas. Tais cuidadores podem ser classificados como formais ou informais. Dentre os sujeitos que necessitam de um cuidador, temos aqueles com paralisia cerebral e/ou com deficiência intelectual. A paralisia cerebral pode afetar de maneira significativa a relação da criança em seu contexto diário, influenciando, assim, a aprendizagem e o funcionamento não só de marcos motores básicos, como também de ações cotidianas. Já a deficiência intelectual se define por relevantes limitações do funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, que pode ser observado nas habilidades práticas, sociais e conceituais. Objetivo: Verificar a sobrecarga dos cuidadores de crianças com paralisia cerebral e deficiência intelectual de uma instituição, bem como suas habilidades de alimentação. Método: Trata-se de um estudo transversal em que fizeram parte cuidadores informais de indivíduos com paralisia cerebral e deficiência intelectual. Os instrumentos utilizados na coleta foram o questionário sobre habilidades de alimentação Feeding and Swallowing Questionnaire, traduzido para o português e o Zarit Burden Interview de sobrecarga do cuidador. Somam-se a tais aspectos as questões relacionadas a marcos da aquisição de alimentação, assim como avaliação da alimentação e intervenção. A coleta de dados foi realizada na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de um município do sul do país e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição sob número CAAE: 80470517.9.0000.012. Resultados: No presente estudo participaram 20 cuidadores de crianças, sendo observada predominância de cuidadores do sexo feminino, assim como a figura materna exercendo o ato de cuidar, com idade acima de 30 anos. O grupo com paralisia cerebral (n=5) possuiu mais dificuldades alimentares características da disfagia do que o grupo com deficiência intelectual (n=15). Observou-se que as dificuldades de alimentação estavam presentes em crianças com paralisia cerebral e deficiência intelectual, no entanto apresentou maior agravo naquelas com paralisia cerebral. Em relação à sobrecarga do cuidador pode-se verificar a presença de escores maiores apresentados por cuidadores de crianças com paralisia cerebral do que àqueles com deficiência intelectual. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre a sobrecarga e os achados relacionados as habilidades de alimentação nas diferentes patologias. Conclusão: O cuidar de crianças com paralisia cerebral é maior do que o cuidado desempenhado com aquelas deficientes intelectuais, podendo estar vinculado às dificuldades nas habilidades de alimentação das crianças com paralisia cerebral.

American Psychiatric Association. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora; 2014.
Cunha Menezes E, Santos FA, Alves FL. Disfagia na paralisia cerebral: uma revisão sistemática. Revista CEFAC. 2017;19(4):565-74.
Dambi JM, Jelsma J, Mlambo T, Chiwaridzo M., Dangarembizi-Munambah N, Corten L. An evaluation of psychometric properties of caregiver burden outcome measures used in caregivers of children with cerebral palsy: a systematic review protocol. Syst Ver. 2016;5(1):42.
Pimenta RD, Rodrigues LA, Greguol M. Avaliação da qualidade de vida e sobrecarga de cuidadores de pessoas com deficiência intelectual. Revista Brasileira de Ciências da Saúde. 2010;14(3):69-76.
Sá Santos AA, Vargas MM, Oliveira CCC, Macedo ID. Avaliação da sobrecarga dos cuidadores de crianças com paralisia cerebral. Ciência, Cuidado e Saúde. 2010;9(3):503-9.
Scazufca M. Versão brasileira da escala de entrevista de Burden para a avaliação da carga de cuidado em cuidadores de pessoas com doenças mentais. Rev Bras Psiquiatr. 2002;24:12-7.
Wilson EM, Hustad KC. Early feeding abilities in children with cerebral palsy: a parental report study. J Med Speech Lang Pathol. 2009:nihpa57357.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
298
CUIDADOS AUDITIVOS NA TERCEIRA IDADE: EXPERIÊNCIA DE ESTAGIÁRIOS DE FONOAUDIOLOGIA NA COMUNIDADE
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução
De acordo com o Estatuto do Idoso, no Brasil são considerados idosos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos. Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, tornam-se, cada vez mais, necessários cuidados gerais relacionados à Saúde. Em relação à audição, é importante que os idosos sejam alertados sobre presbiacusia, inteligibilidade de fala, tontura e vertigem, ototoxicidade causada por medicamentos e doenças associadas, que são condições mais comuns nessa faixa etária, além de informados sobre higiene e proteção auditiva.

Objetivo
Relatar uma ação educativa promovida por alunos de graduação em Fonoaudiologia com usuários idosos de uma Unidade de Saúde da Família (USF) do interior do estado de São Paulo.

Método
Este estudo baseia-se em relato de experiência.

Resultados
Após processo de territorialização e levantamento do perfil demográfico e epidemiológico dos moradores da área de abrangência de uma unidade de saúde, que é ambiente de prática de alunos de graduação em Fonoaudiologia, definiu-se o público alvo (usuários idosos e profissionais da equipe multidisciplinar) e o tema da intervenção educativa (AUDIÇÃO). O desafio do grupo de estagiários foi o planejamento e a execução de estratégias dinâmicas que despertassem a atenção do público selecionado. Com esse propósito, foi confeccionado o seguinte material: uma orelha grande em massa de EVA e garrafa pet; um cotonete com tubo de papelão encapado com tecido e algodão; um fone de ouvido de EVA, palito de dente e papel cartão; 30 orelhinhas (folhetos) com orientações impressas; e uma projeção em power point. Foram utilizadas também plaquinhas nas cores verde e vermelho para o jogo de mitos e verdades. A atividade foi iniciada com a apresentação da anatomia da orelha e conversa sobre os cuidados corretos com a higiene (alertando que o uso cotonete não é recomendado pois pode levar à formação de rolha de cera), sobre a proteção auditiva, e sobre os riscos da perfuração timpânica (muitos utilizam grampo de cabelo para limpar o ouvido); em seguida, o bate-papo foi sobre os níveis de inteligibilidade de fala (apresentação dos sons audíveis e não-audíveis), tontura relacionada com a doença de Ménière (assunto trazido por uma das idosas participantes), relação entre doenças e perdas auditivas (com ênfase aos medicamentos ototóxicos). Ao final, foi realizado um jogo de mitos e verdades. As atividades ocorreram na sala de reuniões da unidade e tiveram duração aproximada de 50 minutos.

Conclusão
Os ouvintes se mostraram muito atentos e interessados na oficina; fizeram bastantes perguntas e demonstraram ter um conhecimento anterior sobre diversos assuntos. No fim da oficina, agradeceram toda a equipe e relataram estar extremamente satisfeitos com as informações trazidas. Essa ação foi de suma importância para o estabelecimento de vínculos entre os estudantes e a comunidade.

na


TRABALHOS CIENTÍFICOS
245
CUIDADOS COM O USO DA VOZ PROFISSIONAL FALADA DE DOCENTES UNIVERSITÁRIOS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz falada é comumente utilizada durante a comunicação oral, fornecendo ou refletindo informações referentes a aspectos físicos e culturais de cada indivíduo¹. Todo profissional que utiliza a voz falada como instrumento de trabalho merece cuidado e atenção. O professor é uma peça chave nesta categoria. Ele possui uma rotina mais tensa, cansativa e desgastante². Estudiosos relatam que sua carga horária excessiva, ambientes insalubres e relações de conflito entre aluno e professor, são alguns fatores que podem ocasionar um comprometimento da voz. Isso não ocorre de início, mas ao decorrer dos anos de carreira³. A preocupação com a saúde vocal do professor, se dá por ele ser o profissional da voz falada que está mais exposto à riscos. Tais riscos podem ocasionar alterações disso, como forma de precaução, as bases de dados tem investido em trabalhos e pesquisas que giram em torno do cuidado vocal, visando contribuir para que o docente possa ter a sua qualidade vocal preservada⁴. Objetivo: Investigar os cuidados vocais praticados pelos docentes de uma instituição pública de ensino superior. Métodos: Participaram do estudo 50 docentes. Após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCLE), foram utilizados dois instrumentos de coleta: questionário sociodemográfico e o Índice de Triagem para Distúrbios da Voz (ITDV)⁵. Os resultados foram expostos em frequência absoluta. Foi realizado o Teste Qui-Quadrado, com nível de significância 5%, para verificação da associação entre possíveis fatores de risco ou hábitos e sintomas vocais mais citados no ITDV. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de uma instituição de Ensino Superior com CAAE: 04428818.7.0000.0057, sob o parecer número 3.562.059. Resultados: A amostra foi composta, em sua maioria, pelo gênero feminino (76%). Os sujeitos, majoritariamente, negaram tabagismo (96%) e etilismo (76%). Referiram ainda alimentação balanceada (64%), realização de atividade física (64%) e boa qualidade de sono (70%). Com relação aos riscos vocais, grande parte referiu uso vocal por período prolongado (68%), ingestão de água abaixo do ideal (56%) e apresentaram refluxo (60%). Poucos sujeitos obtiveram ITDV alterado (22%,) sendo os sintomas mais relatados: rouquidão, pigarro, tosse seca, garganta seca e cansaço vocal. A análise estatística evidenciou associação estatisticamente significante entre: tabagismo e pigarro (p= 0,044); tabagismo e tosse seca (p= 0,05); refluxo e pigarro (p= 0,05). Conclusão: A população estudada, em sua grande maioria, realizava cuidados vocais. Apesar de terem sido observados riscos vocais importantes, bons hábitos gerais e vocais foram encontrados. Tal fato, provavelmente diminuiu a prevalência de disfonia na referida população.

Palavras- Chaves: docente, ensino, voz, qualidade vocal, cuidados, hábitos, Fonoaudiologia.

1- Giacomolli G. A Voz Como Instrumento De Trabalho. Rev Educ do IDEAU. 2014;9(19):0–12.

2- Dragone MLS, Ferreira LP, Giannini SPP, Simões-Zenari M, Vieira VP, Behlau M. Voz do professor: uma revisão de 15 anos de contribuição fonoaudiológica. Rev da Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(2):289–96.

3- Ueda KH, Santos LZ, Oliveira IB. 25 Anos De Cuidados Com a Voz Profissional: Avaliando Ações. Rev CEFAC. 2008;10(4):557–65.

4- Almeida AP. Trabalhando a voz do professor: Prevenir, Orientar e Conscientizar. 2000;1–41.

5- Ghirardi ACA, Ferreira LP; Giannini SPP; Latorre MRDO. Screening Index for Voice Disorder (SIVD): Development and Validation. J. Voice. 2013; 27(2): 195-200.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2146
CUIDADOS PALIATIVOS NA FONOAUDIOLOGIA: REVISÃO INTEGRATIVA
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A área de cuidados paliativos vem apresentando maior abordagem da equipe multidisciplinar, visando qualidade de vida ao paciente que apresenta alguma doença que não tenha prognóstico de cura.
Os cuidados paliativos devem, portanto, ser envolvidos por toda equipe multidisciplinar, que unida deve atuar para melhorar o prazer desses pacientes Objetivo: Realizar uma revisão integrativa da literatura sobre os cuidados paliativos na Fonoaudiologia. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura sobre a abordagem fonoaudiológica no campo dos cuidados paliativos. Para nortear a busca na literatura, foi formulada a seguinte questão: “Como a Fonoaudiologia atua com cuidados paliativos?”. a busca foi realizada nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (MEDLINE), US National Library of Medicine National Institutes Health (PubMed), Scientific Eletronic Library Online (Scielo) e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). Os descritores em Ciências da Saúde (DeCs) utilizados para localização dos artigos, com os limitadores de idiomas inglês, espanhol e português, foram: “Cuidados Paliativos” e “fonoaudiologia”. A busca foi realizada por combinações de dois descritores associados (e/and/y).Os critérios de inclusão inicialmente foram trabalhos inéditos, disponíveis na íntegra, publicados em revistas científicas em português, inglês ou espanhol no período dos últimos cinco anos, descrevendo a atuação fonoaudiológica com cuidados paliativos. Devido ao baixo número de publicações, optou-se por ampliar a busca dentro de um período de 10 anos, considerando as datas de janeiro de 2008 a dezembro de 2018.
Os critérios de exclusão foram trabalhos duplicados e aqueles que não referiram exclusivamente a atuação fonoaudiológica como temática.
A seleção das publicações foi feita seguindo as etapas: busca por estudos nas bases de dados com os descritores associados; seleção do material publicado no período pré-estabelecido; leitura de título e resumo buscando estudos que se relacionassem ao tema proposto; aplicação dos critérios de inclusão e exclusão; leitura completa do material selecionado; e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão.
Todos os artigos foram categorizados considerando as temática e assunto abordado no estudo.
Resultados: Foram encontrados 39 artigos, e desses, 6 atendiam aos critérios de inclusão. Os artigos foram categorizados em subáreas da Fonoaudiologia, bem como quanto ao tipo de estudo, sendo em sua maioria da disfagia. Conclusão: Os estudos, apontam que a Fonoaudiologia associada a área de cuidados paliativos, ainda é bastante recente, com poucas evidências científicas. Pode-se identificar que a contribuição da área auxilia na melhoria da qualidade de vida do paciente em cuidados paliativos.

MATSUMOTO DY. Cuidados Paliativos: conceito, fundamentos e princípios. In: CARVALHO RT.; PARSONS HA. (Org.) Manual de Cuidados Paliativos. São Paulo: Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), 2012. p.23-30.
BARRIGUINHA CIF, MOURÃO MTC, MARTINS JC. Dificuldades de
comunicação e deglutição em doentes em cuidados paliativos: visão dos doentes e familiares e/ou cuidadores informais. Audiol Commun Res. 2017;1-6.
AGUIRRE-BRAVO NA, SAMPALLO-PEDROZA R. Fonoaudiologia em los cuidados paliativos. Rev. Fac. Med. 2015;63(20):289-300.
SILVA CLM, BERTONCELO C, BARROS APB, PADOVANI M. Characterization of the communication resources used by patients in palliative care – an integrative reviewRev. CEFAC. 2017; 19(6):879-888
AZEVEDO MJDO. Prevalência de disfagia orofaríngea em adultos integrados em unidades de cuidados paliativos, por causas neurológicas e/ou câncer de cabeça e pescoço. [dissertação] Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 2012.
PENTEADO, RZ. A Linguagem no Grupo Fonoaudiológico: potencial latente para a Promoção da saúde. [Dissertação]- Universidade de São Paulo, 2000.
LUCHESI KF, SILVEIRA IC. Cuidados paliativos, esclerose lateral amiotrófica e deglutição: estudo de caso. CoDAS. 2018; (30):5; e20170215.
CARRO CZ, MORETI F, MARQUES PEREIRA JM. Proposta de atuação da Fonoaudiologia nos Cuidados Paliativos em pacientes oncológicos hospitalizados. Distúrbios da Comunicação. 2017; (29): 1, p. 178-184.
BARRETO LPP. Protocolo de consistências alimentares e dietas hospitalares da clínica de cuidados paliativos e oncológicos de um hospital referência em câncer. Universidade do Estado do Pará; 2015
Silva, RP. Avaliação fonoaudiológica do processo de deglutição de pacientes em uma clínica de cuidados paliativos e oncologia, Universidade do Paraná; 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1075
DADOS ELETROGLOTOGRÁFICOS DE IDOSAS SEM LESÕES DAS PREGAS VOCAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: No envelhecimento podem ocorrer alterações vocais como a redução da intensidade vocal devido ao arqueamento das pregas vocais, dificuldade no controle muscular da laringe e limitação respiratória1-3. A alteração da produção vocal decorrente desse processo é denominada presbifonia4. O diagnóstico da presbifonia é realizado por meio de exclusão5 e pode ser complementado pela eletroglotografia (EGG). A EGG é um método objetivo, não invasivo, de simples medida utilizado para monitorar a movimentação das pregas vocais durante a fonação. Esse método fornece uma medida indireta do contato das pregas vocais na fonação6. OBJETIVO: analisar a relação da idade com dados eletroglotográficos de idosas sem lesões das pregas vocais. MÉTODO: Estudo transversal, realizado com mulheres idosas com idades entre 60 e 84 anos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – COEP, sob número de parecer 83004518.5.0000.5149. Todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O estudo ocorreu no Observatório de Saúde Funcional em Fonoaudiologia localizado em uma universidade pública. Para realizar a pesquisa as participantes deveriam cumprir os seguintes critérios de inclusão: mulheres com idade igual ou superior a 60 anos, possuir facilidade de comunicação, capacidade para compreender e executar ordens simples, não ter realizado fonoterapia vocal nos últimos 12 meses. E os de exclusão: presença de diagnóstico otorrinolaringológico de lesões secundárias das pregas vocais, disfonia orgânica e não realização da avaliação laríngea. Para captação dos dados foram colocados de forma simétrica dois eletrodos, limpos e despolarizados com álcool 90%, de forma superficial, nas lâminas das cartilagens tireoideas ao nível das pregas vocais, conectados e diretamente digitalizados no computador. As participantes realizaram uma emissão sustentada da vogal /a/, em frequência e intensidade habituais, no registro modal, de modo prolongado. As medidas eletroglotográficas extraídas foram: frequência fundamental, jitter e quociente de contato. Ao fim da coleta das medidas eletroglotográficas as idosas foram submetidas à avaliação otorrinolaringológica por meio da videolaringoscopia em um período de, no máximo 15 dias, após a coleta inicial. A análise descritiva foi realizada por meio de medidas de tendência central para a idade e as medidas eletroglotográficas. Para correlação dessas medidas com a idade utilizou-se o teste de Spearman’s. Foi considerado para o teste o nível de significância de 5%. RESULTADOS: participaram deste estudo 70 mulheres idosas com média de idade de 69 anos (desvio padrão=5,6). A maioria das participantes é aposentada (90%) e possui ensino médio (31,4%). No que se refere à avaliação laríngea, 68,6% das idosas não apresentam nenhuma alteração laríngea, 22,8% possuem sinais de refluxo laringofaríngeo e 8,6% presbilaringe. A média do quociente de contato foi de 47,86% (desvio padrão=8,25), da frequência fundamental eletroglotográfica 187,27 Hz (desvio padrão=31,70) e do jitter eletroglotográfico 5,82% (desvio padrão=6,93). Ao correlacionar a idade com os dados eletroglotográficos não houve diferença estatisticamente significante em nenhum parâmetro analisado. CONCLUSÃO: Os parâmetros eletroglotográficos: quociente de contato, frequência fundamental e jitter de idosas sem lesões secundárias nas pregas vocais não se modificaram devido às modificações estruturais esperadas das pregas vocais com o avanço da idade.

1. Menezes LN, Vicente LCC. Envelhecimento vocal em idosos institucionalizados. Rev CEFAC. 2007;9(1):90-8.
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4. Siracusa MGP, Oliveira G, Madazio G, Behlau M. Efeito imediato do exercício de sopro sonorizado na voz do idoso. J Soc Bras Fonoaudiol. 2011;23(1):27-31.
5. Meirelles RC, Bak R, Cruz FC. Presbifonia. Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, UERJ. 2012;77-81
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
2108
DANOS AUDITIVOS CAUSADOS POR EXPOSIÇÃO A AGROTÓXICOS: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A exposição à pesticidas está cada vez mais frequente na vida do brasileiro, principalmente do trabalhador rural, mas os danos causados pelo veneno podem ser de grande prejuízo. O agricultor, muitas vezes sabendo dos prejuízos futuros, ignora o risco do veneno para obter uma boa colheita. Além de suas implicações para a saúde em geral, os pesticidas também podem ser prejudiciais à audição, ou seja, são potencialmente ototóxicos. A perda auditiva pode ser um dos primeiros sinais do envenenamento causado pela exposição ao produto químico¹. Objetivo: Analisar, a partir de uma revisão de literatura, a exposição de trabalhadores rurais a agrotóxicos e as consequências em forma de perda auditiva. Método: Revisão de literatura sistemática que utilizou como descritores: Fonoaudiologia. Agrotóxico. Audição. Encontraram-se indexados três artigos nas bases de dados Google Acadêmico e Lilacs, seguindo os critérios de inclusão: publicados entre os anos de 2015 a 2020 e aqueles que se encaixaram no tema proposto. Resultados: No estudo 1, na triagem auditiva dos participantes, 31 deles apresentaram perda auditiva bilateral leve a moderada e 12 perda auditiva unilateral, 23 participantes relataram zumbido e 4 se queixaram de coceira e vertigem; 60% da amostra no total apresentaram problemas auditivos¹. No estudo 2, os trabalhadores relatam a presença de tontura, perda auditiva, vômito, e informam saber a importância do uso de EPIs². No estudo 3, foram analisados trabalhadores que tinham exposição ao veneno e trabalhadores que não tinham contato com o agrotóxico. A prevalência de sujeitos que têm percepção de zumbido é maior nos trabalhadores expostos ao produto químico. O sintoma de tontura durante e/ou após a aplicação de agrotóxico foi relatado por 33%, foi realizado o exame de Emissões otoacústicas evocadas transientes e por produto de distorção (EOAPD) e nos resultados os trabalhadores expostos a agrotóxicos “falharam” mais, em ambas as orelhas, que os sem exposição³. Conclusão: Com base nos resultados desses estudos, podemos perceber os danos auditivos causados pelo manuseio do agrotóxico. É de suma importância que haja novas pesquisas sobre o tema, para maiores comprovações em relação à perda auditiva e uso de produtos ototóxicos na agricultura.


DESCRITORES: FONOAUDIOLOGIA. AGROTÓXICOS. AUDIÇÃO.

1. MATTIAZZI, Ângela Leusin et al. Triagem auditiva e atividade de colinesterase entre trabalhadores rurais expostos a pesticidas. Rev. bras. med. trab ;.2019.
2. NORONHA, Marlos Suenney de Mendonça et al. Saúde do trabalhador e fonoaudiologia: percepções de agricultores irrigantes expostos a produtos ototóxicos. Rev. baiana saúde pública, v41, n4., 2018.
3. DE SENA, Tereza Raquel Ribeiro et al. Audição em altas frequências em trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos. Ciênc. saúde coletiva v.24 n.10. 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1949
DEFICIÊNCIA AUDITIVA: O MOMENTO DO DIAGNÓSTICO PELA VISÃO DOS PAIS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A deficiência auditiva é uma afecção com prevalência considerável na população mundial. Os benefícios da intervenção junto ao indivíduo deficiente auditivo mostraram-se mais efetivo quando realizados precocemente. De acordo com estudos, a abordagem precoce possibilita o desenvolvimento adequado da linguagem, independentemente do grau da deficiência auditiva (YOSHINAGA-ITANO, 1998). Diante disso, foi idealizada uma pesquisa para entender a visão das famílias, de crianças portadoras de deficiência auditiva, diante de todo processo. OBJETIVO: O objetivo desse estudo foi caracterizar como foi o momento do diagnóstico da deficiência auditiva e a forma com que estes pais ou responsáveis reconhecem a deficiência auditiva das suas crianças além de identificar se há recorrência de termos para referenciarem à perda auditiva. MÉTODO: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob CAAE n0 93554718.8.0000.5064, e realizada com 20 famílias (pais/avós) de crianças deficientes auditiva que acompanharam o processo de reabilitação dessas crianças. Foi elaborada uma entrevista semi-estruturada que investigou o momento do diagnóstico, se houve dificuldades após este e durante o tratamento. A entrevista buscou identificar aspectos sobre a inserção dos filhos na escola e na sociedade, o relacionamento com toda família que lida com este deficiente e o que acham do acesso ao tratamento na saúde auditiva. Todos os dados foram transcritos e analisados por meio do Iramuteq® um software de análise estatística textual. Para a presente pesquisa propôs-se a análise de Especificidade e Análise Fatorial de Correspondência (AFC), além da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) Análise de Similitude. RESULTADOS: Identificou-se que na amostra pesquisada os cuidadores são na maioria do sexo feminino (80%). Do total de entrevistados, 30% receberam o diagnóstico da deficiência auditiva das crianças quando elas tinham entre 6 e 7 anos. A análise de Especificidade e AFC apontou duas ramificações distintas de textos (subcorpus A e B). O subcorpus A retomou palavras sobre as “Condutas” que esses pais tiveram ao saberem do diagnóstico e o subcorpus B os “Aspectos Socio-interacionais”. A CHD por meio do teste de qui-quadrado (p<0,05) confirmou a relação estatística dessas palavras em cada classe, além da associação entre as classes. Pela análise de similitude, foi possível verificar a associação forte entre as sete palavras que mais se destacaram, sendo elas “Não”, “Ter”, “Eu”, “Ela”, “Ele”, “Falar” e “Ir”. CONCLUSÃO: Por meio dessa pesquisa é possível concluir que o momento do diagnóstico da deficiência auditiva trouxe um impacto negativo para essas famílias, o que pode ser comprovado pelo relato dos entrevistados que ainda carregam em seu centro a palavra “Não” com uma negativa, associada a “não ter”, “não falar”, “não”, “ele não”, “ela não”. Destaca-se ainda que nesta pesquisa repete-se a evidência da sobrecarga do sexo feminino nos cuidados em saúde e geral. Sugere-se com esses dados a necessidade de incentivo positivo no momento do diagnóstico, tais como o apontamento claro das alternativas de reabilitação.

1. YOSHINAGA-ITANO C, Sedey AL, Coulter DK, Mehl AL. Language of Early- and Later-identified Children with Hearing Loss. Pediatrics [Internet]. 1998;102(5):1161–71. Available from: http://pediatrics.aappublications.org/lookup/doi/10.1542/peds.102.5.1161
2. MATHERS C, Smith A, Concha M. Global burden of hearing loss in the year 2000. World Heal Organ [Internet]. 2000;(4):1–30. Available from: http://www.who.int/healthinfo/statistics/bod_hearingloss.pdf
3. BEVILACQUA MC, Formigoni G. Audiologia Educacional: uma opção terapêutica para a criança deficiente auditiva. Carapicuiba: Pró-Fono Departamento Editorial; 2000.
4. OLIVEIRA AN de;, Bassi AKZ, Bastos JR de M, Calda M de L, Costa Filho OA, Alvarenga K de F, et al. Levantamento das alterações auditivas na população urbana de Monte Negro-RO. Anais. 2008;
5. DELGADO-PINHEIRO EMC, Cristina R. Interação comunicativa entre pais de crianças e adolescentes deficientes auditivos que utilizam comunicação oral Communicative interaction between parents of hearing impaired children and adolescents that use oral communication Interacción comunicativa en. 2014;26(4):743–51.
6. COLE E. Listening and talking: a guide promoting spoken language in young hearing - impaired children. In: Cole E, editor. Washington, DC: AG Bell Assn For Deaf; 1992. p. 41–65.
7. MEDEIROS MC, Bevilacqua MC. Avaliação da percepção da fala de crianças deficientes auditivas não-oralizadas pela análise de vídeos. Pro Fono. 2002;14(1):73–84.
8. SALVIATI ME. Manual do Aplicativo Iramuteq. UNB - Univ Nac Bras. 2017;93.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1268
DEFINIÇÃO DE PARÂMETROS PARA ANÁLISE DE MEDIDAS OBJETIVAS DA SUCÇÃO NÃO-NUTRITIVA DE RECÉM-NASCIDOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A sucção é um reflexo motor oral inato do ser humano, fundamental para a alimentação dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida e para o desenvolvimento das estruturas do sistema estomatognático. Existem dois tipos de sucção, a não-nutritiva (SNN) e a nutritiva (SN). A SNN é preditiva à sucção nutritiva e traz inúmeros benefícios ao recém-nascido, o que demanda atenção adequada quanto à avaliação desta função. Em 2015 um protótipo de avaliação da sucção não-nutritiva foi desenvolvido e considerando-se que instrumentos de avaliação quantitativa demandam padronização de parâmetros e métodologia de análise dos dados gerados, o presente trabalho foi proposto com esta finalidade. OBJETIVO: Propor uma metodologia de análise dos dados gerados por um instrumento de medição da pressão de sucção não-nutritiva do recém-nascido. MÉTODOS: Foi desenvolvido um estudo observacional analítico, com delineamento transversal considerando os dados coletados de 24 recém-nascidos a termo sem comprometimentos. Foram analisadas três coletas de cada neonato, com duração de 2 minutos e intervalo de 2 minutos entre elas. Os registros foram captados por um equipamento constituído de ponta probatória, conectores e sensor de vácuo e armazenados em um sistema digital. Os parâmetros definidos foram extraídos por meio de um programa desenvolvido em Matlab®. Os resultados foram obtidos pela análise e comparação das variáveis número de grupos de sucção, número de sucções, tempo para iniciar os grupos de sucção, tempo dos grupos de sucção, frequência e período de sucção, número de sucções esporádicas, pressão mínima, média e máxima, número de pausas e tempo de pausas ao nível de confiança de 5%. Foi realizada ainda comparação das análises manual e computadorizada por meio do coeficiente de correlação intraclasse. RESULTADOS: A comparação múltipla entre os três momentos de coleta, mostrou que as diferenças estatísticas significantes ocorreram entre as coletas um e dois e dois e três. Ao se analisar e comparar cada variável separadamente, notou-se que a segunda coleta apresentou: maior número de grupos de sucção, maior número de sucções, menor tempo para iniciar os grupos de sucção, maior tempo de grupos de sucção, menor número de sucções esporádicas, valores de pressão média maiores e com menor desvio padrão, maior número de pausas com tempo de pausas menor. A análise de concordância apresentada por meio do coeficiente de correlação intraclasse, revelou que os dois métodos independentes de avaliação (manual e computadorizado) obtiveram concordância quase perfeita para todos os 12 parâmetros avaliados. CONCLUSÃO: As variáveis número de grupos de sucção, número de sucções, tempo para iniciar os grupos de sucção, tempo dos grupos de sucção, frequência de sucção, número de sucções esporádicas, pressão mínima, média e máxima, número de pausas e tempo de pausas mostram-se relevantes para a avaliação da SNN. É necessária a realização de apenas duas coletas, visto que na primeira parece haver um comportamento de treinamento e a segunda apresenta os melhores achados. O programa em Matlab® mostrou-se viável e eficaz na extração e análise dos parâmetros, apresentando alta concordância quando comparado à avaliação manual.

1. Monguilhott LMJ, Frazzon JS, Cherem VB. Hábitos de sucção: como e quando tratar na ótica Ortodontia x Fonoaudiologia. R Dental Press Ortodon Ortop Facial. 2003;8(1):95-104.
2. Cesa CC, Ecco CT, Bersch R, Chiappetta ALML. Funções do sistema estomatognático e reflexos motores orais em crianças com encefalopatia crônica infantil do tipo quadriparesia espástica. Rev CEFAC. 2004;6(2):158-63.
3. Neiva FCB, Leone CR. Sucção em recém-nascidos pré-termo e estimulação da sucção. Pró-Fono R Atual Cient. 2006;18(2):141-50.
4. Lima AH, Hermont AP, Friche AAL. Analgesia em recém-nascidos: um estudo caso-controle da eficácia dos estímulos de sucção nutritiva e não nutritiva. CoDAS. 2013;25(4):365-8.
5. Bernbaum JC, Pereira GR, Watkins JB, Peckham GJ. Nonnutritive sucking during gavage feeding enhances growth and maturation in premature infants. Pediatrics. 1983;71(1):41–5.
6. Neiva FCB, Leone C, Leone CR. Non-nutritive sucking scoring system for preterm newborns. Acta Pediatr. 2008;97(10):1370-5.
7. Liaw JJ, Yang L, Ti Y, Blackburn ST, Chang YC, Sun LW. Non-nutritive sucking relieves pain for preterm infants during heel stick procedures in Taiwan. J Clin Nurse. 2010; 19(19-20):2741-51.
8. Ramos CAV. Protótipo de instrumento para avaliação de sucção não-nutritiva em recém-nascidos [Dissertação de Mestrado]. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG; 2015.
9. Tamilia E, Delafield-Butt J, Fiore S, Taffoni F. An automatized system for the assessment of nutritive sucking behavior in infants: A preliminar analysis on term neonates. In Proceedings. 36th Annual International Conference of the IEEE Engineering in Medicine and Biology Society; 2014 Aug 26-30; Chicago, IL, EUA. IEEE Xplore: Editora IEEE; 2014.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
129
DEGLUTIÇÃO DE PACIENTES PÓS GLOSSECTOMIA ASSOCIADA À QUALIDADE DE VIDA: REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: O câncer de cabeça e pescoço é o quinto mais frequente no mundo. No Brasil, a doença afeta principalmente a população masculina, de cor branca e com faixa etária entre 55 e 60 anos de idade, mais comumente localizado na língua e ventre da língua ou assoalho de boca(1,2). O Câncer bucal tem como principais fatores de risco o álcool e o fumo, e para seu tratamento podem ser indicadas cirurgia, radioterapia e quimioterapia(3,4,5). A conduta terapêutica irá influenciar diretamente no padrão de deglutição do paciente, podendo acarretar diversos prejuízos relacionados com a precisão das funções estomatognáticas(4,5). OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(6), sobre a qualidade de vida dos pacientes em relação à deglutição após a realização da glossectomia por meio de uma revisão sistemática. MÉTODOS: Para a seleção dos estudos foi utilizada a combinação baseada no Descritores em Saúde (Decs). Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO, ScienceDirect, SCOPUS e Google Acadêmico (cinza). O período de busca dos artigos compreendeu janeiro de 2010 a março de 2020, sem restrição de idioma e localização. Foi realizada avaliação da qualidade dos artigos, na qual se incluía artigos apresentaram nota 6, baseado no protocolo modificado de Pithon et al. (2015)(7). RESULTADOS: Os estudos selecionados(8,9) foram do tipo longitudinal. O tamanho amostral dos estudos envolveu 117(8) e 95(9) pacientes oncológicos, todos sem quaisquer condições prévias que iria afetar a eficiência da deglutição. A idade dos participantes da pesquisa foi compreendida entre 9 e 79 anos de idade para os homens e entre 20 e 78 anos de idade para as mulheres em ambos os estudos, todos diagnosticados com neoplasia de língua e tratados cirurgicamente. O método cirúrgico predominante em ambos os estudos foi glossectomia parcial, realizada em 163 indivíduos no total(8,9). Em um dos estudos foi evidenciado maior comprometimento funcional para o grupo tratado com a glossectomia parcial e quimiorradioterapia adjuvante, quando comparado aqueles tratados apenas com a radioterapia adjuvante. Contudo, os componentes emocionais e funcionais foram os que causaram maiores prejuízos na vida dos indivíduos(8). Já em outro estudo(9), os autores evidenciaram maior comprometimento na fase oral da deglutição, havendo forte relação entre a mobilidade da língua e o movimento epiglótico, sendo observado penetração laringotraqueal em 67% das pessoas com movimentos epiglóticos anormais e a aspiração foi registrada em 42%. CONCLUSÃO: A disfagia influencia diretamente na qualidade de vida de pacientes oncológicos, acarretando problemas na deglutição, fala e convívio social, sendo estes fatores recorrentes em casos de neoplasia de língua tratados com cirurgia, quimioterapia e radioterapia adjuvante.

1. Domingos PAS, Passalacqua MLC, Oliveira ALBM. Câncer Bucal: Um problema de Saúde Pública. Rev Odontol Univ Cid São Paulo. 2014; 26(1): 46-52. Disponível em: http://publicacoes.unicid.edu.br/index.php/revistadaodontologia/article/view/285/182
2. Soares EK, Neto BCB, Santos LPS. Estudo epidemiológico do câncer de boca no Brasil. Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São Paulo. 2019; 64(3):192-8. Disponível em: https://doi.org/10.26432/1809-3019.2019.64.3.192
3. Vidal AKL, Revoredo ECV. Radioterapia em tumores de boca. Odontologia Clínico-Científica. 2010; 9(4): 295-8. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/pdf/occ/v9n4/a03v9n4.pdf
4. Vieira CA. Fonoterapia em glossectomia total - estudo de caso, Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011; 16(4): 479-82. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsbf/v16n4/v16n4a19.pdf
5. Vilar CMC, Martins IM. Câncer de cabeça e pescoço. In: Vieira SC, Lustosa AML, Barbosa CNB, Teixeira JMR, Brito LXE, Soares LFM et al. Oncologia Básica. 1ª edição. Teresina, PI: Fundação Quixote; 2012. Páginas 10-23.
6. Moher D, Shamseer L, Clarke M, Ghersi D, Liberati A, Petticrew M, et al. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015;4(1):1-9. doi:10.1186/2046-4053-4-1
7. Pithon MM, Sant'Anna LI, Baião FC, dos Santos RL, Coqueiro Rda S, Maia LC. Assessment of the effectiveness of mouthwashes in reducing cariogenic biofilm in orthodontic patients: a systematic review. J Dent. 2015;43(3):297‐308.
8. Dzioba A, Aalto D, Papadopoulos-Nydam G, Seikaly H, Rieger J, Wolfaardt J, et al. Functional and quality of life outcomes after partial glossectomy: a multi-institutional longitudinal study of the head and neck research network. Journal Of Otolaryngology - Head & Neck Surgery. 2017; 46(1):1-11. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1186/s40463-017-0234-y.
9. Halczy-kowalik L, Sulikowski M, Wysocki R, Posio V, Kowalczyk R, Rzewuska A. The Role of the Epiglottis in the Swallow Process after a Partial or Total Glossectomy Due to a Neoplasm. Dysphagia. 2011; 27(1):20-31. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1007/s00455-011-9332-6.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1103
DEGLUTIÇÃO E QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES REABILITADOS COM PRÓTESE BUCOMAXILOFACIAL PÓS CÂNCER DE BOCA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


DEGLUTIÇÃO E QUALIDADE DE VIDA DE PACIENTES REABILITADOS COM PRÓTESE BUCOMAXILOFACIAL PÓS CÂNCER DE BOCA

Introdução: O câncer de boca é sexto câncer mais comum em todo o mundo, com uma estimativa de 275.000 casos anuais1. Uma das consequências da cirurgia é a alteração da porção faríngea entre a cavidade nasal e oral, o que influencia diretamente o funcionamento da fala, deglutição, mastigação e estética facial, tendo forte impacto no comportamento social e na qualidade de vida (QV) do indivíduo2. As próteses bucomaxilofaciais (PBMF) têm a função de melhorar significativamente a QV dos indivíduos nessas situações, além de ser uma modalidade de tratamento apropriada e não invasiva capaz de restabelecer imediatamente a morfologia facial e o funcionamento oral3. Objetivo: O presente estudo verificou a deglutição e a qualidade de vida relacionada à deglutição e à saúde bucal de pacientes que fazem uso de prótese bucomaxilofacial após realização de ressecção de tumor de cavidade oral e/ou orofaringe. Método: Participaram do estudo dez pacientes com diagnóstico de câncer que realizaram ressecção do tumor e utilizavam a prótese como forma de reabilitação. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob número CAAE 63084016.8.0000.0121. Eles foram classificados quanto ao nível de ingestão oral e submetidos aos questionários de qualidade de vida Oral Health Impact Profile e SWAL-QOL. Resultados: Foi possível observar que quatro pacientes se alimentavam por via oral sem restrições, quatro necessitaram de preparo especial ou compensações durante a alimentação, ou seja, alimentos amassados ou liquidificados e dois com restrição de sólidos duros e secos. Houve baixo impacto na QV relacionada à saúde bucal (média = 9,95 ± 7,42) e à deglutição (média = 75,45 ± 21,63), porém, seis pacientes relataram que às vezes sentem incômodo para comer alimentos e cinco relataram que às vezes se sentem pouco à vontade no questionário OHIP-14. Conclusão: A partir dos resultados do presente estudo, foi verificado que a maioria dos pacientes necessitou de preparo especial ou compensações para a alimentação. Houve um baixo impacto da qualidade de vida relacionada à saúde bucal e relacionada à deglutição nos pacientes reabilitados com PBMF, porém, os domínios “dor física” e “desconforto psicológico” foram os mais afetados no questionário de QV relacionado à saúde bucal, e domínio “comunicação”, relacionado à deglutição.


1. Warnakulasuriya S. Global epidemiology of oral and oropharyngeal cancer. Oral Oncol. 2009; 45(4-5): 309-16.
2. Depprich R, Naujoks C, Lind D, Ommerborn M, Meyer U, Kübler N.R., et al. Evaluation of the quality of life of patients with maxillofacial defects after prosthodontic therapy with obturator prostheses. Int J Oral Maxillofac Surg. 2011; 40(1): 71-9.
3. Brandão TB, Vechiato FAJ, Batista VE, Oliveira MC, Santos-Silva AR. Obturator prostheses versus free tissue transfers: A systematic review of the optimal approach to improving the quality of life for patients with maxillary defects. J Prosthet Dent. 2015; 115(2): 247-253.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1407
DEL E COMORBIDADES: UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução
O Distúrbio Específico da Linguagem (DEL) é uma defasagem no desenvolvimento linguístico de crianças cujo desenvolvimento cognitivo ocorre dentro dos padrões. Em 2016, o consórcio CATALISE reuniu 59 especialistas tentando estabelecer um consenso entre profissionais multidisciplinares na tentativa de construir um fenótipo mais específico. Com isso, foram estabelecidos novos aspectos de inclusão, admitindo, agora, comorbidades, além da mudança de nomenclatura para Transtorno do Desenvolvimento Linguístico (TDL).

Objetivo
Discutir, baseando-se na revisão de literatura e resultados de pesquisas, a possibilidade de o DEL estar em comorbidades com três outros distúrbios: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Dislexia e Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Metodologia
Revisão bibliográfica qualitativa e quantitativa composta por 58 textos disponibilizados em disciplina do programa de pós-graduação de estudos da linguagem em uma universidade brasileira.

Resultados e discussão
Crianças com DEL parecem cometer erros de linguagem que claramente destoam do desenvolvimento típico. A linguagem é aqui entendida como competência cognitiva, logo, o termo "específico" aponta para acometimentos do domínio da linguagem, sendo eles sintaxe, morfologia e “gramática-fonológica".
Pesquisas recentes demonstram que algumas crianças com DEL também apresentam déficits adicionais, sugerindo que o distúrbio possa não ser tão específico como pensado(1). Estudos citados por Van Der Lely (2005)(1) apontam para a possibilidade de déficit do input fonológico ou de processamento. A possibilidade de a alteração na criança com DEL ser proveniente de um déficit do processamento fonológico chama a atenção pois problemas no processamento fonológico é marco característico de outro distúrbio: a dislexia.
Também foi estudada a possibilidade de comorbidade do DEL com o TDAH, distúrbio do desenvolvimento neurológico que acomete cerca de 7% de crianças no mundo(2). Apesar de ser um transtorno conhecido por seus sintomas comportamentais (desatenção, hiperatividade e impulsividade), 35% a 50% das crianças com TDAH apresentam níveis significativos de comprometimento linguístico(3,4). Diante disso, dissociar as etiologias que causam esses transtornos ganha complexidade(3). Pesquisas realizadas apontam que apesar de não termos um fenótipo único, temos informação de que os transtornos podem se sobrepor em áreas de processamento de memória de trabalho(2,3).
Já em relação ao TEA, pesquisas apontam que, apesar da gramática e da pragmática serem habilidades independentes, crianças com autismo ou DEL podem apresentar dificuldades em ambas, mesmo que com níveis de comprometimento diferentes(5). Além disso, os questionamentos ganharam força por ambos terem questões de hereditariedade envolvidas, além de exames de imagem cerebral semelhantes.
Os estudos ainda são recentes e em números insuficientes para uma conclusão precisa. Porém é de extrema importância levantar a discussão para uma melhor intervenção nos pacientes que, porventura, apresentem tais quadros.

Conclusão
O DEL - distúrbio de complexa definição - é um transtorno específico da linguagem que interessa diferentes áreas de pesquisa. Diferentes pesquisas e testes conduzidos auxiliam a elaboração de parâmetros mais precisos - propiciando uma intervenção mais específica. Este debate, sob a luz da psicolinguística gerativista, faz clara a importância de mais pesquisas sobre o tema contribuindo serem conduzidas.

1. Van Der Lely HKJ. Domain-specific cognitive systems: Insight from Grammatical-SLI. Trends Cogn Sci. 2005;9(2):53–9.
2. Redmond SM. Differentiating SLI from ADHD using children’s sentence recall and production of past tense morphology. Clin Linguist Phonetics. 2005;19(2):109–27.
3. Hutchinson E, Bavin E, Efron D, Sciberras E. A comparison of working memory profiles in school-aged children with Specific Language Impairment, Attention Deficit/Hyperactivity Disorder, Comorbid SLI and ADHD and their typically developing peers. Child Neuropsychol. 2012;18(2):190–207.
4. Mueller KL, Tomblin JB. Exmaining the comorbidity of language disorders and ADHD. Biol Bull. 2012;221(1):18–34.
5. Tomblin B. Co-morbidity of autism and SLI: Kinds, kin and complexity. Int J Lang Commun Disord. 2011;46(2):127–37.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
948
DELINEAMENTO DAS CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS DE PACIENTES DISFÁGICOS INTERNADOS EM UMA UTI.
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A unidade de terapia intensiva (UTI) é caracterizada como um elemento dotado de procedimentos complexos com admissão de pacientes potencialmente graves que apresentam necessidades de suporte de vida. A equipe multiprofissional é responsável pela prestação de cuidados a indivíduos internados, sendo o fonoaudiólogo um dos seus principais integrantes. Sabe-se que o paciente hospitalizado apresenta diversas morbidades e comorbidades que acabam piorando o seu quadro clínico trazendo ainda danos às suas atividades funcionais. Em sua maioria, os pacientes que se encontram na UTI são indivíduos fragilizados, clinicamente instáveis, desnutridos e que apresentam prejuízos quanto a sua mobilidade, independência e alimentação. A disfagia é um dos sintomas que pode estar presente nesses pacientes, apresentando alta incidência nos indivíduos internados. Mudanças na biomecânica da deglutição são comuns devido à realização de procedimentos invasivos como intubação orotraqueal prolongada, uso de traqueostomia ou via alternativa alimentar. Devido a essa modificação, sinais como tosse, pigarro, alteração vocal, engasgos e dispneia podem estar associados e presentes antes, durante ou após deglutição. Apesar de não ser definida como doença, a disfagia pode ocasionar sérios prejuízos e complicações clínicas como aumento no período de internação hospitalar, aspiração e penetração laringotraqueal, pneumonia, desnutrição, desidratação, asfixia e em alguns casos morte. A atuação Fonoaudiológica junto a esses pacientes tem como objetivo realizar detecção precoce da disfagia, contribuir na redução de danos à saúde nutricional e pulmonar, promover uma deglutição segura e eficaz, reduzir o tempo de internação e gastos hospitalares. Conhecer as características clínicas presentes no paciente internado na UTI auxilia na garantia de uma prestação de assistência fonoaudiológica mais qualificada e direcionada ao paciente crítico e disfágico. OBJETIVO: Traçar o perfil clínico de pacientes disfágicos internos na UTI de um hospital público de referência. MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, descritivo e quantitativo. Foram levantadas as fichas dos protocolos de avaliação fonoaudiológica dos pacientes que se encontraram internados na UTI durante o ano de 2019. A amostra consistiu em 90 fichas com dois desses excluídos, resultando numa amostra final de 88 sujeitos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Cerca de 61,36% dos sujeitos da amostra eram do sexo feminino e 38,64% do sexo masculino. Do total, 63,34% dos pacientes tinham mais de 60 anos sendo o mais novo com 17 e o mais velho com 91 anos. Desses, 36,36% apresentaram como um dos motivos de internação doenças respiratórias e 31,82% por doenças cardíacas. Em média 47,73% pacientes precisaram de intubação orotraqueal sendo 35,23% por um período prolongado e 52,27% necessitaram de alguma via alternativa alimentar. Dos pacientes pesquisados 77% apresentaram algum tipo de transtorno na deglutição sendo os sinais clínicos mais presentes a alteração vocal, alteração na mobilidade laríngea e a tosse. Conclusão: O perfil clínico apresentado pela amostra do estudo reforça as condições de fragilidade comuns nos pacientes críticos, assim como evidencia a elevada incidência da disfagia nesse público.

1- SASSI, F.C, et al. Avaliação e classificação da disfagia pós-extubação em pacientes críticos. Rev. Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro , v. 45, n. 3, e1687, 2018 .
2- HAUSBERGER, C.S., GOMES, R.H.S., LEONOR, V.D, et al. Proposta de protocolo para decanulação realizada por equipe multidisciplinar. Ciência e Cultura, n. 52, p. 11-18, Curitiba, 2016.
3- WERLE, R. W.; STEIDL, E. M. dos S.; MANCOPES, R. Fatores relacionados à disfagia orofaríngea no pós-operatório de cirurgia cardíaca: revisão sistemática. CoDAS, São Paulo , v. 28, n. 5, p. 646-652, Oct. 2016 .
4- PADOVANI, A.R., MORAES D.P., SASSI F.C., ANDRADE C.R.F. Avaliação clínica da deglutição em unidade de terapia intensiva. CoDAS. 2013; 25(1) : 1-7.
5- FURKIM A.M, BARATA L., DUARTE S.T, JÚNIOR J.R.N. Gerenciamento fonoaudiológico da disfagia no paciente critico na Unidade de Terapia Intensiva. In: Furkim AM, Rodrigues KA. Disfagia nas Unidades de Terapia Intensiva. 1 ed. São Paulo: Roca; 2014; p. 111-4.
6- DUNN, K., RUMBACH, A. Incidence and Risk Factors for Dysphagia Following Non-traumatic Subarachnoid Hemorrhage: A Retrospective Cohort Study. Dysphagia 34, 229–239 (2019).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1136
DELINEAMENTOS EXPERIMENTAIS DE SUJEITO ÚNICO: APLICAÇÃO EM INTERVENÇÕES DE FALA, LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)



Introdução: Demonstrar a eficiência de intervenções de fala, linguagem e comunicação é um desafio para fonoaudiólogos que trabalham com crianças e jovens público alvo da educação especial. A utilização de delineamentos experimentais em pesquisas aplicadas parece ser pouco recorrente na área da fonoaudiologia, especialmente, no cenário nacional. No entanto, os delineamentos experimentais podem contribuir como um instrumento de medida de eficácia de intervenções, de forma que a aplicação dos princípios desse tipo de delineamento de pesquisa pode favorecer o desenvolvimento de um profissional “clínico-pesquisador”, aumentando a objetividade e embasamento em evidências na tomada de decisões que norteiam o tratamento(1,2). Diante da impossibilidade de testar os efeitos de uma intervenção com um grupo grande de crianças e jovens, os delineamentos de sujeito único apresentam-se como uma alternativa em que o controle experimental pode ser avaliado com um pequeno número de indivíduos, sendo que cada aprendiz será seu próprio controle, ou seja, os resultados podem ser avaliados a partir de medidas repetidas da habilidade alvo (variável dependente) antes, às vezes durante e após a intervenção (variável independente)(2,3). Objetivo: O objetivo deste trabalho é apresentar a importância da utilização de delineamentos experimentais de sujeito único na prática de fonoaudiólogos que trabalham na reabilitação da linguagem. Método: O presente trabalho trata-se de um ensaio teórico e foi organizado em dois tópicos: 1) Tipos de delineamentos experimentais de sujeito único que podem ser utilizados em intervenções de fala, linguagem e comunicação; e 2) Apresentação de pesquisas realizadas especialmente com crianças e jovens público alvo da educação especial obtidas por meio de uma busca não sistemática, que utilizaram tais delineamentos, correlacionando-as com a prática de avaliação e intervenção do fonoaudiólogo clínico. Resultados: Para trabalhar intervenções de fala, linguagem e comunicação são frequentes os delineamentos de sujeito único do tipo AB, ABA, linha de base múltipla, múltiplas sondagens e tratamentos alternados. Pesquisas encontradas que utilizaram delineamentos de sujeito único para evidenciar a eficácia de tratamento em questões como prosódia na leitura(4), transtornos dos sons da fala(5); habilidades iniciais de alfabetização(6); habilidades gramaticais na comunicação aumentativa e alternativa(7), e desempenho ortográfico(8), demonstraram a aplicabilidade dos delineamentos intrassujeitos na prática clínica fonoaudiológica, facilitando a escolha de abordagens terapêuticas que possam fornecer resultados benéficos ao aprendiz. Conclusão: Os resultados do trabalho contribuem ao apresentar a importância da utilização de delineamentos de sujeito único para respaldar a prática clínica de forma sistemática e com rigor cientifico, garantindo, por exemplo, que os ganhos observados são advindos da intervenção e não efeitos do desenvolvimento ou maturação, por exemplo. A maior utilização deste tipo de delineamento tanto nos estudos científicos quanto na prática clínica fonoaudiológica implicam a instrução desta metodologia para graduandos bem como para pesquisadores em fonoaudiologia, demonstrando não se tratar de relatos de caso, mas intervenções baseadas em evidências.

1. Brobeck TC, Lubinsky J. Using single-subject designs in speech-language pathology practicum. Contemporary Issues in Communication Science and Disorders. 2003; 30(Fall):101-6.

2. Vance M, Clegg J. Use of single case study research in child speech, language and communication interventions. Child Language Teaching and Therapy. 2012; 28(3): 255-58. https://doi.org/10.1177/0265659012457766.

3. Lane, JD, Ledford, JR, Gast, DL. Single-case experimental design: Current standards and applications in occupational therapy. American Journal of Occupational Therapy. 2017; 71(2): 7102300010p1-p9. https://doi.org/ 10.5014/ajot.2017.022210.

4. Calet, N, Pérez-Morenilla, MC, De los Santos-Roig, M. Overcoming reading comprehension difficulties through a prosodic reading intervention: A single-case study. Child Language Teaching and Therapy. 2019, 35(1): 75-88. https://doi.org/10.1177/0265659019826252.

5. Lundeborg Hammarström, I, Svensson, RM, Myrberg, K. A shift of treatment approach in speech language pathology services for children with speech sound disorders–a single case study of an intense intervention based on non-linear phonology and motor-learning principles. Clinical linguistics & Phonetics. 2018, 33(6): 518-531. https://doi.org/10.1080/02699206.2018.1552990.

6. Gyovai, LK, Cartledge, G, Kourea, L, Yurick, A, & Gibson, L. Early reading intervention: Responding to the learning needs of young at-risk English language learners. Learning Disability Quarterly. 2009, 32(3): 143-162. https://doi.org/10.2307/27740365.

7. Lund, SK, Light, J. The effectiveness of grammar instruction for individuals who use augmentative and alternative communication systems. Journal of Speech, Language, and Hearing Research. 2003, 46(5): 1110-1123. https://doi.org/10.1044/1092-4388(2003/087).

8. Nies, KA., Belfiore, PJ. Enhancing spelling performance in students with learning disabilities. Journal of Behavioral Education. 2006, 15(3): 163-170.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
109
DEMANDA DE LINGUAGEM EM UMA COMUNIDADE EM BELÉM DO PARÁ: RESULTADOS DE UMA CAMPANHA SOCIAL
Práticas fonoaudiológicas
Linguagem (LGG)
66812440


Introdução: A linguagem é a capacidade que a espécie humana tem para comunicar-se. É por meio da linguagem que expressamos nossos sentimentos, aprendemos noção de tempo, desenvolvemos raciocínio e planejamos nossas atitudes, e um déficit nesse processo de aquisição pode refletir-nos mais variados problemas de aprendizagem, que quando não devidamente tratado acarreta em inúmeros problemas durante todo o desenvolvimento infantil. Para que tenhamos um bom desenvolvimento da linguagem, é importante ressaltar alguns aspectos fundamentais para a aquisição da mesma como: querer falar, ter capacidade para utilizar os mecanismos de fonação, ter inteligência para assimilar a linguagem, e para isso, é importante que tenha a preservação de determinadas áreas cerebrais como por exemplo: Área de Wernike (responsáveis pela compreensão da linguagem), Área temporal (memória e percepção) entre outras importantes áreas. Objetivo: Avaliar e caracterizar indicação de possíveis distúrbios de aquisição da linguagem em crianças moradoras de uma comunidade localizada na região metropolitana de Belém, e encaminhando cada criança de acordo com suas manifestações. Metodologia Mediante revisão do presente trabalho viu-se que o mesmo não se aplica a necessidade da análise do comitê de ética em pesquisa por ser resultados de dados secundários de uma campanha. Trata-se de um estudo transversal quanti-qualitativo, em que foi realizada uma ação social em uma igreja de Belém-PA no mês de março de 2018, o qual teve como objetivo principal, a promoção de ações que gerassem qualidade de vida a comunidade moradora da região, as quais foram divulgadas através da comunidade, e os moradores procuraram de forma voluntária os atendimentos ofertados. “A triagem é a área onde a atuação do fonoaudiólogo é realizada pela aplicação de uma bateria de testes padronizados em cada criança, elaborados pelo próprio fonoaudiólogo, por meio dos quais se verifica a comunicação oral, escrita e outros aspectos relacionados a elas, tendo caráter diagnóstico e preventivo” (PACHECO, 2001). A ação contou com triagens fonoaudiológicas em crianças da comunidade, para a obtenção de possíveis problemas, orientação aos pais ou responsáveis sobre possíveis transtornos do desenvolvimento, encaminhamentos ou terapias, caso necessário. Resultados: A ação social contou com a participação de 14 crianças (100%), sendo 6 do sexo masculino (42,85%) e 8 do sexo feminino (57,14%),com idade entre 3 a 11 anos, onde destes, uma apresentou nasalização de fricativa (7,14%), duas crianças apresentaram posteriorização de fricativa (14,28%), duas apresentaram epêntese (14,28%), 4 apresentaram substituição de líquida (28,27%), 5 apresentaram redução de encontro consonantal (35,71%) e 7 apresentaram apagamento de líquida final (50%). Nenhum pai ou responsável relatou algum tipo de disfunção neurológica que pudesse justificar tais problemas. Conclusão: Esse trabalho demonstra a importância que se tem em levar qualidade de vida para a comunidade e destacar a importância da criação de programas que visem o desenvolvimento da linguagem em crianças, com foco na preservação e informação, mostrando a importância da ação fonoaudiológica nos processos de aquisição da linguagem, proporcionando um melhor desenvolvimento e qualidade de vida.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
413
DEMANDAS FONOAUDIOLÓGICAS DE CANTORES GOSPEL
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: O canto com o intuito religioso é praticado desde as primeiras civilizações. Atualmente, a música ainda faz parte do cotidiano das igrejas, com o intuito de engrandecer a Deus ou realizar petições. A partir dessas intenções, houve a necessidade de serem criados grupos, corais ou até mesmo o canto solo para que essa prática seja vivenciada pelo cantor e pelos fiéis. OBJETIVO: Identificar e caracterizar as demandas fonoaudiológicas de cantores gospel amadores. MÉTODO: Participaram da pesquisa 65 cantores gospel amadores de 7 igrejas evangélicas de Nova Friburgo. Para realizar a coleta 9 Igrejas receberam o projeto para análise e assinaram a autorização para realização da pesquisa feita por meio do documento intitulado “Termo de Concordância da Instituição”. Para atender o cronograma da pesquisa estabeleceu-se um prazo para a coleta dos dados. Por esta razão 7 Igrejas com todos os cantores gospel amadores membros das respectivas Igrejas participaram da pesquisa. A coleta foi realizada por meio de realização do perfil dos participantes e entrevista semiestruturada. Foi realizada análise estatística descritiva dos dados coletados. RESULTADOS/DISCUSSÃO: Dados do perfil: 68 %, dos participantes são do gênero feminino, os participantes apresentaram idades entre 18 e 68 anos, 70% possuem o ensino médio completo, 65% completaram o ensino superior, 88% não concluíram o ensino fundamental. A maior parte dos participantes utiliza a voz com o canto de 2 a 3 vezes na semana e no período de 10 a 19 anos. 20% dos participantes foram caracterizados como profissionais da voz. Demandas Fonoaudiológicas: 48% dos participantes declararam não conhecer a Fonoaudiologia. 12% dos participantes disseram já ter feito algum tipo de acompanhamento fonoaudiológico. Embora afirmem conhecer cuidados com a voz 54% dos participantes não os praticam e 46% dos participantes afirmam a utilização deste cuidado. 57% dos participantes referiram não praticar preparos vocais antes e depois do canto. A maioria dos participantes relatou realizar aquecimento vocal com a regente responsável pelo coral. A média geral de desvantagens relatadas pelos participantes foi de 7,9 das 21 possibilidades presentes no questionário. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Essa população de modo geral, possui alta probabilidade de desenvolver alterações vocais. As médias de suas desvantagens vocais são consideradas altas. Conhecer as desvantagens vocais dos cantores gospel amadores é fundamental para a atuação fonoaudiológica junto a esse público que demonstrou significativa falta de informações em relação aos cuidados vocais. Conclui-se com este estudo que existe um campo significativo de trabalho voltado para a promoção, prevenção e reabilitação da Saúde Vocal desta população para o Fonoaudiólogo.

ANDRADE, S. R.; FONTURA, D. R.; CIELO, C. A.; Inter-relações entre Fonoaudiologia e canto. Rev. Música Hodie, 7 (1): 83-98. 2007.
BARRETO, T. M. M.; et al. Perfil da saúde vocal de cantores amadores de igreja evangélica. Rev. Soc. Bras, Fonoaudiol.; 16(2): 140-145. 2011.
BEHLAU, M.; REHDER, M. I.; Higiene Vocal para o Canto Coral. Segunda Edição. Rio de Janeiro: Revinter. 2009.
BEHLAU, M.; Voz o Livro do Especialista: Volume 1. Rio de Janeiro: Revinter. 2001.
COLTON, R. H.; CASPER, J. K.; LEONARD, R.; Compreendendo os problemas da voz: Uma Perspectiva Fisiológica no Diagnóstico e Tratamento das Disfonias. Terceira edição. Rio de Janeiro: Revinter. 2010.
COSTA, P. J. B. M.; et al.Extensão vocal de cantores de coros evangélicos amadores. Rev. CEFAC, São Paulo, 8 (1): 96-106, Jan-Mac. 2006.
DASSIE-LEITE, A. P.; DUPRAT, A. C.; BUSCH, R.; Comparação de hábitos de bem-estar vocal entre cantores líricos e populares. Rev. CEFAC, 13 (1): 123-131, Jan-fev. 2011.
FULLER, D. R.; PIMENTEL, J. T.; PEREGOY, B. M.; Anatomia e Fisiologia Aplicada a Fonoaudiologia. 1ª Edição. Barueri: Manoele. 2014.
IBGE- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA. Características Gerais da População, Religião e Pessoas com Deficiências.Rio de Janeiro, 2010.
LEITE, G. C. A; et al. O canto nas igrejas: o estudo do uso vocal dos coralistas e não-coralistas. Distúrbios da Comunicação, São Paulo, 16 (2): 229-239, ago. 2004.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
599
DEMANDAS FONOAUDIOLÓGICAS RELATADAS PELA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE UMA CLÍNICA PSIQUIÁTRICA DA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO Atualmente podemos observar que a Reforma Psiquiátrica Brasileira se consolida em dois movimentos simultâneos e igualmente significativos: a construção de serviços substitutivos, com a construção de uma rede humanizada de atenção à saúde mental e que substitua o modelo anterior, centrado na internação hospitalar e a fiscalização e redução progressiva e programada dos leitos psiquiátricos existentes. Pensando no conjunto de experiências já vividas por estes pacientes, faz-se necessária a identificação e o acolhimento de demandas sociais, emocionais e mentais para que de fato seja possível alcançar a ressocialização. Dentre estas demandas a identificação de questões referentes a comunicação e linguagem voz, audição e motricidade orofacial dos sujeitos com transtornos mentais pode contribuir para a aproximação da Fonoaudiologia com instituições que trabalhem com esta população e com o aprofundamento de uma área de pesquisa pouco estudada, proporcionando assim ganhos tanto para as instituições quanto para a formação dos graduandos e profissionais em Fonoaudiologia. OBJETIVO Caracterizar as demandas fonoaudiológicas de pacientes com transtornos mentais internados em uma instituição psiquiátrica. MÉTODO: Participaram do estudo Profissionais da equipe multidisciplinar de uma clínica psiquiátrica da região serrana do Rio de Janeiro. A coleta foi realizada por meio de entrevista semiestruturada com os profissionais da equipe multidisciplinar que aceitarem participar da pesquisa e os dados foram submetidos a uma análise estatística descritiva e discutidos por meio de categorias. RESULTADOS/DISCUSSÃO: A maioria dos participantes (56%) desta pesquisa são do gênero masculino, com idades entre idades de 41 a 50 anos, a maioria concentrados nas áreas de enfermagem, 18 (52,94%) destes encontram-se a mais de 10 anos neste serviço. A maioria dos participantes referiram a relevância do trabalho em equipe multiprofissional. A maioria dos participantes (31 participantes) referem não conhecer, conhecer pouco ou já ter ouvido falar da Fonoaudiologia e não souberam relatar alterações que poderiam estar ligadas a atuação do Fonoaudiólogo. A maioria (44%) dos participantes da pesquisa afirmaram a importância da participação do Fonoaudiólogo em uma equipe multiprofissional como a entrevistada na pesquisa. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Observamos com os resultados desta pesquisa que há necessidade de maior divulgação da formação e da atuação do Fonoaudiólogo na área da Saúde, principalmente na área da Saúde Coletiva/Saúde Mental. Foram entrevistados profissionais da saúde de diferentes áreas, com experiência de trabalho em outros equipamentos de saúde e mesmo com as diversidades de locais de trabalho as informações sobre o profissional fonoaudiólogo foram muito escassas.

Almeida, B. P.B. Fonoaudiologia e Saúde Mental: atuação do fonoaudiólogo nos Centros de Atenção Psicossocial do Estado de São Paulo. Tese (Doutorado em Fonoaudiologia) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014.

Almeida, B. P.B. Fonoaudiologia e Saúde Mental: experiência em equipe multiprofissional com portadores de transtornos mentais institucionalizados. Dissertação (Mestrado em Fonoaudiologia) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2010.

Almeida, B.P.B.; Cunha, M. C.; Souza, L. A. P. Características e demandas fonoaudiológicas de pacientes adultos portadores de transtornos mentais e institucionalizados em um Centro de Atenção Integral à Saúde de São Paulo. Distúrb Comun, São Paulo, 25(1): 27-33, abril, 2013.

Amarante, Paulo. Asilos, Alienados e alienistas: pequena história da psiquiatria no Brasil. In: Psiquiatria social e reforma psiquiátrica. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1994.p. 73 – 84.

Amarante, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. 2.ed. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2009.

Amarante, P. (1995). Novos sujeitos, novos direitos: o debate em torno da reforma psiquiátrica. Cadernos de Saúde Pública, 11(3), 491-494.

Amarante, P. O homem e a serpente: outras histórias para a loucura e a psiquiatria. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1996.

Amarante, P. Saúde mental e atenção psicossocial. 2.ed. Rio de Janeiro:Fiocruz, 2008b. 117p.

Amarante, P. Lancetti, A. Saúde mental e saúde coletiva. In: CAMPOS, G.W.S. et al. Tratado de saúde coletiva. São Paulo, Rio de Janeiro: Hucitec, Fiocruz, 2006. p. 615 – 634.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
702
DERMATOGLIFIA E FONOAUDIOLOGIA: UMA INTERAÇÃO NA REABILITAÇÃO DA VOZ DE CANTORES LÍRICOS - UM ESTUDO DE CASO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A Dermatoglifia é o estudo científico das impressões digitais. A partir dessas marcas identificam-se fatores psíquicos, fatores somatotípicos e o potencial muscular individual com características, como resistência, velocidade, força e agilidade musculares. de reabilitação vocal do cantor lírico com a Dermatoglifia pode dar valiosa contribuição, pois pode ajudar a identificar as qualidades físicas básicas e a tipologia de fibras musculares do sujeito estudado, favorecendo a elaboração do planejamento de intervenção fonoaudiológica. A alta performance no uso profissional da voz por cantores líricos é considerada como uma expressão artística e para sua execução existem inúmeras exigências de elevada habilidade/capacidade para que se alcance o alto desempenho musical. A voz do sujeito obeso possui características limitantes em virtude da sua condição metabólica. O tecido adiposo depositado na úvula, palato mole, paredes laterais e posterior da faringe, e região posterior de língua pode trazer prejuízo do desempenho de suas funções, como o quadro da síndrome da apneia obstrutiva do sono, a hipoventilação. Isso impacta a voz do sujeito obeso. Objetivo: Desenvolver e aplicar um protocolo de reabilitação vocal baseado no talento muscular genético de uma cantora lírica submetida à cirurgia bariátrica. Métodos: Estudo de caso, tendo como sujeito de pesquisa uma cantora lírica, de 42 anos, que realizou cirurgia bariátrica em 2016 e teve uma redução de 50kg de massa corpórea em 18 meses. Sua queixa é de “perda da qualidade vocal, fadiga vocal e perda de extensão vocal, com redução de tessitura”, após a cirurgia. Foi realizada a identificação do sujeito e de suas queixas da participante, registro da voz por meio do programa Praat, para o cálculo de TMF (/a/, /s/ e /z/), relação s/z; foram aplicados protocolos de autoavaliação voz: Índice de Desvantagem Vocal (IDV) e Qualidade de Vida em Voz (QVV) classificação dentro do padrão de normalidade para IDV < 4,5% e QVV > 98%; avaliação dermatoglífica, realizada pela coleta das impressões digitais em papel branco com o coletor digital (TRODAT – 9094, FingerprintPad); estruturação de protocolo de intervenção fonoaudiológica; Foollow-up fonoaudiológico durante 15 sessões semanais, com 60 minutos de duração, reavaliação, utilizando-se os mesmos protocolos; também foram identificados registros de voz prévios à realização da cirurgia bariátrica para serem utilizados como referencial para os avaliadores e a própria participante. Os dados foram analisados descritivamente, por ocorrência. Resultados: Após a intervenção fonoaudiológica, a única queixa identificada pela participante foi cansanço nos finais das frases e pouca resistência respiratória. Os TMF de /a/, /s/ e /z/ aumentaram e atingiram, respectivamente, 24,5s, 30,0s e 28,0s, definindo uma relação s/z com valor de 1,07s. E os escores dos protocolos IDV e QVV permaneceram os mesmos de antes da intervenção (0% e 100%, respectivamente), sugerindo, mais uma vez, que, a participante não percebia o impacto das alterações relatadas em sua queixa durante sua fala. Conclusão: A Dermatoglifia é uma ferramenta eficaz no processo de elaboração de propostas de reabilitação da voz.

1 - ALMEIDA, et al. Relação dos índices dermatoglíficos com a avaliação isocinética e ergoespirometria. Fitness & performance journal, Nº.2, 2005, págs. 101-106. Rio de Janeiro, RJ: 2005. Disponível em https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=2951706. Acesso em 15/02/2020.
2 - GIRALDI, S. Revisão histórica dos dermatóglifos e estudo comparativo entre o método tradicional de impressão palmar com tinta e método de escaneamento digital em um grupo de escolares de Curitiba, Paraná. 2011. Disponível em https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/29324. Acesso em 10/09/2018.
3 - MAGACHO, COELHO, C., Cantores líricos e de musicais, tese. 2017, Disponível em http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/275150/1/DelVecchio_FabricioBoscolo_D.pdf. Acesso em 12/08/2018
4 - DEL VECHIO, Marcadores digito palmares e aptidão física em atletas de judô de elite, Disponível em http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/275150/1/DelVecchio_FabricioBoscolo_D.pdf. Acesso em 15/08/2018.
5 - SOUZA, W. C.; et al.; A importância da dermatoglifia na detecção de talentos no esporte: estudo de revisão. Revista saúde e meio ambiente, Revista Interdisciplinar. Saúde Meio Ambiente. v. 3, n. 1, p. 31-43, jan./jun. 2014. Disponível em http://www.periodicos.unc.br/index.php/sma/article/download/532/. Acesso em 15/09/2018.
6. SOUZA, L. B. R.; et al. Queixa vocal, análise perceptiva auditiva e auditiva da voz de mulheres com obesidade mórbida. ABCD Arq Bras Cir Dig 2015;28(Supl.1):23-25, DOI: /10.1590/S0102-6720201500S100008. Acesso 27/10/2019.
7. BOSSO, J. R. A voz dos pacientes obesos antes e após a Cirurgia Bariátrica: avaliação clínica, vídeolaringoscópica, perceptivo-auditiva e acústica. Tese de Doutorado, Área de: Fonoaudiologia, da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista – UNESP. Botucatu, SP, 2019. Disponível em epositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/182370/bosso_jr_dr_bot_par.pdf?sequence=3&isAllowed=y. Acesso em 27/10/2019.
8.MAGACHO, COELHO, C., Cantores líricos e de musicais, tese. 2017, Disponível em http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/275150/1/DelVecchio_FabricioBoscolo_D.pdf. Acesso em 12/08/2018.
9.MAGACHO, COELHO, C., Cantores líricos e de musicais, tese. 2017, Disponível em http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/275150/1/DelVecchio_FabricioBoscolo_D.pdf. Acesso em 12/08/2018.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1082
DESAFIOS DA MONITORIA ACADÊMICA REMOTA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: A continuidade do semestre acadêmico no período do isolamento social tem proporcionado novas propostas metodológicas educativas que buscam amenizar os prejuízos que a ausência das aulas presenciais pode trazer aos alunos matriculados nas disciplinas teóricas e/ou práticas. A atuação da monitoria acadêmica, neste momento, visa desenvolver a iniciação à docência e a mediação pedagógica com recursos tecnológicos que colaboram com o processo de ensino e aprendizagem, bem como oferecer apoio pedagógico aos alunos, minimizando o sentimento de angustia e a evasão. Além disso, por meio deste processo de ensino-aprendizagem o monitor tem a oportunidade de desenvolver e aprimorar habilidades tais como criatividade, raciocínio clínico, desenvoltura e sensibilidade, maximizando suas experiências acadêmicas durante seu processo de formação. OBJETIVO: Relatar as atividades desenvolvidas na monitoria de um estágio supervisionado durante a suspensão das aulas presenciais da graduação, em razão da crise sanitária causada pelo COVID-19. MÉTODO: A monitoria acadêmica remota foi realizada no estágio de Fonoaudiologia Clínica: Motricidade Orofacial II. Neste estágio os 18 alunos do 7º período da graduação matriculados no primeiro semestre de 2020, supervisionados pelos professores curso, atendem os pacientes com paralisia facial, fissura labiopalatina e disfunção velofaríngea. Para auxiliar no desenvolvimento acadêmico dos alunos o monitor elabora diversas tarefas para estimular o raciocínio clínico, esclarecer dúvidas sobre os procedimentos de avaliação e reabilitação e discutir os casos clínicos. RESULTADOS: Devido a pandemia do COVID-19 as atividades do estágio foram interrompidas, o projeto de monitoria foi reorganizado para a modalidade remota. A primeira atividade desenvolvida nessa modalidade foi a identificação das necessidades de assistência acadêmica dos alunos, como acesso à internet, interesse em participar de atividades on-line, sugestões de temas ou atividades para serem abordados na monitoria sendo elaborado formulário no Google Forms, dos quais responderam 72%. Após o diagnóstico foram elaboradas atividades de revisão do conteúdo programático e esclarecimento de dúvidas via plataforma de videoconferência sob a supervisão das professoras responsáveis pelo estágio e resolução de dúvidas via aplicativo de comunicação. Durante o processo o monitor se deparou com a baixa adesão dos alunos com a monitoria, processo este que é voluntário. Em relação ao desenvolvimento do monitor, a modalidade remota proporcionou novas habilidades e competências, como a informática, processos de comunicação on-line, criatividade, perseverança, além de aprimorar o raciocínio clínico. CONCLUSÃO: A necessidade de se reinventar durante a crise sanitária apresenta desafios extremamente novos e complexos ao ensino superior de forma geral. A monitoria remota da graduação pode desencadear o desenvolvimento e aprimoramento de habilidades e competências para além da prática fonoaudiológica.

1. Fernandes NC, Cunha RR, Brandão AF, Cunha LL, Barbosa PD, Silva CO, Silva MSA. Monitoria acadêmica e o cuidado da pessoa com estomia: relato de experiência. Rev Min Enferm 2015;19(2):238-41.

2. Souza RO, Gomes AR. A eficácia da monitoria no processo de aprendizagem visando a permanência do aluno na IES. Rev Interdisciplinar do Pensamento Científico 2015;1(2):230-38.

3. Dantas OM. Monitoria: fonte de saberes à docência superior. Rev bras Estud pedagog 2014;95(241):567-89.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
395
DESAFIOS DO TELEATENDIMENTO NA PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA EM UM PROJETO DE EXTENSÃO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A pandemia do Covid-19 declarada pela OMS, evidenciou a necessidade de medidas de prevenção extremas. Sendo o distanciamento social a ação mais impactante no convívio coletivo e na prestação de serviços(1). Assim, algumas práticas profissionais que antes necessitavam ser presenciais, como a área da saúde, precisaram reinventar sua abordagem. Dessa forma, o teleatendimento em Fonoaudiologia surge como uma opção para dar continuidade às intervenções(2). Nessa perspectiva, um projeto de extensão de uma Instituição Pública, adotou o teleatendimento como forma de prestar assistência aos pacientes com Parkinson, devido aos impactos que a doença degenerativa causa na comunicação e qualidade de vida(3, 4). Objetivo: Descrever as dificuldades encontradas durante a prática clínica à distância no período de pandemia. Método: Trata-se de um estudo qualitativo iniciado a partir da recomendação do distanciamento social. Este faz parte de um estudo maior aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição de origem, recebendo número de parecer 1.147.584. Para esta pesquisa foi criado um grupo de exercícios via WhatsApp e elaborado um questionário, através do Google Forms, para ser aplicado aos 11 pacientes que aceitaram participar das atividades. O formulário criado pelos extensionistas, contendo perguntas sobre os impactos causados pela pandemia na realização dos exercícios vocais e cognitivos, além da frequência de execução e dificuldades apresentadas na prática destes. Resultados: Dos 11 pacientes do grupo de exercícios, apenas 8 participaram da pesquisa. Após levantamento dos dados, percebeu-se que as principais mudanças na rotina em decorrência ao isolamento, foram alterações na comunicação e atividades diárias. Questionados sobre a prática de exercícios vocais em casa, 50% dos participantes afirmaram que os realizavam. Por meio de uma escala numerada de 0 a 10, indagou-se o quanto as atividades assíncronas, enviadas pelo grupo, trouxeram melhoras na voz deles. Onde foi obtido 42,9% das respostas na faixa de número 5. Evidenciando assim, que os exercícios propostos levaram a resultados aceitáveis. Em uma segunda escala sobre a frequência de realização das atividades 25% das respostas encontravam-se na faixa de número 4. Ainda sobre regularidade, foi perguntado quantas vezes ao dia os exercícios vocais eram realizados. Para 37,5% dos componentes, os exercícios eram realizados 1 vez ou mais por dia, 50% deles realizavam as atividades algumas vezes na semana e 12,5% não realizaram nenhuma vez. Verificado se os integrantes possuíam alguma dificuldade em efetuar as atividades por meio do celular, apenas 2 relataram possuir algum problema. Por fim, caso não conseguissem realizar os exercícios propostos, foi indagado o que os limitavam. As respostas apontam que a acessibilidade foi o maior empecilho. Conclusão: O teleatendimento adotado, neste período, mostrou-se uma boa abordagem complementar para dar continuidade a terapia Fonoaudiológica. Entretanto, desafios voltados à acessibilidade dos pacientes no uso de plataformas tecnológicas, além da inconsistência na execução dos exercícios vocais tornaram-se uma barreira para a eficácia contundente do grupo. Contudo, os resultados foram significativos na melhora da voz dos pacientes, consequentemente, na comunicação e qualidade de vida destes.

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Doença pelo coronavírus 2019 [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2020 (Boletim Epidemiológico; 7)
2. Dimer NA, Canto-Soares N, Santos-Teixeira L, Goulart BNG. Pandemia do COVID-19 e implementação de telefonoaudiologia para pacientes em domicílio: relato de experiência. CoDAS, 2020; 32(2).
3. Cruz AN, Beber BC, Olchik MR, Chaves MLF, Rieder CRM, Dornelles S. Aspectos de comunicação oral em pacientes com doença de Parkinson submetidos à Estimulação Cerebral Profunda. CoDAS, 2015; 28(4).
4. Ferreira ACB, Matos MS. Avaliação do impacto da depressão e ansiedade em pacientes com doença de Parkinson. Brasília: Centro Universitário de Brasília, 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
610
DESAFIOS E ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PELO PROPET FONOAUDIOLOGIA EM TEMPOS DE COVID-19: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: As equipes PET (Programa de Educação Tutorial) objetivam contribuir para a formação de profissionais com competências singulares considerando o tripé ensino/pesquisa e extensão. Tais atividades, inseridas em projetos que interligam saúde e educação, proporcionam aos seus integrantes experiências reflexivas, autônomas e práticas dentro da fonoaudiologia. Apesar do contexto histórico da COVID-19, a equipe permanece realizando as atividades, vivenciando desafios consequentes do afastamento social. Dentre as ações propostas pelo Programa em que tornou-se necessário aderir a modalidade à distância, destaca-se o "acolhimento aos calouros do curso de Fonoaudiologia" que tem por objetivo promover apoio aos recém ingressantes e possibilitar integração ao meio acadêmico. OBJETIVO: O presente trabalho trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo, com o objetivo de relatar os desafios vivenciados pela equipe PROPET, assim como os métodos de superação encontrados para a realização do acolhimento aos ingressantes do curso de Fonoaudiologia 2020. MÉTODO: Foram utilizadas buscas aos planejamentos e relatórios anuais, atas e relatorias produzidas ao longo da construção da equipe PROPET no Curso de Graduação em Fonoaudiologia; sendo esses documentos de caráter público e analisados qualitativamente. RESULTADOS: O acolhimento consistia originalmente em encontros quinzenais de duração de 30 a 40 minutos executados na modalidade presencial. Tais encontros, destinavam-se a discussões e compartilhamento de informações a partir das demandas trazidas pelos calouros. Após a necessidade de medidas de prevenção que atribuíam o distanciamento social, muitos estudantes relataram dificuldades para gerenciar suas inquietudes e apreensões quanto ao início do período letivo, além de observar-se um aumento significativo da evasão estudantil. Com base nisso, identificou-se a necessidade de realizar a ação através de encontros virtuais. No entanto, foram identificados alguns desafios para organização e execução desses encontros online de acolhimento, uma vez que a internet não é uma ferramenta acessível para todos os alunos, ingressantes ou integrantes de projetos e ligas. Tendo em vista a necessidade da melhor aproximação veteranos/calouros, o grupo considerou a criação de redes, ampliando ideias e dividindo tarefas para além do grupo PROPET, unificando a realização do projeto com as Ligas Acadêmicas do Curso e o Diretório Acadêmico. Diante disso, a organização do Acolhimento 2020 ocorreu com a colaboração de todos os envolvidos, em reuniões virtuais. Foram planejados encontros semanais com os ingressantes, com a duração de 1 hora e 30 minutos ao longo de oito semanas consecutivas. As temáticas consideradas a serem abordadas envolvem áreas de estudo e de atuação fonoaudiológica bem como temas que abrangem assistência estudantil e saúde mental dos universitários. CONCLUSÃO: Percebe-se que apesar das mudanças na dinâmica de apresentação da ação, a estratégia configurar-se-á como de suma importância para inclusão dos calouros no ambiente universitário. Além de possibilitar um espaço para compartilhamento de frustrações, medos e desafios enfrentados durante a pandemia, a ação possibilitará a construção de uma rede de apoio de modo a contribuir com a amenização da sobrecarga psíquica e promover interação e pertencimento do recém ingressante no meio acadêmico.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
742
DESAFIOS E SOLUÇÕES ADOTADAS DURANTE A REALIZAÇÃO DE EXAMES AUDITIVOS ELETROFISIOLÓGICOS EM CRIANÇAS COM A SÍNDROME CONGÊNITA DO ZIKA VÍRUS
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A Síndrome Congênita associada à infecção pelo Zika Vírus (SCZ) pode trazer risco de danos auditivos, sendo necessária a avaliação e o monitoramento das funções auditivas. Os comprometimentos decorrentes das alterações neurológicas, tornam esta população particularmente difícil de ser avaliada sem sedação durante a realização de exames eletrofisiológicos. Objetivo: Descrever os desafios encontrados e soluções adotadas durante execução de exames eletrofisiológicos da audição em crianças com a SCZ. Metodologia: O relato será realizado com base nas experiências clínicas de pesquisa no Laboratório de Audiologia do Departamento de Fonoaudiologia da UFPE, nas quais foram realizados exames de potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) com estímulo clique e de fala, bem como potencial evocado auditivo cortical (PEAC) nas crianças de 36 a 48 meses, entre os anos de 2018 e 2020. Resultados: Instabilidade postural, alterações no tônus muscular, irritabilidade, choro excessivo e hipersensibilidade foram os padrões que mais interferiram a realização das avaliações eletrofisiológicas. A hiperssensibilidade e irritabilidade dessas crianças geram dificuldades durante a limpeza da pele para posicionamento dos eletrodos, uma vez que elas passam a chorar ininterruptamente até que sejam acalentadas pelas mães e tranquilizem-se para que seja iniciado o exame. Instabilidade postural, alterações no tônus muscular Tais condições prejudicam os registros dos exames, adicionando às respostas auditivas artefatos miogênicos. Estes artefatos podem comprometer a morfologia do traçado e interferem principalmente nas medidas amplitude, que são sensíveis e com maior variabilidade. Para melhor adaptação desta situação, as avaliações eram realizadas com as crianças acomodadas no colo dos seus responsáveis, dentro da cabina acústica, com a luz interna apagada e ambiente silencioso. Durante os procedimentos eram necessárias interrupções para ajustes posturais da criança, a fim de obter o melhor sinal/registro, e acalanto materno nas ocorrências de choro ou irritação. Smartphone e tablet também com filmes infantis e sem som foram posicionados à frente da criança, a fim de distraí-la e acalmá-las durante a realização dos exames, entretanto, devido às diversas comorbidades que a SCZ pode apresentar, algumas crianças que possuem deficiências visuais não conseguem fixar o olhar no filme oferecido aos demais. Além disso, a grande quantidade de consultas e terapias realizadas pelas crianças devido à complexidade clínica e a composição familiar com outros filhos dificultava o comparecimento das mães à pesquisa, resultando em constantes remarcações. Entendendo essas dificuldades a equipe buscou fazer parcerias para fornecer transporte até o laboratório e uma pessoa no local para responsabilizar-se por outras crianças que as acompanhassem. Conclusão: As dificuldades para a realização de exames eletrofisiológicos em crianças com SCZ perpassam tanto a baixa adesão das famílias em participar da pesquisa como as limitações neuropsicomotoras associada às alterações neurológicas. Apesar de todas as dificuldades encontrada é possível e necessário realizar avaliações eletrofisiológicas em crianças com a SCZ , tendo em vista que nessa população os exames objetivos são fundamentais ao diagnóstico audiológico, uma vez que respostas comportamentais são difíceis de serem obtidas nessa população. Sendo indispensável oferecer suporte técnico e social às famílias participantes.

Legatt A. Brainstem auditory evoked potentials: methodology, interpretation and clinical application. In: AMINOFF MJ Aminoff’s Electrodiagnosis in Clinical Neurology, Philadelphia: Saunders-Elsevie. 2012; 6 ed:519–552.


Eickmann SH, Carvalho MDCG, Ramos RCF, Rocha MAW, Linden, V van der, Silva, PFS. Síndrome da infecção congênita pelo vírus Zika. Cad. de Saúde Pública. 2016; 32(7).


Barbosa MHM, Magalhães-Barbosa MC, Robaina JR, Prata-Barbosa A, Lima MAMT, Cunha AJLA. Achados auditivos associados à infecção pelo Zika vírus: uma revisão integrativa. Braz. j. otorhinolaryngol.  [Internet]. 2019;  85( 5 ): 642-663.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
218
DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS PROFESSORES DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NO USO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO RIO DE JANEIRO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


A formação docente expõe desafios críticos como o de prover oportunidades significativas de uso da teoria aliada às práticas relacionadas ao contexto escolar (1-2-3-4). Em se tratando da inclusão de alunos com necessidades complexas de comunicação conhecer a Tecnologia Assistiva (TA) e Comunicação Alternativa (CA) é essencial no processo (3-5-6). O presente estudo teve como objetivo identificar e discutir os desafios do cotidiano escolar inclusivo enfrentados por um grupo de professoras de Atendimento Educacional Especializado (AEE) do Município do Rio de Janeiro em relação a TA e CA. O estudo ocorreu a partir de um curso de formação continuada em serviço sobre TA e CA no ano de 2018, ofertado pela equipe da Oficina Vivencial de Ajudas Técnicas (OVAT), localizada no Instituto Helena Antipoff (IHA – SME RJ). As docentes já haviam participado de uma formação nos anos de 2013 a 2017. A proposta de continuidade do curso foi uma vontade das professoras em manter esse espaço de formação, que foi resultado de uma parceria entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a OVAT. Participaram 19 professoras de AEE, 4 professoras especializadas da OVAT, 2 pesquisadoras e 2 auxiliares de pesquisa. A metodologia adotada foi qualitativa e os encontros de formação foram organizados a partir dos interesses e necessidades apontadas pelas docentes. O projeto foi submetido à direção do IHA e ao Comissão de Ética em Pesquisa da UERJ e aprovado (Parecer Coep no336.622 (11/07/2013). Foram utilizados dois instrumentos: diário de campo e filmagens. Todas as sessões foram filmadas e transcritas na íntegra. Posteriormente foi realizada análise de conteúdo dessas sessões. Realizou-se uma leitura de todo o material com estruturação e organização em um texto e após isso a identificação dos temas. Os achados foram organizados em duas categorias: dificuldades para a implementação de recursos de TA e o trabalho junto às famílias, focando não só no aluno e na escola em si, mas também em todo o seu contexto fora dela. Os resultados descrevem as dificuldades de implementação de TA em relação ao comportamento dos alunos, bem como as dificuldades de comunicação e aspectos pedagógicos. Revelam que a maioria destas professoras muitas vezes não possuem apoio para o uso e implementação da TA na escola e/ou casa. Elas também não têm fácil acesso a informações sobre TA, principalmente quando falamos da área da Comunicação Alternativa (recursos que auxiliam o aluno que não possui fala articulada). Quanto ao trabalho junto às famílias é salientada a necessidade de orientação constante. Revelam que os pais e/ou responsáveis muitas vezes impedem que tais recursos sejam utilizados no cotidiano escolar dos filhos por terem um preconceito sobre estes, discutindo e apontando que podem prejudicar o desenvolvimento da fala, por exemplo. Conclui-se, que existe uma necessidade grande de formação na área da TA e que o tema precisa ser discutido dentro e fora da escola, por profissionais e familiares. Combatendo ideias errôneas que acabam tornando-se barreiras para o efetivo uso da TA e principalmente a CA na escola.

1.Glat R, Pletsch M. Estratégias Educacionais Diferenciadas para Alunos com Necessidades Especiais. Rio de Janeiro-RJ: Eduerj, 2013, 200 p.

2.Rossetto E. Formação do professor do atendimento educacional especializado: a Educação Especial em questão. Revista Educação Especial Santa Maria. 2015; 28(51): 103-116.

3.Nunes LROP, Schirmer CR. Salas Abertas: formação de professores e práticas pedagógicas em comunicação alternativa e ampliada nas salas de recurso multifuncionais. Rio de Janeiro: Eduerj, 2017, 344 p.

4.Pinto GU, Amaral MH. Formação docente continuada e práticas de ensino no atendimento educacional especializado. Pro-Posições. 2019; 30: 1-20, e20180032. https://doi.org/10.1590/1980-6248-2018-0032

5.Calheiros DS, Mendes EG, Lourenço GF, Gonçalves AG, Manzini MG. Consultoria colaborativa a distância em tecnologia assistiva para professoras: planejamento, implementação e avaliação de um caso. Pro-Posições. 2019, 30: 1-31. Epub April 18, 2019.https://doi.org/10.1590/1980-6248-2016-0085.

6.Massaro M, Deliberato D. Pesquisas em Comunicação Suplementar e Alternativa na Educação Infantil. Educação & Realidade. 2017; 42(4): 1479-1501. Epub. https://doi.org/10.1590/2175-623662640.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1977
DESAFIOS PARA FONOAUDIOLOGIA: A NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO PERMANENTE E UM OLHAR INTERSETORIAL E INTERDISCIPLINAR PARA REABILITAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Acredita-se que o fonoaudiólogo, enquanto profissional da saúde, quando bem informado sobre a área da deficiência visual pode contribuir para que a família e a pessoa com deficiência visual sejam protagonistas de seu próprio cuidado. A Educação permanente é definida como um conjunto de ações educativas que demandam soluções para a transformação das práticas em saúde por meio da contestação coletiva, tendo como base as experiências dos profissionais e buscando atender da melhor forma a demanda dinâmica do setor de saúde1. Trata-se de um interessante recurso para a disseminação de conhecimentos na área da deficiência visual, aliada a interdisciplinaridade e intersetorialidade. Ferramentas que se alinham aos valores instituídos nas diretrizes curriculares nacionais do curso de fonoaudiologia, devendo o fonoaudiólogo possuir uma formação generalista, que permita dominar e integrar os conhecimentos, atitudes e informações necessários aos vários tipos de atuação em Fonoaudiologia2. Objetivo: Discutir a educação permanente como um recurso de formação em saúde conforme os temas e possíveis demandas encontradas nos relatos de profissionais da reabilitação de pessoas com deficiência visual. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada com profissionais de reabilitação de um serviço de referência do município estudado. Para construção dos instrumentos, foi realizado pré-teste, que é realizado com o objetivo de conhecer a variável de estudo tal como se apresenta, seu significado e o contexto onde esta é inserida3. Foi realizada análise do conteúdo para o tratamento dos dados coletados4. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNICAMP sob o nº CAAE: 46001215.7.0000.540, parecer nº 1.135.433 e os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Participaram da pesquisa onze profissionais do serviço de reabilitação em deficiência visual. Categorias de análise: a) Desvalorização do profissional de reabilitação; b) Educação permanente e Intersetorialidade. Segundo os profissionais, existe a necessidade de valorização das áreas da reabilitação e seus profissionais e de se investir em ações de educação permanente na reabilitação, levando aos profissionais conhecimentos a respeito da deficiência visual, principalmente a pluralidade da baixa visão e de recursos de tecnologia assistiva, além de amplo conhecimento sobre os sentidos humanos, os quais a fonoaudiologia atua em primeiro plano. Além disso, foi citado o trabalho em Rede, de caráter intersetorial e interdisciplinar, onde os conhecimentos são integrados visando o saber amplo da saúde em prol de garantir os direitos dos brasileiros sem nenhuma distinção e facilitar o acesso à serviços, no caso os de reabilitação. Conclusão: Observa-se que a educação permanente em saúde surge como uma possibilidade de romper com um paradigma da reabilitação fragmentada, superando um desafio ao encontrar um meio de favorecer a integralidade da reabilitação, da saúde e favorecer a inclusão da pessoa com deficiência. Se a educação permanente for desempenhada de forma a manter-se íntima à intersetorialidade e interdisciplinaridade, vê-se então o potencial de uma poderosa ferramenta para o trabalho resolutivo em saúde pública.

1 SILVA, DSJR; DUARTE, LR, Educação Permanente em Saúde [online]. Rev. Fac. Ciênc. Méd. Sorocaba, v.17, n.2, p. 104-105, 2015. [Acesso jul 2020] Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/view/23470;
2 BRASIL, Resolução CNE/CES 5, de 19 de Fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fonoaudiologia [online]. [Acesso jul 2020] Disponivel em: https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/index.php/diretrizes-curriculares/.
3 PIOVESAN, A.; TEMPORINI, ER, Pesquisa exploratória: procedimento metodológico para o estudo de fatores humanos no campo da saúde pública. Rev. Saúde Pública [online]. São Paulo, v. 29, n. 4, pp. 318-325, 1995. [Acesso jul 2020] Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v29n4/10.pdf;
4 Bardin, L. (2004). Análise de Conteúdo (4 ed.). Lisboa: Editora 70.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
611
DESAFIOS PARA MANUTENÇÃO DE UMA LIGA ACADÊMICA EM PERÍODO DE ISOLAMENTO SOCIAL.
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: As Ligas acadêmicas são associações estudantis, sem fins lucrativos, coordenadas por um docente, que visam a complementação e aprofundamento da formação acadêmica em uma determinada área. As atividades que compõem a Liga buscam atender os princípios universitários de ensino, pesquisa e extensão. A ideia de criação da Liga de Saúde Mental (LIASMENTAL) surgiu durante a primeira jornada de Fonoaudiologia da Universidade Federal Fluminense em setembro de 2019. A partir disso, demos início a elaboração de um estatuto que foi submetido à aprovação do Departamento do curso. Conquistada a autorização para funcionamento, iniciamos as atividades em novembro de 2019. Com o advento da pandemia e a nova realidade a que fomos submetidos, pensamos em como poderíamos manter o funcionamento de forma remota, unindo os princípios da Liga à nova realidade. Objetivo: O presente trabalho trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo, com o objetivo de relatar os desafios vivenciados pela LIASMENTAL para a realização de suas atividades de forma online em razão da Pandemia do Novo Coronavírus. Métodos: Para responder ao objetivo, foram utilizados métodos inovadores de pesquisas a saber: utilização de aplicativos. As plataformas utilizadas para a realização dos eventos online da LIASMENTAL foram: Google Meet, (reuniões para organização prévia do evento e as palestras); Instagram e site próprio (canais de divulgação); Sympla (realização das inscrições dos ouvintes); Youtube, (disponibilização das palestras gravadas). Resultado: Para darmos continuidade as nossas ações durante a Pandemia de forma online foram idealizadas o “I Encontro Online da LIASMENTAL”. Neste evento, tínhamos a intenção de promover saúde mental (por meio do ensino) e conhecimento sobre diferentes temas, todos de alguma forma, ligados ao tema da pandemia. Foi desafiador para todas as integrantes da Liga criar um evento de tamanha responsabilidade. O uso das plataformas e a realização do evento em formato online possibilitou maior alcance de público, abrangendo desde a comunidade acadêmica, até ao público externo. Além disso, eventos nesse formato permitem a otimização de tempo para realização das atividades. Porém, junto aos ganhos, vieram as adversidades, como, a questão de alguns dos palestrantes solicitarem a gravação de suas palestras, que a princípio não sabíamos como fazê-la. Outro percalço foi quanto a dependência de terceiros, tanto de outras pessoas quanto de recursos tecnológicos, que nem sempre funcionaram como gostaríamos. Conclusão: Apesar das dificuldades pudemos alcançar os objetivos iniciais de promover um evento com convidados competentes, assuntos relevantes e ensino de qualidade. Obtivemos retornos sublimes quanto a organização e a escolha da temática abordada. Tudo isso foi possível graças ao trabalho em equipe, e o respeito às singularidades de cada um. Conseguimos contornar os desafios que surgiram ao longo desse percurso e pudemos desenvolver habilidades como: gerenciamento e antecipação de problemas, entre outras, que não seriam possíveis realizando somente as atividades da grade curricular comum do curso. A ação promoveu debates acolhedores que puderam contribuir, segundo os relatos dos participantes, na diminuição da sensação de isolamento social e acolhimento de demandas.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1263
DESCONFORTO DO TRATO VOCAL DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE ACORDO COM A AUTORREFERÊNCIA DE SINTOMAS VOCAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Professores universitários são profissionais da voz falada e estão suscetíveis a riscos vocais, principalmente pelas condições ambientais e organizacionais de trabalho nas quais estão expostos1,2. Há pouca evidência sobre o nível de risco vocal desta classe docente em específico3. Além disso, a percepção de desconforto durante a produção da voz é um fator que pode interferir no desempenho da atividade laboral de professores, portanto, deve ser investigada4. Objetivo: Analisar a percepção de desconforto do trato vocal de professores universitários de acordo com a autorreferência de sintomas vocais e avaliar a existência de relações entre sintomas vocais e desconforto do trato vocal. Métodos: Estudo transversal, observacional e analítico aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer n. 1.708.786. Participaram 126 professores universitários e foram aplicados um questionário sociodemográfico, a Escala de Sintomas Vocais (ESV)5 e a Escala de Desconforto do Trato Vocal (EDTV)6, instrumento de autoavaliação que busca identificar a percepção sensorial de desconforto do trato vocal de acordo com a frequência (_F) e intensidade (_I) de oito sensações, em uma escala de 0 (nunca) a 6 (sempre). Os professores foram classificados em dois grupos de acordo com a nota de corte da ESV: um grupo vocalmente saudável com pontuação total de 15 pontos ou menos (G1) e um grupo de sintomas vocais com 16 pontos ou mais (G2). Dos 126 professores, 71 eram mulheres e 55 homens, com média de idade de 43 anos. O G1 foi formado por 41 professores (23 homens e 18 mulheres), e o G2 por 85 (32 homens e 53 mulheres). Para comparação entre os grupos foi utilizado o teste de Mann-Whitney e para correlação entre os protocolos foi utilizado o teste de Correlação de Spearman. Todas as análises foram realizadas no Statistical Package for the Social Sciences, em sua versão 25.0. Para a interpretação da magnitude das correlações foi adotada a seguinte classificação: coeficientes de correlação < 0,4 (fraca magnitude), ≥ 0,4 a < 0,5 (moderada magnitude) e ≥ 0,5 (forte magnitude)7. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05). Resultados: As sensações mais referidas tanto pelo G1 como pelo G2, tanto em _F como em _I, foram “secura” (G1_F: 1,32±1,14, G1_I: 1,07±1,04 / G2_F: 2,83±1,41, G2_I: 2,60±1,49), “garganta dolorida” (G1_F: 0,59±0,90, G1_I: 0,61±0,81 / G2_F: 2,38±1,33, G2_I: 2,26±1,39) e “garganta irritada” (G1_F: 0,68±0,77, G1_I: 0,64±0,78 / G2_F: 2,32±1,36, G2_I: 2,35±1,40). O G2 referiu desconforto do trato vocal significativamente maior que o G1 para todas as sensações, tanto em frequência quanto em intensidade com p-valor<0,001 para todas as comparações. Foi encontrada correlação significativa positiva forte entre o ESV e o EDTV tanto em frequência (r=0,705;p<0,001), como em intensidade (r=0,688;p<0,001). Conclusão: Professores universitários com maior referência a sintomas vocais apresentam maiores sensações de desconforto do trato vocal. Conforme aumentam os sintomas vocais, aumentam, também, as sensações de desconforto do trato vocal na população estudada. Tais achados reforçam a urgência de promoção e prevenção vocal para esta classe profissional, com foco em compreender as suas necessidades vocais para auxiliar em suas atividades laborais.

1 Anhaia TC, Klahr PS, Cassol M. Associação entre o tempo de magistério e a autoavaliação vocal em professores universitários: estudo observacional transversal. Rev CEFAC. 2015;17(1):52-7. http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620153314.
2 Aparecida E, Servilha M, Manchado P, Cat U, Dunlop JB. Condições de trabalho, saúde e voz em professores universitários. Rev Ciênc Méd. 2008;17(1):21-31.
3 Paula A L, Cercal GCS, Novis JMM, Czlusniak GR, Ribeiro VV, Leite APD. Perception of fatigue in professors according to the level of knowledge of vocal health and hygiene. Audiol. Commun. Res. 2019;24: e2163. https://doi.org/10.1590/2317-6431-2019-2163.
4 Souza LBR, Pernambuco LA, Lima CR, Santos MM. Desconforto no trato vocal em professores do ensino fundamental. Rev. Ciênc. Méd. Biol. 2015;14(1):36-41.
http://dx.doi.org/10.9771/cmbio.v14i1.12734.
5 Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Cross-cultural Adaptation, Validation, and Cutoff Values of the Brazilian Version of the Voice Symptom Scale-VoiSS. J Voice. 2014; 28(4):458-68. https://doi.org/10.1016/j.jvoice.2013.11.009.
6 Mathieson L, Hirani SP, Epstein R, Baken RJ, Wood G, Rubin JS. Laryngeal manual therapy: a preliminary study to examine its treatment effects in the management of muscle tension dysphonia. J Voice. 2009;23(3):353-66. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2007.10.002.
7 Hulley SB, Cummings SR, Browner WS, Grady D, Hearst N, Newman TB. Delineando a pesquisa clínica: uma abordagem epidemiológica. 2a Ed. Porto Alegre: Editora Artmed; 2003.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1833
DESCRIÇÃO CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA NA SÍNDROME DE DRAVET: ESTUDO DE CASO.
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A síndrome de Dravet é uma forma grave de epilepsia, de origem genética associada à mutação no gene SCN1A em 75% dos casos1. É uma síndrome epilética rara, com inicio na infância1,2. Com incidência de 1/20.000 a 1/40.000 nascidos vivos, com prevalência de 7% das epilepsias em crianças menores de três anos afetando mais meninos do que meninas na proporção 2:12,4. É caracterizada pela presença de diferentes tipos de crises convulsivas desencadeadas por diferentes estímulos3. As crianças portadoras desta síndrome podem apresentar atrasos no desenvolvimento cognitivo, problemas de aprendizagem, de coordenação de movimentos, distúrbio de comportamento, hiperatividade, impulsividade e transtorno do espectro autista1,2.
OBJETIVO: Descrever as manifestações clínicas fonoaudiológicas de uma menina de quatro anos com síndrome de Dravet.
METODOLOGIA: Criança foi encaminhada para avaliação fonoaudiológica devido a pouca oralidade. Foram avaliadas as habilidades comunicativas, compreensão da linguagem e simbolismo com o Protocolo de Observação Comportamental (PROC), além do aspecto semântico emissivo e receptivo com o protocolo de Avaliação do desenvolvimento da linguagem (ADL). Os aspectos motores orofaciais foram avaliados utilizando-se do protocolo AMIOFE.
RESULTADOS: O início da epilepsia ocorreu aos seis meses após vacina. Foi diagnosticada com síndrome de Dravet aos dois anos e meio e mutação do gene SCN1A. Apresenta crises de ausência com maior frequência às crises são desencadeadas por luzes, barulho ou quando é repreendida. Faz tratamento medicamentoso para controle das crises com uso de canabidiol. Quanto ao desenvolvimento, suas primeiras palavras foram aos 2 anos 4 meses e andou sem apoio aos 2 anos e 7 meses. A criança comunica-se por meio verbais com palavras isoladas e enunciados de duas palavras, além de meios não verbais através de gestos não simbólicos convencionais (como apontar e negar com a cabeça); apresenta intenção comunicativa, responde ao interlocutor e aguarda seu turno em atividade dialógica, porém com pouca participação e raramente inicia a conversa. Foram observadas as funções comunicativas: instrumental (solicitar objetos), protesto (interromper ação indesejada), interativa (uso de expressões sociais) e nomeação de objetos e raramente realizou a função informativa (comentário espontâneo). Sua linguagem refere-se ao contexto imediato e concreto. Compreende ordens com três ou mais ações. Quanto ao desenvolvimento cognitivo, faz uso convencional de objetos, porém não cria símbolos fazendo uso de objetos substitutos ou gestos simbólicos para representar objetos ausentes e não faz uso da linguagem verbal para relatar o que está acontecendo durante a interação; explora os objetos de forma diversificada, porém sem uma organização dos mesmos.
O aspecto semântico emissivo e receptivo da criança correspondeu a faixa etária de crianças com 2 anos e 6 meses a 2 anos e 11 meses.
Os aspectos motores orofaciais: alteração na mobilidade e tensão dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua e bochechas), o que contribui para o prejuízo na fala e para sua ininteligibilidade; além de fáceis pouco expressivas.
CONCLUSÃO: Devido a poucos relatos na literatura das manifestações clínicas e fonoaudiológicas desta síndrome seria importante mais análise de casos clínicos para definirmos o tratamento e prognóstico terapêutico frente às alterações fonoaudiológicas encontradas.

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4) Perez AB; Moreno N. Síndrome de Dravet. Revista de La facultad de Ciencias de La salud. 2015; 19(3):27-30.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1932
DESCRIÇÃO DO ACESSO AO SANEAMENTO BÁSICO EM LOCALIDADES RIBEIRINHAS DA REGIÃO AMAZÔNICA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Populações vulneráveis na região amazônica tem sido assistidas pelo Projeto
FOB/USP em Rondônia desde 2002, e todo ano são realizados atendimentos em saúde
desenvolvendo atividades como: ações preventivas, educativas, reabilitadoras e estudos
epidemiológicos.
Objetivo: O estudo tem por objetivo descrever um panorama sobre o acesso ao saneamento
básico da população urbana, rural e ribeirinha que é assistida pelo Projeto de extensão
Universitária.
Métodos: Estudo Observacional que utilizou o banco de dados das expedições do Projeto
FOB/USP em Rondônia realizados nos anos de 2018, 2019 e 2020. Foi questionado ao
voluntário participante as questões sobre acesso a meio de abastecimento água potável, forma
como é descartado os resíduos sanitários (esgoto) e forma como é descartado os resíduos
sólidos (lixo).
Resultados: Os resultados foram obtidos de 337 participantes, sendo 42% residentes na zona
rural, 30% na zona urbana e 28% em áreas ribeirinhas. Para abastecer a residência com água
potável 45% dos moradores da zona urbana captam por meio de rede de abastecimento do
município, 37% captam sua água por poços artesanais, semiartesianos e artesianos, 8% não
souberam ou não quiseram responder. Na zona rural 61,54% dos residentes recorrem ao
abastecimento de água potável através de poços artesanais, caipiras ou cacimbas. Nas áreas
ribeirinhas 61,70% dos participantes tem acesso a rede municipal de abastecimento e 12,77%
buscam em rios, igarapés e afluentes. Em relação ao descarte do esgoto residencial, 54% dos
domiciliados na região urbana faz o despejo em fossas secas feita pelos próprios moradores;
na zona rural esse modo de descarte é realizado por 79,02% dos participantes e nas
localidades ribeirinhas 35,10% realizando esse tipo de despejo. Se tratando de como o lixo é
descartado as zonas rurais e ribeirinhas destacam-se na realização de uma solução arcaica para
tal objetivo, a incineração, que o método mais utilizado pela população participante,
perfazendo um total de 58,45% em relação ao número total da coleta. Para os moradores da
zona urbana o cenário é outro, somente 6% da população queimam seu lixo, pois existe o
município realiza a coleta, sendo que, 82% dos voluntários da zona urbana usufruem do
benéfico. De toda a população participante só 14% relataram ter acesso aos três itens
imprescindíveis do saneamento básico, são eles: rede municipal de abastecimento de água
potável, rede municipal de coleta, tratamento de esgoto e rede municipal de coleta de lixo,
lembrando que os respectivos fornecimentos são de obrigatoriedade de todos os municípios.
Conclusão: No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição e
definido pela Lei nº. 11.445/2007, mas os resultados demonstram que a situação é ainda mais
precária na região amazônica se comparadas com os grandes centros urbanos, sendo o
saneamento básico um dos principais fatores para evitar a proliferação de comorbidades na
população.

1. BORJA, P. C. Política pública de saneamento básico: uma análise de recente experiência brasileira. Saúde Soc. São Paulo, v.23, n.2, p.432-447, 2014.

2. LEONETI, A. B.; PRADO, E. L.; OLIVEIRA, S. V. W. B. Saneamento básico no Brasil: considerações sobre investimentos e sustentabilidade para o século XXI. rap — Rio de Janeiro, v.45, n.2, p.331-48, 2011.

3. OLIVEIRA, A. N.; CALDANA, M. L. Estudo das interfaces das ações realizadas pelo projeto "FOB-USP em Rondônia": uma experiência para a vida, sob a ótica dos expedicionários e da população de Monte Negro-RO. Universidade de São Paulo, Bauru, 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1647
DESCRIÇÃO DOS ASPECTOS FUNCIONAIS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM PARALISIA CEREBRAL
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução
A paralisia cerebral (PC) é a principal causa de incapacidade física na infância¹. Compreende-se por um grupo de desordens permanentes no desenvolvimento dos movimentos e postura, também podem ser acompanhadas de forma primária ou secundária de distúrbios da sensação, percepção, cognição, comunicação, comportamento e por epilepsia ².

Objetivo
Avaliar as habilidades funcionais de autocuidado, mobilidade e função social em crianças e adolescentes com Paralisia Cerebral.

Método
Foi realizado um estudo epidemiológico transversal aprovado pelo Comitê de Ética com parecer 1.177.455. Foi analisada amostragem de 110 crianças e adolescentes com Paralisia Cerebral. Foram incluídas crianças com idade entre 6 e 14 anos, diagnóstico de paralisia cerebral CID 10 (G80.0 - G80.9), residentes em Aracaju, e foram excluídos os indivíduos que foram internados 30 dias antes da avaliação. Permaneceram no estudo 110 indivíduos. O instrumento utilizado na avaliação foi o PEDI (Pediatric Evaluation of Disability Inventory) nas dimensões de Autocuidado (73 itens), Mobilidade (59 itens) e Função Social (65 itens) ³. A análise estatística foi realizada através do STATA versão 14.0 (Stata Corp LP, College Station TX EUA).

Resultados
Os escores brutos dos domínios de autocuidado, mobilidade e funcionalidade foram abaixo da média do instrumento, com escores 21(autocuidado), 20 (mobilidade) e 21 (função social), revelando uma alta dependência funcional. Das crianças e adolescentes da pesquisa, 65,45% frequentam rede de ensino, entretanto 34,55% não estudam, sendo um número significante que se encontra fora das redes de ensino.
A quadriplegia foi predominante em 34,55%, o tipo espástico foi de 40%, entretanto 53,64% não souberam responder. Das mães entrevistadas, 50 % não sabiam o grau de Paralisia Cerebral de seus filhos, e 21,82% possuem grau severo. Além de predominância das crianças com PC nas áreas de vulnerabilidade da cidade.
Órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção são utilizados por 74,55%, e 73,64% fazem algum tipo de reabilitação, entretanto 49,09% das mães não sabem se suas necessidades de saúde foram atendidas. Das deficiências associadas: 10% possuem deficiência auditiva, 31,82% possuem deficiência visual, 43,64% tem deficiência intelectual, 59,09% com epilepsia e 29,09% tem distúrbio do comportamento, mesmo com um índice alto de deficiências associadas apenas 39,09% fazem atendimento fonoaudiológico, 40,91% fazem terapia ocupacional, apenas 9,09% possuem atendimento psicológico e 66.36% realizam terapia com fisioterapeuta.

Conclusão
Os dados revelam uma alta dependência funcional na realização das atividades bem como a necessidade de melhoria no diagnóstico de PC, pois a maioria das mães não sabem o grau de PC de seus filhos e outras especificidades da patologia, o que afeta diretamente na reabilitação funcional, além disso a maioria das crianças e adolescentes possuem quadriplegia, além dos fatores de vulnerabilidade associados.


1. BRASILEIRO, Ismênia de Carvalho. MOREIRA, Thereza Maria Magalhães, et al. Atividades e participação de crianças com Paralisia Cerebral conforme a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Revista Brasileira de Enfermagem; 62 (4): 503-11. Brasília, 2009.

2. ROSEMBAUM, Peter. A report: the definition and classification of cerebral palsy. Washington, DC, USA 2006.

3.FONSECA, J. O.; CORDANI, L. K.; OLIVEIRA, M. C. de. Aplicação do inventário de avaliação pediátrica de incapacidade (PEDI) com crianças portadoras de paralisia cerebral tetraparesia espástica. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 16, n. 2, p. 67-74, maio./ago., 2005.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
262
DESCRITORES DE QUALIDADE VOCAL SOPROSA, RUGOSA E SAUDÁVEL NO SENSO COMUM
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Os termos soprosidade e rugosidade são frequentemente utilizados por fonoaudiólogos, tanto na clínica como em estudos científicos1,2,3. Contudo, esses verbetes não são usuais para a população em geral e nem para outras especialidades da área da saúde. Sendo assim, mencionar esses termos em terapia ou inseri-los em um questionário de pesquisa para avaliação de aspectos vocais, por exemplo, pode comprometer as respostas dos pacientes, pela incompreensão de seus significados. Objetivo: identificar os termos referidos pela população em geral para a qualidade vocal saudável, rugosa e soprosa. Método: Este estudo recebeu aprovação do comitê de ética em pesquisa (nº 29404219.0.0000.5188). Foi realizado um teste com 50 participantes, acima de 18 anos, sem vínculos acadêmicos ou profissionais com a Fonoaudiologia. A tarefa consistia em ouvir três vozes e defini-las livremente. As vozes foram escolhidas no banco de vozes do laboratório de voz de uma instituição de ensino superior e julgadas por um fonoaudiólogo especialista em voz, com mais de 10 anos de experiência em avaliação vocal perceptivo-auditiva. A primeira voz apresentada era predominantemente soprosa; a segunda, predominantemente rugosa e a terceira, vocalmente saudável (sem desvio da qualidade vocal). Apresentou-se a emissão sustentada da vogal /Ɛ/ e a contagem de 1 a 10. Cada participante deveria responder ao comando: “Ouça essa voz. Com qual termo você a nomearia?”, digitando o termo escolhido em uma linha disposta na tela do PowerPoint. Resultados: Para a voz saudável, o termo que mais se repetiu foi “normal”, usado por dezoito participantes (36%), os demais escolheram termos como: “limpa”, “comum”, “padrão”, “clara”, “límpida”, “firme”, “boa”, “simples”, “som aberto”, “definida”, entre outros. Para a voz rugosa, vinte e cinco participantes (50%) escolheram o termo “rouca” e os demais se dividiram em termos como “ruidosa”, “chiada”, “voz de fumante”, “grave”, “idosa”, “cavernosa”, “anormal”, entre outros termos similares. Para a voz soprosa, vinte e quatro participantes (48%) usaram o termo “cansada”; cinco participantes atribuíram o adjetivo “fraca”; três responderam com o termo “sem fôlego”; houve duas correspondências aos termos “arrastada” e “doente”; e os demais termos apresentados foram semelhantes a estes: “exausta”, “preguiçosa”, “sonolenta”, “fatigada” e afins. Conclusão: Os termos “normal” para voz saudável, “rouca” para voz rugosa e “cansada” para voz soprosa, possibilitam uma percepção mais usual desses parâmetros clínicos de qualidade vocal, para indivíduos alheios à linguagem técnico-científica da Fonoaudiologia.

BEHLAU, M.; AZEVEDO, R.; PONTES, P. Conceito de voz normal e classificação das disfonias. In: BEHLAU, M. Voz: o livro do especialista, 1. Rio de Janeiro: Revinter, 2001a.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
674
DESEMPENHO DA LINGUAGEM ESCRITA EM ESCOLARES COM DIFICULDADES EM HABILIDADES SOCIAIS E/OU ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A aprendizagem da leitura e escrita é um processo complexo, mediada por interações com semelhantes e influenciado por fatores intrínsecos e/ou extrínsecos à criança, podendo assim, afetar suas habilidades sociais e promover a ocorrência de comportamentos problemáticos. Alguns estudos indicaram que um repertório amplo de habilidades sociais ainda na fase pré-escolar tem relação a um maior sucesso acadêmico posterior.
OBJETIVO: O objetivo deste trabalho foi analisar o desempenho em escrita de escolares com dificuldades em habilidades sociais e/ou alterações comportamentais, em relação ao tipo de erros ortográficos, aspectos da grafia, e nível de coerência de elaboração textual.
MÉTODOS: Estudo realizado de acordo com as normativas da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa obedecendo à resolução 466/2012, e ao Comitê de Ética da Instituição responsável, sob protocolo número 2.791.702. O modelo utilizado foi o de coorte retrospectivo, por amostra de conglomerado, com 42 crianças matriculadas no 4º e 5º ano em escolas da rede municipal no Estado de São Paulo. Foi aplicada uma anamnese com os responsáveis das crianças para obtenção da história pregressa. Em seguida os dados foram coletados, utilizando-se os seguintes instrumentos: Critério de Classificação Econômica (ABEP), Inventário de Recursos do Ambiente Familiar (RAF) e Inventário de Habilidades Sociais (SSRS). A partir dos resultados obtidos no SSRS, as crianças foram divididas em 2 grupos: G1 (n=18, crianças com alterações de habilidades sociais e/ou comportamentais) e G2 (n=24, crianças sem alterações). Todas as crianças foram submetidas à avaliação de escrita por meio da Prova de Escrita de Ditado (Capovilla, 2013) e de uma elaboração espontânea de texto. Foram analisados os erros ortográficos do ditado (Protocolo de Zuanetti et al), aspectos referentes a grafia (Escala de Lorenzini) e nível de coerência da elaboração espontânea (Instrumento de Spinillo e Martins). Para análise de dados foram utilizados estatística descritiva para a caracterização dos grupos, Teste Igualdade de Proporções Entre duas Amostras para variáveis categóricas, e Teste t-student para amostras não pareadas, para variáveis numéricas. O nível de significância adotado foi p<0,05.
RESULTADOS: O resultado do Inventário RAF não demonstrou diferenças significativas entre os grupos. De acordo com os resultados da Avaliação da Grafia não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quando comparados por variável numérica. Em relação a erros ortográficos foram observadas diferenças no desempenho dos grupos tanto em análise categórica, quanto análise numérica (p<0,05); a análise estatística demonstrou diferenças significativas entre os grupos, com pior desempenho de G1 (para total de erros e pseudopalavras). No que diz respeito ao nível de coerência, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos.
CONCLUSÃO: Escolares que apresentaram déficits nas habilidades sociais e/ou comportamentos problemáticos manifestaram pior desempenho em tarefas de ditado com maior ocorrência de erros ortográficos, em relação ao grupo sem alterações. Este fato deve sinalizar maior atenção de educadores e pais.


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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1400
DESEMPENHO DE CRIANÇAS DIAGNOSTICADAS COM TEA NA IMITAÇÃO DE MOVIMENTOS ORAIS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Praxis é definida como a capacidade de conceituar, planejar e concluir com êxito ações motoras1. O desempenho em atividades práxicas requer habilidade motora básica, conhecimento de representações do movimento e transcodificação dessas representações em planos de movimento2. Estas habilidades emergem naturalmente à medida que a criança interage no ambiente com objetos e pessoas que apoiam sua capacidade para aprender novas habilidades, por meio da interação, atenção, exploração e imitação2. A imitação é uma função complexa de extrema relevância para mediar transferência de conhecimentos para habilidades e interação3. Indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem apresentar déficit em habilidades motoras globais, finas e orais, incluindo dificuldades em suas praxias5-9, para além das características fundamentais do diagnóstico4. Objetivo: Descrever o desempenho de crianças diagnosticadas com TEA na imitação de movimentos orais. Métodos: Este estudo integra uma pesquisa de tradução e adaptação transcultural do instrumento Kaufman Speech Praxis Test (KSPT)10 (CAEE: 94438218.3.0000.5417). Nesta avaliação, utilizou-se a Parte 1 (Nível do Movimento Oral) do KSPT, cujas provas objetivam avaliar os seguintes movimentos, realizados por imitação e/ou sob comando: abrir a boca, produzir voz, protruir a língua, lateralizar a língua para a direita, lateralizar a língua para a esquerda, alternar a lateralização de língua, elevar a língua na papila incisiva, retrair e protruir os lábios ocluídos e alternar retração e protrusão de lábios. O registro de desempenho em cada prova varia entre os seguintes itens: incapaz de executar, realiza varredura oral/faz tentativas imprecisas, apresenta extensão reduzida do movimento, incapaz de separar um movimento do outro e outros. Participaram do estudo 15 crianças (14 meninos) diagnosticados com TEA, de idades entre 24 e 71 meses (média: 54m), que estavam em intervenção fonoaudiológica há 16,4 meses, em média. Da casuística, 46,6% apresentavam inteligibilidade de fala total e 53,4% inteligibilidade de fala parcial, segundo critério do instrumento10. Quanto ao nível de interação/comunicação social (classificação do DSM-54), seis participantes foram classificados em nível 1 (requerendo suporte), cinco foram classificados em nível 2 (requerendo suporte substancial) e quatro foram classificados em nível 3 (requerendo suporte muito substancial). O grupo avaliado apresentou em média 2,74 erros nas 11 provas aplicadas, variando de 0 a 5 erros (da menor para a maior pontuação de incorretos). Os indivíduos que apresentavam inteligibilidade de fala parcial tiveram uma pontuação média de 3 erros, enquanto que os indivíduos com inteligibilidade de fala total apresentaram uma pontuação média de 2,42 erros. A maioria (73,3%) falhou na prova de elevação da língua na papila incisiva e 60% apresentaram erros na prova de alternar retração e protrusão de lábios. Os participantes tiveram sucesso nas provas de abertura da boca, produção de voz, protrusão de língua e controle de saliva. Conclusão: Imitar é uma fragilidade no desenvolvimento de indivíduos com TEA. Assim, é fundamental que se busque identificar, por meio de estudos controlados, em que medida as alterações de fala estão relacionadas a falhas globais em bases neurais da imitação ou de mecanismos práxicos orais especificamente. Esta é uma lacuna apresentada em estudos com indivíduos com TEA2,3.

1. Ayres AJ. Sensory integration and the child. Los Angeles: Western Psychological Services. 2005.
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4. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5). Arlington, VA: American Psychiatric Association, 2013.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
289
DESEMPENHO DE ESCOLARES COM DESENVOLVIMENTO TÍPICO EM UM NOVO PROGRAMA ON LINE DE TRIAGEM DO PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL (AUDBILITY): HÁ CORRELAÇÃO COM O DIAGNÓSTICO?
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Título: Desempenho de escolares com desenvolvimento típico em um novo programa on line de triagem do processamento auditivo central (AudBility): há correlação com o diagnóstico?

Introdução: Métodos eficazes de triagem do processamento auditivo central (PAC) têm sido um desafio na audiologia, pois é necessário contemplar diferentes habilidades auditivas, ser rápido, de baixo custo e de fácil aplicação, visando encaminhar assertivamente crianças de risco para avaliação diagnóstica1,2. O AudBility é um novo programa online de triagem do PAC no cenário brasileiro3.

Objetivo: Analisar se há correlação entre o desempenho de crianças com desenvolvimento típico no Audbility e no diagnóstico do PAC.

Método: Estudo descritivo, analítico, prospectivo de acurácia diagnóstica, de corte transversal, aprovado pelo Comitê de Ética (n.2.294.609). O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado pelos pais e a criança assinou o Termo de Anuência. A amostra foi constituída por 96 escolares (média de 7,47 ± 0,97 anos, 50 do sexo feminino), classificados com desenvolvimento típico a partir da anamnese com os pais e questionário respondido pelo professor. A primeira etapa do estudo consistiu na triagem dos escolares em uma escola da Rede Pública de Ensino. Participaram da triagem os escolares que apresentaram resultados normais na meatoscopia e timpanometria. As tarefas auditivas do AudBility correlacionadas com o diagnóstico foram: Localização Sonora (LS), Fechamento Auditivo (FA), Integração Binaural (IB), Figura-fundo (FF), Resolução Temporal (RT) e Ordenação Temporal de frequência (OT-F). Na segunda etapa do estudo as crianças foram avaliadas no Laboratório de Audiologia da Instituição. Compareceram nesta etapa 59 escolares entre 6 e 7 anos e 37 escolares de 8 anos. Os testes clínicos do PAC foram o Masking Level Difference (MLD)4, Teste de Fala no Ruído (FR)5, Teste Dicótico de Dígitos (DD)6, Teste de Identificação de Sentenças Pediátricas com Mensagem Competitiva Ipsilateral (PSI)7, Teste de Detecção de Intervalos Aleatórios (RGDT)8 e o Teste de Padrão de frequência (TPF)- versão Auditec9. Para a análise, realizou-se o cálculo do coeficiente de correlação e do valor de p por meio dos testes de correlação de Pearson ou Spearman.

Resultados: Na faixa etária entre 6 e 7 anos houve correlação estatisticamente significante e positiva, indicando que o aumento de uma das variáveis se associou ao aumento da outra variável em quatro testes de triagem e os respectivos testes de diagnóstico: Triagem FA e Teste FR; Triagem de RT e teste RGDT; Triagem de IB e teste DD; Triagem de FF e teste PSI; Triagem de OT-F e teste TPF. Na faixa etária de 8 anos houve correlação estatisticamente significante e positiva apenas em dois testes, na triagem de IB e teste DD, ambos à orelha esquerda no sexo feminino; e na triagem de OT-F e o teste TPF à orelha direita.

Conclusão: Houve correlação entre triagem e diagnóstico em um maior número de tarefas do AudBility na faixa etária entre 6 e 7 anos quando comparada aos 8 anos. Os achados demonstraram que o AudBility é uma ferramenta importante em ações de triagem escolar contribuindo para o encaminhamento precoce para o diagnóstico do PAC.

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7. Ziliotto KN, Kalil DM, Almeida CIR. PSI em Português. In Pereira DL, Schochat E. Processamento Auditivo Central – manual de avaliação. São Paulo: Lovise; 1997. p.113-28.


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9. AUDITEC. Evaluation manual of pitch pattern sequence and duration pattern sequence. St. Louis: Auditec; 1997.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2055
DESEMPENHO DE ESCOLARES DO ENSINO FUNDAMENTAL I NA PROVA DE MEMÓRIA LEXICAL ORTOGRÁFICA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Resumo
Introdução: Os domínios cognitivos da atenção, memória, processamento fonológico e processamento visual estão relacionados às capacidades de aprendizagem da leitura e escrita(1). A verificação do desempenho ortográfico dos escolares, mediante o uso combinado do acesso ao léxico ortográfico e a memória operacional fonológica, demanda em primeiro lugar o bom funcionamento das funções executivas(2), memória de input visual mediante a leitura, formação do léxico mental ortográfico, e conhecimento explícito das situações de regras e irregularidades da ortografia(3,4) .
Objetivo: Apresentar resultados normativos da prova de Memória Lexical Ortográfica.
Método: Aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Filosofia e Ciências – FFC/UNESP - Marília - São Paulo sob o protocolo nº. 1070/2009, com apoio da Capes e Fapesp (09/01517-1). Foi aplicada a prova de Memória Lexical Ortográfica (MLO) do Pró-Ortografia: Protocolo de Avaliação da Ortografia para Escolares do Segundo ao Quinto Ano do Ensino Fundamental(5), em todos os participantes da pesquisa de forma individual; 240 escolares do 2º ao 5º ano, 120 de escola particular e 120 de escola pública, de Londrina/PR, sendo 60 escolares de cada ano divididos em oito grupos: GI, GII, GIII, GIV (ensino particular) e GV, GVI, GVII e GVIII (ensino público). Para a aplicação foi dada instrução e realizado um treino. Foi atribuído 1 ponto para cada acerto. Resultados analisados estatisticamente.
Resultados: A comparação entre resultado obtido e esperado, mostrou que o desempenho dos escolares das duas escolas foi menor que o esperado, havendo diferença estatisticamente significante, ligeiramente superior para os escolares da escola pública, não revelando prevalência dos tipos de ensino. Em relação à comparação entre os grupos de ambas as escolas, observou-se diferença estatisticamente significante, indicando que as médias de acerto se tornaram superiores com o aumento da seriação escolar, para todos os grupos das duas escolas. A comparação intergrupos dos pares da escola particular, revelou que os grupos GIII e GIV apresentaram desempenho superior de acertos em relação ao GI, e o GIV em relação ao GII. Na mesma comparação, os resultados da escola pública mostraram o desempenho superior do GVIII em relação aos GV, GVI e GVII; ao passo que o GVII foi superior em relação ao GV. Os escolares do GV também revelaram desempenhos inferiores que os dos GVI.
Conclusão: Os resultados sugerem que possivelmente os escolares não sejam estimulados para desenvolverem a capacidade para refletir sobre a notação ortográfica, entretanto, formas diferentes de ensino, pelos professores de ambas as escolas e da própria metodologia de ensino adotada, parece não trazer, à princípio, problemas para o aumento das médias a cada ano escolar. Muito embora os desempenhos ortográficos tenham melhorado ao aumento da seriação, as médias obtidas pelos escolares encontram-se muito aquém das médias esperadas, sugerindo, talvez, a falta de um ensino explícito das notações ortográficas nas situações de regra e irregularidade, que a aprendizagem da ortográfica requer. Quanto mais investigações dos processos subjacentes à escrita, melhores serão as estratégias educacionais.
Palavras-chave: Avaliação, Educação, Ortografia.

1- Mello CB, Sant’anna B. Funções gnósicas, práxicas e vísuo-construtivas. In: Pantano T, Zorzi JL, organizadores. Neurociência aplicada à aprendizagem. São José dos Campos, SP: Pulso; 2009. p. 61-79.

2- Malloy-Diniz LF, Paula JJ, Loschiavo-Alvares FQ, Fuentes D, Leite WB. Exame das funções executivas. In: Malloy-Diniz LF, Fuentes D, Mattos P, Abreu N. organizadores. Avaliação Neuropsicológica-2. Porto Alegre, RS: Artmed; 2010. p. 94-113.

3- Batista AO, Capellini SA. A ortografia nas dificuldades de aprendizagem. In: Cerqueira César ABP, Seno MP, Capellini AS, organizadoras. Tópicos em transtornos de aprendizagem: parte VI. São José dos Campos, SP: Pulso; 2018. p. 17-30.

4- Batista AO, Chiaramonte TC, Capellini SA. Compreendendo os transtornos específicos de aprendizagem: compreendendo a disortografia (Vol. 2). Ribeirão Preto, SP: Book Toy; 2019.

5- Batista AO, Cérvera-Mérida J, Ygual-Fernández A, Capellini SA. Pró-Ortografia: Protocolo de Avaliação da Ortografia para Escolares do Segundo ao Quinto ano do Ensino Fundamental. Barueri, SP: Pró-Fono; 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
238
DESEMPENHO DE ESCRITA DE PALAVRAS ISOLADAS E PSEUDOPALAVRAS DE ESCOLARES DO 3º ANO
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


DESEMPENHO DE ESCRITA DE PALAVRAS ISOLADAS E PSEUDOPALAVRAS DE ESCOLARES DO 3º ANO

Introdução: A Portaria nº 867 instituiu o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). Nesta, o escolar é considerado alfabetizado quando compreende os princípios do sistema alfabético da escrita, reflete a respeito das relações sonoras e gráficas das palavras, reconhece e automatiza as correspondências fonema-grafema1. O conhecimento das estratégias de escrita de palavras utilizadas pelos escolares que estão concluindo o ciclo de alfabetização é fundamental para a prevenção, identificação e tratamento das dificuldades que podem acontecer durante esse processo2.
Objetivo: Analisar o desempenho de escrita de palavras isoladas e pseudopalavras de escolares do 3º ano de escolas públicas municipais de Guaíba/RS.
Método: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob nº 1312410. Participaram deste estudo 146 escolares (75 meninos e 71 meninas) das 15 escolas municipais de ensino fundamental (amostra aleatória e estratificada). Os escolares tinham idade entre 8:2 e 9:8. A avaliação da escrita de palavras e pseudopalavras foi realizada pelo instrumento Prova de Escrita sob Ditado (versão reduzida)3. A avaliação por meio da escrita de palavras e pseudopalavras possibilita identificar como o aluno realiza o processamento da informação por meio da dupla rota de escrita (fonológica e lexical). Os dados foram analisados usando o ambiente R.
Resultados: Do total da amostra, apenas dois escolares (1,4%) foram classificados com desempenho considerado alto; 96 (65,8%), com desempenho médio; 18 (12,3%), com desempenho baixo; e 30 (20,5%) com desempenho muito-baixo. Além disso, observou-se uma grande variabilidade de desempenho dos escolares avaliados, tanto na mesma escola como entre elas. O baixo desempenho de escrita de palavras isoladas e pseudopalavras demonstra que os alunos que estão concluindo o ciclo de alfabetização não consolidaram o processo de alfabetização mesmo estando em conclusão do 3º ano escolar preconizado pelo PNAIC.
Conclusão: Concluiu-se que os escolares com melhores desempenhos na escrita de palavras isoladas e pseudopalavras faziam uso de ambas as rotas (fonológica e lexical). Os escolares com desempenhos insatisfatórios, houve predominância de uma rota sobre a outra, mas não se pode excluir a possibilidade de ambas estarem atuando juntas. A presente alerta para a importância da participação do fonoaudiólogo escolar conjuntamente as equipes escolares nas avaliações diagnósticas institucionais referentes ao desempenho dos alunos do ciclo de alfabetização.


Referências Bibliográficas

1. Brasil. Portaria nº 867, de 4 de julho de 2012. Institui o pacto nacional pela alfabetização na idade certa e as ações do pacto e define suas diretrizes gerais. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF (Jul 05, 2012). Seção 1, p. 27.

2. Salles JF, Parente MAMP. Avaliação da leitura e escrita de palavras em crianças de 2ª série: abordagem neuropsicológica e cognitiva. Psicol: Reflex Crít. 2007;20(2):220-227.

3. Seabra AG, Capovilla FC. Prova de escrita sob ditado – versão reduzida. In: Seabra AG, Dias NM, Capovilla FC. (Orgs.). Avaliação neuropsicológica cognitiva: leitura, escrita e aritmética. São Paulo: Memnon; 2013. p. 60-72.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
236
DESEMPENHO DE LEITURA E ESCRITA COMPARADO À ESCOLARIDADE E NÍVEL SOCIOECONÔMICO DOS PAIS
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


DESEMPENHO DE LEITURA E ESCRITA COMPARADO À ESCOLARIDADE E NÍVEL SOCIOECONÔMICO DOS PAIS

Introdução: Estudos1,2 apontam que fatores como o nível socioeconômico e escolaridade dos pais parecem influenciar o aprendizado de escolares. Ler e escrever são atividades altamente complexas, dependentes da correlação de processos distintos. O sucesso nas habilidades de leitura e escrita pressupõe ter uma reflexão sobre a fala, o pensar sobre o código alfabético e a capacidade para manejar os mecanismos de conversão grafofonêmica na leitura ou fonografêmica na escrita3.
Objetivo: Analisar o desempenho de leitura e escrita de escolares do 3º ano da rede pública municipal de Guaíba/RS correlacionando ao nível socioeconômico e escolaridade dos pais.
Método: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob nº 1312410. Participaram 76 escolares (41 do sexo feminino e 35 do masculino), com idades entre 8:11 e 9:9. Os pais e/ou responsáveis receberam um questionário da Associação Brasileira de Empresas e Pesquisa que investigava aspectos socioeconômicos e de escolaridade dos pais. Os particpantes foram avaliados pelos instrumentos: “Tarefa de Leitura de Palavras/Pseudopalavras Isoladas (LPI)”4 e Prova de Escrita sob Ditado (versão reduzida)5. Os dados foram analisados usando o ambiente R.
Resultados: Comparando o total de erros na escrita e a escolaridade dos pais, as análises evidenciaram que não houve diferença, tanto para a escolaridade do pai (p=0.7) quanto para a escolaridade da mãe (p=0.5). Essa mesma tendência também foi observada em relação ao total de erros na escrita quando comparadas ao nível socioeconômico da família (p=0.6). Em relação ao desempenho em leitura percebeu-se uma tendência sutil (fraca) para o nível de escolaridade da mãe. Comparando o total de erros na escrita, total de acertos na leitura e o tempo de leitura ao nível socioeconômico da família, as análises evidenciaram que não houve diferença no total.
Conclusão: Isso demonstra que o desempenho escolar nesta fase pode estar relacionado mais ao ensino formal da leitura e escrita do que ao nível socioeconômico e de escolaridade dos pais. O desempenho de leitura e escrita é desenvolvido a partir das experiências e interações de comunicação durante os anos de escolarização, o terceiro ano é o final do ciclo de alfabetização.



Referências Bibliográficas

1. Fluss MD, Ziegler JC, Warszawski J, Ducot B, Richard G, Billard C. Poor Reading in French Elementary School: the interplay of cognitive, behavioral and socioeconomic factors. J Dev Behav Ped. 2009;30(2):206-16.

2. Enricone JRB, Salles JF. Relação entre variáveis psicossociais familiares e desempenho em leitura/escrita em crianças. Ver Assoc Bras Psicol Esc Educ. 2011;15(2):199-210.

3. Salles JF, Parente MAMP. Relação entre desempenho infantil em linguagem escrita e percepção do professor. Cad Pesq. 2007;37(132):687-709.

4. Salles JF, Piccolo LR, Zamo RS, Toazza R. Normas de desempenho em tarefas de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 7º ano. Est Pesq Psicol. 2013;13(2):397-419.

5. Seabra AG, Capovilla FC. Prova de escrita sob ditado – versão reduzida. In: Seabra AG, Dias NM, Capovilla FC. (Orgs.). Avaliação neuropsicológica cognitiva: leitura, escrita e aritmética. São Paulo: Memnon; 2013. p. 60-72.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1954
DESEMPENHO DE LEITURA SEGUNDO O PESO AO NASCIMENTO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Desempenho de leitura segundo o peso ao nascimento

Introdução: Muitos problemas relacionados ao aprendizado da leitura seriam causados por déficits em habilidades subjacentes da linguagem(1,2,3) que, por sua vez, podem ser decorrentes da participação de fenômenos ocorridos, ainda, no período gestacional. O baixo peso ao nascimento (BPN) frequentemente é identificado como fator de risco a atrasos e alterações cognitivas da linguagem oral e escrita(4,5,6,7). Portanto, esclarecimentos sobre o papel do peso ao nascer no aprendizado da leitura de escolares do Ensino Fundamental (EF) justificaram esse estudo. Objetivo: Verificar relações entre o desempenho de leitura e o peso ao nascimento de escolares matriculados no início do EF de escolas municipais. Método: Estudo observacional, do tipo coorte concorrente e de análise quantitativa (CEP - CAAE: 65392617.5.0000.5505; Parecer nº 2.034.638). Após os termos de consentimento terem sido assinados, o estudo contou com a participação de 315 escolares (176 meninas) com faixa etária entre 6,0 e 10,9 anos, matriculados da 1ª à 4ª série do EF de escolas públicas municipais. Destas crianças, 180 BPN (<2500g) e 135 com peso >2500g. O peso ao nascer foi tratado como variável de exposição de interesse. Como desfecho de interesse foi considerado o desempenho em leitura (lista de palavras), constatado no Teste de Desempenho Escolar (TDE). A amostra foi organizada em grupos divididos em quartis, segundo o peso ao nascimento (P1: <2170g, P2: entre 2171g e 2450g, P3: entre 2451g e 3150g e P4: >3150g). A análise estatística considerou o Teste Kruskal-Wallis à comparação entre os grupos quanto ao desempenho no TDE (Subteste Leitura). O nível de significância adotado foi 5%. Resultados: Foi verificado que o grupo P1 (<2170g) apresentou desempenho significativamente pior aos demais grupos (P2: entre 2171g e 2450g, P3: entre 2451g e 3150g e P4: >3150g) à comparação do TDE no Subteste Leitura (p =0,036). Conclusão: O peso ao nascimento apresentou repercussão mensurável clinicamente anos depois sobre a leitura dos escolares que participaram do estudo. Esse achado reforça a hipótese de que o baixo peso ao nascimento pode ser considerado um dos fatores responsáveis, posteriormente, pelo comprometimento do desempenho escolar em algumas áreas, como a leitura.

1. Hulme C, Snowling MJ. 2014 The interface between spoken and written language: developmental disorders. Phil. Trans. R. Soc. B 369: 20120395.

2. Uvo MFC, Germano GD, Capellini AS. Desempenho de escolares com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade em habilidades metalinguísticas, leitura e compreensão leitora. Rev. CEFAC. 2017; 19(1):7-19.

3. Perissinoto J, Ávila CRB. Aspectos Fonoaudiológicos. In: Vitalle MSS, Silva FC, Pereira AML, Weiler RME, Niskier SR, Schoen TH. (Editores). Medicina do Adolescente. Atheneu, 2019, pp 297-300.

4. Scopel RR, Souza VC, Lemos SMA. A influência do ambiente familiar e escolar na aquisição e no desenvolvimento da linguagem: revisão de literatura. Rev. CEFAC. 2012; 14(4):732-741.

5. Nogueira PM, Freitas MJ. Desenvolvimento fonológico em crianças dos 3 anos e 6 meses aos 4 anos e 6 meses de idade nascidas com muito baixo peso. Alfa. 2014; 58(3):677-702.

6. Zerbeto AB, Cortelo FM, Filho EB. Association between gestational age and birth weight on the language development of Brazilian children: a systematic review. J Pediatr (Rio J). 2015; 91:326-32.

7. Zimmerman E. Do infants born very premature and who have very low birth weight catch up with their full term peers in their language abilities by early school age? Journal of Speech, Language, and Hearing Research. 2018; 61:53-65.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
868
DESEMPENHO DO LÉXICO EXPRESSIVO ENTRE OS ESCOLARES DO 1º ANO DO ENSINO PÚBLICO E PRIVADO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: a aquisição do léxico está relacionada à compreensão e produção de vários significados. Esse processo inclui comunicação verbal eficaz entre a criança em crescimento e o mundo ao seu redor, pois eles estabelecem seu próprio dicionário através do contato com o meio ambiente. No processo de desenvolvimento do vocabulário, as crianças podem apresentar desvios no processo de aquisição semântica, pois haverá confusão na concentração das trajetórias de significado. As escolas desempenham um papel fundamental na aquisição de novos conhecimentos, especialmente no processo de aprendizagem, porque as instituições educacionais podem explorar, comparar e aprimorar o conhecimento já adquirido. Objetivo: verificar o desempenho lexical de escolares do 1º ano do ensino público e privado, caracterizando os campos conceituais semânticos comparando-os aos padrões de normalidade, relacionando os campos conceituais da rede pública e privada quanto ao sexo, e correlacionando os campos semânticos quanto à renda. Metodologia: estudo de caráter quantitativo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número 1.866.218/2016. Participaram desse estudo 78 escolares com idade de seis anos, matriculados no 1º ano do ensino fundamental, de seis escolas públicas e privadas, cujo os pais consentiram a participação. Para avaliação do desempenho de vocabulário, utilizou-se o teste de vocabulário – ABFW. Resultados: os resultados apresentados, baseiam-se nos valores padrões para cada campo conceitual estabelecidos pelo protocolo ABFW. Do total de escolares participantes do estudo, 55 foram da rede pública e 23 alunos da rede privada, 34 (43,59%) são do sexo masculino e 44 (56,41%) do sexo feminino. Observa-se que dos resultados esperados, houve prevalência, para os campos conceituais: “animais” (100%), “móveis e utensílios” (97,4%) e “meios de transporte” (92,3%), e para “local” (80,8%) e “alimentos” (78,2%) resultados abaixo do esperado. Em relação ao sexo, não há variação nos resultados obtidos. Comparada com a rede pública, em certos campos semânticos, mesmo com um número menor de amostras, a rede privada mostra melhores resultados. Os escolares com renda superior ao salário mínimo obtiveram melhor desempenho do que aqueles com baixa renda. Conclusão: a variante sexo não é determinante para o léxico expressivo, a rede educacional e a renda familiar, são outros critérios a serem observados na aquisição lexical no meio em que está inserida, sendo esse primordial para a expansão do vocabulário.

1. Limongi SCO. Da ação a comunicação: um processo de aprendizagem. Rev Psicopedagogia. 1996;15(56): 24-8.
2. Hage SRV, Pereira MB. Desempenho de crianças com desenvolvimento típico de linguagem em prova de vocabulário expressivo. Rev CEFAC. 2006;8(4):419-428.
3. Gândara JP, Befi-Lopes DM. Tendências da aquisição lexical em crianças em desenvolvimento normal e crianças com alterações específicas no desenvolvimento da linguagem. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(2) 297-304.
4. Milnitsky FM, Pereira PB, Assencio-Ferreira VJ, Zorzi, JL. Estudo comparativo da linguagem e do vocabulário de crianças que assistem e que não assistem castelo rá-tim-bum. Rev CEFAC. 2002;4:229-33.
5. Clark EV. The lexicon in acquisition. Cambridge: Cambridge University Express; 1993.
6. Marchão AJ. (O ensino) Aprendizagem da língua materna na educação de infância: a vivência curricular na creche. Rev Aprender.1999; 22 (1): 31-7.
7. Delvan J, Ramos MC, Dia MB. A Psicologia escolar/educacional na Educação Infantil: o relato de uma experiência com pais e educadoras. Rev Psicologia – Teoria e Prática. 2002;4(1):50-60.
8. Befi-Lopes DM. Vocabulário. In: Andrade CRF, Befi-Lopes DM, Fernandes, FDM, Wertzner HF. ABFW: teste de linguagem infantil, nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. Barueri: Pró-Fono. 2011:33-49.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1299
DESEMPENHO DOS ESCOLARES DO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL I EM HABILIDADES PREDITORAS DE LEITURA PRÉ E POS INTERVENÇÃO COM AS FUNÇÕES EXECUTIVAS
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


DESEMPENHO DOS ESCOLARES DO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL I EM HABILIDADES PREDITORAS DE LEITURA PRÉ E POS INTERVENÇÃO COM AS FUNÇÕES EXECUTIVAS



Palavras-chave: aprendizagem, leitura, funções executivas.

Introdução
Estudos revelam ampla influência das funções executivas (FEs) sobre o desempenho acadêmico1 relacionando seu desenvolvimento típico diretamente ao sucesso escolar no início da aprendizagem formal e ao longo do seu percurso2. Currículos educacionais e programas de intervenção demonstram melhora em FEs na primeira infância1 , sugerindo ser um dos meios de prevenção do fracasso escolar influenciando nos resultados acadêmicos, relacionando o melhor desempenho nos processos cognitivos a melhorias na prontidão escolar3.
Na literatura encontramos número cada vez maior de pesquisadores interessados no desenvolvimento e implementação de estratégias de remediação das vulnerabilidades neurocognitivas de crianças em risco4;5 .
Nesse contexto surge a necessidade de desenvolver e aplicar modelos alternativos com ênfase nos serviços de intervenção precoce6, alicerçados pela forte fundamentação científica a seu favor6;7 .

Objetivo
Analisar a significância clínica do desempenho dos escolares do 1º. ano do ensino fundamental I em habilidades preditoras de leitura em situação de pré e pós intervenção com as FEs.

Método
Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, protocolo número 81064117.5.000.5406.
Amostra inicial de 71 sujeitos, idade de 6 anos a 6 anos e 11 meses, de ambos os sexos, de duas escolas da rede pública (GI e GII) submetida ao protocolo para pré-avalição elaborado para este estudo e o Protocolo de Identificação Precoce dos Problemas de Leitura – IPPL7. Completaram a pré-avalição 37 participantes; 18 apresentaram risco para dificuldade de FEs e alteração nas habilidades preditoras de leitura, eleitos para serem submetidos ao programa de intervenção para FEs8 e pós avaliação.

Resultados
Houve melhora confiável nos componentes de função executiva inibição, memória operacional e alternância, para alguns sujeitos e em tarefas de identificação de rima, produção a partir do fonema, memória operacional fonológica (S1,S2,S6), embora o programa não tenha como foco o seu desenvolvimento.

Conclusão
A análise dos resultados revelou melhora no desempenho das habilidades de identificação de rima, produção de palavra a partir de fonema dado e memória operacional fonológica. O programa elaborado mostrou-se com aplicabilidade, podendo ser utilizado por fonoaudiólogos educacionais, psicólogos escolares e educadores como instrumento de intervenção baseada em evidência científica. Em estudo futuro, as limitações serão devidamente controladas.

Referências
1 Diamond A. Executive Functions. Annual Review of Psychology, 64,135–68; 2013.
2 Jacobson LA., Williford A P, Pianta R C .The role of executive function in children's competent adjustment to middle school. Child Neuropsychology, 17(3), 255-280; 2011.
3 Cardoso, C D O, Dias N, Senger J, Colling A P C, Seabra A G, Fonseca, R P. Neuropsychological stimulation of executive functions in children with typical development: a systematic review. Applied Neuropsychology: Child, 7(1), 61-81; 2018.
4 Johnsen, S K, Parker, S L, Farah, YN. Providing services for students with gifts and talents within a response-to-intervention framework. Teaching Exceptional Children, 47(4), 226-233; (2015).
5 Compton, D L, Fuchs,D, Fuchs, L S, Bryant, J. D. Selecting at-risk readers in first grade for early intervention: A two-year longitudinal study of decision rules and procedures. Journal of educational psychology, 98(2), 394; 2006.

6 AndradeV, Andrade PE, Capellini SA. Modelo de resposta à intervenção RTI–como identificar e intervir com crianças de risco para os transtornos de aprendizagem. São José dos Campos, SP: Pulso Editorial; 2014.
7 Capellini, SA; César, A B P C, Germano, GD. Protocolo de identificação precoce dos problemas de leitura – IPPL. 1ª. Ribeirão Preto, SP. Booktoy, 2017.
8Alcantara, G. K. Programa de resposta à intervenção (RTI) em segunda camada para desenvolvimento das funções executivas no 1º ano do ensino fundamental I. Dissertação de mestrado, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho”. Marília, SP; 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
181
DESEMPENHO EM FLUÊNCIA DE LEITURA EM ESCOLARES DO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A leitura consiste em um aprendizado complexo que envolve processos neurobiológicos e cognitivos. Está relacionada diretamente ao acesso a informação (grafema/fonema) via memória de trabalho - para a decodificação dos signos e a memória de longo prazo - para a realização de inferências que auxiliam na compreensão do texto(1,2). O processo de decodificação grafema-fonema ocorre a partir de um aprendizado prévio que, ao longo do tempo se torna automático, caracterizando a fluência de leitura. Esta, por sua vez, depende de três fatores principais: acurácia na decodificação, velocidade e prosódia. A acurácia na decodificação das palavras define-se como assertividade e precisão na conversão grafema-fonema. A velocidade está relacionada ao processamento automático, uma vez que a leitura deve ser ritmada de acordo com as pontuações do texto. A prosódia considera aspectos de pausas e entonação durante a leitura, o que pode interferir até mesmo na interpretação do conteúdo textual(3,4). O desenvolvimento da leitura fluente é essencial para escolares do 5º ano, pois nesse período os conteúdos acadêmicos necessitam de maior envolvimento entre leitura fluente e compreensão(5). OBJETIVO: Comparar o desempenho em fluência de leitura dos escolares do 5º ano do ensino público e privado. MÉTODO: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e experimental. Esta pesquisa foi submetida à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa e aprovada sob o protocolo número 2.956.909/2018. Participaram deste estudo 44 escolares do 5° ano do ensino fundamental, de ambos os gêneros, com idade entre 10 e 13 anos, sendo 25 alunos do ensino público e 19 do ensino privado. Os participantes foram submetidos à aplicação da Avaliação do Desempenho em Fluência de Leitura - ADFLU, instrumento composto por uma coletânea de textos narrativos e expositivos(6). A leitura dos textos foi realizada individualmente, em uma sala separada cedida pela escola, em horário de aula, onde os escolares foram instruídos a ler os textos como estão habituados. Realizou-se análise dos seguintes dados: palavras corretas por minuto (PCPM), palavras incorretas por minuto (PIPM), tempo total de leitura (TTL) e velocidade de leitura (VL). Os resultados foram analisados com base estatística, com o objetivo de realizar o levantamento do desempenho das médias obtidas em cada turma. RESULTADOS: Segundo os dados houve diferença na fluência de leitura entre os alunos do ensino público e privado. No ensino público, 48% dos escolares apresentaram média abaixo do esperado quanto à taxa de PCPM, enquanto no ensino privado, apenas 6% apresentou desempenho abaixo da média. Percebe-se que existem mais alterações em velocidade de leitura, ritmo, entonação e erros (adivinhação, substituição, omissão e inversão) nos alunos do ensino público. CONCLUSÃO: conclui-se que a fluência de leitura para escolares pertencentes ao 5º ano do ensino privado está mais avançada se comparada ao ensino público. Foi identificado que os escolares do 5º ano do ensino público apresentaram como principal característica ausência de ritmo e entonação durante a leitura. Contudo, para melhores resultados, tornam-se necessários novos estudos com amostra mais ampla.
Palavras-chave: Fluência, Leitura, Educação Infantil, Aprendizagem.

1. Rasinski TV. Readers who struggle: Why many struggles and a modest proposal for improving their reading. The Reading Teacher. 2017; 70(5): 519-24. doi:10.1002/trtr.1533
2. Santos AAA, Ferraz AS, Rueda FJM. Relações entre a Compreensão de Leitura e as Habilidades Metalinguísticas. Psicol Esc Educ. 2018; 22(2): 301-9. https://doi.org/10.1590/2175-35392018026239
3. Martins MA, Capellini SA. Relação entre fluência de leitura oral e compreensão de leitura. CoDAS. 2019; 31(1): 1-8. https://doi.org/10.1590/2317-1782/20182018244
4. Carretti B, Motta E, Re AM. Oral and written expression in children with reading comprehension difficulties. J Learn Disabil. 2016; 49(1): 65-76. DOI: 10.1177/0022219414528539
5. Stevens EA, Walker MA, Vaughn S. The effects of reading fluency interventions on the reading fluency and reading comprehension performance of elementary students with learning disabilities: a synthesis of the research from 2001 to 2014. J Learn Disabil. 2017; 50(5): 576-90. doi: 10.1177/0022219416638028
6. Martins MA, Capellini SA. Avaliação do desempenho em fluência de leitura (ADFLU). Ribeirão Preto: Book Toy, 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1552
DESEMPENHO ESCOLAR E COMPORTAMENTOS SOCIAIS EM ADOLESCENTES
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


DESEMPENHO ESCOLAR E COMPORTAMENTOS SOCIAIS EM ADOLESCENTES

INTRODUÇÃO
Durante a trajetória escolar, os estudantes são expostos a diversos cenários onde é possível a expressão de todo conhecimento adquirido nesse processo. Essa exposição e seus resultados é denominado desempenho escolar (DE).
O aprendizado é multideterminado(1) e, ao longo do percurso escolar, é possível verificar a ocorrência de fatores internos e externos que influenciam direta ou indiretamente o desempenho desses estudantes no processo ensino-aprendizagem. Portanto, o mau desempenho escolar pode ser consequência de múltiplas etiologias(2) de ordem pessoal, familiar, emocional, pedagógica e social que justificam o insucesso do estudante. Dentre os prejuízos do mau desempenho escolar, destaca-se os comportamentos antissociais e agressivos, dificuldades de aprendizagem e isolamento social(3).

OBJETIVO
Analisar a associação entre o DE, idade, sexo, classificação econômica e comportamentos sociais - capacidades e dificuldades - conforme o instrumento Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ-Por), de estudantes matriculados no ensino fundamental.

MÉTODOS
Trata-se de estudo observacional, analítico e transversal. Todos os adolescentes assinaram o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE) e seus responsáveis o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Este projeto possui aprovação do Comitê de Ética, sob o parecer de número 2.422.795.
A casuística foi composta por 124 adolescentes, de ambos os sexos. Como critérios de inclusão foram considerados adolescentes matriculados no ensino fundamental II, com idades entre 11 e 14 anos, que tenham respondido aos questionários propostos e assinado o TALE e seus responsáveis o TCLE. Como critérios de exclusão, adolescentes que não compreenderam o SDQ-Por e apresentam alterações cognitivas, neurológicas ou psiquiátricas que pudessem impedir a realização dessa pesquisa.
A análise do DE foi definida pela média aritmética simples das notas finais obtidas. Os instrumentos utilizados foram apresentados por meio de formulário on-line, Google Forms. Foram realizadas as análises descritiva e bivariada dos dados.

RESULTADOS
Grande parte dos participantes apresentou resultados adequados na análise do escore total do SDQ (dificuldades) e no comportamento pró-social (capacidades). Houve diferença significativa entre as medianas do escore total do SDQ e as categorias, regular/bom e muito bom/excelente, do DE (p=0,021). Observa-se que 47,6% dos estudantes tiveram desempenho regular/bom e, 52,4%, muito bom/excelente. Não houve estudante que apresentou DE insuficiente.
Houve associação entre o DE categorizado com a idade (p=0,001) e o ano escolar (p=0,005). Quanto ao DE contínuo, verificou-se diferença significativa entre o sexo feminino (p=0,018), a idade de 11 anos (valor de p<0,001) e o 6º ano escolar (p=0,002).
A ausência de associação entre o DE e a classificação econômica, pode ser explicada pela homogeneidade da amostra, predominantemente do estrato social A.

CONCLUSÃO
Verificou-se associação entre o DE categorizado com a idade e o ano escolar e com o escore total do SDQ. Quanto ao DE contínuo, houve diferença significativa com o sexo, idade e ano escolar dos adolescentes.
Portanto, os estudantes do sexo feminino, de 11 anos de idade, que cursavam o 6º ano escolar, apresentaram melhor desempenho e os adolescentes com maiores dificuldades de comportamento estavam na categoria mais baixa de classificação do DE.

1. Marturano EM; Pizato ECG. Preditores de Desempenho Escolar no 5º ano do Ensino Fundamental. Psico. 2015;46(1):16-24.
2. Moreira BBG; Martins-Reis VO; Santos JN. Autopercepção das dificuldades de aprendizagem de estudantes do ensino fundamental. Audiol., Commun. Res. 2016;21(e1632).
3. Pizato ECG; Marturano EM; Fontaine AMGV. Trajetórias de habilidades sociais e problemas de comportamento no ensino fundamental: influência da educação infantil. Psicol. Reflex. Crit. 2014;27(1):189-97.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2149
DESEMPENHO NA NARRATIVA ORAL DE CRIANÇAS COM DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA DE GRAU LEVE: DADOS PRELIMINARES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um dos Transtornos do Neurodesenvolvimento e caracterizado por 3 critérios diagnósticos, a saber: (1) déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação social e nas interações sociais; (2) prejuízos expressivos na comunicação não verbal e verbal usadas para interação social; e (3) padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. O prognóstico está associado a gravidade do transtorno, a presença ou ausência de deficiência intelectual e grau de comprometimento na linguagem, sendo classificados em nível 1 (leve), 2 (moderado) e 3 (grave)1. As crianças com TEA, apresentam déficit na aquisição e no desenvolvimento da linguagem2. Nesta direção, estudos com a narrativa oral de história em crianças com TEA vêm sendo utilizado para elucidar e explorar as habilidades linguísticas, uma vez que, as habilidades narrativas orais, seja ela autobiográfica ou de histórias podem auxiliar na definição do quadro e indicação terapeutica3. O estudo parte da hipótese que mesmo as crianças com TEA grau leve (nível 1) que são capazes de estruturar frases completas e envolver-se na comunicação, conforme descritas no nível 1 de gravidade do DSM-5, terão prejuízos para desempenhar tarefas de narrativa oral. Objetivo: O presente estudo propõe investigar o desempenho de narrativas orais de histórias na tarefa de compreensão de crianças com diagnóstico de transtorno do espectro do autismo de grau leve (nível 1). Método: Estudo preliminar vinculado a um projeto maior, aprovado pelo Comitê de Ética (parecer no 4.009.785). Participaram 10 crianças com diagnóstico de TEA e QI dentro da normalidade, com idade entre 8 anos a 14 anos e 2 meses. Para investigar o desempenho em tarefa de compreensão da narrativa oral de história será utilizado o Test of Narrative Language (TNL), segunda versão4. Resultados: Dos 10 participantes, 2 atingiram resultados acima da média, enquanto os demais, estão dentro da média. É preciso levar em consideração que as perguntas que compõem as tarefas de compreensão do TNL são, na maioria de natureza não inferencial, o que pode justificar a classificação encontrada na amostra, já que são TEA nível 1. Conclusão: O desempenho dos dados preliminares de 10 crianças com diagnóstico de TEA nível 1, falantes do Português do Brasil foi adequado para a idade cronológica prevista nas tabelas de conversão do manual do TNL-2, a partir dos dados de referência norte-americanos. Os resultados ainda são preliminares, havendo a necessidade de continuidade no estudo e a na realização de análises mais robustas para concluir sobre o desempenho narrativo de crianças com diagnóstico de TEA nível 1 no TNL-2.

1. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5th ed.) (DSM V). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing. 2013.
2. Kover S, Edmunds S, WeismeSE. Brief report: Ages of language milestones as predictors of developmental trajectories in young children with Autism Spectrum Disorder. Journal of Autism and Developmental Disorders; 2016; 46, 2501–2507.
3. Hewitt, LE. Narrative as a Critical Context for Advanced Language Development in Autism Spectrum Disorder. Perspectives of the ASHA Special Interest Groups, 2019v. 4, n. 3, p. 430-437.
4. Gillam RB; Pearson NA. TNL-2: Test of Narrative Language–Second Edition. Rio de Janeiro: Pro-ed. 2017


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1527
DESEMPENHO NA NARRATIVA ORAL DE HISTÓRIAS DE GÊMEOS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Os gêmeos monozigóticos (MZ) possuem a mesma carga genética, por isso apresentam fenotipo semelhante e genótipo idêntico. Por sua vez, os gêmeos dizigóticos (DZ) podem ou não apresentar fenotípo semelhante e não apresentam similaridade genética1. Vários estudos têm sido realizados pora melhor compreensão da influência de fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento de competências complexas, como a linguagem2. A habilidade para narrar oralmente uma história é influenciada tanto por fatores neurobiológicos quanto sociais e culturais3,4. Nesta direção, o estudo com gêmeos, tem sido considerado um dos modelos neurobiológicos mais robustos para subsidiar teorias a respeito dos fatores genéticos, da contribuição do ambiente, bem como da interação entre eles e o seu impacto sobre os domínios neurodesenvolvimentais², incluindo a linguagem5,6. Objetivo: O presente estudo teve por objetivo investigar o desempenho de gêmeos monozigóticos e dizigóticos em tarefas de compreensão e produção de narrativas orais de histórias. Método: Estudo aprovado pelo Comitê de Ética (parecer no 2.670.121). Participaram da pesquisa 24 indivíduos, 12 pares de gêmeos, de ambos os sexos, na faixa etária de 4 anos a 15 anos e 11 meses (7 pares MZ e 5 pares DZ). Para a investigação da narrativa oral de história foi utilizada a segunda versão do Test of Narrative Language (TNL)7, traduzido e adaptado para o português brasileiro. O TNL avalia a compreensão e a produção de narrativa oral de histórias, e de certa forma a capacidade da criança para formar e organizar sentenças diante de um tema comum, que ainda envolve habilidades de coesão e memória textual. Para análise de desempenho foi utilizado o escore escalar. O coeficiente de variação foi calculado como medida relativa de variabilidade para explorar a variação intra-grupos. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial. Para comparações entre os grupos (MZ e DZ) foi utilizado o teste de Mann-Whitney, Resultados: Na comparação intra grupos, o grupo MZ apresentou menor variação dos escores quando comparado ao grupo DZ, tanto no escore de compreensão quanto de produção. Observou-se alta dispersão, com coeficientes de variação superior à 15%, tanto para a compreensão quanto para a produção, com valores superiores para o grupo DZ. Na comparação entre os escores escalares de compreensão e de produção entre os grupos MZ e DZ não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes, tanto para a compreensão, quanto para a produção oral de histórias. Conclusão: Diante dos resultados obtidos, sugere-se que o fator genético tem forte influencia na similaridade das respostas (condizentes com a hipótese genética), visto que os gêmeos monozigóticos, apresentaram maior semelhança no desempenho narrativo, quando comparados aos gêmeos dizigóticos. No entanto, é importante mencionar que resultados foram indicativos de alta variabilidade para ambos os grupos (monozigóticos e dizigóticos) o que comprova também a influência de outros fatores, possivelmente ambientais, embora não seja possível estabelecer o quanto cada um desses fatores são determinantes8. No entanto, estes dados devem ser analisados com cautela em função do número reduzido de pares de gêmeos estudados. Estudos futuros poderão ajudar a compreender melhor esta questão.

1. Beiguelman B. Genética de populações humanas. Ribeirão Preto: SBG, 2008.
2. Iacono WG. et al. The utility of twins in developmental cognitive neuroscience research: How twins strengthen the ABCD research design. Developmental cognitive neuroscience. 2018. v. 32, p. 30-42.
3. Spinillo AG, Pinto G. Children’s narratives under diferente conditions: a comparative study. British Journal of Developmental Psychology. 1994. V. 12, 177- 193.
4. Santos M., Farato A. O desenvolvimento da oralidade das crianças na Educação Infantil. Cadernos de Educação: Ensino e Sociedade, Bebedouro-SP.2015. 2 (1): 112-133.
5. Tosto MG., Hayiou-Thomas ME, Harlaar N, Prom-Wormley E, Dale PS, Plomin R. The genetic architecture of oral language, reading fluency, and reading comprehension: A twin study from 7 to 16 years. Developmental Psychology. 2017. 53(6), 1115-1129. http://dx.doi.org/10.1037/dev0000297.
6. Rice, ML. et al. Longitudinal study of language and speech of twins at 4 and 6 years: Twinning effects decrease, zygosity effects disappear, and heritability increases. Journal of Speech, Language, and Hearing Research. 2018. v. 61, n. 1, p. 79-93.
7. Gillam RB; Pearson NA. TNL-2: Test of Narrative Language–Second Edition. Rio de Janeiro: Pro-ed. 2017.
8. Kovas Y, et al. Genetic influences in different aspects of language development: the etiology of language skills in 4.5‐year‐old twins. Child development; 2005. v. 76, n. 3, p. 632-651.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2116
DESEMPENHO RECEPTIVO, EXPRESSIVO E VISUAL NA SÍNDROME DE LOWE: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A síndrome de Lowe (OMIM#309000), também conhecida como síndrome Oculocerebrorrenal, foi descrita pela primeira vez em 19521. Esta síndrome é uma condição genética rara, com prevalência de 1 para 500.000 nascidos vivos e herança recessiva ligada ao X. A causa da síndrome está associada a mutações no gene OCRL1, localizado no cromossomo Xq25-26. O diagnóstico genético é confirmado por meio de técnicas moleculares, mas reconhecer as características clínicas são importantes nesse processo. Trata-se de uma condição com prejuízos multisistêmicos e as principais características incluem: (1) comprometimento no sistema nervoso central (hipotonia neonatal, arreflexia, deficiência intelectual, convulsão e alterações comportamentais); (2) comprometimento ocular (catarata congênita e glaucoma) e (3) comprometimento renal (sindrome de Fanconi).1 Por ser uma condição grave com prejuízo no Sistema Nervoso Central são esperados prejuízos nos principais domínios do neurodesenvolvimento (motor, cognição e linguagem)2,3 e prejuízos nutricionais decorrentes de problemas de deglutição4. Objetivo: Descrever o desempenho receptivo, expressivo e visual por meio da aplicação e análise da escala Early Language Milestone Scale (ELM)5 em um caso diagnosticado com a Síndrome de Lowe. Método: Estudo descritivo, de uma criança do sexo masculino com 2 anos e 6 meses de idade cronológica, com diagnóstico genético clínico e molecular da síndrome de Lowe. Na avaliação médica apresentou as seguintes alterações: oculares (catarata crônica e glaucoma), renais (disfunção renal e hipercalciúria), hipersensibilidade nos pés, hipotonia e atraso no desenvolvimento motor. A mãe apresentou a queixa de que seu filho não falava, não engatinhava e não andava. A escala ELM apresenta 3 subdivisões: auditiva expressiva (AE), auditiva receptiva (AR) e visual (V), utilizada para crianças de zero a 36 meses de idade Resultados: A interação comunicativa estabeleceu-se somente por meio de recursos não verbais (comunicação gestual e por expressões faciais) não sendo observado uso da fala. Quanto a habilidade AE, a criança apresenta produção apenas de sons guturais, não sendo capaz de produzir vogal recíproca, balbucio mono ou polissilábico. Durante a testagem direta e observação acidental, não foi observado riso social ou produção de mama/papa. Quanto aos itens da AR, por testagem direta, observou-se que a criança responde de forma não verbal ao som da voz do adulto, porém com tempo de latência aumentada. A criança foi capaz de procurar a fonte sonora, mas não reconheceu sons ambientais e onomatopéias. Também não foi capaz de seguir comandos verbais ou não verbais. Quanto a habilidade visual, demonstra reconhecer os pais e objetos. Por meio de testagem direta e observação acidental, a criança demonstrou ser capaz de seguir visualmente os objetos, piscar para o perigo e iniciar jogos gestuais (bater palmas ao ouvir a música “parabéns”). Apresentou na ELM desempenho equivalente à uma criança de 6 a8 meses de idade. Conclusão: O caso descrito apresentou prejuízo significativo nas habilidades comunicativas. A criança foi capaz de responder apenas à comandos verbais simples e produzir sons guturais. É uma condição genética pouco conhecida entre os fonoaudiólogos, de modo que o conhecimento das características contribuiria para a divulgação do fenótipo e comprovaria a necessidade de atuação multiprofissional.

1. Online Mendelian Inheritance in Man (OMIM): # 309000- LOWE OCULOCEREBRORENAL SYNDROME; OCRL. [acesso em 06 julho de 2020]. Disponível em: https://www.omim.org/entry/309000
2. Lewis RA, Nussbaum RL, Brewer ED. Lowe Syndrome. R. A. In Pagon, MP, Adam HH. Ardinger SE, Wallace A. Amemiya, L. J. Bean, & K. Stephens (Eds.), GeneReviews(®). Seattle; 2012 (WA)http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1480/
3. Kenworthy L, Park T, Charnas LR. Cognitive and behavioral profile of the oculocerebrorenal syndrome of Lowe. American journal of medical genetics; 1993; 46(3), 297–303. https://doi.org/10.1002/ajmg.1320460312
4. Maia Marta Liliane de Almeida, Val Maria Luiza Dautro Moreira do, Genzani Camila Penteado, Fernandes Fernanda Alves Thomaz, Andrade Maria Cristina de, Carvalhaes João Tomás de Abreu. Síndrome de Lowe: relato de cinco casos. J. Bras. Nefrol. [Internet]. 2010 June [cited 2020 July 13] ; 32( 2 ): 216-222. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-28002010000200011&lng=en. https://doi.org/10.1590/S0101-28002010000200011.
5. Coplan J, Gleason JR, Ryan R, Burk MG, Williams ML. Validation of an Early Language Milestone Scale in a High-Risk Population. Pediatrics. nov 1982.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
287
DESENVOLVENDO O AVAZUM: APLICATIVO DE AVALIAÇÃO INTERATIVA DO ZUMBIDO
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A revolução científica vem trazendo a sociedade um olhar mais amplo ao lidar com o mundo, proporcionando avanços em todas as áreas, inclusive na saúde. Na Fonoaudiologia, a inovação tecnológica está se tornando umas das principais aliadas em todas as áreas de atuação, seja em processos, produtos ou serviços em saúde. O rápido desenvolvimento e uso generalizado de tecnologias móveis vem expandindo novas oportunidades de atividades em saúde, uma nova era se faz presente, a mobile health (mHealth), mais conhecida como saúde móvel (KEN et al.,2016). Sendo assim, torna-se necessária a inovação no desenvolvimento de uma metodologia efetiva de avaliação do zumbido, com objetividade, interação e principalmente que possa beneficiar os pacientes que sofrem com esse sintoma. OBJETIVOS: Descrever o desenvolvimento do AVAZUM, um aplicativo de avaliação interativa do zumbido. MÉTODO: A abordagem metodológica utilizada é o Design thinking e suas etapas de desenvolvimento: imersão, análise e síntese, ideação, prototipagem e testagem. A etapa de imersão foram observadas problemáticas apresentadas pela avaliação tradicional de zumbido, além da busca de referencial teórico nas bases de dados. Na análise e sintéses foram realizadas buscas no INPI - Instituto Nacional de Propriedade Industrial e Google Patents, com o objetivo de verificar a existência de aplicativos registrados coma mesma temática do Avazum. Já na estapa de ideação e prototipagem, o aplicativo foi desenhado e desenvolvido. A etapa da testatgem está sendo realizada no momento. RESULTADOS: Respondendo as questões da ideação o aplicativo foi desenvolvido com as seguintes características: O app contém inicialmente uma tela de cadastro do usuário com email e senha onde poderá ser efetuado o cadastro ou login dos usuários. Após o cadastro será passado para outra etapa do aplicativo, a área de dados sobre os aspectos do sintoma, como se deu o aparecimento e há quanto tempo o usuário percebe o zumbido. Além disso, é nessa etapa que o usuário irá caracterizar o seu sintoma em relação ao tipo e localização de forma interativa com recursos áudios visuais. Logo após terá a sessão sobre os hábitos que pioram ou melhoram a percepção do zumbido, em seguida será a sessão dos sintomas auditivos e extra-auditivos. O próximo passo é a mensuração do incômodo em relação a percepção do zumbido com o auxílio da Escala Visual Analógica, como também a mensuração do incômodo. Após toda avaliação os usuários serão indicados para os profissionais específicos de acordo com os descritores de encaminhamento, além de oferecer dicas e orientações sobre os cuidados do o zumbido. CONCLUSÃO: Devido a avaliação tradicional do zumbido demandar muito tempo de atendimento, além de não ser um método interativo, tornando-se exaustivo tanto para o profissional como para o paciente, como também o grande consumo de papel utilizado em protocolos, viu-se a necessidade do desenvolvimento do AVAZUM. Aplicativo que auxilia na avaliação inicial o zumbido, oferecendo subsídios para o tratamento e atuação interprofissional, além de facilitar o acesso à saúde e fortalecer a atuação fonoaudiológica em zumbido.

Brown T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Elsevier, Rio de Janeiro, 2010.

Juliani JP, Cavaglieri M, Machado RB. Design thinking como ferramenta para geração de inovação: um estudo de caso da Biblioteca Universitária da UDESC. Incid: Revista de Ciência da Informação e Documentação. 2015; 6(2): 66-83.

Ken M, Rachel H. Ellaway, David Topps, Douglas Archibald & Rebecca J. Hogue Mobile technologies in medical education: AMEE Guide. Medical Teacher. 2016; 38(6): 537-549.

Oiticica J & Bittar, RSM. Tinnitus prevalence in the city of São Paulo. Braz J Otorhinolaryngol. 2015; 81(2): 167-176.

Teixeira AR., et al. Influência de fatores e hábitos pessoais na percepção do zumbido. Revista CEFAC. 2016; 18(6): 1310-1315.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
180
DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO EM PREMATUROS DE 34 SEMANAS. ESTUDO DE REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Um dos principais marcos no desenvolvimento infantil é a aquisição e o desenvolvimento da linguagem, porém existem diversos quadros, como a prematuridade, que podem interferir no seu desenvolvimento. Os fatores biológicos e sociais influenciam no desenvolvimento da criança, podendo prejudicar suas habilidades cognitivas, assim como, o desenvolvimento típico da linguagem. A idade gestacional (IG) é determinante da maturidade fisiológica do recém‐nascido e é considerada o marco clássico de maturidade fetal na 34ª semana de gestação, pois entre a 34ª e 40ª semanas ocorre o aumento exponencial na substância cinzenta e a mielinização na substância branca.

Objetivos: Identificar evidências na literatura acerca do desenvolvimento da linguagem em prematuros nascidos com 34 semanas a 34 semanas e 6 dias de idade gestacional (IG).

Metodologia: Foram realizadas buscas nas bases de dados nacionais: LILACS e nos portais de periódicos CAPES e SciELO. Os descritores foram designados após consulta na base de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS-BVS): “prematuridade”; “linguagem”; “recém-nascido prematuro de 34 semanas”; “desenvolvimento infantil”; “fatores de risco”. A combinação dos termos selecionados foi dividida em dez diferentes pesquisas: cinco realizadas em portal de periódicos e cinco efetuadas em bases de dados nacionais. Foram incluídos artigos entre 2010 e 2018 publicados em língua portuguesa que abordassem a influência da prematuridade no desenvolvimento da linguagem. Os critérios de exclusão foram: publicações em outros idiomas e que relacionassem o desenvolvimento da linguagem em prematuros à outras comorbidades.

Resultados: Diante da interseção dos descritores nas bases de dados consultadas foram identificados 491 artigos, sendo 93 (18,94%) artigos no portal CAPES, 375 (76,37%) artigos na base de dados LILACS e 23 (4,68%) na biblioteca virtual SciELO. Através da leitura dos títulos foram selecionadas 163 publicações, após a verificação dos resumos restaram 16 publicações; com base na leitura da íntegra, inclui-se 7 artigos na presente revisão.
Para a organização e análise dos dados foi utilizada a técnica de Análise de Conteúdo do tipo temática, subdividindo-se em: pré-análise com leitura dos títulos e resumos, exploração dos materiais e categorização e posterior análise dos artigos incluídos.
Foram investigadas informações acerca da influência que a prematuridade tardia (34 semanas de idade gestacional – IG) tem sobre o desenvolvimento da linguagem nos indivíduos, bem como as contribuições efetivas da intervenção e acompanhamento dessas crianças.

Conclusões: Nesse estudo foi possível observar a importância da associação da prematuridade ao histórico do recém-nascido e aos fatores ambientais, tendo sido destacado que a prematuridade por si só não seria fator preponderante para possíveis alterações na aquisição e desenvolvimento da linguagem.
No que se refere ao prematuro tardio, objeto deste estudo, foi identificada escassez de pesquisas, incluindo o impacto no processo envolvido nos aspectos da linguagem, sugerindo ser um segmento de menor atenção, mesmo tendo sido caracterizados diversos fatores de risco associados que poderiam interferir nesses processos.
Portanto, frente aos resultados encontrados nesta revisão, evidencia-se a necessidade de estudos que incluam aspectos do desenvolvimento desta população, assim como as possíveis alterações, favorecendo desta forma o planejamento de intervenções preventivas que facilitem o desenvolvimento global, incluindo da linguagem expressiva e compreensiva.

OLIVEIRA C, Castro L, Silva R, Freitas I, Gomes M, Cândida M. Fatores associados ao desenvolvimento global aos 4 e 8 meses de idade corrigida de crianças nascidas prematuras. J Hum Growth Dev. 2016;26(1):41-7.
SOARES, Ana Cláudia Constant; SILVA, Kelly da; ZUANETTI, Patrícia Aparecida. Variáveis de risco para o desenvolvimento da linguagem associadas à prematuridade. Audiol., Commun. Res., São Paulo, v. 22, e1745, 2017.
IEMMA, E. P.; MARTINEZ, C. M. S.. A prematuridade e as habilidades do desenvolvimento infantil em pré-escolares. In: V Congresso Brasileiro multidisciplinar de educação especial, 3 a 6 de Novembro, 2009, Londrina, PR.
RUGOLO, L. M. S. S.. Manejo do Recém-nascido pré-termo tardio: Peculiaridade e cuidados especiais. São Paulo - SP: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1751
DESENVOLVIMENTO DA FUNÇÃO AUDITIVA EM CRIANÇAS COM INDICADORES DE RISCO PARA DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: Sabe-se que crianças com IRDA são vulneráveis à perda auditiva adquirida ou de manifestação tardia, o que justifica a necessidade de monitoramento audiológico nos primeiros anos de vida, mesmo com resultado “passa” na triagem auditiva neonatal (TAN). O monitoramento tem como finalidade a identificação precoce de perdas auditivas adquiridas e/ou de manifestação tardia, no entanto, estudos que analisaram o impacto dos IRDA no desenvolvimento da função auditiva propriamente dita ainda são escassos. Objetivo: Analisar o desenvolvimento da função auditiva em crianças com IRDA. Método: Trata-se de um estudo observacional, de caráter transversal, com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (parecer 2.446.215). Participaram 37 crianças com faixa etária entre quatro e 35 meses, totalizando 74 orelhas avaliadas. Adotou-se como critérios de inclusão o resultado “passa” na TAN, presença de IRDA isolado ou de forma combinada, desenvolvimento neuropsicomotor normal e avaliação audiológica completa, norteada pelo princípio cross-check, indicando integridade do sistema auditivo (G1) ou alteração do tipo condutiva (G2). As crianças foram avaliadas em sala com tratamento acústico por dois examinadores com experiência em avaliação audiológica infantil, tendo a filmagem como suporte para análise. A pesquisa do desenvolvimento da função auditiva foi realizada com o instrumento guizo, a pesquisa do reflexo cocleopalpebral (RCP) com o agogô e a avaliação comportamental com os seis sons de Ling. Para todos empregou-se a técnica proposta para o teste. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Resultados: Das crianças incluídas, 29 (78,25%) apresentaram integridade da via auditiva (G1) e 8 (21,75%) alteração condutiva, constituindo o G2. Na avaliação do desenvolvimento da função auditiva de localização, 21 crianças (56,75%) tiveram desempenho dentro do padrão normativo para faixa etária e 16 (43,25%) apresentaram atraso no desenvolvimento. Dentre as 16 crianças com atraso na habilidade de localização auditiva, cinco (31,25%) apresentaram alteração condutiva associada e quatro (25%) queixa de atraso na aquisição e desenvolvimento da linguagem oral. Em relação ao RCP, das crianças avaliadas, 15 (40,55%) tiveram ausência de RCP mesmo com integridade do sistema auditivo. Dentre as crianças com alteração no desenvolvimento da função auditiva com o guizo, quatro (25%) também apresentaram resposta qualitativa alterada na avaliação com os sons de Ling. Os IRDAs mais prevalentes nas crianças com alteração das habilidades auditivas foram: prematuridade (81,25%), permanência em UTI acima de cinco dias (68,75%), fototerapia (62,5%), baixo peso (50%) e hiperbilirrubinemia (50%). Do total de crianças com alteração condutiva associada ao atraso na função auditiva, quatro (80%) tiveram no mínimo três IRDAs em comum. Conclusão: Constatou-se elevada ocorrência de atraso no desenvolvimento da função auditiva em crianças com IRDA, mesmo com integridade da via auditiva. Os dados sinalizam a possibilidade de associação dos IRDA à perda auditiva na infância, ao desenvolvimento auditivo e de linguagem oral, o que tende a ser potencializado na co-existência de alterações condutivas. Ressalta-se a importância da avaliação do comportamento auditivo nestas crianças a fim de possibilitar a identificação de alterações auditivas que vão além dos limiares auditivos e da análise da funcionalidade das estruturas, procedendo os encaminhamentos necessários.

Joint Committee on Infant Hearing, & Evelyn, C. (2000). Year 2000 position statement: principles and guidelines for early hearing detection and intervention programs. American Journal of Audiology, 9(1), 9-29.
Marinho, ACA, Pereira, ECDS, Torres, KKC, Miranda, AM e Ledesma, ALL (2020). Avaliação do programa de triagem auditiva neonatal. Revista de Saúde Pública , 54 , 44.
Ferreira, M., & Lima, M. (2019). Acompanhamento do desenvolvimento global de lactentes com indicadores de risco para perda auditiva. Revista dos Trabalhos de Iniciação Científica da UNICAMP, (27), 1-1.
Tavoni, J. R., & Lima, M. C. M. P. (2018). Avaliação do desenvolvimento auditivo, de linguagem e motor em lactentes. Revista dos Trabalhos de Iniciação Científica da UNICAMP, (26).
Carneiro, C. S., Pereira, M. C. C. S., & Lago, M. R. R. (2016). Monitoramento Audiológico em Bebês com Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva. Distúrbios da Comunicação, 28(3).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1381
DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM DE CRIANÇAS PREMATURAS EXTREMAS AO NASCIMENTO: ORIENTAÇÃO AOS PAIS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: As crianças pré-termo, principalmente os extremos, estão mais propensas a apresentarem diversas alterações e/ou desvios, incluindo o da linguagem. Essas alterações podem ser influenciadas por fatores biológicos e sociais. Neste último aspecto, destaca-se o papel da família com um agente moderador do desenvolvimento. Sendo assim, é fundamental que os pais saibam o que é linguagem e seu processo de aquisição e que estimulem o seu bebê.OBJETIVO: Verificar a percepção dos pais sobre a linguagem de seus filhos antes e depois das orientações sobre o desenvolvimento e estimulação da linguagem. MÉTODO: Esta pesquisa é do tipo transversal e faz parte do projeto de pesquisa “Avaliação do Desenvolvimento da linguagem de crianças prematuras ao nascimento” (CEP 2.326.785/2017). Participaram da pesquisa 21 pais cujas crianças, de 0 a 24 meses de idade corrigida, apresentaram diagnóstico de prematuridade extrema ao nascimento, que nasceram e estiveram internadas no setor de UTI neonatal em um Hospital escola de um município do Interior de São Paulo, que não possuíam alterações neurológicas, auditivas, visuais ou síndromes. O estudo ocorreu em duas etapas: primeiramente, foi realizada uma avaliação da linguagem das crianças através da Escala de Aquisições Iniciais de Fala e Linguagem (EarlyLanguageMilestoneScale - ELM), após esta etapa, foram aplicados dois materiais elaborados para a pesquisa: um livro impresso, contendo os principais marcos do desenvolvimento da linguagem e orientações/sugestões sobre como estimular a criança diariamente, e um questionário, de perguntas abertas e fechadas, que buscava saber sobre o desenvolvimento e a comunicação das crianças avaliadas, sob a percepção dos pais; se estes já tinham recebido orientações quanto ao desenvolvimento geral e da linguagem; se estimulavam os seus filhos; e quais as contribuições que as orientações trouxeram ao conhecimento dos pais. Os dados foram analisados por percentuais descritos.RESULTADOS: Dentre os participantes da pesquisa, apesar de serem prematuros extremos e com muito baixo peso, os mesmos (95,2%) apresentaram desempenho esperado para a idade em todos os aspectos avaliados na escala do ELM.Com a aplicação do questionário após as orientações, foi possível observar que 90,5% dos participantes receberam orientações com relação ao desenvolvimento global do bebê, porém pouco mais da metade deles (52,4%) obtiveram orientações com relação ao desenvolvimento da fala e da linguagem. Mais da metade (76,2%) acreditam que seus filhos estão se desenvolvendo bem; todas as mães relataram possuírem brinquedos em casa e que incentivavam seus filhos a se comunicar. De acordo com as mesmas, 28,6% utilizavam o choro como principal forma de comunicação, seguido da fala e do gesto (como apontar), realizado por 19%. Com relação as impressões que as mães tiveram das orientações realizadas, a totalidade respondeu que aprenderam com as orientações, indicando que as informações transmitidas através da cartilha auxiliarão na rotina diária, e metade das mães disseram que a forma de como estimular o seu filho foi o que mais chamou atenção delas.CONCLUSÃO: Observou-se que a maior parte das crianças do estudo, apresentaram desempenho esperado para a idade com relação à linguagem, e os pais sentiram-se alcançados com as informações transmitidas através das orientações transmitidas.

1. CarnielCZ, Furtado MCC, Vivente JB, Abreu RZ, Tarozzo RM, Cardia SETR, Massei MCI, Cerveira RCF. Influência de fatores de risco sobre o desenvolvimento da linguagem e contribuições da estimulação precoce: revisão integrativa de literatura. Revista CEFAC. 2017; 19(1), 109-118;
2. Almeida J, Rocha J. Caracterização do perfil pragmático de crianças em idade pré-escolar e escolar. Caderno de Comunicação e Linguagem/ Comunicação, Saúde Mental e Psicopatologia.
3. Rechia IC, Oliveira LD, Crestani AH, Biaggio EPV, Souza APR. Efeitos da prematuridade na aquisição da linguagem e na maturação auditiva: revisão sistemática. CoDAS 2016;28(6):843-854.
4. Soares ACC, ACC, Silva K, Zuanett PA. Variáveis de risco para o desenvolvimento da linguagem associadas à prematuridade. AudiolCommun Res. 2017; 22:e1745.
5. Ribeiro CC, Lamônica DAC. Habilidades comunicativas de crianças prematuras e prematuras extremas. Rev. CEFAC. 2014 Mai-Jun; 16(3):830-839.
6. Lamônica DAC, Picolini MM. Habilidades do desenvolvimento de prematuros. Revista CEFAC, vol 11 Supl (2): 145-153.
7. Rugolo LMSS. Crescimento e desenvolvimento a longo prazo do prematuro extremo. J. Pediatria. 2005;81 (1): 101-110.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1953
DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E RITMOS BIOLÓGICOS DE LACTENTES NASCIDOS A TERMO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Título: Desenvolvimento da linguagem e ritmos biológicos de lactentes nascidos a termo
Introdução: A linguagem é um sistema de alta complexidade que utiliza símbolos convencionais para expressar diferentes formas de comunicação e cujo desenvolvimento é influenciado por fatores genéticos, diferentes patologias e por fatores ambientais. A qualidade do sono, essencial para funções cognitivas como consolidação da memória e de novas informações ainda não teve sua relação com o desenvolvimento de linguagem investigada em lactentes, apesar da presença de distúrbios de sono já ter sido correlacionada com problemas de aprendizado e de linguagem em crianças e adultos. Nos primeiros meses após o nascimento os lactentes passam grande parte do tempo dormindo o que é necessário para desenvolver seus aspectos fisiológicos e mentais. Porém, não é raro a detecção de problemas de sono nesta fase como por exemplo inquietude durante o sono, despertares e menor tempo de sono noturno. As causas de tais problemas podem ser características intrínsecas de maturação dos ritmos biológicos ou ambientais como alimentação ou exposição a luz. Sendo assim, o desenvolvimento da linguagem de lactentes pode ter relação com os ritmos biológicos incluindo os de atividade e repouso e sono- vigília esperado para a faixa etária. Objetivo: Investigar o desenvolvimento da linguagem e correlacionar com o ciclo sono-vigília em lactentes nascidos a termo. Materiais e Métodos: Foram recrutados 30 indivíduos com idade de 1 ano de ambos os sexos em unidades de saúde municipais. Até o momento com os resultados parciais foram avaliados 10 indivíduos com idade de 1 ano. O desenvolvimento da linguagem foi investigado por meio da Escala de Desenvolvimento Infantil de Bayley (BAYLEY III), a investigação do sono foi realizada por meio do Breve Questionário Sobre Sono na Infância (BQSI). Resultados: Os lactentes avaliados dormem em média 9 ± 0,9 h de sono durante a noite e 2,50 ± 0,8 h durante o dia, sendo que a maioria desses indivíduos (9) apresentam tempo total de sono menor do que o esperado para a idade. Em relação a avaliação da linguagem nos subtestes de comunicação receptiva e expressiva da escala Bayley foi possível verificar que 5 bebês apresentam atraso no desenvolvimento da linguagem expressiva. Conclusão: Como os resultados são parciais, não foi possível identificar até o momento a relação entre a qualidade do sono e o desenvolvimento da linguagem, sobretudo os dados indicam que mesmo em uma população de lactentes nascidos a termo, onde o desenvolvimento da linguagem e qualidade do sono apresenta-se típico, pode haver baixa qualidade de sono e consequentemente atraso no desenvolvimento da linguagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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communicative disorders and variations. American Speech-Language-Hearing Association. ASHA, v. 24, n. 11, p. 949-50, 1982.

MADASCHI, Vanessa et al. Bayley-III Scales of Infant and Toddler Development: Transcultural Adaptation and Psychometric Properties. Paidéia (Ribeirão Preto), Ribeirão Preto , v. 26, n. 64, p. 189-197, 2016 .


NUNES, M. L.; KAMPFF, J.P.R.; SADEH, A. BISQ - Questionnaire for Infant Sleep Assessment: translation into brazilian portuguese. Sleep Sci, v. 5, n. 3, p. 89-91, 2012.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1818
DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ORAL EM CRIANÇAS SURDAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ORAL EM CRIANÇAS SURDAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Introdução: O desenvolvimento da linguagem oral em crianças típicas ocorre de maneira natural de acordo com a língua que a mesma é exposta, entretanto, a ausência de experiências auditivas resultante da existência de surdez severa a profunda, influência de forma significante o desenvolvimento da linguagem oral (1,2). Objetivo: Sintetizar sistematicamente as produções bibliográficas sobre a aquisição da linguagem oral em crianças com surdez. Método: Foi realizada uma busca nas bases de dados SCIELO e LILACS, de produções publicadas entre os anos de 2015 e 2020, na língua portuguesa. Os descritores utilizados foram Linguagem e Surdez, sendo excluídas as produções anteriores a 2015, as repetidas nas bases de dados e os artigos de revisão de literatura. Os estudos foram categorizados de acordo com os resultados apresentados. Resultados: Dos 108 artigos encontrados, apenas 11 contemplavam os critérios de inclusão, pois a maioria dos artigos não se referiam ao desenvolvimento da linguagem oral em crianças surdas. Dos artigos contemplados, 5 apresentaram dados acerca do desenvolvimento da linguagem oral e as habilidades auditivas após o implante coclear e/ou o uso do aparelho auditivo, referindo alterações no vocabulário e desempenho escolar baixo nesse público. Além disso, esses estudos relataram que os usuários de implante coclear apresentam desenvolvimento linguístico e educacional inferior ao indivíduo com audição normal, porém melhor que os usuários que usam aparelho auditivo (1,2,9,10). Outros 2 estudos trouxeram a importância da orientação aos pais no processo de reabilitação e os efeitos de oficinas de contar histórias como estratégia eficiente, tendo em vista que é possível dar continuidade a terapia em ambiente familiar (3,4). Mais 2 estudos utilizaram escalas para pesquisar o desenvolvimento auditivo e o perfil da linguagem oral da criança implantada e encontraram que em estruturas mais complexas, como frases, o desempenho foi mais baixo do que no reconhecimento de palavras (5,7). Um artigo evidenciou a importância da avaliação audiológica para auxílio do diagnóstico precoce e outro comparou a comunicação entre sujeitos surdos com diagnóstico precoce e tardio, tendo como resultado que quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o desenvolvimento da linguagem oral (6,8). Os estudos buscaram por variáveis que poderiam influenciar no processo de reabilitação auditiva, como: sexo, reabilitação precoce e tardia, idade, relação familiar e adesão a terapia Fonoaudiológica, as pesquisas apontaram que crianças que tiveram assistência precoce apresentaram melhor desenvolvimento da linguagem oral, independente do sexo, além disso, o convívio familiar e a participação ativa dos familiares corrobora para um melhor prognóstico. Conclusão: Com esses achados, verificou-se que crianças com o diagnóstico de surdez tendem a ter mais dificuldade no desenvolvimento de linguagem. Entretanto, fatores como a intervenção precoce e a contribuição dos familiares, trazem avanços na aquisição da linguagem oral.

1- Ramos Daniela, Jorge João Xavier, Teixeira António, Ribeiro Carlos, Paiva António. Desenvolvimento da linguagem em crianças com implante coclear: terá o gênero alguma influência?. Rev. CEFAC [Internet]. 2015 Abr [citato 2020 Jul 12] ; 17( 2 ): 535-541.Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462015000200535&lng=en.
2- Sobreira Ana Carolina de Oliveira, Capo Bianca Maria, Santos Thássia Silva Dos, Gil Daniela. Desenvolvimento de fala e linguagem na deficiência auditiva: relato de dois casos. Rev. CEFAC [Internet]. 2015 Fev [citado 2020 Jul 12] ; 17( 1 ): 308-317. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462015000100308&lng=en.
3- Nascimento Gicélia Barreto, Kessler Themis Maria. Efeitos de oficinas de contar histórias com livros infantis realizadas com familiares de crianças surdas. Rev. CEFAC [Internet]. 2015 Ago [citado 2020 Jul 12] ; 17( 4 ): 1103-1114. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462015000401103&lng=en.
4- Rabelo Gabriela Regina Gonzaga, Melo Luciana Pimentel Fernandes de. Orientação no processo de reabilitação de crianças deficientes auditivas na perspectiva dos pais. Rev. CEFAC [Internet]. 2016 Abr [citado 2020 Jul 12] ; 18( 2 ): 362-368. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462016000200362&lng=en.
5- Pedrett Mariana dos Santos, Costa Maria Beatriz Pedrett. Aplicação da Escala RDLS para caracterização do perfil da linguagem oral de crianças usuárias de implante coclear. CoDAS [Internet]. 2019 [citado 2020 Jul 13] ; 31( 5 ): e20180158. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-17822019000500308&lng=pt.
6- Sato, Luciene M; Moraes, Maria F B Bonadia de; Murano, Emi Z; Isaac, Myriam de L; Loch, Mariana M; Tsuji, Robinson K; Bento, Ricardo F; Pirana, Sulene. Distúrbios da Comunicação em Pacientes Pediátricos ¬ um Algoritmo da Avaliação Audiológica. Rev. Salusvita CEFAC [Internet]. 2019 Ago [citado 2020 Jul 12] ; 38(3): 567-579. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1051377
7- Moretti Claudia Andriguetto Maoski, Ribas Angela, Guarinello Ana Cristina, Rosa Marine Raquel Diniz da. Escala de desenvolvimento auditivo e de linguagem na criança implantada. Audiol., Commun. Res. [Internet]. 2018 out [citado 2020 July 13] ; 23: e1895. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-64312018000100310&lng=en.
8- Rovere, Natália Caroline; Lima, Maria Cecília Marconi Pinheiro; Silva, Ivani Rodrigues. A comunicação entre sujeitos surdos com diagnóstico precoce e com diagnóstico tardio e seus pares. Distúrb. comun [Internet]. 2019 Mar [citado 2020 Jul 12] ; 30(1): 90-102. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-882726
9- Deperon, Tatiana Medeiros; Figueiredo, Renata de Souza Lima; Leal, Carolina Ferreira; Mendes, Beatriz de Castro Andrade; Novaes, Beatriz Cavalcanti de Albuquerque Caiuby. Audibilidade e desenvolvimento de linguagem oral em crianças com deficiência de audição. Distúrb. comun [Internet]. set. 2018 [citado 2020 Jul 12] 30(3): 551-560. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-995069
10- Penna Leticia Macedo, Lemos Stela Maris Aguiar, Alves Cláudia Regina Lindgren. Habilidades linguísticas e auditivas de crianças usuárias de aparelho auditivo. Braz. j. otorhinolaryngol. [Internet]. 2015 Abr [cited 2020 Jul 13] ; 81( 2 ): 148-157. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-86942015000200148&lng=en



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2112
DESENVOLVIMENTO DA PROSÓDIA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES TÍPICOS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Título: Desenvolvimento da prosódia em crianças e adolescentes típicos

Introdução: A prosódia é constituída por aspectos formais (frequência, intensidade e duração)2 e funcionais (emocionais, pragmáticos e gramaticais)3. Em relação ao desenvolvimento típico da aquisição de linguagem, é importante que se investigue tanto a capacidade para interpretar4 quanto a capacidade para expressar5 os aspectos prosódicos pelo falante. Embora compreenda-se a relevância do assunto, poucos testes foram elaborados ou adaptados para o português brasileiro. Objetivo: caracterizar o desenvolvimento das habilidades prosódicas em crianças e adolescentes entre 4 a 17 anos de idade com desenvolvimento típico de linguagem. Metodologia: O estudo foi aprovado em comitê de ética em pesquisa sob número de aprovação 58607616.8.0000.5404. O protocolo de avaliação que foi escolhido para ser aplicado nesse trabalho foi o PEPS-C, em versão português brasileiro, cujos estímulos haviam sido traduzidos, adaptados e validados previamente. Composto por sete provas, o protocolo possui subtestes que avaliam ambas, expressão e recepção, de cada habilidade, a saber: vocabulário, ítens curtos, interação, afeto, ítens longos, segmentação e foco. As provas são compostas por estímulos auditivos e visuais. O teste foi aplicado em 100 sujeitos, separados em 4 grupos etários (grupo I 4-5:11; grupo II 6-9:11; grupo III 10-13:11; grupo IV 14-17:11). Todos os dados foram avaliados estatísticamente, por meio dos softwares Excel, Past 4.01 e SAS University. O nível de significância adotado foi de 5% (0.05). Resultados: a expressão de itens curtos parece ser a primeira habilidade dominada no desenvolvimento, pois as crianças de 4-5;11 anos (grupo 1) atingiram a pontuação exigida nessa prova. A partir dos 6 anos (grupo 2), as crianças são capazes de expressar habilidade de interação e afeto. Na idade entre 10-13;11 anos parece ocorrer um maior desenvolvimento das habilidades prosódicas, uma vez que os sujeitos dessa faixa etária foram capazes de dominar as provas de recepção de itens curtos, recepção de interação, afeto, itens longos, segmentação e foco, além das provas de expressão de itens longos e segmentação. A expressão de foco parecer ser a última habilidade adquirida, uma vez que apenas a partir de 14 anos de idade as crianças apresentaram competência para a execução da prova. Conclusão: Observou-se que o melhor desenvolvimento das habilidades prosódicas ocorre na faixa etária de 10-14 anos. Ainda, quando realizada a comparação entre recepção e expressão, as crianças pareceram desenvolver primeiro o aspecto expressivo.

1. Mannell R. Introduction to prosody theories and models Sydney: Macquarie University; 2007.

2. Roach P. English Phonetics and phonology: A practical course Cambridge Cambridge: University Press; 2000.

3. Peppé S, Martínez-Castilla P, Coene M, Hesling I, Moen I, Gibbon F. Assessing prosodic skills in five European languages: cross-linguistic differences in typical and. International Journal of Speech-Language Pathology. 2010; 12: p. 1-7.

4. Gervain J, Mehler Jacques. Speech perception and language acquisition in the first year of life. Annual review of psychology. 2010; 61: p. 191-218.

5. Nazzi T, Bertoncini J, Mehler J. Language discrimination by newborns: toward an understanding of the role of rhythm. Journal of Experimental Psychology: Human perception and performance. 1998; 24: p. 756.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
726
DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES DO DIA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O RUÍDO (INAD) NA CIDADE DE AA (BB)
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A poluição sonora é um problema de saúde pública mundial. Ela traz repercussões negativas na saúde humana e do meio ambiente, sendo a terceira forma de poluição que mais afeta o planeta. Com isso, o papel de profissionais (técnicos e de saúde) e da sociedade é de buscar a mitigar esse perigo da era moderna. O Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído (International Noise Awareness Day ou apenas INAD) é uma campanha mundial que leva conhecimento para a comunidade. Em AA (BB), existe uma parte do ramo brasileiro da campanha, que anualmente faz atividades de conscientização em toda a cidade, em uma cooperação entre os cursos de Engenharia XX com Fonoaudiologia (da Universidade CC de AA AAA). OBJETIVO: A campanha de conscientização (INAD) objetiva levar conhecimento e assistência fonoaudiológica para a comunidade da cidade de AA (BB). MÉTODO: As atividades desenvolvidas para levar informação são diversas, elas envolvem: palestras em empresas e escolas; participação em eventos da cidade; avalições fonoaudiológicas; medições acústicas (com sonômetro) e utilização de espaços de shopping para chamar a atenção. Todas elas foram desenvolvidas por alunos e professores (dos cursos supracitados). Além disso, algumas tomadas de medição de nível de pressão sonora (NPS) foram feitas em locais selecionados. Em algumas escolas, um adaptador foi utilizado (em conjunto com o sonômetro) para fazer medições qualitativas do volume sonoro em que os alunos estavam sujeitos. RESULTADOS: Uma campanha de conscientização dessa natureza é caracterizada por um trabalho continuado, isto é, desenvolve-se todos os anos e ao longo de cada ano. Todavia, pode-se estimar que há sucesso em levar informação, pois de curiosos a profissionais, existe sempre um grande interesse em compartilhar histórias e tirar dúvidas (sejam elas técnicas, de saúde ou de legislação). Além disso, populares que reportaram dificuldades auditivas, foram recomendados para comparecer aos Centros de Referência Regionais em Saúde do Trabalhador (CEREST). CONCLUSÃO: Neste trabalho são elucidadas as atividades do INAD na cidade AA (BB) nos últimos três anos. Houve um grande envolvimento de diversos alunos (dos dois cursos) da universidade. As comunidades que foram atendidas possuem uma faixa etária variada. Com isso, pode-se levar informações e triagens prévias (quando possível) para todos os locais de atividades.

1. INAD Brasil – INAD – Dia Internacional da Conscientização Sobre o Ruído [Internet]. Inadbrasil.com. 2020 [Acesso em: 6 de junho de 2020]. Disponível em: http://inadbrasil.com/
2. Akal D. Noise Induced Work Places and Noise Related Occupational Risks. Dilsad, Occup Med Health Aff. 2018:1-4.
3. World Health Organization. Environmental Noise Guidelines for the European Region. 2018 [Acesso em: 6 de junho de 2020]. Disponível em: https://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0008/383921/noise-guidelines-eng.pdf


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1981
DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES DE MEMÓRIA VERBAL EM PRÉ-ESCOLARES COM DESENVOLVIMENTO TÍPICO NASCIDOS NO RIO GRANDE DO NORTE
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: No processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem, a memória desempenha papel fundamental para o aprendizado. A memória de curto prazo (MCP) é importante para processos cognitivos como resolução de problemas, compreensão de linguagem, planejamento e processamento espacial, podendo ser armazenada por um período de segundos a minutos. Com o aumento da idade, há evolução das habilidades relacionadas à memória, melhorando o desempenho em tarefas de repetição. Além disso, fatores como extensão da palavra e organização do sistema fonológico influenciam nesse processo. Para avaliar a MCP, podem ser utilizados testes que visam a repetição de dígitos ou repetição não palavra (RNP). Na RNP usa-se palavra que possui valor estrutural mas não semântico, portanto, é necessário ocorrer representação fonológica e o armazenamento temporário da sequência ouvida. Considerando que a MCP interfere no desenvolvimento da linguagem, a sua incorporação na bateria de avaliação em pré-escolares é de suma importância. Objetivo: Caracterizar o desempenho quantitativo na prova de memória de curto prazo em pré-escolares nordestinos. Metodologia: Trata-se de estudo transversal com amostra de 42 pré-escolares com idade entre 4 e 6 anos, de ambos os sexos, matriculados em uma instituição de ensino pública. Para avaliar a MCP foi utilizado o Teste de Memória de Curto Prazo Fonológica (TMCPF), composto por 40 NP divididas igualmente em grupos mono, di, tri e polissílabas, e compostas apenas pelos fonemas /p, m, k, f, n, t/. A pesquisadora solicitava à criança que escutasse a NP e repetisse a seguir o que havia ouvido. Para análise dos dados foi considerado o índice de acerto em cada extensão da NP e o índice geral, além disso foi realizada uma análise de cada NP. A fim de garantir a fidedignidade dos dados, cada amostra foi analisada de forma independente por duas pesquisadoras previamente treinadas e uma terceira pesquisadora mais experiente analisou a concordância entre as versões, gerando a versão final. Os dados coletados foram submetidos à análise estatística descritiva e inferencial. Resultados: A porcentagem da MCP variou entre 60 e 100, com mediana e intervalo interquartil entre 82,5 e 93,1. A mediana da porcentagem de acertos variou entre 100 para mono e dissílabos e 80 para os polissílabos. A análise dos acertos de acordo com a NP apontou que itens "ni", "mípe", "nitépu", "tefapúmi" e "cofanípe" foram os com menor índice de acertos dentre de sua categoria. Considerando a média de acertos por item foi notado o mesmo padrão observado nos sujeitos: com o aumento da extensão o índice de acertos decai. Conclusão: O desempenho na prova de MCP utilizando NP indicou maiores índices de acertos para NP com menor extensão. Além disso, a análise dos itens com maior ou menor acerto, pode fornecer indicativos de quais são aqueles possivelmente mais sensíveis a alterações no desenvolvimento. Por fim, estudos que têm por objetivo obter valores de referência para a região nordeste são de suma importância para a prática fonoaudiológica, levando em consideração a escassez na literatura abrangendo o desenvolvimento da linguagem em pré-escolares nordestinos.

Lobo FS, Acrani IO, Ávila CRB. Tipo de estímulo e memória de trabalho fonológica. Rev. CEFAC . 2008 Dec; 10( 4 ): 461-470.
D'Esposito M. From cognitive to neural models of working memory. Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2007;362(1481):761-772. doi:10.1098/rstb.2007.2086
Izquierdo I, Myskiw J, Benetti F, Furini CR. Memória: tipos e mecanismos – achados recentes. Rev. USP. 2013 ;(98):9-6.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1627
DESENVOLVIMENTO DE JOGOS DIGITAIS INTERATIVOS PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE AUDITIVA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: As ferramentas tecnológicas interativas, como os jogos digitais, são cada vez mais utilizadas para a educação em saúde e podem ser uma estratégia educativa para promover a saúde auditiva e a prevenção da perda auditiva e zumbidos (1-3). Objetivo: Desenvolver um aplicativo mobile de jogos interativos, em português, voltado à promoção da saúde auditiva para crianças e jovens. Método: O desenvolvimento dos jogos foi realizado em 5 fases. Na fase 1, uma equipe multiprofissional composta por pesquisadores, especialistas em audiologia e desenvolvedores de jogos digitais foi formada para concepção, estudos e análises. Os princípios do programa Dangerous Decibels foram considerados nessa fase. Na fase 2, os pesquisadores e especialistas em audiologia desenvolveram o roteiro e os desenvolvedores de jogos digitais, percorreram as etapas de conceituação, documentação, fases de cada jogo, arte/animação e programação. Na fase 3, o primeiro protótipo do jogo foi apresentado e foram definidos os ajustes. Na fase 4, foram realizadas as alterações dos elementos apontados na fase 3 e a finalização da versão de demonstração para os testes com os usuários. Na fase 5, foi realizada a preparação para a exportação final do jogo em um aplicativo mobile, que será disponibilizado gratuitamente. Resultados: Foram desenvolvidos oito jogos, sendo eles: 1) “Conserte a orelha do robô”, o jogador terá que pegar as peças corretas para consertar a orelha do robô, aprendendo sobre a anatomia da orelha; 2)“Caminho do som”: o jogador deve observar o caminho do som e organizar os ossículos da orelha, aprendendo sobre seu funcionamento; 3) “Não machuque seu canal auditivo”, o jogador deverá impedir que seus colegas utilizem materiais como cotonete, grampo, tampa de caneta e outros, dentro do canal auditivo, aprendendo que não deve utilizá-los para esse fim; 4) “Qual é o som?”, o jogador terá que descobrir qual a fonte sonora do som escutado e poderá simular a audição de uma pessoa com perda auditiva e outra com audição normal; 5) “Qual som é seguro para sua audição?, o jogador terá que descobrir quais sons são seguros e quais são perigosos para a audição, de acordo com o tempo de exposição e da intensidade do som; 6) “Identifique a distância segura”, o jogador deve identificar qual a distância de um carro, de acordo com a intensidade do som, aprendendo que afastar-se da fonte ruidosa pode proteger a audição; 7)“Evite o zumbido”, o jogador terá que encontrar um amigo que lhe entregue protetores auditivos durante um show de rock, aprendendo que ao usá-lo estará protegendo a audição, além de evitar o zumbido. 8) “Abaixe o volume”, o jogador deverá abaixar o som dos fones de ouvido para um nível seguro para a audição, aprendendo que diminuir o volume é uma das formas de protegê-la. Conclusão: O aplicativo mobile de jogos digitais desenvolvido, poderá ser um recurso educacional interativo, efetivo e acessível para uso em escolas e pela comunidade em geral para a promoção da saúde auditiva e prevenção da perda auditiva e do zumbido.

1. Huang, K. T., Ball, C., Francis, J., Ratan, R., Boumis, J., & Fordham, J. (2019). Augmented versus virtual reality in education: An exploratory study examining science knowledge retention when using augmented reality/virtual reality Mobile applications. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 22(2), 105-110.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1746
DESENVOLVIMENTO INFANTIL EM BEBÊS COM SÍFILIS CONGÊNITA NOS PRIMEIROS MESES DE VIDA.
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: No Brasil em 2018 as taxas de incidência da sífilis congênita foram de 9,0/1.000 nascidos vivos e taxa de mortalidade por sífilis congênita foi de 8,2/100.000 nascidos vivos1. A sífilis na gestação pode acarretar consequências fetais como parto prematuro, óbito ou manifestações congênitas precoces ou tardias como perda auditiva e dificuldade no aprendizado2. O Joint Committee of Infant Hearing3 apresenta a sífilis congênita como fator de risco para a deficiência auditiva, devendo as crianças realizarem acompanhamento audiológico até os dois anos de vida2. Alterações neurológicas são descritas com sintomas da sífilis congênita, podendo gerar comprometimentos no neurodesenvolvimento psicomotor e na fala4,5. Diante das implicações provocadas, monitorar o desenvolvimento do recém-nascido com sífilis congênita, sobretudo nos aspectos cognitivos, de linguagem e motor, é um importante meio de observar possíveis alterações e encaminhá-lo para a intervenção. Objetivo: Avaliar o desenvolvimento cognitivo, de linguagem e motor do bebê em seus primeiros meses de vida através da Escala de Desenvolvimento Infantil Bayley-III. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa n°3.360.991. Foram avaliados 55 bebês recrutados em maternidades públicas e que passaram na triagem auditiva neonatal, com idades entre 22 e 112 dias, divididos em dois grupos. O G1 composto por 29 bebês com sífilis congênita que apresentavam o Veneral Diseases Research Laboratory (VDRL) positivo ao nascimento ou eram bebês com VDRL negativo com mãe positiva neste exame no momento do parto, não tendo recebido tratamento adequado durante o pré-natal1 e G2 com 26 sem fatores de risco para a deficiência auditiva3. Todos os bebês com sífilis congênita receberam tratamento antes da alta hospitalar. Todos os sujeitos realizaram meatoscopia e Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico com clique a 80 dB nNA com presença de ondas I-III-V e latências dentro do esperado para a idade. Após a avaliação auditiva, foi aplicada a Escala Bayley-III, subdividida nas escalas cognitiva, de linguagem receptiva e expressiva, motora ampla e fina, baseando-se na observação das reações dos bebês aos diferentes estímulos propostos para a avaliação. O ponto de partida da avaliação correspondeu à idade corrigida do bebê no dia da avaliação. Para a análise, utilizou-se o desempenho no escore escalonado6 entre os grupos. A distribuição dos dados não foi normal segundo análise de Shapiro Wilk. Desta forma, aplicou-se o Teste de Mann-Whitney para comparar os grupos entre os desempenhos nas escalas. Utilizou-se o nível de significância de 5%. Resultados: Foi observado que, ao comparar os escores escalonados da Escala Bayley-III entre os bebês do G1 e do G2, não houve diferença estatisticamente significante em nenhuma das escalas. Conclusão: A sífilis congênita tratada nos primeiros meses de vida não é um indicador de risco para o desenvolvimento infantil (cognição, linguagem e motor).

1 Brasil. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico 2019. Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis – DCCI. 2019 Out; Número Especial. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/wp-content/uploads/2019/11/boletim_sifilis_2019_internet.pdf

2 Brasil: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis 2019. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-prevencao-da-transmissao-vertical-de-hiv

3 Joint Committee of Infant Hearing. Year 2019 Position Statement: Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs. Journal of Early Hearing Detection and Intervention 2019; 4(2), 1-44. DOI: 10.15142/fptk-b748

4 Lago EG; Vaccari A; Fiori RM. Clinical features and follow-up of congenital syphilis. Sexually Transmitted Diseases. 2013 February; 40(2). DOI: 10.1097 / OLQ.0b013e31827bd688

5 Verghese VP; Hendson L; Singh A; Guenette T; Gratrix J; Robinson JL. Early childhood neurodevelopmental outcomes in infants exposed to infectious syphilis in utero. The Pediatric Infectious Disease Journal 2018 june; 37(6). DOI: 10.1097 / INF.0000000000001842

6. Bayley N. Bayley Scales of Infant and Toddler Development. 3rd ed. 2006. Psychological Corporation: San Antonio, TX.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1831
DESENVOLVIMENTO MOTOR NO TRANSTORNO ESPECÍFICO DA APRENDIZAGEM
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Estudos encontraram evidências de déficits motores em escolares com dificuldades(1,2,3). Segundo a literatura, não há razão óbvia para que habilidades motoras e de alfabetização se combinem, mas ambos os déficits podem ser indicativos de um problema subjacente de equilíbrio ou aprendizado processual(4). Objetivo: Este estudo quer contribuir com o conhecimento sobre déficits de desempenho motor e de equilíbrio, caracterizando-os em uma série de casos de crianças com Transtornos Específicos da Aprendizagem.

Método: Estudo aprovado pelo CEP (parecer nº:0142/2020). Todos os participantes e seus responsáveis assinaram o Termo de Conhecimento Livre e Esclarecido. Foram avaliadas 09 crianças, com diagnóstico fonoaudiológico de Transtorno específico de Leitura (F81.0 – CID 10) e Escrita (F81.1 – CID 10), assim caracterizadas e distribuídas: 03 meninos do 3º ano (média: 8,8 anos); 01 menina e 02 meninos do 4º ano (média: 9,5 anos) e 03 meninos do 5º ano (média: 10,43 anos); 08 eram da rede pública de ensino. As avaliações foram individuais; a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM - Rosa Neto, 2012) foi aplicada por uma educadora física, treinada para esse fim. Constaram do protocolo as provas: motricidade fina, motricidade global, equilíbrio, organização espacial e temporal, esquema corporal e lateralidade. Seguiram-se os parâmetros de classificação do desempenho motor e da presença, ou não, de alteração do desenvolvimento, constantes na EDM. Neste estudo não foi investigada a relação idade cronológica/escolaridade e idade motora.

Resultados: Uma criança apresentou a lateralidade cruzada e as demais eram destros completos. Todas as crianças (M=9,5 anos) apresentaram desempenho abaixo do esperado em todas as variáveis avaliadas, sendo os piores escores observados em motricidade fina (M=4,4 anos) e equilíbrio (M=6,1 anos). Quanto à classificação, apenas 01 criança (5º ano) alcançou nível de desenvolvimento normal-baixo com fator risco leve; 03 crianças foram classificadas com desempenho inferior com fator risco moderado; 05 como muito inferior com fator risco grave. Quando comparadas a idade motora e a cronológica, as crianças apresentaram idade negativa de 33 a 51 meses indicativa de atraso motor superior a 02 anos, pelo menos.

Conclusão: Os nove casos com Transtorno específico de leitura e de escrita, apresentaram idade motora geral abaixo da idade cronológica, sobretudo nas tarefas de equilíbrio e motor fino (intimamente relacionados à escrita), em provável associação com os prejuízos apresentados na aprendizagem.

1.Pellegrini, AN. et al. Desenvolvendo a coordenação motora no ensino fundamental. São Paulo: UNESP, 2005. Disponível em: .
2.Okuda PMM, Swardfager W, Ploubidis GB, Pangelinan M, Cogo-Moreira H. Influence of birthweight on childhood balance: Evidence from two British birth cohorts. 2018Março; (130):116-20.- Early Human Development. http://doi.org/10.1016/j.earlhumdev.2018.01.010
3.Okuda PMM, Swargfager W, Lucio PS, Ploubidis GB, Liu T, Pangelinam M, Cogo-Moreira H. The trajectory of balance skill development from childhood to adolescence was influenced by birthweight: a latent transition analysis in a British birth cohort. 2019Maio;(109):12-19 https://doi.org/10.1016/j.jclinepi.2018.12.012
4.Brookman A, McDonald S, McDonald D, Bishop DVM. 2013. Fine motor deficits in reading disability and language impairment: same or different? PeerJ 1:e217 https://doi.org/10.7717/peerj.217


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1812
DESIGUALDADES RACIAIS NO NÚMERO DE INFECTADOS NA PANDEMIA DO CORONAVÍRUS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O primeiro caso de Coronavírus no Brasil foi notificado no final de fevereiro, e o primeiro registro da doença em Sergipe deu-se no dia 14 de março¹. Desde então, a disseminação deste vírus aconteceu de forma rápida, atingindo no mês de julho a marca de mais de 30 mil casos no estado². No entanto, o processo histórico de colonização do Brasil, marcado pelo uso da mão de obra de pessoas escravizadas e pela negação de direitos básicos a tais povos, determina até hoje discrepâncias internas que estão atreladas as raízes de um sistema escravocrata³. Em nosso país, tal processo de exploração trouxe disparidades no acesso a saúde, na qualidade do atendimento e nos indicadores de saúde como resultado das desigualdades em moradia, trabalho e condições sociais. Dessa forma, sabe-se que a população negra está no centro das iniquidades em saúde, experienciando de maneira mais aguda os efeitos negativos de uma pandemia. OBJETIVOS: Refletir sobre as desigualdades raciais no número de infectados por COVID-19 na população negra. METODOLOGIA: Estudo transversal descritivo com base no boletim epidemiológico² divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe (SES). O boletim em questão refere-se a dados obtidos até o dia 06 de julho de 2020 por meio da síntese de notificações das secretarias de saúde municipais. Foi incluído dados secundários do IBGE a respeito do número de habitantes, IDH e densidade demográfica de Sergipe. RESULTADOS: O estado de Sergipe possui uma estimativa para 2019 de 2.298.696 de habitantes, com densidade demográfica de 94,35 hab/km2 e IDH de 0,6654. No dia 06 de julho de 2020, estavam confirmados 30.718 casos de COVID-19², o coeficiente de incidência para COVID-19 era de 1,315 casos por 100 mil habitantes5. Dentro desse número, a população negra representou 19,9% ou 6.104 de infectados2, números maiores do que qualquer outro grupo de raça/cor infectada. No entanto, cerca de 62,4% ou 19.166 dos infectados tiveram a cor/raça ignorada na ficha de registro individual para o Coronavírus2. CONCLUSÃO: As desigualdades em saúde para a população negra não estão restritas a situação do COVID-19. É preciso garantir equidade para essa parcela da população, levando políticas públicas que os auxiliem, especialmente as comunidades quilombolas, favelas, subúrbios e a população privada de liberdade que estão duplamente expostas as iniquidades em saúde durante uma pandemia. Ademais, o fator cor/raça é uma importante informação frequentemente ignorada na ficha de registro individual para COVID-19. Desta feita, a omissão destes impossibilita a acurácia dos dados, comprometendo o sistema de vigilância, o planejamento de recursos e de medidas de controle, construindo uma barreira para compreensão do real impacto da COVID-19 e a tomada de decisões para redução das disparidades. Nesse cenário, é extremamente necessário que os profissionais de saúde tenham a responsabilidade de não omitir a raça/cor nos dados referentes a infectados, hospitalizações e óbitos.

Barbosa A. Secretaria de Estado da Saúde confirma primeiro caso de coronavírus em Sergipe. G1 SE Online 2020;[acesso em 6 jul. 2020]. Disponível em: https://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2020/03/14/secretaria-de-estado-da-saude-confirma-primeiro-caso-de-coronavirus-em-sergipe.ghtml

Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Boletim epidemiológico para atualização Doença sobre o COVID-19. 91º Informe Epidemiológico [Internet] 2020 [acesso em 06 jul. 2020]. Disponível em: todoscontraocorona.net.br/wp-content/uploads/2020/07/Boletim-06.07.2020.pdf

Goes EF, Ramos DO, Ferreira AJF. Desigualdades raciais em saúde e a pandemia da Covid-19. Trabalho, Educação e Saúde [Internet]. 2020 [acesso em 6 Jul de 2020];18(3):1-7. DOI 10.1590/1981-7746-sol00278. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/tes/v18n3/0102-6909-tes-18-3-e00278110.pdf

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Cidades e estados. [acesso em 08 de março de 2020.]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/se.html

Observatório de Sergipe. Boletim COVID-19 Sergipe e território nacional – Edição 36. Boletim Epidemiológico [Internet] 2020 [acesso em 06 jul. 2020]. Disponível em: http://docs.observatorio.se.gov.br/wl/?id=9Nl6mPUrZ0856lXVMz1k0qMwOgE1UzPF


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1906
DESIGUALDADES SOCIAIS E A PANDADEMIA DA COVID-19: DISPARIDADES NO NÚMERO DE ÓBITOS
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: No dia 07 julho de 2020 o Brasil alcançou a marca de 65.487 mortos pela COVID-19, que ultrapassa a marca de homicídio registrado no ano conhecido como o mais violento do país, 2017. Esse registro impressiona, no entanto, impressiona ainda mais saber que pessoas de raça/cor preta são as maiores vítimas dessa pandemia(1). Ao analisar a história do país, marcada por um desenvolvimento baseado na escravidão de povos de diferentes raças/cores, cultura e religião, se entende o porquê dessa disparidade. Esse processo de exploração trouxe desigualdades no acesso à saúde, na qualidade do atendimento e nos indicadores de saúde como resultado das desigualdades em moradia, trabalho e condições sociais persistentes por séculos(2). No estado de Sergipe, os registros não são diferentes, o número de óbitos e infectados pela COVID-19 nas pessoas de raça/cor preta são maiores que os encontrados em pessoas de raça/cor branca. Uma prova dessa disparidade do acesso à saúde entre essas duas populações é o reconhecimento do Ministério da Saúde, que cria em 2009 a Política Integral de Saúde da População Negra. Tal medida tem como objetivo: promover a saúde integral da população negra, priorizando a redução das desigualdades étnico-raciais, o combate ao racismo e à discriminação nas instituições e nos serviços do SUS(3). Objetivo: Estudar as disparidades exposta no número de óbitos pela COVID-19, entre população de raça/cor preta e branca. Metodologia: Trata-se de um estudo exploratório, que tem como base os dados dos boletins de óbitos apresentados pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Saúde do Estado de Sergipe, até o dia 07 de julho de 2020. Resultado: O Estado de Sergipe possui 2,29 milhões de habitantes segundo último dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), datado no ano de 2019. No dia 14 de março de 2020, em Aracaju, foi registrado o primeiro caso confirmado de coronavírus no Estado, logo depois, os primeiros óbitos foram registrados no dia 02 de abril. Dos 31.640 casos de habitantes contaminados pela COVID-19, tem-se um número total de 851 óbitos, destes, 309 eram pessoas de raça/cor preta e 419 tiveram sua raça/cor ignorada. Conclusão: Fica claro, portanto, que não se trata de uma coincidência que as maiores vítimas dessa pandemia sejam pessoas de raça/cor preta, uma vez que são as mesmas que se encontram a margem e com tantas dificuldades de ter acesso aos serviços de qualidade. Por esse motivo, as ações que tem como objetivo diminuir essas desigualdades devem ser intensificadas, principalmente as de saúde. A saúde dessas pessoas é reflexo de uma estrutura que envolve os aspectos socioeconômico e demográfico. Declarar a sua raça/cor é importante para a construção de políticas públicas, pois permite que os sistemas de informação do SUS consolidem indicadores que traduzem os efeitos dos fenômenos sociais e das desigualdades sobre os diferentes segmentos populacionais. Faz-se necessário a identificação de cada pessoa que foi morta pela coronavírus para que medidas precisas sejam tomadas.

Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Boletim epidemiológico para atualização Doença sobre o COVID-19. Boletim Epidemiológico [Internet] 2020 [acessado em 07 jul. 2020]. Disponível em: todoscontraocorona.net.br/wp-content/uploads/2020/07/Boletim-07.07.2020.pdf (1)
GOES EF.; RAMOS DO.; FERREIRA AJF. Desigualdades raciais em saúde e a pandemia da Covid-19. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 18, n. 3, 2020, e00278110. DOI: 10.1590/1981-7746-sol00278 (2)
Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: uma política para o SUS[Internet] 2020 [acessado em 09 jul. 2020]. Disponível em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_populacao_negra_3d.pdf (3)


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1793
DESLOCAMENTO INTERNO DO DISCO ARTICULAR SEM REDUÇÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução:
A Disfunção temporomandibular (DTM) está estabelecida como um agrupamento de distúrbios que envolvem os músculos mastigatórios, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas associadas. Dentre muitas alterações, destacam-se os desarranjos internos da Articulação Temporomandibular (ATM). Esses acontecem quando há um relacionamento anatômico anormal entre disco, côndilo e eminência articular e envolve, em sua maioria, os deslocamentos do disco articular para a posição anterior à cabeça da mandíbula. Esses deslocamentos podem ser com ou sem redução. No deslocamento anterior do disco com redução (DDCR) há a recaptura deste para a posição de normalidade em boca aberta. Já o deslocamento do disco sem redução (DDSR) está demonstrado quando este permanece deslocado mesmo na posição de abertura máxima da boca. O DDSR está caracterizado pela abertura oral máxima (AOM) de boca limitada com ≤ 35mm, deflexão para o lado afetado no momento de abertura, limitação acentuada da laterotrusão para o lado preservado e dor localizada e/ ou na região da musculatura mastigatória. Objetivo: Descrever as manobras terapêuticas utilizadas no tratamento do DDSR. Metodologia: Esse trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética sob o número 3.349.187. Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de caso. Paciente J.C.D do sexo feminino de 23 anos, compareceu ao serviço de fonoaudiologia com o diagnóstico de DDSR no lado esquerdo (LE), há aproximadamente um mês do início dos sintomas. Relatou fazer uso de medicamentos para relaxamento muscular, prescritos pelo bucomaxilofacial. Foi realizada anamnese e avaliação miofuncional orofacial. À palpação apresentou dor na musculatura mastigatória, na ATM no LE, e dor nos músculos supra e infra hióideos, bem como na região cervical. A AOM inicial de 12 mm e deflexão para o lado esquerdo, ausência de lateralidade direita (LD). Mastigação ineficiente e amplitude mandibular reduzida durante a fala. Referiu ainda, bruxismo em vigília. Na Terapia Miofuncional Orofacial (TMO) foram abordadas as seguintes estratégias: orientação para controle do bruxismo, termoterapia com calor úmido nas regiões de masseter e temporal, alongamento da musculatura elevadora da mandíbula, manobra de recaptura do disco articular, exercícios mandibulares para condicionamento da AOM e treino funcional. Foram realizadas 4 sessões em um intervalo de um mês. Resultados: Após o tratamento fonoaudiológico a paciente apresentou o ganho na dimensão vertical de 34 mm, controle da dor e deflexão, além de melhora na mastigação. A fala foi restabelecida sem um trabalho direcionado, pois acompanhou os ganhos funcionais com a remissão dos sinais e sintomas.
Conclusão: A TMO mostrou-se resolutiva para o caso descrito e, representa uma modalidade terapêutica importante no repertório de tratamento para a DTM.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
838
DESVELANDO A PRECARIEDADE DE POLÍTICAS INCLUSIVAS NA EDUCAÇÃO FORMAL DOS USUÁRIOS DE IMPLANTE COCLEAR
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: O Implante Coclear (IC) constitui-se na principal tecnologia capaz de devolver a capacidade auditiva às pessoas que possuem perda de grau severo a profundo. A função do IC é transformar os sons do ambiente em estímulos elétricos que são levados para o nervo auditivo, causando a sensação auditiva no indivíduo. No Brasil, todo o processo para a realização e acompanhamento do IC é garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tendo sido o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), o primeiro centro credenciado no Estado de Pernambuco. OBJETIVO: Desvelar as dificuldades encontradas pelos responsáveis das crianças usuárias de IC no acesso à educação básica e a falta de integração das políticas públicas de saúde e educação. METODOLOGIA: O presente estudo trata-se de uma análise descritiva da experiência vivenciada pelos responsáveis de escolares usuários de IC no acesso à educação básica, a partir das observações realizadas enquanto assistente social do serviço de implante coclear do IMIP. RESULTADO: Os responsáveis pelos usuários de IC em idade escolar relatam diversas situações relacionadas à inclusão escolar: negativa de vagas, afastamento da criança por não haver professor auxiliar, retirada do IC em sala de aula, dificuldade dos professores no manuseio do IC e desconhecimento sobre esta tecnologia. Nos casos em que o aluno é impedido de frequentar a escola, os órgãos de defesa são notificados, visto que a educação é um direito previsto no Estatuto da criança e do adolescente. Também é frequente a indicação do ensino de Libras, como única possibilidade, conforme premissa da educação inclusiva. O usuário de IC não perde a condição de deficiente auditivo. Em uso do implante, ele tem a possibilidade de restabelecer sua capacidade auditiva e, por consequência, desenvolver a linguagem oral. Por esta razão, a escola deve estar preparada para receber esta criança, propiciando condições favoráveis para a escuta, bem como para a aprendizagem. Apesar do SUS realizar a cirurgia de IC, a política de educação prevê para a educação do surdo no ambiente escolar o uso da Libras. Portanto, parece haver uma desarticulação entre as políticas públicas de saúde e educação, o que tem gerado dificuldades na inclusão escolar, sendo a escola um importante espaço de aprendizagem, sociabilização e interação social. CONCLUSÃO: A partir dos relatos dos responsáveis pelas crianças usuárias de IC, foram desveladas diversas dificuldades no processo de inclusão da criança usuária de IC, desde o ingresso na escola, como a manutenção no espaço, uso do IC e assistência escolar. Tais dificuldades parecem ser reflexo da desarticulação das políticas públicas de saúde e educação, não compreendendo o usuário em sua totalidade, integralidade e, assim, não favorecendo seu desenvolvimento. Fica evidente a necessidade da articulação das políticas e a necessidade de formação dos profissionais de educação sobre o uso e benefícios da tecnologia do IC para que estes possam contribuir no processo de inclusão escolar desta população.

BRASIL. Lei Federal n. 8069, de 13 de julho de 1990. ECA _ Estatuto da Criança e do
Adolescente, Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm ,
acessado em 20/10/2019.
BRASIL, Portaria n° 2.776, de 18 de dezembro, de 2014. Disponível em
http://138.68.60.75/images/portarias/dezembro2014/dia19/portaria2776.pdf , acessada
em 22/09/2019.
BRASIL, Portaria n° 2.161 de 17 de julho de 2018. Disponível em
http://www.in.gov.br/materia/-
/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/31890149/do1-2018-07-18-portaria-n-2-
161-de-17-de-julho-de-2018-31890131 , acessada em 10/10/2019.
MAGALHAES, Aracê Maria Magenta et al. Desenvolvimento socioemocional de
crianças surdas com implante coclear. Bol. - Acad. Paul. Psicol., São Paulo , v. 27, n.
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<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-
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TEFILI, Diego et al . Implantes cocleares: aspectos tecnológicos e papel
socioeconômico. Rev. Bras. Eng. Bioméd.,  Rio de Janeiro ,  v. 29, n. 4, p. 414-433, 
dez. 2013. Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151731512013000400010&ln
g=pt&nrm=iso>. acessos em  16  jun.  2020.  http://dx.doi.org/10.4322/rbeb.2013.039 .
VIEIRA, Sheila de Souza et al . Implante coclear: a complexidade envolvida no
processo de tomada de decisão pela família. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão
Preto , v. 22, n. 3, p. 415-424, jun. 2014 . Disponível em
https://www.scielo.br/pdf/rlae/v22n3/pt_0104-1169-rlae-22-03-
00415.pdf 11692014000300415&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 05 julho. 2020..


TRABALHOS CIENTÍFICOS
559
DIAGNÓSTICO AUDIOLÓGICO EM LACTENTES QUE FALHARAM NA TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


DIAGNÓSTICO AUDIOLÓGICO EM LACTENTES QUE FALHARAM NA TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL

Introdução: A audição é fundamental para o desenvolvimento global da criança, revelando assim, a importância da triagem auditiva neonatal (TAN) que irá possibilitar um diagnóstico precoce. A triagem auditiva neonatal pode apresentar como resultado PASSOU ou FALHOU. Sendo assim, para os casos em que o resultado apresentado é FALHOU realiza-se o reteste, porém se o resultado permanecer o mesmo é necessário o encaminhamento para o diagnóstico audiológico (DA) até o sexto mês de vida. No DA é possível rever a história familiar, estudar os indicadores de risco para a perda auditiva e realizar procedimentos eletroacústicos e eletrofisiológicos para a detecção de alterações no sistema auditivo. O diagnóstico audiológico precoce possibilita um melhor prognóstico. Objetivo: Analisar os resultados obtidos na etapa de diagnóstico audiológico de crianças que falharam no reteste da triagem auditiva neonatal. Método: Esta pesquisa apresenta caráter experimental, quantitativa, exploratória e laboratorial. Este estudo vincula-se a um projeto maior, intitulado “Estudo da Reflectância de Banda Larga em programa de Saúde Auditiva Neonatal”, aprovado pelo Comitê de Ética da Unicamp, sob protocolo número 932.602. Será realizado nos laboratórios de Audiologia do Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação - DDHR da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Os neonatos passarão pela triagem auditiva neonatal e os que obtiverem resultado FALHOU no reteste serão encaminhados para o diagnóstico audiológico, em que procedimentos como anamnese, meatoscopia, EOA, PEATE e imitanciometria serão realizados; em seguida os resultados desses testes serão tabulados e analisados estatisticamente por um profissional da área. Resultados: No período de janeiro a maio de 2020 um total de 207 neonatos permaneceram internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) por no mínimo 48 horas, sendo que 12 foram à óbito. Desse total foram triados 158 (85,41%) dos recém-nascidos e 12 (4,43%) falharam na TAN. Com relação aos indicadores de risco para perda auditiva os mais prevalentes foram permanência em UTI por mais de 5 dias (28,6%), Apgar no 1ºminuto (19%), presença de síndromes (19%), recém-nascido pré-termo (9,5%) pequeno para a idade gestacional (9,5), uso de medicamentos ototóxicos (4,8%), ventilação mecânica (4,8%) e presença de anomalias (4,8%). Tendo em vista o cenário de pandemia, esses neonatos ainda não realizaram o reteste e/ou diagnóstico audiológico por se tratar de uma atividade ambulatorial, porém todos os 7 neonatos estão agendados para vir a realizar o reteste. Conclusão: Tendo em vista o cenário de isolamento social e o fechamento das atividades ambulatoriais é previsto um atraso no diagnóstico das perdas auditivas, o que pode acarretar em um prejuízo no desenvolvimento global desses neonatos, sendo necessário o desenvolvimento de estudos nessa área para avaliar os danos decorrentes da pandemia. Como evidenciado na pesquisa, os recém-nascidos que permanecem em UTIN apresentam uma maior chance de complicações auditivas devido a maior prevalência de indicadores de risco para a perda auditiva, os quais foram descritos pelo Joint Hearing Committee on Infant Hearing.




1. Lewis DR, Marone SA, Mendes BC, Cruz OL, Nóbrega Md. Multiprofessionalcommittee on auditory health: COMUSA. Braz J. Otorhinolaryngol.
2010;76(1):121-8. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942010000100020
2. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva neonatal [acessado em 12 de setembro de 2019]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf
3. American Academy of Pediatrics, Joint Committee on Infant Hearing. Year 2007 position statement: Principles and guidelines forearly hearing detection and intervention programs. Pediatrics.2007;120(4):898-921. DOI: http://dx.doi.org/10.1542/peds.2007-2333
4. Colella-Santos MF, SartoratoEL, Tazinazzio TG, Françoso MF, Couto CM, Castilho AM, et. al. An auditory health program for neonates in UCU and/or intermediate care settings. 2013; 79(6):709-15.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1592
DIAGNÓSTICO DA PERDA AUDITIVA OCULTA E SEUS ACHADOS CLÍNICOS EM ADULTOS
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A perda auditiva oculta pode ser definida como uma alteração sináptica entre as células ciliadas da cóclea e as fibras nervosas auditivas. Os achados clínicos dessa patologia ainda permanecem desconhecidos e alguns profissionais ainda possuem dificuldade para diagnosticá-la, uma vez que é necessário saber quais exames audiológicos podem ser realizados para auxílio do diagnóstico. OBJETIVO: Avaliar quais exames podem ser realizados para diagnosticar a perda auditiva oculta e quais são os seus respectivos achados clínicos em adultos. MÉTODO: Revisão integrativa da literatura baseada na seguinte pergunta norteadora: quais exames podem ser realizados para diagnosticar a perda auditiva oculta e quais são seus respectivos achados clínicos em adultos? As bases de dados pesquisadas foram: MEDLINE (via PubMed) e ScienceDirect, além do portal da Biblioteca Virtual em Saúde, utilizando-se a estratégia de busca: (“Hidden hearing loss”) AND (adults) AND (“cochlear synaptopathy”) AND (diagnosis) AND (“Hearing Tests” OR “Tests, Hearing”), elaborada a partir de MeSHs e termos livres. Foram considerados artigos publicados em quaisquer língua e ano, bem como artigos que utilizaram exames para diagnosticar a perda auditiva oculta em adultos com audiometria dentro do padrão de normalidade. Foram excluídos artigos de revisão de literatura e capítulos de livros. Para uma seleção mais criteriosa, foi criado um protocolo contemplando os seguintes aspectos: tamanho da amostra, tipo de estudo, objetivos, exames utilizados, resultados principais e conclusão. As etapas de busca consistiram na leitura dos títulos, resumos e manuscritos completos. RESULTADOS: A busca resultou em 16 artigos encontrados na MEDLINE (cinco selecionados), 27 na ScienceDirect (dois selecionados) e 10 na Biblioteca Virtual em Saúde (dois selecionados), sendo 25 incluídos após a etapa de títulos e nove incluídos após a leitura de resumos e artigos completos. Observou-se que os exames de Frequency Following Response e Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, mesmo com aumento das amplitudes nas ondas I e V, não demonstraram alterações significativas em cinco artigos selecionados. As Emissões Otoacústicas por Produto de Distorção não obtiveram resultados significantes em um dos trabalhos. Entretanto, houve diminuição dos reflexos acústicos. Para desencadear os reflexos, utilizou-se medida de banda larga e pressão de 75 a 105 dB. Notou-se uma diminuição na magnitude destes, sendo, em dois estudos, decorrente da exposição ao ruído ao longo da vida e, em um dos estudos, associado ao zumbido. Considerou-se perda sináptica, causa comum que afeta o reflexo e o reconhecimento de fala. Os testes de fala com ruído não obtiveram bom desempenho. Em dois trabalhos, também foi realizada a eletrococleografia, a qual mostrou uma diferença significativa na razão entre os picos da forma de onda gerados pelas células ciliadas versus neurônios cocleares. CONCLUSÃO: Os exames mais utilizados para diagnóstico da perda auditiva oculta encontrados nos artigos analisados foram: audiometria convencional, testes psicoacústicos de fala com ruído, potencial evocado auditivo de tronco encefálico, Frequency Following Response, Emissões Otoacústicas por Produto Distorção, eletrococleografia e pesquisa dos reflexos acústicos. Os principais achados clínicos foram a diminuição ou ausência dos reflexos acústicos, dificuldades na percepção da fala no ruído e alterações na eletrococleografia.

Hall JW, Buss E, Grose JH. Loud Music Exposure and Cochlear Synaptopathy in Young Adults: Isolated Auditory Brainstem Response Effects but No Perceptual Consequences. Trends Hear. 2017;21

Liberman MC, et al. Toward a Differential Diagnosis of Hidden Hearing Loss in Humans. PLoS One. 2016;11(9):e0162726.

Oxenham AJ, Magdalena Wojtczak 1, Jordan A Beim JA, Wojtczak M. Weak Middle-Ear-Muscle Reflex in Humans with Noise-Induced Tinnitus and Normal Hearing May Reflect Cochlear Synaptopathy. ENeuro. 2017 Nov 27;4(6).

Plack CJ, Barker D, Prendergast G. Perceptual consequences of “hidden” hearing loss. Trends Hear. 2014;18:1-11.

Prendergast G, et al. Effects of noise exposure on young adults with normal audiograms II: Behavioral measures. Hear Res. 2017;356:74-86.

Prendergast G, et al. Effects of noise exposure on young adults with normal audiograms I: Electrophysiology. Hear Res. 2017;344:68-81.

Ridley C, et al. Using Thresholds in Noise to Identify Hidden Hearing Loss in Humans. Ear Hear. 2018;39(5):829-844.

Shehorn J, Strelcyk O, Zahorik P. Associations between speech recognition at high levels, the middle ear muscle reflex and noise exposure in individuals with normal audiograms. Hearing Research. 2020;392

Shim HJ, et al. Comparisons of auditory brainstem response and sound level tolerance in tinnitus ears and non-tinnitus ears in unilateral tinnitus patients with normal audiograms. PLoS One. 2017;12(12):e0189157.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
198
DIAGNÓSTICO DE DISFAGIA EM PACIENTES COM QUEIXAS DE VOZ
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Os distúrbios vocais e os distúrbios da deglutição aproximam-se inicialmente por suas consequências sociais, afetivas e emocionais e, evidentemente, pela localização orgânica de seus processos fisiológicos. A conduta fonoaudiológica deve ser determinada de acordo com as manifestações funcionais do comportamento vocal e/ou da deglutição diagnosticados durante a avaliação com o objetivo de promover modificações e adaptações das funções alteradas1-3. Objetivos: Verificar a ocorrência de disfagia em pacientes com queixas de voz que buscaram o setor de Voz de uma clínica-escola de Fonoaudiologia. Método: Trata-se de um estudo retrospectivo em banco de dados (Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos - 23081.016945). Foram analisados 473 registros de sujeitos que buscaram atendimento no setor de Voz de uma clínica-escola de Fonoaudiologia, levantando-se os dados relacionados a sexo, idade, profissão, queixa e diagnóstico fonoaudiológico. Realizou-se análise descritiva. Resultados: Dos 473 registros analisados, constatou-se 11 sujeitos com diagnóstico de disfagia (2,32%). Desses 11 sujeitos com disfagia, cinco eram homens (45,45%) e seis eram mulheres (54,54%); as idades estavam entre 45 a 82 anos (média de 61 anos); apenas quatro sujeitos (36,36%) eram profissionais da voz. Com relação às queixas, desses 11 sujeitos com disfagia, sete (63,63%) referiram alterações relacionadas a voz e deglutição, enquanto quatro sujeitos (36,36%) apresentaram apenas queixa de disfonia. Dentre as principais queixas referidas, estavam falta de ar, dificuldade para falar, tosse e engasgos durante a alimentação. Quanto ao diagnóstico fonoaudiológico, todos os 11 sujeitos (100%) foram classificados com Disfonia Orgânica associada à Disfagia Orofaríngea. Desses, dois (18,18%) apresentavam Disfagia Mecânica e nove (81,81%) apresentavam Disfagia Neurogênica. As principais etiologias apresentadas foram Acidente Vascular Cerebral, laringectomia, paralisia de prega vocal e Doença de Parkinson. Conclusão: Na amostra analisada, verificou-se baixa ocorrência de sujeitos com diagnóstico de Disfagia. Todos os 11 pacientes com disfagia apresentaram diagnóstico fonoaudiológico de Disfonia Orgânica associada à Disfagia Orofaríngea, evidenciando relação anatomofuncional entre a disfonia e a disfagia apresentadas. Esse resultado evidencia a importância de o fonoaudiólogo realizar uma avaliação clínica detalhada principalmente no que se refere aos aspectos vocais e laríngeos que podem contribuir na detecção dos distúrbios de deglutição. A atuação conjunta entre as áreas de Voz e Disfagia possibilita o diagnóstico adequado e a escolha de condutas terapêuticas seguras e eficientes.


1. Dragone MLS. Disfonia e disfagia – interface, atualização e prática clínica. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010; 15(4):624-5.

2. Rehder MI, Branco AA. Disfonia e disfagia – interface, atualização e prática clínica. Rio de Janeiro: Revinter; 2011. 224p

3. Santos KW, Scheeren B, Maciel AC, Cassol M. Modificação da voz após deglutição: compatibilidade com achados da videofluoroscopia. CoDAS. 2017; 29(6):e20170004


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1738
DIAGNÓSTICO DE SURDEZ E IMPLANTAÇÃO PRECOCE
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A privação sensorial dos sons proporcionada pela perda auditiva influencia negativamente na aquisição da linguagem oral1, comprometendo o desenvolvimento global do indivíduo, sob diferentes aspectos2,3. A possibilidade de submissão ao Implante Coclear (IC), com encaminhamento fonoterápico precoces podem reverter/minimizar estes comprometimentos, auxiliando no desenvolvimento linguístico, social e emocional da criança4, melhorando sua qualidade de vida. Esses fatores apontam para a relevância dos programas de triagem auditiva, como ponto de partida para a intervenção5. A escolha por uma proposta bilíngue de tratamento passa pelas evidências de que a aquisição de uma língua de sinais, além de garantir acesso à língua natural da comunidade surda, pode auxiliar tanto no domínio de habilidades verbais como na interação com os pares, sejam eles surdos ou ouvintes6.

OBJETIVO: Descrever um caso de atendimento a criança surda dentro de uma proposta bilíngue.

METODOLOGIA: MCP, feminino, 1:8, nascida em Portugal, parto sem intercorrências. Desenvolvimento Neuropsicomotor obedecendo padrões de normalidade. Não tem histórico de surdez na família, com exceção do avô paterno que tem perda auditiva devido a uma otite na infância (sic). Diagnosticada com surdez bilateral neurossensorial de grau profundo em ambas orelhas por meio da Triagem Auditiva Neonatal, retornou ao Brasil e com 10 meses foi submetida ao IC. Após a implantação, foi encaminhada para acompanhamento fonoterápico, com objetivos de auxiliar na adaptação do implante, estimular as habilidades auditivas e conduzir a aquisição da linguagem oral. Paralelamente, por desejo dos pais, foi encaminhada para um grupo de atendimento com vistas à aquisição da LIBRAS, dentro de uma proposta de terapia fonoaudiológica bilíngue, a qual será objeto deste relato de caso.

RESULTADOS: Dada a precocidade do encaminhamento, a proposta terapêutica visou a estimulação global da criança. A intervenção foi iniciada com o estabelecimento do vínculo terapêutico com a paciente, inicialmente em um atendimento em grupo, com outras crianças usuárias de LIBRAS e a família. A terapia atendeu a uma linha de apresentação de campos semânticos, aliando a denominação verbal à apresentação do respectivo sinal, acompanhando o desenvolvimento esperado para a idade cronológica de aquisição da linguagem da criança, com estimulação auditiva, visual e espacial, possibilitando o desenvolvimento de habilidades comunicativas por meio de atividades lúdicas. Como resultado da implantação e intervenção precoces, MCP responde bem à comunicação tanto verbal como gestual, embora ainda não tenha alcançado todas as habilidades auditivas correspondentes à sua idade cronológica. Do ponto de vista da aquisição da língua de sinais, tendo em vista o afastamento vivenciado por conta da pandemia de COVID-19 e sua inserção majoritária em um contexto familiar ouvinte, precisará de mais tempo para ser avaliado.

CONCLUSÃO: Este caso retrata uma situação ideal nem sempre vivenciada em nossa realidade, com histórico de diagnóstico e intervenção precoces, possibilitando à criança o desenvolvimento de suas habilidades linguísticas e comunicacionais dentro do tempo esperado pela estimulação. Além disso, a escolha dos pais por uma proposta bilíngue tem demonstrado que é possível conciliar estimulação verbal e gestual, com possíveis benefícios para a criança, que só poderão ser mensurados com o acompanhamento do caso.

1 - Fortunato Carla Aparecida de Urzedo, Bevilacqua Maria Cecília, Costa Maria da Piedade Resende da. Análise comparativa da linguagem oral de crianças ouvintes e surdas usuárias de implante coclear. Rev. CEFAC [Internet]. 2009 Dec [cited 2020 July 13] ; 11( 4 ): 662-672. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462009000800015&lng=en. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462009000800015.

2 - Maia Raquel Martins, Silva Maria Adelane Monteiro da, Tavares Patrícia Moreira Bezerra. Saúde auditiva dos recém-nascidos: atuação da fonoaudiologia na Estratégia Saúde da Família. Rev. CEFAC [Internet]. 2012 Apr [cited 2020 July 13] ; 14( 2 ): 206-214. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462012000200003&lng=en. Epub Oct 28, 2011. https://doi.org/10.1590/S1516-18462011005000114.

3 - Oliveira Pedro, Castro Fernanda, Ribeiro Almeida. Surdez infantil. Rev. Bras. Otorrinolaringol. [Internet]. 2002 May [cited 2020 July 13] ; 68( 3 ): 417-423. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992002000300019&lng=en. https://doi.org/10.1590/S0034-72992002000300019.

4 - Souza Luiz C. A. Diagnóstico precoce da surdez infantil e estratégias terapêuticas. Sociedade Brasileira de Pediatria [Internet]. 1995 [cited 2020 July 11] ; 71(2):96-100. Available from:
http://www.jped.com.br/conteudo/95-71-02-96/port.pdf

5 - Silva Luciana Santos Gerosino da, Gonçalves Claudia Giglio de Oliveira. Processo de diagnóstico da surdez em crianças na percepção de familiares e gestores. Audiol., Commun. Res. [Internet]. 2013 Dec [cited 2020 July 11] ; 18( 4 ): 293-302. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-64312013000400010&lng=en. https://doi.org/10.1590/S2317-64312013000400010.

6- EVANGELISTA, Giuliana Cristina de Melo. Mitos sobre o ensino bilíngue: rodas de conversas com os surdos e familiares em uma escola do DF. 2015. 39 f., il. Monografia (Especialização em Educação em e para os Direitos Humanos no Contexto da Diversidade Cultural)—Universidade de Brasília, Brasília, 2015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1120
DIFERENÇAS ENTRE CARACTERÍSTICAS VOCAIS DE MULHERES TRANSGÊNERO E CISGÊNERO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz é um parâmetro importante na identificação do gênero do falante, em que se atribui um padrão para o homem e para a mulher [1,2]. As pessoas transgênero buscam diversos serviços de saúde para adequar o seu corpo à sua identidade de gênero [3], principalmente as mulheres, as quais apresentam mais dificuldades na busca por uma voz apropriada à sua identidade e que possibilite a passabilidade em meio à sociedade [4]. Para a proposição de medidas de intervenção para uma voz adaptada ao gênero desejado, a avaliação dos diversos parâmetros da voz torna-se essencial. Objetivo: Investigar diferenças entre as características vocais de mulheres transgêneros e mulheres cisgêneros. Método: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de ética de acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Saúde 466/12, com nº CAAE: 09573018.4.0000.5208. O estudo foi realizado com 20 mulheres transgênero e 20 mulheres cisgênero com idade, peso e altura pareados. As participantes foram submetidas à avaliação de parâmetros acústicos, prosódia emocional, autopercepção vocal, além de percepção de gênero por ouvintes leigos. Resultados: As características vocais de mulheres transgênero e cisgênero são diferentes entre os grupos nos parâmetros de F0, GNE, ruído, intensidade, extensão de F0, formantes da vogal /a/ e na prosódia emocional, incluindo a duração e o contorno melódico. Em sua maioria, valores mais elevados foram encontrados na população cisgênero, com exceção do nível de ruído e da intensidade vocal. Ao comparar os grupos considerando a faixa de F0 esperada para vozes femininas (150 a 250 HZ), identificou-se que 45% das mulheres transgênero estão fora dessa faixa. Além disso, a percepção de gênero realizada por ouvintes leigos identifica as vozes de mulheres trans como pertencentes ao gênero masculino, na maioria dos casos. Existe ainda correlação inversamente proporcional entre a satisfação vocal e a F0 de mulheres transgênero, com maior grau de satisfação com a voz entre aquelas que obtiveram médias de F0 mais elevadas. Conclusão: Ainda que executem ajustes vocais, as vozes de mulheres transgênero diferem da de mulheres cisgêneros em parâmetros acústicos, extensão vocal e prosódia, o que repercute na percepção do gênero pelos ouvintes. Chama-se a atenção para a intervenção vocal que tenha como foco não somente em parâmetros acústicos, a exemplo da frequência fundamental, mas também nos aspectos de prosódia e extensão vocal.

[1] Mora E, Cobeta I. Voz en el cambio de género. Patología de la voz Ponencia oficial de la Sociedad Espanola de Otorrinolaringología y Pato-logía Cérvico-Facial Barcelona: Marge Médica Books. 2013;
[2] Behlau M, Voz O. Livro do Especialista, vol. 1. Rio de Janeiro: Revinter. 2001;
[3] Rede Nacional de Pessoas Trans (Brasil). Saúde do homem trans e pessoas transmasculinas, 2018.
[4] Barros AD. A relação entre a voz e expressão de gênero: a percepção de pessoas transexuais. 2017;


TRABALHOS CIENTÍFICOS
703
DIFERENCIAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES LINGUÍSTICAS EM CRIANÇAS COM DIAGNÓSTICO DE DISTÚRBIOS DOS SONS DA FALA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Crianças com atrasos no desenvolvimento fonológico (ADF) referem-se ao subtipo de Distúrbios dos Sons da Fala mais comum na infância acometendo, aproximadamente, 50 a 60% das crianças com essa alteração¹. Embora as manifestações linguísticas das crianças com ADF sejam descritas como sendo similares, ou seja, uso de processos fonológicos persistentes, supõe-se que as crianças com inventários fonético-fonológicos mais reduzidos apresentariam uma maior restrição motora quando comparadas às crianças que apresentam padrões de erros persistentes, mas que não possuem inventários fonético-fonológicos tão restritos. Essas restrições motoras das crianças com inventários reduzidos poderiam ser detectadas por diferentes provas complementares de avaliação motora da fala. Objetivo: Verificar se há diferenças entre as manifestações linguísticas apresentadas por crianças com o chamado atraso de fala, a partir de provas/testes específicos de avaliação motora da fala. Método: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (nº021301/2018). Foram estudadas 21 crianças de 3 anos e 5 meses à 11 anos de idade com atraso de fala, que apresentam processos fonológicos persistentes mas diferentes inventários fonético e fonológico. Uma análise de Cluster foi realizada previamente para agrupar as crianças conforme o grau de similaridade entre elas. Foram realizados testes/provas motoras da fala, tais como: diadococinesia oral², repetição de palavras multissilábicas³, frase lexical⁴, inconsistência e cálculo da Porcentagem de Consoantes Correta - PCC-r⁵ e Porcentagem Correta de Róticos - PCR. Resultados: A Análise de Clusters agrupou as crianças em dois grandes grupos, com exceção de uma criança que foi excluída da amostra. A partir desses dois grupos, foi realizada a ANOVA de Medidas Repetidas considerando os resultados obtidos em cada uma das provas. Constatou-se um efeito significante apenas para o grupo (F(1,18)= 10,74, p<0,00) e para a interação entre grupo*provas (F(4,72)=3,17; p=0,01). A análise post hoc mostrou que os dois grupos se diferenciaram nas provas de frase lexical e repetição de palavra multissilabica, ambas envolvendo aspectos prosódicos da linguagem. Conclusão: Crianças que apresentam o subtipo ADF, apesar de se caracterizarem como tendo o mesmo padrão linguístico de erro, se diferenciam em relação ao desempenho prosódico, aspecto que deve ser levado em conta tanto no diagnóstico, quanto na caracterização das manifestações linguísticas.

¹ Dodd, B. Differential Diagnosis of Pediatric Speech Sound Disorder. Current Developmental Disorders Reports, [s.l.], v. 1, n. 3, p.189-196, 13 maio 2014. Springer Nature.
² Wertzner, H. F.; Alves, R. R.; Ramos, A. C. O. Análise do desenvolvimento das habilidades diadococinéticas orais em crianças normais e com transtorno fonológico. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, [s.l.], v. 13, n. 2, p.136-142, jun. 2008
³ Preston JL. Unpublished doctoral dissertation. Syracuse University; Syracuse, NY: 2008. Phonological processing and speech production in preschoolers with speech sound disorders.
⁴ Preston, J. L. et al. Limited acquisition and generalisation of rhotics with ultrasound visual feedback in childhood apraxia. Clinical Linguistics & Phonetics, [s.l.], v. 30, n. 3-5, p.363-381, 3 ago. 2015.
⁵ Wertzner, H.F.; Amaro, L.; e Teramoto, S.S. Gravidade do distúrbio fonológico: julgamento perceptivo e porcentagem de consoantes corretas. Pró-Fono Revista de Atualização Científica, Barueri- SP, V. 17, n. 2, p. 185-194, 2005


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1875
DIFICULDADE ALIMENTAR E AMAMENTAÇÃO NA FENILCETONÚRIA: RESULTADOS PRELIMINARES
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A Fenilcetonúria é uma doença rara causada pela deficiência/ausência da enzima responsável por converter o aminoácido fenilalanina em tirosina, diagnosticada pela Triagem Neonatal(1). O tratamento da Fenilcetonúria consiste em uma dieta com restrição para diversos alimentos (ricos em proteína) e na ingestão de fórmula metabólica(2). Neste sentido, estas crianças não costumam ser amamentadas exclusivamente no peito, necessitando de complemento via fórmula metabólica. Sendo assim, entende-se que pacientes com Fenilcetonúria podem estar suscetíveis ao desenvolvimento de dificuldades alimentares(3).

OBJETIVO: Investigar a prevalência de dificuldades alimentares e amamentação em pacientes com Fenilcetonúria.

MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal, com amostra de conveniência composta por 22 pacientes diagnosticados com Fenilcetonúria, que estavam em acompanhamento em um hospital de referência no sul do Brasil. Os responsáveis pelos pacientes responderam um questionário eletrônico sobre o comportamento alimentar dos seus filhos. Esse questionário incluiu dados clínicos e demográficos, investigação sobre a prática da amamentação e a Escala Brasileira de Alimentação Infantil (EBAI)(4). Esta escala possui 14 itens que podem ser classificados de 1 a 7 em uma escala de Likert(4). O ponto de corte da escala classifica as dificuldades alimentares a partir de 61 a 65 pontos = indicativo de dificuldade alimentar leve; de 66 a 70 = indicativo de dificuldade moderada; acima de 70 = indicativo de dificuldade grave(4). Este projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa (nº 2019/0777). Os dados foram analisados por meio de frequência absoluta e mediana.

RESULTADOS: Dos 22 pacientes, onze eram meninas, com mediana de idade de 6 anos, intervalo interquartil de 3 a 8. A mediana de idade ao diagnóstico de Fenilcetonúria foi de 19 dias de vida. Dezenove pacientes não apresentaram dificuldade alimentar referida pelos cuidadores. Dos 3 pacientes com dificuldades, um apresentava dificuldade leve (escore 65 na EBAI) e os outros dois pacientes apresentaram dificuldade grave (escore >71 na EBAI). Do total de pacientes, dezessete da amostra foram amamentados. Considerando a amostra em subgrupos, observa-se que a mediana de escore da EBAI no subgrupo de crianças amamentadas foi de 50 pontos e nas não amamentadas foi de 54 pontos. Considerando o subgrupo de pacientes com e sem dificuldade alimentar, não observou-se diferença expressiva em relação às variáveis mediana de idade, mediana de idade ao diagnóstico e número de crianças amamentadas, o que mostra que os dados são semelhantes nestes dois subgrupos nesta amostra. Atribui-se a isso, o fato da amostra ser pequena, visto que apenas três pacientes referiram dificuldade alimentar. Além disso, destaca-se que 20 pacientes apresentavam bom controle metabólico.

CONCLUSÃO: O presente estudo identificou baixa prevalência de dificuldades alimentares em crianças com Fenilcetonúria, bem como alta prevalência de crianças que foram amamentadas, reforçando estudos prévios que suportam a possibilidade de amamentação em crianças com diagnóstico de Fenilcetonúria, desde que controlados e acompanhados regularmente por equipe multiprofissional. Observa-se que a amamentação poderia influenciar positivamente o desenvolvimento alimentar, pois o grupo amamentado teve menores escores de dificuldades na alimentação. Destaca-se que este trabalho está em processo de coleta, visando maior número amostral e melhor generalização dos resultados.

1. Brasil. Ministerio da Saude. Clinical protocol and therapeutic guidelines: phenylketonuria. 2019.
2. Blau N, van Spronsen FJ, Levy HL. Phenylketonuria. Lancet. 2010;376(9750):1417-1427. doi: 10.1016/S0140-6736(10)60961-0.
3. Tonon T, Martinez C, Polonia S, Nalin T, MacDonald A, Schwartz IVD. Food Neophobia in Patients With PKU. J Endocrinol Metab. 2019;9(4):108-112. doi: 10.14740/jem581.
4. Diniz PB. Adaptação transcultural e validação da escala Montreal Children´s Hospital Feeding Scale para o português falado no Brasil. Porto Alegre: Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 2019. Tese de Doutorado em Ciências Pneumológicas.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1180
DIFICULDADE DO ALUNO SURDO USUÁRIO DE LIBRAS NO ENSINO SUPERIOR: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), assim como toda a língua, tem uma singularidade e especificidade ao nível de desenvolvimento cognitivo, de maturação e de aquisição de regras sociais, resiste às imposições de uma sociedade pensada e construída com base numa cultura ouvinte. Como os surdos precisam se comunicar, assim como os ouvintes, a LIBRAS é primordial para esta comunicação, pois ela é a primeira língua das pessoas surdas. A Lei n.º 10.436/2002, de 24 de abril, assegura às pessoas surdas a LIBRAS como sua primeira língua (L1), devendo os sistemas educacionais garantir o ensino dessa língua¹. Os surdos formam uma comunidade linguística minoritária caracterizada por compartilhar uma língua de sinais e valores culturais, hábitos e modo de socialização próprios. A língua de sinais constitui o elemento identitário dos surdos, e o fato de constituir-se em comunidade significa que compartilham e conhecem os usos e normas de uso da mesma língua, já que interagem cotidianamente em um processo comunicativo eficaz e eficiente².
OBJETIVO: O presente estudo tem a finalidade de descrever através de uma revisão de literatura as dificuldades encontradas pelos alunos surdos usuários de LIBRAS no ensino superior.
MÉTODO: Trata-se de uma revisão de literatura, utilizando os descritores: Inclusão, Ensino Superior, Surdo. Foram selecionados 8 artigos indexados nas bases de dados BVS, Scielo e Google Acadêmico a partir do título e resumo. Mas, escolhidos 3 após a leitura na íntegra no período compreendido entre 2015 e 2020.
RESULTADOS: Com base nos estudos analisados¹²³, alguns problemas enfrentados pelos surdos são referentes ao contato com o professor e com os colegas. Existe uma extrema dificuldade de comunicação entre eles, desta forma, laços sociais não são estabelecidos, não existe um contato integral entre intérprete e surdos². Outros obstáculos enfrentados são referentes à leitura e à escrita, prejudicando, assim, a ampliação dos conhecimentos nesta etapa de estudos. Os estudantes surdos afirmam que alguns professores demonstram preconceitos e não têm informações sobre a surdez. Os professores, por sua vez, destacam que a dificuldade encontrada é a língua, pois a prática bilíngue é ainda inexistente e não reconhecida no ensino superior¹. Uma das maiores preocupações dos professores a partir do processo inclusivo tem sido de como ensinar alunos com deficiências em suas turmas comuns, uma vez que isso requer reformulação de suas práticas pedagógicas. Entretanto, a educação inclusiva tem apontado cada vez mais o princípio de que os professores não devem trabalhar sozinhos, mas sim em equipes³.
CONCLUSÃO: As principais dificuldades encontradas pelos universitários surdos usuários de LIBRAS estão relacionadas à falta de interação, comunicação e aprendizado entre eles, professores e colegas de sala devido ao não conhecimento da língua de sinais. Para que haja uma melhor inclusão entre estes surdos no meio universitário o ideal seria uma parceria entre faculdades, professores, fonoaudiólogos educacionais e intérpretes.

¹ Sanches I, Silva P. A inclusão de estudantes surdos no ensino superior brasileiro: O caso de um curso de Pedagogia. Revista Portuguesa de Educação. 2019;32(1): 155-172.

² V SIPD. XII Congresso Nacional de Educação. 26-29 out 2015. PUCPR:2015

³ Schiavon D. Surdez e inclusão escolar: Uma análise das práticas pedagógicas de professores do ensino fundamental. [publicação online]; 2018 [acesso em 10 jul 2020]. Disponível em: http://revista.fundacaojau.edu.br:8078/journal/index.php/ revista_educacao/article/download/26/18.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1058
DIFICULDADES COM OS SONS DA LÍNGUA: MÉTODOS E COMPORTAMENTOS DE ESTUDANTES DO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO DA REDE DE EDUCAÇÃO MUNICIPAL
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A leitura propicia o conhecimento acerca de diversos conteúdos e colabora para a elaboração da escrita, fornecendo direção e organização de uma linha de pensamento(1). Atualmente, é crescente o índice de dificuldade de aprendizagem em leitura e escrita nas escolas, sendo importante salientar que para evidenciar essas habilidades são fundamentais três domínios-chaves no início da alfabetização, são eles a linguagem oral, a consciência fonológica e o conhecimento das letras(2). Uma criança com alguma dessas complicações, é considerada como de risco para revelar uma futura dificuldade na leitura ou na escrita, esses contratempos podem ser duradouros ou temporários e relativamente intensos, contudo, suas consequências podem causar atraso no tempo de aprendizagem, reprovação e baixo rendimento escolar(3-4). A identificação desses obstáculos, deve ser realizada de modo precoce a fim de minimizar ou eliminar os impactos negativos na vida escolar(5). OBJETIVO: Verificar métodos e comportamentos de estudantes do ciclo de alfabetização da Rede de Educação Municipal diante de dificuldades com os sons da língua. MÉTODO: Estudo descritivo e de corte transversal, aprovado sob CAAE: 83216018.9.0000.5208. Participaram da pesquisa 12 professores do ciclo de alfabetização da Rede de Educação Municipal. Inicialmente, foi realizado o rastreio dos alunos que apresentavam dificuldades fonológicas através do histórico de queixa dos professores. Foram selecionados 23 discentes com faixa etária de 7 a 9 anos. Posteriormente, foi utilizado um instrumento de pesquisa contendo 6 alternativas sobre o método de leitura utilizado e o comportamento observado nestes estudantes. Considerando que os professores tivessem mais de uma resposta para um mesmo estudante, registrou-se a base para o cálculo dos percentuais e não o total. RESULTADOS: Quanto ao método de leitura utilizado, observou-se que 42,86% pronunciavam letra/sílaba em voz alta e/ou liam em voz alta, enquanto que 14,28% contavam com a ajuda do professor na leitura. Em relação ao comportamento observado, os professores responderam que 55,60% dos estudantes eram dispersos durante as aulas, 33,33% constantemente tentavam chamar a atenção do professor e colegas e por fim: 11,11% apresentavam dependência para a realização das atividades. CONCLUSÃO: Na população estudada, o índice de necessidade de ler em voz alta, dispersão durante a aula e constância em chamar a atenção do professor e colegas tiveram preponderância. Diante disso, alertando para a necessidade de ações de direcionamento e sensibilização nas escolas e corpos docentes quanto às dificuldades fonológicas para auxiliar quanto às dificuldades fonológicas e quanto ao entendimento do perfil cognitivo linguístico dessa população.

1 – Barreto MHS. A psicopedagogia interventiva em um estudo de caso sobre dificuldade em leitura e escrita [monografia]. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba - UFPB; 2018.

2- Lonigan CJ, Purpura DJ, Wilson SB, Walker PM, Clancy-Menchetti J. Evaluating the components of an emergent literacy intervention for preschool children at risk for reading difficulties. J Exp Child Psychol. 2013;114(1):111–30.

3- Lombaldino L. Assessing and differentiating reading and writing disorders: Multidimensional model. 2011. 352 p.

4- Capellini SA, Conrado TABC. Desempenho de escolares com e sem dificuldades de aprendizagem de ensino particular em habilidade fonológica, nomeação rápida, leitura e escrita. Rev Cefac. 2009; 11: 183–93.

5- Lyytinen H, Erskine J, Kujala J, Ojanen E, Richardson, U. In search of a science‐based application: A learning tool for reading acquisition. Scand J Psychol. 2009; 50 (6): 668–75.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2096
DIFICULDADES DE ACESSO DE CRIANÇAS À ASSISTÊNCIA FONOAUDIOLÓGICA: A PERSPECTIVA DE PROFISSIONAIS DE UMA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: A fonoaudiologia é umas das especialidades que se insere na linha de cuidados multidisciplinares voltados à assistência à saúde e que tem papel estratégico na atenção integral à saúde de crianças(1,2,3). A partir disto, é possível afirmar que a fonoaudiologia também ocupa um lugar que permite pensar as necessidades das crianças, especialmente sobre os problemas mais gerais que atingem a elas, dentre os quais as dificuldades de acesso aos serviços da atenção especializada(4). OBJETIVO: Identificar fatores que contribuem para gerar dificuldades e impedimentos no acesso de crianças à assistência fonoaudiológica. MÉTODO: Recorte de uma dissertação de mestrado de abordagem metodológica qualitativa com orientação a analisar a iniciativa de um grupo virtual formado por fonoaudiólogos servidores da rede pública de saúde de um município de grande porte, tendo em vista a utilização da rede virtual por estes profissionais como estratégia para facilitação de acesso de pacientes aos serviços de saúde. Uma das técnicas para produção de dados utilizadas no estudo foi a realização de entrevistas com 14 participantes do grupo que atuam com crianças. As entrevistas foram realizadas entre junho e setembro de 2017, de forma individual e presencial, com base em um roteiro de perguntas de caráter semiestruturado. RESULTADOS: O acesso de crianças à rede especializada do município foi apontado pela maioria dos participantes como difícil, considerando a entrada delas nos serviços de saúde e a continuidade nos tratamentos indicados. A dificuldade de acesso das crianças foi descrita pelos profissionais levando-se em consideração, as queixas apresentadas pelos familiares e a própria experiência no atendimento às crianças. Foram mencionados diversos fatores contribuintes para a promoção de lacunas na rede de atenção à saúde e de barreiras no fluxo de encaminhamentos da população infantil aos serviços de saúde, dentre as quais: a insuficiência do número de fonoaudiólogos nos três níveis de atenção à saúde (primária, secundária e terciária) tendo em vista a alta demanda da população infantil com necessidade de assistência fonoaudiológica; a indisponibilidade na rede municipal de dois serviços diagnósticos importantes para a atuação em fonoaudiologia: a videofluoroscopia e a avaliação do processamento auditivo central(PAC); Além disso, houve a menção a 03 grupos específicos de crianças que se destacam no enfrentamento de obstáculos para o alcance dos cuidados em saúde relativos às habilidades de comunicação humana. São elas: as crianças com transtornos da linguagem oral e escrita, as crianças com Transtorno do Espectro do Autismo e as crianças com condições crônicas complexas de saúde. CONCLUSÃO: Na perspectiva dos fonoaudiólogos entrevistados, ao longo dos últimos anos houve o agravamento das dificuldades enfrentadas pela população infantil, principalmente no que diz respeito ao acesso aos serviços de saúde e ao fluxo entre os diferentes pontos de atenção no município. A combinação entre diferentes fatores e a existência de grande demanda de crianças com necessidade de cuidados de longo prazo não só culmina na formação de filas de espera nos serviços, mas também na peregrinação dessas crianças e consequentemente em sua desassistência.

1. Silva JM, Vilela MBR. Promoção da Saúde da comunicação humana na infância. In: Silva VL, Lima MLLT, Lima TFP, Advíncula KP. A prática fonoaudiológica na atenção primária à saúde. São José dos Campos: Pulso editorial; 2013. p.151-64.

2. Lima TFP, Acioli, RML. A inserção da fonoaudiologia na atenção primária do Sistema Único de Saúde. In: Silva VL, Lima MLLT, Lima TFP, Advíncula KP. A prática fonoaudiológica na atenção primária à saúde. São José dos Campos: Pulso editorial; 2013. p.25-42.

3. Chun RYS. Promoção da saúde e produção do cuidado em fonoaudiologia. In: Fernandes FDM, Mendes BCA, Navas ALPGP. Tratado de fonoaudiologia. 2a ed. São Paulo: Roca; 2009. p. 605-11.

4. Moreira MD, Mota HB. Os caminhos da fonoaudiologia no Sistema Único de Saúde - SUS. Rev CEFAC 2009; 11(3): 516-21.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1233
DIFICULDADES PERSISTENTES DE COMUNICAÇÃO EM IDOSOS USUÁRIOS DE APARELHOS DE AMPLIFICAÇÃO SONORA INDIVIDUAL
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A perda auditiva relacionada à idade causa dificuldades na detecção, reconhecimento e compreensão de palavras(1,2). Idosos com presbiacusia podem apresentar percepção de desvantagem auditiva que pode influenciar de forma negativa sua qualidade de vida(3,4). Uma forma de amenizar o impacto da perda auditiva é a utilização de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI)(5,6). No entanto, são altas as taxas de abandono ou uso descontinuado de tais dispositivos, principalmente em função do desempenho aquém das expectativas do usuário, sobretudo em ambientes ruidosos(7). Objetivo: Analisar a percepção de idosos usuários de aparelhos de amplificação sonora individual quanto ao seu desempenho em atividades diárias que envolvem comunicação oral. Metodologia: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa n. 2.725.864 e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A amostra foi composta de idosos que frequentam uma clínica escola de Fonoaudiologia, credenciada ao SUS como um serviço de alta complexidade em Saúde Auditiva, os quais foram caracterizados quanto ao sexo, idade, tempo de uso do AASI, tipo e grau de perda auditiva. Para pesquisar a restrição de participação foi utilizado o questionário Hearing Handicap Inventory for the Elderly- Short (HHIE-S)(8) e algumas questões específicas do questionário LIFE-H 3.1(9), relacionadas a participação dos idosos em atividades que envolvem comunicação oral. Resultados: Participaram da pesquisa 46 idosos com idades entre 61 e 90 anos, média de 75,2 anos, sendo 19 (41%) do sexo feminino e 27 (58%) do sexo masculino, todos com perda auditiva sensorioneural, com grau variando entre moderado e moderadamente severo; 67% são usuários de AASI entre 1 e 10 anos; 48% apresentou percepção de restrição de participação de grau leve a moderado. A restrição de participação tende a aumentar com o aumento da idade, chegando à percepção significativa, mas tende a diminuir com o tempo de uso, pois nenhum dos participantes com mais de 10 anos de uso apresentou percepção significativa. Não houve diferença entre o grau de percepção de restrição de participação e as várias atividades de vida diária investigadas, a não ser o trabalho voluntário, que deixa de ser realizado quando a percepção de restrição é significativa. Atividades de recreação, embora não tenham sido as mais bem pontuadas pelos participantes, não deixam de ser realizadas, independente da restrição de participação apresentada. Conclusão: Apesar do uso de AASI, os idosos mais velhos tendem a apresentar maior grau de percepção de restrição de participação, que diminui à medida que o tempo de uso do AASI aumenta, não havendo diferença entre homens e mulheres. Embora não deixem de participar de atividades que envolvam comunicação oral, o trabalho voluntário deixa de ser realizado com o aumento da percepção de restrição. Ressalta-se a importância de uma da intervenção fonoaudiológica nesta população, de forma a preservar as atividades e intenções de comunicação, com acompanhamento à longo prazo, de forma a manter uma constante motivação de uso e identificação de necessidades individuais.

1- Alhanbali S, Dawes P, Lloyd S, Munro KJ. Hearing Handicap and Speech Recognition Correlate With Self-Reported Listening Effort and Fatigue. Ear & Hearing. 2018;39(3):470–474.
2- Almeida MR, Guarinello AC. Reabilitação audiológica em pacientes idosos. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009, 2(14): 247-55.
3- Camargo C, Lacerda ABM, Sampaio J, Lüders D, Massi G, Marques JM. Percepção de idosos sobre a restrição da participação relacionada à perda auditiva. Distúrb Comum. 2018;30(4): 736-747.
4- Xavier IL, Teixeira AR, Olchik MR, Gonçalves AK, Lessa AH. Triagem auditiva e percepção da restrição de participação social em idosos. Audiol Commun Res. 2018;23:e1867.
5- Luz VB, Ghiringhelli R, Iório MCM. Restrições de participação e estado mental: estudo em novos usuários de próteses auditivas. Audiol Commun Res. 2018;23:e1884.
6- Magalhaes R, Iorio MCM. Avaliação da restrição de participação, em idosos, antes e após a intervenção fonoaudiológica. Rev. CEFAC. 2012; 14(5): 816-825.
7- Blasca WG. Reabilitação Auditiva de Idosos. In: Boéchat EM. et al. Tratado de Audiologia Clínica. 2. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
8- Ventry I, Weinstein B. Identification of elderly people with hearing problems. Asha. 1983;25(7):37-42.
9- Assumpção FSN, Faria-Fortini I, Basílio ML, Magalhães LC, Carvalho AC, Teixeira-Salmela LF. Adaptação transcultural do LIFE-H 3.1: um instrumento de avaliação da participação social. Cad. Saúde Pública. 2016;32(6):e00061015.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1199
DIMINUIÇÃO DO CONTROLE INIBITÓRIO EM IDOSOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: Controle inibitório representa a habilidade de coordenar atenção, comportamento, pensamento e/ou emoção de modo que se aplique intensa predisposição interna ou estímulo externo evidente para que aja de modo mais apropriado ou adaptado.1 Pesquisas recentes indicam que a formação da inibição pode ser fracionada em processos distintos e possivelmente interdependentes.2 OBJETIVO: Revisar a literatura sobre quais as possíveis alterações do controle inibitório dos idosos. MÉTODO: Optou-se por realizar uma revisão do tipo integrativa e a estratégia de busca, onde a seleção e análise dos artigos foram conduzidas de acordo com as diretrizes do PRISMA. A estratégia PICo foi considerada para formulação da pergunta condutora “como ocorre o controle inibitório em idosos?” A pesquisa dos artigos foi realizada em quatro bases de dados a saber: BVS, Pubmed, Scielo e Scholar Google. Foram combinados os descritores cadastrados no Mesh: Envelhecimento, Controle inibitório, a partir do operador booleano “AND”. A literatura cinza não foi considerada nesta revisão. Os critérios de inclusão para a leitura dos resumos e artigos completos: 1) estudos originais de pesquisa; 2) estudos realizados com pacientes idosos; 3) que mencionasse as possíveis alterações do controle inibitório 4) artigos publicados nos últimos 10 anos. Foram excluídos da análise estudos revisões narrativas, sistemáticas e reanálises; dissertações ou teses; cartas; editoriais; comentários e relatos de casos. RESULTADOS: Dos 16 artigos analisados, 10 foram incluídos na revisão. Houve predomínio de estudos observacionais e estudos comparativos. Quanto ao perfil da amostra analisada, todos os artigos selecionados foram internacionais, a maioria das publicações incluíram pacientes idosos com a faixa etária de 70 anos. Para avaliação das possíveis alterações do controle inibitório o uso de instrumentos padronizados de neuroimagem e neurofuncional foi predominante entre as pesquisas. Observou-se que houve um consenso entre todos os estudos ao afirmar que, de fato existem diferenças bem caracterizadas relacionadas à idade nas respostas comportamentais e neurais às tarefas de controle inibitório, dependendo do córtex frontal inferior direito (IFC), da área motora pré- suplementar (preSMA) e dos gânglios da base. No entanto, também existe um reconhecimento crescente da variabilidade individual no processo de envelhecimento neurocognitivo.3 Apesar disso, também se verificou que o acompanhamento constante do paciente e realização de atividades específicas ao controle inibitório atrelados a terapia trouxeram contribuições significativas para o domínio inibitório. CONCLUSÃO: Apesar do controle inibitório ter variabilidade individual no processo de envelhecimento, existem limitações quanto coordenar atenção, comportamento, pensamento e/ou emoção, devendo estes aspectos constituírem os objetivos da intervenção fonoaudiológica. Assim, considera-se que os estudos voltados ao aprimoramento das práticas terapêuticas, têm implicações críticas para a saúde cognitiva otimizada para a idade como um método viável para melhorar função executiva mais tarde na vida.

1 Mourão Junior et al., integração de três conceitos: função executiva, memória de trabalho e aprendizado. Psic.: Teor. e Pesq. 68(9): 1197-1205.

2 Foss,MP et al., Magnetic resonance imaging and neuropsychological testing in the spectrum of normal aging. Clinics (2013), 68(9):1197

3 James P. Coxon et al., Functional Brain Activation Associated with Inhibitory Control Deficits in Older Adults, Cerebral Cortex (2016) 68(9): 1197-1205


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2078
DISARTRIA X DOENÇA DE PARKINSON: REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A doença de Parkinson é uma patologia neurológica idiopática, lentamente progressiva, causada pela degeneração do sistema extrapiramidal, principalmente da substância negra que se encontra no mesencéfalo, causando a morte das células dopaminérgicas, ocasionando a redução da dopamina, neurotransmissor responsável pelo bom funcionamento das áreas motoras do córtex cerebral(1)Objetivo: Identificar os modelos de terapia fonoaudiológica empregados no tratamento da disartria em portadores da doença de Parkinson. Estratégia de pesquisa: A principal questão relacionada a este estudo se existem modelos de terapia estruturados para terapia da disartria em pacientes com doença de Parkinson e qual a sua aplicabilidade? Conduziu-se uma busca em que foram selecionados estudos publicados desde 2008, usando as palavras chave “speech therapy” and “Parkinson’s disease”, “speaks” and “Parkinson’s disease” or “Parkinson” e “dysarthria” and “Parkinson’s disease” or “Parkinson” nas bases de dados Pubmed e Scielo. Critérios de seleção: Os estudos foram selecionados por dois examinadores de forma independente e um terceiro examinador para julgar os casos duvidosos. Os critérios de inclusão foram: publicações entre 2008 e 2018, estudos originais envolvendo seres humanos, utilização de métodos terapêuticos fonoaudiológicos empregados na reabilitação da disartria em portadores da doença de Parkinson. Os critérios de exclusão foram: artigos de intervenção cirúrgica ou medicamentosa, estudos exclusivos de avaliação da disartria, estudos de caracterização e diagnóstico da disartria de pacientes com Doença de Parkinson. Análise dos dados: As pesquisadoras classificaram os artigos científicos de acordo com o modelo de terapia fonoaudiológica utilizada pelos autores. Logo, foram selecionados estudos referentes a modelos de terapia fonoaudiológica para distúrbios de fala e voz associados à doença de Parkinson, e estudos que fizeram uso de tecnologias para a reabilitação fonoaudiológica de portadores da doença de Parkinson. Resultados: A estratégia de busca resultou em 857 artigos, dos quais apenas 15 preencheram os critérios estabelecidos. As publicações selecionadas para esta revisão, foram analisadas considerando os modelos e técnicas terapêuticas empregadas para tratamento fonoaudiológico identificando os autores e ano de publicação, o nome do artigo e objetivo, o método terapêutico e o resultado do estudo. Conclusão: Nota-se, que na literatura há uma preocupação com a terapia, a reabilitação de fala e voz dos pacientes e os dados normativos em relação aos resultados. Constata-se, que os modelos descritos compreendem prioritariamente a terapia vocal e, ainda, que novas metodologias vêm sendo propostas a fim de facilitar a adesão ao tratamento fonoaudiológico por parte dos portadores da doença de Parkinson por meio de novas tecnologias e reabilitação remota. Entretanto, há grande diversidade nas variáveis estudadas dificultando a comparação dos estudos.

Descritores: Disartria; Doença de Parkinson; Fala; Voz; Fonoterapia; Reabilitação.



REFERÊNCIAS

1. Martens H, Van Nuffelen L, Dekens T, Hernández-Diaz Huici H, Kairuz Hernández-Diaz HA, De letra M et al. The effect of intensive speech rate and intonation therapy on intelligibility in Parkinson's disease. J Commun Disord. 2015; 58: 91-105.

2. Azevedo LL, Cardoso F. Ação da levodopa e sua influência na voz e na fala de indivíduos com doença de Parkinson. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(1):136-41.

3. Narayana S, Fox PT, Zhang W, Franklin C, Robin DA, Vogel D et al. Neural correlates of efficacy of voice therapy in Parkinson's disease identified by performance-correlation analysis. Hum Brain Mapp. 2010; 31 (2): 222-36.

4. Theodoros DG, Hill AJ, Russell TG. Clinical and Quality of Life Outcomes of Speech Treatment for Parkinson's Disease Delivered to the Home Via Telerehabilitation: A Noninferiority Randomized Controlled Trial. Sou J Fala Lang Pathol. 2016; 25 (2): 214-32.

5. Tindall LR, Huebner RA, Stemple JC, Kleinert HL. Videophone-delivered voice therapy: a comparative analysis of outcomes to traditional delivery for adults with Parkinson's disease. Telemed JE Health. 2008; 14 (10): 1070-7.

6. Cannito MP, Suiter DM, Beverly D, Chorna L, Wolf T, Pfeiffer RM. Sentence intelligibility before and after voice treatment in speakers with idiopathic Parkinson's disease. J Voice. 2012; 26 (2): 214-9.

7. Sauvageau VM, Roy JP, Langlois H, Macoir J. Impact of the LSVT on vowel articulation and coarticulation in Parkinson's disease. Clin Linguist Phon. 2015; 29 (6): 424-40.

8. Wight S, Miller N. Lee Silverman Voice Treatment for people with Parkinson's: audit of outcomes in a routine clinic. Int J Lang Commun Disord. 2015; 50 (2): 215-25.

9. Di Benedetto P, Cavazzon H, Mondolo F, Rugiu L, Peratoner UM, Biasutti E. Voice and choral singing treatment: a new approach for speech and voice disorders in Parkinson's disease. Eur J Phys Rehabil Med. 2009; 45 (1): 13-9.

10. Shih LC, Pele J, Warren A, Kraics L, Prata UM, Vanderhorst V et al. Singing in groups for Parkinson's disease (SING-PD): a pilot study of group singing therapy for PD-related voice/speech disorders. Parkinsonism and Related Disorders. 2012; 18 (5): 548-52.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1626
DISCURSO DE ALUNOS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM SOBRE SUAS RELAÇÕES ESCOLARES
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: O sujeito se constitui na sua relação com o outro e através dela estabelece o processo de aprendizagem e desenvolvimento para inserção na comunidade em que vive significando a si mesmo e ao mundo. Logo, as dificuldades escolares podem estar associadas a fatores sociais, econômicos e raciais que afetam diretamente a organização e modo de vida desses indivíduos na comunidade onde vivem, muitas vezes, gerando restrições ao acesso à escola e educação de qualidade, acesso à saúde e a tratamentos, produzindo impactos diretos em seu rendimento escolar. Outras razões possíveis para as dificuldades na aprendizagem são os transtornos de ordem orgânica, como por exemplo: TDAH, Dislexia e Discalculia. Essas crianças apresentam dificuldades escolares, tendem a serem vistas como incapazes e seu fracasso escolar é atribuído a uma esfera individual. OBJETIVO: O objetivo desta pesquisa foi conhecer e analisar como alunos com dificuldades escolares e de aprendizagem interpretam suas relações com professores, colegas e as dificuldades que vivenciam nas instituições de ensino que frequentam, através dos discursos que produzem em relação à: visão que possuem sobre o processo de aquisição da leitura e escrita ou aprendizagem; visão que outros sujeitos têm de suas dificuldades; a visão que tem de suas dificuldades nesse processo e os sentimentos gerados em decorrência do fracasso escolar e suas repercussões nas suas trajetórias. MÉTODO: A pesquisa foi aprovada sob o número CAAE 20164819.0.0000.5404 pelo Comitê de Ética de uma universidade do interior paulista. Os dados foram coletados através da gravação em áudio de entrevista com os participantes, por meio de questionário semi-estruturado. Foi utilizada a metodologia da Análise do Discurso para fazer a análise dos dados. Ela é de caráter qualitativo, que busca interpretar os sentimentos e reflexões dos sujeitos analisados levando em consideração: os efeitos de memória, da história, as ideologias, as heterogeneidades, a intertextualidade, o cruzamento entre discursos não ditos e/ou os já ditos, ou seja, o objeto é estudado em profundidade. RESULTADOS: Os dados coletados revelaram variações de sentidos nos enunciados em relação à instituição escolar e subjetivos nas relações interpessoais, sendo possível extrair as semelhanças e diferenças apresentadas por cada sujeito a respeito de suas experiências escolares. Nos discursos dos participantes, a escola foi entendida como edificação (prédio) e também como instituição educacional. Nos dois casos foi vista positivamente. Já nas respostas sobre relações interpessoais, houve percepções positivas e negativas, tanto em relação aos amigos quanto aos professores. Em relação dificuldades escolares, os sujeitos reconheceram que possuem limitações ao realizar as atividades. No âmbito familiar, foi retratado apoio dos pais e irmãos. O discurso sobre o bullying se manifestou em apenas um caso, tendo aparecido de forma secundária, sem que o sujeito tivesse tido consciência de que o vivenciou. CONCLUSÃO: Concluiu-se que as dificuldades dos sujeitos são percebidas com base nas dinâmicas estabelecidas entre seus professores, colegas e familiares e a escola. A Análise do Discurso se mostrou ferramenta eficaz por revelar sentimentos sutis da vivência dos sujeitos em relação às suas dificuldades, que são cruciais para os atendimentos fonoaudiológicos.

FOUCAULT, M. A ordem do discurso. 20th ed. São Paulo: Loyola, 1996.
ORLANDI, E. Análise de Discurso. In: ORLANDI, E; LAGAZZI, S. Introdução as ciências da linguagem - Discurso e textualidade. 3th ed. Campinas: Pontes Editores, 2015.
PICCIRILLI, MSS; FREIRE, RMAC. Os sentidos do fracasso escolar no discurso de professores. Distúrbios da Comunicação.2019;31(1); p.128-140.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1688
DISCURSOS E EXISTÊNCIAS: CARTOGRAFIA PERFORMATIVA NA PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA EM UMA OCUPAÇÃO URBANA
Tese
Saúde Coletiva (SC)


Nesta tese proponho a construção de um estudo a partir da releitura do meu diário cartográfico, gerado pelas afetações experimentadas por mim no território dos prédios abandonados pelo IBG, ocupados por um grupo de pessoas que transformaram o espaço em uma ocupação urbana para moradia.
A partir de uma perspectiva cartográfica, conecto a pesquisa realizada envolvendo o trabalho de campo, as experiências nele vivenciadas, as conversas com os moradores da ocupação, com os moradores do morro da Mangueira, as notícias de portais online e de órgãos oficiais (Ministério Público da União, Ministério Público do Rio de Janeiro e Prefeitura do Rio de Janeiro).
Essas conexões são necessárias para compreender como os moradores da ocupação do IBGE-Mangueira são discursivamente construídos em tais eventos e como eles reconstroem seus discursos e lutas pela sobrevivência ao narrarem suas histórias de vida em diferentes contextos. Considerando as inúmeras afecções, afetações, escrevivências, entextualizações e recontextualizações, o trabalho se desenha metodologicamente pelo caráter processual qualitativo investigativo do método cartográfico.
Em termos teórico-analíticos, esta pesquisa, que entende a linguagem como performance, privilegia a noção de entextualização (BAUMAN & BRIGGS, 1990) para analisar a forma com que diferentes sujeitos e órgãos mobilizam múltiplos recursos semióticos quando performativamente descrevem – e constroem – os moradores da ocupação do IBGE-Mangueira ao falarem sobre eles, ou seja, o foco está na propriedade que esses discursos têm de se descontextualizarem e recontextualizarem, levando componentes de sua história de usos e incorporando elementos dos contextos interacionais criados em sua viagem (ESPÍNDOLA, 2017).
Nas análises realizadas, os processos semióticos destacados das falas dos moradores do morro da Mangueira apontam para discursos de senso comum que desqualificam certos modos de vida que não se enquadram nos padrões de urbanização legítimos da ocupação da cidade, gerando uma segregação socioespacial no território.
Sobre os discursos dos órgãos oficiais, demonstro como a mídia hegemônica brasileira entextualiza o discurso “anti-intervencionista” como princípio ativo da face política ativa do Estado (DARDOT & LAVAL, 2016) com uma parcela da população mais pobre. E ao rastrear os discursos dos moradores do IBGE-Mangueira, traçando as intensidades, as conexões, as possibilidades e potencialidades das vozes, destaco o quanto foi necessário estar atenta para as forças das resistências e para a batalha permanente com que cada morador travava politicamente, socialmente, culturalmente e micropoliticamente para conquistar o reconhecimento das suas reivindicações: uma moradia digna, “um direito de existir e de levar uma vida vivível” (BUTLER, 2015). Por fim, este trabalho provoca reflexões sobre os efeitos das políticas públicas urbanas e habitacionais que vêm sendo implantadas no Brasil ao longo dos séculos, e a urgência da implementação de políticas públicas que cumpram de fato com a universalização do direito à moradia e à cidade de maneira igualitária, sem distinção.

1.BAUMAN, R.; BRIGGS, C. Poetics and Performance as Critical Perspectives on Language and Social Life. In: Coupland, N.; Jaworski (Orgs.) The new Sociolinguistics Reader. New York: Palgrave Macmillan, 1990, p. 607-614.

2. BIONDI, K. Junto e misturado: uma etnografia do PCC. São Paulo: Terceiro Nome/ Fapesp, 2010.

3. BLOMMAERT, J. Discourse. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

4. BORBA, R. A linguagem importa? sobre performance, performatividade e peregrinações conceituais. Cadernos Pagu, n. 43, p. 441-474, jul./ dez. 2014.

5. BOULOS, G. Por que ocupamos? uma introdução à luta dos sem-teto. 4. ed. São Paulo: Autonomia Literária, 2015.

6. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 13 de março de 2017.

7. BUTLER, J. Vida precária: el poder del duelo y la violência. 1. ed. Buenos Aires: Paidos, 2015.

8. MOITA LOPES, L. P. (Org). Por uma Linguística Aplicada INdisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

9. DARDOT, P.; LAVAL, C. A nova razão do mundo. São Paulo: Boitempo Editorial, 2016.

10. DELEUZZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. Vol. 1. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1919
DISFAGIA OROFARINGEA NA SÍNDROME DO ENCARCERAMENTO: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: Doenças neurodegenerativas, como lesões no tronco cerebral causadas por Acidente Vascular Cerebral(AVC), podem evoluir a Síndrome do Encarceramento(SE)(1). Entre suas manifestações encontra-se paralisia, a qual prejudica deglutição, com preservação das habilidades cognitivas e sensoriais(2). Objetivo: Descrever o relato de caso de um indivíduo com disfagia orofaríngea, portador de SE. Método: Estudo de caso único, sexo masculino, 39 anos, com diagnóstico de SE, histórico de tabagismo, tromboembolismo venoso e ex-usuário de cocaína. Foi assistido em hospital-escola público de uma cidade do interior de São Paulo, em 2017, por Equipe de Fonoaudiologia. Aplicado Protocolo de Avaliação Clínica da Disfagia adaptado pelo próprio hospital, Escala de ingestão oral: “Functional Oral Intake Scale”(FOIS)(3) ao final de cada sessão de atendimento e Escala de Penetração e Aspiração: “Penetration-Aspiration Scale”(PAS)(4) para realização do exame videofluoroscopia da deglutição. Realizada análise descritiva. Comitê de Ética em Pesquisa aprovado pela instituição (número 2.744.628). Resultados: O paciente foi admitido com diagnóstico AVC isquêmico, em seguida apresentou rebaixamento de nível de consciência, sendo necessária a indicação sonda nasoenteral (SNE) como via alternativa de alimentação. Em avaliação clínica de deglutição, observou-se sinais clínicos sugestivos de penetração laríngea e/ou aspiração laringotraqueal para líquidos, sendo iniciada a via oral com alimentos de consistência pastosa (FOIS nível 3 - dependente de via alternativa com consistente via oral de alimento). Após 2 dias houve piora clínica necessitando-se de intubação orotraqueal, com necessidade de dieta exclusiva por SNE (FOIS nível 1 - nada por via oral). 15 dias após, o paciente foi submetido à traqueostomia com ventilação mecânica e confirmado AVC isquêmico de tronco cerebral. O paciente manifestou labilidade emocional, afasia de broca, ausência de movimentação dos membros e sensibilidade preservada, compatível a SE. Com o passar de 2 dias, houve o desmame total da ventilação mecânica, sendo permitido realização de “Blue Dye Test” com resultado negativo, ou seja, ausência de secreção corada em aspirado endotraqueal. Após 4 dias, foi realizado “Blue Dye Test – modificado” em consistência pastosa homogênea com resultado negativo , porém, não foi descartado o risco devido prejuízo em fase oral da deglutição. Houve reabilitação vocal com a oclusão da traqueostomia. No 40º dia, a SNE foi substituída por gastrostomia devido prognóstico ruim e sugerido reintrodução de volume mínimo por via oral na presença de fonoaudiólogo (FOIS nível 2 - dependente de via alternativa e mínima via oral de algum alimento ou líquido), desta forma recebeu alta hospitalar. Em acompanhamento ambulatorial foi realizado videofluoroscopia da deglutição (três ofertas de 5 ml de consistência pastosa homogênea em utensílio colher), sendo verificado alteração em fase oral e faríngea, com presença de aspiração laringotraqueal durante e após deglutição e ausência de tosse e/ou engasgos, sendo diagnosticado disfagia orofaringea silente (PAS nível 8 - contraste passa a glote, com resíduo na subglote mas o paciente não responde), mantendo conduta fonoaudiológica hospitalar. Conclusão: O indivíduo foi diagnosticado com disfagia orofaringea grave, com aspiração laringotraqueal silente. Assistência fonoaudiológica na fase aguda da SE se fez necessária para prevenção de broncoaspiração durante internação hospitalar, minimizando probabilidade de reinternação.

1. Käthner I, Kübler A, Halder S. Comparison of eye tracking, electrooculography and an auditory brain-computer interface for binary communication: a case study with a participant in the locked-in state. J. Neuroeng. Rehabil. 2015;

2. Plum F, Posner JB. The diagnosis of stupor and coma. Philadelphia, PA: FA Davis. 1966;

3. Crary MA, Mann GD, Groher ME. Initial psychometric assessment of a functional oral intake scale for dysphagia in stroke patients. Arch Phys Med Rehab. 2005 Aug; 86(8):1516-20;

4. Rosenbeck JC, Robbins JA, Roecker EB, Coyle JL, Wood JL. A penetration-aspiration scale. Dysphagia. 1996;11(2):93-8.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1608
DISFAGIAS NO ADULTO: REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA EM PROCEDIMENTOS E PROTOCOLOS PARA AVALIAÇÃO.
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A deglutição é uma das funções mais complexas do corpo humano, resulta de mecanismos elaborados e possui diferentes fases. Envolve ações neuromusculares, diversos nervos cranianos, ossos e músculos específicos da face e tronco, resultando em um ato preciso e rápido. A disfagia ou alteração do processo da deglutição ocorre na presença do mau funcionamento dos movimentos de deglutição, pode ser congênita ou adquirida, neurogênica, mecânica, decorrente da idade, psicogênica ou induzida por drogas. Além de ser um grave sintoma, a aspiração é um dos principais indicativos de disfagia, ocorre com a penetração do alimento ou secreção na laringe, pode representar indício de diferentes patologias, levando à aspiração e risco de morte. Objetivo: Identificar e analisar a produção científica fonoaudiológica brasileira, nos últimos quinze anos relacionada a procedimentos e protocolos para avaliação das disfagias neurogênica e mecânica em adultos. Metodologia: Estudo qualitativo, analítico, selecionando-se artigos originais publicados na íntegra, nos últimos quinze anos. Realizaram-se consultas às quatro revistas científicas de fonoaudiologia Rev.CEFAC, Distúrbios da Comunicação, CODAS, ACR, bases de dados Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scopus (CAPES). Resultados: Foram encontrados 466 artigos, e após teste de relevância, obedecendo-se aos critérios de inclusão, sete estudos foram selecionados para compor a amostra final. Houve concentração de publicações (quatro artigos) na Revista CEFAC. O conteúdo dos estudos selecionados pode ser resumido em: três artigos se tratam das características dos alimentos utilizados em exames de deglutição, um artigo avalia os aspectos videofluoroscópicos que podem gerar alterações na deglutição, dois artigos apresentaram protocolos de avaliação. Os protocolos foram: a.Protocolo Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia - PARD, onde é avaliado o risco de disfagia, por meio da análise da deglutição com água, com alimentos pastosos, além de classificar o grau de disfagia, contribuindo para complementar a avaliação fonoaudiológica, voltada para disfagia em beira-de-leito e b.Instrumento de Rastreamento para disfagia orofaríngea no Acidente Vascular Encefálico - RADAVE que é um instrumento de rastreio para disfagia orofaríngea em pacientes que tiveram Acidente Vascular Encefálico, desenvolvido para ser aplicado por qualquer profissional de saúde com treinamento na área, com o intuito de encaminhar os pacientes com resultado positivo para uma avaliação específica, com um profissional treinado. Um último artigo tratou especificamente da validade do gerenciamento e identificação do risco de broncoaspiração em pacientes com disfagia orofaríngea realizando a sinalização do leito, sendo assim uma medida eficaz para redução de possíveis danos, que poderiam afetar a segurança do paciente e a qualidade do cuidado no ambiente hospitalar. Conclusão: Evidenciada escassez de publicações brasileiras relacionadas a procedimentos e protocolos para avaliação da disfagia orofaríngea mecânica e neurogênica no adulto, ainda assim, traz contribuições importantes para atuação fonoaudiológica baseada em evidências científicas, no que diz respeito à triagem e rastreio da disfagia, avaliação de risco de disfagia e gerenciamento de aspiração, bem como graduação de severidade da disfagia. Entretanto obtivemos uma predominância em publicações sobre os alimentos utilizados para identificação da disfagia.
Palavras-chave: Disfagia, Deglutição, Neurogênica, Mecânica, Distúrbio, Transtorno.

1. Filho EDM, Gomes GF, Furkim AM. Conceito e Tipos de Disfagia. Manual de Cuidados do Paciente com Disfagia. São Paulo: Lovise. 2000. p. 29 - 31.
2. Moschetti MB. Disfagia Orofaríngea no Centro de Terapia Intensiva. In: Jacobi JS, Levy DS, Silva LMC. Disfagia: avaliação e tratamento. Rio de Janeiro: Revinter; 2003. p. 209-224.
3. Furkim AM, Santini CRQS. O Gerenciamento Fonoaudiológico nas Disfagias Orofaríngeas Neurogênicas. In: Furkim AM. Disfagias Orofaríngeas. São Paulo: Pró-Fono; 2008. p. 229 - 258.
4. Furkim AM, Santini CRQS. Avaliação Videofluoroscópica das Disfagias. In: Gonçalves MIR, Vidigal MLN. Disfagias Orofaríngeas. São Paulo: Pró-Fono; 2008. p. 189 - 202.
5. Filho EDM, Gomes GF, Furkim AM. Abordagem Clínica e Fonoaudiológica do Paciente Disfágico. Manual de Cuidados do Paciente com Disfagia. São Paulo: Lovise. 2000. p. 33 – 36.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
864
DISFONIAS FUNCIONAIS E ANÁLISE PERCEPTIVO-AUDITIVA DA VOZ: ESTUDO DE ASSOCIAÇÃO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: As disfonias funcionais são relacionadas comumente ao uso intensivo da voz e podem ser classificadas em primárias, secundárias por inadaptações vocais e por alterações psicogênicas(1). Em geral, é possível identificar graus variados de alteração nos parâmetros da voz(1,2) que interferem na qualidade de vida do indivíduo(3,4). Dentre as principais formas de avaliar o grau de alteração vocal, está a análise perceptivo-auditiva que consiste na interpretação de parâmetros vocais por avaliadores treinados(5-7). OBJETIVO: Caracterizar a população com disfonia funcional de um Ambulatório de Laringologia, quanto às queixas vocais, qualidade da voz e conduta realizada e investigar a associação entre os subtipos de disfonia e o grau de alteração vocal. METODOLOGIA: Foram analisados 1465 registros de pacientes, atendidos em um projeto de extensão interdisciplinar, desenvolvido no Ambulatório de Laringologia de um Hospital público, no período de 2010 a 2019, disponíveis no banco de dados do projeto. O preenchimento da escala GRBASI é realizado por, pelo menos, duas fonoaudiólogas, em consenso, no momento da consulta, a partir da emissão de vogal sustentada, fala encadeada e fala espontânea. O estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos, sob o número do parecer 1.619.520. As informações presentes no banco de dados foram utilizadas para construção de uma planilha com informações sobre a hipótese diagnóstica, as queixas, conduta realizada e resultados da análise perceptivo-auditiva. Para análise de associação entre os diferentes tipos de disfonia funcional e os parâmetros da escala GRBASI utilizou-se o Teste qui-quadrado de Pearson, com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Dos 1465 registros analisados, 184 tinham a hipótese diagnóstica de disfonia funcional, dos quais 78,26% correspondem a indivíduos do sexo feminino. Os subtipos de disfonias funcionais, na população estudada, foram distribuídos em 38% nas disfonias funcionais primárias, 40% nas disfonias secundárias por inadaptações anatômicas, 16% nas disfonias secundárias por inadaptações funcionais, e 6% nas disfonias psicogênicas. Em relação às queixas, a rouquidão apareceu em 54,27% dos casos e a fonoterapia foi a conduta mais indicada (76,63% dos casos). Na avaliação perceptivo-auditiva realizada por meio da escala GRBASI, foi possível observar que o grau geral de disfonia se concentra, em sua maioria, em discreto e moderado e está mais relacionado ao parâmetro de rugosidade. Houve associação estatística entre o tipo de disfonia e todos os parâmetros da escala GRABASI, com exceção do parâmetro de instabilidade. Houve associação estatística entre as disfonias funcionais secundárias e o grau moderado de alteração da voz e as disfonias primárias e o grau leve de alteração vocal (p<0,001). CONCLUSÃO: As disfonias funcionais secundárias tiveram maior representatividade nesta população estudada, sendo associadas ao grau moderado de alteração vocal, seguido das disfonias funcionais primárias, associadas ao grau leve de alteração vocal. O sintoma mais presente nas queixas dos indivíduos foi a rouquidão e a fonoterapia foi a conduta mais indicada. O grau geral de disfonia encontra-se entre discreto e moderado e a rugosidade foi o principal parâmetro observado na análise perceptivo-auditiva.

1. Behlau M, Azevedo R, Madazio G. Conceito de voz normal e classificação das disfonias. In: Behlau M. Voz: o livro do especialista. 2ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2008, p.53-84.
2. Whitling S, Lyberg-Åhlander V, Rydell R. Long-time voice accumulation during work, leisure, and a vocal loading task in groups with different levels of functional voice problems. J Voice. 2017; 31 (2): 246e.1-10.
3. H Elhendi W, G Caravaca A, P Santos S, Medición de la discapacidad vocal en los pacientes con disfonías funcionales. Rev. Otorrinolaringol. Cir. Cabeza Cuello. 2012; 72: 145-150.
4. Almeida LNA et al. Características vocais e emocionais de professores e não professores com baixa e alta ansiedade. Audiol Commun Res. 2014; 19 (2): 179-85.
5. Nemr NK, Simões-Zenari M, Cordeiro GF, Tsuji D, Ogawa AI, Ubrig MT, Menezes MHM. GRBAS and Cape-V scales High reliability and consensus when applied at different times. J Voice. 2012; 26 (6): 812-22.
6. Silva RSA, Simões-Zenari M, Nemr NK. Impacto de treinamento auditivo na avaliação perceptivo-auditiva da voz realizada por estudantes de Fonoaudiologia. J Soc Bras Fonoaudiol. 2012; 24 (1): 19-25.
7. Costa FP, Yamasaki R, Behlau M. Influência da escuta contextualizada na percepção da intensidade do desvio vocal. Audiol Commun Res. 2014; 19 (1): 69-74.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1034
DISFONIAS ORGÂNICAS: AVALIAÇÃO VOCAL E CONDUTA EM ATENDIMENTO INTERDISCIPLINAR
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: As disfonias orgânicas podem ser causadas por alteração com origem nos órgãos fonatórios, como tumores e malformações laríngeas, ou com origem em outros órgãos, como desordens neurológicas e refluxo gastresofágico1,2, cujas alterações vocais podem desencadear queixas variadas que comprometem o bem-estar e qualidade de vida do indivíduo. Considerando a importância da intervenção em casos de disfonias, a análise perceptivo-auditiva é um dos principais métodos empregados pelos fonoaudiólogos para avaliação da qualidade vocal3-6. Objetivo: Caracterizar a população com disfonia orgânica atendida no Ambulatório de Laringologia de uma instituição pública, quanto às patologias laríngeas, qualidade vocal e conduta realizada. Métodos: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Instituição em que foi conduzido, conforme resolução CNS/MS Nº 466/12, sob parecer 1.619.520. Foi utilizado o banco de dados do projeto de extensão vinculado ao projeto de pesquisa aprovado, com registro de 882 pacientes, sendo 223 deles com diagnóstico otorrinolaringológico de lesão orgânica, atendidos no Ambulatório de Laringe. As informações analisadas foram: ocorrência dos tipos das lesões ou alterações orgânicas, grau de alterações na escala GRBASI e quais as condutas seguidas. Resultados: Dos 223 pacientes com diagnóstico de lesões orgânicas, 54,26% eram do sexo feminino e a idade média foi de 51(±18,66) anos. As principais alterações observadas foram: doenças vegetantes (31%), seguidas de doenças inflamatórias (28%). Observou-se que, com relação ao grau geral de alteração vocal, 85,29% dos registros mostraram algum nível de alteração, sendo a rugosidade o parâmetro de maior ocorrência na escala GRBASI, com 77,45% dos registros. A instabilidade foi o parâmetro menos observado, com apenas 3,92% dos registros. Quanto aos graus de alteração na escala, 37,75% corresponderam a alterações vocais moderadas e o parâmetro de rugosidade foi considerado de grau leve, em 33,33% dos casos. A conduta cirúrgica foi a mais indicada (28,95% dos casos) seguida da combinação de tratamentos com 23,25%; a conduta cirúrgica foi também a opção mais recorrente no caso das lesões vegetantes, sendo 66,13% para os casos de câncer e 45,45% para papiloma. Conclusão: A população com disfonia orgânica atendida no Ambulatório de Laringe da instituição estudada foi, em sua maioria, do sexo feminino, com idade média de 51 (±18,66). A disfonia orgânica de maior ocorrência foi a decorrente de lesões vegetantes, seguida de doenças inflamatórias; e os parâmetros perceptivo-auditivos da voz mais alterados foram os relacionados aos diagnósticos de outras patologias e lesões neurológicas. As condutas mais indicadas foram cirurgia e combinação de tratamento para os diagnósticos de lesões vegetantes e lesões neurológicas, respectivamente. Ressalta-se a relevância da interdisciplinaridade entre Fonoaudiologia e Otorrinolaringologia no momento do diagnóstico e na escolha da conduta e dos aspectos epidemiológicos dessa população atendida em um centro de referência regional para o atendimento de pacientes disfônicos.
Palavras–chave: disfonia; distúrbios da voz laringoscopia; qualidade da voz;

1. Behlau M, Azevedo R, Pontes P. Conceito de voz normal e classificação das disfonias. In: Behlau M (org). Voz: O livro do especialista, Rio de Janeiro:Revinter, p 53-76. 2008.

2. Cielo CA et al. Refluxo laringofaríngeo e bulimia nervosa: alterações vocais e larínegas. Rev. CEFAC. 2011; 13 (2): 352-61.

3. Schwartz SR, Cohen SM, Dailey SH, Rosenfeld RM, Deutsch ES, Gillespie MB. et al. Clinical practice guideline: hoarseness (dysphonia). Otolaryngol Head Neck Surg., 2009; 141:1-31.

4. Baravieira PB et al. Análise perceptivo-auditiva de vozes rugosas e soprosas: correspondência entre a escala visual analógica e a escala numérica. CoDAS, 2016; 28 (2): 163-7.

5. Eckley CA, Anelli W, Duprat AC. Sensibilidade e especificidade da análise perceptivo-auditiva da voz na triagem de distúrbios laríngeos. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008; 74 (2): 168-71.

6. Martins PC, Couto TE, Gama ACC. Avaliação perceptivo-auditiva do grau de desvio vocal: correlação entre escala visual analógica e escala numérica. CoDAS. 2015; 27 (3): 279-84.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1870
DISLEXIA ADQUIRIDA APÓS ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL: ANÁLISE DA LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A literatura aponta que acidentes cerebrovasculares seguido por traumatismos cranioencefálico são as principais causas da dislexia adquirida1. O termo dislexia é considerado uma terminologia empregada a um conjunto de dificuldades desde o reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação a dificuldades de ortografia, manifestando-se entre os graus de gravidade leve a severa2. No aspecto geral, ela divide-se em duas ramificações: dislexia do desenvolvimento, em que as dificuldades podem ser observadas desde os primeiros anos escolares perdurando até a fase adulta3; e a dislexia adquirida, este termo é empregado para descrever um distúrbio de decodificação referente à identificação, à compreensão e à interpretação dos símbolos gráficos apresentados a adultos anteriormente habilitados, decorrente de lesões cerebrais podendo ser classificada ainda como de origem periférica ou central4. Objetivo: Investigar a atuação do fonoaudiólogo na dislexia adquirida em adultos e idosos após acidente vascular cerebral (AVC), por meio de uma revisão da literatura. Método: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com os descritores em saúde (DECS): Dislexia e AVC e/ou AVE, utilizando-se o operador booleano AND e OR, nas bases de dados SciELO e LILACS. Os artigos foram selecionados seguindo critérios de elegibilidade, a saber: a) Presença dos descritores citados em seu título, resumo ou palavras chaves; b) Artigos que correlacionaram atuação do fonoaudiólogo na população alvo: adultos e/ ou idosos c) Artigos em português e/ou inglês; d) Artigos publicados nos últimos 5 anos (2015 a 2020). Os artigos replicados em diferentes bases de dados foram contabilizados apenas uma vez. Resultados: Na busca inicial da revisão de literatura foram encontrados 134 artigos científicos, dos quais 54 achados estavam na base de dados SCIELO e 80 achados na base de dados LILACS. Com base nos critérios de elegibilidade 131 artigos foram descartados, 2 artigos estavam repetidos e apenas 1 artigo de revisão da literatura se adequou aos critérios. Os autores mencionaram que a dislexia adquirida é caracterizada pela perda da capacidade, previamente desenvolvida, em compreender o significado de palavras escritas. A dislexia adquirida pode ser classificada como periférica ou central. A dislexia periférica acontece principalmente por problemas de natureza visual enquanto as dislexias centrais constituem um conjunto de transtornos dos quais os processos resultam em dificuldades que afetam a compreensão e expressão de palavras escritas. Conclusão: Foi observado que existem poucos estudos sobre a atuação do fonoaudiólogo envolvendo a relação da dislexia adquirida nos grupos de adultos e idosos após AVC, visto que, as pesquisas são mais voltadas à dislexia do desenvolvimento. É de suma importância aumentar o número de pesquisas voltadas para esta temática, em especial de estudos clínicos, visando ampliar os conhecimentos de discentes e profissionais da área. Tendo em vista que essa é uma alteração observada com frequência na prática clínica do fonoaudiólogo.

1. Pimentel B, Boff U, Vargas M. Características neuroatómicas y linguísticas en la dyslexia adquirida. Distúrb Comun. 2019; 31(2): 187-95.
2. American Psychiatry Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders - DSM-5. 5th ed. Washington: American Psychiatric Association; 2014
3. Salles JF, Parente MAMP, Machado SS. As dislexias de desenvolvimento: aspectos neuropsicológicos e cognitivos. Interações. 2004; 9(17): 109-32.
4. Caldeira E, Cumiotto DMLO. Dislexia e disgrafia: dificuldades na linguagem. Rev. Psicopedagogia 2004;21(65):127-34


TRABALHOS CIENTÍFICOS
255
DISLEXIA E PROCESSAMENTO AUDITIVO: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A dislexia é um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica caracterizada por dificuldades nas habilidades de reconhecimento, codificação e decodificação das palavras que são decorrentes de um déficit no componente fonológico, e ocorrem na ausência de déficits intelectuais, neurológicos e sensoriais (1). Pode-se apresentar em três subtipos: dislexia fonológica, visual e mista. O subtipo fonológico, como tema do estudo, está relacionado a um déficit do processamento fonológico e da informação auditiva gerando dificuldades na decodificação das palavras (2). Decodificar as palavras por meio da relação letra som e organizá-las numa sequência temporal é uma das habilidades do processamento auditivo que garante fluência da leitura (3). Tendo em vista que alterações do processamento auditivo podem influenciar negativamente nos processos de leitura, procurou-se por meio desse estudo buscar evidências de quais habilidades poderiam estar alteradas no processamento auditivo dos escolares com dislexia do subtipo fonológica. OBJETIVO:O presente trabalho tem como objetivo fazer uma revisão sistemática dos principais estudos que abordaram a dislexia do subtipo fonológica e o processamento auditivo entre os anos de 2010 e 2020.METODOLOGIA:A pesquisa foi realizada por meio das bases de dados: SciELO, LILACS, PubMed e Google Acadêmico, utilizando como critérios de inclusão artigos originais de origem nacional e internacional, e periódicos publicados na íntegra entre os anos de 2010 e 2020, que abordassem o tema dislexia e processamento auditivo. Os descritores utilizados foram: “dislexia”, “processamento auditivo” e escolares”, e seus correspondentes na língua inglesa “dyslexia”, “auditoryprocessing” e “schoolchildren”, sendo a busca realizada pela combinação entre os três termos. RESULTADOS: Da totalidade dos estudos encontrados foram tabelados (n=24) por meio dos critérios de inclusão e análise prévia do resumo. Com a análise completa dos textos encontrou-se seis estudos condizentes com a presente pesquisa. Dos seis estudos analisados, a população da amostra era constituída por pelo menos dois grupos, sendo eles um grupo estudo e um grupo controle, onde os testes pudessem ser aplicados para efeito de comparação e verificação das habilidades auditivas alteradas no grupo de estudo. Observou-se que dos seis estudos, quatro relacionaram os déficits de leitura e escrita na dislexia com falhas nas habilidades de processamento temporal, sendo que um deles também encontrou falhas nas habilidades de figura fundo e outro correlacionou déficits nas habilidades temporais com uma má formação cortical. Em outro estudo, foi evidenciado que alterações na codificação e decodificação podem ser decorrentes de déficits na habilidade de percepção dos sons, integração auditiva e memória de curto prazo. Por fim, outro estudo evidenciou que o hemisfério direito contribui para os déficits de processamento auditivo na dislexia. CONCLUSÃO: Pelo levantamento, concluiu-se que a literatura analisada revela evidências de que falhas no processamento temporal auditivo, figura-fundo e memória de curto prazo podem afetar a percepção dos sons da fala trazendo prejuízo de leitura e escrita para escolares disléxicos. Déficits no processamento temporal podem ainda estar relacionados à uma má formação cortical, além da contribuição significativa do hemisfério direito para as alterações das habilidades de Processamento Auditivo na dislexia.

1- APA - American Psychiatric Association. DSM-V: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (5ª Ed.). Porto Alegre: Artmed Editores.2014

2- Galaburda AM, Cestinick L. Dislexia Del desarollo. In: Salles J. F., Haase V.G. & Malloy-Diniz LF. Neuropsicologia do Desenvolvimento: Infância e Adolescência. Porto Alegre: Artmed, 2003.

3- Barreto MASC. Caracterizando e correlacionando dislexia do desenvolvimento e processamento auditivo. Rev. Psicopedagogia 2009; 26 (79): 88-97.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1060
DISPLASIA BRONCOPULMONAR EM RECÉM NASCIDOS E FONOAUDIOLOGIA: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: A displasia broncopulmonar é uma das principais doenças respiratórias crônica que acomete principalmente os recém-nascidos prematuros. Espera-se nesses pacientes além do desconforto respiratório, refluxo gastroesofágico e obstrução de vias aéreas superiores que dificultam ainda mais as questões alimentares e respiratórias. É necessário que o fonoaudiólogo, como um profissional que atua diretamente em maternidades, tenha aporte teórico para conhecer mais sobre a displasia broncopulmonar, assim como também as suas implicações clínicas. Objetivo: Analisar artigos que abordem diretamente a Fonoaudiologia na displasia broncopulmonar em recém-nascidos. Método: Para a realização deste estudo, buscaram-se artigos relacionados a prática fonoaudiológica na displasia broncopulmonar em recém-nascidos em bancos de dados, Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Foram utilizados os descritores displasia broncopulmonar AND fonoaudiologia e seus correspondentes em inglês e espanhol, nos últimos 10 anos (2009 a 2019). Dois investigadores participaram da escolha e revisão dos artigos. Resultados: A partir do cruzamento dos descritores nas bases estudadas, quatro artigos foram identificados, desses, três corresponderam a trabalhos repetidos, restando, logo um texto completo para análise. Segundo a literatura consultada, pacientes recém-nascidos com displasia broncopulmonar necessitam de um maior aporte nas questões de alimentação por via oral que está prejudicada devido á dificuldades na manutenção de energia proveniente do esforço respiratório realizado. O treino realizado para reajuste dos padrões consistiu em: canulamento de língua, promoção de vedamento labial e pressão intra-oral através de pressão no centro da língua e leve movimento de retirada do dedo do terapeuta da cavidade oral do bebê e adequação da sensibilidade. O estudo relata ainda as vias opcionais para a alimentação desses pacientes como, mamadeira e copo, refere que houve maiores dificuldades respiratórias na coordenação sucção, respiração, deglutição nestas duas opções citadas, por esses serem utensílios que promovem maior fluxo de leite. Dentro do próprio artigo já é citado a escassez de estudos que correlacionem a retirada da sonda para a alimentação primordialmente por via oral. Além do objetivo de promover a alimentação via oral, o Fonoaudiólogo deve promover primeiramente o desenvolvimento destes pacientes. Foi observado na pesquisa que na grande maioria, puderam receber aleitamento materno exclusivo na alta hospitalar. Conclusão: Diante da insuficiência de artigos voltados para o tema, faz-se necessário de maiores informações sobre a displasia broncopulmonar e a Fonoaudiologia.

Evangelista D, Oliveira A. Transição alimentar em recém-nascidos com displasia broncopulmonar. Rev. CEFAC, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 102-109, mar. 2009.

Thébaud B, Goss K, Laughon M, Whitsett J, Abman S, Steinhorn R, ... & Jobe A Displasia broncopulmonar. Comentários da natureza. Iniciadores de doenças , 5 (1), 78. 2019

Bonadies L, Zaramella P, Porzionato A, Perilongo G, Muraca M, & Baraldi E.. Present and Future of Bronchopulmonary Dysplasia. Journal of Clinical Medicine, 9(5), 1539. 2020.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1181
DISTÂNCIA DO DESLOCAMENTO DO OSSO HIOIDE DURANTE A DEGLUTIÇÃO PÓS LASERTERAPIA E MANOBRA DE MENDELSOHN: RELATO DE CASO.
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A deglutição é uma ação avaliada em fases: oral, faríngea e esofágica1. A fase faríngea é indiretamente influenciada pelo complexo hiolaríngeo, formado pela atividade dinâmica do osso hioide, laringe e faringe, que juntos, através dos movimentos de elevação, anteriorização e sustentação, agem de maneira contrátil na proteção das vias aéreas durante o ato de deglutir2. Logo, alterações nesse complexo podem resultar na presença de sinais ou sintomas disfágicos. Com o objetivo de estimular a elevação laríngea, a manobra de Mendelsohn torna-se uma intervenção terapêutica elegível3,4. Ainda, visando a possibilidade de potencializar o efeito da manobra por meio da bioestimulaçao em região supra-hióidea, é que o laser de baixa potência é associado a execução do exercício5,6. No entanto, os efeitos imediatos desta associação na biomecânica da deglutição ainda não estão bem definidos. Objetivo: Analisar a distância do deslocamento do osso hioide durante a deglutição de diferentes volumes de uma mesma consistência pós laserterapia associada a manobra de Mendelsohn. Método: O relato de caso faz parte de um estudo de intervenção aprovado em comitê de ética, sob o parecer de n° 3.388.959. Para analisar a distância percorrida do osso hióide, do seu ponto de repouso à seu pico máximo, foi utilizado o ultrassom de língua, modelo DP 6600, já para a aplicação do laser foi feito o uso do laser de baixa potência 250mW (3J) em cinco pontos diferentes, organizados por toda região supra-hióidea, com o tempo de 12s em cada ponto. A participante foi submetida inicialmente a avaliação da distância do deslocamento do osso hióide durante a deglutição de 5 e 10 ml de alimento pastoso (Iogurte Vigor), orientada a segurar o conteúdo na cavidade oral e deglutir ao comando do avaliador, momento que a sonda ultrassonográfica estava posicionada verticalmente entre região submandibular e proeminência laríngea; em seguida, foi realizado a aplicação do LBP e manobra de Mendelsohn, sendo esta realizada com 30 repetições, com intervalos de 1min a cada 10 repetições e com 2s de sustentação da manobra, por fim foi realizada a mesma avaliação feita inicialmente. Resultados: Na avaliação inicial, a participante realizou duas deglutições para o volume de 5ml, percorrendo a distância de 0,13mm durante a primeira deglutição e 0,13mm na segunda deglutição; para o volume de 10ml a mesma realizou duas deglutições, sendo observado uma distância de 0,14mm para a primeira deglutição e 0,14mm para segunda. No momento pós laserterapia e manobra de Mendelsohn foi observado apenas uma deglutição para o volume de 5ml, com distância percorrida de 0,14mm. Já para o volume de 10ml a participante manteve duas deglutições, com distância de 0,18mm para a primeira deglutição e 0,16mm para a segunda. Conclusão: Foi observado na participante avaliada, um aumento de até 2mm na distância percorrida pelo deslocamento do osso hióide pós laserterapia e manobra de Mendelsohn.

1. Matsuo K, Palmer JB. Anatomy and physiology of feeding and swallowing: normal and abnormal. Phys Med Rehabil Clin N Am. 2008;19(4):691-707.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
2094
DISTÚRBIO DE VOZ RELACIONADO AO TRABALHO: CONHECIMENTO DOS FONOAUDIÓLOGOS DAS REDES PÚBLICAS DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO SOBRE A LEGISLAÇÃO VIGENTE NO ESTADO DE ALAGOAS
Trabalho científico
Voz (VOZ)



INTRODUÇÃO: Distúrbio da Voz Relacionado ao Trabalho (DVRT) é determinado pelo desvio vocal durante a atuação profissional que comprometa ou diminua a comunicação do trabalhador, podendo ocorrer ou não alteração orgânica da laringe. Conhecer os fatores que desencadeiam o DVRT, os dados sobre o perfil do trabalhador, condições do ambiente, manifestações clínicas são fundamentais para o desenvolvimento de ações com a prevenção e redução de agravos durante o processo de trabalho. A notificação é a comunicação de ocorrência para fins de adoção de medidas de intermédio pertinentes. Além disso, indica riscos aos quais as pessoas estão suscetíveis, contribuindo para a identificação da realidade epidemiológica dos sujeitos, definindo prioridades de intervenção, controlando e enfrentando, de forma integrada e eficiente, os problemas de saúde coletiva relacionados ao trabalho. OBJETIVO: Verificar o conhecimento dos fonoaudiólogos das redes públicas da saúde e da educação de Alagoas sobre o processo de notificação dos DVRTs e sobre a legislação estadual vigente (Lei nº 7.241 2011 e Portaria n. 206 2012), bem como associá-los à idade, tempo de serviço, unidade a qual presta serviço, jornada de trabalho e realização da notificação e a quem notificar. METODOLOGIA: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob CAAE: 15365019.4.0000.5011. Trata-se de um estudo transversal de abordagem quantitativa, composto por quarenta e cinco fonoaudiólogos concursados das redes públicas da saúde de Alagoas, que responderam ao questionário elaborado pelos autores contendo dados da situação funcional, do distúrbio de voz relacionado ao trabalho, do processo de notificação e legislação estadual vigente. Na pesquisa foi utilizado o teste qui quadrado. RESULTADOS: A média da idade dos participantes foi de 41 anos, o tempo de atuação profissional em sua maioria possuem mais de 10 anos 82,2% (n=37), 57,7% (n=26) atuam no CER III, 40% (n=18) apresentam jornada de trabalho entre 30 a 40 horas e 31,1% (n=14) não sabem a quem notificar. O conhecimento do DVRT foi a maioria 97,7% (n=44), 93,3% (n=42) afirmaram que sabem o objetivo da notificação, 66,6% (n=30) não têm o conhecimento de como preenche a ficha de notificação, 57,7% (n=26) não conhecem a Lei Estadual e 77,7% (n=35) desconhecem a portaria da notificação. O conhecimento do processo de notificação não teve associação estatisticamente significante com as variáveis: idade, tempo de serviço, unidade a qual presta serviço, jornada de trabalho e realização da notificação. Foi encontrado associação estatisticamente significante do conhecimento do processo de legislação vigente apenas com a variável realização da notificação e a quem notificar com p= 0,011. CONCLUSÃO: Os fonoaudiólogos conhecem o DVRT e o objetivo da notificação, porém muitos não sabem preencher a ficha de notificação, não possuem o conhecimento de como realizar a notificação, desconhecem a legislação vigente como a Lei estadual e a Portaria. Foi encontrado apenas associação estatisticamente significante entre o conhecimento do processo de legislação e a variável realização da notificação e a quem realizar. Dessa forma, necessita de capacitação desses profissionais para a identificação de novos casos do DVRT e desenvolvimento de ações em saúde do trabalhador.


Cerest.Fonoaudiologia na Saúde do Trabalhador. Notificação em fonoaudiologia. [Boletim eletrônico]. Rio de Janeiro, setembro 2010.

Ferreira, L. P, Nakamura, H. Y, Zampiete, E., Constant, A. C., Distúrbio de Voz Relacionado ao Trabalho: proposta de uma ficha de notificação individual. Distúrbios da Comunicação. [Internet]. São Paulo. 2018.

Penteado Regina Zanella, Ribas Tânia Maestrelli. Processos educativos em saúde vocal do professor: análise da literatura da Fonoaudiologia brasileira. Rev. soc. bras. fonoaudiol. [Internet]. 2011 junho [citado 2020 13 de julho]; 16 (2): 233-239.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
151
DISTÚRBIOS DA DEGLUTIÇÃO: BIOMARCADORES ASSOCIADOS AO CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: Os biomarcadores oncológicos apresentam o fundamental papel de definir a composição molecular do câncer e o tipo de mutação que os acometem. Indicadores permitem selecionar um tratamento direcionado aos pacientes com câncer de cabeça e pescoço (CCP) e, torná-lo mais efetivo nas manifestações decorrentes de distúrbios da deglutição, proporcionando assim maiores possibilidades de recuperação promissora 1,2,3. Observa-se que a fonoaudiologia hospitalar vem se estabelecendo cada vez mais fortemente e que o número também crescente de CCP se traduz como um importante desafio aos fonoaudiólogos neste campo de trabalho. Objetivo: Verificar a associação de biomarcadores relacionados ao câncer de cabeça e pescoço (CCP), visando ponderar sobre causas intrínsecas dos distúrbios de deglutição como diagnóstico para o CCP. Métodos: Revisão sistemática nas bases de dados eletrônicas: PubMed, SciELO, Capes, Scopus e Lilacs utilizando o dicionário MeSH. Os termos utilizados: [(Biomarkers, oral câncer, swallowing, adults)]. Foram incluídos estudos que relacionaram biomarcadores associados ao CCP sem restrição de idioma e localização, que abrangeu o período de março de 2015 a março de 2020 para a análise. Resultados: Foram admitidos três artigos que contemplavam todos os critérios de seleção e que respondia a pergunta norteadora proposta. Estes estudos evidenciaram o uso de biomarcadores, para o auxílio no diagnóstico e tratamento do CCP. Foi realizada a coleta de amostras de sangue para uma posterior comparação e análise de biomarcadores em todos os estudos. Também utilizaram a espectrografia raman com superfície aprimorada (SERS) como um diagnóstico diferencial para o carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço. Indicam também a saliva como biomarcador para o diagnóstico do câncer de boca. Conclusões: É perceptível que o uso de biomarcadores consiste em um importante diferencial no diagnóstico ou tratamento de câncer de cabeça e pescoço. A SERS pode ser utilizada como uma alternativa diagnóstica à histopatologia do câncer de cabeça e pescoço e a implantação do diagnóstico através da análise da proteína salivar torna-se um grande aliado para o diagnóstico precoce e prognóstico e monitoramento do câncer de boca pós-terapia. Desta forma, o fonoaudiólogo pode utilizar mais esta ferramenta para diagnóstico visando o tratamento, além do bem estar dos pacientes atendidos.

Palavras-Chaves: Biomarcadores; Câncer Oral; Adultos; Câncer.

1.SINEVICI, Nicoleta; O’SULLIVAN, Jeff. Oral cancer: Deregulated molecular events and their use as biomarkers. Oral Oncology, [s.l.], v. 61, p.12-18, out. 2016. Elsevier BV.

2.FERRUCCI, Juliana Lopes et al . Comparison between the functional aspects of swallowing and clinical markers in ICU patients with Traumatic Brain Injury (TBI). CoDAS, São Paulo , v. 31, n. 2, e20170278, 2019 .

3. GAVRIELATOU N, Doumas S, Economopoulou P, Foukas PG, Psyrri A. Biomarkers for immunotherapy response in head and neck cancer. Cancer Treat Rev. 2020.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
404
DISTÚRBIOS DO SONO NO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO
Tese
Linguagem (LGG)


DISTÚRBIOS DO SONO NO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO

Introdução: Crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam distúrbios no neurodesenvolvimento com a presença de movimentos repetitivos, restritos e estereotipados, além de alterações na comunicação, na interação social e no comportamento. Comumente, os autistas apresentam maior prevalência de distúrbios de sono do que as crianças neurotípicas, o que acarreta em uma série de dificuldades a ser enfrentada e perda de qualidade de vida1. Objetivo: Analisar e compreender os impactos que as alterações no ciclo vigília/sono trazem para o desenvolvimento da aprendizagem, comportamento e comunicação das crianças com TEA. Metodologia: Realizou-se uma revisão da literatura nas bases de dados do SCIELO, PUBMED/MEDLINE e LILACS, analisando os artigos publicados entre os anos de 2010 a 2020, com acesso livre e utilizando os descritores: distúrbios do sono; TEA. Foram encontradas 12 publicações e adotou-se, como critério de inclusão, artigos que se adequavam ao objetivo proposto. Resultado: Atualmente, entre 40% a 80% das pessoas com autismo possuem problemas significativos de sono, principalmente se houver outras comorbidades associadas, como Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), problemas gastrointestinais e fobias. Outrossim, os próprios medicamentos, que são utilizados no tratamento, pode trazer prejuízos para o sono. Ademais, uma série de outros fatores como a produção de melatonina, hormônio produzido no cérebro, cuja uma de suas funções básicas é a indução do sono, pode ser reduzida em indivíduos com TEA2. Em 83% dos artigos, o principal distúrbio do sono encontrado foi a insônia, sendo que, alguns indivíduos, ainda tem que lidar com apneia do sono. Esses distúrbios conduzem a uma diminuição da qualidade de vida das pessoas com TEA devido às dificuldades para começar a dormir e permanecer dormindo ser constante, resultando para essa criança em desafios comportamentais e de aprendizagem significativamente mais severos durante o dia. Devido a essas dificuldades enfrentadas durante o período do sono, surgem complicações que afetam no rendimento cognitivo, verbal e motor desses indivíduos, interferindo, também, na terapia fonoaudiólogica e nas demais ações terapêuticas que se fazem necessárias. Conclusão: Conclui-se, que o sono é uma necessidade fisiológica que interfere no desenvolvimento eficaz das habilidades comunicacionais, comportamentais e sociais; além de influenciar nos padrões de comportamento e de aprendizagem. Salientando também que a criança autista que possui algum distúrbio no sono apresentam menos habilidades sociais e atenção compartilhada, além de um aumento nos comportamentos restritos e estereotipada, que outras crianças que não tenham distúrbios do sono3. Entende-se, portanto, que seja feita uma anamnese detalhada, para identificar possíveis alterações no sono, a fim de que se obtenham ganhos bastante funcionais de comportamento e de aprendizagem, promovendo qualidade de vida ao indivíduo com TEA.

Palavras-chave: Distúrbios do sono, autismo.



1.Medina Ortiz, Oscar; Pulido Zambrano, Luis; Colmenares Ortiz, Viviana; Cárdenas Ontiveros, Katia; Sánchez-Mora, Nora. Trastornos y hábitos de sueño en niños y adolescentes con autismo. Caracas: Arch Venez Puer Ped v.73 n.2, jun. 2010.

2.Pin-Arboledas, Gonzalo. EL SUEÑO DEL NIÑO CON TRASTORNOS DEL NEURODESARROLLO. Espanha: Medicina. 79. 44-50, jan.2019.

3. Souders MC, Zavodny S, Eriksen W, et al. Sleep in Children with Autism Spectrum Disorder. Curr Psychiatry Rep. 2017;19(6):34. doi:10.1007/s11920-017-0782-x.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
678
DO PLANEJAMENTO A AÇÃO – ATENDIMENTO FONOAUDIOLÓGICO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA A INFECTADOS PELO SARS-COV-2.
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: Doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, a COVID-19 apresenta quadro clínico que varia de infecções assintomáticas a sintomas críticos, nesses casos desenvolvem insuficiência respiratória, choque e falência orgânica, sendo admitidos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), necessitando de ventilação mecânica (VM) por intubação orotraqueal (IOT), podendo evoluir com comprometimentos inerentes ao suporte ventilatório e imobilização prolongada, onde a deglutição e comunicação também estão prejudicadas(1). Pacientes pós IOT prolongada podem evoluir com disfagia orofaríngea, devido a trauma orofaríngeo e laríngeo, sensibilidade local reduzida, fraqueza muscular e incoordenação respiração e deglutição(2), necessitando de intervenção fonoaudiológica para minimizar o risco de infecção respiratória por broncoaspiração e restabelecimento da deglutição. Diante do contexto, o atendimento a uma doença de grande poder de contágio, requer planejamento e manejos seguros, uso de equipamento de proteção individual (EPI) com maior rigor e uso de protocolos validados dentro das condições de avaliação, uma vez que exames instrumentais não podem ser utilizados, devido ao risco de contaminação(3). OBJETIVO: Elaborar um plano de ação para atendimento aos pacientes com COVID-19 após IOT prolongada, com observância às normas de segurança para o fonoaudiólogo e o paciente. MÉTODOS: Para isso foi realizada uma busca cuidadosa na literatura especializada visando estabelecer o protocolo clínico a ser utilizado. O plano de ação foi desenvolvido para UTI’s adulto de um complexo hospitalar privado/beneficente. Abrangendo indivíduos com 18 anos ou mais, infectados pelo Sars-Cov-2 confirmado por exame laboratorial, submetido à IOT prolongada e em uso sonda nasoenteral (SNE) como via alternativa de alimentação, apresentando estabilidade clínica e respiratória. RESULTADOS: Os procedimentos foram divididos em duas etapas, uma para avaliação e outra para o acompanhamento. A primeira etapa consistiu do registro de dados como: estado geral de saúde,nível de consciência, medicamentos administrados, parâmetros clínicos e tempo de IOT e de internamento; A segunda etapa consistiu na avaliação anatomofuncional: observação da sensibilidade oral, qualidade vocal, mobilidade das estruturas orofaciais e avaliação funcional da deglutição levando em consideração o risco de contaminação. A investigação da deglutição foi realizada através do protocolo de avaliação de risco para disfagia (PARD), amplamente utilizado na prática clínica e com critérios embasados para liberação segura de dieta por via oral, o PARD ressalta na conduta o uso da escala American Speech-Language-Hearing Association National Outcome Measurement System (ASHA NOMS), essa é uma ferramenta multidimensional projetada para medir tanto a supervisão necessária para ingestão de dieta oral quanto o nível de deglutição, atribuindo números entre 1 e 7(4), auxiliando a terceira etapa que consiste na conduta fonoaudiológica, estabelecida através do nível de deglutição e dados elencados na primeira etapa. CONCLUSÃO: A partir desse protocolo é possível registrar dados importantes para definirmos um plano terapêutico com segurança, levando em consideração a coordenação deglutição e respiração, devido ao comprometimento respiratório. Após sua criação, a rotina vem se desenvolvendo com benefícios para o restabelecimento seguro das funções comprometidas, reduzindo risco de broncoaspiração e favorecendo a ablação da sonda de alimentação, com base em indicadores seguros no contexto da atual pandemia.

Meng Y, Wu P, Lu W, Liu K, Ma K, Huang L et al. Sex-specific clinical characteristics and prognosis of coronavirus disease-19 infection in Wuhan, China: A retrospective study of 168 severe patients. PLoS Pathogens. 2020:28.

Frajkova Z, Tedla M, Tedlova E, Suchankova M, Geneid A. Postintubation dysphagia during covid-19 outbreak- contemporary review. Dysphagia. 2020:28: 1-9.

Ku PKM, Holsinger FC, Chan JYK, Yeung ZWC, Chan BYT, Tong MCF, Starmer HM. Management of dysphagia in the patiente with head and neck cancer during covid-19 pandemis: practical strategy. Head Neck. 2020.

Sassi FC, Medeiros GC, Zambon LS, Zilberstein B, Andrade CRF. Avaliação e classificação da disfagia pós-extubação em pacientes críticos. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. 2018:45(3).




TRABALHOS CIENTÍFICOS
2079
DOENÇA DE PARKINSON X QUALIDADE DE VIDA: PERSPECTIVA DOS CUIDADORES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)



Introdução: Devido ao crescente envelhecimento da população mundial, estima-se que em 2020 mais de 40 milhões de pessoas no mundo terão desordens motoras secundárias, a doença de Parkinson(4), que é a segunda desordem neurodegenerativa mais comum, possui prevalência aproximada de 150 casos por 100.000 indivíduos(2).Diante desse quadro a necessidade de cuidadores torna-se cada vez mais necessária na realidade mundial.
Objetivo: Analisar a qualidade de vida de cuidadores de pacientes com doença de parkinson, e o impacto das funções fonoaudiológicas na vida diária. Métodos: Trata-se de um estudo qualitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o número do parecer 2.740.498. Foram selecionados 3 pacientes do sexo masculino com doença de Parkinson, que estão em atendimento fonoaudiológico na Clínica Escola do Curso de Fonoaudiologia da Universidade de Passo Fundo e que estão em terapia fonoaudiológica para disfagia e disartria. Os cuidadores foram entrevistados de forma individual e a entrevista foi gravada por áudio. Os dados foram coletados por meio de entrevista presencial e semiestruturada, com questões direcionadas aos cuidadores sobre os pacientes, rotina diária e qualidade de vida de ambos. Por meio da coleta de dados, foram analisadas as questões voltadas aos cuidados desses pacientes, referindo-se aos cuidados pessoais, rotina diária, hábitos, aderência à fonoterapia, queixas fonoaudiológicas, demais dificuldades apresentadas e consequentes interferências no cotidiano dos sujeitos e seus cuidadores e, ainda, o impacto da doença no contexto familiar.
Resultados: Foi possível delinear o perfil dos pacientes, e identificar as dificuldades que impactam na vida diária de pacientes e cuidadores, como a interferência das queixas fonoaudiológicas, a adesão ao tratamento fonoaudiológico e demais questões que influenciam no contexto social de ambos. As participantes, denominadas cuidadoras, eram esposas dos pacientes, a idade delas segue a mesma faixa etária dos pacientes com doença de Parkinson. As três cuidadoras dedicam-se integralmente aos cuidados dos maridos e, atualmente a profissão infomada foi Do Lar, porém duas das cuidadoras relataram a necessidade de abandonar do trabalho para dedicar-se totalmente ao esposo. Todas relataram que apresentam dificuldades com o cuidado do paciente, visto que exige muito esforço e paciência.
Conclusões: Os resultados sugerem que as queixas fonoaudiológicas apresentadas pelos pacientes interferem na qualidade de vida desses, e, também, de seus cuidadores. Logo, é imprescindível a presença de orientação para os cuidadores e tratamento fonoaudiológico para os pacientes portadores da doença de Parkinson.

Descritores: Doença de Parkinson; Qualidade de vida; Cuidadores; Pesquisa Qualitativa; Fonoaudiologia.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1403
DUBLAGEM DE PERSONAGENS INFANTIS DE PRINCESAS: ANÁLISE PERCEPTIVO-AUDITIVA DA DUBLAGEM DAS VOZES
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A voz compõe parte importante na construção de um personagem. Personagens de desenhos animados podem ser reconhecidos pelas suas características vocais, cabendo ao dublador a responsabilidade de transmitir por meio da voz as características físicas e psicológicas do papel interpretado. A avaliação perceptivo-auditiva permite analisar por meio de escuta crítica tais características. Sabe-se que a voz possui componentes individuais e sociais, é influenciada pela cultura e meio social, sofrendo modificações ao longo do tempo. Objetivo: Realizar análise perceptivo-auditiva de vozes que dublam personagens de princesas de filmes infantis, estabelecendo-se comparações entre personagens antigas e modernas. Método: O presente estudo analisou amostras dubladas em português de personagens de princesas da Disney Princess e da franquia Frozen (pertencentes à The Walt Disney Company). Foram sorteadas seis dentre as princesas, sendo três consideradas clássicas tradicionais, aquelas cujos filmes foram lançados no século XX, e três princesas cujos filmes foram lançados no presente século XXI, consideradas princesas modernas. Foi elaborado um protocolo para análise perceptivo-auditiva das vozes. Foram editados trechos da fala de cada personagem, retirados dos filmes disponíveis na internet, com tempo médio de edição de dois minutos e dez segundos. As amostras foram misturadas (modernas e clássicas) e receberam números. Foram enviadas via e-mailatrês juízas, fonoaudiólogas com experiência na área de voz, que avaliaram as vozes, em sistema duplo-cego, não sabendo da finalidade de comparação entre as dublagens modernas e clássicas. Foi utilizado roteiro de avaliação para análise perceptivo-auditiva, que envolveu: qualidade vocal e grau global de desvio da voz (GGD), tipo de voz, sistema de ressonância, ataque vocal, pitch, loudness, gama tonal habitual, registros, percepção de velocidade, ritmo de fala e classificação global subjetiva da voz. Resultados: À análise perceptivo-auditiva das amostras das vozes, foi observado que todas elas possuem um sistema de ressonância em equilíbrio, registro modal, articulação de fala precisa e vozes consideradas adaptadas ou neutras (escala GRBAS). Encontraram-se diferenças entre as dublagens das princesas clássicas (antigas) e as modernas a saber: as modernas têm tendência a voz mais tensa (grau leve), ataque vocal isocrômico alternando com brusco, registro modal variando de peito e cabeça e a percepção de velocidade de fala acelerada. Já as princesas clássicas possuem tendência a voz soprosa (grau leve), tipo de voz feminilizada, ataque vocal do tipo isocrômico, gama tonal ampla, registro entre modal médio e de cabeça, e a percepção de velocidade de fala é normal. Conclusão: Encontradas diferenças na composição vocal das dublagens dos personagens de princesas clássicas e modernas, caracterizada por diferenças na qualidade vocal, tipo de voz, ataque vocal, gama tonal de fala, registro de voz e percepção da velocidade da fala. Essas diferenças podem ser atribuídas à época em que os filmes foram lançados e pela representação feminina em cada uma dessas épocas.

Behlau M, Pontes Paulo. Higiene Vocal: Cuidando da Voz. 3º ed. Rio de Janeiro/RJ: Livraria e Editora RevinteR, 2001. p. 01-08.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1170
DURAÇÃO DA DEGLUTIÇÃO EM DIFERENTES CONSISTÊNCIAS PÓS MANOBRA DE MENDELSOHN ASSOCIADA A LASERTERAPIA: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A deglutição é uma função motora automática essencial do ser humano. Esse processo consiste no transporte do bolo alimentar da cavidade oral até o estômago(1). Alterações na dinâmica da deglutição em qualquer etapa do trajeto do bolo alimentar, comprometendo e/ou lentificando qualquer uma das fases da deglutição (preparatória, oral, faríngea e/ou esofágica) denomina-se disfagia(2). A disfagia é definida como um sintoma multifatorial que pode aumentar o risco de mortalidade. Indivíduos com disfagia geralmente evoluem com a necessidade de terapia fonoaudiológica e outros tratamentos, sendo a terapia fonoaudiológica um tratamento indicado com o objetivo da melhoria da qualidade de vida de disfágicos(3-5). Neste sentido, os fonoaudiólogos fazem uso de técnicas e recursos como a laserterapia (uso do Laser de Baixa Potência - LBP) e a Manobra de Mendelsohn. A laserterapia não é invasiva e funciona como biomoduladora das funções fisiológicas celulares(6). Já a Manobra de Mendelsohn objetiva a melhoria da elevação laríngea e a abertura do esfíncter esofágico superior (EES)(7,8). OBJETIVO: Verificar a duração da deglutição em diferentes consistências pós manobra de Mendelsohn associada ao laser de baixa potência. MÉTODO: o relato de caso faz parte de um estudo de intervenção aprovado em comitê de ética, sob o parecer de n° 3.388.959. Realizado com uma voluntária do sexo feminino de 37 anos de idade que não possuía quaisquer queixas fonoaudiológicas. Inicialmente, foi efetuada a coleta dos dados pré-intervenção. Para maior precisão do tempo de duração da deglutição, a captação dos dados foi efetuada através de um Ultrassom de Língua (modelo DP 6600), tendo por referência o deslocamento do osso hióide e seu repouso. A participante iniciou fazendo a ingesta de 10, 20 e 100ml do alimento líquido respectivamente. Em seguida, a ingesta de 5 e 10ml do alimento pastoso. Para deglutir a voluntária levava o conteúdo até a boca e esperava o comando do avaliador. Posteriormente, foram realizadas as intervenções. Foi aplicado o LBP 250mW (3J) em cinco pontos diferentes, organizados por toda região suprahioidea, com o tempo de 12s em cada ponto. Em seguida, foi realizada a Manobra de Mendelsohn, com 30 repetições e intervalos de 1min a cada 10 repetições, sendo com 2s de sustentação da manobra. Por fim, foi realizada a captação dos dados de duração da deglutição pós-intervenção. RESULTADOS: Observou-se que os dados da duração total das deglutições pré-intervenção da ingesta da consistência líquida foram: 10ml (1,3s), 20ml (3,97s) e 100ml (12,38s). Os dados pós-intervenção da mesma consistência foram: 10ml (0,88ms), 20ml (2,64s) e 100ml (11,81s). Os dados da duração da deglutição pré-intervenção da ingesta da consistência pastosa foram: 5ml (6,33s) e 10ml (9,2s). Os dados pós-intervenção da mesma consistência foram: 5ml (1,17s) e 10ml (11,1s). CONCLUSÃO: Houve redução da duração da deglutição pós-intervenção nas duas consistências em diferentes volumes, demonstrando que a Manobra de Mendelsohn associada ao uso do LBP 250mW (3J) influenciou na redução do tempo de duração da deglutição em diferentes consistências para a voluntária.

1. Virani A, Kunduk M, Fink DS, McWhorter AJ. Effects of 2 different swallowing exercise regimens during organ-preservation therapies for head and neck cancers on swallowing function. Head & Neck. 2015;37(2):162-170.

2. Promodomo LPV, Angelis EC, Barros ANP. Avaliação clínica fonoaudiológica das disfagias. In: Jotz GP, Angelis EC, Barros APB. Tratado da deglutição e disfagia: no adulto e na criança. Rio de Janeiro: Revinter. 2010; p. 61-7.

3. Boesch RP, Daines C, Willging JP, Kaul A, Cohen AP, Wood RE et al. Advances in the diagnosis and management of chronic pulmonary aspiration in children. European Respiratory Journal. 2006;28(4):847-61.

4. Tutor JD, Gosa MM. Dysphagia and aspiration in children. Pediatric pulmonology. 2012; 47(4):321-37.

5. Barroqueiro PC, Lopes MKD, Moraes AMS. Critérios fonoaudiológicos para indicação de via alternativa de alimentação em unidade de terapia intensiva em um hospital universitário. Revista CEFAC. 2017; 19(2):190-7.

6. Melchior MDO, Machado BCZ, Magri LV, Mazzetto MO. Efeito do tratamento fonoaudiológico após a laserterapia de baixa intensidade em pacientes com DTM: estudo descritivo. CoDAS. 2016; 28 (6): 818-822.

7. Freitas GS, Mituuti CT, Furkim AM, Busanello-Stella AR, Stefani FM, Arone MMAS et al. Biofeedback eletromiográfico no tratamento das disfunções orofaciais neurogênicas: revisão sistemática de literatura. Audiol., Commun. Res. 2016; 21:e1671.

8. Inamoto Y, Saitoh E, Ito Y, Kagaya H, Aoyagi Y, Shibata S et al. The Mendelsohn Maneuver and its Effects on Swallowing: Kinematic Analysis in Three Dimensions Using Dynamic Area Detector CT. Dysphagia. 2018; 33(4):419–30.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1345
ECHOSCAN: UM SISTEMA OBJETIVO PARA AVALIAR A FADIGA AUDITIVA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A fadiga auditiva é considerada uma perda temporária da sensibilidade auditiva que ocorre devido à exposição a agentes otoagressores1. Em longo prazo, a fadiga auditiva pode ser considerada um sintoma precoce para o desenvolvimento da perda auditiva relacionada ao trabalho2. O sistema EchoScan avalia de forma objetiva a fadiga auditiva, testando o reflexo acústico da orelha média com ruído contralateral e permitindo estudar a fisiologia da orelha interna e média em um único conjunto de testes3,4. Objetivo: Verificar a aplicabilidade do Echoscan para a avaliação da fadiga auditiva em trabalhadores expostos a ruído e/ou solventes. Metodologia: O presente projeto foi submetido e aprovado pelo comitê de ética sob o parecer número 3.401.602 e CAEE: 10758719.5.0000.8040. Estudo de caráter transversal quantitativo foi realizado em indústrias gráficas localizadas na região sul do Brasil. Por meio da análise documental das audiometrias, foram selecionados os participantes normouvintes e realizados os seguintes procedimentos no momento pré jornada de trabalho: anamnese, inspeção do meato acústico externo e imitanciometria. Já as avaliações com o EchoScan foram realizadas nos momentos pré e pós jornada de trabalho em sala silenciosa. As avaliações pré jornada foram: DPgram, curva de crescimento das emissões otoacústicas evocadas – produto de distorção (Input/Output curve) e determinação do reflexo acústico da orelha média. Após 6 horas de jornada de trabalho, foi reavaliado o reflexo acústico da orelha média, sendo analisado de acordo com o protocolo do equipamento EchoScan, segundo a equação: Fadiga Auditiva = Limiar do Reflexo estapediano (LR) pós jornada - Limiar do Reflexo estapediano (LR) pré jornada cujos resultados da equação indicam: 1 – Fadiga auditiva: resultado ≥ 9dB; 2 – Possível Fadiga auditiva: resultado 3dB ≤ LRpós-LRpré ≤ 6dB; 3 – Não indicativo de Fadiga auditiva: resultado ≤ 0dB. Resultados: Participaram do estudo 32 trabalhadores normoouvintes, sendo 17 expostos à ruído e solventes (grupo experimental), com média de idade de 32,94 anos e 15 não expostos (grupo controle), com média de idade de 34,66 anos. Os trabalhadores do grupo experimental apresentaram média do resultado do EchoScan de 4,58dB±6,8, sendo o mínimo de resposta -9dB e o máximo 24dB. A média de resposta desse grupo indicou possível fadiga auditiva. Já o grupo controle apresentou média de resposta de -0,6dB±4,56, mínimo -6dB e máximo 9dB, não indicando fadiga auditiva. Conclusão: O EchoScan demonstrou ser uma ferramenta que possibilita a detecção da fadiga auditiva de forma objetiva, sendo indicada sua aplicação na prevenção da perda auditiva relacionada ao trabalho, nos programas de preservação auditiva, especialmente no acompanhamento auditivo de trabalhadores expostos a ruído e/ou agentes ototóxicos.

1-Venet T, Bey A, Campo P, Ducourneau J, Mifsud Q, Hoffmann C, Thomas A, Mouzé-Amady M, Parietti-Winkler C. Auditory fatigue among call dispatchers working with headsets. IJOMEH 2018, 31(2), p. 217-226
2 - DING T, YAN A, LIU K. What is noise-induced hearing loss? British Journal of Hospital Medicine. 2019 Set, 80(9), p.525-529.
3-Campo P, Maguin K, Lataye R. Effects of aromatic solvents on acoustic reflexes mediated by central auditory pathways. Toxicological Sciences, 2007 Jul, 99 (2), p. 582-590.
4-Venet T, Campo P, Rumeau C, Eluecque H, Parrieti-Winkler C. EchoScan: A new system to objectively assess peripheral hearing disorders. Noise and Health, Medknow Publications, 2012, set-out; 14 (60), p.253-259.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
975
EDUCAÇÃO CONTINUADA EM FONOAUDIOLOGIA: UMA PRÁTICA DESENVOLVIDA EM UMA MACRORREGIÃO DE SAÚDE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Práticas fonoaudiológicas
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A educação continuada é um meio de aprendizagem sistematizada, uma forma de apoio ao desenvolvimento de competências profissionais e atualização de conhecimentos1. Na área da saúde, a prestação de um atendimento bem-sucedido e de um tratamento eficaz está intimamente relacionada à contínua qualificação profissional2. No caso dos profissionais atuantes nos serviços públicos do Sistema Único de Saúde (SUS), tal qualificação pode ser ofertada por gestores locais e/ou regionais por meio de momentos de encontro entre pares para aprimoramento dos diversos conteúdos que integram as áreas de conhecimento, visando melhorar o cuidado dispensado aos usuários da rede SUS. Objetivo: relatar a prática de educação continuada em fonoaudiologia em uma macrorregião de saúde do Estado do Rio Grande do Sul (RS). Método: abordagem descritiva da organização e conteúdos abordados nos dos encontros de educação continuada em fonoaudiologia. Resultado: a proposta de desenvolvimento dos encontros de educação continuada em fonoaudiologia partiu do Núcleo de fonoaudiologia de uma das Coordenadorias Regionais de Saúde pertencentes à referida macrorregião. Iniciaram no ano de 2015 e têm sido destinados aos atuais 38 fonoaudiólogos atuantes no SUS dos municípios de abrangência de uma macrorregional de saúde do RS que contempla 43 municípios. Entre os anos de 2015 e 2019, foram realizados nove encontros, uma média de dois eventos ao ano. As dinâmicas ocorreram por meios de palestras, discussões de casos clínicos e em grupo para estruturação de fluxos de encaminhamento na rede de saúde. Os profissionais que ministraram os encontros foram convidados a fazê-los voluntariamente, tendo participado, neste período, professores universitários, profissionais autônomos e representantes de Conselho de Classe profissional. A seleção dos temas abordados parte do próprio grupo de fonoaudiólogos participantes a partir das suas demandas de trabalho em seus municípios. Os assuntos explanados no período foram: i) mascaramento em audiologia clínica; ii) terapia fonoaudiológica do processamento auditivo; iii) consciência fonológica; iv) fluxo da rede de atendimento de saúde; v) atuação fonoaudiológica em pacientes disfágicos; vi) o papel e a abrangência da atuação fonoaudiológica na rede pública de saúde abordando o trabalho com a realidade municipal e os parâmetros assistenciais; vii) atribuições do fonoaudiólogo na atenção à saúde das pessoas; viii) condições crônicas de saúde e o cuidado em fonoaudiologia nos diferentes níveis do SUS; ix) desenvolvimento infantil em risco; x) abordagens terapêuticas para a dislexia. Formou-se, a partir dos encontros, uma rede de apoio técnico-profissional entre os fonoaudiólogos desta macrorregião, com interação e trocas de informações através de rede social, permitindo um contínuo aprimoramento ao exercício cotidiano da profissão. Conclusão: a prática da educação continuada em fonoaudiologia contribuiu substancialmente para a qualificação técnica de fonoaudiólogos de uma macrorregião de saúde do RS. Segundo relato dos participantes, os temas discutidos impactaram de forma positiva nas suas atuações clínico-assistenciais. Além disso, houve a formação de uma rede de apoio com interação constante entre os membros da categoria.

1. Gatti BA. Análise das políticas públicas para formação continuada no Brasil, na última década. Rev Bras Educ 2008; 13(37):57-70.

2. Batista KBC, Gonçalves OSJ. Formação dos profissionais de saúde para o SUS: significado e cuidado. Saúde Soc 2011; 20(4):884-899.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1186
EDUCAÇÃO E SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM DISFAGIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia representa importante impacto à saúde, podendo incorrer em desnutrição, infecção do trato respiratório e risco de óbito(1,2). O diagnóstico e tratamento dos transtornos da alimentação necessitam de atenção interdisciplinar especializada(3). Em meio à crescente necessidade de assistência na região, o Projeto de Extensão em Disfagia (PED) foi desenvolvido, a fim de oferecer um serviço de referência no tratamento das disfagias de ordem neurogênica, mecânica e psicogênica destinado a crianças, adultos e idosos, com ações vinculadas ao ensino e à pesquisa científica. Objetivo: Relatar a experiência de profissionais e estudantes da saúde, vinculados ao PED em uma universidade pública. Método: O PED foi desenvolvido de março de 2018 a novembro de 2019, em uma clínica-escola (4h/semanais) e em hospital universitário vinculado (4h/semanais), perfazendo 32h mensais. Participaram do projeto: 8 professores do curso de Fonoaudiologia e 2 professores otorrinolaringologistas do curso de medicina; 10 discentes do curso de Fonoaudiologia, 1 Residente em Nutrição e 1 Doutoranda da pós-graduação em odontologia. Foram disponibilizadas duas salas de atendimento e observação, por meio de espelho espião para prática de supervisão. As sessões tiveram duração média de trinta minutos e entre elas, foram discutidos os casos clínicos. Resultados: O PED possibilitou: 1. A reabilitação de 54 indivíduos, triagem de risco em 23 indivíduos, videoendoscopia da deglutição (VED) em 33 pacientes com queixa de disfagia, avaliação nutricional nos pacientes com redução na ingestão alimentar e adaptação de próteses maxilares em 12 pacientes submetidos a maxilectomia, secundária a neoplasia oral. A reabilitação foi realizada por meio de técnicas tradicionais e uso complementar de tecnologias segundo indicação: bandagem elástica, Eletromiografia de superfície, biofeedback eletromiográfico e luz de baixa intensidade; 2. Realização de pesquisa científica vinculada a trabalho de conclusão de curso de graduação, intitulado: “Contribuições da terapia com luz de baixa intensidade para redução da sialorreia em crianças com dano encéfalo crônico”, CAAE/34054920.1.0000.5208; 3. Ampliação do ensino com a prática de discussão de casos clínicos, observação, atendimento dos casos e registros em prontuário, apresentação de seminários e acompanhamento da VED e 4. Promoção da campanha da disfagia e a promoção à saúde por meio da campanha “Semana em Atenção ao dia da Disfagia” que teve o objetivo de difundir o conceito da disfagia, sinais e sintomas, meios diagnósticos e possibilidades de tratamento. As ações aconteceram na Clínica-Escola, enfermarias, hall e serviço de neurologia de um hospital-escola, além de entrevistas na Rádio Universitária e realização do Simpósio em Atenção ao Dia da Disfagia, com o envolvimento de 72 profissionais da área de saúde. Portanto, o PED beneficiou pacientes com diagnóstico de disfagia, o ensino acadêmico, a pesquisa científica e os discentes puderam vivenciar diversas doenças de base, no âmbito multiprofissional possibilitando maior conhecimento e apropriação de créditos curriculares, favorecendo formação integral, com vivência dos métodos de diagnóstico e reabilitação tradicionais e tecnológicos. Conclusão: O PED beneficiou a reabilitação e reintegração social de pessoas com transtornos na deglutição, favoreceu a promoção e prevenção em saúde, fomentou a pesquisa científica, contribuindo com a formação acadêmica em perspectiva integral.

1 Zuercher P, Moret CS, Dziewas R, Joerg C. Schefold JC. Dysphagia in the intensive care unit: epidemiology, mechanisms, and clinical management. Critical Care.2019; 23:103.https://doi.org/10.1186/s13054-019-2400-2.
2 Robertson J et al. People With Intellectual Disabilities and Dysphagia. Disabil Rehabil. 2018; J40(11):1345-1360.
3 Velayutham P et al. Silent Aspiration: Who Is at Risk? Laryngoscope. 2018; 128(8):1952-1957.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1712
EFEITO DA CORRENTE AUSSIE NA VOZ DE MULHERES ADULTAS SEM QUEIXAS: ANÁLISE ACÚSTICA NÃO LINEAR.
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução:A análise cepstral é uma alternativa atual e tem sido considerada confiável para avaliações de vozes, se comparada com as medidas tradicionais(1)além de apontar fortes predições de desvio voca(1-3). A estimulação elétrica laríngea vem sendo utilizada na prática clínica fonoaudiológica visando ao relaxamento da região cervical(4-6) e aponta modificação em parâmetros acústicos.Tem-se a hipótese de que após o uso da corrente Aussie de média frequência haverá mudança na qualidade vocal. Objetivo: Comparar os resultados pré e pós aplicação da corrente Aussie na qualidade vocal de mulheres adultas.Metodologia: O projeto foi aprovado pelo Comitê de ética em pesquisa da unidade universitária (parecer número:2.670.186). Participaram 10 mulheres, entre 18 a 30 anos de idade (média = 21,6 anos), sem queixas vocais. Todas foram submetidas a eletroestimulação com corrente Aussie (Frequência de 4kHz; burst de 4 milissegundos; frequência de modulação dos bursts de 100 a 120Hz e intensidade variável entre 1 a180 mA de acordo com o limiar e conforto do voluntário, durante 20 minutos e sentadas confortavelmente. Foram colocados dois pares de eletrodos auto-adesivos, medindo de 3,0cm x 3,0cm, um de cada lado, na região da quilha da laringe(4) e outros dois pares na região cervical nos ventres dos músculos trapézios direito e esquerdo, medindo 5,0cm x 5,0cm. Foram realizadas gravações da vogal /a/ sustentada imediatamente antes e após a aplicação da estimulação elétrica, em cabine acústica, utilizando gravador digital MARANTZ,modelo PMD600 e microfone Sennheiser modelo e395, posicionado a cinco cm de distância da boca da participante. Foi utilizada a medida CPPs (Cepstral Peak Proeminence-Smoothed) para extração da análise acústica não linear, por meio de um script do software PRAAT(7). Foi utilizado o teste de amostras emparelhadas para a comparação entre os dois momentos da intervenção, utilizado para a comparação das vozes entre sexo, nível de significância p<0,05. Resultado: A medida média do CPPs pré intervenção com a corrente Aussie foi 15,929dB e a do momento pós intervenção foi 15,717dB, sem diferença significativa entre os momentos (p=0,728). Os valores de CPPs encontrados neste estudo corroboram a literatura que apontou valores semelhantes para este tipo de emissão em mulheres adultas. Conclusão: A aplicação da corrente Aussie não mostrou efeito imediato na qualidade de mulheres sem queixas vocais. A medida CPPs se mostrou semelhante a valores mencionados pela literatura para mulheres adultas. Estudos mais robustos devem ser realizados, com maior número de participantes e também em mulheres com queixas vocais.



1- Lopes LW et al. Cepstral measures in the assessment of severity of voice disorders. CoDAS 2019;31(4):e20180175

2-Awan SN, Roy N, Dromey C. Estimating dysphonia severity in continuous speech: application of a multi-parameter spectral/cepstral model. Clin Linguist Phon. 2009;23(11):825-41.

3 - Wolfe VI, Martin DP, Palmer CI. Perception of dysphonic voice quality by naïve listeners. J Speech Hear Res.2000;43(3):697-705.

4 – Fabron EMG, Petrini AS, Cardoso VM; Batista JCT, Motonaga SM, Marino VCC. Efeitos imediatos da técnica de vibração sonorizada de língua associada à estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS). CoDAS. 2017; 29: p.e2015311.

5- Santos JKO, Gama ACC, Silvério KKA, Oliveira NFCD. Uso da eletroestimulação na clínica fonoaudiológica: uma revisão integrativa da literatura. Rev CEFAC. 2015; 17(5):1620-32

6- Mansuri B, Torabinejhad F,Jamshidi AA, Dabirmoghaddam P, Gharamaleki BV, Ghelichi L. Transcutaneous electrical nerve stimulation combined with voice therapy in women with muscle tension dysphonia. J Voice,2018.34(3):11-490.

7- Boesma, Paul. Praat: doingphoneticsbycomputer. http://www.praat. org/, 2006..


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1520
EFEITO DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NO TRATAMENTO DAS DISFONIAS: REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Estudos demonstram que a Estimulação Elétrica Neuromuscular (EENM) induz movimentos significativos das pregas vocais e provoca alterações na maioria das características acústicas avaliadas (1,2) e a Estimulação Elétrica Transcutânea (TENS) quando associada ao exercício vocal resulta em sensação de maior estabilidade na emissão vocal e ganho na qualidade vocal (3). No entanto, há necessidade de investigar a efetividade do uso deste recurso para o tratamento das disfonias disponíveis na literatura.
Objetivo: Investigar na literatura o estado da arte sobre qual o efeito da estimulação elétrica no tratamento das disfonias.
Métodos: Foram pesquisadas as publicações indexadas nas bases de dados Medline, LILACS, PubMed, Web of Science e Scielo, de novembro de 2019 à janeiro de 2020 em inglês e português. Foram incluídos artigos originais do tipo experimental com grupo controle abordando o tratamento da disfonia com estimulação elétrica em seres humanos, sem limites de idade, sexo ou raça. Excluímos teses, editoriais, comentários e opiniões, artigos de reflexão, estudos de caso, estudos experimentais com animais, modelos, projetos, relatórios e relatórios técnicos, artigos de revisão, bem como artigos abordando outras alterações que não estavam relacionados à disfonia. Após a busca nas bases de dados foram encontrados 3.537 artigos e após os critérios de inclusão e exclusão 11 artigos foram analisados na íntegra.
Resultados: Os artigos encontrados avaliaram os efeitos na estimulação elétrica neuromuscular (EENM) e da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) nas disfonias causadas por paralisia de prega vocal (n=5), na disfonia espasmódica (n=1), em pacientes com nódulos em pregas vocais (n=4) e nas disfonias comportamentais (n=1). A EENM foi aplicada com finalidade de contração muscular (n=6) e a TENS para promover alívio da dor e relaxamento muscular (n=5). De acordo com a análise metodológica dos artigos por meio da escala PEDro o escore médio foi 5,18 e os estudos foram considerados de alta qualidade (n=3) ou qualidade razoável (n=8). Os resultados indicaram que a estimulação elétrica teve um efeito terapêutico em vários aspectos da disfonia, porém devido ao alto risco de viés e à heterogeneidade dos estudos não é possível estabelecer a efetividade da eletroestimulação no tratamento das disfonias.
Conclusão: A estimulação elétrica tem sido estudada para auxiliar o tratamento de diversos casos de disfonia e embora essa abordagem pareça ser promissora seu uso como terapia de reabilitação convencional no tratamento da disfonia baseado em evidências não pôde ser conclusiva devido à fragilidade metodológica e a heterogeneidade dos estudos.

1. Seifpanahi S, Izadi F, Jamshidi A-A, Shirmohammadi N. Effects of transcutaneous electrical stimulation on vocal folds adduction. Eur Arch Oto-Rhino-Laryngology. 2017;(5).
2. Seifpanahi S, Izadi F, Jamshidi A-A, Torabinezhad F, Sarrafzadeh J, Mohammadi S. Role of the Internal Superior Laryngeal Nerve in the Motor Responses of Vocal Cords and the Related Voice Acoustic Changes. Iran J Med Sci. 2016;41(9):374–81.
3. Fabron EMG, Petrini AS, Cardoso V de M, Batista JCT, Motonaga SM, Mariano VC de C. Immediate effects of tongue trills associated with transcutaneous electrical nerve stimulation ( TENS ). CoDAS. 2017;29(3):1–9.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1113
EFEITO DA FOTOBIOMODULAÇÃO NA ATIVIDADE ELÉTRICA, TEMPERATURA SUPERFICIAL DA MUSCULATURA SUPRA E INFRA-HIOIDEA E VOZ DE UMA PACIENTE COM DISFONIA HIPERFUNCIONAL: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A disfonia hiperfuncional é considerada o tipo mais frequente de disfonia ocupacional, sendo caracterizada pela tensão vocal desencadeada pelo desequilíbrio da musculatura do complexo hiolaríngeo1. A terapia inclui tanto a conscientização sobre os hábitos vocais saudáveis quanto técnicas vocais no intuito de corrigir postura, promover relaxamento da musculatura laríngea e região cervical, promover controle respiratório, coaptação glótica eficiente e equilíbrio ressonantal, além da melhora da articulação e redução dos sintomas vocais2,3. Nesse sentido, a fotobiomodulação surge como alternativa para tratamento complementar devido sua ação analgésica, anti-inflamatória e biomoduladora das funções fisiológicas celulares4,5. Objetivo: Relatar o caso de uma paciente com disfonia hiperfuncional submetida à fotobiomodulação e seu desfecho para temperatura, atividade elétrica da região supra e infra-hióidea e voz. Método: Trata-se de um relato de caso de caráter descritivo, aprovado pelo comitê de ética e pesquisa sob o parecer nº 3.436.910. O estudo foi realizado com uma paciente do sexo feminino, 53 anos, professora, com diagnóstico otorrinolaringológico de nódulos vocais. O laser de baixa intensidade (comprimento de onda de 808 nm, potência de 100mW, área 0,043 cm2 e fluência de 139,52 J/cm2) foi aplicado na musculatura extrínseca da laringe (dois pontos em cada hemilaringe) e na musculatura supra-hióidea (quatro pontos distribuídos de forma proporcional entre corpo de osso hioide e as bordas internas do corpo da mandíbula), utilizando a energia de 6J com tempo de irradiação de 60 segundos em cada ponto e energia total de 24J por região, aplicado durante seis sessões (1x/semana) e realizado antes dos exercícios vocais propostos pelo PIRV (Programa Integral de Reabilitação Vocal). A paciente foi avaliada no início do tratamento, na metade e ao final, após concluído as seis sessões. Para tanto, foram avaliadas a temperatura da região cervical pela Termografia, a atividade elétrica muscular pela Eletromiografia de Superfície (EMGs) e a análise perceptivo auditiva e acústica da voz durante emissão da vogal /e/ sustentada e contagem de 20 a 30 pela GRBASI e pela voxmetria, respectivamente. Resultados: Foi observado temperatura média da região cervical de 33,2ºC, sendo a variação da temperatura entre a região supra e a região infra-hióidea de -0,4 pré e de -0,1 pós programa terapêutico. Houve redução nos valores de EMGs (normatizados pela CVM), com simetria entre musculatura infra-hióidea direita e esquerda após término do programa (Infra direito: 8.9%; 5.23%; 2.32% e Infra esquerdo: 4.58%; 4.42%; 2.44%, respectivamente nas avaliações inicial, metade e final do tratamento). Já no que se refere à avaliação perceptivo-auditiva, a paciente apresentou evolução do grau geral da disfonia de moderada para leve e, quanto aos parâmetros acústicos, os valores de Jitter, Shimmer e irregularidade, alterados na avaliação inicial, foram reestabelecidos aos padrões de normalidade após conclusão do tratamento. Conclusão: Houve melhora quanto aos aspectos de temperatura, atividade elétrica muscular (redução e simetria) e parâmetros vocais, sugerindo valor de relevância à aplicação da fotobiomodulação associada à terapia tradicional na evolução do caso.

1.Kosztyła-Hojna B, Kuryliszyn-Moskal A, Rogowski M, Moskal D, Dakowicz A, Falkowski D.The impact of vibratory stimulation therapy on voice quality in hyperfunctional occupational dysphonia. Otolaryngol Pol. 2012; 66(3):219-26.
2.Pereira GC, Lemos IO, Gadenz CD, Cassol M. Effects of Voice Therapy on Muscle Tension Dysphonia: a Systematic Literature Review. J Voice. 2018;32(5): 546-552.
3.Guzman M et al. Do Different Semi-Occluded Voice Exercises Affect Vocal Fold Adduction Differently in Subjects Diagnosed with Hyperfunctional Dysphonia? Folia Phoniatr Logop. 2015; 67(2):68-75.
4.Gomes CF, Schapochnik A. O uso terapêutico do LASER de Baixa Intensidade (LBI) em algumas patologias e sua relação com a atuação na Fonoaudiologia. DistúrbComum. 2017; 29(3):570-578.
5.Melchior MO, Machado BCZ, Magri LV, Mazzetto MO. Efeito do tratamento fonoaudiológico após a laserterapia de baixa intensidade em pacientes com DTM: estudo descritivo. CoDAS. 2016; 28 (6): 818-822.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
822
EFEITO DA LASERTERAPIA NO TRATAMENTO DA NEURALGIA DO TRIGÊMEO: RELATOS DE CASOS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A Neuralgia do Trigêmeo (NT) é uma dor crônica caracterizada por crises frequentes, unilaterais semelhantes a choques elétricos, ardência ou pontada, que percorre à distribuição de uma ou mais divisões do nervo trigêmeo, desencadeada por estímulos não nocivos1. A patologia desenvolve alterações nas funções estomatognáticas referente a fala e a mastigação, resultando em um padrão mastigatório ineficiente e, por vezes, com preferência pelo lado sadio da face. Indivíduos com NT evitam falar já que este é também um fator desencadeante de crise. Há um forte impacto na qualidade de vida, trazendo limitação física e psicossocial2,3. Pode se desenvolver sem causa aparente ou secundário a outros distúrbios4. OBJETIVO: Relatar três casos clínicos de pacientes com diagnóstico de NT submetidos à tratamento com laser de baixa Potência (LBP). METODOLOGIA: Participaram do estudo 3 voluntários que foram submetidos a uma anamnese e aos protocolos OHIP 14 – Questionário de qualidade de vida oral5, EVA – Escala Visual Analógica6, protocolo IDATE – Inventário da Ansiedade Traço-Estado7, SRQ 20 – SELF REPORT QUESTIONNAIRE8. O protocolo de laser consistiu na aplicação de 8 J de dose, com comprimento de onda infravermelho (808 nm) e Potência de 100 mW9. A aplicação foi pontual e de contato, seguindo a anatomia topográfica dos ramos do nervo afetado, a partir do gânglio trigeminal percorrendo o caminho do nervo com distância de 1 cm de um ponto para outro. Foram realizadas 12 sessões, duas vezes na semana. A primeira sessão de avaliação, na sequência, dez sessões de laserterapia finalizando com uma reavaliação. RESULTADOS: Os casos (C1, C2, C3) apresentaram diminuição da dor após tratamento com LBP. Os participantes referiram intensidade de dor 10 no pré-tratamento (pré-T) e no pós-tratamento (pós-T) relataram intensidade de dor 0, conforme a EVA. No teste SRQ 20 as respostas acima de 7 afirmativas demostram alteração e comprometimento emocional, no pré-T todos casos apresentavam altos níveis de alteração emocional (C1=16, C2=9, C3=11) já no pós-T o resultado mostra baixo nível de comprometimento emocional (C1=1, C2=0, C3=3). No protocolo IDATE quando o escore das duas escalas for maior que 41 pontos considera-se o indivíduo com alta ansiedade, no pré-T todos os casos apresentavam alto nível de ansiedade C1 (T=80) (E=80), C2 (T=44) (E=55), C3 (T=60) (E=71) no pós-T os resultados apontaram redução do nível de ansiedade, indicando baixa ansiedade C1(T=30) (E=25), C2 (T=38) (E=39), C3 (T=33) (E=30). No questionário de qualidade de vida oral (OHIP14) quanto maior o escore total, pior é a percepção na qualidade de vida. A soma dos escores podem chegar até o valor máximo de 56 pontos. No pré-T os indivíduos indicam pior percepção da qualidade de vida oral (C1=41, C2=32, C3=43) e no pós-T (C1=9, C2=18, C3=9) todos referem uma melhor percepção da qualidade de vida oral. CONCLUSÃO: O LBP apresentou excelentes resultados nos três casos tratados, reduzindo o nível de dor, melhorando a qualidade de vida, o comprometimento emocional e ansiedade, promovendo a readequação das funções de mastigação e fala.

1. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia 2018;38:1–211.

2. Siqueira JTT, Teixeira MJ. Dor Orofacial: Diagnóstico, Terapêutica e Qualidade de vida. Curitiba, Ed. Maio, 2001, p.15.

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6. Martinez JE, Grassi DC, Marques GL. Análise da aplicabilidade de três instrumentos de avaliação de dor em distintas unidades de atendimento: ambulatório, enfermaria e urgência. Rev. Bras. Reumatologia. 2011;51(4):304-8.

7. Almeida AAF, Behlau M, Leite JR. Correlação entre ansiedade e performance comunicativa. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011; 16(4):384-9. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011000400004

8. Almeida, LNA et al. Características vocais e emocionais de professores e não professores com baixa e alta ansiedade. Audiol., Commun. Res. [online].2014,vol.19,n.2,pp.179185.ISSN23176431.http://dx.doi.org/10.15 90/S2317 64312014000200013.

9. Huang YY, Hamblim MR. Interação Laser-Tecido Biológico e Princípios de Dosimetria. In: Garcez AS, Ribeiro MS, Núñez SC. Laser de baixa potência princípios básicos e aplicações clínicas na odontologia. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. p. 14-26.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
274
EFEITO DA MÚSICA SOBRE O CONTROLE AUTONÔMICO CARDÍACO E FLUÊNCIA EM INDIVÍDUOS COM GAGUEIRA.
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A gagueira é um distúrbio complexo com base neurobiológica, com muitos impactos na vida do falante. A fluência do indivíduo que gagueja pode melhorar com alguns fatores, como o canto, a retroalimentação auditiva atrasada, a leitura em coro entre outros. Sabe-se que, a música tem como efeito característico a ativação do sistema nervoso parassimpático e redução do sistema nervoso simpático, além de redução da frequência cardíaca. A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) é um método bem reconhecido pela literatura que analisa a regulação cardíaca autonômica. Objetivo: Analisar os efeitos da música sobre a fluência e o controle autonômico da frequência cardíaca em indivíduos com gagueira. Metodologia: Aborda um estudo observacional prospectivo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição (Parecer N° 0385/2011). O estudo foi realizado com 10 indivíduos de ambos os sexos na faixa etária entre 7 a 27 anos com diagnóstico de gagueira do neurodesenvolvimento persistente. Para participar da pesquisa foram estabelecidos os seguintes critérios : diagnóstico fonoaudiológico de gagueira neurodesenvolvimental persistente por profissional especialista da área, sendo que o início do distúrbio deve ter ocorrido na infância para caracterizá-lo como do neurodesenvolvimento, mínimo de 3% de disfluências típicas da gagueira, escore de, pelo menos, 11 pontos no Instrumento de Gravidade da Gagueira (Stuttering Severity Instrument – SSI-3) (RILEY,1994). No primeiro dia eles passaram por uma avaliação da fluência e análise da variabilidade da frequência cardíaca (VFC), e em seguida foram expostos á música através do fone de ouvido por 10 minutos e após foi realizado um novo teste de fluência e uma nova variabilidade da frequência cardíaca. No segundo dia eles passaram novamente pelo teste de fluência e análise da variabilidade da frequência cardíaca (VFC), e em seguida permaneceram com o fone de ouvido desligado por 10 minutos e após foi realizado um novo teste de fluência e uma nova variabilidade da frequência cardíaca (VFC). Resultados: Constatou que não houve diferença estatística na comparação entre os parâmetros da fluência: frequências de disfluências típicas da gagueira, outras disfluências e total das disfluências, fluxos de sílabas e de palavras por minuto, entre as amostras de fala pré e pós silêncio, e pré e pós música. Os escores do Instrumento de Gravidade da Gagueira também não revelaram alterações significante nas duas condições analisadas . Não foi encontrado nenhum efeito significante , na raiz quadrada da média do quadrado das diferenças entre intervalos RR normais adjacente (RMDSSD), na banda de alta frequência e no desvio-padrão dispersão dos pontos perpendiculares à linha de identidade no plot de Poincaré (SD1) entre as medidas de pré e pós silêncio, e pré e pós música. Conclusão: O estímulo auditivo musical não alterou a VFC nem a fluência, com isso os efeitos do silêncio e da música do estilo clássico foram similares.



Daliri, A; Wieland, EA; Cai, S; Guenther FH; Chang SE. Auditory-motor adaptation is reduced in adults who stutter but not in children who stutter. Developmental Science, v. 21, n. 2 p. 1-11, 2017.
Riley, G. The stuttering severity instrument for adults and children (SSI-4) (4th ed.). Austin, TX: PRO-ED, 2009.
TASK FORCE OF THE EUROPEAN SOCIETY OF CARDIOLOGY AND THE NORTH AMERICAN SOCIETY OF PACING AND ELECTROPHYSIOLOGY. Heart rate variability: standards of measurement, physiological interpretation and clinical use. Circulation, v. 93, n. 5, p. 1043-1065, 1996.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2020
EFEITO DA TÉCNICA COM TUBO DE RESSON NCIA FLEXÍVEL NA GEOMETRIA OROFARÍNGEA E VOZ DE CANTORES
Trabalho científico
Voz (VOZ)


RESUMO
Introdução: Os exercícios vocais com tubo de ressonância flexível trazem efeitos positivos na voz; porém, o entendimento sobre tais efeitos nos ajustes de trato vocal de cantores pode auxiliar no atendimento a essa população, que necessita manipular as potencialidades de tais ajustes, com menor risco à voz e maior efetividade para o canto1-5. A faringometria acústica é uma técnica quantitativa que permite a avaliação geométrica da cavidade orofaríngea por meio de um sinal acústico refletido após ter sido emitido pelo equipamento para o interior da cavidade oral, por meio de um tubo6. As medidas são analisadas por alterações na intensidade e pelo tempo de chegada da onda reflexa e permite medidas em tempo real da cavidade analisada, sem uso de radiação, pela análise das três dimensões (área, distância e volume), com boa acurácia e reprodutibilidade, além de ser um método não invasivo. Assim, buscou-se verificar o efeito imediato do tubo de ressonância flexível em água sobre a geometria orofaríngea de cantores com e sem sintomas vocais. Método: Sob aprovação do Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos de uma universidade pública, número de parecer 2.489.740, participaram 10 cantores adultos, divididos em dois grupos: com (n=5) e sem (n=5) sintomas vocais, avaliados por meio da Escala de Sintomas Vocais e pareados por sexo e média de idade. Todos realizaram o exercício do tubo de Ressonância Flexível com a emissão sonorizada e contínua da vogal /u/ em loudness habitual na nota musical Dó3, de forma confortável, por três minutos. Os participantes foram submetidos à análise da geometria orofaríngea por meio da faringometria acústica, pré e pós exercício vocal. Para testagem da normalidade da amostra foi aplicado o teste de Shapiro-Wilk; para comparação entre os grupos, aplicou-se o Teste t de Student para amostras independentes ou Mann-Whitney, quando a distribuição não era normal e na comparação entre os momentos pré e pós-técnica, o Teste t de Student para amostras relacionadas ou Wilcoxon, quando a distribuição não era normal, sempre considerando o nível de significância em 5%. Resultados: Embora na análise individual dos sujeitos tenham sido encontradas diferenças de até 26,76cm3 após a técnica, nas medidas de volume do trato vocal, na análise da amostra, por grupos, não houve diferença nas variáveis faringométricas estudadas, nem entre os grupos com e sem sintomas e nem entre os momentos pré e pós-técnica. Conclusão: a geometria orofaríngea não foi influenciada pelo exercício com tubo de ressonância flexível em água, nos cantores com e sem sintomas vocais. Considera-se que, em cantores treinados, os efeitos dos exercícios com tubos sobre a geometria orofaríngea sejam detectados após um tempo maior de treino e com variações tonais, o que deve ser considerado em estudos futuros.


1. Badurek ES. et al. Combined Functional Voice Therapy in Singers With Muscle Tension Dysphonia in Singing. J Voice, 2017; 31(4): 509.e23–509.e31.
2. Dargin TC, Searl, J. Semi-Occluded Vocal Tract Exercises: Aerodynamic and Electroglottographic Measurements in Singers. J Voice, 2015; 29(2): 155-64.
3. GUZMAN, M. et al. Computerized Tomography Measures During and After Artificial Lengthening of the Vocal Tract in Subjects With Voice Disorders. J Voice, 2016; 31 (1): 124.e1–124.e10.
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5. Yamasaki R. Vocal Tract Adjustments of Dysphonic and non-Dysphonic Women Pre- and Post-Flexible Resonance Tube in Water Exercise: A Quantitative MRI Study. J Voice 2017; 31 (4): 442-54.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1487
EFEITO DA TERAPIA VOCAL ASSOCIADA À TENS EM MULHERES COM DISFONIA COMPORTAMENTAL
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) é utilizada como recurso terapêutico auxiliar na reabilitação de pacientes com disfonia comportamental e seus efeitos têm impacto tanto nos aspectos musculares como nos aspectos vocais (1–6). Entretanto, os estudos prévios não realizaram intervenção vocal associada a estimulação elétrica (2,4–6), avaliaram apenas os aspectos musculares (3) ou fizeram a avaliação após uma única aplicação do estímulo associada ao exercício (1).
Objetivo: O objetivo deste estudo é investigar qual o efeito da terapia vocal associada à TENS em mulheres com disfonia comportamental.
Métodos: O estudo foi aprovado pelo comitê de ética sob n° 2.796.053 e todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Trata-se de um ensaio clínico cego randomizado com mulheres com disfonia comportamental de 18 à 60 anos dividas em dois grupos. O grupo experimental recebeu aplicação da TENS associada à terapia vocal de acordo com o Programa Integral de Reabilitação Vocal (PIRV) e o grupo placebo recebeu TENS placebo associada à terapia vocal seguindo o mesmo programa. Todas as participantes realizaram oito sessões de acompanhamento, sendo a primeira e a última sessão de avaliação e seis sessões de terapia. Os desfechos avaliados foram a auto percepção vocal por meio do protocolo Índice de Desvantagem Vocal (IDV-10), avaliação perceptivo auditiva e acústica da voz, avaliação da atividade elétrica da musculatura supra e infra-hioidea e avaliação da temperatura superficial da musculatura supra e infra-hioidea. Foi realizada análise estatística utilizando o software STATA/SE 12.0
Resultados: Um total de 17 pacientes participaram do estudo, sendo oito do grupo experimental e nove do grupo placebo com idade média de 46,1 anos. O índice de desvantagem vocal apresentou redução apenas para o grupo placebo (p=0,002). A avaliação perceptivo auditiva e acústica da qualidade vocal não apresentaram diferença estatisticamente significante em ambos os grupos após a intervenção. Houve redução do percentual da atividade elétrica da musculatura infra-hioidea direita (p=0,036) e esquerda (p= 0,017) para o grupo experimental na emissão da vogal e fala encadeada (p=0,036). Apenas a musculatura infra-hioidea direita na emissão da vogal no grupo experimental teve aumento da temperatura após a intervenção (p=0,027) e houve redução quantitativa na diferença de temperatura entre a região supra e infra-hioidea para o grupo experimental.
Conclusão: A estimulação elétrica associada à terapia vocal promoveu redução da atividade elétrica da musculatura infra-hioidea e equilíbrio da temperatura entre a região supra e infra-hioidea em mulheres com disfonia comportamental.

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4. Mansuri B, Torabinezhad F, Jamshidi AA, Dabirmoghadam P, Vasaghi-Gharamaleki B, Ghelichi L. Application of High-Frequency Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation in Muscle Tension Dysphonia Patients With the Pain Complaint: The Immediate Effect. J Voice. 2019;(2):1–10.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1975
EFEITO DAS DIVERSAS ESTRATÉGIAS DE TRATAMENTO NA VOZ, FALA E DEGLUTIÇÃO NA ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa e não tem cura1. Afeta o corpo celular do neurônio motor e consequentemente todos os movimentos corporais dos indivíduos acometidos com essa doença2. Não sendo diferente com os movimentos necessários à execução das funções do sistema estomatognático como voz, fala e deglutição, cujas alterações prejudicam a comunicação e a alimentação dos pacientes3. O tratamento da doença é medicamentoso e multidisciplinar, visando o aumento da sobrevida com a melhor qualidade de vida possível para cada caso4. Objetivo: identificar e analisar os artigos que investigaram o efeito dos diversos tratamentos nas funções de voz, fala e deglutição na esclerose lateral amiotrófica. Método: A pergunta de pesquisa foi definida como: os diversos tratamentos causam algum efeito nas funções de voz, fala e deglutição na ELA? Em seguida foram definidos os termos para busca nas bases de dados. Dois pesquisadores independentes realizaram a busca nas seguintes bases de dados: Pubmed, Web of Science, Scopus, ASHA e Cochrane, entre os meses de dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Os termos utilizados na estratégia de busca foram: “amyotrophic lateral sclerosis”, “charcot disease”, “motor neuron disease, amyotrophic lateral sclerosis”, “Lou gehrig disease”, “gehrigs disease”, “ALS”, “speech therapies”, “therapy, speech”, “myofunctional therapy”, “voice training”, “myotherapy orofacial”, “Dysphagia/therapy”, “Dysphonia/therapy”, “Dysarthria/therapy”, “deglutition disorders/therapy”, “voice disorders/therapy”, “speech disorders/therapy”, “drug therapy”, “botulinum toxin”, “velopharyngeal insufficiency/surgery”, “pharyngeal muscles/surgery”, “randomized controlled trial”, “controlled clinical trial”, “randomized controlled trials”, “clinical trial”, “clinical trials”, “comparative study”, “follow-up studies”, “prospective studies”. Para os termos sinônimos, foi utilizado o operador boleano “OR” e para os termos que não eram sinônimos, o “AND”. Foram incluídos artigos primários, de intervenção, realizados em indivíduos adultos com ELA, na língua inglesa e sem restrições quanto ao tempo de publicação. Artigos com doenças associadas, artigos cujo desfecho esteja relacionado à auto-avaliação e à qualidade de vida, teses, dissertações, apenas abstracts disponíveis, estudos de caso, capítulos de livro, artigo de opinião, técnicos e diretrizes, comunicação breve e estudos pré-clínicos não foram incluídos no estudo. Após leitura do título e resumo, 16 artigos seguiram para análise. Resultado: como resultado desta revisão integrativa, 8 estudos não encontraram efeito nas funções de voz, fala e deglutição5;6;7;8;9;10;11;12. A deglutição manteve-se estável14;15. Foi observado melhora nos parâmetros da fala, como redução da frequência de pausa16, melhora na articulação17 e aumento da velocidade de fala16;18, bem como de deglutição17, apenas um estudo referiu melhora nos três parâmetros de voz, fala e deglutição19. Conclusão: observa-se que, segundo a maioria dos estudos, tratamentos medicamentosos não produzem efeito nas funções de voz, fala e deglutição.

1. Chieia MA, Oliveira ASB, Silva HCA, Gabbai AA. Amyotrophic lateral sclerosis: considerations on diagnostic criteria. Arq. Neuro-Psiquiatr. 2010 Dec; 68(6):837-842.
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3. Ruoppolo G, Schettino I, Frasca V, Giacomelli E, Prosperini L, Cambieri C et al. Dysphagia in amiotrophic lateral sclerosis: prevalence and clinical findings. Acta Neurol Scand. 2013 May;128(6):397-401. DOI:10.1111/ane.12136.
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5. Gredal O, Werdelin L, Bak S, Christensen P, Boysen, Gudrun et al. A clinical trial of dextromethorphan in amyotrophic lateral sclerosis. Acta neurologica Scandinavica. 1997; 96. 8-13. 10.1111/j.1600-0404.1997.tb00231.x.
6. A double-blind placebo-controlled clinical trial of subcutaneous recombinant human ciliary neurotrophic factor (rHCNTF) in amyotrophic lateral sclerosis. Neurology, 46(5), 1244–1244. doi:10.1212/wnl.46.5.1244
7. Ryberg, H., Askmark, H., & Persson, L. I. A double-blind randomized clinical trial in amyotrophic lateral sclerosis using lamotrigine: effects on CSF glutamate, aspartate, branched-chain amino acid levels and clinical parameters. Acta Neurologica Scandinavica. 2003; 108(1), 1–8. doi:10.1034/j.1600-0404.2003.00111.x
8. Beghi E, Chio A, Inghilleri M, Mazzini L, Micheli A, Mora G. et al. A randomized controlled trial of recombinant interferon beta-1a in ALS. Neurology 2000; 54(2), 469–469. doi:10.1212/wnl.54.2.469
9. Mazzini L, Testa D, Balzarini C, Mora G. An open-randomized clinical trial of selegiline in amyotrophic lateral sclerosis. Journal of Neurology. 1994; 241(4), 223–227. doi:10.1007/bf00863772
10. Meininger V, Bensimon G, Bradley WG, Brooks B R, Douillet P, Eisen A. et al. Efficacy and safety of xaliproden in amyotrophic lateral sclerosis: results of two phase III trials. Amyotrophic Lateral Sclerosis and Other Motor Neuron Disorders. 2004; 5(2), 107–117. doi:10.1080/14660820410019602


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1399
EFEITO DO BIOFEEDBACK ELETROMIOGRÁFICO NAS DISFONIAS COMPORTAMENTAIS: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Voz (VOZ)
57250000


Introdução: A disfonia é descrita como um distúrbio na comunicação, representado por qualquer alteração na emissão vocal, que dificulte ou impeça a produção natural da voz, devido ao desequilíbrio dos músculos responsáveis pela produção vocal, causando prejuízo ao indivíduo. Quando a etiologia da disfonia está relacionada ao uso vocal incorreto, elas são classificadas como comportamentais. O biofeedback eletromiográfico pode ser aplicado no tratamento das disfonias comportamentais, pois ele permite o registro da atividade elétrica de um músculo ou grupo de músculos, onde o indivíduo visualiza o funcionamento dos músculos, acompanhando de forma simultânea como sua musculatura se comporta em determinada ação. Objetivo: Identificar o efeito do biofeedback eletromiográfico nas disfonias comportamentais. Método: Este estudo trata-se de uma revisão integrativa, fundamentada através da pergunta norteadora “quais os efeitos do biofeedback eletromiográfico nos indivíduos com diagnóstico de disfonia comportamental?”. A pesquisa foi realizada no período entre maio e junho de 2020. A estratégia de busca realizada foi: “Eletromiografia’’ AND “Biofeedback” AND “Disfonia’’ AND “Voz” OR “Distúrbios da Voz". Foram realizadas buscas eletrônicas nas plataformas Biblioteca Virtual em Saúde e Google Scholar, além das bases de dados Scientific Electronic Library Online, Pubmed, Science Direct, Catálogo de Teses e Dissertações - Capes Periódicos e na Biblioteca Virtual Brasileira de Teses e Dissertações. Foram incluídos artigos originais, publicados nos últimos quatro anos, nos idiomas inglês e português. Os critérios de exclusão foram: revisão de literatura, revisão sistemática e artigos que não abordavam a disfonia comportamental. As etapas de análise dos estudos foram realizadas nesta ordem: leitura dos títulos, leitura do resumo e artigos completos. Resultados: Após o cruzamento dos descritores e aplicação dos critérios de inclusão supracitados foram encontrados 44 artigos e 6 teses. Após a aplicação dos critérios de exclusão, leitura dos títulos e resumos, foram encontrados 2 artigos e 4 teses. Entretanto, 3 teses estavam em duplicidade, restando 2 artigos e uma tese, que foram lidos na íntegra. Conclusão: Há indícios, apesar dos poucos estudos, que o Biofeedback Eletromiográfico associado à terapia vocal nas disfonias comportamentais traz um maior equilíbrio funcional da produção da voz, mas não foi possível analisar eficácia na melhora da qualidade vocal, em seu uso individualizado. Entretanto, há melhora da percepção corporal e do controle neuromuscular.

1. Amorim GO, Balata PMM, Vieira LG, Moura TS, Hilton J. Biofeedback em disfonia - progresso e desafios. Braz. j. otorhinolaryngol. [Internet]. 2018 Mar [cited 2020 July 10] ; 84( 2 ): 240-248. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-86942018000200240&lng=en. https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2017.07.006.

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5. Ribeiro VV, Vitor JS, Honório HM, Brasolotto AG, Silverio KCA. Biofeedback eletromiográfico de superfície para disfonia comportamental em adultos: uma revisão sistemática. CoDAS [Internet]. 2018 [citado 2020 em 30 de junho]; 30 (6): e20180031. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2317-17822018000600601&lng=en. Epub 29 de novembro de 2018. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20182018031.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
446
EFEITO DO ENVELHECIMENTO SOBRE A FUNÇÃO VESTIBULAR POR MEIO DO VEMP CERVICAL E OCULAR
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: os potenciais evocados miogênicos vestibulares (VEMP) são respostas eletrofisiológicas que conseguem fornecer informações dos órgãos otolíticos sáculo (cVEMP), utrículo (oVEMP) e do nervo vestibular1. Com o envelhecimento, alterações fisiológicas acontecem no sistema vestibular e estudos revelam a perda de células receptoras vestibulares e aferências primárias, perda de células ciliadas, diminuição do número de células do nervo vestibular e perda de neurônios no núcleo vestibular2,3. Estas mudanças morfológicas podem alterar o funcionamento do sistema vestibular e consequentemente os resultados de exames otoneurológicos4,5. Contudo, a literatura apresenta poucos estudos que relacionam os achados do VEMP com o envelhecimento5. Alguns estudos encontraram diminuição da amplitude de reposta e aumento da latência com o avanço da idade2,3. Entretanto, estes achados apresentam controversas na literatura5. Objetivo: verificar o efeito do envelhecimento sobre a função vestibular por meio do exame VEMP. Métodos: estudo transversal, observacional e analítico. Os procedimentos desta pesquisa foram aprovados pelo Comitê de Ética sob o nº 56877316.1.0000. 5149. A casuística foi composta por 63 indivíduos com a faixa etária entre 20 e 74 anos, de ambos os sexos, sem alterações otoneurológicas prévias autorrelatadas em questionário. Realizou-se a meatoscopia Mikatos® e timpanometria com o equipamento Otoflex 100 Otometrics®. A pele do participante foi preparada com gel para reduzir impedância elétrica antes da colocação de eletrodos e para a realização do VEMP cervical e ocular utilizou-se o equipamento de potenciais evocados auditivos da marca Otometrics®, modelo ICS Chartr EP 200, fones de inserção e eletrodos de superfície e autoadesivos. Os estímulos foram apresentados por meio de fones de inserção modelo ER 3A, com olivas de espuma descartáveis. Foram aceitas respostas obtidas com intensidade de contração muscular entre 50 e 200 µV. Foram aceitos valores de impedância abaixo de 5kOms e utilizado estímulo auditivo tone burst com intensidade inicialmente testada foi 95 dBNAn na frequência de 500Hz, monoaural. O participante foi submetido a, no mínimo, duas estimulações de cada lado, para verificar a replicação do potencial, depois iniciou-se a pesquisa do limiar reduzindo a intensidade do estímulo acústico de 5 em 5 dBNA até a ausência de resposta e considerou-se como limiar a menor intensidade onde foi encontrada resposta e esta replicou-se. A análise estatística foi realizada por meio do programa Statistical Package for Social Scienses (SPSS) versão 20.0, sendo adotado o nível de significância de 5% (p< 0,05), em todas as análises. Resultados: encontrou-se diminuição da amplitude bilateralmente em ambos os exames, aumento dos limiares de resposta no cVEMP e aumento das latências N10 esquerda e P16 direita no oVEMP. Conclusão: neste estudo verificou-se que com o envelhecimento houve diminuição da amplitude de respostas nos exames cVEMP e oVEMP bilateralmente. No exame cVEMP houve aumento do limiar de resposta bilateralmente e no oVEMP verificou-se aumento das latências N10 esquerda e P16 direita com o envelhecimento. Não encontrou-se diferença entre o índice de assimetria em ambos os exames com o aumento da idade.

1. Colebach JG, Halmagyi GM, Skuse NF. Myogenic potentials generated by a click-evoked vestibulocollic reflex. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1994;57:190-7.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
205
EFEITO DO MASCARAMENTO SIMULTÂNEO NO LIMIAR ELETROFISIOLÓGICO CORTICAL COM ESTÍMULO DE FALA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: A mudança no limiar sonoro na presença de outro estímulo subsequente, como um ruído de fundo, caracteriza um fenômeno chamado “mascaramento temporal”, porém modulações nesse ruído podem gerar uma melhor percepção das pistas acústicas de fala, quando comparado em situações que o ruído é contínuo, caracterizando o efeito de Masking Release, ou Benefício do Mascaramento Modulado (BMM). Objetivo: Analisar o limiar eletrofisiológico cortical com estímulo de fala diante do ruído estável e ruído modulado em jovens-adultos. Método: Trata-se de um estudo analítico transversal e observacional aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer 3.555.712. Participaram 12 indivíduos de 19 a 28 anos, de ambos os sexos e com audição normal. O exame de Potencial Evocado Auditivo Cortical foi realizado com o equipamento Inteligent Hearing Systems – IHS, modelo Opti-Amp 8008. O Potencial Cortical foi evocado com estímulo de fala sintética /ba/ simultaneamente ao ruído Speech Shaped Noise, sendo apresentado nas condições de ruído estável com intensidade forte de 65 dB NPS e ruído modulado em 25Hz, entre intensidades de 30 e 65 dB NPS e com período de modulação de 40 ms. O estímulo de fala /ba/ teve duração de 80 ms e foi calibrado com referência ao dB NPS de um tom contínuo de 1kHz, sendo apresentado em intensidade fixa de 65 dB NPS e taxa de apresentação de 3,8 estímulos por segundo. Eletrodos foram posicionados em Fpz (terra), Cz (positivo) e A1 e A2 (negativos), com impedância ≤ 5 kΩ. O estímulo /ba/ e o ruído foram apresentados de forma monoaural para a orelha direita via fone de inserção (ER2). Foi utilizado ganho de 100.000x e filtros entre 1 e 30 Hz com janela de gravação de 512 ms. O limiar eletrofisiológico foi pesquisado nas condições de ruído estável e ruído modulado, a partir da diminuição da intensidade do estímulo de fala /ba/ de 10 em 10 dB até o desaparecimento do complexo P1 N1 P2. Os dados foram analisados por meio do programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20.0, sendo utilizadas medidas estatísticas descritivas de média, desvio padrão e teste de comparação de Wilcoxon (p-valor <0,005). Resultados: A média do limiar eletrofisiológico para a condição de ruído estável com intensidade forte e na condição de ruído modulado foi de 60,9 (± 3,7) e 49,1 (± 7,3) dB NPS respectivamente, com significância estatística de p=0,003. O BMM foi mensurado a partir da diferença de limiares entre as duas condições de apresentação do ruído, sendo obtido uma média de 11,7 (± 6,3) dB inferior no ruído modulado. Conclusão: A menor média de limiar diante do ruído modulado pode indicar um menor efeito do mascaramento temporal na nesta condição, sendo o BMM uma medida que pode estar relacionada à habilidade de resolução temporal dos indivíduos. Essa medida pode ser apontada como um marcador da capacidade do indivíduo para a percepção da fala no ruído, podendo ser utilizada na avaliação da capacidade de processamento temporal bem em populações com alterações específicas das habilidades auditivas.


Tanner MA, Spitzer ER, Hyzy JP, Grose JH. Masking Release for Speech in Modulated Maskers: Electrophysiological and Behavioral Measures. Ear hear. 2018; 40: 1009-15.

Advincula KP, Menezes DC, Pacifico FA, Costa MLG, Griz, SMS. Efeito da idade no processamento auditivo temporal: beneficio da modulação do mascaramento e efeito do pós-mascaramento. Revista Audiology - Communication Research. 2018; 23.

Maamor N, Billings C. Cortical signal-in-noise coding varies by noise type, signal-to-noise ratio, age, and hearing status. Neurosci Lett. 2017; 636: 258-64.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1519
EFEITO DO MASCARAMENTO TEMPORAL NO FREQUENCY FOLLOWING RESPONSE
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: O mascaramento auditivo temporal é uma habilidade do sistema auditivo caracterizado pela modificação do limiar de um som (alvo), na presença de outro competitivo, como por exemplo, o ruído. O efeito mascarante pode acontecer quando o ruído é apresentado antes (forward masking ou pós-mascaramento), após (backward masking ou pré-mascaramento) ou simultaneamente ao som alvo (simultaneos masking ou mascaramento simultâneo). Esses efeitos podem desencadear dificuldades em níveis diferentes na percepção dos sons de fala em ambientes ruidosos, pois mesmo cessado o ruído, o efeito mascarante pode se prolongar por alguns milissegundos. OBJETIVO: Descrever o efeito do mascaramento temporal não simultâneo forward masking no frenquency following response em diferentes populações. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura que teve como pergunta norteadora: “Como se dá o efeito do mascaramento temporal no frequency following response em diferentes populações?”. Foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases de dados MEDLINE (via Pubmed) e SciELO, utilizando-se as seguintes estratégias de busca: frequency following response AND noise AND forward masking, bem como os respectivos termos em português. Foram considerados os artigos em quaisquer línguas, publicados no período de 2010 a 2020 e formato artigo original. Para a seleção e avaliação dos artigos científicos, foram considerados apenas os artigos que correspondam ao objetivo proposto, sendo esta etapa realizada através da leitura de títulos, resumos e artigos completos, respectivamente. RESULTADOS: Foram encontrados 11 artigos nas bases de dados utilizadas. Após a leitura dos títulos, foram selecionados 10 artigos, que tiveram seus resumos analisados, reduzindo a amostra para oito artigos. Após a leitura dos artigos na íntegra, apenas sete foram selecionados para este trabalho. As pesquisas encontradas indicaram que o ruído apresenta grande influência nos registros dos potenciais evocados auditivos, independente da população, do tipo de estímulo ou dos critérios de aquisição que são utilizados. Nos jovens, foi observado um aumento na latência quando o tempo entre o ruído e a sílaba diminui, sendo essa associação mais evidenciada nos picos iniciais do que para os picos mais tardios. Já nos idosos, observou-se respostas evocadas menos robustas quando comparadas às dos jovens, principalmente na onda PZ, com um aumento significativo das latências. A onda PV encontra-se mais alterada decorrente do efeito do pós-mascaramento, sendo nos jovens o aumento da latência dependente da distância entre o ruído e a sílaba. A onda PX não sofre alterações nos jovens, embora nos idosos seja a que mais sofre influência do pós-mascaramento. A onda PY demonstra ser a mais resistente à interferência do ruído nas populações estudadas. CONCLUSÃO: Estudos demonstram que o frequency following response pode fornecer uma medição objetiva do efeito do pós-mascaramento na decodificação da fala, sendo um importante instrumento na avaliação de déficits do processamento temporal.

PALAVRAS-CHAVE: Frequency Following Response. Forward masking.


Filippini Renata, Schochat Eliane. A new paradigm for temporal masking assessment: pilot study. CoDAS [Internet]. 2014 July [cited 2020 July 06]; 26 (4): 302-307.

Grose John H, Menezes Denise C, Porter Heather L, Griz Silvana. Padrões de Período de Mascaramento e Mascaramento Direto para Ruído em Forma de Fala, Orelha e Audição: janeiro / fevereiro de 2016 - Volume 37 - Edição 1 - p 48-54.

Griz SMS, Menezes DC, Angelo Venâncio LG, et al. Effect of Forward Masking on Frequency Following Response as a Function of Age. J Am Acad Audiol. 2020;31(5):317-323.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
1330
EFEITO DO OBTURADOR FARÍNGEO NA FALA DE INDIVÍDUOS COM DISFUNÇÃO VELOFARÍNGEA APÓS A CORREÇÃO CIRÚRGICA DA FISSURA LABIOPALATINA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A hipernasalidade é o principal sintoma de fala na presença da disfunção velofaríngea (DVF). É considerado sintoma passivo porque pode ser eliminado por meio de um procedimento físico secundário (cirúrgico ou obturador faríngeo). Quando a hipernasalidade não é eliminada após a realização desses procedimentos, poderia ser ela considerada como um sintoma ativo, resultante de um erro articulatório? O presente estudo levanta a hipótese de que pacientes que usam obturador faríngeo podem eliminar a hipernasalidade quando esta for apenas um sintoma passivo, mas quando esta for um sintoma ativo, decorrente de erro de aprendizagem no uso das estruturas velofaríngeas, talvez possa ser melhorada, mas não eliminada apenas com o uso do obturador faríngeo. Objetivo: Descrever o efeito imediato do obturador faríngeo para eliminar a hipernasalidade em indivíduos com fissura de palato operada. Metodologia: O estudo foi constituído por 20 indivíduos, na faixa etária de 11 a 40 anos (média = 24,5 anos), com fissura labiopalatina operada que ficaram com DVF após a palatoplastia primária. Todos tiveram a cirurgia secundária contraindicada por apresentarem pouco ou nenhum movimento de paredes faríngeas, e por esta razão, tiveram indicação para uso de obturador faríngeo. Para comparar os resultados da ocorrência de hipernasalidade de fala nas condições com e sem obturador faríngeo, os participantes tiveram suas amostras de fala gravadas avaliadas (perceptivo-auditiva) por três fonoaudiólogas experientes na avaliação da fala de pacientes com fissura labiopalatina. Também foram comparados os escores de nasalância (obtidos pela nasometria) em ambas condições. Resultados: Sem obturador faríngeo: pela avaliação perceptivo-auditiva das avaliadoras, dos 20 (100%) participantes, 8 (40%) não apresentaram hipernasalidade nas amostras gravadas e 12 (60%) apresentaram. Os escores de nasalância mostraram que dos 20 (100%) participantes,19 (95%) apresentaram escores indicativos de presença de hipernasalidade e 1 (5%) não apresentou. Com obturador faríngeo: pela avaliação perceptivo-auditiva, dos 8 (100%) que não haviam apresentado hipernasalidade sem obturador faríngeo, 3 (37,5%) apresentaram hipernasalidade com a prótese e 5 (62,5%) permaneceram sem hipernasalidade. E, dos 12 (100%) que apresentaram hipernasalidade de fala sem a prótese, 3 (25%) eliminaram a hipernasalidade com a prótese e 9 (75%) não a eliminaram. Os escores de nasalância mostraram que 1 (5%) paciente apresentou ausência de hipernasalidade nas condições sem e com obturador faríngeo. Dos 19 (95%) pacientes que haviam apresentado escores compatíveis com presença de hipernasalidade sem obturador faríngeo, 17 (85%) permaneceram com escores indicativos de hipernasalidade e 2 (10%) passaram a apresentar escores de ausência de hipernasalidade. Conclusão: Em 85% dos casos avaliados a adaptação do obturador faríngeo não foi suficiente para corrigir a hipernasalidade, sendo necessária a indicação da fonoterapia.


Pegoraro-Krook MI. Avaliação da fala de sujeitos que apresentam insuficiência velofaríngea e que utilizam prótese de palato São Paulo [tese]. São Paulo Escola Paulista de Medicina; 1995.

Pegoraro-Krook MI, Aferri HC, Uemeoka E. Prótese de palato e obturadores faríngeos. In: Jesus MSV, Di Ninno CQMS. Fissura labiopalatina: fundamentos para a prática fonoaudiológica. São Paulo: Rocca; 2009.

Bzoch KR. A battery of clinical perceptual tests, techniques and observations for reliable clinical assessment evaluation, and management of 11 categorical aspects of cleft speech disorders. In: Bzoch KR. Communicative disorders related to cleft lip and palate. 5th ed. Austin: Pro-Ed; 2004. cap. 12, p.375-462.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
768
EFEITO DO TREINAMENTO VOCAL COM SOBRECARGA NA AUTOPERCEPÇÃO E NA QUALIDADE VOCAL DE MULHERES COM QUEIXA DE FADIGA VOCAL
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A fadiga vocal pode ser um sintoma de desequilíbrio vocal, quando associada a comportamentos negativos, pode ser consequência ou causa da disfonia1,2. O impacto que a disfonia incide sob a qualidade de vida do indivíduo não apresenta necessariamente relação direta com o grau de alteração vocal3. A Técnica de Vibração Sonorizada de Língua (TVSL) é uma das mais utilizadas nos treinamentos vocais, pois auxilia no relaxamento laríngeo e melhora a regularidade de vibração das pregas vocais4,5. Acredita-se que o treinamento vocal com TVSL associado a intervalos e sobrecarga controlados pode ajudar no ganho de resistência muscular6,7, amenizando a fadiga vocal7, impactando também na qualidade vocal. Objetivo: analisar os efeitos da TVSL com sobrecarga de intensidade vocal e intervalos controlados, na autoavaliação e qualidade vocal de mulheres com queixas de fadiga vocal. Materiais e métodos: ensaio clínico, randomizado e cego (aprovação ética: 1.959.559; registro REBEC: RBR-44ys9m). Participaram 28 mulheres entre 18 e 44 anos, com queixas de cansaço vocal, sem lesões laríngeas, randomizadas: GE (Grupo Experimental) e GC (Grupo Controle). Todas receberam seis sessões de treinamento vocal, com 12 minutos de execução da TVSL, em pitch habitual. O GE treinou a TVSL com sobrecarga de intensidade vocal (intensidade de treinamento=70% da diferença entre intensidade mais forte e mais fraca na execução da TVSL + intensidade mais fraca), com intervalos controlados: oito séries de 30 segundos intercaladas com repouso (30 segundos)6, totalizando 12 minutos de execução da TVSL. O GC realizou treinamento vocal com 12 minutos de TVSL em loudness habitual, com descanso a cada três minutos de execução da TVSL, sem marcação do tempo de repouso6. Todas responderam o Índice de Fadiga Vocal (IFV)2, o protocolo Qualidade de Vida em Voz (QVV)8, e gravaram a voz (vogal e contagem) para análise acústica (f0, jitter, shimmer, VTI, SPI, NHR) e perceptivo-auditiva (grau geral, rouquidão, soprosidade, tensão e instabilidade, por meio de escala visual analógica), antes e após o treinamento. Aplicou-se teste Anova de medidas repetidas e teste Tukey (p<0,05). Resultados: os domínios “total” (p<0,001), “fadiga e restrição vocal” (p<0,001) e “desconforto físico associado à voz” (p<0,001) do IFV, reduziram significativamente após o treinamento, em ambos grupos, sem diferenças entre eles. Houve redução significante nos domínios “total” (p<0,001), “físico” (p<0,001) e “socioemocional” (p=0,007) do QVV, sem diferenças entre grupos após o treinamento. Na análise perceptivo-auditiva não houve diferença entre os grupos após o treinamento, havendo aumento do grau de tensão vocal (p=0,046) na vogal e aumento do grau geral do desvio vocal (p=0,036) na contagem. A análise acústica também não apontou diferença significativa entre os momentos e grupos, após treinamento. Conclusão: o treinamento com a TVSL aplicada com sobrecarga foi tão efetivo quanto o treinamento vocal tradicional, em mulheres com queixas vocais em relação à fadiga vocal, qualidade vocal e qualidade de vida relacionada à voz. Apesar de haver aumento do desvio do grau geral da qualidade vocal e do grau de tensão, em ambos os grupos, clinicamente foi considerado não relevante por se tratar de desvios dentro da variação de normalidade.

1. WELHAM, N.V.; MCLAGAN, M.A. Vocal fatigue: current knowledge and future directions. J Voice. V. 17, n. 1, p. 21-30, 2003.
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3. GRILLO, M.H.M.M.; PENTEADO, R.Z. Impacto da voz na qualidade de vida de professore(a)s do ensino fundamental. Pró-Fono Revista de Atualização Científica.; V. 17, n. 3, p. 321-330, 2005.
4. MENEZES, M. H. M.; DUPRAT, A. C.; COSTA, H. O. Vocal and laryngeal effects of voiced tongue vibration technique according to performance time. J Voice. V. 19, n. 1, p. 61-70, 2005.
5. RIBEIRO, V. V. et al. The effect of a voice therapy program based on the taxonomy of vocal therapy in women with behavioral dysphonia. J Voice. V. 33, n. 2, p. 256 -e16; 2019.
6. SILVA, D. P. Proposta de Periodização do Treinamento Vocal (PPTV) com técnica de vibração sonorizada de língua. [Dissertação]. Bauru (SP): Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo; 2016.
7. VITOR, J. S.Treinamento Vocal Periodizado com técnica de vibração sonorizada de língua em mulheres com queixas vocais: ensaio clínico. [Dissertação]. Bauru (SP): Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo; 2018.
8. BEHLAU, M et al. Validação no Brasil de protocolos de auto-avaliação do impacto de uma disfonia. Pró-Fono Revista de Atualização Científica. V. 21, n. 4, p. 326-336; 2009.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1837
EFEITO DO USO DA MÁSCARA FACIAL NA AUTOPERCEPÇÃO VOCAL DURANTE A PANDEMIA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Em 2020 a Organização Mundial de Saúde declarou estado de pandemia, decorrente do vírus Sars-Cov-21 que causa uma doença humana chamada COVID-19. Diversas intervenções não-farmacológicas têm sido recomendadas para conter a transmissão da doença2, dentre as quais encontra-se o uso de máscaras faciais2–4. Atualmente o uso da máscara no Brasil é obrigatório para atividades profissionais e essenciais. A máscara causa atenuação da voz5, o que pode gerar um desequilíbrio na produção vocal decorrente da diminuição da intensidade, do fluxo aéreo inspiratório, e dificuldade de articular e visualizar a articulação da fala. Dessa forma, acredita-se que o uso incorreto da voz associado ao uso da máscara pode gerar esforço, sintomas de fadiga e desconfortos vocais6,7. Diante do novo cenário cuja obrigatoriedade do uso de máscaras pode perdurar por muito tempo, torna-se necessário compreender se há risco vocal com o uso de máscaras a fim de verificar a necessidade de promoção de ações de saúde pública sobre o uso vocal associado à máscara. OBJETIVO: Analisar a autopercepção vocal de indivíduos que estão utilizando a máscara para atividades essenciais e de indivíduos que estão utilizando a máscara para atividades essenciais e para o trabalho durante a pandemia de COVID-19. MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal, observacional e descritivo (CEP nº 4.024.973). Participaram 467 indivíduos, 346 do sexo feminino e 122 do sexo masculino, com idade média de 36 anos, divididos em: Grupo Atividades Essenciais e Profissionais (GP) – 288 indivíduos que estão utilizando a máscara para atividades essenciais e profissionais durante a pandemia; Grupo Atividades Essenciais (GAE) – 179 indivíduos que estão utilizando a máscara para atividades essenciais durante a pandemia. Todos os participantes responderam os instrumentos Índice de Fadiga Vocal8; Escala de Desconforto do Trato Vocal9; e, autoavaliação da autopercepção de esforço vocal, dificuldades de inteligibilidade de fala, dificuldade de feedback auditivo e dificuldade de coordenação entre fala e respiração (escala de likert de 0 – nunca a 5 – sempre). A resposta deveria considerar o momento com e sem o uso da máscara facial. Foi realizada estatística descritiva e inferencial. RESULTADOS: Os grupos foram homogêneos quanto a idade, sexo, escolaridade, tempo de profissão e carga horária de trabalho. Na comparação intra-grupos, observou-se aumento no esforço vocal, dificuldade de inteligibilidade de fala, e dificuldade para coordenar fala e respiração em ambos os grupos, além de piora do feedback auditivo na condição sem uso da máscara facial para a condição com uso da máscara facial (p<0,001 para todos). Na comparação entre os grupos, houve escores significativamente maiores de sintomas de fadiga vocal nos fatores fadiga e limitação vocal (p=0,001), restrição vocal (p=0,046) e total (p=0,016); de frequência (p<0,001) e intensidade (p<0,001) de desconforto no trato vocal; e de autopercepção da frequência de esforço vocal (p=0,017), dificuldade com inteligibilidade de fala (p=0,003) e dificuldade para coordenar fala e respiração (p=0,003) com o uso da máscara no GP, em relação ao GAE. CONCLUSÃO: A máscara facial aumenta a percepção de sintomas e desconfortos vocais, principalmente em indivíduos que utilizam para atividades profissionais e essenciais.

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3. Yu X, Yang R. COVID-19 transmission through asymptomatic carriers is a challenge to containment. Influenza Other Respi Viruses. April 2020. doi:10.1111/irv.12743
4. Kucharski AJ, Russell TW, Diamond C, et al. Early dynamics of transmission and control of COVID-19: a mathematical modelling study. Lancet Infect Dis. 2020;20(5):553-558. doi:10.1016/S1473-3099(20)30144-4
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8. Zambon F, Moreti F, Ribeiro VV, Nanjundeswaran C, Behlau M. Vocal Fatigue Index: Validation and Cutoff Values of the Brazilian Version. J Voice. 2020.
9. Rodrigues G, Zambon F, Mathieson L, Behlau M. Vocal tract discomfort in teachers: Its relationship to self-reported voice disorders. J Voice. 2013;27(4):473-480. doi:10.1016/j.jvoice.2013.01.005


TRABALHOS CIENTÍFICOS
756
EFEITO IMEDIATO DA APLICAÇÃO DA ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NERVOSA TRANSCUTÂNEA (TENS) ASSOCIADA A EXERCÍCIOS VOCAIS NA QUALIDADE VOCAL DE MULHERES DISFÔNICAS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A TENS atua na redução de sintomas vocais/laringofaríngeos e dor musculoesquelética nas disfonias comportamentais1. Apesar dessas evidências, existem poucos estudos1-4 que investigaram os seus efeitos na qualidade vocal. Também não há evidência científica quanto a sua ordem de aplicação (antes ou após exercícios vocais), o que pode interferir no resultado do tratamento, pois essa corrente elétrica proporciona forte abalo na musculatura laríngea, podendo diminuir a ativação muscular na execução de exercícios vocais após sua aplicação. Objetivo: Verificar e comparar os efeitos imediatos de duas diferentes ordens de aplicação da TENS: antes e após a execução de exercícios vocais, na qualidade vocal de mulheres com disfonia comportamental. Metodologia: Estudo experimental, prospectivo, cross-over (comitê de ética: 3.288.587). Participaram 30 mulheres (18-50 anos) com lesões laríngeas (cisto com reação contralateral, nódulos vocais ou espessamento mucoso)5 e queixas vocais. Todas gravaram a voz (vogal /a/ sustentada e contagem de 1 a 20) antes/após intervenções. A ordem de aplicação da TENS foi: TENS + exercícios vocais (A) ou exercícios vocais + TENS (B). TENS: 20 min, pulso:200μs, frequência:10Hz, no limiar motor e eletrodos posicionados bilateralmente nas fibras descendentes do músculo trapézio e região submandibular. Exercícios vocais: 20 min, vibração sonorizada de língua, /m/ mastigado, apito de navio, técnica Lax Vox e finger kazoo. As participantes realizaram ambas intervenções com wash-out de uma semana; a primeira intervenção foi selecionada por meio de randomização simples. A análise perceptivo-auditiva avaliou: grau geral, rugosidade, soprosidade e instabilidade da qualidade vocal, por meio de escala visual analógica. As vozes foram analisadas por três juízes, cegos quanto aos grupos e momentos de avaliação. Realizou-se análise acústica dos parâmetros: frequência fundamental (f0), jitter, shimmer, proporção ruído-harmônico (NHR) e índice de fonação suave (SPI). Para comparação intragrupo e intergrupo, foi aplicado o Teste t-pareado (p<0,05). Resultados: Intragrupo: na vogal, verificou-se aumento da soprosidade e diminuição de tensão vocal em A (p<0,001 e p=0,011) e B (p=0,017 e p<0,001), respectivamente, e aumento de instabilidade no grupo B (p=0,033). Na contagem, houve aumento do grau geral (p=0,049), rugosidade (p=0,018) e soprosidade (p=0,013) no grupo A. No grupo B, houve aumento da soprosidade (p<0,001) e diminuição da tensão vocal (p<0,001). Observou-se diminuição da f0 (p=0,002) e aumento de jitter (p=0,028) no grupo B e aumento do SPI em A (p=0,004) e B (p<0,001). Intergrupo: Apenas na contagem, verificou-se maior desvio da soprosidade no grupo B (p=0,041), que também apresentou valor mais elevado de NHR (p=0,001) em relação ao grupo A. Conclusão: Ambas as ordens de aplicação da TENS provocaram diminuição da tensão vocal na vogal sustentada, entretanto, apenas na ordem exercícios + TENS houve diminuição da tensão vocal na contagem. As modificações detectadas pela análise acústica após intervenções, possivelmente são relacionadas à diminuição de tensão vocal em exercícios + TENS. Na ordem exercícios + TENS houve maior desvio da soprosidade e da NHR quando comparada à TENS + exercícios. Assim, sugere-se que exercícios + TENS possa favorecer mais a diminuição da tensão vocal em mulheres com disfonias comportamentais.

1. Silverio KCA, Brasolotto AG, Siqueira LTD, Carneiro CG, Fukushiro AP, Guirro RRJ. Effect of application of Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation and Laryngeal Manual Therapy in dysphonic women: clinical trial. J Voice. 2015;29(2):200-8.
2. Santos JK, Silverio KC, Oliveira NFD, Gama AC. Evaluation of Electrostimulation Effect in Women With Vocal Nodules. J Voice. 2016 Nov;30(6):769.e1-769.e7.
3. Conde MCM, Siqueira LTD, Vendramini JE, Brasolotto AG, Guirro RRJ, Silverio KCA. Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation (TENS) and Laryngeal Manual Therapy (LMT): Immediate Effects in Women With Dysphonia. J Voice. 2018 May;32(3):385.
4. Mansuri B, Torabinejhad F, Jamshidi AA, Dabirmoghaddam P, Vasaghi-Gharamaleki B, Ghelichi L. Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation Combined With Voice Therapy in Women With Muscle Tension Dysphonia. J Voice. 2018 Dec 7.(18)30360-6.
5. Behlau M, Zambon F, Moreti F, et al. Voice Self-assessment Protocols : Different Trends Among Organic and Behavioral Dysphonias. J Voice. 2016. doi:10.1016/j.jvoice.2016.03.014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1513
EFEITO IMEDIATO DE DOIS EXERCÍCIOS DE TRATO VOCAL SEMIOCLUÍDO NAS MEDIDAS AERODINÂMICAS, ELETROGLOTOGRÁFICAS E DE AUTOAVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO VOCAL EM MULHERES COM E SEM DISFONIA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: Os exercícios de trato vocal semiocluído (ETVSO) vêm sendo executados desde a década de 60. Porém, nos últimos 15 anos seus efeitos têm sido mais estudados(1). O principal objetivo deles é facilitar a interação não-linear entre fonte e filtro e promover a economia vocal(2-3). A literatura apresenta diversos ETVSO, com especificidades físicas relacionadas ao tipo de oclusão e alongamento do trato vocal, à pressão envolvida e a diversos fatores da fisiologia subjacente(2,4). A maioria desses exercícios não permite fala encadeada concomitantemente à execução, o que dificulta a generalização dos ajustes(5,6). Uma das variantes de ETVSO, com possibilidade de fala, é a fonação em copo(7), porém, faltam evidências científicas sobre seus efeitos. OBJETIVO: Comparar os efeitos imediatos de dois ETVSO nas medidas aerodinâmicas, eletroglotográficas e de autoavaliação da produção vocal em mulheres com e sem disfonia. MÉTODOS: Estudo quasi-experimental aprovado pelo CEP (parecer nº 144-2016). Participaram 30 mulheres, 15 com diagnóstico de disfonia comportamental (GD) e 15 com vozes saudáveis (GVS), alocadas aleatoriamente em dois grupos: 1) exercício de vibração de língua sonorizada e 2) exercício de fonação em copo de isopor de 300 mililitros com uma perfuração no fundo e produção de uma vogal neutra. A frequência fundamental da fala foi autoselecionada individualmente, em emissão sustentada, com frequência e intensidade confortáveis, posteriormente controladas por um sintonizador, para que não houvesse variações entre as medidas pré e pós-exercícios. Os desfechos avaliados antes e após três minutos de exercícios foram: avaliação aerodinâmica do limiar de pressão fonatória (LPF) e o nível de pressão sonora (NPS) com o equipamento Phonatory Aerodynamic System, modelo 6600, Pentax Medical®; avaliação eletroglotográfica do quociente de contato (QC), com o equipamento Electroglottography, modelo D200, Pentax Medical®; autoavaliação da produção vocal ressonante, baseada na auto-percepção da dificuldade em produzir o ajuste, mensurada por meio de uma escala analógica visual de 100 milímetros, sendo a extrema esquerda equivalente a voz muito difícil de ser produzida e não ressonante, e extrema direta voz muito fácil e ressonante. Os dados foram avaliados com ANOVA de medidas pareadas, teste de Tukey e Eta quadrado parcial. RESULTADOS: Houve redução do momento pré para o pós das medidas LPF (p=0,002; η²p=0,324) e do NPS (p=0,010; η²p=0,229), e aumento do QC entre as pregas vocais (p=0,018; η²p=0,197) e da autopercepção de voz fácil e ressonante (p=0,001; η²p=0,352), todos com tamanho de efeito médio, independentemente do grupo e do exercício. O GD apresentou valores significativamente maiores que o GVS no LPF (p=0,008; η²p=0,239), e no NPS (p=0,011; η²p=0,224) com tamanho de efeito médio, independentemente do momento e do exercício. Houve aumento significativo do momento pré para o momento pós na autoavaliação da produção vocal no GD, com tamanho de efeito médio, independentemente do exercício (p=0,002; η²p=0,302). CONCLUSÃO: Os dois ETVSO parecem produzir efeitos imediatos objetivos e subjetivos positivos, com efeito simular. Portanto, o clínico pode escolher qual das duas técnicas é a mais indicada e pode usar a fonação em copo, com fala encadeada, pois produz efeitos semelhantes ao exercício tradicional de vibração de língua sonorizada.

1- Simberg S, Laine A. The resonance tube method in voice therapy: Description and practical implementations. Logop Phoniatr Vocology. 2007;32(4):165-170.

2- Calvache C, Guzman M, Bobadilla M, Bortnem C. Variation on Vocal Economy After Different Semioccluded Vocal Tract Exercises in Subjects With Normal Voice and Dysphonia. J Voice. 2020;34(4):582-589.

3- Croake DJ, Andreatta RD, Stemple JC. Immediate Effects of the Vocal Function Exercises Semi- Occluded Mouth Posture on Glottal Airflow Parameters : A Preliminary Study. J Voice. 2017;31(2):245.e9-245.e14.

4- Cielo CA, Lima JPDM, Christmann MK, Brum R. Semioccluded vocal tract exercises: literature review. Rev CEFAC. 2013;15(6):1679-1689.

5- Frisancho K, Salfate L, Lizana K, Guzman M, Leiva F, Quezada C. Immediate Effects of the Semi-Occluded Ventilation Mask on Subjects Diagnosed With Functional Dysphonia and Subjects With Normal Voices. J Voice. 2020:1-12.

6- Mills R, Hays C, Al-Ramahi J, Jiang JJ. Validation and Evaluation of the Effects of Semi-Occluded Face Mask Straw Phonation Therapy Methods on Aerodynamic Parameters in Comparison to Traditional Methods. J Voice. 2017;31(3):323-328.

7- Rosenberg MD. Using Semi-Occluded Vocal Tract Exercises in Voice Therapy : The Clinician’s Primer. Perspect Voice Voice Disord. 2014;24(2):71-79.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
643
EFEITO IMEDIATO DE TÉCNICA VOCAL ASSOCIADA AO ESTÍMULO AUDITIVO RÍTMICO EM PESSOAS COM PARKINSON
Trabalho científico
Voz (VOZ)
52291165


Efeito imediato de técnica vocal associada ao estímulo auditivo rítmico em pessoas com Parkinson

Introdução: Pessoas com Doença de Parkinson (DP) têm dificuldade de calibração auditiva motora, o que impacta no monitoramento da produção vocal. Então empregar estímulo auditivo associado à terapia vocal poderá beneficiar a voz dessa população. Para tanto, há técnicas que favorecem a competência glótica, como Empuxo que consiste em movimentos de braços com esforço, simultâneos à fonação e que associadas ao estímulo auditivo rítmico propiciam intervenção terapêutica de modo interativo por meio do uso das batidas do metrônomo que podem favorecer ajustes glóticos e gerar mudanças na voz. Objetivos: Verificar o efeito imediato da técnica de empuxo com sons plosivos associada ao uso de estímulo auditivo rítmico na voz de pessoas com doença de Parkinson. Métodos: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da UFPE tendo o número do parecer: 3.060.851. Participaram 13 pessoas, sendo 7 homens e 6 mulheres, com média de idade de 64,46 anos, e tempo médio de diagnóstico 8,15 anos, distribuídos nos estágios I (7,69%), II (38,46%), III (53,85%) da escala Hoehn e Yahr. A avaliação vocal pré técnica e pós técnica de Empuxo com sons plosivos associada ao estímulo auditivo rítmico consistiu na análise de parâmetros acústicos vocais, a partir do registro da emissão da vogal /ε/ sustentada. Os parâmetros extraídos foram frequência fundamental média (f0), que representa a vibração das pregas vocais em ciclos por segundo, Jitter e shimmer, correspondentes a sinais de perturbação da fonte sonora. Utilizou-se também um questionário de satisfação sobre a realização dessa técnica associada ao estímulo auditivo rítmico de forma imediata. Resultados: Os valores de frequência fundamental média aumentaram e o de perturbação da fonte sonora diminuiu, respectivamente, frequência fundamental média (p=0,04); Jitter (p=0,019). Sobre o questionário de satisfação, 30,77% deles sentiram-se muito satisfeitos e 69,23% satisfeitos com a realização da técnica de empuxo com sons plosivos associada ao estímulo auditivo rítmico. Conclusão: A técnica vocal associada ao estímulo auditivo rítmico propiciou melhora imediata nos parâmetros acústicos da voz dos participantes com doença de Parkinson e a maioria deles sentiu satisfação com a intervenção fonoaudiológica realizada.

1. Cunha JM, Siqueira EC. O papel da neurocirurgia na doença de Parkinson. Revista de Medicina, 2020; 99(1):66-75.

2. Martínez DF. Eficacia de" Lee Silverman Voice Treatment" en personas condisartria hipocinética asociada a la Enfermedad de Parkinson: una revisión,2019.

3. Behlau M, Madazio G, Feijó D, Azevedo R, Gielow I, Rehder MI.Aperfeiçoamento vocal e tratamento fonoaudiológico das disfonias. In: Behlau,M. Voz: o livro do especialista. vol 2. Rio de Janeiro: Revinter, 2005;409-564.

4. Nombela C, Hughes LE, Owen AM, Grahn, JA. Into the groove: can rhythminfluence Parkinson's disease?. Neuroscience & BiobehavioralReviews, 2013;37(10):2564-2570.

5. Trindade MFD. Efeitos dos estímulos auditivos ou visuais na marcha em doentes parkinsónicos: uma revisão bibliográfica (Bachelor's thesis, [sn]), 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
789
EFEITO IMEDIATO DO EXERCÍCIO HUMMING NA VOZ DE PROFISSIONAIS DA COMUNICAÇÃO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução. O humming é um exercício de trato vocal semiocluído (ETVSO) que estimula o início da vocalização e torna mais fácil e eficiente a produção da voz1. São relatados efeitos positivos na ressonância e projeção vocal e na redução do fonotrauma, sendo um exercício bastante utilizado no aprimoramento vocal2. Porém, poucas pesquisas tiveram como propósito analisá-lo3. Objetivo. Verificar o efeito imediato do humming em profissionais da comunicação de uma universidade pública. Método. Estudo transversal experimental (aprovação Comitê de Ética 3.631.447) do qual participaram 36 funcionários, média de idade de 39,9 anos, 55% do sexo feminino. Todos assinaram o termo de consentimento e passaram por gravação de tarefas vocais antes e após a realização do exercício vocal. Foram feitas, após orientação e teste, cinco repetições da técnica com duração de cinco segundos cada2,4,5,6, com silêncio absoluto nos intervalos. A partir da avaliação inicial juízes classificaram o grau de desvio vocal7. Sem conhecimento sobre a amostra (pré ou pós) foram obtidas medidas acústicas de extração automática e aspectos da espectrografia, incluindo classificação por tipo de espectro8,9. A análise estatística para comparação pré e pós considerou inicialmente os dados gerais e depois os participantes em grupos: divisao 1. Por presença ou ausência de alteração vocal; divisão 2. Pela autoavaliação quanto a ser ou não vocalmente mais ativo. Resultados. A maior parte dos profissionais era jornalista, estagiário ou repórter e se auto avaliou como vocalmente mais ativo. Foram classificados sem alterações 44% dos participantes, com alterações leves 50% e com alteração moderada 6%. Na avaliação inicial a maior parte dos aspectos analisados estava dentro da normalidade, o que foi compatível com o fato de que metade da amostra não apresentou alteração e a outra metade apresentou alterações leves. Apenas ruído nas frequências graves, série de harmônicos e tipo de espectro estavam mais alterados no momento pré-técnica. Na análise geral, sem dividir os participantes, observou-se, após o exercício, diminuição da F0 mínima (nos homens), melhora no tipo de espectro e na série de harmônicos, além de diminuição do ruído nas frequências graves, compatível com outros estudos sobre ETVSO1,2,3,6,10. Na comparação entre os grupos pela divisão 1 houve melhora no tipo de espectro e na série de harmônicos e diminuição do ruído nas frequências graves em ambos os grupos corroborando a literatura1,2,3,6,10; além de diminuição da irregularidade no grupo sem alteração vocal como em Ogawa e col. (2014)4. Na divisão 2 houve melhora no tipo de espectro em ambos os grupos e diminuição do ruído nas frequências graves e melhora na série de harmônicos nos participantes vocalmente mais ativos. Conclusão. O exercício humming no protocolo proposto levou a melhoras atribuídas aos ETVSO, principalmente nos aspectos inicialmente mais alterados. Nos homens, nos participantes sem disfonia e naqueles vocalmente mais ativos a melhora foi ainda maior. A partir dos resultados pode-se considerar a diminuição da rugosidade, melhora na projeção vocal e na qualidade vocal como efeitos imediatos do exercício humming, independentemente de os participantes terem ou não alteração vocal e serem ou não vocalmente mais ativos.

1. Iwahashi T, Ogawa M, Hosokawa K, Kato C, Inohara H. The effects of humming on the prephonatory vocal fold motions under high-speed digital imaging in nondysphonic speakers. J Voice. 2017 May;31(3):291-299. doi: 10.1016/j.jvoice.2016.09.008.
2. Andrade PA, Wood G, Ratcliffe P, Epstein R, Pijper A, Svec JG. Electroglottographic study of seven semi-occluded exercises: LaxVox, Straw, Lip-Trill, Tongue-Trill, Humming, Hand-over-mouth, and Tongue-Trill combined with Hand-over-mouth. J Voice 2014; 28(5):589-595. doi: 10.1016/j.jvoice.2013.11.004.
3. Yiu EML, Ho EYY. Short-term effect of humming on vocal quality. Asia Pacific Journal of Speech, Language and Hearing. 2002;7(3):123-137. https://doi.org/10.1179/136132802805576436.
4. Ogawa M, Hosokawa K, Yoshida M, Iwahashi T, Hashimoto M, Inohara H. Immediate effects of humming on computed electroglottographic parameters in patients with muscle tension dysphonia. J Voice. 2014;28(6):733-741. doi: 10.1016/j.jvoice.2014.02.004.
5. Ogawa M, Hosokawa K, Yoshida M, Yoshii T, Shiromoto O, Inohara H. Immediate effectiveness of humming on the supraglottic compression in subjects with Muscle Tension Dysphonia. Folia Phoniatr Logop. 2013; 65:123-128. DOI: 10.1159/000353539.
6. Vlot C, Ogawa M, Hosokawa K, Iwahashi T, Kato C, Inohara H. Investigation of the immediate effects of humming on vocal fold vibration irregularity using electroglottography and high-speed laryngoscopy in patients with organic voice disorders. J Voice. 2017; 31(1):48-56. doi: 10.1016/j.jvoice.2016.03.010.
7. Yamasaki R, Madazio G, Leão SH, Padovani M, Azevedo R, Behlau M. Auditory-perceptual evaluation of normal and dysphonic voices using the Voice Deviation Scale. J Voice 2017;31(1): 67-71. doi: 10.1016/j.jvoice.2016.01.004.
8. Titze IR. Workshop on acoustic analysis. Summary statement. Iowa City: National Center for Voice and Speech, USA; 1995.p. 26-30.
9. Sprecher A, Olszewski A, Jiang JJ, Zhang Y. Updating signal typing in voice: addition of type 4 signals. J Acoust Soc Am. 2010;127(6):3710-6. http://dx.doi.org/10.1121/1.3397477.
10. Cielo CA, Lima JPM, Christmann MK, Brum R. Exercícios de trato vocal semiocluído: revisão de literatura. Rev CEFAC. 2013;15(6):1679-1689. https://doi.org/10.1590/S1516-18462013005000041


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1500
EFEITO IMEDIATO DO TUBO DE RESSONÂNCIA NA VOZ DE CANTORES: ANÁLISE CEPSTRAL
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Os profissionais da voz, sobretudo cantores, estão sempre em busca da boa qualidade e rendimento vocais para manutenção da saúde vocal. Para atingir esses objetivos utilizam técnicas específicas (1). Os exercícios com vocalizes são comumente utilizados por cantores e professores de canto, pois a prática dos vocalizes prepara a voz do cantor para a execução de seu repertório com flexibilidade e musicalidade (2,3). A técnica com os tubos de ressonância, comum na prática fonoaudiológica, diminui o impacto entre as pregas vocais, equilibra as pressões sub e supra glótica e possibilita fonação mais confortável, com menos esforço (4). Objetivo: Verificar se há diferenças nas medidas cepstrais entre o efeito imediato do uso do tubo de ressonância associado a vocalizes e vocalizes realizados de forma isolada, na voz de cantores. Método: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos, com número do parecer de aprovação 3.197.980. Participaram da pesquisa 30 cantores adultos, na faixa etária de 18 a 45 anos (média de 25,87±5,64) sem alteração laríngea avaliados por videoestroboscopia. Todos os participantes realizaram a técnica com o tubo de ressonância associado a vocalizes e a técnica dos vocalizes de forma isolada, no tempo de três minutos, em momentos diferentes, para que não houvesse interferência de efeito entre os exercícios. Foi extraído o Cepstral Peak Prominence-Smoothed (CPPS) antes e depois dos exercícios vocais. Foi realizada gravação da emissão natural da vogal /ɛ/ em tom e volume habituais antes e após as técnicas. Para a execução da técnica com o tubo de ressonância, optou-se em utilizar o princípio da sobrecarga. O cantor emitiu um sopro sonorizado com a vogal /u/ em vocalizes ascendentes e descendentes no tubo com a extremidade distal imersa profundamente em uma garrafa de plástico de 500ml com 2/3 de água. Na técnica dos vocalizes, o cantor emitiu a vogal /u / em sequência melódica pré-estabelecida. A sequência melódica das escalas do vocalize foi a mesma para os dois momentos da coleta (com e sem fonação em tubos). Para isso, foram elaboradas seis sequências (uma para cada naipe: soprano, mezzosoprano, contralto, tenor, barítono e baixo) A escolha da sequência aplicada a cada cantor foi determinada de acordo seu naipe, conforme classificação vocal estabelecida por seu regente ou professor de canto. Resultados: Aumento do CPPS em homens, mulheres e no total dos cantores após a técnica com o tubo. Ao comparar as duas técnicas, observa-se melhor desempenho nos homens, sendo o valor do CPPS maior após o uso do tubo de ressonância. Conclusão: Há diferenças entre as duas técnicas aplicadas. A fonação em tubos associada a vocalizes ascendentes e descendentes na voz de cantores promoveu melhor organização harmônica da voz que se destacou em relação ao nível de ruído, o que indica maior periodicidade e melhor definição da configuração harmônica. A fonação em tubos associada aos vocalizes otimizaram os resultados em pouco tempo de execução em comparação aos vocalizes realizados de forma isolada.

1. Monteiro JC, Madazio G, Pacheco C, Behlau M. Main reasons that lead popular-music singing teachers to seek speech-language pathology assistance for their students.CoDAS. 2020; 32(2): doi:10.1590/2317-1782/20192018242.

2. Gava Júnior W, Ferreira LP, Andrada e Silva MA de. Support and singing voice: perspective of singing teachers and speech language pathologists. Rev CEFAC. 2010; 12(4): 551-562 doi:10.1590/s1516-18462010005000047.

3. Gish A, Kunduk M, Sims L, McWhorter AJ. Vocal warm-up practices and perceptions in vocalists: A pilot survey. J Voice. 2012; 26(1): e1-e10. doi:10.1016/j.jvoice.2010.10.005.

4. Guzmán M, Higueras D, Fincheira C, Muñoz D, Guajardo C. Immediate effects of a vocal exercise sequence with resonance tubes. Rev CEFAC. 2011; 14(3): 471-480. doi:10.1590/s1516-18462011005000127


TRABALHOS CIENTÍFICOS
845
EFEITO IMEDIATO DOS EXERCÍCIOS VOCAIS SOBRE AS MEDIDAS PERCEPTIVAS E DE FONTE E FILTRO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: O distúrbio de voz modifica a qualidade vocal por inferência tanto em nível de fonte (ajustes laríngeos) como de filtro (movimentação e posicionamento dos articuladores)1-3. O exercício vocal auxilia a reabilitação com eficácia no reajuste da configuração glótica e supraglótica. O desafio é compreender o tempo de execução necessário para que o exercício produza mudanças na fonte glótica e no trato vocal em indivíduos com distúrbios de voz4-6. A pergunta desta pesquisa é: o foco de ação primário do exercício vocal selecionado (fonte glótica, acoplamento fonte-filtro ou amplitude de movimentação dos articuladores) determina a sequência de modificações nas medidas de fonte e filtro em função do tempo? O que modifica primeiro em mulheres com nódulos vocais e mulheres sem lesão laríngea, fonte ou filtro? Objetivo: Verificar o efeito imediato dos exercícios vocais sobre medidas perceptivas e acústicas relacionadas à fonte e filtro em mulheres com nódulos vocais e mulheres sem lesão laríngea. Metodologia: Após aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (processo nº 2.158.960) foram selecionadas amostras vocais de 12 mulheres com nódulos vocais, alocadas em grupo experimental (GE) e 12 sem lesão laríngea, alocadas no grupo controle (GC). Foram submetidas à gravação da vogal /a/ sustentada e das frases-veículo “Digo papa baixinho”, “Digo pipa baixinho” e “Digo pupa baixinho”, antes da realização dos exercícios e a cada minuto, totalizando 5 minutos de execução e 6 gravações. Os grupos foram organizados assim: 8 mulheres realizaram o exercício de vibração de língua (4 GE e 4 GC); 10 - o exercício com canudo de alta resistência no ar (5 GE e 5GC); e 6 - o exercício de sobrearticulação (3 GE e 3 GC). As medidas acústicas utilizadas para avaliar fonte glótica foram: média da frequência fundamental (f0), desvio padrão de f0 (DP f0), jitter, shimmer, glottal-to-noise excitation (GNE) e cepstral peak prominence Smoothed (CPPS) e medidas de filtro: medidas espectrais das diferenças dos harmônicos H1-H2 (dB) com extração da vogal /a/ sustentada e primeiro (F1) e segundo formante (F2) das vogais /a/ /i/ e /u/. Para análise perceptiva utilizou-se a escala analógico-visual7-10. Para análise dos dados utilizou-se nível de significância de 5% (teste T de Student /Wilcoxon e post hoc de Conover). Resultados: O GE apresentou redução no valor de F2 (p=0,0455) no 5° minuto de exercício de vibração de língua e reduziu GNE (p=0,0142) no 5º minuto de exercício de sobrearticulação. O GC aumentou F1 (p=0,0254) no 5º minuto de exercício com canudo e elevou F0 (p=0,0470) no 5º minuto de exercício de sobrearticulação. Analisando minuto a minuto, GE apresentou aumento no valor do GNE (p=0,0387) no 4º minuto de exercício com canudo e GC apresentou aumento nos valores de F1 (p=0,0204) no 3° minuto de execução com canudo. Conclusão: Mulheres com nódulos apresentam modificações de fonte com melhor efeito no 4º minuto de exercício com canudo, e de filtro no 5° minuto de exercício de vibração. Mulheres sem lesão laríngea apresentam modificações de filtro no 3° minuto e de fonte no 5º minuto de exercício de sobrearticulação.

1- França FP, Almeida AA, Lopes LW. Acoustic-articulatory configuration of women with vocal nodules and with healthy voice. CoDAS. 2019; 31 (6): e20180.

2- Barbosa PA, Madureira S. Manual de fonética acústica experimental: aplicações a dados do português. Cortez editora 2015; 591p.

3- Yamasaki R, Madazio G, Leão SHS, Padovani M, Azevedo R, Behlau M. Auditory-perceptual evaluation of normal and dysphonic voices using the voice deviation scale. J Voice. 2017; 31(1):67-71.

4- Pimenta RA, Dájer ME, Hachiya A, TsujI DH, Montagnoli NA. Parâmetros acústicos e quimografia de alta velocidade identificam efeitos imediatos dos exercícios de vibração sonorizada e som basal. CoDAS. 2013; 25 (6): 577-83.

5- Maxfield L, Palaparthi A, Titze I. New Evidence That Nonlinear Source-Filter Coupling Affects Harmonic Intensity and fo Stability During Instances of Harmonics Crossing Formants. J Voice. 2017; 31 (2): 149-156.

6- Guzman M, Acuña G, Pacheco F, Peralta F, Romero C, Vergara C, Quezada C. The Impact of Double Source of Vibration Semioccluded Voice Exercises on Objective and Subjective Outcomes in Subjects with Voice Complaints. J Voice. 2018; 32 (6): 770.e1-770.e9.

7- Lopes LW et al. Acurácia das medidas acústicas tradicionais e formânticas na avaliação da qualidade vocal. Codas. 2018;30(5) e20170282.

8- Bekerman AL. Uso del análisis acústico en el seguimiento de pacientes con patología vocal: estudio preliminary. Revista Faso Año 24 Nº3 2017.

9- Núñez-Batalla, F., Cartón-Corona, N., Vasile, G., García-Cabo, P., FernándezVañes, L., & Llorente-Pendás, J. L. Validez de las medidas del pico cepstral para la valoración objetiva de la disfonía en sujetos de habla hispana. Acta Otorrinolaringológica Española, 2018.

10- Moreira F S, Gama A C C. Efeito do tempo de execução do exercício vocal sopro e som agudo na voz de mulheres. CoDAS. 2017;29(1): e20160005.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1367
EFEITOS DA EXPOSIÇÃO AO RUÍDO: LEVANTAMENTO DE DADOS SOBRE O ZUMBIDO
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O ruído é o agente físico nocivo mais encontrado nos ambientes de trabalho e a exposição a esse agente pode causar diversos malefícios à saúde, ocasionando efeitos negativos relacionados à audição, tais como o zumbido e o incômodo a sons fortes. O zumbido geralmente está associado à perda auditiva, como na perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR), mas em alguns casos pode estar presente também em indivíduos com audição normal, indicando a necessidade de uma investigação mais detalhada. O zumbido representa o som percebido na ausência de um estímulo sonoro externo e pode estar relacionado à depressão e/ou ansiedade, que também são sintomas extra-auditivos da exposição ao ruído. Objetivo: Analisar as características subjetivas do zumbido ocasionado pela exposição ao ruído de indivíduos que responderam a um questionário online. Método: Pesquisa descritiva com análise de variáveis quantitativas e qualitativas. Foram coletados dados referentes à rotina de trabalho, equipamentos de proteção individual, saúde no geral, saúde auditiva, qualidade de vida e bem-estar, por meio de um questionário padronizado, de maneira online, contando com a participação de 74 sujeitos. Resultados: Após a exposição ao ruído, os participantes da pesquisa relataram sentir zumbido, estresse, cansaço, ansiedade, nervosismo, dor de cabeça e sensação de ouvido tampado. O zumbido, foco deste estudo, foi sentido por 23 (31,1%) dos participantes. Com relação ao local percebido do zumbido, os sujeitos poderiam marcar mais de uma alternativa e os resultados mostraram que 14 (60,87%) percebem nas duas orelhas, 5 (21,74%) na orelha direita, 1 (4,34%) na orelha esquerda e 3 (13,04%) na cabeça . Com relação ao timbre do zumbido sentido, 17 (68%) dos participantes relataram ouvir um zumbido agudo, enquanto 3 (12%) sentem um zumbido grave. Além disso, relataram ouvir o zumbido como um apito (16%), como um chiado (8%) ou como um som pulsátil (4%). O relato quanto a frequência da sensação de zumbido variava, sendo percebido especialmente à noite (23%). Conclusão: Conclui-se que parte dos indivíduos que colaboraram com a pesquisa expostos ao ruído relataram a percepção de zumbido em ambas as orelhas, do tipo agudo, parecido com um apito e percebido especialmente a noite. Dessa forma, aponta-se para a necessidade de campanhas nas diversas esferas da sociedade no que se refere às consequências auditivas e extra-auditivas da exposição ao ruído, para que a população esteja consciente sobre este agente e seus possíveis sintomas deletérios. Para que o zumbido não seja desencadeado nos postos de trabalho, fazem-se necessários equipamentos de proteção coletiva e individual contra o ruído, avaliação da audição e de prováveis sintomas associados, tendo em vista a preservação da saúde e da qualidade de vida dos trabalhadores.

Dias A, Cordeiro R, Corrente JE, Gonçalves CGOG. Associação entre perda auditiva induzida pelo ruído e zumbidos. Cad Saúde Pública. 2006;22(1):63-68.

Nunes CP, Abreu TRM, Oliveira VC, Abreu RM. Sintomas auditivos e não auditivos em trabalhadores expostos ao ruído. Rev Baiana de Saúde Pública. 2011;35(3):548-555.

Rosa MRD, Almeida AAF, Pimenta F, Silva CG, Lima MAR, Diniz MFFM. Zumbido e ansiedade: uma revisão da literatura. Rev CEFAC. 2012;14(4):742-754.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
370
EFEITOS DA INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM PACIENTES COM VERTIGEM POSICIONAL PAROXÍSTICA BENIGNA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é uma das doenças mais recorrentes do sistema vestibular periférico1. A VPPB é caracterizada por crises vertiginosas de curta duração, desencadeadas por determinados movimentos cefálicos, que prejudicam a Qualidade de Vida (QV) e o equilíbrio postural2. OBJETIVO: Analisar os efeitos da intervenção fonoaudiológica na QV e no equilíbrio postural em pacientes com VPPB. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo retrospectivo, observacional e quantitativo aprovado sob o número 6222.0.000.107-10 pelo Comitê de Ética e Pesquisa. Foram incluídos 25 prontuários de pacientes entre 18 e 60 anos de idade, diagnosticados com VPPB, atendidos no Ambulatório de Equilíbrio do Hospital Universitário da Instituição entre janeiro de 2015 e dezembro de 2019. A amostra foi dividida em dois grupos de acordo com o Canal Semicircular (CSC) afetado: Grupo 1 (G1), pacientes com afecção do CSC posterior (n= 14); e Grupo 2 (G2), pacientes com afecção do CSC lateral (n= 11). Para analisar os efeitos da intervenção fonoaudiológica, foram considerados os resultados obtidos no Dizziness Handicap Inventory (DHI)3, Escala de Equilíbrio de Berg (EEB)4, Dynamic Gait Index (DGI)5 e Timed Up and Go test (TUG)6 antes e após as manobras de reposicionamento canalicular. Foi utilizado o SOFT R PROJECT 3.12 para definição das medidas descritivas e aplicação dos testes de Wicoxon e t pareado com p valor igual ou inferior a 0,05. RESULTADOS: A faixa etária da amostra variou de 21 a 58 anos, com média de idade de 41,3 anos. Cinquenta e seis por cento da amostra apresentou afecção do CSC posterior (G1), enquanto 44% do CSC lateral (G2). No G1, os escores médios do DHI passaram de 42,3 para 12,1 pontos (p=0,00029); da EEB, de 53,7 para 55,0 pontos (p= 0,03); do DGI, de 20,6 para 23,8 pontos (p=0,08); e do TUG, de 9,25 para 7,5 segundos (p= 0,06). No G2, os escores médios do DHI passaram de 43,3 para 6,8 pontos (p=0,0018); da EEB, de 49,1 para 53,5 pontos (p= 0,02); do DGI, de 17,0 para 22,0 pontos (p= 0,06); e do TUG, de 13,0 para 8,75 segundos (p=0,02). CONCLUSÃO: A intervenção fonoaudiológica apresentou efeitos positivos na QV e no equilíbrio postural dos dois grupos de VPPB. O comprometimento da QV passou de moderado para leve ou inexistente no DHI e o equilíbrio funcional esteve dentro da faixa de normalidade na EEB com melhora significativa dos escores em ambos os grupos. O equilíbrio dinâmico e a marcha estiveram alterados no TUG e DGI para o grupo com a afecção do CSC lateral, o que também melhorou após a intervenção.

1. Ribeiro KM, Freitas RV, Ferreira LM, Deshpande N, Guerra RO. Effects of balance Vestibular Rehabilitation Therapy in elderly with Benign Paroxysmal Positional Vertigo: a randomized controlled trial. Disabil Rehabil. 2017;39(12):1198-1206.
2. Power L, Murray K, Szmulewicz DJ. Characteristics of assessment and treatment in Benign Paroxysmal Positional Vertigo (BPPV). J Vestib Res. 2020;30(1):55-62.
3. Castro ASO, Gazzola, JMG, Natour J, Ganança FF. Brazilian version of the Dizziness Handicap Inventory. Pro-Fono. 2007;19(1):97-104.
4. Miyamoto ST, Lombardi Junior I, Berg KO, Ramos LR, Natour J. Brazilian Version of the Berg Balance Scale. Braz J Med Biol Res. 2004;37(9):1411-21.
5. Castro SM, Perracini MR, Ganança FF. Versão brasileira do Dynamic Gait Index. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006;72(6):817-25.
6. Podsiadlo D, Richardson S. The timed "Up & Go": a test of basic functional mobility for frail elderly persons. J Am Geriatr Soc. 1991;39(2):142-148.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
771
EFEITOS DA LASERTERAPIA NA FUNÇÃO MASTIGATÓRIA E MOVIMENTOS MANDIBULARES EM INDIVÍDUOS COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A Disfunção temporomandibular (DTM) é uma alteração complexa que envolve um conjunto de distúrbios que afetam os músculos da mastigação, as articulações temporomandibulares e estruturas associadas, podendo acarretar prejuízos na função mastigatória e movimentos mandibulares. Os principais sinais e sintomas da DTM são: a limitação dos movimentos mandibulares, sensibilidade nos músculos mastigatórios, ruídos articulares, dor orofacial e cefaleia. Dentre os diversos tratamentos que podem ser utilizados na intervenção desta patologia, uma das terapias não invasivas mais utilizadas é o Laser de Baixa Potência (LBP) que vem trazendo resultados satisfatórios pelos benefícios fornecidos aos pacientes com suas ações de analgesia, anti-inflamatória e regenerativa1. OBJETIVO: Realizar uma revisão integrativa sobre os efeitos do LBP na função mastigatória e nos movimentos mandibulares em adultos com DTM. MÉTODOS: A revisão foi conduzida a partir da seguinte pergunta: “Quais os efeitos do laser de baixa potência no desempenho da função mastigatória e nos movimentos mandibulares em adultos com DTM?”. Realizou-se uma busca nas bases de dados Pubmed, Lilacs, Embase, Web of Science, Scopus, Cochrane, Google Scholar e Science Direct. A estratégia de busca utilizada foi: “temporomandibular joint disorders” AND “low level light therapy” OR “low level laser therapy” AND “mastication” OR “mandible”. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, que envolveram adultos diagnosticados com DTM, que realizaram avaliação da função mastigatória e/ou mandibular, e intervenção com LBP. Foram encontrados 96 artigos, sendo nove selecionados. RESULTADOS: Os estudos apontam efeitos distintos, com aumento significativo da amplitude de movimento mandibular, resultados mais precoces e expressivos em indivíduos submetidos a uma maior dose de laser, com avaliações realizadas imediatamente após a primeira, quinta e décima aplicação, assim como cinco semanas após a conclusão das aplicações2. Alguns estudos compararam o uso do laser com outras terapias conservadoras, tais como: exercícios oromiofuncionais, terapia miofuncional orofacial, placa oclusal, toxina botulínica, neuroestimulação elétrica transcutânea, estímulo muscular microelétrico e laser acupuntura, mas aqui serão relatados apenas os efeitos isolados do LBP. Os resultados apontaram efeitos significativos na abertura oral máxima (AOM), mas foram considerados, apenas, os períodos antes e após o tratamento3,4. Outra pesquisa revelou ganhos de amplitude não só na AOM, mas também nos demais movimentos mandibulares como as excursões laterais e protrusão5. Já em outros estudos, que também avaliaram os efeitos antes e após a intervenção, os indivíduos não apresentaram aumento significativo na AOM6 e não foram encontrados resultados significativos em mobilidade e função7. Considerando o efeito imediato, os resultados também são distintos, dois estudos identificaram aumento da AOM8,9. E também verificou-se aumento nas médias dos movimentos mandibulares em todas as avaliações de indivíduos submetidos a laserterapia, porém quando comparado ao grupo placebo, as medidas de AOM não foram significativamente diferentes, mas em alguns momentos após a terapia, movimento protrusivo, lateralidade direita e esquerda da mandíbula foi significativamente maior nos indivíduos que receberam a intervenção10. CONCLUSÃO: Percebe-se uma escassez de estudos que abordem os efeitos do laser na função mastigatória e nos movimentos mandibulares. Além disso, há uma variabilidade grande dos parâmetros de intervenção propostos e do modo de avaliação dos desfechos.


1. Sobral, APT, Godoy, CLH, Fernandes, KPS, et al. Photomodulation in the treatment of chronic pain in patients with temporomandibular disorder: protocol for cost-effectiveness analysis. BMJ Open 2018; 8: e018326.doi: 10.1136/ bmjopen - 2017 - 018326.

2. da Silva MAMR, Botelho AL, Turim CV, Silva AMR. Low Level Laser Therapy as an Adjunctive Technique in the Management of Temporomandibular Disorders. Cranio. 2012 Oct;30(4):264-71.

3. Öz S, Gökçen-Röhlig B, Saruhanoglu A, Tuncer EB. Management of myofascial pain: low-level laser therapy versus occlusal splints. J Craniofac Surg. 2010;21(6):1722-1728.

4. Salmos-Brito JA, de Menezes RF, Teixeira CE, et al. Evaluation of low-level laser therapy in patients with acute and chronic temporomandibular disorders. Lasers Med Sci. 2013;28(1):57-64.

5. Rohlig BG, Kipirdi S, Meric U, Capan N, Keskin H. Masticatory muscle pain and low-level laser therapy: a double-blind and placebo-controlled study. Turk J Phys Med Rehab 2011;57(1): 31‐37.

6. De Carli BM, Magro AK, Souza-Silva BN, et al. The effect of laser and botulinum toxin in the treatment of myofascial pain and mouth opening: A randomized clinical trial. J Photochem Photobiol B. 2016;159:120-123.

7. Machado BC, Mazzetto MO, Da Silva MA, de Felício CM. Effects of oral motor exercises and laser therapy on chronic temporomandibular disorders: a randomized study with follow-up. Lasers Med Sci. 2016;31(5):945-954. doi:10.1007/s10103-016-1935-6

8. Kato MT, Kogawa EM, Santos CN, Conti PCR. Tens and low-level laser therapy in the management of temporomandibular disorders. J Appl Oral Sci. 2006;14(2):130-5.

9. Kogawa EM, Kato MT, Santos CN, Conti PC. Evaluation of the efficacy of low-level laser therapy (LLLT) and the microelectric neurostimulation (MENS) in the treatment of myogenic temporomandibular disorders: a randomized clinical trial. J Appl Oral Sci. 2005;13(3):280-285.

10. Madani A, Ahrari F, Fallahrastegar A, Daghestani N. A randomized clinical trial comparing the efficacy of low-level laser therapy (LLLT) and laser acupuncture therapy (LAT) in patients with temporomandibular disorders. Lasers Med Sci. 2020;35(1):181-192.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
2143
EFEITOS DA MÚSICA NA COMUNICAÇÃO DO IDOSO: PANORAMA DAS PESQUISAS BRASILEIRAS REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)




Lígia Silva Pinheiro, Camila de Castro Corrêa

Objetivo: Investigar os efeitos da música na comunicação do idoso, especificamente quanto à estimulação da comunicação, cognição, prosódia, entonação e memória, na literatura científica brasileira, por meio de uma revisão bibliográfica. A voz do idoso e as funções corporais, sofre um declínio por volta de 65 anos. Na senescência, ocorrem alterações naturais fisiológicas, e com o passar dos anos, como consequência, o idoso enfrenta uma série de fatores que desencadeiam alterações na qualidade de vida, como a diminuição das habilidades em se comunicar, falar, cantar, ouvir, deglutir.
Método: A revisão bibliográfica foi realizada nas bases de dados Google Acadêmico, Ibecs, Lilacs e Scielo, utilizamos os seguintes descritores Música AND Fonoaudiologia, Música AND idoso AND reabilitação. Resultado: Por meio das buscas, com o primeiro cruzamento, foram localizados 463 estudos, entretanto 124 cumpriram os critérios de inclusão. Já na segunda busca específica, houve a localização de 63 artigos, 8 foram excluídos por conter temas relacionados a audição, e 3 não estiveram presentes de modo completo on line, sendo 33 lidos na íntegra. Desta forma, resultou de 10 artigos incluídos desta busca. Dentre as diversidades dos temas encontrados, as pesquisas demonstraram uma lentidão no prejuízo funcional da fala, e melhora na sequencialização, verbalização, atenção, entonação, prosódia, e através da estimulação neuronal, a lateralização, sequência lógica, espaço temporal, memória e comportamento. Conclusão: Verificou-se as intervenções fonoaudiológicas somadas a terapia de entonação melódica, auxiliam em condições satisfatórias, como a conexão dos hemisférios direto e esquerdo, Os processos cognitivos musicais no campo da neurociência evoluíram nos últimos anos. A estimulação do campo límbico na maturidade, por meio da música, varia de acordo com cada indivíduo. Estudos da neurociência demostram os efeitos da música no cérebro humano. A música possibilita intervenção dinâmica, favorecendo a saúde, no idoso, estimulando melodias entonadas, ritmos variados, escalas musicais, afim de proporcionar o equilíbrio da circulação sanguínea, os batimentos cardíacos, harmonizando os efeitos fisiológicos nos cuidados paliativos, podendo favorecer e estabelecer uma nova conexão das cinco bases motoras da fala, reabilitação postural respiratória, fala, canto, linguagem, memória, aprendizagem e consequentemente melhorando a função de deglutição. Sugere-se futuros estudos, buscando padronizar protocolos para o acompanhamento do quadro evolutivo da comunicação, a curto e a longo prazo desses possíveis efeitos, amenizando ou retardando os prejuízos ao paciente e familiares.
Palavras Chaves: Música. Comunicação. Idoso. Fonoaudiologia

8. Pederiva PLM, Tristão RM. Música e Cognição. Ciência E Cognição. 2006; 9: 83-90. ISSN 1517-7599.





Sales CA, Silva VA, Pilger C, Marcon SS. A música na terminalidade humana: concepções dos familiares. Rev. Esc.
Enferm. USP. 2011;
Degani M, Mercadante EF. Os benefícios da música e do canto na maturidade. Kairós Gerontologia. 2011;.
Rocha VC, Boggio OS. A música por uma óptica neurocientífica. Per Musi. 2013; 27:132-140. http://www.scielo.br/scielo.
Rodrigues AC, Loureiro M, Caramelli P: Efeitos do treinamento musical no cerébro: aspectos neurais e cognitivos.
Neuropsicologia Latinoamericana. 2013;


TRABALHOS CIENTÍFICOS
269
EFEITOS DA OOAFS COM DOIS TIPOS DE DISPOSITIVOS RESPIRATÓRIOS DE ACORDO COM O TEMPO DE DESEMPENHO EM INDIVÍDUOS VOCALMENTE SAUDÁVEIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A técnica de oscilação oral de alta frequência sonorizada (OOAFS) tem sido utilizada na prática clínica por meio de dispositivos respiratórios como New Shaker® e Shaker Plus®1-3. Seus efeitos ainda são pouco conhecidos e os resultados preliminares sugerem que a técnica pode ser utilizada em um ambiente clínico para tratamento e treinamento da voz. Além disso os estudos publicados que investigaram os efeitos da OOAFS foram realizados apenas no tempo de três minutos e utilizando o dispositivo New Shaker®1-3. Para que o exercício proporcione um bom desempenho da função vocal é necessário que a sua dosagem seja satisfatória para produzir efeitos positivos na voz4,5. Dessa forma é imprescindível que sejam realizados estudos que verifiquem o melhor tempo de execução da OOAFS com os diferentes dispositivos respiratórios, bem como sua segurança em relação à qualidade e conforto vocal. Objetivo: Verificar a segurança e comparar os efeitos imediatos da OOAFS com dois dispositivos respiratórios na autopercepção e qualidade vocal, de acordo com os tempos de execução, em indivíduos vocalmente saudáveis. Método: O estudo foi aprovado pelo CEP sob parecer 3.286.539. Participaram 30 indivíduos (15 mulheres e 15 homens) sem queixa e alteração vocal. Todos realizaram a técnica OOAFS com o dispositivo New Shaker® e Shaker Plus® por três (T3), cinco (T5) e sete minutos (T7). Todos responderam a um questionário que investigou a intensidade dos sintomas laringofaríngeos/vocais e passaram por gravação vocal antes e após execução da OOAFS com cada dispositivo e nos diferentes tempos (para posterior análise perceptivo-auditiva e acústica). Após as execuções da OOAFS, nos diferentes tempos, os participantes responderam um questionário de autoavaliação das sensações vocais, laríngeas, respiratórias e articulatórias. Resultados: Houve diminuição dos sintomas laringofaríngeos "dor ao engolir", "secreção na garganta" e "pigarro" em T3 e aumento de "garganta seca" em T7, para ambos os gêneros e dispositivos. Houve aumento do sintoma "cansaço ao falar" em T3 para ambos os gêneros após OOAFS com dispositivo New Shaker®. Também observamos diminuição do sintoma "falhas na voz" e "tosse seca" após OOAFS Shaker Plus® para homens em T3, e "falhas na voz" para mulheres após OOAFS com New Shaker® em T5. Constatamos diminuição do parâmetro acústico shimmer para mulheres em T5 e, do parâmetro NHR em T7 para ambos os gêneros, independente do dispositivo respiratório. Não houve modificações quanto à analise perceptivo-auditiva da voz e autoavaliação das sensações após OOAFS com os dois dispositivos e para ambos os gêneros. Conclusão: A OOAFS executada com New Shaker® e Shaker Plus® é segura e pode ser utilizada na prática clínica vocal em indivíduos vocalmente saudáveis, respeitando as especificidades de cada gênero e dosagem de acordo com objetivo terapêutico. De forma geral, três minutos de OOAFS parece ser mais indicado para reduzir sintomas laringofaríngeos. Entretanto, executar três minutos de OOAFS com dispositivo New Shaker® pode levar ao aumento do sintoma "cansaço vocal", em ambos os gêneros. A execução da OOAFS por mais tempo (7 minutos) leva à redução de valores NHR em ambos os gêneros e em ambos dispositivos respiratórios.

Saters T. Maroti BD. Ribeiro VV. Siqueira LTD. Brasolotto AG. Silverio KCA. The Voiced Oral High-Frequency Oscillation technique’s immediate effect in individuals with dysphonic and normal voices. J Voice. 2019; 32(4):449-458.

Antonetti AES. Ribeiro VV. Moreira PAM. Brasolotto AG. Silverio KCA. Voiced High-frequency Oscillation and LaxVox: Analysis of Their Immediate Effects in Subjects With Healthy Voice. J Voice. 2019; 33(5): 808.e7–808.e14.

Piragibe PC. Silverio KCA. Dassie-Leite AP. et al. Comparison of the immediate effect of voiced oral high-frequency oscillation and flowphonation with tube of resonance in older adults vocally healthy. CoDAS. 2020; 32(4),1-10.

Menezes MH. de Campos Duprat A. Costa HO. Vocal and laryngeal effects of voiced tongue vibration technique according to performance time. J Voice. 2003;19(1):61-70

Menezes MH, Ubrig-Zancanella MT, Cunha MG, Cordeiro GF, Nemr K. The Relationship Between Tongue Trill Performance Duration and Vocal Changes in Dysphonic Women. J Voice. 2011; 25(4):167 – 175.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1936
EFEITOS DA TENS NOS MOVIMENTOS MANDIBULARES EM INDIVÍDUOS COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A disfunção temporomandibular é o termo utilizado para designar a um grupo de condições musculoesqueléticas e neuromusculares das ATMs, músculos mastigatórios e os demais tecidos associados, tendo como principal sintoma a dor orofacial, que pode resultar na limitação dos movimentos mandibulares1. Uma das ferramentas utilizadas para o tratamento das DTMs é a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), que constitui uma modalidade terapêutica não invasiva, controlada, em que pulsos elétricos aplicados ao sistema nervoso, produzem efeitos miorrelaxantes e analgésicos2. OBJETIVO: Realizar uma revisão integrativa sobre o efeito da Estimulação Nervosa Transcutânea nos movimentos mandibulares em indivíduos adultos com Disfunção Temporomandibular. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, na qual foi conduzida pela pergunta de pesquisa: “Quais os efeitos da TENS nos movimentos mandibulares de indivíduos adultos com DTM. A busca foi realizada nas bases de dados eletrônicas: Pubmed, Lilacs, Cochrone, Web of Science, Scopus e Google Scholar, utilizando-se os descritores ”Transcutaneous Eletric Nerve Stimulation” AND “Temporomandibular joint disorders” AND “mastication” OR “Chewing” em inglês, português e espanhol e suas combinações. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos comparativos e artigos originais que descreveram os efeitos do TENS nos movimentos mandibulares em indivíduos adultos com idade de 18 a 65 anos e com diagnóstico de DTM. RESULTADOS: Utilizando os descritores selecionados, foram encontrados 176 estudos. Após a filtragem por duplicação, idioma e texto completo disponível, restaram 23 trabalhos. Destes, a partir da avaliação de títulos, resumos e metodologia, foram incluídos seis artigos. Nos estudos selecionados, a idade dos sujeitos variou de 18 a 60 anos, com predominância do sexo feminino. Quanto ao tempo de estimulação por sessão, constatou-se uma média de 30 minutos. Todos os artigos incluídos2,3,4,5,6,7 apresentaram resultados significativos para a dor orofacial e sensibilidade muscular, em relação a abertura de boca funcional, quatro estudos verificaram a eficácia do TENS, onde o seu efeito nas relações maxilomandibulares foi de um apreciável aumento do espaço funcional livre, decorrente da melhora do padrão funcional da musculatura elevadora da mandíbula2,3,4,5. Em um desses estudos4, a média da abertura máxima da boca foi estatisticamente significativa para os momentos pré e pós-tratamento, porém, ao comparar as estratégias de intervenção (Ultrassom terapêutico e TENS) entre si, antes e após o tratamento, não foi encontrada significância estatística. Um artigo ainda observou que além da melhora na abertura de boca, houve um ganho na amplitude de movimento articular em relação à protrusão e o desvio lateral da mandíbula. Quando comparada à estimulação nervosa por microcorrente, assim como ao ultrassom terapêutico, a TENS teve efeito inferior para o aumento dos movimentos mandibulares3,4 CONCLUSÃO: Percebe-se que os resultados sobre os efeitos da terapia com TENS nos movimentos mandibulares são controversos, pois alguns estudos mostram que há efeitos sobre o espaço funcional livre, mas quando comparados a outras intervenções, apresenta o efeito igual ou não significativo. Ressalta-se a necessidade para a realização de estudos futuros pelo pequeno número de pesquisas em que o foco principal são os movimentos mandibulares e não a dor orofacial, envolvendo a TENS como modalidade terapêutica.

1. CONTI, P. C. R. et al. Management of painfull temporomandibular joint clicking with different intraoral devices and counseling: a controled study. J. Appl. Oral Sci, Bauru, July, 2015.

2. BASSANTA, A. D. et al. Estimulação elétrica neural transcutânea ("TENS"): sua aplicação nas disfunções temporomandibulares. Rev. Odontol. Univ. São Paulo, v.11, n.2, p.109-116, abr./jun. 1997, DOI: 10.1590/S0103-06631997000200007.

3. SARANYA, B. et al. Comparison of Transcutaneous Electric Nerve Stimulation (TENS) and Microcurrent Nerve Stimulation (MENS) in the Management of Masticatory Muscle Pain: A Comparative Study. Pain Research and Management, Hindawi p.5, 2019, DOI: 10.1155/2019/8291624.

4. RAI, S. et al. Management of myofascial pain by therapeutic ultrasound and transcutaneous electrical nerve stimulation: A comparative study. European Journal of Dentistry, v. 10, Jan-Mar 2016.

5. CARVALHO, A.G.C. et al. Influência da Cinesioterapia e da Estimulação Elétrica Transcutânea (TENS) em portadores de Disfunção Temporomandibular. Rev. Bras. ci. Saúde, 16(s2): 17-24, 2012, DOI:10.4034/RBCS.2012.16.S2.03.

6. ZHANG, Y. et al. Effect of transcutaneous electrical nerve stimulation on jaw movement-evoked pain in patients with TMJ disc displacement without reduction and healthy controls. Acta Odontologica Scandinavica, 2019, DOI: 10.1080/00016357.2019.1707868.

7.CANOSSA, L.A. et al. Aplicação da estimulação elétrica nervosa transcutânea em indivíduos com disfunção temporomandibular: ensaio clínico randomizado. Rev. Pesqui. Fisioter. 2019;9(2):174-178, DOI: 10.17267/2238-2704rpf.v9i2.2283.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1685
EFEITOS DA TERAPIA COM TUBO DE RESSONÂNCIA NA QUALIDADE VOCAL DE INDIVÍDUOS COM DOENÇA DE PARKINSON
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa, lenta e progressiva1 com incidência de um a dois a cada 1000 indivíduos2. Estima-se que 90% dos indivíduos com DP apresentam modificações na comunicação oral3, com alterações de fluência, diminuição da velocidade de fala4, redução na intensidade vocal, falta de modulação de frequência, qualidade vocal alterada5-6 e outras alterações que caracterizam a disartria hipocinética. A literatura evidencia que a fonação em tubos de vidro é efetiva em diversos tipos de tratamentos7-9 e pode ser uma forma de tratar os aspectos vocais de indivíduos com DP. Porém faltam estudos que comprovem a efetividade dessa intervenção nessa população. Objetivo: verificar o efeito da terapia vocal com tubo de ressonância nas medidas perceptivo-auditivas e acústicas em indivíduos com Doença de Parkinson. Delineamento do estudo: estudo clínico, controlado e comparativo intrassujeitos. Método: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (parecer número 2.820.942) e todos os participantes assinaram o TCLE. Participaram 14 indivíduos com DP (dez homens e quatro mulheres) e disfonia hipocinética. A média de idade foi de 66,1 anos para homens e 73,75 anos para mulheres. Todos receberam oito sessões de terapia vocal, duas vezes por semana, com duração de 45 minutos cada. A terapia foi baseada em um estudo anterior10, composta por exercícios de trato vocal semiocluído – método fonação em tubo de ressonância (vidro - comprimento 27cm x 9mm de diâmetro), imerso em um recipiente com água. A profundidade do tubo na água variou de 2cm a 9cm, conforme a dificuldade de realização dos exercícios aumentava. As avaliações foram realizadas: inicialmente (M0), 30 dias após M0 (M1) e imediatamente após intervenção fonoaudiológica (M2). As avaliações constaram da mensuração da intensidade vocal, em dB (decibelímetro digital INSTRUTHERM/DEC-470), e gravação vocal da vogal /a/ para análise perceptivo-auditiva do grau geral de desvio da qualidade vocal e análise acústica (proeminência do pico cepstral suavizada - PPC-s, relação alfa e L1-L0). A análise perceptivo-auditiva foi realizada por três juízes, que analisaram as vozes aos pares, de forma randomizada e cega em relação aos momentos de avaliação, sendo que os mesmos deveriam comparar as vozes e julgar a melhor voz, frente ao parâmetro analisado. A análise estatística comparou os momentos M0/M1/M2 - teste ANOVA de medidas repetidas a um critério (intensidade e acústica) e Teste de Igualdade de Proporções (avaliação perceptivo-auditiva) – p< 0,05. Resultados: Constatou-se após intervenção (M0 x M2) em comparação ao período sem intervenção (M0 x M1): aumento da intensidade vocal (p=0,021); diminuição do desvio do parâmetro grau geral da qualidade vocal (p=0,049) e aumento de L1-L0 (p=0,048). Não foram observadas diferenças significantes entre os momentos M1 e M2. Conclusão: A terapia vocal por meio da fonação com tubo de ressonância foi efetiva quanto ao aumento da intensidade vocal e diminuição do desvio do grau geral da qualidade vocal em indivíduos com Doença de Parkinson. A análise acústica de longo termo indicou que pode ter ocorrido melhora da eficiência glótica, diminuindo o escape de ar após a intervenção.

1. MENESES, M. S.; TEIVE, H.A.G. Introdução. In:______. DOENÇA DE PARKINSON
– Aspectos Clínicos e Cirúrgicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. cap. 1,
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2. TYSNES, O. B.; STORSTEIN, A. Epidemiology of Parkinson’s disease. J Neural
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3. ZARZUR, A. P. et al. Laryngeal electromyography and acoustic voice analysis in
Parkinson’s disease: a comparative study. Braz J Otorhinolaryngol, v. 76, n. 1, p.
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4. JUSTE, F. S.; ANDRADE, C. R. F. Perfil da fluência da fala em diferentes tarefas para
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5. TINDALL, L. R, et al. Videophone-delivered voice therapy: a comparative analysis of
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6. PLOWMAN-PRINE, E. K. et al. Perceptual characteristics of Parkinsonian speech: a
comparison of the pharmacological effects of levodopa across speech and non-speech
motor systems. NeuroRehabilitation, v. 24, n. 2, p. 131-144. 2009.

7. SIMBERG, S. et al. The Effectiveness of Group Therapy for Students With Mild Voice
Disorders: A Controlled Clinical Trial. J Voice, v. 20, n. 1, p. 97–109, jun. 2006.

8. VAMPOLA, T. et al. Vocal tract changes caused by phonation into a tube: a case study
using computer tomography and finite-element modeling. J Acoust Soc Am, v. 129,
n. 1, p. 310–315, jan. 2011.

9. PAES, S. M. et al. Immediate effects of the Finnish resonance tube method on
behavioral dysphonia. J Voice, v. 27, n. 6, p. 717–722, nov. 2013.

10. SILVERIO, KCA et al. Resonance Tube Therapy in Parkinson’s Disease: Pilot Study. 2019 Abstracts 48th Annual Simposium The Voice Foundation - Care of the Professional Voice. SLP-P11. Disponível em: https://voicefoundation.org/wp-content/uploads/2019/05/2019-Abstracts_wTitlePage.pdf


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1603
EFEITOS DA TERAPIA FONOLÓGICA NO TRATAMENTO INTENSIVO DOS TRANSTORNOS FONOLÓGICOS: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: o uso inadequado de regras fonológicas e as trocas de fonemas pelas crianças é caracterizado como Transtorno Fonológico (TF). A avaliação dos TFs fornece informação a respeito dos aspectos fonológicos (inventário fonético, sistema fonológico, processos fonológicos e traços distintivos) e da gravidade deste. O tratamento dos TFs é gerenciado por modelos terapêuticos de base fonológica, como o Modelo de Ciclos Modificado, ou o Modelo de Estratos por Estimulabilidade e Complexidade de Segmentos, em formato de software (SIFALA), com atividades interativas.
Objetivo: comparar os efeitos da terapia fonológica quanto a aspectos fonológicos em crianças com TF submetidas a diferentes propostas terapêuticas: Grupo 1 (G1), tratado pelo Modelo de Ciclos Modificado; Grupo 2 (G2), tratado pelo Modelo de Estratos por Estimulabilidade e Complexidade de Segmentos com o SIFALA; Grupo 3 (G3), controle ativo, caracterizado pelo Placebo que não recebeu terapia fonológica, utilizava o computador para jogos online na sessão.
Metodologia: Trata-se de um ensaio clínico randomizado simples cego, registrado sob número identificador NCT02935062, que respeitou todas as diretrizes nacionais de saúde, além de ter sido aprovada no Comitê de Ética em pesquisa com o número 28053914.1.0000.5346. Participaram deste estudo 24 crianças com idades entre 4;11 meses e 8;11, sorteadas aleatoriamente para compor os grupos. Foram realizadas avaliações fonológicas específicas. As crianças apresentavam distintas gravidades do TF, assim como variadas alterações no sistema fonológico, as quais não foram consideradas quando sorteados os grupos. Realizou-se tratamento intensivo (três sessões semanais), totalizando 25 sessões. Para estimar os efeitos em cada terapia, foram utilizados o modelo de regressão linear com efeitos mistos e o modelo logístico politômico.
Resultados: o modelo de regressão linear propôs valores significativos para os efeitos da terapia no inventário fonético para G1 (p=0,002) e G2 (p=0,004), considerando que o último se aproximou do número total de sons a serem estabelecidos no inventário (n= 18,50). Em relação ao sistema fonológico, o resultado significativo foi apontado para G1(p=0,022). Quanto à ocorrência dos processos fonológicos, todas as crianças apresentaram redução de ocorrência, além disso, diminuíram os traços distintivos alterados, observados na média dos componentes. A gravidade também diminuiu na maioria das crianças estudadas. A terapia fonológica difere-se em relação às abordagens utilizadas, uma com enfoque em processos fonológicos (do G1) e a outra baseada em traços distintivos e com diferentes estratégias terapêuticas disponibilizadas no software utilizado. No G3 mesmo sem a fonoterapia, o grupo pontuou em alguns aspectos da pesquisa, mas não significativamente para os aspectos fonológicos. Estes receberam fonoterapia após o período de placebo.
Conclusão: Os tratamentos fonológicos ofertados auxiliaram na reabilitação dos TFs. Os grupos tratados foram beneficiados quanto à evolução da fonologia, pois o G1 comparado ao G2 obteve melhores escores relacionado ao aquisição dos sons do sistema fonológico, enquanto o G2 aprimorou o inventário fonético. Isto deve-se ao fato de que as abordagens testadas possuíam diferentes abordagens terapêuticas. O G3 como não recebeu intervenção, não evoluiu significativamente nos aspectos fonológicos. Os efeitos resultantes das terapias fonológicas propostas, auxiliaram na condução do desenvolvimento fonológico das crianças com TF.

Keske-Soares M, Brancalioni AR, Marini C, Pagliarin KC, Ceron MI. Eficácia da terapia para desvios fonológicos com diferentes modelos terapêuticos. Pró-Fono R. Atual.Cient.2008:20(3):395-400
Hodson BW, Paden EP. Targeting intelligible speech: a phonological approach to remediation. San Diego: College-Hill Press; 1983
Brancalioni AR, Keske-Soares M. Efeito do tratamento do desvio fonológico pelo modelo de estratos por estimulabilidade e complexidade dos segmentos com software de intervenção para fala (SIFALA). Rev. CEFAC. 2016;18(1):298-308
McLeod S, Baker E, McCormack J, Wren Y, Roulstone S, Crowe K, Masso S, White P, Howland C. Cluster- Randomized Controlled Trial Evaluating the Effectiveness of Computer-Assisted Intervention Delivered by Educators for Children With Speech Sound Disorders. Journal of Speech, Language and Hearing Research, v.60, p 1891-1910, 2017.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1210
EFEITOS DA VOZ ESOFÁGICA NA REABILITAÇÃO VOCAL DE LARINGECTOMIZADOS: REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA
Trabalho científico
Voz (VOZ)



Introdução: A laringectomia total é um procedimento cirúrgico criterioso frequentemente utilizado como opção para o tratamento de câncer avançado de laringe, ocasionando diversas mudanças como traqueostoma definitivo, alterações na fonação, olfato, respiração e deglutição. A voz esofágica (VE) é uma alternativa para que o paciente possa voltar a se comunicar, com a proximidade da voz natural, sem aparelhos, manutenções ou utilização das mãos e com melhor custo benefício. A importância de estudar formas de adquirir uma nova voz se dá por ela ser parte da identidade do indivíduo, que manifesta comunicação por meio de sentimentos, emoções e características pessoais. Objetivo: Realizar revisão integrativa de literatura relacionada aos efeitos do uso da VE para reabilitação vocal de laringectomizados totais. Metodologia: Estudo qualitativo, analítico-exploratório, através da seleção de artigos originais brasileiros e estrangeiros (1) envolvendo métodos utilizados para VE, (2) depoimentos de especialistas e sujeitos laringectomizados relacionados à escolha de utilização de VE e (3) estudos que analisaram qualidade de vida após o desenvolvimento da VE. Foi aplicado teste de relevância para verificação de atendimento aos critérios de inclusão e exclusão no sistema de busca de artigos científicos publicados nos últimos dez anos, utilizando os descritores laringe (larynx), reabilitação (rehabilitation), qualidade de vida (quality of life), neoplasias de cabeça e pescoço (head and neck neoplasms) e voz esofágica (speech esophageal) nas bases de dados Medline (PubMed), Scielo e Lilacs. Resultados: Foram selecionados dez artigos abordando a VE como método de reabilitação, qualidade de vida dos pacientes que utilizam a VE e análises visando à melhor qualidade na produção da voz pelo esôfago. A maioria dos participantes envolvidos nos estudos selecionados eram homens (87,24%) com idades entre 37 e 83 anos. Os estudos atestaram eficácia da intervenção fonoaudiológica para desenvolvimento da VE, destacando ser mais satisfatória a terapia em grupo e confirmaram a aquisição da VE como grande influência na recuperação da qualidade de vida dos pacientes. Além disso foi destacado a necessidade de aumento da convicção dos laringectomizados com relação a sua capacidade para dominar a VE. Em relação à qualidade de vida (protocolo QVV) tanto a VE quanto a voz traqueoesofágica apresentam resultados semelhantes e ambas tiveram melhor desempenho, quando comparadas à voz por meio de eletrolaringe. Conclusão: A análise de literatura especializada demonstrou escassez de metodologia e estratégias com verificação de eficácia, para o desenvolvimento da VE. Estudos com laringectomizados totais já apontaram boa recuperação da qualidade de vida desses sujeitos, associadas a escolha adequada do método de reabilitação, atendimento por equipe multidisciplinar, treinamento persistente e com determinação, incentivo e acompanhamento do paciente e seus familiares. Necessidade de mais estudos que discutam a VE, considerando-se as possibilidades de uma voz produzida sem aparelhos, recargas ou manutenções e com liberdade das mãos enquanto se produz a voz.

Descritores: laringe, reabilitação, qualidade de vida, neoplasias de cabeça e pescoço, voz esofágica.

1. Algave DP, LF Mourão. Qualidade de vida em laringectomizados totais: uma análise sobre diferentes instrumentos de avaliação. Rev. CEFAC. São Paulo. 2015. 17(1); 58-70

2. Gadenz CD et al. 2011. Análise da qualidade de vida e voz de pacientes laringectomizados em fonoterapia participantes de um grupo de apoio. Revista Distúrb Comu. São Paulo. 2011. 23(2); 203-215

3. Ţiple C et al. The impact of vocal rehabilitation on quality of life and voice handicap in patients with total laryngectomy. 2016. Research in Medical Sciences. Cluj Napoca. 21;129

4. Chen Q et al. Influence of Collective Esophageal Speech Training on Self-efficacy in Chinese Laryngectomees: A Pretest-posttest Group Study. Current Medical Science. Wuhan. 2019. 39(5); 810-815

5. Tóth A et al. The role of the different neoglottis forms in the development of esophageal voice. Acta Physiologica Hungarica. Debrecen. 2014. 101(3); 291–300

6. Angelis EC, Furia CLB, Mourão LF, Kowalski LP. A Atuação da Fonoaudiologia no Câncer de Cabeça e Pescoço. São Paulo. Lovise. 2000; 230 e 231(28)

7. Tang C.G., Sinclair C.F. Voice Restoration After Total Laryngectomy. Otolaryngologic Clinics of Nourth America. 2015; 48(4): 687-702

8. Hungria H. Laringectomia total simples no câncer da região glótica. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. 1980; 46 (3): 202-227. [acesso em maio 2020] Disponível em: http://oldfiles.bjorl.org/conteudo/acervo/print_acervo.asp?id=1811

9. Aprigliano F, Mello LFP. Tratamento Cirúrgico do Câncer da Laringe Análise de 1055 casos. Arq. Int. Otorrinolaringol. / Intl. Arch. Otorhinolaryngol. São Paulo. 2006. 10(1); 36-45, [acesso em maio 2020] Disponível em: http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/pdfForl/353.pdf

10. Rudolph E, Dyckhoff G, Becher H, Dietz A, Ramroth H. Effects of tumour stage, comorbidity and therapy on survival of laryngeal cancer patients: a systematic review and a meta-analysis. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2011; 268:165-179. [Internet]. [acesso em maio 2020] Disponível em: http://dx.doi.org/10.1007/s00405-010-1395-8. PMid:20957488


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1905
EFEITOS DE ABORDAGEM TERAPÊUTICA FONOLÓGICA E MULTISSENSORIAL EM CASOS DE TRANSTORNOS DOS SONS DA FALA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: Os Transtornos dos Sons da Fala (TSF) de base fonológica são denominados desta forma quando há prejuízo linguístico do inventário fonético em idade superior à esperada¹. Quando se tem o diagnóstico de TSF precisa-se de métodos de intervenção terapêuticos que objetivem a adequação do sistema fonológico na terapia fonoaudiológica. No Brasil estes modelos passaram a ser aplicados na década de 90 em falantes do Português Brasileiro (PB) e desde então vem sendo estudados com objetivo de comparações, modificações e ainda, possíveis generalizações². O Método MultiGestos® (MG®)³ que é baseado em onze princípios básicos, contempla todos os fonemas da Língua Portuguesa e apoia-se em pistas multissensoriais, em especial o uso de gestos manuais que são facilitadores para a programação e ampliação da fala, favorecendo na aprendizagem da mesma⁴.

Objetivo: verificar os efeitos do tratamento (inventário fonético, inventário fonológico e gravidade) na terapia fonológica sem e com apoio do MG®, em dois sujeitos com Transtornos dos Sons da Fala (TSF).

Método: A amostra foi selecionada por conveniência, composta por dois sujeitos (uma menina e um menino com TSF do tipo fonológico), pareados conforme a idade (4:8 e 4:10) no início da terapia. Os sujeitos foram submetidos a diferentes abordagens terapêuticas, sendo que S1 recebeu terapia fonológica com a proposta terapêutica “ABAB – Retirada e Provas Múltiplas”, sem apoio do MG®, e o S2 recebeu terapia fonológica com apoio do MG®. Ambos foram avaliados pré e pós-terapia quanto à evolução do sistema fonológico (inventário fonético, inventário fonológico e gravidade).

Resultados: Ambos sujeitos apresentaram evolução tanto no inventário fonético (IF), quanto no fonológico (Ifon) além de melhora da gravidade do TSF. Após a intervenção fonoaudiológica, S1 que apresentava cinco sons ausentes e foi tratado com o fonema /ʒ/ OI, adquiriu o som-alvo tratado e generalizou a produção correta para seu par cognato, o []. S2 apresentava cinco sons ausentes no IF e foi tratado com o som-alvo [ʒ] OM. Adquiriu o som-alvo estimulado e generalizou a produção correta para o fonema /g/, evidenciando generalização para outro som não tratado e para outra classe de sons. Quanto ao Ifon, S2 apresentava sete fonemas ausentes. Ao final da terapia observou a ausência de cinco fonemas. S2 apresentou melhores resultados no inventário fonológico, em 5 sessões de terapia, quando comparado ao S1 – que apresentou o mesmo número de fonemas presentes após a intervenção fonoaudiológica. Quanto ao PCC-R, o sujeito com TSF de maior gravidade, apresentou maior evolução quando comparado ao S1 com apoio do MG®.

Conclusão: após a terapia fonoaudiológica, ambos os sujeitos apresentaram evolução em seus inventários fonéticos e fonológico, além da atenuação da gravidade.

Referências Bibliográficas
1. Sugden E, Baker E, Munro N, Williams AL. Involvement of parents in intervention for childhood speech sound disorders: a review of the evidence. Int J Lang Commun Disord. 2016;51(6):597-625.
2. Gubiani MB, keske- Soares M, Marini CM. Desvio fonológico e alterações práxicas orofaciais e do sistema estomatognático . Rev. CEFAC. 2015; 17(1):134-42.
3. Azevedo CC, Silva LMP. Curso Educação à distância (EaD) MultiGestos. 2020. TechKnowledge Cursos e treinamentos EaD.
4. Cook SW, Goldin- Meadow S. The Role of Gesture in Learning: Do Children Use Their Hands to Change their Minds? Journal of Cognition and Development. 2008; 7, (2).


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1063
EFEITOS DE EXERCÍCIOS MIOTERÁPICOS DE LÁBIOS EM INDIVÍDUOS SEM DISTÚRBIOS MIOFUNCIONAIS OROFACIAIS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A Motricidade Orofacial (MO) é a área da Fonoaudiologia que compreende o estudo, avaliação, habilitação e reabilitação das funções estomatognáticas, segundo dois modelos terapêuticos básicos: a mioterapia e a terapia miofuncional1. Na área de MO, a efetividade terapêutica foi estudada utilizando-se diversos métodos comparativos, entretanto, o efeito muscular dos exercícios empregados pelos clínicos ainda apresenta evidência científica muito incipiente em relação a frequência e quantidade das séries em que devem ser realizados2. OBJETIVO: Analisar os efeitos obtidos no recrutamento de unidades motoras a partir da execução de exercícios mioterápicos de lábios isoladamente. METODOLOGIA: Através da aplicação de um questionário do Google Docs, foi realizado um levantamento dos exercícios dinâmicos e estáticos mais indicados por dez doutores na área de Motricidade Orofacial. A partir disso, foram eleitos os quatro exercícios utilizados no estudo. A presente amostra foi composta por 20 adultos jovens, submetidos à avaliação miofuncional pela aplicação do protocolo MBGR3 e subdivididos em quatro grupos iguais, com base na proposta de realização dos treinos com exercícios específicos, sendo dois grupos correspondentes aos exercícios isotônicos (Grupo A - Protrusão e Retração Labiais em Alternância e Grupo B – Vibração de Lábios) e dois aos isométricos (Grupo C – Protrusão Labial em Isometria e Grupo D – Explosão Labial). Os exercícios foram realizados duas vezes por dia, durante um período de 15 dias. A coleta dos dados consistiu na medição da atividade elétrica do músculo orbicular da boca, pré e pós-treino com exercícios, utilizando-se a Eletromiografia de Superfície4. A análise estatística foi realizada através dos testes Kolmogorov Smirnov e t-student, admitindo-se significância de 5%. RESULTADOS: Nas análises dos grupos que realizaram treino com exercícios isotônicos, foi observada correlação intragrupo significativa na prova de repouso do grupo B, para o feixe inferior do orbicular. Tal resultado pode ser justificado pela ativação de mecanorreceptores em toda a fibra muscular, pelo estímulo vibratório, possibilitando maior grau de alongamento e flexibilidade da musculatura e da natureza do estímulo proveniente da junção neuromuscular, com a interrupção da transmissão do potencial de ação, reduzindo o tensionamento muscular para o selamento labial5,6. Considerando os exercícios isométricos, observaram-se resultados significativos na correlação intergrupos da prova de mastigação no grupo C, para ambos os feixes musculares, além da correlação intragrupo significativa para o feixe inferior do orbicular na prova de repouso desse mesmo grupo, confirmando os efeitos obtidos com o exercício em questão. Estes resultados podem ser justificados pela natureza constritora do músculo orbicular da boca, que possui fibras do tipo II, ou seja, de transição, com coloração avermelhada e certo grau de resistência à fadiga7, além de apresentar ativação e atuação independentes dos segmentos mediais, laterais, superior e inferior de suas fibras8. Dessa forma, a execução do exercício em isometria ou de forma lentificada se sobressaem ao número de repetições. CONCLUSÃO: Os exercícios mioterápicos que apresentaram efeitos estatisticamente significativos no recrutamento de unidades motoras, a partir do treino realizado, foram a protrusão labial em isometria e a vibração de lábios, com aplicações clínicas para a intervenção em Motricidade Orofacial.

1. Rahal A. Bases da Terapia Miofuncional. In: Tessitore A, Marchesan IQ, Silva HJ da, Berretin-Felix G. Práticas clínicas em motricidade orofacial. Fortaleza: Melo; 2014. p. 147-152.
2.Ferreira TS, Mangilli LD, Sassi FC, Fortunato-Tavares T, Limongi SCO, Andrade CRF.Fisiologia do exercício fonoaudiológico: uma revisão da literatura. J SocBrasFonoaudiol. 2011; 23(3):288-96.
3.Genaro Katia Flores, Berretin-Felix Giédre, Rehder Maria Inês Beltrati Cornacchioni, Marchesan Irene Queiroz. Avaliação miofuncional orofacial: protocolo MBGR. Rev. CEFAC [Internet]. 2009 June [cited 2020 July 04] ; 11( 2 ): 237-255. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462009000200009&lng=en. https://doi.org/10.1590/S1516-18462009000200009.
4.REGIS, RMFL; NASCIMENTO, GKBO; SILVA, HJ. Protocolo de Avaliação eletromiográfica da musculatura periorbicular e supra-hióidea durante a fala. In: SILVA, HJ. Protocolos de eletromiografia de superfície em fonoaudiologia. Barueri: Copyright, 2013. p. 67-76.
5. J.W. McNamara, S. Sadayappan, Skeletal myosin binding protein-C: An increasingly important regulator of striated muscle physiology, Archives of Biochemistry and Biophysics (2018), doi: https://doi.org/10.1016/j.abb.2018.10.007.
6. ALENCAR, TAMD; MATIAS, KFS. Princípios Fisiológicos do Aquecimento Muscular na Atividade Esportiva. RevBrasMed Esporte – Vol. 16, No3,p. 230-234Mai/Jun, 2010.
7. Tessitore A, Pfelsticker LS, Paschoal JR. Aspectos neurofisiológicos da musculatura facial visando a reabilitação na paralisia facial. Rev. CEFAC. 2008; 10(1): 68-75.
8. Siqueira VCV, Sousa MA, Bérzin F, Casarini CAS. Análise eletromiográfica do músculo orbicular da boca em jovens com Classe II, 1ª divisão, e jovens com oclusão normal. Dental Press J Orthod. 2011;16(5):54-61.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1518
EFEITOS DE UM PROGRAMA DE ASSESSORIA EM VOZ E COMUNICAÇÃO PARA ESTUDANTES DE JORNALISMO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: A expressividade de fala e a qualidade vocal são instrumentos imprescindíveis para o desempenho profissional dos telejornalistas1, e esses recursos são utilizados para garantir a atenção de quem os assiste, transmitindo a informação com autenticidade, credibilidade e assertividade2,3. Apesar de tamanha exigência, raramente são encontrados subsídios nos cursos de graduação para atender às necessidades dos alunos, os preparando para a inserção no mercado de trabalho4. Desta forma, a realização de um programa de assessoria fonoaudiológica em voz e comunicação para os estudantes de Jornalismo se mostra importante.
OBJETIVO: Verificar a efetividade de um programa de assessoria em voz e comunicação para estudantes de jornalismo.
MÉTODO: Estudo intervencional, descritivo e quantitativo-qualitativo. Foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da instituição de origem, sob CAAE:12862819.9.0000.5188. Participaram 20 discentes do 6º período do curso de Jornalismo de uma instituição pública de ensino superior, os quais foram submetidos a um programa de assessoria em voz e comunicação. O programa contemplou: avaliação pré-intervenção, quatro oficinas e avaliação pós-intervenção. Os instrumentos aplicados, antes e após intervenção foram: Questionário de Saúde e Higiene Vocal5 e um questionário elaborado pelas pesquisadores sobre comunicação e expressividade. As oficinas abordaram conteúdos teórico-práticos: anatomofisiologia vocal; psicodinâmica vocal; atuação fonoaudiológica no jornalismo e telecomunicação em geral; cuidados com a voz; aquecimento e desaquecimento vocal; expressividade verbal e não verbal; estilos de narração e prosódia; preparação e demandas vocais; recursos comunicativos na narração jornalística. Os dados foram submetidos a análise estatística.
RESULTADOS: Observou-se que houve um aumento significativo nos escores obtidos quando comparados os dois momentos de aplicação do questionário (p=0,004; Z=-2,886; teste de Wilcoxon), apresentando uma média de escore antes das oficinas de 22,60 pontos (DP=8,210) e uma média pós oficinas de 27,85 pontos (DP=2,870). O percentual de indivíduos com escore abaixo do ponto de corte de 23 pontos no momento anterior às oficinas foi de 35%, caindo significativamente para 5% (p=0,043; teste exato de Fisher) após a realização delas. Comparando os dois momentos de aplicação dos questionários, observou-se que o grau de satisfação com a própria voz não alterou significativamente (p=0,208; Z=-1,259; teste de Wilcoxon), porém a autopercepção quanto à expressividade para dar notícias melhorou de forma significativa (p=0,024; Z=-2,263; teste de Wilcoxon), assim como a utilização de recursos não verbais ao dar essas notícias (p=0,017; Z=-2,391; teste de Wilcoxon).
CONCLUSÃO: O programa de assessoria em voz e comunicação é efetivo para o aumento dos conhecimentos em saúde vocal, melhora da expressividade e comunicação dos estudantes de Jornalismo. Os resultados apontaram melhora na utilização de recursos não-verbais e expressividade para dar notícias. Com isto, ressalta-se a importância da intervenção fonoaudiológica em relação aos telejornalistas desde a formação dos mesmos, sendo importante até mesmo a inserção de uma disciplina com essa abordagem – sobre voz e expressividade - na grade curricular, ministrada por uma fonoaudióloga, algo que não havia na instituição desta pesquisa.

1. França M. Voz em telejornalismo: fonoaudiologia e repórteres de TV. Kyrillos LR Fonoaudiologia e telejornalismo: relatos de experiência na rede globo de televisão Rio de Janeiro: Revinter. 2003;3–16.
2. Kyrillos L, Feijó DA, Cotes C. A fonoaudiologia no telejornalismo. In: Ferreira LP, Andrade e Silva MA. Saúde vocal: práticas fonoaudiológicas. São Paulo: Roca; 2002. p. 251-66. 2.
3. Pânico ACB. Comunicação profissional: fonoaudiologia e telejornal. Rev Fonoaudiol. 2005; 18:60.
4. Feijó D. Recursos Vocais in Kyrillos L; Cotes; C, Feijó D. Voz e Corpo na TV: A fonoaudiologia a serviço da comunicação São Paulo: Globo. 2003;67–91.
5. Moreti FTG. Questionário de Saúde e Higiene Vocal/QSHV desenvolvimento, validação e valor de corte. 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
721
EFEITOS IMEDIATOS DA ALTERAÇÃO DA VELOCIDADE DE FALA NA GAGUEIRA INFANTIL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A gagueira é um distúrbio do neurodesenvolvimento¹. caracterizada pela ocorrência de disfluências frequentes e involuntárias no fluxo contínuo da fala. Os indivíduos que gaguejam exibem anormalidades neurais que atrasam a programação motora da fala e, consequentemente, prejudicam o encadeamento das sílabas e das palavras no discurso². Com base nisso, apesar da redução da velocidade de fala ser frequentemente utilizada na terapia para a gagueira³, não foram encontradas evidências dessa técnica na população infantil. OBJETIVO: Verificar os efeitos imediatos da redução da velocidade de fala em crianças com gagueira, além de investigar suas autopercepções relativas à fluência, tensão, inteligibilidade e velocidade no discurso. MÉTODO: O estudo foi aprovado pelo comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o parecer no 3.019.713. Participaram 20 crianças de ambos os sexos, que foram divididas em dois grupos conforme o critério da faixa etária e escolaridade estabelecido na pesquisa, sendo: 10 crianças na faixa etária de 3 a 6 anos e 11 meses (Grupo de pré-escolares com gagueira – GPEG) e 10 crianças na faixa etária de 7 a 11 anos e 11 meses (Grupo de Escolares com gagueira – GEG). Todas as crianças foram submetidas à uma breve intervenção para reduzir a velocidade de fala. Ressalta-se que a avaliação e confiabilidade da fluência, cálculo da velocidade de fala, a classificação da gravidade da gagueira e a aplicação do protocolo de autopercepção da fala foram realizadas para a velocidade habitual (pré-intervenção) e lenta (pós-intervenção). A análise estatística intragrupos foi realizada por meio do teste dos Postos Sinalizados de Wilcoxon. RESULTADOS: Ao comparar os resultados obtidos nas duas velocidades de fala investigadas, observa-se que a fala lenta proporcionou com valores significantes: diminuição significativa das disfluências típicas da gagueira e do total de disfluências e, também, no SSI-3, diminuição do escore da frequência e do escore total no GPEG, e de todos os escores do instrumento no GEG. Não houve redução estatística da velocidade de fala das crianças de ambos os grupos. Quanto à autopercepção, as crianças, de ambos os grupos, relataram que a fala tornou-se mais fácil, sem experienciação de tensão e, perceberam, ainda, aumento da inteligibilidade e diminuição da ocorrência da gagueira na fala lenta. CONCLUSÃO: Observou-se os efeitos imediatos da redução da velocidade de fala foram benéficos para as crianças em idade pré-escolar e escolar, uma vez que diminuíram as disfluências típicas da gagueira e o total de disfluências, reduziram os escores do SSI-3 para ambos os grupos, porém, as crianças em idade escolar apresentaram melhores resultados. E, quanto a autopercepção em relação à fala lenta, ambos os grupos relataram que a fala tornou-se mais fácil e inteligível, sem experienciação de tensão e perceberam, ainda, que diminuiu a ocorrência da gagueira.

1. Daliri A, Wieland EA, Cai S, Guenther FH, Chang S. Auditory-motor adaptation is reduced in adults who stutter but not in children who stutter. Dev. Sci. 2017; 21(2): 1-11.
2. Civier O, Bullock D, Max L, Guenther FH. Computational modeling of stuttering caused by impairments in a basal ganglia thalamo-cortical circuit involved in syllable selection and initiation. Brain Lang. 2013; 126(3): 263-278.
3. Yaruss JS. Evaluating and treating school-aged children who stutter. Semin Speech Lang. 2010; 31(4): 262-271.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1012
EFEITOS IMEDIATOS DA FOTOBIOMODULAÇÃO COM LASER DE 660 NM E 808 NM NA FADIGA ELETROMIOGRÁFICA DO MÚSCULO ORBICULAR DA BOCA: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO TRIPLO CEGO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: O músculo orbicular da boca tem relação direta com o vedamento labial e participa ativamente de funções importantes como respiração, mastigação, deglutição, fala e mímica facial(1). Algumas condições clínicas levam a alterações no músculo orbicular da boca, por exemplo, respiração oral, paralisia facial, hábitos orais deletérios, dentre outras(2-4). Uma das estratégias que pode ser adotada nestes casos, a mioterapia, envolve a realização de exercícios para melhora da força e da coordenação muscular(2). A sustentação de exercícios musculares pode acarretar dores, desconforto e interferência no desempenho motor, o que caracteriza a fadiga muscular(5). Estudos demonstram que o laser de baixa intensidade é capaz de retardar a fadiga na musculatura esquelética corporal(6), porém não existem evidências de que o mesmo ocorra na musculatura orofacial. Objetivo: O objetivo deste estudo foi comparar os efeitos da fotobiomodulação com laser de baixa intensidade nos comprimentos de ondas de 660 nm (vermelho) e 808 nm (infravermelho) no desempenho do músculo orbicular da boca em tarefa de contração sustentada. Métodos: Trata-se de um ensaio clínico randomizado triplo cego, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE-03142818.9.0000.5096). Participaram do estudo 60 mulheres com idade entre 19 e 43 anos, divididas em quatro grupos. O grupo G1 recebeu irradiação com laser de comprimento de onda de 660 nm (vermelho) em quatro pontos sobre o músculo orbicular da boca, sendo dois no lábio superior e dois no lábio inferior, equidistantes do centro. O grupo G2 recebeu irradiação com laser de comprimento de onda 808 nm (infravermelho) nos mesmos pontos. O Grupo Controle não recebeu a irradiação e o Grupo Placebo foi submetido aos mesmos procedimentos do G1 e G2, porém, o equipamento permaneceu desligado. Os parâmetros da irradiação foram: potência de 100 mW, energia de 4 J por ponto, totalizando 16 J, área do spot de saída de 0,03 cm2, fluência de 133,3 J/cm2, densidade de potência de 3,3 W/cm2. O modo de operação foi contínuo e a aplicação com contato. O sinal elétrico do músculo orbicular da boca foi captado por meio da eletromiografia de superfície, sendo um eletrodo posicionado sobre o lábio superior e outro sobre o inferior. A avaliação eletromiográfica foi realizada antes e após a aplicação do laser, concomitantemente ao exercício de protrusão labial sustentada até o relato da sensação de fadiga. Em cada grupo, foram comparados os momentos pré e pós laser quanto à amplitude do sinal, em RMS e em valores normalizados pelo pico, e ao índice de fadiga eletromiográfica. Este índice foi resultado da divisão da frequência mediana dos cinco segundos finais pela frequência mediana dos cinco segundos iniciais do sinal(7,8). Resultados: A análise comparativa antes e após o uso do laser não indicou diferença com significância estatística, em nenhum dos grupos, para as variáveis pesquisadas, tanto no lábio inferior quanto no superior. Conclusão: Não houve diferença entre os valores de amplitude do sinal eletromiográfico ou entre os índices de fadiga eletromiográfica obtidos antes e logo após fotobiomodulação com comprimentos de onda de 660 e 808 nm, no músculo orbicular da boca.

1. D’Andrea E, Barbaix E. Anatomic research on the perioral muscles, functional matrix of the maxillary and mandibular bones. Surg Radiol Anat. 2006;28(3):261-66.
2. Schievano D, Rontani RMP, Berzin F. Influence of myofunctional therapy on the perioral muscles. Clinical and electromyographic evaluations. J Oral Rehabil. 1999;26:564-9.
3. Romão AM, Cabral C, Magni C. Early Speech therapy intervention in a patient with facial paralysis after otomastoiditis. Rev Cefac. 2015:17(3);996-1003.
4. Valentim AF, Furlan RMMM, Amaral MS, Martins FG. Can orofacial structures affect tooth morphology? In: Akarslan Z, Bourzgui F. Human teeth – key skills and clinical illustrations. London: IntechOpen; 2020.
5. Solomon NP. What is orofacial fatigue and how does it affect function for swallowing and speech? Semin Speech Lang. 2006;27(4):268–82.
6. Alves VNM, Furlan RMMM, Motta AR. Immediate effects of photobiomodulation with low-level laser therapy on muscle performance: an integrative literature review. Rev CEFAC. 2019:21(4);e130-19.
7. Vassão PG, Toma RL, Antunes HKM, Tucci HT, Renno ACM. Effects of photobiomodulation on the fatigue level in elderly women: an isokinetic dynamometry evaluation. Lasers Med Sci. 2016;31:275–82.
8. Souza CG, Borges DT, Macedo LB, Brasileiro JS. Low-level laser therapy reduces the fatigue index in in the ankle plantar flexors of healthy subjects. Lasers Med Sci. 2016;31(9):1949-55.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
477
EFEITOS IMEDIATOS DA LASERTERAPIA NA PERFORMANCE DO MÚSCULO MASSETER
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: a Laserterapia diz respeito a irradiação de tecidos com luz monocromática vermelha ou infravermelha, coerente e colimada. Seus efeitos de biomodulação das funções celulares já são conhecidos, como o efeito analgésico, de reparação tecidual, anti-inflamatório e anti-edematoso, e nos últimos anos a ênfase é nos estudos que investigam os efeitos da laserterapia para a performance muscular, que possui alto nível de evidência, mesmo levando em consideração a heterogeneidade de metodologias no que diz respeito à definição da dosimetria[1-7]. Procurou-se com o presente estudo elucidar os efeitos da laserterapia na musculatura mastigatória no que diz respeito à performance do músculo masseter durante sua função e também aos aspectos estruturais do músculo, levando a evidências científicas sobre o uso dessa tecnologia na prática clínica, como forma de potencializar a reabilitação. OBJETIVO: analisar o efeito imediato da laserterapia na performance do músculo masseter de adultos. Métodos: foram incluídos na pesquisa adultos entre 18 e 39 anos sem queixas de dor ou disfunções para o músculo masseter e/ou ATM. Trata-se de estudo do tipo experimental, analítico, triplo-cego, randomizado. Foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa sob o parecer nº 3.225.374. Todos os participantes foram esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As avaliações do músculo masseter foram realizadas por meio da avaliação da temperatura, tônus, rigidez, elasticidade, espessura, força de mordida e atividade elétrica antes e imediatamente após a aplicação da laserterapia. Os indivíduos foram randomizados em dois grupos placebo: P1 e P2, e dois grupos experimentais: E1 que recebeu 3 Joules de Energia por ponto, e grupo E2 que recebeu 6 Joules de Energia por ponto. O masseter foi irradiado em três pontos uma única vez, bilateralmente. RESULTADOS: Para os grupos placebo, as variáveis espessura à direita (p=0,07) e esquerda (p=0,01), elasticidade à direita (p=0,01) e tônus à esquerda (p=0,07) sofreram modificações, com aumento da espessura e elasticidade e diminuição do tônus, além da atividade elétrica à esquerda durante mastigação à direita (p=0,09) que mostrou tendência à diminuição. Para o grupo E1 houve tendência ao aumento da espessura à esquerda durante contração (p=0,08), da rigidez à direita (p=0,09) e diminuição do tônus à esquerda (p=0,06). No grupo E2, nenhuma das variáveis apresentou modificação para nenhuma das variáveis analisadas. CONCLUSÃO: Como nenhuma variável apresentou alteração após a aplicação de 6 Joules de Energia por ponto, acredita-se que essa quantidade de Energia proporcionou ao músculo masseter uma maior resistência à fadiga e às demais alterações consequentes da contração muscular.

1. Ferraresi C, Hamblin MR, Parizotto NA. Low-level laser (light) therapy (LLLT) on muscle tissue: performance, fatigue and repair benefited by the power of light. Photonics Lasers Med. 2012;1(4):267-86.
2. Sveshtarov V, Nencheva-Sveshtarova S, Grozdanova R, Prodanova K. Superluminous Devices Versus Low-Level Laser for Temporomandibular Disorders. Acta Medica Bulgarica. 2018;45(1):11-5.
3. Alsharnoubi J, Mohamed O. Photobiomodulation effect on children's scars. Lasers Med Sci. 2018;33(3):497-501.
4. Lauriti L, de Cerqueira Luz JG, Agnelli Mesquita-Ferrari R, Fernandes KPS, Deana AM, Tempestini Horliana ACR, et al. Evaluation of the Effect of Phototherapy in Patients with Mandibular Fracture on Mandibular Dynamics, Pain, Edema, and Bite Force: A Pilot Study. Photomed Laser Surg. 2018;36(1):24-30.
5. Vieira K, Ciol MA, Azevedo PH, Pinfildi CE, Renno ACM, Colantonio E, et al. Effects of Light-Emitting Diode Therapy on the Performance of Biceps Brachii Muscle of Young Healthy Males After 8 Weeks of Strength Training: A Randomized Controlled Clinical Trial. J Strength Cond Res. 2019;33(2):433-42.
6. Leal-Junior EC, Vanin AA, Miranda EF, de Carvalho Pde T, Dal Corso S, Bjordal JM. Effect of phototherapy (low-level laser therapy and light-emitting diode therapy) on exercise performance and markers of exercise recovery: a systematic review with meta-analysis. Lasers Med Sci. 2015;30(2):925-39.
7. Nampo FK, Cavalheri V, Dos Santos Soares F, de Paula Ramos S, Camargo EA. Low-level phototherapy to improve exercise capacity and muscle performance: a systematic review and meta-analysis. Lasers Med Sci. 2016;31(9):1957-70.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
478
EFEITOS IMEDIATOS DA LASERTERAPIA NA PERFORMANCE DO MÚSCULO MASSETER
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: a Laserterapia diz respeito a irradiação de tecidos com luz monocromática vermelha ou infravermelha, coerente e colimada. Seus efeitos de biomodulação das funções celulares já são conhecidos, como o efeito analgésico, de reparação tecidual, anti-inflamatório e anti-edematoso, e nos últimos anos a ênfase é nos estudos que investigam os efeitos da laserterapia para a performance muscular, que possui alto nível de evidência, mesmo levando em consideração a heterogeneidade de metodologias no que diz respeito à definição da dosimetria[1-7]. Procurou-se com o presente estudo elucidar os efeitos da laserterapia na musculatura mastigatória no que diz respeito à performance do músculo masseter durante sua função e também aos aspectos estruturais do músculo, levando a evidências científicas sobre o uso dessa tecnologia na prática clínica, como forma de potencializar a reabilitação. OBJETIVO: analisar o efeito imediato da laserterapia na performance do músculo masseter de adultos. Métodos: foram incluídos na pesquisa adultos entre 18 e 39 anos sem queixas de dor ou disfunções para o músculo masseter e/ou ATM. Trata-se de estudo do tipo experimental, analítico, triplo-cego, randomizado. Foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa sob o parecer nº 3.225.374. Todos os participantes foram esclarecidos sobre os objetivos da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As avaliações do músculo masseter foram realizadas por meio da avaliação da temperatura, tônus, rigidez, elasticidade, espessura, força de mordida e atividade elétrica antes e imediatamente após a aplicação da laserterapia. Os indivíduos foram randomizados em dois grupos placebo: P1 e P2, e dois grupos experimentais: E1 que recebeu 3 Joules de Energia por ponto, e grupo E2 que recebeu 6 Joules de Energia por ponto. O masseter foi irradiado em três pontos uma única vez, bilateralmente. RESULTADOS: Para os grupos placebo, as variáveis espessura à direita (p=0,07) e esquerda (p=0,01), elasticidade à direita (p=0,01) e tônus à esquerda (p=0,07) sofreram modificações, com aumento da espessura e elasticidade e diminuição do tônus, além da atividade elétrica à esquerda durante mastigação à direita (p=0,09) que mostrou tendência à diminuição. Para o grupo E1 houve tendência ao aumento da espessura à esquerda durante contração (p=0,08), da rigidez à direita (p=0,09) e diminuição do tônus à esquerda (p=0,06). No grupo E2, nenhuma das variáveis apresentou modificação para nenhuma das variáveis analisadas. CONCLUSÃO: Como nenhuma variável apresentou alteração após a aplicação de 6 Joules de Energia por ponto, acredita-se que essa quantidade de Energia proporcionou ao músculo masseter uma maior resistência à fadiga e às demais alterações consequentes da contração muscular.

1. Ferraresi C, Hamblin MR, Parizotto NA. Low-level laser (light) therapy (LLLT) on muscle tissue: performance, fatigue and repair benefited by the power of light. Photonics Lasers Med. 2012;1(4):267-86.
2. Sveshtarov V, Nencheva-Sveshtarova S, Grozdanova R, Prodanova K. Superluminous Devices Versus Low-Level Laser for Temporomandibular Disorders. Acta Medica Bulgarica. 2018;45(1):11-5.
3. Alsharnoubi J, Mohamed O. Photobiomodulation effect on children's scars. Lasers Med Sci. 2018;33(3):497-501.
4. Lauriti L, de Cerqueira Luz JG, Agnelli Mesquita-Ferrari R, Fernandes KPS, Deana AM, Tempestini Horliana ACR, et al. Evaluation of the Effect of Phototherapy in Patients with Mandibular Fracture on Mandibular Dynamics, Pain, Edema, and Bite Force: A Pilot Study. Photomed Laser Surg. 2018;36(1):24-30.
5. Vieira K, Ciol MA, Azevedo PH, Pinfildi CE, Renno ACM, Colantonio E, et al. Effects of Light-Emitting Diode Therapy on the Performance of Biceps Brachii Muscle of Young Healthy Males After 8 Weeks of Strength Training: A Randomized Controlled Clinical Trial. J Strength Cond Res. 2019;33(2):433-42.
6. Leal-Junior EC, Vanin AA, Miranda EF, de Carvalho Pde T, Dal Corso S, Bjordal JM. Effect of phototherapy (low-level laser therapy and light-emitting diode therapy) on exercise performance and markers of exercise recovery: a systematic review with meta-analysis. Lasers Med Sci. 2015;30(2):925-39.
7. Nampo FK, Cavalheri V, Dos Santos Soares F, de Paula Ramos S, Camargo EA. Low-level phototherapy to improve exercise capacity and muscle performance: a systematic review and meta-analysis. Lasers Med Sci. 2016;31(9):1957-70.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
137
EFEITOS NEGATIVOS DECORRENTES DOS TRANSTORNOS DO SONO NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM INFANTIL
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: Sabe-se que durante a infância, são comuns os despertares noturnos. Na maioria dos casos, chega-se ao padrão de sono normal durante o crescimento. Isso se deve a diferentes causas, passando pelo processo de amadurecimento das vias cerebrais a condições familiares e socioeconômicas. Quando o padrão normal de sono não é alcançado, ainda na idade infantil, têm-se como consequência, além da sonolência, o temperamento nervoso, dificuldades de aprendizagem e, consequentemente, baixo desempenho escolar. É grande a importância do sono na vida diária, especialmente pensando no desenvolvimento físico e psicológico da criança, e suas influências sobre o comportamento infantil e o aprendizado.
Objetivo: Avaliar a possível correlação dos transtornos com o processo de aprendizagem de crianças em idade escolar.
Métodos: Realizou-se uma revisão integrativa de literatura nas bases de dados MEDLINE, LILACS, IBECS, Index Psicologia – Periódicos técnico-científicos, CUMED, BINACS, SOF - Segunda Opnião Formativa e Cochrane Library, utilizando os seguintes descritores (DescBvs): Transtornos do sono; Aprendizagem, e Criança. Foram considerados critérios de inclusão artigos disponíveis na íntegra e nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram considerados critérios de inclusão as publicações datadas nos últimos 10 anos disponíveis na íntegra e nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram excluídas as publicações não elaboradas nos idiomas citados, aquelas que não se encaixavam no período delimitado e as publicações que não abordavam o tema proposto pelo trabalho.
Resultados: Foram encontradas 176 publicações, das quais, após leitura de título e resumo e exclusão das duplicatas, 34 foram selecionados por se encaixarem nos critérios de inclusão. Destas, após avaliação da qualidade metodológica, apenas 18 permaneceram para efetivação do trabalho. As publicações mostram que existe um consenso na literatura sobre os efeitos negativos dos transtornos do sono no processo de aprendizagem infantil. As crianças com problemas de aprendizagem, em sua maioria, roncam, têm respiração ruidosa, além de insônia. Isso leva a dificuldades para manter foco, atenção e estado de alerta.
Conclusão: Com a análise das publicações encontradas, ainda que seja um número restrito, permitiu-se concluir que os transtornos do sono influenciam diretamente a aprendizagem das crianças. Entretanto, novos estudos são necessários para quantificar o tamanho do impacto acadêmico que essas crianças sofrem.

Melluso Filho AS. Hipoxemia noturna na infância e reflexos na atividade escolar. In: Reimão R, ed. Sono normal e doenças do sono. São Paulo:Associação Paulista de Medicina;2004. p.82-4.

Gonçalves MF, Reimão R. Sono e rendimento escolar de crianças de 7 a 9 anos. In: Reimão R, org. Sono normal e doenças do sono. São Paulo:Associação Paulista de Medicina;2004. p.269.

Reimão R, Lefèvre AB, Diament AJ. Avaliação populacional de características do sono na infância. J Pediatr (Rio de Janeiro). 1982;53(4):243-8.

Schirmer C, Fontoura DR, Nunes ML. Distúrbios da aquisição da linguagem e da aprendizagem. J Pediatr. 2004;80(2):S95-103


TRABALHOS CIENTÍFICOS
118
EFEITOS OTOTÓXICOS DA HIDROXICLOROQUINA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)
88115160


INTRODUÇÃO: Os medicamentos antimaláricos são prescritos há anos por serem de baixo custo e apresentarem um bom desempenho no tratamento de várias doenças do tecido conjuntivo(1), principalmente a hidroxicloroquina (HCQ)(2). No entanto, alguns casos de toxicidade audiovestibular são relatados após o uso deste medicamento(3-6).OBJETIVO: Apresentar evidências científicas, com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(7), sobre os efeitos ototóxicos da HCQ. MÉTODOS: Para a seleção dos estudos foi utilizada uma combinação de descritores baseada no Medical Subject Heading Terms (MeSH). Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO e BIREME. O período de busca dos artigos compreendeu janeiro de 2010 a maio de 2020, sem restrição de idioma e localização. RESULTADOS: Foram recuperados 148 artigos com potencial de inclusão, sendo que dois(8,9) responderam a pergunta norteadora que consistiu em buscar evidências dos efeitos ototóxicos da hidroxicloroquina. Esses estudos obtiveram pontuação 11 no protocolo modificado de Pithon et al.(10). A primeira pesquisa(8) selecionada relata o caso de uma paciente do sexo feminino diagnosticada com Lúpus Sistêmico (LS) que foi tratada com HCQ (400mg/dia) por muito anos e apresentou uma perda auditiva súbita bilateral associada à síndrome vestibular. A hipótese foi de perda auditiva devido ao uso de HCQ e o tratamento foi suspenso. Seis meses após diagnóstico da perda auditiva súbita foi constatada regressão da alteração. Após 15 anos tratando o LS com metotrexato associado a glicocorticoides a paciente apresentou dores articulares e o tratamento com HCQ foi reintroduzido na dose de 400 mg/dia, 5 dias por semana. Três meses depois a paciente apresentou síndrome vestibular periférica. Sendo assim, a HCQ foi suspensa novamente, não sendo constatada melhora subjetiva dos limiares auditivos, porém não houve recorrência da síndrome vestibular ou agravamento da perda auditiva. O segundo estudo(9) selecionado aborda o caso de uma paciente do sexo feminino, de 51 anos, diagnosticada com doença mista do tecido conjuntivo e tratada com HCQ (400mg/dia) e esteróides (40 mg/dia de prednisolona com redução gradual para 5 mg/dia e mantido) por um ano. Em terapia, ela se queixou de zumbido e piora gradual da audição no decorrer de seis meses, sendo diagnosticada com perda auditiva sensorioneural leve de origem idiopática. A audiometria tonal liminar (ATL), realizada seis meses após o início do tratamento com HCQ, mostrou uma progressão da perda com uma diminuição de cerca de 20 dB em ambas as orelhas. Ao revisar o histórico de medicamentos, a paciente não utilizou nenhuma medicação com potencial para toxicidade auditiva, exceto a HCQ. O tratamento com HCQ foi interrompido. A ATL foi repetida três meses após a interrupção da medicação e mostrou estabilização da audição com melhora dos limiares. CONCLUSÃO: As alterações audiovestibulares evidenciadas nos estudos sugerem uma possível ototoxicidade causada pela HCQ. A melhora nos exames audiológicos, bem como a regressão da síndrome vestibular após a interrupção do tratamento com HCQ, são argumentos fortes a favor da ototoxicidade causada por este medicamento.

1. Ruiz-Irastorza G, Ramos-Casals M, Brito-Zeron P. Clinical efficacy and side effects of antimalarials in systemic lupus erythematosus: a systematic review. Ann Rheum Dis 2010; 69:20–8.
2. Marmor MF, Kellner U, Lai TY. Revised recommendations on screening for chloroquine and hydroxychloroquine retinopathy. Ophthalmology 2011; 118:415–22.
3. Lim SC, Tang SP. Hydroxychloroquine-induced ototoxicity in a child with systemic lupus erythematosus. Int J Rheum Dis. 2011; 14: 1-2.
4. Maciaszczyk K, Durko T; Waszczkowska E, Erkiert-Polguj A, Pajor A. Auditory function in patients with systemic lupus erythematosus. Auris Nasus Larynx, 2011;38(1): 26-32.
5. Khalili, H; Dastan, F; Manshadi, S. A case report of hearing loss post use of hydroxychloroquine in a HIV-infected patient. Daru Journal Of Pharmaceutical Sciences. 2014; 22(1): 1-4.
6. Fernandes MRN, Soares DBR, Thien C, Carneiro S. Hydroxychloroquine ototoxicity in a patient with systemic lupus erythematosus. An. Bras. Dermatol. 2018;93(3):474-5.
7. Moher D, Shamseer L, Clarke M, et al. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015;4(1):1.
8. Chatelet JN, Auffret M, Combret S, Bondon-Guitton E, Lambert M, Gautier S. Surdité sous-hydroxychloroquine: premier cas de réintroduction positive et analyse de la base française de pharmacovigilance. Rev Med Interne. 2016; 38 (5): 340-43.
9. Patil A, Jerang Y, Mathew J. Hydroxychloroquine‑Induced Auditory Toxicity. Indian J Rheumatol. 2020; 15(1): 53-5.
10. Pithon MM, Santos;Anna LI, Baião FC, dos Santos RL, Coqueiro Rda S, Maia LC. Assessment of the effectiveness of mouthwashes in reducing cariogenic biofilm in orthodontic patients: A systematic review. J Dent. 2015;43:297-308.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
113
EFEITOS OTOTÓXICOS DO USO DE MEDICAMENTOS ANTINEOPLÁSICOS EM PACIENTES
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)
88102300


INTRODUÇÃO: Os quimioterápicos à base de platina desempenham papel importante no tratamento do câncer em diversos níveis e são os agentes ototóxicos mais citados quando analisadas evidências científicas, levando à perda auditiva e prejuízos na comunicação social(1,2). Dentre as drogas antineoplásicas, a cisplatina é a mais utilizada, sendo que os efeitos na cóclea podem incluir perda auditiva sensorioneural, bilateral, simétrica e irreversível(3-5). A incidência de perda auditiva em indivíduos tratados com quimioterápicos varia bastante na literatura, dependendo, dentre outros fatores, da dosagem do medicamento(3). OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(6), sobre os efeitos ototóxicos do uso de medicamentos antineoplásicos, tais como frequência de ototoxicidade e dose mínima necessária para o desencadeamento destes efeitos. MÉTODOS: Para a seleção dos estudos foi utilizada a combinação baseada no Medical Subject Heading Terms (MeSH). Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO e BIREME. O período de busca dos artigos compreendeu janeiro de 2010 a maio de 2020, sem restrição de idioma e localização. Foi realizada avaliação da qualidade dos artigos, na qual se incluía artigos apesentaram nota 11, baseado no protocolo modificado de Pithon et al. (2015)(7). RESULTADOS: Os estudos selecionados(8-10) foram do tipo transversal, sendo 2 cortes transversais de uma coorte multicêntrica. O tamanho amostral dos estudos foi bastante heterogêneo, envolvendo 15(8), 451(9) e 168(10) pacientes oncológicos, todos diagnosticados na infância, atendidos entre os anos de 1985 e 2000, no primeiro estudo, e nos dois últimos, foram usados os dados da coorte (Long-term Effects after Childhood Cancer (LATER) group) entre os anos de 1980 a 2012. A idade no diagnóstico variou de 0 a 18,9 anos, divergindo entre os estudos. As doses cumulativas de cisplatina, quando administradas isoladamente, variaram de 45 a 950 mg/m2, as de carboplatina, também foram administradas isoladamente e ficaram entre 104 a 9436 mg/m2 e quando usadas em combinação as doses cumulativas de cisplatina variaram de 80 a 570 mg/m2 e a de carboplatina de 400 a 6043 mg/m2. No estudo de Einarsson et al (2010), percebeu-se que no grupo com deficiência auditiva quatro dos seis indivíduos receberam uma dose cumulativa de cisplatina superior a 400mg/m2, enquanto no grupo com audição normal, apenas três dos nove indivíduos receberam essa mesma dose. A frequência geral de ototoxicidade evidenciada nos estudos variou de 36,3% a 42%, sendo o primeiro valor referente a alterações auditivas evidenciadas após a finalização do tratamento. A ototoxicidade causada pela cisplatina utilizada isoladamente foi de 83,3%(8), 45%(9) e 75,4%(10), e a causada pelo tratamento isolado com carboplatina foi de 17%(9) e 3,3%(10), enquanto a ototoxicidade causada pelo uso associado dos dois medicamentos foi de 16,6%(8), 75%(9) e 21,3%(10). Contatou-se uma deterioração auditiva após o final do tratamento quimioterápico. CONCLUSÃO: Alterações auditivas após o uso de medicamentos antineoplásicos à base de platina foram constatadas, sendo a ototoxicidade causada pela cisplatina a mais evidente. Porém, verificou-se uma importante heterogeneidade quanto à frequência da ototoxicidade e a dose mínima necessária para o desencadeamento destes efeitos.

1. Ding D, Allman BL, Salvi R. Review: ototoxic characteristics of platinum antitumor drugs. Anat Rec. 2012;295:1851-67.
2. Caldas EA, Dias RS. Medicações ototóxicas utilizadas no tratamento oncológico pediátrico: uma revisão sistemática. Audiol Commun Res. 2018;23:2007.
3. Liberman PH, Goffi-Gomez MV, Schultz C, Novaes PE, Lopes LF. Audiological profile of patients treated for childhood cancer. Braz J Otorhinolaryngol. 2016;82:623-9.
4. Dishtchekenian A, Iorio MCM, Petrilli AS, Paiva ER, Azevedo MF. Acompanhamento audiológico em pacientes com osteossarcoma submetidos à quimioterapia com cisplatina. Rev Bras Otorrinolaringol [Internet]. 2000 novembro-dezembro;66:580-90. [acesso 18 de junho de 2020]. Disponível em: http://oldfiles.bjorl.org/conteudo/acervo/acervo.asp?id=2521.
5. Borges GC, Borges RHM, Baraúna GN, Lopes Filho O. Ototoxidade causada pela cisplatina em crianças: Estudo retrospectivo. Rev Bras Otorrinolaringol [Internet]. 2001 maio-junho;67:292-5. [acesso 18 de junho de 2020]. Disponível em: http://oldfiles.bjorl.org/conteudo/acervo/acervo.asp?id=2765.
6. Moher D, Shamseer G, Clarke M ,Ghersi D, Liberati Um, Petticrew H, Shekelle P, Stewart LA . Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015; 4:1.
7. Pithon MM, Santos;Anna LI, Baião FC, dos Santos RL, Coqueiro Rda S, Maia LC. Assessment of the effectiveness of mouthwashes in reducing cariogenic biofilm in orthodontic patients: A systematic review. J Dent. 2015;43:297-308.
8. Einarsson JE, Petersen H, Wiebe T, Fransson AP, Grenner J, Magnusson M, et al. Long term hearing degeneration after platinum-based chemotherapy in childhood. International Journal of Audiology. 2010; 49: 765–71.
9. Clemens E, Vries CHA, Zehnhoff-Dinnesenc A, Tissing JEW, Loonen JJ, Pluijm FMS, et al.Determinants of ototoxicity in 451 platinum-treated Dutch survivors of childhood cancer: A DCOG late-effects study. Europen Journal of Cancer. 2016; 69: 77-85.
10. Clemens E, Vries CHA, Zehnhoff-Dinnesenc A, Tissing JEW, Loonen JJ, Pluijm FMS, et al.Hearing loss after platinum treatment is irreversible in noncranial irradiated childhood cancer survivors. Pediatric Hematology and Oncology. 2017; 1-10.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
131
EFEITOS OTOTÓXICOS DOS ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS: REVISÃO SISTEMÁTICA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: Questões relacionadas ao comportamento feminino, como aumento da escolaridade e a inserção no mercado de trabalho, corroboraram para a modificação populacional, pois se observa um aumento na procura e no consumo dos métodos contraceptivos, com o objetivo de postergar a gravidez(1). O aumento significativo do uso dos contraceptivos hormonais orais por tempo prolongado causa efeitos adversos, dentre os quais se encontram as alterações nos sistemas auditivo e vestibular(2-5). OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(6), sobre a associação entre uso de contraceptivos hormonais orais e alterações auditivas e vestibulares em mulheres. MÉTODOS: Para a seleção dos estudos foi utilizada a combinação de descritores baseada no Medical Subject Heading Terms (MeSH). Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO, ScienceDirect, SCOPUS e Google Acadêmico como busca cinza. Na busca foram admitas publicações em português, inglês e espanhol, compreendidas entre janeiro de 2013 e maio de 2019. Foi realizada avaliação da qualidade dos artigos, baseada no protocolo modificado de Pithon et al. (2015)(7), sendo 11 a pontuação mínima dos artigos admitidos nesta pesquisa. RESULTADOS: Inicialmente foram selecionados 353 artigos, sendo 351 excluídos por duplicação ou por não responderem os critérios de inclusão ou após análise dos títulos ou abstracts ou, ainda, por não responderem a pergunta norteadora, sendo 2 publicações selecionadas para a pesquisa. Os estudos admitidos(4,5) foram do tipo caso-controle e a pontuação qualitativa média foi de 12,5 pontos. O tamanho amostral dos estudos foi bastante heterogêneo, envolvendo 45(4) e 105(5) mulheres com idades entre 18 a 49 anos. No primeiro estudo(4), a amostra foi dividida em dois grupos (GE e GC), sendo GE constituindo por 30 mulheres em uso de contraceptivo hormonal oral e GC composto por 15 participantes sem uso de hormônios anticoncepcionais ou quaisquer outros tipo de medicamentos. Já no segundo estudo(5), a amostra foi dividida em dois grupos (G1 e G2), todas em uso de contraceptivos hormonais por pelo menos 2 meses. G1 foi composto por 52 mulheres com distúrbio do sistema auditivo e/ou de equilíbrio, e G2 constituído por 53 mulheres sem desordem do sistema auditivo e/ou de equilíbrio. No estudo de El-Zarea et al (2017)(4) a perda auditiva causada pelo uso do contraceptivo hormonal oral foi prevalente em 26% do GE, sendo predominantemente sensorioneural, além de ter sido relatado queixas de zumbido em 20% das participantes deste grupo. Urbaniak et al (2013)(5) encontraram perda auditiva de grau leve a moderado em 20 mulheres do G1, sendo 5,87±16,69% à direita e 3,47±8,14% à esquerda. A vertigem constatada nestas mulheres foi predominantemente central (59,6%), indicando dano labiríntico em 40,4% dos casos. Foi relatado ainda que, após cessar o uso do contraceptivo as participantes apresentaram importante possibilidade de não recuperar as características auditivas anteriores ao uso do medicamento. CONCLUSÃO: O uso de contraceptivos está possivelmente associado a alterações auditivas e vestibulares, tais como perda auditiva, zumbido e vertigem. Sendo assim, faz-se necessária a divulgação de informações a respeito dos efeitos audiovestibulares causados por estes medicamentos.

Rigotti JIR. Transição demográfica. Educ Real. 2012; 2: 467-90.

Mitre EI, Figueira AS, Rocha AB, Alves SMC. Avaliações audiométrica e vestibular em mulheres que utilizam o método contraceptivo hormonal oral. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006; 3:350-54.

Bittar RSM. Labirintopatias Hormonais: Hormônios Esteróides, Estrógeno e Progesterona. Int. arch. otorhinolaryngol. (Impr.). 1997; 4:1-32.

El-Zarea GAER, Ali AAE, Frahat MM, Arisha AMG. Effect of Combined Oral Contraceptive Pills on Auditory Function. Explore : the journal of science and healing. 2017; 10:17-21.

Urbaniak J, Zielin´Ska-Bliz´Niewska H, Miłon´sk JI, Pietkiewicz P, Kus´Mierczyk K, Olszewski J. Effects of oral contraceptives on selected parameters of the homeostatic control system in young women having a sudden disorder of the auditory and/or balance system. Eur Arch Otorhinolaryngol Suppl. 2013; 2: 321-26.

Moher D, Shamseer G, Clarke M ,Ghersi D, Liberati Um, Petticrew H, Shekelle P, Stewart LA . Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015; 4:1.

Pithon MM, Santos;Anna LI, Baião FC, dos Santos RL, Coqueiro Rda S, Maia LC. Assessment of the effectiveness of mouthwashes in reducing cariogenic biofilm in orthodontic patients: A systematic review. J Dent. 2015;43:297-308.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1839
EFEITOS PERCEPTIVOS-AUDITIVOS DE UM TREINAMENTO DE COMUNICAÇÃO ORAL EM LOCUTORES DE UMA RÁDIO UNIVERSITÁRIA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: os estudantes dos cursos de comunicação veem nas rádios universitárias a oportunidade de desenvolvimento das competências necessárias ao mercado de trabalho(1-4). OBJETIVO: descrever os efeitos perceptivos-auditivos de um treinamento de comunicação oral em locutores de uma rádio universitária. MÉTODOS: estudo de intervenção com oito participantes(aprovado por CEP sob o nº 2.780.453). Todos os universitários atuantes na rádio foi convidado, excluiu-se aqueles que estavam em terapia vocal concomitante ao estudo e que não assinassem o TCLE. Aplicou-se o Programa de Desenvolvimento da Expressividade para Comunicação Oral(5). Nele, ocorreu oito encontros com duas horas, cada, e moderado pela equipe de pesquisa com momentos de leitura em voz alta e fala encadeada em diferentes emoções; mostra de registros audiovisuais e estratégias para o desenvolvimento da autopercepção da comunicação oral e da saúde vocal. Coletou-se no primeiro e último encontro, o material para avaliação perceptivo-auditiva(APA) em que os participantes liam um texto informativo. Realizou-se a gravação em estúdio isolado acusticamente utilizando microfone Audio-technica modelo AT2020 com filtro anti-puff Shock Mount SH-100 conectados em dois cabos do tipo XLR da Canon-Canon, uma placa de áudio Behringer da linha U-phoria e modelo UMC204 HD. A distância do microfone na altura da boca era ≅5 centímetros. Três fonoaudiólogas, especialistas em voz e com o minimo de 8 anos de experiência na área realizaram APA deste material randomizado e com duplicação das amostras de dois locutores. Dicotomizou-se em leitura A e B, e apenas os pesquisadores sabiam quais momentos as amostras pertenciam. O protocolo para APA originou-se do estudo que propôs o treinamento(5). Utilizou-se o software R versão 3.6.3 para aplicação dos testes estatisticos. Analisou-se a concordância inter/intrajuízes pelo teste múltiplo de Kappa. Devido o baixo valor da concordância intrajuízes, considerou apenas o julgamento da juíza que mostrou maior coeficiência interna, sendo, o valor=1, quase perfeito(almost perfect)(6). Aplicou-se Teste T pareado para comparação das variáveis quantitativas e Teste Wilcoxon para comparação das variáveis qualitativas ordinais, Adotou-se o valor de significância estatística o p≤0,05. RESULTADOS: seis pares de leituras considerou-se diferentes. Dessas, quatro amostras após o treinamento foram julgadas melhor leitura. A associação da voz, fala e interpretação apontou-se como razão da escolha em três leitura sendo a mudança mais evidente, a dicção. Os valores das notas das leituras após o treinamento mostrou-se superior ao período anterior ao treinamento com significância estatistica(p=0,00409). A frequência de vozes com desvio leve no momento inicial era discretamente maior do que no final. A frequência vocal permaneceu inalterável com a maioria na classificação inadequada. A intensidade em ambos os momentos permaneceu majoritariamente parcialmente adequada. A velocidade de fala parcialmente adequada no começo e, no final, em parcialmente adequada e inadequada. As pausas inadequadas reduziram, aumentando a frequência de pausas parcialmente adequada. A modulação mostrou-se, em sua maioria, parcialmente adequada no inicio e final, e as enfâses mais inadequadas em ambos os períodos. CONCLUSÃO: houve baixa diferença dos efeitos na APA no inicio e no final do treinamento, recomenda-se mais investigações com amostras maiores e diferentes instrumentos pesquisando o potencial do treinamento.

1. Mora-Jaureguialde B, Pérez-Rodríguez MA. Blogs como recurso de una radio universitária. El caso de Uniradio-Huelva. Dos Algarves: A Multidisciplinary e-Journal, 31, 15-33. (2017). doi: 10.18089/DAMeJ.2017.31.2.
2. Bernad MS, Martín Pena D, Aldave CG. Análisis de las herramientas de producción radiofónica en las radios universitarias españolas. Cua. Doc. Multimedia 28 (2) 2017: 170-186. doi: 10.5209/CDMU.58341.
3. Ortiz Sobrino, M., Marta-Lazo, C. y Martín-Pena, D. (2016). La formación de competencias profesionales en los estudiantes de Comunicación Social de las emisoras universitarias en España y Portugal: situación y resultados asimétricos. Signo y Pensamiento, 35(68), 35-50. http://dx.doi.org/10.11144/Javeriana.syp35-68.fcpe.
4. Giorgi SM. (2017) Origin and decline of the first university radio web in France, Educational Media International, 54:3, 185-198, DOI: 10.1080/09523987.2017.1384152
5. Fernandes MCMB. Proposta de atuação fonoaudiológica para estudantes de comunicação: Efeitos de dois tipos de treinamento. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana (Fonoaudiologia). São Paulo, 2017.
6. Landis JR, Koch GG. The measurement of observer agrément for categorical data. Biometrics 33, 139-174. DOI: 10.2307 / 2529310 https://www.jstor.org/stable/2529310.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1019
EFEITOS TERAPÊUTICOS DA FOTOBIOMODULAÇÃO NA CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A terapia a laser de baixa intensidade para modular as fisiologias celular e tecidual pode ser aplicada a partir de fontes de luz, como o Diodo Emissor de Luz (LED) e a Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação (LASER) de baixa intensidade1. A fotobiomodulação se refere à aplicação de luz a um sistema biológico capaz de induzir um processo fotoquímico, principalmente nas mitocôndrias, com estimulação da produção de energia em forma de adenosina trifosfato (ATP)2, o que pode aumentar o metabolismo celular e produzir efeitos como analgesia3, regeneração de tecidos e cicatrização de feridas4, redução de fadiga muscular5, dentre outros. A Fonoaudiologia começa a despertar o interesse em integrar o grupo de profissionais que fazem uso da fotobiomodulação, por ser um recurso terapêutico não invasivo e sem toxicidade, com resultados promissores. Objetivo: Identificar e sistematizar os principais estudos que abordam a utilização terapêutica da fotobiomodulação nas especialidades da saúde e verificar o impacto destas intervenções nos distúrbios da comunicação humana. Métodos: Foram utilizadas as bases de dados Biblioteca Cochrane, Biblioteca Virtual de Saúde, Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem online (Medline) via PuBmed e Web of Science/ISI. Os descritores utilizados foram “Audiologia”, “Fonoaudiologia”, “Linguagem”, “Sistema Estomatognático”, “Terapia com luz de baixa intensidade” e “Voz” em inglês, português e espanhol e suas combinações, no período entre 2010 e 2020. Foram selecionados artigos originais e com resumos disponíveis que avaliaram efeito terapêutico da fotobiomodulação em diferentes distúrbios tratados pela Fonoaudiologia. Resultados: A amostra consistiu em 23 artigos, a maioria indexada na PubMed. As áreas da Saúde com maior número de publicações foram Fisioterapia e Medicina. O tamanho das amostras variou de um a 99 indivíduos, faixas etárias entre 15 e 77 anos e o comprimento de onda mais aplicado foi o infravermelho. A maioria das pesquisas evidenciou resultados positivos da aplicação da fotobiomodulação, embora, em poucas publicações tenham sido avaliados os efeitos dessa modalidade de tratamento associados a exercícios de reabilitação. Conclusão: A fotobiomodulação traz benefícios em diferentes distúrbios tratados por fonoaudiólogos, no entanto, há grande diversidade metodológica e ausência de protocolos específicos da dosimetria ideal para cada distúrbio.

1. Anders JJ, Arany PR, Baxter GD, Lanzafame RJ. Light-Emitting Diode Therapy and Low-Level Light Therapy Are Photobiomodulation Therapy. Photobiomodul Photomed Laser Surg. 2019;37(2):63-5.
2. Ferraresi C, Kaippert B, Avci P, Huang YY, de Sousa MV, Bagnato VS et al. Low-level Laser (Light) Therapy Increases Mitochondrial Membrane Potential and ATP Synthesis in C2C12 Myotubes With a Peak Response at 3-6 H. Photochem Photobiol. 2015;91(2):411-6.
3. Bjordal JM, Johnson MI Iversen V, Aimbire F, Lopes-Martins RAB. Low-Level Laser Therapy in Acute Pain: A Systematic Review of Possible Mechanisms of Action and Clinical Effects in Randomized Placebo-Controlled Trials. Photomed. Laser Surg. 2006;24:158-68.
4. Ojea AR, Madi O, Neto RML, Lima SE, Carvalho BT, Ojea MJR et al. Beneficial Effects of Applying Low-Level Laser Therapy to Surgical Wounds After Bariatric Surgery. Photomedicine and Laser Surgery.2016;34(11):580-5.
5. Nampo FK, Cavalheri V, Soraes FS, Ramos SP, Camargo EA. Low-level phototherapy to improve exercise capacity and muscle performance: a systematic review and meta-analysis. Lasers Med Sci. 2016;31(9):1957-70.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
114
EFETIVIDADE DA ALIMENTAÇÃO NA PREVENÇÃO DO CÂNCER DE TIREOIDE
Trabalho científico
Disfagia (DIS)
88102300


INTRODUÇÃO: Pesquisas determinaram alguns fatores de risco relevantes para o câncer de tireóide (CT), com exposição em diferentes padrões alimentares, estilos de vida, nutrição em populações distintas(1,2).Estudos relatam que os fatores alimentares desempenham um papel significativo na causa do CT(3,4). OBJETIVO: Apresentar evidências científicas com base em revisão sistemática da literatura (PRISMA)(5) verificando a efetividade da alimentação na prevenção CT. MÉTODOS: Para a seleção dos estudos foi utilizada a combinação baseada no Medical Subject Heading Terms (MeSH). Foram utilizadas as bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO, BIREME e SCOPUS. O período de busca dos artigos compreendeu entre janeiro de 2010 até março de 2020, sem restrição de idioma e localização. RESULTADOS: Foram identificados 32 antigos inicialmente, dos quais 8 foram para a avaliação de resumos. Desses, 2 foram excluídos por não responderem a pergunta norteadora. Procedeu-se a leitura na íntegra dos 5 artigos e após a aplicação dos critérios de elegibilidade, 3 estudos(6,7,8) sobre alimentação e prevenção do câncer de tireoide foram objeto da presente análise. Os estudos analisados foram do tipo estudo caso-controle e transversal. No estudo realizado por Clero et al. cerca de 90% dos casos de CT eram em mulheres, 80% dos participantes com CT e 60% dos casos controles estavam com sobrepeso ou obesidade respectivamente. O estudo objetivou comparar a dieta ocidental com a dieta da Polinésia Francesa e não encontraram associação entre um padrão alimentar ocidental e o risco de CT, porém um padrão alimentar polinésio tradicional indicou um considerável risco de desenvolver CT. Na pesquisa de Choi et al. os participantes foram questionados sobre sua frequência de ingestão e tamanho da porção de alimentos específicos consumidos durante o ano anterior, usando o questionário de frequência alimentar validado (QFA). Obtiveram como resultado que um alto consumo de cálcio estava associado a um risco reduzido de CT, porém não observaram associações significativas entre o risco de CT e os outros nutrientes. Destaca-se que Haslam et al. por meio de um questionário de base, consultou dados demográficos, estado de saúde e consumo de peixe e obtiveram que os casos controles (108 participantes) relataram um consumo médio mensal mais alto de peixes, além disso, os casos controles foram mais propensos a ter uma alta ingestão a longo prazo de ômega-3 em comparação com os casos de sujeitos com CT. A ingestão de ômega-3 foi associada a uma menor chance de desenvolvimento de CT. Além disso, a ingestão de bifenilos policlorados (PCBs), ou seja, compostos orgânicos sintéticos, não foi significativamente associada ao desenvolvimento de CT. CONCLUSÃO: Os estudos relataram uma possível associação entre a ingestão de alimentos e a prevenção do CT. Alimentos ricos em iodo podem fornecer um papel protetor contra o CT, porém níveis excessivos de iodo na dieta também podem, de forma negativa, afetar a função da tireoide devido às alterações nos níveis de hormônio da mesma. Os resultados das pesquisas ainda são controversos nas diferentes populações, pois possuem padrões alimentares e estilos de vida variados.

1. Liang J, Zhao N, Zhu C, et al. Dietary patterns and thyroid cancer risk: a population-based case-control study. Am J Transl Res. 2020;12(1):180–190. Published 2020 Jan 15.
2. Jung SK, Kim K, Tae K, Kong G, Kim MK. The effect of raw vegetable and fruit intake on thyroid cancer risk among women: a case-control study in South Korea. Br J Nutr. 2013;109(1):118–128.
3. Bandurska-Stankiewicz, Elżbieta et al. Efeito de hábitos e vícios nutricionais na incidência de carcinoma de tireóide na província de Olsztyn, na Polônia. Endokrynologia Polska , v. 62, n. 2, p. 145-150, 2011.
4. Zamora-Ros R, Castañeda J, Rinaldi S, et al. Consumption of Fish Is Not Associated with Risk of Differentiated Thyroid Carcinoma in the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC) Study. J Nutr. 2018;147(7):1366–1373.
5. Moher D, Shamseer G, Clarke M ,Ghersi D, Liberati Um, Petticrew H, Shekelle P, Stewart LA . Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Syst Rev. 2015; 4:1.
6. Cléro, Énora; Doyon, Françoise; Chungue, Vaïana; Rachéd, Frédérique; Boissin, Jean-louis; Sebbag, Joseph; Shan, Larrys; Bost-Bezenaud Frédérique. Dietary Iodine and Thyroid Cancer Risk in French Polynesia: a case control study. : A Case–Control Study. Thyroid. 2012; 22(4): 422-429.
7. Choi, YA, Lee, J. e Kim, J. Associação entre ingestão de nutrientes e risco de câncer de tireóide em mulheres coreanas. Pesquisa e prática em nutrição.2016; 10(3): 336–41.
8. Haslam, Alyson; ROBB, Sara Wagner; Bonner, Matthew R.; Linbland, William; Allegra, Joey; Shen, Ye; Vena, John E.. Polychlorinated biphenyls and omega-3 fatty acid exposure from fish consumption, and thyroid cancer among New York anglers. Journal Of Environmental Sciences. 2016;41: 270-7


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2077
EFETIVIDADE DA TERAPIA MIOFUNCIONAL OROFACIAL NA DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A disfunção temporomandibular (DTM) é definida por uma série de alterações funcionais e distúrbios dolorosos que envolvem: a articulação temporomandibular (ATM); músculos mastigatórios; estruturas e tecidos de regiões adjacentes. A etiologia da DTM é complexa e multifatorial. Há fatores que influenciam sua predisposição, aparecimento e continuidade da dor. Quanto à incidência, observa-se em indivíduos de 25 a 45 anos, com maior prevalência em mulheres. Para o diagnóstico da DTM há necessidade de parâmetros precisos. Para o diagnóstico clínico há o ResearchDiagnosticCriteria for TemporomandibularDisorders (RDC/TMD) (Critérios Diagnósticos para Disfunção Temporomandibular); uma nova versão do protocolo (RDC/TMD), denominado DiagnosticCriteria for TemporomandibularDisorders (DC/TMD), com o objetivo de aumentar a sensibilidade e as especificidades do anterior (RDC/TMD); Um parâmetro de identificação da DTM é o Índice de Helkimo (HI); Escala Visual Analógica (EVA), a qual mensura subjetivamente a intensidade da dor através de uma linha horizontal que pontua a dor de 0 a 10; protocolo Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores (AMIOFE). Na literatura tenta-se priorizar tratamento conservadores. Em particular, a fonoaudiologia apresenta uma abordagem conservadora, denominada de terapia miofuncional orofacial (TMO), que inclui exercícios miofuncionais orofaciais voltados aos componentes do sistema estomatognático (SE) aumenta a força dos músculos orofaciais; mobilidade de lábios, língua e bochecha; exercícios para mobilidade mandibular. Seu objetivo favorecer a adequação funcional do sistema estomatognático, como a função de mastigação, fala, deglutição e respiração, para que ocorra de modo equilibrado. Além da utilização de orientação e de estratégias que possibilitam a remissão da dor, e a liberdade dos movimentos mandibulares, as quais promovem adequação funcional do SE Objetivo: identificar evidências na literatura a respeito da efetividade da terapia miofuncional orofacial na redução da dor, após a intervenção nos indivíduos com DTM. Método: Trata-se de revisão integrativa da literatura. Os descritores utilizados foram: temporomandibular disorders, myofunctional therapy e myofunctional rehabilitation com os seguintes cruzamentos: “temporomandibular disorders” AND “myofunctional therapy”, “temporomandibular disorders” AND “myofunctional rehabilitation” e “temporomandibular disorders” AND “myofunctional therapy” AND “myofunctionalrehabilitation” nas seguintes plataformas de dados: Pubmed e BVS, a qual engloba as bases LILACS, MEDLINE; e nas bases SciELO e Google Scholar (GS). O levantamento realizado foram os artigos publicados entre 2009 e 2019. Foram excluídos os seguintes artigos: cuja amostra não realizou terapia miofuncional orofacial no tratamento da DTM; realizou terapia miofuncional orofacial na DTM associada à outra patologia fonoaudiológica; ser artigo de revisão, e artigos repetidos em bases de dados diferentes. Resultados: Ao final foram selecionados quatro artigos que seguiam os critérios de inclusão e respondiam a pergunta norteadora da pesquisa. Todos os estudos, n=4, 100%, corroboram que a TMO é uma técnica fonoaudiológica que apresenta eficácia para DTM muscular e articular. Conclusão: Esta revisão evidenciou que a terapia miofuncional orofacial foi eficaz no tratamento de indivíduos com DTM, seja ela aplicada de forma isolada, ou associada a outras técnicas.


RICHARDSON, K.; et al. The Effect of Oral Motor Exercises on Patients with Myofascial Pain of Masticatory System: CASE SERIES REPORT. N Y State Dent J., v. 78, n. 1, p. 32–7, 2012.

SASSI, Fernanda Chiarion et al. Tratamento para disfunções temporomandibulares: uma revisão sistemática. Audiol. Commun. Res.,São Paulo , v. 23, e1871, 2018 .

SILVA, Grasielle Vicentini et al. Tratamento de disfunção temporomandibular em crianças e adolescentes: revisão sistemática, 2013. 10 f. Monografia (Especialização em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, 2013.

TORRES, Flavia et al . Efeitos dos tratamentos fisioterapêutico e odontológico em pacientes com disfunção temporomandibular. Fisioter. mov., Curitiba, v. 25, n. 1, p. 117-125, Mar. 2012 .

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1230
EFETIVIDADE DA TERAPIA VOCAL ASSOCIADA OU NÃO A HIDRATAÇÃO LARÍNGEA DE SUPERFÍCIE EM IDOSAS: ENSAIO CLÍNICO, CONTROLADO E CEGO.
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Estudos apontam que as terapias vocais intensivas apresentam resultados benéficos para a qualidade vocal de idosos(1-5), dentre elas, a terapia intensiva com progressão de intensidade e de frequência de voz e de duração do tempo de fonação(1). Um dos fatores que promove melhora nas características biomecânicas das pregas vocais é a hidratação(6). Desta forma, a terapia vocal intensiva com progressão de intensidade e de frequência de voz e de duração do tempo de fonação associada à nebulização pode trazer melhores condições vocais em idosas. Objetivo: Analisar a autopercepção de sintomas vocais e laringofaríngeos e a qualidade de vida em voz em idosas após a realização da terapia vocal intensiva com progressão de intensidade e de frequência da voz e de duração do tempo de fonação associada e não associada à nebulização das pregas vocais. Método: Este ensaio clínico, randomizado e cego foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer nº 3.123.219). Participaram 18 idosas com queixas vocais, divididas em Grupo nebulização e terapia (GNT), constituído de nove participantes e média de idade de 69,22 anos, e Grupo terapia (GT), com nove participantes e média de idade de 69,67 anos. A casuística foi superior ao número indicado pelo cálculo amostral. Os dois grupos receberam a terapia vocal intensiva com progressão de intensidade e frequência da voz e de duração do tempo de fonação, de 12 sessões, ocorrendo em três semanas consecutivas. O GNT foi submetido à nebulização com 3ml de soro fisiológico (0,9%) no início das terapias. Para a verificação da autopercepção de sintomas vocais e laringofaríngeos e da qualidade de vida em voz foram aplicados o Questionário de Qualidade de Vida em Voz (QVV)(7), a Escala de Sintomas Vocais (ESV)(8), o questionário de Sensação de Pigarro e a Escala de Desconforto no Trato Vocal (EDTV)(9). Foram comparados os momentos Pré terapia (Pré) e Pós terapia (Pós) nos grupos e, ainda, comparados os grupos GT e GNT, sendo os testes utilizados: ANOVA de medidas pareadas, Teste de Mann-Whitney e Teste de Wilcoxon. Resultados: As terapias estudadas não provocaram mudanças no QVV, na ESV e no questionário de Sensação de Pigarro, que já apresentavam valores dentro da normalidade no momento Pré. Em contrapartida, na EDTV houve redução na frequência (p=0,027) e na intensidade (p=0,034) de garganta irritada e aumento dos valores da frequência de bolo na garganta (p=0,046) no GT. No GNT não houve mudanças significativas nos parâmetros estudados da EDTV. Conclusão: Não houve mudanças significativas entre os grupos, indicando que a nebulização não influenciou os resultados da autopercepção após a terapia vocal intensiva com progressão de intensidade e de frequência de voz e de duração do tempo de fonação. A EDTV foi o único instrumento de autoavaliação que apontou diferença entre momento pré intervenção e pós intervenção, pois houve aumento da sensação de bolo na garganta após a terapia vocal intensiva para o GT, fato não ocorrido no GNT. Outros estudos devem ser realizados para identificar os resultados da influência da nebulização na autopercepção de idosos.

1. Fabron EMG, Silvério KCA, Berretin-Felix G, Andrade EC, Salles PF, Moreira PAM et al. Terapia vocal para idosos com progressão de intensidade, frequência e duração do tempo de fonação: estudo de casos. CoDAS 2018; 30(6): e20170224.
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8. Moreti F, Zambon F, Oliveira G, Behlau M. Cross-Cultural adaptation, validation, and cutoff values of the brazilian version of the Voice Symptom Scale - VoiSS. J Voice. In press 2014.
9. Rodrigues G, Zambon F, Mathieson L, Behlau M. Vocal tract discomfort in teachers: its relationship to self-reported voice disorders. J Voice. 2013;27(4):473-80.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
253
EFETIVIDADE DE UM PROGRAMA DE REABILITAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA PARA PACIENTES ADULTOS COM TRAUMA DE FACE E RESTRIÇÃO EM MOBILIDADE MANDIBULAR
Tese
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: As fraturas faciais precisam ser tratadas para que o funcionamento adequado das estruturas adjacentes possa ser reestabelecido1. A incidência de disfunção da articulação temporomandibular (DTM) após traumas de face é alta, sendo que a taxa de incidência tende a aumentar gradualmente com o aumento do tempo de seguimento2. A intervenção fonoaudiológica nos casos de fraturas mandibulares envolve o trabalho miofuncional oral e visa restabelecer a mobilidade mandibular, evitando possíveis assimetrias ou limitações funcionais3. Estudos descreveram que pacientes com fraturas faciais apresentam frequentemente déficits em mobilidade mandibular, desempenho ruim na execução de movimentos orofaciais e alterações no desempenho da mastigação e da deglutição2,4,5. Objetivo: Verificar a efetividade de um programa de reabilitação fonoaudiológica para pacientes adultos com trauma de face e restrição na mobilidade mandibular por meio de avaliação clínica da motricidade orofacial e mobilidade mandibular, autopercepção do paciente e avaliação eletromiográfica dos músculos mastigatórios. Métodos: Os 65 participantes deste estudo foram divididos em três grupos: GP1- composto por 24 participantes submetidos à avaliação fonoaudiológica em até um mês após a correção da fratura; GP2- composto por 29 participantes submetidos à avaliação fonoaudiológica de um a três meses após a correção da fratura; GP3 – composto por 12 participantes submetidos à avaliação fonoaudiológica de três meses ou mais após a correção da fratura. Todos os participantes foram submetidos à avaliação constituída pela aplicação de um protocolo clínico para a avaliação da motricidade orofacial (AMIOFE-E)6, da mobilidade mandibular4,5 e de autopercepção dos sinais e sintomas de DTM7. Os participantes foram submetidos ao Programa Terapêutico Fonoaudiológico para Traumas de Face com Restrição em Amplitude Mandibular, com duração de 6 semanas e após a finalização do programa, os pacientes foram reavaliados. Como avaliação complementar, foi realizada a avaliação da musculatura mastigatória pela eletromiografia de superfície em 38% dos participantes dos grupos de pesquisa e em 25 participantes do grupo controle, pareados por idade e sexo. Foram realizadas as provas de repouso, apertamento dentário máximo com máxima intercuspidação e apertamento dentário máximo com roletes de algodão entre os dentes. Resultados: Os resultados indicaram que independentemente do tempo transcorrido entre a correção das fraturas e a intervenção fonoaudiológica, todos os grupos de pesquisa apresentaram melhora significativa em: postura, mobilidade e funções miofuncionais orofaciais, mobilidade mandibular e nos sinais e sintomas de DTM. Em relação à análise eletromiográfica, verificou-se melhora da fisiologia e do desempenho muscular de indivíduos com traumas de face após reabilitação fonoaudiológica. Conclusão: O programa de reabilitação adotado neste estudo mostrou-se eficaz em sua proposta. As diferenças observadas entre os grupos nas avaliações pré-tratamento foram minimizadas após aplicação do programa terapêutico fonoaudiológico.

1. Kar IB, Mahavoi BR. Retrospective Analysis of 503 Maxillo-facial trauma cases in odisha during the period of dec’04–nov’09. J Maxillofac Oral Surg. 2012; 11(2):177–81.
2. Junjie Y, Weidong L, Ren L, Min Y. Incidence and risk factors of the temporomandibular joint disorders in the patients without condylar fractures. Med Sci. 2018;34:39-42.
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5. Silva AP, Sassi FC, Bastos E, Alonso N, de Andrade CRF. Oral motor and electromyographic characterization of adults with facial fractures: a comparison between different fracture severities. Clinics. 2017;72(5):276-83.
6. 5. Felício CM, Folha GA, Ferreira CLP, Medeiros APM. Expanded protocol of orofacial myofunctional evaluation with scores: validity and reliability. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2010;74(11):1230-9.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1508
EFICÁCIA DA INTERVENÇÃO PROIFI NO TRANSTORNO DOS SONS DA FALA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: No Transtorno dos Sons da Fala (TSF), as alterações envolvem aspectos relacionados às questões cognitivo-linguístico, de percepção auditiva, e de produção motora, que se apresentam diferentemente e culminam em uma heterogeneidade de manifestações.
A intervenção fonoaudiológica no TSF busca melhorar a inteligibilidade da fala, facilitando a comunicação da criança, envolvendo maior precisão articulatória dos sons, bem como a organização e representação destes frente ao sistema fonológico da língua.
Na literatura, têm sido pesquisadas diversas abordagens de intervenção. Estudos consideram: a heterogeneidade das características no TSF, a alta prevalência encontrada na população e a necessidade de condutas terapêuticas baseadas em evidências científicas. Também são tema de discussão a eficácia e o tamanho do efeito dessas intervenções no TSF.
OBJETIVO: Descrever a eficácia do Programa de Intervenção Fonológica Inicial (PROIFI) em crianças com TSF.
MÉTODO: Pesquisa aprovada pela Comissão de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP) CAAE 87068318.2.0000.0065, parecer 2.695.523, com pais/responsáveis que assinaram o TCLE; a criança deu o Assentimento. A pesquisa é prospectiva, randomizada e experimental. Participaram do estudo quatro crianças, ambos os sexos, com idade entre 5:00 e 8:11 anos, submetidas ao PROIFI uma vez/semana.
As avaliações foram realizadas por fonoaudiólogas pós-graduandas. As provas de Fonologia ABFW (Nomeação e Imitação) foram coletadas na avaliação linha de base (A1) e nas reavaliações (A2 e A3), realizadas na 13ª e 19ª semana após o término das intervenções programadas. Foram analisados: Processos Fonológicos (PF), inventário fonético, índices Porcentagem de Consoantes Corretas-Revisada (PCC-R) e Phonological Density Index (PDI).
O PROIFI é uma adaptação de duas versões anteriores do Programa de Estimulação Fonológica (PEF), publicadas em 2015. É composto por 12 sessões de intervenção, tem como objetivo despertar na criança com TSF a percepção auditiva, a propriocepção dos movimentos articulatórios e as regras fonológicas de todos os sons do português brasileiro.
RESULTADOS: Foram analisadas A1, A2 e A3, sendo considerada a análise do número de PF e índices PCC-R e PDI nas provas de Fonologia ABFW. Considerando as quatro crianças, as comparações entre A1, A2 e A3 evidenciaram diferenças significativas para todas as variáveis estudadas (teste de Friedman): Prova de Nomeação PF p-valor 0,023*; PCC-R p-valor de 0,024*); PDI p-valor 0,023*; Prova de Imitação, PF p-valor 0,018*; PCC-R p-valor 0,024*; PDI p-valor 0,032*.
Foi também analisada a porcentagem de melhora para cada uma das variáveis, considerando A1 e A3. Para as quatro crianças, observou-se: Prova de Nomeação: PF de 50 à 100% de melhora, PCC-R de 6,1 à 16,8% de melhora e PDI de 58 à 100% de melhora; Prova de Imitação, PF 100% de melhora, PCC-R de 8 à 16,4% de melhora, e PDI: de 80 à 100% de melhora.
CONCLUSÃO: Os resultados demonstram que há indícios de eficácia do PROIFI, pois houve melhora de todas as crianças nas variáveis analisadas. A ampliação do número de crianças submetidas ao PROFI se faz necessária para obtermos evidências mais robustas de sua eficácia.
Pesquisa financiada pela FAPESP: 2017/19175-6; 2018/15527-8

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
956
EFICÁCIA DA TERAPIA MIOFUNCIONAL OROFACIAL NA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO EM ACOMPANHAMENTO LONGITUDINAL: ESTUDO PILOTO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


EFICÁCIA DA TERAPIA MIOFUNCIONAL OROFACIAL NA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO EM ACOMPANHAMENTO LONGITUDINAL: ESTUDO PILOTO

Camila de Castro Corrêa, Cindy Rafaella lira Silva, DanielCambraia Gilson, Simone Ferreira Lopes, Silke Anna Theresa Weber
Centro Universitário Planalto do Distrito Federal, UNIPLAN
Faculdade de Medicina de Botucatu, FMB-UNESP

Introdução: a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)é caracterizada pela obstrução parcial ou total da via aérea superior, diagnosticada pela polissonografia. O tratamento da AOS visa impossibilitar o colabamento das vias aéreas superiores durante o sono (BURGER et al, 2004), entre os quaisa terapia miofuncional orofacial tem demonstrado resultados importantes nos sintomas de sonolência diurna excessiva, na qualidade de vida, e na melhora expressiva do índice de apneia e hipopneia (IAH), porém não há estudos que avaliem estes resultados a longo prazo. Objetivo: Verificar a eficácia da terapia fonoaudiológica miofuncional orofacial na AOS em acompanhamento longitudinal.Métodos: Neste estudo longitudinal, foram realizadas três avaliações: antes, imediatamente após, e 1 ano após o término das 12 sessões terapia fonoaudiológica miofuncional orofacial, sem acompanhamento neste intervalo de tempo.A terapia realizou exercícios orofaríngeos considerando mobilidade, tonicidade dos músculos orofaciais, além da adequação das funções de respiração, mastigação, deglutição e fala. A casuística foi composta por 4 sujeitos adultos, do sexo feminino,com o diagnóstico de AOS. A avaliação nestes três tempos foi realizada por três juízes que receberam treinamento de calibração para atribuição dos aspectos miofuncionais orofaciais. Em seguida, receberam as fotografias e filmagens de todos os sujeitos, nos três momentos distintos da avaliação miofuncional, realizando o julgamento criterioso em reunião, discutindo os achados de modo síncrono. Resultados: Foi observada redução do IAH ao decorrer dos 3 momentos (média do IAH: pré de 11,20±8,91, pós imediato de 10,60±5,34 e pós um ano de 8,00±5,08).Na avaliação miofuncional, os 3 juízes observaram piora no aspecto de língua e lábios para os sujeitos A e B, comparando o período pós imediato e pós um ano. Para bucinadores, os quatro pacientes tiveram piora longitudinal, enquanto para véu palatino e úvula, os sujeitos A,B e C apresentaram piora. Para a deglutição de sólidos houve melhora no sujeito A, o B manteve o desempenho e o C piorou.Ressalta-se que este é um estudo piloto, com reduzida casuística, bem como, com menosparâmetros de avaliação considerados. Há registro de outros parâmetros, como índice de massa corpórea e circunferência cervical, que serão explorados em estudos futuros. Conclusão: Mesmo sendo um estudo inicial, o estudo mostrou elevado risco de recidiva ou piora da tonicidade muscular orofacial, além de piora no processo da deglutição, apesar de manter o IAH em valores similares. Há necessidade de um acompanhamento longitudinal de modo sistemático, visando sustentar as melhoras com a terapia.


1. American Academy of Sleep Medicine. The AASM manual for the scoring of sleep and associated events: rules, terminology and technical specifications. 1ª ed.: Westchester, Illinois. 2007. 59 p.
2. Guimarães K. Alterações no tecido mole de orofaringe em portadores de apnéia do sono obstrutiva. J BrasFonoaudiol. 1999; 1(1):69-75.
3. Ieto V, Kayamori F, Montes MI, Hirata RP, Gregório MG, Alencar AM, Drager LF, Genta PR, Lorenzi-Filho G.Effectsoforopharyngealexercisesonsnoring: a randomizedtrial.Chest. 2015 Sep;148(3):683-91.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
498
EFICÁCIA DO PROGRAMA TERAPÊUTICO BASEADO EM EXERCÍCIOS DE TRATO VOCAL SEMIOCLUÍDO NA DISFONIA COMPORTAMENTAL: ESTUDO CLÍNICO RANDOMIZADO E CEGO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Os exercícios de trato vocal semiocluído (ETVSO), instrumentos da abordagem fisiológica1, proporcionam melhor interação fonte-filtro com mudanças na impedância e características acústicas do trato vocal, restabelecendo o equilíbrio dos subsistemas da fonação (ressonância-fonação-respiração) nas populações vocalmente saudável e disfônica2,3. Entretanto, poucos estudos4-6 analisaram esses exercícios como programas terapêuticos. Ademais, observa-se que os recursos da aprendizagem sensório-motora7 possam enriquecer o processo terapêutico.
Objetivo: Analisar a efetividade e segurança do programa terapêutico baseado em ETVSO (PT-ETVSO) na qualidade vocal e autoavaliação, comparando-o com os exercícios de função vocal (EFV) e terapia vocal indireta (TVI).
Método: Estudo clínico de equivalência/não inferioridade, randomizado e cego, (aprovação ética: 2.112.148). Após cálculo amostral, 27 participantes (15 mulheres; 12 homens), idades entre 18-50 anos, diagnóstico de disfonia comportamental, ausência de lesões laríngeas e queixas de fatiga vocal após o uso prolongado, foram randomizados em três blocos (Pesquisador-1), cada qual destinado a um tratamento. As variáveis de desfecho avaliadas (Pesquisador-2) antes (momento 1-M1), após (momento 2-M2) e um mês após o tratamento (momento 3-M3) foram: qualidade vocal composta por avaliação perceptivo-auditiva com escala GRBASI8 (grau geral, rugosidade, soprosidade, tensão e instabilidade) e pelas medidas acústicas: frequência fundamental, jitter, shimmer, NHR (vogal /a/), proeminência do pico cepstral-suavizada, relação alfa e L1-L0 (vogal /a/ e contagem de números); autoavaliação composta pelo índice de fadiga vocal (IFV), índice de desvantagem vocal-30 (IDV-30) e escala visual analógica da sensação de economia vocal (sensação de vibração de tecidos moles e duros na região do viscerocrânio e produção vocal sem esforço). Os tratamentos ocorreram duas vezes por semana, totalizando 8 sessões com 35 minutos de duração (Pesquisador-3). O grupo experimental realizou o PT-ETVSO composto pelos exercícios técnica Lax Vox, fonação em tubo com a extremidade livre no ar e firmeza glótica com as seguintes tarefas fonatórias: pitch e loudness habituas, variação do pitch em terça e oitava, messa di voce, acentos de pitch e loudness, glissandos ascendente e descendente (faixa confortável) e melodia “Parabéns à Você”. O grupo de EFV realizou os exercícios e as tarefas fonatórias conforme proposto por Stemple9. No grupo TVI, aplicou-se ferramentas referentes às estratégias de pedagogia e aconselhamento10 no manejo da saúde vocal. Houve cegamento dos pesquisadores para cada etapa. Análise de dados: teste ANOVA de medidas repetidas (p<0,05) e teste Tukey (post-hoc).
Resultados: Cada grupo foi composto por nove participantes (cinco mulheres; quatro homens). A análise perceptivo-auditiva indicou desvio vocal leve para todos os grupos. Não houve diferença clinicamente significante entre grupos e momentos de avaliação quanto à qualidade vocal, considerando-se a análise perceptivo-auditiva e acústica, evidenciando que o PT-ETVSO não proporcionou prejuízos. Todos os grupos reduziram os escores do IFV e IDV-30 em M2, mantendo-os em M3 e a sensação de economia vocal aumentou em M2, reduzindo levemente em M3.
Conclusão: O PT-ETVSO proporciona os mesmos benefícios que os EFV e TVI quanto a qualidade vocal, especialmente quando se trata da autoavaliação da fadiga vocal, desvantagem vocal e sensação de economia vocal. Portanto, o PT-ETVSO é efetivo e seguro para o tratamento da disfonia comportamental leve.

1. Stemple JC, Roy N, Kablen B. Clinical voice pathology: theory and management. San Diego: Plural Publishing; 2014. 5ª ed.
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5. Kapsner-Smith MR, Hunter EJ, Kirkham K, Cox K, Titze IR. A randomized controlled trial of two semi-occluded vocal tract therapy protocols. J Speech Lang Hear Res. 2015;58(3):535-549.
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7. Verdolini-Marston K, Balota DA. Role of elaborative and perceptual integrative processes in perceptual-motor performance. J Exp Psychol Learn Mem Cog. 1994;20(3): 739-749.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1765
EFICÁCIA DO TREINAMENTO AUDITIVO EM CRIANÇAS COM TPAC E TDAH: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: A sequência de processos e mecanismos que envolvem as habilidades auditivas necessárias para detecção, análise e interpretação dos sons que ouvimos é chamado de processamento auditivo central.1 Alteração em duas ou mais habilidades auditivas caracteriza o Transtorno de Processamento Auditivo Central (TPAC) que acontece especialmente pela demora em processar informações auditivas e que, ás vezes, nem conseguem ser processadas no cérebro.2 Com isso, a criança tem dificuldade para interpretar o que ouve e não processa claramente a informação, deixando de lado ou entendendo de maneira errada a mensagem obtida.3 O transtorno do processamento auditivo central é um transtorno que pode coexistir com outras doenças como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), levando a comportamentos semelhantes entre ambos.4 Nesse sentido, pelo impacto destas alterações na audição e consequentemente na aquisição da linguagem, comunicação e no âmbito social e educacional, evidencia-se a importância de uma intervenção rápida, através de programas baseados no treinamento auditivo e na melhora do sinal auditivo, os quais propiciam a plasticidade neuronal e a reorganização cortical.5 OBJETIVO: Apresentar as evidências científicas sobre a eficácia do treinamento auditivo em crianças com TPAC e TDAH. MÉTODOS: Estudo com base em revisão integrativa da literatura. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, LILACS, SciELO, ScienceDirect, SCOPUS e Google Acadêmico, durante os anos de 2010 a 2020, em português e inglês, com os seguintes descritores: Percepção Auditiva AND Reabilitação AND Audição AND Distúrbios Perceptivos Auditivos; Auditory Perception AND Rehabilitation AND Hearing AND Auditory Perceptual Disorders. Nas bases subsequentes foram adaptados os descritores quando necessário, correlacionados entre si. RESULTADOS: Através da busca foi possível localizar 1.432 artigos, e pelos critérios de inclusão foram selecionados 2 estudos para revisão da literatura. Observou-se que após a realização do treinamento auditivo em crianças com TDAH, estas apresentaram melhora significativa nas habilidades auditivas que se encontraram deficitárias sendo comprovado por meio do reteste pela avaliação comportamental do processamento auditivo e analise eletrofisiológica. CONCLUSÃO: É indispensável determinar a existência do comprometimento nas habilidades auditivas em crianças com TDAH, a fim de traçar estratégias para o tratamento, pela relação entre esse transtorno e o processamento auditivo. Dessa forma, é possível constatar que o treinamento auditivo é eficaz para melhora das habilidades auditivas alteradas em crianças com TDAH.

Descritores: Percepção Auditiva. Reabilitação. Audição. Distúrbios Perceptivos Auditivos.

1. Vilela, N. Indicadores para o transtorno do processamento auditivo em pré-escolares [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina; 2016. doi:10.11606/T.5.2016.tde-18112016-124448.
2. Silva, T. A. G.; Barbosa, J. S. L. Distúrbio do processamento auditivo central: a importância do diagnóstico precoce para o desenvolvimento da criança. Revista Encontro Intern. de Formação de Professores. 2017.
3. Romero, A. C. L. Processamento auditivo comportamental e eletrofisiológico em crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). [Dissertação]. Marilia: Faculdade de Filosofia e Ciências; 2013.
4. Madruga, C. C. Processamento auditivo: avaliação comportamental e eletrofisiológica de crianças e adolescentes com TDAH pré e pós treinamento auditivo. [Dissertação]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas; 2014.
5. Silva, T. R.; Dias, F. A. M. Efetividade do treinamento auditivo na plasticidade do sistema auditivo central: relato de caso. Rev. CEFAC. 2014.
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TRABALHOS CIENTÍFICOS
658
EFICÁCIA DO USO DE ESTRATÉGIA DE GAMIFICAÇÃO NA TERAPIA FONOLÓGICA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A situação pandêmica causada pelo Covid-19 implicou na suspensão dos atendimentos fonoaudiológicos presenciais, o que levou a uma nova alternativa de atendimento, a saber: o teleatendimento. Tendo em vista que o interesse do público infantil está direcionado para o uso de diversas tecnologias, como uso do computador(1), estratégias de gamificação têm sido adotadas devido a sua capacidade de estabelecer reforços e recompensas em contextos de game e não-game(2,3). Neste âmbito, a gamificação pode ser utilizada como solução tecnológica neste período de distanciamento social. No entanto, não há um consenso sobre o benefício do uso de tais estratégias na terapia fonoaudiológica. Objetivo: O presente estudo objetiva verificar a eficácia da terapia fonológica associada à estratégia de gamificação com o uso do computador no Transtorno Fonológico. Método: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o protocolo nº2.040.322. Participaram do estudo 6 participantes de 4 a 7 anos de idade que apresentavam o processo de substituição de líquidas, randomizados em dois grupos: (G1) submetido à terapia fonológica tradicional (grupo controle - GC); e (G2) submetido à terapia fonológica com uso de estratégia de gamificação mediada por computador (grupo gamificação - GG). A intervenção fonológica compreendeu para ambos os grupos, 16 sessões compostas pelo uso de etapas de percepção e produção de fala, sendo elas: 1) pré-intervenção; 2) explicação do processo fonológico; 3) percepção no outro; 4) percepção em si; 5) produção e 6) pós-intervenção. No processo terapêutico foram utilizadas 30 palavras-alvo e 30 palavras-sondagem. Ao final de cada sessão, foram registrados o desempenho das crianças (% de acerto) para cada etapa terapêutica, a partir das palavras-alvo e palavras-sondagem. Na análise foram consideradas a média de acerto de cada sujeito para cada uma das etapas terapêuticas comparando-as longitudinalmente em função do tipo de intervenção: terapia tradicional vs terapia com uso de estratégias de gamificação. Resultados: A Anova de medidas repetidas só mostrou efeito significante para as sessões (F(7,28)=9,7534,p<0,05), não evidenciando diferença estatística significante para o tipo de intervenção terapêutica nem para interação entre sessões*intervenção. O teste Post Hoc de scheffe mostrou uma diferença estatística entre a pré-terapia e o início da intervenção terapêutica, ou seja, as demais sessões. Conclusão: Ambos os modelos de intervenção (tradicional e gamificação) propiciam melhora no desempenho fonológico da criança a partir da primeira sessão. No cenário de pandemia uma importante implicação terapêutica refere-se à possibilidade do uso de estratégias de gamificação com o uso do computador, via remota, com resultados semelhantes ao de terapia tradicional.


Palavras-chave: Gamificação; Transtorno Fonológico; Líquidas; Clinical trial.

1. Pereira LL, Brancalioni AR, Keske-Soares M. Terapia fonológica com uso de computador: relato de caso. Rev. CEFAC. 2013; 15 (3): 681-688. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462012005000052.

2. Vianna M., et al. Gamification: como reinventar empresas a partir de jogos. 1. ed. Rio de Janeiro: MJVPress. 2013.

3. Deterding S, et al. From game design elements to gamefulness: defining gamification. In: Proceedings of the 15th international academic MindTrek conference: Envisioning future media environments. ACM, 2011.p.9-15.

Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1840
ELABORAÇÃO DE DOIS INSTRUMENTOS PARA PREDIZER O FECHAMENTO VELOFARÍNGEO COM BASE NAS CARACTERÍSTICAS DE FALA E SUA CORRESPONDÊNCIA COM AS DIMENSÕES DO ORIFÍCIO VELOFARÍNGEO
Tese
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Indivíduos com fissura labiopalatina podem apresentar alterações de fala específicas decorrentes da disfunção velofaríngea as quais podem auxiliar na classificação da competência velofaríngea.

Objetivo: Elaborar um intrumento para predizer o fechamento velofaríngeo (FVF), baseado na combinação dos sintomas de fala decorrentes da disfunção velofaríngea, aferidas na avaliação perceptivo-auditiva da fala e sua correspondência com a medida objetiva da dimensão do orifício velofaríngeo.

Material e Método: Participaram deste estudo, 62 pacientes, com fissura de palato operada, com idade entre 6 e 45 anos. Os pacientes foram submetidos à avaliação aerodinâmica da fala por meio da técnica fluxo-pressão para classificação do FVF (medida da área velofaríngea) e à gravação audiovisual de amostra de fala. As amostras de fala foram editadas e analisadas por três fonoaudiólogas para classificação dos sintomas: hipernasalidade, emissão de ar nasal audível, classificação da competência velofaríngea, turbulência nasal, fraca pressão consonantal, sintomas ativos não orais-articulação compensatória e mímica facial. A correlação entre as características perceptivas da fala e a classificação do FVF foi feita utilizando-se o coeficiente de correlação de Spearman. Foram desenvolvidos dois modelos estatísticos (discriminante e descritivo exploratório) a fim de predizer a classificação do FVF. A partir do modelo discriminante, funções discriminantes foram determinadas e transpostas para o software Microsoft Excel (editor de planilhas produzido pela empresa Microsoft para computadores). O modelo exploratório estabeleceu critérios com base em hipóteses desenvolvidas a partir dos resultados obtidos no presente estudo, baseando-se na presença e na proporção de cada sintoma de fala em cada categoria de fechamento velofaríngeo determinada pela avaliação aerodinâmica. Os testes de sensibilidade e especificidade foram aplicados a fim de se verificar a aplicabilidade clínica dos modelos.

Resultados: Verificou-se forte correlação entre todos os sintomas de fala e a classificação do FVF. Ambos os modelos mostraram 88,7% de acertos ao predizer o FVF. A sensibilidade e especificidade para o modelo discriminante foi de 92,3% e 97,2%, respectivamente e de, 96,2% e 94,4% para o modelo exploratório, respectivamente.

Conclusão: Foram desenvolvidas e apresentadas dois instrumentos para predizer o FVF a partir dos sintomas perceptivos da fala e a sua correspondência com o fechamento velofaríngeo determinado pela avaliação objetiva. Acredita-se que tais ferramentas contribuirão para o diagnóstico da disfunção velofaríngea na prática clínica.

Scarmagnani RH, Barbosa DA, Fukushiro AP, Salgado MH, Trindade IEK, Yamashita RP. Relationship between velopharyngeal closure, hypernasality, nasal air emission and nasal rustle in subjects with repaired cleft palate. Codas. 2015;27(3):267-72.

Lohmander A, Lundeborg I, Pesson C. SCANTE-The Swedish Articulation and Nasality Test – Normative data and a minimum standard set for cross-linguistic comparison. Clin Linguist Phon. 2017;31(2):137-154.

Castick S, Knight RA, Sell D. Perceptual Judgments of Resonance, Nasal Airflow, Understandability, and Acceptability in Speakers With Cleft Palate: Ordinal Versus Visual Analogue Scaling. Cleft Palate Craniofac J. 2017;54(1):19-31.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
849
ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PARA TREINAMENTO AUDITIVO
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


Introdução: O Processamento Auditivo Central (PAC) refere-se aos mecanismos e aos processos utilizados pelo sistema auditivo, responsáveis por habilidades auditivas processadas pelo Sistema Nervoso Central (SNC). O PAC está diretamente relacionado à discriminação, à percepção e à memória auditiva, competências que são essenciais para a expressão e compreensão da fala, leitura e escrita. Logo, falhas nesse mecanismo podem originar o transtorno do processamento auditivo central (TPAC)¹ ². O treinamento auditivo (TA) é um recurso terapêutico proposto para minimizar as habilidades auditivas alteradas encontradas em indivíduos com TPAC, que consiste em um conjunto de condições acústicas diferentes e tarefas que são indicadas para ativar os sistemas relacionados à audição com o intuito de modificar a base neural dos comportamentos auditivos, gerando uma melhora no desempenho auditivo, sendo possível por meio da plasticidade neural 3,4. Objetivo: Desenvolver estratégias de estimulação para o processamento auditivo com dificuldade gradativa para todas as habilidades auditivas. Métodos: A criação deste material deu-se através de uma disciplina de pesquisa. Para isso, foi realizada pesquisa bibliográfica definindo as habilidades auditivas, a hierarquia de desenvolvimento de cada uma e a graduação de dificuldades das estratégias. Foram selecionados textos, frases e palavras foneticamente balanceados, assim como os estímulos sonoros que possibilitaram a realização de atividades de competição auditiva. Para definir a complexidade das atividades levou-se em consideração a faixa etária e nível de ruído competitivo.
A gravação dos comandos de cada atividade, bem como das estratégias foi realizada em cabine acústica, tendo como apoio o programa Audacity versão 2.4.1. Este programa possibilitou arranjos entre os estímulos sonoros de fundo e de fala e entre as formas de apresentação monótica, dicótica ou diótica, dependendo da habilidade em foco. Como apoio terapêutico para os indivíduos com maior dificuldade foram elaboradas placas ilustrativas com imagens referentes aos estímulos sonoros apresentados em cada atividade. Para o registro do material utilizou-se um CD. Resultados: Foram desenvolvidas 24 atividades, sendo quatro para cada habilidade auditiva. Considerando sua hierarquia, foram distribuídas em: detecção, discriminação, localização (só orelha direita, só orelha esquerda e ambas orelhas), atenção auditiva seletiva e atenção auditiva sustentada, figura-fundo e fechamento auditivo (com e sem ruído). Os estímulos sonoros utilizados incluem sons verbais (segmentos, palavras e frases) e sons não verbais (instrumentos musicais, animais, meios de transporte e tom puro). Conclusão: Este material encontra-se disponível no Laboratório de Comunicação Humana e Funções Orofacias (LCHFO) de uma instituição de ensino superior. As estratégias estão sendo utilizadas para treinamento auditivo, contribuindo para que estudantes com TPAC e dificuldades acadêmicas aprimorem suas habilidades auditivas.

1. Burkhard LF, Rechia IC, Grokoski KC, Ribas LP, Machado MS. Processamento auditivo central e desnutrição infantil: revisão sistemática. Rev Cienc Salud. 2018;8(2):19-25

2. Pereira LD. Avaliação do Processamento Auditivo Central. In: Lopes F. Tratado de Fonoaudiologia. 1a ed. São Paulo. Roca. 1997: 109‑26.

3. Musiek F, Berge B. A neuroscience view of auditory training/stimulation and central auditory processing disorders. In: Masters MG, Stecker NA, Katz J, editors. Central auditory processing disorders – mostly management. Boston: Allyn & Bacon. 1998: 15-32.

4. Melo Â, Mezzomo CL, Garcia MV, Biaggio EPV. Efeitos do treinamento auditivo computadorizado em crianças com distúrbio do processamento auditivo e sistema fonológico típico e atípico. Audiol Commun Res [internet]. 2016 [Acesso em 02 de junho de 2020]; 21: 1683


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1159
ELABORAÇÃO DE FOLHETOS INFORMATIVOS SOBRE A COMUNICAÇÃO DE ESCOLARES: UMA ESTRATÉGIA PARA ALUNOS DE CURSOS DE PEDAGOGIA
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Os distúrbios da Comunicação estão muito presentes em crianças em desenvolvimento, e podem e devem ser identificados o mais precocemente possível. O desconhecimento dos professores sobre a comunicação dos escolares pode resultar em estratégias inadequadas em sala de aula e intervenções tardias daquelas crianças com alteração no desenvolvimento. Os problemas vocais também têm alta prevalência entre esses profissionais, que por muitas vezes podem ser evitados, mas são ignorados. As dificuldades dos professores em lidar, de maneira apropriada, com esses escolares e sua saúde vocal, podem ser consequência da deficiência na formação dos alunos de pedagogia. Assim, considera-se muito importante que o fonoaudiólogo esteja inserido nos cursos de formação da Pedagogia, além de sua inserção em ambientes educacionais. Objetivo: Este trabalho teve por objetivo relatar a experiência da construção de folhetos informativos sobre a comunicação dos escolares (linguagem oral/ fala, fluência, leitura e escrita, audição) e dos futuros professores (voz), além de esclarecer sobre o papel do fonoaudiólogo educacional. Método: Os folhetos foram elaborados dentro de um estudo mais abrangente que visava medir o efeito de um programa de capacitação de alunos concluintes do curso de Pedagogia de duas universidades particulares do interior do estado de São Paulo, por meio da oferta de aulas online e entrega de material do apoio. Para a elaboração dos materiais foi realizada uma pesquisa em artigos e livros sobre os seguintes assuntos: Linguagem Oral e Fala, Gagueira, Linguagem Escrita e leitura, Audição, Voz e Fonoaudiologia Educacional. Resultados: Foram elaborados seis folders, um sobre cada tema, sendo: linguagem oral; gagueira; leitura e escrita; audição, voz e Fonoaudiologia Educacional. Em cada dos temas voltados à comunicação do escolar, foram abordados: o desenvolvimento normal e desviante, as características das alterações mais comuns, condutas benéficas e prejudiciais comumente praticadas em sala de aula. No âmbito da Voz e da Fonoaudiologia Educacional, foram apresentadas estratégias de prevenção da saúde vocal; além das possibilidades de atuação dos fonoaudiólogos dentro das escolas. Conclusão: A existência de um material de apoio para consulta rápida pelos alunos de Pedagogia e futuros professores, favorece a fixação do conteúdo ministrado em aulas, além de ser um instrumento de fácil acesso em sala de aula. Desse modo, espera-se que os futuros pedagogos estejam mais preparados para lidar com os escolares, tanto para propor condutas mais adequadas ao desenvolvimento, como para identificar possíveis alterações.


ANGST, O. V. M. et al. Prevalência de Alterações Fonoaudiológicas em pré-escolares da rede pública e os determinantes sociais. Rev. CEFAC (São Paulo). 2015 17(3):727-733.
LONGO, I. A. et al. Prevalência de alterações fonoaudiológicas na infância na região oeste de São Paulo. Codas (São Paulo). 2017 29(6):e20160036.
SANTOS, F. R. dos; DELGADO-PINHEIRO, E. M. C. Relação entre o conhecimento dos professores sobre grau de perda auditiva, dispositivos tecnológicos e estratégias de comunicação. CoDAS (São Paulo). 2018 30(6):e20180037.
ELOI, Márcia Emília da Rocha Assis; SANTOS, Juliana Nunes; MARTINS-REIS, Vanessa Oliveira. Alterações da linguagem oral e escrita na percepção dos professores do ensino fundamental. Rev. CEFAC (São Paulo). 2015 Oct; 17(5):1420-1431.
ABOU-RAFÉE, M. et al. Fadiga vocal em professores disfônicos que procuram atendimento fonoaudiológico. Codas (São Paulo). 2019 31(3):e20180120.
NASCIMENTO, G. B.; TAGUCHI, C. K. Conhecimento de Graduandos de Pedagogia sobre o Processamento Auditivo. Rev. Disturb. Comum. (São Paulo). 2013 Dez;25(3):386-393.
FIGUEIREDO, Luciana; LIMA, I. L. B.; SILVA, H. S. E. Representações dos profissionais da educação acerca do fonoaudiólogo educacional. Rev. Disturb. Comum. (São Paulo). 2018 Mar; 30(1):186-193.
FERNANDES, D. M. Z.; LIMA, M.C. M. P.; SILVA, I. R. A percepção de professores de educação infantil sobre a atuação fonoaudiológica na escola. Rev. Disturb. Comum. (São Paulo). 2017; 29(1): 86-96.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
408
ELABORAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA CONSCIENTIZAÇÃO DA COVID-19
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 que apresenta um quadro clínico diverso, apesar disso algumas pessoas infectadas apresentam-se assintomáticas, aumentando o risco de contaminação¹ ². Com a finalidade de impedir a propagação do vírus foram tomadas medidas preventivas, entre elas está o isolamento social. Nesse contexto, a universidade tem como papel conscientizar acerca dos riscos e reafirmar medidas de prevenção. Para isso, tem como pilar as práticas que promovem a indissociabilidade entre ensino e pesquisa, favorecendo a relação entre universidade e sociedade, utilizando como instrumento a educação em saúde 3,4. Objetivo: Elaborar materiais didáticos para conscientizar crianças a respeito dos métodos de prevenção da COVID-19, promovendo informações acerca da gravidade da contaminação. Métodos: O projeto de extensão “Fonoaudiologia na promoção da saúde - Respiração Oral” tem como ações permanentes transmitir orientações em relação à respiração oral no âmbito escolar, envolvendo alunos, pais e professores, utilizando como abordagens palestras e oficinas lúdicas. Esporadicamente ocorrem ações pontuais em Unidade Básica de Saúde (UBS) e em estações de metrô, para esses eventos são utilizados como meio informativo palestras e panfletagem. Em decorrência da pandemia que perpassa o mundo, houve a necessidade de adaptação para continuar disseminando informações às crianças. Para isso, foram elaborados materiais didáticos para a prevenção da COVID-19, os quais foram disponibilizados virtualmente por meio das plataformas Google Forms e Dropbox divulgados através das redes sociais. Para ter acesso ao material, o interessado preencheu os formulários disponibilizados pelos links: https://forms.gle/fZDTNjPyHFDysyeF9 e https://forms.gle/vjPnzA378rh9XNpV7 sendo direcionado para pastas no Dropbox para baixar os arquivos em PDF. Resultados: Foram desenvolvidos dois cadernos com ilustrações e linguagem acessível para crianças, sendo um de atividades e outro de brincadeiras. O primeiro é composto por 10 atividades educativas e um gabarito ao final. O segundo é constituído por 7 brincadeiras que contém o passo a passo e os materiais que serão necessários para a realização das brincadeiras. Além disso, ao final do caderno há uma cartilha instrutiva que será utilizada durante a realização das brincadeiras que diz respeito às medidas de prevenção contra COVID-19. Conclusão: Com a elaboração e disponibilização dos materiais didáticos, espera-se o alcance significativo do público infantil para que se tornem conscientes acerca da COVID-19, assim como agentes potencializadores da educação em saúde.

REFERÊNCIAS

1. Brasil, Ministério da Saúde (MS). Coronavírus (COVID-19). 2020. Disponível em: . Acesso em 30 junho 2020.

2. Fórum De Pró-Reitores De Extensão Das Universidades Públicas Brasileiras (FORPROEX). Indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão e a flexibilização curricular: uma visão da extensão. Brasília: MEC/SESu, 2006.

3. Belasco AGS, Fonseca CD. Coronavírus 2020. Rev. Bras. Enferm. [Internet]. 2020 [Acesso em 03 de julho de 2020]; 73(2):2020.
_
4. Boehs AE, Monticelli M, Wosny AM, Heidemann ITSB, Grisotti M. A interface necessária entre enfermagem, educação e saúde e o conceito de cultura. Texto Contexto Enferm [online]. 2007 [acesso em 29 de junho de 2020]; 16(2):307-14.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
286
ELABORAÇÃO DE PRANCHAS COMUNICATIVAS PARA PACIENTES AFÁSICOS INTERNADOS PARA A PROMOÇÃO DA COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR ALTERNATIVA
Práticas fonoaudiológicas
Linguagem (LGG)


Introdução: A afasia é um distúrbio adquirido da linguagem, decorrente de uma lesão cerebral em geral no hemisfério esquerdo, levando a alteração da linguagem que compromete as funções comunicativas do indivíduo, que anteriormente estavam intactas. A afasia tem distintas etiologias, como acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos cranioencefálicos e tumores que podem causar a afasia, podendo ser acompanhada de sinais neurológicos, por exemplo: a hemiplegia e distúrbios cognitivos como apraxias, agnosias e amnésias de diferentes ordens e graus de severidade. As afasias podem ser classificadas em oito tipos: afasia de Broca; afasia de Wernicke; afasia de condução; afasia global; afasia transcortical motora; afasia transcortical sensorial; afasia transcortical mista e afasia anômica. De acordo com os numerosos casos de lesões neurológicas adquiridas, faz-se necessário a implantação da comunicação suplementar alternativa (CSA), que é uma área de prática clínica que visa compensar e facilitar, temporária ou permanentemente, padrões de prejuízo e inabilidade de indivíduos com severas desordens expressivas e/ou desordens na compreensão da linguagem oral. A CSA pode ser necessária para indivíduos que demonstrem prejuízo nos modos de comunicação gestual, oral e/ou escrita, é definida como um grupo de componentes integrados, incluindo símbolos, auxílio, estratégias e técnicas usadas por indivíduos para aumentar a comunicação. Objetivo: Elaborar pranchas comunicativas para a promoção da comunicação suplementar alternativa em pacientes afásicos internados. Métodos: Inicialmente foi realizado entrevistas com fonoaudiólogos atuantes no campo hospitalar, em seguida elaborado o diagnóstico técnico cientifico onde foi pesquisado na teoria sobre o uso das pranchas comunicativas, posteriormente foi feito o plano de ação para visualização do projeto e os benefícios que acarretariam, após foi realizado o canvas que indica quais serão os patrocinadores, os meios de comunicação e os gastos necessários para a realização do projeto. Por fim, a produção das pranchas comunicativas. As pranchas se diferenciam de acordo com o tipo das afasias, sendo dividias em pranchas para pacientes com alteração na compreensão e outra para pacientes com alteração na emissão da linguagem oral e ou escrita. Resultados: Foram produzidas pranchas comunicativas para promoção da comunicação de pacientes afásicos internados, para facilitar a comunicação com os familiares e também com a equipe multidisciplinar. As pranchas possuem a versão impressa e digital, sendo incluso o treinamento com as orientações e instruções para a aplicação do material. Conclusão: A elaboração das pranchas específicas para pacientes afásicos é fundamental para facilitar a comunicação e proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente.

Ortiz, K. Distúrbios Neurológicos Adquiridos. São Paulo: 2° Edição. Manole, 2010.
NEVES, C. CATRINI, M. O olhar clínico sobre os fatores prognósticos das afasias. Distúrbios da Comunicação, [S.l.], v. 29, n. 2, p. 208-217, jun. 2017. ISSN 2176-2724. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. doi:https://doi.org/10.23925/2176-2724.2017v29i2p208-217.
Machado, T; Mansur, L. Avaliação e Reabilitação das Afasias: São Paulo: 1°Edição. SBFA, 2014.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
694
ELABORAÇÃO DE PROTOCOLO PARA AVALIAÇÃO DE VOCABULÁRIO EXPRESSIVO DE VERBOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO EM PRÉ-ESCOLARES.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Elaboração de Protocolo para Avaliação de Vocabulário Expressivo de Verbos do Português Brasileiro em Pré-Escolares.

INTRODUÇÃO: O vocabulário é um preditivo universal de desenvolvimento linguístico (Reed, 1994) e alterações deste constituem marcas clínicas de alteração do desenvolvimento da linguagem (Bishop, 1992). A avaliação desta habilidade contribui para diagnósticos mais precisos e, principalmente, para recursos terapêuticos mais eficazes (Lopes e Gândara, 2010). Na literatura nacional, há apenas um teste normatizado para avaliar o vocabulário da categoria gramatical de verbos em crianças pré-escolares (Capovilla, 2011). Faz-se necessário considerar que substantivos e verbos possuem características distintas e que a aquisição lexical de verbos contribui de forma significativa para o desenvolvimento gramatical das crianças típicas e com transtornos de linguagem (Lopes e Cáceres, 2007, Kambanaros, 2013). Este estudo poderá ser utilizado como um instrumento diagnóstico e clínico importante para avaliação de linguagem infantil.

OBJETIVO: Elaboração de um Teste de Vocabulário Expressivo de Verbos, baseado nas características linguísticas do Português do Brasil para crianças em idade pré-escolar.

MÉTODO: Utilizando um corpus do Português do Brasil (Sardinha, 2004) , constituído de 32 milhões de itens lexicais do LexPorBr, foram selecionados 16 Verbos. Estes foram organizados em ordem decrescente de frequência e categorizados em transitivos direto e intransitivos, passíveis de representação em uma figura simples para nomeação. O acesso ao corpus ocorreu a partir do site Linguateca (http://www.linguateca.pt/acesso/corpus.php?corpus=CBRAS), e observado os casos de ocorrência para verbos no infinitivo impessoal. As figuras serão representadas a partir de imagens de fotos coloridas em sites cujos direitos autorais sejam de domínio público e gratuito. Assim, para a busca das imagens, será acessado o site do Google (www.google.com), utilizando-se o comando "ferramentas/Direitos de Uso", escolha dos itens "Marcadas para reutilização" para seleção das fotos que possuem permissão de uso livre. Para a construção do teste, ainda não se fez necessário a aprovação junto ao Comitê de Ética em Pesquisa. Tal submissão será realizada na próxima etapa do estudo para a normatização dos dados, pois agora construído o instrumento, pretende-se avaliar crianças em desenvolvimento típico de linguagem com idades entre dois e seis anos.

RESULTADOS e CONCLUSÃO: Até o presente momento, elaboramos o teste de vocabulário expressivo a partir da escolha dos itens verbais mais frequentes na língua, assim como, a seleção de figuras e criação do protocolo de registro. O próximo passo será a normatização dos dados com aplicação do instrumento para efeito de validação.

Bishop DV. The underlying nature of specific language impairment. J Child Psychol Psychiatry. 1992; 33(1): 3-66.

Capovilla FC, Negrão VB, Damázio M. Teste de Vocabulário Auditivo e Teste de Vocabulário Receptivo: validados e normatizados para o desenvolvimento da compreensão da fala dos 18 meses aos 6 anos de idade. São Paulo: Memnon. 2011: 5-17.

Kambanaros M. Does verb type affect action naming in specific language impairment (SLI)? Evidence from instrumentality and name relation. Journal of Neurolinguistics. 2013; 26(1): 160-177.

Léxico do Português Brasileiro – LexPorBr. 2015. [acesso em 10 maio 2020]. Disponível em http://www.lexicodoportugues.com/

Lopes DMB, Cáceres AM, Araújo K. Aquisição de verbos em pré-escolares falantes do português brasileiro. Rev CEFAC. 2007; 9(4): 444-452.

Lopes DMB, Gândara JP. Tendências da aquisição lexical em crianças em desenvolvimento normal e crianças com Alterações Específicas no Desenvolvimento da Linguagem. Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol. 2010; 15(2): 297-304.

Reed AV. An Introduction to Children with Language Disorders. Pearson. 1st Edition. 1994

Sardinha BT. Linguística de corpus. Barueri: Manole. 2004.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1495
ELABORAÇÃO DE PROTOCOLOS OPERACIONAIS PADRÃO (POPS) NA PRÁTICA PROFISSIONAL DA FONOAUDIOLOGIA COMO ESTRATÉGIA PARA PROMOVER A SEGURANÇA DO PACIENTE EM UM HOSPITAL PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


Introdução: Protocolos são instrumentos significativos para a melhoria dos processos na área da saúde, são empregados a fim de baixar a variação existente entre os processos na prática clínica. Para tentar minimizar ou evitar a ocorrência de danos ao paciente, problemas legais e éticos aos profissionais e descrédito do estabelecimento de saúde pela sociedade é necessário a construção de procedimentos e protocolos assistenciais em saúde, devendo atender aos princípios éticos e legais de cada categoria profissional, considerando-se os preceitos da prática baseada em evidências, às normas e regulamentos do Sistema Único de Saúde, em suas três esferas de gestão e da instituição onde será utilizado. Objetivo: Relatar a experiência vivenciada na elaboração dos procedimentos operacionais padrão em um hospital público do Distrito Federal. Método: Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência e representa uma experiência obtida entre agosto de 2019 a junho de 2020 realizado em um hospital público do Distrito Federal. O processo de elaboração dos POPs deu-se em duas etapas. A primeira consistiu no levantamento de todos os procedimentos operacionais necessários para garantir a qualidade da assistência prestada na Instituição e a decisão de quais profissionais seriam responsáveis pela elaboração desses protocolos, esses profissionais colaboradores da Instituição foram escolhidos conforme suas especialidades e funções desempenhadas na empresa. Na segunda etapa foram realizadas a discussão e revisão dos novos protocolos assistenciais pela coordenação e chefia do serviço e logo após os POPs foram encaminhados ao setor de qualidade, onde são apresentados aos gestores a fim de esclarecer possíveis dúvidas, adequar se necessário, e validar o procedimento. Nesse momento, fizeram-se mudanças e adaptações propostas pela equipe e em seguida foram validados. Resultados: Na Instituição em questão, não existiam POPs referentes a processos decorrentes da prática fonoaudiológica, e o gerenciamento desses procedimentos tornou-se prioridade há menos de um ano, quando a Instituição passou a ser administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do Distrito Federal (IGESDF). Desde então, ações voltadas para a melhoria do exercício em saúde veio se fortalecendo, inclusive com a contratação de mais profissionais, objetivando a melhoria da qualidade da assistência. Protocolos essenciais para o andamento do Serviço de Fonoaudiologia e para segurança do paciente e visando produzir, sistematizar e difundir conhecimentos, implantar a gestão de risco e fomentar a inclusão do tema segurança do paciente entre os colaboradores foram criados e implementados 16 POPs para as áreas: adulto, neo e ped. Conclusão: No decorrer da construção dos POPs, percebeu-se uma mobilização entre os colaboradores da Instituição que possibilitou a identificação dos riscos e dos danos e a incorporação de boas práticas dos cuidados em saúde. No entanto, os fonoaudiólogos precisam entender que a padronização é o caminho mais seguro para a produtividade e competitividade em nível internacional. Assim, percebe-se que o bom desempenho de um serviço está intimamente relacionado com a qualidade de seus próprios processos e o acompanhamento dos resultados desses instrumentos, através de indicadores, pode revelar a eficiência da gestão que está sendo desenvolvida.

Palavras-chave: Fonoaudiologia; Métodos; Protocolos Clínicos;

Sales CB, Bernardes A, Gabriel CS, Brito MFP, Moura AA, Zanetti ACB. Protocolos Operacionais Padrão na prática profissional da enfermagem: utilização, fragilidades e potencialidades. Rev. Bras. Enferm. [Internet]. 2018 Feb [cited 2020 July 13] ; 71( 1 ): 126-134.

Quaglio C, Rached CDA. VALIDAÇÃO DE UM PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO: PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DO FREIO LINGUAL COM ESCORES PARA BEBÊS. International Journal of Health Management – Edição nº 1 – Ano: 2019.

Costa ANB, Almeida ECB, Melo TS. Elaboração de protocolos assistenciais à saúde como estratégia para promover a segurança do paciente. REBES, v.8.n1. 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1728
ELABORAÇÃO DE UM PROGRAMA DE INTERVENÇÃO FONOLÓGICA ASSOCIADO A LEITURA E A ESCRITA PARA ESCOLARES COM DISLEXIA MISTA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A dislexia refere-se a diferenças de processamentos individuais, frequentemente caracterizados pelas dificuldades apresentadas no início da alfabetização, comprometendo a aquisição da leitura, da escrita e da ortografia. Também podem ocorrer falhas nos processos cognitivos, fonológicos e/ou visuais. A dificuldade de decodificação traz implicações como limitação na leitura de textos de crescente complexidade, diminuição da exposição do leitor a palavras novas, limitação da aquisição de vocabulário e prejudica o desenvolvimento da perícia na compreensão da leitura2. Desta forma, mesmo que se saiba que, para aprender a ler, os escolares precisam desenvolver boas habilidades linguísticas, a leitura também requer uma análise visual de uma matriz de letras ordenada de forma específica como uma palavra familiar e recuperação da representação da palavra na memória3, porém, os programas de intervenção desenvolvidos para sujeitos com dislexia do desenvolvimento no Brasil não utilizam tal referencial, uma vez que a abordagem metafonológica é mais utilizada do que a abordagem que combina estratégias metafonológicas e de acesso ao léxico mental. Objetivo: elaborar um programa de intervenção fonológica associado a leitura e a escrita para sujeitos com dislexia do desenvolvimento e analisar a significância clínica do desempenho dos sujeitos na pré e na pós-testagem. Método: este projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesqiuisa, sob número de CAEE 948334182.000.05406, com número de parecer 2.916.381 . Para melhor explicitar como foi realizada a elaboração, aplicação e análise da significância clínica do programa de intervenção fonológica associada a leitura e escrita composto por tarefas de conhecimento do alfabeto, nomeação automática rápida de figuras e palavras, nomeação automática rápida e escrita, leitura de palavras e pseudopalavras, ditado de palavras, correção do ditado, decisão lexical e distinguir se as palavras são iguais ou diferentes. Resultados: foi possível observar que os sujeitos que foram submetidos ao Programa de Intervenção Fonológica associado a leitura e a escrita, diagnosticados com dislexia, apresentaram um desempenho satisfatório durante as sessões do Programa. Conclusão: o programa elaborado mostrou-se eficaz e com aplicabilidade, sendo demonstrado que este programa pode ser utilizado por fonoaudiólogos e fonoaudiólogos educacionais como um instrumento de intervenção baseada em evidência científica que auxilie o desenvolvimento da leitura de escolares com dislexia mista.

1. REID, G. Dyslexia: A practitioner's handbook. John Wiley & Sons, 2016. Doi 10.1002 / 9780470745502
2. CHARD, David J. et al. Predicting reading success in a multilevel schoolwide reading model: A retrospective analysis. Journal of Learning Disabilities. 2008; v(41), 174-188 . Doi https://doi.org/10.1177/0022219407313588
3. BELLOCCHI, Stéphanie et al. Exploring the Link between Visual Perception, Visual–Motor Integration, and Reading in Normal Developing and Impaired Children using DTVP‐2. Dyslexia,2017. v(23),296-315, 2017. Doi https://doi.org/10.1002/dys.1561


TRABALHOS CIENTÍFICOS
622
ELABORAÇÃO E DISPENSAÇÃO DE MATERIAIS EDUCATIVOS PELO SERVIÇO DE FONOAUDIOLOGIA DE UM HOSPITAL GERAL
Práticas fonoaudiológicas
Disfagia (DIS)


Introdução: No contexto hospitalar, faz parte do processo de trabalho do fonoaudiólogo realizar orientações diárias aos pacientes e seus acompanhantes quanto as condições seguras de oferta da dieta por via oral, à execução de exercícios prescritos e instruções de cuidados no momento da alta hospitalar. A equipe de Fonoaudiologia que atende pacientes adultos internados em um hospital universitário de referência no estado de Minas Gerais realizava orientações verbais e por vezes escritas, de forma não padronizada, o que gerava inquietude nos profissionais dada as falhas de comunicação percebidas nesse processo, haja vista permanente rotatividade dos acompanhantes e modificação diária a que são submetidas tais orientações. Diante disso, a equipe se organizou em um processo de trabalho para elaborar documentos institucionais com finalidade educativa, direcionados aos pacientes e seus acompanhantes, no formato de cartilhas, visando reforçar as orientações e solucionar dúvidas na ausência do fonoaudiólogo à beira do leito. Objetivo: Relatar o processo de elaboração e dispensação de cartilhas educativas pela equipe de Fonoaudiologia de um hospital universitário de referência. Métodos: Uma fonoaudióloga da equipe responsabilizou-se pela redação inicial do texto, em linguagem simples e concisa; pela ilustração colorida das cartilhas e pela diagramação do material segundo orientações da Assessoria de Comunicação da instituição. A prévia das cartilhas foi avaliada pelos pares do respectivo serviço quanto ao alcance da finalidade e linguagem apropriada, sendo realizados ajustes conforme as considerações propostas. Resultados: Mediante aprovação da Unidade de Gestão da Qualidade e do Risco, as cartilhas foram publicadas como material institucional, impressas pela Assessoria de Comunicação e se encontram em uso desde fevereiro de 2020. Foram elaboradas cinco cartilhas, referente aos seguintes temas: orientações gerais e individualizadas quanto à oferta por via oral de forma segura, orientações gerais e individualizadas sobre o uso de espessante alimentar, prescrição individualizada de exercícios para paralisia e paresia facial e orientações gerais para alta hospitalar. A dispensação é feita por qualquer profissional da equipe de Fonoaudiologia Adulto, conforme exista a demanda por aquele tipo de orientação. A equipe percebe que o uso das cartilhas tem contribuído para uma maior adesão das orientações pelos acompanhantes. Conclusão: A dispensação de cartilhas educativas contribui para o processo de educação em saúde, pois favorecem a compreensão e os seguimentos das orientações, além de ser um material de baixo custo e de uso prático no ambiente hospitalar.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1654
EMISSÕES OTOACÚSTICAS EVOCADAS EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A insuficiência cardíaca (IC) é um distúrbio que acomete o coração, ocasionando o suprimento inadequado de suas necessidades metabólicas. Esse comprometimento tende a reduzir o fluxo sanguíneo por todo o corpo, inclusive para a cóclea, com possibilidade de afetar a orelha interna, causando degeneração coclear. Assim, hipotetiza-se que pacientes com IC podem apresentar alteração das vias auditivas, sobretudo nas células ciliadas da cóclea, refletindo na amplitude das emissões otoacústicas evocadas por estímulos transientes (EOEt) e produto de distorção (EOEPD). A despeito da possível relação da IC com alterações auditivas, a literatura sobre a temática ainda é escassa, principalmente no Brasil. Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi averiguar os achados das emissões otoacústicas evocadas de pacientes com diagnóstico de IC. Trata-se de um estudo do tipo observacional, de caráter transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (parecer 2.809.558). A casuística foi composta por 15 sujeitos (30 orelhas), de ambos os sexos, com faixa etária entre 32 e 87 anos de idade (média = 55,93), que apresentavam quadro de insuficiência cardíaca diagnosticada por equipe interdisciplinar, do tipo sistólica (n= 9) ou diastólica (n=6). A severidade dos sintomas e grau do comprometimento foram classificados como classe I (n= 11) ou II (n=4), de acordo com a classificação da New York Heart Association. Inicialmente, os sujeitos foram submetidos à avaliação audiológica básica completa; e posteriormente, realizou-se a pesquisa das EOEt e EOEPD nas faixas de frequências de 1 a 4 kHz e de 1 kHz a 6kHz, respectivamente. Para tanto, utilizou-se o equipamento ILOv6 - Otodynamics, utilizando o protocolo padrão. Para cada banda de frequências registrada, analisou-se a reprodutibilidade para EOEt e a relação sinal/ruído para ambos os procedimentos. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Embora se tenha como limitação do estudo a possibilidade de outros fatores etiológicos associados, como a presbiacusia nos idosos, a configuração audiométrica dos pacientes com perda auditiva não foi característica deste fator causal. Dentre os pacientes avaliados 10 (66,7%) apresentaram limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade, bilateralmente (OMS, 2014). Ao considerar os pacientes com perda auditiva (n= 5), todas foram do tipo sensorioneural e, a de maior grau (severo), foi associada à um caso de cardiomiopatia dilatada multifatorial classe II. Apenas dois indivíduos apresentaram EOE presentes para todas as frequências testadas. Do total de participantes, quatro obtiveram EOE ausentes em todas as frequências nos dois procedimentos, sendo que destes, três apresentaram limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade e curva timpanométrica tipo “A”, sugerindo alterações de células ciliadas externas prévia à modificação dos limiares auditivos, com provável relação com o quadro de IC. Diante do exposto, conclui-se que pacientes com IC podem apresentar perda auditiva ou mesmo alteração de CCE prévia às modificações dos limiares auditivos. Assim, ressalta-se a importância de estudos adicionais que ampliem a casuística e do acompanhamento audiológico dos pacientes com IC, a fim de viabilizar a identificação precoce de alterações audiológicas secundárias ou potencialidades inerentes à condição sistêmica de IC.

Hull RH, Kerschen SR. The Influence of Cardiovascular Health on Peripheral and Central Auditory Function in Adults: A Research Review. American Journal of Audiology. 2010; Vol. 19 (9–16).

Hutchinson KM, Alessio H, Baiduc RR. Association Between Cardiovascular Health and Hearing Function: Pure-Tone and Distortion Product Otoacoustic Emission Measures. American Journal of Audiology. 2010; Vol. 19 (26–35).

Köping M, Shehata-Dieler W, Cebulla M, Rak K, Oder D, Müntze J, et al. Cardiac and renal dysfunction is associated with progressive hearing loss in patients with Fabry disease. PloS ONE. 2017; 12(11): e0188103. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0188103

Sánchez-Prieto Castillo J, López Sánchez FA. Insuficiencia cardíaca. Generalidades. Medicine - Programa de Formación Médica Continuada Acreditado. 2017; 12(35), 2085–2091. https://doi.org/10.1016/j.med.2017.06.001

Scrutinio D, Lagioia R, Ricci A, Et Al. Prediction Of Mortality In Mild To Moderately Symptomatic Patients With Left Ventricular Dysfunction. The Role Of The New York Heart Association Classification, Cardiopulmonary Exercise Testing, Two-Dimensional Echocardiography And Holter Monitoring. Eur Heart J. 1994;15:1089-95.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1009
EMPREENDEDORISMO E GESTÃO DA CARREIRA PROFISSIONAL NO CURSO DE FONOAUDIOLOGIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Fonoaudiologia prevê dentre as competências e habilidades gerais, a administração e o gerenciamento dos recursos físicos, materiais e de informação, com a finalidade de formar profissionais aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças em equipes de saúde. O planejamento da carreira profissional passa, necessariamente, pelo planejamento da vida, devendo ser construído considerando a indissociabilidade entre o planejamento individual, afetivo e profissional. Para atender a demanda prevista nas DCNs, o Curso de Fonoaudiologia de uma instituição pública do nordeste do Brasil inseriu em sua matriz curricular a disciplina de “Gestão de carreira, tecnologia aplicada à fonoaudiologia e ética profissional”, integralizada no currículo do 6° período, tendo sido ministrada pela primeira vez em 2015. Objetivo: Relatar a experiência na disciplina de “Gestão de carreira, tecnologia aplicada à fonoaudiologia e ética profissional”. Métodos: Trata-se de um relato de experiência de uma acadêmica do 4° ano de fonoaudiologia na disciplina de “Gestão de carreira, tecnologia aplicada à fonoaudiologia e ética profissional” de uma universidade pública do Nordeste. Durante a disciplina de 40h foram abordados semanalmente temas sobre o planejamento profissional (planejamento mínimo, planejamento de vida e dimensionamento da realidade), como realizar este planejamento e carreira acadêmica. Estes conteúdos foram ministrados por meio de aulas expositivas, estudo dirigido, tutorias e troca de experiências com fonoaudiólogos do estado que são empreendedores. Resultados: A disciplina proporcionou a reflexão, desde a graduação, de que ser empreendedor é ser capaz de explorar as oportunidades e protagonizar novos campos e práticas profissionais no âmbito da fonoaudiologia. Além disto, na elaboração do planejamento profissional para curto, médio e longo prazo que cada discente realizou, foi possível pensar na carreira profissional que se almeja, bem como quais metas e caminhos devem ser traçados para esta conquista. Conclusão: a disciplina de “Gestão de carreira, tecnologia aplicada à fonoaudiologia e ética profissional” traz uma proposta inovadora para o currículo, sendo muito bem avaliada pelos discentes e possibilitando o desenvolvimento de competências de comunicação, liderança, capacidade de planejar e a possibilidade de solucionar demandas da sociedade atual na contribuição da saúde e qualidade de vida das pessoas.

1. Sales PA et. al. Panorama da Disciplina de Orientação Profissional no Estado de São Paulo e sua importância no ensino de Fonoaudiologia View of the Professional Guidance Discipline in São Paulo State and its importance to the speech-language pathology student. Rev Inst Ciênc Saúde. 2008, 27(2): 144-7.
2. Sales PA, et. al. Marketing profissional na área de saúde: o fonoaudiólogo no mundo globalizado. Rev Fonoaudiol Brasil. 2005, 3(1): 13-5.
3. Antonello, CS et. al. Projeto pedagógico: uma proposta para o desenvolvimento de competências de alunos do curso de administração, com foco no empreendedorismo. Encontro Anual da Anpad. 2005, 29.
4. CNE. Resolução CNE/CES 5/2002. Diário Oficial da União, Brasília, 4 de março de 2002. Seção 1, p. 12.
5. Menezes, PL. Felicidade: um planejamento de vida para fonoaudiólogos. Revista do Sistema de Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia.2012;53:22-23.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1763
ENCONTROS VIRTUAIS PARA COMPARTILHAR ESTRATÉGIAS E EXPERIÊNCIAS NA TELEFONOAUDIOLOGIA
Relato de experiência
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Encontros virtuais para compartilhar estratégias e experiências na telefonoaudiologia
Introdução: A quarentena imposta pelo COVID-19 gerou mudança repentina no meio de atendimento dos profissionais de fonoaudiologia de todas as áreas. Muitos fonoaudiólogos tiveram que fechar seus consultórios para manter o distanciamento social. Caso a migração da terapia presencial para a teleconsulta não fosse realizada, muitos pacientes teriam suas sessões interrompidas, impactando negativamente em sua evolução. Além disso, como a maior parte dos profissionais são autônomos, a migração a teleconsulta foi imprescindível para a manutenção da fonte de renda.
Objetivo: Elaborar um evento gratuito para os fonoaudiólogos das diversas áreas da fonoaudiologia compartilharem experiências, estratégias e aprendizados na migração imposta das terapias presenciais para a teleconsulta e fornecer uma rede de apoio para nossa profissão.
Método: Foram convidados 22 profissionais referência em sua área de atuação para participarem como palestrantes de duas semanas de encontros virtuais. Em ambas as semanas a palestra de abertura foi realizada em forma de live pelo instagram para atingir o maior número de pessoas possível e a divulgação e o link para acesso aos encontros foi disponibilizado pelas mídias sociais. A primeira série de encontros foi realizada no início da quarentena de forma síncrona pela plataforma zoom e posteriormente as gravações foram disponibilizadas em um canal do YouTube de forma assíncrona. O intuito da primeira semana foi discutir e compartilhar boas práticas da teleconsulta, estratégias para a adesão dos pacientes, além de sanar dúvidas. A segunda série de encontros foi realizada também de forma síncrona, dessa vez pela plataforma StreamYard com transmissão direta para o canal do YouTube para evitar a limitação técnica de 100 pessoas dentro da plataforma zoom. A segunda semana foi realizada um mês após a primeira com o objetivo de compartilhar a evolução dos casos na telefonoaudiologia e compartilhar novas estratégias de como os profissionais estavam lidando com os desafios da terapia mediada pela tecnologia. Todos os encontros foram divididos por área da fonoaudiologia e tiveram duração de uma hora a uma hora e meia. Os feedbacks de ambas as séries de encontros foram espontâneos e coletados em forma de mensagem escrita pelas mídias sociais e WhatsApp.
Resultados: As duas séries de encontros tiveram uma grande participação dos fonoaudiólogos. Na primeira foram seis encontros totalizando mais de 1.240 visualizações. A segunda foram sete encontros somando mais de 2.000 visualizações. Participaram fonoaudiólogos de todo o país. O feedback das duas séries foi positivo, tanto de quem assistiu, quanto de quem ministrou. Muitos fonoaudiólogos escreveram depoimentos e mensagens agradecendo os encontros, comentando que eles foram cruciais para conseguirem transmitir segurança para os pacientes atuais e conseguirem fazer a migração de forma rápida e eficiente, diminuindo o impacto na evolução do paciente e na questão financeira devido ao isolamento social.
Conclusão: Foi possível realizar um evento gratuito com participação de grande número de profissionais de todo o Brasil. O feedback dos profissionais revelou que a estratégia foi válida para conhecimento da legislação, preparação e segurança relacionada aos atendimentos mediados pela tecnologia.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
894
ENFRENTAMENTO AO COVID-19 NO ÂMBITO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A Atenção Primária a Saúde é essencial para o enfrentamento ao Covid-19, através das estratégias de Educação Popular em Saúde, ampliando as ações de promoção e prevenção, por meio de articulações das equipes interdisciplinares da APS. Nessa perspectiva, a Fonoaudiologia desenvolve estratégias de promoção, prevenção e intervenção junto à saúde da comunicação humana, além de orientar a importância da adesão e manutenção das recomendações da Organização Mundial de Saúde. Objetivo: Relatar as vivências do projeto de extensão universitária denominado Enfrentamento ao COVID19: produzir saúde e defender a vida. Método: Trata-se de um projeto de extensão interprofissional que contribui para o enfrentamento ao COVID-19 nos espaços da Atenção Primária a Saúde, articulando ações de educação e saúde, promoção à prestação do cuidado integral à Saúde. As ações são organizadas nos seguintes eixos: comunicação e educação em saúde, cuidado e assistência em saúde, apoio a organização comunitária e acesso a direitos, suporte e escuta a população e às equipes de cuidado ao cuidador. A área de execução do projeto é território de abrangência das Unidades de Saúde da Família de Vila União e Skylab (Distrito Sanitário IV) e Jardim São Paulo (Distrito Sanitário V) da Secretaria de Saúde do Recife. Dentre os participantes, estão os estudantes de graduação, residentes em Saúde da Família, preceptores/as e tutores/as. São desenvolvidas atividades especificas por núcleo, considerando a singularidade de ação do núcleo profissional, e interprofissionais, com participação dos núcleos de saber e prática da Fonoaudiologia, Nutrição, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Odontologia e Serviço social. A cada semana são feitas reuniões para planejamento e execução das atividades, além de reuniões de monitoramento das atividades desenvolvidas pelos graduandos. Resultados: São realizados momentos de discussão teórica entre os núcleos de saber participantes. Os estudantes do núcleo da Fonoaudiologia pesquisam e mostram a importância da atuação fonoaudiológica para o enfrentamento da pandemia de Covid-19, por meio de levantamentos na literatura relacionando a Fonoaudiologia e a Covid-19. Também é realizada produção de materiais educativos com foco na prevenção da Covid-19 e continuidade do cuidado no momento de isolamento social: recursos visuais (cards, folders), audiovisuais (vídeos) e podcasts, também produzidos de forma interdisciplinar em parceria com os demais núcleos profissionais, tendo o público-alvo a população residente em comunidade dos territórios participantes. Conclusão: A interdisciplinaridade traz uma relação de proximidade com os discentes e docentes dos diversos cursos de graduação, residentes, tutores, preceptores, compartilhando as vivências práticas com a comunidade nesse período de pandemia. A ênfase na saúde primária ensina o olhar integral em saúde com o foco nos determinantes sociais, permitindo riqueza na formação profissional em um meio interprofissional. O aprendizado construído ao longo dessa trajetória será repassado adiante, a fim de contribuir para a concepção de uma Fonoaudiologia integral, melhorias na saúde pública e na vida das pessoas.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1941
ENSINO DA ENTREVISTA MOTIVACIONAL NA FORMAÇÃO DE FONOAUDIÓLOGOS
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: Em diferentes situações clínicas é necessário que o fonoaudiólogo converse com seus pacientes sobre comportamentos que necessitam ser modificados. A Entrevista Motivacional (EM) é uma abordagem de aconselhamento breve, baseada em evidências, diretiva, centrada no paciente, que visa o desenvolvimento da motivação intrínseca para mudança de comportamento, enfocando a exploração e resolução da ambivalência [1]. Dada a efetividade da EM na melhoria de resultados do tratamento em diferentes áreas da saúde, incluindo a fonoaudiologia, alguns autores advogam pela inclusão de seus procedimentos nas atividades de aconselhamento na prática fonoaudiológica [2,3]. Por sua vez, isto implica no processo de ensino e aprendizagem desta abordagem Objetivo: Verificar os resultados relativos ao ensino e aprendizagem da entrevista motivacional na formação profissional de fonoaudiólogos. Método: Estudo de revisão. Os descritores: ensino, entrevista motivacional, fonoaudiologia, audiologia, fala, linguagem, patologia e suas variações, nos idiomas português e inglês, foram combinados e utilizados nas buscas nas bases de dados PubMed, LILACS, IBECS, Scopus, ERIC e Google Acadêmico. Não houve limitação de data de publicação. Os critérios de inclusão foram: estudos com qualquer desenho metodológico, que contivessem relatos de experiência ou dados empíricos sobre o ensino da EM na formação do fonoaudiólogo em nível de graduação ou pós-graduação, publicados no idioma português ou inglês. Resultados: A busca das bases de dados resultou em 6 referências, das quais 1 era repetida, totalizando 5 no final. No Google Acadêmico foram gerados 25 mil resultados, dos quais as primeiras 5 páginas foram analisadas. Após revisão do título e resumo não foram encontradas publicações que obedecessem aos critérios de inclusão. Conclusão: A qualidade do relacionamento entre o fonoaudiólogo e o paciente afeta diretamente os resultados do tratamento. A EM pode ser utilizada no processo reabilitativo para a construção da aliança terapêutica, facilitar o estabelecimento de metas e o envolvimento do paciente no seu próprio cuidado [4,5]. Esta abordagem também se alinha ao modelo biopsicossocial proposto pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino superior na área da saúde no Brasil [6]. O presente trabalho sugere que (a) nacional e internacionalmente, a EM não vem sendo incorporada na formação de fonoaudiólogos, ou, (b) que tais experiências não estão sendo publicadas. Faz-se necessário ampliar o escopo desta pesquisa, incluindo a busca e análise dos projetos político-pedagógicos e das matrizes curriculares dos Cursos de graduação e pós-graduação em Fonoaudiologia.

[1]Miller WR, Rollnick S. Motivational interviewing: Preparing People for Change. 2. ed. New York: The Guilford Press, 1952.
[2]Mcfarlane Lu-Anne. Motivational Interviewing: Practical Strategies for Speech-Language Pathologists and Audiologists. Canadian Journal of Speech-Language Pathology & Audiology . Spring 2012, Vol. 36 Issue 1, p8-16. 9p. 1 Chart.
[3]Johnson CE, Jilla AM, Danhauer JL. Developing Foundational Counseling Skills for Addressing Adherence Issues in Auditory Rehabilitation. National Library of Medicine, 2018 Feb;39(1):13-31. doi: 10.1055/s-0037-1613702. Epub 2018 Feb 7.
[4]Campos PD. Teleaudiologia: análise da comunicação profissional/paciente no processo de seleção e adaptação de aparelhos de amplificação sonora individuais via teleconsulta. Tese (Doutorado em Fonoaudiologia) – Faculdade de Odontologia de Bauru, University of São Paulo, Bauru, 2016.
[5]Beck DL, Harvey MA. Creating Successful Professional-Patient Relationship. Audiology Today, v. set.-out., p. 36-47, 2009.
[6]Brasil. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES 5, de 19 de fevereiro de 2002. Institui diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Fonoaudiologia. Brasília, DF, 2002.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
341
ENSINO PRÉ-ESCOLAR DE ALUNOS COM O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: ATUAÇÃO DO PROFESSOR
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


Introdução: A atuação pedagógica dos professores é fundamental para a promoção do sucesso escolar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)1. Assim, considerando o fortalecimento das políticas inclusivas no Brasil2-3, é válido refletir sobre a prática docente desenvolvida junto a esta população, uma vez que é crescente o número de alunos com TEA nas salas de aulas comuns do ensino regular em nosso país4. Objetivo: verificar a atuação pedagógica no ensino pré-escolar de alunos com o TEA. Metodologia: O estudo obteve autorização do Comitê de Ética em Pesquisa (CAEE: 66897617.0.0000.5417), do Núcleo de Aperfeiçoamento Profissional da Educação Municipal (NAPEM) da Secretaria Municipal de Educação e do Centro de Apoio à Inclusão Escolar (CAIE) da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do município em que foi desenvolvido o estudo. Participaram do estudo 27 professoras de sete escolas de diferentes regiões da cidade e cinco professoras do CAIE, que atuam no ensino infantil (EI), atendimento educacional especializado (AEE) e atendimento especializado (AE) no ensino pré-escolar. Elas responderam questionário, contendo dois blocos: Bloco 1, caracterização do professor quanto a dados pessoais, de formação acadêmica e contexto de ensino atual, com seis questões; e Bloco 2, sobre a atuação propriamente dita com alunos com TEA, com nove questões. Resultados: As participantes, do gênero feminino (100%), apresentaram média de idade de 40,6 anos. A formação acadêmica foi distribuída em Magistério, Pedagogia, Educação Especial e Educação Artística. 84,4% das professoras eram pós-graduadas (lato sensu); 65,6% atuavam no EI, 18,8% na EE e 15,6% no AEE; 87,4% conheciam as características do TEA; 80% das professoras que atuam no AEE receberam laudo diagnóstico de seus alunos com TEA, seguido de 66,7% das professoras da EE e 57,1% das professoras da EI; 78,1% afirmaram observar dificuldades de socialização, comunicação, comportamento e aprendizagem; 15,6% profissionais relataram observar comportamento de agressividade e irritação; 12,5% referiram dificuldades de atenção e concentração e 6,2% mencionaram dificuldades de coordenação motora em seus alunos com TEA. 62,5% afirmaram considerar que seus alunos com TEA apresentam potencial para acompanhar o ensino em escola regular; 68,8% das professoras recebiam orientações de profissionais da equipe de seus alunos com TEA; 78,1% participaram de cursos e palestras com conteúdos voltados para o ensino de alunos com TEA; 28,1% consideram estar aptas para ensinar crianças com TEA; 78,1% afirmaram ser necessário haver alterações e adequações na estrutura de ensino para os alunos com TEA. Conclusão: Os docentes relataram dificuldades e falta de apoio institucional no manejo diário sobre questões de aprendizagem com seus alunos com TEA, com dificuldades para acesso às informações técnicas quanto ao quadro clínico de seus alunos e, principalmente, falta de formação adequada de como promover mudanças curriculares que sejam efetivas para o aprendizado e, principalmente convivendo com as incertezas do sucesso escolar destes alunos. Nesse sentido, há a necessidade de medidas urgentes para que a atuação pedagógica esteja alinhada com as políticas inclusivas que permitam a garantia de que os aprendizes com TEA terão acesso aos aspectos qualitativos da educação5-6-7-8, como previsto em lei.

American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 5th ed. Arlington, VA: Author; 2013

Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Imprensa Oficial, 1988. [acesso 2 jul 2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

Brasil. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF, jan. 2008a. [Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela portaria n. 555/2007, prorrogada pela portaria n. 948/2007, entregue ao ministro da Educação em 7 de janeiro de 2008]. [acesso 2 jul 2020]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf

Brasil: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Censo Escolar da Educação Básica 2016 – Notas Estatísticas. [acesso 21 jun. 2020]. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/notas_estatisticas/2017/notas_estatisticas_censo_escolar_da_educacao_basica_2016.pdf

Teixeira MN. Conflito Social pela Educação de Qualidade: Uma Reflexão sobre os Sistemas de Avaliação Educacional. InterSciencePlace [periódico na internet]. 2015 [acesso 02 jul 2020]; 2(10): 118-34. Disponível em: http://dx.doi.org/10.6020/1679-9844/v10n2a7

Neto AOS, Ávila EG, Sales TRR, Amorim SS, Nunes AKF, Santos VM. Educação inclusiva: uma escola para todos. Rev Edu Esp [periódico na internet]. 2018 [acesso 02 jul 2020]; 31 (60): 81-92. Disponível em: https://doi.org/10.5902/1984686X24091

Bernado ES, Christovão AC. Tempo de Escola e Gestão Democrática: o Programa Mais Educação e o IDEB em busca da qualidade da educação. Educ. Real. 2016. [acesso 2 jul 2020]; 41(4): 1113-40. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2175-623660597

Garnica TPB, Cavalheiro GCS, Quaglio EMH, Capellini VLMF. O Saber fazer na Formação de Professores para a Inclusão Escolar: Um Levantamento Bibliográfico. Rev Ens & Pesq. 2016. [acesso 2 jul 2020]; 14(02): 58-87. Disponível em: http://periodicos.unespar.edu.br/index.php/ensinoepesquisa/article/view/970


TRABALHOS CIENTÍFICOS
814
ENSINO REMOTO E O MOVIMENTO ESTUDANTIL: AÇÕES DE UM DIRETÓRIO ACADÊMICO DE FONOAUDIOLOGIA DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: A participação dos estudantes tem importante papel para o direcionamento de ações de formação em Fonoaudiologia. Em recente portaria publicada pelo Ministério da Educação houve a permissão para a substituição de aulas presenciais por aulas em meios digitais no período da pandemia de Covid-19. O Diretório Acadêmico de Fonoaudiologia (Dafon), enquanto entidade de representação estudantil, está a frente das discussões que envolvem o ensino remoto e suas aplicações, levando a voz dos estudantes, de forma organizada e humanizada. Objetivo: Relatar as ações do Dafon acerca do ensino remoto durante a pandemia do Covid-19. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência escrito por integrantes de um diretório acadêmico do curso de Fonoaudiologia de uma universidade pública. O diretório é composto por onze participantes, que se dividem entre a Executiva (Presidente, vice presidente, duas secretarias gerais), onde as ações são deliberadas, e o Pleno (Secretaria de comunicação, assuntos estudantis, acadêmicos, evento, mobilização, combate às opressões e tesouraria), executando as atividades propostas. O DAFON atuou de forma online, pautando questões como: acesso à tecnologia, saúde mental dos estudantes e todos os fatores que permeiam as aulas online, através de elaboração e divulgação de comunicados, organização de reuniões entre a coordenação do curso de Fonoaudiologia e os estudantes, além da criação de formulários para o mapeamento da opinião estudantil, através do aplicativo do Google Forms. Resultados: Foram realizadas cinco reuniões com estudantes, reitoria, coordenação e docentes. A principal queixa apresentada pelos discentes foi a inviabilidade da realização das atividades online, considerando que parte dos graduandos não dispõe de bons aparelhos tecnológicos e/ou bom pacote de dados de internet, além da saúde mental em relação ao contexto familiar e a adequação à nova rotina dentro de casa. O levantamento da opinião estudantil realizado pelo diretório e apresentado aos docentes e coordenação do curso demonstrou que 51,9% dos estudantes apresentaram momentos de ansiedade e 46,3% afirmaram não estar conseguindo ter produtividade durante este período. Para além desses dados, o Dafon elaborou um segundo questionário para mapear o olhar do estudante sobre a aplicação do ensino remoto na Universidade, cerca de 40% acredita que há pontos negativos e positivos, além de explanarem sugestões e opiniões pessoais sobre o assunto. O levantamento da voz dos estudantes foi fundamental para embasar o diálogo junto à gestão universitária e contribuiu positivamente para a compreensão dos docentes a respeito da opinião estudantil sobre o ensino remoto, e caso seja implantado, ser organizado em conjunto com o corpo discente de forma humanizada. Conclusão: É essencial a atuação do Diretório Acadêmico nas Universidades e nos cursos de Fonoaudiologia. O Diretório representa uma ponte de comunicação entre discentes e docentes, além de ser responsável por articular e garantir a defesa e legitimidade dos alunos em todos os processos acadêmicos. O protagonismo do Dafon é fundamental, pois, estreita os laços dos discentes com o corpo docente, desfazendo as barreiras propostas pelo ensino, fortalecendo o movimento estudantil dentro da Universidade.

Ministério da Educação (BR). Portaria nº 343, de 17 de março de 2020. Diário oficial da União. 18 de março de 2020; Edição: 53; Seção: 1; Página: 39. Disponível em: http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-343-de-17-de-marco-de-2020-248564376


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1097
EPIDEMIOLOGIA DA PARALISIA CEREBRAL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES E ASSOCIAÇÃO COM A VULNERABILIDADE EM SAÚDE
Tese
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A Paralisia Cerebral (PC) é a principal causa de incapacidade física na infância, no entanto muitos aspectos da PC ainda são inconclusivos e merecem maiores esclarecimentos. A associação da PC com áreas de vulnerabilidade pode ser considerada uma lacuna do conhecimento. Não foram encontrados estudos epidemiológicos populacionais e sistemas de informação sobre a PC no Brasil. Objetivo: Analisar as características epidemiológicas da Paralisia Cerebral em crianças e adolescentes e a associação com a vulnerabilidade em saúde. Métodos: O estudo foi dividido em cinco etapas que envolveram quatro desenhos de pesquisa epidemiológica e uma produção tecnológica. A primeira etapa foi um estudo do tipo metodológico de construção e validação de um indicador sintético de vulnerabilidade em saúde (IVSaúde). Na segunda etapa, foi realizado um estudo epidemiológico do tipo transversal mediante um inquérito na atenção primária sobre a PC em crianças e adolescentes na cidade de Aracaju. Na terceira etapa, foi realizado um estudo ecológico com análise espacial da PC com dados produzidos a partir do inquérito e acrescidos de dados secundários. Na quarta etapa, foi realizado um estudo caso-controle com informações do pré-natal e do nascimento dos casos e controles colhidas nos registros do Sistema de Informações de Nascidos Vivos do Ministério da Saúde do Brasil (SINASC). A quinta etapa constou da produção de um Sistema de Informação para o Monitoramento Epidemiológico da Paralisia Cerebral. Foram utilizadas análises descritivas, análise de componentes principais, análise exploratória de dados espaciais, regressão linear múltipla e regressão logística múltipla. Resultados: Foi obtido consenso para a composição do indicador sintético de vulnerabilidade, validação estatística e aplicabilidade no território de Aracaju. A prevalência da PC entre crianças e adolescentes em Aracaju foi de 1,64/1000, com maior frequência no sexo masculino (56,25%), raça/cor parda ou preta (67,50%), subtipo mais comum bilateral espástica (45,42%), com maior acometimento das comorbidades de epilepsia (48,33%) e da deficiência intelectual (30%). Cinquenta e oito por cento das famílias têm renda familiar de até 1 salário mínimo. Foram encontradas associações da prevalência da PC com áreas de vulnerabilidade em saúde. Os fatores associados foram o baixo peso ao nascer, prematuridade, baixo escore de Apgar, idade materna avançada e anomalias congênitas. O sistema de informação para o registro da PC atendeu as necessidades de armazenamento, banco de dados, interface intuitiva, layout simples, acesso com diferentes níveis e geração de relatórios. Conclusão: A paralisia cerebral em crianças e adolescentes em Aracaju apresenta como característica o subtipo bilateral espástica, prevalência baixa, apesar das disparidades dentro da cidade, maior frequência nos grupos de minorias sociais de raça/cor parda ou preta e nas famílias que vivem na linha da extrema pobreza. A prevalência da PC está associada com as iniquidades sociais contextuais e possui relação de dependência espacial com as áreas de maior vulnerabilidade em saúde. Os fatores associados mais importantes são as anomalias congênitas, baixos escores de Apgar, baixo peso ao nascer e prematuridade. O sistema de informação no modelo de sala de situação se aplica para pesquisa, vigilância, planejamento e avaliação de serviços para a PC.

BRASIL. Introdução à Estatística Espacial para Saúde Pública. Vol. 3. ed. Brasília-DF: Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, 2007.
BUSS, P. M.; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 17, n. 1, p. 77-93, 2007.
CUTTER, S. L.; BORUFF, B. J.; SHIRLEY, W. L. Social Vulnerability to Environmental Hazards n. Social Science Quarterly, v. 84, n. 2, p. 242-261, 2003. Disponível em: . Acesso em: 21 jun. 2016
DOLK, H.; PATTENDEN, S.; BONELLIE, S. et al. Socio-economic inequalities in cerebral palsy prevalence in the United Kingdom: a register-based study. Paediatric and Perinatal Epidemiology, v. 24, n. 2, p. 149-155, 2010. Disponível em: . Acesso em: 29 mar. 2018.
DRACHLER, M. de L.; LOBATO, M. A. de O.; LERMEN, J. I. et al. Desenvolvimento e validação de um índice de vulnerabilidade social aplicado a políticas públicas do SUS. Ciência & Saúde Coletiva, v. 19, n. 9, p. 3849-3858, 2014. Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2018.
GRAHAM, H. K.; ROSENBAUM, P.; PANETH, N. et al. Cerebral palsy. Nature Reviews Disease Primers, p. 15082, 2016. Disponível em: . Acesso em: 29 mar. 2018.
KAKOOZA-MWESIGE, A.; ANDREWS, C.; PETERSON, S. et al. Prevalence of cerebral palsy in Uganda: a population-based study. The Lancet Global Health, v. 5, n. 12, p. e1275-e1282, 2017. Disponível em: . Acesso em: 29 mar. 2018.
MCINTYRE, S.; TAITZ, D.; KEOGH, J. et al. A systematic review of risk factors for cerebral palsy in children born at term in developed countries. Developmental Medicine and Child Neurology, v. 55, n. 6, p. 499-508, 2013. Disponível em: <>. Acesso em: 19 mai. 2015.
OSKOUI, M.; MESSERLIAN, C.; BLAIR, A. et al. Variation in cerebral palsy profile by socio-economic status. Developmental Medicine and Child Neurology, v. 58, n. 2, p. 160-166, 2016.
SOLASKI, M.; MAJNEMER, A.; OSKOUI, M. Contribution of socio-economic status on the prevalence of cerebral palsy: a systematic search and review. Developmental medicine and child neurology, p. 1-9, 2014. Disponível em: . Acesso em: 29 mar. 2018.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1695
EQUOTERAPIA E INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA: ANÁLISE DA EVOLUÇÃO LINGUÍSTICA VIA PÉS RÍTMICOS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta a comunicação social e a interação1, mas pouco se fala das alterações prosódicas e gramaticais2,3. A equoterapia surge como alternativa de intervenção para desenvolvimento de tais habilidades, parte-se do pressuposto de que o passo do cavalo favorece adequação de ritmo, de forma natural e sem esforço cognitivo4, e a presença do animal facilita as interações sociais da criança5. Conforme atestado na Linguística Sistêmico-Funcional, a prosódia realiza opções semânticas e pragmáticas conjuntamente com as opções gramaticais6. Uma mesma sequência de palavras pode estar associada a diferentes padrões melódicos e rítmicos, correspondendo a diferentes grupos tonais e pés7. OBJETIVO: Tendo isso em vista, este trabalho tem por objetivo realizar uma análise da evolução rítmica e gramatical da fala de crianças com TEA (graus leve e severo via Childhood Autism Rating Scale - CARS)8,9 submetidas a uma intervenção equoterapêutica. MÉTODOS: Foram selecionadas aleatoriamente 2 crianças de um Centro de Equoterapia para participar do experimento, ambas com 6 anos, sendo uma do gênero feminino e outra do masculino. Os responsáveis assinaram termos de autorização a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética com número 14946819.8.0000.8093. As gravações foram realizadas de modo cego seguindo o Protocolo de Observação Comportamental (PROC)10. A intervenção consistiu em 10 sessões com duração de 30 minutos, 1 vez na semana. Foram analisadas as constituições fonológicas e gramaticais das falas: a primeira em pés e sílabas e a segunda em grupos e palavras7. RESULTADOS: A criança com TEA leve apresentou aumento de 7 para 20 orações, de 5 para 21 grupos (de 5 grupos nominais para 15 grupos nominais, 5 grupos verbais, 1 grupo preposicional), de 1 para 1,5 palavras por oração; de 8 para 27 pés e, com fluência típica, de 0 para 6 orações com dois pés, de 0 para 1 oração de três pés, e de 0 para 2 grupos nominais de 2 pés. Houve uma pausa atípica em cada sessão de avaliação, observou-se uma queda proporcional aparente de 12,5% para 3,7%, a qual precisa ser confirmada com mais dados. A criança com TEA severo apresentou aumento de 12 para 22 orações, de 19 para 40 grupos (de 13 grupos nominais para 30 grupos nominais, de 2 grupos preposicionais para 5 grupos preposicionais, 5 conjuntivos, manteve-se com 4 grupos verbais), de 2,25 para 2,68 palavras por oração e de 0 para 5 orações preposicionais; de 19 para 31 pés e, com fluência típica, de 2 para 4 orações com 2 pés, de 0 para 1 grupo nominal com 2 pés, e de 0 para 1 grupo nominal com 4 pés. Houve uma pausa atípica em cada sessão de avaliação, observou-se uma queda proporcional aparente de 5,2% para 3,2%, a qual precisa ser confirmada com mais dados. CONCLUSÃO: Observou-se uma evolução linguística em todas as métricas estudadas. Aponta-se a necessidade de aumentar a amostra, por isso propõe-se estudos futuros.

1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

2. Martins, A. Avaliação dos Distúrbios da Linguagem no Autismo Infantil. Dissertação (Mestrado em Medicina). Portugal: Universidade da Beira Interior Faculdade de Ciências da Saúde Covilhã; 2011.

3. Zanon, R; Backes, B; Bosa, C. Identificação dos primeiros sintomas do autismo pelos pais. Psic.: Teor. e Pesq. 2014; v. 30: p. 25-33.

4. Associação Nacional de Equoterapia: Curso básico de equoterapia. Brasília: ANDE, 2010.

5. Gabriel, RL. et al. Randomized controlled trial of therapeutic horseback riding in children and adolescents with autism spectrum disorder. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2015; v. 54: p. 541-549.

6. Halliday, MAK. Language Structure and Language Function. In Lyons, J., Ed., New Horizons in Linguistics.Harmondsworth: Penguin, p. 140-165, 1970.

7. Halliday, MAK. Matthiessen, CMIM. Halliday’s Introduction of Functional Grammar. 4ªed. London/New York: Routledge, 2014.

8. Schopler E, Reichler RJ, DeVellis RF, Daly K. Toward objective classification of childhood autism: Childhood Autism Rating Scale (CARS). J Autism Dev Disord. 1980; v.10: p. 91-103.

9. Schopler E, Reichler RJ, Renner BR. The Childhood Autism Rating Scale (CARS) for diagnostic screening and classification in autism .New York: Irvington, 1986.

10. Hage, SRV; Pereira, TC; Zorzi, JL. Protocolo de Observação Comportamental-PROC: valores de referência para uma análise quantitativa. Rev. CEFAC, 2012; v. 14: p. 677-690.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1259
ESCALA DE MOTIVAÇÃO PARA APRENDIZAGEM PARA ADOLESCENTES DO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA ANÁLISE PSICOMÉTRICA
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


INTRODUÇÃO: A motivação para aprender é um construto complexo e multifacetado que está relacionado com a posição interna e consequente atuação do indivíduo para o cumprimento de metas e objetivos, sendo um tema de grande importância para a área da educação por ser um dos agentes responsáveis pelo sucesso escolar (1,2,3,4).

OBJETIVO: Verificar as propriedades psicométricas da Escala de Motivação para a Aprendizagem (EMAPRE) quanto à adequação para estudantes dos anos finais do ensino fundamental e a associação entre a motivação para aprender e aspectos sociodemográficos desta população.

MÉTODO: Trata-se de estudo observacional analítico transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o parecer de número 2.422.795, realizado com 124 adolescentes estudantes do segmento do ensino fundamental II de uma escola de financiamento privado. Foram utilizados os questionários de Caracterização dos participantes, Escala de Motivação para a Aprendizagem (composta pelos domínios Meta-Aprender, Meta Performance-aproximação e Meta Performance-evitação) (5) e o Critério de Classificação Econômica Brasil (6). A análise descritiva das variáveis foi feita por meio de distribuição de frequência absoluta e relativa das variáveis categóricas e síntese numérica das variáveis contínuas e análise fatorial confirmatória pelo método de componentes principais. A análise da consistência interna foi realizada por meio do Alpha (α) de Cronbach e para avaliar as associações entre os domínios da escala de Motivação para Aprendizagem e as variáveis explicativas utilizaram-se os testes de Mann-Whitney e o teste de Kruskal Wallis.

RESULTADOS: Na análise descritiva, observou-se que a maioria dos adolescentes era do gênero feminino (54,0%) e pertencia à classe econômica A (66,9%). A maior mediana na distribuição dos escores foi no domínio Meta Aprender (31,0), seguida dos domínios Meta performance-aproximação (15,0) e Meta performance-evitação (8,0). Na comparação das medianas dos domínios com as variáveis sociodemográficas, não houve associações com significância estatística. Na análise de associação foi identificada para o domínio Meta Aprender, associação linear e inversa com as variáveis idade e ano escolar. Na análise fatorial, os três fatores explicaram 40,56% da variância total na análise dos componentes principais e à rotação Varimax. Os domínios Meta Aprender, Meta Performance-aproximação e Performance-evitação apresentaram Alpha de Cronbach α=0,795, α=0,798 e α=0,801, respectivamente na análise da consistência interna, indicando boa confiabilidade.

CONCLUSÃO: Foi evidenciada a adequação do instrumento para a amostra proposta no estudo e a necessidade de maior investimento e estímulo para pesquisas e estudos que auxiliem o educador na elaboração de estratégias docentes que contribuam para a melhor qualidade motivacional dos alunos para aprendizagem, demonstrando o valor e a utilidade do conhecimento para a vida.


1- de Brito Cunha, N., & Boruchovitch, E. (2012). Estratégias de aprendizagem e motivação para aprender na formação de professores. Interamerican Journal of Psychology, 46(2), 247-253.

2- Monteiro, R. D. M., & Santos, A. A. A. D. (2011). Motivação para aprender: diferenças de metas de realização entre alunos do ensino fundamental. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 2(1), 19-35.

3- Santos, A. A. A. D., Moraes, M. S. D., & Lima, T. H. (2018). Compreensão de leitura e motivação para aprendizagem de alunos do ensino fundamental. Psicologia Escolar e Educacional, 22(1), 93-101.
4- Beluce, A. C., & Oliveira, K. L. D. (2015). Students’ motivation for learning in virtual learning environments. Paidéia (Ribeirão Preto), 25(60), 105-113.
5- Zenorini RDPC, dos Santos AA. Escala de metas de realização como medida da motivação para aprendizagem. Interamerican Journal of Psychology. 2010;44(2):291-8.

6- ABEP: Associação Brasileira de Empresa de Pesquisa [Internet]. São Paulo: Associação Brasileira de Empresa de Pesquisa; 2018. Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB). [cited 2019 Sep 7]. Available from: http://www.abep.org/criterio-brasil.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
829
ESCALA FOTONUMÉRICA PARA ANÁLISE DA ESTÉTICA DA FACE: RESULTADOS PRÉ E PÓS TRATAMENTO FONOAUDIOLÓGICO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO
A atuação fonoaudiológica em estética facial tem como meta atenuar rugas e sinais de envelhecimento faciais (1). Preconiza-se que uma avaliação miofuncional orofacial, uma documentação fotográfica e em vídeo sejam realizadas no início e ao término do processo terapêutico, quando as imagens iniciais e finais são comparadas e o efeito da terapia é observado(2).
Vários autores utilizaram imagens estáticas e dinâmicas para comprovar os efeitos estéticos da terapia fonoaudiológica, porém poucos protocolos propõem uma análise acurada dos resultados (3,4,5).
Dermatologistas validaram escalas fotonuméricas que permitiram classificar a severidade das rugas faciais, escolher o melhor procedimento terapêutico e comprovar os efeitos dos tratamentos dermatológicos (6,7,8,9).
OBJETIVO: descrever, em um caso clínico, a utilização de uma Escala Fotonumérica, constituida por imagens faciais de escalas previamente validadas, para ser utilizada na avaliação pré e pós terapia fonoaudiológica direcionada à estética facial.
MÉTODO: Realizada a documentação fotográfica e em vídeo de cliente, sexo feminino, 54 anos, antes e após a intervenção terapêutica, com duração de nove semanas, constituída de treino das funções orofaciais, associado a exercícios isotônicos e isométricos de alguns grupos musculares orofaciais. Na documentação das imagens, foi mantida a mesma padronização do espaço físico, equipamentos utilizados, posicionamento do paciente, iluminação da sala. Fotografias nas posições frontal, 45º e perfil foram utilizadas para a verificação das rugas estáticas e imagens recortadas de vídeo, para a avaliação das rugas dinâmicas. Algumas imagens faciais das escalas validadas - Validated Assessment Scales for the Upper Face (7), Validated Assessment Scales for the Lower Face (9), Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Facial Fine Lines (6), Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Transverse Neck Lines (8), foram selecionadas e reunidas em um único arquivo contemplando as regiões das rugas frontais, glabelares, periorbitárias e periorais; dos sulcos nasolabial e labiomentoniano; das ptoses palpebral, do contorno da mandíbula e submandibular. Foram atribuídos valores zero à ausência de rugas, sulcos, ptose e 4 à presença acentuada desses sinais de envelhecimento. Uma tabela - Análise Estética da face com Escores - foi elaborada para registro dos valores e os escores foram atribuídos cegamente, sem que houvesse um pareamento das imagens iniciais e finais, por duas fonoaudiólogas especialistas em Motricidade Orofacial, previamente calibradas. Foi estabelecido consenso entre ambas, quando houve discordância com relação a algum aspecto avaliado.
RESULTADOS: constatou-se melhora estética facial como resultado da terapia fonoaudiológica. O escorre final (17) foi inferior ao inicial (20), havendo diminuição em rugas dinâmicas frontais (inicial 3, final 2), glabelares estáticas (inicial 1, final 0), cervicais (inicial 2, final 1). O resultado pode ser visualizado por meio da documentação das imagens.
CONCLUSÃO: A Escala Fotonumérica para análise da Estética da Face, que contempla as diversas regiões faciais, permitiu, no caso clínico apresentado, avaliar os resultados da intervenção fonoaudiológica direcionada para a estética facial. Mesmo que a avaliação por meio de imagens estáticas e dinâmicas seja perceptual/subjetiva, espera-se que essa Escala possa contribuir para que as pesquisas e as avaliações clínicas no campo da Fonoaudiologia em Estética Facial sejam mais pontuais.

1. Frazão Y, Manzi SB. Eficácia da intervenção fonoaudiológica para atenuar o envelhecimento facial. Rev CEFAC. 2012;14(4):755-62.
2. Frazão Y, Manzi S. Atualização em Documentação fotográfica e em vídeo na motricidade orofacial. In: Justino H, Tessitore A, Motta AR, Cunha DA, Berretin-Felix G, Marchesan IQ organizadores. Tratado de Motricidade Orofacial. São José dos Campos,SP: Pulso; 2019. p. 243-253.

3. Pierotti SR. Atuação fonoaudiológica na estética facial. In: Comitê de Motricidade Orofacial-SBFa. Motricidade orofacial: como atuam os especialistas. São José dos Campos, SP: Pulso; 2004.

4. Tasca SMT. Programa de aprimoramento muscular em fonoaudiologia estética facial (PAMFEF). Barueri: Pró-fono; 2004.

5. Toledo PN. Fonoaudiologia e estética: a motricidade orofacial aplicada na estética da face. São Paulo, SP: Lovise; 2006.

6. Carruthers J, Donofrio L, Hardas B, Murphy DK, Jones D, Carruthers A, Sykes JM, Creutz L, Marx A, Dill S. Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Facial Fine Lines. Dermatol Surg. 2016;42(Suppl 1):S227–S234.

7. Flynn TC, Carruthers A, Carruthers J, Geister TL, Gortelmeyer R, Hardas B, Himmrich S, Kerscher M, de Maio M, Mohrmann C,
Narins RS, Pooth R, Rzany B, Sattler G, Buchner L, Benter U, Fey C, Jones D. Validated Assessment Scales for the Upper Face. Dermatol Surg 2012;38:309–319
8. Jones D, Carruthers A, Hardas B, Murphy DK, Sykes JM, Donofrio L, Carruthers J, Creutz L, Marx A, Dill S. Development and Validation of a Photonumeric Scale for Evaluation of Transverse Neck Lines. Dermatol Surg 2016;42(Suppl1): S235–S242.

9. Narins RS, Carruthers J, Flynn TC, Geister TL, Gortelmeyer R, Hardas B, Himmrich S, Jones D, Kerscher M, de Maio M, Mohrmann C, Pooth R, Rzany B, Sattler G, Buchner L, Benter U, Breitscheidel L, Carruthers A. Validated Assessment Scales for the Lower Face. Dermatol Surg 2012;38:333–342


TRABALHOS CIENTÍFICOS
872
ESCALA URICA-VV: NOVA PERCPECTIVA DE INVESTIGAÇÃO DO ESTÁGIO DE PRONTIDÃO EM PACIENTES COM DISFONIA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: O estágio de prontidão para o tratamento implica na melhor condição para adesão a uma proposta terapêutica. A escala URICA-Voz¹ é utilizada na autoavaliação do estágio de prontidão em pacientes com disfonia e utiliza a Teoria Clássica do Teste (TCT) como modelagem para seu cálculo, que padece de algumas limitações². A Teoria de Resposta ao Item (TRI) pode ser utilizada para buscar evidências de validade da escala URICA-V, pois considera cada item individualmente, sem priorizar domínios para caracterizar o atributo estudado³. Objetivo: Obter evidências de validade da escala URICA-V e estimar as propriedades psicométricas de seus itens a partir da TRI,. Método: O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, por meio do protocolo nº 0482/15. Foram avaliados 658 sujeitos que foram alocados em dois grupos: com disfonia (GCD) e vocalmente saudáveis (GVS), de ambos os sexos e acima de 18 anos. Construiu-se um banco de dados digita a partir de informações pessoais, profissionais e as respostas item a item dos pacientes à escala URICA-V. Posteriormente foi realizado o Alfa de Cronbach, a análise fatorial exploratória (AFE); análise fatorial confirmatória (AFC); aplicação da TRI por meio do modelo de Samejima e análise da curva ROC, para obtenção do ponto de corte da escala URICA-V. Resultados: Foi observado que os domínios e alguns itens preestabelecidos na versão original da escala URICA-V não se mantiveram para a população brasileira, como demonstrou a análise da confiabilidade, AFE e AFC. Assim, os itens foram reagrupados em dois domínios: contemplação e manutenção, distribuídos no total de 25 itens que melhor explicaram o instrumento, bem como foram observadas as cargas fatoriais item a item, que foram consideradas adequadas e apresentaram boa consistência interna. Além disso, foi possível observar os itens com maiores valores de dificuldade (b) e discriminação (a), que contribuíram com a apresentação de um novo cálculo, a partir do teta de cada participante. Esses resultados relacionados à dificuldade e discriminação auxiliaram na melhor compreensão clínica em relação ao estágio de prontidão para o tratamento de voz dos disfônicos. Percebeu-se que há uma linha tênue entre os domínios pré-contemplação e contemplação, além de ação e manutenção, por isso os quatro domínios prévios foram reorganizados em dois. Inclusive ampliou a percepção que os disfônicos que se encontravam no estágio de prontidão ação apresentavam estratégias de automonitoramento, uma característica que seria muito comum do estágio manutenção. Em seguida, realizou-se análise da curva ROC, que possibilitou o estabelecimento de um valor de corte para o instrumento, sendo: -0,236. Assim, favoreceu a interpretação de que pacientes tem um indicativo ou não de prontidão para o tratamento de voz. Conclusão: Desenvolveu as etapas de evidências de validade da escala URICA-Voz validada (URICA-VV), um instrumento dentro de uma perspectiva mais contemporânea com a redução da quantidade de itens e domínios. Além disso, obteve-se um novo ponto de corte da estrutura a partir da TRI para mensurar com maior acurácia, sensibilidade e especificidade o estágio de prontidão e diferenciar os indivíduos com e sem disfonia.

1. Teixeira, L. C.; Rodrigues, A. L. V.; Silva, A. F. G.; Azevedo, R.; Gama, A. C.; Behlau, M. Escala URICA-VOZ para identificação de estágios de adesão ao tratamento de voz. CoDAS, v. 25, n. 1, p. 8-15, 2013.

2. Andrade, J. M.; Laros, J. A.; Gouveia, V. V. O uso da Teoria de Resposta ao Item em Avaliações Educacionais: Diretrizes para Pesquisadores. Avaliação Psicológica, v. 9, n. 3, p. 421-35, 2010.

3. Araújo, E. A. C; Andrade, D. F.; Bortolotti, S. L. V. Teoria da Resposta ao Item. Rev Esc Enferm USP 2009; 43(Esp): 1000-8.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1594
ESCLEROSE MÚLTIPLA REMITENTE-RECORRENTE: INTEGRANDO A AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA, VESTIBULAR E DE NEUROIMAGEM
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença autoimune inflamatória crônica que acomete o Sistema Nervoso Central (SNC). Sintomas otoneurológicos, como a tontura e o desequilíbrio corporal, são frequentes nessa população, apesar de queixas referentes à audição não serem comuns. A investigação das funções auditiva e vestibular é importante para avaliar o envolvimento do SNC, uma vez que as lesões características dessa doença podem estar localizadas em áreas centrais, relacionadas aos sistemas auditivo e vestibular.1,2,3,4 Caracterizar os achados audiológicos, vestibulares e de neuroimagem em um caso clínico com diagnóstico de EM. Estudo de caso, com aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer de número 3.547.028, realizado com um adulto do sexo feminino, de 29 anos de idade e diagnóstico de EM do tipo remitente-recorrente há três anos. A participante foi submetida aos seguintes procedimentos: inspeção visual do meato acústico externo, audiometria tonal limiar, logoaudiometria, imitanciometria, pesquisa das emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente (EOAT) e produto de distorção (EOAPD), potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATE) e cortical (PEAC), Video Head Impulse Test (vHIT), avaliação clínica e funcional do equilíbrio corporal e, ao exame de ressonância magnética de crânio (RMC). Os resultados do caso clínico foram apresentados de forma descritiva. Obteve-se limiares auditivos normais e curva timpanométrica tipo “A”, bilateralmente. Os reflexos ipsilaterais estavam presentes em ambas as orelhas. Os reflexos contralaterais estavam presentes, exceto na frequência de 4kHz na orelha esquerda e em 2kHz e 4kHz na direita. No registro das EOA, encontrou-se EOAT ausentes em ambas as orelhas, exceto em 4kHz à direita, enquanto as EOAPD, constatou-se presença nas bandas de frequências de 1.4kHz a 6kHz na orelha direita e de 1.0kHz a 4.0kHz, com exceção de 2.8kHz à esquerda. O PEATE mostrou-se dentro dos padrões de normalidade à esquerda, enquanto que à direita, a latência absoluta da onda III e os intervalos interpicos III-V e I-V estavam aumentados. No PEAC, verificou-se as seguintes latências: P1=61ms, N1=111ms e P2=150ms na orelha direita, bem como P1=40ms, N1=82ms e P2=137ms na esquerda. Embora estas estejam dentro dos valores de normalidade, observa-se assimetria importante entre as orelhas. No vHIT, obteve-se ganho diminuído do reflexo vestíbulo-ocular associado a presença de sacadas de refixação para o canal semicircular posterior direito e, assimetria entre os canais posteriores. Foram, ainda, detectadas alterações nos testes clínicos de equilíbrio, que sugerem acometimento central. A RMC revelou lesões à nível de substância branca profunda periventricular, coroas radiadas, centros semi-ovais, interface caloso-septal, ponte e bulbo, sendo estas duas últimas estruturas componentes do tronco encefálico. Embora verificada ausência de perda auditiva periférica, existem alterações da funcionalidade de células ciliadas externas e na via auditiva central. As alterações encontradas nos potenciais evocados auditivos, bem como a presença da disfunção vestibular do tipo mista podem estar relacionadas às lesões detectadas em áreas centrais, cujas funções estão associadas ao desempenho das funções auditivas e vestibulares. Ressalta-se a importância da avaliação integrada e do trabalho interprofissional nos casos de EM.

1. Peñaloza Y, Valdivia M, Poblano A. Lateralization of the Dichotic Digits Test, Central Auditory Processes, and Evoked Potentials in Multiple Sclerosis. J Audiol Otol. 2019;1-5.
2. Di Mauro R, Di Girolamo S, Ralli M, de Vincentiis M, Mercuri N, Albanês M. Subclinical cochlear dysfunction in newly diagnosed relapsing-remitting multiple sclerosis. Mult Scler Relat Disord. 2019;33:55-60.
3. Garg H, Dibble LE, Schubert MC, Sibthorp J, Foreman KB, Gappmaier E. Gaze Stability, Dynamic Balance and Participation Deficits in People with Multiple Sclerosis at Fall-Risk. Anat Rec (Hoboken). 2018;301(11):1852-60.
4. Pavlović I, Ruška B, Pavičić T, Krbot Skorić M, Crnošija L, Adamec I, Habek M. Video head impulse test can detect brainstem dysfunction in multiple sclerosis. Mult Scler Relat Disord. 2017;14:68-71.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1585
ESCOLARIDADE MATERNA, RENDA FAMILIAR E FIGURAS PARENTAIS PRESENTES ASSOCIADAS À LINGUAGEM ORAL DE AMOSTRA EPIDEMIOLÓGICA DE PRÉ-ESCOLARES DE EMBU DAS ARTES (SP)
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO:
Estudos internacionais com pré-escolares demonstraram pontuações menores de vocabulário naqueles advindos de situação de pobreza, ao passo que melhores escolaridades maternas se relacionaram ao aumento do vocabulário e da extensão discursiva(1) de seus filhos, além de inputs auditivos adequados(2), figuras parentais presentes e interações positivas valorizarem este desenvolvimento(3). Diferenças segundo o sexo mostraram que meninos com atraso de linguagem apresentaram um vocabulário expressivo menor dos 18-36 meses(4) e no discurso oral entre 3-4 anos(5). No Brasil, verificamos uma escassez de estudos investigando essas associações em amostras epidemiológicas de pré-escolares(6).

OBJETIVO: analisar associações entre vocabulário expressivo e linguagem oral de pré-escolares com fatores sociodemográficos, bem como sexo, idade e mecanismos auditivos.

MÉTODO:
Pesquisa transversal epidemiológica de amostra randomizada de projeto multidisciplinar(7), aprovada pelo CEP 0899/2016, representando 22,3% do universo de 24 pré-escolas municipais de Embu das Artes-SP. Avaliaram-se 859 pré-escolares, com 4-5 anos, cujos pais/cuidadores foram entrevistados sobre: etnia, idade e escolaridade da criança; grau de instrução; renda familiar mensal; figura parental presente na vida da criança; vocabulário expressivo da criança, rastreado pela Lista de Avaliação do Vocabulário Expressivo/LAVE(8). Realizou-se avaliação direta da linguagem oral com Avaliação do Desenvolvimento da Linguagem/ADL(9), considerando pontuações global padrão, e dos mecanismos auditivos reflexos e do processamento auditivo(10) (reflexo cócleo-palpebral/RCP e localização sonora/LS, respectivamente). Analisaram-se os dados descritivamente. Investigaram-se associações das variáveis sociodemográficas e do desenvolvimento com o vocabulário e a linguagem global com modelo de regressão linear univariada e multivariada, SPSS 20, módulo “Complex Samples”. Nível de significância: 5%.

RESULTADOS:
Verificou-se 51,6% de meninos, 60,6% não brancos, 70,0% com 5 anos, 62,1% cujos pais tinham grau de escolaridade de Médio-Superior Completo, 66,1% com renda familiar mensal de 1-3 salários mínimos e 92,7% com figura materna e paterna presente.
Efeitos das variáveis consideradas sobre o vocabulário expressivo e a linguagem oral global foram explicados em 13,8% e 19,6%, respectivamente.
Houve efeitos positivos da maior renda familiar mensal (p<0,001) no escore de linguagem (IC 95% = 1,69-2,43) e do sexo feminino (p<0,001) nas pontuações de linguagem (IC 95% = 4,34-5,04) e no vocabulário (IC 95% = 7,83-10,54).
Efeitos negativos nas pontuações de vocabulário e de linguagem (p<0,001) associaram-se com: menor escolaridade do cuidador (IC 95%: LAVE = -14,38 a -7,47; ADL = -5,32 a -3,59); menor renda familiar mensal (IC 95%: LAVE = -10,02 a -3,24; ADL = -9,39 a -6,75); somente uma figura parental presente (IC 95%: LAVE = -23,12 a -12,52; ADL = -4,80 a -2,67); alteração RCP (IC 95%: LAVE = -24,96 a -15,95; ADL = -6,67 a -4,34) e LS (IC 95%: LAVE = -34,97 a -27,82; ADL = -14,42 a -11,67).
A menor escolaridade da criança trouxe efeito negativo no escore da linguagem (IC 95% = -4,68 a -4,02; p<0,001) e ter 4 anos trouxe efeitos positivos no vocabulário (IC 95% = 5,12 a 7,58; p<0,001).

CONCLUSÃO: Fatores sociodemográficos, mecanismos auditivos, idade, escolaridade e o sexo estiveram associados à linguagem oral e ao vocabulário expressivo pré-escolar. A estimulação e experiências positivas são fundamentais, garantindo habilidades necessárias à etapa escolar posterior.

1. Chae Y, Kulkofsky S, Debaran F, Wang Q, Hart SL. Low-SES children’s eyewitness memory: The effects of verbal labels and vocabulary skills. Behav Sci Law. 2014;
2. Canongia MB. Manual de terapia da palavra. 5th ed. Rio de Janeiro: Livraria e Editora Revinter Ltda; 2005. 884 p.
3. Hsu N, Hadley PA, Rispoli M. Diversity matters: Parent input predicts toddler verb production. J Child Lang. 2017;44(1):63–86.
4. Henrichs J, Rescorla L, Donkersloot C, Schenk JJ, Raat H, Jaddoe VW V., et al. Early Vocabulary Delay and Behavioral/Emotional Problems in Early Childhood: The Generation R Study. J Speech, Lang Hear Res [Internet]. 2013;56(2):553–66. Available from: http://pubs.asha.org/doi/10.1044/1092-4388%282012/11-0169%29
5. Rescorla L, Schwartz E. Outcome of Specific Expressive Language Delay (SELD). In: International Conference on Infant Studies. Washington, DC; 1988.
6. Mariano M, Santos-Junior A, L. Lima J, Perisinotto J, Brandão C, J. Surkan P, et al. Ready for School? A Systematic Review of School Readiness and Later Achievement. Glob J Human-Social Sci [Internet]. 2019 Dec 26;57–71. Available from: https://socialscienceresearch.org/index.php/GJHSS/article/view/3049
7. Caetano SC, Ribeiro MV, Askari M, Sanchez ZM, do Rosário MC, Perissinoto J. An epidemiological study of childhood development in an urban setting in Brazil. Braz J Psychiatry. 2020;
8. Capovilla F, Seabra A. Desenvolvimento linguístico na criança brasileira dos dois aos seis anos: Tradução e estandardização do Peabody Picture Vocabulary Test de Dunn & Dunn e da Language Development Survey de Rescorla. Vol. 1, Ciência Cognitiva: Teoria, Pesquisa e Aplicação. 1997. 353–380 p.
9. Menezes MLN. Avaliação do desenvolvimento da linguagem [Internet]. Pró-Fono, editor. São Paulo; 2004. Available from: https://www.booktoy.com.br/adl-avaliacao-do-desenvolvimento-da-linguagem-1215
10. Pereira LD SE. Processamento auditivo central: manual de avaliação. Lovise, editor. São Paulo; 1997. 99–138 p.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
539
ESPAÇO VOCÁLICO DE MULHERES VOCALMENTE SAUDÁVEIS E COM NÓDULOS VOCAIS PRÉ E PÓS EXERCÍCIOS VOCAIS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: O espaço vocálico refere-se à distância/intervalos entre as vogais orais, de acordo com o triangulo acústico formado pelos formantes1,2. Um espaço ampliado pode ser um dos marcadores de maior distintividade acústica entre as vogais, além de permitir inferências acerca da maior amplitude de movimentação dos articuladores na produção das vogais, enquanto a redução do espaço vocálico pode indicar o oposto3-5. Embora a presença de um distúrbio de voz possa comprometer a distintividade vocálica, pouco se sabe sobre a influência dos exercícios vocais sobre tais parâmetros6,7. Dessa forma, será que o foco de ação dos exercícios vocais (fonte glótica, acoplamento fonte-filtro ou amplitude de movimentação dos articuladores)8-10 ocasiona diferentes efeitos sobre o espaço vocálico das vogais orais /a/, /i/ e /u/? Objetivo: Analisar o espaço vocálico de mulheres vocalmente saudáveis e com nódulos vocais antes e após a realização de diferentes exercícios vocais. Metodologia: Participaram do estudo 12 mulheres com nódulos vocais no grupo experimental (GE) e 12 vocalmente saudáveis no grupo controle (GC). Foram submetidas à gravação de fala das frases-veículo: “Digo papa baixinho”, “Digo pipa baixinho” e “Digo pupa baixinho”3, para extração do primeiro (F1) e segundo formante (F2) dos segmentos vocálicos /a/-/i/, /i/-/u/ e /a/-/u/. Os grupos foram divididos aleatoriamente: GE (n=4) e GC (n=4) realizaram exercício de vibração de língua ; GE (n=5) e GC (n=5) o exercício com canudo de alta resistência no ar; GE (n=3) e GC (n=3) o exercício de sobrearticulação. Os exercícios foram realizados durante 5 minutos, com gravação antes e após 5 minutos de exercício. Resultados: Ao realizar a análise do espaço vocálico intragrupo, de acordo com o exercício vocal realizado, houve redução do intervalo de F1 das vogais /a/-/i/ (p=0,0251) e /i/-/u/ (p=0,0498) e de F2 entre as vogais /a/-/u/ (p= 0,0463) e /i/-/u/ (p= 0,0419) no GC, após realização de 5 minutos do canudo de alta resistência. No GE, observou-se redução do intervalo de F2 das vogais /a/-/i/ (p= 0,0274) após vibração sonorizada de língua. Ao realizar a análise intergrupo, observa-se maiores valores dos intervalos de F1 das vogais /a/-/i/ (p= 0,0243) e /i/-/u/ (p = 0,0499) no GC, antes da realização do exercício de canudo de alta resistência, e após o exercício apenas no intervalo /a/-/i/ (p= 0,0351). Observa-se maior valor no intervalo de F2 das vogais /i/-/u/ no GE (p=0,0285) após exercício de vibração de língua. Conclusão: Mulheres com nódulos vocais possuem menor espaço vocálico após 5 minutos de vibração de língua, com relação ao segmento /a/-/i/ (F2), e mulheres vocalmente saudáveis apresentam menor espaço vocálico após 5 minutos de execução do exercício com canudo de alta resistência com relação aos segmentos /a/-/i/ e /i/-/u/ (F1) e /a/-/u/ e /i/-/u/ (F2). No entanto, mulheres com nódulos vocais apresentam menor espaço vocálico em relação às mulheres vocalmente saudáveis, antes e após a realização do exercício de canudo de alta resistência, com relação ao segmento /a/-/i/ (F1); apenas antes deste exercício no segmento /i/-/u/ (F1); e maior espaço vocálico após exercício de vibração de língua, no segmento /i/-/u/ (F2).

1- Dubey AK, Tripathi A, Prasanna SRM, Dandapat S. (2018). Detection of hypernasality based on vowel space area. The Journal of the Acoustical Society of America 2018; 143 (5): 412–417.
2- Yoo SD, Park EJ, Kim HS, Lee JH, Yun DH, Kim DH, Chon JM, Lee SA, Soh YS, Kim Y, Han YR, Yoo MC, Choi KM, Seo YK, Lee DH, Choi YH, Jeong KH, Son JE. Correlations between swallowing function and acoustic vowel space in stroke patients with dysarthria. NeuroRehabilitation 2019; 45 (4): 1-7.
3- Barbosa PA, Madureira S. Manual de fonética acústica experimental: aplicações a dados do português. Cortez editora 2015; 591p.
4- França FP, Almeida AA, Lopes LW. Acoustic-articulatory configuration of women with vocal nodules and with healthy voice. CoDAS. 2019; 31 (6): e20180
5- Naderifar E, Ghorbani A, Moradi N, Ansari H. Use of formant centralization ratio for vowel impairment detection in normal hearing and different degrees of hearing impairment. Logoped Phoniatr Vocol. 2019; 44 (4): 159-165.
6- Whitfield JA, Mehta DD. Examination of Clear Speech in Parkinson Disease Using Measures of Working Vowel Space. J Speech Lang Hear Res. 2019; 62 (7): 2082-2098.
7- Ishikawa K, Nudelman C, Park S, Ketring C. Perception and Acoustic Studies of Vowel Intelligibility in Dysphonic Speech. J Voice. 2020; S0892-1997(19)30304-2.
8- Pimenta RA, Dájer ME, Hachiya A, TsujI DH, Montagnoli NA. Parâmetros acústicos e quimografia de alta velocidade identificam efeitos imediatos dos exercícios de vibração sonorizada e som basal. CoDAS. 2013; 25 (6): 577-83.
9- Maxfield L, Palaparthi A, Titze I. New Evidence That Nonlinear Source-Filter Coupling Affects Harmonic Intensity and fo Stability During Instances of Harmonics Crossing Formants. J Voice. 2017; 31 (2): 149-156.
10- Guzman M, Acuña G, Pacheco F, Peralta F, Romero C, Vergara C, Quezada C. The Impact of Double Source of Vibration Semioccluded Voice Exercises on Objective and Subjective Outcomes in Subjects with Voice Complaints. J Voice. 2018; 32 (6): 770.e1-770.e9.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1398
ESTADO NUTRICIONAL E DISFAGIA OROFARÍNGEA APÓS TRATAMENTO DO CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO: REVISÃO DE LITERATURA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


Introdução: A disfagia orofaríngea é uma complicação grave e está fortemente estabelecida na literatura como impacto decorrente do câncer de cabeça e pescoço (CCP), que pode limitar a ingestão oral e levar à perda de peso, atingindo a depleção muscular, onde a falta de orientação nutricional pode manter a desnutrição e/ou levar a obesidade sarcopênica, ficando o paciente susceptível a desenvolver comorbidades. Objetivo: verificar o impacto da disfagia orofaríngea no estado nutricional após o tratamento antineoplásico em pacientes acometidos pelo CCP. Métodos: Realizada busca em Junho/20 nas bases de dados Pubmed, Lilacs, Scielo e Scopus, utilizando os seguintes descritores: "survivors" AND "head and neck neoplasms" AND "deglutition" AND "nutritional status". Foram considerados como critérios de inclusão: estudos que com sobreviventes após o tratamento avaliando o estado nutricional; idiomas português, inglês e espanhol. Foram excluídos estudos que não avaliaram o processo de deglutição e estudos realizados durante o tratamento antineoplásico. Foi realizada a leitura do título, resumo e artigo na íntegra. Os artigos considerados, foram analisados quanto objetivo do estudo, casuística, métodos de avaliação e resultados. Resultados: Foram localizados 06 estudos na Pubmed, 6 estudos na Scopus, 7 estudos na Lilacs e nenhum estudo na base Scielo. Após aplicação dos critérios de inclusão/exclusão e eliminação dos estudos duplicados, consideraram-se cinco artigos 1 2 3 4 5. A análise temática dos estudos tinham como objetivo apresentar o estado nutricional em relação à função da deglutição, avaliar o estado nutricional, verificar o impacto da desnutrição em sobreviventes. O período de publicação foi de 2014 a 2019, nos Estados Unidos (2), Holanda (1), Suécia (1) e Canadá (1). As casuísticas foram: adultos após tratamento ≥ 3 meses, pacientes submetidos a quimio ou radioterapia; variando de 10 a 101 sujeitos. Quanto aos procedimentos para diagnosticar estado nutricional o índice de massa corporal (IMC) foi utilizado em 60%, avaliação das pregas cutâneas 40% utilizou uma triagem nutricional do paciente oncológico, para avaliar distúrbios de deglutição 80% utilizaram a videofluoroscopia, 20% utilizou diagnostico de disfagia anterior. Os resultados mostraram que pacientes possuem uma dieta inadequada devido dificuldade de mastigação e/ou deglutição, evitam alimentos desafiadores e perdem o prazer pela alimentação devido as dificuldades apresentadas, apresentam ingestão qualitativa baseada em grupos de alimentos muito abaixo das recomendações alimentares, a disfunção de deglutição com presença de aspiração está relacionada à perda de peso a longo prazo e IMC reduzido, apesar da alta prevalência de disfunção da deglutição 19% somente dos pacientes tem diagnóstico de desnutrição devido adaptação no processo de alimentação após tratamento4, porém ganho de peso inadequado. Conclusões: Após tratamento do CCP os pacientes apresentam uma dieta desequilibrada em relação às necessidades nutricionais em decorrência das dificuldades de se alimentar e da falta de orientação nutricional. Observou-se a escassez de estudos com acompanhamento da equipe multidisciplinar no processo de reabilitação destes pacientes em fase tardia após o tratamento antineoplásico.

1.Crowder SL, Douglas KG, Pepino MY, Sarma MP, Arthur A. Nutrition impact symptoms and associated outcomes in post-chemoradiotherapy head and neck cancer survivors: a systematic review. J Cancer Surviv 2018 Aug; 12(4): 479-494.
2. Ganzer H, Puglia PR, Gray LB, Murphy BA, Decker RT. The eating experience in long-term survivors of head and neck cancer: a mixed-methods study. Support Care Cancer 2015 Nov; 23(11): 3257-68.
3. Rodriguez AM, Komar A, Ringash J, Chan C, Davis AM, Jones J, et al. A scoping review of rehabilitation for survivors of head and neck cancer. Disabil Rehabil 2019 Aug; 41(17):2093-2107
4. Ottosson S, Lindblom U, Wahlberg P, Nilsson P, Kjellén E, Zackrisson B, et al. Weight loss and body mass index in relation to aspiration in patients treated for head and neck cancer: a long-term follow-up. Support Care Cancer 2014 Sep; 22(9): 2361-9.
5. Van den Berg MGA, Rütten H, Rasmussen-Conrad EL, Knuijt S, Takes RB, Van Herpen CML, et al. Nutritional status, food intake, and dysphagia in long-term survivors with head and neck cancer treated with chemoradiotherapy: a cross-sectional study. Head Neck 2014 Jan; 36(1): 60-5.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1010
ESTÁGIO EM FONOAUDIOLOGIA HOSPITALAR NO CONTEXTO DA PANDEMIA DO COVID-19: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: Desde o final de 2019 acompanha-se as repercussões provocadas pela pandemia pelo COVID – 19 1, sendo uma dessas a suspensão as atividades de estágio e aulas teóricas em 17/03/20 (Portaria MEC Nº 343) em 01/04/20, a medida Provisória Nº 934, estabelece normas excepcionais sobre o ano letivo.
OBJETIVO: Relatar a vivência da disciplina estágio em Fonoaudiologia Hospitalar no contexto da pandemia por COVID-19, no curso de Fonoaudiologia de uma universidade de SC.
MÉTODO: O presente trabalho trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo das experiências vividas, durante a execução das horas práticas do estágio em Fonoaudiologia Hospitalar do primeiro semestre de 2020 2. Ao ser liberado o reinício das atividades de estágio, após o decreto 630 de 1º de junho, foi elaborado um novo cronograma de execução das horas que necessitavam ser complementadas. Esta proposta foi desenvolvida pela responsável pelos estágios no curso e discutida com as professoras orientadoras e estagiárias. Foram realizadas reuniões remotas com as alunas para saber da disponibilidade de translado, e a adesão, de forma voluntária, para o retorno às atividades. As alunas foram redivididas em 3 turmas de no máximo 6 alunas. O hospital que autorizou a realização do estágio trata-se se um hospital universitário infantil de SC.
RESULTADOS: O início das práticas do estágio se deu gradualmente, sendo primeiramente com uma turma, e posteriormente, com as demais. Além disso, as horas foram concentradas em 6 horas/aula para reduzir o número de encontros. Nos dias dos encontros as alunas e a professora encontravam-se inicialmente em uma sala de aula do hospital, respeitando-se o distanciamento de 1,5 a 2 metros entre alunos e professor, além de realizarem o uso de máscara a todo momento. Para os atendimentos a professora acompanhava 2 ou 3 alunas para o setor de internação e as demais permaneciam na sala realizando atividades direcionadas como estudos de caso e produção de Procedimento Operacional Padrão (POP) 3. Apenas eram atendidos pacientes que apresentavam isolamento de contato padrão, ou seja, que não apresentavam riscos de transmissão à qualquer tipo de doença que se deva à contato (tanto com secreções, bem como, contato físico). De forma geral as alunas realizavam triagem fonoaudiológica em todos os lactentes e crianças do setor que estavam classificados como isolamento de contato padrão. Houve baixa ocorrência de disfagia, sendo a maior parte dos atendimentos voltados para aleitamento materno e identificação de pacientes com sinais de alterações de fala, linguagem e motricidade orofacial, e até mesmo queixas auditivas, que foram conduzidas orientados e encaminhados para atendimento fonoaudiológico pós alta hospitalar.
CONCLUSÃO: De forma geral houve menos ocorrência de pacientes com disfagia, mas destaca-se o estágio, mesmo durante a vigência da pandemia proporcionou a vivência do Fonoaudiólogo no campo hospitalar, e as atividades feitas nesse espaço foram coerentes às funções que desempenham os fonoaudiólogos contratados pelas instituições hospitalares, inclusive construindo documentos norteadores de atendimento, os chamados Procedimentos Operacionais Padrão (POP).

1. Velavan TP, Meyer CG. The COVID‐19 epidemic. Tropical Medicine & International Health. 2020;25(3):278-80. https://doi.org/10.1111/tmi.13383
2. Lima, B.P.S.; Vilela, R.Q.V. Características e desafios docentes na supervisão de estágio em fonoaudiologia. Rev. CEFAC. 2014;16(6):1962-71.
3. Nascimento, C. C. L. do, Oliveira, J. das G. C., Silva, B. V. da C., Santos, A. A. M. dos, Tota, J. do S. de S., & Silva, G. H. V. da. (2019). Construção de procedimento operacional padrão para sala de imunização. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 11(9), e389. https://doi.org/10.25248/reas.e389.2019



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1530
ESTÁGIO EXTRACURRICULAR EM FONOAUDIOLOGIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE A VIVÊNCIA EM UM AMBULATÓRIO DE NEUROLOGIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: As repercussões clínicas de pacientes com distúrbios neurológicos interferem nos aspectos fonoaudiológicos. Este profissional deve intervir nos distúrbios de memória, fala, voz e deglutição, contribuindo no tratamento destas alterações, resgatando a qualidade física, comunicativa e social do paciente.¹ O estágio extracurricular em um ambulatório de Neurologia proporciona aos estudantes a vivência clínica e a aprendizagem de forma integrada, complementando a formação do estagiário com o treinamento teórico/prático em situação real, formativa e educativa, além de ampliar o olhar humanizado perante o paciente. Para Oliveira e Rodrigues², é na prática que o aluno se sente responsável por suas ações, sentimentos e consequências do que faz e sente. Outro autores³, relatam que para além do conhecimento teórico, o estágio proporciona o conhecimento de humanista, social relativo ao processo de cuidar atrelado a novas formas de pensar e agir em saúde. Objetivo: Relatar a experiência do estágio extracurricular voluntário em Fonoaudiologia em um serviço de referência para atendimento de pacientes com demandas neurológicas. Método: O estágio extracurricular ocorreu entre o período de novembro de 2018 até fevereiro de 2020 e era realizado duas vezes por semana, sendo um dia direcionado para aulas teóricas com enfoque nos distúrbios neurológicos e discussão de casos clínicos e outro para a realização dos atendimentos supervisionados dos pacientes, com posterior discussão dos casos atendidos. A atuação dos estagiários tinha enfoque na disfagia, motricidade orofacial, alterações vocais e nos distúrbios de linguagem como a afasia e disartria. O público atendido pelo ambulatório variava do infantil ao idoso, que reside no estado da Bahia, sendo necessário o estabelecimento de condutas de forma clara e objetiva. A frequência dos pacientes era determinada pela dificuldade de acesso ou demanda dos mesmos. Vale salientar que, por se tratar de um serviço referência no atendimento a pacientes neurológicos, os estagiários tiveram contato com diversos casos clínicos e síndromes pouco exploradas durante a graduação, o que favorece a ampliação da aprendizagem. Resultados: A vivência das acadêmicas em um estágio extracurricular em Fonoaudiologia permitiu a aproximação com a prática profissional, proporcionando maior autonomia e competência técnica/humanizada. A experiência possibilitou desenvolver um olhar crítico e reflexivo capaz de atuar na resolução de problemas das mais diversas esferas, promovendo no sujeito, a integralidade do cuidado e a melhoria na sua qualidade de vida. Não obstante, o suporte profissional fonoaudiológico da instituição agregou à vivência, à medida que fomentou diálogos e discussões que ampliaram o processo de aprendizagem respeitando a ética profissional. Na conexão entre a teoria e a prática, este suporte contribuiu para um aperfeiçoamento profissional na proporção em que se reflete sobre o processo de saúde-doença. Conclusão: O estágio extracurricular possibilita ao estudante o amadurecimento e o crescimento profissional, pois a vivência nesse ambiente o aproxima da prática e das condições de trabalho. Além disso, a presença de estagiários no ambulatório possibilita maior potencial de atendimento para ao serviço, visto que este poderá assistir e acolher mais pacientes.

1. DIAS, R. et al. Resilience of caregivers of people with dementia: a systematic review of biological and psychosocial determinants.Trends Psychiatry Psychother., PortoAlegre, 2015.
2.RODRIGUES, MSP; LEITÃO, GCM. Estágio Curricular Supervisionado com ênfase no desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade.Texto Contexto Enferm. Florianópolis, v. 9, n. 3, p. 216-229, ago./dez. 2000.
3. CARVALHO, YM.; CECCIM, RB. Formação e Educação em Saúde: aprendizados com a saúde coletiva. In CAMPOS, G.W.S. et al. (org.), Tratado de saúde coletiva. Rio de Janeiro, Hucitec; Fiocruz. p.149-182.2006.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1269
ESTIMULAÇÃO COGNITIVA: ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM GRUPO DE IDOSOS
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: A população idosa brasileira deve alcançar 32 milhões de pessoas em 2020. O cenário nacional é desafiador uma vez que o envelhecimento pode acarretar declínio da saúde e da funcionalidade. Os profissionais de saúde, dentre eles o fonoaudiólogo, podem contribuir para um envelhecimento saudável estimulando as competências motoras, cognitivas, afetivas e sociais dos idosos. A estimulação das funções cognitivas em atividades grupais baseando-se em estratégias fundamentadas pelas áreas de Gerontologia, Linguagem, a Saúde Coletiva e Neuropsicologia é uma forma de atuação primária em saúde que o fonoaudiólogo pode realizar junto aos idosos. Objetivo: Descrever as atividades estimulação cognitiva realizadas por alunos e docentes participantes de um Projeto de Extensão do curso de Fonoaudiologia com o objetivo de estimular as funções cognitivas dos idosos da comunidade local. Metodologia: O projeto de Extensão onde as atividades de estimulação cognitiva acontecem, existe a mais de quinze anos. Uma equipe interdisciplinar atua junto aos alunos de graduação e oferece aos idosos da comunidade local 7 horas de atividades semanais. Dentre as atividades, acontecem as aulas de “Ginástica Cerebral” que possuem duração de 90 minutos semanais. As atividades descritas foram realizadas por três estagiárias e uma docente do curso de Fonoaudiologia de agosto de 2018 a julho de 2019. Durante as atividades semestrais, são utilizadas diversas metodologias tais como aulas expositivas dialogadas, seminários, atividades vivenciais, jogos, dentre outros. Os idosos são convidados a participarem ativamente do planejamento das atividades semestrais. As atividades envolvem visitas, passeios, encontro com outros grupos de idosos, apresentações culturais e ações interdisciplinares com outros disciplinas e professores do projeto. Resultados: Para favorecer o aprendizado de novos assuntos, os idosos, organizados em grupo escolhem um tema e desenvolvem metodologias de aprendizagem ativa em grupo, dentre elas: brainstorm, fluxograma e mapa mental. Dentre as atividades de linguagem, podem ser citadas: caça-palavras, jogos de aliteração e rimas, formação de palavras a partir de letras fora de ordem e evocação de palavras do mesmo campo semântico. Estratégias com música para estimular a memória tais como lembrar a letra da música e o cantor a partir de um trecho musical apresentado. Usa-se instrumentos musicais e solicita-se que os idosos repitam os pulsos, ou de olhos fechados identifiquem qual o instrumento foi tocado. De maneira lúdica, jogos que exigem atenção e reação rápida com respostas motoras rápidas Ex: quando o professor fala 1 aturam bate palma; quando fala 2 a turma bate a mão na mesa; no 3 bate o pé no chão; no 4 grita “há’’. A sequência de números vai sendo evocada de forma rápida e aleatória. Durante as atividades os idosos se mostram interessados e ativos. Além da estimulação cognitiva as atividades permitem melhora dos aspectos sociais favorecendo o diálogo e trabalho em equipe com grande troca de conhecimentos entre os participantes. Conclusão: O projeto oportunizou uma rica experiência de atuação fonoaudiológica em atenção primária à saúde aos alunos, além de envolver ações que valorizam o envelhecimento ativo e propiciam a reintegração social dos idosos.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
451
ESTIMULAÇÃO DO HEMISFÉRIO DIREITO NA AUSÊNCIA DE ORALIDADE: ESTUDO DE CASO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


A linguagem é uma das funções neurocognitivas que desempenha grande papel dentro da comunicação humana, e é por meio dela que podemos compreender e expressar aquilo que sentimos ou pensamos. Neurofisiologicamente, a linguagem é uma reunião de parâmetros Linguísticos e Paralinguísticos, sendo estes organizados entre os dois hemisférios cerebrais, que participam diretamente durante a transmissão e o processamento de uma mensagem, no entanto, essa funcionalidade acontece devido a diversas estruturas que intercomunicam ambos hemisférios, sendo elas áreas de associação e integração de estímulos. Uma das maneiras de fazermos estimulação do hemisfério cerebral direito é através da música, que além de ser considerada um instrumento terapêutico é composta por aspectos que o nosso cérebro processa e reconhece muito bem. Dentro da formação musical podemos encontrar a melodia, harmonia, prosódia e o ritmo, que além de serem majoritariamente localizadas no hemisfério cerebral direito podem ser integralizadas ao hemisfério cerebral esquerdo devido também, a sua vasta conjuntura de formação entre estrofes e harmonia e a própria melodia. Objetivo: o objetivo do presente estudo foi analisar a eficácia de um programa de intervenção fonoaudiológica, baseado no Modelo de Estimulação de Hemisfério Direito, por meio da música, para uma criança com ausência de oralidade. Metodologia: Inicialmente o projeto de pesquisa foi enviado ao Comitê de ética em Pesquisa com Seres, estando registrado sob número CAAE 31670814.3.0000.5546. participou do estudo uma criança do gênero feminino de 6 anos de idade, com ausência de oralidade, que estava na lista de espera para atendimento na área de linguagem infantil. Foi aplicado a anamnese com a mãe, para coletar informações que pudessem justificar a alteração apresentada pela criança. Em seguida, foi aplicado o ABFW para avaliar os aspectos semântico, fonológico e pragmático. Após a avaliação foi realizado o programa de intervenção, com foco na estimulação do hemisfério direito, por meio da música e por fim, foi feita a reavaliação para verificar se houve eficácia no programa de intervenção. Resultados: na avaliação pré-intrevenção a participante apresentou baixo desempenho semântico, bem como morfossintático e pragmático. Após a realizadas de 17 sessões, uma vez por semana de 45 minutos cada, de intervenção com estimulação do hemisfério direito, por meio da música, a participante foi reavaliada para que fosse verificado a eficácia do programa de intervenção. Pode-se observar que por meio da proposta de intervenção a participante apresentou uma melhor reprodução dos aspectos linguísticos e paralinguísticos da linguagem oral, que contribuíram para a efetividade da sua comunicação verbal. Conclusão: Desta forma, a estimulação do hemisfério direito, por meio da música, mostrou-se eficaz para o desenvolvimento da compreensão e expressão da linguagem oral para um caso de ausência de oralidade.

1. Özdemir, E., Norton, A., & Schlaug, G. (2006). Shared and distinct neural correlates of 39 singing and speaking, NeuroImage, 33, 628-635.
2. Aboitiz, F.; Scheibel, A.; Fisher, R.; Zaidel, E. Fiber composition of the human corpus callosum. Brain research, Elsevier, v. 598, n. 1, p. 143–153, 1992.
3. Rocha, A. F. O Cérebro – Um Breve Relato de sua Função. São Paulo: Fapesp, 1999.
4. Jourdaim, R. Música, Cérebro e Êxtase – Como a Música Captura Nossa Imaginação. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.
5. Lent, R. Nossos Dois Cérebros Diferentes. Revista Ciência Hoje. Vol.16 número 94, 1994.
6. Covre, P. (2012). Desenho experimental de caso único: uma alternativa para a avaliação da eficácia em reabilitação neuropsicológica. In J. Abrisqueta-Gomes (Org.), Reabilitação Neuropsicológica: abordagem interdisciplinar e modelos conceituais na prática clínica (343-350). Porto Alegre: Artmed.
7. Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3 (2), 77-101.
8. Befi-Lopes DM. Vocabulário. In: Andrade CRF, Befi-Lopes DM, Fernandes FDM, Wertzner HF. ABFW: teste de linguagem infantil nas áreas de fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. Pró-Fono. 2000; p.41-59.
9. Lamprecht, Regina Ritter et al. Aquisição fonológica do português: perfil de desenvolvimento e subsídios para terapia. Porto Alegre: Artmed, 2004.
10. Reschke-Hernández, Alaine E. History of music therapy treatment interventions for children with autism. Journal of Music Therapy, 48(2), 169- 207, 2011.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1413
ESTIMULAÇÃO LINGUÍSTICO-COGNITIVA NA PANDEMIA DA COVID-19
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


Introdução: A população idosa tem aumentado consideravelmente e com isso as questões relacionadas à saúde e qualidade de vida desse público se tornam cada vez mais relevantes. O declínio cognitivo que ocorre durante a fase de envelhecimento traz impactos que podem prejudicar a independência e socialização desses indivíduos, por isso a importância da estimulação linguística-cognitiva em idosos. O Projeto de Extensão atua em centros de convivência e associação de idosos e consiste na realização de atividades de treino linguístico-cognitivo, assim como palestras sobre estilos de vida para um envelhecimento mais saudável e ativo, cuja finalidade é o esclarecimento e educação no interesse da coletividade. Com a pandemia da COVID-19, foi desenvolvido um website do projeto, que tem como propósito o compartilhamento de atividades de estimulação linguística-cognitiva para que os idosos possam realizar em suas residências durante o período de isolamento. Objetivo: Elaborar atividades de estimulação linguística-cognitiva para idosos alfabetizados e não alfabetizados durante o período de pandemia da COVID-19. Método: Foi escolhida para a criação do website a plataforma Wix, versão gratuita, visto que é um sistema gerenciador de conteúdo intuitivo e de fácil manutenção. A escolha do template foi pensada no perfil do usuário, visando a simplificação do acesso e leitura do conteúdo. O planejamento do blog envolveu a construção e organização dos posts pelos membros do projeto. Sendo assim, os posts são divididos em exercícios de acordo com a escolaridade, além de orientações. Ademais, em cada atividade são eleitos os níveis de dificuldade como fácil, médio e difícil. Resultados: Por meio do relatório de tráfego por localização disponibilizado pelo Wix, de março a junho de 2020, o website foi acessado por indivíduos residentes em 16 estados brasileiros e 02 internacionais (Colômbia e Gana). O Distrito Federal foi o estado em que houve maior número de acessos, precedido do estado Rio de Janeiro, além disso, mostrou maior tempo de permanência, em média trinta minutos. Retornaram ao website 50% dos visitantes de Pernambuco e de Bogotá (Colômbia), 33% dos da Bahia e em torno de 28% dos do Distrito Federal. Em relação ao tipo de dispositivo eletrônico utilizado, em Bogotá (Colômbia) teve-se o maior número de acessos por meio de computador. Os visitantes dos demais estados acessaram principalmente através de dispositivos móveis. Conclusão: As mídias digitais tornaram-se o maior meio de procura de informação nos dias atuais. Logo, o website busca compartilhar estratégias de linguagem para que os idosos não fiquem ociosos e continuem exercitando a mente durante o período de pandemia da COVID-19. Por fim, entendendo-se o momento atual e a importância do treino linguístico-cognitivo, o projeto analisa alternativas para maior visibilidade e acesso ao website, além da interação com a comunidade, principalmente os idosos.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2121
ESTIMULAÇÃO MUSICAL ASSOCIADA À COORDENAÇÃO MOTORA COMO ESTRATÉGIA FACILITADORA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM INFANTIL
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


ESTIMULAÇÃO MUSICAL ASSOCIADA À COORDENAÇÃO MOTORA COMO ESTRATÉGIA FACILITADORA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM INFANTIL

1Karolyne Lima da Silva, 2Cláudia da Silva
¹Discente da Universidade Federal Fluminense – UFF/Nova Friburgo-RJ
²Docente da Universidade Federal Fluminense – UFF/Nova Friburgo-RJ


Introdução: A alfabetização trata-se de um processo amplo e complexo, por envolver diversas habilidades cognitivas e linguísticas, associadas a exploração do meio ao qual o individuo está inserido. Assim, a alfabetização pode ser favorecida quando o escolar apresenta habilidades previamente adquiridas, como a atenção, memória, planejamento, noção espacial, ritmo e vocabulário.[1] A cantiga de roda, permite a interação e expressão social, pois viabiliza a estimulação das habilidades necessárias para o desenvolvimento cognitivo-linguístico. A coordenação motora quando organizada de modo funcional, contribui diretamente para o aprimoramento da criatividade e de habilidades comunicativas.[2] Objetivo: Verificar a influência da estimulação musical associada à coordenação motora como estratégia facilitadora para a aprendizagem infantil.
Método: O estudo possui Comitê de Ética e Pesquisa aprovado sob o protocolo número 2.855.396 A pesquisa ocorreu em três etapas: avaliação, intervenção e reavaliação. Como amostra foram recrutados 18 escolares, matriculados no 1º ano do Ensino Fundamental I, com idade entre 6 e 7 anos, divididos em: Grupo I Experimental (GIE): composto por 09 escolares submetidos a todas as etapas do estudo, e Grupo II Controle (GIIC): composto por 09 escolares submetidos a avaliação e reavaliação. Para avaliação e reavaliação foram utilizados o Teste de Vocabulário Auditivo, o Teste de Vocabulário Expressivo [3] e sete provas pertencentes ao Protocolo de Avaliação das Habilidades Cognitivo-Linguísticas para escolares em fase inicial de alfabetização [4], sendo elas: escrita do nome, cópia de formas, ditado de dígitos, repetição de palavras, repetição de números, nomeação rápida de figuras e nomeação rápida de números. Para a intervenção foram utilizadas cantigas de roda da coletânea “Cirandas” [5] simultaneamente às atividades gráficas, visando trabalhar a coordenação motora fina e global. As atividades foram selecionadas seguindo uma ordem de complexidade, com aumento gradativo das dificuldades no decorrer das sessões. Resultados: Os escolares do GIE apresentaram diferença estatisticamente significante na análise dos testes de vocabulário auditivo e expressivo indicando aumento dos acertos e diminuição dos erros quando comparados em pré e pós-testagem. Quanto as provas avaliadas pelo Protocolo de Avaliação de Habilidades Cognitivo-linguísticas, na comparação de pré e pós-testagem de GIE e GIC, houve diferença estatisticamente significante na comparação de repetição de palavras, repetição de números e nomeação rápida de figuras em pós-testagem, e nomeação rápida de números em primeira tomada para pré e pós-testagem, tendo GIE apresentado média de desempenho superior aos escolares de GIC, em situação de pós-testagem. Na comparação de pré e pós-testagem para o desempenho dos escolares do GIE, houve diferença estatisticamente significante para as provas de cópia de formas, ditado de dígitos e repetição de palavras. Conclusão: Conclui-se que a estimulação musical associada à coordenação motora, global e fina podem ser utilizadas como estratégias facilitadoras para a aprendizagem em séries iniciais da alfabetização.

[1] Vieira, M. P. et al. Habilidades Necessárias à alfabetização: uma visão pedagógica. IV CONEDU, 2017, acesso 12 de julho de 2020. Disponível em: https://blog.psiqueasy.com.br

[2] Faria, C.A.G., & Santos, R. A utilização da música como ferramenta pedagógica. Revista Eletrônica Cientifica Inovação e Tecnologia, 2017, acesso 12 de julho de 2020, 8(15), E-7392. https://periodicos.utfpr.edu.br/recit

[3] Capovilla, F. C., Negrão, V. B., & Damasio, M. Teste de vocabulário auditivo e teste de vocabulário expressivo. São Paulo: Memnon, 2011.

[4] Silva, C., & Capellini, S. A. Protocolo de Avaliação das Habilidades Cognitivo-Linguísticas para escolares em fase inicial de alfabetização. Ribeirão Preto: Booktoy, 2019.

[5] Chelotti, V. L., & Moraes, Z. R. Cirandas - Uma nova proposta na aprendizagem psicomotora. Rio de Janeiro: Revinter, 2003.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1554
ESTIMULAÇÃO PRECOCE DA ORALIDADE NAS DEFICIÊNCIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


RESUMO

Introdução: A estimulação precoce pode ser definida como um programa de acompanhamento e intervenção clínico-terapêutica multiprofissional com bebês de alto risco e com crianças pequenas acometidas por patologias orgânicas, buscando o melhor desenvolvimento possível, por meio da mitigação de sequelas do desenvolvimento neuropsicomotor, bem como de efeitos na aquisição da linguagem, na socialização e na estruturação subjetiva, podendo contribuir, inclusive, na estruturação do vínculo mãe/bebê e na compreensão e no acolhimento familiar dessas crianças. Objetivo: Este estudo tem como objetivo observar o processo de aquisição da linguagem de uma paciente com sequelas neurológicas, através de um relato de experiência dos atendimentos fonoaudiológicos da paciente registrados em prontuário único durante o período de 2016 à 2019. Método: trata-se de um relato de experiência dos atendimentos fonoaudiológicos prestados a uma paciente, atualmente com 4 anos e meio, a qual frequenta a instituição APAE Lages desde fevereiro de 2016 e cujo diagnóstico é de Malformação do Sistema Nervoso Central (SNC) com hemisférios cerebelares hipodesenvolvidos associados ao Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor (DNPM) – CID F79-Q 04.3 , realizado por meio de análise da evolução clínica presente no prontuário único da paciente, no qual apresentava amostras de fala da paciente e levava em consideração os níveis de desenvolvimento simbólico e de linguagem. Resultados: Os resultados apontam que o desenvolvimento da linguagem oral e da comunicação melhoram gradativamente a partir da estimulação fonoaudiológica da linguagem, iniciando pela imitação de gestos, imitação de sons onomatopaicos, ampliação do vocabulário e melhora na elaboração de frases e discurso narrativo da paciente, alcançados durante estímulos verbais nas brincadeiras lúdicas propostas e avançando seu grau de desenvolvimento simbólico e repertório verbal. Conclusão: . No presente estudo de caso é possível constatar a importância da estimulação precoce da linguagem oral pelo profissional fonoaudiólogo para o desenvolvimento da comunicação da criança com deficiência intelectual ou alterações neurológicas, seja no estímulo do uso de gestos, seja no estímulo da oralidade. Quanto mais precocemente der início à estimulação da linguagem oral mais eficaz será o desenvolvimento da comunicação, favorecendo deste modo a socialização e a inclusão da criança com sequelas no desenvolvimento neuropsicomotor e desenvolvendo uma comunicação eficaz que as tornem participantes de atividades no meio social.

PALAVRAS-CHAVE: Estimulação Precoce; Linguagem Infantil; Deficiências; Fonoterapia.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diretrizes de Estimulação Precoce: Crianças de Zero a 3 anos com Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor – 2016 - http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/novembro/26/Diretrizes-de-estimulacao-

DUARTE, C.P; VELLOSO, R.L. Linguagem e Comunicação de Pessoas com Deficiência Intelectual e suas Contribuições para a Construção da Autonomia. Inc. Soc, Brasília, DF, v.10 n.2 p.88-96, jan/jun 2017. Disponível em: Acesso em: 11 de outubro de 2019.

SANTOS, G.L; PESSOA, J.N. A Importância do Brincar no Desenvolvimento da Criança. 41f. Trabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia) – Centro de Educação Curso de Licenciatura em Pedagogia, Universidade Federal da Paraíba, Paraíba-PB, 2015. Disponível em: Acesso em: 12 de outubro de 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1383
ESTIMULAÇÃO PRECOCE NA PRIMEIRA INFÂNCIA E OS BENEFÍCIOS DA CONTRIBUIÇÃO MULTIDISCIPLINAR
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


INTRODUÇÃO: Os primeiros anos de vida da criança é considerado como um período em que ocorrem diversas mudanças importantes e essenciais para o desenvolvimento infantil. As experiências vivenciadas nessa fase têm grande influência ao longo da vida do indivíduo. Um déficit nesse estágio diminui o ritmo do processo de desenvolvimento da criança, provocando uma maior propensão à transtornos psicológicos, motores, sócio-afetivos, cognitivos e de linguagem. OBJETIVO: Retratar a vivência de discentes do curso de fonoaudiologia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, em uma prática do projeto de extensão multidisciplinar intitulado Projeto de Estimulação Precoce na Primeira Infância – PEPPI. MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência que visa descrever a vivência de discentes do curso de fonoaudiologia em uma prática do projeto de estimulação precoce na primeira infância. Os discentes foram divididos em grupos, sendo formados por discente de diversas áreas da saúde, em que foram remanejados para diferentes centros municipais de educação. Cada grupo é responsável por elaborar atividades de estimulação precoce relacionadas a uma temática escolhida. Além de trabalhar com estimulação, também usamos como recurso, temas de grande importância, tais como escovação, meio ambiente, desenhos, escrita e quaisquer outros temas que possam remeter a alguma atividade estimulante, proporcionando educação em saúde, estímulos direcionados e melhor desenvolvimento das habilidades globais da criança. RESULTADOS/DISCUSSÃO: Durante as atividades desenvolvidas, percebeu-se a interação das crianças e a colaboração dos envolvidos, tais como os professores e gestores da escola. O intuito do projeto foi levar, através de atividades lúdicas e educação em saúde, estímulos direcionados, proporcionando um melhor desenvolvimento infantil. Pôde-se perceber o quão importante se faz as atividades desenvolvidas nas escolas e como estas contribui para o desenvolvimento de habilidades essenciais para o desenvolvimento infantil. A inclusão de discentes de outras áreas de atuação, possibilitou uma visão ampliada e multidisciplinar, proporcionando atividades que possam incorporar mais de uma área da saúde, fazendo com que o discente enxergue a criança sob um novo prisma e não apenas em sua área de atuação. CONCLUSÃO: O projeto proporcionou diversos benefícios às crianças, visto que as mesmas receberam estímulos direcionados de acadêmicos de diversas áreas da saúde, possibilitando atividades genéricas, bem como atividades específicas, a depender das necessidades encontradas em cada classe. Através do projeto, também foi possível construir ambientes acolhedores e agradáveis, criação de vínculo sócio-afetivos entre os envolvidos, promovendo as crianças uma estimulação efetiva, através de atividades lúdicas e experiências para com o outro.

Barbosa G. Estimulação Precoce: fundamentos e aspectos essenciais. João Pessoa: Gráfica Unimed; 1999.
Lira MI. Manuales de Estimulacion – Primer Ãno de Vida. Santiago de Chile: Editorial Galdoc Ltda; 1988ª.
Gesell A. A Criança em de 0 aos 5 anos. São Paulo: Martins Fontes; 1985.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1691
ESTIMULAÇÃO PRECOCE NA SURDEZ: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


Introdução: O momento do estágio é crucial para a conjunção entre teoria e prática. A oportunidade de vivenciar este período em serviço, ou seja, dentro de uma clínica de atendimento já estabelecida, proporciona aos estagiários o confronto de seus conhecimentos com a realidade da terapia, contracenando com outros profissionais tanto da Fonoaudiologia quanto de outras áreas, de forma multidisciplinar, com vistas à assistência das necessidades globais do paciente e sua família. A experiência aqui relatada se refere ao atendimento específico de crianças surdas em fase de aquisição da linguagem dentro de uma proposta de terapia bilíngue, que envolve tanto as técnicas de oralização quanto o desenvolvimento da comunicação por meio da LIBRAS.

Objetivo: Relatar a experiência vivenciada no Estágio Supervisionado de Linguagem Infantil de uma instituição de ensino pública federal realizada em uma Clínica Especializada em Comunicação vinculada a uma escola bilíngue para surdos.

Metodologia: Anualmente, quatro alunos são selecionados para realizarem estágio de linguagem na clínica mencionada, de acordo com seu interesse em aprofundar conhecimentos na área da surdez. O objetivo do atendimento é trabalhar recursos que desenvolvam habilidades de comunicação na criança, independentemente de sua modalidade. São atendidos 12 pacientes, sendo a atuação dividida entre atendimentos individuais e supervisão coletiva, com a presença da preceptora local (fonoaudióloga do serviço com experiência no atendimento a este público) e/ou da supervisora docente. Desta forma, os casos são compartilhados, ampliando as possibilidades de aprofundamento tanto nas situações teóricas quanto práticas envolvidas. Além do contato com outros profissionais da área de Fonoaudiologia que não os docentes, os estagiários tem ainda a oportunidade de estabelecer trocas com a equipe da clínica (otorrinolaringologista, psicóloga, assistente social) e da escola (professores, supervisores e orientadores pedagógicos), assumindo competências de trabalho em equipe com vistas à melhoria da qualidade de vida do indivíduo surdo por meio do trabalho de aquisição e aprimoramento de sua comunicação.

Resultados: A possibilidade de atuar em serviço dentro de uma proposta ainda incipiente na Fonoaudiologia, a proposta bilíngue para tratamento de crianças surdas, proporciona às alunas uma experiência sui generis, que poderá ser um diferencial no seu futuro profissional. O contato com crianças pequenas que, devido à situação da surdez, ainda estão no início do processo de aquisição de linguagem, permite o desenvolvimento de um trabalho voltado para questões que permeiam a estimulação precoce, com ampla participação dos pais que, em muitos casos, ainda estão vivenciando etapas de luto devido ao diagnóstico de surdez. A busca da melhor proposta de tratamento para a criança neste contexto, podendo visualizar de forma concreta a realidade de cada caso, permite ao estagiário que compreenda que não há diretrizes pré-determinadas para estes casos e que o esforço conjunto dos terapeutas e da família irá guiar as escolhas para a criança surda visando o melhor prognóstico possível (linguístico, social, cognitivo e emocional).

Conclusão: O modelo de atuação em serviço no atendimento a crianças surdas dentro de uma proposta bilíngue diferencia a formação dos alunos do Curso de Fonoaudiologia, preparando-os para os desafios de seu futuro profissional.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1726
ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA POR CORRENTE CONTÍNUA: NEUROMODULAÇÃO APLICADA A FONOAUDIOLOGIA EM PACIENTES COM DISFAGIA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: A disfagia consiste em uma ou mais desordens no trajeto do bolo alimentar, desde a cavidade oral até o estômago. Apesar de ocorrer em qualquer faixa etária, doenças neurodegenerativas e/ou de cabeça e pescoço são fatores relacionados à sua maior prevalência [1,2]. A Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) trata-se de uma técnica simples, de baixo custo, segura, não invasiva, bem tolerada, e indolor, que é capaz de modular a atividade cerebral, apresentando efeitos terapêuticos. Estudos vem apontando que a ETCC pode fornecer uma maneira útil de promover a recuperação em pacientes disfágicos [3]. OBJETIVO: Determinar a efetividade da eletroestimulação transcraniana por corrente contínua aplicada em pacientes com queixas de deglutição. MÉTODOS: Para a consecução destas revisão sistemática com meta-análise foram analisados estudos originalmente nas línguas Inglesa e Portuguesa, nas bases de dados (ScienceDirect, PubMed e BIREME) dos últimos 10 anos. Incluindo artigos que fizessem a utilização da ETCC no tratamento da deglutição e/ou reabilitação da disfagia em humanos, adultos e/ou idosos que apresentassem distúrbios neurológicos que acometessem a deglutição, bem como, ensaios clínicos controlados e randomizados. Foram excluídas revisões sistemáticas, artigos fora do recorte temporal da pesquisa, sem resultados relevantes sobre diagnóstico e reabilitação da disfagia com o uso da ETCC, estimulação magnética, terapêutica médica (cirurgias teleguiadas, procedimentos invasivos associados, estudos com suplemento medicamentoso); que apresentassem somente exames de imagens, distúrbios alimentares e que não guardassem relação com a temática do trabalho. Foi realizada meta-análise por meio do pacote meta disponível no software estatístico R versão 4.0.2. RESULTADOS: Das referidas bases foram selecionados 206 artigos científicos, dos quais apenas 5 artigos foram relevantes para a síntese qualitativa e 3 para quantitativa. Todos os artigos são: estrangeiros, com data de publicação com média de 5,2 anos (desvio padrão de 2,38 anos) anos de publicação, ensaios clínicos randomizados em pacientes que sofreram AVC (n=5; 100%). A partir da análise qualitativa dos artigos, 80% (n=4) apresentaram resultados positivos com repercussão estatística. A meta-análise levou em consideração a quantidade de participantes (serviu como peso na medida de efeito), independente do desfecho. Levou em consideração, também, o desvio padrão das amostras (grau de variabilidade do que está sendo avaliado entre os indivíduos) e o intervalo de confiança considerado. O (N) dos artigos influenciou nos resultados, sendo direcionada para área de intervenção e apresentando 100% nos modelos de efeitos fixo e modelo de efeitos randomizados. O valor de heterogeneidade foi de (p= 0,96). Em ambos os diamantes houve deslocamento para o lado da estimulação, ou seja, a neuromodulação se mostrou eficaz para o tratamento da disfagia em pacientes pós AVC. CONCLUSÃO: A ETCC é uma ferramenta promissora para o tratamento de pacientes com queixa de deglutição. Os dados sugerem melhora nos casos de disfagia após AVC, permitindo-nos concluir que a abordagem é uma forma útil para o tratamento de reabilitação.

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TRABALHOS CIENTÍFICOS
1391
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA COVID-19 NO RETORNO DAS ATIVIDADES EM CLÍNICA ESCOLA DE FONOAUDIOLOGIA
Práticas fonoaudiológicas
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia do vírus SARS-CoV-2, causador da Severe Acute Respiratory Syndrome of Coronavirus – COVID-19. Com a pandemia da COVID-19, foi necessário interromper as atividades de ensino em todo o país e, por conseguinte, as atividades assistenciais das Clínicas-Escolas dos cursos da área da saúde. A gravidade da situação e a falta de tratamento exigem que as medidas de prevenção da infecção, a redução da transmissão e o fornecimento de tratamento adequado às pessoas com COVID-19 sejam priorizados. Devido à gravidade da situação e à falta de tratamento da doença, medidas preventivas precisam ser adotas de forma sistemática para garantir a segurança de todos no retorno às atividades. O retorno às atividades deverá ocorrer de maneira gradual, com uso de estratégias sistemáticas de prevenção e controle a longo prazo que garantam a segurança da população e os padrões de qualidade e de biossegurança em diferentes práticas assistenciais. Objetivo: descrever as estratégias utilizadas durante o período da pandemia de COVID-19 para o retorno das atividades acadêmicas e assistenciais em saúde da Clínica Escola de Fonoaudiologia de uma universidade pública brasileira. Método: foi realizado um estudo descritivo, baseado em pesquisa documental. Para embasar as estratégias, foram utilizadas recomendações oficiais de instituições ou organizações nacionais ou internacionais no combate da COVID-19 publicadas entre os meses de março e junho de 2020. O plano estratégico proposto partiu da análise do serviço considerando as dimensões: infraestrutura, recursos materiais, recursos humanos e perfil dos usuários. Os resultados foram apresentados de forma descritiva. Resultados: foram planejadas ações referentes a adaptações na infraestrutura, cuidados com o ambiente, planejamento e implementação da nova rotina de atendimento e protocolo de biossegurança, fundamentadas nas recomendações sanitárias para enfrentamento da situação sanitária publicadas até o momento. O apoio técnico-científico de profissionais do campo da biossegurança foi fundamental na avaliação dos riscos locais e no estabelecimento de medidas de prevenção. Conclusão: a descrição detalhada serve como instrumento norteador para o retorno das atividades com o máximo de segurança possível. Para que sejam eficazes, as estratégias de combate a infecções de qualquer natureza devem levar em consideração, no momento de sua formulação, as particularidades que cada ambiente de assistência à saúde possui. As novas rotinas devem contemplar a realidade socioeconômica local e permitir o cumprimento dos objetivos acadêmicos e sociais da Clínica Escola, mas devem ser revistas em períodos preestabelecidos pelos gestores ou de acordo com a evolução da situação sanitária local.

Organização Pan-Americana de Saúde [https://www.paho.org/]. Folha informativa – COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus) [acesso em 16 jun 2020]. Disponível em https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875

Organização Pan-Americana de Saúde [https://www.paho.org/]. Rapid Assessment of COVID-19 Impact on NCD Programs in the Region of the Americas. [acesso em 16 jun 2020]. Disponível em https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52250/PAHONMHNVCOVID-19200024_eng.pdf?sequence=6

Brasil. Portaria n° 343, de 17 de março de 2020. Dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus - COVID-19. Diário Oficial da União. 18 mar 2020. Disponível em http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-343-de-17-de-marco-de-2020-248564376

Conselho Federal de Fonoaudiologia [https://www.fonoaudiologia.org.br/]. Recomendação CFFa nº 19, de 19 de março de 2020. [acesso em 11 maio de 2020].Disponível em https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/wp-content/uploads/2020/03/Recomendacao_CFFa_19_2020.pdf

Organização Pan-Americana de Saúde [https://www.paho.org/]. Lista de verificación para la gestión de los trabajadores de salud durante la respuesta a la COVID-19. [acesso em 16 jun 2020]. Disponível em file:///C:/Users/karla/Google%20Drive/UFF/ClínicaEscola/Biossegurança/OPSHSSHRCOVID-19200011_spa.pdf

Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Orientações para serviços de saúde: medidas de prevenção e controle que devem ser adotadas durante a assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus (sars-cov-2). [acesso em 25 mai 2020). Disponível em http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271858/Nota+T%C3%A9cnica+n+04-2020+GVIMS-GGTES-ANVISA/ab598660-3de4-4f14-8e6f-b9341c196b28

Nasreen S, Quadri MD, Beth K, Thielen MD, Serin Edwin Erayil MBB, Elizabeth A Gulleen, Kristina Krohn MD, Deploying Medical Students to Combat Misinformation During the COVID-19 Pandemic, Academic Pediatrics (2020). Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7265844/pdf/main.pdf

Organização Pan-Americana de Saúde [https://www.paho.org/]. Care for health workers exposed to the new coronavirus (COVID-19) in health facilities [acesso em 16 mai 2020]. Disponível em https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52032/PAHOPHEIMCovid1920005_eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Academia Brasileira de Audiologia [https://www.audiologiabrasil.org.br]. Nota Técnica – Recomendações para o retorno da prática em Audiologia. [acesso em 17 jun 2020]. Disponível em https://www.audiologiabrasil.org.br/portal/arquivosfiles/ABA%20nota%20t%C3%A9cnica1%20junho2020.pdf

Academia Brasileira de Audiologia [https://www.audiologiabrasil.org.br]. Nota Técnica – Recomendações para o retorno da prática em Audiologia. [acesso em 17 jun 2020]. Disponível em https://www.audiologiabrasil.org.br/portal/arquivosfiles/ABA%20nota%20t%C3%A9cnica1%20junho2020.pdf



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1894
ESTRATÉGIAS DE REPARO UTILIZADAS NA AQUISIÇÃO DO SISTEMA CONSONANTAL EM DOIS SUJEITOS COM A SÍNDROME DE NOONAN: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A utilização de estratégias facilitadoras durante a aquisição do sistema fonológico é natural é inato à criança, a qual pode usar durante a sua fala, uma sequência ou classe de sons desprovida da propriedade difícil e que são denominados como processos fonológicos (Stampe, 1973). Um dos fatores responsáveis por essa aquisição é o desenvolvimento cognitivo. Espera-se que aos seis anos de idade a criança já tenha adquirido todos processos fonológicos do português brasileiro. A síndrome de Noonan é uma das mais frequentes síndromes de herança mendeliana. Jacqueline Noonan descreveu a síndrome pela primeira vez em 1963 relatando 9 casos com um quadro de estenose valvar associada à estatura baixa, dismorfismo facial e retardo mental. Uma das principais características na Síndrome de Noonan (SN) é a deficiência intelectual que ocorre em grau moderado em 15% a 35% dos pacientes. Objetivo: Descrever o perfil do sistema fonético-fonológico de dois sujeitos (gêmeos) com idade de 6 anos (S1 e S2) encaminhados pelo Ambulatório de Genética Médica da instituição, e tendo como diagnóstico a síndrome de Noonan. Método: Trata-se de um estudo descritivo de ordem transversal de caráter qualitativo e quantitativo. O projeto foi cadastrado na Plataforma Brasil e submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com o CAAE: 13370819.2.0000.5546. Para a constituição do corpus foi utilizado a Avaliação Fonológica da Criança (Yavas et al,1991) com as provas de repetição (Pr) e de nomeação (Pn) composta de 125 palavras. Para a análise dos dados foi usado o número de possiblidades do processo fonológico da referida lista em relação ao número de sua ocorrência determinando assim, o percentual de maior ou igual a 25%. Este critério justifica-se pelo fato de que 75% de produção correta é o nível mínimo para que o som seja considerado adquirido pela criança. Resultados: Os processos que prevaleceram nas amostras são os seguintes: apagamento de líquida final não-Lateral (FSDP) – S1 (Pn 100% e Pr- 89%) e S2 ( Pn- 100% e Pr- 100%); redução de encontro consonantal– S1( Pn- 63% e Pr – 65%) e S2 ( Pn- 87% e Pr- 79%); apagamento de liquida intervocálica não-lateral S1 (Pn 46% e Pr- 23%) e S2 ( Pn- 46% e Pr- 30%); anteriorização de palatal - S1 (Pn 94% e Pr- 94%) e S2 ( Pn- 89% e Pr- 83 %); semivocalização de líquida palatal S1 (Pn 71% e Pr- 71%) e S2 ( Pn- 100% e Pr-100 %); semivocalização de líquida não-lateral -S1 (Pn 38% e Pr- 38%) e S2 ( Pn- 38% e Pr-38 %). Foi possível observar um melhor desempenho na prova de repetição do que na de nomeação bem como como uma similaridade da ocorrência dos processos entre os sujeitos apesar da diferença de percentual. Conclusão: Os resultados demonstraram um atraso no sistema fonético fonológico dos sujeitos indicando que provavelmente os processos fonológicos existentes na Síndrome de Noonam, apesar das alterações miofuncionais características da síndrome, se devem mais ao fato de sua provável deficiência intelectual do que devido a outro tipo de alterações.

Ichikawa CS. Estratégias de reparo utilizadas na substituição de segmento consonantal em portadores da síndrome de Moebius: uma análise otimista. 2008.
Pierpont EI, Tworog-Dube E, Roberts AE. Attention skills and executive functioning in children with Noonan syndrome and their unaffected siblings. Dev Med Child Neurol. 2015;57(4):385–92.
Pierpont EI, Weismer SE, Roberts AE, Tworog-Dube E, Pierpont ME, Mendelsohn NJ, et al. The language phenotype of children and adolescents with noonan syndrome. J Speech, Lang Hear Res. 2010;53(4):917–32.
Sordi C, Santos RN, Silva RC, Silva SM. Síndrome de Noonan e suas implicações para a Fonoaudiologia: Revisão de literatura. In: César CPHAR, Paranhos LR, Sordi C, editors. Coletâneas em saúde: uma abordagem multidisciplinar. Volume X. Uberlândia: Assis; 2019. p. 216.
Stampe D. A dissertation on natural phonology. University of Chicago; 1973.
Yavas M, Hernandorena R, Lamprecht R. Avaliação fonológica da criança. Porto Alegre: Artes Médicas; 1991.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1273
ESTRATÉGIAS MOTIVACIONAIS PRESENCIAIS E A DISTÂNCIA NA EDUCAÇÃO E NA TERAPIA VOCAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: crianças apresentam resistência em realizar as atividades em terapia, por não apresentarem consciência de sua disfonia, prejudicando seu prognóstico1. Neste sentido, diversificar as estratégias na terapia vocal, torna-se importante para a adesão de crianças e adolescentes2. Objetivo: apresentar uma revisão integrativa de literatura sobre estratégias motivacionais presenciais/a distancia na educação/terapia vocal de crianças/adolescentes (seis a 18 anos). Método: A busca foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO), entre 2004 e 2020, utilizando as palavras-chave teletherapy; telemonitoring; distance counseling; recreation therapy; therapy; voice; dysphonia; child com descritor associado and. Cruzou-se as palavras therapy “and” voice “and” child, dyphonia “and” child, recreation therapy “and” voice “and” child e teletherapy “and” dysphonia “and” child. Resultados: Foram identificados 109 artigos na BVS, selecionados 18, descartados 11 (duplicados) e, na SCIELO, 16 artigos, selecionado um, porém, descartado (duplicado). Após leitura, foram incluídos oito artigos, cujos temas foram categorizados em: 1) Estratégias motivacionais aplicadas in loco: a) terapia – estórias com pistas cognitivas abordando conteúdos sobre hidratação, abuso vocal, falar em forte intensidade, grito, diminuição de tensão, fisiologia de órgãos fonoarticulatórios, articulação, coordenação pneumofonoarticulatória, uso de pausas, discriminação de sons e ressonância3; b) grupos de vivência de voz – realizados em escola infantil, conduzidos por estagiárias em fonoaudiologia, abordando o uso e função da voz no cotidiano, produção da voz, respiração e a produção de fonemas, por meio de desenhos, brinquedos, como línguas-de-sogra e bexiga e teatro2; 2) Estratégias à distância: a) criação de cybertutor de saúde vocal – avaliado por alunos do ensino médio, que participaram do programa de capacitação, com duas aulas presenciais, ministradas por alunos de graduação e pós-graduação em fonoaudiologia, abordando fisiologia da voz e fala, patologias vocais e saúde vocal (como prevenir alterações vocais), com o uso de recursos tecnológicos de vídeo streaming e animações do CD-ROM do Projeto Homem Virtual; acesso ao cybertutor com conteúdos complementares e oficina (de três horas), supervisionada por um professor, sobre Expressividade e Comunicação4; b) vídeos de exercícios individualizados, fornecidos no formato de MP45; 3) Confecção de estratégias motivacionais: a) apresentação de livro de literatura infantil – com conceitos sobre voz/patologia nodular infantil (impresso e digital, com narração de áudio incluída)6; b) projeto de educação para a saúde – programa com enfoque em promoção de saúde vocal para pais e educadores, contendo recursos didáticos, como uma peça de teatro infantil com fantoches, música, pictogramas alusivos ao tema e um guia informativo7; c) seleção e análise de livros clássicos infantis sobre contextos vocais1. Conclusão: A literatura mostrou em maior número, a descrição de atividades envolvendo ações educativas realizadas por alunos de fonoaudiologia2,4 e produção de materiais1,6-7, uma proposta para a educação a distância4 e uma para terapia a distancia5. Estratégias motivacionais contribuem na ampliação do conhecimento, aderência das crianças em terapia, estimula a participação dos pais e a disseminação do saber pelas crianças para a comunidade. Embora as demandas atuais indiquem a necessidade do teleatendimento, há poucos estudos com esta temática em crianças/adolescentes.

1. Oliveira IB, Fernandez ES, Gargantini EP, Bordin SC. Analysis of classic stories as a motivational tool for voice therapy. Distúrbios da Comunicação. 2015 Jun;27(2):318-332.

2. Penteado RZ, Camargo AMD, Rodrigues CF, Silva CR, Rossi D, Silva JTC et al. Vivência de voz com crianças: análise do processo educativo em saúde vocal. Distúrbios da Comunicação. 2007 Ago;19(2): 237-246.

3. Gasparini G, Azevedo R, Behlau M. Experiência na elaboração de estórias com abordagem cognitiva para o tratamento da disfonia infantil. R. Ci. méd. biol. 2004 Jan-Jun;3(1):82-88.

4. Corrêa CC, Martins A, Pardo-Fanton CS, Silva ASC, Barros GTT, Wen CL et al. Activities of interactive teleducation in vocal health based on the young doctor dynamics. Distúrbios da Comunicação. 2012 Dez;24(3):359-368.

5. Braden MN, van Leer E. Effect of MP4 Therapy Videos on Adherence to Voice Therapy Home Practice in Children With Dysphonia Journal of Voice. 2017;31(1):114e.17-114e.23.

6. Dias MR. Cruz CV, Carvalho AR. “Barnabé and his adventure”: A vocal health education project in childhood dysphonia. Distúrbios da Comunicação. 2015 Jun;27(2):293-300.

7. Dias MR, Oliveira AMR, Bastos ACMM. From the throat comes the voice: a vocal health education project. Distúrbios da Comunicação. 2015 Mar;27(1):182-191.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1541
ESTRATÉGIAS MUSICAIS NA REABILITAÇÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Relato de experiência
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


A música é considerada umas das expressões e manifestações humanas mais antigas, pois ela é capaz de evocar sensações, lembranças e sentimentos. Todo indivíduo possui uma aptidão musical inicial inata e quanto mais cedo se beneficiar de um ambiente musical rico, mais cedo sua aptidão irá aumentar, sendo assim, a aprendizagem musical pode e deve ser iniciada antes ou desde o nascimento da criança (1). Desta forma, as experiências auditivas que a criança tem nos primeiros anos de vida serão fundamentais para que ela se torne uma boa ouvinte. A Music Learning Theory (MLT) é a única teoria de ensino e aprendizagem musical existente e foi desenvolvida pelo músico Edwin Gordon, nessa teoria a música é transmitida como linguagem de forma estruturada e sequenciada pois, segundo Gordon (2) a aquisição da música acontece de forma similar à aquisição da língua materna. Estudos apresentam uma correlação entre a música, aspectos cognitivos, linguísticos e emocionais (3,4,5,6) em pessoas com deficiência auditiva. Também apontam os efeitos terapêuticos, a melhora na qualidade de vida e o desenvolvimento das habilidades sociais em vários tipos de condições e desordens (7,8,9). Porém, até o momento, não há estudos na literatura que utilizam a música, através da aprendizagem musical, como intervenção em crianças de 0 a 3 anos com deficiência auditiva e, de acordo com Torppa e Huotilainen (10) a música pode ter consequências positivas para a vida dessas crianças. Assim, como é recomendado que a intervenção e reabilitação auditivas ocorram nos primeiros meses de vida da criança, o mesmo é indicado para a aprendizagem musical. O objetivo deste relato de experiência é apontar e descrever estratégias musicais, baseadas na MLT, que podem ser utilizadas no contexto clínico da terapia fonoaudiológica para potencializar o desenvolvimento das habilidades sociais, de fala e linguagem de crianças de 0 a 3 anos de idade com deficiência auditiva. A aula foi ministrada por uma educadora musical durante os atendimentos das crianças em um serviço público de terapia fonoaudiológica, com duração de 45 minutos e teve como modelo de aprendizagem a MLT. A turma foi composta por 3 crianças e seus responsáveis, com idade entre 1 e 3 anos, todas com deficiência auditiva sensorioneural de grau moderado a severo, das quais, duas utilizaram aparelho de amplificação sonora individual e uma havia feito a cirurgia do Implante Coclear, porém ainda não estava ativado. Por se tratar de uma atividade com estímulos novos para essa população, foi observado um envolvimento considerável da criança que estava com o implante desativado, tendo em vista que ela participou de forma ativa realizando todos os movimentos das propostas musicais e tentou reproduzir vocalizações. Tal envolvimento surpreendeu a educadora musical em questão, por conta das condições auditivas dela. A participação das demais crianças também ocorreu de maneira satisfatória e possibilitou a integração entre as mesmas. Com isso concluímos que a atuação do educador musical pode contribuir na promoção dessas habilidades, promover novas metas no processo de reabilitação e gerar a possibilidade de pesquisas futuras.

1- Gordon E. Teoria da Aprendizagem Musical Para Recém Nascidos e Crianças em Idade Pré-Escolar. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian; 2000.

2- Gordon E. Quick and Easy Instroductions. Chigado: GIA Publications; 2013.

3- Torppa R et al. Developmental links between speech perception in noise, singing, and cortical processing of music in children with cochlear implants. Music Perception: An Interdisciplinary Journal. 2018; (36.2): 156-174.

4- Rochette F et al. Music lessons improve auditory perceptual and cognitive performance in deaf children. Frontiers in human neuroscience. 2014; (8): 488.

5- Torppa R et al. Interplay between singing and cortical processing of music: a longitudinal study in children with cochlear implants. Frontiers in psychology. 2014; (5): 1389.

6- Torppa R et al. The perception of prosody and associated auditory cues in early-implanted children: The role of auditory working memory and musical activities. International Journal of Audiology. 2014; (53.3): 182-191.

7- Dastgheib S S. Music training program: a method based on language development and principles of neuroscience to optimize speech and language skills in hearing-impaired children. Iranian journal of otorhinolaryngology . 2013;(9): 91-97.

8- Del Prette et al. Psicologia das habilidades sociais na infância: teoria e prática. Petrópolis: Vozes; 2005.


9- Greshan et al. Social Skills Rating System: Manual. USA: Americam Guidance Service; 1990.

10 – Torppa R, Huotilainen M. Why and how music can be used to rehabilitate and develop speech and language skills in hearing-impaired children. Hearing Research. 2019; (6): 108-122.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1856
ESTRATÉGIAS UTILIZADAS NO TRATAMENTO FONOAUDIOLÓGICO DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: Dormir bem é essencial à homeostase do organismo, contudo, a qualidade do sono pode ser comprometida devido aos Distúrbios do Sono. Sendo, dentre eles, Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) um dos mais cumuns. A abordagem para a Apneia é inicialmente médica, podendo ser cirúrgica ou clínica. E algumas opções de tratamento podem ser associadas, como a terapia fonoaudiológica, que vem demonstrando resultados satisfatórios por ser uma forma segura e não invasiva. Visto que os pacientes com AOS apresentam um comprometimento neuromuscular e/ou estrutural das suas Vias Aéreas Superiores (VAS), resultando em uma redução do tônus muscular e aumento da resistência destas durante o sono. Geralmente utiliza-se na fonoaudiologia estratégias como terapia miofuncional orofacial (TMO), Mioterapia, massagem, limpeza nasal, exercícios e treinos respiratórios. Além disso, pode-se utilizar recursos coadjuvantes como bandagem elástica, laserterapia e eletroestimulação. Objetivo: Identificar quais as estratégias estão sendo utilizadas na fonoterapia para tratar a AOS e quais os recursos adicionais mais utilizados nesse tratamento. Métodos: A pesquisa foi realizada com fonoaudiólogos brasileiros, aos quais foram encaminhados por e-mail um questionário do Google Forms. Que se introduzia com perguntas mais gerais e, depois, se o profissional atendia pacientes com Apneia, se a resposta fosse afirmativa, havia uma terceira etapa de perguntas voltadas a sua intervenção. Ao final da coleta, alcançou-se 24 questionários respondidos. Destes, foram excluídos 7 por não atenderem pacientes com Apneia e 2 por terem enviado o questionário sem marcar todas as respostas necessárias. Após o refinamento, resultaram-se 15 questionários aptos para a construção do estudo. Os dados coletados foram automaticamente categorizados e inseridos em gráficos digitais. Posteriormente foi realizada uma análise de natureza exploratória, descritiva e transversal com abordagem quantitativa. Resultados: O estudo revelou que das estratégias terapêuticas para a Apneia, 100% dos profissionais participantes utilizam a Terapia Miofuncional Orofacial e 60% deles utilizam a Mioterapia, onde são selecionados um grupo de exercícios orofaríngeos personalizados para cada indivíduo com o propósito de se trabalhar os músculos alvos. Já no que diz respeito aos Recursos Coadjuvantes, 20% deles fazem uso da Bandagem e Eletroestimulação, e 6,7% da Laserterapia. Conclusões: Mais da metada dos fonoaudólogos afirmam que utilizam os exercícios tradicionais, e a TMO é a estratégia de maior escolha. O estudo mostra também que quase um terço dos profissionais entrevistados fazem uso de recursos coadjuvantes associados à terapia tradicional para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com queixa de AOS.

CARVALHO G.D. S.O.S. Respirador bucal – uma visão funcional e clínica da amamentação. Lovise. 2003.

GIMENES, M. G. & FÁVERO, M.F. (ORGS.) A teoria do enfrentamento e suas implicações para sucessos e insucessos em psiconcologia, A mulher e o câncer. Livro Pleno. 2000; pp.111-147

GOMES DE MELO, F. M., ANDRADE DE CUNHA, D., SILVA, H. J. da, Avaliação da aeração nasal pré e pós a realização de manobras de massagem e limpeza nasal. Rev. CEFAC. Jul-Set, 2007; v.9, n.3, p. 375-382

GUIMARÃES K. Alterações no tecido mole de orofaringe em portadores da apnéia do sono obstrutiva. J Bras Fonoaudiol. 1999; 1:69-75,

PITTA DBeS, PESSOA A.F; SAMPAIO A.L.L; RODRIGUES R.N; TAVARES M.G; TAVARES P. Oral Myofunctional Therapy Applied on Two Cases of Severe Obstructive Sleep Apnea Syndrome. Int. Arch. Otorhinolaryngol. 2007; v.3, n.11, p. 350-354.

SOARES, E. B. et al. Fonoaudiologia X ronco/apneia do sono. Rev. CEFAC. 2010; vol.12, n.2, pp.317-325.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1822
ESTUDANTE
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Atuação fonoaudiológica no CEREST (relato de experiência) Introdução: Com o avanço do mercado de trabalho nos mais diversos ambientese funções, torna-se cada vez mais frequente acometimentos a saúde do trabalhador tanto no âmbito emocional quanto físico. Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador(CEREST)tem como uma de suas prioridades as ações de vigilância em saúde do trabalhador como articulador das intervenções nas relações entre o processo de trabalho e a saúde (SANCHEZ et al, 2019). Mediante a isso, a fonoaudiologo é um profissional que pode ser acoplado a equipe do CEREST visando a saúde do trabalhador, as ações tem como foco à promoção da saúde, o cuidado e a assistência, além de medidas devigilância das exposições ocupacionais e dos agravos relacionados ao trabalho. Dentre esses agravos, dois comprometem o trabalhador em suas habilidades de comunicação: a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) e os Distúrbios de Voz Relacionados aoTrabalho (DVRT), (GUSMÃO et al, 2018). Objetivo: Apresentar a experiência da atuação fonoaudiológica no CEREST e os acometimentos no ambiente de trabalho. Métodos:Trata-se de um relato de experiência no qual foi realizado uma ação no CEREST localizado na cidade de Lagarto, interior de Sergipe, onde foram abordados alguns acometimentos adquiridos no trabalho com enfoque no PAIR e DVRT, além da atuação fonoaudiológica. Para efetivação da ação foi utilizado estratégias slide, imagens, dinâmica de mitos e verdades e panfletos informativo. Resultados: Ao decorrer da ação, foi perceptível a falta de conhecimento sobre os devidos cuidados no ambiente profissional para preservação da saúde, como a não utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI's), onde um dos presentes relatou que adquiriu PAIR pelo não uso de equipamentos de proteção como os fones protetores. Além dos problemas físicos, os emocionais são bastante presentes nos trabalhadores, seja pela carga excessiva ou pressão dos erros e acertosque acabam interferindo diretamente no ambiente de trabalho, sendo relatado por uma outra participantes os problemas psicológicos que prejudicam tanto sua atividade profissional como pessoal. Além disso, muitos desconhecem seus direitos a respeito das patologias adquiridas no trabalho, devido à falta de orientação acerca dos seus direitos e deveres sofrem consequências indesejadas após anos de exposição. Também foi constatado o desconhecimento da atuação fonoaudiológica na saúde do trabalhador e os cuidados devidos com a saúde vocal e auditiva, sendo cometidos muitos hábitos deletérios no dia a dia como introduzir objetos pontiagudos na orelha como descreveu uma participante. Conclusão: Diante do exposto, através da apresentação explicativa e interação com trocas de experiências, junto ao debate dos direitos e deveres dos trabalhadores e como o fonoaudiólogo atua nessa área, torna-se evidente que deve-se elencar cada vez maisaimportânciadofonoaudiólogonoramoocupacional,ampliandoetornando acessívelasuaatuação.

5 referências


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2006
ESTUDANTE
Trabalho científico
Saúde Coletiva (SC)



ATUAÇÃO FONOAUDIOLÒGICA NA GERONTOLOGIA

Introdução: O envelhecimento de acordo com SANTOS, FEITOSA et al. é definido como uma manifestação de eventos de cunho biológico que ocorrem durante a vida humana no período da senescência. A classificação de idoso no Brasil ocorre a partir dos 60 anos, onde há uma crescente curva de crescimento dessa população e consequentemente uma maior demanda de profissionais capacitados na área da saúde para atender a esse público, proporcionando uma melhor qualidade de vida. Dentre esses profissionais, se faz necessário cada vez mais o fonoaudiólogo especializado na área da gerontologia para atender as várias manifestações apresentadas nesse público, tanto no processo de senescência como no de senilidade. Objetivo: Compreender a relevância da atuação da fonoaudiologia na área da gerontologia. Metodologia: Trata-se de uma revisão de literatura, com coleta de dados realizada a partir de fontes secundárias, por meio de levantamento bibliográfico de artigos, nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Biblioteca virtual em Saúde (BVS), MEDLINE/PubMed e Google Acadêmico. Foram utilizados para busca dos artigos os seguintes descritores e suas combinações na língua portuguesa: gerontologia, fonoaudiologia, senescência e senilidade. Os critérios de inclusão definidos foram: artigos publicados em português e inglês, que retratassem a temática referente à revisão, já os de exclusão foram: artigos em outras línguas e que não tivesse ao menos um dos descritores, assim utilizou-se de 5 artigos para revisão desse estudo. Resultado: A fonoaudiologia possui um papel indispensavél no processo de envelhecimento, pois as manifestações fonoaudiológicas apresentadas por esses indivíduos nessa faixa etária são cada vez mais presentes. Tanto processos naturais biológicos de deterioração das estruturas do corpo humano que causam presbiacusia, presbifonia ou presbifagia, como patologias das mais variadas que interferem na comunicação, a exemplo das demências, acidente vascular encefálico ou acometimentos como traumatismo crânio encefálico são frequentes, exigindo o acompanhamento de uma equipe de profissionais capacitados para proporcionar uma melhor qualidade de vida, ambiente esse que o fonoaudiólogo está inserido. Os cuidados fornecidos para proporcionar uma boa comunicação do idoso com o mundo, se faz necessário para interação social, nessa fase a autonomia e independência para realizar suas atividades de vida diária são de extrema importância para saúde mental e envelhecimento com qualidade. A fonoaudiologia nesse ramo, possui qualificação e competência para atuar na prevenção e promoção do envelhecimento com qualidade de vida, além de poder intervir no processo saúde-doença, realizando avaliação, diagnóstico e terapia desta população. Conclusão: Diante de tais competências, fica evidente a importância do fonoaudiólogo na intervenção na terceira idade. Porém, deve-se buscar mais empenho no quesito de promoção e prevenção, pois o enfoque ainda é maior no tratamento de patologias já estabelecidas, com o olhar ainda pautando o envelhecer visto como adoecer. A ampliação de mais estudos sobre a área também se faz necessária para se aprofundar ainda mais nas possibilidades de intervenção e acompanhamento dos idosos e mostrar que envelhecer é muito mais do que números e que ter qualidade de vida é primordial em qualquer fase da vida.

5 referencias


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1156
ESTUDANTES CONSTRUINDO SUAS PRÓPRIAS VIVÊNCIAS DE ENSINO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O ENEFON
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: O movimento estudantil tem caráter significativo na geração e na luta por políticas públicas, caracterizando-se como um intermediário para participação, produção e disseminação destas¹. Além dos Centros e Diretórios Acadêmicos, a entidade de representação nacional dos estudantes de Fonoaudiologia é a Diretoria Executiva Nacional de Estudantes de Fonoaudiologia (DENEFONO)². Ela organiza anualmente o Encontro Nacional dos Estudantes de Fonoaudiologia (ENEFON), construído e idealizado para e por estudantes, promovendo a produção, continuidade e aprofundamento dos conhecimentos acadêmicos de estudantes de Fonoaudiologia. O evento reúne discussões de cunho político, científico e prático do curso e, portanto, da formação do futuro Profissional de Fonoaudiologia, as problemáticas implicadas no processo de formação, e o impacto da conjuntura política, social e cultural da sociedade na atuação da profissão.

OBJETIVO: Descrever a percepção das vivências de estudantes participantes e organizadores do ENEFON em suas edições de 2017, 2018 e 2019.

MÉTODO: Relato de experiência de caráter observacional e descritivo que busca identificar, analisar e compreender a forma que o ENEFON contribui para a formação acadêmica, política e social de estudantes de Fonoaudiologia, a partir das vivências no evento (palestras, assembleia, oficinas, mini-cursos, atividades culturais locais, grupos de discussão e de trabalho), e buscando integrar os acadêmicos que se propõem a participar do encontro.

RESULTADOS: Segundo o Art. 4º da resolução CNE/CES 5 (2002), que dispõe sobre o projeto pedagógico da graduação em fonoaudiologia, atividades complementares devem ser contempladas como forma de mecanismos de aproveitamento de conhecimentos independentes adquiridos pelo estudante. Dentre essas práticas complementares, os encontros/congressos são ferramentas para se alcançar este objetivo³. Nas suas últimas edições, o ENEFON reuniu aproximadamente 400 participantes entre alunos e organização. Em cada espaço construiu-se debates a partir das próprias vivências dos estudantes no processo de formação profissional. Ambientes de interlocução são importantes para o desenvolvimento das funções de liderança, trabalho em grupo e pensamento crítico, competências imprescindíveis à atuação do profissional fonoaudiólogo, coloca o discente como protagonista das ações de impacto e perspectiva na mudança social, além de fomentar o senso crítico-reflexivo diante das demandas dos serviços de saúde e sociedade. A cada edição do evento se torna mais perceptível a consciência que os estudantes desenvolvem acerca da importância da representatividade estudantil, que não deve ser restringida ao conteúdo de sala de aula apenas, mas que deve ser composta por ações extramuros na união de saberes e partilhas de conhecimentos entre os pares. Logo, a organização do ENEFON viabilizou mudanças no perfil dos discentes, através de discussões voltadas à formação acadêmica, política e social.

CONCLUSÃO: O estímulo ao debate e ao relacionamento social entre acadêmicos de instituições e opiniões diferentes, proporcionado pelo ENEFON, contribui com o desenvolvimento crítico e social dos mesmos. Assim, considerando-se que os eventos estudantis proporcionam espaços de interação entre os acadêmicos, favorecem o acesso a novas informações e também os aproxima nas dimensões da assistência, do ensino, na gestão dos serviços de saúde, na pesquisa e a inserção na política. Proporcionando novas ações e possibilidades aos discentes em formação.

1. Lucena NBF, Correia RBF, Telles MWP. Percepção da DENEFONO sobre os impactos da conjuntura política brasileira (2016-2019) no SUS. Rev. Bra. Edu. Saúde, v. 10, n.3, p. 35-41, jul-set, 2020.

2. DENEFONO. Estatuto da Diretoria Nacional dos Estudantes de Fonoaudiologia. 2. ed. João Pessoa, 2017. 13p.

3. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 5, de 19 de fevereiro de 2002. [acesso
em 11 jul 2020]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES052002.pdf


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2106
ESTUDO ACÚSTICO DAS CONSOANTES OCLUSIVAS NA FALA DE LARINGECTOMIZADOS TOTAIS COM PRÓTESE TRAQUEOESOFÁGICA.
Tese
Voz (VOZ)


INTRODUÇÃO: os falantes alaríngeos desenvolvem adaptações de fala e voz nas esferas respiratória, fonatória, articulatória e ressonantal. As pesquisas tradicionalmente centram-se nas limitações advindas da laringectomia total, com escasso enfoque dos refinamentos de produções de fala e voz (1-5).OBJETIVO: descrever e caracterizar, do ponto de vista acústico, as produções de consoantes oclusivas por falantes alaríngeos com prótese traqueoesofágica (PTE), com foco no ponto de articulação e no contraste de vozeamento. MÉTODOS: participaram do estudo 17 laringectomizados totais com PTE (média: 62 anos de idade) e cinco falantes laríngeos (média: 47 anos de idade). Previamente à análise dos dados coletados, as amostras de fala traqueoesofágica foram classificadas e subdivididas em grupos de acordo com a qualidade do sinal acústico. Cinco falantes laringectomizados totais tiveram amostras classificadas com pontuação superior, compondo o Grupo ALAa; média: 64 anos de idade), outros cinco classificados com pontuação intermediária (Grupo ALAb; média: 57 anos de idade) e um grupo de sete falantes foi eliminado do estudo devido à pontuação inferior (inviabilidade de extração de medidas acústicas). O corpus da pesquisa constituiu-se de audiogravações de três repetições (em ordem aleatorizada) de seis palavras paroxítonas com consoantes oclusivas vozeadas e não vozeadas, inseridas em sentença-veículo. A análise acústica foi conduzida a partir da elaboração de um script, aplicável ao programa Praat versão 6.1.16 , que extraiu um conjunto de 44 medidas relativas à duração, frequência fundamental (f0) e de formantes (F1, F2 e F3), e intensidade de consoantes oclusivas e de vogais adjacentes. Procedimentos de análise estatística descritiva e multivariada foram conduzidos (programas Microsoft Excel e R-statistics). RESULTADOS: considerando-se os pares de consoantes oclusivas por ponto de articulação (bilabiais: [p][b]; alveolares: [t][d]; velares: [k][g]), os percentuais de classificação na análise discriminante foram de 89,29% nos sons bilabiais, de 93,06% nos sons alveolares e de 86,75% nos sons velares. As medidas relevantes para a discriminação do ponto de articulação e contraste de vozeamento referiram-se a: harmônicos, duração das consoantes, F1, F2 e F3 e intensidade nas fases de oclusão e plosão para as bilabiais; harmônicos, f0, F2 e F3 para as alveolares; harmônicos, frequência fundamental, F1, F2 e intensidade na fase de oclusão nas velares. As medidas relevantes para a discriminação do contraste de vozeamento referiram-se a: duração da consoante, intensidade na fase de oclusão, porcentagem de não vozeamento e f0 na parte estável da vogal. DISCUSSÃO: Os achados acústicos revelaram uma vasta gama de mobilizações desenvolvidas pelos falantes alaríngeos na busca do cumprimento da meta de produção de fala articulada e inteligível. Apesar da remoção da laringe e restruturação de todo aparelho fonador após a laringectomia, os resultados permitiram observar que falantes com melhor qualidade de fala revelam índices acústicos similares a falantes laríngeos, diferentemente dos resultados reportados na literatura(6-10). CONCLUSÃO: os falantes alaríngeos usuários de PTE apresentaram características acústicas de produção de consoantes oclusivas muito semelhantes às produzidas pelos falantes laríngeos, especialmente quanto ao ponto de articulação e ao contraste de vozeamento.

1. Cervera T, Miralles JL, Gonzalez-Alvarez J. Acoustical analysis of Spanish vowels produced by laryngectomized subjects. Journal of Speech Language and Hearing Research. 2001;44(5):988-96.
2. van As CJ, Hilgers FJ, Verdonck-de Leeuw IM, Koopmans-van Beinum F. Acoustical analysis and perceptual evaluation of tracheoesophageal prosthetic voice. J Voice. 1998;12(2):239-48.
3. van As-Brooks CJ, Koopmans-van Beinum FJ, Pols LCW, Hilgers FJM. Acoustic signal typing for evaluation of voice quality in tracheoesophageal speech. Journal of Voice. 2006;20(3):355-68.
4. Lundstrom E, Hammarberg B. Speech and voice after laryngectomy: perceptual and acoustical analyses of tracheoesophageal speech related to voice handicap index. Folia Phoniatr Logop. 2011;63(2):98-108.
5. Most T, Tobin Y, Mimran RC. Acoustic and perceptual characteristics of esophageal and tracheoesophageal speech production. J Commun Disord. 2000;33(2):165-80; quiz 80-1.
6. Jongmans P, Hilgers FJM, Pols LCW, van As-Brooks CJ. The intelligibility of tracheoesophageal speech, with an emphasis on the voiced-voiceless distinction. Logopedics Phoniatrics Vocology. 2006;31(4):172-81.
7. Jongmans P, Hilgers FJ, Pols LC, van As-Brooks CJ. The intelligibility of tracheoesophageal speech, with an emphasis on the voiced-voiceless distinction. Logoped Phoniatr Vocol. 2006;31(4):172-81.
8. Cullinan WL, Brown CS, Blalock PD. Ratings of intelligibility of esophageal and tracheoesophageal speech. J Commun Disord. 1986;19(3):185-95.
9. Cuenca MH, Barrio MM. Acoustic markers of prosodic boundaries in Spanish spontaneous alaryngeal speech. Clin Linguist Phon. 2010;24(11):859-69.
10. Miki Saito MKMA. Acoustic Analyses Clarify Voiced-Voiceless Distinction in Tracheoesophageal Speech. Acta Oto-Laryngologica. 2000;120(6):771-7.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
786
ESTUDO AVALIATIVO DO VÍDEO IMPLANTE COCLEAR: CONHECENDO A TECNOLOGIA PELA PERSPECTIVA DOS PROFESSORES DE INSTITUIÇÃO PÚBLICA FEDERAL BILÍNGUE DE ENSINO PARA SURDOS.
Trabalho científico
Fonoaudiologia Educacional (FONOEDUC)


O vídeo Implante Coclear: conhecendo a tecnologia(1),foi construído visando atender à significativa demanda de conhecimento sobre a tecnologia assistiva do implante coclear. Distribuído às secretarias estaduais e municipais de educação, deu suporte sobre o tema aos professores de alunos surdos implantados incluídos em salas de aula regulares, além daqueles que atendem a esse público nas escolas bilíngues de surdos. A partir daí, contribuiu também para inserção do tema no debate quanto à construção de uma educação bilíngue de qualidade para o aluno surdo.
Neste sentido, o objetivo do estudo foi avaliar se o conteúdo do vídeo respondeu à demanda pedagógica sobre o que é a tecnologia, auxiliando o professor a lidar de maneira eficaz com o aluno implantado. O estudo foi conduzido mediante aprovação do comitê de ética em pesquisa (nº 3.393.022) e a abordagem metodológica empregada foi centrada em especialistas, que depende basicamente dos conhecimentos específicos de um profissional para julgar uma instituição, um programa, um produto ou uma atividade(2). A metodologia consistiu dos seguintes passos: 1) Entrevista semi-estruturada junto a professores da instituição; 2) Levantamento da literatura científica sobre os indicadores a serem empregados na avaliação de vídeos; 3) Construção e validação do instrumento (técnica, conteúdo e empírica) junto a especialistas da área de surdez; 4) Aplicação do instrumento aos professores da instituição pública federal de ensino para surdos.
O instrumento foi respondido por 52 professores especialistas, ouvintes e surdos e foi conduzido com base em duas questões avaliativas. A primeira se referiu ao conteúdo disponibilizado pelo vídeo e o atendimento às necessidades de conhecimento pelo corpo docente da instituição sobre a tecnologia. Dos 15 itens elaborados, 11 (73,3%) obtiveram um julgamento favorável por mais de 31 professores. A segunda questão avaliou o conhecimento sobre a tecnologia no auxílio ao professor para lidar com o aluno implantado. Os resultados mostraram que dos sete itens relacionados a esta questão, quatro deles atingiram o ponto de corte estabelecido (60%), com julgamento favorável por mais de 33 professores.
As informações insuficientes sobre a tecnologia e perspectivas relacionadas aos professores são reforçadas por alguns trabalhos(3)(4)(5) que retratam a falta de preparo do professor em sala de aula e a pouca orientação a respeito do Implante Coclear.
A conclusão do estudo foi que, na perspectiva dos professores da instituição, o vídeo atende a demanda pedagógica inicial sobre o que é a tecnologia auxiliando o professor a lidar com o aluno implantado. No entanto, revela a necessidade de um aprofundamento em relação à prática com esses alunos, relacionada à língua de instrução da instituição (Libras) e a segunda língua (Língua Portuguesa).


(1) TV INES. Implante coclear: conhecendo a tecnologia. Rio de Janeiro, 2014.
Disponível em: http://tvines.org.br/?p=733. Acesso em: 1 jun. 2018..

(2) Worthen BR; Sanders, JR; Fitzpatrick, JL.Avaliação de programas: concepções e práticas. São Paulo: Gente, 2004. p179

(3) Queiroz EF; Kelman, CA Implicações do implante coclear no processo de aquisição da escrita de uma criança surda. In: Tanaka, E D O (org.) et al. As necessidades educacionais especiais: altas habilidades, transtornos globais do desenvolvimento e deficiências. Londrina: Eduel, 2009.

(4) Costa, JP. A prática docente na inclusão educacional de um aluno surdo com implante coclear. Dissertação (Mestrado). Rio de Janeiro Faculdade de Educação,Universidade Federal do Rio de Janeiro;2015.

(5) Navegantes.Eva. Perceber, pensar e falar: o implante coclear na realidade escolar. 137 f. 2016. Dissertação (Mestrado) .Rio de Janeiro. Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2016.




TRABALHOS CIENTÍFICOS
460
ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE OS EFEITOS DA ESTIMULAÇÃO DA LINGUAGEM NA COGNIÇÃO DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS.
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Estudo exploratório sobre os efeitos da estimulação da linguagem na cognição de idosos institucionalizados.
Introdução: A literatura aborda de forma abrangente como programas de estimulação cognitiva promovem benefícios a residentes de instituições de longa permanência para idosos (ILPIs)1-3. Em relação às habilidades linguísticas, dois estudos de caso único investigaram a eficácia de programas de estimulação de linguagem para a saúde dessa população e identificaram efeitos positivos das intervenções propostas4,5. Considerando essa lacuna, este estudo busca contribuir com novas evidências acerca de propostas terapêuticas efetivas que possam contribuir para práticas de cuidado em saúde que sejam integrais e atendam às necessidades dessa população, promovendo saúde nesses espaços. Objetivo: O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos de um programa de estimulação de linguagem (PEL) na cognição de idosos institucionalizados. Método: Foi realizado um estudo exploratório do tipo série de casos, com 9 idosos residentes em uma ILPI de natureza filantrópica de nosso país. Os participantes foram submetidos a uma avaliação inicial, por meio da Montreal Cognitive Assessment (MoCa)6 e da Bateria Montreal Toulouse de Avaliação da Linguagem – Brasil7. Tais dados permitiram caracterizar o perfil linguístico-cognitivo do grupo estudado e identificar os 5 participantes elegíveis para participar do Programa de Estimulação da Linguagem (PEL). O programa foi realizado durante 11 semanas, em 13 encontros em grupo, na própria ILPI. O PEL teve como finalidade contribuir para a comunicação do idoso institucionalizado e, consequentemente, favorecer seu estado cognitivo, contribuindo para a manutenção de suas habilidades cognitivas e linguísticas. Em até 14 dias após o término do programa, os participantes foram reavaliados com os mesmos instrumentos utilizados na primeira avaliação. Os dados obtidos foram analisados por meio de estatística descritiva. Resultados: Apenas dois participantes aderiram efetivamente ao programa, mas todos os cinco foram reavaliados após seu término. Observou-se que apenas os participantes que aderiam ao PEL obtiveram melhoras no escores do MoCa na reavaliação. Em relação à linguagem, três participantes apresentaram melhora no escore de número de unidade de informação na emissão oral. Dentre esses participantes estavam os dois que aderiram ao programa e um que participou de 38% dos encontros. Já o desempenho dos participantes em compreensão oral manteve-se ou declinou, independentemente da adesão ou não ao PEL. Conclusão: O PEL proposto contribuiu para a melhora no desempenho cognitivo e linguístico (emissão oral) dos residentes que participaram efetivamente do grupo de estimulação. Contudo, não pareceu ter efeito positivo sobre as habilidades de compreensão oral dos participantes. Os resultados obtidos sugerem que a intervenção fonoaudiológica por meio do PEL proposto pode contribuir para a melhora do desempenho cognitivo de idosos institucionalizados.

1. Tavares L. Estimulação em idosos institucionalizados: efeitos da prática de atividades cognitivas e atividades físicas. Florianópolis. Dissertação [Mestrado em Psicologia] – Universidade Federal de Santa Catarina; 2007.
2. Gonçalves C. Programa de estimulação cognitiva em idosos institucionalizados. O portal dos psicólogos 2012 maio 20; p.1-18.
3. Chariglione IPF, Janczura GA. Contribuições de um treino cognitivo para a memória de idosos institucionalizados. Psico USF. 2013;18(1):13-22.
4. Marquete VF. A efetividade da terapia fonoaudiológica no nível discursivo: estudo de caso em distúrbio linguístico-cognitivo. Nova Friburgo. Monografia [Bacharelado em Fonoaudiologia] – Universidade Federal Fluminense; 2017.
5. Silva MCS. O uso de aplicativo na terapia fonaudiológica em um caso de distúrbio cognitivo da comunicação. Nova Friburgo. Monografia [Bacharelado em Fonoaudiologia] – Universidade Federal Fluminense; 2017.
6. Sarmento ALR, Bertolucci PHF, Wajman JR. Montreal cognitive assessment versão experimental brasileira [documento na internet]. Moca Test Inc.: Quebéc; 2007 [acesso em 18 nov 2018]. Disponível em: https://www.mocatest.org.
7. Parente MAMP, Fonseca RP, Pagliarin KC, Barreto SS, Soares-Ishigaki ECS, Hibarer LC et al. Bateria Montreal-Toulouse de Avaliação da Linguagem MTL-Brasil. São Paulo: Vetor; 2016.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
736
ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE SELETIVIDADE ALIMENTAR NO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A seletividade alimentar é caracterizada pela recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento (Gonçalves et al, 2013). Nos indivíduos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) esse distúrbio geralmente está associado a uma alteração do processamento sensorial: capacidade de registrar, processar, organizar informações sensoriais e executar respostas às demandas ambientais, que podem se manifestar como hipo ou hiper sensibilidade aos estímulos. Mais recentemente alguns estudos têm apontado para a necessidade de se investigar também, as dificuldades motoras orais relacionadas à mastigação e à deglutição, que podem estar associadas à recusa alimentar. Objetivo: Investigar as questões relacionadas à seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo e a repercussão desta condição clínica para o fonoaudiólogo. Metodologia: Foram entrevistados 15 fonoaudiólogos com experiência no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo. Todos os participantes tiveram que responder ao questionário delineado especificamente para este estudo que constava de 8 questões sobre a caracterização da seletividade alimentar (CEP 0334/2020). Resultados: O tempo médio de experiência clínica dos fonoaudiólogos foi de 12 anos. Do total de pacientes com TEA atendidos no último ano (n=321), 46,4% tiveram menção à seletividade alimentar na anamnese. Sendo o principal motivo o repertório restrito alimentar (81%), seguido de 44,83% de recusa alimentar e 45,06% de ingestão alimentar de um único alimento ou grupo alimentar. Em relação às questões que caracterizavam as alterações sensoriais: 75% dos pacientes apresentou sensibilidade sensorial por relutância à novidade. Quanto à avaliação do sistema estomatognático: 58,5% dos pacientes apresentavam alteração de tônus e 47,8% de mobilidade dos órgãos fono-articulatórios. Em relação à intervenção terapêutica fonoaudiológica: 49% dos pais recebeu orientações fonoaudiológicas específicas às questões de motricidade orofacial. 15% dos pacientes também estiveram expostos à intervenção sensorial e 38% à intervenção comportamental. Conclusões: Foi possível observar que houve um considerável número de pacientes com Transtorno do Espectro do Autismo que apresentaram menção à seletividade alimentar. Esse comportamento esteve associado, em sua maioria, a um repertório alimentar restrito de alimentos. Também pudemos verificar menção às alterações sensoriais, e alterações do sistema estomatognático, como prejuízos de tônus e de mobilidade dos órgãos fonoarticulatórios.





American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-V). Arlington, VA: American Psychiatric Association, 2013.

Gonçalves, Juliana de Abreu, Moreira, Emilia Addison M., Trindade, Erasmo Benício S. de M., & Fiates, Giovanna Medeiros R. (2013). Transtornos alimentares na infância e na adolescência. Revista Paulista de Pediatria, 31(1), 96-103.

Bandini, L.G., Curtin, C., Phillips, S., Anderson, E.S., Maslin, M., Must, A. (2017). Changes in Food Selectivity in Children with Autism Spectrum Disorder. J Autism Dev Disord 47, 439–446.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
977
ESTUDO EXPLORATÓRIO: COMPORTAMENTOS COMUNICATIVOS PRESENTES NA INTERAÇÃO MÃE-BEBÊ AOS 9 MESES
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: O desenvolvimento da comunicação do bebê inicia-se pelo choro, sons vegetativos e/ou guturais no qual por eles, suas necessidades tendem a ser interpretadas e atendidas pelos pais1. A aquisição e desenvolvimento da linguagem, ocorre em duas fases: fase pré-verbal e a fase verbal. É na fase verbal que surgem as primeiras palavras2. Durante o desenvolvimento da linguagem é necessário considerar os aspectos biológicos e ambientais e, principalmente, o papel da mãe e/ou cuidador, pois eles influenciam os comportamentos diádicos, precursores das habilidades comunicativas. Durante a interação mãe-bebê, as crianças podem demonstrar intenção comunicativa, contato ocular, atenção sustentada, entre outros comportamentos, que são importantes para o desenvolvimento da linguagem3-4. Desta forma, as mães precisam estar atentas e precisam saber interpretar estes sinais, para que esse momento de interação seja o mais produtivo possível proporcionando momentos de aprendizagens e interações adequadas para o desenvolvimento de competências comunicativas, iniciadas na fase pré-verbal.
Objetivo: Identificar comportamentos comunicativos presentes durante a interação mãe-bebê aos nove meses
Material e Métodos: Cumpriram-se os princípios éticos (CAEE: 97383118.9.0000.5417). Trata-se de um estudo retrospectivo de corte transversal. Inicialmente foram analisadas 45 filmagens de interação livre de díades mãe-bebê, e após a aplicação dos critérios de exclusão permaneceram 41 filmagens. O estudo foi realizado seguindo as etapas: 1. Análise dos vídeos com objetivo de verificar quais os comportamentos comunicativos estavam presentes; 2. Consulta aos instrumentos e protocolos que avaliam os comportamentos comunicativos, na faixa etária estabelecida; 3. Reanalise os vídeos, verificando se todos os comportamentos pontuados na 1o e 2o etapa estavam presentes; 4. Análise externa: foi realizado um sorteio aleatório, e 20% da amostra foi enviada para avaliadores externos para que pudessem analisar se os comportamentos pontuados na terceira etapa, estavam presentes ou não. O roteiro foi avaliado por três juízes independentes com índice de confiabilidade de 88,89-100%. Foram aplicados os seguintes testes estatísticos: Coeficiente de Correlação de Pearson e Coeficiente Kappa. Resultados: Foram pontuados 31 comportamentos comunicativos, os quais foram divididos e correlacionados quanto a incidência (baixa, média ou alta) e tipologia (interação social com a mãe, exploração e envolvimento com o brinquedo, favorecedores do desenvolvimento, iniciativa do bebê e baixa participação). Houve correlação significativa da alta incidência associada aos comportamentos de interação social com a mãe e de iniciativa do bebê. Conclusão: Os comportamentos comunicativos elencados durante a interação devem ser utilizados como marcadores do desenvolvimento comunicativo aos 9 meses. A identificação da presença ou ausência dos comportamentos comunicativos fornece subsídios para a verificação da trajetória do desenvolvimento da linguagem nesta faixa etária. Medidas preventivas podem ser iniciadas desde a mais tenra infância, voltadas a estratégias para o desenvolvimento normativo da comunicação, ainda em fases pré-verbais, que contribuiria para o processo de aquisição da linguagem. Os juízes do estudo destacaram a clareza na disposição dos comportamentos, possibilitando sua utilização sem treinamento prévio, uma vez que os comportamentos são autoexplicativos. Orientações quanto aos padrões interativos e sua relevância para o desenvolvimento da linguagem são fundamentais para o acompanhamento da trajetória do desenvolvimento comunicativo infantil.

1 - Alva MDM, Kahn IC, Huerta PM, Sánchez LJ, Calixto MJ, Sánchez SMV. Child neurodevelopment: normal characteristics and warning signs in children under five years. Revista Peruana de Medicina Experimental y Salud Pública. 2015;32(3):565-73.
2 - Lamônica DAC, Ferreira-Vasques AT. A linguagem e sua constituição. In: Gianecchini T, Maximino LP (Org). Programa de intervenção práxico-produtivo para indivíduos com transtorno fonológico (Vol.1, 1ª ed., p.4-16), Ribeirão Preto, SP: BookToy, 2018.
3 - Loi EC, Vaca KEC, Ashland MD, Marchman, VA, Fernald A, Feldman HM. Quality of caregiver-child play interactions with toddlers born preterm and full term: Antecedents and language outcome. Early Human Development. 2017;115:110-117.
4 - Stolt S, Korja R, Matomaki J, Lapinleimu H, Haataja L, Lehtonen L. Early relations between language development and the quality of mother-child interaction in very-low-birth-weight children. Early Human Development. 2014;90(5):219-25.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1814
ESTUDO LONGITUDINAL SOBRE A ALIMENTAÇÃO DE LACTENTES A TERMO SAUDÁVEIS: QUEIXAS E ACHADOS CLÍNICOS DE ALTERAÇÕES NAS FUNÇÕES SENSÓRIO MOTORAS ORAIS
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)
71919180


Introdução: recém-nascidos e lactentes saudáveis, sem intercorrências clínicas que interfiram no processo de amamentação, podem apresentar movimentos orais atípicos durante a mamada, acarretando dificuldades na amamentação (Marques e Melo, 2008; Fujimore et al., 2010). Na literatura já se encontra definida a fisiologia das funções envolvidas na alimentação, fisiologia esta que deve ser compreendida e servir de base para todo o raciocínio clínico do profissional fonoaudiólogo (Miller et al. 2003; Barlow, 2009; Kühn et al., 2014). No entanto, ainda há a necessidade de fornecer critérios clínicos para nortear a assistência fonoaudiológica, obtidos com base na prática baseada em evidências (por meio de instrumentos de avaliação clínica padronizada). Objetivo: analisar o desempenho alimentar de neonatos a termo saudáveis assistidos durante os seis primeiros meses de vida em um hospital escola do XX, correlacionando-se os achados clínicos de alteração no sistema sensório motor oral com a fisiologia esperada. Métodos: trata-se de um estudo longitudinal, descritivo, com amostra por conveniência, que acompanhou 30 lactentes a termo, desde recém-nascidos até os seis meses de vida. A coleta de dados foi realizada após a aprovação do hospital e do Comitê de Ética em Pesquisa da XXX (CAAE 97572918.9.0000.8093). As crianças foram avaliadas nas datas que completavam o aniversário mensal, respeitando-se uma tolerância de no máximo cinco dias antes ou após esta data. Foi utilizado protocolo fonoaudiológico padronizado para a realização das avaliações (Protocolo PAD-PED – Flabiano-Almeida et al., 2014). A alimentação foi avaliada por meio da classificação da deglutição e dos sinais clínicos alterados do sistema sensório motor oral identificados durante a aplicação do instrumento, considerando-se seu guia instrucional. Resultados: o tempo de internação médio ao nascimento foi superior ao período preconizado pelo Ministérios da Saúde, indicando que alguns recém-nascidos apresentaram intercorrências ao nascimento (dificuldade de alimentação foi o diagnóstico de internação que prevaleceu dentre os elencados como negativos). Houve prevalência de alimentação por meio do aleitamento materno exclusivo; por livre demanda, durante os meses estudados. Houve diferença estatisticamente significante do desempenho/respostas dos lactentes em relação aos meses nas variáveis: 1) queixas relativas à alimentação; 2) uso de medicamentos; 3) consistências alimentares introduzidas; 4) quantidade de alimento; 5) intercorrências durante a alimentação; 6) tônus de língua; 7) dentes; 8) frequência de deglutição de saliva; 9) reflexo de procura; 10) pega/preensão; 11) relação frequência de sucções por deglutição; 12) pausas; e 13) tempo de alimentação. Foi possível identificar que as respostas observadas na amostra deste estudo estão em conformidade com a literatura arbitrada da área, sendo possível a correlação destes achados com a fisiologia esperada do desenvolvimento do sistema sensório motor oral e geral dos lactentes. Conclusão: os resultados deste estudo permitem que uma atenção mais especializada possa ser aplicada ao público alvo. Foi possível fornecer informações sobre as dificuldades encontradas e as suas relações com o desenvolvimento motor oral de lactentes. Políticas públicas locais e nacionais podem ser encorajadas e incorporadas com base nos resultados aqui descritos.

Barlow SM. Oral and respiratory control for preterm feeding. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2009;17(3):179–186.

Flabiano-Almeida FC, Bühler KEB, Limongi SCO. Protocolo para avaliação clínica da disfagia pediátrica (PAD-PED). Editores Científicos: Claudia Regina Furquim de Andrade e Suelly Cecilia. Olivan. Barueri: Revista: Pró-Fono, 2014. 33p.

Fujimori E, Nakamura E, Gomes MM, Jesus LA, Rezende MA. Aspectos relacionados ao estabelecimento e à manutenção do aleitamento materno exclusivo na perspectiva de mulheres atendidas em uma unidade básica de saúde. Interface. 2010;14(33):315-327.

Kühn D, Miller S, Schwemmle C, Jungheim M, Ptok M. Infantile Swallowing. Laryngo-Rhino-Otol 2014; 93:231-6.

Marques MCS, Melo, AM. Amamentação no alojamento conjunto. Rev. CEFAC. 2008;10:2:261-71.

Miller JL, Sonies BC, Macedonia C. Emergence of oropharyngeal, laryngeal and swallowing activity in the developing fetal upper aerodigestive tract: An ultrasound evaluation. Early Hum Dev. 2003;71:61-87.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
893
ESTUDO SOBRE A PREVALÊNCIA DE ZUMBIDO EM IDOSOS: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho científico
Audição e Equilíbrio (AUDIO)


INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional é uma realidade no mundo todo, sendo no Brasil, um processo que vem acelerando a cada ano. Com esse crescimento, perdas auditivas causadas por envelhecimento (presbiacusia) e queixas de zumbido, são cada vez mais comumente relatadas. Dessa forma, estudos apontam que há um aumento constante na incidência de zumbido com o avanço da idade, de forma que o impacto na qualidade de vida desses indivíduos, pode variar desde um pequeno incômodo em ambientes silenciosos a quadros incapacitantes, trazendo prejuízos físicos, mentais e/ou emocionais. MÉTODO: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, construída a partir do questionamento de qual a prevalência de zumbido em idosos. A construção deste estudo foi realizada por meio da busca bibliográfica nacional e internacional indexada nas seguintes bases de dados: Periódico CAPES, Scielo, Medline, LILACS e PubMed, utilizando os seguintes descritores em português: zumbido AND idoso AND prevalência, zumbido AND idoso AND perda auditiva, e zumbido AND idoso AND avaliação. E em inglês: tinnitus AND aged AND prevalence, tinnitus AND aged AND hearing loss, e tinnitus AND aged AND evoluation. Os critérios de inclusão dos artigos foram: artigos publicados nos periódicos com texto completo disponível gratuitamente, em português e em inglês e que abordassem a temática nos últimos dez anos. Para a seleção dos artigos, foi realizada inclusão após a leitura do título, seguida pelo resumo e por fim, a leitura dos artigos completos. Os artigos duplicados foram excluídos e a análise foi realizada por meio de uma planilha do Excel, que apresentava os seguintes dados: título, ano, autores, país, objetivo, método, resultados, conclusão e nível de evidência. OBJETIVO: Buscar na literatura nacional e internacional, artigos que mencionaram a prevalência de zumbido na população idosa. RESULTADOS: Foram encontrados 8.794 artigos, dos quais sendo 41 artigos da Scielo, 3.431 artigos do Periódico CAPES, 3178 artigos da Medline, 176 artigos da LILACS e 984 artigos da PubMed. De acordo com os critérios de elegibilidade, 7.514 artigos foram excluídos, selecionando-se 120 para leitura completa, dos quais vários encontravam-se em duas ou mais bases de dados, o que gerou a quantidade final foi de 19 artigos para análise. CONCLUSÃO: Desta forma, esse estudo evidenciou que o zumbido tem alta prevalência, principalmente em idosos, e pode estar geralmente associado a outras comorbidades. No entanto, apesar da alta incidência e do impacto na qualidade de vida dessa população, ainda existem muitas lacunas a serem esclarecidas, como prevenção, diagnóstico eficaz, intervenção e reabilitação.

1. Ferreira GC, Costa LD, Muller MD, Costa MJ. Queixa de zumbido e alterações de saúde. Distúrb Comun 2017;29(4):711-719.

2. Boger ME, Barreto MASC, Sampaio ALLA. A perda auditiva no idoso e na vida psicossocial. Revista Eletrônica Gestão & Saúde 2016;7(1):407-412.

3. Ferreira LMBM, Júnior ANR, Mendes EP. Caracterização do zumbido em idosos e de possíveis transtornos relacionados. Rev Bras Otorrinolaringol 2009;75(2):245-248.

4. Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. OMS divulga metas para 2019: desafios impactam a vida de idosos [acesso em 3 jul 2020]. Disponível em: www.sbgg.org.br

5. Martinez C, Wallenhorst C, McFerran D, Hall DA. Incidence rates of clinically significant tinnitus: 10-year trend from a cohort study in England. Ear Hear. 2015;36(3):69-75.

6. Gibri PCD, Melo JJ, Marchior LLM. Prevalência de queixa de zumbido e prováveis associações com perdas auditivas, diabetes mellitus e hipertensão arterial em pessoas idosas. CoDAS 2013;25(2):176-180.

7. Oiticica J, Bittar RS. Tinnitus prevalence in the city of São Paulo. Brazilian J Otorhinlolaryngology 2015;81(2):167-176.

8. Stohler NA, Reinau D, Jick, SS, Bodmer D,Meier CR. A study on the epidemiology of tinnitus in the United Kingdom. Clinical Epidemiology 2019;11: 855-871.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1700
ESTUDOS DE CASO DO EFEITO DA EQUOTERAPIA NOS MEIOS COMUNICATIVOS DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: Desde seus primórdios a humanidade é atraída pelo cavalo1. Diante dessa relação, surge uma modalidade terapêutica, chamada equoterapia. Esta é um método terapêutico interdisciplinar que tem o cavalo como intermediador para o desenvolvimento biopsicossocial do praticante2. Estudos realizados a partir da intervenção em equoterapia para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) demonstram resultados favoráveis no que diz respeito ao funcionamento social3, a funcionalidade da equoterapia pode ser explicada pela experiência sensorial no montar a cavalo, na movimentação rítmica da andadura e na personalidade do cavalo4. Que como consequência, a forma na qual a criança se comunica pode ser direta e positivamente afetada a partir dessa interação homem-cavalo. Mas há uma grande lacuna referente à comunicação e principalmente ao uso dos meios comunicativos. O TEA é caracterizado por déficits na comunicação e interação social, percebe-se alterações nos aspectos funcionais da linguagem5. A expressão desta se dá por atos comunicativos, que manifestam-se a partir dos seguintes meios: verbal, aqueles que envolvem pelo menos 75% dos fonemas da língua, vocal, são todas as outras emissões produzidas e gestual, sendo os movimentos de rosto e corpo6. Em crianças com TEA é comum a predominância do meio comunicativo gestual em detrimento do meio verbal e vocal7,8, isso implica na redução da capacidade de manter uma comunicação funcional. OBJETIVO: Analisar o uso dos meios comunicativos de 2 crianças com TEA após intervenção em equoterapia. MÉTODO: Foram selecionadas 2 crianças da lista de espera do Centro de Equoterapia, de grau severo, mensurado via Childhood Autism Rating Scale-CARS9, com 5 e 9 anos de idade. Os responsáveis assinaram termos de autorização e a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética com número 14946819.8.0000.8093. As gravações foram realizadas com base no Protocolo de Observação Comportamental (PROC)10, de maneira cega, em pré e pós intervenção. Esta ocorreu em 10 sessões de 30 minutos, 1 vez por semana. A análise dos meios comunicativos foi realizada a partir do Teste de Linguagem Infantil (ABFW) parte D6. RESULTADOS: A criança de 5 anos de idade apresentou aumento do uso de meios comunicativos após intervenção, de 0 para 4. Houve uma evolução de 0 para 2 meios gestuais, de 0 para 1 meio verbal e de 0 para 1 meio vocal. A criança de 9 anos de idade, apresentou uma maior ocorrência no uso dos meios comunicativos após intervenção, de 4 para 8. Houve uma evolução no meio verbal de 0 para 1, de 3 para 6 no meio gestual e por fim uma reorganização no uso dos meios combinados, onde o meio vocal/gestual foi substituído pelo meio verbal/gestual em 1 ocorrência. CONCLUSÃO: Houve evolução no uso dos meios comunicativos após a intervenção em equoterapia nas crianças estudadas.

1. Frewin, K.; Gardiner, B. New age or old sage? A review of equine assisted psychotherapy. The Australian journal of counselling psychology, 2005.
2. Associação Nacional de Equoterapia: Curso básico de equoterapia. Brasília: ANDE, 2010.
3. Bass, MM.; Duchowny, CA.; Llabre MM. The Effect of Therapeutic Horseback Riding on Social Functioning in Children With Autism. J Autism Dev Disord, 2009.
4. Roslyn, M.; Stefan E.; Martyn, P. ‘It just opens up their world’: autism, empathy, and the therapeutic effects of equine interactions. Anthropology & Medicine, 2018.
5. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
6. Fernandes, FDM. Pragmática (Parte D). In: Andrade, CRF.; Berfi-Lopes, DM.; Fernandes, FDM.; Wertzner, HF. ABFW - Teste de linguagem infantil nas áreas da fonologia, vocabulário, fluência e pragmática. Carapicuíba: Pró- Fono, 2000.
7. Fernandes F. Aspectos funcionais da comunicação terapeuta-paciente na terapia da linguagem de autistas. Pró-Fono, 1997.
8. Fernandes FD. Perfil comunicativo, desempenho sociocognitivo, vocabulário e meta-representação em crianças com transtornos do espectro autístico. Pró-Fono, 2003.
9. Schopler, E.; Reichler, RJ.; DeVellis, RF.; Daly, K.; Toward objective classification of childhood autism: Childhood Autism Rating Scale (CARS). J Autism Dev Disord. v. 10. 1980.
10. Hage SRV.; Pereira TC.; Zorzi JL. Protocolo De Observação Comportamental –PROC: Valores De Referência Para Uma Análise Quantitativa. Rev. CEFAC. 2012.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1514
ESTUDOS PARA UMA PROPOSTA DE BIOFEEDBACK DE SUAVIZAÇÃO E PROLONGAMENTO DA FALA DA PESSOA QUE GAGUEJA
Tese
Linguagem (LGG)


Os distúrbios da fluência têm sido evidenciados por inúmeros estudos que reiteram sua complexidade e multidimensionalidade1. Pesquisas de neuroimagem modificam conceitos sobre este transtorno2,3 e apontam as intervenções motoras da fala como as abordagens com maior comprovação científica4,5. Recursos tecnológicos têm-se mostrado clínica e economicamente eficientes para garantir a aquisição de novos automatismos motores de fala6,7. Os avanços da ciência da computação e as ciências fonéticas8,9 fornecem subsídios para análise acústica da fala viabilizando a tecnologia de biofeedback da fala. O presente estudo, aprovado sob o número CAAE 66039616.4.0000.5482, teve como objetivo desenvolver uma proposta de modelagem da fluência da pessoa que gagueja (PQG) por meio de feedback de representação visual dos sons da fala. Para tanto, foram realizados dois estudos, com os respectivos objetivos: (1) análise de dados fisiológicos, acústicos e perceptivos da fala de PQG; e (2) desenvolvimento de uma proposta de estratégias de modelagem da fluência como banco de estímulos para o desenvolvimento de um recurso tecnológico de biofeedback de representação visual dos sons da fala durante a execução de exercícios de suavização e prolongamento. No estudo 1, foram analisadas amostras de fala de 10 PQG do grupo de pesquisa (GP) a partir de duas coletas, uma realizada antes e outra imediatamente após um experimento de intervenção breve de modelagem da fluência. As amostras da primeira coleta foram comparadas a amostras de 10 falantes fluentes do grupo controle (GC), pareadas por sexo e idade. As análises foram conduzidas por meio fisiológico (medidas indiretas de pressão subglótica), acústico (medidas do ExpressionEvaluator) e perceptivo (roteiro Vocal Proifle Analysis Scheme). Os resultados serviram de base para o desenvolvimento do estudo 2, que contemplou: análises de softwares e sites; desenvolvimento de arcabouço de estímulos de palavras; estrutura de requisitos a serem implementados no software; e gravações de amostras de fala suavizadas prolongadas, analisadas acusticamente para determinar parâmetros de feedback de alvos de modelagem da fluência do software. Foi possível concluir que as características de naturezas perceptiva e acústica da fala das PQG revelam particularidades em relação àquelas do GC. A aplicação imediata da intervenção breve de modelagem de fluência implicou em variações nos padrões de fala, com tendência à diminuição do esforço. Esta diminuição foi expressa por medidas fisiológicas de pressão subglótica, acústicas do domínio de f0 e intensidade, e perceptivas infra e supraglóticas. Tais achados justificam os requisitos incorporados à proposta de biofeedback de modelagem de fala esboçada. O desafio de natureza interdisciplinar inerente deste estudo foi alcançado, congregando pesquisadores das áreas da linguística, fonoaudiologia, design gráfico e ciências da computação que levaram em conta as questões da PQG e da acessibilidade e usabilidade da plataforma. Os resultados respaldam um trabalho integrado de concepção de sistema para biofeedback com a incorporação de estímulos de fala, cujas medidas de intensidade e duração puderam colaborar ao desenvolvimento de um protótipo, em formato de estrutura gamificada, viabilizando a possibilidade da construção de um recurso de estimulação estruturada e frequente dos aspectos de suavização e prolongamento da modelagem da fluência da fala às PQG.


1. Yairi E, Ambrose NG. Epidemiology of stuttering: 21st century advances. Journal of Fluency Disorders 2013; 38: 66-87.

2. Chang SE., Angstadt M, Chow HM, Etchell AC, Garnett EO, Choo AL, et al. Anomalous network architecture of the resting brain in children who stutter. Journal of Fluency Disorders 2018; 55: 46-67.

3. Koenraads SPC, El Marroun H, Muetzel RL, Chang SE, Vernooij MW, Jong RB, et al. Stuttering and gray matter morphometry: A population-based neuroimaging study in young children. Brain and Language 2019 Jul; 194: 121-131.

4. Kell CA, Neumann K, Kriegstein K, Posenenske C, Gudenberg, AW, EULER H, et al. How the brain repairs stuttering. Brain 2009; 132: 2747-276.

5. Neumann K, Euler HA, Kob M, Gudenberg AW, Giraud AL, Weissgerber T, et al. Assisted and unassisted recession of functional anomalies associated with dysprosody in adults who stutter. Journal of fluency disorders 2018; 55: 120-134.

6. Ingham RJ, Kilgo M, Ingham JC, Moglia R, Belknap H, Sanchez T. Evaluation of a stuttering treatment based on reduction of short phonation intervals. Journal of Speech, Language and Hearing Research 2001; 44: 1229-1244.

7. Euler HA, Gudenberg AW, Jung K, Neumann K. Computergestützte Therapie bei Redeflussstörungen: die langfristige Wirksamkeit der Kasseler Stottertherapie (KST). (Computer-assisted therapy for speech-disfluency: The long-term effectiveness of the Kassel Stuttering Therapy (KST)). Sprache Stimme Gehör 2009; 33(4): 193-201.
8. Barbosa P, Madureira S. Manual de fonética acústica experimental: aplicações e dados do português. São Paulo: Cortez; 2015.

9. Barbosa P. Prosódia. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2019.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1022
ÉTICA E ALTERIDADE NA FORMAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA: EXPERIÊNCIA DA TRANSVERSALIZAÇÃO DE POLÍTICAS AFIRMATIVAS NA MATRIZ CURRICULAR
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


INTRODUÇÃO: o processo de formação dos profissionais de saúde se baseia em um novo modelo pautado nos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde, além das Diretrizes Curriculares Nacionais-DCN, com ênfase em propostas pedagógicas que possibilitem formação compatível com a construção coletiva para uma atenção integral nos serviços de saúde. A inserção curricular de forma obrigátoria das temáticas relativas à políticas de equidade, tratando o diferente para que possa haver igualdade, permite uma formação para a superação de situações de iniquidade provocadas pelo preconceito com determinados grupos sociais. Sob a ótica do cuidado, faz-se necessário o entendimento de alguns conceitos e a desconstrução dos próprios preconceitos dos discentes, futuros profissionais para a criação de um espaço amplo e acolhedor para os usuários, garantindo os direitos de acesso à saúde pública com respeito e qualidade. Diante desta necessidade de formação, o Curso de Fonoaudiologia de uma instituição pública do nordeste do Brasil inseriu em sua matriz curricular o módulo de conhecimento, “Ética, Alteridade e Diversidade no Cuidado em Saúde”, integralizada no currículo do 3° período, tendo sido ministrada pela primeira vez em 2014. OBJETIVO: relatar a experiência da disciplina de “Ética, Alteridade e Diversidade no Cuidado em Saúde” para a formação em fonoaudiologia. MÉTODOS: o trabalho relata a experiência vivenciada na unidade curricular de “Ética, Alteridade e Diversidade no Cuidado em Saúde” pertencente ao Eixo Processo de Trabalho. Trata-se de uma unidade curricular interdisciplinar, que visa a interprofissionalidade, com discentes de fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional, com atividades teóricas e práticas. O aporte teórico foi desenvolvido ao longo da unidade curricular, com a ressignificação de conceitos preexistentes a partir de experiências de contato interpessoal. Os discentes puderem realizar aulas de campo junto às populações contempladas pelas políticas de equidade do SUS, como a de saúde da População LGBTT+, para lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, transgêneros, a de saúde integral das populações indígenas, a de saúde da população negra, incluindo povos de terreiros e quilombolas, e a de povos ciganos. Rodas de conversa com representantes das populações em questão também foram utilizadas, quando não era possível as idas ao campo. RESULTADOS: O estudo sobre as políticas de equidade curricularizadas traz avanços na superação de processos e práticas que excluíam e ainda excluem grupos étnico-raciais, de orientação sexual não normativa e gênero não binário. Foi perceptível que a experiencia provocou diversas inquietações e impactou profundamente nos discentes, proporcionando uma autorreflexão crítica. Conhecer diferentes espaços de discussão permitiu um confronto teórico x prático das políticas de equidade, o que gerou nos discentes uma ressignificação de conceitos e um processo de sensibilização no olhar e na produção de cuidado com essas populações. CONCLUSÃO: A experiência de troca entre os discentes e representantes dessas populações proporcionou um diferencial na formação acadêmica, visto que permitiu promover momentos de reconstrução de conceitos, esclarecimento de dúvidas e fortalecimento das políticas de ações afirmativas pautadas no princípio da equidade e respeito às diferenças.

Não se aplica.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1393
EVASÃO ESTUDANTIL NO CURSO DE FONOAUDIOLOGIA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ÍNDICES, MOTIVOS E POLÍTICA INSTITUCIONAL.
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: Um dos problemas que se mantém ao longo de anos nas Instituições de Ensino Superior, e em todos os cursos, é a evasão estudantil. A evasão é um problema internacional com impacto no resultado dos sistemas educacionais privado pelas perdas de receita que pode representar e no ensino público, refletindo no retorno que a comunidade espera da universidade, levando a importantes desperdícios sócio econômicos. Objetivo: estudar os índices de evasão anual média e as motivações relatadas pelos estudantes culminantes a este evento no curso de Fonoaudiologia de uma Universidade Pública a partir de 2003. Métodos: estudo descritivo, retrospectivo. O levantamento dos dados deu-se pela análise documental dos registros da seção de graduação da instituição através da lista de ingressantes (matrículas confirmadas/ano, até o ano de formatura daquela turma. Não foram considerados para o cálculo os estudantes que caíram de turma ou trancamento total de matrícula. Foi realizado o levantamento documental do total de estudantes desligados ou que solicitaram desligamento, entrevistas realizadas no centro de apoio ao ensino e pedagógico e formulário de desligamento que é padronizado pela unidade. Para o cálculo básico da evasão, neste estudo foi utilizada a fórmula proposta por Filho et al. (2007): E(n) = 1 – [ M(n) – I(n) ] / [ M(n-1) – C(n-1)], onde fazendo a comparação entre o número de alunos que estavam matriculados num determinado ano, subtraídos os concluintes, com a quantidade de alunos matriculados no ano seguinte, subtraindo-se deste último total os ingressantes desse ano. Resultados: 53 estudantes desligaram-se do curso de Fonoaudiologia da instituição, destes 53 alunos, 45 (85%) são do sexo feminino, 46 (87%) eram solteiros, 13 (24,5%) recebiam algum tipo de Bolsa (auxílio moradia, tutoria científico), 47 (89%) eram originais de municípios do estado de São Paulo e 52 (98%) alegou que não se identificava com o curso no momento da desistência . O índice de evasão anual do curso de 2003-2019 variou entre 1% - 17%. Conclusão: fatores relacionados à questões sócio-econômicas, vocacionais, institucionais, pessoais, de saúde e familiares podem motivar a saída precoce do aluno do curso. No presente estudo, a afinidade e receio pela falta de reconhecimento da profissão são os principais fatores que levaram à desistência do curso de fonoaudiologia dessa Universidade Pública.

Brasil. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Sinopses do ensino superior. Censos do ensino superior. Disponível em: www.inep.gov.br.

Brasil BC, Gomes E, Teixeira MRF. O ensino de fonoaudiologia no brasil: retrato dos cursos de graduação. Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, 2019; 17(3):e0021443

Lobo e Silva Filho RL, Motejunas PR, Hipólito O, Lobo MBCM. A evasão no ensino superior brasileiro. Cadernos de Pesquiisa. 2017; 37(132):641-659.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1911
EVIDÊNCIAS DA TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA NAS AFASIAS, DISARTRIAS E APRAXIAS - REVISÃO DA LITERATURA
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A literatura afirma que os distúrbios da comunicação mais prevalentes em em adultos e idosos são, respectivamente, as afasias, as disartrias e as apraxias de fala. As afasias correspondem a alterações de linguagem provocadas por dano cerebral que afeta a expressão/recepção da linguagem1, além afetar diversos aspectos na vida do sujeito2. A disartria, por sua vez, resulta da fraqueza, paralisia e até incoordenação da musculatura da fala, enquanto a apraxia é compreendida por uma alteração fonético-motora que se apresenta em distorções segmentais e prosódicas temporais e espaciais, intra e inter-articuladores, ou seja, não há prejuízo ou disfunção primária no processamento de informações sensoriais ou da linguagem3.

Objetivos: Investigar a atuação fonoaudiológica nos casos de afasia, apraxias e disartria em adultos e idosos, através de uma revisão da literatura.

Metodologia: Foi realizado um estudo de revisão da literatura a partir da busca de artigos em língua portuguesa e/ ou inglesa publicados nas bases de dados: SCIELO e LILACS, com os descritores em ciências da Saúde (DeCS), em português e inglês, utilizados para a localização dos artigos foram: Fonoaudiologia e Afasia; Fonoaudiologia e Apraxia e Fonoaudiologia e Disartria, utilizando o operador booleano AND. Os artigos foram selecionados seguindo critérios de elegibilidade, a saber: a) Presença dos descritores citados em seu título, resumo ou palavras chaves; b) Estudos que abordassem terapia fonoaudiológica no público alvo; d) Artigos em português e/ou inglês; e) Artigos publicados nos últimos 5 anos (2015 a 2020). Os artigos replicados em diferentes bases de dados foram contabilizados apenas uma vez.

Resultado: Na busca inicial da revisão de literatura foram encontrados 40 artigos científicos, dos quais 7 achados estavam na base de dados SCIELO e 33 achados na base de dados LILACS. Com base nos critérios de elegibilidade, 21 artigos foram descartados, 9 artigos estavam repetidos e 10 artigos se encaixaram nos critérios. Os autores mencionaram que a terapia para essas alterações é mais efetiva quando são analisadas as áreas do cérebro que foram prejudicadas porque assim os resultados são mais específicos, além de que o planejamento terapêutico é construído com base nas dificuldades e nas necessidades diárias e funcionais do indivíduo. Pessoas com distúrbios neurológicos adquiridos na comunicação necessitam de reabilitação que envolve um longo período de terapia fonoaudiológica, com média de 12 meses. Ter afasia e apraxia da fala foi estatisticamente associado à um maior tempo de reabilitação. Enquanto ter disartria foi associado estatisticamente a um menor tempo de terapia.

Conclusão:Com base na pesquisa, podemos observar que ainda há poucos estudos sobre a atuação do fonoaudiólogo nestas área. O fonoaudiólogo é um dos principais profissionais na reabilitação das afasias, apraxia e disartrias, sendo ele um dos com maior efetividade em suas terapias, além de toda terapia ser construída voltada ao dia a dia do paciente. Por este motivo, é necessário aumentar o acervo de publicações sobre terapia nas afasias, disartrias e apraxia visando direcionar e incentivar pesquisas futuras voltadas para a construção de instrumentos e terapias.

1-Camila N, Melissa C. O olhar clínico sobre os fatores prognósticos das afasias. Distúrbios da Comunicação. [Internet]. 2017 Jun [citado 2020 em 12 de julho]; 29(2): 208-17. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/dic/article/view/30617

2-Bahia Mariana Mendes, Chun Regina Yu Shon. Repercussão da comunicação suplementar e/ou alternativa na afasia não fluente. Rev. CEFAC [Internet]. 2014 Feb [cited 2020 July 13]; 16(1): 147-160. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462014000100147&lng=en. https://doi.org/10.1590/1982-021620146612.

3-Cera ML, Romeiro TPP, Mandrá PP, Fukuda MTH. Variables associated with speech and language therapy time for aphasia, apraxia of speech and dysarthria. Dement. neuropsychol. [Internet]. 2019 Mar [citado em 12 de julho de 2020];13(1): 72-7. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1980-57642019000100072&lng=en. https://doi.org/10.1590/1980-57642018dn13-010007.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
2075
EVIDÊNCIAS DE USO DO THYROIDECTOMY- RELATED VOICE AND SYMPTOM QUESTIONNAIRE (TVSQ) ANTES E APÓS TIREOIDECTOMIA
Trabalho científico
Disfagia (DIS)


INTRODUÇÃO: Doenças como nódulos benignos ou malignos e bócios multinodulares afetam o funcionamento da glândula tireoide e podem ser tratadas por meio de tireoidectomia parcial ou total1,2. Sintomas relacionados à alterações de voz e deglutição são frequentemente referidos antes e após tireoidectomia3,4, porém não costumam ser rastreados de forma consistente por meio de instrumentos com adequadas propriedades diagnósticas e psicométricas. Para auxiliar a preencher essa lacuna, pesquisadores sul-coreanos desenvolveram o Thyroidectomy- Related Voice and Symptom Questionnaire (TVSQ), um questionário de fácil e rápida aplicação composto por 20 itens utilizado para rastrear indivíduos com sintomas de alterações de voz e/ou deglutição que necessitam ser encaminhados para confirmação diagnóstica tanto no pré como no pós-operatório de tireoidectomia5. OBJETIVO: Sintetizar as evidências de uso do TVSQ no rastreamento de alterações de voz e deglutição antes e após tireoidectomia. MÉTODO: Levantamento realizado de junho a julho de 2020 nas bases de dados PubMed/Medline e Scopus (Elsevier) com os descritores "Thyroidectomy-Related Voice Questionnaire"; “Thyroidectomy- Related Voice and Symptom Questionnaire”; “TVSQ”; "TVQ" e "thyroidectomy". Os critérios de elegibilidade foram: estudos pertencentes ao eixo temático; disponíveis nos idiomas português, inglês ou espanhol; pesquisas em humanos que responderam o TVSQ antes ou após tireoidectomia total ou parcial; estudos do tipo ensaio clínico randomizados ou não randomizados, coorte, caso controle ou transversais. Após a leitura dos títulos, resumos e textos completos, houve a exclusão daqueles que não estavam de acordo com os critérios de inclusão. Verificou-se o ano da publicação, local de realização da pesquisa processo de aplicação do questionário, o perfil dos pacientes, a quais exames instrumentais o TVSQ foi comparado e os principais resultados. RESULTADOS: Dos 31 artigos iniciais, 11 abordaram o uso do TVSQ, foram publicados entre 2012 a 2020 e realizados na Coréia do Sul. O ano de 2020 (n=4) registrou maior número de publicações, seguido por 2018 (n=3). O questionário foi aplicado antes e após a tireoidectomia. Seis estudos tinham amostra formada por ambos os sexos, três apenas com mulheres e os demais não informaram. Os escores do TVSQ foram comparados com os resultados das análises acústica (n=8), perceptivoauditiva (n=7) e exames instrumentais. Os resultados principais mostraram que o TVSQ apresentou altas correlações com outros questionários validados e com os parâmetros analisados nos exames. Além disso, nos seis estudos que verificaram sensibilidade e especificidade do TVSQ, os indicadores variaram, respectivamente, entre 68% e 84,2% e entre 71% e 87,8%. Oito estudos usaram o TVSQ para monitorar as queixas de voz e deglutição ao longo do tempo e o instrumento foi capaz de detectar significativas mudanças na voz e deglutição. CONCLUSÃO: As evidências atuais indicam que o TVSQ é um instrumento que reúne propriedades psicométricas e diagnósticas para o rastreamento de alterações vocais e de deglutição antes e após tireoidectomia.


1. Barros ACS, Xavier ÉM, Reis IS, Carvalho PRB, Oliveira RS, Pacheco FK, et al. Farmacêutico bioquímico: uma abordagem voltada para o TSH e doenças da tireoide. Saúde e Desenvolv Hum. 2018;6(1):67.
2. Nam IC, Park YH. Pharyngolaryngeal symptoms associated with thyroid disease. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2017;25(6):469–74.
3. Cruz JS dos S da, Lopes LW, Alves GA dos S, Rodrigues D de SB, Souza DX de, Costa BI da, et al. Frequência combinada de queixas relacionadas à deglutição e voz antes da tireoidectomia. Audiol - Commun Res. 2019;24.
4. de Araújo LF, Lopes LW, Silva POC, Perrusi VJF, Farias VL de L, Azevedo EHM. Sensory symptoms in patients undergoing thyroidectomy. Codas. 2017;29(3):10–5.
5. Hwang YS, Shim MR, Kim GJ, Lee DH, Nam IC, Park JO, et al. Development and Validation of the Thyroidectomy-Related Voice and Symptom Questionnaire (TVSQ). J Voice [Internet]. 2020; Available from: https://doi.org/10.1016/j.jvoice.2020.04.028
6. Kim SY, Park JO, Bae JS, Lee SH, Hwang YS, Shim MR, et al. How Can We Predict the Recovery from Pitch Lowering After Thyroidectomy? World J Surg [Internet]. 2020; Available from: https://doi.org/10.1007/s00268-020-05628-6
7. Chun BJ, Bae JS, Chae BJ, Park JO, Nam IC, Kim CS, et al. The therapeutic decision making of the unilateral vocal cord palsy after thyroidectomy using thyroidectomy-related voice questionnaire (TVQ). Eur Arch Oto-Rhino-Laryngology. 2015;272(3):727–36.
8. Kim CS, Park JO, Bae JS, Lee SH, Joo YH, Park YH, et al. Long-Lasting Voice-Related Symptoms in Patients Without Vocal Cord Palsy After Thyroidectomy. World J Surg [Internet]. 2018;42(7):2109–16. Available from: https://doi.org/10.1007/s00268-017-4438-0
9. Kwon HK, Cheon Y Il, Shin SC, Kim GH, Lee YW, Sung ES, et al. Clinical Significance of the Preoperative Thyroidectomy-Related Voice Questionnaire Score in Thyroid Surgery. J Voice. 2020;
10. Chun BJ, Bae JS, Chae BJ, Hwang YS, Shim MR, Sun D Il. Early postoperative vocal function evaluation after thyroidectomy using thyroidectomy related voice questionnaire. World J Surg. 2012;36(10):2503–8.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1102
EVOCAÇÃO DE PALAVRAS POR PISTA FONOSSILÁBICA EM INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


As tarefas de eliciação lexical a partir de pistas fonológicas devem ter como parâmetros a frequência, a familiaridade, o grau de concretude/imageabilidade da palavra, entre outros critérios como concordância do nome do objeto à sua representação e à sua complexidade visual no caso de serem utilizados materiais como figuras, desenhos, fotografias, entre outros¹. OBJETIVO: Considerando-se a escassez de materiais de terapia com estímulos que considerem tais variáveis, quando o critério é fonológico, e ainda, que dentro do processamento fonológico, alguns pacientes com síndromes específicas (por exemplo pacientes com afasia) têm maior facilidade com o processamento silábico², os objetivos deste estudo foram: identificar quais são as sílabas que mais facilmente eliciam palavras e obter uma lista de palavras mais recorrentes/frequentes iniciadas com cada uma das sílabas do português-brasileiro. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo transversal. A amostra foi constituída por 60 indivíduos adultos saudáveis de alto letramento que preencheram os critérios de saúde pré-estabelecidos, obtidos através de um questionário. A média de idade dos participantes foi de 20,48 anos e DP= 3,83. Foi realizada a tarefa de eliciação lexical e foi dado um tempo máximo de dois minutos para cada um dos dezesseis grupos silábicos do português. Os grupos silábicos foram dados por escrito. Quando um fonema pode ser representado por mais do que um grafema em sílaba inicial, essas sílabas foram dadas junto na folha de respostas. As sílabas foram randomizadas nas folhas de respostas para evitar a interferência de cansaço ao longo da coleta. A análise dos dados consistiu no levantamento estatístico das sílabas que mais provocaram a evocação de palavras bem como das palavras mais evocadas em cada grupo. RESULTADOS: Foi possível identificar 15 agrupamentos silábicos com frequências de ocorrência estatisticamente distintas e, obter as palavras mais frequentes dentro de cada grupo silábico. Os três grupos que mais eliciaram palavras foram: o grupo 1 composto pelas sílabas [CA] e [MA], o grupo 2, composto pelas sílabas [PA], [GA] e [BA], e o grupo 3 pelas sílabas [FA], [RE], [LA], [CO], [BO], [PE] e [VE], enquanto que o Grupo 15, correspondente às sílabas que eliciaram menos palavras, é composto pelas sílabas [ZI] e [ZA]. Diversos estudos de modelos de produção de palavras³, sugerem estágios de recuperação da forma (fonológico) e do significado da palavra (semântico), além do processamento pós-lexical, sendo rara a identificação de que as dificuldades decorram de um único nível de comprometimento⁴. As estratégias de reabilitação são escolhidas com base nas manifestações e nas dificuldades observadas⁵, sendo necessária a criação de materiais terapêuticos que estimulem o processamento fonológico mas que ao mesmo tempo considerem as variáveis que interferem na eliciação lexical. CONCLUSÃO: Este estudo obteve as sílabas e as palavras mais frequentes em cada grupo silábico do português. Os resultados deste estudo possuem aplicabilidade clínica, uma vez que tais palavras poderão ser utilizadas em materiais terapêuticos de reabilitação dos transtornos de linguagem.

1. Cuetos, FV. ANOMIA – La dificultad para recorder las palavras. Madrid: Tea Ediciones; 2003.

2. White KK, Abrams L. Does priming specific syllables during tip-of-the-tongue states facilitate word retrieval in older adults?. Psychol Aging. 2002;17(2):226-235.

3.Nickels, L. Theoretical and methodological issues in the cognitive neuropsychology of spoken word production. Aphasiology. 2002;16, 3–19;

4. Nickels, L; Howard, D. When the words won't come: relating impairments and models of spoken word production; Journal Aspects of Language Production. 2000; 01, 115-142.

5. Best, W., Greenwood, A., Grassly, J., Herbert, R., Hickin, J.; Howard, D. Aphasia rehabilitation: Does generalization from anomia therapy occur and is it predictable? A case series study. Cortex. 2013;49, 2345–2357.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1065
EVOLUÇÃO DO PERFIL DAS FUNÇÕES PRAGMÁTICAS APÓS INTERVENÇÃO EM EQUOTERAPIA: ANÁLISE PRELIMINAR
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


INTRODUÇÃO: A equoterapia é um método terapêutico que surge da relação entre homem e cavalo, a partir da prática de intersubjetividade que aparece no cruzamento das fronteiras das espécies1. A equoterapia possui evidências científicas no que diz respeito à melhora das funções sociais em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA)2, mas ainda há lacunas no quesito comunicação e principalmente no que se refere às funções comunicativas3. As funções comunicativas são utilizadas para que o falante expresse intenção de comunicar-se com o outro4, caso haja falha nesse processo, a funcionalidade torna-se comprometida. No caso de crianças autistas este processo está em prejuízo, com isso podem ser observadas dificuldades comunicativas, como para iniciar e manter uma interação social, há déficit na comunicação verbal e não verbal, dificuldade em ajustar o comportamento e ausência de interesse por pares5. OBJETIVO: Verificar a evolução das funções comunicativas após intervenção em equoterapia em crianças com TEA. MÉTODO: Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética com número 14946819.8.0000.8093. Participaram do estudo duas crianças com TEA, ambas com 6 anos de idade, de grau leve e severo, mensurado via Childhood Autism Rating Scale - CAR6. Os responsáveis assinaram termos de autorização. Para avaliação das funções pragmáticas foi utilizada uma gravação em vídeo do Protocolo de Observação Comportamental (PROC)7, aplicado por avaliadores cegos, em pré e pós intervenção. A intervenção ocorreu em 10 sessões de 30 minutos, 1 vez por semana. As variáveis deste estudo foram as seguintes funções comunicativas: instrumental, protesto, informativa, nomeação, heurística, narrativa e interativa. RESULTADOS: A criança de grau leve apresentou aumento na frequência do uso das funções comunicativas, de 12 para 20 ocorrências. A função instrumental obteve evolução de 3 para 5 usos, em nomeação houve um aumento de 4 para 8, a informativa evoluiu de 5 para 6 usos, a função heurística aumentou em ocorrência de 0 para 1. Sua pontuação final no PROC para as questões acima mencionadas subiu de 4 para 7 pontos. A criança de grau severo apresentou após a intervenção uma evolução no uso das funções comunicativas de 0 para 3 funções presentes. Houve um aumento de 0 para 2 funções instrumentais, de 0 para 4 funções de nomeação, de 0 para 1 informativa. Sua pontuação final no PROC para as questões acima mencionadas subiu de 0 para 4 pontos. CONCLUSÃO: Diante disso, observou-se que a intervenção foi favorável no que diz respeito ao aprimoramento da utilização das funções comunicativas pragmáticas das crianças com TEA em questão. No entanto, faz-se necessário a realização de um ensaio clínico, a fim de aumentar o número de participantes e generalizar os resultados obtidos.

1 Malcolm R, Ecks S, Pickersgill M. ‘It just opens up their world’: autism, empathy, and the therapeutic effects of equine interactions. Anthropology & medicine. 2018; 25(2): 220-234.

2 Borgi M, Loliva D, Cerino S, Chiarotti F, Venerosi A, Bramini M, Nonnis E, Marcelli M, et al. Effectiveness of a standardized equine-assisted therapy program for children with autism spectrum disorder. Journal of autism and developmental disorders. 2016; 46(1): 1-9.

3 Grandgeorge M, Hausberger M. Autisme, médiation équine et bien-être. Bulletin de l'Académie Vétérinaire de France. 2019.

4 Hage SRV, Resegue MM, Viveiros DCS, Pacheco EF. Análise do perfil das habilidades pragmáticas em crianças pequenas normais. Pró-Fono- Rev de Atualização Científica. 2007; 19(1): 49-58

5 American Psychiatric Association. Manual diagnóstico estatístico de transtorno mentais: DSM-5. 5a ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 52-53.

6 Schopler E, Reichler RJ, DeVellis RF, Daly K. Toward objective classification of childhood autism: Childhood Autism Rating Scale (CARS). J Autism Dev Disord. 1980; 10: 91-103.

7 Hage, SRV; Pereira, TC; Zorzi, JL. Protocolo de Observação Comportamental-PROC: valores de referência para uma análise quantitativa. Rev. CEFAC, 2012; 14: 677-690.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1696
EVOLUÇÃO TERAPÊUTICA EM PACIENTE COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA EQUOTERAPIA
Relato de experiência
Linguagem (LGG)


RESUMO

INTRODUÇÃO: Através dos sentidos, o tato, a audição, o olfato e o paladar, a criança com cegueira congênita vivência o mundo. Muitas vezes isso ocorre, sem uma adequada e completa experiência sensorial. Com o tato a criança passa a criar as formas e as coisas que a cercam no seu dia a dia, e com a audição, consegue perceber a distância, localização. Sendo que tudo isso é feito pela visão em pessoas sem nenhuma deficiência visual. Considerando os atrasos que a ausência de visão causa, a intervenção da Terapia Ocupacional e da Fonoaudiologia, tornam-se mediadores essenciais para o desenvolvimento da criança com cegueira. Na abordagem interdisciplinar, cada profissional aprende um pouco das outras áreas, sendo que todos trabalham juntos, é uma troca de saberes que favorecem o paciente.
METODOLOGIA: Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa e descrita através de relato de caso. A pesquisa foi coletada no centro de equoterapia de Lages/SC e também no banco de dados da instituição e dos prontuários da paciente. OBJETIVO: Este trabalho trata-se de um relato de experiências vivenciadas, com uma paciente com cegueira congênita e agenesia do corpo caloso, durante os atendimentos de Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia, usando a Equoterapia como recurso terapêutico, bem como relatar o suas evoluções nas habilidades funcionais e da linguagem oral com Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, além de evidenciar a importância de um trabalho interdisciplinar para que essas evoluções ocorram.
RESULTADOS: Obtiveram melhoras significativas nos atendimentos clínicos, em relação a fala, tato, e a autoconfiança da paciente, na motricidade fina e ampla bem como na interação com os terapeutas, na deambulação e na pronuncia de palavras. CONCLUSÃO: Assim, pode-se concluir que a equoterapia para crianças cegas contribui bastante para a evolução clínica dos mesmos, sendo de fundamental importância a disponibilidade deste recurso nas instituições que prestam atendimentos às pessoas com deficiência. Através deste estudo pode-se constatar o quanto a equoterapia facilitou as nossas intervenções, terapêutica ocupacional e fonoaudiológica. As dificuldades, tornaram-se em ganhos quase imperceptíveis ao longo do trabalho. As evoluções foram bastante significativas e motivadoras. Percebeu-se que as vivências da paciente, tornaram-se mais prazerosas, tanto nas sessões de equoterapia quanto nos atendimentos clínicos.


PALAVRAS-CHAVE: deficiência visual; equoterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia

MADEIRA, Karin Hamerski. Práticas do trabalho interdisciplinar na saúde da família: um estudo de caso. Dissertação de mestrado. Itajai, 2009.

SANTIN, Sylvia; SIMMONS, Joyce Nesker. Problemas das crianças portadoras de deficiência visual congênita na construção da realidade. Visual Impairment and Blindness, Toronto, Canadá. 1977

BOTELHO, L. A. A. . A causística da Equoterapia no programa de reabilitação da Fundação Selma. In Coletânea de Trabalhos, 1. Congresso Brasileiro de Equoterapia (pp. 149-150). Brasília, DF: ANDE/BRASIL, 1999.



TRABALHOS CIENTÍFICOS
1152
EXAME DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR E DA CONDIÇÃO MIOFUNCIONAL OROFACIAL NA DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A disfunção temporomandibular (DTM) está relacionada a múltiplas manifestações clínicas que envolvem alterações e dor nos músculos da mastigação, na articulação temporomandibular (ATM) e em estruturas associadas (Ferreira et al., 2014). O diagnóstico é multifatorial e o tratamento interdisciplinar. É de extrema relevância que fonoaudiólogos sejam capacitados para examinar as relações maxilo-mandibulares, a ATM, a postura de estruturas do sistema estomatognático e as funções orofaciais em indivíduos com sinais e sintomas de DTM. O tratamento miofuncional orofacial de pacientes acometidos por DTM agrega benefícios importantes aos tratamentos conservadores ao contribuir para a estabilidade dos resultados, uma vez que as funções orofaciais alteradas podem ser um fator perpetuante da DTM.
Objetivo: Capacitar alunos do Curso de Fonoaudiologia para realizar exame específico da ATM e avaliação miofuncional orofacial em pacientes com sinais e sintomas de DTM por meio de ações de extensão universitária.
Métodos: As capacitações foram desenvolvidas por meio de aulas teóricas e práticas em quatro semestres nos anos de 2017, 2018 e 2019, com a participação de 13 alunos do Curso de Fonoaudiologia. Os participantes avaliaram pacientes com sinais e sintomas de DTM sob tutoria de uma cirurgiã-dentista e de duas fonoaudiólogas. No segundo semestre do ano de 2019, houve a participação de uma aluna do Curso de Odontologia, a qual ficou responsável pela avaliação clínica específica da ATM. O protocolos utilizados foram o Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores - AMIOFE (De Felício et al., 2012) e parte do protocolo RDC/TMD (Dworkin; LeResche, 1992). Os pacientes com necessidades de tratamento foram encaminhados para clínicas da Faculdade de Odontologia da UFRGS especialmente para a Clínica de Desordem Temporomandibular e Dor Orofacial e/ou para a Clínica de Fonoaudiologia da mesma instituição.
Resultados: No período das capacitações, 46 pacientes foram avaliados. Dentre eles, 19 foram encaminhados para tratamento exclusivamente odontológico, 17 para tratamento odontológico e fonoaudiológico, 4 somente para terapia fonoaudiológica. Outros 4 pacientes, que já utilizavam placa interoclusal, foram encaminhados para revisão odontológica e receberam orientações fonoaudiológicas. Dois pacientes não apresentaram necessidades de encaminhamentos e receberam somente orientações. Um folder com esclarecimentos sobre a DTM e orientações de manejo da condição foi confeccionado e distribuído a todos os indivíduos avaliados.
Conclusão: A partir dos dados das avaliações clínicas realizadas, os alunos demostraram capacidade para o planejamento de uma conduta frente à hipótese diagnóstica. As ações de extensão trouxeram benefícios tanto aos alunos quanto aos pacientes portadores de DTM.

Ferreira CL, Machado BC, Borges CG, Rodrigues Da Silva MA, Sforza C, De Felício CM. Impaired orofacial motor functions on chronic temporomandibular disorders. J Electromyogr Kinesiol. 2014;24(4):565-71.
De Felício CM, Medeiros AP, de Oliveira Melchior M. Validity of the 'protocol of oro-facial myofunctional evaluation with scores' for young and adult subjects. J Oral Rehabil. 2012;39:744-53.
Dworkin SF, LeResche L. Research diagnostic criteria for temporomandibular disorders: review, criteria, examinations and specifications, critique. J Craniomandib Disord. 1992;6(4):301-55.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
150
EXPECTATIVA DOS ALUNOS DE FONOAUDIOLOGIA FRENTE AO PRIMEIRO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


RESUMO
Introdução: O estágio supervisionado é entendido como uma etapa primordial de formação, por ser o momento inicial de contato e conhecimento das diversas expressões de habilidades, técnicas e procedimentos da profissão. Nos estágios os alunos costumam ser assistidos por supervisores responsáveis por orientar, direcionar, mediar e proporcionar a aplicação dos aprendizados adquiridos durante o período acadêmico do aluno na prática, onde ocorrem as principais complicações. Objetivo: investigar e verificar as expectativas dos alunos de Fonoaudiologia do UNIPLAN perante o primeiro estágio supervisionado. Método: Tratou-se de um estudo prospectivo, transversal e qualitativo. Participaram do estudo 23 alunos matriculados no 5º semestre do curso de graduação em Fonoaudiologia do UNIPLAN. Os acadêmicos responderam ao questionário a respeito da preparação teórica e a expectativa em relação ao estágio curricular. Os dados coletados foram submetidos à análise de conteúdo de maneira qualitativa. Resultado: Os estudantes relataram que a capacitação acadêmica para iniciar o estágio foi boa ou regular e sentem-se inseguros e ansiosos por isso. Alguns alunos comentaram de modo mais profundo acerca da importância do estágio e disseram que é neste momento que eles acreditam ter oportunidade de serem corrigidos, orientados, adquirir confiança, noção prática, melhorar o raciocínio clínico, aprender, tirar dúvidas, se sentirem seguros e mais assertivos. Conclusão: Os alunos consideram o estágio importante para a sua formação, relatam fatores positivos como ajudar e melhorar a qualidade de vida do paciente. Contudo, se preocupam com o seu preparo teórico e prático, o que pode gerar sentimentos negativos.

A intersetorialidade, como uma estratégia essencial para a viabilização do estágio supervisionado, será fundamental para o currículo por se constituir como um processo particular de aprendizagem que pressupõe uma estreita relação entre as instâncias acadêmicas e as organizações de prática da Fonoaudiologia, com uma implicação mútua entre a aprendizagem teórica e a intervenção concreta nas situações materiais. Haja vista a capacidade de fazer fluir, de forma coletiva e universalizada, o planejamento, a execução e o controle das ações previamente formuladas.9

A primeira atuação prática vai muito além de um simples cumprimento das exigências acadêmicas. Tem grande importância no desenvolvimento da competência profissional e da autonomia emocional. Logo, o presente estudo teve o objetivo de investigar e verificar as expectativas dos alunos de Fonoaudiologia do UNIPLAN perante o primeiro estágio supervisionado.

1 Teixeira V, Souza L, Fantini L, Ferreira L. Formação do Fonoaudiólogo: avaliação discente em supervisão clínica. Revista Distúrbios da Comunicação. 2009 [acesso em 16 mai 2020] v. 21, n. 3, São Paulo. Disponível em: [https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/6897/4989]
2 Queiroz M. Teixeira C, Braga C, Almeida K, Pessoa R, Almeida R, Mesquita T, Muniz M. Estágio curricular supervisionado: percepção do aluno-terapeuta em fonoaudiologia no âmbito hospitalar. Rev. CEFAC. 2013 [acesso em 15 mai 2020] v. 15, n. 1, São Paulo. Disponível em: [https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v15n1/aop_62-11.pdf]
3 Moreira S. Descrição de Algumas Variáveis em um Procedimento de Supervisão de Terapia Analítica do Comportamento. Psicologia: Reflexão e Crítica. 2003 [acesso em 16 abr 2020] v. 16, n. 1, Porto Alegre. Disponível em: [https://www.scielo.br/pdf/prc/v16n1/16807.pdf]
4 Bosquetti, L; Braga, E. Reações comunicativas dos alunos de enfermagem frente ao primeiro estágio curricular. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2008; v: 42; n.4; 1980-220x.
5 Mandrá, P, Kuroishi, R, Gomes, N, Alpes, M. Percepção de estudantes de Fonoaudiologia sobre a Supervisão Clínica. Revista Distúrbios da Comunicação. 2019; v. 31; n. 2.
6 Projeto Pedagógico do Curso, 2019 [Acesso em 10 de nov. de 2019]. Disponível em [https://www.uniplandf.edu.br/].
7 Pimenta S, Lima M. Estágio e docência: diferentes concepções. Revista Poíesis. 2006 [acesso em 16 mai 2020]. v. 3, n. 3 São Paulo. Disponível em: [https://www.revistas.ufg.br/poiesis/article/view/10542/7012].
8 Martins I, Moraes C. A contribuição do supervisor de estágio na formação; 2016 [acesso em 15 mai 2020]. Disponível em: UEL.com.br Campo Grande.
9 Magalhães, R, Bodsteins, R. Avaliação de iniciativas e programas intersetoriais em saúde: desafios e aprendizados. Ciência e Saúde Coletiva. 2009; v. 14; n. 3; 1678-45618 - Casate, J, Corrêa, A. Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar: subsídios para refletir sobre a humanização em saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2006; v. 40; n. 3; 1980-220x.
10 Scalabrin I, Molinari A. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Rev. Unar, Araras, 2013 [acesso em 16 mai 2020]. Disponível em [https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v15n1/aop_62-11.pdf]
11 Clark, D, Beck, A. Terapia cognitiva para os transtornos de ansiedade. Editora eletrônica – Roberto Carlos Moreira Vieira; 2012.
12 Padovani R, Neufeld C, Maltoni J, Barbosa L, Souza W, Cavalcanti H, Lameu J. Vulnerabilidade e bem-estar psicológicos do estudante universitário. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas. 2014 [acesso em 16 mai 2020]. 10, n. 1, Rio de Janeiro. Disponível em: [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872014000100002&lng=pt&nrm=iso]. acessos em 22 maio 2020. [http://dx.doi.org/10.5935/1808-5687.20140002].
13 Melo A, Soares A, Faria R. Análise da ansiedade dos acadêmicos de enfermagem no enfrentamento ao primeiro estágio supervisionado da universidade do vale do paraíba; 2007 [ascesso em 15 mai 2020]. Disponivel em: inicepg.univap.br/cd/INIC_2007/trabalhos/saude/inic/INICG00646_01O.pdf.
14 Casate, J, Corrêa, A. Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar: subsídios para refletir sobre a humanização em saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2006; v. 40; n. 3; 1980-220x.
15 Barreto, M; Barletta, J. A supervisão de estágio em psicologia de estágio em psicologia clínica sob as óticas do supervisor e do supervisionado. [Publicação na web]; 2010. Acesso em 15 de março de 2020. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/301675000_A_SUPERVISAO_DE_ESTAGIO_EM_PSICOLOGIA_CLINICA_SOB_AS_OTICAS_DO_SUPERVISOR_E_DO_SUPERVISIONANDO
16 Valsecchi E, Nogueira M. Comunicação professor-aluno: aspectos relacionados ao estágio supervisionado. Ciência, Cuidado e Saúde. 2002 [acesso em 15 mai 2020] v. 1, n. 1, Maringá. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/5684/3608
17 Trindade L, Vieira M. O aluno de medicina e estratégias de enfrentamento no atendimento ao paciente. Revista Brasileira de Educação Médica. 2013 [acesso em 16 mai 2020] v.37, n. 2, Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbem/v37n2/03.pdf
18 Maftum M, Stefanelli M, Mazza V. O processo de relação terapêutica entre aluno de enfermagem e paciente. Cogitare Enferm. 1999 [acesso em 15 mai 2020]. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/44854/27281

19 Benjamin, A. A entrevista de ajuda. 9ª ed. São Paulo: Martins Fontes; 2001.
20 Oliveira D, Kottel A. Determinantes comportamentais e emocionais do processo ensino-aprendizagem. Caderno Intersaberes 2016 [acesso em 15 mai 2020] v. 5, n.6, p.1-12. Disponível em: https://www.uninter.com/cadernosuninter/index.php/intersaberes/article/view/379/379
21 Carvalho, M, Pellosso, S, Valsecchi E, Coimbra, J. Expectativas dos alunos de enfermagem frente ao primeiro estágio em hospital. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 1999; v.32; n.2; 1980-220x.
22 Carvalho, R, Farah, O, Galdeani, L. Níveis de ansiedade de alunos de graduação em enfermagem frente à primeira instrumentação cirúrgica. Rev. Latino-americana de Enfermagem. 2004. v. 12; n. 6; 1518-8345.
23 Benito, G; et al. Desenvolvimento de competências gerais durante o estágio supervisionado. Revista brasileira de enfermagem. 2012; v. 65; n. 1; 0034-7167.
24 Gonçalves, R. Expectativa dos universitários do curso de fisioterapia frente aos primeiros estágios Prático e a reflexão da participação na preparação para o estágio prático. Ensaios e Ciência Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde.2011; v. 15; n. 1.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
172
EXPECTATIVA DOS ALUNOS DE FONOAUDIOLOGIA FRENTE AO PRIMEIRO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
Trabalho científico
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


RESUMO
Introdução: O estágio supervisionado é entendido como uma etapa primordial de formação, por ser o momento inicial de contato e conhecimento das diversas expressões de habilidades, técnicas e procedimentos da profissão. Nos estágios os alunos costumam ser assistidos por supervisores responsáveis por orientar, direcionar, mediar e proporcionar a aplicação dos aprendizados adquiridos durante o período acadêmico do aluno na prática, onde ocorrem as principais complicações. Objetivo: investigar e verificar as expectativas dos alunos de Fonoaudiologia do UNIPLAN perante o primeiro estágio supervisionado. Método: Tratou-se de um estudo prospectivo, transversal e qualitativo. Participaram do estudo 23 alunos matriculados no 5º semestre do curso de graduação em Fonoaudiologia do UNIPLAN. Os acadêmicos responderam ao questionário a respeito da preparação teórica e a expectativa em relação ao estágio curricular. Os dados coletados foram submetidos à análise de conteúdo de maneira qualitativa. Resultado: Os estudantes relataram que a capacitação acadêmica para iniciar o estágio foi boa ou regular e sentem-se inseguros e ansiosos por isso. Alguns alunos comentaram de modo mais profundo acerca da importância do estágio e disseram que é neste momento que eles acreditam ter oportunidade de serem corrigidos, orientados, adquirir confiança, noção prática, melhorar o raciocínio clínico, aprender, tirar dúvidas, se sentirem seguros e mais assertivos. Conclusão: Os alunos consideram o estágio importante para a sua formação, relatam fatores positivos como ajudar e melhorar a qualidade de vida do paciente. Contudo, se preocupam com o seu preparo teórico e prático, o que pode gerar sentimentos negativos.

Palavras-Chave: Fonoaudiologia; Estágio Clínico; Estudantes; Expectativa.
É possível que uma base teórica bem desenvolvida, unida às competências de conhecimento, habilidades e atitudes dos estudantes e professores fortaleça as emoções envolvidas na etapa de estágio acadêmico do curso de Fonoaudiologia. Depreende-se que etapas isoladas como apreensão dos conteúdos ou apoio do professor, não desenvolvem as habilidades profissionais desejadas, é preciso uma interação de todas as partes e autonomia

Os alunos consideram o estágio importante para a sua formação, relatam fatores positivos como ajudar e melhorar a qualidade de vida do paciente. Contudo, se preocupam com o seu preparo teórico e prático, o que pode gerar sentimentos negativos.
A fim de sobressair às expectativas e dificuldades citadas, o papel do supervisor é fundamental. No entanto, as habilidades e conhecimentos adquiridos ao longo do curso e da vida pessoal se complementam e se apoiam mutuamente, maturando o futuro profissional.
Por fim sugere-se que a realização de novas pesquisas, verifique a visão dos alunos após o primeiro contato com o estágio supervisionado.

Referência
1 Teixeira V, Souza L, Fantini L, Ferreira L. Formação do Fonoaudiólogo: avaliação discente em supervisão clínica. Revista Distúrbios da Comunicação. 2009 [acesso em 16 mai 2020] v. 21, n. 3, São Paulo. Disponível em: [https://revistas.pucsp.br/dic/article/view/6897/4989]
2 Queiroz M. Teixeira C, Braga C, Almeida K, Pessoa R, Almeida R, Mesquita T, Muniz M. Estágio curricular supervisionado: percepção do aluno-terapeuta em fonoaudiologia no âmbito hospitalar. Rev. CEFAC. 2013 [acesso em 15 mai 2020] v. 15, n. 1, São Paulo. Disponível em: [https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v15n1/aop_62-11.pdf]
3 Moreira S. Descrição de Algumas Variáveis em um Procedimento de Supervisão de Terapia Analítica do Comportamento. Psicologia: Reflexão e Crítica. 2003 [acesso em 16 abr 2020] v. 16, n. 1, Porto Alegre. Disponível em: [https://www.scielo.br/pdf/prc/v16n1/16807.pdf]
4 Bosquetti, L; Braga, E. Reações comunicativas dos alunos de enfermagem frente ao primeiro estágio curricular. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2008; v: 42; n.4; 1980-220x.
5 Mandrá, P, Kuroishi, R, Gomes, N, Alpes, M. Percepção de estudantes de Fonoaudiologia sobre a Supervisão Clínica. Revista Distúrbios da Comunicação. 2019; v. 31; n. 2.
6 Projeto Pedagógico do Curso, 2019 [Acesso em 10 de nov. de 2019]. Disponível em [https://www.uniplandf.edu.br/].
7 Pimenta S, Lima M. Estágio e docência: diferentes concepções. Revista Poíesis. 2006 [acesso em 16 mai 2020]. v. 3, n. 3 São Paulo. Disponível em: [https://www.revistas.ufg.br/poiesis/article/view/10542/7012].
8 Martins I, Moraes C. A contribuição do supervisor de estágio na formação; 2016 [acesso em 15 mai 2020]. Disponível em: UEL.com.br Campo Grande.
9 Magalhães, R, Bodsteins, R. Avaliação de iniciativas e programas intersetoriais em saúde: desafios e aprendizados. Ciência e Saúde Coletiva. 2009; v. 14; n. 3; 1678-45618 - Casate, J, Corrêa, A. Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar: subsídios para refletir sobre a humanização em saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2006; v. 40; n. 3; 1980-220x.
10 Scalabrin I, Molinari A. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Rev. Unar, Araras, 2013 [acesso em 16 mai 2020]. Disponível em [https://www.scielo.br/pdf/rcefac/v15n1/aop_62-11.pdf]
11 Clark, D, Beck, A. Terapia cognitiva para os transtornos de ansiedade. Editora eletrônica – Roberto Carlos Moreira Vieira; 2012.
12 Padovani R, Neufeld C, Maltoni J, Barbosa L, Souza W, Cavalcanti H, Lameu J. Vulnerabilidade e bem-estar psicológicos do estudante universitário. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas. 2014 [acesso em 16 mai 2020]. 10, n. 1, Rio de Janeiro. Disponível em: [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872014000100002&lng=pt&nrm=iso]. acessos em 22 maio 2020. [http://dx.doi.org/10.5935/1808-5687.20140002].
13 Melo A, Soares A, Faria R. Análise da ansiedade dos acadêmicos de enfermagem no enfrentamento ao primeiro estágio supervisionado da universidade do vale do paraíba; 2007 [ascesso em 15 mai 2020]. Disponivel em: inicepg.univap.br/cd/INIC_2007/trabalhos/saude/inic/INICG00646_01O.pdf.
14 Casate, J, Corrêa, A. Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar: subsídios para refletir sobre a humanização em saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2006; v. 40; n. 3; 1980-220x.
15 Barreto, M; Barletta, J. A supervisão de estágio em psicologia de estágio em psicologia clínica sob as óticas do supervisor e do supervisionado. [Publicação na web]; 2010. Acesso em 15 de março de 2020. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/301675000_A_SUPERVISAO_DE_ESTAGIO_EM_PSICOLOGIA_CLINICA_SOB_AS_OTICAS_DO_SUPERVISOR_E_DO_SUPERVISIONANDO
16 Valsecchi E, Nogueira M. Comunicação professor-aluno: aspectos relacionados ao estágio supervisionado. Ciência, Cuidado e Saúde. 2002 [acesso em 15 mai 2020] v. 1, n. 1, Maringá. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/5684/3608
17 Trindade L, Vieira M. O aluno de medicina e estratégias de enfrentamento no atendimento ao paciente. Revista Brasileira de Educação Médica. 2013 [acesso em 16 mai 2020] v.37, n. 2, Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbem/v37n2/03.pdf
18 Maftum M, Stefanelli M, Mazza V. O processo de relação terapêutica entre aluno de enfermagem e paciente. Cogitare Enferm. 1999 [acesso em 15 mai 2020]. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/44854/27281

19 Benjamin, A. A entrevista de ajuda. 9ª ed. São Paulo: Martins Fontes; 2001.
20 Oliveira D, Kottel A. Determinantes comportamentais e emocionais do processo ensino-aprendizagem. Caderno Intersaberes 2016 [acesso em 15 mai 2020] v. 5, n.6, p.1-12. Disponível em: https://www.uninter.com/cadernosuninter/index.php/intersaberes/article/view/379/379
21 Carvalho, M, Pellosso, S, Valsecchi E, Coimbra, J. Expectativas dos alunos de enfermagem frente ao primeiro estágio em hospital. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 1999; v.32; n.2; 1980-220x.
22 Carvalho, R, Farah, O, Galdeani, L. Níveis de ansiedade de alunos de graduação em enfermagem frente à primeira instrumentação cirúrgica. Rev. Latino-americana de Enfermagem. 2004. v. 12; n. 6; 1518-8345.
23 Benito, G; et al. Desenvolvimento de competências gerais durante o estágio supervisionado. Revista brasileira de enfermagem. 2012; v. 65; n. 1; 0034-7167.
24 Gonçalves, R. Expectativa dos universitários do curso de fisioterapia frente aos primeiros estágios Prático e a reflexão da participação na preparação para o estágio prático. Ensaios e Ciência Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde.2011; v. 15; n. 1.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
345
EXPERIÊNCIA DE ACADÊMICOS DE FONOAUDIOLOGIA EM ATIVIDADES REALIZADAS REMOTAMENTE EM PACIENTES COM PARKINSON DURANTE A PANDEMIA
Relato de experiência
Voz (VOZ)


Introdução: A Doença de Parkinson é uma patologia de caráter crônico e progressivo, caracterizada por perda de neurônios dopaminérgicos. As características mais observadas são rigidez muscular, tremores, bradicinesia e alterações posturais. Além destas quatro principais, há alteração de memória, cognição, propensão a depressão, entre outras. Essas alterações, podem comprometer o desempenho de atividades diárias, da comunicação e restringir a participação social desses indivíduos. Desse modo, o acompanhamento por um Fonoaudiólogo torna-se imprescindível para garantir uma melhor qualidade de vida. Entretanto, com a pandemia de Covid-19, houve interrupção das intervenções, comprometendo a continuidade da terapia. Nessa perspectiva, um Projeto de Extensão, considerou como opção para dar sequência às intervenções, a telessaúde assíncrona, para auxiliar os pacientes neste período de isolamento social. Objetivo: Descrever as atividades remotas desenvolvidas em um Projeto de Extensão, durante o período de pandemia de Covid-19. Métodos: Foi criado um grupo via WhatsApp para envio assíncrono de atividades em vídeos. Participaram da produção das atividades 4 extensionistas e 2 docentes. As atividades foram destinadas a 11 pacientes de ambos os sexos, na faixa etária de 50 a 72 anos, no período de abril a junho de 2020. Os exercícios propostos visavam estimular a voz, fala, expressão facial e articulação, como também, a cognição e memória. As orientações das atividades ocorreram duas vezes por semana, sempre no horário da manhã e ao final de cada vídeo era solicitado aos pacientes um feedback da realização da atividade proposta. Resultados: A adaptação tanto dos pacientes quanto dos estudantes mostrou-se dificultosa, uma vez que, a adesão às atividades não foi fácil por parte dos participantes da extensão. Fatores como, indivíduos sem acesso ao grupo, que não enviavam o feedback ou até mesmo que não realizavam os exercícios propostos acabavam por desmotivar os extensionistas. A falta de recursos, bem como domínio tecnológico acabou por mostrar-se outro problema, dado que, alguns pacientes necessitavam das atividades, mas não possuíam acesso a aparelhos com internet. Ou seja, nem todos os que precisavam foram beneficiados. No entanto, o grupo, tornou-se eficaz, uma vez que, aqueles que tiveram oportunidade de acessar os materiais disponíveis, puderam dar continuidade a terapia, recebendo estímulo para se manter ativo durante o período relatado. Conclusão: O grupo de atividades por WhatsApp foi uma boa alternativa para dar continuidade à rotina de exercícios e estimular a comunicação, a cognição e memória dos pacientes com Parkinson, promovendo assim, a qualidade de vida e retardando piora do quadro clínico. Ao mesmo tempo em que mostrou a necessidade de adaptação por parte dos extensionistas e docentes quanto à oferta de atividades remotas. Embora o grupo tenha se mostrado uma alternativa para que eles se mantivessem ativos, tornou-se importante para pensar sobre o que poderia ser melhorado, quais as necessidades e o que deveria ser feito para mantê-los motivados a realizar as atividades propostas e então assegurar uma rotina ativa e eficaz.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1421
EXPERIÊNCIA DO CONSULTÓRIO NA RUA NA GRADUAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde/Interprofissionalidade) é um programa de reorientação profissional que visa unir à teoria a prática e formar profissionais mais aptos as necessidades dos usuários e do Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos campos de prática dos discentes é o Consultório na Rua (CnR), que possui uma equipe multiprofissional. Seu objetivo é acolher, atender, acompanhar e desenvolver ações junto a Atenção Básica, bem como inserir na rede de saúde e de políticas públicas a população que se encontra em situação de rua, visando ampliar o acesso e a sua reinserção na comunidade. Objetivo: Relatar a experiência de uma acadêmica de fonoaudiologia pertencente ao PET - Saúde/Interprofissionalidade da vivência com a equipe do CnR. Método: Trata-se de um relato de experiência que ocorreu no período de maio a agosto de 2019, no cenário do CnR, localizado no II Distrito Sanitário de Maceió/AL. Nesse período, acadêmicas de fonoaudiologia e enfermagem acompanharam a equipe do CnR, no qual foi realizado o perfil epidemiológico dos usuários por meio do seu recadastramento. Em seguida, foi possível participar de ações como a entrega de preservativos e de águas, limpeza e curativo de feridas, receituário e entrega de medicamentos, educação em saúde com orientações sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis e acompanhamento de pré natal. Além disto, foi realizada uma visita a casa de apoio familiar, no qual observou-se o ambiente e a relação dos usuários uns com os outros, e também foram feitas marcações de consultas e exames. Resultado: O perfil epidemiológico encontrado da população em situação de rua era composto por crianças até adultos, usuários de drogas, portadores de doenças crônicas, fumantes e gestantes. A partir destes dados, pode-se realizar um planejamento estratégico junto a equipe que atendesse as necessidades da população, saindo do campo de tratamento da doença para abranger o conceito ampliado de saúde. Também houve a possibilidade de observar e entender a importância do território em que habitam, identificando os principais desafios e dificuldades enfrentadas pela equipe do CnR para a efetivação do cuidado em saúde com esta população. A vivência neste cenário possibilitou o desenvolvimento de um olhar humanizado centrado no cuidado integral ao usuário, visto que as pessoas que se encontram em situação de rua tem necessidades inerentes a outros usuários, bem como os mesmos direitos ao acesso nos serviços de saúde. Nesse sentido, foi possível compreender que o CnR possibilita a visibilidade das demandas da população em situação de rua, sempre visando a atenção integral na perspectiva da redução de danos e da clínica ampliada. Conclusão: A experiência no CnR possibilitou a discente conhecer a Política Nacional para a Inclusão Social da População em Situação de Rua na prática, mostrando a importância do cuidado integral ao usuário em situação de rua , suas reais necessidades e a potencialidade ao cuidado com a equipe interprofissional.

Campos A. População de rua: um olhar da educação interprofissional para os não visíveis. Saúde Soc. 2018 v.27, n.4, p.997-1003.

Silva MLL. Trabalho e população em situação de rua no Brasil. São Paulo: Cortez. 2009

Vale AR, Vecchia MD. O cuidado à saúde de pessoas em situação de rua: possibilidades e desafios. Estudos de Psicologia. 2019. 24(1), 42-51.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1488
EXPERIÊNCIAS DE FORMAÇÃO DE UM ALUNO CEGO DE FONOAUDIOLOGIA EM PRÁTICA DE ATENDIMENTO DE UMA PESSOA COM GAGUEIRA
Relato de experiência
Ensino em Fonoaudiologia (ENS)


Introdução: A inclusão de pessoas com deficiência em cursos de ensino superior da área da Saúde constitui desafio permanente implicando o enfrentamento de várias barreiras, sejam, atitudinais, por exemplo da comunidade acadêmica frente ao aluno com deficiência; arquitetônicas quanto a instalações e edificações dos campi; de acesso às informações e materiais educativos, dentre outras. Nos Cursos de Graduação da Saúde têm-se buscado a formação de profissionais generalistas e preparados para a resolução de problemas, de forma que os graduandos passam por disciplinas práticas que visam a integração ensino-serviço, utilizando-se metodologias ativas de ensino. Não foram encontradas na literatura experiências na graduação de Fonoaudiologia com alunos cegos, tendo em vista sua inclusão na formação e práticas de integração ensino-serviço. Trata-se de experiência de formação extremamente rica e inédita no cenário nacional, que motivou a apresentação deste relato. Particularmente, apresenta-se um recorte da formação voltada à prática de atendimento da gagueira. Objetivo: Relatar a experiência de um aluno cego na graduação de fonoaudiologia em atividades práticas com pessoa com gagueira. Método: Trata-se de relato de experiência do próprio aluno, a partir de registros pessoais escritos ao longo da graduação e particularmente, do atendimento de gagueira, incluindo memórias da supervisão do processo terapêutico com monitores e docentes envolvidos. Resultados: Desde sua entrada na graduação de uma universidade pública de uma cidade do interior de São Paulo, o Curso de Fonoaudiologia buscou capacitar os docentes, propiciar monitores para auxiliar nas disciplinas, equipamentos adaptados além de treinamento de locomoção para o aluno. Professoras especialistas em Deficiência Visual (DV) participaram ativamente no seu processo de inclusão no curso de Fonoaudiologia. No último ano da graduação, em 2019, o aluno realizou por dois semestres, o atendimento de uma pessoa com gagueira. Para tanto, o aluno contou, além da supervisão docente com a monitoria de uma doutoranda, fonoaudióloga com expertise em DV, para planejamento e adaptação de materiais e das estratégias terapêuticas tais como, o aluno utilizar os sentidos remanescentes como facilitadores, impressão de textos específicos em Braille, modificações do espaço da sala de atendimento. De início, o aluno se sentiu pouco preparado para atender esse paciente. Contudo, no decorrer do processo, relata ir adquirindo maior confiança, com o apoio e diálogos constantes com a supervisora, a monitora além das professoras especialistas em DV. Destaca-se, ainda, que desde o início, manteve-se conversas com o paciente, um jovem adulto, que ao longo do processo, pontuou estar bastante satisfeito com o atendimento do estagiário. Cabe notar que, no segundo semestre, começou-se a trabalhar com o paciente o processo de alta terapêutica, dada a evolução alcançada desde atendimentos anteriores por outros estagiários. O paciente antecipou a alta terapêutica por questões de trabalho, referindo ter alcançado as metas desejadas. Conclusão: Tal relato apresenta e ressalta a importância da infraestrutura institucional oferecida, e principalmente, da equipe de apoio para fortalecimento do aluno, que com independência e autonomia obteve resultados positivos, não somente para sua formação, como também, principalmente, alcançou ganhos significativos para o caso de gagueira atendido.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
100
EXPRESSIVIDADE APLICADA AO CANTO
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: A expressividade é um recurso comunicativo que pode ser utilizado sob as formas verbal e não verbal, sendo útil para conferir subjetividade, bem como atribuir emoção àquilo que está sendo dito e causar impacto no interlocutor. Por vezes, utilizamos somente a forma não verbal da comunicação, confirmando que ao longo da história demos significado aos nossos gestos e expressões, tornando-os independentes e responsáveis pela transmissão de informações por si só(1). Ao estender estas reflexões para o campo da arte, podemos entender que o corpo não se mantém alheio à música: ainda que haja escassez na literatura envolvendo a temática é possível entender que há uma grande relação entre o corpo e a música, seja na perspectiva da ergonomia e da saúde do trabalhador (2, 3, 4, 5), seja na perspectiva estética, cujo foco é a beleza e a harmonia dos recursos corporais utilizados na performance. Deste modo, compreendemos o quão importante é o envolvimento da Fonoaudiologia nas discussões sobre a linguagem corporal, afinal, esta ciência se ocupa dos processos comunicativos em geral e, assim sendo, não pode desvencilhar a díade corpo-voz(6). Objetivo: Investigar a avaliação da expressividade na voz cantada pelos fonoaudiólogos, bem como o uso recursos expressivos por cantores populares. Método: Tratou-se de um estudo observacional, descritiva, transversal e quantitativa composta por 24 sujeitos: 13 cantores populares e 11 fonoaudiólogos especialistas em Voz. Foram aplicados questionários sociodemográfico e sobre expressividade. Utilizou-se distribuição percentual para análise dos dados e Teste Qui-Quadrado para avaliar associação entre variáveis (p≤0,05). Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética de uma Instituição de Ensino Superior com CAAE 05347018.7.0000.0057, sob número de parecer 3.307.417. Resultados: Os fonoaudiólogos entrevistados, majoritariamente, tinham mais de dez anos de atuação na área de voz (90,9%) e os estilos musicais que prevaleceram nas demandas de fonoterapia foram Música Popular Brasileira (MPB) (13,7%), Gospel (13,7%) e Forró (13,7%). Todos os fonoaudiólogos (100%) afirmaram avaliar expressão corporal, ao passo em que (72,7%) disseram se atentar às ênfases e pausas dos clientes cantores. Um alto percentual deles (90,9%) também referiu avaliar curva melódica, expressões faciais e uso de gestos na execução musical. Os cantores, majoritariamente, relataram ter acompanhamento fonoaudiológico (92,3%) e consideraram adequada sua postura (69,2%), recursos gestuais (76,9%), expressão corporal (76,9%), expressões faciais (69,2%) e meneios de cabeça (69,2%), bem como a aplicação de ênfases e pausas (92,3%). Não houve significância estatística na associação dos estilos musicais com as variáveis expressão corporal (p=0,408), expressão facial (p=0,626), ênfases e pausas (p=0,202), uso de gestos (p= 0,408), postura adequada (p=0,626) e meneios de cabeça (p=0,550). Conclusão: Os fonoaudiólogos atuantes na clínica da voz cantada consideraram relevante avaliar os recursos expressivos. Os cantores relataram fazer o uso de recursos expressivos, sendo possível inferir que se adequam a eles conforme sua performance. Mesmo com a ausência de significância estatística na associação entre estilo musical e recursos expressivos, pôde-se perceber que cada contexto musical requer um perfil expressivo do cantor.

1. Almeida ATMCB de, Cavalcante MCB. A multimodalidade como via de análise: contribuições para pesquisas em aquisição de linguagem. Letrônica. 2017; 10(2): 526-537.
2. Braga L, Schütz G. A promoção da saúde na formação do cantor: muito além da saúde vocal. Revista Música. 2019; 19(2): 1-16.
3. Costa CP. Saúde do músico: percursos e contribuições ao tema no Brasil. Opus. 2015; 21(3): 183-208.
4. Gava Júnior W, Ferreira LP, Andrada e Silva MA. Apoio respiratório na voz cantada: perspectiva de professores de canto e fonoaudiólogos. Revista CEFAC. 2010; 12(4): 551-562.
5. Zambão VR, Penteado RZ, Calçada MLM. Condições de trabalho e uso profissional da voz de cantores de bandas de baile. Revista CEFAC. 2014; 16(6): 1909-1918.
6. Souza RASA, Fernandes ACN, Ferreira LP. Oficina de expressividade para universitários em situação de apresentação de seminários. Distúrbios da Comunicação. 2013; 25(3): 458-476.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
729
EXPRESSIVIDADE: RECURSOS VOCAIS E NÃO-VERBAIS UTILIZADOS PELOS TERAPEUTAS DA ALEGRIA
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: a assistência direcionada à crianças hospitalizadas tem como prioridade minimizar o desconforto psicológico e físico vivenciado pelas crianças e seus familiares. Neste contexto, surge o trabalho dos chamados “palhaços da alegria”, como forma alternativa de humanização através da arte. Nesta interação entre palhaço e paciente, os recursos vocais e não-verbais exercem papel relevante. Objetivo: caracterizar a expressividade oral e corporal dos integrantes do Projeto de Extensão Terapeutas da Alegria de uma Universidade da Região da Foz do Rio Itajaí – SC, identificando os recursos vocais e não verbais utilizados durante intervenção no ambiente hospitalar. Métodos: foram observados 7 integrantes do projeto, por meio de análise de gravações em vídeo, disponíveis na internet. Por se tratar de um estudo que utiliza informações de domínio público, dispensa a aprovação do CEP. Para avaliação da expressividade oral e corporal de cada sujeito, foi utilizado a avaliação perceptivo auditiva dos recursos vocais e a avaliação perceptivo-visual dos recursos não-verbais. Os resultados da análise foram registrados no Protocolo de Avaliação da Expressividade Oral e Corporal desenvolvido para esta pesquisa, baseado no protocolo de Avaliação de Expressividade Oral1,2,3; Protocolo de Avaliação da Expressividade4 e nas Categorias Funcionais de Gestos Comunicativos5. Este protocolo apresenta os parâmetros empregados para análise dos recursos vocais e não-verbais e a impressão geral da expressividade. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com distribuição de frequência simples e relativa. Resultados: nos aspectos de recursos vocais, a predominância foi para o tipo de contorno nivelado, todos compatíveis com semântica veiculada, emoção e o grau de formalidade do contexto. No item ritmo e velocidade de fala a predominância foi variação, e as pausas apresentaram maior percentual para “escassa”. No item “ênfase”, as características “excessivas” e “restritas” obtiveram maior percentual. Todos os analisados fazem uso dos gestos categorizados como “emblemas” e “reguladores”, seis utilizaram os gestos “ilustradores” e cinco fizeram uso de “manifestações afetivas”. Os resultados obtidos a partir da análise da expressividade oral e corporal dos integrantes do Terapeutas da Alegria, possibilitou a elaboração de um quadro contendo o padrão de expressividade esperado na atuação do palhaço inserido em ambiente hospitalar, com ênfase em pacientes infantis. Por não haver na literatura trabalhos sobre o tema, houve a necessidade de criar um parâmetro que permitisse a análise dos resultados. Na impressão geral da expressividade, quatro dos sete analisados foram inadequados ao contexto comunicativo. Conclusões: observa-se a necessidade de pesquisas sobre a expressividade de palhaços em hospitais e realização de oficinas e formações sobre expressividade para os voluntários do Projeto Terapeutas da Alegria.

1. Cotes C, Kyrillos LR. Expressividade no telejornalismo: novas perspectivas. In: Oliveira IB, Almeida AAF, Raize T, Behlau, M, organizadoras. Atuação fonoaudiológica em voz profissional. São Paulo: Roca; 2011. p. 75-97.

2. Oliveira IB, Kyrillos LR, Teixeira LC, Borrego MCM. Voz na Locução de Rádio e Telejornalismo. In: Marchesan IQ, Justino H, Tomé MC, organizadores. Tratado de especialidades em fonoaudiologia. São Paulo: Guanabara Koogan; 2014. p. 427-433.


3. Kyrillos LR, Pedrosa V. Taquilalia. In: Ferreira T, organizador. Distúrbios da comunicação oral em adultos e idosos: manual prático. Ribeirão Preto: Book Toy; 2019.

4. Viola IC. Assessoria fonoaudiológica a religiosos. In: Oliveira IB, Almeida AAF, Raize T, Behlau M, organizadoras. Atuação fonoaudiológica em voz profissional. São Paulo: Roca; 2011.

5. Cotes C. Articulando voz e gestos no telejornalismo. In: Ferreira LP, Silva MAA. Saúde Vocal: práticas fonoaudiológicas. São Paulo: Roca; 2002, p. 267-88.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
553
EXPRESSÕES FACIAIS EMOCIONAIS: RECONHECIMENTO E NOMEAÇÃO POR PRÉ-ESCOLARES DE UMA REDE PÚBLICA DE ENSINO
Trabalho científico
Motricidade Orofacial (MO)


Introdução: A competência emocional, que é a habilidade de identificar, reconhecer, nomear e regular as emoções1, favorece a socialização dos indivíduos2. É pela interação social que as compreendem as emoções dos outros, incluindo a face, a voz e a postura corporal3, sendo que dos três aos seis anos de idade há o início de tais habilidades, tornando-se, no decorrer do desenvolvimento, emocionalmente competente4. No entanto, a habilidade para utilizar a musculatura orofacial para expressar emoções está presente desde o nascimento5. Estudos avaliando o reconhecimento e a nomeação das emoções são escassos no Brasil e devem ser incentivados para a melhor compreensão das expressões faciais emocionais. Objetivo: Avaliar o reconhecimento e a nomeação das expressões faciais emocionais em pré-escolares. Método: O estudo foi transversal, observacional e descritivo, envolvendo 38 pré-escolares entre três e seis anos, subdivididos em dois grupos (3-4 e 5-6), com dezenove participantes em cada grupo, sendo 22 meninas (57,89%) e dezesseis meninos (42,11%), que foram solicitados a reconhecer e nomear expressões faciais emocionais relacionadas à alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa, aversão e ironia, além de avaliar a facilidade do teste. Para tanto, seus responsáveis consentiram na participação da pesquisa. Os pré-escolares que apresentaram dificuldades nas tarefas solicitadas participaram de oficinas para tal finalidade. Resultados: De forma geral, a maioria dos pré-escolares reconheceu (65,79%) melhor as expressões faciais testadas do que as nomeou corretamente (48,86%). As emoções mais facilmente reconhecidas, em ordem decrescente, foram a alegria (97,37%), a raiva (92,11%), o medo (68,43%), o nojo (63,16%), a tristeza (63,15%) e a surpresa (60,52%), sendo que a ironia (15,79%) foi a expressão com menor percentual de reconhecimento. As mais facilmente nomeadas foram: alegria (94,74%), tristeza (84,21%) e raiva (78,93%). Já as que apresentaram maiores percentuais de erros na nomeação foram a ironia (100%), o nojo (73,69%), o medo (73,64%) e a surpresa (65,79%). As crianças maiores obtiveram maiores acertos do que as menores tanto no reconhecimento quanto na nomeação. Conclusão: As expressões faciais emocionais foram mais facilmente reconhecidas do que nomeadas, sendo que a alegria, a tristeza e a raiva foram facilmente identificadas e nomeadas pelos participantes, embora as crianças entre cinco e seis anos tenham apresentado maior facilidade no teste do que as entre três e quatro anos. Outro aspecto que parece acompanhar o desenvolvimento da linguagem, diz respeito ao reconhecimento preceder à nomeação e, dentre as expressões faciais emocionais testadas, a ironia foi a emoção facial que os pré-escolares apresentaram maior índice de erros, evidenciando que o seu reconhecimento deva ocorrer após os seis anos de idade.

1. Paludo S. Expressão das emoções morais de crianças em situação de rua (mestrado). Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2004.
2. Argolo FC. Avaliação da capacidade de profissionais da saúde mental para identificar emoções através de comportamento não verbal (monografia). Salvador: Universidade Federal da Bahia; 2014.
3. Nelson NL, Russell JA. Preschoolers’ use of dynamic facial, bodily, and vocal cues to emotion. Journal of experimental child psychology. 2011;110(1):52-61.
4. Saarni C. Emotional development in childhood. Encyclopedia on early childhood development. 2011. p. 1-7.
5. Field TM, Woodson R, Greenberg R, Cohen D. Discrimination and imitation of facial expression by neonates. Science 1982;218:179–81.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1192
EXTENSÃO COMO FERRAMENTA DE PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO
Relato de experiência
Saúde Coletiva (SC)


Introdução: Pesquisas que analisaram a tendência de amamentação no Brasil entre os anos de 1975 e 2013 apontam avanços relevantes no que diz respeito à essa prática, e as políticas de promoção ao aleitamento materno implementadas entre 1981 e 2012 estão entre as principais responsáveis por esse resultado. Apesar disso, o país ainda não alcançou o esperado pela Organização Mundial da Saúde e enfrenta um processo de estagnação no que diz respeito às pesquisas sobre esse tema. Nesse contexto, entendendo-se a relevância social das iniciativas de extensão que promovem a integração ensino-serviço-comunidade, este é um dos eixos da formação acadêmica que pode ser um instrumento para alavancar a promoção do aleitamento materno no país. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência discente na promoção do Aleitamento Materno Exclusivo (AME) em um projeto de extensão realizado em um hospital universitário. Metodologia: Inicialmente foi elaborado um roteiro contemplando os principais temas dentro do aleitamento materno exclusivo, que passou por avaliação em conjunto com a coordenação do setor materno-infantil do hospital, visando aperfeiçoamento da abordagem considerando o perfil das mães atendidas pela instituição. Foram aprovadas as temáticas que abordavam os benefícios do AME para o binômio mãe-bebê e as características, tipos e benefícios do leite materno. As ações foram realizadas em dois dias, utilizando-se como estratégia desenvolver junto às gestantes e puérperas a dinâmica de mitos e verdades estruturada visando uma comunicação horizontal que proporcionasse uma troca de experiências entre os acadêmico e as mães, respeitando as crenças e concepções trazidas por elas e esclarecendo suas dúvidas. As abordagens foram realizadas nas enfermarias da maternidade do hospital, cada uma delas abrigando e acolhendo ao todo quatro mulheres. Resultados: Ao todo 48 mulheres foram abordadas e vivenciaram a dinâmica do mitos e verdades sobre o aleitamento materno. Durante as ações foram observadas importantes interações e trocas por meio da dinâmica que possibilitou um aprendizado tanto para os estudantes quanto para as mães. Ao final de cada ação foi realizado um registro de experiência para que o hospital e também a coordenação do projeto tivessem conhecimento da efetividade das atividades realizadas. Conclusão: Entender as necessidades relacionadas à promoção do aleitamento materno no Brasil permite traçar estratégias de enfrentamento que possibilitem suas resoluções. Nessa perspectiva, ferramentas como a extensão universitária e sua atuação no interior dos serviços pode proporcionar um desenvolvimento em diversos aspectos da sociedade, assim como dos alunos em formação, já que permite aplicação dos conhecimentos teórico-científicos na prática da atuação junto à comunidade.

1 - Venancio SI. Panorama do aleitamento materno no mundo e no Brasil. In: Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo. Promoção, proteção e apoio ao Aleitamento materno: evidências científicas e experiências de implementação. São Paulo: Instituto Saúde; 2019. p 55-75.

2 - Rodrigues ALL, Costa CLNA, Prata MS, Batalha TBS, Neto IDFP. Contribuições da extensão universitária na sociedade. Caderno de Graduação-Ciências Humanas e Sociais-UNIT-SERGIPE. 2013;1(2)141-148.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
488
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, INTERDISCIPLINARIDADE E NOVAS PERSPECTIVAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Relato de experiência
Motricidade Orofacial (MO)


INTRODUÇÃO: A extensão universitária, apesar do propósito singular de interlocução com a sociedade, pode e deve ser palco para o desenvolvimento de pesquisas, ensino e inovações. A colaboração para a formação preocupada com os problemas da comunidade, a disseminação da produção da informação e o reforço do conhecimento científico empírico e tecnológico, considerando as reais necessidades sociais, éticas e políticas, caracterizam o tripé acadêmico ensino-extensão-pesquisa. Trata-se de uma associação indispensável para a formação de um profissional crítico. Nessa perspectiva, a experiência desse projeto envolve as temáticas sobre traumatismos faciais, desproporções maxilomandibulares, cirurgia ortognática, apneia obstrutiva do sono, e disfunções temporomandibulares (DTM)/dor orofacial. Com um perfil interdisciplinar compreende ações voltadas ao discente, ao aprimoramento do ensino, à pesquisa e à comunidade por meio de atividades no campo da atenção básica e assistência. OBJETIVO: Relatar experiência do projeto de extensão, vinculado ao curso de Fonoaudiologia de uma universidade pública do Nordeste. METODOLOGIA: O projeto conta com a participação de discentes de Fonoaudiologia e Odontologia de universidades públicas e privadas, alunos de pós-graduação, docentes do curso de Fonoaudiologia e de instituições parceiras. Participam, também, colaboradores externos fonoaudiólogos e cirurgiões dentistas. A extensão realiza serviços voltados para a comunidade por meio de atendimentos fonoaudiológicos, na área de Motricidade Orofacial, com um protocolo de 12 sessões. Os atendimentos das especialidades DTM e dor orofacial, Odontologia do Sono e cirurgia buco-maxilo-facial são realizados nas instituições parceiras. A avaliação dos usuários é realizada sistematicamente com a utilização de instrumento padrão. Integram as atividades: discussões de casos e seminários, desenvolvimento de pesquisas, elaboração e execução de campanhas públicas. RESULTADOS: No ano de 2019, foram atendidas 57 pessoas. Realizou-se duas campanhas públicas, em 2019 e 2020 relacionadas ao sono e seus distúrbios, vinculadas à Associação Brasileira do Sono. Ainda em 2019, realizou-se um simpósio multidisciplinar de abrangência regional. Nos últimos 12 meses, a extensão desenvolveu diversas produções como: artigos completos publicados em periódicos (2); capítulos de livros publicados (2); resumos expandidos publicados em anais de congressos (2); resumos publicados em anais de congressos (4); apresentações de trabalho em congressos e conferências (23) e trabalhos de conclusão de curso e iniciação científica (6). CONCLUSÃO: O ensino e a pesquisa foram fortalecidos pela diversidade do conhecimento científico envolvido e pela geração de publicações técnico-científicas. Os benefícios obtidos para a comunidade foram efetivos. Por fim, projeto de extensão possibilitou, aos graduandos e pós graduandos, a vivência do trabalho interdisciplinar, principalmente entre as áreas Fonoaudiologia e Odontologia, bem como o amadurecimento da experiência do atendimento ao público.


TRABALHOS CIENTÍFICOS
1162
FADIGA E DESVANTAGEM VOCAL NA IDENTIFICAÇÃO PRECOCE DE POSSÍVEIS PROBLEMAS VOCAIS EM PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS
Trabalho científico
Voz (VOZ)


Introdução: Professores, quando comparados a outros profissionais da voz falada, têm aproximadamente duas vezes mais risco de experimentarem distúrbios da voz1. Os sintomas vocais mais frequentes em professores universitários são fadiga vocal, rouquidão, cansaço ao falar e ardência na garganta2,3. Em nossa realidade, muitos professores universitários apenas autorreferem queixas vocais quando são questionados de forma pontual e com exemplos de situações. Observa-se, em muitos casos, dificuldade por parte do docente na identificação dos sintomas e das sensações vocais a que está exposto. Objetivo: Identificar se, na ausência de queixa vocal, professores universitários autorreferem fadiga e desvantagem vocal quando utilizados protocolos específicos para essa investigação, correlacionar os protocolos utilizados e verificar se há diferença entre os sexos. Métodos: Estudo transversal, observacional e analítico aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob parecer n. 1.708.786. Participaram 126 professores universitários sem queixas vocais prévias e foram aplicados um questionário sociodemográfico, o Índice de Fadiga Vocal (IFV)4 e o Índice de Desvantagem Vocal reduzido (IDV-10)5. A análise dos resultados foi feita pelo pacote estatístico Statistical Package for Social Sciences em sua versão 24.0. Foi realizado o estudo de relação entre as variáveis. O teste para Normalidade empregado foi o Teste de Kolmogorov-Smirnov e todas as variáveis submetidas a esse teste apresentaram não-normalidade; logo, o tratamento não-paramétrico foi aplicado utilizando-se o teste de Correlação de Spearman. Para a interpretação da magnitude das correlações foi adotada a seguinte classificação dos coeficientes de correlação: coeficientes de correlação < 0,4 (correlação de fraca magnitude), ≥ 0,4 a < 0,5 (de moderada magnitude) e ≥ 0,5 (de forte magnitude)6. O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05). Resultados: Dos 126 professores, 71 eram mulheres e 55 homens, com média de idade de 43 anos. As medianas obtidas nos fatores 1, 2 e 3 do IFV foram respectivamente, 14, 3,5 e 9. A mediana obtida no IDV-10 foi 3. Houve correlação positiva forte entre os fatores 1 (r=0,652, p<0,001) e 2 (r=0,585, p<0,001) do IFV com o IDV-10, e correlação positiva fraca (r=0,211, p<0,018) entre o fator 3 e o IDV-10. Não houve diferença entre os sexos tanto para o IFV quanto para o IDV-10. Conclusão: Os professores universitários, apesar de não mencionarem queixa vocal quando questionados, apresentaram escores para os fatores 1, 2 e 3 do IFV mais elevados do que indivíduos vocalmente saudáveis e não referiram desvantagem vocal. Não houve diferença estatística entre os sexos e houve associação estatística forte entre os fatores 1 e 2 do IFV com o IDV-10, demonstrando uma tendência de que quanto maior a referência em relação à fadiga vocal, há chance de impacto em termos de desvantagem vocal. Tais achados reforçam a necessidade de promoção e prevenção vocal na população estudada e nos atentam para a possibilidade de os professores universitários estudados estarem expostos a problemas vocais, porém somente identificarem suas queixas quando submetidos a uma investigação aprofundada.

1. Behlau M, Zambon F, Guerrieri AC, Roy N. Epidemiology of voice disorders in teachers and nonteachers in Brazil: prevalence and adverse effects. J Voice. 2012;26(5):665.e-9-18.

2. Depolli GT, Fernandes DNS, Costa MRB, Coelho SC, Azevedo EHM, Guimarães MF. Fatigue and Vocal Symptoms in University Professors. Dist. Comun. 2019;31(2):225-33.

3. Cercal GCS, Paula ALD, Novis JMM, Ribeiro VV, Leite APD. Vocal fatigue in professors at the beginning and end of the school year. CoDAS. 2020;32(1):e20180233.

4. Zambon F, Moreti F, Nanjundeswaran C, Behlau M. Cross-cultural adaptation of the Brazilian version of the Vocal Fatigue Index – VFI. CoDAS. 2017;29(2):1-6.

5. Costa T, Oliveira G, Behlau M. Validation of the Voice Handicap Index: 10 (VHI10) to the Brazilian Portuguese. CoDAS. 2013;25(5): 482-5.

6. Hulley SB, Cummings SR, Browner WS, Grady D, Hearst N, Newman TB. Delineando a pesquisa clínica: uma abordagem epidemiológica. 2a Ed. Porto Alegre: Editora Artmed; 2003.