CONSULTA DE TRABALHOS

TRABALHOS CIENTÍFICOS
1989
ABORDAGEM MULTISSENSORIAL PARA A APRAXIA DE FALA INFANTIL: RELATO DE CASO
Trabalho científico
Linguagem (LGG)


Introdução: A apraxia de fala infantil (AFI) é uma desordem neurológica que afeta os sons da fala, onde a precisão e a consistência estão alteradas, na ausência de déficits neuromusculares¹. Os erros nas crianças com AFI são na transcodificação dos sons (entre o planejamento e programação motora) e não na representação fonológica dos mesmos². Existem três principais abordagens para o tratamento da AFI: 1) Abordagens motoras (que são baseadas nos princípios da aprendizagem motora); 2) abordagens linguísticas (baseadas na representação fonológica) e abordagens multimodais (onde são inseridos outros recursos de comunicação para a criança). Ainda não existem estudos no Brasil mostrando a diferenciação de modelos terapêuticos para a AFI.

Objetivo: Apresentar os resultados (recorte terapêutico) de uma criança com AFI tratada por um modelo hibrído de terapia (abordagem motora associado à multimodal) – atravez do método MultiGestos®³.

Metodologia: Menino de 5:6, neurotípico, com diagnóstico prévio de AFI. Antes da terapia apresentava presente no sistema fonológico os sons /p/, /b/, /m/ e /m/. Em instrumento dinâmico para avaliação das habilidades motoras de fala, apresentou trocas inconsistentes, especialmente em palavras com diferentes pontos articulatórios, e maiores (aumento do número de erros conforme a extensão da palavra), alteração em prosódia e em vogais. Ainda, sua fala apresentou coarticulação interrompida.
Após a primeira avaliação traçou-se plano terapêutico, com utilização do método MultiGestos®³, com frequência de duas sessões semanais. A ideia era que na sessão fosse trabalhada a hierarquia motora da fala (produção dos sons menos complexos aos mais complexos) seguindo a ordem de aquisição fonológica.

Resultados: O trabalho foi realizado sempre utilizando a percepção e produção dos sons da fala, por meio de prática massiva (cada alvo era treinado no mínimo cinco vezes). Foram escolhidas entre cinco e dez palavras (com o som-alvo a ser trabalhado, e após 45 sessões de terapia, o menino foi reavaliado. A apresentou presente no sistema fonológico todas as plosivas e as fricativas anteriores (/f/ e /v/). Apresentou parcialmente adquiridos as demais fricativas e as líquidas /l/ e /R/. As líquidas /lh/ e /r/ encontraram-se parcialmente adquiridas. As trocas do menino continuavam inconsistentes em polissílabos, porém apresentou melhora na consistência em monossílabos, dissílabos (com mesma consoante e com consoante difente). Ainda, a prosódia teve melhora significativa, especialmente na realização do acento lexical. Com a evolução do sistema fonológico e da programação motora de fala da criança, apresentou aquisições em vocabulário, melhora em linguagem escrita e também na socialização. A coarticulação também apresentou evolução.

Conclusões: Abordagens hibrídas podem ser de grande valia para crianças com AFI, uma vez que trabalham além da produção motora dos sons, mas podem auxiliar nas diferentes falhas do planejamento/ programação motora da fala. O método MultiGestos®³ mostrou-se eficiente nesse caso, necessitando de mais estudos, com grupos maiores e ainda diferentes patologias de fala para confirmação da comprovação.

1. American Speech-Language-Hearing Association. Childhood Apraxia Of Speech. 2007. Disponível em: www.asha.org/policy.

2. Shriberg LD., Strand EA, Fourakis, M, Jakielski, KJ., Hall, SD, Karlsson, HB., . . . Wilson, DL. 2017. A diagnostic marker to discriminate childhood apraxia of speech from speech delay: III. Theoretical coherence of the pause marker with speech processing deficits in childhood apraxia of speech. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 60(4), S1135–S1152. https://doi.org/10.1044/2016_JSLHR-S-15-0298

3. Azevedo CC, Silva LMP. Curso Educação à distância (EaD) MultiGestos. 2020. TechKnowledge Cursos e treinamentos EaD.