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Junho é o mês de conscientização da afasia e a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia conta com você para que esta data tenha a repercussão que merece.

Participe por meio de ações de divulgação e mostre que está com a gente nessa causa.

Nas redes sociais compartilhe nosso material usando #sejaessaponte e #sbfa1

 
VÍDEO 1 - O que é afasia?

 


VÍDEO 2 - Como ajudar o afásico a se comunicar melhor?

 

 
 

 

TENHO AFASIA E ME EXPRESSO

Clique nos nomes abaixo para ler o depoimento

 

Tenho afasia e me expresso: episódio 1

 

Tenho afasia e me expresso: episódio 2

 

Tenho afasia e me expresso: episódio 3

 

Tenho afasia e me expresso: episódio 4

 

 

Tenho afasia e me expresso: episódio 5

 

Olá,

Me chamo Antonio, tenho 32 anos e aqui farei o relato da minha história.
Começo dizendo da minha paixão pela patinação e está paixão me levou a vários campeonatos, onde fui convidado para uma apresentação na cidade de Manaus.
Este evento aconteceria dia 24/05/2015 e embarquei dia 22. Chegando em Manaus dia 23, fomos fazer um passeio com os patinadores da cidade, onde durante este passeio sofri o acidente, patinava descendo uma ladeira.
Não me recordo bem, mas me lembro que tropecei em uma pedra e cai, batendo a cabeça e perdi o sentido.
Sofri um Traumatismo craniano encefálico, apresentando um quadro grave onde fui entubado e com a necessidade de uma cirurgia de cramiotomia de descompressão.
Tive minha calota craniana retirada e alojada no abdômen, permanecendo desacordado por 7 dias em coma.
Quando acordei, estava sem fala e com meu lado direito todo paralisado e com quadro de derrame facial. Foram dias difíceis, pois eu não compreendia o que estava acontecendo.
No nono dia de internação, tive que fazer uma traqueostomia, pois a intubação comprometia minha saúde e para piorar os médicos descobriram que eu tinha bactérias colonizadas e que poderiam ser fatal.
Quando completei 11 dias de internação, minha mãe conseguiu me transferir para um hospital particular (do conveio), foi outra batalha, pois eu estava em período de carência. O maior desespero, pois iam me transferia para enfermaria e eu não teria os cuidados necessários e poderia não sobreviver diante do meu quadro debilitado.
Todos os laudos médicos anteriores eram desanimadores, os médicos sempre diziam para minha mãe que eu não iria mais andar e que não poderiam medir minhas sequelas e que meu destino seria aquele. Minha mãe nunca aceitou isto e eu também não.
Começamos uma nova etapa neste hospital, foram infinidades de exames, fisioterapias, sessão de fonoaudiologia. Eu ainda tinha um outro problema, neste período corria o risco de perder a visão, devido à gravidade da paralisia facial e isto só seria contido com um colírio especial. (E assim foi feito) Eram muitos medicamentos especiais, pois tive escara, usava fraldas e não tinha controle algum do tronco e precisava de ajuda para tudo. Foram 41 dias de internação, até que tive minha alta declarada e voltei para casa. Eu já não era mais o mesmo, estava muito magro, me sentia triste, sem fala, sem poder andar e com meu lado direito sem movimentar.  E seguia sem entender muitas coisas. Minha parte cognitiva estava preservada, mas eu não me lembrava do acidente.
Começamos aqui uma outra parte da história. Minha batalha para minha recuperação e reabilitação eu sabia que não estava sozinho.
Começamos então o Home CARE com todos os processos necessários para o início da reabilitação.
Minha mãe começada uma nova batalha para conseguir me inserir na AACD, onde fiquei em tratamento por três anos e meio
Minha primeira avaliação no segundo andar, foi um dia de muito choro, pois eu me senti triste por estar naquela condição.
Cheguei na AACD na condição de cadeirante e sai de lá andando.
Foram diversas terapias:
Fonoaudiologia
Fisioterapia de solo e Piscina
Terapia ocupacional
Aula de artes onde descobri a habilidade da pintura
Sessão com psicólogas
Aulas de pilates
Condicionamento físico
(Em paralelo a isto fiz aulas de canto particular, academia e conciliei horas de tratamento em uma clínica particular de fisioteria.)
Tomo dois medicamentos controlados para evitar a convulsão, pois neste período tive duas crises graves que me levaram a internação em UTI.
Utilizava um bastão para auxilio de marcha, do qual só uso quando o terreno é irregular e faço uso de uma órtese no pé direito (que já passou por duas cirurgias para correção).
Passo por consultas periódicas com Neurologista onde o mesmo acompanha a evolução do traumatismo.  E regularmente com uma nutricionista para não ganhar peso, pois isto pode prejudicar minha evolução. 
Atualmente faço as sessões de fonoaudiologia e tenho melhorado bastante e já consigo me comunicar sem dificuldades, que outrora me deixavam triste.
Iniciei um novo processo com a AACD, que será por um período de 2 anos, onde se faz necessário para o pôs cirúrgico, mas devido a pandemia, foram suspensas.
Atualmente convivo com estas dificuldades, mas procuro me adequar a minha nova condição e estado físico e me viro como posso e consigo.
Ainda preciso de ajuda e auxilio para algumas coisas, mas para tantas outras me viro sozinho, pois não me acomodo e vou a luta.
Não foi fácil e nunca será. Coloquei metas e objetivos para minha reabilitação e me coordeno para ter uma vida saudável dentro deste meu novo quadro.
Nunca desista de ser feliz, as mudanças existem e quando nos aceitamos e lutamos para conquistar nossos objetivos a vitória é certa.

Sou Beatriz Panizza, tenho 65 anos e atualmente sou ceramista.
Convivo há vinte anos com a Afasia em decorrência de um aneurisma cerebral. Na época, eu trabalhava com mães e bebês de 0 a 3 anos no setor de estimulação precoce da APAE de São Paulo como Psicóloga.
Ainda no hospital, sem saber o que estava acontecendo comigo, tive uma sensação de
esvaziamento da minha mente em relação ao mundo real que estava vivendo, mas não estava podendo participar através da fala: a Afasia estava começando.
A partir do momento que comecei a frequentar as sessões de fonoaudiologia, senti
que poderia compartilhar a minha dor, a minha fala e o meu pensamento com alguém
que tem técnica e afetividade.
E com isso, comecei a me aceitar e mostrar que todos nós somos iguais, com ou sem Afasia.
O que posso deixar de mensagem: o percurso é longo, mas vale investir e com garra.    

1) Caroline Silveira Pistoia, 28 anos de idade e advogada.
2) Convivo com a afasia por aproximadamente 1 ano e 5 meses. Minha história com a afasia se resume a muita perseverança e treinamento para que eu possa me comunicar cada vez melhor.
3) Viver com afasia é uma eterno aprendizado, afinal de contas, estou tendo que reaprender a me comunicar e isso em parte é até divertido. Minha principal dificuldade é escrever. No entanto, como já definido com minha fonoaudióloga, é necessário antes de tudo, voltar a me comunicar de maneira mais efetiva.
4) A fonoaudiologia me ajuda muito em razão de seus variados exercícios. É preciso recorrer a vários dos dispositivos oferecidos pela profissão para que eu possa evoluir em vários aspectos. Isso diz respeito a interpretação de situações hipotéticas, concordância entre palavras e até mesmo o movimento da língua e boca.
5) É preciso resistir. Não pense que reaprender vogais, consoantes e outras coisas que parecem tão infantis torne-se motivo para desanimar. Viver é uma benção. É sobre saber amar e não sobre quem você deve ser.

Meu nome é Eliana, sou professora e mestre em Educação, tenho 59 anos.
Eu tive AVC Isquêmico há 4 anos, no dia 26 de dezembro de 2015. Lembro-me que fui ao banheiro para escovar os dentes e lavei o rosto. De repente, meu braço direito e a minha perna direita não mexiam e, simplesmente, apaguei. A minha família ainda estava dormindo, era feriado. E foi aí que tudo mudou. Jamais imaginaria que a minha vida, em apenas alguns segundos, mudaria para sempre.  
No início, eu não falava absolutamente nada. Depois, algumas expressões como: cata cata, cata cata! Claro que a minha família não entendia e tentavam adivinhar o que eu estava tentando dizer.
Alguns meses depois, eu comecei a fazer meu tratamento de Reabilitação no Lucy Montoro e ali passei por avaliações e tratamentos: condicionamento físico, fisioterapia, robótica, terapia ocupacional, psicológica e fonoaudiológica. Todos eram importantes, mas o que me ajudou muito foi a Fonoaudióloga. Através dos métodos e estratégias, comecei a falar algumas palavras, depois frases e então, textos.
Eu entendi o que é Afasia. Tive que reaprender a falar, a escrever e a ler de novo, aprender cada coisa como se fosse a primeira vez, foi tudo muito demorado. Um processo muito lento e gradual.
Hoje, como afásicos, precisamos pensar antes de falar.
É um desafio diário! Mas, vamos enfrentar as dificuldades e com perseverança, foco e determinação vamos alcançar nossos objetivos.
Não desista!
Um grande abraço!

1 - Qual é o seu nome, idade e ocupação?

Meu nome é  Emerson Paulo da Costa. Tenho  40 anos, caminhoneiro.

2 - Há quanto tempo você convive com a afasia? Qual a sua história com ela?

Tive AVC em 2013. Quando eu estava dormindo fiquei in in consciente. Estava no hospital e tive convulsão e depois fiquei duas semanas entubado e sem conseguir fala nada. Eu sou cantor.... banda cover de Chico Science e tentando voltar minhas atividades na banda.
Eu tinha uma banda de rock e eu era o vocalista mas com AVC veio a dificuldade de cantar
também espero que melhore para voltar a cantar. Em todos os meus aniversários eu cantar
junto com meus amigos músicos e meus famílias e mesmo não fazendo grande festa era um show de verdade com todos os instrumentos.

3 - Para você, o que é viver com afasia? Quais são as dificuldades encontradas?

Hoje eu não sou de falar muito. Eu era mais comunicativo e muito brincalhão. Fico mais
fechado. Fico mais quieto observando as coisas. Fico muito triste e deprimido. Minha
comunicação vem melhorando. A fala já melhorou bastante e desde o dia em que sai do hospital há 2 anos faço exames de sangue [RNI] sempre e também continuo tomando remédio.

4 - Como a fonoaudiologia te ajudou a enfrentar a afasia? Que diferença este apoio fez em seu dia a dia?

Graças a DEUS estou evoluindo muito, GRAÇAS A DEUS e aos meus amigos do grupo de afásicos e DRA ÉRICA E SEUS COLABORADORES. E, principalmente com a ajuda da Dra Érica e da sua equipe (Junia, Jessica, Ainoa, Suzane, Meli, Marlon), do grupo de afásicos, dos meus familiares e minha família: minha esposa e meu filho. Fico mais feliz quando estou com eles e com minha família.

5 - Que mensagem você gostaria de deixar a outras pessoas que também vivem com a afasia?

Gostaria de falar para as pessoas que já tiveram  AVC a acreditarem em si e dizer que é
possível recuperar com a ajuda de outras pessoas que já tiveram AVC e que conseguiram
vencer com a ajuda de outras pessoas como estudantes e profissionais da fonoaudiologia.

Como está Emerson hoje
Atualmente, ele trabalha como garçom, segurança em eventos, faz tudo em eventos.
Muito alegre e bem-humorado, ele cuida do filho enquanto a esposa trabalha.
A única coisa que ainda o aborrece é não conseguir cantar, acompanhar as canções seguindo as letras.

1- Josevane de Jesus Visentin, 50 anos, professora. 
2- Minha mãe convive com a afasia há aproximadamente 8 meses. Ela teve um AVC em outubro de 2019, no hemisfério esquerdo, que paralisou todo o lado direito, afetou a fala, o entendimento e a memória. Foi uma lesão muito grande.
3- É muito difícil, por ser uma coisa que nunca tínhamos visto ou pesquisado. Para nossa família é uma coisa nova. Como minha mãe é professora, a maior dificuldade dela é juntar as letras para formar as palavras, e também fazer a associação  das coisas como seu respectivo nome.  Compreender o que falamos já está bem melhor, mais ainda tem algumas dificuldades. Será um eterno aprendizado.
4- A fonoaudiologia foi e é a melhor ferramenta para enfrentar a afasia. Os exercícios propostos são essenciais para a evolução da mãe. Além de tudo é preciso acreditar e ter muita força de vontade para ir além. Sem os profissionais de fonoaudiologia, eu acho que seria impossível enfrentar a afasia da forma como enfrentamos no nosso dia a dia.
5- Não é fácil, ninguém disse que seria. Mas não podemos desistir nem desanimar. Todo aprendizado é importante, desde as coisas mais simples até as mais complicadas. Claro que existirão dias difíceis, mas que não os tem?

Meu nome é Juliana, tenho 33 anos, sou escrevente conferente, trabalho no registro de imóveis de Passo Fundo, tive um AVC hemorrágico há 1 ano e 2 meses, não precisei de cirurgia porque  a hemorragia foi de 27ml causada por uma trombose. A única parte afetada do meu cérebro foi a parte da fala, e no início as pessoas não entendiam nada do que eu falava e ficavam me olhando, sem me dizer nada, com o passar dos dias foram voltando as palavras e fiquei mais compreendida. Após 3 meses foi conversar com a Andreia,  que me motivou e me deu for ça para não desistir. Voltei a trabalhar 6 meses após o meu AVC, falo bem, mas ainda troco palavras, tento achar semelhantes ou palavras com o mesmo significado para descrever as vezes o que querero dizer, quando aquele palavras, some e não vêem. Escrevo, não como escrevia anteriormente, mas com a ajuda do Word, do corretor ortográfico eu me viro "as vezes acho que tenho que voltar para a  primeira série, trocando palavras, pelas quais nunca troquei antes do AVC... mas sou muito feliz, e grata por tudo, sei que posso melhor muito ainda, que cada dia e um dia de conhecimento e aprendizagem e que valem muito, afinal estamos na nossa segunda oportunidade!”

Olá, pessoal: me chamo Maria, tenho 52 anos e sou empresária. Tive um AVC há 6 anos. Não é fácil. No começo não falava nada, mas com a ajuda da fono hoje eu me comunico melhor. Leio livros, trabalho através do celular.
Nunca, nunca desisti!

(Abaixo, o conselho dela, dirigindo-se a pessoas que estão na mesma situação):

Treine bastante!!!
Um abraço!

1 - Qual é o seu nome, idade e ocupação?

Me  chamo Oswaldo Luiz Prates, sou 49 anos. Professor de Matemática.

2 - Há quanto tempo você convive com a afasia? Qual a sua história com ela?

Eu tive AVC. Eu acabei dois livros de Matemática, no dia 09/04/2009. Aí, eu caí. E então, é vida nova. Eu não falava (muito pouco ), nervoso, eu falava (uma semana por AVC) : FDP, PQ P... A minha mulher, sem entender, brigando. Eu estava numa “confusão”. Mais eu não estava entendendo.

3 - Para você, o que é viver com afasia? Quais são as dificuldades encontradas?

 Eu sou afásico. É muito difícil. Eu não lembro, ou então, esqueço. As pessoas são falantes, rápidas. Eu falei com as pessoas, sou afásico, não adianta...não adianta, mesmo. Cada vez, eu estou sozinho. Não tem problema. Por exemplo, eu viajo no meu carro, outra cidade (Rio, Gonçalves,..), cachoeira, o jogo do Cruzeiro... Claro que eu estou autônomo. Vou de calção no Pátio Savassi ou então, vou de roupa chique, vou ao cinema de camisa  velha, vou ver ao concerto, vou estudar Matemática, vou estudar o português no Kumon, vou pintar uma natureza morta, vou ler o Érico Veríssimo. De manhã, estou correndo, vou fazer uns exercícios etc...

 

4 - Como a fonoaudiologia te ajudou a enfrentar a afasia? Que diferença este apoio fez em seu dia a dia?

Eu tinha que aprender. Bom, vamos ver.
1º momento: Eu estava na Terapia, às 10h. As duas estagiária, pra mim é fazer muitas coisas. Às 11h Grupo de AVC da Érica. Eu falava, mas não tem o verbo. Depois, eu já falava mais ou menos.
2º momento: À Matemática. Eu estava entusiasmado. Pensando no projeto. Pode ser o
supermercado? ( a Livia ia ajudar ). Mais eu estava aflito. 45 minutos Linguagem, 45 minutos de Matemática, por tim tim a tim tim. Eu e a Érica estava brigando. Claro, que eu estava errado.

 

5 - Que mensagem você gostaria de deixar a outras pessoas que também vivem com a afasia?

 Agora, eu estou numa boa. Pode ser linguagem, pode ser Historia, pode ser, quem sabe, à Matemática, pode ser qualquer coisa… Eu viajo sozinho. Conhecer as praias, no interior, as cachoeiras, os parques e as cidades.

 

Como está Oswaldo hoje.
Mudou se de Belo Horizonte para o interior do estado. Cidade pequena em uma região muito bonita com muitas montanhas e cachoeiras. Como sua mudança é recente, por enquanto ele se adapta e curte a natureza do lugar.    

Eu tenho 45 anos. Estou aposentada. Sou jornalista.
Fazem 11 anos AVC.
Dois (primeiros) anos, eu falava pouquíssimo. 10 palavras.
Duas vezes por semana (fiz) fono. Consegui ampliar repertório.
Moro sozinha.
Eu passo roupa, faxina aqui, faço comida...

(Conselho para outras pessoas com afasia):

- Não desista!

1. Regina Aparecida de Paula, 55 anos, bióloga aposentada.

2. Eu tive AVC e afasia à 3 anos.

3. Março 2017: falar muito difícil. Eu tive como mudou expressão, não falar e expressar. Tia não colabora. Após 1 ano e 6 meses, fono acabou nos Santa Casa e HC. Assistência social: ver no teatro de Afásicos: fono e teatro.

4. Eu estou muito contente, fono: apoio e desenvolvimento meu. Eu estou na casa, rua, mercado, feira ou lugar, eu estou falando.

5. Eu estou continuando falar devagar, musica de Martino de Vida, devagar.

“Meu nome é Sonia Reinol, eu tenho 59 anos. Há 10 anos que eu tive um AVC. Foi exatamente dia 28 de junho de 2010. Eu não sabia o que era aquilo. O que era afasia? Nunca ouvi falar. Eu sempre trabalhei em comunicação a vida inteira. Eu era empresaria da comunicação. Sempre falei muito. Eu conheço tudo. E nesse período eu não entendia o que as pessoas falavam do meu lado. O que antes era o meu  normal e conversava com os meus  grupos, agora, eu não entendia NADA!!!. E na minha vida, nesse período alguém dizia: sua cabeça arrebentou.... mas ninguém sabia o que era. Na minha família eu trabalhava ainda com a comunicação. Ia depois com meu sócio nas reuniões. Só que fisicamente eu estava normal, mas não entendia nada. Nada! Era blá blá blaá das pessoas. Outra coisa, outra língua. Eu não sabia. Aí a Fono me ajudou a entender. Cada coisa. Por exemplo, uma caneta. Eu não sabia mais. Precisava ver a imagem da caneta. Vocês fonos que me ensinaram. Aprendendo tudo de novo, como uma criança. A palavra joelho, (risos) eu lembro como era complicada para falar. E eu pensava então, como fazer para ficar  normal de novo? Eu pensava num remédio. Mas não é isso só que a gente não sabe naquela hora. Não conhece. Precisa de fono.  Só a gente sabe e vocês, fonos. As pessoas não sabem. O canto me ajudou também. Hoje eu sei tudo, tá vendo? Mas essa palavra mesmo,  “vendo”, demorei muitos meses eu acho pra conseguir falar. F.E.N.D.O- VENDO! Era uma loucura dentro da cabeça. Olha, Fono foi a coisa mais importante na minha vida nesse AVC. Vocês que me ensinaram as palavras, as imagens, a ler. Você também falou da minha visão, você que reparou, mandou pro médico na hora certa e eu operei. Falou também depois do negócio da audição, do treinamento. Eu fiz o PAC. Isso foi muito bom. Ajudou. Tudo da fono, muita repetição, muita coisa, eu tinha que escutar, que entender, que ler, que ver, todo dia. Tentar falar. Tenho tudo aqui, minhas pastas até hoje. Nunca esqueci. Todos os dias por 2 anos eu pegava as plantinhas... ta vendo? Não é isso... pera aí...(risos), ihhh... as folhinhas! Ainda acontece às vezes. Eu voltei a trabalhar. Precisava de ajuda pra escrever. Hoje eu faço aula de música, toco teclado, pandeiro, teatro. Já fiz um filme, três peças. O recado que eu dou para as pessoas? Eu não sabia sobre fono. Tudo que uma fono faz. O recado que eu deixo pra quem tem afasia é que sua cabeça é uma máquina e de repente arrebenta. Pega um profissional de verdade. Uma fono que conhece. E acredita. Hoje eu posso tudo!”

1 Yuri Peruffo de Ávila, 28 anos, médico
2 - 1 ano fui um afásico de wernicke e agora sou anômico
3 -  viver com a afasia é um mundo completamente diferente, tenho a ideia dentro de mim, mas travo e não vai, me sentia no centro de Bangladesh parece que não sei para onde vai...
4- a fonoaudiologia foi um anjo para mim, um Porto Seguro, a única pessoa que conseguia me ouvir, me entender, se não fosse a fonoaudióloga não estaria onde estou
5- o que a gente tem que lembrar que tudo passa e sempre precisamos ir para frente, não pensar para trás